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+ <title>Memorandum àcerca das expedições realisadas na Zambezia Septentrional, por Carl Wiese</title>
+ <meta name="Author" content="Carl Wiese">
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+<pre>
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+The Project Gutenberg EBook of Memorandum ácerca das expedições realizadas
+na Zambesia septentrional durante os annos de 1885 a 1891, by Carl Wiese
+
+This eBook is for the use of anyone anywhere at no cost and with
+almost no restrictions whatsoever. You may copy it, give it away or
+re-use it under the terms of the Project Gutenberg License included
+with this eBook or online at www.gutenberg.org
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+Title: Memorandum ácerca das expedições realizadas na Zambesia septentrional durante os annos de 1885 a 1891
+
+Author: Carl Wiese
+
+Release Date: February 19, 2011 [EBook #35325]
+
+Language: Portuguese
+
+Character set encoding: ISO-8859-1
+
+*** START OF THIS PROJECT GUTENBERG EBOOK EXPEDICOES REALIZADAS NA ZAMBESIA ***
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+Produced by Pedro Saborano
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+
+<p> </p>
+
+<div style="text-align:center; padding: 1em; border: solid 2px #000;">
+<p style="font-size: 1.6em;">MEMORANDUM</p>
+
+<p>ÁCERCA DAS EXPEDIÇÕES REALISADAS</p>
+
+<p>NA</p>
+
+<p style="font-size: 2em;">ZAMBESIA SEPTENTRIONAL</p>
+
+<p style="font-size: 0.8em;">DURANTE OS</p>
+
+<p style="font-size: 1.2em;">ANNOS DE 1885 A 1891</p>
+
+<p style="font-size: 0.8em;">POR</p>
+
+<p style="font-size: 1.4em;">CARL WIESE</p>
+
+<p> </p>
+
+<p>LISBOA <br>
+<small>IMPRENSA NACIONAL</small><br>
+1891</p>
+</div>
+
+<p> </p>
+
+<div style="text-align:center;">
+<p style="font-size: 1.6em;">MEMORANDUM</p>
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+<p>ÁCERCA DAS EXPEDIÇÕES REALISADAS</p>
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+<p style="font-size: 2em;">ZAMBESIA SEPTENTRIONAL</p>
+
+<p style="font-size: 0.8em;">DURANTE OS</p>
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+<p style="font-size: 1.2em;">ANNOS DE 1885 A 1891</p>
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+<p style="font-size: 0.8em;">POR</p>
+
+<p style="font-size: 1.4em;">CARL WIESE</p>
+
+<p> </p>
+
+<p>LISBOA <br>
+<small>IMPRENSA NACIONAL</small><br>
+1891</p>
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+
+<p> <span class="pn">{3}</span></p>
+
+<p> </p>
+
+<div id="corpo">
+
+<h1>MEMORANDUM</h1>
+
+<p>O negocio do marfim corria bastante mal, em Tete, durante o anno de 1885; as
+caravanas do sertão não affluiam, e as transacções estavam quasi paralysadas;
+por isso resolvi partir para o interior, a fim de adquirir aquella mercadoria
+tão perto quanto me fosse possivel do seu logar de producção.</p>
+
+<p>Em principios de março organisei uma expedição composta de 300 indigenas,
+caçadores de elephantes, e parti em direcção de Cachombe, transpuz o Zambeze em
+Chabonga, e, depois de dezoito dias de marcha, cheguei á aldeia de Chirupe, na
+terra dos Sengas, a um dia de distancia de Aroangoa Grande, onde me estabeleci
+e fortifiquei no intuito de enviar d'ali os meus caçadores em procura do
+marfim, ficando ao abrigo de quaesquer ataques dos indigenas.</p>
+
+<p>Andava eu pouco satisfeito com os resultados da caça, quando os meus
+caçadores encontraram no mato uma expedição guerreira do grande regulo Mpesene,
+o que me offereceu favoravel ensejo para eu enviar a este potentado um pequeno
+presente, pedindo-lhe licença para caçar nos seus territorios, onde n'esse
+tempo ainda havia uma grande quantidade de elephantes.</p>
+
+<p>Dois mezes depois via satisfeito o meu desejo, pois recebia a visita de uma
+grande embaixada do Mpesene, tendo á sua frente o ministro da guerra Cassamba
+Moropa, e um dos filhos do potentado por nome Madzi Mauvi, que vinham
+convidar-me para me ir estabelecer definitivamente nos seus estados.</p>
+
+<p>Deixei o estabelecimento de Chirupe a cargo de um dos<span class="pn">{4}</span> meus capitães, e
+segui para as terras do Mpesene, apenas acompanhado por alguns caçadores.</p>
+
+<p>Fui admiravelmente recebido, contribuindo poderosamente para isso uma
+circumstancia fortuita que me conquistou inesperadamente a estima do soberano e
+do seu povo. Á minha chegada, em meiados de dezembro, reinava entre os landins
+de Mpesene grande desgosto e excitação por causa da falta das chuvas; em balde
+eram sacrificadas, nas aras das divindades indigenas, numerosas cabeças de
+gado; a secca prolongava-se extraordinariamente, e com ella cresciam as ameaças
+de fome. Por milagrosa fortuna da expedição a minha entrada na principal
+povoação do Mpesene, Matengulene, coincidiu com um copiosissimo aguaceiro; e os
+indigenas, crentes de que eu lhes trouxera a desejada chuva, receberam-me com
+as mais enthusiasticas demonstrações de alegria.</p>
+
+<p>Facil foi por isso obter licença para constituir ali um estabelecimento
+permanente. Alcançada a permissão, parti para ir buscar a parte da minha
+expedição, que eu deixára junto ao Aroangoa, offerecendo-me o chefe, já por
+essa occasião, um valioso presente de marfim.</p>
+
+<p>Volvi a Matengulene em principios de 1886, e ali me demorei mais de dois
+annos, dirigindo as excursões dos meus caçadores e recolhendo o marfim, que
+trouxe para Tete quando regressei, em principios de julho de 1888.</p>
+
+<p>Em novembro do mesmo anno, achando-se o governador geral da provincia,
+conselheiro Augusto de Castilho, em visita á villa de Tete, tive ensejo de
+contar a s. ex.<sup>a</sup> o modo por que fôra recebido nas terras do Mpesene, e o
+respeito com que elle e os seus acatavam os brancos, considerando-os
+representantes do <em>Geral</em>, titulo com que designavam o governador de
+Tete, a maior auctoridade que elles conheciam, ainda assim, por antiga
+tradição.</p>
+
+<p>Encareci a s. ex.<sup>a</sup> quanto seria vantajoso para o governo portuguez estreitar
+relações com aquelle poderosissimo chefe, e avançar consideravelmente para o
+norte, onde os portuguezes são ainda o unico povo europeu conhecido, e cuja
+influencia não póde ser contestada.</p>
+
+<p>No 1.º de dezembro de 1888 dirigia-me o sr. conselheiro Castilho um officio,
+em que me pedia, em nome do governo<span class="pn">{5}</span> portuguez e no interesse da dilatação
+do seu dominio, que na minha proxima viagem aos sertões de Mpesene, usasse da
+já poderosa influencia que eu adquirira, para convencer o regulo de que devia
+acceitar a soberania de Portugal.</p>
+
+<p>Recommendava-me o sr. Castilho que estendesse quanto possivel para o norte o
+prestigio e influencia dos portuguezes, e, para dar um caracter perfeitamente
+official á expedição que eu era encarregado de dirigir, collocava ao meu lado,
+como representante da auctoridade do governo e encarregado de redigir quaesquer
+autos ou tratados, o sr. tenente Mesquita e Solla, secretario do governo de
+Tete, que ficaria residindo junto ao regulo quando eu, em virtude de negocios
+meus particulares, tivesse de ausentar-me.</p>
+
+<p>Só em 6 de março me foi possivel partir para Cachombe, acompanhado pelo sr.
+tenente Mesquita e Solla, e munido das necessarias instrucções que
+opportunamente recebera.</p>
+
+<p>Correu sem novidade a viagem de dez dias até Cachombe, porém aqui tivemos de
+nos demorar quatro mezes, por causa das intrigas que urdira contra nós o
+capitão mór da localidade, Luiz Firmino, que por todos os meios procurava
+impedir a visita de uma expedição áquelles ricos e vastissimos territorios.</p>
+
+<p>Avisára elle o Mpesene de que nós lhe íamos fazer guerra e que devia
+desconfiar de nós; e o chefe landim começava a acreditar no que o capitão mór
+insinuava e ía reunindo contra nós grandes forças, cuja noticia nos chegava
+pelos maraves d'alem Zambeze.</p>
+
+<p>N'estas condições julguei menos conveniente arriscar o exito da expedição e
+deliberei enviar ao regulo uma pequena embaixada composta de homens de
+confiança, conhecidos do Mpesene e habituados a tratar com elle.</p>
+
+<p>Voltou a embaixada depois de ter aplanado todas as difficuldades, e
+acompanhada por uma outra que o Mpesene mandava encontrar-se comnosco para nos
+conduzir ás suas terras.</p>
+
+<p>O resultado futuro da expedição afigurava-se-nos de novo auspicioso, mas
+eram já irremediaveis as despezas occasionadas pela demora de quatro mezes,
+consumidos n'uma esteril inacção, e as perdas que provinham para mim da
+sustentação durante esse tempo dos meus caçadores, que representavam o
+principal capital do meu negocio.<span class="pn">{6}</span></p>
+
+<p>Atravessámos finalmente o Zambeze, junto á povoação de Chacanga, a dois dias
+de viagem para montante das cataractas de Caborabassa.</p>
+
+<p>Para não descurar os intuitos politicos da minha missão, procurei logo
+avistar-me com o poderoso Chanquaniquire, regulo da Maravia de oeste,
+territorio onde abundam as minas de oiro, de prata e de estanho, banhado pelo
+Zambeze, entre os rios Boosi e Luya que o limitam a oeste e leste,
+estendendo-se para o norte até aos montes Mefingue. Em 10 de junho de 1888
+firmava-se o tratado que restabelecia a soberania portugueza na parte
+meridional da Maravia, de que os antigos escriptores tanto se occuparam e cuja
+interessantissima descripção se póde ler no livro de Gamito e Monteiro, <em>O
+Muata Cazembe</em>.</p>
+
+<p>Aproveitámos tambem a occasião para visitar o chefe Chincoco, feudatario do
+Chanquaniquire, avisal-o da submissão do seu suzerano, e obter a sua annuencia
+e promessa de inteira obediencia e lealdade para com o governo portuguez. Esta
+submissão pessoal do Chincoco tinha para nós maior importancia por ser este
+vassallo do Chanquaniquire indigitado como successor do regulo do Unde, isto é,
+futuro soberano da Maravia oriental.</p>
+
+<p>Firmadas as nossas excellentes relações com o Chincoco, partimos para o
+norte em direcção á aringa do Catumba, tributario já do Mpesene, comquanto as
+suas terras façam parte da Maravia oriental, e paguem tambem imposto a Unde.</p>
+
+<p>D'elle alcançámos que promettesse deixar caçar nos seus territorios os
+subditos portuguezes, sem lhes pôr impedimento nem mesmo lhes exigir o
+<em>dente da terra</em>; obrigando-se mais o potentado a proteger e auxiliar,
+quanto fosse necessario, os nossos correios que atravessassem os seus dominios
+no transito entre Tete e os estados do Mpesene.</p>
+
+<p>Catumba tem a sua capital no cume de uma elevada e quasi inaccessivel
+montanha, Chingilisia, que domina toda a vasta e fertil planicie circumvizinha;
+é ponto de superior importancia estrategica, e certamente um dos primeiros a
+occupar para quem pretenda ter segura posse dos valiosos territorios que se
+estendem até aos confins dos estados de Mpesene.</p>
+
+<p>Em 14 de julho de 1888 entravamos em Matengulene, capital do Mpesene, e
+faziamos fluctuar ali, pela primeira vez<span class="pn">{7}</span> desde que a dominam zulus, a
+bandeira de um paiz civilisado, a bandeira portugueza.</p>
+
+<p>Esperava-nos excellente recepção por parte do poderoso rei e dos seus
+indunas, principalmente do meu velho amigo Cassamba-Moropa, que ainda
+encontrámos no exercicio do seu cargo.</p>
+
+<p>Mpesene acceitou com reconhecimento a bandeira portugueza, que logo fez
+arvorar, e firmou comnosco um tratado de vassallagem datado de 20 de julho, em
+que o chefe zulu se obriga a manter abertos os caminhos para o Zambeze, e a
+cessar as suas continuadas correrias, que assolavam o paiz marave, com grande
+prejuizo do commercio.</p>
+
+<p>Em diversos e successivos documentos confirmaram os filhos de Mpesene a
+obediencia do pae á corôa portugueza; por vezes se repetiram, com intervallo de
+muitos mezes, as solemnes declarações do potentado indigena, que até mais de
+uma vez aproveitou a presença de um viajante estrangeiro, o subdito britannico
+Alfred Sharpe, para assignalar bem a estreiteza das suas relações com as
+auctoridades que a expedição de meu commando representava.</p>
+
+<p>Numerosos documentos attestam e confirmam, pela presença de varias
+testemunhas, a fidelidade do Mpesene, dos seus filhos e dos seus grandes.</p>
+
+<p>Para deixar perduravel impressão no animo do chefe zulu, e tomar posse, por
+assim dizer, das concessões que elle fazia, não bastava uma simples visita e a
+conclusão de um tratado; por isso a expedição resolveu permanecer ali durante
+bastantes mezes, e construir um estabelecimento com um caracter permanente, que
+serviria de quartel general, verdadeira base de operações de onde deviam
+irradiar as explorações que em diversos sentidos se foram emprehendendo, e que
+nos permittiria vigiar de perto quaesquer tentativas que podessem fazer-se para
+subtrahir aquelles territorios á influencia portugueza.</p>
+
+<p>Construimos por isso uma vasta casa de habitação para os europeus, um
+quartel para 200 caçadores indigenas, e numerosas casas tanto para os capitães
+como para os brancos que por ali passassem; completavam a nossa installação uma
+boa cozinha, e um vasto jardim, onde cultivavamos os legumes europeus: couves,
+alfaces, ervilhas, batatas, nabos, varias qualidades de feijão, etc.<span class="pn">{8}</span></p>
+
+<p>Enormes rebanhos de gado, vastos milharaes de excellentes qualidades,
+abundantissimo leite e optima manteiga, asseguravam á expedição uma facil e
+variada alimentação, que raras vezes será possivel igualar em terras africanas
+muito mais civilisadas.</p>
+
+<p>Um clima admiravel, vastissimas planicies limitadas por elevadas montanhas,
+aguas abundantes, frescas e purissimas, pastagens que dispensam toda a cultura,
+e que asseguram a faculdade de alimentar innumeros rebanhos, tudo contribue
+para tornar o paiz do Mpesene extremamente apto para a colonisação europea, que
+desde logo encontraria nos indigenas o auxilio indispensavel e uma intelligente
+collaboração.</p>
+
+<p>A raça zulu, pura aqui de toda a mescla, é certamente a mais elevada e nobre
+das que se encontram na Africa meridional; selvagem, é ella de certo, cruel por
+vezes, como todas as raças guerreiras; mas nobre tambem como todas as raças que
+têem a consciencia da propria superioridade.</p>
+
+<p>É certamente com os grandes centros de população que offerecem os zulus de
+Mpesene, e com os recursos que elles crearam, com os seus gados e variadas
+provisões, que deveremos contar para repovoar e explorar os vastos territorios
+que se estendem para o sul quasi até ao Zambeze; o antigo paiz Marave, cuja
+riqueza foi tão celebrada outr'ora hoje devastado pelas incursões dos zulus a
+que a civilisação europêa não tentára nunca por um dique, e cuja energia,
+prejudicial quando abandonados ás impulsões dos seus instinctos selvagens, péde
+ser tão util desde que os dirija superiormente a influencia europêa que elles
+acceitam e acolhem com tão favoraveis disposições.</p>
+
+<p>Em fins de outubro de 1889 partia a expedição do meu commando para explorar
+as terras do Missale, tão celebradas pelas suas antigas minas, e que desde
+tanto tempo não haviam sido visitadas pelos portuguezes.</p>
+
+<p>É certo que o sr. coronel Paiva de Andrada tentára visital-as ha alguns
+annos, porém não o conseguira por causa da opposição que encontrou nos landins
+do Mpesene, os mesmos que agora nos acompanhavam e auxiliavam.</p>
+
+<p>A primeira difficuldade que se me apresentava era a incerteza do logar
+occupado pelas antigas minas, por isso que as<span class="pn">{9}</span> povoações, arrasadas pelos
+zulus, tinham desapparecido, e crescêra sobre ellas uma densa mata.</p>
+
+<p>Alguns dos meus caçadores, porém, guiados por indicação que eu alcançára dos
+landins, ácerca da existencia de poços e de ali ter havido brancos, lograram
+descubrir signaes indiscutiveis da lavra das minas, encontrando mesmo
+fragmentos de varias ferramentas e vestigios de grandes e importantes
+povoações.</p>
+
+<p>O terreno está completamente abandonado, não existe lá nenhuma especie de
+cultura, nem gados, nem outros quaesquer meios de subsistencia, além dos que
+nos offerecia a caça; por isso apenas nos demorámos tres dias, para reconhecer
+a situação das antigas minas, e verificar a existencia do oiro, que obtivemos
+sempre, mesmo com os nossos grosseirissimos processos de lavagem.</p>
+
+<p>Verificámos serem muito boas as condições locaes, pois o clima é
+sensivelmente o mesmo de Matengulene; não haverá, portanto, difficuldades para
+a colonisação europêa, que em breve poderá desenvolver variadas culturas.</p>
+
+<p>Os landins indicaram-nos ainda muitos outros logares onde havia oiro, e
+entre elles uma serra, Chifumbazi, ao sul do Missale e no caminho do Mano, onde
+o precioso metal se encontra no pincaro de uma elevada montanha; mas a falta de
+mantimentos obrigou-nos a retroceder sem a visitar.</p>
+
+<p>Pensando na futura exploração d'aquelles territorios procurára eu um caminho
+de facil percurso por onde se abrisse communicação para as minas, quando vim a
+saber pelos landins que o rio Bua era navegavel no tempo das chuvas, indo por
+elle as almandias até ao Nyassa; julguei portanto conveniente verificar a
+exactidão d'aquella noticia, e parti na direcção do rio.</p>
+
+<p>Percorridos cerca de 30 kilometros, chegámos á margem do Bua, perto da serra
+Mechinge, isto é, perto da sua origem, e seguimos rio abaixo ao longo da margem
+esquerda, mandando fazer repetidas sondagens, que nos davam sempre altura de
+agua superior á de um homem, durante dia e meio de viagem, até chegar á aldeia
+do Mambo de Chôoco, tributario de Mpesene. Do proprio Mambo soubemos que o rio
+era facilmente navegavel, o que eu mesmo tive occasião de verificar mais uma
+vez atravessando-o uns 80 kilometros a jusante.<span class="pn">{10}</span></p>
+
+<p>No regresso a Mpesene aproveitámos ainda a occasião para visitar a
+residencia de Mocanda, antigo senhor de todas aquellas terras, que fôra
+desapossado d'ellas pelos zulus, e hoje se encontra sob a protecção do Muassa.</p>
+
+<p>Julgando conveniente conhecer exactamente os cursos dos rios Lutembue,
+Lucusi e Sandire, por estarem erradamente traçados nas diversas cartas que eu
+possuia, parti em principio de fevereiro de 1890 para os ir explorar,
+aproveitando o ensejo para entrar em relações com o chefe marave Mpanda,
+tributario de Mpesene. Consegui fixar exactamente o curso d'aquelles rios,
+verificando ser o Lutembue affluente do Sandire, e este do Aroangoa, bem como o
+Lucusi (Lukushi das cartas inglezas).</p>
+
+<p>Perfeitamente acolhido por Mpanda, deixei-lhe, a seu pedido, alguns
+caçadores, obtendo a promessa de que para o futuro não exigiria o «dente da
+terra».</p>
+
+<p>Já ao tempo da nossa viagem ao Missale, escasseavam os recursos da
+expedição, e mal tinhamos com que alimentar-nos; ao regressar, porém, de
+Mpanda, a situação tornava-se insustentavel, e era preciso angariar novos
+fornecimentos com que podessemos comprar mantimentos. Por vezes tinhamos
+instado para que nos soccorressem, mas o auxilio pedido era-nos constantemente
+recusado, com o fundamento de não haver auctorisação do governo geral para
+nol-o enviar; por isso vi-me obrigado a partir para Tete.</p>
+
+<p>Ao despedir-me de Mpesene, resolveu o regulo enviar uma embaixada ao
+governador de Tete para o comprimentar. Não foi esta a unica prova de
+consideração que recebemos; os quatro filhos de Mpesene mandaram-me cada um
+d'elles um boi para o caminho, e de outros amigos poderosos recebi presentes de
+cabras e ovelhas.</p>
+
+<p>Chegado a Tete em 11 de março de 1890, tive o desgosto de me serem
+recusados, pelo governador do districto, todos os recursos, que eu pedia para a
+continuação dos trabalhos da expedição; escrevi logo ao governador geral, então
+o sr. conselheiro Neves Ferreira, mas, sem esperar a resposta de s. ex.<sup>a</sup>,
+resolvi partir novamente para o Mpesene, levando para o reabastecimento da
+expedição uma factura de mercadorias comprada á minha custa.<span class="pn">{11}</span></p>
+
+<p>Depois de dez dias de demora no meu acampamento do Matengulene, tendo ouvido
+que os inglezes faziam activas diligencias para attrahir a si o poderoso regulo
+Muassa, tão importante como o proprio Mpesene, resolvi saír para as suas terras
+em 20 de junho.</p>
+
+<p>A chegada do viajante inglez A. Sharpe, quando eu me dispunha a partir,
+causou-me alguma demora, por isso que se queixava de ter sido atacado nas
+terras de Mpesene pelos landins, e me pedia para lhe alcançar a restituição das
+fazendas; julguei conveniente attender á reclamação e fiz-lhe devolver o que os
+landins lhe tinham tirado, accedendo tambem ao pedido que me fez para ir na
+minha companhia ás terras do Muassa. Afigurava-se-me ser este um excellente
+meio de lhe provar qual era ali o prestigio e influencia da expedição do meu
+commando.</p>
+
+<p>Partimos juntos; chegados, porém, ao territorio do Muassa, o sr. Sharpe
+separou-se de nós no intuito de subtrahir á influencia portugueza o poderoso
+chefe marave. Não conseguiu, porém, o seu intento, pois foi obrigado a saír sem
+demora d'aquellas terras, e deveu á intervenção directa do proprio regulo o
+saír com vida. Seria demasiadamente extensa a narração circumstanciada dos
+factos que então se deram, tanto menos necessaria que se encontram
+minuciosamente expostos no relatorio da expedição.</p>
+
+<p>Bem recebidos pelo Muassa, demorámo-nos ali alguns dias, obtendo do chefe a
+promessa de que faria comnosco um tratado quando regressassemos de Chipeta, que
+eu tambem queria visitar, no intuito de cruzar o Bua ainda mais perto da sua
+embocadura, e examinar melhor as condições de navigabilidade do rio, e tambem
+para ver se podia alcançar as terras de Chuere, importante chefe landim que
+reside nas margens do Lintipe.</p>
+
+<p>Escolhi para primeira estação um posto fortificado que os meus caçadores
+haviam construido seis annos antes e ainda occupavam, proximo da povoação do
+chefe de Chipeta, Zoôle. Infelizmente encontrámos os caçadores e a importante
+colonia portugueza que os acompanhava em muito más relações com o chefe,
+correndo mesmo grande risco de ser por elle atacada. Alguns caçadores tinham
+perecido recentemente, victimas de<span class="pn">{12}</span> ataques traiçoeiros que lhes tinham
+dirigido; chegavamos pois a tempo para salvar os restantes e attender ao seu
+desejo de que os fizessemos passar-para o territorio de Muassa.</p>
+
+<p>Como não tinha consideraveis forças á minha disposição, julguei arriscado
+intentar uma guerra, cujo resultado seria mais que problematico, e regressei a
+Muassa, levando commigo toda a colonia portugueza, umas 150 pessoas, contando
+mulheres e creanças.</p>
+
+<p>Foi por occasião d'esta minha segunda visita que ultimei com aquelle chefe o
+tratado de 10 de junho, em que o Muassa, na presença de todos os seus grandes e
+parentes, reconhece o protectorado portuguez e arvora a bandeira portugueza,
+resolvendo tambem mandar uma embaixada a Tete, a fim de cenfirmar ali, perante
+as auctoridades locaes, a sua obediencia e fidelidade.</p>
+
+<p>No intuito de acompanhar esta embaixada, e uma grande remessa de marfim que
+o Muassa envia para ser vendido em Tete, dispuz-me a partir para o Mpesene com
+400 subditos do Muassa.</p>
+
+<p>Surgiram, porém, graves difficuldades por parte do Mpesene, que não queria
+deixar passar a gente do Muassa; vencida, porém, a reluctancia d'aquelle, parti
+no fim do mez de julho para Tete, onde aproveitei a occasião para fazer
+ratificar o tratado com o Muassa.</p>
+
+<p>Ainda antes de chegar á capital do districto recebêra eu uma carta do
+governador geral Neves Ferreira, na qual s. ex.<sup>a</sup> se mostrava muito satisfeito
+com o resultado da expedição, e me avisava de ter dado ordem para que fossem
+postos os necessarios recursos á minha disposição.</p>
+
+<p>Foi por esta occasião da minha estada em Tete que me encontrei com os srs.
+Rankins e Bowler, agentes da <em>British Central Africa Co.</em>, que me
+propozeram entrar ao serviço d'aquella sociedade, e offereceram comprar-me as
+concessões que Mpesene havia feito.</p>
+
+<p>Comquanto eu recusasse aquelles offerecimentos, serviram-me elles para eu
+ter conhecimento das formulas de concessões que os agentes da companhia andavam
+procurando alcançar dos regulos indigenas, e poder assim contrapor aos
+documentos que elles invocassem outros de igual teor.</p>
+
+<p>Resolvido a voltar para os territorios da Maravia e Mpesene,<span class="pn">{13}</span> procurei
+antes d'isso reconhecer a navigabilidade do Zambeze para montante de Tete,
+conseguindo chegar a Massanangoe, logar que fica entre o ponto mais alto a que
+chegou o vapor <em>Marave</em> e o que foi alcançado pelo <em>Mac-Robert</em>,
+de Livingstone. Continuei depois a viagem pela margem direita do Zambeze até
+uns 15 kilometros a montante da embocadura de Luya, onde atravessei o Zambeze,
+dirigindo-me para a residencia do chefe Unde, na serra Baaze.</p>
+
+<p>Foi no dia da passagem que recebi do governador de Tete a communicação de
+que estava assignado o tratado de 20 de agosto, e portanto que se devia
+considerar perdido para Portugal todo o territorio cuja posse a expedição do
+meu commando alcançára.</p>
+
+<p>Não desanimei comtudo, esperando que algum resultado se podesse ainda tirar
+das concessões de caracter particular ou commercial que tinhamos podido obter
+anteriormente, tendo sempre o cuidado de resalvar a possibilidade de que a
+soberania portugueza ali se restabelecesse.</p>
+
+<p>Foi n'este intuito que eu alcancei de Unde, soberano da Maravia oriental, a
+concessão, que me assegura o direito exclusivo de exercer a industria mineira,
+a agricultura e o commercio nas suas terras, obrigando-se tambem a reconhecer o
+protectorado da nação europea que eu lhe designar.</p>
+
+<p>Esta concessão foi formulada nos termos em que eu sabia costumarem ser
+redigidas as concessões similhantes para a companhia ingleza da Africa central.</p>
+
+<p>De volta ás terras do Mpesene obtive tambem d'elle um similhante contrato de
+concessão; mas restava-me ainda fazer confirmar pelos chefes das margens do
+Aroangoa as concessões verbaes que me haviam feito por occasião da minha
+primeira viagem em que travára relações com elles, relações extremamente
+amigaveis que nunca se tinham interrompido, porque os meus caçadores
+continuavam a visital-os amiudadas vezes.</p>
+
+<p>Firmaram-se, pois, convenções successivas com os chefes da Senga, Ocunda,
+Uiza e Vambomgumia, isto é, com os chefes Sandué, Marrama, Chipore, Pandica,
+Iumba, Cucumbe, Saïd-Niendua, Chamboméla, Lundo, Chirupe, Satsherima, Massengo,
+Sôpa, sendo nós recebidos por toda a parte com grande enthusiasmo,<span class="pn">{14}</span> tanto
+mais lisonjeiro quanto a expedição ingleza dirigida por Thomson, por conta da
+companhia <em>South Africa</em>, tivera de retirar sem ter obtido em todos
+aquelles territorios uma só concessão, pois o unico documento que obteve foi
+firmado por um chefe local, que, vassallo de Chipore, não tinha auctoridade
+para fazer concessões sem auctorisação de seu suzerano. Por toda a parte nos
+declararam unanimemente os chefes, os grandes e os povos, que sempre tinham
+sido portuguezes e não reconheciam outra auctoridade que não fosse a do governo
+portuguez.</p>
+
+<p>Nos documentos annexos ao relatorio da expedição se póde ver o teor dos
+convenios que obtive.</p>
+
+<p>Quiz tambem verificar a navigabilidade do Aroangoa Grande, para o que desci
+o seu curso desde a aringa de Chipore até á povoação de Chamboméla, n'uma
+extensão de 70 kilometros, achando sempre uma profundidade de agua de 2 a 4
+metros; mas soube que era navegavel muito mais para montante, pois encontrei
+duas embarcações de caçadores do Zumbo, que desciam da embocadura do Locusi.
+Podemos pois contar com a completa navigabilidade do grande rio, para lanchas
+de pouco calado de agua, até ao Locusi, por isso que os rapidos que ficam perto
+da embocadura do Lussemfoa têem sido já transpostos, mesmo na estação secca.</p>
+
+<p>Estavam terminados os trabalhos que eu podia realisar nas condições em que o
+tratado de 20 de agosto collocára a expedição; resolvi pois voltar ao Mpesene
+para me despedir d'aquelle chefe, assegurando-o do meu futuro regresso ás suas
+terras, e retirei para Tete acompanhado pelo sr. tenente Solla.</p>
+
+<p>Deixei, porém, os meus caçadores nas terras do chefe zulo, sob o commando de
+um dos seus capitães; e o estabelecimento ficou sem alteração, confiado á
+guarda do regulo, que durante tantos annos me tem dado constantes provas da sua
+inalteravel fidelidade.</p>
+
+<p> </p>
+
+<p>Procurarei agora resumir em breves palavras a enumeração dos resultados
+praticos alcançados, tanto por mim, antes de me ser confiada a missão official
+com que o governador geral de Moçambique me honrou, como pela propria expedição
+de que eu fui chefe.<span class="pn">{15}</span></p>
+
+<p>1.º Tornaram-se conhecidos vastissimos terrenos que eram completamente
+ignorados e nem mesmo se achavam representados nas cartas mais modernas; taes
+são os que marginam o Aroangoa entre a embocadura do Lucusi (por 12°,40' de
+latitude sul) e as proximidades da foz do Lussemfoa (perto de 15° de latitude
+sul), e para alem a noroeste até aos montes Muchinga.</p>
+
+<p>Áquem do Aroangoa estenderam-se as explorações para norte e nordeste até ao
+monte Casengo, terras do Muassa, por 13° latitude sul, e já na vertente do
+Nyassa.</p>
+
+<p>Póde dizer-se que nos terrenos limitados pelo Aroangoa, o parallelo de
+12°,30', e a linha divisoria que separa as aguas do Nyassa e Chire das do
+Zambeze, apenas a expedição deixou de visitar a Macanga e alguns dos terrenos
+marginaes d'este ultimo rio, que, por serem prazos da corôa demasiadamente
+conhecidos, não exigiam nova exploração.</p>
+
+<p>2.º N'esta vastissima extensão de territorio reconheceram e acceitaram a
+influencia portugueza todos os grandes chefes; quer sejam zulus, como Mpesene;
+maraves, como Muassa, Chanquaniquire e Undi; sengas, como Chirupe, Lundo, Sopa
+e Massengo; ocundas, como Sandué e Marrama; uizas, como Chipore, Pandica, Iumba
+e Cacumbe; e vambomgumias, como Saïd-Niendûa e Chamboméla. Numerosos
+documentos, tratados de soberania, ou simples contratos de concessão, attestam
+a natureza das relações estabelecidas; d'elles foram em tempo opportuno
+enviadas copias ao governador de Moçambique e de certo tambem ao ministerio da
+marinha e ultramar.</p>
+
+<p>3.º Nem só esses documentos attestam a influencia e prestigio que o nome
+portuguez adquiriu recentemente na Zambezia septentrional; podem servir-lhe de
+contraprova numerosas cartas que recebi e conservo em meu poder, com valiosos
+offerecimentos, para o caso em que eu quizesse usar da influencia adquirida
+sobre os regulos em beneficio, quer da <em>African Lakes Company</em>, hoje
+absorvida pela <em>South Africa</em>, quer de uma empreza rival, embora da
+mesma nacionalidade, a <em>Central African Company</em>.</p>
+
+<p>4.º Lograram os trabalhos da expedição evitar que diversas expedições
+inglezas, dirigidas por Alfred Sharpe e Thomson, conseguissem attrahir aos seus
+interesses tanto o chefe zulu<span class="pn">{16}</span> Mpesene, como o marave Muassa; pois tanto
+um como o outro provaram reconhecer o dominio portuguez, fazendo tratados e
+enviando embaixadas a Tete. O mesmo succedeu nas margens do Aroangoa.</p>
+
+<p>Era tão evidente o prestigio portuguez n'aquellas regiões que os mais
+insuspeitos testemunhos o attestam, do que tenho em meu poder documentos
+inequivocos.</p>
+
+<p>5.º Talvez ainda não fosse impossivel alcançar do governo britannico uma
+rectificação de fronteiras ao norte do Zambeze, de modo que ficassem para
+Portugal os territorios onde esta nação exerce tanta influencia, e onde só com
+gravissimas difficuldades poderá estabelecer-se a companhia cujos interesses a
+Inglaterra protege. Seria este mais um resultado altamente proficuo da
+expedição que dirigi, e não duvido de que elle podesse alcançar-se agora, que
+já se conhecem na Europa as circumstancias em que se encontra a Zambezia
+septentrional.</p>
+
+<p>6.º Não deixou tambem a expedição de ter consequencias politicas immediatas,
+pois conseguiu que o Mpesene cessasse as suas incursões continuadas no paiz
+Marave, e alcançou d'aquelle, como dos outros chefes, a formal promessa de que
+protegeriam os subditos portuguezes, que, só nas terras do Mpesene, attingem um
+numero superior a 2:000.</p>
+
+<p>7.º No terreno commercial obteve a expedição que algumas caravanas arabes
+viessem vender o seu marfim a Tete (talvez no valor de 18:000$000 réis até á
+minha partida), em vez de atravessarem o lago Nyassa e o irem levar a Zanzibar;
+e não será difficil continuar a dirigil-as por aquelle novo caminho, se for
+possivel conserval-o aberto, e sobretudo se se melhorarem as communicações,
+como se prova pelo facto de ter já vindo uma caravana, sem ser acompanhada,
+depois que eu deixei o Mpesene.</p>
+
+<p>8.º Foram novamente descobertas e visitadas as antigas minas de oiro do
+Missale; obtiveram-se tambem noticias das do Mano, e conseguiu-se por este modo
+verificar quanto são ainda valiosos os terrenos, que foram tão largamente
+explorados n'outras eras. Perto do Chincoco encontrou a expedição outras minas
+de oiro, como tambem teve noticias das de Chindundo, ao sul do Mano. D'entre
+estas registei nove no governo de Tete,<span class="pn">{17}</span> em meu nome, ha mais de um anno
+porém, não me consta que fossem até hoje estabelecidos os campos de lavra
+respectivos. De outros metaes, de que trago amostras, tambem a expedição
+reconheceu existirem abundantes minas, taes são: estanho e zinco, perto do
+Zambeze; rubis, na terra dos sengas; e prata, tambem junto ao Zambeze; e
+finalmente mais uma vez viu confirmada a existencia do carvão em larguissimos
+tractos do terreno percorrido.</p>
+
+<p>9.º Pelo que respeita aos resultados scientificos da expedição que dirigi,
+mencionarei em primeiro logar a carta dos territorios explorados, cujos
+elementos colligi e apenas esperam ordem do governo para serem aproveitados.</p>
+
+<p>Sobre a historia, a lingua e os costumes dos differentes povos com quem a
+expedição esteve em contacto, encontram-se no seu diario numerosissimas
+informações, que eu procurarei reunir n'uma publicação especial logo que tiver
+para isso a necessaria auctorisação.</p>
+
+<p> </p>
+
+<p>Terminarei esta curta memoria transcrevendo para aqui as palavras com que
+fechei a decima quinta e ultima parte do meu relatorio official; assim confirmo
+hoje, tendo regressado á Europa, o que escrevia ao chegar a Tete, na volta da
+minha ultima visita ao Mpesene:</p>
+
+<p>«Ao terminar o honroso serviço que foi commettido a esta expedição, eu creio
+que ella, no limitado campo que lhe permittiam as suas forças, cumpriu o seu
+dever, esforçando-se sempre em tornar respeitada a nação que representava, e em
+fazer desejar as suas boas relações e o seu protectorado.</p>
+
+<p>«Posso asseverar, em minha consciencia, que entre o grande Aroangoa e o
+Luya, uma parte do Zambeze e o parallelo de 12° latitude sul tinhamos, ao
+retirar, deixado a influencia portugueza estabelecida de uma tal maneira, que,
+se uma outra qualquer nação a quizer supplantar e estabelecer a sua, só
+tardiamente o conseguirá e á custa de enormes sacrificios de todo o genero.</p>
+
+<p>«A expedição, porém, attingiu o seu fim não obstante os entraves, as
+difficuldades e a opposição que, partindo já de particulares, já mesmo de
+auctoridades, pareciam a cada momento embargar-lhe o passo. A minha propria
+qualidade de estrangeiro<span class="pn">{18}</span> assustava a muitos, e vibravam esses sobre mim
+todos os ataques que se lhes suggeriam.</p>
+
+<p>«Perdôo-lhes, porque, se lhes não faltasse instrucção, e os mais
+rudimentares conhecimentos da historia patria, teriam encontrado exemplos nos
+tempos mais gloriosos de Portugal em que estrangeiros se achavam ao seu
+serviço, e eram altamente considerados. Citarei antes de todos um allemão como
+eu Martim Behaim, o companheiro de Diogo Cão...</p>
+
+<p>«No proprio exercito não é desconhecido o nome do conde de Schomberg, que se
+batia nas suas fileiras pela liberdade de Portugal. E, se me quizesse entregar
+agora a mais investigações, estou certo de que poderia mencionar nomes de
+outros compatriotas meus que exerceram elevados cargos nas colonias portuguezas
+ao tempo da sua maior florescencia.</p>
+
+<p>«É com a maior magua que eu vejo perdidos todos os trabalhos, todo o zêlo e
+dedicacão com que esta expedição se houve para assegurar a Portugal a posse de
+uma tão rica e vasta região. Mas talvez ainda, se as indicações urgentes que
+tenho feito ultimamente e que me devem ter precedido, chegarem a tempo de em
+Portugal se poder insistir pela posse d'essas terras, a Inglaterra esteja hoje
+mais disposta a cedêl-as em vista das lições praticas que tem tido ensejo de ir
+ali aprender.</p>
+
+<p>«No caso de Portugal conseguir tão favoravel desenlace para as suas
+pretensões justissimas, ha ainda a vencer o mais importante&mdash;a falta do
+capital.</p>
+
+<p>«Exhausta de dinheiro como hoje se acha a nação pelos enormes sacrificios a
+que tem sido forçada, ver-se-ha de futuro na impossibilidade de dar ás colonias
+o impulso exigido pelo rapido caminhar da civilisação. A sua posição será
+difficil, vendo-as ameaçadas de ficar estacionarias, ao passo que as colonias
+vizinhas progridem, e expostas assim a novos perigos.</p>
+
+<p>«Na minha humilissima opinião, só vejo um meio de conjurar o perigo. É fazer
+o que fazem os inglezes hoje em Africa e o que têem feito n'outras partes em
+identicas circumstancias: crear o capital preciso, sem onerar os cofres do
+estado, por intermedio de poderosas companhias á similhança da <em>East Indian
+Company</em>. É só d'essa fórma que Portugal poderá dar á provincia de
+Moçambique o colossal impulso de que ella agora carece,<span class="pn">{19}</span> para caminhar na
+vanguarda do progreso colonial. A nação libertar-se-ha assim das muitas
+despezas com que lucta, e terá encontrado até uma importante fonte de receita.</p>
+
+<p>«Póde ser que eu me engane, mas creio que só d'esta fórma se poderá luctar
+com vantagem.</p>
+
+<p>«Oxalá que eu veja ainda dias mais prosperos para a provincia de Moçambique,
+e em especial para esta parte da Africa portugueza onde sempre fui bem acolhido
+e que, como se fosse uma segunda patria, eu tanto amo.»</p>
+
+<p>Eis o que eu escrevia em Tete em 21 de maio de 1891, hoje só me resta fazer
+votos por que se estenda á Zambezia septentrional a rasgada e intelligente
+iniciativa graças á qual se concedeu a outras companhias o direito de explorar
+os territorios ao sul do Zambeze, que de certo não são nem mais ferteis, nem
+mais ricos, nem mais colonisaveis do que os percorridos pela expedição que eu
+tive a honra de dirigir.</p>
+
+<p>Lisboa, 15 de setembro de 1891.</p>
+</div>
+
+
+
+
+
+
+
+
+<pre>
+
+
+
+
+
+End of the Project Gutenberg EBook of Memorandum ácerca das expedições
+realizadas na Zambesia septentrional durante os annos de 1885 a 1891, by Carl Wiese
+
+*** END OF THIS PROJECT GUTENBERG EBOOK EXPEDICOES REALIZADAS NA ZAMBESIA ***
+
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+Produced by Pedro Saborano
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+and help preserve free future access to Project Gutenberg-tm electronic
+works. See paragraph 1.E below.
+
+1.C. The Project Gutenberg Literary Archive Foundation ("the Foundation"
+or PGLAF), owns a compilation copyright in the collection of Project
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+To learn more about the Project Gutenberg Literary Archive Foundation
+and how your efforts and donations can help, see Sections 3 and 4
+and the Foundation web page at https://www.pglaf.org.
+
+
+Section 3. Information about the Project Gutenberg Literary Archive
+Foundation
+
+The Project Gutenberg Literary Archive Foundation is a non profit
+501(c)(3) educational corporation organized under the laws of the
+state of Mississippi and granted tax exempt status by the Internal
+Revenue Service. The Foundation's EIN or federal tax identification
+number is 64-6221541. Its 501(c)(3) letter is posted at
+https://pglaf.org/fundraising. Contributions to the Project Gutenberg
+Literary Archive Foundation are tax deductible to the full extent
+permitted by U.S. federal laws and your state's laws.
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+throughout numerous locations. Its business office is located at
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+business@pglaf.org. Email contact links and up to date contact
+information can be found at the Foundation's web site and official
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+
+For additional contact information:
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+ gbnewby@pglaf.org
+
+
+Section 4. Information about Donations to the Project Gutenberg
+Literary Archive Foundation
+
+Project Gutenberg-tm depends upon and cannot survive without wide
+spread public support and donations to carry out its mission of
+increasing the number of public domain and licensed works that can be
+freely distributed in machine readable form accessible by the widest
+array of equipment including outdated equipment. Many small donations
+($1 to $5,000) are particularly important to maintaining tax exempt
+status with the IRS.
+
+The Foundation is committed to complying with the laws regulating
+charities and charitable donations in all 50 states of the United
+States. Compliance requirements are not uniform and it takes a
+considerable effort, much paperwork and many fees to meet and keep up
+with these requirements. We do not solicit donations in locations
+where we have not received written confirmation of compliance. To
+SEND DONATIONS or determine the status of compliance for any
+particular state visit https://pglaf.org
+
+While we cannot and do not solicit contributions from states where we
+have not met the solicitation requirements, we know of no prohibition
+against accepting unsolicited donations from donors in such states who
+approach us with offers to donate.
+
+International donations are gratefully accepted, but we cannot make
+any statements concerning tax treatment of donations received from
+outside the United States. U.S. laws alone swamp our small staff.
+
+Please check the Project Gutenberg Web pages for current donation
+methods and addresses. Donations are accepted in a number of other
+ways including including checks, online payments and credit card
+donations. To donate, please visit: https://pglaf.org/donate
+
+
+Section 5. General Information About Project Gutenberg-tm electronic
+works.
+
+Professor Michael S. Hart was the originator of the Project Gutenberg-tm
+concept of a library of electronic works that could be freely shared
+with anyone. For thirty years, he produced and distributed Project
+Gutenberg-tm eBooks with only a loose network of volunteer support.
+
+
+Project Gutenberg-tm eBooks are often created from several printed
+editions, all of which are confirmed as Public Domain in the U.S.
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