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+The Project Gutenberg EBook of Bases para a unificação da ortografia que
+deve ser adoptada nas escolas e publicações oficiais, by Anonymous
+
+This eBook is for the use of anyone anywhere at no cost and with
+almost no restrictions whatsoever. You may copy it, give it away or
+re-use it under the terms of the Project Gutenberg License included
+with this eBook or online at www.gutenberg.org
+
+
+Title: Bases para a unificação da ortografia que deve ser adoptada nas escolas e publicações oficiais
+
+Author: Anonymous
+
+Release Date: March 20, 2009 [EBook #28364]
+
+Language: Portuguese
+
+Character set encoding: ISO-8859-1
+
+*** START OF THIS PROJECT GUTENBERG EBOOK BASES PARA A UNIFICACAO ***
+
+
+
+
+Produced by Rita Farinha and the Online Distributed
+Proofreading Team at https://www.pgdp.net (This file was
+produced from images generously made available by National
+Library of Portugal (Biblioteca Nacional de Portugal).)
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+ *Nota de editor:* Devido à existência de erros tipográficos
+ neste texto, foram tomadas várias decisões quanto à versão
+ final. Em caso de dúvida, a grafia foi mantida de acordo com
+ o original. No final deste livro encontrará a lista de erros
+ corrigidos.
+
+ Rita Farinha (Mar. 2009)
+
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+
+
+MINISTÉRIO DO INTERIOR
+
+DIRECÇÃO GERAL DE INSTRUÇÃO SECUNDÁRIA, SUPERIOR E ESPECIAL
+
+1.^a REPARTIÇÃO
+
+
+
+BASES PARA A UNIFICAÇÃO DA ORTOGRAFIA
+
+QUE DEVE SER ADOPTADA NAS ESCOLAS E PUBLICAÇÕES OFICIAIS
+
+
+RELATÓRIO DA COMISSÃO
+
+
+NOMEADA POR
+
+PORTARIA DE 15 DE FEVEREIRO DE 1911
+
+NOVAMENTE REVISTO PELO RELATOR
+
+
+
+LISBOA
+
+IMPRENSA NACIONAL
+
+1911
+
+
+
+
+MINISTÉRIO DO INTERIOR
+
+DIRECÇÃO GERAL DE INSTRUÇÃO SECUNDÁRIA, SUPERIOR E ESPECIAL
+
+1.^a REPARTIÇÃO
+
+
+
+BASES PARA A UNIFICAÇÃO DA ORTOGRAFIA
+
+QUE DEVE SER ADOPTADA NAS ESCOLAS E PUBLICAÇÕES OFICIAIS
+
+
+RELATÓRIO DA COMISSÃO
+
+
+NOMEADA POR
+
+PORTARIA DE 15 DE FEVEREIRO DE 1911
+
+NOVAMENTE REVISTO PELO RELATOR
+
+
+PREÇO 50 RÉIS
+
+
+LISBOA
+
+IMPRENSA NACIONAL
+
+1911
+
+
+
+
+Imprensa Nacional de Lisboa--Gabinete da Revisão.--Ex.^{mo} Sr.--Julgo
+do meu dever chamar a atenção de V. Ex.^a para o que passo a expor.
+
+As publicações saídas da Imprensa Nacional, quer oficiais, quer de
+particulares, apresentam grafias diferentes, umas discutíveis, outras
+porêm grosseiras e vergonhosas. O próprio _Diário do Govêrno_, que
+deveria ter ortografia uniforme, emprega diversas, conforme o capricho
+de quem envia os originais, geralmente pessoas indoutas.
+
+Tais variedades de grafias trazem para a Imprensa não só descrédito mas
+tambêm prejuízos pecuniários, porquanto a composição de todos os
+diplomas saídos no _Diário_ tem de transitar para outras publicações
+periódicas, tais como _Boletins_, _Ordens_, _Separatas_, etc., sofrendo
+então cada um dêsses diplomas mais emendas, ao sabor de quem tem de lhes
+fazer nova revisão.
+
+Tantas emendas, alêm de estabelecerem confusão no espirito do
+compositor, avolumam de uma maneira assombrosa a despesa da composição,
+e impedem a rapidez na impressão pelo muito tempo que se perde a fazer
+alterações.
+
+Com esta anarquia ortográfica os compositores hesitam e cometem novos
+erros, e aos revisores se torna tambêm impossível fixar, para cada obra,
+as divergências de tanta grafia.
+
+Urge, portanto, acabar com êste estado de cousas. Fácil me parece o
+remédio. Se cada qual se tem julgado até aqui com direito a impor a sua
+maneira de escrever, porque razão o Govêrno da República não ha de impor
+tambêm a sua, e no que é seu?
+
+Sujeite, pois, o Govêrno a uma única ortografia todas as publicações
+oficiais ou por êle subsidiadas.
+
+E qual deverá ser essa ortografia?
+
+Em meu entender deverá adoptar-se a que no seu livro A ORTOGRAFIA
+NACIONAL preconiza a maior autoridade no assunto, o doutíssimo filólogo
+Gonçalves Viana. Essa obra tem o aplauso de todos os que modernamente se
+tem dedicado ao estudo profundo da sciência da linguagem; e a ortografia
+simplificada defendida naquele livro é já seguida por grande número de
+professores e escritores de valor, e adoptada em muitos livros
+escolares, revistas, etc.
+
+Desnecessário se torna, pois, encarecer as vantagens da adopção de um
+único sistema ortográfico a quem, como V. Ex.^a, de sobejo as conhece e
+aprecia. Pelo lado económico tem a Imprensa muito a ganhar. Tampouco é
+para desprezar o louvor que a V. Ex.^a caberá por contribuir, com a
+adopção da ortografia simplificada, para a maior facilidade no ensino da
+leitura da nossa bela língua.
+
+Expondo, embora imperfeitamente, a minha opinião acêrca do que julgo ser
+melhoramento de um dos serviços da Imprensa, confio em que V. Ex.^a se
+dignará tomar na devida consideração o alvitre que neste oficio ouso
+apresentar a V. Ex.^a.
+
+Lisboa, 17 do Dezembro de 1910.--Ex.^{mo} Sr. Luís Carlos Guedes
+Derouet, Digníssimo Administrador Geral da Imprensa Nacional.--_José
+António Dias Coelho_, chefe do serviço da revisão.
+
+
+ * * * * *
+
+
+Imprensa Nacional de Lisboa--Administração Geral--N.^o 238.--Tenho a
+honra de levar ao conhecimento de V. Ex.^a o oficio que recebi do chefe
+do serviço da revisão, relativamente à necessidade de se adoptar uma
+ortografia uniforme nos trabalhos desta Imprensa e principalmente no
+_Diário ao Govêrno_.
+
+Estou perfeitamente de acôrdo com as considerações que faz o aludido
+funcionário, pois que não pode nem deve continuar a anarquia que
+presentemente existe. Embora o problema ortográfico não se resolva por
+completo de momento, pelo menos que nos trabalhos oficiais se mantenha a
+uniformidade.
+
+Chamo para o facto a devida atenção de V. Ex.^a, certo de que o assunto
+lhe merecerá toda a solicitude.
+
+Saúde e Fraternidade.
+
+Lisboa, 14 de Janeiro de 1911.--Ex.^{mo} Sr. Director Geral da Instrução
+Secundária, Superior e Especial.--O Administrador Geral, _Luís Derouet_.
+
+
+ * * * * *
+
+
+Ministério do Interior--Direcção Geral da Instrução Secundária, Superior
+e Especial.--1.^a Repartição.--O Govêrno Provisório da República
+Portuguesa, atendendo ao que lhe foi representado pelo Administrador
+Geral da Imprensa Nacional, no sentido de serem tomadas providências
+tendentes a uniformizar a ortografia oficial, por forma a evitar que nas
+publicações emanadas daquele estabelecimento do Estado continuem a
+adoptar-se, paralelamente, as mais desencontradas formas ortográficas;
+
+Conformando-se com o parecer da secção permanente do Conselho Superior
+de Instrução Pública:
+
+Manda, pelo Ministro do Interior, que seja nomeada uma comissão,
+composta de D. Carolina Michaëlis de Vasconcelos, Aniceto dos Reis
+Gonçalves Víana, António Cândido de Figueiredo, Francisco Adolfo Coelho
+e José Leite de Vasconcelos, encarregada de fixar as bases da ortografia
+que deve ser adoptada nas escolas e nos documentos e publicações
+oficiais, e bem assim de organizar uma lista ou vocabulário das palavras
+que possam oferecer qualquer dificuldade quanto à maneira como devem ser
+escritas.
+
+Paços do Govêrno da República, em 15 de Fevereiro de 1911.--O Ministro
+do Interior, _António José de Almeida_.
+
+
+ (_Diário do Govêrno_ n.^o 39, de 17 de Fevereiro de 1911).
+
+
+ * * * * *
+
+Ministério do Interior--Direcção Geral da Instrução Secundária, Superior
+e Especial--1.^a Repartição.--Manda o Govêrno Provisório da República
+Portuguesa, pelo Ministro do Interior, que à comissão encarregada de
+uniformizar a ortografia oficial, nomeada por portaria de 15 de
+Fevereiro último, sejam agregados os seguintes vogais: Dr. António José
+Gonçalves Guimarães, Dr. António Garcia Ribeiro de Vasconcelos, Augusto
+Epifânio da Silva Dias, Júlio Moreira, José Joaquim Nunes e Manuel
+Borges Grainha.
+
+Paços do Govêrno da República, em 16 de Março de 1911.--O Ministro do
+Interior, _António José de Almeida_.
+
+
+ (_Diário do Govêrno_ n.^o 64, do 20 de Março de 1911).
+
+
+ * * * * *
+
+
+Mistério do Interior--Direcção Geral da Instrução Secundária, Superior e
+Especial--1.^a Repartição.--Conformando-se com o parecer da comissão
+encarregada, por portaria de 15 de Fevereiro de 1911, de estabelecer as
+bases para a unificação da ortografia que deve ser adoptada nas escolas
+e nos documentos e publicações oficiais:
+
+Manda o Govêrno da República Portuguesa, pelo Ministro do Interior:
+
+1.^o Que o relatório da referida comissão seja publicado no _Diário do
+Govêrno_, devendo ser para o futuro adoptada em todas as escolas, e bem
+assim nos documentos e publicações oficiais, a ortografia proposta pela
+comissão;
+
+2.^o Que se dê a tolerância máxima de três anos, a contar da data da
+publicação da presente portaria, para a conservação das grafias
+existentes nos livros didácticos actualmente em uso, a fim de não
+prejudicar os respectivos autores ou editores;
+
+3.^o Que se promova a rápida organização e publicação, pelo preço mais
+módico possível, de um vocabulário ortográfico e de uma cartilha,
+especialmente destinada a vulgarizar e exemplificar o sistema de
+ortografia adoptado;
+
+4.^o Que a comissão nomeada por portaria de 15 de Fevereiro de 1911
+continue em exercício pelo tempo que se julgar conveniente, a fim de ser
+ouvida sobre quaisquer dúvidas que se suscitem relativamente à execução
+da reforma proposta, podendo a referida comissão reùnir-se por
+iniciativa própria, ou convocada pela Direcção Geral da Instrução
+Secundária, Superior e Especial, por intermédio da qual serão feitas
+quaisquer reclamações sôbre o assunto.
+
+Paços do Govêrno da República, em 1 de Setembro de 1911.--O Ministro do
+Interior, _António José de Almeida_.
+
+
+ (_Diário do Govêrno_ n.^o 206, de 4 de Setembro de 1911).
+
+
+
+
+ Ex.^{mo} Sr. Ministro do Interior:
+
+
+A Comissão, nomeada por portaria de 15 de Fevereiro do corrente ano para
+fixar as bases da ortografia que deve ser adoptada nas escolas e nos
+documentos oficiais e outras publicações feitas por conta do Estado, vem
+hoje apresentar a V. Ex.^a os resultados do estudo a que procedeu, bem
+como as decisões que, por grande maioria ou por unanimidade de votos dos
+indivíduos que a compõem, entendeu ser oportuno propor, tomando por
+elementos principais dessas decisões a história da língua portuguesa, e
+a da sua escrita tradicional até época muito recente.
+
+Logo na sessão inaugural, celebrada em 15 de Março último, julgou a
+Comissão que seria vantajoso para a absoluta independência e
+imparcialidade das suas resoluções, como corpo consultivo, propor a
+agregação de mais alguns conhecidos filólogos portugueses; e essa
+conveniência reconheceu-a V. Ex.^a nomeando, por portaria de 16 do
+referido mês, alêm dos indivíduos já anteriormente nomeados, mais seis;
+ficando a Comissão composta de onze pessoas, uma das quais, porêm, o
+Professor Augusto Epifânio da Silva Dias, se escusou, declinando o
+encargo. Ficou assim a Comissão constituída por dez membros, e, em razão
+de ser par êste número, teve o presidente eleito por ela de resolver com
+voto de desempate algumas questões de secundária importância, em que
+divergiram as opiniões, expressas depois de discussão por votações
+diferentes, equivalentes em número.
+
+Quatro dos membros da Comissão, isto é, a Sr.^a D. Carolina Michaëlis de
+Vasconcelos, que a Comissão elegeu Presidente honorária, os Drs. António
+José Gonçalves Guimarães e António Garcia Ribeiro de Vasconcelos, e o
+Professor Júlio Moreira, não puderam comparecer às sessões semanais, em
+razão de residirem longe de Lisboa, localidade em que a Comissão se
+reuniu: foram porêm sempre consultados em todas as questões em que não
+houve unanimidade de votos por parte dos indivíduos presentes; havendo
+sido os votos dêsses ausentes tomados em consideração, e dando-se-lhes
+oportuno conhecimento das resoluções adoptadas pelos membros presentes
+às sessões, que não foram mais amiudadas, porque outras funções oficiais
+dos membros da Comissão o não permitiram, e assim se explica a relativa
+morosidade dos seus trabalhos.
+
+Logo nas duas primeiras sessões foi unânime o parecer de, seguindo-se
+uma tendência já manifestada no espírito público, se simplificarem as
+grafias correntes, entre si contraditórias, regularizando-as em
+obediência ao princípio capital de simplificação. Por proposta,
+unânimemente aprovada, do Presidente adoptou-se para base da discussão o
+Questionário ortográfico em tempos apresentado por um dos seus membros à
+Academia das Sciências de Lisboa, e pela mesma Academia mandado imprimir
+na sua tipografia, em 1902, com as respostas do autor dêsse
+Questionário, em um volume de 183 páginas, cujo título é AS ORTOGRAFIAS
+PPRTUGUESAS. Esta obra foi ao depois reeditada pelo referido autor em
+outro volume, acrescentada e com maior cópia de abonações e diferente
+economia de texto, volume que é do conhecimento do público e se intitula
+ORTOGRAFIA NACIONAL. Teve a Comissão igualmente em atenção o VOCABULÁRIO
+ORTOGRÁFICO E ORTOÉPICO DA LÍNGUA PORTUGUESA, ainda do mesmo autor,
+impresso em Lisboa no ano passado, e no qual o sistema ortográfico dêsse
+autor se encontra larga e minuciosamente exemplificado. Pode êle, com
+efeito, ser desde já utilizado, emquanto outro se não publique, em que
+as pequenas alterações, que sofreram os princípios em que se baseou,
+sejam incluídas e atendidas de preferência na seqùência alfabética dos
+vocábulos.
+
+Poucas e de pequena importância relativa foram as modificações que a
+Comissão entendeu conveniente que se fizessem no sistema ortográfico ali
+proposto e seguido, e essas foram adoptadas para que êle ficasse mais em
+harmonia com modos de escrever que, conquanto menos conseqùentes, se
+tornaram já, a bem dizer, habituais; e tais modificações em preceitos,
+que o autor daquelas obras defendera com razões históricas cuja valia a
+Comissão reconheceu, tiveram por causa o considerar a Comissão que
+alguns dêles eram em demasia prematuros, e um ou outro já extemporâneo,
+em virtude de usos ortográficos radicados e que se não devem considerar
+absolutamente como erros scientíficos.
+
+Teve pois a Comissão em atenção que a estranheza, que poderiam ocasionar
+no público certas innovações ou renovações gráficas, não viesse
+prejudicar a aceitação dos demais preceitos, que parecerão a todos
+exeqùiveis.
+
+O autor, membro da Comissão, concordou com todas essas modificações, e
+votou com a maioria da Comissão em todas elas. À primeira espécie
+pertencem a manutenção do _h_ inicial, de _ge_, _gi_, mediais de
+vocábulos, em concorrência com _je_, _ji_, e todos os valores actuais
+dados à letra _x_, que o mesmo autor reduzira a dois únicos, o inicial,
+como em _xadrez_, e o do prefixo _ex-_ valendo por _eis_ ou _is_, como
+em _expor_, _exército_, etc. Os preceitos da segunda espécie, que, se
+bem que perfeitamente motivados nas propostas do autor do Questionário,
+a Comissão julgou já de há muito fora do uso comum, são principalmente o
+emprêgo de _ç_ inicial, e o do _z_ final, com o valor actual de _s_, em
+sílaba átona, que sobretudo figura na última sílaba de muitos nomes
+patronímicos, como _Gonçálvez_, _Núnez_, que presentemente se escrevem
+_Gonçalves_, _Nunes_, com _-es_, em oposição à sua etimologia, a
+desinência latina _ici_, de genetivo. Esses nomes e vocábulos, como
+_ourives_, _simples_, _mesquinho_, continuarão pois a escrever-se com
+_s_ final de sílaba, na ortografia comum.
+
+Entendeu tambêm a Comissão que seria inoportuno suprimir o _s_ inicial
+do grupo _sce_, _sci_, que figura etimológicamente em algumas palavras,
+tais como _sciência_, _scetro_, _scéptico_, _scelerado_, _scena_,
+_scisão_, _scisma_ e seus derivados e afins, principalmente, com relação
+ao primeiro dêstes vocábulos, porque no sul de Portugal se profere êsse
+_s_ separado do _c_, em formas compostas, como _presciência_,
+_consciência_, _insciência_, _cônscio_, etc. Comparem-se tambêm
+_en(s)cenação_, e _proscénio_, com _s_ proferido êste último.
+
+¿Quais são as bases da ortografia portuguesa que a Comissão propõe?
+
+Havia, logo desde o início dos trabalhos, dois sistemas a que se
+atendesse, um dêles a ortografia francesa, que, mais ou menos
+coerentemente se tem há certo tempo imitado em Portugal; o outro, as
+ortografias espanhola e italiana, muito mais simples, racionais, lógicas
+e fáceis de aprender, muito mais conformes com a evolução natural e
+mesmo literária dêsses idiomas, em muitos pontos análoga à do português.
+O que radicalmente diferença a ortografia dêsses dois idiomas oficiais,
+e bem assim as de outros congéneres entre si, com êles e com o nosso,
+falados quer em Espanha, quer em Itália, é a modificação da ortografia
+latina dos inúmeros vocábulos gregos romanizados, para outras mais
+conformes com o valor das letras de tais vocábulos nessas línguas
+modernas.
+
+Facilitando o ensino da leitura e da escrita, a Comissão julgou que já
+era tempo de se desterrarem por uma vez da escrita portuguesa, como há
+muito o estão da espanhola e da italiana, para não mencionar as de
+outros idiomas mais desviados do latim, os símbolos _ph_, _th_, _rh_, e
+_y_, por _f_, _t_, _r_, _i_, e o _ch_ com o valor de _k_, o qual ficará
+substituído por _qu_ antes de _e_, _i_, e por _c_ em qualquer outra
+situação, como se fêz em castelhano. Com esta simplificação muito
+ganhará a língua escrita e o seu aprendizado e exercício, pois mais se
+aproximará da realidade dos factos constantes da sua pronúncia, que
+aqueles estranhos símbolos disfarçam, e ao mesmo passo se acercará das
+ortografias espanhola e italiana, consideradas universalmente, e por
+todos os filólogos, como das mais perfeitas entre as que adoptaram o
+abecedário romano, e o apropriaram às conveniências nacionais. Com
+efeito, pode afoutamente dizer-se que a ortografia francesa e as actuais
+portuguesas que a imitam são escrita de eruditos e para eruditos, ou que
+presumem sê-lo; as ortografias italiana e espanhola são escrita para
+todos os indivíduos que nessas nações sabem ler e escrever. Deseja a
+Comissão que em Portugal aconteça outro tanto, e nesse intuito se
+inspirou.
+
+Outra simplificação igualmente importante, que a Comissão sugere como
+absolutamente necessária, consiste na abolição de consoantes dobradas,
+as quais ficam reduzidas, como em castelhano, a simples, com excepção de
+_rr_, _ss_, _mm_, _nn_ mediais, quando acusem diferença de pronunciação,
+o que se dá, por exemplo, nos vocábulos _cassa_, _carro_, _emmalar_,
+_ennovelar_, comparados a _casa_, _caro_, _emanar_, _enervar_.
+
+Estas duas simplificações, sós por si, acabam definitivamente com dois
+dos maiores tropeços com que se encontra estorvada a escrita nacional, e
+que já poucos defensores conscienciosos, conscientes e autorizados
+lograrão obter. Todos, ou quási todos os que lêem ou escrevem,
+aplaudirão de certo estas simplificações há tanto tempo desejadas e
+sugeridas.
+
+Alêm da inutilidade prática, e mesmo teórica, que oferece actualmente a
+duplicação de consoantes na escrita, como _cc_, _dd_, _ff_, _gg_, _ll_,
+_mm_, _nn_, _pp_, _tt_, outro estôrvo apresentam ainda as nossas
+escritas, relativamente modernas, e consiste êste no emprêgo de _c_ ou
+_p_ antes de _t_, formando os grupos _ct_, _pt_, e ainda _pç_, _cç_,
+como em _producto_, _restricto_, _corrupto_, _escripto_, _assumpção_,
+_funcção_, etc., nos quais tanto o _c_ como o _p_ são de todo inúteis
+para a pronunciação. A Comissão preceitua que essas letras escusadas
+desapareçam da escrita portuguesa, onde vieram enxertar-se por
+influência estranha. Casos, porêm, há, e muitíssimos, em que tais
+consoantes ou são ainda facultativamente proferidas, ou a sua influência
+subsiste no valor das vogais _a_, _e_, _o_ que as precedem, as quais, em
+vez de se obscurecerem, como é de regra, nas sílabas antetónicas,
+conservam os seus valores, relativamente _à_, _è_, _ò_, que tinham
+quando essas consoantes, hoje mudas, se proferiam. Dêste modo, a
+Comissão entendeu ser de necessidade a conservação delas, quer quando a
+vogal, _a_, _e_ ou _o_ precedente é átona, quer em vocábulos
+aparentados, quando é tónica; por exemplo: _direcção_, _directo_,
+_acção_, _activo_, _acto_, _tracção_, _tracto_, _excepção_, _exceptuar_,
+_excepto_, _adopção_, _adoptar_, _adopto_, comparados estes últimos
+vocábulos com _opção_, _optar_, _opto_, em que o _p_ se profere. Com
+esta excepção aos princípios simplificadores que a Comissão observou no
+sistema ortográfico que propõe, conseguiu não demudar o aspecto de
+centenas de palavras relativamente modernas, mas de uso constante; e com
+tanto maior razão o fêz, quanto é certo que em muitas destas palavras as
+letras _c_ e _p_ por muitas pessoas são ainda proferidas, tais como
+_facção_, _recepção_, _espectador_, a par de _espe(c)taculo_, etc.
+Quanto ao _g_ que precede _m_ ou _n_, ou ainda outras letras, entendeu a
+Comissão dever eliminá-lo nas palavras em que se não profere, como
+_assinar_, _Inácio_, _aumentar_, _Madalena_, comparadas com _designar_,
+_Agnelo_, _fragmento_, o que já há quatro séculos Duarte Nunes do Lião
+aconselhara; só modernamente êle aí foi introduzido, quando se
+implantaram artificialmente entre nós ortografias servil e
+inconseqùentemente etimológicas, quási todas por influência da escrita
+francesa. Outro tanto acontece com _damno_, _solemne_, que se
+escreverão, como dantes, _dano_, _solene_.
+
+Efectivamente, se na leitura de livros estrangeiros houvesse predominado
+em Portugal a de italianos ou espanhóis, nunca tais complicações
+ortográficas se haveriam enraizado na escrita literária do idioma
+pátrio, avêsso a tais arrebiques, e ao qual é de toda a conveniência
+restituir a simplicidade e coerência da antiga escrita.
+
+Outra feição essencial numa ortografia, que seja, quanto possível,
+imagem dos fenómenos que se observam na linguagem falada, é a
+regularização da sua acentuação gráfica, por meio da qual se diferencem
+palavras que se escrevam com as mesmas letras, mas tenham pronunciação e
+significação diversas; e ainda que seja por tal modo combinada e
+aplicada, que nenhuma dúvida possa subsistir com relação a qual seja a
+sílaba predominante de qualquer palavra ou forma, em idiomas em que,
+como acontece em português, a acentuação tónica pode afectar uma
+qualquer das três sílabas finais. Nesta condição é muitíssimo superior à
+italiana usual a ortografia castelhana, que assinala sistemáticamente
+com o acento agudo (') todos os vocábulos esdrúxulos e todos os
+terminados em consoante, se a sílaba predominante é a penúltima, ou
+terminados em vogal, se ela é a última. A Comissão atendeu a essa
+condição essencial da leitura, e suposto a não preceitue já como
+obrigatória em todos os casos em que seria necessária, aconselha-a e
+fixa-lhe as regras que a determinarão, quando rigorosamente empregada,
+como convirá que o seja em todos os livros de ensino e consulta.
+
+Sabe a Comissão que esta parte da reforma ortográfica será aquela que
+maiores dificuldades encontrará na sua execução, principalmente a
+acentuação distintiva de tantíssimos homógrafos, como os que existem em
+português, muitos mais do que em castelhano, ou mesmo em italiano. Essas
+distinções obrigarão quem escreve para o público a ser um tanto mais
+cauteloso na ortografia das palavras, do que usualmente o é na
+actualidade. Em compensação, porêm, o escritor já não terá futilidades
+etimológicas a respeitar por costume, e o bom ensino da leitura em breve
+habituará as gerações novas à acentuação rigorosa.
+
+Não foi condescendência com a inércia que imperou no ânimo da Comissão,
+ao deixar em certo modo facultativo, por emquanto, o uso pontual da
+acentuação gráfica em todas as suas minúcias, como o é o da castelhana,
+e com a mais estrita coerência; mas sim o reconhecimento de que as
+condições naturais do idioma português exigem que essa acentuação
+gráfica seja muito mais copiosa e diferencial do que o é a castelhana,
+em si modelar na sua simplicidade. Na realidade, em castelhano não há a
+diferençar _e_, _o_ fechados de _e_, _o_ abertos, o que dispensa o uso
+do acento circunflexo nesse idioma, no qual não existe o considerável
+número de homógrafos que se observa em português; e alêm disto não se
+dão em castelhano os constantes acidentes de variação de valor em _e_,
+_o_, que no português se produzem e determinam um sem número de
+vocábulos entre si diferentes fonéticamente, conquanto nas letras com
+que se escrevem sejam iguais, e que nenhum ouvido português confundirá,
+como é conveniente que a escrita os não confunda, tais como _entêrro_,
+_almôço_, substantivos, e _entérro_, _almóço_, verbos; _sôbre_,
+preposição e _sóbre_, verbo; _sêde_ e _séde_; _pêlo_ substantivo _pélo_,
+verbo, a par de _pelo_ (_p'lu_) contracção de _per lo_, preposição e
+artigo; _pâra_, preposição, e _pára_, verbo; _dêmos_, presente, e
+_démos_, pretérito, etc.
+
+Nestes homógrafos, porêm, para se evitar acentuação dispensável, o que
+cumpre é assinalar-se no _e_ e no _o_ o seu valor de _ê_, _ô_, visto que
+os nomes destas letras em português se proferem com vogais abertas, _è_,
+_ò_, devendo pois considerar-se êsse valor como o seu normal quando são
+tónicas. Por êste motivo, o que convêm em tais homógrafos é marcar-se
+com o acento circunflexo as vogais fechadas, omitindo-se o acento agudo
+em _e_ e _o_ abertos, e escrevendo-se portanto as palavras citadas, e
+outras análogas, _sôbre_ e _sobre_, _almôço_ e _almoço_, _entêrro_ e
+_enterro_, _sêde_ e _sede_, _pêlo_, _pélo_ e _pelo_, _pára_ e _para_,
+_dêmos_ e _demos_. E necessário que _pélo_, _pára_, _pólo_ sejam porêm
+marcados com o acento agudo, pois as contracções _pelo_, _polo_ (arcaica
+esta) e a preposição _para_ são sempre átonas. A forma da 1.^a pessoa do
+plural do pretérito perfeito dos verbos em _-ar_, como _louvámos_,
+receberá, o que é já uso corrente, o acento agudo, para se diferençar da
+do presente, _louvamos_, por isso que o _a_ antes de consoante nasal, é
+normalmente fechado, isto é, proferido _â_, e a distinção se observa em
+quási todo o domínio português.
+
+Algumas considerações consagrará ainda a Comissão ao sistema de
+acentuação gráfica.
+
+Como é já uso estabelecido, o acento agudo (') é o sinal, por
+excelência, da sílaba predominante de todo o vocábulo que não seja
+átono, com excepção de _e_, _o_ fechados, que serão, aceitando-se o
+costume que em português se foi lentamente fixando, assinalados com o
+acento circunflexo (^). Fixa a Comissão o uso, mais ou menos vagamente
+seguido, de marcar com outro acento disponível, o grave (`), as vogais
+_a_, _e_, _o_, abertas, de sílabas pretónicas, quando haja homógrafos a
+diferençar entre si. Nesta conformidade escrever-se hão: _à_, contracção
+de _a_ artigo e _a_ preposição, de que se diferençará; _àquela_,
+diferente de _aquela_; _prègar_, diverso de _pregar_; _mòlhada_, e
+_molhada_, particípio femenino de _molhar_. Preceitua pois a Comissão
+que o acento grave indique o valor alfabético das vogais _a_, _e_, _i_,
+_o_, _u_ (_à_, _è_, _ì_, _ò_, _ù_), e dêste preceito se deduzem todas as
+aplicações que dá ao acento grave. Essas outras aplicações são as
+seguintes:
+
+1.^a Distinguir homógrafos, _aquela_, _àquela_, _pregar_, _prègar_,
+quando a vogal distintiva seja átona; 2.^a, marcar as vogaes _a_, _e_,
+_o_, abertas, em palavras que tenham dois acentos tónicos, o último dos
+quais seja o predominante, como é de regra em português, _chapèuzinho_,
+_avòzinha_, _màzona_; 3.^a, dissolver ditongos átonos, _saìmento_,
+_paìsagem_, _saùdar_, a par de _saída_, _país_, _saúde_, em que _i_, _u_
+são tónicos; 4.^a, diferençar o _u_ proferido, dos grupos _qu_, _gu_, do
+_u_ mudo dos mesmos grupos, _freqùente_, comparado a _quente_, _argùir_,
+comparado a _seguir_. Quando o _u_ passe a ser tónico, o acento grave
+mudar-se há em agudo; ex.: _argúi_, diferente de _argùi_.
+
+Como a Comissão fixou que a subjuntiva fraca dos ditongos seja sempre
+escrita com _i_, _u_ e nunca _e_, _o_ é inútil o emprêgo de qualquer
+sinal diacrítico nestas duas letras, para denotar que não formam ditongo
+com a vogal precedente, como em _moeda_, _neófito_, _cooperar_, etc.
+
+A escrita dos ditongos orais será portanto a seguinte, na qual _éi_,
+_éu_, _ói_, com a vogal dominante aberta, se diferençam de _ei_, _eu_,
+_oi_, em que ela é fechada: _ai_ (_ài_, _âi_), _éi_, _ei_, _ói_, _oi_,
+_ui_, _au_, _éu_, _eu_, _ou_, _iu_, do que são exemplos estes vocábulos:
+_pai_, _caiar_, _réis_, _reis_, _sóis_, _sois_ (verbo), _fui_, _pau_,
+_céu_, _seu_, _riu_, _levou_. Preferíu-se acentuar as vogais abertas de
+_éi_, _éu_, _ói_, visto serem elas sempre tónicas; êsse acento mudar-se
+há no grave, quando acidentalmente elas sejam em certo modo átonas, como
+em _vèuzinho_, _painèizinhos_, _heròicidade_. Os dois valores da escrita
+_ai_ (_ài_ e _âi_) como em _ensaio_, _ensaiar_, é desnecessário
+acusá-los, por isso que o ditongo _âi_ átono só se manifesta antes de
+vogal, pois quando tónico se escreve _ei_.
+
+No Formulário de regras de ortografia, que a Comissão submete à
+apreciação do Govêrno, ficarão consignados os principais preceitos da
+acentuação escrita, que se encontram postos em prática no VOCABULÁRIO
+ORTOGRÁFICO, a que já se referiu, e completamente expostos de páginas
+155 a 200 da ORTOGRAFIA NACIONAL, tambêm já citada, a qual tem um
+copiosíssimo índice alfabético e remissivo, que facilita a sua consulta
+nos casos duvidosos. Exemplos rigorosos dêste sistema de acentuação
+oferece-os igualmente todo êste relatório, bem como de toda a ortografia
+que se propõe.
+
+Aludiu agora mesmo a Comissão à distinção, que é mester deixar retratada
+na escrita, entre _e_ e _o_ fechados e _e_ e _o_ abertos, quando entre
+si distinguem inúmeras palavras e formas gramaticais. Outra não menor
+dificuldade oferece a língua portuguesa, comparada às suas congéneres: é
+a atonia de certas vogais, que adquirem timbres especiais, e lhe é
+peculiar, só tendo paralelo na catalã, e em muito menor grau, e de certo
+modo, na francesa e na provençal moderna, mas em qualquer delas sujeita
+a menor número de excepções. Neste ponto é o português só comparável,
+ainda que vagamente, ao inglês. Com efeito, ao _a_ tónico, geralmente
+proferido _à_, corresponde um _a_ átono, quási sempre surdo, _â_; ao _ò_
+ou _ô_ tónicos, um _o_ que se profere como _u_ na grande maioria dos
+casos; ao _è_ ou _ê_, um _e_ surdo átono, mais ou menos perceptível na
+pronúncia, conforme os sons com que está em contacto e lhe influem no
+timbre. Se êsse _e_ átono é seguido de vogal, ou é inicial de vocábulo,
+vale por _i_, ex.: _veado_, _evitar_; se se lhe segue consoante palatal,
+_ch_, _x_, _j_, _s_, _lh_, _nh_, equivale a _i_ surdo, e com êste se
+confunde no falar usual e desafectado. Comparem-se, com efeito, entre si
+vocábulos tais como _ferro_, _ferreiro_; _grêlo_, _grelar_; _fecho_,
+_fechar_; _cereja_, _cerejeira_; _telha_, _telhado_; _desenho_,
+_desenhar_; _pesca_, _pescar_, e _pisco_, _piscar_; _esteira_ e
+_história_; _testar_ e _distar_; _distinto_, de _distinguir_; e
+_destinto_ de _destingir_; atente-se igualmente na pronúncia do vocábulo
+_privilegiado_ que é _preveligiado_, muitas vezes erróneamente assim
+escrito, e ver-se há quanto é difícil a nossa escrita.
+
+Por outra parte, e o último vocábulo o comprova, numa seqùência de
+sílabas, todas as quais tenham _i_ por vogal antes da predominante, êsse
+_i_ escrito, quando átono, profere-se quási sempre como _e_ surdo, em
+pronúncia desafectada. Há excepções que as gramáticas devem explicar.
+
+Desta série de fenómenos, que tornam o português o mais delicado e
+interessante dos idiomas neo-latinos, originam-se constantes erros e
+hesitações na sua escrita, a que não é possível obviar, a não ser por
+uma transcrição absolutamente fonética, a qual reproduza fielmente todos
+êsses acidentes, e que seria inadmissível em ortografia corrente e
+usual, pois sómente um ouvido exercitado e um tirocínio especial a
+poderiam aplicar.
+
+Não se pense, portanto, que a fixação de uma ortografia regularizada e
+simplificada possa remover todas as dificuldades, sem um suficiente
+preparo gramatical, em que a derivação e formação das palavras, e os
+resultantes acidentes na variação dos sons que as compõem, conforme a
+sua situação, hajam sido estudados.
+
+A consulta oportuna de um vocabulário, como o já indicado, feito em
+harmonia com os preceitos estabelecidos, será tambêm indispensável, não
+só em razão do emprêgo de _o_ ou _u_ e tambêm _e_ ou _i_ átonos, quer
+antes de consoante, quer antes de vogal, mas ainda com relação ao uso de
+_ç_ ou _ss_ mediais, de _ce_, _ci_, _s(s)e_, _s(s)i_, _z_ ou _s_ entre
+vogais, e quando finais, e em menor escala o de _ch_ e _x_, de _ge_,
+_gi_ ou _je_, _ji_.
+
+O VOCABULÁRIO ORTOGRÁFICO indicado remove todas as dúvidas, visto
+encontrar-se nele a etimologia dos vocábulos, quando necessária a essas
+distinções ortográficas, a comparação vocabular e formal com a
+ortografia denominada etimológica, e a conjugação dos verbos,
+exemplificada em todas as suas diferentes modalidades. É um livro que se
+pode considerar adequado ao período de transição, que há-de decorrer
+antes que se vulgarize a ortografia regularizada oficial.
+
+A Comissão não hesitou, respeitando a história do idioma pátrio, as suas
+origens e a sua evolução no tempo e no espaço, em conservar a distinção
+gráfica entre _ç_ e _s(s)_, entre _z_ e _s_ mediais, pôsto que nenhuma
+diferença se observe já na sua pronúncia do Mondego para o sul, e a
+distinção se vá obliterando cada vez mais nos centros urbanos das
+províncias do norte.
+
+A diferenciação gráfica, conforme a sua origem, entre _se_, _si_, e
+_ce_, _ci_, iniciais, entre _ç_ e _ss_ mediais, bem como a que ainda
+dialectalmente subsiste entre _z_ e _s_ intervocálicos, ou _x_ e _ch_ ou
+_ô_ e _ou_, pertencem à história da língua, e a Comissão conserva-as,
+regulando-as com o maior rigor; pois ficaria em contradição com essa
+história se, o que fôra relativamente fácil, optasse por escrever sempre
+_z_ entre vogais, e sempre _s_ em finais de vocábulos; porque não seria
+licito, nem ninguêm lhe aceitaria, substituir _ce_, _ci_, _ç_, por _s_
+ou _ss_, em milhares de vocábulos e formas, que sempre se tem conservado
+diferentes na sua escrita, e com bons fundamentos.
+
+Neste pressuposto, prescreve que _ce_, _ci_, _ç_, ou _z_ final de
+vocábulos correspondam a _ci_, _ti_ latinos, a _ss_ arábicos; e _s_,
+_ss_ a _s_ ou _ss_ latinos; e, por outra parte, que _z_ corresponda a
+_z_, ou _ce_ ou _ci_, _ti_ latinos, ou a _zz_ arábicos; _s_ entre
+vogais, ou final, a _s_ latino. Nos vocábulos de origem americana
+indígena _ce_, _ci_, _ç_ são preferíveis a _s_, seguindo-se nisso a
+escrita tradicional. Para quem não esteja preparado com umas noções,
+rudimentares que sejam, de latim, a consulta ao VOCABULÁRIO é
+indispensável em casos duvidosos, e muitas vezes é conveniente a
+comparação com as correspondentes formas ou palavras castelhanas, pois
+no idioma do centro de Espanha a confusão entre _s_ e _c_ ou _ç_
+(modernamente escrito _z_) é impossível, pois bem se diferençam na
+pronúncia, como antes acontecia em Portugal e no resto da Península
+Hispánica.
+
+Muito menor dificuldade apresenta a diferenciação entre _ch_ e _x_, e o
+VOCABULÁRIO, bem como a escrita castelhana, em que _x_ é modernamente
+representado por _j_, fácilmente a indicam. Bastará aqui dizer-se que,
+em geral, _ch_ corresponde a _cl_, _fl_, _pl_ latinos, e que em
+vocábulos de origem arábica o emprêgo de _x_ é de regra. Com respeito à
+selecção entre _ô_ e _ou_, deve considerar-se que o digrama _ou_
+corresponde a _au_ ou _al_ latinos, às vezes a _oc_, _ap_, e ao _au_
+arábico: a diferença é intuìtiva para todos os portugueses do norte e
+das duas Beìras, pois _ou_ para êles é ditongo, e não simplesmente _o_
+fechado, como o é no sul do país.
+
+A escrita dos ditongos nasais será, como é já uso radicado, _ãe_, _õe_,
+_em_, _ens_, _ão_ como em _mãe(s)_, _botões_, _bem_, _bens_, _mão(s)_;
+e, conforme tambêm há muito se usa, nas terminações átonas dos verbos o
+ditongo _ão_ será escrito _am_; assim teremos, por exemplo, _louvam_,
+_louvaram_, presente e pretérito, _louvarão_, futuro, sem precisarmos de
+indicar por acentos a diferença. Nos substantivos, porêm, o acento na
+sílaba predominante diferenciará _cóvão_ de _covão_, designando o acento
+a atonia do ditongo final, como em _órfão_, _órgão_, _Estêvão_, etc.,
+visto que a escrita _orfams_ seria uma novidade inútil, e _órfans_ daria
+causa a equívoco, conquanto o respectivo femenino se escreva _órfã(s)_.
+O ditongo _em_, quando predominante em polissílabos, receberá o acento
+circunflexo, como em _armazêm_, _armazêns_, _porêm_, a par de _margem_,
+_porem_, cuja escrita indicará a acentuação _márgem_, _pôrem_, mesmo sem
+ser marcada. O ditongo _[~u]i_ de um único vocábulo actualmente,
+_muito_, e sua abreviatura proclítica _mui_, hoje em dia só literária,
+continuará, como até aqui, sem sinal especial que indique a nasalização;
+e _ruim_, que dialectalmente se profere _r[~u]i_, será dissílabo, e não
+monossílabo.
+
+À vogal _â_, nasal, fixa-se a escrita _ã_, final; às demais vogais, e a
+_ã_ quando no comêço ou interior do vocábulo não se alterará a escrita
+já adoptada, _am_, _an_, _em_, _en_, _im_, _in_, _om_, _on_, _um_, _un_.
+
+Em obras didácticas, porêm, é licito indicá-las, com maior exactidão,
+por _ã_, _[~e]_, _[~i]_, _õ_, _[~u]_, e ao ditongo nasal _em_ por
+_[~e]i_, quando a clareza da exposição o exija.
+
+O sinal (") ou cimalhas, ápices, cuja função em várias ortografias a
+maioria da Comissão atribui ao acento grave (`), fica reservado para
+denotar, em obras da espécie designada, o valor do ou dialectal (_öu_,
+_ö_, _[o:]_) e o do _u_ igualmente dialectal (_ü_); o _ë_ servirá para
+representar em especial o _e_ fechado, antes de palatal, que varia de
+valor, entre _ê_ e _â_, dos estremos para o centro de Portugal, como em
+_seja_, _fecho_, _selha_, _senha_, etc. São sinais êstes que nenhuma
+aplicação tem na escrita comum, na qual, portanto, palavras com _exodo_,
+_exito_ serão acentuadas _êxito_, _êxodo_, e não _ëxito_, _ëxodo_, ou
+_ëisito_, _ëisodo_, como é a sua pronunciação.
+
+A acentuação gráfica tem como primeiro fim acusar a sílaba tónica,
+considerando-se que o til (~) vale por acento tónico, se outro não
+existe marcado no vocábulo ou forma; acusa ainda êsse acento a tónica
+predominante, se há mais de uma, e ainda, em monossílabos, que estes não
+são átonos. Esta acentuação denomina-se p r o s ó d i c a, e compreende
+não só oa dois casos indicados, mas igualmente outros acidentes
+vocabulares, como a desunião de vogais que geralmente formam ditongos.
+
+Um bom sistema de acentuação deve ser tal que, ou a sílaba predominante
+se assinale na escrita, ou não, quem lê nenhuma hesitação possa ter
+sôbre qual seja essa sílaba. Com o sistema proposto pela Comissão é
+satisfeito êste preceito fundamental com tanta pontualidade, quanta
+observamos na ortografia castelhana, ou na toscana, segundo o plano de
+Petròcchi. O sinal do acento tónico é o agudo nas vogais _a_, _i_, _u_,
+_e_ e _o_ abertos, o circunflexo em _a_, _e_, _o_ fechados, e o til na
+vogal final _ã_, e nos ditongos nasais _ãe_, _õe_, _ão_.
+
+Na vogal nasal _ã_, ou em _a_ antes de consoante nasal, adopta a
+Comissão igualmente o acento circunflexo, _ânsia_, _ânimo_, em atenção a
+que êsse _a_ se profere fechado na maioria do país. O VOCABULÁRIO marcou
+as vogais nasais ou antes de nasal com o acento agudo, como sinal geral
+da sílaba predominante, e deve ter isso em consideração quem o
+consultar.
+
+Outra acentuação gráfica se propõe, generalizando e fixando usos mais ou
+menos estabelecidos, e esta pode denominar-se d i s t i n t i v a.
+Consiste no emprêgo do circunflexo (^) sôbre todos os _ee_ e _oo_
+fechados de monossílabos, ou de vocábulos polissilábicos inteiros, isto
+é, com a penúltima sílaba predominante, quando outros existam em que
+tais vogais sejam abertas, como já ficou indicado: _rêgo_, _rego_;
+_rôgo_, _rogo_.
+
+Deve ter-se em atenção que, sendo toda a acentuação vocabular, e sempre
+fonética, quando um qualquer vocábulo, na sua flexão, ou nos seus
+derivados, muda de estrutura com relação à acentuação que exigia, esta
+mantêm-se, perde-se ou adquíre-se, conforme as novas condições a que a
+forma, ou o derivado, ficam sujeitos. Dêste modo, a palavra _cortês_, no
+plural dispensa o acento, _corteses_; _batéis_, muda o agudo para grave
+em _batèizinhos_; _fugira_, será, na 2.^a pessoa do plural, _fugíreis_.
+
+Regulou a Comissão tambêm o emprêgo do hífen, o dos pontos de
+interrogação e exclamação, o das letras maiúsculas, e o do apóstrofo
+('), que recomenda seja o mais parcimonioso possível, pois o abuso que
+dêste sinal se tem feito, onde é erróneo ou desnecessário, nenhuma
+vantagem traz à fácil leìtura, antes a embaraça, e é uma desastrada
+imitação da ortografia francesa, que muito desfeia a escrita,
+complicando-a, bem como à composição tipográfica. A maioria das elisões
+de vogais átonas, e a bem dizer todas as crases de vogais consecutivas
+são evidentes, e portanto desnecessário é indicá-las na escrita usual.
+No emtanto, fixa a Comissão a união em uma só dição para os seguintes
+pronomes e advérbios acompanhados de preposição, quando os primeiros não
+rejam orações de infinito: _dêle_, _nele_, _dela_, _nela_, _dêste_,
+_neste_, _desta_, _dessa_, _daquela_, _nesta_, _nessa_, _naquela_,
+_àquele_, _àquela_, _dum_, _num_, _daqui_, _daí_, _dali_, _aonde_,
+_donde_, e para os plurais dêsses pronomes, em harmonia com as formas já
+empregadas _do(s)_, _da(s)_, _no(s)_, _na(s)_, _pelo(s)_, _pela(s)_,
+(_em-no_, _per-lo_), onde a elisão se não indicou jàmais; assim tambêm,
+_doutro_, _noutro_.
+
+Efectivamente, a indicação por apóstrofo em formas tais como _d'um_,
+_d'êle_, para não falar nos erros crassíssimos _n'um_, _n'êle_, é tam
+inútil, como o seria escrevermos _vint'e um_, _géner'humano_,
+_vic'-almirante_, em vez de _vinte e um_, _género humano_,
+_vice-almirante_, conquanto o _e_ de _vinte_ e o de _vice_, assim como o
+_o_ de _género_ se elidam na pronunciação dessas dições.
+
+Ninguêm ainda julgou necessário indicar-se por apóstrofo a crase de _ao_
+em _dezóito_ por _dezaoito_; confrontem-se _dezasseis_, _dezassete_,
+_dezanove_, e as formas toscanas _diciassette_, _diciannove_. As formas
+escritas, moderníssimas, _dezeseis_, _dezesete_, _dezenove_ são erróneas
+e não correspondem por modo algum à sua pronúncia, pois ninguêm profere
+_dèzisseis_, _dèzissete_, _dèsinove_, como o exigiria esta formação, se
+nela entrasse a conjunção _e_, que se pronuncia _i_. O povo diz, e muito
+bem, e dantes sempre assim se escreveram, _dezasseis_, _dezassete_,
+_dezanove_, única escrita legitima, perfeitamente concorde com a toscana
+acima citada, e com a pronúncia quer italiana, quer portuguesa.
+
+Fora dos casos indicados, a preposição _de_ assim se escreverá, seja, ou
+não, elidido o _e_ na enunciação.
+
+Aconselha a Comissão o emprêgo dos pontos de interrogação e exclamação
+invertidos (¿¡) no comêço das orações dessa espécie, quando sejam muito
+longas, como se faz na ortografia espanhola; e com tanto maior empenho,
+quanto é certo que, sem tal indicação prévia, muitas vezes será errada a
+leitura, ou ficará incerto o sentido. As duas interrogações
+distintas--_Queres vinho ou água?_, e _¿Queres vinho, ou água?_ não se
+equivalem nem no sentido, nem na entoação.
+
+O hífen ou linha divisória (-) utiliza-o e preceitua-o a Comissão nos
+seguintes casos:
+
+a) Separar de uma linha para a outra as sílabas de um vocábulo,
+repetindo-se na linha imediata o sinal, se o vocábulo já de si contêm a
+linha divisória, por ser composto.
+
+b) Unir entre si os dois elementos de uma dição composta, quando cada um
+dêles tem existência independente em português, e conserva a sua
+acentuação própria.
+
+c) Unir às formas _hei_, _hás_, _há_, _hão_, do verbo _haver_, a
+preposição _de_, enclítica: _hei-de_, _hás-de_, _há-de_, _hão-de_.
+
+d) Separar nos vocábulos compostos com _bem_, _mal_ o _m_ e o _l_ para
+evitar erros de leitura; ex.: _bem-aventurado_, _mal-aventurado_.
+
+
+São estes os principais fundamentos e preceitos da projectada reforma
+ortográfica, pela Comissão julgada oportuna e de fácil execução, para
+que de ora em diante seja recomendada como obrigatória em publicações
+oficiais e no ensino público, e por isso a propõe. As simplificações e a
+regularização apontadas já tem sido empregadas em parte em muitos livros
+e alguns periódicos, se bem que quási sempre com menor coerência e rigor
+do que a Comissão as preceitua, e sem formarem corpo de doutrina
+explicada e motivada, como formam no Formulário e no Prontuário
+ortográficos com que termina esta exposição e que vão em seguimento. Se
+exceptuarmos o VOCABULÁRIO e a ORTOGRAFIA NACIONAL já mencionados, e
+cujo sistema só pequenas alterações sofreu, são êsse Formulário e êsse
+Prontuário os primeiros trabalhos metódicos e completos sôbre êste
+assunto.
+
+A Comissão nem por um momento perdeu de vista que a primacial vantagem
+de uma ortografia oficial é favorecer o ensino fácil da leitura e da
+escrita, tanto quanto um idioma secularmente literário o permite,
+tomando-se por base a história do idioma pátrio, para que êle se
+perpetue no futuro, como do passado até o presente perdurou, sempre
+idêntico a si próprio, apesar da sua inevitável evolução.
+
+
+
+
+FORMULÁRIO ORTOGRÁFICO
+
+CONFORME O PLANO DE
+
+REGULARIZAÇÃO E SIMPLIFICAÇÃO DA ESCRITA PORTUGUESA
+
+
+I. São proscritas de todas as palavras portuguesas, ou aportuguesadas,
+as letras _k_, _w_, _y_, as quais serão respectivamente substituídas
+pelas seguintes: _k_ por _qu_ antes de _e_, _i_, por _c_ em qualquer
+outra situação; _w_ por _u_, ou por _v_, conforme fôr a sua pronúncia;
+_y_ por _i_. Escreveremos, pois, _caleidoscópio_, _quermes_,
+_neutoniano_, _Venceslau_, _valsa_, _tipo_, _lira_, _fisiologia_, etc.
+
+Excepções: 1.^a Poderão usar-se essas letras em vocábulos derivados de
+nomes próprios estrangeiros, em que sejam legítimamente empregadas; ex.:
+_kantismo_, _darwinismo_, _byroniano_ (Kant, Darwin, Byron), os quais,
+porêm, será lícito escrever, em harmonia com a pronunciação, _cantismo_,
+_daruìnismo_, _baironiano_. Confrontem-se _Copérnico_, de _Kopernik_,
+_Antuérpia_, de _Antwerp_, _(h)iate_, de _yacht_.
+
+2.^a Continuam em uso os símbolos _W_, para denotar o _Oeste_, e _K_
+como abreviatura de unidade métrica, e tambêm na forma internacional
+_kilo..._, que todavia se poderá escrever _quilo..._; tanto mais, que o
+_k_ é um grosseiro êrro nesta palavra, pois o correspondente termo grego
+se escreve com [Grego: _ch_] e não [Grego: _k_].
+
+II. O abecedário empregado em português ficará consistindo nas seguintes
+letras, e suas combinações, e portanto sómente com umas ou com outras se
+escreverão todas as palavras portuguesas, ou aportuguesadas. Essas
+letras e combinações são: _a b c ç ch d e f g h i j l lh m n nh o p qu r
+(rr) s (ss) t u v x z_.
+
+III. É eliminada a letra _h_ do interior de todos os vocábulos
+portugueses, com excepção do seu emprêgo, como sinal diacrítico, nas
+combinações _ch_, _lh_, _nh_, com os valores que as seguintes palavras
+exemplificam, e únicamente para êles: _chave_, _malha_, _manha_.
+Portanto, escrever-se hão, sem _h_, _inibir_, _exortar_, etc., e,
+semelhantemente, _saír_, _coerente_, _proìbir_, etc.
+
+IV. É conservado o _h_ inicial, quando a etimologia o justifique, como
+em _homem_, _humano_, _honra_, _hoje_; mas abolido onde é erróneo, como
+em _hontem_, _hir_, _hombro_, que se escreverão _ontem_, _ir_, _ombro_.
+
+Quando a uma qualquer palavra com _h_ inicial etimológico se acrescentar
+prefixo, suprimir-se há o _h_; ex.: _desumano_, _inumano_, _desonra_,
+_filarmónica_, _desistória_, etc.
+
+V. É lícito escrever _h_ final, como sinal de interjeição, _ah!_ _oh!_;
+mas é proscrita esta letra final em todos os mais vocábulos; ex.:
+_Sara_, _Judá_, _raja_ ou _rajá_, etc.
+
+VI. Em harmonia com a cláusula III é eliminado o _h_ dos grupos _rh_,
+_th_, ou outros quaisquer, inexactamente denominados etimológicos, e
+portanto escrever-se há _teatro_, _retórica_, _aderir_, _aborrecer_,
+_sirgo_, _sorgo_, _caridade_, _cristão_, _Cristo_, _monarca_, _técnica_,
+_cloro_, etc. O grupo _ch_, com o valor de _k_ antes de _e_, _i_, será
+substituído por _qu_; ex.: _monarquia_, _arquitecto_, _química_,
+_querubim_. O grupo _ph_ será expresso por _f_; ex.: _filosofia_,
+_frase_, _fenício_, _farol_, _física_, _fisiologia_, _ninfa_, _profeta_,
+etc. Assim tambêm escreveremos _ditongo_, _tísica_, _apotegma_, etc.
+
+VII. Nenhuma consoante se duplicará no interior ou fim de vocábulo,
+senão quando a pronunciação assim o exija, o que só acontece com _rr_,
+_ss_, _mm_, _nn_, como nas seguintes palavras: _carro_, _cassa_,
+_emmalar_, _ennegrecer_.
+
+Nesta conformidade, escrever-se hão com letras singelas as seguintes
+palavras, e outras que é hábito escrever com letras dobradas: _abade_,
+_acusar_, _adição_, _afecto_, _sugerir_, _agravo_, _êle_, _ela_,
+_aludir_, _chama_, _pano_, _anexo_, _aparecer_, _atribuir_, _meter_,
+_atitude_, etc. As letras _r_ e _s_ dobram-se, se a pronúncia o exije,
+quando a qualquer vocábulo se antepõe prefixo terminado em vogal; ex.:
+_pressentir_, _prorrogar_, _ressuscitar_: cf. _arrasar_, de _raso_,
+_assegurar_, de _seguro_.
+
+VIII. São suprimidas as consoantes mudas, quando não influam no valor
+das vogais que as precedem; ex.: _autor_, _restrito_, _produto_,
+_produção_, _pronto_, _presunção_, _satisfação_, _praticar_, _tratar_,
+_retratar_, _sinal_, _Madalena_, _aumento_, _Inácio_, _Inês_, _assunto_,
+_assinar_, _sono_, _dano_, _condenar_, etc.
+
+IX. São conservadas as consoantes, usualmente mudas, quando
+facultativamente se profiram, ou quando influam no valor da vogal que as
+precede; ex.: _contracção_, _reacção_, _direcção_, _excepção_,
+_adoptar_, _adopção_, _espectáculo_, _carácter_, _rectidão_.
+
+Neste caso os vocábulos aparentados, em que essas vogais pertençam à
+sílaba predominante do vocábulo, conservarão, por analogia, a consoante
+muda; ex.; _contracto_, _directo_, _excepto_, _adopto_, _caracterizar_,
+_recto_, _acto_, em razão de _activo_, _acção_, etc.
+
+X. O emprêgo acertado das letras _ce_, _ci_, alternando com _(s)se_,
+_(s)si_, ou no interior do vocábulo o de _ç_, alternando com _ss_,
+depende da origem dêsses vocábulos e do valor que as ditas letras
+indicavam, quando a pronunciação delas diferia, como ainda hoje difere
+dialectalmente em várias regiões do norte de Portugal. A consulta ao
+VOCABULÁRIO é indispensável para decidir da escolha. Como regra geral,
+_ce_, _ci_, _-ç-_ correspondem a _ce_, _ci_, _ti_ latinos, a _ce_, _ci_,
+_za_, _zo_, _zu_ do castelhano actual, a _ss_ arábicos, ou pertencem a
+vocábulos de origem americana indígena, transcritos pelos autores
+peninsulares.
+
+Fica banido o _ç_ inicial, que será substituído por _s_ nos poucos
+vocábulos em que etimológicamente figuraria; ex.: _sapato_, _sarça_, e
+não _çapato_, _çarça_, como antes se escrevia, e ainda uma ou outra vez
+se escreve.
+
+XI. É conservado o grupo inicial _sc_, das seguintes palavras e seus
+derivados e afins, em que o _s_ é mudo: _scena_, _sciência_, _scetro_,
+_scéptico_, _scisma_, _scisão_, _sciático_, _scintilar_, _scelerado_, e
+algum outro menos usual.
+
+XII. O emprêgo de _ch_ ou de _x_, os quais histórica e ainda
+dialectalmente não eram nem são idênticos no valor fonético, regula-se
+pela sua origem, e a consulta ao VOCABULÁRIO torna-se necessária. Deve
+ter-se em atenção que _ch_ corresponde a _cl_, _fl_, _pl_, _t'l_
+latinos, e a _ch_ francês nas palavras desta origem; _x_ corresponde a
+_x_ e a _s_ latinos. Nos vocábulos de origem arábica o emprêgo de _x_, e
+não de _ch_, é de rigor; assim, _xeque_, e não _che(i)k_.
+
+XIII. A escrita dos ditongos orais é a seguinte: _ai_, _éi_, _ei_, _ói_,
+_oi_, _ui_, _au_, _éu_, _eu_, _iu_, _ou_, como em _ensaio_, _ensaiar_,
+_batéis_, _bateis_ (de _bater_), _sóis_ (de _sol_), _sois_ (verbo),
+_fui_, _pau_, _céu_, _seu_, _viu_, _grou_, e portanto _pai(s)_,
+_amai(s)_, _gerais_, _réis_, _rei(s)_, _faróis_, _róis_ (nome plural e
+verbo), _azuis_, etc. Ficam abolidas as escritas _ae_, _oe_, _ue_, _ao_,
+_eo_, para estes ditongos, quer em nomes, quer em formas verbais.
+
+XIV. A escrita dos ditongos nasais é: _ãe_, _em_ (_ens_), _õe_, _ão_,
+como em _mãe(s)_, _bem_, _bens_, _põe(s)_, _botões_, _cães_, _mão(s)_,
+_órfão(s)_, _cidadão(s)_.
+
+Escrever-se hão com _am_ final, em vez de _ão_, as formas verbais em que
+essa terminação seja átona, como _louvam_, _louvaram_ (presente e
+pretérito), diferente de _louvarão_ (futuro).
+
+Os vocábulos terminados no ditongo _em_ (equivalente a _[~e]i_)
+receberão o acento circunflexo quando forem polissílabos com a última
+sílaba predominante. Dêste modo _porem_, do verbo _pôr_, diferençar-se
+há de _porêm_, conjunção; _contêm_, do verbo _conter_, de _contem_, do
+verbo _contar_; assim igualmente, _armazêm_, _vintêm_, _vintêns_,
+_alguêm_, mas _viagem_, _origem_. (=_viágem_, _orígem_).
+
+Os monossílabos com esta terminação dispensam a acentuação gráfica, por
+ser ociosa, e para que fiquem em harmonia com outros monossílabos
+terminados em vogal, nasal; ex.: _bem_, _bens_, _tem_, _tens_;
+comparem-se _fim_, _som_, _um_; _fins_, _sons_, _uns_.
+
+O ditongo _[~u]i_ de _muito_, _mui_ dispensa igualmente o til na escrita
+usual.
+
+XV. A grafia das vogais nasais finais será a seguinte, já consagrada:
+_ã(s)_, _im_, _ins_, _om_, _ons_, _um_, _uns_, como em _lã(s)_,
+_irmã(s)_, _órfã(s)_, _fim_, _fins_, _marfim_, _marfins_, _som_, _sons_,
+_jejum_, _jejuns_.
+
+No interior dos vocábulos é a nasalidade da vogal expressa por _m_ antes
+de _b_, _p_, _m_, e por _n_ em qualquer outra situação, o que é já uso
+estabelecido, mas ao qual convêm não se fazerem excepções; assim
+escreveremos _circunstância_, _circunscrever_, _conquanto_, com _n_, e
+não com _m_.
+
+XVI. É conservado ao _e_ inicial átono o valor que tem de _i_ em muitos
+vocábulos, como _erguer_, _herdeiro_, _evitar_, _elogio_; sendo porêm
+substituído por _i_ nas palavras _igual_, _idade_, _igreja_ e seus
+derivados, ortografia anterior que se lhes restabelece. É
+semelhantemente conservado o _e_ com o valor de _i_ átono antes de
+vogal, quando a analogia ou a etimologia o recomendem; ex.: _fealdade_,
+_desfear_, de _feio_ (cf. _desfiar_, de _fio_), _ideal_, _meada_,
+_reagente_, etc. Restabelece-se porêm a verdadeira ortografia de _pior_,
+_lial_, _rial_ (antes _peior_, _leial_, _reial_), em que um _ei_
+anterior se condensou em _i_, como aconteceu com _igreja_ (forma antiga
+_eigreja_) e como ainda hoje acontece com o prefixo _eis-_ (_ex-_), que
+é usualmente pronunciado _is_. O último exemplo citado, _rial_, de
+_rei_, fica assim diferençado de _real_, procedente do latim r_e_s.
+
+O verbo _criar_ será semelhantemente escrito com _i_, pois a sua
+conjugação é _crio_, _crias_, e não _creio_, _creias_, e portanto
+escreveremos tambêm _criador_, _criatura_, _criança_, qualquer que seja
+a acepção em que se tomem tais palavras. O verbo _recrear_, todavia,
+escrever-se há com _e_, porque a sua conjugação é com _ei_, _recreio_,
+_recreias_; devendo ter-se em atenção que o _i_ intercalar, para evitar
+o hiato _recreo_, só tem cabimento quando o _e_ do radical é
+predominante, e conseguintemente escreveremos _passear_, _cear_,
+_desfear_, _passeio_, _ceio_, _desfeio_, e não _passeiar_, _ceiar_, etc.
+
+Há considerável número de verbos, como _alumiar_, _gloriar_, _aviar_,
+que se conjugam _alumio_, _glorio_, _avio_, sendo portanto a vogal final
+do seu radical _i_ e não _e_. Todavia, por influência daqueles em que
+essa vogal radical é, pelo contrário, _e_, que átono se profere _i_,
+alguns verbos em _iar_ confundiram-se com êsses, e é já hoje
+impraticável a correcção. Os principais dêstes verbos são os seguintes,
+e convêm que não se traslade a outros a irregularidade que se manifesta
+neles: _ansiar_, _anseio_; _negociar_, _negoceio_; _obsequiar_,
+_obsequeio_; _premiar_, _premeio_; _odiar_, _odeio_; _remediar_,
+_remedeio_. Em outros, menos triviais, é duvidoso o modo de os conjugar,
+como _licenciar_, _presenciar_, _sentenciar_, que muitos preferem
+conjugar _licencio_, _presencio_, _sentencio_, conquanto as formas
+_licenceio_, _presenceio_, _sentenceio_ sejam muito mais usuais. É claro
+que a irregularidade se não deve trasladar aos substantivos
+correspondentes, e que portanto escreveremos _ánsia_ (e não _âncea_ ou
+_ância_), _negócio_, _obséquio_, _ódio_, _prémio_, _remédio_, e assim
+tambêm com i os derivados, _odioso_, _obsequioso_, etc.
+
+XVII. Na pronúncia do sul de Portugal o _s_ antes de consoante surda, e
+quando é final, profere-se como _x_ atenuado, e sendo a consoante
+sonora, como _j_, igualmente atenuado. Se em tais condições está
+precedido de _e_ surdo, êste _e_, por assimilação, palataliza-se e fica
+sendo igual a _i_ na mesma situação, de modo que os dois vocábulos
+_pescar_ e _piscar_ só artificialmente se distinguem; assim tambêm a
+primeira sílaba de _esteira_ confunde-se com a primeira sílaba de
+_história_, e tanto, que antigamente se escrevia _estórea_ (com _ea_,
+para se evitar a leitura _estorja_, pois nenhuma diferença gráfica se
+fazia entre _i_ e _j_). Para quem profira do mesmo modo _es_ e _is_,
+átonos, é necessário recomendar que se regule pelas formas em que _e_ ou
+_i_ sejam predominantes, a fim de acertar com a devida escrita. No
+exemplo citado, _pescar_ procede de _pesca_, e portanto com _e_ se
+escreverá; _piscar_, de _pisco_, ortografar-se há com _i_.
+
+A confusão entre _es_ e _is_ mais freqùente, e que dá margem a inúmeros
+erros de ortografia, ocorre com os prefixos _des-_ e _dis-_. É
+usualíssimo ver-se escrito _destribuição_, por exemplo. Cumpre advertir
+que o valor dêstes dois prefixos, assim confundidos na pronúncia
+meridional, é diverso: _des-_, é privativo, _dis-_ indica «repartição,
+divisão». Escreveremos pois _destinto_ com _e_, de _destingir_, de
+_tingir_, _distinto_ com _i_ de _distinguir_, e assim tambêm
+_dispersar_, _discrição_ (que se não deve confundir com _descrição_, de
+_descrever_), _discórdia_, _discorrer_, etc.
+
+XVIII. Sendo o _e_ átono, antes de consoante palatal, _ch_, _x_, _j_,
+_lh_, _nh_, por assimilação igual a _i_ surdo, dá-se freqùentemente a
+dúvida sobre a escrita com _e_ ou com _i_, em sílabas átonas. Convêm, do
+mesmo modo, recorrer ás formas em que a vogal duvidosa seja
+predominante; assim, _lenheiro_, de _lenha_, escrever-se há com _e_,
+_linheiro_, de _linho_, com _i_.
+
+XIX. Por outra parte, no centro de Portugal o _e_ fechado antes das
+mencionadas consoantes palatais _ch_, _x_, _j_, _lh_, _nh_ profere-se
+como _â_, e esta pronúncia vai-se difundindo cada vez mais no país:
+_fecho_, _cereja_, _selha_, _senha_ são pronunciados _fâxo_, _cerâja_,
+_sâlha_, _sânha_. Valendo o _a_ antes de consoante nasal, _m_, _n_, _nh_
+por _â_ fechado, em geral, produz-se, pela concorrência destas duas leis
+fonéticas, onde elas predominam, a confusão entre _senha_, «sinal», e
+_sanha_, «ira», entre _lenho_, «madeiro», e _lanho_, «golpe».
+
+Para não se deformar a língua pátria, torna-se essencial a devida
+distinção gráfica, ainda quando se não observe na fala, e é fácil
+acertar-se com a escrita, se se atender à pronúncia dessa vogal,
+duvidosa quando tónica, em formas nas quais ela seja átona: _sanha_,
+«ira», escreve-se com _a_, porque dizemos _assanhar_, e não _assenhar_,
+ao passo que um verbo derivado de _senha_ (s_i_g_n_a, latino)
+_desenhar_, se não profere _desanhar_; _lanho_, «golpe», tem um derivado
+_alanhar_, que não é _alenhar_, e conseguintemente deve escrever-se com
+_a_.
+
+XX. Continua o emprêgo tradicional de _o_ átono valendo por _u_, quer
+final, quer medial, quer inicial, ou êle seja analógico, como em
+_formosura_, de _formoso_, de _forma_, _porteiro_, de _porta_, _correr_,
+_côrro_, _corres_, ou etimológico como em _monumento_, latim
+_monumentum_, _governar_, castelhano _gobernar_, latim popular
+_g o b e r n a r e_, latim clássico g [)u] b e r n a r e. Na escrita
+será indispensável atender-se á forma primitiva, portuguesa ou latina,
+ou recorrer-se ao competente VOCABULÁRIO, pois os casos duvidosos, para
+os indoutos, são aos milhares.
+
+Antes de vogal como em _mágoa_, _nódoa_, a conjugação dos respectivos
+verbos, _magoar_, _magôa_, _ennodoar_, _ennodôa_, como em _soar_, _sôa_,
+indica a escrita correcta. Com verbos como _aguar_, cuja conjugação é
+incerta, é preferível escrevê-los com _u_, e assim tambêm _água_,
+_régua_, _légua_, visto que a razão da escrita com _o_ era
+principalmente o evitar-se que _u_ fosse lido como _v_, quando nenhuma
+distinção fixa e assente existia, para se determinar quando as duas
+formas _u_, _v_ eram consoantes ou vogais. Feita a distinção, como há
+mais de um século se faz, quer na escrita, quer na imprensa, deixaram de
+ser necessários êsse e outros expedientes gráficos, como a adjunção de
+_h_ a _u_ ou a _i_, para indicar serem vogais, e não consoantes, o que
+motivou as grafias _hiate_, _huivar_, _hia_, para que _uivar_, _iate_,
+_ia_ se não lessem _vivar_, _jate_, _já_. Alguns _hh_ e alguns _oo_ teem
+essa origem a explicá-los.
+
+XXI. No centro de Portugal o digrama _ou_, quando tónico, confunde-se na
+pronunciação com _ô_, fechado. A diferença entre os dois símbolos, _ô_,
+_ou_, é de rigor que se mantenha, não só porque, histórica e
+tradicionalmente, êles sempre foram e continuam a ser diferençados na
+escrita, mas tambêm porque a distinção de valor se observa em grande
+parte do país, do Mondego para norte. Outra razão se deve apontar ainda,
+e essa é que _ou_ átono ou conserva o valor que lhe é próprio, ou,
+popularmente, se profere _ò_; ao passo que _ô_ vale por _u_ nas sílabas
+átonas; assim, por exemplo, _roubar_, de _roubo_, não altera o valor do
+_ou_ do radical, o que não acontece, por exemplo, com _rogar_, de
+_rôgo_, em que _o_ vale por _u_, se não é predominante. Duas excepções,
+pelo menos, existem modernamente: _apoquentar_, de _pouco_, e
+_aposentar_, de _pouso_, que antes eram _apouquentar_, _apousentar_. A
+redução deve ter tido origem no sul, em que _ou_ se confunde com _ô_.
+
+Êste ditongo _ou_ alterna em quási todos os vocábulos com o ditongo
+_oi_, ao qual muitos dão a preferência, exceptuando porêm certos
+vocábulos como _outro_, _roubo_, etc. A alternância dá-se principalmente
+antes de _r_, _s_, como em _ouro_, _cousa_; _oiro_, _coisa_.
+
+Quem prefira _oi_ a _ou_ assim escreverá, pois qualquer das formas é
+lícita na maioria dos vocábulos, como se disse. Nas formas verbais,
+porêm, como a 3.^a pessoa do singular do pretérito _louvou_, não é
+admitido o ditongo _oi_ por _ou_, nem tampouco em _coube_, _soube_,
+_trouxe_, etc.
+
+Advertir-se há que é errónea a forma _poude_ em vez de _pude_, 1.^a
+pessoa, e _pôde_, 3.^a pessoa do presente do verbo _poder_, que tem
+origem diferente (p o t u i, p o t u i t, latinos) da que vemos em
+_coube_, _soube_ (lat. c a p u i (t), s a p u i (t)), comum à 1.^a e
+3.^a pessoas do mesmo tempo verbal dos verbos _caber_ e _saber_. Um
+qualquer indivíduo, originário das regiões em que _ou_ é diferente de
+_ô_ no valor, não conjugará jamais assim erradamente o verbo _poder_,
+nas duas formas citadas, nas quais não há o ditongo _ou_, como em
+_coube_, _soube_, _trouxe_, mas sim _u_ e _ô_ fechado.
+
+XXII. Acentuação gráfica.
+
+Como é uso corrente, marcam-se com o devido acento, agudo ou
+circunflexo, os vocábulos terminados em _a_, _e_, _o_ tónicos, seguidos,
+ou não, de _s_, e por analogia os terminados em _em_, _ens_; ex.:
+_alvará(s)_, _louvará(s)_, _maré(s)_, _mercê(s)_, _portaló(s)_,_
+avô(s)_, e bem assim os monossílabos, como _pá(s)_, _sé(s)_, _sê(s)_,
+_só(s)_; _vintêm_, _vintêns_, _contêm_, _contêns_; os monossílabos em
+_em_, _ens_, dispensam a acentuação: _bem_, _bens_, _tem_, _tens_.
+
+XXIII. O sinal denominado til (~) vale por acento tónico quando não haja
+outro acento gráfico a designar a sílaba predominante do vocábulo; ex.:
+_cidadão(s)_, _escrivão_, _escrivães_, _nação_, _nações_, _mão(s)_,
+_mãe(s)_; mas, _ourégão(s)_, _rábão(s)_, _Estêvão_, _Cristóvão_, etc.
+
+XXIV. As palavras terminadas em _i_, _u_, vogal nasal ou ditongo,
+seguidos ou não de _s_, ou em outras consoantes, excepto na terminação
+_em_, _ens_, entende-se terem como sílaba predominante a última, não se
+acentuando portanto gráficamente senão as excepções a esta regra; ex.:
+_javali(s)_, _peru(s)_, _maçã(s)_, _atum_, _atuns_, _marau(s)_,
+_arrais_, _esqueceu_, _judeu(s)_, _painel_, _farei(s)_, _mulher_,
+_vencer_, _timidez_, _feliz_, _arroz_, _alcaçuz_, _lioz_, _alcatruz_;
+mas, _quási_, _Vénus_, _órfã(s)_, _álbum_, _amáveis_, _fácil_, _fáceis_,
+_sável_, _sáveis_, _faríeis_, _alcáçar_, _carácter_ (plural
+_caracteres_), _mártir_, _sóror_, _cônsul_.
+
+XXV. Os nomes terminados em _em_, _ens_, e as formas verbais em _am_,
+_em_, entende-se terem como sílaba predominante a penúltima, que se não
+assinala com acento gráfico; ex. _louvam_, _louvaram_ (cf. _louvarão_,
+futuro), _porem_, _contem_ (dos verbos _pôr_, _contar_), marcando-se o
+acento gráfico quando a sílaba predominante seja a última; ex.: _porêm_,
+_contêm_ (de _conter_), _armazêm_, _armazêns_, _Jerusalêm_, _Belêm_.
+
+XXVI. Todos os vocábulos cuja sílaba predominante seja a antepenúltima
+terão essa sílaba marcada com o competente acento escrito; ex.:
+_sábado(s)_, _câmara(s)_, _cédula(s)_, _pêssego(s)_, _sêmola(s)_,
+_concêntrico(s)_, _título(s)_, _íntimo(s)_, _pródigo(s)_, _cómodo(s)_,
+_lôbrego(s)_, _lúgrube(s)_,_ único(s)_; _área(s)_, _ária(s)_,
+_árduo(s)_, _mágoa(s)_, _contemporâneo(s)_, _Libânio_, _ânuo_,
+_proscénio(s)_, _gémeo(s)_, _ingénuo(s)_, _sêmea(s)_, _virgíneo(s)_,
+_insónia(s)_, _fúria(s)_, _facúndia(s)_, _ândito(s)_, _argênteo(s)_,
+_fímbria(s)_, _vergôntea(s)_, _núncio(s)_, _demónio(s)_, _António_,
+_Antónia_, _infortúnio_, _farmacêutico_, etc.
+
+XXVII. O acento marcado nos esdrúxulos é diferencial com relação aos
+vocábulos que, escritos com as mesmas letras, tenham por sílaba
+predominante a penúltima, ou a última; ex.: _fábrica_, substantivo, e
+_fabrica_, verbo; _réplica_, substantivo, e _replica_, verbo: _índico_,
+adjectivo, e _indico_, verbo; _história_, substantivo, e _historia_
+(_rí_), verbo; _telégrafo_, substantivo, e _telegrafo_ (_grá_), verbo,
+etc.
+
+XXVIII. Quando um qualquer vocábulo que tenha por sílaba predominante a
+penúltima, e cuja vogal nessa sílaba seja _e_ ou _o_ abertos, fôr
+homógrafo com outro em que êsse _e_ ou _o_ seja fechado, marcar-se hão
+êstes com o acento circunflexo. Assim se diferençarão _rêgo_,
+substantivo, e _rego_, verbo: _pêgo_, ave, e _pego_, abismo, ou forma do
+verbo _pegar_; _rôgo_, substantivo, e _rogo_, verbo; _sôbre_,
+preposição, e _sobre_, verbo; _mêdo_, susto, e _medo_, nome étnico;
+_dêmos_, presente do subjuntivo, e _demos_, pretérito (do verbo _dar_).
+
+XXIX. Diferençar-se hão pelo acento agudo os seguintes vocábulos:
+_pára_, verbo, de _para_, preposição; _pélo_, _péla_, de _pêlo_
+substantivo, e de _pelo_, _pela_ (_per lo_, _per la_, _per o_, _per a_);
+_pólo_, substantivo, de _polo_ (forma antiquada, em vez de _pelo_); e
+pelo circunflexo, _pêra_, de _pera_, forma antiga e popular da
+proposição _para_; _quê_, de _que_ proclítico, átono; _cômo_, verbo, de
+_como_, partícula. Pelo agudo se diferençará a forma do pretérito,
+_louvámos_, da do presente, _louvamos_.
+
+XXX. As formas verbais _dêem_, _lêem_, _vêem_, _crêem_ (de _dar_, _ler_,
+_ver_, _crer_) receberão o acento circunflexo, ficando assim distintas
+de outras como _te(e)m_, _ve(e)m_, de _ter_, _vir_.
+
+XXXI. Quando a segunda de duas vogais consecutivas seja _i_ ou _u_, que
+não forme ditongo com a vogal precedente, marcar-se há com o acento
+agudo, se fôr tónica; ex.: _saí_, _saída_, _faísca_, _saúde_,
+_balaústre_, _raízes_, _baú(s)_. Se fôr átona pode assinalar-se com o
+acento grave; ex.: _saìmento_, _faìscar_, _saùdar_, _enraìzado_,
+_abaùlado_. É licito dispensar-se o agudo se a consoante seguinte não
+fôr _s_; ex.: _ainda_, _raiz_, _sair_, contanto que não inicie outra
+sílaba. Podem, portanto, escrever-se _Coimbra_, _raiz_, _sair_, sem
+acento, mas exigem-no _saída_, _saíra_, _saúde_, _raízes_, _ataúde_,
+etc.
+
+XXXII. Os ditongos _éi_, _ói_, _éu_, sempre finais tónicos, receberão o
+acento agudo, que os diferença de _ei_, _oi_, _eu_, fechados; ex.:
+_painéis_, _heróis_, _chapéus_; em _réis_, _batéis_, _papéis_, _sóis_
+êsse acento distingue tais vocábulos dos seus homógrafos _reis_ (de
+_rei_), _bateis_, _papeis_ (de _bater_, _papar_), _sois_ (do verbo
+_ser_). Outros exemplos são _bóia_, _jóia_ (cf. _joio_, com _o_
+fechado), _gibóia_, _herói(s)_, etc.
+
+XXXIII. Hífen.
+
+Os vocábulos compostos cujos elementos conservam a aua independência
+fonética unem-se por hífen (-) e conservam igualmente a sua acentuação;
+ex.: _água-pé_, _pára-raios_, _guarda-pó_. O hífen repetir-se há na
+linha imediata, quando por êle se faça a separação silábica de linha
+para linha; ex.: _pára-/-raios_. Quando um dos termos do vocábulo
+composto não existe independente em português, na sua forma integral,
+unem-se os dois elementos sem hífen; ex.: _clarabóia_, _fidalgo_. Outro
+tanto se fará quando a noção do composto se haja perdido, como em
+_solfa_, _dezoito_ (_dez-a-oito_).
+
+XXXIV. O hífen será utilizado tambêm nos seguintes casos:
+
+a) Unir os pronomes pessoais enclíticos aos respectivos verbos, de que
+são complemento; ex.: _louvá-lo_, _devê-lo_, _puni-lo_, _dá-nos_,
+_dou-vos_, _falo-lhes_, etc. A acentuação do verbo mantêm-se, como se
+não se lhes unissem êsses complementos. São erros inadmissíveis, mas
+muito freqùentes, _louval-o_, _devel-o_, _punil-o_, etc.
+
+b) Os advérbios _mal_, _bem_, formando o primeiro elemento de um
+composto, unem-se ao segundo elemento por hífen, quando sem êle a
+soletração seria errada; ex.: _bem-aventurança_, _mal-logrado_, para que
+se não leiam _be maventurança_, _ma logrado_. Este último, todavia, pode
+ler-se tambêm _malogrado_, pois dizemos _malograr_, _malôgro_.
+
+A palavra _aguardente_ formará o seu plural como _aguardentes_; se porém
+se preferir separar os dois elementos, _água-ardente_, o plural será
+_águas-ardentes_.
+
+XXXV. Há vocábulos que, sendo derivados, seguem a analogia dos vocábulos
+compostos, com os seus elementos unidos por hífen, em terem dois acentos
+tónicos dos quais é predominante o segundo; são êles os aumentativos e
+deminutivos formados com o infixo _z_, e os advérbios derivados com o
+sufixo _-mente_. Se os adjectivos ou substantivos de que se formam
+terminam em vogal com acento agudo, muda-se êste em acento grave, ex.:
+_sòzinho_, _cafèzinho_, _màzona_, etc. Esta mudança tem por causa o
+evitar-se que, escrevendo-se _mázona_, por exemplo, se entenda ser a
+primeira a sílaba predominante. Nos advérbios, porêm, formados com o
+referido sufixo _-mente_, que antes era um substantivo, a acentuação com
+o agudo, ou o circunflexo mantêm-se, por não poder dar-se a confusão
+apontada: _fácilmente_, _cortêsmente_, _sómente_.
+
+XXXVI. Apóstrofo.
+
+É quasi abolido êste sinal ortográfico, absolutamente inútil para a
+leitura, e de introdução relativamente moderna. O seu emprêgo limitar-se
+há a indicar, principalmente na poesia, a supressão de uma letra, que
+usualmente se escreve na prosa, como em _esp'rança_, _mer'cer_,
+_par'cer_, _c'roa_, _p'ra_, _'star_, etc. Pode, tambêm, usar-se no
+interior das dições compostas, quando nelas se faça elisão do _e_ da
+preposição _de_, como em _mãe-d'água_.
+
+XXXVII. Os pronomes complementos enclíticos de verbos escrever-se hão
+como nos exemplos seguintes: _tenho-o_, _tem-lo_, _tem-no_, _temo-lo_,
+_tende-lo_; _louvá-los_, _devê-los_, _uni-los_; _louva-los_, _deve-los_,
+_une-los_; _vê-mo_, _vê-to_, _vê-lho_, _vê-no-lo_, _dava-vo-lo_,
+_vêem-se-lhe_, _comprámo-la_, sem se indicar por apóstrofo a supressão
+de _e_ e de _s_, que é de regra; _tem-lo_, está por _tens-lo_, _vê-mo_,
+por _vê-me-o_. O verbo conserva a acentuação marcada que lhe competiria
+sem complementos, e assim é a sua pronunciação.
+
+XXXVIII. Reúnem-se em uma só dição, sem apóstrofo ou hífen, os seguintes
+pronomes, precedidos das preposições _a_, _de_, _em_, _por_; _ao(s)_,
+_à(s)_, _do(s)_, _da(s)_, _àquele(s)_, _àquela(s)_, _dele(s)_,
+_dela(s)_, _dêste(s)_, _desta(s)_; _daquele(s)_, _daquela(s)_,
+_dêsse(s)_, _dessa(s)_; _naquele(s)_, _naquela(s)_, _neste(s)_,
+_nesta(s)_, _nesse(s)_, _nessa(s)_; _disto_, _disso_, _daquilo_,
+_nisto_, _nisso_, _naquilo_, _noutro_.
+
+Outro tanto acontece com os artigos _o(s)_, _a(s)_, _um_, _uns_,
+_uma(s)_, e os advérbios _aqui_, _aí_, _ali_, _acolá_, _alêm_, _onde_;
+ex.: _do(s)_, _da(s)_, _pelo(s)_, _pela(s)_, _no(s)_, _na(s)_, _aonde_,
+_donde_, _dali_, _daí_, _dali_, _dacolá_, _dalém_, etc.
+
+Quando porêm esses pronomes rejam orações de infinito, a preposição
+conservar-se há inteira e separada; ex.: _por causa de êles não
+quererem_; _em razão de os não ter visto_.
+
+As demais elisões, que no decurso da fala ou da leitura se costumam
+fazer, não são indicadas na escrita; não se escreverá pois: _d'idade_,
+_d'entrada_, mas sim _de idade_, _de entrada_; pelo mesmo motivo por que
+se não escreve _vint'e um_, conquanto o _e_ de _vinte_ aí se não
+profira. São elisões e crases que é escusado representar na escrita, e
+algumas das quais são facultativas, quer individual, quer
+ocasionalmente.
+
+XXXIX. Divisão silábica.
+
+A divisão de um vocábulo qualquer simples em sílabas far-se há
+fonéticamente pela soletração e não pela separação dos seus elementos de
+derivação, composição ou formação, contanto que a dição composta não
+tenha os seus elementos apartados por hífen (-). Desta maneira
+dividir-se há, por exemplo, _subscrever_, como _subs cre ver_, do mesmo
+modo por que a palavra _escrever_ se não divide como _e scre ver_; e
+_vezes_, _pastora_, como _vez es_, _pastor a_, mas sim como _ve zes_,
+_pasto ra_. Assim, tambêm, _di rec ção_, _a dop tar_, _su búr bios_, _de
+sas tra do_, _de sar mar_, _i ná bil_, _bi sa vô_, _pres tan te_, _cir
+cuns tân cia_, etc., etc.
+
+Para a segunda linha e para a soletração pertencem à vogal que se lhes
+segue as consoantes que podem começar palavra; assim teremos _co bra_,
+_am plo_, porque temos _bra ço_, _pla ga_; _ecli pse_ (cf.
+_psicologia_).
+
+XL. Quando o _s_ dos prefixos _des-_, _dis-_, é seguido de consoante
+separa-se dela; se depois se lhe segue vogal, pertence a esta, e com ela
+forma sílaba; ex.: _des fa zer_, _dis tri buir_, mas _de sen ga nar_,
+_de sen vol ver_.
+
+XLI. Duas consoantes iguais separam-se; ex.: _ar rastar_, _as sistir_,
+_em malar_, _en nastrar_.
+
+XLII. As palavras compostas dividem-se pelos seus componentes; ex.:
+_porta-voz_, _vice-almirante_, repetindo-se na linha inferior o hífen.
+
+XLIII. Nos vocábulos formados com o prefixo _ex-_, fica êste separado do
+segundo elemento, ao dividir-se ou soletrar-se a palavra; ex.: _ex ér ci
+to_, _ex ce der_.
+
+XLIV. São inseparáveis as letras dos seguintes grupos de consoantes:
+_bl_, _cl_, _dl_, _fl_,_gl_, _pl_, _tl_, _vl_; _br_, _cr_, _dr_, _fr_,
+_gr_, _pr_, _tr_, _vr_; _ch_, _lh_, _nh_; _sc_, _ps_.
+
+Se, porêm, o _s_ se lê separado do _c_ no interior do vocábulo, separado
+se divide; ex.: _des cer_, _côns ci o_, _pros cé nio_; mas _en sce na
+ção_.
+
+XLV. São igualmente inseparáveis duas vogais consecutivas, formem ou não
+ditongo; ex.: _ai po_, _cau sa_, _rai nha_, _proe mio_, _goe la_, _poei
+ra_, _pro nún cia_, _voar_, _voo_, _á gua_, _moi nho_, _é gua_, _i
+guais_, _con ti nua_, _con tí nua_, _fa mí lia_, _se ria_, _sé ria_,
+_rea lidade_, _veí culo_.
+
+XLVI. O _u_ depois de _q_ ou _g_ é dêle inseparável, quer seja mudo,
+quer se profira; ex.: _quin ta_, _guer ra_; _fre qùente_, _a gùentar_,
+_ar gùir_.
+
+
+
+
+PRONTUÁRIO ORTOGRÁFICO
+
+
+Súmula das principais regras que se hão de observar na escrita das
+palavras e formas vocabulares portuguesas:
+
+1. O alfabeto português consta das seguintes vinte e quatro letras, e de
+mais três, que sómente em circunstâncias especiais se empregam e aqui
+vão incluídas em parêntese curvilíneo:
+
+a b c ç d e f g h i j (k) l m n o p q[u] r s t u v (w) x (y) z.
+
+2. Alêm destas letras, há outros caracteres, que ora são figurados por
+duas letras emparceiradas, ora por sinais diacríticos, sobrepostos a
+várias dessas letras. Assim aumentado, o sistema de escrita portuguesa
+compõe-se de 53 símbolos:
+
+a, á, à, â, ã; b; c, ç, ce (ci), ch; d; e, é, è, ê; f; ge (gi), g, gu,
+gù; h; i, í, ì; j; (k); l, lh; m; n, nh; o, ó, ò, ô, õ; p; qu, qù; r,
+rr, s, ss, sc; t; u, ú, ù; v; (w); x; (y); z.
+
+O valor dêstes caracteres, excluídas as letras _k_, _w_, _y_, está
+exemplificado nas palavras seguintes: _par_, _pá_, _àquela_, _câda_,
+_lã_; _bobo_; _cá_; _praça_, _cela_, _cinta_, _chá_; _dado_; _de_, _sé_,
+_prègar_, _sê_; _foz_; _gema_, _giz_, _gágo_, _guerra_, _agùentar_;
+_há_; _li_, _fígado_, _faìscar_; _já_; _lá_; _lhe_; _mó_; _nó_, _lenha_;
+_lado_, _copa_, _pó_, _mòlhada_, _avô_, _põe_; _que_, _freqùente_,
+_caro_, _ré_, _carro_; _só_, _passo_, _scena_, _casa_; _tu_; _fuga_,
+_último_, _saùdar_; _véu_; _xadrez_, _exame_, _sexo_, _próximo_,
+_texto_; _zêlo_.
+
+3. Dêstes caracteres tem um único valor e emprêgo os nove seguintes:
+_b_, _d_, _f_, _j_, _l_, _p_, _qu_, _t_, _v_.
+
+Os outros caracteres variam de valor.
+
+4. _a_: Designa o _a_ aberto quando está na sílaba tónica
+principalmente, e em sílaba átona se está seguido de _l_; ex.: _cabo_,
+_faltou_.
+
+5. Fora da sílaba tónica denota em geral o _a_ surdo, como _boca_,
+_parede_, _camarote_.
+
+O _a_ surdo pode ser tónico, se está antes de consoante nasal, _m_, _n_,
+_nh_; ex.: _cama_, _cana_, _manha_, _louvamos_.
+
+6. _á_: Emprega-se com o valor de _a_ aberto quando seja necessário
+marcar _a_ tónico, isto é: na última sílaba, seguido ou não de _s_; na
+penúltima, se a última não termina em _a(s)_, _e(s)_, _o(s)_, _m_, e na
+antepenúltima; ex.: _lá_, _será(s)_, _fácil_, _fáceis_, _carácter_,
+_sável_, _prática_. Emprega-se tambêm para diferençar _pára_ de _para_,
+preposição, e na forma verbal do pretérito, 1.^a pessoa do plural,
+_louvámos_, para a diferençar da do presente, _louvamos_.
+
+7. _à_: Designa o _a_ aberto átono em vocábulos que se escrevem com as
+mesmas letras, que outros que tem _a_ surdo, e tambêm para denotar o
+acento secundário em derivados; ex.: _àbada_ (de _aba_; cf. _abada_,
+«animal»), _pàzada_, _desàbar_.
+
+8. _â_: Indica o _a_ surdo tónico em vocábulos esdrúxulos; ex.: _ânimo_,
+_câmara_; ou em inteiros terminados em _i_, _u_, vogal nasal, ditongo ou
+consoante diferente de _s_; ex.: _cânon_, _âmbar_, etc.
+
+9. _ã_: _â_ nasal em fim de vocábulo, seguido ou não de _s_, e nos
+ditongos _ãe_, _ão_; ex.: _lã(s)_, _mãe(s)_; _mão(s)_.
+
+Se não há outro acento no vocábulo, vale por acento tónico; ex.:
+_rabão_, a par de _rábão(s)_.
+
+O ditongo _ão_ átono, final de formas verbais, escreve-se _am_; ex.:
+_louvam_, _louvaram_; cf. _louvarão_, futuro.
+
+Antes de _b_, _p_ e _m_, a vogal nasal _ã_ escreve-se _am_, e antes de
+outra consoante, _an_; ex.: _campo_, _lamber_, _emmalar_; _banco_,
+_frango_, _canto_, _quando_, _lança_, _ânsia_, _rancho_, _laranja_, etc.
+
+
+10. _ce_, _ci_, _ça_, _ço_, _cu_: _ç_ escreve-se antes de _a_, _o_, _u_,
+_c_ sem cedilha, antes de _e_, _i_; ex.: _faça_, _faço_, _cabeçudo_;
+_face_, _fácil_, _paço_, _palácio_, _palacete_.
+
+No interior dos vocábulos, corresponde a _ci_, _ti_ latinos, e a _ss_
+arábicos, e nisto se diferença do _s_, o qual corresponde a _s_ latino;
+ex.: _alçar_ (lat. a l t i a r e), _razão_ (lat. r a t i o n e m),
+_faço_ (lat. f a c i o), _açafate_, _açafrão_, _refece_, _açúcar_
+(arábicos); _paço_, a par de _passo_.
+
+No comêço da palavra usa-se _s_ por _ç_; ex.: _sapato_.
+
+Em fim de palavra escreve-se _z_ e não _ç_; ex.: _vez_ (lat. u i c e m),
+diferente de _vês_ (lat. u i d e s), _arroz_ (arábico).
+
+11. _ch_: Emprega-se como inicial e medial, e nunca como final. Na
+pronunciação do idioma culto, e bem assim nos vernáculos meridionais,
+confunde-se no valor há mais de dois séculos com o _x_ inicial, do qual
+se diferença pela origem. Corresponde o _ch_, em geral, a _cl_, _fl_,
+_pl_, latinos, e a _ch_ francês nas palavras desta proveniência; ex.:
+_chave_ (lat. c l a u e m), _chama_ (lat. f l a m m a), _chuva_ (lat.
+p l u u i a), _chapéu_ (fr. _chapeau_). Corresponde a _ll_ e a _ch_
+castelhanos.
+
+O _ch_ com valor de _k_ é substituído por _qu_ antes de _e_, _i_, e por
+_c_ em qualquer outra situação; ex.: _monarca_, _monarquia_, _querubim_,
+_côro_, _cloro_, _corografia_, _catecúmeno_, _crisol_.
+
+12. _c_: Esta letra emprega-se antes de _a_, _o_, _u_, consoante, ou
+como final, rara; ex.: _cá_, _côr_, _cume_, _claro_, _cravo_, _facção_,
+_Abimélec_, etc.
+
+13. Antes de _e_, _i_, é substituída por _qu_; ex.: _sequeiro_,
+_ressequido_, de _sêco_. É mudo o _c_ actualmente em muitos vocábulos em
+que antes se proferia, e conserva-se quando _a_, _e_, _o_ precedentes
+permanecem abertos, e por analogia ainda mesmo que essas vogais sejam
+tónicas; ex.: _secção_, _acção_, _activo_, _acto_; _espectáculo_,
+_espectador_; mas _autor_, _junção_, _junto_, _sanção_, _santo_, etc.
+
+
+14. _e_: Designa em sílabas átonas _e_ surdo; ex.: _se_, _de_, _me_,
+_te_, _lhe(s)_, _secar_, _remediar_, _lume_, _úbere_, _cadáveres_, etc.
+
+Vale por _i_ átono antes de vogal, ou de consoante palatal; ex.:
+_fealdade_, _teatro_, _beato_, _teor_, _areeiro_, _feíssimo_,
+_conteúdo_; _fechar_, _telhal_, _lenhador_, _desejar_. Cumpre recorrer à
+etimologia do vocábulo, ou a uma forma primitiva dêle, em que o _e_ seja
+tónico, para assim o diferençar de _i_; _fealdade_, de _feio_;
+_areeiro_, de _areia_; _fechar_, de _fecho_; _telhal_, de _telha_;
+_lenhador_ de _lenha_; _desejar_, de _desejo_; _teatro_, _beato_,
+_teor_, _conteúdo_, do lat. t h e a t r u m, b e a t u m, t e n e r e.
+Tem tambêm êsse valor de _i_, como inicial átona; ex.: _evitar_,
+_erguer_, _herói_.
+
+15. _e_: vale por _e_ aberto, ou por _e_ fechado, sendo tónico; ex.:
+_neve_, _certo_, _der_, _perda_, _ver_; e por _e_ aberto ou fechado,
+átono, _relveiro_, _sável_, _carácter_, _cadáver_, _secção_, _abdómen_.
+
+16. Vale por _â_ no sul do país, antes de consoante palatal e no ditongo
+_ei_; ex.: _igreja_, _fecho_, _telha_, _senha_, _lei_.
+
+Em várias regiões êste _e_ é proferido como fechado em tal situação;
+ex.: _igrêja_, _fêcho_, _têlha_, _sênha_, _lêi_.
+
+17. _é_: Denota o _e_ aberto tónico, quando haja de marcar-se a sílaba
+predominante, isto é, como final, seguido ou não de _s_, e nos
+esdrúxulos; ex.: _maré(s)_, _cédula_. Marca-se igualmente o acento agudo
+no _e_ quando a sílaba predominante é a penúltima e a palavra não
+termina em _a(s)_, _e(s)_, _o(s)_, _am_, _em_, e bem assim nos ditongos
+_éi_, _éu_, sempre tónicos; ex.: _éter_, _Vénus_, _fértil_, _férteis_;
+_céu_, _escarcéu_, _papéis_. Sem acento, porêm, escreveremos _levam_,
+_levem_.
+
+18. _è_: Indica o _e_ aberto átono, quando se torne necessário
+diferençar homógrafos; ex.: _pègada_, diferente de _pegada_; _prègar_,
+de _pregar_.
+
+19. _ê_: Designa o _e_ fechado tónico, quando seja de regra marcá-lo com
+acento; ex.: _mercê(s)_, _vê(s)_, _sêmea_, _Zêzere_, _pêssego_,
+_concêntrico_, _Estêvão_, etc.
+
+20. O _e_ nasal nunca termina vocábulo no idioma comum, em que é
+substituído pelo ditongo nasal _em_, _ens_ (_[~e]i)s)_, o qual se
+acentua quando é tónico final de polissílabos; ex.: _vintêm_, _vintêns_;
+_contêm_, _contêns_; _parabêns_.
+
+21. No princípio e meio das palavras o _e_ nasal escreve-se com _em_
+antes de _b_, _p_, _m_, e com _en_, em qualquer outra situação; inicial
+átono profere-se como _im_, _in_; ex.: _membro_, _tempo_; _encher_,
+_entrar_, _encho_, _entro_; _entender_, _entendo_; _empregar_,
+_emprêgo_.
+
+22. _g_: O _g_, para designar a consoante sonora correspondente ao _c_,
+escreve-se em qualquer situação, excepto antes de _e_, _i_; ex.: _gago_,
+_glaciário_, _grade_, _digno_, _fragmento_, e raras vezes como final,
+_Gog_, _Magog_. Suprime-se quando se não profere; dêste modo,
+escreveremos: _assinar_, _Inácio_, _Inês_, _aumento_, etc.
+
+Antes de _e_, _i_ acrescenta-se-lhe _u_ (_gu_); ex.: _seguir_, _guerra_,
+_ligue_, _aguilhoar_.
+
+Se êsse _u_ se profere átono, marca-se com acento grave: _agùentar_,
+_argùir_, _argùente_; se é tónico, com o acento agudo, _argúi_.
+
+
+23. _ge_, _gi_: tem o mesmo valor que o _j_ e escreve-se em lugar dêste,
+quando a etimologia ou a analogia o pedem; ex.: _gente_, _lógica_. Nos
+derivados de primitivos em _ja_, _jo_, _ju_ permanece o _j_ antes de
+_e_, _i_; ex.: _laranja_, _laranjeira_; _loja_, _lojista_.
+
+O _g_ etimológico muda-se em _j_ antes de _a_, _o_, _u_; ex.: _reger_,
+_rejo_, _reja_; _fugir_, _fujo_, _fuja_.
+
+
+24. _h_: É mudo quando inicial, e escreve-se quando a etimologia do
+vocábulo o justifica; ex.: _homem_, _humano_, _herdar_, e portanto
+_ombro_, _ontem_, em que a etimologia o não explica; _iate_, e não
+_hiate_.
+
+O _h_ medial desaparece, mesmo nos vocábulos em que êle como inicial
+figura; ex.: _desumano_, _deserdar_, e com maior razão em _inibir_,
+_inábil_, _filarmónica_, em que daria causa a sua presença a errada
+leitura; outros exemplos são _coìbir_, _sair_, _compreender_, _desonra_,
+_exibir_, etc.
+
+25. O _h_, como sinal diacrítico, junta-se a _c_, _l_ e _n_ para
+designar os sons que as palavras seguintes exemplificam: _chave_,
+_frecha_, _selha_, _moinho_.
+
+26. O _h_, depois de _t_, _r_ ou _c_ com o valor de _k_ é proscrito;
+dêste modo escreveremos _teatro_, _retórica_, _corografia_. Suprimido é
+igualmente o _h_ final, como em _Sara_, _raja_, ou _rajá_, e só se
+admite em tal situação nas interjeições, como _ah!_ _oh!_, etc.
+
+
+27. _i_: Emprega-se como átono, e como tónico; ex.: _finíssimo_,
+_quási_, _virar_, _vira_, etc.
+
+28. Numa série de sílabas, cuja vogal seja sempre _i_, e o vocábulo não
+seja imperfeito ou condicional de verbo, superlativo, ou deminutivo,
+sómente o último _i_ conserva, em geral, na pronúncia desafectada, o seu
+valor; os mais que o precedem proferem-se como _e_ mudo, se a consoante
+seguinte não é palatal (_x_, _j_, _lh_, _nh_, _s_ + consoante); ex.:
+_dividir_, _dividia_, _dividiria_, que se pronunciam _devedir_,
+_devedia_, _devediria_; _ministro_, que se pronuncia _menistro_;
+_ministério_, que se pronuncia _menistério_; _militar_, que se pronuncia
+_melitar_. Para se evitarem erros de ortografia, é preciso atender á
+etimologia dos vocábulos, e, quando possível, a uma forma em que o _i_
+seja tónico, como em _divide_.
+
+29. Há dois prefixos de valor diferente, que cumpre diversificar na
+escrita: _des-_ e _dis-_. O primeiro é negativo ou privativo, como em
+_desfazer_, _destingir_, _destinto_; o segundo distributivo, como em
+_dispersar_, _distinguir_, _distinto_, _disjungir_, _discernimento_,
+_distúrbio_, etc.
+
+30. _í_: Designa o _i_ tónico, quando as regras de acentuação gráfica
+exijam a marcação; ex.: _frígido_, _Vítor_, _físsil_, _difícil_,
+_difíceis_, _fugíeis_, _tínheis_, _fugiríamos_, _fugíreis_, _fugiríeis_,
+etc.
+
+31. Com acento agudo se marca o _i_ tónico que não forma ditongo com a
+vogal anterior; ex.: _saída_, _saí_, _aí_, _país_, _países_, _raízes_.
+
+Antes de _nh_, _nd_, _mb_, pode dispensar-se o acento; ex.: _raínha_,
+_aínda_, _Coímbra_, ou _rainha_, _ainda_, _Coimbra_; pode tambêm
+dispensar-se antes de consoante final que não seja _s_; ex.: _raiz_,
+_sair_; mas _raízes_, _saíres_, porque o _z_ e o _r_ pertencem a outra
+sílaba.
+
+32. _ì_: Quando o _i_ que não forma ditongo com a vogal antecedente é
+átono, pode marcar-se com o acento grave; ex.: _saìmento_, _proìbir_,
+_paìsagem_.
+
+33. O _i_ nasal escreve-se com _im_ antes de _b_, _p_, _m_, ou quando
+final, _in_ em qualquer outra situação; ex.; _limbo_, _limpar_, _fim_,
+_fins_, _findar_, _afinco_, _linfa_, _ninfa_, etc.
+
+
+34. _j_: O _j_ escreve-se antes de _a_, _o_, _u_, _e_, _i_, e antes
+destas duas últimas vogais, quando a etimologia não justifica o emprêgo
+de _g_; ex.: _já_, _jóia_, _júbilo_; _veja_, _vejo_; _lojista_,
+_laranjeira_, _arranjar_, _arranje_; _Jerusalêm_, _Jesus_.
+
+
+35. _m_: Alêm do seu valor como inicial, ex.: _mal_, _tomar_, etc., o
+_m_ designa as vogais nasais finais _im_, _om_, _um_, por exemplo, em
+_marfim_, _som_, _jejum_, e o ditongo nasal _em_, como em _cecêm_,
+_bem_, _devem_, _margem_. O _m_ muda-se em _n_ ao acrescentar-se _s_;
+ex.: _marfins_, _sons_, _jejuns_, _cecêns_, _bens_, _margens_.
+
+36. _m_: Expressa com _a_ (_am_) o ditongo _ão_ átono de formas verbais;
+ex.: _louvam_, _louvaram_.
+
+37. _m_: Denota qualquer vogal nasal inicial ou medial antes de _b_,
+_p_, _m_; ex.: _embora_, _empada_, _emmalar_, _bambo_, _êmbolo_,
+_campo_, _sempre_, _limpo_, _comprar_, _sumptuoso_.
+
+
+38. _n_: Alêm do seu valor como inicial de sílaba, como em _nau_,
+_neve_, _nitro_, _nove_, _nuvem_, _cana_, _pena_, _bonito_, _nono_,
+_canudo_, etc., designa as vogais nasais, quando está seguido de
+consoante que não seja _b_, _p_, _m_, ou a vogal não é final de
+vocábulo; ex.: _lança_, _lenço_, _cinto_, _onça_, _funcho_, _fins_,
+_sons_, _jejuns_. Com _e_ designa tambêm o ditongo nasal _[~e]i_, quando
+se lhe segue _s_ final: ex.: _nuvens_, _armazêns_, _tens_, _bens_.
+
+39. _nn_: Emprega-se no prefixo _en_, antes de _n_ do vocábulo a que se
+junta; ex.: _ennodoar_, de _nódoa_, _ennastrar_, de _nastro_.
+
+40. _nh_: Denota únicamente a nasal palatal que se observa em _manhã_,
+_lenha_, _linho_, _vergonha_, _pezunho_; e conseguintemente escrever-se
+há _inábil_, _inumano_, _inibir_, sem _h_.
+
+
+41. _o_: Esta letra tem os seguintes valores.
+
+Átona vale por _u_; ex.: _lado_, _dolo_, _faro_, _proteger_, _comum_,
+_fortuna_. A escolha entre _o_ e _u_, para expressar êste som, depende
+da origem; assim escreve-se _formosura_, de _formoso_, de _forma_;
+_portaria_, de _porta_; _monumento_ (do lat. m o n u m e n t u m;
+_govêrno_ (do lat. pop. g o b e r n u m, lit. g [)u] b e r n _u m);
+rotunda (lat. r o t u n d a); _goraz_ (lat. u o r a c e m); etc.
+
+42. _o_: Expressa o _o_ aberto, como em _toca_, _volta_, _poste_, etc.,
+quando é tónico, e átono em certas condições, como _adoptar_,
+_nocturno_, isto é, seguido de _p_ ou _c_ na mesma sílaba, quer essas
+consoantes se profiram, como em _optar_, _cocção_, quer sejam mudas.
+
+43. _o_: Designa _o_ fechado tónico, como em _bolo_, _boca_, ou átono
+como em _horrível_, _cânon_, e _o_ átono antes de _l_, como em _voltar_,
+_soldado_.
+
+44. _ó_: Denota o _o_ aberto, quando a acentuação gráfica é de regra;
+ex.: _avó_, _hipódromo_, _órfão(s)_, _sós_, _vós_, _móvel_, _móveis_,
+_móbil_, _cómodo_, etc.
+
+45. _ò_: Serve para designar _o_ aberto átono em homógrafos, como
+_mòlhada_, diferente de _molhada_, e ainda para expressar o acento
+secundário de palavras que tenham dois, como _pòzinho_, _sòzinho_, etc.
+
+46. _ô_; Designa o _o_ fechado tónico, quando as regras de acentuação
+gráfica o exijam; ex.: _avô(s)_, _côr_ (cf. _cor_), _pôde_ (cf. _pode_),
+_sôbre_ (cf. _sobre_), _fôrma_ (cf. _forma_), _lôgro_ (cf. _logro_),
+_lôbrego_, _sôfrego_.
+
+
+47. Cumpre não confundir na escrita _o_ fechado com o ditongo _ou_, que
+se mantêm distinto nos falares provinciais; assim _osso_ substantivo
+escrever-se há com _o_, mas _ouço_ verbo, com _ou_.
+
+48. _ou_: Este ditongo tem por origem _au_ arábico, como em _açougue_,
+_au_ latino, como em _touro_, _oc_, _ap_, _al_, latinos, como em
+_noute_, _toutiço_, _outeiro_. Em geral alterna com o ditongo _oi_,
+sendo lícito, em grande número de vocábulos, empregar-se um ou o outro.
+
+49. _õ_: Esta letra usa-se únicamente no ditongo nasal _õe_, como
+_põe(s)_, _lições_. O _o_ nasal, fora dêste caso único, é escrito com
+_om_, se é final ou está antes de _b_, _p_, _m_, e com _on_ em qualquer
+outra condição; ex.: _som_, _romper_, _rombo_, _emmolhar_; _sons_,
+_contar_, _confiar_, _conchegar_, _esponja_, _fonte_, _bondade_,
+_cônscio_, _Ônfale_, etc.
+
+
+50. _p_: Esta letra não se duplica. Conserva-se o _p_ mudo depois das
+vogais _a_, _e_, _o_ átonas, quando essas vogais permanecem abertas,
+como em _adopção_, _recepção_, _exceptuar_. Conserva-se ainda o _p_, se
+essas vogais são tónicas, em vocábulos aparentados, como _excepto_,
+_adopto_. Depois de outra qualquer vogal suprime-se o _p_ etimológico,
+se não é proferido; ex.: _pronto_, _assunto_, _assunção_, _cinto_.
+
+51. O _ph_ etimológico é em todas as circunstâncias substituído por _f_;
+ex.: _física_, _tifo_, _filtro_, _profeta_.
+
+
+52. _qu_: A letra _q_ é sempre seguida de _u_, o qual é marcado com
+acento grave (_ù_) antes de _e_, _i_, se é proferido; ex.: _quente_,
+_quinta_; _freqùência_, _eqùestre_, _eqùidade_. Antes de _a_, _o_, _u_,
+se o _u_ de _qu_ é mudo, substitui-se êste grupo por _c_; ex.:
+_catorze_, de q u a t o r d e c i m, como _caderno_, de
+q u a t e r n u m; _cota_, de q u o t a, como _licor_, de
+l i q u o r e m. Se o _u_ é proferido antes de _a_, _o_, _u_,
+conserva-se o grupo _qu_, sem acento no _u_; _quatro_, _aquoso_.
+
+
+53. _r_, _rr_: o _r_ forte escreve-se com _r_ simples quando é inicial
+de palavra, ou de sílaba depois de consoante; ex.: _rã_, _ré_, _rio_,
+_rol_, _rumo_, _honra_, _pilriteiro_, _Israel_, etc. Entre vogais
+duplica-se; ex.: _carrada_, _carreta_, _carril_, _carro_, _arrumar_,
+_farrusca_.
+
+54. Quando a um vocábulo começado por _r_ se acrescenta um prefixo
+terminado em vogal, dobra-se o _r_, por ficar entre vogais, para se lhe
+manter o valor de inicial; ex.: _arrasar_, de _raso_; _arrostar_, de
+_rosto_; _prorrogar_, _derrogar_, de _rogar_; _corroer_, de _roer_.
+
+55. O _r_ brando, que sómente se manifesfa em fim de sílaba, ou entre
+vogais, ou depois de consoante pertencente à mesma sílaba, escreve-se
+com _r_ simples; ex.: _dar_, _pôr_, _ver_, _vir_, _virtude_, _verdade_,
+_vórtice_, _louvar_, _dever_, _punir_, _cravo_, _fresco_, _frigir_,
+_crótalo_, _frustrar_; _cara_, _fera_, _lira_, _amora_, _parada_,
+_sereno_, _sarilho_, _caroço_, _caruma_.
+
+
+56. O _s_ surdo assim se escreve como inicial de palavra, ou depois de
+consoante, se é inicial de sílaba; ex.: _saco_, _sé_, _sirga_, _só_,_
+sul_, _ânsia_, _falso_, _farsa_, _lapso_, _psicologia_, _absorver_.
+Inicial antes de _e_, _i_, e depois da consoante, nas mesmas condições,
+alterna com _ce_, _ci_, e sómente a etimologia dos vocábulos, ou um
+vocabulário, ensinam a verdadeira escrita. O _s_ corresponde a _s_
+latino, o _c(e)_,_ c(i_) a _ti_, _ci_ latinos, e a _ss_ arábicos; ex.:
+_sela_, _silvo_, _selha_, _persistir_, _canseira_, _alicerce_,
+_Alcácer_, etc.
+
+57. Entre vogais o _s_ surdo duplica-se, _ss_, e neste caso alterna com
+_ç_ cedilhado, e com _ce_, _ci_, nas mesmas circunstâncias de
+proveniência dos vocábulos; ex.: _assar_, _assente_, _assíduo_, _posso_,
+_assumir_, _sossêgo_, _passo_, de p a s s u m (cf. _paço_, de
+p a l a t i u m), etc.
+
+58. O _s_ sonoro só se manifesta entre vogais, usualmente, e nesta
+posição alterna com _z_, correspondendo porêm sempre a _s_ latino; ex.:
+_casa_, _César_, _mês(es)_, _residir_, _formoso_, _uso_. Conquanto
+depois de consoante, o _s_ é sonoro no prefixo _trans-_ seguido de
+vogal, como em _transeúnte_, _transacção_, em _obséquio_ e seus
+derivados, e num ou noutro vocábulo, precedido de consoante sonora.
+
+59. Há duas terminações de substantivos que não devem confundir-se:
+_-eza_, do lat. _-itia_, e _-esa_, do lat. _-ensa_; é esta que se
+escreve com _s_, como em _defesa_, _devesa_, _presa_, _despesa_,
+_portuguesa_, etc. Semelhantemente, escreveremos _asa_, do lat. a n s a,
+_brasa_, em castelhano _brasa_.
+
+60. Quando a um radical, ou a um vocábulo, começados por _s_, se
+acrescenta um prefixo terminado em vogal, duplica-se o _s_ se êle se
+profere surdo, escreve-se simples, se é pronunciado sonoro; ex:
+_assistir_, _assombrar_, _assumir_, _ressurgir_, _pressentir_; mas
+_residir_, _presente_, _resumir_, _resignação_, _presunção_, etc.
+
+61. O _s_ final de sílaba, seja como for proferido, escreve-se com _s_;
+ex.: _custa_, _cesta_, _resma_, _abismo_, _hóspede_, _fosco_,
+_balaústre_, _lustre_, _musgo_.
+
+62. O _s_ final de sílaba, em monossílabos e em polissílabos que tenham
+como predominante a última sílaba, alterna com _z_, correspondendo porêm
+sempre a _s_ latino, e permanece ainda quando, pela derivação ou flexão
+do vocábulo, se lhe acrescenta uma sílaba, de que fica sendo inicial;
+ex.: _português_, _portuguesa_, _portugueses_, _cortês_, _corteses_,
+_cortesia_, _atrás_, _vês_ (verbo), _vós_, _nós_ (pronomes), _pus_
+(substantivo e verbo), _pôs_ (verbo), _pós_ (substantivo), _pusera_,
+_puser_, _pusesse_, etc. Em um único vocábulo arábico, rês, é o _s_
+final árabe representado por _s_, como em castelhano (_res_).
+
+A consulta a vocabulário é indispensável e muito favorece o acêrto na
+escrita a comparação com as correspondentes formas castelhanas.
+
+63. O _s_ inicial surdo é seguido de _c_ nos seguintes vocábulos e seus
+derivados: _scena_, _scetro_, _scéptico_, _scelerado_, _sciente_,
+_scisma_, _scintila_, _scisso_, _scisão_, _scissura_, _scissíparo_,
+_sciático_, e um ou outro mais, pouco usados.
+
+
+64. _t_: o _t_ nunca se duplica, expressa constantemente o mesmo som, e
+substitui em todos os casos o _th_ etimológico; ex.: _ter_, _atitude_,
+_meter_, _teto_; _teatro_, _patológico_, _simpatia_, _etnografia_, etc.
+
+
+65. _u_: Esta letra expressa sempre o mesmo som, mais ou menos atenuado
+antes e depois de vogal, como elemento fraco dos ditongos; ex.: _tu_,
+_pueril_, _auto_. Antes de vogal alterna, átono, com _o_ nas mesmas
+condições e só a analogia e a etimologia doa vocábulos decidem da
+escrita correcta; ex.: _suar_ (e _soar_), _muar_, _ruína_, etc. Depois
+de consoantes alterna igualmente com _o_ átono; ex.: _mural_ de _muro_,
+a par de _moral_ do lat. m o r e s; _tunante_, de _tuna_, _tonante_,
+lat. t o n a n t e m.
+
+66. _ú_: Representa esta letra acentuada o _u_ tónico, quando as regras
+de acentuação gráfica o exigem; ex.: _único_, _núncio_, _saúde_,
+_útil_,_argúi_.
+
+67. _ù_: O _u_ com acento grave indica não fazer ditongo com a vogal
+anterior, sendo átono; ex.: _saùdar_. Designa tambêm o _u_ proferido dos
+grupos _qu_, _gu_; ex.: _argùir_, _freqùente_.
+
+68. _x_: Esta letra tem cinco valores no idioma comum e literário; são
+os seguintes:
+
+1.^o Como inicial--_xadrez_, _caixa_.
+
+2.^o Como _ss_--_auxílio_, _próximo_.
+
+3.^o Como _s_--_mixto_, _Félix_.
+
+4.^o Como _cs_; _cx_--_fixo_, _sexo_; _córtex_, _sílex_.
+
+5.^o Como _(e)is_--_exame_, _êxito_, _texto_.
+
+Nas palavras de origem arábica, e quando é inicial, tem sempre o
+primeiro valor; ex.: _xabouco_, _axorca_, _xarope_, _elixir_; _Xerxes_,
+_Xenofonte_, etc.
+
+69. Alêm desta multiplicidade de valores, alterna, com relação ao
+primeiro, com o grupo _ch_, o qual, como já se disse, representa _cl_,
+_fl_, _pl_ latinos; assim, temos; _xá_ (rei) e _chá_ (planta), _xeque_
+(regedor) e _cheque_ (bilhete de banco), _buxo_, lat. b u x u m
+(planta), e _bucho_, lat. m u s c ' l u m (estômago e músculo).
+
+A consulta ao VOCABULÁRIO é indispensável para o emprêgo de qualquer
+dêstes dois símbolos, actualmente equivalentes no valor.
+
+
+70. _z_: Como inicial, ou depois de consoante, expressa o mesmo som que
+se ouve em _zêlo_, _azeite_, _zurzir_. Os vocábulos formados com o
+prefixo _trans-_, e a palavra _obséquio_ e seus derivados, todavia,
+escrevem-se com _s_, que representa _s_ latino, como em _transir_,
+_trânsito_, _transacção_.
+
+71. O _z_ entre vogais corresponde a _z_, a _ti_, e a _ce_, _ci_
+latinos, como em _baptisar_, _razão_, _fazer_, _vazio_, e nisto se
+diferença do _s_ entre vogais que a _s_ latino corresponde. Os sufixos
+_-izar_, _-izante_, etc., escrevem-se sempre com _z_, como em
+_anarquizar_, _judaìzante_; _analisar_, porêm, porque provêm de
+_análise_, tem _s_ e não _z_; _horizonte z_ e não _s_. Em palavras de
+origem arábica é _z_ e não _s_ que se escreve; ex.: _azarola_, _azeite_,
+_azougue_. O sufixo _-eza_, como proveniente de _-itia_ latino, tem _z_;
+mas das terminações _ansa_, _ensa_, latinas, procedem os vocábulos e as
+formas _asa_, _defesa_, _presa_, etc.
+
+O recurso ao VOCABULÁRIO é de necessidade para os casos duvidosos, como
+o é para a hipótese seguinte.
+
+72. O _z_ final de palavra cuja última sílaba seja a predominante, bem
+como o de vários monossílabos, alterna com _s_, e tem o valor dêste no
+idioma literário e comum.
+
+Deve ter-se em atenção que o _s_ corresponde sempre a _s_ latino, e o
+_z_ a _c_ latino e a _ss_ ou _zz_ arábicos; assim teremos: _luz_, _voz_,
+_falaz_, _feliz_, _atroz_, _vez_, _capuz_, _faz_, _fêz_, de origem
+latina, _algoz_, _alcatraz_, _albornoz_, de origem arábica; a única
+excepção é _rês_, como já se disse.
+
+73. Nos patronímicos as terminações _es_, _s_, conquanto provenientes de
+_ici_ latino, escrever-se hão com _s_, porque na sua maioria o sufixo
+português é átono; ex.: _Rodrigues_, _Nunes_, _Gonçalves_; _Dias_;
+_Martins_, _Miguéis_; etc. Semelhantemente, é substituído por _s_ um
+antigo _z_ final de sílaba, como em _mesquinho_, _mesquita_, _visconde_,
+etc.
+
+
+74. _k_, _w_, _y_. Estas tres letras, proscritas do abecedário
+português, sómente são admitidas na escrita de vocábulos estrangeiros,
+como _Kant_, _Darwin_, _Byron_, e nos seus derivados portugueses, como
+_kantismo_, _darwinismo_, byroniano, que podem todavia ser escritos
+_cantismo_, _daruìnismo_, _baironiano_.
+
+
+75. Escrever-se hão iniciais maiúsculas em meio de períodos ou orações
+gramaticais, nos seguintes casos:
+
+a) Nomes próprios de pessoas ou lugares, ruas, etc.;
+
+b) Nomes colectivos designando cargos, em substituição das pessoas que
+os desempenham; ex.: _Estado_, _Govêrno_, _Companhia das Águas_, _Centro
+Comercial_, _Patriarcado_, _Cúria_, etc.;
+
+c) Individualidades que exercem importantes cargos: _Ministro da
+Marinha_, _Presidente_, _Juiz_, etc.;
+
+d) Repartições públicas: _Direcção Geral das Colónias_, _Ministério da
+Guerra_, etc.;
+
+e) Nomes de astros, divindades: _Vénus_, _Terra_, _Sol_, etc.;
+
+f) Nomes dos meses, nas datas;
+
+g) Títulos de livros, excepto as partículas monossilábicas, que se
+escreverão com minúsculas.
+
+
+76. Hifen (-).
+
+Êste sinal prende os vocábulos compostos, quando os seus elementos,
+conservando a acentuação própria, perdem em parte a sua significação
+primordial; ex.: _mãe-d'agua_, _porta-bandeira_, _água-forte_,
+_franco-russo_, _madre-pérola_, etc.
+
+77. O hífen une tambêm os pronomes complementos átonos aos verbos de que
+dependem, quando são colocados depois dêstes; ex.: _dou-te_, _dou-to_,
+_dás-mo_, _louvá-lo_, _louva-lo_, _louvam-no_, _louva-o_, _tenho-o_,
+_tem-lo_, _tem-no_, _dávamovo-lo_, _deram-se_, _deu-se-lhes_, etc.
+
+78. Quando, em fim de linha, se parte um vocábulo inteiro, parte-se
+igualmente o hífen, isto é, repete-se na linha seguinte, se unia os
+elementos de uma dição composta; ex.: _porta-/-voz_, _dou-/-to_.
+
+79. O hifen (-), com o nome de linha divisória, divide, de uma para
+outra linha, as sílabas de uma palavra; ex.: _pas-/ta_, _do-/res_,
+_ve-/zes_, _parti-/cular_, _di-/gnidade_, _subs-/tância_.
+
+
+80. Pontos de interrogação (?) e exclamação (!).
+
+À imitação da ortografia espanhola, é conveniente assinalar com êstes
+pontos o principio de uma oração interrogativa ou exclamativa,
+invertendo-os, todas as vezes que ela excede quatro ou cinco palavras,
+para que essa oração seja logo devidamente entoada; ex.: _¿Quando
+soubeste que a tua família chegava de fora hoje?_
+
+
+81. Acentuação gráfica.
+
+A rigorosa acentuação gráfica das palavras portuguesas deve satisfazer
+às condições seguintes:
+
+1.^a Indicar, com a maior segurança para quem lê, quais são os vocábulos
+átonos e quais os tónicos, e nestes qual seja a sílaba predominante,
+quando tenham mais de uma;
+
+2.^a Diferençar entre si vocábulos que se escrevem com as mesmas letras,
+mas divergem na pronúncia e na significação, ou função gramatical,
+
+82. Os vocábulos portugueses são: de uma sílaba, monossílabos; de duas,
+dissílabos; de mais de duas, polissílabos; ex.: _pá_, _pára_, _parada_.
+
+83. Há nos monossílabos e dissílabos vocábulos tónicos, _dá_, _pára_, e
+vocábulos átonos, _da_, _para_.
+
+84. Os dissilabos tónicos podem ter como sílaba predominante a primeira,
+_mares_, ou a segunda, _marés_; os polissílabos podem ter como
+predominante a última, _falará_, a penúltima, _falara_, ou
+antepenúltima, _faláramos_. Os vocábulos cuja última silaba é a
+predominante denominam-se agudos ou oxítonos; se a silaba predominante é
+a penúltima, dizem-se graves, inteiros, ou paroxítonos; se a
+predominante é antepenúltima, recebem o nome de esdrúxulos, ou
+proparoxítonos.
+
+85. Nenhum vocábulo português, de per si, pode ter como sílaba
+predominante qualquer outra antes da antepenúltima, conquanto haja
+dições formadas por linguagens verbais acompanhadas de pronomes, a elas
+unidos por hífen (-), em que a sílaba predominante, que é a da forma
+verbal, fica sendo a quarta ou a quinta a contar do fim; ex.:
+_dávamos-to_, _dávamo-vo-lo_. Tais dições em nada modificam na escrita a
+acentuação gráfica da forma verbal, a qual permanece.
+
+86. A sílaba tónica, quando se torna necessário indicá-la na escrita,
+assinala-se com o acento agudo (') sôbre a vogal dominante dela, se esta
+é _a_, _e_, _o_ abertos, _i_ ou _u_; com o acento circunflexo (^), se é
+_a_, _e_, _o_ fechados. O til vale por acento tónico, se outro não está
+marcado no vocábulo; ex.: _fará_, _maré_, _portaló_, _difícil_, _útil_;
+_câmara_, _mercê_, _avô_, _ânsia_, _indulgência_, _brônzeo_, _fímbria_,
+_núncio_; _varão_, _maçã_, _capitães_; _órgão_, _órfã_; _munícipe_.
+
+87. Outro acento, o grave (`), serve para designar, quando seja
+necessário ou conveniente à correcta pronunciação de um vocábulo ou
+forma verbal, o valor alfabético de qualquer das vogais _a_, _e_, _o_,
+_i_, _u_, independentemente de serem tónicas, e principalmente quando o
+não são; ex.: _à_, _pègada_, _mòlhada_, _faìscar_, _saùdar_.
+
+
+88. Estabelecidas estas premissas, pode preceituar-se uma rigorosa
+acentuação gráfica, inteiramente sistemática, a qual, sem ser profusa ou
+ociosa, deixe bem patentes os factos apontados, quer seja expressa, quer
+omissa a sua notação.
+
+
+89. Vocábulos não acentuados gráficamente.
+
+a) Monossílabos e dissílabos átonos: _o(s)_, _a(s)_, _lo(s)_, _la(s)_,
+_no(s)_, _na(s)_, _do(s)_, _da(s)_, _ao(s)_, _pelo(s)_, _pela(s)_,
+_polo(s)_, _pola(s)_, _me_, _mo(s)_, _ma(s)_, _te_, _to(s)_, _ta(s)_,
+_lhe(s)_, _nos_, _no-lo(s)_, _no-la(s)_, _vo-lo(s)_, _vo-la(s)_,
+_lho(s)_, _lha(s)_; _se_, _de_, _por_, _sem_, _sob_, _com_, _ma_s,
+_que_, _porque_, _tam_ (abreviatura de _tanto_), _sam_ (abreviatura de
+_santo_), etc.
+
+b) Monossílabos tónicos terminados em _em_, _ens_: _bem_, _bens_, _tem_,
+_tens_, _cem_.
+
+c) Formas verbais em _am_, _em_, com a penúltima sílaba como
+predominante, e substantivos dissilábicos e polissilábicos em _em_,
+_ens_, nas mesmas condições: _louvam_, _louvaram_, _louvem_, _contem_
+(do verbo _contar_); _viagem_, _viagens_, _ferrugem_, _ferrugens_, etc.
+
+d) Monossílabos e dissílabos tónicos, e polissílabos, terminados em _i_,
+_u_, vogal nasal, ditongo, seguidos, ou não, de _s_, e os terminados em
+outra qualquer consoante, todos êles oxítonos: _vi(s)_, _javali(s)_,
+_cru(s)_, _peru(s)_, _lã(s)_, _maçã(s)_, _sai(s)_, _arrais_, _mau(s)_,
+_sarau(s)_; _som_, _sons_, _atum_, _atuns_; _mar_, _der_, _ser_, _dor_,
+_mal_, _canal_, _painel_, _funil_, _farol_, _azul_; _mão(s)_, _varão_,
+_varões_, _cruz_, _Artur_, etc.
+
+e) Os dissílabos e polissílabos terminados em _a(s)_, _e(s)_, _o(s)_,
+cuja penúltima sílaba seja a predominante; ex.: _casa(s)_, _camada(s)_,
+_camarada(s)_, _trave(s)_, _parede(s)_, vicissitude(s), _desaire(s)_,
+_modo(s)_, _devoto(s)_, _lume(s)_, etc.
+
+Estas espécies compreendem a maioria dos vocábulos portugueses,
+incluindo-se tambêm nelas as mais das formas verbais, como _louvo_,
+_louva(s)_, _louve(s)_, _louvava(s)_, _louvara(s)_, _louvaria(s)_,
+_louvares_, _louvarei(s)_.
+
+90. Vocábulos acentuados gráficamente, _cantar_, _cantai_, fazer, fazei,
+fazendo sentir, sentirão, sentis, etc.
+
+a) Monossílabos, dissílabos e polissílabos terminados em _a(s)_, _e(s)_
+e _o(s)_, como sílaba predominante, isto é, agudos, oxítonos; ex.:
+_pá(s)_, _sé(s)_, _vê(s)_, _mês_, _pó(s)_, _pôs_, _fará(s)_, _maré(s)_,
+_mercê(s)_, _avó(s)_, _avô(s)_, _alvará(s)_, _jacaré(s)_, _português_,
+_portaló(s)_, etc.
+
+b) Dissílabos e polissílabos terminados em _em_, _ens_, cuja sílaba
+predominante seja a última; ex.: _vintêm_, _armazêm_, _vintêns_,
+_armazêns_, _contêm_, _contêns_ (do verbo _conter_), _porêm_,
+_Jerusalêm_, Belêm, etc.
+
+c) Dissílabos e polissílabos terminados em _i_, _u_, vogal nasal,
+ditongo, seguidos, ou não, de _s_, ou em outra qualquer consoante,
+quando a sílaba predominante seja a penúltima; ex: _quási_, _Vénus_,
+_órfã(s)_, _órfão(s)_, _louváveis_, _louváreis_, _fácil_, _fáceis_,
+_têxtil_, _têxteis_, _cônsul_, _sável_, _sáveis_, _cadáver_, _éter_,
+_mártir_, _sóror_, _alcáçar_, _Sófar_, _açúcar_, _gérmen_, _líquen_,
+_Félix_, _córtex_, _sílex_, etc.
+
+d) Os ditongos, sempre tónicos, _éi_, _éu_, _ói_, com _e_, _o_ abertos;
+ex.: _réis_, _batéis_ (cf. _reis_, _bateis_), _véu(s)_, _chapéu(s)_,
+_sóis_ (cf. _sois_, verbo), _róis_, _herói(s)_, _jóia_, _gibóia_, etc.
+
+e) O _a_ da terminação _-ámos_ da 1.^a pessoa do plural do pretérito,
+para a diferençar de igual pessoa do presente; ex.: _louvámos_ (cf.
+_louvamos_=_louvâmos_).
+
+f) Os seguintes monossílabos e dissílabos tónicos, para se diferençarem
+de outros homógrafos átonos: _quê_, _porquê_, _pôr_ (cf. _por_
+preposição), _pára_ (cf. _para_, preposição); _pêra_ (cf. _pera_,
+_p'ra_, preposição), _péla_, _pélo_, _pêlo_ (cf. _pelo_, _pela_,
+preposição _per_ e artigo _lo_, _la_), _pólo_ (cf. _polo_, preposição
+_por_ e artigo _lo_).
+
+g) Todos os vocábulos esdrúxulos, isto é, que tenham como sílaba
+predominante a antepenúltima; ex.: _prática_; _ânimo_, _ânsia_;
+_férvido_, _género_, _gémeo_, _génio_; _pêssego_, _fêmea_,
+_concêntrico_, _tísico_, _tirocínio_, _fímbria_; _próximo_, _próprio_,
+_antimónio_; _lôbrego_, _brônzeo_; _úbere_, _lúgubre_, _único_,
+_núncio_; _cadáveres_, _árvore(s)_, _multíplice(s)_, _múltiplo(s)_,
+_quádruplo(s)_, etc.
+
+Assim tambêm as formas verbais esdrúxulas, tais como _louvávamos_,
+_louváramos_, _louvaríamos_, _devíamos_, _devêramos_, _deveríamos_,
+_puníamos_, _puníramos_, _puniríamos_, _louvássemos_, _devêssemos_,
+_puníssemos_, _saíssemos_, _fizéssemos_, etc.
+
+h) Marcam-se com o acento circunflexo os _ee_ e _oo_ fechados de
+vocábulos paroxítonos terminados em _o(s)_, _e(s)_, _o(s)_ fechados,
+quando haja outros, escritos com as mesmas letras, em que essas vogais
+sejam abertas; ex.: _rêgo_, _rôgo_, substantivos, a par de _rego_,
+_rogo_, verbos; _dêmos_, presente, a par de _demos_, pretérito, _sêde_,
+_côrte_, _côr_, _mêdo_, a par de _sede_, _corte_, _cor_, _medo_, com
+_e_, _o_ abertos, etc.
+
+i) Marcam-se com o acento agudo (') o _i_ e o _u_ que não formem ditongo
+com a vogal anterior; ex.: _país_, _saída_, _faísca_, _Taígeto_,
+_saúde_, _balaústre_, _baú_, etc.
+
+j) Se o _i_ ou _u_, que não forma ditongo com a vogal precedente, é
+átono, em vez do acento agudo, usa-se o grave (`); ex.: _saìmento_,
+_paìsagem_, _saùdar_, _abaùlado_;
+
+l) O acento grave designa tambêm o _u_ dos grupos _qu_, _gu_, se é
+proferido; ex.: _conseqùência_, _agùentar_, _argùir_. Muda-se em agudo
+se êsse _u_ é a vogal predominante, _argúi_; cf. _argùi_, pretérito;
+
+m) Emprega-se igualmente o acento grave para denotar que _a_, _e_, _o_
+átonos são abertos, quando haja homógrafos, em que eles sejam surdos;
+ex. _à_, e _a_; _àquele(s)_, _àquela(s)_, e _aquele(s)_, _aquela(s)_;
+_àparte_, substantivo, e _aparte_, verbo; _prègar_, e _pregar_, de
+_prego_; _mòlhada_, de _molho_, e _molhada_, de _molhar_.
+
+
+91. O acento distintivo (^), que assinala as vogais fechadas _ê_, _ô_,
+só tem aplicação, tanto nos monossílabos, como nos dissílabos ou
+polissílabos, se existe homógrafo, isto é, vocábulo escrito com as
+mesmas letras, de que haja de diferençar-se; pode portanto omitir-se em
+_dor_, _poço_, _cera_, por exemplo, porque não existem, as palavras
+_dór_, _céra_, e _pósso_, verbo, já se diferença de _poço_ em
+escrever-se com _ss_.
+
+92. Semelhantemente, a acentuação gráfica omite-se logo que, pela flexão
+dos vocábulos, deixam de existir as condições que a determinaram. Dêste
+modo, se temos de acentuar graficamente _sêco_, _sêca_, _lôgro_ para os
+diferençar das correspondentes formas verbais _seco_, _seca_, _logro_,
+com _e_, _o_ abertos, a acentuação torna-se inútil no plural daqueles
+nomes masculinos, _secos_, _logros_, mas terá de manter-se em _sêcas_,
+em razão da forma verbal _secas_. Assim, tambêm, escreveremos
+_vaidoso(s)_, _vaidosa(s)_, sem sinal de acento no _o_ da penúltima
+sílaba, conquanto a pronúncia seja _vaidôso_, _vaidósos_, _vaidósa(s)_.
+Outro tanto sucederá com relação ao _o_ aberto de vários substantivos no
+plural, correspondente a _o_ fechado no singular; assim teremos _tejolo_
+(_tejôlo_), _tejolos_ (_tejólos_), sem acento gráfico, mas _trôco_,
+_trocos_, e _troco_, verbo.
+
+As palavras _espôso_, _espôsa(s)_, terão acento marcado, em virtude de
+existirem as formas verbáis _esposa_, _esposa(s)_, com _o_ aberto; mas o
+plural _esposos_ dispensa a acentuação por não haver homógrafo a
+diferençar. Escreveremos _pôr_, com acento circunflexo, para o
+diferençar de _por_, preposição; porêm _dispor_, _propor_, _expor_,
+etc., ortografam-se sem acento distintivo; _português_, _cortês_ tem o
+acento circunflexo no _e_ por este pertencer à última sílaba,
+predominante; em _portugueses_, _portuguesa(s)_, _corteses_ omite-se o
+acento por ser desnecessário, visto os vocábulos haverem passado de
+oxítonos a paroxítonos em _-esa(s)_,_-ese(s)_.
+
+Por outra parte, _árvore(s)_ terá acento marcado, por ser esdrúxulo,
+_arvore(s)_; verbo, não o tem por ser paroxítono em _(e)s_.
+
+93. A conjugação de um imperfeito ou condicional de verbo, como
+_louvaria_, _deveria_, _puniria_, _louvava_, _devia_, _punia_, receberá
+acento nas formas esdrúxulas _louvaríamos_, _louvávamos_, _deveríamos_,
+_devíamos_, _puniríamos_, e nas paroxítonas terminadas em ditongo,
+_louváveis_, _louvaríeis_, _devíeis_, _deveríeis_, _puníeis_,
+_puniríeis_; mas _saía_ tê-lo há em todas as pessoas do imperfeito,
+_saía_, _saías_, _saía_, _saíamos_, _saíeis_, _saíam_, porque o _i_ não
+forma ditongo com o _a_ que o precede.
+
+94. Os nomes próprios acentuam-se graficamente como os nomes comuns;
+assim escreveremos _Pôrto_, como _pôrto_, diferençado de _porto_, verbo;
+_Setúbal_, _Pontével_, _Pedrógão_, _António_, _Tomás_, _Tomé_, _Nazaré_,
+_Belêm_, _Águeda_, etc.
+
+É em virtude desta regra que teremos de acentuar a forma verbal _lêmos_,
+para que se diference de _Lemos_, na escrita, como se diferença na
+pronúncia.
+
+95. Os vocábulos compostos cujos elementos são unidos por hífen (-)
+conservam os seus acentos gráficos; ex.: _mãe-d'agua_, _pára-raios_,
+_pesa-papéis_.
+
+O mesmo se observará com os advérbios formados com o sufixo _-mente_,
+dantes independente, como substantivo que era, o que ainda se reconhece
+na locução _de boa mente_; ex.: _sómente_, _cortêsmente_, _rápidamente_,
+_cristãmente_.
+
+96. Nos vocábulos derivados, aumentativos e deminutivos formados com o
+infixo _z_, o acento agudo converte-se em acento grave, para que se
+evitem leituras erróneas; ex.: _má_, _màzinha_, _màzona_; _avó_,
+_avòzinha_.
+
+
+97. Na escrita comum parte desta acentuação rigorosa e sistemática
+poderá, em algumas das suas minúcias, ser dispensada; não porêm em
+livros didácticos, como gramáticas, dicionários, compêndios de qualquer
+natureza que sejam, nos quais por todas as razões, mas principalmente
+para que se não difundam e propaguem erros na pronúncia, convêm que seja
+fielmente aplicada; podendo mesmo ser ampliada com a marcação, mediante
+o acento circunflexo, de todos os _ee_ e _oo_ fechados tónicos. Em
+qualquer caso, todavia, cumpre que outros sistemas arbitrários não
+substituam esta acentuação gráfica, metódica e harmónica, prejudicando-a
+na sua coerência e regularidade, a qual se baseia no exame escrupuloso
+dos factos.
+
+
+ * * * * *
+
+
+A Comissão termina esta exposição expressando o voto de que, se merecer
+aprovação o sistema proposto, êle se propague por meio de cartilhas e
+gramáticas, que minuciosamente o exemplifiquem, independentemente do
+VOCABULÁRIO.
+
+
+Direcção Geral da Instrução Secundária, Superior e Especial, 23 de
+Agosto de 1911.--_Francisco Adolfo Coelho_, Presidente.--_José Leite de
+Vasconcelos_, Vogal.--_Cândido de Figueiredo_, Vogal.--_Manuel Borges
+Grainha_, Vogal.--_Aniceto dos Reis Gonçalves Viana_, Relator.--_José
+Joaquim Nunes_, Secretário.
+
+
+ (Diário do Govêrno n.^o 213, de 12 de Setembro de 1911).
+
+
+
+
+Lista de erros corrigidos
+
+
+Aqui encontram-se listados todos os erros encontrados e corrigidos:
+
+
+ +----------+---------------------+----------------------+
+ | | Original | Correcção |
+ +----------+---------------------+----------------------+
+ |#pág. 31| _dessas(s)_ | _dessa(s)_ |
+ |#pág. 41| síbala | sílaba |
+ |#pág. 43| _falar_ | _falaz_ |
+ |#pág. 46| _(as)_ | _a(s)_ |
+ |#pág. 46| _joia_ | _jóia_ |
+ +----------+---------------------+----------------------+
+
+
+
+
+
+End of the Project Gutenberg EBook of Bases para a unificação da ortografia
+que deve ser adoptada nas escolas e publicações oficiais, by Anonymous
+
+*** END OF THIS PROJECT GUTENBERG EBOOK BASES PARA A UNIFICACAO ***
+
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+Gutenberg-tm electronic works if you follow the terms of this agreement
+and help preserve free future access to Project Gutenberg-tm electronic
+works. See paragraph 1.E below.
+
+1.C. The Project Gutenberg Literary Archive Foundation ("the Foundation"
+or PGLAF), owns a compilation copyright in the collection of Project
+Gutenberg-tm electronic works. Nearly all the individual works in the
+collection are in the public domain in the United States. If an
+individual work is in the public domain in the United States and you are
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+Project Gutenberg-tm is synonymous with the free distribution of
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+including obsolete, old, middle-aged and new computers. It exists
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+Gutenberg Literary Archive Foundation was created to provide a secure
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+To learn more about the Project Gutenberg Literary Archive Foundation
+and how your efforts and donations can help, see Sections 3 and 4
+and the Foundation web page at https://www.pglaf.org.
+
+
+Section 3. Information about the Project Gutenberg Literary Archive
+Foundation
+
+The Project Gutenberg Literary Archive Foundation is a non profit
+501(c)(3) educational corporation organized under the laws of the
+state of Mississippi and granted tax exempt status by the Internal
+Revenue Service. The Foundation's EIN or federal tax identification
+number is 64-6221541. Its 501(c)(3) letter is posted at
+https://pglaf.org/fundraising. Contributions to the Project Gutenberg
+Literary Archive Foundation are tax deductible to the full extent
+permitted by U.S. federal laws and your state's laws.
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+ways including including checks, online payments and credit card
+donations. To donate, please visit: https://pglaf.org/donate
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+Section 5. General Information About Project Gutenberg-tm electronic
+works.
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+The Project Gutenberg EBook of Bases para a unificação da ortografia que
+deve ser adoptada nas escolas e publicações oficiais, by Anonymous
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+This eBook is for the use of anyone anywhere at no cost and with
+almost no restrictions whatsoever. You may copy it, give it away or
+re-use it under the terms of the Project Gutenberg License included
+with this eBook or online at www.gutenberg.org
+
+
+Title: Bases para a unificação da ortografia que deve ser adoptada nas escolas e publicações oficiais
+
+Author: Anonymous
+
+Release Date: March 20, 2009 [EBook #28364]
+
+Language: Portuguese
+
+Character set encoding: ISO-8859-1
+
+*** START OF THIS PROJECT GUTENBERG EBOOK BASES PARA A UNIFICACAO ***
+
+
+
+
+Produced by Rita Farinha and the Online Distributed
+Proofreading Team at https://www.pgdp.net (This file was
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+Library of Portugal (Biblioteca Nacional de Portugal).)
+
+
+
+
+
+
+</pre>
+
+
+<div>
+<div>
+<div class="fbox"> <b>Nota de editor:</b>
+Devido &agrave;
+exist&ecirc;ncia de erros tipogr&aacute;ficos neste texto,
+foram tomadas v&aacute;rias decis&otilde;es quanto &agrave;
+vers&atilde;o final. Em caso de d&uacute;vida, a grafia foi
+mantida de acordo com o original. No final deste livro
+encontrar&aacute; a lista de erros corrigidos.<br />
+
+<br />
+
+<div style="text-align: right; font-style: italic;">Rita
+Farinha (Mar. 2009)
+</div>
+
+</div>
+
+<br />
+
+<br />
+
+<br />
+
+<br />
+
+<h5>MINIST&Eacute;RIO DO INTERIOR<br />
+
+<span class="smallcaps">direc&ccedil;&atilde;ogeral
+de instruc&ccedil;&atilde;o secund&aacute;ria,
+superior e especial
+</span><br />
+
+1.&ordf; REPARTI&Ccedil;&Atilde;O</h5>
+
+<div class="sbreak">
+<hr /></div>
+
+<h2>BASES<br />
+
+PARA A<br />
+
+UNIFICA&Ccedil;&Atilde;O DA ORTOGRAFIA</h2>
+
+<h5>QUE DEVE SER ADOPTADA NAS</h5>
+
+<h4>ESCOLAS E PUBLICA&Ccedil;&Otilde;ES OFICIAIS</h4>
+
+<br />
+
+<div class="sbreak">
+<hr /></div>
+
+<br />
+
+<h3>RELAT&Oacute;RIO DA COMISS&Atilde;O</h3>
+
+<h4>NOMEADA POR<br />
+
+PORTARIA DE 15 DE FEVEREIRO DE 1911<br />
+
+NOVAMENTE REVISTO PELO RELATOR</h4>
+
+<br />
+
+<div style="text-align: center;"><img style="width: 150px; height: 111px;" alt="" src="images/fig01.png" /><br />
+
+</div>
+
+<h4>LISBOA<br />
+
+IMPRENSA NACIONAL<br />
+
+1911</h4>
+
+<br />
+
+<br />
+
+<br />
+
+<div class="bbox">
+<br />
+
+<h5>MINIST&Eacute;RIO DO INTERIOR<br />
+
+<span class="smallcaps">direc&ccedil;&atilde;o
+geral de instruc&ccedil;&atilde;o secund&aacute;ria,
+superior e especial
+</span><br />
+
+1.&ordf; REPARTI&Ccedil;&Atilde;O</h5>
+
+<div class="sbreak">
+<hr /></div>
+
+<h2>BASES<br />
+
+PARA A<br />
+
+UNIFICA&Ccedil;&Atilde;O DA ORTOGRAFIA</h2>
+
+<h5>QUE DEVE SER ADOPTADA NAS</h5>
+
+<h4>ESCOLAS E PUBLICA&Ccedil;&Otilde;ES OFICIAIS</h4>
+
+<br />
+
+<div class="sbreak">
+<hr /></div>
+
+<br />
+
+<h3>RELAT&Oacute;RIO DA COMISS&Atilde;O</h3>
+
+<h4>NOMEADA POR<br />
+
+PORTARIA DE 15 DE FEVEREIRO DE 1911<br />
+
+NOVAMENTE REVISTO PELO RELATOR</h4>
+
+<br />
+
+<div class="sbreak">
+<hr /></div>
+
+<div style="text-align: center; font-weight: bold;">PRE&Ccedil;O
+50 R&Eacute;IS</div>
+
+<div class="sbreak">
+<hr /></div>
+
+<br />
+
+<br />
+
+<div style="text-align: center;"><img style="width: 150px; height: 111px;" alt="" src="images/fig01.png" /><br />
+
+</div>
+
+<h4>LISBOA<br />
+
+IMPRENSA NACIONAL<br />
+
+1911</h4>
+
+<br />
+
+</div>
+
+<br />
+
+<br />
+
+<br />
+
+<br />
+
+Imprensa Nacional de Lisboa&#8213;Gabinete da Revis&atilde;o.&#8213;Ex.<sup>mo</sup>
+Sr.&#8213;Julgo do meu dever chamar a aten&ccedil;&atilde;o de V.
+Ex.<sup>a</sup> para o que passo a expor. <br />
+
+<br />
+
+As publica&ccedil;&otilde;es sa&iacute;das da Imprensa
+Nacional, quer oficiais, quer de particulares, apresentam grafias
+diferentes, umas discut&iacute;veis, outras por&ecirc;m
+grosseiras e
+vergonhosas. O pr&oacute;prio <em>Di&aacute;rio do
+Gov&ecirc;rno</em>, que deveria ter ortografia uniforme,
+emprega diversas, conforme o capricho de quem envia os originais,
+geralmente pessoas indoutas. <br />
+
+<br />
+
+Tais variedades de grafias trazem para a Imprensa n&atilde;o
+s&oacute; descr&eacute;dito mas tamb&ecirc;m
+preju&iacute;zos pecuni&aacute;rios, porquanto a
+composi&ccedil;&atilde;o de todos os diplomas
+sa&iacute;dos no
+<em>Di&aacute;rio</em> tem de transitar para outras
+publica&ccedil;&otilde;es
+peri&oacute;dicas, tais como <em>Boletins</em>,
+<em>Ordens</em>,
+<em>Separatas</em>, etc., sofrendo
+ent&atilde;o cada um d&ecirc;sses diplomas mais emendas, ao
+sabor de quem tem de lhes fazer nova revis&atilde;o. <br />
+
+<br />
+
+Tantas emendas, al&ecirc;m de estabelecerem confus&atilde;o no
+espirito do compositor, avolumam de uma maneira assombrosa a despesa da
+composi&ccedil;&atilde;o, e impedem a rapidez na
+impress&atilde;o pelo muito tempo que se perde a fazer
+altera&ccedil;&otilde;es.
+<br />
+
+<br />
+
+Com esta anarquia ortogr&aacute;fica os compositores hesitam e
+cometem novos erros, e aos revisores se torna tamb&ecirc;m
+imposs&iacute;vel fixar, para cada obra, as diverg&ecirc;ncias
+de tanta grafia. <br />
+
+<br />
+
+Urge, portanto, acabar com &ecirc;ste estado de cousas.
+F&aacute;cil me parece o rem&eacute;dio. Se cada qual se tem
+julgado
+at&eacute; aqui com direito a impor a sua maneira de escrever,
+porque raz&atilde;o o Gov&ecirc;rno da Rep&uacute;blica
+n&atilde;o ha de impor tamb&ecirc;m a sua, e no que
+&eacute; seu? <br />
+
+<br />
+
+Sujeite, pois, o Gov&ecirc;rno a uma &uacute;nica ortografia
+todas as publica&ccedil;&otilde;es oficiais ou por
+&ecirc;le
+subsidiadas.
+<br />
+
+<br />
+
+<span class="pagenum">[4]</span>
+E qual dever&aacute; ser essa ortografia? <br />
+
+<br />
+
+Em meu entender dever&aacute; adoptar-se a que no seu livro <span class="smallcaps">A Ortografia Nacional</span>
+preconiza a
+maior autoridade no assunto, o dout&iacute;ssimo
+fil&oacute;logo
+Gon&ccedil;alves Viana. Essa obra tem o aplauso de todos os que
+modernamente se tem dedicado ao estudo profundo da sci&ecirc;ncia
+da linguagem; e a ortografia simplificada defendida naquele livro
+&eacute;
+j&aacute; seguida por grande n&uacute;mero de professores e
+escritores de valor, e adoptada em muitos livros escolares, revistas,
+etc. <br />
+
+<br />
+
+Desnecess&aacute;rio se torna, pois, encarecer as vantagens da
+adop&ccedil;&atilde;o de um &uacute;nico sistema
+ortogr&aacute;fico a quem, como V. Ex.<sup>a</sup>, de
+sobejo as conhece e
+aprecia. Pelo lado
+econ&oacute;mico tem a Imprensa muito a ganhar. Tampouco
+&eacute; para desprezar o louvor que a V. Ex.<sup>a</sup>
+caber&aacute;
+por contribuir, com a adop&ccedil;&atilde;o da ortografia
+simplificada, para a
+maior facilidade no ensino da leitura da nossa bela l&iacute;ngua. <br />
+
+<br />
+
+Expondo, embora imperfeitamente, a minha opini&atilde;o
+ac&ecirc;rca do que julgo ser melhoramento de um dos
+servi&ccedil;os da Imprensa, confio em que V. Ex.<sup>a</sup>
+se
+dignar&aacute; tomar na devida considera&ccedil;&atilde;o o
+alvitre que neste oficio ouso
+apresentar a V. Ex.<sup>a</sup>.<br />
+
+<br />
+
+Lisboa, 17 do Dezembro de 1910.&#8213;Ex.<sup>mo</sup> Sr.
+Lu&iacute;s Carlos
+Guedes Derouet, Dign&iacute;ssimo Administrador Geral da Imprensa
+Nacional.&#8213;<em>Jos&eacute;
+Ant&oacute;nio Dias Coelho</em>, chefe do servi&ccedil;o
+da revis&atilde;o. <br />
+
+<br />
+
+<br />
+
+<div class="sbreak">
+<hr /></div>
+
+<br />
+
+<br />
+
+Imprensa Nacional de Lisboa&#8213;Administra&ccedil;&atilde;o
+Geral&#8213;n.&ordm; 238.&#8213;Tenho a honra de levar ao conhecimento de V.
+Ex.<sup>a</sup> o oficio que recebi do chefe do
+servi&ccedil;o da
+revis&atilde;o, relativamente &agrave; necessidade de se
+adoptar uma ortografia uniforme nos trabalhos desta Imprensa e
+principalmente no <em>Di&aacute;rio ao
+Gov&ecirc;rno</em>. <br />
+
+<br />
+
+Estou perfeitamente de ac&ocirc;rdo com as
+considera&ccedil;&otilde;es que faz o aludido
+funcion&aacute;rio, pois que n&atilde;o pode nem
+deve continuar a anarquia que presentemente existe. Embora o problema
+ortogr&aacute;fico n&atilde;o se resolva por
+completo de momento, pelo menos que nos trabalhos oficiais se mantenha
+a uniformidade. <br />
+
+<br />
+
+Chamo para o facto a devida aten&ccedil;&atilde;o de V. Ex.<sup>a</sup>,
+certo de que o assunto lhe merecer&aacute; toda a solicitude. <br />
+
+<br />
+
+Sa&uacute;de e Fraternidade. <br />
+
+<br />
+
+Lisboa, 14 de Janeiro de 1911.&#8213;Ex.<sup>mo</sup> Sr.
+Director Geral da
+Instru&ccedil;&atilde;o Secund&aacute;ria,
+Superior e Especial.&#8213;O Administrador Geral, <em>Lu&iacute;s
+Derouet</em>.<br />
+
+<br />
+
+<br />
+
+<span class="pagenum">[5]</span>
+<div class="sbreak">
+<hr /></div>
+
+<br />
+
+<br />
+
+Minist&eacute;rio do Interior&#8213;Direc&ccedil;&atilde;o Geral
+da Instru&ccedil;&atilde;o Secund&aacute;ria, Superior e
+Especial.&#8213;1.&ordf;
+Reparti&ccedil;&atilde;o.&#8213;O Gov&ecirc;rno
+Provis&oacute;rio da Rep&uacute;blica Portuguesa, atendendo ao
+que lhe foi representado pelo Administrador Geral da Imprensa Nacional,
+no sentido de serem tomadas provid&ecirc;ncias tendentes a
+uniformizar a ortografia oficial, por forma a evitar que nas
+publica&ccedil;&otilde;es emanadas daquele
+estabelecimento do Estado continuem a adoptar-se, paralelamente, as
+mais desencontradas formas ortogr&aacute;ficas; <br />
+
+<br />
+
+Conformando-se com o parecer da sec&ccedil;&atilde;o permanente
+do Conselho Superior de Instru&ccedil;&atilde;o
+P&uacute;blica: <br />
+
+<br />
+
+Manda, pelo Ministro do Interior, que seja nomeada uma
+comiss&atilde;o, composta de D. Carolina Micha&euml;lis de
+Vasconcelos, Aniceto dos Reis Gon&ccedil;alves V&iacute;ana,
+Ant&oacute;nio
+C&acirc;ndido de Figueiredo, Francisco Adolfo Coelho e
+Jos&eacute; Leite de Vasconcelos, encarregada de fixar as bases da
+ortografia que deve ser adoptada nas escolas e nos documentos e
+publica&ccedil;&otilde;es oficiais, e bem assim de organizar
+uma lista ou vocabul&aacute;rio das palavras que possam oferecer
+qualquer dificuldade quanto &agrave; maneira como devem ser
+escritas. <br />
+
+<br />
+
+Pa&ccedil;os do Gov&ecirc;rno da Rep&uacute;blica, em 15 de
+Fevereiro de 1911.&#8213;O Ministro do Interior, <em>Ant&oacute;nio
+Jos&eacute; de Almeida</em>.<br />
+
+<br />
+
+<div class="poetry tinys">(<em>Di&aacute;rio do
+Gov&ecirc;rno</em> n.&ordm; 39, de 17 de
+Fevereiro de 1911).</div>
+
+<br />
+
+<br />
+
+<div class="sbreak">
+<hr /></div>
+
+<br />
+
+<br />
+
+Minist&eacute;rio do Interior&#8213;Direc&ccedil;&atilde;o Geral
+da Instru&ccedil;&atilde;o Secund&aacute;ria, Superior e
+Especial&#8213;1.&ordf;
+Reparti&ccedil;&atilde;o.&#8213;Manda o Gov&ecirc;rno
+Provis&oacute;rio da Rep&uacute;blica
+Portuguesa, pelo Ministro do Interior, que &agrave;
+comiss&atilde;o encarregada de
+uniformizar a ortografia oficial, nomeada por portaria de 15 de
+Fevereiro &uacute;ltimo, sejam agregados os seguintes vogais: Dr.
+Ant&oacute;nio Jos&eacute; Gon&ccedil;alves
+Guimar&atilde;es, Dr. Ant&oacute;nio Garcia Ribeiro de
+Vasconcelos, Augusto Epif&acirc;nio da Silva Dias, J&uacute;lio
+Moreira, Jos&eacute; Joaquim Nunes e Manuel Borges
+Grainha. <br />
+
+<br />
+
+Pa&ccedil;os do Gov&ecirc;rno da Rep&uacute;blica, em 16 de
+Mar&ccedil;o de 1911.&#8213;O Ministro do Interior, <em>Ant&oacute;nio
+Jos&eacute; de Almeida</em>. <br />
+
+<br />
+
+<div class="poetry tinys">(<em>Di&aacute;rio do
+Gov&ecirc;rno</em> n.&ordm; 64, do 20 de Mar&ccedil;o
+de 1911).</div>
+
+<br />
+
+<br />
+
+<div class="sbreak">
+<hr /></div>
+
+<br />
+
+<br />
+
+Mist&eacute;rio do Interior&#8213;Direc&ccedil;&atilde;o Geral
+da Instru&ccedil;&atilde;o Secund&aacute;ria, Superior e
+Especial&#8213;1.&ordf;
+Reparti&ccedil;&atilde;o.&#8213;Conformando-se com o parecer da
+comiss&atilde;o encarregada, por portaria de 15 de Fevereiro de
+1911, de estabelecer as bases
+<span class="pagenum">[6]</span>
+para a unifica&ccedil;&atilde;o da ortografia que deve ser
+adoptada nas escolas e nos documentos e
+publica&ccedil;&otilde;es oficiais: <br />
+
+<br />
+
+Manda o Gov&ecirc;rno da Rep&uacute;blica Portuguesa, pelo
+Ministro do Interior: <br />
+
+<br />
+
+1.&ordm; Que o relat&oacute;rio da referida comiss&atilde;o
+seja
+publicado no <em>Di&aacute;rio do
+Gov&ecirc;rno</em>, devendo ser para o futuro adoptada em
+todas as escolas, e bem assim nos documentos e
+publica&ccedil;&otilde;es oficiais, a ortografia proposta pela
+comiss&atilde;o; <br />
+
+<br />
+
+2.&ordm; Que se d&ecirc; a toler&acirc;ncia
+m&aacute;xima de
+tr&ecirc;s anos, a contar da data da
+publica&ccedil;&atilde;o da presente portaria, para
+a conserva&ccedil;&atilde;o das grafias existentes nos livros
+did&aacute;cticos actualmente em uso, a fim de n&atilde;o
+prejudicar os respectivos autores ou editores; <br />
+
+<br />
+
+3.&ordm; Que se promova a r&aacute;pida
+organiza&ccedil;&atilde;o e publica&ccedil;&atilde;o,
+pelo pre&ccedil;o mais m&oacute;dico poss&iacute;vel, de um
+vocabul&aacute;rio ortogr&aacute;fico e de uma cartilha,
+especialmente destinada a vulgarizar e exemplificar o sistema de
+ortografia adoptado; <br />
+
+<br />
+
+4.&ordm; Que a comiss&atilde;o nomeada por portaria de 15 de
+Fevereiro
+de 1911 continue em exerc&iacute;cio pelo tempo que se julgar
+conveniente, a fim de ser ouvida sobre quaisquer d&uacute;vidas que
+se suscitem relativamente &agrave;
+execu&ccedil;&atilde;o da reforma proposta, podendo a referida
+comiss&atilde;o
+re&ugrave;nir-se por iniciativa pr&oacute;pria, ou convocada
+pela
+Direc&ccedil;&atilde;o Geral da Instru&ccedil;&atilde;o
+Secund&aacute;ria, Superior e
+Especial, por interm&eacute;dio da qual ser&atilde;o feitas
+quaisquer
+reclama&ccedil;&otilde;es s&ocirc;bre o assunto. <br />
+
+<br />
+
+Pa&ccedil;os do Gov&ecirc;rno da Rep&uacute;blica, em 1 de
+Setembro de 1911.&#8213;O Ministro do Interior, <em>Ant&oacute;nio
+Jos&eacute; de Almeida</em>. <br />
+
+<br />
+
+<div class="poetry tinys">(<em>Di&aacute;rio do
+Gov&ecirc;rno</em> n.&ordm; 206, de 4 de Setembro de
+1911).</div>
+
+<br />
+
+<br />
+
+<br />
+
+<br />
+
+<br />
+
+<div class="signature">Ex.<sup>mo</sup> Sr. <span class="smallcaps">Ministro do Interior</span>:
+</div>
+
+<br />
+
+<br />
+
+A Comiss&atilde;o, nomeada por portaria de 15 de Fevereiro do
+corrente ano para fixar as bases da ortografia que deve ser adoptada
+nas escolas e nos documentos oficiais e outras
+publica&ccedil;&otilde;es feitas por conta do Estado,
+vem hoje apresentar a V. Ex.<sup>a</sup> os resultados do
+estudo a que procedeu,
+bem como as decis&otilde;es que, por grande maioria ou por
+unanimidade de votos dos indiv&iacute;duos que a
+comp&otilde;em, entendeu ser oportuno propor, tomando por elementos
+principais dessas decis&otilde;es a hist&oacute;ria da
+l&iacute;ngua portuguesa, e a da sua escrita tradicional
+at&eacute; &eacute;poca muito
+recente. <br />
+
+<br />
+
+Logo na sess&atilde;o inaugural, celebrada em 15 de
+Mar&ccedil;o &uacute;ltimo, julgou a Comiss&atilde;o que
+seria vantajoso
+para a absoluta independ&ecirc;ncia e imparcialidade das suas
+resolu&ccedil;&otilde;es, como corpo consultivo, propor a
+agrega&ccedil;&atilde;o de mais
+alguns conhecidos fil&oacute;logos portugueses; e essa
+conveni&ecirc;ncia reconheceu-a V. Ex.<sup>a</sup>
+nomeando, por portaria de
+16 do referido m&ecirc;s, al&ecirc;m dos indiv&iacute;duos
+j&aacute;
+anteriormente nomeados, mais seis; ficando a Comiss&atilde;o
+composta de onze pessoas, uma das quais, por&ecirc;m, o Professor
+Augusto
+Epif&acirc;nio da Silva Dias, se escusou, declinando o encargo.
+Ficou assim a Comiss&atilde;o constitu&iacute;da por dez
+membros, e, em raz&atilde;o de ser par &ecirc;ste
+n&uacute;mero, teve o
+presidente eleito por ela de resolver com voto de desempate algumas
+quest&otilde;es de secund&aacute;ria import&acirc;ncia, em
+que divergiram as
+opini&otilde;es, expressas depois de discuss&atilde;o por
+vota&ccedil;&otilde;es diferentes, equivalentes em
+n&uacute;mero. <br />
+
+<br />
+
+Quatro dos membros da Comiss&atilde;o, isto &eacute;, a Sr.<sup>a</sup>
+D. Carolina
+<span class="pagenum">[8]</span>
+Micha&euml;lis de Vasconcelos, que a Comiss&atilde;o
+elegeu Presidente honor&aacute;ria, os Drs. Ant&oacute;nio
+Jos&eacute; Gon&ccedil;alves Guimar&atilde;es e
+Ant&oacute;nio Garcia Ribeiro de
+Vasconcelos, e o Professor J&uacute;lio Moreira, n&atilde;o
+puderam comparecer
+&agrave;s sess&otilde;es semanais, em raz&atilde;o de
+residirem longe de Lisboa, localidade em que a Comiss&atilde;o se
+reuniu: foram
+por&ecirc;m sempre consultados em todas as quest&otilde;es em
+que
+n&atilde;o houve unanimidade de votos por parte dos
+indiv&iacute;duos presentes; havendo sido os votos d&ecirc;sses
+ausentes tomados em
+considera&ccedil;&atilde;o, e dando-se-lhes oportuno
+conhecimento das
+resolu&ccedil;&otilde;es adoptadas pelos membros presentes
+&agrave;s sess&otilde;es, que n&atilde;o foram mais
+amiudadas, porque outras
+fun&ccedil;&otilde;es oficiais dos membros da
+Comiss&atilde;o o n&atilde;o permitiram, e assim
+se explica a relativa morosidade dos seus trabalhos. <br />
+
+<br />
+
+Logo nas duas primeiras sess&otilde;es foi un&acirc;nime o
+parecer de, seguindo-se uma tend&ecirc;ncia j&aacute;
+manifestada no
+esp&iacute;rito p&uacute;blico, se simplificarem as grafias
+correntes, entre si contradit&oacute;rias, regularizando-as em
+obedi&ecirc;ncia ao
+princ&iacute;pio capital de simplifica&ccedil;&atilde;o.
+Por proposta,
+un&acirc;nimemente aprovada, do Presidente adoptou-se para base da
+discuss&atilde;o o Question&aacute;rio ortogr&aacute;fico
+em tempos apresentado
+por um dos seus membros &agrave; Academia das Sci&ecirc;ncias
+de
+Lisboa, e pela mesma Academia mandado imprimir na sua tipografia, em
+1902, com as respostas do autor d&ecirc;sse
+Question&aacute;rio, em um volume de 183 p&aacute;ginas, cujo
+t&iacute;tulo &eacute; <span class="smallcaps">As
+Ortografias
+Portuguesas</span>. Esta obra foi ao depois reeditada pelo
+referido autor em outro volume, acrescentada e com maior
+c&oacute;pia de abona&ccedil;&otilde;es e
+diferente economia de texto, volume que &eacute; do conhecimento do
+p&uacute;blico
+e se intitula <span class="smallcaps">Ortografia Nacional</span>.
+Teve
+a Comiss&atilde;o igualmente em aten&ccedil;&atilde;o o
+<span class="smallcaps">Vocabul&aacute;rio
+Ortogr&aacute;fico e
+Orto&eacute;pico da L&iacute;ngua Portuguesa</span>,
+ainda do mesmo
+autor, impresso em Lisboa no ano passado, e no qual o sistema
+ortogr&aacute;fico d&ecirc;sse autor se encontra larga e
+minuciosamente exemplificado. Pode &ecirc;le, com efeito, ser desde
+j&aacute;
+utilizado, emquanto outro se n&atilde;o publique, em que as
+pequenas
+altera&ccedil;&otilde;es, que sofreram os princ&iacute;pios
+em que se baseou, sejam inclu&iacute;das e atendidas de
+prefer&ecirc;ncia na
+seq&ugrave;&ecirc;ncia alfab&eacute;tica dos
+voc&aacute;bulos. <br />
+
+<br />
+
+Poucas e de pequena import&acirc;ncia relativa foram as
+modifica&ccedil;&otilde;es que a Comiss&atilde;o entendeu
+conveniente que se fizessem no sistema ortogr&aacute;fico ali
+proposto e seguido, e essas foram adoptadas para que &ecirc;le
+ficasse mais em harmonia com modos de escrever que, conquanto menos
+conseq&ugrave;entes, se tornaram j&aacute;, a bem dizer,
+habituais; e tais
+<span class="pagenum">[9]</span>
+modifica&ccedil;&otilde;es em preceitos, que o autor daquelas
+obras defendera com raz&otilde;es hist&oacute;ricas cuja valia
+a
+Comiss&atilde;o reconheceu, tiveram por causa o considerar a
+Comiss&atilde;o que alguns d&ecirc;les eram em demasia
+prematuros, e um ou outro j&aacute; extempor&acirc;neo, em
+virtude de usos
+ortogr&aacute;ficos radicados e que se n&atilde;o devem
+considerar absolutamente como erros scient&iacute;ficos. <br />
+
+<br />
+
+Teve pois a Comiss&atilde;o em aten&ccedil;&atilde;o que a
+estranheza, que poderiam ocasionar no p&uacute;blico certas
+innova&ccedil;&otilde;es ou renova&ccedil;&otilde;es
+gr&aacute;ficas, n&atilde;o viesse prejudicar a
+aceita&ccedil;&atilde;o dos demais preceitos, que
+parecer&atilde;o a todos exeq&ugrave;iveis. <br />
+
+<br />
+
+O autor, membro da Comiss&atilde;o, concordou com todas essas
+modifica&ccedil;&otilde;es, e votou com a maioria da
+Comiss&atilde;o em todas elas. &Agrave; primeira
+esp&eacute;cie pertencem a
+manuten&ccedil;&atilde;o do <em>h</em> inicial, de
+<em>ge</em>,
+<em>gi</em>, mediais de voc&aacute;bulos,
+em concorr&ecirc;ncia com <em>je</em>,
+<em>ji</em>, e todos os valores actuais dados
+&agrave; letra <em>x</em>, que o mesmo autor reduzira
+a dois
+&uacute;nicos, o inicial, como em <em>xadrez</em>, e o
+do prefixo
+<em>ex-</em> valendo por
+<em>eis</em> ou
+<em>is</em>, como em <em>expor</em>,
+<em>ex&eacute;rcito</em>, etc. Os
+preceitos da segunda esp&eacute;cie, que, se bem que perfeitamente
+motivados nas propostas do autor do Question&aacute;rio, a
+Comiss&atilde;o julgou
+j&aacute; de h&aacute; muito fora do uso comum, s&atilde;o
+principalmente o
+empr&ecirc;go de <em>&ccedil;</em> inicial, e o do
+<em>z</em> final, com o valor actual de
+<em>s</em>, em s&iacute;laba &aacute;tona, que
+sobretudo figura na
+&uacute;ltima s&iacute;laba de muitos nomes
+patron&iacute;micos, como
+<em>Gon&ccedil;&aacute;lvez</em>,
+<em>N&uacute;nez</em>, que presentemente se escrevem
+<em>Gon&ccedil;alves</em>,
+<em>Nunes</em>, com
+<em>-es</em>, em oposi&ccedil;&atilde;o
+&agrave; sua etimologia, a
+desin&ecirc;ncia latina <em>ici</em>, de genetivo.
+Esses nomes e voc&aacute;bulos, como
+<em>ourives</em>,
+<em>simples</em>, <em>mesquinho</em>,
+continuar&atilde;o
+pois a escrever-se com <em>s</em> final de
+s&iacute;laba, na ortografia comum. <br />
+
+<br />
+
+Entendeu tamb&ecirc;m a Comiss&atilde;o que seria inoportuno
+suprimir o <em>s</em> inicial do grupo
+<em>sce</em>,
+<em>sci</em>, que figura
+etimol&oacute;gicamente em algumas palavras, tais como
+<em>sci&ecirc;ncia</em>,
+<em>scetro</em>, <em>sc&eacute;ptico</em>,
+<em>scelerado</em>,
+<em>scena</em>,
+<em>scis&atilde;o</em>,
+<em>scisma</em> e seus derivados e afins, principalmente,
+com rela&ccedil;&atilde;o ao primeiro
+d&ecirc;stes voc&aacute;bulos, porque no sul de Portugal se
+profere
+&ecirc;sse <em>s</em> separado do <em>c</em>,
+em formas compostas,
+como <em>presci&ecirc;ncia</em>, <em>consci&ecirc;ncia</em>,
+<em>insci&ecirc;ncia</em>,
+<em>c&ocirc;nscio</em>, etc. Comparem-se
+tamb&ecirc;m <em>en(s)cena&ccedil;&atilde;o</em>,
+e <em>prosc&eacute;nio</em>, com
+<em>s</em> proferido &ecirc;ste
+&uacute;ltimo. <br />
+
+<br />
+
+&iquest;Quais s&atilde;o as bases da ortografia portuguesa que
+a Comiss&atilde;o prop&otilde;e? <br />
+
+<br />
+
+Havia, logo desde o in&iacute;cio dos trabalhos, dois sistemas a
+que se atendesse, um d&ecirc;les a ortografia francesa, que, mais
+ou menos coerentemente se tem h&aacute; certo tempo imitado em
+Portugal; o outro, as ortografias espanhola e italiana,
+<span class="pagenum">[10]</span>
+muito mais simples, racionais, l&oacute;gicas e
+f&aacute;ceis de aprender, muito mais conformes com a
+evolu&ccedil;&atilde;o
+natural e mesmo liter&aacute;ria d&ecirc;sses idiomas, em
+muitos pontos
+an&aacute;loga &agrave; do portugu&ecirc;s. O que
+radicalmente
+diferen&ccedil;a a ortografia d&ecirc;sses dois idiomas
+oficiais, e bem assim as de outros cong&eacute;neres entre si, com
+&ecirc;les e com o
+nosso, falados quer em Espanha, quer em It&aacute;lia, &eacute;
+a
+modifica&ccedil;&atilde;o da ortografia latina dos
+in&uacute;meros voc&aacute;bulos gregos
+romanizados, para outras mais conformes com o valor das letras de tais
+voc&aacute;bulos nessas l&iacute;nguas modernas. <br />
+
+<br />
+
+Facilitando o ensino da leitura e da escrita, a Comiss&atilde;o
+julgou que j&aacute; era tempo de se desterrarem por uma vez da
+escrita portuguesa, como h&aacute; muito o est&atilde;o
+da espanhola e da italiana, para n&atilde;o mencionar as de outros
+idiomas mais desviados do latim, os s&iacute;mbolos
+<em>ph</em>,
+<em>th</em>,
+<em>rh</em>, e <em>y</em>, por
+<em>f</em>,
+<em>t</em>,
+<em>r</em>,
+<em>i</em>, e o
+<em>ch</em> com o valor de
+<em>k</em>, o qual ficar&aacute; substitu&iacute;do
+por <em>qu</em> antes
+de <em>e</em>,
+<em>i</em>, e por
+<em>c</em> em qualquer outra
+situa&ccedil;&atilde;o, como se f&ecirc;z em castelhano.
+Com esta simplifica&ccedil;&atilde;o muito ganhar&aacute; a
+l&iacute;ngua escrita e o seu
+aprendizado e exerc&iacute;cio, pois mais se aproximar&aacute;
+da realidade
+dos factos constantes da sua pron&uacute;ncia, que aqueles
+estranhos s&iacute;mbolos disfar&ccedil;am, e ao mesmo passo se
+acercar&aacute; das ortografias espanhola e italiana, consideradas
+universalmente, e por todos os fil&oacute;logos, como das mais
+perfeitas entre as que adoptaram o abeced&aacute;rio romano, e o
+apropriaram &agrave;s conveni&ecirc;ncias nacionais. Com
+efeito, pode afoutamente dizer-se que a ortografia francesa e as
+actuais portuguesas que a imitam s&atilde;o escrita de eruditos e
+para eruditos, ou que presumem s&ecirc;-lo; as ortografias italiana
+e espanhola s&atilde;o escrita para todos os indiv&iacute;duos
+que nessas na&ccedil;&otilde;es sabem ler e escrever. Deseja a
+Comiss&atilde;o que em Portugal aconte&ccedil;a outro tanto, e
+nesse intuito se
+inspirou. <br />
+
+<br />
+
+Outra simplifica&ccedil;&atilde;o igualmente importante, que a
+Comiss&atilde;o sugere como absolutamente necess&aacute;ria,
+consiste na aboli&ccedil;&atilde;o de consoantes dobradas, as
+quais
+ficam reduzidas, como em castelhano, a simples, com
+excep&ccedil;&atilde;o de <em>rr</em>,
+<em>ss</em>,
+<em>mm</em>,
+<em>nn</em> mediais, quando acusem
+diferen&ccedil;a de pronuncia&ccedil;&atilde;o, o que se
+d&aacute;, por exemplo, nos voc&aacute;bulos
+<em>cassa</em>, <em>carro</em>,
+<em>emmalar</em>,
+<em>ennovelar</em>, comparados a
+<em>casa</em>,
+<em>caro</em>,
+<em>emanar</em>, <em>enervar</em>. <br />
+
+<br />
+
+Estas duas simplifica&ccedil;&otilde;es, s&oacute;s por si,
+acabam definitivamente com dois dos maiores trope&ccedil;os com que
+se encontra estorvada a escrita nacional, e que j&aacute; poucos
+defensores conscienciosos, conscientes e autorizados
+lograr&atilde;o
+<span class="pagenum">[11]</span>
+obter. Todos, ou qu&aacute;si todos os que
+l&ecirc;em ou escrevem, aplaudir&atilde;o de certo estas
+simplifica&ccedil;&otilde;es h&aacute; tanto tempo
+desejadas e sugeridas. <br />
+
+<br />
+
+Al&ecirc;m da inutilidade pr&aacute;tica, e mesmo
+te&oacute;rica, que oferece actualmente a
+duplica&ccedil;&atilde;o de consoantes na
+escrita, como <em>cc</em>,
+<em>dd</em>,
+<em>ff</em>,
+<em>gg</em>,
+<em>ll</em>,
+<em>mm</em>,
+<em>nn</em>,
+<em>pp</em>,
+<em>tt</em>, outro est&ocirc;rvo
+apresentam ainda as nossas escritas, relativamente modernas, e consiste
+&ecirc;ste no empr&ecirc;go de
+<em>c</em> ou
+<em>p</em> antes de
+<em>t</em>, formando os grupos <em>ct</em>,
+<em>pt</em>, e ainda
+<em>p&ccedil;</em>,
+<em>c&ccedil;</em>, como em
+<em>producto</em>,
+<em>restricto</em>, <em>corrupto</em>,
+<em>escripto</em>,
+<em>assump&ccedil;&atilde;o</em>,
+<em>func&ccedil;&atilde;o</em>, etc.,
+nos quais tanto o <em>c</em> como o
+<em>p</em> s&atilde;o de todo
+in&uacute;teis para a pronuncia&ccedil;&atilde;o. A
+Comiss&atilde;o preceitua que essas letras escusadas
+desapare&ccedil;am da escrita portuguesa, onde vieram enxertar-se
+por influ&ecirc;ncia estranha. Casos, por&ecirc;m,
+h&aacute;, e muit&iacute;ssimos, em que tais consoantes ou
+s&atilde;o ainda facultativamente proferidas, ou a sua
+influ&ecirc;ncia subsiste no valor das vogais <em>a</em>,
+<em>e</em>,
+<em>o</em> que as precedem, as quais, em vez
+de se obscurecerem, como &eacute; de regra, nas s&iacute;labas
+antet&oacute;nicas, conservam os seus valores, relativamente
+<em>&agrave;</em>,
+<em>&egrave;</em>,
+<em>&ograve;</em>, que tinham quando essas consoantes,
+hoje mudas, se proferiam. D&ecirc;ste modo, a Comiss&atilde;o
+entendeu ser de necessidade
+a conserva&ccedil;&atilde;o delas, quer quando a vogal,
+<em>a</em>,
+<em>e</em> ou <em>o</em> precedente
+&eacute;
+&aacute;tona, quer em voc&aacute;bulos aparentados, quando
+&eacute; t&oacute;nica; por exemplo:
+<em>direc&ccedil;&atilde;o</em>,
+<em>directo</em>,
+<em>ac&ccedil;&atilde;o</em>, <em>activo</em>,
+<em>acto</em>,
+<em>trac&ccedil;&atilde;o</em>,
+<em>tracto</em>,
+<em>excep&ccedil;&atilde;o</em>,
+<em>exceptuar</em>,
+<em>excepto</em>, <em>adop&ccedil;&atilde;o</em>,
+<em>adoptar</em>,
+<em>adopto</em>, comparados estes
+&uacute;ltimos voc&aacute;bulos com <em>op&ccedil;&atilde;o</em>,
+<em>optar</em>,
+<em>opto</em>, em que o
+<em>p</em> se profere. Com esta
+excep&ccedil;&atilde;o aos princ&iacute;pios
+simplificadores que a Comiss&atilde;o observou no sistema
+ortogr&aacute;fico que prop&otilde;e,
+conseguiu n&atilde;o demudar o aspecto de centenas de palavras
+relativamente modernas, mas de uso constante; e com tanto maior
+raz&atilde;o o f&ecirc;z, quanto &eacute; certo que
+em muitas destas palavras as letras <em>c</em> e
+<em>p</em> por muitas pessoas s&atilde;o
+ainda proferidas, tais como
+<em>fac&ccedil;&atilde;o</em>,
+<em>recep&ccedil;&atilde;o</em>,
+<em>espectador</em>, a par de <em>espe(c)taculo</em>,
+etc. Quanto ao
+<em>g</em> que precede
+<em>m</em> ou
+<em>n</em>, ou ainda outras letras, entendeu a
+Comiss&atilde;o dever
+elimin&aacute;-lo nas palavras em que se n&atilde;o profere,
+como
+<em>assinar</em>,
+<em>In&aacute;cio</em>, <em>aumentar</em>,
+<em>Madalena</em>, comparadas com
+<em>designar</em>,
+<em>Agnelo</em>, <em>fragmento</em>, o que
+j&aacute;
+h&aacute; quatro s&eacute;culos Duarte Nunes do Li&atilde;o
+aconselhara; s&oacute; modernamente &ecirc;le
+a&iacute; foi introduzido, quando se implantaram artificialmente
+entre n&oacute;s ortografias servil e inconseq&ugrave;entemente
+etimol&oacute;gicas,
+qu&aacute;si todas por influ&ecirc;ncia da escrita francesa.
+Outro tanto acontece com <em>damno</em>,
+<em>solemne</em>, que se
+escrever&atilde;o, como dantes, <em>dano</em>,
+<em>solene</em>.
+<br />
+
+<br />
+
+<span class="pagenum">[12]</span>
+Efectivamente, se na leitura de livros estrangeiros houvesse
+predominado em Portugal a de italianos ou espanh&oacute;is, nunca
+tais complica&ccedil;&otilde;es ortogr&aacute;ficas
+se haveriam enraizado na escrita liter&aacute;ria do idioma
+p&aacute;trio,
+av&ecirc;sso a tais arrebiques, e ao qual &eacute; de toda a
+conveni&ecirc;ncia restituir a simplicidade e coer&ecirc;ncia
+da antiga escrita. <br />
+
+<br />
+
+Outra fei&ccedil;&atilde;o essencial numa ortografia, que seja,
+quanto poss&iacute;vel, imagem dos fen&oacute;menos que se
+observam na
+linguagem falada, &eacute; a regulariza&ccedil;&atilde;o da
+sua
+acentua&ccedil;&atilde;o gr&aacute;fica, por meio da qual
+se diferencem palavras que se escrevam com as mesmas letras, mas tenham
+pronuncia&ccedil;&atilde;o e significa&ccedil;&atilde;o
+diversas; e ainda que seja por tal
+modo combinada e aplicada, que nenhuma d&uacute;vida possa
+subsistir com rela&ccedil;&atilde;o a qual seja a
+s&iacute;laba
+predominante de qualquer palavra ou forma, em idiomas em que, como
+acontece em portugu&ecirc;s, a acentua&ccedil;&atilde;o
+t&oacute;nica pode afectar uma qualquer das tr&ecirc;s
+s&iacute;labas finais. Nesta
+condi&ccedil;&atilde;o &eacute; muit&iacute;ssimo
+superior &agrave; italiana usual a ortografia castelhana, que
+assinala sistem&aacute;ticamente com o acento agudo (&acute;)
+todos os
+voc&aacute;bulos esdr&uacute;xulos e todos os terminados em
+consoante, se a s&iacute;laba predominante &eacute; a
+pen&uacute;ltima, ou terminados em vogal, se ela &eacute; a
+&uacute;ltima. A
+Comiss&atilde;o atendeu a essa condi&ccedil;&atilde;o
+essencial da leitura, e suposto a
+n&atilde;o preceitue j&aacute; como obrigat&oacute;ria em
+todos os casos em que
+seria necess&aacute;ria, aconselha-a e fixa-lhe as regras que a
+determinar&atilde;o, quando rigorosamente empregada, como
+convir&aacute; que o seja em todos os livros de ensino e consulta. <br />
+
+<br />
+
+Sabe a Comiss&atilde;o que esta parte da reforma
+ortogr&aacute;fica ser&aacute; aquela que maiores dificuldades
+encontrar&aacute;
+na sua execu&ccedil;&atilde;o, principalmente a
+acentua&ccedil;&atilde;o distintiva de tant&iacute;ssimos
+hom&oacute;grafos, como os que existem em portugu&ecirc;s,
+muitos mais do que em castelhano, ou mesmo em italiano. Essas
+distin&ccedil;&otilde;es obrigar&atilde;o quem
+escreve para o p&uacute;blico a ser um tanto mais cauteloso na
+ortografia das palavras, do que usualmente o &eacute; na
+actualidade. Em
+compensa&ccedil;&atilde;o, por&ecirc;m, o escritor
+j&aacute; n&atilde;o ter&aacute; futilidades
+etimol&oacute;gicas a respeitar por costume, e o bom ensino da
+leitura em breve habituar&aacute; as gera&ccedil;&otilde;es
+novas
+&agrave; acentua&ccedil;&atilde;o rigorosa. <br />
+
+<br />
+
+N&atilde;o foi condescend&ecirc;ncia com a in&eacute;rcia
+que imperou no &acirc;nimo da Comiss&atilde;o, ao deixar em
+certo modo
+facultativo, por emquanto, o uso pontual da
+acentua&ccedil;&atilde;o
+gr&aacute;fica em todas as suas min&uacute;cias, como o
+&eacute; o da castelhana,
+e com a mais estrita coer&ecirc;ncia; mas sim o reconhecimento de
+que as condi&ccedil;&otilde;es naturais do idioma
+portugu&ecirc;s exigem que essa acentua&ccedil;&atilde;o
+gr&aacute;fica seja muito
+mais copiosa e diferencial
+<span class="pagenum">[13]</span>
+do que o &eacute; a castelhana, em si modelar na sua
+simplicidade. Na realidade, em castelhano n&atilde;o h&aacute;
+a
+diferen&ccedil;ar <em>e</em>,
+<em>o</em> fechados de
+<em>e</em>,
+<em>o</em> abertos, o que dispensa o uso do acento
+circunflexo nesse idioma, no qual n&atilde;o existe o
+consider&aacute;vel n&uacute;mero de hom&oacute;grafos que
+se observa em portugu&ecirc;s; e al&ecirc;m disto
+n&atilde;o se
+d&atilde;o em castelhano os constantes acidentes de
+varia&ccedil;&atilde;o de valor em
+<em>e</em>,
+<em>o</em>, que no portugu&ecirc;s se produzem e
+determinam um sem n&uacute;mero de
+voc&aacute;bulos entre si diferentes fon&eacute;ticamente,
+conquanto nas letras com que se escrevem sejam iguais, e que nenhum
+ouvido portugu&ecirc;s confundir&aacute;, como &eacute;
+conveniente que a escrita os n&atilde;o confunda, tais como
+<em>ent&ecirc;rro</em>,
+<em>alm&ocirc;&ccedil;o</em>,
+substantivos, e <em>ent&eacute;rro</em>,
+<em>alm&oacute;&ccedil;o</em>,
+verbos; <em>s&ocirc;bre</em>,
+preposi&ccedil;&atilde;o e
+<em>s&oacute;bre</em>, verbo; <em>s&ecirc;de</em>
+e
+<em>s&eacute;de</em>;
+<em>p&ecirc;lo</em> substantivo
+<em>p&eacute;lo</em>, verbo, a par de <em>pelo</em>
+(<em>p'lu</em>)
+contrac&ccedil;&atilde;o de <em>per
+lo</em>, preposi&ccedil;&atilde;o e artigo; <em>p&acirc;ra</em>,
+preposi&ccedil;&atilde;o, e
+<em>p&aacute;ra</em>, verbo;
+<em>d&ecirc;mos</em>, presente, e <em>d&eacute;mos</em>,
+pret&eacute;rito, etc. <br />
+
+<br />
+
+Nestes hom&oacute;grafos, por&ecirc;m, para se evitar
+acentua&ccedil;&atilde;o dispens&aacute;vel, o que cumpre
+&eacute; assinalar-se no
+<em>e</em> e no
+<em>o</em> o seu valor de <em>&ecirc;</em>,
+<em>&ocirc;</em>, visto que os nomes
+destas letras em portugu&ecirc;s se proferem com vogais abertas,
+<em>&egrave;</em>,
+<em>&ograve;</em>, devendo pois
+considerar-se &ecirc;sse valor como o seu normal quando
+s&atilde;o
+t&oacute;nicas. Por &ecirc;ste motivo, o que conv&ecirc;m
+em tais
+hom&oacute;grafos &eacute; marcar-se com o acento circunflexo
+as vogais fechadas, omitindo-se o acento agudo em <em>e</em>
+e
+<em>o</em> abertos, e escrevendo-se portanto as palavras
+citadas, e outras an&aacute;logas,
+<em>s&ocirc;bre</em> e
+<em>sobre</em>, <em>alm&ocirc;&ccedil;o</em>
+e
+<em>almo&ccedil;o</em>,
+<em>ent&ecirc;rro</em> e
+<em>enterro</em>,
+<em>s&ecirc;de</em> e
+<em>sede</em>,
+<em>p&ecirc;lo</em>,
+<em>p&eacute;lo</em> e <em>pelo</em>,
+<em>p&aacute;ra</em> e
+<em>para</em>,
+<em>d&ecirc;mos</em> e
+<em>demos</em>. E necess&aacute;rio que
+<em>p&eacute;lo</em>, <em>p&aacute;ra</em>,
+<em>p&oacute;lo</em> sejam
+por&ecirc;m marcados com o acento agudo, pois as
+contrac&ccedil;&otilde;es
+<em>pelo</em>,
+<em>polo</em> (arcaica esta) e a
+preposi&ccedil;&atilde;o <em>para</em>
+s&atilde;o sempre
+&aacute;tonas. A forma da 1.&ordf; pessoa do plural do
+pret&eacute;rito perfeito dos verbos em
+<em>-ar</em>, como
+<em>louv&aacute;mos</em>, receber&aacute;, o que
+&eacute; j&aacute; uso corrente, o
+acento agudo, para se diferen&ccedil;ar da do presente,
+<em>louvamos</em>, por isso que o
+<em>a</em> antes de consoante nasal, &eacute;
+normalmente fechado, isto
+&eacute;, proferido <em>&acirc;</em>, e a
+distin&ccedil;&atilde;o se observa em qu&aacute;si todo o
+dom&iacute;nio portugu&ecirc;s. <br />
+
+<br />
+
+Algumas considera&ccedil;&otilde;es consagrar&aacute; ainda
+a Comiss&atilde;o ao sistema de acentua&ccedil;&atilde;o
+gr&aacute;fica. <br />
+
+<br />
+
+Como &eacute; j&aacute; uso estabelecido, o acento agudo
+(&acute;)
+&eacute; o sinal, por excel&ecirc;ncia, da s&iacute;laba
+predominante de todo o
+voc&aacute;bulo que n&atilde;o seja &aacute;tono, com
+excep&ccedil;&atilde;o de <em>e</em>,
+<em>o</em> fechados, que ser&atilde;o, aceitando-se o
+costume que em portugu&ecirc;s
+se foi lentamente fixando, assinalados com o acento circunflexo (^).
+Fixa a Comiss&atilde;o o uso, mais ou menos vagamente
+<span class="pagenum">[14]</span>
+seguido, de marcar com outro acento dispon&iacute;vel, o grave (`),
+as vogais <em>a</em>,
+<em>e</em>,
+<em>o</em>, abertas, de s&iacute;labas
+pret&oacute;nicas, quando haja hom&oacute;grafos a
+diferen&ccedil;ar entre si. Nesta
+conformidade escrever-se h&atilde;o:
+<em>&agrave;</em>,
+contrac&ccedil;&atilde;o de
+<em>a</em> artigo e
+<em>a</em> preposi&ccedil;&atilde;o, de que se
+diferen&ccedil;ar&aacute;;
+<em>&agrave;quela</em>, diferente de
+<em>aquela</em>;
+<em>pr&egrave;gar</em>, diverso de <em>pregar</em>;
+<em>m&ograve;lhada</em>, e
+<em>molhada</em>, partic&iacute;pio
+femenino de <em>molhar</em>. Preceitua pois a
+Comiss&atilde;o que o acento grave indique o valor
+alfab&eacute;tico das vogais
+<em>a</em>,
+<em>e</em>,
+<em>i</em>,
+<em>o</em>,
+<em>u</em> (<em>&agrave;</em>,
+<em>&egrave;</em>,
+<em>&igrave;</em>,
+<em>&ograve;</em>,
+<em>&ugrave;</em>), e d&ecirc;ste
+preceito se deduzem todas as aplica&ccedil;&otilde;es que
+d&aacute; ao acento grave. Essas outras
+aplica&ccedil;&otilde;es s&atilde;o as seguintes: <br />
+
+<br />
+
+1.&ordf; Distinguir hom&oacute;grafos,
+<em>aquela</em>,
+<em>&agrave;quela</em>,
+<em>pregar</em>,
+<em>pr&egrave;gar</em>, quando a vogal distintiva seja
+&aacute;tona; 2.&ordf;, marcar as vogaes <em>a</em>,
+<em>e</em>,
+<em>o</em>, abertas, em palavras que tenham
+dois acentos t&oacute;nicos, o &uacute;ltimo dos quais seja o
+predominante, como &eacute; de regra em portugu&ecirc;s,
+<em>chap&egrave;uzinho</em>,
+<em>av&ograve;zinha</em>, <em>m&agrave;zona</em>;
+3.&ordf;, dissolver
+ditongos &aacute;tonos,
+<em>sa&igrave;mento</em>,
+<em>pa&igrave;sagem</em>, <em>sa&ugrave;dar</em>,
+a par de
+<em>sa&iacute;da</em>,
+<em>pa&iacute;s</em>,
+<em>sa&uacute;de</em>, em que
+<em>i</em>,
+<em>u</em> s&atilde;o t&oacute;nicos; 4.&ordf;,
+diferen&ccedil;ar o
+<em>u</em> proferido, dos grupos
+<em>qu</em>,
+<em>gu</em>, do <em>u</em> mudo dos mesmos
+grupos,
+<em>freq&ugrave;ente</em>, comparado a <em>quente</em>,
+<em>arg&ugrave;ir</em>, comparado a
+<em>seguir</em>. Quando o
+<em>u</em> passe a ser t&oacute;nico, o acento grave
+mudar-se h&aacute; em agudo;
+ex.: <em>arg&uacute;i</em>, diferente de
+<em>arg&ugrave;i</em>. <br />
+
+<br />
+
+Como a Comiss&atilde;o fixou que a subjuntiva fraca dos ditongos
+seja sempre escrita com <em>i</em>,
+<em>u</em> e nunca
+<em>e</em>,
+<em>o</em> &eacute; in&uacute;til o
+empr&ecirc;go de qualquer sinal diacr&iacute;tico nestas duas
+letras, para denotar que n&atilde;o formam ditongo com a vogal
+precedente, como em <em>moeda</em>,
+<em>ne&oacute;fito</em>,
+<em>cooperar</em>, etc. <br />
+
+<br />
+
+A escrita dos ditongos orais ser&aacute; portanto a seguinte, na
+qual <em>&eacute;i</em>,
+<em>&eacute;u</em>,
+<em>&oacute;i</em>, com a vogal dominante
+aberta, se diferen&ccedil;am de <em>ei</em>,
+<em>eu</em>,
+<em>oi</em>, em que ela &eacute; fechada:
+<em>ai</em>
+(<em>&agrave;i</em>,
+<em>&acirc;i</em>), <em>&eacute;i</em>,
+<em>ei</em>,
+<em>&oacute;i</em>,
+<em>oi</em>,
+<em>ui</em>,
+<em>au</em>,
+<em>&eacute;u</em>,
+<em>eu</em>,
+<em>ou</em>,
+<em>iu</em>, do que s&atilde;o exemplos estes
+voc&aacute;bulos: <em>pai</em>,
+<em>caiar</em>,
+<em>r&eacute;is</em>,
+<em>reis</em>,
+<em>s&oacute;is</em>,
+<em>sois</em> (verbo),
+<em>fui</em>, <em>pau</em>,
+<em>c&eacute;u</em>,
+<em>seu</em>,
+<em>riu</em>,
+<em>levou</em>. Prefer&iacute;u-se
+acentuar as vogais abertas de <em>&eacute;i</em>,
+<em>&eacute;u</em>,
+<em>&oacute;i</em>, visto serem elas
+sempre t&oacute;nicas; &ecirc;sse acento mudar-se h&aacute;
+no grave, quando
+acidentalmente elas sejam em certo modo &aacute;tonas, como em
+<em>v&egrave;uzinho</em>,
+<em>pain&egrave;izinhos</em>, <em>her&ograve;icidade</em>.
+Os dois
+valores da escrita <em>ai</em>
+(<em>&agrave;i</em> e
+<em>&acirc;i</em>) como em <em>ensaio</em>,
+<em>ensaiar</em>, &eacute;
+desnecess&aacute;rio acus&aacute;-los, por isso que o ditongo <em>&acirc;i</em>
+&aacute;tono s&oacute; se manifesta antes de vogal, pois quando
+t&oacute;nico se escreve
+<em>ei</em>. <br />
+
+<br />
+
+No Formul&aacute;rio de regras de ortografia, que a
+Comiss&atilde;o submete &agrave;
+aprecia&ccedil;&atilde;o do
+Gov&ecirc;rno, ficar&atilde;o consignados os principais
+preceitos da acentua&ccedil;&atilde;o escrita, que
+se encontram postos em pr&aacute;tica no
+<span class="smallcaps">Vocabul&aacute;rio
+Ortogr&aacute;fico</span>, a
+<span class="pagenum">[15]</span>
+que j&aacute; se referiu, e completamente expostos de
+p&aacute;ginas 155 a 200 da <span class="smallcaps">Ortografia
+Nacional</span>,
+tamb&ecirc;m j&aacute; citada, a qual tem um
+copios&iacute;ssimo &iacute;ndice
+alfab&eacute;tico e remissivo, que facilita a sua consulta nos
+casos duvidosos. Exemplos rigorosos d&ecirc;ste sistema de
+acentua&ccedil;&atilde;o
+oferece-os igualmente todo &ecirc;ste relat&oacute;rio, bem
+como de toda a ortografia
+que se prop&otilde;e. <br />
+
+<br />
+
+Aludiu agora mesmo a Comiss&atilde;o &agrave;
+distin&ccedil;&atilde;o, que &eacute; mester deixar
+retratada na escrita, entre <em>e</em>
+e <em>o</em> fechados e
+<em>e</em> e <em>o</em> abertos, quando entre
+si
+distinguem in&uacute;meras palavras e formas gramaticais. Outra
+n&atilde;o menor dificuldade oferece a l&iacute;ngua
+portuguesa, comparada &agrave;s suas
+cong&eacute;neres: &eacute; a atonia de certas vogais, que
+adquirem timbres especiais,
+e lhe &eacute; peculiar, s&oacute; tendo paralelo na
+catal&atilde;, e em muito menor grau, e de certo modo, na francesa
+e na proven&ccedil;al moderna, mas em qualquer delas sujeita a
+menor n&uacute;mero de excep&ccedil;&otilde;es. Neste ponto
+&eacute; o portugu&ecirc;s s&oacute; compar&aacute;vel,
+ainda que vagamente, ao ingl&ecirc;s. Com
+efeito, ao <em>a</em> t&oacute;nico, geralmente
+proferido <em>&agrave;</em>, corresponde
+um <em>a</em> &aacute;tono, qu&aacute;si sempre
+surdo,
+<em>&acirc;</em>; ao
+<em>&ograve;</em> ou
+<em>&ocirc;</em> t&oacute;nicos, um
+<em>o</em> que se profere como <em>u</em> na
+grande
+maioria dos casos; ao <em>&egrave;</em> ou <em>&ecirc;</em>,
+um
+<em>e</em> surdo &aacute;tono, mais ou
+menos percept&iacute;vel na pron&uacute;ncia, conforme os sons
+com que est&aacute; em
+contacto e lhe influem no timbre. Se &ecirc;sse
+<em>e</em> &aacute;tono &eacute;
+seguido de vogal, ou &eacute; inicial de voc&aacute;bulo, vale
+por
+<em>i</em>, ex.:
+<em>veado</em>,
+<em>evitar</em>; se se lhe segue consoante palatal,
+<em>ch</em>,
+<em>x</em>,
+<em>j</em>,
+<em>s</em>,
+<em>lh</em>,
+<em>nh</em>, equivale a <em>i</em> surdo, e
+com
+&ecirc;ste se confunde no falar usual e desafectado. Comparem-se,
+com efeito, entre si voc&aacute;bulos tais como <em>ferro</em>,
+<em>ferreiro</em>;
+<em>gr&ecirc;lo</em>,
+<em>grelar</em>;
+<em>fecho</em>,
+<em>fechar</em>; <em>cereja</em>,
+<em>cerejeira</em>;
+<em>telha</em>,
+<em>telhado</em>;
+<em>desenho</em>,
+<em>desenhar</em>; <em>pesca</em>,
+<em>pescar</em>, e
+<em>pisco</em>,
+<em>piscar</em>;
+<em>esteira</em> e
+<em>hist&oacute;ria</em>;
+<em>testar</em> e <em>distar</em>;
+<em>distinto</em>, de
+<em>distinguir</em>; e
+<em>destinto</em> de
+<em>destingir</em>; atente-se igualmente na
+pron&uacute;ncia do voc&aacute;bulo
+<em>privilegiado</em> que &eacute; <em>preveligiado</em>,
+muitas vezes err&oacute;neamente assim escrito, e ver-se
+h&aacute; quanto &eacute;
+dif&iacute;cil a nossa escrita. <br />
+
+<br />
+
+Por outra parte, e o &uacute;ltimo voc&aacute;bulo o comprova,
+numa seq&ugrave;&ecirc;ncia de s&iacute;labas, todas as
+quais
+tenham <em>i</em> por vogal antes da predominante,
+&ecirc;sse
+<em>i</em> escrito, quando &aacute;tono,
+profere-se qu&aacute;si sempre como <em>e</em>
+surdo, em pron&uacute;ncia desafectada. H&aacute;
+excep&ccedil;&otilde;es que as
+gram&aacute;ticas devem explicar. <br />
+
+<br />
+
+Desta s&eacute;rie de fen&oacute;menos, que tornam o
+portugu&ecirc;s o mais delicado e interessante dos idiomas
+neo-latinos, originam-se constantes erros e
+hesita&ccedil;&otilde;es na sua escrita, a que n&atilde;o
+&eacute; poss&iacute;vel obviar, a
+n&atilde;o ser por uma transcri&ccedil;&atilde;o
+absolutamente fon&eacute;tica, a qual reproduza fielmente todos
+<span class="pagenum">[16]</span>
+&ecirc;sses acidentes, e que seria inadmiss&iacute;vel em
+ortografia corrente e usual, pois s&oacute;mente um ouvido
+exercitado e um tiroc&iacute;nio especial a poderiam aplicar. <br />
+
+<br />
+
+N&atilde;o se pense, portanto, que a fixa&ccedil;&atilde;o
+de uma ortografia regularizada e simplificada possa remover todas as
+dificuldades, sem um suficiente preparo gramatical, em que a
+deriva&ccedil;&atilde;o e forma&ccedil;&atilde;o das
+palavras, e os resultantes acidentes na varia&ccedil;&atilde;o
+dos sons que as comp&otilde;em,
+conforme a sua situa&ccedil;&atilde;o, hajam sido estudados. <br />
+
+<br />
+
+A consulta oportuna de um vocabul&aacute;rio, como o j&aacute;
+indicado, feito em harmonia com os preceitos estabelecidos,
+ser&aacute; tamb&ecirc;m indispens&aacute;vel,
+n&atilde;o s&oacute; em raz&atilde;o do empr&ecirc;go
+de <em>o</em> ou
+<em>u</em> e tamb&ecirc;m
+<em>e</em> ou
+<em>i</em> &aacute;tonos, quer antes de
+consoante, quer antes de vogal, mas ainda com
+rela&ccedil;&atilde;o ao uso de <em>&ccedil;</em>
+ou
+<em>ss</em> mediais, de
+<em>ce</em>,
+<em>ci</em>,
+<em>s(s)e</em>,
+<em>s(s)i</em>,
+<em>z</em> ou
+<em>s</em> entre vogais, e quando finais, e em menor escala
+o de
+<em>ch</em> e <em>x</em>, de
+<em>ge</em>,
+<em>gi</em> ou
+<em>je</em>,
+<em>ji</em>. <br />
+
+<br />
+
+O <span class="smallcaps">Vocabul&aacute;rio
+Ortogr&aacute;fico</span> indicado remove todas as
+d&uacute;vidas, visto encontrar-se nele a etimologia dos
+voc&aacute;bulos, quando necess&aacute;ria a essas
+distin&ccedil;&otilde;es
+ortogr&aacute;ficas, a compara&ccedil;&atilde;o vocabular e
+formal com a ortografia
+denominada etimol&oacute;gica, e a conjuga&ccedil;&atilde;o
+dos
+verbos, exemplificada em todas as suas diferentes modalidades.
+&Eacute; um livro que se pode considerar adequado ao
+per&iacute;odo de
+transi&ccedil;&atilde;o, que h&aacute;-de decorrer antes
+que se vulgarize a ortografia regularizada oficial. <br />
+
+<br />
+
+A Comiss&atilde;o n&atilde;o hesitou, respeitando a
+hist&oacute;ria do idioma p&aacute;trio, as suas origens e a
+sua
+evolu&ccedil;&atilde;o no tempo e no espa&ccedil;o, em
+conservar a distin&ccedil;&atilde;o
+gr&aacute;fica entre
+<em>&ccedil;</em> e <em>s(s)</em>, entre
+<em>z</em> e
+<em>s</em> mediais, p&ocirc;sto que
+nenhuma diferen&ccedil;a se observe j&aacute; na sua
+pron&uacute;ncia do Mondego para o
+sul, e a distin&ccedil;&atilde;o se v&aacute; obliterando
+cada
+vez mais nos centros urbanos das prov&iacute;ncias do norte. <br />
+
+<br />
+
+A diferencia&ccedil;&atilde;o gr&aacute;fica, conforme a
+sua origem, entre <em>se</em>,
+<em>si</em>, e
+<em>ce</em>,
+<em>ci</em>, iniciais, entre
+<em>&ccedil;</em> e
+<em>ss</em> mediais, bem como a que ainda dialectalmente
+subsiste entre
+<em>z</em> e
+<em>s</em> intervoc&aacute;licos, ou <em>x</em>
+e
+<em>ch</em> ou
+<em>&ocirc;</em> e
+<em>ou</em>, pertencem &agrave;
+hist&oacute;ria da l&iacute;ngua, e a Comiss&atilde;o
+conserva-as, regulando-as com o maior rigor; pois ficaria em
+contradi&ccedil;&atilde;o com essa
+hist&oacute;ria se, o que f&ocirc;ra relativamente
+f&aacute;cil, optasse por escrever
+sempre <em>z</em> entre vogais, e sempre
+<em>s</em> em finais de voc&aacute;bulos;
+porque n&atilde;o seria licito, nem ningu&ecirc;m lhe
+aceitaria,
+substituir <em>ce</em>, <em>ci</em>,
+<em>&ccedil;</em>, por
+<em>s</em> ou
+<em>ss</em>, em milhares de
+voc&aacute;bulos e formas, que sempre se tem conservado diferentes
+na sua escrita, e com bons fundamentos.
+<br />
+
+<br />
+
+<span class="pagenum">[17]</span>
+Neste pressuposto, prescreve que <em>ce</em>,
+<em>ci</em>,
+<em>&ccedil;</em>, ou
+<em>z</em> final de voc&aacute;bulos correspondam a
+<em>ci</em>,
+<em>ti</em> latinos, a
+<em>ss</em> ar&aacute;bicos; e <em>s</em>,
+<em>ss</em> a
+<em>s</em> ou
+<em>ss</em> latinos; e, por outra parte, que
+<em>z</em> corresponda a <em>z</em>, ou
+<em>ce</em> ou
+<em>ci</em>,
+<em>ti</em> latinos, ou a
+<em>zz</em> ar&aacute;bicos;
+<em>s</em> entre vogais, ou final, a <em>s</em>
+latino. Nos
+voc&aacute;bulos de origem americana ind&iacute;gena <em>ce</em>,
+<em>ci</em>,
+<em>&ccedil;</em> s&atilde;o
+prefer&iacute;veis a <em>s</em>,
+seguindo-se nisso a escrita tradicional. Para quem n&atilde;o
+esteja preparado com umas no&ccedil;&otilde;es, rudimentares
+que
+sejam, de latim, a consulta ao
+<span class="smallcaps">Vocabul&aacute;rio</span>
+&eacute; indispens&aacute;vel em casos duvidosos, e muitas
+vezes &eacute; conveniente a
+compara&ccedil;&atilde;o com as correspondentes formas ou
+palavras castelhanas, pois no idioma do centro de Espanha a
+confus&atilde;o entre
+<em>s</em> e <em>c</em> ou
+<em>&ccedil;</em> (modernamente escrito
+<em>z</em>) &eacute;
+imposs&iacute;vel, pois bem se diferen&ccedil;am na
+pron&uacute;ncia, como antes acontecia
+em Portugal e no resto da Pen&iacute;nsula Hisp&aacute;nica. <br />
+
+<br />
+
+Muito menor dificuldade apresenta a diferencia&ccedil;&atilde;o
+entre <em>ch</em> e
+<em>x</em>, e o
+<span class="smallcaps">Vocabul&aacute;rio</span>,
+bem como a
+escrita castelhana, em que <em>x</em> &eacute;
+modernamente
+representado por <em>j</em>,
+f&aacute;cilmente a indicam. Bastar&aacute; aqui dizer-se que,
+em geral,
+<em>ch</em> corresponde a <em>cl</em>,
+<em>fl</em>,
+<em>pl</em> latinos, e que em
+voc&aacute;bulos de origem ar&aacute;bica o
+empr&ecirc;go de
+<em>x</em> &eacute; de regra. Com
+respeito &agrave; selec&ccedil;&atilde;o entre <em>&ocirc;</em>
+e
+<em>ou</em>, deve considerar-se que o digrama
+<em>ou</em> corresponde a <em>au</em> ou
+<em>al</em> latinos, &agrave;s vezes a
+<em>oc</em>,
+<em>ap</em>, e ao
+<em>au</em> ar&aacute;bico: a diferen&ccedil;a
+&eacute; intu&igrave;tiva para
+todos os portugueses do norte e das duas Be&igrave;ras, pois <em>ou</em>
+para &ecirc;les &eacute; ditongo, e n&atilde;o
+simplesmente <em>o</em>
+fechado, como o &eacute; no sul do pa&iacute;s. <br />
+
+<br />
+
+A escrita dos ditongos nasais ser&aacute;, como &eacute;
+j&aacute; uso radicado, <em>&atilde;e</em>,
+<em>&otilde;e</em>,
+<em>em</em>,
+<em>ens</em>,
+<em>&atilde;o</em> como em
+<em>m&atilde;e(s)</em>,
+<em>bot&otilde;es</em>,
+<em>bem</em>, <em>bens</em>,
+<em>m&atilde;o(s)</em>; e, conforme
+tamb&ecirc;m h&aacute; muito se usa, nas
+termina&ccedil;&otilde;es &aacute;tonas dos verbos o
+ditongo <em>&atilde;o</em>
+ser&aacute; escrito <em>am</em>; assim teremos, por
+exemplo,
+<em>louvam</em>,
+<em>louvaram</em>, presente e pret&eacute;rito,
+<em>louvar&atilde;o</em>, futuro, sem
+precisarmos de indicar por acentos a diferen&ccedil;a. Nos
+substantivos,
+por&ecirc;m, o acento na s&iacute;laba predominante
+diferenciar&aacute;
+<em>c&oacute;v&atilde;o</em> de
+<em>cov&atilde;o</em>, designando o acento a atonia do
+ditongo final, como em
+<em>&oacute;rf&atilde;o</em>, <em>&oacute;rg&atilde;o</em>,
+<em>Est&ecirc;v&atilde;o</em>, etc.,
+visto que a escrita <em>orfams</em> seria uma novidade
+in&uacute;til, e
+<em>&oacute;rfans</em> daria causa a
+equ&iacute;voco, conquanto o respectivo femenino se escreva
+<em>&oacute;rf&atilde;(s)</em>. O ditongo <em>em</em>,
+quando predominante em
+poliss&iacute;labos, receber&aacute; o acento circunflexo, como
+em
+<em>armaz&ecirc;m</em>,
+<em>armaz&ecirc;ns</em>,
+<em>por&ecirc;m</em>, a par de <em>margem</em>,
+<em>porem</em>, cuja escrita
+indicar&aacute; a acentua&ccedil;&atilde;o <em>m&aacute;rgem</em>,
+<em>p&ocirc;rem</em>, mesmo sem ser
+marcada. O ditongo <em>&#361;i</em> de um
+&uacute;nico voc&aacute;bulo actualmente,
+<em>muito</em>, e sua abreviatura procl&iacute;tica <em>mui</em>,
+hoje em
+dia s&oacute; liter&aacute;ria, continuar&aacute;, como
+at&eacute; aqui, sem sinal especial que indique a
+nasaliza&ccedil;&atilde;o;
+<span class="pagenum">[18]</span>
+e <em>ruim</em>,
+que dialectalmente se profere
+<em>r</em><em>&#361;</em><em>i</em>,
+ser&aacute; diss&iacute;labo, e n&atilde;o
+monoss&iacute;labo. <br />
+
+<br />
+
+&Agrave; vogal <em>&acirc;</em>,
+nasal, fixa-se a escrita
+<em>&atilde;</em>, final; &agrave;s
+demais vogais, e a <em>&atilde;</em> quando no
+com&ecirc;&ccedil;o ou interior do voc&aacute;bulo
+n&atilde;o se alterar&aacute; a escrita j&aacute; adoptada,
+<em>am</em>,
+<em>an</em>,
+<em>em</em>,
+<em>en</em>,
+<em>im</em>, <em>in</em>,
+<em>om</em>,
+<em>on</em>,
+<em>um</em>,
+<em>un</em>. <br />
+
+<br />
+
+Em obras did&aacute;cticas, por&ecirc;m, &eacute; licito
+indic&aacute;-las, com maior exactid&atilde;o, por
+<em>&atilde;</em>, <em>&#7869;</em>,
+<em>&#297;</em>,
+<em>&otilde;</em>,
+<em>&#361;</em>, e ao ditongo nasal <em>em</em> por
+<em>&#7869;i</em>,
+quando a clareza da exposi&ccedil;&atilde;o o exija. <br />
+
+<br />
+
+O sinal (&uml;) ou cimalhas, &aacute;pices, cuja
+fun&ccedil;&atilde;o em v&aacute;rias ortografias a maioria
+da Comiss&atilde;o atribui ao acento grave (`), fica reservado para
+denotar, em obras da esp&eacute;cie designada, o valor do ou
+dialectal
+(<em>&ouml;u</em>,
+<em>&ouml;</em>,
+<em>[o:]</em>) e o do <em>u</em> igualmente
+dialectal (<em>&uuml;</em>);
+o
+<em>&euml;</em> servir&aacute; para
+representar em especial o <em>e</em> fechado, antes de
+palatal, que varia de valor, entre <em>&ecirc;</em> e
+<em>&acirc;</em>, dos estremos para o
+centro de Portugal, como em <em>seja</em>,
+<em>fecho</em>,
+<em>selha</em>,
+<em>senha</em>, etc. S&atilde;o sinais
+&ecirc;stes que nenhuma aplica&ccedil;&atilde;o tem na
+escrita comum, na qual,
+portanto, palavras com <em>exodo</em>,
+<em>exito</em> ser&atilde;o acentuadas
+<em>&ecirc;xito</em>, <em>&ecirc;xodo</em>,
+e n&atilde;o
+<em>&euml;xito</em>,
+<em>&euml;xodo</em>, ou
+<em>&euml;isito</em>,
+<em>&euml;isodo</em>, como &eacute; a
+sua pronuncia&ccedil;&atilde;o. <br />
+
+<br />
+
+A acentua&ccedil;&atilde;o gr&aacute;fica tem como primeiro
+fim acusar a s&iacute;laba t&oacute;nica, considerando-se que o
+til (~) vale
+por acento t&oacute;nico, se outro n&atilde;o existe marcado no
+voc&aacute;bulo ou forma; acusa ainda &ecirc;sse acento a
+t&oacute;nica predominante, se
+h&aacute; mais de uma, e ainda, em monoss&iacute;labos, que
+estes n&atilde;o
+s&atilde;o &aacute;tonos. Esta acentua&ccedil;&atilde;o
+denomina-se
+<span style="letter-spacing: 0.2em;">pros&oacute;dica</span>,
+e compreende
+n&atilde;o s&oacute; oa dois casos indicados, mas igualmente
+outros acidentes vocabulares, como a desuni&atilde;o de vogais que
+geralmente formam ditongos. <br />
+
+<br />
+
+Um bom sistema de acentua&ccedil;&atilde;o deve ser tal que, ou
+a s&iacute;laba predominante se assinale na escrita, ou
+n&atilde;o, quem l&ecirc; nenhuma
+hesita&ccedil;&atilde;o possa ter
+s&ocirc;bre qual seja essa s&iacute;laba. Com o sistema
+proposto pela Comiss&atilde;o &eacute; satisfeito
+&ecirc;ste preceito fundamental com tanta pontualidade, quanta
+observamos na ortografia castelhana, ou na toscana, segundo o plano de
+Petr&ograve;cchi. O sinal do acento t&oacute;nico
+&eacute; o agudo nas vogais <em>a</em>,
+<em>i</em>,
+<em>u</em>,
+<em>e</em> e
+<em>o</em> abertos, o circunflexo em
+<em>a</em>,
+<em>e</em>,
+<em>o</em> fechados, e o til na vogal final <em>&atilde;</em>,
+e nos ditongos nasais <em>&atilde;e</em>, <em>&otilde;e</em>,
+<em>&atilde;o</em>. <br />
+
+<br />
+
+Na vogal nasal <em>&atilde;</em>, ou em
+<em>a</em> antes de consoante nasal, adopta a
+Comiss&atilde;o igualmente o acento circunflexo,
+<em>&acirc;nsia</em>, <em>&acirc;nimo</em>,
+em
+aten&ccedil;&atilde;o a que &ecirc;sse
+<em>a</em> se profere fechado na maioria do
+pa&iacute;s. O
+<span class="smallcaps">Vocabul&aacute;rio</span>
+marcou as
+vogais nasais ou antes de nasal com o acento agudo, como sinal
+<span class="pagenum">[19]</span>
+geral
+da s&iacute;laba predominante, e deve ter isso em
+considera&ccedil;&atilde;o quem o consultar. <br />
+
+<br />
+
+Outra acentua&ccedil;&atilde;o gr&aacute;fica se
+prop&otilde;e, generalizando e fixando usos mais ou menos
+estabelecidos, e esta pode denominar-se
+<span style="letter-spacing: 0.2em;">distintiva</span>.
+Consiste no
+empr&ecirc;go do circunflexo (^) s&ocirc;bre todos os <em>ee</em>
+e <em>oo</em> fechados de
+monoss&iacute;labos, ou de voc&aacute;bulos
+polissil&aacute;bicos inteiros, isto
+&eacute;, com a pen&uacute;ltima s&iacute;laba
+predominante, quando outros existam em que tais vogais sejam abertas,
+como j&aacute; ficou indicado:
+<em>r&ecirc;go</em>, <em>rego</em>;
+<em>r&ocirc;go</em>,
+<em>rogo</em>. <br />
+
+<br />
+
+Deve ter-se em aten&ccedil;&atilde;o que, sendo toda a
+acentua&ccedil;&atilde;o vocabular, e sempre
+fon&eacute;tica, quando um qualquer voc&aacute;bulo, na sua
+flex&atilde;o, ou nos seus derivados,
+muda de estrutura com rela&ccedil;&atilde;o &agrave;
+acentua&ccedil;&atilde;o que exigia, esta mant&ecirc;m-se,
+perde-se ou adqu&iacute;re-se, conforme as novas
+condi&ccedil;&otilde;es a que a forma, ou o derivado, ficam
+sujeitos. D&ecirc;ste modo, a palavra <em>cort&ecirc;s</em>,
+no
+plural dispensa o acento, <em>corteses</em>;
+<em>bat&eacute;is</em>, muda o agudo para
+grave em <em>bat&egrave;izinhos</em>; <em>fugira</em>,
+ser&aacute;, na 2.&ordf;
+pessoa do plural,
+<em>fug&iacute;reis</em>. <br />
+
+<br />
+
+Regulou a Comiss&atilde;o tamb&ecirc;m o empr&ecirc;go do
+h&iacute;fen, o dos pontos de interroga&ccedil;&atilde;o e
+exclama&ccedil;&atilde;o, o das letras mai&uacute;sculas, e
+o do ap&oacute;strofo ('), que recomenda seja o mais parcimonioso
+poss&iacute;vel, pois o abuso que d&ecirc;ste sinal se tem
+feito, onde &eacute; err&oacute;neo ou
+desnecess&aacute;rio, nenhuma vantagem traz &agrave;
+f&aacute;cil le&igrave;tura, antes a
+embara&ccedil;a, e &eacute; uma desastrada
+imita&ccedil;&atilde;o da ortografia francesa, que muito
+desfeia a escrita, complicando-a, bem como &agrave;
+composi&ccedil;&atilde;o
+tipogr&aacute;fica. A maioria das elis&otilde;es de vogais
+&aacute;tonas, e a bem
+dizer todas as crases de vogais consecutivas s&atilde;o evidentes,
+e portanto desnecess&aacute;rio &eacute; indic&aacute;-las
+na escrita
+usual. No emtanto, fixa a Comiss&atilde;o a uni&atilde;o em uma
+s&oacute;
+di&ccedil;&atilde;o para os seguintes pronomes e
+adv&eacute;rbios acompanhados de
+preposi&ccedil;&atilde;o, quando os primeiros n&atilde;o
+rejam ora&ccedil;&otilde;es
+de infinito: <em>d&ecirc;le</em>,
+<em>nele</em>,
+<em>dela</em>,
+<em>nela</em>,
+<em>d&ecirc;ste</em>,
+<em>neste</em>,
+<em>desta</em>,
+<em>dessa</em>, <em>daquela</em>,
+<em>nesta</em>,
+<em>nessa</em>,
+<em>naquela</em>,
+<em>&agrave;quele</em>,
+<em>&agrave;quela</em>,
+<em>dum</em>,
+<em>num</em>, <em>daqui</em>,
+<em>da&iacute;</em>,
+<em>dali</em>,
+<em>aonde</em>,
+<em>donde</em>, e para os plurais
+d&ecirc;sses pronomes, em harmonia com as formas j&aacute;
+empregadas
+<em>do(s)</em>, <em>da(s)</em>,
+<em>no(s)</em>,
+<em>na(s)</em>,
+<em>pelo(s)</em>,
+<em>pela(s)</em>,
+(<em>em-no</em>,
+<em>per-lo</em>), onde a elis&atilde;o se
+n&atilde;o indicou j&agrave;mais; assim
+tamb&ecirc;m, <em>doutro</em>, <em>noutro</em>.
+<br />
+
+<br />
+
+Efectivamente, a indica&ccedil;&atilde;o por
+ap&oacute;strofo em formas tais como <em>d'um</em>,
+<em>d'&ecirc;le</em>, para n&atilde;o
+falar nos erros crass&iacute;ssimos <em>n'um</em>,
+<em>n'&ecirc;le</em>, &eacute; tam
+in&uacute;til, como o seria escrevermos <em>vint'e um</em>,
+<em>g&eacute;ner'humano</em>,
+<em>vic'-almirante</em>, em vez de <em>vinte e um</em>,
+<em>g&eacute;nero
+humano</em>, <em>vice-almirante</em>, conquanto o <em>e</em>
+de
+<em>vinte</em>
+<span class="pagenum">[20]</span>
+e o de <em>vice</em>, assim como o <em>o</em>
+de
+<em>g&eacute;nero</em> se elidam na
+pronuncia&ccedil;&atilde;o dessas di&ccedil;&otilde;es.
+<br />
+
+<br />
+
+Ningu&ecirc;m ainda julgou necess&aacute;rio indicar-se por
+ap&oacute;strofo a crase de <em>ao</em> em
+<em>dez&oacute;ito</em> por
+<em>dezaoito</em>; confrontem-se <em>dezasseis</em>,
+<em>dezassete</em>,
+<em>dezanove</em>, e as formas toscanas
+<em>diciassette</em>, <em>diciannove</em>. As
+formas escritas,
+modern&iacute;ssimas, <em>dezeseis</em>, <em>dezesete</em>,
+<em>dezenove</em> s&atilde;o
+err&oacute;neas e n&atilde;o correspondem por modo algum
+&agrave; sua pron&uacute;ncia, pois
+ningu&ecirc;m profere <em>d&egrave;zisseis</em>,
+<em>d&egrave;zissete</em>,
+<em>d&egrave;sinove</em>, como o exigiria
+esta forma&ccedil;&atilde;o, se nela entrasse a
+conjun&ccedil;&atilde;o
+<em>e</em>, que se pronuncia
+<em>i</em>. O povo diz, e muito bem, e dantes sempre assim
+se escreveram, <em>dezasseis</em>,
+<em>dezassete</em>,
+<em>dezanove</em>, &uacute;nica escrita
+legitima, perfeitamente concorde com a toscana acima citada, e com a
+pron&uacute;ncia quer italiana, quer portuguesa. <br />
+
+<br />
+
+Fora dos casos indicados, a preposi&ccedil;&atilde;o
+<em>de</em> assim se escrever&aacute;, seja, ou
+n&atilde;o, elidido o <em>e</em>
+na enuncia&ccedil;&atilde;o. <br />
+
+<br />
+
+Aconselha a Comiss&atilde;o o empr&ecirc;go dos pontos de
+interroga&ccedil;&atilde;o e exclama&ccedil;&atilde;o
+invertidos (&iquest;&iexcl;)
+no com&ecirc;&ccedil;o das ora&ccedil;&otilde;es dessa
+esp&eacute;cie, quando sejam muito longas, como se faz na
+ortografia espanhola; e com tanto maior empenho, quanto &eacute;
+certo que, sem tal indica&ccedil;&atilde;o
+pr&eacute;via, muitas vezes ser&aacute; errada a leitura, ou
+ficar&aacute; incerto o
+sentido. As duas interroga&ccedil;&otilde;es distintas&#8213;<em>Queres
+vinho ou &aacute;gua?</em>, e
+<em>&iquest;Queres vinho, ou &aacute;gua?</em>
+n&atilde;o se
+equivalem nem no sentido, nem na entoa&ccedil;&atilde;o. <br />
+
+<br />
+
+O h&iacute;fen ou linha divis&oacute;ria (-) utiliza-o e
+preceitua-o a Comiss&atilde;o nos seguintes casos:<br />
+
+<br />
+
+a) Separar de uma linha para a outra as s&iacute;labas de um
+voc&aacute;bulo, repetindo-se na linha imediata o sinal, se o
+voc&aacute;bulo j&aacute; de si cont&ecirc;m a linha
+divis&oacute;ria, por
+ser composto. <br />
+
+<br />
+
+b) Unir entre si os dois elementos de uma di&ccedil;&atilde;o
+composta, quando cada um d&ecirc;les tem exist&ecirc;ncia
+independente em portugu&ecirc;s, e conserva a sua
+acentua&ccedil;&atilde;o pr&oacute;pria. <br />
+
+<br />
+
+c) Unir &agrave;s formas <em>hei</em>,
+<em>h&aacute;s</em>,
+<em>h&aacute;</em>,
+<em>h&atilde;o</em>, do verbo
+<em>haver</em>, a preposi&ccedil;&atilde;o <em>de</em>,
+encl&iacute;tica: <em>hei-de</em>,
+<em>h&aacute;s-de</em>,
+<em>h&aacute;-de</em>,
+<em>h&atilde;o-de</em>. <br />
+
+<br />
+
+d) Separar nos voc&aacute;bulos compostos com
+<em>bem</em>,
+<em>mal</em> o
+<em>m</em> e o <em>l</em> para evitar erros de
+leitura; ex.:
+<em>bem-aventurado</em>, <em>mal-aventurado</em>.
+<br />
+
+<br />
+
+<br />
+
+S&atilde;o estes os principais fundamentos e preceitos da
+projectada reforma ortogr&aacute;fica, pela Comiss&atilde;o
+julgada
+oportuna e de f&aacute;cil execu&ccedil;&atilde;o, para que
+de ora
+em diante seja recomendada como obrigat&oacute;ria em
+publica&ccedil;&otilde;es oficiais e no ensino
+p&uacute;blico, e por isso a prop&otilde;e. As
+simplifica&ccedil;&otilde;es e a
+regulariza&ccedil;&atilde;o apontadas j&aacute; tem
+sido empregadas em
+<span class="pagenum">[21]</span>
+parte
+em muitos livros e alguns peri&oacute;dicos, se bem que
+qu&aacute;si sempre com menor coer&ecirc;ncia e rigor do que a
+Comiss&atilde;o as preceitua, e sem formarem corpo de doutrina
+explicada e motivada, como formam no Formul&aacute;rio e no
+Prontu&aacute;rio ortogr&aacute;ficos com que termina esta
+exposi&ccedil;&atilde;o e que v&atilde;o em seguimento. Se
+exceptuarmos o
+<span class="smallcaps">Vocabul&aacute;rio</span>
+e a <span class="smallcaps">Ortografia Nacional</span>
+j&aacute; mencionados, e cujo sistema s&oacute; pequenas
+altera&ccedil;&otilde;es sofreu,
+s&atilde;o &ecirc;sse Formul&aacute;rio e &ecirc;sse
+Prontu&aacute;rio os primeiros trabalhos met&oacute;dicos e
+completos s&ocirc;bre &ecirc;ste assunto. <br />
+
+<br />
+
+A Comiss&atilde;o nem por um momento perdeu de vista que a
+primacial vantagem de uma ortografia oficial &eacute; favorecer o
+ensino f&aacute;cil da leitura e da escrita, tanto quanto um idioma
+secularmente liter&aacute;rio o permite, tomando-se por base a
+hist&oacute;ria do idioma p&aacute;trio, para que
+&ecirc;le se perpetue no futuro, como do passado at&eacute; o
+presente perdurou, sempre id&ecirc;ntico a si pr&oacute;prio,
+apesar da sua
+inevit&aacute;vel evolu&ccedil;&atilde;o. <br />
+
+<br />
+
+<br />
+
+<br />
+
+<div class="sbreak">
+<hr /></div>
+
+<br />
+
+<h3>FORMUL&Aacute;RIO ORTOGR&Aacute;FICO </h3>
+
+<h4>
+CONFORME O PLANO DE<br />
+
+<br />
+
+REGULARIZA&Ccedil;&Atilde;O E
+SIMPLIFICA&Ccedil;&Atilde;O DA ESCRITA PORTUGUESA </h4>
+
+<br />
+
+I. S&atilde;o proscritas de todas as palavras portuguesas, ou
+aportuguesadas, as letras <em>k</em>,
+<em>w</em>,
+<em>y</em>, as quais ser&atilde;o
+respectivamente substitu&iacute;das pelas seguintes:
+<em>k</em> por
+<em>qu</em> antes de <em>e</em>,
+<em>i</em>, por
+<em>c</em> em qualquer outra
+situa&ccedil;&atilde;o; <em>w</em>
+por <em>u</em>, ou por <em>v</em>, conforme
+f&ocirc;r a sua
+pron&uacute;ncia; <em>y</em> por
+<em>i</em>. Escreveremos, pois, <em>caleidosc&oacute;pio</em>,
+<em>quermes</em>,
+<em>neutoniano</em>,
+<em>Venceslau</em>, <em>valsa</em>,
+<em>tipo</em>,
+<em>lira</em>,
+<em>fisiologia</em>, etc. <br />
+
+<br />
+
+Excep&ccedil;&otilde;es: 1.&ordf; Poder&atilde;o
+usar-se essas
+letras em voc&aacute;bulos derivados de nomes pr&oacute;prios
+estrangeiros, em que sejam leg&iacute;timamente empregadas; ex.:
+<em>kantismo</em>,
+<em>darwinismo</em>, <em>byroniano</em> (Kant,
+Darwin, Byron), os
+quais, por&ecirc;m, ser&aacute; l&iacute;cito escrever, em
+harmonia com a
+pronuncia&ccedil;&atilde;o, <em>cantismo</em>,
+<em>daru&igrave;nismo</em>,
+<em>baironiano</em>. Confrontem-se
+<em>Cop&eacute;rnico</em>, de <em>Kopernik</em>,
+<em>Antu&eacute;rpia</em>, de
+<em>Antwerp</em>,
+<em>(h)iate</em>, de
+<em>yacht</em>. <br />
+
+<br />
+
+2.&ordf; Continuam em uso os s&iacute;mbolos
+<em>W</em>, para denotar o <em>Oeste</em>, e
+<em>K</em> como abreviatura de unidade
+m&eacute;trica, e tamb&ecirc;m na forma internacional <em>kilo...</em>,
+que todavia se poder&aacute; escrever <em>quilo...</em>;
+tanto mais, que o <em>k</em> &eacute; um grosseiro
+<span class="pagenum">[22]</span>
+&ecirc;rro nesta palavra, pois o correspondente termo grego se
+escreve com <em>&chi;</em> e
+n&atilde;o <em>&kappa;</em>. <br />
+
+<br />
+
+II. O abeced&aacute;rio empregado em portugu&ecirc;s
+ficar&aacute; consistindo nas seguintes letras, e suas
+combina&ccedil;&otilde;es, e
+portanto s&oacute;mente com umas ou com outras se
+escrever&atilde;o todas as palavras portuguesas, ou aportuguesadas.
+Essas letras e combina&ccedil;&otilde;es s&atilde;o:
+<em>a b c &ccedil; ch d e f g h i j l lh m n nh o p qu r (rr)
+s (ss) t u v x z</em>. <br />
+
+<br />
+
+III. &Eacute; eliminada a letra
+<em>h</em> do interior de todos os
+voc&aacute;bulos portugueses, com excep&ccedil;&atilde;o do
+seu
+empr&ecirc;go, como sinal diacr&iacute;tico, nas
+combina&ccedil;&otilde;es
+<em>ch</em>,
+<em>lh</em>,
+<em>nh</em>, com os valores que as seguintes palavras
+exemplificam, e &uacute;nicamente para &ecirc;les: <em>chave</em>,
+<em>malha</em>,
+<em>manha</em>. Portanto, escrever-se
+h&atilde;o, sem <em>h</em>,
+<em>inibir</em>,
+<em>exortar</em>, etc., e, semelhantemente,
+<em>sa&iacute;r</em>,
+<em>coerente</em>, <em>pro&igrave;bir</em>,
+etc. <br />
+
+<br />
+
+IV. &Eacute; conservado o <em>h</em>
+inicial, quando a etimologia o justifique, como em <em>homem</em>,
+<em>humano</em>,
+<em>honra</em>,
+<em>hoje</em>; mas abolido onde
+&eacute; err&oacute;neo, como em
+<em>hontem</em>,
+<em>hir</em>,
+<em>hombro</em>, que se escrever&atilde;o <em>ontem</em>,
+<em>ir</em>,
+<em>ombro</em>. <br />
+
+<br />
+
+Quando a uma qualquer palavra com <em>h</em>
+inicial etimol&oacute;gico se acrescentar prefixo, suprimir-se
+h&aacute; o
+<em>h</em>; ex.:
+<em>desumano</em>, <em>inumano</em>,
+<em>desonra</em>,
+<em>filarm&oacute;nica</em>,
+<em>desist&oacute;ria</em>, etc. <br />
+
+<br />
+
+V. &Eacute; l&iacute;cito escrever
+<em>h</em> final, como sinal de
+interjei&ccedil;&atilde;o, <em>ah!</em>
+<em>oh!</em>; mas &eacute; proscrita esta
+letra final em todos os mais voc&aacute;bulos; ex.: <em>Sara</em>,
+<em>Jud&aacute;</em>,
+<em>raja</em> ou
+<em>raj&aacute;</em>, etc. <br />
+
+<br />
+
+VI. Em harmonia com a cl&aacute;usula III &eacute; eliminado o
+<em>h</em> dos grupos <em>rh</em>,
+<em>th</em>, ou outros quaisquer,
+inexactamente denominados etimol&oacute;gicos, e portanto
+escrever-se h&aacute;
+<em>teatro</em>, <em>ret&oacute;rica</em>,
+<em>aderir</em>,
+<em>aborrecer</em>,
+<em>sirgo</em>,
+<em>sorgo</em>,
+<em>caridade</em>,
+<em>crist&atilde;o</em>, <em>Cristo</em>,
+<em>monarca</em>,
+<em>t&eacute;cnica</em>,
+<em>cloro</em>, etc. O grupo
+<em>ch</em>, com o valor de <em>k</em> antes
+de
+<em>e</em>,
+<em>i</em>, ser&aacute;
+substitu&iacute;do por <em>qu</em>; ex.: <em>monarquia</em>,
+<em>arquitecto</em>,
+<em>qu&iacute;mica</em>,
+<em>querubim</em>. O grupo
+<em>ph</em> ser&aacute; expresso por <em>f</em>;
+ex.:
+<em>filosofia</em>,
+<em>frase</em>,
+<em>fen&iacute;cio</em>,
+<em>farol</em>,
+<em>f&iacute;sica</em>, <em>fisiologia</em>,
+<em>ninfa</em>,
+<em>profeta</em>, etc. Assim tamb&ecirc;m
+escreveremos <em>ditongo</em>,
+<em>t&iacute;sica</em>,
+<em>apotegma</em>, etc. <br />
+
+<br />
+
+VII. Nenhuma consoante se duplicar&aacute; no
+interior ou fim de voc&aacute;bulo, sen&atilde;o quando a
+pronuncia&ccedil;&atilde;o assim o exija, o que s&oacute;
+acontece com
+<em>rr</em>,
+<em>ss</em>,
+<em>mm</em>,
+<em>nn</em>, como nas seguintes palavras: <em>carro</em>,
+<em>cassa</em>,
+<em>emmalar</em>,
+<em>ennegrecer</em>. <br />
+
+<br />
+
+Nesta conformidade, escrever-se h&atilde;o com letras singelas as
+seguintes palavras, e outras que &eacute; h&aacute;bito
+escrever com letras dobradas: <em>abade</em>,
+<em>acusar</em>,
+<em>adi&ccedil;&atilde;o</em>,
+<em>afecto</em>,
+<em>sugerir</em>, <em>agravo</em>,
+<em>&ecirc;le</em>,
+<em>ela</em>,
+<em>aludir</em>,
+<em>chama</em>,
+<em>pano</em>,
+<em>anexo</em>,
+<em>aparecer</em>, <em>atribuir</em>,
+<em>meter</em>,
+<em>atitude</em>, etc. As letras
+<em>r</em> e
+<em>s</em> dobram-se, se a pron&uacute;ncia o exije,
+quando a qualquer voc&aacute;bulo se antep&otilde;e
+<span class="pagenum">[23]</span>
+prefixo terminado em vogal; ex.:
+<em>pressentir</em>,
+<em>prorrogar</em>, <em>ressuscitar</em>:
+cf.
+<em>arrasar</em>, de
+<em>raso</em>,
+<em>assegurar</em>, de
+<em>seguro</em>. <br />
+
+<br />
+
+VIII. S&atilde;o suprimidas as consoantes mudas, quando
+n&atilde;o influam no valor das vogais que as precedem; ex.:
+<em>autor</em>, <em>restrito</em>,
+<em>produto</em>,
+<em>produ&ccedil;&atilde;o</em>,
+<em>pronto</em>,
+<em>presun&ccedil;&atilde;o</em>,
+<em>satisfa&ccedil;&atilde;o</em>, <em>praticar</em>,
+<em>tratar</em>,
+<em>retratar</em>,
+<em>sinal</em>,
+<em>Madalena</em>,
+<em>aumento</em>,
+<em>In&aacute;cio</em>, <em>In&ecirc;s</em>,
+<em>assunto</em>,
+<em>assinar</em>,
+<em>sono</em>,
+<em>dano</em>,
+<em>condenar</em>, etc. <br />
+
+<br />
+
+IX. S&atilde;o conservadas as consoantes, usualmente mudas, quando
+facultativamente se profiram, ou quando influam no valor da vogal que
+as precede; ex.:
+<em>contrac&ccedil;&atilde;o</em>,
+<em>reac&ccedil;&atilde;o</em>, <em>direc&ccedil;&atilde;o</em>,
+<em>excep&ccedil;&atilde;o</em>,
+<em>adoptar</em>,
+<em>adop&ccedil;&atilde;o</em>,
+<em>espect&aacute;culo</em>,
+<em>car&aacute;cter</em>, <em>rectid&atilde;o</em>.
+<br />
+
+<br />
+
+Neste caso os voc&aacute;bulos aparentados, em que essas vogais
+perten&ccedil;am &agrave; s&iacute;laba predominante do
+voc&aacute;bulo, conservar&atilde;o, por analogia, a consoante
+muda; ex.;
+<em>contracto</em>, <em>directo</em>,
+<em>excepto</em>,
+<em>adopto</em>,
+<em>caracterizar</em>,
+<em>recto</em>,
+<em>acto</em>, em raz&atilde;o de <em>activo</em>,
+<em>ac&ccedil;&atilde;o</em>, etc. <br />
+
+<br />
+
+X. O empr&ecirc;go acertado das letras
+<em>ce</em>,
+<em>ci</em>, alternando com <em>(s)se</em>,
+<em>(s)si</em>, ou no interior do
+voc&aacute;bulo o de
+<em>&ccedil;</em>, alternando com <em>ss</em>,
+depende da origem
+d&ecirc;sses voc&aacute;bulos e do valor que as ditas letras
+indicavam, quando a
+pronuncia&ccedil;&atilde;o delas diferia, como ainda hoje
+difere dialectalmente em v&aacute;rias regi&otilde;es do norte
+de Portugal. A
+consulta ao <span class="smallcaps">Vocabul&aacute;rio</span>
+&eacute; indispens&aacute;vel para decidir da escolha. Como
+regra geral, <em>ce</em>,
+<em>ci</em>,
+<em>-&ccedil;-</em> correspondem a
+<em>ce</em>,
+<em>ci</em>,
+<em>ti</em> latinos, a <em>ce</em>,
+<em>ci</em>,
+<em>za</em>,
+<em>zo</em>,
+<em>zu</em> do castelhano actual, a
+<em>ss</em> ar&aacute;bicos, ou pertencem a
+voc&aacute;bulos de origem americana
+ind&iacute;gena, transcritos pelos autores peninsulares. <br />
+
+<br />
+
+Fica banido o <em>&ccedil;</em> inicial,
+que ser&aacute; substitu&iacute;do por
+<em>s</em> nos poucos voc&aacute;bulos em que
+etimol&oacute;gicamente
+figuraria; ex.: <em>sapato</em>,
+<em>sar&ccedil;a</em>, e n&atilde;o
+<em>&ccedil;apato</em>,
+<em>&ccedil;ar&ccedil;a</em>, como
+antes se escrevia, e ainda uma ou outra vez se escreve. <br />
+
+<br />
+
+XI. &Eacute; conservado o grupo inicial
+<em>sc</em>, das seguintes palavras e seus derivados e
+afins, em que o <em>s</em>
+&eacute; mudo: <em>scena</em>, <em>sci&ecirc;ncia</em>,
+<em>scetro</em>,
+<em>sc&eacute;ptico</em>,
+<em>scisma</em>,
+<em>scis&atilde;o</em>,
+<em>sci&aacute;tico</em>,
+<em>scintilar</em>, <em>scelerado</em>, e
+algum outro menos
+usual. <br />
+
+<br />
+
+XII. O empr&ecirc;go de <em>ch</em> ou de
+<em>x</em>, os quais hist&oacute;rica e ainda
+dialectalmente n&atilde;o eram nem s&atilde;o
+id&ecirc;nticos no valor fon&eacute;tico, regula-se pela sua
+origem, e a consulta ao <span class="smallcaps">Vocabul&aacute;rio</span>
+torna-se
+necess&aacute;ria. Deve ter-se em aten&ccedil;&atilde;o que
+<em>ch</em> corresponde a
+<em>cl</em>,
+<em>fl</em>,
+<em>pl</em>,
+<em>t'l</em> latinos, e a
+<em>ch</em> franc&ecirc;s nas palavras desta origem; <em>x</em>
+corresponde a <em>x</em> e a
+<em>s</em> latinos. Nos voc&aacute;bulos de origem
+ar&aacute;bica o
+empr&ecirc;go de <em>x</em>, e n&atilde;o de <em>ch</em>,
+&eacute;
+de rigor; assim, <em>xeque</em>, e
+n&atilde;o <em>che(i)k</em>. <br />
+
+<br />
+
+XIII. A escrita dos ditongos orais &eacute; a seguinte:
+<em>ai</em>,
+<em>&eacute;i</em>,
+<span class="pagenum">[24]</span>
+<em>ei</em>,
+<em>&oacute;i</em>,
+<em>oi</em>,
+<em>ui</em>,
+<em>au</em>,
+<em>&eacute;u</em>,
+<em>eu</em>,
+<em>iu</em>,
+<em>ou</em>, como em
+<em>ensaio</em>,
+<em>ensaiar</em>, <em>bat&eacute;is</em>,
+<em>bateis</em> (de
+<em>bater</em>),
+<em>s&oacute;is</em> (de
+<em>sol</em>),
+<em>sois</em> (verbo),
+<em>fui</em>,
+<em>pau</em>, <em>c&eacute;u</em>,
+<em>seu</em>,
+<em>viu</em>,
+<em>grou</em>, e portanto
+<em>pai(s)</em>,
+<em>amai(s)</em>,
+<em>gerais</em>, <em>r&eacute;is</em>,
+<em>rei(s)</em>,
+<em>far&oacute;is</em>,
+<em>r&oacute;is</em> (nome plural e
+verbo), <em>azuis</em>, etc. Ficam abolidas as escritas <em>ae</em>,
+<em>oe</em>,
+<em>ue</em>,
+<em>ao</em>,
+<em>eo</em>, para estes ditongos, quer em nomes, quer em
+formas verbais. <br />
+
+<br />
+
+XIV. A escrita dos ditongos nasais &eacute;:
+<em>&atilde;e</em>,
+<em>em</em>
+(<em>ens</em>),
+<em>&otilde;e</em>, <em>&atilde;o</em>,
+como em
+<em>m&atilde;e(s)</em>,
+<em>bem</em>,
+<em>bens</em>,
+<em>p&otilde;e(s)</em>,
+<em>bot&otilde;es</em>,
+<em>c&atilde;es</em>,
+<em>m&atilde;o(s)</em>, <em>&oacute;rf&atilde;o(s)</em>,
+<em>cidad&atilde;o(s)</em>. <br />
+
+<br />
+
+Escrever-se h&atilde;o com <em>am</em>
+final, em vez de <em>&atilde;o</em>, as
+formas verbais em que essa termina&ccedil;&atilde;o seja
+&aacute;tona, como <em>louvam</em>, <em>louvaram</em>
+(presente e
+pret&eacute;rito), diferente de
+<em>louvar&atilde;o</em> (futuro). <br />
+
+<br />
+
+Os voc&aacute;bulos terminados no ditongo
+<em>em</em> (equivalente a <em>&#7869;i</em>)
+receber&atilde;o o acento
+circunflexo quando forem poliss&iacute;labos com a
+&uacute;ltima s&iacute;laba predominante. D&ecirc;ste
+modo <em>porem</em>, do verbo <em>p&ocirc;r</em>,
+diferen&ccedil;ar-se h&aacute; de
+<em>por&ecirc;m</em>,
+conjun&ccedil;&atilde;o;
+<em>cont&ecirc;m</em>, do verbo <em>conter</em>,
+de
+<em>contem</em>, do verbo
+<em>contar</em>; assim igualmente, <em>armaz&ecirc;m</em>,
+<em>vint&ecirc;m</em>,
+<em>vint&ecirc;ns</em>,
+<em>algu&ecirc;m</em>, mas
+<em>viagem</em>, <em>origem</em>.
+(=<em>vi&aacute;gem</em>,
+<em>or&iacute;gem</em>). <br />
+
+<br />
+
+Os monoss&iacute;labos com esta termina&ccedil;&atilde;o
+dispensam a acentua&ccedil;&atilde;o gr&aacute;fica, por
+ser ociosa, e para que fiquem em harmonia com outros
+monoss&iacute;labos terminados em vogal, nasal; ex.: <em>bem</em>,
+<em>bens</em>,
+<em>tem</em>,
+<em>tens</em>; comparem-se
+<em>fim</em>,
+<em>som</em>, <em>um</em>;
+<em>fins</em>,
+<em>sons</em>,
+<em>uns</em>. <br />
+
+<br />
+
+O ditongo <em>&#361;i</em>
+de
+<em>muito</em>,
+<em>mui</em> dispensa igualmente o til na escrita usual. <br />
+
+<br />
+
+XV. A grafia das vogais nasais finais ser&aacute; a seguinte,
+j&aacute; consagrada:
+<em>&atilde;(s)</em>,
+<em>im</em>,
+<em>ins</em>,
+<em>om</em>,
+<em>ons</em>,
+<em>um</em>,
+<em>uns</em>, como em <em>l&atilde;(s)</em>,
+<em>irm&atilde;(s)</em>,
+<em>&oacute;rf&atilde;(s)</em>,
+<em>fim</em>,
+<em>fins</em>,
+<em>marfim</em>,
+<em>marfins</em>,
+<em>som</em>,
+<em>sons</em>, <em>jejum</em>,
+<em>jejuns</em>. <br />
+
+<br />
+
+No interior dos voc&aacute;bulos &eacute; a nasalidade da vogal
+expressa por <em>m</em> antes de
+<em>b</em>,
+<em>p</em>,
+<em>m</em>, e por
+<em>n</em> em qualquer outra
+situa&ccedil;&atilde;o, o que &eacute; j&aacute; uso
+estabelecido, mas ao qual conv&ecirc;m n&atilde;o se fazerem
+excep&ccedil;&otilde;es; assim escreveremos <em>circunst&acirc;ncia</em>,
+<em>circunscrever</em>,
+<em>conquanto</em>, com
+<em>n</em>, e n&atilde;o com <em>m</em>. <br />
+
+<br />
+
+XVI. &Eacute; conservado ao <em>e</em>
+inicial &aacute;tono o valor que tem de <em>i</em> em
+muitos voc&aacute;bulos,
+como <em>erguer</em>,
+<em>herdeiro</em>,
+<em>evitar</em>, <em>elogio</em>; sendo
+por&ecirc;m
+substitu&iacute;do por <em>i</em> nas
+palavras <em>igual</em>, <em>idade</em>,
+<em>igreja</em> e seus derivados, ortografia
+anterior que se lhes restabelece. &Eacute; semelhantemente
+conservado o
+<em>e</em> com o valor de <em>i</em>
+&aacute;tono antes
+de vogal, quando a analogia ou a etimologia o recomendem; ex.:
+<em>fealdade</em>,
+<em>desfear</em>, de <em>feio</em> (cf.
+<em>desfiar</em>, de
+<em>fio</em>),
+<em>ideal</em>,
+<em>meada</em>,
+<em>reagente</em>, etc. Restabelece-se
+<span class="pagenum">[25]</span>
+por&ecirc;m a verdadeira ortografia de
+<em>pior</em>,
+<em>lial</em>, <em>rial</em> (antes
+<em>peior</em>,
+<em>leial</em>,
+<em>reial</em>), em que um
+<em>ei</em> anterior se condensou em <em>i</em>,
+como aconteceu com
+<em>igreja</em> (forma antiga <em>eigreja</em>)
+e como ainda hoje acontece
+com o prefixo <em>eis-</em>
+(<em>ex-</em>), que &eacute; usualmente
+pronunciado <em>is</em>. O &uacute;ltimo
+exemplo citado, <em>rial</em>, de
+<em>rei</em>, fica assim
+diferen&ccedil;ado de <em>real</em>, procedente do
+latim <span style="letter-spacing: 0.2em;">res</span>.
+<br />
+
+<br />
+
+O verbo <em>criar</em> ser&aacute;
+semelhantemente escrito com <em>i</em>, pois a sua
+conjuga&ccedil;&atilde;o &eacute;
+<em>crio</em>,
+<em>crias</em>, e n&atilde;o
+<em>creio</em>,
+<em>creias</em>, e portanto escreveremos tamb&ecirc;m
+<em>criador</em>,
+<em>criatura</em>,
+<em>crian&ccedil;a</em>, qualquer que seja a
+acep&ccedil;&atilde;o em que se tomem tais
+palavras. O verbo <em>recrear</em>, todavia,
+escrever-se h&aacute; com <em>e</em>,
+porque a sua conjuga&ccedil;&atilde;o &eacute; com
+<em>ei</em>,
+<em>recreio</em>,
+<em>recreias</em>; devendo ter-se em
+aten&ccedil;&atilde;o que o
+<em>i</em> intercalar, para evitar o hiato <em>recreo</em>,
+s&oacute; tem cabimento
+quando o <em>e</em> do radical &eacute;
+predominante, e conseguintemente escreveremos
+<em>passear</em>,
+<em>cear</em>, <em>desfear</em>,
+<em>passeio</em>,
+<em>ceio</em>,
+<em>desfeio</em>, e n&atilde;o
+<em>passeiar</em>,
+<em>ceiar</em>, etc. <br />
+
+<br />
+
+H&aacute; consider&aacute;vel n&uacute;mero de verbos, como
+<em>alumiar</em>,
+<em>gloriar</em>, <em>aviar</em>, que se
+conjugam
+<em>alumio</em>,
+<em>glorio</em>,
+<em>avio</em>, sendo portanto a vogal final do seu radical
+<em>i</em> e n&atilde;o
+<em>e</em>. Todavia, por influ&ecirc;ncia daqueles em
+que essa vogal radical
+&eacute;, pelo contr&aacute;rio, <em>e</em>, que
+&aacute;tono se profere <em>i</em>,
+alguns verbos em <em>iar</em> confundiram-se com
+&ecirc;sses, e &eacute; j&aacute; hoje
+impratic&aacute;vel a correc&ccedil;&atilde;o. Os
+principais d&ecirc;stes verbos s&atilde;o os seguintes, e
+conv&ecirc;m que n&atilde;o se traslade a outros a
+irregularidade que se manifesta neles: <em>ansiar</em>,
+<em>anseio</em>;
+<em>negociar</em>,
+<em>negoceio</em>; <em>obsequiar</em>,
+<em>obsequeio</em>;
+<em>premiar</em>,
+<em>premeio</em>;
+<em>odiar</em>,
+<em>odeio</em>;
+<em>remediar</em>, <em>remedeio</em>. Em
+outros, menos triviais,
+&eacute; duvidoso o modo de os conjugar, como <em>licenciar</em>,
+<em>presenciar</em>,
+<em>sentenciar</em>, que muitos preferem conjugar
+<em>licencio</em>,
+<em>presencio</em>, <em>sentencio</em>,
+conquanto as formas
+<em>licenceio</em>,
+<em>presenceio</em>,
+<em>sentenceio</em> sejam muito mais usuais. &Eacute;
+claro que a irregularidade se n&atilde;o deve trasladar aos
+substantivos correspondentes, e que portanto escreveremos
+<em>&aacute;nsia</em> (e n&atilde;o
+<em>&acirc;ncea</em> ou <em>&acirc;ncia</em>),
+<em>neg&oacute;cio</em>,
+<em>obs&eacute;quio</em>,
+<em>&oacute;dio</em>,
+<em>pr&eacute;mio</em>,
+<em>rem&eacute;dio</em>, e assim tamb&ecirc;m com i
+os derivados,
+<em>odioso</em>,
+<em>obsequioso</em>, etc. <br />
+
+<br />
+
+XVII. Na pron&uacute;ncia do sul de Portugal o
+<em>s</em> antes de consoante surda, e quando &eacute;
+final, profere-se como
+<em>x</em> atenuado, e sendo a consoante sonora, como <em>j</em>,
+igualmente atenuado. Se em tais condi&ccedil;&otilde;es
+est&aacute;
+precedido de <em>e</em> surdo, &ecirc;ste <em>e</em>,
+por
+assimila&ccedil;&atilde;o, palataliza-se e fica sendo igual a <em>i</em>
+na mesma
+situa&ccedil;&atilde;o, de modo que os dois
+voc&aacute;bulos <em>pescar</em> e <em>piscar</em>
+s&oacute;
+artificialmente se distinguem; assim tamb&ecirc;m a primeira
+s&iacute;laba de
+<em>esteira</em> confunde-se com a primeira
+s&iacute;laba de
+<em>hist&oacute;ria</em>, e tanto, que
+antigamente se escrevia
+<span class="pagenum">[26]</span>
+<em>est&oacute;rea</em> (com <em>ea</em>,
+para se evitar a leitura
+<em>estorja</em>, pois nenhuma diferen&ccedil;a
+gr&aacute;fica se fazia entre <em>i</em> e
+<em>j</em>). Para quem profira do mesmo modo <em>es</em>
+e
+<em>is</em>, &aacute;tonos, &eacute;
+necess&aacute;rio recomendar que se regule pelas formas em que <em>e</em>
+ou <em>i</em> sejam predominantes, a fim de acertar com a
+devida escrita. No exemplo citado, <em>pescar</em> procede
+de <em>pesca</em>, e portanto com <em>e</em>
+se
+escrever&aacute;;
+<em>piscar</em>, de
+<em>pisco</em>, ortografar-se h&aacute; com <em>i</em>.
+<br />
+
+<br />
+
+A confus&atilde;o entre <em>es</em> e
+<em>is</em> mais freq&ugrave;ente, e que
+d&aacute; margem a in&uacute;meros erros de ortografia, ocorre
+com os prefixos <em>des-</em> e
+<em>dis-</em>. &Eacute;
+usual&iacute;ssimo ver-se escrito
+<em>destribui&ccedil;&atilde;o</em>, por exemplo.
+Cumpre advertir que o valor d&ecirc;stes dois prefixos, assim
+confundidos na pron&uacute;ncia meridional,
+&eacute; diverso: <em>des-</em>, &eacute;
+privativo, <em>dis-</em> indica
+&laquo;reparti&ccedil;&atilde;o,
+divis&atilde;o&raquo;. Escreveremos pois <em>destinto</em>
+com
+<em>e</em>, de
+<em>destingir</em>, de <em>tingir</em>,
+<em>distinto</em> com
+<em>i</em> de
+<em>distinguir</em>, e assim tamb&ecirc;m
+<em>dispersar</em>, <em>discri&ccedil;&atilde;o</em>
+(que
+se n&atilde;o deve confundir com
+<em>descri&ccedil;&atilde;o</em>, de <em>descrever</em>),
+<em>disc&oacute;rdia</em>,
+<em>discorrer</em>, etc. <br />
+
+<br />
+
+XVIII. Sendo o <em>e</em> &aacute;tono,
+antes de consoante palatal, <em>ch</em>, <em>x</em>,
+<em>j</em>,
+<em>lh</em>,
+<em>nh</em>, por
+assimila&ccedil;&atilde;o igual a
+<em>i</em> surdo, d&aacute;-se
+freq&ugrave;entemente a d&uacute;vida sobre a escrita com
+<em>e</em> ou com
+<em>i</em>, em s&iacute;labas &aacute;tonas.
+Conv&ecirc;m, do mesmo modo, recorrer
+&aacute;s formas em que a vogal duvidosa seja predominante; assim, <em>lenheiro</em>,
+de
+<em>lenha</em>, escrever-se h&aacute; com
+<em>e</em>,
+<em>linheiro</em>, de
+<em>linho</em>, com <em>i</em>. <br />
+
+<br />
+
+XIX. Por outra parte, no centro de Portugal o
+<em>e</em> fechado antes das mencionadas consoantes
+palatais
+<em>ch</em>,
+<em>x</em>,
+<em>j</em>, <em>lh</em>,
+<em>nh</em> profere-se como
+<em>&acirc;</em>, e esta
+pron&uacute;ncia vai-se difundindo cada vez mais no
+pa&iacute;s:
+<em>fecho</em>,
+<em>cereja</em>,
+<em>selha</em>,
+<em>senha</em> s&atilde;o pronunciados
+<em>f&acirc;xo</em>,
+<em>cer&acirc;ja</em>,
+<em>s&acirc;lha</em>,
+<em>s&acirc;nha</em>. Valendo o
+<em>a</em> antes de consoante nasal, <em>m</em>,
+<em>n</em>,
+<em>nh</em> por
+<em>&acirc;</em> fechado, em geral, produz-se, pela
+concorr&ecirc;ncia destas duas leis
+fon&eacute;ticas, onde elas predominam, a confus&atilde;o entre
+<em>senha</em>, &laquo;sinal&raquo;, e <em>sanha</em>,
+&laquo;ira&raquo;,
+entre <em>lenho</em>,
+&laquo;madeiro&raquo;, e
+<em>lanho</em>, &laquo;golpe&raquo;. <br />
+
+<br />
+
+Para n&atilde;o se deformar a l&iacute;ngua p&aacute;tria,
+torna-se essencial a devida distin&ccedil;&atilde;o
+gr&aacute;fica, ainda
+quando se n&atilde;o observe na fala, e &eacute;
+f&aacute;cil acertar-se com a escrita, se
+se atender &agrave; pron&uacute;ncia dessa vogal, duvidosa
+quando
+t&oacute;nica, em formas nas quais ela seja &aacute;tona:
+<em>sanha</em>, &laquo;ira&raquo;,
+escreve-se com <em>a</em>, porque dizemos
+<em>assanhar</em>, e n&atilde;o
+<em>assenhar</em>, ao passo que um verbo derivado de <em>senha</em>
+(<span style="letter-spacing: 0.2em;">signa</span>,
+latino)
+<em>desenhar</em>, se n&atilde;o profere <em>desanhar</em>;
+<em>lanho</em>, &laquo;golpe&raquo;,
+tem um derivado <em>alanhar</em>, que
+n&atilde;o &eacute; <em>alenhar</em>,
+e conseguintemente deve escrever-se com <em>a</em>.
+<br />
+
+<br />
+
+<span class="pagenum">[27]</span>
+XX. Continua o empr&ecirc;go tradicional de
+<em>o</em> &aacute;tono valendo por <em>u</em>,
+quer final, quer medial, quer
+inicial, ou &ecirc;le seja anal&oacute;gico, como em
+<em>formosura</em>, de
+<em>formoso</em>, de
+<em>forma</em>, <em>porteiro</em>, de
+<em>porta</em>,
+<em>correr</em>,
+<em>c&ocirc;rro</em>,
+<em>corres</em>, ou etimol&oacute;gico como em <em>monumento</em>,
+latim
+<em>monumentum</em>,
+<em>governar</em>, castelhano <em>gobernar</em>,
+latim popular
+<em><span style="letter-spacing: 0.2em;">gobernare</span></em>,
+latim cl&aacute;ssico <span style="letter-spacing: 0.2em;">g&#365;bernare</span>.
+Na escrita ser&aacute;
+indispens&aacute;vel atender-se &aacute; forma primitiva,
+portuguesa ou latina, ou recorrer-se ao competente <span class="smallcaps">Vocabul&aacute;rio</span>,
+pois os casos duvidosos, para os indoutos, s&atilde;o aos milhares.
+<br />
+
+<br />
+
+Antes de vogal como em
+<em>m&aacute;goa</em>,
+<em>n&oacute;doa</em>, a
+conjuga&ccedil;&atilde;o dos respectivos verbos, <em>magoar</em>,
+<em>mag&ocirc;a</em>,
+<em>ennodoar</em>,
+<em>ennod&ocirc;a</em>, como em <em>soar</em>,
+<em>s&ocirc;a</em>, indica a escrita
+correcta. Com verbos como <em>aguar</em>, cuja
+conjuga&ccedil;&atilde;o &eacute; incerta, &eacute;
+prefer&iacute;vel escrev&ecirc;-los com <em>u</em>,
+e assim
+tamb&ecirc;m <em>&aacute;gua</em>,
+<em>r&eacute;gua</em>,
+<em>l&eacute;gua</em>, visto que a raz&atilde;o da
+escrita com
+<em>o</em> era principalmente o evitar-se que <em>u</em>
+fosse lido como
+<em>v</em>, quando nenhuma distin&ccedil;&atilde;o
+fixa e assente existia, para se
+determinar quando as duas formas <em>u</em>,
+<em>v</em> eram consoantes ou vogais. Feita a
+distin&ccedil;&atilde;o, como h&aacute; mais de um
+s&eacute;culo se faz, quer na escrita, quer na imprensa, deixaram
+de ser
+necess&aacute;rios &ecirc;sse e outros expedientes
+gr&aacute;ficos, como a
+adjun&ccedil;&atilde;o de <em>h</em> a
+<em>u</em> ou a
+<em>i</em>, para indicar serem vogais, e
+n&atilde;o consoantes, o que motivou as grafias
+<em>hiate</em>,
+<em>huivar</em>,
+<em>hia</em>, para que <em>uivar</em>,
+<em>iate</em>,
+<em>ia</em> se n&atilde;o lessem
+<em>vivar</em>,
+<em>jate</em>,
+<em>j&aacute;</em>. Alguns <em>hh</em> e
+alguns
+<em>oo</em> teem essa origem a
+explic&aacute;-los. <br />
+
+<br />
+
+XXI. No centro de Portugal o digrama
+<em>ou</em>, quando t&oacute;nico, confunde-se na
+pronuncia&ccedil;&atilde;o com
+<em>&ocirc;</em>, fechado. A
+diferen&ccedil;a entre os dois s&iacute;mbolos,
+<em>&ocirc;</em>,
+<em>ou</em>, &eacute; de rigor que se mantenha,
+n&atilde;o s&oacute; porque, hist&oacute;rica e
+tradicionalmente, &ecirc;les sempre foram e continuam a ser
+diferen&ccedil;ados
+na escrita, mas tamb&ecirc;m porque a
+distin&ccedil;&atilde;o de valor
+se observa em grande parte do pa&iacute;s, do Mondego para norte.
+Outra raz&atilde;o se deve apontar ainda, e essa &eacute; que
+<em>ou</em> &aacute;tono ou conserva o valor que lhe
+&eacute; pr&oacute;prio, ou,
+popularmente, se profere <em>&ograve;</em>; ao passo
+que
+<em>&ocirc;</em> vale por
+<em>u</em> nas s&iacute;labas
+&aacute;tonas; assim, por exemplo, <em>roubar</em>, de
+<em>roubo</em>, n&atilde;o altera o valor do <em>ou</em>
+do radical, o que
+n&atilde;o acontece, por exemplo, com <em>rogar</em>,
+de
+<em>r&ocirc;go</em>, em que
+<em>o</em> vale por
+<em>u</em>, se n&atilde;o &eacute;
+predominante. Duas excep&ccedil;&otilde;es, pelo menos, existem
+modernamente:
+<em>apoquentar</em>, de <em>pouco</em>, e
+<em>aposentar</em>, de
+<em>pouso</em>, que antes eram <em>apouquentar</em>,
+<em>apousentar</em>. A
+redu&ccedil;&atilde;o deve ter tido origem no sul, em que <em>ou</em>
+se
+confunde com <em>&ocirc;</em>. <br />
+
+<br />
+
+&Ecirc;ste ditongo <em>ou</em> alterna em
+qu&aacute;si todos os voc&aacute;bulos com o ditongo <em>oi</em>,
+ao qual muitos
+d&atilde;o a prefer&ecirc;ncia, exceptuando
+<span class="pagenum">[28]</span>
+por&ecirc;m certos voc&aacute;bulos como <em>outro</em>,
+<em>roubo</em>, etc. A altern&acirc;ncia
+d&aacute;-se principalmente antes de
+<em>r</em>,
+<em>s</em>, como em <em>ouro</em>,
+<em>cousa</em>;
+<em>oiro</em>,
+<em>coisa</em>. <br />
+
+<br />
+
+Quem prefira <em>oi</em> a
+<em>ou</em> assim escrever&aacute;, pois
+qualquer das formas &eacute; l&iacute;cita na maioria dos
+voc&aacute;bulos, como se disse. Nas formas verbais,
+por&ecirc;m, como a 3.&ordf; pessoa do singular do
+pret&eacute;rito
+<em>louvou</em>, n&atilde;o &eacute;
+admitido o ditongo <em>oi</em> por <em>ou</em>,
+nem tampouco em
+<em>coube</em>,
+<em>soube</em>,
+<em>trouxe</em>, etc. <br />
+
+<br />
+
+Advertir-se h&aacute; que &eacute; err&oacute;nea a forma
+<em>poude</em> em vez de <em>pude</em>,
+1.&ordf;
+pessoa, e
+<em>p&ocirc;de</em>, 3.&ordf; pessoa do
+presente do verbo <em>poder</em>, que tem origem diferente
+(<span style="letter-spacing: 0.2em;">potui</span>,
+<span style="letter-spacing: 0.2em;">potuit</span>,
+latinos) da que vemos em <em>coube</em>,
+<em>soube</em> (lat.
+<span style="letter-spacing: 0.2em;">capui</span>(t),
+<span style="letter-spacing: 0.2em;">sapui</span>(t)),
+comum &agrave;
+1.&ordf; e
+3.&ordf; pessoas do mesmo tempo verbal dos verbos
+<em>caber</em> e
+<em>saber</em>. Um qualquer
+indiv&iacute;duo, origin&aacute;rio das regi&otilde;es em
+que <em>ou</em>
+&eacute; diferente de
+<em>&ocirc;</em> no valor, n&atilde;o
+conjugar&aacute; jamais assim erradamente o verbo
+<em>poder</em>, nas duas formas citadas, nas quais
+n&atilde;o h&aacute; o ditongo
+<em>ou</em>, como em <em>coube</em>,
+<em>soube</em>,
+<em>trouxe</em>, mas sim
+<em>u</em> e
+<em>&ocirc;</em> fechado. <br />
+
+<br />
+
+XXII. Acentua&ccedil;&atilde;o
+gr&aacute;fica. <br />
+
+<br />
+
+Como &eacute; uso corrente, marcam-se com o devido acento, agudo ou
+circunflexo, os voc&aacute;bulos terminados em
+<em>a</em>,
+<em>e</em>, <em>o</em> t&oacute;nicos,
+seguidos, ou
+n&atilde;o, de <em>s</em>, e por analogia
+os terminados em <em>em</em>,
+<em>ens</em>; ex.:
+<em>alvar&aacute;(s)</em>,
+<em>louvar&aacute;(s)</em>,
+<em>mar&eacute;(s)</em>, <em>merc&ecirc;(s)</em>,
+<em>portal&oacute;(s)</em>,<em>
+av&ocirc;(s)</em>, e bem assim os
+monoss&iacute;labos, como <em>p&aacute;(s)</em>,
+<em>s&eacute;(s)</em>,
+<em>s&ecirc;(s)</em>,
+<em>s&oacute;(s)</em>;
+<em>vint&ecirc;m</em>,
+<em>vint&ecirc;ns</em>,
+<em>cont&ecirc;m</em>,
+<em>cont&ecirc;ns</em>; os monoss&iacute;labos em <em>em</em>,
+<em>ens</em>, dispensam a
+acentua&ccedil;&atilde;o: <em>bem</em>,
+<em>bens</em>,
+<em>tem</em>,
+<em>tens</em>. <br />
+
+<br />
+
+XXIII. O sinal denominado til (~) vale por acento t&oacute;nico
+quando n&atilde;o haja
+outro acento gr&aacute;fico a designar a
+s&iacute;laba predominante do voc&aacute;bulo; ex.:
+<em>cidad&atilde;o(s)</em>,
+<em>escriv&atilde;o</em>, <em>escriv&atilde;es</em>,
+<em>na&ccedil;&atilde;o</em>,
+<em>na&ccedil;&otilde;es</em>,
+<em>m&atilde;o(s)</em>,
+<em>m&atilde;e(s)</em>; mas,
+<em>our&eacute;g&atilde;o(s)</em>, <em>r&aacute;b&atilde;o(s)</em>,
+<em>Est&ecirc;v&atilde;o</em>,
+<em>Crist&oacute;v&atilde;o</em>,
+etc. <br />
+
+<br />
+
+XXIV. As palavras terminadas em
+<em>i</em>,
+<em>u</em>, vogal nasal ou ditongo, seguidos ou
+n&atilde;o de
+<em>s</em>, ou em outras consoantes, excepto na
+termina&ccedil;&atilde;o
+<em>em</em>,
+<em>ens</em>, entende-se terem como s&iacute;laba
+predominante a &uacute;ltima, n&atilde;o se
+acentuando portanto gr&aacute;ficamente sen&atilde;o as
+excep&ccedil;&otilde;es a esta regra; ex.:
+<em>javali(s)</em>, <em>peru(s)</em>,
+<em>ma&ccedil;&atilde;(s)</em>,
+<em>atum</em>,
+<em>atuns</em>,
+<em>marau(s)</em>,
+<em>arrais</em>,
+<em>esqueceu</em>, <em>judeu(s)</em>,
+<em>painel</em>,
+<em>farei(s)</em>,
+<em>mulher</em>,
+<em>vencer</em>,
+<em>timidez</em>, <em>feliz</em>,
+<em>arroz</em>, <em>alca&ccedil;uz</em>,
+<em>lioz</em>, <em>alcatruz</em>; mas,
+<em>qu&aacute;si</em>,
+<em>V&eacute;nus</em>, <em>&oacute;rf&atilde;(s)</em>,
+<em>&aacute;lbum</em>,
+<em>am&aacute;veis</em>,
+<em>f&aacute;cil</em>,
+<em>f&aacute;ceis</em>,
+<em>s&aacute;vel</em>,
+<em>s&aacute;veis</em>,
+<em>far&iacute;eis</em>, <em>alc&aacute;&ccedil;ar</em>,
+<em>car&aacute;cter</em> (plural
+<em>caracteres</em>),
+<em>m&aacute;rtir</em>,
+<em>s&oacute;ror</em>,
+<em>c&ocirc;nsul</em>. <br />
+
+<br />
+
+XXV. Os nomes terminados em <em>em</em>,
+<em>ens</em>, e as formas verbais em <em>am</em>,
+<em>em</em>, entende-se terem como s&iacute;laba
+predominante
+<span class="pagenum">[29]</span>
+a pen&uacute;ltima, que se n&atilde;o assinala com
+acento gr&aacute;fico; ex. <em>louvam</em>,
+<em>louvaram</em> (cf.
+<em>louvar&atilde;o</em>, futuro),
+<em>porem</em>, <em>contem</em> (dos verbos
+<em>p&ocirc;r</em>,
+<em>contar</em>), marcando-se o acento gr&aacute;fico
+quando a s&iacute;laba predominante seja a
+&uacute;ltima; ex.: <em>por&ecirc;m</em>,
+<em>cont&ecirc;m</em> (de
+<em>conter</em>),
+<em>armaz&ecirc;m</em>,
+<em>armaz&ecirc;ns</em>,
+<em>Jerusal&ecirc;m</em>, <em>Bel&ecirc;m</em>.
+<br />
+
+<br />
+
+XXVI. Todos os voc&aacute;bulos cuja s&iacute;laba predominante
+seja a antepen&uacute;ltima ter&atilde;o essa s&iacute;laba
+marcada com o competente acento escrito; ex.:
+<em>s&aacute;bado(s)</em>,
+<em>c&acirc;mara(s)</em>,
+<em>c&eacute;dula(s)</em>, <em>p&ecirc;ssego(s)</em>,
+<em>s&ecirc;mola(s)</em>,
+<em>conc&ecirc;ntrico(s)</em>,
+<em>t&iacute;tulo(s)</em>,
+<em>&iacute;ntimo(s)</em>, <em>pr&oacute;digo(s)</em>,
+<em>c&oacute;modo(s)</em>,
+<em>l&ocirc;brego(s)</em>,
+<em>l&uacute;grube(s)</em>,<em>
+&uacute;nico(s)</em>; <em>&aacute;rea(s)</em>,
+<em>&aacute;ria(s)</em>,
+<em>&aacute;rduo(s)</em>,
+<em>m&aacute;goa(s)</em>,
+<em>contempor&acirc;neo(s)</em>, <em>Lib&acirc;nio</em>,
+<em>&acirc;nuo</em>,
+<em>prosc&eacute;nio(s)</em>,
+<em>g&eacute;meo(s)</em>,
+<em>ing&eacute;nuo(s)</em>, <em>s&ecirc;mea(s)</em>,
+<em>virg&iacute;neo(s)</em>,
+<em>ins&oacute;nia(s)</em>,
+<em>f&uacute;ria(s)</em>,
+<em>fac&uacute;ndia(s)</em>,
+<em>&acirc;ndito(s)</em>, <em>arg&ecirc;nteo(s)</em>,
+<em>f&iacute;mbria(s)</em>,
+<em>verg&ocirc;ntea(s)</em>,
+<em>n&uacute;ncio(s)</em>,
+<em>dem&oacute;nio(s)</em>, <em>Ant&oacute;nio</em>,
+<em>Ant&oacute;nia</em>,
+<em>infort&uacute;nio</em>,
+<em>farmac&ecirc;utico</em>, etc. <br />
+
+<br />
+
+XXVII. O acento marcado nos esdr&uacute;xulos &eacute;
+diferencial com rela&ccedil;&atilde;o aos voc&aacute;bulos
+que,
+escritos com as mesmas letras, tenham por s&iacute;laba
+predominante a
+pen&uacute;ltima, ou a &uacute;ltima; ex.:
+<em>f&aacute;brica</em>, substantivo, e
+<em>fabrica</em>, verbo; <em>r&eacute;plica</em>,
+substantivo, e
+<em>replica</em>, verbo:
+<em>&iacute;ndico</em>, adjectivo, e <em>indico</em>,
+verbo;
+<em>hist&oacute;ria</em>, substantivo, e
+<em>historia</em>
+(<em>r&iacute;</em>), verbo; <em>tel&eacute;grafo</em>,
+substantivo, e
+<em>telegrafo</em>
+(<em>gr&aacute;</em>), verbo, etc. <br />
+
+<br />
+
+XXVIII. Quando um qualquer voc&aacute;bulo que tenha por
+s&iacute;laba predominante a pen&uacute;ltima, e cuja vogal
+nessa s&iacute;laba seja <em>e</em> ou
+<em>o</em> abertos, f&ocirc;r
+hom&oacute;grafo com outro em que &ecirc;sse <em>e</em>
+ou
+<em>o</em> seja fechado, marcar-se
+h&atilde;o &ecirc;stes com o acento circunflexo. Assim se
+diferen&ccedil;ar&atilde;o
+<em>r&ecirc;go</em>, substantivo, e <em>rego</em>,
+verbo:
+<em>p&ecirc;go</em>, ave, e
+<em>pego</em>, abismo, ou forma do verbo <em>pegar</em>;
+<em>r&ocirc;go</em>,
+substantivo, e <em>rogo</em>, verbo;
+<em>s&ocirc;bre</em>,
+preposi&ccedil;&atilde;o, e <em>sobre</em>, verbo;
+<em>m&ecirc;do</em>, susto, e
+<em>medo</em>, nome &eacute;tnico;
+<em>d&ecirc;mos</em>, presente do subjuntivo, e <em>demos</em>,
+pret&eacute;rito (do verbo <em>dar</em>). <br />
+
+<br />
+
+XXIX. Diferen&ccedil;ar-se h&atilde;o pelo acento agudo os
+seguintes voc&aacute;bulos:
+<em>p&aacute;ra</em>, verbo, de <em>para</em>,
+preposi&ccedil;&atilde;o;
+<em>p&eacute;lo</em>, <em>p&eacute;la</em>,
+de
+<em>p&ecirc;lo</em> substantivo, e de
+<em>pelo</em>,
+<em>pela</em> (<em>per
+lo</em>, <em>per la</em>, <em>per o</em>,
+<em>per
+a</em>);
+<em>p&oacute;lo</em>, substantivo, de
+<em>polo</em> (forma antiquada, em vez de <em>pelo</em>);
+e pelo circunflexo,
+<em>p&ecirc;ra</em>, de
+<em>pera</em>, forma antiga e
+popular da
+proposi&ccedil;&atilde;o
+<em>para</em>;
+<em>qu&ecirc;</em>, de
+<em>que</em> procl&iacute;tico, &aacute;tono; <em>c&ocirc;mo</em>,
+verbo, de <em>como</em>,
+part&iacute;cula. Pelo agudo se diferen&ccedil;ar&aacute; a
+forma do pret&eacute;rito,
+<em>louv&aacute;mos</em>, da do presente, <em>louvamos</em>.<br />
+
+<br />
+
+XXX. As
+formas verbais
+<em>d&ecirc;em</em>,
+<em>l&ecirc;em</em>,
+<em>v&ecirc;em</em>,
+<em>cr&ecirc;em</em> (de <em>dar</em>,
+<em>ler</em>,
+<em>ver</em>,
+<em>crer</em>) receber&atilde;o o acento
+circunflexo, ficando assim distintas de outras como
+<em>te(e)m</em>,
+<em>ve(e)m</em>, de
+<em>ter</em>,
+<em>vir</em>. <br />
+
+<br />
+
+XXXI. Quando a segunda de duas vogais consecutivas
+<span class="pagenum">[30]</span>
+seja <em>i</em> ou <em>u</em>, que
+n&atilde;o forme ditongo
+com a vogal precedente, marcar-se h&aacute; com o acento agudo, se
+f&ocirc;r t&oacute;nica; ex.:
+<em>sa&iacute;</em>, <em>sa&iacute;da</em>,
+<em>fa&iacute;sca</em>,
+<em>sa&uacute;de</em>,
+<em>bala&uacute;stre</em>,
+<em>ra&iacute;zes</em>,
+<em>ba&uacute;(s)</em>. Se f&ocirc;r
+&aacute;tona pode assinalar-se com o acento grave; ex.:
+<em>sa&igrave;mento</em>,
+<em>fa&igrave;scar</em>, <em>sa&ugrave;dar</em>,
+<em>enra&igrave;zado</em>,
+<em>aba&ugrave;lado</em>. &Eacute;
+licito dispensar-se o agudo se a consoante seguinte n&atilde;o
+f&ocirc;r
+<em>s</em>; ex.:
+<em>ainda</em>,
+<em>raiz</em>, <em>sair</em>, contanto que
+n&atilde;o
+inicie outra s&iacute;laba. Podem, portanto, escrever-se <em>Coimbra</em>,
+<em>raiz</em>,
+<em>sair</em>, sem acento, mas exigem-no <em>sa&iacute;da</em>,
+<em>sa&iacute;ra</em>,
+<em>sa&uacute;de</em>,
+<em>ra&iacute;zes</em>,
+<em>ata&uacute;de</em>, etc. <br />
+
+<br />
+
+XXXII. Os ditongos <em>&eacute;i</em>,
+<em>&oacute;i</em>,
+<em>&eacute;u</em>, sempre finais
+t&oacute;nicos, receber&atilde;o o acento agudo, que os
+diferen&ccedil;a de
+<em>ei</em>,
+<em>oi</em>,
+<em>eu</em>, fechados; ex.: <em>pain&eacute;is</em>,
+<em>her&oacute;is</em>,
+<em>chap&eacute;us</em>; em
+<em>r&eacute;is</em>,
+<em>bat&eacute;is</em>, <em>pap&eacute;is</em>,
+<em>s&oacute;is</em> &ecirc;sse
+acento distingue tais voc&aacute;bulos dos seus
+hom&oacute;grafos <em>reis</em> (de
+<em>rei</em>),
+<em>bateis</em>,
+<em>papeis</em> (de
+<em>bater</em>,
+<em>papar</em>), <em>sois</em> (do verbo
+<em>ser</em>). Outros exemplos s&atilde;o
+<em>b&oacute;ia</em>,
+<em>j&oacute;ia</em> (cf.
+<em>joio</em>, com <em>o</em> fechado),
+<em>gib&oacute;ia</em>,
+<em>her&oacute;i(s)</em>, etc. <br />
+
+<br />
+
+XXXIII. H&iacute;fen.<br />
+
+<br />
+
+Os voc&aacute;bulos compostos cujos elementos conservam a aua
+independ&ecirc;ncia fon&eacute;tica unem-se por
+h&iacute;fen (-) e conservam igualmente a sua
+acentua&ccedil;&atilde;o; ex.:
+<em>&aacute;gua-p&eacute;</em>,
+<em>p&aacute;ra-raios</em>, <em>guarda-p&oacute;</em>.
+O
+h&iacute;fen repetir-se h&aacute; na linha imediata, quando por
+&ecirc;le se fa&ccedil;a a
+separa&ccedil;&atilde;o sil&aacute;bica de linha para
+linha; ex.: <em>p&aacute;ra-/-raios</em>.
+Quando um dos termos do voc&aacute;bulo composto n&atilde;o
+existe independente em portugu&ecirc;s, na sua forma integral,
+unem-se os dois elementos sem h&iacute;fen; ex.: <em>clarab&oacute;ia</em>,
+<em>fidalgo</em>. Outro tanto se
+far&aacute; quando a no&ccedil;&atilde;o do composto se
+haja perdido, como em
+<em>solfa</em>,
+<em>dezoito</em> (<em>dez-a-oito</em>). <br />
+
+<br />
+
+XXXIV. O h&iacute;fen ser&aacute; utilizado tamb&ecirc;m
+nos seguintes casos: <br />
+
+<br />
+
+a) Unir os pronomes pessoais encl&iacute;ticos aos respectivos
+verbos, de que s&atilde;o complemento; ex.:
+<em>louv&aacute;-lo</em>,
+<em>dev&ecirc;-lo</em>, <em>puni-lo</em>,
+<em>d&aacute;-nos</em>,
+<em>dou-vos</em>,
+<em>falo-lhes</em>, etc. A
+acentua&ccedil;&atilde;o do verbo mant&ecirc;m-se, como se
+n&atilde;o se lhes unissem
+&ecirc;sses complementos. S&atilde;o erros
+inadmiss&iacute;veis, mas muito
+freq&ugrave;entes, <em>louval-o</em>,
+<em>devel-o</em>,
+<em>punil-o</em>, etc. <br />
+
+<br />
+
+b) Os adv&eacute;rbios <em>mal</em>,
+<em>bem</em>, formando o primeiro elemento de um composto,
+unem-se ao segundo elemento por h&iacute;fen, quando sem
+&ecirc;le a soletra&ccedil;&atilde;o seria
+errada; ex.:
+<em>bem-aventuran&ccedil;a</em>, <em>mal-logrado</em>,
+para que se
+n&atilde;o leiam <em>be
+maventuran&ccedil;a</em>, <em>ma logrado</em>.
+Este &uacute;ltimo,
+todavia, pode ler-se tamb&ecirc;m <em>malogrado</em>,
+pois dizemos
+<em>malograr</em>,
+<em>mal&ocirc;gro</em>. <br />
+
+<br />
+
+A palavra <em>aguardente</em>
+formar&aacute; o seu plural como
+<em>aguardentes</em>; se por&eacute;m se preferir
+separar os dois elementos, <em>&aacute;gua-ardente</em>,
+o plural
+ser&aacute;
+<em>&aacute;guas-ardentes</em>.
+<br />
+
+<br />
+
+<span class="pagenum"><a name="p31">[31]</a></span>
+XXXV. H&aacute; voc&aacute;bulos que, sendo derivados, seguem a
+analogia dos voc&aacute;bulos compostos, com os seus elementos
+unidos por h&iacute;fen, em terem dois acentos t&oacute;nicos
+dos quais &eacute; predominante o segundo; s&atilde;o
+&ecirc;les os
+aumentativos e deminutivos formados com o infixo <em>z</em>,
+e os adv&eacute;rbios derivados com o sufixo <em>-mente</em>.
+Se os
+adjectivos ou substantivos de que se formam terminam em vogal com
+acento agudo, muda-se &ecirc;ste em acento grave, ex.:
+<em>s&ograve;zinho</em>,
+<em>caf&egrave;zinho</em>, <em>m&agrave;zona</em>,
+etc.
+Esta mudan&ccedil;a tem por causa o evitar-se que, escrevendo-se
+<em>m&aacute;zona</em>, por exemplo, se
+entenda ser a primeira a s&iacute;laba predominante. Nos
+adv&eacute;rbios, por&ecirc;m, formados com o referido sufixo
+<em>-mente</em>, que antes era um substantivo, a
+acentua&ccedil;&atilde;o com o agudo, ou o
+circunflexo mant&ecirc;m-se, por n&atilde;o poder dar-se a
+confus&atilde;o apontada: <em>f&aacute;cilmente</em>,
+<em>cort&ecirc;smente</em>,
+<em>s&oacute;mente</em>. <br />
+
+<br />
+
+XXXVI. Ap&oacute;strofo. <br />
+
+<br />
+
+&Eacute; quasi abolido &ecirc;ste sinal ortogr&aacute;fico,
+absolutamente in&uacute;til para a leitura, e de
+introdu&ccedil;&atilde;o
+relativamente moderna. O seu empr&ecirc;go limitar-se h&aacute;
+a indicar,
+principalmente na poesia, a supress&atilde;o de uma letra, que
+usualmente se escreve na prosa, como em
+<em>esp'ran&ccedil;a</em>,
+<em>mer'cer</em>, <em>par'cer</em>,
+<em>c'roa</em>,
+<em>p'ra</em>,
+<em>'star</em>, etc. Pode, tamb&ecirc;m,
+usar-se no interior das di&ccedil;&otilde;es compostas, quando
+nelas se
+fa&ccedil;a elis&atilde;o do <em>e</em> da
+preposi&ccedil;&atilde;o <em>de</em>,
+como em
+<em>m&atilde;e-d'&aacute;gua</em>. <br />
+
+<br />
+
+XXXVII. Os pronomes complementos encl&iacute;ticos de verbos
+escrever-se h&atilde;o como nos exemplos seguintes:
+<em>tenho-o</em>, <em>tem-lo</em>,
+<em>tem-no</em>,
+<em>temo-lo</em>,
+<em>tende-lo</em>;
+<em>louv&aacute;-los</em>,
+<em>dev&ecirc;-los</em>,
+<em>uni-los</em>; <em>louva-los</em>,
+<em>deve-los</em>,
+<em>une-los</em>;
+<em>v&ecirc;-mo</em>,
+<em>v&ecirc;-to</em>,
+<em>v&ecirc;-lho</em>,
+<em>v&ecirc;-no-lo</em>, <em>dava-vo-lo</em>,
+<em>v&ecirc;em-se-lhe</em>,
+<em>compr&aacute;mo-la</em>, sem se
+indicar por ap&oacute;strofo a supress&atilde;o de
+<em>e</em> e de
+<em>s</em>, que &eacute; de regra;
+<em>tem-lo</em>, est&aacute; por <em>tens-lo</em>,
+<em>v&ecirc;-mo</em>, por
+<em>v&ecirc;-me-o</em>. O verbo
+conserva a acentua&ccedil;&atilde;o marcada que lhe competiria
+sem
+complementos, e assim &eacute; a sua
+pronuncia&ccedil;&atilde;o. <br />
+
+<br />
+
+XXXVIII. Re&uacute;nem-se em uma s&oacute;
+di&ccedil;&atilde;o, sem ap&oacute;strofo ou
+h&iacute;fen, os seguintes pronomes, precedidos das
+preposi&ccedil;&otilde;es <em>a</em>,
+<em>de</em>,
+<em>em</em>,
+<em>por</em>;
+<em>ao(s)</em>,
+<em>&agrave;(s)</em>,
+<em>do(s)</em>,
+<em>da(s)</em>,
+<em>&agrave;quele(s)</em>,
+<em>&agrave;quela(s)</em>, <em>dele(s)</em>,
+<em>dela(s)</em>,
+<em>d&ecirc;ste(s)</em>,
+<em>desta(s)</em>;
+<em>daquele(s)</em>,
+<em>daquela(s)</em>, <em>d&ecirc;sse(s)</em>,
+<a href="#e1"><em>dessa(s)</em></a>;
+<em>naquele(s)</em>,
+<em>naquela(s)</em>,
+<em>neste(s)</em>,
+<em>nesta(s)</em>, <em>nesse(s)</em>,
+<em>nessa(s)</em>;
+<em>disto</em>,
+<em>disso</em>,
+<em>daquilo</em>,
+<em>nisto</em>,
+<em>nisso</em>, <em>naquilo</em>,
+<em>noutro</em>. <br />
+
+<br />
+
+Outro tanto acontece com os artigos
+<em>o(s)</em>,
+<em>a(s)</em>,
+<em>um</em>, <em>uns</em>,
+<em>uma(s)</em>, e os adv&eacute;rbios
+<em>aqui</em>,
+<em>a&iacute;</em>,
+<em>ali</em>,
+<em>acol&aacute;</em>,
+<em>al&ecirc;m</em>, <em>onde</em>; ex.:
+<em>do(s)</em>,
+<em>da(s)</em>,
+<em>pelo(s)</em>,
+<em>pela(s)</em>,
+<em>no(s)</em>,
+<em>na(s)</em>, <em>aonde</em>,
+<em>donde</em>,
+<em>dali</em>,
+<em>da&iacute;</em>,
+<em>dali</em>,
+<em>dacol&aacute;</em>,
+<em>dal&eacute;m</em>, etc. <br />
+
+<br />
+
+Quando por&ecirc;m esses pronomes rejam
+ora&ccedil;&otilde;es de infinito,
+<span class="pagenum">[32]</span>
+a preposi&ccedil;&atilde;o conservar-se h&aacute; inteira e
+separada; ex.: <em>por causa de &ecirc;les n&atilde;o
+quererem</em>;
+<em>em raz&atilde;o de os n&atilde;o ter
+visto</em>. <br />
+
+<br />
+
+As demais elis&otilde;es, que no decurso da fala ou da leitura se
+costumam fazer, n&atilde;o s&atilde;o indicadas na escrita;
+n&atilde;o se escrever&aacute; pois: <em>d'idade</em>,
+<em>d'entrada</em>, mas sim
+<em>de idade</em>, <em>de entrada</em>; pelo
+mesmo motivo por que se n&atilde;o
+escreve <em>vint'e um</em>, conquanto o
+<em>e</em> de
+<em>vinte</em> a&iacute; se
+n&atilde;o profira. S&atilde;o elis&otilde;es e crases que
+&eacute; escusado representar na
+escrita, e algumas das quais s&atilde;o facultativas, quer
+individual, quer ocasionalmente. <br />
+
+<br />
+
+XXXIX. Divis&atilde;o
+sil&aacute;bica.<br />
+
+<br />
+
+A divis&atilde;o de um voc&aacute;bulo qualquer simples em
+s&iacute;labas far-se h&aacute; fon&eacute;ticamente pela
+soletra&ccedil;&atilde;o e n&atilde;o pela
+separa&ccedil;&atilde;o dos seus elementos de
+deriva&ccedil;&atilde;o,
+composi&ccedil;&atilde;o ou forma&ccedil;&atilde;o,
+contanto que a di&ccedil;&atilde;o composta n&atilde;o
+tenha os seus elementos apartados por h&iacute;fen (-). Desta
+maneira dividir-se h&aacute;, por exemplo,
+<em>subscrever</em>, como
+<em>subs cre ver</em>, do mesmo modo por que a palavra
+<em>escrever</em> se n&atilde;o divide como <em>e
+scre ver</em>; e
+<em>vezes</em>,
+<em>pastora</em>, como <em>vez
+es</em>, <em>pastor a</em>, mas sim como <em>ve
+zes</em>,
+<em>pasto ra</em>. Assim, tamb&ecirc;m,
+<em>di rec &ccedil;&atilde;o</em>, <em>a dop
+tar</em>,
+<em>su
+b&uacute;r bios</em>, <em>de sas tra
+do</em>, <em>de sar mar</em>,
+<em>i n&aacute; bil</em>, <em>bi sa v&ocirc;</em>,
+<em>pres tan te</em>, <em>cir
+cuns t&acirc;n cia</em>, etc., etc. <br />
+
+<br />
+
+Para a segunda linha e para a soletra&ccedil;&atilde;o
+pertencem &agrave; vogal que se lhes segue as consoantes que podem
+come&ccedil;ar palavra; assim teremos <em>co bra</em>,
+<em>am plo</em>, porque temos <em>bra &ccedil;o</em>,
+<em>pla ga</em>; <em>ecli
+pse</em> (cf.
+<em>psicologia</em>). <br />
+
+<br />
+
+XL. Quando o <em>s</em> dos prefixos
+<em>des-</em>,
+<em>dis-</em>, &eacute; seguido de consoante separa-se
+dela; se depois se lhe segue vogal, pertence a esta, e com ela forma
+s&iacute;laba; ex.:
+<em>des fa zer</em>, <em>dis tri buir</em>,
+mas
+<em>de sen ga nar</em>, <em>de
+sen vol ver</em>. <br />
+
+<br />
+
+XLI. Duas consoantes iguais separam-se; ex.: <em>ar
+rastar</em>, <em>as sistir</em>, <em>em
+malar</em>, <em>en nastrar</em>. <br />
+
+<br />
+
+XLII. As palavras compostas dividem-se pelos seus componentes; ex.: <em>porta-voz</em>,
+<em>vice-almirante</em>, repetindo-se na linha inferior o
+h&iacute;fen. <br />
+
+<br />
+
+XLIII. Nos voc&aacute;bulos formados com o prefixo
+<em>ex-</em>, fica &ecirc;ste separado do segundo
+elemento, ao dividir-se ou soletrar-se a palavra; ex.: <em>ex
+&eacute;r ci
+to</em>, <em>ex ce der</em>. <br />
+
+<br />
+
+XLIV. S&atilde;o insepar&aacute;veis as letras dos seguintes
+grupos de consoantes: <em>bl</em>,
+<em>cl</em>,
+<em>dl</em>,
+<em>fl</em>, <em>gl</em>,
+<em>pl</em>,
+<em>tl</em>,
+<em>vl</em>;
+<em>br</em>,
+<em>cr</em>,
+<em>dr</em>, <em>fr</em>,
+<em>gr</em>,
+<em>pr</em>,
+<em>tr</em>,
+<em>vr</em>;
+<em>ch</em>,
+<em>lh</em>,
+<em>nh</em>;
+<em>sc</em>,
+<em>ps</em>. <br />
+
+<br />
+
+Se, por&ecirc;m, o <em>s</em> se
+l&ecirc; separado do <em>c</em> no
+interior do voc&aacute;bulo, separado se divide; ex.: <em>des
+cer</em>,
+<em>c&ocirc;ns ci o</em>,
+<em>pros c&eacute; nio</em>; mas
+<em>en sce na &ccedil;&atilde;o</em>. <br />
+
+<br />
+
+XLV. S&atilde;o igualmente insepar&aacute;veis duas vogais
+consecutivas,
+<span class="pagenum">[33]</span>
+formem ou n&atilde;o ditongo; ex.: <em>ai
+po</em>, <em>cau sa</em>, <em>rai nha</em>,
+<em>proe
+mio</em>, <em>goe la</em>,
+<em>poei ra</em>, <em>pro
+n&uacute;n cia</em>,
+<em>voar</em>,
+<em>voo</em>, <em>&aacute; gua</em>,
+<em>moi nho</em>,
+<em>&eacute; gua</em>, <em>i
+guais</em>, <em>con ti nua</em>,
+<em>con t&iacute; nua</em>, <em>fa m&iacute;
+lia</em>,
+<em>se ria</em>,
+<em>s&eacute; ria</em>,
+<em>rea lidade</em>,
+<em>ve&iacute; culo</em>. <br />
+
+<br />
+
+XLVI. O <em>u</em> depois de
+<em>q</em> ou
+<em>g</em> &eacute; d&ecirc;le
+insepar&aacute;vel, quer seja mudo, quer se profira; ex.: <em>quin
+ta</em>, <em>guer ra</em>;
+<em>fre q&ugrave;ente</em>, <em>a
+g&ugrave;entar</em>,
+<em>ar g&ugrave;ir</em>. <br />
+
+<br />
+
+<br />
+
+<h3>PRONTU&Aacute;RIO ORTOGR&Aacute;FICO </h3>
+
+<br />
+
+S&uacute;mula das principais regras que se h&atilde;o de
+observar na escrita das palavras e formas vocabulares portuguesas: <br />
+
+<br />
+
+1. O alfabeto portugu&ecirc;s consta das seguintes vinte e quatro
+letras, e de mais tr&ecirc;s, que s&oacute;mente em
+circunst&acirc;ncias especiais se empregam e aqui v&atilde;o
+inclu&iacute;das em
+par&ecirc;ntese curvil&iacute;neo: <br />
+
+<br />
+
+a b c &ccedil; d e f g h i j (k) l m n o p q[u] r s t u v (w) x (y)
+z. <br />
+
+<br />
+
+2. Al&ecirc;m destas letras, h&aacute; outros caracteres, que
+ora s&atilde;o figurados por duas letras emparceiradas, ora por
+sinais diacr&iacute;ticos, sobrepostos a v&aacute;rias dessas
+letras.
+Assim aumentado, o sistema de escrita portuguesa comp&otilde;e-se
+de 53 s&iacute;mbolos: <br />
+
+<br />
+
+a, &aacute;, &agrave;, &acirc;, &atilde;; b; c,
+&ccedil;, ce (ci), ch; d; e, &eacute;, &egrave;,
+&ecirc;; f; ge (gi), g, gu, g&ugrave;; h; i, &iacute;,
+&igrave;; j; (k);
+l, lh; m; n, nh; o, &oacute;, &ograve;, &ocirc;,
+&otilde;; p; qu, q&ugrave;; r, rr, s, ss, sc; t;
+u, &uacute;, &ugrave;; v; (w); x; (y); z. <br />
+
+<br />
+
+O valor d&ecirc;stes caracteres, exclu&iacute;das as letras
+<em>k</em>,
+<em>w</em>,
+<em>y</em>, est&aacute; exemplificado nas palavras
+seguintes:
+<em>par</em>,
+<em>p&aacute;</em>,
+<em>&agrave;quela</em>, <em>c&acirc;da</em>,
+<em>l&atilde;</em>;
+<em>bobo</em>;
+<em>c&aacute;</em>;
+<em>pra&ccedil;a</em>,
+<em>cela</em>,
+<em>cinta</em>,
+<em>ch&aacute;</em>;
+<em>dado</em>;
+<em>de</em>,
+<em>s&eacute;</em>, <em>pr&egrave;gar</em>,
+<em>s&ecirc;</em>;
+<em>foz</em>;
+<em>gema</em>,
+<em>giz</em>,
+<em>g&aacute;go</em>,
+<em>guerra</em>,
+<em>ag&ugrave;entar</em>;
+<em>h&aacute;</em>; <em>li</em>,
+<em>f&iacute;gado</em>,
+<em>fa&igrave;scar</em>;
+<em>j&aacute;</em>;
+<em>l&aacute;</em>;
+<em>lhe</em>;
+<em>m&oacute;</em>;
+<em>n&oacute;</em>,
+<em>lenha</em>;
+<em>lado</em>,
+<em>copa</em>, <em>p&oacute;</em>,
+<em>m&ograve;lhada</em>,
+<em>av&ocirc;</em>,
+<em>p&otilde;e</em>;
+<em>que</em>,
+<em>freq&ugrave;ente</em>,
+<em>caro</em>,
+<em>r&eacute;</em>,
+<em>carro</em>;
+<em>s&oacute;</em>, <em>passo</em>,
+<em>scena</em>,
+<em>casa</em>;
+<em>tu</em>;
+<em>fuga</em>,
+<em>&uacute;ltimo</em>,
+<em>sa&ugrave;dar</em>;
+<em>v&eacute;u</em>;
+<em>xadrez</em>, <em>exame</em>,
+<em>sexo</em>,
+<em>pr&oacute;ximo</em>,
+<em>texto</em>;
+<em>z&ecirc;lo</em>. <br />
+
+<br />
+
+3. D&ecirc;stes caracteres tem um &uacute;nico valor e
+empr&ecirc;go os nove seguintes: <em>b</em>,
+<em>d</em>,
+<em>f</em>,
+<em>j</em>,
+<em>l</em>,
+<em>p</em>,
+<em>qu</em>,
+<em>t</em>,
+<em>v</em>. <br />
+
+<br />
+
+Os outros caracteres variam de valor. <br />
+
+<br />
+
+4. <em>a</em>: Designa o
+<em>a</em> aberto quando
+est&aacute; na s&iacute;laba t&oacute;nica principalmente,
+e em s&iacute;laba &aacute;tona se
+est&aacute; seguido de <em>l</em>; ex.: <em>cabo</em>,
+<em>faltou</em>. <br />
+
+<br />
+
+5. Fora da s&iacute;laba t&oacute;nica denota em geral o
+<em>a</em> surdo, como <em>boca</em>,
+<em>parede</em>,
+<em>camarote</em>.
+<br />
+
+<br />
+
+<span class="pagenum">[34]</span>
+O <em>a</em> surdo pode ser
+t&oacute;nico, se est&aacute; antes de consoante nasal, <em>m</em>,
+<em>n</em>,
+<em>nh</em>; ex.:
+<em>cama</em>,
+<em>cana</em>,
+<em>manha</em>,
+<em>louvamos</em>. <br />
+
+<br />
+
+6. <em>&aacute;</em>: Emprega-se com o
+valor de <em>a</em> aberto quando seja
+necess&aacute;rio marcar <em>a</em>
+t&oacute;nico, isto &eacute;: na &uacute;ltima
+s&iacute;laba, seguido ou n&atilde;o de <em>s</em>;
+na
+pen&uacute;ltima, se a &uacute;ltima n&atilde;o termina em <em>a(s)</em>,
+<em>e(s)</em>,
+<em>o(s)</em>,
+<em>m</em>, e na antepen&uacute;ltima;
+ex.: <em>l&aacute;</em>,
+<em>ser&aacute;(s)</em>, <em>f&aacute;cil</em>,
+<em>f&aacute;ceis</em>,
+<em>car&aacute;cter</em>,
+<em>s&aacute;vel</em>,
+<em>pr&aacute;tica</em>. Emprega-se
+tamb&ecirc;m para diferen&ccedil;ar
+<em>p&aacute;ra</em> de
+<em>para</em>,
+preposi&ccedil;&atilde;o, e na forma verbal do
+pret&eacute;rito, 1.&ordf; pessoa do plural,
+<em>louv&aacute;mos</em>, para a diferen&ccedil;ar
+da do presente,
+<em>louvamos</em>. <br />
+
+<br />
+
+7. <em>&agrave;</em>: Designa o
+<em>a</em> aberto &aacute;tono em
+voc&aacute;bulos que se escrevem com as mesmas letras, que outros
+que tem
+<em>a</em> surdo, e tamb&ecirc;m para denotar o acento
+secund&aacute;rio
+em derivados; ex.: <em>&agrave;bada</em> (de
+<em>aba</em>; cf.
+<em>abada</em>,
+&laquo;animal&raquo;), <em>p&agrave;zada</em>,
+<em>des&agrave;bar</em>. <br />
+
+<br />
+
+8. <em>&acirc;</em>: Indica o
+<em>a</em> surdo t&oacute;nico em
+voc&aacute;bulos esdr&uacute;xulos; ex.: <em>&acirc;nimo</em>,
+<em>c&acirc;mara</em>; ou em inteiros
+terminados em <em>i</em>,
+<em>u</em>, vogal nasal, ditongo ou consoante diferente de
+<em>s</em>; ex.:
+<em>c&acirc;non</em>, <em>&acirc;mbar</em>,
+etc. <br />
+
+<br />
+
+9. <em>&atilde;</em>:
+<em>&acirc;</em> nasal em fim de
+voc&aacute;bulo, seguido ou n&atilde;o de <em>s</em>,
+e nos ditongos
+<em>&atilde;e</em>,
+<em>&atilde;o</em>; ex.:
+<em>l&atilde;(s)</em>,
+<em>m&atilde;e(s)</em>;
+<em>m&atilde;o(s)</em>. <br />
+
+<br />
+
+Se n&atilde;o h&aacute; outro acento no voc&aacute;bulo,
+vale por acento t&oacute;nico; ex.:
+<em>rab&atilde;o</em>, a par de
+<em>r&aacute;b&atilde;o(s)</em>. <br />
+
+<br />
+
+O ditongo <em>&atilde;o</em>
+&aacute;tono, final de formas verbais, escreve-se <em>am</em>;
+ex.:
+<em>louvam</em>,
+<em>louvaram</em>; cf.
+<em>louvar&atilde;o</em>, futuro. <br />
+
+<br />
+
+Antes de <em>b</em>,
+<em>p</em> e
+<em>m</em>, a vogal nasal
+<em>&atilde;</em> escreve-se
+<em>am</em>, e antes de outra consoante, <em>an</em>;
+ex.:
+<em>campo</em>,
+<em>lamber</em>,
+<em>emmalar</em>; <em>banco</em>,
+<em>frango</em>,
+<em>canto</em>,
+<em>quando</em>,
+<em>lan&ccedil;a</em>,
+<em>&acirc;nsia</em>,
+<em>rancho</em>, <em>laranja</em>, etc. <br />
+
+<br />
+
+<br />
+
+10. <em>ce</em>,
+<em>ci</em>,
+<em>&ccedil;a</em>,
+<em>&ccedil;o</em>,
+<em>cu</em>:
+<em>&ccedil;</em> escreve-se antes de
+<em>a</em>,
+<em>o</em>,
+<em>u</em>, <em>c</em> sem cedilha, antes de
+<em>e</em>,
+<em>i</em>; ex.:
+<em>fa&ccedil;a</em>,
+<em>fa&ccedil;o</em>,
+<em>cabe&ccedil;udo</em>; <em>face</em>,
+<em>f&aacute;cil</em>,
+<em>pa&ccedil;o</em>,
+<em>pal&aacute;cio</em>,
+<em>palacete</em>. <br />
+
+<br />
+
+No interior dos voc&aacute;bulos, corresponde a
+<em>ci</em>,
+<em>ti</em> latinos, e a <em>ss</em>
+ar&aacute;bicos, e nisto
+se diferen&ccedil;a do <em>s</em>, o qual
+corresponde a <em>s</em> latino; ex.:
+<em>al&ccedil;ar</em> (lat.
+<span style="letter-spacing: 0.2em;">altiar</span>e),
+<em>raz&atilde;o</em> (lat.
+<span style="letter-spacing: 0.2em;">ratione</span>m),
+<em>fa&ccedil;o</em> (lat.
+<span style="letter-spacing: 0.2em;">faci</span>o),
+<em>a&ccedil;afate</em>,
+<em>a&ccedil;afr&atilde;o</em>,
+<em>refece</em>, <em>a&ccedil;&uacute;car</em>
+(ar&aacute;bicos);
+<em>pa&ccedil;o</em>, a par de
+<em>passo</em>. <br />
+
+<br />
+
+No com&ecirc;&ccedil;o da palavra usa-se
+<em>s</em> por
+<em>&ccedil;</em>; ex.:
+<em>sapato</em>. <br />
+
+<br />
+
+Em fim de palavra escreve-se <em>z</em> e
+n&atilde;o <em>&ccedil;</em>; ex.:
+<em>vez</em> (lat.
+<span style="letter-spacing: 0.2em;">uice</span>m),
+diferente de
+<em>v&ecirc;s</em> (lat.
+<span style="letter-spacing: 0.2em;">uide</span>s),
+<em>arroz</em> (ar&aacute;bico). <br />
+
+<br />
+
+11. <em>ch</em>: Emprega-se como inicial e
+medial, e nunca como final. Na pronuncia&ccedil;&atilde;o do
+idioma culto, e
+bem assim nos vern&aacute;culos meridionais, confunde-se no valor
+h&aacute; mais de dois s&eacute;culos com o
+<em>x</em> inicial, do qual se diferen&ccedil;a
+<span class="pagenum">[35]</span>
+pela origem. Corresponde o <em>ch</em>, em
+geral, a <em>cl</em>, <em>fl</em>,
+<em>pl</em>, latinos, e a <em>ch</em>
+franc&ecirc;s
+nas palavras desta proveni&ecirc;ncia; ex.: <em>chave</em>
+(lat.
+<span style="letter-spacing: 0.2em;">claue</span>m),
+<em>chama</em> (lat.
+<span style="letter-spacing: 0.2em;">flamm</span>a),
+<em>chuva</em> (lat.
+<span style="letter-spacing: 0.2em;">pluui</span>a),
+<em>chap&eacute;u</em> (fr.
+<em>chapeau</em>). Corresponde a
+<em>ll</em> e a <em>ch</em> castelhanos. <br />
+
+<br />
+
+O <em>ch</em> com valor de
+<em>k</em> &eacute;
+substitu&iacute;do por <em>qu</em> antes
+de <em>e</em>,
+<em>i</em>, e por <em>c</em> em qualquer outra
+situa&ccedil;&atilde;o; ex.:
+<em>monarca</em>,
+<em>monarquia</em>, <em>querubim</em>,
+<em>c&ocirc;ro</em>,
+<em>cloro</em>,
+<em>corografia</em>,
+<em>catec&uacute;meno</em>,
+<em>crisol</em>. <br />
+
+<br />
+
+12. <em>c</em>: Esta letra emprega-se antes
+de <em>a</em>,
+<em>o</em>,
+<em>u</em>, consoante, ou como final, rara; ex.:
+<em>c&aacute;</em>,
+<em>c&ocirc;r</em>,
+<em>cume</em>,
+<em>claro</em>, <em>cravo</em>,
+<em>fac&ccedil;&atilde;o</em>,
+<em>Abim&eacute;lec</em>, etc. <br />
+
+<br />
+
+13. Antes de <em>e</em>,
+<em>i</em>, &eacute;
+substitu&iacute;da por <em>qu</em>; ex.:
+<em>sequeiro</em>, <em>ressequido</em>, de
+<em>s&ecirc;co</em>. &Eacute; mudo o
+<em>c</em> actualmente em muitos
+voc&aacute;bulos em que antes se proferia, e conserva-se quando
+<em>a</em>, <em>e</em>,
+<em>o</em> precedentes permanecem abertos, e
+por analogia ainda mesmo que essas vogais sejam t&oacute;nicas;
+ex.:
+<em>sec&ccedil;&atilde;o</em>,
+<em>ac&ccedil;&atilde;o</em>, <em>activo</em>,
+<em>acto</em>;
+<em>espect&aacute;culo</em>,
+<em>espectador</em>; mas
+<em>autor</em>,
+<em>jun&ccedil;&atilde;o</em>, <em>junto</em>,
+<em>san&ccedil;&atilde;o</em>,
+<em>santo</em>, etc. <br />
+
+<br />
+
+<br />
+
+14. <em>e</em>: Designa em s&iacute;labas
+&aacute;tonas <em>e</em> surdo; ex.:
+<em>se</em>,
+<em>de</em>, <em>me</em>,
+<em>te</em>,
+<em>lhe(s)</em>,
+<em>secar</em>,
+<em>remediar</em>,
+<em>lume</em>,
+<em>&uacute;bere</em>,
+<em>cad&aacute;veres</em>, etc. <br />
+
+<br />
+
+Vale por <em>i</em> &aacute;tono antes de
+vogal, ou de consoante palatal; ex.: <em>fealdade</em>,
+<em>teatro</em>,
+<em>beato</em>,
+<em>teor</em>,
+<em>areeiro</em>,
+<em>fe&iacute;ssimo</em>, <em>conte&uacute;do</em>;
+<em>fechar</em>,
+<em>telhal</em>,
+<em>lenhador</em>,
+<em>desejar</em>. Cumpre recorrer &agrave; etimologia
+do voc&aacute;bulo, ou a uma forma
+primitiva d&ecirc;le, em que o <em>e</em> seja
+t&oacute;nico, para assim o diferen&ccedil;ar de <em>i</em>;
+<em>fealdade</em>, de
+<em>feio</em>;
+<em>areeiro</em>, de
+<em>areia</em>;
+<em>fechar</em>, de
+<em>fecho</em>; <em>telhal</em>, de
+<em>telha</em>;
+<em>lenhador</em> de
+<em>lenha</em>;
+<em>desejar</em>, de
+<em>desejo</em>; <em>teatro</em>,
+<em>beato</em>,
+<em>teor</em>,
+<em>conte&uacute;do</em>, do lat.
+<span style="letter-spacing: 0.2em;">theatru</span>m,
+<span style="letter-spacing: 0.2em;">beatu</span>m,
+<span style="letter-spacing: 0.2em;">tener</span>e.
+Tem tamb&ecirc;m
+&ecirc;sse valor de <em>i</em>, como
+inicial &aacute;tona; ex.: <em>evitar</em>,
+<em>erguer</em>,
+<em>her&oacute;i</em>. <br />
+
+<br />
+
+15. <em>e</em>: vale por
+<em>e</em> aberto, ou por
+<em>e</em> fechado, sendo t&oacute;nico; ex.: <em>neve</em>,
+<em>certo</em>,
+<em>der</em>,
+<em>perda</em>,
+<em>ver</em>; e por
+<em>e</em> aberto ou fechado, &aacute;tono,
+<em>relveiro</em>,
+<em>s&aacute;vel</em>,
+<em>car&aacute;cter</em>,
+<em>cad&aacute;ver</em>,
+<em>sec&ccedil;&atilde;o</em>, <em>abd&oacute;men</em>.
+<br />
+
+<br />
+
+16. Vale por <em>&acirc;</em> no sul do
+pa&iacute;s, antes de consoante palatal e no ditongo <em>ei</em>;
+ex.:
+<em>igreja</em>,
+<em>fecho</em>,
+<em>telha</em>,
+<em>senha</em>,
+<em>lei</em>. <br />
+
+<br />
+
+Em v&aacute;rias regi&otilde;es &ecirc;ste
+<em>e</em> &eacute; proferido como
+fechado em tal situa&ccedil;&atilde;o; ex.:
+<em>igr&ecirc;ja</em>,
+<em>f&ecirc;cho</em>,
+<em>t&ecirc;lha</em>,
+<em>s&ecirc;nha</em>,
+<em>l&ecirc;i</em>. <br />
+
+<br />
+
+17. <em>&eacute;</em>: Denota o
+<em>e</em> aberto t&oacute;nico, quando
+haja de marcar-se a s&iacute;laba predominante, isto &eacute;,
+como final,
+seguido ou n&atilde;o de <em>s</em>, e nos
+esdr&uacute;xulos; ex.:
+<em>mar&eacute;(s)</em>,
+<em>c&eacute;dula</em>. Marca-se igualmente o acento
+agudo no
+<em>e</em> quando a s&iacute;laba predominante
+&eacute; a pen&uacute;ltima e a palavra
+n&atilde;o termina em <em>a(s)</em>,
+<em>e(s)</em>,
+<em>o(s)</em>,
+<em>am</em>,
+<em>em</em>, e bem assim nos ditongos
+<em>&eacute;i</em>,
+<em>&eacute;u</em>,
+<span class="pagenum">[36]</span>
+sempre t&oacute;nicos; ex.:
+<em>&eacute;ter</em>,
+<em>V&eacute;nus</em>,
+<em>f&eacute;rtil</em>,
+<em>f&eacute;rteis</em>;
+<em>c&eacute;u</em>,
+<em>escarc&eacute;u</em>, <em>pap&eacute;is</em>.
+Sem acento,
+por&ecirc;m, escreveremos <em>levam</em>, <em>levem</em>.
+<br />
+
+<br />
+
+18. <em>&egrave;</em>: Indica o
+<em>e</em> aberto &aacute;tono, quando se
+torne necess&aacute;rio diferen&ccedil;ar
+hom&oacute;grafos; ex.:
+<em>p&egrave;gada</em>, diferente de <em>pegada</em>;
+<em>pr&egrave;gar</em>, de
+<em>pregar</em>. <br />
+
+<br />
+
+19. <em>&ecirc;</em>: Designa o
+<em>e</em> fechado t&oacute;nico, quando
+seja de regra marc&aacute;-lo com acento; ex.:
+<em>merc&ecirc;(s)</em>,
+<em>v&ecirc;(s)</em>,
+<em>s&ecirc;mea</em>,
+<em>Z&ecirc;zere</em>, <em>p&ecirc;ssego</em>,
+<em>conc&ecirc;ntrico</em>,
+<em>Est&ecirc;v&atilde;o</em>, etc. <br />
+
+<br />
+
+20. O <em>e</em> nasal nunca termina
+voc&aacute;bulo no idioma comum, em que &eacute;
+substitu&iacute;do pelo ditongo nasal
+<em>em</em>,
+<em>ens</em> (<em>[~e]i)s)</em>, o qual se
+acentua quando &eacute;
+t&oacute;nico final de poliss&iacute;labos; ex.: <em>vint&ecirc;m</em>,
+<em>vint&ecirc;ns</em>;
+<em>cont&ecirc;m</em>,
+<em>cont&ecirc;ns</em>;
+<em>parab&ecirc;ns</em>. <br />
+
+<br />
+
+21. No princ&iacute;pio e meio das palavras o
+<em>e</em> nasal escreve-se com <em>em</em>
+antes de
+<em>b</em>,
+<em>p</em>,
+<em>m</em>, e com
+<em>en</em>, em qualquer outra
+situa&ccedil;&atilde;o; inicial &aacute;tono
+profere-se como <em>im</em>,
+<em>in</em>; ex.: <em>membro</em>,
+<em>tempo</em>;
+<em>encher</em>,
+<em>entrar</em>,
+<em>encho</em>,
+<em>entro</em>;
+<em>entender</em>,
+<em>entendo</em>; <em>empregar</em>,
+<em>empr&ecirc;go</em>. <br />
+
+<br />
+
+<br />
+
+22. <em>g</em>: O
+<em>g</em>, para designar a consoante sonora
+correspondente ao <em>c</em>, escreve-se em qualquer
+situa&ccedil;&atilde;o, excepto antes de <em>e</em>,
+<em>i</em>; ex.:
+<em>gago</em>,
+<em>glaci&aacute;rio</em>,
+<em>grade</em>,
+<em>digno</em>,
+<em>fragmento</em>, e raras vezes como final, <em>Gog</em>,
+<em>Magog</em>. Suprime-se quando se n&atilde;o
+profere; d&ecirc;ste modo, escreveremos:
+<em>assinar</em>,
+<em>In&aacute;cio</em>, <em>In&ecirc;s</em>,
+<em>aumento</em>, etc. <br />
+
+<br />
+
+Antes de <em>e</em>,
+<em>i</em> acrescenta-se-lhe
+<em>u</em>
+(<em>gu</em>); ex.:
+<em>seguir</em>, <em>guerra</em>,
+<em>ligue</em>,
+<em>aguilhoar</em>. <br />
+
+<br />
+
+Se &ecirc;sse <em>u</em> se profere
+&aacute;tono, marca-se com acento grave: <em>ag&ugrave;entar</em>,
+<em>arg&ugrave;ir</em>,
+<em>arg&ugrave;ente</em>; se &eacute;
+t&oacute;nico, com o acento agudo, <em>arg&uacute;i</em>.
+<br />
+
+<br />
+
+23. <em>ge</em>,
+<em>gi</em>: tem o mesmo valor que o
+<em>j</em> e escreve-se em lugar d&ecirc;ste, quando a
+etimologia ou a analogia o pedem; ex.: <em>gente</em>,
+<em>l&oacute;gica</em>. Nos derivados de
+primitivos em <em>ja</em>,
+<em>jo</em>, <em>ju</em> permanece o
+<em>j</em> antes de
+<em>e</em>,
+<em>i</em>; ex.:
+<em>laranja</em>,
+<em>laranjeira</em>; <em>loja</em>,
+<em>lojista</em>. <br />
+
+<br />
+
+O <em>g</em> etimol&oacute;gico muda-se
+em <em>j</em> antes de
+<em>a</em>,
+<em>o</em>,
+<em>u</em>; ex.: <em>reger</em>,
+<em>rejo</em>,
+<em>reja</em>;
+<em>fugir</em>,
+<em>fujo</em>,
+<em>fuja</em>. <br />
+
+<br />
+
+<br />
+
+24. <em>h</em>: &Eacute; mudo quando
+inicial, e escreve-se quando a etimologia do voc&aacute;bulo o
+justifica; ex.:
+<em>homem</em>,
+<em>humano</em>, <em>herdar</em>, e portanto
+<em>ombro</em>,
+<em>ontem</em>, em que a etimologia o n&atilde;o
+explica; <em>iate</em>, e
+n&atilde;o <em>hiate</em>. <br />
+
+<br />
+
+O <em>h</em> medial desaparece, mesmo nos
+voc&aacute;bulos em que
+<span class="pagenum">[37]</span>
+&ecirc;le como inicial figura; ex.:
+<em>desumano</em>,
+<em>deserdar</em>, e com maior raz&atilde;o em <em>inibir</em>,
+<em>in&aacute;bil</em>,
+<em>filarm&oacute;nica</em>, em que daria causa a sua
+presen&ccedil;a a errada leitura; outros exemplos s&atilde;o <em>co&igrave;bir</em>,
+<em>sair</em>,
+<em>compreender</em>,
+<em>desonra</em>,
+<em>exibir</em>, etc. <br />
+
+<br />
+
+25. O <em>h</em>, como sinal
+diacr&iacute;tico, junta-se a <em>c</em>,
+<em>l</em> e
+<em>n</em> para designar os sons que as palavras seguintes
+exemplificam: <em>chave</em>,
+<em>frecha</em>,
+<em>selha</em>,
+<em>moinho</em>. <br />
+
+<br />
+
+26. O <em>h</em>, depois de
+<em>t</em>,
+<em>r</em> ou
+<em>c</em> com o valor de
+<em>k</em> &eacute; proscrito; d&ecirc;ste modo
+escreveremos
+<em>teatro</em>,
+<em>ret&oacute;rica</em>,
+<em>corografia</em>. Suprimido &eacute; igualmente o
+<em>h</em> final, como em
+<em>Sara</em>, <em>raja</em>, ou
+<em>raj&aacute;</em>, e s&oacute; se
+admite em tal situa&ccedil;&atilde;o nas
+interjei&ccedil;&otilde;es, como <em>ah!</em>
+<em>oh!</em>, etc. <br />
+
+<br />
+
+<br />
+
+27. <em>i</em>: Emprega-se como
+&aacute;tono, e como t&oacute;nico; ex.: <em>fin&iacute;ssimo</em>,
+<em>qu&aacute;si</em>,
+<em>virar</em>,
+<em>vira</em>, etc. <br />
+
+<br />
+
+28. Numa s&eacute;rie de s&iacute;labas, cuja vogal seja sempre
+<em>i</em>, e o voc&aacute;bulo n&atilde;o seja
+imperfeito ou condicional de
+verbo, superlativo, ou deminutivo, s&oacute;mente o
+&uacute;ltimo
+<em>i</em> conserva, em geral, na pron&uacute;ncia
+desafectada, o seu valor; os mais que o precedem proferem-se como <em>e</em>
+mudo, se a consoante seguinte n&atilde;o &eacute; palatal
+(<em>x</em>,
+<em>j</em>,
+<em>lh</em>,
+<em>nh</em>,
+<em>s</em> + consoante); ex.: <em>dividir</em>,
+<em>dividia</em>,
+<em>dividiria</em>, que se pronunciam
+<em>devedir</em>,
+<em>devedia</em>, <em>devediria</em>;
+<em>ministro</em>, que se pronuncia
+<em>menistro</em>; <em>minist&eacute;rio</em>,
+que se
+pronuncia <em>menist&eacute;rio</em>;
+<em>militar</em>, que se pronuncia <em>melitar</em>.
+Para se evitarem
+erros de ortografia, &eacute; preciso atender &aacute;
+etimologia dos voc&aacute;bulos, e,
+quando poss&iacute;vel, a uma forma em que o <em>i</em>
+seja
+t&oacute;nico, como em <em>divide</em>. <br />
+
+<br />
+
+29. H&aacute; dois prefixos de valor diferente, que cumpre
+diversificar na escrita: <em>des-</em> e
+<em>dis-</em>. O primeiro &eacute;
+negativo ou privativo, como em <em>desfazer</em>,
+<em>destingir</em>,
+<em>destinto</em>; o segundo distributivo, como em <em>dispersar</em>,
+<em>distinguir</em>,
+<em>distinto</em>, <em>disjungir</em>,
+<em>discernimento</em>,
+<em>dist&uacute;rbio</em>, etc. <br />
+
+<br />
+
+30. <em>&iacute;</em>: Designa o
+<em>i</em> t&oacute;nico, quando as
+regras de acentua&ccedil;&atilde;o gr&aacute;fica exijam a
+marca&ccedil;&atilde;o; ex.:
+<em>fr&iacute;gido</em>,
+<em>V&iacute;tor</em>, <em>f&iacute;ssil</em>,
+<em>dif&iacute;cil</em>,
+<em>dif&iacute;ceis</em>,
+<em>fug&iacute;eis</em>,
+<em>t&iacute;nheis</em>,
+<em>fugir&iacute;amos</em>,
+<em>fug&iacute;reis</em>, <em>fugir&iacute;eis</em>,
+etc. <br />
+
+<br />
+
+31. Com acento agudo se marca o <em>i</em>
+t&oacute;nico que n&atilde;o forma ditongo com a vogal
+anterior; ex.:
+<em>sa&iacute;da</em>,
+<em>sa&iacute;</em>,
+<em>a&iacute;</em>, <em>pa&iacute;s</em>,
+<em>pa&iacute;ses</em>,
+<em>ra&iacute;zes</em>. <br />
+
+<br />
+
+Antes de <em>nh</em>,
+<em>nd</em>,
+<em>mb</em>, pode dispensar-se o acento; ex.: <em>ra&iacute;nha</em>,
+<em>a&iacute;nda</em>,
+<em>Co&iacute;mbra</em>, ou
+<em>rainha</em>,
+<em>ainda</em>,
+<em>Coimbra</em>; pode tamb&ecirc;m dispensar-se antes
+de consoante final que
+n&atilde;o seja <em>s</em>; ex.:
+<em>raiz</em>,
+<em>sair</em>; mas
+<em>ra&iacute;zes</em>,
+<em>sa&iacute;res</em>, porque o
+<em>z</em> e o <em>r</em> pertencem a outra
+s&iacute;laba. <br />
+
+<br />
+
+32. <em>&igrave;</em>: Quando o
+<em>i</em> que n&atilde;o forma ditongo
+com a vogal
+<span class="pagenum">[38]</span>
+antecedente &eacute; &aacute;tono, pode marcar-se com o acento
+grave; ex.: <em>sa&igrave;mento</em>,
+<em>pro&igrave;bir</em>,
+<em>pa&igrave;sagem</em>. <br />
+
+<br />
+
+33. O <em>i</em> nasal escreve-se com
+<em>im</em> antes de
+<em>b</em>,
+<em>p</em>,
+<em>m</em>, ou quando final, <em>in</em> em
+qualquer outra
+situa&ccedil;&atilde;o; ex.;
+<em>limbo</em>, <em>limpar</em>,
+<em>fim</em>,
+<em>fins</em>,
+<em>findar</em>,
+<em>afinco</em>,
+<em>linfa</em>,
+<em>ninfa</em>, etc. <br />
+
+<br />
+
+<br />
+
+34. <em>j</em>: O
+<em>j</em> escreve-se antes de
+<em>a</em>,
+<em>o</em>,
+<em>u</em>,
+<em>e</em>,
+<em>i</em>, e antes destas duas &uacute;ltimas vogais,
+quando a etimologia
+n&atilde;o justifica o empr&ecirc;go de <em>g</em>;
+ex.:
+<em>j&aacute;</em>,
+<em>j&oacute;ia</em>,
+<em>j&uacute;bilo</em>;
+<em>veja</em>,
+<em>vejo</em>; <em>lojista</em>,
+<em>laranjeira</em>,
+<em>arranjar</em>,
+<em>arranje</em>;
+<em>Jerusal&ecirc;m</em>,
+<em>Jesus</em>. <br />
+
+<br />
+
+<br />
+
+35. <em>m</em>: Al&ecirc;m do seu valor
+como inicial, ex.: <em>mal</em>,
+<em>tomar</em>, etc., o <em>m</em> designa as
+vogais nasais
+finais <em>im</em>,
+<em>om</em>,
+<em>um</em>, por exemplo, em <em>marfim</em>,
+<em>som</em>,
+<em>jejum</em>, e o ditongo nasal
+<em>em</em>, como em <em>cec&ecirc;m</em>,
+<em>bem</em>,
+<em>devem</em>,
+<em>margem</em>. O
+<em>m</em> muda-se em <em>n</em> ao
+acrescentar-se
+<em>s</em>; ex.:
+<em>marfins</em>,
+<em>sons</em>,
+<em>jejuns</em>,
+<em>cec&ecirc;ns</em>, <em>bens</em>,
+<em>margens</em>. <br />
+
+<br />
+
+36. <em>m</em>: Expressa com
+<em>a</em>
+(<em>am</em>) o ditongo
+<em>&atilde;o</em> &aacute;tono de
+formas verbais; ex.: <em>louvam</em>,
+<em>louvaram</em>. <br />
+
+<br />
+
+37. <em>m</em>: Denota qualquer vogal nasal
+inicial ou medial antes de <em>b</em>,
+<em>p</em>,
+<em>m</em>; ex.:
+<em>embora</em>,
+<em>empada</em>,
+<em>emmalar</em>,
+<em>bambo</em>, <em>&ecirc;mbolo</em>,
+<em>campo</em>,
+<em>sempre</em>,
+<em>limpo</em>,
+<em>comprar</em>,
+<em>sumptuoso</em>. <br />
+
+<br />
+
+<br />
+
+38. <em>n</em>: Al&ecirc;m do seu valor
+como inicial de s&iacute;laba, como em <em>nau</em>,
+<em>neve</em>,
+<em>nitro</em>,
+<em>nove</em>,
+<em>nuvem</em>,
+<em>cana</em>,
+<em>pena</em>,
+<em>bonito</em>,
+<em>nono</em>, <em>canudo</em>, etc., designa
+as vogais
+nasais, quando est&aacute; seguido de consoante que n&atilde;o
+seja
+<em>b</em>,
+<em>p</em>,
+<em>m</em>, ou a vogal n&atilde;o
+&eacute; final de voc&aacute;bulo; ex.:
+<em>lan&ccedil;a</em>,
+<em>len&ccedil;o</em>,
+<em>cinto</em>,
+<em>on&ccedil;a</em>,
+<em>funcho</em>, <em>fins</em>,
+<em>sons</em>,
+<em>jejuns</em>. Com
+<em>e</em> designa tamb&ecirc;m o ditongo
+nasal <em>&#7869;i</em>, quando se lhe segue
+<em>s</em> final: ex.:
+<em>nuvens</em>,
+<em>armaz&ecirc;ns</em>, <em>tens</em>,
+<em>bens</em>. <br />
+
+<br />
+
+39. <em>nn</em>: Emprega-se no prefixo
+<em>en</em>, antes de
+<em>n</em> do voc&aacute;bulo a que se junta; ex.: <em>ennodoar</em>,
+de
+<em>n&oacute;doa</em>,
+<em>ennastrar</em>, de <em>nastro</em>. <br />
+
+<br />
+
+40. <em>nh</em>: Denota &uacute;nicamente
+a nasal palatal que se observa em <em>manh&atilde;</em>,
+<em>lenha</em>,
+<em>linho</em>,
+<em>vergonha</em>,
+<em>pezunho</em>; e conseguintemente escrever-se
+h&aacute;
+<em>in&aacute;bil</em>,
+<em>inumano</em>,
+<em>inibir</em>, sem
+<em>h</em>. <br />
+
+<br />
+
+<br />
+
+41. <em>o</em>: Esta letra tem os seguintes
+valores. <br />
+
+<br />
+
+&Aacute;tona vale por <em>u</em>; ex.:
+<em>lado</em>,
+<em>dolo</em>,
+<em>faro</em>,
+<em>proteger</em>, <em>comum</em>,
+<em>fortuna</em>. A escolha entre
+<em>o</em> e
+<em>u</em>, para expressar &ecirc;ste som, depende da
+origem; assim escreve-se
+<em>formosura</em>, de <em>formoso</em>, de
+<em>forma</em>;
+<em>portaria</em>, de
+<em>porta</em>;
+<em>monumento</em> (do lat.
+<span style="letter-spacing: 0.2em;">monumentu</span>m);
+<em>gov&ecirc;rno</em> (do lat. pop.
+<span class="pagenum">[39]</span>
+<span style="letter-spacing: 0.2em;">gobernu</span>m,
+lit.
+<span style="letter-spacing: 0.2em;">g&#365;bernu</span>m);
+rotunda (lat.
+<span style="letter-spacing: 0.2em;">rotund</span>a);
+<em>goraz</em>
+(lat.
+<span style="letter-spacing: 0.2em;">uorace</span>m);
+etc. <br />
+
+<br />
+
+42. <em>o</em>: Expressa o
+<em>o</em> aberto, como em
+<em>toca</em>,
+<em>volta</em>, <em>poste</em>, etc., quando
+&eacute;
+t&oacute;nico, e &aacute;tono em certas
+condi&ccedil;&otilde;es, como <em>adoptar</em>,
+<em>nocturno</em>, isto &eacute;, seguido
+de <em>p</em> ou
+<em>c</em> na mesma s&iacute;laba, quer essas
+consoantes se profiram, como em
+<em>optar</em>, <em>coc&ccedil;&atilde;o</em>,
+quer
+sejam mudas. <br />
+
+<br />
+
+43. <em>o</em>: Designa
+<em>o</em> fechado t&oacute;nico, como em
+<em>bolo</em>,
+<em>boca</em>, ou &aacute;tono como em
+<em>horr&iacute;vel</em>,
+<em>c&acirc;non</em>, e
+<em>o</em> &aacute;tono antes de
+<em>l</em>, como em <em>voltar</em>,
+<em>soldado</em>. <br />
+
+<br />
+
+44. <em>&oacute;</em>: Denota o
+<em>o</em> aberto, quando a
+acentua&ccedil;&atilde;o gr&aacute;fica &eacute; de
+regra; ex.:
+<em>av&oacute;</em>,
+<em>hip&oacute;dromo</em>,
+<em>&oacute;rf&atilde;o(s)</em>,
+<em>s&oacute;s</em>,
+<em>v&oacute;s</em>,
+<em>m&oacute;vel</em>, <em>m&oacute;veis</em>,
+<em>m&oacute;bil</em>,
+<em>c&oacute;modo</em>, etc. <br />
+
+<br />
+
+45. <em>&ograve;</em>: Serve para
+designar <em>o</em> aberto &aacute;tono
+em hom&oacute;grafos, como <em>m&ograve;lhada</em>,
+diferente
+de <em>molhada</em>, e ainda para expressar o acento
+secund&aacute;rio de palavras que tenham dois, como <em>p&ograve;zinho</em>,
+<em>s&ograve;zinho</em>, etc. <br />
+
+<br />
+
+46. <em>&ocirc;</em>; Designa o
+<em>o</em> fechado t&oacute;nico, quando
+as regras de acentua&ccedil;&atilde;o gr&aacute;fica o
+exijam; ex.:
+<em>av&ocirc;(s)</em>,
+<em>c&ocirc;r</em> (cf.
+<em>cor</em>), <em>p&ocirc;de</em> (cf.
+<em>pode</em>), <em>s&ocirc;bre</em>
+(cf.
+<em>sobre</em>),
+<em>f&ocirc;rma</em> (cf.
+<em>forma</em>),
+<em>l&ocirc;gro</em> (cf. <em>logro</em>),
+<em>l&ocirc;brego</em>,
+<em>s&ocirc;frego</em>. <br />
+
+<br />
+
+<br />
+
+47. Cumpre n&atilde;o confundir na escrita
+<em>o</em> fechado com o ditongo <em>ou</em>,
+que se mant&ecirc;m
+distinto nos falares provinciais; assim <em>osso</em>
+substantivo escrever-se
+h&aacute; com <em>o</em>, mas <em>ou&ccedil;o</em>
+verbo, com
+<em>ou</em>. <br />
+
+<br />
+
+48. <em>ou</em>: Este ditongo tem por origem
+<em>au</em> ar&aacute;bico, como em <em>a&ccedil;ougue</em>,
+<em>au</em> latino, como em
+<em>touro</em>,
+<em>oc</em>,
+<em>ap</em>,
+<em>al</em>, latinos, como em <em>noute</em>,
+<em>touti&ccedil;o</em>,
+<em>outeiro</em>. Em geral alterna com o ditongo <em>oi</em>,
+sendo l&iacute;cito,
+em grande n&uacute;mero de voc&aacute;bulos, empregar-se um ou
+o outro. <br />
+
+<br />
+
+49. <em>&otilde;</em>: Esta letra usa-se
+&uacute;nicamente no ditongo nasal <em>&otilde;e</em>,
+como
+<em>p&otilde;e(s)</em>,
+<em>li&ccedil;&otilde;es</em>. O
+<em>o</em> nasal, fora d&ecirc;ste caso
+&uacute;nico, &eacute; escrito com <em>om</em>, se
+&eacute; final ou est&aacute; antes de
+<em>b</em>,
+<em>p</em>,
+<em>m</em>, e com <em>on</em> em qualquer
+outra
+condi&ccedil;&atilde;o; ex.:
+<em>som</em>,
+<em>romper</em>,
+<em>rombo</em>, <em>emmolhar</em>;
+<em>sons</em>,
+<em>contar</em>,
+<em>confiar</em>,
+<em>conchegar</em>,
+<em>esponja</em>,
+<em>fonte</em>, <em>bondade</em>,
+<em>c&ocirc;nscio</em>,
+<em>&Ocirc;nfale</em>, etc. <br />
+
+<br />
+
+<br />
+
+50. <em>p</em>: Esta letra n&atilde;o se
+duplica. Conserva-se o <em>p</em> mudo depois das vogais <em>a</em>,
+<em>e</em>,
+<em>o</em> &aacute;tonas, quando essas
+vogais permanecem abertas, como em
+<em>adop&ccedil;&atilde;o</em>,
+<em>recep&ccedil;&atilde;o</em>,
+<em>exceptuar</em>. Conserva-se ainda o <em>p</em>,
+se essas
+vogais s&atilde;o t&oacute;nicas, em voc&aacute;bulos
+aparentados, como
+<em>excepto</em>,
+<em>adopto</em>. Depois de outra qualquer vogal suprime-se
+o <em>p</em>
+etimol&oacute;gico, se n&atilde;o &eacute; proferido; ex.: <em>pronto</em>,
+<em>assunto</em>,
+<em>assun&ccedil;&atilde;o</em>,
+<em>cinto</em>.
+<br />
+
+<br />
+
+<span class="pagenum">[40]</span>
+51. O <em>ph</em> etimol&oacute;gico
+&eacute; em todas as circunst&acirc;ncias
+substitu&iacute;do por <em>f</em>; ex.:
+<em>f&iacute;sica</em>,
+<em>tifo</em>,
+<em>filtro</em>,
+<em>profeta</em>. <br />
+
+<br />
+
+<br />
+
+52. <em>qu</em>: A letra
+<em>q</em> &eacute; sempre seguida de
+<em>u</em>, o qual &eacute; marcado com acento grave (<em>&ugrave;</em>)
+antes de <em>e</em>,
+<em>i</em>, se &eacute; proferido; ex.: <em>quente</em>,
+<em>quinta</em>;
+<em>freq&ugrave;&ecirc;ncia</em>,
+<em>eq&ugrave;estre</em>,
+<em>eq&ugrave;idade</em>. Antes de <em>a</em>,
+<em>o</em>,
+<em>u</em>, se o
+<em>u</em> de
+<em>qu</em> &eacute; mudo, substitui-se
+&ecirc;ste grupo por <em>c</em>; ex.:
+<em>catorze</em>, de
+<span style="letter-spacing: 0.2em;">quatordeci</span>m,
+como
+<em>caderno</em>, de
+<span style="letter-spacing: 0.2em;">quaternu</span>m;
+<em>cota</em>, de
+<span style="letter-spacing: 0.2em;">quot</span>a,
+como
+<em>licor</em>, de
+<span style="letter-spacing: 0.2em;">liquore</span>m.
+Se o <em>u</em>
+&eacute; proferido antes
+de <em>a</em>,
+<em>o</em>,
+<em>u</em>, conserva-se o grupo <em>qu</em>,
+sem acento no
+<em>u</em>;
+<em>quatro</em>,
+<em>aquoso</em>. <br />
+
+<br />
+
+<br />
+
+53. <em>r</em>,
+<em>rr</em>: o
+<em>r</em> forte escreve-se com
+<em>r</em> simples quando &eacute; inicial de palavra,
+ou de s&iacute;laba depois de
+consoante; ex.: <em>r&atilde;</em>,
+<em>r&eacute;</em>,
+<em>rio</em>,
+<em>rol</em>,
+<em>rumo</em>,
+<em>honra</em>,
+<em>pilriteiro</em>,
+<em>Israel</em>, etc. Entre vogais duplica-se; ex.:
+<em>carrada</em>,
+<em>carreta</em>,
+<em>carril</em>, <em>carro</em>,
+<em>arrumar</em>,
+<em>farrusca</em>. <br />
+
+<br />
+
+54. Quando a um voc&aacute;bulo come&ccedil;ado por
+<em>r</em> se acrescenta um prefixo terminado em vogal,
+dobra-se o
+<em>r</em>, por ficar entre vogais, para se lhe manter o
+valor de inicial; ex.: <em>arrasar</em>, de
+<em>raso</em>;
+<em>arrostar</em>, de
+<em>rosto</em>;
+<em>prorrogar</em>,
+<em>derrogar</em>, de <em>rogar</em>;
+<em>corroer</em>, de
+<em>roer</em>. <br />
+
+<br />
+
+55. O <em>r</em> brando, que
+s&oacute;mente se manifesfa em fim de s&iacute;laba, ou entre
+vogais, ou depois de consoante pertencente &agrave; mesma
+s&iacute;laba, escreve-se com
+<em>r</em> simples; ex.: <em>dar</em>,
+<em>p&ocirc;r</em>,
+<em>ver</em>,
+<em>vir</em>,
+<em>virtude</em>,
+<em>verdade</em>,
+<em>v&oacute;rtice</em>,
+<em>louvar</em>,
+<em>dever</em>, <em>punir</em>,
+<em>cravo</em>,
+<em>fresco</em>,
+<em>frigir</em>,
+<em>cr&oacute;talo</em>,
+<em>frustrar</em>;
+<em>cara</em>,
+<em>fera</em>, <em>lira</em>,
+<em>amora</em>,
+<em>parada</em>,
+<em>sereno</em>,
+<em>sarilho</em>,
+<em>caro&ccedil;o</em>,
+<em>caruma</em>. <br />
+
+<br />
+
+<br />
+
+56. O <em>s</em> surdo assim se escreve como
+inicial de palavra, ou depois de consoante, se &eacute; inicial de
+s&iacute;laba;
+ex.: <em>saco</em>,
+<em>s&eacute;</em>,
+<em>sirga</em>,
+<em>s&oacute;</em>,<em>
+sul</em>,
+<em>&acirc;nsia</em>,
+<em>falso</em>,
+<em>farsa</em>,
+<em>lapso</em>,
+<em>psicologia</em>, <em>absorver</em>.
+Inicial antes de
+<em>e</em>,
+<em>i</em>, e depois da consoante, nas mesmas
+condi&ccedil;&otilde;es, alterna com
+<em>ce</em>,
+<em>ci</em>, e s&oacute;mente a
+etimologia dos voc&aacute;bulos, ou um vocabul&aacute;rio,
+ensinam a
+verdadeira escrita. O <em>s</em> corresponde a
+<em>s</em> latino, o
+<em>c(e)</em>,<em>
+c(i</em>) a <em>ti</em>,
+<em>ci</em> latinos, e a
+<em>ss</em> ar&aacute;bicos; ex.:
+<em>sela</em>,
+<em>silvo</em>,
+<em>selha</em>,
+<em>persistir</em>, <em>canseira</em>,
+<em>alicerce</em>,
+<em>Alc&aacute;cer</em>, etc. <br />
+
+<br />
+
+57. Entre vogais o <em>s</em> surdo
+duplica-se, <em>ss</em>, e neste caso alterna com <em>&ccedil;</em>
+cedilhado,
+e com <em>ce</em>,
+<em>ci</em>, nas mesmas
+circunst&acirc;ncias de proveni&ecirc;ncia dos
+voc&aacute;bulos; ex.:
+<em>assar</em>, <em>assente</em>,
+<em>ass&iacute;duo</em>,
+<em>posso</em>,
+<em>assumir</em>,
+<em>soss&ecirc;go</em>,
+<em>passo</em>, de
+<span style="letter-spacing: 0.2em;">passum</span>
+(cf. <em>pa&ccedil;o</em>,
+de
+<span style="letter-spacing: 0.2em;">palatiu</span>m),
+etc. <br />
+
+<br />
+
+58. O <em>s</em> sonoro s&oacute; se
+manifesta entre vogais, usualmente, e nesta
+posi&ccedil;&atilde;o alterna com
+<em>z</em>, correspondendo por&ecirc;m
+<span class="pagenum"><a name="p41">[41]</a></span>
+sempre a <em>s</em> latino;
+ex.: <em>casa</em>,
+<em>C&eacute;sar</em>,
+<em>m&ecirc;s(es)</em>,
+<em>residir</em>, <em>formoso</em>,
+<em>uso</em>. Conquanto depois de consoante,
+o <em>s</em> &eacute; sonoro no prefixo <em>trans-</em>
+seguido de vogal,
+como em <em>transe&uacute;nte</em>, <em>transac&ccedil;&atilde;o</em>,
+em
+<em>obs&eacute;quio</em> e seus
+derivados, e num ou noutro voc&aacute;bulo, precedido de consoante
+sonora. <br />
+
+<br />
+
+59. H&aacute; duas termina&ccedil;&otilde;es de
+substantivos que n&atilde;o devem confundir-se: <em>-eza</em>,
+do lat.
+<em>-itia</em>, e
+<em>-esa</em>, do lat.
+<em>-ensa</em>; &eacute; esta que se escreve com
+<em>s</em>, como em
+<em>defesa</em>,
+<em>devesa</em>, <em>presa</em>,
+<em>despesa</em>,
+<em>portuguesa</em>, etc. Semelhantemente,
+escreveremos <em>asa</em>, do lat.
+<span style="letter-spacing: 0.2em;">ans</span>a,
+<em>brasa</em>, em castelhano
+<em>brasa</em>. <br />
+
+<br />
+
+60. Quando a um radical, ou a um voc&aacute;bulo,
+come&ccedil;ados por <em>s</em>, se acrescenta um
+prefixo
+terminado em vogal, duplica-se o <em>s</em> se
+&ecirc;le se
+profere surdo, escreve-se simples, se &eacute; pronunciado sonoro;
+ex:
+<em>assistir</em>,
+<em>assombrar</em>,
+<em>assumir</em>, <em>ressurgir</em>,
+<em>pressentir</em>; mas
+<em>residir</em>,
+<em>presente</em>,
+<em>resumir</em>, <em>resigna&ccedil;&atilde;o</em>,
+<em>presun&ccedil;&atilde;o</em>,
+etc. <br />
+
+<br />
+
+61. O <em>s</em> final de s&iacute;laba,
+seja como for proferido, escreve-se com <em>s</em>; ex.:
+<em>custa</em>,
+<em>cesta</em>,
+<em>resma</em>,
+<em>abismo</em>,
+<em>h&oacute;spede</em>, <em>fosco</em>,
+<em>bala&uacute;stre</em>,
+<em>lustre</em>, <em>musgo</em>. <br />
+
+<br />
+
+62. O <em>s</em> final de s&iacute;laba,
+em monoss&iacute;labos e em poliss&iacute;labos que tenham como
+predominante a &uacute;ltima s&iacute;laba,
+alterna com <em>z</em>, correspondendo
+por&ecirc;m sempre a <em>s</em> latino, e permanece
+ainda quando, pela deriva&ccedil;&atilde;o ou
+flex&atilde;o do voc&aacute;bulo, se lhe acrescenta uma
+<a href="#e2">s&iacute;laba</a>, de que fica
+sendo inicial; ex.: <em>portugu&ecirc;s</em>,
+<em>portuguesa</em>,
+<em>portugueses</em>,
+<em>cort&ecirc;s</em>,
+<em>corteses</em>, <em>cortesia</em>,
+<em>atr&aacute;s</em>,
+<em>v&ecirc;s</em> (verbo),
+<em>v&oacute;s</em>,
+<em>n&oacute;s</em> (pronomes), <em>pus</em>
+(substantivo e verbo),
+<em>p&ocirc;s</em> (verbo),
+<em>p&oacute;s</em> (substantivo), <em>pusera</em>,
+<em>puser</em>,
+<em>pusesse</em>, etc. Em um &uacute;nico
+voc&aacute;bulo ar&aacute;bico, r&ecirc;s, &eacute; o <em>s</em>
+final &aacute;rabe representado por
+<em>s</em>, como em castelhano (<em>res</em>). <br />
+
+<br />
+
+A consulta a vocabul&aacute;rio &eacute;
+indispens&aacute;vel e muito favorece o ac&ecirc;rto na escrita
+a compara&ccedil;&atilde;o com as
+correspondentes formas castelhanas. <br />
+
+<br />
+
+63. O <em>s</em> inicial surdo &eacute;
+seguido de <em>c</em> nos seguintes
+voc&aacute;bulos e seus derivados: <em>scena</em>,
+<em>scetro</em>,
+<em>sc&eacute;ptico</em>,
+<em>scelerado</em>, <em>sciente</em>,
+<em>scisma</em>,
+<em>scintila</em>,
+<em>scisso</em>,
+<em>scis&atilde;o</em>,
+<em>scissura</em>,
+<em>sciss&iacute;paro</em>, <em>sci&aacute;tico</em>,
+e um ou outro
+mais, pouco usados. <br />
+
+<br />
+
+<br />
+
+64. <em>t</em>: o
+<em>t</em> nunca se duplica, expressa
+constantemente o mesmo som, e substitui em todos os casos o
+<em>th</em> etimol&oacute;gico; ex.: <em>ter</em>,
+<em>atitude</em>,
+<em>meter</em>,
+<em>teto</em>;
+<em>teatro</em>,
+<em>patol&oacute;gico</em>,
+<em>simpatia</em>, <em>etnografia</em>, etc. <br />
+
+<br />
+
+<br />
+
+65. <em>u</em>: Esta letra expressa sempre o
+mesmo som, mais ou menos atenuado antes e depois de vogal, como
+elemento
+<span class="pagenum">[42]</span>
+fraco dos ditongos; ex.: <em>tu</em>,
+<em>pueril</em>,
+<em>auto</em>. Antes de vogal alterna, &aacute;tono,
+com
+<em>o</em> nas mesmas
+condi&ccedil;&otilde;es e s&oacute; a analogia e a
+etimologia doa voc&aacute;bulos decidem da escrita correcta; ex.: <em>suar</em>
+(e
+<em>soar</em>),
+<em>muar</em>,
+<em>ru&iacute;na</em>, etc. Depois de consoantes
+alterna igualmente com <em>o</em>
+&aacute;tono; ex.: <em>mural</em> de <em>muro</em>,
+a par de
+<em>moral</em> do lat.
+<span style="letter-spacing: 0.2em;">more</span>s;
+<em>tunante</em>, de
+<em>tuna</em>, <em>tonante</em>, lat.
+<span style="letter-spacing: 0.2em;">tonante</span>m.
+<br />
+
+<br />
+
+66. <em>&uacute;</em>: Representa esta
+letra acentuada o <em>u</em>
+t&oacute;nico, quando as regras de acentua&ccedil;&atilde;o
+gr&aacute;fica
+o exigem; ex.: <em>&uacute;nico</em>,
+<em>n&uacute;ncio</em>,
+<em>sa&uacute;de</em>,
+<em>&uacute;til</em>,<em>arg&uacute;i</em>.
+<br />
+
+<br />
+
+67. <em>&ugrave;</em>: O
+<em>u</em> com acento grave indica
+n&atilde;o fazer ditongo com a vogal anterior, sendo
+&aacute;tono; ex.:
+<em>sa&ugrave;dar</em>. Designa tamb&ecirc;m o <em>u</em>
+proferido dos
+grupos <em>qu</em>,
+<em>gu</em>; ex.:
+<em>arg&ugrave;ir</em>, <em>freq&ugrave;ente</em>.
+<br />
+
+<br />
+
+68. <em>x</em>: Esta letra tem cinco valores
+no idioma comum e liter&aacute;rio; s&atilde;o os seguintes: <br />
+
+<br />
+
+1.&ordm; Como inicial&#8213;<em>xadrez</em>,
+<em>caixa</em>.<br />
+
+<br />
+
+2.&ordm; Como
+<em>ss</em>&#8213;<em>aux&iacute;lio</em>,
+<em>pr&oacute;ximo</em>.<br />
+
+<br />
+
+3.&ordm; Como
+<em>s</em>&#8213;<em>mixto</em>,
+<em>F&eacute;lix</em>.<br />
+
+<br />
+
+4.&ordm; Como <em>cs</em>;
+<em>cx</em>&#8213;<em>fixo</em>,
+<em>sexo</em>;
+<em>c&oacute;rtex</em>,
+<em>s&iacute;lex</em>.<br />
+
+<br />
+
+5.&ordm; Como
+<em>(e)is</em>&#8213;<em>exame</em>,
+<em>&ecirc;xito</em>,
+<em>texto</em>.<br />
+
+<br />
+
+Nas palavras de origem ar&aacute;bica, e quando &eacute;
+inicial, tem sempre o primeiro valor; ex.:
+<em>xabouco</em>,
+<em>axorca</em>,
+<em>xarope</em>, <em>elixir</em>;
+<em>Xerxes</em>,
+<em>Xenofonte</em>, etc. <br />
+
+<br />
+
+69. Al&ecirc;m desta multiplicidade de valores, alterna, com
+rela&ccedil;&atilde;o ao primeiro, com o grupo
+<em>ch</em>, o qual, como j&aacute; se disse,
+representa <em>cl</em>,
+<em>fl</em>,
+<em>pl</em> latinos; assim, temos;
+<em>x&aacute;</em> (rei) e <em>ch&aacute;</em>
+(planta),
+<em>xeque</em> (regedor) e
+<em>cheque</em> (bilhete de banco), <em>buxo</em>,
+lat.
+<span style="letter-spacing: 0.2em;">buxum</span>
+(planta), e
+<em>bucho</em>, lat.
+<span style="letter-spacing: 0.2em;">musc'lum</span>
+(est&ocirc;mago e
+m&uacute;sculo). <br />
+
+<br />
+
+A consulta ao
+<span class="smallcaps">Vocabul&aacute;rio</span>
+&eacute; indispens&aacute;vel para o empr&ecirc;go de
+qualquer d&ecirc;stes dois s&iacute;mbolos, actualmente
+equivalentes no valor. <br />
+
+<br />
+
+<br />
+
+70. <em>z</em>: Como inicial, ou
+depois de consoante, expressa o mesmo som que se ouve em
+<em>z&ecirc;lo</em>,
+<em>azeite</em>,
+<em>zurzir</em>. Os voc&aacute;bulos formados com o
+prefixo <em>trans-</em>, e a
+palavra <em>obs&eacute;quio</em> e seus
+derivados, todavia, escrevem-se com
+<em>s</em>, que representa <em>s</em> latino,
+como em
+<em>transir</em>,
+<em>tr&acirc;nsito</em>,
+<em>transac&ccedil;&atilde;o</em>. <br />
+
+<br />
+
+71. O <em>z</em> entre vogais
+corresponde a <em>z</em>, a
+<em>ti</em>, e a
+<em>ce</em>,
+<em>ci</em> latinos, como em <em>baptisar</em>,
+<em>raz&atilde;o</em>,
+<em>fazer</em>,
+<em>vazio</em>, e nisto se
+diferen&ccedil;a do <em>s</em> entre vogais que a
+<em>s</em> latino corresponde. Os sufixos <em>-izar</em>,
+<em>-izante</em>, etc., escrevem-se sempre
+com <em>z</em>, como em <em>anarquizar</em>,
+<em>juda&igrave;zante</em>;
+<em>analisar</em>, por&ecirc;m, porque
+prov&ecirc;m
+<span class="pagenum"><a name="p43">[43]</a></span>
+de
+<em>an&aacute;lise</em>, tem
+<em>s</em> e n&atilde;o
+<em>z</em>; <em>horizonte
+z</em> e n&atilde;o
+<em>s</em>. Em palavras de origem ar&aacute;bica
+&eacute;
+<em>z</em> e n&atilde;o
+<em>s</em> que se escreve; ex.: <em>azarola</em>,
+<em>azeite</em>,
+<em>azougue</em>. O sufixo
+<em>-eza</em>, como proveniente de <em>-itia</em>
+latino, tem
+<em>z</em>; mas das
+termina&ccedil;&otilde;es
+<em>ansa</em>, <em>ensa</em>, latinas,
+procedem os
+voc&aacute;bulos e as formas
+<em>asa</em>,
+<em>defesa</em>, <em>presa</em>, etc. <br />
+
+<br />
+
+O recurso ao
+<span class="smallcaps">Vocabul&aacute;rio</span>
+&eacute; de necessidade para os casos duvidosos, como o
+&eacute; para a hip&oacute;tese
+seguinte. <br />
+
+<br />
+
+72. O <em>z</em> final de palavra cuja
+&uacute;ltima s&iacute;laba seja a predominante, bem como o de
+v&aacute;rios monoss&iacute;labos, alterna com <em>s</em>,
+e tem o valor d&ecirc;ste
+no idioma liter&aacute;rio e comum. <br />
+
+<br />
+
+Deve ter-se em aten&ccedil;&atilde;o que o
+<em>s</em> corresponde sempre a <em>s</em>
+latino, e o
+<em>z</em> a
+<em>c</em> latino e a
+<em>ss</em> ou
+<em>zz</em> ar&aacute;bicos; assim
+teremos: <em>luz</em>,
+<em>voz</em>,
+<a href="#e3"><em>falaz</em></a>, <em>feliz</em>,
+<em>atroz</em>,
+<em>vez</em>,
+<em>capuz</em>,
+<em>faz</em>,
+<em>f&ecirc;z</em>, de origem latina, <em>algoz</em>,
+<em>alcatraz</em>,
+<em>albornoz</em>, de origem
+ar&aacute;bica; a &uacute;nica excep&ccedil;&atilde;o
+&eacute;
+<em>r&ecirc;s</em>, como j&aacute; se
+disse. <br />
+
+<br />
+
+73. Nos patron&iacute;micos as termina&ccedil;&otilde;es
+<em>es</em>,
+<em>s</em>, conquanto provenientes de <em>ici</em>
+latino,
+escrever-se h&atilde;o com <em>s</em>,
+porque na sua maioria o sufixo portugu&ecirc;s &eacute;
+&aacute;tono; ex.: <em>Rodrigues</em>, <em>Nunes</em>,
+<em>Gon&ccedil;alves</em>;
+<em>Dias</em>;
+<em>Martins</em>,
+<em>Migu&eacute;is</em>; etc.
+Semelhantemente, &eacute; substitu&iacute;do por
+<em>s</em> um antigo
+<em>z</em> final de s&iacute;laba, como em
+<em>mesquinho</em>,
+<em>mesquita</em>,
+<em>visconde</em>, etc. <br />
+
+<br />
+
+<br />
+
+74. <em>k</em>,
+<em>w</em>,
+<em>y</em>. Estas tres letras, proscritas do
+abeced&aacute;rio portugu&ecirc;s, s&oacute;mente
+s&atilde;o
+admitidas na escrita de voc&aacute;bulos estrangeiros, como <em>Kant</em>,
+<em>Darwin</em>,
+<em>Byron</em>, e nos seus derivados portugueses, como
+<em>kantismo</em>,
+<em>darwinismo</em>, byroniano, que podem todavia ser
+escritos
+<em>cantismo</em>,
+<em>daru&igrave;nismo</em>, <em>baironiano</em>.
+<br />
+
+<br />
+
+<br />
+
+75. Escrever-se h&atilde;o iniciais mai&uacute;sculas
+em meio de per&iacute;odos ou ora&ccedil;&otilde;es
+gramaticais, nos seguintes casos: <br />
+
+<br />
+
+a) Nomes pr&oacute;prios de pessoas ou lugares, ruas, etc.; <br />
+
+<br />
+
+b) Nomes colectivos designando cargos, em
+substitui&ccedil;&atilde;o das pessoas que os desempenham; ex.:
+<em>Estado</em>,
+<em>Gov&ecirc;rno</em>, <em>Companhia das
+&Aacute;guas</em>,
+<em>Centro Comercial</em>,
+<em>Patriarcado</em>, <em>C&uacute;ria</em>,
+etc.; <br />
+
+<br />
+
+c) Individualidades que
+exercem importantes cargos: <em>Ministro da
+Marinha</em>,
+<em>Presidente</em>,
+<em>Juiz</em>, etc.; <br />
+
+<br />
+
+d) Reparti&ccedil;&otilde;es p&uacute;blicas:
+<em>Direc&ccedil;&atilde;o Geral das
+Col&oacute;nias</em>, <em>Minist&eacute;rio da
+Guerra</em>,
+etc.; <br />
+
+<br />
+
+e) Nomes de astros, divindades:
+<em>V&eacute;nus</em>,
+<em>Terra</em>,
+<em>Sol</em>, etc.; <br />
+
+<br />
+
+f) Nomes dos meses, nas datas; <br />
+
+<br />
+
+g) T&iacute;tulos de livros, excepto as part&iacute;culas
+monossil&aacute;bicas, que se escrever&atilde;o com
+min&uacute;sculas.<br />
+
+<br />
+
+<br />
+
+<span class="pagenum">[44]</span>
+76. Hifen (-). <br />
+
+<br />
+
+&Ecirc;ste sinal prende os voc&aacute;bulos compostos, quando
+os seus elementos, conservando a acentua&ccedil;&atilde;o
+pr&oacute;pria, perdem em parte a sua
+significa&ccedil;&atilde;o primordial;
+ex.: <em>m&atilde;e-d'agua</em>,
+<em>porta-bandeira</em>,
+<em>&aacute;gua-forte</em>,
+<em>franco-russo</em>,
+<em>madre-p&eacute;rola</em>, etc. <br />
+
+<br />
+
+77. O h&iacute;fen une tamb&ecirc;m os pronomes
+complementos &aacute;tonos aos verbos de que dependem, quando
+s&atilde;o
+colocados depois d&ecirc;stes; ex.:
+<em>dou-te</em>,
+<em>dou-to</em>,
+<em>d&aacute;s-mo</em>,
+<em>louv&aacute;-lo</em>,
+<em>louva-lo</em>, <em>louvam-no</em>,
+<em>louva-o</em>,
+<em>tenho-o</em>,
+<em>tem-lo</em>,
+<em>tem-no</em>,
+<em>d&aacute;vamovo-lo</em>, <em>deram-se</em>,
+<em>deu-se-lhes</em>, etc. <br />
+
+<br />
+
+78. Quando, em fim de linha, se parte um voc&aacute;bulo inteiro,
+parte-se igualmente o h&iacute;fen, isto &eacute;,
+repete-se na linha seguinte, se unia os elementos de uma
+di&ccedil;&atilde;o
+composta; ex.: <em>porta-/-voz</em>,
+<em>dou-/-to</em>. <br />
+
+<br />
+
+79. O hifen (-), com o nome de linha divis&oacute;ria,
+divide, de uma para outra linha, as s&iacute;labas de uma palavra;
+ex.: <em>pas-/ta</em>,
+<em>do-/res</em>,
+<em>ve-/zes</em>,
+<em>parti-/cular</em>,
+<em>di-/gnidade</em>, <em>subs-/t&acirc;ncia</em>.
+<br />
+
+<br />
+
+<br />
+
+80. Pontos de
+interroga&ccedil;&atilde;o (?) e
+exclama&ccedil;&atilde;o (!).<br />
+
+<br />
+
+&Agrave; imita&ccedil;&atilde;o da ortografia espanhola,
+&eacute; conveniente assinalar com &ecirc;stes pontos o
+principio de uma
+ora&ccedil;&atilde;o interrogativa ou exclamativa,
+invertendo-os, todas as vezes que ela excede quatro ou cinco palavras,
+para que essa ora&ccedil;&atilde;o seja logo devidamente
+entoada; ex.:
+<em>&iquest;Quando soubeste que a tua fam&iacute;lia
+chegava de fora hoje?</em> <br />
+
+<br />
+
+<br />
+
+81. Acentua&ccedil;&atilde;o
+gr&aacute;fica.<br />
+
+<br />
+
+A rigorosa acentua&ccedil;&atilde;o gr&aacute;fica das
+palavras portuguesas deve satisfazer &agrave;s
+condi&ccedil;&otilde;es
+seguintes: <br />
+
+<br />
+
+1.&ordf; Indicar, com a maior seguran&ccedil;a para quem
+l&ecirc;,
+quais s&atilde;o os voc&aacute;bulos &aacute;tonos e quais
+os
+t&oacute;nicos, e nestes qual seja a s&iacute;laba
+predominante, quando tenham mais de uma; <br />
+
+<br />
+
+2.&ordf; Diferen&ccedil;ar entre si voc&aacute;bulos que se
+escrevem com as mesmas letras, mas divergem na pron&uacute;ncia e
+na
+significa&ccedil;&atilde;o, ou fun&ccedil;&atilde;o
+gramatical, <br />
+
+<br />
+
+82. Os
+voc&aacute;bulos portugueses s&atilde;o: de
+uma s&iacute;laba, monoss&iacute;labos; de duas,
+diss&iacute;labos; de
+mais de duas, poliss&iacute;labos; ex.:
+<em>p&aacute;</em>,
+<em>p&aacute;ra</em>,
+<em>parada</em>. <br />
+
+<br />
+
+83. H&aacute; nos monoss&iacute;labos e diss&iacute;labos
+voc&aacute;bulos t&oacute;nicos, <em>d&aacute;</em>,
+<em>p&aacute;ra</em>, e
+voc&aacute;bulos &aacute;tonos,
+<em>da</em>,
+<em>para</em>. <br />
+
+<br />
+
+84. Os dissilabos t&oacute;nicos podem ter como s&iacute;laba
+predominante a primeira, <em>mares</em>, ou a segunda,
+<em>mar&eacute;s</em>; os
+poliss&iacute;labos podem ter como predominante a
+&uacute;ltima, <em>falar&aacute;</em>,
+<span class="pagenum">[45]</span>
+a pen&uacute;ltima, <em>falara</em>, ou
+antepen&uacute;ltima, <em>fal&aacute;ramos</em>.
+Os
+voc&aacute;bulos cuja &uacute;ltima silaba &eacute; a
+predominante denominam-se agudos ou ox&iacute;tonos; se a silaba
+predominante &eacute; a pen&uacute;ltima, dizem-se graves,
+inteiros, ou
+parox&iacute;tonos; se a predominante &eacute;
+antepen&uacute;ltima, recebem o nome de esdr&uacute;xulos, ou
+proparox&iacute;tonos. <br />
+
+<br />
+
+85. Nenhum voc&aacute;bulo portugu&ecirc;s, de per si, pode ter
+como s&iacute;laba predominante qualquer outra antes da
+antepen&uacute;ltima, conquanto haja di&ccedil;&otilde;es
+formadas por linguagens verbais acompanhadas de pronomes, a elas unidos
+por h&iacute;fen (-), em que a s&iacute;laba predominante, que
+&eacute; a da
+forma verbal, fica sendo a quarta ou a quinta a contar do fim; ex.: <em>d&aacute;vamos-to</em>,
+<em>d&aacute;vamo-vo-lo</em>. Tais
+di&ccedil;&otilde;es em nada modificam na escrita a
+acentua&ccedil;&atilde;o gr&aacute;fica da
+forma verbal, a qual permanece. <br />
+
+<br />
+
+86. A s&iacute;laba t&oacute;nica, quando se torna
+necess&aacute;rio indic&aacute;-la na escrita, assinala-se com
+o acento agudo (&acute;) s&ocirc;bre a vogal dominante dela, se
+esta &eacute;
+<em>a</em>,
+<em>e</em>,
+<em>o</em> abertos,
+<em>i</em> ou
+<em>u</em>; com o acento circunflexo (^), se &eacute;
+<em>a</em>,
+<em>e</em>,
+<em>o</em> fechados. O til vale por acento
+t&oacute;nico, se outro n&atilde;o
+est&aacute; marcado no voc&aacute;bulo; ex.: <em>far&aacute;</em>,
+<em>mar&eacute;</em>,
+<em>portal&oacute;</em>,
+<em>dif&iacute;cil</em>,
+<em>&uacute;til</em>;
+<em>c&acirc;mara</em>, <em>merc&ecirc;</em>,
+<em>av&ocirc;</em>,
+<em>&acirc;nsia</em>,
+<em>indulg&ecirc;ncia</em>,
+<em>br&ocirc;nzeo</em>,
+<em>f&iacute;mbria</em>,
+<em>n&uacute;ncio</em>; <em>var&atilde;o</em>,
+<em>ma&ccedil;&atilde;</em>,
+<em>capit&atilde;es</em>;
+<em>&oacute;rg&atilde;o</em>,
+<em>&oacute;rf&atilde;</em>;
+<em>mun&iacute;cipe</em>. <br />
+
+<br />
+
+87. Outro acento, o grave (`),
+serve para designar, quando seja necess&aacute;rio ou
+conveniente &agrave; correcta
+pronuncia&ccedil;&atilde;o de um voc&aacute;bulo ou forma
+verbal, o valor
+alfab&eacute;tico de qualquer das vogais <em>a</em>,
+<em>e</em>,
+<em>o</em>,
+<em>i</em>,
+<em>u</em>, independentemente de serem
+t&oacute;nicas, e principalmente quando
+o n&atilde;o s&atilde;o; ex.: <em>&agrave;</em>,
+<em>p&egrave;gada</em>,
+<em>m&ograve;lhada</em>,
+<em>fa&igrave;scar</em>,
+<em>sa&ugrave;dar</em>. <br />
+
+<br />
+
+<br />
+
+88. Estabelecidas estas premissas, pode preceituar-se uma rigorosa
+acentua&ccedil;&atilde;o gr&aacute;fica,
+inteiramente sistem&aacute;tica, a qual, sem ser profusa ou ociosa,
+deixe bem patentes os factos apontados, quer seja expressa,
+quer omissa a sua nota&ccedil;&atilde;o. <br />
+
+<br />
+
+<br />
+
+89. Voc&aacute;bulos n&atilde;o acentuados
+gr&aacute;ficamente.<br />
+
+<br />
+
+a) Monoss&iacute;labos e diss&iacute;labos &aacute;tonos:
+<em>o(s)</em>,
+<em>a(s)</em>,
+<em>lo(s)</em>, <em>la(s)</em>,
+<em>no(s)</em>,
+<em>na(s)</em>,
+<em>do(s)</em>,
+<em>da(s)</em>,
+<em>ao(s)</em>,
+<em>pelo(s)</em>,
+<em>pela(s)</em>, <em>polo(s)</em>,
+<em>pola(s)</em>,
+<em>me</em>,
+<em>mo(s)</em>,
+<em>ma(s)</em>,
+<em>te</em>,
+<em>to(s)</em>,
+<em>ta(s)</em>,
+<em>lhe(s)</em>, <em>nos</em>,
+<em>no-lo(s)</em>,
+<em>no-la(s)</em>,
+<em>vo-lo(s)</em>,
+<em>vo-la(s)</em>,
+<em>lho(s)</em>,
+<em>lha(s)</em>;
+<em>se</em>, <em>de</em>,
+<em>por</em>,
+<em>sem</em>,
+<em>sob</em>,
+<em>com</em>,
+<em>ma</em>s,
+<em>que</em>,
+<em>porque</em>,
+<em>tam</em> (abreviatura de <em>tanto</em>),
+<em>sam</em> (abreviatura de
+<em>santo</em>), etc. <br />
+
+<br />
+
+b) Monoss&iacute;labos t&oacute;nicos terminados em
+<em>em</em>,
+<em>ens</em>:
+<em>bem</em>, <em>bens</em>,
+<em>tem</em>,
+<em>tens</em>,
+<em>cem</em>.
+<br />
+
+<br />
+
+<span class="pagenum"><a name="p46">[46]</a></span>
+c) Formas verbais em <em>am</em>,
+<em>em</em>, com a pen&uacute;ltima
+s&iacute;laba como predominante, e substantivos
+dissil&aacute;bicos e
+polissil&aacute;bicos em <em>em</em>,
+<em>ens</em>, nas mesmas
+condi&ccedil;&otilde;es:
+<em>louvam</em>,
+<em>louvaram</em>, <em>louvem</em>,
+<em>contem</em> (do verbo
+<em>contar</em>);
+<em>viagem</em>,
+<em>viagens</em>, <em>ferrugem</em>,
+<em>ferrugens</em>, etc. <br />
+
+<br />
+
+d) Monoss&iacute;labos e diss&iacute;labos t&oacute;nicos,
+e poliss&iacute;labos, terminados em <em>i</em>,
+<em>u</em>, vogal nasal, ditongo, seguidos,
+ou n&atilde;o, de <em>s</em>, e os terminados em outra
+qualquer consoante, todos &ecirc;les ox&iacute;tonos: <em>vi(s)</em>,
+<em>javali(s)</em>,
+<em>cru(s)</em>,
+<em>peru(s)</em>,
+<em>l&atilde;(s)</em>,
+<em>ma&ccedil;&atilde;(s)</em>, <em>sai(s)</em>,
+<em>arrais</em>,
+<em>mau(s)</em>,
+<em>sarau(s)</em>;
+<em>som</em>,
+<em>sons</em>,
+<em>atum</em>, <em>atuns</em>;
+<em>mar</em>,
+<em>der</em>,
+<em>ser</em>,
+<em>dor</em>,
+<em>mal</em>,
+<em>canal</em>,
+<em>painel</em>,
+<em>funil</em>,
+<em>farol</em>, <em>azul</em>;
+<em>m&atilde;o(s)</em>,
+<em>var&atilde;o</em>,
+<em>var&otilde;es</em>,
+<em>cruz</em>,
+<em>Artur</em>, etc. <br />
+
+<br />
+
+e) Os diss&iacute;labos e poliss&iacute;labos terminados
+em <a href="#e4"><em>a(s)</em></a>,
+<em>e(s)</em>,
+<em>o(s)</em>, cuja pen&uacute;ltima
+s&iacute;laba seja a predominante; ex.: <em>casa(s)</em>,
+<em>camada(s)</em>,
+<em>camarada(s)</em>,
+<em>trave(s)</em>,
+<em>parede(s)</em>, vicissitude(s), <em>desaire(s)</em>,
+<em>modo(s)</em>,
+<em>devoto(s)</em>,
+<em>lume(s)</em>, etc. <br />
+
+<br />
+
+Estas esp&eacute;cies compreendem a maioria dos
+voc&aacute;bulos portugueses, incluindo-se tamb&ecirc;m nelas
+as mais das formas verbais, como <em>louvo</em>,
+<em>louva(s)</em>,
+<em>louve(s)</em>,
+<em>louvava(s)</em>,
+<em>louvara(s)</em>, <em>louvaria(s)</em>,
+<em>louvares</em>,
+<em>louvarei(s)</em>. <br />
+
+<br />
+
+<br />
+
+90. Voc&aacute;bulos acentuados
+gr&aacute;ficamente,
+<em>cantar</em>,
+<em>cantai</em>, fazer, fazei, fazendo sentir,
+sentir&atilde;o, sentis, etc.<br />
+
+<br />
+
+a) Monoss&iacute;labos, diss&iacute;labos e
+poliss&iacute;labos terminados em <em>a(s)</em>,
+<em>e(s)</em> e
+<em>o(s)</em>, como s&iacute;laba
+predominante, isto &eacute;, agudos, ox&iacute;tonos; ex.:
+<em>p&aacute;(s)</em>,
+<em>s&eacute;(s)</em>,
+<em>v&ecirc;(s)</em>,
+<em>m&ecirc;s</em>,
+<em>p&oacute;(s)</em>,
+<em>p&ocirc;s</em>,
+<em>far&aacute;(s)</em>, <em>mar&eacute;(s)</em>,
+<em>merc&ecirc;(s)</em>,
+<em>av&oacute;(s)</em>,
+<em>av&ocirc;(s)</em>,
+<em>alvar&aacute;(s)</em>,
+<em>jacar&eacute;(s)</em>, <em>portugu&ecirc;s</em>,
+<em>portal&oacute;(s)</em>, etc. <br />
+
+<br />
+
+b) Diss&iacute;labos e poliss&iacute;labos terminados em
+<em>em</em>,
+<em>ens</em>, cuja s&iacute;laba predominante seja a
+&uacute;ltima; ex.:
+<em>vint&ecirc;m</em>,
+<em>armaz&ecirc;m</em>, <em>vint&ecirc;ns</em>,
+<em>armaz&ecirc;ns</em>,
+<em>cont&ecirc;m</em>,
+<em>cont&ecirc;ns</em> (do verbo
+<em>conter</em>),
+<em>por&ecirc;m</em>, <em>Jerusal&ecirc;m</em>,
+Bel&ecirc;m, etc. <br />
+
+<br />
+
+c) Diss&iacute;labos e poliss&iacute;labos
+terminados em <em>i</em>,
+<em>u</em>, vogal nasal, ditongo, seguidos, ou
+n&atilde;o, de
+<em>s</em>, ou em outra qualquer consoante, quando a
+s&iacute;laba
+predominante seja a pen&uacute;ltima; ex: <em>qu&aacute;si</em>, <em>V&eacute;nus</em>,
+<em>&oacute;rf&atilde;(s)</em>, <em>&oacute;rf&atilde;o(s)</em>,
+<em>louv&aacute;veis</em>, <em>louv&aacute;reis</em>,
+<em>f&aacute;cil</em>,
+<em>f&aacute;ceis</em>,
+<em>t&ecirc;xtil</em>,
+<em>t&ecirc;xteis</em>,
+<em>c&ocirc;nsul</em>,
+<em>s&aacute;vel</em>,
+<em>s&aacute;veis</em>, <em>cad&aacute;ver</em>,
+<em>&eacute;ter</em>,
+<em>m&aacute;rtir</em>,
+<em>s&oacute;ror</em>,
+<em>alc&aacute;&ccedil;ar</em>,
+<em>S&oacute;far</em>,
+<em>a&ccedil;&uacute;car</em>,
+<em>g&eacute;rmen</em>, <em>l&iacute;quen</em>,
+<em>F&eacute;lix</em>,
+<em>c&oacute;rtex</em>,
+<em>s&iacute;lex</em>, etc. <br />
+
+<br />
+
+d) Os ditongos, sempre t&oacute;nicos,
+<em>&eacute;i</em>,
+<em>&eacute;u</em>,
+<em>&oacute;i</em>, com
+<em>e</em>,
+<em>o</em> abertos; ex.:
+<em>r&eacute;is</em>, <em>bat&eacute;is</em>
+(cf. <em>reis</em>,
+<em>bateis</em>),
+<em>v&eacute;u(s)</em>,
+<em>chap&eacute;u(s)</em>, <em>s&oacute;is</em>
+(cf.
+<em>sois</em>, verbo),
+<em>r&oacute;is</em>,
+<em>her&oacute;i(s)</em>,
+<a href="#e5"><em>j&oacute;ia</em></a>,
+<em>gib&oacute;ia</em>, etc. <br />
+
+<br />
+
+e) O <em>a</em> da
+termina&ccedil;&atilde;o
+<em>-&aacute;mos</em> da 1.&ordf; pessoa do
+plural do pret&eacute;rito, para a diferen&ccedil;ar de igual
+pessoa do
+presente; ex.: <em>louv&aacute;mos</em> (cf.
+<em>louvamos</em>=<em>louv&acirc;mos</em>).
+<br />
+
+<br />
+
+<span class="pagenum">[47]</span>
+f) Os seguintes monoss&iacute;labos e diss&iacute;labos
+t&oacute;nicos, para se diferen&ccedil;arem de outros
+hom&oacute;grafos
+&aacute;tonos: <em>qu&ecirc;</em>,
+<em>porqu&ecirc;</em>, <em>p&ocirc;r</em>
+(cf.
+<em>por</em>
+preposi&ccedil;&atilde;o),
+<em>p&aacute;ra</em> (cf.
+<em>para</em>,
+preposi&ccedil;&atilde;o);
+<em>p&ecirc;ra</em> (cf. <em>pera</em>,
+<em>p'ra</em>,
+preposi&ccedil;&atilde;o),
+<em>p&eacute;la</em>,
+<em>p&eacute;lo</em>,
+<em>p&ecirc;lo</em> (cf.
+<em>pelo</em>,
+<em>pela</em>, preposi&ccedil;&atilde;o <em>per</em>
+e artigo <em>lo</em>,
+<em>la</em>),
+<em>p&oacute;lo</em> (cf.
+<em>polo</em>,
+preposi&ccedil;&atilde;o <em>por</em> e artigo
+<em>lo</em>). <br />
+
+<br />
+
+g) Todos os voc&aacute;bulos esdr&uacute;xulos, isto
+&eacute;, que tenham como s&iacute;laba predominante a
+antepen&uacute;ltima; ex.:
+<em>pr&aacute;tica</em>; <em>&acirc;nimo</em>,
+<em>&acirc;nsia</em>;
+<em>f&eacute;rvido</em>,
+<em>g&eacute;nero</em>,
+<em>g&eacute;meo</em>,
+<em>g&eacute;nio</em>;
+<em>p&ecirc;ssego</em>,
+<em>f&ecirc;mea</em>, <em>conc&ecirc;ntrico</em>,
+<em>t&iacute;sico</em>,
+<em>tiroc&iacute;nio</em>,
+<em>f&iacute;mbria</em>;
+<em>pr&oacute;ximo</em>,
+<em>pr&oacute;prio</em>, <em>antim&oacute;nio</em>;
+<em>l&ocirc;brego</em>,
+<em>br&ocirc;nzeo</em>;
+<em>&uacute;bere</em>,
+<em>l&uacute;gubre</em>,
+<em>&uacute;nico</em>,
+<em>n&uacute;ncio</em>; <em>cad&aacute;veres</em>,
+<em>&aacute;rvore(s)</em>,
+<em>mult&iacute;plice(s)</em>,
+<em>m&uacute;ltiplo(s)</em>,
+<em>qu&aacute;druplo(s)</em>, etc. <br />
+
+<br />
+
+Assim tamb&ecirc;m as formas verbais esdr&uacute;xulas, tais
+como <em>louv&aacute;vamos</em>,
+<em>louv&aacute;ramos</em>,
+<em>louvar&iacute;amos</em>,
+<em>dev&iacute;amos</em>,
+<em>dev&ecirc;ramos</em>, <em>dever&iacute;amos</em>,
+<em>pun&iacute;amos</em>,
+<em>pun&iacute;ramos</em>,
+<em>punir&iacute;amos</em>,
+<em>louv&aacute;ssemos</em>, <em>dev&ecirc;ssemos</em>,
+<em>pun&iacute;ssemos</em>,
+<em>sa&iacute;ssemos</em>,
+<em>fiz&eacute;ssemos</em>, etc. <br />
+
+<br />
+
+h) Marcam-se com o acento circunflexo os
+<em>ee</em> e
+<em>oo</em> fechados de voc&aacute;bulos
+parox&iacute;tonos terminados em
+<em>o(s)</em>, <em>e(s)</em>, <em>o(s)</em>
+fechados, quando haja outros,
+escritos com as mesmas letras, em que essas vogais sejam abertas; ex.:
+<em>r&ecirc;go</em>, <em>r&ocirc;go</em>,
+substantivos, a par
+de <em>rego</em>,
+<em>rogo</em>, verbos;
+<em>d&ecirc;mos</em>, presente, a par de <em>demos</em>,
+pret&eacute;rito,
+<em>s&ecirc;de</em>,
+<em>c&ocirc;rte</em>,
+<em>c&ocirc;r</em>,
+<em>m&ecirc;do</em>, a par de <em>sede</em>,
+<em>corte</em>,
+<em>cor</em>,
+<em>medo</em>, com
+<em>e</em>,
+<em>o</em> abertos, etc. <br />
+
+<br />
+
+i) Marcam-se com o acento agudo (&acute;) o
+<em>i</em> e o
+<em>u</em> que n&atilde;o formem ditongo com a vogal
+anterior; ex.:
+<em>pa&iacute;s</em>, <em>sa&iacute;da</em>,
+<em>fa&iacute;sca</em>,
+<em>Ta&iacute;geto</em>,
+<em>sa&uacute;de</em>,
+<em>bala&uacute;stre</em>,
+<em>ba&uacute;</em>, etc. <br />
+
+<br />
+
+j) Se o <em>i</em> ou
+<em>u</em>, que n&atilde;o forma ditongo
+com a vogal precedente, &eacute; &aacute;tono, em vez do acento
+agudo, usa-se o grave (`); ex.: <em>sa&igrave;mento</em>,
+<em>pa&igrave;sagem</em>,
+<em>sa&ugrave;dar</em>,
+<em>aba&ugrave;lado</em>; <br />
+
+<br />
+
+l) O acento grave designa tamb&ecirc;m o
+<em>u</em> dos grupos
+<em>qu</em>, <em>gu</em>, se &eacute;
+proferido; ex.:
+<em>conseq&ugrave;&ecirc;ncia</em>,
+<em>ag&ugrave;entar</em>,
+<em>arg&ugrave;ir</em>. Muda-se em agudo se
+&ecirc;sse <em>u</em>
+&eacute; a vogal predominante,
+<em>arg&uacute;i</em>; cf. <em>arg&ugrave;i</em>,
+pret&eacute;rito; <br />
+
+<br />
+
+m) Emprega-se igualmente o acento grave para denotar que <em>a</em>,
+<em>e</em>,
+<em>o</em> &aacute;tonos s&atilde;o
+abertos, quando haja hom&oacute;grafos, em que eles sejam surdos;
+ex.
+<em>&agrave;</em>, e
+<em>a</em>;
+<em>&agrave;quele(s)</em>,
+<em>&agrave;quela(s)</em>, e <em>aquele(s)</em>,
+<em>aquela(s)</em>;
+<em>&agrave;parte</em>, substantivo, e
+<em>aparte</em>, verbo; <em>pr&egrave;gar</em>,
+e
+<em>pregar</em>, de
+<em>prego</em>;
+<em>m&ograve;lhada</em>, de
+<em>molho</em>, e
+<em>molhada</em>, de <em>molhar</em>. <br />
+
+<br />
+
+<br />
+
+91. O acento distintivo (^), que assinala as vogais fechadas <em>&ecirc;</em>,
+<em>&ocirc;</em>, s&oacute; tem
+aplica&ccedil;&atilde;o, tanto nos monoss&iacute;labos,
+como nos diss&iacute;labos ou poliss&iacute;labos, se existe
+hom&oacute;grafo, isto &eacute;, voc&aacute;bulo escrito
+com as mesmas letras, de que
+<span class="pagenum">[48]</span>
+haja de diferen&ccedil;ar-se; pode portanto omitir-se em
+<em>dor</em>, <em>po&ccedil;o</em>,
+<em>cera</em>, por exemplo, porque
+n&atilde;o existem, as palavras <em>d&oacute;r</em>,
+<em>c&eacute;ra</em>, e
+<em>p&oacute;sso</em>, verbo,
+j&aacute; se diferen&ccedil;a de
+<em>po&ccedil;o</em> em escrever-se com <em>ss</em>.
+<br />
+
+<br />
+
+92. Semelhantemente, a
+acentua&ccedil;&atilde;o gr&aacute;fica
+omite-se logo que, pela flex&atilde;o dos voc&aacute;bulos,
+deixam de
+existir as condi&ccedil;&otilde;es que a determinaram.
+D&ecirc;ste
+modo, se temos de acentuar graficamente
+<em>s&ecirc;co</em>,
+<em>s&ecirc;ca</em>,
+<em>l&ocirc;gro</em> para os
+diferen&ccedil;ar das correspondentes formas verbais
+<em>seco</em>,
+<em>seca</em>,
+<em>logro</em>, com <em>e</em>,
+<em>o</em> abertos,
+a acentua&ccedil;&atilde;o torna-se
+in&uacute;til no
+plural daqueles nomes masculinos, <em>secos</em>,
+<em>logros</em>, mas ter&aacute; de
+manter-se em <em>s&ecirc;cas</em>, em
+raz&atilde;o da forma verbal
+<em>secas</em>. Assim, tamb&ecirc;m, escreveremos
+<em>vaidoso(s)</em>,
+<em>vaidosa(s)</em>, sem sinal de acento no <em>o</em>
+da
+pen&uacute;ltima s&iacute;laba, conquanto a
+pron&uacute;ncia seja <em>vaid&ocirc;so</em>,
+<em>vaid&oacute;sos</em>,
+<em>vaid&oacute;sa(s)</em>. Outro
+tanto suceder&aacute; com rela&ccedil;&atilde;o
+ao
+<em>o</em> aberto de v&aacute;rios
+substantivos no plural, correspondente a
+<em>o</em> fechado no singular; assim teremos <em>tejolo</em> (<em>tej&ocirc;lo</em>),
+<em>tejolos</em>
+(<em>tej&oacute;los</em>), sem acento
+gr&aacute;fico, mas <em>tr&ocirc;co</em>,
+<em>trocos</em>, e
+<em>troco</em>, verbo. <br />
+
+<br />
+
+As palavras <em>esp&ocirc;so</em>,
+<em>esp&ocirc;sa(s)</em>,
+ter&atilde;o acento marcado, em virtude de existirem as formas
+verb&aacute;is
+<em>esposa</em>,
+<em>esposa(s)</em>, com <em>o</em> aberto; mas
+o plural
+<em>esposos</em> dispensa a
+acentua&ccedil;&atilde;o por n&atilde;o haver
+hom&oacute;grafo a diferen&ccedil;ar.
+Escreveremos <em>p&ocirc;r</em>, com acento
+circunflexo, para o diferen&ccedil;ar de
+<em>por</em>,
+preposi&ccedil;&atilde;o; por&ecirc;m <em>dispor</em>,
+<em>propor</em>,
+<em>expor</em>, etc., ortografam-se sem acento distintivo;
+<em>portugu&ecirc;s</em>,
+<em>cort&ecirc;s</em> tem o acento
+circunflexo no <em>e</em> por este pertencer &agrave;
+&uacute;ltima s&iacute;laba, predominante; em <em>portugueses</em>,
+<em>portuguesa(s)</em>,
+<em>corteses</em> omite-se o acento por ser
+desnecess&aacute;rio, visto os voc&aacute;bulos
+haverem passado de ox&iacute;tonos a parox&iacute;tonos em
+<em>-esa(s)</em>,<em>-ese(s)</em>.
+<br />
+
+<br />
+
+Por outra parte,
+<em>&aacute;rvore(s)</em> ter&aacute;
+acento marcado, por ser esdr&uacute;xulo, <em>arvore(s)</em>;
+verbo, n&atilde;o o tem por ser parox&iacute;tono em <em>(e)s</em>.
+<br />
+
+<br />
+
+93. A conjuga&ccedil;&atilde;o de um imperfeito ou condicional
+de verbo, como <em>louvaria</em>,
+<em>deveria</em>,
+<em>puniria</em>,
+<em>louvava</em>,
+<em>devia</em>, <em>punia</em>,
+receber&aacute; acento
+nas formas esdr&uacute;xulas
+<em>louvar&iacute;amos</em>, <em>louv&aacute;vamos</em>,
+<em>dever&iacute;amos</em>,
+<em>dev&iacute;amos</em>,
+<em>punir&iacute;amos</em>, e nas
+parox&iacute;tonas terminadas em ditongo,
+<em>louv&aacute;veis</em>,
+<em>louvar&iacute;eis</em>,
+<em>dev&iacute;eis</em>, <em>dever&iacute;eis</em>,
+<em>pun&iacute;eis</em>,
+<em>punir&iacute;eis</em>; mas
+<em>sa&iacute;a</em> t&ecirc;-lo
+h&aacute; em todas as pessoas do imperfeito,
+<em>sa&iacute;a</em>,
+<em>sa&iacute;as</em>,
+<em>sa&iacute;a</em>,
+<em>sa&iacute;amos</em>,
+<em>sa&iacute;eis</em>, <em>sa&iacute;am</em>,
+porque o
+<em>i</em> n&atilde;o forma ditongo com o
+<em>a</em> que o precede. <br />
+
+<br />
+
+94. Os nomes pr&oacute;prios acentuam-se graficamente como os nomes
+comuns; assim escreveremos
+<em>P&ocirc;rto</em>, como
+<em>p&ocirc;rto</em>, diferen&ccedil;ado de <em>porto</em>,
+verbo; <em>Set&uacute;bal</em>,
+<em>Pont&eacute;vel</em>,
+<em>Pedr&oacute;g&atilde;o</em>, <em>Ant&oacute;nio</em>,
+<em>Tom&aacute;s</em>,
+<em>Tom&eacute;</em>,
+<em>Nazar&eacute;</em>,
+<em>Bel&ecirc;m</em>,
+<em>&Aacute;gueda</em>, etc.
+<br />
+
+<br />
+
+<span class="pagenum">[49]</span>
+&Eacute; em virtude desta regra que teremos de acentuar a forma
+verbal <em>l&ecirc;mos</em>, para
+que se diference de <em>Lemos</em>, na escrita, como se
+diferen&ccedil;a na pron&uacute;ncia. <br />
+
+<br />
+
+95. Os voc&aacute;bulos compostos cujos elementos s&atilde;o
+unidos por h&iacute;fen (-) conservam os seus acentos
+gr&aacute;ficos;
+ex.: <em>m&atilde;e-d'agua</em>, <em>p&aacute;ra-raios</em>,
+<em>pesa-pap&eacute;is</em>. <br />
+
+<br />
+
+O mesmo se observar&aacute; com os adv&eacute;rbios formados
+com o sufixo <em>-mente</em>, dantes
+independente, como substantivo que era, o que ainda se reconhece na
+locu&ccedil;&atilde;o
+<em>de boa mente</em>; ex.: <em>s&oacute;mente</em>,
+<em>cort&ecirc;smente</em>,
+<em>r&aacute;pidamente</em>,
+<em>crist&atilde;mente</em>. <br />
+
+<br />
+
+96. Nos voc&aacute;bulos derivados, aumentativos e deminutivos
+formados com o infixo <em>z</em>, o acento
+agudo converte-se em acento grave, para que se evitem
+leituras
+err&oacute;neas; ex.: <em>m&aacute;</em>,
+<em>m&agrave;zinha</em>,
+<em>m&agrave;zona</em>;
+<em>av&oacute;</em>,
+<em>av&ograve;zinha</em>. <br />
+
+<br />
+
+<br />
+
+97. Na escrita comum parte desta acentua&ccedil;&atilde;o
+rigorosa e sistem&aacute;tica poder&aacute;, em algumas das
+suas
+min&uacute;cias, ser dispensada;
+n&atilde;o por&ecirc;m
+em livros did&aacute;cticos, como gram&aacute;ticas,
+dicion&aacute;rios, comp&ecirc;ndios de qualquer natureza que
+sejam, nos quais por todas as raz&otilde;es, mas principalmente
+para que se n&atilde;o difundam e propaguem erros na
+pron&uacute;ncia, conv&ecirc;m que seja fielmente aplicada;
+podendo mesmo ser ampliada com a marca&ccedil;&atilde;o,
+mediante o
+acento circunflexo, de todos
+os <em>ee</em> e
+<em>oo</em> fechados t&oacute;nicos. Em qualquer caso,
+todavia, cumpre que outros sistemas
+arbitr&aacute;rios n&atilde;o substituam esta
+acentua&ccedil;&atilde;o
+gr&aacute;fica, met&oacute;dica e harm&oacute;nica,
+prejudicando-a na sua coer&ecirc;ncia e
+regularidade, a qual se baseia no exame escrupuloso dos factos.<br />
+
+<br />
+
+<br />
+
+<div style="text-align: center;"><big style="font-weight: bold;"><big>*</big></big><br />
+
+</div>
+
+<br />
+
+<br />
+
+A Comiss&atilde;o termina esta exposi&ccedil;&atilde;o
+expressando o voto de que, se merecer aprova&ccedil;&atilde;o o
+sistema
+proposto, &ecirc;le se propague por meio de cartilhas e
+gram&aacute;ticas, que minuciosamente o exemplifiquem,
+independentemente do <span class="smallcaps">Vocabul&aacute;rio</span>.
+<br />
+
+<br />
+
+<br />
+
+Direc&ccedil;&atilde;o Geral da Instru&ccedil;&atilde;o
+Secund&aacute;ria, Superior e Especial, 23 de Agosto de 1911.<span style="font-style: italic;">&#8213;</span><em>Francisco
+Adolfo
+Coelho</em>, Presidente.&#8213;<em>Jos&eacute; Leite de
+Vasconcelos</em>,
+Vogal.&#8213;<em>C&acirc;ndido de Figueiredo</em>, Vogal.<span style="font-style: italic;">&#8213;</span><em>Manuel
+Borges
+Grainha</em>, Vogal.<span style="font-style: italic;">&#8213;</span><em>Aniceto
+dos Reis
+Gon&ccedil;alves
+Viana</em>, Relator.&#8213;<em>Jos&eacute; Joaquim Nunes</em>,
+Secret&aacute;rio. <br />
+
+<br />
+
+<div class="signature tinys">(Di&aacute;rio do
+Gov&ecirc;rno n.&ordm; 213, de 12 de
+Setembro de
+1911).</div>
+
+<br />
+
+<br />
+
+<br />
+
+<br />
+
+<div class="fbox">
+<h2>Lista de erros corrigidos</h2>
+
+<div style="text-align: center;">Aqui encontram-se
+listados todos os erros encontrados e corrigidos:</div>
+
+<br />
+
+<br />
+
+<table style="width: 80%; text-align: left; margin-left: auto; margin-right: auto;" border="0" cellpadding="4" cellspacing="4">
+
+ <tbody>
+
+ <tr align="right">
+
+ <td style="width: 61px;"></td>
+
+ <td style="font-weight: bold; text-align: center; width: 121px;">Original</td>
+
+ <td style="text-align: center; width: 5px;"></td>
+
+ <td style="font-weight: bold; text-align: center; width: 135px;">Correc&ccedil;&atilde;o</td>
+
+ </tr>
+
+ <tr>
+
+ <td style="text-align: right; width: 61px;"><a name="e1"></a><a href="#p31">#p&aacute;g.
+31</a></td>
+
+ <td style="text-align: center; width: 121px;"><em>dessas(s)</em></td>
+
+ <td style="text-align: center; width: 5px;">...</td>
+
+ <td style="text-align: center; width: 135px;"><em>dessa(s)</em></td>
+
+ </tr>
+
+ <tr>
+
+ <td style="text-align: right; width: 61px;"><a name="e2"></a><a href="#p41">#p&aacute;g.
+41</a></td>
+
+ <td style="text-align: center; width: 121px;">s&iacute;bala</td>
+
+ <td style="text-align: center; width: 5px;">...</td>
+
+ <td style="text-align: center; width: 135px;">s&iacute;laba</td>
+
+ </tr>
+
+ <tr>
+
+ <td style="text-align: right;"><a name="e3"></a><a href="#p43">#p&aacute;g. 43</a></td>
+
+ <td style="text-align: center;"><em>falar</em></td>
+
+ <td>...</td>
+
+ <td style="text-align: center;"><em>falaz</em></td>
+
+ </tr>
+
+ <tr>
+
+ <td style="text-align: right; vertical-align: top;"><a name="e4"></a><a href="#p46">#p&aacute;g.
+46</a></td>
+
+ <td style="text-align: center; vertical-align: middle;"><em>(as)</em></td>
+
+ <td style="text-align: center; vertical-align: middle;">...</td>
+
+ <td style="text-align: center; vertical-align: middle;"><em>a(s)</em></td>
+
+ </tr>
+
+ <tr>
+
+ <td style="text-align: right;"><a name="e5"></a><a href="#p46">#p&aacute;g.
+46</a></td>
+
+ <td style="text-align: center;"><em>joia</em></td>
+
+ <td style="text-align: center;">...</td>
+
+ <td style="text-align: center;"><em>j&oacute;ia</em></td>
+
+ </tr>
+
+
+
+ </tbody>
+</table>
+
+<br />
+
+<div style="text-align: center;"><br />
+
+<br />
+
+</div>
+
+</div>
+
+</div>
+
+</div>
+
+
+
+
+
+
+
+
+<pre>
+
+
+
+
+
+End of the Project Gutenberg EBook of Bases para a unificação da ortografia
+que deve ser adoptada nas escolas e publicações oficiais, by Anonymous
+
+*** END OF THIS PROJECT GUTENBERG EBOOK BASES PARA A UNIFICACAO ***
+
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+Gutenberg is a registered trademark, and may not be used if you
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+Gutenberg-tm electronic works if you follow the terms of this agreement
+and help preserve free future access to Project Gutenberg-tm electronic
+works. See paragraph 1.E below.
+
+1.C. The Project Gutenberg Literary Archive Foundation ("the Foundation"
+or PGLAF), owns a compilation copyright in the collection of Project
+Gutenberg-tm electronic works. Nearly all the individual works in the
+collection are in the public domain in the United States. If an
+individual work is in the public domain in the United States and you are
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+form. Any alternate format must include the full Project Gutenberg-tm
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+ money paid for a work or a replacement copy, if a defect in the
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+ of receipt of the work.
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+The Project Gutenberg Literary Archive Foundation is a non profit
+501(c)(3) educational corporation organized under the laws of the
+state of Mississippi and granted tax exempt status by the Internal
+Revenue Service. The Foundation's EIN or federal tax identification
+number is 64-6221541. Its 501(c)(3) letter is posted at
+https://pglaf.org/fundraising. Contributions to the Project Gutenberg
+Literary Archive Foundation are tax deductible to the full extent
+permitted by U.S. federal laws and your state's laws.
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+The Foundation's principal office is located at 4557 Melan Dr. S.
+Fairbanks, AK, 99712., but its volunteers and employees are scattered
+throughout numerous locations. Its business office is located at
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+business@pglaf.org. Email contact links and up to date contact
+information can be found at the Foundation's web site and official
+page at https://pglaf.org
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+ Chief Executive and Director
+ gbnewby@pglaf.org
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+Section 4. Information about Donations to the Project Gutenberg
+Literary Archive Foundation
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+Project Gutenberg-tm depends upon and cannot survive without wide
+spread public support and donations to carry out its mission of
+increasing the number of public domain and licensed works that can be
+freely distributed in machine readable form accessible by the widest
+array of equipment including outdated equipment. Many small donations
+($1 to $5,000) are particularly important to maintaining tax exempt
+status with the IRS.
+
+The Foundation is committed to complying with the laws regulating
+charities and charitable donations in all 50 states of the United
+States. Compliance requirements are not uniform and it takes a
+considerable effort, much paperwork and many fees to meet and keep up
+with these requirements. We do not solicit donations in locations
+where we have not received written confirmation of compliance. To
+SEND DONATIONS or determine the status of compliance for any
+particular state visit https://pglaf.org
+
+While we cannot and do not solicit contributions from states where we
+have not met the solicitation requirements, we know of no prohibition
+against accepting unsolicited donations from donors in such states who
+approach us with offers to donate.
+
+International donations are gratefully accepted, but we cannot make
+any statements concerning tax treatment of donations received from
+outside the United States. U.S. laws alone swamp our small staff.
+
+Please check the Project Gutenberg Web pages for current donation
+methods and addresses. Donations are accepted in a number of other
+ways including including checks, online payments and credit card
+donations. To donate, please visit: https://pglaf.org/donate
+
+
+Section 5. General Information About Project Gutenberg-tm electronic
+works.
+
+Professor Michael S. Hart was the originator of the Project Gutenberg-tm
+concept of a library of electronic works that could be freely shared
+with anyone. For thirty years, he produced and distributed Project
+Gutenberg-tm eBooks with only a loose network of volunteer support.
+
+
+Project Gutenberg-tm eBooks are often created from several printed
+editions, all of which are confirmed as Public Domain in the U.S.
+unless a copyright notice is included. Thus, we do not necessarily
+keep eBooks in compliance with any particular paper edition.
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+
+Most people start at our Web site which has the main PG search facility:
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+ https://www.gutenberg.org
+
+This Web site includes information about Project Gutenberg-tm,
+including how to make donations to the Project Gutenberg Literary
+Archive Foundation, how to help produce our new eBooks, and how to
+subscribe to our email newsletter to hear about new eBooks.
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