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+The Project Gutenberg EBook of Memória sobre a plantação dos algodões, by
+José de Sá Bettencourt
+
+This eBook is for the use of anyone anywhere at no cost and with
+almost no restrictions whatsoever. You may copy it, give it away or
+re-use it under the terms of the Project Gutenberg License included
+with this eBook or online at www.gutenberg.org
+
+
+Title: Memória sobre a plantação dos algodões
+ e sua exportação sobre a decadencia da lavoura de mandiocas,
+ no termo da villa de Camamú, Comarca dos Ilhéos, Governo
+ da Bahia
+
+Author: José de Sá Bettencourt
+
+Release Date: January 26, 2010 [EBook #31093]
+
+Language: Portuguese
+
+Character set encoding: ISO-8859-1
+
+*** START OF THIS PROJECT GUTENBERG EBOOK MEMÓRIA SOBRE A PLANTAÇÃO ***
+
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+
+Produced by Rita Farinha and the Online Distributed
+Proofreading Team at https://www.pgdp.net (This file was
+produced from images generously made available by National
+Library of Portugal (Biblioteca Nacional de Portugal).)
+
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+
+ *Nota de editor:* Devido à quantidade de erros tipográficos
+ existentes neste texto, foram tomadas várias decisões quanto à
+ versão final. Em caso de dúvida, a grafia foi mantida de acordo com
+ o original. No final deste livro encontrará a lista de erros
+ corrigidos.
+
+ Rita Farinha (Jan. 2010)
+
+
+
+
+PLANTAÇÃO DOS
+
+ALGODÕES
+
+J. S. Bettencourt
+
+
+
+
+MEMORIA
+SOBRE A PLANTAÇÃO
+DOS
+ALGODÕES.
+
+
+
+
+MEMORIA
+SOBRE A PLANTAÇÃO
+DOS
+ALGODÕES,
+
+E sua exportação; sobre a decadencia da Lavoura de
+mandiocas, no Termo da Villa de Camamú,
+Comarca dos Ilhéos, Governo da
+Bahia,
+
+APPRESENTADA, E OFFERECIDA
+
+A SUA ALTEZA REAL
+O
+PRINCIPE DO BRAZIL
+NOSSO SENHOR,
+POR
+JOSÉ DE SÁ BETENCOURT,
+
+_Bacharel Formado pela Universidade de Coimbra: e
+actualmente encarregado em exames de Historia
+Natural na Capitania da Bahia; &c._
+
+ANNO. M. DCC. XCVIII.
+
+Na Officina de Simão Thaddeo Ferreira.
+
+
+
+ SENHOR.
+
+
+_Eu tenho a honra de apresentar a V. A. R. o breve resumo das minhas
+poucas observações sobre a plantação dos Algodões, sua exportação; e
+tambem das causas da decadencia da lavoura de mandiocas no termo da
+Villa de Camamú, que olhadas por V. A. R., Pai commum, será a dita
+lavoura dos Algodões hum dos maiores ramos do nosso Commercio para
+felicidade da Nação, e riqueza da Capitania da Bahia, onde a Natureza
+tem depositado os Thesouros, de que só he capaz a sua liberalidade._
+
+_Espero que V. A. R. haja de acolher com a grandeza do seu Real Coração
+os bons desejos, que tenho, do serviço de V. A. R., da felicidade do
+Paiz, e augmento da Nação, no breve discurso, que tenho a honra de
+apresentar a V. A. R. de quem sou com o maior respeito, e veneração_
+
+
+ Vassalo obediente
+
+ _José de Sá Betencourt_.
+
+
+
+
+A Terra, mais rica na sua superficie, que nas suas entranhas, serve de
+theatro á Sábia Natureza, que a renova todos os dias, com as suas
+producções; fazendo succeder por meio das differentes, e multiplicadas
+sementes outras tantas especies de vegetaes, que cobrem a superficie do
+nosso Globo, e fazem a felicidade dos seus habitantes. Ella reparte com
+grande sabedoria os seus dons, e faz que se propaguem sobre os
+differentes terrenos, que lhes são proprios, já pela qualidade do seu
+humus, já pela natureza do clima, sem que a destra mão do Agricultor os
+possa fazer propagar á sua vontade: assim vemos, que as plantas da
+Europa com difficuldade se propagão em beiramar do Brazil; e algumas que
+á força de trabalho crescem, e propagão, a sua producção he debil, e sem
+que os Lavradores possão tirar as vantagens, que se tirão na Europa,
+como vemos, e se observa na vinha, que mal satisfaz a curiosidade do
+cultivador, sem que a producção corresponda ao trabalho.
+
+Outras, que vegetão, e não propagão, como a oliveira, &c. outras de tal
+sorte amantes do seu paiz, que não vegetão, nem propagão.
+
+O mesmo, que observamos nas plantas da Europa, cultivadas no Brazil, se
+observa nas plantas deste levadas para a Europa, que só vivem em cazas
+de vidraças, subministrando-se-lhes com estufas o calor, que lhes he
+necessario para a sua vegetação.
+
+O Agricultor póde modificar o terreno, fazendo-o mais ou menos gordo,
+mais ou menos poroso, appropriando-o á natureza da sua lavoura, mas não
+o clima em grande, que influe na maior parte da vegetação.
+
+Eu não me canço em referir as differentes observações dos Filosofos,
+para provar, que o clima influe mais na vegetação, do que a terra, por
+ser esta materia huma, e muitas vezes discutida, e provada; porque sendo
+a terra a mesma em toda a parte, e susceptivel de receber as
+modificações do Agricultor, vemos que ha grande difficuldade em se fazer
+propagar as plantas de differentes climas transplantadas; e ainda que
+saibamos, confórme os verdadeiros princípios de Agricultura, e de
+Chymica, que a terra he o meio, no qual se faz a germinação, e que não
+serve só de laboratorio, confórme o Abbade Tessier aos succos, que lhes
+são destinados; mas que entra tambem em grande parte na sua composição,
+seja ella attenuada do modo, que for, o que ainda existe nos occultos
+segredos da Natureza, que o homem não póde perceber, o que se conhece
+pelo residuo dos vegetaes queimados; com tudo outras muitas experiencias
+próvão, que o ar he muito necessario para a perfeita vegetação, e que
+entra em grande parte na sua composição.
+
+A necessidade, que os vegetaes tem de agua para a sua vegetação, he por
+todos bem conhecida, não sendo demasiada, assim como o calor, que he o
+princípio vivificante, o que tudo coopera, para que as plantas cresção,
+e produzão, confórme a qualidade do clima; que lhes he analogo. Eu me
+não demoro em relatar theorias sobre o princípio da vegetação; porque
+isto sería exceder o plano, que me proponho; só me basta provar, que o
+clima differente influe nesta, ou naquella lavoura, para que o
+Agricultor perceba as utilidades com vantagem.
+
+A mesma differença, que observamos nos Paizes da Europa em relação aos
+de beira mar do Brazil, se observa nestes a respeito dos do Sertão, ou
+terra dentro, onde são as estações mais regulares, e as chuvas vem em
+tempos determinados, e constantes, o que faz, com que a lavoura seja
+igual, e sempre certo o tempo da plantação.
+
+O terreno da Villa do Camamú, que fica entre 14, e 15 gr., desviado da
+Bahia ao Sul 24 legoas, he o Paiz mais irregular nas suas estações, que
+tenho visto, porque, quer seja de verão, quer de inverno, sempre as
+chuvas são continuadas; e o calor no verão, confórme o termometro de
+Fahrenheit, não chega a mais de 80 gr. e meio[1], o que faz, com que as
+plantações se conformem á irregularidade do clima, e se não possa nelle
+cultivar com vantagem, senão Mandiocas, Cafés, Arroz, e Cacau, e não o
+Algodão, que he o principal objecto; porque, ainda que cresça nas boas
+terras de beira mar, a sua cultura se não póde fazer com proveito, visto
+que o terreno lhe não he tão proprio, e a irregularidade do clima rouba
+ao Lavrador as suas esperanças, vindo as chuvas no tempo da colheita, a
+destruir, e apodrecer o Algodão, ainda nos seus capulhos.
+
+Esta irregularidade se observa nos Paizes, que ficão ao Sul da Bahia
+entre 13, e 20 gráos, onde se não conhece verão, nem inverno[2], senão
+pelo mais, ou menos calor, confórme os ventos, que reinão nestas duas
+estações; e nunca o frio excede de 60 até 55 gr. do mesmo termometro,
+tempo, em que reina o vento Sul, que sempre he acompanhado de chuvas.
+
+A 14 legoas da Villa de Camamú, fazendo caminho de Oest-Sudueste até
+encontrar as margens do Rio das Contas, onde confinão as matas grossas,
+com as Catingas altas[3], e vão confinar a 12 legoas com as Catingas
+baixas[4], já a regularidade do clima se confórma com a fertilidade do
+terreno, muito proprio para todas as plantações, particularmente, para a
+lavoura do Algodão, onde se acha silvestre no meio das ditas Catingas.
+
+Este terreno, que fica a 26 legoas de beira mar separado pela mata, a
+qual vem a confinar, com as que os naturaes do Paiz chamão Catingas
+grossas, he sem dúvida o mais proprio para a dita lavoura, porque o
+Algodão domestico, huma vez plantado, se conserva por muitos annos,
+ainda sem nenhum beneficio, como o encontrei na Fazenda do Rio das
+Contas, onde tinha sido plantado havia dezoito annos, e se conservava no
+meio das Capoeiras[5], com tanto vigor, como se fosse novamente
+plantado.
+
+Todo o Sertão da borda do Rio das Contas tem a mesma propriedade: toda a
+mata, que fica entre o dito Rio das Contas da parte do Sul, e o Rio do
+Gragongi, confórme a fé dos bandeiristas[6], possue as mesmas
+qualidades.
+
+Este vasto terreno, que principia a 13 legoas da beiramar, he cortado de
+Sueste, a Noroeste pelo Rio das Contas, susceptivel de navegação de
+grandes canoas, e outros muitos rios, que vem cruzar com elle, tanto da
+parte do Norte, como do Sul, sem a mesma facilidade de navegação, os da
+parte do Norte são o Ribeirão de Area; ou Montanha, Genipapo, Manageni,
+Rio das Pedras, Rio Preto.
+
+Todo o Sertão da Conquista desde a fazenda do Rio das Contas, fazendo
+caminho de Sul, que será de 40 legoas, tem a mesma propriedade, não só
+pela qualidade do terreno, como tambem pela regularidade do clima, que
+he tanto mais regular, quanto mais se affasta da beiramar.
+
+A margem do Rio Gavião, que vem fazer barra com o Rio das Contas,
+seguindo o rio o caminho de Oeste, he igualmente propria para a
+sobredita lavoura.
+
+Os proprietarios das fazendas, que conhecem as vantagens desta lavoura,
+a não fazem pela razão, que logo exporei, quando fallar da sua
+exportação.
+
+A planta, que produz o Algodão, entra na Classe _Monadelphia_ Ordem
+_Polyandria_, genero _Gossypium._ Lineu, se servio, para distinguir as
+especies, das differenças das folhas, e das glandulas, que se achão em
+algumas especies, e não em outras, cujo conhecimento só fica pertencendo
+aos Filosofos, e não ao do vulgo; razão porque me servi da differença
+das sementes, e do pêlo, que as cobre, confórme as suas cores, por ser
+hum caracter constante no Paiz, e conhecido de todos, que fazem uso
+desta cultura, ainda que em pequeno; e da união destas mesmas sementes,
+ao que chamão caroço inteiro, ou dividido.
+
+Para se cultivar o Algodão basta derribar as Catingas altas, ou Catingas
+baixas, logo que o tempo secco convida para este trabalho, que he do mez
+de Junho por diante, e se deixão seccar até o mez de Setembro. Os Soes,
+que neste tempo são ardentissimos, seccão as madeiras de tal sorte, que
+quando as chuvas avisão aos habitantes da sua chegada pelos grandes
+trovões, que costumão haver muitos dias antes, lhes lanção fogo, que
+reduz tudo a cinzas, deixando a superficie da terra limpa, para se fazer
+a plantação, sem maior incómmodo, ficando a terra estrumada, e fertil
+pelo alkali vegetal.
+
+A lavoura se faz com enxadas, abrindo covas de oito em oito pés, onde se
+lanção as sementes[7], e se cobrem com pouca terra; e porque o terreno
+ficaria muito ocioso só com esta planta pela grande distancia, que se
+lhe dá para a sua ramificação, em quanto não chega ao seu maior
+crescimento, e por se não ver o Lavrador obrigado a alimpar a terra, que
+fica neste espaço, das hervas, que nascem sem maior proveito, lhe planta
+o milho, e feijão, que tudo cresce igualmente, sem que fação damno ao
+Algodoal.
+
+A estação, que começa a ser chuvosa, não céssa de regar a lavoura
+regularmente todas as tardes, e muitas vezes á noite, vindo de manhã o
+Sol até o meio dia animar a lavoura; algumas vezes acontece virem as
+chuvas de oito em oito dias, por intervallos, no mez de Outubro, até
+chegar a meiados de Novembro, tempo, em que ellas são constantes.
+
+A fertilidade do terreno faz crescer com as plantas, outras muitas
+hervas, que o Lavrador he obrigado a arrancallas, ou sachallas para
+desaffogar a sua lavoura, que então cresce prodigiosamente; e quando se
+dá a primeira limpa, se arrancão os pés de Algodão superfluos na
+cova[8], deixando só dous, que se capão, quando a planta já tem altura
+sufficiente para brotar novos galhos ao redor do tronco, e fazer com
+esta operação maior lucro na colheita.
+
+No mez de Fevereiro costumão os Lavradores dar a segunda monda á sua
+lavoura, confórme as suas differentes occupações, e abundancia da herva,
+que torna a renascer depois da primeira limpa.
+
+No mez de Maio se faz a colheita do milho, e do feijão, deixando o
+terreno desembaraçado, e limpo, para no mez de Julho se dar princípio á
+colheita do Algodão, que continúa até o mez de Outubro, e Novembro,
+tempo, em que se pódão os Algodoeiros, para no segundo anno darem huma
+fertilissima colheita.
+
+A necessidade, que não céssa de ameaçar o Lavrador, o disperta a
+continuar o mesmo trabalho, para ter certa a sustentação de milho, e
+feijão, que já não póde ser, senão em terreno novo, que serve para
+augmentar a dita plantação com a mesma regularidade.
+
+Deste modo veria o Lavrador crescer, com o seu trabalho, as suas
+riquezas, não só pela felicidade da lavoura, seu rendimento, e duração
+da planta, como pela diminuta despeza no seu fabrico, se hum obstaculo
+lhe não embaraçasse a execução de hum plano tão util ao Commercio, e ao
+Estado.
+
+O Abbade Tessier no seu discurso preliminar sobre a Agricultura se
+expressa da maneira seguinte.==O mais poderoso meio de dar á Agricultura
+toda a actividade, de que póde ser susceptivel, he praticar caminhos de
+communicação em os Paizes, onde os não ha, e canaes navegaveis para
+transporte das mercadorias, &c. &c. _Encyclopedia Dictionario de Agric_,
+pag. 20.
+
+Não he a falta do caminho, que faz o embaraço da exportação, mas sim a
+falta de segurança deste mesmo caminho para socego, e frequencia dos
+viandantes, que, na travessa da mata, se vêm accommettidos do Barbaro
+Gentio _Cotachós_, privando-os da facilidade de transportarem as suas
+cargas pelo rio abaixo até o Ribeirão da Arêa, que fica a 13, até 14
+legoas da Villa de Camamú, de donde se podem muito bem conduzir em
+cavalgaduras, para deste porto serem enviadas para a Capital, se
+houvesse naquelle lugar hum corpo de homens, que os fizessem conter nos
+seus limites, repellindo a força das invasões.
+
+Este caminho, em outro tempo aberto por Ordem do Excellentissimo Manoel
+da Cunha Menezes, quando governou a Bahia, terminando na estrada, que
+vai para os Maracazes, dirigida dos Sertões da Conquista, que ficão
+abaixo das Contagens de Rio Pardo, e Tocajós, se fechou, não só pela
+infestação do Gentio, mas pelo longe, máo passo, e falta de pastagens
+para os animaes, o que conhecendo eu bem, obrigado da necessidade dos
+animaes precisos para o costeamento dos meus Engenhos, pela miseria, e
+lastimosa necessidade do povo, me resolvi a fazer outro, seguindo
+differente rumo, onde gastei tres annos sem adjutorio do povo, nem da
+Camara, nem doutrem, perdendo em todo este tempo o lucro das minhas
+lavouras, e o fiz muito mais perto, e por hum terreno, que o acaso
+subministrou com algumas pastagens.
+
+Não he preciso para segurança deste caminho mais, que huma Povoação de
+Judios mansos chamados _Mongoiós_ no Ribeirão da Arêa. Não são os
+particulares, que tem este poder; mas sim o Governo, onde existe a Régia
+Authoridade.
+
+Eu não conheço homens mais aptos para este fim, do que a domestica Nação
+dos Indios _Mongoiós_, não só pelo seu grande valor, e intrepidez, como
+por serem huns homens acostumados á vida silvestre, e que a maior parte
+do tempo vivem da cassa, e da pesca, ainda que sejão Agricultores, e
+amantes da lavoura, não soffrendo maior detrimento, em quanto crescem no
+primeiro anno as suas lavouras, e desejão isto mesmo, confórme o que me
+disserão, pelas razões, que vou dar.
+
+Primeira, porque ha muito tempo não recebem as ferramentas, que
+costumavão receber por Ordem do Governo. Segunda, porque na grande
+distancia, em que morão, não tem, quem represente as suas necessidades
+ao Governo para as remediar.
+
+Terceira, porque se vêm opprimidos, sem poderem fazer as suas lavouras,
+e as que fazem, serem destruidas pelos animaes domesticos dos
+habitantes.
+
+Quarta, pela oppressão, que soffrem, de quem os governa, sem que o longe
+lhes permitta a facilidade, de se poderem queixar.
+
+Quinta, porque o terreno da beira do Rio he mais abundante de cassa, e
+peixe, e muito fertil; e sendo ahi animados de huma prudente
+administração, de que são muito susceptiveis, podem fazer a sua
+felicidade, de que resultão ao Estado as seguintes vantagens.
+
+Primeira, confórme o que me disserão, quando aqui chegárão na expedição
+da Bandeira contra os _Cotachós_, logo, que elles viessem para a beira
+do Rio, as outras Aldêas da sua mesma Nação, que ainda não sahírão das
+matas, se virião encorporar com elles, assim que lhes constasse da sua
+felicidade, debaixo da doce administração, e protecção do Estado.
+
+Segunda, estes homens conciliados, debaixo da direcção de hum Director
+desinteressado, serão outros tantos valerosos soldados, que com
+facilidade dalli melhor podem ser chamados, confórme as necessidades da
+beiramar, do que do fundo dos Sertões, onde presentemente habitão.
+
+Terceira, ficando a estrada livre da infestação dos _Cotachós_, o
+Commercio será livre aos viandantes, para com segurança trazerem as suas
+mercadorias, de cuja facilidade resulta a animação de huma lavoura tão
+importante, servindo estes homens, para exportarem nas canoas as grandes
+sommas de Algodão, que a emulação fará cultivar em todo o vasto terreno
+do baixo Sertão da _Reraca_[9], _Conquista_[10], e _Borda da mata_, e
+das margens de muitos rios navegaveis, que vem ter ao dito Rio das
+Contas.
+
+Quarta, o poder-se frequentar a dita Estrada da beira do Rio para a
+Villa do Camamú, por ficarem os moradores livres do receio das invasões
+dos _Cotachós_, que se entranharão pelas matas do Sul, logo que souberem
+da residencia destes homens na beira do rio, tão valerosos, e destros
+não só no manejo das suas armas, como das nossas.
+
+Quinta, o grande Commercio de _Ipecúcuanha_, que elles podem fazer,
+tirando-a nas margens do mesmo Rio das Contas, Ribeirão da _Arêa_, e
+matas do _Gragongi_, onde ha com abundancia.
+
+He experimentado na Agricultura, que a falta de animaes para o seu
+fabrico faz a sua decadencia. Esta verdade, que tem sido provada em
+muitos Paizes, confórme os Abbades _Rosier_, e _Tessier_, grandes
+escritores, e Mestres desta Sciencia, não deixa de ser lastimosamente
+comprovada neste Paiz, que sendo, em outro tempo, abundante de farinhas,
+unico commercio, que fazia para a Capital, hoje se vê reduzido á ultima
+miseria de sorte, que a exportação, que presentemente se faz para a
+Bahia, deste genero tão necessario, he, para a que se fazia em outro
+tempo, como de 1 para 1000.
+
+A razão desta decadencia he bem conhecida. Em quanto havião matas
+virgens á borda do mar, ou de muitos rios navegaveis, que entrão algumas
+legoas terra dentro, a lavoura se fazia com facilidade, e com a mesma se
+conduzião as farinhas ás costas dos escravos, e de poucos animaes para
+os pórtos de embarque. Hoje porém que já as terras da borda d'agua estão
+reduzidas a Capoeiras, huma, e muitas vezes plantadas, e minadas de
+formigueiros, destruidores da mandioca, he o producto da lavoura nas
+capoeiras, para o producto, que tiravão os Lavradores nas matas virgens,
+como de 5 até 10, para 40, 50, 60, e para 100, o que se próva pela
+tradição dos antigos Lavradores, e pelo preço das farinhas desse tempo,
+que nunca excederão a 480, sendo o preço usual de 240, a 320 o
+sacco[11], e o seu preço actual 1280, a 1600, sem esperanças de
+melhoramento, porque sempre o preço he na razão inversa da abundancia do
+genero.
+
+Os póvos humildes por sua natureza, e pela creação mui grosseira, se não
+animão a procurar melhoramento, não só pela pequenhez do seu animo, como
+por lhes faltarem os animaes necessarios, para conduzirem de mais longe
+as suas farinhas. A falta de açougue he outro obstaculo. Os Póvos, não
+tendo huma certa sustentação, não se animão a apartarem-se dos mangues,
+para lhes não faltar o sustento do Carangueijo[12].
+
+Nas tres legoas, da borda dos rios para dentro, estão as boas terras de
+lavoura de mandiocas, que pela sua grande producção, se os Lavradores se
+animassem a entrar, tendo abundancia de animaes para transporte das suas
+farinhas, como se vê na ribeira de Nazaré, farião renascer a abundancia
+deste genero tão precioso neste paiz. Outros muitos estabelecimentos de
+Engenhos de assucar se poderião fazer, de que resultarião ao Estado
+grandes vantagens, se houvesse no Paiz abundancia de animaes, o que não
+succede pela falta de abertura ou de estrada.
+
+A Agricultura entretem de dous modos o commercio, tanto interior, como
+exterior, fazendo propagar os generos de exportação para as
+manufacturas, e os que se consomem na terra, e servem de sustentação.
+Faz a base fundamental da felicidade dos Póvos, e da riqueza do Estado.
+
+O Arraial do Caitité, que fica 30 legoas inda acima das Cabeceiras do
+Rio das Contas, que dista 130 legoas, ou pouco menos do primeiro porto
+de embarque, que he na Villa da Cachoeira, era á 25 annos pobre,
+deserto, e só manejava o diminuto commercio de gados, mas de muito
+pobres fazendas se vê hoje o mais rico daquelles Sertões, depois que
+derão princípio á cultura do Algodão, havendo nelle grandes Lavradores,
+pela facilidade, e segurança de fazerem descer por huma estrada
+frequentada os seus generos.
+
+Os Póvos de Minas Novas, a exemplo destes, não obstante o serem duas
+vezes mais remotos do porto de embarque, fizerão o mesmo, a pezar do
+grande dispendio na exportação: ora se estes Póvos, a pezar da grande
+distancia, achão utilidade nesta lavoura tão recommendada pela nossa
+Academia das Sciencias de Lisboa sobre o Algodão da Persia, em que logo
+fallarei, que vantagens não terão os que cultivarem á borda da mata do
+nosso Sertão, que está tão perto, ainda havendo a facilidade de se
+conduzirem as cargas pelo rio abaixo em canoas, até o Ribeirão da
+_Arêa_, sendo o terreno o mais proprio, que se conhece para a dita
+lavoura.
+
+As sementes do Algodão da Persia, que me forão entregues com a norma
+impressa da sua cultura, eu fiz plantar em differentes tempos, e não
+nascêrão, por já terem o germe destruido, e assento que se deverião
+mandar vir frescas, mettidas em vasos de vidro tapados, se possivel for,
+hermeticamente, e se poderem vir logo em direitura muito melhor será
+para não padecerem as sementes alteração na parte oleosa, que contém a
+polpa, que cobre o germe, ou plumula.
+
+O Algodão da India, que cá temos, tem nas sementes alguma semelhança com
+o Algodão da Persia, por serem alguma cousa cobertas de hum pêlo branco,
+porém não tanto, como o da Persia; a sua flôr he de hum vermelho côr de
+fogo, caracter distincto do Algodão de Macassar, o qual ainda
+conservamos em muito pequena quantidade, por ser mais difficil no
+colher, porém bastante para se poder augmentar a plantação; reliquias
+que nos ficárão dos generos da India, que em outro tempo aqui forão
+cultivados, como a Canella, a Pimenta, o Gengibre, e o mesmo Algodão, de
+que remetto o exemplo na pequena caixa das amostras, onde vão seis
+qualidades de Algodão; a saber.
+
+Algodão de caroço inteiro, comprido, e preto, que he de muita vantagem
+na sua cultura, porque he mais fertil em lãa, inda que de qualidade mais
+áspera, como se póde ver na amostra, que remetto, e só póde servir para
+as obras mais grossas. Chamão a este Algodão vulgarmente do Maranhão;
+cuja arvore he de menos duração.
+
+Algodão de caroço inteiro, e preto, porém não tão comprido, como o do
+Maranhão, a que chamão Algodão vulgar; a sua lãa em tudo se assemelha á
+do Maranhão, porém tem differença por ser o seu fio mais fraco, que o do
+Maranhão, porém a sua arvore he de mais duração.
+
+Algodão de caroço unido, coberto de hum pêlo pardo, a que chamão Algodão
+de caroço pardo, fertil em lãa mais macia, e doce, que a do Maranhão, e
+produz hum fio fortissimo: a sua arvore he de bastante duração.
+
+Algodão de caroço unido, coberto de hum pêllo verde, a que chamão
+Algodão de caroço verde, a sua lãa he abundante, doce, branda, e forte
+no fiar: a sua arvore he de huma grande duração.
+
+Estas duas qualidades podem servir para obras mais delicadas como cassas
+vulgares.
+
+Algodão de caroço inteiro, e preto, de lãa parda, ou côr de ganga; a sua
+lãa he muito macia, e forte: a sua arvore he duravel, póde servir para
+se fazerem as gangas, e outras obras de fustões, em que entrem listras
+côr de gangas.
+
+Algodão da India de caroço dividido, coberto de hum pêllo branco bem
+semelhante aos caroços, ou sementes do Algodão da Persia, de que já
+fallei: a sua lãa he de hum branco fino muito doce, que produz hum fio
+forte, capaz para as obras mais delicadas, como cassas de sopro, &c.
+
+Algodão da India de caroço preto sem ser coberto, e dividido; a sua lãa
+he igual á do precedente com a differença de que o caroço não tem pêllo;
+a maçãa he maior, e os casulos, ou capuchos mais abundantes de lãa:
+tambem tem a differença nas arvores, porque a do caroço preto he mais
+crescida, quando a do caroço coberto he muito rasteira, ainda que a sua
+duração seja igual, pois, sendo cultivadas em terreno fertil, e
+estrumado, aturão muitos annos.
+
+As arvores, que produzem o Algodão de caroço pardo, verde, e preto,
+vulgar, e de côr de ganga, são persistentes, e aturão muitos annos; a do
+Maranhão não chega a aturar dous annos neste Paiz, ainda que não ha
+exemplo da sua cultura no Sertão, onde o terreno he mais proprio para a
+dita lavoura, e atura hum pé de Algodão entre o mato sem nenhum
+beneficio 25 annos, e muito mais, porque ainda existem alguns, que já
+tem esta idade.
+
+Temos outras duas qualidades de Algodão silvestre, que se encontra em
+abundancia nas Catingas á margem do Rio das Contas, tendo ambas as
+mesmas propriedades do Algodão da India, tanto nas sementes, como nas
+arvores só com a differença, de que huma destas especies tem a lãa
+parda, e áspera por falta de cultura.
+
+O Algodão domestico, cultivado nas Catingas, dá hum producto
+consideravel, o qual se póde ver na taboa analitica do rendimento do
+Algodão.
+
+A execução destas vistas importantes, não póde pertencer a outrem, senão
+ao Rei, porque ellas pedem despezas, que excedem á fortuna dos
+particulares, e necessitão da animação das Ordens, e do poder do
+Soberano, para transportar casaes de Ilheos, do mesmo modo, que se fez
+para a Ilha de Santa Catharina, para dar maior avanço á cultura dos
+Algodões, e cultivar-se hum terreno, que póde sustentar muitos milhões
+de Vassallos de Sua Magestade, e descobrirem-se immensos thesouros, que
+se achão sepultados debaixo das matas, que, por falta de cultura, se não
+conhecem; e em quanto o Estado não dá sobre este importante objecto as
+providencias precisas, basta que o Governo determine a residencia dos
+Indios _Mongoiós_ na beira do Rio, para que ficando a estrada livre das
+invasões dos _Catachós_, se dê princípio a huma tão importante lavoura,
+como tambem para que possa por ella descer todo o Salitre, que se
+fabricar não só nos Montes Altos, como em todo o terreno nitroso do
+Ribeirão da Giboia, que fica a 40 legoas de beiramar, de muito facil
+condução, fazendo-se primeiro conduzir em carros até o sitio chamado da
+Passagem, e dahi em canoas até o Ribeirão da _Arêa_, como tenho já dito
+a respeito da exportação do Algodão, e com muita facilidade conduzir-se
+para o primeiro porto de embarque: no caso que seja o Salitre, o que
+torna as aguas da dita Ribeira de hum gosto salgado frio, sendo as
+terras das suas margens bastante salgadas; o que unicamente observei,
+sem que podésse analysallas pela precipitação, com que por ahi passei, e
+não ter vasos suficientes para o poder fazer: posto que tinha a noticia,
+de que João Gonçalves da Costa fizera seccar huma porção deste Sal, que
+dizia ser Salitre, e o tinha trazido a esta Cidade da Bahia no tempo do
+Illustrissimo Governador Manoel da Cunha Menezes, que, lançado no fogo,
+fazia a detonação, deixando pela sua impureza bastante terra; porque o
+seu author não possuia os conhecimentos precisos, para fazer a perfeita
+deputação, o que só póde decidir o exame filosofico, para então se poder
+verificar, sem a menor dúvida, inda que me affirmão pessoas de toda a
+fé, que a tal massa detonava bastante exposta ao fogo; e não só póde
+servir o beneficio da dita estrada para a facilidade da exportação deste
+genero, mas tambem de todos os ramos, de que se segue tão grandes
+vantagens ao Commercio, e por consequencia ao Estado.
+
+
+ _O fortunatos nimium, sua si bona norint,
+ Agricolas!..._
+
+ Virgil. Georg. Liv. 2.
+
+
+
+
+
+DESCRIPÇÃO
+DAS DIFFERENTES ESPECIES
+DE
+ALGODÃO
+QUE TEMOS NO BRAZIL.
+
+
+_Algodão do Maranhão de Caroço inteiro, e comprido_.[13]
+
+
+A sua maçã, ou pericarpio comprida bastante grossa, que contém nas suas
+valvulas, ou cellulas tres capulhos, ou capuchos na frase do Paiz, da
+huma abundante lãa, que cobre nove até dez sementes unidas em hum só
+corpo, a que chamão caroço inteiro, o qual tem de comprimento pollegada
+e meia.
+
+A sua arvore em beiramar da Villa do Camamú só atura dous annos, e não
+ramifica como as outras, porque da altura de tres palmos da terra, onde
+o tronco he grosso bastante, brota muitas vergonteas, sem que faça maior
+ramificação.
+
+A sua lãa, não deixa de ser a mais áspera que cá temos, e póde servir
+para muitos usos.
+
+
+_Algodão de caroço pardo, e inteiro_.[14]
+
+
+A sua maçãa mais grossa, que a precedente, porém não tão comprida,
+contém de tres até quatro valvulas, que encerrão outros tantos capulhos,
+ou capuchos de huma abundante lãa, muito clara, e doce, que cobre nove
+sementes unidas em hum caroço, coberto de hum pêllo pardo, o seu
+comprimento he pouco mais de pollegada; o fio, que produz este Algodão,
+he forte, e por isso se póde fiar bem delicado.
+
+A sua arvore he grossa bastante, e de huma grande ramificação, atura
+muitos annos, e por isso de grande vantagem.
+
+
+_Algodão de caroço verde, e inteiro_.[15]
+
+
+A sua maçã em tudo semelhante á precedente, contém quatro capulhos; de
+huma lãa clarissima, e muito fina, que cobre nove sementes unidas
+cobertas de hum pêllo verde, caracter distinctivo desta especie; este
+Algodão produz hum fio fortissimo, e por isso muito proprio para as
+obras mais delicadas.
+
+A sua arvore he em tudo semelhante á precedente, e quasi estas duas
+especies são analogas, e só as differença a côr do pêllo, que cobre os
+caroços.
+
+
+_Algodão de caroço inteiro de lãa parda côr de ganga_.[16]
+
+A sua maçãa he ordinaria, e produz tres ou quatro capulhos, ou capuchos
+de huma lãa parda, que cobre hum caroço inteiro, e unido, que he
+composto de sete e nove sementes.
+
+A sua arvore he persistente, e de muita duração.
+
+
+_Algodão vulgar_.[17]
+
+
+Tem as mesmas propriedades que o Algodão de Maranhão, unicamente com a
+differença do seu caroço ser menor, composto de sete ou nove sementes, e
+raras vezes de dez.
+
+A sua arvore he de grande duração.
+
+
+_Algodão da India de caroço dividido, e cuberto de hum pêllo
+branco_.[18]
+
+
+A sua maçãa he pequena com tres quatro valvulas, contém outros tantos
+capulhos de huma lãa finissima, muito alva, que cobre sete sementes
+divididas, que faz o caracter do caroço dividido.
+
+A sua arvore he rasteira, e muito duravel. Esta semente nos veio da
+India, em companhia do Cravo, da Canella, e do Gengibre, e se tem
+conservado até agora.
+
+Tambem temos outra especie de Algodão da India de Caroço dividido, e
+preto de lãa muito macia, e alva.
+
+A sua arvore he mais alta, que a precedente.
+
+Temos ainda duas especies de Algodão naturaes do Paiz, que se achão
+silvestres nas margens do Rio das Contas, e bem semelhantes ao Algodão
+da India, tanto nas suas sementes, como na sua arvore, tendo huma das
+duas especies a lãa áspera, e parda.
+
+Eu as fiz plantar em beiramar, mas no tempo da fructificação, as chuvas
+deitárão abaixo as novidades, sem ficar huma só maçãa.
+
+A sua arvore he de grande duração.
+
+
+
+
+CALCULO ANALYTICO.
+
+
+Hum escravo trabalhando em Algodão
+dá de rendimento no Sertão 250$000
+
+Prepára terra para 500 pés
+
+Que dão de lãa 62 e 16 a razão de 4 lib. por pé
+
+Tirada de 1364 maçãas, que produz
+cada pé de colheita ordinaria.
+
+Além disto planta o milho, e feijão
+para o seu sustento, e para crear
+porcos, gallinhas, &c.
+
+O que melhor se conhece na Taboa
+--Synthetica.
+
+FIM.
+
+
+
+
+CALCULO SYNTHETICO DO RENDIMENTO DO ALGODÃO DO CAROÇO PARDO, VERDE, E DO
+MARANHÃO.
+
+
+==============================================================================
+Producção do Algodão em |Maçã| Capul.| Gr. |Oit.|Lib.|Arrob.|Pés de| Preço
+ | | | | | | |Algod.|
+-------------------------+----+-------+-------+----+----+------+------+---+---
+Huma maçãa contém | |3 até 4| | | | | | |
+-------------------------+----+-------+-------+----+----+------+------+---+---
+Hum capulho dá de Lãa | | |9 p. m.| | | | | |
+-------------------------+----+-------+-------+----+----+------+------+---+---
+Oito ditos dão | | | | 1 | | | | |
+-------------------------+----+-------+-------+----+----+------+------+---+---
+1024 Capulhos dão | | | | | 1 | | | |
+-------------------------+----+-------+-------+----+----+------+------+---+---
+1024 Capulhos reduzidos | | | | | | | | |
+ a Maçãas dão | 341| | | | | | | |
+-------------------------+----+-------+-------+----+----+------+------+---+---
+Cada pé de colheita | | | | | | | | |
+ ordinaria dá |1364| | | | | | | |
+-------------------------+----+-------+-------+----+----+------+------+---+---
+1364 Maçãas dão de Lã | | | | | 4 | | | |
+-------------------------+----+-------+-------+----+----+------+------+---+---
+Cada trabalhador prepara | | | | | | | | |
+ terra para | | | | | | | 500 | |
+-------------------------+----+-------+-------+----+----+------+------+---+---
+500 pés dão de Algodão | | | | | |62-1/2| | |
+-------------------------+----+-------+-------+----+----+------+------+---+---
+62 arrob. e 1/2 | | | | | | | | |
+ vendido pelo preço | | | | | | | | |
+ corrente da Praça | | | | | | | | |
+ de 6:400 | | | | | | | |400|000
+ | | | | | | | | |
+ 625 | | | | | | | | |
+ 6400 | | | | | | | | |
+ ------- | | | | | | | | |
+ 250000 | | | | | | | | |
+ 3750 | | | | | | | | |
+ -------- | | | | | | | | |
+ 400000(0 | | | | | | | | |
+-------------------------+----+-------+-------+----+----+------+------+---+---
+62 arrob. e 1/2 no | | | | | | | | |
+ Sertão vendida | | | | | | | | |
+ a 4:000 rende | | | | | | | | |
+ | | | | | | | | |
+ 625 | | | | | | | | |
+ 4000 | | | | | | | | |
+ -------- | | | | | | | | |
+ 250000(0 | | | | | | | |250|000
+==============================================================================
+
+
+
+
+_Annuncio de huma máquina singéla de carmear o Algodão, vista na China_.
+
+Por * * *
+
+Com huma Estampa.
+
+
+1. Hum banco donde se assenta o carmeador. 2. Huma verga flexivel. 3.
+Hum cordão, donde suspende o arco. 4. Gancho de ferro que engata na
+argola do arco. 5. Hum arco de páo. 6. Huma corda de rabecão bastante
+grossa. 7. Hum maço pequeno com que bate na corda, e com o dente que
+tem, pega na dita corda, e puxando para si, faz hum estremecimento
+grande, o que faz sacudir, carmeando, dividindo todo o çujo. 8. Argola
+de ferro, donde engata o gancho N.^o 4.
+
+
+
+
+[Figura]
+
+
+
+
+Notas:
+
+[1] _No maior calor, que he do meiodia para tarde, e muitas vezes no
+outro só chega a 60 na mesma estação_.
+
+[2] _Porque tanto chove de verão como de inverno, e muitas vezes o verão
+he mais chuvoso, e só a differença das horas nos dias he que os faz
+distinguir_.
+
+[3] _Coá tinga_ quer dizer mato branco, como são os de terras fracas.
+
+[4] _Catingas baixas, são mais baixas duas vezes, que as Catingas
+altas_.
+
+[5] _Capoeiras_, palavra Europea substituida por corrupção a Brasiliana
+_Có cuéra_, rossa antiga.
+
+[6] _Bandeiristas, são os homens, que encorporados debaixo de hum Chefe
+atravessão as matas para seguirem os Judios, que assaltão as
+propriedades, e estradas, ou mesmo para os amansar, e cada hum delles
+separado se chama Bandeirista_.
+
+[7] _Ha huma observação, em que as sementes de Algodão de caroço inteiro
+se devem plantar com os caroços unidos sem se dividirem, para sahir o
+Algodão com os caroços unidos, que sendo divididas as sementes, assim
+produz o Algodão com as sementes divididas_.
+
+[8] _Porque se planta o caroço inteiro_.
+
+[9] _Nome proprio do lugar_.
+
+[10] _Nome proprio, com que ficou pela conquista dos Indios Mongoiós,
+este lugar_.
+
+[11] _Sacco, medida de dous alqueires do Brazil, que corresponde a
+quatro alqueires de Portugal_.
+
+[12] _Animal, que vive na lama, que he coberta de arvores, a que chamão
+mangues, e são banhados da maré_. Genero cancer. Especie cancer
+hirsutus.
+
+[13] _Genero Gossypium de Lin_.
+
+[14] _Gossypium hirsutum_.
+
+[15] _Gossypium. Xilon Americanum praestantissimum semine virescente
+Tournef_.
+
+[16] _Gossypium. Barbadense de Lin. Algodão de Sião_.
+
+[17] _Gossypium_.
+
+[18] _Gossypium arboreum de Lin. Algodão de Macassar_.
+
+
+
+
+Lista de erros corrigidos
+
+Aqui encontram-se listados todos os erros encontrados e corrigidos:
+
+
+ +----------+---------------------+----------------------+
+ | | Original | Correcção |
+ +----------+---------------------+----------------------+
+ |#pág. 9| su? | sua |
+ +----------+---------------------+----------------------+
+
+As variações de nomes próprios foram mantidas de acordo com o original.
+
+
+
+
+
+End of the Project Gutenberg EBook of Memória sobre a plantação dos algodões, by
+José de Sá Bettencourt
+
+*** END OF THIS PROJECT GUTENBERG EBOOK MEMÓRIA SOBRE A PLANTAÇÃO ***
+
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+
+Produced by Rita Farinha and the Online Distributed
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+
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+Updated editions will replace the previous one--the old editions
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+(and you!) can copy and distribute it in the United States without
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+such as creation of derivative works, reports, performances and
+research. They may be modified and printed and given away--you may do
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+subject to the trademark license, especially commercial
+redistribution.
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+things that you can do with most Project Gutenberg-tm electronic works
+even without complying with the full terms of this agreement. See
+paragraph 1.C below. There are a lot of things you can do with Project
+Gutenberg-tm electronic works if you follow the terms of this agreement
+and help preserve free future access to Project Gutenberg-tm electronic
+works. See paragraph 1.E below.
+
+1.C. The Project Gutenberg Literary Archive Foundation ("the Foundation"
+or PGLAF), owns a compilation copyright in the collection of Project
+Gutenberg-tm electronic works. Nearly all the individual works in the
+collection are in the public domain in the United States. If an
+individual work is in the public domain in the United States and you are
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+The Project Gutenberg EBook of Memória sobre a plantação dos algodões, by
+José de Sá Bettencourt
+
+This eBook is for the use of anyone anywhere at no cost and with
+almost no restrictions whatsoever. You may copy it, give it away or
+re-use it under the terms of the Project Gutenberg License included
+with this eBook or online at www.gutenberg.org
+
+
+Title: Memória sobre a plantação dos algodões
+ e sua exportação sobre a decadencia da lavoura de mandiocas,
+ no termo da villa de Camamú, Comarca dos Ilhéos, Governo
+ da Bahia
+
+Author: José de Sá Bettencourt
+
+Release Date: January 26, 2010 [EBook #31093]
+
+Language: Portuguese
+
+Character set encoding: ISO-8859-1
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+*** START OF THIS PROJECT GUTENBERG EBOOK MEMÓRIA SOBRE A PLANTAÇÃO ***
+
+
+
+
+Produced by Rita Farinha and the Online Distributed
+Proofreading Team at https://www.pgdp.net (This file was
+produced from images generously made available by National
+Library of Portugal (Biblioteca Nacional de Portugal).)
+
+
+
+
+
+
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+
+
+<div>
+<div class="fbox"> <b>Nota de editor:</b>
+Devido &agrave;
+exist&ecirc;ncia de erros tipogr&aacute;ficos neste texto,
+foram tomadas v&aacute;rias decis&otilde;es quanto &agrave;
+vers&atilde;o final. Em caso de d&uacute;vida, a grafia foi
+mantida de acordo com o original. No final deste livro
+encontrar&aacute; a lista de erros corrigidos.<br />
+
+<br />
+
+<div style="text-align: right; font-style: italic;">Rita
+Farinha (Jan. 2010)
+</div>
+
+</div>
+
+<br />
+
+<br />
+
+<br />
+
+<br />
+
+<h2>
+PLANTA&Ccedil;&Atilde;O DOS<br />
+
+<br />
+
+ALGOD&Otilde;ES </h2>
+
+<br />
+
+<h3>J. S. Bettencourt </h3>
+
+<br />
+
+<br />
+
+<h2>MEMORIA<br />
+
+SOBRE A PLANTA&Ccedil;&Atilde;O<br />
+
+DOS<br />
+
+ALGOD&Otilde;ES.</h2>
+
+<br />
+
+<br />
+
+<br />
+
+<br />
+
+<br />
+
+<div class="bbox">
+<h2>MEMORIA<br />
+
+SOBRE A PLANTA&Ccedil;&Atilde;O<br />
+
+DOS<br />
+
+ALGOD&Otilde;ES, </h2>
+
+<h4>
+E sua exporta&ccedil;&atilde;o; sobre a decadencia da Lavoura
+de<br />
+
+mandiocas, no Termo da Villa de Camam&uacute;,<br />
+
+Comarca dos
+Ilh&eacute;os, Governo da<br />
+
+Bahia, </h4>
+
+<h4>
+APPRESENTADA, E OFFERECIDA </h4>
+
+<h3>
+A SUA ALTEZA REAL<br />
+
+O<br />
+
+PRINCIPE DO BRAZIL<br />
+
+NOSSO SENHOR,<br />
+
+POR<br />
+
+JOS&Eacute; DE S&Aacute; BETENCOURT, </h3>
+
+<br />
+
+<div style="text-align: center;"><em>Bacharel
+Formado pela Universidade de Coimbra: e</em><br />
+
+<em>actualmente encarregado em exames de Historia</em><br />
+
+<em>Natural na Capitania da
+Bahia; &amp;c.</em> <br />
+
+</div>
+
+<br />
+
+<br />
+
+<div style="text-align: center;"><img style="width: 150px; height: 89px;" alt="" src="images/fig01.png" /><br />
+
+</div>
+
+<br />
+
+<h4>
+ANNO. M. DCC. XCVIII.</h4>
+
+<br />
+
+<br />
+
+<div class="bbreak">
+<hr /></div>
+
+<h4><span class="smallcaps">Na Officina de
+Sim&atilde;o
+Thaddeo
+Ferreira.</span></h4>
+
+</div>
+
+<br />
+
+<br />
+
+<br />
+
+<br />
+
+<div class="signature"><b>SENHOR.</b></div>
+
+<br />
+
+<br />
+
+<em>Eu tenho a honra de apresentar a V. A. R. o breve
+resumo das minhas poucas observa&ccedil;&otilde;es sobre a
+planta&ccedil;&atilde;o dos Algod&otilde;es, sua
+exporta&ccedil;&atilde;o; e tambem das causas da decadencia da
+lavoura de mandiocas no termo da Villa de Camam&uacute;, que
+olhadas por V. A. R., Pai commum, ser&aacute; a dita lavoura dos
+Algod&otilde;es hum dos maiores ramos do nosso Commercio para
+felicidade da Na&ccedil;&atilde;o, e riqueza da Capitania da
+Bahia, onde a Natureza tem depositado os Thesouros, de que
+s&oacute; he capaz a sua liberalidade.</em>
+<br />
+
+<br />
+
+<em>Espero que V. A. R. haja de acolher com a grandeza do
+seu Real Cora&ccedil;&atilde;o os bons desejos, que tenho, do
+servi&ccedil;o de V. A. R., da felicidade do Paiz, e augmento da
+Na&ccedil;&atilde;o, no breve discurso, que tenho a honra de
+apresentar a V. A. R. de quem sou com o maior respeito, e
+venera&ccedil;&atilde;o</em> <br />
+
+<br />
+
+<br />
+
+<div class="signature">Vassalo obediente <br />
+
+<br />
+
+<em>Jos&eacute; de S&aacute;
+Betencourt</em>.</div>
+
+<br />
+
+<br />
+
+<br />
+
+<br />
+
+<br />
+
+A Terra,
+mais rica na sua superficie, que nas suas entranhas, serve de theatro
+&aacute; S&aacute;bia
+Natureza, que a renova todos os dias, com as suas
+produc&ccedil;&otilde;es; fazendo succeder por meio das
+differentes, e multiplicadas sementes outras tantas especies de
+vegetaes, que cobrem a superficie do nosso Globo, e fazem a felicidade
+dos seus habitantes. Ella reparte com grande sabedoria os seus dons, e
+faz que se propaguem sobre os differentes terrenos, que lhes
+s&atilde;o proprios, j&aacute; pela qualidade do seu
+humus, j&aacute; pela natureza do clima, sem que a destra
+m&atilde;o do Agricultor os possa fazer propagar &aacute; sua
+vontade: assim vemos, que as plantas da Europa com difficuldade se
+propag&atilde;o em beiramar do Brazil; e algumas que &aacute;
+for&ccedil;a de trabalho crescem, e propag&atilde;o, a sua
+produc&ccedil;&atilde;o he
+debil, e sem que os Lavradores poss&atilde;o tirar as vantagens,
+que se
+tir&atilde;o na Europa, como vemos, e se observa na vinha, que mal
+satisfaz a curiosidade do cultivador, sem que a
+produc&ccedil;&atilde;o corresponda ao trabalho. <br />
+
+<br />
+
+Outras, que veget&atilde;o, e n&atilde;o propag&atilde;o,
+como
+<span class="pagenum">[8]</span>
+a oliveira, &amp;c. outras
+de tal sorte amantes do seu paiz, que n&atilde;o
+veget&atilde;o, nem propag&atilde;o. <br />
+
+<br />
+
+O mesmo, que observamos nas plantas da Europa, cultivadas no Brazil, se
+observa nas plantas deste levadas para a Europa, que s&oacute;
+vivem em cazas de vidra&ccedil;as, subministrando-se-lhes com
+estufas o calor, que lhes he necessario para a sua
+vegeta&ccedil;&atilde;o. <br />
+
+<br />
+
+O Agricultor p&oacute;de modificar o terreno, fazendo-o mais ou
+menos gordo, mais ou menos poroso, appropriando-o &aacute; natureza
+da sua lavoura, mas n&atilde;o o clima em grande, que influe na
+maior parte da vegeta&ccedil;&atilde;o. <br />
+
+<br />
+
+Eu n&atilde;o me can&ccedil;o em referir as differentes
+observa&ccedil;&otilde;es dos Filosofos, para provar, que o
+clima influe mais na vegeta&ccedil;&atilde;o, do que a terra,
+por ser esta materia huma, e muitas vezes discutida, e provada;
+porque sendo a terra a mesma em toda a parte, e susceptivel de receber
+as
+modifica&ccedil;&otilde;es do Agricultor, vemos que ha grande
+difficuldade em se fazer propagar as plantas de differentes climas
+transplantadas; e ainda que saibamos, conf&oacute;rme os
+verdadeiros princ&iacute;pios de
+Agricultura, e de Chymica, que a terra he o meio, no qual se faz a
+germina&ccedil;&atilde;o, e que n&atilde;o serve
+s&oacute; de laboratorio, conf&oacute;rme o Abbade Tessier aos
+succos, que lhes
+s&atilde;o destinados; mas que entra tambem em grande parte na sua
+composi&ccedil;&atilde;o, seja ella attenuada do modo,
+que for, o que ainda existe nos occultos segredos da
+<span class="pagenum"><a name="p9" id="p9">[9]</a></span>
+Natureza, que o homem n&atilde;o
+p&oacute;de perceber, o que se conhece pelo residuo dos vegetaes
+queimados; com tudo outras muitas experiencias
+pr&oacute;v&atilde;o, que o ar he muito necessario para a
+perfeita vegeta&ccedil;&atilde;o, e que entra em grande parte
+na
+<a href="#e1">sua</a>
+composi&ccedil;&atilde;o. <br />
+
+<br />
+
+A necessidade, que os vegetaes tem de agua para a sua
+vegeta&ccedil;&atilde;o, he por todos bem conhecida,
+n&atilde;o sendo demasiada, assim como o calor, que he o
+princ&iacute;pio vivificante, o que tudo coopera, para que as
+plantas cres&ccedil;&atilde;o, e
+produz&atilde;o, conf&oacute;rme a qualidade do clima; que lhes
+he analogo. Eu me n&atilde;o demoro em relatar theorias sobre o
+princ&iacute;pio da vegeta&ccedil;&atilde;o; porque isto
+ser&iacute;a exceder o plano, que me proponho; s&oacute; me
+basta provar, que o clima differente influe nesta, ou naquella lavoura,
+para que o Agricultor perceba as utilidades com vantagem. <br />
+
+<br />
+
+A mesma differen&ccedil;a, que observamos nos Paizes da Europa em
+rela&ccedil;&atilde;o aos de beira mar do Brazil, se observa
+nestes a respeito dos do Sert&atilde;o, ou terra dentro, onde
+s&atilde;o as esta&ccedil;&otilde;es
+mais regulares, e as chuvas vem em tempos determinados, e constantes, o
+que faz, com que a lavoura seja igual, e sempre certo o tempo da
+planta&ccedil;&atilde;o. <br />
+
+<br />
+
+O terreno da Villa do Camam&uacute;, que fica entre 14, e 15 gr.,
+desviado da Bahia ao Sul 24 legoas, he o Paiz mais irregular nas suas
+esta&ccedil;&otilde;es,
+<span class="pagenum">[10]</span>
+que tenho visto, porque, quer seja de ver&atilde;o, quer de
+inverno,
+sempre as chuvas s&atilde;o continuadas; e o calor no
+ver&atilde;o, conf&oacute;rme o termometro de Fahrenheit,
+n&atilde;o chega a mais de 80 gr. e meio<sup><a href="#f1">[1]</a></sup>,
+o que faz, com que as
+planta&ccedil;&otilde;es se conformem &aacute;
+irregularidade do clima, e se n&atilde;o possa nelle
+cultivar com vantagem, sen&atilde;o Mandiocas, Caf&eacute;s,
+Arroz, e Cacau, e n&atilde;o o Algod&atilde;o, que he o
+principal objecto; porque, ainda que cres&ccedil;a nas boas terras
+de beira mar, a sua cultura se n&atilde;o p&oacute;de fazer com
+proveito, visto que o terreno lhe n&atilde;o he t&atilde;o
+proprio, e a irregularidade do clima rouba ao Lavrador as suas
+esperan&ccedil;as, vindo as chuvas no tempo da colheita, a
+destruir, e apodrecer o Algod&atilde;o, ainda nos seus capulhos. <br />
+
+<br />
+
+Esta irregularidade se observa nos Paizes, que fic&atilde;o ao Sul
+da Bahia entre 13, e
+20 gr&aacute;os, onde se n&atilde;o conhece ver&atilde;o,
+nem inverno<sup><a href="#f2">[2]</a></sup>,
+sen&atilde;o pelo mais, ou menos calor, conf&oacute;rme os
+ventos, que rein&atilde;o nestas duas
+esta&ccedil;&otilde;es; e
+nunca o frio excede de 60 at&eacute; 55 gr. do mesmo termometro,
+tempo, em que reina o vento Sul, que sempre he acompanhado de chuvas.
+<br />
+
+<br />
+
+<span class="pagenum">[11]</span>
+A 14 legoas da Villa de Camam&uacute;, fazendo caminho de
+Oest-Sudueste at&eacute; encontrar as margens do Rio das Contas,
+onde confin&atilde;o as matas grossas, com as Catingas altas<sup><a href="#f3">[3]</a></sup>, e
+v&atilde;o confinar a 12 legoas com as Catingas baixas<sup><a href="#f4">[4]</a></sup>,
+j&aacute; a regularidade do clima se conf&oacute;rma com a
+fertilidade do terreno, muito proprio para todas as
+planta&ccedil;&otilde;es, particularmente, para a lavoura do
+Algod&atilde;o, onde se acha silvestre no meio das ditas Catingas. <br />
+
+<br />
+
+Este terreno, que fica a 26 legoas de beira mar separado pela mata, a
+qual vem a confinar, com as que os naturaes do Paiz cham&atilde;o
+Catingas grossas, he sem d&uacute;vida o mais proprio para a dita
+lavoura, porque o Algod&atilde;o domestico, huma vez plantado, se
+conserva por muitos annos, ainda sem nenhum beneficio, como o encontrei
+na Fazenda do Rio das Contas, onde tinha sido plantado havia dezoito
+annos, e se conservava no meio das Capoeiras<sup><a href="#f5">[5]</a></sup>,
+com tanto vigor, como
+se fosse novamente plantado. <br />
+
+<br />
+
+Todo o Sert&atilde;o da borda do Rio das Contas
+<span class="pagenum">[12]</span>
+tem a mesma propriedade: toda a mata, que fica entre o
+dito Rio das Contas da parte do Sul, e o Rio do Gragongi,
+conf&oacute;rme a f&eacute; dos
+bandeiristas<sup><a href="#f6">[6]</a></sup>,
+possue as mesmas qualidades. <br />
+
+<br />
+
+Este vasto terreno, que principia a 13 legoas da beiramar, he cortado
+de Sueste, a Noroeste pelo Rio das Contas, susceptivel de
+navega&ccedil;&atilde;o de grandes canoas, e outros muitos
+rios, que vem cruzar com elle, tanto da parte do Norte, como do Sul,
+sem a mesma facilidade de navega&ccedil;&atilde;o, os da parte
+do Norte s&atilde;o o Ribeir&atilde;o de Area; ou Montanha,
+Genipapo, Manageni, Rio das Pedras, Rio Preto. <br />
+
+<br />
+
+Todo o Sert&atilde;o da Conquista desde a fazenda do Rio das
+Contas, fazendo caminho de Sul, que ser&aacute; de 40 legoas, tem a
+mesma propriedade, n&atilde;o s&oacute; pela qualidade do
+terreno, como tambem pela regularidade do clima, que he tanto mais
+regular, quanto mais se affasta da beiramar. <br />
+
+<br />
+
+A margem do Rio Gavi&atilde;o, que vem fazer barra com o Rio das
+Contas, seguindo o rio o caminho de Oeste, he igualmente propria para a
+sobredita lavoura.
+<br />
+
+<br />
+
+<span class="pagenum">[13]</span>
+Os proprietarios das fazendas, que conhecem as vantagens desta lavoura,
+a n&atilde;o fazem pela
+raz&atilde;o, que logo exporei, quando fallar da sua
+exporta&ccedil;&atilde;o. <br />
+
+<br />
+
+A planta, que produz o Algod&atilde;o, entra na Classe
+<em>Monadelphia</em> Ordem
+<em>Polyandria</em>, genero
+<em>Gossypium.</em> Lineu, se servio, para
+distinguir as especies, das differen&ccedil;as das folhas, e das
+glandulas, que se ach&atilde;o em algumas especies, e
+n&atilde;o em
+outras, cujo conhecimento s&oacute; fica pertencendo aos Filosofos,
+e n&atilde;o ao do vulgo; raz&atilde;o porque me servi da
+differen&ccedil;a das sementes, e do p&ecirc;lo, que as cobre,
+conf&oacute;rme as suas cores,
+por ser hum caracter constante no Paiz, e conhecido de todos, que fazem
+uso desta cultura, ainda que em pequeno; e da uni&atilde;o destas
+mesmas sementes, ao que cham&atilde;o caro&ccedil;o inteiro, ou
+dividido. <br />
+
+<br />
+
+Para se cultivar o Algod&atilde;o basta derribar as Catingas altas,
+ou Catingas baixas, logo que o tempo secco convida para este trabalho,
+que he do mez de Junho por diante, e se deix&atilde;o seccar
+at&eacute; o mez de Setembro. Os Soes, que neste tempo
+s&atilde;o ardentissimos, secc&atilde;o as madeiras de tal
+sorte, que quando as chuvas avis&atilde;o aos habitantes da sua
+chegada pelos grandes trov&otilde;es, que costum&atilde;o haver
+muitos dias antes, lhes lan&ccedil;&atilde;o fogo, que reduz
+tudo a cinzas, deixando a superficie da terra limpa, para se fazer a
+planta&ccedil;&atilde;o, sem maior
+inc&oacute;mmodo,
+<span class="pagenum">[14]</span>
+ficando a terra estrumada, e fertil pelo
+alkali vegetal. <br />
+
+<br />
+
+A lavoura se faz com enxadas, abrindo covas de oito em oito
+p&eacute;s, onde se lan&ccedil;&atilde;o as
+sementes<sup><a href="#f7">[7]</a></sup>,
+e se cobrem com pouca terra; e porque o terreno ficaria
+muito ocioso s&oacute; com esta planta pela grande distancia, que
+se lhe d&aacute; para a sua ramifica&ccedil;&atilde;o, em
+quanto n&atilde;o chega ao
+seu maior crescimento, e por se n&atilde;o ver o Lavrador obrigado
+a alimpar a terra, que fica neste espa&ccedil;o, das hervas, que
+nascem sem maior proveito, lhe planta o milho, e feij&atilde;o, que
+tudo cresce igualmente, sem que fa&ccedil;&atilde;o damno ao
+Algodoal. <br />
+
+<br />
+
+A esta&ccedil;&atilde;o, que come&ccedil;a a ser chuvosa,
+n&atilde;o c&eacute;ssa de regar a lavoura regularmente todas
+as tardes, e muitas vezes &aacute; noite, vindo de manh&atilde;
+o Sol at&eacute; o meio dia animar a lavoura; algumas vezes
+acontece virem as chuvas de oito em oito dias, por intervallos, no mez
+de Outubro, at&eacute; chegar a meiados de Novembro, tempo, em que
+ellas s&atilde;o constantes. <br />
+
+<br />
+
+A fertilidade do terreno faz crescer com as <span class="pagenum">[15]</span>
+plantas, outras muitas hervas, que o
+Lavrador he obrigado a arrancallas, ou sachallas para desaffogar a sua
+lavoura, que ent&atilde;o cresce prodigiosamente; e quando se
+d&aacute; a primeira limpa, se arranc&atilde;o os
+p&eacute;s de Algod&atilde;o superfluos na cova<sup><a href="#f8">[8]</a></sup>, deixando
+s&oacute; dous, que se cap&atilde;o, quando a planta
+j&aacute; tem altura sufficiente para brotar novos galhos ao redor
+do tronco, e fazer com esta opera&ccedil;&atilde;o maior lucro
+na colheita. <br />
+
+<br />
+
+No mez de Fevereiro costum&atilde;o os Lavradores dar a segunda
+monda &aacute; sua lavoura, conf&oacute;rme as suas differentes
+occupa&ccedil;&otilde;es, e abundancia da herva, que torna a
+renascer depois da primeira limpa. <br />
+
+<br />
+
+No mez de Maio se faz a colheita do milho, e do feij&atilde;o,
+deixando o terreno desembara&ccedil;ado, e limpo, para no mez de
+Julho se dar princ&iacute;pio &aacute; colheita do
+Algod&atilde;o, que contin&uacute;a at&eacute;
+o mez de Outubro, e Novembro, tempo, em que se
+p&oacute;d&atilde;o os Algodoeiros, para no segundo anno darem
+huma fertilissima colheita. <br />
+
+<br />
+
+A necessidade, que n&atilde;o c&eacute;ssa de
+amea&ccedil;ar o Lavrador, o disperta a continuar o mesmo trabalho,
+para ter certa a sustenta&ccedil;&atilde;o de milho, e
+feij&atilde;o, que j&aacute; n&atilde;o p&oacute;de
+ser, sen&atilde;o
+em terreno novo, que serve para augmentar a dita
+planta&ccedil;&atilde;o com a mesma
+regularidade.
+<br />
+
+<br />
+
+<span class="pagenum">[16]</span>
+Deste modo veria o Lavrador crescer, com o seu trabalho, as suas
+riquezas, n&atilde;o s&oacute; pela
+felicidade da lavoura, seu rendimento, e dura&ccedil;&atilde;o
+da planta, como pela diminuta despeza no seu fabrico, se hum obstaculo
+lhe n&atilde;o embara&ccedil;asse a
+execu&ccedil;&atilde;o de hum plano t&atilde;o util ao
+Commercio, e ao Estado. <br />
+
+<br />
+
+O Abbade Tessier no seu discurso preliminar sobre a Agricultura se
+expressa da maneira seguinte.==O mais poderoso meio de dar &aacute;
+Agricultura toda a actividade, de que p&oacute;de ser susceptivel,
+he praticar caminhos de communica&ccedil;&atilde;o em os
+Paizes, onde os n&atilde;o ha, e canaes navegaveis para transporte
+das mercadorias, &amp;c. &amp;c.
+<em>Encyclopedia Dictionario de
+Agric</em>, pag. 20. <br />
+
+<br />
+
+N&atilde;o he a falta do caminho, que faz o embara&ccedil;o da
+exporta&ccedil;&atilde;o, mas sim a falta de
+seguran&ccedil;a deste mesmo caminho para socego, e frequencia dos
+viandantes, que, na travessa da mata, se v&ecirc;m accommettidos do
+Barbaro Gentio
+<em>Cotach&oacute;s</em>, privando-os da
+facilidade de transportarem as suas cargas pelo rio abaixo
+at&eacute; o Ribeir&atilde;o da Ar&ecirc;a,
+que fica a 13, at&eacute; 14 legoas da Villa de Camam&uacute;,
+de donde se podem muito bem conduzir em cavalgaduras, para deste porto
+serem enviadas para a Capital, se houvesse naquelle lugar hum corpo de
+homens, que os fizessem conter nos seus limites, repellindo a
+for&ccedil;a das invas&otilde;es.
+<br />
+
+<br />
+
+<span class="pagenum">[17]</span>
+Este caminho, em outro tempo aberto por Ordem do Excellentissimo Manoel
+da Cunha Menezes, quando governou a Bahia, terminando na estrada, que
+vai para os Maracazes, dirigida dos Sert&otilde;es da Conquista,
+que fic&atilde;o abaixo das
+Contagens de Rio Pardo, e Tocaj&oacute;s, se fechou, n&atilde;o
+s&oacute; pela infesta&ccedil;&atilde;o do Gentio, mas pelo
+longe,
+m&aacute;o passo, e falta de pastagens para os animaes, o que
+conhecendo eu bem, obrigado da necessidade dos animaes precisos para o
+costeamento dos meus Engenhos, pela miseria, e lastimosa necessidade do
+povo, me resolvi a fazer outro, seguindo differente rumo, onde gastei
+tres annos sem adjutorio do povo, nem da Camara, nem doutrem, perdendo
+em todo este tempo o lucro das minhas lavouras, e o fiz muito mais
+perto, e por hum terreno, que o acaso subministrou com algumas
+pastagens. <br />
+
+<br />
+
+N&atilde;o he preciso para seguran&ccedil;a deste caminho mais,
+que huma Povoa&ccedil;&atilde;o de Judios mansos chamados
+<em>Mongoi&oacute;s</em> no
+Ribeir&atilde;o da Ar&ecirc;a. N&atilde;o s&atilde;o os
+particulares, que tem este poder; mas sim o Governo, onde existe a
+R&eacute;gia Authoridade. <br />
+
+<br />
+
+Eu n&atilde;o conhe&ccedil;o homens mais aptos para este fim,
+do que a domestica Na&ccedil;&atilde;o dos Indios
+<em>Mongoi&oacute;s</em>, n&atilde;o
+s&oacute; pelo seu grande valor, e intrepidez, como por serem huns
+homens acostumados &aacute; vida silvestre, e que a maior parte do
+tempo vivem da cassa, e da pesca, ainda que sej&atilde;o
+Agricultores, e
+<span class="pagenum">[18]</span>
+amantes da lavoura,
+n&atilde;o soffrendo maior detrimento, em quanto crescem no
+primeiro anno as suas lavouras, e desej&atilde;o isto mesmo,
+conf&oacute;rme o que me disser&atilde;o, pelas
+raz&otilde;es, que vou dar. <br />
+
+<br />
+
+Primeira, porque ha muito tempo n&atilde;o recebem as ferramentas,
+que costumav&atilde;o receber por Ordem do Governo. Segunda, porque
+na grande distancia, em que mor&atilde;o, n&atilde;o tem, quem
+represente
+as suas necessidades ao Governo para as remediar. <br />
+
+<br />
+
+Terceira, porque se v&ecirc;m opprimidos, sem poderem fazer as suas
+lavouras, e as que fazem, serem destruidas pelos animaes domesticos dos
+habitantes. <br />
+
+<br />
+
+Quarta, pela oppress&atilde;o, que soffrem, de quem os governa, sem
+que o longe lhes permitta a facilidade, de se poderem queixar. <br />
+
+<br />
+
+Quinta, porque o terreno da beira do Rio he mais abundante de cassa, e
+peixe, e muito fertil; e sendo ahi animados de huma prudente
+administra&ccedil;&atilde;o, de que s&atilde;o muito
+susceptiveis, podem fazer a sua felicidade, de que result&atilde;o
+ao Estado as seguintes vantagens. <br />
+
+<br />
+
+Primeira, conf&oacute;rme o que me disser&atilde;o, quando aqui
+cheg&aacute;r&atilde;o na expedi&ccedil;&atilde;o
+da Bandeira contra os
+<em>Cotach&oacute;s</em>, logo, que
+elles viessem para a beira do Rio, as outras Ald&ecirc;as da sua
+mesma
+Na&ccedil;&atilde;o, que ainda n&atilde;o
+sah&iacute;r&atilde;o das matas, se viri&atilde;o
+encorporar
+<span class="pagenum">[19]</span>
+com
+elles, assim que lhes constasse da sua felicidade, debaixo da doce
+administra&ccedil;&atilde;o, e
+protec&ccedil;&atilde;o do Estado. <br />
+
+<br />
+
+Segunda, estes homens conciliados, debaixo da
+direc&ccedil;&atilde;o de hum Director desinteressado,
+ser&atilde;o outros tantos valerosos soldados, que com facilidade
+dalli melhor podem ser chamados, conf&oacute;rme as necessidades da
+beiramar, do que do fundo dos Sert&otilde;es, onde presentemente
+habit&atilde;o. <br />
+
+<br />
+
+Terceira, ficando a estrada livre da infesta&ccedil;&atilde;o
+dos <em>Cotach&oacute;s</em>, o Commercio
+ser&aacute; livre aos viandantes, para com seguran&ccedil;a
+trazerem as suas mercadorias, de cuja facilidade resulta a
+anima&ccedil;&atilde;o de huma lavoura t&atilde;o
+importante, servindo estes homens, para exportarem nas canoas as
+grandes sommas de Algod&atilde;o, que a
+emula&ccedil;&atilde;o
+far&aacute; cultivar em todo o vasto terreno do baixo
+Sert&atilde;o da
+<em>Reraca</em><sup><a href="#f9">[9]</a></sup>,
+<em>Conquista</em><sup><a href="#f10">[10]</a></sup>,
+e
+<em>Borda da mata</em>, e das margens de
+muitos rios navegaveis, que vem ter ao dito Rio das Contas. <br />
+
+<br />
+
+Quarta, o poder-se frequentar a dita Estrada da beira do Rio para a
+Villa do Camam&uacute;, por ficarem os moradores livres do receio
+das invas&otilde;es dos
+<em>Cotach&oacute;s</em>, que se
+entranhar&atilde;o pelas matas do Sul, logo que souberem da
+residencia destes homens
+<span class="pagenum">[20]</span>
+na beira do rio, t&atilde;o valerosos, e destros n&atilde;o
+s&oacute; no manejo das suas armas, como das nossas. <br />
+
+<br />
+
+Quinta, o grande Commercio de
+<em>Ipec&uacute;cuanha</em>, que elles
+podem fazer, tirando-a nas margens do mesmo Rio das Contas,
+Ribeir&atilde;o da
+<em>Ar&ecirc;a</em>, e matas do
+<em>Gragongi</em>, onde ha com abundancia.
+<br />
+
+<br />
+
+He experimentado na Agricultura, que a falta de animaes para o seu
+fabrico faz a sua decadencia. Esta verdade, que tem sido provada em
+muitos Paizes, conf&oacute;rme os Abbades
+<em>Rosier</em>, e
+<em>Tessier</em>, grandes escritores, e
+Mestres desta Sciencia, n&atilde;o deixa de ser lastimosamente
+comprovada neste Paiz, que sendo, em outro tempo, abundante de
+farinhas, unico commercio, que fazia para a Capital, hoje se
+v&ecirc; reduzido &aacute; ultima miseria de sorte, que a
+exporta&ccedil;&atilde;o, que presentemente se faz para a
+Bahia, deste genero t&atilde;o necessario, he, para a que se fazia
+em outro tempo, como de 1 para 1000. <br />
+
+<br />
+
+A raz&atilde;o desta decadencia he bem conhecida. Em quanto
+havi&atilde;o matas virgens &aacute; borda do mar, ou de muitos
+rios navegaveis, que entr&atilde;o algumas legoas terra dentro, a
+lavoura se fazia com facilidade, e com a mesma se conduzi&atilde;o
+as farinhas &aacute;s costas dos escravos, e de poucos animaes para
+os p&oacute;rtos de embarque. Hoje por&eacute;m que
+j&aacute;
+as terras da borda d'agua est&atilde;o reduzidas a Capoeiras, huma,
+e muitas vezes plantadas, e minadas de formigueiros,
+<span class="pagenum">[21]</span>
+destruidores da mandioca, he o producto da
+lavoura nas capoeiras, para o producto, que tirav&atilde;o os
+Lavradores nas matas virgens, como de 5 at&eacute; 10, para 40, 50,
+60, e para 100, o que se pr&oacute;va pela
+tradi&ccedil;&atilde;o dos antigos
+Lavradores, e pelo pre&ccedil;o das farinhas desse tempo, que nunca
+exceder&atilde;o a 480, sendo o pre&ccedil;o usual de 240, a
+320 o sacco<sup><a href="#f11">[11]</a></sup>,
+e o seu pre&ccedil;o actual 1280, a 1600, sem
+esperan&ccedil;as de melhoramento, porque sempre o pre&ccedil;o
+he na raz&atilde;o inversa da abundancia do
+genero. <br />
+
+<br />
+
+Os p&oacute;vos humildes por sua natureza, e pela
+crea&ccedil;&atilde;o mui grosseira, se n&atilde;o
+anim&atilde;o a procurar melhoramento, n&atilde;o s&oacute;
+pela pequenhez do seu animo, como por lhes faltarem os animaes
+necessarios, para conduzirem de mais longe as suas farinhas. A falta de
+a&ccedil;ougue he outro obstaculo. Os P&oacute;vos,
+n&atilde;o tendo huma certa sustenta&ccedil;&atilde;o,
+n&atilde;o se
+anim&atilde;o a apartarem-se dos mangues, para lhes n&atilde;o
+faltar o sustento do Carangueijo<sup><a href="#f12">[12]</a></sup>.
+<br />
+
+<br />
+
+Nas tres legoas, da borda dos rios para dentro, est&atilde;o as
+boas terras de lavoura de mandiocas, que
+<span class="pagenum">[22]</span>
+pela sua grande
+produc&ccedil;&atilde;o, se os Lavradores se animassem a
+entrar, tendo abundancia de animaes para transporte das suas farinhas,
+como se v&ecirc; na ribeira de Nazar&eacute;, fari&atilde;o
+renascer a abundancia deste genero t&atilde;o precioso neste paiz.
+Outros muitos estabelecimentos de Engenhos de assucar se
+poderi&atilde;o fazer, de que resultari&atilde;o ao Estado
+grandes vantagens, se houvesse no Paiz abundancia de animaes, o que
+n&atilde;o succede pela falta de abertura ou de estrada. <br />
+
+<br />
+
+A Agricultura entretem de dous modos o commercio, tanto interior, como
+exterior, fazendo propagar os generos de
+exporta&ccedil;&atilde;o para as manufacturas, e os que se
+consomem na terra, e servem de sustenta&ccedil;&atilde;o. Faz a
+base fundamental da
+felicidade dos P&oacute;vos, e da riqueza do Estado. <br />
+
+<br />
+
+O Arraial do Caitit&eacute;, que fica 30 legoas inda acima das
+Cabeceiras do Rio das Contas, que dista 130 legoas, ou pouco menos do
+primeiro porto de embarque, que he na Villa da Cachoeira, era
+&aacute; 25 annos pobre, deserto, e s&oacute; manejava o
+diminuto commercio de gados, mas de muito pobres fazendas se
+v&ecirc; hoje o mais rico daquelles Sert&otilde;es,
+depois que der&atilde;o princ&iacute;pio &aacute; cultura
+do Algod&atilde;o,
+havendo nelle grandes Lavradores, pela facilidade, e
+seguran&ccedil;a de fazerem descer por huma estrada frequentada os
+seus generos. <br />
+
+<br />
+
+Os P&oacute;vos de Minas Novas, a exemplo destes,
+<span class="pagenum">[23]</span>
+n&atilde;o obstante o serem duas vezes mais
+remotos do porto de embarque, fizer&atilde;o o mesmo, a pezar do
+grande dispendio na exporta&ccedil;&atilde;o: ora se estes
+P&oacute;vos, a pezar da grande distancia, ach&atilde;o
+utilidade nesta lavoura t&atilde;o recommendada pela nossa Academia
+das Sciencias de Lisboa sobre o Algod&atilde;o da Persia, em que
+logo fallarei, que vantagens n&atilde;o ter&atilde;o os que
+cultivarem &aacute; borda da mata do nosso Sert&atilde;o, que
+est&aacute; t&atilde;o perto, ainda havendo a facilidade de se
+conduzirem as cargas pelo rio abaixo em canoas, at&eacute; o
+Ribeir&atilde;o da
+<em>Ar&ecirc;a</em>, sendo o terreno o
+mais proprio, que se conhece para a dita lavoura. <br />
+
+<br />
+
+As sementes do Algod&atilde;o da Persia, que me for&atilde;o
+entregues com a norma impressa da sua cultura, eu fiz plantar em
+differentes tempos, e n&atilde;o nasc&ecirc;r&atilde;o, por
+j&aacute; terem o
+germe destruido, e assento que se deveri&atilde;o mandar vir
+frescas, mettidas em vasos de vidro tapados, se possivel for,
+hermeticamente, e se poderem vir logo em direitura muito melhor
+ser&aacute; para n&atilde;o padecerem as sementes
+altera&ccedil;&atilde;o na parte oleosa, que cont&eacute;m
+a polpa, que cobre o germe, ou plumula. <br />
+
+<br />
+
+O Algod&atilde;o da India, que c&aacute; temos, tem nas
+sementes alguma semelhan&ccedil;a com o Algod&atilde;o da
+Persia, por serem alguma cousa cobertas de hum p&ecirc;lo branco,
+por&eacute;m n&atilde;o tanto, como o da Persia; a sua
+fl&ocirc;r
+he de hum vermelho c&ocirc;r de fogo, caracter
+<span class="pagenum">[24]</span>
+distincto do
+Algod&atilde;o de Macassar, o qual ainda conservamos em muito
+pequena quantidade, por ser mais difficil no colher, por&eacute;m
+bastante para se poder augmentar a planta&ccedil;&atilde;o;
+reliquias
+que nos fic&aacute;r&atilde;o dos generos da India, que em
+outro tempo aqui for&atilde;o cultivados, como a Canella, a
+Pimenta, o Gengibre, e o mesmo Algod&atilde;o, de que remetto o
+exemplo na pequena caixa das amostras, onde v&atilde;o seis
+qualidades de Algod&atilde;o; a saber. <br />
+
+<br />
+
+Algod&atilde;o de caro&ccedil;o inteiro, comprido, e preto, que
+he de muita vantagem na sua cultura, porque he mais fertil em
+l&atilde;a, inda que de qualidade mais &aacute;spera, como se
+p&oacute;de ver na amostra, que remetto, e s&oacute;
+p&oacute;de servir para as obras mais grossas. Cham&atilde;o a
+este Algod&atilde;o vulgarmente do Maranh&atilde;o; cuja arvore
+he de menos
+dura&ccedil;&atilde;o. <br />
+
+<br />
+
+Algod&atilde;o de caro&ccedil;o inteiro, e preto,
+por&eacute;m n&atilde;o t&atilde;o comprido, como o do
+Maranh&atilde;o,
+a que cham&atilde;o Algod&atilde;o vulgar; a sua l&atilde;a
+em
+tudo se assemelha &aacute; do Maranh&atilde;o, por&eacute;m
+tem
+differen&ccedil;a por ser o seu fio mais fraco, que o do
+Maranh&atilde;o,
+por&eacute;m a sua arvore he de mais dura&ccedil;&atilde;o.
+<br />
+
+<br />
+
+Algod&atilde;o de caro&ccedil;o unido, coberto de hum
+p&ecirc;lo pardo, a que cham&atilde;o Algod&atilde;o de
+caro&ccedil;o
+pardo, fertil em l&atilde;a mais macia, e doce, que a do
+Maranh&atilde;o, e produz hum fio fortissimo: a sua arvore he de
+bastante dura&ccedil;&atilde;o.
+<br />
+
+<br />
+
+<span class="pagenum">[25]</span>
+Algod&atilde;o de caro&ccedil;o unido, coberto de hum
+p&ecirc;llo verde, a que cham&atilde;o Algod&atilde;o de
+caro&ccedil;o verde, a sua l&atilde;a he abundante, doce,
+branda, e forte no fiar: a sua arvore he de huma grande
+dura&ccedil;&atilde;o. <br />
+
+<br />
+
+Estas duas qualidades podem servir para obras mais delicadas como
+cassas vulgares. <br />
+
+<br />
+
+Algod&atilde;o de caro&ccedil;o inteiro, e preto, de
+l&atilde;a parda, ou c&ocirc;r de ganga; a sua l&atilde;a
+he muito macia, e forte: a sua arvore he duravel, p&oacute;de
+servir para se fazerem as gangas, e outras obras de fust&otilde;es,
+em que entrem listras c&ocirc;r de gangas. <br />
+
+<br />
+
+Algod&atilde;o da India de caro&ccedil;o dividido, coberto de
+hum p&ecirc;llo branco bem semelhante aos caro&ccedil;os, ou
+sementes do Algod&atilde;o da Persia, de que j&aacute;
+fallei: a sua l&atilde;a he de hum branco fino muito doce, que
+produz hum fio forte, capaz para as obras mais delicadas, como cassas
+de sopro, &amp;c. <br />
+
+<br />
+
+Algod&atilde;o da India de caro&ccedil;o preto sem ser coberto,
+e dividido; a sua l&atilde;a he igual &aacute; do
+precedente com a differen&ccedil;a de que o caro&ccedil;o
+n&atilde;o
+tem p&ecirc;llo; a ma&ccedil;&atilde;a he maior, e os
+casulos,
+ou capuchos mais abundantes de l&atilde;a: tambem tem a
+differen&ccedil;a nas arvores, porque a do caro&ccedil;o preto
+he mais crescida, quando a do caro&ccedil;o coberto he muito
+rasteira, ainda que a sua dura&ccedil;&atilde;o seja
+igual, pois, sendo cultivadas em terreno fertil, e estrumado,
+atur&atilde;o muitos annos. <br />
+
+<br />
+
+As arvores, que produzem o Algod&atilde;o de caro&ccedil;o
+<span class="pagenum">[26]</span>
+pardo, verde, e preto, vulgar, e
+de c&ocirc;r de ganga, s&atilde;o persistentes, e
+atur&atilde;o muitos annos; a
+do Maranh&atilde;o n&atilde;o chega a aturar dous annos neste
+Paiz, ainda que n&atilde;o ha exemplo da sua cultura no
+Sert&atilde;o, onde o terreno he mais proprio para a dita lavoura,
+e atura hum p&eacute; de Algod&atilde;o entre o mato sem nenhum
+beneficio 25 annos, e muito mais, porque ainda existem alguns, que
+j&aacute; tem esta idade. <br />
+
+<br />
+
+Temos outras duas qualidades de Algod&atilde;o silvestre, que se
+encontra em abundancia nas Catingas &aacute; margem do Rio das
+Contas, tendo ambas as mesmas propriedades do Algod&atilde;o da
+India, tanto nas sementes, como nas arvores s&oacute; com a
+differen&ccedil;a, de que huma destas especies tem a l&atilde;a
+parda, e &aacute;spera por falta de cultura. <br />
+
+<br />
+
+O Algod&atilde;o domestico, cultivado nas Catingas, d&aacute;
+hum producto consideravel, o qual se p&oacute;de ver na taboa
+analitica do rendimento do Algod&atilde;o. <br />
+
+<br />
+
+A execu&ccedil;&atilde;o destas vistas importantes,
+n&atilde;o p&oacute;de pertencer a outrem, sen&atilde;o ao
+Rei, porque ellas pedem despezas, que excedem &aacute; fortuna dos
+particulares, e necessit&atilde;o da anima&ccedil;&atilde;o
+das Ordens, e
+do poder do Soberano, para transportar casaes de Ilheos, do mesmo modo,
+que se fez para a Ilha de Santa Catharina, para dar maior
+avan&ccedil;o &aacute; cultura dos
+Algod&otilde;es, e cultivar-se hum terreno, que p&oacute;de
+sustentar muitos milh&otilde;es de Vassallos de Sua Magestade, e
+descobrirem-se
+<span class="pagenum">[27]</span>
+immensos thesouros,
+que se ach&atilde;o sepultados debaixo das matas, que, por falta de
+cultura, se n&atilde;o conhecem; e em quanto o Estado
+n&atilde;o d&aacute; sobre este importante objecto as
+providencias precisas, basta que o Governo determine a residencia dos
+Indios <em>Mongoi&oacute;s</em> na
+beira do Rio, para que ficando a estrada livre das invas&otilde;es
+dos
+<em>Catach&oacute;s</em>, se d&ecirc;
+princ&iacute;pio a huma t&atilde;o importante lavoura, como
+tambem para que possa por ella descer todo o Salitre, que se fabricar
+n&atilde;o s&oacute; nos Montes
+Altos, como em todo o terreno nitroso do Ribeir&atilde;o da Giboia,
+que fica a 40 legoas de beiramar, de muito facil
+condu&ccedil;&atilde;o, fazendo-se primeiro
+conduzir em carros at&eacute; o sitio chamado da Passagem, e dahi
+em canoas at&eacute; o Ribeir&atilde;o da
+<em>Ar&ecirc;a</em>, como tenho
+j&aacute; dito a respeito da exporta&ccedil;&atilde;o
+do Algod&atilde;o, e com muita facilidade conduzir-se para o
+primeiro porto de embarque: no caso que seja o Salitre, o que torna as
+aguas da dita Ribeira de hum gosto salgado frio, sendo as terras das
+suas margens bastante salgadas; o que unicamente observei, sem que
+pod&eacute;sse analysallas pela
+precipita&ccedil;&atilde;o, com que por ahi passei, e
+n&atilde;o ter vasos suficientes para o poder fazer: posto que
+tinha a noticia, de que Jo&atilde;o Gon&ccedil;alves da Costa
+fizera seccar huma por&ccedil;&atilde;o deste Sal, que dizia
+ser Salitre, e o tinha trazido a esta Cidade da Bahia no tempo do
+Illustrissimo Governador Manoel da
+<span class="pagenum">[28]</span>
+Cunha Menezes, que, lan&ccedil;ado no fogo, fazia a
+detona&ccedil;&atilde;o, deixando pela sua impureza bastante
+terra; porque o seu author n&atilde;o possuia os conhecimentos
+precisos, para fazer a perfeita deputa&ccedil;&atilde;o, o que
+s&oacute; p&oacute;de decidir o exame filosofico, para
+ent&atilde;o se poder verificar, sem a menor
+d&uacute;vida, inda que me affirm&atilde;o pessoas de toda a
+f&eacute;, que a tal massa detonava bastante exposta ao fogo; e
+n&atilde;o s&oacute; p&oacute;de servir o beneficio da
+dita estrada para a facilidade da exporta&ccedil;&atilde;o
+deste genero, mas
+tambem de todos os ramos, de que se segue t&atilde;o grandes
+vantagens ao Commercio, e por consequencia ao Estado.<br />
+
+<br />
+
+<br />
+
+<div class="poetry1"><em>O fortunatos nimium, sua si
+bona norint,<br />
+
+Agricolas!...</em> <br />
+
+<br />
+
+<div class="signature">Virgil. Georg. Liv. 2.
+</div>
+
+</div>
+
+<br />
+
+<br />
+
+<br />
+
+<br />
+
+<span class="pagenum">[29]</span>
+<h3>DESCRIP&Ccedil;&Atilde;O</h3>
+
+<h3>DAS DIFFERENTES ESPECIES</h3>
+
+<h3>DE</h3>
+
+<h3>ALGOD&Atilde;O</h3>
+
+<h3>QUE TEMOS NO BRAZIL. </h3>
+
+<br />
+
+<div style="text-align: center;"><em>Algod&atilde;o
+do Maranh&atilde;o de
+Caro&ccedil;o inteiro, e comprido</em>.<sup><a href="#f13">[13]</a></sup>
+</div>
+
+<br />
+
+<br />
+
+A sua ma&ccedil;&atilde;, ou pericarpio comprida bastante
+grossa, que cont&eacute;m nas suas valvulas, ou cellulas tres
+capulhos, ou capuchos na frase do Paiz, da huma abundante
+l&atilde;a, que cobre nove at&eacute; dez
+sementes unidas em hum s&oacute; corpo, a que cham&atilde;o
+caro&ccedil;o inteiro, o qual tem de comprimento pollegada e meia. <br />
+
+<br />
+
+A sua arvore em beiramar da Villa do Camam&uacute; s&oacute;
+atura dous annos, e n&atilde;o ramifica como as outras, porque da
+altura de tres palmos da terra, onde o tronco he grosso bastante, brota
+muitas vergonteas, sem que fa&ccedil;a maior
+ramifica&ccedil;&atilde;o. <br />
+
+<br />
+
+A sua l&atilde;a, n&atilde;o deixa de ser a mais
+&aacute;spera que c&aacute; temos, e p&oacute;de servir
+para muitos usos.
+<br />
+
+<br />
+
+<br />
+
+<span class="pagenum">[30]</span>
+<div style="text-align: center;"><em>Algod&atilde;o
+de caro&ccedil;o pardo, e
+inteiro</em>.<sup><a href="#f14">[14]</a></sup><br />
+
+</div>
+
+<br />
+
+<br />
+
+A sua ma&ccedil;&atilde;a mais grossa, que a precedente,
+por&eacute;m n&atilde;o t&atilde;o comprida,
+cont&eacute;m de tres at&eacute; quatro valvulas, que
+encerr&atilde;o outros tantos capulhos, ou capuchos de huma
+abundante l&atilde;a, muito clara, e doce, que cobre nove sementes
+unidas em hum caro&ccedil;o, coberto de hum p&ecirc;llo pardo,
+o seu comprimento he pouco mais de pollegada; o fio, que produz este
+Algod&atilde;o, he forte, e por isso se p&oacute;de fiar bem
+delicado. <br />
+
+<br />
+
+A sua arvore he grossa bastante, e de huma grande
+ramifica&ccedil;&atilde;o, atura muitos annos, e por isso de
+grande vantagem.<br />
+
+<br />
+
+<br />
+
+<span class="pagenum">[31]</span>
+<div style="text-align: center;"><em>Algod&atilde;o
+de caro&ccedil;o verde, e
+inteiro</em>.<sup><a href="#f15">[15]</a></sup>
+<br />
+
+</div>
+
+<br />
+
+<br />
+
+A sua ma&ccedil;&atilde; em tudo
+semelhante &aacute; precedente, cont&eacute;m quatro capulhos;
+de huma l&atilde;a clarissima, e muito fina, que cobre nove
+sementes unidas cobertas de hum p&ecirc;llo verde, caracter
+distinctivo desta especie; este Algod&atilde;o produz hum fio
+fortissimo, e por isso muito proprio para as obras mais delicadas. <br />
+
+<br />
+
+A sua arvore he em tudo semelhante &aacute; precedente, e quasi
+estas duas especies s&atilde;o analogas, e s&oacute; as
+differen&ccedil;a a c&ocirc;r do
+p&ecirc;llo, que cobre os caro&ccedil;os. <br />
+
+<br />
+
+<br />
+
+<div style="text-align: center;"><em>Algod&atilde;o
+de caro&ccedil;o inteiro de
+l&atilde;a parda c&ocirc;r de ganga</em>.<sup><a href="#f16">[16]</a></sup> <br />
+
+</div>
+
+<br />
+
+<br />
+
+A sua ma&ccedil;&atilde;a he ordinaria, e produz tres ou quatro
+capulhos, ou capuchos de huma l&atilde;a parda, que cobre hum
+caro&ccedil;o inteiro, e unido, que he composto de sete e nove
+sementes. <br />
+
+<br />
+
+A sua arvore he persistente, e de muita dura&ccedil;&atilde;o.
+<br />
+
+<br />
+
+<br />
+
+<span class="pagenum">[32]</span>
+<div style="text-align: center;"><em>Algod&atilde;o
+vulgar</em>.<sup><a href="#f17">[17]</a></sup></div>
+
+<br />
+
+<br />
+
+Tem as mesmas propriedades que o Algod&atilde;o de
+Maranh&atilde;o, unicamente com a differen&ccedil;a do seu
+caro&ccedil;o ser menor, composto de sete ou nove sementes, e raras
+vezes de dez. <br />
+
+<br />
+
+A sua arvore he de grande dura&ccedil;&atilde;o. <br />
+
+<br />
+
+<br />
+
+<div style="text-align: center;"><em>Algod&atilde;o
+da India de caro&ccedil;o
+dividido, e cuberto de hum p&ecirc;llo branco</em><em>.</em><sup><a href="#f18">[18]</a></sup>
+<br />
+
+</div>
+
+<br />
+
+<br />
+
+A sua ma&ccedil;&atilde;a he pequena com tres quatro valvulas,
+cont&eacute;m outros tantos capulhos de huma l&atilde;a
+finissima, muito alva, que cobre sete sementes divididas, que faz o
+caracter do caro&ccedil;o dividido. <br />
+
+<br />
+
+A sua arvore he rasteira, e muito duravel. Esta semente nos veio da
+India, em companhia do Cravo, da Canella, e do Gengibre, e se tem
+conservado at&eacute; agora. <br />
+
+<br />
+
+Tambem temos outra especie de Algod&atilde;o da India de
+Caro&ccedil;o dividido, e preto de l&atilde;a muito macia, e
+alva. <br />
+
+<br />
+
+A sua arvore he mais alta, que a precedente.
+<br />
+
+<br />
+
+<span class="pagenum">[33]</span>
+Temos ainda duas especies de Algod&atilde;o naturaes do Paiz, que
+se ach&atilde;o silvestres nas margens do Rio das Contas, e bem
+semelhantes ao Algod&atilde;o da India, tanto nas suas sementes,
+como na sua arvore, tendo huma das duas especies a l&atilde;a
+&aacute;spera, e parda. <br />
+
+<br />
+
+Eu as fiz plantar em beiramar, mas no tempo da
+fructifica&ccedil;&atilde;o, as chuvas
+deit&aacute;r&atilde;o abaixo as novidades, sem ficar huma
+s&oacute; ma&ccedil;&atilde;a. <br />
+
+<br />
+
+A sua arvore he de grande dura&ccedil;&atilde;o. <br />
+
+<br />
+
+<br />
+
+<br />
+
+<span class="pagenum">[34]</span>
+<h3>CALCULO ANALYTICO.</h3>
+
+<br />
+
+<br />
+
+<table style="text-align: left; width: 100%;" border="0" cellpadding="2" cellspacing="2">
+
+ <tbody>
+
+ <tr>
+
+ <td style="width: 78%; text-align: justify;" valign="top">Hum escravo
+trabalhando em Algod&atilde;o d&aacute; de
+rendimento no
+Sert&atilde;o</td>
+
+ <td style="width: 5%;">
+ <div class="dots"></div>
+
+ </td>
+
+ <td style="text-align: right;" valign="bottom">250$000</td>
+
+ </tr>
+
+ <tr>
+
+ <td style="text-align: justify;" valign="top">Prep&aacute;ra
+terra
+para</td>
+
+ <td align="left">
+ <div class="dots"></div>
+
+ </td>
+
+ <td style="text-align: right;" valign="top">500
+p&eacute;s</td>
+
+ </tr>
+
+ <tr>
+
+ <td style="text-align: justify;" valign="top">Que
+d&atilde;o de
+l&atilde;a</td>
+
+ <td>
+ <div class="dots"></div>
+
+ </td>
+
+ <td colspan="1" rowspan="2" style="text-align: right;" valign="top">62 e 16 a<br />
+
+raz&atilde;o de 4<br />
+
+lib. por p&eacute;</td>
+
+ </tr>
+
+ <tr>
+
+ <td style="text-align: justify;" valign="top">Tirada
+de 1364 ma&ccedil;&atilde;as, que produz cada
+p&eacute; de colheita
+ordinaria.</td>
+
+ <td></td>
+
+ </tr>
+
+ <tr>
+
+ <td style="text-align: justify;" valign="top">Al&eacute;m
+disto planta o milho, e feij&atilde;o para o seu
+sustento, e para crear porcos, gallinhas, &amp;c. </td>
+
+ <td></td>
+
+ <td></td>
+
+ </tr>
+
+ <tr>
+
+ <td style="text-align: justify;" valign="top">O
+que melhor se conhece na Taboa&#8213;Synthetica.</td>
+
+ <td></td>
+
+ <td></td>
+
+ </tr>
+
+ </tbody>
+</table>
+
+<br />
+
+<h4>FIM.</h4>
+
+<br />
+
+<br />
+
+<br />
+
+<h4>
+CALCULO SYNTHETICO<br />
+
+DO<br />
+
+RENDIMENTO DO ALGOD&Atilde;O DO
+CARO&Ccedil;O PARDO, VERDE, E
+DO MARANH&Atilde;O.</h4>
+
+<br />
+
+<br />
+
+<br />
+
+<br />
+
+<hr />
+<hr />
+<table style="text-align: left; width: 100%;" class="tinyl" border="1" cellpadding="2" cellspacing="2">
+
+ <tbody>
+
+ <tr>
+
+ <td style="width: 25%;" align="left" valign="top">Produc&ccedil;&atilde;o
+do Algod&atilde;o
+em</td>
+
+ <td style="text-align: center;" valign="top">Ma&ccedil;&atilde;</td>
+
+ <td style="text-align: center;" valign="top">Capul.</td>
+
+ <td style="text-align: center;" valign="top">Gr.</td>
+
+ <td style="text-align: center;" valign="top">Oit.</td>
+
+ <td style="text-align: center;" valign="top">Lib.</td>
+
+ <td style="text-align: center;" valign="top">Arrob.</td>
+
+ <td style="text-align: center;" valign="top">P&eacute;s
+de<br />
+
+Algod.</td>
+
+ <td style="text-align: center;" valign="top">Pre&ccedil;o</td>
+
+ <td align="left" valign="top"></td>
+
+ </tr>
+
+ <tr>
+
+ <td align="left" valign="top">Huma
+ma&ccedil;&atilde;a
+cont&eacute;m</td>
+
+ <td align="left" valign="top"></td>
+
+ <td style="text-align: center;" valign="top">3
+at&eacute;
+4</td>
+
+ <td align="left" valign="top"></td>
+
+ <td align="left" valign="top"></td>
+
+ <td align="left" valign="top"></td>
+
+ <td align="left" valign="top"></td>
+
+ <td align="left" valign="top"></td>
+
+ <td align="left" valign="top"></td>
+
+ <td align="left" valign="top"></td>
+
+ </tr>
+
+ <tr>
+
+ <td align="left" valign="top">Hum capulho
+d&aacute; de
+L&atilde;a</td>
+
+ <td align="left" valign="top"></td>
+
+ <td align="left" valign="top"></td>
+
+ <td style="text-align: center;" valign="top">9
+p.
+m.</td>
+
+ <td align="left" valign="top"></td>
+
+ <td align="left" valign="top"></td>
+
+ <td align="left" valign="top"></td>
+
+ <td align="left" valign="top"></td>
+
+ <td align="left" valign="top"></td>
+
+ <td align="left" valign="top"></td>
+
+ </tr>
+
+ <tr>
+
+ <td align="left" valign="top">Oito ditos
+d&atilde;o</td>
+
+ <td align="left" valign="top"></td>
+
+ <td align="left" valign="top"></td>
+
+ <td align="left" valign="top"></td>
+
+ <td style="text-align: center;" valign="top">1</td>
+
+ <td align="left" valign="top"></td>
+
+ <td align="left" valign="top"></td>
+
+ <td align="left" valign="top"></td>
+
+ <td align="left" valign="top"></td>
+
+ <td align="left" valign="top"></td>
+
+ </tr>
+
+ <tr>
+
+ <td align="left" valign="top">1024 Capulhos
+d&atilde;o</td>
+
+ <td align="left" valign="top"></td>
+
+ <td align="left" valign="top"></td>
+
+ <td align="left" valign="top"></td>
+
+ <td align="left" valign="top"></td>
+
+ <td style="text-align: center;" valign="top">1</td>
+
+ <td align="left" valign="top"></td>
+
+ <td align="left" valign="top"></td>
+
+ <td align="left" valign="top"></td>
+
+ <td align="left" valign="top"></td>
+
+ </tr>
+
+ <tr>
+
+ <td align="left" valign="top">1024 Capulhos
+reduzidos a
+Ma&ccedil;&atilde;as
+d&atilde;o</td>
+
+ <td style="text-align: center;" valign="top">341</td>
+
+ <td align="left" valign="top"></td>
+
+ <td align="left" valign="top"></td>
+
+ <td align="left" valign="top"></td>
+
+ <td align="left" valign="top"></td>
+
+ <td align="left" valign="top"></td>
+
+ <td align="left" valign="top"></td>
+
+ <td align="left" valign="top"></td>
+
+ <td align="left" valign="top"></td>
+
+ </tr>
+
+ <tr>
+
+ <td align="left" valign="top">Cada
+p&eacute; de
+colheita ordinaria d&aacute;</td>
+
+ <td align="left" valign="top">1364</td>
+
+ <td align="left" valign="top"></td>
+
+ <td align="left" valign="top"></td>
+
+ <td align="left" valign="top"></td>
+
+ <td align="left" valign="top"></td>
+
+ <td align="left" valign="top"></td>
+
+ <td align="left" valign="top"></td>
+
+ <td align="left" valign="top"></td>
+
+ <td align="left" valign="top"></td>
+
+ </tr>
+
+ <tr>
+
+ <td align="left" valign="top">Ma&ccedil;&atilde;as
+d&atilde;o de
+L&atilde;</td>
+
+ <td align="left" valign="top"></td>
+
+ <td align="left" valign="top"></td>
+
+ <td align="left" valign="top"></td>
+
+ <td align="left" valign="top"></td>
+
+ <td style="text-align: center;" valign="top">4</td>
+
+ <td align="left" valign="top"></td>
+
+ <td align="left" valign="top"></td>
+
+ <td align="left" valign="top"></td>
+
+ <td align="left" valign="top"></td>
+
+ </tr>
+
+ <tr>
+
+ <td align="left" valign="top">Cada
+trabalhador prepara terra
+para</td>
+
+ <td align="left" valign="top"></td>
+
+ <td align="left" valign="top"></td>
+
+ <td align="left" valign="top"></td>
+
+ <td align="left" valign="top"></td>
+
+ <td align="left" valign="top"></td>
+
+ <td align="left" valign="top"></td>
+
+ <td style="text-align: center;" valign="top">500</td>
+
+ <td align="left" valign="top"></td>
+
+ <td align="left" valign="top"></td>
+
+ </tr>
+
+ <tr>
+
+ <td align="left" valign="top">500
+p&eacute;s d&atilde;o de
+Algod&atilde;o</td>
+
+ <td align="left" valign="top"></td>
+
+ <td align="left" valign="top"></td>
+
+ <td align="left" valign="top"></td>
+
+ <td align="left" valign="top"></td>
+
+ <td align="left" valign="top"></td>
+
+ <td style="text-align: center;" valign="top">62-<sup>1</sup><big>&frasl;</big><sub>2</sub></td>
+
+ <td align="left" valign="top"></td>
+
+ <td align="left" valign="top"></td>
+
+ <td align="left" valign="top"></td>
+
+ </tr>
+
+ <tr>
+
+ <td align="left" valign="top">62 arrob.
+e <sup>1</sup><big>&frasl;</big><sub>2</sub>
+vendido
+pelo
+pre&ccedil;o corrente da Pra&ccedil;a de 6:400<br />
+
+ <br />
+
+ <div style="text-align: right;">625<br />
+
+6400<br />
+
+&#8213;&#8213;&#8213;&#8213;&#8213;&#8213;<br />
+
+250000<br />
+
+3750<br />
+
+&#8213;&#8213;&#8213;&#8213;&#8213;&#8213;&#8213;-<br />
+
+400000(0</div>
+
+ </td>
+
+ <td align="left" valign="top"></td>
+
+ <td align="left" valign="top"></td>
+
+ <td align="left" valign="top"></td>
+
+ <td align="left" valign="top"></td>
+
+ <td align="left" valign="top"></td>
+
+ <td align="left" valign="top"></td>
+
+ <td align="left" valign="top"></td>
+
+ <td style="vertical-align: bottom; text-align: right;">400</td>
+
+ <td style="vertical-align: bottom; text-align: right;">000</td>
+
+ </tr>
+
+ <tr>
+
+ <td style="vertical-align: top; text-align: left;">62
+arrob. e <sup>1</sup><big>&frasl;</big><sub>2</sub>
+no Sert&atilde;o
+vendida a 4:000
+rende<br />
+
+ <br />
+
+ <div style="text-align: right;">625<br />
+
+6400<br />
+
+&#8213;&#8213;&#8213;&#8213;&#8213;&#8213;&#8213;-<br />
+
+250000(0</div>
+
+ </td>
+
+ <td style="vertical-align: top; text-align: left;"></td>
+
+ <td style="vertical-align: top; text-align: left;"></td>
+
+ <td style="vertical-align: top; text-align: left;"></td>
+
+ <td style="vertical-align: top; text-align: left;"></td>
+
+ <td style="vertical-align: top; text-align: left;"></td>
+
+ <td style="vertical-align: top; text-align: left;"></td>
+
+ <td style="vertical-align: top; text-align: left;"></td>
+
+ <td style="vertical-align: bottom; text-align: right;">250</td>
+
+ <td style="vertical-align: bottom; text-align: right;">000</td>
+
+ </tr>
+
+ </tbody>
+</table>
+
+<hr />
+<hr /><br />
+
+<br />
+
+<div style="text-align: center;"><em>Annuncio de
+huma m&aacute;quina sing&eacute;la
+de carmear o Algod&atilde;o, vista na China.</em> <br />
+
+</div>
+
+<br />
+
+<div style="text-align: center;"><span class="smallcaps">Por</span>
+* * * <br />
+
+</div>
+
+<br />
+
+<div style="text-align: center;">Com huma Estampa. <br />
+
+</div>
+
+<br />
+
+<br />
+
+1. Hum banco donde se assenta o carmeador. 2. Huma verga
+flexivel. 3. Hum cord&atilde;o,
+donde suspende o arco. 4. Gancho de ferro que engata na argola do arco.
+5. Hum arco de p&aacute;o. 6. Huma corda de rabec&atilde;o
+bastante grossa. 7. Hum ma&ccedil;o pequeno com que bate na corda,
+e com o dente que tem, pega na dita corda, e puxando para si, faz hum
+estremecimento grande, o que faz sacudir, carmeando, dividindo todo o
+&ccedil;ujo. 8. Argola de ferro, donde engata o gancho N.&ordm;
+4.<br />
+
+<br />
+
+<br />
+
+<br />
+
+<div style="text-align: center;"><img style="width: 500px; height: 380px;" alt="" src="images/fig02.png" /><br />
+
+</div>
+
+<br />
+
+<br />
+
+<br />
+
+<br />
+
+<b>Notas:</b><br />
+
+<br />
+
+<br />
+
+<a name="f1" id="f1"></a><sup>[1]</sup>
+<em>No maior calor, que he do meiodia para
+tarde, e muitas vezes no outro s&oacute; chega a 60 na mesma
+esta&ccedil;&atilde;o</em>. <br />
+
+<br />
+
+<a name="f2" id="f2"></a><sup>[2]</sup>
+<em>Porque tanto chove de ver&atilde;o
+como de inverno, e muitas vezes o ver&atilde;o he mais chuvoso, e
+s&oacute; a
+differen&ccedil;a das horas nos dias he que os faz
+distinguir</em>.<br />
+
+<br />
+
+<a name="f3" id="f3"></a><sup>[3]</sup>
+<em>Co&aacute; tinga</em> quer
+dizer mato branco, como s&atilde;o
+os de terras fracas.<br />
+
+<br />
+
+<a name="f4" id="f4"></a><sup>[4]</sup>
+<em>Catingas baixas, s&atilde;o mais
+baixas duas vezes, que as Catingas altas</em>.<br />
+
+<br />
+
+<a name="f5" id="f5"></a><sup>[5]</sup>
+<em>Capoeiras</em>, palavra
+Europea substituida por corrup&ccedil;&atilde;o a Brasiliana
+<em>C&oacute;
+cu&eacute;ra</em>, rossa antiga.<br />
+
+<br />
+
+<a name="f6" id="f6"></a><sup>[6]</sup>
+<em>Bandeiristas,
+s&atilde;o os homens,
+que encorporados debaixo de hum Chefe atravess&atilde;o as matas
+para seguirem os Judios, que assalt&atilde;o as propriedades, e
+estradas, ou mesmo para os amansar, e cada hum delles separado se chama
+Bandeirista</em>.<br />
+
+<br />
+
+<a name="f7" id="f7"></a><sup>[7]</sup>
+<em>Ha
+huma observa&ccedil;&atilde;o,
+em que as sementes de Algod&atilde;o de caro&ccedil;o inteiro
+se devem plantar com
+os caro&ccedil;os unidos sem se dividirem, para sahir o
+Algod&atilde;o com os caro&ccedil;os unidos, que sendo
+divididas as sementes, assim produz o Algod&atilde;o com as
+sementes divididas</em>.<br />
+
+<br />
+
+<a name="f8" id="f8"></a><sup>[8]</sup><em>
+Porque se planta o caro&ccedil;o inteiro</em>.<br />
+
+<br />
+
+<a name="f9" id="f9"></a><sup>[9]</sup><em>
+Nome proprio do lugar</em>.<br />
+
+<br />
+
+<a name="f10" id="f10"></a><sup>[10]</sup><em>
+Nome proprio, com que ficou
+pela
+conquista dos Indios Mongoi&oacute;s, este
+lugar</em>.<br />
+
+<br />
+
+<a name="f11" id="f11"></a><sup>[11]</sup><em>Sacco,
+medida de dous alqueires do
+Brazil, que corresponde a quatro alqueires de
+Portugal</em>.<br />
+
+<br />
+
+<a name="f12" id="f12"></a><sup>[12]</sup><em>Animal,
+que vive na lama, que he coberta
+de arvores, a que cham&atilde;o mangues, e s&atilde;o banhados
+da mar&eacute;</em>. Genero cancer. Especie cancer
+hirsutus.<br />
+
+<br />
+
+<a name="f13" id="f13"></a><sup>[13]</sup><em>Genero
+Gossypium de
+Lin</em>.<br />
+
+<br />
+
+<a name="f14" id="f14"></a><sup>[14]</sup>
+<em>Gossypium
+hirsutum.</em><br />
+
+<br />
+
+<a name="f15" id="f15"></a><sup>[15]</sup>
+<em>Gossypium.
+Xilon Americanum
+pr&aelig;stantissimum semine virescente Tournef</em>.
+<br />
+
+<br />
+
+<a name="f16" id="f16"></a><sup>[16]</sup>
+<em>Gossypium.
+Barbadense de Lin.
+Algod&atilde;o de Si&atilde;o</em>.<br />
+
+<br />
+
+<a name="f17" id="f17"></a><sup>[17]</sup>
+<em>Gossypium</em>.
+<br />
+
+<br />
+
+<a name="f18" id="f18"></a><sup>[18]</sup>
+<em>Gossypium
+arboreum de Lin.
+Algod&atilde;o de Macassar</em>.<br />
+
+<br />
+
+<br />
+
+<br />
+
+<br />
+
+<div class="fbox">
+<h2>Lista de erros corrigidos</h2>
+
+<div style="text-align: center;">Aqui
+encontram-se
+listados todos os erros encontrados e corrigidos:</div>
+
+<br />
+
+<br />
+
+<table style="width: 80%; text-align: left; margin-left: auto; margin-right: auto;" border="0" cellpadding="4" cellspacing="4">
+
+ <tbody>
+
+ <tr align="right">
+
+ <td style="width: 61px;"></td>
+
+ <td style="font-weight: bold; text-align: center; width: 121px;">Original</td>
+
+ <td style="text-align: center; width: 5px;"></td>
+
+ <td style="font-weight: bold; text-align: center; width: 135px;">Correc&ccedil;&atilde;o</td>
+
+ </tr>
+
+ <tr>
+
+ <td style="text-align: right;"><a name="e1" id="e1"></a><a href="#p9">#p&aacute;g.
+9</a></td>
+
+ <td style="text-align: center;">su?</td>
+
+ <td style="text-align: center;">...</td>
+
+ <td style="text-align: center;">sua</td>
+
+ </tr>
+
+ </tbody>
+</table>
+
+<div style="text-align: center;"><br />
+
+As varia&ccedil;&otilde;es de nomes pr&oacute;prios foram
+mantidas de acordo com o original.<br />
+
+<br />
+
+</div>
+
+</div>
+
+</div>
+
+
+
+
+
+
+
+
+<pre>
+
+
+
+
+
+End of the Project Gutenberg EBook of Memória sobre a plantação dos algodões, by
+José de Sá Bettencourt
+
+*** END OF THIS PROJECT GUTENBERG EBOOK MEMÓRIA SOBRE A PLANTAÇÃO ***
+
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+WARRANTIES OF MERCHANTIBILITY OR FITNESS FOR ANY PURPOSE.
+
+1.F.5. Some states do not allow disclaimers of certain implied
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+interpreted to make the maximum disclaimer or limitation permitted by
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+harmless from all liability, costs and expenses, including legal fees,
+that arise directly or indirectly from any of the following which you do
+or cause to occur: (a) distribution of this or any Project Gutenberg-tm
+work, (b) alteration, modification, or additions or deletions to any
+Project Gutenberg-tm work, and (c) any Defect you cause.
+
+
+Section 2. Information about the Mission of Project Gutenberg-tm
+
+Project Gutenberg-tm is synonymous with the free distribution of
+electronic works in formats readable by the widest variety of computers
+including obsolete, old, middle-aged and new computers. It exists
+because of the efforts of hundreds of volunteers and donations from
+people in all walks of life.
+
+Volunteers and financial support to provide volunteers with the
+assistance they need are critical to reaching Project Gutenberg-tm's
+goals and ensuring that the Project Gutenberg-tm collection will
+remain freely available for generations to come. In 2001, the Project
+Gutenberg Literary Archive Foundation was created to provide a secure
+and permanent future for Project Gutenberg-tm and future generations.
+To learn more about the Project Gutenberg Literary Archive Foundation
+and how your efforts and donations can help, see Sections 3 and 4
+and the Foundation web page at https://www.pglaf.org.
+
+
+Section 3. Information about the Project Gutenberg Literary Archive
+Foundation
+
+The Project Gutenberg Literary Archive Foundation is a non profit
+501(c)(3) educational corporation organized under the laws of the
+state of Mississippi and granted tax exempt status by the Internal
+Revenue Service. The Foundation's EIN or federal tax identification
+number is 64-6221541. Its 501(c)(3) letter is posted at
+https://pglaf.org/fundraising. Contributions to the Project Gutenberg
+Literary Archive Foundation are tax deductible to the full extent
+permitted by U.S. federal laws and your state's laws.
+
+The Foundation's principal office is located at 4557 Melan Dr. S.
+Fairbanks, AK, 99712., but its volunteers and employees are scattered
+throughout numerous locations. Its business office is located at
+809 North 1500 West, Salt Lake City, UT 84116, (801) 596-1887, email
+business@pglaf.org. Email contact links and up to date contact
+information can be found at the Foundation's web site and official
+page at https://pglaf.org
+
+For additional contact information:
+ Dr. Gregory B. Newby
+ Chief Executive and Director
+ gbnewby@pglaf.org
+
+
+Section 4. Information about Donations to the Project Gutenberg
+Literary Archive Foundation
+
+Project Gutenberg-tm depends upon and cannot survive without wide
+spread public support and donations to carry out its mission of
+increasing the number of public domain and licensed works that can be
+freely distributed in machine readable form accessible by the widest
+array of equipment including outdated equipment. Many small donations
+($1 to $5,000) are particularly important to maintaining tax exempt
+status with the IRS.
+
+The Foundation is committed to complying with the laws regulating
+charities and charitable donations in all 50 states of the United
+States. Compliance requirements are not uniform and it takes a
+considerable effort, much paperwork and many fees to meet and keep up
+with these requirements. We do not solicit donations in locations
+where we have not received written confirmation of compliance. To
+SEND DONATIONS or determine the status of compliance for any
+particular state visit https://pglaf.org
+
+While we cannot and do not solicit contributions from states where we
+have not met the solicitation requirements, we know of no prohibition
+against accepting unsolicited donations from donors in such states who
+approach us with offers to donate.
+
+International donations are gratefully accepted, but we cannot make
+any statements concerning tax treatment of donations received from
+outside the United States. U.S. laws alone swamp our small staff.
+
+Please check the Project Gutenberg Web pages for current donation
+methods and addresses. Donations are accepted in a number of other
+ways including including checks, online payments and credit card
+donations. To donate, please visit: https://pglaf.org/donate
+
+
+Section 5. General Information About Project Gutenberg-tm electronic
+works.
+
+Professor Michael S. Hart was the originator of the Project Gutenberg-tm
+concept of a library of electronic works that could be freely shared
+with anyone. For thirty years, he produced and distributed Project
+Gutenberg-tm eBooks with only a loose network of volunteer support.
+
+
+Project Gutenberg-tm eBooks are often created from several printed
+editions, all of which are confirmed as Public Domain in the U.S.
+unless a copyright notice is included. Thus, we do not necessarily
+keep eBooks in compliance with any particular paper edition.
+
+
+Most people start at our Web site which has the main PG search facility:
+
+ https://www.gutenberg.org
+
+This Web site includes information about Project Gutenberg-tm,
+including how to make donations to the Project Gutenberg Literary
+Archive Foundation, how to help produce our new eBooks, and how to
+subscribe to our email newsletter to hear about new eBooks.
+
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