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+The Project Gutenberg EBook of Breves palavras sobre a cultura da Oliveira, by
+Avelino Nunes de Almeida
+
+This eBook is for the use of anyone anywhere at no cost and with
+almost no restrictions whatsoever. You may copy it, give it away or
+re-use it under the terms of the Project Gutenberg License included
+with this eBook or online at www.gutenberg.org
+
+
+Title: Breves palavras sobre a cultura da Oliveira
+
+Author: Avelino Nunes de Almeida
+
+Release Date: August 29, 2010 [EBook #33572]
+
+Language: Portuguese
+
+Character set encoding: ISO-8859-1
+
+*** START OF THIS PROJECT GUTENBERG EBOOK CULTURA DA OLIVEIRA ***
+
+
+
+
+Produced by Pedro Saborano
+
+
+
+
+ BREVES PALAVRAS
+ SOBRE A
+ CULTURA
+ DA
+ OLIVEIRA
+
+
+ DISSERTAÇÃO INAUGURAL
+ APRESENTADA AO
+ Instituto d'Agronomia e Veterinaria
+
+ POR
+
+ Avelino Nunes D'Almeida
+
+
+
+ 1899
+ IMPRENSA DE LIBANIO DA SILVA
+ _91, Rua do Norte, 91_
+ LISBOA
+
+
+
+
+ BREVES PALAVRAS
+
+ SOBRE A
+
+ CULTURA DA OLIVEIRA
+
+
+
+
+
+ BREVES PALAVRAS
+ SOBRE A
+ CULTURA
+ DA
+ OLIVEIRA
+
+
+ DISSERTAÇÃO INAUGURAL
+ APRESENTADA AO
+ Instituto d'Agronomia e Veterinaria
+
+ POR
+
+ Avelino Nunes D'Almeida
+
+
+
+ 1899
+ IMPRENSA DE LIBANIO DA SILVA
+ _91, Rua do Norte, 91_
+ LISBOA
+
+
+
+
+ A MEUS PAES
+
+ A MEUS IRMÃOS
+
+
+ Como prova de muito respeito e amisade.
+
+
+
+
+ Á MEMORIA DE MEUS TIOS
+
+
+LUIZ NUNES DA COSTA
+
+ MARIA AUGUSTA NUNES
+
+ MARGARIDA AUGUSTA NUNES
+
+
+ Gratidão eterna.
+
+
+
+
+A MEUS PRIMOS
+
+ AOS MEUS AMIGOS
+
+ AOS MEUS CONDISCIPULOS
+
+
+ Como prova de dedicação e amizade.
+
+
+
+A .............
+
+........................................................................
+
+
+
+
+O Instituto d'Agronomia e Veterinaria não se responsabilisa pelas
+doutrinas expostas n'esta dissertação (Art.º 79 do Regulamento de 8 de
+Junho de 1898).
+
+
+
+
+Ao escrever estas _breves palavras sobre a cultura da oliveira_, está
+muito longe de mim a presumpção de que ellas vão lançar alguma luz sobre
+tão importante assumpto.
+
+Nem com esse fim as escrevo: mas unicamente para cumprir um dever que a
+lei me impõe.
+
+Anima-me a fazel-o, a confiança que tenho na benevolencia dos dignos
+mestres que me hão de julgar.
+
+
+Lisboa 14 de Novembro de 1899.
+
+
+ _Avelino Nunes d'Almeida_
+
+
+
+
+PRELIMINARES
+
+
+Estudo botanico
+
+A arvore de cuja cultura me proponho tratar faz parte da familia das
+Oleaceas, comprehendida no grande grupo das phanerogamicas
+dicotyledoneas gamopetalas superovariadas.
+
+Habita esta familia os paizes quentes e temperados, onde é constituida
+por arvores ou arbustos de folhas oppostas, simples, inteiras e quasi
+sempre sem estipulas.
+
+As diversas especies que a compõem apresentam inflorescencia em cacho
+simples ou composto, e algumas vezes em forma de thyrso.
+
+Flores hermaphroditas e regulares, raramente polygamicas ou dioicas.
+
+Calice livre, presistente com quatro e algumas vezes cinco divisões.
+
+Corolla hypogynica com quatro fendas mais ou menos profundas, de maneira
+a apresentarem quatro petalas, duas das quaes muitas vezes abortam.
+Apresenta a forma assalveada, rodada ou afunilada.
+
+Geralmente dois estames alternos com os filetes curtos algumas vezes
+livres outras vezes inseridos sobre a corolla; ás vezes apparecem quatro
+estames alternando com as petalas.
+
+Antheras ordinariamente introrsas, biloculares fazendo-se a sua
+dehiscencia por duas fendas longitudinaes.
+
+Genyceu de tamanho regular cujo ovario é livre, bilocular encerrando
+cada loculo geralmente dois ovulos. Um só estylete, curto, estygma
+simples e bifendido. Fructo secco ou carnudo (capsula, baga ou drupa).
+
+Sementes com albumen ou sem elle: no primeiro caso tem embryão recto com
+cotyledones foliaceas; no segundo caso as cotyledones são carnosas.
+
+A familia das Oleaceas está dividida em varios generos dos quaes alguns
+são frequentes no nosso paiz. Entre estes contam-se os generos Syringa
+(_L._), Ligustrum. (_Tourn._) Phyliria (_L._) e Olea (_Tourn._)
+
+
+*Olea, Tourn.*--Este genero é caracterisado por ter as flores dispostas
+em pequenos cachos axillares, simples ou compostos; calice tetradentado;
+a corolla com 4 fendas; estames salientes e inseridos no cimo do tubo da
+corolla; estylete curto; estygma bilobado, conico e grande. Fructo
+carnudo, oleoso, drupaceo; semente ossea com um ou dois espermas e o
+embryão recto.
+
+São arvores ou arbustos de folhas simples, coreaceas, inteiras,
+presistentes e oppostas.
+
+
+A oliveira faz parte d'este genero e entra na constituição da especie
+_O. europaea_, L. originando dentro d'esta especie um grande numero de
+variedades.
+
+A _O. Europaea_ distingue-se pelos seus cachos axilares de flores
+brancas. Forma arvores ou arbustos de folhas oppostas, persistentes,
+coriaceas, inteiras, brancas ou esbranquiçadas na pagina inferior.
+
+
+O typo verdadeiro da oliveira parece ser o Zambujeiro (Olea oleaster D.
+C.) que se apresenta sob a forma de arvores ou arbustos de ramos
+quasi sempre espinescentes, com drupas pequenas, negras e algumas vezes
+brancas.
+
+Esta variedade é dotada de muito vigor, sendo por isso empregada como
+cavallo sobre que se enxertam as variedades mais productivas.
+
+A oliveira commum, cultivada em todo o paiz, é a O. europaea sativa, D.
+C. que forma arvores com ramos sempre inermes, drupa cujo tamanho varia
+muito com a intensidade da cultura, e de cor escura. A sua cultura tem
+introduzido na sua organisação modificações mais ou menos profundas que
+tem dado origem á differenciação de um grande numero de variedades.
+D'estas differenças, faceis de obter, nos caracteres especificos da
+planta nasce uma grande difficuldade senão uma impossibilidade completa
+em se determinar o numero exacto das variedades cultivadas, e de fazer
+n'ellas um estudo botanico que bem as caracterise.
+
+A avolumar ainda as difficuldades levantadas pelas alterações
+morphologicas dos orgãos da planta surge ainda o inconveniente da
+diversidade de nomes que de terra para terra são dados a uma mesma
+variedade.
+
+
+É do maior ou menor vigôr das arvores, da natureza dos seus portes e
+sobretudo da coloração, forma e grandeza dos seus fructos que se tiram
+os caracteres das suas variedades.
+
+São muito inconstantes estes caracteres. Oliveiras tenho eu visto que,
+provenientes de estacas da mesma mãe, se apresentam hoje, logo á
+primeira vista, com aspectos muito differentes dos da planta d'onde
+provieram.
+
+A planta de que se extrairam estas estacas é uma velha oliveira que tem
+vegetado sempre á custa dos elementos naturaes do terreno, já de si
+pobre, e que pela sua constituição schistosa não é dos mais proprios
+para esta especie de cultura. Os seus fructos são pequenos, as folhas,
+esbranquiçadas na pagina inferior, tomam uma côr verde pouco
+carregada na pagina superior. As estacas d'ella provenientes foram
+levadas para o littoral e plantadas em um terreno onde annualmente se
+faz a cultura do milho e de outros cereaes. É um terreno
+argillo-calcareo com ligeira inclinação ao poente.
+
+As arvores provenientes d'estas estacas são muito vigorosas; o seu
+fructo é muito mais volumoso que o produzido pela planta mãe; as folhas,
+com quanto apresentem na pagina inferior a côr esbranquiçada
+caracteristica da especie, apresentam na pagina superior uma côr verde
+mais escura que as da planta d'onde provieram: estas differenças são tão
+sensiveis que difficilmente se conhecerá nas duas plantas a mesma
+variedade.
+
+No meio d'esta confusão algumas variedades têem sido já caracterisadas,
+algumas das quaes já foram descriptas por José Antonio de Sá,
+Dalla-Bella, Mendo Trigoso e Barão de Forrester.
+
+São nove as castas apresentadas por estes auctores, conhecidas pelos
+nomes de: _negrões ou maduraes, verdeaes, cordovezas, lentisqueiras ou
+durasias, carrascas, bicaes, negruchas, carlotas redondis judiagas ou
+mançanilhas._
+
+
+O distincto agronomo Sr. Sousa da Camara, no seu _Estudo da Oliveira_
+actualmente em publicação na _Gazeta das Aldeias_, tem conseguido até
+hoje differençar as seguintes variedades e sub-variedades:
+
+ Variedades Sub-variedades
+
+Nome botanico Nomes vulgares
+
+Olea europaea oleaster, D. C { Zambujeiro.
+ { Zambujo.
+
+Olea europaea pomiformis, Clem. { Mançanica. } Golozinha.
+ { Mançanilha. }
+
+ { Cordoveza. }
+ { Cordovil. }
+Olea europaea, regalis, Clem. { Longal. } Redondal.
+ { Santulhana. }
+ { Sevilhana. }
+
+ { Bical.
+O. europaea, rostrata, Clem. { Bicuda.
+ { Cornalhuda.
+ { Cornicabra.
+
+ { Gallega. }
+O. fructo oblongo, Bauh. { Madural. } Negrucha.
+ { Negral. }
+
+Olivo murtea. { Carrasca. } Carrasquenho meudo e
+ { Carrasquenha. } carrasquenho tinto.
+
+ { Brunhenta. }
+ { Durasia. }
+Olivo racemosa. { Lentisca. } Barrenta.
+ { Lentisqueira. } Zambulha.
+ { Zambulheira. }
+
+O. viridula, Gou. { Verdeal. } Verdeal cobrançosa
+ { Carlota.
+ { Judiaga.
+ { Redondil.
+ { Oliveira de fructos vernaes,
+ { Zamborina.
+ { Tentilheira.
+
+
+
+
+CAPITULO I
+
+
+Clima e solo
+
+
+A--Clima
+
+São por de mais notaveis as diversidades existentes nas especies
+vegetaes que habitam a superficie da terra.
+
+Estas diversidades que se observam dentro da mesma propriedade e que
+augmentam de propriedade para propriedade e de um paiz para outro,
+accentuam-se extraordinariamente quando comparamos a flora de dois
+continentes.
+
+A estructura, composição chimica do solo e o clima são as causas
+principaes d'esta accidentada vegetação.
+
+Cada planta tem as suas exigencias especiaes, de cujo conhecimento
+resulta a determinação da zona de terreno em que cada especie encontra
+condições favoraveis de vida.
+
+Conhecida a zona propria para a vida de cada planta, ou melhor,
+conhecidas as especies culturaes adaptaveis a uma determinada zona de
+terreno, poder-se-ha emprehender uma exploração agricola mais segura dos
+seus resultados do que se a completa ignorancia da geographia botanica
+nos obrigasse a emprehender ao acaso essa exploração.
+
+Só um grande esforço, que acarretaria despezas enormes, pode permittir
+que se desvie uma planta do seu habitat natural, para, por processos
+artificiaes, obter d'ella eguaes productos.
+
+É isto que se faz em varios paizes da Europa, como por exemplo em
+Inglaterra, onde em estufas apropriadas se força a videira a produzir.
+Depois, no mercado, a muita procura alliada á raridade do producto,
+remunerará condignamente o esforço e a despeza do industrial.
+
+Plantas ha que, mais modestas nas suas exigencias, podem vegetar nos
+sitios menos favorecidos pela natureza. São estas as plantas herbaceas
+expontaneas, as quaes se vêm vegetar em sitios onde é vedado o
+desenvolvimento ás plantas arboreas ou arbustivas.
+
+Outras, porém, e n'este grupo entra uma grande parte das plantas
+cultivadas, não se contentando com as minguadas exigencias d'aquellas,
+tornam mais limitada a zona em que a vida lhes é favoravel.
+
+As especies arboreas, pela sua constituição robusta e pelo seu grande
+desenvolvimento radicular, accommodam-se em sitios onde as culturas
+arvenses não poderiam ter logar.
+
+O nosso paiz, pela sua accidentação e variedade da sua paizagem, está
+naturalmente indicado mais para aquellas do que para estas culturas.
+
+A oliveira, arvore cuja cultura é tão remuneradora, aqui encontra
+condições muito favoraveis de vida.
+
+As boas condições do nosso clima, alliadas á estructura do solo que lhe
+é propria, collocam-nos em condições de por toda a parte disseminarmos a
+sua cultura, augmentando a producção que até hoje tem sido muito diminuta.
+
+A oliveira exige, para poder prosperar e produzir, uma temperatura
+branda e pouco variavel.
+
+A area destinada á sua cultura vae, segundo _Gasparin_, até aos 46° de
+latitude N. e ao sul é limitada pelo Tropico.
+
+Outros auctores, porém, limitam mais a area indicada por Gasparin.
+
+_De-Noisette_, por exemplo, dá-lhe como zona propria a comprehendida
+entre 25° e 43° de latitude boreal. Para lá de 46° a oliveira cresce,
+mas é muito raro amadurecer os seus fructos; á medida que formos
+caminhando para o equador, esta arvore vae augmentando de volume, mas de
+18° para baixo dá-se o mesmo caso que para cima de 46°.
+
+Os calores intensos e os frios excessivos prejudicam altamente a vida
+d'esta arvore; e não tanto os frios intensos como as mudanças bruscas de
+temperatura n'ella exercem a sua nefasta influencia.
+
+Tem-se visto estas arvores supportarem, sem alteração sensivel nas suas
+funcções, uma temperatura de -16° C., ao passo que são accommettidas por
+uma morte rapida quando, depois de terem estado por algum tempo
+submettidas á temperatura de -5°, são banhadas rapidamente por um sol
+claro e intenso.
+
+Procurar, portanto, os logares em que a temperatura seja pouco variavel,
+será pratica prudente e vantajosa.
+
+Alguns querem até estabelecer a visinhança dos mares como unico solar
+onde esta preciosa arvore encontraria condições confortaveis de vida,
+por ser ahi onde a temperatura é mais estavel; a pratica, porém, destroe
+tal asserção, pois que no interior dos continentes ella se vê
+desenvolver e fructificar admiravelmente.
+
+Para determinarmos se uma dada região é ou não propria para esta
+cultura, é de summa importancia o conhecimento das temperaturas maxima e
+minima; nunca nos devemos guiar só pelo conhecimento da sua temperatura
+media.
+
+É sabido que para a completa maturação do fructo, a oliveira exige um
+total 3978° de calor; mas sitios ha em que esse numero de graus se obtem
+igualmente, embora as temperaturas extremas divirjam muito. Se
+considerarmos dois logares, n'um dos quaes as temperaturas minima e
+maxima sejam _a_ e _b_, e no outro _a-c_ e _b+c_, elles terão as mesmas
+temperaturas medias e comtudo pode ser impossivel a olivicultura no
+segundo e muito adaptada ao primeiro; depende isso simplesmente do valor
+de _c_.
+
+Estes inconvenientes conseguem remediar-se procurando exposições em
+harmonia com o clima local.
+
+A _exposição e inclinação_ do terreno são duas questões de summa
+importancia para este assumpto. Em um clima demasiadamente quente, pode
+convir uma exposição que seria prejudicial em outro que não tivesse a
+mesma propriedade.
+
+No nosso paiz a exposição ao sul é a mais conveniente, a não ser n'um ou
+n'outro ponto em que o calor excessivo do verão e a pequena percentagem
+de humidade nos terrenos, aconselhem inclinação differente. Nos sitios
+onde são frequentes as geadas, nunca a exposição a Levante pode convir,
+porque a planta que durante a noite esteve submettida a um frio intenso,
+soffre muito ao receber rapidamente os matutinos raios solares. O
+desgelo seria rapido e a sua influencia na vida das cellulas prejudicial.
+
+Em resumo, aconselharei a exposição ao meio dia, como a que mais
+geralmente convem, sendo muito para adoptar tambem a exposição ao poente.
+
+
+Quanto á _inclinação_, é preferível a meia encosta porque n'ella se
+somma maior numero de graus de calor do que nos terrenos de planicie, se
+os considerarmos collocados nas mesmas condições de altitude, latitude e
+composição.
+
+A pratica tem provado que, embora as oliveiras vegetem e fructifiquem
+perfeitamente nas planicies, o azeite extraindo dos seus fructos é mais
+grosso, de peior qualidade, e que estes no acto da expremidura
+desprendem muito mais _almofeira_ do que os fructos provenientes de
+oliveiras cultivadas nas encostas.
+
+Não ha vantagem em cultivar a oliveira em terrenos demasiadamente
+inclinados, porque ahi são impossiveis as lavouras mechanicas, tendo
+este trabalho de ser feito a braço, o que augmenta muito a despeza.
+
+A este inconveniente junta-se ainda o da terra ser arrastada da parte
+superior para o fundo da encosta, resultando d'aqui que o solo se vae
+tornando cada vez menos profundo á medida que vamos subindo na encosta.
+
+Este inconveniente observa-se facilmente pelo simples aspecto da
+plantação. As arvores da base alcançam maior e mais rapido
+desenvolvimento graças á espessura do solo, successivamente augmentado
+pela terra deslocada da parte superior.
+
+O sr. D. José de Hidalgo Tablada dá como limite de inclinação para as
+terras trabalhadas com arado a inclinação de 6%. Para maiores
+inclinações convirá fazer a cultura em sucalcos.
+
+
+B--Solo
+
+A oliveira é tida como uma planta que vegeta em todos os terrenos
+qualquer que seja a sua contextura ou a sua composição chimica.
+
+Effectivamente ella vive por toda a parte povoando terrenos da mais
+differente structura, e ainda n'aquelles em que muitas outras arvores
+não encontram condições favoraveis, ella se mostra com aspecto regular.
+Muitas vezes os maus tratos dos homens e a sua exposição aos frios e aos
+ventos fortes são-lhe mais prejudiciaes do que as más qualidades do
+terreno.
+
+Então essas arvores cuja resistencia ás más qualidades do terreno, só
+por si, não conseguiram destruir, cede, embora lentamente, á combinação
+d'ellas com os maleficios provenientes da velhice e dos maus tractos, e
+o seu tronco, minado internamente pela alteração dos seus tecidos, vae
+desapparecendo, apresentando-se frequentemente reduzido a uma debil
+parede formada apenas pela casca e pelas primeiras camadas do alburno.
+
+A custo este debil tronco vae mantendo em equilibrio o decrepito
+individuo, até que um dia o vento ou qualquer outro agente se encarregue
+de o prostrar por uma vez.
+
+Este tronco ao desapparecer não arrasta comsigo as ultimas
+manifestações de vida do individuo de que fazia parte.
+
+Dentro em pouco, da parte mais superficial das suas raizes, e da sua
+toiça ver-se-hão surgir novos rebentos que o virão substituir.
+
+Estes casos que são muito frequentes mesmo nos peiores terrenos não
+significam que seja indiferente destinar este ou aquelle terreno á
+cultura d'esta arvore.
+
+Embora possa viver em toda a area que lhe foi destinada ella tem
+comtudo, dentro d'essa area, preferencia por determinados terrenos, e á
+sua boa vegetação e sobre tudo á qualidade e quantidade do fructo
+importa muito a escolha do solo destinado ao olival.
+
+Os terrenos francos e soltos permeaveis e medianamente ferteis, fundos e
+frescos são os que mais lhe convêm. Prejudicam-a bestante os terrenos
+humidos e os demasiadamente seccos.
+
+São os terrenos calcareo-silico-argillosos os que melhor satisfazem a
+estas condições. Prestam-se muito a esta cultura os terrenos pedregosos
+onde ella encontre terra bastante para o desenvolvimento das suas raizes
+no principio da sua vida.
+
+
+De grande importancia n'esta questão é a qualidade do sub-solo; este
+pode tornar muitas vezes impossivel a cultura d'um terreno cujas boas
+qualidades de solo parecessem as mais proprias para a vida vegetal.
+
+Os terrenos de sub-solo impermeavel são muito desfavoraveis á cultura da
+oliveira a não ser que sejam submettidos a uma drenagem. Este
+inconveniente trazido ao terreno pela impermeabilidade do seu sub-solo é
+em parte attenuado nos terrenos inclinados porque n'elles é menor a
+infiltração das aguas e mais facil o seu escorrimento á superfície do
+seu sub-solo.
+
+
+Quanto ás condições chimicas do terreno, é d'ellas que mais depende
+a vegetação e producção da oliveira assim, como o rendimento e qualidade
+do azeite. O augmento de producção de uma dada planta consegue-se muitas
+vezes pelo augmento na terra de um só dos elementos indispensaveis á
+vida vegetal; outras vezes, e pelo mesmo processo, se pode fazer reviver
+uma cultura que a muitos o seu aspecto poderia fazer imaginar perdida.
+
+Das analyses feitas por varios chimicos sabe-se que a oliveira apresenta
+no seu todo, quantidades elevadas de cal, potassa e acido phosphorico.
+Ora, como é indubitavelmente do terreno que a planta extrahe todos estes
+principios, necessario se torna que elles se encontrem nos terrenos
+destinados a essa cultura. Os nossos terrenos são bastante ricos em
+acido phosphorico dispensando-nos por isso de nos preoccuparmos muito
+com elle. O que convem é attender mais ás percentagens de cal e de
+potassa por serem estes corpos os de mais incerta existencia no terreno.
+
+
+São-lhe muito favoraveis os terrenos vulcanicos, graniticos, schistosos
+e sobre tudo os calcareos.
+
+
+N'estes ultimos vegeta a oliveira admiravelmente mas o seu azeite é
+muito gordo. É nos terrenos de fraca tenacidade, onde as oliveiras dão
+os oleos mais finos; nos de grés os azeites são de mediana qualidade; e
+nos schistosos e graniticos a oliveira produz fructos de que exsuda o
+azeite mais superior.
+
+
+
+
+CAPITULO II
+
+
+Adubações
+
+Sem duvida a oliveira é uma planta que pode vegetar em toda a casta de
+terrenos, mesmo os mais pobres, excepção feita d'aquelles em que houver
+superabundancia de humidade; a sua producção, porém, é que, como em
+todas as plantas, está em harmonia com os cuidados que se lhe dispensam.
+
+Por isso a adubação do terreno tem uma alta importancia, e a escolha do
+adubo deve merecer ao olivicultor escrupulosa attenção.
+
+Nunca devemos esquecer o fim principal com que pretendemos empregar a
+adubação.
+
+Tres são os fins com que lançamos mão dos adubos: para favorecermos o
+desenvolvimento da planta, para lhe augmentarmos a producção ou com o
+fim duplo de lhe augmentarmos o desenvolvimento e a producção. Estes
+tres fins estão em harmonia com os tres periodos differentes porque
+passa a vegetação de todas as arvores, no primeiro dos quaes se dá o
+crescimento da planta, no segundo o estacionamento e no terceiro o seu
+decrescimento.
+
+Claro está, que, ao passar por estas phases vegetativas, devemos
+dispensar á planta os adubos que mais nos convenham para d'ella podermos
+tirar o producto da maneira mais remuneradora possivel.
+
+Não perdendo nunca de vista a phase vegetativa em que a planta se
+encontra, são as analyses chimicas da propria oliveira e do solo que nos
+fornecem as precisas instrucções para a determinação da adubação a dar á
+cultura:
+
+As colheitas e as podas vão exgotando o solo constantemente e
+leval-o-hão a um estado de exgotamento completo se de qualquer fórma lhe
+não restituirmos os elementos perdidos.
+
+Para podermos determinar conscienciosamente a formula a dar ao adubo,
+(caso pretendamos empregar os adubos chimicos), ou a quantidade de
+estrume a empregar, (se lançarmos mão do estrume de curral ou de outro
+qualquer), necessario se nos torna calcular primeiramente o
+empobrecimento do terreno devido á producção da arvore.
+
+Não é difficil fazer-se este calculo de uma maneira bastante
+approximada: bastará simplesmente, avaliar, o mais rigorosamente
+possivel, a quantidade, em pezo, de lenho e folhas extrahida pela
+poda, assim como o pezo do fructo produzido por esse olival. Conhecidos
+estes elementos facil será determinar por meio das analyses já
+existentes, qual a adubação necessaria.
+
+O conhecimento do pezo de rama proveniente da poda é perfeitamente
+dispensavel no caso, aliás pouco vulgar entre nós, de ella ser enterrada
+no solo do olival d'onde proveio.
+
+N'este caso o exgotamento do terreno é simplesmente egual á quantidade
+de elementos que entram na composição de todo o fructo.
+
+Supponhamos um olival disposto em quadrado com o compasso de 8 metros,
+será de 156 o numero de pés existentes no hectare. Admittindo que cada
+arvore produz em media 15 litros e que o pezo de cada litro é de 600
+grammas, será de 9 kilos o pezo de azeitona produzida por cada arvore.
+
+_Caruso_ calcula que do pezo de rama extrahida annualmente pela poda,
+22% são de folhas e os restantes 78 são de lenho.
+
+Não é, porém, só a poda que obriga a arvore a perder ramos e folhas.
+
+Muitas outras causas obrigam uns e outros a desprender-se da planta mãe
+e a vir augmentar o contigente fornecido pela poda.
+
+Entre nós o barbaro systema da apanha do fructo, geralmente seguido no
+paiz, é causa de enormes desperdicios. Os ramos desprendidos pelo varejo
+são os mais tenros e n'elles a parte foliar não poderá ter para a parte
+lenhosa a relação estabelecida por aquelle auctor.
+
+Para o nosso paiz costuma avaliar-se, em media, em 6 a 7 e 5 a 6 kilos
+respectivamente o pezo de folha e de lenho perdido annualmente por uma
+oliveira; e em 9 kilos o peso da sua producção em fructo.
+
+A composição centesimal das diversas partes da arvore é, segundo Müntz,
+a seguinte:
+
+ Lenho Folhas Fructos
+ Azoto 0,40 0,50 0,274
+ Acido phosphorico 0,10 0,29 0,130
+ Potassa 0,35 0,74 0,360
+ Cal 0,50 1,45 --
+
+Se toda a quantidade de lenho, folhas e fructos extrahidos da arvore
+forem levados para fóra do olival, produzir-se-ha um exgotamento que,
+para os numeros 7, 6 e 9 acima indicados como representando o numero de
+kilos d'estes materiaes perdidos annualmente por cada arvore, se poderá
+computar no seguinte para cada individuo:
+
+ Lenho Folhas Fructos Total
+ Azoto 0,024 0,035 0,024 0,083
+ Acido phosphorico 0,006 0,020 0,012 0,038
+ Potassa 0,021 0,051 0,032 0,104
+
+indicando estes numeros o pezo em kilos para cada arvore.
+
+Para as 156 arvores existentes no hectare teremos:
+
+ Lenho Folhas Fructos Total
+ Azoto 3,74 5,46 3,74 12,94
+ Acido phosphorico 0,93 3,12 1,87 5,92
+ Potassa 3,27 7,95 4,99 16,21
+
+São estas as quantidades de elementos essenciaes perdidas annualmente
+pelo terreno e que é necessario restituir-lhe para não prejudicarmos a
+cultura.
+
+
+Sob diversas fórmas e em substancias differentes se podem ministrar aos
+terrenos aquelles elementos.
+
+Quer debaixo da fórma de adubos chimicos preparando para isso uma
+formula em que entre o azoto, o acido phosphorico e a pottassa nas
+percentagens indicadas n'estas tabellas, quer em estrume de curral
+ou em estrumações verdes se podem encorporar no solo aquelles elementos,
+que de todas as fórmas as suas vantagens se assignalam de uma maneira
+mais ou menos notavel.
+
+Vantagens ha as sempre para a planta na execução d'esta operação; mas a
+sua grandeza varia sempre com a natureza do terreno a adubar e com a
+qualidade do adubo a empregar. Claro está que no que mais necessario se
+torna fixar a attenção é nos resultados economicos e esses são os que
+mais fazem variar as vantagens dos differentes systemas de adubar.
+
+No caso em questão, em que supponho que todas as partes tiradas das
+arvores foram levadas para fóra do olival e em que, portanto, se
+roubaram ao terreno 12k,94 de azoto, 5k,92 de acido phosphorico e
+16k,21 de potassa, precisaria, no caso de me querer servir dos adubos
+chimicos, da seguinte formula:
+
+ Sulphato de ammoniaco Superphosphato Cloreto de potassa
+ 65k a 20% 37k a 16% 34k a 50%
+
+Estas seriam as adubações que theoricamente seria necessario dar a um
+hectare de oliveira; ha, porém, sempre a contar com as perdas soffridas
+por diversas causas, entre as quaes avulta o arrastamento de algumas
+d'essas substancias pelas aguas das chuvas. O azoto, por exemplo, é uma
+substancia que, quando nos estados em que pode ser absorvido pela
+planta, é muito facilmente arrastado pelas aguas. Além d'isso devemos
+ter em conta que nem todos os elementos serão absorvidos pela planta,
+porque nem a todos os pontos em que se espalhar essa adubação chegarão
+as suas radiculas para os absorver totalmente.
+
+Attendendo a estas circumstancias que inhibirão a planta de aproveitar a
+adubação na sua totalidade, convirá sempre augmentar um pouco as
+quantidades calculadas com o auxilio das analyses chimicas.
+
+Disse no principio do presente capitulo que para determinar
+racionalmente a adubação conviria a presença das analyses chimicas da
+planta e do solo.
+
+Effectivamente, como já expuz, a analyse da planta diz-nos as
+quantidades das diversas substancias de que ella carece annualmente, mas
+não nos prova que seja necessario ministrar ao solo todos esses
+elementos, e só n'este ultimo caso é que ella seria dispensavel.
+
+Muitas vezes os terrenos pela sua riqueza em determinado ou determinados
+elementos dispensam a encorporação, no solo, d'esses mesmos elementos.
+
+É preciso, porém, certo criterio ao lidar com as tabellas que nos
+indicam a composição do solo.
+
+Algumas vezes acontece indicar-nos a analyse a existencia de um dos
+elementos em proporções elevadas e no entanto a cultura agradecer-nos
+uma adubação em que entre este elemento.
+
+Com o azoto, por exemplo, dá-se algumas vezes este caso; este corpo não
+póde ser utilisado pela planta senão no estado mineral (nitrico ou
+ammoniacal) podendo comtudo existir no terreno em grandes quantidades
+sob a fórma de azoto organico. Evidentemente a planta cultivada n'este
+terreno não se poderá utilizar de tamanha riqueza de azoto, e uma
+adubação azotada ser-lhe-ha vantajosa, a não ser que se provoque n'esses
+terrenos uma nitrificação mais energica que obrigue este azoto a passar
+á fórma mineral.
+
+É nos terrenos pobres em cal que se dá este caso e então a addição de um
+correctivo calcareo, mais barata que a adubação azotada, substituirá
+esta com manifesta vantagem.
+
+
+O estrume de curral fornece-nos um meio bastante economico de adubarmos
+o terreno. Este adubo ao sahir da estrumeira, onde previamente tenha
+sido bem tratado, apresenta-nos a seguinte composição media, por
+tonelada: azoto 4k,7, acido phosphorico 3k,0, potassa 5k,2, o que,
+para as quantidades d'estes elementos calculadas para a adubação d'um
+hectare, mostra serem precisos, em numeros redondos, 4:000k d'este adubo
+attendendo á elevada percentagem de potassa indicada na analyse da
+oliveira.
+
+Deve ter-se em consideração que ha sempre conveniencia em incorporar no
+solo grandes quantidades de materia organica, sobre tudo se este for
+muito compacto ou muito solto, porque esta substancia modifica-lhe as
+suas propriedades physicas approximando-as cada vez mais das terras
+francas.
+
+D'aqui a conveniencia de se augmentar a quantidade de estrume de curral,
+não sendo exagero o emprego de 6:000 a 7:000 kilos por hectare.
+
+Nas terras soltas a modificação da sua cohesão não é a unica causa que
+milita em favor do adubo de curral. Ahi o seu pouco poder de retenção
+para as aguas sujeitar-nos-hia a grandes perdas do azoto nitrico ou
+ammoniacal que lhe fornecessemos em adubações chimicas.
+
+Convem então o emprego do azoto organico e é o estrume de curral o
+melhor meio de o obtermos.
+
+
+Podem-se ainda empregar na adubação o estrume constituido pelas algas
+que tão abundantes são na nossa costa.
+
+Têm estas plantas riquezas muito apreciaveis para nos poderem dar um
+adubo cujo emprego é muito vantajoso, sobre tudo nas localidades
+proximas dos rios e mares onde se exerce a industria da sua extracção,
+porque ahi são mais convidativos para o agricultor os preços de transporte.
+
+Em media, a composição centesimal das nossas algas é a seguinte: azoto
+1,143, acido phosphorico 0,670, potassa 1,125.
+
+Para com esta qualidade de estrumes se adquirirem as quantidades
+d'aquellas substancias, necessarias ao olival a que me venho
+referindo, seriam precisos simplesmente 1:600 kilos por hectare.
+
+Como para o estrume de curral, aconselha-se empregar sempre maior
+quantidade do que a referida. É de 3:000 kilos a quantidade aconselhada
+por alguns auctores, a qual nos dá as seguintes quantidades de: Az. 30k,
+KHO 30k e Ph^{2}.O^{5} 21.
+
+
+Adubações verdes
+
+Uma grande variedade de plantas se costumam empregar como adubos e em
+algumas d'ellas a sua riqueza em potassa e acido phosphorico torna-as
+muito recommendaveis. As mais empregadas são: as urzes, giestas,
+polipodio; as folhas de faia, carvalho, pinheiro, abeto e videira; as
+palhas de trigo, centeio, cevada e aveia, etc.
+
+
+Os calculos do exgotamento das arvores, feitos no principio do presente
+capitulo, revelam-nos á primeira vista a conveniencia de encorporarmos
+novamente na terra a rama extrahida natural ou accidentalmente das
+oliveiras. Assim restituimos por meio d'ella, ao solo, os elementos que
+ella mesma lhe tinha roubado. Reparamos d'esta maneira, em parte, as
+perdas soffridas que ficam reduzidas simplesmente aos materiaes que
+entram a constituir o fructo, os quaes para a producção supposta se
+reduzem a: 3k,74 de Az., 1k,87 de Ph^{2}O^{5} e 4k,99 de KHO por
+hectare. Este _deficit_ será depois preenchido com adubos de qualquer
+outra natureza; ou da mesma natureza, trazendo para isso, para o olival
+a rama proveniente de outro olival.
+
+Para a restituição completa dos elementos perdidos, serão precisos 20
+kilos por arvore ou 3120 por hectare em cada anno.
+
+Não se deve, porém, fazer esta adubação annualmente, mas sim de tres em
+tres annos, o que dá para um hectare, 9260k de rama que é preciso
+enterrar.
+
+Esta adubação é de grande utilidade em terrenos compactos e humidos,
+porque os torna mais fôfos e estabelece ao mesmo tempo uma especie de
+drenagem, que permitte uma facil circulação do ar no solo, um escoamento
+mais facil ás aguas das chuvas, e provoca ao mesmo tempo o
+desenvolvimento e multiplicação das raizes.
+
+
+O liquido separado do azeite no acto da prensagem ou que escorre das
+tulhas, no caso aliás muito pouco racional de se submetterem as
+azeitonas á condemnada pratica do entulhamento, é ainda um adubo
+excellente para o olival.
+
+Porque vai prejudicar as radiculas da planta, não póde este liquido ser
+empregado sem um previo tratamento, que consiste em o submetter a uma
+maceração mais ou menos prolongada em agua, a que se addicione algum
+adubo de curral.
+
+As qualidades d'um adubo n'estas condições, já de si boas, augmentam
+ainda quando a elle se addicionam os bagaços provenientes do lagar.
+
+
+A oliveira agradece muito as adubações feitas com os residuos das
+fabricas de curtimenta de couros, com a raspadura de ossos, pontas e
+unhas de animaes.
+
+
+Na escolha dos differentes adubos indicados convem sempre ter em vista
+que á oliveira não convem ordinariamente adubos de prompta decomposição.
+Só os empregaremos no caso em que só pretendamos prover ao
+desenvolvimento vegetativo da arvore.
+
+Estes adubos só vão ser gastos em proveito da vida vegetativa, e d'aqui
+o adquirir a planta um grande vigor que redunda em manifesto prejuizo
+para a producção.
+
+Se quizermos empregar estes adubos, convém, antes de os encorporar no
+terreno, mistural-os com folhas ou palha, ou ainda com terra solta, para
+lhe attenuarmos os seus rapidos effeitos e tornal-os, por este modo,
+mais aproveitaveis á fructificação.
+
+Esta mistura deve ser bem feita, de modo a reduzir-se tudo a uma massa
+homogenea.
+
+São preferiveis os adubos de decomposição mais lenta, para que a arvore
+os vá aproveitando gradualmente á medida das suas necessidades. Estão
+n'estes casos os adubos provenientes das raspaduras, as varreduras das
+habitações, dos caminhos e das estradas, tendo sobre os primeiros a
+vantagem de serem empregados tal qual são adquiridos, dispensando a sua
+mistura com substancias extranhas.
+
+
+As cinzas de diversas plantas, só por si ou misturadas com os adubos já
+indicados, são adubos muito uteis n'esta cultura.
+
+
+Epocha do emprego do adubo
+
+A epocha para se empregar qualquer adubo varia muito com o clima, com a
+natureza do solo e com o estado do adubo.
+
+Para um adubo de facil decomposição, convem o seu emprego na primavera,
+para que a planta d'elle se approprie sem dar muito tempo a qualquer perda.
+
+Pelo contrario, os adubos de lenta decomposição empregar-se-hão no
+outomno para que tenham tempo de se decompôr e incorporar com as
+particulas terrosas e estarem aptos a serem absorvidos no momento
+preciso, sobretudo na epocha da fructificação.
+
+
+Modo de emprego
+
+Da maneira de administrar o adubo dependem muito os seus resultados.
+
+Condemnavel processo é o de excavar fossas junto do tronco da arvore,
+com a falsa ideia de que o adubo ahi lançado é melhor utilisado pela
+planta. Com isto prejudicam-se muito as arvores porque se lhes
+cortam raizes grossas e porque se expõem por algum tempo á influencia
+dos agentes atmosphericos.
+
+O melhor modo de empregar o adubo é cavar uma fossa circular em volta da
+arvore e á distancia de 1m a 1m,5 d'ella; lança-se ahi o adubo,
+cobrindo-o depois com terra. A essa distancia da arvore são muito
+abundantes as radiculas, as quaes, por intermedio dos seus pellos
+radiculares, farão gradualmente a absorpção dos alimentos.
+
+
+
+
+CAPITULO III
+
+
+Propagação da oliveira
+
+De muitas maneiras se póde obter a propagação da oliveira, mas todas
+ellas se podem conglobar em dois systemas differentes.
+
+Um d'esses systemas é aquelle em que se emprega a semente para, pela sua
+germinação no terreno, se obterem novos individuos: é a _reproducção_; o
+outro consiste em se destacar de uma arvore um fragmento em determinadas
+condições, o qual, enraizando na terra, dará origem a um novo individuo;
+é este systema o chamado de _multiplicação_.
+
+
+A--Reproducção
+
+Esta forma de propagação é muito pouco seguida devido á demora que têm
+as plantas reproduzidas em fructificar.
+
+Em todo o caso, a compensar o inconveniente da demora em se obter uma
+planta em condições de fructificar regularmente, tem este systema muitas
+outras vantagens que o recommendam como o melhor processo de propagação.
+
+As plantas obtidas por sementeira são muito mais duradouras, adquirem
+melhor porte e resistem muito mais ás inclemencias do clima e ás
+doenças do que as obtidas por multiplicação.
+
+Para se obterem plantas por esta forma, necessario é dispender grandes
+cuidados e a despeza é mais avultada do que para as obter por qualquer
+outro meio; ha sempre uma grande demora na germinação das sementes, e
+muitas vezes perdem-se grande numero d'ellas porque nunca chegam a
+germinar, a não ser que as submettamos a um tratamento previo, que as
+obrigue a germinar mais facilmente.
+
+Além d'estes inconvenientes, as oliveiras provenientes da semente
+adquirem todos os caracteres das oliveiras bravas, precisando, por isso,
+serem enxertadas logo que attinjam edade e grandeza conveniente.
+
+
+Para a sementeira devem-se escolher azeitonas provenientes de plantas
+sãs e muito productivas, que não sejam velhas, nem tão pouco muito
+novas. Diz _A. Aloi_ que as melhores são as provenientes de zambujeiros
+que vegetem em climas temperados, e que a sua colheita deve ser feita em
+março ou abril.
+
+Adquirida a azeitona, é necessario extrahir-lhe o caroço, o que se faz
+esmagando a polpa entre os dedos; em seguida, como a camada oleosa que
+fica envolvendo o caroço é um grande obstaculo á sua germinação,
+submette-se este á acção de um liquido alcalino que poderá ser preparado
+com carbonatos de cal e soda.
+
+A duração do periodo germinativo do caroço póde diminuir-se por varios
+meios estudados por _Gasquet_, _Passerini_ e pelo _conde de Gasparin_.
+
+O processo d'este ultimo sabio consiste em fender o caroço com cuidado
+para não offender a semente, fazendo-o em seguida amollecer envolvendo-o
+em terra argillosa e bosta de boi.
+
+Em logar de quebrar o caroço, _Passerini_ aconselha tornal-o menos
+consistente, mergulhando-o para isso em agua chlorada; o chloro
+ataca o caroço, rouba-lhe o hydrogenio para formar o acido chlorhydrico,
+e d'este modo permitte a entrada de humidade e a troca de gazes.
+
+Algumas aves domesticas têm a propriedade de, comendo a azeitona, nos
+restituir depois, nos seus excrementos, os caroços aptos para germinar.
+
+
+Alfobres
+
+Adquirida a semente e destruida, por qualquer dos processos indicados, a
+difficuldade que a materia gorda oppõe á sua germinação, procede-se á
+sua sementeira em alfobres de antemão preparados para esse fim.
+
+O terreno destinado aos alfobres deve ter uma inclinação norte sul para
+evitar a acção prejudicial dos ventos do norte e dar facil escoante ás
+aguas da chuva; deve ser o mais possivel limpo de raizes e pedras e bem
+mobilisado.
+
+Quanto a sua qualidade deve ser humifero e silicioso.
+
+O terreno escolhido n'estas condições surriba-se no inverno a uma
+profundidade de 0m,50 a 0m,60, adubando-se n'essa occasião com adubo
+de decomposição mediana. Em fins de Fevereiro e principios de Março
+dá-se-lhe uma segunda lavoura, que d'esta vez convirá ser feita á enxada
+para pulverisar melhor o terreno e para o despojar de todas as hervas
+que ahi se tenham desenvolvido. Por esta occasião o estrume que se lhe
+encorporou no principio do inverno deve estar já decomposto e a terra
+nas melhores condições para receber a semente.
+
+Feito isto grada-se o terreno e abrem-se sulcos com a profundidade de
+0m,05, distando 0m,25 uns dos outros.
+
+É n'estes sulcos que se collocam as sementes distanciadas 0m,25 umas
+das outras, tendo o cuidado de as dispôr de modo que o embryão fique na
+sua posição natural. Isto feito cobrem-se com uma ligeira camada de
+terra que se calca com um rolo para aconchegarmos bem a semente;
+segue-se uma rega ligeira por aspersão para manter o terreno fresco e
+ajudar o effeito do rolo.
+
+Quatro mezes depois, nos meados de julho, surgirão as novas plantas.
+Durante todo este tempo é necessario ter o alfobre sempre limpo da
+vegetação expontanea e deve manter-se sempre na terra uma certa
+frescura. As regas e as limpezas feitas com muita precaução são
+operações indispensaveis.
+
+No outomno terão as plantas adquirido uma altura do 0m,11 a 0m,20
+sendo n'essa occasião necessario effectuar uma sacha para manter o
+terreno fôfo e mais permeavel á agua das regas.
+
+Em localidades em que os invernos são habitualmente rigorosos é
+indispensavel cobrir o alfobre com qualquer substancia para o preservar
+do frio intenso que lhe é muito prejudicial. Empregam-se para isto
+agulhas de pinheiro seccas, palhas ou ramos de plantas.
+
+No segundo anno continuam as regas e sachas repetidas para que as
+plantas desenvolvam bem as suas raizes. Em outubro d'este anno ou na
+primavera seguinte estão as plantas aptas para serem transportadas para
+o viveiro.
+
+
+B--Multiplicação
+
+Como disse, a multiplicação é um dos meios que a natureza nos fornece
+para obtermos a propagação da especie. Esta operação da multiplicação
+pode fazer-se por varias formas. As _estacas_, as _raizes_ e a
+_enxertia_ sobre zambujeiro constituem outras tantas maneiras de
+obtermos a multiplicação.
+
+A _estaca_ que pode ser _simples_, _ramificada_ ou _composta_, de
+_talão_, de _polas_ e de _protuberancias_ constitue entre nós o meio
+mais seguido para a obtenção de novos individuos.
+
+As estacas, _simples_ ou _compostas_, obtêm-se com muita facilidade e em
+grande abundancia, sem prejudicarmos em nada o individuo de que
+foram separadas, aproveitando os ramos provenientes da poda.
+Escolheremos de preferencia os ramos provenientes de plantas fructiferas
+e de boa qualidade, os quaes devem ser providos de boas gemmas tanto na
+parte que deve ser enterrada como na que tem de ficar fora do solo.
+Assim, nos asseguraremos melhor do facil desenvolvimento das raizes e
+dos rebentos.
+
+Para as estacas simples cortam-se os ramos de poda em fragmentos de 0m,30
+a 0m,50 e enterram-se no viveiro de modo a ficar debaixo da terra
+a sua parte mais grossa.
+
+Para as estacas compostas aproveita-se um ramo tal como foi separado da
+planta mãe e enterra-se n'um viveiro preliminar de tal maneira que
+metade dos seus ramos fique debaixo do solo e a outra metade fique a
+descoberto.
+
+Estas ramificações originarão, umas rebentos e outras raizes. D'aqui a
+faculdade de podermos mais tarde dividir esta estaca em muitos individuos.
+
+No fim do primeiro anno terá esta estaca enraizado pelos ramos
+subterraneos e os ramos exteriores terão lançado os seus rebentos;
+arrancar-se-ha, então, com todo o cuidado para lhe não prejudicarmos as
+novas raizes e, por meio de uma secatoria, a dividiremos em um numero de
+partes egual ao numero de raminhos e transplantaremos estes novos
+individuos para o viveiro definitivo.
+
+
+Nos bordos dos golpes crescem vergonteas em cuja base se observam
+dilatações dos tecidos motivadas pela accumulação de seiva. Estas
+vergonteas destacadas da arvore de modo a levarem comsigo essas
+dilatações e enterradas depois, enraizam muito facilmente. São estas as
+chamadas estacas de talões.
+
+
+Na toiça da oliveira e sobre as suas raizes mais grossas que correm á
+superficie da terra, apparecem grandes dilatações d'onde emergem
+rebentos em grande numero, que se vão desenvolvendo á custa da planta
+mãe e das raizes de que quasi sempre são providos.
+
+Estes rebentos fornecem-nos um meio muito facil e seguro da propagação
+da especie. Para esse fim vão-se desbastando esses rebentos de modo a
+deixar só os mais vigorosos; cobrem-se as dilatações d'onde provêm
+(polas) com terra, para que se possam prover de raizes aquelles que
+ainda as não tenham. Assim se deixam ficar até ao anno seguinte, sendo
+então transportados para o viveiro e ahi collocados em linhas á
+distancia uns dos outros de 0m,80.
+
+
+Um outro methodo de multiplicação muito usado na Italia é o que consiste
+no aproveitamento de umas pequenas dilatações, similhantes a ovos de
+pata, localisadas na parte enterrada do tronco e ainda sobre as raizes
+mais grossas.
+
+Estas protuberancias são providas de gemmas, tendo por isso a faculdade
+de quando enterradas desenvolverem raizes e rebentos para darem origem a
+novos individuos.
+
+Não se deve abusar muito da extracção d'estas protuberancias, porque com
+isso prejudica-se a vida do vegetal de que são extrahidas, pelas feridas
+produzidas nas suas raizes e pelo grande numero d'estas que é necessario
+descobrir. _Antonio Aloi_ aconselha a que se não tirem mais do que 3 ou
+4 de cada arvore para lhe não alterarmos sensivelmente a sua vida.
+
+Convem antes sacrificar 3 ou 4 individuos á morte, extrahindo d'elles
+todas as excrescencias encontradas, que poderão montar a 300 a 400, do
+que descobrir as raizes a muitas oliveiras.
+
+Estas excrescencias devem ser tiradas de individuos robustos e
+productivos, e preferem-se sempre os situados debaixo da terra, que são
+mais tenros e desenvolvem mais fortes rebentos.
+
+Para fazer a sua extracção, escava-se em volta da cepa até pôr as raizes
+grossas a descoberto; procura-se sobre estas com uma espatula de madeira
+o sitio em que se encontram as exostoses; achadas estas, põem-se a
+descoberto e á volta d'ellas se vão fazendo incisões profundas, onde
+depois se mette um escopro por meio do qual se faz saltar a excrescencia.
+
+Tira-se-lhes em seguida todo o lenho que com ellas se arrancou e as suas
+raizes, se por acaso d'ellas vier provida; limpa-se bem em volta, e
+envolve-se em terra misturada com palha, para a conservar até á epocha
+da plantação no viveiro.
+
+Chegada esta epocha, que deverá ser em Março ou Abril, levam-se para o
+viveiro, onde serão enterradas, conservando entre si a distancia de 0m,80
+e a profundidade de 0,10.
+
+
+As oliveiras velhas cujos troncos, já muito carcomidos, não podem
+resistir ao impeto dos ventos ou das intemperies, são lançadas por terra
+e as suas raizes continuam ainda a viver por muitos annos.
+
+Com o desapparecimento do tronco velho principiam a desenvolver-se na
+toiça grande quantidade de rebentos ou polas. Desbastam-se estes
+rebentos, deixando só os mais vigorosos, que ahi vão vivendo até
+adquirirem a grossura de 0m,03, sendo então transportados para o
+viveiro e ahi plantados á distancia de 0m,80.
+
+A plantação de todas estas estacas pode ser feita com alguma vantagem em
+viveiros preliminares, como se faz para as estacas ramificadas ou
+compostas; n'este primeiro viveiro vão ellas enraizar para depois serem
+mudadas para o viveiro definivo. É, porém, dispensavel este primeiro
+viveiro, porque as estacas postas n'um só viveiro desenvolvem-se
+perfeitamente e adquirem o vigor necessario para serem plantadas
+definitivamente.
+
+
+
+
+CAPITULO IV
+
+
+Viveiro
+
+
+A--Seu estabelecimento
+
+Os individuos formados nos alfobres pela germinação da semente ahi
+deposta e os provenientes de estacas que tenham desenvolvido as suas
+primeiras raizes em viveiro preliminar, necessitam, depois de terem
+adquirido um certo desenvolvimento, serem transportados para um viveiro
+onde possam dispôr de mais espaço para desenvolverem e multiplicarem as
+suas raizes e os seus ramos e onde possam ser convenientemente educados
+até á edade de poderem ser transportados á sua definitiva morada.
+
+As estacas e outros fragmentos em que se não tenha ainda provocado um
+primeiro enraizamento no viveiro preliminar, serão immediatamente
+plantadas no viveiro definitivo nas mesmas condições de espaçamento
+d'aquellas, porque é aqui que ellas adquirirão todo o seu corpo para
+poderem ser plantadas definitivamente.
+
+
+Não é indifferente a qualidade do terreno onde queremos estabelecer o
+viveiro; pelo contrario, devemos ter muito em consideração a sua escolha.
+
+Um terreno muito argilloso não nos póde convir porque no inverno se
+torna humido de mais e adquire no verão propriedade opposta. É, além
+d'isso, muito compacto e as tenras raizes das pequenas plantas não
+conseguiriam distender-se á vontade, sendo d'este modo muito prejudicado
+o seu crescimento; greta muito no verão e, ou romperia as raizes ou as
+deixaria expostas ao calor d'essa estação.
+
+O solo muito silicioso possue propriedades contrarias áquelle e por
+isso o devemos regeitar tambem.
+
+Escolher-se-ha, sempre para este fim, um terreno de mediana compacidade
+e porosidade, o mais possivel limpo de pedras e raizes, para que as
+raizes das novas plantas se possam distender perfeitamente, e onde o ar
+e a agua possam circular com relativa facilidade.
+
+Deve procurar-se um terreno com exposição ao sul o qual ainda melhor
+convirá se tiver para essa orientação uma ligeira inclinação. Assim
+estarão as pequenas plantas garantidas contra a influencia dos ventos do
+norte que tanto as prejudicam.
+
+Um terreno demasiadamente rico não é dos mais convenientes para n'elle
+estabelecermos um viveiro porque as plantas encontrando concentrados em
+um pequeno cubo de terra os alimentos de que carecem não criariam um bom
+raizame e sofreriam depois muito ao serem plantadas definitivamente
+porque na morada definitiva não encontrariam terreno em eguaes condições.
+
+Convém antes um terreno sufficientemente rico para que as plantas n'elle
+possam adquirir grande vigor, mas que a sua riqueza não seja tão grande
+que possa offerecer aquelle inconveniente. Assim se provoca um grande
+desenvolvimento na planta e ella ao ir para o terreno definitivo
+resistirá melhor ás peores condições que este lhe offereça.
+
+Antonio Aloi prefere que o terreno para o viveiro seja mais pobre que
+aquelle onde depois se plantarão as novas arvores n'elle creadas. A
+proposito diz este auctor que:
+
+
+_Un indivíduo assuefalto a vivere n'ell opulenza, passerebbe molamente í
+soi giorni se fosse condannato a nutrirsi nel parco desco dei contadino;
+e vice-versa, il contadino la passerebbe bene e diverrebbe grasso si se
+facesse sedere tutti i giorni alla lauta mensa dei ricco._
+
+
+Estas palavras do mestre italiano teriam razão de ser se o terreno
+que destinassemos á plantação definitiva estivesse nas mesmas condições
+climatericas em que está o terreno que escolhemos para viveiro. E não só
+divergem as condições climatericas do terreno do olival para o terreno
+do viveiro: para o viveiro escolhem-se sempre os terrenos nas melhores
+condições physicas para a vida das plantas, submettem-se a trabalhos de
+limpeza, mobilisação, regas e estrumações a que não serão nunca
+submettidos com a mesma intensidade e com a mesma perfeição os terrenos
+destinados ao olival definitivo.
+
+Por isso, a oliveira transplantada vae encontrar peores condições
+physicas e climatericas do que aquellas a que até ahi tinha estado
+submettida; e, quanto a mim, parece-me que só a robustez da planta será
+garantia do seu desenvolvimento na sua ultima morada.
+
+Os terrenos destinados aos olivaes devem ser aquelles em que é pouco
+remuneradora a cultura cerealifera.
+
+São portanto terrenos pobres; e não me parece que, n'um viveiro
+estabelecido em terreno ainda mais pobre, as pequenas plantas se possam
+desenvolver convenientemente. Hão de ser, por força, enfezadas e
+rachiticas desde a sua infância e incertamente resistiriam ás peores
+condições do terreno, embora mais rico, que lhes é destinado.
+
+E poder-se-ha tambem dizer que, um individuo mal alimentado na sua
+infancia soffreria muito mais ao mudar para um mau clima, do que outro
+que, desde creança tambem, tenha sido submettido a uma boa alimentação,
+precursora de uma boa robustez physica.
+
+O terreno em boas condições para viveiro será aquelle em que,
+n'um cubo de terra rasoavel, a planta encontre elementos bastantes
+para lhe fornecerem uma boa alimentação, e que tenha compacidade
+sufficiente para bem sustentar a planta e para lhe permittir um facil
+desenvolvimento de raizes. Satisfazem a estas condições os terrenos
+argillo-silico-humiferos de mediana riqueza.
+
+Escolhido o terreno, surriba-se a uma profundidade não inferior a 0m,50,
+no principio do inverno, servindo-nos, para esse fim, da pá ou da
+enxada. Convem que, durante a execução d'esta operação, haja sempre o
+cuidado de inverter a disposição das camadas de terra.
+
+No fundo das vallas, é de grande conveniencia lançar-se ramos de arvores
+que desempenharão o papel de uma drainagem.
+
+Depois d'esta surriba, a terra ficará exposta á influencia benefica dos
+agentes atmosphericos até Março, epocha em que se pratica uma segunda
+lavoura, d'esta vez apenas com a profundidade de 0m,40 a 0m,45.
+Aplaina-se em seguida a terra, que ficará apta para receber a plantação
+dos individuos provenientes do alfobre, assim como a plantação das
+estacas, enraizadas ou não, raizes, polas, etc.
+
+
+Plantação nos viveiros
+
+Quer os individuos a plantar venham já enraizados do alfobre ou do
+viveiro preliminar, ou venham ainda enraizar n'estes viveiros, deve
+sempre a sua plantação ser feita methodicamente.
+
+As disposições methodicas adoptadas tanto para os viveiros como para a
+plantação definitiva, são: em quadrado, em linhas e em quinconcio.
+
+De todas, a melhor e por isso a mais recommendada e seguida é a ultima.
+
+N'esta disposição conservam todas as plantas a mesma distancia entre si,
+tendo assim, todas, a mesma extensão de terra á sua disposição.
+
+Tem ainda a vantagem de as plantas se defenderem mutuamente da acção dos
+ventos.
+
+É relativamente facil fazer sobre o terreno uma marcação em quinconcio.
+
+ [Ilustração: Diagrama]
+
+Para isso traça-se sobre o terreno a linha AB e prependicularmente a
+esta as linhas AK e BL; em seguida, com uma sirga que tenha um compasso
+egual ao que queremos dar á plantação, que n'este caso será de 0m,80,
+marcam-se os pontos a _a' a''_...; feito isto, constroe-se o triangulo
+isosceles _a b a'_, o que é facil: basta descrever dois arcos de circulo
+com um dos compassos da corda, fixando-lhe uma das extremidades, uma vez
+em _a_ e outra em _a'_. Estes dois arcos cruzar-se-hão em _b_, vertice
+do triangulo: mede-se em seguida a distancia de _b_ ao meio _c_ da linha
+_a a'_; esta distancia que é a altura do triangulo, applica-se sobre as
+linhas AK e BL tantas vezes quantas for possivel, o que se faz muito
+facilmente arranjando uma sirga com aquelle compasso.
+
+Determinaremos assim os pontos C, E, G... na linha AK e os pontos
+correspondentes D, T, H... na linha BL.
+
+Levanta-se em seguida a sirga da posição AB e colloca-se em CD, de
+maneira que em C assente o meio _c_ do compasso _a a'_, e assim teremos
+uma segunda linha para a plantação. Colloca-se depois a sirga em EF, na
+mesma posição que estava em AB, e teremos a terceira linha; em seguida
+transporta-se a sirga para GH, collocando-a na posição em que se
+collocou em CD; assim se vão successivamente traçando as linhas de
+plantação pelos pontos marcados nas linhas AK e BL, tendo sempre o
+cuidado de collocar a sirga alternadamente nas posições em que se
+collocou em AB e em CD.
+
+Ficará assim marcada uma rigorosa plantação hexagonal.
+
+Marcados, d'esta ou d'outra maneira, os pontos correspondentes a cada
+individuo, procede-se então á plantação.
+
+Para as estacas simples abre-se um buraco no terreno com um furador,
+mettendo ahi a estaca com a sua parte mais grossa para baixo, tendo o
+cuidado de lhe deixar fóra da terra os ultimos 2 ou 3 olhos.
+
+Uma vez collocada a estaca no seu logar, aconchega-se-lhe bem a terra,
+desfazendo bem as paredes do buraco em que foram enterradas. Sem esta
+precaução ha todas as probabilidades de a estaca não pegar.
+
+Para as exostoses escavam-se á enxada pequenas covas com a profundidade
+de 0m,30 onde serão collocados estes seres. Antonio Aloi aconselha que
+antes de os enterrar se mergulhem em agua que tenha em solução bosta de
+boi, se envolvam depois em terra fina para em seguida se collocarem nos
+covachos. Ao dispôr estes seres nas covas deve haver sempre o cuidado de
+os deixar com a gemma voltada para cima e um pouco inclinada para o sul.
+Cobrem-se depois com terriço acabando de encher a cova com cinza de
+barrella, que tendo a propriedade de manter fôfo o terreno, dá facil
+sahida aos rebentos. Estes apparecem á superfície ao cabo de 30 a 40 dias.
+
+Muitas vezes o calor em seguida á chuva faz endurecer a camada de cinza
+e este endurecimento impede os rebentos de sahirem da terra. Então com
+uma espatula de madeira, se removerá cuidadosamente a crosta
+endurecida, nos sitios em que se fizeram as plantações, que nos serão
+indicados por uma cana ou pequeno pau ahi enterrado na occasião da
+plantação.
+
+Muitos rebentos podem nascer d'um mesmo individuo, dos quaes uma parte
+vem á superficie da terra e outros, devido a qualquer obstaculo que
+encontram no terreno, dirigem-se, tortuosamente em diversas direcções
+debaixo da terra. Convem então afastar a terra e com a unha, extrahir
+todos esses rebentos á excepção de dois, tendo o cuidado de, ao executar
+esta operação, não deslocar do seu logar o ser que lhes dá origem. Dos
+dois rebentos poupados por esta operação, um d'elles, o mais fraco, é
+mais tarde destruido.
+
+Deve haver sempre muita vigilancia no viveiro para ir destruindo todos
+os rebentos que forem apparecendo depois d'esta primeira operação.
+
+
+Para os individuos já enraizados necessario se torna prodigalizar-lhes
+outra especie de cuidados para os não prejudicarmos com a mudança. Estes
+cuidados devem principiar logo no acto do arranque no alfobre ou no
+viveiro preliminar.
+
+Usa-se da enxada ou da pá para procedermos a esta operação mas com todos
+os cuidados possiveis para lhes não prejudicarmos as raizes. Se alguma
+ou algumas raizes forem dilaceradas devem-se cortar acima do ponto
+ferido para evitar que a sua putrefacção acarrete á planta algum
+soffrimento. Arrancadas as plantas trazem-se para o viveiro e ahi serão
+plantadas nos sitios marcados.
+
+Para esse fim abrem-se pequenas covas, no fundo das quaes se lança bom
+terriço, e sobre este se collocam as plantas; distribuem-se-lhes bem as
+raizes para não ficarem acavalladas n'uns sitios e rareadas n'outros;
+cobrem-se depois, primeiro, com bom terriço e depois com a mesma terra
+que sahiu da cova. Fixam-se bem a um tutor, para que os ventos as não
+desloquem ou quebrem, e assim se deixam até que principiem a
+desenvolver-se para então se lhes prodigalizarem os cuidados de educação
+que necessitam.
+
+
+B--Trabalhos nos viveiros
+
+
+Enxertia
+
+Carecem d'esta operação não só as oliveiras provenientes de semente mas
+ainda aquellas que tiveram como origem qualquer fragmento extrahido
+abaixo do ponto em que foi enxertada a planta mãe.
+
+Todas as especies de enxertia se podem empregar na oliveira mas as mais
+usadas são a de escudo e algumas vezes a de flauta, para oliveiras novas
+e a de coroa para troncos grossos.
+
+Para se operar um enxerto de escudo principia-se por fazer na casca do
+ramo ou oliveira delgada que queremos enxertar uma incisão em forma de T
+afastando-a depois com a espatula da enxertadeira de modo a separal-a do
+alburno. Em seguida tira-se do ramo da oliveira que queremos propagar um
+bocado de casca munido de uma borbulha e dá-se-lhe a forma de um escudo.
+
+Introduz-se em seguida este escudo na fenda, de modo que esta fique bem
+cheia. Liga-se em seguida a fim de nos assegurarmos bem do perfeito
+contacto do garfo com o alburno e casca do cavallo.
+
+Logo que nos asseguremos do bom resultado da enxertia corta-se o ramo a
+3 ou 4 centimetros acima do enxerto.
+
+Esta enxertia pode fazer-se na primavera ou no outomno tomando
+respectivamente os nomes de enxertia de _olho vivo_ e _olho dormente_.
+
+
+A enxertia de flauta, que não é tão usada como a primeira, exige que
+tanto o garfo como o cavallo tenham a mesma grossura. Consiste em tirar
+de um ramo delgado um annel de casca munido de um ou dois olhos e
+collocal-o no ramo a enxertar a que previamente se tenha tirado um annel
+igual de casca e liga-se bem com um fio de lã ou com uma fita de casca
+de arvore.
+
+
+Uma outra enxertia, muito usada, é a de fenda cheia. Esta exige tambem
+que o cavallo e o garfo tenham perfeitamente a mesma grossura.
+
+Corta-se o cavallo horisontalmente á altura a que queremos fazer o
+enxerto e fende-se verticalmente no sentido do seu diametro; em seguida
+prepara-se o garfo em forma de cunha e introduz-se na fenda de modo que
+as cascas do cavallo e do garfo coincidam perfeitamente; liga-se bem com
+raphia e n'estas condições estará o enxerto apto para pegar.
+
+
+Alem d'estes enxertos fazem-se ainda os de fenda simples e fenda dupla,
+que differem do precedente em os dois elementos não serem da mesma
+grossura.
+
+Para a fenda simples bastará abrir a fenda vertical simplesmente no
+sentido de um raio do cavallo e ahi se introduz o garfo em forma de cunha.
+
+Para o enxerto de fenda dupla abre-se a fenda no sentido do diametro do
+cavallo e introduzem-se-lhe dois garfos nos extremos d'esses diametros.
+
+Nos enxertos de fenda quer ella seja cheia, dupla ou simples applica-se
+sempre, logo em seguida á sua execução, um inducto qualquer que o
+preserve de estar exposto ao tempo. Costuma empregar-se muito o unguento
+de S. Fiacre pela simplicidade da sua preparação. Prepara-se misturando
+intimamente 65,5 partes de argilla com 33,5 partes de excremento de boi.
+
+São estes os systemas de enxertia mais usados: a sua execução acha-se
+descripta em muitos trabalhos de arboricultura e muitissimas revistas
+agricolas dispensando-me, por isso de, sobre este assumpto, fazer mais
+largas referencias.
+
+
+Cuidados a ter com os viveiros
+
+Depois de feita a plantação carecem os viveiros de cuidados que
+incidirão, não só sobre o terreno mas tambem sobre as arvoresinhas que
+n'elle se vão desenvolvendo.
+
+Os primeiros consistem em sachas com o fim de manter o terreno sempre
+bem mobilisado, de o conservar sempre limpo de plantas estranhas que ahi
+se desenvolveriam e para evitar as fortes evaporações no verão, as quaes
+dissecaram rapidamente o terreno.
+
+As regas, não muito abundantes, são indispensaveis ao terreno para se
+garantir n'elle um certo grao de frescura que tão propicio é ao
+enraizamento dos novos individuos.
+
+Logo que as plantas adquiram um desenvolvimento de 0m,20 a 0m,30
+deve tambem para ellas voltar-se a attenção do viveirista.
+
+Nesta altura começar-se-ha por se lhes supprimir todos os raminhos
+lateraes tendo o cuidado de se lhes não arrancar as folhas em cuja
+axilla elles se desenvolvem.
+
+D'esta maneira a seiva da planta dirigir-se-ha directamente para a parte
+superior da planta, gastando-se em lhe augmentar o seu crescimento em
+altura.
+
+Militam em favor d'esta opinião as experiencias de Ghiotte que
+demonstram que as arvores assim tratadas adquirem maior desenvolvimento,
+alem de crescerem direitas e com tronco lizo, o que lhes não acontece se
+lhes não amputarmos os seus raminhos lateraes.
+
+Deixando-lhes estes ramos, elles engrossam e crescem com prejuizo do
+alongamento da planta e, ao serem mais tarde cortadas, produzem nas
+arvores feridas perigosas. O soffrimento d'estas plantas proveniente do
+corte d'estes raminhos é em grande parte attenuado se lhes deixarmos as
+folhas jacentes na base d'esses raminhos.
+
+Nas plantas provenientes de estacas desenvolvem-se muitos rebentos que
+convem deixar durante os dois primeiros annos para provocar n'ellas a
+formação de muitas raizes. Mais tarde cortam-se todos, á excepção d'um
+que deverá ser o mais forte e o mais proximo do sólo, o qual se
+sujeitará ao tutor que a conserve na posição vertical.
+
+Nos tres annos seguintes os trabalhos dirigir-se-hão no intuito de se
+favorecer o mais possivel o crescimento das arvores.
+
+Qualquer ramificação muito vigorosa, que appareça, deve ser quebrada
+para evitar o empobrecimento da arvore.
+
+Ao fim do 5.º ou 6.º anno estão as plantas em condições de se lhes poder
+formar a copa.
+
+Para determinarmos a altura a que a devemos formar teremos que entrar em
+consideração com a natureza do terreno, clima, exposição e com a
+tendencia natural da casta que se cultiva.
+
+Esta altura varia, geralmente, entre 1m e 2m. A altura de 1m convem
+para as castas que não costumam adquir grande porte e que são plantadas
+em terrenos aridos; se, pelo contrario, o terreno é fertil e fresco
+poderemos deixar-lhes a copa mais alta.
+
+
+Na altura determinada segundo aquellas circumstancias para se formar a
+copa, deixam-se quatro pernadas dispostas em cruz; cortam-se todas as
+subjacentes, assim como o tronco, logo acima das quatro pernadas Assim
+se deixam ficar mais um anno no viveiro e ao cabo d'esse anno, que será
+o 7.º ou 8.º de viveiro, proceder-se-ha á sua plantação definitiva.
+
+
+
+
+CAPITULO V
+
+
+Plantação definitiva
+
+Disse já no capitulo I d'este trabalho quaes eram as condicções de solo
+e clima exigidas pela cultura da oliveira.
+
+Escolhido o terreno é necessario preparal-o para elle poder receber as
+arvores que dentro em pouco constituirão o olival.
+
+Conviria que esse terreno fosse submettido a uma profunda surriba para
+que todo elle fosse collocado nas mesmas condicções de mobilisação.
+D'esta maneira a planta, encontrando sempre um terreno homogeneo não
+estaria sujeita a qualquer accidente de vegetação proveniente da
+desigualdade no desenvolvimento das suas raizes.
+
+Se o terreno for demasiadamente humido dever-se-lhe hia fazer uma
+drainagem para o subtrair a esta má propriedade.
+
+Estas duas operações, porem, tornariam excessivamente dispendiosa tal
+plantação, e d'aqui nasce a conveniencia de as reduzirmos o mais
+possivel, de tal modo que, obtendo-se no terreno condicções sufficientes
+para um regular desenvolvimento das plantas, se reduza o mais possivel a
+despeza da mão d'obra.
+
+O melhor será destinar a outras culturas os terrenos que só soffrendo
+uma boa drainagem e uma profunda surriba, se tornariam aptos para o
+desenvolvimento d'esta preciosa arvore.
+
+Nos terrenos fundos e bem mobilisados que, como disse, são os mais
+proprios para estas culturas, estas operações de drainagem e de surriba
+geral reduzem-se extraordinariamente.
+
+Para se fazer a plantação n'estes terrenos fazem-se em primeiro logar os
+alinhamentos, que convem sejam em quinconcio, pelas vantagens já
+enumeradas ao tratar dos viveiros. A distancia a que as plantas devem
+ficar umas das outras nunca deverá ser inferior a 5m sendo de 8m a
+distancia mais recommendada.
+
+Com esta distancia as oliveiras não se prejudicarão mutuamente nem por
+causa da sombra que umas ás outras possam fazer nem porque a cada uma
+d'ellas falte espaço para distender as suas raizes.
+
+Convem, comtudo, advertir que em terrenos pouco fundos devemos augmentar
+aquelles numeros attendendo a que a planta procurará alargar mais as
+suas raizes pela pouca profundidade a que as pode enviar.
+
+Marcada a plantação abrem-se covas nos sitios indicados pelas balisas,
+com as dimensões sufficientes para receberem as plantas provenientes dos
+viveiros, de modo que as suas raizes ahi fiquem perfeitamente
+estendidas. A melhor forma a dar ás covas é a circular.
+
+A camada de terra superior que é a primeira a ser cavada deverá
+separar-se da segunda e da ultima, para depois ser tambem a primeira a
+entrar na cova.
+
+No fundo d'estas covas, que deverão ter a profundidade de 1m lançam-se
+pedras, pedaços de madeira, palhas e mattos que servirão para dar livre
+passagem ás aguas das chuvas; por cima d'isto lança-se uma camada de
+entulhos provenientes de velhas demolições, ou, na falta d'estes, boa
+terra vegetal; tudo isto deverá ser misturado com estrumes bem
+decompostos e com residuos de fabricas etc.; por cima d'este terriço
+deita-se uma camada da primeira terra extrahida da cova. Todos estes
+elementos deverão ser dispostos de modo a formarem um monticulo ao meio
+da cova.
+
+É sobre este monticulo que se colloca a nova planta distribuindo-lhe as
+raizes o mais naturalmente possivel.
+
+Sobre as raizes lança-se nova quantidade de terriço, calcando-o bem para
+que elle fique em perfeito contacto com ellas, mas de modo a não as
+damnificar.
+
+Por fim acaba-se de encher a cova com o resto da terra d'ella extrahida
+dispondo-a de modo que as suas camadas fiquem em ordem inversa d'aquella
+em que primitivamente estavam.
+
+D'este modo as camadas mais profundas vindo para a superficie ir-se-hão
+melhorando pela influencia dos meteoros, ao mesmo tempo que vai sendo
+corrigida pelas adubações.
+
+As covas deverão ser abertas algum tempo antes de se proceder á
+plantação, para ficarem durante esse tempo expostas á influencia
+atmospherica.
+
+A epocha para a plantação é aquella em que se acha paralysada a
+circulação na planta. Mas dentro d'este periodo convem attender á
+temperatura do clima, á sua humidade e ao grao de compacidade do
+terreno. Se o clima é quente e secco convirá antecipar a plantação para
+que, quando chegarem os calores de verão, a planta esteja já radicada no
+terreno. Pelo contrario, nos climas humidos e frios convem fazer a
+plantação no principio da primavera para a subtrahir aos excessivos
+frios e humidades do inverno.
+
+
+É pratica por muitos seguida enterrar as plantas a profundidades que ás
+vezes vão a 30 e 40 e ás vezes mais centimetros a cima do collo da raiz.
+
+
+Por desvantajosa, deve tal pratica ser rejeitada por que é no solo que
+as plantas encontram em melhores condicções e em maior abundancia os
+alimentos de que carecem para a sua nutrição.
+
+No subsolo, onde as raizes por este processo de plantação iriam procurar
+os alimentos, não os encontrariam em tão boas condicções para d'elle se
+utilizarem, o que lhes seria prejudicial.
+
+Não podendo desenvolver bem as raizes no subsolo, a planta ver-se-hia
+forçada a emittir novas raizes para irem procurar os alimentos no solo;
+d'aqui o atrazo de um a dois annos na vida da planta.
+
+Bastará enterrar a planta até á profundidade de 6 a 10 centimetros acima
+do collo da raiz, a não ser nos terrenos inclinados onde convem duplicar
+aquelles numeros.
+
+
+As drainagens feitas com mattos e pedaços de madeira, são sufficientes
+em terrenos inclinados ou de sub-solo permeavel; são dispensaveis em
+terrenos arenosos e não são sufficientes nos terrenos planos e
+argillosos com sub-solo tambem impermeavel.
+
+N'estes ultimos, as aguas infiltradas escoar-se-hão para o fundo da cova
+e ahi, por não encontrarem sahida, ficarão depositadas, com grande
+prejuizo para a vida das arvores.
+
+Indispensavel se torna então abrir covas entre cada par de arvores, as
+quaes vão todas communicar com um poço collector que depois as enviará
+para qualquer corrente proxima.
+
+N'estes poços parciaes deitam-se pedras até meio, acabando-se de encher
+com terra.
+
+Melhor que isto será a abertura de vallas entre cada duas filas
+consecutivas de oliveiras. Estas vallas exgotarão as aguas do terreno e
+conduzil-as-hão para fóra do olival.
+
+Ainda mais facilmente se póde fazer a drainagem, fazendo communicar
+entre si, por meio de pequenas vallas, todas as covas de cada fila.
+
+
+Nos terrenos em declive muito rapido, deve a cultura ser feita em
+patamares construidos com pedras e terra, para impedir que a agua,
+arrastando as camadas superficiaes do solo, ponha a raiz a descoberto.
+
+N'estes terrenos o compasso de 8m que indiquei ha pouco para os
+terrenos de meia encosta, pode diminuir-se.
+
+Os alinhamentos feitos com o compasso de 6m a 8m, são proprios para
+os terrenos destinados unicamente á cultura da oliveira. Entre nós,
+porém, não é muito frequente este caso, e a oliveira vegeta em
+condemnavel promiscuidade com as culturas cerealiferas, com a cultura da
+vinha e ainda com outras culturas.
+
+Para este caso é necessario dar á plantação um compasso muito maior do
+que o indicado.
+
+A arvore, ao ser plantada definitivamente, deve ser desembaraçada de
+todos os seus ramos e folhas. De contrario ellas continuarão a executar
+as suas funcções com grave prejuizo para a vida da planta, porque as
+raizes não podendo desempenhar ainda as suas funcções, não poderão
+absorver do terreno os elementos necessarios para equilibrar as perdas
+produzidas pelo trabalho das folhas.
+
+
+
+
+CAPITULO VI
+
+
+Poda
+
+Esta operação é indispensavel na arboricultura. Toda a arvore que não
+seja submettida a esta operação é muito irregular tanto no seu
+crescimento como na sua fórma; fructifica mal sendo os seus fructos mal
+conformados e a sua producção muito incerta.
+
+Pelo contrario, podando as arvores nós obrigamol-as a tomar uma fórma
+mais regular que lhe permitta uma boa distribuição do calor e da luz
+para obtermos fructos bem creados e em maior quantidade.
+
+Esta operação traz ainda como consequencia uma melhor distribuição da
+seiva e d'aqui o crescimento e a fructificação fazerem-se com mais
+regularidade.
+
+As podas mirando ao duplo fim de dar á arvore a fórma mais conveniente e
+de lhes regular a producção, não podiam deixar de ser de duas cathegorias.
+
+A primeira principia já no viveiro onde, como já disse, se esboça a copa
+da arvore.
+
+A arvore tirada do viveiro vem para o logar definitivo com quatro
+ramificações em cruz; assim é plantada e no anno seguinte emitte varios
+lançamentos pelos gommos existentes n'essas ramificações; no anno
+seguinte cortam-se todos os rebentos, á excepção de um em cada pernada,
+escolhendo o que se apresenta mais robusto e na posição mais levantada.
+No anno seguinte cortam-se-lhes as pontas acima de dous raminhos
+lateraes bem constituidos e supprimem-se todas as outras. Estes
+raminhos, desenvolvendo-se, constituem as ramificações secundarias.
+
+Fica assim formado o esqueleto da arvore que se compõe de quatro
+ramificações principaes, tendo cada uma duas ramificações secundarias.
+
+Esta é a _poda de formação_; a seguir a ella principiam as _podas de
+fructificação_ que têem por fim manter na oliveira a fórma regular,
+provocando-lhe e regularisando-lhe ao mesmo tempo a producção.
+
+Esta operação requer da parte do operador conhecimentos especiaes sobre
+o modo de vida da planta.
+
+É a physiologia vegetal que nos fornece esses elementos e, embora os
+nossos operarios não estejam habilitados a deduzir d'esta sciencia as
+bases em que hão de firmar-se para a execução d'esta operação, póde,
+tendo presentes as regras d'ellas tiradas, effectuar a poda com methodo.
+
+
+Essas regras são as seguintes.
+
+
+1.ª--As flores, e portanto os fructos d'um dado anno, desenvolvem-se
+sempre sobre os lançamentos do anno anterior e nunca sobre os
+lançamentos d'esse mesmo anno;
+
+2.ª--Só florescem e fructificam os ramos que estiverem durante a maior
+parte do dia expostos á influencia solar;
+
+3.ª--É sobre os ramos horisontaes ou pendentes que se desenvolvem os
+melhores e mais abundantes fructos;
+
+4.ª--Se uma oliveira muito carregada de ramos produz muitos fructos
+estes ficam pequenos, pouco rendosos em azeite e a colheita é biennal:
+
+5.ª--Nem todas as variedades de oliveiras devem ser podadas do mesmo modo;
+
+6.ª--A fructificação d'uma oliveira varia com o terreno e exposição, por
+isso a poda deverá variar com estes factores;
+
+7.ª--Devemos evitar o mais possivel os córtes de ramos grossos.
+
+
+Pela primeira regra se vê que nunca devemos tirar á arvore grande
+quantidade de raminhos, porque isso irá prejudicar muito a producção do
+anno seguinte.
+
+O segundo principio diz-nos que a arvore deve ter sempre os seus ramos
+bem distribuidos e nunca deve estar demasiadamente carregada d'elles,
+por que a sua folhagem compacta impede que os raios solares penetrem bem
+por entre elles, ficando a formação do fructo limitada simplesmente aos
+pontos em que esses raios podem, sem obstaculo, exercer a sua influencia.
+
+
+Um principio de physiologia vegetal, citado por Foëx, diz que a
+quantidade de seiva que passa n'um ramo é tanto maior quanto mais
+proximo elle estiver da vertical. Diz o mesmo auctor, n'um outro
+principio, que a vegetação de toda a planta ou ramo é complementar.
+
+Estes dois principios vêm provar a segunda regra annunciada para a
+pratica da poda.
+
+Effectivamente, se a vegetação d'uma planta ou ramo é complementar, isto
+é, se quanto maior fôr a vegetação d'essa planta ou ramo, menor será a
+sua producção em fructo, os ramos verticaes pela grande vegetação de que
+dispõem serão menos productivos do que os affastados d'aquella posição.
+
+Firmados n'esta terceira regra devemos destruir pela poda, os ramos
+verticaes de preferencia aos horisontaes ou pendentes.
+
+Da quarta regra deprehende-se a necessidade de nunca deixar a arvore
+demasiadamente carregada de ramos fructiferos, a fim de que ella não
+tenha que alimentar, ao mesmo tempo, uma demasiada quantidade de
+fructos, o que lhe acarretaria um exgotamento de que ella levaria um ou
+mais annos a refazer-se. Mas que se não vá tomar á lettra o proverbio
+provençal--_Fais mois pauvre et je te ferai riche_--porque isso
+redundaria em grave prejuizo para a oliveira.
+
+O que convem sempre é regular esta operação pelas condições do terreno,
+pela exposição e pela tendencia natural da planta, como aconselham as
+regras quinta e sexta.
+
+N'um terreno rico e situado n'uma boa exposição deverá deixar-se a
+arvore mais carregada de ramos porque no terreno não escassearão
+substancias para os alimentar e a maturação dos fructos é mais certa.
+Pelo contrario, um terreno pobre exige uma poda mais energica.
+
+A regra quarta aconselha-nos a que tenhamos em conta a variedade da
+oliveira cultivada, porque algumas ha que tendem a elevar-se muito.
+
+N'este caso o podador deve ter sempre em vista não contrariar muito o
+crescimento da planta com rebaixamentos exagerados.
+
+Ao effectuarmos a poda devemos subtrahir-nos o mais possivel ao córte de
+troncos grossos. A grande superficie d'estes golpes daria origem á
+penetração da agua e ao ataque de muitas doenças. Quando se não possam
+evitar esses golpes haverá o cuidado de os cobrir com alcatrão ou outro
+inducto qualquer.
+
+Em muitas partes, devido ao pessimo costume de se podarem as oliveiras
+com intervallos de 3, 4 e mais annos, vê-se o podador constrangido a
+cortar ramos grossos, o que, como acabo de dizer, acarreta graves
+prejuizos para a vida das arvores.
+
+Estes inconvenientes são ainda em algumas partes avolumados pela epocha
+pouco propria em que as podas se executam, que é quasi sempre a seguir á
+apanha do fructo.
+
+A oliveira é uma arvore muito sensivel aos frios vigorosos e estes muito
+mais a prejudicam quando incidem sobre recentes golpes da poda.
+
+Para evitar os inconvenientes, provenientes dos golpes de demasiada
+superficie e da sua exposição aos frios do inverno, convem, em primeiro
+logar, que a poda seja feita todos os annos e em segundo logar, que ella
+nunca seja feita antes da passagem dos frios, a não ser em sitios em que
+o vigor d'estes não é muito para receiar.
+
+A melhor epocha parece ser o mez de fevereiro. Alguns auctores preferem
+a poda em março e abril, mas, no dizer de _A. Aloi_, a poda feita n'esta
+epocha predispõe a oliveira para adquirir mais doenças.
+
+Comtudo esta epocha varia muito conforme o clima local. Em climas onde
+não são frequentes as geadas póde ella fazer-se logo a seguir á apanha
+do fructo, mas é isso prejudicial nos sitios onde as geadas são frequentes.
+
+A poda feita na primavera parece-me ainda mais prejudicial do que a
+feita no inverno rigoroso, pelos grandes estravasamentos de seiva a que
+dá origem.
+
+Durante a primavera apenas se irão supprimindo os rebentos que se forem
+desenvolvendo no tronco.
+
+
+
+
+CAPITULO VII
+
+
+Lavouras
+
+Não é intuito meu encarecer aqui as vantagens provenientes da execução
+d'esta operação.
+
+O que direi é que o olivicultor tem tudo a lucrar conservando sempre bem
+mobilisado o solo do seu olival.
+
+A maioria dos lavradores effectuam apenas uma cava á profundidade 0m,25
+a 0m,30; outros, porém, mais cuidadosos, effectuam dois lavores
+por anno, sendo feito um em novembro e outro na primavera.
+
+Alguns auctores aconselham que se executem quatro lavras: a primeira ao
+terminar a colheita; a segunda de janeiro a fevereiro; outra ao acabar a
+floração; e, finalmente, a ultima em agosto.
+
+No estio, com o fim duplo de mobilisar o terreno e impedir a evaporação,
+costuma-se fazer uma ou duas arrendas.
+
+Nos sitios pouco humidos é conveniente a abertura de caldeiras em volta
+do pé das arvores, para ahi se receberem as aguas das chuvas.
+
+
+
+
+CONCLUSÕES
+
+
+Do que fica exposto concluo que:
+
+1.º--Attendendo ás condições de clima e de solo, o nosso paiz está nas
+melhores condições para a cultura remuneradora da oliveira.
+
+2.º--A oliveira prefere os terrenos soltos, ricos em potassa e cal.
+
+3.º--Sobre tudo nos terrenos compactos, é muito vantajosa a adubação com
+a rama proveniente da poda das oliveiras.
+
+4.º--O terreno destinado aos viveiros deve estar em melhores condições
+physicas e chimicas do que o destinado á plantação definitiva.
+
+5.°--Ao plantarem-se as arvores definitivamente devem tirar-se á planta
+todos os seus ramos e folhas.
+
+6.°--A poda da oliveira deve ser annual.
+
+
+
+
+ * * * * *
+
+Notas de transcrição:
+
+Foi mantida a grafia usada na edição original de 1899, tendo sido
+corrigidos apenas pequenos erros tipográficos.
+
+No original as unidades de medida aparecem impressas antes das casas
+decimais, e em sobrescrito. Nesta versão do texto manteve-se a notação,
+excepto o sobrescrito.
+
+Existe um pequeno diagrama de apoio à descrição da "marcação do terreno
+em quinconcio". Esse diagrama está disponível na versão html deste texto.
+
+
+
+
+
+End of the Project Gutenberg EBook of Breves palavras sobre a cultura da
+Oliveira, by Avelino Nunes de Almeida
+
+*** END OF THIS PROJECT GUTENBERG EBOOK CULTURA DA OLIVEIRA ***
+
+***** This file should be named 33572-8.txt or 33572-8.zip *****
+This and all associated files of various formats will be found in:
+ http://www.gutenberg.org/3/3/5/7/33572/
+
+Produced by Pedro Saborano
+
+Updated editions will replace the previous one--the old editions
+will be renamed.
+
+Creating the works from public domain print editions means that no
+one owns a United States copyright in these works, so the Foundation
+(and you!) can copy and distribute it in the United States without
+permission and without paying copyright royalties. Special rules,
+set forth in the General Terms of Use part of this license, apply to
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+protect the PROJECT GUTENBERG-tm concept and trademark. Project
+Gutenberg is a registered trademark, and may not be used if you
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+rules is very easy. You may use this eBook for nearly any purpose
+such as creation of derivative works, reports, performances and
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+practically ANYTHING with public domain eBooks. Redistribution is
+subject to the trademark license, especially commercial
+redistribution.
+
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+*** START: FULL LICENSE ***
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+THE FULL PROJECT GUTENBERG LICENSE
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+
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+
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+things that you can do with most Project Gutenberg-tm electronic works
+even without complying with the full terms of this agreement. See
+paragraph 1.C below. There are a lot of things you can do with Project
+Gutenberg-tm electronic works if you follow the terms of this agreement
+and help preserve free future access to Project Gutenberg-tm electronic
+works. See paragraph 1.E below.
+
+1.C. The Project Gutenberg Literary Archive Foundation ("the Foundation"
+or PGLAF), owns a compilation copyright in the collection of Project
+Gutenberg-tm electronic works. Nearly all the individual works in the
+collection are in the public domain in the United States. If an
+individual work is in the public domain in the United States and you are
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+1.E.5. Do not copy, display, perform, distribute or redistribute this
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+ prepare (or are legally required to prepare) your periodic tax
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+ distribution of Project Gutenberg-tm works.
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+1.E.9. If you wish to charge a fee or distribute a Project Gutenberg-tm
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+forth in this agreement, you must obtain permission in writing from
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+Foundation as set forth in Section 3 below.
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+1.F.
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+works, and the medium on which they may be stored, may contain
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+INCIDENTAL DAMAGES EVEN IF YOU GIVE NOTICE OF THE POSSIBILITY OF SUCH
+DAMAGE.
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+receive the work electronically in lieu of a refund. If the second copy
+is also defective, you may demand a refund in writing without further
+opportunities to fix the problem.
+
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+in paragraph 1.F.3, this work is provided to you 'AS-IS' WITH NO OTHER
+WARRANTIES OF ANY KIND, EXPRESS OR IMPLIED, INCLUDING BUT NOT LIMITED TO
+WARRANTIES OF MERCHANTIBILITY OR FITNESS FOR ANY PURPOSE.
+
+1.F.5. Some states do not allow disclaimers of certain implied
+warranties or the exclusion or limitation of certain types of damages.
+If any disclaimer or limitation set forth in this agreement violates the
+law of the state applicable to this agreement, the agreement shall be
+interpreted to make the maximum disclaimer or limitation permitted by
+the applicable state law. The invalidity or unenforceability of any
+provision of this agreement shall not void the remaining provisions.
+
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+promotion and distribution of Project Gutenberg-tm electronic works,
+harmless from all liability, costs and expenses, including legal fees,
+that arise directly or indirectly from any of the following which you do
+or cause to occur: (a) distribution of this or any Project Gutenberg-tm
+work, (b) alteration, modification, or additions or deletions to any
+Project Gutenberg-tm work, and (c) any Defect you cause.
+
+
+Section 2. Information about the Mission of Project Gutenberg-tm
+
+Project Gutenberg-tm is synonymous with the free distribution of
+electronic works in formats readable by the widest variety of computers
+including obsolete, old, middle-aged and new computers. It exists
+because of the efforts of hundreds of volunteers and donations from
+people in all walks of life.
+
+Volunteers and financial support to provide volunteers with the
+assistance they need, are critical to reaching Project Gutenberg-tm's
+goals and ensuring that the Project Gutenberg-tm collection will
+remain freely available for generations to come. In 2001, the Project
+Gutenberg Literary Archive Foundation was created to provide a secure
+and permanent future for Project Gutenberg-tm and future generations.
+To learn more about the Project Gutenberg Literary Archive Foundation
+and how your efforts and donations can help, see Sections 3 and 4
+and the Foundation web page at http://www.pglaf.org.
+
+
+Section 3. Information about the Project Gutenberg Literary Archive
+Foundation
+
+The Project Gutenberg Literary Archive Foundation is a non profit
+501(c)(3) educational corporation organized under the laws of the
+state of Mississippi and granted tax exempt status by the Internal
+Revenue Service. The Foundation's EIN or federal tax identification
+number is 64-6221541. Its 501(c)(3) letter is posted at
+http://pglaf.org/fundraising. Contributions to the Project Gutenberg
+Literary Archive Foundation are tax deductible to the full extent
+permitted by U.S. federal laws and your state's laws.
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+The Foundation's principal office is located at 4557 Melan Dr. S.
+Fairbanks, AK, 99712., but its volunteers and employees are scattered
+throughout numerous locations. Its business office is located at
+809 North 1500 West, Salt Lake City, UT 84116, (801) 596-1887, email
+business@pglaf.org. Email contact links and up to date contact
+information can be found at the Foundation's web site and official
+page at http://pglaf.org
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+ Dr. Gregory B. Newby
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+Section 4. Information about Donations to the Project Gutenberg
+Literary Archive Foundation
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+Project Gutenberg-tm depends upon and cannot survive without wide
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+increasing the number of public domain and licensed works that can be
+freely distributed in machine readable form accessible by the widest
+array of equipment including outdated equipment. Many small donations
+($1 to $5,000) are particularly important to maintaining tax exempt
+status with the IRS.
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+The Foundation is committed to complying with the laws regulating
+charities and charitable donations in all 50 states of the United
+States. Compliance requirements are not uniform and it takes a
+considerable effort, much paperwork and many fees to meet and keep up
+with these requirements. We do not solicit donations in locations
+where we have not received written confirmation of compliance. To
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+particular state visit http://pglaf.org
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+While we cannot and do not solicit contributions from states where we
+have not met the solicitation requirements, we know of no prohibition
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+approach us with offers to donate.
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+any statements concerning tax treatment of donations received from
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+Please check the Project Gutenberg Web pages for current donation
+methods and addresses. Donations are accepted in a number of other
+ways including checks, online payments and credit card donations.
+To donate, please visit: http://pglaf.org/donate
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+Section 5. General Information About Project Gutenberg-tm electronic
+works.
+
+Professor Michael S. Hart is the originator of the Project Gutenberg-tm
+concept of a library of electronic works that could be freely shared
+with anyone. For thirty years, he produced and distributed Project
+Gutenberg-tm eBooks with only a loose network of volunteer support.
+
+
+Project Gutenberg-tm eBooks are often created from several printed
+editions, all of which are confirmed as Public Domain in the U.S.
+unless a copyright notice is included. Thus, we do not necessarily
+keep eBooks in compliance with any particular paper edition.
+
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+
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+This Web site includes information about Project Gutenberg-tm,
+including how to make donations to the Project Gutenberg Literary
+Archive Foundation, how to help produce our new eBooks, and how to
+subscribe to our email newsletter to hear about new eBooks.
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+ <title>Breves Palavras sobre a cultura da Oliveira</title>
+ <meta name="Author" content="Avelino Nunes D'Almeida">
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+</head>
+
+<body>
+
+
+<pre>
+
+The Project Gutenberg EBook of Breves palavras sobre a cultura da Oliveira, by
+Avelino Nunes de Almeida
+
+This eBook is for the use of anyone anywhere at no cost and with
+almost no restrictions whatsoever. You may copy it, give it away or
+re-use it under the terms of the Project Gutenberg License included
+with this eBook or online at www.gutenberg.org
+
+
+Title: Breves palavras sobre a cultura da Oliveira
+
+Author: Avelino Nunes de Almeida
+
+Release Date: August 29, 2010 [EBook #33572]
+
+Language: Portuguese
+
+Character set encoding: ISO-8859-1
+
+*** START OF THIS PROJECT GUTENBERG EBOOK CULTURA DA OLIVEIRA ***
+
+
+
+
+Produced by Pedro Saborano
+
+
+
+
+
+</pre>
+
+
+<p>&nbsp;</p>
+
+<div class="ntrans">
+<p><b>Notas de transcrição:</b></p>
+
+<p>Foi mantida a grafia usada na edição original de 1899, tendo sido
+corrigidos apenas pequenos erros tipográficos.</p>
+</div>
+
+<p>&nbsp;</p>
+
+<div class="capa" style="border: solid 1px #000;">
+<p style="font-size: 1.8em;">BREVES PALAVRAS</p>
+
+<p style="font-size: 1.2em;">SOBRE A</p>
+
+<p style="font-size: 2.5em;">CULTURA&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;</p>
+
+<p style="font-size: 1.2em;">DA</p>
+
+<p style="font-size: 2.5em;">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;OLIVEIRA</p>
+
+<p>&nbsp;</p>
+
+<p style="font-size: 1.2em;">DISSERTAÇÃO INAUGURAL</p>
+
+<p>APRESENTADA AO</p>
+
+<p style="font-size: 1.2em;">Instituto d'Agronomia e Veterinaria</p>
+
+<p>POR</p>
+
+<p style="font-size: 1.4em;">Avelino Nunes D'Almeida</p>
+
+<p>&nbsp;</p>
+<p>&nbsp;</p>
+
+<p><img src="images/logo.png" alt="Logotipo do editor"></p>
+
+<p>&nbsp;</p>
+<p>&nbsp;</p>
+
+<p>1899<br>
+
+I<small>MPRENSA DE</small> L<small>IBANIO DA</small> S<small>ILVA</small><br>
+
+<em>91, Rua do Norte, 91</em><br>
+
+LISBOA</p>
+</div>
+
+<p>&nbsp;</p>
+<p>&nbsp;</p>
+<p>&nbsp;</p>
+<p>&nbsp;</p>
+
+<p style="text-align:center;font-size: 1.2em;">BREVES
+PALAVRAS</p>
+
+<p style="text-align:center;">SOBRE A</p>
+
+<p style="text-align:center;font-size: 1.4em;">CULTURA DA
+OLIVEIRA</p>
+
+<p>&nbsp;</p>
+<p>&nbsp;</p>
+<p>&nbsp;</p>
+<p>&nbsp;</p>
+
+<div class="capa">
+<p style="font-size: 1.8em;">BREVES PALAVRAS</p>
+
+<p style="font-size: 1.2em;">SOBRE A</p>
+
+<p style="font-size: 2.5em;">CULTURA&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;</p>
+
+<p style="font-size: 1.2em;">DA</p>
+
+<p style="font-size: 2.5em;">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;OLIVEIRA</p>
+
+<p>&nbsp;</p>
+
+<p style="font-size: 1.2em;">DISSERTAÇÃO INAUGURAL</p>
+
+<p>APRESENTADA AO</p>
+
+<p style="font-size: 1.2em;">Instituto d'Agronomia e Veterinaria</p>
+
+<p>POR</p>
+
+<p style="font-size: 1.4em;">Avelino Nunes D'Almeida</p>
+
+<p>&nbsp;</p>
+<p>&nbsp;</p>
+
+<p><img src="images/logo.png" alt="Logotipo do editor"></p>
+
+<p>&nbsp;</p>
+<p>&nbsp;</p>
+
+<p>1899<br>
+
+I<small>MPRENSA DE</small> L<small>IBANIO DA</small> S<small>ILVA</small><br>
+
+<em>91, Rua do Norte, 91</em><br>
+
+LISBOA</p>
+</div>
+
+<p>&nbsp;</p>
+<p>&nbsp;</p>
+<p>&nbsp;</p>
+<p>&nbsp;</p>
+
+<p>A MEUS PAES</p>
+
+<p style="margin-left:4em">A MEUS IRMÃOS</p>
+
+<p>&nbsp;</p>
+
+<p style="margin-left:3em">Como prova de muito respeito e amisade.</p>
+
+<p>&nbsp;</p>
+<p>&nbsp;</p>
+<p>&nbsp;</p>
+<p>&nbsp;</p>
+
+<div style="border-left: 10px solid #000;border-top: 10px solid #000; padding: 1em;">
+<p>&nbsp;</p>
+<p>&nbsp;</p>
+<p style="text-align:center;">Á MEMORIA DE
+MEUS TIOS</p>
+
+<p>&nbsp;</p>
+
+<p>LUIZ NUNES DA COSTA</p>
+
+<p style="margin-left:2em;">MARIA AUGUSTA NUNES</p>
+
+<p style="margin-left:4em">MARGARIDA AUGUSTA NUNES</p>
+
+<p>&nbsp;</p>
+<p>&nbsp;</p>
+<p>&nbsp;</p>
+
+<p style="text-align:right;">Gratidão
+eterna.</p>
+<p>&nbsp;</p>
+<p>&nbsp;</p>
+<p>&nbsp;</p>
+<p>&nbsp;</p>
+</div>
+
+<p>&nbsp;</p>
+<p>&nbsp;</p>
+<p>&nbsp;</p>
+<p>&nbsp;</p>
+
+<p>A MEUS PRIMOS</p>
+
+<p style="margin-left:2em;">AOS MEUS AMIGOS</p>
+
+<p style="margin-left:4em">AOS MEUS CONDISCIPULOS</p>
+
+<p>&nbsp;</p>
+<p>&nbsp;</p>
+
+<p style="text-align:right;margin-left:auto;margin-right:0;">Como prova de
+dedicação e amizade.</p>
+
+<p>&nbsp;</p>
+<p>&nbsp;</p>
+<p>&nbsp;</p>
+<p>&nbsp;</p>
+
+<p style="margin-left: 2em;">A.............</p>
+
+<p>&nbsp;</p>
+
+<hr class="dotted">
+<p>&nbsp;</p>
+<p>&nbsp;</p>
+<p>&nbsp;</p>
+<p>&nbsp;</p>
+
+<div id="corpo">
+
+<p><small>O Instituto d'Agronomia e Veterinaria não se
+responsabilisa pelas doutrinas expostas n'esta dissertação (Art.º 79 do
+Regulamento de 8 de Junho de 1898).</small></p>
+
+<p>&nbsp;</p>
+
+<p>&nbsp;</p>
+
+<p>&nbsp;</p>
+
+<p>&nbsp;</p>
+
+<p>Ao escrever estas <em>breves palavras sobre a cultura da oliveira</em>, está
+muito longe de mim a presumpção de que ellas vão lançar alguma luz sobre tão
+importante assumpto.</p>
+
+<p>Nem com esse fim as escrevo: mas unicamente para cumprir um dever que a lei
+me impõe.</p>
+
+<p>Anima-me a fazel-o, a confiança que tenho na benevolencia dos dignos mestres
+que me hão de julgar.</p>
+
+<p>&nbsp;</p>
+
+<p>Lisboa 14 de Novembro de 1899.</p>
+
+<p>&nbsp;</p>
+
+<p style="text-align:right;margin-left:auto;margin-right:0;"><em>Avelino Nunes
+d'Almeida</em></p>
+
+<p><span class="pn">{1}</span></p>
+
+<h2>PRELIMINARES</h2>
+
+<h3>Estudo botanico</h3>
+
+<p>&nbsp;</p>
+
+<p>A arvore de cuja cultura me proponho tratar faz parte da familia das
+Oleaceas, comprehendida no grande grupo das phanerogamicas dicotyledoneas
+gamopetalas superovariadas.</p>
+
+<p>Habita esta familia os paizes quentes e temperados, onde é constituida por
+arvores ou arbustos de folhas oppostas, simples, inteiras e quasi sempre sem
+estipulas.</p>
+
+<p>As diversas especies que a compõem apresentam inflorescencia em cacho
+simples ou composto, e algumas vezes em forma de thyrso.</p>
+
+<p>Flores hermaphroditas e regulares, raramente polygamicas ou dioicas.</p>
+
+<p>Calice livre, presistente com quatro e algumas vezes cinco divisões.</p>
+
+<p>Corolla hypogynica com quatro fendas mais ou menos profundas, de maneira a
+apresentarem quatro petalas, duas das quaes muitas vezes abortam. Apresenta a
+forma assalveada, rodada ou afunilada.</p>
+
+<p>Geralmente dois estames alternos com os filetes<span class="pn">{2}</span>
+curtos algumas vezes livres outras vezes inseridos sobre a corolla; ás vezes
+apparecem quatro estames alternando com as petalas.</p>
+
+<p>Antheras ordinariamente introrsas, biloculares fazendo-se a sua dehiscencia
+por duas fendas longitudinaes.</p>
+
+<p>Genyceu de tamanho regular cujo ovario é livre, bilocular encerrando cada
+loculo geralmente dois ovulos. Um só estylete, curto, estygma simples e
+bifendido. Fructo secco ou carnudo (capsula, baga ou drupa).</p>
+
+<p>Sementes com albumen ou sem elle: no primeiro caso tem embryão recto com
+cotyledones foliaceas; no segundo caso as cotyledones são carnosas.</p>
+
+<p>A familia das Oleaceas está dividida em varios generos dos quaes alguns são
+frequentes no nosso paiz. Entre estes contam-se os generos Syringa
+(<em>L.</em>), Ligustrum. (<em>Tourn.</em>) Phyliria (<em>L.</em>) e Olea
+(<em>Tourn.</em>)</p>
+
+<p>&nbsp;</p>
+
+<p><strong>Olea, Tourn.</strong>&mdash;Este genero é caracterisado por ter as flores
+dispostas em pequenos cachos axillares, simples ou compostos; calice
+tetradentado; a corolla com 4 fendas; estames salientes e inseridos no cimo do
+tubo da corolla; estylete curto; estygma bilobado, conico e grande. Fructo
+carnudo, oleoso, drupaceo; semente ossea com um ou dois espermas e o embryão
+recto.</p>
+
+<p>São arvores ou arbustos de folhas simples, coreaceas, inteiras, presistentes
+e oppostas.</p>
+
+<p>&nbsp;</p>
+
+<p>A oliveira faz parte d'este genero e entra na constituição da especie <em>O.
+europaea</em>, L. originando dentro d'esta especie um grande numero de
+variedades.</p>
+
+<p>A <em>O. Europaea</em> distingue-se pelos seus cachos axilares de flores
+brancas. Forma arvores ou arbustos de folhas oppostas, persistentes, coriaceas,
+inteiras, brancas ou esbranquiçadas na pagina inferior.</p>
+
+<p>&nbsp;</p>
+
+<p>O typo verdadeiro da oliveira parece ser o Zambujeiro (Olea oleaster D. C.)
+que se apresenta sob<span class="pn">{3}</span> a forma de arvores ou arbustos
+de ramos quasi sempre espinescentes, com drupas pequenas, negras e algumas
+vezes brancas.</p>
+
+<p>Esta variedade é dotada de muito vigor, sendo por isso empregada como
+cavallo sobre que se enxertam as variedades mais productivas.</p>
+
+<p>A oliveira commum, cultivada em todo o paiz, é a O. europaea sativa, D. C.
+que forma arvores com ramos sempre inermes, drupa cujo tamanho varia muito com
+a intensidade da cultura, e de cor escura. A sua cultura tem introduzido na sua
+organisação modificações mais ou menos profundas que tem dado origem á
+differenciação de um grande numero de variedades. D'estas differenças, faceis
+de obter, nos caracteres especificos da planta nasce uma grande difficuldade
+senão uma impossibilidade completa em se determinar o numero exacto das
+variedades cultivadas, e de fazer n'ellas um estudo botanico que bem as
+caracterise.</p>
+
+<p>A avolumar ainda as difficuldades levantadas pelas alterações morphologicas
+dos orgãos da planta surge ainda o inconveniente da diversidade de nomes que de
+terra para terra são dados a uma mesma variedade.</p>
+
+<p>&nbsp;</p>
+
+<p>É do maior ou menor vigôr das arvores, da natureza dos seus portes e
+sobretudo da coloração, forma e grandeza dos seus fructos que se tiram os
+caracteres das suas variedades.</p>
+
+<p>São muito inconstantes estes caracteres. Oliveiras tenho eu visto que,
+provenientes de estacas da mesma mãe, se apresentam hoje, logo á primeira
+vista, com aspectos muito differentes dos da planta d'onde provieram.</p>
+
+<p>A planta de que se extrairam estas estacas é uma velha oliveira que tem
+vegetado sempre á custa dos elementos naturaes do terreno, já de si pobre, e
+que pela sua constituição schistosa não é dos mais proprios para esta especie
+de cultura. Os seus fructos são pequenos, as folhas, esbranquiçadas na<span
+class="pn">{4}</span> pagina inferior, tomam uma côr verde pouco carregada na
+pagina superior. As estacas d'ella provenientes foram levadas para o littoral e
+plantadas em um terreno onde annualmente se faz a cultura do milho e de outros
+cereaes. É um terreno argillo-calcareo com ligeira inclinação ao poente.</p>
+
+<p>As arvores provenientes d'estas estacas são muito vigorosas; o seu fructo é
+muito mais volumoso que o produzido pela planta mãe; as folhas, com quanto
+apresentem na pagina inferior a côr esbranquiçada caracteristica da especie,
+apresentam na pagina superior uma côr verde mais escura que as da planta d'onde
+provieram: estas differenças são tão sensiveis que difficilmente se conhecerá
+nas duas plantas a mesma variedade.</p>
+
+<p>No meio d'esta confusão algumas variedades têem sido já caracterisadas,
+algumas das quaes já foram descriptas por José Antonio de Sá, Dalla-Bella,
+Mendo Trigoso e Barão de Forrester.</p>
+
+<p>São nove as castas apresentadas por estes auctores, conhecidas pelos nomes
+de: <em>negrões ou maduraes, verdeaes, cordovezas, lentisqueiras ou durasias,
+carrascas, bicaes, negruchas, carlotas redondis judiagas ou
+mançanilhas.</em></p>
+
+<p>&nbsp;</p>
+
+<p>O distincto agronomo Sr. Sousa da Camara, no seu <em>Estudo da Oliveira</em>
+actualmente em publicação na <em>Gazeta das Aldeias</em>, tem conseguido até
+hoje differençar as seguintes variedades e sub-variedades:<span
+class="pn">{5}</span></p>
+
+<table border="1" cellpadding="1" cellspacing="0" summary="Variedades de Oliveira">
+ <tbody>
+ <tr>
+ <td colspan="2"
+ style="text-align:center;">Variedades</td>
+ <td rowspan="2">Sub-variedades</td>
+ </tr>
+ <tr>
+ <td style="text-align:center;">Nome
+ botanico</td>
+ <td style="text-align:center;">Nomes
+ vulgares</td>
+ </tr>
+ <tr>
+ <td>Olea europaea oleaster, D. C</td>
+ <td>Zambujeiro.<br>
+ Zambujo.</td>
+ <td></td>
+ </tr>
+ <tr>
+ <td>Olea europaea pomiformis, Clem.</td>
+ <td>Mançanica.<br>
+ Mançanilha.</td>
+ <td>Golozinha.</td>
+ </tr>
+ <tr>
+ <td>Olea europaea, regalis, Clem.</td>
+ <td>Cordoveza.<br>
+ Cordovil.<br>
+ Longal.<br>
+ Santulhana.<br>
+ Sevilhana.</td>
+ <td>Redondal.</td>
+ </tr>
+ <tr>
+ <td>O. europaea, rostrata, Clem.</td>
+ <td>Bical.<br>
+ Bicuda.<br>
+ Cornalhuda.<br>
+ Cornicabra.</td>
+ <td></td>
+ </tr>
+ <tr>
+ <td>O. fructo oblongo, Bauh.</td>
+ <td>Gallega.<br>
+ Madural.<br>
+ Negral.</td>
+ <td>Negrucha.</td>
+ </tr>
+ <tr>
+ <td>Olivo murtea.</td>
+ <td>Carrasca.<br>
+ Carrasquenha.</td>
+ <td>Carrasquenho meudo e carrasquenho tinto.</td>
+ </tr>
+ <tr>
+ <td>Olivo racemosa.</td>
+ <td>Brunhenta.<br>
+ Durasia.<br>
+ Lentisca.<br>
+ Lentisqueira.<br>
+ Zambulheira.<br>
+ </td>
+ <td>Barrenta.<br>
+ Zambulha.</td>
+ </tr>
+ <tr>
+ <td>O. viridula, Gou.</td>
+ <td>Verdeal.<br>
+ Carlota.<br>
+ Judiaga.<br>
+ Redondil.<br>
+ Oliveira de fructos vernaes,<br>
+ Zamborina.<br>
+ Tentilheira</td>
+ <td>Verdeal cobrançosa</td>
+ </tr>
+ </tbody>
+</table>
+
+<p><span class="pn">{6}</span></p>
+
+<p>&nbsp;</p>
+
+<p>&nbsp;</p>
+
+<h2>CAPITULO I</h2>
+
+<h3>Clima e solo</h3>
+
+<h4>A&mdash;Clima</h4>
+
+<p>São por de mais notaveis as diversidades existentes nas especies vegetaes
+que habitam a superficie da terra.</p>
+
+<p>Estas diversidades que se observam dentro da mesma propriedade e que
+augmentam de propriedade para propriedade e de um paiz para outro, accentuam-se
+extraordinariamente quando comparamos a flora de dois continentes.</p>
+
+<p>A estructura, composição chimica do solo e o clima são as causas principaes
+d'esta accidentada vegetação.</p>
+
+<p>Cada planta tem as suas exigencias especiaes, de cujo conhecimento resulta a
+determinação da zona de terreno em que cada especie encontra condições
+favoraveis de vida.</p>
+
+<p>Conhecida a zona propria para a vida de cada planta, ou melhor, conhecidas
+as especies culturaes adaptaveis a uma determinada zona de terreno, poder-se-ha
+emprehender uma exploração agricola mais segura dos seus resultados do que se a
+completa ignorancia da geographia botanica nos obrigasse a emprehender ao acaso
+essa exploração.</p>
+
+<p>Só um grande esforço, que acarretaria despezas enormes, pode permittir que
+se desvie uma planta do seu habitat natural, para, por processos artificiaes,
+obter d'ella eguaes productos.</p>
+
+<p>É isto que se faz em varios paizes da Europa, como por exemplo em
+Inglaterra, onde em estufas apropriadas se força a videira a produzir. Depois,
+no mercado, a muita procura alliada á raridade do producto, remunerará
+condignamente o esforço e a despeza do industrial.<span
+class="pn">{7}</span></p>
+
+<p>Plantas ha que, mais modestas nas suas exigencias, podem vegetar nos sitios
+menos favorecidos pela natureza. São estas as plantas herbaceas expontaneas, as
+quaes se vêm vegetar em sitios onde é vedado o desenvolvimento ás plantas
+arboreas ou arbustivas.</p>
+
+<p>Outras, porém, e n'este grupo entra uma grande parte das plantas cultivadas,
+não se contentando com as minguadas exigencias d'aquellas, tornam mais limitada
+a zona em que a vida lhes é favoravel.</p>
+
+<p>As especies arboreas, pela sua constituição robusta e pelo seu grande
+desenvolvimento radicular, accommodam-se em sitios onde as culturas arvenses
+não poderiam ter logar.</p>
+
+<p>O nosso paiz, pela sua accidentação e variedade da sua paizagem, está
+naturalmente indicado mais para aquellas do que para estas culturas.</p>
+
+<p>A oliveira, arvore cuja cultura é tão remuneradora, aqui encontra condições
+muito favoraveis de vida.</p>
+
+<p>As boas condições do nosso clima, alliadas á estructura do solo que lhe é
+propria, collocam-nos em condições de por toda a parte disseminarmos a sua
+cultura, augmentando a producção que até hoje tem sido muito diminuta.</p>
+
+<p>A oliveira exige, para poder prosperar e produzir, uma temperatura branda e
+pouco variavel.</p>
+
+<p>A area destinada á sua cultura vae, segundo <em>Gasparin</em>, até aos 46°
+de latitude N. e ao sul é limitada pelo Tropico.</p>
+
+<p>Outros auctores, porém, limitam mais a area indicada por Gasparin.</p>
+
+<p><em>De-Noisette</em>, por exemplo, dá-lhe como zona propria a comprehendida
+entre 25° e 43° de latitude boreal. Para lá de 46° a oliveira cresce, mas é
+muito raro amadurecer os seus fructos; á medida que formos caminhando para o
+equador, esta arvore vae augmentando de volume, mas de 18° para baixo dá-se o
+mesmo caso que para cima de 46°.<span class="pn">{8}</span></p>
+
+<p>Os calores intensos e os frios excessivos prejudicam altamente a vida d'esta
+arvore; e não tanto os frios intensos como as mudanças bruscas de temperatura
+n'ella exercem a sua nefasta influencia.</p>
+
+<p>Tem-se visto estas arvores supportarem, sem alteração sensivel nas suas
+funcções, uma temperatura de -16° C., ao passo que são accommettidas por uma
+morte rapida quando, depois de terem estado por algum tempo submettidas á
+temperatura de -5°, são banhadas rapidamente por um sol claro e intenso.</p>
+
+<p>Procurar, portanto, os logares em que a temperatura seja pouco variavel,
+será pratica prudente e vantajosa.</p>
+
+<p>Alguns querem até estabelecer a visinhança dos mares como unico solar onde
+esta preciosa arvore encontraria condições confortaveis de vida, por ser ahi
+onde a temperatura é mais estavel; a pratica, porém, destroe tal asserção, pois
+que no interior dos continentes ella se vê desenvolver e fructificar
+admiravelmente.</p>
+
+<p>Para determinarmos se uma dada região é ou não propria para esta cultura, é
+de summa importancia o conhecimento das temperaturas maxima e minima; nunca nos
+devemos guiar só pelo conhecimento da sua temperatura media.</p>
+
+<p>É sabido que para a completa maturação do fructo, a oliveira exige um total
+3978° de calor; mas sitios ha em que esse numero de graus se obtem igualmente,
+embora as temperaturas extremas divirjam muito. Se considerarmos dois logares,
+n'um dos quaes as temperaturas minima e maxima sejam <em>a</em> e <em>b</em>, e
+no outro <em>a-c</em> e <em>b+c</em>, elles terão as mesmas temperaturas medias
+e comtudo pode ser impossivel a olivicultura no segundo e muito adaptada ao
+primeiro; depende isso simplesmente do valor de <em>c</em>.</p>
+
+<p>Estes inconvenientes conseguem remediar-se procurando exposições em harmonia
+com o clima local.<span class="pn">{9}</span></p>
+
+<p>A <em>exposição e inclinação</em> do terreno são duas questões de summa
+importancia para este assumpto. Em um clima demasiadamente quente, pode convir
+uma exposição que seria prejudicial em outro que não tivesse a mesma
+propriedade.</p>
+
+<p>No nosso paiz a exposição ao sul é a mais conveniente, a não ser n'um ou
+n'outro ponto em que o calor excessivo do verão e a pequena percentagem de
+humidade nos terrenos, aconselhem inclinação differente. Nos sitios onde são
+frequentes as geadas, nunca a exposição a Levante pode convir, porque a planta
+que durante a noite esteve submettida a um frio intenso, soffre muito ao
+receber rapidamente os matutinos raios solares. O desgelo seria rapido e a sua
+influencia na vida das cellulas prejudicial.</p>
+
+<p>Em resumo, aconselharei a exposição ao meio dia, como a que mais geralmente
+convem, sendo muito para adoptar tambem a exposição ao poente.</p>
+
+<p>&nbsp;</p>
+
+<p>Quanto á <em>inclinação</em>, é preferível a meia encosta porque n'ella se
+somma maior numero de graus de calor do que nos terrenos de planicie, se os
+considerarmos collocados nas mesmas condições de altitude, latitude e
+composição.</p>
+
+<p>A pratica tem provado que, embora as oliveiras vegetem e fructifiquem
+perfeitamente nas planicies, o azeite extraindo dos seus fructos é mais grosso,
+de peior qualidade, e que estes no acto da expremidura desprendem muito mais
+<em>almofeira</em> do que os fructos provenientes de oliveiras cultivadas nas
+encostas.</p>
+
+<p>Não ha vantagem em cultivar a oliveira em terrenos demasiadamente
+inclinados, porque ahi são impossiveis as lavouras mechanicas, tendo este
+trabalho de ser feito a braço, o que augmenta muito a despeza.</p>
+
+<p>A este inconveniente junta-se ainda o da terra ser arrastada da parte
+superior para o fundo da encosta, resultando d'aqui que o solo se vae
+tornando<span class="pn">{10}</span> cada vez menos profundo á medida que vamos
+subindo na encosta.</p>
+
+<p>Este inconveniente observa-se facilmente pelo simples aspecto da plantação.
+As arvores da base alcançam maior e mais rapido desenvolvimento graças á
+espessura do solo, successivamente augmentado pela terra deslocada da parte
+superior.</p>
+
+<p>O sr. D. José de Hidalgo Tablada dá como limite de inclinação para as terras
+trabalhadas com arado a inclinação de 6%. Para maiores inclinações convirá
+fazer a cultura em sucalcos.</p>
+
+<h4>B&mdash;Solo</h4>
+
+<p>A oliveira é tida como uma planta que vegeta em todos os terrenos qualquer
+que seja a sua contextura ou a sua composição chimica.</p>
+
+<p>Effectivamente ella vive por toda a parte povoando terrenos da mais
+differente structura, e ainda n'aquelles em que muitas outras arvores não
+encontram condições favoraveis, ella se mostra com aspecto regular. Muitas
+vezes os maus tratos dos homens e a sua exposição aos frios e aos ventos fortes
+são-lhe mais prejudiciaes do que as más qualidades do terreno.</p>
+
+<p>Então essas arvores cuja resistencia ás más qualidades do terreno, só por
+si, não conseguiram destruir, cede, embora lentamente, á combinação d'ellas com
+os maleficios provenientes da velhice e dos maus tractos, e o seu tronco,
+minado internamente pela alteração dos seus tecidos, vae desapparecendo,
+apresentando-se frequentemente reduzido a uma debil parede formada apenas pela
+casca e pelas primeiras camadas do alburno.</p>
+
+<p>A custo este debil tronco vae mantendo em equilibrio o decrepito individuo,
+até que um dia o vento ou qualquer outro agente se encarregue de o prostrar por
+uma vez.</p>
+
+<p>Este tronco ao desapparecer não arrasta comsigo<span class="pn">{11}</span>
+as ultimas manifestações de vida do individuo de que fazia parte.</p>
+
+<p>Dentro em pouco, da parte mais superficial das suas raizes, e da sua toiça
+ver-se-hão surgir novos rebentos que o virão substituir.</p>
+
+<p>Estes casos que são muito frequentes mesmo nos peiores terrenos não
+significam que seja indiferente destinar este ou aquelle terreno á cultura
+d'esta arvore.</p>
+
+<p>Embora possa viver em toda a area que lhe foi destinada ella tem comtudo,
+dentro d'essa area, preferencia por determinados terrenos, e á sua boa
+vegetação e sobre tudo á qualidade e quantidade do fructo importa muito a
+escolha do solo destinado ao olival.</p>
+
+<p>Os terrenos francos e soltos permeaveis e medianamente ferteis, fundos e
+frescos são os que mais lhe convêm. Prejudicam-a bestante os terrenos humidos e
+os demasiadamente seccos.</p>
+
+<p>São os terrenos calcareo-silico-argillosos os que melhor satisfazem a estas
+condições. Prestam-se muito a esta cultura os terrenos pedregosos onde ella
+encontre terra bastante para o desenvolvimento das suas raizes no principio da
+sua vida.</p>
+
+<p>&nbsp;</p>
+
+<p>De grande importancia n'esta questão é a qualidade do sub-solo; este pode
+tornar muitas vezes impossivel a cultura d'um terreno cujas boas qualidades de
+solo parecessem as mais proprias para a vida vegetal.</p>
+
+<p>Os terrenos de sub-solo impermeavel são muito desfavoraveis á cultura da
+oliveira a não ser que sejam submettidos a uma drenagem. Este inconveniente
+trazido ao terreno pela impermeabilidade do seu sub-solo é em parte attenuado
+nos terrenos inclinados porque n'elles é menor a infiltração das aguas e mais
+facil o seu escorrimento á superfície do seu sub-solo.</p>
+
+<p>&nbsp;</p>
+
+<p>Quanto ás condições chimicas do terreno, é d'ellas<span
+class="pn">{12}</span> que mais depende a vegetação e producção da oliveira
+assim, como o rendimento e qualidade do azeite. O augmento de producção de uma
+dada planta consegue-se muitas vezes pelo augmento na terra de um só dos
+elementos indispensaveis á vida vegetal; outras vezes, e pelo mesmo processo,
+se pode fazer reviver uma cultura que a muitos o seu aspecto poderia fazer
+imaginar perdida.</p>
+
+<p>Das analyses feitas por varios chimicos sabe-se que a oliveira apresenta no
+seu todo, quantidades elevadas de cal, potassa e acido phosphorico. Ora, como é
+indubitavelmente do terreno que a planta extrahe todos estes principios,
+necessario se torna que elles se encontrem nos terrenos destinados a essa
+cultura. Os nossos terrenos são bastante ricos em acido phosphorico
+dispensando-nos por isso de nos preoccuparmos muito com elle. O que convem é
+attender mais ás percentagens de cal e de potassa por serem estes corpos os de
+mais incerta existencia no terreno.</p>
+
+<p>&nbsp;</p>
+
+<p>São-lhe muito favoraveis os terrenos vulcanicos, graniticos, schistosos e
+sobre tudo os calcareos.</p>
+
+<p>&nbsp;</p>
+
+<p>N'estes ultimos vegeta a oliveira admiravelmente mas o seu azeite é muito
+gordo. É nos terrenos de fraca tenacidade, onde as oliveiras dão os oleos mais
+finos; nos de grés os azeites são de mediana qualidade; e nos schistosos e
+graniticos a oliveira produz fructos de que exsuda o azeite mais superior.</p>
+
+<h2>CAPITULO II</h2>
+
+<h3>Adubações</h3>
+
+<p>Sem duvida a oliveira é uma planta que pode vegetar em toda a casta de
+terrenos, mesmo os mais pobres, excepção feita d'aquelles em que houver
+superabundancia de humidade; a sua producção, porém, é que, como em todas as
+plantas, está<span class="pn">{13}</span> em harmonia com os cuidados que se
+lhe dispensam.</p>
+
+<p>Por isso a adubação do terreno tem uma alta importancia, e a escolha do
+adubo deve merecer ao olivicultor escrupulosa attenção.</p>
+
+<p>Nunca devemos esquecer o fim principal com que pretendemos empregar a
+adubação.</p>
+
+<p>Tres são os fins com que lançamos mão dos adubos: para favorecermos o
+desenvolvimento da planta, para lhe augmentarmos a producção ou com o fim duplo
+de lhe augmentarmos o desenvolvimento e a producção. Estes tres fins estão em
+harmonia com os tres periodos differentes porque passa a vegetação de todas as
+arvores, no primeiro dos quaes se dá o crescimento da planta, no segundo o
+estacionamento e no terceiro o seu decrescimento.</p>
+
+<p>Claro está, que, ao passar por estas phases vegetativas, devemos dispensar á
+planta os adubos que mais nos convenham para d'ella podermos tirar o producto
+da maneira mais remuneradora possivel.</p>
+
+<p>Não perdendo nunca de vista a phase vegetativa em que a planta se encontra,
+são as analyses chimicas da propria oliveira e do solo que nos fornecem as
+precisas instrucções para a determinação da adubação a dar á cultura:</p>
+
+<p>As colheitas e as podas vão exgotando o solo constantemente e leval-o-hão a
+um estado de exgotamento completo se de qualquer fórma lhe não restituirmos os
+elementos perdidos.</p>
+
+<p>Para podermos determinar conscienciosamente a formula a dar ao adubo, (caso
+pretendamos empregar os adubos chimicos), ou a quantidade de estrume a
+empregar, (se lançarmos mão do estrume de curral ou de outro qualquer),
+necessario se nos torna calcular primeiramente o empobrecimento do terreno
+devido á producção da arvore.</p>
+
+<p>Não é difficil fazer-se este calculo de uma maneira bastante approximada:
+bastará simplesmente, avaliar, o mais rigorosamente possivel, a
+quantidade,<span class="pn">{14}</span> em pezo, de lenho e folhas extrahida
+pela poda, assim como o pezo do fructo produzido por esse olival. Conhecidos
+estes elementos facil será determinar por meio das analyses já existentes, qual
+a adubação necessaria.</p>
+
+<p>O conhecimento do pezo de rama proveniente da poda é perfeitamente
+dispensavel no caso, aliás pouco vulgar entre nós, de ella ser enterrada no
+solo do olival d'onde proveio.</p>
+
+<p>N'este caso o exgotamento do terreno é simplesmente egual á quantidade de
+elementos que entram na composição de todo o fructo.</p>
+
+<p>Supponhamos um olival disposto em quadrado com o compasso de 8 metros, será
+de 156 o numero de pés existentes no hectare. Admittindo que cada arvore produz
+em media 15 litros e que o pezo de cada litro é de 600 grammas, será de 9 kilos
+o pezo de azeitona produzida por cada arvore.</p>
+
+<p><em>Caruso</em> calcula que do pezo de rama extrahida annualmente pela poda,
+22% são de folhas e os restantes 78 são de lenho.</p>
+
+<p>Não é, porém, só a poda que obriga a arvore a perder ramos e folhas.</p>
+
+<p>Muitas outras causas obrigam uns e outros a desprender-se da planta mãe e a
+vir augmentar o contigente fornecido pela poda.</p>
+
+<p>Entre nós o barbaro systema da apanha do fructo, geralmente seguido no paiz,
+é causa de enormes desperdicios. Os ramos desprendidos pelo varejo são os mais
+tenros e n'elles a parte foliar não poderá ter para a parte lenhosa a relação
+estabelecida por aquelle auctor.</p>
+
+<p>Para o nosso paiz costuma avaliar-se, em media, em 6 a 7 e 5 a 6 kilos
+respectivamente o pezo de folha e de lenho perdido annualmente por uma
+oliveira; e em 9 kilos o peso da sua producção em fructo.</p>
+
+<p>A composição centesimal das diversas partes da arvore é, segundo Müntz, a
+seguinte:<span class="pn">{15}</span></p>
+
+<p>&nbsp;</p>
+
+<table border="0" cellpadding="1" cellspacing="2" summary="Composição"> <tbody>
+ <tr>
+ <td></td>
+ <td>Lenho</td>
+ <td>Folhas</td>
+ <td>Fructos</td>
+ </tr>
+ <tr>
+ <td>Azoto</td>
+ <td>0,40</td>
+ <td>0,50</td>
+ <td>0,274</td>
+ </tr>
+ <tr>
+ <td>Acido phosphorico</td>
+ <td>0,10</td>
+ <td>0,29</td>
+ <td>0,130</td>
+ </tr>
+ <tr>
+ <td>Potassa</td>
+ <td>0,35</td>
+ <td>0,74</td>
+ <td>0,360</td>
+ </tr>
+ <tr>
+ <td>Cal</td>
+ <td>0,50</td>
+ <td>1,45</td>
+ <td>&mdash;</td>
+ </tr>
+ </tbody>
+</table>
+
+<p>&nbsp;</p>
+
+<p>Se toda a quantidade de lenho, folhas e fructos extrahidos da arvore forem
+levados para fóra do olival, produzir-se-ha um exgotamento que, para os numeros
+7, 6 e 9 acima indicados como representando o numero de kilos d'estes materiaes
+perdidos annualmente por cada arvore, se poderá computar no seguinte para cada
+individuo:</p>
+
+<p>&nbsp;</p>
+
+<table border="0" cellpadding="1" cellspacing="2" summary="Materiais perdidos">
+ <tbody>
+ <tr>
+ <td></td>
+ <td>Lenho</td>
+ <td>Folhas</td>
+ <td>Fructos</td>
+ <td>Total</td>
+ </tr>
+ <tr>
+ <td>Azoto</td>
+ <td>0,024</td>
+ <td>0,035</td>
+ <td>0,024</td>
+ <td>0,083</td>
+ </tr>
+ <tr>
+ <td>Acido phosphorico</td>
+ <td>0,006</td>
+ <td>0,020</td>
+ <td>0,012</td>
+ <td>0,038</td>
+ </tr>
+ <tr>
+ <td>Potassa</td>
+ <td>0,021</td>
+ <td>0,051</td>
+ <td>0,032</td>
+ <td>0,104</td>
+ </tr>
+ </tbody>
+</table>
+
+<p>&nbsp;</p>
+
+<p class="ni">indicando estes numeros o pezo em kilos para cada arvore.</p>
+
+<p>Para as 156 arvores existentes no hectare teremos:</p>
+
+<p>&nbsp;</p>
+
+<table border="0" cellpadding="1" cellspacing="2" summary="Total perdido">
+ <tbody>
+ <tr>
+ <td></td>
+ <td>Lenho</td>
+ <td>Folhas</td>
+ <td>Fructos</td>
+ <td>Total</td>
+ </tr>
+ <tr>
+ <td>Azoto</td>
+ <td>3,74</td>
+ <td>5,46</td>
+ <td>3,74</td>
+ <td>12,94</td>
+ </tr>
+ <tr>
+ <td>Acido phosphorico</td>
+ <td>0,93</td>
+ <td>3,12</td>
+ <td>1,87</td>
+ <td>5,92</td>
+ </tr>
+ <tr>
+ <td>Potassa</td>
+ <td>3,27</td>
+ <td>7,95</td>
+ <td>4,99</td>
+ <td>16,21</td>
+ </tr>
+ </tbody>
+</table>
+
+<p>&nbsp;</p>
+
+<p>São estas as quantidades de elementos essenciaes perdidas annualmente pelo
+terreno e que é necessario restituir-lhe para não prejudicarmos a cultura.</p>
+
+<p>&nbsp;</p>
+
+<p>Sob diversas fórmas e em substancias differentes se podem ministrar aos
+terrenos aquelles elementos.</p>
+
+<p>Quer debaixo da fórma de adubos chimicos preparando para isso uma formula em
+que entre o azoto, o acido phosphorico e a pottassa nas percentagens indicadas
+n'estas tabellas, quer em estrume<span class="pn">{16}</span> de curral ou em
+estrumações verdes se podem encorporar no solo aquelles elementos, que de todas
+as fórmas as suas vantagens se assignalam de uma maneira mais ou menos
+notavel.</p>
+
+<p>Vantagens ha as sempre para a planta na execução d'esta operação; mas a sua
+grandeza varia sempre com a natureza do terreno a adubar e com a qualidade do
+adubo a empregar. Claro está que no que mais necessario se torna fixar a
+attenção é nos resultados economicos e esses são os que mais fazem variar as
+vantagens dos differentes systemas de adubar.</p>
+
+<p>No caso em questão, em que supponho que todas as partes tiradas das arvores
+foram levadas para fóra do olival e em que, portanto, se roubaram ao terreno
+12<sup>k</sup>,94 de azoto, 5<sup>k</sup>,92 de acido phosphorico e
+16<sup>k</sup>,21 de potassa, precisaria, no caso de me querer servir dos
+adubos chimicos, da seguinte formula:</p>
+
+<p>&nbsp;</p>
+
+<table border="0" cellpadding="1" cellspacing="2" summary="Adubos a adicionar"> <col>
+ <col>
+ <col>
+ <tbody>
+ <tr>
+ <td
+ style="text-align:center;">Sulphato
+ de ammoniaco</td>
+ <td
+ style="text-align:center;">Superphosphato</td>
+ <td style="text-align:center;">Cloreto
+ de potassa</td>
+ </tr>
+ <tr>
+ <td
+ style="text-align:center;">65<sup>k</sup>
+ a 20%</td>
+ <td
+ style="text-align:center;">37<sup>k</sup>
+ a 16%</td>
+ <td
+ style="text-align:center;">34<sup>k</sup>
+ a 50%</td>
+ </tr>
+ </tbody>
+</table>
+
+<p>&nbsp;</p>
+
+<p>Estas seriam as adubações que theoricamente seria necessario dar a um
+hectare de oliveira; ha, porém, sempre a contar com as perdas soffridas por
+diversas causas, entre as quaes avulta o arrastamento de algumas d'essas
+substancias pelas aguas das chuvas. O azoto, por exemplo, é uma substancia que,
+quando nos estados em que pode ser absorvido pela planta, é muito facilmente
+arrastado pelas aguas. Além d'isso devemos ter em conta que nem todos os
+elementos serão absorvidos pela planta, porque nem a todos os pontos em que se
+espalhar essa adubação chegarão as suas radiculas para os absorver
+totalmente.</p>
+
+<p>Attendendo a estas circumstancias que inhibirão a planta de aproveitar a
+adubação na sua totalidade, convirá sempre augmentar um pouco as
+quantidades<span class="pn">{17}</span> calculadas com o auxilio das analyses
+chimicas.</p>
+
+<p>Disse no principio do presente capitulo que para determinar racionalmente a
+adubação conviria a presença das analyses chimicas da planta e do solo.</p>
+
+<p>Effectivamente, como já expuz, a analyse da planta diz-nos as quantidades
+das diversas substancias de que ella carece annualmente, mas não nos prova que
+seja necessario ministrar ao solo todos esses elementos, e só n'este ultimo
+caso é que ella seria dispensavel.</p>
+
+<p>Muitas vezes os terrenos pela sua riqueza em determinado ou determinados
+elementos dispensam a encorporação, no solo, d'esses mesmos elementos.</p>
+
+<p>É preciso, porém, certo criterio ao lidar com as tabellas que nos indicam a
+composição do solo.</p>
+
+<p>Algumas vezes acontece indicar-nos a analyse a existencia de um dos
+elementos em proporções elevadas e no entanto a cultura agradecer-nos uma
+adubação em que entre este elemento.</p>
+
+<p>Com o azoto, por exemplo, dá-se algumas vezes este caso; este corpo não póde
+ser utilisado pela planta senão no estado mineral (nitrico ou ammoniacal)
+podendo comtudo existir no terreno em grandes quantidades sob a fórma de azoto
+organico. Evidentemente a planta cultivada n'este terreno não se poderá
+utilizar de tamanha riqueza de azoto, e uma adubação azotada ser-lhe-ha
+vantajosa, a não ser que se provoque n'esses terrenos uma nitrificação mais
+energica que obrigue este azoto a passar á fórma mineral.</p>
+
+<p>É nos terrenos pobres em cal que se dá este caso e então a addição de um
+correctivo calcareo, mais barata que a adubação azotada, substituirá esta com
+manifesta vantagem.</p>
+
+<p>&nbsp;</p>
+
+<p>O estrume de curral fornece-nos um meio bastante economico de adubarmos o
+terreno. Este adubo ao sahir da estrumeira, onde previamente tenha sido bem
+tratado, apresenta-nos a seguinte<span class="pn">{18}</span> composição media,
+por tonelada: azoto 4<sup>k</sup>,7, acido phosphorico 3<sup>k</sup>,0, potassa
+5<sup>k</sup>,2, o que, para as quantidades d'estes elementos calculadas para a
+adubação d'um hectare, mostra serem precisos, em numeros redondos, 4:000k
+d'este adubo attendendo á elevada percentagem de potassa indicada na analyse da
+oliveira.</p>
+
+<p>Deve ter-se em consideração que ha sempre conveniencia em incorporar no solo
+grandes quantidades de materia organica, sobre tudo se este for muito compacto
+ou muito solto, porque esta substancia modifica-lhe as suas propriedades
+physicas approximando-as cada vez mais das terras francas.</p>
+
+<p>D'aqui a conveniencia de se augmentar a quantidade de estrume de curral, não
+sendo exagero o emprego de 6:000 a 7:000 kilos por hectare.</p>
+
+<p>Nas terras soltas a modificação da sua cohesão não é a unica causa que
+milita em favor do adubo de curral. Ahi o seu pouco poder de retenção para as
+aguas sujeitar-nos-hia a grandes perdas do azoto nitrico ou ammoniacal que lhe
+fornecessemos em adubações chimicas.</p>
+
+<p>Convem então o emprego do azoto organico e é o estrume de curral o melhor
+meio de o obtermos.</p>
+
+<p>&nbsp;</p>
+
+<p>Podem-se ainda empregar na adubação o estrume constituido pelas algas que
+tão abundantes são na nossa costa.</p>
+
+<p>Têm estas plantas riquezas muito apreciaveis para nos poderem dar um adubo
+cujo emprego é muito vantajoso, sobre tudo nas localidades proximas dos rios e
+mares onde se exerce a industria da sua extracção, porque ahi são mais
+convidativos para o agricultor os preços de transporte.</p>
+
+<p>Em media, a composição centesimal das nossas algas é a seguinte: azoto
+1,143, acido phosphorico 0,670, potassa 1,125.</p>
+
+<p>Para com esta qualidade de estrumes se adquirirem as quantidades d'aquellas
+substancias, necessarias<span class="pn">{19}</span> ao olival a que me venho
+referindo, seriam precisos simplesmente 1:600 kilos por hectare.</p>
+
+<p>Como para o estrume de curral, aconselha-se empregar sempre maior quantidade
+do que a referida. É de 3:000 kilos a quantidade aconselhada por alguns
+auctores, a qual nos dá as seguintes quantidades de: Az. 30<sup>k</sup>, KHO
+30<sup>k</sup> e Ph<sup>2</sup>.O<sup>5</sup> 21.</p>
+
+<h4>Adubações verdes</h4>
+
+<p>Uma grande variedade de plantas se costumam empregar como adubos e em
+algumas d'ellas a sua riqueza em potassa e acido phosphorico torna-as muito
+recommendaveis. As mais empregadas são: as urzes, giestas, polipodio; as folhas
+de faia, carvalho, pinheiro, abeto e videira; as palhas de trigo, centeio,
+cevada e aveia, etc.</p>
+
+<p>&nbsp;</p>
+
+<p>Os calculos do exgotamento das arvores, feitos no principio do presente
+capitulo, revelam-nos á primeira vista a conveniencia de encorporarmos
+novamente na terra a rama extrahida natural ou accidentalmente das oliveiras.
+Assim restituimos por meio d'ella, ao solo, os elementos que ella mesma lhe
+tinha roubado. Reparamos d'esta maneira, em parte, as perdas soffridas que
+ficam reduzidas simplesmente aos materiaes que entram a constituir o fructo, os
+quaes para a producção supposta se reduzem a: 3<sup>k</sup>,74 de Az.,
+1<sup>k</sup>,87 de Ph<sup>2</sup>O<sup>5</sup> e 4<sup>k</sup>,99 de KHO por
+hectare. Este <em>deficit</em> será depois preenchido com adubos de qualquer
+outra natureza; ou da mesma natureza, trazendo para isso, para o olival a rama
+proveniente de outro olival.</p>
+
+<p>Para a restituição completa dos elementos perdidos, serão precisos 20 kilos
+por arvore ou 3120 por hectare em cada anno.</p>
+
+<p>Não se deve, porém, fazer esta adubação annualmente, mas sim de tres em tres
+annos, o que dá para um hectare, 9260<sup>k</sup> de rama que é preciso
+enterrar.<span class="pn">{20}</span></p>
+
+<p>Esta adubação é de grande utilidade em terrenos compactos e humidos, porque
+os torna mais fôfos e estabelece ao mesmo tempo uma especie de drenagem, que
+permitte uma facil circulação do ar no solo, um escoamento mais facil ás aguas
+das chuvas, e provoca ao mesmo tempo o desenvolvimento e multiplicação das
+raizes.</p>
+
+<p>&nbsp;</p>
+
+<p>O liquido separado do azeite no acto da prensagem ou que escorre das tulhas,
+no caso aliás muito pouco racional de se submetterem as azeitonas á condemnada
+pratica do entulhamento, é ainda um adubo excellente para o olival.</p>
+
+<p>Porque vai prejudicar as radiculas da planta, não póde este liquido ser
+empregado sem um previo tratamento, que consiste em o submetter a uma maceração
+mais ou menos prolongada em agua, a que se addicione algum adubo de curral.</p>
+
+<p>As qualidades d'um adubo n'estas condições, já de si boas, augmentam ainda
+quando a elle se addicionam os bagaços provenientes do lagar.</p>
+
+<p>&nbsp;</p>
+
+<p>A oliveira agradece muito as adubações feitas com os residuos das fabricas
+de curtimenta de couros, com a raspadura de ossos, pontas e unhas de
+animaes.</p>
+
+<p>&nbsp;</p>
+
+<p>Na escolha dos differentes adubos indicados convem sempre ter em vista que á
+oliveira não convem ordinariamente adubos de prompta decomposição. Só os
+empregaremos no caso em que só pretendamos prover ao desenvolvimento vegetativo
+da arvore.</p>
+
+<p>Estes adubos só vão ser gastos em proveito da vida vegetativa, e d'aqui o
+adquirir a planta um grande vigor que redunda em manifesto prejuizo para a
+producção.</p>
+
+<p>Se quizermos empregar estes adubos, convém, antes de os encorporar no
+terreno, mistural-os com folhas ou palha, ou ainda com terra solta, para
+lhe<span class="pn">{21}</span> attenuarmos os seus rapidos effeitos e
+tornal-os, por este modo, mais aproveitaveis á fructificação.</p>
+
+<p>Esta mistura deve ser bem feita, de modo a reduzir-se tudo a uma massa
+homogenea.</p>
+
+<p>São preferiveis os adubos de decomposição mais lenta, para que a arvore os
+vá aproveitando gradualmente á medida das suas necessidades. Estão n'estes
+casos os adubos provenientes das raspaduras, as varreduras das habitações, dos
+caminhos e das estradas, tendo sobre os primeiros a vantagem de serem
+empregados tal qual são adquiridos, dispensando a sua mistura com substancias
+extranhas.</p>
+
+<p>&nbsp;</p>
+
+<p>As cinzas de diversas plantas, só por si ou misturadas com os adubos já
+indicados, são adubos muito uteis n'esta cultura.</p>
+
+<h4>Epocha do emprego do adubo</h4>
+
+<p>A epocha para se empregar qualquer adubo varia muito com o clima, com a
+natureza do solo e com o estado do adubo.</p>
+
+<p>Para um adubo de facil decomposição, convem o seu emprego na primavera, para
+que a planta d'elle se approprie sem dar muito tempo a qualquer perda.</p>
+
+<p>Pelo contrario, os adubos de lenta decomposição empregar-se-hão no outomno
+para que tenham tempo de se decompôr e incorporar com as particulas terrosas e
+estarem aptos a serem absorvidos no momento preciso, sobretudo na epocha da
+fructificação.</p>
+
+<h4>Modo de emprego</h4>
+
+<p>Da maneira de administrar o adubo dependem muito os seus resultados.</p>
+
+<p>Condemnavel processo é o de excavar fossas junto do tronco da arvore, com a
+falsa ideia de que o adubo ahi lançado é melhor utilisado pela planta. Com isto
+prejudicam-se muito as arvores<span class="pn">{22}</span> porque se lhes
+cortam raizes grossas e porque se expõem por algum tempo á influencia dos
+agentes atmosphericos.</p>
+
+<p>O melhor modo de empregar o adubo é cavar uma fossa circular em volta da
+arvore e á distancia de 1<sup>m</sup> a 1<sup>m</sup>,5 d'ella; lança-se ahi o
+adubo, cobrindo-o depois com terra. A essa distancia da arvore são muito
+abundantes as radiculas, as quaes, por intermedio dos seus pellos radiculares,
+farão gradualmente a absorpção dos alimentos.</p>
+
+<h2>CAPITULO III</h2>
+
+<h3>Propagação da oliveira</h3>
+
+<p>De muitas maneiras se póde obter a propagação da oliveira, mas todas ellas
+se podem conglobar em dois systemas differentes.</p>
+
+<p>Um d'esses systemas é aquelle em que se emprega a semente para, pela sua
+germinação no terreno, se obterem novos individuos: é a <em>reproducção</em>; o
+outro consiste em se destacar de uma arvore um fragmento em determinadas
+condições, o qual, enraizando na terra, dará origem a um novo individuo; é este
+systema o chamado de <em>multiplicação</em>.</p>
+
+<h4>A&mdash;Reproducção</h4>
+
+<p>Esta forma de propagação é muito pouco seguida devido á demora que têm as
+plantas reproduzidas em fructificar.</p>
+
+<p>Em todo o caso, a compensar o inconveniente da demora em se obter uma planta
+em condições de fructificar regularmente, tem este systema muitas outras
+vantagens que o recommendam como o melhor processo de propagação.</p>
+
+<p>As plantas obtidas por sementeira são muito mais duradouras, adquirem melhor
+porte e resistem<span class="pn">{23}</span> muito mais ás inclemencias do
+clima e ás doenças do que as obtidas por multiplicação.</p>
+
+<p>Para se obterem plantas por esta forma, necessario é dispender grandes
+cuidados e a despeza é mais avultada do que para as obter por qualquer outro
+meio; ha sempre uma grande demora na germinação das sementes, e muitas vezes
+perdem-se grande numero d'ellas porque nunca chegam a germinar, a não ser que
+as submettamos a um tratamento previo, que as obrigue a germinar mais
+facilmente.</p>
+
+<p>Além d'estes inconvenientes, as oliveiras provenientes da semente adquirem
+todos os caracteres das oliveiras bravas, precisando, por isso, serem
+enxertadas logo que attinjam edade e grandeza conveniente.</p>
+
+<p>&nbsp;</p>
+
+<p>Para a sementeira devem-se escolher azeitonas provenientes de plantas sãs e
+muito productivas, que não sejam velhas, nem tão pouco muito novas. Diz <em>A.
+Aloi</em> que as melhores são as provenientes de zambujeiros que vegetem em
+climas temperados, e que a sua colheita deve ser feita em março ou abril.</p>
+
+<p>Adquirida a azeitona, é necessario extrahir-lhe o caroço, o que se faz
+esmagando a polpa entre os dedos; em seguida, como a camada oleosa que fica
+envolvendo o caroço é um grande obstaculo á sua germinação, submette-se este á
+acção de um liquido alcalino que poderá ser preparado com carbonatos de cal e
+soda.</p>
+
+<p>A duração do periodo germinativo do caroço póde diminuir-se por varios meios
+estudados por <em>Gasquet</em>, <em>Passerini</em> e pelo <em>conde de
+Gasparin</em>.</p>
+
+<p>O processo d'este ultimo sabio consiste em fender o caroço com cuidado para
+não offender a semente, fazendo-o em seguida amollecer envolvendo-o em terra
+argillosa e bosta de boi.</p>
+
+<p>Em logar de quebrar o caroço, <em>Passerini</em> aconselha tornal-o menos
+consistente, mergulhando-o para<span class="pn">{24}</span> isso em agua
+chlorada; o chloro ataca o caroço, rouba-lhe o hydrogenio para formar o acido
+chlorhydrico, e d'este modo permitte a entrada de humidade e a troca de
+gazes.</p>
+
+<p>Algumas aves domesticas têm a propriedade de, comendo a azeitona, nos
+restituir depois, nos seus excrementos, os caroços aptos para germinar.</p>
+
+<h4>Alfobres</h4>
+
+<p>Adquirida a semente e destruida, por qualquer dos processos indicados, a
+difficuldade que a materia gorda oppõe á sua germinação, procede-se á sua
+sementeira em alfobres de antemão preparados para esse fim.</p>
+
+<p>O terreno destinado aos alfobres deve ter uma inclinação norte sul para
+evitar a acção prejudicial dos ventos do norte e dar facil escoante ás aguas da
+chuva; deve ser o mais possivel limpo de raizes e pedras e bem mobilisado.</p>
+
+<p>Quanto a sua qualidade deve ser humifero e silicioso.</p>
+
+<p>O terreno escolhido n'estas condições surriba-se no inverno a uma
+profundidade de 0<sup>m</sup>,50 a 0<sup>m</sup>,60, adubando-se n'essa
+occasião com adubo de decomposição mediana. Em fins de Fevereiro e principios
+de Março dá-se-lhe uma segunda lavoura, que d'esta vez convirá ser feita á
+enxada para pulverisar melhor o terreno e para o despojar de todas as hervas
+que ahi se tenham desenvolvido. Por esta occasião o estrume que se lhe
+encorporou no principio do inverno deve estar já decomposto e a terra nas
+melhores condições para receber a semente.</p>
+
+<p>Feito isto grada-se o terreno e abrem-se sulcos com a profundidade de
+0<sup>m</sup>,05, distando 0<sup>m</sup>,25 uns dos outros.</p>
+
+<p>É n'estes sulcos que se collocam as sementes distanciadas 0<sup>m</sup>,25
+umas das outras, tendo o cuidado de as dispôr de modo que o embryão fique na
+sua posição natural. Isto feito cobrem-se com<span class="pn">{25}</span> uma
+ligeira camada de terra que se calca com um rolo para aconchegarmos bem a
+semente; segue-se uma rega ligeira por aspersão para manter o terreno fresco e
+ajudar o effeito do rolo.</p>
+
+<p>Quatro mezes depois, nos meados de julho, surgirão as novas plantas. Durante
+todo este tempo é necessario ter o alfobre sempre limpo da vegetação expontanea
+e deve manter-se sempre na terra uma certa frescura. As regas e as limpezas
+feitas com muita precaução são operações indispensaveis.</p>
+
+<p>No outomno terão as plantas adquirido uma altura do 0<sup>m</sup>,11 a
+0<sup>m</sup>,20 sendo n'essa occasião necessario effectuar uma sacha para
+manter o terreno fôfo e mais permeavel á agua das regas.</p>
+
+<p>Em localidades em que os invernos são habitualmente rigorosos é
+indispensavel cobrir o alfobre com qualquer substancia para o preservar do frio
+intenso que lhe é muito prejudicial. Empregam-se para isto agulhas de pinheiro
+seccas, palhas ou ramos de plantas.</p>
+
+<p>No segundo anno continuam as regas e sachas repetidas para que as plantas
+desenvolvam bem as suas raizes. Em outubro d'este anno ou na primavera seguinte
+estão as plantas aptas para serem transportadas para o viveiro.</p>
+
+<h4>B&mdash;Multiplicação</h4>
+
+<p>Como disse, a multiplicação é um dos meios que a natureza nos fornece para
+obtermos a propagação da especie. Esta operação da multiplicação pode fazer-se
+por varias formas. As <em>estacas</em>, as <em>raizes</em> e a
+<em>enxertia</em> sobre zambujeiro constituem outras tantas maneiras de
+obtermos a multiplicação.</p>
+
+<p>A <em>estaca</em> que pode ser <em>simples</em>, <em>ramificada</em> ou
+<em>composta</em>, de <em>talão</em>, de <em>polas</em> e de
+<em>protuberancias</em> constitue entre nós o meio mais seguido para a obtenção
+de novos individuos.</p>
+
+<p>As estacas, <em>simples</em> ou <em>compostas</em>, obtêm-se com muita
+facilidade e em grande abundancia, sem<span class="pn">{26}</span>
+prejudicarmos em nada o individuo de que foram separadas, aproveitando os ramos
+provenientes da poda. Escolheremos de preferencia os ramos provenientes de
+plantas fructiferas e de boa qualidade, os quaes devem ser providos de boas
+gemmas tanto na parte que deve ser enterrada como na que tem de ficar fora do
+solo. Assim, nos asseguraremos melhor do facil desenvolvimento das raizes e dos
+rebentos.</p>
+
+<p>Para as estacas simples cortam-se os ramos de poda em fragmentos de
+0<sup>m</sup>,30 a 0<sup>m</sup>,50 e enterram-se no viveiro de modo a ficar
+debaixo da terra a sua parte mais grossa.</p>
+
+<p>Para as estacas compostas aproveita-se um ramo tal como foi separado da
+planta mãe e enterra-se n'um viveiro preliminar de tal maneira que metade dos
+seus ramos fique debaixo do solo e a outra metade fique a descoberto.</p>
+
+<p>Estas ramificações originarão, umas rebentos e outras raizes. D'aqui a
+faculdade de podermos mais tarde dividir esta estaca em muitos individuos.</p>
+
+<p>No fim do primeiro anno terá esta estaca enraizado pelos ramos subterraneos
+e os ramos exteriores terão lançado os seus rebentos; arrancar-se-ha, então,
+com todo o cuidado para lhe não prejudicarmos as novas raizes e, por meio de
+uma secatoria, a dividiremos em um numero de partes egual ao numero de raminhos
+e transplantaremos estes novos individuos para o viveiro definitivo.</p>
+
+<p>&nbsp;</p>
+
+<p>Nos bordos dos golpes crescem vergonteas em cuja base se observam dilatações
+dos tecidos motivadas pela accumulação de seiva. Estas vergonteas destacadas da
+arvore de modo a levarem comsigo essas dilatações e enterradas depois, enraizam
+muito facilmente. São estas as chamadas estacas de talões.</p>
+
+<p>&nbsp;</p>
+
+<p>Na toiça da oliveira e sobre as suas raizes mais grossas que correm á
+superficie da terra, apparecem<span class="pn">{27}</span> grandes dilatações
+d'onde emergem rebentos em grande numero, que se vão desenvolvendo á custa da
+planta mãe e das raizes de que quasi sempre são providos.</p>
+
+<p>Estes rebentos fornecem-nos um meio muito facil e seguro da propagação da
+especie. Para esse fim vão-se desbastando esses rebentos de modo a deixar só os
+mais vigorosos; cobrem-se as dilatações d'onde provêm (polas) com terra, para
+que se possam prover de raizes aquelles que ainda as não tenham. Assim se
+deixam ficar até ao anno seguinte, sendo então transportados para o viveiro e
+ahi collocados em linhas á distancia uns dos outros de 0<sup>m</sup>,80.</p>
+
+<p>&nbsp;</p>
+
+<p>Um outro methodo de multiplicação muito usado na Italia é o que consiste no
+aproveitamento de umas pequenas dilatações, similhantes a ovos de pata,
+localisadas na parte enterrada do tronco e ainda sobre as raizes mais
+grossas.</p>
+
+<p>Estas protuberancias são providas de gemmas, tendo por isso a faculdade de
+quando enterradas desenvolverem raizes e rebentos para darem origem a novos
+individuos.</p>
+
+<p>Não se deve abusar muito da extracção d'estas protuberancias, porque com
+isso prejudica-se a vida do vegetal de que são extrahidas, pelas feridas
+produzidas nas suas raizes e pelo grande numero d'estas que é necessario
+descobrir. <em>Antonio Aloi</em> aconselha a que se não tirem mais do que 3 ou
+4 de cada arvore para lhe não alterarmos sensivelmente a sua vida.</p>
+
+<p>Convem antes sacrificar 3 ou 4 individuos á morte, extrahindo d'elles todas
+as excrescencias encontradas, que poderão montar a 300 a 400, do que descobrir
+as raizes a muitas oliveiras.</p>
+
+<p>Estas excrescencias devem ser tiradas de individuos robustos e productivos,
+e preferem-se sempre os situados debaixo da terra, que são mais tenros e
+desenvolvem mais fortes rebentos.<span class="pn">{28}</span></p>
+
+<p>Para fazer a sua extracção, escava-se em volta da cepa até pôr as raizes
+grossas a descoberto; procura-se sobre estas com uma espatula de madeira o
+sitio em que se encontram as exostoses; achadas estas, põem-se a descoberto e á
+volta d'ellas se vão fazendo incisões profundas, onde depois se mette um
+escopro por meio do qual se faz saltar a excrescencia.</p>
+
+<p>Tira-se-lhes em seguida todo o lenho que com ellas se arrancou e as suas
+raizes, se por acaso d'ellas vier provida; limpa-se bem em volta, e envolve-se
+em terra misturada com palha, para a conservar até á epocha da plantação no
+viveiro.</p>
+
+<p>Chegada esta epocha, que deverá ser em Março ou Abril, levam-se para o
+viveiro, onde serão enterradas, conservando entre si a distancia de
+0<sup>m</sup>,80 e a profundidade de 0,10.</p>
+
+<p>&nbsp;</p>
+
+<p>As oliveiras velhas cujos troncos, já muito carcomidos, não podem resistir
+ao impeto dos ventos ou das intemperies, são lançadas por terra e as suas
+raizes continuam ainda a viver por muitos annos.</p>
+
+<p>Com o desapparecimento do tronco velho principiam a desenvolver-se na toiça
+grande quantidade de rebentos ou polas. Desbastam-se estes rebentos, deixando
+só os mais vigorosos, que ahi vão vivendo até adquirirem a grossura de
+0<sup>m</sup>,03, sendo então transportados para o viveiro e ahi plantados á
+distancia de 0<sup>m</sup>,80.</p>
+
+<p>A plantação de todas estas estacas pode ser feita com alguma vantagem em
+viveiros preliminares, como se faz para as estacas ramificadas ou compostas;
+n'este primeiro viveiro vão ellas enraizar para depois serem mudadas para o
+viveiro definivo. É, porém, dispensavel este primeiro viveiro, porque as
+estacas postas n'um só viveiro desenvolvem-se perfeitamente e adquirem o vigor
+necessario para serem plantadas definitivamente.<span class="pn">{29}</span></p>
+
+<h2>CAPITULO IV</h2>
+
+<h3>Viveiro</h3>
+
+<h4>A&mdash;Seu estabelecimento</h4>
+
+<p>Os individuos formados nos alfobres pela germinação da semente ahi deposta e
+os provenientes de estacas que tenham desenvolvido as suas primeiras raizes em
+viveiro preliminar, necessitam, depois de terem adquirido um certo
+desenvolvimento, serem transportados para um viveiro onde possam dispôr de mais
+espaço para desenvolverem e multiplicarem as suas raizes e os seus ramos e onde
+possam ser convenientemente educados até á edade de poderem ser transportados á
+sua definitiva morada.</p>
+
+<p>As estacas e outros fragmentos em que se não tenha ainda provocado um
+primeiro enraizamento no viveiro preliminar, serão immediatamente plantadas no
+viveiro definitivo nas mesmas condições de espaçamento d'aquellas, porque é
+aqui que ellas adquirirão todo o seu corpo para poderem ser plantadas
+definitivamente.</p>
+
+<p>&nbsp;</p>
+
+<p>Não é indifferente a qualidade do terreno onde queremos estabelecer o
+viveiro; pelo contrario, devemos ter muito em consideração a sua escolha.</p>
+
+<p>Um terreno muito argilloso não nos póde convir porque no inverno se torna
+humido de mais e adquire no verão propriedade opposta. É, além d'isso, muito
+compacto e as tenras raizes das pequenas plantas não conseguiriam distender-se
+á vontade, sendo d'este modo muito prejudicado o seu crescimento; greta muito
+no verão e, ou romperia as raizes ou as deixaria expostas ao calor d'essa
+estação.</p>
+
+<p>O solo muito silicioso possue propriedades contrarias<span
+class="pn">{30}</span> áquelle e por isso o devemos regeitar tambem.</p>
+
+<p>Escolher-se-ha, sempre para este fim, um terreno de mediana compacidade e
+porosidade, o mais possivel limpo de pedras e raizes, para que as raizes das
+novas plantas se possam distender perfeitamente, e onde o ar e a agua possam
+circular com relativa facilidade.</p>
+
+<p>Deve procurar-se um terreno com exposição ao sul o qual ainda melhor convirá
+se tiver para essa orientação uma ligeira inclinação. Assim estarão as pequenas
+plantas garantidas contra a influencia dos ventos do norte que tanto as
+prejudicam.</p>
+
+<p>Um terreno demasiadamente rico não é dos mais convenientes para n'elle
+estabelecermos um viveiro porque as plantas encontrando concentrados em um
+pequeno cubo de terra os alimentos de que carecem não criariam um bom raizame e
+sofreriam depois muito ao serem plantadas definitivamente porque na morada
+definitiva não encontrariam terreno em eguaes condições.</p>
+
+<p>Convém antes um terreno sufficientemente rico para que as plantas n'elle
+possam adquirir grande vigor, mas que a sua riqueza não seja tão grande que
+possa offerecer aquelle inconveniente. Assim se provoca um grande
+desenvolvimento na planta e ella ao ir para o terreno definitivo resistirá
+melhor ás peores condições que este lhe offereça.</p>
+
+<p>Antonio Aloi prefere que o terreno para o viveiro seja mais pobre que
+aquelle onde depois se plantarão as novas arvores n'elle creadas. A proposito
+diz este auctor que:</p>
+
+<p>&nbsp;</p>
+
+<p><em>Un indivíduo assuefalto a vivere n'ell opulenza, passerebbe molamente í
+soi giorni se fosse condannato a nutrirsi nel parco desco dei contadino; e
+vice-versa, il contadino la passerebbe bene e diverrebbe grasso si se facesse
+sedere tutti i giorni alla lauta mensa dei ricco.</em></p>
+
+<p>&nbsp;</p>
+
+<p>Estas palavras do mestre italiano teriam razão<span class="pn">{31}</span>
+de ser se o terreno que destinassemos á plantação definitiva estivesse nas
+mesmas condições climatericas em que está o terreno que escolhemos para
+viveiro. E não só divergem as condições climatericas do terreno do olival para
+o terreno do viveiro: para o viveiro escolhem-se sempre os terrenos nas
+melhores condições physicas para a vida das plantas, submettem-se a trabalhos
+de limpeza, mobilisação, regas e estrumações a que não serão nunca submettidos
+com a mesma intensidade e com a mesma perfeição os terrenos destinados ao
+olival definitivo.</p>
+
+<p>Por isso, a oliveira transplantada vae encontrar peores condições physicas e
+climatericas do que aquellas a que até ahi tinha estado submettida; e, quanto a
+mim, parece-me que só a robustez da planta será garantia do seu desenvolvimento
+na sua ultima morada.</p>
+
+<p>Os terrenos destinados aos olivaes devem ser aquelles em que é pouco
+remuneradora a cultura cerealifera.</p>
+
+<p>São portanto terrenos pobres; e não me parece que, n'um viveiro estabelecido
+em terreno ainda mais pobre, as pequenas plantas se possam desenvolver
+convenientemente. Hão de ser, por força, enfezadas e rachiticas desde a sua
+infância e incertamente resistiriam ás peores condições do terreno, embora mais
+rico, que lhes é destinado.</p>
+
+<p>E poder-se-ha tambem dizer que, um individuo mal alimentado na sua infancia
+soffreria muito mais ao mudar para um mau clima, do que outro que, desde
+creança tambem, tenha sido submettido a uma boa alimentação, precursora de uma
+boa robustez physica.</p>
+
+<p>O terreno em boas condições para viveiro será aquelle em que, n'um cubo de
+terra rasoavel, a planta encontre elementos bastantes para lhe fornecerem uma
+boa alimentação, e que tenha compacidade sufficiente para bem sustentar a
+planta e para lhe permittir um facil desenvolvimento de<span
+class="pn">{32}</span> raizes. Satisfazem a estas condições os terrenos
+argillo-silico-humiferos de mediana riqueza.</p>
+
+<p>&nbsp;</p>
+
+<p>Escolhido o terreno, surriba-se a uma profundidade não inferior a
+0<sup>m</sup>,50, no principio do inverno, servindo-nos, para esse fim, da pá
+ou da enxada. Convem que, durante a execução d'esta operação, haja sempre o
+cuidado de inverter a disposição das camadas de terra.</p>
+
+<p>No fundo das vallas, é de grande conveniencia lançar-se ramos de arvores que
+desempenharão o papel de uma drainagem.</p>
+
+<p>Depois d'esta surriba, a terra ficará exposta á influencia benefica dos
+agentes atmosphericos até Março, epocha em que se pratica uma segunda lavoura,
+d'esta vez apenas com a profundidade de 0<sup>m</sup>,40 a 0<sup>m</sup>,45.
+Aplaina-se em seguida a terra, que ficará apta para receber a plantação dos
+individuos provenientes do alfobre, assim como a plantação das estacas,
+enraizadas ou não, raizes, polas, etc.</p>
+
+<h4>Plantação nos viveiros</h4>
+
+<p>Quer os individuos a plantar venham já enraizados do alfobre ou do viveiro
+preliminar, ou venham ainda enraizar n'estes viveiros, deve sempre a sua
+plantação ser feita methodicamente.</p>
+
+<p>As disposições methodicas adoptadas tanto para os viveiros como para a
+plantação definitiva, são: em quadrado, em linhas e em quinconcio.</p>
+
+<p>De todas, a melhor e por isso a mais recommendada e seguida é a ultima.</p>
+
+<p>N'esta disposição conservam todas as plantas a mesma distancia entre si,
+tendo assim, todas, a mesma extensão de terra á sua disposição.</p>
+
+<p>Tem ainda a vantagem de as plantas se defenderem mutuamente da acção dos
+ventos.</p>
+
+<p>É relativamente facil fazer sobre o terreno uma marcação em quinconcio.</p>
+
+<p>&nbsp;</p>
+
+<p><img alt="Diagrama" src="images/diagrama.png"
+style="text-align: center;" width="100%"></p>
+
+<p>&nbsp;</p>
+
+<p>Para isso traça-se sobre o terreno a linha AB e<span class="pn">{33}</span>
+prependicularmente a esta as linhas AK e BL; em seguida, com uma sirga que
+tenha um compasso egual ao que queremos dar á plantação, que n'este caso será
+de 0<sup>m</sup>,80, marcam-se os pontos a <em>a' a'' </em>...; feito isto,
+constroe-se o triangulo isosceles <em>a b a'</em>, o que é facil: basta
+descrever dois arcos de circulo com um dos compassos da corda, fixando-lhe uma
+das extremidades, uma vez em <em>a</em> e outra em <em>a'</em>. Estes dois
+arcos cruzar-se-hão em <em>b</em>, vertice do triangulo: mede-se em seguida a
+distancia de <em>b</em> ao meio <em>c</em> da linha <em>a a'</em>; esta
+distancia que é a altura do triangulo, applica-se sobre as linhas AK e BL
+tantas vezes quantas for possivel, o que se faz muito facilmente arranjando uma
+sirga com aquelle compasso.</p>
+
+<p>Determinaremos assim os pontos C, E, G... na linha AK e os pontos
+correspondentes D, T, H... na linha BL.</p>
+
+<p>Levanta-se em seguida a sirga da posição AB e colloca-se em CD, de maneira
+que em C assente o meio <em>c</em> do compasso <em>a a'</em>, e assim teremos
+uma segunda linha para a plantação. Colloca-se depois a sirga em EF, na mesma
+posição que estava em AB, e teremos a terceira linha; em seguida
+transporta-se<span class="pn">{34}</span> a sirga para GH, collocando-a na
+posição em que se collocou em CD; assim se vão successivamente traçando as
+linhas de plantação pelos pontos marcados nas linhas AK e BL, tendo sempre o
+cuidado de collocar a sirga alternadamente nas posições em que se collocou em
+AB e em CD.</p>
+
+<p>Ficará assim marcada uma rigorosa plantação hexagonal.</p>
+
+<p>Marcados, d'esta ou d'outra maneira, os pontos correspondentes a cada
+individuo, procede-se então á plantação.</p>
+
+<p>Para as estacas simples abre-se um buraco no terreno com um furador,
+mettendo ahi a estaca com a sua parte mais grossa para baixo, tendo o cuidado
+de lhe deixar fóra da terra os ultimos 2 ou 3 olhos.</p>
+
+<p>Uma vez collocada a estaca no seu logar, aconchega-se-lhe bem a terra,
+desfazendo bem as paredes do buraco em que foram enterradas. Sem esta precaução
+ha todas as probabilidades de a estaca não pegar.</p>
+
+<p>Para as exostoses escavam-se á enxada pequenas covas com a profundidade de
+0<sup>m</sup>,30 onde serão collocados estes seres. Antonio Aloi aconselha que
+antes de os enterrar se mergulhem em agua que tenha em solução bosta de boi, se
+envolvam depois em terra fina para em seguida se collocarem nos covachos. Ao
+dispôr estes seres nas covas deve haver sempre o cuidado de os deixar com a
+gemma voltada para cima e um pouco inclinada para o sul. Cobrem-se depois com
+terriço acabando de encher a cova com cinza de barrella, que tendo a
+propriedade de manter fôfo o terreno, dá facil sahida aos rebentos. Estes
+apparecem á superfície ao cabo de 30 a 40 dias.</p>
+
+<p>Muitas vezes o calor em seguida á chuva faz endurecer a camada de cinza e
+este endurecimento impede os rebentos de sahirem da terra. Então com uma
+espatula de madeira, se removerá cuidadosamente<span class="pn">{35}</span> a
+crosta endurecida, nos sitios em que se fizeram as plantações, que nos serão
+indicados por uma cana ou pequeno pau ahi enterrado na occasião da
+plantação.</p>
+
+<p>Muitos rebentos podem nascer d'um mesmo individuo, dos quaes uma parte vem á
+superficie da terra e outros, devido a qualquer obstaculo que encontram no
+terreno, dirigem-se, tortuosamente em diversas direcções debaixo da terra.
+Convem então afastar a terra e com a unha, extrahir todos esses rebentos á
+excepção de dois, tendo o cuidado de, ao executar esta operação, não deslocar
+do seu logar o ser que lhes dá origem. Dos dois rebentos poupados por esta
+operação, um d'elles, o mais fraco, é mais tarde destruido.</p>
+
+<p>Deve haver sempre muita vigilancia no viveiro para ir destruindo todos os
+rebentos que forem apparecendo depois d'esta primeira operação.</p>
+
+<p>&nbsp;</p>
+
+<p>Para os individuos já enraizados necessario se torna prodigalizar-lhes outra
+especie de cuidados para os não prejudicarmos com a mudança. Estes cuidados
+devem principiar logo no acto do arranque no alfobre ou no viveiro
+preliminar.</p>
+
+<p>Usa-se da enxada ou da pá para procedermos a esta operação mas com todos os
+cuidados possiveis para lhes não prejudicarmos as raizes. Se alguma ou algumas
+raizes forem dilaceradas devem-se cortar acima do ponto ferido para evitar que
+a sua putrefacção acarrete á planta algum soffrimento. Arrancadas as plantas
+trazem-se para o viveiro e ahi serão plantadas nos sitios marcados.</p>
+
+<p>Para esse fim abrem-se pequenas covas, no fundo das quaes se lança bom
+terriço, e sobre este se collocam as plantas; distribuem-se-lhes bem as raizes
+para não ficarem acavalladas n'uns sitios e rareadas n'outros; cobrem-se
+depois, primeiro, com bom terriço e depois com a mesma terra que sahiu da cova.
+Fixam-se bem a um tutor, para que os ventos as não desloquem ou quebrem, e
+assim se deixam<span class="pn">{36}</span> até que principiem a desenvolver-se
+para então se lhes prodigalizarem os cuidados de educação que necessitam.</p>
+
+<h4>B&mdash;Trabalhos nos viveiros</h4>
+
+<h4>Enxertia</h4>
+
+<p>Carecem d'esta operação não só as oliveiras provenientes de semente mas
+ainda aquellas que tiveram como origem qualquer fragmento extrahido abaixo do
+ponto em que foi enxertada a planta mãe.</p>
+
+<p>Todas as especies de enxertia se podem empregar na oliveira mas as mais
+usadas são a de escudo e algumas vezes a de flauta, para oliveiras novas e a de
+coroa para troncos grossos.</p>
+
+<p>Para se operar um enxerto de escudo principia-se por fazer na casca do ramo
+ou oliveira delgada que queremos enxertar uma incisão em forma de T afastando-a
+depois com a espatula da enxertadeira de modo a separal-a do alburno. Em
+seguida tira-se do ramo da oliveira que queremos propagar um bocado de casca
+munido de uma borbulha e dá-se-lhe a forma de um escudo.</p>
+
+<p>Introduz-se em seguida este escudo na fenda, de modo que esta fique bem
+cheia. Liga-se em seguida a fim de nos assegurarmos bem do perfeito contacto do
+garfo com o alburno e casca do cavallo.</p>
+
+<p>Logo que nos asseguremos do bom resultado da enxertia corta-se o ramo a 3 ou
+4 centimetros acima do enxerto.</p>
+
+<p>Esta enxertia pode fazer-se na primavera ou no outomno tomando
+respectivamente os nomes de enxertia de <em>olho vivo</em> e <em>olho
+dormente</em>.</p>
+
+<p>&nbsp;</p>
+
+<p>A enxertia de flauta, que não é tão usada como a primeira, exige que tanto o
+garfo como o cavallo tenham a mesma grossura. Consiste em tirar de um ramo
+delgado um annel de casca munido de<span class="pn">{37}</span> um ou dois
+olhos e collocal-o no ramo a enxertar a que previamente se tenha tirado um
+annel igual de casca e liga-se bem com um fio de lã ou com uma fita de casca de
+arvore.</p>
+
+<p>&nbsp;</p>
+
+<p>Uma outra enxertia, muito usada, é a de fenda cheia. Esta exige tambem que o
+cavallo e o garfo tenham perfeitamente a mesma grossura.</p>
+
+<p>Corta-se o cavallo horisontalmente á altura a que queremos fazer o enxerto e
+fende-se verticalmente no sentido do seu diametro; em seguida prepara-se o
+garfo em forma de cunha e introduz-se na fenda de modo que as cascas do cavallo
+e do garfo coincidam perfeitamente; liga-se bem com raphia e n'estas condições
+estará o enxerto apto para pegar.</p>
+
+<p>&nbsp;</p>
+
+<p>Alem d'estes enxertos fazem-se ainda os de fenda simples e fenda dupla, que
+differem do precedente em os dois elementos não serem da mesma grossura.</p>
+
+<p>Para a fenda simples bastará abrir a fenda vertical simplesmente no sentido
+de um raio do cavallo e ahi se introduz o garfo em forma de cunha.</p>
+
+<p>Para o enxerto de fenda dupla abre-se a fenda no sentido do diametro do
+cavallo e introduzem-se-lhe dois garfos nos extremos d'esses diametros.</p>
+
+<p>Nos enxertos de fenda quer ella seja cheia, dupla ou simples applica-se
+sempre, logo em seguida á sua execução, um inducto qualquer que o preserve de
+estar exposto ao tempo. Costuma empregar-se muito o unguento de S. Fiacre pela
+simplicidade da sua preparação. Prepara-se misturando intimamente 65,5 partes
+de argilla com 33,5 partes de excremento de boi.</p>
+
+<p>São estes os systemas de enxertia mais usados: a sua execução acha-se
+descripta em muitos trabalhos de arboricultura e muitissimas revistas agricolas
+dispensando-me, por isso de, sobre este assumpto, fazer mais largas
+referencias.<span class="pn">{38}</span></p>
+
+<h4>Cuidados a ter com os viveiros</h4>
+
+<p>Depois de feita a plantação carecem os viveiros de cuidados que incidirão,
+não só sobre o terreno mas tambem sobre as arvoresinhas que n'elle se vão
+desenvolvendo.</p>
+
+<p>Os primeiros consistem em sachas com o fim de manter o terreno sempre bem
+mobilisado, de o conservar sempre limpo de plantas estranhas que ahi se
+desenvolveriam e para evitar as fortes evaporações no verão, as quaes
+dissecaram rapidamente o terreno.</p>
+
+<p>As regas, não muito abundantes, são indispensaveis ao terreno para se
+garantir n'elle um certo grao de frescura que tão propicio é ao enraizamento
+dos novos individuos.</p>
+
+<p>Logo que as plantas adquiram um desenvolvimento de 0<sup>m</sup>,20 a
+0<sup>m</sup>,30 deve tambem para ellas voltar-se a attenção do viveirista.</p>
+
+<p>Nesta altura começar-se-ha por se lhes supprimir todos os raminhos lateraes
+tendo o cuidado de se lhes não arrancar as folhas em cuja axilla elles se
+desenvolvem.</p>
+
+<p>D'esta maneira a seiva da planta dirigir-se-ha directamente para a parte
+superior da planta, gastando-se em lhe augmentar o seu crescimento em
+altura.</p>
+
+<p>Militam em favor d'esta opinião as experiencias de Ghiotte que demonstram
+que as arvores assim tratadas adquirem maior desenvolvimento, alem de crescerem
+direitas e com tronco lizo, o que lhes não acontece se lhes não amputarmos os
+seus raminhos lateraes.</p>
+
+<p>Deixando-lhes estes ramos, elles engrossam e crescem com prejuizo do
+alongamento da planta e, ao serem mais tarde cortadas, produzem nas arvores
+feridas perigosas. O soffrimento d'estas plantas proveniente do corte d'estes
+raminhos é em grande parte attenuado se lhes deixarmos as folhas jacentes na
+base d'esses raminhos.<span class="pn">{39}</span></p>
+
+<p>Nas plantas provenientes de estacas desenvolvem-se muitos rebentos que
+convem deixar durante os dois primeiros annos para provocar n'ellas a formação
+de muitas raizes. Mais tarde cortam-se todos, á excepção d'um que deverá ser o
+mais forte e o mais proximo do sólo, o qual se sujeitará ao tutor que a
+conserve na posição vertical.</p>
+
+<p>Nos tres annos seguintes os trabalhos dirigir-se-hão no intuito de se
+favorecer o mais possivel o crescimento das arvores.</p>
+
+<p>Qualquer ramificação muito vigorosa, que appareça, deve ser quebrada para
+evitar o empobrecimento da arvore.</p>
+
+<p>Ao fim do 5.º ou 6.º anno estão as plantas em condições de se lhes poder
+formar a copa.</p>
+
+<p>Para determinarmos a altura a que a devemos formar teremos que entrar em
+consideração com a natureza do terreno, clima, exposição e com a tendencia
+natural da casta que se cultiva.</p>
+
+<p>Esta altura varia, geralmente, entre 1<sup>m</sup> e 2<sup>m</sup>. A altura
+de 1<sup>m</sup> convem para as castas que não costumam adquir grande porte e
+que são plantadas em terrenos aridos; se, pelo contrario, o terreno é fertil e
+fresco poderemos deixar-lhes a copa mais alta.</p>
+
+<p>&nbsp;</p>
+
+<p>Na altura determinada segundo aquellas circumstancias para se formar a copa,
+deixam-se quatro pernadas dispostas em cruz; cortam-se todas as subjacentes,
+assim como o tronco, logo acima das quatro pernadas Assim se deixam ficar mais
+um anno no viveiro e ao cabo d'esse anno, que será o 7.º ou 8.º de viveiro,
+proceder-se-ha á sua plantação definitiva.<span class="pn">{40}</span></p>
+
+<h2>CAPITULO V</h2>
+
+<h3>Plantação definitiva</h3>
+
+<p>Disse já no capitulo I d'este trabalho quaes eram as condicções de solo e
+clima exigidas pela cultura da oliveira.</p>
+
+<p>Escolhido o terreno é necessario preparal-o para elle poder receber as
+arvores que dentro em pouco constituirão o olival.</p>
+
+<p>Conviria que esse terreno fosse submettido a uma profunda surriba para que
+todo elle fosse collocado nas mesmas condicções de mobilisação. D'esta maneira
+a planta, encontrando sempre um terreno homogeneo não estaria sujeita a
+qualquer accidente de vegetação proveniente da desigualdade no desenvolvimento
+das suas raizes.</p>
+
+<p>Se o terreno for demasiadamente humido dever-se-lhe hia fazer uma drainagem
+para o subtrair a esta má propriedade.</p>
+
+<p>Estas duas operações, porem, tornariam excessivamente dispendiosa tal
+plantação, e d'aqui nasce a conveniencia de as reduzirmos o mais possivel, de
+tal modo que, obtendo-se no terreno condicções sufficientes para um regular
+desenvolvimento das plantas, se reduza o mais possivel a despeza da mão
+d'obra.</p>
+
+<p>O melhor será destinar a outras culturas os terrenos que só soffrendo uma
+boa drainagem e uma profunda surriba, se tornariam aptos para o desenvolvimento
+d'esta preciosa arvore.</p>
+
+<p>Nos terrenos fundos e bem mobilisados que, como disse, são os mais proprios
+para estas culturas, estas operações de drainagem e de surriba geral reduzem-se
+extraordinariamente.</p>
+
+<p>Para se fazer a plantação n'estes terrenos fazem-se em primeiro logar os
+alinhamentos, que convem sejam em quinconcio, pelas vantagens já enumeradas ao
+tratar dos viveiros. A distancia a que as plantas devem ficar umas das outras
+nunca deverá ser inferior<span class="pn">{41}</span> a 5<sup>m</sup> sendo de
+8<sup>m</sup> a distancia mais recommendada.</p>
+
+<p>Com esta distancia as oliveiras não se prejudicarão mutuamente nem por causa
+da sombra que umas ás outras possam fazer nem porque a cada uma d'ellas falte
+espaço para distender as suas raizes.</p>
+
+<p>Convem, comtudo, advertir que em terrenos pouco fundos devemos augmentar
+aquelles numeros attendendo a que a planta procurará alargar mais as suas
+raizes pela pouca profundidade a que as pode enviar.</p>
+
+<p>Marcada a plantação abrem-se covas nos sitios indicados pelas balisas, com
+as dimensões sufficientes para receberem as plantas provenientes dos viveiros,
+de modo que as suas raizes ahi fiquem perfeitamente estendidas. A melhor forma
+a dar ás covas é a circular.</p>
+
+<p>A camada de terra superior que é a primeira a ser cavada deverá separar-se
+da segunda e da ultima, para depois ser tambem a primeira a entrar na cova.</p>
+
+<p>No fundo d'estas covas, que deverão ter a profundidade de 1<sup>m</sup>
+lançam-se pedras, pedaços de madeira, palhas e mattos que servirão para dar
+livre passagem ás aguas das chuvas; por cima d'isto lança-se uma camada de
+entulhos provenientes de velhas demolições, ou, na falta d'estes, boa terra
+vegetal; tudo isto deverá ser misturado com estrumes bem decompostos e com
+residuos de fabricas etc.; por cima d'este terriço deita-se uma camada da
+primeira terra extrahida da cova. Todos estes elementos deverão ser dispostos
+de modo a formarem um monticulo ao meio da cova.</p>
+
+<p>É sobre este monticulo que se colloca a nova planta distribuindo-lhe as
+raizes o mais naturalmente possivel.</p>
+
+<p>Sobre as raizes lança-se nova quantidade de terriço, calcando-o bem para que
+elle fique em perfeito contacto com ellas, mas de modo a não as
+damnificar.<span class="pn">{42}</span></p>
+
+<p>Por fim acaba-se de encher a cova com o resto da terra d'ella extrahida
+dispondo-a de modo que as suas camadas fiquem em ordem inversa d'aquella em que
+primitivamente estavam.</p>
+
+<p>D'este modo as camadas mais profundas vindo para a superficie ir-se-hão
+melhorando pela influencia dos meteoros, ao mesmo tempo que vai sendo corrigida
+pelas adubações.</p>
+
+<p>As covas deverão ser abertas algum tempo antes de se proceder á plantação,
+para ficarem durante esse tempo expostas á influencia atmospherica.</p>
+
+<p>A epocha para a plantação é aquella em que se acha paralysada a circulação
+na planta. Mas dentro d'este periodo convem attender á temperatura do clima, á
+sua humidade e ao grao de compacidade do terreno. Se o clima é quente e secco
+convirá antecipar a plantação para que, quando chegarem os calores de verão, a
+planta esteja já radicada no terreno. Pelo contrario, nos climas humidos e
+frios convem fazer a plantação no principio da primavera para a subtrahir aos
+excessivos frios e humidades do inverno.</p>
+
+<p>&nbsp;</p>
+
+<p>É pratica por muitos seguida enterrar as plantas a profundidades que ás
+vezes vão a 30 e 40 e ás vezes mais centimetros a cima do collo da raiz.</p>
+
+<p>&nbsp;</p>
+
+<p>Por desvantajosa, deve tal pratica ser rejeitada por que é no solo que as
+plantas encontram em melhores condicções e em maior abundancia os alimentos de
+que carecem para a sua nutrição.</p>
+
+<p>No subsolo, onde as raizes por este processo de plantação iriam procurar os
+alimentos, não os encontrariam em tão boas condicções para d'elle se
+utilizarem, o que lhes seria prejudicial.</p>
+
+<p>Não podendo desenvolver bem as raizes no subsolo, a planta ver-se-hia
+forçada a emittir novas raizes para irem procurar os alimentos no solo; d'aqui
+o atrazo de um a dois annos na vida da planta.<span class="pn">{43}</span></p>
+
+<p>Bastará enterrar a planta até á profundidade de 6 a 10 centimetros acima do
+collo da raiz, a não ser nos terrenos inclinados onde convem duplicar aquelles
+numeros.</p>
+
+<p>&nbsp;</p>
+
+<p>As drainagens feitas com mattos e pedaços de madeira, são sufficientes em
+terrenos inclinados ou de sub-solo permeavel; são dispensaveis em terrenos
+arenosos e não são sufficientes nos terrenos planos e argillosos com sub-solo
+tambem impermeavel.</p>
+
+<p>N'estes ultimos, as aguas infiltradas escoar-se-hão para o fundo da cova e
+ahi, por não encontrarem sahida, ficarão depositadas, com grande prejuizo para
+a vida das arvores.</p>
+
+<p>Indispensavel se torna então abrir covas entre cada par de arvores, as quaes
+vão todas communicar com um poço collector que depois as enviará para qualquer
+corrente proxima.</p>
+
+<p>N'estes poços parciaes deitam-se pedras até meio, acabando-se de encher com
+terra.</p>
+
+<p>Melhor que isto será a abertura de vallas entre cada duas filas consecutivas
+de oliveiras. Estas vallas exgotarão as aguas do terreno e conduzil-as-hão para
+fóra do olival.</p>
+
+<p>Ainda mais facilmente se póde fazer a drainagem, fazendo communicar entre
+si, por meio de pequenas vallas, todas as covas de cada fila.</p>
+
+<p>&nbsp;</p>
+
+<p>Nos terrenos em declive muito rapido, deve a cultura ser feita em patamares
+construidos com pedras e terra, para impedir que a agua, arrastando as camadas
+superficiaes do solo, ponha a raiz a descoberto.</p>
+
+<p>N'estes terrenos o compasso de 8<sup>m</sup> que indiquei ha pouco para os
+terrenos de meia encosta, pode diminuir-se.</p>
+
+<p>Os alinhamentos feitos com o compasso de 6<sup>m</sup> a 8<sup>m</sup>, são
+proprios para os terrenos destinados unicamente á cultura da oliveira. Entre
+nós, porém, não<span class="pn">{44}</span> é muito frequente este caso, e a
+oliveira vegeta em condemnavel promiscuidade com as culturas cerealiferas, com
+a cultura da vinha e ainda com outras culturas.</p>
+
+<p>Para este caso é necessario dar á plantação um compasso muito maior do que o
+indicado.</p>
+
+<p>A arvore, ao ser plantada definitivamente, deve ser desembaraçada de todos
+os seus ramos e folhas. De contrario ellas continuarão a executar as suas
+funcções com grave prejuizo para a vida da planta, porque as raizes não podendo
+desempenhar ainda as suas funcções, não poderão absorver do terreno os
+elementos necessarios para equilibrar as perdas produzidas pelo trabalho das
+folhas.</p>
+
+<h2>CAPITULO VI</h2>
+
+<h3>Poda</h3>
+
+<p>Esta operação é indispensavel na arboricultura. Toda a arvore que não seja
+submettida a esta operação é muito irregular tanto no seu crescimento como na
+sua fórma; fructifica mal sendo os seus fructos mal conformados e a sua
+producção muito incerta.</p>
+
+<p>Pelo contrario, podando as arvores nós obrigamol-as a tomar uma fórma mais
+regular que lhe permitta uma boa distribuição do calor e da luz para obtermos
+fructos bem creados e em maior quantidade.</p>
+
+<p>Esta operação traz ainda como consequencia uma melhor distribuição da seiva
+e d'aqui o crescimento e a fructificação fazerem-se com mais regularidade.</p>
+
+<p>As podas mirando ao duplo fim de dar á arvore a fórma mais conveniente e de
+lhes regular a producção, não podiam deixar de ser de duas cathegorias.</p>
+
+<p>A primeira principia já no viveiro onde, como já disse, se esboça a copa da
+arvore.<span class="pn">{45}</span></p>
+
+<p>A arvore tirada do viveiro vem para o logar definitivo com quatro
+ramificações em cruz; assim é plantada e no anno seguinte emitte varios
+lançamentos pelos gommos existentes n'essas ramificações; no anno seguinte
+cortam-se todos os rebentos, á excepção de um em cada pernada, escolhendo o que
+se apresenta mais robusto e na posição mais levantada. No anno seguinte
+cortam-se-lhes as pontas acima de dous raminhos lateraes bem constituidos e
+supprimem-se todas as outras. Estes raminhos, desenvolvendo-se, constituem as
+ramificações secundarias.</p>
+
+<p>Fica assim formado o esqueleto da arvore que se compõe de quatro
+ramificações principaes, tendo cada uma duas ramificações secundarias.</p>
+
+<p>Esta é a <em>poda de formação</em>; a seguir a ella principiam as <em>podas
+de fructificação</em> que têem por fim manter na oliveira a fórma regular,
+provocando-lhe e regularisando-lhe ao mesmo tempo a producção.</p>
+
+<p>Esta operação requer da parte do operador conhecimentos especiaes sobre o
+modo de vida da planta.</p>
+
+<p>É a physiologia vegetal que nos fornece esses elementos e, embora os nossos
+operarios não estejam habilitados a deduzir d'esta sciencia as bases em que hão
+de firmar-se para a execução d'esta operação, póde, tendo presentes as regras
+d'ellas tiradas, effectuar a poda com methodo.</p>
+
+<p>&nbsp;</p>
+
+<p>Essas regras são as seguintes.</p>
+
+<p>&nbsp;</p>
+
+<p>1.ª&mdash;As flores, e portanto os fructos d'um dado anno, desenvolvem-se sempre
+sobre os lançamentos do anno anterior e nunca sobre os lançamentos d'esse mesmo
+anno;</p>
+
+<p>2.ª&mdash;Só florescem e fructificam os ramos que estiverem durante a maior parte
+do dia expostos á influencia solar;</p>
+
+<p>3.ª&mdash;É sobre os ramos horisontaes ou pendentes que<span
+class="pn">{46}</span> se desenvolvem os melhores e mais abundantes fructos;</p>
+
+<p>4.ª&mdash;Se uma oliveira muito carregada de ramos produz muitos fructos estes
+ficam pequenos, pouco rendosos em azeite e a colheita é biennal:</p>
+
+<p>5.ª&mdash;Nem todas as variedades de oliveiras devem ser podadas do mesmo
+modo;</p>
+
+<p>6.ª&mdash;A fructificação d'uma oliveira varia com o terreno e exposição, por
+isso a poda deverá variar com estes factores;</p>
+
+<p>7.ª&mdash;Devemos evitar o mais possivel os córtes de ramos grossos.</p>
+
+<p>&nbsp;</p>
+
+<p>Pela primeira regra se vê que nunca devemos tirar á arvore grande quantidade
+de raminhos, porque isso irá prejudicar muito a producção do anno seguinte.</p>
+
+<p>O segundo principio diz-nos que a arvore deve ter sempre os seus ramos bem
+distribuidos e nunca deve estar demasiadamente carregada d'elles, por que a sua
+folhagem compacta impede que os raios solares penetrem bem por entre elles,
+ficando a formação do fructo limitada simplesmente aos pontos em que esses
+raios podem, sem obstaculo, exercer a sua influencia.</p>
+
+<p>&nbsp;</p>
+
+<p>Um principio de physiologia vegetal, citado por Foëx, diz que a quantidade
+de seiva que passa n'um ramo é tanto maior quanto mais proximo elle estiver da
+vertical. Diz o mesmo auctor, n'um outro principio, que a vegetação de toda a
+planta ou ramo é complementar.</p>
+
+<p>Estes dois principios vêm provar a segunda regra annunciada para a pratica
+da poda.</p>
+
+<p>Effectivamente, se a vegetação d'uma planta ou ramo é complementar, isto é,
+se quanto maior fôr a vegetação d'essa planta ou ramo, menor será a sua
+producção em fructo, os ramos verticaes pela grande vegetação de que dispõem
+serão menos productivos do que os affastados d'aquella posição.<span
+class="pn">{47}</span></p>
+
+<p>Firmados n'esta terceira regra devemos destruir pela poda, os ramos
+verticaes de preferencia aos horisontaes ou pendentes.</p>
+
+<p>Da quarta regra deprehende-se a necessidade de nunca deixar a arvore
+demasiadamente carregada de ramos fructiferos, a fim de que ella não tenha que
+alimentar, ao mesmo tempo, uma demasiada quantidade de fructos, o que lhe
+acarretaria um exgotamento de que ella levaria um ou mais annos a refazer-se.
+Mas que se não vá tomar á lettra o proverbio provençal&mdash;<em>Fais mois pauvre et
+je te ferai riche</em>&mdash;porque isso redundaria em grave prejuizo para a
+oliveira.</p>
+
+<p>O que convem sempre é regular esta operação pelas condições do terreno, pela
+exposição e pela tendencia natural da planta, como aconselham as regras quinta
+e sexta.</p>
+
+<p>N'um terreno rico e situado n'uma boa exposição deverá deixar-se a arvore
+mais carregada de ramos porque no terreno não escassearão substancias para os
+alimentar e a maturação dos fructos é mais certa. Pelo contrario, um terreno
+pobre exige uma poda mais energica.</p>
+
+<p>A regra quarta aconselha-nos a que tenhamos em conta a variedade da oliveira
+cultivada, porque algumas ha que tendem a elevar-se muito.</p>
+
+<p>N'este caso o podador deve ter sempre em vista não contrariar muito o
+crescimento da planta com rebaixamentos exagerados.</p>
+
+<p>Ao effectuarmos a poda devemos subtrahir-nos o mais possivel ao córte de
+troncos grossos. A grande superficie d'estes golpes daria origem á penetração
+da agua e ao ataque de muitas doenças. Quando se não possam evitar esses golpes
+haverá o cuidado de os cobrir com alcatrão ou outro inducto qualquer.</p>
+
+<p>Em muitas partes, devido ao pessimo costume de se podarem as oliveiras com
+intervallos de 3, 4 e mais annos, vê-se o podador constrangido a cortar ramos
+grossos, o que, como acabo de dizer, acarreta graves prejuizos para a vida das
+arvores.<span class="pn">{48}</span></p>
+
+<p>Estes inconvenientes são ainda em algumas partes avolumados pela epocha
+pouco propria em que as podas se executam, que é quasi sempre a seguir á apanha
+do fructo.</p>
+
+<p>A oliveira é uma arvore muito sensivel aos frios vigorosos e estes muito
+mais a prejudicam quando incidem sobre recentes golpes da poda.</p>
+
+<p>Para evitar os inconvenientes, provenientes dos golpes de demasiada
+superficie e da sua exposição aos frios do inverno, convem, em primeiro logar,
+que a poda seja feita todos os annos e em segundo logar, que ella nunca seja
+feita antes da passagem dos frios, a não ser em sitios em que o vigor d'estes
+não é muito para receiar.</p>
+
+<p>A melhor epocha parece ser o mez de fevereiro. Alguns auctores preferem a
+poda em março e abril, mas, no dizer de <em>A. Aloi</em>, a poda feita n'esta
+epocha predispõe a oliveira para adquirir mais doenças.</p>
+
+<p>Comtudo esta epocha varia muito conforme o clima local. Em climas onde não
+são frequentes as geadas póde ella fazer-se logo a seguir á apanha do fructo,
+mas é isso prejudicial nos sitios onde as geadas são frequentes.</p>
+
+<p>A poda feita na primavera parece-me ainda mais prejudicial do que a feita no
+inverno rigoroso, pelos grandes estravasamentos de seiva a que dá origem.</p>
+
+<p>Durante a primavera apenas se irão supprimindo os rebentos que se forem
+desenvolvendo no tronco.</p>
+
+<h2>CAPITULO VII</h2>
+
+<h3>Lavouras</h3>
+
+<p>Não é intuito meu encarecer aqui as vantagens provenientes da execução
+d'esta operação.</p>
+
+<p>O que direi é que o olivicultor tem tudo a lucrar conservando sempre bem
+mobilisado o solo do seu olival.<span class="pn">{49}</span></p>
+
+<p>A maioria dos lavradores effectuam apenas uma cava á profundidade
+0<sup>m</sup>,25 a 0<sup>m</sup>,30; outros, porém, mais cuidadosos, effectuam
+dois lavores por anno, sendo feito um em novembro e outro na primavera.</p>
+
+<p>Alguns auctores aconselham que se executem quatro lavras: a primeira ao
+terminar a colheita; a segunda de janeiro a fevereiro; outra ao acabar a
+floração; e, finalmente, a ultima em agosto.</p>
+
+<p>No estio, com o fim duplo de mobilisar o terreno e impedir a evaporação,
+costuma-se fazer uma ou duas arrendas.</p>
+
+<p>Nos sitios pouco humidos é conveniente a abertura de caldeiras em volta do
+pé das arvores, para ahi se receberem as aguas das chuvas.<span
+class="pn">{50}<br>
+{51}</span></p>
+
+<h2>CONCLUSÕES</h2>
+
+<p>Do que fica exposto concluo que:</p>
+
+<p>1.º&mdash;Attendendo ás condições de clima e de solo, o nosso paiz está nas
+melhores condições para a cultura remuneradora da oliveira.</p>
+
+<p>2.º&mdash;A oliveira prefere os terrenos soltos, ricos em potassa e cal.</p>
+
+<p>3.º&mdash;Sobre tudo nos terrenos compactos, é muito vantajosa a adubação com a
+rama proveniente da poda das oliveiras.</p>
+
+<p>4.º&mdash;O terreno destinado aos viveiros deve estar em melhores condições
+physicas e chimicas do que o destinado á plantação definitiva.</p>
+
+<p>5.°&mdash;Ao plantarem-se as arvores definitivamente devem tirar-se á planta
+todos os seus ramos e folhas.</p>
+
+<p>6.°&mdash;A poda da oliveira deve ser annual.</p>
+
+<p>&nbsp;</p>
+</div>
+
+
+
+
+
+
+
+<pre>
+
+
+
+
+
+End of the Project Gutenberg EBook of Breves palavras sobre a cultura da
+Oliveira, by Avelino Nunes de Almeida
+
+*** END OF THIS PROJECT GUTENBERG EBOOK CULTURA DA OLIVEIRA ***
+
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+works. See paragraph 1.E below.
+
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+Gutenberg Literary Archive Foundation was created to provide a secure
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+To learn more about the Project Gutenberg Literary Archive Foundation
+and how your efforts and donations can help, see Sections 3 and 4
+and the Foundation web page at http://www.pglaf.org.
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+
+Section 3. Information about the Project Gutenberg Literary Archive
+Foundation
+
+The Project Gutenberg Literary Archive Foundation is a non profit
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+Revenue Service. The Foundation's EIN or federal tax identification
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+Literary Archive Foundation are tax deductible to the full extent
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+The Foundation's principal office is located at 4557 Melan Dr. S.
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+throughout numerous locations. Its business office is located at
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+business@pglaf.org. Email contact links and up to date contact
+information can be found at the Foundation's web site and official
+page at http://pglaf.org
+
+For additional contact information:
+ Dr. Gregory B. Newby
+ Chief Executive and Director
+ gbnewby@pglaf.org
+
+
+Section 4. Information about Donations to the Project Gutenberg
+Literary Archive Foundation
+
+Project Gutenberg-tm depends upon and cannot survive without wide
+spread public support and donations to carry out its mission of
+increasing the number of public domain and licensed works that can be
+freely distributed in machine readable form accessible by the widest
+array of equipment including outdated equipment. Many small donations
+($1 to $5,000) are particularly important to maintaining tax exempt
+status with the IRS.
+
+The Foundation is committed to complying with the laws regulating
+charities and charitable donations in all 50 states of the United
+States. Compliance requirements are not uniform and it takes a
+considerable effort, much paperwork and many fees to meet and keep up
+with these requirements. We do not solicit donations in locations
+where we have not received written confirmation of compliance. To
+SEND DONATIONS or determine the status of compliance for any
+particular state visit http://pglaf.org
+
+While we cannot and do not solicit contributions from states where we
+have not met the solicitation requirements, we know of no prohibition
+against accepting unsolicited donations from donors in such states who
+approach us with offers to donate.
+
+International donations are gratefully accepted, but we cannot make
+any statements concerning tax treatment of donations received from
+outside the United States. U.S. laws alone swamp our small staff.
+
+Please check the Project Gutenberg Web pages for current donation
+methods and addresses. Donations are accepted in a number of other
+ways including checks, online payments and credit card donations.
+To donate, please visit: http://pglaf.org/donate
+
+
+Section 5. General Information About Project Gutenberg-tm electronic
+works.
+
+Professor Michael S. Hart is the originator of the Project Gutenberg-tm
+concept of a library of electronic works that could be freely shared
+with anyone. For thirty years, he produced and distributed Project
+Gutenberg-tm eBooks with only a loose network of volunteer support.
+
+
+Project Gutenberg-tm eBooks are often created from several printed
+editions, all of which are confirmed as Public Domain in the U.S.
+unless a copyright notice is included. Thus, we do not necessarily
+keep eBooks in compliance with any particular paper edition.
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+Most people start at our Web site which has the main PG search facility:
+
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+This Web site includes information about Project Gutenberg-tm,
+including how to make donations to the Project Gutenberg Literary
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