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Imprensa de Libanio da Silva, 1899"> + <meta http-equiv="content-type" content="text/html; charset=iso-8859-15"> + <style type="text/css"> + body{margin-left: 10%; + margin-right: 10%; + } + .pn { + text-indent: 0em; + position: absolute; + left: 92%; + font-size: smaller; + text-align: right; + color: silver; + } + #corpo p.ni{text-indent: 0;} + #corpo p {text-align: justify; text-indent: 1em;} + h1,h2,h3,h4 {text-align: center; margin-top: 3em; margin-bottom: 2em;} + hr.dotted {border: 0; border-bottom: dotted 2px #000;} + hr {border: 0; border-bottom: solid 2px;} + .rodape { + font-size: 0.8em; + margin: 2em; + } + .capa {text-align:center; padding: 1em;} + .capa p {margin: 0.2em;} + blockquote {color: blue;} + .imagem {width: 40%; float: right; text-align: center;} + .ntrans {border: solid black 1px; background-color: #FFFFCC; font-size: +75%; margin-left: 10%; margin-right: 10%;} + </style> +</head> + +<body> + + +<pre> + +The Project Gutenberg EBook of Breves palavras sobre a cultura da Oliveira, by +Avelino Nunes de Almeida + +This eBook is for the use of anyone anywhere at no cost and with +almost no restrictions whatsoever. You may copy it, give it away or +re-use it under the terms of the Project Gutenberg License included +with this eBook or online at www.gutenberg.org + + +Title: Breves palavras sobre a cultura da Oliveira + +Author: Avelino Nunes de Almeida + +Release Date: August 29, 2010 [EBook #33572] + +Language: Portuguese + +Character set encoding: ISO-8859-1 + +*** START OF THIS PROJECT GUTENBERG EBOOK CULTURA DA OLIVEIRA *** + + + + +Produced by Pedro Saborano + + + + + +</pre> + + +<p> </p> + +<div class="ntrans"> +<p><b>Notas de transcrição:</b></p> + +<p>Foi mantida a grafia usada na edição original de 1899, tendo sido +corrigidos apenas pequenos erros tipográficos.</p> +</div> + +<p> </p> + +<div class="capa" style="border: solid 1px #000;"> +<p style="font-size: 1.8em;">BREVES PALAVRAS</p> + +<p style="font-size: 1.2em;">SOBRE A</p> + +<p style="font-size: 2.5em;">CULTURA </p> + +<p style="font-size: 1.2em;">DA</p> + +<p style="font-size: 2.5em;"> OLIVEIRA</p> + +<p> </p> + +<p style="font-size: 1.2em;">DISSERTAÇÃO INAUGURAL</p> + +<p>APRESENTADA AO</p> + +<p style="font-size: 1.2em;">Instituto d'Agronomia e Veterinaria</p> + +<p>POR</p> + +<p style="font-size: 1.4em;">Avelino Nunes D'Almeida</p> + +<p> </p> +<p> </p> + +<p><img src="images/logo.png" alt="Logotipo do editor"></p> + +<p> </p> +<p> </p> + +<p>1899<br> + +I<small>MPRENSA DE</small> L<small>IBANIO DA</small> S<small>ILVA</small><br> + +<em>91, Rua do Norte, 91</em><br> + +LISBOA</p> +</div> + +<p> </p> +<p> </p> +<p> </p> +<p> </p> + +<p style="text-align:center;font-size: 1.2em;">BREVES +PALAVRAS</p> + +<p style="text-align:center;">SOBRE A</p> + +<p style="text-align:center;font-size: 1.4em;">CULTURA DA +OLIVEIRA</p> + +<p> </p> +<p> </p> +<p> </p> +<p> </p> + +<div class="capa"> +<p style="font-size: 1.8em;">BREVES PALAVRAS</p> + +<p style="font-size: 1.2em;">SOBRE A</p> + +<p style="font-size: 2.5em;">CULTURA </p> + +<p style="font-size: 1.2em;">DA</p> + +<p style="font-size: 2.5em;"> OLIVEIRA</p> + +<p> </p> + +<p style="font-size: 1.2em;">DISSERTAÇÃO INAUGURAL</p> + +<p>APRESENTADA AO</p> + +<p style="font-size: 1.2em;">Instituto d'Agronomia e Veterinaria</p> + +<p>POR</p> + +<p style="font-size: 1.4em;">Avelino Nunes D'Almeida</p> + +<p> </p> +<p> </p> + +<p><img src="images/logo.png" alt="Logotipo do editor"></p> + +<p> </p> +<p> </p> + +<p>1899<br> + +I<small>MPRENSA DE</small> L<small>IBANIO DA</small> S<small>ILVA</small><br> + +<em>91, Rua do Norte, 91</em><br> + +LISBOA</p> +</div> + +<p> </p> +<p> </p> +<p> </p> +<p> </p> + +<p>A MEUS PAES</p> + +<p style="margin-left:4em">A MEUS IRMÃOS</p> + +<p> </p> + +<p style="margin-left:3em">Como prova de muito respeito e amisade.</p> + +<p> </p> +<p> </p> +<p> </p> +<p> </p> + +<div style="border-left: 10px solid #000;border-top: 10px solid #000; padding: 1em;"> +<p> </p> +<p> </p> +<p style="text-align:center;">Á MEMORIA DE +MEUS TIOS</p> + +<p> </p> + +<p>LUIZ NUNES DA COSTA</p> + +<p style="margin-left:2em;">MARIA AUGUSTA NUNES</p> + +<p style="margin-left:4em">MARGARIDA AUGUSTA NUNES</p> + +<p> </p> +<p> </p> +<p> </p> + +<p style="text-align:right;">Gratidão +eterna.</p> +<p> </p> +<p> </p> +<p> </p> +<p> </p> +</div> + +<p> </p> +<p> </p> +<p> </p> +<p> </p> + +<p>A MEUS PRIMOS</p> + +<p style="margin-left:2em;">AOS MEUS AMIGOS</p> + +<p style="margin-left:4em">AOS MEUS CONDISCIPULOS</p> + +<p> </p> +<p> </p> + +<p style="text-align:right;margin-left:auto;margin-right:0;">Como prova de +dedicação e amizade.</p> + +<p> </p> +<p> </p> +<p> </p> +<p> </p> + +<p style="margin-left: 2em;">A.............</p> + +<p> </p> + +<hr class="dotted"> +<p> </p> +<p> </p> +<p> </p> +<p> </p> + +<div id="corpo"> + +<p><small>O Instituto d'Agronomia e Veterinaria não se +responsabilisa pelas doutrinas expostas n'esta dissertação (Art.º 79 do +Regulamento de 8 de Junho de 1898).</small></p> + +<p> </p> + +<p> </p> + +<p> </p> + +<p> </p> + +<p>Ao escrever estas <em>breves palavras sobre a cultura da oliveira</em>, está +muito longe de mim a presumpção de que ellas vão lançar alguma luz sobre tão +importante assumpto.</p> + +<p>Nem com esse fim as escrevo: mas unicamente para cumprir um dever que a lei +me impõe.</p> + +<p>Anima-me a fazel-o, a confiança que tenho na benevolencia dos dignos mestres +que me hão de julgar.</p> + +<p> </p> + +<p>Lisboa 14 de Novembro de 1899.</p> + +<p> </p> + +<p style="text-align:right;margin-left:auto;margin-right:0;"><em>Avelino Nunes +d'Almeida</em></p> + +<p><span class="pn">{1}</span></p> + +<h2>PRELIMINARES</h2> + +<h3>Estudo botanico</h3> + +<p> </p> + +<p>A arvore de cuja cultura me proponho tratar faz parte da familia das +Oleaceas, comprehendida no grande grupo das phanerogamicas dicotyledoneas +gamopetalas superovariadas.</p> + +<p>Habita esta familia os paizes quentes e temperados, onde é constituida por +arvores ou arbustos de folhas oppostas, simples, inteiras e quasi sempre sem +estipulas.</p> + +<p>As diversas especies que a compõem apresentam inflorescencia em cacho +simples ou composto, e algumas vezes em forma de thyrso.</p> + +<p>Flores hermaphroditas e regulares, raramente polygamicas ou dioicas.</p> + +<p>Calice livre, presistente com quatro e algumas vezes cinco divisões.</p> + +<p>Corolla hypogynica com quatro fendas mais ou menos profundas, de maneira a +apresentarem quatro petalas, duas das quaes muitas vezes abortam. Apresenta a +forma assalveada, rodada ou afunilada.</p> + +<p>Geralmente dois estames alternos com os filetes<span class="pn">{2}</span> +curtos algumas vezes livres outras vezes inseridos sobre a corolla; ás vezes +apparecem quatro estames alternando com as petalas.</p> + +<p>Antheras ordinariamente introrsas, biloculares fazendo-se a sua dehiscencia +por duas fendas longitudinaes.</p> + +<p>Genyceu de tamanho regular cujo ovario é livre, bilocular encerrando cada +loculo geralmente dois ovulos. Um só estylete, curto, estygma simples e +bifendido. Fructo secco ou carnudo (capsula, baga ou drupa).</p> + +<p>Sementes com albumen ou sem elle: no primeiro caso tem embryão recto com +cotyledones foliaceas; no segundo caso as cotyledones são carnosas.</p> + +<p>A familia das Oleaceas está dividida em varios generos dos quaes alguns são +frequentes no nosso paiz. Entre estes contam-se os generos Syringa +(<em>L.</em>), Ligustrum. (<em>Tourn.</em>) Phyliria (<em>L.</em>) e Olea +(<em>Tourn.</em>)</p> + +<p> </p> + +<p><strong>Olea, Tourn.</strong>—Este genero é caracterisado por ter as flores +dispostas em pequenos cachos axillares, simples ou compostos; calice +tetradentado; a corolla com 4 fendas; estames salientes e inseridos no cimo do +tubo da corolla; estylete curto; estygma bilobado, conico e grande. Fructo +carnudo, oleoso, drupaceo; semente ossea com um ou dois espermas e o embryão +recto.</p> + +<p>São arvores ou arbustos de folhas simples, coreaceas, inteiras, presistentes +e oppostas.</p> + +<p> </p> + +<p>A oliveira faz parte d'este genero e entra na constituição da especie <em>O. +europaea</em>, L. originando dentro d'esta especie um grande numero de +variedades.</p> + +<p>A <em>O. Europaea</em> distingue-se pelos seus cachos axilares de flores +brancas. Forma arvores ou arbustos de folhas oppostas, persistentes, coriaceas, +inteiras, brancas ou esbranquiçadas na pagina inferior.</p> + +<p> </p> + +<p>O typo verdadeiro da oliveira parece ser o Zambujeiro (Olea oleaster D. C.) +que se apresenta sob<span class="pn">{3}</span> a forma de arvores ou arbustos +de ramos quasi sempre espinescentes, com drupas pequenas, negras e algumas +vezes brancas.</p> + +<p>Esta variedade é dotada de muito vigor, sendo por isso empregada como +cavallo sobre que se enxertam as variedades mais productivas.</p> + +<p>A oliveira commum, cultivada em todo o paiz, é a O. europaea sativa, D. C. +que forma arvores com ramos sempre inermes, drupa cujo tamanho varia muito com +a intensidade da cultura, e de cor escura. A sua cultura tem introduzido na sua +organisação modificações mais ou menos profundas que tem dado origem á +differenciação de um grande numero de variedades. D'estas differenças, faceis +de obter, nos caracteres especificos da planta nasce uma grande difficuldade +senão uma impossibilidade completa em se determinar o numero exacto das +variedades cultivadas, e de fazer n'ellas um estudo botanico que bem as +caracterise.</p> + +<p>A avolumar ainda as difficuldades levantadas pelas alterações morphologicas +dos orgãos da planta surge ainda o inconveniente da diversidade de nomes que de +terra para terra são dados a uma mesma variedade.</p> + +<p> </p> + +<p>É do maior ou menor vigôr das arvores, da natureza dos seus portes e +sobretudo da coloração, forma e grandeza dos seus fructos que se tiram os +caracteres das suas variedades.</p> + +<p>São muito inconstantes estes caracteres. Oliveiras tenho eu visto que, +provenientes de estacas da mesma mãe, se apresentam hoje, logo á primeira +vista, com aspectos muito differentes dos da planta d'onde provieram.</p> + +<p>A planta de que se extrairam estas estacas é uma velha oliveira que tem +vegetado sempre á custa dos elementos naturaes do terreno, já de si pobre, e +que pela sua constituição schistosa não é dos mais proprios para esta especie +de cultura. Os seus fructos são pequenos, as folhas, esbranquiçadas na<span +class="pn">{4}</span> pagina inferior, tomam uma côr verde pouco carregada na +pagina superior. As estacas d'ella provenientes foram levadas para o littoral e +plantadas em um terreno onde annualmente se faz a cultura do milho e de outros +cereaes. É um terreno argillo-calcareo com ligeira inclinação ao poente.</p> + +<p>As arvores provenientes d'estas estacas são muito vigorosas; o seu fructo é +muito mais volumoso que o produzido pela planta mãe; as folhas, com quanto +apresentem na pagina inferior a côr esbranquiçada caracteristica da especie, +apresentam na pagina superior uma côr verde mais escura que as da planta d'onde +provieram: estas differenças são tão sensiveis que difficilmente se conhecerá +nas duas plantas a mesma variedade.</p> + +<p>No meio d'esta confusão algumas variedades têem sido já caracterisadas, +algumas das quaes já foram descriptas por José Antonio de Sá, Dalla-Bella, +Mendo Trigoso e Barão de Forrester.</p> + +<p>São nove as castas apresentadas por estes auctores, conhecidas pelos nomes +de: <em>negrões ou maduraes, verdeaes, cordovezas, lentisqueiras ou durasias, +carrascas, bicaes, negruchas, carlotas redondis judiagas ou +mançanilhas.</em></p> + +<p> </p> + +<p>O distincto agronomo Sr. Sousa da Camara, no seu <em>Estudo da Oliveira</em> +actualmente em publicação na <em>Gazeta das Aldeias</em>, tem conseguido até +hoje differençar as seguintes variedades e sub-variedades:<span +class="pn">{5}</span></p> + +<table border="1" cellpadding="1" cellspacing="0" summary="Variedades de Oliveira"> + <tbody> + <tr> + <td colspan="2" + style="text-align:center;">Variedades</td> + <td rowspan="2">Sub-variedades</td> + </tr> + <tr> + <td style="text-align:center;">Nome + botanico</td> + <td style="text-align:center;">Nomes + vulgares</td> + </tr> + <tr> + <td>Olea europaea oleaster, D. C</td> + <td>Zambujeiro.<br> + Zambujo.</td> + <td></td> + </tr> + <tr> + <td>Olea europaea pomiformis, Clem.</td> + <td>Mançanica.<br> + Mançanilha.</td> + <td>Golozinha.</td> + </tr> + <tr> + <td>Olea europaea, regalis, Clem.</td> + <td>Cordoveza.<br> + Cordovil.<br> + Longal.<br> + Santulhana.<br> + Sevilhana.</td> + <td>Redondal.</td> + </tr> + <tr> + <td>O. europaea, rostrata, Clem.</td> + <td>Bical.<br> + Bicuda.<br> + Cornalhuda.<br> + Cornicabra.</td> + <td></td> + </tr> + <tr> + <td>O. fructo oblongo, Bauh.</td> + <td>Gallega.<br> + Madural.<br> + Negral.</td> + <td>Negrucha.</td> + </tr> + <tr> + <td>Olivo murtea.</td> + <td>Carrasca.<br> + Carrasquenha.</td> + <td>Carrasquenho meudo e carrasquenho tinto.</td> + </tr> + <tr> + <td>Olivo racemosa.</td> + <td>Brunhenta.<br> + Durasia.<br> + Lentisca.<br> + Lentisqueira.<br> + Zambulheira.<br> + </td> + <td>Barrenta.<br> + Zambulha.</td> + </tr> + <tr> + <td>O. viridula, Gou.</td> + <td>Verdeal.<br> + Carlota.<br> + Judiaga.<br> + Redondil.<br> + Oliveira de fructos vernaes,<br> + Zamborina.<br> + Tentilheira</td> + <td>Verdeal cobrançosa</td> + </tr> + </tbody> +</table> + +<p><span class="pn">{6}</span></p> + +<p> </p> + +<p> </p> + +<h2>CAPITULO I</h2> + +<h3>Clima e solo</h3> + +<h4>A—Clima</h4> + +<p>São por de mais notaveis as diversidades existentes nas especies vegetaes +que habitam a superficie da terra.</p> + +<p>Estas diversidades que se observam dentro da mesma propriedade e que +augmentam de propriedade para propriedade e de um paiz para outro, accentuam-se +extraordinariamente quando comparamos a flora de dois continentes.</p> + +<p>A estructura, composição chimica do solo e o clima são as causas principaes +d'esta accidentada vegetação.</p> + +<p>Cada planta tem as suas exigencias especiaes, de cujo conhecimento resulta a +determinação da zona de terreno em que cada especie encontra condições +favoraveis de vida.</p> + +<p>Conhecida a zona propria para a vida de cada planta, ou melhor, conhecidas +as especies culturaes adaptaveis a uma determinada zona de terreno, poder-se-ha +emprehender uma exploração agricola mais segura dos seus resultados do que se a +completa ignorancia da geographia botanica nos obrigasse a emprehender ao acaso +essa exploração.</p> + +<p>Só um grande esforço, que acarretaria despezas enormes, pode permittir que +se desvie uma planta do seu habitat natural, para, por processos artificiaes, +obter d'ella eguaes productos.</p> + +<p>É isto que se faz em varios paizes da Europa, como por exemplo em +Inglaterra, onde em estufas apropriadas se força a videira a produzir. Depois, +no mercado, a muita procura alliada á raridade do producto, remunerará +condignamente o esforço e a despeza do industrial.<span +class="pn">{7}</span></p> + +<p>Plantas ha que, mais modestas nas suas exigencias, podem vegetar nos sitios +menos favorecidos pela natureza. São estas as plantas herbaceas expontaneas, as +quaes se vêm vegetar em sitios onde é vedado o desenvolvimento ás plantas +arboreas ou arbustivas.</p> + +<p>Outras, porém, e n'este grupo entra uma grande parte das plantas cultivadas, +não se contentando com as minguadas exigencias d'aquellas, tornam mais limitada +a zona em que a vida lhes é favoravel.</p> + +<p>As especies arboreas, pela sua constituição robusta e pelo seu grande +desenvolvimento radicular, accommodam-se em sitios onde as culturas arvenses +não poderiam ter logar.</p> + +<p>O nosso paiz, pela sua accidentação e variedade da sua paizagem, está +naturalmente indicado mais para aquellas do que para estas culturas.</p> + +<p>A oliveira, arvore cuja cultura é tão remuneradora, aqui encontra condições +muito favoraveis de vida.</p> + +<p>As boas condições do nosso clima, alliadas á estructura do solo que lhe é +propria, collocam-nos em condições de por toda a parte disseminarmos a sua +cultura, augmentando a producção que até hoje tem sido muito diminuta.</p> + +<p>A oliveira exige, para poder prosperar e produzir, uma temperatura branda e +pouco variavel.</p> + +<p>A area destinada á sua cultura vae, segundo <em>Gasparin</em>, até aos 46° +de latitude N. e ao sul é limitada pelo Tropico.</p> + +<p>Outros auctores, porém, limitam mais a area indicada por Gasparin.</p> + +<p><em>De-Noisette</em>, por exemplo, dá-lhe como zona propria a comprehendida +entre 25° e 43° de latitude boreal. Para lá de 46° a oliveira cresce, mas é +muito raro amadurecer os seus fructos; á medida que formos caminhando para o +equador, esta arvore vae augmentando de volume, mas de 18° para baixo dá-se o +mesmo caso que para cima de 46°.<span class="pn">{8}</span></p> + +<p>Os calores intensos e os frios excessivos prejudicam altamente a vida d'esta +arvore; e não tanto os frios intensos como as mudanças bruscas de temperatura +n'ella exercem a sua nefasta influencia.</p> + +<p>Tem-se visto estas arvores supportarem, sem alteração sensivel nas suas +funcções, uma temperatura de -16° C., ao passo que são accommettidas por uma +morte rapida quando, depois de terem estado por algum tempo submettidas á +temperatura de -5°, são banhadas rapidamente por um sol claro e intenso.</p> + +<p>Procurar, portanto, os logares em que a temperatura seja pouco variavel, +será pratica prudente e vantajosa.</p> + +<p>Alguns querem até estabelecer a visinhança dos mares como unico solar onde +esta preciosa arvore encontraria condições confortaveis de vida, por ser ahi +onde a temperatura é mais estavel; a pratica, porém, destroe tal asserção, pois +que no interior dos continentes ella se vê desenvolver e fructificar +admiravelmente.</p> + +<p>Para determinarmos se uma dada região é ou não propria para esta cultura, é +de summa importancia o conhecimento das temperaturas maxima e minima; nunca nos +devemos guiar só pelo conhecimento da sua temperatura media.</p> + +<p>É sabido que para a completa maturação do fructo, a oliveira exige um total +3978° de calor; mas sitios ha em que esse numero de graus se obtem igualmente, +embora as temperaturas extremas divirjam muito. Se considerarmos dois logares, +n'um dos quaes as temperaturas minima e maxima sejam <em>a</em> e <em>b</em>, e +no outro <em>a-c</em> e <em>b+c</em>, elles terão as mesmas temperaturas medias +e comtudo pode ser impossivel a olivicultura no segundo e muito adaptada ao +primeiro; depende isso simplesmente do valor de <em>c</em>.</p> + +<p>Estes inconvenientes conseguem remediar-se procurando exposições em harmonia +com o clima local.<span class="pn">{9}</span></p> + +<p>A <em>exposição e inclinação</em> do terreno são duas questões de summa +importancia para este assumpto. Em um clima demasiadamente quente, pode convir +uma exposição que seria prejudicial em outro que não tivesse a mesma +propriedade.</p> + +<p>No nosso paiz a exposição ao sul é a mais conveniente, a não ser n'um ou +n'outro ponto em que o calor excessivo do verão e a pequena percentagem de +humidade nos terrenos, aconselhem inclinação differente. Nos sitios onde são +frequentes as geadas, nunca a exposição a Levante pode convir, porque a planta +que durante a noite esteve submettida a um frio intenso, soffre muito ao +receber rapidamente os matutinos raios solares. O desgelo seria rapido e a sua +influencia na vida das cellulas prejudicial.</p> + +<p>Em resumo, aconselharei a exposição ao meio dia, como a que mais geralmente +convem, sendo muito para adoptar tambem a exposição ao poente.</p> + +<p> </p> + +<p>Quanto á <em>inclinação</em>, é preferível a meia encosta porque n'ella se +somma maior numero de graus de calor do que nos terrenos de planicie, se os +considerarmos collocados nas mesmas condições de altitude, latitude e +composição.</p> + +<p>A pratica tem provado que, embora as oliveiras vegetem e fructifiquem +perfeitamente nas planicies, o azeite extraindo dos seus fructos é mais grosso, +de peior qualidade, e que estes no acto da expremidura desprendem muito mais +<em>almofeira</em> do que os fructos provenientes de oliveiras cultivadas nas +encostas.</p> + +<p>Não ha vantagem em cultivar a oliveira em terrenos demasiadamente +inclinados, porque ahi são impossiveis as lavouras mechanicas, tendo este +trabalho de ser feito a braço, o que augmenta muito a despeza.</p> + +<p>A este inconveniente junta-se ainda o da terra ser arrastada da parte +superior para o fundo da encosta, resultando d'aqui que o solo se vae +tornando<span class="pn">{10}</span> cada vez menos profundo á medida que vamos +subindo na encosta.</p> + +<p>Este inconveniente observa-se facilmente pelo simples aspecto da plantação. +As arvores da base alcançam maior e mais rapido desenvolvimento graças á +espessura do solo, successivamente augmentado pela terra deslocada da parte +superior.</p> + +<p>O sr. D. José de Hidalgo Tablada dá como limite de inclinação para as terras +trabalhadas com arado a inclinação de 6%. Para maiores inclinações convirá +fazer a cultura em sucalcos.</p> + +<h4>B—Solo</h4> + +<p>A oliveira é tida como uma planta que vegeta em todos os terrenos qualquer +que seja a sua contextura ou a sua composição chimica.</p> + +<p>Effectivamente ella vive por toda a parte povoando terrenos da mais +differente structura, e ainda n'aquelles em que muitas outras arvores não +encontram condições favoraveis, ella se mostra com aspecto regular. Muitas +vezes os maus tratos dos homens e a sua exposição aos frios e aos ventos fortes +são-lhe mais prejudiciaes do que as más qualidades do terreno.</p> + +<p>Então essas arvores cuja resistencia ás más qualidades do terreno, só por +si, não conseguiram destruir, cede, embora lentamente, á combinação d'ellas com +os maleficios provenientes da velhice e dos maus tractos, e o seu tronco, +minado internamente pela alteração dos seus tecidos, vae desapparecendo, +apresentando-se frequentemente reduzido a uma debil parede formada apenas pela +casca e pelas primeiras camadas do alburno.</p> + +<p>A custo este debil tronco vae mantendo em equilibrio o decrepito individuo, +até que um dia o vento ou qualquer outro agente se encarregue de o prostrar por +uma vez.</p> + +<p>Este tronco ao desapparecer não arrasta comsigo<span class="pn">{11}</span> +as ultimas manifestações de vida do individuo de que fazia parte.</p> + +<p>Dentro em pouco, da parte mais superficial das suas raizes, e da sua toiça +ver-se-hão surgir novos rebentos que o virão substituir.</p> + +<p>Estes casos que são muito frequentes mesmo nos peiores terrenos não +significam que seja indiferente destinar este ou aquelle terreno á cultura +d'esta arvore.</p> + +<p>Embora possa viver em toda a area que lhe foi destinada ella tem comtudo, +dentro d'essa area, preferencia por determinados terrenos, e á sua boa +vegetação e sobre tudo á qualidade e quantidade do fructo importa muito a +escolha do solo destinado ao olival.</p> + +<p>Os terrenos francos e soltos permeaveis e medianamente ferteis, fundos e +frescos são os que mais lhe convêm. Prejudicam-a bestante os terrenos humidos e +os demasiadamente seccos.</p> + +<p>São os terrenos calcareo-silico-argillosos os que melhor satisfazem a estas +condições. Prestam-se muito a esta cultura os terrenos pedregosos onde ella +encontre terra bastante para o desenvolvimento das suas raizes no principio da +sua vida.</p> + +<p> </p> + +<p>De grande importancia n'esta questão é a qualidade do sub-solo; este pode +tornar muitas vezes impossivel a cultura d'um terreno cujas boas qualidades de +solo parecessem as mais proprias para a vida vegetal.</p> + +<p>Os terrenos de sub-solo impermeavel são muito desfavoraveis á cultura da +oliveira a não ser que sejam submettidos a uma drenagem. Este inconveniente +trazido ao terreno pela impermeabilidade do seu sub-solo é em parte attenuado +nos terrenos inclinados porque n'elles é menor a infiltração das aguas e mais +facil o seu escorrimento á superfície do seu sub-solo.</p> + +<p> </p> + +<p>Quanto ás condições chimicas do terreno, é d'ellas<span +class="pn">{12}</span> que mais depende a vegetação e producção da oliveira +assim, como o rendimento e qualidade do azeite. O augmento de producção de uma +dada planta consegue-se muitas vezes pelo augmento na terra de um só dos +elementos indispensaveis á vida vegetal; outras vezes, e pelo mesmo processo, +se pode fazer reviver uma cultura que a muitos o seu aspecto poderia fazer +imaginar perdida.</p> + +<p>Das analyses feitas por varios chimicos sabe-se que a oliveira apresenta no +seu todo, quantidades elevadas de cal, potassa e acido phosphorico. Ora, como é +indubitavelmente do terreno que a planta extrahe todos estes principios, +necessario se torna que elles se encontrem nos terrenos destinados a essa +cultura. Os nossos terrenos são bastante ricos em acido phosphorico +dispensando-nos por isso de nos preoccuparmos muito com elle. O que convem é +attender mais ás percentagens de cal e de potassa por serem estes corpos os de +mais incerta existencia no terreno.</p> + +<p> </p> + +<p>São-lhe muito favoraveis os terrenos vulcanicos, graniticos, schistosos e +sobre tudo os calcareos.</p> + +<p> </p> + +<p>N'estes ultimos vegeta a oliveira admiravelmente mas o seu azeite é muito +gordo. É nos terrenos de fraca tenacidade, onde as oliveiras dão os oleos mais +finos; nos de grés os azeites são de mediana qualidade; e nos schistosos e +graniticos a oliveira produz fructos de que exsuda o azeite mais superior.</p> + +<h2>CAPITULO II</h2> + +<h3>Adubações</h3> + +<p>Sem duvida a oliveira é uma planta que pode vegetar em toda a casta de +terrenos, mesmo os mais pobres, excepção feita d'aquelles em que houver +superabundancia de humidade; a sua producção, porém, é que, como em todas as +plantas, está<span class="pn">{13}</span> em harmonia com os cuidados que se +lhe dispensam.</p> + +<p>Por isso a adubação do terreno tem uma alta importancia, e a escolha do +adubo deve merecer ao olivicultor escrupulosa attenção.</p> + +<p>Nunca devemos esquecer o fim principal com que pretendemos empregar a +adubação.</p> + +<p>Tres são os fins com que lançamos mão dos adubos: para favorecermos o +desenvolvimento da planta, para lhe augmentarmos a producção ou com o fim duplo +de lhe augmentarmos o desenvolvimento e a producção. Estes tres fins estão em +harmonia com os tres periodos differentes porque passa a vegetação de todas as +arvores, no primeiro dos quaes se dá o crescimento da planta, no segundo o +estacionamento e no terceiro o seu decrescimento.</p> + +<p>Claro está, que, ao passar por estas phases vegetativas, devemos dispensar á +planta os adubos que mais nos convenham para d'ella podermos tirar o producto +da maneira mais remuneradora possivel.</p> + +<p>Não perdendo nunca de vista a phase vegetativa em que a planta se encontra, +são as analyses chimicas da propria oliveira e do solo que nos fornecem as +precisas instrucções para a determinação da adubação a dar á cultura:</p> + +<p>As colheitas e as podas vão exgotando o solo constantemente e leval-o-hão a +um estado de exgotamento completo se de qualquer fórma lhe não restituirmos os +elementos perdidos.</p> + +<p>Para podermos determinar conscienciosamente a formula a dar ao adubo, (caso +pretendamos empregar os adubos chimicos), ou a quantidade de estrume a +empregar, (se lançarmos mão do estrume de curral ou de outro qualquer), +necessario se nos torna calcular primeiramente o empobrecimento do terreno +devido á producção da arvore.</p> + +<p>Não é difficil fazer-se este calculo de uma maneira bastante approximada: +bastará simplesmente, avaliar, o mais rigorosamente possivel, a +quantidade,<span class="pn">{14}</span> em pezo, de lenho e folhas extrahida +pela poda, assim como o pezo do fructo produzido por esse olival. Conhecidos +estes elementos facil será determinar por meio das analyses já existentes, qual +a adubação necessaria.</p> + +<p>O conhecimento do pezo de rama proveniente da poda é perfeitamente +dispensavel no caso, aliás pouco vulgar entre nós, de ella ser enterrada no +solo do olival d'onde proveio.</p> + +<p>N'este caso o exgotamento do terreno é simplesmente egual á quantidade de +elementos que entram na composição de todo o fructo.</p> + +<p>Supponhamos um olival disposto em quadrado com o compasso de 8 metros, será +de 156 o numero de pés existentes no hectare. Admittindo que cada arvore produz +em media 15 litros e que o pezo de cada litro é de 600 grammas, será de 9 kilos +o pezo de azeitona produzida por cada arvore.</p> + +<p><em>Caruso</em> calcula que do pezo de rama extrahida annualmente pela poda, +22% são de folhas e os restantes 78 são de lenho.</p> + +<p>Não é, porém, só a poda que obriga a arvore a perder ramos e folhas.</p> + +<p>Muitas outras causas obrigam uns e outros a desprender-se da planta mãe e a +vir augmentar o contigente fornecido pela poda.</p> + +<p>Entre nós o barbaro systema da apanha do fructo, geralmente seguido no paiz, +é causa de enormes desperdicios. Os ramos desprendidos pelo varejo são os mais +tenros e n'elles a parte foliar não poderá ter para a parte lenhosa a relação +estabelecida por aquelle auctor.</p> + +<p>Para o nosso paiz costuma avaliar-se, em media, em 6 a 7 e 5 a 6 kilos +respectivamente o pezo de folha e de lenho perdido annualmente por uma +oliveira; e em 9 kilos o peso da sua producção em fructo.</p> + +<p>A composição centesimal das diversas partes da arvore é, segundo Müntz, a +seguinte:<span class="pn">{15}</span></p> + +<p> </p> + +<table border="0" cellpadding="1" cellspacing="2" summary="Composição"> <tbody> + <tr> + <td></td> + <td>Lenho</td> + <td>Folhas</td> + <td>Fructos</td> + </tr> + <tr> + <td>Azoto</td> + <td>0,40</td> + <td>0,50</td> + <td>0,274</td> + </tr> + <tr> + <td>Acido phosphorico</td> + <td>0,10</td> + <td>0,29</td> + <td>0,130</td> + </tr> + <tr> + <td>Potassa</td> + <td>0,35</td> + <td>0,74</td> + <td>0,360</td> + </tr> + <tr> + <td>Cal</td> + <td>0,50</td> + <td>1,45</td> + <td>—</td> + </tr> + </tbody> +</table> + +<p> </p> + +<p>Se toda a quantidade de lenho, folhas e fructos extrahidos da arvore forem +levados para fóra do olival, produzir-se-ha um exgotamento que, para os numeros +7, 6 e 9 acima indicados como representando o numero de kilos d'estes materiaes +perdidos annualmente por cada arvore, se poderá computar no seguinte para cada +individuo:</p> + +<p> </p> + +<table border="0" cellpadding="1" cellspacing="2" summary="Materiais perdidos"> + <tbody> + <tr> + <td></td> + <td>Lenho</td> + <td>Folhas</td> + <td>Fructos</td> + <td>Total</td> + </tr> + <tr> + <td>Azoto</td> + <td>0,024</td> + <td>0,035</td> + <td>0,024</td> + <td>0,083</td> + </tr> + <tr> + <td>Acido phosphorico</td> + <td>0,006</td> + <td>0,020</td> + <td>0,012</td> + <td>0,038</td> + </tr> + <tr> + <td>Potassa</td> + <td>0,021</td> + <td>0,051</td> + <td>0,032</td> + <td>0,104</td> + </tr> + </tbody> +</table> + +<p> </p> + +<p class="ni">indicando estes numeros o pezo em kilos para cada arvore.</p> + +<p>Para as 156 arvores existentes no hectare teremos:</p> + +<p> </p> + +<table border="0" cellpadding="1" cellspacing="2" summary="Total perdido"> + <tbody> + <tr> + <td></td> + <td>Lenho</td> + <td>Folhas</td> + <td>Fructos</td> + <td>Total</td> + </tr> + <tr> + <td>Azoto</td> + <td>3,74</td> + <td>5,46</td> + <td>3,74</td> + <td>12,94</td> + </tr> + <tr> + <td>Acido phosphorico</td> + <td>0,93</td> + <td>3,12</td> + <td>1,87</td> + <td>5,92</td> + </tr> + <tr> + <td>Potassa</td> + <td>3,27</td> + <td>7,95</td> + <td>4,99</td> + <td>16,21</td> + </tr> + </tbody> +</table> + +<p> </p> + +<p>São estas as quantidades de elementos essenciaes perdidas annualmente pelo +terreno e que é necessario restituir-lhe para não prejudicarmos a cultura.</p> + +<p> </p> + +<p>Sob diversas fórmas e em substancias differentes se podem ministrar aos +terrenos aquelles elementos.</p> + +<p>Quer debaixo da fórma de adubos chimicos preparando para isso uma formula em +que entre o azoto, o acido phosphorico e a pottassa nas percentagens indicadas +n'estas tabellas, quer em estrume<span class="pn">{16}</span> de curral ou em +estrumações verdes se podem encorporar no solo aquelles elementos, que de todas +as fórmas as suas vantagens se assignalam de uma maneira mais ou menos +notavel.</p> + +<p>Vantagens ha as sempre para a planta na execução d'esta operação; mas a sua +grandeza varia sempre com a natureza do terreno a adubar e com a qualidade do +adubo a empregar. Claro está que no que mais necessario se torna fixar a +attenção é nos resultados economicos e esses são os que mais fazem variar as +vantagens dos differentes systemas de adubar.</p> + +<p>No caso em questão, em que supponho que todas as partes tiradas das arvores +foram levadas para fóra do olival e em que, portanto, se roubaram ao terreno +12<sup>k</sup>,94 de azoto, 5<sup>k</sup>,92 de acido phosphorico e +16<sup>k</sup>,21 de potassa, precisaria, no caso de me querer servir dos +adubos chimicos, da seguinte formula:</p> + +<p> </p> + +<table border="0" cellpadding="1" cellspacing="2" summary="Adubos a adicionar"> <col> + <col> + <col> + <tbody> + <tr> + <td + style="text-align:center;">Sulphato + de ammoniaco</td> + <td + style="text-align:center;">Superphosphato</td> + <td style="text-align:center;">Cloreto + de potassa</td> + </tr> + <tr> + <td + style="text-align:center;">65<sup>k</sup> + a 20%</td> + <td + style="text-align:center;">37<sup>k</sup> + a 16%</td> + <td + style="text-align:center;">34<sup>k</sup> + a 50%</td> + </tr> + </tbody> +</table> + +<p> </p> + +<p>Estas seriam as adubações que theoricamente seria necessario dar a um +hectare de oliveira; ha, porém, sempre a contar com as perdas soffridas por +diversas causas, entre as quaes avulta o arrastamento de algumas d'essas +substancias pelas aguas das chuvas. O azoto, por exemplo, é uma substancia que, +quando nos estados em que pode ser absorvido pela planta, é muito facilmente +arrastado pelas aguas. Além d'isso devemos ter em conta que nem todos os +elementos serão absorvidos pela planta, porque nem a todos os pontos em que se +espalhar essa adubação chegarão as suas radiculas para os absorver +totalmente.</p> + +<p>Attendendo a estas circumstancias que inhibirão a planta de aproveitar a +adubação na sua totalidade, convirá sempre augmentar um pouco as +quantidades<span class="pn">{17}</span> calculadas com o auxilio das analyses +chimicas.</p> + +<p>Disse no principio do presente capitulo que para determinar racionalmente a +adubação conviria a presença das analyses chimicas da planta e do solo.</p> + +<p>Effectivamente, como já expuz, a analyse da planta diz-nos as quantidades +das diversas substancias de que ella carece annualmente, mas não nos prova que +seja necessario ministrar ao solo todos esses elementos, e só n'este ultimo +caso é que ella seria dispensavel.</p> + +<p>Muitas vezes os terrenos pela sua riqueza em determinado ou determinados +elementos dispensam a encorporação, no solo, d'esses mesmos elementos.</p> + +<p>É preciso, porém, certo criterio ao lidar com as tabellas que nos indicam a +composição do solo.</p> + +<p>Algumas vezes acontece indicar-nos a analyse a existencia de um dos +elementos em proporções elevadas e no entanto a cultura agradecer-nos uma +adubação em que entre este elemento.</p> + +<p>Com o azoto, por exemplo, dá-se algumas vezes este caso; este corpo não póde +ser utilisado pela planta senão no estado mineral (nitrico ou ammoniacal) +podendo comtudo existir no terreno em grandes quantidades sob a fórma de azoto +organico. Evidentemente a planta cultivada n'este terreno não se poderá +utilizar de tamanha riqueza de azoto, e uma adubação azotada ser-lhe-ha +vantajosa, a não ser que se provoque n'esses terrenos uma nitrificação mais +energica que obrigue este azoto a passar á fórma mineral.</p> + +<p>É nos terrenos pobres em cal que se dá este caso e então a addição de um +correctivo calcareo, mais barata que a adubação azotada, substituirá esta com +manifesta vantagem.</p> + +<p> </p> + +<p>O estrume de curral fornece-nos um meio bastante economico de adubarmos o +terreno. Este adubo ao sahir da estrumeira, onde previamente tenha sido bem +tratado, apresenta-nos a seguinte<span class="pn">{18}</span> composição media, +por tonelada: azoto 4<sup>k</sup>,7, acido phosphorico 3<sup>k</sup>,0, potassa +5<sup>k</sup>,2, o que, para as quantidades d'estes elementos calculadas para a +adubação d'um hectare, mostra serem precisos, em numeros redondos, 4:000k +d'este adubo attendendo á elevada percentagem de potassa indicada na analyse da +oliveira.</p> + +<p>Deve ter-se em consideração que ha sempre conveniencia em incorporar no solo +grandes quantidades de materia organica, sobre tudo se este for muito compacto +ou muito solto, porque esta substancia modifica-lhe as suas propriedades +physicas approximando-as cada vez mais das terras francas.</p> + +<p>D'aqui a conveniencia de se augmentar a quantidade de estrume de curral, não +sendo exagero o emprego de 6:000 a 7:000 kilos por hectare.</p> + +<p>Nas terras soltas a modificação da sua cohesão não é a unica causa que +milita em favor do adubo de curral. Ahi o seu pouco poder de retenção para as +aguas sujeitar-nos-hia a grandes perdas do azoto nitrico ou ammoniacal que lhe +fornecessemos em adubações chimicas.</p> + +<p>Convem então o emprego do azoto organico e é o estrume de curral o melhor +meio de o obtermos.</p> + +<p> </p> + +<p>Podem-se ainda empregar na adubação o estrume constituido pelas algas que +tão abundantes são na nossa costa.</p> + +<p>Têm estas plantas riquezas muito apreciaveis para nos poderem dar um adubo +cujo emprego é muito vantajoso, sobre tudo nas localidades proximas dos rios e +mares onde se exerce a industria da sua extracção, porque ahi são mais +convidativos para o agricultor os preços de transporte.</p> + +<p>Em media, a composição centesimal das nossas algas é a seguinte: azoto +1,143, acido phosphorico 0,670, potassa 1,125.</p> + +<p>Para com esta qualidade de estrumes se adquirirem as quantidades d'aquellas +substancias, necessarias<span class="pn">{19}</span> ao olival a que me venho +referindo, seriam precisos simplesmente 1:600 kilos por hectare.</p> + +<p>Como para o estrume de curral, aconselha-se empregar sempre maior quantidade +do que a referida. É de 3:000 kilos a quantidade aconselhada por alguns +auctores, a qual nos dá as seguintes quantidades de: Az. 30<sup>k</sup>, KHO +30<sup>k</sup> e Ph<sup>2</sup>.O<sup>5</sup> 21.</p> + +<h4>Adubações verdes</h4> + +<p>Uma grande variedade de plantas se costumam empregar como adubos e em +algumas d'ellas a sua riqueza em potassa e acido phosphorico torna-as muito +recommendaveis. As mais empregadas são: as urzes, giestas, polipodio; as folhas +de faia, carvalho, pinheiro, abeto e videira; as palhas de trigo, centeio, +cevada e aveia, etc.</p> + +<p> </p> + +<p>Os calculos do exgotamento das arvores, feitos no principio do presente +capitulo, revelam-nos á primeira vista a conveniencia de encorporarmos +novamente na terra a rama extrahida natural ou accidentalmente das oliveiras. +Assim restituimos por meio d'ella, ao solo, os elementos que ella mesma lhe +tinha roubado. Reparamos d'esta maneira, em parte, as perdas soffridas que +ficam reduzidas simplesmente aos materiaes que entram a constituir o fructo, os +quaes para a producção supposta se reduzem a: 3<sup>k</sup>,74 de Az., +1<sup>k</sup>,87 de Ph<sup>2</sup>O<sup>5</sup> e 4<sup>k</sup>,99 de KHO por +hectare. Este <em>deficit</em> será depois preenchido com adubos de qualquer +outra natureza; ou da mesma natureza, trazendo para isso, para o olival a rama +proveniente de outro olival.</p> + +<p>Para a restituição completa dos elementos perdidos, serão precisos 20 kilos +por arvore ou 3120 por hectare em cada anno.</p> + +<p>Não se deve, porém, fazer esta adubação annualmente, mas sim de tres em tres +annos, o que dá para um hectare, 9260<sup>k</sup> de rama que é preciso +enterrar.<span class="pn">{20}</span></p> + +<p>Esta adubação é de grande utilidade em terrenos compactos e humidos, porque +os torna mais fôfos e estabelece ao mesmo tempo uma especie de drenagem, que +permitte uma facil circulação do ar no solo, um escoamento mais facil ás aguas +das chuvas, e provoca ao mesmo tempo o desenvolvimento e multiplicação das +raizes.</p> + +<p> </p> + +<p>O liquido separado do azeite no acto da prensagem ou que escorre das tulhas, +no caso aliás muito pouco racional de se submetterem as azeitonas á condemnada +pratica do entulhamento, é ainda um adubo excellente para o olival.</p> + +<p>Porque vai prejudicar as radiculas da planta, não póde este liquido ser +empregado sem um previo tratamento, que consiste em o submetter a uma maceração +mais ou menos prolongada em agua, a que se addicione algum adubo de curral.</p> + +<p>As qualidades d'um adubo n'estas condições, já de si boas, augmentam ainda +quando a elle se addicionam os bagaços provenientes do lagar.</p> + +<p> </p> + +<p>A oliveira agradece muito as adubações feitas com os residuos das fabricas +de curtimenta de couros, com a raspadura de ossos, pontas e unhas de +animaes.</p> + +<p> </p> + +<p>Na escolha dos differentes adubos indicados convem sempre ter em vista que á +oliveira não convem ordinariamente adubos de prompta decomposição. Só os +empregaremos no caso em que só pretendamos prover ao desenvolvimento vegetativo +da arvore.</p> + +<p>Estes adubos só vão ser gastos em proveito da vida vegetativa, e d'aqui o +adquirir a planta um grande vigor que redunda em manifesto prejuizo para a +producção.</p> + +<p>Se quizermos empregar estes adubos, convém, antes de os encorporar no +terreno, mistural-os com folhas ou palha, ou ainda com terra solta, para +lhe<span class="pn">{21}</span> attenuarmos os seus rapidos effeitos e +tornal-os, por este modo, mais aproveitaveis á fructificação.</p> + +<p>Esta mistura deve ser bem feita, de modo a reduzir-se tudo a uma massa +homogenea.</p> + +<p>São preferiveis os adubos de decomposição mais lenta, para que a arvore os +vá aproveitando gradualmente á medida das suas necessidades. Estão n'estes +casos os adubos provenientes das raspaduras, as varreduras das habitações, dos +caminhos e das estradas, tendo sobre os primeiros a vantagem de serem +empregados tal qual são adquiridos, dispensando a sua mistura com substancias +extranhas.</p> + +<p> </p> + +<p>As cinzas de diversas plantas, só por si ou misturadas com os adubos já +indicados, são adubos muito uteis n'esta cultura.</p> + +<h4>Epocha do emprego do adubo</h4> + +<p>A epocha para se empregar qualquer adubo varia muito com o clima, com a +natureza do solo e com o estado do adubo.</p> + +<p>Para um adubo de facil decomposição, convem o seu emprego na primavera, para +que a planta d'elle se approprie sem dar muito tempo a qualquer perda.</p> + +<p>Pelo contrario, os adubos de lenta decomposição empregar-se-hão no outomno +para que tenham tempo de se decompôr e incorporar com as particulas terrosas e +estarem aptos a serem absorvidos no momento preciso, sobretudo na epocha da +fructificação.</p> + +<h4>Modo de emprego</h4> + +<p>Da maneira de administrar o adubo dependem muito os seus resultados.</p> + +<p>Condemnavel processo é o de excavar fossas junto do tronco da arvore, com a +falsa ideia de que o adubo ahi lançado é melhor utilisado pela planta. Com isto +prejudicam-se muito as arvores<span class="pn">{22}</span> porque se lhes +cortam raizes grossas e porque se expõem por algum tempo á influencia dos +agentes atmosphericos.</p> + +<p>O melhor modo de empregar o adubo é cavar uma fossa circular em volta da +arvore e á distancia de 1<sup>m</sup> a 1<sup>m</sup>,5 d'ella; lança-se ahi o +adubo, cobrindo-o depois com terra. A essa distancia da arvore são muito +abundantes as radiculas, as quaes, por intermedio dos seus pellos radiculares, +farão gradualmente a absorpção dos alimentos.</p> + +<h2>CAPITULO III</h2> + +<h3>Propagação da oliveira</h3> + +<p>De muitas maneiras se póde obter a propagação da oliveira, mas todas ellas +se podem conglobar em dois systemas differentes.</p> + +<p>Um d'esses systemas é aquelle em que se emprega a semente para, pela sua +germinação no terreno, se obterem novos individuos: é a <em>reproducção</em>; o +outro consiste em se destacar de uma arvore um fragmento em determinadas +condições, o qual, enraizando na terra, dará origem a um novo individuo; é este +systema o chamado de <em>multiplicação</em>.</p> + +<h4>A—Reproducção</h4> + +<p>Esta forma de propagação é muito pouco seguida devido á demora que têm as +plantas reproduzidas em fructificar.</p> + +<p>Em todo o caso, a compensar o inconveniente da demora em se obter uma planta +em condições de fructificar regularmente, tem este systema muitas outras +vantagens que o recommendam como o melhor processo de propagação.</p> + +<p>As plantas obtidas por sementeira são muito mais duradouras, adquirem melhor +porte e resistem<span class="pn">{23}</span> muito mais ás inclemencias do +clima e ás doenças do que as obtidas por multiplicação.</p> + +<p>Para se obterem plantas por esta forma, necessario é dispender grandes +cuidados e a despeza é mais avultada do que para as obter por qualquer outro +meio; ha sempre uma grande demora na germinação das sementes, e muitas vezes +perdem-se grande numero d'ellas porque nunca chegam a germinar, a não ser que +as submettamos a um tratamento previo, que as obrigue a germinar mais +facilmente.</p> + +<p>Além d'estes inconvenientes, as oliveiras provenientes da semente adquirem +todos os caracteres das oliveiras bravas, precisando, por isso, serem +enxertadas logo que attinjam edade e grandeza conveniente.</p> + +<p> </p> + +<p>Para a sementeira devem-se escolher azeitonas provenientes de plantas sãs e +muito productivas, que não sejam velhas, nem tão pouco muito novas. Diz <em>A. +Aloi</em> que as melhores são as provenientes de zambujeiros que vegetem em +climas temperados, e que a sua colheita deve ser feita em março ou abril.</p> + +<p>Adquirida a azeitona, é necessario extrahir-lhe o caroço, o que se faz +esmagando a polpa entre os dedos; em seguida, como a camada oleosa que fica +envolvendo o caroço é um grande obstaculo á sua germinação, submette-se este á +acção de um liquido alcalino que poderá ser preparado com carbonatos de cal e +soda.</p> + +<p>A duração do periodo germinativo do caroço póde diminuir-se por varios meios +estudados por <em>Gasquet</em>, <em>Passerini</em> e pelo <em>conde de +Gasparin</em>.</p> + +<p>O processo d'este ultimo sabio consiste em fender o caroço com cuidado para +não offender a semente, fazendo-o em seguida amollecer envolvendo-o em terra +argillosa e bosta de boi.</p> + +<p>Em logar de quebrar o caroço, <em>Passerini</em> aconselha tornal-o menos +consistente, mergulhando-o para<span class="pn">{24}</span> isso em agua +chlorada; o chloro ataca o caroço, rouba-lhe o hydrogenio para formar o acido +chlorhydrico, e d'este modo permitte a entrada de humidade e a troca de +gazes.</p> + +<p>Algumas aves domesticas têm a propriedade de, comendo a azeitona, nos +restituir depois, nos seus excrementos, os caroços aptos para germinar.</p> + +<h4>Alfobres</h4> + +<p>Adquirida a semente e destruida, por qualquer dos processos indicados, a +difficuldade que a materia gorda oppõe á sua germinação, procede-se á sua +sementeira em alfobres de antemão preparados para esse fim.</p> + +<p>O terreno destinado aos alfobres deve ter uma inclinação norte sul para +evitar a acção prejudicial dos ventos do norte e dar facil escoante ás aguas da +chuva; deve ser o mais possivel limpo de raizes e pedras e bem mobilisado.</p> + +<p>Quanto a sua qualidade deve ser humifero e silicioso.</p> + +<p>O terreno escolhido n'estas condições surriba-se no inverno a uma +profundidade de 0<sup>m</sup>,50 a 0<sup>m</sup>,60, adubando-se n'essa +occasião com adubo de decomposição mediana. Em fins de Fevereiro e principios +de Março dá-se-lhe uma segunda lavoura, que d'esta vez convirá ser feita á +enxada para pulverisar melhor o terreno e para o despojar de todas as hervas +que ahi se tenham desenvolvido. Por esta occasião o estrume que se lhe +encorporou no principio do inverno deve estar já decomposto e a terra nas +melhores condições para receber a semente.</p> + +<p>Feito isto grada-se o terreno e abrem-se sulcos com a profundidade de +0<sup>m</sup>,05, distando 0<sup>m</sup>,25 uns dos outros.</p> + +<p>É n'estes sulcos que se collocam as sementes distanciadas 0<sup>m</sup>,25 +umas das outras, tendo o cuidado de as dispôr de modo que o embryão fique na +sua posição natural. Isto feito cobrem-se com<span class="pn">{25}</span> uma +ligeira camada de terra que se calca com um rolo para aconchegarmos bem a +semente; segue-se uma rega ligeira por aspersão para manter o terreno fresco e +ajudar o effeito do rolo.</p> + +<p>Quatro mezes depois, nos meados de julho, surgirão as novas plantas. Durante +todo este tempo é necessario ter o alfobre sempre limpo da vegetação expontanea +e deve manter-se sempre na terra uma certa frescura. As regas e as limpezas +feitas com muita precaução são operações indispensaveis.</p> + +<p>No outomno terão as plantas adquirido uma altura do 0<sup>m</sup>,11 a +0<sup>m</sup>,20 sendo n'essa occasião necessario effectuar uma sacha para +manter o terreno fôfo e mais permeavel á agua das regas.</p> + +<p>Em localidades em que os invernos são habitualmente rigorosos é +indispensavel cobrir o alfobre com qualquer substancia para o preservar do frio +intenso que lhe é muito prejudicial. Empregam-se para isto agulhas de pinheiro +seccas, palhas ou ramos de plantas.</p> + +<p>No segundo anno continuam as regas e sachas repetidas para que as plantas +desenvolvam bem as suas raizes. Em outubro d'este anno ou na primavera seguinte +estão as plantas aptas para serem transportadas para o viveiro.</p> + +<h4>B—Multiplicação</h4> + +<p>Como disse, a multiplicação é um dos meios que a natureza nos fornece para +obtermos a propagação da especie. Esta operação da multiplicação pode fazer-se +por varias formas. As <em>estacas</em>, as <em>raizes</em> e a +<em>enxertia</em> sobre zambujeiro constituem outras tantas maneiras de +obtermos a multiplicação.</p> + +<p>A <em>estaca</em> que pode ser <em>simples</em>, <em>ramificada</em> ou +<em>composta</em>, de <em>talão</em>, de <em>polas</em> e de +<em>protuberancias</em> constitue entre nós o meio mais seguido para a obtenção +de novos individuos.</p> + +<p>As estacas, <em>simples</em> ou <em>compostas</em>, obtêm-se com muita +facilidade e em grande abundancia, sem<span class="pn">{26}</span> +prejudicarmos em nada o individuo de que foram separadas, aproveitando os ramos +provenientes da poda. Escolheremos de preferencia os ramos provenientes de +plantas fructiferas e de boa qualidade, os quaes devem ser providos de boas +gemmas tanto na parte que deve ser enterrada como na que tem de ficar fora do +solo. Assim, nos asseguraremos melhor do facil desenvolvimento das raizes e dos +rebentos.</p> + +<p>Para as estacas simples cortam-se os ramos de poda em fragmentos de +0<sup>m</sup>,30 a 0<sup>m</sup>,50 e enterram-se no viveiro de modo a ficar +debaixo da terra a sua parte mais grossa.</p> + +<p>Para as estacas compostas aproveita-se um ramo tal como foi separado da +planta mãe e enterra-se n'um viveiro preliminar de tal maneira que metade dos +seus ramos fique debaixo do solo e a outra metade fique a descoberto.</p> + +<p>Estas ramificações originarão, umas rebentos e outras raizes. D'aqui a +faculdade de podermos mais tarde dividir esta estaca em muitos individuos.</p> + +<p>No fim do primeiro anno terá esta estaca enraizado pelos ramos subterraneos +e os ramos exteriores terão lançado os seus rebentos; arrancar-se-ha, então, +com todo o cuidado para lhe não prejudicarmos as novas raizes e, por meio de +uma secatoria, a dividiremos em um numero de partes egual ao numero de raminhos +e transplantaremos estes novos individuos para o viveiro definitivo.</p> + +<p> </p> + +<p>Nos bordos dos golpes crescem vergonteas em cuja base se observam dilatações +dos tecidos motivadas pela accumulação de seiva. Estas vergonteas destacadas da +arvore de modo a levarem comsigo essas dilatações e enterradas depois, enraizam +muito facilmente. São estas as chamadas estacas de talões.</p> + +<p> </p> + +<p>Na toiça da oliveira e sobre as suas raizes mais grossas que correm á +superficie da terra, apparecem<span class="pn">{27}</span> grandes dilatações +d'onde emergem rebentos em grande numero, que se vão desenvolvendo á custa da +planta mãe e das raizes de que quasi sempre são providos.</p> + +<p>Estes rebentos fornecem-nos um meio muito facil e seguro da propagação da +especie. Para esse fim vão-se desbastando esses rebentos de modo a deixar só os +mais vigorosos; cobrem-se as dilatações d'onde provêm (polas) com terra, para +que se possam prover de raizes aquelles que ainda as não tenham. Assim se +deixam ficar até ao anno seguinte, sendo então transportados para o viveiro e +ahi collocados em linhas á distancia uns dos outros de 0<sup>m</sup>,80.</p> + +<p> </p> + +<p>Um outro methodo de multiplicação muito usado na Italia é o que consiste no +aproveitamento de umas pequenas dilatações, similhantes a ovos de pata, +localisadas na parte enterrada do tronco e ainda sobre as raizes mais +grossas.</p> + +<p>Estas protuberancias são providas de gemmas, tendo por isso a faculdade de +quando enterradas desenvolverem raizes e rebentos para darem origem a novos +individuos.</p> + +<p>Não se deve abusar muito da extracção d'estas protuberancias, porque com +isso prejudica-se a vida do vegetal de que são extrahidas, pelas feridas +produzidas nas suas raizes e pelo grande numero d'estas que é necessario +descobrir. <em>Antonio Aloi</em> aconselha a que se não tirem mais do que 3 ou +4 de cada arvore para lhe não alterarmos sensivelmente a sua vida.</p> + +<p>Convem antes sacrificar 3 ou 4 individuos á morte, extrahindo d'elles todas +as excrescencias encontradas, que poderão montar a 300 a 400, do que descobrir +as raizes a muitas oliveiras.</p> + +<p>Estas excrescencias devem ser tiradas de individuos robustos e productivos, +e preferem-se sempre os situados debaixo da terra, que são mais tenros e +desenvolvem mais fortes rebentos.<span class="pn">{28}</span></p> + +<p>Para fazer a sua extracção, escava-se em volta da cepa até pôr as raizes +grossas a descoberto; procura-se sobre estas com uma espatula de madeira o +sitio em que se encontram as exostoses; achadas estas, põem-se a descoberto e á +volta d'ellas se vão fazendo incisões profundas, onde depois se mette um +escopro por meio do qual se faz saltar a excrescencia.</p> + +<p>Tira-se-lhes em seguida todo o lenho que com ellas se arrancou e as suas +raizes, se por acaso d'ellas vier provida; limpa-se bem em volta, e envolve-se +em terra misturada com palha, para a conservar até á epocha da plantação no +viveiro.</p> + +<p>Chegada esta epocha, que deverá ser em Março ou Abril, levam-se para o +viveiro, onde serão enterradas, conservando entre si a distancia de +0<sup>m</sup>,80 e a profundidade de 0,10.</p> + +<p> </p> + +<p>As oliveiras velhas cujos troncos, já muito carcomidos, não podem resistir +ao impeto dos ventos ou das intemperies, são lançadas por terra e as suas +raizes continuam ainda a viver por muitos annos.</p> + +<p>Com o desapparecimento do tronco velho principiam a desenvolver-se na toiça +grande quantidade de rebentos ou polas. Desbastam-se estes rebentos, deixando +só os mais vigorosos, que ahi vão vivendo até adquirirem a grossura de +0<sup>m</sup>,03, sendo então transportados para o viveiro e ahi plantados á +distancia de 0<sup>m</sup>,80.</p> + +<p>A plantação de todas estas estacas pode ser feita com alguma vantagem em +viveiros preliminares, como se faz para as estacas ramificadas ou compostas; +n'este primeiro viveiro vão ellas enraizar para depois serem mudadas para o +viveiro definivo. É, porém, dispensavel este primeiro viveiro, porque as +estacas postas n'um só viveiro desenvolvem-se perfeitamente e adquirem o vigor +necessario para serem plantadas definitivamente.<span class="pn">{29}</span></p> + +<h2>CAPITULO IV</h2> + +<h3>Viveiro</h3> + +<h4>A—Seu estabelecimento</h4> + +<p>Os individuos formados nos alfobres pela germinação da semente ahi deposta e +os provenientes de estacas que tenham desenvolvido as suas primeiras raizes em +viveiro preliminar, necessitam, depois de terem adquirido um certo +desenvolvimento, serem transportados para um viveiro onde possam dispôr de mais +espaço para desenvolverem e multiplicarem as suas raizes e os seus ramos e onde +possam ser convenientemente educados até á edade de poderem ser transportados á +sua definitiva morada.</p> + +<p>As estacas e outros fragmentos em que se não tenha ainda provocado um +primeiro enraizamento no viveiro preliminar, serão immediatamente plantadas no +viveiro definitivo nas mesmas condições de espaçamento d'aquellas, porque é +aqui que ellas adquirirão todo o seu corpo para poderem ser plantadas +definitivamente.</p> + +<p> </p> + +<p>Não é indifferente a qualidade do terreno onde queremos estabelecer o +viveiro; pelo contrario, devemos ter muito em consideração a sua escolha.</p> + +<p>Um terreno muito argilloso não nos póde convir porque no inverno se torna +humido de mais e adquire no verão propriedade opposta. É, além d'isso, muito +compacto e as tenras raizes das pequenas plantas não conseguiriam distender-se +á vontade, sendo d'este modo muito prejudicado o seu crescimento; greta muito +no verão e, ou romperia as raizes ou as deixaria expostas ao calor d'essa +estação.</p> + +<p>O solo muito silicioso possue propriedades contrarias<span +class="pn">{30}</span> áquelle e por isso o devemos regeitar tambem.</p> + +<p>Escolher-se-ha, sempre para este fim, um terreno de mediana compacidade e +porosidade, o mais possivel limpo de pedras e raizes, para que as raizes das +novas plantas se possam distender perfeitamente, e onde o ar e a agua possam +circular com relativa facilidade.</p> + +<p>Deve procurar-se um terreno com exposição ao sul o qual ainda melhor convirá +se tiver para essa orientação uma ligeira inclinação. Assim estarão as pequenas +plantas garantidas contra a influencia dos ventos do norte que tanto as +prejudicam.</p> + +<p>Um terreno demasiadamente rico não é dos mais convenientes para n'elle +estabelecermos um viveiro porque as plantas encontrando concentrados em um +pequeno cubo de terra os alimentos de que carecem não criariam um bom raizame e +sofreriam depois muito ao serem plantadas definitivamente porque na morada +definitiva não encontrariam terreno em eguaes condições.</p> + +<p>Convém antes um terreno sufficientemente rico para que as plantas n'elle +possam adquirir grande vigor, mas que a sua riqueza não seja tão grande que +possa offerecer aquelle inconveniente. Assim se provoca um grande +desenvolvimento na planta e ella ao ir para o terreno definitivo resistirá +melhor ás peores condições que este lhe offereça.</p> + +<p>Antonio Aloi prefere que o terreno para o viveiro seja mais pobre que +aquelle onde depois se plantarão as novas arvores n'elle creadas. A proposito +diz este auctor que:</p> + +<p> </p> + +<p><em>Un indivíduo assuefalto a vivere n'ell opulenza, passerebbe molamente í +soi giorni se fosse condannato a nutrirsi nel parco desco dei contadino; e +vice-versa, il contadino la passerebbe bene e diverrebbe grasso si se facesse +sedere tutti i giorni alla lauta mensa dei ricco.</em></p> + +<p> </p> + +<p>Estas palavras do mestre italiano teriam razão<span class="pn">{31}</span> +de ser se o terreno que destinassemos á plantação definitiva estivesse nas +mesmas condições climatericas em que está o terreno que escolhemos para +viveiro. E não só divergem as condições climatericas do terreno do olival para +o terreno do viveiro: para o viveiro escolhem-se sempre os terrenos nas +melhores condições physicas para a vida das plantas, submettem-se a trabalhos +de limpeza, mobilisação, regas e estrumações a que não serão nunca submettidos +com a mesma intensidade e com a mesma perfeição os terrenos destinados ao +olival definitivo.</p> + +<p>Por isso, a oliveira transplantada vae encontrar peores condições physicas e +climatericas do que aquellas a que até ahi tinha estado submettida; e, quanto a +mim, parece-me que só a robustez da planta será garantia do seu desenvolvimento +na sua ultima morada.</p> + +<p>Os terrenos destinados aos olivaes devem ser aquelles em que é pouco +remuneradora a cultura cerealifera.</p> + +<p>São portanto terrenos pobres; e não me parece que, n'um viveiro estabelecido +em terreno ainda mais pobre, as pequenas plantas se possam desenvolver +convenientemente. Hão de ser, por força, enfezadas e rachiticas desde a sua +infância e incertamente resistiriam ás peores condições do terreno, embora mais +rico, que lhes é destinado.</p> + +<p>E poder-se-ha tambem dizer que, um individuo mal alimentado na sua infancia +soffreria muito mais ao mudar para um mau clima, do que outro que, desde +creança tambem, tenha sido submettido a uma boa alimentação, precursora de uma +boa robustez physica.</p> + +<p>O terreno em boas condições para viveiro será aquelle em que, n'um cubo de +terra rasoavel, a planta encontre elementos bastantes para lhe fornecerem uma +boa alimentação, e que tenha compacidade sufficiente para bem sustentar a +planta e para lhe permittir um facil desenvolvimento de<span +class="pn">{32}</span> raizes. Satisfazem a estas condições os terrenos +argillo-silico-humiferos de mediana riqueza.</p> + +<p> </p> + +<p>Escolhido o terreno, surriba-se a uma profundidade não inferior a +0<sup>m</sup>,50, no principio do inverno, servindo-nos, para esse fim, da pá +ou da enxada. Convem que, durante a execução d'esta operação, haja sempre o +cuidado de inverter a disposição das camadas de terra.</p> + +<p>No fundo das vallas, é de grande conveniencia lançar-se ramos de arvores que +desempenharão o papel de uma drainagem.</p> + +<p>Depois d'esta surriba, a terra ficará exposta á influencia benefica dos +agentes atmosphericos até Março, epocha em que se pratica uma segunda lavoura, +d'esta vez apenas com a profundidade de 0<sup>m</sup>,40 a 0<sup>m</sup>,45. +Aplaina-se em seguida a terra, que ficará apta para receber a plantação dos +individuos provenientes do alfobre, assim como a plantação das estacas, +enraizadas ou não, raizes, polas, etc.</p> + +<h4>Plantação nos viveiros</h4> + +<p>Quer os individuos a plantar venham já enraizados do alfobre ou do viveiro +preliminar, ou venham ainda enraizar n'estes viveiros, deve sempre a sua +plantação ser feita methodicamente.</p> + +<p>As disposições methodicas adoptadas tanto para os viveiros como para a +plantação definitiva, são: em quadrado, em linhas e em quinconcio.</p> + +<p>De todas, a melhor e por isso a mais recommendada e seguida é a ultima.</p> + +<p>N'esta disposição conservam todas as plantas a mesma distancia entre si, +tendo assim, todas, a mesma extensão de terra á sua disposição.</p> + +<p>Tem ainda a vantagem de as plantas se defenderem mutuamente da acção dos +ventos.</p> + +<p>É relativamente facil fazer sobre o terreno uma marcação em quinconcio.</p> + +<p> </p> + +<p><img alt="Diagrama" src="images/diagrama.png" +style="text-align: center;" width="100%"></p> + +<p> </p> + +<p>Para isso traça-se sobre o terreno a linha AB e<span class="pn">{33}</span> +prependicularmente a esta as linhas AK e BL; em seguida, com uma sirga que +tenha um compasso egual ao que queremos dar á plantação, que n'este caso será +de 0<sup>m</sup>,80, marcam-se os pontos a <em>a' a'' </em>...; feito isto, +constroe-se o triangulo isosceles <em>a b a'</em>, o que é facil: basta +descrever dois arcos de circulo com um dos compassos da corda, fixando-lhe uma +das extremidades, uma vez em <em>a</em> e outra em <em>a'</em>. Estes dois +arcos cruzar-se-hão em <em>b</em>, vertice do triangulo: mede-se em seguida a +distancia de <em>b</em> ao meio <em>c</em> da linha <em>a a'</em>; esta +distancia que é a altura do triangulo, applica-se sobre as linhas AK e BL +tantas vezes quantas for possivel, o que se faz muito facilmente arranjando uma +sirga com aquelle compasso.</p> + +<p>Determinaremos assim os pontos C, E, G... na linha AK e os pontos +correspondentes D, T, H... na linha BL.</p> + +<p>Levanta-se em seguida a sirga da posição AB e colloca-se em CD, de maneira +que em C assente o meio <em>c</em> do compasso <em>a a'</em>, e assim teremos +uma segunda linha para a plantação. Colloca-se depois a sirga em EF, na mesma +posição que estava em AB, e teremos a terceira linha; em seguida +transporta-se<span class="pn">{34}</span> a sirga para GH, collocando-a na +posição em que se collocou em CD; assim se vão successivamente traçando as +linhas de plantação pelos pontos marcados nas linhas AK e BL, tendo sempre o +cuidado de collocar a sirga alternadamente nas posições em que se collocou em +AB e em CD.</p> + +<p>Ficará assim marcada uma rigorosa plantação hexagonal.</p> + +<p>Marcados, d'esta ou d'outra maneira, os pontos correspondentes a cada +individuo, procede-se então á plantação.</p> + +<p>Para as estacas simples abre-se um buraco no terreno com um furador, +mettendo ahi a estaca com a sua parte mais grossa para baixo, tendo o cuidado +de lhe deixar fóra da terra os ultimos 2 ou 3 olhos.</p> + +<p>Uma vez collocada a estaca no seu logar, aconchega-se-lhe bem a terra, +desfazendo bem as paredes do buraco em que foram enterradas. Sem esta precaução +ha todas as probabilidades de a estaca não pegar.</p> + +<p>Para as exostoses escavam-se á enxada pequenas covas com a profundidade de +0<sup>m</sup>,30 onde serão collocados estes seres. Antonio Aloi aconselha que +antes de os enterrar se mergulhem em agua que tenha em solução bosta de boi, se +envolvam depois em terra fina para em seguida se collocarem nos covachos. Ao +dispôr estes seres nas covas deve haver sempre o cuidado de os deixar com a +gemma voltada para cima e um pouco inclinada para o sul. Cobrem-se depois com +terriço acabando de encher a cova com cinza de barrella, que tendo a +propriedade de manter fôfo o terreno, dá facil sahida aos rebentos. Estes +apparecem á superfície ao cabo de 30 a 40 dias.</p> + +<p>Muitas vezes o calor em seguida á chuva faz endurecer a camada de cinza e +este endurecimento impede os rebentos de sahirem da terra. Então com uma +espatula de madeira, se removerá cuidadosamente<span class="pn">{35}</span> a +crosta endurecida, nos sitios em que se fizeram as plantações, que nos serão +indicados por uma cana ou pequeno pau ahi enterrado na occasião da +plantação.</p> + +<p>Muitos rebentos podem nascer d'um mesmo individuo, dos quaes uma parte vem á +superficie da terra e outros, devido a qualquer obstaculo que encontram no +terreno, dirigem-se, tortuosamente em diversas direcções debaixo da terra. +Convem então afastar a terra e com a unha, extrahir todos esses rebentos á +excepção de dois, tendo o cuidado de, ao executar esta operação, não deslocar +do seu logar o ser que lhes dá origem. Dos dois rebentos poupados por esta +operação, um d'elles, o mais fraco, é mais tarde destruido.</p> + +<p>Deve haver sempre muita vigilancia no viveiro para ir destruindo todos os +rebentos que forem apparecendo depois d'esta primeira operação.</p> + +<p> </p> + +<p>Para os individuos já enraizados necessario se torna prodigalizar-lhes outra +especie de cuidados para os não prejudicarmos com a mudança. Estes cuidados +devem principiar logo no acto do arranque no alfobre ou no viveiro +preliminar.</p> + +<p>Usa-se da enxada ou da pá para procedermos a esta operação mas com todos os +cuidados possiveis para lhes não prejudicarmos as raizes. Se alguma ou algumas +raizes forem dilaceradas devem-se cortar acima do ponto ferido para evitar que +a sua putrefacção acarrete á planta algum soffrimento. Arrancadas as plantas +trazem-se para o viveiro e ahi serão plantadas nos sitios marcados.</p> + +<p>Para esse fim abrem-se pequenas covas, no fundo das quaes se lança bom +terriço, e sobre este se collocam as plantas; distribuem-se-lhes bem as raizes +para não ficarem acavalladas n'uns sitios e rareadas n'outros; cobrem-se +depois, primeiro, com bom terriço e depois com a mesma terra que sahiu da cova. +Fixam-se bem a um tutor, para que os ventos as não desloquem ou quebrem, e +assim se deixam<span class="pn">{36}</span> até que principiem a desenvolver-se +para então se lhes prodigalizarem os cuidados de educação que necessitam.</p> + +<h4>B—Trabalhos nos viveiros</h4> + +<h4>Enxertia</h4> + +<p>Carecem d'esta operação não só as oliveiras provenientes de semente mas +ainda aquellas que tiveram como origem qualquer fragmento extrahido abaixo do +ponto em que foi enxertada a planta mãe.</p> + +<p>Todas as especies de enxertia se podem empregar na oliveira mas as mais +usadas são a de escudo e algumas vezes a de flauta, para oliveiras novas e a de +coroa para troncos grossos.</p> + +<p>Para se operar um enxerto de escudo principia-se por fazer na casca do ramo +ou oliveira delgada que queremos enxertar uma incisão em forma de T afastando-a +depois com a espatula da enxertadeira de modo a separal-a do alburno. Em +seguida tira-se do ramo da oliveira que queremos propagar um bocado de casca +munido de uma borbulha e dá-se-lhe a forma de um escudo.</p> + +<p>Introduz-se em seguida este escudo na fenda, de modo que esta fique bem +cheia. Liga-se em seguida a fim de nos assegurarmos bem do perfeito contacto do +garfo com o alburno e casca do cavallo.</p> + +<p>Logo que nos asseguremos do bom resultado da enxertia corta-se o ramo a 3 ou +4 centimetros acima do enxerto.</p> + +<p>Esta enxertia pode fazer-se na primavera ou no outomno tomando +respectivamente os nomes de enxertia de <em>olho vivo</em> e <em>olho +dormente</em>.</p> + +<p> </p> + +<p>A enxertia de flauta, que não é tão usada como a primeira, exige que tanto o +garfo como o cavallo tenham a mesma grossura. Consiste em tirar de um ramo +delgado um annel de casca munido de<span class="pn">{37}</span> um ou dois +olhos e collocal-o no ramo a enxertar a que previamente se tenha tirado um +annel igual de casca e liga-se bem com um fio de lã ou com uma fita de casca de +arvore.</p> + +<p> </p> + +<p>Uma outra enxertia, muito usada, é a de fenda cheia. Esta exige tambem que o +cavallo e o garfo tenham perfeitamente a mesma grossura.</p> + +<p>Corta-se o cavallo horisontalmente á altura a que queremos fazer o enxerto e +fende-se verticalmente no sentido do seu diametro; em seguida prepara-se o +garfo em forma de cunha e introduz-se na fenda de modo que as cascas do cavallo +e do garfo coincidam perfeitamente; liga-se bem com raphia e n'estas condições +estará o enxerto apto para pegar.</p> + +<p> </p> + +<p>Alem d'estes enxertos fazem-se ainda os de fenda simples e fenda dupla, que +differem do precedente em os dois elementos não serem da mesma grossura.</p> + +<p>Para a fenda simples bastará abrir a fenda vertical simplesmente no sentido +de um raio do cavallo e ahi se introduz o garfo em forma de cunha.</p> + +<p>Para o enxerto de fenda dupla abre-se a fenda no sentido do diametro do +cavallo e introduzem-se-lhe dois garfos nos extremos d'esses diametros.</p> + +<p>Nos enxertos de fenda quer ella seja cheia, dupla ou simples applica-se +sempre, logo em seguida á sua execução, um inducto qualquer que o preserve de +estar exposto ao tempo. Costuma empregar-se muito o unguento de S. Fiacre pela +simplicidade da sua preparação. Prepara-se misturando intimamente 65,5 partes +de argilla com 33,5 partes de excremento de boi.</p> + +<p>São estes os systemas de enxertia mais usados: a sua execução acha-se +descripta em muitos trabalhos de arboricultura e muitissimas revistas agricolas +dispensando-me, por isso de, sobre este assumpto, fazer mais largas +referencias.<span class="pn">{38}</span></p> + +<h4>Cuidados a ter com os viveiros</h4> + +<p>Depois de feita a plantação carecem os viveiros de cuidados que incidirão, +não só sobre o terreno mas tambem sobre as arvoresinhas que n'elle se vão +desenvolvendo.</p> + +<p>Os primeiros consistem em sachas com o fim de manter o terreno sempre bem +mobilisado, de o conservar sempre limpo de plantas estranhas que ahi se +desenvolveriam e para evitar as fortes evaporações no verão, as quaes +dissecaram rapidamente o terreno.</p> + +<p>As regas, não muito abundantes, são indispensaveis ao terreno para se +garantir n'elle um certo grao de frescura que tão propicio é ao enraizamento +dos novos individuos.</p> + +<p>Logo que as plantas adquiram um desenvolvimento de 0<sup>m</sup>,20 a +0<sup>m</sup>,30 deve tambem para ellas voltar-se a attenção do viveirista.</p> + +<p>Nesta altura começar-se-ha por se lhes supprimir todos os raminhos lateraes +tendo o cuidado de se lhes não arrancar as folhas em cuja axilla elles se +desenvolvem.</p> + +<p>D'esta maneira a seiva da planta dirigir-se-ha directamente para a parte +superior da planta, gastando-se em lhe augmentar o seu crescimento em +altura.</p> + +<p>Militam em favor d'esta opinião as experiencias de Ghiotte que demonstram +que as arvores assim tratadas adquirem maior desenvolvimento, alem de crescerem +direitas e com tronco lizo, o que lhes não acontece se lhes não amputarmos os +seus raminhos lateraes.</p> + +<p>Deixando-lhes estes ramos, elles engrossam e crescem com prejuizo do +alongamento da planta e, ao serem mais tarde cortadas, produzem nas arvores +feridas perigosas. O soffrimento d'estas plantas proveniente do corte d'estes +raminhos é em grande parte attenuado se lhes deixarmos as folhas jacentes na +base d'esses raminhos.<span class="pn">{39}</span></p> + +<p>Nas plantas provenientes de estacas desenvolvem-se muitos rebentos que +convem deixar durante os dois primeiros annos para provocar n'ellas a formação +de muitas raizes. Mais tarde cortam-se todos, á excepção d'um que deverá ser o +mais forte e o mais proximo do sólo, o qual se sujeitará ao tutor que a +conserve na posição vertical.</p> + +<p>Nos tres annos seguintes os trabalhos dirigir-se-hão no intuito de se +favorecer o mais possivel o crescimento das arvores.</p> + +<p>Qualquer ramificação muito vigorosa, que appareça, deve ser quebrada para +evitar o empobrecimento da arvore.</p> + +<p>Ao fim do 5.º ou 6.º anno estão as plantas em condições de se lhes poder +formar a copa.</p> + +<p>Para determinarmos a altura a que a devemos formar teremos que entrar em +consideração com a natureza do terreno, clima, exposição e com a tendencia +natural da casta que se cultiva.</p> + +<p>Esta altura varia, geralmente, entre 1<sup>m</sup> e 2<sup>m</sup>. A altura +de 1<sup>m</sup> convem para as castas que não costumam adquir grande porte e +que são plantadas em terrenos aridos; se, pelo contrario, o terreno é fertil e +fresco poderemos deixar-lhes a copa mais alta.</p> + +<p> </p> + +<p>Na altura determinada segundo aquellas circumstancias para se formar a copa, +deixam-se quatro pernadas dispostas em cruz; cortam-se todas as subjacentes, +assim como o tronco, logo acima das quatro pernadas Assim se deixam ficar mais +um anno no viveiro e ao cabo d'esse anno, que será o 7.º ou 8.º de viveiro, +proceder-se-ha á sua plantação definitiva.<span class="pn">{40}</span></p> + +<h2>CAPITULO V</h2> + +<h3>Plantação definitiva</h3> + +<p>Disse já no capitulo I d'este trabalho quaes eram as condicções de solo e +clima exigidas pela cultura da oliveira.</p> + +<p>Escolhido o terreno é necessario preparal-o para elle poder receber as +arvores que dentro em pouco constituirão o olival.</p> + +<p>Conviria que esse terreno fosse submettido a uma profunda surriba para que +todo elle fosse collocado nas mesmas condicções de mobilisação. D'esta maneira +a planta, encontrando sempre um terreno homogeneo não estaria sujeita a +qualquer accidente de vegetação proveniente da desigualdade no desenvolvimento +das suas raizes.</p> + +<p>Se o terreno for demasiadamente humido dever-se-lhe hia fazer uma drainagem +para o subtrair a esta má propriedade.</p> + +<p>Estas duas operações, porem, tornariam excessivamente dispendiosa tal +plantação, e d'aqui nasce a conveniencia de as reduzirmos o mais possivel, de +tal modo que, obtendo-se no terreno condicções sufficientes para um regular +desenvolvimento das plantas, se reduza o mais possivel a despeza da mão +d'obra.</p> + +<p>O melhor será destinar a outras culturas os terrenos que só soffrendo uma +boa drainagem e uma profunda surriba, se tornariam aptos para o desenvolvimento +d'esta preciosa arvore.</p> + +<p>Nos terrenos fundos e bem mobilisados que, como disse, são os mais proprios +para estas culturas, estas operações de drainagem e de surriba geral reduzem-se +extraordinariamente.</p> + +<p>Para se fazer a plantação n'estes terrenos fazem-se em primeiro logar os +alinhamentos, que convem sejam em quinconcio, pelas vantagens já enumeradas ao +tratar dos viveiros. A distancia a que as plantas devem ficar umas das outras +nunca deverá ser inferior<span class="pn">{41}</span> a 5<sup>m</sup> sendo de +8<sup>m</sup> a distancia mais recommendada.</p> + +<p>Com esta distancia as oliveiras não se prejudicarão mutuamente nem por causa +da sombra que umas ás outras possam fazer nem porque a cada uma d'ellas falte +espaço para distender as suas raizes.</p> + +<p>Convem, comtudo, advertir que em terrenos pouco fundos devemos augmentar +aquelles numeros attendendo a que a planta procurará alargar mais as suas +raizes pela pouca profundidade a que as pode enviar.</p> + +<p>Marcada a plantação abrem-se covas nos sitios indicados pelas balisas, com +as dimensões sufficientes para receberem as plantas provenientes dos viveiros, +de modo que as suas raizes ahi fiquem perfeitamente estendidas. A melhor forma +a dar ás covas é a circular.</p> + +<p>A camada de terra superior que é a primeira a ser cavada deverá separar-se +da segunda e da ultima, para depois ser tambem a primeira a entrar na cova.</p> + +<p>No fundo d'estas covas, que deverão ter a profundidade de 1<sup>m</sup> +lançam-se pedras, pedaços de madeira, palhas e mattos que servirão para dar +livre passagem ás aguas das chuvas; por cima d'isto lança-se uma camada de +entulhos provenientes de velhas demolições, ou, na falta d'estes, boa terra +vegetal; tudo isto deverá ser misturado com estrumes bem decompostos e com +residuos de fabricas etc.; por cima d'este terriço deita-se uma camada da +primeira terra extrahida da cova. Todos estes elementos deverão ser dispostos +de modo a formarem um monticulo ao meio da cova.</p> + +<p>É sobre este monticulo que se colloca a nova planta distribuindo-lhe as +raizes o mais naturalmente possivel.</p> + +<p>Sobre as raizes lança-se nova quantidade de terriço, calcando-o bem para que +elle fique em perfeito contacto com ellas, mas de modo a não as +damnificar.<span class="pn">{42}</span></p> + +<p>Por fim acaba-se de encher a cova com o resto da terra d'ella extrahida +dispondo-a de modo que as suas camadas fiquem em ordem inversa d'aquella em que +primitivamente estavam.</p> + +<p>D'este modo as camadas mais profundas vindo para a superficie ir-se-hão +melhorando pela influencia dos meteoros, ao mesmo tempo que vai sendo corrigida +pelas adubações.</p> + +<p>As covas deverão ser abertas algum tempo antes de se proceder á plantação, +para ficarem durante esse tempo expostas á influencia atmospherica.</p> + +<p>A epocha para a plantação é aquella em que se acha paralysada a circulação +na planta. Mas dentro d'este periodo convem attender á temperatura do clima, á +sua humidade e ao grao de compacidade do terreno. Se o clima é quente e secco +convirá antecipar a plantação para que, quando chegarem os calores de verão, a +planta esteja já radicada no terreno. Pelo contrario, nos climas humidos e +frios convem fazer a plantação no principio da primavera para a subtrahir aos +excessivos frios e humidades do inverno.</p> + +<p> </p> + +<p>É pratica por muitos seguida enterrar as plantas a profundidades que ás +vezes vão a 30 e 40 e ás vezes mais centimetros a cima do collo da raiz.</p> + +<p> </p> + +<p>Por desvantajosa, deve tal pratica ser rejeitada por que é no solo que as +plantas encontram em melhores condicções e em maior abundancia os alimentos de +que carecem para a sua nutrição.</p> + +<p>No subsolo, onde as raizes por este processo de plantação iriam procurar os +alimentos, não os encontrariam em tão boas condicções para d'elle se +utilizarem, o que lhes seria prejudicial.</p> + +<p>Não podendo desenvolver bem as raizes no subsolo, a planta ver-se-hia +forçada a emittir novas raizes para irem procurar os alimentos no solo; d'aqui +o atrazo de um a dois annos na vida da planta.<span class="pn">{43}</span></p> + +<p>Bastará enterrar a planta até á profundidade de 6 a 10 centimetros acima do +collo da raiz, a não ser nos terrenos inclinados onde convem duplicar aquelles +numeros.</p> + +<p> </p> + +<p>As drainagens feitas com mattos e pedaços de madeira, são sufficientes em +terrenos inclinados ou de sub-solo permeavel; são dispensaveis em terrenos +arenosos e não são sufficientes nos terrenos planos e argillosos com sub-solo +tambem impermeavel.</p> + +<p>N'estes ultimos, as aguas infiltradas escoar-se-hão para o fundo da cova e +ahi, por não encontrarem sahida, ficarão depositadas, com grande prejuizo para +a vida das arvores.</p> + +<p>Indispensavel se torna então abrir covas entre cada par de arvores, as quaes +vão todas communicar com um poço collector que depois as enviará para qualquer +corrente proxima.</p> + +<p>N'estes poços parciaes deitam-se pedras até meio, acabando-se de encher com +terra.</p> + +<p>Melhor que isto será a abertura de vallas entre cada duas filas consecutivas +de oliveiras. Estas vallas exgotarão as aguas do terreno e conduzil-as-hão para +fóra do olival.</p> + +<p>Ainda mais facilmente se póde fazer a drainagem, fazendo communicar entre +si, por meio de pequenas vallas, todas as covas de cada fila.</p> + +<p> </p> + +<p>Nos terrenos em declive muito rapido, deve a cultura ser feita em patamares +construidos com pedras e terra, para impedir que a agua, arrastando as camadas +superficiaes do solo, ponha a raiz a descoberto.</p> + +<p>N'estes terrenos o compasso de 8<sup>m</sup> que indiquei ha pouco para os +terrenos de meia encosta, pode diminuir-se.</p> + +<p>Os alinhamentos feitos com o compasso de 6<sup>m</sup> a 8<sup>m</sup>, são +proprios para os terrenos destinados unicamente á cultura da oliveira. Entre +nós, porém, não<span class="pn">{44}</span> é muito frequente este caso, e a +oliveira vegeta em condemnavel promiscuidade com as culturas cerealiferas, com +a cultura da vinha e ainda com outras culturas.</p> + +<p>Para este caso é necessario dar á plantação um compasso muito maior do que o +indicado.</p> + +<p>A arvore, ao ser plantada definitivamente, deve ser desembaraçada de todos +os seus ramos e folhas. De contrario ellas continuarão a executar as suas +funcções com grave prejuizo para a vida da planta, porque as raizes não podendo +desempenhar ainda as suas funcções, não poderão absorver do terreno os +elementos necessarios para equilibrar as perdas produzidas pelo trabalho das +folhas.</p> + +<h2>CAPITULO VI</h2> + +<h3>Poda</h3> + +<p>Esta operação é indispensavel na arboricultura. Toda a arvore que não seja +submettida a esta operação é muito irregular tanto no seu crescimento como na +sua fórma; fructifica mal sendo os seus fructos mal conformados e a sua +producção muito incerta.</p> + +<p>Pelo contrario, podando as arvores nós obrigamol-as a tomar uma fórma mais +regular que lhe permitta uma boa distribuição do calor e da luz para obtermos +fructos bem creados e em maior quantidade.</p> + +<p>Esta operação traz ainda como consequencia uma melhor distribuição da seiva +e d'aqui o crescimento e a fructificação fazerem-se com mais regularidade.</p> + +<p>As podas mirando ao duplo fim de dar á arvore a fórma mais conveniente e de +lhes regular a producção, não podiam deixar de ser de duas cathegorias.</p> + +<p>A primeira principia já no viveiro onde, como já disse, se esboça a copa da +arvore.<span class="pn">{45}</span></p> + +<p>A arvore tirada do viveiro vem para o logar definitivo com quatro +ramificações em cruz; assim é plantada e no anno seguinte emitte varios +lançamentos pelos gommos existentes n'essas ramificações; no anno seguinte +cortam-se todos os rebentos, á excepção de um em cada pernada, escolhendo o que +se apresenta mais robusto e na posição mais levantada. No anno seguinte +cortam-se-lhes as pontas acima de dous raminhos lateraes bem constituidos e +supprimem-se todas as outras. Estes raminhos, desenvolvendo-se, constituem as +ramificações secundarias.</p> + +<p>Fica assim formado o esqueleto da arvore que se compõe de quatro +ramificações principaes, tendo cada uma duas ramificações secundarias.</p> + +<p>Esta é a <em>poda de formação</em>; a seguir a ella principiam as <em>podas +de fructificação</em> que têem por fim manter na oliveira a fórma regular, +provocando-lhe e regularisando-lhe ao mesmo tempo a producção.</p> + +<p>Esta operação requer da parte do operador conhecimentos especiaes sobre o +modo de vida da planta.</p> + +<p>É a physiologia vegetal que nos fornece esses elementos e, embora os nossos +operarios não estejam habilitados a deduzir d'esta sciencia as bases em que hão +de firmar-se para a execução d'esta operação, póde, tendo presentes as regras +d'ellas tiradas, effectuar a poda com methodo.</p> + +<p> </p> + +<p>Essas regras são as seguintes.</p> + +<p> </p> + +<p>1.ª—As flores, e portanto os fructos d'um dado anno, desenvolvem-se sempre +sobre os lançamentos do anno anterior e nunca sobre os lançamentos d'esse mesmo +anno;</p> + +<p>2.ª—Só florescem e fructificam os ramos que estiverem durante a maior parte +do dia expostos á influencia solar;</p> + +<p>3.ª—É sobre os ramos horisontaes ou pendentes que<span +class="pn">{46}</span> se desenvolvem os melhores e mais abundantes fructos;</p> + +<p>4.ª—Se uma oliveira muito carregada de ramos produz muitos fructos estes +ficam pequenos, pouco rendosos em azeite e a colheita é biennal:</p> + +<p>5.ª—Nem todas as variedades de oliveiras devem ser podadas do mesmo +modo;</p> + +<p>6.ª—A fructificação d'uma oliveira varia com o terreno e exposição, por +isso a poda deverá variar com estes factores;</p> + +<p>7.ª—Devemos evitar o mais possivel os córtes de ramos grossos.</p> + +<p> </p> + +<p>Pela primeira regra se vê que nunca devemos tirar á arvore grande quantidade +de raminhos, porque isso irá prejudicar muito a producção do anno seguinte.</p> + +<p>O segundo principio diz-nos que a arvore deve ter sempre os seus ramos bem +distribuidos e nunca deve estar demasiadamente carregada d'elles, por que a sua +folhagem compacta impede que os raios solares penetrem bem por entre elles, +ficando a formação do fructo limitada simplesmente aos pontos em que esses +raios podem, sem obstaculo, exercer a sua influencia.</p> + +<p> </p> + +<p>Um principio de physiologia vegetal, citado por Foëx, diz que a quantidade +de seiva que passa n'um ramo é tanto maior quanto mais proximo elle estiver da +vertical. Diz o mesmo auctor, n'um outro principio, que a vegetação de toda a +planta ou ramo é complementar.</p> + +<p>Estes dois principios vêm provar a segunda regra annunciada para a pratica +da poda.</p> + +<p>Effectivamente, se a vegetação d'uma planta ou ramo é complementar, isto é, +se quanto maior fôr a vegetação d'essa planta ou ramo, menor será a sua +producção em fructo, os ramos verticaes pela grande vegetação de que dispõem +serão menos productivos do que os affastados d'aquella posição.<span +class="pn">{47}</span></p> + +<p>Firmados n'esta terceira regra devemos destruir pela poda, os ramos +verticaes de preferencia aos horisontaes ou pendentes.</p> + +<p>Da quarta regra deprehende-se a necessidade de nunca deixar a arvore +demasiadamente carregada de ramos fructiferos, a fim de que ella não tenha que +alimentar, ao mesmo tempo, uma demasiada quantidade de fructos, o que lhe +acarretaria um exgotamento de que ella levaria um ou mais annos a refazer-se. +Mas que se não vá tomar á lettra o proverbio provençal—<em>Fais mois pauvre et +je te ferai riche</em>—porque isso redundaria em grave prejuizo para a +oliveira.</p> + +<p>O que convem sempre é regular esta operação pelas condições do terreno, pela +exposição e pela tendencia natural da planta, como aconselham as regras quinta +e sexta.</p> + +<p>N'um terreno rico e situado n'uma boa exposição deverá deixar-se a arvore +mais carregada de ramos porque no terreno não escassearão substancias para os +alimentar e a maturação dos fructos é mais certa. Pelo contrario, um terreno +pobre exige uma poda mais energica.</p> + +<p>A regra quarta aconselha-nos a que tenhamos em conta a variedade da oliveira +cultivada, porque algumas ha que tendem a elevar-se muito.</p> + +<p>N'este caso o podador deve ter sempre em vista não contrariar muito o +crescimento da planta com rebaixamentos exagerados.</p> + +<p>Ao effectuarmos a poda devemos subtrahir-nos o mais possivel ao córte de +troncos grossos. A grande superficie d'estes golpes daria origem á penetração +da agua e ao ataque de muitas doenças. Quando se não possam evitar esses golpes +haverá o cuidado de os cobrir com alcatrão ou outro inducto qualquer.</p> + +<p>Em muitas partes, devido ao pessimo costume de se podarem as oliveiras com +intervallos de 3, 4 e mais annos, vê-se o podador constrangido a cortar ramos +grossos, o que, como acabo de dizer, acarreta graves prejuizos para a vida das +arvores.<span class="pn">{48}</span></p> + +<p>Estes inconvenientes são ainda em algumas partes avolumados pela epocha +pouco propria em que as podas se executam, que é quasi sempre a seguir á apanha +do fructo.</p> + +<p>A oliveira é uma arvore muito sensivel aos frios vigorosos e estes muito +mais a prejudicam quando incidem sobre recentes golpes da poda.</p> + +<p>Para evitar os inconvenientes, provenientes dos golpes de demasiada +superficie e da sua exposição aos frios do inverno, convem, em primeiro logar, +que a poda seja feita todos os annos e em segundo logar, que ella nunca seja +feita antes da passagem dos frios, a não ser em sitios em que o vigor d'estes +não é muito para receiar.</p> + +<p>A melhor epocha parece ser o mez de fevereiro. Alguns auctores preferem a +poda em março e abril, mas, no dizer de <em>A. Aloi</em>, a poda feita n'esta +epocha predispõe a oliveira para adquirir mais doenças.</p> + +<p>Comtudo esta epocha varia muito conforme o clima local. Em climas onde não +são frequentes as geadas póde ella fazer-se logo a seguir á apanha do fructo, +mas é isso prejudicial nos sitios onde as geadas são frequentes.</p> + +<p>A poda feita na primavera parece-me ainda mais prejudicial do que a feita no +inverno rigoroso, pelos grandes estravasamentos de seiva a que dá origem.</p> + +<p>Durante a primavera apenas se irão supprimindo os rebentos que se forem +desenvolvendo no tronco.</p> + +<h2>CAPITULO VII</h2> + +<h3>Lavouras</h3> + +<p>Não é intuito meu encarecer aqui as vantagens provenientes da execução +d'esta operação.</p> + +<p>O que direi é que o olivicultor tem tudo a lucrar conservando sempre bem +mobilisado o solo do seu olival.<span class="pn">{49}</span></p> + +<p>A maioria dos lavradores effectuam apenas uma cava á profundidade +0<sup>m</sup>,25 a 0<sup>m</sup>,30; outros, porém, mais cuidadosos, effectuam +dois lavores por anno, sendo feito um em novembro e outro na primavera.</p> + +<p>Alguns auctores aconselham que se executem quatro lavras: a primeira ao +terminar a colheita; a segunda de janeiro a fevereiro; outra ao acabar a +floração; e, finalmente, a ultima em agosto.</p> + +<p>No estio, com o fim duplo de mobilisar o terreno e impedir a evaporação, +costuma-se fazer uma ou duas arrendas.</p> + +<p>Nos sitios pouco humidos é conveniente a abertura de caldeiras em volta do +pé das arvores, para ahi se receberem as aguas das chuvas.<span +class="pn">{50}<br> +{51}</span></p> + +<h2>CONCLUSÕES</h2> + +<p>Do que fica exposto concluo que:</p> + +<p>1.º—Attendendo ás condições de clima e de solo, o nosso paiz está nas +melhores condições para a cultura remuneradora da oliveira.</p> + +<p>2.º—A oliveira prefere os terrenos soltos, ricos em potassa e cal.</p> + +<p>3.º—Sobre tudo nos terrenos compactos, é muito vantajosa a adubação com a +rama proveniente da poda das oliveiras.</p> + +<p>4.º—O terreno destinado aos viveiros deve estar em melhores condições +physicas e chimicas do que o destinado á plantação definitiva.</p> + +<p>5.°—Ao plantarem-se as arvores definitivamente devem tirar-se á planta +todos os seus ramos e folhas.</p> + +<p>6.°—A poda da oliveira deve ser annual.</p> + +<p> </p> +</div> + + + + + + + +<pre> + + + + + +End of the Project Gutenberg EBook of Breves palavras sobre a cultura da +Oliveira, by Avelino Nunes de Almeida + +*** END OF THIS PROJECT GUTENBERG EBOOK CULTURA DA OLIVEIRA *** + +***** This file should be named 33572-h.htm or 33572-h.zip ***** +This and all associated files of various formats will be found in: + http://www.gutenberg.org/3/3/5/7/33572/ + +Produced by Pedro Saborano + +Updated editions will replace the previous one--the old editions +will be renamed. + +Creating the works from public domain print editions means that no +one owns a United States copyright in these works, so the Foundation +(and you!) can copy and distribute it in the United States without +permission and without paying copyright royalties. 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It exists +because of the efforts of hundreds of volunteers and donations from +people in all walks of life. + +Volunteers and financial support to provide volunteers with the +assistance they need, are critical to reaching Project Gutenberg-tm's +goals and ensuring that the Project Gutenberg-tm collection will +remain freely available for generations to come. In 2001, the Project +Gutenberg Literary Archive Foundation was created to provide a secure +and permanent future for Project Gutenberg-tm and future generations. +To learn more about the Project Gutenberg Literary Archive Foundation +and how your efforts and donations can help, see Sections 3 and 4 +and the Foundation web page at http://www.pglaf.org. + + +Section 3. Information about the Project Gutenberg Literary Archive +Foundation + +The Project Gutenberg Literary Archive Foundation is a non profit +501(c)(3) educational corporation organized under the laws of the +state of Mississippi and granted tax exempt status by the Internal +Revenue Service. The Foundation's EIN or federal tax identification +number is 64-6221541. Its 501(c)(3) letter is posted at +http://pglaf.org/fundraising. Contributions to the Project Gutenberg +Literary Archive Foundation are tax deductible to the full extent +permitted by U.S. federal laws and your state's laws. + +The Foundation's principal office is located at 4557 Melan Dr. S. +Fairbanks, AK, 99712., but its volunteers and employees are scattered +throughout numerous locations. Its business office is located at +809 North 1500 West, Salt Lake City, UT 84116, (801) 596-1887, email +business@pglaf.org. Email contact links and up to date contact +information can be found at the Foundation's web site and official +page at http://pglaf.org + +For additional contact information: + Dr. Gregory B. Newby + Chief Executive and Director + gbnewby@pglaf.org + + +Section 4. Information about Donations to the Project Gutenberg +Literary Archive Foundation + +Project Gutenberg-tm depends upon and cannot survive without wide +spread public support and donations to carry out its mission of +increasing the number of public domain and licensed works that can be +freely distributed in machine readable form accessible by the widest +array of equipment including outdated equipment. Many small donations +($1 to $5,000) are particularly important to maintaining tax exempt +status with the IRS. + +The Foundation is committed to complying with the laws regulating +charities and charitable donations in all 50 states of the United +States. Compliance requirements are not uniform and it takes a +considerable effort, much paperwork and many fees to meet and keep up +with these requirements. We do not solicit donations in locations +where we have not received written confirmation of compliance. To +SEND DONATIONS or determine the status of compliance for any +particular state visit http://pglaf.org + +While we cannot and do not solicit contributions from states where we +have not met the solicitation requirements, we know of no prohibition +against accepting unsolicited donations from donors in such states who +approach us with offers to donate. + +International donations are gratefully accepted, but we cannot make +any statements concerning tax treatment of donations received from +outside the United States. U.S. laws alone swamp our small staff. + +Please check the Project Gutenberg Web pages for current donation +methods and addresses. Donations are accepted in a number of other +ways including checks, online payments and credit card donations. +To donate, please visit: http://pglaf.org/donate + + +Section 5. General Information About Project Gutenberg-tm electronic +works. + +Professor Michael S. Hart is the originator of the Project Gutenberg-tm +concept of a library of electronic works that could be freely shared +with anyone. For thirty years, he produced and distributed Project +Gutenberg-tm eBooks with only a loose network of volunteer support. + + +Project Gutenberg-tm eBooks are often created from several printed +editions, all of which are confirmed as Public Domain in the U.S. +unless a copyright notice is included. Thus, we do not necessarily +keep eBooks in compliance with any particular paper edition. + + +Most people start at our Web site which has the main PG search facility: + + http://www.gutenberg.org + +This Web site includes information about Project Gutenberg-tm, +including how to make donations to the Project Gutenberg Literary +Archive Foundation, how to help produce our new eBooks, and how to +subscribe to our email newsletter to hear about new eBooks. + + +</pre> + +</body> +</html> diff --git a/33572-h/images/diagrama.png b/33572-h/images/diagrama.png Binary files differnew file mode 100644 index 0000000..ffbd434 --- /dev/null +++ b/33572-h/images/diagrama.png diff --git a/33572-h/images/logo.png b/33572-h/images/logo.png Binary files differnew file mode 100644 index 0000000..33eb21b --- /dev/null +++ b/33572-h/images/logo.png |
