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authorRoger Frank <rfrank@pglaf.org>2025-10-15 02:38:14 -0700
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+ <title>Bases para a unifica&ccedil;&atilde;o da
+ortografia</title>
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+
+
+
+<body>
+
+
+<pre>
+
+The Project Gutenberg EBook of Bases para a unificação da ortografia que
+deve ser adoptada nas escolas e publicações oficiais, by Anonymous
+
+This eBook is for the use of anyone anywhere at no cost and with
+almost no restrictions whatsoever. You may copy it, give it away or
+re-use it under the terms of the Project Gutenberg License included
+with this eBook or online at www.gutenberg.org
+
+
+Title: Bases para a unificação da ortografia que deve ser adoptada nas escolas e publicações oficiais
+
+Author: Anonymous
+
+Release Date: March 20, 2009 [EBook #28364]
+
+Language: Portuguese
+
+Character set encoding: ISO-8859-1
+
+*** START OF THIS PROJECT GUTENBERG EBOOK BASES PARA A UNIFICACAO ***
+
+
+
+
+Produced by Rita Farinha and the Online Distributed
+Proofreading Team at https://www.pgdp.net (This file was
+produced from images generously made available by National
+Library of Portugal (Biblioteca Nacional de Portugal).)
+
+
+
+
+
+
+</pre>
+
+
+<div>
+<div>
+<div class="fbox"> <b>Nota de editor:</b>
+Devido &agrave;
+exist&ecirc;ncia de erros tipogr&aacute;ficos neste texto,
+foram tomadas v&aacute;rias decis&otilde;es quanto &agrave;
+vers&atilde;o final. Em caso de d&uacute;vida, a grafia foi
+mantida de acordo com o original. No final deste livro
+encontrar&aacute; a lista de erros corrigidos.<br />
+
+<br />
+
+<div style="text-align: right; font-style: italic;">Rita
+Farinha (Mar. 2009)
+</div>
+
+</div>
+
+<br />
+
+<br />
+
+<br />
+
+<br />
+
+<h5>MINIST&Eacute;RIO DO INTERIOR<br />
+
+<span class="smallcaps">direc&ccedil;&atilde;ogeral
+de instruc&ccedil;&atilde;o secund&aacute;ria,
+superior e especial
+</span><br />
+
+1.&ordf; REPARTI&Ccedil;&Atilde;O</h5>
+
+<div class="sbreak">
+<hr /></div>
+
+<h2>BASES<br />
+
+PARA A<br />
+
+UNIFICA&Ccedil;&Atilde;O DA ORTOGRAFIA</h2>
+
+<h5>QUE DEVE SER ADOPTADA NAS</h5>
+
+<h4>ESCOLAS E PUBLICA&Ccedil;&Otilde;ES OFICIAIS</h4>
+
+<br />
+
+<div class="sbreak">
+<hr /></div>
+
+<br />
+
+<h3>RELAT&Oacute;RIO DA COMISS&Atilde;O</h3>
+
+<h4>NOMEADA POR<br />
+
+PORTARIA DE 15 DE FEVEREIRO DE 1911<br />
+
+NOVAMENTE REVISTO PELO RELATOR</h4>
+
+<br />
+
+<div style="text-align: center;"><img style="width: 150px; height: 111px;" alt="" src="images/fig01.png" /><br />
+
+</div>
+
+<h4>LISBOA<br />
+
+IMPRENSA NACIONAL<br />
+
+1911</h4>
+
+<br />
+
+<br />
+
+<br />
+
+<div class="bbox">
+<br />
+
+<h5>MINIST&Eacute;RIO DO INTERIOR<br />
+
+<span class="smallcaps">direc&ccedil;&atilde;o
+geral de instruc&ccedil;&atilde;o secund&aacute;ria,
+superior e especial
+</span><br />
+
+1.&ordf; REPARTI&Ccedil;&Atilde;O</h5>
+
+<div class="sbreak">
+<hr /></div>
+
+<h2>BASES<br />
+
+PARA A<br />
+
+UNIFICA&Ccedil;&Atilde;O DA ORTOGRAFIA</h2>
+
+<h5>QUE DEVE SER ADOPTADA NAS</h5>
+
+<h4>ESCOLAS E PUBLICA&Ccedil;&Otilde;ES OFICIAIS</h4>
+
+<br />
+
+<div class="sbreak">
+<hr /></div>
+
+<br />
+
+<h3>RELAT&Oacute;RIO DA COMISS&Atilde;O</h3>
+
+<h4>NOMEADA POR<br />
+
+PORTARIA DE 15 DE FEVEREIRO DE 1911<br />
+
+NOVAMENTE REVISTO PELO RELATOR</h4>
+
+<br />
+
+<div class="sbreak">
+<hr /></div>
+
+<div style="text-align: center; font-weight: bold;">PRE&Ccedil;O
+50 R&Eacute;IS</div>
+
+<div class="sbreak">
+<hr /></div>
+
+<br />
+
+<br />
+
+<div style="text-align: center;"><img style="width: 150px; height: 111px;" alt="" src="images/fig01.png" /><br />
+
+</div>
+
+<h4>LISBOA<br />
+
+IMPRENSA NACIONAL<br />
+
+1911</h4>
+
+<br />
+
+</div>
+
+<br />
+
+<br />
+
+<br />
+
+<br />
+
+Imprensa Nacional de Lisboa&#8213;Gabinete da Revis&atilde;o.&#8213;Ex.<sup>mo</sup>
+Sr.&#8213;Julgo do meu dever chamar a aten&ccedil;&atilde;o de V.
+Ex.<sup>a</sup> para o que passo a expor. <br />
+
+<br />
+
+As publica&ccedil;&otilde;es sa&iacute;das da Imprensa
+Nacional, quer oficiais, quer de particulares, apresentam grafias
+diferentes, umas discut&iacute;veis, outras por&ecirc;m
+grosseiras e
+vergonhosas. O pr&oacute;prio <em>Di&aacute;rio do
+Gov&ecirc;rno</em>, que deveria ter ortografia uniforme,
+emprega diversas, conforme o capricho de quem envia os originais,
+geralmente pessoas indoutas. <br />
+
+<br />
+
+Tais variedades de grafias trazem para a Imprensa n&atilde;o
+s&oacute; descr&eacute;dito mas tamb&ecirc;m
+preju&iacute;zos pecuni&aacute;rios, porquanto a
+composi&ccedil;&atilde;o de todos os diplomas
+sa&iacute;dos no
+<em>Di&aacute;rio</em> tem de transitar para outras
+publica&ccedil;&otilde;es
+peri&oacute;dicas, tais como <em>Boletins</em>,
+<em>Ordens</em>,
+<em>Separatas</em>, etc., sofrendo
+ent&atilde;o cada um d&ecirc;sses diplomas mais emendas, ao
+sabor de quem tem de lhes fazer nova revis&atilde;o. <br />
+
+<br />
+
+Tantas emendas, al&ecirc;m de estabelecerem confus&atilde;o no
+espirito do compositor, avolumam de uma maneira assombrosa a despesa da
+composi&ccedil;&atilde;o, e impedem a rapidez na
+impress&atilde;o pelo muito tempo que se perde a fazer
+altera&ccedil;&otilde;es.
+<br />
+
+<br />
+
+Com esta anarquia ortogr&aacute;fica os compositores hesitam e
+cometem novos erros, e aos revisores se torna tamb&ecirc;m
+imposs&iacute;vel fixar, para cada obra, as diverg&ecirc;ncias
+de tanta grafia. <br />
+
+<br />
+
+Urge, portanto, acabar com &ecirc;ste estado de cousas.
+F&aacute;cil me parece o rem&eacute;dio. Se cada qual se tem
+julgado
+at&eacute; aqui com direito a impor a sua maneira de escrever,
+porque raz&atilde;o o Gov&ecirc;rno da Rep&uacute;blica
+n&atilde;o ha de impor tamb&ecirc;m a sua, e no que
+&eacute; seu? <br />
+
+<br />
+
+Sujeite, pois, o Gov&ecirc;rno a uma &uacute;nica ortografia
+todas as publica&ccedil;&otilde;es oficiais ou por
+&ecirc;le
+subsidiadas.
+<br />
+
+<br />
+
+<span class="pagenum">[4]</span>
+E qual dever&aacute; ser essa ortografia? <br />
+
+<br />
+
+Em meu entender dever&aacute; adoptar-se a que no seu livro <span class="smallcaps">A Ortografia Nacional</span>
+preconiza a
+maior autoridade no assunto, o dout&iacute;ssimo
+fil&oacute;logo
+Gon&ccedil;alves Viana. Essa obra tem o aplauso de todos os que
+modernamente se tem dedicado ao estudo profundo da sci&ecirc;ncia
+da linguagem; e a ortografia simplificada defendida naquele livro
+&eacute;
+j&aacute; seguida por grande n&uacute;mero de professores e
+escritores de valor, e adoptada em muitos livros escolares, revistas,
+etc. <br />
+
+<br />
+
+Desnecess&aacute;rio se torna, pois, encarecer as vantagens da
+adop&ccedil;&atilde;o de um &uacute;nico sistema
+ortogr&aacute;fico a quem, como V. Ex.<sup>a</sup>, de
+sobejo as conhece e
+aprecia. Pelo lado
+econ&oacute;mico tem a Imprensa muito a ganhar. Tampouco
+&eacute; para desprezar o louvor que a V. Ex.<sup>a</sup>
+caber&aacute;
+por contribuir, com a adop&ccedil;&atilde;o da ortografia
+simplificada, para a
+maior facilidade no ensino da leitura da nossa bela l&iacute;ngua. <br />
+
+<br />
+
+Expondo, embora imperfeitamente, a minha opini&atilde;o
+ac&ecirc;rca do que julgo ser melhoramento de um dos
+servi&ccedil;os da Imprensa, confio em que V. Ex.<sup>a</sup>
+se
+dignar&aacute; tomar na devida considera&ccedil;&atilde;o o
+alvitre que neste oficio ouso
+apresentar a V. Ex.<sup>a</sup>.<br />
+
+<br />
+
+Lisboa, 17 do Dezembro de 1910.&#8213;Ex.<sup>mo</sup> Sr.
+Lu&iacute;s Carlos
+Guedes Derouet, Dign&iacute;ssimo Administrador Geral da Imprensa
+Nacional.&#8213;<em>Jos&eacute;
+Ant&oacute;nio Dias Coelho</em>, chefe do servi&ccedil;o
+da revis&atilde;o. <br />
+
+<br />
+
+<br />
+
+<div class="sbreak">
+<hr /></div>
+
+<br />
+
+<br />
+
+Imprensa Nacional de Lisboa&#8213;Administra&ccedil;&atilde;o
+Geral&#8213;n.&ordm; 238.&#8213;Tenho a honra de levar ao conhecimento de V.
+Ex.<sup>a</sup> o oficio que recebi do chefe do
+servi&ccedil;o da
+revis&atilde;o, relativamente &agrave; necessidade de se
+adoptar uma ortografia uniforme nos trabalhos desta Imprensa e
+principalmente no <em>Di&aacute;rio ao
+Gov&ecirc;rno</em>. <br />
+
+<br />
+
+Estou perfeitamente de ac&ocirc;rdo com as
+considera&ccedil;&otilde;es que faz o aludido
+funcion&aacute;rio, pois que n&atilde;o pode nem
+deve continuar a anarquia que presentemente existe. Embora o problema
+ortogr&aacute;fico n&atilde;o se resolva por
+completo de momento, pelo menos que nos trabalhos oficiais se mantenha
+a uniformidade. <br />
+
+<br />
+
+Chamo para o facto a devida aten&ccedil;&atilde;o de V. Ex.<sup>a</sup>,
+certo de que o assunto lhe merecer&aacute; toda a solicitude. <br />
+
+<br />
+
+Sa&uacute;de e Fraternidade. <br />
+
+<br />
+
+Lisboa, 14 de Janeiro de 1911.&#8213;Ex.<sup>mo</sup> Sr.
+Director Geral da
+Instru&ccedil;&atilde;o Secund&aacute;ria,
+Superior e Especial.&#8213;O Administrador Geral, <em>Lu&iacute;s
+Derouet</em>.<br />
+
+<br />
+
+<br />
+
+<span class="pagenum">[5]</span>
+<div class="sbreak">
+<hr /></div>
+
+<br />
+
+<br />
+
+Minist&eacute;rio do Interior&#8213;Direc&ccedil;&atilde;o Geral
+da Instru&ccedil;&atilde;o Secund&aacute;ria, Superior e
+Especial.&#8213;1.&ordf;
+Reparti&ccedil;&atilde;o.&#8213;O Gov&ecirc;rno
+Provis&oacute;rio da Rep&uacute;blica Portuguesa, atendendo ao
+que lhe foi representado pelo Administrador Geral da Imprensa Nacional,
+no sentido de serem tomadas provid&ecirc;ncias tendentes a
+uniformizar a ortografia oficial, por forma a evitar que nas
+publica&ccedil;&otilde;es emanadas daquele
+estabelecimento do Estado continuem a adoptar-se, paralelamente, as
+mais desencontradas formas ortogr&aacute;ficas; <br />
+
+<br />
+
+Conformando-se com o parecer da sec&ccedil;&atilde;o permanente
+do Conselho Superior de Instru&ccedil;&atilde;o
+P&uacute;blica: <br />
+
+<br />
+
+Manda, pelo Ministro do Interior, que seja nomeada uma
+comiss&atilde;o, composta de D. Carolina Micha&euml;lis de
+Vasconcelos, Aniceto dos Reis Gon&ccedil;alves V&iacute;ana,
+Ant&oacute;nio
+C&acirc;ndido de Figueiredo, Francisco Adolfo Coelho e
+Jos&eacute; Leite de Vasconcelos, encarregada de fixar as bases da
+ortografia que deve ser adoptada nas escolas e nos documentos e
+publica&ccedil;&otilde;es oficiais, e bem assim de organizar
+uma lista ou vocabul&aacute;rio das palavras que possam oferecer
+qualquer dificuldade quanto &agrave; maneira como devem ser
+escritas. <br />
+
+<br />
+
+Pa&ccedil;os do Gov&ecirc;rno da Rep&uacute;blica, em 15 de
+Fevereiro de 1911.&#8213;O Ministro do Interior, <em>Ant&oacute;nio
+Jos&eacute; de Almeida</em>.<br />
+
+<br />
+
+<div class="poetry tinys">(<em>Di&aacute;rio do
+Gov&ecirc;rno</em> n.&ordm; 39, de 17 de
+Fevereiro de 1911).</div>
+
+<br />
+
+<br />
+
+<div class="sbreak">
+<hr /></div>
+
+<br />
+
+<br />
+
+Minist&eacute;rio do Interior&#8213;Direc&ccedil;&atilde;o Geral
+da Instru&ccedil;&atilde;o Secund&aacute;ria, Superior e
+Especial&#8213;1.&ordf;
+Reparti&ccedil;&atilde;o.&#8213;Manda o Gov&ecirc;rno
+Provis&oacute;rio da Rep&uacute;blica
+Portuguesa, pelo Ministro do Interior, que &agrave;
+comiss&atilde;o encarregada de
+uniformizar a ortografia oficial, nomeada por portaria de 15 de
+Fevereiro &uacute;ltimo, sejam agregados os seguintes vogais: Dr.
+Ant&oacute;nio Jos&eacute; Gon&ccedil;alves
+Guimar&atilde;es, Dr. Ant&oacute;nio Garcia Ribeiro de
+Vasconcelos, Augusto Epif&acirc;nio da Silva Dias, J&uacute;lio
+Moreira, Jos&eacute; Joaquim Nunes e Manuel Borges
+Grainha. <br />
+
+<br />
+
+Pa&ccedil;os do Gov&ecirc;rno da Rep&uacute;blica, em 16 de
+Mar&ccedil;o de 1911.&#8213;O Ministro do Interior, <em>Ant&oacute;nio
+Jos&eacute; de Almeida</em>. <br />
+
+<br />
+
+<div class="poetry tinys">(<em>Di&aacute;rio do
+Gov&ecirc;rno</em> n.&ordm; 64, do 20 de Mar&ccedil;o
+de 1911).</div>
+
+<br />
+
+<br />
+
+<div class="sbreak">
+<hr /></div>
+
+<br />
+
+<br />
+
+Mist&eacute;rio do Interior&#8213;Direc&ccedil;&atilde;o Geral
+da Instru&ccedil;&atilde;o Secund&aacute;ria, Superior e
+Especial&#8213;1.&ordf;
+Reparti&ccedil;&atilde;o.&#8213;Conformando-se com o parecer da
+comiss&atilde;o encarregada, por portaria de 15 de Fevereiro de
+1911, de estabelecer as bases
+<span class="pagenum">[6]</span>
+para a unifica&ccedil;&atilde;o da ortografia que deve ser
+adoptada nas escolas e nos documentos e
+publica&ccedil;&otilde;es oficiais: <br />
+
+<br />
+
+Manda o Gov&ecirc;rno da Rep&uacute;blica Portuguesa, pelo
+Ministro do Interior: <br />
+
+<br />
+
+1.&ordm; Que o relat&oacute;rio da referida comiss&atilde;o
+seja
+publicado no <em>Di&aacute;rio do
+Gov&ecirc;rno</em>, devendo ser para o futuro adoptada em
+todas as escolas, e bem assim nos documentos e
+publica&ccedil;&otilde;es oficiais, a ortografia proposta pela
+comiss&atilde;o; <br />
+
+<br />
+
+2.&ordm; Que se d&ecirc; a toler&acirc;ncia
+m&aacute;xima de
+tr&ecirc;s anos, a contar da data da
+publica&ccedil;&atilde;o da presente portaria, para
+a conserva&ccedil;&atilde;o das grafias existentes nos livros
+did&aacute;cticos actualmente em uso, a fim de n&atilde;o
+prejudicar os respectivos autores ou editores; <br />
+
+<br />
+
+3.&ordm; Que se promova a r&aacute;pida
+organiza&ccedil;&atilde;o e publica&ccedil;&atilde;o,
+pelo pre&ccedil;o mais m&oacute;dico poss&iacute;vel, de um
+vocabul&aacute;rio ortogr&aacute;fico e de uma cartilha,
+especialmente destinada a vulgarizar e exemplificar o sistema de
+ortografia adoptado; <br />
+
+<br />
+
+4.&ordm; Que a comiss&atilde;o nomeada por portaria de 15 de
+Fevereiro
+de 1911 continue em exerc&iacute;cio pelo tempo que se julgar
+conveniente, a fim de ser ouvida sobre quaisquer d&uacute;vidas que
+se suscitem relativamente &agrave;
+execu&ccedil;&atilde;o da reforma proposta, podendo a referida
+comiss&atilde;o
+re&ugrave;nir-se por iniciativa pr&oacute;pria, ou convocada
+pela
+Direc&ccedil;&atilde;o Geral da Instru&ccedil;&atilde;o
+Secund&aacute;ria, Superior e
+Especial, por interm&eacute;dio da qual ser&atilde;o feitas
+quaisquer
+reclama&ccedil;&otilde;es s&ocirc;bre o assunto. <br />
+
+<br />
+
+Pa&ccedil;os do Gov&ecirc;rno da Rep&uacute;blica, em 1 de
+Setembro de 1911.&#8213;O Ministro do Interior, <em>Ant&oacute;nio
+Jos&eacute; de Almeida</em>. <br />
+
+<br />
+
+<div class="poetry tinys">(<em>Di&aacute;rio do
+Gov&ecirc;rno</em> n.&ordm; 206, de 4 de Setembro de
+1911).</div>
+
+<br />
+
+<br />
+
+<br />
+
+<br />
+
+<br />
+
+<div class="signature">Ex.<sup>mo</sup> Sr. <span class="smallcaps">Ministro do Interior</span>:
+</div>
+
+<br />
+
+<br />
+
+A Comiss&atilde;o, nomeada por portaria de 15 de Fevereiro do
+corrente ano para fixar as bases da ortografia que deve ser adoptada
+nas escolas e nos documentos oficiais e outras
+publica&ccedil;&otilde;es feitas por conta do Estado,
+vem hoje apresentar a V. Ex.<sup>a</sup> os resultados do
+estudo a que procedeu,
+bem como as decis&otilde;es que, por grande maioria ou por
+unanimidade de votos dos indiv&iacute;duos que a
+comp&otilde;em, entendeu ser oportuno propor, tomando por elementos
+principais dessas decis&otilde;es a hist&oacute;ria da
+l&iacute;ngua portuguesa, e a da sua escrita tradicional
+at&eacute; &eacute;poca muito
+recente. <br />
+
+<br />
+
+Logo na sess&atilde;o inaugural, celebrada em 15 de
+Mar&ccedil;o &uacute;ltimo, julgou a Comiss&atilde;o que
+seria vantajoso
+para a absoluta independ&ecirc;ncia e imparcialidade das suas
+resolu&ccedil;&otilde;es, como corpo consultivo, propor a
+agrega&ccedil;&atilde;o de mais
+alguns conhecidos fil&oacute;logos portugueses; e essa
+conveni&ecirc;ncia reconheceu-a V. Ex.<sup>a</sup>
+nomeando, por portaria de
+16 do referido m&ecirc;s, al&ecirc;m dos indiv&iacute;duos
+j&aacute;
+anteriormente nomeados, mais seis; ficando a Comiss&atilde;o
+composta de onze pessoas, uma das quais, por&ecirc;m, o Professor
+Augusto
+Epif&acirc;nio da Silva Dias, se escusou, declinando o encargo.
+Ficou assim a Comiss&atilde;o constitu&iacute;da por dez
+membros, e, em raz&atilde;o de ser par &ecirc;ste
+n&uacute;mero, teve o
+presidente eleito por ela de resolver com voto de desempate algumas
+quest&otilde;es de secund&aacute;ria import&acirc;ncia, em
+que divergiram as
+opini&otilde;es, expressas depois de discuss&atilde;o por
+vota&ccedil;&otilde;es diferentes, equivalentes em
+n&uacute;mero. <br />
+
+<br />
+
+Quatro dos membros da Comiss&atilde;o, isto &eacute;, a Sr.<sup>a</sup>
+D. Carolina
+<span class="pagenum">[8]</span>
+Micha&euml;lis de Vasconcelos, que a Comiss&atilde;o
+elegeu Presidente honor&aacute;ria, os Drs. Ant&oacute;nio
+Jos&eacute; Gon&ccedil;alves Guimar&atilde;es e
+Ant&oacute;nio Garcia Ribeiro de
+Vasconcelos, e o Professor J&uacute;lio Moreira, n&atilde;o
+puderam comparecer
+&agrave;s sess&otilde;es semanais, em raz&atilde;o de
+residirem longe de Lisboa, localidade em que a Comiss&atilde;o se
+reuniu: foram
+por&ecirc;m sempre consultados em todas as quest&otilde;es em
+que
+n&atilde;o houve unanimidade de votos por parte dos
+indiv&iacute;duos presentes; havendo sido os votos d&ecirc;sses
+ausentes tomados em
+considera&ccedil;&atilde;o, e dando-se-lhes oportuno
+conhecimento das
+resolu&ccedil;&otilde;es adoptadas pelos membros presentes
+&agrave;s sess&otilde;es, que n&atilde;o foram mais
+amiudadas, porque outras
+fun&ccedil;&otilde;es oficiais dos membros da
+Comiss&atilde;o o n&atilde;o permitiram, e assim
+se explica a relativa morosidade dos seus trabalhos. <br />
+
+<br />
+
+Logo nas duas primeiras sess&otilde;es foi un&acirc;nime o
+parecer de, seguindo-se uma tend&ecirc;ncia j&aacute;
+manifestada no
+esp&iacute;rito p&uacute;blico, se simplificarem as grafias
+correntes, entre si contradit&oacute;rias, regularizando-as em
+obedi&ecirc;ncia ao
+princ&iacute;pio capital de simplifica&ccedil;&atilde;o.
+Por proposta,
+un&acirc;nimemente aprovada, do Presidente adoptou-se para base da
+discuss&atilde;o o Question&aacute;rio ortogr&aacute;fico
+em tempos apresentado
+por um dos seus membros &agrave; Academia das Sci&ecirc;ncias
+de
+Lisboa, e pela mesma Academia mandado imprimir na sua tipografia, em
+1902, com as respostas do autor d&ecirc;sse
+Question&aacute;rio, em um volume de 183 p&aacute;ginas, cujo
+t&iacute;tulo &eacute; <span class="smallcaps">As
+Ortografias
+Portuguesas</span>. Esta obra foi ao depois reeditada pelo
+referido autor em outro volume, acrescentada e com maior
+c&oacute;pia de abona&ccedil;&otilde;es e
+diferente economia de texto, volume que &eacute; do conhecimento do
+p&uacute;blico
+e se intitula <span class="smallcaps">Ortografia Nacional</span>.
+Teve
+a Comiss&atilde;o igualmente em aten&ccedil;&atilde;o o
+<span class="smallcaps">Vocabul&aacute;rio
+Ortogr&aacute;fico e
+Orto&eacute;pico da L&iacute;ngua Portuguesa</span>,
+ainda do mesmo
+autor, impresso em Lisboa no ano passado, e no qual o sistema
+ortogr&aacute;fico d&ecirc;sse autor se encontra larga e
+minuciosamente exemplificado. Pode &ecirc;le, com efeito, ser desde
+j&aacute;
+utilizado, emquanto outro se n&atilde;o publique, em que as
+pequenas
+altera&ccedil;&otilde;es, que sofreram os princ&iacute;pios
+em que se baseou, sejam inclu&iacute;das e atendidas de
+prefer&ecirc;ncia na
+seq&ugrave;&ecirc;ncia alfab&eacute;tica dos
+voc&aacute;bulos. <br />
+
+<br />
+
+Poucas e de pequena import&acirc;ncia relativa foram as
+modifica&ccedil;&otilde;es que a Comiss&atilde;o entendeu
+conveniente que se fizessem no sistema ortogr&aacute;fico ali
+proposto e seguido, e essas foram adoptadas para que &ecirc;le
+ficasse mais em harmonia com modos de escrever que, conquanto menos
+conseq&ugrave;entes, se tornaram j&aacute;, a bem dizer,
+habituais; e tais
+<span class="pagenum">[9]</span>
+modifica&ccedil;&otilde;es em preceitos, que o autor daquelas
+obras defendera com raz&otilde;es hist&oacute;ricas cuja valia
+a
+Comiss&atilde;o reconheceu, tiveram por causa o considerar a
+Comiss&atilde;o que alguns d&ecirc;les eram em demasia
+prematuros, e um ou outro j&aacute; extempor&acirc;neo, em
+virtude de usos
+ortogr&aacute;ficos radicados e que se n&atilde;o devem
+considerar absolutamente como erros scient&iacute;ficos. <br />
+
+<br />
+
+Teve pois a Comiss&atilde;o em aten&ccedil;&atilde;o que a
+estranheza, que poderiam ocasionar no p&uacute;blico certas
+innova&ccedil;&otilde;es ou renova&ccedil;&otilde;es
+gr&aacute;ficas, n&atilde;o viesse prejudicar a
+aceita&ccedil;&atilde;o dos demais preceitos, que
+parecer&atilde;o a todos exeq&ugrave;iveis. <br />
+
+<br />
+
+O autor, membro da Comiss&atilde;o, concordou com todas essas
+modifica&ccedil;&otilde;es, e votou com a maioria da
+Comiss&atilde;o em todas elas. &Agrave; primeira
+esp&eacute;cie pertencem a
+manuten&ccedil;&atilde;o do <em>h</em> inicial, de
+<em>ge</em>,
+<em>gi</em>, mediais de voc&aacute;bulos,
+em concorr&ecirc;ncia com <em>je</em>,
+<em>ji</em>, e todos os valores actuais dados
+&agrave; letra <em>x</em>, que o mesmo autor reduzira
+a dois
+&uacute;nicos, o inicial, como em <em>xadrez</em>, e o
+do prefixo
+<em>ex-</em> valendo por
+<em>eis</em> ou
+<em>is</em>, como em <em>expor</em>,
+<em>ex&eacute;rcito</em>, etc. Os
+preceitos da segunda esp&eacute;cie, que, se bem que perfeitamente
+motivados nas propostas do autor do Question&aacute;rio, a
+Comiss&atilde;o julgou
+j&aacute; de h&aacute; muito fora do uso comum, s&atilde;o
+principalmente o
+empr&ecirc;go de <em>&ccedil;</em> inicial, e o do
+<em>z</em> final, com o valor actual de
+<em>s</em>, em s&iacute;laba &aacute;tona, que
+sobretudo figura na
+&uacute;ltima s&iacute;laba de muitos nomes
+patron&iacute;micos, como
+<em>Gon&ccedil;&aacute;lvez</em>,
+<em>N&uacute;nez</em>, que presentemente se escrevem
+<em>Gon&ccedil;alves</em>,
+<em>Nunes</em>, com
+<em>-es</em>, em oposi&ccedil;&atilde;o
+&agrave; sua etimologia, a
+desin&ecirc;ncia latina <em>ici</em>, de genetivo.
+Esses nomes e voc&aacute;bulos, como
+<em>ourives</em>,
+<em>simples</em>, <em>mesquinho</em>,
+continuar&atilde;o
+pois a escrever-se com <em>s</em> final de
+s&iacute;laba, na ortografia comum. <br />
+
+<br />
+
+Entendeu tamb&ecirc;m a Comiss&atilde;o que seria inoportuno
+suprimir o <em>s</em> inicial do grupo
+<em>sce</em>,
+<em>sci</em>, que figura
+etimol&oacute;gicamente em algumas palavras, tais como
+<em>sci&ecirc;ncia</em>,
+<em>scetro</em>, <em>sc&eacute;ptico</em>,
+<em>scelerado</em>,
+<em>scena</em>,
+<em>scis&atilde;o</em>,
+<em>scisma</em> e seus derivados e afins, principalmente,
+com rela&ccedil;&atilde;o ao primeiro
+d&ecirc;stes voc&aacute;bulos, porque no sul de Portugal se
+profere
+&ecirc;sse <em>s</em> separado do <em>c</em>,
+em formas compostas,
+como <em>presci&ecirc;ncia</em>, <em>consci&ecirc;ncia</em>,
+<em>insci&ecirc;ncia</em>,
+<em>c&ocirc;nscio</em>, etc. Comparem-se
+tamb&ecirc;m <em>en(s)cena&ccedil;&atilde;o</em>,
+e <em>prosc&eacute;nio</em>, com
+<em>s</em> proferido &ecirc;ste
+&uacute;ltimo. <br />
+
+<br />
+
+&iquest;Quais s&atilde;o as bases da ortografia portuguesa que
+a Comiss&atilde;o prop&otilde;e? <br />
+
+<br />
+
+Havia, logo desde o in&iacute;cio dos trabalhos, dois sistemas a
+que se atendesse, um d&ecirc;les a ortografia francesa, que, mais
+ou menos coerentemente se tem h&aacute; certo tempo imitado em
+Portugal; o outro, as ortografias espanhola e italiana,
+<span class="pagenum">[10]</span>
+muito mais simples, racionais, l&oacute;gicas e
+f&aacute;ceis de aprender, muito mais conformes com a
+evolu&ccedil;&atilde;o
+natural e mesmo liter&aacute;ria d&ecirc;sses idiomas, em
+muitos pontos
+an&aacute;loga &agrave; do portugu&ecirc;s. O que
+radicalmente
+diferen&ccedil;a a ortografia d&ecirc;sses dois idiomas
+oficiais, e bem assim as de outros cong&eacute;neres entre si, com
+&ecirc;les e com o
+nosso, falados quer em Espanha, quer em It&aacute;lia, &eacute;
+a
+modifica&ccedil;&atilde;o da ortografia latina dos
+in&uacute;meros voc&aacute;bulos gregos
+romanizados, para outras mais conformes com o valor das letras de tais
+voc&aacute;bulos nessas l&iacute;nguas modernas. <br />
+
+<br />
+
+Facilitando o ensino da leitura e da escrita, a Comiss&atilde;o
+julgou que j&aacute; era tempo de se desterrarem por uma vez da
+escrita portuguesa, como h&aacute; muito o est&atilde;o
+da espanhola e da italiana, para n&atilde;o mencionar as de outros
+idiomas mais desviados do latim, os s&iacute;mbolos
+<em>ph</em>,
+<em>th</em>,
+<em>rh</em>, e <em>y</em>, por
+<em>f</em>,
+<em>t</em>,
+<em>r</em>,
+<em>i</em>, e o
+<em>ch</em> com o valor de
+<em>k</em>, o qual ficar&aacute; substitu&iacute;do
+por <em>qu</em> antes
+de <em>e</em>,
+<em>i</em>, e por
+<em>c</em> em qualquer outra
+situa&ccedil;&atilde;o, como se f&ecirc;z em castelhano.
+Com esta simplifica&ccedil;&atilde;o muito ganhar&aacute; a
+l&iacute;ngua escrita e o seu
+aprendizado e exerc&iacute;cio, pois mais se aproximar&aacute;
+da realidade
+dos factos constantes da sua pron&uacute;ncia, que aqueles
+estranhos s&iacute;mbolos disfar&ccedil;am, e ao mesmo passo se
+acercar&aacute; das ortografias espanhola e italiana, consideradas
+universalmente, e por todos os fil&oacute;logos, como das mais
+perfeitas entre as que adoptaram o abeced&aacute;rio romano, e o
+apropriaram &agrave;s conveni&ecirc;ncias nacionais. Com
+efeito, pode afoutamente dizer-se que a ortografia francesa e as
+actuais portuguesas que a imitam s&atilde;o escrita de eruditos e
+para eruditos, ou que presumem s&ecirc;-lo; as ortografias italiana
+e espanhola s&atilde;o escrita para todos os indiv&iacute;duos
+que nessas na&ccedil;&otilde;es sabem ler e escrever. Deseja a
+Comiss&atilde;o que em Portugal aconte&ccedil;a outro tanto, e
+nesse intuito se
+inspirou. <br />
+
+<br />
+
+Outra simplifica&ccedil;&atilde;o igualmente importante, que a
+Comiss&atilde;o sugere como absolutamente necess&aacute;ria,
+consiste na aboli&ccedil;&atilde;o de consoantes dobradas, as
+quais
+ficam reduzidas, como em castelhano, a simples, com
+excep&ccedil;&atilde;o de <em>rr</em>,
+<em>ss</em>,
+<em>mm</em>,
+<em>nn</em> mediais, quando acusem
+diferen&ccedil;a de pronuncia&ccedil;&atilde;o, o que se
+d&aacute;, por exemplo, nos voc&aacute;bulos
+<em>cassa</em>, <em>carro</em>,
+<em>emmalar</em>,
+<em>ennovelar</em>, comparados a
+<em>casa</em>,
+<em>caro</em>,
+<em>emanar</em>, <em>enervar</em>. <br />
+
+<br />
+
+Estas duas simplifica&ccedil;&otilde;es, s&oacute;s por si,
+acabam definitivamente com dois dos maiores trope&ccedil;os com que
+se encontra estorvada a escrita nacional, e que j&aacute; poucos
+defensores conscienciosos, conscientes e autorizados
+lograr&atilde;o
+<span class="pagenum">[11]</span>
+obter. Todos, ou qu&aacute;si todos os que
+l&ecirc;em ou escrevem, aplaudir&atilde;o de certo estas
+simplifica&ccedil;&otilde;es h&aacute; tanto tempo
+desejadas e sugeridas. <br />
+
+<br />
+
+Al&ecirc;m da inutilidade pr&aacute;tica, e mesmo
+te&oacute;rica, que oferece actualmente a
+duplica&ccedil;&atilde;o de consoantes na
+escrita, como <em>cc</em>,
+<em>dd</em>,
+<em>ff</em>,
+<em>gg</em>,
+<em>ll</em>,
+<em>mm</em>,
+<em>nn</em>,
+<em>pp</em>,
+<em>tt</em>, outro est&ocirc;rvo
+apresentam ainda as nossas escritas, relativamente modernas, e consiste
+&ecirc;ste no empr&ecirc;go de
+<em>c</em> ou
+<em>p</em> antes de
+<em>t</em>, formando os grupos <em>ct</em>,
+<em>pt</em>, e ainda
+<em>p&ccedil;</em>,
+<em>c&ccedil;</em>, como em
+<em>producto</em>,
+<em>restricto</em>, <em>corrupto</em>,
+<em>escripto</em>,
+<em>assump&ccedil;&atilde;o</em>,
+<em>func&ccedil;&atilde;o</em>, etc.,
+nos quais tanto o <em>c</em> como o
+<em>p</em> s&atilde;o de todo
+in&uacute;teis para a pronuncia&ccedil;&atilde;o. A
+Comiss&atilde;o preceitua que essas letras escusadas
+desapare&ccedil;am da escrita portuguesa, onde vieram enxertar-se
+por influ&ecirc;ncia estranha. Casos, por&ecirc;m,
+h&aacute;, e muit&iacute;ssimos, em que tais consoantes ou
+s&atilde;o ainda facultativamente proferidas, ou a sua
+influ&ecirc;ncia subsiste no valor das vogais <em>a</em>,
+<em>e</em>,
+<em>o</em> que as precedem, as quais, em vez
+de se obscurecerem, como &eacute; de regra, nas s&iacute;labas
+antet&oacute;nicas, conservam os seus valores, relativamente
+<em>&agrave;</em>,
+<em>&egrave;</em>,
+<em>&ograve;</em>, que tinham quando essas consoantes,
+hoje mudas, se proferiam. D&ecirc;ste modo, a Comiss&atilde;o
+entendeu ser de necessidade
+a conserva&ccedil;&atilde;o delas, quer quando a vogal,
+<em>a</em>,
+<em>e</em> ou <em>o</em> precedente
+&eacute;
+&aacute;tona, quer em voc&aacute;bulos aparentados, quando
+&eacute; t&oacute;nica; por exemplo:
+<em>direc&ccedil;&atilde;o</em>,
+<em>directo</em>,
+<em>ac&ccedil;&atilde;o</em>, <em>activo</em>,
+<em>acto</em>,
+<em>trac&ccedil;&atilde;o</em>,
+<em>tracto</em>,
+<em>excep&ccedil;&atilde;o</em>,
+<em>exceptuar</em>,
+<em>excepto</em>, <em>adop&ccedil;&atilde;o</em>,
+<em>adoptar</em>,
+<em>adopto</em>, comparados estes
+&uacute;ltimos voc&aacute;bulos com <em>op&ccedil;&atilde;o</em>,
+<em>optar</em>,
+<em>opto</em>, em que o
+<em>p</em> se profere. Com esta
+excep&ccedil;&atilde;o aos princ&iacute;pios
+simplificadores que a Comiss&atilde;o observou no sistema
+ortogr&aacute;fico que prop&otilde;e,
+conseguiu n&atilde;o demudar o aspecto de centenas de palavras
+relativamente modernas, mas de uso constante; e com tanto maior
+raz&atilde;o o f&ecirc;z, quanto &eacute; certo que
+em muitas destas palavras as letras <em>c</em> e
+<em>p</em> por muitas pessoas s&atilde;o
+ainda proferidas, tais como
+<em>fac&ccedil;&atilde;o</em>,
+<em>recep&ccedil;&atilde;o</em>,
+<em>espectador</em>, a par de <em>espe(c)taculo</em>,
+etc. Quanto ao
+<em>g</em> que precede
+<em>m</em> ou
+<em>n</em>, ou ainda outras letras, entendeu a
+Comiss&atilde;o dever
+elimin&aacute;-lo nas palavras em que se n&atilde;o profere,
+como
+<em>assinar</em>,
+<em>In&aacute;cio</em>, <em>aumentar</em>,
+<em>Madalena</em>, comparadas com
+<em>designar</em>,
+<em>Agnelo</em>, <em>fragmento</em>, o que
+j&aacute;
+h&aacute; quatro s&eacute;culos Duarte Nunes do Li&atilde;o
+aconselhara; s&oacute; modernamente &ecirc;le
+a&iacute; foi introduzido, quando se implantaram artificialmente
+entre n&oacute;s ortografias servil e inconseq&ugrave;entemente
+etimol&oacute;gicas,
+qu&aacute;si todas por influ&ecirc;ncia da escrita francesa.
+Outro tanto acontece com <em>damno</em>,
+<em>solemne</em>, que se
+escrever&atilde;o, como dantes, <em>dano</em>,
+<em>solene</em>.
+<br />
+
+<br />
+
+<span class="pagenum">[12]</span>
+Efectivamente, se na leitura de livros estrangeiros houvesse
+predominado em Portugal a de italianos ou espanh&oacute;is, nunca
+tais complica&ccedil;&otilde;es ortogr&aacute;ficas
+se haveriam enraizado na escrita liter&aacute;ria do idioma
+p&aacute;trio,
+av&ecirc;sso a tais arrebiques, e ao qual &eacute; de toda a
+conveni&ecirc;ncia restituir a simplicidade e coer&ecirc;ncia
+da antiga escrita. <br />
+
+<br />
+
+Outra fei&ccedil;&atilde;o essencial numa ortografia, que seja,
+quanto poss&iacute;vel, imagem dos fen&oacute;menos que se
+observam na
+linguagem falada, &eacute; a regulariza&ccedil;&atilde;o da
+sua
+acentua&ccedil;&atilde;o gr&aacute;fica, por meio da qual
+se diferencem palavras que se escrevam com as mesmas letras, mas tenham
+pronuncia&ccedil;&atilde;o e significa&ccedil;&atilde;o
+diversas; e ainda que seja por tal
+modo combinada e aplicada, que nenhuma d&uacute;vida possa
+subsistir com rela&ccedil;&atilde;o a qual seja a
+s&iacute;laba
+predominante de qualquer palavra ou forma, em idiomas em que, como
+acontece em portugu&ecirc;s, a acentua&ccedil;&atilde;o
+t&oacute;nica pode afectar uma qualquer das tr&ecirc;s
+s&iacute;labas finais. Nesta
+condi&ccedil;&atilde;o &eacute; muit&iacute;ssimo
+superior &agrave; italiana usual a ortografia castelhana, que
+assinala sistem&aacute;ticamente com o acento agudo (&acute;)
+todos os
+voc&aacute;bulos esdr&uacute;xulos e todos os terminados em
+consoante, se a s&iacute;laba predominante &eacute; a
+pen&uacute;ltima, ou terminados em vogal, se ela &eacute; a
+&uacute;ltima. A
+Comiss&atilde;o atendeu a essa condi&ccedil;&atilde;o
+essencial da leitura, e suposto a
+n&atilde;o preceitue j&aacute; como obrigat&oacute;ria em
+todos os casos em que
+seria necess&aacute;ria, aconselha-a e fixa-lhe as regras que a
+determinar&atilde;o, quando rigorosamente empregada, como
+convir&aacute; que o seja em todos os livros de ensino e consulta. <br />
+
+<br />
+
+Sabe a Comiss&atilde;o que esta parte da reforma
+ortogr&aacute;fica ser&aacute; aquela que maiores dificuldades
+encontrar&aacute;
+na sua execu&ccedil;&atilde;o, principalmente a
+acentua&ccedil;&atilde;o distintiva de tant&iacute;ssimos
+hom&oacute;grafos, como os que existem em portugu&ecirc;s,
+muitos mais do que em castelhano, ou mesmo em italiano. Essas
+distin&ccedil;&otilde;es obrigar&atilde;o quem
+escreve para o p&uacute;blico a ser um tanto mais cauteloso na
+ortografia das palavras, do que usualmente o &eacute; na
+actualidade. Em
+compensa&ccedil;&atilde;o, por&ecirc;m, o escritor
+j&aacute; n&atilde;o ter&aacute; futilidades
+etimol&oacute;gicas a respeitar por costume, e o bom ensino da
+leitura em breve habituar&aacute; as gera&ccedil;&otilde;es
+novas
+&agrave; acentua&ccedil;&atilde;o rigorosa. <br />
+
+<br />
+
+N&atilde;o foi condescend&ecirc;ncia com a in&eacute;rcia
+que imperou no &acirc;nimo da Comiss&atilde;o, ao deixar em
+certo modo
+facultativo, por emquanto, o uso pontual da
+acentua&ccedil;&atilde;o
+gr&aacute;fica em todas as suas min&uacute;cias, como o
+&eacute; o da castelhana,
+e com a mais estrita coer&ecirc;ncia; mas sim o reconhecimento de
+que as condi&ccedil;&otilde;es naturais do idioma
+portugu&ecirc;s exigem que essa acentua&ccedil;&atilde;o
+gr&aacute;fica seja muito
+mais copiosa e diferencial
+<span class="pagenum">[13]</span>
+do que o &eacute; a castelhana, em si modelar na sua
+simplicidade. Na realidade, em castelhano n&atilde;o h&aacute;
+a
+diferen&ccedil;ar <em>e</em>,
+<em>o</em> fechados de
+<em>e</em>,
+<em>o</em> abertos, o que dispensa o uso do acento
+circunflexo nesse idioma, no qual n&atilde;o existe o
+consider&aacute;vel n&uacute;mero de hom&oacute;grafos que
+se observa em portugu&ecirc;s; e al&ecirc;m disto
+n&atilde;o se
+d&atilde;o em castelhano os constantes acidentes de
+varia&ccedil;&atilde;o de valor em
+<em>e</em>,
+<em>o</em>, que no portugu&ecirc;s se produzem e
+determinam um sem n&uacute;mero de
+voc&aacute;bulos entre si diferentes fon&eacute;ticamente,
+conquanto nas letras com que se escrevem sejam iguais, e que nenhum
+ouvido portugu&ecirc;s confundir&aacute;, como &eacute;
+conveniente que a escrita os n&atilde;o confunda, tais como
+<em>ent&ecirc;rro</em>,
+<em>alm&ocirc;&ccedil;o</em>,
+substantivos, e <em>ent&eacute;rro</em>,
+<em>alm&oacute;&ccedil;o</em>,
+verbos; <em>s&ocirc;bre</em>,
+preposi&ccedil;&atilde;o e
+<em>s&oacute;bre</em>, verbo; <em>s&ecirc;de</em>
+e
+<em>s&eacute;de</em>;
+<em>p&ecirc;lo</em> substantivo
+<em>p&eacute;lo</em>, verbo, a par de <em>pelo</em>
+(<em>p'lu</em>)
+contrac&ccedil;&atilde;o de <em>per
+lo</em>, preposi&ccedil;&atilde;o e artigo; <em>p&acirc;ra</em>,
+preposi&ccedil;&atilde;o, e
+<em>p&aacute;ra</em>, verbo;
+<em>d&ecirc;mos</em>, presente, e <em>d&eacute;mos</em>,
+pret&eacute;rito, etc. <br />
+
+<br />
+
+Nestes hom&oacute;grafos, por&ecirc;m, para se evitar
+acentua&ccedil;&atilde;o dispens&aacute;vel, o que cumpre
+&eacute; assinalar-se no
+<em>e</em> e no
+<em>o</em> o seu valor de <em>&ecirc;</em>,
+<em>&ocirc;</em>, visto que os nomes
+destas letras em portugu&ecirc;s se proferem com vogais abertas,
+<em>&egrave;</em>,
+<em>&ograve;</em>, devendo pois
+considerar-se &ecirc;sse valor como o seu normal quando
+s&atilde;o
+t&oacute;nicas. Por &ecirc;ste motivo, o que conv&ecirc;m
+em tais
+hom&oacute;grafos &eacute; marcar-se com o acento circunflexo
+as vogais fechadas, omitindo-se o acento agudo em <em>e</em>
+e
+<em>o</em> abertos, e escrevendo-se portanto as palavras
+citadas, e outras an&aacute;logas,
+<em>s&ocirc;bre</em> e
+<em>sobre</em>, <em>alm&ocirc;&ccedil;o</em>
+e
+<em>almo&ccedil;o</em>,
+<em>ent&ecirc;rro</em> e
+<em>enterro</em>,
+<em>s&ecirc;de</em> e
+<em>sede</em>,
+<em>p&ecirc;lo</em>,
+<em>p&eacute;lo</em> e <em>pelo</em>,
+<em>p&aacute;ra</em> e
+<em>para</em>,
+<em>d&ecirc;mos</em> e
+<em>demos</em>. E necess&aacute;rio que
+<em>p&eacute;lo</em>, <em>p&aacute;ra</em>,
+<em>p&oacute;lo</em> sejam
+por&ecirc;m marcados com o acento agudo, pois as
+contrac&ccedil;&otilde;es
+<em>pelo</em>,
+<em>polo</em> (arcaica esta) e a
+preposi&ccedil;&atilde;o <em>para</em>
+s&atilde;o sempre
+&aacute;tonas. A forma da 1.&ordf; pessoa do plural do
+pret&eacute;rito perfeito dos verbos em
+<em>-ar</em>, como
+<em>louv&aacute;mos</em>, receber&aacute;, o que
+&eacute; j&aacute; uso corrente, o
+acento agudo, para se diferen&ccedil;ar da do presente,
+<em>louvamos</em>, por isso que o
+<em>a</em> antes de consoante nasal, &eacute;
+normalmente fechado, isto
+&eacute;, proferido <em>&acirc;</em>, e a
+distin&ccedil;&atilde;o se observa em qu&aacute;si todo o
+dom&iacute;nio portugu&ecirc;s. <br />
+
+<br />
+
+Algumas considera&ccedil;&otilde;es consagrar&aacute; ainda
+a Comiss&atilde;o ao sistema de acentua&ccedil;&atilde;o
+gr&aacute;fica. <br />
+
+<br />
+
+Como &eacute; j&aacute; uso estabelecido, o acento agudo
+(&acute;)
+&eacute; o sinal, por excel&ecirc;ncia, da s&iacute;laba
+predominante de todo o
+voc&aacute;bulo que n&atilde;o seja &aacute;tono, com
+excep&ccedil;&atilde;o de <em>e</em>,
+<em>o</em> fechados, que ser&atilde;o, aceitando-se o
+costume que em portugu&ecirc;s
+se foi lentamente fixando, assinalados com o acento circunflexo (^).
+Fixa a Comiss&atilde;o o uso, mais ou menos vagamente
+<span class="pagenum">[14]</span>
+seguido, de marcar com outro acento dispon&iacute;vel, o grave (`),
+as vogais <em>a</em>,
+<em>e</em>,
+<em>o</em>, abertas, de s&iacute;labas
+pret&oacute;nicas, quando haja hom&oacute;grafos a
+diferen&ccedil;ar entre si. Nesta
+conformidade escrever-se h&atilde;o:
+<em>&agrave;</em>,
+contrac&ccedil;&atilde;o de
+<em>a</em> artigo e
+<em>a</em> preposi&ccedil;&atilde;o, de que se
+diferen&ccedil;ar&aacute;;
+<em>&agrave;quela</em>, diferente de
+<em>aquela</em>;
+<em>pr&egrave;gar</em>, diverso de <em>pregar</em>;
+<em>m&ograve;lhada</em>, e
+<em>molhada</em>, partic&iacute;pio
+femenino de <em>molhar</em>. Preceitua pois a
+Comiss&atilde;o que o acento grave indique o valor
+alfab&eacute;tico das vogais
+<em>a</em>,
+<em>e</em>,
+<em>i</em>,
+<em>o</em>,
+<em>u</em> (<em>&agrave;</em>,
+<em>&egrave;</em>,
+<em>&igrave;</em>,
+<em>&ograve;</em>,
+<em>&ugrave;</em>), e d&ecirc;ste
+preceito se deduzem todas as aplica&ccedil;&otilde;es que
+d&aacute; ao acento grave. Essas outras
+aplica&ccedil;&otilde;es s&atilde;o as seguintes: <br />
+
+<br />
+
+1.&ordf; Distinguir hom&oacute;grafos,
+<em>aquela</em>,
+<em>&agrave;quela</em>,
+<em>pregar</em>,
+<em>pr&egrave;gar</em>, quando a vogal distintiva seja
+&aacute;tona; 2.&ordf;, marcar as vogaes <em>a</em>,
+<em>e</em>,
+<em>o</em>, abertas, em palavras que tenham
+dois acentos t&oacute;nicos, o &uacute;ltimo dos quais seja o
+predominante, como &eacute; de regra em portugu&ecirc;s,
+<em>chap&egrave;uzinho</em>,
+<em>av&ograve;zinha</em>, <em>m&agrave;zona</em>;
+3.&ordf;, dissolver
+ditongos &aacute;tonos,
+<em>sa&igrave;mento</em>,
+<em>pa&igrave;sagem</em>, <em>sa&ugrave;dar</em>,
+a par de
+<em>sa&iacute;da</em>,
+<em>pa&iacute;s</em>,
+<em>sa&uacute;de</em>, em que
+<em>i</em>,
+<em>u</em> s&atilde;o t&oacute;nicos; 4.&ordf;,
+diferen&ccedil;ar o
+<em>u</em> proferido, dos grupos
+<em>qu</em>,
+<em>gu</em>, do <em>u</em> mudo dos mesmos
+grupos,
+<em>freq&ugrave;ente</em>, comparado a <em>quente</em>,
+<em>arg&ugrave;ir</em>, comparado a
+<em>seguir</em>. Quando o
+<em>u</em> passe a ser t&oacute;nico, o acento grave
+mudar-se h&aacute; em agudo;
+ex.: <em>arg&uacute;i</em>, diferente de
+<em>arg&ugrave;i</em>. <br />
+
+<br />
+
+Como a Comiss&atilde;o fixou que a subjuntiva fraca dos ditongos
+seja sempre escrita com <em>i</em>,
+<em>u</em> e nunca
+<em>e</em>,
+<em>o</em> &eacute; in&uacute;til o
+empr&ecirc;go de qualquer sinal diacr&iacute;tico nestas duas
+letras, para denotar que n&atilde;o formam ditongo com a vogal
+precedente, como em <em>moeda</em>,
+<em>ne&oacute;fito</em>,
+<em>cooperar</em>, etc. <br />
+
+<br />
+
+A escrita dos ditongos orais ser&aacute; portanto a seguinte, na
+qual <em>&eacute;i</em>,
+<em>&eacute;u</em>,
+<em>&oacute;i</em>, com a vogal dominante
+aberta, se diferen&ccedil;am de <em>ei</em>,
+<em>eu</em>,
+<em>oi</em>, em que ela &eacute; fechada:
+<em>ai</em>
+(<em>&agrave;i</em>,
+<em>&acirc;i</em>), <em>&eacute;i</em>,
+<em>ei</em>,
+<em>&oacute;i</em>,
+<em>oi</em>,
+<em>ui</em>,
+<em>au</em>,
+<em>&eacute;u</em>,
+<em>eu</em>,
+<em>ou</em>,
+<em>iu</em>, do que s&atilde;o exemplos estes
+voc&aacute;bulos: <em>pai</em>,
+<em>caiar</em>,
+<em>r&eacute;is</em>,
+<em>reis</em>,
+<em>s&oacute;is</em>,
+<em>sois</em> (verbo),
+<em>fui</em>, <em>pau</em>,
+<em>c&eacute;u</em>,
+<em>seu</em>,
+<em>riu</em>,
+<em>levou</em>. Prefer&iacute;u-se
+acentuar as vogais abertas de <em>&eacute;i</em>,
+<em>&eacute;u</em>,
+<em>&oacute;i</em>, visto serem elas
+sempre t&oacute;nicas; &ecirc;sse acento mudar-se h&aacute;
+no grave, quando
+acidentalmente elas sejam em certo modo &aacute;tonas, como em
+<em>v&egrave;uzinho</em>,
+<em>pain&egrave;izinhos</em>, <em>her&ograve;icidade</em>.
+Os dois
+valores da escrita <em>ai</em>
+(<em>&agrave;i</em> e
+<em>&acirc;i</em>) como em <em>ensaio</em>,
+<em>ensaiar</em>, &eacute;
+desnecess&aacute;rio acus&aacute;-los, por isso que o ditongo <em>&acirc;i</em>
+&aacute;tono s&oacute; se manifesta antes de vogal, pois quando
+t&oacute;nico se escreve
+<em>ei</em>. <br />
+
+<br />
+
+No Formul&aacute;rio de regras de ortografia, que a
+Comiss&atilde;o submete &agrave;
+aprecia&ccedil;&atilde;o do
+Gov&ecirc;rno, ficar&atilde;o consignados os principais
+preceitos da acentua&ccedil;&atilde;o escrita, que
+se encontram postos em pr&aacute;tica no
+<span class="smallcaps">Vocabul&aacute;rio
+Ortogr&aacute;fico</span>, a
+<span class="pagenum">[15]</span>
+que j&aacute; se referiu, e completamente expostos de
+p&aacute;ginas 155 a 200 da <span class="smallcaps">Ortografia
+Nacional</span>,
+tamb&ecirc;m j&aacute; citada, a qual tem um
+copios&iacute;ssimo &iacute;ndice
+alfab&eacute;tico e remissivo, que facilita a sua consulta nos
+casos duvidosos. Exemplos rigorosos d&ecirc;ste sistema de
+acentua&ccedil;&atilde;o
+oferece-os igualmente todo &ecirc;ste relat&oacute;rio, bem
+como de toda a ortografia
+que se prop&otilde;e. <br />
+
+<br />
+
+Aludiu agora mesmo a Comiss&atilde;o &agrave;
+distin&ccedil;&atilde;o, que &eacute; mester deixar
+retratada na escrita, entre <em>e</em>
+e <em>o</em> fechados e
+<em>e</em> e <em>o</em> abertos, quando entre
+si
+distinguem in&uacute;meras palavras e formas gramaticais. Outra
+n&atilde;o menor dificuldade oferece a l&iacute;ngua
+portuguesa, comparada &agrave;s suas
+cong&eacute;neres: &eacute; a atonia de certas vogais, que
+adquirem timbres especiais,
+e lhe &eacute; peculiar, s&oacute; tendo paralelo na
+catal&atilde;, e em muito menor grau, e de certo modo, na francesa
+e na proven&ccedil;al moderna, mas em qualquer delas sujeita a
+menor n&uacute;mero de excep&ccedil;&otilde;es. Neste ponto
+&eacute; o portugu&ecirc;s s&oacute; compar&aacute;vel,
+ainda que vagamente, ao ingl&ecirc;s. Com
+efeito, ao <em>a</em> t&oacute;nico, geralmente
+proferido <em>&agrave;</em>, corresponde
+um <em>a</em> &aacute;tono, qu&aacute;si sempre
+surdo,
+<em>&acirc;</em>; ao
+<em>&ograve;</em> ou
+<em>&ocirc;</em> t&oacute;nicos, um
+<em>o</em> que se profere como <em>u</em> na
+grande
+maioria dos casos; ao <em>&egrave;</em> ou <em>&ecirc;</em>,
+um
+<em>e</em> surdo &aacute;tono, mais ou
+menos percept&iacute;vel na pron&uacute;ncia, conforme os sons
+com que est&aacute; em
+contacto e lhe influem no timbre. Se &ecirc;sse
+<em>e</em> &aacute;tono &eacute;
+seguido de vogal, ou &eacute; inicial de voc&aacute;bulo, vale
+por
+<em>i</em>, ex.:
+<em>veado</em>,
+<em>evitar</em>; se se lhe segue consoante palatal,
+<em>ch</em>,
+<em>x</em>,
+<em>j</em>,
+<em>s</em>,
+<em>lh</em>,
+<em>nh</em>, equivale a <em>i</em> surdo, e
+com
+&ecirc;ste se confunde no falar usual e desafectado. Comparem-se,
+com efeito, entre si voc&aacute;bulos tais como <em>ferro</em>,
+<em>ferreiro</em>;
+<em>gr&ecirc;lo</em>,
+<em>grelar</em>;
+<em>fecho</em>,
+<em>fechar</em>; <em>cereja</em>,
+<em>cerejeira</em>;
+<em>telha</em>,
+<em>telhado</em>;
+<em>desenho</em>,
+<em>desenhar</em>; <em>pesca</em>,
+<em>pescar</em>, e
+<em>pisco</em>,
+<em>piscar</em>;
+<em>esteira</em> e
+<em>hist&oacute;ria</em>;
+<em>testar</em> e <em>distar</em>;
+<em>distinto</em>, de
+<em>distinguir</em>; e
+<em>destinto</em> de
+<em>destingir</em>; atente-se igualmente na
+pron&uacute;ncia do voc&aacute;bulo
+<em>privilegiado</em> que &eacute; <em>preveligiado</em>,
+muitas vezes err&oacute;neamente assim escrito, e ver-se
+h&aacute; quanto &eacute;
+dif&iacute;cil a nossa escrita. <br />
+
+<br />
+
+Por outra parte, e o &uacute;ltimo voc&aacute;bulo o comprova,
+numa seq&ugrave;&ecirc;ncia de s&iacute;labas, todas as
+quais
+tenham <em>i</em> por vogal antes da predominante,
+&ecirc;sse
+<em>i</em> escrito, quando &aacute;tono,
+profere-se qu&aacute;si sempre como <em>e</em>
+surdo, em pron&uacute;ncia desafectada. H&aacute;
+excep&ccedil;&otilde;es que as
+gram&aacute;ticas devem explicar. <br />
+
+<br />
+
+Desta s&eacute;rie de fen&oacute;menos, que tornam o
+portugu&ecirc;s o mais delicado e interessante dos idiomas
+neo-latinos, originam-se constantes erros e
+hesita&ccedil;&otilde;es na sua escrita, a que n&atilde;o
+&eacute; poss&iacute;vel obviar, a
+n&atilde;o ser por uma transcri&ccedil;&atilde;o
+absolutamente fon&eacute;tica, a qual reproduza fielmente todos
+<span class="pagenum">[16]</span>
+&ecirc;sses acidentes, e que seria inadmiss&iacute;vel em
+ortografia corrente e usual, pois s&oacute;mente um ouvido
+exercitado e um tiroc&iacute;nio especial a poderiam aplicar. <br />
+
+<br />
+
+N&atilde;o se pense, portanto, que a fixa&ccedil;&atilde;o
+de uma ortografia regularizada e simplificada possa remover todas as
+dificuldades, sem um suficiente preparo gramatical, em que a
+deriva&ccedil;&atilde;o e forma&ccedil;&atilde;o das
+palavras, e os resultantes acidentes na varia&ccedil;&atilde;o
+dos sons que as comp&otilde;em,
+conforme a sua situa&ccedil;&atilde;o, hajam sido estudados. <br />
+
+<br />
+
+A consulta oportuna de um vocabul&aacute;rio, como o j&aacute;
+indicado, feito em harmonia com os preceitos estabelecidos,
+ser&aacute; tamb&ecirc;m indispens&aacute;vel,
+n&atilde;o s&oacute; em raz&atilde;o do empr&ecirc;go
+de <em>o</em> ou
+<em>u</em> e tamb&ecirc;m
+<em>e</em> ou
+<em>i</em> &aacute;tonos, quer antes de
+consoante, quer antes de vogal, mas ainda com
+rela&ccedil;&atilde;o ao uso de <em>&ccedil;</em>
+ou
+<em>ss</em> mediais, de
+<em>ce</em>,
+<em>ci</em>,
+<em>s(s)e</em>,
+<em>s(s)i</em>,
+<em>z</em> ou
+<em>s</em> entre vogais, e quando finais, e em menor escala
+o de
+<em>ch</em> e <em>x</em>, de
+<em>ge</em>,
+<em>gi</em> ou
+<em>je</em>,
+<em>ji</em>. <br />
+
+<br />
+
+O <span class="smallcaps">Vocabul&aacute;rio
+Ortogr&aacute;fico</span> indicado remove todas as
+d&uacute;vidas, visto encontrar-se nele a etimologia dos
+voc&aacute;bulos, quando necess&aacute;ria a essas
+distin&ccedil;&otilde;es
+ortogr&aacute;ficas, a compara&ccedil;&atilde;o vocabular e
+formal com a ortografia
+denominada etimol&oacute;gica, e a conjuga&ccedil;&atilde;o
+dos
+verbos, exemplificada em todas as suas diferentes modalidades.
+&Eacute; um livro que se pode considerar adequado ao
+per&iacute;odo de
+transi&ccedil;&atilde;o, que h&aacute;-de decorrer antes
+que se vulgarize a ortografia regularizada oficial. <br />
+
+<br />
+
+A Comiss&atilde;o n&atilde;o hesitou, respeitando a
+hist&oacute;ria do idioma p&aacute;trio, as suas origens e a
+sua
+evolu&ccedil;&atilde;o no tempo e no espa&ccedil;o, em
+conservar a distin&ccedil;&atilde;o
+gr&aacute;fica entre
+<em>&ccedil;</em> e <em>s(s)</em>, entre
+<em>z</em> e
+<em>s</em> mediais, p&ocirc;sto que
+nenhuma diferen&ccedil;a se observe j&aacute; na sua
+pron&uacute;ncia do Mondego para o
+sul, e a distin&ccedil;&atilde;o se v&aacute; obliterando
+cada
+vez mais nos centros urbanos das prov&iacute;ncias do norte. <br />
+
+<br />
+
+A diferencia&ccedil;&atilde;o gr&aacute;fica, conforme a
+sua origem, entre <em>se</em>,
+<em>si</em>, e
+<em>ce</em>,
+<em>ci</em>, iniciais, entre
+<em>&ccedil;</em> e
+<em>ss</em> mediais, bem como a que ainda dialectalmente
+subsiste entre
+<em>z</em> e
+<em>s</em> intervoc&aacute;licos, ou <em>x</em>
+e
+<em>ch</em> ou
+<em>&ocirc;</em> e
+<em>ou</em>, pertencem &agrave;
+hist&oacute;ria da l&iacute;ngua, e a Comiss&atilde;o
+conserva-as, regulando-as com o maior rigor; pois ficaria em
+contradi&ccedil;&atilde;o com essa
+hist&oacute;ria se, o que f&ocirc;ra relativamente
+f&aacute;cil, optasse por escrever
+sempre <em>z</em> entre vogais, e sempre
+<em>s</em> em finais de voc&aacute;bulos;
+porque n&atilde;o seria licito, nem ningu&ecirc;m lhe
+aceitaria,
+substituir <em>ce</em>, <em>ci</em>,
+<em>&ccedil;</em>, por
+<em>s</em> ou
+<em>ss</em>, em milhares de
+voc&aacute;bulos e formas, que sempre se tem conservado diferentes
+na sua escrita, e com bons fundamentos.
+<br />
+
+<br />
+
+<span class="pagenum">[17]</span>
+Neste pressuposto, prescreve que <em>ce</em>,
+<em>ci</em>,
+<em>&ccedil;</em>, ou
+<em>z</em> final de voc&aacute;bulos correspondam a
+<em>ci</em>,
+<em>ti</em> latinos, a
+<em>ss</em> ar&aacute;bicos; e <em>s</em>,
+<em>ss</em> a
+<em>s</em> ou
+<em>ss</em> latinos; e, por outra parte, que
+<em>z</em> corresponda a <em>z</em>, ou
+<em>ce</em> ou
+<em>ci</em>,
+<em>ti</em> latinos, ou a
+<em>zz</em> ar&aacute;bicos;
+<em>s</em> entre vogais, ou final, a <em>s</em>
+latino. Nos
+voc&aacute;bulos de origem americana ind&iacute;gena <em>ce</em>,
+<em>ci</em>,
+<em>&ccedil;</em> s&atilde;o
+prefer&iacute;veis a <em>s</em>,
+seguindo-se nisso a escrita tradicional. Para quem n&atilde;o
+esteja preparado com umas no&ccedil;&otilde;es, rudimentares
+que
+sejam, de latim, a consulta ao
+<span class="smallcaps">Vocabul&aacute;rio</span>
+&eacute; indispens&aacute;vel em casos duvidosos, e muitas
+vezes &eacute; conveniente a
+compara&ccedil;&atilde;o com as correspondentes formas ou
+palavras castelhanas, pois no idioma do centro de Espanha a
+confus&atilde;o entre
+<em>s</em> e <em>c</em> ou
+<em>&ccedil;</em> (modernamente escrito
+<em>z</em>) &eacute;
+imposs&iacute;vel, pois bem se diferen&ccedil;am na
+pron&uacute;ncia, como antes acontecia
+em Portugal e no resto da Pen&iacute;nsula Hisp&aacute;nica. <br />
+
+<br />
+
+Muito menor dificuldade apresenta a diferencia&ccedil;&atilde;o
+entre <em>ch</em> e
+<em>x</em>, e o
+<span class="smallcaps">Vocabul&aacute;rio</span>,
+bem como a
+escrita castelhana, em que <em>x</em> &eacute;
+modernamente
+representado por <em>j</em>,
+f&aacute;cilmente a indicam. Bastar&aacute; aqui dizer-se que,
+em geral,
+<em>ch</em> corresponde a <em>cl</em>,
+<em>fl</em>,
+<em>pl</em> latinos, e que em
+voc&aacute;bulos de origem ar&aacute;bica o
+empr&ecirc;go de
+<em>x</em> &eacute; de regra. Com
+respeito &agrave; selec&ccedil;&atilde;o entre <em>&ocirc;</em>
+e
+<em>ou</em>, deve considerar-se que o digrama
+<em>ou</em> corresponde a <em>au</em> ou
+<em>al</em> latinos, &agrave;s vezes a
+<em>oc</em>,
+<em>ap</em>, e ao
+<em>au</em> ar&aacute;bico: a diferen&ccedil;a
+&eacute; intu&igrave;tiva para
+todos os portugueses do norte e das duas Be&igrave;ras, pois <em>ou</em>
+para &ecirc;les &eacute; ditongo, e n&atilde;o
+simplesmente <em>o</em>
+fechado, como o &eacute; no sul do pa&iacute;s. <br />
+
+<br />
+
+A escrita dos ditongos nasais ser&aacute;, como &eacute;
+j&aacute; uso radicado, <em>&atilde;e</em>,
+<em>&otilde;e</em>,
+<em>em</em>,
+<em>ens</em>,
+<em>&atilde;o</em> como em
+<em>m&atilde;e(s)</em>,
+<em>bot&otilde;es</em>,
+<em>bem</em>, <em>bens</em>,
+<em>m&atilde;o(s)</em>; e, conforme
+tamb&ecirc;m h&aacute; muito se usa, nas
+termina&ccedil;&otilde;es &aacute;tonas dos verbos o
+ditongo <em>&atilde;o</em>
+ser&aacute; escrito <em>am</em>; assim teremos, por
+exemplo,
+<em>louvam</em>,
+<em>louvaram</em>, presente e pret&eacute;rito,
+<em>louvar&atilde;o</em>, futuro, sem
+precisarmos de indicar por acentos a diferen&ccedil;a. Nos
+substantivos,
+por&ecirc;m, o acento na s&iacute;laba predominante
+diferenciar&aacute;
+<em>c&oacute;v&atilde;o</em> de
+<em>cov&atilde;o</em>, designando o acento a atonia do
+ditongo final, como em
+<em>&oacute;rf&atilde;o</em>, <em>&oacute;rg&atilde;o</em>,
+<em>Est&ecirc;v&atilde;o</em>, etc.,
+visto que a escrita <em>orfams</em> seria uma novidade
+in&uacute;til, e
+<em>&oacute;rfans</em> daria causa a
+equ&iacute;voco, conquanto o respectivo femenino se escreva
+<em>&oacute;rf&atilde;(s)</em>. O ditongo <em>em</em>,
+quando predominante em
+poliss&iacute;labos, receber&aacute; o acento circunflexo, como
+em
+<em>armaz&ecirc;m</em>,
+<em>armaz&ecirc;ns</em>,
+<em>por&ecirc;m</em>, a par de <em>margem</em>,
+<em>porem</em>, cuja escrita
+indicar&aacute; a acentua&ccedil;&atilde;o <em>m&aacute;rgem</em>,
+<em>p&ocirc;rem</em>, mesmo sem ser
+marcada. O ditongo <em>&#361;i</em> de um
+&uacute;nico voc&aacute;bulo actualmente,
+<em>muito</em>, e sua abreviatura procl&iacute;tica <em>mui</em>,
+hoje em
+dia s&oacute; liter&aacute;ria, continuar&aacute;, como
+at&eacute; aqui, sem sinal especial que indique a
+nasaliza&ccedil;&atilde;o;
+<span class="pagenum">[18]</span>
+e <em>ruim</em>,
+que dialectalmente se profere
+<em>r</em><em>&#361;</em><em>i</em>,
+ser&aacute; diss&iacute;labo, e n&atilde;o
+monoss&iacute;labo. <br />
+
+<br />
+
+&Agrave; vogal <em>&acirc;</em>,
+nasal, fixa-se a escrita
+<em>&atilde;</em>, final; &agrave;s
+demais vogais, e a <em>&atilde;</em> quando no
+com&ecirc;&ccedil;o ou interior do voc&aacute;bulo
+n&atilde;o se alterar&aacute; a escrita j&aacute; adoptada,
+<em>am</em>,
+<em>an</em>,
+<em>em</em>,
+<em>en</em>,
+<em>im</em>, <em>in</em>,
+<em>om</em>,
+<em>on</em>,
+<em>um</em>,
+<em>un</em>. <br />
+
+<br />
+
+Em obras did&aacute;cticas, por&ecirc;m, &eacute; licito
+indic&aacute;-las, com maior exactid&atilde;o, por
+<em>&atilde;</em>, <em>&#7869;</em>,
+<em>&#297;</em>,
+<em>&otilde;</em>,
+<em>&#361;</em>, e ao ditongo nasal <em>em</em> por
+<em>&#7869;i</em>,
+quando a clareza da exposi&ccedil;&atilde;o o exija. <br />
+
+<br />
+
+O sinal (&uml;) ou cimalhas, &aacute;pices, cuja
+fun&ccedil;&atilde;o em v&aacute;rias ortografias a maioria
+da Comiss&atilde;o atribui ao acento grave (`), fica reservado para
+denotar, em obras da esp&eacute;cie designada, o valor do ou
+dialectal
+(<em>&ouml;u</em>,
+<em>&ouml;</em>,
+<em>[o:]</em>) e o do <em>u</em> igualmente
+dialectal (<em>&uuml;</em>);
+o
+<em>&euml;</em> servir&aacute; para
+representar em especial o <em>e</em> fechado, antes de
+palatal, que varia de valor, entre <em>&ecirc;</em> e
+<em>&acirc;</em>, dos estremos para o
+centro de Portugal, como em <em>seja</em>,
+<em>fecho</em>,
+<em>selha</em>,
+<em>senha</em>, etc. S&atilde;o sinais
+&ecirc;stes que nenhuma aplica&ccedil;&atilde;o tem na
+escrita comum, na qual,
+portanto, palavras com <em>exodo</em>,
+<em>exito</em> ser&atilde;o acentuadas
+<em>&ecirc;xito</em>, <em>&ecirc;xodo</em>,
+e n&atilde;o
+<em>&euml;xito</em>,
+<em>&euml;xodo</em>, ou
+<em>&euml;isito</em>,
+<em>&euml;isodo</em>, como &eacute; a
+sua pronuncia&ccedil;&atilde;o. <br />
+
+<br />
+
+A acentua&ccedil;&atilde;o gr&aacute;fica tem como primeiro
+fim acusar a s&iacute;laba t&oacute;nica, considerando-se que o
+til (~) vale
+por acento t&oacute;nico, se outro n&atilde;o existe marcado no
+voc&aacute;bulo ou forma; acusa ainda &ecirc;sse acento a
+t&oacute;nica predominante, se
+h&aacute; mais de uma, e ainda, em monoss&iacute;labos, que
+estes n&atilde;o
+s&atilde;o &aacute;tonos. Esta acentua&ccedil;&atilde;o
+denomina-se
+<span style="letter-spacing: 0.2em;">pros&oacute;dica</span>,
+e compreende
+n&atilde;o s&oacute; oa dois casos indicados, mas igualmente
+outros acidentes vocabulares, como a desuni&atilde;o de vogais que
+geralmente formam ditongos. <br />
+
+<br />
+
+Um bom sistema de acentua&ccedil;&atilde;o deve ser tal que, ou
+a s&iacute;laba predominante se assinale na escrita, ou
+n&atilde;o, quem l&ecirc; nenhuma
+hesita&ccedil;&atilde;o possa ter
+s&ocirc;bre qual seja essa s&iacute;laba. Com o sistema
+proposto pela Comiss&atilde;o &eacute; satisfeito
+&ecirc;ste preceito fundamental com tanta pontualidade, quanta
+observamos na ortografia castelhana, ou na toscana, segundo o plano de
+Petr&ograve;cchi. O sinal do acento t&oacute;nico
+&eacute; o agudo nas vogais <em>a</em>,
+<em>i</em>,
+<em>u</em>,
+<em>e</em> e
+<em>o</em> abertos, o circunflexo em
+<em>a</em>,
+<em>e</em>,
+<em>o</em> fechados, e o til na vogal final <em>&atilde;</em>,
+e nos ditongos nasais <em>&atilde;e</em>, <em>&otilde;e</em>,
+<em>&atilde;o</em>. <br />
+
+<br />
+
+Na vogal nasal <em>&atilde;</em>, ou em
+<em>a</em> antes de consoante nasal, adopta a
+Comiss&atilde;o igualmente o acento circunflexo,
+<em>&acirc;nsia</em>, <em>&acirc;nimo</em>,
+em
+aten&ccedil;&atilde;o a que &ecirc;sse
+<em>a</em> se profere fechado na maioria do
+pa&iacute;s. O
+<span class="smallcaps">Vocabul&aacute;rio</span>
+marcou as
+vogais nasais ou antes de nasal com o acento agudo, como sinal
+<span class="pagenum">[19]</span>
+geral
+da s&iacute;laba predominante, e deve ter isso em
+considera&ccedil;&atilde;o quem o consultar. <br />
+
+<br />
+
+Outra acentua&ccedil;&atilde;o gr&aacute;fica se
+prop&otilde;e, generalizando e fixando usos mais ou menos
+estabelecidos, e esta pode denominar-se
+<span style="letter-spacing: 0.2em;">distintiva</span>.
+Consiste no
+empr&ecirc;go do circunflexo (^) s&ocirc;bre todos os <em>ee</em>
+e <em>oo</em> fechados de
+monoss&iacute;labos, ou de voc&aacute;bulos
+polissil&aacute;bicos inteiros, isto
+&eacute;, com a pen&uacute;ltima s&iacute;laba
+predominante, quando outros existam em que tais vogais sejam abertas,
+como j&aacute; ficou indicado:
+<em>r&ecirc;go</em>, <em>rego</em>;
+<em>r&ocirc;go</em>,
+<em>rogo</em>. <br />
+
+<br />
+
+Deve ter-se em aten&ccedil;&atilde;o que, sendo toda a
+acentua&ccedil;&atilde;o vocabular, e sempre
+fon&eacute;tica, quando um qualquer voc&aacute;bulo, na sua
+flex&atilde;o, ou nos seus derivados,
+muda de estrutura com rela&ccedil;&atilde;o &agrave;
+acentua&ccedil;&atilde;o que exigia, esta mant&ecirc;m-se,
+perde-se ou adqu&iacute;re-se, conforme as novas
+condi&ccedil;&otilde;es a que a forma, ou o derivado, ficam
+sujeitos. D&ecirc;ste modo, a palavra <em>cort&ecirc;s</em>,
+no
+plural dispensa o acento, <em>corteses</em>;
+<em>bat&eacute;is</em>, muda o agudo para
+grave em <em>bat&egrave;izinhos</em>; <em>fugira</em>,
+ser&aacute;, na 2.&ordf;
+pessoa do plural,
+<em>fug&iacute;reis</em>. <br />
+
+<br />
+
+Regulou a Comiss&atilde;o tamb&ecirc;m o empr&ecirc;go do
+h&iacute;fen, o dos pontos de interroga&ccedil;&atilde;o e
+exclama&ccedil;&atilde;o, o das letras mai&uacute;sculas, e
+o do ap&oacute;strofo ('), que recomenda seja o mais parcimonioso
+poss&iacute;vel, pois o abuso que d&ecirc;ste sinal se tem
+feito, onde &eacute; err&oacute;neo ou
+desnecess&aacute;rio, nenhuma vantagem traz &agrave;
+f&aacute;cil le&igrave;tura, antes a
+embara&ccedil;a, e &eacute; uma desastrada
+imita&ccedil;&atilde;o da ortografia francesa, que muito
+desfeia a escrita, complicando-a, bem como &agrave;
+composi&ccedil;&atilde;o
+tipogr&aacute;fica. A maioria das elis&otilde;es de vogais
+&aacute;tonas, e a bem
+dizer todas as crases de vogais consecutivas s&atilde;o evidentes,
+e portanto desnecess&aacute;rio &eacute; indic&aacute;-las
+na escrita
+usual. No emtanto, fixa a Comiss&atilde;o a uni&atilde;o em uma
+s&oacute;
+di&ccedil;&atilde;o para os seguintes pronomes e
+adv&eacute;rbios acompanhados de
+preposi&ccedil;&atilde;o, quando os primeiros n&atilde;o
+rejam ora&ccedil;&otilde;es
+de infinito: <em>d&ecirc;le</em>,
+<em>nele</em>,
+<em>dela</em>,
+<em>nela</em>,
+<em>d&ecirc;ste</em>,
+<em>neste</em>,
+<em>desta</em>,
+<em>dessa</em>, <em>daquela</em>,
+<em>nesta</em>,
+<em>nessa</em>,
+<em>naquela</em>,
+<em>&agrave;quele</em>,
+<em>&agrave;quela</em>,
+<em>dum</em>,
+<em>num</em>, <em>daqui</em>,
+<em>da&iacute;</em>,
+<em>dali</em>,
+<em>aonde</em>,
+<em>donde</em>, e para os plurais
+d&ecirc;sses pronomes, em harmonia com as formas j&aacute;
+empregadas
+<em>do(s)</em>, <em>da(s)</em>,
+<em>no(s)</em>,
+<em>na(s)</em>,
+<em>pelo(s)</em>,
+<em>pela(s)</em>,
+(<em>em-no</em>,
+<em>per-lo</em>), onde a elis&atilde;o se
+n&atilde;o indicou j&agrave;mais; assim
+tamb&ecirc;m, <em>doutro</em>, <em>noutro</em>.
+<br />
+
+<br />
+
+Efectivamente, a indica&ccedil;&atilde;o por
+ap&oacute;strofo em formas tais como <em>d'um</em>,
+<em>d'&ecirc;le</em>, para n&atilde;o
+falar nos erros crass&iacute;ssimos <em>n'um</em>,
+<em>n'&ecirc;le</em>, &eacute; tam
+in&uacute;til, como o seria escrevermos <em>vint'e um</em>,
+<em>g&eacute;ner'humano</em>,
+<em>vic'-almirante</em>, em vez de <em>vinte e um</em>,
+<em>g&eacute;nero
+humano</em>, <em>vice-almirante</em>, conquanto o <em>e</em>
+de
+<em>vinte</em>
+<span class="pagenum">[20]</span>
+e o de <em>vice</em>, assim como o <em>o</em>
+de
+<em>g&eacute;nero</em> se elidam na
+pronuncia&ccedil;&atilde;o dessas di&ccedil;&otilde;es.
+<br />
+
+<br />
+
+Ningu&ecirc;m ainda julgou necess&aacute;rio indicar-se por
+ap&oacute;strofo a crase de <em>ao</em> em
+<em>dez&oacute;ito</em> por
+<em>dezaoito</em>; confrontem-se <em>dezasseis</em>,
+<em>dezassete</em>,
+<em>dezanove</em>, e as formas toscanas
+<em>diciassette</em>, <em>diciannove</em>. As
+formas escritas,
+modern&iacute;ssimas, <em>dezeseis</em>, <em>dezesete</em>,
+<em>dezenove</em> s&atilde;o
+err&oacute;neas e n&atilde;o correspondem por modo algum
+&agrave; sua pron&uacute;ncia, pois
+ningu&ecirc;m profere <em>d&egrave;zisseis</em>,
+<em>d&egrave;zissete</em>,
+<em>d&egrave;sinove</em>, como o exigiria
+esta forma&ccedil;&atilde;o, se nela entrasse a
+conjun&ccedil;&atilde;o
+<em>e</em>, que se pronuncia
+<em>i</em>. O povo diz, e muito bem, e dantes sempre assim
+se escreveram, <em>dezasseis</em>,
+<em>dezassete</em>,
+<em>dezanove</em>, &uacute;nica escrita
+legitima, perfeitamente concorde com a toscana acima citada, e com a
+pron&uacute;ncia quer italiana, quer portuguesa. <br />
+
+<br />
+
+Fora dos casos indicados, a preposi&ccedil;&atilde;o
+<em>de</em> assim se escrever&aacute;, seja, ou
+n&atilde;o, elidido o <em>e</em>
+na enuncia&ccedil;&atilde;o. <br />
+
+<br />
+
+Aconselha a Comiss&atilde;o o empr&ecirc;go dos pontos de
+interroga&ccedil;&atilde;o e exclama&ccedil;&atilde;o
+invertidos (&iquest;&iexcl;)
+no com&ecirc;&ccedil;o das ora&ccedil;&otilde;es dessa
+esp&eacute;cie, quando sejam muito longas, como se faz na
+ortografia espanhola; e com tanto maior empenho, quanto &eacute;
+certo que, sem tal indica&ccedil;&atilde;o
+pr&eacute;via, muitas vezes ser&aacute; errada a leitura, ou
+ficar&aacute; incerto o
+sentido. As duas interroga&ccedil;&otilde;es distintas&#8213;<em>Queres
+vinho ou &aacute;gua?</em>, e
+<em>&iquest;Queres vinho, ou &aacute;gua?</em>
+n&atilde;o se
+equivalem nem no sentido, nem na entoa&ccedil;&atilde;o. <br />
+
+<br />
+
+O h&iacute;fen ou linha divis&oacute;ria (-) utiliza-o e
+preceitua-o a Comiss&atilde;o nos seguintes casos:<br />
+
+<br />
+
+a) Separar de uma linha para a outra as s&iacute;labas de um
+voc&aacute;bulo, repetindo-se na linha imediata o sinal, se o
+voc&aacute;bulo j&aacute; de si cont&ecirc;m a linha
+divis&oacute;ria, por
+ser composto. <br />
+
+<br />
+
+b) Unir entre si os dois elementos de uma di&ccedil;&atilde;o
+composta, quando cada um d&ecirc;les tem exist&ecirc;ncia
+independente em portugu&ecirc;s, e conserva a sua
+acentua&ccedil;&atilde;o pr&oacute;pria. <br />
+
+<br />
+
+c) Unir &agrave;s formas <em>hei</em>,
+<em>h&aacute;s</em>,
+<em>h&aacute;</em>,
+<em>h&atilde;o</em>, do verbo
+<em>haver</em>, a preposi&ccedil;&atilde;o <em>de</em>,
+encl&iacute;tica: <em>hei-de</em>,
+<em>h&aacute;s-de</em>,
+<em>h&aacute;-de</em>,
+<em>h&atilde;o-de</em>. <br />
+
+<br />
+
+d) Separar nos voc&aacute;bulos compostos com
+<em>bem</em>,
+<em>mal</em> o
+<em>m</em> e o <em>l</em> para evitar erros de
+leitura; ex.:
+<em>bem-aventurado</em>, <em>mal-aventurado</em>.
+<br />
+
+<br />
+
+<br />
+
+S&atilde;o estes os principais fundamentos e preceitos da
+projectada reforma ortogr&aacute;fica, pela Comiss&atilde;o
+julgada
+oportuna e de f&aacute;cil execu&ccedil;&atilde;o, para que
+de ora
+em diante seja recomendada como obrigat&oacute;ria em
+publica&ccedil;&otilde;es oficiais e no ensino
+p&uacute;blico, e por isso a prop&otilde;e. As
+simplifica&ccedil;&otilde;es e a
+regulariza&ccedil;&atilde;o apontadas j&aacute; tem
+sido empregadas em
+<span class="pagenum">[21]</span>
+parte
+em muitos livros e alguns peri&oacute;dicos, se bem que
+qu&aacute;si sempre com menor coer&ecirc;ncia e rigor do que a
+Comiss&atilde;o as preceitua, e sem formarem corpo de doutrina
+explicada e motivada, como formam no Formul&aacute;rio e no
+Prontu&aacute;rio ortogr&aacute;ficos com que termina esta
+exposi&ccedil;&atilde;o e que v&atilde;o em seguimento. Se
+exceptuarmos o
+<span class="smallcaps">Vocabul&aacute;rio</span>
+e a <span class="smallcaps">Ortografia Nacional</span>
+j&aacute; mencionados, e cujo sistema s&oacute; pequenas
+altera&ccedil;&otilde;es sofreu,
+s&atilde;o &ecirc;sse Formul&aacute;rio e &ecirc;sse
+Prontu&aacute;rio os primeiros trabalhos met&oacute;dicos e
+completos s&ocirc;bre &ecirc;ste assunto. <br />
+
+<br />
+
+A Comiss&atilde;o nem por um momento perdeu de vista que a
+primacial vantagem de uma ortografia oficial &eacute; favorecer o
+ensino f&aacute;cil da leitura e da escrita, tanto quanto um idioma
+secularmente liter&aacute;rio o permite, tomando-se por base a
+hist&oacute;ria do idioma p&aacute;trio, para que
+&ecirc;le se perpetue no futuro, como do passado at&eacute; o
+presente perdurou, sempre id&ecirc;ntico a si pr&oacute;prio,
+apesar da sua
+inevit&aacute;vel evolu&ccedil;&atilde;o. <br />
+
+<br />
+
+<br />
+
+<br />
+
+<div class="sbreak">
+<hr /></div>
+
+<br />
+
+<h3>FORMUL&Aacute;RIO ORTOGR&Aacute;FICO </h3>
+
+<h4>
+CONFORME O PLANO DE<br />
+
+<br />
+
+REGULARIZA&Ccedil;&Atilde;O E
+SIMPLIFICA&Ccedil;&Atilde;O DA ESCRITA PORTUGUESA </h4>
+
+<br />
+
+I. S&atilde;o proscritas de todas as palavras portuguesas, ou
+aportuguesadas, as letras <em>k</em>,
+<em>w</em>,
+<em>y</em>, as quais ser&atilde;o
+respectivamente substitu&iacute;das pelas seguintes:
+<em>k</em> por
+<em>qu</em> antes de <em>e</em>,
+<em>i</em>, por
+<em>c</em> em qualquer outra
+situa&ccedil;&atilde;o; <em>w</em>
+por <em>u</em>, ou por <em>v</em>, conforme
+f&ocirc;r a sua
+pron&uacute;ncia; <em>y</em> por
+<em>i</em>. Escreveremos, pois, <em>caleidosc&oacute;pio</em>,
+<em>quermes</em>,
+<em>neutoniano</em>,
+<em>Venceslau</em>, <em>valsa</em>,
+<em>tipo</em>,
+<em>lira</em>,
+<em>fisiologia</em>, etc. <br />
+
+<br />
+
+Excep&ccedil;&otilde;es: 1.&ordf; Poder&atilde;o
+usar-se essas
+letras em voc&aacute;bulos derivados de nomes pr&oacute;prios
+estrangeiros, em que sejam leg&iacute;timamente empregadas; ex.:
+<em>kantismo</em>,
+<em>darwinismo</em>, <em>byroniano</em> (Kant,
+Darwin, Byron), os
+quais, por&ecirc;m, ser&aacute; l&iacute;cito escrever, em
+harmonia com a
+pronuncia&ccedil;&atilde;o, <em>cantismo</em>,
+<em>daru&igrave;nismo</em>,
+<em>baironiano</em>. Confrontem-se
+<em>Cop&eacute;rnico</em>, de <em>Kopernik</em>,
+<em>Antu&eacute;rpia</em>, de
+<em>Antwerp</em>,
+<em>(h)iate</em>, de
+<em>yacht</em>. <br />
+
+<br />
+
+2.&ordf; Continuam em uso os s&iacute;mbolos
+<em>W</em>, para denotar o <em>Oeste</em>, e
+<em>K</em> como abreviatura de unidade
+m&eacute;trica, e tamb&ecirc;m na forma internacional <em>kilo...</em>,
+que todavia se poder&aacute; escrever <em>quilo...</em>;
+tanto mais, que o <em>k</em> &eacute; um grosseiro
+<span class="pagenum">[22]</span>
+&ecirc;rro nesta palavra, pois o correspondente termo grego se
+escreve com <em>&chi;</em> e
+n&atilde;o <em>&kappa;</em>. <br />
+
+<br />
+
+II. O abeced&aacute;rio empregado em portugu&ecirc;s
+ficar&aacute; consistindo nas seguintes letras, e suas
+combina&ccedil;&otilde;es, e
+portanto s&oacute;mente com umas ou com outras se
+escrever&atilde;o todas as palavras portuguesas, ou aportuguesadas.
+Essas letras e combina&ccedil;&otilde;es s&atilde;o:
+<em>a b c &ccedil; ch d e f g h i j l lh m n nh o p qu r (rr)
+s (ss) t u v x z</em>. <br />
+
+<br />
+
+III. &Eacute; eliminada a letra
+<em>h</em> do interior de todos os
+voc&aacute;bulos portugueses, com excep&ccedil;&atilde;o do
+seu
+empr&ecirc;go, como sinal diacr&iacute;tico, nas
+combina&ccedil;&otilde;es
+<em>ch</em>,
+<em>lh</em>,
+<em>nh</em>, com os valores que as seguintes palavras
+exemplificam, e &uacute;nicamente para &ecirc;les: <em>chave</em>,
+<em>malha</em>,
+<em>manha</em>. Portanto, escrever-se
+h&atilde;o, sem <em>h</em>,
+<em>inibir</em>,
+<em>exortar</em>, etc., e, semelhantemente,
+<em>sa&iacute;r</em>,
+<em>coerente</em>, <em>pro&igrave;bir</em>,
+etc. <br />
+
+<br />
+
+IV. &Eacute; conservado o <em>h</em>
+inicial, quando a etimologia o justifique, como em <em>homem</em>,
+<em>humano</em>,
+<em>honra</em>,
+<em>hoje</em>; mas abolido onde
+&eacute; err&oacute;neo, como em
+<em>hontem</em>,
+<em>hir</em>,
+<em>hombro</em>, que se escrever&atilde;o <em>ontem</em>,
+<em>ir</em>,
+<em>ombro</em>. <br />
+
+<br />
+
+Quando a uma qualquer palavra com <em>h</em>
+inicial etimol&oacute;gico se acrescentar prefixo, suprimir-se
+h&aacute; o
+<em>h</em>; ex.:
+<em>desumano</em>, <em>inumano</em>,
+<em>desonra</em>,
+<em>filarm&oacute;nica</em>,
+<em>desist&oacute;ria</em>, etc. <br />
+
+<br />
+
+V. &Eacute; l&iacute;cito escrever
+<em>h</em> final, como sinal de
+interjei&ccedil;&atilde;o, <em>ah!</em>
+<em>oh!</em>; mas &eacute; proscrita esta
+letra final em todos os mais voc&aacute;bulos; ex.: <em>Sara</em>,
+<em>Jud&aacute;</em>,
+<em>raja</em> ou
+<em>raj&aacute;</em>, etc. <br />
+
+<br />
+
+VI. Em harmonia com a cl&aacute;usula III &eacute; eliminado o
+<em>h</em> dos grupos <em>rh</em>,
+<em>th</em>, ou outros quaisquer,
+inexactamente denominados etimol&oacute;gicos, e portanto
+escrever-se h&aacute;
+<em>teatro</em>, <em>ret&oacute;rica</em>,
+<em>aderir</em>,
+<em>aborrecer</em>,
+<em>sirgo</em>,
+<em>sorgo</em>,
+<em>caridade</em>,
+<em>crist&atilde;o</em>, <em>Cristo</em>,
+<em>monarca</em>,
+<em>t&eacute;cnica</em>,
+<em>cloro</em>, etc. O grupo
+<em>ch</em>, com o valor de <em>k</em> antes
+de
+<em>e</em>,
+<em>i</em>, ser&aacute;
+substitu&iacute;do por <em>qu</em>; ex.: <em>monarquia</em>,
+<em>arquitecto</em>,
+<em>qu&iacute;mica</em>,
+<em>querubim</em>. O grupo
+<em>ph</em> ser&aacute; expresso por <em>f</em>;
+ex.:
+<em>filosofia</em>,
+<em>frase</em>,
+<em>fen&iacute;cio</em>,
+<em>farol</em>,
+<em>f&iacute;sica</em>, <em>fisiologia</em>,
+<em>ninfa</em>,
+<em>profeta</em>, etc. Assim tamb&ecirc;m
+escreveremos <em>ditongo</em>,
+<em>t&iacute;sica</em>,
+<em>apotegma</em>, etc. <br />
+
+<br />
+
+VII. Nenhuma consoante se duplicar&aacute; no
+interior ou fim de voc&aacute;bulo, sen&atilde;o quando a
+pronuncia&ccedil;&atilde;o assim o exija, o que s&oacute;
+acontece com
+<em>rr</em>,
+<em>ss</em>,
+<em>mm</em>,
+<em>nn</em>, como nas seguintes palavras: <em>carro</em>,
+<em>cassa</em>,
+<em>emmalar</em>,
+<em>ennegrecer</em>. <br />
+
+<br />
+
+Nesta conformidade, escrever-se h&atilde;o com letras singelas as
+seguintes palavras, e outras que &eacute; h&aacute;bito
+escrever com letras dobradas: <em>abade</em>,
+<em>acusar</em>,
+<em>adi&ccedil;&atilde;o</em>,
+<em>afecto</em>,
+<em>sugerir</em>, <em>agravo</em>,
+<em>&ecirc;le</em>,
+<em>ela</em>,
+<em>aludir</em>,
+<em>chama</em>,
+<em>pano</em>,
+<em>anexo</em>,
+<em>aparecer</em>, <em>atribuir</em>,
+<em>meter</em>,
+<em>atitude</em>, etc. As letras
+<em>r</em> e
+<em>s</em> dobram-se, se a pron&uacute;ncia o exije,
+quando a qualquer voc&aacute;bulo se antep&otilde;e
+<span class="pagenum">[23]</span>
+prefixo terminado em vogal; ex.:
+<em>pressentir</em>,
+<em>prorrogar</em>, <em>ressuscitar</em>:
+cf.
+<em>arrasar</em>, de
+<em>raso</em>,
+<em>assegurar</em>, de
+<em>seguro</em>. <br />
+
+<br />
+
+VIII. S&atilde;o suprimidas as consoantes mudas, quando
+n&atilde;o influam no valor das vogais que as precedem; ex.:
+<em>autor</em>, <em>restrito</em>,
+<em>produto</em>,
+<em>produ&ccedil;&atilde;o</em>,
+<em>pronto</em>,
+<em>presun&ccedil;&atilde;o</em>,
+<em>satisfa&ccedil;&atilde;o</em>, <em>praticar</em>,
+<em>tratar</em>,
+<em>retratar</em>,
+<em>sinal</em>,
+<em>Madalena</em>,
+<em>aumento</em>,
+<em>In&aacute;cio</em>, <em>In&ecirc;s</em>,
+<em>assunto</em>,
+<em>assinar</em>,
+<em>sono</em>,
+<em>dano</em>,
+<em>condenar</em>, etc. <br />
+
+<br />
+
+IX. S&atilde;o conservadas as consoantes, usualmente mudas, quando
+facultativamente se profiram, ou quando influam no valor da vogal que
+as precede; ex.:
+<em>contrac&ccedil;&atilde;o</em>,
+<em>reac&ccedil;&atilde;o</em>, <em>direc&ccedil;&atilde;o</em>,
+<em>excep&ccedil;&atilde;o</em>,
+<em>adoptar</em>,
+<em>adop&ccedil;&atilde;o</em>,
+<em>espect&aacute;culo</em>,
+<em>car&aacute;cter</em>, <em>rectid&atilde;o</em>.
+<br />
+
+<br />
+
+Neste caso os voc&aacute;bulos aparentados, em que essas vogais
+perten&ccedil;am &agrave; s&iacute;laba predominante do
+voc&aacute;bulo, conservar&atilde;o, por analogia, a consoante
+muda; ex.;
+<em>contracto</em>, <em>directo</em>,
+<em>excepto</em>,
+<em>adopto</em>,
+<em>caracterizar</em>,
+<em>recto</em>,
+<em>acto</em>, em raz&atilde;o de <em>activo</em>,
+<em>ac&ccedil;&atilde;o</em>, etc. <br />
+
+<br />
+
+X. O empr&ecirc;go acertado das letras
+<em>ce</em>,
+<em>ci</em>, alternando com <em>(s)se</em>,
+<em>(s)si</em>, ou no interior do
+voc&aacute;bulo o de
+<em>&ccedil;</em>, alternando com <em>ss</em>,
+depende da origem
+d&ecirc;sses voc&aacute;bulos e do valor que as ditas letras
+indicavam, quando a
+pronuncia&ccedil;&atilde;o delas diferia, como ainda hoje
+difere dialectalmente em v&aacute;rias regi&otilde;es do norte
+de Portugal. A
+consulta ao <span class="smallcaps">Vocabul&aacute;rio</span>
+&eacute; indispens&aacute;vel para decidir da escolha. Como
+regra geral, <em>ce</em>,
+<em>ci</em>,
+<em>-&ccedil;-</em> correspondem a
+<em>ce</em>,
+<em>ci</em>,
+<em>ti</em> latinos, a <em>ce</em>,
+<em>ci</em>,
+<em>za</em>,
+<em>zo</em>,
+<em>zu</em> do castelhano actual, a
+<em>ss</em> ar&aacute;bicos, ou pertencem a
+voc&aacute;bulos de origem americana
+ind&iacute;gena, transcritos pelos autores peninsulares. <br />
+
+<br />
+
+Fica banido o <em>&ccedil;</em> inicial,
+que ser&aacute; substitu&iacute;do por
+<em>s</em> nos poucos voc&aacute;bulos em que
+etimol&oacute;gicamente
+figuraria; ex.: <em>sapato</em>,
+<em>sar&ccedil;a</em>, e n&atilde;o
+<em>&ccedil;apato</em>,
+<em>&ccedil;ar&ccedil;a</em>, como
+antes se escrevia, e ainda uma ou outra vez se escreve. <br />
+
+<br />
+
+XI. &Eacute; conservado o grupo inicial
+<em>sc</em>, das seguintes palavras e seus derivados e
+afins, em que o <em>s</em>
+&eacute; mudo: <em>scena</em>, <em>sci&ecirc;ncia</em>,
+<em>scetro</em>,
+<em>sc&eacute;ptico</em>,
+<em>scisma</em>,
+<em>scis&atilde;o</em>,
+<em>sci&aacute;tico</em>,
+<em>scintilar</em>, <em>scelerado</em>, e
+algum outro menos
+usual. <br />
+
+<br />
+
+XII. O empr&ecirc;go de <em>ch</em> ou de
+<em>x</em>, os quais hist&oacute;rica e ainda
+dialectalmente n&atilde;o eram nem s&atilde;o
+id&ecirc;nticos no valor fon&eacute;tico, regula-se pela sua
+origem, e a consulta ao <span class="smallcaps">Vocabul&aacute;rio</span>
+torna-se
+necess&aacute;ria. Deve ter-se em aten&ccedil;&atilde;o que
+<em>ch</em> corresponde a
+<em>cl</em>,
+<em>fl</em>,
+<em>pl</em>,
+<em>t'l</em> latinos, e a
+<em>ch</em> franc&ecirc;s nas palavras desta origem; <em>x</em>
+corresponde a <em>x</em> e a
+<em>s</em> latinos. Nos voc&aacute;bulos de origem
+ar&aacute;bica o
+empr&ecirc;go de <em>x</em>, e n&atilde;o de <em>ch</em>,
+&eacute;
+de rigor; assim, <em>xeque</em>, e
+n&atilde;o <em>che(i)k</em>. <br />
+
+<br />
+
+XIII. A escrita dos ditongos orais &eacute; a seguinte:
+<em>ai</em>,
+<em>&eacute;i</em>,
+<span class="pagenum">[24]</span>
+<em>ei</em>,
+<em>&oacute;i</em>,
+<em>oi</em>,
+<em>ui</em>,
+<em>au</em>,
+<em>&eacute;u</em>,
+<em>eu</em>,
+<em>iu</em>,
+<em>ou</em>, como em
+<em>ensaio</em>,
+<em>ensaiar</em>, <em>bat&eacute;is</em>,
+<em>bateis</em> (de
+<em>bater</em>),
+<em>s&oacute;is</em> (de
+<em>sol</em>),
+<em>sois</em> (verbo),
+<em>fui</em>,
+<em>pau</em>, <em>c&eacute;u</em>,
+<em>seu</em>,
+<em>viu</em>,
+<em>grou</em>, e portanto
+<em>pai(s)</em>,
+<em>amai(s)</em>,
+<em>gerais</em>, <em>r&eacute;is</em>,
+<em>rei(s)</em>,
+<em>far&oacute;is</em>,
+<em>r&oacute;is</em> (nome plural e
+verbo), <em>azuis</em>, etc. Ficam abolidas as escritas <em>ae</em>,
+<em>oe</em>,
+<em>ue</em>,
+<em>ao</em>,
+<em>eo</em>, para estes ditongos, quer em nomes, quer em
+formas verbais. <br />
+
+<br />
+
+XIV. A escrita dos ditongos nasais &eacute;:
+<em>&atilde;e</em>,
+<em>em</em>
+(<em>ens</em>),
+<em>&otilde;e</em>, <em>&atilde;o</em>,
+como em
+<em>m&atilde;e(s)</em>,
+<em>bem</em>,
+<em>bens</em>,
+<em>p&otilde;e(s)</em>,
+<em>bot&otilde;es</em>,
+<em>c&atilde;es</em>,
+<em>m&atilde;o(s)</em>, <em>&oacute;rf&atilde;o(s)</em>,
+<em>cidad&atilde;o(s)</em>. <br />
+
+<br />
+
+Escrever-se h&atilde;o com <em>am</em>
+final, em vez de <em>&atilde;o</em>, as
+formas verbais em que essa termina&ccedil;&atilde;o seja
+&aacute;tona, como <em>louvam</em>, <em>louvaram</em>
+(presente e
+pret&eacute;rito), diferente de
+<em>louvar&atilde;o</em> (futuro). <br />
+
+<br />
+
+Os voc&aacute;bulos terminados no ditongo
+<em>em</em> (equivalente a <em>&#7869;i</em>)
+receber&atilde;o o acento
+circunflexo quando forem poliss&iacute;labos com a
+&uacute;ltima s&iacute;laba predominante. D&ecirc;ste
+modo <em>porem</em>, do verbo <em>p&ocirc;r</em>,
+diferen&ccedil;ar-se h&aacute; de
+<em>por&ecirc;m</em>,
+conjun&ccedil;&atilde;o;
+<em>cont&ecirc;m</em>, do verbo <em>conter</em>,
+de
+<em>contem</em>, do verbo
+<em>contar</em>; assim igualmente, <em>armaz&ecirc;m</em>,
+<em>vint&ecirc;m</em>,
+<em>vint&ecirc;ns</em>,
+<em>algu&ecirc;m</em>, mas
+<em>viagem</em>, <em>origem</em>.
+(=<em>vi&aacute;gem</em>,
+<em>or&iacute;gem</em>). <br />
+
+<br />
+
+Os monoss&iacute;labos com esta termina&ccedil;&atilde;o
+dispensam a acentua&ccedil;&atilde;o gr&aacute;fica, por
+ser ociosa, e para que fiquem em harmonia com outros
+monoss&iacute;labos terminados em vogal, nasal; ex.: <em>bem</em>,
+<em>bens</em>,
+<em>tem</em>,
+<em>tens</em>; comparem-se
+<em>fim</em>,
+<em>som</em>, <em>um</em>;
+<em>fins</em>,
+<em>sons</em>,
+<em>uns</em>. <br />
+
+<br />
+
+O ditongo <em>&#361;i</em>
+de
+<em>muito</em>,
+<em>mui</em> dispensa igualmente o til na escrita usual. <br />
+
+<br />
+
+XV. A grafia das vogais nasais finais ser&aacute; a seguinte,
+j&aacute; consagrada:
+<em>&atilde;(s)</em>,
+<em>im</em>,
+<em>ins</em>,
+<em>om</em>,
+<em>ons</em>,
+<em>um</em>,
+<em>uns</em>, como em <em>l&atilde;(s)</em>,
+<em>irm&atilde;(s)</em>,
+<em>&oacute;rf&atilde;(s)</em>,
+<em>fim</em>,
+<em>fins</em>,
+<em>marfim</em>,
+<em>marfins</em>,
+<em>som</em>,
+<em>sons</em>, <em>jejum</em>,
+<em>jejuns</em>. <br />
+
+<br />
+
+No interior dos voc&aacute;bulos &eacute; a nasalidade da vogal
+expressa por <em>m</em> antes de
+<em>b</em>,
+<em>p</em>,
+<em>m</em>, e por
+<em>n</em> em qualquer outra
+situa&ccedil;&atilde;o, o que &eacute; j&aacute; uso
+estabelecido, mas ao qual conv&ecirc;m n&atilde;o se fazerem
+excep&ccedil;&otilde;es; assim escreveremos <em>circunst&acirc;ncia</em>,
+<em>circunscrever</em>,
+<em>conquanto</em>, com
+<em>n</em>, e n&atilde;o com <em>m</em>. <br />
+
+<br />
+
+XVI. &Eacute; conservado ao <em>e</em>
+inicial &aacute;tono o valor que tem de <em>i</em> em
+muitos voc&aacute;bulos,
+como <em>erguer</em>,
+<em>herdeiro</em>,
+<em>evitar</em>, <em>elogio</em>; sendo
+por&ecirc;m
+substitu&iacute;do por <em>i</em> nas
+palavras <em>igual</em>, <em>idade</em>,
+<em>igreja</em> e seus derivados, ortografia
+anterior que se lhes restabelece. &Eacute; semelhantemente
+conservado o
+<em>e</em> com o valor de <em>i</em>
+&aacute;tono antes
+de vogal, quando a analogia ou a etimologia o recomendem; ex.:
+<em>fealdade</em>,
+<em>desfear</em>, de <em>feio</em> (cf.
+<em>desfiar</em>, de
+<em>fio</em>),
+<em>ideal</em>,
+<em>meada</em>,
+<em>reagente</em>, etc. Restabelece-se
+<span class="pagenum">[25]</span>
+por&ecirc;m a verdadeira ortografia de
+<em>pior</em>,
+<em>lial</em>, <em>rial</em> (antes
+<em>peior</em>,
+<em>leial</em>,
+<em>reial</em>), em que um
+<em>ei</em> anterior se condensou em <em>i</em>,
+como aconteceu com
+<em>igreja</em> (forma antiga <em>eigreja</em>)
+e como ainda hoje acontece
+com o prefixo <em>eis-</em>
+(<em>ex-</em>), que &eacute; usualmente
+pronunciado <em>is</em>. O &uacute;ltimo
+exemplo citado, <em>rial</em>, de
+<em>rei</em>, fica assim
+diferen&ccedil;ado de <em>real</em>, procedente do
+latim <span style="letter-spacing: 0.2em;">res</span>.
+<br />
+
+<br />
+
+O verbo <em>criar</em> ser&aacute;
+semelhantemente escrito com <em>i</em>, pois a sua
+conjuga&ccedil;&atilde;o &eacute;
+<em>crio</em>,
+<em>crias</em>, e n&atilde;o
+<em>creio</em>,
+<em>creias</em>, e portanto escreveremos tamb&ecirc;m
+<em>criador</em>,
+<em>criatura</em>,
+<em>crian&ccedil;a</em>, qualquer que seja a
+acep&ccedil;&atilde;o em que se tomem tais
+palavras. O verbo <em>recrear</em>, todavia,
+escrever-se h&aacute; com <em>e</em>,
+porque a sua conjuga&ccedil;&atilde;o &eacute; com
+<em>ei</em>,
+<em>recreio</em>,
+<em>recreias</em>; devendo ter-se em
+aten&ccedil;&atilde;o que o
+<em>i</em> intercalar, para evitar o hiato <em>recreo</em>,
+s&oacute; tem cabimento
+quando o <em>e</em> do radical &eacute;
+predominante, e conseguintemente escreveremos
+<em>passear</em>,
+<em>cear</em>, <em>desfear</em>,
+<em>passeio</em>,
+<em>ceio</em>,
+<em>desfeio</em>, e n&atilde;o
+<em>passeiar</em>,
+<em>ceiar</em>, etc. <br />
+
+<br />
+
+H&aacute; consider&aacute;vel n&uacute;mero de verbos, como
+<em>alumiar</em>,
+<em>gloriar</em>, <em>aviar</em>, que se
+conjugam
+<em>alumio</em>,
+<em>glorio</em>,
+<em>avio</em>, sendo portanto a vogal final do seu radical
+<em>i</em> e n&atilde;o
+<em>e</em>. Todavia, por influ&ecirc;ncia daqueles em
+que essa vogal radical
+&eacute;, pelo contr&aacute;rio, <em>e</em>, que
+&aacute;tono se profere <em>i</em>,
+alguns verbos em <em>iar</em> confundiram-se com
+&ecirc;sses, e &eacute; j&aacute; hoje
+impratic&aacute;vel a correc&ccedil;&atilde;o. Os
+principais d&ecirc;stes verbos s&atilde;o os seguintes, e
+conv&ecirc;m que n&atilde;o se traslade a outros a
+irregularidade que se manifesta neles: <em>ansiar</em>,
+<em>anseio</em>;
+<em>negociar</em>,
+<em>negoceio</em>; <em>obsequiar</em>,
+<em>obsequeio</em>;
+<em>premiar</em>,
+<em>premeio</em>;
+<em>odiar</em>,
+<em>odeio</em>;
+<em>remediar</em>, <em>remedeio</em>. Em
+outros, menos triviais,
+&eacute; duvidoso o modo de os conjugar, como <em>licenciar</em>,
+<em>presenciar</em>,
+<em>sentenciar</em>, que muitos preferem conjugar
+<em>licencio</em>,
+<em>presencio</em>, <em>sentencio</em>,
+conquanto as formas
+<em>licenceio</em>,
+<em>presenceio</em>,
+<em>sentenceio</em> sejam muito mais usuais. &Eacute;
+claro que a irregularidade se n&atilde;o deve trasladar aos
+substantivos correspondentes, e que portanto escreveremos
+<em>&aacute;nsia</em> (e n&atilde;o
+<em>&acirc;ncea</em> ou <em>&acirc;ncia</em>),
+<em>neg&oacute;cio</em>,
+<em>obs&eacute;quio</em>,
+<em>&oacute;dio</em>,
+<em>pr&eacute;mio</em>,
+<em>rem&eacute;dio</em>, e assim tamb&ecirc;m com i
+os derivados,
+<em>odioso</em>,
+<em>obsequioso</em>, etc. <br />
+
+<br />
+
+XVII. Na pron&uacute;ncia do sul de Portugal o
+<em>s</em> antes de consoante surda, e quando &eacute;
+final, profere-se como
+<em>x</em> atenuado, e sendo a consoante sonora, como <em>j</em>,
+igualmente atenuado. Se em tais condi&ccedil;&otilde;es
+est&aacute;
+precedido de <em>e</em> surdo, &ecirc;ste <em>e</em>,
+por
+assimila&ccedil;&atilde;o, palataliza-se e fica sendo igual a <em>i</em>
+na mesma
+situa&ccedil;&atilde;o, de modo que os dois
+voc&aacute;bulos <em>pescar</em> e <em>piscar</em>
+s&oacute;
+artificialmente se distinguem; assim tamb&ecirc;m a primeira
+s&iacute;laba de
+<em>esteira</em> confunde-se com a primeira
+s&iacute;laba de
+<em>hist&oacute;ria</em>, e tanto, que
+antigamente se escrevia
+<span class="pagenum">[26]</span>
+<em>est&oacute;rea</em> (com <em>ea</em>,
+para se evitar a leitura
+<em>estorja</em>, pois nenhuma diferen&ccedil;a
+gr&aacute;fica se fazia entre <em>i</em> e
+<em>j</em>). Para quem profira do mesmo modo <em>es</em>
+e
+<em>is</em>, &aacute;tonos, &eacute;
+necess&aacute;rio recomendar que se regule pelas formas em que <em>e</em>
+ou <em>i</em> sejam predominantes, a fim de acertar com a
+devida escrita. No exemplo citado, <em>pescar</em> procede
+de <em>pesca</em>, e portanto com <em>e</em>
+se
+escrever&aacute;;
+<em>piscar</em>, de
+<em>pisco</em>, ortografar-se h&aacute; com <em>i</em>.
+<br />
+
+<br />
+
+A confus&atilde;o entre <em>es</em> e
+<em>is</em> mais freq&ugrave;ente, e que
+d&aacute; margem a in&uacute;meros erros de ortografia, ocorre
+com os prefixos <em>des-</em> e
+<em>dis-</em>. &Eacute;
+usual&iacute;ssimo ver-se escrito
+<em>destribui&ccedil;&atilde;o</em>, por exemplo.
+Cumpre advertir que o valor d&ecirc;stes dois prefixos, assim
+confundidos na pron&uacute;ncia meridional,
+&eacute; diverso: <em>des-</em>, &eacute;
+privativo, <em>dis-</em> indica
+&laquo;reparti&ccedil;&atilde;o,
+divis&atilde;o&raquo;. Escreveremos pois <em>destinto</em>
+com
+<em>e</em>, de
+<em>destingir</em>, de <em>tingir</em>,
+<em>distinto</em> com
+<em>i</em> de
+<em>distinguir</em>, e assim tamb&ecirc;m
+<em>dispersar</em>, <em>discri&ccedil;&atilde;o</em>
+(que
+se n&atilde;o deve confundir com
+<em>descri&ccedil;&atilde;o</em>, de <em>descrever</em>),
+<em>disc&oacute;rdia</em>,
+<em>discorrer</em>, etc. <br />
+
+<br />
+
+XVIII. Sendo o <em>e</em> &aacute;tono,
+antes de consoante palatal, <em>ch</em>, <em>x</em>,
+<em>j</em>,
+<em>lh</em>,
+<em>nh</em>, por
+assimila&ccedil;&atilde;o igual a
+<em>i</em> surdo, d&aacute;-se
+freq&ugrave;entemente a d&uacute;vida sobre a escrita com
+<em>e</em> ou com
+<em>i</em>, em s&iacute;labas &aacute;tonas.
+Conv&ecirc;m, do mesmo modo, recorrer
+&aacute;s formas em que a vogal duvidosa seja predominante; assim, <em>lenheiro</em>,
+de
+<em>lenha</em>, escrever-se h&aacute; com
+<em>e</em>,
+<em>linheiro</em>, de
+<em>linho</em>, com <em>i</em>. <br />
+
+<br />
+
+XIX. Por outra parte, no centro de Portugal o
+<em>e</em> fechado antes das mencionadas consoantes
+palatais
+<em>ch</em>,
+<em>x</em>,
+<em>j</em>, <em>lh</em>,
+<em>nh</em> profere-se como
+<em>&acirc;</em>, e esta
+pron&uacute;ncia vai-se difundindo cada vez mais no
+pa&iacute;s:
+<em>fecho</em>,
+<em>cereja</em>,
+<em>selha</em>,
+<em>senha</em> s&atilde;o pronunciados
+<em>f&acirc;xo</em>,
+<em>cer&acirc;ja</em>,
+<em>s&acirc;lha</em>,
+<em>s&acirc;nha</em>. Valendo o
+<em>a</em> antes de consoante nasal, <em>m</em>,
+<em>n</em>,
+<em>nh</em> por
+<em>&acirc;</em> fechado, em geral, produz-se, pela
+concorr&ecirc;ncia destas duas leis
+fon&eacute;ticas, onde elas predominam, a confus&atilde;o entre
+<em>senha</em>, &laquo;sinal&raquo;, e <em>sanha</em>,
+&laquo;ira&raquo;,
+entre <em>lenho</em>,
+&laquo;madeiro&raquo;, e
+<em>lanho</em>, &laquo;golpe&raquo;. <br />
+
+<br />
+
+Para n&atilde;o se deformar a l&iacute;ngua p&aacute;tria,
+torna-se essencial a devida distin&ccedil;&atilde;o
+gr&aacute;fica, ainda
+quando se n&atilde;o observe na fala, e &eacute;
+f&aacute;cil acertar-se com a escrita, se
+se atender &agrave; pron&uacute;ncia dessa vogal, duvidosa
+quando
+t&oacute;nica, em formas nas quais ela seja &aacute;tona:
+<em>sanha</em>, &laquo;ira&raquo;,
+escreve-se com <em>a</em>, porque dizemos
+<em>assanhar</em>, e n&atilde;o
+<em>assenhar</em>, ao passo que um verbo derivado de <em>senha</em>
+(<span style="letter-spacing: 0.2em;">signa</span>,
+latino)
+<em>desenhar</em>, se n&atilde;o profere <em>desanhar</em>;
+<em>lanho</em>, &laquo;golpe&raquo;,
+tem um derivado <em>alanhar</em>, que
+n&atilde;o &eacute; <em>alenhar</em>,
+e conseguintemente deve escrever-se com <em>a</em>.
+<br />
+
+<br />
+
+<span class="pagenum">[27]</span>
+XX. Continua o empr&ecirc;go tradicional de
+<em>o</em> &aacute;tono valendo por <em>u</em>,
+quer final, quer medial, quer
+inicial, ou &ecirc;le seja anal&oacute;gico, como em
+<em>formosura</em>, de
+<em>formoso</em>, de
+<em>forma</em>, <em>porteiro</em>, de
+<em>porta</em>,
+<em>correr</em>,
+<em>c&ocirc;rro</em>,
+<em>corres</em>, ou etimol&oacute;gico como em <em>monumento</em>,
+latim
+<em>monumentum</em>,
+<em>governar</em>, castelhano <em>gobernar</em>,
+latim popular
+<em><span style="letter-spacing: 0.2em;">gobernare</span></em>,
+latim cl&aacute;ssico <span style="letter-spacing: 0.2em;">g&#365;bernare</span>.
+Na escrita ser&aacute;
+indispens&aacute;vel atender-se &aacute; forma primitiva,
+portuguesa ou latina, ou recorrer-se ao competente <span class="smallcaps">Vocabul&aacute;rio</span>,
+pois os casos duvidosos, para os indoutos, s&atilde;o aos milhares.
+<br />
+
+<br />
+
+Antes de vogal como em
+<em>m&aacute;goa</em>,
+<em>n&oacute;doa</em>, a
+conjuga&ccedil;&atilde;o dos respectivos verbos, <em>magoar</em>,
+<em>mag&ocirc;a</em>,
+<em>ennodoar</em>,
+<em>ennod&ocirc;a</em>, como em <em>soar</em>,
+<em>s&ocirc;a</em>, indica a escrita
+correcta. Com verbos como <em>aguar</em>, cuja
+conjuga&ccedil;&atilde;o &eacute; incerta, &eacute;
+prefer&iacute;vel escrev&ecirc;-los com <em>u</em>,
+e assim
+tamb&ecirc;m <em>&aacute;gua</em>,
+<em>r&eacute;gua</em>,
+<em>l&eacute;gua</em>, visto que a raz&atilde;o da
+escrita com
+<em>o</em> era principalmente o evitar-se que <em>u</em>
+fosse lido como
+<em>v</em>, quando nenhuma distin&ccedil;&atilde;o
+fixa e assente existia, para se
+determinar quando as duas formas <em>u</em>,
+<em>v</em> eram consoantes ou vogais. Feita a
+distin&ccedil;&atilde;o, como h&aacute; mais de um
+s&eacute;culo se faz, quer na escrita, quer na imprensa, deixaram
+de ser
+necess&aacute;rios &ecirc;sse e outros expedientes
+gr&aacute;ficos, como a
+adjun&ccedil;&atilde;o de <em>h</em> a
+<em>u</em> ou a
+<em>i</em>, para indicar serem vogais, e
+n&atilde;o consoantes, o que motivou as grafias
+<em>hiate</em>,
+<em>huivar</em>,
+<em>hia</em>, para que <em>uivar</em>,
+<em>iate</em>,
+<em>ia</em> se n&atilde;o lessem
+<em>vivar</em>,
+<em>jate</em>,
+<em>j&aacute;</em>. Alguns <em>hh</em> e
+alguns
+<em>oo</em> teem essa origem a
+explic&aacute;-los. <br />
+
+<br />
+
+XXI. No centro de Portugal o digrama
+<em>ou</em>, quando t&oacute;nico, confunde-se na
+pronuncia&ccedil;&atilde;o com
+<em>&ocirc;</em>, fechado. A
+diferen&ccedil;a entre os dois s&iacute;mbolos,
+<em>&ocirc;</em>,
+<em>ou</em>, &eacute; de rigor que se mantenha,
+n&atilde;o s&oacute; porque, hist&oacute;rica e
+tradicionalmente, &ecirc;les sempre foram e continuam a ser
+diferen&ccedil;ados
+na escrita, mas tamb&ecirc;m porque a
+distin&ccedil;&atilde;o de valor
+se observa em grande parte do pa&iacute;s, do Mondego para norte.
+Outra raz&atilde;o se deve apontar ainda, e essa &eacute; que
+<em>ou</em> &aacute;tono ou conserva o valor que lhe
+&eacute; pr&oacute;prio, ou,
+popularmente, se profere <em>&ograve;</em>; ao passo
+que
+<em>&ocirc;</em> vale por
+<em>u</em> nas s&iacute;labas
+&aacute;tonas; assim, por exemplo, <em>roubar</em>, de
+<em>roubo</em>, n&atilde;o altera o valor do <em>ou</em>
+do radical, o que
+n&atilde;o acontece, por exemplo, com <em>rogar</em>,
+de
+<em>r&ocirc;go</em>, em que
+<em>o</em> vale por
+<em>u</em>, se n&atilde;o &eacute;
+predominante. Duas excep&ccedil;&otilde;es, pelo menos, existem
+modernamente:
+<em>apoquentar</em>, de <em>pouco</em>, e
+<em>aposentar</em>, de
+<em>pouso</em>, que antes eram <em>apouquentar</em>,
+<em>apousentar</em>. A
+redu&ccedil;&atilde;o deve ter tido origem no sul, em que <em>ou</em>
+se
+confunde com <em>&ocirc;</em>. <br />
+
+<br />
+
+&Ecirc;ste ditongo <em>ou</em> alterna em
+qu&aacute;si todos os voc&aacute;bulos com o ditongo <em>oi</em>,
+ao qual muitos
+d&atilde;o a prefer&ecirc;ncia, exceptuando
+<span class="pagenum">[28]</span>
+por&ecirc;m certos voc&aacute;bulos como <em>outro</em>,
+<em>roubo</em>, etc. A altern&acirc;ncia
+d&aacute;-se principalmente antes de
+<em>r</em>,
+<em>s</em>, como em <em>ouro</em>,
+<em>cousa</em>;
+<em>oiro</em>,
+<em>coisa</em>. <br />
+
+<br />
+
+Quem prefira <em>oi</em> a
+<em>ou</em> assim escrever&aacute;, pois
+qualquer das formas &eacute; l&iacute;cita na maioria dos
+voc&aacute;bulos, como se disse. Nas formas verbais,
+por&ecirc;m, como a 3.&ordf; pessoa do singular do
+pret&eacute;rito
+<em>louvou</em>, n&atilde;o &eacute;
+admitido o ditongo <em>oi</em> por <em>ou</em>,
+nem tampouco em
+<em>coube</em>,
+<em>soube</em>,
+<em>trouxe</em>, etc. <br />
+
+<br />
+
+Advertir-se h&aacute; que &eacute; err&oacute;nea a forma
+<em>poude</em> em vez de <em>pude</em>,
+1.&ordf;
+pessoa, e
+<em>p&ocirc;de</em>, 3.&ordf; pessoa do
+presente do verbo <em>poder</em>, que tem origem diferente
+(<span style="letter-spacing: 0.2em;">potui</span>,
+<span style="letter-spacing: 0.2em;">potuit</span>,
+latinos) da que vemos em <em>coube</em>,
+<em>soube</em> (lat.
+<span style="letter-spacing: 0.2em;">capui</span>(t),
+<span style="letter-spacing: 0.2em;">sapui</span>(t)),
+comum &agrave;
+1.&ordf; e
+3.&ordf; pessoas do mesmo tempo verbal dos verbos
+<em>caber</em> e
+<em>saber</em>. Um qualquer
+indiv&iacute;duo, origin&aacute;rio das regi&otilde;es em
+que <em>ou</em>
+&eacute; diferente de
+<em>&ocirc;</em> no valor, n&atilde;o
+conjugar&aacute; jamais assim erradamente o verbo
+<em>poder</em>, nas duas formas citadas, nas quais
+n&atilde;o h&aacute; o ditongo
+<em>ou</em>, como em <em>coube</em>,
+<em>soube</em>,
+<em>trouxe</em>, mas sim
+<em>u</em> e
+<em>&ocirc;</em> fechado. <br />
+
+<br />
+
+XXII. Acentua&ccedil;&atilde;o
+gr&aacute;fica. <br />
+
+<br />
+
+Como &eacute; uso corrente, marcam-se com o devido acento, agudo ou
+circunflexo, os voc&aacute;bulos terminados em
+<em>a</em>,
+<em>e</em>, <em>o</em> t&oacute;nicos,
+seguidos, ou
+n&atilde;o, de <em>s</em>, e por analogia
+os terminados em <em>em</em>,
+<em>ens</em>; ex.:
+<em>alvar&aacute;(s)</em>,
+<em>louvar&aacute;(s)</em>,
+<em>mar&eacute;(s)</em>, <em>merc&ecirc;(s)</em>,
+<em>portal&oacute;(s)</em>,<em>
+av&ocirc;(s)</em>, e bem assim os
+monoss&iacute;labos, como <em>p&aacute;(s)</em>,
+<em>s&eacute;(s)</em>,
+<em>s&ecirc;(s)</em>,
+<em>s&oacute;(s)</em>;
+<em>vint&ecirc;m</em>,
+<em>vint&ecirc;ns</em>,
+<em>cont&ecirc;m</em>,
+<em>cont&ecirc;ns</em>; os monoss&iacute;labos em <em>em</em>,
+<em>ens</em>, dispensam a
+acentua&ccedil;&atilde;o: <em>bem</em>,
+<em>bens</em>,
+<em>tem</em>,
+<em>tens</em>. <br />
+
+<br />
+
+XXIII. O sinal denominado til (~) vale por acento t&oacute;nico
+quando n&atilde;o haja
+outro acento gr&aacute;fico a designar a
+s&iacute;laba predominante do voc&aacute;bulo; ex.:
+<em>cidad&atilde;o(s)</em>,
+<em>escriv&atilde;o</em>, <em>escriv&atilde;es</em>,
+<em>na&ccedil;&atilde;o</em>,
+<em>na&ccedil;&otilde;es</em>,
+<em>m&atilde;o(s)</em>,
+<em>m&atilde;e(s)</em>; mas,
+<em>our&eacute;g&atilde;o(s)</em>, <em>r&aacute;b&atilde;o(s)</em>,
+<em>Est&ecirc;v&atilde;o</em>,
+<em>Crist&oacute;v&atilde;o</em>,
+etc. <br />
+
+<br />
+
+XXIV. As palavras terminadas em
+<em>i</em>,
+<em>u</em>, vogal nasal ou ditongo, seguidos ou
+n&atilde;o de
+<em>s</em>, ou em outras consoantes, excepto na
+termina&ccedil;&atilde;o
+<em>em</em>,
+<em>ens</em>, entende-se terem como s&iacute;laba
+predominante a &uacute;ltima, n&atilde;o se
+acentuando portanto gr&aacute;ficamente sen&atilde;o as
+excep&ccedil;&otilde;es a esta regra; ex.:
+<em>javali(s)</em>, <em>peru(s)</em>,
+<em>ma&ccedil;&atilde;(s)</em>,
+<em>atum</em>,
+<em>atuns</em>,
+<em>marau(s)</em>,
+<em>arrais</em>,
+<em>esqueceu</em>, <em>judeu(s)</em>,
+<em>painel</em>,
+<em>farei(s)</em>,
+<em>mulher</em>,
+<em>vencer</em>,
+<em>timidez</em>, <em>feliz</em>,
+<em>arroz</em>, <em>alca&ccedil;uz</em>,
+<em>lioz</em>, <em>alcatruz</em>; mas,
+<em>qu&aacute;si</em>,
+<em>V&eacute;nus</em>, <em>&oacute;rf&atilde;(s)</em>,
+<em>&aacute;lbum</em>,
+<em>am&aacute;veis</em>,
+<em>f&aacute;cil</em>,
+<em>f&aacute;ceis</em>,
+<em>s&aacute;vel</em>,
+<em>s&aacute;veis</em>,
+<em>far&iacute;eis</em>, <em>alc&aacute;&ccedil;ar</em>,
+<em>car&aacute;cter</em> (plural
+<em>caracteres</em>),
+<em>m&aacute;rtir</em>,
+<em>s&oacute;ror</em>,
+<em>c&ocirc;nsul</em>. <br />
+
+<br />
+
+XXV. Os nomes terminados em <em>em</em>,
+<em>ens</em>, e as formas verbais em <em>am</em>,
+<em>em</em>, entende-se terem como s&iacute;laba
+predominante
+<span class="pagenum">[29]</span>
+a pen&uacute;ltima, que se n&atilde;o assinala com
+acento gr&aacute;fico; ex. <em>louvam</em>,
+<em>louvaram</em> (cf.
+<em>louvar&atilde;o</em>, futuro),
+<em>porem</em>, <em>contem</em> (dos verbos
+<em>p&ocirc;r</em>,
+<em>contar</em>), marcando-se o acento gr&aacute;fico
+quando a s&iacute;laba predominante seja a
+&uacute;ltima; ex.: <em>por&ecirc;m</em>,
+<em>cont&ecirc;m</em> (de
+<em>conter</em>),
+<em>armaz&ecirc;m</em>,
+<em>armaz&ecirc;ns</em>,
+<em>Jerusal&ecirc;m</em>, <em>Bel&ecirc;m</em>.
+<br />
+
+<br />
+
+XXVI. Todos os voc&aacute;bulos cuja s&iacute;laba predominante
+seja a antepen&uacute;ltima ter&atilde;o essa s&iacute;laba
+marcada com o competente acento escrito; ex.:
+<em>s&aacute;bado(s)</em>,
+<em>c&acirc;mara(s)</em>,
+<em>c&eacute;dula(s)</em>, <em>p&ecirc;ssego(s)</em>,
+<em>s&ecirc;mola(s)</em>,
+<em>conc&ecirc;ntrico(s)</em>,
+<em>t&iacute;tulo(s)</em>,
+<em>&iacute;ntimo(s)</em>, <em>pr&oacute;digo(s)</em>,
+<em>c&oacute;modo(s)</em>,
+<em>l&ocirc;brego(s)</em>,
+<em>l&uacute;grube(s)</em>,<em>
+&uacute;nico(s)</em>; <em>&aacute;rea(s)</em>,
+<em>&aacute;ria(s)</em>,
+<em>&aacute;rduo(s)</em>,
+<em>m&aacute;goa(s)</em>,
+<em>contempor&acirc;neo(s)</em>, <em>Lib&acirc;nio</em>,
+<em>&acirc;nuo</em>,
+<em>prosc&eacute;nio(s)</em>,
+<em>g&eacute;meo(s)</em>,
+<em>ing&eacute;nuo(s)</em>, <em>s&ecirc;mea(s)</em>,
+<em>virg&iacute;neo(s)</em>,
+<em>ins&oacute;nia(s)</em>,
+<em>f&uacute;ria(s)</em>,
+<em>fac&uacute;ndia(s)</em>,
+<em>&acirc;ndito(s)</em>, <em>arg&ecirc;nteo(s)</em>,
+<em>f&iacute;mbria(s)</em>,
+<em>verg&ocirc;ntea(s)</em>,
+<em>n&uacute;ncio(s)</em>,
+<em>dem&oacute;nio(s)</em>, <em>Ant&oacute;nio</em>,
+<em>Ant&oacute;nia</em>,
+<em>infort&uacute;nio</em>,
+<em>farmac&ecirc;utico</em>, etc. <br />
+
+<br />
+
+XXVII. O acento marcado nos esdr&uacute;xulos &eacute;
+diferencial com rela&ccedil;&atilde;o aos voc&aacute;bulos
+que,
+escritos com as mesmas letras, tenham por s&iacute;laba
+predominante a
+pen&uacute;ltima, ou a &uacute;ltima; ex.:
+<em>f&aacute;brica</em>, substantivo, e
+<em>fabrica</em>, verbo; <em>r&eacute;plica</em>,
+substantivo, e
+<em>replica</em>, verbo:
+<em>&iacute;ndico</em>, adjectivo, e <em>indico</em>,
+verbo;
+<em>hist&oacute;ria</em>, substantivo, e
+<em>historia</em>
+(<em>r&iacute;</em>), verbo; <em>tel&eacute;grafo</em>,
+substantivo, e
+<em>telegrafo</em>
+(<em>gr&aacute;</em>), verbo, etc. <br />
+
+<br />
+
+XXVIII. Quando um qualquer voc&aacute;bulo que tenha por
+s&iacute;laba predominante a pen&uacute;ltima, e cuja vogal
+nessa s&iacute;laba seja <em>e</em> ou
+<em>o</em> abertos, f&ocirc;r
+hom&oacute;grafo com outro em que &ecirc;sse <em>e</em>
+ou
+<em>o</em> seja fechado, marcar-se
+h&atilde;o &ecirc;stes com o acento circunflexo. Assim se
+diferen&ccedil;ar&atilde;o
+<em>r&ecirc;go</em>, substantivo, e <em>rego</em>,
+verbo:
+<em>p&ecirc;go</em>, ave, e
+<em>pego</em>, abismo, ou forma do verbo <em>pegar</em>;
+<em>r&ocirc;go</em>,
+substantivo, e <em>rogo</em>, verbo;
+<em>s&ocirc;bre</em>,
+preposi&ccedil;&atilde;o, e <em>sobre</em>, verbo;
+<em>m&ecirc;do</em>, susto, e
+<em>medo</em>, nome &eacute;tnico;
+<em>d&ecirc;mos</em>, presente do subjuntivo, e <em>demos</em>,
+pret&eacute;rito (do verbo <em>dar</em>). <br />
+
+<br />
+
+XXIX. Diferen&ccedil;ar-se h&atilde;o pelo acento agudo os
+seguintes voc&aacute;bulos:
+<em>p&aacute;ra</em>, verbo, de <em>para</em>,
+preposi&ccedil;&atilde;o;
+<em>p&eacute;lo</em>, <em>p&eacute;la</em>,
+de
+<em>p&ecirc;lo</em> substantivo, e de
+<em>pelo</em>,
+<em>pela</em> (<em>per
+lo</em>, <em>per la</em>, <em>per o</em>,
+<em>per
+a</em>);
+<em>p&oacute;lo</em>, substantivo, de
+<em>polo</em> (forma antiquada, em vez de <em>pelo</em>);
+e pelo circunflexo,
+<em>p&ecirc;ra</em>, de
+<em>pera</em>, forma antiga e
+popular da
+proposi&ccedil;&atilde;o
+<em>para</em>;
+<em>qu&ecirc;</em>, de
+<em>que</em> procl&iacute;tico, &aacute;tono; <em>c&ocirc;mo</em>,
+verbo, de <em>como</em>,
+part&iacute;cula. Pelo agudo se diferen&ccedil;ar&aacute; a
+forma do pret&eacute;rito,
+<em>louv&aacute;mos</em>, da do presente, <em>louvamos</em>.<br />
+
+<br />
+
+XXX. As
+formas verbais
+<em>d&ecirc;em</em>,
+<em>l&ecirc;em</em>,
+<em>v&ecirc;em</em>,
+<em>cr&ecirc;em</em> (de <em>dar</em>,
+<em>ler</em>,
+<em>ver</em>,
+<em>crer</em>) receber&atilde;o o acento
+circunflexo, ficando assim distintas de outras como
+<em>te(e)m</em>,
+<em>ve(e)m</em>, de
+<em>ter</em>,
+<em>vir</em>. <br />
+
+<br />
+
+XXXI. Quando a segunda de duas vogais consecutivas
+<span class="pagenum">[30]</span>
+seja <em>i</em> ou <em>u</em>, que
+n&atilde;o forme ditongo
+com a vogal precedente, marcar-se h&aacute; com o acento agudo, se
+f&ocirc;r t&oacute;nica; ex.:
+<em>sa&iacute;</em>, <em>sa&iacute;da</em>,
+<em>fa&iacute;sca</em>,
+<em>sa&uacute;de</em>,
+<em>bala&uacute;stre</em>,
+<em>ra&iacute;zes</em>,
+<em>ba&uacute;(s)</em>. Se f&ocirc;r
+&aacute;tona pode assinalar-se com o acento grave; ex.:
+<em>sa&igrave;mento</em>,
+<em>fa&igrave;scar</em>, <em>sa&ugrave;dar</em>,
+<em>enra&igrave;zado</em>,
+<em>aba&ugrave;lado</em>. &Eacute;
+licito dispensar-se o agudo se a consoante seguinte n&atilde;o
+f&ocirc;r
+<em>s</em>; ex.:
+<em>ainda</em>,
+<em>raiz</em>, <em>sair</em>, contanto que
+n&atilde;o
+inicie outra s&iacute;laba. Podem, portanto, escrever-se <em>Coimbra</em>,
+<em>raiz</em>,
+<em>sair</em>, sem acento, mas exigem-no <em>sa&iacute;da</em>,
+<em>sa&iacute;ra</em>,
+<em>sa&uacute;de</em>,
+<em>ra&iacute;zes</em>,
+<em>ata&uacute;de</em>, etc. <br />
+
+<br />
+
+XXXII. Os ditongos <em>&eacute;i</em>,
+<em>&oacute;i</em>,
+<em>&eacute;u</em>, sempre finais
+t&oacute;nicos, receber&atilde;o o acento agudo, que os
+diferen&ccedil;a de
+<em>ei</em>,
+<em>oi</em>,
+<em>eu</em>, fechados; ex.: <em>pain&eacute;is</em>,
+<em>her&oacute;is</em>,
+<em>chap&eacute;us</em>; em
+<em>r&eacute;is</em>,
+<em>bat&eacute;is</em>, <em>pap&eacute;is</em>,
+<em>s&oacute;is</em> &ecirc;sse
+acento distingue tais voc&aacute;bulos dos seus
+hom&oacute;grafos <em>reis</em> (de
+<em>rei</em>),
+<em>bateis</em>,
+<em>papeis</em> (de
+<em>bater</em>,
+<em>papar</em>), <em>sois</em> (do verbo
+<em>ser</em>). Outros exemplos s&atilde;o
+<em>b&oacute;ia</em>,
+<em>j&oacute;ia</em> (cf.
+<em>joio</em>, com <em>o</em> fechado),
+<em>gib&oacute;ia</em>,
+<em>her&oacute;i(s)</em>, etc. <br />
+
+<br />
+
+XXXIII. H&iacute;fen.<br />
+
+<br />
+
+Os voc&aacute;bulos compostos cujos elementos conservam a aua
+independ&ecirc;ncia fon&eacute;tica unem-se por
+h&iacute;fen (-) e conservam igualmente a sua
+acentua&ccedil;&atilde;o; ex.:
+<em>&aacute;gua-p&eacute;</em>,
+<em>p&aacute;ra-raios</em>, <em>guarda-p&oacute;</em>.
+O
+h&iacute;fen repetir-se h&aacute; na linha imediata, quando por
+&ecirc;le se fa&ccedil;a a
+separa&ccedil;&atilde;o sil&aacute;bica de linha para
+linha; ex.: <em>p&aacute;ra-/-raios</em>.
+Quando um dos termos do voc&aacute;bulo composto n&atilde;o
+existe independente em portugu&ecirc;s, na sua forma integral,
+unem-se os dois elementos sem h&iacute;fen; ex.: <em>clarab&oacute;ia</em>,
+<em>fidalgo</em>. Outro tanto se
+far&aacute; quando a no&ccedil;&atilde;o do composto se
+haja perdido, como em
+<em>solfa</em>,
+<em>dezoito</em> (<em>dez-a-oito</em>). <br />
+
+<br />
+
+XXXIV. O h&iacute;fen ser&aacute; utilizado tamb&ecirc;m
+nos seguintes casos: <br />
+
+<br />
+
+a) Unir os pronomes pessoais encl&iacute;ticos aos respectivos
+verbos, de que s&atilde;o complemento; ex.:
+<em>louv&aacute;-lo</em>,
+<em>dev&ecirc;-lo</em>, <em>puni-lo</em>,
+<em>d&aacute;-nos</em>,
+<em>dou-vos</em>,
+<em>falo-lhes</em>, etc. A
+acentua&ccedil;&atilde;o do verbo mant&ecirc;m-se, como se
+n&atilde;o se lhes unissem
+&ecirc;sses complementos. S&atilde;o erros
+inadmiss&iacute;veis, mas muito
+freq&ugrave;entes, <em>louval-o</em>,
+<em>devel-o</em>,
+<em>punil-o</em>, etc. <br />
+
+<br />
+
+b) Os adv&eacute;rbios <em>mal</em>,
+<em>bem</em>, formando o primeiro elemento de um composto,
+unem-se ao segundo elemento por h&iacute;fen, quando sem
+&ecirc;le a soletra&ccedil;&atilde;o seria
+errada; ex.:
+<em>bem-aventuran&ccedil;a</em>, <em>mal-logrado</em>,
+para que se
+n&atilde;o leiam <em>be
+maventuran&ccedil;a</em>, <em>ma logrado</em>.
+Este &uacute;ltimo,
+todavia, pode ler-se tamb&ecirc;m <em>malogrado</em>,
+pois dizemos
+<em>malograr</em>,
+<em>mal&ocirc;gro</em>. <br />
+
+<br />
+
+A palavra <em>aguardente</em>
+formar&aacute; o seu plural como
+<em>aguardentes</em>; se por&eacute;m se preferir
+separar os dois elementos, <em>&aacute;gua-ardente</em>,
+o plural
+ser&aacute;
+<em>&aacute;guas-ardentes</em>.
+<br />
+
+<br />
+
+<span class="pagenum"><a name="p31">[31]</a></span>
+XXXV. H&aacute; voc&aacute;bulos que, sendo derivados, seguem a
+analogia dos voc&aacute;bulos compostos, com os seus elementos
+unidos por h&iacute;fen, em terem dois acentos t&oacute;nicos
+dos quais &eacute; predominante o segundo; s&atilde;o
+&ecirc;les os
+aumentativos e deminutivos formados com o infixo <em>z</em>,
+e os adv&eacute;rbios derivados com o sufixo <em>-mente</em>.
+Se os
+adjectivos ou substantivos de que se formam terminam em vogal com
+acento agudo, muda-se &ecirc;ste em acento grave, ex.:
+<em>s&ograve;zinho</em>,
+<em>caf&egrave;zinho</em>, <em>m&agrave;zona</em>,
+etc.
+Esta mudan&ccedil;a tem por causa o evitar-se que, escrevendo-se
+<em>m&aacute;zona</em>, por exemplo, se
+entenda ser a primeira a s&iacute;laba predominante. Nos
+adv&eacute;rbios, por&ecirc;m, formados com o referido sufixo
+<em>-mente</em>, que antes era um substantivo, a
+acentua&ccedil;&atilde;o com o agudo, ou o
+circunflexo mant&ecirc;m-se, por n&atilde;o poder dar-se a
+confus&atilde;o apontada: <em>f&aacute;cilmente</em>,
+<em>cort&ecirc;smente</em>,
+<em>s&oacute;mente</em>. <br />
+
+<br />
+
+XXXVI. Ap&oacute;strofo. <br />
+
+<br />
+
+&Eacute; quasi abolido &ecirc;ste sinal ortogr&aacute;fico,
+absolutamente in&uacute;til para a leitura, e de
+introdu&ccedil;&atilde;o
+relativamente moderna. O seu empr&ecirc;go limitar-se h&aacute;
+a indicar,
+principalmente na poesia, a supress&atilde;o de uma letra, que
+usualmente se escreve na prosa, como em
+<em>esp'ran&ccedil;a</em>,
+<em>mer'cer</em>, <em>par'cer</em>,
+<em>c'roa</em>,
+<em>p'ra</em>,
+<em>'star</em>, etc. Pode, tamb&ecirc;m,
+usar-se no interior das di&ccedil;&otilde;es compostas, quando
+nelas se
+fa&ccedil;a elis&atilde;o do <em>e</em> da
+preposi&ccedil;&atilde;o <em>de</em>,
+como em
+<em>m&atilde;e-d'&aacute;gua</em>. <br />
+
+<br />
+
+XXXVII. Os pronomes complementos encl&iacute;ticos de verbos
+escrever-se h&atilde;o como nos exemplos seguintes:
+<em>tenho-o</em>, <em>tem-lo</em>,
+<em>tem-no</em>,
+<em>temo-lo</em>,
+<em>tende-lo</em>;
+<em>louv&aacute;-los</em>,
+<em>dev&ecirc;-los</em>,
+<em>uni-los</em>; <em>louva-los</em>,
+<em>deve-los</em>,
+<em>une-los</em>;
+<em>v&ecirc;-mo</em>,
+<em>v&ecirc;-to</em>,
+<em>v&ecirc;-lho</em>,
+<em>v&ecirc;-no-lo</em>, <em>dava-vo-lo</em>,
+<em>v&ecirc;em-se-lhe</em>,
+<em>compr&aacute;mo-la</em>, sem se
+indicar por ap&oacute;strofo a supress&atilde;o de
+<em>e</em> e de
+<em>s</em>, que &eacute; de regra;
+<em>tem-lo</em>, est&aacute; por <em>tens-lo</em>,
+<em>v&ecirc;-mo</em>, por
+<em>v&ecirc;-me-o</em>. O verbo
+conserva a acentua&ccedil;&atilde;o marcada que lhe competiria
+sem
+complementos, e assim &eacute; a sua
+pronuncia&ccedil;&atilde;o. <br />
+
+<br />
+
+XXXVIII. Re&uacute;nem-se em uma s&oacute;
+di&ccedil;&atilde;o, sem ap&oacute;strofo ou
+h&iacute;fen, os seguintes pronomes, precedidos das
+preposi&ccedil;&otilde;es <em>a</em>,
+<em>de</em>,
+<em>em</em>,
+<em>por</em>;
+<em>ao(s)</em>,
+<em>&agrave;(s)</em>,
+<em>do(s)</em>,
+<em>da(s)</em>,
+<em>&agrave;quele(s)</em>,
+<em>&agrave;quela(s)</em>, <em>dele(s)</em>,
+<em>dela(s)</em>,
+<em>d&ecirc;ste(s)</em>,
+<em>desta(s)</em>;
+<em>daquele(s)</em>,
+<em>daquela(s)</em>, <em>d&ecirc;sse(s)</em>,
+<a href="#e1"><em>dessa(s)</em></a>;
+<em>naquele(s)</em>,
+<em>naquela(s)</em>,
+<em>neste(s)</em>,
+<em>nesta(s)</em>, <em>nesse(s)</em>,
+<em>nessa(s)</em>;
+<em>disto</em>,
+<em>disso</em>,
+<em>daquilo</em>,
+<em>nisto</em>,
+<em>nisso</em>, <em>naquilo</em>,
+<em>noutro</em>. <br />
+
+<br />
+
+Outro tanto acontece com os artigos
+<em>o(s)</em>,
+<em>a(s)</em>,
+<em>um</em>, <em>uns</em>,
+<em>uma(s)</em>, e os adv&eacute;rbios
+<em>aqui</em>,
+<em>a&iacute;</em>,
+<em>ali</em>,
+<em>acol&aacute;</em>,
+<em>al&ecirc;m</em>, <em>onde</em>; ex.:
+<em>do(s)</em>,
+<em>da(s)</em>,
+<em>pelo(s)</em>,
+<em>pela(s)</em>,
+<em>no(s)</em>,
+<em>na(s)</em>, <em>aonde</em>,
+<em>donde</em>,
+<em>dali</em>,
+<em>da&iacute;</em>,
+<em>dali</em>,
+<em>dacol&aacute;</em>,
+<em>dal&eacute;m</em>, etc. <br />
+
+<br />
+
+Quando por&ecirc;m esses pronomes rejam
+ora&ccedil;&otilde;es de infinito,
+<span class="pagenum">[32]</span>
+a preposi&ccedil;&atilde;o conservar-se h&aacute; inteira e
+separada; ex.: <em>por causa de &ecirc;les n&atilde;o
+quererem</em>;
+<em>em raz&atilde;o de os n&atilde;o ter
+visto</em>. <br />
+
+<br />
+
+As demais elis&otilde;es, que no decurso da fala ou da leitura se
+costumam fazer, n&atilde;o s&atilde;o indicadas na escrita;
+n&atilde;o se escrever&aacute; pois: <em>d'idade</em>,
+<em>d'entrada</em>, mas sim
+<em>de idade</em>, <em>de entrada</em>; pelo
+mesmo motivo por que se n&atilde;o
+escreve <em>vint'e um</em>, conquanto o
+<em>e</em> de
+<em>vinte</em> a&iacute; se
+n&atilde;o profira. S&atilde;o elis&otilde;es e crases que
+&eacute; escusado representar na
+escrita, e algumas das quais s&atilde;o facultativas, quer
+individual, quer ocasionalmente. <br />
+
+<br />
+
+XXXIX. Divis&atilde;o
+sil&aacute;bica.<br />
+
+<br />
+
+A divis&atilde;o de um voc&aacute;bulo qualquer simples em
+s&iacute;labas far-se h&aacute; fon&eacute;ticamente pela
+soletra&ccedil;&atilde;o e n&atilde;o pela
+separa&ccedil;&atilde;o dos seus elementos de
+deriva&ccedil;&atilde;o,
+composi&ccedil;&atilde;o ou forma&ccedil;&atilde;o,
+contanto que a di&ccedil;&atilde;o composta n&atilde;o
+tenha os seus elementos apartados por h&iacute;fen (-). Desta
+maneira dividir-se h&aacute;, por exemplo,
+<em>subscrever</em>, como
+<em>subs cre ver</em>, do mesmo modo por que a palavra
+<em>escrever</em> se n&atilde;o divide como <em>e
+scre ver</em>; e
+<em>vezes</em>,
+<em>pastora</em>, como <em>vez
+es</em>, <em>pastor a</em>, mas sim como <em>ve
+zes</em>,
+<em>pasto ra</em>. Assim, tamb&ecirc;m,
+<em>di rec &ccedil;&atilde;o</em>, <em>a dop
+tar</em>,
+<em>su
+b&uacute;r bios</em>, <em>de sas tra
+do</em>, <em>de sar mar</em>,
+<em>i n&aacute; bil</em>, <em>bi sa v&ocirc;</em>,
+<em>pres tan te</em>, <em>cir
+cuns t&acirc;n cia</em>, etc., etc. <br />
+
+<br />
+
+Para a segunda linha e para a soletra&ccedil;&atilde;o
+pertencem &agrave; vogal que se lhes segue as consoantes que podem
+come&ccedil;ar palavra; assim teremos <em>co bra</em>,
+<em>am plo</em>, porque temos <em>bra &ccedil;o</em>,
+<em>pla ga</em>; <em>ecli
+pse</em> (cf.
+<em>psicologia</em>). <br />
+
+<br />
+
+XL. Quando o <em>s</em> dos prefixos
+<em>des-</em>,
+<em>dis-</em>, &eacute; seguido de consoante separa-se
+dela; se depois se lhe segue vogal, pertence a esta, e com ela forma
+s&iacute;laba; ex.:
+<em>des fa zer</em>, <em>dis tri buir</em>,
+mas
+<em>de sen ga nar</em>, <em>de
+sen vol ver</em>. <br />
+
+<br />
+
+XLI. Duas consoantes iguais separam-se; ex.: <em>ar
+rastar</em>, <em>as sistir</em>, <em>em
+malar</em>, <em>en nastrar</em>. <br />
+
+<br />
+
+XLII. As palavras compostas dividem-se pelos seus componentes; ex.: <em>porta-voz</em>,
+<em>vice-almirante</em>, repetindo-se na linha inferior o
+h&iacute;fen. <br />
+
+<br />
+
+XLIII. Nos voc&aacute;bulos formados com o prefixo
+<em>ex-</em>, fica &ecirc;ste separado do segundo
+elemento, ao dividir-se ou soletrar-se a palavra; ex.: <em>ex
+&eacute;r ci
+to</em>, <em>ex ce der</em>. <br />
+
+<br />
+
+XLIV. S&atilde;o insepar&aacute;veis as letras dos seguintes
+grupos de consoantes: <em>bl</em>,
+<em>cl</em>,
+<em>dl</em>,
+<em>fl</em>, <em>gl</em>,
+<em>pl</em>,
+<em>tl</em>,
+<em>vl</em>;
+<em>br</em>,
+<em>cr</em>,
+<em>dr</em>, <em>fr</em>,
+<em>gr</em>,
+<em>pr</em>,
+<em>tr</em>,
+<em>vr</em>;
+<em>ch</em>,
+<em>lh</em>,
+<em>nh</em>;
+<em>sc</em>,
+<em>ps</em>. <br />
+
+<br />
+
+Se, por&ecirc;m, o <em>s</em> se
+l&ecirc; separado do <em>c</em> no
+interior do voc&aacute;bulo, separado se divide; ex.: <em>des
+cer</em>,
+<em>c&ocirc;ns ci o</em>,
+<em>pros c&eacute; nio</em>; mas
+<em>en sce na &ccedil;&atilde;o</em>. <br />
+
+<br />
+
+XLV. S&atilde;o igualmente insepar&aacute;veis duas vogais
+consecutivas,
+<span class="pagenum">[33]</span>
+formem ou n&atilde;o ditongo; ex.: <em>ai
+po</em>, <em>cau sa</em>, <em>rai nha</em>,
+<em>proe
+mio</em>, <em>goe la</em>,
+<em>poei ra</em>, <em>pro
+n&uacute;n cia</em>,
+<em>voar</em>,
+<em>voo</em>, <em>&aacute; gua</em>,
+<em>moi nho</em>,
+<em>&eacute; gua</em>, <em>i
+guais</em>, <em>con ti nua</em>,
+<em>con t&iacute; nua</em>, <em>fa m&iacute;
+lia</em>,
+<em>se ria</em>,
+<em>s&eacute; ria</em>,
+<em>rea lidade</em>,
+<em>ve&iacute; culo</em>. <br />
+
+<br />
+
+XLVI. O <em>u</em> depois de
+<em>q</em> ou
+<em>g</em> &eacute; d&ecirc;le
+insepar&aacute;vel, quer seja mudo, quer se profira; ex.: <em>quin
+ta</em>, <em>guer ra</em>;
+<em>fre q&ugrave;ente</em>, <em>a
+g&ugrave;entar</em>,
+<em>ar g&ugrave;ir</em>. <br />
+
+<br />
+
+<br />
+
+<h3>PRONTU&Aacute;RIO ORTOGR&Aacute;FICO </h3>
+
+<br />
+
+S&uacute;mula das principais regras que se h&atilde;o de
+observar na escrita das palavras e formas vocabulares portuguesas: <br />
+
+<br />
+
+1. O alfabeto portugu&ecirc;s consta das seguintes vinte e quatro
+letras, e de mais tr&ecirc;s, que s&oacute;mente em
+circunst&acirc;ncias especiais se empregam e aqui v&atilde;o
+inclu&iacute;das em
+par&ecirc;ntese curvil&iacute;neo: <br />
+
+<br />
+
+a b c &ccedil; d e f g h i j (k) l m n o p q[u] r s t u v (w) x (y)
+z. <br />
+
+<br />
+
+2. Al&ecirc;m destas letras, h&aacute; outros caracteres, que
+ora s&atilde;o figurados por duas letras emparceiradas, ora por
+sinais diacr&iacute;ticos, sobrepostos a v&aacute;rias dessas
+letras.
+Assim aumentado, o sistema de escrita portuguesa comp&otilde;e-se
+de 53 s&iacute;mbolos: <br />
+
+<br />
+
+a, &aacute;, &agrave;, &acirc;, &atilde;; b; c,
+&ccedil;, ce (ci), ch; d; e, &eacute;, &egrave;,
+&ecirc;; f; ge (gi), g, gu, g&ugrave;; h; i, &iacute;,
+&igrave;; j; (k);
+l, lh; m; n, nh; o, &oacute;, &ograve;, &ocirc;,
+&otilde;; p; qu, q&ugrave;; r, rr, s, ss, sc; t;
+u, &uacute;, &ugrave;; v; (w); x; (y); z. <br />
+
+<br />
+
+O valor d&ecirc;stes caracteres, exclu&iacute;das as letras
+<em>k</em>,
+<em>w</em>,
+<em>y</em>, est&aacute; exemplificado nas palavras
+seguintes:
+<em>par</em>,
+<em>p&aacute;</em>,
+<em>&agrave;quela</em>, <em>c&acirc;da</em>,
+<em>l&atilde;</em>;
+<em>bobo</em>;
+<em>c&aacute;</em>;
+<em>pra&ccedil;a</em>,
+<em>cela</em>,
+<em>cinta</em>,
+<em>ch&aacute;</em>;
+<em>dado</em>;
+<em>de</em>,
+<em>s&eacute;</em>, <em>pr&egrave;gar</em>,
+<em>s&ecirc;</em>;
+<em>foz</em>;
+<em>gema</em>,
+<em>giz</em>,
+<em>g&aacute;go</em>,
+<em>guerra</em>,
+<em>ag&ugrave;entar</em>;
+<em>h&aacute;</em>; <em>li</em>,
+<em>f&iacute;gado</em>,
+<em>fa&igrave;scar</em>;
+<em>j&aacute;</em>;
+<em>l&aacute;</em>;
+<em>lhe</em>;
+<em>m&oacute;</em>;
+<em>n&oacute;</em>,
+<em>lenha</em>;
+<em>lado</em>,
+<em>copa</em>, <em>p&oacute;</em>,
+<em>m&ograve;lhada</em>,
+<em>av&ocirc;</em>,
+<em>p&otilde;e</em>;
+<em>que</em>,
+<em>freq&ugrave;ente</em>,
+<em>caro</em>,
+<em>r&eacute;</em>,
+<em>carro</em>;
+<em>s&oacute;</em>, <em>passo</em>,
+<em>scena</em>,
+<em>casa</em>;
+<em>tu</em>;
+<em>fuga</em>,
+<em>&uacute;ltimo</em>,
+<em>sa&ugrave;dar</em>;
+<em>v&eacute;u</em>;
+<em>xadrez</em>, <em>exame</em>,
+<em>sexo</em>,
+<em>pr&oacute;ximo</em>,
+<em>texto</em>;
+<em>z&ecirc;lo</em>. <br />
+
+<br />
+
+3. D&ecirc;stes caracteres tem um &uacute;nico valor e
+empr&ecirc;go os nove seguintes: <em>b</em>,
+<em>d</em>,
+<em>f</em>,
+<em>j</em>,
+<em>l</em>,
+<em>p</em>,
+<em>qu</em>,
+<em>t</em>,
+<em>v</em>. <br />
+
+<br />
+
+Os outros caracteres variam de valor. <br />
+
+<br />
+
+4. <em>a</em>: Designa o
+<em>a</em> aberto quando
+est&aacute; na s&iacute;laba t&oacute;nica principalmente,
+e em s&iacute;laba &aacute;tona se
+est&aacute; seguido de <em>l</em>; ex.: <em>cabo</em>,
+<em>faltou</em>. <br />
+
+<br />
+
+5. Fora da s&iacute;laba t&oacute;nica denota em geral o
+<em>a</em> surdo, como <em>boca</em>,
+<em>parede</em>,
+<em>camarote</em>.
+<br />
+
+<br />
+
+<span class="pagenum">[34]</span>
+O <em>a</em> surdo pode ser
+t&oacute;nico, se est&aacute; antes de consoante nasal, <em>m</em>,
+<em>n</em>,
+<em>nh</em>; ex.:
+<em>cama</em>,
+<em>cana</em>,
+<em>manha</em>,
+<em>louvamos</em>. <br />
+
+<br />
+
+6. <em>&aacute;</em>: Emprega-se com o
+valor de <em>a</em> aberto quando seja
+necess&aacute;rio marcar <em>a</em>
+t&oacute;nico, isto &eacute;: na &uacute;ltima
+s&iacute;laba, seguido ou n&atilde;o de <em>s</em>;
+na
+pen&uacute;ltima, se a &uacute;ltima n&atilde;o termina em <em>a(s)</em>,
+<em>e(s)</em>,
+<em>o(s)</em>,
+<em>m</em>, e na antepen&uacute;ltima;
+ex.: <em>l&aacute;</em>,
+<em>ser&aacute;(s)</em>, <em>f&aacute;cil</em>,
+<em>f&aacute;ceis</em>,
+<em>car&aacute;cter</em>,
+<em>s&aacute;vel</em>,
+<em>pr&aacute;tica</em>. Emprega-se
+tamb&ecirc;m para diferen&ccedil;ar
+<em>p&aacute;ra</em> de
+<em>para</em>,
+preposi&ccedil;&atilde;o, e na forma verbal do
+pret&eacute;rito, 1.&ordf; pessoa do plural,
+<em>louv&aacute;mos</em>, para a diferen&ccedil;ar
+da do presente,
+<em>louvamos</em>. <br />
+
+<br />
+
+7. <em>&agrave;</em>: Designa o
+<em>a</em> aberto &aacute;tono em
+voc&aacute;bulos que se escrevem com as mesmas letras, que outros
+que tem
+<em>a</em> surdo, e tamb&ecirc;m para denotar o acento
+secund&aacute;rio
+em derivados; ex.: <em>&agrave;bada</em> (de
+<em>aba</em>; cf.
+<em>abada</em>,
+&laquo;animal&raquo;), <em>p&agrave;zada</em>,
+<em>des&agrave;bar</em>. <br />
+
+<br />
+
+8. <em>&acirc;</em>: Indica o
+<em>a</em> surdo t&oacute;nico em
+voc&aacute;bulos esdr&uacute;xulos; ex.: <em>&acirc;nimo</em>,
+<em>c&acirc;mara</em>; ou em inteiros
+terminados em <em>i</em>,
+<em>u</em>, vogal nasal, ditongo ou consoante diferente de
+<em>s</em>; ex.:
+<em>c&acirc;non</em>, <em>&acirc;mbar</em>,
+etc. <br />
+
+<br />
+
+9. <em>&atilde;</em>:
+<em>&acirc;</em> nasal em fim de
+voc&aacute;bulo, seguido ou n&atilde;o de <em>s</em>,
+e nos ditongos
+<em>&atilde;e</em>,
+<em>&atilde;o</em>; ex.:
+<em>l&atilde;(s)</em>,
+<em>m&atilde;e(s)</em>;
+<em>m&atilde;o(s)</em>. <br />
+
+<br />
+
+Se n&atilde;o h&aacute; outro acento no voc&aacute;bulo,
+vale por acento t&oacute;nico; ex.:
+<em>rab&atilde;o</em>, a par de
+<em>r&aacute;b&atilde;o(s)</em>. <br />
+
+<br />
+
+O ditongo <em>&atilde;o</em>
+&aacute;tono, final de formas verbais, escreve-se <em>am</em>;
+ex.:
+<em>louvam</em>,
+<em>louvaram</em>; cf.
+<em>louvar&atilde;o</em>, futuro. <br />
+
+<br />
+
+Antes de <em>b</em>,
+<em>p</em> e
+<em>m</em>, a vogal nasal
+<em>&atilde;</em> escreve-se
+<em>am</em>, e antes de outra consoante, <em>an</em>;
+ex.:
+<em>campo</em>,
+<em>lamber</em>,
+<em>emmalar</em>; <em>banco</em>,
+<em>frango</em>,
+<em>canto</em>,
+<em>quando</em>,
+<em>lan&ccedil;a</em>,
+<em>&acirc;nsia</em>,
+<em>rancho</em>, <em>laranja</em>, etc. <br />
+
+<br />
+
+<br />
+
+10. <em>ce</em>,
+<em>ci</em>,
+<em>&ccedil;a</em>,
+<em>&ccedil;o</em>,
+<em>cu</em>:
+<em>&ccedil;</em> escreve-se antes de
+<em>a</em>,
+<em>o</em>,
+<em>u</em>, <em>c</em> sem cedilha, antes de
+<em>e</em>,
+<em>i</em>; ex.:
+<em>fa&ccedil;a</em>,
+<em>fa&ccedil;o</em>,
+<em>cabe&ccedil;udo</em>; <em>face</em>,
+<em>f&aacute;cil</em>,
+<em>pa&ccedil;o</em>,
+<em>pal&aacute;cio</em>,
+<em>palacete</em>. <br />
+
+<br />
+
+No interior dos voc&aacute;bulos, corresponde a
+<em>ci</em>,
+<em>ti</em> latinos, e a <em>ss</em>
+ar&aacute;bicos, e nisto
+se diferen&ccedil;a do <em>s</em>, o qual
+corresponde a <em>s</em> latino; ex.:
+<em>al&ccedil;ar</em> (lat.
+<span style="letter-spacing: 0.2em;">altiar</span>e),
+<em>raz&atilde;o</em> (lat.
+<span style="letter-spacing: 0.2em;">ratione</span>m),
+<em>fa&ccedil;o</em> (lat.
+<span style="letter-spacing: 0.2em;">faci</span>o),
+<em>a&ccedil;afate</em>,
+<em>a&ccedil;afr&atilde;o</em>,
+<em>refece</em>, <em>a&ccedil;&uacute;car</em>
+(ar&aacute;bicos);
+<em>pa&ccedil;o</em>, a par de
+<em>passo</em>. <br />
+
+<br />
+
+No com&ecirc;&ccedil;o da palavra usa-se
+<em>s</em> por
+<em>&ccedil;</em>; ex.:
+<em>sapato</em>. <br />
+
+<br />
+
+Em fim de palavra escreve-se <em>z</em> e
+n&atilde;o <em>&ccedil;</em>; ex.:
+<em>vez</em> (lat.
+<span style="letter-spacing: 0.2em;">uice</span>m),
+diferente de
+<em>v&ecirc;s</em> (lat.
+<span style="letter-spacing: 0.2em;">uide</span>s),
+<em>arroz</em> (ar&aacute;bico). <br />
+
+<br />
+
+11. <em>ch</em>: Emprega-se como inicial e
+medial, e nunca como final. Na pronuncia&ccedil;&atilde;o do
+idioma culto, e
+bem assim nos vern&aacute;culos meridionais, confunde-se no valor
+h&aacute; mais de dois s&eacute;culos com o
+<em>x</em> inicial, do qual se diferen&ccedil;a
+<span class="pagenum">[35]</span>
+pela origem. Corresponde o <em>ch</em>, em
+geral, a <em>cl</em>, <em>fl</em>,
+<em>pl</em>, latinos, e a <em>ch</em>
+franc&ecirc;s
+nas palavras desta proveni&ecirc;ncia; ex.: <em>chave</em>
+(lat.
+<span style="letter-spacing: 0.2em;">claue</span>m),
+<em>chama</em> (lat.
+<span style="letter-spacing: 0.2em;">flamm</span>a),
+<em>chuva</em> (lat.
+<span style="letter-spacing: 0.2em;">pluui</span>a),
+<em>chap&eacute;u</em> (fr.
+<em>chapeau</em>). Corresponde a
+<em>ll</em> e a <em>ch</em> castelhanos. <br />
+
+<br />
+
+O <em>ch</em> com valor de
+<em>k</em> &eacute;
+substitu&iacute;do por <em>qu</em> antes
+de <em>e</em>,
+<em>i</em>, e por <em>c</em> em qualquer outra
+situa&ccedil;&atilde;o; ex.:
+<em>monarca</em>,
+<em>monarquia</em>, <em>querubim</em>,
+<em>c&ocirc;ro</em>,
+<em>cloro</em>,
+<em>corografia</em>,
+<em>catec&uacute;meno</em>,
+<em>crisol</em>. <br />
+
+<br />
+
+12. <em>c</em>: Esta letra emprega-se antes
+de <em>a</em>,
+<em>o</em>,
+<em>u</em>, consoante, ou como final, rara; ex.:
+<em>c&aacute;</em>,
+<em>c&ocirc;r</em>,
+<em>cume</em>,
+<em>claro</em>, <em>cravo</em>,
+<em>fac&ccedil;&atilde;o</em>,
+<em>Abim&eacute;lec</em>, etc. <br />
+
+<br />
+
+13. Antes de <em>e</em>,
+<em>i</em>, &eacute;
+substitu&iacute;da por <em>qu</em>; ex.:
+<em>sequeiro</em>, <em>ressequido</em>, de
+<em>s&ecirc;co</em>. &Eacute; mudo o
+<em>c</em> actualmente em muitos
+voc&aacute;bulos em que antes se proferia, e conserva-se quando
+<em>a</em>, <em>e</em>,
+<em>o</em> precedentes permanecem abertos, e
+por analogia ainda mesmo que essas vogais sejam t&oacute;nicas;
+ex.:
+<em>sec&ccedil;&atilde;o</em>,
+<em>ac&ccedil;&atilde;o</em>, <em>activo</em>,
+<em>acto</em>;
+<em>espect&aacute;culo</em>,
+<em>espectador</em>; mas
+<em>autor</em>,
+<em>jun&ccedil;&atilde;o</em>, <em>junto</em>,
+<em>san&ccedil;&atilde;o</em>,
+<em>santo</em>, etc. <br />
+
+<br />
+
+<br />
+
+14. <em>e</em>: Designa em s&iacute;labas
+&aacute;tonas <em>e</em> surdo; ex.:
+<em>se</em>,
+<em>de</em>, <em>me</em>,
+<em>te</em>,
+<em>lhe(s)</em>,
+<em>secar</em>,
+<em>remediar</em>,
+<em>lume</em>,
+<em>&uacute;bere</em>,
+<em>cad&aacute;veres</em>, etc. <br />
+
+<br />
+
+Vale por <em>i</em> &aacute;tono antes de
+vogal, ou de consoante palatal; ex.: <em>fealdade</em>,
+<em>teatro</em>,
+<em>beato</em>,
+<em>teor</em>,
+<em>areeiro</em>,
+<em>fe&iacute;ssimo</em>, <em>conte&uacute;do</em>;
+<em>fechar</em>,
+<em>telhal</em>,
+<em>lenhador</em>,
+<em>desejar</em>. Cumpre recorrer &agrave; etimologia
+do voc&aacute;bulo, ou a uma forma
+primitiva d&ecirc;le, em que o <em>e</em> seja
+t&oacute;nico, para assim o diferen&ccedil;ar de <em>i</em>;
+<em>fealdade</em>, de
+<em>feio</em>;
+<em>areeiro</em>, de
+<em>areia</em>;
+<em>fechar</em>, de
+<em>fecho</em>; <em>telhal</em>, de
+<em>telha</em>;
+<em>lenhador</em> de
+<em>lenha</em>;
+<em>desejar</em>, de
+<em>desejo</em>; <em>teatro</em>,
+<em>beato</em>,
+<em>teor</em>,
+<em>conte&uacute;do</em>, do lat.
+<span style="letter-spacing: 0.2em;">theatru</span>m,
+<span style="letter-spacing: 0.2em;">beatu</span>m,
+<span style="letter-spacing: 0.2em;">tener</span>e.
+Tem tamb&ecirc;m
+&ecirc;sse valor de <em>i</em>, como
+inicial &aacute;tona; ex.: <em>evitar</em>,
+<em>erguer</em>,
+<em>her&oacute;i</em>. <br />
+
+<br />
+
+15. <em>e</em>: vale por
+<em>e</em> aberto, ou por
+<em>e</em> fechado, sendo t&oacute;nico; ex.: <em>neve</em>,
+<em>certo</em>,
+<em>der</em>,
+<em>perda</em>,
+<em>ver</em>; e por
+<em>e</em> aberto ou fechado, &aacute;tono,
+<em>relveiro</em>,
+<em>s&aacute;vel</em>,
+<em>car&aacute;cter</em>,
+<em>cad&aacute;ver</em>,
+<em>sec&ccedil;&atilde;o</em>, <em>abd&oacute;men</em>.
+<br />
+
+<br />
+
+16. Vale por <em>&acirc;</em> no sul do
+pa&iacute;s, antes de consoante palatal e no ditongo <em>ei</em>;
+ex.:
+<em>igreja</em>,
+<em>fecho</em>,
+<em>telha</em>,
+<em>senha</em>,
+<em>lei</em>. <br />
+
+<br />
+
+Em v&aacute;rias regi&otilde;es &ecirc;ste
+<em>e</em> &eacute; proferido como
+fechado em tal situa&ccedil;&atilde;o; ex.:
+<em>igr&ecirc;ja</em>,
+<em>f&ecirc;cho</em>,
+<em>t&ecirc;lha</em>,
+<em>s&ecirc;nha</em>,
+<em>l&ecirc;i</em>. <br />
+
+<br />
+
+17. <em>&eacute;</em>: Denota o
+<em>e</em> aberto t&oacute;nico, quando
+haja de marcar-se a s&iacute;laba predominante, isto &eacute;,
+como final,
+seguido ou n&atilde;o de <em>s</em>, e nos
+esdr&uacute;xulos; ex.:
+<em>mar&eacute;(s)</em>,
+<em>c&eacute;dula</em>. Marca-se igualmente o acento
+agudo no
+<em>e</em> quando a s&iacute;laba predominante
+&eacute; a pen&uacute;ltima e a palavra
+n&atilde;o termina em <em>a(s)</em>,
+<em>e(s)</em>,
+<em>o(s)</em>,
+<em>am</em>,
+<em>em</em>, e bem assim nos ditongos
+<em>&eacute;i</em>,
+<em>&eacute;u</em>,
+<span class="pagenum">[36]</span>
+sempre t&oacute;nicos; ex.:
+<em>&eacute;ter</em>,
+<em>V&eacute;nus</em>,
+<em>f&eacute;rtil</em>,
+<em>f&eacute;rteis</em>;
+<em>c&eacute;u</em>,
+<em>escarc&eacute;u</em>, <em>pap&eacute;is</em>.
+Sem acento,
+por&ecirc;m, escreveremos <em>levam</em>, <em>levem</em>.
+<br />
+
+<br />
+
+18. <em>&egrave;</em>: Indica o
+<em>e</em> aberto &aacute;tono, quando se
+torne necess&aacute;rio diferen&ccedil;ar
+hom&oacute;grafos; ex.:
+<em>p&egrave;gada</em>, diferente de <em>pegada</em>;
+<em>pr&egrave;gar</em>, de
+<em>pregar</em>. <br />
+
+<br />
+
+19. <em>&ecirc;</em>: Designa o
+<em>e</em> fechado t&oacute;nico, quando
+seja de regra marc&aacute;-lo com acento; ex.:
+<em>merc&ecirc;(s)</em>,
+<em>v&ecirc;(s)</em>,
+<em>s&ecirc;mea</em>,
+<em>Z&ecirc;zere</em>, <em>p&ecirc;ssego</em>,
+<em>conc&ecirc;ntrico</em>,
+<em>Est&ecirc;v&atilde;o</em>, etc. <br />
+
+<br />
+
+20. O <em>e</em> nasal nunca termina
+voc&aacute;bulo no idioma comum, em que &eacute;
+substitu&iacute;do pelo ditongo nasal
+<em>em</em>,
+<em>ens</em> (<em>[~e]i)s)</em>, o qual se
+acentua quando &eacute;
+t&oacute;nico final de poliss&iacute;labos; ex.: <em>vint&ecirc;m</em>,
+<em>vint&ecirc;ns</em>;
+<em>cont&ecirc;m</em>,
+<em>cont&ecirc;ns</em>;
+<em>parab&ecirc;ns</em>. <br />
+
+<br />
+
+21. No princ&iacute;pio e meio das palavras o
+<em>e</em> nasal escreve-se com <em>em</em>
+antes de
+<em>b</em>,
+<em>p</em>,
+<em>m</em>, e com
+<em>en</em>, em qualquer outra
+situa&ccedil;&atilde;o; inicial &aacute;tono
+profere-se como <em>im</em>,
+<em>in</em>; ex.: <em>membro</em>,
+<em>tempo</em>;
+<em>encher</em>,
+<em>entrar</em>,
+<em>encho</em>,
+<em>entro</em>;
+<em>entender</em>,
+<em>entendo</em>; <em>empregar</em>,
+<em>empr&ecirc;go</em>. <br />
+
+<br />
+
+<br />
+
+22. <em>g</em>: O
+<em>g</em>, para designar a consoante sonora
+correspondente ao <em>c</em>, escreve-se em qualquer
+situa&ccedil;&atilde;o, excepto antes de <em>e</em>,
+<em>i</em>; ex.:
+<em>gago</em>,
+<em>glaci&aacute;rio</em>,
+<em>grade</em>,
+<em>digno</em>,
+<em>fragmento</em>, e raras vezes como final, <em>Gog</em>,
+<em>Magog</em>. Suprime-se quando se n&atilde;o
+profere; d&ecirc;ste modo, escreveremos:
+<em>assinar</em>,
+<em>In&aacute;cio</em>, <em>In&ecirc;s</em>,
+<em>aumento</em>, etc. <br />
+
+<br />
+
+Antes de <em>e</em>,
+<em>i</em> acrescenta-se-lhe
+<em>u</em>
+(<em>gu</em>); ex.:
+<em>seguir</em>, <em>guerra</em>,
+<em>ligue</em>,
+<em>aguilhoar</em>. <br />
+
+<br />
+
+Se &ecirc;sse <em>u</em> se profere
+&aacute;tono, marca-se com acento grave: <em>ag&ugrave;entar</em>,
+<em>arg&ugrave;ir</em>,
+<em>arg&ugrave;ente</em>; se &eacute;
+t&oacute;nico, com o acento agudo, <em>arg&uacute;i</em>.
+<br />
+
+<br />
+
+23. <em>ge</em>,
+<em>gi</em>: tem o mesmo valor que o
+<em>j</em> e escreve-se em lugar d&ecirc;ste, quando a
+etimologia ou a analogia o pedem; ex.: <em>gente</em>,
+<em>l&oacute;gica</em>. Nos derivados de
+primitivos em <em>ja</em>,
+<em>jo</em>, <em>ju</em> permanece o
+<em>j</em> antes de
+<em>e</em>,
+<em>i</em>; ex.:
+<em>laranja</em>,
+<em>laranjeira</em>; <em>loja</em>,
+<em>lojista</em>. <br />
+
+<br />
+
+O <em>g</em> etimol&oacute;gico muda-se
+em <em>j</em> antes de
+<em>a</em>,
+<em>o</em>,
+<em>u</em>; ex.: <em>reger</em>,
+<em>rejo</em>,
+<em>reja</em>;
+<em>fugir</em>,
+<em>fujo</em>,
+<em>fuja</em>. <br />
+
+<br />
+
+<br />
+
+24. <em>h</em>: &Eacute; mudo quando
+inicial, e escreve-se quando a etimologia do voc&aacute;bulo o
+justifica; ex.:
+<em>homem</em>,
+<em>humano</em>, <em>herdar</em>, e portanto
+<em>ombro</em>,
+<em>ontem</em>, em que a etimologia o n&atilde;o
+explica; <em>iate</em>, e
+n&atilde;o <em>hiate</em>. <br />
+
+<br />
+
+O <em>h</em> medial desaparece, mesmo nos
+voc&aacute;bulos em que
+<span class="pagenum">[37]</span>
+&ecirc;le como inicial figura; ex.:
+<em>desumano</em>,
+<em>deserdar</em>, e com maior raz&atilde;o em <em>inibir</em>,
+<em>in&aacute;bil</em>,
+<em>filarm&oacute;nica</em>, em que daria causa a sua
+presen&ccedil;a a errada leitura; outros exemplos s&atilde;o <em>co&igrave;bir</em>,
+<em>sair</em>,
+<em>compreender</em>,
+<em>desonra</em>,
+<em>exibir</em>, etc. <br />
+
+<br />
+
+25. O <em>h</em>, como sinal
+diacr&iacute;tico, junta-se a <em>c</em>,
+<em>l</em> e
+<em>n</em> para designar os sons que as palavras seguintes
+exemplificam: <em>chave</em>,
+<em>frecha</em>,
+<em>selha</em>,
+<em>moinho</em>. <br />
+
+<br />
+
+26. O <em>h</em>, depois de
+<em>t</em>,
+<em>r</em> ou
+<em>c</em> com o valor de
+<em>k</em> &eacute; proscrito; d&ecirc;ste modo
+escreveremos
+<em>teatro</em>,
+<em>ret&oacute;rica</em>,
+<em>corografia</em>. Suprimido &eacute; igualmente o
+<em>h</em> final, como em
+<em>Sara</em>, <em>raja</em>, ou
+<em>raj&aacute;</em>, e s&oacute; se
+admite em tal situa&ccedil;&atilde;o nas
+interjei&ccedil;&otilde;es, como <em>ah!</em>
+<em>oh!</em>, etc. <br />
+
+<br />
+
+<br />
+
+27. <em>i</em>: Emprega-se como
+&aacute;tono, e como t&oacute;nico; ex.: <em>fin&iacute;ssimo</em>,
+<em>qu&aacute;si</em>,
+<em>virar</em>,
+<em>vira</em>, etc. <br />
+
+<br />
+
+28. Numa s&eacute;rie de s&iacute;labas, cuja vogal seja sempre
+<em>i</em>, e o voc&aacute;bulo n&atilde;o seja
+imperfeito ou condicional de
+verbo, superlativo, ou deminutivo, s&oacute;mente o
+&uacute;ltimo
+<em>i</em> conserva, em geral, na pron&uacute;ncia
+desafectada, o seu valor; os mais que o precedem proferem-se como <em>e</em>
+mudo, se a consoante seguinte n&atilde;o &eacute; palatal
+(<em>x</em>,
+<em>j</em>,
+<em>lh</em>,
+<em>nh</em>,
+<em>s</em> + consoante); ex.: <em>dividir</em>,
+<em>dividia</em>,
+<em>dividiria</em>, que se pronunciam
+<em>devedir</em>,
+<em>devedia</em>, <em>devediria</em>;
+<em>ministro</em>, que se pronuncia
+<em>menistro</em>; <em>minist&eacute;rio</em>,
+que se
+pronuncia <em>menist&eacute;rio</em>;
+<em>militar</em>, que se pronuncia <em>melitar</em>.
+Para se evitarem
+erros de ortografia, &eacute; preciso atender &aacute;
+etimologia dos voc&aacute;bulos, e,
+quando poss&iacute;vel, a uma forma em que o <em>i</em>
+seja
+t&oacute;nico, como em <em>divide</em>. <br />
+
+<br />
+
+29. H&aacute; dois prefixos de valor diferente, que cumpre
+diversificar na escrita: <em>des-</em> e
+<em>dis-</em>. O primeiro &eacute;
+negativo ou privativo, como em <em>desfazer</em>,
+<em>destingir</em>,
+<em>destinto</em>; o segundo distributivo, como em <em>dispersar</em>,
+<em>distinguir</em>,
+<em>distinto</em>, <em>disjungir</em>,
+<em>discernimento</em>,
+<em>dist&uacute;rbio</em>, etc. <br />
+
+<br />
+
+30. <em>&iacute;</em>: Designa o
+<em>i</em> t&oacute;nico, quando as
+regras de acentua&ccedil;&atilde;o gr&aacute;fica exijam a
+marca&ccedil;&atilde;o; ex.:
+<em>fr&iacute;gido</em>,
+<em>V&iacute;tor</em>, <em>f&iacute;ssil</em>,
+<em>dif&iacute;cil</em>,
+<em>dif&iacute;ceis</em>,
+<em>fug&iacute;eis</em>,
+<em>t&iacute;nheis</em>,
+<em>fugir&iacute;amos</em>,
+<em>fug&iacute;reis</em>, <em>fugir&iacute;eis</em>,
+etc. <br />
+
+<br />
+
+31. Com acento agudo se marca o <em>i</em>
+t&oacute;nico que n&atilde;o forma ditongo com a vogal
+anterior; ex.:
+<em>sa&iacute;da</em>,
+<em>sa&iacute;</em>,
+<em>a&iacute;</em>, <em>pa&iacute;s</em>,
+<em>pa&iacute;ses</em>,
+<em>ra&iacute;zes</em>. <br />
+
+<br />
+
+Antes de <em>nh</em>,
+<em>nd</em>,
+<em>mb</em>, pode dispensar-se o acento; ex.: <em>ra&iacute;nha</em>,
+<em>a&iacute;nda</em>,
+<em>Co&iacute;mbra</em>, ou
+<em>rainha</em>,
+<em>ainda</em>,
+<em>Coimbra</em>; pode tamb&ecirc;m dispensar-se antes
+de consoante final que
+n&atilde;o seja <em>s</em>; ex.:
+<em>raiz</em>,
+<em>sair</em>; mas
+<em>ra&iacute;zes</em>,
+<em>sa&iacute;res</em>, porque o
+<em>z</em> e o <em>r</em> pertencem a outra
+s&iacute;laba. <br />
+
+<br />
+
+32. <em>&igrave;</em>: Quando o
+<em>i</em> que n&atilde;o forma ditongo
+com a vogal
+<span class="pagenum">[38]</span>
+antecedente &eacute; &aacute;tono, pode marcar-se com o acento
+grave; ex.: <em>sa&igrave;mento</em>,
+<em>pro&igrave;bir</em>,
+<em>pa&igrave;sagem</em>. <br />
+
+<br />
+
+33. O <em>i</em> nasal escreve-se com
+<em>im</em> antes de
+<em>b</em>,
+<em>p</em>,
+<em>m</em>, ou quando final, <em>in</em> em
+qualquer outra
+situa&ccedil;&atilde;o; ex.;
+<em>limbo</em>, <em>limpar</em>,
+<em>fim</em>,
+<em>fins</em>,
+<em>findar</em>,
+<em>afinco</em>,
+<em>linfa</em>,
+<em>ninfa</em>, etc. <br />
+
+<br />
+
+<br />
+
+34. <em>j</em>: O
+<em>j</em> escreve-se antes de
+<em>a</em>,
+<em>o</em>,
+<em>u</em>,
+<em>e</em>,
+<em>i</em>, e antes destas duas &uacute;ltimas vogais,
+quando a etimologia
+n&atilde;o justifica o empr&ecirc;go de <em>g</em>;
+ex.:
+<em>j&aacute;</em>,
+<em>j&oacute;ia</em>,
+<em>j&uacute;bilo</em>;
+<em>veja</em>,
+<em>vejo</em>; <em>lojista</em>,
+<em>laranjeira</em>,
+<em>arranjar</em>,
+<em>arranje</em>;
+<em>Jerusal&ecirc;m</em>,
+<em>Jesus</em>. <br />
+
+<br />
+
+<br />
+
+35. <em>m</em>: Al&ecirc;m do seu valor
+como inicial, ex.: <em>mal</em>,
+<em>tomar</em>, etc., o <em>m</em> designa as
+vogais nasais
+finais <em>im</em>,
+<em>om</em>,
+<em>um</em>, por exemplo, em <em>marfim</em>,
+<em>som</em>,
+<em>jejum</em>, e o ditongo nasal
+<em>em</em>, como em <em>cec&ecirc;m</em>,
+<em>bem</em>,
+<em>devem</em>,
+<em>margem</em>. O
+<em>m</em> muda-se em <em>n</em> ao
+acrescentar-se
+<em>s</em>; ex.:
+<em>marfins</em>,
+<em>sons</em>,
+<em>jejuns</em>,
+<em>cec&ecirc;ns</em>, <em>bens</em>,
+<em>margens</em>. <br />
+
+<br />
+
+36. <em>m</em>: Expressa com
+<em>a</em>
+(<em>am</em>) o ditongo
+<em>&atilde;o</em> &aacute;tono de
+formas verbais; ex.: <em>louvam</em>,
+<em>louvaram</em>. <br />
+
+<br />
+
+37. <em>m</em>: Denota qualquer vogal nasal
+inicial ou medial antes de <em>b</em>,
+<em>p</em>,
+<em>m</em>; ex.:
+<em>embora</em>,
+<em>empada</em>,
+<em>emmalar</em>,
+<em>bambo</em>, <em>&ecirc;mbolo</em>,
+<em>campo</em>,
+<em>sempre</em>,
+<em>limpo</em>,
+<em>comprar</em>,
+<em>sumptuoso</em>. <br />
+
+<br />
+
+<br />
+
+38. <em>n</em>: Al&ecirc;m do seu valor
+como inicial de s&iacute;laba, como em <em>nau</em>,
+<em>neve</em>,
+<em>nitro</em>,
+<em>nove</em>,
+<em>nuvem</em>,
+<em>cana</em>,
+<em>pena</em>,
+<em>bonito</em>,
+<em>nono</em>, <em>canudo</em>, etc., designa
+as vogais
+nasais, quando est&aacute; seguido de consoante que n&atilde;o
+seja
+<em>b</em>,
+<em>p</em>,
+<em>m</em>, ou a vogal n&atilde;o
+&eacute; final de voc&aacute;bulo; ex.:
+<em>lan&ccedil;a</em>,
+<em>len&ccedil;o</em>,
+<em>cinto</em>,
+<em>on&ccedil;a</em>,
+<em>funcho</em>, <em>fins</em>,
+<em>sons</em>,
+<em>jejuns</em>. Com
+<em>e</em> designa tamb&ecirc;m o ditongo
+nasal <em>&#7869;i</em>, quando se lhe segue
+<em>s</em> final: ex.:
+<em>nuvens</em>,
+<em>armaz&ecirc;ns</em>, <em>tens</em>,
+<em>bens</em>. <br />
+
+<br />
+
+39. <em>nn</em>: Emprega-se no prefixo
+<em>en</em>, antes de
+<em>n</em> do voc&aacute;bulo a que se junta; ex.: <em>ennodoar</em>,
+de
+<em>n&oacute;doa</em>,
+<em>ennastrar</em>, de <em>nastro</em>. <br />
+
+<br />
+
+40. <em>nh</em>: Denota &uacute;nicamente
+a nasal palatal que se observa em <em>manh&atilde;</em>,
+<em>lenha</em>,
+<em>linho</em>,
+<em>vergonha</em>,
+<em>pezunho</em>; e conseguintemente escrever-se
+h&aacute;
+<em>in&aacute;bil</em>,
+<em>inumano</em>,
+<em>inibir</em>, sem
+<em>h</em>. <br />
+
+<br />
+
+<br />
+
+41. <em>o</em>: Esta letra tem os seguintes
+valores. <br />
+
+<br />
+
+&Aacute;tona vale por <em>u</em>; ex.:
+<em>lado</em>,
+<em>dolo</em>,
+<em>faro</em>,
+<em>proteger</em>, <em>comum</em>,
+<em>fortuna</em>. A escolha entre
+<em>o</em> e
+<em>u</em>, para expressar &ecirc;ste som, depende da
+origem; assim escreve-se
+<em>formosura</em>, de <em>formoso</em>, de
+<em>forma</em>;
+<em>portaria</em>, de
+<em>porta</em>;
+<em>monumento</em> (do lat.
+<span style="letter-spacing: 0.2em;">monumentu</span>m);
+<em>gov&ecirc;rno</em> (do lat. pop.
+<span class="pagenum">[39]</span>
+<span style="letter-spacing: 0.2em;">gobernu</span>m,
+lit.
+<span style="letter-spacing: 0.2em;">g&#365;bernu</span>m);
+rotunda (lat.
+<span style="letter-spacing: 0.2em;">rotund</span>a);
+<em>goraz</em>
+(lat.
+<span style="letter-spacing: 0.2em;">uorace</span>m);
+etc. <br />
+
+<br />
+
+42. <em>o</em>: Expressa o
+<em>o</em> aberto, como em
+<em>toca</em>,
+<em>volta</em>, <em>poste</em>, etc., quando
+&eacute;
+t&oacute;nico, e &aacute;tono em certas
+condi&ccedil;&otilde;es, como <em>adoptar</em>,
+<em>nocturno</em>, isto &eacute;, seguido
+de <em>p</em> ou
+<em>c</em> na mesma s&iacute;laba, quer essas
+consoantes se profiram, como em
+<em>optar</em>, <em>coc&ccedil;&atilde;o</em>,
+quer
+sejam mudas. <br />
+
+<br />
+
+43. <em>o</em>: Designa
+<em>o</em> fechado t&oacute;nico, como em
+<em>bolo</em>,
+<em>boca</em>, ou &aacute;tono como em
+<em>horr&iacute;vel</em>,
+<em>c&acirc;non</em>, e
+<em>o</em> &aacute;tono antes de
+<em>l</em>, como em <em>voltar</em>,
+<em>soldado</em>. <br />
+
+<br />
+
+44. <em>&oacute;</em>: Denota o
+<em>o</em> aberto, quando a
+acentua&ccedil;&atilde;o gr&aacute;fica &eacute; de
+regra; ex.:
+<em>av&oacute;</em>,
+<em>hip&oacute;dromo</em>,
+<em>&oacute;rf&atilde;o(s)</em>,
+<em>s&oacute;s</em>,
+<em>v&oacute;s</em>,
+<em>m&oacute;vel</em>, <em>m&oacute;veis</em>,
+<em>m&oacute;bil</em>,
+<em>c&oacute;modo</em>, etc. <br />
+
+<br />
+
+45. <em>&ograve;</em>: Serve para
+designar <em>o</em> aberto &aacute;tono
+em hom&oacute;grafos, como <em>m&ograve;lhada</em>,
+diferente
+de <em>molhada</em>, e ainda para expressar o acento
+secund&aacute;rio de palavras que tenham dois, como <em>p&ograve;zinho</em>,
+<em>s&ograve;zinho</em>, etc. <br />
+
+<br />
+
+46. <em>&ocirc;</em>; Designa o
+<em>o</em> fechado t&oacute;nico, quando
+as regras de acentua&ccedil;&atilde;o gr&aacute;fica o
+exijam; ex.:
+<em>av&ocirc;(s)</em>,
+<em>c&ocirc;r</em> (cf.
+<em>cor</em>), <em>p&ocirc;de</em> (cf.
+<em>pode</em>), <em>s&ocirc;bre</em>
+(cf.
+<em>sobre</em>),
+<em>f&ocirc;rma</em> (cf.
+<em>forma</em>),
+<em>l&ocirc;gro</em> (cf. <em>logro</em>),
+<em>l&ocirc;brego</em>,
+<em>s&ocirc;frego</em>. <br />
+
+<br />
+
+<br />
+
+47. Cumpre n&atilde;o confundir na escrita
+<em>o</em> fechado com o ditongo <em>ou</em>,
+que se mant&ecirc;m
+distinto nos falares provinciais; assim <em>osso</em>
+substantivo escrever-se
+h&aacute; com <em>o</em>, mas <em>ou&ccedil;o</em>
+verbo, com
+<em>ou</em>. <br />
+
+<br />
+
+48. <em>ou</em>: Este ditongo tem por origem
+<em>au</em> ar&aacute;bico, como em <em>a&ccedil;ougue</em>,
+<em>au</em> latino, como em
+<em>touro</em>,
+<em>oc</em>,
+<em>ap</em>,
+<em>al</em>, latinos, como em <em>noute</em>,
+<em>touti&ccedil;o</em>,
+<em>outeiro</em>. Em geral alterna com o ditongo <em>oi</em>,
+sendo l&iacute;cito,
+em grande n&uacute;mero de voc&aacute;bulos, empregar-se um ou
+o outro. <br />
+
+<br />
+
+49. <em>&otilde;</em>: Esta letra usa-se
+&uacute;nicamente no ditongo nasal <em>&otilde;e</em>,
+como
+<em>p&otilde;e(s)</em>,
+<em>li&ccedil;&otilde;es</em>. O
+<em>o</em> nasal, fora d&ecirc;ste caso
+&uacute;nico, &eacute; escrito com <em>om</em>, se
+&eacute; final ou est&aacute; antes de
+<em>b</em>,
+<em>p</em>,
+<em>m</em>, e com <em>on</em> em qualquer
+outra
+condi&ccedil;&atilde;o; ex.:
+<em>som</em>,
+<em>romper</em>,
+<em>rombo</em>, <em>emmolhar</em>;
+<em>sons</em>,
+<em>contar</em>,
+<em>confiar</em>,
+<em>conchegar</em>,
+<em>esponja</em>,
+<em>fonte</em>, <em>bondade</em>,
+<em>c&ocirc;nscio</em>,
+<em>&Ocirc;nfale</em>, etc. <br />
+
+<br />
+
+<br />
+
+50. <em>p</em>: Esta letra n&atilde;o se
+duplica. Conserva-se o <em>p</em> mudo depois das vogais <em>a</em>,
+<em>e</em>,
+<em>o</em> &aacute;tonas, quando essas
+vogais permanecem abertas, como em
+<em>adop&ccedil;&atilde;o</em>,
+<em>recep&ccedil;&atilde;o</em>,
+<em>exceptuar</em>. Conserva-se ainda o <em>p</em>,
+se essas
+vogais s&atilde;o t&oacute;nicas, em voc&aacute;bulos
+aparentados, como
+<em>excepto</em>,
+<em>adopto</em>. Depois de outra qualquer vogal suprime-se
+o <em>p</em>
+etimol&oacute;gico, se n&atilde;o &eacute; proferido; ex.: <em>pronto</em>,
+<em>assunto</em>,
+<em>assun&ccedil;&atilde;o</em>,
+<em>cinto</em>.
+<br />
+
+<br />
+
+<span class="pagenum">[40]</span>
+51. O <em>ph</em> etimol&oacute;gico
+&eacute; em todas as circunst&acirc;ncias
+substitu&iacute;do por <em>f</em>; ex.:
+<em>f&iacute;sica</em>,
+<em>tifo</em>,
+<em>filtro</em>,
+<em>profeta</em>. <br />
+
+<br />
+
+<br />
+
+52. <em>qu</em>: A letra
+<em>q</em> &eacute; sempre seguida de
+<em>u</em>, o qual &eacute; marcado com acento grave (<em>&ugrave;</em>)
+antes de <em>e</em>,
+<em>i</em>, se &eacute; proferido; ex.: <em>quente</em>,
+<em>quinta</em>;
+<em>freq&ugrave;&ecirc;ncia</em>,
+<em>eq&ugrave;estre</em>,
+<em>eq&ugrave;idade</em>. Antes de <em>a</em>,
+<em>o</em>,
+<em>u</em>, se o
+<em>u</em> de
+<em>qu</em> &eacute; mudo, substitui-se
+&ecirc;ste grupo por <em>c</em>; ex.:
+<em>catorze</em>, de
+<span style="letter-spacing: 0.2em;">quatordeci</span>m,
+como
+<em>caderno</em>, de
+<span style="letter-spacing: 0.2em;">quaternu</span>m;
+<em>cota</em>, de
+<span style="letter-spacing: 0.2em;">quot</span>a,
+como
+<em>licor</em>, de
+<span style="letter-spacing: 0.2em;">liquore</span>m.
+Se o <em>u</em>
+&eacute; proferido antes
+de <em>a</em>,
+<em>o</em>,
+<em>u</em>, conserva-se o grupo <em>qu</em>,
+sem acento no
+<em>u</em>;
+<em>quatro</em>,
+<em>aquoso</em>. <br />
+
+<br />
+
+<br />
+
+53. <em>r</em>,
+<em>rr</em>: o
+<em>r</em> forte escreve-se com
+<em>r</em> simples quando &eacute; inicial de palavra,
+ou de s&iacute;laba depois de
+consoante; ex.: <em>r&atilde;</em>,
+<em>r&eacute;</em>,
+<em>rio</em>,
+<em>rol</em>,
+<em>rumo</em>,
+<em>honra</em>,
+<em>pilriteiro</em>,
+<em>Israel</em>, etc. Entre vogais duplica-se; ex.:
+<em>carrada</em>,
+<em>carreta</em>,
+<em>carril</em>, <em>carro</em>,
+<em>arrumar</em>,
+<em>farrusca</em>. <br />
+
+<br />
+
+54. Quando a um voc&aacute;bulo come&ccedil;ado por
+<em>r</em> se acrescenta um prefixo terminado em vogal,
+dobra-se o
+<em>r</em>, por ficar entre vogais, para se lhe manter o
+valor de inicial; ex.: <em>arrasar</em>, de
+<em>raso</em>;
+<em>arrostar</em>, de
+<em>rosto</em>;
+<em>prorrogar</em>,
+<em>derrogar</em>, de <em>rogar</em>;
+<em>corroer</em>, de
+<em>roer</em>. <br />
+
+<br />
+
+55. O <em>r</em> brando, que
+s&oacute;mente se manifesfa em fim de s&iacute;laba, ou entre
+vogais, ou depois de consoante pertencente &agrave; mesma
+s&iacute;laba, escreve-se com
+<em>r</em> simples; ex.: <em>dar</em>,
+<em>p&ocirc;r</em>,
+<em>ver</em>,
+<em>vir</em>,
+<em>virtude</em>,
+<em>verdade</em>,
+<em>v&oacute;rtice</em>,
+<em>louvar</em>,
+<em>dever</em>, <em>punir</em>,
+<em>cravo</em>,
+<em>fresco</em>,
+<em>frigir</em>,
+<em>cr&oacute;talo</em>,
+<em>frustrar</em>;
+<em>cara</em>,
+<em>fera</em>, <em>lira</em>,
+<em>amora</em>,
+<em>parada</em>,
+<em>sereno</em>,
+<em>sarilho</em>,
+<em>caro&ccedil;o</em>,
+<em>caruma</em>. <br />
+
+<br />
+
+<br />
+
+56. O <em>s</em> surdo assim se escreve como
+inicial de palavra, ou depois de consoante, se &eacute; inicial de
+s&iacute;laba;
+ex.: <em>saco</em>,
+<em>s&eacute;</em>,
+<em>sirga</em>,
+<em>s&oacute;</em>,<em>
+sul</em>,
+<em>&acirc;nsia</em>,
+<em>falso</em>,
+<em>farsa</em>,
+<em>lapso</em>,
+<em>psicologia</em>, <em>absorver</em>.
+Inicial antes de
+<em>e</em>,
+<em>i</em>, e depois da consoante, nas mesmas
+condi&ccedil;&otilde;es, alterna com
+<em>ce</em>,
+<em>ci</em>, e s&oacute;mente a
+etimologia dos voc&aacute;bulos, ou um vocabul&aacute;rio,
+ensinam a
+verdadeira escrita. O <em>s</em> corresponde a
+<em>s</em> latino, o
+<em>c(e)</em>,<em>
+c(i</em>) a <em>ti</em>,
+<em>ci</em> latinos, e a
+<em>ss</em> ar&aacute;bicos; ex.:
+<em>sela</em>,
+<em>silvo</em>,
+<em>selha</em>,
+<em>persistir</em>, <em>canseira</em>,
+<em>alicerce</em>,
+<em>Alc&aacute;cer</em>, etc. <br />
+
+<br />
+
+57. Entre vogais o <em>s</em> surdo
+duplica-se, <em>ss</em>, e neste caso alterna com <em>&ccedil;</em>
+cedilhado,
+e com <em>ce</em>,
+<em>ci</em>, nas mesmas
+circunst&acirc;ncias de proveni&ecirc;ncia dos
+voc&aacute;bulos; ex.:
+<em>assar</em>, <em>assente</em>,
+<em>ass&iacute;duo</em>,
+<em>posso</em>,
+<em>assumir</em>,
+<em>soss&ecirc;go</em>,
+<em>passo</em>, de
+<span style="letter-spacing: 0.2em;">passum</span>
+(cf. <em>pa&ccedil;o</em>,
+de
+<span style="letter-spacing: 0.2em;">palatiu</span>m),
+etc. <br />
+
+<br />
+
+58. O <em>s</em> sonoro s&oacute; se
+manifesta entre vogais, usualmente, e nesta
+posi&ccedil;&atilde;o alterna com
+<em>z</em>, correspondendo por&ecirc;m
+<span class="pagenum"><a name="p41">[41]</a></span>
+sempre a <em>s</em> latino;
+ex.: <em>casa</em>,
+<em>C&eacute;sar</em>,
+<em>m&ecirc;s(es)</em>,
+<em>residir</em>, <em>formoso</em>,
+<em>uso</em>. Conquanto depois de consoante,
+o <em>s</em> &eacute; sonoro no prefixo <em>trans-</em>
+seguido de vogal,
+como em <em>transe&uacute;nte</em>, <em>transac&ccedil;&atilde;o</em>,
+em
+<em>obs&eacute;quio</em> e seus
+derivados, e num ou noutro voc&aacute;bulo, precedido de consoante
+sonora. <br />
+
+<br />
+
+59. H&aacute; duas termina&ccedil;&otilde;es de
+substantivos que n&atilde;o devem confundir-se: <em>-eza</em>,
+do lat.
+<em>-itia</em>, e
+<em>-esa</em>, do lat.
+<em>-ensa</em>; &eacute; esta que se escreve com
+<em>s</em>, como em
+<em>defesa</em>,
+<em>devesa</em>, <em>presa</em>,
+<em>despesa</em>,
+<em>portuguesa</em>, etc. Semelhantemente,
+escreveremos <em>asa</em>, do lat.
+<span style="letter-spacing: 0.2em;">ans</span>a,
+<em>brasa</em>, em castelhano
+<em>brasa</em>. <br />
+
+<br />
+
+60. Quando a um radical, ou a um voc&aacute;bulo,
+come&ccedil;ados por <em>s</em>, se acrescenta um
+prefixo
+terminado em vogal, duplica-se o <em>s</em> se
+&ecirc;le se
+profere surdo, escreve-se simples, se &eacute; pronunciado sonoro;
+ex:
+<em>assistir</em>,
+<em>assombrar</em>,
+<em>assumir</em>, <em>ressurgir</em>,
+<em>pressentir</em>; mas
+<em>residir</em>,
+<em>presente</em>,
+<em>resumir</em>, <em>resigna&ccedil;&atilde;o</em>,
+<em>presun&ccedil;&atilde;o</em>,
+etc. <br />
+
+<br />
+
+61. O <em>s</em> final de s&iacute;laba,
+seja como for proferido, escreve-se com <em>s</em>; ex.:
+<em>custa</em>,
+<em>cesta</em>,
+<em>resma</em>,
+<em>abismo</em>,
+<em>h&oacute;spede</em>, <em>fosco</em>,
+<em>bala&uacute;stre</em>,
+<em>lustre</em>, <em>musgo</em>. <br />
+
+<br />
+
+62. O <em>s</em> final de s&iacute;laba,
+em monoss&iacute;labos e em poliss&iacute;labos que tenham como
+predominante a &uacute;ltima s&iacute;laba,
+alterna com <em>z</em>, correspondendo
+por&ecirc;m sempre a <em>s</em> latino, e permanece
+ainda quando, pela deriva&ccedil;&atilde;o ou
+flex&atilde;o do voc&aacute;bulo, se lhe acrescenta uma
+<a href="#e2">s&iacute;laba</a>, de que fica
+sendo inicial; ex.: <em>portugu&ecirc;s</em>,
+<em>portuguesa</em>,
+<em>portugueses</em>,
+<em>cort&ecirc;s</em>,
+<em>corteses</em>, <em>cortesia</em>,
+<em>atr&aacute;s</em>,
+<em>v&ecirc;s</em> (verbo),
+<em>v&oacute;s</em>,
+<em>n&oacute;s</em> (pronomes), <em>pus</em>
+(substantivo e verbo),
+<em>p&ocirc;s</em> (verbo),
+<em>p&oacute;s</em> (substantivo), <em>pusera</em>,
+<em>puser</em>,
+<em>pusesse</em>, etc. Em um &uacute;nico
+voc&aacute;bulo ar&aacute;bico, r&ecirc;s, &eacute; o <em>s</em>
+final &aacute;rabe representado por
+<em>s</em>, como em castelhano (<em>res</em>). <br />
+
+<br />
+
+A consulta a vocabul&aacute;rio &eacute;
+indispens&aacute;vel e muito favorece o ac&ecirc;rto na escrita
+a compara&ccedil;&atilde;o com as
+correspondentes formas castelhanas. <br />
+
+<br />
+
+63. O <em>s</em> inicial surdo &eacute;
+seguido de <em>c</em> nos seguintes
+voc&aacute;bulos e seus derivados: <em>scena</em>,
+<em>scetro</em>,
+<em>sc&eacute;ptico</em>,
+<em>scelerado</em>, <em>sciente</em>,
+<em>scisma</em>,
+<em>scintila</em>,
+<em>scisso</em>,
+<em>scis&atilde;o</em>,
+<em>scissura</em>,
+<em>sciss&iacute;paro</em>, <em>sci&aacute;tico</em>,
+e um ou outro
+mais, pouco usados. <br />
+
+<br />
+
+<br />
+
+64. <em>t</em>: o
+<em>t</em> nunca se duplica, expressa
+constantemente o mesmo som, e substitui em todos os casos o
+<em>th</em> etimol&oacute;gico; ex.: <em>ter</em>,
+<em>atitude</em>,
+<em>meter</em>,
+<em>teto</em>;
+<em>teatro</em>,
+<em>patol&oacute;gico</em>,
+<em>simpatia</em>, <em>etnografia</em>, etc. <br />
+
+<br />
+
+<br />
+
+65. <em>u</em>: Esta letra expressa sempre o
+mesmo som, mais ou menos atenuado antes e depois de vogal, como
+elemento
+<span class="pagenum">[42]</span>
+fraco dos ditongos; ex.: <em>tu</em>,
+<em>pueril</em>,
+<em>auto</em>. Antes de vogal alterna, &aacute;tono,
+com
+<em>o</em> nas mesmas
+condi&ccedil;&otilde;es e s&oacute; a analogia e a
+etimologia doa voc&aacute;bulos decidem da escrita correcta; ex.: <em>suar</em>
+(e
+<em>soar</em>),
+<em>muar</em>,
+<em>ru&iacute;na</em>, etc. Depois de consoantes
+alterna igualmente com <em>o</em>
+&aacute;tono; ex.: <em>mural</em> de <em>muro</em>,
+a par de
+<em>moral</em> do lat.
+<span style="letter-spacing: 0.2em;">more</span>s;
+<em>tunante</em>, de
+<em>tuna</em>, <em>tonante</em>, lat.
+<span style="letter-spacing: 0.2em;">tonante</span>m.
+<br />
+
+<br />
+
+66. <em>&uacute;</em>: Representa esta
+letra acentuada o <em>u</em>
+t&oacute;nico, quando as regras de acentua&ccedil;&atilde;o
+gr&aacute;fica
+o exigem; ex.: <em>&uacute;nico</em>,
+<em>n&uacute;ncio</em>,
+<em>sa&uacute;de</em>,
+<em>&uacute;til</em>,<em>arg&uacute;i</em>.
+<br />
+
+<br />
+
+67. <em>&ugrave;</em>: O
+<em>u</em> com acento grave indica
+n&atilde;o fazer ditongo com a vogal anterior, sendo
+&aacute;tono; ex.:
+<em>sa&ugrave;dar</em>. Designa tamb&ecirc;m o <em>u</em>
+proferido dos
+grupos <em>qu</em>,
+<em>gu</em>; ex.:
+<em>arg&ugrave;ir</em>, <em>freq&ugrave;ente</em>.
+<br />
+
+<br />
+
+68. <em>x</em>: Esta letra tem cinco valores
+no idioma comum e liter&aacute;rio; s&atilde;o os seguintes: <br />
+
+<br />
+
+1.&ordm; Como inicial&#8213;<em>xadrez</em>,
+<em>caixa</em>.<br />
+
+<br />
+
+2.&ordm; Como
+<em>ss</em>&#8213;<em>aux&iacute;lio</em>,
+<em>pr&oacute;ximo</em>.<br />
+
+<br />
+
+3.&ordm; Como
+<em>s</em>&#8213;<em>mixto</em>,
+<em>F&eacute;lix</em>.<br />
+
+<br />
+
+4.&ordm; Como <em>cs</em>;
+<em>cx</em>&#8213;<em>fixo</em>,
+<em>sexo</em>;
+<em>c&oacute;rtex</em>,
+<em>s&iacute;lex</em>.<br />
+
+<br />
+
+5.&ordm; Como
+<em>(e)is</em>&#8213;<em>exame</em>,
+<em>&ecirc;xito</em>,
+<em>texto</em>.<br />
+
+<br />
+
+Nas palavras de origem ar&aacute;bica, e quando &eacute;
+inicial, tem sempre o primeiro valor; ex.:
+<em>xabouco</em>,
+<em>axorca</em>,
+<em>xarope</em>, <em>elixir</em>;
+<em>Xerxes</em>,
+<em>Xenofonte</em>, etc. <br />
+
+<br />
+
+69. Al&ecirc;m desta multiplicidade de valores, alterna, com
+rela&ccedil;&atilde;o ao primeiro, com o grupo
+<em>ch</em>, o qual, como j&aacute; se disse,
+representa <em>cl</em>,
+<em>fl</em>,
+<em>pl</em> latinos; assim, temos;
+<em>x&aacute;</em> (rei) e <em>ch&aacute;</em>
+(planta),
+<em>xeque</em> (regedor) e
+<em>cheque</em> (bilhete de banco), <em>buxo</em>,
+lat.
+<span style="letter-spacing: 0.2em;">buxum</span>
+(planta), e
+<em>bucho</em>, lat.
+<span style="letter-spacing: 0.2em;">musc'lum</span>
+(est&ocirc;mago e
+m&uacute;sculo). <br />
+
+<br />
+
+A consulta ao
+<span class="smallcaps">Vocabul&aacute;rio</span>
+&eacute; indispens&aacute;vel para o empr&ecirc;go de
+qualquer d&ecirc;stes dois s&iacute;mbolos, actualmente
+equivalentes no valor. <br />
+
+<br />
+
+<br />
+
+70. <em>z</em>: Como inicial, ou
+depois de consoante, expressa o mesmo som que se ouve em
+<em>z&ecirc;lo</em>,
+<em>azeite</em>,
+<em>zurzir</em>. Os voc&aacute;bulos formados com o
+prefixo <em>trans-</em>, e a
+palavra <em>obs&eacute;quio</em> e seus
+derivados, todavia, escrevem-se com
+<em>s</em>, que representa <em>s</em> latino,
+como em
+<em>transir</em>,
+<em>tr&acirc;nsito</em>,
+<em>transac&ccedil;&atilde;o</em>. <br />
+
+<br />
+
+71. O <em>z</em> entre vogais
+corresponde a <em>z</em>, a
+<em>ti</em>, e a
+<em>ce</em>,
+<em>ci</em> latinos, como em <em>baptisar</em>,
+<em>raz&atilde;o</em>,
+<em>fazer</em>,
+<em>vazio</em>, e nisto se
+diferen&ccedil;a do <em>s</em> entre vogais que a
+<em>s</em> latino corresponde. Os sufixos <em>-izar</em>,
+<em>-izante</em>, etc., escrevem-se sempre
+com <em>z</em>, como em <em>anarquizar</em>,
+<em>juda&igrave;zante</em>;
+<em>analisar</em>, por&ecirc;m, porque
+prov&ecirc;m
+<span class="pagenum"><a name="p43">[43]</a></span>
+de
+<em>an&aacute;lise</em>, tem
+<em>s</em> e n&atilde;o
+<em>z</em>; <em>horizonte
+z</em> e n&atilde;o
+<em>s</em>. Em palavras de origem ar&aacute;bica
+&eacute;
+<em>z</em> e n&atilde;o
+<em>s</em> que se escreve; ex.: <em>azarola</em>,
+<em>azeite</em>,
+<em>azougue</em>. O sufixo
+<em>-eza</em>, como proveniente de <em>-itia</em>
+latino, tem
+<em>z</em>; mas das
+termina&ccedil;&otilde;es
+<em>ansa</em>, <em>ensa</em>, latinas,
+procedem os
+voc&aacute;bulos e as formas
+<em>asa</em>,
+<em>defesa</em>, <em>presa</em>, etc. <br />
+
+<br />
+
+O recurso ao
+<span class="smallcaps">Vocabul&aacute;rio</span>
+&eacute; de necessidade para os casos duvidosos, como o
+&eacute; para a hip&oacute;tese
+seguinte. <br />
+
+<br />
+
+72. O <em>z</em> final de palavra cuja
+&uacute;ltima s&iacute;laba seja a predominante, bem como o de
+v&aacute;rios monoss&iacute;labos, alterna com <em>s</em>,
+e tem o valor d&ecirc;ste
+no idioma liter&aacute;rio e comum. <br />
+
+<br />
+
+Deve ter-se em aten&ccedil;&atilde;o que o
+<em>s</em> corresponde sempre a <em>s</em>
+latino, e o
+<em>z</em> a
+<em>c</em> latino e a
+<em>ss</em> ou
+<em>zz</em> ar&aacute;bicos; assim
+teremos: <em>luz</em>,
+<em>voz</em>,
+<a href="#e3"><em>falaz</em></a>, <em>feliz</em>,
+<em>atroz</em>,
+<em>vez</em>,
+<em>capuz</em>,
+<em>faz</em>,
+<em>f&ecirc;z</em>, de origem latina, <em>algoz</em>,
+<em>alcatraz</em>,
+<em>albornoz</em>, de origem
+ar&aacute;bica; a &uacute;nica excep&ccedil;&atilde;o
+&eacute;
+<em>r&ecirc;s</em>, como j&aacute; se
+disse. <br />
+
+<br />
+
+73. Nos patron&iacute;micos as termina&ccedil;&otilde;es
+<em>es</em>,
+<em>s</em>, conquanto provenientes de <em>ici</em>
+latino,
+escrever-se h&atilde;o com <em>s</em>,
+porque na sua maioria o sufixo portugu&ecirc;s &eacute;
+&aacute;tono; ex.: <em>Rodrigues</em>, <em>Nunes</em>,
+<em>Gon&ccedil;alves</em>;
+<em>Dias</em>;
+<em>Martins</em>,
+<em>Migu&eacute;is</em>; etc.
+Semelhantemente, &eacute; substitu&iacute;do por
+<em>s</em> um antigo
+<em>z</em> final de s&iacute;laba, como em
+<em>mesquinho</em>,
+<em>mesquita</em>,
+<em>visconde</em>, etc. <br />
+
+<br />
+
+<br />
+
+74. <em>k</em>,
+<em>w</em>,
+<em>y</em>. Estas tres letras, proscritas do
+abeced&aacute;rio portugu&ecirc;s, s&oacute;mente
+s&atilde;o
+admitidas na escrita de voc&aacute;bulos estrangeiros, como <em>Kant</em>,
+<em>Darwin</em>,
+<em>Byron</em>, e nos seus derivados portugueses, como
+<em>kantismo</em>,
+<em>darwinismo</em>, byroniano, que podem todavia ser
+escritos
+<em>cantismo</em>,
+<em>daru&igrave;nismo</em>, <em>baironiano</em>.
+<br />
+
+<br />
+
+<br />
+
+75. Escrever-se h&atilde;o iniciais mai&uacute;sculas
+em meio de per&iacute;odos ou ora&ccedil;&otilde;es
+gramaticais, nos seguintes casos: <br />
+
+<br />
+
+a) Nomes pr&oacute;prios de pessoas ou lugares, ruas, etc.; <br />
+
+<br />
+
+b) Nomes colectivos designando cargos, em
+substitui&ccedil;&atilde;o das pessoas que os desempenham; ex.:
+<em>Estado</em>,
+<em>Gov&ecirc;rno</em>, <em>Companhia das
+&Aacute;guas</em>,
+<em>Centro Comercial</em>,
+<em>Patriarcado</em>, <em>C&uacute;ria</em>,
+etc.; <br />
+
+<br />
+
+c) Individualidades que
+exercem importantes cargos: <em>Ministro da
+Marinha</em>,
+<em>Presidente</em>,
+<em>Juiz</em>, etc.; <br />
+
+<br />
+
+d) Reparti&ccedil;&otilde;es p&uacute;blicas:
+<em>Direc&ccedil;&atilde;o Geral das
+Col&oacute;nias</em>, <em>Minist&eacute;rio da
+Guerra</em>,
+etc.; <br />
+
+<br />
+
+e) Nomes de astros, divindades:
+<em>V&eacute;nus</em>,
+<em>Terra</em>,
+<em>Sol</em>, etc.; <br />
+
+<br />
+
+f) Nomes dos meses, nas datas; <br />
+
+<br />
+
+g) T&iacute;tulos de livros, excepto as part&iacute;culas
+monossil&aacute;bicas, que se escrever&atilde;o com
+min&uacute;sculas.<br />
+
+<br />
+
+<br />
+
+<span class="pagenum">[44]</span>
+76. Hifen (-). <br />
+
+<br />
+
+&Ecirc;ste sinal prende os voc&aacute;bulos compostos, quando
+os seus elementos, conservando a acentua&ccedil;&atilde;o
+pr&oacute;pria, perdem em parte a sua
+significa&ccedil;&atilde;o primordial;
+ex.: <em>m&atilde;e-d'agua</em>,
+<em>porta-bandeira</em>,
+<em>&aacute;gua-forte</em>,
+<em>franco-russo</em>,
+<em>madre-p&eacute;rola</em>, etc. <br />
+
+<br />
+
+77. O h&iacute;fen une tamb&ecirc;m os pronomes
+complementos &aacute;tonos aos verbos de que dependem, quando
+s&atilde;o
+colocados depois d&ecirc;stes; ex.:
+<em>dou-te</em>,
+<em>dou-to</em>,
+<em>d&aacute;s-mo</em>,
+<em>louv&aacute;-lo</em>,
+<em>louva-lo</em>, <em>louvam-no</em>,
+<em>louva-o</em>,
+<em>tenho-o</em>,
+<em>tem-lo</em>,
+<em>tem-no</em>,
+<em>d&aacute;vamovo-lo</em>, <em>deram-se</em>,
+<em>deu-se-lhes</em>, etc. <br />
+
+<br />
+
+78. Quando, em fim de linha, se parte um voc&aacute;bulo inteiro,
+parte-se igualmente o h&iacute;fen, isto &eacute;,
+repete-se na linha seguinte, se unia os elementos de uma
+di&ccedil;&atilde;o
+composta; ex.: <em>porta-/-voz</em>,
+<em>dou-/-to</em>. <br />
+
+<br />
+
+79. O hifen (-), com o nome de linha divis&oacute;ria,
+divide, de uma para outra linha, as s&iacute;labas de uma palavra;
+ex.: <em>pas-/ta</em>,
+<em>do-/res</em>,
+<em>ve-/zes</em>,
+<em>parti-/cular</em>,
+<em>di-/gnidade</em>, <em>subs-/t&acirc;ncia</em>.
+<br />
+
+<br />
+
+<br />
+
+80. Pontos de
+interroga&ccedil;&atilde;o (?) e
+exclama&ccedil;&atilde;o (!).<br />
+
+<br />
+
+&Agrave; imita&ccedil;&atilde;o da ortografia espanhola,
+&eacute; conveniente assinalar com &ecirc;stes pontos o
+principio de uma
+ora&ccedil;&atilde;o interrogativa ou exclamativa,
+invertendo-os, todas as vezes que ela excede quatro ou cinco palavras,
+para que essa ora&ccedil;&atilde;o seja logo devidamente
+entoada; ex.:
+<em>&iquest;Quando soubeste que a tua fam&iacute;lia
+chegava de fora hoje?</em> <br />
+
+<br />
+
+<br />
+
+81. Acentua&ccedil;&atilde;o
+gr&aacute;fica.<br />
+
+<br />
+
+A rigorosa acentua&ccedil;&atilde;o gr&aacute;fica das
+palavras portuguesas deve satisfazer &agrave;s
+condi&ccedil;&otilde;es
+seguintes: <br />
+
+<br />
+
+1.&ordf; Indicar, com a maior seguran&ccedil;a para quem
+l&ecirc;,
+quais s&atilde;o os voc&aacute;bulos &aacute;tonos e quais
+os
+t&oacute;nicos, e nestes qual seja a s&iacute;laba
+predominante, quando tenham mais de uma; <br />
+
+<br />
+
+2.&ordf; Diferen&ccedil;ar entre si voc&aacute;bulos que se
+escrevem com as mesmas letras, mas divergem na pron&uacute;ncia e
+na
+significa&ccedil;&atilde;o, ou fun&ccedil;&atilde;o
+gramatical, <br />
+
+<br />
+
+82. Os
+voc&aacute;bulos portugueses s&atilde;o: de
+uma s&iacute;laba, monoss&iacute;labos; de duas,
+diss&iacute;labos; de
+mais de duas, poliss&iacute;labos; ex.:
+<em>p&aacute;</em>,
+<em>p&aacute;ra</em>,
+<em>parada</em>. <br />
+
+<br />
+
+83. H&aacute; nos monoss&iacute;labos e diss&iacute;labos
+voc&aacute;bulos t&oacute;nicos, <em>d&aacute;</em>,
+<em>p&aacute;ra</em>, e
+voc&aacute;bulos &aacute;tonos,
+<em>da</em>,
+<em>para</em>. <br />
+
+<br />
+
+84. Os dissilabos t&oacute;nicos podem ter como s&iacute;laba
+predominante a primeira, <em>mares</em>, ou a segunda,
+<em>mar&eacute;s</em>; os
+poliss&iacute;labos podem ter como predominante a
+&uacute;ltima, <em>falar&aacute;</em>,
+<span class="pagenum">[45]</span>
+a pen&uacute;ltima, <em>falara</em>, ou
+antepen&uacute;ltima, <em>fal&aacute;ramos</em>.
+Os
+voc&aacute;bulos cuja &uacute;ltima silaba &eacute; a
+predominante denominam-se agudos ou ox&iacute;tonos; se a silaba
+predominante &eacute; a pen&uacute;ltima, dizem-se graves,
+inteiros, ou
+parox&iacute;tonos; se a predominante &eacute;
+antepen&uacute;ltima, recebem o nome de esdr&uacute;xulos, ou
+proparox&iacute;tonos. <br />
+
+<br />
+
+85. Nenhum voc&aacute;bulo portugu&ecirc;s, de per si, pode ter
+como s&iacute;laba predominante qualquer outra antes da
+antepen&uacute;ltima, conquanto haja di&ccedil;&otilde;es
+formadas por linguagens verbais acompanhadas de pronomes, a elas unidos
+por h&iacute;fen (-), em que a s&iacute;laba predominante, que
+&eacute; a da
+forma verbal, fica sendo a quarta ou a quinta a contar do fim; ex.: <em>d&aacute;vamos-to</em>,
+<em>d&aacute;vamo-vo-lo</em>. Tais
+di&ccedil;&otilde;es em nada modificam na escrita a
+acentua&ccedil;&atilde;o gr&aacute;fica da
+forma verbal, a qual permanece. <br />
+
+<br />
+
+86. A s&iacute;laba t&oacute;nica, quando se torna
+necess&aacute;rio indic&aacute;-la na escrita, assinala-se com
+o acento agudo (&acute;) s&ocirc;bre a vogal dominante dela, se
+esta &eacute;
+<em>a</em>,
+<em>e</em>,
+<em>o</em> abertos,
+<em>i</em> ou
+<em>u</em>; com o acento circunflexo (^), se &eacute;
+<em>a</em>,
+<em>e</em>,
+<em>o</em> fechados. O til vale por acento
+t&oacute;nico, se outro n&atilde;o
+est&aacute; marcado no voc&aacute;bulo; ex.: <em>far&aacute;</em>,
+<em>mar&eacute;</em>,
+<em>portal&oacute;</em>,
+<em>dif&iacute;cil</em>,
+<em>&uacute;til</em>;
+<em>c&acirc;mara</em>, <em>merc&ecirc;</em>,
+<em>av&ocirc;</em>,
+<em>&acirc;nsia</em>,
+<em>indulg&ecirc;ncia</em>,
+<em>br&ocirc;nzeo</em>,
+<em>f&iacute;mbria</em>,
+<em>n&uacute;ncio</em>; <em>var&atilde;o</em>,
+<em>ma&ccedil;&atilde;</em>,
+<em>capit&atilde;es</em>;
+<em>&oacute;rg&atilde;o</em>,
+<em>&oacute;rf&atilde;</em>;
+<em>mun&iacute;cipe</em>. <br />
+
+<br />
+
+87. Outro acento, o grave (`),
+serve para designar, quando seja necess&aacute;rio ou
+conveniente &agrave; correcta
+pronuncia&ccedil;&atilde;o de um voc&aacute;bulo ou forma
+verbal, o valor
+alfab&eacute;tico de qualquer das vogais <em>a</em>,
+<em>e</em>,
+<em>o</em>,
+<em>i</em>,
+<em>u</em>, independentemente de serem
+t&oacute;nicas, e principalmente quando
+o n&atilde;o s&atilde;o; ex.: <em>&agrave;</em>,
+<em>p&egrave;gada</em>,
+<em>m&ograve;lhada</em>,
+<em>fa&igrave;scar</em>,
+<em>sa&ugrave;dar</em>. <br />
+
+<br />
+
+<br />
+
+88. Estabelecidas estas premissas, pode preceituar-se uma rigorosa
+acentua&ccedil;&atilde;o gr&aacute;fica,
+inteiramente sistem&aacute;tica, a qual, sem ser profusa ou ociosa,
+deixe bem patentes os factos apontados, quer seja expressa,
+quer omissa a sua nota&ccedil;&atilde;o. <br />
+
+<br />
+
+<br />
+
+89. Voc&aacute;bulos n&atilde;o acentuados
+gr&aacute;ficamente.<br />
+
+<br />
+
+a) Monoss&iacute;labos e diss&iacute;labos &aacute;tonos:
+<em>o(s)</em>,
+<em>a(s)</em>,
+<em>lo(s)</em>, <em>la(s)</em>,
+<em>no(s)</em>,
+<em>na(s)</em>,
+<em>do(s)</em>,
+<em>da(s)</em>,
+<em>ao(s)</em>,
+<em>pelo(s)</em>,
+<em>pela(s)</em>, <em>polo(s)</em>,
+<em>pola(s)</em>,
+<em>me</em>,
+<em>mo(s)</em>,
+<em>ma(s)</em>,
+<em>te</em>,
+<em>to(s)</em>,
+<em>ta(s)</em>,
+<em>lhe(s)</em>, <em>nos</em>,
+<em>no-lo(s)</em>,
+<em>no-la(s)</em>,
+<em>vo-lo(s)</em>,
+<em>vo-la(s)</em>,
+<em>lho(s)</em>,
+<em>lha(s)</em>;
+<em>se</em>, <em>de</em>,
+<em>por</em>,
+<em>sem</em>,
+<em>sob</em>,
+<em>com</em>,
+<em>ma</em>s,
+<em>que</em>,
+<em>porque</em>,
+<em>tam</em> (abreviatura de <em>tanto</em>),
+<em>sam</em> (abreviatura de
+<em>santo</em>), etc. <br />
+
+<br />
+
+b) Monoss&iacute;labos t&oacute;nicos terminados em
+<em>em</em>,
+<em>ens</em>:
+<em>bem</em>, <em>bens</em>,
+<em>tem</em>,
+<em>tens</em>,
+<em>cem</em>.
+<br />
+
+<br />
+
+<span class="pagenum"><a name="p46">[46]</a></span>
+c) Formas verbais em <em>am</em>,
+<em>em</em>, com a pen&uacute;ltima
+s&iacute;laba como predominante, e substantivos
+dissil&aacute;bicos e
+polissil&aacute;bicos em <em>em</em>,
+<em>ens</em>, nas mesmas
+condi&ccedil;&otilde;es:
+<em>louvam</em>,
+<em>louvaram</em>, <em>louvem</em>,
+<em>contem</em> (do verbo
+<em>contar</em>);
+<em>viagem</em>,
+<em>viagens</em>, <em>ferrugem</em>,
+<em>ferrugens</em>, etc. <br />
+
+<br />
+
+d) Monoss&iacute;labos e diss&iacute;labos t&oacute;nicos,
+e poliss&iacute;labos, terminados em <em>i</em>,
+<em>u</em>, vogal nasal, ditongo, seguidos,
+ou n&atilde;o, de <em>s</em>, e os terminados em outra
+qualquer consoante, todos &ecirc;les ox&iacute;tonos: <em>vi(s)</em>,
+<em>javali(s)</em>,
+<em>cru(s)</em>,
+<em>peru(s)</em>,
+<em>l&atilde;(s)</em>,
+<em>ma&ccedil;&atilde;(s)</em>, <em>sai(s)</em>,
+<em>arrais</em>,
+<em>mau(s)</em>,
+<em>sarau(s)</em>;
+<em>som</em>,
+<em>sons</em>,
+<em>atum</em>, <em>atuns</em>;
+<em>mar</em>,
+<em>der</em>,
+<em>ser</em>,
+<em>dor</em>,
+<em>mal</em>,
+<em>canal</em>,
+<em>painel</em>,
+<em>funil</em>,
+<em>farol</em>, <em>azul</em>;
+<em>m&atilde;o(s)</em>,
+<em>var&atilde;o</em>,
+<em>var&otilde;es</em>,
+<em>cruz</em>,
+<em>Artur</em>, etc. <br />
+
+<br />
+
+e) Os diss&iacute;labos e poliss&iacute;labos terminados
+em <a href="#e4"><em>a(s)</em></a>,
+<em>e(s)</em>,
+<em>o(s)</em>, cuja pen&uacute;ltima
+s&iacute;laba seja a predominante; ex.: <em>casa(s)</em>,
+<em>camada(s)</em>,
+<em>camarada(s)</em>,
+<em>trave(s)</em>,
+<em>parede(s)</em>, vicissitude(s), <em>desaire(s)</em>,
+<em>modo(s)</em>,
+<em>devoto(s)</em>,
+<em>lume(s)</em>, etc. <br />
+
+<br />
+
+Estas esp&eacute;cies compreendem a maioria dos
+voc&aacute;bulos portugueses, incluindo-se tamb&ecirc;m nelas
+as mais das formas verbais, como <em>louvo</em>,
+<em>louva(s)</em>,
+<em>louve(s)</em>,
+<em>louvava(s)</em>,
+<em>louvara(s)</em>, <em>louvaria(s)</em>,
+<em>louvares</em>,
+<em>louvarei(s)</em>. <br />
+
+<br />
+
+<br />
+
+90. Voc&aacute;bulos acentuados
+gr&aacute;ficamente,
+<em>cantar</em>,
+<em>cantai</em>, fazer, fazei, fazendo sentir,
+sentir&atilde;o, sentis, etc.<br />
+
+<br />
+
+a) Monoss&iacute;labos, diss&iacute;labos e
+poliss&iacute;labos terminados em <em>a(s)</em>,
+<em>e(s)</em> e
+<em>o(s)</em>, como s&iacute;laba
+predominante, isto &eacute;, agudos, ox&iacute;tonos; ex.:
+<em>p&aacute;(s)</em>,
+<em>s&eacute;(s)</em>,
+<em>v&ecirc;(s)</em>,
+<em>m&ecirc;s</em>,
+<em>p&oacute;(s)</em>,
+<em>p&ocirc;s</em>,
+<em>far&aacute;(s)</em>, <em>mar&eacute;(s)</em>,
+<em>merc&ecirc;(s)</em>,
+<em>av&oacute;(s)</em>,
+<em>av&ocirc;(s)</em>,
+<em>alvar&aacute;(s)</em>,
+<em>jacar&eacute;(s)</em>, <em>portugu&ecirc;s</em>,
+<em>portal&oacute;(s)</em>, etc. <br />
+
+<br />
+
+b) Diss&iacute;labos e poliss&iacute;labos terminados em
+<em>em</em>,
+<em>ens</em>, cuja s&iacute;laba predominante seja a
+&uacute;ltima; ex.:
+<em>vint&ecirc;m</em>,
+<em>armaz&ecirc;m</em>, <em>vint&ecirc;ns</em>,
+<em>armaz&ecirc;ns</em>,
+<em>cont&ecirc;m</em>,
+<em>cont&ecirc;ns</em> (do verbo
+<em>conter</em>),
+<em>por&ecirc;m</em>, <em>Jerusal&ecirc;m</em>,
+Bel&ecirc;m, etc. <br />
+
+<br />
+
+c) Diss&iacute;labos e poliss&iacute;labos
+terminados em <em>i</em>,
+<em>u</em>, vogal nasal, ditongo, seguidos, ou
+n&atilde;o, de
+<em>s</em>, ou em outra qualquer consoante, quando a
+s&iacute;laba
+predominante seja a pen&uacute;ltima; ex: <em>qu&aacute;si</em>, <em>V&eacute;nus</em>,
+<em>&oacute;rf&atilde;(s)</em>, <em>&oacute;rf&atilde;o(s)</em>,
+<em>louv&aacute;veis</em>, <em>louv&aacute;reis</em>,
+<em>f&aacute;cil</em>,
+<em>f&aacute;ceis</em>,
+<em>t&ecirc;xtil</em>,
+<em>t&ecirc;xteis</em>,
+<em>c&ocirc;nsul</em>,
+<em>s&aacute;vel</em>,
+<em>s&aacute;veis</em>, <em>cad&aacute;ver</em>,
+<em>&eacute;ter</em>,
+<em>m&aacute;rtir</em>,
+<em>s&oacute;ror</em>,
+<em>alc&aacute;&ccedil;ar</em>,
+<em>S&oacute;far</em>,
+<em>a&ccedil;&uacute;car</em>,
+<em>g&eacute;rmen</em>, <em>l&iacute;quen</em>,
+<em>F&eacute;lix</em>,
+<em>c&oacute;rtex</em>,
+<em>s&iacute;lex</em>, etc. <br />
+
+<br />
+
+d) Os ditongos, sempre t&oacute;nicos,
+<em>&eacute;i</em>,
+<em>&eacute;u</em>,
+<em>&oacute;i</em>, com
+<em>e</em>,
+<em>o</em> abertos; ex.:
+<em>r&eacute;is</em>, <em>bat&eacute;is</em>
+(cf. <em>reis</em>,
+<em>bateis</em>),
+<em>v&eacute;u(s)</em>,
+<em>chap&eacute;u(s)</em>, <em>s&oacute;is</em>
+(cf.
+<em>sois</em>, verbo),
+<em>r&oacute;is</em>,
+<em>her&oacute;i(s)</em>,
+<a href="#e5"><em>j&oacute;ia</em></a>,
+<em>gib&oacute;ia</em>, etc. <br />
+
+<br />
+
+e) O <em>a</em> da
+termina&ccedil;&atilde;o
+<em>-&aacute;mos</em> da 1.&ordf; pessoa do
+plural do pret&eacute;rito, para a diferen&ccedil;ar de igual
+pessoa do
+presente; ex.: <em>louv&aacute;mos</em> (cf.
+<em>louvamos</em>=<em>louv&acirc;mos</em>).
+<br />
+
+<br />
+
+<span class="pagenum">[47]</span>
+f) Os seguintes monoss&iacute;labos e diss&iacute;labos
+t&oacute;nicos, para se diferen&ccedil;arem de outros
+hom&oacute;grafos
+&aacute;tonos: <em>qu&ecirc;</em>,
+<em>porqu&ecirc;</em>, <em>p&ocirc;r</em>
+(cf.
+<em>por</em>
+preposi&ccedil;&atilde;o),
+<em>p&aacute;ra</em> (cf.
+<em>para</em>,
+preposi&ccedil;&atilde;o);
+<em>p&ecirc;ra</em> (cf. <em>pera</em>,
+<em>p'ra</em>,
+preposi&ccedil;&atilde;o),
+<em>p&eacute;la</em>,
+<em>p&eacute;lo</em>,
+<em>p&ecirc;lo</em> (cf.
+<em>pelo</em>,
+<em>pela</em>, preposi&ccedil;&atilde;o <em>per</em>
+e artigo <em>lo</em>,
+<em>la</em>),
+<em>p&oacute;lo</em> (cf.
+<em>polo</em>,
+preposi&ccedil;&atilde;o <em>por</em> e artigo
+<em>lo</em>). <br />
+
+<br />
+
+g) Todos os voc&aacute;bulos esdr&uacute;xulos, isto
+&eacute;, que tenham como s&iacute;laba predominante a
+antepen&uacute;ltima; ex.:
+<em>pr&aacute;tica</em>; <em>&acirc;nimo</em>,
+<em>&acirc;nsia</em>;
+<em>f&eacute;rvido</em>,
+<em>g&eacute;nero</em>,
+<em>g&eacute;meo</em>,
+<em>g&eacute;nio</em>;
+<em>p&ecirc;ssego</em>,
+<em>f&ecirc;mea</em>, <em>conc&ecirc;ntrico</em>,
+<em>t&iacute;sico</em>,
+<em>tiroc&iacute;nio</em>,
+<em>f&iacute;mbria</em>;
+<em>pr&oacute;ximo</em>,
+<em>pr&oacute;prio</em>, <em>antim&oacute;nio</em>;
+<em>l&ocirc;brego</em>,
+<em>br&ocirc;nzeo</em>;
+<em>&uacute;bere</em>,
+<em>l&uacute;gubre</em>,
+<em>&uacute;nico</em>,
+<em>n&uacute;ncio</em>; <em>cad&aacute;veres</em>,
+<em>&aacute;rvore(s)</em>,
+<em>mult&iacute;plice(s)</em>,
+<em>m&uacute;ltiplo(s)</em>,
+<em>qu&aacute;druplo(s)</em>, etc. <br />
+
+<br />
+
+Assim tamb&ecirc;m as formas verbais esdr&uacute;xulas, tais
+como <em>louv&aacute;vamos</em>,
+<em>louv&aacute;ramos</em>,
+<em>louvar&iacute;amos</em>,
+<em>dev&iacute;amos</em>,
+<em>dev&ecirc;ramos</em>, <em>dever&iacute;amos</em>,
+<em>pun&iacute;amos</em>,
+<em>pun&iacute;ramos</em>,
+<em>punir&iacute;amos</em>,
+<em>louv&aacute;ssemos</em>, <em>dev&ecirc;ssemos</em>,
+<em>pun&iacute;ssemos</em>,
+<em>sa&iacute;ssemos</em>,
+<em>fiz&eacute;ssemos</em>, etc. <br />
+
+<br />
+
+h) Marcam-se com o acento circunflexo os
+<em>ee</em> e
+<em>oo</em> fechados de voc&aacute;bulos
+parox&iacute;tonos terminados em
+<em>o(s)</em>, <em>e(s)</em>, <em>o(s)</em>
+fechados, quando haja outros,
+escritos com as mesmas letras, em que essas vogais sejam abertas; ex.:
+<em>r&ecirc;go</em>, <em>r&ocirc;go</em>,
+substantivos, a par
+de <em>rego</em>,
+<em>rogo</em>, verbos;
+<em>d&ecirc;mos</em>, presente, a par de <em>demos</em>,
+pret&eacute;rito,
+<em>s&ecirc;de</em>,
+<em>c&ocirc;rte</em>,
+<em>c&ocirc;r</em>,
+<em>m&ecirc;do</em>, a par de <em>sede</em>,
+<em>corte</em>,
+<em>cor</em>,
+<em>medo</em>, com
+<em>e</em>,
+<em>o</em> abertos, etc. <br />
+
+<br />
+
+i) Marcam-se com o acento agudo (&acute;) o
+<em>i</em> e o
+<em>u</em> que n&atilde;o formem ditongo com a vogal
+anterior; ex.:
+<em>pa&iacute;s</em>, <em>sa&iacute;da</em>,
+<em>fa&iacute;sca</em>,
+<em>Ta&iacute;geto</em>,
+<em>sa&uacute;de</em>,
+<em>bala&uacute;stre</em>,
+<em>ba&uacute;</em>, etc. <br />
+
+<br />
+
+j) Se o <em>i</em> ou
+<em>u</em>, que n&atilde;o forma ditongo
+com a vogal precedente, &eacute; &aacute;tono, em vez do acento
+agudo, usa-se o grave (`); ex.: <em>sa&igrave;mento</em>,
+<em>pa&igrave;sagem</em>,
+<em>sa&ugrave;dar</em>,
+<em>aba&ugrave;lado</em>; <br />
+
+<br />
+
+l) O acento grave designa tamb&ecirc;m o
+<em>u</em> dos grupos
+<em>qu</em>, <em>gu</em>, se &eacute;
+proferido; ex.:
+<em>conseq&ugrave;&ecirc;ncia</em>,
+<em>ag&ugrave;entar</em>,
+<em>arg&ugrave;ir</em>. Muda-se em agudo se
+&ecirc;sse <em>u</em>
+&eacute; a vogal predominante,
+<em>arg&uacute;i</em>; cf. <em>arg&ugrave;i</em>,
+pret&eacute;rito; <br />
+
+<br />
+
+m) Emprega-se igualmente o acento grave para denotar que <em>a</em>,
+<em>e</em>,
+<em>o</em> &aacute;tonos s&atilde;o
+abertos, quando haja hom&oacute;grafos, em que eles sejam surdos;
+ex.
+<em>&agrave;</em>, e
+<em>a</em>;
+<em>&agrave;quele(s)</em>,
+<em>&agrave;quela(s)</em>, e <em>aquele(s)</em>,
+<em>aquela(s)</em>;
+<em>&agrave;parte</em>, substantivo, e
+<em>aparte</em>, verbo; <em>pr&egrave;gar</em>,
+e
+<em>pregar</em>, de
+<em>prego</em>;
+<em>m&ograve;lhada</em>, de
+<em>molho</em>, e
+<em>molhada</em>, de <em>molhar</em>. <br />
+
+<br />
+
+<br />
+
+91. O acento distintivo (^), que assinala as vogais fechadas <em>&ecirc;</em>,
+<em>&ocirc;</em>, s&oacute; tem
+aplica&ccedil;&atilde;o, tanto nos monoss&iacute;labos,
+como nos diss&iacute;labos ou poliss&iacute;labos, se existe
+hom&oacute;grafo, isto &eacute;, voc&aacute;bulo escrito
+com as mesmas letras, de que
+<span class="pagenum">[48]</span>
+haja de diferen&ccedil;ar-se; pode portanto omitir-se em
+<em>dor</em>, <em>po&ccedil;o</em>,
+<em>cera</em>, por exemplo, porque
+n&atilde;o existem, as palavras <em>d&oacute;r</em>,
+<em>c&eacute;ra</em>, e
+<em>p&oacute;sso</em>, verbo,
+j&aacute; se diferen&ccedil;a de
+<em>po&ccedil;o</em> em escrever-se com <em>ss</em>.
+<br />
+
+<br />
+
+92. Semelhantemente, a
+acentua&ccedil;&atilde;o gr&aacute;fica
+omite-se logo que, pela flex&atilde;o dos voc&aacute;bulos,
+deixam de
+existir as condi&ccedil;&otilde;es que a determinaram.
+D&ecirc;ste
+modo, se temos de acentuar graficamente
+<em>s&ecirc;co</em>,
+<em>s&ecirc;ca</em>,
+<em>l&ocirc;gro</em> para os
+diferen&ccedil;ar das correspondentes formas verbais
+<em>seco</em>,
+<em>seca</em>,
+<em>logro</em>, com <em>e</em>,
+<em>o</em> abertos,
+a acentua&ccedil;&atilde;o torna-se
+in&uacute;til no
+plural daqueles nomes masculinos, <em>secos</em>,
+<em>logros</em>, mas ter&aacute; de
+manter-se em <em>s&ecirc;cas</em>, em
+raz&atilde;o da forma verbal
+<em>secas</em>. Assim, tamb&ecirc;m, escreveremos
+<em>vaidoso(s)</em>,
+<em>vaidosa(s)</em>, sem sinal de acento no <em>o</em>
+da
+pen&uacute;ltima s&iacute;laba, conquanto a
+pron&uacute;ncia seja <em>vaid&ocirc;so</em>,
+<em>vaid&oacute;sos</em>,
+<em>vaid&oacute;sa(s)</em>. Outro
+tanto suceder&aacute; com rela&ccedil;&atilde;o
+ao
+<em>o</em> aberto de v&aacute;rios
+substantivos no plural, correspondente a
+<em>o</em> fechado no singular; assim teremos <em>tejolo</em> (<em>tej&ocirc;lo</em>),
+<em>tejolos</em>
+(<em>tej&oacute;los</em>), sem acento
+gr&aacute;fico, mas <em>tr&ocirc;co</em>,
+<em>trocos</em>, e
+<em>troco</em>, verbo. <br />
+
+<br />
+
+As palavras <em>esp&ocirc;so</em>,
+<em>esp&ocirc;sa(s)</em>,
+ter&atilde;o acento marcado, em virtude de existirem as formas
+verb&aacute;is
+<em>esposa</em>,
+<em>esposa(s)</em>, com <em>o</em> aberto; mas
+o plural
+<em>esposos</em> dispensa a
+acentua&ccedil;&atilde;o por n&atilde;o haver
+hom&oacute;grafo a diferen&ccedil;ar.
+Escreveremos <em>p&ocirc;r</em>, com acento
+circunflexo, para o diferen&ccedil;ar de
+<em>por</em>,
+preposi&ccedil;&atilde;o; por&ecirc;m <em>dispor</em>,
+<em>propor</em>,
+<em>expor</em>, etc., ortografam-se sem acento distintivo;
+<em>portugu&ecirc;s</em>,
+<em>cort&ecirc;s</em> tem o acento
+circunflexo no <em>e</em> por este pertencer &agrave;
+&uacute;ltima s&iacute;laba, predominante; em <em>portugueses</em>,
+<em>portuguesa(s)</em>,
+<em>corteses</em> omite-se o acento por ser
+desnecess&aacute;rio, visto os voc&aacute;bulos
+haverem passado de ox&iacute;tonos a parox&iacute;tonos em
+<em>-esa(s)</em>,<em>-ese(s)</em>.
+<br />
+
+<br />
+
+Por outra parte,
+<em>&aacute;rvore(s)</em> ter&aacute;
+acento marcado, por ser esdr&uacute;xulo, <em>arvore(s)</em>;
+verbo, n&atilde;o o tem por ser parox&iacute;tono em <em>(e)s</em>.
+<br />
+
+<br />
+
+93. A conjuga&ccedil;&atilde;o de um imperfeito ou condicional
+de verbo, como <em>louvaria</em>,
+<em>deveria</em>,
+<em>puniria</em>,
+<em>louvava</em>,
+<em>devia</em>, <em>punia</em>,
+receber&aacute; acento
+nas formas esdr&uacute;xulas
+<em>louvar&iacute;amos</em>, <em>louv&aacute;vamos</em>,
+<em>dever&iacute;amos</em>,
+<em>dev&iacute;amos</em>,
+<em>punir&iacute;amos</em>, e nas
+parox&iacute;tonas terminadas em ditongo,
+<em>louv&aacute;veis</em>,
+<em>louvar&iacute;eis</em>,
+<em>dev&iacute;eis</em>, <em>dever&iacute;eis</em>,
+<em>pun&iacute;eis</em>,
+<em>punir&iacute;eis</em>; mas
+<em>sa&iacute;a</em> t&ecirc;-lo
+h&aacute; em todas as pessoas do imperfeito,
+<em>sa&iacute;a</em>,
+<em>sa&iacute;as</em>,
+<em>sa&iacute;a</em>,
+<em>sa&iacute;amos</em>,
+<em>sa&iacute;eis</em>, <em>sa&iacute;am</em>,
+porque o
+<em>i</em> n&atilde;o forma ditongo com o
+<em>a</em> que o precede. <br />
+
+<br />
+
+94. Os nomes pr&oacute;prios acentuam-se graficamente como os nomes
+comuns; assim escreveremos
+<em>P&ocirc;rto</em>, como
+<em>p&ocirc;rto</em>, diferen&ccedil;ado de <em>porto</em>,
+verbo; <em>Set&uacute;bal</em>,
+<em>Pont&eacute;vel</em>,
+<em>Pedr&oacute;g&atilde;o</em>, <em>Ant&oacute;nio</em>,
+<em>Tom&aacute;s</em>,
+<em>Tom&eacute;</em>,
+<em>Nazar&eacute;</em>,
+<em>Bel&ecirc;m</em>,
+<em>&Aacute;gueda</em>, etc.
+<br />
+
+<br />
+
+<span class="pagenum">[49]</span>
+&Eacute; em virtude desta regra que teremos de acentuar a forma
+verbal <em>l&ecirc;mos</em>, para
+que se diference de <em>Lemos</em>, na escrita, como se
+diferen&ccedil;a na pron&uacute;ncia. <br />
+
+<br />
+
+95. Os voc&aacute;bulos compostos cujos elementos s&atilde;o
+unidos por h&iacute;fen (-) conservam os seus acentos
+gr&aacute;ficos;
+ex.: <em>m&atilde;e-d'agua</em>, <em>p&aacute;ra-raios</em>,
+<em>pesa-pap&eacute;is</em>. <br />
+
+<br />
+
+O mesmo se observar&aacute; com os adv&eacute;rbios formados
+com o sufixo <em>-mente</em>, dantes
+independente, como substantivo que era, o que ainda se reconhece na
+locu&ccedil;&atilde;o
+<em>de boa mente</em>; ex.: <em>s&oacute;mente</em>,
+<em>cort&ecirc;smente</em>,
+<em>r&aacute;pidamente</em>,
+<em>crist&atilde;mente</em>. <br />
+
+<br />
+
+96. Nos voc&aacute;bulos derivados, aumentativos e deminutivos
+formados com o infixo <em>z</em>, o acento
+agudo converte-se em acento grave, para que se evitem
+leituras
+err&oacute;neas; ex.: <em>m&aacute;</em>,
+<em>m&agrave;zinha</em>,
+<em>m&agrave;zona</em>;
+<em>av&oacute;</em>,
+<em>av&ograve;zinha</em>. <br />
+
+<br />
+
+<br />
+
+97. Na escrita comum parte desta acentua&ccedil;&atilde;o
+rigorosa e sistem&aacute;tica poder&aacute;, em algumas das
+suas
+min&uacute;cias, ser dispensada;
+n&atilde;o por&ecirc;m
+em livros did&aacute;cticos, como gram&aacute;ticas,
+dicion&aacute;rios, comp&ecirc;ndios de qualquer natureza que
+sejam, nos quais por todas as raz&otilde;es, mas principalmente
+para que se n&atilde;o difundam e propaguem erros na
+pron&uacute;ncia, conv&ecirc;m que seja fielmente aplicada;
+podendo mesmo ser ampliada com a marca&ccedil;&atilde;o,
+mediante o
+acento circunflexo, de todos
+os <em>ee</em> e
+<em>oo</em> fechados t&oacute;nicos. Em qualquer caso,
+todavia, cumpre que outros sistemas
+arbitr&aacute;rios n&atilde;o substituam esta
+acentua&ccedil;&atilde;o
+gr&aacute;fica, met&oacute;dica e harm&oacute;nica,
+prejudicando-a na sua coer&ecirc;ncia e
+regularidade, a qual se baseia no exame escrupuloso dos factos.<br />
+
+<br />
+
+<br />
+
+<div style="text-align: center;"><big style="font-weight: bold;"><big>*</big></big><br />
+
+</div>
+
+<br />
+
+<br />
+
+A Comiss&atilde;o termina esta exposi&ccedil;&atilde;o
+expressando o voto de que, se merecer aprova&ccedil;&atilde;o o
+sistema
+proposto, &ecirc;le se propague por meio de cartilhas e
+gram&aacute;ticas, que minuciosamente o exemplifiquem,
+independentemente do <span class="smallcaps">Vocabul&aacute;rio</span>.
+<br />
+
+<br />
+
+<br />
+
+Direc&ccedil;&atilde;o Geral da Instru&ccedil;&atilde;o
+Secund&aacute;ria, Superior e Especial, 23 de Agosto de 1911.<span style="font-style: italic;">&#8213;</span><em>Francisco
+Adolfo
+Coelho</em>, Presidente.&#8213;<em>Jos&eacute; Leite de
+Vasconcelos</em>,
+Vogal.&#8213;<em>C&acirc;ndido de Figueiredo</em>, Vogal.<span style="font-style: italic;">&#8213;</span><em>Manuel
+Borges
+Grainha</em>, Vogal.<span style="font-style: italic;">&#8213;</span><em>Aniceto
+dos Reis
+Gon&ccedil;alves
+Viana</em>, Relator.&#8213;<em>Jos&eacute; Joaquim Nunes</em>,
+Secret&aacute;rio. <br />
+
+<br />
+
+<div class="signature tinys">(Di&aacute;rio do
+Gov&ecirc;rno n.&ordm; 213, de 12 de
+Setembro de
+1911).</div>
+
+<br />
+
+<br />
+
+<br />
+
+<br />
+
+<div class="fbox">
+<h2>Lista de erros corrigidos</h2>
+
+<div style="text-align: center;">Aqui encontram-se
+listados todos os erros encontrados e corrigidos:</div>
+
+<br />
+
+<br />
+
+<table style="width: 80%; text-align: left; margin-left: auto; margin-right: auto;" border="0" cellpadding="4" cellspacing="4">
+
+ <tbody>
+
+ <tr align="right">
+
+ <td style="width: 61px;"></td>
+
+ <td style="font-weight: bold; text-align: center; width: 121px;">Original</td>
+
+ <td style="text-align: center; width: 5px;"></td>
+
+ <td style="font-weight: bold; text-align: center; width: 135px;">Correc&ccedil;&atilde;o</td>
+
+ </tr>
+
+ <tr>
+
+ <td style="text-align: right; width: 61px;"><a name="e1"></a><a href="#p31">#p&aacute;g.
+31</a></td>
+
+ <td style="text-align: center; width: 121px;"><em>dessas(s)</em></td>
+
+ <td style="text-align: center; width: 5px;">...</td>
+
+ <td style="text-align: center; width: 135px;"><em>dessa(s)</em></td>
+
+ </tr>
+
+ <tr>
+
+ <td style="text-align: right; width: 61px;"><a name="e2"></a><a href="#p41">#p&aacute;g.
+41</a></td>
+
+ <td style="text-align: center; width: 121px;">s&iacute;bala</td>
+
+ <td style="text-align: center; width: 5px;">...</td>
+
+ <td style="text-align: center; width: 135px;">s&iacute;laba</td>
+
+ </tr>
+
+ <tr>
+
+ <td style="text-align: right;"><a name="e3"></a><a href="#p43">#p&aacute;g. 43</a></td>
+
+ <td style="text-align: center;"><em>falar</em></td>
+
+ <td>...</td>
+
+ <td style="text-align: center;"><em>falaz</em></td>
+
+ </tr>
+
+ <tr>
+
+ <td style="text-align: right; vertical-align: top;"><a name="e4"></a><a href="#p46">#p&aacute;g.
+46</a></td>
+
+ <td style="text-align: center; vertical-align: middle;"><em>(as)</em></td>
+
+ <td style="text-align: center; vertical-align: middle;">...</td>
+
+ <td style="text-align: center; vertical-align: middle;"><em>a(s)</em></td>
+
+ </tr>
+
+ <tr>
+
+ <td style="text-align: right;"><a name="e5"></a><a href="#p46">#p&aacute;g.
+46</a></td>
+
+ <td style="text-align: center;"><em>joia</em></td>
+
+ <td style="text-align: center;">...</td>
+
+ <td style="text-align: center;"><em>j&oacute;ia</em></td>
+
+ </tr>
+
+
+
+ </tbody>
+</table>
+
+<br />
+
+<div style="text-align: center;"><br />
+
+<br />
+
+</div>
+
+</div>
+
+</div>
+
+</div>
+
+
+
+
+
+
+
+
+<pre>
+
+
+
+
+
+End of the Project Gutenberg EBook of Bases para a unificação da ortografia
+que deve ser adoptada nas escolas e publicações oficiais, by Anonymous
+
+*** END OF THIS PROJECT GUTENBERG EBOOK BASES PARA A UNIFICACAO ***
+
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+
+Produced by Rita Farinha and the Online Distributed
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+such as creation of derivative works, reports, performances and
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+Gutenberg-tm electronic works if you follow the terms of this agreement
+and help preserve free future access to Project Gutenberg-tm electronic
+works. See paragraph 1.E below.
+
+1.C. The Project Gutenberg Literary Archive Foundation ("the Foundation"
+or PGLAF), owns a compilation copyright in the collection of Project
+Gutenberg-tm electronic works. Nearly all the individual works in the
+collection are in the public domain in the United States. If an
+individual work is in the public domain in the United States and you are
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+are removed. Of course, we hope that you will support the Project
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+form. Any alternate format must include the full Project Gutenberg-tm
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+
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+ money paid for a work or a replacement copy, if a defect in the
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+ of receipt of the work.
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+
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+Gutenberg Literary Archive Foundation was created to provide a secure
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+To learn more about the Project Gutenberg Literary Archive Foundation
+and how your efforts and donations can help, see Sections 3 and 4
+and the Foundation web page at https://www.pglaf.org.
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+
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+Foundation
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+The Project Gutenberg Literary Archive Foundation is a non profit
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+Revenue Service. The Foundation's EIN or federal tax identification
+number is 64-6221541. Its 501(c)(3) letter is posted at
+https://pglaf.org/fundraising. Contributions to the Project Gutenberg
+Literary Archive Foundation are tax deductible to the full extent
+permitted by U.S. federal laws and your state's laws.
+
+The Foundation's principal office is located at 4557 Melan Dr. S.
+Fairbanks, AK, 99712., but its volunteers and employees are scattered
+throughout numerous locations. Its business office is located at
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+business@pglaf.org. Email contact links and up to date contact
+information can be found at the Foundation's web site and official
+page at https://pglaf.org
+
+For additional contact information:
+ Dr. Gregory B. Newby
+ Chief Executive and Director
+ gbnewby@pglaf.org
+
+
+Section 4. Information about Donations to the Project Gutenberg
+Literary Archive Foundation
+
+Project Gutenberg-tm depends upon and cannot survive without wide
+spread public support and donations to carry out its mission of
+increasing the number of public domain and licensed works that can be
+freely distributed in machine readable form accessible by the widest
+array of equipment including outdated equipment. Many small donations
+($1 to $5,000) are particularly important to maintaining tax exempt
+status with the IRS.
+
+The Foundation is committed to complying with the laws regulating
+charities and charitable donations in all 50 states of the United
+States. Compliance requirements are not uniform and it takes a
+considerable effort, much paperwork and many fees to meet and keep up
+with these requirements. We do not solicit donations in locations
+where we have not received written confirmation of compliance. To
+SEND DONATIONS or determine the status of compliance for any
+particular state visit https://pglaf.org
+
+While we cannot and do not solicit contributions from states where we
+have not met the solicitation requirements, we know of no prohibition
+against accepting unsolicited donations from donors in such states who
+approach us with offers to donate.
+
+International donations are gratefully accepted, but we cannot make
+any statements concerning tax treatment of donations received from
+outside the United States. U.S. laws alone swamp our small staff.
+
+Please check the Project Gutenberg Web pages for current donation
+methods and addresses. Donations are accepted in a number of other
+ways including including checks, online payments and credit card
+donations. To donate, please visit: https://pglaf.org/donate
+
+
+Section 5. General Information About Project Gutenberg-tm electronic
+works.
+
+Professor Michael S. Hart was the originator of the Project Gutenberg-tm
+concept of a library of electronic works that could be freely shared
+with anyone. For thirty years, he produced and distributed Project
+Gutenberg-tm eBooks with only a loose network of volunteer support.
+
+
+Project Gutenberg-tm eBooks are often created from several printed
+editions, all of which are confirmed as Public Domain in the U.S.
+unless a copyright notice is included. Thus, we do not necessarily
+keep eBooks in compliance with any particular paper edition.
+
+
+Most people start at our Web site which has the main PG search facility:
+
+ https://www.gutenberg.org
+
+This Web site includes information about Project Gutenberg-tm,
+including how to make donations to the Project Gutenberg Literary
+Archive Foundation, how to help produce our new eBooks, and how to
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+
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