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You may copy it, give it away or +re-use it under the terms of the Project Gutenberg License included +with this eBook or online at www.gutenberg.org + + +Title: Memória sobre a plantação dos algodões + e sua exportação sobre a decadencia da lavoura de mandiocas, + no termo da villa de Camamú, Comarca dos Ilhéos, Governo + da Bahia + +Author: José de Sá Bettencourt + +Release Date: January 26, 2010 [EBook #31093] + +Language: Portuguese + +Character set encoding: ISO-8859-1 + +*** START OF THIS PROJECT GUTENBERG EBOOK MEMÓRIA SOBRE A PLANTAÇÃO *** + + + + +Produced by Rita Farinha and the Online Distributed +Proofreading Team at https://www.pgdp.net (This file was +produced from images generously made available by National +Library of Portugal (Biblioteca Nacional de Portugal).) + + + + + + *Nota de editor:* Devido à quantidade de erros tipográficos + existentes neste texto, foram tomadas várias decisões quanto à + versão final. Em caso de dúvida, a grafia foi mantida de acordo com + o original. No final deste livro encontrará a lista de erros + corrigidos. + + Rita Farinha (Jan. 2010) + + + + +PLANTAÇÃO DOS + +ALGODÕES + +J. S. Bettencourt + + + + +MEMORIA +SOBRE A PLANTAÇÃO +DOS +ALGODÕES. + + + + +MEMORIA +SOBRE A PLANTAÇÃO +DOS +ALGODÕES, + +E sua exportação; sobre a decadencia da Lavoura de +mandiocas, no Termo da Villa de Camamú, +Comarca dos Ilhéos, Governo da +Bahia, + +APPRESENTADA, E OFFERECIDA + +A SUA ALTEZA REAL +O +PRINCIPE DO BRAZIL +NOSSO SENHOR, +POR +JOSÉ DE SÁ BETENCOURT, + +_Bacharel Formado pela Universidade de Coimbra: e +actualmente encarregado em exames de Historia +Natural na Capitania da Bahia; &c._ + +ANNO. M. DCC. XCVIII. + +Na Officina de Simão Thaddeo Ferreira. + + + + SENHOR. + + +_Eu tenho a honra de apresentar a V. A. R. o breve resumo das minhas +poucas observações sobre a plantação dos Algodões, sua exportação; e +tambem das causas da decadencia da lavoura de mandiocas no termo da +Villa de Camamú, que olhadas por V. A. R., Pai commum, será a dita +lavoura dos Algodões hum dos maiores ramos do nosso Commercio para +felicidade da Nação, e riqueza da Capitania da Bahia, onde a Natureza +tem depositado os Thesouros, de que só he capaz a sua liberalidade._ + +_Espero que V. A. R. haja de acolher com a grandeza do seu Real Coração +os bons desejos, que tenho, do serviço de V. A. R., da felicidade do +Paiz, e augmento da Nação, no breve discurso, que tenho a honra de +apresentar a V. A. R. de quem sou com o maior respeito, e veneração_ + + + Vassalo obediente + + _José de Sá Betencourt_. + + + + +A Terra, mais rica na sua superficie, que nas suas entranhas, serve de +theatro á Sábia Natureza, que a renova todos os dias, com as suas +producções; fazendo succeder por meio das differentes, e multiplicadas +sementes outras tantas especies de vegetaes, que cobrem a superficie do +nosso Globo, e fazem a felicidade dos seus habitantes. Ella reparte com +grande sabedoria os seus dons, e faz que se propaguem sobre os +differentes terrenos, que lhes são proprios, já pela qualidade do seu +humus, já pela natureza do clima, sem que a destra mão do Agricultor os +possa fazer propagar á sua vontade: assim vemos, que as plantas da +Europa com difficuldade se propagão em beiramar do Brazil; e algumas que +á força de trabalho crescem, e propagão, a sua producção he debil, e sem +que os Lavradores possão tirar as vantagens, que se tirão na Europa, +como vemos, e se observa na vinha, que mal satisfaz a curiosidade do +cultivador, sem que a producção corresponda ao trabalho. + +Outras, que vegetão, e não propagão, como a oliveira, &c. outras de tal +sorte amantes do seu paiz, que não vegetão, nem propagão. + +O mesmo, que observamos nas plantas da Europa, cultivadas no Brazil, se +observa nas plantas deste levadas para a Europa, que só vivem em cazas +de vidraças, subministrando-se-lhes com estufas o calor, que lhes he +necessario para a sua vegetação. + +O Agricultor póde modificar o terreno, fazendo-o mais ou menos gordo, +mais ou menos poroso, appropriando-o á natureza da sua lavoura, mas não +o clima em grande, que influe na maior parte da vegetação. + +Eu não me canço em referir as differentes observações dos Filosofos, +para provar, que o clima influe mais na vegetação, do que a terra, por +ser esta materia huma, e muitas vezes discutida, e provada; porque sendo +a terra a mesma em toda a parte, e susceptivel de receber as +modificações do Agricultor, vemos que ha grande difficuldade em se fazer +propagar as plantas de differentes climas transplantadas; e ainda que +saibamos, confórme os verdadeiros princípios de Agricultura, e de +Chymica, que a terra he o meio, no qual se faz a germinação, e que não +serve só de laboratorio, confórme o Abbade Tessier aos succos, que lhes +são destinados; mas que entra tambem em grande parte na sua composição, +seja ella attenuada do modo, que for, o que ainda existe nos occultos +segredos da Natureza, que o homem não póde perceber, o que se conhece +pelo residuo dos vegetaes queimados; com tudo outras muitas experiencias +próvão, que o ar he muito necessario para a perfeita vegetação, e que +entra em grande parte na sua composição. + +A necessidade, que os vegetaes tem de agua para a sua vegetação, he por +todos bem conhecida, não sendo demasiada, assim como o calor, que he o +princípio vivificante, o que tudo coopera, para que as plantas cresção, +e produzão, confórme a qualidade do clima; que lhes he analogo. Eu me +não demoro em relatar theorias sobre o princípio da vegetação; porque +isto sería exceder o plano, que me proponho; só me basta provar, que o +clima differente influe nesta, ou naquella lavoura, para que o +Agricultor perceba as utilidades com vantagem. + +A mesma differença, que observamos nos Paizes da Europa em relação aos +de beira mar do Brazil, se observa nestes a respeito dos do Sertão, ou +terra dentro, onde são as estações mais regulares, e as chuvas vem em +tempos determinados, e constantes, o que faz, com que a lavoura seja +igual, e sempre certo o tempo da plantação. + +O terreno da Villa do Camamú, que fica entre 14, e 15 gr., desviado da +Bahia ao Sul 24 legoas, he o Paiz mais irregular nas suas estações, que +tenho visto, porque, quer seja de verão, quer de inverno, sempre as +chuvas são continuadas; e o calor no verão, confórme o termometro de +Fahrenheit, não chega a mais de 80 gr. e meio[1], o que faz, com que as +plantações se conformem á irregularidade do clima, e se não possa nelle +cultivar com vantagem, senão Mandiocas, Cafés, Arroz, e Cacau, e não o +Algodão, que he o principal objecto; porque, ainda que cresça nas boas +terras de beira mar, a sua cultura se não póde fazer com proveito, visto +que o terreno lhe não he tão proprio, e a irregularidade do clima rouba +ao Lavrador as suas esperanças, vindo as chuvas no tempo da colheita, a +destruir, e apodrecer o Algodão, ainda nos seus capulhos. + +Esta irregularidade se observa nos Paizes, que ficão ao Sul da Bahia +entre 13, e 20 gráos, onde se não conhece verão, nem inverno[2], senão +pelo mais, ou menos calor, confórme os ventos, que reinão nestas duas +estações; e nunca o frio excede de 60 até 55 gr. do mesmo termometro, +tempo, em que reina o vento Sul, que sempre he acompanhado de chuvas. + +A 14 legoas da Villa de Camamú, fazendo caminho de Oest-Sudueste até +encontrar as margens do Rio das Contas, onde confinão as matas grossas, +com as Catingas altas[3], e vão confinar a 12 legoas com as Catingas +baixas[4], já a regularidade do clima se confórma com a fertilidade do +terreno, muito proprio para todas as plantações, particularmente, para a +lavoura do Algodão, onde se acha silvestre no meio das ditas Catingas. + +Este terreno, que fica a 26 legoas de beira mar separado pela mata, a +qual vem a confinar, com as que os naturaes do Paiz chamão Catingas +grossas, he sem dúvida o mais proprio para a dita lavoura, porque o +Algodão domestico, huma vez plantado, se conserva por muitos annos, +ainda sem nenhum beneficio, como o encontrei na Fazenda do Rio das +Contas, onde tinha sido plantado havia dezoito annos, e se conservava no +meio das Capoeiras[5], com tanto vigor, como se fosse novamente +plantado. + +Todo o Sertão da borda do Rio das Contas tem a mesma propriedade: toda a +mata, que fica entre o dito Rio das Contas da parte do Sul, e o Rio do +Gragongi, confórme a fé dos bandeiristas[6], possue as mesmas +qualidades. + +Este vasto terreno, que principia a 13 legoas da beiramar, he cortado de +Sueste, a Noroeste pelo Rio das Contas, susceptivel de navegação de +grandes canoas, e outros muitos rios, que vem cruzar com elle, tanto da +parte do Norte, como do Sul, sem a mesma facilidade de navegação, os da +parte do Norte são o Ribeirão de Area; ou Montanha, Genipapo, Manageni, +Rio das Pedras, Rio Preto. + +Todo o Sertão da Conquista desde a fazenda do Rio das Contas, fazendo +caminho de Sul, que será de 40 legoas, tem a mesma propriedade, não só +pela qualidade do terreno, como tambem pela regularidade do clima, que +he tanto mais regular, quanto mais se affasta da beiramar. + +A margem do Rio Gavião, que vem fazer barra com o Rio das Contas, +seguindo o rio o caminho de Oeste, he igualmente propria para a +sobredita lavoura. + +Os proprietarios das fazendas, que conhecem as vantagens desta lavoura, +a não fazem pela razão, que logo exporei, quando fallar da sua +exportação. + +A planta, que produz o Algodão, entra na Classe _Monadelphia_ Ordem +_Polyandria_, genero _Gossypium._ Lineu, se servio, para distinguir as +especies, das differenças das folhas, e das glandulas, que se achão em +algumas especies, e não em outras, cujo conhecimento só fica pertencendo +aos Filosofos, e não ao do vulgo; razão porque me servi da differença +das sementes, e do pêlo, que as cobre, confórme as suas cores, por ser +hum caracter constante no Paiz, e conhecido de todos, que fazem uso +desta cultura, ainda que em pequeno; e da união destas mesmas sementes, +ao que chamão caroço inteiro, ou dividido. + +Para se cultivar o Algodão basta derribar as Catingas altas, ou Catingas +baixas, logo que o tempo secco convida para este trabalho, que he do mez +de Junho por diante, e se deixão seccar até o mez de Setembro. Os Soes, +que neste tempo são ardentissimos, seccão as madeiras de tal sorte, que +quando as chuvas avisão aos habitantes da sua chegada pelos grandes +trovões, que costumão haver muitos dias antes, lhes lanção fogo, que +reduz tudo a cinzas, deixando a superficie da terra limpa, para se fazer +a plantação, sem maior incómmodo, ficando a terra estrumada, e fertil +pelo alkali vegetal. + +A lavoura se faz com enxadas, abrindo covas de oito em oito pés, onde se +lanção as sementes[7], e se cobrem com pouca terra; e porque o terreno +ficaria muito ocioso só com esta planta pela grande distancia, que se +lhe dá para a sua ramificação, em quanto não chega ao seu maior +crescimento, e por se não ver o Lavrador obrigado a alimpar a terra, que +fica neste espaço, das hervas, que nascem sem maior proveito, lhe planta +o milho, e feijão, que tudo cresce igualmente, sem que fação damno ao +Algodoal. + +A estação, que começa a ser chuvosa, não céssa de regar a lavoura +regularmente todas as tardes, e muitas vezes á noite, vindo de manhã o +Sol até o meio dia animar a lavoura; algumas vezes acontece virem as +chuvas de oito em oito dias, por intervallos, no mez de Outubro, até +chegar a meiados de Novembro, tempo, em que ellas são constantes. + +A fertilidade do terreno faz crescer com as plantas, outras muitas +hervas, que o Lavrador he obrigado a arrancallas, ou sachallas para +desaffogar a sua lavoura, que então cresce prodigiosamente; e quando se +dá a primeira limpa, se arrancão os pés de Algodão superfluos na +cova[8], deixando só dous, que se capão, quando a planta já tem altura +sufficiente para brotar novos galhos ao redor do tronco, e fazer com +esta operação maior lucro na colheita. + +No mez de Fevereiro costumão os Lavradores dar a segunda monda á sua +lavoura, confórme as suas differentes occupações, e abundancia da herva, +que torna a renascer depois da primeira limpa. + +No mez de Maio se faz a colheita do milho, e do feijão, deixando o +terreno desembaraçado, e limpo, para no mez de Julho se dar princípio á +colheita do Algodão, que continúa até o mez de Outubro, e Novembro, +tempo, em que se pódão os Algodoeiros, para no segundo anno darem huma +fertilissima colheita. + +A necessidade, que não céssa de ameaçar o Lavrador, o disperta a +continuar o mesmo trabalho, para ter certa a sustentação de milho, e +feijão, que já não póde ser, senão em terreno novo, que serve para +augmentar a dita plantação com a mesma regularidade. + +Deste modo veria o Lavrador crescer, com o seu trabalho, as suas +riquezas, não só pela felicidade da lavoura, seu rendimento, e duração +da planta, como pela diminuta despeza no seu fabrico, se hum obstaculo +lhe não embaraçasse a execução de hum plano tão util ao Commercio, e ao +Estado. + +O Abbade Tessier no seu discurso preliminar sobre a Agricultura se +expressa da maneira seguinte.==O mais poderoso meio de dar á Agricultura +toda a actividade, de que póde ser susceptivel, he praticar caminhos de +communicação em os Paizes, onde os não ha, e canaes navegaveis para +transporte das mercadorias, &c. &c. _Encyclopedia Dictionario de Agric_, +pag. 20. + +Não he a falta do caminho, que faz o embaraço da exportação, mas sim a +falta de segurança deste mesmo caminho para socego, e frequencia dos +viandantes, que, na travessa da mata, se vêm accommettidos do Barbaro +Gentio _Cotachós_, privando-os da facilidade de transportarem as suas +cargas pelo rio abaixo até o Ribeirão da Arêa, que fica a 13, até 14 +legoas da Villa de Camamú, de donde se podem muito bem conduzir em +cavalgaduras, para deste porto serem enviadas para a Capital, se +houvesse naquelle lugar hum corpo de homens, que os fizessem conter nos +seus limites, repellindo a força das invasões. + +Este caminho, em outro tempo aberto por Ordem do Excellentissimo Manoel +da Cunha Menezes, quando governou a Bahia, terminando na estrada, que +vai para os Maracazes, dirigida dos Sertões da Conquista, que ficão +abaixo das Contagens de Rio Pardo, e Tocajós, se fechou, não só pela +infestação do Gentio, mas pelo longe, máo passo, e falta de pastagens +para os animaes, o que conhecendo eu bem, obrigado da necessidade dos +animaes precisos para o costeamento dos meus Engenhos, pela miseria, e +lastimosa necessidade do povo, me resolvi a fazer outro, seguindo +differente rumo, onde gastei tres annos sem adjutorio do povo, nem da +Camara, nem doutrem, perdendo em todo este tempo o lucro das minhas +lavouras, e o fiz muito mais perto, e por hum terreno, que o acaso +subministrou com algumas pastagens. + +Não he preciso para segurança deste caminho mais, que huma Povoação de +Judios mansos chamados _Mongoiós_ no Ribeirão da Arêa. Não são os +particulares, que tem este poder; mas sim o Governo, onde existe a Régia +Authoridade. + +Eu não conheço homens mais aptos para este fim, do que a domestica Nação +dos Indios _Mongoiós_, não só pelo seu grande valor, e intrepidez, como +por serem huns homens acostumados á vida silvestre, e que a maior parte +do tempo vivem da cassa, e da pesca, ainda que sejão Agricultores, e +amantes da lavoura, não soffrendo maior detrimento, em quanto crescem no +primeiro anno as suas lavouras, e desejão isto mesmo, confórme o que me +disserão, pelas razões, que vou dar. + +Primeira, porque ha muito tempo não recebem as ferramentas, que +costumavão receber por Ordem do Governo. Segunda, porque na grande +distancia, em que morão, não tem, quem represente as suas necessidades +ao Governo para as remediar. + +Terceira, porque se vêm opprimidos, sem poderem fazer as suas lavouras, +e as que fazem, serem destruidas pelos animaes domesticos dos +habitantes. + +Quarta, pela oppressão, que soffrem, de quem os governa, sem que o longe +lhes permitta a facilidade, de se poderem queixar. + +Quinta, porque o terreno da beira do Rio he mais abundante de cassa, e +peixe, e muito fertil; e sendo ahi animados de huma prudente +administração, de que são muito susceptiveis, podem fazer a sua +felicidade, de que resultão ao Estado as seguintes vantagens. + +Primeira, confórme o que me disserão, quando aqui chegárão na expedição +da Bandeira contra os _Cotachós_, logo, que elles viessem para a beira +do Rio, as outras Aldêas da sua mesma Nação, que ainda não sahírão das +matas, se virião encorporar com elles, assim que lhes constasse da sua +felicidade, debaixo da doce administração, e protecção do Estado. + +Segunda, estes homens conciliados, debaixo da direcção de hum Director +desinteressado, serão outros tantos valerosos soldados, que com +facilidade dalli melhor podem ser chamados, confórme as necessidades da +beiramar, do que do fundo dos Sertões, onde presentemente habitão. + +Terceira, ficando a estrada livre da infestação dos _Cotachós_, o +Commercio será livre aos viandantes, para com segurança trazerem as suas +mercadorias, de cuja facilidade resulta a animação de huma lavoura tão +importante, servindo estes homens, para exportarem nas canoas as grandes +sommas de Algodão, que a emulação fará cultivar em todo o vasto terreno +do baixo Sertão da _Reraca_[9], _Conquista_[10], e _Borda da mata_, e +das margens de muitos rios navegaveis, que vem ter ao dito Rio das +Contas. + +Quarta, o poder-se frequentar a dita Estrada da beira do Rio para a +Villa do Camamú, por ficarem os moradores livres do receio das invasões +dos _Cotachós_, que se entranharão pelas matas do Sul, logo que souberem +da residencia destes homens na beira do rio, tão valerosos, e destros +não só no manejo das suas armas, como das nossas. + +Quinta, o grande Commercio de _Ipecúcuanha_, que elles podem fazer, +tirando-a nas margens do mesmo Rio das Contas, Ribeirão da _Arêa_, e +matas do _Gragongi_, onde ha com abundancia. + +He experimentado na Agricultura, que a falta de animaes para o seu +fabrico faz a sua decadencia. Esta verdade, que tem sido provada em +muitos Paizes, confórme os Abbades _Rosier_, e _Tessier_, grandes +escritores, e Mestres desta Sciencia, não deixa de ser lastimosamente +comprovada neste Paiz, que sendo, em outro tempo, abundante de farinhas, +unico commercio, que fazia para a Capital, hoje se vê reduzido á ultima +miseria de sorte, que a exportação, que presentemente se faz para a +Bahia, deste genero tão necessario, he, para a que se fazia em outro +tempo, como de 1 para 1000. + +A razão desta decadencia he bem conhecida. Em quanto havião matas +virgens á borda do mar, ou de muitos rios navegaveis, que entrão algumas +legoas terra dentro, a lavoura se fazia com facilidade, e com a mesma se +conduzião as farinhas ás costas dos escravos, e de poucos animaes para +os pórtos de embarque. Hoje porém que já as terras da borda d'agua estão +reduzidas a Capoeiras, huma, e muitas vezes plantadas, e minadas de +formigueiros, destruidores da mandioca, he o producto da lavoura nas +capoeiras, para o producto, que tiravão os Lavradores nas matas virgens, +como de 5 até 10, para 40, 50, 60, e para 100, o que se próva pela +tradição dos antigos Lavradores, e pelo preço das farinhas desse tempo, +que nunca excederão a 480, sendo o preço usual de 240, a 320 o +sacco[11], e o seu preço actual 1280, a 1600, sem esperanças de +melhoramento, porque sempre o preço he na razão inversa da abundancia do +genero. + +Os póvos humildes por sua natureza, e pela creação mui grosseira, se não +animão a procurar melhoramento, não só pela pequenhez do seu animo, como +por lhes faltarem os animaes necessarios, para conduzirem de mais longe +as suas farinhas. A falta de açougue he outro obstaculo. Os Póvos, não +tendo huma certa sustentação, não se animão a apartarem-se dos mangues, +para lhes não faltar o sustento do Carangueijo[12]. + +Nas tres legoas, da borda dos rios para dentro, estão as boas terras de +lavoura de mandiocas, que pela sua grande producção, se os Lavradores se +animassem a entrar, tendo abundancia de animaes para transporte das suas +farinhas, como se vê na ribeira de Nazaré, farião renascer a abundancia +deste genero tão precioso neste paiz. Outros muitos estabelecimentos de +Engenhos de assucar se poderião fazer, de que resultarião ao Estado +grandes vantagens, se houvesse no Paiz abundancia de animaes, o que não +succede pela falta de abertura ou de estrada. + +A Agricultura entretem de dous modos o commercio, tanto interior, como +exterior, fazendo propagar os generos de exportação para as +manufacturas, e os que se consomem na terra, e servem de sustentação. +Faz a base fundamental da felicidade dos Póvos, e da riqueza do Estado. + +O Arraial do Caitité, que fica 30 legoas inda acima das Cabeceiras do +Rio das Contas, que dista 130 legoas, ou pouco menos do primeiro porto +de embarque, que he na Villa da Cachoeira, era á 25 annos pobre, +deserto, e só manejava o diminuto commercio de gados, mas de muito +pobres fazendas se vê hoje o mais rico daquelles Sertões, depois que +derão princípio á cultura do Algodão, havendo nelle grandes Lavradores, +pela facilidade, e segurança de fazerem descer por huma estrada +frequentada os seus generos. + +Os Póvos de Minas Novas, a exemplo destes, não obstante o serem duas +vezes mais remotos do porto de embarque, fizerão o mesmo, a pezar do +grande dispendio na exportação: ora se estes Póvos, a pezar da grande +distancia, achão utilidade nesta lavoura tão recommendada pela nossa +Academia das Sciencias de Lisboa sobre o Algodão da Persia, em que logo +fallarei, que vantagens não terão os que cultivarem á borda da mata do +nosso Sertão, que está tão perto, ainda havendo a facilidade de se +conduzirem as cargas pelo rio abaixo em canoas, até o Ribeirão da +_Arêa_, sendo o terreno o mais proprio, que se conhece para a dita +lavoura. + +As sementes do Algodão da Persia, que me forão entregues com a norma +impressa da sua cultura, eu fiz plantar em differentes tempos, e não +nascêrão, por já terem o germe destruido, e assento que se deverião +mandar vir frescas, mettidas em vasos de vidro tapados, se possivel for, +hermeticamente, e se poderem vir logo em direitura muito melhor será +para não padecerem as sementes alteração na parte oleosa, que contém a +polpa, que cobre o germe, ou plumula. + +O Algodão da India, que cá temos, tem nas sementes alguma semelhança com +o Algodão da Persia, por serem alguma cousa cobertas de hum pêlo branco, +porém não tanto, como o da Persia; a sua flôr he de hum vermelho côr de +fogo, caracter distincto do Algodão de Macassar, o qual ainda +conservamos em muito pequena quantidade, por ser mais difficil no +colher, porém bastante para se poder augmentar a plantação; reliquias +que nos ficárão dos generos da India, que em outro tempo aqui forão +cultivados, como a Canella, a Pimenta, o Gengibre, e o mesmo Algodão, de +que remetto o exemplo na pequena caixa das amostras, onde vão seis +qualidades de Algodão; a saber. + +Algodão de caroço inteiro, comprido, e preto, que he de muita vantagem +na sua cultura, porque he mais fertil em lãa, inda que de qualidade mais +áspera, como se póde ver na amostra, que remetto, e só póde servir para +as obras mais grossas. Chamão a este Algodão vulgarmente do Maranhão; +cuja arvore he de menos duração. + +Algodão de caroço inteiro, e preto, porém não tão comprido, como o do +Maranhão, a que chamão Algodão vulgar; a sua lãa em tudo se assemelha á +do Maranhão, porém tem differença por ser o seu fio mais fraco, que o do +Maranhão, porém a sua arvore he de mais duração. + +Algodão de caroço unido, coberto de hum pêlo pardo, a que chamão Algodão +de caroço pardo, fertil em lãa mais macia, e doce, que a do Maranhão, e +produz hum fio fortissimo: a sua arvore he de bastante duração. + +Algodão de caroço unido, coberto de hum pêllo verde, a que chamão +Algodão de caroço verde, a sua lãa he abundante, doce, branda, e forte +no fiar: a sua arvore he de huma grande duração. + +Estas duas qualidades podem servir para obras mais delicadas como cassas +vulgares. + +Algodão de caroço inteiro, e preto, de lãa parda, ou côr de ganga; a sua +lãa he muito macia, e forte: a sua arvore he duravel, póde servir para +se fazerem as gangas, e outras obras de fustões, em que entrem listras +côr de gangas. + +Algodão da India de caroço dividido, coberto de hum pêllo branco bem +semelhante aos caroços, ou sementes do Algodão da Persia, de que já +fallei: a sua lãa he de hum branco fino muito doce, que produz hum fio +forte, capaz para as obras mais delicadas, como cassas de sopro, &c. + +Algodão da India de caroço preto sem ser coberto, e dividido; a sua lãa +he igual á do precedente com a differença de que o caroço não tem pêllo; +a maçãa he maior, e os casulos, ou capuchos mais abundantes de lãa: +tambem tem a differença nas arvores, porque a do caroço preto he mais +crescida, quando a do caroço coberto he muito rasteira, ainda que a sua +duração seja igual, pois, sendo cultivadas em terreno fertil, e +estrumado, aturão muitos annos. + +As arvores, que produzem o Algodão de caroço pardo, verde, e preto, +vulgar, e de côr de ganga, são persistentes, e aturão muitos annos; a do +Maranhão não chega a aturar dous annos neste Paiz, ainda que não ha +exemplo da sua cultura no Sertão, onde o terreno he mais proprio para a +dita lavoura, e atura hum pé de Algodão entre o mato sem nenhum +beneficio 25 annos, e muito mais, porque ainda existem alguns, que já +tem esta idade. + +Temos outras duas qualidades de Algodão silvestre, que se encontra em +abundancia nas Catingas á margem do Rio das Contas, tendo ambas as +mesmas propriedades do Algodão da India, tanto nas sementes, como nas +arvores só com a differença, de que huma destas especies tem a lãa +parda, e áspera por falta de cultura. + +O Algodão domestico, cultivado nas Catingas, dá hum producto +consideravel, o qual se póde ver na taboa analitica do rendimento do +Algodão. + +A execução destas vistas importantes, não póde pertencer a outrem, senão +ao Rei, porque ellas pedem despezas, que excedem á fortuna dos +particulares, e necessitão da animação das Ordens, e do poder do +Soberano, para transportar casaes de Ilheos, do mesmo modo, que se fez +para a Ilha de Santa Catharina, para dar maior avanço á cultura dos +Algodões, e cultivar-se hum terreno, que póde sustentar muitos milhões +de Vassallos de Sua Magestade, e descobrirem-se immensos thesouros, que +se achão sepultados debaixo das matas, que, por falta de cultura, se não +conhecem; e em quanto o Estado não dá sobre este importante objecto as +providencias precisas, basta que o Governo determine a residencia dos +Indios _Mongoiós_ na beira do Rio, para que ficando a estrada livre das +invasões dos _Catachós_, se dê princípio a huma tão importante lavoura, +como tambem para que possa por ella descer todo o Salitre, que se +fabricar não só nos Montes Altos, como em todo o terreno nitroso do +Ribeirão da Giboia, que fica a 40 legoas de beiramar, de muito facil +condução, fazendo-se primeiro conduzir em carros até o sitio chamado da +Passagem, e dahi em canoas até o Ribeirão da _Arêa_, como tenho já dito +a respeito da exportação do Algodão, e com muita facilidade conduzir-se +para o primeiro porto de embarque: no caso que seja o Salitre, o que +torna as aguas da dita Ribeira de hum gosto salgado frio, sendo as +terras das suas margens bastante salgadas; o que unicamente observei, +sem que podésse analysallas pela precipitação, com que por ahi passei, e +não ter vasos suficientes para o poder fazer: posto que tinha a noticia, +de que João Gonçalves da Costa fizera seccar huma porção deste Sal, que +dizia ser Salitre, e o tinha trazido a esta Cidade da Bahia no tempo do +Illustrissimo Governador Manoel da Cunha Menezes, que, lançado no fogo, +fazia a detonação, deixando pela sua impureza bastante terra; porque o +seu author não possuia os conhecimentos precisos, para fazer a perfeita +deputação, o que só póde decidir o exame filosofico, para então se poder +verificar, sem a menor dúvida, inda que me affirmão pessoas de toda a +fé, que a tal massa detonava bastante exposta ao fogo; e não só póde +servir o beneficio da dita estrada para a facilidade da exportação deste +genero, mas tambem de todos os ramos, de que se segue tão grandes +vantagens ao Commercio, e por consequencia ao Estado. + + + _O fortunatos nimium, sua si bona norint, + Agricolas!..._ + + Virgil. Georg. Liv. 2. + + + + + +DESCRIPÇÃO +DAS DIFFERENTES ESPECIES +DE +ALGODÃO +QUE TEMOS NO BRAZIL. + + +_Algodão do Maranhão de Caroço inteiro, e comprido_.[13] + + +A sua maçã, ou pericarpio comprida bastante grossa, que contém nas suas +valvulas, ou cellulas tres capulhos, ou capuchos na frase do Paiz, da +huma abundante lãa, que cobre nove até dez sementes unidas em hum só +corpo, a que chamão caroço inteiro, o qual tem de comprimento pollegada +e meia. + +A sua arvore em beiramar da Villa do Camamú só atura dous annos, e não +ramifica como as outras, porque da altura de tres palmos da terra, onde +o tronco he grosso bastante, brota muitas vergonteas, sem que faça maior +ramificação. + +A sua lãa, não deixa de ser a mais áspera que cá temos, e póde servir +para muitos usos. + + +_Algodão de caroço pardo, e inteiro_.[14] + + +A sua maçãa mais grossa, que a precedente, porém não tão comprida, +contém de tres até quatro valvulas, que encerrão outros tantos capulhos, +ou capuchos de huma abundante lãa, muito clara, e doce, que cobre nove +sementes unidas em hum caroço, coberto de hum pêllo pardo, o seu +comprimento he pouco mais de pollegada; o fio, que produz este Algodão, +he forte, e por isso se póde fiar bem delicado. + +A sua arvore he grossa bastante, e de huma grande ramificação, atura +muitos annos, e por isso de grande vantagem. + + +_Algodão de caroço verde, e inteiro_.[15] + + +A sua maçã em tudo semelhante á precedente, contém quatro capulhos; de +huma lãa clarissima, e muito fina, que cobre nove sementes unidas +cobertas de hum pêllo verde, caracter distinctivo desta especie; este +Algodão produz hum fio fortissimo, e por isso muito proprio para as +obras mais delicadas. + +A sua arvore he em tudo semelhante á precedente, e quasi estas duas +especies são analogas, e só as differença a côr do pêllo, que cobre os +caroços. + + +_Algodão de caroço inteiro de lãa parda côr de ganga_.[16] + +A sua maçãa he ordinaria, e produz tres ou quatro capulhos, ou capuchos +de huma lãa parda, que cobre hum caroço inteiro, e unido, que he +composto de sete e nove sementes. + +A sua arvore he persistente, e de muita duração. + + +_Algodão vulgar_.[17] + + +Tem as mesmas propriedades que o Algodão de Maranhão, unicamente com a +differença do seu caroço ser menor, composto de sete ou nove sementes, e +raras vezes de dez. + +A sua arvore he de grande duração. + + +_Algodão da India de caroço dividido, e cuberto de hum pêllo +branco_.[18] + + +A sua maçãa he pequena com tres quatro valvulas, contém outros tantos +capulhos de huma lãa finissima, muito alva, que cobre sete sementes +divididas, que faz o caracter do caroço dividido. + +A sua arvore he rasteira, e muito duravel. Esta semente nos veio da +India, em companhia do Cravo, da Canella, e do Gengibre, e se tem +conservado até agora. + +Tambem temos outra especie de Algodão da India de Caroço dividido, e +preto de lãa muito macia, e alva. + +A sua arvore he mais alta, que a precedente. + +Temos ainda duas especies de Algodão naturaes do Paiz, que se achão +silvestres nas margens do Rio das Contas, e bem semelhantes ao Algodão +da India, tanto nas suas sementes, como na sua arvore, tendo huma das +duas especies a lãa áspera, e parda. + +Eu as fiz plantar em beiramar, mas no tempo da fructificação, as chuvas +deitárão abaixo as novidades, sem ficar huma só maçãa. + +A sua arvore he de grande duração. + + + + +CALCULO ANALYTICO. + + +Hum escravo trabalhando em Algodão +dá de rendimento no Sertão 250$000 + +Prepára terra para 500 pés + +Que dão de lãa 62 e 16 a razão de 4 lib. por pé + +Tirada de 1364 maçãas, que produz +cada pé de colheita ordinaria. + +Além disto planta o milho, e feijão +para o seu sustento, e para crear +porcos, gallinhas, &c. + +O que melhor se conhece na Taboa +--Synthetica. + +FIM. + + + + +CALCULO SYNTHETICO DO RENDIMENTO DO ALGODÃO DO CAROÇO PARDO, VERDE, E DO +MARANHÃO. + + +============================================================================== +Producção do Algodão em |Maçã| Capul.| Gr. |Oit.|Lib.|Arrob.|Pés de| Preço + | | | | | | |Algod.| +-------------------------+----+-------+-------+----+----+------+------+---+--- +Huma maçãa contém | |3 até 4| | | | | | | +-------------------------+----+-------+-------+----+----+------+------+---+--- +Hum capulho dá de Lãa | | |9 p. m.| | | | | | +-------------------------+----+-------+-------+----+----+------+------+---+--- +Oito ditos dão | | | | 1 | | | | | +-------------------------+----+-------+-------+----+----+------+------+---+--- +1024 Capulhos dão | | | | | 1 | | | | +-------------------------+----+-------+-------+----+----+------+------+---+--- +1024 Capulhos reduzidos | | | | | | | | | + a Maçãas dão | 341| | | | | | | | +-------------------------+----+-------+-------+----+----+------+------+---+--- +Cada pé de colheita | | | | | | | | | + ordinaria dá |1364| | | | | | | | +-------------------------+----+-------+-------+----+----+------+------+---+--- +1364 Maçãas dão de Lã | | | | | 4 | | | | +-------------------------+----+-------+-------+----+----+------+------+---+--- +Cada trabalhador prepara | | | | | | | | | + terra para | | | | | | | 500 | | +-------------------------+----+-------+-------+----+----+------+------+---+--- +500 pés dão de Algodão | | | | | |62-1/2| | | +-------------------------+----+-------+-------+----+----+------+------+---+--- +62 arrob. e 1/2 | | | | | | | | | + vendido pelo preço | | | | | | | | | + corrente da Praça | | | | | | | | | + de 6:400 | | | | | | | |400|000 + | | | | | | | | | + 625 | | | | | | | | | + 6400 | | | | | | | | | + ------- | | | | | | | | | + 250000 | | | | | | | | | + 3750 | | | | | | | | | + -------- | | | | | | | | | + 400000(0 | | | | | | | | | +-------------------------+----+-------+-------+----+----+------+------+---+--- +62 arrob. e 1/2 no | | | | | | | | | + Sertão vendida | | | | | | | | | + a 4:000 rende | | | | | | | | | + | | | | | | | | | + 625 | | | | | | | | | + 4000 | | | | | | | | | + -------- | | | | | | | | | + 250000(0 | | | | | | | |250|000 +============================================================================== + + + + +_Annuncio de huma máquina singéla de carmear o Algodão, vista na China_. + +Por * * * + +Com huma Estampa. + + +1. Hum banco donde se assenta o carmeador. 2. Huma verga flexivel. 3. +Hum cordão, donde suspende o arco. 4. Gancho de ferro que engata na +argola do arco. 5. Hum arco de páo. 6. Huma corda de rabecão bastante +grossa. 7. Hum maço pequeno com que bate na corda, e com o dente que +tem, pega na dita corda, e puxando para si, faz hum estremecimento +grande, o que faz sacudir, carmeando, dividindo todo o çujo. 8. Argola +de ferro, donde engata o gancho N.^o 4. + + + + +[Figura] + + + + +Notas: + +[1] _No maior calor, que he do meiodia para tarde, e muitas vezes no +outro só chega a 60 na mesma estação_. + +[2] _Porque tanto chove de verão como de inverno, e muitas vezes o verão +he mais chuvoso, e só a differença das horas nos dias he que os faz +distinguir_. + +[3] _Coá tinga_ quer dizer mato branco, como são os de terras fracas. + +[4] _Catingas baixas, são mais baixas duas vezes, que as Catingas +altas_. + +[5] _Capoeiras_, palavra Europea substituida por corrupção a Brasiliana +_Có cuéra_, rossa antiga. + +[6] _Bandeiristas, são os homens, que encorporados debaixo de hum Chefe +atravessão as matas para seguirem os Judios, que assaltão as +propriedades, e estradas, ou mesmo para os amansar, e cada hum delles +separado se chama Bandeirista_. + +[7] _Ha huma observação, em que as sementes de Algodão de caroço inteiro +se devem plantar com os caroços unidos sem se dividirem, para sahir o +Algodão com os caroços unidos, que sendo divididas as sementes, assim +produz o Algodão com as sementes divididas_. + +[8] _Porque se planta o caroço inteiro_. + +[9] _Nome proprio do lugar_. + +[10] _Nome proprio, com que ficou pela conquista dos Indios Mongoiós, +este lugar_. + +[11] _Sacco, medida de dous alqueires do Brazil, que corresponde a +quatro alqueires de Portugal_. + +[12] _Animal, que vive na lama, que he coberta de arvores, a que chamão +mangues, e são banhados da maré_. Genero cancer. Especie cancer +hirsutus. + +[13] _Genero Gossypium de Lin_. + +[14] _Gossypium hirsutum_. + +[15] _Gossypium. Xilon Americanum praestantissimum semine virescente +Tournef_. + +[16] _Gossypium. Barbadense de Lin. Algodão de Sião_. + +[17] _Gossypium_. + +[18] _Gossypium arboreum de Lin. Algodão de Macassar_. + + + + +Lista de erros corrigidos + +Aqui encontram-se listados todos os erros encontrados e corrigidos: + + + +----------+---------------------+----------------------+ + | | Original | Correcção | + +----------+---------------------+----------------------+ + |#pág. 9| su? | sua | + +----------+---------------------+----------------------+ + +As variações de nomes próprios foram mantidas de acordo com o original. + + + + + +End of the Project Gutenberg EBook of Memória sobre a plantação dos algodões, by +José de Sá Bettencourt + +*** END OF THIS PROJECT GUTENBERG EBOOK MEMÓRIA SOBRE A PLANTAÇÃO *** + +***** This file should be named 31093-8.txt or 31093-8.zip ***** +This and all associated files of various formats will be found in: + https://www.gutenberg.org/3/1/0/9/31093/ + +Produced by Rita Farinha and the Online Distributed +Proofreading Team at https://www.pgdp.net (This file was +produced from images generously made available by National +Library of Portugal (Biblioteca Nacional de Portugal).) + + +Updated editions will replace the previous one--the old editions +will be renamed. + +Creating the works from public domain print editions means that no +one owns a United States copyright in these works, so the Foundation +(and you!) can copy and distribute it in the United States without +permission and without paying copyright royalties. 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You may copy it, give it away or +re-use it under the terms of the Project Gutenberg License included +with this eBook or online at www.gutenberg.org + + +Title: Memória sobre a plantação dos algodões + e sua exportação sobre a decadencia da lavoura de mandiocas, + no termo da villa de Camamú, Comarca dos Ilhéos, Governo + da Bahia + +Author: José de Sá Bettencourt + +Release Date: January 26, 2010 [EBook #31093] + +Language: Portuguese + +Character set encoding: ISO-8859-1 + +*** START OF THIS PROJECT GUTENBERG EBOOK MEMÓRIA SOBRE A PLANTAÇÃO *** + + + + +Produced by Rita Farinha and the Online Distributed +Proofreading Team at https://www.pgdp.net (This file was +produced from images generously made available by National +Library of Portugal (Biblioteca Nacional de Portugal).) + + + + + + +</pre> + + +<div> +<div class="fbox"> <b>Nota de editor:</b> +Devido à +existência de erros tipográficos neste texto, +foram tomadas várias decisões quanto à +versão final. Em caso de dúvida, a grafia foi +mantida de acordo com o original. No final deste livro +encontrará a lista de erros corrigidos.<br /> + +<br /> + +<div style="text-align: right; font-style: italic;">Rita +Farinha (Jan. 2010) +</div> + +</div> + +<br /> + +<br /> + +<br /> + +<br /> + +<h2> +PLANTAÇÃO DOS<br /> + +<br /> + +ALGODÕES </h2> + +<br /> + +<h3>J. S. Bettencourt </h3> + +<br /> + +<br /> + +<h2>MEMORIA<br /> + +SOBRE A PLANTAÇÃO<br /> + +DOS<br /> + +ALGODÕES.</h2> + +<br /> + +<br /> + +<br /> + +<br /> + +<br /> + +<div class="bbox"> +<h2>MEMORIA<br /> + +SOBRE A PLANTAÇÃO<br /> + +DOS<br /> + +ALGODÕES, </h2> + +<h4> +E sua exportação; sobre a decadencia da Lavoura +de<br /> + +mandiocas, no Termo da Villa de Camamú,<br /> + +Comarca dos +Ilhéos, Governo da<br /> + +Bahia, </h4> + +<h4> +APPRESENTADA, E OFFERECIDA </h4> + +<h3> +A SUA ALTEZA REAL<br /> + +O<br /> + +PRINCIPE DO BRAZIL<br /> + +NOSSO SENHOR,<br /> + +POR<br /> + +JOSÉ DE SÁ BETENCOURT, </h3> + +<br /> + +<div style="text-align: center;"><em>Bacharel +Formado pela Universidade de Coimbra: e</em><br /> + +<em>actualmente encarregado em exames de Historia</em><br /> + +<em>Natural na Capitania da +Bahia; &c.</em> <br /> + +</div> + +<br /> + +<br /> + +<div style="text-align: center;"><img style="width: 150px; height: 89px;" alt="" src="images/fig01.png" /><br /> + +</div> + +<br /> + +<h4> +ANNO. M. DCC. XCVIII.</h4> + +<br /> + +<br /> + +<div class="bbreak"> +<hr /></div> + +<h4><span class="smallcaps">Na Officina de +Simão +Thaddeo +Ferreira.</span></h4> + +</div> + +<br /> + +<br /> + +<br /> + +<br /> + +<div class="signature"><b>SENHOR.</b></div> + +<br /> + +<br /> + +<em>Eu tenho a honra de apresentar a V. A. R. o breve +resumo das minhas poucas observações sobre a +plantação dos Algodões, sua +exportação; e tambem das causas da decadencia da +lavoura de mandiocas no termo da Villa de Camamú, que +olhadas por V. A. R., Pai commum, será a dita lavoura dos +Algodões hum dos maiores ramos do nosso Commercio para +felicidade da Nação, e riqueza da Capitania da +Bahia, onde a Natureza tem depositado os Thesouros, de que +só he capaz a sua liberalidade.</em> +<br /> + +<br /> + +<em>Espero que V. A. R. haja de acolher com a grandeza do +seu Real Coração os bons desejos, que tenho, do +serviço de V. A. R., da felicidade do Paiz, e augmento da +Nação, no breve discurso, que tenho a honra de +apresentar a V. A. R. de quem sou com o maior respeito, e +veneração</em> <br /> + +<br /> + +<br /> + +<div class="signature">Vassalo obediente <br /> + +<br /> + +<em>José de Sá +Betencourt</em>.</div> + +<br /> + +<br /> + +<br /> + +<br /> + +<br /> + +A Terra, +mais rica na sua superficie, que nas suas entranhas, serve de theatro +á Sábia +Natureza, que a renova todos os dias, com as suas +producções; fazendo succeder por meio das +differentes, e multiplicadas sementes outras tantas especies de +vegetaes, que cobrem a superficie do nosso Globo, e fazem a felicidade +dos seus habitantes. Ella reparte com grande sabedoria os seus dons, e +faz que se propaguem sobre os differentes terrenos, que lhes +são proprios, já pela qualidade do seu +humus, já pela natureza do clima, sem que a destra +mão do Agricultor os possa fazer propagar á sua +vontade: assim vemos, que as plantas da Europa com difficuldade se +propagão em beiramar do Brazil; e algumas que á +força de trabalho crescem, e propagão, a sua +producção he +debil, e sem que os Lavradores possão tirar as vantagens, +que se +tirão na Europa, como vemos, e se observa na vinha, que mal +satisfaz a curiosidade do cultivador, sem que a +producção corresponda ao trabalho. <br /> + +<br /> + +Outras, que vegetão, e não propagão, +como +<span class="pagenum">[8]</span> +a oliveira, &c. outras +de tal sorte amantes do seu paiz, que não +vegetão, nem propagão. <br /> + +<br /> + +O mesmo, que observamos nas plantas da Europa, cultivadas no Brazil, se +observa nas plantas deste levadas para a Europa, que só +vivem em cazas de vidraças, subministrando-se-lhes com +estufas o calor, que lhes he necessario para a sua +vegetação. <br /> + +<br /> + +O Agricultor póde modificar o terreno, fazendo-o mais ou +menos gordo, mais ou menos poroso, appropriando-o á natureza +da sua lavoura, mas não o clima em grande, que influe na +maior parte da vegetação. <br /> + +<br /> + +Eu não me canço em referir as differentes +observações dos Filosofos, para provar, que o +clima influe mais na vegetação, do que a terra, +por ser esta materia huma, e muitas vezes discutida, e provada; +porque sendo a terra a mesma em toda a parte, e susceptivel de receber +as +modificações do Agricultor, vemos que ha grande +difficuldade em se fazer propagar as plantas de differentes climas +transplantadas; e ainda que saibamos, confórme os +verdadeiros princípios de +Agricultura, e de Chymica, que a terra he o meio, no qual se faz a +germinação, e que não serve +só de laboratorio, confórme o Abbade Tessier aos +succos, que lhes +são destinados; mas que entra tambem em grande parte na sua +composição, seja ella attenuada do modo, +que for, o que ainda existe nos occultos segredos da +<span class="pagenum"><a name="p9" id="p9">[9]</a></span> +Natureza, que o homem não +póde perceber, o que se conhece pelo residuo dos vegetaes +queimados; com tudo outras muitas experiencias +próvão, que o ar he muito necessario para a +perfeita vegetação, e que entra em grande parte +na +<a href="#e1">sua</a> +composição. <br /> + +<br /> + +A necessidade, que os vegetaes tem de agua para a sua +vegetação, he por todos bem conhecida, +não sendo demasiada, assim como o calor, que he o +princípio vivificante, o que tudo coopera, para que as +plantas cresção, e +produzão, confórme a qualidade do clima; que lhes +he analogo. Eu me não demoro em relatar theorias sobre o +princípio da vegetação; porque isto +sería exceder o plano, que me proponho; só me +basta provar, que o clima differente influe nesta, ou naquella lavoura, +para que o Agricultor perceba as utilidades com vantagem. <br /> + +<br /> + +A mesma differença, que observamos nos Paizes da Europa em +relação aos de beira mar do Brazil, se observa +nestes a respeito dos do Sertão, ou terra dentro, onde +são as estações +mais regulares, e as chuvas vem em tempos determinados, e constantes, o +que faz, com que a lavoura seja igual, e sempre certo o tempo da +plantação. <br /> + +<br /> + +O terreno da Villa do Camamú, que fica entre 14, e 15 gr., +desviado da Bahia ao Sul 24 legoas, he o Paiz mais irregular nas suas +estações, +<span class="pagenum">[10]</span> +que tenho visto, porque, quer seja de verão, quer de +inverno, +sempre as chuvas são continuadas; e o calor no +verão, confórme o termometro de Fahrenheit, +não chega a mais de 80 gr. e meio<sup><a href="#f1">[1]</a></sup>, +o que faz, com que as +plantações se conformem á +irregularidade do clima, e se não possa nelle +cultivar com vantagem, senão Mandiocas, Cafés, +Arroz, e Cacau, e não o Algodão, que he o +principal objecto; porque, ainda que cresça nas boas terras +de beira mar, a sua cultura se não póde fazer com +proveito, visto que o terreno lhe não he tão +proprio, e a irregularidade do clima rouba ao Lavrador as suas +esperanças, vindo as chuvas no tempo da colheita, a +destruir, e apodrecer o Algodão, ainda nos seus capulhos. <br /> + +<br /> + +Esta irregularidade se observa nos Paizes, que ficão ao Sul +da Bahia entre 13, e +20 gráos, onde se não conhece verão, +nem inverno<sup><a href="#f2">[2]</a></sup>, +senão pelo mais, ou menos calor, confórme os +ventos, que reinão nestas duas +estações; e +nunca o frio excede de 60 até 55 gr. do mesmo termometro, +tempo, em que reina o vento Sul, que sempre he acompanhado de chuvas. +<br /> + +<br /> + +<span class="pagenum">[11]</span> +A 14 legoas da Villa de Camamú, fazendo caminho de +Oest-Sudueste até encontrar as margens do Rio das Contas, +onde confinão as matas grossas, com as Catingas altas<sup><a href="#f3">[3]</a></sup>, e +vão confinar a 12 legoas com as Catingas baixas<sup><a href="#f4">[4]</a></sup>, +já a regularidade do clima se confórma com a +fertilidade do terreno, muito proprio para todas as +plantações, particularmente, para a lavoura do +Algodão, onde se acha silvestre no meio das ditas Catingas. <br /> + +<br /> + +Este terreno, que fica a 26 legoas de beira mar separado pela mata, a +qual vem a confinar, com as que os naturaes do Paiz chamão +Catingas grossas, he sem dúvida o mais proprio para a dita +lavoura, porque o Algodão domestico, huma vez plantado, se +conserva por muitos annos, ainda sem nenhum beneficio, como o encontrei +na Fazenda do Rio das Contas, onde tinha sido plantado havia dezoito +annos, e se conservava no meio das Capoeiras<sup><a href="#f5">[5]</a></sup>, +com tanto vigor, como +se fosse novamente plantado. <br /> + +<br /> + +Todo o Sertão da borda do Rio das Contas +<span class="pagenum">[12]</span> +tem a mesma propriedade: toda a mata, que fica entre o +dito Rio das Contas da parte do Sul, e o Rio do Gragongi, +confórme a fé dos +bandeiristas<sup><a href="#f6">[6]</a></sup>, +possue as mesmas qualidades. <br /> + +<br /> + +Este vasto terreno, que principia a 13 legoas da beiramar, he cortado +de Sueste, a Noroeste pelo Rio das Contas, susceptivel de +navegação de grandes canoas, e outros muitos +rios, que vem cruzar com elle, tanto da parte do Norte, como do Sul, +sem a mesma facilidade de navegação, os da parte +do Norte são o Ribeirão de Area; ou Montanha, +Genipapo, Manageni, Rio das Pedras, Rio Preto. <br /> + +<br /> + +Todo o Sertão da Conquista desde a fazenda do Rio das +Contas, fazendo caminho de Sul, que será de 40 legoas, tem a +mesma propriedade, não só pela qualidade do +terreno, como tambem pela regularidade do clima, que he tanto mais +regular, quanto mais se affasta da beiramar. <br /> + +<br /> + +A margem do Rio Gavião, que vem fazer barra com o Rio das +Contas, seguindo o rio o caminho de Oeste, he igualmente propria para a +sobredita lavoura. +<br /> + +<br /> + +<span class="pagenum">[13]</span> +Os proprietarios das fazendas, que conhecem as vantagens desta lavoura, +a não fazem pela +razão, que logo exporei, quando fallar da sua +exportação. <br /> + +<br /> + +A planta, que produz o Algodão, entra na Classe +<em>Monadelphia</em> Ordem +<em>Polyandria</em>, genero +<em>Gossypium.</em> Lineu, se servio, para +distinguir as especies, das differenças das folhas, e das +glandulas, que se achão em algumas especies, e +não em +outras, cujo conhecimento só fica pertencendo aos Filosofos, +e não ao do vulgo; razão porque me servi da +differença das sementes, e do pêlo, que as cobre, +confórme as suas cores, +por ser hum caracter constante no Paiz, e conhecido de todos, que fazem +uso desta cultura, ainda que em pequeno; e da união destas +mesmas sementes, ao que chamão caroço inteiro, ou +dividido. <br /> + +<br /> + +Para se cultivar o Algodão basta derribar as Catingas altas, +ou Catingas baixas, logo que o tempo secco convida para este trabalho, +que he do mez de Junho por diante, e se deixão seccar +até o mez de Setembro. Os Soes, que neste tempo +são ardentissimos, seccão as madeiras de tal +sorte, que quando as chuvas avisão aos habitantes da sua +chegada pelos grandes trovões, que costumão haver +muitos dias antes, lhes lanção fogo, que reduz +tudo a cinzas, deixando a superficie da terra limpa, para se fazer a +plantação, sem maior +incómmodo, +<span class="pagenum">[14]</span> +ficando a terra estrumada, e fertil pelo +alkali vegetal. <br /> + +<br /> + +A lavoura se faz com enxadas, abrindo covas de oito em oito +pés, onde se lanção as +sementes<sup><a href="#f7">[7]</a></sup>, +e se cobrem com pouca terra; e porque o terreno ficaria +muito ocioso só com esta planta pela grande distancia, que +se lhe dá para a sua ramificação, em +quanto não chega ao +seu maior crescimento, e por se não ver o Lavrador obrigado +a alimpar a terra, que fica neste espaço, das hervas, que +nascem sem maior proveito, lhe planta o milho, e feijão, que +tudo cresce igualmente, sem que fação damno ao +Algodoal. <br /> + +<br /> + +A estação, que começa a ser chuvosa, +não céssa de regar a lavoura regularmente todas +as tardes, e muitas vezes á noite, vindo de manhã +o Sol até o meio dia animar a lavoura; algumas vezes +acontece virem as chuvas de oito em oito dias, por intervallos, no mez +de Outubro, até chegar a meiados de Novembro, tempo, em que +ellas são constantes. <br /> + +<br /> + +A fertilidade do terreno faz crescer com as <span class="pagenum">[15]</span> +plantas, outras muitas hervas, que o +Lavrador he obrigado a arrancallas, ou sachallas para desaffogar a sua +lavoura, que então cresce prodigiosamente; e quando se +dá a primeira limpa, se arrancão os +pés de Algodão superfluos na cova<sup><a href="#f8">[8]</a></sup>, deixando +só dous, que se capão, quando a planta +já tem altura sufficiente para brotar novos galhos ao redor +do tronco, e fazer com esta operação maior lucro +na colheita. <br /> + +<br /> + +No mez de Fevereiro costumão os Lavradores dar a segunda +monda á sua lavoura, confórme as suas differentes +occupações, e abundancia da herva, que torna a +renascer depois da primeira limpa. <br /> + +<br /> + +No mez de Maio se faz a colheita do milho, e do feijão, +deixando o terreno desembaraçado, e limpo, para no mez de +Julho se dar princípio á colheita do +Algodão, que continúa até +o mez de Outubro, e Novembro, tempo, em que se +pódão os Algodoeiros, para no segundo anno darem +huma fertilissima colheita. <br /> + +<br /> + +A necessidade, que não céssa de +ameaçar o Lavrador, o disperta a continuar o mesmo trabalho, +para ter certa a sustentação de milho, e +feijão, que já não póde +ser, senão +em terreno novo, que serve para augmentar a dita +plantação com a mesma +regularidade. +<br /> + +<br /> + +<span class="pagenum">[16]</span> +Deste modo veria o Lavrador crescer, com o seu trabalho, as suas +riquezas, não só pela +felicidade da lavoura, seu rendimento, e duração +da planta, como pela diminuta despeza no seu fabrico, se hum obstaculo +lhe não embaraçasse a +execução de hum plano tão util ao +Commercio, e ao Estado. <br /> + +<br /> + +O Abbade Tessier no seu discurso preliminar sobre a Agricultura se +expressa da maneira seguinte.==O mais poderoso meio de dar á +Agricultura toda a actividade, de que póde ser susceptivel, +he praticar caminhos de communicação em os +Paizes, onde os não ha, e canaes navegaveis para transporte +das mercadorias, &c. &c. +<em>Encyclopedia Dictionario de +Agric</em>, pag. 20. <br /> + +<br /> + +Não he a falta do caminho, que faz o embaraço da +exportação, mas sim a falta de +segurança deste mesmo caminho para socego, e frequencia dos +viandantes, que, na travessa da mata, se vêm accommettidos do +Barbaro Gentio +<em>Cotachós</em>, privando-os da +facilidade de transportarem as suas cargas pelo rio abaixo +até o Ribeirão da Arêa, +que fica a 13, até 14 legoas da Villa de Camamú, +de donde se podem muito bem conduzir em cavalgaduras, para deste porto +serem enviadas para a Capital, se houvesse naquelle lugar hum corpo de +homens, que os fizessem conter nos seus limites, repellindo a +força das invasões. +<br /> + +<br /> + +<span class="pagenum">[17]</span> +Este caminho, em outro tempo aberto por Ordem do Excellentissimo Manoel +da Cunha Menezes, quando governou a Bahia, terminando na estrada, que +vai para os Maracazes, dirigida dos Sertões da Conquista, +que ficão abaixo das +Contagens de Rio Pardo, e Tocajós, se fechou, não +só pela infestação do Gentio, mas pelo +longe, +máo passo, e falta de pastagens para os animaes, o que +conhecendo eu bem, obrigado da necessidade dos animaes precisos para o +costeamento dos meus Engenhos, pela miseria, e lastimosa necessidade do +povo, me resolvi a fazer outro, seguindo differente rumo, onde gastei +tres annos sem adjutorio do povo, nem da Camara, nem doutrem, perdendo +em todo este tempo o lucro das minhas lavouras, e o fiz muito mais +perto, e por hum terreno, que o acaso subministrou com algumas +pastagens. <br /> + +<br /> + +Não he preciso para segurança deste caminho mais, +que huma Povoação de Judios mansos chamados +<em>Mongoiós</em> no +Ribeirão da Arêa. Não são os +particulares, que tem este poder; mas sim o Governo, onde existe a +Régia Authoridade. <br /> + +<br /> + +Eu não conheço homens mais aptos para este fim, +do que a domestica Nação dos Indios +<em>Mongoiós</em>, não +só pelo seu grande valor, e intrepidez, como por serem huns +homens acostumados á vida silvestre, e que a maior parte do +tempo vivem da cassa, e da pesca, ainda que sejão +Agricultores, e +<span class="pagenum">[18]</span> +amantes da lavoura, +não soffrendo maior detrimento, em quanto crescem no +primeiro anno as suas lavouras, e desejão isto mesmo, +confórme o que me disserão, pelas +razões, que vou dar. <br /> + +<br /> + +Primeira, porque ha muito tempo não recebem as ferramentas, +que costumavão receber por Ordem do Governo. Segunda, porque +na grande distancia, em que morão, não tem, quem +represente +as suas necessidades ao Governo para as remediar. <br /> + +<br /> + +Terceira, porque se vêm opprimidos, sem poderem fazer as suas +lavouras, e as que fazem, serem destruidas pelos animaes domesticos dos +habitantes. <br /> + +<br /> + +Quarta, pela oppressão, que soffrem, de quem os governa, sem +que o longe lhes permitta a facilidade, de se poderem queixar. <br /> + +<br /> + +Quinta, porque o terreno da beira do Rio he mais abundante de cassa, e +peixe, e muito fertil; e sendo ahi animados de huma prudente +administração, de que são muito +susceptiveis, podem fazer a sua felicidade, de que resultão +ao Estado as seguintes vantagens. <br /> + +<br /> + +Primeira, confórme o que me disserão, quando aqui +chegárão na expedição +da Bandeira contra os +<em>Cotachós</em>, logo, que +elles viessem para a beira do Rio, as outras Aldêas da sua +mesma +Nação, que ainda não +sahírão das matas, se virião +encorporar +<span class="pagenum">[19]</span> +com +elles, assim que lhes constasse da sua felicidade, debaixo da doce +administração, e +protecção do Estado. <br /> + +<br /> + +Segunda, estes homens conciliados, debaixo da +direcção de hum Director desinteressado, +serão outros tantos valerosos soldados, que com facilidade +dalli melhor podem ser chamados, confórme as necessidades da +beiramar, do que do fundo dos Sertões, onde presentemente +habitão. <br /> + +<br /> + +Terceira, ficando a estrada livre da infestação +dos <em>Cotachós</em>, o Commercio +será livre aos viandantes, para com segurança +trazerem as suas mercadorias, de cuja facilidade resulta a +animação de huma lavoura tão +importante, servindo estes homens, para exportarem nas canoas as +grandes sommas de Algodão, que a +emulação +fará cultivar em todo o vasto terreno do baixo +Sertão da +<em>Reraca</em><sup><a href="#f9">[9]</a></sup>, +<em>Conquista</em><sup><a href="#f10">[10]</a></sup>, +e +<em>Borda da mata</em>, e das margens de +muitos rios navegaveis, que vem ter ao dito Rio das Contas. <br /> + +<br /> + +Quarta, o poder-se frequentar a dita Estrada da beira do Rio para a +Villa do Camamú, por ficarem os moradores livres do receio +das invasões dos +<em>Cotachós</em>, que se +entranharão pelas matas do Sul, logo que souberem da +residencia destes homens +<span class="pagenum">[20]</span> +na beira do rio, tão valerosos, e destros não +só no manejo das suas armas, como das nossas. <br /> + +<br /> + +Quinta, o grande Commercio de +<em>Ipecúcuanha</em>, que elles +podem fazer, tirando-a nas margens do mesmo Rio das Contas, +Ribeirão da +<em>Arêa</em>, e matas do +<em>Gragongi</em>, onde ha com abundancia. +<br /> + +<br /> + +He experimentado na Agricultura, que a falta de animaes para o seu +fabrico faz a sua decadencia. Esta verdade, que tem sido provada em +muitos Paizes, confórme os Abbades +<em>Rosier</em>, e +<em>Tessier</em>, grandes escritores, e +Mestres desta Sciencia, não deixa de ser lastimosamente +comprovada neste Paiz, que sendo, em outro tempo, abundante de +farinhas, unico commercio, que fazia para a Capital, hoje se +vê reduzido á ultima miseria de sorte, que a +exportação, que presentemente se faz para a +Bahia, deste genero tão necessario, he, para a que se fazia +em outro tempo, como de 1 para 1000. <br /> + +<br /> + +A razão desta decadencia he bem conhecida. Em quanto +havião matas virgens á borda do mar, ou de muitos +rios navegaveis, que entrão algumas legoas terra dentro, a +lavoura se fazia com facilidade, e com a mesma se conduzião +as farinhas ás costas dos escravos, e de poucos animaes para +os pórtos de embarque. Hoje porém que +já +as terras da borda d'agua estão reduzidas a Capoeiras, huma, +e muitas vezes plantadas, e minadas de formigueiros, +<span class="pagenum">[21]</span> +destruidores da mandioca, he o producto da +lavoura nas capoeiras, para o producto, que tiravão os +Lavradores nas matas virgens, como de 5 até 10, para 40, 50, +60, e para 100, o que se próva pela +tradição dos antigos +Lavradores, e pelo preço das farinhas desse tempo, que nunca +excederão a 480, sendo o preço usual de 240, a +320 o sacco<sup><a href="#f11">[11]</a></sup>, +e o seu preço actual 1280, a 1600, sem +esperanças de melhoramento, porque sempre o preço +he na razão inversa da abundancia do +genero. <br /> + +<br /> + +Os póvos humildes por sua natureza, e pela +creação mui grosseira, se não +animão a procurar melhoramento, não só +pela pequenhez do seu animo, como por lhes faltarem os animaes +necessarios, para conduzirem de mais longe as suas farinhas. A falta de +açougue he outro obstaculo. Os Póvos, +não tendo huma certa sustentação, +não se +animão a apartarem-se dos mangues, para lhes não +faltar o sustento do Carangueijo<sup><a href="#f12">[12]</a></sup>. +<br /> + +<br /> + +Nas tres legoas, da borda dos rios para dentro, estão as +boas terras de lavoura de mandiocas, que +<span class="pagenum">[22]</span> +pela sua grande +producção, se os Lavradores se animassem a +entrar, tendo abundancia de animaes para transporte das suas farinhas, +como se vê na ribeira de Nazaré, farião +renascer a abundancia deste genero tão precioso neste paiz. +Outros muitos estabelecimentos de Engenhos de assucar se +poderião fazer, de que resultarião ao Estado +grandes vantagens, se houvesse no Paiz abundancia de animaes, o que +não succede pela falta de abertura ou de estrada. <br /> + +<br /> + +A Agricultura entretem de dous modos o commercio, tanto interior, como +exterior, fazendo propagar os generos de +exportação para as manufacturas, e os que se +consomem na terra, e servem de sustentação. Faz a +base fundamental da +felicidade dos Póvos, e da riqueza do Estado. <br /> + +<br /> + +O Arraial do Caitité, que fica 30 legoas inda acima das +Cabeceiras do Rio das Contas, que dista 130 legoas, ou pouco menos do +primeiro porto de embarque, que he na Villa da Cachoeira, era +á 25 annos pobre, deserto, e só manejava o +diminuto commercio de gados, mas de muito pobres fazendas se +vê hoje o mais rico daquelles Sertões, +depois que derão princípio á cultura +do Algodão, +havendo nelle grandes Lavradores, pela facilidade, e +segurança de fazerem descer por huma estrada frequentada os +seus generos. <br /> + +<br /> + +Os Póvos de Minas Novas, a exemplo destes, +<span class="pagenum">[23]</span> +não obstante o serem duas vezes mais +remotos do porto de embarque, fizerão o mesmo, a pezar do +grande dispendio na exportação: ora se estes +Póvos, a pezar da grande distancia, achão +utilidade nesta lavoura tão recommendada pela nossa Academia +das Sciencias de Lisboa sobre o Algodão da Persia, em que +logo fallarei, que vantagens não terão os que +cultivarem á borda da mata do nosso Sertão, que +está tão perto, ainda havendo a facilidade de se +conduzirem as cargas pelo rio abaixo em canoas, até o +Ribeirão da +<em>Arêa</em>, sendo o terreno o +mais proprio, que se conhece para a dita lavoura. <br /> + +<br /> + +As sementes do Algodão da Persia, que me forão +entregues com a norma impressa da sua cultura, eu fiz plantar em +differentes tempos, e não nascêrão, por +já terem o +germe destruido, e assento que se deverião mandar vir +frescas, mettidas em vasos de vidro tapados, se possivel for, +hermeticamente, e se poderem vir logo em direitura muito melhor +será para não padecerem as sementes +alteração na parte oleosa, que contém +a polpa, que cobre o germe, ou plumula. <br /> + +<br /> + +O Algodão da India, que cá temos, tem nas +sementes alguma semelhança com o Algodão da +Persia, por serem alguma cousa cobertas de hum pêlo branco, +porém não tanto, como o da Persia; a sua +flôr +he de hum vermelho côr de fogo, caracter +<span class="pagenum">[24]</span> +distincto do +Algodão de Macassar, o qual ainda conservamos em muito +pequena quantidade, por ser mais difficil no colher, porém +bastante para se poder augmentar a plantação; +reliquias +que nos ficárão dos generos da India, que em +outro tempo aqui forão cultivados, como a Canella, a +Pimenta, o Gengibre, e o mesmo Algodão, de que remetto o +exemplo na pequena caixa das amostras, onde vão seis +qualidades de Algodão; a saber. <br /> + +<br /> + +Algodão de caroço inteiro, comprido, e preto, que +he de muita vantagem na sua cultura, porque he mais fertil em +lãa, inda que de qualidade mais áspera, como se +póde ver na amostra, que remetto, e só +póde servir para as obras mais grossas. Chamão a +este Algodão vulgarmente do Maranhão; cuja arvore +he de menos +duração. <br /> + +<br /> + +Algodão de caroço inteiro, e preto, +porém não tão comprido, como o do +Maranhão, +a que chamão Algodão vulgar; a sua lãa +em +tudo se assemelha á do Maranhão, porém +tem +differença por ser o seu fio mais fraco, que o do +Maranhão, +porém a sua arvore he de mais duração. +<br /> + +<br /> + +Algodão de caroço unido, coberto de hum +pêlo pardo, a que chamão Algodão de +caroço +pardo, fertil em lãa mais macia, e doce, que a do +Maranhão, e produz hum fio fortissimo: a sua arvore he de +bastante duração. +<br /> + +<br /> + +<span class="pagenum">[25]</span> +Algodão de caroço unido, coberto de hum +pêllo verde, a que chamão Algodão de +caroço verde, a sua lãa he abundante, doce, +branda, e forte no fiar: a sua arvore he de huma grande +duração. <br /> + +<br /> + +Estas duas qualidades podem servir para obras mais delicadas como +cassas vulgares. <br /> + +<br /> + +Algodão de caroço inteiro, e preto, de +lãa parda, ou côr de ganga; a sua lãa +he muito macia, e forte: a sua arvore he duravel, póde +servir para se fazerem as gangas, e outras obras de fustões, +em que entrem listras côr de gangas. <br /> + +<br /> + +Algodão da India de caroço dividido, coberto de +hum pêllo branco bem semelhante aos caroços, ou +sementes do Algodão da Persia, de que já +fallei: a sua lãa he de hum branco fino muito doce, que +produz hum fio forte, capaz para as obras mais delicadas, como cassas +de sopro, &c. <br /> + +<br /> + +Algodão da India de caroço preto sem ser coberto, +e dividido; a sua lãa he igual á do +precedente com a differença de que o caroço +não +tem pêllo; a maçãa he maior, e os +casulos, +ou capuchos mais abundantes de lãa: tambem tem a +differença nas arvores, porque a do caroço preto +he mais crescida, quando a do caroço coberto he muito +rasteira, ainda que a sua duração seja +igual, pois, sendo cultivadas em terreno fertil, e estrumado, +aturão muitos annos. <br /> + +<br /> + +As arvores, que produzem o Algodão de caroço +<span class="pagenum">[26]</span> +pardo, verde, e preto, vulgar, e +de côr de ganga, são persistentes, e +aturão muitos annos; a +do Maranhão não chega a aturar dous annos neste +Paiz, ainda que não ha exemplo da sua cultura no +Sertão, onde o terreno he mais proprio para a dita lavoura, +e atura hum pé de Algodão entre o mato sem nenhum +beneficio 25 annos, e muito mais, porque ainda existem alguns, que +já tem esta idade. <br /> + +<br /> + +Temos outras duas qualidades de Algodão silvestre, que se +encontra em abundancia nas Catingas á margem do Rio das +Contas, tendo ambas as mesmas propriedades do Algodão da +India, tanto nas sementes, como nas arvores só com a +differença, de que huma destas especies tem a lãa +parda, e áspera por falta de cultura. <br /> + +<br /> + +O Algodão domestico, cultivado nas Catingas, dá +hum producto consideravel, o qual se póde ver na taboa +analitica do rendimento do Algodão. <br /> + +<br /> + +A execução destas vistas importantes, +não póde pertencer a outrem, senão ao +Rei, porque ellas pedem despezas, que excedem á fortuna dos +particulares, e necessitão da animação +das Ordens, e +do poder do Soberano, para transportar casaes de Ilheos, do mesmo modo, +que se fez para a Ilha de Santa Catharina, para dar maior +avanço á cultura dos +Algodões, e cultivar-se hum terreno, que póde +sustentar muitos milhões de Vassallos de Sua Magestade, e +descobrirem-se +<span class="pagenum">[27]</span> +immensos thesouros, +que se achão sepultados debaixo das matas, que, por falta de +cultura, se não conhecem; e em quanto o Estado +não dá sobre este importante objecto as +providencias precisas, basta que o Governo determine a residencia dos +Indios <em>Mongoiós</em> na +beira do Rio, para que ficando a estrada livre das invasões +dos +<em>Catachós</em>, se dê +princípio a huma tão importante lavoura, como +tambem para que possa por ella descer todo o Salitre, que se fabricar +não só nos Montes +Altos, como em todo o terreno nitroso do Ribeirão da Giboia, +que fica a 40 legoas de beiramar, de muito facil +condução, fazendo-se primeiro +conduzir em carros até o sitio chamado da Passagem, e dahi +em canoas até o Ribeirão da +<em>Arêa</em>, como tenho +já dito a respeito da exportação +do Algodão, e com muita facilidade conduzir-se para o +primeiro porto de embarque: no caso que seja o Salitre, o que torna as +aguas da dita Ribeira de hum gosto salgado frio, sendo as terras das +suas margens bastante salgadas; o que unicamente observei, sem que +podésse analysallas pela +precipitação, com que por ahi passei, e +não ter vasos suficientes para o poder fazer: posto que +tinha a noticia, de que João Gonçalves da Costa +fizera seccar huma porção deste Sal, que dizia +ser Salitre, e o tinha trazido a esta Cidade da Bahia no tempo do +Illustrissimo Governador Manoel da +<span class="pagenum">[28]</span> +Cunha Menezes, que, lançado no fogo, fazia a +detonação, deixando pela sua impureza bastante +terra; porque o seu author não possuia os conhecimentos +precisos, para fazer a perfeita deputação, o que +só póde decidir o exame filosofico, para +então se poder verificar, sem a menor +dúvida, inda que me affirmão pessoas de toda a +fé, que a tal massa detonava bastante exposta ao fogo; e +não só póde servir o beneficio da +dita estrada para a facilidade da exportação +deste genero, mas +tambem de todos os ramos, de que se segue tão grandes +vantagens ao Commercio, e por consequencia ao Estado.<br /> + +<br /> + +<br /> + +<div class="poetry1"><em>O fortunatos nimium, sua si +bona norint,<br /> + +Agricolas!...</em> <br /> + +<br /> + +<div class="signature">Virgil. Georg. Liv. 2. +</div> + +</div> + +<br /> + +<br /> + +<br /> + +<br /> + +<span class="pagenum">[29]</span> +<h3>DESCRIPÇÃO</h3> + +<h3>DAS DIFFERENTES ESPECIES</h3> + +<h3>DE</h3> + +<h3>ALGODÃO</h3> + +<h3>QUE TEMOS NO BRAZIL. </h3> + +<br /> + +<div style="text-align: center;"><em>Algodão +do Maranhão de +Caroço inteiro, e comprido</em>.<sup><a href="#f13">[13]</a></sup> +</div> + +<br /> + +<br /> + +A sua maçã, ou pericarpio comprida bastante +grossa, que contém nas suas valvulas, ou cellulas tres +capulhos, ou capuchos na frase do Paiz, da huma abundante +lãa, que cobre nove até dez +sementes unidas em hum só corpo, a que chamão +caroço inteiro, o qual tem de comprimento pollegada e meia. <br /> + +<br /> + +A sua arvore em beiramar da Villa do Camamú só +atura dous annos, e não ramifica como as outras, porque da +altura de tres palmos da terra, onde o tronco he grosso bastante, brota +muitas vergonteas, sem que faça maior +ramificação. <br /> + +<br /> + +A sua lãa, não deixa de ser a mais +áspera que cá temos, e póde servir +para muitos usos. +<br /> + +<br /> + +<br /> + +<span class="pagenum">[30]</span> +<div style="text-align: center;"><em>Algodão +de caroço pardo, e +inteiro</em>.<sup><a href="#f14">[14]</a></sup><br /> + +</div> + +<br /> + +<br /> + +A sua maçãa mais grossa, que a precedente, +porém não tão comprida, +contém de tres até quatro valvulas, que +encerrão outros tantos capulhos, ou capuchos de huma +abundante lãa, muito clara, e doce, que cobre nove sementes +unidas em hum caroço, coberto de hum pêllo pardo, +o seu comprimento he pouco mais de pollegada; o fio, que produz este +Algodão, he forte, e por isso se póde fiar bem +delicado. <br /> + +<br /> + +A sua arvore he grossa bastante, e de huma grande +ramificação, atura muitos annos, e por isso de +grande vantagem.<br /> + +<br /> + +<br /> + +<span class="pagenum">[31]</span> +<div style="text-align: center;"><em>Algodão +de caroço verde, e +inteiro</em>.<sup><a href="#f15">[15]</a></sup> +<br /> + +</div> + +<br /> + +<br /> + +A sua maçã em tudo +semelhante á precedente, contém quatro capulhos; +de huma lãa clarissima, e muito fina, que cobre nove +sementes unidas cobertas de hum pêllo verde, caracter +distinctivo desta especie; este Algodão produz hum fio +fortissimo, e por isso muito proprio para as obras mais delicadas. <br /> + +<br /> + +A sua arvore he em tudo semelhante á precedente, e quasi +estas duas especies são analogas, e só as +differença a côr do +pêllo, que cobre os caroços. <br /> + +<br /> + +<br /> + +<div style="text-align: center;"><em>Algodão +de caroço inteiro de +lãa parda côr de ganga</em>.<sup><a href="#f16">[16]</a></sup> <br /> + +</div> + +<br /> + +<br /> + +A sua maçãa he ordinaria, e produz tres ou quatro +capulhos, ou capuchos de huma lãa parda, que cobre hum +caroço inteiro, e unido, que he composto de sete e nove +sementes. <br /> + +<br /> + +A sua arvore he persistente, e de muita duração. +<br /> + +<br /> + +<br /> + +<span class="pagenum">[32]</span> +<div style="text-align: center;"><em>Algodão +vulgar</em>.<sup><a href="#f17">[17]</a></sup></div> + +<br /> + +<br /> + +Tem as mesmas propriedades que o Algodão de +Maranhão, unicamente com a differença do seu +caroço ser menor, composto de sete ou nove sementes, e raras +vezes de dez. <br /> + +<br /> + +A sua arvore he de grande duração. <br /> + +<br /> + +<br /> + +<div style="text-align: center;"><em>Algodão +da India de caroço +dividido, e cuberto de hum pêllo branco</em><em>.</em><sup><a href="#f18">[18]</a></sup> +<br /> + +</div> + +<br /> + +<br /> + +A sua maçãa he pequena com tres quatro valvulas, +contém outros tantos capulhos de huma lãa +finissima, muito alva, que cobre sete sementes divididas, que faz o +caracter do caroço dividido. <br /> + +<br /> + +A sua arvore he rasteira, e muito duravel. Esta semente nos veio da +India, em companhia do Cravo, da Canella, e do Gengibre, e se tem +conservado até agora. <br /> + +<br /> + +Tambem temos outra especie de Algodão da India de +Caroço dividido, e preto de lãa muito macia, e +alva. <br /> + +<br /> + +A sua arvore he mais alta, que a precedente. +<br /> + +<br /> + +<span class="pagenum">[33]</span> +Temos ainda duas especies de Algodão naturaes do Paiz, que +se achão silvestres nas margens do Rio das Contas, e bem +semelhantes ao Algodão da India, tanto nas suas sementes, +como na sua arvore, tendo huma das duas especies a lãa +áspera, e parda. <br /> + +<br /> + +Eu as fiz plantar em beiramar, mas no tempo da +fructificação, as chuvas +deitárão abaixo as novidades, sem ficar huma +só maçãa. <br /> + +<br /> + +A sua arvore he de grande duração. <br /> + +<br /> + +<br /> + +<br /> + +<span class="pagenum">[34]</span> +<h3>CALCULO ANALYTICO.</h3> + +<br /> + +<br /> + +<table style="text-align: left; width: 100%;" border="0" cellpadding="2" cellspacing="2"> + + <tbody> + + <tr> + + <td style="width: 78%; text-align: justify;" valign="top">Hum escravo +trabalhando em Algodão dá de +rendimento no +Sertão</td> + + <td style="width: 5%;"> + <div class="dots"></div> + + </td> + + <td style="text-align: right;" valign="bottom">250$000</td> + + </tr> + + <tr> + + <td style="text-align: justify;" valign="top">Prepára +terra +para</td> + + <td align="left"> + <div class="dots"></div> + + </td> + + <td style="text-align: right;" valign="top">500 +pés</td> + + </tr> + + <tr> + + <td style="text-align: justify;" valign="top">Que +dão de +lãa</td> + + <td> + <div class="dots"></div> + + </td> + + <td colspan="1" rowspan="2" style="text-align: right;" valign="top">62 e 16 a<br /> + +razão de 4<br /> + +lib. por pé</td> + + </tr> + + <tr> + + <td style="text-align: justify;" valign="top">Tirada +de 1364 maçãas, que produz cada +pé de colheita +ordinaria.</td> + + <td></td> + + </tr> + + <tr> + + <td style="text-align: justify;" valign="top">Além +disto planta o milho, e feijão para o seu +sustento, e para crear porcos, gallinhas, &c. </td> + + <td></td> + + <td></td> + + </tr> + + <tr> + + <td style="text-align: justify;" valign="top">O +que melhor se conhece na Taboa―Synthetica.</td> + + <td></td> + + <td></td> + + </tr> + + </tbody> +</table> + +<br /> + +<h4>FIM.</h4> + +<br /> + +<br /> + +<br /> + +<h4> +CALCULO SYNTHETICO<br /> + +DO<br /> + +RENDIMENTO DO ALGODÃO DO +CAROÇO PARDO, VERDE, E +DO MARANHÃO.</h4> + +<br /> + +<br /> + +<br /> + +<br /> + +<hr /> +<hr /> +<table style="text-align: left; width: 100%;" class="tinyl" border="1" cellpadding="2" cellspacing="2"> + + <tbody> + + <tr> + + <td style="width: 25%;" align="left" valign="top">Producção +do Algodão +em</td> + + <td style="text-align: center;" valign="top">Maçã</td> + + <td style="text-align: center;" valign="top">Capul.</td> + + <td style="text-align: center;" valign="top">Gr.</td> + + <td style="text-align: center;" valign="top">Oit.</td> + + <td style="text-align: center;" valign="top">Lib.</td> + + <td style="text-align: center;" valign="top">Arrob.</td> + + <td style="text-align: center;" valign="top">Pés +de<br /> + +Algod.</td> + + <td style="text-align: center;" valign="top">Preço</td> + + <td align="left" valign="top"></td> + + </tr> + + <tr> + + <td align="left" valign="top">Huma +maçãa +contém</td> + + <td align="left" valign="top"></td> + + <td style="text-align: center;" valign="top">3 +até +4</td> + + <td align="left" valign="top"></td> + + <td align="left" valign="top"></td> + + <td align="left" valign="top"></td> + + <td align="left" valign="top"></td> + + <td align="left" valign="top"></td> + + <td align="left" valign="top"></td> + + <td align="left" valign="top"></td> + + </tr> + + <tr> + + <td align="left" valign="top">Hum capulho +dá de +Lãa</td> + + <td align="left" valign="top"></td> + + <td align="left" valign="top"></td> + + <td style="text-align: center;" valign="top">9 +p. +m.</td> + + <td align="left" valign="top"></td> + + <td align="left" valign="top"></td> + + <td align="left" valign="top"></td> + + <td align="left" valign="top"></td> + + <td align="left" valign="top"></td> + + <td align="left" valign="top"></td> + + </tr> + + <tr> + + <td align="left" valign="top">Oito ditos +dão</td> + + <td align="left" valign="top"></td> + + <td align="left" valign="top"></td> + + <td align="left" valign="top"></td> + + <td style="text-align: center;" valign="top">1</td> + + <td align="left" valign="top"></td> + + <td align="left" valign="top"></td> + + <td align="left" valign="top"></td> + + <td align="left" valign="top"></td> + + <td align="left" valign="top"></td> + + </tr> + + <tr> + + <td align="left" valign="top">1024 Capulhos +dão</td> + + <td align="left" valign="top"></td> + + <td align="left" valign="top"></td> + + <td align="left" valign="top"></td> + + <td align="left" valign="top"></td> + + <td style="text-align: center;" valign="top">1</td> + + <td align="left" valign="top"></td> + + <td align="left" valign="top"></td> + + <td align="left" valign="top"></td> + + <td align="left" valign="top"></td> + + </tr> + + <tr> + + <td align="left" valign="top">1024 Capulhos +reduzidos a +Maçãas +dão</td> + + <td style="text-align: center;" valign="top">341</td> + + <td align="left" valign="top"></td> + + <td align="left" valign="top"></td> + + <td align="left" valign="top"></td> + + <td align="left" valign="top"></td> + + <td align="left" valign="top"></td> + + <td align="left" valign="top"></td> + + <td align="left" valign="top"></td> + + <td align="left" valign="top"></td> + + </tr> + + <tr> + + <td align="left" valign="top">Cada +pé de +colheita ordinaria dá</td> + + <td align="left" valign="top">1364</td> + + <td align="left" valign="top"></td> + + <td align="left" valign="top"></td> + + <td align="left" valign="top"></td> + + <td align="left" valign="top"></td> + + <td align="left" valign="top"></td> + + <td align="left" valign="top"></td> + + <td align="left" valign="top"></td> + + <td align="left" valign="top"></td> + + </tr> + + <tr> + + <td align="left" valign="top">Maçãas +dão de +Lã</td> + + <td align="left" valign="top"></td> + + <td align="left" valign="top"></td> + + <td align="left" valign="top"></td> + + <td align="left" valign="top"></td> + + <td style="text-align: center;" valign="top">4</td> + + <td align="left" valign="top"></td> + + <td align="left" valign="top"></td> + + <td align="left" valign="top"></td> + + <td align="left" valign="top"></td> + + </tr> + + <tr> + + <td align="left" valign="top">Cada +trabalhador prepara terra +para</td> + + <td align="left" valign="top"></td> + + <td align="left" valign="top"></td> + + <td align="left" valign="top"></td> + + <td align="left" valign="top"></td> + + <td align="left" valign="top"></td> + + <td align="left" valign="top"></td> + + <td style="text-align: center;" valign="top">500</td> + + <td align="left" valign="top"></td> + + <td align="left" valign="top"></td> + + </tr> + + <tr> + + <td align="left" valign="top">500 +pés dão de +Algodão</td> + + <td align="left" valign="top"></td> + + <td align="left" valign="top"></td> + + <td align="left" valign="top"></td> + + <td align="left" valign="top"></td> + + <td align="left" valign="top"></td> + + <td style="text-align: center;" valign="top">62-<sup>1</sup><big>⁄</big><sub>2</sub></td> + + <td align="left" valign="top"></td> + + <td align="left" valign="top"></td> + + <td align="left" valign="top"></td> + + </tr> + + <tr> + + <td align="left" valign="top">62 arrob. +e <sup>1</sup><big>⁄</big><sub>2</sub> +vendido +pelo +preço corrente da Praça de 6:400<br /> + + <br /> + + <div style="text-align: right;">625<br /> + +6400<br /> + +――――――<br /> + +250000<br /> + +3750<br /> + +―――――――-<br /> + +400000(0</div> + + </td> + + <td align="left" valign="top"></td> + + <td align="left" valign="top"></td> + + <td align="left" valign="top"></td> + + <td align="left" valign="top"></td> + + <td align="left" valign="top"></td> + + <td align="left" valign="top"></td> + + <td align="left" valign="top"></td> + + <td style="vertical-align: bottom; text-align: right;">400</td> + + <td style="vertical-align: bottom; text-align: right;">000</td> + + </tr> + + <tr> + + <td style="vertical-align: top; text-align: left;">62 +arrob. e <sup>1</sup><big>⁄</big><sub>2</sub> +no Sertão +vendida a 4:000 +rende<br /> + + <br /> + + <div style="text-align: right;">625<br /> + +6400<br /> + +―――――――-<br /> + +250000(0</div> + + </td> + + <td style="vertical-align: top; text-align: left;"></td> + + <td style="vertical-align: top; text-align: left;"></td> + + <td style="vertical-align: top; text-align: left;"></td> + + <td style="vertical-align: top; text-align: left;"></td> + + <td style="vertical-align: top; text-align: left;"></td> + + <td style="vertical-align: top; text-align: left;"></td> + + <td style="vertical-align: top; text-align: left;"></td> + + <td style="vertical-align: bottom; text-align: right;">250</td> + + <td style="vertical-align: bottom; text-align: right;">000</td> + + </tr> + + </tbody> +</table> + +<hr /> +<hr /><br /> + +<br /> + +<div style="text-align: center;"><em>Annuncio de +huma máquina singéla +de carmear o Algodão, vista na China.</em> <br /> + +</div> + +<br /> + +<div style="text-align: center;"><span class="smallcaps">Por</span> +* * * <br /> + +</div> + +<br /> + +<div style="text-align: center;">Com huma Estampa. <br /> + +</div> + +<br /> + +<br /> + +1. Hum banco donde se assenta o carmeador. 2. Huma verga +flexivel. 3. Hum cordão, +donde suspende o arco. 4. Gancho de ferro que engata na argola do arco. +5. Hum arco de páo. 6. Huma corda de rabecão +bastante grossa. 7. Hum maço pequeno com que bate na corda, +e com o dente que tem, pega na dita corda, e puxando para si, faz hum +estremecimento grande, o que faz sacudir, carmeando, dividindo todo o +çujo. 8. Argola de ferro, donde engata o gancho N.º +4.<br /> + +<br /> + +<br /> + +<br /> + +<div style="text-align: center;"><img style="width: 500px; height: 380px;" alt="" src="images/fig02.png" /><br /> + +</div> + +<br /> + +<br /> + +<br /> + +<br /> + +<b>Notas:</b><br /> + +<br /> + +<br /> + +<a name="f1" id="f1"></a><sup>[1]</sup> +<em>No maior calor, que he do meiodia para +tarde, e muitas vezes no outro só chega a 60 na mesma +estação</em>. <br /> + +<br /> + +<a name="f2" id="f2"></a><sup>[2]</sup> +<em>Porque tanto chove de verão +como de inverno, e muitas vezes o verão he mais chuvoso, e +só a +differença das horas nos dias he que os faz +distinguir</em>.<br /> + +<br /> + +<a name="f3" id="f3"></a><sup>[3]</sup> +<em>Coá tinga</em> quer +dizer mato branco, como são +os de terras fracas.<br /> + +<br /> + +<a name="f4" id="f4"></a><sup>[4]</sup> +<em>Catingas baixas, são mais +baixas duas vezes, que as Catingas altas</em>.<br /> + +<br /> + +<a name="f5" id="f5"></a><sup>[5]</sup> +<em>Capoeiras</em>, palavra +Europea substituida por corrupção a Brasiliana +<em>Có +cuéra</em>, rossa antiga.<br /> + +<br /> + +<a name="f6" id="f6"></a><sup>[6]</sup> +<em>Bandeiristas, +são os homens, +que encorporados debaixo de hum Chefe atravessão as matas +para seguirem os Judios, que assaltão as propriedades, e +estradas, ou mesmo para os amansar, e cada hum delles separado se chama +Bandeirista</em>.<br /> + +<br /> + +<a name="f7" id="f7"></a><sup>[7]</sup> +<em>Ha +huma observação, +em que as sementes de Algodão de caroço inteiro +se devem plantar com +os caroços unidos sem se dividirem, para sahir o +Algodão com os caroços unidos, que sendo +divididas as sementes, assim produz o Algodão com as +sementes divididas</em>.<br /> + +<br /> + +<a name="f8" id="f8"></a><sup>[8]</sup><em> +Porque se planta o caroço inteiro</em>.<br /> + +<br /> + +<a name="f9" id="f9"></a><sup>[9]</sup><em> +Nome proprio do lugar</em>.<br /> + +<br /> + +<a name="f10" id="f10"></a><sup>[10]</sup><em> +Nome proprio, com que ficou +pela +conquista dos Indios Mongoiós, este +lugar</em>.<br /> + +<br /> + +<a name="f11" id="f11"></a><sup>[11]</sup><em>Sacco, +medida de dous alqueires do +Brazil, que corresponde a quatro alqueires de +Portugal</em>.<br /> + +<br /> + +<a name="f12" id="f12"></a><sup>[12]</sup><em>Animal, +que vive na lama, que he coberta +de arvores, a que chamão mangues, e são banhados +da maré</em>. Genero cancer. Especie cancer +hirsutus.<br /> + +<br /> + +<a name="f13" id="f13"></a><sup>[13]</sup><em>Genero +Gossypium de +Lin</em>.<br /> + +<br /> + +<a name="f14" id="f14"></a><sup>[14]</sup> +<em>Gossypium +hirsutum.</em><br /> + +<br /> + +<a name="f15" id="f15"></a><sup>[15]</sup> +<em>Gossypium. +Xilon Americanum +præstantissimum semine virescente Tournef</em>. +<br /> + +<br /> + +<a name="f16" id="f16"></a><sup>[16]</sup> +<em>Gossypium. +Barbadense de Lin. +Algodão de Sião</em>.<br /> + +<br /> + +<a name="f17" id="f17"></a><sup>[17]</sup> +<em>Gossypium</em>. +<br /> + +<br /> + +<a name="f18" id="f18"></a><sup>[18]</sup> +<em>Gossypium +arboreum de Lin. +Algodão de Macassar</em>.<br /> + +<br /> + +<br /> + +<br /> + +<br /> + +<div class="fbox"> +<h2>Lista de erros corrigidos</h2> + +<div style="text-align: center;">Aqui +encontram-se +listados todos os erros encontrados e corrigidos:</div> + +<br /> + +<br /> + +<table style="width: 80%; text-align: left; margin-left: auto; margin-right: auto;" border="0" cellpadding="4" cellspacing="4"> + + <tbody> + + <tr align="right"> + + <td style="width: 61px;"></td> + + <td style="font-weight: bold; text-align: center; width: 121px;">Original</td> + + <td style="text-align: center; width: 5px;"></td> + + <td style="font-weight: bold; text-align: center; width: 135px;">Correcção</td> + + </tr> + + <tr> + + <td style="text-align: right;"><a name="e1" id="e1"></a><a href="#p9">#pág. +9</a></td> + + <td style="text-align: center;">su?</td> + + <td style="text-align: center;">...</td> + + <td style="text-align: center;">sua</td> + + </tr> + + </tbody> +</table> + +<div style="text-align: center;"><br /> + +As variações de nomes próprios foram +mantidas de acordo com o original.<br /> + +<br /> + +</div> + +</div> + +</div> + + + + + + + + +<pre> + + + + + +End of the Project Gutenberg EBook of Memória sobre a plantação dos algodões, by +José de Sá Bettencourt + +*** END OF THIS PROJECT GUTENBERG EBOOK MEMÓRIA SOBRE A PLANTAÇÃO *** + +***** This file should be named 31093-h.htm or 31093-h.zip ***** +This and all associated files of various formats will be found in: + https://www.gutenberg.org/3/1/0/9/31093/ + +Produced by Rita Farinha and the Online Distributed +Proofreading Team at https://www.pgdp.net (This file was +produced from images generously made available by National +Library of Portugal (Biblioteca Nacional de Portugal).) + + +Updated editions will replace the previous one--the old editions +will be renamed. + +Creating the works from public domain print editions means that no +one owns a United States copyright in these works, so the Foundation +(and you!) can copy and distribute it in the United States without +permission and without paying copyright royalties. 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Redistribution is +subject to the trademark license, especially commercial +redistribution. + + + +*** START: FULL LICENSE *** + +THE FULL PROJECT GUTENBERG LICENSE +PLEASE READ THIS BEFORE YOU DISTRIBUTE OR USE THIS WORK + +To protect the Project Gutenberg-tm mission of promoting the free +distribution of electronic works, by using or distributing this work +(or any other work associated in any way with the phrase "Project +Gutenberg"), you agree to comply with all the terms of the Full Project +Gutenberg-tm License (available with this file or online at +https://gutenberg.org/license). + + +Section 1. General Terms of Use and Redistributing Project Gutenberg-tm +electronic works + +1.A. By reading or using any part of this Project Gutenberg-tm +electronic work, you indicate that you have read, understand, agree to +and accept all the terms of this license and intellectual property +(trademark/copyright) agreement. 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It exists +because of the efforts of hundreds of volunteers and donations from +people in all walks of life. + +Volunteers and financial support to provide volunteers with the +assistance they need are critical to reaching Project Gutenberg-tm's +goals and ensuring that the Project Gutenberg-tm collection will +remain freely available for generations to come. In 2001, the Project +Gutenberg Literary Archive Foundation was created to provide a secure +and permanent future for Project Gutenberg-tm and future generations. +To learn more about the Project Gutenberg Literary Archive Foundation +and how your efforts and donations can help, see Sections 3 and 4 +and the Foundation web page at https://www.pglaf.org. + + +Section 3. Information about the Project Gutenberg Literary Archive +Foundation + +The Project Gutenberg Literary Archive Foundation is a non profit +501(c)(3) educational corporation organized under the laws of the +state of Mississippi and granted tax exempt status by the Internal +Revenue Service. The Foundation's EIN or federal tax identification +number is 64-6221541. Its 501(c)(3) letter is posted at +https://pglaf.org/fundraising. Contributions to the Project Gutenberg +Literary Archive Foundation are tax deductible to the full extent +permitted by U.S. federal laws and your state's laws. + +The Foundation's principal office is located at 4557 Melan Dr. S. +Fairbanks, AK, 99712., but its volunteers and employees are scattered +throughout numerous locations. Its business office is located at +809 North 1500 West, Salt Lake City, UT 84116, (801) 596-1887, email +business@pglaf.org. Email contact links and up to date contact +information can be found at the Foundation's web site and official +page at https://pglaf.org + +For additional contact information: + Dr. Gregory B. Newby + Chief Executive and Director + gbnewby@pglaf.org + + +Section 4. Information about Donations to the Project Gutenberg +Literary Archive Foundation + +Project Gutenberg-tm depends upon and cannot survive without wide +spread public support and donations to carry out its mission of +increasing the number of public domain and licensed works that can be +freely distributed in machine readable form accessible by the widest +array of equipment including outdated equipment. Many small donations +($1 to $5,000) are particularly important to maintaining tax exempt +status with the IRS. + +The Foundation is committed to complying with the laws regulating +charities and charitable donations in all 50 states of the United +States. 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Donations are accepted in a number of other +ways including including checks, online payments and credit card +donations. To donate, please visit: https://pglaf.org/donate + + +Section 5. General Information About Project Gutenberg-tm electronic +works. + +Professor Michael S. Hart was the originator of the Project Gutenberg-tm +concept of a library of electronic works that could be freely shared +with anyone. For thirty years, he produced and distributed Project +Gutenberg-tm eBooks with only a loose network of volunteer support. + + +Project Gutenberg-tm eBooks are often created from several printed +editions, all of which are confirmed as Public Domain in the U.S. +unless a copyright notice is included. Thus, we do not necessarily +keep eBooks in compliance with any particular paper edition. + + +Most people start at our Web site which has the main PG search facility: + + https://www.gutenberg.org + +This Web site includes information about Project Gutenberg-tm, +including how to make donations to the Project Gutenberg Literary +Archive Foundation, how to help produce our new eBooks, and how to +subscribe to our email newsletter to hear about new eBooks. + + +</pre> + +</body> +</html> diff --git a/31093-h/images/fig01.png b/31093-h/images/fig01.png Binary files differnew file mode 100644 index 0000000..b60efaf --- /dev/null +++ b/31093-h/images/fig01.png diff --git a/31093-h/images/fig02.png b/31093-h/images/fig02.png Binary files differnew file mode 100644 index 0000000..f401bef --- /dev/null +++ b/31093-h/images/fig02.png diff --git a/LICENSE.txt b/LICENSE.txt new file mode 100644 index 0000000..6312041 --- /dev/null +++ b/LICENSE.txt @@ -0,0 +1,11 @@ +This eBook, including all associated images, markup, improvements, +metadata, and any other content or labor, has been confirmed to be +in the PUBLIC DOMAIN IN THE UNITED STATES. + +Procedures for determining public domain status are described in +the "Copyright How-To" at https://www.gutenberg.org. + +No investigation has been made concerning possible copyrights in +jurisdictions other than the United States. 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