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+The Project Gutenberg EBook of Memória sobre a plantação dos algodões, by
+José de Sá Bettencourt
+
+This eBook is for the use of anyone anywhere at no cost and with
+almost no restrictions whatsoever. You may copy it, give it away or
+re-use it under the terms of the Project Gutenberg License included
+with this eBook or online at www.gutenberg.org
+
+
+Title: Memória sobre a plantação dos algodões
+ e sua exportação sobre a decadencia da lavoura de mandiocas,
+ no termo da villa de Camamú, Comarca dos Ilhéos, Governo
+ da Bahia
+
+Author: José de Sá Bettencourt
+
+Release Date: January 26, 2010 [EBook #31093]
+
+Language: Portuguese
+
+Character set encoding: ISO-8859-1
+
+*** START OF THIS PROJECT GUTENBERG EBOOK MEMÓRIA SOBRE A PLANTAÇÃO ***
+
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+
+Produced by Rita Farinha and the Online Distributed
+Proofreading Team at https://www.pgdp.net (This file was
+produced from images generously made available by National
+Library of Portugal (Biblioteca Nacional de Portugal).)
+
+
+
+
+
+ *Nota de editor:* Devido à quantidade de erros tipográficos
+ existentes neste texto, foram tomadas várias decisões quanto à
+ versão final. Em caso de dúvida, a grafia foi mantida de acordo com
+ o original. No final deste livro encontrará a lista de erros
+ corrigidos.
+
+ Rita Farinha (Jan. 2010)
+
+
+
+
+PLANTAÇÃO DOS
+
+ALGODÕES
+
+J. S. Bettencourt
+
+
+
+
+MEMORIA
+SOBRE A PLANTAÇÃO
+DOS
+ALGODÕES.
+
+
+
+
+MEMORIA
+SOBRE A PLANTAÇÃO
+DOS
+ALGODÕES,
+
+E sua exportação; sobre a decadencia da Lavoura de
+mandiocas, no Termo da Villa de Camamú,
+Comarca dos Ilhéos, Governo da
+Bahia,
+
+APPRESENTADA, E OFFERECIDA
+
+A SUA ALTEZA REAL
+O
+PRINCIPE DO BRAZIL
+NOSSO SENHOR,
+POR
+JOSÉ DE SÁ BETENCOURT,
+
+_Bacharel Formado pela Universidade de Coimbra: e
+actualmente encarregado em exames de Historia
+Natural na Capitania da Bahia; &c._
+
+ANNO. M. DCC. XCVIII.
+
+Na Officina de Simão Thaddeo Ferreira.
+
+
+
+ SENHOR.
+
+
+_Eu tenho a honra de apresentar a V. A. R. o breve resumo das minhas
+poucas observações sobre a plantação dos Algodões, sua exportação; e
+tambem das causas da decadencia da lavoura de mandiocas no termo da
+Villa de Camamú, que olhadas por V. A. R., Pai commum, será a dita
+lavoura dos Algodões hum dos maiores ramos do nosso Commercio para
+felicidade da Nação, e riqueza da Capitania da Bahia, onde a Natureza
+tem depositado os Thesouros, de que só he capaz a sua liberalidade._
+
+_Espero que V. A. R. haja de acolher com a grandeza do seu Real Coração
+os bons desejos, que tenho, do serviço de V. A. R., da felicidade do
+Paiz, e augmento da Nação, no breve discurso, que tenho a honra de
+apresentar a V. A. R. de quem sou com o maior respeito, e veneração_
+
+
+ Vassalo obediente
+
+ _José de Sá Betencourt_.
+
+
+
+
+A Terra, mais rica na sua superficie, que nas suas entranhas, serve de
+theatro á Sábia Natureza, que a renova todos os dias, com as suas
+producções; fazendo succeder por meio das differentes, e multiplicadas
+sementes outras tantas especies de vegetaes, que cobrem a superficie do
+nosso Globo, e fazem a felicidade dos seus habitantes. Ella reparte com
+grande sabedoria os seus dons, e faz que se propaguem sobre os
+differentes terrenos, que lhes são proprios, já pela qualidade do seu
+humus, já pela natureza do clima, sem que a destra mão do Agricultor os
+possa fazer propagar á sua vontade: assim vemos, que as plantas da
+Europa com difficuldade se propagão em beiramar do Brazil; e algumas que
+á força de trabalho crescem, e propagão, a sua producção he debil, e sem
+que os Lavradores possão tirar as vantagens, que se tirão na Europa,
+como vemos, e se observa na vinha, que mal satisfaz a curiosidade do
+cultivador, sem que a producção corresponda ao trabalho.
+
+Outras, que vegetão, e não propagão, como a oliveira, &c. outras de tal
+sorte amantes do seu paiz, que não vegetão, nem propagão.
+
+O mesmo, que observamos nas plantas da Europa, cultivadas no Brazil, se
+observa nas plantas deste levadas para a Europa, que só vivem em cazas
+de vidraças, subministrando-se-lhes com estufas o calor, que lhes he
+necessario para a sua vegetação.
+
+O Agricultor póde modificar o terreno, fazendo-o mais ou menos gordo,
+mais ou menos poroso, appropriando-o á natureza da sua lavoura, mas não
+o clima em grande, que influe na maior parte da vegetação.
+
+Eu não me canço em referir as differentes observações dos Filosofos,
+para provar, que o clima influe mais na vegetação, do que a terra, por
+ser esta materia huma, e muitas vezes discutida, e provada; porque sendo
+a terra a mesma em toda a parte, e susceptivel de receber as
+modificações do Agricultor, vemos que ha grande difficuldade em se fazer
+propagar as plantas de differentes climas transplantadas; e ainda que
+saibamos, confórme os verdadeiros princípios de Agricultura, e de
+Chymica, que a terra he o meio, no qual se faz a germinação, e que não
+serve só de laboratorio, confórme o Abbade Tessier aos succos, que lhes
+são destinados; mas que entra tambem em grande parte na sua composição,
+seja ella attenuada do modo, que for, o que ainda existe nos occultos
+segredos da Natureza, que o homem não póde perceber, o que se conhece
+pelo residuo dos vegetaes queimados; com tudo outras muitas experiencias
+próvão, que o ar he muito necessario para a perfeita vegetação, e que
+entra em grande parte na sua composição.
+
+A necessidade, que os vegetaes tem de agua para a sua vegetação, he por
+todos bem conhecida, não sendo demasiada, assim como o calor, que he o
+princípio vivificante, o que tudo coopera, para que as plantas cresção,
+e produzão, confórme a qualidade do clima; que lhes he analogo. Eu me
+não demoro em relatar theorias sobre o princípio da vegetação; porque
+isto sería exceder o plano, que me proponho; só me basta provar, que o
+clima differente influe nesta, ou naquella lavoura, para que o
+Agricultor perceba as utilidades com vantagem.
+
+A mesma differença, que observamos nos Paizes da Europa em relação aos
+de beira mar do Brazil, se observa nestes a respeito dos do Sertão, ou
+terra dentro, onde são as estações mais regulares, e as chuvas vem em
+tempos determinados, e constantes, o que faz, com que a lavoura seja
+igual, e sempre certo o tempo da plantação.
+
+O terreno da Villa do Camamú, que fica entre 14, e 15 gr., desviado da
+Bahia ao Sul 24 legoas, he o Paiz mais irregular nas suas estações, que
+tenho visto, porque, quer seja de verão, quer de inverno, sempre as
+chuvas são continuadas; e o calor no verão, confórme o termometro de
+Fahrenheit, não chega a mais de 80 gr. e meio[1], o que faz, com que as
+plantações se conformem á irregularidade do clima, e se não possa nelle
+cultivar com vantagem, senão Mandiocas, Cafés, Arroz, e Cacau, e não o
+Algodão, que he o principal objecto; porque, ainda que cresça nas boas
+terras de beira mar, a sua cultura se não póde fazer com proveito, visto
+que o terreno lhe não he tão proprio, e a irregularidade do clima rouba
+ao Lavrador as suas esperanças, vindo as chuvas no tempo da colheita, a
+destruir, e apodrecer o Algodão, ainda nos seus capulhos.
+
+Esta irregularidade se observa nos Paizes, que ficão ao Sul da Bahia
+entre 13, e 20 gráos, onde se não conhece verão, nem inverno[2], senão
+pelo mais, ou menos calor, confórme os ventos, que reinão nestas duas
+estações; e nunca o frio excede de 60 até 55 gr. do mesmo termometro,
+tempo, em que reina o vento Sul, que sempre he acompanhado de chuvas.
+
+A 14 legoas da Villa de Camamú, fazendo caminho de Oest-Sudueste até
+encontrar as margens do Rio das Contas, onde confinão as matas grossas,
+com as Catingas altas[3], e vão confinar a 12 legoas com as Catingas
+baixas[4], já a regularidade do clima se confórma com a fertilidade do
+terreno, muito proprio para todas as plantações, particularmente, para a
+lavoura do Algodão, onde se acha silvestre no meio das ditas Catingas.
+
+Este terreno, que fica a 26 legoas de beira mar separado pela mata, a
+qual vem a confinar, com as que os naturaes do Paiz chamão Catingas
+grossas, he sem dúvida o mais proprio para a dita lavoura, porque o
+Algodão domestico, huma vez plantado, se conserva por muitos annos,
+ainda sem nenhum beneficio, como o encontrei na Fazenda do Rio das
+Contas, onde tinha sido plantado havia dezoito annos, e se conservava no
+meio das Capoeiras[5], com tanto vigor, como se fosse novamente
+plantado.
+
+Todo o Sertão da borda do Rio das Contas tem a mesma propriedade: toda a
+mata, que fica entre o dito Rio das Contas da parte do Sul, e o Rio do
+Gragongi, confórme a fé dos bandeiristas[6], possue as mesmas
+qualidades.
+
+Este vasto terreno, que principia a 13 legoas da beiramar, he cortado de
+Sueste, a Noroeste pelo Rio das Contas, susceptivel de navegação de
+grandes canoas, e outros muitos rios, que vem cruzar com elle, tanto da
+parte do Norte, como do Sul, sem a mesma facilidade de navegação, os da
+parte do Norte são o Ribeirão de Area; ou Montanha, Genipapo, Manageni,
+Rio das Pedras, Rio Preto.
+
+Todo o Sertão da Conquista desde a fazenda do Rio das Contas, fazendo
+caminho de Sul, que será de 40 legoas, tem a mesma propriedade, não só
+pela qualidade do terreno, como tambem pela regularidade do clima, que
+he tanto mais regular, quanto mais se affasta da beiramar.
+
+A margem do Rio Gavião, que vem fazer barra com o Rio das Contas,
+seguindo o rio o caminho de Oeste, he igualmente propria para a
+sobredita lavoura.
+
+Os proprietarios das fazendas, que conhecem as vantagens desta lavoura,
+a não fazem pela razão, que logo exporei, quando fallar da sua
+exportação.
+
+A planta, que produz o Algodão, entra na Classe _Monadelphia_ Ordem
+_Polyandria_, genero _Gossypium._ Lineu, se servio, para distinguir as
+especies, das differenças das folhas, e das glandulas, que se achão em
+algumas especies, e não em outras, cujo conhecimento só fica pertencendo
+aos Filosofos, e não ao do vulgo; razão porque me servi da differença
+das sementes, e do pêlo, que as cobre, confórme as suas cores, por ser
+hum caracter constante no Paiz, e conhecido de todos, que fazem uso
+desta cultura, ainda que em pequeno; e da união destas mesmas sementes,
+ao que chamão caroço inteiro, ou dividido.
+
+Para se cultivar o Algodão basta derribar as Catingas altas, ou Catingas
+baixas, logo que o tempo secco convida para este trabalho, que he do mez
+de Junho por diante, e se deixão seccar até o mez de Setembro. Os Soes,
+que neste tempo são ardentissimos, seccão as madeiras de tal sorte, que
+quando as chuvas avisão aos habitantes da sua chegada pelos grandes
+trovões, que costumão haver muitos dias antes, lhes lanção fogo, que
+reduz tudo a cinzas, deixando a superficie da terra limpa, para se fazer
+a plantação, sem maior incómmodo, ficando a terra estrumada, e fertil
+pelo alkali vegetal.
+
+A lavoura se faz com enxadas, abrindo covas de oito em oito pés, onde se
+lanção as sementes[7], e se cobrem com pouca terra; e porque o terreno
+ficaria muito ocioso só com esta planta pela grande distancia, que se
+lhe dá para a sua ramificação, em quanto não chega ao seu maior
+crescimento, e por se não ver o Lavrador obrigado a alimpar a terra, que
+fica neste espaço, das hervas, que nascem sem maior proveito, lhe planta
+o milho, e feijão, que tudo cresce igualmente, sem que fação damno ao
+Algodoal.
+
+A estação, que começa a ser chuvosa, não céssa de regar a lavoura
+regularmente todas as tardes, e muitas vezes á noite, vindo de manhã o
+Sol até o meio dia animar a lavoura; algumas vezes acontece virem as
+chuvas de oito em oito dias, por intervallos, no mez de Outubro, até
+chegar a meiados de Novembro, tempo, em que ellas são constantes.
+
+A fertilidade do terreno faz crescer com as plantas, outras muitas
+hervas, que o Lavrador he obrigado a arrancallas, ou sachallas para
+desaffogar a sua lavoura, que então cresce prodigiosamente; e quando se
+dá a primeira limpa, se arrancão os pés de Algodão superfluos na
+cova[8], deixando só dous, que se capão, quando a planta já tem altura
+sufficiente para brotar novos galhos ao redor do tronco, e fazer com
+esta operação maior lucro na colheita.
+
+No mez de Fevereiro costumão os Lavradores dar a segunda monda á sua
+lavoura, confórme as suas differentes occupações, e abundancia da herva,
+que torna a renascer depois da primeira limpa.
+
+No mez de Maio se faz a colheita do milho, e do feijão, deixando o
+terreno desembaraçado, e limpo, para no mez de Julho se dar princípio á
+colheita do Algodão, que continúa até o mez de Outubro, e Novembro,
+tempo, em que se pódão os Algodoeiros, para no segundo anno darem huma
+fertilissima colheita.
+
+A necessidade, que não céssa de ameaçar o Lavrador, o disperta a
+continuar o mesmo trabalho, para ter certa a sustentação de milho, e
+feijão, que já não póde ser, senão em terreno novo, que serve para
+augmentar a dita plantação com a mesma regularidade.
+
+Deste modo veria o Lavrador crescer, com o seu trabalho, as suas
+riquezas, não só pela felicidade da lavoura, seu rendimento, e duração
+da planta, como pela diminuta despeza no seu fabrico, se hum obstaculo
+lhe não embaraçasse a execução de hum plano tão util ao Commercio, e ao
+Estado.
+
+O Abbade Tessier no seu discurso preliminar sobre a Agricultura se
+expressa da maneira seguinte.==O mais poderoso meio de dar á Agricultura
+toda a actividade, de que póde ser susceptivel, he praticar caminhos de
+communicação em os Paizes, onde os não ha, e canaes navegaveis para
+transporte das mercadorias, &c. &c. _Encyclopedia Dictionario de Agric_,
+pag. 20.
+
+Não he a falta do caminho, que faz o embaraço da exportação, mas sim a
+falta de segurança deste mesmo caminho para socego, e frequencia dos
+viandantes, que, na travessa da mata, se vêm accommettidos do Barbaro
+Gentio _Cotachós_, privando-os da facilidade de transportarem as suas
+cargas pelo rio abaixo até o Ribeirão da Arêa, que fica a 13, até 14
+legoas da Villa de Camamú, de donde se podem muito bem conduzir em
+cavalgaduras, para deste porto serem enviadas para a Capital, se
+houvesse naquelle lugar hum corpo de homens, que os fizessem conter nos
+seus limites, repellindo a força das invasões.
+
+Este caminho, em outro tempo aberto por Ordem do Excellentissimo Manoel
+da Cunha Menezes, quando governou a Bahia, terminando na estrada, que
+vai para os Maracazes, dirigida dos Sertões da Conquista, que ficão
+abaixo das Contagens de Rio Pardo, e Tocajós, se fechou, não só pela
+infestação do Gentio, mas pelo longe, máo passo, e falta de pastagens
+para os animaes, o que conhecendo eu bem, obrigado da necessidade dos
+animaes precisos para o costeamento dos meus Engenhos, pela miseria, e
+lastimosa necessidade do povo, me resolvi a fazer outro, seguindo
+differente rumo, onde gastei tres annos sem adjutorio do povo, nem da
+Camara, nem doutrem, perdendo em todo este tempo o lucro das minhas
+lavouras, e o fiz muito mais perto, e por hum terreno, que o acaso
+subministrou com algumas pastagens.
+
+Não he preciso para segurança deste caminho mais, que huma Povoação de
+Judios mansos chamados _Mongoiós_ no Ribeirão da Arêa. Não são os
+particulares, que tem este poder; mas sim o Governo, onde existe a Régia
+Authoridade.
+
+Eu não conheço homens mais aptos para este fim, do que a domestica Nação
+dos Indios _Mongoiós_, não só pelo seu grande valor, e intrepidez, como
+por serem huns homens acostumados á vida silvestre, e que a maior parte
+do tempo vivem da cassa, e da pesca, ainda que sejão Agricultores, e
+amantes da lavoura, não soffrendo maior detrimento, em quanto crescem no
+primeiro anno as suas lavouras, e desejão isto mesmo, confórme o que me
+disserão, pelas razões, que vou dar.
+
+Primeira, porque ha muito tempo não recebem as ferramentas, que
+costumavão receber por Ordem do Governo. Segunda, porque na grande
+distancia, em que morão, não tem, quem represente as suas necessidades
+ao Governo para as remediar.
+
+Terceira, porque se vêm opprimidos, sem poderem fazer as suas lavouras,
+e as que fazem, serem destruidas pelos animaes domesticos dos
+habitantes.
+
+Quarta, pela oppressão, que soffrem, de quem os governa, sem que o longe
+lhes permitta a facilidade, de se poderem queixar.
+
+Quinta, porque o terreno da beira do Rio he mais abundante de cassa, e
+peixe, e muito fertil; e sendo ahi animados de huma prudente
+administração, de que são muito susceptiveis, podem fazer a sua
+felicidade, de que resultão ao Estado as seguintes vantagens.
+
+Primeira, confórme o que me disserão, quando aqui chegárão na expedição
+da Bandeira contra os _Cotachós_, logo, que elles viessem para a beira
+do Rio, as outras Aldêas da sua mesma Nação, que ainda não sahírão das
+matas, se virião encorporar com elles, assim que lhes constasse da sua
+felicidade, debaixo da doce administração, e protecção do Estado.
+
+Segunda, estes homens conciliados, debaixo da direcção de hum Director
+desinteressado, serão outros tantos valerosos soldados, que com
+facilidade dalli melhor podem ser chamados, confórme as necessidades da
+beiramar, do que do fundo dos Sertões, onde presentemente habitão.
+
+Terceira, ficando a estrada livre da infestação dos _Cotachós_, o
+Commercio será livre aos viandantes, para com segurança trazerem as suas
+mercadorias, de cuja facilidade resulta a animação de huma lavoura tão
+importante, servindo estes homens, para exportarem nas canoas as grandes
+sommas de Algodão, que a emulação fará cultivar em todo o vasto terreno
+do baixo Sertão da _Reraca_[9], _Conquista_[10], e _Borda da mata_, e
+das margens de muitos rios navegaveis, que vem ter ao dito Rio das
+Contas.
+
+Quarta, o poder-se frequentar a dita Estrada da beira do Rio para a
+Villa do Camamú, por ficarem os moradores livres do receio das invasões
+dos _Cotachós_, que se entranharão pelas matas do Sul, logo que souberem
+da residencia destes homens na beira do rio, tão valerosos, e destros
+não só no manejo das suas armas, como das nossas.
+
+Quinta, o grande Commercio de _Ipecúcuanha_, que elles podem fazer,
+tirando-a nas margens do mesmo Rio das Contas, Ribeirão da _Arêa_, e
+matas do _Gragongi_, onde ha com abundancia.
+
+He experimentado na Agricultura, que a falta de animaes para o seu
+fabrico faz a sua decadencia. Esta verdade, que tem sido provada em
+muitos Paizes, confórme os Abbades _Rosier_, e _Tessier_, grandes
+escritores, e Mestres desta Sciencia, não deixa de ser lastimosamente
+comprovada neste Paiz, que sendo, em outro tempo, abundante de farinhas,
+unico commercio, que fazia para a Capital, hoje se vê reduzido á ultima
+miseria de sorte, que a exportação, que presentemente se faz para a
+Bahia, deste genero tão necessario, he, para a que se fazia em outro
+tempo, como de 1 para 1000.
+
+A razão desta decadencia he bem conhecida. Em quanto havião matas
+virgens á borda do mar, ou de muitos rios navegaveis, que entrão algumas
+legoas terra dentro, a lavoura se fazia com facilidade, e com a mesma se
+conduzião as farinhas ás costas dos escravos, e de poucos animaes para
+os pórtos de embarque. Hoje porém que já as terras da borda d'agua estão
+reduzidas a Capoeiras, huma, e muitas vezes plantadas, e minadas de
+formigueiros, destruidores da mandioca, he o producto da lavoura nas
+capoeiras, para o producto, que tiravão os Lavradores nas matas virgens,
+como de 5 até 10, para 40, 50, 60, e para 100, o que se próva pela
+tradição dos antigos Lavradores, e pelo preço das farinhas desse tempo,
+que nunca excederão a 480, sendo o preço usual de 240, a 320 o
+sacco[11], e o seu preço actual 1280, a 1600, sem esperanças de
+melhoramento, porque sempre o preço he na razão inversa da abundancia do
+genero.
+
+Os póvos humildes por sua natureza, e pela creação mui grosseira, se não
+animão a procurar melhoramento, não só pela pequenhez do seu animo, como
+por lhes faltarem os animaes necessarios, para conduzirem de mais longe
+as suas farinhas. A falta de açougue he outro obstaculo. Os Póvos, não
+tendo huma certa sustentação, não se animão a apartarem-se dos mangues,
+para lhes não faltar o sustento do Carangueijo[12].
+
+Nas tres legoas, da borda dos rios para dentro, estão as boas terras de
+lavoura de mandiocas, que pela sua grande producção, se os Lavradores se
+animassem a entrar, tendo abundancia de animaes para transporte das suas
+farinhas, como se vê na ribeira de Nazaré, farião renascer a abundancia
+deste genero tão precioso neste paiz. Outros muitos estabelecimentos de
+Engenhos de assucar se poderião fazer, de que resultarião ao Estado
+grandes vantagens, se houvesse no Paiz abundancia de animaes, o que não
+succede pela falta de abertura ou de estrada.
+
+A Agricultura entretem de dous modos o commercio, tanto interior, como
+exterior, fazendo propagar os generos de exportação para as
+manufacturas, e os que se consomem na terra, e servem de sustentação.
+Faz a base fundamental da felicidade dos Póvos, e da riqueza do Estado.
+
+O Arraial do Caitité, que fica 30 legoas inda acima das Cabeceiras do
+Rio das Contas, que dista 130 legoas, ou pouco menos do primeiro porto
+de embarque, que he na Villa da Cachoeira, era á 25 annos pobre,
+deserto, e só manejava o diminuto commercio de gados, mas de muito
+pobres fazendas se vê hoje o mais rico daquelles Sertões, depois que
+derão princípio á cultura do Algodão, havendo nelle grandes Lavradores,
+pela facilidade, e segurança de fazerem descer por huma estrada
+frequentada os seus generos.
+
+Os Póvos de Minas Novas, a exemplo destes, não obstante o serem duas
+vezes mais remotos do porto de embarque, fizerão o mesmo, a pezar do
+grande dispendio na exportação: ora se estes Póvos, a pezar da grande
+distancia, achão utilidade nesta lavoura tão recommendada pela nossa
+Academia das Sciencias de Lisboa sobre o Algodão da Persia, em que logo
+fallarei, que vantagens não terão os que cultivarem á borda da mata do
+nosso Sertão, que está tão perto, ainda havendo a facilidade de se
+conduzirem as cargas pelo rio abaixo em canoas, até o Ribeirão da
+_Arêa_, sendo o terreno o mais proprio, que se conhece para a dita
+lavoura.
+
+As sementes do Algodão da Persia, que me forão entregues com a norma
+impressa da sua cultura, eu fiz plantar em differentes tempos, e não
+nascêrão, por já terem o germe destruido, e assento que se deverião
+mandar vir frescas, mettidas em vasos de vidro tapados, se possivel for,
+hermeticamente, e se poderem vir logo em direitura muito melhor será
+para não padecerem as sementes alteração na parte oleosa, que contém a
+polpa, que cobre o germe, ou plumula.
+
+O Algodão da India, que cá temos, tem nas sementes alguma semelhança com
+o Algodão da Persia, por serem alguma cousa cobertas de hum pêlo branco,
+porém não tanto, como o da Persia; a sua flôr he de hum vermelho côr de
+fogo, caracter distincto do Algodão de Macassar, o qual ainda
+conservamos em muito pequena quantidade, por ser mais difficil no
+colher, porém bastante para se poder augmentar a plantação; reliquias
+que nos ficárão dos generos da India, que em outro tempo aqui forão
+cultivados, como a Canella, a Pimenta, o Gengibre, e o mesmo Algodão, de
+que remetto o exemplo na pequena caixa das amostras, onde vão seis
+qualidades de Algodão; a saber.
+
+Algodão de caroço inteiro, comprido, e preto, que he de muita vantagem
+na sua cultura, porque he mais fertil em lãa, inda que de qualidade mais
+áspera, como se póde ver na amostra, que remetto, e só póde servir para
+as obras mais grossas. Chamão a este Algodão vulgarmente do Maranhão;
+cuja arvore he de menos duração.
+
+Algodão de caroço inteiro, e preto, porém não tão comprido, como o do
+Maranhão, a que chamão Algodão vulgar; a sua lãa em tudo se assemelha á
+do Maranhão, porém tem differença por ser o seu fio mais fraco, que o do
+Maranhão, porém a sua arvore he de mais duração.
+
+Algodão de caroço unido, coberto de hum pêlo pardo, a que chamão Algodão
+de caroço pardo, fertil em lãa mais macia, e doce, que a do Maranhão, e
+produz hum fio fortissimo: a sua arvore he de bastante duração.
+
+Algodão de caroço unido, coberto de hum pêllo verde, a que chamão
+Algodão de caroço verde, a sua lãa he abundante, doce, branda, e forte
+no fiar: a sua arvore he de huma grande duração.
+
+Estas duas qualidades podem servir para obras mais delicadas como cassas
+vulgares.
+
+Algodão de caroço inteiro, e preto, de lãa parda, ou côr de ganga; a sua
+lãa he muito macia, e forte: a sua arvore he duravel, póde servir para
+se fazerem as gangas, e outras obras de fustões, em que entrem listras
+côr de gangas.
+
+Algodão da India de caroço dividido, coberto de hum pêllo branco bem
+semelhante aos caroços, ou sementes do Algodão da Persia, de que já
+fallei: a sua lãa he de hum branco fino muito doce, que produz hum fio
+forte, capaz para as obras mais delicadas, como cassas de sopro, &c.
+
+Algodão da India de caroço preto sem ser coberto, e dividido; a sua lãa
+he igual á do precedente com a differença de que o caroço não tem pêllo;
+a maçãa he maior, e os casulos, ou capuchos mais abundantes de lãa:
+tambem tem a differença nas arvores, porque a do caroço preto he mais
+crescida, quando a do caroço coberto he muito rasteira, ainda que a sua
+duração seja igual, pois, sendo cultivadas em terreno fertil, e
+estrumado, aturão muitos annos.
+
+As arvores, que produzem o Algodão de caroço pardo, verde, e preto,
+vulgar, e de côr de ganga, são persistentes, e aturão muitos annos; a do
+Maranhão não chega a aturar dous annos neste Paiz, ainda que não ha
+exemplo da sua cultura no Sertão, onde o terreno he mais proprio para a
+dita lavoura, e atura hum pé de Algodão entre o mato sem nenhum
+beneficio 25 annos, e muito mais, porque ainda existem alguns, que já
+tem esta idade.
+
+Temos outras duas qualidades de Algodão silvestre, que se encontra em
+abundancia nas Catingas á margem do Rio das Contas, tendo ambas as
+mesmas propriedades do Algodão da India, tanto nas sementes, como nas
+arvores só com a differença, de que huma destas especies tem a lãa
+parda, e áspera por falta de cultura.
+
+O Algodão domestico, cultivado nas Catingas, dá hum producto
+consideravel, o qual se póde ver na taboa analitica do rendimento do
+Algodão.
+
+A execução destas vistas importantes, não póde pertencer a outrem, senão
+ao Rei, porque ellas pedem despezas, que excedem á fortuna dos
+particulares, e necessitão da animação das Ordens, e do poder do
+Soberano, para transportar casaes de Ilheos, do mesmo modo, que se fez
+para a Ilha de Santa Catharina, para dar maior avanço á cultura dos
+Algodões, e cultivar-se hum terreno, que póde sustentar muitos milhões
+de Vassallos de Sua Magestade, e descobrirem-se immensos thesouros, que
+se achão sepultados debaixo das matas, que, por falta de cultura, se não
+conhecem; e em quanto o Estado não dá sobre este importante objecto as
+providencias precisas, basta que o Governo determine a residencia dos
+Indios _Mongoiós_ na beira do Rio, para que ficando a estrada livre das
+invasões dos _Catachós_, se dê princípio a huma tão importante lavoura,
+como tambem para que possa por ella descer todo o Salitre, que se
+fabricar não só nos Montes Altos, como em todo o terreno nitroso do
+Ribeirão da Giboia, que fica a 40 legoas de beiramar, de muito facil
+condução, fazendo-se primeiro conduzir em carros até o sitio chamado da
+Passagem, e dahi em canoas até o Ribeirão da _Arêa_, como tenho já dito
+a respeito da exportação do Algodão, e com muita facilidade conduzir-se
+para o primeiro porto de embarque: no caso que seja o Salitre, o que
+torna as aguas da dita Ribeira de hum gosto salgado frio, sendo as
+terras das suas margens bastante salgadas; o que unicamente observei,
+sem que podésse analysallas pela precipitação, com que por ahi passei, e
+não ter vasos suficientes para o poder fazer: posto que tinha a noticia,
+de que João Gonçalves da Costa fizera seccar huma porção deste Sal, que
+dizia ser Salitre, e o tinha trazido a esta Cidade da Bahia no tempo do
+Illustrissimo Governador Manoel da Cunha Menezes, que, lançado no fogo,
+fazia a detonação, deixando pela sua impureza bastante terra; porque o
+seu author não possuia os conhecimentos precisos, para fazer a perfeita
+deputação, o que só póde decidir o exame filosofico, para então se poder
+verificar, sem a menor dúvida, inda que me affirmão pessoas de toda a
+fé, que a tal massa detonava bastante exposta ao fogo; e não só póde
+servir o beneficio da dita estrada para a facilidade da exportação deste
+genero, mas tambem de todos os ramos, de que se segue tão grandes
+vantagens ao Commercio, e por consequencia ao Estado.
+
+
+ _O fortunatos nimium, sua si bona norint,
+ Agricolas!..._
+
+ Virgil. Georg. Liv. 2.
+
+
+
+
+
+DESCRIPÇÃO
+DAS DIFFERENTES ESPECIES
+DE
+ALGODÃO
+QUE TEMOS NO BRAZIL.
+
+
+_Algodão do Maranhão de Caroço inteiro, e comprido_.[13]
+
+
+A sua maçã, ou pericarpio comprida bastante grossa, que contém nas suas
+valvulas, ou cellulas tres capulhos, ou capuchos na frase do Paiz, da
+huma abundante lãa, que cobre nove até dez sementes unidas em hum só
+corpo, a que chamão caroço inteiro, o qual tem de comprimento pollegada
+e meia.
+
+A sua arvore em beiramar da Villa do Camamú só atura dous annos, e não
+ramifica como as outras, porque da altura de tres palmos da terra, onde
+o tronco he grosso bastante, brota muitas vergonteas, sem que faça maior
+ramificação.
+
+A sua lãa, não deixa de ser a mais áspera que cá temos, e póde servir
+para muitos usos.
+
+
+_Algodão de caroço pardo, e inteiro_.[14]
+
+
+A sua maçãa mais grossa, que a precedente, porém não tão comprida,
+contém de tres até quatro valvulas, que encerrão outros tantos capulhos,
+ou capuchos de huma abundante lãa, muito clara, e doce, que cobre nove
+sementes unidas em hum caroço, coberto de hum pêllo pardo, o seu
+comprimento he pouco mais de pollegada; o fio, que produz este Algodão,
+he forte, e por isso se póde fiar bem delicado.
+
+A sua arvore he grossa bastante, e de huma grande ramificação, atura
+muitos annos, e por isso de grande vantagem.
+
+
+_Algodão de caroço verde, e inteiro_.[15]
+
+
+A sua maçã em tudo semelhante á precedente, contém quatro capulhos; de
+huma lãa clarissima, e muito fina, que cobre nove sementes unidas
+cobertas de hum pêllo verde, caracter distinctivo desta especie; este
+Algodão produz hum fio fortissimo, e por isso muito proprio para as
+obras mais delicadas.
+
+A sua arvore he em tudo semelhante á precedente, e quasi estas duas
+especies são analogas, e só as differença a côr do pêllo, que cobre os
+caroços.
+
+
+_Algodão de caroço inteiro de lãa parda côr de ganga_.[16]
+
+A sua maçãa he ordinaria, e produz tres ou quatro capulhos, ou capuchos
+de huma lãa parda, que cobre hum caroço inteiro, e unido, que he
+composto de sete e nove sementes.
+
+A sua arvore he persistente, e de muita duração.
+
+
+_Algodão vulgar_.[17]
+
+
+Tem as mesmas propriedades que o Algodão de Maranhão, unicamente com a
+differença do seu caroço ser menor, composto de sete ou nove sementes, e
+raras vezes de dez.
+
+A sua arvore he de grande duração.
+
+
+_Algodão da India de caroço dividido, e cuberto de hum pêllo
+branco_.[18]
+
+
+A sua maçãa he pequena com tres quatro valvulas, contém outros tantos
+capulhos de huma lãa finissima, muito alva, que cobre sete sementes
+divididas, que faz o caracter do caroço dividido.
+
+A sua arvore he rasteira, e muito duravel. Esta semente nos veio da
+India, em companhia do Cravo, da Canella, e do Gengibre, e se tem
+conservado até agora.
+
+Tambem temos outra especie de Algodão da India de Caroço dividido, e
+preto de lãa muito macia, e alva.
+
+A sua arvore he mais alta, que a precedente.
+
+Temos ainda duas especies de Algodão naturaes do Paiz, que se achão
+silvestres nas margens do Rio das Contas, e bem semelhantes ao Algodão
+da India, tanto nas suas sementes, como na sua arvore, tendo huma das
+duas especies a lãa áspera, e parda.
+
+Eu as fiz plantar em beiramar, mas no tempo da fructificação, as chuvas
+deitárão abaixo as novidades, sem ficar huma só maçãa.
+
+A sua arvore he de grande duração.
+
+
+
+
+CALCULO ANALYTICO.
+
+
+Hum escravo trabalhando em Algodão
+dá de rendimento no Sertão 250$000
+
+Prepára terra para 500 pés
+
+Que dão de lãa 62 e 16 a razão de 4 lib. por pé
+
+Tirada de 1364 maçãas, que produz
+cada pé de colheita ordinaria.
+
+Além disto planta o milho, e feijão
+para o seu sustento, e para crear
+porcos, gallinhas, &c.
+
+O que melhor se conhece na Taboa
+--Synthetica.
+
+FIM.
+
+
+
+
+CALCULO SYNTHETICO DO RENDIMENTO DO ALGODÃO DO CAROÇO PARDO, VERDE, E DO
+MARANHÃO.
+
+
+==============================================================================
+Producção do Algodão em |Maçã| Capul.| Gr. |Oit.|Lib.|Arrob.|Pés de| Preço
+ | | | | | | |Algod.|
+-------------------------+----+-------+-------+----+----+------+------+---+---
+Huma maçãa contém | |3 até 4| | | | | | |
+-------------------------+----+-------+-------+----+----+------+------+---+---
+Hum capulho dá de Lãa | | |9 p. m.| | | | | |
+-------------------------+----+-------+-------+----+----+------+------+---+---
+Oito ditos dão | | | | 1 | | | | |
+-------------------------+----+-------+-------+----+----+------+------+---+---
+1024 Capulhos dão | | | | | 1 | | | |
+-------------------------+----+-------+-------+----+----+------+------+---+---
+1024 Capulhos reduzidos | | | | | | | | |
+ a Maçãas dão | 341| | | | | | | |
+-------------------------+----+-------+-------+----+----+------+------+---+---
+Cada pé de colheita | | | | | | | | |
+ ordinaria dá |1364| | | | | | | |
+-------------------------+----+-------+-------+----+----+------+------+---+---
+1364 Maçãas dão de Lã | | | | | 4 | | | |
+-------------------------+----+-------+-------+----+----+------+------+---+---
+Cada trabalhador prepara | | | | | | | | |
+ terra para | | | | | | | 500 | |
+-------------------------+----+-------+-------+----+----+------+------+---+---
+500 pés dão de Algodão | | | | | |62-1/2| | |
+-------------------------+----+-------+-------+----+----+------+------+---+---
+62 arrob. e 1/2 | | | | | | | | |
+ vendido pelo preço | | | | | | | | |
+ corrente da Praça | | | | | | | | |
+ de 6:400 | | | | | | | |400|000
+ | | | | | | | | |
+ 625 | | | | | | | | |
+ 6400 | | | | | | | | |
+ ------- | | | | | | | | |
+ 250000 | | | | | | | | |
+ 3750 | | | | | | | | |
+ -------- | | | | | | | | |
+ 400000(0 | | | | | | | | |
+-------------------------+----+-------+-------+----+----+------+------+---+---
+62 arrob. e 1/2 no | | | | | | | | |
+ Sertão vendida | | | | | | | | |
+ a 4:000 rende | | | | | | | | |
+ | | | | | | | | |
+ 625 | | | | | | | | |
+ 4000 | | | | | | | | |
+ -------- | | | | | | | | |
+ 250000(0 | | | | | | | |250|000
+==============================================================================
+
+
+
+
+_Annuncio de huma máquina singéla de carmear o Algodão, vista na China_.
+
+Por * * *
+
+Com huma Estampa.
+
+
+1. Hum banco donde se assenta o carmeador. 2. Huma verga flexivel. 3.
+Hum cordão, donde suspende o arco. 4. Gancho de ferro que engata na
+argola do arco. 5. Hum arco de páo. 6. Huma corda de rabecão bastante
+grossa. 7. Hum maço pequeno com que bate na corda, e com o dente que
+tem, pega na dita corda, e puxando para si, faz hum estremecimento
+grande, o que faz sacudir, carmeando, dividindo todo o çujo. 8. Argola
+de ferro, donde engata o gancho N.^o 4.
+
+
+
+
+[Figura]
+
+
+
+
+Notas:
+
+[1] _No maior calor, que he do meiodia para tarde, e muitas vezes no
+outro só chega a 60 na mesma estação_.
+
+[2] _Porque tanto chove de verão como de inverno, e muitas vezes o verão
+he mais chuvoso, e só a differença das horas nos dias he que os faz
+distinguir_.
+
+[3] _Coá tinga_ quer dizer mato branco, como são os de terras fracas.
+
+[4] _Catingas baixas, são mais baixas duas vezes, que as Catingas
+altas_.
+
+[5] _Capoeiras_, palavra Europea substituida por corrupção a Brasiliana
+_Có cuéra_, rossa antiga.
+
+[6] _Bandeiristas, são os homens, que encorporados debaixo de hum Chefe
+atravessão as matas para seguirem os Judios, que assaltão as
+propriedades, e estradas, ou mesmo para os amansar, e cada hum delles
+separado se chama Bandeirista_.
+
+[7] _Ha huma observação, em que as sementes de Algodão de caroço inteiro
+se devem plantar com os caroços unidos sem se dividirem, para sahir o
+Algodão com os caroços unidos, que sendo divididas as sementes, assim
+produz o Algodão com as sementes divididas_.
+
+[8] _Porque se planta o caroço inteiro_.
+
+[9] _Nome proprio do lugar_.
+
+[10] _Nome proprio, com que ficou pela conquista dos Indios Mongoiós,
+este lugar_.
+
+[11] _Sacco, medida de dous alqueires do Brazil, que corresponde a
+quatro alqueires de Portugal_.
+
+[12] _Animal, que vive na lama, que he coberta de arvores, a que chamão
+mangues, e são banhados da maré_. Genero cancer. Especie cancer
+hirsutus.
+
+[13] _Genero Gossypium de Lin_.
+
+[14] _Gossypium hirsutum_.
+
+[15] _Gossypium. Xilon Americanum praestantissimum semine virescente
+Tournef_.
+
+[16] _Gossypium. Barbadense de Lin. Algodão de Sião_.
+
+[17] _Gossypium_.
+
+[18] _Gossypium arboreum de Lin. Algodão de Macassar_.
+
+
+
+
+Lista de erros corrigidos
+
+Aqui encontram-se listados todos os erros encontrados e corrigidos:
+
+
+ +----------+---------------------+----------------------+
+ | | Original | Correcção |
+ +----------+---------------------+----------------------+
+ |#pág. 9| su? | sua |
+ +----------+---------------------+----------------------+
+
+As variações de nomes próprios foram mantidas de acordo com o original.
+
+
+
+
+
+End of the Project Gutenberg EBook of Memória sobre a plantação dos algodões, by
+José de Sá Bettencourt
+
+*** END OF THIS PROJECT GUTENBERG EBOOK MEMÓRIA SOBRE A PLANTAÇÃO ***
+
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+Produced by Rita Farinha and the Online Distributed
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+Updated editions will replace the previous one--the old editions
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+Gutenberg is a registered trademark, and may not be used if you
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+such as creation of derivative works, reports, performances and
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+even without complying with the full terms of this agreement. See
+paragraph 1.C below. There are a lot of things you can do with Project
+Gutenberg-tm electronic works if you follow the terms of this agreement
+and help preserve free future access to Project Gutenberg-tm electronic
+works. See paragraph 1.E below.
+
+1.C. The Project Gutenberg Literary Archive Foundation ("the Foundation"
+or PGLAF), owns a compilation copyright in the collection of Project
+Gutenberg-tm electronic works. Nearly all the individual works in the
+collection are in the public domain in the United States. If an
+individual work is in the public domain in the United States and you are
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+promotion and distribution of Project Gutenberg-tm electronic works,
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+that arise directly or indirectly from any of the following which you do
+or cause to occur: (a) distribution of this or any Project Gutenberg-tm
+work, (b) alteration, modification, or additions or deletions to any
+Project Gutenberg-tm work, and (c) any Defect you cause.
+
+
+Section 2. Information about the Mission of Project Gutenberg-tm
+
+Project Gutenberg-tm is synonymous with the free distribution of
+electronic works in formats readable by the widest variety of computers
+including obsolete, old, middle-aged and new computers. It exists
+because of the efforts of hundreds of volunteers and donations from
+people in all walks of life.
+
+Volunteers and financial support to provide volunteers with the
+assistance they need are critical to reaching Project Gutenberg-tm's
+goals and ensuring that the Project Gutenberg-tm collection will
+remain freely available for generations to come. In 2001, the Project
+Gutenberg Literary Archive Foundation was created to provide a secure
+and permanent future for Project Gutenberg-tm and future generations.
+To learn more about the Project Gutenberg Literary Archive Foundation
+and how your efforts and donations can help, see Sections 3 and 4
+and the Foundation web page at https://www.pglaf.org.
+
+
+Section 3. Information about the Project Gutenberg Literary Archive
+Foundation
+
+The Project Gutenberg Literary Archive Foundation is a non profit
+501(c)(3) educational corporation organized under the laws of the
+state of Mississippi and granted tax exempt status by the Internal
+Revenue Service. The Foundation's EIN or federal tax identification
+number is 64-6221541. Its 501(c)(3) letter is posted at
+https://pglaf.org/fundraising. Contributions to the Project Gutenberg
+Literary Archive Foundation are tax deductible to the full extent
+permitted by U.S. federal laws and your state's laws.
+
+The Foundation's principal office is located at 4557 Melan Dr. S.
+Fairbanks, AK, 99712., but its volunteers and employees are scattered
+throughout numerous locations. Its business office is located at
+809 North 1500 West, Salt Lake City, UT 84116, (801) 596-1887, email
+business@pglaf.org. Email contact links and up to date contact
+information can be found at the Foundation's web site and official
+page at https://pglaf.org
+
+For additional contact information:
+ Dr. Gregory B. Newby
+ Chief Executive and Director
+ gbnewby@pglaf.org
+
+
+Section 4. Information about Donations to the Project Gutenberg
+Literary Archive Foundation
+
+Project Gutenberg-tm depends upon and cannot survive without wide
+spread public support and donations to carry out its mission of
+increasing the number of public domain and licensed works that can be
+freely distributed in machine readable form accessible by the widest
+array of equipment including outdated equipment. Many small donations
+($1 to $5,000) are particularly important to maintaining tax exempt
+status with the IRS.
+
+The Foundation is committed to complying with the laws regulating
+charities and charitable donations in all 50 states of the United
+States. Compliance requirements are not uniform and it takes a
+considerable effort, much paperwork and many fees to meet and keep up
+with these requirements. We do not solicit donations in locations
+where we have not received written confirmation of compliance. To
+SEND DONATIONS or determine the status of compliance for any
+particular state visit https://pglaf.org
+
+While we cannot and do not solicit contributions from states where we
+have not met the solicitation requirements, we know of no prohibition
+against accepting unsolicited donations from donors in such states who
+approach us with offers to donate.
+
+International donations are gratefully accepted, but we cannot make
+any statements concerning tax treatment of donations received from
+outside the United States. U.S. laws alone swamp our small staff.
+
+Please check the Project Gutenberg Web pages for current donation
+methods and addresses. Donations are accepted in a number of other
+ways including including checks, online payments and credit card
+donations. To donate, please visit: https://pglaf.org/donate
+
+
+Section 5. General Information About Project Gutenberg-tm electronic
+works.
+
+Professor Michael S. Hart was the originator of the Project Gutenberg-tm
+concept of a library of electronic works that could be freely shared
+with anyone. For thirty years, he produced and distributed Project
+Gutenberg-tm eBooks with only a loose network of volunteer support.
+
+
+Project Gutenberg-tm eBooks are often created from several printed
+editions, all of which are confirmed as Public Domain in the U.S.
+unless a copyright notice is included. Thus, we do not necessarily
+keep eBooks in compliance with any particular paper edition.
+
+
+Most people start at our Web site which has the main PG search facility:
+
+ https://www.gutenberg.org
+
+This Web site includes information about Project Gutenberg-tm,
+including how to make donations to the Project Gutenberg Literary
+Archive Foundation, how to help produce our new eBooks, and how to
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