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authorRoger Frank <rfrank@pglaf.org>2025-10-15 02:14:34 -0700
committerRoger Frank <rfrank@pglaf.org>2025-10-15 02:14:34 -0700
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initial commit of ebook 24824HEADmain
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+<title>The Project Gutenberg eBook of Os deputados brasileiros nas Côrtes Geraes de 1821, by Manuel Emílio Gomes de Carvalho</title>
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+<div style='text-align:center; font-size:1.2em; font-weight:bold;'>The Project Gutenberg eBook of Os deputados brasileiros nas Côrtes Geraes de 1821, by Manuel Emílio Gomes de Carvalho</div>
+<div style='display:block; margin:1em 0'>
+This eBook is for the use of anyone anywhere in the United States and
+most other parts of the world at no cost and with almost no restrictions
+whatsoever. You may copy it, give it away or re-use it under the terms
+of the Project Gutenberg License included with this eBook or online
+at <a href="https://www.gutenberg.org">www.gutenberg.org</a>. If you
+are not located in the United States, you will have to check the laws of the
+country where you are located before using this eBook.
+</div>
+<div style='display:block; margin-top:1em; margin-bottom:1em; margin-left:2em; text-indent:-2em'>Title: Os deputados brasileiros nas Côrtes Geraes de 1821</div>
+<div style='display:block; margin-top:1em; margin-bottom:1em; margin-left:2em; text-indent:-2em'>Author: Manuel Emílio Gomes de Carvalho</div>
+<div style='display:block;margin:1em 0'>Release Date: March 14, 2008 [eBook #24824]<br />
+[Most recently updated: March 3, 2021]</div>
+<div style='display:block;margin:1em 0'>Language: Portuguese</div>
+<div style='display:block;margin:1em 0'>Character set encoding: UTF-8</div>
+<div style='display:block; margin-left:2em; text-indent:-2em'>Produced by: Rita Farinha, Chuck Greif and the Online Distributed Proofreading Team</div>
+<div style='margin-top:2em;margin-bottom:4em'>*** START OF THE PROJECT GUTENBERG EBOOK OS DEPUTADOS BRASILEIROS NAS CÔRTES GERAES DE 1821 ***</div>
+
+<div>
+<div>
+<div class="fbox"><b>Nota de editor:</b>
+Devido &agrave;
+quantidade de erros tipogr&aacute;ficos existentes neste texto,
+foram tomadas v&aacute;rias decis&otilde;es quanto &agrave;
+vers&atilde;o final. Em caso de d&uacute;vida, a grafia foi
+mantida de acordo com o original. No final deste livro
+encontrar&aacute; a lista de erros corrigidos.<br />
+
+<br />
+
+<div style="text-align: right; font-style: italic;">Rita
+Farinha (Mar. 2008)
+</div>
+
+</div>
+
+<br />
+
+<br />
+
+<br />
+
+<br />
+
+<br />
+
+<h1>Os deputados brasileiros<br />
+
+nas Côrtes Geraes de 1821</h1>
+
+<br />
+
+<br />
+
+<br />
+
+<h3>DO MESMO AUCTOR</h3>
+
+<br />
+
+<br />
+
+<div style="text-align: center;"><em>D.
+Jo&atilde;o III e os
+franc&ecirc;ses</em>. (A. M. Teixeira &amp; C.<sup>ta</sup>,
+Lisboa, 1909).<br />
+
+</div>
+
+<br />
+
+<br />
+
+<br />
+
+<br />
+
+<br />
+
+<div class="sbreak">
+<hr /></div>
+
+<br />
+
+<div style="text-align: center;">Imprensa Moderna&#8213;Porto<br />
+
+<br />
+
+Grande Premio na Exposi&ccedil;&atilde;o do Rio de Janeiro de
+1908</div>
+
+<br />
+
+<br />
+
+<br />
+
+<div class="bbox">
+<h3>Subsidios para a Historia do Brasil</h3>
+
+<br />
+
+<br />
+
+<h2>
+Os<br />
+
+<br />
+
+Deputados brasileiros<br />
+
+<br />
+
+<span class="smallcaps">nas</span><br />
+
+<br />
+
+Cortes Geraes de 1821<br />
+
+</h2>
+
+<h3><span class="smallcaps">por</span></h3>
+
+<h3><span class="smallcaps">M. E. Gomes de Carvalho</span>
+</h3>
+
+<br />
+
+<br />
+
+<div style="text-align: center;"><img style="width: 100px; height: 82px;" alt="" src="images/fig01.png" /><br />
+
+</div>
+
+<br />
+
+<br />
+
+<h4>
+PORTO<br />
+
+<br />
+
+Editores: LIVRARIA CHARDRON, de<br />
+
+Lello &amp; Irm&atilde;o&#8213;R.
+das Carmelitas, 144<br />
+
+<br />
+
+<br />
+
+1912</h4>
+
+</div>
+
+<br />
+
+<br />
+
+<br />
+
+<h3><a name="c1"></a>CAPITULO I</h3>
+
+<br />
+
+<div class="intro1">SUMMARIO:<br />
+
+<br />
+
+<em>Causas da revolu&ccedil;&atilde;o de Portugal
+de 1820.&#8213;Incerteza sobre o regresso d'el-rei.&#8213;Necessidade da
+adhes&atilde;o do Brasil para o exito da
+revolu&ccedil;&atilde;o.</em> </div>
+
+<br />
+
+<br />
+
+<br />
+
+Em consequencia da invas&atilde;o franc&ecirc;sa e da abertura
+dos portos do Brasil &aacute;s
+na&ccedil;&otilde;es amigas, a miseria no Reino ia em
+crescimento assustador. Cada anno assignalava nova
+reduc&ccedil;&atilde;o na marinha; augmentava a
+importa&ccedil;&atilde;o dos generos de primeira necessidade, a
+come&ccedil;ar pelo trigo; fechavam-se as fabricas, os productos
+vencidos da concorrencia ingl&ecirc;sa no ultramar, e os operarios,
+famintos, tornavam-se mendigos ou ladr&otilde;es. Em 1820 a penuria
+attingia o extremo. Exgottado inteiramente, o erario n&atilde;o
+pagava aos funccionarios publicos nem restituia os depositos.
+Queixavam-se os soldados de que havia oito mezes n&atilde;o
+recebiam os soldos, e nem mesmo os compromissos sagrados do monte-pio
+eram satisfeitos;<sup><a href="#Z1">[1]</a></sup>
+&aacute; miseria ajuntava-se a
+humilha&ccedil;&atilde;o.
+Humilha&ccedil;&atilde;o
+<span class="pagenum">[6]</span>
+no exercito, onde a presen&ccedil;a
+de officiaes europeus fazia acreditar na incapacidade do
+portugu&ecirc;s para defender s&oacute; a terra natal;
+humilha&ccedil;&atilde;o em todas as classes, porque a gloriosa
+na&ccedil;&atilde;o se achava reduzida &aacute; colonia do
+Brasil, constituido o centro da monarchia, por abrigar o soberano.<sup><a href="#Z2">[2]</a></sup><br />
+
+<br />
+
+O descontentamento geral e o enthusiasmo com que a Hespanha acolheu o
+juramento da constitui&ccedil;&atilde;o de Cadiz pelo rei, a 7
+de
+mar&ccedil;o de 1820<sup><a href="#Z3">[3]</a></sup>,
+induziram os liberaes do Porto, auxiliados
+pela guarni&ccedil;&atilde;o, a se revoltarem em 24 de agosto
+contra o absolutismo, com programma verdadeiramente moderado.
+N&atilde;o pregavam a republica nem mesmo a
+substitui&ccedil;&atilde;o da monarchia, a despeito de haver o
+rei abandonado a na&ccedil;&atilde;o, em fuga precipitada para
+o Brasil; ao contrario, referiam-se a elle com express&otilde;es de
+respeito, sympathia e dedica&ccedil;&atilde;o, que certamente
+n&atilde;o
+merecia o chefe que j&aacute; n&atilde;o podia justificar a sua
+ausencia da patria. Manteriam a religi&atilde;o catholica. O que
+queriam era a participa&ccedil;&atilde;o do povo nos
+negocios publicos. Nem isso era cousa nova, porquanto outr'ora os
+soberanos, por for&ccedil;a do direito consuetudinario<sup><a href="#Z4">[4]</a></sup> ouviam
+&aacute;cerca dos interesses nacionaes os representantes do clero,
+da nobreza e do povo. Era o restabelecimento d'esse fôro,
+conculcado pela realeza, com as modifica&ccedil;&otilde;es
+adequadas &aacute;s id&eacute;as do tempo e com as garantias
+necessarias
+<span class="pagenum">[7]</span>
+para n&atilde;o ser de novo
+frustado, que, em ultima analyse, se traduziria a
+constitui&ccedil;&atilde;o que
+os procuradores da na&ccedil;&atilde;o, convocados pelos
+revolucionarios, pretendiam ent&atilde;o fazer.<br />
+
+<br />
+
+Resolu&ccedil;&otilde;es t&atilde;o moderadas e
+reivindica&ccedil;&atilde;o t&atilde;o justa, defendidas
+por homens de moralidade elevada, como os chefes do movimento,
+&aacute; medida que se divulgavam, iam conquistando os animos e
+annullando as velleidades de resistencia manifestadas nos commandantes
+das armas de Tras-os-Montes e da Beira<sup><a href="#Z5">[5]</a></sup>.
+<br />
+
+<br />
+
+A regencia, designada por el-rei, que em 2 de setembro reconhecia, em
+carta ao soberano, a impossibilidade de defender o regimen por lhe
+n&atilde;o inspirarem confian&ccedil;a as tropas da capital, e
+a impossibilidade de viver, porque a subleva&ccedil;&atilde;o
+das opulentas provincias do norte tiravam ao governo a fonte mais
+copiosa de rendas,<sup><a href="#Z6">[6]</a></sup>
+aos 15 de setembro perdia a
+direc&ccedil;&atilde;o da causa publica, acclamados outros
+governadores pelos batalh&otilde;es e populares reunidos no Rocio.
+Estes, de accordo com os chefes da insurrei&ccedil;&atilde;o
+portuense, crearam o governo supremo.<br />
+
+<br />
+
+Aceita a revolta por todos os angulos do reino com jubilo tal que
+desterrava receios de perturba&ccedil;&atilde;o da ordem, os
+novos directores da politica empenharam-se com fervor na
+execu&ccedil;&atilde;o do seu programma. Duas
+quest&otilde;es levantaram-se, ardentes e inquietadoras: tornaria a
+Portugal el-rei ou qualquer pessoa da sua familia? Que acolhimento
+<span class="pagenum">[8]</span>
+reservaria &aacute; nova ordem de cousas o Brasil?<br />
+
+<br />
+
+Tornava-se indeclinavel a presen&ccedil;a do monarcha,
+n&atilde;o s&oacute; para sanccionar o movimento, mas ainda
+para restituir o velho reino &aacute; sua
+condi&ccedil;&atilde;o de metropole, da qual se achava
+despojado por ser governado por prepostos e receber ordens de
+al&eacute;m-mar. Assim, um dos primeiros actos do novo governo
+&eacute; deprecar ao soberano que volva &aacute; patria
+ou mande alguma pessoa de sua familia, a fim de consolidar a obra da
+regenera&ccedil;&atilde;o
+social<sup><a href="#Z7">[7]</a></sup>.<br />
+
+<br />
+
+Avultava, comtudo, a desconfian&ccedil;a de que el-rei
+n&atilde;o acudiria ao appello. No meado de mar&ccedil;o, a
+imprensa portugu&ecirc;sa de Londres noticiava que a familia real
+assent&aacute;ra fixar-se para todo o sempre no Brasil, e pouco
+depois correu voz de que estava imminente a
+declara&ccedil;&atilde;o official
+d'aquelle proposito.<sup><a href="#Z8">[8]</a></sup>
+<br />
+
+<br />
+
+A maneira ambigua por que o soberano respondia &aacute; regencia do
+reino, ao instar ella pelo seu regresso, robustecia o boato. Na
+verdade, D. Jo&atilde;o recusava-se volver ou mandar um dos filhos
+&aacute; terra d'onde sahira com terror panico dos
+franc&ecirc;ses. Sentia-se bem no Brasil, onde &laquo;se cria
+amado&raquo;<sup><a href="#Z9">[9]</a></sup>,
+n&atilde;o o torturavam achaques<sup><a href="#Z10">[10]</a></sup>
+e n&atilde;o havia vizinhos
+que puzessem em perigo a
+<span class="pagenum">[9]</span>
+sua seguran&ccedil;a. A 12 de outubro de
+1820, o brigue &laquo;Providencia&raquo; tirou-lhe a
+quieta&ccedil;&atilde;o com a noticia da revolta portuense,
+transmittida pelo governo que o representava em Portugal. Ao mesmo
+tempo que o inteirava dos graves acontecimentos, participava-lhe haver
+convidado o clero, a nobreza e o povo a se reunirem em
+côrtes, e mais uma vez deprecava ao soberano que viesse<sup><a href="#Z11">[11]</a></sup>. A
+resposta do monarcha chegou a Lisboa a 16 de dezembro, quando desde
+muitas semanas a
+insurrei&ccedil;&atilde;o varr&ecirc;ra do poder o cardeal
+patriarcha, o marqu&ecirc;s de Borba, o conde de Peniche, o conde
+da Feira e Antonio Gomes Ribeiro, delegados do soberano. Depois de
+notar a incompetencia da convoca&ccedil;&atilde;o da
+assembl&eacute;a sem o seu
+concurso, dizia que elle ou um dos filhos tornaria &aacute; antiga
+metropole, logo que, encerrado o parlamento e conhecidas as suas
+propostas, houvesse certeza de que o real decôro
+n&atilde;o corria risco de
+affronta<sup><a href="#Z12">[12]</a></sup>.
+<br />
+
+<br />
+
+Se era n'esses termos que o rei respondia aos homens de sua
+confian&ccedil;a, racionalmente os revolucionarios n&atilde;o
+deviam contar com a sua presen&ccedil;a na Europa, tanto mais que o
+conde de Palmella, agora em viagem ao Rio, ia lan&ccedil;ando nas
+terras portugu&ecirc;sas a que a arribava, Madeira e Bahia, a
+id&eacute;a de resistencia ao governo de Lisboa, com o fim de
+assegurar &aacute; corôa a
+proeminencia na reconstitui&ccedil;&atilde;o politica da
+monarchia<sup><a href="#Z13">[13]</a></sup>.
+<span class="pagenum">[10]</span>
+Sem embargo do desassocego
+gerado pela disposi&ccedil;&atilde;o
+do soberano, transparente n'esse documento, os que regiam os destinos
+de Portugal julgaram mais acertado deixar ao Congresso, o qual se devia
+abrir brevemente, o cuidado de chamar novamente el-rei &aacute;
+Europa. Demais, da effervescencia dos animos, que a
+revolu&ccedil;&atilde;o n&atilde;o podia
+deixar de crear nos estados ultramarinos, n&atilde;o era temerario
+prev&ecirc;r a superveniencia de successos capazes de mudar a
+inclina&ccedil;&atilde;o do soberano.<br />
+
+<br />
+
+N&atilde;o era menor a anciedade com que o governo de Lisboa
+aguardava o julgamento do Brasil &aacute;cerca da
+insurrei&ccedil;&atilde;o, julgamento
+considerado decisivo da sorte do velho reino. Um dos mais ouvidos
+publicistas da &eacute;poca affirmava que, sem o apoio do ultramar
+americano, Portugal se expunha a perder a independencia, n&atilde;o
+por causa das for&ccedil;as que lhe poderia oppôr a
+antiga colonia,
+mas pelos auxilios de seus alliados; e, n'essa tremenda conjunctura,
+n&atilde;o hesitava em aconselhar a patria a que esquecesse
+resentimentos e suffocasse antipathias, para se unir &aacute;
+Hespanha, a fim de
+n&atilde;o continuar a ser &laquo;miserrima colonia&raquo;.
+Era um alvitre
+desesperado, ponderava, porque perderia assim uma parte da autonomia,
+mas &laquo;muito custa perder uma perna ou um bra&ccedil;o; e
+algum
+d'elles ou alguma d'ellas tambem &aacute;s vezes se perde, quando,
+exhaustas todas as esperan&ccedil;as, &eacute; de
+necessidade perder uma parte para salvar o todo&raquo;<sup><a href="#Z14">[14]</a></sup>.<br />
+
+<br />
+
+Por mais despropositado que se nos afigure hoje o considerar a
+independencia de Portugal subordinada &aacute; uni&atilde;o com
+o Brasil, era todavia
+<span class="pagenum">[11]</span>
+corrente no tempo e fazia parte da prudencia mais elementar, attentos
+os successos politicos da Europa. Na verdade, em consequencia da
+allian&ccedil;a de 1815, da santa allian&ccedil;a como lhe
+chamam, constituida pelos soberanos da Russia, Austria e Prussia, com o
+intuito de assegurar a paz interna nos respectivos Estados e nos
+dominios dos principes christ&atilde;os que viessem adherir a ella,
+nenhuma na&ccedil;&atilde;o estava ao abrigo de uma
+invas&atilde;o d'esses povos, solicitada pelo proprio monarcha para
+conter a reivindica&ccedil;&atilde;o mais legitima dos seus
+subditos. No morrer d'esse mesmo anno de 1820, Napoles, por haver
+acclamado a constitui&ccedil;&atilde;o
+hespanhola e ter constrangido o seu soberano a jural-a, apparelhava-se
+para resistir &aacute;
+irrup&ccedil;&atilde;o da Austria, delegada da Santa
+Allian&ccedil;a. N&atilde;o devia Portugal temer egual sorte,
+caso D. Jo&atilde;o VI e o Brasil condemnassem a revolta? Se
+n'aquelle reino de Italia uma infima minoria capitaneada pelo rei
+justificava a aggress&atilde;o dos alliados contra os liberaes,
+muito mais facil seria conseguir a
+coopera&ccedil;&atilde;o armada d'elles contra o velho reino,
+firmando-se o soberano na fidelidade dos brasileiros, a qual
+testemunharia que os acontecimentos de Portugal procediam de uma
+fac&ccedil;&atilde;o victoriosa na sec&ccedil;&atilde;o
+menos importante da monarchia.
+Consoante as id&eacute;as do momento, era portanto
+quest&atilde;o vital para o levante o assentimento do ultramar
+&aacute; nova ordem de cousas, e n&atilde;o podia haver
+f&oacute;rma mais evidente nem mais solemne dessa
+adhes&atilde;o do que mandar elle representantes &aacute;s
+côrtes. Assim pensa o governo de Lisboa, que solicita o seu
+comparecimento no futuro congresso, com phrases commovidas, e no calor
+do transporte chega a prometter a todos os ultramarinos, sem
+distinc&ccedil;&atilde;o, a mudan&ccedil;a da
+administra&ccedil;&atilde;o por outra
+<span class="pagenum"><a name="p12">[12]</a></span>
+que n&atilde;o tenha os gravames e
+humilha&ccedil;&otilde;es do regimen colonial<sup><a href="#Z15">[15]</a></sup>.<br />
+
+<br />
+
+Maliciosamente informa um coevo que, pela primeira vez, os
+portugu&ecirc;ses da Europa deram aos compatriotas de
+al&eacute;m-mar o nome de irm&atilde;os<sup><a href="#Z16">[16]</a></sup>.<br />
+
+<br />
+
+<br />
+
+<br />
+
+<h3><a name="c2"></a>CAPITULO II</h3>
+
+<br />
+
+<div class="intro1">SUMMARIO:<br />
+
+<br />
+
+<em>Esperan&ccedil;a no apoio do
+Brasil.&#8213;Come&ccedil;am a chegar novas de
+al&eacute;m-mar.&#8213;Revolu&ccedil;&atilde;o
+no Par&aacute;.&#8213;Par&aacute; provincia de
+Portugal.&#8213;Adhes&atilde;o da Bahia.&#8213;Divergencias no governo do
+Rio.&#8213;As côrtes desconfiam d'el-rei.&#8213;O decreto de 18 de
+abril.&#8213;El-rei aceita a revolu&ccedil;&atilde;o.&#8213;O enthusiasmo
+de Lisboa.</em></div>
+
+<br />
+
+<br />
+
+<br />
+
+Supposto faltassem noticias do Brasil por occasi&atilde;o da
+abertura do Congresso, aos 26 de janeiro de 1821, desde que os negocios
+publicos do Reino tomaram aspecto tranquillisador, a
+reflex&atilde;o persuadiu de que o ultramar americano applaudiria a
+revolu&ccedil;&atilde;o, adherindo ao governo de Lisboa e
+&aacute;s Côrtes. Um povo em progresso tende fatalmente a
+exigir seguran&ccedil;a para as propriedades e as pessoas, a
+limitar o arbitrio dos governantes e a tornar a lei mais forte que os
+homens, cousas que se n&atilde;o alcan&ccedil;am, se fallece
+&aacute; na&ccedil;&atilde;o o direito de fiscalizar os
+actos da
+administra&ccedil;&atilde;o. S&oacute;mente as
+popula&ccedil;&otilde;es miseraveis e
+refractarias
+<span class="pagenum">[14]</span>
+&aacute;
+civilisa&ccedil;&atilde;o, como as
+hordas africanas, n&atilde;o pugnam por aquelle direito.<br />
+
+<br />
+
+Al&eacute;m d'essa considera&ccedil;&atilde;o de ordem
+geral, havia no reino ultramarino motivos de descontentamento. As
+capitanias n&atilde;o tinham protec&ccedil;&atilde;o contra
+as violencias dos capit&atilde;es-generaes, e diziam os povos que
+os melhores d'elles deligenciavam haver dinheiro a todo o,
+transe n&atilde;o para o applicar &aacute;s necessidades
+locaes, mas para remetter ao erario do Rio, por n&atilde;o existir
+acto que mais os recommendasse ao favor r&eacute;gio. Demais, a
+revolu&ccedil;&atilde;o pernambucana de 1817, acclamada
+facilmente por todo o extenso territorio de Pernambuco, o qual
+ent&atilde;o comprehendia Alagoas, e aceita com enthusiasmo na
+Parahyba, exprimia com evidencia a aspira&ccedil;&atilde;o para
+a liberdade de uma vasta por&ccedil;&atilde;o do Brasil.
+Pernambuco, a
+provincia rica e esclarecida, maltratada asperamente por causa da
+revolta, e cujos filhos, poupados &aacute; forca, jaziam ainda nos
+carceres, certamente corresponderia ao appello da metropole, que
+mostrava pela primeira vez entranhas de m&atilde;e; e as suas
+irm&atilde;s tratariam agora de resgatar a falta de solidariedade
+commettida em 1817, falta devida mais ao imprevisto da
+explos&atilde;o do levante do que &aacute;
+divergencia de sentimentos.<br />
+
+<br />
+
+A realidade n&atilde;o mentiu &aacute; esperan&ccedil;a, e
+aos 27 de mar&ccedil;o entraram a chegar ao congresso
+informa&ccedil;&otilde;es das terras ultramarinas.<br />
+
+<br />
+
+Vem-lhe do Par&aacute; a primeira
+communica&ccedil;&atilde;o, em officio do novo governo. Dizia
+que em 1.&ordm; de Janeiro o povo, as tropas e as auctoridades
+haviam jurado obediencia ao rei e &aacute; dynastia de
+Bragan&ccedil;a, &aacute;s Côrtes Geraes e
+&aacute; constitui&ccedil;&atilde;o que promulgassem, e
+Vem-lhe do Par&aacute; a primeira
+communica&ccedil;&atilde;o, em officio do novo governo. Dizia
+que em 1.&ordm; de Janeiro o povo, as tropas e as auctoridades
+haviam jurado obediencia ao rei e &aacute; dynastia de
+Bragan&ccedil;a, &aacute;s Côrtes Geraes e
+&aacute; constitui&ccedil;&atilde;o que promulgassem, e que
+em seguida tinham eleito uma junta provisional para reger a capitania,
+at&eacute; &aacute;
+installa&ccedil;&atilde;o
+<span class="pagenum">[15]</span>
+das mesmas Côrtes. De todos
+esses successos fôra participado el-rei<sup><a href="#Z17">[17]</a></sup>.<br />
+
+<br />
+
+O documento, assignado pelos membros do governo provisorio, de que era
+presidente o vigario capitular Romualdo Antonio de Seixas, que mais
+tarde tanto se assignalou na administra&ccedil;&atilde;o
+ecclesiastica, como arcebispo da Bahia, e nas discuss&otilde;es da
+camara dos deputados, revela a preoccupa&ccedil;&atilde;o
+dominante do exemplar ministro da Egreja; aceita a
+constitui&ccedil;&atilde;o futura, com a
+clausula de manter a religi&atilde;o catholica. Das cousas que lhe
+interessavam, era a unica que cumpria acautelar na lei fundamental por
+vir. A liberdade e a seguran&ccedil;a de seus compatriotas
+certamente lucrariam com o novo pacto social, porque este lhes devia
+dar mais vantagens do que era licito esperar do absolutismo; e caso o
+n&atilde;o fizesse, assistiria aos cidad&atilde;os o direito de
+protestarem por via de peti&ccedil;&atilde;o ou da imprensa
+livre, que fazem parte de todas as constitui&ccedil;&otilde;es.
+S&oacute; a
+religi&atilde;o estando em perigo nas Côrtes, por causa
+do radicalismo franc&ecirc;s e do racionalismo philosophico,
+dominante em Portugal, corria-lhe o dever de estipular que observaria a
+futura carta constitucional, respeitando esta os dogmas da Egreja.
+Podia omittir semelhante restric&ccedil;&atilde;o que a sua
+qualidade
+de sacerdote deixava subentender; arriscava, por&eacute;m, com o
+silencio a crear um equivoco, que se n&atilde;o compadecia com a
+sua honra.<br />
+
+<br />
+
+Coube ao alferes de milicias Cunha trazer ao parlamento o officio
+referido, e com elle veiu Felippe Alberto Patroni Martins Maciel
+Parente, conhecido simplesmente por Patroni, o qual teve
+<span class="pagenum"><a name="p16">[16]</a></span>
+a iniciativa dos sucessos politicos da vasta
+capitania. Estudante de Direito na Universidade de Coimbra, passava as
+f&eacute;rias em Lisboa, quando estalou ahi a
+revolu&ccedil;&atilde;o. Partiu, sem perda de tempo, para o
+Par&aacute;, a fim de transmittir a boa nova e desembarcou no
+momento mais propicio ao seu intento. Acab&aacute;ra de tomar o
+caminho do Rio, com o fim de contrahir casamento, o resoluto
+marqu&ecirc;s de Villa-Flôr, deixando, de conformidade
+com a lei, a capitania entregue a um governo provisorio fraco e sem
+prestigio, como todas as administra&ccedil;&otilde;es
+interinas. Nem por isso, comtudo, se p&oacute;de contestar a
+audacia e habilidade do mancebo, que logrou communicar os seus
+sentimentos aos conterraneos a termos de se collocarem as personagens
+mais conspicuas da terra &aacute; testa do movimento a favor da
+insurrei&ccedil;&atilde;o da antiga metropole.<br />
+
+<br />
+
+Como o n&atilde;o nomeassem membro da junta provisoria, os seus
+amigos tentaram reparar a injusti&ccedil;a, fazendo que o senado da
+camara de Bel&eacute;m, o elegesse deputado &aacute;s
+Côrtes,
+elei&ccedil;&atilde;o, por&eacute;m, reprovada pelo governo
+paraense, por n&atilde;o ser corpo eleitoral a
+verea&ccedil;&atilde;o. O joven ambicioso
+n&atilde;o se conformou e come&ccedil;ou a combater com audacia
+a junta. Esta procurou abrandar o estudante investindo-o,
+n&atilde;o sem malicia, de um cargo de confian&ccedil;a, mais
+de apparencia que de <a href="#e1">substancia: requerer</a>
+perante as
+Côrtes tudo quanto conviesse ao Par&aacute;.<sup><a href="#Z18">[18]</a></sup> Patroni,
+julgando que poderia illaquear a administra&ccedil;&atilde;o da
+provincia e o
+Congresso, aceitou a singular incumbencia, com o
+<span class="pagenum">[17]</span>
+proposito de transformar o titulo de
+nomea&ccedil;&atilde;o em diploma de deputado.<br />
+
+<br />
+
+Em chegando a Lisboa, tratou de sahir com o intento. Consultadas,
+por&eacute;m, as commiss&otilde;es de
+constitui&ccedil;&atilde;o e de poderes, foram de parecer que,
+a despeito do empenho de ver na assembl&ecirc;a constituinte a
+deputa&ccedil;&atilde;o do Par&aacute;, por
+ter &laquo;esta capitania a primazia na t&atilde;o suspirada
+adhes&atilde;o do Brasil &aacute; causa constitucional dos
+portugu&ecirc;ses&raquo;,
+n&atilde;o podiam deferir o requerimento, porque o documento que o
+instruia, n&atilde;o o nomeava representante da
+na&ccedil;&atilde;o, aprovavam, todavia, que a
+assembl&eacute;a, por excep&ccedil;&atilde;o, o ouvisse
+como delegado do governo paraense<sup><a href="#Z19">[19]</a></sup>.
+<br />
+
+<br />
+
+Ainda que as sess&otilde;es fossem muito concorridas, a aflluencia
+cresceu a 5 de abril, para ouvir o primeiro americano que falava no
+congresso. Os escriptores que assignalam o facto, deixam em regra de
+reproduzir ou commentar o discurso de Patroni.<sup><a href="#Z20">[20]</a></sup>
+Semelhante omiss&atilde;o, que
+parece voluntaria, deve proceder do intuito cavalheiresco de
+n&atilde;o desluzir a figura do estudante, a qual apparece na
+perspectiva da historia illuminada de todas as gra&ccedil;as da
+juventude. A sua arenga n&atilde;o passa de estirada
+declama&ccedil;&atilde;o,
+lardeada de evoca&ccedil;&otilde;es da historia romana, no
+gosto dos
+oradores da revolu&ccedil;&atilde;o franc&ecirc;sa, mas,
+ainda
+assim, transparece a intelligencia do emissario ultramarino,
+reconhecida, ali&aacute;s, pelos contemporaneos<sup><a href="#Z21">[21]</a></sup>.
+<span class="pagenum">[18]</span>
+Prepondera na
+ora&ccedil;&atilde;o o subido conceito do
+ber&ccedil;o natal e a confian&ccedil;a nos seus destinos,
+sentimentos que persuadem que, sem egualdade politica mais perfeita
+entre as duas sec&ccedil;&otilde;es da monarchia,
+a uni&atilde;o n&atilde;o poder&aacute; subsistir.
+N&atilde;o lhe falta habilidade, como revela o trecho em que
+explica a raz&atilde;o porque a junta n&atilde;o o reconheceu
+deputado.<br />
+
+<br />
+
+&laquo;Sim, augusta e veneranda assembl&eacute;a, eu, eu mesmo,
+conhecendo a fundo o caracter do generoso povo portugu&ecirc;s,
+estudando os cora&ccedil;&otilde;es
+dos meus compatriotas, lendo o futuro, propuz a
+elei&ccedil;&atilde;o extraordinaria de um deputado, que, sendo
+eleito pelos habitantes da capital (a cujas decis&otilde;es sempre
+o resto da provincia fielmente adhere) viesse j&aacute; estreitar
+os la&ccedil;os da nossa
+confraternidade, tomando o seu justo e devido logar entre os
+representantes da na&ccedil;&atilde;o. Inutilizaram-se,
+por&eacute;m, os meus esfor&ccedil;os, porque os meus
+concidad&atilde;os n&atilde;o quizeram transpôr os
+limites marcados aos seus direitos, se bem que de bom grado
+renunciar&atilde;o &aacute; immensa riqueza que possuem na
+vastid&atilde;o do seu paiz, s&oacute;mente por se realizarem
+quanto antes os seus desejos&raquo;.<sup><a href="#Z22">[22]</a></sup>
+<br />
+
+<br />
+
+A bem da verdade, importa dizer que semelhante
+declara&ccedil;&atilde;o n&atilde;o significava o abandono
+da velleidade, como parecia. N&atilde;o cessou de importunar o
+congresso, para que o acolhesse em seu seio, sem outros titulos que a
+nomea&ccedil;&atilde;o de delegado do governo do
+Par&aacute; e o diploma illegal; consta, at&eacute;, que
+amea&ccedil;ou Portugal com a
+separa&ccedil;&atilde;o do
+<span class="pagenum">[19]</span>
+Brasil, se n&atilde;o fosse deferida a
+sua
+preten&ccedil;&atilde;o.<sup><a href="#Z23">[23]</a></sup>
+<br />
+
+<br />
+
+A commo&ccedil;&atilde;o devia reproduzir-se na voz, no rosto e
+no gesto do filho do Par&aacute; com singular for&ccedil;a
+communicativa, porque os espectadores e deputados acclamaram com
+estrondo o discurso emphatico, apesar de conhecerem desde 27 de
+mar&ccedil;o os successos que referia. Depois de haver o presidente
+declarado que ouvira com prazer inexprimivel a
+manifesta&ccedil;&atilde;o dos sentimentos do Par&aacute;,
+ponderou que a prosperidade e a ventura dos portugu&ecirc;ses de um
+e outro hemispherio repousariam sobre a identidade de direitos e
+obriga&ccedil;&otilde;es. Em seguida, Manuel Fernandes Thomaz,
+a alma da revolu&ccedil;&atilde;o e o mais influente dos
+contemporaneos, propoz, unanimemente applaudido, que o Par&aacute;
+n&atilde;o se denominasse mais capitania, sen&atilde;o
+provincia de Portugal, porquanto &laquo;se a immensa distancia nos
+separava, o amor fraternal e a communidade de sentimentos nos
+uniam&raquo;.<br />
+
+<br />
+
+Teve tambem unanimidade a proposta considerando benemeritos da patria
+os que haviam cooperado para a regenera&ccedil;&atilde;o da
+provincia
+septentrional.<br />
+
+<br />
+
+A assembl&eacute;a, prodiga em distinc&ccedil;&otilde;es
+honorificas, facultou a Patroni o ingresso permanente na tribuna
+destinada &aacute;s personagens de marca.<sup><a href="#Z24">[24]</a></sup>
+<br />
+
+<br />
+
+Attribuindo ao Par&aacute; a categoria de provincia de Portugal, as
+côrtes faziam um gesto em apparencia lisongeiro ao amor
+proprio dos ultramarinos, mas que na realidade se traduzia no
+enfraquecimento e na degrada&ccedil;&atilde;o de sua patria.
+<span class="pagenum">[20]</span>
+D'ahi promanava logicamente a
+desnecessidade de haver no Brasil o governo central que enfeixava agora
+as capitanias, e como o Minho, o Algarve, estas ficavam sob a
+jurisdic&ccedil;&atilde;o immediata e
+absoluta da antiga metropole, vindo d'esse modo a America
+portugu&ecirc;sa a perder implicitamente a
+gradua&ccedil;&atilde;o de reino. Tal era, por&eacute;m, a
+confian&ccedil;a no congresso e nos repetidos protestos de
+fraternidade dos regeneradores que os brasileiros n&atilde;o
+divisaram o intuito de recoloniza&ccedil;&atilde;o n'esse
+conceito, que surgia ao primeiro contacto dos irm&atilde;os mais
+novos com os mais velhos na obra da
+reconstitui&ccedil;&atilde;o da patria.<br />
+
+<br />
+
+Ao mesmo tempo que chegava ao parlamento a noticia do apoio do extremo
+norte, corriam boatos &aacute;cerca da attitude da Bahia<sup><a href="#Z25">[25]</a></sup>.<br />
+
+<br />
+
+Eram, por&eacute;m, t&atilde;o obscuros e desencontrados que
+geravam mal-estar. O passado e o presente aureolavam a Bahia de subido
+prestigio. Ahi desembarc&aacute;ra Pedro Alvares Cabral;
+fôra a primeira
+capital da vasta possess&atilde;o; era j&aacute; rica e
+prospera, emquanto umas capitanias, no trabalho de
+forma&ccedil;&atilde;o, luctavam ainda com os indios e outras
+nem at&eacute; existiam. Embora desde muito deixasse de ser a
+s&eacute;de do governo geral, em virtude da actividade commercial,
+da abastan&ccedil;a e cultura dos seus moradores, da sua
+situa&ccedil;&atilde;o
+geographica e de ser a mais povoada das terras brasileiras, o reino
+ultramarino, ao parecer dos portugu&ecirc;ses da Europa, se
+nortearia pela
+orienta&ccedil;&atilde;o tomada na conjunctura pela grande
+provincia.<br />
+
+<br />
+
+Em 15 de abril, domingo, chegou &aacute; regencia
+<span class="pagenum"><a name="p21">[21]</a></span>
+a nova de ter a Bahia
+assentido ao levante do Reino.<br />
+
+<br />
+
+Se a divulga&ccedil;&atilde;o da noticia tirou a alguns
+deputados o interesse da sess&atilde;o no dia immediato, estimulou
+o comparecimento do publico, que se apinhou no recinto e nas galerias.
+Estavam presentes as figuras mais conspicuas da
+regenera&ccedil;&atilde;o. Via-se o padre Castello-Branco,
+antigo ministro da inquisi&ccedil;&atilde;o e liberal
+extremado, cujos
+discursos eram lidos com prazer, lamentando o publico a sua voz, antes
+sussurro de ora&ccedil;&atilde;o,
+t&atilde;o fraca que s&oacute; os vizinhos lhe distinguiam as
+palavras; Margiocchi, que alliava forte erudi&ccedil;&atilde;o
+&aacute; alegria do espirito e esmaltava as arengas de ditos
+facetos, julgados descabidos pelos austeros paes da patria; Borges
+Carneiro, o bom gigante, sempre em favor dos opprimidos, o qual acabava
+de ter estrondoso exito com o &laquo;Portugal regenerado&raquo;
+que em poucas semanas attingira tres edi&ccedil;&otilde;es.
+Era, talvez, o tribuno predilecto de Lisboa. Intrepido, claro, e
+simples sem vulgaridade, era o mais candido dos filhos dos homens.
+L&aacute; estava Moura, o primeiro orador portugu&ecirc;s das
+Côrtes, que n&atilde;o tardar&aacute; a travar com
+Antonio Carlos, Villela Barbosa e Lima Coutinho combates de titans.
+Attrahia, por&eacute;m, os olhares dos espectadores Fernandes
+Thomaz. J&aacute; se formava a lenda &aacute;cerca do grande
+var&atilde;o. Contava-se que, emquanto na forca e nas fogueiras de
+1817 estrebuchavam os amigos da liberdade, entre os quaes avultava a
+nobre e alta figura de Gomes Freire, elle tomara com a consciencia o
+compromisso de realizar o sonho das victimas ou de <a href="#e2">as</a>
+seguir no
+patibulo. Lisboa adorava-o. Doente, em consequencia do trabalho e das
+incertezas cruciantes a respeito do exito da revolta, quando se lhe
+agravava
+<span class="pagenum">[22]</span>
+o mal e n&atilde;o
+comparecia, por isso, &aacute;
+assembl&eacute;a, Lisboa inteira soffria<sup><a href="#Z26">[26]</a></sup>.
+<br />
+
+<br />
+
+O ministro da marinha, que o era tambem dos negocios ultramarinos,
+veiu, na sess&atilde;o de 16 de abril, communicar aos constituintes
+a noticia da proclama&ccedil;&atilde;o da liberdade
+constitucional na Bahia e que esta reconhecia a auctoridade das
+côrtes e do governo supremo. Semelhante
+resolu&ccedil;&atilde;o, ponderosa, determinaria Brasil inteiro
+a unir-se &aacute; causa de Portugal e persuadiria o rei da
+conveniencia de attender exclusivamente &aacute; vontade dos povos,
+rejeitados os alvitres reaccionarios de sua camarilha.<br />
+
+<br />
+
+Em seguida, o secretario leu o officio da junta bahiana. Declarava que,
+com os direitos recuperados, com a egualdade de vantagens e
+receprocidade de interesses, n&atilde;o deixaria de ser garantida a
+unidade do imperio lusitano, e mostrava-se confiante em que as
+côrtes
+lan&ccedil;ariam &laquo;os
+fundamentos da felicidade e considera&ccedil;&atilde;o a que o
+Brasil legitimamente aspirava.&raquo;<br />
+
+<br />
+
+&laquo;Emquanto o aperto do tempo, continuou o secretario a ler o
+officio, no silencio augusto da assembl&eacute;a, e as
+circumstancias n&atilde;o permittem que enviemos os deputados desta
+provincia, que devem trabalhar em commum com os nossos
+irm&atilde;os, rogamos ao soberano congresso nacional que receba as
+express&otilde;es de nossa mais sincera adhes&atilde;o e
+fraternal congratula&ccedil;&atilde;o pela
+sua gloriosa installa&ccedil;&atilde;o, e a
+seguran&ccedil;a do muito
+que o povo desta provincia e n&oacute;s em especial confiamos na
+<span class="pagenum">[23]</span>
+sua sabedoria, no seu zelo illustrado e no
+seu exaltado patriotismo, podendo certificar, em face do mesmo soberano
+congresso, que n&atilde;o haver&aacute; sacrificio que esta
+provincia n&atilde;o fa&ccedil;a para levar
+a cabo a grande obra em que estamos todos empenhados&raquo;.<br />
+
+<br />
+
+Antes que o secretario encetasse a leitura do segundo officio,
+Fernandes Thomaz levantou-se, e, a despeito do habito da tribuna, a
+commo&ccedil;&atilde;o lhe n&atilde;o consentiu
+sen&atilde;o exclamar:
+&laquo;Vivam os bahianos!&raquo; E, tres vezes, espectadores e
+deputados atroaram as salas do palacio com o mesmo brado de
+reconhecimento e de triumpho.<br />
+
+<br />
+
+Restabelecido o silencio, passou-se a ler o outro documento, no qual o
+governo solicitava algumas providencias para a defesa e
+fortifica&ccedil;&atilde;o
+da cidade. O presidente disse que a alegria e o enthusiasmo das
+côrtes correspondiam &aacute; importancia
+transcendente do sucesso e que, perante taes
+manifesta&ccedil;&otilde;es da vontade nacional, el-rei
+n&atilde;o podia deixar de a seguir. Frei Vicente da Soledade,
+deputado do Minho e arcebispo da Bahia, levantou-se para render
+gra&ccedil;as a Deus por t&atilde;o feliz acontecimento e
+supplicar-lhe consentisse a revolu&ccedil;&atilde;o por todos
+os Estados da monarchia, sem se derramar mais sangue do que aquelle que
+acab&aacute;ra de correr na forte provincia.<br />
+
+<br />
+
+Serenados os applausos, mais uma vez repetidos, ordenaram os deputados
+a partida immediata de um brigue, para levar &aacute; Bahia a
+resposta do governo e das Côrtes, e ao Rio e a todos os
+postos que haviam acclamado o novo regimen, as bases da
+constitui&ccedil;&atilde;o recentemente promulgadas.<sup><a href="#Z27">[27]</a></sup><br />
+
+<br />
+
+<br />
+
+<span class="pagenum">[24]</span>
+Fal&aacute;ra a Bahia com o sentimento da liberdade e a coragem
+civica que j&aacute;mais se desmentiram nos seus actos. O
+resentimento por haver cessado de ser a capital da colonia
+n&atilde;o lhe fez esquecer a solidariedade com as outras
+capitanias, das quaes nem de leve cogit&aacute;ra o
+Par&aacute;, e o seu patriotismo e agudo senso politico se
+affirmaram com a declara&ccedil;&atilde;o que, sem a egualdade,
+absoluta de direitos entre os povos dos dous hemispherios, correria
+perigo a integridade da monarchia.<br />
+
+<br />
+
+Na reuni&atilde;o immediata soaram no congresso
+informa&ccedil;&otilde;es fidedignas, embora sem cunho
+official, de haver Pernambuco acclamado o governo constitucional.<sup><a href="#Z28">[28]</a></sup>
+Emquanto as principaes provincias do norte se pronunciavam a favor da
+causa de Portugal, como ent&atilde;o se dizia, a côrte do
+Rio quedava-se n'um silencio extranho pela persistencia, explicado em
+cartas particulares de modo assustador para a
+regenera&ccedil;&atilde;o. Falavam em discordia nos conselhos
+da corôa: Thomaz Villanova de Portugal, o ministro de maior
+confian&ccedil;a e o principal favorito do monarcha, aconselhava
+resistencia desesperada ao liberalismo, e o conde de Palmella e o conde
+dos Arcos opinavam para que a realeza attendesse &aacute;s
+aspira&ccedil;&otilde;es do povo.<sup><a href="#Z29">[29]</a></sup>
+A attitude attribuida aos
+conselheiros nobres n&atilde;o inspirava ass&aacute;s
+confian&ccedil;a
+para attenuar o desassocego gerado pelas
+disposi&ccedil;&otilde;es do ministro plebeu, tanto mais que os
+regeneradores consideravam com desfavor o conde de Palmella.
+<span class="pagenum">[25]</span>
+Ninguem lhe contestava
+altos
+dotes politicos, mas a sua natureza aristocratica, o prestigio pessoal
+de que gozava nas côrtes extrangeiras, onde
+represent&aacute;ra o soberano, e, principalmente as
+opini&otilde;es expendidas na Madeira e na Bahia, por
+occasi&atilde;o de sua viagem ao Rio, no sentido de caber
+exclusivamente ao soberano o direito de convocar os representantes da
+na&ccedil;&atilde;o<sup><a href="#Z30">[30]</a></sup>,
+tornavam suspeitos os seus alvitres.<sup><a href="#Z31">[31]</a></sup>
+O congresso, que at&eacute; ent&atilde;o se abstivera de
+intervir nos
+negocios do Brasil, com receio de molestar o melindre d'el-rei e dos
+brasileiros<sup><a href="#Z32">[32]</a></sup>,
+entendeu judiciosamente que n&atilde;o podia
+persistir em tal modo de proceder, agora sobretudo que a Bahia lhe
+pedia soccorros para se defender.<br />
+
+<br />
+
+De onde poderia vir a aggress&atilde;o, que esse requerimento
+inculcava, para resistir &aacute; qual n&atilde;o bastavam as
+suas for&ccedil;as militares, inferiores
+s&oacute;mente &aacute;s for&ccedil;as do Rio de Janeiro?
+N&atilde;o do
+seu proprio seio, onde reinava seguran&ccedil;a e alegria e a
+acclama&ccedil;&atilde;o do regimen liberal se
+realiz&aacute;ra ass&aacute;s facilmente, porquanto as mortes e
+os ferimentos procediam mais da precipita&ccedil;&atilde;o e
+imprudencia do regimento de artilheria do que da necessidade de reduzir
+absolutistas convencidos;<sup><a href="#Z33">[33]</a></sup>
+n&atilde;o das terras septentrionaes,
+porque os bahianos deviam conhecer as suas sympathias pela causa
+constitucional;
+<span class="pagenum"><a name="p26">[26]</a></span>
+certamente
+do Rio, onde a influencia mais liberal procedia de homens, <a href="#e3">como o conde</a> de
+Palmella e o conde dos Arcos, que n&atilde;o mereciam a
+confian&ccedil;a
+dos regeneradores.<br />
+
+<br />
+
+Este mostr&aacute;ra-se violento e barbaro na repress&atilde;o
+da revolta pernambucana de 1817; e aquelle, contestando a legitimidade
+do parlamento, virtualmente aconselhava resistencia &aacute;s suas
+decis&otilde;es. &Aacute; regencia e ao Congresso corria,
+portanto, o dever imperioso de acudir &aacute; provincia generosa,
+contra o inimigo commum, e de promover todos os meios convenientes ao
+triumpho da
+insurrei&ccedil;&atilde;o, desterrado o escrupulo de
+magôar o soberano, que deixava entrev&ecirc;r
+disposi&ccedil;&otilde;es hostis. Ao mesmo passo que cuidavam
+de expedir tropas para a Bahia, promulgavam o decreto de 18 de abril.<br />
+
+<br />
+
+Reconhecia este acto as juntas creadas nas capitanias por
+occasi&atilde;o de se estabelecer o novo regimen; julgava
+benemeritos os que o haviam promovido e mandava proceder &aacute;
+elei&ccedil;&atilde;o
+dos deputados &aacute;s Côrtes no reino ultramarino, de
+accôrdo com o decreto de 22 de novembro de 1820.<br />
+
+<br />
+
+Escriptores ha que verberam o congresso por causa dessa providencia,
+com o fundamento de que assim provocou a
+desagrega&ccedil;&atilde;o do
+Brasil<sup><a href="#Z34">[34]</a></sup>.
+&Eacute; injusta a critica. Quando ella se tornou
+conhecida no ultramar, j&aacute; as principaes provincias
+septentrionaes haviam declarado, como vimos, pela
+revolu&ccedil;&atilde;o, recusando reconhecer a
+auctoridade do governo do Rio. O exemplo das irm&atilde;s do norte,
+o amor da liberdade e, mais que tudo,
+<span class="pagenum"><a name="p27">[27]</a></span>
+o empenho de <a href="#e4">ter a</a> autonomia na
+administra&ccedil;&atilde;o local certamente acabariam por
+imprimir ao sul brasileiro a orienta&ccedil;&atilde;o politica
+adoptada pelo Par&aacute; e pela Bahia, independentemente do
+decreto incriminado. De mais, as Côrtes n&atilde;o podiam
+obrar de modo differente. Emquanto n&atilde;o conheceram os
+sentimentos do novo reino &aacute;cerca da revolta, com prudencia e
+discre&ccedil;&atilde;o, notavelmente raras em epocas revoltas,
+n&atilde;o interferiram nos negocios ultramarinos; desde,
+por&eacute;m, que o Par&aacute;, Pernambuco e Bahia lhe
+protestaram apoio, n&atilde;o lhes era licito recusarem concurso
+t&atilde;o espontaneo qu&atilde;o precioso, sem merecerem
+aspera censura. N&atilde;o sanccionando os seus actos, violavam a
+solidariedade com os partidarios, e, deixando de lhes dar lei
+eleitoral, geravam a desconfian&ccedil;a de que intentavam vedar
+aos ultramarinos a participa&ccedil;&atilde;o,
+na representa&ccedil;&atilde;o nacional, e vinham desse modo a
+faltar &aacute; promessa de egualdade politica aos
+portugu&ecirc;ses d'aquem e d'alem-mar, formulada nos manifestos.<br />
+
+<br />
+
+Na noite de 27 de abril, com a chegada da fragata &laquo;Maria da
+Gloria&raquo;, houve noticias do Rio que desopprimiram Lisboa da
+anciedade febril, gerada da mudez do rei.&#8213;Estava o ministro da marinha
+no theatro S. Carlos, quando lhe levaram o correio da America.
+Transportado de jubilo com o juramento da futura
+constitui&ccedil;&atilde;o pelo monarcha, transmittiu aos
+espectadores a fausta nova. Apoderou-se do publico verdadeiro delirio;
+os artistas cantaram o hymno, as mulheres choraram e os poetas
+improvisaram. F&oacute;ra, arrancavam-se aos vendedores os
+supplementos dos jornaes; illuminaram-se as casas; dos fogos de
+artificio choveram toda a noite flores de luz e estrellas sobre a
+cidade sem somno, e na manh&atilde; seguinte
+<span class="pagenum"><a name="p28">[28]</a></span>
+as duzentas egrejas de Lisboa annunciaram
+ao c&eacute;o a alegria dos homens<sup><a href="#Z35">[35]</a></sup>.
+<br />
+
+<br />
+
+O povo, que desde cedo fervia nas immedia&ccedil;&otilde;es,
+invadiu, &aacute; abertura, o palacio das Côrtes, com a
+impetuosidade de inunda&ccedil;&atilde;o e alastrou-se por toda
+a parte, sem respeito aos logares reservados. Cobriu de flores e louros
+as cadeiras dos representantes, acclamados como triumphadores. O
+presidente do congresso alterou a ordem do dia, para n&atilde;o
+retardar o prazer de confirmar a noticia. Feito o que e descoberto o
+retrato de D. Jo&atilde;o VI, &laquo;o melhor dos
+soberanos&raquo;, os
+vivas resoaram no recinto e <a href="#e5">nas</a>
+tribunas, com indizivel enthusiasmo,
+como assignala o Diario das Côrtes. Borges Carneiro na
+embriaguez do sonho de paz universal, pregou a
+reconcilia&ccedil;&atilde;o para todo o sempre e rematou
+propondo &laquo;fossem expedidas ordens mui positivas &aacute;s
+rela&ccedil;&otilde;es e
+juizes contenciosos para que tratem de extirpar e abreviar as demandas,
+interminavel origem de odios e dissens&otilde;es, devendo o
+innumeravel exercito que vive deste sordido e cruel mister de demandas
+e disputas forenses, ir procurar outro modo de vida&raquo;.<br />
+
+<br />
+
+Serenado o rumor formidavel levantado por t&atilde;o ingenuo
+requerimento, apoiado s&oacute;mente por Sarmento, Castello-Branco
+aconselhou a calma. A obra de reconstitui&ccedil;&atilde;o
+social, que
+come&ccedil;&aacute;ra bem, estava ainda muito longe do termo;
+cumpria n&atilde;o a comprometter com enthusiasmo f&oacute;ra
+de tempo.<sup><a href="#Z36">[36]</a></sup>
+<br />
+
+<br />
+
+De nada valeu o conselho prudente. Ap&oacute;s as incertezas
+angustiosas em que todos haviam
+<span class="pagenum"><a name="p29">[29]</a></span>
+vivido durante semanas interminaveis,
+espectadores e deputados queriam ter, ao menos, um dia a
+illus&atilde;o consoladora de que o futuro se patenteava claro e
+ridente.<br />
+
+<br />
+
+A mesa do Congresso e o governo resolveram ent&atilde;o
+n&atilde;o fazer
+communica&ccedil;&otilde;es nem suscitar debates que pudessem
+turvar a alegria geral.<br />
+
+<br />
+
+Demais, a nova grave, que vinha da ilha da Terceira, onde a
+contra-revolu&ccedil;&atilde;o triumphava, perd&ecirc;ra a
+importancia com a adhes&atilde;o do rei
+&aacute; nova ordem de cousas. Conhecida na ilha, dissiparia
+certamente as resistencias do bispo e do governador reaccionarios, com
+a facilidade com que o sol desfaz os nevoeiros dos valles e das <a href="#e6">grotas</a>.
+<br />
+
+<br />
+
+O enthusiasmo persistiu por toda a reuni&atilde;o na mesma nota
+aguda. Foi o dia mais feliz das Côrtes.<br />
+
+<br />
+
+<br />
+
+<br />
+
+<h3><a name="c3"></a>CAPITULO III</h3>
+
+<br />
+
+<div class="intro1">SUMMARIO:<br />
+
+<br />
+
+<em>O conde de Palmella.&#8213;Hesita&ccedil;&atilde;o
+d'el-rei&#8213;O decreto de 18 de
+fevereiro.&#8213;Irrita&ccedil;&atilde;o popular.&#8213;A junta
+consultiva.&#8213;26 de fevereiro.&#8213;O rei resolve partir.&#8213;Protestos do
+commercio.&#8213;Reuni&atilde;o dos eleitores na pra&ccedil;a do
+commercio.&#8213;Providencias de Silvestre
+Pinheiro.&#8213;Dissolu&ccedil;&atilde;o violenta da
+assembl&eacute;a.&#8213;Os poderes da regencia.&#8213;Embarque do rei.</em>
+</div>
+
+<br />
+
+<br />
+
+<br />
+
+Antes de proseguirmos no estudo das sess&otilde;es das
+Côrtes, devemos expôr os acontecimentos
+determinantes do regresso do rei, sem <a href="#e7">o que</a>
+n&atilde;o
+conheceremos a agita&ccedil;&atilde;o creada nos animos
+fluminenses com a revolta portugu&ecirc;sa,
+agita&ccedil;&atilde;o que,
+com desenvolver o sentimento da liberdade e o civismo, deram em
+resultado a independencia.<br />
+
+<br />
+
+Quando, aos 12 de outubro, o brigue &laquo;Providencia&raquo;
+trouxe ao Rio a noticia da insurrei&ccedil;&atilde;o do Porto,
+do gabinete 24 de junho de 1817 n&atilde;o havia sen&atilde;o
+dous ministros, o conde dos Arcos e Thomaz Antonio Villanova de
+Portugal.<br />
+
+<br />
+
+O conde de Palmella ainda n&atilde;o viera tomar conta dos negocios
+extrangeiros e da guerra,
+<span class="pagenum">[31]</span>
+retido na Europa por miss&otilde;es diplomaticas e interesses
+privados. El-rei e o seu conselho n&atilde;o se inquietaram com o
+grave successo, persuadidos de que o levante morreria com as medidas
+liberalizadas pela regencia e confirmadas pelo monarcha: a
+convoca&ccedil;&atilde;o das côrtes antigas e a
+amnistia dos rebeldes. Em novembro, por&eacute;m, o panico foi
+enorme com a communica&ccedil;&atilde;o de que a revolta,
+victoriosa em Lisboa a 15 de setembro, se aposs&aacute;ra do poder
+e se estendia por todo o Reino, atrav&eacute;s de
+aclama&ccedil;&otilde;es enthusiasticas.
+O rei, atordoado e desfeito,<sup><a href="#Z37">[37]</a></sup>
+quiz ouvir pessoas de todas as classes
+e de todas as gradua&ccedil;&otilde;es, e pessoas de todas as
+classes e de todas as gradua&ccedil;&otilde;es acudiram a
+emittir o seu voto. Uns n&atilde;o vieram sen&atilde;o para
+dizer que haviam previsto o temeroso acontecimento; muitos lamentavam
+se n&atilde;o terem tomado determinadas providencias. Dos que
+encaravam o presente, os alvitres foram em extremo discordantes.<br />
+
+<br />
+
+Alguns, acaso por caridade, para tranquillizarem o rei pusillanime, ou
+por ignorancia, affirmavam que n&atilde;o havia materia para
+inquieta&ccedil;&atilde;o. Em breve os revoltosos se
+arrastariam aos p&eacute;s de S. Magestade, invocando a
+r&eacute;gia misericordia, e caso o n&atilde;o fizessem, ahi
+estavam para os domar os exercitos da Santa Allian&ccedil;a, os
+quaes invadiriam Portugal &aacute;
+solicita&ccedil;&atilde;o d'el-rei.
+Outros, considerando extincta a monarchia no velho reino, opinavam pelo
+abandono daquelle <em>miseravel peda&ccedil;o de
+terra</em>, e que todos os desvelos da corôa se
+applicassem ao Brasil, rico e em progresso. F&oacute;ra desses
+pareceres
+<span class="pagenum"><a name="p32">[32]</a></span>
+extremos, estavam os moderados, com
+divergencias menos sensiveis. Quaes aconselhavam a
+restitui&ccedil;&atilde;o d'el-rei &aacute; metropole, a
+fim de dirigir a revolu&ccedil;&atilde;o e manter os direitos
+da
+dynastia; quaes se inclinavam &aacute; partida do principe, por
+convir a presen&ccedil;a do soberano no Brasil para sustar qualquer
+innova&ccedil;&atilde;o, at&eacute;
+&aacute; feitura no velho reino da carta constitucional, destinada
+a todos os Estados da monarchia<sup><a href="#Z38">[38]</a></sup>.
+<br />
+
+<br />
+
+No ministerio n&atilde;o havia mais concordancia do que na massa
+confusa dos conselheiros effectivos e improvisados. Thomaz Antonio, o
+principal valido e o ministro mais escutado, ponderava que os rebeldes
+acabariam por verificar que sem o concurso d'el-rei nada fariam.
+Ent&atilde;o, S. M. mostraria o seu paternal
+cora&ccedil;&atilde;o, interessando-se
+novamente pelo velho reino, e lhe dictaria leis a seu inteiro
+aprazimento. O monarcha ou qualquer pessoa de sua familia volveria,
+nesse caso, certo da tranquillidade; substituiria o governo
+revolucionario por pessoas de sua confian&ccedil;a, admittindo na
+nova administra&ccedil;&atilde;o alguns dos insurrectos;
+dissolveria o congresso constituinte e convocaria as côrtes
+velhas,&#8213;clero, nobreza e povo&#8213;meramente consultivas. O que importava
+era acautelar o Brasil do fogo revolucionario<sup><a href="#Z39">[39]</a></sup>.
+<br />
+
+<br />
+
+O conde de Palmella notava judiciosamente, mais tarde, que esse
+projecto, conveniente <a href="#e8">outr'ora</a>,
+j&aacute; n&atilde;o satisfazia &aacute;s
+aspira&ccedil;&otilde;es. Esquecia-se tambem o primeiro
+ministro de indigitar as medidas
+<span class="pagenum">[33]</span>
+capazes de resguardar
+o novo reino do liberalismo, que, sob a f&oacute;rma de governo
+representativo, avassallava os povos da Europa e da America.<br />
+
+<br />
+
+Do conde dos Arcos, que n&atilde;o gozava da confian&ccedil;a
+do monarcha<sup><a href="#Z40">[40]</a></sup>
+sabia-se apenas que parecia favoravel &aacute;s
+reivindica&ccedil;&otilde;es
+populares, sem se conhecer o seu plano.<br />
+
+<br />
+
+O conde de Palmella, aguardado com anciedade, afinal chegou aos 23 de
+dezembro, para reger a secretaria da guerra e dos extrangeiros. Ficou
+surpreso por n&atilde;o haver ainda o soberano tomado
+decis&atilde;o alguma, e opinou que os navios surtos no Rio
+n&atilde;o levantassem ferro, fosse qual fosse o destino, sem
+levarem as resolu&ccedil;&otilde;es reaes,
+vista a inquieta&ccedil;&atilde;o do Brasil e de Portugal.<sup><a href="#Z41">[41]</a></sup> A
+expectativa prolongada indefinidamente arriscaria a aggravar a
+situa&ccedil;&atilde;o na antiga metropole e provocaria a
+adhes&atilde;o do novo reino &aacute; revolta. Sem perda de
+tempo, submetteu a el-rei o seu plano. S. Magestade devia mandar o
+principe real em companhia do conde dos Arcos a Lisboa, a fim de
+propôr &aacute;s Côrtes as bases de
+uma constitui&ccedil;&atilde;o liberal com duas camaras, e ao
+mesmo
+tempo convocar no Rio uma assembl&eacute;a de procuradores das
+camaras e villas, para a
+elabora&ccedil;&atilde;o da carta constitucional applicavel
+&aacute; antiga colonia<sup><a href="#Z42">[42]</a></sup>.
+<br />
+
+<br />
+
+N&atilde;o se p&oacute;de prev&ecirc;r se esse projecto
+vingaria
+<span class="pagenum">[34]</span>
+a termos de assegurar a integridade da
+monarchia, mas certamente n&atilde;o desabona a intelligencia do
+seu auctor, reconhecida, ali&aacute;s, at&eacute; pelos
+proprios adversarios. O subtrahir a antiga colonia &aacute;
+sujei&ccedil;&atilde;o das
+Côrtes e o enviar D. Pedro a Lisboa, onde crearia um partido
+ass&aacute;s forte, para fazer medrar o projecto, eram porventura o
+unico meio de conservar unidos os dous reinos e de tornar proficuo o
+trabalho das constituintes portugu&ecirc;sas.<br />
+
+<br />
+
+A proposta encontrou resistencia, e o fino diplomata para a vencer
+condescendeu com modificar o plano, na parte concernente ao Brasil,
+onde o descontentamento do regimen se n&atilde;o
+manifest&aacute;ra com violencia. Em vez de juntar em
+côrtes os representantes eleitos das camaras e villas,
+consentiu na consulta aos brasileiros conspicuos &aacute;cerca das
+necessidades da patria e das providencias convenientes &aacute;
+satisfa&ccedil;&atilde;o
+d'ellas e advertiu a urgencia de leis que definissem o poder dos
+governadores.<sup><a href="#Z43">[43]</a></sup>
+Ao mesmo tempo, inquieto, procurou ordenar as cousas
+militares. Officiaes despachados para as provincias n&atilde;o
+seguiam para o seu destino, e outros vinham &aacute;
+Côrte sem licen&ccedil;a, todos com raz&otilde;es
+inconsistentes.
+Prescreve o pagamento dos soldos em atrazo, e aos que devem partir,
+al&eacute;m das comedorias de estylo, que se lhes adiante o
+vencimento de tres m&ecirc;ses<sup><a href="#Z44">[44]</a></sup>.
+<br />
+
+<br />
+
+Aos 17 de fevereiro, um navio ingl&ecirc;s trouxe a nova temida de
+haver alcan&ccedil;ado victoria na Bahia a
+revolu&ccedil;&atilde;o de Portugal. Informado do
+<span class="pagenum"><a name="p35">[35]</a></span>
+successo pelo embaixador de Inglaterra,
+Palmella &laquo;com dôr no cora&ccedil;&atilde;o
+e
+lagrimas de raiva&raquo; participa ao soberano o facto. Havia tanto
+tempo pregava que na conjunctura a inac&ccedil;&atilde;o era a
+peior das politicas!<br />
+
+<br />
+
+Pondera a conveniencia de um conselho immediato dos ministros e de
+antem&atilde;o impugna as preten&ccedil;&otilde;es de
+resistencia ao movimento, allegando
+que o governo n&atilde;o p&oacute;de contar com o exercito<sup><a href="#Z45">[45]</a></sup>.<br />
+
+<br />
+
+A defec&ccedil;&atilde;o da Bahia, com revelar n&atilde;o
+se <a href="#e9">illudir</a> o diplomata, quando
+julgava urgente medidas liberaes para
+prevenir a annuencia do novo reino &aacute; causa de Portugal,
+augmentou-lhe o prestigio no palacio e amolleceu a
+opposi&ccedil;&atilde;o que lhe creava Thomaz Antonio
+&laquo;o mais inepto e lisonjeiro dos homens&raquo;.<sup><a href="#Z46">[46]</a></sup> Antigo
+magistrado, o longo exercicio da profiss&atilde;o tir&aacute;ra
+a Thomaz Antonio a resolu&ccedil;&atilde;o, a iniciativa; pouco
+intelligente e
+cortes&atilde;o, n&atilde;o enxergava nas
+revolu&ccedil;&otilde;es que
+encaminhavam os povos europeus para o regimen representativo mais que
+os excessos, principalmente as violencias contra os soberanos.
+N&atilde;o reconhecia que, em consequencia do desenvolvimento da
+instruc&ccedil;&atilde;o, a doutrina da origem divina da
+realeza cedia por toda a parte ao principio de que os reis
+n&atilde;o passavam de delegados do povo, e deviam-lhe portanto
+contas dos seus actos.<br />
+
+<br />
+
+Ao conde dos Arcos repugnava o projecto de
+<span class="pagenum">[36]</span>
+Palmella, porque fazia partir o
+principe herdeiro, com quem pretendia ficar no Brasil para realizar os
+seus sonhos de gloria.<br />
+
+<br />
+
+Palmella, o mais atilado e o mais patriota dos ministros n'essa grave
+conjunc&ccedil;&atilde;o, aproveitou
+com vivacidade do seu ascendente inesperado nos conselhos da
+Corôa, para restaurar na integridade primitiva o seu projecto
+e reclamar a prompta execu&ccedil;&atilde;o de certas medidas.<br />
+
+<br />
+
+Urge o embarque de D. Pedro no termo de oito dias e os procuradores
+eleitos devem reunir-se em Côrtes dentro de seis mezes. Ha
+todavia outros assumptos que exigem solu&ccedil;&atilde;o
+prompta. A gest&atilde;o da fazenda publica, o pagamento
+&aacute; divis&atilde;o do Rio da Prata, a
+reorganisa&ccedil;&atilde;o do exercito, a
+administra&ccedil;&atilde;o da justi&ccedil;a e
+as attribui&ccedil;&otilde;es dos capit&atilde;es-generaes
+demandam a
+atten&ccedil;&atilde;o diligente da corôa. Remata a
+s&eacute;rie de reformas improrogaveis com a suppress&atilde;o
+da &laquo;fatal al&ccedil;ada de Pernambuco&raquo;.<sup><a href="#Z47">[47]</a></sup>
+Referia-se ao tribunal creado para punir os revolucionarios de 1817,
+tribunal maldito, que envolveu os derradeiros annos de D.
+Jo&atilde;o VI no Brasil no rumor lugubre de forcas que se
+levantam, de grilh&otilde;es arrastados e de solu&ccedil;os de
+dôr e de miseria de centenares de victimas.<br />
+
+<br />
+
+Discutiu-se com calor a proposta. Nada mais duro aos homens que a
+limita&ccedil;&atilde;o do seu poder, principalmente aos reis:
+representantes da Divindade como entrevira o paganismo e affirmavam com
+seguran&ccedil;a os pr&oacute;ceres da Egreja como se
+h&atilde;o de submetter &aacute; vontade dos povos? D.
+Jo&atilde;o
+<span class="pagenum">[37]</span>
+VI n&atilde;o escapou &aacute; regra geral.
+Custava-lhe em &ecirc;xtremo prestar contas do producto dos
+impostos, n&atilde;o distribuir pens&otilde;es aos amigos, a
+seu prazer, n&atilde;o ter em suas m&atilde;os a liberdade e a
+propriedade dos subditos, n&atilde;o governar, em summa, a seu
+inteiro arbitrio. Estava prompto a convocar os delegados das camaras e
+villas do Brasil para os consultar &aacute;cerca das necessidades
+do paiz e dos meios de as prov&ecirc;r, mas se n&atilde;o
+resignava a enviar o filho a Portugal para reconhecer a independencia
+do poder judicial, a liberdade individual, promover a
+reparti&ccedil;&atilde;o egual dos impostos, declarar a
+responsabilidade dos ministros e attribuir o poder legislativo
+cumulativamente &aacute; corôa e &aacute;s
+assembl&eacute;as eleitas pelo
+povo<sup><a href="#Z48">[48]</a></sup>. O
+filho iria, &eacute; certo, mas simplesmente
+&laquo;para ouvir as representa&ccedil;&otilde;es e queixas
+dos povos e para estabelecer as reformas, os melhoramentos e as leis
+que pudessem consolidar a constitui&ccedil;&atilde;o
+portuguesa&raquo;<sup><a href="#Z49">[49]</a></sup>.
+<br />
+
+<br />
+
+N&atilde;o havia mist&eacute;r de referir com
+individua&ccedil;&atilde;o aos fundamentos da carta
+constitucional propostos pelo ministro dos estrangeiros. Palmella
+retrucou com vivacidade que, sem a men&ccedil;&atilde;o
+d'aquelles pontos substanciaes, se tornava por demais vago o pensamento
+da Corôa sobre o assumpto para inspirar confian&ccedil;a
+aos vassallos e por conseguinte, o rei n&atilde;o lograria desarmar
+a revolu&ccedil;&atilde;o. Na ignorancia do que lhes offerecia
+o soberano, os subditos prefeririam estar com o governo rebelde de
+Lisboa, que lhes promett&ecirc;ra
+<span class="pagenum"><a name="p38">[38]</a></span>
+uma constitui&ccedil;&atilde;o mais liberal do que a
+hespanhola. Uma vez que o monarcha n&atilde;o dispunha de
+for&ccedil;as para reprimir a insurrei&ccedil;&atilde;o,
+importava pactuar com ella e prestar-lhe o concurso leal de sua
+experiencia dos negocios publicos. Essa attitude lhe grangearia a
+confian&ccedil;a da na&ccedil;&atilde;o e
+teria a inestimavel vantagem de o forrar &aacute;
+humilha&ccedil;&atilde;o de receber a carta constitucional que
+as Côrtes lhe quizessem impôr. A contra-gosto, D.
+Jo&atilde;o VI e Thomaz Antonio cederam &aacute;s
+pondera&ccedil;&otilde;es irrefragaveis do ministro dos
+estrangeiros<sup><a href="#Z50">[50]</a></sup>.
+<br />
+
+<br />
+
+No correr do debate, Thomaz Antonio lembrou a conveniencia de chamar em
+junta, promptamente, pessoas conspicuas do <a href="#e10">Rio</a>,
+e da qual fariam parte
+os procuradores das camaras e villas, &aacute; medida que
+chegassem, com o fim de se estudarem as reformas accommodadas ao paiz.
+Adiantava-se d'esse modo, allegava o proponente, o trabalho da
+assembl&eacute;a brasileira, porque, quando se reunisse, grande
+parte de seus membros havendo j&aacute; accordado sobre as
+providencias, rapido se tornava o exame de cada uma d'ellas. Conforme
+Silvestre Pinheiro, envolvia semelhante
+proposi&ccedil;&atilde;o o intuito diabolico de frustrar o
+projecto, porquanto a reuni&atilde;o preparatoria n&atilde;o
+daria fructo ou teria resultado differente do que esperava o ministro
+dos Estrangeiros; e qualquer das hypotheses enfraqueceria o seu
+prestigio.<br />
+
+<br />
+
+Dada a derradeira m&atilde;o &aacute; proposta, o illustre
+diplomata, conhecedor da avers&atilde;o do soberano ao regimen
+constitucional e das complacencias servis de Thomaz Antonio, remette-a
+ao rei com a seguinte
+<span class="pagenum"><a name="p39">[39]</a></span>
+intimativa: &laquo;Olhe V. M. que, se
+publicar
+s&oacute; a metade do projecto de lei, nem contentar&aacute; os
+portugu&ecirc;ses europeus residentes n'esta côrte
+(classe muito numerosa e importante) nem a Bahia, nem as outras
+provincias, que talvez a esta hora j&aacute; estejam
+sublevadas&raquo;. Se o fizer, dispense-o immediatamente do cargo:
+n&atilde;o quer assistir como seu ministro &laquo;&aacute;
+ultima e fatal scena da
+dissolu&ccedil;&atilde;o da monarchia&raquo;<sup><a href="#Z51">[51]</a></sup>.<br />
+
+<br />
+
+N&atilde;o eram v&atilde;s as suas apprehens&otilde;es. O
+temperamento absolutista de D. Jo&atilde;o VI e a subserviencia do
+principal favorito mutilaram o plano do diplomata, considerado, pelos
+cortez&atilde;os, agente dos revolucionarios e liberal exaltado<sup><a href="#Z52">[52]</a></sup>.
+Expurgiram d'elle os <a href="#e11">artigos</a>
+substanciaes da
+futura constitui&ccedil;&atilde;o, os quaes pela
+precis&atilde;o
+davam seriedade ao compromisso e deixavam generalidades demasiado
+vagas, para merecerem f&eacute;. Na parte, por&eacute;m,
+relativa ao Brasil, conservaram o projecto tal qual fôra
+concertado no conselho.<br />
+
+<br />
+
+&Eacute; o famoso decreto de 18 de fevereiro, publicado juntamente
+com a provis&atilde;o de 23, que nomeava os membros da junta
+consultiva. Ali annunciava o soberano a partida de D. Pedro para a
+Europa, a fim de promover as reformas e melhoramentos necessarios
+&aacute;
+consolida&ccedil;&atilde;o do pacto social, sem poderes,
+todavia, para approvar em nome do monarcha a mesma
+constitui&ccedil;&atilde;o. Ao mesmo passo, convocava em
+côrtes no Rio os procuradores eleitos pelas camaras das
+cidades e villas de juizes lettrados, n&atilde;o s&oacute; do
+Brasil, mas
+<span class="pagenum"><a name="p40">[40]</a></span>
+tambem das Ilhas, para
+examinarem as disposi&ccedil;&otilde;es constitucionaes
+applicaveis ao novo reino e aos dominios ultramarinos e
+propôrem as medidas conducentes &aacute; prosperidade da
+antiga colonia.<br />
+
+<br />
+
+Palmella pede excusa para n&atilde;o comparecer ao despacho de 24.
+Soffre horrivelmente e est&aacute; desnorteado com o <a href="#e12">truncamento</a> da
+sua proposi&ccedil;&atilde;o. Tem phrases de singular energia.
+&laquo;Meias medidas revelando impossibilidade de fazer resistencia
+e repugnancia em fazer concess&otilde;es constituem a mais infeliz
+das politicas... Sem lisura a monarchia se n&atilde;o
+p&oacute;de salvar...&raquo;<br />
+
+<br />
+
+Acaba solicitando a sua exonera&ccedil;&atilde;o, que
+conservar&aacute;, todavia, secreta, para n&atilde;o suscitar
+embara&ccedil;os ao governo e para que se lhe n&atilde;o
+attribuam desejos de popularidade.<br />
+
+<br />
+
+Negou-lh'a el-rei, e no dia immediato o illustre conde presidiu em sua
+casa &aacute; primeira e unica sess&atilde;o da junta
+consultiva.<br />
+
+<br />
+
+Os decretos desagradaram a todos. Os portugu&ecirc;ses esbravejavam
+contra a resolu&ccedil;&atilde;o, que subtrahia o Brasil
+&aacute; constitui&ccedil;&atilde;o da
+metropole e &aacute;s Côrtes Geraes de Lisboa, receiosos
+do
+afrouxamento da uni&atilde;o. Os officiaes e soldados do Reino
+mostravam-se particularmente irritados com a partida do principe e
+n&atilde;o do rei, visto que, emquanto n&atilde;o volvesse o
+throno &aacute; antiga s&eacute;de da
+monarchia, lhes falleceria esperan&ccedil;a de prompto regresso
+&aacute; patria. Os golpes do amor-proprio s&atilde;o os mais
+duros de supportar, e o governo teve a desgra&ccedil;a de maltratar
+rudemente a philaucia dos reinoes com dar preponderancia na
+composi&ccedil;&atilde;o da junta ao elemento indigena.
+At&eacute; agora excluidos dos conselhos da corôa e da
+alta
+administra&ccedil;&atilde;o civil e militar, os brasileiros
+iam, na verdade, pela
+<span class="pagenum">[41]</span>
+primeira vez, ter voz nos destinos da sua terra. Isto,
+por&eacute;m, que os satisfaria pouco antes, agora lhes
+n&atilde;o sorria, em virtude das exigencias crescentes do espirito
+liberal, desenvolvido com os successos, da m&atilde;e-patria e
+porque attribuiam ao governo o intento de negar ao Brasil vantagens
+reconhecidas a Portugal. Assim, emquanto neste as côrtes eram
+legislativas, suppunham que no novo reino a futura assembl&eacute;a
+n&atilde;o passaria de corpo consultivo.<br />
+
+<br />
+
+A effervescencia dos animos attingira o paroxysmo. Nos quarteis a
+agita&ccedil;&atilde;o sobresaltava o ministro, e nas ruas
+arrancavam-se os editaes apenas affixados, quando os n&atilde;o
+enxovalhavam com immundicies<sup><a href="#Z53">[53]</a></sup>.
+<br />
+
+<br />
+
+O dia 25 era domingo, e uma côrte devota devia observar com
+rigor a prescrip&ccedil;&atilde;o do
+descanso. Palmella, sem tempo a perder e julgando porventura que essa
+particularidade quadrava &aacute; maravilha com o seu intento de
+mostrar anciedade pela prompta organiza&ccedil;&atilde;o do
+Brasil, n&atilde;o cedeu ao escrupulo religioso do pa&ccedil;o.
+Realizou-se a sess&atilde;o em sua casa, na cidade nova, a qual,
+por ser a caminho da quinta real da Boa-Vista, se cobria agora de casas
+&laquo;n&atilde;o raro de bellas frontarias&raquo;<sup><a href="#Z54">[54]</a></sup>.<br />
+
+<br />
+
+Da assembl&eacute;a iniciada &aacute;s 11 da manh&atilde; e
+concluida &aacute;s 6 da tarde, pouco ou nada se sabe, e se
+n&atilde;o p&oacute;de deixar de sentir que os coevos
+n&atilde;o nos tenham revelado os pensamentos dos primeiros
+brasileiros juntos em côrtes.
+<br />
+
+<br />
+
+<span class="pagenum">[42]</span>
+Silvestre Pinheiro reconhece nos que a compunham,
+illustra&ccedil;&atilde;o, virtude e patriotismo, mas, com
+principios t&atilde;o oppostos que n&atilde;o era licito
+esperar do conselho resultado proveitoso<sup><a href="#Z55">[55]</a></sup>.
+Outros contemporaneos
+n&atilde;o s&atilde;o mais explicitos. O nosso chronista
+assignala, comtudo, que, depois de muito pelejar, Palmella logrou
+persuadir a junta da conveniencia da partida do principe e
+n&atilde;o do monarcha<sup><a href="#Z56">[56]</a></sup>.
+Assim, num congresso de 20 pessoas, das
+quaes apenas tres eram portugu&ecirc;ses,<sup><a href="#Z57">[57]</a></sup>
+houve dezesete
+brasileiros, dos quaes muitos funccionarios publicos, que
+n&atilde;o temeram affrontar o desagrado r&eacute;gio e do
+poderoso Thomaz Antonio, opinando com insistencia pela
+restitui&ccedil;&atilde;o
+&aacute; Europa do velho soberano, convencidos acaso de que
+n&atilde;o poderia governar constitucionalmente quem
+exerc&ecirc;ra o despotismo, ou de que n&atilde;o havia meio
+mais efficaz para encaminhar os negocios no sentido da
+independencia<sup><a href="#Z58">[58]</a></sup>.
+<br />
+
+<br />
+
+N&atilde;o &eacute; temerario suppor que se valeram do ensejo
+os nossos fortes antepassados para verberar o decreto de 18 de
+fevereiro referendado aos 22 pelo ministro do reino, o qual
+sobresaltava a opini&atilde;o. Faziam parte da reuni&atilde;o o
+desembargador Luiz Jos&eacute; de Carvalho e Mello, o futuro
+visconde da Cachoeira e um dos auctores da
+constitui&ccedil;&atilde;o de 1824, o desembargador
+Jos&eacute; Severiano Maciel da Costa, uma das personagens
+<span class="pagenum">[43]</span>
+mais conceituadas da epoca pelo saber,
+criterio e virtudes e que governara com lustre a Guyana conquistada aos
+franc&ecirc;ses e Marianno da Fonseca. Este, o futuro
+marqu&ecirc;s de Maric&aacute;, muito palrador e que agora
+tinha a delicada incumbencia da censura, havia de querer desaggravar-se
+de um regimen que o retivera no carcere, por occasi&atilde;o da
+conjura&ccedil;&atilde;o mineira, mais
+de dous annos sob o pretexto de que sympathisava com as ideias da
+revolu&ccedil;&atilde;o franc&ecirc;sa.<sup><a href="#Z59">[59]</a></sup> O
+liberalismo de Carvalho e Mello e de Jo&atilde;o Severiano parecia
+t&atilde;o adiantado que muitos imputaram a
+deten&ccedil;&atilde;o d'elles alguns dias mais tarde
+&aacute;s suas tendencias republicanas<sup><a href="#Z60">[60]</a></sup>.
+<br />
+
+<br />
+
+Provavelmente ponderaram os nossos maiores que com recusar o famoso
+decreto representantes &aacute;s villas destituidas de juizes
+lettrados, deixava &aacute; revelia interesses de vasta
+extens&atilde;o do
+Brasil e creava um principio de direito publico, desconhecido dos
+escriptores. Al&eacute;m de serem todas as terras de Portugal
+apresentadas no futuro congresso de Lisboa, teria este
+func&ccedil;&atilde;o
+legislativa, ao passo que as côrtes do novo reino
+n&atilde;o transpori&atilde;o os limites acanhados de
+assembl&eacute;a
+<span class="pagenum"><a name="p44">[44]</a></span>
+consultiva. N&atilde;o se podia aceitar
+para as duas sec&ccedil;&otilde;es da monarchia sujeitas
+&aacute;s
+mesmas leis e institui&ccedil;&otilde;es e ligadas pela
+identidade de sangue,
+de lingua, e costume t&atilde;o flagrante desegualdade, affrontosa
+ao Brasil. N&atilde;o era licita a
+allega&ccedil;&atilde;o de falta de homens cultos n'esta parte
+da na&ccedil;&atilde;o para
+cohonestar a injusti&ccedil;a. Jos&eacute; Bonifacio, paulista,
+inaugurara a cadeira de mineralogia na universidade de Coimbra, onde
+leccionavam cursos medicos o fluminense Angelo Ferreira Diniz e o
+pernambucano Jos&eacute; Corr&ecirc;a Pican&ccedil;o. Na
+academia Real de Marinha de Lisboa professava com applauso outro
+fluminense, Francisco Villela Barbosa. Na magistratura emparelhava com
+os primeiros nas sciencias juridicas o bahiano Vicente Ferreira
+Cardoso, desembargador da rela&ccedil;&atilde;o do Porto.
+N&atilde;o s&atilde;o dos menores ornamentos do alto clero, os
+brasileiros D. Francisco de Lemos, bispo de Coimbra e egregio
+reformador da famosa universidade, e D. Jos&eacute; de Azeredo
+Coutinho, inquisidor-m&oacute;r e ex-bispo d'Elvas. Na imprensa
+portugu&ecirc;sa de Londres, Hipolito da Costa, que a iniciou,
+n&atilde;o vale menos que o europeu Jos&eacute;
+Liberato. Mais de quinze brasileiros figuram com honra entre os socios
+da Academia Real de Sciencias de Lisboa. Ao lado d'essas figuras
+eminentes que continuam a servir ao governo na metropole, quantos
+outros ahi n&atilde;o fizeram sen&atilde;o se instruir e
+volveram ao Brasil onde d&atilde;o luzimento &aacute; grande
+familia portugu&ecirc;sa? Quem nas lettras de um e outro reino
+occupa mais alto logar que o fluminense Antonio de Moraes e Silva? Se
+no tocante &aacute; alta cultura o Brasil vale Portugal, lhe
+n&atilde;o &eacute; inferior na <a href="#e13">instruc&ccedil;&atilde;o</a>
+primaria, excluida da
+sua popula&ccedil;&atilde;o a gente escrava. O elemento servil
+que empesta a America n&atilde;o &eacute; t&atilde;o pouco
+motivo
+<span class="pagenum">[45]</span>
+para lhe regatearem o
+governo representativo, porque um e outro coexistem nos Estados-Unidos.
+N&atilde;o ha sen&atilde;o uma raz&atilde;o ponderosa para
+que se n&atilde;o outorgue aos portugu&ecirc;ses da America
+assembl&eacute;a legislativa de que est&aacute; de posse o
+velho reino, e &eacute; que a solicitam sem violencia.
+Provavelmente n&atilde;o foi sen&atilde;o a
+seguran&ccedil;a formal de Palmella de fazer a corôa
+corrigir o decreto no sentido de crear no Brasil o regimen
+constitucional, que os nossos ascendentes acquiesceram ao parecer do
+diplomata &aacute;cerca da permanencia no Brasil de D.
+Jo&atilde;o VI e do consequente regresso &aacute; Europa de D.
+Pedro.<br />
+
+<br />
+
+Emquanto a junta discutia, os que intentavam aclamar no Rio a
+adhes&atilde;o &aacute; causa de Portugal, &aacute;
+imita&ccedil;&atilde;o das provincias
+septentrionaes, receosos de serem colhidos pela policia, deliberaram
+precipitar o levante previsto para primeiro mar&ccedil;o.<sup><a href="#Z61">[61]</a></sup>
+Reunidos &aacute; tarde, como costumavam, na casa do padre advogado
+Marcellino Jos&eacute; Alves Macambôa, e consultados os
+officiaes presentes, quasi todos de patente inferior, assentaram que no
+dia seguinte ao tiro da alvorada despedido pelo navio do registro do
+porto, as tropas, os conspiradores e os seus sequazes se
+achari&atilde;o no largo do Rocio para proclamar a solidariedade
+politica com o Reino. Ent&atilde;o um escrupulo levantado
+n&atilde;o se sabe por quem, deteve esses homens que se aprestavam
+para a batalha: Se a princ&ecirc;sa cujo parto era imminente, de
+assustada com o movimento das tropas viesse a soffrer? D. Maria
+Leopoldina pela gra&ccedil;a das maneiras e pela
+<span class="pagenum">[46]</span>
+caridade, conquist&aacute;ra o
+cora&ccedil;&atilde;o do
+povo, e havia n'esse affecto muita compaix&atilde;o, porque se
+affirmava que D. Pedro com os seus desatinos fazia chorar a
+princ&ecirc;sa, t&atilde;o loura e t&atilde;o
+meiga. Decidiu-se que o padre G&oacute;es, um dos presentes, iria
+pôr o principe sciente das occorrencias. No conceito dos que
+acreditam na cumplicidade do filho de D. Jo&atilde;o VI, a visita
+n&atilde;o passou de ardil
+para levar ao conhecimento do comparte a nova
+resolu&ccedil;&atilde;o dos conjurados. De feito se
+n&atilde;o podia acertar com explica&ccedil;&atilde;o mais
+sympathica aos que allegassem mais tarde haver visto o padre
+G&oacute;es a tal hora extraordinaria na quinta da Boa Vista. Sem
+tempo que perder, os militares dispersaram-se de prompto. Juntamente
+com a policia guardavam a cidade essa noite pra&ccedil;as do
+batalh&atilde;o 15.<br />
+
+<br />
+
+O seu official, &aacute;s duas horas da madrugada, percorreu os
+postos e distribuiu sessenta cartuxos a cada uma d'ellas com ordem de
+acudirem ao Rocio no caso de conflicto. Por esse tempo a artilheria
+montada sob o commando do capit&atilde;o Jo&atilde;o Carlos
+Pardal, rodava sinistramente de S. Christov&atilde;o, onde
+aquartelava, para o sitio ajustado, na ignorancia absoluta do chefe. O
+capit&atilde;o Luiz Antonio do Rego, do brilhante
+batalh&atilde;o dos ca&ccedil;adores do Rio,
+ca&ccedil;adores de terra, como se dizia, estava t&atilde;o
+informado do sentir dos seus homens como do proprio commandante, com a
+differen&ccedil;a que os primeiros professavam o liberalismo mais
+ardente e este era reaccionario ferrenho. Sorrateiramente como
+ladr&atilde;o penetra no quartel e de mansinho desperta os soldados
+um a um e lhes murmura ao ouvido a grave decis&atilde;o. Foram dos
+primeiros a apparecer no Rocio. T&atilde;o luzido como este e seu
+rival era o batalh&atilde;o
+<span class="pagenum">[47]</span>
+dos ca&ccedil;adores de Portugal dirigido por Valente, defensor
+acerrimo do regimen em vigor.<br />
+
+<br />
+
+Ainda assim Garcez compromettera-se trazer o corpo &aacute;
+revolta. Lograra fazer sair parte dos homens, quando Valente surgiu e
+intimou aos soldados tornassem &aacute; caserna.<br />
+
+<br />
+
+Garcez de arma em punho obrigou-o ao silencio sob pena de o
+amorda&ccedil;ar para todo o sempre com uma bala. As
+pra&ccedil;as proseguem na marcha, e Garcez, em acordando do
+estupôr, correu a annunciar a el-rei o terrivel successo. As
+tropas brasileiras compareceram todas, sem enthusiasmo apparente,
+todavia, porque o empenho dos indigenas era deixar &aacute;s
+for&ccedil;as
+portugu&ecirc;sas a liquida&ccedil;&atilde;o do regimen.
+Com o instincto dos seus interesses que tanto existe nos individuos
+como nas collectividades, o partido brasileiro reservava a sua
+iniciativa e o seu supremo esfor&ccedil;o para as
+quest&otilde;es que divisava no horisonte.<br />
+
+<br />
+
+N&atilde;o havia outra raz&atilde;o para a sua attitude
+apagada, pois que o odio do americano &aacute;s
+institui&ccedil;&otilde;es dominantes era porventura mais
+energico ainda do que a avers&atilde;o que lhes votava o reinol,
+menos exposto &aacute;s violencias do recrutamento e e aos
+caprichos da auctoridade do que os filhos da terra. Ao atilado
+Silvestre Pinheiro n&atilde;o passou despercebido o plano dos
+brasileiros<sup><a href="#Z62">[62]</a></sup>.
+<br />
+
+<br />
+
+Ou porque n&atilde;o houvesse tempo de ser prevenida ou porque,
+mais disciplinada, lhe repugnasse a revolta, a marinha n&atilde;o
+forneceu contingente algum. Pouco antes do tiro da alvorada surgiu de
+improviso o brigadeiro Carretti, a quem
+<span class="pagenum">[48]</span>
+os officiaes offereceram o commando das
+for&ccedil;as, e as tropas com as quaes se n&atilde;o contavam,
+come&ccedil;aram a affluir, testemunhando a unidade do pensamento
+do exercito. J&aacute; o povo se ajuntava nas ruas circumjacentes,
+e &aacute;s janellas assomavam vultos despertados com o insolito
+rumor. Ao alvorecer D. Pedro appareceu a cavallo com um papel na
+m&atilde;o, apenas seguido de um creado, e, por entre
+aclama&ccedil;&otilde;es delirantes, se dirigiu ao meio da
+pra&ccedil;a, no claro deixado pelos regimentos e artilheria, onde
+se achavam o brigadeiro Carretti e os conjurados civis.<br />
+
+<br />
+
+Serenados os vivas a el-rei e &aacute;
+constitui&ccedil;&atilde;o de Portugal, leu ent&atilde;o o
+decreto de 24 de fevereiro, que n&atilde;o se torn&aacute;ra
+ainda publico e o qual deveria ter sido lavrado depois da carta
+vehemente de Palmella em que se queixava da
+mutila&ccedil;&atilde;o do seu projecto aceito no conselho de
+ministros. Outorgava ao Brasil a carta constitucional do Reino com as
+modifica&ccedil;&otilde;es convenientes
+&aacute;s condi&ccedil;&otilde;es particulares da antiga
+colonia. Macambôa, calmo e respeitoso, pediu
+licen&ccedil;a para uma
+declara&ccedil;&atilde;o. O povo e as tropas solicitaram o
+juramento d'el-rei ao pacto social em elabora&ccedil;&atilde;o
+nas côrtes de Lisboa, e na qual collaborari&atilde;o os
+deputados brasileiros, sem altera&ccedil;&atilde;o alguma. Em
+seguida, n&atilde;o sem audacia, apresentou os nomes das pessoas
+que deviam succeder aos ministros actuaes e a outros altos
+funccionarios. O principe, que j&aacute; estivera no
+pa&ccedil;o, de onde trouxera o novo decreto, ahi volveu novamente
+para submetter ao pae os votos dos rebeldes.<br />
+
+<br />
+
+N'este comenos os conspiradores convidaram o senado da camara a se
+ajuntar na sala do Theatro S. Jo&atilde;o, mais tarde S. Pedro de
+Alcantara. De volta ao Rocio, &aacute;s sete horas da manhan,
+<span class="pagenum">[49]</span>
+D. Pedro communicou que o
+soberano annuira em todos os pontos aos desejos da multid&atilde;o,
+e dictou ao escriv&atilde;o da camara o auto do occorrido, no qual
+confirmava em nome do pae, a promessa jurada de dar ao Brasil a
+constitui&ccedil;&atilde;o, tal qual a fizessem as
+côrtes da antiga metropole. Com os principes assignaram o
+instrumento os novos ministros, os vereadores e os funccionarios de
+vulto. &Aacute;s 11 horas appareceu o velho monarcha festejado com
+phrenesi, e populares em delirio, julgando que bestas n&atilde;o
+eram dignas de puchar semelhante var&atilde;o, ajoujaram-se com
+convic&ccedil;&atilde;o &aacute; lan&ccedil;a da
+traquitana. Do terra&ccedil;o do Theatro o rei sanccionou o
+juramento prestado pelo filho.<br />
+
+<br />
+
+As demonstra&ccedil;&otilde;es de regosijo, manifestadas por
+alguns dias, tanto nos navios surtos na bahia como na cidade,
+attingiram propor&ccedil;&otilde;es de que n&atilde;o houve
+outro exemplo no Brasil. Melhor que as ruas embandeiradas e cobertas de
+folhas de mangueira, que os cantos e as bandas de musica nos largos,
+que os fest&otilde;es de lanternas chin&ecirc;sas nas sacadas,
+que os applausos estrondosos com que os espectadores acolhiam as
+allus&otilde;es ao novo regimen, enxertadas pelos actores nos
+dialogos, melhor que tudo isso, testemunha o enthusiasmo do commercio e
+das classes lettradas, o seguinte facto: uma
+subscrip&ccedil;&atilde;o corrida no theatro a favor
+das tropas, alcan&ccedil;ou o algarismo phantastico de trinta
+contos. A certeza de que o socego e a liberdade dos cidad&atilde;os
+n&atilde;o estari&atilde;o mais na
+dependencia do arbitrio das auctoridades e de que o fructo do trabalho
+n&atilde;o soffreria mais ataques provindos de emprestimos
+for&ccedil;ados e da
+reparti&ccedil;&atilde;o caprichosa dos impostos, explica
+cabalmente que j&aacute;mais se reproduzissem no Rio transportes de
+enthusiasmo t&atilde;o vivos nem t&atilde;o persistentes. A
+<span class="pagenum">[50]</span>
+independencia servia aos
+brasileiros e a aboli&ccedil;&atilde;o
+aos escravos; a carta, constitucional, por&eacute;m, aproveitava a
+todos, porque a propria gente servil se n&atilde;o sonhava com a
+liberdade, esperava que sob o novo regimen se attenuari&atilde;o as
+angustias de sua miserrima condi&ccedil;&atilde;o.<br />
+
+<br />
+
+N&atilde;o ha louvores a que n&atilde;o tenham direito os
+conjurados. N&atilde;o indicaram nenhum dos consortes para os
+cargos publicos, nem procuraram desaggravar-se de homens que na policia
+e no negregado juizo da inconfidencia traziam os moradores mais
+pacificos expostos a vexames. Designaram pessoas que exerciam, ou
+haviam exercido com louvor, func&ccedil;&otilde;es publicas.
+Nos officios
+portugu&ecirc;ses succediam a portugu&ecirc;ses e brasileiros a
+brasileiros, com que se tornava evidente a harmonia entre os
+irm&atilde;os de &aacute;quem e d'al&eacute;m-mar.
+Entre os nomeados havia personagens que davam realce &aacute;
+familia portugu&ecirc;sa. Jos&eacute; da
+Silva Lisboa, mais tarde visconde de Cayru, o novo inspector dos
+estabelecimentos litterarios e presidente da commiss&atilde;o de
+censura, alliava conhecimentos vastos de uma sciencia nova, a economia
+politica, &aacute; cultura classica, e certamente n&atilde;o
+exergaria ideias subversivas em todas as reformas apregoadas pelos
+publicistas. Fôra, ali&aacute;s, um dos mais ardentes
+propugnadores da abertura dos postos brasileiros &aacute;s
+na&ccedil;&otilde;es amigas,
+quebrando d'esse modo o deprimente monopolio commercial. Occupou a
+pasta da marinha o vice-almirante Ignacio da Costa Quintella, brilhante
+homem do mar e fervente amador das boas lettras. Para escrever cousas
+immortaes bastaria relatar os seus feitos. Acima de todos refulgia o
+novo ministro da guerra e dos extrangeiros, Silvestre Pinheiro
+Ferreira, cuja fama transpôs as fronteiras
+<span class="pagenum">[51]</span>
+da patria nas asas da philosophia e
+do Direito Publico.<br />
+
+<br />
+
+Nunca, talvez, assistiu nos conselhos da corôa em Portugal um
+espirito no qual confluissem em t&atilde;o subido grau e com
+harmonia mais perfeita, a humanidade, a intelligencia, o liberalismo e
+a instruc&ccedil;&atilde;o.<sup><a href="#Z63">[63]</a></sup>
+Com esses var&otilde;es de
+longa notoriedade havia outros menos conhecidos mas que n&atilde;o
+desmentiram o acerto da escolha e ganharam renome nas lutas do
+imperio<sup><a href="#Z64">[64]</a></sup>.
+<br />
+
+<br />
+
+Macambôa procedeu com habilidade e prudencia exigindo para o
+Brasil em toda a integridade a constitui&ccedil;&atilde;o
+portugu&ecirc;sa. Assim
+sobre-grang&ecirc;ar o apoio das tropas e dos reinoes, tirava ao
+monarcha e &aacute; chusma dos cortes&atilde;os, velleidades
+reaccionarias, a pretexto de conter aquella lei artigos inadaptaveis ao
+reino americano. Havia, al&eacute;m d'isso, suspeitas
+&aacute;cerca da lealdade da
+corôa, tanto mais que acquiesc&ecirc;ra ao novo regimen
+coagida pelas tropas, e as côrtes geraes inspiravam
+<span class="pagenum">[52]</span>
+confian&ccedil;a
+immaculada a todos os liberaes. O homem mais influente
+ent&atilde;o, n&atilde;o s&oacute;
+no congresso de Lisboa mas em todo Portugal. M. Fernandes Thomaz, por
+seu espirito democratico, instruc&ccedil;&atilde;o e
+honestidade, fazia prever na futura constitui&ccedil;&atilde;o
+a responsabilidade dos ministros, a reparti&ccedil;&atilde;o
+egual dos tributos por todas as
+classes, a publicidade das contas do erario e o maior respeito
+&aacute; liberdade e &aacute; propriedade dos
+cidad&atilde;os, todos os artigos, em summa, j&aacute;
+inscriptos na lei de Cadix, a qual devia servir, ali&aacute;s de
+modelo ao pacto social por vir.<br />
+
+<br />
+
+O regresso de D. Pedro, resolvido pela provis&atilde;o de 18 de
+fevereiro, com os successos de 26, ficava de novo indeciso e constituia
+quest&atilde;o ardente que dividia os animos. Cumpria no entanto
+assentar quem iria a Lisboa, se o principe, se o soberano, restaurar a
+uni&atilde;o da monarquia na realidade desfeita desde que a
+revolu&ccedil;&atilde;o se senhoreara do velho reino e estava
+em via de o organizar sem dependencia da corôa e do Brasil. O
+ministro da marinha, o vice-almirante Monteiro Torres, o ministro da
+fazenda, o conde de Lousan e o vice-almirante Quintella, propugnavam o
+embarque do soberano com considera&ccedil;&otilde;es
+ponderosas. No Brasil o rei n&atilde;o podia sanccionar com
+brevidade os artigos constitucionaes &aacute; medida da sua
+approva&ccedil;&atilde;o no
+congresso. Protrahido, por conseguinte, o periodo revolucionario,
+n&atilde;o era loucura temer que acabasse por gerar desordens.
+Accrescia que os promotores da revolta que n&atilde;o comprehendiam
+a regenera&ccedil;&atilde;o
+sem a transferencia da côrte para a antiga s&eacute;de da
+monarchia, n&atilde;o se contentari&atilde;o com a assistencia
+do herdeiro do throno. Demais, como havia o soberano sujeitar
+&aacute; auctoridade central do Brasil
+<span class="pagenum">[53]</span>
+a Bahia, que presta homenagem &aacute;
+assembl&eacute;a constituinte, sem estar em Lisboa?<br />
+
+<br />
+
+Os argumentos de Silvestre Pinheiro, partidario da permanencia de D.
+Jo&atilde;o VI no reino americano, n&atilde;o valiam menos. Em
+virtude da indisciplina das auctoridades militares e civis
+n&atilde;o via sen&atilde;o o soberano que fosse capaz de
+conter a anarchia imminente no Brasil. Temia uma
+constitui&ccedil;&atilde;o demasiado democratica e defeituosa
+por causa da confus&atilde;o dos poderes da carta constitucional
+hespanhola, a que se devia cingir o congresso portugu&ecirc;s.
+Justamente porque estando em Lisboa, devia o rei approval-a
+immediatamente, optava para que n&atilde;o abandonasse elle a
+antiga colonia. O tempo necessario &aacute; viagem da Europa ao Rio
+com amortecer as paix&otilde;es nascidas dos debates publicos,
+tornaria os espiritos mais dispostos a aceitarem
+resolu&ccedil;&otilde;es da Corôa,
+provavelmente repellidas na hypothese de breve intervallo entre a
+vota&ccedil;&atilde;o e a assignatura r&eacute;gia.
+<br />
+
+<br />
+
+Rendendo-se ao voto da maioria do conselho, D. Jo&atilde;o VI
+lan&ccedil;ou aos 7 de mar&ccedil;o a
+nova do seu retorno &aacute; patria e da estada no novo reino como
+regente do filho mais velho, at&eacute; a
+promulga&ccedil;&atilde;o da lei fundamental.<br />
+
+<br />
+
+Atrav&eacute;s do documento se enxergava quanto do&iacute;a ao
+infeliz rei separar-se da terra onde vivera mais de tr&ecirc;ze
+annos com saude e tranquillidade, para se installar na patria agitada e
+de triste memoria. Mais de um d'esses rudes filhos das margens do Douro
+que labutavam no Rio, n&atilde;o contiveram a
+commo&ccedil;&atilde;o perante a
+confiss&atilde;o do soberano que partindo fazia &laquo;um dos
+mais custosos sacrificios&raquo; de que era capaz. Ao mesmo tempo,
+annunciava a publica&ccedil;&atilde;o das providencias para a
+elei&ccedil;&atilde;o dos deputados do Brasil &aacute;s
+Côrtes
+<span class="pagenum">[54]</span>
+Geraes e julgava conveniente a vinda immediata dos nomeados a fim de
+poderem embarcar com a familia real e a sua comitiva<sup><a href="#Z65">[65]</a></sup>.<br />
+
+<br />
+
+O clero, o commercio, o funccionalismo e os proprietarios representaram
+contra a resolu&ccedil;&atilde;o
+de D. Jo&atilde;o VI.<sup><a href="#Z66">[66]</a></sup>
+Das peti&ccedil;&otilde;es
+conhecemos na integra a que a classe commercial dirigiu ao senado da
+camara para demover el-rei do seu proposito. Os negociantes, na
+generalidade portugu&ecirc;ses, importa n&atilde;o esquecer,
+impugnaram a disposi&ccedil;&atilde;o r&eacute;gia por dous
+motivos: o
+dever do soberano de residir no mais importante dos seus estados, e
+Portugal, que &laquo;pouco vale e p&oacute;de por si&raquo;
+certamente n&atilde;o disputaria o primado ao novo reino. No caso,
+por&eacute;m, de n&atilde;o ser possivel fixar-se a
+côrte n'esta parte do Atlantico, ella devia
+estanc&ecirc;ar alternadamente nas duas
+sec&ccedil;&otilde;es da monarchia<sup><a href="#Z67">[67]</a></sup>.
+A esta raz&atilde;o
+ajuntava-se uma outra que tinha talvez o primeiro logar no animo
+previdente e perspicaz dos peticionarios: o receio de que a
+traslada&ccedil;&atilde;o da realeza para a Europa reconduzisse
+o Brasil &aacute; condi&ccedil;&atilde;o de
+colonia, vindo a restaurar-se o monopolio mercantil a favor da antiga
+metropole.<br />
+
+<br />
+
+Assim antes que na assembl&eacute;a constituinte se discutissem
+providencias contra o ultramar americano e soasse a voz de revolta de
+Jos&eacute; Bonifacio, os portugu&ecirc;ses do Rio haviam
+levantado a quest&atilde;o formidavel da s&eacute;de da
+monarchia, a qual tornou uma das divergencias fundamentaes no congresso
+entre os representantes de um e outro reino, e haviam
+lan&ccedil;ado o germen
+<span class="pagenum"><a name="p55">[55]</a></span>
+de desconfian&ccedil;a contra o poder
+legislativo de Lisboa.<br />
+
+<br />
+
+D. Jo&atilde;o VI ouviu com prazer a leitura d'esse memoravel
+documento, apresentado pelo senado da camara. Se n&atilde;o deferiu
+ao pedido desistindo do intento, n&atilde;o fixou t&atilde;o
+pouco a epoca de sua realiza&ccedil;&atilde;o.<br />
+
+<br />
+
+Bastou esta simples omiss&atilde;o para estimular nos que anhelavam
+pelo retorno do soberano a suspeita de que se n&atilde;o
+effectuaria.<br />
+
+<br />
+
+Constituiam esses o mais vigoroso partido e pertenciam a classes que
+at&eacute; agora n&atilde;o haviam imaginado a possibilidade de
+se unirem.<br />
+
+<br />
+
+Eram os cortes&atilde;os, saudosos dos vastos solares, e que se
+n&atilde;o habituavam &aacute;s descommodidades do Rio e
+&laquo;&aacute; falta de gente branca&raquo;<sup><a href="#Z68">[68]</a></sup>; eram os
+soldados arrancados pela violencia do recrutamento &aacute;s
+cidades e campos de Portugal, e que se n&atilde;o resignavam ao
+exilio; officiaes anciosos mais que nunca do regresso, na
+esperan&ccedil;a de promo&ccedil;&otilde;es, em
+consequencias das vagas no exercito do Reino pelo licenciamento de
+numerosos militares ingl&ecirc;ses, em geral de patente elevada, e
+eram os caixeiros, quasi todos portugu&ecirc;ses, fascinados da
+liberdade, os quaes com os brasileiros formavam a parte nobre do
+partido em raz&atilde;o de n&atilde;o attenderem a
+conveniencias <a href="#e14">pessoeas</a>.<br />
+
+<br />
+
+No conceito d'estes nada se podia esperar do filho de D. Maria, que
+annuira ao regimen constitucional constrangido e vivia entre palacianos
+a quem nutria largamente na ociosidade.
+<span class="pagenum">[56]</span>
+Talvez mais que
+todos desejava o embarque do monarcha o filho mais velho, o qual para
+promover os aprestos da esquadra, retardados com o pretexto de falta de
+dinheiro, recorreu &aacute; bolsa farta do visconde de Asseca, o
+presidente da junta do Commercio<sup><a href="#Z69">[69]</a></sup>.
+<br />
+
+<br />
+
+Nos caf&eacute;s, nas lojas da rua Direita e da rua da Quitanda e
+nos quarteis commentavam em termos desairosos ao soberano, a sua
+obstina&ccedil;&atilde;o em n&atilde;o partir. Embarcaria?<br />
+
+<br />
+
+O facto de se apparelharem os barcos n&atilde;o significava na
+realidade que largari&atilde;o ferro. Podiam ahi apodrecer. Quem
+assegurava que n&atilde;o metteri&atilde;o n'elles D. Pedro e
+outras pessoas desagradaveis ao governo? O unico meio de o fazer partir
+&eacute; empurral-o para bordo, porque o homem n&atilde;o anda
+sen&atilde;o a toque de caixa. A toque de caixa deixou Portugal, a
+toque de caixa deu a constitui&ccedil;&atilde;o, a toque de
+caixa
+tomar&aacute; o caminho da Europa.<br />
+
+<br />
+
+A ditos semelhantes, transmittidos ao governo por informantes seguros,
+succederam avisos de que ia estalar um motim dentro de tres dias, para
+estimular o desventurado D. Jo&atilde;o VI a sair barra
+f&oacute;ra. A tropa de linha e as milicias, compostas de
+empregados do commercio, escorvavam as armas e n&atilde;o falavam
+sen&atilde;o em voltar ao Rocio. Sem poder contar com a policia,
+suspeita de connivencia com a opposi&ccedil;&atilde;o, o
+governo estava de antem&atilde;o condemnado a subscrever
+ignominiosamente todas as exigencias que approuvesse &aacute; tropa
+formular. Silvestre Pinheiro entendeu que<br />
+
+<span class="pagenum"><a name="p57">[57]</a></span>
+s&oacute; um acto extremado proveniente do soberano, e
+ass&aacute;s atrevido para atemorizar os adversarios em tropel no
+pa&ccedil;o e nas casernas, rehabilitaria a autoridade
+desprestigiada e desopprimiria a cidade do medo de anarchia. O principe
+real vivia cercado de &laquo;m&aacute; gente&raquo;<sup><a href="#Z70">[70]</a></sup>, e
+nem sempre se
+esquivava &aacute; influencia de &laquo;homens
+depravados&raquo;, os quaes certos do seu apoio commettiam
+insolencias e aconselhavam subleva&ccedil;&otilde;es. Para o
+resguardar do contacto com tal gente, n&atilde;o o bastava reter no
+palacio, porque ahi iriam procural-o: devia el-rei ordenar-lhe se
+recolhesse &aacute; fortaleza de Santa Cruz. O acto que tomava
+assim a f&oacute;rma de pris&atilde;o, ganhava mais
+for&ccedil;a por testemunhar a resolu&ccedil;&atilde;o do
+rei de punir os suspeitos de mais alta gradua&ccedil;&atilde;o.
+D. Jo&atilde;o VI rejeitou o
+alvitre, demasiado audaz para a sua natureza timorata. O principe,
+informado do conselho, detestou desde ent&atilde;o o ministro e
+n&atilde;o lhe chamava
+sen&atilde;o &laquo;Pinheiro Silvestre&raquo;<sup><a href="#Z71">[71]</a></sup>.<br />
+
+<br />
+
+Silvestre Pinheiro foi mais feliz com outro parecer: D. Pedro
+convocaria a <a href="#e15">officiaes</a>
+para lhe expôr os boatos de
+insubordina&ccedil;&atilde;o
+attribuidos ao exercito e exigiria de cada um d'elles o protesto
+solemne de n&atilde;o agir sen&atilde;o de conformidade com as
+instruc&ccedil;&otilde;es emanadas &laquo;por via
+regular da secretaria do Estado&raquo;. Era fazel-os jurar que
+n&atilde;o obedecessem ao principe sob qualquer pretexto. D. Pedro
+desmentiu o rumor, e os outros ministros julgaram risivel a
+proposi&ccedil;&atilde;o. Como, por&eacute;m,
+n&atilde;o tinham outro argumento, e ao principe regular e
+decentemente n&atilde;o era licito furtar-se
+<span class="pagenum"><a name="p58">[58]</a></span>
+&aacute; incumbencia, vingou o
+alvitre, e a
+opposi&ccedil;&atilde;o adormeceu por algum tempo.<br />
+
+<br />
+
+O jurar uma carta constitucional por fazer, creava um problema que se
+antolhava insoluvel: como governar emquanto se n&atilde;o
+constituisse <a href="#e16">a</a> <a href="#e17">nova</a>
+lei? O
+rei e os seus
+ministros sem hesita&ccedil;&atilde;o entenderam que a machina
+administrativa continuaria a marchar sob o impulso dos usos e
+alvar&aacute;s em vigor. O povo com acerto ponderava que sendo o
+fundamento do regimen constitucional a sua
+participa&ccedil;&atilde;o nos negocios publicos, nada mais
+legitimo que a crea&ccedil;&atilde;o de um conselho sem cujo
+assentimento n&atilde;o poderia a corôa agir em casos de
+monta. Urgia, de mais, o estabelecimento da junta para varrer a
+suspeita de que o juramento da constitui&ccedil;&atilde;o
+n&atilde;o
+passara de far&ccedil;a do despotismo para illudir a cidade. Os
+liberaes representaram ao ministerio n'esse sentido. O governo sem
+coragem para repellir de frente a proposta, considerada destruidora do
+principio da auctoridade, differiu o despacho com intuito de frustrar a
+peti&ccedil;&atilde;o.<br />
+
+<br />
+
+A este erro grave, a corôa sobrepôs outro que
+sobresaltou grandemente a popula&ccedil;&atilde;o. Nos
+primeiros dias de mar&ccedil;o mandou recolher &aacute;
+fortaleza de Santa Cruz, sem o communicar a Silvestre Pinheiro, a cujo
+cargo estava o forte como ministro da guerra, o visconde de S.
+Louren&ccedil;o, Targini, o famoso thesoureiro-m&oacute;r, o
+almirante Rodrigo Pinto Guedes e os desembargadores Luiz
+Jos&eacute; de Carvalho e Mello e Jo&atilde;o Severiano Maciel
+da Costa. O almirante avisado a tempo logrou fugir.<br />
+
+<br />
+
+Por muito viva que fosse a alegria do povo com a pris&atilde;o de
+Targini execrado por causa dos peculatos que se lhe attribuiam,
+n&atilde;o attenuou a
+<span class="pagenum">[59]</span>
+indigna&ccedil;&atilde;o formidavel provocada pela violencia
+contra aquelles magistrados merecedores do respeito publico, e cujas
+opini&otilde;es liberaes n&atilde;o eram ignoradas. Do ultimo
+formava Silvestre Pinheiro o mais subido conceito: alliava &aacute;
+energia grande capacidade e tinha &laquo;a mais bem merecida
+reputa&ccedil;&atilde;o de liberalismo, mas de liberalismo,
+fundado em principios de modera&ccedil;&atilde;o e de solida
+doutrina&raquo;.<br />
+
+<br />
+
+N&atilde;o demonstravam estas arbitrariedades a urgencia de um
+conselho sa&iacute;do do povo para cohibir os abusos do poder?
+N&atilde;o tinham os patriotas raz&atilde;o de crer que a
+adhes&atilde;o do rei ao regimen constitucional era mais de
+apparencia que de substancia?<br />
+
+<br />
+
+At&eacute; hoje se n&atilde;o sabe porque foram presos. Para
+ficarem ao abrigo dos desacatos da multid&atilde;o, allegava o rei;
+argumento improcedente por serem os reclusos, salvo Targini, geralmente
+bemquisitos.<br />
+
+<br />
+
+Por causa de suas id&eacute;as republicanas, informa Mello
+Moraes,<sup><a href="#Z72">[72]</a></sup>
+Silvestre Pinheiro explicava a violencia
+como manifesta&ccedil;&atilde;o da anarchia
+governamental. Parece, em verdade, n&atilde;o haver outra causa. Se
+todos sentiam a liberdade amea&ccedil;ada com t&atilde;o
+flagrante acto de despotismo, mostravam-se por egual inquietos
+&aacute;cerca da situa&ccedil;&atilde;o
+economica. O desapparecimento do ouro e a insolvencia do banco emissor,
+do banco do Brasil, em raz&atilde;o de n&atilde;o saldarem os
+seus compromissos o governo e os fidalgos, depreciando continuamente o
+papel moeda, reduzia a fortuna particular, affectados particularmente
+os trabalhadores,
+<span class="pagenum">[60]</span>
+porque o salario n&atilde;o augmentava na
+propor&ccedil;&atilde;o da alta do ouro.<br />
+
+<br />
+
+Como se n&atilde;o bastassem esses motivos de descontentamento, a
+corôa e os seus ministros irritaram a susceptibilidade dos
+patriotas com desconhecer, acaso mais por ignorancia ou por
+for&ccedil;a de habitos seculares do que por calculo, a solicitude
+d'elles pela causa publica. Estavam prestes as naus, imminente a
+partida do monarca e se n&atilde;o conheciam os secretarios de
+estado de D. Pedro nem, at&eacute;, as
+attribui&ccedil;&otilde;es da
+regencia. Murmurava-se apenas que estas conferiam ao principe real a
+autoridade mais ampla. Os partidarios do constitucionalismo bradavam
+que se infringia o novo regimen, deixando de submetter ao povo as
+instruc&ccedil;&otilde;es com as quaes governaria o paiz o
+preposto d'el-rei, clamor tanto mais justo que o verdor dos annos de D.
+Pedro e a influencia exercida sobre elle por homens violentos ou de
+moralidade suspeita, faziam temer praticasse desatinos, se lhe
+n&atilde;o assistissem ministros experimentados. Cada dia que
+passava, desenvolvia o sobresalto da cidade. Silvestre Pinheiro
+julgando legitima a anciedade publica, propôs um alvitre para
+a dissipar. O ministro do reino convocaria os eleitores das comarcas,
+os quaes concorriam ao Rio, para a designa&ccedil;&atilde;o dos
+que deviam nomear os deputados &aacute;s côrtes, e lhes
+apresentaria os nomes dos ministros do principe assim como o regimento
+com que este administraria o Brasil, regimento que o rei sanccionaria
+depois de ouvido o parecer do eleitorado<sup><a href="#Z73">[73]</a></sup>.
+<br />
+
+<br />
+
+<span class="pagenum">[61]</span>
+Certamente que algumas dezenas de cidad&atilde;os, que
+n&atilde;o exprimiam nem, at&eacute;, o sentir da provincia do
+Rio, n&atilde;o eram o org&atilde;o legitimo da vontade
+nacional, mas significava o facto a
+disposi&ccedil;&atilde;o do monarcha de seguir, tanto quanto
+lhe permittia o aperto das circumstancias, o novo regimen.<br />
+
+<br />
+
+A proposta passou no conselho com a modifica&ccedil;&atilde;o,
+suggerida pelo ministro do reino, de presidir a assembl&eacute;a o
+desembargador ouvidor Joaquim Jos&eacute; de Queiroz, e deram-se
+logo as providencias necessarias ao seu cumprimento immediato e
+&aacute; tranquillidade publica. Antes de tudo urgia conter o
+exercito. Convocados na sala do Theatro S. Jo&atilde;o os
+commandantes e officiaes da 1.&ordf; e 2.&ordf; linha que
+desassocegavam o governo, o governador das armas, Carlos Frederico
+Caula, depois de haver em termos breves demonstrado o dever do exercito
+de se conservar neutro nas lutas politicas, jurou fidelidade
+&aacute;
+constitui&ccedil;&atilde;o portugu&ecirc;sa e &aacute;
+familia real e que n&atilde;o seria instrumento de nenhum dos
+partidos. Um a um os officiaes repetiram o protesto solemne. Ao mesmo
+tempo publicava-se o edital convidando os eleitores a se reunirem no
+dia immediato na pra&ccedil;a do commercio a fim de apresentarem os
+seus diplomas e de tratarem de assumptos connexos. Atrav&eacute;s
+do vago de um dos fins da
+convoca&ccedil;&atilde;o, propositalmente feito para
+n&atilde;o despertar a curiosidade, o povo descobriu o verdadeiro
+objecto da assembl&eacute;a: el-rei ia submetter ao eleitorado as
+instruc&ccedil;&otilde;es que intentava deixar &aacute;
+regencia e os nomes dos ministros de D. Pedro. Sem embargo de ser
+sexta-feira da Paix&atilde;o, observada com gravidade no povo, que
+n'esse dia trajava de preto, elle esqueceu os deveres religiosos para
+se occupar
+<span class="pagenum">[62]</span>
+inteiramente
+da politica. A escassez do tempo visto que a reuni&atilde;o se
+effectuava no dia immediato, determinou actividade febril nos que
+tomavam a peito os negocios publicos.<br />
+
+<br />
+
+Construiram-se bancadas, com dinheiro recolhido por
+subscrip&ccedil;&atilde;o, para o publico na sala da proxima
+assembl&eacute;a, adornando-se o local reservado aos eleitores.
+Publicaram-se memorias que corriam de m&atilde;o em m&atilde;o
+com assentimento da policia. Os typographos renunciaram ao
+descan&ccedil;o e protestavam n&atilde;o deixar os prelos
+emquanto houvesse trabalho.<br />
+
+<br />
+
+O enthusiasmo animava todos na marcha para a liberdade, um dos estadios
+da qual ia ser transposto, por coincidencia, reputada auspiciosa, no
+mesmo dia em que se festejava a resurrei&ccedil;&atilde;o de
+Christo. Os mais exaltados lembravam &aacute; surdina que era
+tambem o anniversario da execu&ccedil;&atilde;o de Tiradentes.
+J&aacute; havia mais de 160 eleitores e continuavam a affluir dos
+outros recantos remotos da provincia. Eram na maioria lavradores,
+commerciantes e medicos, que deviam ter as particularidades dos que
+vivem no campo, onde v&ecirc;m quasi sempre as mesmas pessoas e
+estas em pequeno numero; simples e acanhados, reflectidos e de pouco
+falar. Em desempenho do mandato recebido dos concidad&atilde;os,
+affrontaram as descommodidades de longa jornada, atrav&eacute;s de
+caminhos difficeis, e o movimento estonteador da capital. Alguns eram
+t&atilde;o carregados de annos que mal podiam andar, outros traziam
+a saude compromettida. Todos homens dignos e devotados ao bem publico.
+Diz um contemporaneo que eram &laquo;a flôr da
+provincia&raquo;. Silvestre
+Pinheiro reconhece que eram &laquo;pessoas das mais capazes que se
+poderi&atilde;o imaginar&raquo;.
+<br />
+
+<br />
+
+<span class="pagenum">[63]</span>
+Cedo as archibancadas se encheram de espectadores. Os soldados entravam
+sem armas e os paisanos depositavam no vestibulo as bengalas. Mal
+soaram quatro horas, o ouvidor tomou a presidencia e convidou para
+secretarios o portugu&ecirc;s Jos&eacute; Clemente Pereira, um
+dos promotores da Independencia, e o brasileiro Joaquim
+Gon&ccedil;alves Ledo, muito conceituado pela eloquencia incisiva e
+mais tarde um dos redactores intemeratos do Reverbero. No recinto
+reservado, dividido das archibancadas por solida balaustrada, estavam a
+m&ecirc;sa da presidencia e os eleitores, desageitados nas roupas
+das ceremonias solemnes, muito amarrotadas por causa da estreiteza das
+canastrinhas de onde acabavam de emergir. O silencio n&atilde;o
+podia ser mais profundo quando o presidente come&ccedil;ou a
+l&ecirc;r o decreto dos poderes da regencia. Finda a leitura, das
+bancadas pediram a repeti&ccedil;&atilde;o, por haverem
+escapado muitas phrases. O presidente passou o papel ao coronel
+Jos&eacute; Manoel de Moraes, que de logar elevado e em voz
+resoante e pausada, satisfez a solicita&ccedil;&atilde;o. De
+accordo com a
+determina&ccedil;&atilde;o da corôa, o presidente
+perguntou aos eleitores se tinham alguma
+observa&ccedil;&atilde;o que fazer a respeito do assumpto. Os
+chefes de partido, conforme se ajustara pr&eacute;viamente, podiam
+fallar, e o presidente aguardava, acaso, um discurso, quando, em
+côro, a maioria proclamou se adoptasse interinamente a
+constitui&ccedil;&atilde;o hespanhola. Era o voto do partido
+brasileiro composto dos indigenas e dos portugu&ecirc;ses
+domiciliados no novo reino. A maior parte d'elles n&atilde;o
+conheciam a carta constitucional invocada, mas o bom senso indicando
+que devia garantir a liberdade e a propriedade, &aacute; mingua de
+outra adoptava essa
+<span class="pagenum">[64]</span>
+lei para subtrahir os interesses geraes e particulares ao arbitrio de
+um
+principe muito joven e accessivel a influencias suspeitas, tanto mais
+que n'ella, consoante o compromisso tomado pelos revolucionarios da
+metropole, se deviam inspirar os constituintes para a feitura do pacto
+social. Os partidarios de D. Pedro e do conde dos Arcos,
+ass&aacute;s numerosos, aterrados de semelhante
+resolu&ccedil;&atilde;o, que tolhia os planos de seus chefes,
+balbuciaram apenas alguns protestos timidos. Os que hostilizavam com
+egual desabrimento o conde dos Arcos e a ac&ccedil;&atilde;o
+dos brasileiros nos negocios publicos, defensores do absolutismo e do
+mais rigoroso regimen colonial para o reino americano, fracos em numero
+mas fortes pela intensidade da paix&atilde;o, que constituiam a
+terceira parcialidade, aventuraram ditos cheios de odio e fel.<br />
+
+<br />
+
+Nem a estes energumenos nem aos protestos da
+fac&ccedil;&atilde;o de D. Pedro, a maioria, no prazer da
+victoria, prestou atten&ccedil;&atilde;o, e pediu se
+lavrasse immediatamente o auto do juramento da
+constitui&ccedil;&atilde;o acclamada. Emquanto se
+lan&ccedil;ava o termo, alguem,&#8213;seria
+Macambôa?&#8213;ponderou a utilidade de haver com a regencia,
+al&eacute;m dos ministros escolhidos pela corôa, um
+conselho que os eleitores designari&atilde;o. Era a
+renova&ccedil;&atilde;o da
+id&eacute;a contida no requerimento, que o governo recalcitrava em
+n&atilde;o despachar. O parecer vingou a despeito da
+impugna&ccedil;&atilde;o de Duprat, de Lisboa. Este
+&laquo;mancebo ardente e espirituoso&raquo;, que trazia no
+cerebro id&eacute;as claras e precisas dos ascendentes
+franc&ecirc;ses, declarou com energia que se n&atilde;o devia
+cuidar de outra cousa que mandar in-continent&iacute; uma
+deputa&ccedil;&atilde;o levar a el-rei o t&ecirc;rmo do
+juramento.
+<br />
+
+<br />
+
+<span class="pagenum">[65]</span>
+Era a quest&atilde;o primaria e urgente, da qual convinha
+n&atilde;o divertir os espiritos.<br />
+
+<br />
+
+O lente de mathematicas Antonio Jos&eacute; do Amaral, o padre dr.
+Francisco Ayres da Gama, o illustrado Antonio Rodrigues Velloso de
+Oliveira, desembargador do Pa&ccedil;o e ex-chanceller do
+Maranh&atilde;o, e o desembargador Francisco Lopes de Sousa, que
+formavam a commiss&atilde;o incumbida de levar a el-rei as
+resolu&ccedil;&otilde;es da
+assembl&eacute;a, n&atilde;o puderam sa&iacute;r
+sen&atilde;o tarde. A noite era tenebrosa e chovia. Dirigiram-se a
+p&eacute; ao pa&ccedil;o da cidade seguidos da caixeirada que
+os acclamava. Presentidos, os moradores assomavam &aacute;s
+janellas, illuminadas em festa: os homens saudavam-nos com enthusiasmo
+e as mulheres atiravam-lhes beijos e flores.<br />
+
+<br />
+
+Informados pela rainha em pessoa que D. Jo&atilde;o VI se achava na
+quinta da Boa Vista, transportam-se para l&aacute; em seges. O rei
+escolheu-os com urbanidade na presen&ccedil;a do principe real e
+dos semanarios. Um dos membros da deputa&ccedil;&atilde;o
+explicou os votos da assembl&eacute;a. Adoptada a carta
+constitucional da Hespanha, ponderou, o principe tinha regras fixas de
+comportamento e resguardava-se do risco de comprometer a sua
+popularidade com decis&otilde;es mal acolhidas do povo. D.
+Jo&atilde;o VI pediu tempo para consultar os secretarios d'Estado,
+reunidos em outra sala. A materia era, todavia, conhecida de todos;
+emissarios d'el-rei e dos ministros da guerra e do reino, presentes
+&aacute; assembl&eacute;a j&aacute; lhes haviam communicado
+os desejos dos eleitores, e ent&atilde;o ficara assentado, sem
+opposi&ccedil;&atilde;o de D. Pedro, que o monarcha aceitaria,
+a constitui&ccedil;&atilde;o de Cadix e n&atilde;o daria
+juizo sobre o conselho antes de conhecer os nomes dos que o deviam
+compôr. Novamente submettida a quest&atilde;o
+<span class="pagenum">[66]</span>
+aos ministros, estes
+mantiveram o voto anterior. Lavrou-se ent&atilde;o o decreto
+mandando observar &laquo;estr&iacute;cta e litteralmente no
+reino do Brasil a constitui&ccedil;&atilde;o hespanhola
+at&eacute; o momento
+em que se ache inteira e definitivamente estabelecida a
+constitui&ccedil;&atilde;o deliberada e decidida pelas
+côrtes de Lisboa&raquo;<sup><a href="#Z74">[74]</a></sup>.
+<br />
+
+<br />
+
+Logo que teve noticia da partida da commiss&atilde;o para S.
+Christov&atilde;o, D. Pedro, persuadido de que o populacho a
+acompanharia e receoso de desacatos por parte delle, mandara defender
+por um batalh&atilde;o de infanteria e um parque de artilheria a
+Quinta e destac&aacute;ra outro corpo para o campo de Sant'Anna,
+passagem for&ccedil;ada para S. Christov&atilde;o. Ao mesmo
+tempo o governador das armas por prudencia retinha promptos nos
+quarteis os batalh&otilde;es portugu&ecirc;ses. Foram aquellas
+manobras que determinaram os boatos de movimento de for&ccedil;as
+contra a pra&ccedil;a do commercio?<br />
+
+<br />
+
+O que &eacute; certo &eacute; que os eleitores e os assistentes
+sobresaltados com a ausencia prolongada dos deputados deram credito
+&aacute;quelle rumor e come&ccedil;aram a crear conjecturas
+assustadoras, que tudo servia para confirmar. Um assignalava que se
+n&atilde;o descobria na sala um s&oacute; official da
+divis&atilde;o portugu&ecirc;sa; outro dizia que as patrulhas
+se multiplicavam em torno do edificio. As
+explica&ccedil;&otilde;es sensatas dos mais calmos e a
+dispers&atilde;o dos policiaes pelo respectivo commandante,
+n&atilde;o logravam conter a apprehens&atilde;o em crescimento
+a cada minuto de demora da deputa&ccedil;&atilde;o.<br />
+
+<br />
+
+Soou ent&atilde;o um boato infernal: o rei retinha os commissarios
+e apparelhava-se para embarcar
+<span class="pagenum">[67]</span>
+ao romper da alvorada. Houve a maior
+agita&ccedil;&atilde;o. N&atilde;o se podia na verdade,
+imaginar mais doloroso desengano a esses homens, que ha vinte e quatro
+horas viviam na espectativa anciosa de uma nova era. Surgiram
+proposi&ccedil;&otilde;es extremas. Qual julgava conveniente a
+opposi&ccedil;&atilde;o a todo o transe
+&aacute; partida do rei, qual entendia que para o prender no Rio
+bastava remover das n&aacute;us os cofres do Estado e as barras de
+ouro.<br />
+
+<br />
+
+Um eleitor da Candelaria propôz uma ordem, estrondosamente
+acclamada, &aacute;s fortalezas para n&atilde;o
+deixar sa&iacute;r embarca&ccedil;&atilde;o nacional ou
+estrangeira, mercante ou de guerra, at&eacute; que fossem deferidos
+os votos da assembl&eacute;a. O empenho de haver uma
+constitui&ccedil;&atilde;o avassallava todos os espiritos, tal
+qual nas côrtes geraes da revolu&ccedil;&atilde;o
+franc&ecirc;sa. A junta eleitoral incumbiu ao tenente general
+Joaquim Xavier Curado, valente militar brasileiro e cheio de
+servi&ccedil;os &aacute; patria, e ao
+coronel Jos&eacute; Manoel de Moraes de transmittirem a
+resolu&ccedil;&atilde;o aos fortes, e a despeito da hora
+avan&ccedil;ada da noute se metteram em escaler para a cumprir
+acompanhados de alguns curiosos. O governador das armas foi tambem
+constrangido a confirmar aos commandantes das fortalezas a mesma
+injunc&ccedil;&atilde;o.<br />
+
+<br />
+
+Por um d'esses lances dramaticos que o Destino se compraz em crear na
+vida dos homens, apenas haviam partido os portadores d'essa
+intima&ccedil;&atilde;o que chegavam os deputados. A
+assembl&eacute;a resfolegou desopprimida e os festejou, feliz de os
+v&ecirc;r s&atilde;os e livres. Um eleitor,
+sargento-m&oacute;r de policia, de voz bem timbrada, leu mais de
+uma vez o novo decreto. Renasceu a alegria t&atilde;o ruidosa
+quanto commovente, soaram vivas; abra&ccedil;avam-se uns aos
+outros; muitos choraram e todos
+<span class="pagenum">[68]</span>
+&aacute; porfia se mostravam reconhecidos ao soberano, a quem
+se referiam com express&otilde;es de ternura filial.<br />
+
+<br />
+
+Em virtude de haver clareado a assembl&eacute;a apenas conhecidas
+as resolu&ccedil;&otilde;es
+r&eacute;gias, o presidente propoz se fizesse em outra
+occasi&atilde;o a escolha do conselho de D. Pedro. Os partidarios,
+por&eacute;m, da elei&ccedil;&atilde;o immediata, tenazes e
+energicos, n&atilde;o tiveram difficuldade em triumphar da
+resistencia, que a tal hora da noute podiam oppôr, eleitores,
+que o cansa&ccedil;o e as
+commo&ccedil;&otilde;es combaliam. N&atilde;o havia n'esse
+empenho a inten&ccedil;&atilde;o mais leve de molestar o
+monarcha, sen&atilde;o de affirmar o direito do povo de interferir
+nos negocios publicos, pois que os votos recahiram nas pessoas
+designadas pela corôa para ministros da regencia, com
+excep&ccedil;&atilde;o do desembargador
+Sebasti&atilde;o Luiz Tinoco substituido por Martins Francisco
+Ribeiro de Andrade.<br />
+
+<br />
+
+Emquanto taes successos occorriam na pra&ccedil;a do commercio,
+tomavam-se graves alvitres na quinta da Boavista. O descontentamento
+dos cortez&atilde;os e de algumas pessoas da familia real com a
+outorga da constitui&ccedil;&atilde;o hespanhola se estendera
+e se transformara na mais vehemente indigna&ccedil;&atilde;o,
+conhecida a intima&ccedil;&atilde;o aos fortes. Os ministros a
+uma voz consideraram o acto prova evidente de
+insubordina&ccedil;&atilde;o e concordaram na urgencia de
+reduzir a assembl&eacute;a atrevida. Na maneira de executar a
+ultima determina&ccedil;&atilde;o
+&eacute; que appareceu a divergencia de Silvestre Pinheiro. O
+ministro, que sem outro apoio que o talento e a
+illustra&ccedil;&atilde;o, galg&aacute;ra a culminancia
+social, guardava a lembran&ccedil;a das angustias que na infancia e
+adolescencia compartira com o povo. Conhecia quanto soffria dos abusos
+da auctoridade e
+<span class="pagenum">[69]</span>
+quanto fel deixam na alma os desenganos successivos na longa jornada
+para o
+reinado da justi&ccedil;a. A explos&atilde;o do desespero
+exprimia tantas affli&ccedil;&otilde;es acumuladas, que merecia
+mais piedade do que repress&atilde;o.<br />
+
+<br />
+
+Aconselhou, todavia, restabelecer a supremacia da auctoridade punindo o
+descommedimento mas com a benignidade compativel com a
+exalta&ccedil;&atilde;o dos animos nas côrtes.
+Oppunha-se a que as tropas sitiassem a pra&ccedil;a do commercio,
+attenta a impossibilidade de se poder contar com o sangue frio d'ellas
+e dos officiaes perante as massas populares, os quaes, a seu turno, se
+irritari&atilde;o com o desdobramento imprevisto das
+for&ccedil;as.<br />
+
+<br />
+
+Demais, n&atilde;o assistia ao governo o direito de cercar
+individuos reunidos com o consentimento do mesmo governo para se
+occuparem de negocios publicos. Em virtude da
+fermenta&ccedil;&atilde;o dos animos previra esses desatinos,
+e, por isso aconselhara a consulta ao eleitorado em local reservado e
+sem assistencia do publico.<br />
+
+<br />
+
+Os que ent&atilde;o o combateram intentavam agora conter os
+excessos resultantes da propria imprevidencia com apparato militar mais
+apropriado a provocar os brios de uma assembl&eacute;a do que a
+acalmar meia duzia de demagogos. A ordem dada &aacute;s fortalezas
+n&atilde;o passava de fraqueza dos eleitores para com alguns
+violentos, no intuito de evitar propostas mais desvairadas, fraqueza
+muito commum nas reuni&otilde;es politicas. N&atilde;o era
+outrosim licito castigar a multid&atilde;o por crimes de alguns.
+Propunha a concentra&ccedil;&atilde;o dos regimentos nas ru
+Os que ent&atilde;o o combateram intentavam agora conter os
+excessos resultantes da propria imprevidencia com apparato militar mais
+apropriado a provocar os brios de uma assembl&eacute;a do que a
+acalmar meia duzia de demagogos. A ordem dada &aacute;s fortalezas
+n&atilde;o passava de fraqueza dos eleitores para com alguns
+violentos, no intuito de evitar propostas mais desvairadas, fraqueza
+muito commum nas reuni&otilde;es politicas. N&atilde;o era
+outrosim licito castigar a multid&atilde;o por crimes de alguns.
+Propunha a concentra&ccedil;&atilde;o dos regimentos nas ruas
+confluentes &aacute; Bolsa, mas &aacute; consideravel distancia
+d'ella, e obrigava-se a fazer despejar o edificio sem
+perturba&ccedil;&atilde;o da ordem.
+<span class="pagenum">[70]</span>
+N&atilde;o receava t&atilde;o pouco escapassem &aacute;s
+auctoridades os demagogos, conhecidos de todos.<br />
+
+<br />
+
+A eloquencia de Silvestre Pinheiro n&atilde;o dissuadiu os collegas
+do emprego das armas para dissolver a reuni&atilde;o. Dous eram
+officiaes e enxergavam na injunc&ccedil;&atilde;o aos fortes a
+mais grave das indisciplinas; e o civil, o conde de Lousan, absolutista
+ferrenho que mais tarde serviu a D. Miguel com
+dedica&ccedil;&atilde;o, entendia que o povo n&atilde;o
+tinha sen&atilde;o obriga&ccedil;&otilde;es. Correu
+violento o debate, e n&atilde;o faltaram doestos e
+amea&ccedil;as ao mais humano dos ministros.<br />
+
+<br />
+
+Vencido, Silvestre solicitou a sua exonera&ccedil;&atilde;o;
+recusava-se terminantemente a cumprir a
+delibera&ccedil;&atilde;o do conselho no sentido de assaltar a
+Bolsa. Negou-lh'a o rei, e deu-lhe plena liberdade de
+ac&ccedil;&atilde;o.<br />
+
+<br />
+
+Silvestre sahiu immediatamente a executar o seu plano. O governador das
+armas iria &aacute; Pra&ccedil;a communicar ao presidente a
+necessidade de encerrar a assembl&eacute;a, e distribuiria
+companhias pelas ruas adjacentes para tolherem o transito para a Bolsa
+e apprehenderem os energumenos notorios, que for&ccedil;osamente
+passariam por ellas. O ouvidor, que continuava a presidir o
+ajuntamento, &aacute; intima&ccedil;&atilde;o do general
+Caula, pediu
+apenas meia hora para concluir a nomea&ccedil;&atilde;o do
+conselho e assignalou a boa tranquillidade e o bom humor dos eleitores
+e do publico. N'isto se levantaram boatos de que se congregavam no
+Rocio differentes batalh&otilde;es. Duprat em termos patheticos
+conjurou ao general velasse pela seguran&ccedil;a dos
+cidad&atilde;os reunidos com assentimento da corôa.<br />
+
+<br />
+
+O general prometteu sob palavra de honra que as for&ccedil;as
+n&atilde;o
+avan&ccedil;ari&atilde;o e tomou o caminho do Rocio. De feito
+ahi se ajuntavam a divis&atilde;o
+<span class="pagenum">[71]</span>
+portugu&ecirc;sa e os batalh&otilde;es
+brasileiros sob o commando do general Caretti. O governador das armas,
+em nome do ministro da guerra, intimou-o a n&atilde;o mover as
+tropas para a cidade antes que viesse de S. Christov&atilde;o, onde
+ia pedir a el-rei esclarecimentos &aacute;cerca de t&atilde;o
+extranho facto.
+Silvestre Pinheiro postou-se numa das ruas para sustar a marcha das
+for&ccedil;as. N&atilde;o tardou Caula em volver com a nova,
+annunciada a Silvestre Pinheiro, da desfilada impendente dos regimentos
+lusitanos contra a Pra&ccedil;a de conformidade com as
+instruc&ccedil;&otilde;es regias. Ahi acabara-se de proceder
+&aacute; elei&ccedil;&atilde;o e muitos j&aacute; se
+haviam
+retirado. O secretario arranjava os documentos, quando correu voz, que
+os soldados avan&ccedil;avam. Todos acudiram &aacute; porta,
+atravancada pelos que, sahidos ha pouco, retrocediam aterrados:
+approximava-se a artilheria e nas ruas lateraes scintillavam as
+bayonetas aos primeiros clar&otilde;es do dia. Uma companhia de
+ca&ccedil;adores postando-se defronte da entrada principal
+descarregou no interior do edificio cincoenta tiros sem aviso
+pr&eacute;vio. Os assaltados fecharam as portas. Uns atiraram-se ao
+mar e outros esconderam-se. O desembargador J. da Cruz Ferreira
+salvou-se a nado e o lente de mathematicas, o sabio Antonio
+Jos&eacute; do Amaral, achou abrigo numa sumaca. Arrombadas as
+portas, a soldadesca perseguiu os desventurados como se fossem lobos,
+diria o conde dos Arcos. Houve tres mortes, entre as quaes a de um
+eleitor a quem os annos tolhiam os passos. Muitos foram gravemente
+feridos; Jos&eacute; Clemente Pereira recebeu uma profunda cutilada
+na coxa. Macamboa, o padre advogado, a quem tanto deve
+portugu&ecirc;sa e os batalh&otilde;es
+brasileiros sob o commando do general Caretti. O governador das armas,
+em nome do ministro da guerra, intimou-o a n&atilde;o mover as
+tropas para a cidade antes que viesse de S. Christov&atilde;o, onde
+ia pedir a el-rei esclarecimentos &aacute;cerca de t&atilde;o
+extranho facto.
+Silvestre Pinheiro postou-se numa das ruas para sustar a marcha das
+for&ccedil;as. N&atilde;o tardou Caula em volver com a nova,
+annunciada a Silvestre Pinheiro, da desfilada impendente dos regimentos
+lusitanos contra a Pra&ccedil;a de conformidade com as
+instruc&ccedil;&otilde;es regias. Ahi acabara-se de proceder
+&aacute; elei&ccedil;&atilde;o e muitos j&aacute; se
+haviam
+retirado. O secretario arranjava os documentos, quando correu voz, que
+os soldados avan&ccedil;avam. Todos acudiram &aacute; porta,
+atravancada pelos que, sahidos ha pouco, retrocediam aterrados:
+approximava-se a artilheria e nas ruas lateraes scintillavam as
+bayonetas aos primeiros clar&otilde;es do dia. Uma companhia de
+ca&ccedil;adores postando-se defronte da entrada principal
+descarregou no interior do edificio cincoenta tiros sem aviso
+pr&eacute;vio. Os assaltados fecharam as portas. Uns atiraram-se ao
+mar e outros esconderam-se. O desembargador J. da Cruz Ferreira
+salvou-se a nado e o lente de mathematicas, o sabio Antonio
+Jos&eacute; do Amaral, achou abrigo numa sumaca. Arrombadas as
+portas, a soldadesca perseguiu os desventurados como se fossem lobos,
+diria o conde dos Arcos. Houve tres mortes, entre as quaes a de um
+eleitor a quem os annos tolhiam os passos. Muitos foram gravemente
+feridos; Jos&eacute; Clemente Pereira recebeu uma profunda cutilada
+na coxa. Macamboa, o padre advogado, a quem tanto deve a liberdade, e o
+brilhante Duprat, recolhidos ao carcere, foram tratados com
+desapiedade. O conde
+<span class="pagenum">[72]</span>
+dos Arcos julgava conveniente enforcal-os &laquo;para
+exemplo&raquo;.<br />
+
+<br />
+
+Voltemos &aacute; quinta da Boa Vista. Partido Silvestre Pinheiro,
+a colera dos cortez&atilde;os explodiu com violencia. Valiam-se da
+intima&ccedil;&atilde;o
+&aacute;s fortalezas para capitular de anarchico o eleitorado e
+constranger o monarcha a dispersar &aacute; bala a
+reuni&atilde;o, punir os mais exaltados, n&atilde;o receber a
+deputa&ccedil;&atilde;o dos eleitores que lhe devia submetter
+os nomes dos membros do conselho e, at&eacute;, revogar a outorga
+da constitui&ccedil;&atilde;o hespanhola. D. Jo&atilde;o VI
+cedeu abjectamente em todos os pontos. Ordenado ataque &aacute;
+Bolsa, decretou que resolv&ecirc;ra negar ao Brasil a carta
+constitucional de Cadix por lhe ter sido sollicitada &laquo;por
+homens mal intencionados e que queriam a anarchia&raquo;.<sup><a href="#Z75">[75]</a></sup> O
+fundamento da nova delibera&ccedil;&atilde;o n&atilde;o
+resiste &aacute; analyse. Al&eacute;m dos eleitores, sobre os
+quaes demos o juizo dos coevos, constituiam o comicio negociantes,
+medicos, advogados, officiaes e empregados do commercio, a quem
+n&atilde;o aproveitava a desordem. A gentalha ficara excluida da
+Pra&ccedil;a, que n&atilde;o era logar publico. Os que
+apresentaram ao soberano as decis&otilde;es da
+assembl&eacute;a,
+n&atilde;o mereciam t&atilde;o pouco a
+imputa&ccedil;&atilde;o de demolidores
+da sociedade. Eram var&otilde;es de notoria respeitabilidade e dous
+delles exerciam a magistratura. A verdade &eacute; que preoccupadas
+exclusivamente com os seus interesses e animadas com a fidelidade do
+exercito, as fac&ccedil;&otilde;es n&atilde;o hesitaram
+em induzir o rei a faltar ignominiosamente ao compromisso solemne
+tomado com o seu ministro da guerra e com o eleitorado. Talvez
+n&atilde;o caiba ao monarcha
+<span class="pagenum"><a name="p73">[73]</a></span>
+a responsabilidade das violencias
+das armas portugu&ecirc;sas, mas se lhe n&atilde;o pode tirar a
+auctoria da annulla&ccedil;&atilde;o do decreto que punha em
+vigor provisoriamente a constitui&ccedil;&atilde;o hespanhola,
+annulla&ccedil;&atilde;o praticada certamente sem energica
+suggest&atilde;o alheia, porquanto se ajustava &aacute;
+maravilha com o seu odio ao regimen representativo. Silvestre Pinheiro
+assignala que na manh&atilde; de 22 <a href="#e18">achara</a>
+o rei abatido. A bondade
+de D. Jo&atilde;o VI n&atilde;o ultrapassava a affabilidade no
+trato e a
+compaix&atilde;o por infortunios de certos validos. N&atilde;o
+era sanguinario mas lhe faltava absolutamente a
+preoccupa&ccedil;&atilde;o de justi&ccedil;a para com os
+vassallos, e a caridade publica interessava-lhe muito menos que a
+milicia e as artes. Nas demasias dos soldados contra a Bolsa
+n&atilde;o foi a sua humanidade que se affligiu sen&atilde;o a
+sua dignidade, mortificado com a revela&ccedil;&atilde;o de
+haver no pa&ccedil;o outra
+vontade que a sua.<br />
+
+<br />
+
+A commo&ccedil;&atilde;o na cidade foi das mais intensas. Os
+commerciantes desertaram para todo o sempre o edificio manchado de
+sangue, e o denominaram, num cartaz affixado sobre a porta:
+&laquo;A&ccedil;ougue de Bragan&ccedil;a&laquo;[8] Por _Antigo_
+entendem os Artistas as
+<br />
+
+mais bellas esculpturas, que nos rest&atilde;o dos antigos
+<br />
+
+Gregos, e Romanos; taes como a Venus
+<br />
+
+de Medicis, o Apollo, o Laoconte, o Gladiador,
+<br />
+
+etc.<sup><a href="#Z76">[76]</a></sup>.
+N&atilde;o
+perdoaram &aacute; corôa o ataque imprevisto contra
+homens inermes e congregados por convite do ministro. Se os
+descommedimentos da assembl&eacute;a auctorizavam a
+interven&ccedil;&atilde;o da justi&ccedil;a, esta
+n&atilde;o devia come&ccedil;ar por aggress&atilde;o
+t&atilde;o cruenta quanto covarde.<br />
+
+<br />
+
+&Aacute; administra&ccedil;&atilde;o mais inepta
+n&atilde;o era difficil apurar as responsabilidades de uma
+assembl&eacute;a, quando se conhecia quem a presidira e quem ahi
+provocara desconcertos.
+<br />
+
+<br />
+
+<span class="pagenum"><a name="p74">[74]</a></span>
+O rei, que se sentia dominado pela vontade mais energica do filho e por
+conseguinte despojado da soberania, providenciou ent&atilde;o
+&aacute;cerca do seu embarque com diligencia singular em natureza
+t&atilde;o apathica. Aos 22 lan&ccedil;ou a provis&atilde;o
+que nomeava D. Pedro regente com as attribui&ccedil;&otilde;es
+mais
+largas. Na realidade s&oacute; lhe era vedado fazer-se representar
+no estrangeiro, prover os bispados e concluir tratados de paz
+definitivos; f&oacute;ra disso, exercia todos os actos de soberano,
+e as
+limita&ccedil;&otilde;es impostas a alguns exprimiam preito
+mais apparente que real ao monarcha. Assim cabia-lhe escolher os
+funccionarios e estes entrari&atilde;o immediatamente no exercicio
+dos cargos; mas os diplomas seriam submettidos &aacute; assignatura
+do rei. Os poderes da regencia vigorari&atilde;o at&eacute;
+&aacute; promulga&ccedil;&atilde;o da carta constitucional
+em preparo nas côrtes. Assistiri&atilde;o a D. Pedro o
+conde dos Arcos na pasta dos negocios interiores e exteriores, e o
+conde de Lousan na da fazenda; o marechal Carlos Frederico Caula na
+reparti&ccedil;&atilde;o da guerra, e Manoel Antonio Farinha na
+secretaria da marinha.<br />
+
+<br />
+
+No dia 24, ao cahir da noute, D. Jo&atilde;o VI esgueirou-se para
+bordo no silencio tragico da cidade<sup><a href="#Z77">[77]</a></sup>.<br />
+
+<br />
+
+<br />
+
+<br />
+
+<h3><a name="c4"></a>CAPITULO IV</h3>
+
+<br />
+
+<div class="intro1">SUMMARIO:<br />
+
+<br />
+
+<em>As responsabilidades do crime de 21 de abril.&#8213;O conde
+dos Arcos.</em></div>
+
+<br />
+
+<br />
+
+<br />
+
+Lan&ccedil;ado o decreto de 22 de abril que prohibia a
+applica&ccedil;&atilde;o provisoria ao Brasil da lei
+fundamental da Hespanha, o rei aprestou-se para embarcar immediatamente
+convencido de que &laquo;no meio do desenfreamento das
+paix&otilde;es e da
+insubordina&ccedil;&atilde;o das tropas n&atilde;o tinha o
+livre exercicio de suas <a href="#e19">attribui&ccedil;&otilde;es</a>
+sober&aacute;nas&raquo;<sup><a href="#Z78">[78]</a></sup>.
+<br />
+
+<br />
+
+Declara-o a Silvestre Pinheiro, e a analyse de semelhante
+confiss&atilde;o revela n&atilde;o ser infundado o sentir dos
+contemporaneos<sup><a href="#Z79">[79]</a></sup>,
+que faziam D. Pedro e o conde dos Arcos responsaveis
+da carnificina da Bolsa e do quasi perjurio do soberano para com o
+ministro da guerra e para com os eleitores. A gravidade da
+accusa&ccedil;&atilde;o e a
+circumstancia de se basear em conjecturas exigem desenvolvimento da
+materia mais longo do que desejavamos.<br />
+
+<br />
+
+O rei &laquo;commovido&raquo; auctorizara Silvestre Pinheiro a
+despersar a reuni&atilde;o da Pra&ccedil;a conforme
+<span class="pagenum">[76]</span>
+julgasse mais conveniente, e o ministro da
+guerra n&atilde;o tinha a duvida mais tenue sobre a fidelidade das
+tropas. N&atilde;o &eacute; licito suspeitar da sinceridade
+do velho monarcha nem t&atilde;o pouco suppôr que o chefe
+do exercito, diligente e sagaz, se illudisse &aacute;cerca dos
+sentimentos dos militares. O facto, pois, do soberano considerar-se
+decahido do poder supremo significa que, em partindo o ministro da
+guerra para executar os seus planos, houve alguem bastante poderoso
+para constranger o rei a revogar as suas ordens sob pena de perder a
+auctoridade sobre as tropas. E o rei cedeu para fugir a um conflicto
+que lhe tiraria o resto do prestigio. Como nenhum dos ministros nem
+nenhum dos cortes&atilde;os intimidava D. Jo&atilde;o VI,
+&eacute; no seio de sua familia que devemos procurar quem se achava
+em condi&ccedil;&otilde;es de lhe impôr taes
+villanias. O maior inimigo do rei era a esposa,<sup><a href="#Z80">[80]</a></sup>, mas lhe
+n&atilde;o assistia influencia alguma sobre o marido nem a cercavam
+o respeito e a estima dos palacianos a termos de crear uma corrente
+bastante forte para actuar sobre o chefe da dynastia. Os negocios
+publicos n&atilde;o interessavam a D. Miguel, apenas com 19 annos.
+Resta D. Pedro. Principe herdeiro com assistencia nos conselhos da
+corôa e muito querido do exercito, nenhum outro se achava em
+melhor situa&ccedil;&atilde;o para agir sobre um espirito
+timorato, qual o do Rei. Este, ali&aacute;s, devia temel-o, porque
+a sua desconfian&ccedil;a instinctiva, propria dos fracos,
+inclinava-o certamente a acolher o rumor publico que considerava o
+successor da corôa um dos promotores do levante de 26 de
+<span class="pagenum">[77]</span>
+fevereiro. D. Pedro n&atilde;o era m&aacute;u filho, mas
+soffria facilmente a ac&ccedil;&atilde;o dos que o cercavam, e
+entre estes occupava agora a preeminencia na privan&ccedil;a o
+insinuante conde dos Arcos. &laquo;O conde dos Arcos
+est&aacute; com o principe no maior auge de valimento de que ha
+id&eacute;a, escrevia em tres de abril &aacute; esposa o conde
+de Palmella, a ponto de ir S. A. Real visital-o a casa todos os
+dias&raquo;<sup><a href="#Z81">[81]</a></sup>.
+<br />
+
+<br />
+
+O conde n&atilde;o era mais deshumano nem mais injusto que a maior
+parte dos homens, mas o que o singularizava dos seus semelhantes, era o
+gosto desenfreado do mando, para satisfazer o qual n&atilde;o
+recuava deante dos excessos mais reprovados. A sua attitude
+t&atilde;o arbitraria quanto feroz na repress&atilde;o do
+levante pernambucano de 1817 n&atilde;o teve outra causa. Receoso
+de perder o governo da Bahia por causa do desfavor crescente do rei, a
+sua inquieta&ccedil;&atilde;o confinava com o delirio aos tres
+de mar&ccedil;o. &laquo;Sou coberto de
+affrontas, escrevia, e sou at&eacute; amea&ccedil;ado de
+castigo no tremendo nome d'el-rei nosso senhor. Oh! meu
+Deus!&raquo;<sup><a href="#Z82">[82]</a></sup>
+<br />
+
+<br />
+
+Aos seis de mar&ccedil;o estalou a revolu&ccedil;&atilde;o
+em Pernambuco, immediatamente divulgada na Bahia. O conde aproveitou
+com soffreguid&atilde;o o ensejo para readquirir o valimente
+r&eacute;gio e assegurar o mando. Levantou for&ccedil;as
+consideraveis e usurpou attribui&ccedil;&otilde;es privativas
+da corôa com o
+fim de inculcar a gravidade da conjuntura. Mandou executar o padre Roma
+julgado por commiss&atilde;o militar tres dias depois de preso, sem
+por conseguinte, submetter a senten&ccedil;a ao poder magestatico.
+<span class="pagenum">[78]</span>
+Nas proclama&ccedil;&otilde;es aos soldados ordenava o
+fuzilamento
+sem processo dos pernambucanos, que n&atilde;o marchassem
+immediatamente com as for&ccedil;as legaes contra os insurrectos.
+N&atilde;o lhe
+importavam as leis da humanidade e as garantias da def&ecirc;sa,
+com tanto que alcan&ccedil;asse victoria,
+tanto mais brilhante quanto mais rapida para estar na gra&ccedil;a
+do soberano. Como hesitaria semelhante indole em arcabuzar os
+eleitores, se n&atilde;o havia outro meio para poder governar o
+Brasil consoante os seus intentos?<br />
+
+<br />
+
+Quem era o conde dos Arcos? De sua vida os livros e os archivos
+n&atilde;o revelam sen&atilde;o o
+trecho decorrido na antiga colonia, e isto pela rama. Por influencia do
+ministro das colonias, o visconde de Anadia viera ao Brasil assumir o
+governo do Par&aacute;.<sup><a href="#Z83">[83]</a></sup>
+A intelligencia, a energia e a
+habilidade patenteadas nesta administra&ccedil;&atilde;o, que o
+protector solicito n&atilde;o deixava de salientar aos olhos do
+principe regente, deram-lhe aos trinta e cinco annos de edade o logar
+mais proeminente a que podia aspirar um portugu&ecirc;s
+f&oacute;ra da metropole, o vice-reinado da colonia transatlantica,
+do qual foi investido aos 21 de agosto de 1806<sup><a href="#Z84">[84]</a></sup>. Pouco tempo,
+por&eacute;m, exerceu o cargo que o seu vehemente desejo de renome
+e dotes assignalados de administrador auguravam fertil em beneficios
+para o ultramar americano. De feito chegada a familia real ao Rio em 8
+de mar&ccedil;o, o principe regente tomou a
+direc&ccedil;&atilde;o suprema do Brasil, repartindo-a com os
+que o coadjuvavam em Lisboa.
+<br />
+
+<br />
+
+<span class="pagenum">[79]</span>
+Era o mesmo gabinete com a differen&ccedil;a de que o conde de
+Linhares substituia na pasta dos extrangeiros e da guerra a Antonio de
+Araujo, excluido dos conselhos da corôa por intrigas e
+rivalidades da côrte. N&atilde;o havia nessa
+organiza&ccedil;&atilde;o ministerial logar para o ex-vice-rei.
+Superintendia a secretaria da Marinha o seu antigo protector, o conde
+de Anadia; os negocios da fazenda publica estavam confiados ao egregio
+D. Fernando de Portugal, que durante cinco annos exercera com applauso
+o vice-reinado do Brasil e de quem recebera D. Marcos a investidura do
+regimento da colonia. N&atilde;o podia t&atilde;o pouco o
+illustre fidalgo disputar a pasta dos extrangeiros ao conde de
+Linhares, a qual, vista a situa&ccedil;&atilde;o perturbada da
+Europa, precisava de homem experimentado nos meneios da diplomacia e
+bem acceito da Inglaterra, mais que nunca arbitra dos destinos de
+Portugal. N&atilde;o consta que se queixasse ent&atilde;o o
+conde. Parece, por&eacute;m, que a sua
+ambi&ccedil;&atilde;o insoffrida se manifestou em doestos aos
+que iam preenchendo na alta administra&ccedil;&atilde;o as
+vagas abertas continuamente pela morte de servidores de edade
+avan&ccedil;ada ou que n&atilde;o resistiam &aacute;
+mudan&ccedil;a de clima ou de habitos. Morto o conde de Anadia,
+substituiu-o no ministerio o conde das Galv&ecirc;as; fallecido o
+commandante das armas, tomou-lhe o posto o Marqu&ecirc;s de
+Angeja<sup><a href="#Z85">[85]</a></sup>.
+Emquanto se davam cargos a homens cheios de annos e de
+achaques, os quaes n&atilde;o podiam acudir &aacute;s
+necessidades de um paiz em forma&ccedil;&atilde;o, falto dos
+melhoramentos mais
+elementares, negligenciava-se a actividade do ex-vice-rei,
+<span class="pagenum">[80]</span>
+malbaratadas as suas
+for&ccedil;as em
+func&ccedil;&otilde;es secundarias que o tolhiam de dar
+expans&atilde;o ao seu genio administrativo. A injusti&ccedil;a
+era, em verdade, por demais flagrante para n&atilde;o attrahir ao
+astuto preterido sympathias. Julgou acertado a corôa, para
+enfraquecer, talvez, o partido dos descontentes, provel-o no governo da
+Bahia por acto de 30 de outubro de 1810.<br />
+
+<br />
+
+De feito os seus amigos e admiradores se n&atilde;o illudiam na
+aprecia&ccedil;&atilde;o de sua capacidade
+governamental. Promoveu a marinha e o commercio; melhorou as
+fortifica&ccedil;&otilde;es; creou novos corpos de milicias e
+construiu a Pra&ccedil;a do Commercio. Ao mesmo tempo que promovia
+a for&ccedil;a e a riqueza, n&atilde;o se esquecia de
+desenvolver a cultura intellectual, multiplicando as escolas e fundando
+a bibliotheca publica. N&atilde;o se descuidou tambem do recreio
+dos moradores; abriu um jardim publico e favoreceu a
+termina&ccedil;&atilde;o do theatro S.
+Jo&atilde;o. O espirito de justi&ccedil;a e as maneiras
+captivantes do capit&atilde;o general e, de outro lado, o alvorecer
+das sciencias e das artes na velha cidade, despertaram o reconhecimento
+dos seus filhos, caracterizado com eloquencia no titulo de sua primeira
+gazeta,&#8213;A Idade de Ouro, apparecida em 14 de maio de 1811<sup><a href="#Z86">[86]</a></sup>. Nunca
+houve talvez governador mais querido. Depois de muitos testemunhos de
+estima e gratid&atilde;o, os habitantes, &aacute; sua partida,
+intentaram dar-lhe um que lhe aproveitasse aos descendentes
+atrav&eacute;s dos seculos. Requereram ao rei licen&ccedil;a
+para a institui&ccedil;&atilde;o
+<span class="pagenum">[81]</span>
+de
+um vinculo de cem contos a favor de D. Marcos<sup><a href="#Z87">[87]</a></sup>.
+<br />
+
+<br />
+
+N&atilde;o se enganava D. Marcos de Noronha e Brito, como se
+chamava Arcos, quando suppunha que na repress&atilde;o fulminante
+da revolta de Pernambuco se lhe deparava opportunidade de reconquistar
+a bemqueren&ccedil;a do monarcha. De feito na
+organiza&ccedil;&atilde;o ministerial de 24 de junho de 1817
+coube-lhe a pasta da marinha e do ultramar. A sua passagem n'esta
+importante secretaria n&atilde;o deixou, todavia, tra&ccedil;os
+dignos de men&ccedil;&atilde;o. Na discuss&atilde;o ardente
+sobre os
+acontecimentos revolucionarios de Portugal e as providencias
+applicaveis a um e a outro reino, o seu papel foi tambem dos mais
+apagados. Conhecem-se as id&eacute;as de Palmella e de Thomaz
+Antonio, expendidas anteriormente; de Arcos apenas se sabe que
+&laquo;mostrava sentimentos cavalheirescos e tambem boas
+inten&ccedil;&otilde;es, posto que
+ass&aacute;s vagas e indefinidas&raquo;<sup><a href="#Z88">[88]</a></sup>.<br />
+
+<br />
+
+Comprehende-se, at&eacute; certo ponto, ahi a sua reserva, porque
+ao invez dos collegas que pleit&ecirc;avam a partida do principe,
+pretendia ficar com este no Brasil. O que se n&atilde;o
+alcan&ccedil;a,
+por&eacute;m, &eacute; que continuasse a envolver em mysterio
+os planos de governar o Brasil durante a regencia de D. Pedro. Nem o
+velho monarcha logrou conhecel-os.<sup><a href="#Z89">[89]</a></sup>.
+<br />
+
+<br />
+
+A nosso parecer nada dizia porque nada tinha que dizer. Era
+administrador e n&atilde;o politico. Contava
+<span class="pagenum"><a name="p82">[82]</a></span>
+reger
+o Brasil como governara a Bahia, esquecido de que as circumstancias
+haviam mudado. Agora n&atilde;o preoccupavam o povo os
+melhoramentos materiaes mas sim o empenho de limitar a
+ac&ccedil;&atilde;o do poder e fixar as suas
+rela&ccedil;&otilde;es com os cidad&atilde;os e de dar a
+estes parte activa na direc&ccedil;&atilde;o dos negocios
+publicos.<br />
+
+<br />
+
+<br />
+
+<br />
+
+<h3><a name="c5"></a>CAPITULO V</h3>
+
+<br />
+
+<div class="intro1">SUMMARIO:<br />
+
+<br />
+
+<em>Medidas da regencia&#8213;Descontentamento
+crescente do povo&#8213;Deputados do
+Rio&#8213;Vota&ccedil;&atilde;o&#8213;Regulamento
+eleitoral&#8213;Recrutamento&#8213;As bases
+constitucionaes&#8213;Revolu&ccedil;&atilde;o de 5 de
+junho&#8213;Destitui&ccedil;&atilde;o do conde dos Arcos&#8213;Targini&#8213;A
+calumnia no Brasil e em Portugal.</em></div>
+
+<br />
+
+<br />
+
+<br />
+
+Partido o monarcha, o regente sob a inspira&ccedil;&atilde;o do
+conde dos Arcos, intentou dar a edade de ouro ao Brasil, conforme a
+ironia de Silvestre Pinheiro. Prohibiu a pris&atilde;o sem culpa
+formada e sem ordem escripta do juiz; aboliu as algemas, as torturas e
+a&ccedil;outes<sup><a href="#Z90">[90]</a></sup>;
+augmentou os vencimentos das tropas, que
+j&aacute; murmuravam; supprimiu o imposto de 2%, o qual agravava as
+mercadorias isentas de tributo especial. Dos actos meritorios,
+por&eacute;m, nenhum certamente mais o devia recommendar ao
+reconhecimento dos povos que a reforma do imposto do sal. O tributo
+<span class="pagenum">[84]</span>
+de 750 reis por
+alqueire, que pesava sobre esta parte essencial da
+alimenta&ccedil;&atilde;o, opprimia as
+industrias pastoril e da pesca. Perdiam-se couros e carnagens, a salga
+de um boi representando duas e tres vezes o seu valor. A conserva do
+pescado era tambem impossivel, e com isto padecia n&atilde;o
+s&oacute; a gente que fazia do peixe salgado a principal
+subsistencia sen&atilde;o ainda a industria de transportes com
+augmentar a deficiencia dos carregamentos para a Europa, ao que
+attribuia o seu deperecimento a marinha portugu&ecirc;sa. Era
+t&atilde;o
+precioso o sal que um prato delle constituia no interior um dos
+presentes mais festejados<sup><a href="#Z91">[91]</a></sup>.
+A regencia reduziu o imposto a oitenta
+reis por alqueire<sup><a href="#Z92">[92]</a></sup>.
+<br />
+
+<br />
+
+Nos derradeiros dias de maio, realizaram-se as
+elei&ccedil;&otilde;es dos deputados fluminentes para as
+côrtes geraes, e este acto que devia alvoro&ccedil;ar o
+povo como o primeiro passo para o regimen representativo t&atilde;o
+almejado, correu sem enthusiasmo<sup><a href="#Z93">[93]</a></sup>.
+&Eacute; que o governo
+n&atilde;o lograva grangear a estima publica; ao contrario, quanto
+mais exercia actividade, tanto mais a popula&ccedil;&atilde;o o
+execrava na pessoa do conde dos Arcos, reputado a alma da
+administra&ccedil;&atilde;o, sem attentar na
+excellencia das medidas. Nestas enxergava actos de
+usurpa&ccedil;&atilde;o da assembl&eacute;a legislativa e
+n&atilde;o reconhecia &aacute; regencia outros direitos que os
+da
+conserva&ccedil;&atilde;o da ordem e
+fiscaliza&ccedil;&atilde;o dos servi&ccedil;os
+publicos,
+<span class="pagenum">[85]</span>
+isto &eacute;, as rigorosas
+attribui&ccedil;&otilde;es do poder
+executivo.<br />
+
+<br />
+
+Todos sentiam a imminencia de graves acontecimentos no Rio, e mais
+interessantes ao progresso do Brasil do que a
+collabora&ccedil;&atilde;o de seus filhos na futura carta
+constitucional da monarchia; e por isso ninguem queria ser deputado,
+mas o desap&ecirc;go n&atilde;o ia ao ponto de se descuidar da
+elei&ccedil;&atilde;o. Assim a lei facultava o meio de remover
+o embara&ccedil;o nascido da falta de candidaturas brasileiras, e
+era nomear portugu&ecirc;ses domiciliados na comarca ha mais de
+sete annos. N&atilde;o escasseavam entre elles var&otilde;es
+distinctos por virtudes e letras, capazes de defender com
+dedica&ccedil;&atilde;o os interesses da terra de sua
+residencia, e que gostosamente aceitari&atilde;o a viagem
+&aacute; patria
+investidos da honra de figurar no congresso. Nem se cogitou disso,
+porque o eleitorado, por commum sentir que nobilita os
+portugu&ecirc;ses que delle faziam parte, n&atilde;o admittia
+para o Brasil outra representa&ccedil;&atilde;o que
+n&atilde;o fosse
+constituida exclusivamente por seus naturaes.
+Vencidas as resistencias do Dr. Luiz Nicol&aacute;u Fagundes
+Varella e do bacharel J. S. Lemos Brand&atilde;o, o bom homem da
+ro&ccedil;a, como lhe chama Vasconcellos Drummond<sup><a href="#Z94">[94]</a></sup> completou-se o
+numero com fluminenses estabelecidos em Portugal. Eram elles o bispo de
+Coimbra, D. Francisco de Lemos, o bispo d'Elvas, D. J. J. da Cunha de
+Azevedo Coutinho, o bacharel Luiz Martins Bastos, e substitutos o
+medico Custodio Gon&ccedil;alves Ledo, residente no Porto, e o
+bacharel
+<span class="pagenum"><a name="p86">[86]</a></span>
+em
+mathematicas Francisco Villela Barbosa. O egregio D. Francisco de
+Lemos, altamente conceituado por Pombal,<sup><a href="#Z95">[95]</a></sup>
+que o incumbira da regencia
+da universidade de Coimbra, por causa da edade excedente de 86 annos,
+n&atilde;o aceitou o encargo, e o substituiu Villela Barbosa. A
+morte arrebatou D. Jos&eacute; de Azevedo Coutinho,
+inquisidor-m&oacute;r e antigo bispo de Pernambuco, dous dias
+depois de entrado nas côrtes. O ascendente, que lhe dava a
+intelligencia exclarecida e a
+situa&ccedil;&atilde;o social, certamente se faria sentir na
+assembl&eacute;a de modo proveitoso. Era um espirito positivo mas
+n&atilde;o destituido de originalidade. Na obra ass&aacute;s
+festejada&#8213;Ensaio Economico,&#8213;ao par de id&eacute;as hoje banaes,
+ou at&eacute; condemnadas, ha
+conceitos que mereciam a prova da pratica. Assim suggeria de se
+utilizar na marinha o indio, cuja natureza resistente mais incapaz de
+esfor&ccedil;o prolongado no mesmo sentido, se adaptaria,
+porventura, &aacute; variedade de occupa&ccedil;&otilde;es
+da vida do
+mar, lardeada de regabofes nos portos.<br />
+
+<br />
+
+Villela Barbosa, ulteriormente marqu&ecirc;s de
+Paranagu&aacute;, deixara a marinha de guerra com o posto de major
+para se applicar ao magisterio. Leccionava com lustre mathematicas na
+academia Real de Marinha, e trabalhos de valor lhe abriram as portas da
+Academia Real das Sciencias. Era incontestavelmente o mais notavel
+membro da representa&ccedil;&atilde;o fluminense, e a despeito
+de se achar ausente do Brasil desde <a href="#e20">1787</a>
+concebeu as suas necessidades
+e participou da febre
+<span class="pagenum">[87]</span>
+de suas
+aspira&ccedil;&otilde;es na crise proxima como se acabara de o
+deixar<sup><a href="#Z96">[96]</a></sup>.
+<br />
+
+<br />
+
+A harmonia do partido luso-brasilico, como se dizia, promanava
+n&atilde;o s&oacute; da perfeita unidade de vistas dos
+patriotas sen&atilde;o tambem do numero exiguo de eleitores.
+N&atilde;o passavam de 15, e a vota&ccedil;&atilde;o se
+repartiu do seguinte modo: Fagundes Varella e D. Jos&eacute; de
+Azevedo Coutinho, onze votos; Martins Basto, nove; D. Francisco de
+Lemos e Lemos Brand&atilde;o, oito; e os supplentes Ledo, oito, e
+Villela Barbosa, 13<sup><a href="#Z97">[97]</a></sup>.
+<br />
+
+<br />
+
+Susposto j&aacute; n&atilde;o matasse nem torturasse a
+inquisi&ccedil;&atilde;o, e se satisfizesse com encarcerar os
+suspeitos de heresia, n&atilde;o deixa de causar extranheza, visto
+o passado sinistro do temeroso tribunal, que haja sido dos mais votados
+em periodo de reforma liberal o chefe da
+institui&ccedil;&atilde;o D. Jos&eacute; de Azevedo
+Coutinho.<br />
+
+<br />
+
+A explica&ccedil;&atilde;o deve residir no prestigio do
+venerando fluminense assim como na indulgencia e brandura com que os
+magistrados inquisitoriaes exerciam desde alguns annos o seu formidavel
+ministerio.<br />
+
+<br />
+
+O governo revolucionario de Portugal por decreto de 18 de abril
+determinara a applica&ccedil;&atilde;o ao ultramar americano do
+regulamento de 22 de novembro observado pela antiga metropole nas
+elei&ccedil;&otilde;es para as côrtes geraes, sem
+mudan&ccedil;a capaz de influir na
+representa&ccedil;&atilde;o. Cada provincia
+<span class="pagenum">[88]</span>
+daria
+tantos deputados quantas vezes tivesse o numero de trinta mil
+moradores, e no caso do excesso da povoa&ccedil;&atilde;o
+chegar a 15 mil almas,
+designaria mais um representante desprezada a differen&ccedil;a que
+n&atilde;o attingisse o ultimo algarismo.<br />
+
+<br />
+
+Para o calculo da popula&ccedil;&atilde;o se serviu em Portugal
+do cadastro de 1801 e no Brasil aproveitou-se em geral do computo de
+1808, o qual dava 2.323.386 habitantes livres<sup><a href="#Z98">[98]</a></sup>.
+<br />
+
+<br />
+
+N&atilde;o era defeso &aacute; provincia que se julgasse lesada
+com aquelle calculo, por n&atilde;o exprimir mais a verdade,
+proceder a novo recenseamento. Assim aconteceu no Rio de Janeiro, mais,
+todavia, por n&atilde;o haverem sido comprehendidas as
+instruc&ccedil;&otilde;es de Silvestre Pinheiro do que pelo
+empenho de corrigir o cadastro de 1808, e o resultado desfavoreceu a
+comarca. De feito o novo arrolamento estimou os moradores livres em
+159.281 ao passo que pelo anterior a côrte e a comarca
+apresentavam 235.079. Por isso, em vez de sete deputados como
+autorizava o calculo de 1808, se fôra mantido, n&atilde;o
+mandamos a Portugal sen&atilde;o cinco.<sup><a href="#Z99">[99]</a></sup>.
+Os
+deputados
+al&eacute;m das despezas da viagem, arbitradas e pagas por suas
+provincias, percebiam do erario publico 4$800 r&eacute;is fortes
+por dia. Os contemporaneos julgavam excessivo o subsidio<sup><a href="#Z100">[100]</a></sup>. A
+elei&ccedil;&atilde;o era de quatro graus e singularmente
+complicada. Em cada freguesia sob a presidencia da auctoridade
+judiciaria ou municipal, reuniam-se no concelho ou na Egreja, os
+cidad&atilde;os domiciliados ahi para a
+elei&ccedil;&atilde;o dos compromissarios. Nomeados, estes
+designavam
+<span class="pagenum">[89]</span>
+immediatamente o eleitor
+parochial. Por cada duzentos fogos havia um eleitor paroquial escolhido
+por onze compromissarios. Os eleitores parochiaes ajuntavam-se no
+domingo immediato na cabe&ccedil;a da comarca para indicar por
+escrutinio secreto os derradeiros eleitores, os quaes reunidos na
+capital da provincia no domingo seguinte, nomeavam os deputados. O
+numero dos eleitores era trez vezes o numero dos eleitos. Elegiam-se os
+deputados por escrutinio secreto e successivamente. Deviam ter mais de
+vinte e cinco annos, ser natural da provincia ou residir n'ella ha mais
+de sete annos<sup><a href="#Z101">[101]</a></sup>.
+<br />
+
+<br />
+
+Acaso com o intuito de dispensar as for&ccedil;as
+portugu&ecirc;sas cada vez mais amea&ccedil;adoras, a regencia
+commetteu nos ultimos dias de maio o acto mais proprio para rematar a
+indigna&ccedil;&atilde;o do povo: mandou proceder a energico
+recrutamento<sup><a href="#Z102">[102]</a></sup>.
+Das cousas que mais vexavam a
+popula&ccedil;&atilde;o nenhuma disputava a preeminencia ao
+alistamento for&ccedil;ado no exercito. Reca&iacute;a sobre
+infelizes
+privados de protectores e que de ordinario haviam incorrido no
+desagrado caprichoso dos mand&otilde;es. Os trabalhadores
+desertavam os campos e as officinas em procura de esconderijos nas
+mattas. A miseria surgia nas familias, desapparecido o var&atilde;o
+laborioso que as alimentava. Muitos amputavam dedos da m&atilde;o
+direita para allegar a impossibilidade de manejarem as armas de fogo,
+quando soava a noticia que o governo recrutava. E o que
+<span class="pagenum">[90]</span>
+tornava a violencia
+particularmente odiosa era que os mancebos ricos ou poderosos escapavam
+&aacute;s garras da auctoridade.<br />
+
+<br />
+
+A agita&ccedil;&atilde;o dos animos por essa medida tomou novas
+for&ccedil;as com a chegada das bases da
+constitui&ccedil;&atilde;o, promulgadas em 10 de
+mar&ccedil;o. Levantada no conselho da regencia a
+quest&atilde;o se deviam ser juradas, o conde dos Arcos ponderou
+que emquanto n&atilde;o viessem copias authenticas d'ellas, era
+como se n&atilde;o existissem para o governo. Este adoptou o
+alvitre com grande sobresalto da opini&atilde;o<sup><a href="#Z103">[103]</a></sup>, a qual enxergou
+na
+allega&ccedil;&atilde;o do fidalgo o empenho de dilatar o
+regimen arbitrario. De feito o argumento, forte &aacute; primeira
+vista, n&atilde;o resiste, comtudo, &aacute;
+considera&ccedil;&atilde;o de que os artigos constitucionaes
+vinham reproduzidos no Diario da Regencia, org&atilde;o official do
+governo de Lisboa e dispensavam por conseguinte traslados regulares. D.
+Pedro se excusar&aacute; mais tarde de n&atilde;o os haver
+jurado immediatamente por outros motivos, que n&atilde;o
+s&atilde;o tambem mais concludentes. Allegar&aacute; que
+n&atilde;o podiam as referidas bases reger os povos do Brasil,
+emquanto n&atilde;o as sanccionassem, de conformidade com o artigo
+21, os seus legitimos representantes.<br />
+
+<br />
+
+Ante a reclama&ccedil;&atilde;o geral pela
+applica&ccedil;&atilde;o prompta d'ellas, n&atilde;o era
+licito ao governo ter semelhante escrupulo. Demais, porque
+n&atilde;o consultou &aacute;cerca de materia que tanto
+interessava ao povo, os deputados e eleitores do Rio que ainda se
+achavam na capital? O principe dir&aacute; tambem que jurada a
+constitui&ccedil;&atilde;o em globo e sem
+restric&ccedil;&otilde;es
+<span class="pagenum">[91]</span>
+aos 26 de fevereiro, tornava-se desnecessario repetir o juramento
+para cada uma das suas partes.<br />
+
+<br />
+
+Ora n'aquelle dia se n&atilde;o jurara carta constitucional alguma,
+porque ainda n&atilde;o existia e se tomara apenas o compromisso de
+observar a lei fundamental em elabora&ccedil;&atilde;o nas
+Côrtes.
+As bases al&eacute;m d'isso n&atilde;o eram um capitulo do
+futuro codigo mas o resumo do proprio codigo. A regencia, por
+conseguinte, n&atilde;o podia deixar de a jurar sem mentir ao
+compromisso solemne de fevereiro.<br />
+
+<br />
+
+Se havia alguem grandemente contrariado com o systema administrativo do
+governo era o meticuloso conde de Lousan. As principaes
+resolu&ccedil;&otilde;es do poder, quaes o augmento de soldo e
+a reduc&ccedil;&atilde;o de impostos n&atilde;o lhe
+aproveitavam individualmente e traziam em apuros o homem publico a quem
+se confiaram os interesses do erario.<br />
+
+<br />
+
+De facto a fazenda real atravessava um dos momentos mais duros que
+p&oacute;de conceber o economista moderno. Devia mais de vinte
+m&ecirc;ses de soldo aos voluntarios que guardavam as fronteiras do
+sul, e estava em atraso com os funccionarios civis<sup><a href="#Z104">[104]</a></sup>. N&atilde;o
+surprehende, pois, que o ministro das finan&ccedil;as pleiteasse a
+execu&ccedil;&atilde;o immediata dos elementos da
+constitui&ccedil;&atilde;o em toda a integridade, na
+esperan&ccedil;a de acabar com o regimen nefasto que diminuia a
+receita e avolumava a despeza; n&atilde;o admira t&atilde;o
+pouco que, vencido no conselho, animasse as tropas contra o
+tr&eacute;fego Arcos a pretexto de ser a alma damnada
+<span class="pagenum">[92]</span>
+do regente na revolta encoberta
+contra as Côrtes Geraes<sup><a href="#Z105">[105]</a></sup>.
+<br />
+
+<br />
+
+Os secretarios de estado se n&atilde;o julgavam ent&atilde;o
+obrigados &aacute; lealdade mais elementar para com os collegas, e
+hostilizavam-se mutuamente sem outra preoccupa&ccedil;&atilde;o
+que o interesse da
+reparti&ccedil;&atilde;o ou a def&ecirc;sa do posto. A
+solidariedade dos ministros, indispensavel &aacute; bôa
+direc&ccedil;&atilde;o dos negocios publicos e que se nos
+afigura forma elementar da probidade, &eacute; conquista
+relativamente moderna da moral e do Direito Publico, e n&atilde;o
+procede, como era licito suppôr, do regimen representativo e
+da existencia dos partidos. Macanlay informa que s&oacute;mente ao
+expirar o seculo XVII, quando, portanto, desde muito havia na
+Inglaterra parlamento com whigs e tories, nasceu a solidariedade
+ministerial, que pôz termo &aacute; guerra que os
+secretarios de estado moviam entre si.<br />
+
+<br />
+
+D. Diogo de Menezes n&atilde;o se singularizava, pois,
+confraternizando com as tropas portugu&ecirc;sas para se desfazer
+do collega incommodo. O descontentamento d'aquelles regimentos procedia
+do espirito liberal, que, avassallando todas as classes n&atilde;o
+podia deixar de se transmittir aos officiaes e soldados, e da
+solidariedade com o exercito do velho reino, o qual promov&ecirc;ra
+a
+revolu&ccedil;&atilde;o e considerava as côrtes sua
+feitura. A estas raz&otilde;es accrescia a
+preoccupa&ccedil;&atilde;o patriotica de trazer o ultramar
+americano na dependencia absoluta da antiga metropole.<br />
+
+<br />
+
+Propalou-se insidiosamente que Arcos encaminhava
+<span class="pagenum">[93]</span>
+o Brasil para a independencia.
+Allega&ccedil;&atilde;o absolutamente falsa. Protrahindo a
+sanc&ccedil;&atilde;o das bases constitucionaes, o illustre
+fidalgo n&atilde;o attendia a outros sentimentos que o amor do
+mando illimitado e a fatuidade de n&atilde;o receber
+instruc&ccedil;&otilde;es de ninguem &aacute;cerca do
+governo do Brasil, que pretendia conhecer melhor que todos. Recusara
+receber li&ccedil;&otilde;es de Silvestre Pinheiro em nome do
+soberano, como as acolheria promptamente, de bom grado, das
+côrtes geraes compostas de meia duzia de revolucionarios que
+nunca haviam estado no novo reino?<br />
+
+<br />
+
+O boato, por&eacute;m, de que pretendia emancipar a antiga colonia
+teve o effeito almejado de sobresaltar a divis&atilde;o
+auxiliadora. Informado de que os officiaes iam, em armas, exigir o
+juramento das bases, o regente interpella um dos capit&atilde;es,
+que contesta o rumor e o lan&ccedil;a &aacute; conta da
+malevolencia.<br />
+
+<br />
+
+Como crescessem denuncias cada vez mais precisas de proximo levante, D.
+Pedro aventura-se a apparecer de madrugada no quartel de S.
+Christov&atilde;o, o foco da revolta. Manda chamar o
+capit&atilde;o S&aacute;, apontado como um dos mais activos
+conjurados, o qual apparece estremunhado &laquo;fingindo ter
+somno&raquo;<sup><a href="#Z106">[106]</a></sup>.
+Accusa-o de haver lan&ccedil;ado
+proclama&ccedil;&otilde;es com o intuito de agitar o povo
+&laquo;de si muito socegado&raquo;, de levantar as tropas e
+amea&ccedil;a-o com a sanc&ccedil;&atilde;o rigorosa das
+leis. Apenas sahia o principe destemido, que os clarins soam a chamada,
+e o batalh&atilde;o em armas irrompe do quartel para se encontrar,
+conforme o conluio,
+<span class="pagenum">[94]</span>
+com outras tropas. Sem se
+intimidar, D. Pedro volve ao palacio, onde devia presidir o conselho de
+ministros, para com elles deliberar sobre o negocio. Ahi occorrem-lhe
+&aacute; lembran&ccedil;a as queixas acerbas dos
+batalh&otilde;es contra o seu general por causa de uma ordem do
+dia, e na ancia de n&atilde;o admittir limites &aacute; sua
+auctoridade,
+resolve sacrificar Avillez ao resentimento dos officiaes, sem attender
+que semelhante acto significava a sujei&ccedil;&atilde;o dos
+chefes aos subalternos, a
+nega&ccedil;&atilde;o mais formal da disciplina. O marechal
+incumbido da commiss&atilde;o n&atilde;o tardou em tornar ao
+pa&ccedil;o com a noticia de n&atilde;o mais desejarem os
+regimentos, em p&eacute; de guerra no Rocio, a demiss&atilde;o
+de Jorge de Avillez. D. Pedro, que, ao contrario de D. Jo&atilde;o
+VI, n&atilde;o conhecia o medo, partiu
+in-continenti ao campo dos revoltosos. O general Avillez &aacute;
+testa das for&ccedil;as portugu&ecirc;sas
+solicitou o juramento das bases. O principe annuiu promptamente mas
+assignalou com vivacidade a injuria envolta em semelhante pedido.
+Jur&aacute;ra a
+constitui&ccedil;&atilde;o em 26 de fevereiro e n&atilde;o
+tinha o habito de mentir &aacute; sua palavra. Em caminho,
+por&eacute;m, para o theatro, onde se devia protestar obediencia
+aos novos preceitos constitucionaes, lembrou-se de appellar para o
+povo, na esperan&ccedil;a de achar nelle apoio para a resistencia.
+Declarou ent&atilde;o resolutamente que n&atilde;o prestaria o
+juramento sem conhecer o sentir da popula&ccedil;&atilde;o, da
+qual o exercito era apenas uma frac&ccedil;&atilde;o,
+manifestado por aquelles que mereceram a confian&ccedil;a da
+comarca. Convocados &aacute; pressa os eleitores dos deputados,
+renovaram, &aacute; consulta do principe, por intermedio do padre
+Narciso, as resolu&ccedil;&otilde;es da famosa
+assembl&eacute;a da Pra&ccedil;a do Commercio. Pediram a
+sanc&ccedil;&atilde;o das Bases, que dispensavam a
+constitui&ccedil;&atilde;o
+<span class="pagenum">[95]</span>
+hespanhola solicitada anteriormente, e a
+crea&ccedil;&atilde;o de uma junta com poderes para
+responsabilizar os secretarios de estado e sem a
+approva&ccedil;&atilde;o da qual se n&atilde;o
+promulgari&atilde;o decretos<sup><a href="#Z107">[107]</a></sup>.
+Concordavam com a exonera&ccedil;&atilde;o do conde dos Arcos,
+reclamada pelas tropas. O principe rendeu-se aos votos geraes.
+Trocaram-se ent&atilde;o gentilezas de parte a parte como se os
+houvera dividido mero equivoco, agora desfeito a aprazimento de todos.
+D. Pedro rogou-lhes indicassem o successor de D. Marcos. Excusaram-se
+com graciosidade, e n&atilde;o foram vencidos em bizarria, porque
+deixaram ao regente a designa&ccedil;&atilde;o dos candidatos
+&aacute; junta. Substituiu Arcos o desembargador Pedro Alvares
+Diniz.<br />
+
+<br />
+
+Elegeram a junta os eleitores que, haviam designado os deputados, e os
+officiaes do exercito, na raz&atilde;o de dous para cada corpo<sup><a href="#Z108">[108]</a></sup>.<br />
+
+<br />
+
+O estabelecimento dessa corpora&ccedil;&atilde;o, a quem
+competia promover a responsabilidade dos ministros nos termos do artigo
+31 das Bases, foi notavel conquista do liberalismo. Assistia-lhe a
+faculdade de tomar conta aos secretarios de estado pela inobservancia
+das leis e principalmente pelo que obrassem contra a liberdade, a
+seguran&ccedil;a e os bens dos cidad&atilde;os e pela
+delapida&ccedil;&atilde;o da fortuna publica; e sem o seu exame
+n&atilde;o subiri&atilde;o
+&aacute; approva&ccedil;&atilde;o do regente os projectos
+de reforma
+<span class="pagenum">[96]</span>
+resolvidos no conselho de ministros.
+N&atilde;o respondia de seus actos sen&atilde;o perante o
+congresso constituinte. Nascida do povo e sujeita a uma auctoridade
+remota tinha de facto a liberdade de ac&ccedil;&atilde;o mais
+completa. A
+subordina&ccedil;&atilde;o &aacute;s Côrtes
+Geraes, mais apparente que real, ao passo que lhe assegurava a
+independencia, era uma homenagem ao maior poder actual da monarchia e
+lhe dava as sympathias da metropole e das for&ccedil;as
+portugu&ecirc;sas que estanc&ecirc;avam no Brasil. Ao
+rev&eacute;s dos povos do Par&aacute;, de Pernambuco, da Bahia
+que investiram os seus governos locaes de
+func&ccedil;&otilde;es legislativas, confundindo desse modo
+jurisdic&ccedil;&otilde;es distinctas no regimen
+constitucional, os fluminenses mais felizes n&atilde;o
+s&oacute; n&atilde;o
+cogitaram de exercitar o poder executivo mas acolheram com desprazer a
+amea&ccedil;a do regente de abandonar o posto, caso se renovassem
+os motins.<br />
+
+<br />
+
+Como os successos arrastaram a regencia para a independencia e
+liberdade do Brasil, n&atilde;o teve o novo corpo politico
+fiscaliza&ccedil;&atilde;o que
+exercer e assumiu, por isso, a attitude de espectativa aconselhada do
+patriotismo.<br />
+
+<br />
+
+O povo acclamou com enthusiasmo as resolu&ccedil;&otilde;es de
+5 de Junho, que o resguardavam do arbitrio do governo. Foi
+principalmente no theatro, no correr do espectaculo, que se manifestou
+o jubilo. Oradores e poetas celebraram a generosidade da regencia e os
+beneficios da constitui&ccedil;&atilde;o. Cantou-se o novo
+hymno, cuja lettra compuzera-a D. Pedro<sup><a href="#Z109">[109]</a></sup>.
+Emquanto o principe
+<span class="pagenum">[97]</span>
+se deliciava ahi com as melodias do Engano
+Feliz de Rossini e com as phrases ardentes de lisonja dos trovadores, a
+soldadesca arrancava o conde dos Arcos e a filha para os conduzir
+atropeladamente ao brigue 13 de maio com direc&ccedil;&atilde;o
+a Portugal. Os archivos n&atilde;o
+divulgaram ainda os debates do conselho dos secretarios de estado
+n'essa manh&atilde; fresca de junho, nem t&atilde;o pouco o
+derradeiro dialogo entre o regente e o ministro poderoso, enxotado do
+governo pelo povo e pelas tropas. Que allegou o conde, ambicioso e
+audaz, quando ahi se discutiam os seus actos, os seus alvitres e o seu
+destino? Que disse ao principe, seu cumplice nos crimes de 21 de abril?
+A imminencia da queda desenvolveu-lhe a intelligencia e os dotes
+magnificos de seduc&ccedil;&atilde;o ou a vis&atilde;o dos
+sonhos de
+gloria desfeitos estatelou-o na mudez tragica da
+desesperan&ccedil;a? Por emquanto apenas sabemos que D. Pedro lhe
+conservou o affecto at&eacute; &aacute; ultima hora, como
+decorre dos termos da permiss&atilde;o &aacute; filha para o
+seguir &laquo;&aacute; sua filha dou
+licen&ccedil;a para o acompanhar a Lisboa para onde vossa
+merc&ecirc; se ha-de ir n'este correio <em>com bem
+sentimento d'este seu amo e amigo</em>&raquo;<sup><a href="#Z110">[110]</a></sup>.<br />
+
+<br />
+
+Se, por conseguinte, os soldados comportarem-se brutalmente com o
+ex-ministro na occasi&atilde;o do embarque, certamente
+n&atilde;o obedeciam &aacute; ordem ou suggest&atilde;o do
+regente.<br />
+
+<br />
+
+N&atilde;o devemos encerrar o capitulo sem falar de Targini, cujas
+contas de thesoureiro-m&oacute;r foram approvadas durante a
+administra&ccedil;&atilde;o de Arcos
+<span class="pagenum">[98]</span>
+e que atassalhado de todos com
+violencia inaudita, symboliza o conceito formado pelo
+portugu&ecirc;s e pelo brasileiro dos que lidam com dinheiros
+publicos: todos mais ou menos ladr&otilde;es.<br />
+
+<br />
+
+Quando Thomaz Antonio organizou o ministerio de 24 de junho reservou
+para si os negocios do reino e delles separou a
+administra&ccedil;&atilde;o da fazenda, a qual veiu desse modo
+a constituir uma nova secretaria, confiada a Jo&atilde;o Paulo
+Bezerra.<br />
+
+<br />
+
+Parece que uma das raz&otilde;es de semelhante reforma estava,
+n&atilde;o na falta de
+ambi&ccedil;&atilde;o nem no desejo de aliviar-se de trabalhos
+e cuidados inherentes &aacute; gest&atilde;o das
+finan&ccedil;as, mas no empenho de fazer fiscalizar
+convenientemente o thesoureiro-m&oacute;r accusado de peculato pela
+voz publica. Quem melhor do que Bezerra para tal encargo? Era energico
+e honrado, odiava Targini e era rabujento<sup><a href="#Z111">[111]</a></sup>.
+Nove m&ecirc;ses
+depois morria o titular da nova pasta e inteiramente
+congra&ccedil;ado com o subalterno. Os negocios da fazenda voltaram
+de novo &aacute; secretaria do reino, porque Thomaz Antonio
+resolv&ecirc;ra surprehender as fraudes desse homem detestado e
+detestavel que fascinava os chefes e deslustrava o governo. Como o
+marqu&ecirc;s de Aguiar, como o conde da Barca e Bezerra, todos
+var&otilde;es honrados, Thomaz Antonio, que os valia pela
+moralidade, passou a estimar e a defender o bar&atilde;o de S.
+Louren&ccedil;o. Ufano da victoria, delle dizia este, que se nos
+afigura leviano: Nunca vi poltro mais bravio tornar-se cavallo mais
+manso<sup><a href="#Z112">[112]</a></sup>.
+O povo, que acolhia com alegria
+<span class="pagenum">[99]</span>
+a substitui&ccedil;&atilde;o dos gestores da fazenda na
+esperan&ccedil;a da exauctora&ccedil;&atilde;o de Targini,
+desenganado esbravejava com mais e mais violencia ou na imprensa
+portugu&ecirc;sa de Londres desabafava-se com bom humor. Teve
+ent&atilde;o exito o annuncio que ia sahir do prelo um resumo da
+Arte de Furtar do P.<sup>e</sup> Antonio Vieira dedicado ao
+bar&atilde;o de S. Louren&ccedil;o<sup><a href="#Z113">[113]</a></sup>.
+Affirmava-se com
+seguran&ccedil;a que o governador Montaury o expuls&aacute;ra
+da escrivania do Cear&aacute; por peculato; que com vencimentos
+annuaes de oito mil cruzados despendia trinta mil e ainda lhe restavam
+recursos para constru&iacute;r um palacete em Matacavallos e
+guarnecel-o de alfaias sumptuosas, tudo representativo de quatrocentos
+mil cruzados<sup><a href="#Z114">[114]</a></sup>.
+<br />
+
+<br />
+
+Na farta distribui&ccedil;&atilde;o de merc&ecirc;s por
+occasi&atilde;o do baptizado da princ&ecirc;sa Maria da Gloria
+estalou grosso escandalo: o bar&atilde;o de S. Louren&ccedil;o
+elevado a visconde.<br />
+
+<br />
+
+Sem mais indigna&ccedil;&atilde;o para tanta
+desfa&ccedil;atez o povo riu, e por toda a parte se cantou a quadra
+que os velhos ainda repetem:<br />
+
+<br />
+
+<div class="poetry">Quem furta pouco &eacute;
+ladr&atilde;o,<br />
+
+Quem furta muito
+&eacute; bar&atilde;o,<br />
+
+Quem mais furta e esconde<br />
+
+Passa de
+bar&atilde;o a visconde<sup><a href="#Z115">[115]</a></sup>.
+</div>
+
+<br />
+
+Tornou-se t&atilde;o odioso que o conde de Palmella julgava
+necessario excluil-o da administra&ccedil;&atilde;o para que
+qualquer governo merecesse a confian&ccedil;a
+<span class="pagenum">[100]</span>
+publica. Ha prova de que o monarcha sabia do
+desconceito do thesoureiro-m&oacute;r. Em 3 de mar&ccedil;o D.
+Jo&atilde;o VI julgou necessario
+pôr em custodia quatro personagens, dous desembargadores e um
+almirante, cujas opini&otilde;es politicas n'essa &eacute;poca
+de effervescencia, consoante o soberano, podiam servir de pretexto a
+que fossem aggredidos por vingan&ccedil;as pessoaes, e Targini.
+Targini, por&eacute;m, foi recluso, n&atilde;o em virtude de
+suas ideias politicas, que n&atilde;o as tinha, sen&atilde;o
+para evitar que o povo aproveitasse o ensejo para o apedrejar, sem
+aguardar o exame das contas da thesouraria<sup><a href="#Z116">[116]</a></sup>.<br />
+
+<br />
+
+Volvido D. Jo&atilde;o VI &aacute; patria, continuou a
+averigua&ccedil;&atilde;o da responsabilidade do thesoureiro
+sob a vigilancia de D. Pedro e do seu principal ministro, e estes a
+despeito de amarem a popularidade tiveram de reconhecer a
+exac&ccedil;&atilde;o das contas. Ainda mais, verificada a
+situa&ccedil;&atilde;o
+pecuniaria do antigo servidor o regente por um d'esses rasgos de
+generosidade que lhe eram habituaes, concedeu-lhe pelo decreto de 4 de
+maio a pens&atilde;o de um conto e seiscentos mil reis.<br />
+
+<br />
+
+Foi t&atilde;o grande a surpr&ecirc;sa que suspeitaram da
+moralidade dos juizes, e ao libello contra D. Marcos, como designavam
+familiarmente o conde dos Arcos, ajuntaram esse artigo<sup><a href="#Z117">[117]</a></sup>.<br />
+
+<br />
+
+Eram veridicas as accusa&ccedil;&otilde;es contra S.
+Louren&ccedil;o? N&atilde;o o acreditamos. Certamente os
+differentes ministros sob cujas ordens servia o thesoureiro, homens
+honrados e ciosos de bôa fama, alguns, at&eacute;, seus
+desaffectos, n&atilde;o deixaram de
+<span class="pagenum">[101]</span>
+proceder a diligencias &aacute;cerca das
+argui&ccedil;&otilde;es contra o subordinado e reconheceram que
+tudo eram calumnias, desde a exclus&atilde;o ignominiosa da junta
+do Cear&aacute; aos gastos excessivos; calumnias determinadas,
+porventura, pelo zelo com que defendia os interesses do erario,
+exigindo com rigor o pagamento dos impostos e o cumprimento das
+obriga&ccedil;&otilde;es &aacute; chusma &aacute;vida
+dos contractadores. Dizia-se mais tarde, adoptando a
+locu&ccedil;&atilde;o da Arte de Furtar, que Targini tinha
+&laquo;unhas mimosas&raquo;, isto &eacute;, que
+n&atilde;o sonegava ao thesouro mas lesava os credores do estado,
+com lhes pagar com descontos, que, em vez de aproveitarem aos cofres
+publicos, caiam-lhe na bolsa. Isto era ainda facil de apurar, porque os
+contractantes, mediante queixas ao governo, obrigariam-n'o a abrir
+devassa.<br />
+
+<br />
+
+Caso, por&eacute;m, preferissem resigna&ccedil;&atilde;o
+manhosa na expectativa de reparar o prejuizo com
+transac&ccedil;&otilde;es futuras, ahi estavam as
+desp&ecirc;sas immoderadas do thesoureiro a desafiar a suspeita dos
+seus superiores e a legitimar a interven&ccedil;&atilde;o da
+justi&ccedil;a.<br />
+
+<br />
+
+O visconde de S. Louren&ccedil;o era leviano no falar e tinha
+gracejos de m&aacute;u gosto, os quaes concorreram,
+talv&ecirc;s, mais que as suas obras, para a sua
+desconsidera&ccedil;&atilde;o. Conhecemos o que dizia de Thomaz
+Antonio; com Vasconcellos Drummond foi, porventura, mais desazado.
+Drummond, que devia partir em miss&atilde;o a Santa Catharina e Rio
+Grande, foi despedir-se do thesoureiro, e como recusasse ajudas de
+custo, concedidas habitualmente, advertiu Targini: Mame emquanto a
+vacca d&aacute; leite<sup><a href="#Z118">[118]</a></sup>.
+<br />
+
+<br />
+
+<span class="pagenum"><a name="p102">[102]</a></span>
+Semelhantes ditos, sem importancia proferidos por qualquer outro, na
+bocca de um homem julgado ganancioso e deshonesto, se interpretavam
+consoante o triste renome do que os enunciara.<br />
+
+<br />
+
+Targini foi provavelmente mais uma victima da maledicencia e da
+calumnia que caracterizam a ra&ccedil;a portugu&ecirc;sa com
+rel&ecirc;vo, que lhe
+n&atilde;o d&atilde;o os olhos escuros e a cabelleira farta e
+negra; vicios j&aacute; assignalados com vigor, embora em tom
+faceto, pelo padre Antonio Vieira.<br />
+
+<br />
+
+Denegriram as individualidades mais altas de Portugal,
+Cam&otilde;es e Affonso de Albuquerque, e continuam a deslustrar os
+vultos proeminentes do velho reino e de sua antiga colonia. No Brasil,
+politicos, jornalistas, administradores, todos os que se singularizam
+em qualquer ramo de actividade humana, podem n&atilde;o
+alcan&ccedil;ar honras nem riquezas, mas certamente lhes
+n&atilde;o faltar&aacute; esse punhado de lama, que nem sempre
+o tempo faz despegar da reputa&ccedil;&atilde;o.<br />
+
+<br />
+
+Constituiria um capitulo interessante de psychologia social o estudo
+das causas do desenvolvimento pasmoso dessa forma da perversidade
+humana na familia luso-brasileira. A inquisi&ccedil;&atilde;o e
+o systhema policial do marqu&ecirc;s de Pombal, que occultavam ao
+accusado o nome do denunciante e das testemunhas adversas, e, mais
+tarde, a ignominia dos testas de ferro, envilecedores da nossa
+imprensa, fazendo na realidade irresponsaveis a maledicencia e a
+calumnia, contribuiram certamente para avigorar uma tendencia que
+n&atilde;o precisava sen&atilde;o de estimulo para se tornar
+uma das taras da ra&ccedil;a.<br />
+
+<br />
+
+<br />
+
+<br />
+
+<h3><a name="c6"></a>CAPITULO VI</h3>
+
+<br />
+
+<div class="intro1">SUMMARIO:<br />
+
+<br />
+
+<em>Os deputados de Pernambuco.&#8213;Luiz do Rego.&#8213;Attitude
+circumspecta das Côrtes em rela&ccedil;&atilde;o ao
+Brasil.&#8213;A apprehens&atilde;o da
+independencia.&#8213;Organiza&ccedil;&atilde;o do governo de
+Pernambuco.&#8213;Distinc&ccedil;&atilde;o entre as juntas
+acclamadas pelo povo e estabelecidas pelas
+côrtes.&#8213;Resolu&ccedil;&otilde;es
+&aacute;cerca dos officiaes implicados na revolta de
+1817.&#8213;Propostas de Araujo Lima e Moniz
+Tavares.&#8213;Deputa&ccedil;&atilde;o fluminense.&#8213;O conde dos
+Arcos.&#8213;Organiza&ccedil;&atilde;o dos governos
+ultramarinos.&#8213;Decreto sobre o regresso do principe.&#8213; Villela
+Barbosa.&#8213;Os quarenta e dous presos politicos.</em></div>
+
+<br />
+
+<br />
+
+<br />
+
+Se o Rio de Janeiro foi a capitania que primeiro procedeu &aacute;s
+elei&ccedil;&otilde;es para as
+Côrtes Geraes, os deputados de Pernambuco, nomeados em 7 de
+junho,<sup><a href="#Z119">[119]</a></sup>
+precederam a todos os compatriotas no congresso constituinte,
+em consequencia do empenho de Luiz do Rego de patentear obediencia ao
+poder legislativo de Lisboa e de restituir
+<span class="pagenum">[104]</span>
+serenidade aos animos. Para
+accelerar a manifesta&ccedil;&atilde;o da vontade popular, o
+governo, apoiado no voto da junta consultiva, creada por effeito da
+revolu&ccedil;&atilde;o portugu&ecirc;sa,
+considerou o interior da provincia circumscrip&ccedil;&atilde;o
+eleitoral distincta, no que andou com acerto, porque os representantes
+do Sert&atilde;o n&atilde;o puderam chegar ao Reino
+sen&atilde;o demasiado tarde<sup><a href="#Z120">[120]</a></sup>.
+<br />
+
+<br />
+
+Nenhuma das outras deputa&ccedil;&otilde;es se apartou da
+patria com mais atten&ccedil;&otilde;es do governo. Ao passo
+que os mandatarios da Bahia embarcavam em p&eacute;ssima charrua,
+como degredados para Angola, consoante o simile de Barata, os de
+Pernambuco partiram em corv&ecirc;ta de guerra, apparelhada
+expressamente e provida do confôrto e do luxo que a epocha
+permittia<sup><a href="#Z121">[121]</a></sup>.
+Eram elles, Domingos Malaquias de Aguiar Pires Ferreira,
+Ignacio Pinto de Almeida e Castro, Felix Jos&eacute; Tavares Lyra,
+Manoel Zefirino dos Santos, Francisco Moniz Tavares e Pedro de Araujo
+Lima. Supplentes: Antonio de Padua Vieira Cavalcanti e D. Francisco
+Xavier de Lossio e Seibltz, os quaes n&atilde;o tiveram ensejo de
+exercer o mandato.<br />
+
+<br />
+
+Quasi todos pertenciam mais ou menos ostensivamente &aacute;
+fac&ccedil;&atilde;o vencida em 1817; e um delles,
+o padre Francisco Moniz Tavares, suspeito de cumplicidade com os
+revoltosos, jaz&ecirc;ra muitos mezes nos calabou&ccedil;os da
+Bahia. Apaixonado e ardente, o sacerdote batalhador n&atilde;o
+perdoava a D. Jo&atilde;o VI a crueza com que tratara os
+revolucionarios, que se haviam comportado durante a
+<span class="pagenum">[105]</span>
+victoria, ali&aacute;s
+ephemera, com inexcedivel generosidade, e o seu odio concentrava-se
+agora em Luiz do Rego, capit&atilde;o general da infeliz capitania
+desde 1817.<br />
+
+<br />
+
+O capit&atilde;o general, ao seu parecer, &eacute; facinora dos
+mais perigosos, e os seus protestos de adhes&atilde;o &aacute;
+causa de Portugal e suas cortesias aos deputados, n&atilde;o passam
+de actos de lisonja para se conservar indefinidamente no poder<sup><a href="#Z122">[122]</a></sup>. O
+exagero faz injustos os conceitos. Se Luiz do Rego incorre na
+animadvers&atilde;o dos liberaes por haver hesitado
+&aacute;cerca do acolhimento que devia reservar no territorio de
+sua jurisdic&ccedil;&atilde;o ao novo regimen,
+proclamado em outras partes do Brasil, e por ter intentado mais tarde
+guardar o mando que cabia &aacute; junta de conformidade com os
+votos do povo, inspirado nos exemplos de Portugal, Bahia e
+Par&aacute;, merece tambem louvor por mais de um titulo.
+N&atilde;o s&oacute; n&atilde;o empregou
+a violencia no interesse de sua ambi&ccedil;&atilde;o mas ainda
+exerceu a auctoridade com o apoio de uma parcialidade t&atilde;o
+importante, que &eacute; licita a duvida sobre a illegitimidade de
+suas func&ccedil;&otilde;es. O que, comtudo, o devia
+recommendar &aacute; indulgencia dos adversarios &eacute; a sua
+humanidade em favor dos que continuavam a gemer nos carceres por causa
+do levante de 1817. Raramente se depara em papeis officiaes tanto
+calor, tanta commo&ccedil;&atilde;o como mostram os seus
+officios ao monarcha solicitando o indulto para aquelles desventurados.
+Com o fim de mover a piedade r&eacute;gia, lembra os
+servi&ccedil;os gloriosos da capitania na guerra
+holland&ecirc;sa,
+<span class="pagenum">[106]</span>
+assignala que entre
+os condemnados figuram descendentes d'esses lidadores indomitos, evoca
+as agonias dos parentes e amigos dos encarcerados e allega que
+s&atilde;o tantos os sentenciados que atulham as pris&otilde;es
+da Bahia.<br />
+
+<br />
+
+D. Jo&atilde;o VI, que a imprensa contemporanea, para se
+n&atilde;o ver tolhida da censura, intitulava o melhor dos
+soberanos, acudiu aos desejos do seu preposto difficultosamente e com
+taes distinc&ccedil;&otilde;es
+que motivaram a renova&ccedil;&atilde;o do pedido<sup><a href="#Z123">[123]</a></sup>.<br />
+
+<br />
+
+Da deputa&ccedil;&atilde;o talvez o mais novo era Pedro de
+Araujo Lima, pois n&atilde;o contava 28 annos. Volvido &aacute;
+terra natal com o grau de doutor em Direito, alcan&ccedil;ado em
+Coimbra, preparava-se para tomar posse da ouvidoria de
+Paracat&uacute;, em Minas Geraes, quando os successos de Portugal
+induziram-no a protrahir a viagem para t&atilde;o remoto logar.
+Espirito grave e profundamente conservador vae revelar-se nos debates
+ardentes das Côrtes o que ser&aacute; durante quarenta e
+nove annos de vida publica: respeitador das decis&otilde;es da
+maioria parlamentar, porque n&atilde;o conhece outra lei, e
+n&atilde;o admitte, a maneira dos tories ingl&ecirc;ses de
+velha tempera, a resistencia armada em hypothese alguma. Empregar a
+for&ccedil;a em favor de uma ideia &eacute; retrocesso a tempos
+barbaros e deslustra o regimen representativo, baseado na vontade livre
+dos povos, esclarecido pela imprensa e pela tribuna e manifestada pelo
+voto. Com este alto ideal politico, o qual nunca se desmentiu nem na
+opposi&ccedil;&atilde;o nem no poder, foi regente do Imperio
+<span class="pagenum">[107]</span>
+quasi tres annos e oito vezes ministro o futuro marquez de Olinda.<br />
+
+<br />
+
+Agora que come&ccedil;am a chegar os deputados brasileiros, devemos
+mostrar as disposi&ccedil;&otilde;es das Côrtes para
+com o reino americano, patenteadas em sete m&ecirc;ses de
+sess&atilde;o. Em t&atilde;o curto
+periodo dominaram o congresso successivamente duas correntes de
+opini&atilde;o, que a presen&ccedil;a do monarcha em Portugal
+abalisa. Antes della se n&atilde;o tratavam ahi os negocios do
+Brasil por motivos que se estribam em summa n'um s&oacute;
+fundamento, inspirado da prudencia: a ignorancia em que se achavam o
+governo e as Côrtes dos sentimentos dos ultramarinos.<br />
+
+<br />
+
+Apenas iniciados os trabalhos legislativos, o deputado Pereira do Carmo
+propôz a
+crea&ccedil;&atilde;o de representantes provisorios da America
+portugu&ecirc;sa escolhidos pelo congresso entre os brasileiros que
+estanciavam em Portugal. Feitas as elei&ccedil;&otilde;es no
+Brasil, esses deputados deixari&atilde;o as cadeiras aos que
+houvessem sido designados pelo eleitorado. Semelhante projecto mirava
+assegurar a integridade da monarchia e conceder ao novo reino
+&laquo;as vantagens da revolu&ccedil;&atilde;o sem passar
+pelo risco de as commetter&raquo;<sup><a href="#Z124">[124]</a></sup>.
+Rejeitaram os collegas a
+proposi&ccedil;&atilde;o para n&atilde;o desgostarem o
+soberano e por n&atilde;o conhecerem ainda o acolhimento reservado
+pelos irm&atilde;os de al&eacute;m do atlantico &aacute;
+revolta da antiga metropole.<br />
+
+<br />
+
+Acclamada no Par&aacute;, Pernambuco e Bahia a causa de Portugal,
+como ent&atilde;o se dizia, e sollicitando a ultima provincia
+auxilio de for&ccedil;as, o congresso
+<span class="pagenum">[108]</span>
+judiciosamente renunciou
+&aacute; politica de absten&ccedil;&atilde;o nos negocios
+brasileiros com decreto de 18 de abril, de que j&aacute; nos
+occupamos. Ao mesmo tempo que a resoluta capitania&#8213;cumpre notar&#8213;fazia
+tal pedido, Portugal inteiro se preoccupava com o silencio do rei,
+silencio que &aacute; for&ccedil;a de se prolongar provocava
+interpreta&ccedil;&otilde;es inquietadoras. O congresso,
+combinando os dous factos, concluiu que receava a Bahia o ataque do
+governo do Rio. Corria-lhe, por conseguinte, o dever indeclinavel de
+contribuir com tropas para a resistencia e bem assim proteger com a sua
+alta auctoridade moral os governos ultramarinos contra o inimigo
+commum, a côrte do Rio de Janeiro. N&atilde;o teve outra
+causa o decreto referido e n&atilde;o sabemos como a
+assembl&eacute;a constituinte podia deixar de intervir na
+administra&ccedil;&atilde;o do Brasil em tal conjuntura sem
+reconhecer implicitamente a separa&ccedil;&atilde;o dos dous
+reinos. A adhes&atilde;o
+do Brasil ao regimen constitucional animou o deputado Alves do Rio, um
+dos membros mais activos da commiss&atilde;o do commercio, a
+apresentar um projecto com o fim de estreitar a uni&atilde;o dos
+dous povos. O congresso repelliu-o quasi sem discuss&atilde;o,
+julgando t&atilde;o injusto quanto
+incivil tratar-se de assumpto relativo a uma das principaes
+sec&ccedil;&otilde;es da monarchia na ausencia de seus
+representantes. Sarmento, que rompeu o debate, evocou os exemplos da
+Inglaterra e da Hespanha, que por falta de justi&ccedil;a e
+deferencia para com os seus dominios ultramarinos acabaram por os
+perder.<br />
+
+<br />
+
+Com a chegada de D. Jo&atilde;o VI, por&eacute;m, as
+Côrtes renunciaram a esta sabia
+circumspec&ccedil;&atilde;o.<br />
+
+<br />
+
+De feito, o monarcha mostrou a conveniencia de fazer regressar do Rio
+as tropas portugu&ecirc;sas,
+<span class="pagenum">[109]</span>
+que anc&ecirc;avam por volver
+&aacute; patria e haviam preenchido as
+condi&ccedil;&otilde;es do alistamento. A demora em satisfazer
+t&atilde;o legitimo desejo arriscava comprometter a disciplina, em
+raz&atilde;o do descontentamento em progresso todos os dias.
+Importava, por&eacute;m, que a partida delles n&atilde;o
+abrisse claros no exercito da capital do reino ultramarino, onde animos
+perversos contrariavam a adhes&atilde;o &aacute; causa de
+Portugal, aceita com enthusiasmo pela maioria. Para domar taes
+velleidades de rebeldia, convinha render os batalh&otilde;es por
+outros do Reino, mais experimentados e de mais confian&ccedil;a que
+os soldados da terra. Era insinuar a existencia de partidarios da
+separa&ccedil;&atilde;o, prevista pelo rei e por Silvestre
+Pinheiro, que o acompanhara a Lisboa. Aquelle dissera ao filho antes de
+embarcar:<br />
+
+<br />
+
+&laquo;Se o Brasil se separar, antes seja para ti, que me
+h&aacute;s de respeitar, do que para algum desses
+aventureiros&raquo;<sup><a href="#Z125">[125]</a></sup>.
+Silvestre Pinheiro, persuadido de que sem o
+rei no seu seio a antiga colonia se emanciparia promptamente,<sup><a href="#Z126">[126]</a></sup>
+certamente n&atilde;o occultara a sua
+convic&ccedil;&atilde;o aos politicos de
+Lisboa. Apresentado pela commiss&atilde;o do Ultramar o parecer
+inspirado nas apprehens&otilde;es do monarcha, as Côrtes
+ouviram pela primeira vez allus&atilde;o
+&aacute; independencia, e desde ahi todas as vezes que na
+assembl&eacute;a surgira a id&eacute;a de
+desmenbramento da monarchia, o
+m&ecirc;do fazia os constituintes esquecerem as regras de prudencia
+e de justi&ccedil;a.
+<span class="pagenum">[110]</span>
+Sem discuss&atilde;o auctorizaram o regresso dos
+batalh&otilde;es e a sua substitui&ccedil;&atilde;o por
+duas mil
+pra&ccedil;as<sup><a href="#Z127">[127]</a></sup>.
+<br />
+
+<br />
+
+Pouco tempo depois, por occasi&atilde;o de se discutir o plano da
+reorganiza&ccedil;&atilde;o dos governos ultramarinos, alguns
+constituintes tentaram restabelecer a boa doutrina, levados tanto pelas
+difficuldades do erario como dos conselhos da prudencia. Os autores do
+projecto julgaram preferivel, em vez da
+repatria&ccedil;&atilde;o, reter as pra&ccedil;as
+nas fileiras por mais um anno mediante novas vantagens. Sem embargo de
+constituir semelhante disposi&ccedil;&atilde;o o ultimo artigo
+da proposta,
+come&ccedil;ou por ella a discuss&atilde;o, visto j&aacute;
+se acharem
+apparelhados no Tejo os navios destinados ao transporte dos recrutas. O
+debate que occupou duas sess&otilde;es, correu animado. Entendiam
+alguns escrupulosos que a mudan&ccedil;a da
+resolu&ccedil;&atilde;o dos
+deputados em prazo t&atilde;o curto, desluziria o congresso.
+Fernandes Thomaz impugnou o argumento com vantagem. Depois do voto das
+Côrtes determinado por informa&ccedil;&atilde;o
+d'el-rei e do pedido de D. Pedro, houvera a
+crea&ccedil;&atilde;o da junta em cinco de junho e sem a sua
+ratifica&ccedil;&atilde;o n&atilde;o era
+licito deferir o requerimento do principe.<br />
+
+<br />
+
+Dous pontos preoccuparam em seguida a assembl&eacute;a: convinha
+domar a independencia por meio das armas? Podiam as Côrtes
+expedir tropas n&atilde;o assistindo aos debates os representantes
+do Brasil ou sem approva&ccedil;&atilde;o da junta fluminense?<br />
+
+<br />
+
+Salvo Borges Carneiro, os proceres da regenera&ccedil;&atilde;o
+respondiam pela negativa. Fernandes Thomaz que julgava o debate
+indiscreto, mais de
+<span class="pagenum">[111]</span>
+uma vez tomou a
+palavra em defesa do parecer da commiss&atilde;o, de que era
+membro. O erario esgotado de Portugal n&atilde;o lhe consentia a
+despeza com a remessa de batalh&otilde;es nem t&atilde;o pouco
+o seu exercito diminutissimo comportava semelhante desfalque.<br />
+
+<br />
+
+N&atilde;o cr&ecirc; no partido da independencia e o regente
+quer for&ccedil;as para assegurar o despotismo. Os fluminenses
+queixando-se das tropas portugu&ecirc;sas, as Côrtes
+commettem grave imprudencia se lh'as enviarem sem
+solicita&ccedil;&atilde;o da junta
+escolhida por elles. N&atilde;o &eacute; licito,
+ali&aacute;s, ao
+congresso resolver assumpto que interessa principalmente aos
+brasileiros na ausencia dos seus representantes.<br />
+
+<br />
+
+Outros deputados discorreram no mesmo sentido, e ainda &aacute;
+ultima hora quando se ia proceder &aacute;
+vota&ccedil;&atilde;o, Margiocchi, professor da
+universidade de Coimbra e de ordinario ouvido com
+atten&ccedil;&atilde;o, protestou com vehemencia. Nunca
+admittiu se tomassem decis&otilde;es &aacute;cerca do Brasil
+sem a audiencia dos deputados americanos. &Eacute;
+indeclinavelmente necessario que sejam consultados a respeito de
+materia t&atilde;o grave, &aacute; qual se
+est&aacute; bem discutida pelos europeus, n&atilde;o o
+est&aacute; por elles.<br />
+
+<br />
+
+Este argumento que outr'ora congra&ccedil;ava os votos, cede
+&aacute; desconfian&ccedil;a da fidelidade do reino
+americano, ao medo de perder a antiga colonia, o qual vai mais e mais
+avassalando os animos. Por quarenta votos contra trinta e sete
+decidiu-se a expedi&ccedil;&atilde;o ao Rio de mil e duzentas
+pra&ccedil;as para render a divis&atilde;o
+portugu&ecirc;sa<sup><a href="#Z128">[128]</a></sup>
+em vez de
+<span class="pagenum">[112]</span>
+duas mil, consoante a resolu&ccedil;&atilde;o de 28 de julho.<br />
+
+<br />
+
+A boa doutrina que prescrevia se n&atilde;o tratarem de cousas do
+Brasil sem os seus mandatorios n&atilde;o mais thriumphou, e
+Fernandes Thomaz, arrastado com a maioria pelo temor da impopularidade
+que adviria da perda do ultramar transatlantico, acabar&aacute; por
+a demolir com a
+proclama&ccedil;&atilde;o do principio que n&atilde;o
+havendo sen&atilde;o deputados da na&ccedil;&atilde;o
+qualquer constituinte representa tanto Portugal como as ilhas e a
+America, e, portanto n&atilde;o ha necessidade de commissarios
+ultramarinos para o congresso legislar sobre a antiga colonia.<br />
+
+<br />
+
+As disposi&ccedil;&otilde;es h&oacute;stis contra o Brasil,
+patenteadas nessa discuss&atilde;o, desfizeram-se, todavia, ao
+contacto da deputa&ccedil;&atilde;o americana que tomou assento
+nas Côrtes em 29 de agosto. Na sess&atilde;o immediata
+tratou-se de organizar o governo de Pernambuco e todos os pareceres
+cederam &aacute;s indica&ccedil;&otilde;es dos
+representantes da donataria de Duarte Coelho.<br />
+
+<br />
+
+O ponto inicial da reforma era a separa&ccedil;&atilde;o das
+attribui&ccedil;&otilde;es civis da
+jurisdic&ccedil;&atilde;o militar. Na verdade a convergencia
+dessas func&ccedil;&otilde;es na mesma pessoa sujeita a
+auctoridade e fiscaliza&ccedil;&atilde;o do soberano distante,
+fazia os capit&atilde;es generaes regulos mais ou menos arbitrarios
+e violentos. Homens de guerra, ordinariamente, tendiam a considerar as
+queixas e os reparos que a sua gerencia provocava, como
+infrac&ccedil;&otilde;es da disciplina e puniam, em
+consequencia os criticos imprudentes; e sahidos de Portugal para uma
+capitania que lhes era absolutamente desconhecida, tornavam-se
+instrumentos de cortes&atilde;os habeis, os quaes a pretexto de os
+informarem no interesse do bem publico, serviam-se d'elles para
+satisfazer conveniencias e
+<span class="pagenum"><a name="p113">[113]</a></span>
+affectos particulares, e n&atilde;o raro acabavam por dirigir os
+destinos da terra sem a responsabilidade do poder. Para prover a tam
+graves inconvenientes decretou-se que a gest&atilde;o dos negocios
+civis, economicos e policiaes competiria exclusivamente a uma junta
+constituida de sete pessoas designadas pelos eleitores das parochias. A
+junta, que era o poder executivo da provincia, nomeava todos os
+serventuarios, e estes responderi&atilde;o perante ella de seus
+actos, salvo os magistrados e empregados da fazenda, os quaes,
+comquanto sujeitos a ella, prestavam contas &aacute;s
+côrtes e ao governo do Reino. Assistia por&eacute;m,
+&aacute;
+administra&ccedil;&atilde;o local a faculdade de os suspender
+em casos de abusos do poder e formar-lhes culpa, julgada pela
+rela&ccedil;&atilde;o do districto. N&atilde;o tinham
+as juntas o direito de legislar sen&atilde;o sobre as necessidades
+locaes, como acontecia com as municipalidades. <a href="#e21">Respondiam
+os seus membros</a>
+collectivamente perante o governo da antiga metropole. Cada vogal
+ganharia um conto por anno e lhe n&atilde;o era permittido outro
+emprego remunerado.<br />
+
+<br />
+
+A jurisdic&ccedil;&atilde;o militar passava a um official
+superior, que teria o nome, n&atilde;o de capit&atilde;o
+general, de execranda memoria, mas de governador commandante das armas
+com as attribui&ccedil;&otilde;es que exercitavam nas
+provincias de Portugal, nos termos da lei organica de 1678, eguaes
+funccionarios. Nomeados pelo poder executivo do Reino deviam-lhe contas
+de seus actos e n&atilde;o tinham dependencia alguma da junta. No
+caso de morte ou de impedimento os substituiria o official mais
+graduado da terra. Al&eacute;m do soldo da patente, recebiam a
+gratifica&ccedil;&atilde;o mensal de duzentos mil reis.<br />
+
+<br />
+
+Por proposta de um dos representantes de
+<span class="pagenum">[114]</span>
+Pernambuco, resolveu o congresso remover
+da capitania o batalh&atilde;o do Algarve, que ali estanciava desde
+os successos de 1817, depois de falarem Fernandes Thomaz, Margiocchi,
+Castello Branco e Borges Carneiro em termos repassados de piedade que
+refrigeraram a alma combalida dos patriotas pernambucanos.<br />
+
+<br />
+
+Estas medidas eram provisorias e vigorari&atilde;o at&eacute; a
+conclus&atilde;o da lei que devia organizar a
+administra&ccedil;&atilde;o das provincias de um e outro
+hemispherio com as modifica&ccedil;&otilde;es determinadas pela
+situa&ccedil;&atilde;o geographica e as necessidades
+particulares de cada uma<sup><a href="#Z129">[129]</a></sup>.
+<br />
+
+<br />
+
+Separando a jurisdic&ccedil;&atilde;o militar da civil e
+attribuindo aquella o delegado de Portugal, o parlamento alterara na
+essencia o systema administrativo adoptado no Par&aacute; e na
+Bahia e ao qual certamente aspirava o povo pernambucano. De feito as
+juntas provinciaes, creadas &aacute;
+imita&ccedil;&atilde;o do governo estabelecido em Lisboa pela
+revolu&ccedil;&atilde;o,
+conservaram ciosamente na sua esphera de ac&ccedil;&atilde;o o
+manejo da for&ccedil;a armada. O
+prival-a agora deste elemento de seguran&ccedil;a e de resistencia
+em proveito da antiga metropole, sobre enfraquecer os governos locaes,
+assegurava a preeminencia, apparelhava a
+domina&ccedil;&atilde;o de uma parte da monarchia sobre a
+outra, cousas inconciliaveis com egualdade politica entre os dous
+reinos, proclamada nos manifestos da regenera&ccedil;&atilde;o.
+Ou porque lhes escapasse esse effeito funesto da reforma ou porque
+estivessem dispostos a todas as concess&otilde;es comtanto que
+alcan&ccedil;assem
+<span class="pagenum">[115]</span>
+desopprimir a patria de Luiz do Rego e do batalh&atilde;o
+portuguez, deixaram os de Pernambuco passar sem protesto a
+institui&ccedil;&atilde;o que,
+despertadas as desconfian&ccedil;as patrioticas dos brasileiros, se
+tornou o motivo mais geral e mais profundo do descontentamento dos
+portuguezes, da America contra os do outro lado do Atlantico.<br />
+
+<br />
+
+Os pernambucanos desvelaram-se em seguida pelos vencidos de 1817. Na
+sess&atilde;o de 31 de agosto Zefirino dos Santos, um dos mais
+zelosos membros da representa&ccedil;&atilde;o, apresentou uma
+proposta
+que sujeitou &aacute; rude prova a deferencia dos europeus para com
+os collegas de al&eacute;m mar. Requereu que os officiaes presos ou
+desterrados em consequencia dos acontecimentos de seis de
+mar&ccedil;o, dia em que estalou o desgra&ccedil;ado levante de
+Pernambuco, absolvidos pela rela&ccedil;&atilde;o da Bahia,
+fossem uns restituidos &aacute; liberdade, outros &aacute;
+patria, todos aos seus postos e reembolsados dos soldos vencidos desde
+a data da sua exclus&atilde;o do exercito.<br />
+
+<br />
+
+Se a senten&ccedil;a absolutoria e a origem revolucionaria da
+assembl&ecirc;a auguravam resultado prospero &aacute;
+proposi&ccedil;&atilde;o, havia contra ella os
+escrupulos patrioticos dos lusitanos.<br />
+
+<br />
+
+Como a revolta de 1817 pleiteara a independencia, repugnavam as
+constituintes dispensar sympathia e protec&ccedil;&atilde;o a
+officiaes que, a despeito
+da absolvi&ccedil;&atilde;o, continuavam suspeitos de
+velleidades separatistas. N&atilde;o o declararam nem o podiam
+fazer sem levantar quest&atilde;o capaz de comprometter a
+cordealidade do tracto com os representantes do ultramar americano.
+Certamente, por&eacute;m, n&atilde;o houve outro motivo da
+reluctancia da assembl&ecirc;a liberal em conceder amnistia plena a
+criminosos politicos. Acabaram, todavia, os regeneradores
+<span class="pagenum">[116]</span>
+por ceder ao voto, defendido
+com intelligencia e sagacidade. Concordaram no pagamento immediato dos
+soldos em atraso, e quanto a reintegra&ccedil;&atilde;o dos
+officiaes na fileiras com as patentes que tinham no acto da
+insurrei&ccedil;&atilde;o, tornaram-na dependente dos informes
+da junta de Pernambuco<sup><a href="#Z130">[130]</a></sup>.
+<br />
+
+<br />
+
+Semelhante alvitre proposto pelo futuro marqu&ecirc;s de Olinda
+significava na realidade a restitui&ccedil;&atilde;o em prazo
+curto dos officiaes ao servi&ccedil;o activo com os seus graus,
+porquanto o partido desbaratado em 1817, constituido de liberaes e
+nativistas, que ganhava for&ccedil;as, teria influencia decisiva na
+elei&ccedil;&atilde;o da junta e esta
+n&atilde;o deixaria de dar parecer propicio aos que a provincia
+considerava martyres da liberdade.<br />
+
+<br />
+
+Um dos actos que mais fizeram detestado Luiz do Rego pelas
+popula&ccedil;&otilde;es laboriosas do
+interior foi a crea&ccedil;&atilde;o das milicias<sup><a href="#Z131">[131]</a></sup>, cujos
+exercicios, realizados de quinze em quinze dias, vexavam sobremaneira
+os alde&otilde;es disseminados por aquelles vastos
+espa&ccedil;os. Obrigavam-nos a jornadas de seis a dez dias, e
+&aacute;s despezas e incommodos das viagens accrescia a
+cessa&ccedil;&atilde;o de lucros, porque os escravos sem a
+presen&ccedil;a do senhor relaxavam no trabalho. A requerimento de
+Araujo Lima o congresso estendeu a Pernambuco a ordem, em vigor no
+Reino, de n&atilde;o sujeitar os milicianos &aacute; revista
+sen&atilde;o de trez em trez mezes, excepto nos casos de
+seguran&ccedil;a publica<sup><a href="#Z132">[132]</a></sup>.
+<br />
+
+<br />
+
+<span class="pagenum">[117]</span>
+Ao passo que o futuro marqu&ecirc;s de Olinda melhorava a
+situa&ccedil;&atilde;o de seus conterraneos com providencias
+immediatas, Moniz Tavares desabrochava a sua alma de sonhador em
+reformas na generalidade inexequiveis. Se requeria a
+institui&ccedil;&atilde;o de uma bibliotheca publica, iniciada,
+ali&aacute;s, anteriormente &laquo;por um virtuoso
+cidad&atilde;o, o padre Jo&atilde;o Ribeiro<sup><a href="#Z133">[133]</a></sup> e que
+fôra destruida em 1817 por se lhe attribuir a
+revolu&ccedil;&atilde;o&raquo;<sup><a href="#Z134">[134]</a></sup>,
+julgava tambem indispensavel que as côrtes obrigassem o clero
+a expôr ao povo o espirito da
+regenera&ccedil;&atilde;o social. Propunha mais a
+funda&ccedil;&atilde;o de escolas em todas as parochias, nas
+quaes, com o ensino primario, teri&atilde;o os alumnos
+no&ccedil;&otilde;es de direito
+constitucional.<br />
+
+<br />
+
+Em dez de setembro tomaram assento nas côrtes os fluminenses
+Fagundes Varella, Lemos Brand&atilde;o, D. Jos&eacute; J. de
+Azevedo Coutinho e Martins
+Basto. Excepto os dous primeiros, que acabavam de chegar do Rio, na
+charrua Gentil Americana<sup><a href="#Z135">[135]</a></sup>,
+os outros achavam-se desde alguns annos
+domiciliados em Portugal. Martins Basto, ao que parece, ahi praticava o
+commercio, e Azevedo Coutinho, que deix&aacute;ra o bispado de
+Pernambuco em 1802 pela diocese de Bragan&ccedil;a, n&atilde;o
+mais sahira do Reino, onde ap&oacute;s haver
+exercido com lustre a jurisdic&ccedil;&atilde;o episcopal em
+Elvas, fôra investido em 1818 do tremendo cargo de
+inquisidor-m&oacute;r<sup><a href="#Z136">[136]</a></sup>.
+No dia immediato ao da
+<span class="pagenum">[118]</span>
+posse, a morte salteou de improviso o
+insigne prelado, e o substituiu aos 17 de setembro o primeiro supplente
+Custodio Ledo, residente no Porto. D. Francisco de Lemos, mais que
+octogenario, n&atilde;o prestou juramento, nem t&atilde;o pouco
+pediu excusa do cargo, em recebendo o diploma de
+nomea&ccedil;&atilde;o, por attribuir, acaso, os achaques que o
+affligiam a causas passageiras e n&atilde;o a idade provecta<sup><a href="#Z137">[137]</a></sup>.
+N&atilde;o foi sen&atilde;o em 13 de outubro
+que, reconhecendo-se impossibilitado de preencher o mandato, desistiu
+delle. D'ahi resultou damno para a deputa&ccedil;&atilde;o
+americana com ser privada da collabora&ccedil;&atilde;o valiosa
+de Villela
+Barbosa, a quem cabia, como coube, a cadeira na qualidade de segundo
+supplente, na discuss&atilde;o das cousas do Brasil, as quaes cedo
+occuparam os constituintes.<br />
+
+<br />
+
+Apenas installados tiveram os fluminenses de intervir na sorte do conde
+dos Arcos, discutida apaixonadamente na assembl&eacute;a. Ao
+malaventurado estadista, sahido precipitadamente do Rio, depararam-se
+successos inacreditaveis em arribando &aacute; Bahia.
+N&atilde;o s&oacute; n&atilde;o pôde
+desembarcar sen&atilde;o que seguiu em custodia para Lisboa,
+accusado perante as côrtes pela junta bahiana de haver
+planeado a independencia do Brasil. Para fundamentar t&atilde;o
+formidavel denuncia a junta adduzia allega&ccedil;&otilde;es
+temerarias. Dizia com protervia que Arcos viera detido, quando era
+notorio que embarcara livre e at&eacute; trazia passaporte.
+Referia-se a
+informa&ccedil;&otilde;es colhidas em cartas dos do Rio aos
+amigos da Bahia, mas n&atilde;o precisava factos nem nomeava os
+<span class="pagenum">[119]</span>
+auctores e destinatarios das
+epistolas<sup><a href="#Z138">[138]</a></sup>.
+Dir-se-ia que coagida subscrev&ecirc;ra officios
+dictados por personagens que o espectro da independencia estonteara:
+provavelmente militares portugu&ecirc;ses ass&aacute;s
+numerosos na velha capitania. De libello t&atilde;o inepto se
+n&atilde;o encontra
+explica&ccedil;&atilde;o mais plausivel nem menos affrontosa
+aos brios da grande provincia. O mais vigoroso defensor do conde no
+congresso enxergava no comportamento despotico do governo bahiano
+represalia dos vencidos de 1817.<br />
+
+<br />
+
+Antolha-se-nos que a simples suspeita de ser o ex-vice-rei inclinado
+&aacute; emancipa&ccedil;&atilde;o
+politica do novo reino, bastava para que aquelles, partidarios da
+independencia, n&atilde;o tirassem esfor&ccedil;o de antigos
+sorfrimentos, tanto mais que os destro&ccedil;ados de 1817, eram
+pernambucanos e n&atilde;o da Bahia. Conhecidas a denuncia e a
+attitude da junta em sete de agosto, a assembl&eacute;a sahiu do
+estupor resultante da accusa&ccedil;&atilde;o allucinante, para
+acclamar com enthusiasmo ungido de reconhecimento a fidelidade bahiana,
+e determinou reter o desgra&ccedil;ado fidalgo na Torre de Belem
+at&eacute; que viessem as devassas dos factos incriminados,
+mandadas tirar no ancoradouro de Cabral e no Rio. Em setembro o recluso
+requereu livramento por estar detido ha mais de vinte e quatro horas
+sem culpa formada. Invocava tambem o deperecimento progressivo por
+causa da humidade da pris&atilde;o, &aacute; beira do Tejo, a
+qual aggravava a molestia caracterizada por frio invencivel. No caso de
+o n&atilde;o relaxarem as Côrtes, solicitava a
+transferencia para carcere menos funesto &aacute; sua saude. O
+abbade
+<span class="pagenum">[120]</span>
+de Medr&otilde;es votava pelo
+livramento incondicional apoiado nas disposi&ccedil;&otilde;es
+juradas da
+constitui&ccedil;&atilde;o: aos presos sem culpa formada corria
+ao juiz o dever de expôr por escripto no prazo de vinte e
+quatro horas o motivo do constrangimento. Muitas vinte e quatro haviam,
+contudo, decorrido, e o magistrado n&atilde;o dissera ainda ao
+conde a raz&atilde;o por que o privara da liberdade. Concluia
+judiciosamente que o juiz ainda n&atilde;o ach&aacute;ra a
+causa da deten&ccedil;&atilde;o. Devia, por&eacute;m, o
+fidalgo
+aguardar indefinidamente a informa&ccedil;&atilde;o judiciaria,
+emparedado em Belem? Brito defendeu com rigor o conde com quem servira
+na Bahia. Contra Arcos n&atilde;o havia sen&atilde;o o officio
+do governo bahiano, o qual n&atilde;o passava de denuncia
+a&eacute;rea, sem
+especifica&ccedil;&atilde;o de factos, denuncia de tempos
+revolucionarios para a suppress&atilde;o de homens eminentes. Quem
+sabe se n&atilde;o ser&aacute;
+maquina&ccedil;&atilde;o dos rebeldes de 1817? Diz o officio
+que Arcos contava com os servis do Brasil. &laquo;Servis no Brasil!
+exclamava. S&oacute; o p&oacute;de acreditar quem nunca o
+viu&raquo;.
+Arcos foi sempre favoravel &aacute; causa constitucional contra os
+votos do conde de Paraty e de Thomaz Antonio.<br />
+
+<br />
+
+Peixoto pulverisa a denuncia, que &eacute;, at&eacute;,
+contradictoria: ora diz que Arcos conspira com os servis, ora com os
+independentes.<br />
+
+<br />
+
+Fernandes Thomaz, Moura e Castello Branco, dominados dos gremios
+politicos, que influiam nos regeneradores, como os seus congeneres de
+Paris nas assembl&eacute;as successivas da
+revolu&ccedil;&atilde;o franc&ecirc;sa, clubs que odiavam
+os aristocratas e enxergavam com horror o desmembramento da monarchia,
+n&atilde;o admittem a soltura sem que venham de al&eacute;m-mar
+as devassas solicitadas. A paix&atilde;o turva o espirito lucido do
+pai da revolu&ccedil;&atilde;o.
+<span class="pagenum">[121]</span>
+O desembargador Fernandes Thomaz chega a
+considerar corpo de delicto a denuncia, que formula em
+accusa&ccedil;&atilde;o mexericos de botica.<br />
+
+<br />
+
+O que nos interessa &eacute; a attitude dos brasileiros. Os
+fluminenses, a despeito da carnificina da Pra&ccedil;a do
+Commercio, attribuida ao conde, optaram pela soltura. E os
+pernambucanos? Os deputados pernambucanos, que se mostraram exaltados
+at&eacute; a injusti&ccedil;a contra Luiz do Rego, a respeito
+de Arcos, que domara com ferocidade a revolu&ccedil;&atilde;o
+de 1817, que executara o padre Roma com viola&ccedil;&atilde;o
+das regras primordiaes do Direito, que ordenara &aacute;s tropas
+legalistas atirassem contra os patriotas &laquo;como se atiram a
+lobos&raquo;, a respeito de Arcos n&atilde;o descerraram os
+labios: n&atilde;o lhes interessava o adversario prostrado.<br />
+
+<br />
+
+Surdo aos conselhos da justi&ccedil;a, o congresso, sob a
+inspira&ccedil;&atilde;o dos regeneradores, decretaram a
+remo&ccedil;&atilde;o do conde para outro carcere menos humido,
+e o interrogatorio das pessoas vindas ha pouco do Rio,
+&aacute;cerca da accusa&ccedil;&atilde;o.<sup><a href="#Z139">[139]</a></sup><br />
+
+<br />
+
+Ao rev&eacute;s do que se assoalhou maliciosamente mais tarde, os
+constituintes portugu&ecirc;ses n&atilde;o
+s&oacute; n&atilde;o provocaram o debate sobre a reforma dos
+governos ultramarinos sen&atilde;o que mostraram reluctancia em
+tratar de materia t&atilde;o importante para os irm&atilde;os
+de al&eacute;m-mar na ausencia de seus
+mandatarios. A quest&atilde;o, por&eacute;m, urgia para o nosso
+reino convulsionado por conflictos de todo o genero.<br />
+
+<br />
+
+Numas provincias ferviam luctas dos liberaes com os capit&atilde;es
+generaes, que se mantinham no poder pela for&ccedil;a ou pela
+astucia; noutras as paix&otilde;es
+<span class="pagenum"><a name="p122">[122]</a></span>
+particulares clamavam com violencia contra as juntas a pretexto de, em
+virtude de vicios da elei&ccedil;&atilde;o, n&atilde;o
+exprimirem a vontade dos
+povos. Os amigos da ordem volviam os olhos supplicantes para as
+Côrtes, que, por causa do prestigio incontestado, mais que
+nenhuma auctoridade podiam restituir paz &aacute; antiga colonia.<br />
+
+<br />
+
+Moniz Tavares combateu o escrupulo do congresso em intervir na
+reorganiza&ccedil;&atilde;o das
+<a href="#e23">capitanias</a> sem a
+presen&ccedil;a dos seus
+representantes. A distancia e as tendencias despoticas dos governadores
+do Maranh&atilde;o e do Cear&aacute;, ponderou, justificavam
+cabalmente a applica&ccedil;&atilde;o immediata da
+&laquo;sabia e utilissima&raquo; providencia decretada para
+Pernambuco &aacute;quellas provincias, e aos povos de
+Alagôas, Parahyba e Rio Grande do Norte dependentes do
+episcopado pernambucano<sup><a href="#Z140">[140]</a></sup>.<br />
+
+<br />
+
+A junta do Par&aacute; solicitava identica medida, e advertia que,
+attento o aperto da conjuntura, n&atilde;o devia o congresso
+esperar os procuradores da provincia para deliberar sobre negocio
+t&atilde;o irritante<sup><a href="#Z141">[141]</a></sup>.<br />
+
+<br />
+
+Os regeneradores acqui&eacute;sceram, e lan&ccedil;aram o plano
+dos governos ultramarinos baseado no que fôra estatuido para
+Pernambuco. Nas provincias regidas por capit&atilde;es
+generaes&#8213;Par&aacute;,
+Maranh&atilde;o, Pernambuco, Bahia, Rio de Janeiro, S. Paulo, Rio
+Grande do Sul, Minas Geraes, Matto Grosso e Goyaz&#8213;a
+jurisdic&ccedil;&atilde;o civil caberia a uma junta de sete
+vogaes, e nas capitanias administradas por simples governador, quaes
+Alagôas,
+<span class="pagenum">[123]</span>
+Parahyba, Rio grande do Norte, n&atilde;o teria a junta mais que
+cinco membros. Os eleitores parochiaes nomeari&atilde;o os vogaes,
+que, al&eacute;m de
+instruc&ccedil;&atilde;o e qualidades moraes, deviam ter meios
+de subsistencia. Recahindo a escolha em funccionarios publicos, civis
+ou militares, deixari&atilde;o o cargo emquanto fizessem parte do
+governo. Este devia conformar-se com as leis em vigor, n&atilde;o
+lhe sendo licito as revogar, alterar ou suspender. Todos os
+serventuarios eram de sua nomea&ccedil;&atilde;o e sujeitos
+&aacute; sua auctoridade. Os magistrados e empregados da fazenda,
+por&eacute;m, supposto designados pelo poder executivo da
+provincia, prestavam, todavia, contas &aacute;s Côrtes e
+ao governo do Reino.<br />
+
+<br />
+
+Semelhantes limita&ccedil;&otilde;es &aacute;
+administra&ccedil;&atilde;o provincial, as quaes no tocante
+sobretudo &aacute; gerencia dos dinheiros publicos, deviam gerar
+conflictos entre ella e o ministerio de Portugal e determinaram mais
+tarde queixas acerbas por parte dos americanos contra os regeneradores,
+passaram agora sem opposi&ccedil;&atilde;o da bancada
+brasileira.<br />
+
+<br />
+
+A satisfa&ccedil;&atilde;o de n&atilde;o mais terem os
+negocios da patria entregues a extranhos, uns ignorantes, outros
+negligentes, todos arbitrarios; a
+satisfa&ccedil;&atilde;o de se governarem a si mesmos por
+homens de sua confian&ccedil;a e, mais que tudo, a anciedade de
+salvar o Brasil da anarchia pondo ordem na sua
+administra&ccedil;&atilde;o, persuadiram porventura os
+mandatarios a n&atilde;o criticarem o projecto. Quando
+por&eacute;m, se tratou do commando das armas, Martins Basto, Pires
+Ferreira, e Araujo Lima intervieram no debate com insistencia, e se
+mostraram inquietos com os effeitos desta
+institui&ccedil;&atilde;o. Aceitavam o governador militar nas
+provincias expostas &aacute; aggress&atilde;o externa, que eram
+as maritimas e Mattigrosso, invadido recentemente pelos hespanhoes.
+<span class="pagenum">[124]</span>
+Nas circumscrip&ccedil;&otilde;es grandes como Minas e Goyaz,
+ao
+abrigo de invas&atilde;o extrangeira, ou nas pequenas que
+n&atilde;o tinham tropas de linha, bastava o commando militar
+ordinario exercido pelo official mais graduado da terra. Para que uma
+auctoridade nova e distincta, que, por desnecessaria, arriscava
+tornar-se nociva? Temiam esses chefes da for&ccedil;a armada,
+enviados pelo governo portugu&ecirc;s e a elle sujeitos, cujas
+informa&ccedil;&otilde;es, por isso, pesariam com mais
+for&ccedil;a nas
+delibera&ccedil;&otilde;es das Côrtes ou do
+ministerio que as
+representa&ccedil;&otilde;es das juntas e os protestos dos
+deputados da America.<br />
+
+<br />
+
+Castello Branco, que teve parte conspicua na discuss&atilde;o por
+parte dos europeus, procurou rebater as censuras e dissipar as
+apprehens&otilde;es da bancada brasileira. Creavam-se governadores
+militares, disse, para a defeza contra os extrangeiros assim como para
+a manuten&ccedil;&atilde;o da ordem, e sem tropas bem
+disciplinadas se n&atilde;o attingiria a nenhum d'aquelles fins.
+Cumprindo ao governo acautelar todos os perigos, corria-lhe a
+obriga&ccedil;&atilde;o de prever o ataque de uma provincia por
+outra; e como isto podia acontecer &aacute; menor das capitanias,
+n&atilde;o era licito &aacute;s côrtes
+deixar qualquer dellas desguarnecida de for&ccedil;as.
+N&atilde;o se tendo tropas capazes, concluiu, sen&atilde;o com
+officiaes, penetrados da disciplina e dos usos dos exercitos europeus,
+importava fossem portugu&ecirc;ses os commandantes e remettidos do
+Reino.<br />
+
+<br />
+
+De toda essa argumenta&ccedil;&atilde;o baseada em perigos
+possiveis e n&atilde;o provaveis, e que admittia a hypothese, ainda
+n&atilde;o realizada, de conflictos interprovinciaes, o que
+resaltava com evidencia, era que os irm&atilde;os da Europa faziam
+quest&atilde;o de ser o governador das armas seu conterraneo,
+<span class="pagenum"><a name="p125">[125]</a></span>
+nomeado pela antiga metropole e
+sujeito exclusivamente a ella. N&atilde;o o deixou de assignalar
+Araujo Lima, e rematou as suas observa&ccedil;&otilde;es com um
+conceito que revela haver entrevisto os designios occultos nas
+côrtes. &laquo;N&atilde;o receio que o
+congresso tenha vistas sinistras sobre o Brasil mas n&atilde;o se
+p&oacute;de negar que estar&atilde;o no Brasil com todos esses
+commandantes e se dirigir&atilde;o por
+informa&ccedil;&otilde;es que l&aacute; vierem&raquo;.<br />
+
+<br />
+
+O reparo, a despeito de seus termos dubitativos, perturbou as fileiras
+portugu&ecirc;sas. Braamcamp no empenho de fechar uma
+discuss&atilde;o prenhe de elementos inflammaveis, ponderou que a
+materia pertencia ao poder executivo, e o congresso sem haver declarado
+o assumpto sufficientemente discutido, como determinava o regimento,
+procedeu &aacute; vota&ccedil;&atilde;o. Decretou-se que
+nas provincias mais importantes haveria generaes encarregados do
+governo das armas com a gratifica&ccedil;&atilde;o mensal de
+duzentos mil reis, e nas outras commandantes militares da
+for&ccedil;a do districto com a patente de coronel, que receberiam
+por mez de gratifica&ccedil;&atilde;o cincoenta mil reis. Uns e
+outros seri&atilde;o subordinados ao poder executivo do Reino e
+independentes da junta provincial<sup><a href="#Z142">[142]</a></sup>.<br />
+
+<br />
+
+Os regeneradores n&atilde;o pararam ahi: julgando que a anciedade
+dos <a href="#e24">irm&atilde;os</a>
+d'al&eacute;m-mar pela
+reconstitui&ccedil;&atilde;o das
+administra&ccedil;&otilde;es locaes, justificavam todas as
+audacias, tentaram regulamentar as capitanias como se fossem provincias
+de Portugal, consoante a formula de Fernandes Thomaz.<br />
+
+<br />
+
+Despojadas as juntas da for&ccedil;a militar, cumpria
+<span class="pagenum">[126]</span>
+tirar
+a outra parte da monarchia a autonomia judiciaria, tanto mais que esta
+arriscava de lhe proporcionar meios de resistencia legal. De feito
+emquanto houvesse ahi tribunaes superiores era de temer que nelles
+achassem os da terra
+protec&ccedil;&atilde;o contra as violencias de Portugal.
+Impavidamente a commiss&atilde;o de
+constitui&ccedil;&atilde;o composta dos regeneradores de
+primeira grand&ecirc;sa, quaes Borges Carneiro, Moura e Fernandes
+Thomaz, propôs o fechamento da casa de
+supplica&ccedil;&atilde;o e de todos os mais tribunaes do Rio,
+fundados por D. Jo&atilde;o VI. Lidos os artigos sobre a materia,
+Martins Basto com vivacidade os impugnou em consequencia de ficarem os
+brasileiros obrigados a discutirem f&oacute;ra da patria os
+recursos finaes. Fernandes Thomaz, cuja palavra simples e bonacheirona
+vestia uma alma ardente, e que n&atilde;o perdoava ao Brasil a
+dependencia em que trouxera Portugal, emquanto por l&aacute;
+estanciou el-rei, orou com astucia. Concordava nos incommodos das
+partes em virem pleitear as causas em Lisboa, mas vista a
+extens&atilde;o do Brasil e as difficuldades de
+communica&ccedil;&atilde;o das provincias
+entre si, n&atilde;o sabia onde fixar o juizo que devia substituir
+a casa da supplica&ccedil;&atilde;o, condemnada a desapparecer,
+sem provocar descontentamento.<br />
+
+<br />
+
+Julgava, por isso, conveniente restabelecer a
+administra&ccedil;&atilde;o do novo reino, tanto quanto
+possivel, como existia em 1808 at&eacute; que a
+constitui&ccedil;&atilde;o providenciasse a respeito da
+organiza&ccedil;&atilde;o do ultramar.<br />
+
+<br />
+
+N&atilde;o era o que aconselhava a prudencia. Pendiam do estudo do
+congresso assumptos inadiaveis, entre os quaes tinha o primado a
+elabora&ccedil;&atilde;o do pacto social, e uma reforma, por
+conseguinte, n&atilde;o reclamada dos povos e que os privava de
+vantagens reaes, tornava-se acto desazado,
+<span class="pagenum"><a name="p127">[127]</a></span>
+explicavel t&atilde;o
+s&oacute;mente pelo desejo da
+regenera&ccedil;&atilde;o de assegurar a auctoridade da
+<a href="#e25">m&atilde;e patria</a> sobre a
+outra parte da
+na&ccedil;&atilde;o.<br />
+
+<br />
+
+Em consequencia da opposi&ccedil;&atilde;o de Martins Bastos,
+as côrtes resolveram submetter a materia a novo exame,
+ouvidos os deputados da America<sup><a href="#Z143">[143]</a></sup>.<br />
+
+<br />
+
+A constitui&ccedil;&atilde;o dos governos provinciaes veio a
+formar o decreto de 29 de setembro, promulgado em 1 de outubro<sup><a href="#Z144">[144]</a></sup>. Este
+acto que se afigurou mais tarde aos do Brasil preliminar habil para a
+recoloniza&ccedil;&atilde;o da patria, porque
+supprimindo o governo central, promovia a desuni&atilde;o das
+provincias e facilitava, portanto, a
+domina&ccedil;&atilde;o d'ellas por parte de Portugal, se
+n&atilde;o apresentou, todavia, sob esse aspecto aos nossos
+deputados. N&atilde;o enxergaram no decreto outro inconveniente
+sen&atilde;o aquelle que apontamos de ser o commando das armas
+exercido em todas as capitanias por official portugu&ecirc;s
+nomeado pelo ministerio do Reino. Salvo os reparos provocados por esta
+institui&ccedil;&atilde;o, a providencia mereceu os applausos
+da representa&ccedil;&atilde;o brasileira, e o mais
+intelligente
+defensor da causa do novo reino na imprensa, Hipolito da Costa, apesar
+de lhe n&atilde;o inspirar confian&ccedil;a o governo militar
+como ficara estatuido, louvou a resolu&ccedil;&atilde;o
+legislativa<sup><a href="#Z145">[145]</a></sup>.<br />
+
+<br />
+
+Se na discuss&atilde;o do projecto n&atilde;o consideraram os
+brasileiros que o effeito immediato da reforma era a
+annulla&ccedil;&atilde;o do delegado d'el-rei,
+<span class="pagenum">[128]</span>
+mostrou-lh'o o congresso na
+reuni&atilde;o de 20 de setembro. N'esse dia sujeitou-se ao parecer
+dos constituintes a conveniencia do regresso &aacute; patria de D.
+Pedro, materia que juntamente com a suppress&atilde;o dos tribunaes
+do Rio figurava no plano da reconstitui&ccedil;&atilde;o
+administrativa do ultramar. As côrtes, com unanimidade
+verificada duas vezes, decretaram a restitui&ccedil;&atilde;o a
+Portugal do principe, porque creadas as juntas governativas no Rio e em
+todas as provincias, cessavam virtualmente as
+attribui&ccedil;&otilde;es da regencia. A quest&atilde;o
+exposta por Soares Franco e desenvolvida por moderados como Trigoso e
+Rebello da Silva, pareceu t&atilde;o logica e evidente que
+congra&ccedil;ou todos os votos.<br />
+
+<br />
+
+Os americanos n&atilde;o formularam o protesto mais timido contra a
+medida que dissociava as provincias; os proprios flumimenses
+conservaram-se qu&ecirc;dos, n&atilde;o sentindo a
+degrada&ccedil;&atilde;o da categoria de capital resultante ao
+ber&ccedil;o com a
+destrui&ccedil;&atilde;o da regencia e a perda imminente dos
+tribunaes. N&atilde;o se lembrava Fagundes Varella, cuja
+elei&ccedil;&atilde;o fôra fortemente apoiada da
+classe commercial, de que os seus committentes reputavam caminho para a
+recoloniza&ccedil;&atilde;o do Brasil a partida da
+familia real?<sup><a href="#Z146">[146]</a></sup>
+N&atilde;o foi, por&eacute;m, s&oacute; a
+covardia
+e, acaso, a myopia intellectual que n&atilde;o consentiram
+&aacute; deputa&ccedil;&atilde;o fluminense se singularizar
+em dessidencia com a opini&atilde;o dominante no congresso,
+sen&atilde;o ainda o reconhecimento que a assembl&eacute;a com
+decretar a subordina&ccedil;&atilde;o dos governos
+provinciaes aos poderes publicos de Lisboa, n&atilde;o fazia cousa
+nova, apenas sancionava o que fôra
+<span class="pagenum">[129]</span>
+estabelecido espontaneamente
+pelos povos do Brazil no acto de aclamarem o regimen constitucional. De
+feito as juntas em todas as terras menoscabavam a autoridade do
+principe<sup><a href="#Z147">[147]</a></sup>,
+e n&atilde;o queriam receber
+instruc&ccedil;&otilde;es e
+ordens sen&atilde;o de Portugal, e o proprio Rio de Janeiro que lhe
+prestava obdiencia tinha mais
+desconfian&ccedil;a do que enthusiasmo por D. Pedro.<br />
+
+<br />
+
+Os regeneradores aproveitaram com a&ccedil;odamento do commum
+sentir do Brasil que lhes facilitava a domina&ccedil;&atilde;o
+das capitanias e resolvia
+a quest&atilde;o da regencia apresentada at&eacute; agora como
+insoluvel.<br />
+
+<br />
+
+O reino americano em consequencia de seu progresso e importancia e das
+communica&ccedil;&otilde;es
+morosas com a Europa por causa da distancia, n&atilde;o podia ter
+delega&ccedil;&atilde;o ao poder executivo
+sen&atilde;o com a larga jurisdic&ccedil;&atilde;o que lhe
+outorgara D.
+Jo&atilde;o VI. Ora conceder t&atilde;o extenso poder a outrem
+que n&atilde;o o principe herdeiro, interessado em assegurar a
+integridade de seus futuros estados, era demasiado imprudente,
+porquanto a ambi&ccedil;&atilde;o podia levar o delegado a
+promover a separa&ccedil;&atilde;o do Brasil. De outro lado,
+deixar o successor da corôa no novo reino, envolvia o risco
+temeroso de se transportar novamente para ahi a s&eacute;de da
+monarchia. N&atilde;o era isto apprehens&atilde;o van. D. Pedro
+<span class="pagenum">[130]</span>
+que, por n&atilde;o tornar
+&aacute; patria, se aventurava a actos inquinados, ao menos de
+irreverencia filial, n&atilde;o hesitaria provavelmente, morto o
+monarcha, em continuar na America. Semelhante hypothese apavorava a tal
+ponto o patriotismo portugu&ecirc;s que por esse pre&ccedil;o
+prefiria renunciar o Brasil.<sup><a href="#Z148">[148]</a></sup>
+Afigurava-se invencivel a difficuldade,
+quando os povos de al&eacute;m-mar a resolveram a contento dos
+lusitanos creando juntas locaes sujeitas ao governo do Reino.<br />
+
+<br />
+
+O proprio D. Pedro serviu &aacute;
+regenera&ccedil;&atilde;o, considerando desnecessaria
+sen&atilde;o indecorosa a sua presen&ccedil;a no reino
+ultramarino, onde era capit&atilde;o general e n&atilde;o
+regente, visto que
+administrava somente uma provincia.<sup><a href="#Z149">[149]</a></sup><br />
+
+<br />
+
+No concerto unanime de vozes a respeito do desbarato da regencia,
+houve, todavia, f&oacute;ra das côrtes, uma nota
+discordante, embora timida. Foi o Correio Brasiliense. Ao sagaz
+Hipolito n&atilde;o escapou a conveniencia de haver em
+al&eacute;m-mar um agente do poder executivo para ligar as
+provincias entre si e ser o medianeiro entre as duas partes da
+monarchia. Reconhecendo, por&eacute;m, ali&aacute;s com
+m&aacute;gua, faltarem ao successor da corôa as
+qualidades necessarias a este encargo, n&atilde;o lamentou
+t&atilde;o pouco a resolu&ccedil;&atilde;o do poder
+legislativo.<sup><a href="#Z150">[150]</a></sup><br />
+
+<br />
+
+Decretada a vinda de D. Pedro, o congresso discutiu a utilidade de o
+fazer peregrinar no continente europeu, em chegando a Portugal, de
+<span class="pagenum"><a name="p131">[131]</a></span>
+conformidade com a proposta da
+commiss&atilde;o. A materia era dessas que, resolvidas no seio da
+familia, ou espontaneamente ou por suggest&atilde;o dos
+conselheiros da corôa, se submettem em seguida &aacute;
+sanc&ccedil;&atilde;o do parlamento. Os
+regeneradores, por&eacute;m, julgando acertado arredar o principe
+<a href="#e26">da patria</a> a titulo de completar a
+sua
+educa&ccedil;&atilde;o na Inglaterra, Fran&ccedil;a e
+Hespanha, entendiam que o podiam fazer sem consultar o pai e ainda
+menos o interessado. &Aacute; leitura dos debates mais de uma vez a
+colera incendiou certamente o rosto do mancebo. Os constituintes
+n&atilde;o contentes de affirmarem com arrogancia impertinente a
+auctoridade das côrtes sobre o successor da
+corôa<sup><a href="#Z151">[151]</a></sup>
+mortificaram-lhe o amor proprio com assoalhar a
+penuria de sua instruc&ccedil;&atilde;o. Houve
+revela&ccedil;&otilde;es indiscretas. &laquo;Quando eu sahi
+em agosto do anno passado do Brasil, o principe real entre a falta de
+outros conhecimentos, n&atilde;o sabia falar linguas:
+come&ccedil;ava a falar franc&ecirc;s com a princ&ecirc;sa,
+mas era porque esta senhora n&atilde;o tinha tanta facilidade em
+falar noutra lingua como nesta e via-se o principe na necessidade de a
+aprender&raquo;<sup><a href="#Z152">[152]</a></sup>.<br />
+
+<br />
+
+Taes dizeres, que n&atilde;o passaram despercebidos ao animo
+pundonoroso do principe, explicam at&eacute; certo ponto a
+facilidade com que elle perfilhou o descontentamento dos brasileiros
+contra o congresso.<br />
+
+<br />
+
+Estas resolu&ccedil;&otilde;es vieram a constituir o segundo
+decreto de 29 de setembro, versando o primeiro sobre a
+organiza&ccedil;&atilde;o dos governos ultramarinos.
+<span class="pagenum"><a name="p132">[132]</a></span>
+Promulgados no mesmo dia
+<a href="#e27">differen&ccedil;ava-os a</a>
+numera&ccedil;&atilde;o e a materia. Aquelle trazia o numero
+125 e este 124.<br />
+
+<br />
+
+Aos 16 de outubro a bancada fluminense adquiriu rel&ecirc;vo com
+Villela Barbosa, chamado a substituir D. Francisco de Lemos, o qual
+s&oacute;mente agora se resolvia a renunciar o mandato. Sem embargo
+de contar 51 annos, o ex-capit&atilde;o do corpo de engenheiros, o
+lente festejado de geometria na academia Real de Marinha, vae trazer
+aos debates ardor juvenil e enthusiasmo que se fundiram
+maravilhosamente com a paix&atilde;o, feita de aggravos e
+desenganos, que inflamma os compatriotas do norte. Prestou juramento no
+mesmo dia em que preoccupava Lisboa a chegada do brigue Intriga com
+quarenta e dous presos politicos remettidos por Luiz do Rego ao poder
+judiciario da metropole, com o fundamento de promoverem a
+separa&ccedil;&atilde;o do Brasil. O povo apinhava-se nas
+galerias e os olhares se n&atilde;o desviavam da
+representa&ccedil;&atilde;o pernambucana<sup><a href="#Z153">[153]</a></sup>.<br />
+
+<br />
+
+Approvada a acta da sess&atilde;o anterior e lidos os officios,
+entre os quaes figuravam dous de Luiz do Rego&#8213;n'um repetia que
+fôra victima de assassinato e no outro participava haver
+expedido quarenta e dous dos mais activos fautores da independencia e
+suspeitos tambem de connivencia n'aquelle attentado, de que escapara
+milagrosamente&#8213;, Ferreira da Silva rompeu o debate com um requerimento
+no sentido do congresso providenciar immediatamente &aacute;cerca
+dos compatriotas malafortunados. N'um silencio de tumulo Moniz Tavares
+levanta-se para defender os seus
+<span class="pagenum">[133]</span>
+&laquo;amados patricios&raquo;, certo da
+atten&ccedil;&atilde;o d'aquelles que restabeleceram os
+sagrados direitos do homem. Conviveu com todos na intimidade, e os seus
+mais secretos pensamentos politicos foram-lhe desvendados: assegura ao
+congresso que s&atilde;o partidarios ardentes do regimen proclamado
+pela revolu&ccedil;&atilde;o de Portugal que os constituintes
+est&atilde;o em via de consolidar. Ninguem em Pernambuco contesta o
+motivo de sua pris&atilde;o, t&atilde;o evidente se mostra.
+Tomaram parte na revolta de 1817 e, por causa della, apenas ha pouco
+sahiram dos calabou&ccedil;os da Bahia. Tornados &aacute;
+patria, a
+popula&ccedil;&atilde;o recebeu-os com tantas
+demonstra&ccedil;&otilde;es de jubilo que aquelles que haviam
+cooperado com denuncias e juramentos falsos para a
+condemna&ccedil;&atilde;o delles, tomaram-se de terror: se as
+victimas se resolvessem a lhes pedir contas? Luiz do Rego estava tambem
+inquieto. Os applausos aos martyres da Liberdade soavam aos ouvidos do
+p&ecirc;or dos tyrannos como amea&ccedil;a e tiravam o somno ao
+despota. Os sycophantas para escaparem &aacute;s responsabilidades
+legaes do perjurio ou para se acautelarem de represalias legitimas,
+empregavam novamente a calumnia, reincidindo deste modo no crime.
+Attribuiram aos patriotas, apenas postos em liberdade, o projecto de
+trabalhar pela independencia e pela republica, rumores acolhidos com
+alvoro&ccedil;o por Luiz do Rego. N&atilde;o tem outra causa a
+reclus&atilde;o e os maus tratamentos inflingidos aos seus
+conterraneos. Cumprindo ao congresso desaggravar as leis conculcadas,
+requer a soltura dos presos e a nomea&ccedil;&atilde;o de um
+magistrado que v&aacute; a Pernambuco syndicar dos actos de Luiz do
+Rego.<br />
+
+<br />
+
+Borges Carneiro, com a bella espontaneidade das naturezas generosas,
+declara que vota pelo
+<span class="pagenum"><a name="p134">[134]</a></span>
+livramento immediato por n&atilde;o haver culpa formada. Um
+constituinte portugu&ecirc;s, por&eacute;m, aconselha com
+solemnidade, circumspec&ccedil;&atilde;o em t&atilde;o
+grave conjuntura. Dos accusados uns incorreram na culpa de
+rebelli&atilde;o e outros promoviam o desmembramento da
+na&ccedil;&atilde;o.<br />
+
+<br />
+
+Receoso de que, &aacute; evoca&ccedil;&atilde;o da
+independencia, as Côrtes possuidas de panico, atropelem a
+justi&ccedil;a, Villela Barbosa levantou-se em soccorro da
+peti&ccedil;&atilde;o de Moniz Tavares. O seu discurso
+&eacute; audaz e eloquente. Participa das angustias dos
+pernambucanos e propugna os interesses da patria com calor tal, que
+n&atilde;o deixa de surprehender quando se considera que ha trinta
+annos se acha longe do Brasil.<sup><a href="#Z154">[154]</a></sup>
+Pela primeira vez se dir&aacute;
+no congresso que n&atilde;o escapam aos
+brasileiros as suspeitas de fidelidade do reino americano patenteadas
+nas côrtes por medidas impoliticas. N&atilde;o tem outro
+sentido a remessa recente de tropas ao Rio e a
+organiza&ccedil;&atilde;o
+desgra&ccedil;ada dos governos ultramarinos, <a href="#e28">o
+qual torna</a> os
+commandos das armas independentes das juntas. N&atilde;o sabe qual
+seja a auctoridade de um poder executivo que n&atilde;o
+disp&otilde;e da for&ccedil;a para
+fazer cumprir as suas delibera&ccedil;&otilde;es. Semelhante
+proceder
+&eacute; tanto mais injusto que n&atilde;o tem o ultramar
+transatlantico regateado provas de solidariedade com os
+irm&atilde;os da Europa, j&aacute; pedindo a
+constitui&ccedil;&atilde;o portugu&ecirc;sa, j&aacute;
+enviando representantes
+&aacute;s Côrtes. N&atilde;o contesta a coragem de
+Luiz do Rego mas como todo o militar que n&atilde;o &eacute;
+dotado sen&atilde;o de bravura, n&atilde;o passa de instrumento
+bellico, mais proprio, portanto, para os campos
+<span class="pagenum">[135]</span>
+de batalha do que para administrar
+povos. Em 1817 mandaram-se os liberaes &aacute; forca e aos
+ergastulos da Bahia com o fundamento de que eram rebeldes, e agora o
+despotismo expede-os aos calabou&ccedil;os de Lisboa atulhados num
+barco, &aacute; moda dos negreiros com os escravos africanos, a
+pretexto de propugnarem a independencia. Miseraveis acossados do pavor
+de desaffrontas julgaram que nada seria mais efficaz para se
+desembara&ccedil;arem promptamente dos adversarios que os delatar
+como agentes da desuni&atilde;o da monarchia. &laquo;Quero
+conceder, remata, que naquella provincia alguns opprimidos levantassem
+na sua desespera&ccedil;&atilde;o o grito da independencia.
+Acaso as suas representa&ccedil;&otilde;es, as suas queixas, as
+suas supplicas foram ouvidas e satisfeitas? Acaso j&aacute; se lhes
+arrancou o jugo de ferro? N&atilde;o certamente. Luiz do Rego ainda
+l&aacute; existe. A liberdade comprimida reage com todos os
+sentidos e estoura, e todos os caminhos que trilha para se restituir ao
+seu devido estado, s&atilde;o justos e quando menos desculpaveis.
+Removam-se do Brasil os despotas e oppressores, e ent&atilde;o a
+voz da independencia, a menor voz, ser&aacute; crime, e crime
+atrocissimo, como ingratid&atilde;o para Portugal, a quem devem
+aquelles povos o ser e ora o maior de todos os bens, a
+liberdade.&raquo;<br />
+
+<br />
+
+O congresso resolveu remetter ao governo os documentos referentes
+&aacute; materia, recommendando solicitude pelos
+&laquo;desgra&ccedil;ados presos&raquo; e ordenou-lhe mais
+instaurasse inquerito a respeito da
+administrac&ccedil;&atilde;o de Luiz do Rego.<sup><a href="#Z155">[155]</a></sup><br />
+
+<br />
+
+Poucos dias depois Lisboa assistiu a um espectaculo
+<span class="pagenum">[136]</span>
+extranho e que n&atilde;o mais se reproduziu. Cercados da
+cavallaria da policia e de oitenta soldados de infanteria atravessaram
+a cidade, aos rufos dos tambores, os quarenta e dous pernambucanos
+expedidos por Luiz do Rego<sup><a href="#Z156">[156]</a></sup>.<br />
+
+<br />
+
+Os debates das Côrtes e a discuss&atilde;o vehemente
+travada entre o Liberal, que pela penna de Caetano Alberto defendia
+Luiz do Rego, e o Astro da Lusitania, que pleiteava a causa
+pernambucana, se n&atilde;o esclareceram pontos de Direito,
+revelaram que esses homens desfeitos pelas pessimas
+condi&ccedil;&otilde;es da viagem, durante a qual se
+alimentaram de carne secca corrupta<sup><a href="#Z157">[157]</a></sup>,
+haviam-se batido pela liberdade
+no mesmo anno em que no campo de Santa Anna morriam no patibulo os que
+tinham sonhado varrer o despotismo de Portugal. Haveria conivencia
+entre a conjura&ccedil;&atilde;o brasileira e a
+conjura&ccedil;&atilde;o portugu&ecirc;sa?
+N&atilde;o se sabe mas &eacute; licito suppor que a simples
+duvida bastou para que os de Lisboa considerassem com sympathia as
+victimas de Luiz do Rego. De Bel&eacute;m, onde desembarcaram, ao
+forte de S. Juli&atilde;o, onde se recolheram, atravessaram a
+p&eacute; esses tres kilometros atrav&eacute;s da
+consterna&ccedil;&atilde;o dos
+habitantes apinhados nas janellas e nas cal&ccedil;adas.
+L&aacute; estavam
+entre os guardas os poderosos senhores de engenho, os fidalgos de
+Pernambuco, alguns da mais alta linhagem. Ao rev&eacute;s da
+nobreza do Reino, punham-se sempre ao lado do povo contra a
+oppress&atilde;o, e sacrificaram seguran&ccedil;a, bens e
+familia pela causa da patria. Com o intemerato
+<span class="pagenum">[137]</span>
+Luiz Francisco de
+Paula Cavalcante de Albuquerque, que j&aacute; em 1801
+soffr&ecirc;ra a denuncia de rebelde, se bat&ecirc;ra em 1817
+pela independencia e a quem os sessenta annos n&atilde;o amorteciam
+o ardor bellicoso<sup><a href="#Z158">[158]</a></sup>,
+vinham Thomaz Sequeira e Bourbon, que tomaram
+parte activa na organiza&ccedil;&atilde;o do governo provisorio
+de 1817<sup><a href="#Z159">[159]</a></sup>.
+Mais que todos sobresahia pela audacia, astucia e fortuna o
+morgado do Cabo, Francisco Paes Barreto, o futuro marqu&ecirc;s do
+Recife. Creara uma sociedade revolucionaria, a Academia do Paraiso, e
+para que funccionasse com seguran&ccedil;a, julgou que nada havia
+de mais acertado do que a installar nas dependencias do hospital
+fundado por sua familia. Informado do levante pernambucano, no dia
+immediato &aacute; explos&atilde;o, deixa a tranquilidade do
+vasto solar pelos riscos da guerra, offerecendo-se &aacute; junta
+rebelde com os seus milicianos<sup><a href="#Z160">[160]</a></sup>.
+Todos os olhares se concentravam,
+por&eacute;m, em Sebasti&atilde;o do Rego Barros, o qual
+contava apenas 18 annos, e acaso sorria divertido com esse passeio
+atrav&eacute;s da curiosidade affectuosa de Lisboa. Que mal poderia
+fazer esta crean&ccedil;a? perguntavam as m&atilde;is
+enternecidas. As raparigas, attribuindo-lhe sentimentos heroicos,
+fixavam-no, seduzidas. N&atilde;o se illudiam aquellas que
+enxergavam valor no adolescente. De feito tornado commandante da guarda
+municipal sob a regencia do grande Feij&oacute;, desarmou com
+arrojo o exercito indisciplinado<sup><a href="#Z161">[161]</a></sup>.
+<br />
+
+<br />
+
+<span class="pagenum"><a name="p138">[138]</a></span>
+As Côrtes e o governo procederam com a maior benignidade em
+rela&ccedil;&atilde;o aos pernambucanos. O commandante do
+Castello de S. Juli&atilde;o deu-lhes as melhores
+acommoda&ccedil;&otilde;es do forte e dispensou-lhes todos os
+favores compativeis com a reclus&atilde;o. O ministro da
+Justi&ccedil;a, para apressar
+o julgamento, mandou convocar rela&ccedil;&atilde;o
+extraordinaria<sup><a href="#Z162">[162]</a></sup>.<br />
+
+<br />
+
+Nada prova com mais eloquencia a incapacidade administrativa de Luiz do
+Rego e a anarchia do seu governo do que os fundamentos do proprio
+accordam acerca dos presos. Havia pronuncias sem interrogatorio dos
+accusados e depoimentos de testemunhas; noutras era evidente a falta de
+culpabilidade. A prepotencia de Luiz do Rego attingira o delirio no
+caso do coronel Francisco de Albuquerque e Mello, pronunciado em
+consequencia de um velho summario, julgado improcedente pela casa da
+supplica&ccedil;&atilde;o. O tribunal capitulou de
+&laquo;irregular e odiosa&raquo; a
+deten&ccedil;&atilde;o do desventurado coronel<sup><a href="#Z163">[163]</a></sup>.
+<br />
+
+<br />
+
+<br />
+
+<br />
+
+<h3><a name="c7"></a>CAPITULO VII</h3>
+
+<br />
+
+<div class="intro1">SUMMARIO:<br />
+
+<br />
+
+<em>Expedi&ccedil;&atilde;o de tropas para
+Pernambuco.&#8213;Argumenta&ccedil;&atilde;o dos
+regeneradores.&#8213;Villela Barbosa.&#8213;Attitude extranha dos deputados
+fluminenses.&#8213;Illegitimidade da revolu&ccedil;&atilde;o.&#8213;Os
+deputados do Maranh&atilde;o.&#8213;Debate sobre a junta
+permanente.&#8213;Deputado de Santa Catharina.&#8213;Chegam
+os representantes da Bahia e de Alagoas.&#8213;A
+deputa&ccedil;&atilde;o da Bahia.</em></div>
+
+<br />
+
+<br />
+
+<br />
+
+Eram accusados os quarenta e dous pernambucanos de diligenciar a
+separa&ccedil;&atilde;o do Brasil e de cumplicidade no
+attentado contra Luiz do Rego na noute de 21 de julho. De fallecerem
+provas de quaesquer dos crimes era de presumir que n&atilde;o havia
+conjura&ccedil;&atilde;o para a
+independencia nem t&atilde;o pouco para supprimir o governador, e
+que este fôra victima de uma s&oacute; vontade<sup><a href="#Z164">[164]</a></sup>. Custa
+na verdade crer que em cidade pequena, dividida em duas parcialidades
+que se <a href="#e29">detestavam</a> mutuamente,
+houvesse
+conciliabulos ou manejos que escapassem &aacute; vigilancia dos
+contrarios. Demais, dos fundamentos da senten&ccedil;a
+<span class="pagenum">[140]</span>
+sobre os quarenta e dous
+presos, parece que se n&atilde;o apresentaram contra elles, nem
+at&eacute; essas testemunhas inconsistentes que pullulam nas
+epochas revoltas e de que se valem com avidez os governos, os quaes por
+suggest&atilde;o do odio, do interesse ou do medo attribuem a
+simples coincidencias ou a vagos indicios o caracter de
+presump&ccedil;&otilde;es juridicas. Deviam concluir, portanto,
+os constituintes portugu&ecirc;ses que os boatos a respeito da
+existencia de um partido da emancipa&ccedil;&atilde;o politica
+do Brasil eram ass&aacute;s vagos ou que n&atilde;o passavam de
+artificios dos seus compatriotas de Pernambuco para enfrentarem com
+vantagem adversarios mais numerosos e mais activos. Em qualquer das
+hypotheses n&atilde;o lhes era licito intervirem nos negocios
+provinciaes sem provoca&ccedil;&atilde;o da junta governativa,
+org&atilde;o das conveniencias dos povos e responsavel da ordem
+publica, e ainda menos o devia fazer &aacute;
+solicita&ccedil;&atilde;o de uma das partes. Assim,
+por&eacute;m, n&atilde;o succedeu. A
+assembl&eacute;a, impressionada sobremaneira com a
+liberta&ccedil;&atilde;o successiva das colonias hespanholas e
+rec&ecirc;osa do contagio nos povos visinhos, deixou-se levar por
+informa&ccedil;&otilde;es naquelle sentido, embora
+impugnadas energicamente pelos mandatarios da provincia, e aventurou-se
+ao acto irritante de mandar tropas para Pernambuco.<br />
+
+<br />
+
+Na sess&atilde;o de 18 de outubro discutiu-se o assumpto. Ao
+rev&eacute;s, por&eacute;m, do que
+occorr&ecirc;ra nas sess&otilde;es de 23 e 25 de agosto a
+proposito da expedi&ccedil;&atilde;o militar para o Rio, nas
+quaes houve s&eacute;ria hesita&ccedil;&atilde;o no seio da
+representa&ccedil;&atilde;o portugu&ecirc;sa, esta se
+mostrou agora perfeitamente accorde. Os que negaram haver a tendencia
+separatista que D. Jo&atilde;o VI e a sua comitiva, em chegando,
+affirmaram lavrar no Brasil, come&ccedil;am a dar-lhe
+<span class="pagenum">[141]</span>
+credito e a persuadir-se de que
+n&atilde;o basta o regimen constitucional para assegurar a
+integridade do imperio. O proprio Fernandes Thomaz, que acoimara de
+indiscreto e impolitico o destacamento de soldados do Reino para a
+America, band&ecirc;a-se com os adversarios de ha pouco, sem receio
+de se desdourar com t&atilde;o flagrante incoherencia. A
+perspectiva do desmembramento da monarchia une os portugu&ecirc;ses
+de cren&ccedil;as mais antagonicas em fileiras compactas que os
+rudes golpes da bancada pernambucana n&atilde;o alcan&ccedil;am
+scindir.<br />
+
+<br />
+
+Repetem &aacute; sociedade os irm&atilde;os da Europa que
+n&atilde;o &eacute; permittido contestar a
+ebuli&ccedil;&atilde;o dos espiritos na capitania de Duarte
+Coelho. A
+popula&ccedil;&atilde;o divide-se em dous partidos, por egual
+exaltados, que sahir&atilde;o a campo para duello de morte
+&aacute; desconfian&ccedil;a mais leve de impotencia da
+auctoridade para os reduzir. Removido o batalh&atilde;o do Algarve,
+conforme determinou a assembl&eacute;a no sentido dos votos da
+bancada pernambucana, n&atilde;o restar&aacute; &aacute;
+junta for&ccedil;as sufficientes
+para se impôr aos respeito das fac&ccedil;&otilde;es.
+Asseguram-no
+correspondencias particulares e peti&ccedil;&otilde;es de
+l&aacute; e de
+c&aacute;, em apoio da informa&ccedil;&atilde;o categorica
+de Luiz do Rego. O governo que destaca tropas para o Minho &aacute;
+noticia de tumultos, n&atilde;o p&oacute;de deixar
+tambem de prover &aacute; seguran&ccedil;a de Pernambuco,
+provincia de Portugal. N&atilde;o s&atilde;o procedentes as
+preven&ccedil;&otilde;es contra os militares europeus,
+generosos e amigos da liberdade, como testemunha a sua
+coopera&ccedil;&atilde;o decisiva na
+regenera&ccedil;&atilde;o da m&atilde;e patria. Que mal,
+demais, p&oacute;dem causar seiscentos ou quatrocentos homens,
+porque a expedi&ccedil;&atilde;o
+n&atilde;o ser&aacute; mais avultada, perdidos na
+popula&ccedil;&atilde;o numerosa e energica de Pernambuco? Para
+dissipar
+<span class="pagenum">[142]</span>
+quaesquer
+apprehens&otilde;es o congresso determinar&aacute; que
+ir&atilde;o exclusivamente apoiar a junta na
+repress&atilde;o da anarchia.<br />
+
+<br />
+
+Era este o motivo apparente; vae transparecer o pensamento dominante
+envolvido hypocritamente em protestos de liberalismo e em testemunhos
+de confian&ccedil;a aos collegas de al&eacute;m-mar. Se o
+partido da independencia, continuam, exprimisse a vontade geral, as
+côrtes por amor da liberdade certamente se absteriam de
+interferir nos negocios do Brasil. Mas n&atilde;o &eacute; o
+caso. Trata-se agora de conter meia duzia de facciosos, porque os
+deputados americanos affirmam &aacute; unanimidade que a sua patria
+n&atilde;o quer sen&atilde;o se manter unida &aacute; velha
+metropole, governadas as duas
+sec&ccedil;&otilde;es da monarchia pela mesma
+constitui&ccedil;&atilde;o.<br />
+
+<br />
+
+Importa outrosim lembrar que emquanto os brasileiros n&atilde;o
+adheriram &aacute; causa de Portugal, os
+poderes publicos systhematicamente se n&atilde;o metteram nas
+cousas do novo reino. Desde, por&eacute;m, que manifestaram o
+empenho de seguir os destinos da m&atilde;e patria e protestaram
+obediencia e fidelidade ao seu parlamento e governo, n&atilde;o
+p&oacute;dem
+esquivar-se as decis&otilde;es d'estas auctoridades. A Bahia
+recebeu com enthusiasmo tropas; no Minho foram ellas acolhidas com
+prazer, n&atilde;o sabem, pois, por que raz&atilde;o os de
+Pernambuco as v&ecirc;m com horror.<br />
+
+<br />
+
+Os pernambucanos respondem ponto por ponto ao arrazoado, alternando-se
+com os oradores portugu&ecirc;ses, e a medida que se desvanecem as
+probabilidades da victoria, augmenta-se-lhes a
+exalta&ccedil;&atilde;o. A Borges Carneiro, que encetou os
+debates, succede Moniz Tavares, sopitando a paix&atilde;o para que
+n&atilde;o estoure em demasias de linguagem. N&atilde;o
+contesta a emula&ccedil;&atilde;o de brasileiros
+<span class="pagenum"><a name="p143">[143]</a></span>
+com portugu&ecirc;ses mas n&atilde;o &eacute; peculiar
+a Pernambuco nem nova. Lavra em todas as provincias americanas, e nos
+Estados-Unidos e nas colonias hespanholas as
+preven&ccedil;&otilde;es dos da terra contra os europeus se
+manifestaram com violencias sanguinolentas de que n&atilde;o ha
+exemplo no continente brasilico. Em Pernambuco estalaram pela primeira
+vez em <a href="#e30">1810</a>, sop&ecirc;adas
+ent&atilde;o s&oacute; vieram a reapparecer em 1817 com
+facinoras, que, relaxados, por imprudencia, da pris&atilde;o,
+bradaram: mata marinheiro! E a despeito de serem punidos immediatamente
+e de se n&atilde;o renovarem os desacatos contra os da Europa,
+alguns d'estes, levados de odio ou de terror, votaram &aacute;s
+gehennas os pernambucanos indistinctamente. O tempo e os soffrimentos
+dos que elles lan&ccedil;aram nos calabou&ccedil;os da Bahia,
+n&atilde;o lhes amorteceram o rancôr; ao contrario, este
+cresceu com o m&ecirc;do de desfor&ccedil;o em recobrando a
+liberdade as suas victimas. Promovem incessantemente intrigas e boatos
+malevolos com o intuito de indispôr as auctoridades contra os
+da terra, m&oacute;rmente contra os que soffreram ou mostraram e
+mostram sympathia pela revolu&ccedil;&atilde;o de 1817. Ora
+quem est&aacute; mais
+disposto a prestar ouvidos &aacute;s suas
+informa&ccedil;&otilde;es
+malditas que os militares de Portugal desembarcados de fresco? Felizes
+por encontrar compatriotas prestimosos acabam por lhes dar inteira
+f&eacute; e por participar de seus sentimentos. D'ahi resultam
+juizos preconcebidos que ao menor pretexto occasionam conflictos. Para
+restituir tranquillidade aos povos &eacute; de indeclinavel
+necessidade n&atilde;o
+proporcionar &aacute; fac&ccedil;&atilde;o odiada por causa
+de sua
+perfidia, meios que a tornem arrogante e audaz, e for&ccedil;as
+portugu&ecirc;sas s&atilde;o esse meio como
+inculca a historia do batalh&atilde;o do Algarve. Pernambuco,
+<span class="pagenum">[144]</span>
+al&eacute;m d'isso,
+excusa tropas, porque as tem em t&atilde;o grande numero que
+chegaram a preoccupar a Bahia no acto de sua
+regenera&ccedil;&atilde;o. L&aacute;
+existem tres batalh&otilde;es de ca&ccedil;adores, um
+esquadr&atilde;o de cavallaria e dous corpos de artilheria. Os
+negociantes de Lisboa que amea&ccedil;am retirar os seus fundos da
+provincia se n&atilde;o forem novos regimentos, nada l&aacute;
+possuem, e os senhores de engenho, Bento Jos&eacute; da Costa, a
+Companhia, os opulentos da terra, emfim, interessados pela ordem,
+recusaram assignar a peti&ccedil;&atilde;o d'aquelles. Demais,
+um punhado de negociantes n&atilde;o conhecem melhor as
+conveniencias de Pernambuco e n&atilde;o representam mais
+directamente os seus sentimentos do que os seus deputados.
+N&atilde;o se allegue que as for&ccedil;as podem servir contra
+os inimigos de f&oacute;ra. N&atilde;o os ha; e caso
+recres&ccedil;am,
+o povo que desalojou os holland&ecirc;ses installados e
+fortificados no torr&atilde;o, agora mais numeroso e mais rico
+rechassar&aacute;, sem soccorro os novos invasores<sup><a href="#Z165">[165]</a></sup>.<br />
+
+<br />
+
+Villela Barbosa, o unico da bancada fluminense, assiste os collegas do
+norte e os seus golpes deviam ser particularmente dolorosos aos brios
+militares da m&atilde;e patria. Desvenda a philaucia
+portugu&ecirc;sa que cria meia duzia de europeus capazes de
+reduzirem os pernambucanos, e aos que enxergaram em cada soldado
+lusitano um paladino da honra e da liberdade, desengana-os evocando a
+matan&ccedil;a da Pra&ccedil;a do Commercio. Que v&atilde;o
+fazer essas tropas da Europa, exclama que se deslustraram no Rio,
+atacando eleitores inermes reunidos na Bolsa? Renovar&atilde;o a
+<span class="pagenum">[145]</span>
+proeza, porque batalh&otilde;es
+f&oacute;ra do seu paiz, reputam sempre inimigo o territorio em que
+pisam<sup><a href="#Z166">[166]</a></sup>.<br />
+
+<br />
+
+Julgada sufficientemente discutida a materia, ia o presidente
+sujeital-a
+&aacute; vota&ccedil;&atilde;o,
+quando Moniz Tavares pediu licen&ccedil;a para uma
+reflex&atilde;o. Lembrava &laquo;que o primeiro choque que
+causou a desuni&atilde;o dos Estados-Unidos, quando estes haviam
+proclamado &aacute; face de Deus e do universo adhes&atilde;o
+&aacute; metropole, n&atilde;o foi
+sen&atilde;o pelo principio da metropole mandar-lhes soldados
+contra a sua vontade&raquo;.<br />
+
+<br />
+
+Moura levanta-se precipitadamente para desfazer o effeito da prophecia
+a que a voz sombria e lenta<sup><a href="#Z167">[167]</a></sup>
+de Moniz Tavares deu certamente
+particular relevo. N&atilde;o hesita o regenerador fogoso em
+deturpar a historia no interesse da causa, affirmando que a America
+ingl&ecirc;sa repellia os batalh&otilde;es britannicos
+destinados a protegerem medidas oppressivas. A verdade, a simples
+verdade &eacute; que os Estados-Unidos n&atilde;o perdiam tempo
+com taes indaga&ccedil;&otilde;es e consideravam acto de
+hostilidade a remessa de qualquer regimento n&atilde;o sollicitado
+por elles e se aprestavam a repellil-os com as armas na
+m&atilde;o<sup><a href="#Z168">[168]</a></sup>.<br />
+
+<br />
+
+O congresso resolveu desaggregar dos 1200 destinados ao Rio, um corpo
+de quatrocentas pra&ccedil;as que ficaria em Pernambuco para render
+o batalh&atilde;o do Algarve.
+<br />
+
+<br />
+
+<span class="pagenum">[146]</span>
+N&atilde;o foi nominal o escrutinio, mas houve na
+assembl&eacute;a seguinte declara&ccedil;&atilde;o de voto
+dos pernambucanos e Villela Barbosa no sentido de se terem opposto
+&aacute; expedi&ccedil;&atilde;o militar. Se
+o silencio dos outros fluminenses significa que acompanharam a maioria,
+n&atilde;o t&ecirc;m excusa. Deviam conhecer as queixas dos
+seus committentes contra os regimentos reinoes desde a tragedia da
+madrugada de 21 de abril; deviam conhecer a malqueren&ccedil;a
+reciproca entre as tropas do Reino e os da terra por causa da
+arrogancia e desdem patenteados pelos officiaes lusitanos aos camaradas
+do Brasil; deviam saber que se adiavam indefinidamente as revistas para
+se evitarem recontros dos p&eacute;s de cabra com os p&eacute;s
+de chumbo<sup><a href="#Z169">[169]</a></sup>.
+Caso n&atilde;o existissem taes factos, caso se
+n&atilde;o julgasse
+o Rio desgra&ccedil;ado com ter a soldadesca de Portugal, ante a
+uni&atilde;o formidavel dos constituintes portugu&ecirc;ses, os
+interesses da def&ecirc;sa contra o adversario commum levavam-nos a
+se fundirem com os pernambucanos, t&atilde;o inquietos com a
+disposi&ccedil;&atilde;o do congresso de conter os conterraneos
+pela for&ccedil;a. Demais, apoiando-os, estavam com a boa
+raz&atilde;o. De facto se quatrocentos homens bastavam largamente
+para acirrar os animos, eram sobremaneira insufficientes para
+sop&ecirc;ar as
+explos&otilde;es nativistas que porventura provocasse a sua
+presen&ccedil;a. Como for&ccedil;a policial os dispensava
+Pernambuco e como agentes de conquista mereciam o despr&ecirc;zo da
+velha capitania. Que iam, pois, fazer essas pra&ccedil;as
+sen&atilde;o inflammar os espiritos?<br />
+
+<br />
+
+Sob o ponto de vista do Direito Publico propugnavam ainda os
+pernambucanos os s&atilde;os
+<span class="pagenum">[147]</span>
+principios.
+Por mais protestos de constitucionalismo que fizesse Luiz do Rego,<sup><a href="#Z170">[170]</a></sup>
+n&atilde;o &eacute; menos exacto que exercia o governo por
+delega&ccedil;&atilde;o
+d'el-rei, e a este, consoante a doutrina acceita pelos proprios
+regeneradores, faltava auctoridade para preencher os altos postos da
+administra&ccedil;&atilde;o sem o concurso das
+Côrtes. Era, pois, um poder irregular e por isso
+n&atilde;o devia o congresso tratar com elle, e muito menos
+attender ao seu pedido de augmento de for&ccedil;as, as quaes
+arriscavam assegurar-lhe a conserva&ccedil;&atilde;o arbitraria
+do mando, contra o voto dos representantes da provincia. A boa theoria
+defendera-a Fernandes Thomaz no debate &aacute;cerca dos
+contingentes militares sollicitados por D. Pedro. Sem a
+ratifica&ccedil;&atilde;o da junta do Rio, ponderava o preclaro
+regenerador, n&atilde;o convinha attender &aacute; regencia que
+n&atilde;o &eacute;
+auctoridade regular. A bancada pernambucana batia-se pela
+applica&ccedil;&atilde;o d'este principio.<br />
+
+<br />
+
+Em 6 de novembro engrossaram a representa&ccedil;&atilde;o
+americana os mandatarios do Maranh&atilde;o. Eram dous, o
+desembargador Joaquim Vieira Belford e Jos&eacute; Joaquim Beckman
+de Caldas. Este substituia o proprietario da cadeira Raymundo de Brito
+Magalh&atilde;es e Cunha, cuja saude compromettida n&atilde;o
+lhe consentia affrontar as descommodidades da travessia. Belford,
+familiarizado, como todo o juiz, com as
+infrac&ccedil;&otilde;es de Direito, penetrava no parlamento
+por brecha rasgada na lei. De feito o regulamento eleitoral vedava a
+elei&ccedil;&atilde;o dos funccionarios publicos no circulo de
+sua actividade. As côrtes, por&eacute;m, apoiadas em
+precedentes retumbantes aceitaram o diploma do
+<span class="pagenum">[148]</span>
+ministro da
+rela&ccedil;&atilde;o maranhense contra o voto da
+commiss&atilde;o de poderes<sup><a href="#Z171">[171]</a></sup>.<br />
+
+<br />
+
+Vindos de uma provincia mais que nenhuma outra avassallada do elemento
+portugu&ecirc;s e, por conseguinte, vibrante de enthusiasmo pelo
+congresso, deviam suprehender-se desagradavelmente com a attitude dos
+regeneradores nos debates, logo depois instaurados, &aacute;cerca
+da
+deputa&ccedil;&atilde;o permanente. Inspirados da
+constitui&ccedil;&atilde;o de Cadix, os redactores do projecto
+do facto
+fundamental haviam perfilhado essa concep&ccedil;&atilde;o
+politica. Era uma junta de deputados sahidos do Congresso e de sua
+escolha, a qual, fechadas as côrtes, devia velar pela boa
+execu&ccedil;&atilde;o dos preceitos constitucionaes e, em
+casos previstos, convocar extraordinariamente a assembl&eacute;a.
+Compol-a-iam tres representantes ultramarinos e tres do Reino sob a
+presidencia de um setimo membro, sorteado entre um representante do
+Ultramar e um de Portugal.<sup><a href="#Z172">[172]</a></sup>.<br />
+
+<br />
+
+A discuss&atilde;o occupou duas dilatadas sess&otilde;es e
+pronunciaram-se mais de trinta e cinco discursos. T&atilde;o
+prolongado esfor&ccedil;o n&atilde;o versou
+&aacute;cerca da utilidade da institui&ccedil;&atilde;o nem
+t&atilde;o
+pouco a respeito de suas attribui&ccedil;&otilde;es
+sen&atilde;o sobre se
+convinha estipular que d'ella fari&atilde;o parte os deputados de
+al&eacute;m-mar. Dos adversarios do projecto uns n&atilde;o
+admittiam a distribui&ccedil;&atilde;o por
+for&ccedil;a da lei de cargos publicos entre americanos e europeus,
+por lobrigarem tendencias federalistas em
+<span class="pagenum">[149]</span>
+semelhante conceito<sup><a href="#Z173">[173]</a></sup>.
+Seriam mais
+leaes declarando desnudadamente que a egualdade politica pregada em
+todos os tons, n&atilde;o significava o reconhecimento do direito
+dos irm&atilde;os mais novos occuparem postos na alta
+administra&ccedil;&atilde;o do imperio. Outros,
+embu&ccedil;ados na rigidez da doutrina constitucional
+contemporanea, a qual n&atilde;o consentia a
+representa&ccedil;&atilde;o dos
+povos nas commiss&otilde;es e cargos destituidos de
+func&ccedil;&otilde;es legislativas, condemnavam o projecto.
+Accresce, continuavam, que se em certas occasi&otilde;es
+n&atilde;o houver se n&atilde;o ultramarinos capazes de
+preencher a deputa&ccedil;&atilde;o permanente, vingada a
+proposta, seri&atilde;o substituidos por europeus e, d'esse modo,
+privar-se-ia a administra&ccedil;&atilde;o de sujeitos
+valiosos<sup><a href="#Z174">[174]</a></sup>.<br />
+
+<br />
+
+Assim o diziam Moura e Fernandes Thomaz. &Eacute; licito duvidar,
+por&eacute;m, de sua sinceridade.
+Sabiam os magnates da regenera&ccedil;&atilde;o que continuavam
+os brasileiros a n&atilde;o figurar no ministerio, e no corpo
+diplomatico refundido depois da revolu&ccedil;&atilde;o. Deviam
+lembrar-se de que o Congresso, ainda ha pouco, n&atilde;o incluira
+um s&oacute; ultramarino na lista de vinte e quatro nomes sujeitos
+ao Rei para d'ella escolher os conselheiros de Estado interinos<sup><a href="#Z175">[175]</a></sup>.
+Mais tarde por occasi&atilde;o de se preencherem os commandos das
+armas, a
+<span class="pagenum">[150]</span>
+nenhum americano caber&aacute; o
+governo militar<sup><a href="#Z176">[176]</a></sup>.
+Essas preteri&ccedil;&otilde;es, que pela
+persistencia accusam calculo, j&aacute;mais mereceram a censura dos
+regeneradores. Como ousam agora lamentar a sorte dos brasileiros que
+pelo projecto n&atilde;o ter&atilde;o mais que tres
+conterraneos na junta permanente?<br />
+
+<br />
+
+Os mandatarios do novo reino, atrav&eacute;s do liberalismo verbal
+dos corypheus da revolu&ccedil;&atilde;o, percebem que o novo
+regimen intenta manter pontualmente a tradi&ccedil;&atilde;o
+egoista e impolitica de reservar para os portugu&ecirc;ses da
+Europa as culminancias da administra&ccedil;&atilde;o. Desvenda
+o perfido designio Villela Barbosa no seu estylo peculiar,
+ouri&ccedil;ado de quest&otilde;es contundentes como cutiladas
+e que tem a precis&atilde;o e transparencia dos numeros.
+&laquo;Que inconveniente pode haver em passar o artigo como
+est&aacute; redigido? Que mal pode delle resultar &aacute;s
+gera&ccedil;&otilde;es
+futuras? Que mal se tem delle seguido aos hespanhoes que primeiro o
+estabeleceram, para merecer t&atilde;o renhida e ciosa
+discuss&atilde;o? Lembra-me que por algumas instancias dos senhores
+deputados do Ultramar perguntou-se aqui que mais queria o Brasil?
+Seja-me licito tambem perguntar agora, que mais quer Portugal?
+N&atilde;o tem em si o monarcha? N&atilde;o tem as
+Côrtes? N&atilde;o v&eacute;m tomar nellas
+assento os representantes do Ultramar com tantos incommodos e perigos?
+N&atilde;o se lhes mandam de c&aacute; os bispos, os
+magistrados e os generaes? E ainda se lhes quer disputar palmo a palmo
+esta pequena egualdade de representa&ccedil;&atilde;o na junta
+permanente? Nada ha de certo mais mesquinho e
+<span class="pagenum">[151]</span>
+illiberal que isto e nada prova mais o contrario daquillo que
+se pretende inculcar&raquo;<sup><a href="#Z177">[177]</a></sup>.<br />
+
+<br />
+
+Uma vez que o artigo, trasladado da constitui&ccedil;&atilde;o
+hespanhola e n&atilde;o creado pelos auctores do projecto,
+determinara t&atilde;o aturada controversia, rejeital-o seria
+magoar deliberadamente os brasileiros. Assim o comprehendeu o
+congresso, ponderadas as assisadas palavras de Pereira do Carmo, Annes
+de Carvalho, Castello Branco, Macedo e Vasconcellos no sentido do
+empenho da na&ccedil;&atilde;o em dissipar as
+preven&ccedil;&otilde;es dos de al&eacute;m mar contra os
+portugu&ecirc;ses da Europa por causa do zelo com que estes
+guardavam para si os cargos publicos e da supremacia exercida na
+America<sup><a href="#Z178">[178]</a></sup>.
+Annes de Carvalho mais homem de lettras que politico,
+considerou o negocio com desassombro. Come&ccedil;a por affirmar a
+conveniencia de n&atilde;o escurecer a realidade. A grande
+emula&ccedil;&atilde;o de Portugal com o Brasil, que
+n&atilde;o &eacute; permittido negar, ha de se desenvolver na
+disputa aos cargos de maior monta. Dissolvidas as Côrtes,
+nenhum posto poder&aacute; hombrear com a junta incumbida da guarda
+da constitui&ccedil;&atilde;o. Sem os artigos, os ultramarinos
+que se acham em minoria, ver-se-h&atilde;o excluidos della, porque
+os portugu&ecirc;ses conservar&atilde;o para si
+func&ccedil;&otilde;es
+t&atilde;o elevadas<sup><a href="#Z179">[179]</a></sup>.
+Por sessenta e nove votos contra vinte e
+seis passou a proposta. Dos brasileiros os fluminenses
+<span class="pagenum">[152]</span>
+Ledo e Lemos Brand&atilde;o, por motivos ignorados, votaram
+com a minoria<sup><a href="#Z180">[180]</a></sup>.<br />
+
+<br />
+
+Em 19 de novembro ajuntou-se &aacute; bancada americana o padre
+Louren&ccedil;o Rodrigues de Andrade, de Santa Catharina. O
+deputado da provincia pacifica e ponderada, a qual n&atilde;o
+desperta o interesse dramatico da Historia com os seus negocios
+domesticos sen&atilde;o pelos commettimentos de extranhos,
+apresentou-se &aacute;s côrtes com
+simplicidade de rustico. N&atilde;o passou pela mente do candido
+var&atilde;o que alguem pudesse arrogar nome e titulo que lhe
+n&atilde;o pertencessem. D'ahi a necessidade para a
+commiss&atilde;o de poderes de acceitar em testemunho da identidade
+do desmalicioso catharinense provas que n&atilde;o previra a lei
+eleitoral<sup><a href="#Z181">[181]</a></sup>.<br />
+
+<br />
+
+Em 15 de dezembro foram reconhecidos os deputados da Bahia e de
+Alagoas, que acabavam de desembarcar. Representavam esta provincia
+Manuel Marques Grangeiro, Francisco de Assis Barbosa e Francisco Manuel
+Martins Ramos.<br />
+
+<br />
+
+Eram mandatarios da Bahia Francisco Agostinho Gomes, Jos&eacute;
+Lino Coutinho, Pedro Rodrigues Bandeira, Cypriano Jos&eacute;
+Barata de Almeida, Domingos Borges de Barros, Luiz Paulino de Oliveira
+Pinto da Fran&ccedil;a, Alexandre Gomes Ferr&atilde;o e o padre
+Marcos Antonio de Sousa<sup><a href="#Z182">[182]</a></sup>.
+A representa&ccedil;&atilde;o
+n&atilde;o correspondia a
+popula&ccedil;&atilde;o livre da capitania, estimada em 335.961
+habitantes. Informara, por&eacute;m, a junta governativa que por
+<span class="pagenum">[153]</span>
+n&atilde;o protrahir o embarque dos eleitos, deixara a
+nomea&ccedil;&atilde;o do novo e ultimo deputado &aacute;
+comarca de Jacobina, o qual n&atilde;o poderia comparecer no
+congresso sen&atilde;o em maio ou junho vindouro<sup><a href="#Z183">[183]</a></sup>.<br />
+
+<br />
+
+Nenhuma bancada apresentava temperamentos mais varios nem
+t&atilde;o profundamente caracterizados. Lino Coutinho que,
+&aacute; seduc&ccedil;&atilde;o do gesto
+ajuntava o dom supremo da eloquencia, era um d'esses entes
+privilegiados pelo poder de agradar. As sympathias e amizades que
+despertava, nunca perdiam o calor dos sentimentos novos e a sua morte
+afigurar-se-&aacute; para todo o sempre aos amigos catastrophe
+recente. Macedo dir&aacute; d'elle evocando impress&otilde;es
+velhas de trinta annos. &laquo;N&atilde;o
+podia haver homem mais insinuante e sympathico; bom e desinteressado,
+simples, alegre, espirituoso de facilimo accesso e inexcedivel
+probidade&raquo;<sup><a href="#Z184">[184]</a></sup>.
+Domingos Borges de Barros, na mocidade o amigo
+de Bocage e Tolentino, o ministro do Brasil a quem coube promover o
+reconhecimento da nossa independencia pelo governo franc&ecirc;s,
+atrav&eacute;z das maranhas de uma diplomacia hesitante, era alma
+generosa, preoccupada com os crimes e desigualdades sociaes, como a
+escravid&atilde;o e a incapacidade politica das mulheres<sup><a href="#Z185">[185]</a></sup>. Os
+feitos dos nossos maiores estudados com amor, acendravam o patriotismo
+robusto do padre Marcos Antonio. Sobre-excedia a todos em
+exalta&ccedil;&atilde;o e combatividade o mais velho, Cypriano
+Barata que vae attingir sessenta annos<sup><a href="#Z186">[186]</a></sup>.
+Homem
+<span class="pagenum"><a name="p154">[154]</a></span>
+de ac&ccedil;&atilde;o,
+idealista e mais sensivel que intelligente como succede aos genuinos
+temperamentos revolucionarios, hostilizar&aacute; todos os
+governos, n&atilde;o se conformando a sua alma rectilinea e candida
+com as deforma&ccedil;&otilde;es dos programmas que as
+circumstancias impoem &aacute;
+opposi&ccedil;&atilde;o quando galga o poder. Domina a
+brilhante bancada pela eleva&ccedil;&atilde;o moral e forte
+cultura o diacono
+Francisco Agostinho Gomes. Um santo e um sabio. O escrupulo de
+n&atilde;o vir a ser sacerdote digno, desconvenceu-o de tomar as
+ordens maiores sem no emtanto o affastar das regras severas da Egreja.
+Ao rev&eacute;s do que acontece com a generalidade dos homens, era
+implacavel comsigo mesmo, e a sua indulgencia para com as fragilidades
+alheias chegava a merecer censura. De sua liberalidade contavam-se
+casos meritorios, todos relativos &aacute; sua grande
+paix&atilde;o pelas lettras.
+Contribuira largamente para o engrandecimento da bibliotheca publica da
+Bahia, e mais de um mancebo, &aacute; sua custa, estudara na
+Europa. Se promovia d'esse modo a instruc&ccedil;&atilde;o,
+n&atilde;o
+se descuidava de cultivar o proprio espirito. Eram-lhe familiares as
+boas lettras assim como a economia politica, a mineralogia e a
+botanica. A modestia e o acanhamento lhe n&atilde;o permittiram dar
+aos seus conhecimentos a notoriedade a que tinham j&uacute;s<sup><a href="#Z187">[187]</a></sup>.
+Nem uma s&oacute; vez orou nas côrtes
+mas patenteou nos trabalhos obscuros das commiss&otilde;es
+documentos do seu culto espirito. Para accentuar a originalidade da
+phanlange o mais frouxo dos lidadores era soldado, o general Pinto da
+Fran&ccedil;a.
+<br />
+
+<br />
+
+<br />
+
+<br />
+
+<h3><a name="c8"></a>CAPITULO VIII</h3>
+
+<br />
+
+<div class="intro1">SUMMARIO:<br />
+
+<br />
+
+<em>Estreia de Barata.&#8213;Legitimidade da sua proposta.&#8213;Os
+brasileiros n&atilde;o a defendem com vigor.&#8213;Barata
+retira-a.&#8213;Suppress&atilde;o dos tribunaes do Rio.&#8213;A
+emula&ccedil;&atilde;o das provincias aproveita aos
+portugu&ecirc;ses.&#8213;Indigna&ccedil;&atilde;o no Rio contra
+Varella.&#8213;Decidir-se-&atilde;o no Brasil as revistas das causas ahi
+julgadas.</em></div>
+
+<br />
+
+<br />
+
+<br />
+
+No mesmo dia em que tomou assento, Barata &laquo;breve de corpo e
+resoluto de espirito&raquo; como se descreve a si proprio<sup><a href="#Z188">[188]</a></sup>,
+propôs em termos laconicos que assumiam a forma de
+intimativa, a suspens&atilde;o dos debates &aacute;cerca do
+projecto constitucional at&eacute; &aacute; chegada dos
+deputados americanos e que ent&atilde;o se discutissem novamente os
+artigos vencidos na ausencia delles<sup><a href="#Z189">[189]</a></sup>.<br />
+
+<br />
+
+N&atilde;o pedia nada de extraordinario nem manifestava a
+presump&ccedil;&atilde;o de se n&atilde;o dever organizar
+a na&ccedil;&atilde;o sem o concurso dos brasileiros; exigia
+simplesmente o cumprimento do artigo 21 das Bases, o qual estipulava a
+obrigatoriedade
+<span class="pagenum">[156]</span>
+do pacto social para as popula&ccedil;&otilde;es que o
+aceitassem por seus legitimos representantes<sup><a href="#Z190">[190]</a></sup>.
+Ora n&atilde;o se
+pode adoptar lei sem a examinar, e n&atilde;o ha sen&atilde;o
+os deputados, no regimen constitucional, que sejam os procuradores
+legitimos dos povos. N&atilde;o era, al&eacute;m disso,
+desarrazoado o
+preceito para cahir em abandono. Portugal tinha dependencias em todos
+os continentes e n&atilde;o era licito admittir que os seus
+representantes, a maior parte dos quaes n&atilde;o haviam sahido da
+patria, conhecessem as conveniencias dessas variadas terras. As
+informa&ccedil;&otilde;es tornavam-se
+particularmente necessarias a respeito do Brasil, t&atilde;o
+differente das colonias como da metropole. As possess&otilde;es da
+Asia e da Africa jaziam ainda no periodo primitivo do resgate e o
+portugu&ecirc;s n&atilde;o ousava perder de vista o mar, menos
+hostil que o interior das terras, temeroso do gentio, numeroso e
+insubordinado. Vivia acocorado aos p&eacute;s da auctoridade, sem a
+qual n&atilde;o resistiria aos assaltos dos naturaes. No Brasil o
+reinol transformara em cultura as mattas, ajuntando desse modo
+&aacute; posse, resultante da occupa&ccedil;&atilde;o,
+a propriedade nascida do trabalho. Multiplicavam-se as cidades,
+desenvolvia-se o commercio e crescia por toda a parte a agricultura.
+Ahi detestava o colono os representantes do poder publico, violentos e
+vorazes, que o opprimiam com milicias e com
+exac&ccedil;&otilde;es fiscaes.<br />
+
+<br />
+
+Da antiga metropole se distinguia o novo reino como
+na&ccedil;&atilde;o empobrecida e exigua, encravada em
+continente de povos fortes e aggressivos,
+<span class="pagenum">[157]</span>
+se differen&ccedil;a de estado vasto e em progresso que
+n&atilde;o teme os vizinhos.<br />
+
+<br />
+
+Alvoro&ccedil;aram-se com a proposta os portugu&ecirc;ses e, ou
+porque enxergassem na forma mais desenvolvida que lhe dera o auctor
+&aacute; segunda leitura signaes de arrependimento, ou porque a
+n&atilde;o applaudissem os proprios brasileiros, estabeleceram com
+arrogancia a alternativa: ou discuss&atilde;o immediata do
+requerimento para que n&atilde;o vinguem as ideias falsas nelles
+consubstanciadas ou a sua renuncia solemne<sup><a href="#Z191">[191]</a></sup>.<br />
+
+<br />
+
+Recentemente admittidos no congresso, rec&ecirc;osos de se
+malquistarem com a maioria, sem a qual nada
+alcan&ccedil;ari&atilde;o para a patria, e
+principalmente incertos &aacute;cerca dos verdadeiros sentimentos
+dos irm&atilde;os da Europa a respeito da America, os ultramarinos,
+em verdade, n&atilde;o secundaram o sexagenario. Duvidando, por
+isso, da legitimidade de sua proposi&ccedil;&atilde;o, Barata
+defendeu-a frouxamente, ajudado, comtudo, de Borges de Barros, menos
+hesitante. Sem duvida, ponderou o futuro visconde da Pedra Branca, que
+se demorar&aacute; a feitura da carta constitucional com o sujeitar
+a parte approvada aos ultramarinos; mas n&atilde;o havia outro meio
+de se fazer uma lei accommodada &aacute;s differentes partes da
+monarchia do que ouvindo o parecer dos representantes, conhecedores das
+necessidades e desejos dos povos que os mandaram a assembleia. A Bahia,
+concluiu com os ouvidos ainda cheios das
+acclama&ccedil;&otilde;es resoadas nas Côrtes
+&aacute; noticia do comportamento da grande provincia, a Bahia se
+julga credora de alguma atten&ccedil;&atilde;o particular
+&aacute; vista de
+<span class="pagenum">[158]</span>
+sua adhes&atilde;o &aacute; causa da
+regenera&ccedil;&atilde;o social<sup><a href="#Z192">[192]</a></sup>.<br />
+
+<br />
+
+O delicado poeta n&atilde;o se lembrava de que a
+gratid&atilde;o tem memoria curta.<br />
+
+<br />
+
+Pinto da Fran&ccedil;a manifestou a tendencia, que se
+accentuar&aacute; na prosecu&ccedil;&atilde;o dos
+debates, de apoiar os portugu&ecirc;ses nas divergencias com os
+brasileiros, em discurso cheio de enthusiasmo enfadonho por Portugal e
+pela Bahia, onde n&atilde;o apontam raciocinios ajustados
+&aacute; materia.<br />
+
+<br />
+
+Villela Barbosa guardou silencio. A deputa&ccedil;&atilde;o
+pernambucana n&atilde;o deu signal de vida.<br />
+
+<br />
+
+Pinto de Magalh&atilde;es, Borges Carneiro e Miranda combateram a
+proposi&ccedil;&atilde;o firmados no artigo difinitivo do
+projecto da constitui&ccedil;&atilde;o que
+declarava os deputados representantes da na&ccedil;&atilde;o e
+n&atilde;o de determinada provincia<sup><a href="#Z193">[193]</a></sup>.<br />
+
+<br />
+
+Era preceito formulado em todas as leis constitucionaes esse que os
+portugu&ecirc;ses acabavam de aceitar. J&aacute; antes de
+votado decidia dos negocios do Brasil na ausencia dos seus mandatarios
+por suggest&atilde;o de Fernandes Thomaz. Proclamara-o o astuto
+regenerador por occasi&atilde;o de rejeitar o emprestimo do banco
+do Brasil. Condemnava-o, affirmou com seguran&ccedil;a, por falta
+de documentos comprovativos de haver aquelle estabelecimento adiantado
+ao governo dinheiro para actos de utilidade publica, e n&atilde;o
+em virtude da ausencia dos delegados da America. Nao havia
+necessidade delles para a resolu&ccedil;&atilde;o dos negocios
+da sua terra, porquanto figuravam no parlamento deputados da
+na&ccedil;&atilde;o e n&atilde;o deputados de Portugal
+<span class="pagenum">[159]</span>
+e do Ultramar<sup><a href="#Z194">[194]</a></sup>.
+Miranda perfilhou immediatamente o extranho
+conceito. Moura se serviu delle com exito para n&atilde;o admittir
+a reabertura da discuss&atilde;o recente sobre a remessa de tropas
+ao Rio por occasi&atilde;o de tomarem assento no congresso os
+deputados fluminenses<sup><a href="#Z195">[195]</a></sup>.<br />
+
+<br />
+
+A maioria n&atilde;o tardando em perceber que a doutrina era
+ass&aacute;s commoda e fecunda, tal qual a theoria de ser o Brasil
+provincia de Portugal, para soffrer controversia, adoptou-a como uma
+das formulas do patriotismo.<br />
+
+<br />
+
+Para os que consideram sem paix&atilde;o o debate e se
+n&atilde;o impressionam com a magestade de Pinto da
+Fran&ccedil;a decidindo pelos portugu&ecirc;ses como Jupiter as
+contendas dos deuses, n&atilde;o &eacute; licito contestar a
+justi&ccedil;a da
+proposi&ccedil;&atilde;o. N&atilde;o se podia invocar
+contra os brasileiros uma
+disposi&ccedil;&atilde;o que n&atilde;o haviam approvado
+nem, at&eacute;, conheciam. N&atilde;o determinava,
+ali&aacute;s, outra cousa o artigo 21 das Bases, compromisso
+solemne da regenera&ccedil;&atilde;o com o Ultramar. A
+raz&atilde;o n&atilde;o suffragava t&atilde;o pouco
+semelhante intelligencia da doutrina constitucional. O deputado
+representa a na&ccedil;&atilde;o no sentido restricto de
+n&atilde;o ser elle org&atilde;o de
+nacionalidade differente ou de territorio independente. D'ahi concluir
+que os mandatarios de uma provincia exprimem os sentimentos do paiz
+inteiro &eacute; incluir a popula&ccedil;&atilde;o na
+categoria dos corpos
+<span class="pagenum">[160]</span>
+simples nos
+quaes uma parcella contem os attributos do todo e &eacute;
+lan&ccedil;ar por terra o regimen representativo. Vingada a ideia,
+tornava-se desnecessario perturbar a existencia do povo com o
+comparecimento &aacute;s urnas, porque uma
+frac&ccedil;&atilde;o delle manifestaria as opini&otilde;es
+da universalidade, Para que elei&ccedil;&otilde;es nas Ilhas,
+em Angola, no Brasil
+e no Minho se os habitantes de Lisboa conheciam as necessidades e
+aspira&ccedil;&otilde;es do Fayal, do Rio e do Porto?<br />
+
+<br />
+
+Os portugu&ecirc;ses versados em direito publico n&atilde;o
+ignoravam a significa&ccedil;&atilde;o do
+conceito mas o interpretavam de conformidade com o seu intento de
+legislar para o Brasil sem dependencia de seus procuradores.<br />
+
+<br />
+
+Fernandes Thomaz fez Barata retirar a proposta com lhe prometter que o
+congresso reconsideraria os artigos approvados na ausencia dos
+americanos que incorressem na censura delles.<br />
+
+<br />
+
+Em consequencia de haver a assembleia deliberado dar outra
+redac&ccedil;&atilde;o ao projecto e de ouvir sobre elle mais
+deputados de alem-mar, a extinc&ccedil;&atilde;o dos tribunaes
+superiores
+creados por D. Jo&atilde;o VI, proposta em setembro, voltou a
+discuss&atilde;o somente em dezembro. Longe se achava de estar
+completa a deputa&ccedil;&atilde;o americana mas aos deputados
+fluminenses interessados no negocio haviam-se ajuntado os da Bahia,
+considerada no Reino a provincia de mais p&ecirc;so nos destinos do
+Brasil.<br />
+
+<br />
+
+Por mais mesquinhos e ridiculos que pare&ccedil;am taes sentimentos
+em legisladores, n&atilde;o ha duvida de que foi o bairrismo das
+terras do norte, principalmente da Bahia, e a condescendencia estupida
+dos do Rio com o despeito das outras provincias por se verem privadas
+da
+<span class="pagenum">[161]</span>
+preeminencia e vantagens
+que advieram ao torr&atilde;o fluminente de ter sido a
+s&eacute;de da monarchia, que determinaram a
+solu&ccedil;&atilde;o prompta do negocio, surprehendidos os
+portugu&ecirc;ses da facilidade com que os irm&atilde;os de
+al&eacute;m-mar se privavam de institui&ccedil;&otilde;es
+necessarias<sup><a href="#Z196">[196]</a></sup>.<br />
+
+<br />
+
+Borges Carneiro fundamentou o projecto com a necessidade de economias
+demonstrada pelos apuros do Regente<sup><a href="#Z197">[197]</a></sup>
+e com a circumstancia de
+n&atilde;o mais achar no Rio a Côrte. &laquo;Estes
+tribunaes fizeram-se para a Côrte, esta acabou em
+al&eacute;m-mar, acabem-se elles&raquo;<sup><a href="#Z198">[198]</a></sup>.<br />
+
+<br />
+
+Um dos gracejos da &eacute;poca, inventado talvez pelo Correio
+Brasiliense, era que el-rei, chegado ao Brasil, abrira por desfastio o
+annuario de Lisboa e copiara a lista das
+institui&ccedil;&otilde;es da
+m&atilde;e patria para reproduzir em sua nova capital aquellas que
+ahi n&atilde;o existiam, sem cogitar das
+condi&ccedil;&otilde;es differentes da terra e sem corrigir os
+vicios do organismo administrativo de Portugal. Varella repete agora a
+facecia, e testemunha desse modo a inconsciencia com que vai rebaixar o
+ber&ccedil;o.<br />
+
+<br />
+
+&laquo;Estas reparti&ccedil;&otilde;es creadas pelo
+almanack &eacute; justo que acabem pelo almanack. A
+extinc&ccedil;&atilde;o destes tribunaes &eacute; muito
+precisa, &eacute; necessario acabar com estas sanguesugas que tanto
+t&ecirc;m arruinado a patria&raquo;<sup><a href="#Z199">[199]</a></sup>.<br />
+
+<br />
+
+N&atilde;o se lhe apresentam outros argumentos, e
+<span class="pagenum">[162]</span>
+com semelhante modo de ver a sociedade
+retrocederia aos tempos primitivos, por que s&oacute; nelles o
+homem vive sem institui&ccedil;&otilde;es que custam
+dinheiro.<br />
+
+<br />
+
+Supprimidos os org&atilde;os superiores da justi&ccedil;a,
+cessavam func&ccedil;&otilde;es que, todavia, n&atilde;o
+podiam deixar de existir sem grave transtorno das
+rela&ccedil;&otilde;es sociaes. Decidiu-se, por isso, que as
+attribui&ccedil;&otilde;es do desembargo do pa&ccedil;o e
+da m&ecirc;sa de consciencia, reduzidas ao expediente e aos
+negocios sobre os quaes se n&atilde;o consultava a Casa da
+Supplica&ccedil;&atilde;o ou o governo, passariam a uma junta
+da rela&ccedil;&atilde;o. A parte contenciosa do Conselho de
+Fazenda e do Erario, egualmente extinctos ficaria sujeita ao juizo dos
+Feitos da Rela&ccedil;&atilde;o. A
+suppress&atilde;o da Junta do Commercio provocou curto debate.
+Varella opinou que a devia substituir outra
+reparti&ccedil;&atilde;o, sem competencia, por&eacute;m,
+nas materias contenciosas, que seri&atilde;o affectas &aacute;
+Rela&ccedil;&atilde;o. Ledo n&atilde;o concordou. A junta
+prestava tantos servi&ccedil;os como a de Lisboa, e nenhuma
+administra&ccedil;&atilde;o de quem se confiassem as suas
+attribui&ccedil;&otilde;es, proveria
+satisfactoriamente aos interesses multiplos do commercio, da
+navega&ccedil;&atilde;o e da agricultura. Borges Carneiro
+ponderou que era tardia a observa&ccedil;&atilde;o, porque o
+congresso j&aacute; approvara a
+aboli&ccedil;&atilde;o de todos os tribunaes, sem reserva da
+junta em quest&atilde;o.<br />
+
+<br />
+
+A m&ecirc;sa de inspec&ccedil;&atilde;o avocaria a
+jurisdi&ccedil;&atilde;o della, resguardados desse modo os
+interesses nacionaes<sup><a href="#Z200">[200]</a></sup>.<br />
+
+<br />
+
+O projecto que rebaixava o Brasil a provincia de Portugal, &eacute;
+triste dizel-o, n&atilde;o provocou
+<span class="pagenum">[163]</span>
+maior
+opposi&ccedil;&atilde;o que esse timido protesto. A Bahia, que
+mostrara sentimentos levantados quando no officio de adhes&atilde;o
+&aacute; causa de Portugal
+cogit&aacute;ra dos destinos do novo reino, soffria eclipse no seu
+senso politico. Lino Coutinho, que subscrevera aquelle memoravel
+documento, tripudiava; as rivalidades mesquinhas de campanario, que
+exultam nas suas palavras com a perspectiva de triumpho, obscurecem-lhe
+a intelligencia ao extremo de n&atilde;o perceber que o desbarato
+das prerogativas do Rio significava a degrada&ccedil;&atilde;o
+do Brasil. &laquo;Assento, perora, que nada haver&aacute; de
+mais justo do que pôr em vigor o projecto em
+discuss&atilde;o e nivelar a antiga côrte no Rio com
+todas as mais provincias. Des&ccedil;a do alto gr&aacute;u de
+côrte para o de provincia&raquo;<sup><a href="#Z201">[201]</a></sup>.<br />
+
+<br />
+
+Supprimida a Casa da Supplica&ccedil;&atilde;o, que julgava em
+gr&aacute;u de revista, surgia uma difficuldade: onde decidir os
+feitos dependentes desse recurso? A commiss&atilde;o propunha a
+Casa da
+Supplica&ccedil;&atilde;o de Lisboa. Fernandes Thomaz poucas
+semanas antes, confessara que achava violento o alvitre, mas que o
+aceitava por n&atilde;o ferir o melindre das provincias com
+investir a rela&ccedil;&atilde;o fluminense ou outra qualquer
+de prerogativa negada aos tribunaes congeneres do Brasil<sup><a href="#Z202">[202]</a></sup>. O debate
+provou que se n&atilde;o enganava o egregio var&atilde;o.
+Pesava tambem aos ultramarinos virem procurar justi&ccedil;a em
+Lisboa, e como n&atilde;o quizessem attribuir ao Rio preeminencia
+alguma, entenderam conciliar as conveniencias dando as
+rela&ccedil;&otilde;es
+<span class="pagenum">[164]</span>
+provinciaes o julgamento da revista. Lino Coutinho interveiu no debate
+com desempeno. &laquo;Tratamos de nivelar as provincias do Brasil
+com o Rio de Janeiro e, portanto, devemos reduzir a Casa da
+Supplica&ccedil;&atilde;o a uma
+rela&ccedil;&atilde;o provincial. A Casa da
+Supplica&ccedil;&atilde;o passa a ser uma
+rela&ccedil;&atilde;o provincial&raquo;<sup><a href="#Z203">[203]</a></sup>.<br />
+
+<br />
+
+O conselho era inapplicavel, porquanto os juizes da revista eram
+desembargadores do pa&ccedil;o e desembargadores do pa&ccedil;o
+n&atilde;o os havia
+sen&atilde;o no Tribunal do Rio. A paix&atilde;o dava o
+resultado imprevisto de tornar um regenerador campe&atilde;o dos
+interesses ultramarinos contra os brasileiros. De feito Borges Carneiro
+ponderando aquella circumstancia, lembrou a conveniencia das revistas
+continuarem a ser processadas no Rio. Poupavam-se assim aos de
+al&eacute;m-mar os incommodos e as desp&ecirc;sas de virem com
+os seus feitos a Lisboa e se assegurava ao reino americano &laquo;a
+independencia (judiciaria) compativel com a
+uni&atilde;o&raquo;<sup><a href="#Z204">[204]</a></sup>.<br />
+
+<br />
+
+Os americanos dominados de zelo ridiculo n&atilde;o prestaram
+atten&ccedil;&atilde;o ao alvitre
+honesto e leal. Venceu que a Casa da Supplica&ccedil;&atilde;o
+de Lisboa julgaria os recursos supremos.<br />
+
+<br />
+
+No afan de egualar o Rio com as suas irmans, chegaram os ultramarinos
+ao extremo de conceder a Portugal o que elle n&atilde;o pedia.
+Assim a commiss&atilde;o julgava necessario deixar subsistir o
+Supremo Conselho de Guerra. Varella, o deputado fluminense Varella, que
+inicia a discuss&atilde;o,
+<span class="pagenum">[165]</span>
+decide com seguran&ccedil;a que
+siga a sorte dos outros. Lino Coutinho, Belford, Pinto da
+Fran&ccedil;a levam de vencida os esfor&ccedil;os de Faria de
+Carvalho, um dos auctores do projecto, no sentido da
+conserva&ccedil;&atilde;o do infeliz tribunal<sup><a href="#Z205">[205]</a></sup>.<br />
+
+<br />
+
+Em summa o projecto vingou salvo ligeiras
+modifica&ccedil;&otilde;es e tornou-se o decreto de 11 de
+janeiro de 1822. Surpr&ecirc;sos deviam ficar os deputados da
+America, que n&atilde;o enxergavam no acto sen&atilde;o o meio
+de reconduzir o Rio a simples provincia, quando souberam que, conhecido
+no Brasil, rematara a indigna&ccedil;&atilde;o do Rio, S. Paulo
+e Minas contra as Côrtes. Menos cego fora Hipolito.
+&laquo;Deu-se ao Brasil o nome de reino, escreveu, mas ficou isso
+em apparencia; agora o governo constitucional conservou o nome mas lhe
+tirou todas as apparencias, abolindo os tribunaes superiores do Rio de
+Janeiro, de maneira que fez retrogradar o Brasil de sua dignidade de
+reino que tinha na apparencia, causando assim uma
+humilha&ccedil;&atilde;o desnecessaria nos animos daquelles
+povos, porque, emfim, ninguem ha que se conforme com andar para
+tr&aacute;s em dignidade, tanto mais que o trazer o povo do Brasil
+seus recursos a Lisboa, quando dantes os tinha no Rio n&atilde;o
+&eacute; s&oacute; perder em dignidade mas tambem perder muito
+em commodidade<sup><a href="#Z206">[206]</a></sup>&raquo;.<br />
+
+<br />
+
+Divulgados no Rio os debates, o povo indignou-se contra Varella a tal
+ponto que o pobre homem, corrido e desorientado, n&atilde;o mais
+tomou a palavra nas côrtes, contentando-se com seguir nas
+vota&ccedil;&otilde;es os proceres da bancada americana.
+<span class="pagenum">[166]</span>
+Parece que se
+procurava justificar com a falta de instruc&ccedil;&otilde;es
+da provincia<sup><a href="#Z207">[207]</a></sup>.<br />
+
+<br />
+
+Supprimido o Supremo Tribunal do Rio, as revistas das causas pleiteadas
+no novo reino se deveri&atilde;o decidir em Lisboa, consoante a
+organisa&ccedil;&atilde;o judiciaria da &eacute;poca, a
+qual conferia o julgamento do derradeiro recurso ao mais alto juizo, e
+este funccionava na capital do Reino. Os regeneradores,
+por&eacute;m, rec&ecirc;ando que os ultramarinos se
+n&atilde;o resignassem facilmente a vir procurar aquelle remedio na
+Europa, haviam introduzido no projecto da carta constitucional uma
+innova&ccedil;&atilde;o
+na competencia das rela&ccedil;&otilde;es capaz de os acalmar.
+Prescreveram no artigo 158 que, no tocante ao Brasil, se
+interpori&atilde;o revistas de seus feitos para as
+rela&ccedil;&otilde;es de maior numero de
+ministros. &Eacute; evidente que se houvessem previsto o bom humor
+com que os irm&atilde;os mais novos acolheram o desbarato das
+institui&ccedil;&otilde;es creadas na America por D.
+Jo&atilde;o VI, n&atilde;o lhes
+libertari&atilde;o a patria de mais essa dependencia para com a
+antiga metropole.<br />
+
+<br />
+
+A disposi&ccedil;&atilde;o, por&eacute;m, figurava no plano
+da Constitui&ccedil;&atilde;o, impresso e espalhado aos quatro
+ventos, e n&atilde;o havia agora destr&ecirc;za capaz de a
+supprimir sem provocar reparo.<br />
+
+<br />
+
+Posta em discuss&atilde;o a materia em 31 de janeiro, os
+ultramarinos que se n&atilde;o conformavam com a perspectiva de
+n&atilde;o possuirem no seu continente todos os recursos judiciaes,
+valeram-se da mon&ccedil;&atilde;o soffregamente, e Borges
+Carneiro vem ainda em auxilio d'elles com uma emenda no sentido de
+n&atilde;o deixar duvida o artigo. Propôz se
+<span class="pagenum"><a name="p167">[167]</a></span>
+declarasse que aquellas
+rela&ccedil;&otilde;es mais numerosas referidas no projecto
+n&atilde;o seri&atilde;o outras
+sen&atilde;o as que funccionassem em terras brasilicas. Venceu a
+proposta sem embargo da opposi&ccedil;&atilde;o de Lino
+Coutinho, Borges de Barros e Fernandes Thomaz.<br />
+
+<br />
+
+Os bahianos com id&eacute;as francamente federalistas, julgando
+cada provincia pequeno reino com organiza&ccedil;&atilde;o
+administrativa distincta, queriam no Brasil tantas
+rela&ccedil;&otilde;es com a al&ccedil;ada da
+Casa da Supplica&ccedil;&atilde;o quantas eram as capitanias. O
+alvitre
+n&atilde;o era pratico porque gravava provincias pobres e
+despovoadas com tribunal numeroso por causa de um recurso que
+excepcionalmente se apresentaria n'ellas. Fernandes Thomaz
+n&atilde;o sabendo como impugnar uma
+proposi&ccedil;&atilde;o que tirava ao Brasil a categoria de
+provincia de Portugal, invocou a unidade do poder judiciario sem a qual
+n&atilde;o se tornaria possivel a uni&atilde;o, esquecido de
+que faltara esse vinculo durante a estada d'el-rei na America e nem por
+isso estiveram separadas as duas sec&ccedil;&otilde;es da
+monarchia. Opinava para que se discutissem no Reino as revistas do
+Brasil<sup><a href="#Z208">[208]</a></sup>.
+<br />
+
+<br />
+
+<br />
+
+<br />
+
+<h3><a name="c9"></a>CAPITULO IX</h3>
+
+<br />
+
+<div class="intro1">SUMMARIO:<br />
+
+<br />
+
+<em>Presos da Bahia.&#8213;Inanidade do parecer da
+commiss&atilde;o &aacute;cerca dos negocios do
+Brasil.&#8213;Condescendencia dos deputados brasileiros.&#8213;Surge no Rio o
+partido da
+independencia.</em></div>
+
+<br />
+
+<br />
+
+<br />
+
+Apenas come&ccedil;ado o segundo anno de legislatura, as
+Côrtes occuparam-se com os negocios do Brasil a proposito de
+presos expedidos a Lisboa pela junta da Bahia sob a
+accusa&ccedil;&atilde;o de a haverem tentado depôr. O
+facto era simples. Em 3 de novembro paisanos e militares acompanhados
+do presidente e do procurador da Camara, com a bandeira desfraldada,
+dirigiram-se ao palacio, onde o chefe da municipalidade pediu aos
+membros do governo se exonerassem por o desejar o povo. Os
+interpellados, no come&ccedil;o perplexos, cobraram
+for&ccedil;as com as
+acclama&ccedil;&otilde;es que da rua lhes faziam os
+partidarios, e confiados nos batalh&otilde;es que com boa sombra
+penetravam na sala, ordenaram aos adversarios que se fossem embora.
+Estes, por&eacute;m, n&atilde;o quiseram sahir sem primeiro
+deixar por escripto as suas queixas e a
+justifica&ccedil;&atilde;o de seu acto. A
+junta sem empenho em ver no papel o que ouvido lhe desagradava,
+manda-os prender; e s&atilde;o remettidos ao Reino com a nota de
+rebeldes homens
+<span class="pagenum">[169]</span>
+que n&atilde;o empregaram violencia e ass&aacute;s ingenuos ou
+ignorantes para acreditarem que com a sanc&ccedil;&atilde;o do
+Senado da Camara podiam fazer e desfazer os governos da provincia<sup><a href="#Z209">[209]</a></sup>.
+Vieram os infelizes desacompanhados das provas do crime, contra a
+terminante disposi&ccedil;&atilde;o das Bases que
+n&atilde;o admittia deten&ccedil;&atilde;o sem culpa
+formada, mas para colorir a illegalidade protestava a junta haver entre
+elles partidarios da independencia. N&atilde;o havia
+ent&atilde;o melhor recurso para se desembara&ccedil;ar
+brutalmente de adversarios, sen&atilde;o com applauso, ao menos sem
+censura dos poderes publicos da antiga metropole, que os accusar a
+administra&ccedil;&atilde;o da provincia de velleidades
+separatistas. Para t&atilde;o hediondo delicto bastavam tendencias,
+dispensavam-se actos. Servira-se do expediente Luiz do Rego contra os
+quarenta e dous pernambucanos; acabara de o imitar a junta paraense
+contra tres dos seus administrados<sup><a href="#Z210">[210]</a></sup>,
+e ir-lhes-h&atilde;o na
+esteira os governos da Parahyba e do Cear&aacute;<sup><a href="#Z211">[211]</a></sup>.<br />
+
+<br />
+
+Faltando aos administradores confian&ccedil;a na justi&ccedil;a
+da terra, era o meio mais efficaz para intimidar a
+opposi&ccedil;&atilde;o. A
+expedi&ccedil;&atilde;o &aacute; Europa sobre prolongar a
+reclus&atilde;o, fazia-a mais penosa. De feito em custodia na
+patria os soccorros e confortos da familia e dos amigos attenuavam aos
+desgra&ccedil;ados os rigores do carcere, ao passo que remettidos a
+Lisboa, al&eacute;m daquella
+priva&ccedil;&atilde;o soffriam
+<span class="pagenum">[170]</span>
+as descommodidades da travessia aggravadas com as cautelas
+exercidas pelo commandante a fim de se furtar &aacute;
+responsabilidade da evas&atilde;o ou do suicidio do accusado. A
+vigilancia, por&eacute;m, nem sempre era t&atilde;o estreita
+que tolhesse o mal afortunado de pôr termo ao seu
+desesp&ecirc;ro, como aconteceu com o brigadeiro Boccaciari, o qual
+se afogou no Tejo em ancorando o barco<sup><a href="#Z212">[212]</a></sup>.<br />
+
+<br />
+
+A commiss&atilde;o de constitui&ccedil;&atilde;o no seu
+parecer sobre os officios da junta bahiana, vindos juntamente com os
+accusados, depois de propôr que os documentos fossem
+submettidos ao poder judiciario, considerou a
+situa&ccedil;&atilde;o do novo reino. Reconheceu as rivalidades
+na America entre os naturaes e os europeus, das quaes se valiam homens
+inquietos para operar o desmembramento da monarchia, e deplorou que a
+emula&ccedil;&atilde;o tendesse a generalizar-se com certos
+actos das Côrtes nos quaes n&atilde;o s&oacute; o
+povo sen&atilde;o tambem brasileiros cultos e ricos, enxergavam
+intuitos de recoloniza&ccedil;&atilde;o do reino americano.
+Para atalhar o mal suggeria a conveniencia de se formular
+t&atilde;o depressa quanto possivel o projecto das
+rela&ccedil;&otilde;es commerciaes entre as duas partes da
+na&ccedil;&atilde;o, e estimulou os deputados ultramarinos a
+proporem &aacute; commiss&atilde;o de fazenda a
+revoga&ccedil;&atilde;o dos impostos mais gravosos
+&aacute;s suas respectivas provincias<sup><a href="#Z213">[213]</a></sup>.<br />
+
+<br />
+
+N&atilde;o se pode negar a importancia da quest&atilde;o
+economica para os povos, mas julgar que mais
+<span class="pagenum">[171]</span>
+ou menos tributos
+acalmari&atilde;o os brasileiros, era desconhecer ou recusar
+v&ecirc;r os motivos do descontentamento; e procurar desfazer o
+temor de reescraviza&ccedil;&atilde;o com o projecto de tarifas
+arriscava desenvolver a irrita&ccedil;&atilde;o em vez de a
+moderar.<br />
+
+<br />
+
+Por mais favoravel que fosse ao ultramar, no conceito dos
+portugu&ecirc;ses, a reforma da
+legisla&ccedil;&atilde;o aduaneira, certamente coarctar-lhe-ia
+o direito de vender os seus productos onde lhe conviesse e de se
+abastecer das cousas necessarias nos mercados de sua livre escolha;
+seria, na melhor das hypotheses a mutila&ccedil;&atilde;o
+d'essa liberdade
+mercantil a que attribuiam os brasileiros o progresso da patria e os
+lusitanos a ruina da antiga metropole.<br />
+
+<br />
+
+As queixas contra certas taxas e a apprehens&atilde;o da
+revivescencia do monopolio commercial cediam agora o passo a realidades
+affrontosas aos brios nacionaes. Clamavam contra o commando das armas e
+contra as tropas que Portugal lhes mandava, commando e tropas que
+visavam a assegurar a domina&ccedil;&atilde;o de um reino sobre
+o outro com flagrante viola&ccedil;&atilde;o da egualdade
+politica promettida pela regenera&ccedil;&atilde;o ao ultramar
+transatlantico.<br />
+
+<br />
+
+Para restaurar a confian&ccedil;a dos irm&atilde;os mais novos
+nas Côrtes, a commiss&atilde;o rematava a
+s&eacute;rie de palliativos com chave de ouro: propunha mais uma
+proclama&ccedil;&atilde;o. O alvitre provocou curto debate,
+ponderando Lino Coutinho que os povos queriam cousas e n&atilde;o
+palavras. Venceu as resistencias o arcebispo da Bahia com asserto que
+seria irrisorio se n&atilde;o significasse a ignorancia mais
+Para restaurar a confian&ccedil;a dos irm&atilde;os mais novos
+nas Côrtes, a commiss&atilde;o rematava a
+s&eacute;rie de palliativos com chave de ouro: propunha mais uma
+proclama&ccedil;&atilde;o. O alvitre provocou curto debate,
+ponderando Lino Coutinho que os povos queriam cousas e n&atilde;o
+palavras. Venceu as resistencias o arcebispo da Bahia com asserto que
+seria irrisorio se n&atilde;o significasse a ignorancia mais
+completa dos novos sentimentos do ultramar. Declarou o illustre
+transmontano, prelado da Bahia, que mandassem manifesto porquanto sabia
+<span class="pagenum">[172]</span>
+que os seus diocesanos
+acolhiam com lagrimas de gosto as resolu&ccedil;&otilde;es do
+Congresso.<br />
+
+<br />
+
+Com os magnates da regenera&ccedil;&atilde;o subscreveram o
+anodino documento dous brasileiros. N&atilde;o causa extranheza que
+Fagundes Varella capaz de alienar a patria por complacencia para com os
+collegas e a quem os portugu&ecirc;ses n&atilde;o tardaram em
+premiar a longanimidade infinita, elegendo-o presidente das
+Côrtes em fevereiro<sup><a href="#Z214">[214]</a></sup>,
+n&atilde;o
+duvidasse em pôr o nome debaixo desse papel. Mas provoca
+reparo que um homem energico, sagaz e ao par dos negocios do Brasil,
+como Borges de Barros, assignasse semelhante pe&ccedil;a ridicula.
+N&atilde;o est&aacute; a excusa sen&atilde;o no facto dos
+ultramarinos chegados de fresco, n&atilde;o pretenderem assumir a
+attitude dictada pelas conveniencias, sem primeiro conhecer as pessoas
+com quem lidavam e cujas disposi&ccedil;&otilde;es se
+n&atilde;o mostravam
+atrav&eacute;s do liberalismo entremeado de protestos de amor aos
+irm&atilde;os mais distantes e de cortesias aos presentes. Ao
+futuro Visconde da Pedra Branca diplomata por indole e affeito
+&aacute;s delicadezas dos sal&otilde;es, mais que a nenhum
+outro brasileiro devia custar nos primeiros contactos com os collegas
+da Europa se singularizar delles com ajuntar
+restric&ccedil;&otilde;es ou commentarios ao seu voto nos
+pareceres collectivos. N&atilde;o &eacute;, licito,
+por&eacute;m,
+occultar que a attenuante agora perdia muito de valor, tanto em
+rela&ccedil;&atilde;o ao egregio bahiano como aos compatriotas.
+N&atilde;o se justificavam delongas ou
+tergiversa&ccedil;&otilde;es perante a
+irrita&ccedil;&atilde;o crescente contra o Congresso,
+principalmente por haver surgido no Rio a id&eacute;a de
+emancipa&ccedil;&atilde;o. Merece
+ser contado
+<span class="pagenum">[173]</span>
+o episodio fluminense, tanto
+mais que p&oacute;de confirmar a origem absolutista, e
+n&atilde;o liberal, do movimento ultramarino contra as
+côrtes, consoante a opini&atilde;o de Villela Barbosa e
+dos constituintes portugu&ecirc;ses<sup><a href="#Z215">[215]</a></sup>.
+O acontecimento
+come&ccedil;ou tambem no theatro S. Jo&atilde;o, posteriormente
+S. Pedro de Alcantara, fadado a servir aos principaes successos
+politicos da epocha. Ahi em fevereiro juraram a futura
+constitui&ccedil;&atilde;o de Portugal D. Jo&atilde;o VI e
+o principe D. Pedro, ahi o regente coagido adoptara as bases
+constitucionaes e decretara a exonera&ccedil;&atilde;o do
+tr&eacute;fego
+conde dos Arcos. Na noute de 18 de setembro, no correr do espectaculo,
+ao qual assistia o principe, irrompeu do camarote do estado maior o
+grito: viva o principe real nosso senhor! Grande tumulto e
+agita&ccedil;&atilde;o da policia. Aberto o inquerito, os do
+camarote declararam haver partido o brado de pessoa absolutamente
+desconhecida, a qual ahi viera com recado ao official de
+servi&ccedil;o. Interrogado este, affirmou n&atilde;o conhecer
+o portador da mensagem nem ter ouvido o que lhe communicara; a
+instantaneidade da scena, demais, n&atilde;o lhe permittira prender
+o sedicioso, soada a
+exclama&ccedil;&atilde;o suspeita. Divergiam os pareceres
+&aacute;cerca da significa&ccedil;&atilde;o do grito. Uns o
+interpretavam como voto de regresso ao absolutismo em virtude da
+locu&ccedil;&atilde;o&#8213;nosso senhor. Outros o attribuiram a
+reaccionario feroz que despertava a id&eacute;a da independencia do
+Brasil com o intuito de despopularizar as Côrtes,
+apparelhando desse modo o desbarato do novo regimen. O brado, em
+verdade, parece n&atilde;o passar de simples
+manifesta&ccedil;&atilde;o
+<span class="pagenum">[174]</span>
+de enthusiasmo de alguns
+militares sem mira occulta, e o facto da officialidade n&atilde;o
+revelar o nome de quem o lan&ccedil;ou confirma a conjectura.<br />
+
+<br />
+
+Se existiam no Reino militares reaccionarios, n&atilde;o os havia
+no Brasil; aqui, ao rev&eacute;s, os
+officiaes mostravam-se liberaes e radiantes com a nova ordem de cousas,
+e ainda aos 24 de agosto tinham festejado o primeiro anniversario da
+regenera&ccedil;&atilde;o com baile estrondoso<sup><a href="#Z216">[216]</a></sup>. Muito
+provavelmente D. Pedro n&atilde;o quis apurar a devassa ou
+n&atilde;o desvendou o resultado della, receoso de que a simples
+realidade, vista a effervescencia dos espiritos, n&atilde;o
+satisfizesse o publico e acirrasse contra as tropas do Reino, mais e
+mais antipathicas aos da terra, as preven&ccedil;&otilde;es dos
+portugu&ecirc;ses constitucionaes muito numerosos no Rio.<br />
+
+<br />
+
+A certeza de que os militares n&atilde;o diziam verdade e o
+imperfeito do inquerito avigoraram a desconfian&ccedil;a de tramas
+contra a liberdade do Brasil e a integridade da
+na&ccedil;&atilde;o irritando por egual americanos e europeus.
+Se &aacute;quelles n&atilde;o sorria a
+emancipa&ccedil;&atilde;o com o despotismo,
+comprehende-se quanto devia affligir aos rein&oacute;es a
+apprehens&atilde;o de uma mudan&ccedil;a, que lhes desmembrava
+a patria e supprimia o governo liberal. D'ahi a
+ac&ccedil;&atilde;o magica do poeta desconhecido que
+aconselhando a independencia com a
+constitui&ccedil;&atilde;o prefazia o sonho dos brasileiros e
+dava aos portugu&ecirc;ses uma compensa&ccedil;&atilde;o
+pelo
+fraccionamento da monarchia.<br />
+
+<br />
+
+Nunca se determinaram com mais lucidez as conveniencias presentes de um
+povo como n'esta decima sobria.
+<br />
+
+<br />
+
+<span class="pagenum">[175]</span>
+<div class="poetry">Para ser de glorias farto<br />
+
+Inda que n&atilde;o fosse herdeiro<br />
+
+Seja j&aacute; Pedro Primeiro<br />
+
+Se algum dia ha de ser quarto.<br />
+
+N&atilde;o &eacute; preciso algum parto<br />
+
+De Bernarda, atroador;<br />
+
+Seja nosso Imperador<br />
+
+Com governo liberal<br />
+
+De côrtes, franco e legal,<br />
+
+Mas nunca nosso senhor.</div>
+
+<br />
+
+A commo&ccedil;&atilde;o foi das mais profundas, chegando-se a
+fixar data para a proclama&ccedil;&atilde;o da independencia,
+12 de outubro<sup><a href="#Z217">[217]</a></sup>.
+A D. Pedro, absolutamente sincero, no empenho de
+sustar o movimento, depararam-se resistencias imprevistas. Cumpria
+remover da intendencia de policia Antonio Luiz Pereira da Cunha
+&laquo;indolente, pouco activo e de pouco amor e interesse pela
+constitui&ccedil;&atilde;o portugu&ecirc;sa&raquo;<sup><a href="#Z218">[218]</a></sup>.
+O ministro do Reino n&atilde;o o ousa fazer com m&ecirc;do de
+que estale o levante, em virtude da popularidade do futuro
+marqu&ecirc;s de Inhambupe. O regente lan&ccedil;a-lhe em rosto
+a covardia, e com designio de humilhar o velho servidor manda-o lavrar
+o decreto da propria exonera&ccedil;&atilde;o e o da
+nomea&ccedil;&atilde;o
+do seu successor, Francisco Jos&eacute; Vieira. N&atilde;o
+logram acalmar os animos os novos funccionarios, e D. Pedro resolve a
+intervir pessoalmente no conflicto com o famoso bando de seis de
+outubro, o qual desfaz o movimento. Segrega delle os compatriotas com
+os seus protestos de fidelidade ao regimen
+<span class="pagenum"><a name="p176">[176]</a></span>
+em vigor e
+intimida os brasileiros com amea&ccedil;a de &laquo;guerra
+crudilissima e desapiedada&raquo;.<br />
+
+<br />
+
+Feliz de haver assegurado a integridade da success&atilde;o,
+disposto a defender o rico patrimonio a todo o transe, o regente
+assignala ao pai: &laquo;Tudo o mais est&aacute; mais
+acommodado, porque t&ecirc;m m&ecirc;do da tropa
+portugu&ecirc;sa. Bem dizia
+eu a V. M. que necessitava de tropa n'este paiz. Espero que
+n&atilde;o querer&atilde;o ver a pe&ccedil;a do panno,
+do qual viram a amostra no dia 21 de abril&raquo;<sup><a href="#Z219">[219]</a></sup>.<br />
+
+<br />
+
+O referir-se em tom fac&ecirc;to &aacute; matan&ccedil;a
+infame da Pra&ccedil;a do Commercio, ao crime de que fôra
+cumplice sen&atilde;o autor, n&atilde;o abona a indole do
+principe.<br />
+
+<br />
+
+Os constituintes portugu&ecirc;ses n&atilde;o deram ao successo
+revelador do desenvolvimento do instincto de autonomia a minima
+importancia, confiados, acaso, nos batalh&otilde;es europeus,
+embora proclamassem a cada instante que a reuni&atilde;o se
+n&atilde;o manteria pela for&ccedil;a mas pelo accordo das
+vontades. Continuaram a discutir o projecto da
+constitui&ccedil;&atilde;o apresentado em momento em que do
+ultramar vinham aclama&ccedil;&otilde;es, como se
+n&atilde;o se entibiara o enthusiasmo. Nada o prova com mais
+evidencia que o longo debate, e memoravel por mais de um titulo,
+&aacute;cerca da queixa &aacute;
+Corôa contra os magistrados prevaricadores.<br />
+
+<br />
+
+<br />
+
+<br />
+
+<h3><a name="c10"></a>CAPITULO X</h3>
+
+<br />
+
+<div class="intro1">SUMMARIO:<br />
+
+<br />
+
+<em>A Subserviencia da magistratura.&#8213;O jury nas causas
+crimes e civeis.&#8213;A responsabilidade dos magistrados e direito de os
+suspender; Borges Carneiro; argumentos da maioria; replica dos
+brasileiros.&#8213;Prestam juramento os deputados de S. Paulo.&#8213;Antonio
+Carlos.&#8213;Exalta&ccedil;&atilde;o dos representantes do
+Brasil.&#8213;Vergueiro.&#8213;Resultado dos debates.</em></div>
+
+<br />
+
+<br />
+
+<br />
+
+A desfa&ccedil;atez com que a magistratura serve ao poder,
+manifesta-se com evidencia no regimen absoluto ou nas crises
+revolucionarias. Viola as leis e os costumes, que nas sociedades menos
+cultas em todos os tempos defendem a honra, a seguran&ccedil;a e a
+propriedade individuaes, para enriquecer mediante confiscos injustos
+aquelle de quem recebe a subsistencia e o accesso, ou para lhe acalmar
+as ancias do medo ou as paix&otilde;es reprovadas, <a href="#e31">com a morte ou a
+pris&atilde;o</a> do adversario ou do critico importuno.
+N&atilde;o
+ha tyranno que commetta crime sem se acautelar com o apparato solemne
+do julgamento. Interroga-se o r&eacute;o, inquirem-se testemunhas,
+ouve-se a def&ecirc;sa e o magistrado lavra a senten&ccedil;a
+sob os bra&ccedil;os do Divino Crucificado. A verdade &eacute;,
+por&eacute;m, que o magistrado
+<span class="pagenum">[178]</span>
+se n&atilde;o preoccupou
+com as respostas do indiciado e s&oacute; cessou de procurar
+informantes quando se lhe depararam depoimentos consoante os seus
+intuitos, embora dictados de odio ao accusado ou do interesse de se
+recommendar o auctor &aacute; benevolencia da justi&ccedil;a.
+Para
+n&atilde;o fallarmos sen&atilde;o de &eacute;pocas
+modernas, o marqu&ecirc;s de Pombal e Napole&atilde;o
+n&atilde;o se serviram e o autocrata da Russia n&atilde;o se
+serve de outro meio, para sob capa de perigo publico se desaggravarem
+de offensas reaes ou imaginarias. Sem a cumplicidade infernal da
+magistratura acaso essas terriveis entidades n&atilde;o ouzassem
+postergar as leis fundamentaes da def&ecirc;sa proclamadas ha
+tantos seculos e nunca contestadas. Nesse afan abjecto de agradar aos
+tyrannos e &aacute;s paix&otilde;es
+m&aacute;s das multid&otilde;es, os mô&ccedil;os,
+que s&atilde;o
+generosos nas escolas quando vivem a expensas da familia, excedem os
+velhos, dominados da ancia de crear situa&ccedil;&atilde;o.
+Alexandre Herculano assignala que D. Jo&atilde;o III no acto de
+estabelecer a
+inquisi&ccedil;&atilde;o achou nos juizes novos subserviencia
+que se lhe n&atilde;o deparou nos ministros encanecidos.
+Habituando-se a conculcar a Lei no interesse do governo, o juiz acaba
+por a transgredir a bem de conveniencias particulares, suas ou dos
+amigos.<br />
+
+<br />
+
+Nem os abusos do clero, nem a miseria do Reino, nem a prepotencia dos
+capit&atilde;es generaes do Brasil levantam do compacto diario das
+Côrtes clamor mais intenso e mais geral que as
+injusti&ccedil;as da judicatura. Representantes de todas as
+profiss&otilde;es, temperamentos politicos mais antagonicos,
+accordam na urgencia de reformar a institui&ccedil;&atilde;o
+cujos vicios promanam da docilidade ao poder executivo e tambem do
+enfado de julgar. Em verdade a convic&ccedil;&atilde;o de que
+exerce officio
+<span class="pagenum">[179]</span>
+temeroso
+e quasi sagrado pode gerar no magistrado, ao alvorecer da carreira,
+empenho de acertar, mas o exercicio da profiss&atilde;o com o tempo
+n&atilde;o tarda em embotar t&atilde;o nobre sentimento e, o
+que era outr'ora prazer e honra torna-se, &aacute; for&ccedil;a
+de repeti&ccedil;&atilde;o
+encargo penoso, o qual quanto mais rapidamente cumprido, menos pesa.
+N&atilde;o cogita mais da pesquisa demorada da verdade,
+atrav&eacute;s da monotonia dos documentos e
+inquiri&ccedil;&otilde;es, em cousas que lhe n&atilde;o
+interessam directamente. Como, por&eacute;m, cumpre ao homem motivo
+para agir e como lhe fallece a
+preoccupa&ccedil;&atilde;o da justi&ccedil;a, na qual
+talvez, j&aacute; n&atilde;o
+cr&ecirc;, agora o estimulam as paix&otilde;es locaes, as
+sympathias partidarias ou as instancias das partes. Para obviar a esses
+males, os constituintes com notavel sabedoria estabeleceram o jury para
+todos os processos. A lucta correu aspera porque os coryf&eacute;us
+da revolu&ccedil;&atilde;o, partidarios da
+institui&ccedil;&atilde;o nas quest&otilde;es criminaes,
+n&atilde;o quiseram confiar della os pleitos civeis. N&atilde;o
+contestavam que em todos os litigios havia um facto ao qual se devia
+applicar a lei, mas ponderavam que a determina&ccedil;&atilde;o
+desse facto fora da esfera criminal, offerecia difficuldades
+transcendentes do espirito dos que n&atilde;o estudavam Direito e
+davam exemplos. Os exemplos, serviam apenas para testemunhar que o
+temor da reforma perturbava a vis&atilde;o das cousas nesses
+revolucionarios. Assim disseram que n&atilde;o era facil julgar da
+validade de um testamento em raz&atilde;o da necessidade de
+examinar a natureza dos bens testados, a capacidade do testador e as
+varias formalidades impostas ao acto. De feito havia nesse trabalho
+pesquisa paciente e sabia para o qual se exigiam conhecimentos de
+jurisprudencia. Esqueciam, por&eacute;m, de que semelhante
+<span class="pagenum">[180]</span>
+tarefa n&atilde;o
+competia ao magistrado leigo nem ao juiz letrado mas unicamente
+&aacute; parte interessada na annulla&ccedil;&atilde;o do
+acto da ultima
+vontade. N&atilde;o cabia ao jurado sen&atilde;o resolver,
+esclarecido pela discuss&atilde;o, &aacute;cerca da realidade
+dos vicios apontados, e fossem quaes fossem seri&atilde;o mais
+accessiveis &aacute; intelligencia do apanhador de
+corti&ccedil;a do Alemtejo do que certos casos de
+premedita&ccedil;&atilde;o do crime, deixada todavia, ao seu
+criterio. Se o testamento incorria em nullidade por lhe faltar a
+assignatura do autor, para o reconhecer n&atilde;o havia
+necessidade de fazer o curso juridico de Coimbra: bastavam olhos. Se
+invocavam a demencia do testador, qualquer podia ouvir e guiar-se pelas
+informa&ccedil;&otilde;es dos peritos.<br />
+
+<br />
+
+A preexcellencia do juiz de facto n&atilde;o escapou aos seus
+defensores. Ponderaram que elle se via obrigado a tomar conhecimento do
+feito em todas as suas partes, porque na sua presen&ccedil;a sob a
+fiscaliza&ccedil;&atilde;o das partes e do publico,
+faziam-se os interrogatorios, a analyse dos documentos e
+discuss&atilde;o do pleito.<br />
+
+<br />
+
+Os magistrados, ao rev&eacute;s, em consequencia da
+inclina&ccedil;&atilde;o do homem a reduzir o seu
+esfor&ccedil;o, n&atilde;o assistiam aos depoimentos, perdendo,
+por isso, n&atilde;o raro o ensejo de avaliar a sinceridade delles
+e n&atilde;o os estudavam attentamente nem t&atilde;o pouco os
+outros documentos, dos quaes os repelia, ali&aacute;s, a
+calligraphia atropelada dos escriv&atilde;es, contentando-se, para
+conhecer a quest&atilde;o, com as allega&ccedil;&otilde;es
+suspeitas das partes.<br />
+
+<br />
+
+D'ahi resultava o descredito do poder judiciario por causa de
+senten&ccedil;as contradictorias sobre especies identicas.<br />
+
+<br />
+
+A inexperiencia da ac&ccedil;&atilde;o salutar da imprensa fez
+que aos nossos antepassados n&atilde;o occorresse
+<span class="pagenum"><a name="p181">[181]</a></span>
+incentivo energico para o bom
+exercicio da judicatura, qual deve ser a
+publica&ccedil;&atilde;o dos debates forenses. A
+divulga&ccedil;&atilde;o pelos jornaes das
+controversias parlamentares, que estimula o deputado ao estudo das
+materias e ao cumprimento do Dever, e a egual publicidade dos processos
+do jury, que promove ao menos o respeito das formalidades da Lei,
+applicada &aacute;s reuni&otilde;es dos juizes togados
+pori&atilde;o cobro a muitas negligencias e audacias.<br />
+
+<br />
+
+Dos brasileiros presentes n'esta notavel sess&atilde;o de 9 de
+janeiro, apenas dous, o desembargador Belford e o general Pinto da
+Fran&ccedil;a votaram no sentido de se excluirem do civel os juizes
+de facto. Marcos Antonio, Barata, Moniz Tavares, Villela Barbosa,
+Borges de Barros, Agostinho Gomes, Lino Coutinho, os astros de primeira
+grandeza da deputa&ccedil;&atilde;o americana, entenderam que a
+liberdade e a propriedade dos cidad&atilde;os seri&atilde;o
+efficazmente resguardadas por meia duzia de homens bons tirados ao seu
+trabalho habitual, os quaes exerceri&atilde;o essas
+func&ccedil;&otilde;es
+extraordinarias com o fervor e a consciencia pura de neophitos<sup><a href="#Z220">[220]</a></sup>.
+Afastado das Côrtes por doen&ccedil;a, desde 30 de
+novembro, n&atilde;o tomou parte na discuss&atilde;o Araujo
+Lima. N&atilde;o &eacute;, contudo, desarrazoado
+suppôr, &aacute; vista de conceitos desfavoraveis
+emittidos ulteriormente a respeito dos magistrados, que, apesar de seu
+temperamento essencialmente conservador, votaria com a maioria dos
+collegas.<br />
+
+<br />
+
+N&atilde;o contentes de lhes diminuir a
+jurisdic&ccedil;&atilde;o com o estabelecimento do jury, os
+constituintes decretaram <a href="#e32">as
+responsabilidades</a> dos juizes por
+<span class="pagenum">[182]</span>
+erros de Direito e, especialmente por
+infrac&ccedil;&otilde;es das regras processuaes. Effectivamente
+era em consequencia da posterga&ccedil;&atilde;o dos preceitos
+reguladores da prova, que os juizes commettiam ordinariamente abusos e
+crimes. Quando a tortura n&atilde;o arrancava ao accusado a
+confiss&atilde;o almejada, firmavam-se em testemunhos suspeitos ou
+se baseavam em coincidencias ou simples indicios, que n&atilde;o
+podiam fundamentar a
+condemna&ccedil;&atilde;o.<br />
+
+<br />
+
+&Aacute; rela&ccedil;&atilde;o, ou julgasse em grau de
+revista por ordem do tribunal supremo ou decidisse
+appella&ccedil;&atilde;o de primeira instancia, reconhecida a
+infrac&ccedil;&atilde;o da lei, competeria mandar submetter a
+processo os responsaveis d'ella. Outra notavel reforma consistia na
+ac&ccedil;&atilde;o popular, em virtude da qual era licito a
+qualquer querellar contra os juizes por suborno, conluio e
+prevarica&ccedil;&atilde;o. Esses
+recursos, por&eacute;m, offereciam o inconveniente de deixar o
+accusado no exercicio do cargo at&eacute; a pronuncia, e temia-se
+que, sob o imperio do despeito e reputando-se perdido, o indiciado
+commettesse descommedimentos e vingan&ccedil;as antes da
+suspens&atilde;o do officio. Para remover o perigo grandemente
+provavel no conceito dos constituintes, o projecto constitucional dava
+o seguinte remedio: conceder ao aggravado o direito de se queixar ao
+Rei e este, convenientemente informado e ouvido o conselho de Estado,
+poderia suspender o juiz e ordenar &aacute;
+rela&ccedil;&atilde;o
+do districto que proseguisse no processo.<br />
+
+<br />
+
+Rompeu-se ent&atilde;o o accordo entre europeus e americanos
+manifestado &aacute;cerca da
+organisa&ccedil;&atilde;o do poder judiciario, accordo em
+apparencia t&atilde;o estreito que dava a esperan&ccedil;a de
+vingar uma constitui&ccedil;&atilde;o a aprazimento das duas
+sec&ccedil;&otilde;es da monarchia. A providencia servia em
+verdade aos
+<span class="pagenum"><a name="p183">[183]</a></span>
+de Portugal mas n&atilde;o aproveitava ao novo reino. Os
+brasileiros
+preferiri&atilde;o supportar o m&aacute;u humor e os
+desconcertos de juiz em perigo de perder o officio a se expôr
+&aacute;s descommodidades e despesas da travessia para propugnarem
+em Lisboa o recurso &aacute; Corôa. Barata deu o rebate
+ao
+patriotismo dos collegas. &laquo;A denuncia, disse, sae do Ultramar
+para Portugal, volta ao ponto de partida para as necessarias
+informa&ccedil;&otilde;es, as quaes ser&atilde;o
+protrahidas indefinidamente em virtude dos embara&ccedil;os
+oppostos pelo querelado e torna a Portugal para o exame perante o
+conselho de Estado. Accrescente-se a isso a raridade dos correios e o
+tempo da viagem e n&atilde;o haver&aacute; exagero em
+suppôr que mediar&aacute; entre a queixa e a
+suspens&atilde;o mais de um anno. N&atilde;o faltar&aacute;
+ao magistrado, portanto, occasi&atilde;o para tropelias, frustra-se
+o intento do projecto, que &eacute; alliviar promptamente os povos
+do m&aacute;u juiz e priva-se a America de direito inestimavel
+fruido pelos portugu&ecirc;ses da Europa. E conclue: Sou muito
+impertinente sobre estas cousas dos desembargadores do Brasil porque
+realmente quem tem feito esta revolu&ccedil;&atilde;o,
+s&atilde;o os crimes dos desembargadores. No Brasil os povos
+tomaram as armas por ver o estado em que o tinham posto&raquo;.<br />
+
+<br />
+
+Dos regeneradores Borges Carneiro era incontestavelmente quem
+testemunhava maior <a href="#e33">deferencia</a>
+aos irm&atilde;os de
+al&eacute;m-mar e julgava o Brasil outra cousa que provincia de
+Portugal. Considerara impolitico inniciar-se a discuss&atilde;o do
+projecto constitucional na ausencia dos deputatados americanos<sup><a href="#Z221">[221]</a></sup>, e
+ainda ha pouco declarara
+<span class="pagenum">[184]</span>
+que, salvo attribui&ccedil;&otilde;es legislativas e certas
+prerogativas do executivo, o ultramar americano devia possuir todos os
+meios de governo. N&atilde;o se desmentiram agora as suas boas
+disposi&ccedil;&otilde;es, interveiu, conciliador, propondo que
+na America recebesse a queixa a rela&ccedil;&atilde;o
+encarregada de conceder revista. A maioria dos portugu&ecirc;ses,
+alguns doutrinarios intransigentes e quasi todos dispostos a
+n&atilde;o perderem ensejo de affirmar a supremacia do velho reino
+sobre o novo, recusaram o alvitre.<br />
+
+<br />
+
+Freire que n&atilde;o admittia differen&ccedil;a entre o Brasil
+e Angola ou Macau<sup><a href="#Z222">[222]</a></sup>,
+Trigoso, o subtil Trigoso, o mais notavel dos
+conservadores pela intelligencia e instruc&ccedil;&atilde;o
+consoante o
+historiographo das Côrtes Geraes<sup><a href="#Z223">[223]</a></sup>
+e Moura que sujeitava os
+povos &aacute; constitui&ccedil;&atilde;o e
+n&atilde;o esta &aacute;quelles, foram os principaes e mais
+brilhantes campe&otilde;es da causa portugu&ecirc;sa.
+N&atilde;o &eacute; licito,
+ponderaram, dizer que se priva o Brasil de um direito simplesmente
+porque a distancia torna mais lenta a sua
+manifesta&ccedil;&atilde;o. Se o americano se queixa por
+precisar de tempo mais ou menos longo para se desaggravar do mau juiz,
+tambem podem protestar contra o projecto n&atilde;o s&oacute;
+os portugu&ecirc;ses
+da Africa, da Asia e das ilhas sen&atilde;o os das provincias de
+Portugal afastadas de Lisboa. N'uma vasta monarchia as commodidades
+nascidas do recurso ao governo se attenuam &aacute; medida que os
+interessados se desviam da capital, onde se concentram as auctoridades
+supremas.<br />
+
+<br />
+
+&Eacute; uma d'essas fatalidades determinadas pela
+<span class="pagenum">[185]</span>
+natureza das cousas a que os homens devem resignar-se.<br />
+
+<br />
+
+Supposto, continuaram, se queira conceder ou &aacute; certas
+rela&ccedil;&otilde;es, como lembrou
+Borges Carneiro, ou a administra&ccedil;&atilde;o provincial,
+consoante o alvitre de Villela Barbosa, a faculdade de suspender o
+magistrado prevaricador ainda n&atilde;o pronunciado, difficuldades
+ponderosas n&atilde;o o permittem.<br />
+
+<br />
+
+O tribunal que j&aacute; decide revistas e julga
+appella&ccedil;&otilde;es da primeira instancia, n&atilde;o
+pode receber a denuncia, suspender o ministro e prival-o em seguida do
+cargo por for&ccedil;a da pronuncia sem que venhamos a dar ao
+magistrado um s&oacute; juizo quando o mais obscuro dos mortaes tem
+a garantia de duas jurisdic&ccedil;&otilde;es: o juiz
+subalterno e a rela&ccedil;&atilde;o para quem recorre da
+decis&atilde;o daquelle. N&atilde;o convem, egualmente investir
+a junta governativa de semelhante
+attribui&ccedil;&atilde;o, porque exerce t&atilde;o grande
+autoridade que s&oacute; a independencia do poder judiciario
+tolher&aacute; as suas velleidades de tyrannia contra os
+administrados. Quantos magistrados ser&atilde;o ass&aacute;s
+heroicos para proteger o cidad&atilde;o em conflicto com os
+governantes quando se acham na dependencia destes?<br />
+
+<br />
+
+Demais, remataram, importava conservar intactas as
+func&ccedil;&otilde;es privativas da corôa e
+nenhuma dellas deve ser mais intangivel ao legislador, cioso de
+assegurar a imparcialidade da justi&ccedil;a, que o formidavel
+direito de suspender os magistrados por simples denuncia.<br />
+
+<br />
+
+Borges Carneiro, Castello Branco e os brasileiros rebateram
+victoriosamente essa argumenta&ccedil;&atilde;o. Ninguem,
+por&eacute;m, excedeu ao grande jurisconsulto, que expiou na torre
+de S. Juli&atilde;o, onde
+<span class="pagenum"><a name="p186">[186]</a></span>
+morreu, o seu amor da liberdade<sup><a href="#Z224">[224]</a></sup>,
+na
+lucidez da exposi&ccedil;&atilde;o, na copia das
+raz&otilde;es e na
+analyse dos textos constitucionaes. N&atilde;o havia, replicaram,
+na apresenta&ccedil;&atilde;o da queixa &aacute;s
+rela&ccedil;&otilde;es o vicio apontado. Esses tribunaes
+compondo-se de differentes juntas, esta julgaria a denuncia, aquella a
+suspen&ccedil;&atilde;o, outra decretaria a pronuncia e
+aquell'outra sentenciaria em gr&aacute;u de
+appella&ccedil;&atilde;o. O culpado n&atilde;o estava, por
+conseguinte, sujeito a um s&oacute; julgador, vantagem
+de que n&atilde;o
+fru&iacute;a o cidad&atilde;o, pronunciado e condemnado pelo
+mesmo magistrado. Importava, &aacute;lem
+disso,
+considerar que mais previniria o animo dos juizes da queixa o recurso
+emanado d'el-rei, em virtude de sua ponderosa autoridade, do que
+procedente dos collegas.<br />
+
+<br />
+
+No empenho do restabelecer o predominio da antiga metropole, a maioria
+n&atilde;o trepidara em invocar theorias e preceitos repellidos
+pelo pacto social. Os seus adversarios restauraram a verdadeira
+doutrina com nitidez. Perante as disposi&ccedil;&otilde;es
+constitucionaes, proseguiram, a <a href="#e34">faculdade</a>
+de suspender os magistrados
+n&atilde;o fazia parte das prerogativas da Corôa, visto
+que n&atilde;o figurava no artigo que as descrevia, e
+n&atilde;o se podia, no silencio da lei, reconhecer ao monarcha
+privilegios sem lan&ccedil;ar por terra o principio que a soberania
+reside na na&ccedil;&atilde;o e n&atilde;o no principe.
+Accrescia, por&eacute;m, que a Constitui&ccedil;&atilde;o
+n&atilde;o somente lhe n&atilde;o outorgava semelhante poder
+sen&atilde;o que lh'a denegava mui positivamente, incluindo entre
+as cousas prohibidas ao monarcha o direito de suspender os magistrados,
+salvo casos especiaes. A restric&ccedil;&atilde;o
+n&atilde;o contrariava a
+interpreta&ccedil;&atilde;o, pois
+<span class="pagenum">[187]</span>
+significava apenas que em casos
+previstos a sociedade abdicava em favor do rei aquelle poder.<br />
+
+<br />
+
+A maioria desorientada recorreu ent&atilde;o &aacute; theoria
+de haver func&ccedil;&otilde;es proprias do soberano, que elle
+n&atilde;o podia, por conseguinte, delegar e isto por
+n&atilde;o haver outra entidade impeccavel como elle.
+N&atilde;o offerecia mais consistencia que os outros esse
+argumento, e Araujo Lima pulverizou-o sem esfor&ccedil;o. O rei,
+explicou, n&atilde;o era impeccavel mas simplesmente irresponsavel,
+e esse attributo lhe n&atilde;o provinha da
+perfei&ccedil;&atilde;o negada aos outros mortaes mas
+unicamente da maneira por que exercia o poder. N&atilde;o sendo
+licito ao monarcha agir sen&atilde;o por via dos secretarios de
+estado, a constitui&ccedil;&atilde;o fazia os ministros
+responderem pelos actos da corôa. N&atilde;o sabia,
+continuou, como se falava em attribui&ccedil;&otilde;es
+delegaveis e n&atilde;o delegaveis, quando ainda se n&atilde;o
+estatuira no pacto social semelhante distinc&ccedil;&atilde;o.
+Tratem, por&eacute;m, as Côrtes a materia ou reduzindo os
+direitos reaes susceptiveis de delega&ccedil;&atilde;o e
+multiplicando os n&atilde;o delegaveis ou fazendo o inverso,
+certamente n&atilde;o perder&atilde;o de vista que o poder
+executivo como os poderes legislativo e judiciario creados no interesse
+dos povos, t&ecirc;m a jurisdic&ccedil;&atilde;o que lhes
+quer dar a sociedade. Assim numa na&ccedil;&atilde;o o rei
+delegar&aacute; certos
+privilegios e n&atilde;o o far&aacute; em outra, porque
+n&atilde;o o
+exige a utilidade social.<br />
+
+<br />
+
+Para o fim de demonstrar que havia direitos exclusivos da realeza, os
+portugu&ecirc;ses commetteram o desazo de apresentar como exemplo o
+indulto. Ao monarcha s&oacute;mente competia agraciar os criminosos
+ou salvando a vida dos condemnados &aacute; pena ultima ou
+diminuindo os annos de carcere ou, at&eacute;, n&atilde;o
+permittindo a
+execu&ccedil;&atilde;o da
+<span class="pagenum">[188]</span>
+senten&ccedil;a. Villela Barbosa
+interveio com vivacidade para lamentar a sorte dos compatriotas,
+privados do perd&atilde;o por se acharem longe do rei e advertiu
+quanto era impolitico sanccionar desegualdades entre irm&atilde;os.
+<br />
+
+<br />
+
+Villela respondia a Trigoso mas antes de Trigoso falar suspendera-se o
+debate, iniciado na v&eacute;spera, para o juramento e entrada dos
+deputados de S. Paulo, Antonio Carlos, Vergueiro e Feij&oacute;.<br />
+
+<br />
+
+Antonio Carlos, o mais novo dos Andrades, completava a trindade
+gloriosa que offerece &aacute; Historia o exemplo, talvez unico, de
+tres irm&atilde;os influirem simultaneamente, com
+ac&ccedil;&atilde;o, embora desigual mas sempre notavel, sobre
+os destinos da patria, evocando desse modo a lenda heroica dos tres
+Horacios. Jos&eacute; Bonifacio, o mais velho, depois de haver dado
+fama europeia &aacute; sciencia portugu&ecirc;sa com trabalhos
+de mineralogia, tornado ao Brasil, indemnizava-o do abandono em que o
+deixara por largos annos, dedicando-se &aacute; causa publica com
+enthusiasmo juvenil. Assumira a direc&ccedil;&atilde;o de sua
+provincia e promov&ecirc;ra
+a crea&ccedil;&atilde;o da junta governativa, da qual aceitara
+a vice-presidencia. O irm&atilde;o Martins Francisco era um dos
+membros mais proeminentes da nova administra&ccedil;&atilde;o e
+tinha a seu cargo a
+gest&atilde;o da fazenda publica. D. Pedro escreveu ao pai que se
+devia o soc&ecirc;go da provincia a Jos&eacute;
+Bonifacio<sup><a href="#Z225">[225]</a></sup>.<br />
+
+<br />
+
+Al&eacute;m do lustre do nome, Antonio Carlos trazia &aacute;
+bancada brasileira o prestigio pessoal nascido da constancia e grandeza
+d'alma com
+<span class="pagenum">[189]</span>
+que
+supportara a reclus&atilde;o na Bahia. Por causa da desditosa
+revolu&ccedil;&atilde;o pernambucana que tolerara,
+o ex-ouvidor de Olinda jaz&ecirc;ra num dos ergastulos da velha
+capitania e delle acabara de sahir. Desbaratado o governo rebelde nos
+primeiros dias de junho de 1817, entregara-se voluntariamente a
+justi&ccedil;a, e s&oacute;mente na derradeira semana de
+novembro do anno seguinte, soffreu o primeiro interrogatorio.
+N&atilde;o deixa de surprehender a vitalidade que ent&atilde;o
+manifestou esse homem que ha dezesete m&ecirc;ses vivia de ferros
+aos p&eacute;s e ao pesco&ccedil;o em calabou&ccedil;o, no
+qual se n&atilde;o penetrava sem luz no decurso do dia<sup><a href="#Z226">[226]</a></sup>. As
+fortes li&ccedil;&otilde;es de Seneca, o qual parece haver sido
+um dos seus autores favoritos, acaso, contribuiram para esse resultado.
+<br />
+
+<br />
+
+O principio que o homem verdadeiramente livre s&oacute; teme o
+julgamento da raz&atilde;o pronunciado no tribunal da consciencia,
+e o desprezo dos soffrimentos e da morte pregado pelo estoicismo, que
+animou tantos romanos illustres a affrontarem com impavidez o
+despotismo imperial, deviam apparecer a Antonio Carlos, ardente e
+orgulhoso, como as regras compativeis com a sua
+situa&ccedil;&atilde;o. Ou inspira&ccedil;&atilde;o da
+doutrina philosophica que gerou mais heroes ou acto espontaneo do seu
+espirito, o futuro deputado da constituinte portugu&ecirc;sa
+revelou-se em todo o caso capaz de hombrear com os discipulos do
+Portico pela coragem e magnifica tranquillidade. Verberou a negligencia
+do capit&atilde;o general Montenegro e a covardia de seus officiaes
+por occasi&atilde;o de estalar o levante de 1817, sem cogitar do
+effeito de
+<span class="pagenum">[190]</span>
+suas palavras no animo
+dessas personagens, naturalmente inclinadas a estimularem a
+justi&ccedil;a contra aquelles que lhes haviam inflingido
+capitula&ccedil;&atilde;o vergonhosa. Invectivou com violencia
+contra as testemunhas pertencentes ao pequeno commercio
+portugu&ecirc;s &laquo;mixto de tendeiros,
+grum&ecirc;tes, chatins e traficantes, nos quaes a mentira e o
+perjurio s&atilde;o um jogo de uso diario para os mais sordidos
+fins do mais insignificante lucro&raquo;<sup><a href="#Z227">[227]</a></sup>;
+pequeno commercio que
+formava a for&ccedil;a dos capit&atilde;es generaes, o
+côro que applaudia os actos de rigor contra os da terra.
+Constrangido a ser um dos conselheiros da junta revolucionaria, fallou
+sem rancôr da insurrei&ccedil;&atilde;o e dos
+seus chefes, como se delles n&atilde;o lhe viesse damno. Justifica,
+at&eacute;, a revolta, e refere-se ao padre
+Jo&atilde;o Ribeiro e a Domingos Martins em termos nos quaes a
+sympathia tem mais parte do que o resentimento. Melhoradas mais tarde
+as condi&ccedil;&otilde;es dos presos com a
+suppress&atilde;o das cad&ecirc;as e com a faculdade de se
+reunirem em sala clara, transforma o carcere em escola. Ensina aos
+consortes linguas vivas e desperta-lhes o gosto da philosophia com a
+leitura de Seneca<sup><a href="#Z228">[228]</a></sup>.
+Em tendo amigos no governo do Rio, os
+sentenciados logravam o livramento com a condi&ccedil;&atilde;o
+de o solicitarem. Ninguem se achava em 1819 em melhor
+situa&ccedil;&atilde;o para alcan&ccedil;ar o indulto que
+Antonio Carlos. Jos&eacute; Bonifacio chegara ao Rio cheio de
+gloria, e sobre ser altamente conceituado do monarcha, o qual lhe
+offerec&ecirc;ra a reitoria da universidade
+<span class="pagenum">[191]</span>
+em projecto<sup><a href="#Z229">[229]</a></sup>,
+tratava familiarmente o poderoso ministro Thomaz
+Antonio<sup><a href="#Z230">[230]</a></sup>.<br />
+
+<br />
+
+Recusara, todavia, o altivo condemnado a requerer gra&ccedil;a ao
+rei, porque o homem s&oacute; se devia humilhar perante Deus<sup><a href="#Z231">[231]</a></sup>. As
+id&eacute;as liberaes e a coragem alliadas &aacute; solida
+instruc&ccedil;&atilde;o deram-lhe ent&atilde;o luzimento
+que se irradiou por todo o Brasil. S. Paulo, que se singularizou das
+provincias com dar aos seus representantes programma politico, recebeu
+com jubilo o filho, cujo valor &aacute; prova do infortunio
+assegurava a defeza energica de suas aspira&ccedil;&otilde;es.
+Restituido
+&aacute; liberdade com a aclama&ccedil;&atilde;o do regimen
+constitucional, foi em agosto eleito deputado &aacute;s
+Côrtes. N&atilde;o era desconhecido aos constituintes
+portugu&ecirc;ses
+por haver cursado as aulas de Coimbra com a
+gera&ccedil;&atilde;o que agora dirigia os destinos de Portugal
+e pela participa&ccedil;&atilde;o no levante
+pernambucano, o qual interessara particularmente ao velho reino em
+consequencia de haver explodido no mesmo anno da
+conjura&ccedil;&atilde;o do nobre Gomes Freire.<br />
+
+<br />
+
+As sympathias, por&eacute;m, nascidas na mocidade e que houvessem
+gerado os seus tormentos, achavam-se grandemente attenuadas em
+raz&atilde;o de duas circumstancias. O irm&atilde;o
+Jos&eacute; Bonifacio com
+submetter a junta de S. Paulo ao governo do Rio contrariava o intento
+dos regeneradores de sujeitar as antigas capitanias aos poderes
+publicos de Portugal, e ninguem ignorava tambem os planos com que
+chegava ao Congresso, revelados
+<span class="pagenum">[192]</span>
+pelo principe. De feito ao despedir-se
+do regente, protestara que se esfor&ccedil;aria por haver a maior
+egualdade de direitos e vantagens entre os portugu&ecirc;ses de um
+e outro hemispherio a come&ccedil;ar pela
+representa&ccedil;&atilde;o nas
+Côrtes, onde deviam figurar tantos deputados do Brasil como
+de Portugal<sup><a href="#Z232">[232]</a></sup>.<br />
+
+<br />
+
+A sympathia de uns, a preven&ccedil;&atilde;o de outros, a
+curiosidade de todos explicam o movimento de
+atten&ccedil;&atilde;o no recinto e nas galerias quando depois
+de Villela Barbosa tomou a palavra.<br />
+
+<br />
+
+Resumiu a argumenta&ccedil;&atilde;o juridica de Borges
+Carneiro, e com exemplos da Inglaterra, onde o rei delega as suas
+principaes attribui&ccedil;&otilde;es aos governadores da
+Escossia e da Irlanda, demonstrou que os poderes confiados pela
+soberania nacional &aacute; corôa se transmittiam todas
+as
+v&ecirc;zes que o exigia a utilidade publica. Se at&eacute; ahi
+n&atilde;o correspondera &aacute; espectativa geral, por que
+n&atilde;o fazia mais que renovar argumentos alheios, galvanizou a
+assembl&eacute;a com o final da ora&ccedil;&atilde;o.<br />
+
+<br />
+
+&laquo;A respeito de se dizer, conclue, que os povos apesar de
+gozarem os mesmos direitos n&atilde;o h&atilde;o de ter todos
+as mesmas commodidades, digo que se isto assim fosse, a nossa
+uni&atilde;o n&atilde;o duraria um m&ecirc;s. Os povos do
+Brasil s&atilde;o
+t&atilde;o portugu&ecirc;ses como os povos de Portugal e por
+isso h&atilde;o de ter eguaes direitos. Emquanto a for&ccedil;a
+dura, dura a obriga&ccedil;&atilde;o de
+obedecer.<br />
+
+<br />
+
+A for&ccedil;a de Portugal ha de durar muito pouco, e cada dia ha
+de ser menor, uma vez que se n&atilde;o adoptem medidas proficuas e
+os brasileiros n&atilde;o tenham eguaes commodidades.
+<span class="pagenum"><a name="p193">[193]</a></span>
+Voto, por conseguinte, para
+que se conceda &aacute;s juntas governativas o direito de suspender
+os magistrados.&raquo;<br />
+
+<br />
+
+Pela primeira vez surgia, resoluta e n&atilde;o sem arrogancia, a
+amea&ccedil;a de desuni&atilde;o em breve tempo, caso os
+portugu&ecirc;ses da Europa negassem aos do Brasil vantagens de que
+viessem a fru&iacute;r. As fortes palavras estimularam os
+brasileiros, que se lan&ccedil;aram ao debate com energia que
+n&atilde;o haviam <a href="#e35">manifestado</a>
+na
+sess&atilde;o
+precedente. Lino Coutinho, a quem o calor da batalha despertava o bom
+humor, disse que Portugal com dar &aacute; America direitos de que
+ella se n&atilde;o podia valer, lembrava a cegonha offerecendo
+&aacute; raposa comida em frascos. A raposa n&atilde;o podendo
+introduzir o focinho no gargalo estreito e longo das garrafas, foi
+obrigado a deixar semelhante companhia para n&atilde;o morrer de
+fome.<br />
+
+<br />
+
+Para o extremado Barata, o despojar o Brasil de autoridade capaz de
+suspender os juizes, era a morte da uni&atilde;o.<br />
+
+<br />
+
+&laquo;Que quer dizer, exclama Villela Barbosa, a junta da
+provincia sujeita s&oacute; ao governo de Portugal, a junta da
+fazenda sujeita s&oacute; ao governo de Portugal, o commandante das
+armas sujeito s&oacute; ao governo de Portugal e ultimamente os
+magistrados sujeitos s&oacute; ao governo de Portugal? Falemos
+claro: n&atilde;o vejo nisto sen&atilde;o aquella
+celebre maxima de Machiavel: divide et impera.&raquo;<br />
+
+<br />
+
+Evocou-se o passado. Desde o primeiro governo geral do Brasil, observou
+Marcos Antonio, se reconheceu a necessidade de armar o representante
+d'el-rei do direito em quest&atilde;o para conter promptamente os
+desmandos da magistratura. Ainda em 1797 el-rei autorizava D. Fernando
+Jos&eacute; de Portugal, o futuro marqu&ecirc;s de Aguiar, a
+<span class="pagenum">[194]</span>
+suspender, no interesse
+publico, os juizes. Como despojar a sociedade de vantagem tradicional
+sem lan&ccedil;ar sementes fecundas de descontentamento?<br />
+
+<br />
+
+A despeito do ardor com que os nossos antepassados se empenharam na
+discuss&atilde;o, a despeito de considerarem os magistrados mais
+damnosos que as pestes do Egypto, enganar-se-ia quem julgasse que elles
+viam na faculdade de suspender os magistrados delegada ao Brasil a
+condi&ccedil;&atilde;o necessaria &aacute; boa
+distribui&ccedil;&atilde;o da justi&ccedil;a.
+Apresentava-se-lhes o debate em si mesmo ass&aacute;s secundario
+para occupar tres sess&otilde;es. A responsabilidade do poder
+judiciario provocada pelo aggravado ou por qualquer cidad&atilde;o
+e tornada effectiva pela pronuncia, bastava para prevenir os desmandos
+do ministro indigno. O temer que este, uma vez querellado se julgasse
+perdido e commettesse novos desconcertos, era suppôr que na
+magistratura n&atilde;o existiam sen&atilde;o doudos. Um
+funccionario em perigo de deca&iacute;r do emprego, tanto por amor
+proprio como pela necessidade de acautelar a existencia, preoccupa-se
+t&atilde;o
+s&oacute;mente em se defender, e exercer o officio com novo
+z&ecirc;lo para n&atilde;o subministrar armas aos
+accusadores ou desaffectos. Ninguem contestava fossem os julgadores
+despoticos e violentos, como asseguravam var&otilde;es ponderados
+do quilate de Araujo Lima e Marcos Antonio<sup><a href="#Z233">[233]</a></sup>;
+e despoticas e violentas
+eram todas as autoridades. Agora, por&eacute;m, que se esperava
+entrar no regimen do Direito e da Justi&ccedil;a e que havia a
+disposi&ccedil;&atilde;o de estabelecer a responsabilidade dos
+cargos, salvo
+<span class="pagenum">[195]</span>
+a realeza, certamente os juizes, sob a
+influencia da nova atmosphera moral e do temor, exerceri&atilde;o
+com mais honra as suas temerosas func&ccedil;&otilde;es.
+N&atilde;o o ignoravam os brasileiros; attribuiram, todavia, ao
+projecto importancia excepcional, por que enxergavam nelle mais uma
+prova de pretenderem as Côrtes dar ao novo reino
+posi&ccedil;&atilde;o subalterna na monarchia.<br />
+
+<br />
+
+Vergueiro considerou a quest&atilde;o sob o verdadeiro aspecto. Era
+portugu&ecirc;s como o padre Domingos da
+Concei&ccedil;&atilde;o e o desembargador Segurado,
+os unicos mandatarios do ultramar americano nascidos na metropole.
+Formado em Direito, passara no come&ccedil;o do seculo para S.
+Paulo a fim de exercer advocacia. Sorriu-lhe a fortuna, e agora
+lavrador em Piracicaba projectava encetar o trabalho livre nas terras
+que lhe trouxera a espôsa, quando a ruina do velho regimen
+attrahiu-o &aacute; capital da provincia e o fez tomar parte nos
+successos politicos que ent&atilde;o se desenrolaram. Por
+occasi&atilde;o de se elegerem os deputados, Jos&eacute;
+Bonifacio, que o tinha por collega na junta, disse-lhe com lealdade e
+modestia:<br />
+
+<br />
+
+&laquo;N&atilde;o ter&aacute; o meu voto, porque precisamos
+aqui de seu auxilio para a reconstitui&ccedil;&atilde;o da
+nossa
+patria&raquo;.<br />
+
+<br />
+
+A capitania, por&eacute;m, foi de sentir diverso,
+alcan&ccedil;ando a conveniencia para o Brasil de representantes
+esfor&ccedil;ados nas Côrtes.<br />
+
+<br />
+
+O negocio antolhava-se ao deputado paulista prematuro e de somenos
+valia. Sem a determina&ccedil;&atilde;o das bases da
+uni&atilde;o, advertiu, n&atilde;o se deviam resolver pontos
+particulares sob pena de se malbaratar tempo com cousas secundarias e,
+acaso, inuteis. &laquo;O Brasil est&aacute; prompto a ligar-se
+a Portugal mas n&atilde;o segundo a marcha que leva o
+Congresso&raquo;.
+<br />
+
+<br />
+
+<span class="pagenum"><a name="p196">[196]</a></span>
+Feria n&atilde;o s&oacute; a quest&atilde;o no amago
+sen&atilde;o ainda declarava que o Brasil, na realidade separado,
+vinha tratar das condi&ccedil;&otilde;es da uni&atilde;o.
+Nunca os sentimentos do novo reino se haviam manifestado nas
+Côrtes com tanta nudez e simplicidade e por voz menos
+suspeita.<br />
+
+<br />
+
+Em vez de perguntar a causa do descontentamento ou de pedir que
+expuzesse o commum sentir do ultramar americano, a maioria suffocou a
+discuss&atilde;o chamando &aacute; ordem o orador, sem embargo
+dos protestos vehementes de Villela Barbosa, ancioso por que os
+portugu&ecirc;ses ouvissem de um portugu&ecirc;s os votos do
+Brasil. Fernandes Thomaz com o m&aacute;u humor que habitualmente
+lhe geravam as reclama&ccedil;&otilde;es dos ultramarinos,
+combateu-os com a ironia, arrancando por isso, replica vivaz de Villela
+Barbosa, a qual o obrigou a justificar-se.<br />
+
+<br />
+
+Passando-se a vota&ccedil;&atilde;o, que n&atilde;o foi
+nominal, o congresso manteve o projecto, do qual resultava que
+n&atilde;o haveria em al&eacute;m-mar auctoridade com
+attribui&ccedil;&atilde;o de suspender os magistrados<sup><a href="#Z234">[234]</a></sup>.
+<br />
+
+<br />
+
+<br />
+
+<br />
+
+<h3><a name="c11"></a>CAPITULO XI</h3>
+
+<br />
+
+<div class="intro1">SUMMARIO:<br />
+
+<br />
+
+<em>As instruc&ccedil;&otilde;es dos deputados de
+S. Paulo.&#8213;A preoccupa&ccedil;&atilde;o do Congresso em
+confundir o Brasil com as possess&otilde;es ultramarinas.&#8213;A
+representa&ccedil;&atilde;o da Parahyba do Norte.</em></div>
+
+<br />
+
+<br />
+
+<br />
+
+A attitude resoluta dos mandatarios de S. Paulo promanava
+n&atilde;o s&oacute; da sua indole combativa sen&atilde;o
+tambem das instruc&ccedil;&otilde;es recebidas
+do governo da mesma provincia. Empenhada em conhecer o sentir do povo
+para melhor o servir, a junta paulista julgara avisadamente que nada
+haveria de mais acertado do que ouvir as camaras municipaes. Pediu-lhes
+informa&ccedil;&atilde;o de suas conveniencias locaes e
+perguntou-lhes quaes eram, ao seu parecer, as providencias uteis ao
+Brasil e as appropriadas a cimentarem a uni&atilde;o do reino
+americano com a metropole. Estribada nas memorias e apontamentos das
+municipalidades, organizou o famoso regimento para os deputados, o qual
+constituia vasto programma politico. Entre esses pareceres tornou-se
+memoravel o alvitre ousado e simples da verea&ccedil;&atilde;o
+de It&uacute;:
+os procuradores do povo paulista deviam promover a
+emancipa&ccedil;&atilde;o do Brasil<sup><a href="#Z235">[235]</a></sup>.
+Nenhum outro municipio
+<span class="pagenum">[198]</span>
+cogitou de semelhante hypothese,
+t&atilde;o geral era o desejo de manter inteira a
+na&ccedil;&atilde;o.<br />
+
+<br />
+
+Constam as instruc&ccedil;&otilde;es de tres partes. Occupa-se
+a primeira dos interesses communs do imperio luso-brasileiro. Cumpre
+aos representantes propugnarem a indivisibilidade da monarchia, e a
+egualdade politica entre dous reinos e fixarem previamente a
+s&eacute;de da realeza a qual ser&aacute; alternadamente o
+Brasil e Portugal. Regular&atilde;o o commercio externo e interno
+conciliando as conveniencias reciprocas sem tolher a liberdade de
+nenhum dos estados. Haver&aacute; um thesouro da uni&atilde;o
+para a guerra, a dota&ccedil;&atilde;o da
+familia real e outras desp&ecirc;sas de caracter geral, para o qual
+contribuir&atilde;o proporcionalmente &aacute;s suas rendas
+publicas as duas sec&ccedil;&otilde;es do imperio. Os povos da
+Europa e da America ter&atilde;o nas Côrtes o mesmo
+numero de mandatarios.<br />
+
+<br />
+
+No segundo capitulo refere-se o regimento unicamente ao Brasil. Fixadas
+as attribui&ccedil;&otilde;es e poderes que lhe resultam da
+categoria de reino e determinados os direitos e deveres impostos pela
+uni&atilde;o, os mandatarios promover&atilde;o o
+estabelecimento de um governo geral ou regencia no Brasil com
+auctoridade sobre as juntas provinciaes. Quando o monarcha e o
+parlamento estanciarem em Portugal, preencher&aacute; a regencia o
+principe herdeiro. Importa investir o regente de poderes para a
+demarca&ccedil;&atilde;o das nossas fronteiras e dos limites
+das provincias. N&atilde;o devem esquecer os constituintes de
+providenciar &aacute;cerca da catechese dos indios bem como sobre a
+condi&ccedil;&atilde;o da gente servil, j&aacute;
+deligenciando a
+emancipa&ccedil;&atilde;o gradual, j&aacute; tolhendo os
+senhores que tratem os captivos como &laquo;brutos
+animaes&raquo;.<br />
+
+<br />
+
+Outro ponto que deve merecer o desvelo
+<span class="pagenum">[199]</span>
+dos deputados &eacute; o ensino.
+Multipliquem desassombradamente as escolas primarias e installem em
+cada provincia brasileira, aulas praticas de medicina, cirurgia,
+veterinaria, mathematicas elementares, physica, chimica, botanica,
+horticultura, mineralogia e zoologia. Conviria a
+crea&ccedil;&atilde;o de uma universidade. Para n&atilde;o
+expôr a capital do Brasil aos ataques dos extrangeiros, seria
+util transplantal-a para o interior, em terra san e fertil, cortada de
+rio navegavel. Urge reformar a lei das sesmarias no sentido de
+favorecer o povoamento do s&oacute;lo.<br />
+
+<br />
+
+A respeito dos interesses da capitania que constituem a ultima parte do
+regimento, rezam as instruc&ccedil;&otilde;es que os deputados
+colher&atilde;o nas lembran&ccedil;as e
+peti&ccedil;&otilde;es das camaras
+municipaes o modo de melhor proverem o bem &laquo;desta bella e
+leal provincia de S. Paulo&raquo;<sup><a href="#Z236">[236]</a></sup>.<br />
+
+<br />
+
+N&atilde;o sabemos quem lavrou este notavel documento assignado
+pela commiss&atilde;o composta do presidente e vice-presidente da
+junta paulista, isto &eacute;, Jo&atilde;o Carlos Oeynhausen e
+Jos&eacute;
+Bonifacio, e Manuel Rodrigues Jord&atilde;o; em todo o caso
+&eacute; licito suppôr que n'elle teve influencia
+decisiva Jos&eacute; Bonifacio, a figura mais prestigiosa do Brasil
+contemporaneo, o organizador do governo de S. Paulo. Mostra-se,
+ali&aacute;s, na pe&ccedil;a a garra do le&atilde;o. Quer
+antes de tudo saber onde come&ccedil;a e acaba a patria, para o que
+urge fixar-lhe as fronteiras. Determinados os limites, importa saneal-a
+pela civiliza&ccedil;&atilde;o do gentio e pela
+emancipa&ccedil;&atilde;o progressiva dos escravos. Depois
+convem diffundir
+<span class="pagenum"><a name="p200">[200]</a></span>
+largamente o ensino porque
+&laquo;n&atilde;o ha povo livre sem moralidade e
+instruc&ccedil;&atilde;o&raquo;.<br />
+
+<br />
+
+N&atilde;o consente differen&ccedil;a politica entre Brasil e
+Portugal; &eacute; um reino que falla a outro reino e
+n&atilde;o se apresentam unidos sen&atilde;o porque os
+governam o mesmo rei e o mesmo parlamento e os representam no exterior
+o mesmo corpo diplomatico. F&oacute;ra d'ahi, a liberdade mais
+completa, cada um ter&aacute; o seu thesouro, a sua
+administra&ccedil;&atilde;o e o seu ensino.<br />
+
+<br />
+
+Semelhante concep&ccedil;&atilde;o contradizia as
+id&eacute;as dominantes nas Côrtes. Para os constituintes
+portugu&ecirc;ses o titulo de reino reconhecido solemnemente
+&aacute; America lusitana n&atilde;o tinha mais sentido que
+egual designa&ccedil;&atilde;o <a href="#e37">apposta</a>
+ao Algarve nos papeis
+officiaes,<sup><a href="#Z237">[237]</a></sup>
+a qual na realidade n&atilde;o distinguia essa bella
+regi&atilde;o, sob o ponto de vista politico, das outras provincias
+de Portugal. N&atilde;o passava de
+qualifica&ccedil;&atilde;o honorifica,
+n&atilde;o envolvia prerogativas nem vantagens.<br />
+
+<br />
+
+N&atilde;o consideravam ou fingiam n&atilde;o considerar os
+irm&atilde;os mais velhos que o facto da outra parte da monarchia
+conter em seio todos os tribunaes judiciarios e administrativos, e de
+trazer abertos &aacute;s na&ccedil;&otilde;es os seus
+portos,
+privilegios de que n&atilde;o gozava o Algarve, davam-lhe, uma
+gradua&ccedil;&atilde;o que n&atilde;o tinha essa provincia
+e que n&atilde;o podia ser outra que a do reino unido a Portugal. O
+Congresso, por&eacute;m, n&atilde;o s&oacute;
+n&atilde;o o queria discriminar do reino do Algarve
+sen&atilde;o ainda que o nivelava com as outras
+possess&otilde;es portugu&ecirc;sas. Freire, como
+assignal&aacute;mos, por occasi&atilde;o de se discutir a
+composi&ccedil;&atilde;o da junta permanente declarou,
+<span class="pagenum">[201]</span>
+sem levantar protestos que n&atilde;o
+descobria o motivo porque se deviam conceder mais direitos aos
+brasileiros do que aos portugu&ecirc;ses da Asia e Africa.
+Semelhante disposi&ccedil;&atilde;o n&atilde;o
+era exclusivo de Freire; existia no recesso das almas dos exaltados e
+dos moderados. Assim o projecto constitucional feito por Moura,
+Castello Branco, Annes de Carvalho, Fernandes Thomaz e outras grandes
+figuras do liberalismo, n&atilde;o nomeava o Brasil
+sen&atilde;o por necessidade indeclinavel e o incluia no ultramar,
+confundido com as colonias asiaticas e africanas. Designado por acaso a
+proposito do recurso de revista<sup><a href="#Z238">[238]</a></sup>,
+as Côrtes, provocadas
+pelo suave Trigoso, corrigiram com a&ccedil;odamento o descuido
+capaz de persuadir aos do reino americano que lhes assistia primazia
+sobre os habitantes de Mo&ccedil;ambique ou Goa<sup><a href="#Z239">[239]</a></sup>. A
+deputa&ccedil;&atilde;o permanente e o conselho de estado
+teri&atilde;o tantos portugu&ecirc;ses quantos ultramarinos,
+consoante a constitui&ccedil;&atilde;o; d'ahi resultaria,
+attenta a
+disposi&ccedil;&atilde;o incontestavel de molestar o Brasil,
+ser licito excluir d'aquelles corpos os seus filhos em proveito dos
+naturaes das outras terras de al&eacute;m-mar sem infringir a leis.
+Se semelhantes resolu&ccedil;&otilde;es
+n&atilde;o testemunham o designio de recolonizar o reino americano,
+n&atilde;o sabemos que mais cumpria fazer o Congresso, para o
+reduzir &aacute; condi&ccedil;&atilde;o
+das outras dependencias de Portugal.<br />
+
+<br />
+
+N&atilde;o sabemos o effeito nas Côrtes d'aquellas
+instruc&ccedil;&otilde;es que miravam vincular as duas partes
+<span class="pagenum">[202]</span>
+da monarchia pela
+federa&ccedil;&atilde;o, repellida com
+vehemencia da maioria. Em apparencia, foi nullo. De facto tornado
+publico o regimento dos paulistas em 6 de mar&ccedil;o<sup><a href="#Z240">[240]</a></sup>, o
+parlamento continuou a discutir o projecto da
+constitui&ccedil;&atilde;o sem modificar
+as suas id&eacute;as sobre o ultramar transatlantico. Julgou-o
+talvez, parto de facciosos ou acreditou que em consequencia do
+bairrismo, as provincias n&atilde;o adheriri&atilde;o a um
+programma que, com estabelecer no sul a capital do imperio, consagrava
+d'esse modo a sua preeminencia sobre o norte. Aos deputados
+brasileiros, por&eacute;m, alargou-lhes o horisonte politico,
+mostrando que a patria se n&atilde;o limitava ao torr&atilde;o
+do nascimento mas se estendia muito ao longe por essa vasta
+regi&atilde;o trilhada dos bandeirantes, onde se fallava a mesma
+lingua e regada do mesmo sangue nos conflictos com o gentio e com o
+extrangeiro invasor.<br />
+
+<br />
+
+Em quatro de fevereiro entrou no Congresso Francisco Xavier Monteiro da
+Fran&ccedil;a representando a Parahyba, o
+qual foi ahi documento vivo da fraternidade de sua provincia com
+Pernambuco. A proximidade e as rela&ccedil;&otilde;es continuas
+com a capitania de Duarte Coelho, por onde se lhe escoavam,
+ali&aacute;s, os productos destinados a
+exporta&ccedil;&atilde;o, levaram, em verdade, a modesta
+regi&atilde;o a participar a bôa e m&aacute; fortuna
+dos vizinhos insubmissos a jugo. Tomara-se de enthusiasmo pelo levante
+de 1817, e a n&atilde;o ser o ber&ccedil;o da revolta, nenhuma
+mais que ella soffreu as consequencias da loucura pernambucana na hora
+da expia&ccedil;&atilde;o imposta pelo vencedor. Se sete
+patriotas
+<span class="pagenum">[203]</span>
+do territorio revolto morreram ent&atilde;o no patibulo, a forca
+estrangulou cinco sonhadores parahybanos entre os quaes Jos&eacute;
+Peregrino de Carvalho com vinte annos apenas. Nem por isso os rudes
+senhores de engenho deixaram de amar os proximos imprudentes. Por
+occasi&atilde;o de se acclamar o novo regimen governava-os o
+coronel Rosado, o qual, &aacute; imita&ccedil;&atilde;o de
+Luiz do
+Rego, n&atilde;o renunciou ent&atilde;o o mandato.<br />
+
+<br />
+
+Parece, por&eacute;m, que com semelhante proceder n&atilde;o
+irritou os administrados, como persuade a tranquillidade relativa da
+provincia em conjunctura de tanto desassocego por todo o Brasil. Em 26
+de agosto effectuaram-se as elei&ccedil;&otilde;es para
+deputados em Côrtes e com Franca
+foram nomeados o vigario Virgilio Rodrigues Campello e dr. Francisco de
+Arruda Camara e como substituto o padre Jos&eacute; da Costa Cirne.
+Aquelles, porem, que residiam no interior, por motivos ignorados,
+n&atilde;o embarcaram com Franca, e os successos
+politicos desdobrando-se no sentido da independencia, j&aacute;mais
+vieram tomar conta de suas cadeiras no Congresso nem pediram excusas do
+cargo, pelo que o substituto chegado a Lisboa com Franca s&oacute;
+pôde
+exercer o mandato em 15 de julho, depois de feita a
+constitui&ccedil;&atilde;o,
+convencidas as Côrtes de que Arruda e Campello n&atilde;o
+queriam occupar o posto<sup><a href="#Z241">[241]</a></sup>.
+O coronel Rosado aguardava com
+seguran&ccedil;a a organiza&ccedil;&atilde;o
+definitiva dos governos ultramarinos, dependente do Congresso, para
+resignar o poder, quando a sua resolu&ccedil;&atilde;o em
+soccorrer Luiz do Rego contra os
+<span class="pagenum"><a name="p204">[204]</a></span>
+rebeldes de Goyana, alienou-lhe o apoio
+da opini&atilde;o a ponto de ter que abandonar precipitadamente as
+func&ccedil;&otilde;es<sup><a href="#Z242">[242]</a></sup>.<br />
+
+<br />
+
+Se faltava a Monteiro da Franca desembara&ccedil;o para tomar parte
+nas
+discuss&otilde;es e at&eacute; para fazer propostas,
+sobrava-lhe intelligencia para conhecer as conveniencias da patria e
+energia para seguir sem desfallecimento os que as defendiam.
+<br />
+
+<br />
+
+<br />
+
+<br />
+
+<h3><a name="c12"></a>CAPITULO XII</h3>
+
+<br />
+
+<div class="intro1">SUMMARIO:<br />
+
+<br />
+
+<em>Confraternidade dos Brasileiros e
+portugu&ecirc;ses f&oacute;ra dos negocios do Brasil.&#8213;O
+liberalismo dos americanos.&#8213;Proposta de Borges de Barros
+&aacute;cerca da composi&ccedil;&atilde;o do Supremo
+Tribunal.&#8213;Borges de Barros prop&otilde;e o adiamento do projecto
+de administra&ccedil;&atilde;o provincial.&#8213;Moura.&#8213;A
+quest&atilde;o do juramento.&#8213;Vergueiro.&#8213;Insinceridade dos
+portugu&ecirc;ses na interpreta&ccedil;&atilde;o do
+juramento prestado pelos povos do Brasil.</em></div>
+
+<br />
+
+<br />
+
+<br />
+
+Vencidos na materia que interessava, directamente ao seu paiz, os
+brasileiros n&atilde;o se mostravam mortificados, continuavam a
+discutir os negocios da monarchia com isen&ccedil;&atilde;o de
+animo, dando d'esse modo testemunho de que se consideravam mandatarios
+da na&ccedil;&atilde;o e n&atilde;o
+representantes de uma de suas partes. N&atilde;o havia mais partido
+portugu&ecirc;s nem partido brasileiro, confraternizados europeus e
+americanos. Vergueiro ia com uns para a direita e Barata para a
+esquerda com outros, como se o desvelo pelo reino n&atilde;o
+houvera ha pouco fundido n'uma s&oacute; vontade o bahiano ardente
+e o paulista ponderado. Lino Coutinho, Villela Barbosa, Antonio Carlos
+e Barata
+<span class="pagenum">[206]</span>
+avantajavam-se
+aos da bancada ultramarina na parte que tomavam nos debates de ordem
+geral, e neste grupo cabia talvez o primado a Lino Coutinho.
+N&atilde;o havia assumpto fechado ao seu espirito lucido e
+penetrante; eram-lhe familiares as quest&otilde;es seccas de
+finan&ccedil;as e contabilidade assim como materias complicadas de
+direito constitucional em que se procura assegurar a ordem sem
+comprometter a liberdade individual. O que carecterizava o liberalismo
+dos brasileiros era o temor invencivel de abusos por parte de qualquer
+dos tres grandes poderes do organismo social, mormente dos magistrados;
+ao passo que os portugu&ecirc;ses pretendiam principalmente
+acautelar os povos dos descommedimentos do rei ou dos secretarios de
+estado.<br />
+
+<br />
+
+Assim pensavam os da America, n&atilde;o porque reputassem os seus
+juizes mais detestaveis que os de Portugal, sen&atilde;o porque
+presentiam com notavel intui&ccedil;&atilde;o que a
+responsabilidade dos agentes do poder judiciario, na qual confiavam os
+ingenuos regeneradores, n&atilde;o se tornando effectiva
+sen&atilde;o excepcionalmente, n&atilde;o passava de garantia
+illusoria da honesta distribui&ccedil;&atilde;o da
+justi&ccedil;a. Os pernambucanos, salvo Araujo Lima, os bahianos e
+fluminenses, presentes nas Côrtes no acto de se resolver o
+assumpto, queriam juizes temporarios e eleitos pelo povo<sup><a href="#Z243">[243]</a></sup>. Allegavam
+estes homens perspicazes que a nomea&ccedil;&atilde;o feita
+pelo governo gerava a subserviencia ao poder, e a vitaliciedade, com
+lhes garantir o cargo, gerava
+<span class="pagenum"><a name="p207">[207]</a></span>
+nos magistrados a negligencia dos
+deveres profissionaes. N&atilde;o era t&atilde;o
+s&oacute;mente da magistratura e do poder executivo que receavam os
+brasileiros violencias contra a seguran&ccedil;a dos
+cidad&atilde;os; o zelo pela liberdade levantava-lhes nos animos
+s&eacute;rias preven&ccedil;&otilde;es contra os
+representantes da na&ccedil;&atilde;o. Assim opinavam que se
+n&atilde;o
+decretasse o estado de sitio sem o apoio dos dous ter&ccedil;os da
+camara e exclusivamente nos casos de sedi&ccedil;&atilde;o
+manifesta ou de invas&atilde;o extrangeira. &Aacute; mingua de
+taes clausulas, ponderavam, o parlamento sob a influencia dos governos
+ou das fac&ccedil;&otilde;es concederia ao ministerio o direito
+de suspender as garantias individuaes afim de se desfazer de
+adversarios incommodos a pretexto de
+conspira&ccedil;&atilde;o<sup><a href="#Z244">[244]</a></sup>.<br />
+
+<br />
+
+Havia tres semanas que reinava a mais perfeita harmonia entre os
+portugu&ecirc;ses de um e outro hemispherio e neste tempo Lino
+Coutinho se <a href="#e38">assignalara</a> pela
+def&ecirc;sa da
+constitui&ccedil;&atilde;o, contra os corypheus da
+regenera&ccedil;&atilde;o, n&atilde;o
+admittindo que o brigadeiro Sepulveda exercesse cumulativamente o
+commando militar da Extremadura e as func&ccedil;&otilde;es de
+deputado<sup><a href="#Z245">[245]</a></sup>.
+Mas a concordia n&atilde;o podia durar sempre desde
+que os irm&atilde;os mais velhos intentavam conservar os foros e a
+primogenitura no regimen da egualdade.<br />
+
+<br />
+
+Rompeu-a Borges de Barros em 4 de mar&ccedil;o propondo houvesse no
+Supremo Tribunal tantos brasileiros quantos lusitanos.<br />
+
+<br />
+
+Se o mais alto juizo se distinguira das
+jurisdic&ccedil;&otilde;es
+<span class="pagenum">[208]</span>
+subalternas t&atilde;o somente por
+lhe caber o julgamento das revistas, n&atilde;o se justificaria a
+proposta, porquanto os ultramarinos n&atilde;o tinham necessidade
+de vir a Portugal buscar um recurso, de que dispunham as suas
+rela&ccedil;&otilde;es. O
+org&atilde;o superior da justi&ccedil;a, por&eacute;m
+conhecendo das
+infrac&ccedil;&otilde;es de Direito commettidas pelos juizes e
+secretarios de estado, devia-se temer que magistrados europeus
+n&atilde;o sanccionassem a responsabilidade de desembargador
+portugu&ecirc;s em servi&ccedil;o no ultramar de que se
+queixassem os americanos, e devia-se rec&ecirc;ar ainda mais que
+actos dos ministros damnosos ao Brasil mas uteis &aacute; antiga
+metropole, escapassem &aacute; censura de um tribunal dominado de
+elemento europeu. Hav&iacute;a, contudo, uma reflex&atilde;o
+capaz de dissipar a apprehens&atilde;o de al&eacute;m-mar. O
+poder executivo escolhia os membros da suprema judicatura da lista
+organizada pelo conselho de Estado, e como neste havia o mesmo numero
+de americanos e portugu&ecirc;ses, n&atilde;o
+corri&atilde;o risco de
+preteri&ccedil;&atilde;o os magistrados ultramarinos. A
+advertencia era ass&aacute;s ponderosa e, at&eacute;, chegou a
+influir em Villela Barbosa, t&atilde;o solidario com os collegas da
+bancada e promotor tenaz das conveniencias da patria, para seguir a
+opini&atilde;o da maioria. N&atilde;o deixou,
+por&eacute;m, de ser notado que os brasileiros chamados ao Conselho
+de Estado pertenceri&atilde;o muito provavelmente &aacute;
+classe dos que exerciam func&ccedil;&otilde;es publicas em
+Portugal ou ahi viviam nas secretarias ou na privan&ccedil;a dos
+ministros e acabavam, por isso, mais se interessando pelo Reino do que
+pelo Brasil. Em todo o caso o argumento devia ceder &aacute;
+conveniencia de reduzir os motivos de descontentamento contra as
+Côrtes, que perdiam incessantemente terreno na sympathia de
+al&eacute;m-mar.
+<span class="pagenum">[209]</span>
+Os brasileiros que entravam nas mais eminentes
+corpora&ccedil;&otilde;es politicas quaes a
+deputa&ccedil;&atilde;o permanente e o Conselho de Estado,
+n&atilde;o podiam regularmente ser excluidos da culminancia do
+poder judiciario. Vergueiro, que se n&atilde;o comprazia na
+tribuna, contentou-se com dizer estas palavras justissimas:
+&laquo;O meu voto seria que por ora se supprimisse esta
+quest&atilde;o, porque se ella se decide contra o Brasil, de certo
+o escandalizar&aacute;; e se se decide a favor pouco
+aproveitar&aacute;: eu creio que a base da uni&atilde;o
+s&atilde;o os interesses reciprocos dos dous reinos, o mais que
+n&atilde;o for isto, &eacute; escrever na areia&raquo;.<br />
+
+<br />
+
+A maioria repelliu a proposta de Borges de Barros<sup><a href="#Z246">[246]</a></sup>.<br />
+
+<br />
+
+Uma das cousas que surprehendiam os brasileiros e, at&eacute;, lhes
+feriam o melindre era a id&eacute;a dominante no Congresso de
+n&atilde;o haver necessidade dos ultramarinos para a feitura da
+constitui&ccedil;&atilde;o. Os deputados representando a
+na&ccedil;&atilde;o, proclamavam com entono os
+portugu&ecirc;ses, desde que se achavam reunidos em numero
+sufficiente para a sess&atilde;o, era-lhes licito legislarem para
+qualquer parte do imperio, por importante que fosse, sem dependencia
+dos mandatarios della. Barata e Basto intentaram desbaratar semelhante
+principio. Mas Basto n&atilde;o o contestou com pertinacia<sup><a href="#Z247">[247]</a></sup> e
+Barata desistiu do designio por haver alcan&ccedil;ado do
+presidente do congresso, de Fernandes Thomaz e de outros regeneradores
+a declara&ccedil;&atilde;o formal de que os artigos relativos
+ao Brasil, presentes
+<span class="pagenum"><a name="p210">[210]</a></span>
+os brasileiros, seri&atilde;o
+modificados consoante os seus desejos.<sup><a href="#Z248">[248]</a></sup>
+Isto que n&atilde;o
+passava de simples promessa n&atilde;o satisfazia aos americanos e,
+por outro lado, n&atilde;o lhes convinha sujeitarem &aacute;
+vota&ccedil;&atilde;o a controversia em virtude da
+certeza da derrota: eram apenas trinta e s&oacute; do continente
+europeu havia cem deputados. D'ahi resultava a necessidade de agirem
+com destreza nos negocios da patria e Borges de Barros vai servir-se
+della com exito. De todos os brasileiros era quem mais <a href="#e39">se deliciava</a> no
+viver das salas, e ahi se lhe desvendando a parte formidavel do orgulho
+nos actos humanos, reconheceu quanto era a fraca a raz&atilde;o
+para vencer as resistencias com raizes no amor proprio. Ao entrar em
+discuss&atilde;o o titulo VI do projecto de
+constitui&ccedil;&atilde;o relativo &aacute;
+organiza&ccedil;&atilde;o dos governos
+provinciaes pediu o adiamento at&eacute; que estivessem na
+assembl&eacute;a
+dous ter&ccedil;os da deputa&ccedil;&atilde;o americana.
+Queria a presen&ccedil;a dos ultramarinos, explicou, n&atilde;o
+para a validade das resolu&ccedil;&otilde;es das
+Côrtes
+mas simplesmente para que estes pudessem ter conhecimento das
+necessidades das provincias, as quaes se individualizavam pela
+differen&ccedil;a de clima, de costumes e de cultura. Era meio
+habil de frustar a applica&ccedil;&atilde;o de um principio que
+n&atilde;o
+podiam os americanos demolir com o p&ecirc;so dos votos. A despeito
+da opposi&ccedil;&atilde;o de Fernandes Thomaz, o adversario
+mais sagaz e mais obstinado dos brasileiros, o Congresso annuiu
+&aacute; proposta resolvendo discutir o assumpto depois de
+approvados todos os outros artigos constitucionaes.<br />
+
+<br />
+
+Tinha motivo para se desvanecer com a
+<span class="pagenum">[211]</span>
+victoria o fino diplomata. O adiamento do
+negocio tendia nada menos que a rev&ecirc;r o decreto 29 de
+setembro considerado pelos portugu&ecirc;ses como o instrumento
+mais efficaz de domina&ccedil;&atilde;o do Brasil pela
+m&atilde;e patria. Nos derradeiros dias do Congresso n&atilde;o
+haveria certamente bastantes americanos para contrabalan&ccedil;ar
+nas
+vota&ccedil;&otilde;es a influencia europeia, mas o seu numero
+seria maior que actualmente, e ajudados dos conflictos que a
+execu&ccedil;&atilde;o do decreto fazia prever por causa da
+agita&ccedil;&atilde;o crescente dos animos,
+n&atilde;o era desarrazoado suppôr que os brasileiros
+alcan&ccedil;assem
+da maioria concess&otilde;es valiosas na reforma da lei.<br />
+
+<br />
+
+No correr do debate surgiu uma quest&atilde;o que merece referencia
+por se haver d'ahi em diante renovado nos desaccordos irreductiveis dos
+portugu&ecirc;ses e brasileiros. Defendendo a proposta de Borges de
+Barros, Antonio Carlos affirmou a necessidade de
+informa&ccedil;&otilde;es a respeito das
+provincias &laquo;as quaes devem influir na
+modifica&ccedil;&atilde;o de algumas decis&otilde;es,
+ali&aacute;s lan&ccedil;ariamos
+a esmo decis&otilde;es, de que ao depois seria mister recuar com
+desar, ou teimando nellas arriscar o socego do Brasil. &Eacute;
+j&aacute; muito o que se tem feito sem o preciso conhecimento local
+evitemos para o futuro tantos embara&ccedil;os&raquo;.<sup><a href="#Z249">[249]</a></sup>.<br />
+
+<br />
+
+Estas palavras, que se limitavam a reproduzir conceitos do autor da
+proposi&ccedil;&atilde;o, deram logar &aacute;
+interven&ccedil;&atilde;o de Moura. Era o
+mais arrogante e o mais insolente dos constituintes. N&atilde;o lhe
+faltava talento e illustra&ccedil;&atilde;o ajudados de
+preexcellentes dotes oratorios mas tinha a
+preoccupa&ccedil;&atilde;o
+<span class="pagenum"><a name="p212">[212]</a></span>
+do effeito, e como a aggress&atilde;o
+e a violencia encontram sempre applausos, n&atilde;o hesitava em as
+empregar em apostrophes declamatorias ou na allus&atilde;o pessoal.
+Concordava na proposta para o fim de se acolherem noticias completas
+das conveniencias das capitanias mas <a href="#e40">n&atilde;o
+a admittia</a>, caso os
+da America entendessem que sem a assistencia delles n&atilde;o eram
+legitimas as
+resolu&ccedil;&otilde;es do Congresso. &laquo;Eu observei
+que affectadamente o snr. Andrade, disse com tanto desafogo quanta
+falsidade, se esfor&ccedil;ou em mostrar a grande falta que havia
+nas Côrtes de deputados brasileiros. Desejava eu que o
+illustre deputado se fizesse entender, e ennunciasse com mais clareza
+se elle julga que a falta destes deputados pode ter influencia na
+legalidade das decis&otilde;es que aqui se tomaram, desejaria
+debater este principio visto que a admittir-se tal principio viria
+acontecer que tanto importava faltar uma
+deputa&ccedil;&atilde;o numerosa ou menos numerosa, um
+individuo s&oacute; que faltasse poderia annullar as
+decis&otilde;es que aqui se tomassem, absurdo incalculavelmente
+perigoso, de que poderia derivar a queda do systhema. Portanto
+&eacute; preciso que falemos muito claro e francamente nesta
+materia&raquo;<sup><a href="#Z250">[250]</a></sup>.<br />
+
+<br />
+
+Antonio Carlos, que, saido do inferno do carcere para responder aos
+interrogatorios da famosa al&ccedil;ada da
+conjura&ccedil;&atilde;o
+pernambucana, n&atilde;o perdia o aprumo perante o feroz
+desembargador Bernardo Teixeira de Carvalho, n&atilde;o era homem
+para se intimidar deante de Moura. &laquo;O nobre deputado
+lan&ccedil;ou-me a luva, n&atilde;o a recuso apanhar, e com a
+franqu&ecirc;sa do meu caracter, responder-lhe-ei&raquo;.
+<br />
+
+<br />
+
+<span class="pagenum">[213]</span>
+Se este exordio communicou &aacute; assembl&eacute;a e
+&aacute;s galerias arripio de anciedade com a perspectiva de
+escandalo, foram desenganadas. O egregio paulista, dotado de
+excepcional imperio sobre si mesmo, subtrahiu-se ao terreno ardente da
+recrimina&ccedil;&atilde;o pessoal, para se limitar a expor com
+nitidez e imparcialidade as queixas do Brasil contra as
+Côrtes. Declarou que estas violaram a regra salutar de
+Direito Publico, que prescreve a presen&ccedil;a de dous
+ter&ccedil;os da
+representa&ccedil;&atilde;o nacional nos debates de magnitude,
+iniciando o exame do projecto de organiza&ccedil;&atilde;o da
+monarchia com numero reduzido de deputados. &laquo;N&atilde;o
+esperar pelos mandatarios do Brasil n&atilde;o ser&aacute;
+empurrar aos povos sem tom nem som e &aacute; queima roupa uma
+constitui&ccedil;&atilde;o, em que n&atilde;o tinham
+votado?&raquo;<br />
+
+<br />
+
+Os brasileiros exigindo voltassem &aacute; discuss&atilde;o os
+artigos constitucionaes vencidos na sua ausencia, n&atilde;o faziam
+sen&atilde;o pedir o cumprimento do artigo 21 das Bases, no qual se
+estipulava que o pacto social os n&atilde;o obrigaria sem
+pr&eacute;via
+approva&ccedil;&atilde;o d'elles. Os constituintes
+portugu&ecirc;ses, continuou, n&atilde;o se justificam da
+viola&ccedil;&atilde;o d'esse
+compromisso allegando que, jurando a constitui&ccedil;&atilde;o
+futura, os ultramarinos haviam antecipadamente acceito o contracto
+social que as côrtes organizassem e renunciado, por
+conseguinte, o direito de o discutir.<br />
+
+<br />
+
+Surgiu ent&atilde;o pela primeira vez a quest&atilde;o do
+juramento do contracto social por vir, prestado pelas capitanias,
+&aacute; medida que adheriam &aacute; causa de Portugal.
+N&atilde;o houve materia mais debatida no parlamento e forneceu aos
+regeneradores pretexto para atirarem aos irm&atilde;os mais novos,
+quando se revoltavam contra as providencias humilhantes ou violentas
+decretadas contra o ultramar, a injuria
+<span class="pagenum"><a name="p214">[214]</a></span>
+vehemente de perjuros. Vamos, por
+isso, tratar o assumpto com certa individua&ccedil;&atilde;o e
+n&atilde;o tornaremos a elle.<br />
+
+<br />
+
+Os povos do Brasil, argumentavam os lusitanos, protestando solemnemente
+acceitar a reorganiza&ccedil;&atilde;o
+que as Côrtes d&eacute;ssem a monarquia, implicitamente
+attribuiram <a href="#e41">ao</a> congresso o poder
+de legislar para elles e de
+antem&atilde;o approvaram as suas resolu&ccedil;&otilde;es.
+Se houvessem jurado a
+constitui&ccedil;&atilde;o no presupposto de que
+collaborari&atilde;o n'ella por via de seus representantes,
+n&atilde;o se
+esqueceri&atilde;o de incluir na procura&ccedil;&atilde;o
+d'estes a clausula de que os artigos votados e por votar n&atilde;o
+teri&atilde;o validade ao
+ultramar sem a
+sanc&ccedil;&atilde;o d'elles. Ora tal
+condi&ccedil;&atilde;o n&atilde;o figura nos
+poderes dos deputados nem at&eacute; nos dos delegados de S. Paulo,
+que trouxeram, instruc&ccedil;&otilde;es
+ass&aacute;s minuciosas, e sabiam, ao deixarem a patria, que havia
+disposi&ccedil;&otilde;es <a href="#e42">constitucionaes</a>
+j&aacute; approvadas.<br />
+
+<br />
+
+N&atilde;o havia argumenta&ccedil;&atilde;o que menos se
+conciliava com a raz&atilde;o e com os factos. Considerado em si
+mesmo e com as circumstancias que o rodeavam, o juramento significava
+justamente o contrario do que pretendiam os portugu&ecirc;ses. De
+feito, ao mesmo tempo que os americanos adheriam &aacute;
+constitui&ccedil;&atilde;o por elaborar, cogitavam
+das elei&ccedil;&otilde;es, de mandar deputados ao Congresso.
+N&atilde;o revelava semelhante providencia que o novo reino fazia
+quest&atilde;o de cooperar na lei fundamental?<br />
+
+<br />
+
+O ultramar americano jurara na realidade a
+constitui&ccedil;&atilde;o, que os seus commissarios iam criar
+de companhia com os irm&atilde;os da Europa; e deixara de estipular
+condi&ccedil;&atilde;o nos mandatos a respeito das
+resolu&ccedil;&otilde;es legislativas que estivessem acceitas,
+quando os seus deputados entrassem no
+<span class="pagenum">[215]</span>
+parlamento, porque o famoso artigo das Bases,
+conhecidas no Brasil antes das elei&ccedil;&otilde;es, lhes
+assegurava o direito de se pronunciarem &aacute;cerca d'ellas.<br />
+
+<br />
+
+O allegar que os representantes do Brasil, por for&ccedil;a do
+juramento dos povos, compareciam na assembleia t&atilde;o
+s&oacute;mente para approvar o pacto social, era desconhecer
+absolutamente a natureza do mandato politico, livre e independente, e
+attribuir aos deputados o caracter de enviados diplomaticos, que
+assignam convenios resolvidos pela na&ccedil;&atilde;o.<br />
+
+<br />
+
+Se n&atilde;o coubera outra func&ccedil;&atilde;o aos
+representantes de al&eacute;m-mar, andaria com mais acerto o Brasil
+n&atilde;o os enviando a Lisboa, porque as Camaras municipaes
+sanccionari&atilde;o a Lei sem desp&ecirc;sa alguma.<br />
+
+<br />
+
+Dos brasileiros que intervieram no debate nenhum provavelmente produziu
+mais effeito que Vergueiro. N&atilde;o tinha o brilho, repassado de
+gra&ccedil;a, de Lino Coutinho, a impetuosidade de Antonio Carlos,
+a sobriedade elegante de Borges de Barros ou eloquencia nervosa de
+Villela Barbosa. Era espirito lucido e pratico, e se esmerava em dizer
+a verdade sem rebu&ccedil;o mas sem arreganho. N&atilde;o se
+espraiou em reflex&otilde;es &aacute;cerca do Direito
+Publico; considerou unicamente os factos, e tirou d'elles
+conclus&otilde;es em phrases carregadas de bom senso, e nas quaes
+se espelhava a sua alma forte e nobre. O juramento em
+rela&ccedil;&atilde;o a cousas futuras, disse, n&atilde;o
+passa de promessa que o Direito n&atilde;o suffraga. A Moral
+n&atilde;o d&aacute; t&atilde;o pouco a
+esse acto a for&ccedil;a que lhe nega a jurisprudencia.<br />
+
+<br />
+
+Ninguem jura espontaneamente sujeitar-se &aacute;s
+resolu&ccedil;&otilde;es alheias, sen&atilde;o na
+esperan&ccedil;a de melhorar de condi&ccedil;&atilde;o, e
+caso reconhe&ccedil;a que a outra
+<span class="pagenum">[216]</span>
+parte em vez de corresponder
+&aacute; sua espectativa, contrasta-lhe as conveniencias,
+&eacute;-lhe licito subtrahir-se aos effeitos da promessa. Que tem
+feito o congresso? Depois do juramento, o Brasil deixou de ser a
+s&eacute;de da monarquia e, o que surprehende, vai perder o poder,
+que enfeixava todas as provincias. A suppress&atilde;o da Regencia,
+que amea&ccedil;a a tranquillidade publica de al&eacute;m-mar,
+revela &aacute;s Côrtes a conveniencia de ouvirem os
+brasileiros por n&atilde;o commetter desacertos funestos
+&aacute; uni&atilde;o. &laquo;O Brasil quer a
+uni&atilde;o, proseguiu o illustre transmontano, e desde o
+principio proclamou-a; e at&eacute; por n&atilde;o excitar
+desconfian&ccedil;a
+deixou de exigir cautelas e prestou todos os actos de
+adhes&atilde;o &aacute; causa commum, entendendo que os
+illustres representantes de Portugal n&atilde;o
+abusari&atilde;o d'esta confian&ccedil;a para lhes
+impôr um jugo
+pesado&raquo;<sup><a href="#Z251">[251]</a></sup>.<br />
+
+<br />
+
+O incidente pôde d'esta vez acabar sem produzir
+exalta&ccedil;&atilde;o nos animos.<br />
+
+<br />
+
+Moura mostrou-se grandemente surpr&ecirc;so da intelligencia dada
+ao juramento por Antonio Carlos. &laquo;Ou estou sonhando ou
+n&atilde;o sei se o illustre deputado falla s&eacute;rio no que
+diz&raquo;. Assim
+come&ccedil;ou a sua replica ao paulista. Talvez fosse sincero. Os
+homens tendem irresistivelmente a dar aos factos a
+significa&ccedil;&atilde;o accommodada aos seus interesses ou
+affectos. Devemos todavia acceitar com extrema
+circumspec&ccedil;&atilde;o esse julgamento
+favoravel ao notavel regenerador e aos consortes. Na verdade se fora o
+juramento a causa por que regularam os negocios do Brasil sem os seus
+representantes, invocal-o-iam todas as vezes que se
+<span class="pagenum"><a name="p217">[217]</a></span>
+levantasse em algum dos seus compatriotas o
+escrupulo de discutir semelhante materia, ausentes os ultramarinos.
+Assim, porem, n&atilde;o succedia; para removerem as
+susceptibilidades, para cohenestarem a sua impolitica se lhes
+n&atilde;o deparava outro argumento que a theoria de Fernandes
+Thomaz: os deputados representando a na&ccedil;&atilde;o,
+representam qualquer de suas partes e por conseguinte os europeus
+podiam legislar para a America, desassistidos dos seus deputados.<br />
+
+<br />
+
+Se andassem de boa f&eacute; os regeneradores,
+render-se-i&atilde;o &aacute;
+significa&ccedil;&atilde;o do juramento, formulada agora pelos
+brasileiros com argumentos irrefutaveis. N&atilde;o o fizeram; ao
+contrario, &aacute; medida que reconheciam a sua impotencia para
+reduzir o ultramar, serviam-se com mais frequencia do sophisma com o
+duplo fim de excusarem os seus desacertos e de attrahirem o odio do
+povo ignaro contra os collegas dissidentes.
+<br />
+
+<br />
+
+<br />
+
+<br />
+
+<h3><a name="c13"></a>CAPITULO XIII</h3>
+
+<br />
+
+<div class="intro1">SUMMARIO:<br />
+
+<br />
+
+<em>Como o Brasil acolheu os decretos das
+Côrtes.&#8213;Desacertos de Jos&eacute; Maria de
+Moura.&#8213;Protestos dos brasileiros, e proposta de Villela Barbosa sobre
+o commando das armas.&#8213;Effervescencia dos animos no Rio de
+Janeiro.&#8213;Commiss&atilde;o especial dos negocios politicos do
+Brasil.&#8213;Informa&ccedil;&atilde;o de Silvestre Pinheiro.&#8213;O
+parecer da commiss&atilde;o especial.&#8213;O officio da junta de S.
+Paulo.</em></div>
+
+<br />
+
+<br />
+
+<br />
+
+Em mar&ccedil;o come&ccedil;aram a chegar ao Congresso noticias
+do acolhimento do Brasil &aacute;s
+resolu&ccedil;&otilde;es legislativas. Vieram as primeiras de
+Pernambuco, onde em 24 de dezembro entraram a fundear
+embarca&ccedil;&otilde;es com tropas de Portugal.
+Jos&eacute; Xavier Bressane Leite, commandante da flotilha, que
+trazia ordens do governo de Lisboa, ignoradas da junta, abriu conflicto
+com esta, ciosa da dignidade de suas func&ccedil;&otilde;es. Na
+verdade o expedir um official de marinha com
+instruc&ccedil;&otilde;es particulares a respeito de seu
+desembarque e de seu comportamento em terra sem dar dellas conhecimento
+&aacute; administra&ccedil;&atilde;o provincial,
+significava menoscabo da primeira auctoridade do logar e a quem
+competia a inspec&ccedil;&atilde;o dos portos. Ao
+<span class="pagenum">[219]</span>
+mesmo tempo que se molestava desse modo a
+susceptibilidade do governo local, o commandante das armas com
+desembarcar &aacute; frente das tropas, como general em territorio
+conquistado, sobresaltou o pundonor patriotico dos pernambucanos. Era
+elle o brigadeiro Jos&eacute; Maria de Moura, sujeito sem
+atilamento e que de suas func&ccedil;&otilde;es n&atilde;o
+conhecia sen&atilde;o
+o apparato. Ignorava os alvar&aacute;s que regulavam a competencia
+dos governadores das armas em vigor ha mais de cem annos<sup><a href="#Z252">[252]</a></sup> e ainda
+menos alcan&ccedil;ava quanto lhe cumpria ser circunspecto e
+conciliador no exercicio de cargo que os da terra consideravam usurpado
+&aacute; junta governativa. Mandou prender individuos sujeitos
+&aacute; justi&ccedil;a civil e
+n&atilde;o militar<sup><a href="#Z253">[253]</a></sup>,
+e arvorou-se em informante das cousas
+politicas da capitania perante as Côrtes<sup><a href="#Z254">[254]</a></sup>. O mesmo correio
+que trouxe a participa&ccedil;&atilde;o de Moura de haver
+chegado ao Recife, foi portador de um officio da junta de Pernambuco no
+qual pedia a retirada das novas tropas a bem da tranquilidade publica.
+Lino, Barata, Antonio Carlos e Pinto da Fran&ccedil;a exprobaram a
+attitude do official de marinha e do governador militar, e assignalaram
+o descontentamento do Brasil inteiro por n&atilde;o estar o
+commando das armas sujeito ao poder executivo provincial. Moniz Tavares
+propôs a
+restitui&ccedil;&atilde;o ao Reino dos batalh&otilde;es
+expedidos ao Rio, Pernambuco e Bahia, cuja presen&ccedil;a irritava
+os
+<span class="pagenum">[220]</span>
+povos e lhes acirrava a desconfian&ccedil;a de
+que o congresso intentava a todo o transe, e at&eacute; pela
+for&ccedil;a, manter os decretos malsinados na America<sup><a href="#Z255">[255]</a></sup>. Villela
+Barbosa, que n&atilde;o fazia parte das Côrtes no acto de
+se discutir a
+constitui&ccedil;&atilde;o dos governos ultramarinos, e que
+fôra o primeiro a protestar contra a independencia do
+commando das armas e da administra&ccedil;&atilde;o fiscal para
+com as juntas locaes, voltou &aacute; materia com mais energia e
+novo desenvolvimento. N&atilde;o podia comprehender como a junta
+gereria os negocios provinciaes sem dispor da for&ccedil;a para
+assegurar o cumprimento de suas resolu&ccedil;&otilde;es, e sem
+ter o manejo das rendas publicas para custear as despesas e fiscalizar
+a arrecada&ccedil;&atilde;o dos tributos.
+N&atilde;o admittia t&atilde;o pouco se tirassem do exercito de
+Portugal officiaes para o governo militar do Brasil. Era desnecessario,
+prejudicial, injurioso e impolitico. &laquo;Desnecessario, porque
+ali temos officiaes benemeritos, prejudicial pela avultada
+desp&ecirc;sa que faz o thesouro com a ida daquelles governadores;
+injurioso, porque pode parecer que se duvida da aptid&atilde;o ou
+fidelidade dos militares brasileiros e impolitico porque arrisca de os
+desgostar&raquo;.<br />
+
+<br />
+
+Acabou requerendo que os commandantes das armas das provincias do
+Brasil fossem destacados do exercito do novo reino, e que tantos elles
+como os gestores da fazenda publica e todas as autoridades ficassem na
+dependencia immediata das juntas governativas<sup><a href="#Z256">[256]</a></sup>.<br />
+
+<br />
+
+Os desatinos do commandante, que inaugurava
+<span class="pagenum"><a name="p221">[221]</a></span>
+o regimen juntamente com o clamor dos
+povos e de seus representantes, fizeram os portugu&ecirc;ses temer
+que tivesse a institui&ccedil;&atilde;o os inconvenientes
+previstos pelos brasileiros, e mostraram-se, por isso, dispostos a
+submetter o negocio a novo exame, abrindo immediatamente debate sobre a
+proposta do deputado fluminense. Mal come&ccedil;ara,
+por&eacute;m, a discuss&atilde;o, foi
+adiada em consequencia do panico da assembl&eacute;a com a noticia
+de graves successos no Rio. Communicava o regente que a
+divulga&ccedil;&atilde;o do decreto de 29 de setembro com
+ordenar o seu regresso a Portugal, inflammara os animos brasileiros e
+portugu&ecirc;ses. Organizavam-se
+representa&ccedil;&otilde;es na capital, em S. Paulo e em Minas
+no sentido de sua permanencia na terra.<br />
+
+<br />
+
+Nas ruas ouviram-se phrases irreverentes e resolutas &laquo;se a
+constitui&ccedil;&atilde;o
+&eacute; fazer-nos mal, leve o diabo tal cousa...&raquo; Ou
+&laquo;o principe parte e
+declaramo-nos independentes, ou fica e continuaremos unidos e assumimos
+a responsabilidade da inexecu&ccedil;&atilde;o das ordens das
+Côrtes&raquo;<sup><a href="#Z257">[257]</a></sup>.<br />
+
+<br />
+
+Pereira do Carmo, um dos raros portugu&ecirc;ses que procuravam
+acautelar os interesses dos brasileiros e resguardar o seu melindre,
+lembra o estabelecimento de uma commiss&atilde;o permanente
+incumbida dos negocios do Brasil. N&atilde;o se pode mais, disse,
+fechar os olhos &aacute; gravidade da
+<a href="#e44">situa&ccedil;&atilde;o</a> do
+novo reino, e
+nas Côrtes n&atilde;o ha assumpto que sobreleve a esse em
+importancia. Guerreiro, o honesto guerreiro, outro liberal
+portugu&ecirc;s inclinado a satisfazer os votos dos
+<span class="pagenum"><a name="p222">[222]</a></span>
+collegas americanos, abundou nas mesmas id&eacute;as e pleiteou a
+causa do ultramar com palavras judiciosas. Para a
+aprecia&ccedil;&atilde;o dos sentimentos de
+al&eacute;m-mar, observou, devemos evocar os nossos soffrimentos
+durante a estada da familia real no Rio de Janeiro, os povos
+acostumados a terem junto de si os recursos necessarios n&atilde;o
+se sujeitam a procural-os &aacute; muitas leguas.<br />
+
+<br />
+
+Da fac&ccedil;&atilde;o adiantada <a href="#e45">do
+liberalismo</a> s&oacute; Borges Carneiro e Castello
+Branco, os quaes n&atilde;o reputavam o Brasil simples provincia de
+Portugal, intervieram no debate. Borges Carneiro triumphava. A
+victoria, por&eacute;m, se n&atilde;o o desvanece porque
+descortina nos acontecimentos o desmembramento da monarchia, doloroso
+ao seu patriotismo, anima-o a exprimir o seu pensamento com arrojo qual
+nunca tivera, em raz&atilde;o do respeito que lhe inspira, o
+adversario ferrenho do reino americano, Fernandes Thomaz.<br />
+
+<br />
+
+&laquo;Em verdade, notou, querer em tudo medir o Brasil por aquillo
+que se resolver para a Europa &eacute; incoherente e muito errado;
+e querendo n&oacute;s ter aquelle <a href="#e46">longinquo</a>
+continente na mesma dependencia de Lisboa em que della
+est&atilde;o as provincias europeias, n&atilde;o faremos mais
+que relaxar os vinculos quando o queremos segurar: &eacute; apertar
+a corda at&eacute; que estale&raquo;<sup><a href="#Z258">[258]</a></sup>.<br />
+
+<br />
+
+O congresso decidiu se instituisse uma junta de doze deputados
+americanos e europeus.<br />
+
+<br />
+
+A elei&ccedil;&atilde;o da m&ecirc;sa renovava-se todos os
+m&ecirc;ses, e a vota&ccedil;&atilde;o attribuira a
+presidencia em
+mar&ccedil;o a Fagundes Varella. Na qualidade de presidente coube
+ao fluminense designar os membros da
+<span class="pagenum">[223]</span>
+commiss&atilde;o, e para que dessem
+promptamente remedio &aacute;s perturba&ccedil;&otilde;es
+do novo reino,
+foram elles dispensados de comparecer &aacute;s sess&otilde;es
+do congresso. Constituiam a commiss&atilde;o da parte dos
+portugu&ecirc;ses, Trigoso, Pereira do Carmo, Moura, Borges
+Carneiro, Annes de Carvalho e Guerreiro; e do lado ultramarino, Antonio
+Carlos, Ledo, Pinto da Fran&ccedil;a, Almeida e Castro, Belford e
+Grangeiro<sup><a href="#Z259">[259]</a></sup>.
+Eram, pois, representadas nella as capitanias com
+mandatarios nas Côrtes, salvo Parahyba, cuja solidariedade
+com Pernambuco induzia, ali&aacute;s, a acreditar que Monteiro da
+Fran&ccedil;a subscreveria o parecer de Almeida e Castro. Dos
+lusitanos todos haviam mostrado tendencias favoraveis ao Brasil, mas se
+os protestos de respeito &aacute; vontade dos povos os graduassem
+na confian&ccedil;a dos collegas americanos, Moura occuparia nella
+o primeiro logar. De feito o brilhante regenerador n&atilde;o
+perdia ensejo de proclamar o direito da sociedade de se governar a seu
+inteiro aprazimento, mas ajuntava que esse direito pertencia
+&aacute; maioria, e a maioria, ao seu parecer, era aquelles que
+estavam em desaccordo com os representantes do novo reino.<br />
+
+<br />
+
+A commiss&atilde;o n&atilde;o se poupou a diligencias para
+exprimir juizo com conhecimento do assumpto. N&atilde;o contente de
+ouvir os deputados do Brasil presentes nas Côrtes, consultou
+os ministros da marinha e de extrangeiros e o desembargador Pedro
+Alvares Diniz<sup><a href="#Z260">[260]</a></sup>.
+Fôra este magistrado o secretario de estado
+demittido por
+<span class="pagenum">[224]</span>
+D. Pedro por se haver recusado exonerar o
+intendente de Policia Pereira da Cunha, por occasi&atilde;o dos
+acontecimentos do Rio occorridos em outubro, como narr&aacute;mos.
+N&atilde;o alcan&ccedil;amos saber as
+informa&ccedil;&otilde;es prestadas pelo titular da pasta da
+Marinha Joaquim Jos&eacute; Monteiro Torres, o qual exercia em
+Portugal o posto de que o investira no Rio a
+acclama&ccedil;&atilde;o popular no memoravel de 26 de
+fevereiro e pelo desembargador.<br />
+
+<br />
+
+Resta-nos s&oacute;mente o parecer do ministro das
+rela&ccedil;&otilde;es exteriores, o nosso conhecido
+Silvestre Pinheiro, o qual teve o cuidado de trasladar para o papel o
+seu depoimento verbal. O grande publicista proscreve a id&eacute;a
+de se reputar o Brasil provincia de Portugal. &Eacute; na realidade
+um reino pelo grau de cultura de seus habitantes e n&atilde;o pode
+ser governado sen&atilde;o por leis e magistrados, como a Europa, e
+n&atilde;o por auctoridades despoticas.<br />
+
+<br />
+
+No interesse da unidade da direc&ccedil;&atilde;o, sem a qual
+n&atilde;o vinga a ordem, aconselha a
+subordina&ccedil;&atilde;o dos governadores militares e dos
+gestores da fazenda &aacute;s juntas. Devem, at&eacute;, estas
+nomear os commandantes da for&ccedil;a armada. Se esses alvitres
+affligiram os lusos, o ministro refrigerou-lhes o animo com o que disse
+&aacute;cerca da divis&atilde;o
+portugu&ecirc;sa commandada por Jorge de Avilez. Assegurava,
+firmado em factos incontrastaveis e no conhecimento das cousas e homens
+do Brasil, adquirido em doze annos de residencia, que nem os regimentos
+da terra nem as milicias jamais se defrontari&atilde;o com os
+batalh&otilde;es do Reino,
+illimitadamente devotados &aacute;s Côrtes. &Eacute;
+eminentemente provavel, ponderou, que os regimentos lusitanos ou
+amea&ccedil;ando pegar das armas ou pegando realmente dellas,
+tenham posto Sua Alteza Real
+<span class="pagenum">[225]</span>
+na necessidade de executar as decis&otilde;es do congresso, e isto
+com
+vivacidade irritados com a vehemencia da
+representa&ccedil;&atilde;o da junta paulista<sup><a href="#Z261">[261]</a></sup>.<br />
+
+<br />
+
+A commiss&atilde;o n&atilde;o demorou em apresentar o seu
+relatorio. N&atilde;o maravilha que, attento o desejo da
+uni&atilde;o, t&atilde;o forte num como noutro hemispherio, os
+portugu&ecirc;ses e brasileiros, ante a imminencia do
+desmembramento, se mostrassem conciliadores, transigissem
+&aacute;cerca de pontos nos quaes pareciam ainda ha pouco
+irreductiveis; n&atilde;o deixa, por&eacute;m, de ser curioso
+se manifeste desde ent&atilde;o a differen&ccedil;a do espirito
+politico
+entre os parentes. Ao passo que os irm&atilde;os mais velhos
+contentam-se com satisfa&ccedil;&otilde;es moraes e com salvar
+principios, os mais novos largam m&atilde;o de aquelles em troca de
+vantagens reaes e immediatas. Concordam estes com excusar as
+Côrtes de terem legislado para o Brasil sem elles e acceitam
+a intelligencia que ellas davam a adhes&atilde;o solemne do
+ultramar &aacute; constitui&ccedil;&atilde;o por fazer;
+em compensa&ccedil;&atilde;o, por&eacute;m, conseguem a
+dependencia t&atilde;o almejada do governo militar e da
+m&ecirc;sa da fazenda para com as juntas provinciaes. Outra
+conquista de vulto &eacute; o estabelecimento de uma ou duas
+delega&ccedil;&otilde;es do poder executivo para
+n&atilde;o faltarem aos da America as commodidades e beneficios de
+que gozavam os portugu&ecirc;ses por terem comsigo o rei. Os
+europeus que recentemente recusavam &aacute;s auctoridades de
+al&eacute;m-mar a faculdade de suspender os magistrados, a pretexto
+de se n&atilde;o delegarem func&ccedil;&otilde;es
+privativas da corôa, acabavam, pois, por assentir que
+houvesse na America quem exercesse n&atilde;o uma
+attribui&ccedil;&atilde;o
+<span class="pagenum">[226]</span>
+da realeza mas todos os seus privilegios compativeis com a integridade
+do imperio. Os brasileiros alcan&ccedil;aram outra providencia
+valiosa: D. Pedro ficaria no Brasil at&eacute; &aacute;
+organiza&ccedil;&atilde;o da monarchia. Eram vantagens
+consideraveis, e que se n&atilde;o achavam obscurecidas com a
+clausula de ficar ao arbitrio do governo de Lisboa a
+remo&ccedil;&atilde;o para a patria das tropas
+portugu&ecirc;sas que estanciavam no ultramar, porquanto com a
+subordina&ccedil;&atilde;o do commando das armas &aacute;
+administra&ccedil;&atilde;o provincial tornavam-se menos
+arrogantes e provocadores os reinoes. Das quest&otilde;es que
+ent&atilde;o preoccupavam os fluminenses nenhuma era mais antiga e
+apaixonava mais todas as classes, do que a
+situa&ccedil;&atilde;o critica do banco do Brasil, em
+consequencia de haver faltado escandalosamente ao seu compromisso o
+erario publico.<br />
+
+<br />
+
+Devia o governo a esse estabelecimento vinte milh&otilde;es de
+cruzados, que D. Jo&atilde;o VI, ao deixar a America estava
+disposto a solver mediante emprestimo a contrahir na Europa com
+garantia hypothecaria de parte dos rendimentos aduaneiros do Rio,
+Bahia, Pernambuco e Maranh&atilde;o, e o conselheiro J. R. Pereira
+de Almeida se trasladou para a Europa com a tarefa de realizar a
+transac&ccedil;&atilde;o<sup><a href="#Z262">[262]</a></sup>.
+Informada a regencia do Reino de
+sua miss&atilde;o, definida no decreto de 23 de mar&ccedil;o,
+n&atilde;o a quiz sanccionar sem previamente ouvir o Congresso.
+Mais por ciume das attribui&ccedil;&otilde;es legislativas, do
+que por interesse
+pelos ultramarinos, os regeneradores cassaram o acto do ministerio de
+D. Jo&atilde;o VI, com o fundamento de fallecerem provas de ter
+servido o
+<span class="pagenum"><a name="p227">[227]</a></span>
+desembolso do banco &aacute;s
+necessidades publicas<sup><a href="#Z263">[263]</a></sup>.
+Que o dinheiro fosse para os validos ou para
+a familia real, pouco importava &aacute;s classes laboriosas da
+America, aterradas com a diminui&ccedil;&atilde;o
+progressiva de suas economias representadas nas notas bancarias em
+continua deprecia&ccedil;&atilde;o, e aos capitalistas
+brasileiros sobresaltados com a incerteza de rehaverem os seus saldos
+confiados ao instituto de credito. A verdade era que a somma sahindo
+para os cofres publicos, respondiam estes regularmente pela divida e
+n&atilde;o podiam os pobres tabar&eacute;os, portadores das
+cedulas, nem os credores e accionistas do banco soffrer <a href="#e47">as</a> consequencias da
+applica&ccedil;&atilde;o
+criminosa do emprestimo. Pereira do Carmo e Ledo<sup><a href="#Z264">[264]</a></sup> desde muito
+trabalhavam por fazer vingar esse acto de justi&ccedil;a e de
+conveniencia politica sem nada alcan&ccedil;arem. Aconselhou-o
+agora a commiss&atilde;o propondo fosse julgada publica a divida do
+thesouro e se providenciasse &aacute;cerca dos meios de a
+saldar<sup><a href="#Z265">[265]</a></sup>.<br />
+
+<br />
+
+N&atilde;o tinham ainda os commissarios apresentado o seu
+relatorio, quando lhes foram submettidas duas cartas do Regente e o
+memoravel officio da junta de S. Paulo de 24 de dezembro de 1821<sup><a href="#Z266">[266]</a></sup>.
+Visto o progresso do movimento contra os decretos a respeito das
+administra&ccedil;&otilde;es
+<span class="pagenum">[228]</span>
+ultramarinas e
+do seu regresso a Europa, D. Pedro temia n&atilde;o os poder
+cumprir, e ao mesmo tempo mandava a representa&ccedil;&atilde;o
+que lhe dirigira o executivo de S. Paulo, para que o monarcha e o
+congresso se inteirassem dos sentimentos daquelles povos, sentimentos
+em via de se propagarem a outros com rapidez fulminante.<br />
+
+<br />
+
+O Governo paulista, do qual era vice-presidente Jos&eacute;
+Bonifacio, descortinando atrav&eacute;s dos decretos de 29 de
+setembro a resolu&ccedil;&atilde;o do
+congresso de reconduzir o Brasil &aacute;
+condi&ccedil;&atilde;o de colonia, aconselhava ao principe, de
+accordo com os patriotas do Rio e at&eacute; provocado por
+elles<sup><a href="#Z267">[267]</a></sup>,
+em termos vehementes, desobediencia &aacute;quelles actos
+legislativos a fim de evitar o desconjuntamento do imperio.<br />
+
+<br />
+
+O alvitre era extremado mas fora delle n&atilde;o havia mais que
+representar aos poderes de Portugal a conveniencia da
+revoga&ccedil;&atilde;o de suas
+determina&ccedil;&otilde;es inquietadoras. O tempo limitado de
+que dispunha, porque se devia eleger a junta governativa do Rio aos dez
+de fevereiro e o principe partiria logo depois, e o temor de que a
+divis&atilde;o auxiliadora, ass&aacute;s forte e absolutamente
+dedicada &aacute;s côrtes, empregasse uma de suas
+violencias
+costumeiras para que se cumprissem as ordens do Reino, persuadiram a
+Jos&eacute; Bonifacio, conhecedor da tactica militar, que um ataque
+imprevisto com lan&ccedil;ar a perturba&ccedil;&atilde;o
+nas fileiras
+adversas assegurava aos patriotas mais probalidades de exito de que
+conferencias e o direito de peti&ccedil;&atilde;o. Que diz o
+officio da junta de S. Paulo? Accusa a assembl&eacute;a
+constituinte de haver violado o artigo
+<span class="pagenum">[229]</span>
+21 das Bases, legislando para o reino americano sem esperar a
+deputa&ccedil;&atilde;o ultramarina. Julga
+criminoso o decreto a respeito das juntas provinciaes, porque parcella
+o Brasil em estados secundarios. Indigna-se contra a
+extinc&ccedil;&atilde;o projectada dos tribunaes, a qual
+collocar&aacute; os brasileiros em posi&ccedil;&atilde;o
+desfavoravel relativamente aos
+portugu&ecirc;ses da Europa que t&eacute;m &aacute;
+m&atilde;o todos os meios de
+def&ecirc;sa. &laquo;Ir&atilde;o agora, exclama, depois de
+acostumados por doze annos a recursos promptos a soffrer outra vez como
+vis colonos as delongas e trapa&ccedil;as dos juizos de Lisboa,
+atrav&eacute;s de duas mil leguas do oceano, onde os suspiros dos
+vexados perdem todo o alento e esperan&ccedil;a?&raquo; A
+medida que mais o exacerba, &eacute; a suppress&atilde;o do
+poder executivo no Brasil, a qual tirando a unidade do commando das
+tropas esparsas nas capitanias, tolhe o se servir dellas com vantagem
+contra os inimigos externos ou &laquo;contra as
+fac&ccedil;&otilde;es que procurem atacar a
+seguran&ccedil;a publica e a uni&atilde;o reciproca das
+provincias&raquo;. N&atilde;o
+contente de inflammar os animos dos da terra, desperta contra as
+Côrtes, entre os proprios portugu&ecirc;ses,
+preven&ccedil;&otilde;es novas e acirra velhas antipathias. A
+uns proclama que ellas malbaratam o patrimonio nacional &laquo;com
+despeda&ccedil;ar o Brasil em mil
+retalhos&raquo;; e excita os reaccionarios de Portugal e da quinta
+de S. Christov&atilde;o dizendo que roubaram &laquo;o
+logar-tenencia concedida por el-rei a seu filho.&raquo; Onde,
+por&eacute;m, se mostra o paulista
+eminentemente destro &eacute; no angariar o apoio de D. Pedro.<br />
+
+<br />
+
+Convem ao regente ficar no Brasil, considera, a bem da integridade da
+monarchia e da prosperidade de Portugal, e para n&atilde;o perder a
+dignidade de homem e de principe, tornando-se
+<span class="pagenum">[230]</span>
+&laquo;escravo de meia duzia de
+desorganizadores&raquo; Esporeia desse modo os brios e o instincto
+batalhador do mancebo fogoso, e as suas palavras que inculcam interesse
+carinhoso pelo pundonor do successor da corôa, velam o
+empenho do illustre var&atilde;o de salvaguardar a integridade do
+reino americano<sup><a href="#Z268">[268]</a></sup>.<br />
+
+<br />
+
+Em Lisboa o effeito do officio n&atilde;o foi menos estrondoso do
+que no Brasil, comquanto de natureza mui differente. Alli gerara o
+enthusiasmo, enfeixava as resistencias e lhes dava um chefe na pessoa
+do proprio herdeiro do throno; e em Portugal a impress&atilde;o
+bifurcava-se em medo da
+separa&ccedil;&atilde;o n'uns, e em
+indigna&ccedil;&atilde;o n'outros contra a audacia dos
+paulistas, indigna&ccedil;&atilde;o manifestada com vehemencia
+na imprensa e no Congresso. No Diario do Governo chegou-se a escrever
+que o Reino s&oacute; tinha que lucrar com se desprender do Brasil,
+o qual lhe custava dinheiro, gente e ingratid&atilde;o. Na
+assembl&eacute;a o clamor se n&atilde;o levantou
+&aacute; leitura do documento, e a commiss&atilde;o tentara
+fugir &aacute; tempestade entrevista, n&atilde;o alludindo ao
+officio no relatorio. Apenas, por&eacute;m, se tornara este
+conhecido, Freire instou pela repara&ccedil;&atilde;o da lacuna
+com alvoro&ccedil;o dos regeneradores. A
+commiss&atilde;o sem se intimidar com a
+opposi&ccedil;&atilde;o mais que provavel do grupo proeminente
+do parlamento, pela bocca de Guerreiro requereu d&eacute;ssem-lhe
+tempo para emittir juizo sobre a materia afim de averiguar se os
+signatarios do documento aggressivo fallavam em nome individual, ou
+exprimiam a vontade da provincia; porque
+<span class="pagenum"><a name="p231">[231]</a></span>
+no primeiro caso n&atilde;o seria desarrazoada a
+puni&ccedil;&atilde;o dos delinquentes, e no segundo devia-se
+adoptar alvitre diverso em virtude da impossibilidade de processar um
+povo. Dos membros da commiss&atilde;o houve dous que n&atilde;o
+subscreveram essa proposta. N&atilde;o o fez Antonio Carlos por se
+considerar suspeito para julgar um acto da lavra do irm&atilde;o.
+Moura deu o voto em separado. Entendia ser urgente a
+discuss&atilde;o do negocio, tanto mais que n&atilde;o haveria
+informa&ccedil;&otilde;es
+ulteriores capazes de tornar inoffensivo um papel evidentemente
+<a href="#e48">sedicioso</a>.<br />
+
+<br />
+
+Os brasileiros e os portugu&ecirc;ses reprovavam &aacute; uma
+voz os termos desabridos do officio. Aquelles, por&eacute;m, em
+hypothese alguma admittiam a eventualidade de castigos a homens que
+eram org&atilde;os da provincia, e previam a explos&atilde;o de
+descontentamento, caso o Congresso em qualquer tempo os quizesse
+molestar por esse acto. A maioria dos portugu&ecirc;ses apoiaram a
+commiss&atilde;o e advertiram que restituida a tranquillidade aos
+animos com as reformas propostas, se offereceria ent&atilde;o
+magnifico ensejo aos poderes publicos de Portugal para se desaggravarem
+dos rebeldes de S. Paulo, sem risco de desmembramento da monarchia. Os
+corypheus da regenera&ccedil;&atilde;o, dominados de orgulho,
+n&atilde;o podiam conceber que as gentes ultramarinas pensassem de
+modo differente delles, e asseguravam, por isso, sem sombra de prova
+ali&aacute;s, que os de S. Paulo n&atilde;o manifestavam na
+representa&ccedil;&atilde;o sen&atilde;o
+seus sentimentos individuaes<sup><a href="#Z269">[269]</a></sup>.
+Para influirem nos adversarios
+<span class="pagenum"><a name="p232">[232]</a></span>
+procuraram o concurso das ruas e dos gremios, excitando o
+sentimentalismo das turbas
+irresponsaveis. Xavier Monteiro bradou que urgia salvar a dignidade
+nacional, embora se perdessem dez Brasis. Moura, espumante de raiva,
+rugia como um possesso contra os &laquo;tr&ecirc;ze infames de
+S. Paulo&raquo; que assignaram o officio. A figura mais eminente da
+revolu&ccedil;&atilde;o, aquelle que era o responsavel dos
+decretos perturbadores do novo reino, interveiu no debate com clara
+vis&atilde;o do futuro. Consoante os contemporaneos<sup><a href="#Z270">[270]</a></sup>, entre as
+faculdades do robusto engenho de Fernandes Thomaz sobresaia a
+perspicacia. Atrav&eacute;s de factos despercebidos ou sem
+significa&ccedil;&atilde;o apparente, elle
+alcan&ccedil;ava o verdadeiro sentido das cousas. Antes de nenhum
+outro reconhec&ecirc;ra que, sob tranquilidade externa, Portugal,
+trabalhado por descontentamento latente, se achava maduro para
+mudan&ccedil;a de regimen. Organizou com esse intuito uma
+associa&ccedil;&atilde;o o synedrio, attrahindo-lhe a ella
+representantes de diversas classes, e a despeito da vigilancia de uma
+policia singularmente activa, da miseria, e do terror gerado com a
+repress&atilde;o barbara da conjura&ccedil;&atilde;o de
+Gomes Freire, miseria e temor que determinam
+trai&ccedil;&otilde;es, ultimou o
+emprehendimento com exito memoravel. Sem duvida que o favoreceram as
+circunstancias, mas se lhe n&atilde;o pode contestar sagacidade na
+escolha dos apaniguados e na designa&ccedil;&atilde;o do
+momento do levante. A este espirito t&atilde;o destro quanto
+atilado n&atilde;o escapou que para indemnizar Portugal do
+desprestigio e das perdas provenientes da estada da familia real no
+Brasil, n&atilde;o bastava a <a href="#e49">traslada&ccedil;&atilde;o</a>
+<span class="pagenum">[233]</span>
+da côrte para a Europa. Isto que
+satisfazia a vaidade de alguns e as conveniencias de Lisboa,
+n&atilde;o dava alento &aacute;s fabricas de algod&atilde;o
+e de lans em deperecimento.<br />
+
+<br />
+
+Desajudadas de tarifas privilegiadas no Brasil, fugiam &aacute;
+concorrencia com os productos de outras terras europeias e
+n&atilde;o sabiam onde escoar as suas mercadorias defeituosas e
+caras. Importava, pois, assegurar a edependencia do
+ultramar para com a metropole, a fim de resguardar os interesses dos
+industriaes e commerciantes, os quaes com os diplomados das
+universidades constituiam o nervo da regenera&ccedil;&atilde;o.
+O astuto revolucionario num tra&ccedil;o de genio descobriu a
+f&oacute;rmula ideal, ao primeiro contacto dos brasileiros e
+portugu&ecirc;ses nas Côrtes, reputando as capitanias
+outras tantas provincias de Portugal<sup><a href="#Z271">[271]</a></sup>.
+Com ella realizava a egualdade
+entre as duas sec&ccedil;&otilde;es da monarchia promettida nos
+manifestos da revolu&ccedil;&atilde;o e reservava na realidade
+ao Reino todas as vantagens. Come&ccedil;ava por enfraquecer a
+antiga colonia. De facto as suas provincias tornadas dependentes como o
+Algarve e o Minho do Governo de Lisboa, ficavam sem cimento entre si e,
+por conseguinte, offereceri&atilde;o resistencias parciaes e
+inefficazes &aacute; oppress&atilde;o do Reino e at&eacute;
+habilitava este a fazer marchar as irmans do mesmo continente contra a
+capitania rebelde. N&atilde;o teria mais a metropole na America
+contra si um vasto imperio mas pequenos estados. A este magnifico
+resultado accresceria a
+restaura&ccedil;&atilde;o mais ou menos velada do monopolio
+commercial. Na verdade pareceria extranho lan&ccedil;ar
+imposi&ccedil;&atilde;o
+<span class="pagenum">[234]</span>
+&aacute;s mercadorias das provincias
+portugu&ecirc;sas da Europa que penetrassem nas provincias
+portugu&ecirc;sas da America so porque entre ellas havia o mar. Os
+generos e artefactos nacionaes transitari&atilde;o livremente por
+todas as terras da monarchia, e os productos extrangeiros fortemente
+tributados na America como o eram em Portugal cederi&atilde;o o
+campo aos similares do Reino.<br />
+
+<br />
+
+A condi&ccedil;&atilde;o essencial para a
+realiza&ccedil;&atilde;o do projecto magnifico era a obediencia
+formal dos ultramarinos &aacute;s resolu&ccedil;&otilde;es
+das
+Côrtes. Comprehendeu-o o revolucionario e ante o protesto
+energico do Brasil austral procurou dar ao lance o unico desfecho,
+embora extremado e impolitico, compativel com a ganancia e philaucia
+intransigentes da metropole. Ou S. Paulo, disse, estava em
+condi&ccedil;&otilde;es de manter o seu proposito ou
+n&atilde;o. N'um caso devia o governo fazer cumprir as leis e na
+outra hypothese, importava Portugal conformar-se com a
+separa&ccedil;&atilde;o:
+&laquo;passe o snr. Brasil muito bem, que n&oacute;s
+c&aacute; cuidaremos de nossa vida&raquo;<sup><a href="#Z272">[272]</a></sup>. A phrase commoveu
+a assembleia e escandalizou os periodicos e os gremios.<br />
+
+<br />
+
+Se n&atilde;o havia outra solu&ccedil;&atilde;o do negocio
+que o desmembramento, fôra melhor deixar dormir nos archivos
+o officio paulista.<br />
+
+<br />
+
+Desde, por&eacute;m, que o n&atilde;o quizeram os radicaes,
+urgia remediar a imprudencia com o alvitre dos moderados no sentido de
+retardar a commiss&atilde;o o seu parecer, esperan&ccedil;ada
+acaso de cobrir a representa&ccedil;&atilde;o com esquecimento
+bemfazejo.
+<br />
+
+<br />
+
+<span class="pagenum">[235]</span>
+Prevendo ent&atilde;o a impossibilidade da uni&atilde;o,
+Fernandes Thomaz, todavia, se n&atilde;o mostrou mais atilado do
+que Pereira do Carmo, o qual lobrigou na
+separa&ccedil;&atilde;o a perda dos fructos da
+revolu&ccedil;&atilde;o. Desconjuntada a
+na&ccedil;&atilde;o, ponderou, era licito aos adversarios do
+novo regimen dizerem com apparencia de raz&atilde;o: &laquo;No
+tempo do despotismo t&atilde;o calumniado se conservou inteira a
+monarchia, chegou a decantada liberdade constitucional e de repente se
+fez em peda&ccedil;os o imperio lusitano&raquo;<sup><a href="#Z273">[273]</a></sup>.<br />
+
+<br />
+
+Sem se intimidarem com o aspecto hostil do publico, os brasileiros
+tomaram parte no debate com vigor. Todos unanimemente reprovaram as
+demasias de estylo do officio, protestaram contra a desuni&atilde;o
+e n&atilde;o admittiram a eventualidade de processo contra os
+signatarios da representa&ccedil;&atilde;o. A Bahia, que se
+desligara do Brasil, pela voz de um dos seus mais dignos filhos, reata
+a solidariedade com os irm&atilde;os do Sul, e Borges de Barros
+prova que os largos ocios de homem rico n&atilde;o lhe entibiam as
+faculdades viris. Sem artificios de linguagem, protesta que subscreve
+as queixas da junta de S. Paulo. &laquo;Torno a dizer, adverte, que
+o Brasil tem direitos que reclamar e tem que se oppôr a
+varias resolu&ccedil;&otilde;es
+j&aacute; sanccionadas por este congresso, e assim o declaro para
+que em todo o tempo tenham logar as suas
+reclama&ccedil;&otilde;es quando as haja de
+fazer&raquo;<sup><a href="#Z274">[274]</a></sup>.<br />
+
+<br />
+
+Araujo Lima, o futuro regente do Imperio, reconhece o descontentamento
+do Brasil e faz
+<span class="pagenum">[236]</span>
+d'elle responsavel o Congresso por
+n&atilde;o attender &aacute;s informa&ccedil;&otilde;es
+dos representantes da
+America. As Côrtes n&atilde;o devem cogitar de punir a
+junta paulista a fim de evitar conflagra&ccedil;&atilde;o que
+n&atilde;o lograr&atilde;o domar. E pergunta com ironia:
+&laquo;Quaes s&atilde;o os soccorros que mandaria Portugal
+ao Brasil?&raquo;<sup><a href="#Z275">[275]</a></sup>.<br />
+
+<br />
+
+De todos os americanos nenhum provocou maior movimento de
+atten&ccedil;&atilde;o de que o deputado de S. Paulo sobrinho
+de Jos&eacute; Bonifacio. Chamava-se Antonio Manuel da Silva Bueno
+e fora eleito como primeiro substituto. Com quanto viesse com Vergueiro
+e Antonio Carlos, n&atilde;o tomara assento sen&atilde;o aos 25
+de fevereiro, reconhecida a impossibilidade de Francisco de Paula Sousa
+e Mello vir &aacute;s Côrtes, em consequencia de velha
+enfermidade aggravada no come&ccedil;o do anno<sup><a href="#Z276">[276]</a></sup>.<br />
+
+<br />
+
+Era a primeira vez que falava e provou que n&atilde;o desluzia a
+mais brilhante bancada. O seu discurso simples e commedido encerra um
+argumento forte do desejo de uni&atilde;o que lavra em S. Paulo. O
+facto da junta, allega, fazer quest&atilde;o de conservar na
+regencia o principe real patent&ecirc;a o empenho de n&atilde;o
+emancipar o Brasil. Ninguem mais que D. Pedro assegura a integridade da
+monarchia, em virtude do interesse de n&atilde;o reduzir os
+estados, dos quaes vir&aacute; a ser chefe na qualidade de herdeiro
+da Corôa. Adivinha-se a commo&ccedil;&atilde;o na sua
+voz quando se refere a
+Jos&eacute; Bonifacio. Lembra que este n&atilde;o admittia
+reconcilia&ccedil;&atilde;o
+<span class="pagenum"><a name="p237">[237]</a></span>
+com os franc&ecirc;ses installados
+violentamente no Reino, e organizou o batalh&atilde;o academico de
+Coimbra para expulsar o invasor<sup><a href="#Z277">[277]</a></sup>.<br />
+
+<br />
+
+O suave padre Marcos Antonio, deputado da <a href="#e50">Bahia</a>,
+apparece no
+debate de modo tocante. Perante as paix&otilde;es
+desencad&ecirc;adas folheia as
+paginas graves da Historia. Evoca feitos assignalados da provincia
+agora rebelde, e mostra os seus filhos atrav&eacute;s de passos
+arriscados descobrindo os esconderijos do ouro e da esmeralda, e um
+delles recusando a Corôa por n&atilde;o faltar
+&aacute;
+fidelidade a D. Jo&atilde;o IV. N&atilde;o &eacute; licito
+ao congresso
+perseguir os descendentes de taes servidores da patria<sup><a href="#Z278">[278]</a></sup>.<br />
+
+<br />
+
+N&atilde;o podia deixar de intervir na def&ecirc;sa da junta
+quem fora o collega dos aggredidos, e Vergueiro, que nunca se esquivou
+ao cumprimento do dever e &aacute;s leis da honra, vai fazel-o com
+a lealdade que o distingue. A administra&ccedil;&atilde;o de S.
+Paulo, disse, escolhida livremente pelo povo e que conhece os
+sentimentos das camaras municipaes, a quem consultou sobre as
+necessidades da provincia e do Brasil, n&atilde;o falou por si mas
+por seus concidad&atilde;os. Isto &eacute; t&atilde;o
+indubitavel como o descontentamento actual do ultramar.
+&laquo;Todas as provincias, informa o honesto transmontano, amavam
+as resolu&ccedil;&otilde;es do congresso, por isso que o
+congresso tivera a delicadeza de dizer que n&atilde;o legislava
+para o Brasil sen&atilde;o para o Reino. Quando se fizeram as bases
+da
+constitui&ccedil;&atilde;o se declarou expressamente numa
+dellas que a constitui&ccedil;&atilde;o s&oacute; obrigava
+a Portugal e que
+<span class="pagenum">[238]</span>
+obrigaria ao Brasil quando fosse approvada
+pelos representantes de suas provincias. Neste estado de cousas o
+espirito de uni&atilde;o era uniforme por toda a parte;
+n&atilde;o deve admirar que logo que o congresso sahiu desta linha
+e passou a legislar para o Brasil, que houvesse uma
+indigna&ccedil;&atilde;o geral naquellas provincias...
+&Eacute; at&eacute; um facto que se n&atilde;o pode
+negar&raquo;<sup><a href="#Z279">[279]</a></sup>.<br />
+
+<br />
+
+Presentindo que a assembl&eacute;a se inclinava a perfilhar a
+opini&atilde;o dos moderados, os radicaes tentaram estimular as
+paix&otilde;es reclamando a leitura do officio, a pretexto que uns
+se n&atilde;o lembravam delle, e outros se n&atilde;o achavam
+presentes &aacute; sess&atilde;o em que fôra
+publicado. Ninguem
+podia esquecer e ainda menos ignorar um documento reproduzido no Diario
+do Governo, commentado pela imprensa e que constituia o thema dominante
+das conversas. O parlamento teve o bom senso de repelir o manejo e
+auctorizou a commiss&atilde;o a apresentar o seu relatorio sobre o
+acto da junta de S. Paulo, quando pudesse formar juizo a respeito dos
+sentimentos do Brasil austral.<sup><a href="#Z280">[280]</a></sup><br />
+
+<br />
+
+Os brasileiros votaram com a maioria n&atilde;o sem terem declarado
+que se n&atilde;o oppunham &aacute; leitura da
+representa&ccedil;&atilde;o.<br />
+
+<br />
+
+Antonio Carlos que alcan&ccedil;ara dispensa de membro da
+commiss&atilde;o em sendo submettido a esta o officio paulista, em
+consequencia de figurarem nella parentes proximos seus, levado do mesmo
+escrupulo n&atilde;o descerrou os labios no
+<span class="pagenum">[239]</span>
+correr da discuss&atilde;o, o qual occupou duas sess&otilde;es
+nem,
+at&eacute;, concorreu ao escrutinio. Nada prova melhor o empenho
+dos brasileiros em cooperarem para a concordia que esse procedimento do
+fogoso paulista. N&atilde;o lhe faltava coragem e eloquencia, e
+amava os irm&atilde;os, injuriados desapiedadamente, de envolta com
+a junta, por Moura e outros energumenos. Prefiriu, todavia recalcar no
+fundo da alma a indigna&ccedil;&atilde;o, gerada pelos doestos
+violentos contra os entes queridos, a atear com a sua
+interven&ccedil;&atilde;o um incendio capaz de comprometter a
+uni&atilde;o, o interesse capital dos deputados brasileiros.<br />
+
+<br />
+
+Escriptores ha que arrastados do desejo, de tirar &aacute;s
+Côrtes a responsabilidade da
+separa&ccedil;&atilde;o, contestam a sinceridade dos
+representantes americanos e enxergam em todos os seus actos e palavras
+uma success&atilde;o ininterrompida de perfidias<sup><a href="#Z281">[281]</a></sup>. Chegam a
+referir um facto assombroso. Dizem que, conhecida a effervescencia de
+al&eacute;m-mar, alguns constituintes portugu&ecirc;ses dos
+mais influentes, reunidos no m&ecirc;ado de mar&ccedil;o em
+casa de Antonio Carlos, onde se achavam outros deputados brasileiros,
+declararam que no caso da America pretender a independencia, podiam
+accordar sobre as bases d'ella, para que se operasse sem desharmonia da
+familia. Os do Brasil repelliram com vehemencia a proposta,
+n&atilde;o querendo ouvir fallar em desuni&atilde;o. Affirma o
+historiographo que os ultramarinos assim responderam porque anhelavam
+separa&ccedil;&atilde;o violenta capaz de gerar odios<sup><a href="#Z282">[282]</a></sup>. Com
+dispensar commentarios a insensatez da
+interpreta&ccedil;&atilde;o,
+<span class="pagenum">[240]</span>
+limitar-nos-emos a considerar a
+narrativa. O mexerico politico, que a paix&atilde;o partidaria
+promove, nunca se ostentou com mais irreflex&atilde;o.
+N&atilde;o nos dando o nome dos regeneradores nem mencionando as
+suas fontes de informa&ccedil;&atilde;o, o escriptor supprimiu
+os meios accommodados &aacute; averigua&ccedil;&atilde;o de
+um facto, que,
+rejeitado da boa raz&atilde;o e dos documentos conhecidos,
+n&atilde;o podia ser exposto sem provas. &Eacute; inadmissivel
+que os portugu&ecirc;ses t&atilde;o sollicitos em mandarem
+tropas ao Rio e a Pernambuco, ao mais vago rumor de
+agita&ccedil;&atilde;o separatista, contra os votos dos
+deputados d'esses povos, fizessem semelhante
+proposi&ccedil;&atilde;o. Como admittir o desmembramento
+voluntario da na&ccedil;&atilde;o por parte d'aquelles que lhe
+deviam zelar a integridade? Porque offereceri&atilde;o tal dadiva
+ao Brasil que ent&atilde;o lh'a n&atilde;o pedia?<br />
+
+<br />
+
+Supposto houvesse proposta t&atilde;o inacreditavel, os brasileiros
+n&atilde;o podiam deixar de a recusar: traziam mandato de assentar
+as bases da uni&atilde;o e n&atilde;o para promover a
+emancipa&ccedil;&atilde;o da patria<sup><a href="#Z283">[283]</a></sup>.
+Affirmavam-no a cada
+passo nas sess&otilde;es, e lhes n&atilde;o era licito outra
+linguagem sem se pôrem em contradic&ccedil;&atilde;o
+com a
+aspira&ccedil;&atilde;o universal do Brasil. A junta de S.
+Paulo, o senado da Camara do Rio, o Reverbero constitucional<sup><a href="#Z284">[284]</a></sup> a folha
+politica contemporanea de mais p&ecirc;so na opini&atilde;o,
+propugnavam a integridade da
+na&ccedil;&atilde;o. Ora, quando os chefes do movimento, que
+sobresaltava as Côrtes e Portugal, n&atilde;o formulavam
+sen&atilde;o esse programma, n&atilde;o podiam os mandatarios
+<span class="pagenum"><a name="p241">[241]</a></span>
+do Brasil divergirem delle sem faltar aos conselhos da prudencia,
+do patriotismo.<br />
+
+<br />
+
+N&atilde;o procede t&atilde;o pouco a
+allega&ccedil;&atilde;o que os deputados e os corpos
+administrativos do reino americano estavam de cumplicidade com D. Pedro
+para a scis&atilde;o do imperio. O regente aceitou a independencia
+for&ccedil;ado das circumstancias, e nem podia ser de outro modo
+porque ninguem espontaneamente e sem vantagem malbarata o seu
+patrimonio. Porque raz&atilde;o havia de voluntariamente contribuir
+para a reduc&ccedil;&atilde;o de seus futuros estados? Aquella
+connivencia significaria, demais, que houve no Brasil uma
+conjura&ccedil;&atilde;o vasta e nunca divulgada, cousa sem
+exemplo. O facto &eacute; mais simples, e a verdade se encontra nos
+assertos dos brasileiros nas Côrtes.<br />
+
+<br />
+
+O partido da independencia, que apparec&ecirc;ra em Pernambuco em
+1817 e tinha adeptos por todo o Brasil mas sem
+liga&ccedil;&atilde;o entre si,
+perd&ecirc;ra a sua raz&atilde;o de existencia com a
+proclama&ccedil;&atilde;o do regimen constitucional, e com a
+promessa solemne da regenera&ccedil;&atilde;o de n&atilde;o
+estabelecer
+differen&ccedil;a entre Portugal e Brasil. Os ultramarinos
+entenderam ent&atilde;o que, salvo o rei, os magistrados e
+autoridades seri&atilde;o da terra, que teri&atilde;o leis
+feitas por seus deputados e que a uni&atilde;o lhes n&atilde;o
+daria encargos differentes do que imporia <a href="#e52">&aacute;
+m&atilde;e patria</a>.
+N&atilde;o tardou o desengano. O projecto de
+constitui&ccedil;&atilde;o no qual se reputavam provincias de
+Portugal as antigas capitanias come&ccedil;ou a patentear-lhes
+qu&atilde;o profunda era a divergencia com os irm&atilde;os da
+Europa sobre o modo de comprehender as rela&ccedil;&otilde;es
+entre os dous povos, e outras resolu&ccedil;&otilde;es das
+côrtes os
+persuadiam que em vez da egualdade nos direitos e interesses
+<span class="pagenum"><a name="p242">[242]</a></span>
+tornari&atilde;o &aacute;
+dependencia do Reino. &Aacute;
+capital portugu&ecirc;sa viri&atilde;o os do Brasil procurar
+recursos contra a oppress&atilde;o do Fisco e os desmandos da
+magistratura; de Lisboa partiri&atilde;o os juizes, as autoridades,
+os beneficios ecclesiasticos, e ahi estaria o commando supremo das
+for&ccedil;as insuladas <a href="#e53">na
+vastid&atilde;o</a> do
+Brasil, com que se difficultaria a def&ecirc;sa contra o
+extrangeiro audaz e o restabelecimento da ordem nas provincias,
+conturbadas por commo&ccedil;&otilde;es intestinas. Ao gaudio e
+confian&ccedil;a dos primeiros tempos succedeu a
+irrita&ccedil;&atilde;o em muitos, e em todos a
+apprehens&atilde;o de que Portugal intentava insidiosamente
+restaurar o regimen colonial, temor que os prudentes procuravam
+dissipar estribados nas Bases.<br />
+
+<br />
+
+Em verdade desde que se n&atilde;o applicassem ao Brasil as
+disposi&ccedil;&otilde;es constitucionaes sem o consentimento
+dos seus deputados, era licito esperar que, mediante a
+interven&ccedil;&atilde;o destes, a assembl&eacute;a
+constituinte decretasse novas
+resolu&ccedil;&otilde;es ao gosto dos povos ultramarinos<sup><a href="#Z285">[285]</a></sup>.
+Comprehende-se, portanto, o clamor de revolta que levantou no Brasil o
+dar-lhe congresso leis sem aguardar os seus representantes ou contra os
+votos dos poucos que nelle assistiam.<br />
+
+<br />
+
+Ao passo que o parlamento alienava as sympathias de
+al&eacute;m-mar, molestava o melindre de D. Pedro com a ordem de
+regressar a Europa, a fim de, conforme os debates, completar a sua
+educa&ccedil;&atilde;o politica. Era o reconhecimento formal da
+ignorancia do principe. Sem apoio no povo nem na regencia, os decretos
+das côrtes <a href="#e54">ficavam</a> ao
+desamparo no Brasil.
+<br />
+
+<br />
+
+<br />
+
+<br />
+
+<h3><a name="c14"></a>CAPITULO XIV</h3>
+
+<br />
+
+<div class="intro1">SUMMARIO:<br />
+
+<br />
+
+<em>O empenho de Portugal em reformar as pautas da
+alfandega.&#8213;A commiss&atilde;o de commercio.&#8213;O privilegio de
+navega&ccedil;&atilde;o e a marinha
+portugu&ecirc;sa.&#8213;Parecer conciliador dos brasileiros.&#8213;Fernandes
+Thomaz.&#8213;Injusti&ccedil;a do projecto &aacute;cerca dos
+productos agricolas.&#8213;A industria do Brasil e de Portugal.&#8213;O projecto
+fecha o Brasil &aacute;s na&ccedil;&otilde;es amigas.&#8213;Os
+brasileiros n&atilde;o o acceitam.&#8213;Devolve-se o projecto
+&aacute; commiss&atilde;o para ser revisto.&#8213;Fernandes Pinheiro
+assigna o novo projecto.&#8213;O artigo incriminado reapparece
+intacto.&#8213;&Eacute; restituido &aacute; commiss&atilde;o
+para ser emendado.</em></div>
+
+<br />
+
+<br />
+
+<br />
+
+Restituida a Côrte &aacute; Europa n&atilde;o havia
+para os portugu&ecirc;ses negocio de maior monta que a reforma do
+regimen aduaneiro da monarchia. Empobrecida com a lei de 28 de janeiro
+de 1808 que facultara &aacute; concorrencia internacional os
+mercados do Brasil, e atrophiada por tres seculos de monopolio e
+parasitismo, a industria de Portugal n&atilde;o
+alcan&ccedil;ara em treze annos energia para supplantar o
+ingl&ecirc;s, odiado, ignorante da
+<span class="pagenum">[244]</span>
+lingua e dos usos da terra mas que
+offerecia aos americanos artigos bons e baratos.<br />
+
+<br />
+
+N&atilde;o desviava Portugal os olhos de al&eacute;m-mar, sem
+saber, todavia, como cobrar a preponderancia antiga, quando a
+regenera&ccedil;&atilde;o e o regresso d'el-rei induziram-n'o a
+esperar que entre tantas mudan&ccedil;as, haveria logar para a
+realiza&ccedil;&atilde;o do seu sonho. Mal se abriu o Congresso
+um dos seus membros, e n&atilde;o dos menores, declarou a
+conveniencia da uni&atilde;o com o Brasil para o desenvolvimento
+economico do Reino<sup><a href="#Z286">[286]</a></sup>,
+e acclamado no ultramar o regimen
+constitucional, os constituintes n&atilde;o exergaram
+na integridade da monarchia mais que uma fonte de beneficios materiaes
+para a velha metropole<sup><a href="#Z287">[287]</a></sup>.
+D'ahi por diante a vis&atilde;o do
+declinio d'esta se desfez &aacute;
+esperan&ccedil;a do renascimento por via do trato com o reino
+ultramarino. Ninguem sabia das condi&ccedil;&otilde;es do novo
+plano mercantil, mas &aacute; medida que os irm&atilde;os mais
+velhos exultavam com a ideia da reforma das tarifas, os do outro lado
+do Atlantico, em minoria nas Côrtes, tomavam-se de pavor e
+perguntavam-se a si mesmos se n&atilde;o tinham raz&atilde;o
+aquelles que na Bahia, Pernambuco, S. Paulo, Minas e Rio attribuiam ao
+Congresso a inten&ccedil;&atilde;o de os reduzir a colonos.
+Nada interessa tanto o homem como a subsistencia. Ora dizer que
+Portugal com os seus decretos apparelhava o terreno para a
+resurrei&ccedil;&atilde;o do monopolio
+secular, era amea&ccedil;ar o operario, o agricultor e o
+commerciante de vender mal o seu trabalho e productos
+<span class="pagenum">[245]</span>
+e de comprar caro os baet&otilde;es da Beira e a
+len&ccedil;aria de Alcoba&ccedil;a, desdenhados depois que
+conheceram as fazendas superiores das fabricas britannicas. Tornou-se
+unanime o clamor da America, e n'elle os protestos dos interesses em
+perigo avantajaram-se &aacute; voz das
+aspira&ccedil;&otilde;es
+politicas desenganadas. Para o extinguir entendeu a
+commiss&atilde;o especial dos negocios politicos do Brasil que nada
+havia mais efficaz do que o estudo immediato do projecto commercial<sup><a href="#Z288">[288]</a></sup>.
+<br />
+
+<br />
+
+Na commiss&atilde;o que elaborou o projecto de 15 de
+mar&ccedil;o havia dous brasileiros da Bahia, Bandeira e Pinto da
+Fran&ccedil;a. Este propendia a harmonizar as conveniencias das
+duas sec&ccedil;&otilde;es do imperio em vantagem da Europa, e
+aquelle que n&atilde;o fallava nem fazia proposta
+s&oacute;mente agora dava occasi&atilde;o de se formar juizo de
+seu espirito. Com elles trabalharam quatro europeus, e todos tinham a
+boa nota de se n&atilde;o recommendarem &aacute;
+admira&ccedil;&atilde;o dos gremios<sup><a href="#Z289">[289]</a></sup>,
+e um d'elles,
+Braamcamp, acompanhou a minoria corajosa que acceitava duas camaras.<br />
+
+<br />
+
+O projecto come&ccedil;ava por se valer do conceito de ser o Brasil
+provincia de Portugal, para considerar de cabotagem o trafego entre os
+portos da na&ccedil;&atilde;o atravez do oceano e concluia, por
+isso, que se conduzissem as marcadorias de um o outro continente em
+navios de construc&ccedil;&atilde;o e propriedade
+portugu&ecirc;sa. Surgia, por&eacute;m, uma quest&atilde;o
+preliminar; dispunha a monarchia de vasos sufficientes &aacute;s
+necessidades dos povos ultramarinos?
+<br />
+
+<br />
+
+<span class="pagenum"><a name="p246">[246]</a></span>
+De ha muito a marinha, que no meado do seculo XVI desfraldava as quinas
+por todos os mares, perdera o esplendor, mas agora se afundava no
+abysmo da miseria<sup><a href="#Z290">[290]</a></sup>.
+Falleciam-lhe barcos de guerra, em virtude da
+penuria do thesouro n&atilde;o permittir a
+renova&ccedil;&atilde;o dos
+que se estragaram, ou desappareciam no fundo das aguas, e as raras
+embarca&ccedil;&otilde;es mercantes,
+escapadas por milagre &aacute; pirataria, apodreciam nos
+ancoradouros, incapazes de disputar os carregamentos de ultramar aos
+forasteiros, por causa de encargos impostos pela rotina administrativa
+ao levantarem ferro<sup><a href="#Z291">[291]</a></sup>.
+Sujeitar o Brasil a se servir dos transportes
+do Reino era aggravar os seus generos com fretes excessivos, e acaso
+retardar o seu progresso attrahindo para o commercio maritimo, tornado
+altamente remunerador, <a href="#e55">capitaes</a>
+destinados primativamente ao
+desbravamento das florestas e ao amanho das terras. Ferreira Borges e
+Guerreiro n&atilde;o admittiam, por isso, se vedasse absolutamente
+a navega&ccedil;&atilde;o aos extranhos, e
+alvitraram que por meio de tributos sobre os alienigenas se habilitasse
+a marinha nacional a entrar em competencia com elles.<br />
+
+<br />
+
+Os americanos, salvo Villela Barbosa e Pinto da Fran&ccedil;a,
+partidarios da proposta, perfilharam essa opini&atilde;o moderada,
+sem embargo de privar a patria da livre concorrencia internacional, da
+qual colhiam todas as vantagens e de sobrecarregar os fructos de
+ultramar com despesas desnecessarias.
+<span class="pagenum">[247]</span>
+O proprio Barata
+n&atilde;o pensou de modo differente, e reconheceu, pela primeira
+vez, a nenhuma influencia dos brasileiros nas decis&otilde;es
+legislativas a respeito de sua terra. Come&ccedil;a
+ent&atilde;o a apparecer nos seus discursos a
+fei&ccedil;&atilde;o de se despicar do menospre&ccedil;o da
+maioria, com encarecer a patria e deprimir desapi&eacute;dadamente
+a antiga metropole. As figuras primaciaes da
+regenera&ccedil;&atilde;o trouxeram ao debate todo
+p&ecirc;so do seu prestigio, e as côrtes subscreveram o
+artigo em todo o rigor. Em acto continuo &aacute;
+vota&ccedil;&atilde;o, um dos autores do projecto. Luiz
+Monteiro, abalado pela discuss&atilde;o, receou n&atilde;o
+bastarem as naus
+portugu&ecirc;sas para o servi&ccedil;o do ultramar, e lembrou
+a conveniencia de ser licito a este em certos casos ou mediante
+determinadas condi&ccedil;&otilde;es,
+valer-se dos navios de f&oacute;ra. Fernandes Thomaz appressou-se
+em lhe remover o escrupulo com auctoridade, allegando que, por se
+tratar de simples lei e n&atilde;o de preceito constitucional, se
+lhe n&atilde;o tornaria difficil dar remedio na
+occasi&atilde;o.<sup><a href="#Z292">[292]</a></sup>
+N&atilde;o ignorava o orgulhoso regenerador que a
+modifica&ccedil;&atilde;o ou crea&ccedil;&atilde;o de
+uma lei percorre os mesmos tramites lentos e que, no transcurso
+d'elles, se expori&atilde;o os da America a damnos irreparaveis.
+D'isso, por&eacute;m, n&atilde;o cogitava,
+comtanto que se salvaguardassem de modo inilludivel os interesses da
+na&ccedil;&atilde;o, os quaes, ao seu parecer, n&atilde;o
+eram outros que os do Reino.<br />
+
+<br />
+
+Sacrificava tambem a proposta as conveniencias da America com a obrigar
+a consumir o vinho, vinagre e sal da m&atilde;e patria, proscriptos
+<span class="pagenum">[248]</span>
+dos mercados de al&eacute;m-mar os
+productos similares extrangeiros. Verdade &eacute; que tambem
+Portugal n&atilde;o receberia assucar, tabaco e caf&eacute; e
+cacau sen&atilde;o do Brasil. Isto, por&eacute;m, que
+&aacute;
+primeira vista parecia justa compensa&ccedil;&atilde;o,
+realmente o
+n&atilde;o era. Ao passo que as vinhas franc&ecirc;sas e
+hespanholas concorriam vantajosamente com os vinhedos do Douro<sup><a href="#Z293">[293]</a></sup>, a
+natureza do solo, o clima, a qualidade da canna, e o trabalho escravo
+asseguravam ao Brasil para o seu principal artigo de
+exporta&ccedil;&atilde;o, o assucar, preeminencia nos mercados
+que lh'a n&atilde;o disputavam as colonias de Inglaterra, de
+Fran&ccedil;a e de Hespanha<sup><a href="#Z294">[294]</a></sup>.
+O que tornava tambem o contracto
+notavelmente desegual, &eacute; que proporcionava &aacute;
+antiga metropole meio de collocar approximadamente a metade de sua
+exporta&ccedil;&atilde;o de vinhos, emquanto que ao Brasil
+n&atilde;o garantia a venda sen&atilde;o de oito por cento de
+seu assucar. Das duzentas mil caixas produzida pelo reino
+transatlantico, a sec&ccedil;&atilde;o
+europeia da monarchia absorvia em media somente dezesseis mil.<sup><a href="#Z295">[295]</a></sup> Os
+brasileiros, todavia, inclinaram-se a aceitar a clausula lesiva com a
+reserva de n&atilde;o ser absoluta a
+prohibi&ccedil;&atilde;o.
+Entendiam que, tributada com rigor a competencia extrangeira,
+protegia-se a agricultura indigena e n&atilde;o se tirava ao
+consumidor o recurso de se abastecer fora nos annos de escassez de
+vinho em Portugal ou de assucar no Brasil. N&atilde;o vingou o
+<span class="pagenum">[249]</span>
+intento, e a maioria ainda sanccionou a
+disposi&ccedil;&atilde;o sem mudan&ccedil;a substancial<sup><a href="#Z296">[296]</a></sup>.
+<br />
+
+<br />
+
+A proposta n&atilde;o acautellava melhor os interesses industriaes
+de alem-mar. Parece extranho que se refira a industria do Brasil n'esse
+periodo, limitada, como era, ao cortume e a tecedura do
+algod&atilde;o por processos rudimentares. A commiss&atilde;o
+alludira, comtudo, a ella, disposta a protegel-a permittindo que
+entrassem em Portugal, isentos de impostos, os seus modestos productos,
+em troca porem, exigia reciprocidade para os artefactos
+portugu&ecirc;ses. Era zombar dos brasileiros semelhante
+proposi&ccedil;&atilde;o, apresentada,
+al&eacute;m d'isso, como penhor de generosidade e desvelo da
+m&atilde;e patria. A courama do ultramar, disputada pelos
+extrangeiros, excusava estimulo para ter escoamento, e o Reino
+precisava d'ella para as suas fabricas de sapatos, malas e arreios<sup><a href="#Z297">[297]</a></sup>.
+N&atilde;o havia t&atilde;o pouco favor em franquear aos
+mercados de Portugal os tecidos de Minas, insufficientes para o consumo
+local e que, caros e de qualidade inferior, cediam a qualquer
+competencia, como eram vencidos os do reino pela
+fabrica&ccedil;&atilde;o
+extrangeira. O projecto, por&eacute;m, n&atilde;o s&oacute;
+n&atilde;o amparava mas tendia a destruir a nascente manufactura
+ultramarina, deixando entrar ao abrigo de
+contribui&ccedil;&otilde;es a len&ccedil;aria
+portugu&ecirc;sa, sujeita ent&atilde;o ao imposto de 15%.
+N&atilde;o cuidem que os ultramarinos achariam
+compensa&ccedil;&atilde;o ao desbarato de suas
+fia&ccedil;&otilde;es na excellencia dos pannos do Reino,
+<span class="pagenum">[250]</span>
+que os iam cobrir.
+Portugal tinha a industria que p&oacute;de existir n'um paiz sem
+carv&atilde;o de pedra e habituado a trocar os seus artefactos com
+povos que n&atilde;o commerciavam com europeus. Fabricava mal e
+fabricava caro, houvesse ou n&atilde;o em casa a materia prima<sup><a href="#Z298">[298]</a></sup>.<br />
+
+<br />
+
+Fernandes Thomaz assignalara o atraso das manufacturas
+&laquo;apesar do que os nossos naturaes dizem e com quem
+n&atilde;o nos devemos illudir&raquo;<sup><a href="#Z299">[299]</a></sup>.<br />
+
+<br />
+
+Para favorecer esses industriaes negligentes, obrigava o projecto aos
+brasileiros usarem mercadorias inferiores e adquiridas mais caro do que
+pagavam as semelhantes de Inglaterra, consideradas ent&atilde;o sem
+rivaes no mundo. Mas de todos os inconvenientes da proposta nenhum se
+avantajava ao seu effeito desastroso nas rendas publicas do ultramar.
+As taxas aduaneiras constituiam a principal fonte de receita, e entre
+ellas tinham parte conspicua os direitos sobre a
+importa&ccedil;&atilde;o de fazendas. Na
+situa&ccedil;&atilde;o angustiosa do erario brasileiro, a qual
+servira de pretexto para a
+extinc&ccedil;&atilde;o dos tribunaes superiores do Rio,
+renunciar a uma contribui&ccedil;&atilde;o antiga, bem acceita
+dos povos e que certamente se n&atilde;o substituiria sem provocar
+novas queixas geraes, bastaria para testemunhar o menospre&ccedil;o
+com que se tratavam os interesses de uma parte da monarchia; mas os
+portuguezes aggravaram a negligencia n&atilde;o cogitando de
+preencher o vacuo do thesouro de al&eacute;m-mar. Verberada a
+injusti&ccedil;a do artigo por Lino Coutinho e Antonio Carlos, este
+acabou,
+<span class="pagenum"><a name="p251">[251]</a></span>
+todavia, por subscrevel-o
+generosamente com a clausula de vigorar at&eacute; 1825.
+Ent&atilde;o <a href="#e58">expiraria</a> o
+tratado de commercio com a Inglaterra, de
+1810, e gravados fortemente os productos britannicos, e de outras
+partes, viri&atilde;o as mercadorias do Reino a pagar 15% com que
+se acautelari&atilde;o os interesses das alfandegas ultramarinas.
+Assim resolveu o Congresso<sup><a href="#Z300">[300]</a></sup>.<br />
+
+<br />
+
+Como se n&atilde;o bastassem essas
+disposi&ccedil;&otilde;es eminentemente damnosas ao Brasil, a
+commiss&atilde;o quis attender ao commercio da antiga
+<a href="#e59">metropole</a>,
+desconsolado com a perda do privilegio de distribuir os productos
+brasileiros aos mercados do mundo, privilegio mais rendoso que as suas
+industrias<sup><a href="#Z301">[301]</a></sup>.
+Revogar francamente o decreto de 28 de janeiro de 1808,
+considerado o agente poderoso do progresso de al&eacute;m-mar,
+alienaria as derradeiras sympathias do novo reino pelas
+côrtes; e, por outra parte n&atilde;o satisfazer a
+mercancia de Portugal, que na uni&atilde;o n&atilde;o divisara
+mais que as suas conveniencias, arriscava esfriar o zelo pela
+regenera&ccedil;&atilde;o dos influentes traficantes do Porto e
+de Lisboa. A commiss&atilde;o intentou atravessar o passo escabroso
+por via de combina&ccedil;&atilde;o de taxas no presupposto
+ingenuo de n&atilde;o serem os deputados da America mais sagazes
+que os seus collegas Bandeira e Pinto da Fran&ccedil;a. Propunha
+pagassem os generos americanos exportados em navios nacionaes um por
+cento e levados por barcos extrangeiros seis por cento, salvo o
+algod&atilde;o obrigado a dez por cento.
+<br />
+
+<br />
+
+<span class="pagenum"><a name="p252">[252]</a></span>
+At&eacute; ahi excusava-se a providencia com côr de
+protec&ccedil;&atilde;o &aacute; marinha nacional, sem
+embargo de estancar as receitas de al&eacute;m-mar. Zefirino dos
+Santos, que <a href="#e61">patenteou</a> na
+discuss&atilde;o
+intelligencia e saber, advertiu que vingada a proposta, a renda fiscal
+resultante somente da exporta&ccedil;&atilde;o do
+algod&atilde;o, tributado approximadamente em <a href="#e62">15%</a>
+desceria a zero,
+porque seria expedido o importante producto em navios
+portugu&ecirc;ses e o um por cento a que estaria sujeito, mal
+custearia o servi&ccedil;o aduaneiro. Onde, por&eacute;m, a
+commiss&atilde;o se mostrou sem pejo e confirmou plenamente o temor
+de recolonisa&ccedil;&atilde;o que sobresaltava o Brasil
+inteiro, foi na disposi&ccedil;&atilde;o immediata, na qual
+facultava aos alienigenas carregarem os seus navios nos portos de
+Portugal mediante dous por cento, aquellas mercadorias que procuradas
+no paiz de produc&ccedil;&atilde;o soffreri&atilde;o
+&aacute;
+sahida o imposto de seis a dez por cento. Era afugentar puramente e
+simplesmente o europeu da outra sec&ccedil;&atilde;o da
+monarchia. De feito se n&atilde;o aventuraria &aacute;
+travessia longa e perigosa para buscar cousas offerecidas em seu
+continente com menores encargos; e se n&atilde;o as procurava na
+America, tambem l&aacute;
+n&atilde;o mandaria os seus artefactos, porque n&atilde;o
+queria fazer o pessimo negocio de trazer sem carga a sua
+embarca&ccedil;&atilde;o. Portugal tornava-se, por
+conseguinte, o emporio do commercio da monarchia, resuscitava-se o
+monopolio sem se fecharem os portos da antiga colonia &aacute;s
+na&ccedil;&otilde;es
+amigas. Borges de Barros, Zefirino dos Santos e Antonio Carlos
+desvendaram os intuitos da commiss&atilde;o. &laquo;Os
+brasileiros, disse o fogoso paulista, tem os precisos conhecimentos dos
+seus verdadeiros interesses, est&atilde;o muito adiantados em
+civiliza&ccedil;&atilde;o
+e cultura para serem tratados como selvagens. Elles
+<span class="pagenum"><a name="p253">[253]</a></span>
+v&ecirc;em, e todo o mundo
+v&ecirc;, a tendencia occulta desta medida. Portugal viria a ser o
+deposito unico das produc&ccedil;&otilde;es do Brasil, a elle
+s&oacute; concorreri&atilde;o os extrangeiros a fornecer-se
+destes productos, e no mercado brasileiro desde ent&atilde;o
+deserto de qualquer outra competencia, dictari&atilde;o leis os
+negociantes portugu&ecirc;ses e os seus agentes, e deste modo
+restabelecer-se-ia indirectamente o odioso exclusivo
+colonial&raquo;<sup><a href="#Z302">[302</a><a href="#Z285">]</a></sup>.<br />
+
+<br />
+
+Os autores do projecto desnort&ecirc;ados com a
+revela&ccedil;&atilde;o de seus designios e sem meios de
+destruir a accusa&ccedil;&atilde;o, referiram-se a esta com
+desdem como se fora cousa indigna de lusitanos sacrificar ao
+torr&atilde;o natal as <a href="#e63">conveniencias</a>
+de al&eacute;m-mar, Zefirino dos Santos
+desmacarou-lhes o arreganho de altivez e de liberalismo com ler o
+relatorio da commiss&atilde;o extra-parlamentar, constituida dos
+negociantes mais notaveis do reino e que servira de base &aacute;
+proposta, &laquo;Se conseguirmos, rezava, em virtude das
+providencias sujeitas ao soberano congresso sobre o commercio do Brasil
+que a troca dos productos do mesmo Brasil, Portugal e Algarves pelas
+manufacturas extrangeiras se verifique em a Pra&ccedil;a de Lisboa,
+alcan&ccedil;amos vantagens mui superiores sem duvida as que
+poderiamos esperar das fabricas&raquo;<sup><a href="#Z303">[303]</a></sup>.<br />
+
+<br />
+
+A commiss&atilde;o n&atilde;o fôra mais feliz
+tentando amparar a sua obra com a conveniencia de auxiliar a marinha da
+na&ccedil;&atilde;o. O implacavel Zefirino dos Santos retrucou
+que de facto o projecto promoveria a navega&ccedil;&atilde;o
+mas exclusivamente &aacute;
+<span class="pagenum">[254]</span>
+custa do novo reino, porque os generos
+portugu&ecirc;ses, quaes o vinho, o sal e a fructa n&atilde;o
+solviam encargo algum fiscal transportadas para f&oacute;ra por
+extrangeiros, e os proprios productos de al&eacute;m-mar
+sa&iacute;dos de Portugal em vasos extranhos contribuiram
+t&atilde;o pouco para o erario, que n&atilde;o era licito
+considerar protectora a tarifa.<br />
+
+<br />
+
+Frustrado o intento machiavelico com os golpes certeiros dos
+americanos, o congresso deliberou devolver os artigos incriminados
+&aacute; commiss&atilde;o para ella os modificar de accordo com
+as emendas apresentadas na discuss&atilde;o, entre as quaes
+sobresaia a de Zefirino dos Santos conciliadora dos interesses de uma e
+outra parte da na&ccedil;&atilde;o. Propunha o atilado
+pernambucano a mesma
+contribui&ccedil;&atilde;o sobre generos ultramarinos fossem
+elles exportados do paiz productor ou reexpedidos da m&atilde;e
+patria<sup><a href="#Z304">[304]</a></sup>.<br />
+
+<br />
+
+Passava-se isto no m&ecirc;s de julho, e sem embargo do presidente
+das Côrtes estimular a commiss&atilde;o a apresentar o
+seu trabalho rectificado<sup><a href="#Z305">[305]</a></sup>
+ella guardou silencio at&eacute; 14 de
+setembro<sup><a href="#Z306">[306]</a></sup>.
+Assignaram o projecto os mesmos portugu&ecirc;ses que
+elaboraram a proposta anterior mas por parte do Brasil o n&atilde;o
+subscreviam agora Bandeira e Pinto da Fran&ccedil;a, que, por
+doentes fallaram &aacute;s sess&otilde;es havia alguns dias:
+substituia os Fernandes Pinheiro, mandatario de S. Paulo com assento no
+congresso desde 27 de abril.<br />
+
+<br />
+
+Era um espirito grave e culto, e acabara de
+<span class="pagenum"><a name="p255">[255]</a></span>
+se salientar superiormente nos agitados debates &aacute;cerca da
+evacua&ccedil;&atilde;o militar de
+Montevideu. Este precedente induzia a acreditar que os interesses da
+America teri&atilde;o solicito patrono. Infelizmente,
+por&eacute;m, os collegas da commiss&atilde;o, ou por
+m&eacute;ra coincidencia ou por calculo, submetteram o novo
+trabalho &aacute; assignatura do douto var&atilde;o, quando o
+preoccupava um dos negocios que mais apaixonaram a bancada americana.
+Em verdade n'esse mesmo dia 14 de setembro, o egregio paulista
+declarava o seu proposito de n&atilde;o jurar a
+constitui&ccedil;&atilde;o em desaccordo flagrante com as
+aspira&ccedil;&otilde;es do novo reino. D'ahi resultou que
+Fernandes Pinheiro veiu a pôr o seu nome no documento que
+tendia recolonizar a patria; porque por mais extraordinaria que seja a
+<a href="#e64">cousa</a> nos annaes parlamentares, a
+negregada
+disposi&ccedil;&atilde;o devolvida &aacute;
+commiss&atilde;o para ser alterada de conformidade com as emendas e
+advertencias apresentadas no debate, resurgiu intacta nas
+Côrtes. J&aacute; ahi
+n&atilde;o vinham Antonio Carlos, Barata, Lino Coutinho, Borges de
+Barros e Ferreira da Silva, que tomaram parte nas discuss&otilde;es
+precedentes, e os poucos brasileiros, que assistiam a essas derradeiras
+sess&otilde;es, se haviam desinteressado dos trabalhos
+legislativos, mais e mais convencidos da imminencia da
+separa&ccedil;&atilde;o. Nem por isso deixou a proposta
+insolente de soffrer duro assalto de Zeferino dos Santos,
+secundado vigorosamente por Castro e Silva, deputado por
+Cear&aacute; no Congresso desde 8 de maio. Os portugu&ecirc;ses
+n&atilde;o queriam renunciar o intento, e entre elles nenhum se
+avantajou em tenacidade e ousadia a Ferreira Borges, um dos
+pr&oacute;ceres da
+regenera&ccedil;&atilde;o. Manhoso e com interesses no
+commercio, na qualidade de secretario da Companhia do Alto
+<span class="pagenum">[256]</span>
+Douro<sup><a href="#Z307">[307]</a></sup>
+lembrou-se, a despeito do
+conhecimento dos negocios do Brasil, patent&ecirc;ado na
+seguran&ccedil;a presump&ccedil;osa com que resolvia as
+quest&otilde;es mais intrincadas de al&eacute;m-mar, de que
+havia cousas simples que ignorava, e estas n&atilde;o eram outras
+sen&atilde;o as taxas aduaneiras dos generos americanos sahidos em
+barcos extrangeiros. Opinava, por isso, pela
+conserva&ccedil;&atilde;o das tarifas
+estabelecidas at&eacute; melhor conhecimento da materia. Os
+brasileiros se n&atilde;o deixaram commover com esses testemunhos
+de modestia e de zelo pelo bem publico, e repelliram com vivacidade o
+alvitre matreiro tendente a reservar exclusivamente a Portugal o
+trafico com o ultramar. De feito mantidos direitos em vigor e o que
+acabava de ser approvado, os de f&oacute;ra n&atilde;o
+levari&atilde;o
+algod&atilde;o do Brasil sem dar 15% &aacute; alfandega, ao
+passo que os portugu&ecirc;ses n&atilde;o pagari&atilde;o
+mais
+que um por cento. N&atilde;o atravessari&atilde;o, pois, o
+Atlantico em busca de um producto offerecido em Lisboa alliviado de
+t&atilde;o gravosa contribui&ccedil;&atilde;o.
+Apesar de nova interven&ccedil;&atilde;o de Ferreira Borges,
+apoiado por Soares Franco, as côrtes devolveram ainda outra
+vez o projecto &aacute; commiss&atilde;o a fim de o
+redigir de conformidade com as id&eacute;as de Ferreira Borges e
+Zeferino dos Santos<sup><a href="#Z308">[308]</a></sup>.
+Eram conceitos antagonicos que a
+commiss&atilde;o j&aacute;mais lograria conciliar. Sabia-o o
+Congresso mas n&atilde;o ousava pronunciar-se no sentido da
+aspira&ccedil;&atilde;o
+portugu&ecirc;sa com receio de levante geral por todo o Brasil, e
+n&atilde;o se manifestava o favor d'este por n&atilde;o
+desgostar os mercadores do Reino com lhes arrancar
+<span class="pagenum"><a name="p257">[257]</a></span>
+a esperan&ccedil;a de rehaver
+o suspirado monopolio, justamente quando tomava vulto o
+descontentamento contra a regenera&ccedil;&atilde;o.<br />
+
+<br />
+
+N&atilde;o mais se discutiu o negocio nas Côrtes.
+N&atilde;o &eacute;, porem desarrazoado suppor, visto o empenho
+ardente do Reino, que o parlamento acabaria por sanccionar a odiosa
+medida, se os successos do Brasil o n&atilde;o houvessem levado
+&aacute; independencia.
+<br />
+
+<br />
+
+<br />
+
+<br />
+
+<h3>
+<a name="c15"></a>CAPITULO XV</h3>
+
+<br />
+
+<div class="intro1">SUMMARIO:<br />
+
+<br />
+
+<em>Noticias do Rio.&#8213;Insultos aos partidarios de D.
+Pedro.&#8213;Antonio Carlos.&#8213;Effervescencia da assembl&eacute;a.&#8213;Os
+portugu&ecirc;ses n&atilde;o censuram as tribunas.&#8213;Alguns
+deputados de S. Paulo e da Bahia resolvem n&atilde;o vir
+&aacute;s Côrtes.&#8213;Antonio Carlos renuncia ao mandato.&#8213;O
+congresso convida os brasileiros melindrados a tomarem os seus
+logares.&#8213;Projecto de Feij&oacute;.&#8213;Impress&atilde;o nas
+Côrtes.&#8213;Attitude de Moura.</em></div>
+
+<br />
+
+<br />
+
+<br />
+
+Apenas encetada a discuss&atilde;o do projecto das
+rela&ccedil;&otilde;es commerciaes, veio ao congresso a nova de
+graves successos occorridos no Rio de Janeiro. A junta de S. Paulo,
+como vimos, representara ao principe a conveniencia de n&atilde;o
+attender ao decreto que o revocava &aacute; Europa, e paulistas,
+mineiros e fluminenses cuidavam fazer peti&ccedil;&otilde;es
+analogas. A assembl&ecirc;a, o
+governo, Portugal inteiro confiava, por&eacute;m, que os regimentos
+portugu&ecirc;ses destacados em al&eacute;m-mar, enthusiastas
+da regenera&ccedil;&atilde;o, frustari&atilde;o os desejos
+do Brasil meridional compellindo D. Pedro a obedecer &aacute;
+resolu&ccedil;&atilde;o legislativa. Ora na
+sess&atilde;o de 15 de abril soube-se por via de Jorge de Avillez,
+commandante
+<span class="pagenum">[259]</span>
+da divis&atilde;o auxiliadora, que n&atilde;o
+s&oacute; o regente decidira ficar na America mas tambem que elle e
+os seus soldados haviam, para evitar os horrores da guerra civil,
+desertado a capital brasileira pela Praia Grande, de onde
+tomari&atilde;o a caminho da Europa, em chegando os
+batalh&otilde;es que os deviam render. Antolha-se-lhe, contudo,
+incerto que pudessem aguardar essas tropas por causa da insistencia de
+D. Pedro para que embarcassem immediatamente. Queixava-se tambem o
+general de que a despeito dos seus protestos, o herdeiro da
+corôa desfazia os regimentos do Reino com dar illegalmente
+baixas a todas as pra&ccedil;as que lh'as requeriam.<sup><a href="#Z309">[309]</a></sup><br />
+
+<br />
+
+Era um golpe profundo no
+prestigio das Côrtes; e &aacute;
+indigna&ccedil;&atilde;o resultante do menoscabo
+de suas determina&ccedil;&otilde;es accrescia a impotencia de
+reagir, attenta a defficiencia dos recursos militares e economicos da
+metropole para crear naquella parte do ultramar poderoso nucleo de
+resistencia. Comprehende-se, pois, a exalta&ccedil;&atilde;o, a
+raiva
+crescente do povo, apinhado nas galerias, e nas constituintes, os quaes
+atrav&eacute;s dos officios enxergavam o exercito lusitano recuar
+perante as milicias &laquo;frades armados, clerigos e
+cidad&atilde;os&raquo;
+sob os risos de mofa e um diluvio de injurias. Finda a leitura desses
+documentos, Borges Carneiro, o menos proprio para orar em tal
+conjuntura, em consequencia do temperamento ardente e impulsivo,
+requereu o exame da representa&ccedil;&atilde;o de S. Paulo de
+24 de dezembro, e a exhibi&ccedil;&atilde;o dos papeis
+relativos a Montevideu com o intuito de pôr &aacute;s
+ordens do governo as for&ccedil;as portugu&ecirc;sas
+<span class="pagenum"><a name="p260">[260]</a></span>
+destacadas na Banda
+Oriental para com ellas castigar os rebeldes; n&atilde;o
+por&eacute;m, sem ter previamente injuriado do modo mais desabrido
+os partidarios de D. Pedro. &laquo;Eram homens depravados e
+ladr&otilde;es que roubaram sempre a
+na&ccedil;&atilde;o&raquo;<sup><a href="#Z310">[310]</a></sup>.
+Nesse partido figuravam parentes e
+amigos dos deputados paulistas e pela primeira vez um brasileiro
+occupava o cargo de ministro, Jos&eacute; Bonifacio. Dizia o
+pessimista Correio Brasiliente que era principalmente esta novidade que
+irritava os irm&atilde;os mais velhos. Com Jos&eacute;
+Bonifacio estava no conselho da regencia na qualidade de gestor da
+fazenda publica, Caetano Pinto de Miranda Montenegro, o integro quanto
+molla capit&atilde;o general de Pernambuco
+por occasi&atilde;o de revolta de 1817. Era licito a um
+irm&atilde;o deixar sem resposta semelhantes conceitos? Antonio
+Carlos capitulou-os de calumniosos e affirmou que os actuaes
+collaboradores do principe real e os fautores do movimento politico do
+sul brasileiro n&atilde;o cediam em probidade a nenhum dos membros
+da assembl&eacute;a. N&atilde;o pôde continuar
+suffocado por gritos, &laquo;&aacute; ordem&raquo; e protestos
+<a href="#e66">vehemente do</a> recinto, e por
+insultos e
+amea&ccedil;as vomitadas das tribunas.<sup><a href="#Z311">[311]</a></sup>
+Restabelecido o silencio,
+proseguiu estimulado pela borrasca, com voz sonora e vibrante, relevada
+por gesticula&ccedil;&atilde;o sobria e grave.<sup><a href="#Z312">[312]</a></sup> Apesar dos
+sussurros, ali&aacute;s despreziveis
+<span class="pagenum">[261]</span>
+das galerias
+n&atilde;o teme repetir que em inteireza moral, nenhum deputado
+vence a qualquer dos parciaes conspicuos de D. Pedro. Desafia que lhe
+apontem um desfallecimento da honra na vida longa dos ministros do
+reino e da fazenda.<br />
+
+<br />
+
+O congresso, em vez de verberar o procedimento insolito dos
+espectadores, aos quaes o presidente nem intimou o silencio, de algum
+modo o applaudiu pela boca de Fernandes Thomaz.<br />
+
+<br />
+
+O congresso declarou o egregio var&atilde;o a Antonio Carlos,
+disposto a abandonar o mandato por causa das insolencias do publico,
+que lhe tiravam a isen&ccedil;&atilde;o de animo, o congresso
+n&atilde;o podia responder pelos actos do povo nas galerias, povo,
+ali&aacute;s, o mais socegado da Europa<sup><a href="#Z313">[313]</a></sup>,
+como se n&atilde;o
+tivessem as assembl&eacute;as meios de cohibir os desmandos dos
+assistentes.<br />
+
+<br />
+
+Os ultramarinos mostraram-se grandemente magoados com a attitude dos
+collegas europeus perante os descommedimentos das tribunas. Muitos
+faltaram &aacute;s reuni&otilde;es subsequentes e Barata,
+Agostinho Gomes, Feij&oacute; e Bueno persuadidos de que lhes
+fallecia liberdade para a def&ecirc;sa dos interesses da patria,
+solicitaram escusa para n&atilde;o comparecer no congresso,
+emquanto perdurasse em Lisboa a exalta&ccedil;&atilde;o dos
+animos<sup><a href="#Z314">[314]</a></sup>.
+Antonio Carlos, em carta ao Diario do Governo dada
+&aacute; publicidade, affirmou determinadamente que deixava de ser
+deputado da na&ccedil;&atilde;o<sup><a href="#Z315">[315]</a></sup>.
+<br />
+
+<br />
+
+<span class="pagenum">[262]</span>
+O pacato Fernandes Pinheiro, que assistia &aacute;
+discuss&atilde;o da tribuna, e devia prestar juramento no dia
+immediato, retirou o seu diploma da commiss&atilde;o de poderes
+&laquo;duvidando fazer parte de um congresso que injuriava a um
+membro seu, como o havia sido o meu collega por S. Paulo&raquo;<sup><a href="#Z316">[316]</a></sup>.
+Villela Barbosa confirmou o desrespeito dos espectadores e
+disse que os mandatarios do Brasil soffri&atilde;o insultos nas
+ruas e em pasquins e cartas anonymas<sup><a href="#Z317">[317]</a></sup>.
+Sousa Monteiro, a despeito de
+os desestimar, reconhece que a popula&ccedil;a se excedeu contra
+elles<sup><a href="#Z318">[318]</a></sup>.
+N&atilde;o &eacute; licito, pois,
+contestar que os do novo reino padeceram vexames sen&atilde;o
+perigo. Assim devia ser, pois que os successos do Brasil attrahiam o
+odio do povo, e na effervescencia dos espiritos n&atilde;o
+faltari&atilde;o
+certamente energumenos que lan&ccedil;ando &aacute; conta dos
+mandatarios americanos aquelles acontecimentos, julgavam desaggravar o
+resentimento nacional com doestos contra os suppostos responsaveis.<br />
+
+<br />
+
+Diz La Rochefoucauld que sempre temos energia e
+resigna&ccedil;&atilde;o para supportar os males alheios.
+Podiam repetil-o agora os do Brasil aos deputados europeus que
+n&atilde;o sentiam a
+indigna&ccedil;&atilde;o purpurear-lhes o rosto &aacute;
+increpa&ccedil;&atilde;o de
+perjuros e ingratos atirada contra elles. De feito, os regeneradores
+n&atilde;o acharam motivo para censurar as tribunas, onde,
+disseram, n&atilde;o houvera mais que simples sussurro, com que se
+n&atilde;o deviam incommodar os collegas de al&eacute;m-mar. E
+valeram-se da opportunidade para entôar louvores
+<span class="pagenum">[263]</span>
+ao povo. Fernandes Thomaz, que recebia
+das galerias, dos clubs, de Portugal testemunhos de sympathia e
+admira&ccedil;&atilde;o, podia ser insensivel a uma ou outra
+injuria esporadica. Aconselhou aos brasileiros imitassem a sua
+philosophia sorridente perante as affrontas, e a proposito observou com
+bom humor: &laquo;Ainda hontem fui pintado ao p&eacute; de uma
+forca, a subir pela escada acima. Verdade &eacute; que eu
+n&atilde;o parecia nada com o que l&aacute; estava
+pintado&raquo;<sup><a href="#Z319">[319]</a></sup>.<br />
+
+<br />
+
+O Congresso n&atilde;o acceitou a excusa dos bahianos e paulistas,
+allegando que s&oacute;mente a impossibilidade physica justificava
+o n&atilde;o comparecimento dos deputados &aacute;s
+sess&otilde;es, e quanto a Antonio Carlos declarou n&atilde;o
+ser licito ao representante da na&ccedil;&atilde;o renunciar o
+mandato. Rogava a todos viessem tomar os seus postos<sup><a href="#Z320">[320]</a></sup>. Acquiesceram.
+No correr do debate os portugu&ecirc;ses n&atilde;o duvidaram
+attribuir o gesto dos ultramarinos ao terror, terror panico,<sup><a href="#Z321">[321]</a></sup> e com
+isso ainda mais affrontaram os collegas. Contra semelhante
+argui&ccedil;&atilde;o reagiu do modo mais atrevido que
+comportava a situa&ccedil;&atilde;o um dos accusados, e este
+foi um padre. Era o primeiro discurso de Feij&oacute; nas
+Côrtes.<br />
+
+<br />
+
+Vamos apresental-o em substancia por exprimir o caracter resoluto e
+intrepido do estadista que licenciou mais tarde o exercito brasileiro
+tornado bando de facciosos. Arredara-se, disse,
+<span class="pagenum"><a name="p264">[264]</a></span>
+at&eacute; agora da tribuna
+n&atilde;o tanto por lhe faltar eloquencia e lhe sobejar
+acanhamento, sen&atilde;o por haver reconhecido que a sua voz se
+perderia na assembl&eacute;a, dominada por ideias contrarias
+&aacute;s de S. Paulo e, acaso, de todo o Brasil. Apenas tomara
+assento, formulou uma mo&ccedil;&atilde;o com o fim de conhecer
+as disposi&ccedil;&otilde;es das Côrtes
+&aacute;cerca de certos negocios do Brasil. Submetteu-a ao
+secretario para que a <a href="#e67">lesse</a> em
+sess&atilde;o. Excusou-se
+este com o fundamento que o chamari&atilde;o &aacute; ordem.
+Como lhe falleciam talento, eloquencia e prestigio para fazer medrar a
+proposta, deixou de a apresentar e contentou-se d'ahi por diante com
+votar conforme a sua consciencia.<br />
+
+<br />
+
+Em virtude dos tumultos occorridos na sess&atilde;o de 15,
+communicou &aacute; assembl&eacute;a a sua
+resolu&ccedil;&atilde;o de n&atilde;o comparecer a ella
+at&eacute; que o tempo
+acalmasse os animos excitados com as cousas da America. Insultados pelo
+povo aqui e em toda a parte sem que as Côrtes e o governo
+deligenciem refrear taes attentados, os mandatarios do novo reino,
+principalmente os de S. Paulo, n&atilde;o guardam a serenidade
+indispensavel ao exercicio livre e justo de seus direitos. Como ousa o
+Congresso contestar aquellas affrontas feitas aqui dentro, nas ruas,
+reproduzidas em pamphletos? Como se aventura a julgar as queixas dos
+representantes do Brasil sem inquerito, sem forma de processo?
+N&atilde;o o salteou o m&ecirc;do na sess&atilde;o ruidosa,
+e se n&atilde;o peja de confessar que lhe conhece as angustias, por
+as haver experimentado. &laquo;O valor e coragem consistem em
+vencer o temor quando conv&eacute;m encarar o perigo: parece-me
+tambem que os terei quando chegar a occasi&atilde;o&raquo;.
+Como lhe asseguram ser licito apresentar a sua opini&atilde;o, vai
+submetter &aacute; pondera&ccedil;&atilde;o das
+Côrtes um projecto
+<span class="pagenum">[265]</span>
+accommodado &aacute;s circumstancias presentes do Brasil a
+fim de tolher a explos&atilde;o imminente de guerra intestina.
+Importa, por&eacute;m, antes considerar o aspecto do reino
+ultramarino. Na realidade as provincias est&atilde;o independentes
+entre si, e qualquer d'ellas tem governo autonomo, e t&atilde;o
+legitimo, porque partiu de sua livre escolha, como o que se deu a si
+mesmo Portugal em 15 de setembro. N&atilde;o ha,
+por conseguinte, mandatarios do Brasil, os americanos n'este recinto
+representam exclusivamente as provincias que os elegeram; e como nenhum
+povo tem o direito de impôr a outro as suas
+institui&ccedil;&otilde;es
+prop&otilde;e:<br />
+
+<br />
+
+O reconhecimento da independencia das antigas capitanias at&eacute;
+a publica&ccedil;&atilde;o da
+lei constitucional;<br />
+
+<br />
+
+O pacto social obrigar&aacute; s&oacute;mente aquelles povos
+que pela maioria de seus representantes o approvarem;<br />
+
+<br />
+
+Sem requerimento das juntas, o Congresso n&atilde;o
+mandar&aacute; batalh&otilde;es &aacute;s
+terras de al&eacute;m-mar;<br />
+
+<br />
+
+Compete aos governos provinciaes remover as tropas
+portugu&ecirc;sas julgadas desnecessarias ou perigosas, e sem a sua
+sanc&ccedil;&atilde;o n&atilde;o
+ter&atilde;o vigor nos limites de sua
+jurisdic&ccedil;&atilde;o os actos do
+governo de Lisboa.<br />
+
+<br />
+
+Quando as occorrencias do Brasil exacerbavam os animos, como prenuncios
+de separa&ccedil;&atilde;o, e moviam contra os da America a
+c&oacute;lera da metropole, levantar-se um dos representantes da
+provincia rebelde para, em vez dos protestos habituaes de
+uni&atilde;o, convir na independencia, era a maior das audacias.
+Quem suppuzesse, por&eacute;m, que Feij&oacute; n&atilde;o
+intentava sen&atilde;o alardear
+coragem, mostraria desconhecer o seu caracter grave e destituido da
+preoccupa&ccedil;&atilde;o do effeito. Era elle
+<span class="pagenum">[266]</span>
+resoluto e notavelmente intrepido,
+como testemunham mais de um acto de sua agitada vida politica, entre os
+quaes sobresahe o desejo de abolir o celibato clerical, a mais
+extraordinaria das reformas aventadas por estadista brasileiro.
+Grandemente inquieto com o malestar do Brasil por causa dos decretos
+das Côrtes votados contra o alvitre dos deputados da America,
+afigurou-se-lhe que para conseguir do Congresso a
+revoga&ccedil;&atilde;o d'aquellas
+resolu&ccedil;&otilde;es e tornar d'&oacute;ra
+avante decisivo o voto dos ultramarinos nas cousas da patria,
+n&atilde;o havia sen&atilde;o uma medida, e esta era a
+consagra&ccedil;&atilde;o da autonomia absoluta das provincias,
+tanto mais que com isso se n&atilde;o fazia mais que reconhecer a
+realidade.<br />
+
+<br />
+
+As provincias julgavam-se, de feito, independentes mas entendiam
+ligar-se a Portugal por la&ccedil;os de sua escolha, que eram a
+constitui&ccedil;&atilde;o feita nas Côrtes de
+conformidade com os mandatarios dos povos transatlanticos.
+Feij&oacute; obedecia a este sentimento e repellia a
+separa&ccedil;&atilde;o
+definitiva, de que ali&aacute;s n&atilde;o cogitavam o seu
+mandato, a bancada americana e os fautores do movimento de S. Paulo,
+Minas e Rio.<br />
+
+<br />
+
+A proposta esteve a pique de provocar tumultos. Se em alguns
+constituintes renovou o empenho de acudir aos desejos da America,
+quanto permittisse a integridade da monarchia<sup><a href="#Z322">[322]</a></sup>, pareceu a outros
+provoca&ccedil;&atilde;o insolente que a provincia detestada
+atirava pela boca de um padre, o seu mais humilde representante, aos
+brios de na&ccedil;&atilde;o.<br />
+
+<br />
+
+Moura assim o sentiu. Depois de haver concordado
+<span class="pagenum"><a name="p267">[267]</a></span>
+com o presidente
+&aacute;cerca da remessa do projecto &aacute;
+commiss&atilde;o especial dos negocios do Brazil, julgou de extrema
+urgencia a discuss&atilde;o das cousas da America
+&laquo;principalmente das medidas que se h&atilde;o de adoptar
+para punir os que verdadeiramente sejam rebeldes, devemos tratar da
+representa&ccedil;&atilde;o de S. Paulo, isto em primeiro
+logar&raquo;<sup><a href="#Z323">[323]</a></sup>.
+Cuidava, por ventura, o arrogante regenerador que
+desse modo intimidava Feij&oacute; e atalhava nos brasileiros as
+tendencias para
+proposi&ccedil;&otilde;es revolucionarias.<br />
+
+<br />
+
+Mandado &aacute; commiss&atilde;o a especial proposta,
+Feij&oacute; concordou fosse examinada depois de outras materias em
+estudo na mesma commiss&atilde;o<sup><a href="#Z324">[324]</a></sup>.
+N&atilde;o mais,
+por&eacute;m, se falou d'ella, afundada no esquecimento de envolta
+com outras proposi&ccedil;&otilde;es.
+<br />
+
+<br />
+
+<br />
+
+<br />
+
+<h3><a name="c16"></a>CAPITULO XVI</h3>
+
+<br />
+
+<div class="intro1">SUMMARIO:<br />
+
+<br />
+
+<em>Os deputados do Par&aacute;, Goyaz e Espirito
+Santo.&#8213;D. Romualdo de Sousa Coelho.&#8213;Desembargador
+Segurado.&#8213;Hostilidades contra o Brasil.&#8213;A quest&atilde;o de
+Montevideu.&#8213;Fernandes Pinheiro.&#8213;O congresso n&atilde;o admitte o
+despejo militar da Banda Oriental.&#8213;Opini&atilde;o singular de
+Segurado.&#8213;Incidente Barata.&#8213;Irrita&ccedil;&atilde;o com as
+noticias do Rio.&#8213;O governo resolve mandar tropas ao Brasil.&#8213;Odio dos
+americanos do norte aos regimentos da metropole.&#8213;A
+deputa&ccedil;&atilde;o do Cear&aacute;.&#8213;Os regeneradores
+querem reduzir o Brasil pelas
+armas.&#8213;Felicita&ccedil;&otilde;es de Jorge de Avillez ao
+congresso.&#8213;As Côrtes approvam o acto do
+governo.&#8213;Resolu&ccedil;&atilde;o de Borges de Barros.</em>
+</div>
+
+<br />
+
+<br />
+
+<br />
+
+No correr de abril fizeram-se representar nas Côrtes,
+Par&aacute; por D. Rumualdo de Souza Coelho,<sup><a href="#Z325">[325]</a></sup> Espirito Santo pelo
+Dr. Jo&atilde;o Fortunato
+<span class="pagenum"><a name="p269">[269]</a></span>
+Ramos dos Santos<sup><a href="#Z326">[326]</a></sup>
+e Goyaz,
+comarca das Duas Barras pelo desembargador Joaquim Theotonio
+Segurado<sup><a href="#Z327">[327]</a></sup>.
+O deputado paraense que acabara de ser investido do
+episcopado de sua provincia, recebeu sem desvanecimento a honrosa
+<a href="#e68">incumbencia</a> de collaborar na
+constitui&ccedil;&atilde;o da monarchia. Foi o bispo por
+excellencia attento aos severos preceitos do concilio Tridentino, que
+se inspir&aacute;ra, para os compôr, na vida dos pastores
+primitivos. Desvelava-se pela pobreza e pelos infelizes, promovia a
+cria&ccedil;&atilde;o de bons
+sacerdotes, e ninguem mais do que elle na extensa diocese cumpriu o
+encargo da visita&ccedil;&atilde;o, sempre duro mas penosissimo
+em terras escassamente povoadas e sem gasalhados, cobertas de florestas
+mortiferas ou cortadas de rios com passos perigosos. Com elle
+fôra eleito em 19 de dezembro 1812,
+Francisco de Souza Moreira, o qual, por motivos que n&atilde;o
+alcan&ccedil;amos, s&oacute;
+compareceu nas côrtes em 2 de julho. Devia substituil-os
+Joaquim Clemente da Silva Pombo, que n&atilde;o teve
+occasi&atilde;o de o fazer. Apenas entrado no parlamento, o
+virtuoso prelado confessou com simplicidade enternecedora a sua
+penuria, porquanto a junta do Par&aacute; negligenciara de prover
+&aacute;s suas
+desp&ecirc;sas de viagem e de estada em Lisboa<sup><a href="#Z328">[328]</a></sup>, como
+ali&aacute;s, fizeram muitos governos do ultramar ou por falta de
+recursos, ou, o que &eacute; mais provavel, por lhes fallecer tempo
+para cuidarem de
+<span class="pagenum">[270]</span>
+outra cousa que n&atilde;o conter
+as ambi&ccedil;&otilde;es
+desabrolhadas com a regenera&ccedil;&atilde;o. Em taes casos,
+consoante a determina&ccedil;&atilde;o das Côrtes,
+competia ao erario da monarchia subministrar ao representante da
+na&ccedil;&atilde;o o subsidio estipulado de 4$800 reis por
+dia. N&atilde;o se procedeu de modo diverso com o insigne
+sacerdote<sup><a href="#Z329">[329]</a></sup>.<br />
+
+<br />
+
+O mandatario do Espirito Santo, eleito na Victoria aos 20 de setembro
+de 1821 juntamente com o substituto o bacharel Jos&eacute;
+Bernardino Pereira de Almeida Baptista exercia o magisterio na
+universidade de Coimbra<sup><a href="#Z330">[330]</a></sup>.
+Todos esses deputados eram naturaes da
+provincia que representavam, salvo o desembargador Segurado que
+nasc&ecirc;ra no Alemtejo, mas residia em Goyaz ha mais de sete
+annos, praso necessario para os de fora receberem poderes politicos da
+terra de seu domicilio<sup><a href="#Z331">[331]</a></sup>.
+Exercendo na capitania a judicatura desde ao
+menos 1809 em que fôra despachado ouvidor da nova comarca de
+S. Jo&atilde;o das Duas Barras, cuja s&eacute;de se transferira
+ulteriormente para a Barra da Palma, o alemtejano lograra a
+confian&ccedil;a do mais prestad&iacute;o capit&atilde;o
+general da vasta zona central, D. Francisco de Mascarenhas, e, mais
+administrador que jurista, se empenh&aacute;ra com
+pr&oacute;spero resultado em dotar a regi&atilde;o de
+melhoramentos de monta. Promov&ecirc;ra a
+navega&ccedil;&atilde;o do Tocantins, com que favoneara
+grandemente
+<span class="pagenum">[271]</span>
+as popula&ccedil;&otilde;es ribeirinhas, abrindo-lhes o mercado
+do
+Par&aacute;, onde permutavam os seus productos mais vantajosamente,
+em virtude da differen&ccedil;a de distancia, do que com a Bahia e
+S. Paulo, como faziam anteriormente; e despertara o gosto pela
+agricultura lucrativa e moralizadora em detrimento da pesquisa e
+minera&ccedil;&atilde;o do ouro, aleatorias e as mais das vezes
+corruptoras. N&atilde;o surprehende, pois, que acclamado em Goyaz o
+novo regimen, os eleitores, que nos periodos de
+exalta&ccedil;&atilde;o patriotica antep&otilde;em os
+interesses da collectividade aos calculos de
+ambi&ccedil;&atilde;o pessoal ou &aacute;s
+paix&otilde;es mesquinhas, escolhessem para deputado aquelle que se
+desvelara pelo bem publico, supposto n&atilde;o fosse seu
+conterraneo. Com Segurado fora eleito outro benemerito da terra, o
+conego Luiz Antonio da Silva e na qualidade de supplente Placido
+Moreira de Carvalho<sup><a href="#Z332">[332]</a></sup>
+com domicilio no Par&aacute;. Apparece,
+todavia, o ouvidor nas Côrtes como representante da comarca
+de S. Jo&atilde;o das Duas Barras e &eacute; seu substituto
+Lucio Luiz Lisboa. A explica&ccedil;&atilde;o do facto
+est&aacute; na agita&ccedil;&atilde;o politica que, em
+seguida &aacute; queda do despotismo lavrou por todo o Brasil, e
+n&atilde;o poupou a miseranda capitania, em caminho, contudo, de
+emergir da penuria resultante do exgottamento dos veios de ouro e da
+procura sem fructo de novas minas. De feito, proclamada a causa de
+Portugal, os goyanos n&atilde;o se conformaram com aguardar a
+constitui&ccedil;&atilde;o que haviam jurado para terem o
+governo de sua elei&ccedil;&atilde;o, e &aacute;
+semelhan&ccedil;a de S. Paulo e outras terras intentaram substituir
+o capit&atilde;o general por uma junta ou agregar-lhe
+<span class="pagenum">[272]</span>
+collaboradores de sua
+nomea&ccedil;&atilde;o. N&atilde;o o
+conseguindo era raz&atilde;o da resistencia do governador Manuel
+Ignacio de Sampaio apoiado com efficacia nas for&ccedil;as
+militares, os patriotas abandonaram a capital, uns constrangidos da
+autoridade e outros livremente, mas todos concordes em estabelecerem a
+administra&ccedil;&atilde;o na parte septentrional da
+capitania. Theotonio Segurado, emprehendedor e querido,
+pôs-se &aacute; frente do movimento
+insurreccional, e na comarca da Palma, de sua
+jurisdic&ccedil;&atilde;o, promoveu a
+cria&ccedil;&atilde;o da junta provisional, da qual se tornou
+presidente.<br />
+
+<br />
+
+Feitas as elei&ccedil;&otilde;es e escolhido representante do
+districto n&atilde;o hesitou em aceitar o encargo com mira de
+alcan&ccedil;ar das Côrtes o fraccionamento de Goyaz em
+duas provincias, uma ao norte, outra ao sul<sup><a href="#Z333">[333]</a></sup>,
+de conformidade com os
+seus committentes. O prestigio de que gozava na capitania, qual nenhum
+outro deputado tinha perante o seu eleitorado, e a circumstancia de ser
+portugu&ecirc;s, que nos levaram a occupar com
+individua&ccedil;&atilde;o dos antecedentes do prestante
+alemtejano, nos induzem tambem a notar os seus gestos nas
+Côrtes perante os negocios da America.<br />
+
+<br />
+
+Esses tres mandatarios vinham encontrar os regeneradores e o governo de
+Lisboa dispostos a domarem o Brasil pela for&ccedil;a, uma vez que
+resistia aos decretos da metropole e expulsava do seu seio os
+regimentos do Reino. No Rio a divis&atilde;o auxiliadora continuava
+a teimar em n&atilde;o sahir da terra, sem que a rendessem novas
+tropas enviadas de Portugal, mas em Pernambuco os
+<span class="pagenum">[273]</span>
+batalh&otilde;es recentemente desembarcados com Jos&eacute;
+Maria de Moura se aprestavam a volver &aacute; Europa, coagidos do
+Povo. O primeiro acto de hostilidade foi a
+prohibi&ccedil;&atilde;o por via do consul de Portugal em
+Londres de se exportarem armas e muni&ccedil;&otilde;es de
+guerra para al&eacute;m-mar.
+Assignala-o o correio Brasiliense e ao mesmo tempo que zomba da
+providencia, empregada outr&oacute;ra sem exito pela Hespanha
+contra as suas possess&otilde;es revoltadas, com solicitude pelos
+compatriotas lhes indica a composi&ccedil;&atilde;o da
+polvora<sup><a href="#Z334">[334]</a></sup>
+Vergueiro requer explica&ccedil;&atilde;o ao Governo
+de semelhante medida capaz de irritar o novo reino com a
+desconfian&ccedil;a de que o intentam bloquear<sup><a href="#Z335">[335]</a></sup>. E o congresso em
+vez de pedir simplesmente
+informa&ccedil;&atilde;o ao governo, trata o requerimento como
+se fôra projecto de lei, n&atilde;o deixando por isso
+duvida &aacute;cerca de sua connivencia com o executivo.<br />
+
+<br />
+
+N&atilde;o bastava, por&eacute;m, difficultar aos da America a
+acquisi&ccedil;&atilde;o de armas para que fossem cumpridos os
+decretos das Côrtes; urgia subjugal-os e isto se
+n&atilde;o alcan&ccedil;aria sen&atilde;o pela
+for&ccedil;a. Os regeneradores tiveram ent&atilde;o uma
+id&eacute;a
+diabolica. Estava por esse tempo em Montevideu a flor do exercito
+lusitano que varr&ecirc;ra da peninsula os regimentos temerosos de
+Napole&atilde;o. Eram os voluntarios reaes, e chamara-os D.
+Jo&atilde;o VI ao Brasil para com elle se assenhorear da Banda
+Oriental, que, dominada da anarchia nascida da lucta dos partidos pelo
+poder, n&atilde;o podia offerecer resistencia &aacute;
+invas&atilde;o, solicitada, ali&aacute;s,
+<span class="pagenum">[274]</span>
+por uma parcialidade, que julgava
+n&atilde;o existir outro meio de dar tranquillidade a patria do que
+a encorporar na na&ccedil;&atilde;o portugu&ecirc;sa. O
+monarcha sa&iacute;u com o intento, a pretexto da
+insurrei&ccedil;&atilde;o determinar frequentes
+incurs&otilde;es em seus dominios de Artigas para se por ao abrigo
+dos adversarios. Ap&oacute;s varios episodios, o estado oriental
+reconheceu a soberania da corôa portugu&ecirc;sa e,
+at&eacute;,
+chegou, como as provincias brasileiras, a eleger deputado para as
+Côrtes de Lisboa, retido, por&eacute;m, no Rio pelo
+regente, ent&atilde;o em conflicto com o poder legislativo da
+na&ccedil;&atilde;o. A titulo da
+occupa&ccedil;&atilde;o contrariar os principios de
+justi&ccedil;a proclamados pela regenera&ccedil;&atilde;o
+mas na realidade para
+n&atilde;o exacerbar a Hespanha, que n&atilde;o desistia de
+seus direitos metropolitanos e, principalmente, para habilitar o
+governo a submetter promptamente a opposi&ccedil;&atilde;o do
+Brasil commiss&atilde;o
+diplomatica constituida de Moura, Fernandes Thomaz, Xavier Monteiro,
+Miranda e outros liberaes, afoitou-se a propôr a
+evacua&ccedil;&atilde;o de Montevideu e que
+o exercito portugu&ecirc;s ficasse &aacute;
+disposi&ccedil;&atilde;o do poder executivo para lhe dar
+&laquo;o ulterior destino que julgar conveniente&raquo;.<br />
+
+<br />
+
+Certamente que a boa raz&atilde;o n&atilde;o suffraga a
+domina&ccedil;&atilde;o de paiz vizinho por ferverem n'elle
+discordias. Em taes occasi&otilde;es prescreve a justi&ccedil;a
+que a na&ccedil;&atilde;o limitrophe se acautele de
+irrup&ccedil;&otilde;es provaveis em seu territorio por meio de
+regimentos distribuidos na raia, e mais tarde exija do vizinho
+indemniza&ccedil;&atilde;o dos damnos e perdas que lhe
+occasionaram as suas luctas domesticas. Mas al&eacute;m da
+justi&ccedil;a n&atilde;o passar de
+id&eacute;al ass&aacute;s vago e sem
+applica&ccedil;&atilde;o entre as collectividades e os
+individuos, a tomada de Montevideu de algum modo se justificava. Os
+seus primeiros habitadores
+<span class="pagenum"><a name="p275">[275]</a></span>
+haviam sido portugu&ecirc;ses, persuadidos de que os limites
+meridionaes do Brasil ficavam na margem <a href="#e69">septentrional</a>
+do Prata, e por mais
+de dous seculos persistiu nos seus descendentes essa
+preten&ccedil;&atilde;o, impugnada, todavia, pelos hespanhoes.
+D'ahi procedeu controversia ardente e n&atilde;o raro
+sanguinolenta, que, convenios successivos, em consequencia de
+redac&ccedil;&atilde;o pouco precisa, n&atilde;o
+vingaram dirimir, at&eacute; que o tratado de 1777 attribuiu a
+Hespanha a propriedade das duas margens do rio. Altamente irritados com
+esse accordo, os portugu&ecirc;ses da America valeram-se com
+diligencia do rompimento das hostilidades, em 1801 entre as duas
+metropoles, para o rasgar, e come&ccedil;aram a sua marcha
+triumphante para o sul com o fim de restabelecer a
+demarca&ccedil;&atilde;o primitiva.
+<br />
+
+<br />
+
+A reconcilia&ccedil;&atilde;o de Portugal e Hespanha
+n&atilde;o fez os brasileiros largarem m&atilde;o do proposito.
+Allegavam agora que as commo&ccedil;&otilde;es intestinas dos
+estados platinos com trazerem em sobresalto os moradores da fronteira
+do Rio Grande, os contragiam a procurar um ponto estrategico para
+conterem as guerrilhas turbulentas, e esse n&atilde;o era outro que
+a margem esquerda do Prata. D. Jo&atilde;o VI algum tempo
+hesitante, sen&atilde;o contrario
+&aacute; empr&ecirc;sa, adoptou-a com enthusiasmo, sendo
+informado de que o tratado de paz geral de 1814 o mandava restituir a <a href="#e70">Guyana</a> aos
+franc&ecirc;ses sem compensa&ccedil;&atilde;o, e que o
+congresso de Vienna n&atilde;o cogitava de devolver a Portugal
+Oliven&ccedil;a, retida pela Hespanha. O menos bellicoso dos
+monarchas resolveu ent&atilde;o se desaggravar na America da
+injusti&ccedil;a e menoscabo das grandes potencias, desde que se
+n&atilde;o podia
+desfor&ccedil;ar dellas na Europa. Mandou vir cinco mil
+<span class="pagenum">[276]</span>
+homens aguerridos do seu exercito e os
+collocou no extremo sul do Brasil sob o commando do general Lecor.<sup><a href="#Z336">[336]</a></sup> A
+presen&ccedil;a dessas tropas disciplinadas, o desejo de socego por
+parte da popula&ccedil;&atilde;o, a cren&ccedil;a de
+algumas personagens conspicuas que a sujei&ccedil;&atilde;o ao
+vizinho mais poderoso restauraria a ordem na patria e tambem o suborno
+dos chefes de algumas fac&ccedil;&otilde;es, determinaram a
+Banda Oriental a encorporar-se na monarchia portugu&ecirc;sa por
+acto de 31 de julho de 1821. Aquillo, pois, que no come&ccedil;o
+n&atilde;o passava de conquista insidiosa tornava-se por esse
+documento annexa&ccedil;&atilde;o livre, que devia escapar
+&aacute;
+censura dos liberaes e punha D. Jo&atilde;o VI em boa attitude
+perante a Hespanha, a Inglaterra e a Fran&ccedil;a, que viam com
+desprazer o alargamento dos dominios do soberano portugu&ecirc;s.<br />
+
+<br />
+
+Os brasileiros reprovaram com energia o alvitre da commiss&atilde;o
+diplomatica, o qual, como vimos tendia a lhes tirar a fronteira
+cobi&ccedil;ada ha seculos com as armas nas m&atilde;os e agora
+readquirida sem derramento de sangue. Invocaram a posse primitiva
+sanccionada por differentes convenios, a caducidade do tratado de 1777
+em consequencia da guerra de Hespanha com Portugal em 1801 e mais que
+tudo se firmaram no auto da encorpora&ccedil;&atilde;o.
+N&atilde;o concebiam
+que a Hespanha se pudesse magoar com a annexa&ccedil;&atilde;o,
+porquanto os estados platinos absolutamente autonomos eram livres de se
+associar consoante as suas conveniencias. Desfaziam o argumento dos
+regeneradores baseado na miseria do thesouro
+<span class="pagenum">[277]</span>
+de Portugal com a proposta de assumir o Brasil o encargo da
+occupa&ccedil;&atilde;o, tanto mais que
+j&aacute; carregavam os paulistas a parte mais dura da
+empr&ecirc;sa, que era a defens&atilde;o das fronteiras.
+Batidos em todos os pontos, os magnates da
+regenera&ccedil;&atilde;o acabaram zombando do empenho dos
+brasileiros em ter por limites aguas navegaveis. Replicou-lhes com
+desdem o bar&atilde;o de Mollelos, militar experimentado, que
+semelhante parvoice n&atilde;o merecia
+refuta&ccedil;&atilde;o. O congresso depois de porfiados
+debates n&atilde;o acceitou o parecer de Fernandes
+Thomaz, de Moura, da commiss&atilde;o
+diplomatica, em summa, n&atilde;o porque os successos do Brasil o
+persuadissem da conveniencia de attender aos americanos nos negocios da
+sua patria mas por outros motivos. Dos constituintes uns n&atilde;o
+ousavam contrariar o soberano em cousa t&atilde;o do seu
+cora&ccedil;&atilde;o e outros pretendiam servir-se em tempo da
+occupa&ccedil;&atilde;o para futuras
+transac&ccedil;&otilde;es com os hespanhoes ou com outro povo
+no interesse exclusivo de Portugal.<sup><a href="#Z337">[337]</a></sup><br />
+
+<br />
+
+Estreou ent&atilde;o nas côrtes Fernandes Pinheiro
+deputado por S. Paulo, que prestara juramento aos 27 de abril<sup><a href="#Z338">[338]</a></sup>. Ha
+mais tempo dev&ecirc;ra tomar assento, n&atilde;o o fizera,
+contudo, porque assistindo &aacute; sess&atilde;o tempestuosa
+de 15 de abril,
+intimidara-se a termos de hesitar em fazer parte de uma
+assembl&eacute;a hostil aos collegas de
+deputa&ccedil;&atilde;o. Trouxe para a bancada
+coopera&ccedil;&atilde;o valiosa,
+demonstrada nesses debates em discurso que merec&ecirc;ra do
+Correio Brasiliense o mais bello elogio<sup><a href="#Z339">[339]</a></sup>.
+<span class="pagenum">[278]</span>
+Infelizmente, como se colher&aacute; da
+prosecu&ccedil;&atilde;o da narrativa, faltava-lhe a energia e
+a resolu&ccedil;&atilde;o
+que caracterizavam a bancada paulista.<br />
+
+<br />
+
+Dos mandatarios de al&eacute;m-mar se singularizou pelo voto o
+desembargador Segurado, aconselhando o abandono prompto de Montevideu
+antes que fossemos for&ccedil;ados a evacual-a vergonhosamente<sup><a href="#Z340">[340]</a></sup>.
+Os acontecimentos consagraram a previs&atilde;o do alemtejano, mas
+n&atilde;o deixa de causar mossa que um representante da America
+d&eacute;sse semelhante aviso que tendia a por &aacute;
+disposi&ccedil;&atilde;o da metropole for&ccedil;as
+destinadas a reduzir os brasileiros. Seria t&atilde;o inimigo da
+independencia, que tambem entrevira<sup><a href="#Z341">[341]</a></sup>,
+a ponto de a querer suffocar
+pelas armas? Custa crel-o. Provavelmente n&atilde;o cogitara
+daquelle effeito do parecer da commiss&atilde;o diplomatica, e
+suppunha que, decretado o despejo da Banda Oriental, se frustraria o
+intento infernal da regenera&ccedil;&atilde;o com a ordem de
+regresso ao Reino dos voluntarios reaes.<br />
+
+<br />
+
+A sess&atilde;o de 30 de abril se n&atilde;o assignalou somente
+pela quest&atilde;o de Montevideu mas tambem por incidente que deu
+a Barata mais renome que os seus discursos de &aacute;spera ironia,
+que as suas convic&ccedil;&otilde;es extremadas, que a
+Sentinella da Liberdade<sup><a href="#Z342">[342]</a></sup>
+e que a sua pris&atilde;o politica:
+Barata aggrediu Pinto da Fran&ccedil;a.<br />
+
+<br />
+
+O episodio mereceria apenas rapida men&ccedil;&atilde;o se
+n&atilde;o repercutira com estrondo no Brasil e n&atilde;o
+andara associado ao nome do famoso bahiano
+<span class="pagenum"><a name="p279">[279]</a></span>
+como o documento mais eloquente de seu fervor
+patriotico. Naquella reuni&atilde;o receberam-se no congresso
+officios de Madeira expondo as occorrencias da Bahia no acto de tomar
+posse do commando das armas. A municipalidade, apoiada em
+representa&ccedil;&atilde;o de mais de quatrocentos
+cidad&atilde;os, protestou contra a nomea&ccedil;&atilde;o
+do official
+portugu&ecirc;s e pedia continuasse no <a href="#e71">posto</a>
+o brigadeiro Manuel
+Pedro de Freitas Guimar&atilde;es, natural do Brasil e muito
+querido. A junta governativa, n&atilde;o ousando desatar a
+difficuldade, chamou em conselho as autoridades, os membros
+proeminentes do clero, e as personagens conspicuas da terra para
+resolverem o negocio que inquietava a cidade. Depois de longa
+discuss&atilde;o, protrahida at&eacute;
+a madrugada, a assembl&eacute;a entendeu dirimir a pendencia
+confiando o cargo disputado a uma commiss&atilde;o presidida por
+Madeira e da qual fari&atilde;o parte Manuel Pedro e mais cinco
+officiaes, dous escolhidos pelo militar portugu&ecirc;s e dous pelo
+seu rival brasileiro. A sorte designaria o setimo membro do governo
+militar. Dizia Madeira que aceitara o alvitre, apesar da reluctancia de
+seus subordinados em consentir fosse frustrada uma carta regia por
+outro poder que n&atilde;o as Côrtes. Divulgada
+semelhante
+resolu&ccedil;&atilde;o, os soldados da terra acommetteram o
+quartel portugu&ecirc;s, pelo que as tropas do Reino sahiram a
+repellir os aggressores e a lhes sitiar o forte. Restrugiu o
+canh&atilde;o de parte a parte, mas em menos de 24 horas, rendidas
+as fortalezas e dispersos os batalh&otilde;es brasileiros, com a
+fuga de uns e o desarmamento de outros, Madeira restaurava a ordem e
+assumia o commando contra a determina&ccedil;&atilde;o da
+assembl&eacute;a. Assim rezavam os officios.
+<br />
+
+<br />
+
+<span class="pagenum"><a name="p280">[280]</a></span>
+Aos brasileiros n&atilde;o causou surpr&ecirc;sa a
+opposi&ccedil;&atilde;o movida contra a escolha de Madeira,
+desestimado na terra desde a acclama&ccedil;&atilde;o do nosso
+regimen. Aconselhara nesse dia ao capit&atilde;o general conde da
+Palma resistencia ao movimento liberal, e se n&atilde;o
+fôra a audacia e destreza do brigadeiro Manuel Pedro
+n&atilde;o se faria sem sangue e t&atilde;o promptamente a
+adhes&atilde;o da Bahia
+&aacute; causa de Portugal. N&atilde;o era o unico acto que
+desluzia o official do Reino no conceito publico. Ignorante, estupido e
+singularmente credulo, esteve a pique aos 12 de julho de
+lan&ccedil;ar os reinoes contra os indigenas, em consequencia de o
+amea&ccedil;arem de assassinato em carta anonyma. A escolha de
+semelhante homem com preteri&ccedil;&atilde;o de Manoel Pedro
+de patente superior e empossado no cargo desde 10 de fevereiro por
+assenso dos povos, conculcava as conveniencias politicas, affrontava o
+sentimento publico e por isso determinara a revolta. Pinto da
+Fran&ccedil;a concordava rigorosamente com os collegas
+&aacute;cerca do desacerto da nomea&ccedil;&atilde;o, e
+at&eacute; o declarara aos
+ministros da marinha e de extrangeiros em uma das reuni&otilde;es
+da commiss&atilde;o dos negocios do Brasil<sup><a href="#Z343">[343]</a></sup>, divergia
+por&eacute;m, dos amigos no tocante a Manuel Pedro. Sem contestar
+os seus servi&ccedil;os valiosos prestados &aacute; causa
+liberal, n&atilde;o o julgava idoneo para o cargo nas
+circunstancias actuaes, por lhe regatearem confian&ccedil;a as
+classes conservadoras<sup><a href="#Z344">[344]</a></sup>.<br />
+
+<br />
+
+Encerrado o debate com a resolu&ccedil;&atilde;o de se
+<span class="pagenum"><a name="p281">[281]</a></span>
+submetterem ao governo os officios de
+Madeira, Barata, que se conservara mudo, sa&iacute;u do recinto, e
+num dos corredores topou um grupo que discorria sobre o acontecimento
+da Bahia. Nelle estava Pinto da Fran&ccedil;a a exprobar Manuel
+Pedro por se haver recusado entregar o commando militar a Madeira
+regularmente provido. Assim o queria a disciplina. Barata, o idealista
+Barata a quem leis sem espirito de justi&ccedil;a n&atilde;o
+passavam de abuso de poder, e n&atilde;o deviam ser respeitadas,
+explodiu acerbamente contra o collega. Trocaram-se injurias e os
+contendores resolveram desaffrontar-se por meio das armas. No alto da
+escada, por&eacute;m, o sexagenario, no paroxysmo da colera, atirou
+o adversario pelos degr&aacute;us abaixo<sup><a href="#Z346">[346]</a></sup>.
+Attribuir-lhe a
+inten&ccedil;&atilde;o de maltratar perfidamente o contrario,
+&eacute; desconhecer a for&ccedil;a irresistivel das naturezas
+violentas e impulsivas, as quaes se n&atilde;o compadecem com a
+premedita&ccedil;&atilde;o e estouram com a inconsciencia da
+polvora ao contacto do fogo. Nas Côrtes, onde ainda se
+n&atilde;o dera episodio egual, a occorrencia <a href="#e72">tomou</a>
+propor&ccedil;&otilde;es
+exageradas. A commiss&atilde;o de policia e a commiss&atilde;o
+de regimento interno pronunciaram-se severamente contra o
+f&eacute;rvido anci&atilde;o, propondo a ultima a sua
+exclus&atilde;o da assembl&eacute;a at&eacute; que a
+justi&ccedil;a ordinaria
+julgasse o crime<sup><a href="#Z347">[347]</a></sup>.
+Lino Coutinho e Antonio Carlos impugnavam o
+parecer por applicar pena sem devassa e prevenir, por conseguinte, o
+animo dos juizes.
+<span class="pagenum">[282]</span>
+Quem era o delinquente? perguntavam com o intuito de crear
+confus&atilde;o no interesse do collega querido. Borges Carneiro
+com argumentos juridicos ponderosos vem-lhes em auxilio, e as
+Côrtes subscreveram o seu alvitre, que era sujeitar o caso a
+um tribunal de deputados consoante o regimento interno do congresso<sup><a href="#Z348">[348]</a></sup>.
+Neste meio tempo correu voz de duello entre os adversarios, e
+Feij&oacute; aterrado supplicou a
+interven&ccedil;&atilde;o do parlamento para os acalmar<sup><a href="#Z349">[349]</a></sup>.
+N&atilde;o consta dos annaes a decis&atilde;o do tribunal, que
+chegou todavia, a se constituir em 25 de junho<sup><a href="#Z350">[350]</a></sup>. O restabelecimento
+de Pinto da Fran&ccedil;a, ferido no rosto e contundido em outras
+partes, a ac&ccedil;&atilde;o anesthesica do tempo sobre a
+sensibilidade moral, os successos graves do Brasil e talvez, a
+interven&ccedil;&atilde;o generosa do aggredido, fizeram os
+julgadores n&atilde;o exercer o mandato. Barata que se excusava de
+n&atilde;o comparecer nas Côrtes, em 20 de junho voltou a
+tomar parte nos trabalhos legislativos significando desse modo que, se
+n&atilde;o considerava morto o incidente, ao menos j&aacute;
+lhe n&atilde;o temia as consequencias para o seu mandato.<br />
+
+<br />
+
+N&atilde;o cessavam de resoar na alma dos regeneradores as palavras
+estonteadoras de Madeira lidas em 30 de abril. &laquo;Se V. M. quer
+conservar esta parte da monarchia, precisam-se mais tropas...
+&Eacute; tambem de primeira necessidade que existam sempre aqui
+algumas embarca&ccedil;&otilde;es de
+<span class="pagenum">[283]</span>
+guerra. Mediante taes providencias terei
+a felicidade de conservar nesta parte do mundo a indivisibilidade da
+monarchia portugu&ecirc;sa&raquo;.<br />
+
+<br />
+
+Negado pelas côrtes o despejo de Montevideu, que permittiria
+refor&ccedil;ar a guarni&ccedil;&atilde;o
+da Bahia com tres mil e quinhentos voluntarios reaes, n&atilde;o
+havia outro meio de corresponder &aacute; sollicitude do
+commandante das armas sen&atilde;o desfalcando o exercito do Reino.
+Era, por&eacute;m, este t&atilde;o minguado que n&atilde;o
+soffreria
+reduc&ccedil;&atilde;o sem perigo para a patria, principalmente
+agora que se toldavam os horisontes politicos da Peninsula. A
+reac&ccedil;&atilde;o emergia na Hespanha animada da Santa
+Allian&ccedil;a, e em Lisboa fôra decretada por um
+m&ecirc;s a suspens&atilde;o das garantias individuaes por
+melhor se acautelar a ordem contra os absolutistas<sup><a href="#Z351">[351]</a></sup>. Nisto
+divulgaram-se aos nove de maio os successos do Rio que demonstravam a
+disposi&ccedil;&atilde;o do ultramar de se constituir sem
+dependencia do parlamento.<br />
+
+<br />
+
+Jos&eacute; Bonifacio ministro dos negocios do Reino e extrangeiros
+aconselhava a D. Pedro a cria&ccedil;&atilde;o de um conselho
+de procuradores eleitos pelas provincias com o duplo fim de
+restabelecer a auctoridade da regencia sobre todo o Brasil e de prover
+&aacute;s necessidades geraes da antiga colonia e &aacute;s
+particulares das capitanias. Como se n&atilde;o bastara
+t&atilde;o pungente menoscabo do poder legislativo do Reino, o
+principe communicava a situa&ccedil;&atilde;o desesperada da
+divis&atilde;o
+auxiliadora, que, acantoada em Nictheroy ou havia de tomar aos
+<span class="pagenum"><a name="p284">[284]</a></span>
+5 de fevereiro o caminho da Europa, que
+o povo lhe apontava com arrogancia, ou morrer de fome<sup><a href="#Z352">[352]</a></sup>.<br />
+
+<br />
+
+Houve indigna&ccedil;&atilde;o por toda a Lisboa, e o governo
+tratou de servir Madeira, que desaffrontava galhardamente os brios do
+velho Portugal nos dominios revôltos, sem se preoccupar com o
+descalabro do thesouro e do exercito. Publicaram-se editaes convidando
+os proprietarios de navios a fazerem propostas para o transporte de
+tropas para a Bahia.<br />
+
+<br />
+
+Nada irrita mais uma colonia em discuss&atilde;o com a
+m&atilde;e patria do que esta trancar o debate com
+expedi&ccedil;&atilde;o militar. &Eacute; a forma mais
+brutal do despotismo e rebaixa o povo &aacute;
+condi&ccedil;&atilde;o de escravo que n&atilde;o
+p&oacute;de pleit&ecirc;ar os seus
+interesses com o senhor. Os individuos determinados julgam-se em taes
+conjunturas com direito &aacute;s represalias mais extremadas. Os
+americanos do Norte proeminentes legitimavam o assassinio
+n&atilde;o s&oacute; d'aquelle que pedia batalh&otilde;es
+ao governo britannico, mas ainda dos pobres soldados ingl&ecirc;ses
+em servi&ccedil;o na America<sup><a href="#Z353">[353]</a></sup>.
+No Brasil,
+seja
+dito de passagem, as cousas n&atilde;o <a href="#e73">chegaram</a>
+a
+esse ponto: nunca um brasileiro de valor intellectual ou social
+auctorizou violencias sanguinolentas contra os reinoes.<br />
+
+<br />
+
+Inquietaram-se os bahianos com a resolu&ccedil;&atilde;o do
+governo, e requereram &aacute;s Côrtes fizessem o
+ministro sustar a expedi&ccedil;&atilde;o para serem ouvidos
+<span class="pagenum">[285]</span>
+sobre ella os mandatarios da America.
+Todos os pernambucanos, salvo Malaquias impedido, todos os paulistas e
+os unicos representantes da Parahyba, Espirito Santo e Santa Catharina,
+o alagoano Martins Ramos, o fluminense Villela e o goyano Segurado se
+empenharam em assignar aquelle documento em testemunho de solidariedade
+das suas provincias com a Bahia. O Maranh&atilde;o (Beckman e
+Belford) e o Par&aacute; (D. Romualdo) n&atilde;o accudiram ao
+appello.<br />
+
+<br />
+
+Houve, por&eacute;m, uma terra vizinha, sem commercio e sem minas,
+conhecida da metropole t&atilde;o s&oacute;mente por suas
+calamidades que revelou n&atilde;o ser esse sentir commum ao Brasil
+septentrional e se associou aos irm&atilde;os do Centro<sup><a href="#Z354">[354]</a></sup>. Era o
+Cear&aacute;. No primeiro decendio de maio haviam entrado no
+congresso os seus representantes Antonio Jos&eacute; Moreira,
+Manuel do Nascimento Castro e Silva, Manuel Filippe
+Gon&ccedil;alves e Jos&eacute;
+Martiniano de Alencar. O ultimo era o primeiro substituto e occupou a
+cadeira de Jos&eacute; Ignacio Gomes Parente, que, em
+raz&atilde;o de enfermidade chronica aggravada recentemente,
+desistira do cargo apenas eleito<sup><a href="#Z355">[355]</a></sup>.
+Pedro Jos&eacute; da Costa
+Barros, outro deputado, que se achava no Rio de Janeiro no momento da
+elei&ccedil;&atilde;o, deixou-se ahi ficar sem que jamais lhe
+preenchesse o logar o segundo supplente Manuel Pacheco Pimentel. Era
+notorio o liberalismo do padre Moreira e de Castro e Silva. Aquelle
+mostr&aacute;ra sympathia pela revolta pernambucana de 1817, e este
+promov&ecirc;ra
+<span class="pagenum">[286]</span>
+o juramento das bases da constitui&ccedil;&atilde;o e o
+estabelecimento da junta governativa vencendo a reluctancia do
+capit&atilde;o general Francisco Alberto Rubim<sup><a href="#Z356">[356]</a></sup>. Nos
+servi&ccedil;os &aacute; liberdade,
+por&eacute;m, ninguem se avantajava &aacute;
+Alencar. Ainda menor e estudante em Olinda quando estalou o levante
+Pernambuco, alcan&ccedil;ou, todavia, dos chefes rebeldes a
+miss&atilde;o de fazer proselytos na villa do Crato, terra de seu
+nascimento. Preso immediatamente e transferido para as masmorras da
+Bahia, juntamente com a m&atilde;e, ahi expi&aacute;ra
+duramente a sua imprudencia juvenil<sup><a href="#Z357">[357]</a></sup>.<br />
+
+<br />
+
+Julgado urgente o requerimento dos bahianos, nessa mesma noute em
+conselho demorado reuniram-se os brasileiros em casa de Lino Coutinho
+para determinar a orienta&ccedil;&atilde;o do debate<sup><a href="#Z358">[358]</a></sup>. No dia
+immediato instaurou-se a discuss&atilde;o, n&atilde;o sem
+surpr&ecirc;sa dos ultramarinos, que, attentos os usos do
+parlamento, n&atilde;o pensavam se iniciasse
+t&atilde;o promptamente o exame da proposta. O motivo da diligencia
+n&atilde;o podia ser outro sen&atilde;o a anciedade do povo de
+Lisboa por conhecer a solu&ccedil;&atilde;o do negocio. Os
+clubs e as lojas do Chiado regozijavam-se, em verdade, com o acto do
+governo e veri&atilde;o com prazer o exercito inteiro de Portugal
+escoar-se para a America afim de, sob o commando de Madeira,
+restabelecer ahi o prestigio da metropole. Coube primeiro a palavra a
+Lino Coutinho.
+<br />
+
+<br />
+
+<span class="pagenum"><a name="p287">[287]</a></span>
+N&atilde;o acerta, disse, com o motivo de
+expedi&ccedil;&atilde;o militar contra provincia que
+n&atilde;o est&aacute; em revolta. A Bahia presta
+adhes&atilde;o ao regimen constitucional com o fervor dos primeiros
+tempos e n&atilde;o cogita de se separar da monarchia. O que ahi
+occorreu n&atilde;o passa de briga entre dous militares, Madeira e
+Manuel Pedro. Este n&atilde;o queria largar m&atilde;o do
+commando das armas, que exercia provisoriamente, mas com applauso de
+todos, e aquelle investido do mesmo posto pelo governo de Lisboa,
+tratou de se apoderar delle, e conseguiu-o pela violencia. Para
+desfazer a disputa cumpre prudencia e n&atilde;o armas; e porem-se
+batalh&otilde;es ao servi&ccedil;o de um dos adversarios revela
+a parcialidade de Portugal e vai accirrar o <a href="#e74">descontentamento</a>
+de outra parte, tanto mais que o Brasil
+n&atilde;o quer tropas europeias. Devolveu-as Pernambuco, e o Rio
+acaba de as fazer sahir. Se corre perigo a integridade da monarchia,
+n&atilde;o &eacute; a
+for&ccedil;a armada que restabelecer&aacute; a
+confian&ccedil;a, como
+judiciosamente assignalou o principe regente, o principal interessado
+na uni&atilde;o. De mais, que valeram os regimentos britannicos e
+hespanhoes quando os Estados Unidos e Buenos Ayres resolveram
+emancipar-se? N&atilde;o contestava competir ao governo, em
+consequencia de ser o responsavel pela tranquillidade publica, a
+disposi&ccedil;&atilde;o da
+for&ccedil;a armada; mas semelhante poder <a href="#e75">n&atilde;o
+&eacute;</a> de natureza
+especial para escapar &aacute; fiscaliza&ccedil;&atilde;o
+do congresso.<br />
+
+<br />
+
+A esse discurso moderado e prudente Moura respondeu com o desabrimento
+de tribuno sabor&ecirc;ado do vulgacho. Desvenda o pensamento
+hediondo da regenera&ccedil;&atilde;o, que &eacute; tornar
+a Bahia o acampamento de Portugal de onde se irradiar&atilde;o as
+hostes contra os povos recalcitrantes aos decretos das
+Côrtes. Fala com desdem da popula&ccedil;&atilde;o
+<span class="pagenum"><a name="p288">[288]</a></span>
+do Brasil, inclinada &aacute;
+anarchia em consequencia de a constituirem &laquo;negros, mulatos,
+brancos creoulos e brancos europeus&raquo;... &laquo;A
+heterogeneidade destas castas p&otilde;e paix&otilde;es
+diversas em effervescencia, e esta agita&ccedil;&atilde;o
+n&atilde;o
+pode ser contida nos seus respectivos deveres sen&atilde;o pela
+for&ccedil;a, e a for&ccedil;a indigena n&atilde;o
+&eacute; capaz de os conter: &eacute; sim antes capaz de
+promover as mesmas desaven&ccedil;as porque se comp&otilde;e
+dos mesmos elementos&raquo;. Era difficil a esse liberal ardente
+que pregava sem cessar o direito dos povos de se governarem a seu
+gosto, conciliar a doutrina com a defesa de um acto que presuppunha o
+<a href="#e76">desconhecimento</a> formal daquelle
+direito. Esfalfou-se, por isso em explicar
+que approvava a expedi&ccedil;&atilde;o,
+n&atilde;o por ser elle contrario &aacute; independencia, mas
+porque esta contrariava a opini&atilde;o dominante em
+al&eacute;m-mar.
+Podia-se-lhe responder que n&atilde;o havia necessidade de
+batalh&otilde;es, e batalh&otilde;es europeus, para reduzir
+semelhante minoria; mas Araujo Lima teve uma replica fulminante. O
+respeito da vontade geral da America, ponderou, que persuadia o
+brilhante regenerador a impugnar a fac&ccedil;&atilde;o
+separatista, devia agora pol-o ao lado dos
+brasileiros; porquanto se havia em al&eacute;m-mar um sentimento
+unanime e formulado com nitidez, era a avers&atilde;o aos
+regimentos da metropole. Delles todos se queixavam, Pernambuco e Rio
+repelliram-nos com as armas; e no entanto qual era a attitude do Moura?
+Promover e animar essas expedi&ccedil;&otilde;es negregadas.<br />
+
+<br />
+
+Castello Branco, muito prolixo e mellifluo, se surprehendia da
+apprehens&atilde;o inspirada aos americanos pelas tropas do Reino
+possuidas do mais fervente liberalismo. Os brasileiros advertiram que
+os militares portugu&ecirc;ses que merecem
+<span class="pagenum"><a name="p289">[289]</a></span>
+louvor das cidades da metropole para onde
+s&atilde;o transferidos, destacados ao ultramar, presumem que se
+acham entre povos inferiores ou conquistados; tornam-se altaneiros e a
+cada passo molestam o melindre dos camaradas da terra. Resentidos,
+estes n&atilde;o deixam escapar ensejo de reagir, e d'ahi
+conflictos mais ou menos cruentos. N&atilde;o s&atilde;o isto
+assertos da imaginativa. Onde n&atilde;o ha
+for&ccedil;as portugu&ecirc;sas domina a tranquillidade;
+Par&aacute;, Maranh&atilde;o, Cear&aacute; e Rio Grande do
+Sul que as n&atilde;o tiveram, vivem em paz. Em Pernambuco a
+retirada do batalh&atilde;o do Algarve e do general Luiz do Rego
+restituiu &aacute; provincia socego, de que se achava privada havia
+tantos annos. Est&aacute; fresca na memoria de todos a carnificina
+da Pra&ccedil;a do Commercio fluminense pela divis&atilde;o
+auxiliadora.<br />
+
+<br />
+
+Na Bahia os regimentos lusitanos n&atilde;o procedem de modo
+diverso. Iniciaram os seus feitos matando a abbadessa do convento da
+Lapa, venerada pela <a href="#e77">prelazia</a>,
+virtudes e edade, e v&atilde;o servir
+ao general Madeira, detestado dos povos, mal visto da Camara, cuja
+auctoridade desconheceu por haver assumido o commando sem
+pr&eacute;viamente submetter ao &laquo;cumpra&raquo; d'ella
+o seu titulo de nomea&ccedil;&atilde;o.<br />
+
+<br />
+
+Importa notar que Madeira com dispersar os batalh&otilde;es
+indigenas e se apoderar dos arsenaes, annullou os adversarios e pode,
+portanto, encarar o futuro com desassombro sem necessidade de
+refor&ccedil;o, gravoso, ali&aacute;s, &aacute;s
+finan&ccedil;as depauperadas da provincia<sup><a href="#Z359">[359]</a></sup>.<br />
+
+<br />
+
+O debate proseguiu no dia immediato precedido
+<span class="pagenum">[290]</span>
+de incidente que lhe deu novo
+estimulo. Jorge de Avilez receoso
+de incorrer na censura do monarcha, em consequencia do conflicto com o
+regente, procurou seduzir as Côrtes com cumprimentos
+f&eacute;rvidos. O presidente devia archivar simplesmente o
+documento, mas os regeneradores exaltados n&atilde;o consentiam que
+o parlamento acolhesse sem express&atilde;o de gaudio as
+demonstra&ccedil;&otilde;es de estima de official determinado a
+guardar os decretos legislativos com a espada. Os brasileiros e outros
+constituintes perfilhavam o voto de Guerreiro: como D. Pedro accusava
+Avillez, emquanto este se n&atilde;o justificasse perante os
+tribunaes, n&atilde;o era licito &aacute;s Côrtes
+exprimirem o sentimento com que ouviram as suas
+congratula&ccedil;&otilde;es. Antonio Carlos falou com lucidez
+e independencia. &laquo;Este congresso n&atilde;o commetteu a
+execu&ccedil;&atilde;o das suas ordens ao general Avillez;
+commetteu-as ao governo, e este ao seu delegado. Se o delegado obrou
+mal, ao delegado cumpre responder, e n&atilde;o ao general tomar
+contas ao delegado; ali&aacute;s adeus, governo: &aacute;s duas
+por tres estava tudo perdido. O principe regente ha de responder, ha de
+se lhe pedir contas de sua conducta&raquo;.<br />
+
+<br />
+
+Venceu o alvitre de Guerreiro, depois de militares deputados terem
+considerado suspeito de indisciplina o comportamento do commandante da
+divis&atilde;o auxiliadora. Mostrou a discuss&atilde;o que a
+divergencia do Par&aacute; e Maranh&atilde;o com as outras
+provincias se acentuava mais e mais. De feito o bispo do
+Par&aacute; e Beckman, do Maranh&atilde;o, acompanharam,
+n&atilde;o sabemos por que motivo, os energumenos radiantes com o
+gesto do general<sup><a href="#Z360">[360]</a></sup>.
+<br />
+
+<br />
+
+<span class="pagenum">[291]</span>
+Irritados com a derrota, os regeneradores se empenharam na
+discuss&atilde;o da vespera com maior vehemencia. Encetou agora o
+debate Borges Carneiro, que procurou avigorar a sua popularidade,
+abalada nos gremios e nas ruas, em virtude da
+disposi&ccedil;&atilde;o generosa anterior de
+attender aos desejos do ultramar, com as violencias habituaes de Moura.
+Como este, o luminoso regenerador lamentou a exiguidade das
+for&ccedil;as destinadas ao Brasil; pedia que fossem para a Bahia
+ao menos dous mil e seiscentos homens que, reunidos aos 1.400
+existentes na provincia, constituiri&atilde;o exercito
+ass&aacute;s poderoso para conter as fac&ccedil;&otilde;es;
+mas, e nisto divergia dos consortes, queria a
+expedi&ccedil;&atilde;o acompanhada de
+resolu&ccedil;&otilde;es a favor da America.
+&laquo;Mostre-se ao Brasil, exclamou todavia com estouvamento, que
+o n&atilde;o queremos avassalar como os antigos despotas:
+por&eacute;m contra os faciosos e rebeldes, mostre-se que ainda
+temos c&atilde;o de fila ou le&atilde;o tal, que se o soltarmos
+ha de os trazer a obdecer &aacute;s
+Côrtes, ao Rei, e &aacute;s authoridades constituidas no
+Brasil por aquellas e por este&raquo;.<br />
+
+<br />
+
+Do longo discurso de Borges Carneiro nada commoveu mais os brasileiros
+que esse trecho, e os proceres da deputa&ccedil;&atilde;o
+entenderam que n&atilde;o devia passar despercebido.
+&laquo;Advirto o illustre deputado, bradou Villela Barbosa, que ali
+tambem se sabe a&ccedil;aimar c&atilde;es; que nas veias dos
+brasileiros tambem gira sangue portugu&ecirc;s e que j&aacute;
+hoje ali se n&atilde;o h&atilde;o de receber leis
+com o arcabuz no rosto&raquo;. Lino Coutinho
+exclamou: &laquo;Contra os c&atilde;es atiraremos
+on&ccedil;as e
+tigres.&raquo;<br />
+
+<br />
+
+Ninguem, por&eacute;m, ultrapassou em violencia e audacia Antonio
+Carlos: &laquo;Declaro que o Brasil n&atilde;o est&aacute;
+em estado de temer as fatuas amea&ccedil;as
+<span class="pagenum">[292]</span>
+com que o
+pretendeu intimidar o snr. Borges Carneiro: para c&atilde;es de
+fila ha l&aacute; em abundancia p&aacute;u, ferro e bala, e nem
+nos podem assustar c&atilde;es de fila aos quaes fizeram fugir
+dentadas de simples c&atilde;es gozos.&raquo;<br />
+
+<br />
+
+Referia-se &aacute; divis&atilde;o auxiliadora recuando deante
+das milicias mal armadas.<br />
+
+<br />
+
+Ninguem contesta ao poder executivo, incumbido de assegurar a paz
+publica, a faculdade de destacar regimentos para os pontos em
+convuls&atilde;o, sem necessidade de consultar &aacute;s
+Côrtes, mas tambem ninguem nega ao Congresso o direito de
+fiscalizar os actos do governo, e entre estes nenhum avulta ao emprego
+da for&ccedil;a armada. Despojal-o desta
+attribui&ccedil;&atilde;o a fim de evitar a confus&atilde;o
+dos poderes, envolve
+diminui&ccedil;&atilde;o moral da assembl&ecirc;a nacional,
+pois que a reduz a julgar faltas e n&atilde;o a prevenil-as. Assim
+pensavam os brasileiros, e se surprehendiam dos escrupulos dos
+constituintes que a cada passo invadiam a esphera de
+ac&ccedil;&atilde;o do executivo. Lembraram muito a proposito
+do caso recente do provimento da corregedoria do Lamego, que occupara
+uma longa sess&atilde;o. Se ha assumpto, diziam, de
+al&ccedil;ada
+administrativa &eacute; a nomea&ccedil;&atilde;o de
+funccionarios e se ha materia secundaria para as Côrtes
+&eacute; a
+designa&ccedil;&atilde;o de magistrado para cidade de terceira
+ordem. Quando se quer discutir uma providencia governamental prenhe de
+effeitos funestos, o parlamento entra-se de respeito religioso pela
+divis&atilde;o dos poderes e procura trancar o debate.<br />
+
+<br />
+
+Havia, demais, uma circumstancia a favor da doutrina dos brasileiros. A
+commiss&atilde;o dos negocios politicos do Brasil propuzera se
+n&atilde;o mandassem tropas &aacute;s provincias americanas sem
+que as pedissem as suas juntas governativas, e a Bahia
+<span class="pagenum">[293]</span>
+n&atilde;o as havia sollicitado. N&atilde;o
+f&oacute;ra ainda submettida &aacute; discuss&atilde;o a
+proposta; um governo, por&eacute;m, prudente n&atilde;o devia
+encontrar uma medida formulada por commiss&atilde;o importante das
+Côrtes. Trigoso, moderado e circumspecto, e por isso suspeito
+aos regeneradores, comprehendeu a importancia do argumento mas sem
+coragem para se oppôr a um acto administrativo considerado
+patriotico, ao mesmo passo que o justificou quiz saber se o conselho de
+estado fôra ouvido &aacute;cerca d'elle e qual o ministro
+que assumia a responsabilidade da medida. N&atilde;o teve resposta.
+<br />
+
+<br />
+
+N&atilde;o era licito attribuir o descontentamento da America ao
+espirito de revolta sem provar que este existia independentemente dos
+decretos recentes. N&atilde;o o fizeram os regeneradores;
+limitaram-se a proclamar que as bases da
+Constitui&ccedil;&atilde;o declaradoras dos direitos e
+vantagens dos cidad&atilde;os eram communs ao Brasil e ao Reino, e
+n&atilde;o perderam o ensejo de fazer os protestos habituaes de
+amor aos povos ultramarinos.<br />
+
+<br />
+
+Moura, por&eacute;m, teve a lealdade de affirmar que
+j&aacute;mais consentiria exercesse a regencia da antiga colonia o
+successor da Corôa. N&atilde;o havia, comtudo, medida
+pleiteada com mais calor no Brasil meridional que essa. Os brasileiros,
+receosos de comprometterem a causa com quest&atilde;o descabida e
+irritante, se n&atilde;o preoccuparam della mas responderam com
+vigor &aacute;s generalidades. As bases da
+Constitui&ccedil;&atilde;o, retorquiram, causaram na verdade
+prazer ao Brasil com assegurar a egualdade mais perfeita de direitos
+aos portugu&ecirc;ses de um e outro lado do Atlantico,
+principalmente com prometter que as Côrtes n&atilde;o
+legislari&atilde;o para o ultramar sem o concurso de seus
+mandatarios.
+<span class="pagenum">[294]</span>
+O Congresso,
+por&eacute;m, n&atilde;o guardou o compromisso solemne.
+Organizou os governos provinciaes, supprimiu os tribunaes do Rio e
+determinou o regresso do principe na ausencia da maioria da
+deputa&ccedil;&atilde;o brasileira, isto &eacute;,
+reformou completamente a administra&ccedil;&atilde;o do reino
+americano sem audiencia dos interessados. Allega agora que constituindo
+o governo das provincias como decretou, n&atilde;o fez mais que
+sanccionar o systema estabelecido pelos mesmos povos no acto de
+acclamarem o regimen constitucional. Ha todavia, uma
+differen&ccedil;a profunda entre a
+administra&ccedil;&atilde;o creada pela provincia e a imposta
+pelo parlamento. Naquella a junta exercia auctoridade suprema sobre a
+fazenda, o exercito, sobre todas as reparti&ccedil;&otilde;es,
+ao passo que o Congresso quebrou a unidade salutar do governo tornando
+o commando das armas e a m&ecirc;sa da fazenda independentes do
+executivo provincial. &Eacute; contra o enfraquecimento extremo do
+poder local eleito directamente pelo povo e contra a sua impotencia
+perante os descommedimentos do governador militar e os abusos do fisco
+e do erario, subordinados immediatamente e exclusivamente &aacute;
+metropole, que clamam os brasileiros, esbulhados de seus direitos.<br />
+
+<br />
+
+Com os decretos das Côrtes a situa&ccedil;&atilde;o
+politica dos ultramarinos peiorou, n&atilde;o s&oacute; em
+compara&ccedil;&atilde;o com o que as provincias criaram,
+sen&atilde;o tambem relativamente &aacute;s vantagens que lhes
+resultavam do regimen colonial. Ent&atilde;o nas capitanias
+promoviam-se postos at&eacute; a patente de major; o
+capit&atilde;o general e a junta da fazenda preenchiam cargos civis
+e os bispos por via de commiss&atilde;o examinadora creavam
+parochos e vigarios. Hoje os accessos de qualquer categoria
+<span class="pagenum">[295]</span>
+sahem do ministerio, de Lisboa; os
+pretendentes aos empregos publicos, civis ou ecclesiasticos, devem vir
+buscar a nomea&ccedil;&atilde;o em Portugal, por que
+s&atilde;o obrigados a concursos, realizaveis somente na capital da
+metropole.<br />
+
+<br />
+
+Os regeneradores, que, na sess&atilde;o precedente haviam allegado
+que por falta de disciplina os batalh&otilde;es brasileiros se
+n&atilde;o achavam em termos de reduzir as
+fac&ccedil;&otilde;es, agora mais exaltados
+duvidavam de sua coragem. Foi ainda Moura o imprudente, assignalando
+que duas companhias de Madeira desarmaram um regimento. No Brasil pode
+haver facciosos como os ha em Portugal, redarguiu Villela Barbosa, mas
+para as soffrear, bastam as for&ccedil;as da terra, de cujo valor
+d&atilde;o testemunho o batalh&atilde;o do Algarve e a
+divis&atilde;o auxiliadora que n&atilde;o ousaram defrontar-se
+com ellas. S&atilde;o factos que em sua forte simplicidade vencem a
+eloquencia dos que as intentam vilipendiar neste recinto.<br />
+
+<br />
+
+Os oradores n&atilde;o fazendo mais que repetir os argumentos, o
+presidente julgou encerrado o debate depois de falar Xavier Monteiro,
+um dos mais resolutos constituintes, que patenteou o designio da
+regenera&ccedil;&atilde;o de congregar na Bahia exercito
+ass&aacute;s forte para resguardar o norte da desobediencia
+&aacute;s Côrtes, em progresso no sul do novo reino. Por
+80 votos contra 43 ou 44<sup><a href="#Z361">[361]</a></sup>,
+o congresso resolveu rejeitar a proposta
+bahiana, que pedia ao governo n&atilde;o fizesse a
+expedi&ccedil;&atilde;o sem ouvir os mandatarios de
+al&eacute;m-mar<sup><a href="#Z362">[362]</a></sup>.
+Salvo
+<span class="pagenum">[296]</span>
+Malaquias, de Pernambuco, enfermo e Barata impedido,
+compareceram &aacute;s duas sess&otilde;es memoraveis
+todos os deputados da America; mas desgra&ccedil;adamente houve
+tres dissidentes. D. Romualdo, Beckman e Lemos Brand&atilde;o
+bandearam-se com os portugu&ecirc;ses<sup><a href="#Z363">[363]</a></sup>.
+Calaram as
+raz&otilde;es do seu acto; facil &eacute;, todavia, atinar com
+a causa do comportamento dos dous primeiros. O Par&aacute; e o
+Maranh&atilde;o que representavam, se haviam tornado dependencias
+de Portugal, e n&atilde;o do Brasil, desde 1624 por ser a
+navega&ccedil;&atilde;o para o Sul, contrariada
+de constante vento l&eacute;ste e das correntes maritimas, lenta e
+penosa. Os seus habitantes vinham, pois, procurar os recursos judiciaes
+e administrativos em Lisboa em vez de os buscar na s&eacute;de do
+governo geral da America portugu&ecirc;sa, como praticavam as
+outras capitanias. Demais, ao passo que em todas as mais provincias
+estava em decrescimento a influencia dos reinoes, ella mantinha-se
+naquella parte decisiva nos negocios publicos e na opini&atilde;o.
+Timoratos e conservadores, o bispo e Beckman n&atilde;o ousavam
+reagir contra a
+tradi&ccedil;&atilde;o secular do ber&ccedil;o nem contra o
+partido dominante nella, e entendiam faltar &aacute; f&eacute;
+do mandato se associassem aos seus compatriotas do sul contra os
+lusitanos. A explica&ccedil;&atilde;o do voto de Lemos
+Brand&atilde;o n&atilde;o se acha em factos externos mas na
+nullidade absoluta do &laquo;bom homem da
+ro&ccedil;a&raquo; como o designa com piedade repassada de
+desdem o seu contemporaneo Vasconcellos Drummond.<br />
+
+<br />
+
+Acompanharam os deputados do Brasil seis ou sete constituintes
+portugu&ecirc;ses, dos quaes conhecemos tres por haverem declarado
+o voto.
+<span class="pagenum">[297]</span>
+S&atilde;o elles Corr&ecirc;a de
+Seabra e Osorio Cabral, deputados da Beira, e Peixoto, do Minho. Nenhum
+delles era regenerador. Tirante Fernandes Thomaz, doente, tomaram parte
+no debate as figuras proeminentes do lado portugu&ecirc;s, quaes
+Moura, Borges Carneiro, Castello Branco, Pereira do Carmo e Trigoso, e
+os astros de primeira grandeza da bancada brasileira, Antonio Carlos,
+Lino Coutinho, Villela Barbosa, Borges de Barros, Araujo Lima, Moniz
+Tavares e Marcos Antonio, o sabio, consoante D. Romualdo de Seixas. Se
+dos oradores de Portugal occupou o primeiro plano no debate Moura,
+ninguem excedeu a Lino Coutinho na copia dos argumentos e dos factos
+justificativos das queixas do Brasil contra as Côrtes, os
+batalh&otilde;es do Reino e os commandantes das armas e ninguem
+orou com eloquencia t&atilde;o vigorosa, t&atilde;o commovente
+e t&atilde;o
+captivante.<br />
+
+<br />
+
+Nunca os brasileiros se haviam manifestado com egual conformidade de
+sentimentos e nunca manifestaram maior empenho em conquistar a
+assembl&eacute;a. Mostraram-se destros e condescendentes e
+n&atilde;o foram aggressivos sen&atilde;o em
+def&ecirc;sa.<br />
+
+<br />
+
+Conhecida a vota&ccedil;&atilde;o, Borges de Barros, muito
+commovido por antever os soffrimentos do ber&ccedil;o com o
+refor&ccedil;o do elemento oppressor, e desenganado das
+Côrtes, declarou que o seu comparecimento &aacute;s
+sess&otilde;es de ora avante era o mais duro sacrificio que lhe
+impunha o mandato<sup><a href="#Z364">[364]</a></sup>.
+De feito n&atilde;o mais fez propostas, as
+bellas propostas reveladoras do nobre sonho de ver a patria
+transformada na mais invejavel morada dos homens pela
+instruc&ccedil;&atilde;o, liberdade e
+<span class="pagenum"><a name="p298">[298]</a></span>
+justi&ccedil;a e s&oacute; excepcionalmente interveio nos
+debates. Os collegas adheriram tambem a essa
+resolu&ccedil;&atilde;o, consoante o accordo estabelecido na
+reuni&atilde;o em casa de Lino Coutinho<sup><a href="#Z365">[365]</a></sup>.
+N&atilde;o tardaram
+por&eacute;m, em a pospôr, aconselhados da boa
+raz&atilde;o, que n&atilde;o suffraga semelhante
+concep&ccedil;&atilde;o do cargo, a despeito do reparo
+justissimo do Correio Brasiliense: &laquo;Os deputados do Brasil de
+nada servem sen&atilde;o de testemunhar os insultos <a href="#e78">feitos</a> ao seu paiz, porque o seu
+pequeno
+numero os deixa sem influencia e s&oacute; por acaso apparece
+alguma cousa em que a justi&ccedil;a do Brasil seja
+contemplada&raquo;<sup><a href="#Z366">[366]</a></sup>.<br />
+
+<br />
+
+Lisboa acclamou com jubilo a determina&ccedil;&atilde;o do
+Congresso. Em honra da mentalidade portugu&ecirc;sa importa dizer
+que o mais notavel jornalista da &eacute;pocha n&atilde;o
+participou do enthusiasmo geral. N&atilde;o s&oacute; profligou
+a
+expedi&ccedil;&atilde;o, sen&atilde;o tambem
+propôs a revoca&ccedil;&atilde;o &aacute;
+metropole de todos os militares destacados no reino ultramarino, e
+capitulou de grande erro politico a uni&atilde;o pela
+for&ccedil;a<sup><a href="#Z367">[367]</a></sup>.<br />
+
+<br />
+
+Resulta com evidencia dos debates, dizemol-o com m&aacute;gua, que
+se a m&atilde;e patria n&atilde;o
+expediu for&ccedil;as avultadas contra os da America, devemol-o
+n&atilde;o ao liberalismo das Côrtes e do povo de Lisboa
+nem <a href="#e79">&aacute;</a> supposta
+brandura dos
+irm&atilde;os mais velhos, mas unicamente ao vazio do erario, em
+atrazo ha mais de um anno com os vencimentos dos funccionarios.
+<br />
+
+<br />
+
+<br />
+
+<br />
+
+<h3><a name="c17"></a>CAPITULO XVII</h3>
+
+<br />
+
+<div class="intro1">SUMMARIO:<br />
+
+<br />
+
+<em>Embarque da divis&atilde;o auxiliadora.&#8213;O desfecho
+da expedi&ccedil;&atilde;o de F. Maximiliano de Sousa.&#8213;A
+convoca&ccedil;&atilde;o do conselho de estado.&#8213;Votos dos
+governos do Rio, de Pernambuco e de Minas e da camara do
+Rio.&#8213;Necessidade de assembl&eacute;a legislativa no
+Brasil.&#8213;Effeito nas Côrtes das cartas de D.
+Pedro.&#8213;V&atilde;o estas &aacute; commiss&atilde;o
+especial.&#8213;Moura opp&otilde;e-se a que as Côrtes recebam
+uma
+representa&ccedil;&atilde;o da junta de S. Paulo.&#8213;Os
+brasileiros pedem a responsabilidade do ministro e de Madeira.&#8213;O
+parecer da commiss&atilde;o de
+constitui&ccedil;&atilde;o.&#8213;Perd&atilde;o aos degredados
+da revolu&ccedil;&atilde;o de 1817.&#8213;Triumpho de Fernandes
+Thomaz.&#8213;Novos membros da commiss&atilde;o especial.&#8213;Voto em
+separado de Moura, de Ledo, Pinto da Fran&ccedil;a, de Almeida
+Castro e de Vergueiro.&#8213;Anciedade de Lisboa.&#8213;Borges
+Carneiro.&#8213;Bueno.&#8213;Moura e o juramento das Bases.&#8213;Castello
+Branco.&#8213;Vergueiro.&#8213;Guerreiro.&#8213;Antonio Carlos.&#8213;Serpa
+Machado.&#8213;Corr&ecirc;a de Seabra.&#8213;Alencar.&#8213;Barata.&#8213;Lino
+<span class="pagenum"><a name="p300">[300]</a></span>
+Coutinho.&#8213;&Eacute;
+approvado o parecer da commiss&atilde;o sem
+altera&ccedil;&atilde;o capital.</em></div>
+
+<br />
+
+<br />
+
+<br />
+
+Resolvida a remessa de tropas para a Bahia, os constituintes
+portugu&ecirc;ses querendo inculcar que entendiam reger a America
+n&atilde;o s&oacute; com a for&ccedil;a, proposeram se
+creasse uma commiss&atilde;o de deputados brasileiros com o encargo
+de formular os artigos da constitui&ccedil;&atilde;o relativos
+ao novo reino<sup><a href="#Z368">[368]</a></sup>.
+Apenas nomeada, soaram novas do ultramar que
+desnortearam o Congresso. A divis&atilde;o auxiliadora
+fôra mais uma vez vencida, pois n&atilde;o lograra
+demorar-se no Brasil at&eacute; &aacute; chegada do regimento
+provisorio que a devia render. D. Pedro alcan&ccedil;ando que Jorge
+de Avillez mirava aguardar esses oitocentos soldados para com elles
+avassalar a cidade e constrangel-a a observar os decretos das
+côrtes, intimou-lhe a sahir barra f&oacute;ra com os seus
+homens sob pena de os considerar inimigos e os anniquillar entre os
+fogos de terra e de mar. Partido afinal aos 15 de fevereiro o exercito
+lusitano, o regente entrou a reorganizar o novo reino. Foi o seu
+primeiro acto o decreto de 19 de fevereiro assignado por
+Jos&eacute; Bonifacio na qualidade de ministro do Reino. Creava a
+nova resolu&ccedil;&atilde;o um conselho de procuradores geraes
+das provincias, nomeados pelos eleitores de parochia reunidos nas
+cabe&ccedil;as de comarca com as seguintes
+attribui&ccedil;&otilde;es:<br />
+
+<br />
+
+Responder &aacute;s consultas que lhe <a href="#e80">fossem</a>
+submettidas pelo
+regente ou informar sobre os projectos relativos &aacute;
+administra&ccedil;&atilde;o geral e
+provincial;
+<br />
+
+<br />
+
+<span class="pagenum">[301]</span>
+Propôr as medidas mais convenientes &aacute;
+federa&ccedil;&atilde;o luso-brasilica, ao Brasil e as suas
+provincias.<br />
+
+<br />
+
+Por cada quatro deputados em Côrtes a provincia designaria um
+procurador mas nenhuma provincia teria mais de tres
+procuradores.<sup><a href="#Z369">[369]</a></sup>.
+Assistia &aacute;s Camaras
+Municipaes em
+verea&ccedil;&atilde;o geral e extraordinaria o direito de
+revogar o mandato, ali&aacute;s indefenido, dos conselheiros.<br />
+
+<br />
+
+Semelhante acto julgado exotico por Antonio Carlos<sup><a href="#Z370">[370]</a></sup> e que tinha o
+defeito de deixar sem procuradores as terras que davam menos de quatro
+deputados, n&atilde;o deslustra, contudo, o espirito de
+Jos&eacute; Bonifacio. Urgia firmar a todo o custo no Brasil
+inteiro a auctoridade de D. Pedro, desconhecida pelas juntas, para
+salvar a integridade do novo reino, e n&atilde;o havia meio mais
+habil para attingir esse resultado que mostrar o principe desvelo pelos
+povos com os ouvir &aacute;cerca de seus interesses. O decreto,
+como inculcam os seus fundamentos, tambem visava apparelhar a
+na&ccedil;&atilde;o para o governo constitucional, repugnando a
+intelligencia disciplinada do egregio paulista fazel-a passar do
+despotismo ao regimen representativo sem preparo, e este n&atilde;o
+podia ser sen&atilde;o a delibera&ccedil;&atilde;o em
+commum dos representantes a respeito das necessidades das suas
+provincias e o contacto delles com a
+administra&ccedil;&atilde;o suprema.<br />
+
+<br />
+
+O activo governo do Rio tratou em seguida
+<span class="pagenum"><a name="p302">[302]</a></span>
+de se acautelar contra o desembarque das
+tropas de Portugal, as quaes por esse tempo deviam sulcar as aguas
+americanas, determinando a junta de Pernambuco que &aacute;
+passagem dellas, notificasse ao commandante a
+resolu&ccedil;&atilde;o da regencia de as n&atilde;o
+receber e ao mesmo passo n&atilde;o deixasse de as prover
+promptamente de refrescos para tornarem sem perda de tempo a Europa<sup><a href="#Z371">[371]</a></sup>.
+A flotilha j&aacute; havia levantado ferro do littoral pernambucano
+e proseguia na sua rota. Aos nove de mar&ccedil;o surgiu na ilha
+Rasa. D. Pedro apressou-se a recebel-a em armas, e da fortaleza de
+Santa Cruz partiu a amea&ccedil;a de bombardeio, caso tentasse
+penetrar na <a href="#e81">bahia</a>.<br />
+
+<br />
+
+Convidados a comparecerem no pa&ccedil;o imperial o chefe naval e o
+coronel do regimento, ahi souberam de D. Pedro que os desatinos da
+divis&atilde;o auxiliadora a tal extremo de
+indigna&ccedil;&atilde;o haviam levado os animos, que elle os
+n&atilde;o toleraria na capital sem conhecer dos seus intentos<sup><a href="#Z372">[372]</a></sup>.
+Ou por prudencia ou por convic&ccedil;&atilde;o de
+n&atilde;o
+poder a esquadrilha for&ccedil;ar a barra, que a estrategia por
+longos annos considerou efficazmente defendida com os
+canh&otilde;es de Santa Cruz, os officiaes protestaram por escripto
+obedecer ao Regente e n&atilde;o intervir nos negocios
+politicos<sup><a href="#Z373">[373]</a></sup>.
+A declara&ccedil;&atilde;o tranquillizou os
+espiritos e permittiu aos officiaes munirem-se com seguran&ccedil;a
+de provis&otilde;es para o regresso. D. Pedro escreveu triumphante
+ao pai: &laquo;A obediencia dos commandantes fez com que
+<span class="pagenum"><a name="p303">[303]</a></span>
+os la&ccedil;os que uniam o Brasil a
+Portugal, que eram de fio de retr&oacute;s podre, se
+refor&ccedil;assem com amor cordial &aacute; m&atilde;i
+patria&raquo;<sup><a href="#Z374">[374]</a></sup>.
+Resguardados da expedi&ccedil;&atilde;o, entendeu o conselho da
+regencia
+indemnizar-se do sobresalto que ella lhe causara, e D. Pedro teve um
+alvitre que divertiu os deputados brasileiros e exasperou os
+regeneradores. Encorporou na armada da America a fragata Real Carolina,
+uma das joias da flotilha, e attrahiu ao exercito do Brasil 394
+pra&ccedil;as das for&ccedil;as expedicionarias com reduzir o
+servi&ccedil;o militar a tres annos. E o principe que de tudo dava
+conta ao pai disse com gravidade: &laquo;Dou parte a V. M. como
+&eacute; meu dever, que uma grande parte da soldadesca do regimento
+provisorio passou por sua mui livre vontade para os corpos do exercito
+deste reino, e egualmente participo que eu n&atilde;o quis que
+official algum passasse a fim de n&atilde;o corromperem os soldados
+e poder manter a uni&atilde;o do Brasil com Portugal.&raquo;
+Mais de uma vantagem enxergava D. Pedro nesse acto. Fortificava a
+malicia da terra com
+guerreiros provados, os quaes, concluido o <a href="#e82">curto</a>
+engajamento, se tornari&atilde;o colonos uteis, e testemunhava
+n&atilde;o haver
+no Brasil antipathia ao portugu&ecirc;s sen&atilde;o <a href="#e83">aos</a> corpos arregimentados<sup><a href="#Z375">[375]</a></sup>.<br />
+
+<br />
+
+Com essas informa&ccedil;&otilde;es, havia concorrentemente
+outras que definiam o espirito publico da America. O governo de Minas,
+pelo seu vice-presidente, em discurso ao regente, e a junta de
+Pernambuco e a camara do Rio em officios &aacute;s
+<span class="pagenum">[304]</span>
+Côrtes, applaudiam a resolu&ccedil;&atilde;o de D.
+Pedro de ficar no Brasil a bem da cohes&atilde;o das provincias
+americanas e da integridade da monarchia, e representavam contra o
+decreto de 29 de setembro que desligava das juntas o commando das armas
+e a inspec&ccedil;&atilde;o da fazenda para os subordinar ao
+poder executivo de Lisboa. Instaram pela
+conserva&ccedil;&atilde;o do regimento provincial, qual os
+povos haviam creado at&eacute; que a
+constitui&ccedil;&atilde;o
+regulasse a materia, ouvidos todos os deputados do Brasil<sup><a href="#Z376">[376]</a></sup>.<br />
+
+<br />
+
+Num ponto o governo pernambucano se afastava da municipalidade
+fluminense e da
+administra&ccedil;&atilde;o de Minas: repellia a
+constitui&ccedil;&atilde;o do conselho de estado acolhida com
+alvoro&ccedil;o por estas autoridades. Assim procedia por se lhe
+afigurar que esse acto invadia as attribui&ccedil;&otilde;es
+das Côrtes e d'el-rei, que os povos juraram acatar e por
+temer que aquelle corpo se convertesse em instrumento docil do governo
+do Rio, visto que n&atilde;o deliberari&atilde;o os
+procuradores sen&atilde;o
+convocados pela regencia. Presidia a junta de Pernambuco Gervasio Pires
+Ferreira liberal hesitante como todos os homens ricos, que temem damno
+aos seus bens das transforma&ccedil;&otilde;es sociaes. O
+respeito, por&eacute;m, agora invocado, ao poder legislativo
+n&atilde;o merecia f&eacute; emanado de quem acab&aacute;ra
+de expulsar as tropas enviadas de Lisboa e se mostrava determinado a
+n&atilde;o cumprir os decretos das mesmas côrtes; em
+verdade n&atilde;o passava de argumento especioso para rejeitar uma
+institui&ccedil;&atilde;o
+que n&atilde;o assegurava a liberdade individual contra os abusos
+do poder. Mas se a tibieza de Pires Ferreira lhe n&atilde;o
+permittia indicar o que s&oacute; era
+<span class="pagenum">[305]</span>
+capaz de conter uma
+autoridade que emancipada do Congresso de Lisboa, ficava sem freio,
+fizeram-no Jos&eacute; Clemente Pereira, do Rio, e Jos&eacute;
+Teixeira da Fonseca Vasconcellos, de Minas. Ambos resolutamente
+ponderaram a necessidade de se chamarem côrtes legislativas
+no novo reino, e o primeiro declarou mui terminantemente que sem ellas
+o Brasil n&atilde;o teria parte na soberania da
+na&ccedil;&atilde;o portugu&ecirc;sa<sup><a href="#Z377">[377]</a></sup>.<br />
+
+<br />
+
+N&atilde;o faltavam, por conseguinte, aos constituintes europeus
+indica&ccedil;&otilde;es do pensamento do Brasil e homens
+dotados do mais elementar senso politico se sentiri&atilde;o
+felizes com ter &aacute;
+m&atilde;o meios de reduzir o descontentamento inquietador de uma
+parte importante da monarchia sem effus&atilde;o de sangue e sem
+fraccionamento do imperio. Os regeneradores, por&eacute;m, tinham
+mais orgulho que raz&atilde;o. Nesses documentos enxergaram
+t&atilde;o s&oacute;mente os termos desabridos de D. Pedro
+contra as Côrtes, e Borges Carneiro definiu com
+just&ecirc;za a agita&ccedil;&atilde;o dos legisladores
+em seguida &aacute; leitura das cartas e officios da America, ao
+exclamar: &laquo;havemos de ouvir &aacute; calada injurias, e
+injurias feitas por um rapaz &aacute;
+na&ccedil;&atilde;o representada n'este recinto
+sacrosanto?&raquo;<br />
+
+<br />
+
+Restabelecido o silencio, abriu-se discuss&atilde;o sobre o destino
+das cartas do principe, em consequencia de Guerreiro por escrupulo
+entender conveniente dirigil-as a outra commiss&atilde;o que
+n&atilde;o a especial dos negocios politicos do Brasil. O congresso
+sujeitou-as &aacute; mesma commiss&atilde;o, sem aceitar,
+todavia, o alvitre estupendo de Castello
+<span class="pagenum">[306]</span>
+Branco no sentido de se declarar o
+parlamento em sess&atilde;o permanente at&eacute; que fosse
+apresentado o parecer sobre a correspondencia de D. Pedro.<br />
+
+<br />
+
+Conhecida a representa&ccedil;&atilde;o da junta de S. Paulo,
+os regeneradores anceavam por se desaggravar da autoridade que
+condemnava a sua politica ultramarina, e entendiam que n&atilde;o
+era licito ao Congresso desvelar-se pela antiga colonia sem primeiro se
+pronunciar a respeito d'aquelle officio audaz. Protrahiram, por isso, a
+discuss&atilde;o do sabio parecer lavrado em 18 de mar&ccedil;o
+pela commiss&atilde;o especial creada para providenciar com
+urgencia &aacute;cerca da irrita&ccedil;&atilde;o do
+Brasil por causa dos decretos de 29 de setembro, discuss&atilde;o
+que regularmente se devia instaurar na derradeira semana de
+mar&ccedil;o. Serviram-se com avidez da
+excita&ccedil;&atilde;o do Congresso para saciar o despeito.
+Como indignavam aos portugu&ecirc;ses os termos asperos de D. Pedro
+contra as Côrtes&#8213;as Côrtes facciosas,
+escrevera&#8213;parece que os corypheus da regenera&ccedil;&atilde;o
+se levantariam na
+assembl&eacute;a revôlta mais para fulminar a D. Pedro
+que aos paulistas. Mas Moura era um far&ccedil;ante: teve o despejo
+de negar a responsabilidade do principe na
+agita&ccedil;&atilde;o do ultramar e de attribuir esta
+exclusivamente ao governo de S. Paulo. &laquo;Portanto, rematou,
+&eacute; preciso que a
+commiss&atilde;o hoje mesmo se reuna e hoje mesmo formule o seu
+juizo sobre a representa&ccedil;&atilde;o de S.
+Paulo&raquo;<sup><a href="#Z378">[378]</a></sup>.<br />
+
+<br />
+
+A commiss&atilde;o, por&eacute;m, n&atilde;o deu o parecer
+no mesmo dia nem na semana immediata, e a demora se n&atilde;o
+acalmou o impetuoso regenerador, t&atilde;o pouco attenuou a
+combatividade dos americanos.
+<span class="pagenum"><a name="p307">[307]</a></span>
+A junta paulista pedira ao
+Congresso, por via dos deputados da mesma provincia, a
+revoga&ccedil;&atilde;o
+dos negregados decretos de 29 de setembro. Era <a href="#e84">uso</a>
+nas
+Côrtes receberem-se todos os officios e mensagens, uns com
+agrado, outros com men&ccedil;&atilde;o honrosa, ess'outros sem
+declara&ccedil;&atilde;o alguma, mas n&atilde;o havia
+precedente de repellir o congresso qualquer
+representa&ccedil;&atilde;o. Moura, todavia,
+aconselhou ao parlamento recusasse acolhida ao requerimento, e desta
+maneira o apostolo do constitucionalismo negara a uma autoridade o
+direito de peti&ccedil;&atilde;o que a lei fundamental
+outorgava aos individuos e &aacute;s collectividades.
+N&atilde;o valia a pena debate sobre materia de interesse
+t&atilde;o secundario, e Antonio Carlos, que formul&aacute;ra
+os votos da junta de S. Paulo, assentiu com o presidente em
+consubstanciar os desejos de sua provincia em proposta assignada por
+elle e pelos collegas de deputa&ccedil;&atilde;o, conciliados
+assim os
+sentimentos da fac&ccedil;&atilde;o dominante com o respeito
+apparente da constitui&ccedil;&atilde;o<sup><a href="#Z379">[379]</a></sup>. Se o paulista cedeu
+agora, n&atilde;o tardou em mostrar que o fazia por outro motivo
+que desfallecimento da energia. De feito na mesma sess&atilde;o
+requereu a responsabilidade do ministro da guerra e de Madeira;
+daquelle por n&atilde;o haver referendado a carta r&eacute;gia
+que designava o commandante das armas, e d'este por ter assumido o
+commando sem legalisar o titulo de nomea&ccedil;&atilde;o. Com
+elle assignaram a peti&ccedil;&atilde;o quinze brasileiros. Os
+motivos
+allegados justificavam plenamente nos termos da lei<sup><a href="#Z379">[379]</a></sup> a
+forma&ccedil;&atilde;o da culpa, mas os accusadores se
+n&atilde;o firmaram em documentos comprobatorios. A
+<span class="pagenum"><a name="p308">[308]</a></span>
+commiss&atilde;o parlamentar a quem
+foi affecto o negocio, da qual faziam parte Moura e outros
+regeneradores de menor tomo, valeu-se habilmente da omiss&atilde;o
+para declarar que n&atilde;o emittiria juizo sobre elle emquanto os
+autores da denuncia a n&atilde;o robustecessem com provas.<sup><a href="#Z380">[380]</a></sup> Era
+suffocar a querella. De feito s&oacute;
+investiga&ccedil;&otilde;es
+na secretaria da guerra de Lisboa e do commando das armas da Bahia
+subministrari&atilde;o provas do delicto; mas <a href="#e86">desde</a>
+que os liberaes
+se negavam a constranger Candido Xavier e Madeira a taes diligencias,
+era loucura crer que os denunciados acudissem ao empenho dos
+accusadores. Comprehenderam-no os brasileiros, e n&atilde;o
+impugnaram o parecer dictado pela paix&atilde;o politica, a qual
+determinara o encarceramento do conde dos Arcos por
+allega&ccedil;&otilde;es vagas, e recusava agora reconhecer a
+procedencia de accusa&ccedil;&atilde;o precisa por
+n&atilde;o entibiar a energia do homem que lutava pelos foros da
+metropole.<br />
+
+<br />
+
+Os regeneradores cogitaram immediatamente de desfazer o desgosto dos
+irm&atilde;os mais novos por causa daquelle parecer. N&atilde;o
+eram ferozes, e se n&atilde;o houvessem empregado contra o ultramar
+uma politica de violencias, resultante do despeito e n&atilde;o da
+indole, certamente entreteri&atilde;o nos
+americanos, que lhes deviam a liberdade, gratid&atilde;o fertil e
+duradoura, com os seus multiplos actos de clemencia. A
+acclama&ccedil;&atilde;o do regimen
+constitucional na Bahia e em Pernambuco soltara todos os encarcerados
+em consequencia da insurrei&ccedil;&atilde;o pernambucana de
+1817 salvo Jos&eacute; Marianno de Albuquerque e Pedro da Silva
+Pedroso, condemnados a degredo perpetuo na ilha de Momulg&atilde;o
+<span class="pagenum">[309]</span>
+da costa asiatica, ou
+porque repugnasse &aacute; consciencia popular estender o
+perd&atilde;o a homens,
+que, nos conflictos civis, matam sem excusa, ou porque os sentenciados
+j&aacute; n&atilde;o estivessem no Brasil. Em abril se achavam
+nos calabou&ccedil;os do castello de Lisboa com escala para o
+exilio infamante, e o pernambucano Ferreira da Silva, que solicitara o
+indulto delles, alcan&ccedil;ara n&atilde;o
+seguissem viagem sem ordem das côrtes.<sup><a href="#Z381">[381]</a></sup>.
+Se se podia discutir o crime do capit&atilde;o Jos&eacute;
+Marianno, que, a pretexto de defender o sogro, o famoso Le&atilde;o
+Coroado, assassinara o brigadeiro Barbosa, seu superior e protector,
+ninguem se alargava a attenuar o comportamento de Pedroso. Moniz
+Tavares, deputado de Pernambuco e historiador favoravel
+&aacute;quella insurrei&ccedil;&atilde;o, pela
+qual, ali&aacute;s, soffr&eacute;ra, fala com horror desse
+consorte feroz que arrancava os desertores da pris&atilde;o, para
+os fuzilar sem processo, e que justificava o frenesi de matar com o
+desproposito de se alimentarem de sangue as
+revolu&ccedil;&otilde;es<sup><a href="#Z382">[382]</a></sup>.
+O congresso,
+por&eacute;m, por comprazer aos collegas de alem-mar,
+n&atilde;o pesou as responsabilidades de um e outro delinquente,
+concedendo-lhes o perd&atilde;o pleno, tal qual requeriam os
+pernambucanos e desejavam os brasileiros, que, possuidos de sympathia
+pela revolu&ccedil;&atilde;o illuminada do mais puro idealismo
+e da generosidade mais vasta, n&atilde;o quiseram attentar na
+figura sinistra e singular de Pedroso<sup><a href="#Z383">[383]</a></sup>.
+<br />
+
+<br />
+
+<span class="pagenum"><a name="p310">[310]</a></span>
+Apresentaram-se afinal os pareceres da commiss&atilde;o especial e
+da commiss&atilde;o incumbida de formular os artigos da
+constitui&ccedil;&atilde;o concernentes ao ultramar. Freire
+propôs se examinasse primeiramente o relatorio que alvitrava
+a responsabilidade criminal da junta de S. Paulo, allegando a urgencia
+de se declarar aos povos do Brasil que deviam obediencia &aacute;s
+Côrtes e n&atilde;o ao
+Regente<sup><a href="#Z384">[384]</a></sup>.
+Presidia a assembl&eacute;a Gouv&ecirc;a
+Dur&atilde;o, que
+at&eacute; agora nas vota&ccedil;&otilde;es se
+n&atilde;o
+<a href="#e87">singularizara</a> da
+fac&ccedil;&atilde;o regeneradora mas que se
+affastou della na conjuntura, disposto a protrahir o debate sobre o
+malsinado officio. Repugnava-lhe come&ccedil;asse o congresso a se
+desvelar pelo Brasil, revoltado com os decretos de 29 de setembro,
+punindo justamente o governo que n&atilde;o fizera mais que
+interpretar os sentimentos do povo; parecia-lhe que antes de tudo se
+devia attenuar ou remover a causa do descontentamento e em seguida
+deliberar &aacute;cerca do acto de S. Paulo. Distribuir de outro
+modo os trabalhos legislativos mostrava, na verdade, que as
+Côrtes eram mais solicitas em attender ao seu amor proprio
+que promover a tranquillidade da na&ccedil;&atilde;o. A
+despeito da insistencia de Freire e da hesita&ccedil;&atilde;o
+da
+m&ecirc;sa, a maioria em um rasgo de energia esclarecida, resolveu
+iniciar a discuss&atilde;o dos negocios de al&eacute;m-mar pelo
+projecto de sua organiza&ccedil;&atilde;o<sup><a href="#Z385">[385]</a></sup>. Tratou-se delle
+na assembl&eacute;a de 26 de junho, mas n&atilde;o proseguiu na
+sess&atilde;o immediata como prescrevia
+o bom senso, porque o bom senso, em
+<span class="pagenum">[311]</span>
+politica, faltava absolutamente aos
+regeneradores. De feito, Moura e Fernandes Thomaz declararam com
+vehemencia n&atilde;o ser licito adiar por mais tempo o exame das
+resolu&ccedil;&otilde;es do governo paulista sem rebaixamento
+das Côrtes. O energumeno Moura previu at&eacute;
+effus&atilde;o de sangue caso n&atilde;o fosse desaggravada
+immediatamente a soberania da na&ccedil;&atilde;o dos insultos
+da
+administra&ccedil;&atilde;o de S. Paulo<sup><a href="#Z386">[386]</a></sup>. O presidente,
+desajudado agora da maioria, que se intimidara com a vozearia dos
+gremios e das ruas, acquiesceu, determinando para o dia seguinte a
+discuss&atilde;o exigida.<br />
+
+<br />
+
+N&atilde;o constituiu dos menores triumphos de Fernandes Thomaz o
+facto de se n&atilde;o haver discutido em fins de mar&ccedil;o
+o parecer da commiss&atilde;o especial<sup><a href="#Z387">[387]</a></sup>.
+Lembra-se o nosso leitor
+que, em virtude das cartas de D. Pedro communicando a
+opposi&ccedil;&atilde;o determinada do Rio, S. Paulo e Minas ao
+seu regresso a Europa, nomeara-se uma commiss&atilde;o dos negocios
+politicos do Brasil com o encargo de estudar os meios convenientes a
+reduzir o descontentamento do ultramar, e recorda-se mais que por essa
+occasi&atilde;o tiveram as Côrtes noticia da
+representa&ccedil;&atilde;o de
+S. Paulo. A commiss&atilde;o ao mesmo passo que propôs um
+complexo de providencias no sentido, em geral, dos votos dos
+americanos, declarou que por agora n&atilde;o podia formular juizo
+sobre o officio do governo paulista, porque n&atilde;o sabia se
+este falava em nome proprio ou exprimia os sentimentos dos seus
+administrados. O congresso deferiu aos seus desejos, sem embargo das
+protesta&ccedil;&otilde;es
+<span class="pagenum">[312]</span>
+energicas dos radicaes, que propugnavam a
+responsabilidade criminal immediata dos autores da
+representa&ccedil;&atilde;o, porque, allegavam, nada poderia
+sobrevir capaz de tirar o cunho de rebeldia estampado no mesmo
+documento. Fernandes Thomaz era orador notavelmente laconico, mas na
+conjunc&ccedil;&atilde;o se demorou na tribuna e fez um dos
+seus maiores discursos. Julgava desacerto de tomo o Congresso alterar
+resolu&ccedil;&atilde;o recente, qual a
+organiza&ccedil;&atilde;o das juntas ultramarinas, por causa de
+cartas particulares e papeis sem credito, e aconselhava a
+commiss&atilde;o n&atilde;o reformasse os decretos de 29 de
+setembro sem averigua&ccedil;&otilde;es minuciosas
+&aacute;cerca do espirito publico do Brasil. Concluia o
+revolucionario declarando que esta materia e a decis&atilde;o sobre
+o officio de S. Paulo sendo quest&otilde;es connexas,
+n&atilde;o consentiam
+discuss&atilde;o distincta<sup><a href="#Z388">[388]</a></sup>.
+Guerreiro adoptou o alvitre, e
+lentamente proseguiu na diligencia de colher
+informa&ccedil;&otilde;es a respeito da America. Ouviu
+commerciantes em contacto com ella<sup><a href="#Z389">[389]</a></sup>,
+e n&atilde;o houve individuo
+de marca desembarcado de fresco da antiga colonia que n&atilde;o
+comparecesse no Congresso para dar &aacute; commiss&atilde;o o
+seu juizo sobre o estado politico do reino ultramarino. De todos esses
+depoimentos nenhum certamente causou maior alvoro&ccedil;o nos
+delegados portugu&eacute;ses que o de Caula, o ex-ministro de D.
+Pedro, apeado do poder em janeiro, em consequencia dos successos do
+Rio. Affirmou com a auctoridade de sua alta patente militar que nada
+mais facil do
+<span class="pagenum">[313]</span>
+que a conquista do Rio<sup><a href="#Z390">[390]</a></sup>.
+N&atilde;o
+sabemos se este general e os outros informantes criam facil
+impôr ao Brasil os decretos odiados de 29 de setembro, mas o
+que est&aacute; acima de toda a prova &eacute; que Fernandes
+Thomaz continuava a defender aquellas resolu&ccedil;&otilde;es,
+e entendia n&atilde;o
+dever o Congresso discutir a reforma da
+administra&ccedil;&atilde;o de al&eacute;m-mar, sem se
+pronunciar &aacute;cerca do officio de S. Paulo. E assim fez a
+commiss&atilde;o no seu novo relatorio apresentado em 10 de junho.<br />
+
+<br />
+
+Continuavam a trabalhar nella portugu&ecirc;ses e brasileiros, e
+aquelles eram os mesmos que em 18 de mar&ccedil;o aconselhavam o
+Congresso satisfizesse aos desejos do ultramar. Do lado dos americanos,
+por&eacute;m, houvera
+modifica&ccedil;&atilde;o. Vergueiro substituira Antonio
+Carlos, que se dera por suspeito para julgar a
+administra&ccedil;&atilde;o de sua provincia<sup><a href="#Z391">[391]</a></sup> e ficou vago o
+logar de Belford, do Maranh&atilde;o, arredado ultimamente do
+parlamento por motivo de saude<sup><a href="#Z392">[392]</a></sup>.
+Sem embargo de conter a nova
+proposta allega&ccedil;&otilde;es em parte conhecidas, vamos
+reproduzil-a nos pontos capitaes. Come&ccedil;a por analysar
+minuciosamente a
+representa&ccedil;&atilde;o da junta de S. Paulo, a quem
+considera a principal autora do movimento do Brasil meridional contra a
+organiza&ccedil;&atilde;o dos governos ultramarinos, a
+extinc&ccedil;&atilde;o dos tribunaes e o
+regresso do principe. N&atilde;o cabe ao Congresso, pondera, a
+responsabilidade da cria&ccedil;&atilde;o das juntas
+sen&atilde;o aos proprios brasileiros, os quaes as nomearam,
+<span class="pagenum">[314]</span>
+e no acto de adhes&atilde;o &aacute; causa de
+Portugal, renderam preito e homenagem &aacute;s Côrtes,
+recusando obediencia ao regente. A assembl&ecirc;a n&atilde;o
+fez mais que sanccionar o voto popular e lhe n&atilde;o era licito
+obrar de modo differente sem affrontar a opini&atilde;o. Os
+tribunaes do Rio, que prestavam servi&ccedil;o &aacute;
+monarchia absoluta como org&atilde;os consultivos do soberano,
+tornam-se desnecessarios no regimen constitucional, que attribue aos
+representantes do povo a direc&ccedil;&atilde;o suprema dos
+negocios publicos. De todos os decretos verberados no Brasil,
+continuava, nenhum se justifica mais cabalmente que aquelle mandando
+volver a Europa o principe. Desde que as juntas provinciaes
+n&atilde;o reconheciam a sua auctoridade e o deixavam sem recursos
+para prover &aacute;s necessidades do Estado, n&atilde;o podia
+decorosamente permanecer no Brasil. Reconhecia-o, ali&aacute;s, o
+proprio D. Pedro, que em 17 de julho escrevia a el-rei.
+&laquo;Espero que V. M. me fa&ccedil;a a honra de mandar
+apresentar esta minha carta &aacute;s Côrtes para que de
+commum accordo com V. M. d&ecirc;m as providencias t&atilde;o
+necessarias a este reino, de que fiquei regente e hoje sou
+capit&atilde;o general, porque governo s&oacute; a provincia, e
+assim assento que qualquer junta o poderia fazer, para que V. M. se
+n&atilde;o degrade a si, tendo o seu herdeiro como governador de
+uma provincia s&oacute;&raquo;.<br />
+
+<br />
+
+Declarando a commiss&atilde;o que o Congresso julgava interpretar a
+vontade dos povos com aquellas resolu&ccedil;&otilde;es,
+parecia concludente que,
+vistas as representa&ccedil;&otilde;es de Minas, S. Paulo,
+Pernambuco e Rio n&atilde;o consentirem duvida &aacute;cerca
+dos
+sentimentos das provincias, propuzesse ella, reconhecido o erro, a
+altera&ccedil;&atilde;o dos decretos de
+<span class="pagenum"><a name="p315">[315]</a></span>
+accordo com os votos expressos agora com
+clareza. A commiss&atilde;o, por&eacute;m, tinha outra
+preoccupa&ccedil;&atilde;o que a tranquillidade de uma parte da
+monarchia, e n&atilde;o cogitava sen&atilde;o de affirmar o
+poder das Côrtes e de as desfar&ccedil;ar daquelles que
+menos cabavam a sua auctoridade. Come&ccedil;a por ordenar a
+installa&ccedil;&atilde;o immediata das juntas quaes as creava
+o decreto 29 de setembro. Lan&ccedil;ada esta
+provoca&ccedil;&atilde;o aos ultramarinos, <a href="#e88">acirra-lhes</a>
+o
+descontentamento com mandar submetter a processo os magistrados de S.
+Paulo que haviam protestado contra as resolu&ccedil;&otilde;es
+do Parlamento.<br />
+
+<br />
+
+Eram elles: os membros do governo que assignaram o famoso officio de 24
+de dezembro<sup><a href="#Z393">[393]</a></sup>;
+os signatarios do discurso ao regente proferido em 26
+de janeiro<sup><a href="#Z394">[394]</a></sup>
+e o bispo D. Matheus, que subscreveu a
+representa&ccedil;&atilde;o do clero<sup><a href="#Z395">[395]</a></sup>.
+Prop&otilde;e mais
+a responsabilidade dos ministros de D. Pedro por haverem convocado os
+procuradores das provincias. A respeito da ficada de D. Pedro no
+Brasil, solicitada pelos povos, opinava a commiss&atilde;o para que
+o <a href="#e89">principe</a> se demorasse ahi
+at&eacute; &aacute;
+publica&ccedil;&atilde;o da carta constitucional. Governaria,
+por&eacute;m, com sujei&ccedil;&atilde;o ao
+<span class="pagenum"><a name="p316">[316]</a></span>
+poder legislativo
+e a <a href="#e90">El-rei,</a> assistido de
+secretarios de estado, designados pelo
+soberano.<br />
+
+<br />
+
+Na faina de trazer &aacute; obediencia os povos de
+&aacute;lem-mar, n&atilde;o
+se esqueceu a commiss&atilde;o de Minas Geraes. Mandou abrir
+inquerito &aacute;cerca da deten&ccedil;a de seus
+representantes em comparecerem nas Côrtes. De ha muito haviam
+sido eleitos, mas os que estavam na America n&atilde;o partiam, e
+os que estanciavam em Portugal n&atilde;o podiam entrar no
+congresso por falta de diploma. Explicavam aquelles que n&atilde;o
+viri&atilde;o occupar os seus logares na
+representa&ccedil;&atilde;o nacional sem conhecerem as
+determina&ccedil;&otilde;es definitivas da
+assembl&eacute;a constituinte a respeito do Brasil<sup><a href="#Z396">[396]</a></sup>. Emquanto,
+por&eacute;m, a antiga metropole se n&atilde;o pronunciava, a
+junta da grande provincia, rica e culta, n&atilde;o s&oacute;
+guardava os titulos de nomea&ccedil;&atilde;o dos deputados
+dispostos a entrarem no Congresso, quaes Jos&eacute; Eloy Ottoni,
+residente em Lisboa<sup><a href="#Z397">[397]</a></sup>
+e o desembargador da
+Rela&ccedil;&atilde;o do Maranh&atilde;o Francisco de Paulo
+Pereira Duarte<sup><a href="#Z398">[398]</a></sup>,
+mas ainda agia com desembara&ccedil;o de governo
+autonomo. Promovia
+<span class="pagenum">[317]</span>
+militares e cogitava de reformar o
+systhema fiscal e, at&eacute;, de cunhar moeda, e completava esses
+actos de soberania com a determina&ccedil;&atilde;o de se
+n&atilde;o cumprirem nas terras de sua
+jurisdic&ccedil;&atilde;o as leis e decretos de Portugal sem o
+seu beneplacito<sup><a href="#Z399">[399]</a></sup>.
+Transpira por isso ironia desses fortes mineiros a
+solicita&ccedil;&atilde;o ao Congresso para approvar
+a crea&ccedil;&atilde;o recente de um corpo de tropas, o
+batalh&atilde;o constitucional de ca&ccedil;adores, determinada
+justamente por causa dos successos politicos do Rio<sup><a href="#Z400">[400]</a></sup>.<br />
+
+<br />
+
+Dos portugu&ecirc;ses houve um que n&atilde;o concordou com o
+parecer da commiss&atilde;o, e este foi Moura. O amor da
+justi&ccedil;a e a rigidez de principios, assoalhados com voz de
+trov&atilde;o, manifestaram-se propondo a
+exonera&ccedil;&atilde;o de D. Pedro da regencia e a
+responsabilidade criminal de seus subordinados. Era inverter os
+preceitos de Direito que na gradua&ccedil;&atilde;o dos
+delinquentes
+antep&otilde;em os superiores herarchicos aos subalternos.
+N&atilde;o podendo justificar o extranho voto com a inviolabilidade
+do successor da corôa, allega&ccedil;&atilde;o
+contraproducente e n&atilde;o sanccionada pela
+constitui&ccedil;&atilde;o, o fogoso liberal invocou a sua
+mocidade, a qual n&atilde;o era, todavia, t&atilde;o verde que
+lhe servisse de excusa. D. Pedro transpus&eacute;ra 23 annos e
+n&atilde;o ha jurisprudencia que considere esta edade attenuante da
+responsabilidade.<br />
+
+<br />
+
+Dos brasileiros apenas o alagoano Grangeiro subscreveu sem
+restric&ccedil;&otilde;es o relatorio.
+N&atilde;o lhe determinando o voto raz&otilde;es politicas nem
+conveniencias pessoaes, n&atilde;o o seria facil explicar se
+<span class="pagenum">[318]</span>
+n&atilde;o existira a pusillanimidade, que nos homens se
+disfar&ccedil;a com o instincto de
+conserva&ccedil;&atilde;o ou com a prudencia. Grangeiro tinha a
+singularidade de a apresentar em toda a nudez, sem jactancia nem
+reserva. Assignara o parecer de 18 de mar&ccedil;o e agora
+subscrevia esse diametralmente opposto, porque assim o desejava a
+maioria e Grangeiro n&atilde;o ousava afastar-se da maioria.<br />
+
+<br />
+
+Ledo e Pinto da Fran&ccedil;a entendiam que a commiss&atilde;o
+devia fazer indagar quem animara as auctoridades de S. Paulo a
+empregarem express&otilde;es insultuosas contra as
+Côrtes. Assim se exprimindo n&atilde;o pretendiam,
+contudo, insinuar, como parece, que D. Pedro soprara a Jos&eacute;
+Bonifacio a conveniencia de usar de linguagem desabrida: o presupposto
+repugna &aacute; cortesania do bahiano e a sisudeza do fluminense;
+intentavam simplesmente suffocar o negocio por meio de providencia
+capaz de acalmar a opini&atilde;o de Lisboa sem expor o congresso a
+serios conflictos com o Brasil.<br />
+
+<br />
+
+O pernambucano Almeida e Castro mostrou-se mais resoluto que esses
+compatriotas. Attendeu t&atilde;o somente ao empenho da
+commiss&atilde;o em punir e, sem contestar a acrimonia do documento
+em quest&atilde;o, ponderou com acerto que o congresso se
+n&atilde;o devia occupar com
+representa&ccedil;&otilde;es que lhe n&atilde;o eram
+dirigidas, e que procederia com bom senso e generosidade mandando-as
+recolher simplesmente ao archivo.<br />
+
+<br />
+
+Vergueiro desenvolveu as raz&otilde;es por que n&atilde;o
+concordava com os lusitanos, e o seu parecer &eacute; notavel
+documento de lealdade e patriotismo.<br />
+
+<br />
+
+Apesar de vehemencia de linguagem, adverte o illustre transmontano, com
+que os documentos sujeitos &aacute; commiss&atilde;o reclamam
+contra os decretos
+<span class="pagenum"><a name="p319">[319]</a></span>
+de 29 de setembro, em todos se manifesta de modo irrecusavel o empenho
+de manter intacta a vasta monarchia. &Eacute; este o ponto que deve
+merecer o desvelo do congresso. Se no fervor das paix&otilde;es
+pronunciaram-se phrases violentas, ao poder judiciario compete
+determinar e graduar a responsabilidade dos seus autores, e
+n&atilde;o &aacute;s
+Côrtes, que t&ecirc;m por tarefa principal assegurar a
+uni&atilde;o e prover &aacute; felicidade dos povos com leis
+justas e <a href="#e91">accomodadas</a>
+&aacute;s differentes terras.
+A irrita&ccedil;&atilde;o do Brasil, que agora explode, se
+prende
+a causas remotas. Gerou-a o facto do congresso legislar para o reino
+americano na ausencia de seus mandatarios, e o projecto da
+constitui&ccedil;&atilde;o que o apresentava
+&laquo;reduzido
+&aacute; provincia de Portugal&raquo;. Contiveram,
+por&eacute;m, os
+ultramarinos o resentimento na esperan&ccedil;a de que a
+assembl&eacute;a, exclarecida pelos deputados do Brasil, sem cuja
+sanc&ccedil;&atilde;o n&atilde;o era licito dar cumprimento
+a disposi&ccedil;&atilde;o alguma relativa ao ultramar por
+for&ccedil;a do artigo 21 das Bases, modificaria os seus actos de
+conformidade com as aspira&ccedil;&otilde;es do imperio
+americano. Pouco durou, por&eacute;m, a illus&atilde;o
+acalentadora. De feito, a poucos passos cuidou a assembl&eacute;a
+de executar a lei dos governos de al&eacute;m-mar, com nomear os
+commandantes das armas e ordenar o regresso immediato do principe D.
+Pedro. Ao mesmo tempo, por conseguinte, que esbulhava as juntas da
+administra&ccedil;&atilde;o militar e da fazenda, da qual se
+achavam investidas pelos povos desde a acclama&ccedil;&atilde;o
+do novo regimen, despojava o Brasil da unica autoridade capaz de lhe
+assegurar as vantagens resultantes da permanencia del-rei no Rio de
+Janeiro e em risco de se perderem com a
+traslada&ccedil;&atilde;o da
+s&eacute;de da monarchia para a Europa.
+<br />
+
+<br />
+
+<span class="pagenum">[320]</span>
+A desconfian&ccedil;a de que havia nas côrtes um partido
+disposto a restaurar o regimen colonial, tomou corpo naquelles povos, e
+os animos mais extremados proclamaram que sem a
+separa&ccedil;&atilde;o o Brasil n&atilde;o poderia
+defender os seus foros. Que cumpria fazer aos cidad&atilde;os
+amigos da patria em t&atilde;o grave conjuntura, sen&atilde;o
+se oppôrem
+aos actos inconciliaveis com a integridade da
+na&ccedil;&atilde;o?
+&Eacute; o sentimento que domina todas as
+representa&ccedil;&otilde;es.<br />
+
+<br />
+
+Propala-se aqui que os povos do Brasil e, at&eacute; os de S.
+Paulo, Minas e Rio n&atilde;o perfilham as id&eacute;as do
+conselho da regencia. &laquo;&Eacute; um erro de facto que pode
+ter
+consequencias fataes&raquo;. Desfaz-se &aacute; luz dos
+documentos
+presentes &aacute;
+commiss&atilde;o e de muitos successos referidos na imprensa do Rio
+e confirmados em cartas particulares. O povo em armas para resistir
+&aacute;s velleidades de opposi&ccedil;&atilde;o por parte
+de Avillez, a organiza&ccedil;&atilde;o de clubs &aacute;
+chegada dos
+decretos e a harmonia dos portugu&ecirc;ses com os brasileiros
+demonstram cabalmente o commum sentir do Rio. Em Minas prevalece a
+mesma opini&atilde;o, como testemunham a
+deputa&ccedil;&atilde;o da junta do governo, as
+representa&ccedil;&otilde;es de muitas camaras entre si
+distantes, os offerecimentos especiaes de alguns cidad&atilde;os e
+o soccorro de tropa.<br />
+
+<br />
+
+A junta de Pernambuco, ao agradecer ao principe a sua
+resolu&ccedil;&atilde;o de ficar no Brasil, &laquo;louva o
+patriotismo de seus caros irm&atilde;os de S. Paulo&raquo;.
+Onde,
+por&eacute;m, se patent&ecirc;a com mais energia e enthusiasmo
+a solidariedade do povo com o governo &eacute; na terra de Amador
+Bueno. As suas tropas com singular rapidez chegam ao Rio, vencendo
+distancia longa e caminhos &aacute;speros; as m&atilde;is
+d&atilde;o os filhos ao exercito sem outras lagrimas que as da
+commo&ccedil;&atilde;o de contribuirem
+<span class="pagenum">[321]</span>
+para a salvaguarda da dignidade da
+patria; uma subscrip&ccedil;&atilde;o popular cobre de prompto
+as
+desp&ecirc;zas da expedi&ccedil;&atilde;o, e quarenta
+mancebos das familias principaes se offerecem espontaneamente para a
+guarda do principe.<br />
+
+<br />
+
+Em virtude de correspondencias particulares e de outras
+informa&ccedil;&otilde;es, n&atilde;o
+&eacute; temerario conjecturar que sobresalta as demais partes do
+reino americano o mesmo temor de recoloniza&ccedil;&atilde;o. E
+aos olhos dos povos n&atilde;o ha mais evidentes testemunhas desse
+designio sinistro do que os commandantes das armas dependentes de
+Portugal e as expedi&ccedil;&otilde;es militares. Urge a bem da
+uni&atilde;o remover taes institui&ccedil;&otilde;es e
+tropas, consideradas agentes de oppress&atilde;o.<br />
+
+<br />
+
+As noticias vindas da America, que contestavam a importancia do
+movimento contra as Côrtes, n&atilde;o devem influir em
+nossas
+delibera&ccedil;&otilde;es. Promanam da parcialidade europeia
+sem interesses estaveis na terra e animada de rivalidades
+t&atilde;o mesquinhas quanto violentas com os brasileiros. Demais,
+est&aacute; em decressimento, e &eacute; t&atilde;o
+pouco numerosa que nem com o auxilio de batalh&otilde;es do Reino
+lograr&aacute; o triumpho de seus votos.<br />
+
+<br />
+
+Atravessamos a conjunc&ccedil;&atilde;o mais grave de nossa
+historia e della resultar&aacute; a uni&atilde;o ou o
+desmembramento. &laquo;S&oacute; a generosidade, a franqueza e
+a tranquilla prudencia podem-nos conduzir &aacute; primeira, e
+todos os outros caminhos v&atilde;o dar ao segundo&raquo;. Do
+emprego da for&ccedil;a a
+m&atilde;e patria acolher&aacute; porventura algumas vantagens,
+mas demasiado tenues para assegurarem a obediencia do filho e
+ass&aacute;s importantes para germinarem odio inextinguivel na
+familia. N&atilde;o devemos t&atilde;o pouco cuidar de punir as
+auctoridades
+<span class="pagenum"><a name="p322">[322]</a></span>
+paulistas que se descommediram nas representa&ccedil;&otilde;es
+ao regente, porque os nossos actos de desaffronta correm risco de
+n&atilde;o attingir os responsaveis, resguardados pela sympathia
+popular: os povos n&atilde;o entregar&atilde;o &aacute;
+justi&ccedil;a os defensores dos seus foros.<br />
+
+<br />
+
+Importa n&atilde;o perder de vista o elevado conceito que o Brasil
+forma de si mesmo, conceito nascido de grandeza do territorio, da
+fert&iacute;lidade do solo, de sua popula&ccedil;&atilde;o
+livre, t&atilde;o
+grande como a de Portugal, e de seu progresso. N&atilde;o se
+curvar&aacute;, pois, deante do reino europeu: &laquo;quer ser
+seu egual&raquo;.<br />
+
+<br />
+
+Firmado nessas considera&ccedil;&otilde;es, entende que,
+emquanto as disposi&ccedil;&otilde;es constitucionaes
+referentes ao Brasil n&atilde;o forem sanccionadas por seus
+deputados, no interesse da integridade da monarchia cumpre decretar:<br />
+
+<br />
+
+A continua&ccedil;&atilde;o da regencia do reino americano com
+o principe herdeiro;<br />
+
+<br />
+
+Salvo o Rio de Janeiro, as provincias ser&atilde;o administradas
+por juntas responsaveis aos poderes publicos de Portugal;<br />
+
+<br />
+
+Todas as auctoridades das provincias estar&atilde;o na dependencia
+do governo local;<br />
+
+<br />
+
+Sem requerimento do Regente ou das juntas, Portugal n&atilde;o
+mandar&aacute; tropas <a href="#e92">&aacute;s</a>
+antigas capitanias;<br />
+
+<br />
+
+Sem o cumpra-se da regencia ou dos governos provinciaes n&atilde;o
+se executar&atilde;o no Brasil os decretos das Côrtes.<br />
+
+<br />
+
+Assim se exprimiu Vergueiro.<br />
+
+<br />
+
+Ao rev&eacute;s dos europeus que cataram minuciosamente nos papeis
+publicos elementos de culpabilidades dos magistrados de S. Paulo,
+desprezados os votos do Brasil, o transmontano
+<span class="pagenum">[323]</span>
+procurou descobrir, atrav&eacute;s da violencia das
+express&otilde;es, os sentimentos da America para os attender. Ao
+seu parecer, Portugal, falto de meios para compellir &aacute;
+obediencia os povos de al&eacute;m-mar,
+nada tinha que fazer de mais acertado do que acolher as suas
+resolu&ccedil;&otilde;es, at&eacute; as
+mais ousadas, a fim de n&atilde;o levar o descontentamento ao
+extremo da independencia.<br />
+
+<br />
+
+Lembrara-se por isso de incluir na sua proposta o ultimo artigo, que
+n&atilde;o figurava no parecer de 13 de mar&ccedil;o. A exemplo
+da junta de Minas, o conselho da regencia decidira em 21 de fevereiro
+n&atilde;o mandar cumprir os decretos do Reino sem a
+approva&ccedil;&atilde;o do principe D.
+Pedro<sup><a href="#Z401">[401]</a></sup>.
+Era um acto attentatorio da auctoridade soberana da
+metropole, mas com o qual se devia conformar o Congresso porque, acaso
+tentasse reagir, lhe inflingiria a America
+humilha&ccedil;&atilde;o mais
+funda com a victoria de sua rebeldia.<br />
+
+<br />
+
+O empenho de evitar a scis&atilde;o da monarchia transparece nesse
+documento com evidencia luminosa. Tinham-no, ali&aacute;s, todos os
+deputados do Brasil mas em nenhum se revestia da
+fei&ccedil;&atilde;o
+commovente que apresentava em Vergueiro. Araujo Lima, Moniz Tavares,
+Lino Coutinho, Barata, Antonio Carlos, os mandatarios da America sem
+excep&ccedil;&atilde;o repelliam o desmembramento, receosos,
+principalmente, de que gerasse conflictos entre brasileiros e reinoes;
+no transmontano a esse temor accrescia a magua de se tornar extrangeiro
+&aacute; terra de seu nascimento ou &aacute; de seus filhos<sup><a href="#Z402">[402]</a></sup>.
+<span class="pagenum"><a name="p324">[324]</a></span>
+Esta circunstancia, que fazia carinhoso o seu
+esfor&ccedil;o pela uni&atilde;o, mais que a brandura do seu
+temperamento contribuiu para que n&atilde;o houvesse em seus
+discursos as impaciencias aggressivas da generalidade dos ultramarinos
+e os sarcasmos de Barata.<br />
+
+<br />
+
+Opprimia Lisboa grave <a href="#e93">commo&ccedil;&atilde;o</a>
+com arripios de terror do
+futuro em 27 de junho, marcado para o exame do relatorio da
+commiss&atilde;o. Aos menos atilados n&atilde;o escapava que
+estavam em jogo as Côrtes, a integridade do imperio e a
+success&atilde;o da corôa<sup><a href="#Z403">[403]</a></sup>.<br />
+
+<br />
+
+Se a anciedade pelos debates era <a href="#e94">profunda</a>
+no povo,
+se n&atilde;o manifestava nos deputados transatlanticos com egual
+intensidade. Viram-se mais claros na sua bancada no correr dessa
+prolongada discuss&atilde;o do que ordinariamente nas
+sess&otilde;es consagradas aos negocios importantes do Brasil.
+Desinteressavam-se das Côrtes os ultramarinos, e Antonio
+Carlos e Barata declararam que falavam por dever, e n&atilde;o com
+a esperan&ccedil;a de modificar a resolu&ccedil;&atilde;o
+do congresso de approvar
+o parecer da commiss&atilde;o. Isto, contudo, n&atilde;o
+impediu de ser rude a peleja. Iniciou-a Borges Carneiro, e o seu
+discurso, vista a sua indole impulsiva e honesta, revela-nos a
+impress&atilde;o gerada no publico pelo relatorio da
+commiss&atilde;o. O bom senso simples da multid&atilde;o
+n&atilde;o se conformava com um julgamento mais severo com os
+inferiores do que para com o chefe. Todos se haviam rebellado contra os
+decretos; ao passo, por&eacute;m, que se mandava submetter aquelles
+a processo apenas se extranhava o comportamento
+<span class="pagenum">[325]</span>
+de D. Pedro, que acolhera com
+alvoro&ccedil;o a desobediencia de seus subalternos em vez de a
+atalhar. Na humilha&ccedil;&atilde;o t&atilde;o dolorosa ao
+pundonor nacional por que pass&aacute;ra a divis&atilde;o
+auxiliadora, ninguem sabia a parte de Jos&eacute; Bonifacio e da
+junta de S. Paulo mas em todos estava presente o papel do successor da
+corôa, exposto por Jorge de Avillez. Era patente a insolencia
+do governo paulista contra as Côrtes, mas n&atilde;o o
+era menos o descommedimento do Regente e se cabia a um delles excusa,
+n&atilde;o a podia pretender o principe. Os officios de S. Paulo se
+n&atilde;o dirigiam ao poder legislativo, e aos seus signatarios
+era licito allegarem que, caso previssem o destino de suas queixas, as
+expori&atilde;o em linguagem menos aggressiva. D. Pedro
+n&atilde;o podia invocar essa attenuante, porque recommendava ao
+pae submettesse ao parlamento as suas cartas injuriosas. Que
+justi&ccedil;a era essa que a uns processava e ao principal
+responsavel nem lhe tirava o posto de confian&ccedil;a de que fora
+investido pelo rei e pelo Congresso, e de que se servia sem lustre para
+o soberano e em damno da vontade nacional?<br />
+
+<br />
+
+Borges Carneiro sentindo a necessidade de satisfazer de algum modo ao
+reparo publico, insta com as Côrtes para que censurem a D.
+Pedro com mais energia do que prop&otilde;e a commiss&atilde;o,
+e insinua a conveniencia de o amea&ccedil;ar com a perda da
+corôa, se n&atilde;o mudar de attitude perante os poderes
+publicos do Reino. Reconhece, todavia, que a responsabilidade dos actos
+reprovados do principe cabe principalmente &aacute; junta de S.
+Paulo, porque foi depois de conhecer a
+representa&ccedil;&atilde;o deste governo provincial, que se
+revoltou o Regente contra a assembl&eacute;a constituinte
+<span class="pagenum">[326]</span>
+e se descommediu com os
+batalh&otilde;es europeus. Parece que Borges Carneiro devia
+concluir pela revoca&ccedil;&atilde;o a Portugal de D. Pedro,
+n&atilde;o o fez: opina para que se conserve no Rio, at&eacute;
+a carta constitucional providenciar sobre a
+organiza&ccedil;&atilde;o definitiva do ultramar, o qual com
+assegurar &aacute;quelles povos a liberdade os
+persuadir&aacute; da desnecessidade de terem em seu seio o herdeiro
+da corôa para se preservarem da
+reconduc&ccedil;&atilde;o ao regimen colonial<sup><a href="#Z404">[404]</a></sup>.<br />
+
+<br />
+
+Succedeu-lhe Bueno, deputado por S. Paulo e sobrinho de Jos&eacute;
+Bonifacio. Impugnou coubesse a iniciativa dos acontecimentos a sua
+provincia com argumento irrefragavel da chronologia. O officio de S.
+Paulo n&atilde;o chegou ao Rio sen&atilde;o em 1 de janeiro e
+j&aacute; em 29 de dezembro o povo fluminense
+represent&aacute;ra energicamente contra o regresso do principe.
+Como, pois, se ousa dizer que Jos&eacute; Bonifacio promoveu a
+revolta contra os decretos de 29 de setembro e o intentam processar por
+isso?<sup><a href="#Z405">[405]</a></sup><br />
+
+<br />
+
+Moura que tomou em seguida a palavra fez um discurso grandemente
+applaudido da maioria. Empenhou-se em provar que, ao rev&eacute;s
+das
+allega&ccedil;&otilde;es dos brasileiros, os constituintes
+portugu&ecirc;ses n&atilde;o violaram o compromisso solemne
+estipulado nas bases com legislarem para o Brasil na ausencia de seus
+deputados. Rezava o artigo 21 invocado pelos ultramarinos:
+S&oacute;mente &aacute; na&ccedil;&atilde;o pertence
+fazer a sua
+constitui&ccedil;&atilde;o ou lei fundamental. <em>Esta
+lei fundamental</em>
+obrigar&aacute; por ora s&oacute;mente aos
+portugu&ecirc;ses residentes nos reinos de
+<span class="pagenum">[327]</span>
+Portugal e Algarves, que est&atilde;o legalmente representados nas
+presentes
+Côrtes. Quanto aos que residem nas outras tres partes, ella
+se lhes tornar&aacute; commum, logo que por seus legitimos
+representantes declarem ser esta a sua vontade. Consoante o sophista, a
+lei fundamental de que se tratava eram as Bases, e como estas haviam
+sido approvadas pelos povos, os seus mandatarios deviam
+for&ccedil;osamente acceital-as, e tambem acceitar a carta
+constitucional que n&atilde;o passava de desenvolvimento d'ellas.
+Embora a constitui&ccedil;&atilde;o
+expuzesse materias summariadas nas Bases nem por isso eram a mesma
+cousa, e nada o provava melhor que a discuss&atilde;o demorada do
+pacto social a despeito de sanccionados de ha muito os seus fundamentos
+pelos deputados.<br />
+
+<br />
+
+Admittir-se que j&aacute; se houvessem pronunciado os habitantes da
+America, e com elles os seus mandatarios, sobre esses debates, que
+agora occupavam os constituintes portugu&ecirc;ses, n&atilde;o
+era absurdo sen&atilde;o perfidia, pois que visava o apparente erro
+de entendimento sujeitar uma parte da monarchia a outra.<br />
+
+<br />
+
+O maior defeito, por&eacute;m, d'essa
+argumenta&ccedil;&atilde;o consistia em se n&atilde;o
+applicar ella &aacute; hypothese. De
+feito os brasileiros n&atilde;o clamavam agora contra as Bases nem
+contra preceito algum constitucional, levantavam-se contra a ordem do
+regresso do principe e a reorganisa&ccedil;&atilde;o das juntas
+decretados na ausencia de seus deputados. Se os portugu&ecirc;ses
+negavam aos ultramarinos, em consequencia do juramento das Bases, o
+direito de recusar a constitui&ccedil;&atilde;o que lhes
+quizessem dar, n&atilde;o haviam ainda declarado que na
+forma&ccedil;&atilde;o das leis ordinarias, quaes as
+resolu&ccedil;&otilde;es citadas de setembro, se dispensava
+tambem o
+<span class="pagenum">[328]</span>
+seu concurso apezar do
+artigo 24 das Bases<sup><a href="#Z406">[406]</a></sup>.<br />
+
+<br />
+
+Sem atten&ccedil;&atilde;o ao alibi em favor da junta de S.
+Paulo, allegado por Bueno, alibi que n&atilde;o cogitou de
+contrariar, Moura espraiou-se em mostrar pela analyse da
+correspondencia de D. Pedro, quanto mudara depois que recebera o
+officio de 24 de dezembro, para concluir que n&atilde;o havia outro
+responsavel das demasias do principe que o governo paulista.
+N&atilde;o poupou insultos a Jos&eacute; Bonifacio, e como se
+n&atilde;o conhecia em energumenos, porque o era, acoimou de
+energumeno ao grande paulista.<br />
+
+<br />
+
+Vergueiro no seu parecer em separado, e Bueno no discurso advertiram
+que as Côrtes n&atilde;o podiam julgar a responsabilidade
+criminal dos paulistas sem se arrogarem
+attribui&ccedil;&otilde;es da
+justi&ccedil;a. Nem Borges Carneiro nem Moura se referiram a
+objec&ccedil;&atilde;o ponderosa. Castello Branco, que depois
+de Moura subiu a tribuna, n&atilde;o foi feliz na tentativa de a
+desfazer. Concordou que em verdade o Congresso usurpava
+func&ccedil;&otilde;es judiciaes mas que o fazia por
+n&atilde;o haver ainda
+constitui&ccedil;&atilde;o. As Bases consagravam, todavia, a
+divis&atilde;o dos poderes e n&atilde;o deixa de ser comico que
+para firmar o regimen constitucional, um dos seus apostolos comece por
+postergar um dos seus preceitos fundamentaes<sup><a href="#Z407">[407]</a></sup>.
+<br />
+
+<br />
+
+<span class="pagenum">[329]</span>
+Depois de haver um constituinte portugu&ecirc;s desenvolvido o
+pensamento commum aos regeneradores de pretender o governo do Rio
+resuscitar o despotismo no ultramar<sup><a href="#Z408">[408]</a></sup>,
+coube a Vergueiro falar.
+Limitou-se em discurso sobrio a reproduzir os fundamentos do seu voto,
+insistindo em certos pontos que n&atilde;o haviam sido impugnados
+pelos adversarios. Repetiu que a commiss&atilde;o
+exorbit&aacute;ra do mandato com definir responsabilidades
+juridicas e apontou a incoherencia do congresso recusando-se ha pouco
+mais de um m&ecirc;s a suspender a expedi&ccedil;&atilde;o
+militar
+para a Bahia por n&atilde;o invadir a
+jurisdic&ccedil;&atilde;o do
+poder executivo e inclinando-se agora a exercer a judicatura.
+&laquo;Qualificar delictos e designar culpados n&atilde;o pode
+caber nas attribui&ccedil;&otilde;es das
+côrtes, pertence ao poder judiciario precedidas as
+averigua&ccedil;&otilde;es necessarias&raquo;. Assignala
+que quem primeiro suggeriu ao regente a conveniencia de n&atilde;o
+cumprir as resolu&ccedil;&otilde;es legislativas foi o povo do
+Rio por meio de representa&ccedil;&atilde;o publica assignada
+por mais de oito mil pessoas, e n&atilde;o S. Paulo, como assevera
+maliciosamente a commiss&atilde;o para colher ahi reos de
+desobediencia. A commiss&atilde;o, como dissemos, propunha fossem
+submettidos a julgamento os secretarios de estado do regente por causa
+do decreto de 16 de fevereiro, que convocava em assembl&eacute;a
+consultiva os procuradores das provincias. Vergueiro dotado de
+id&eacute;al de justi&ccedil;a que n&atilde;o aureolava os
+regeneradores, disse
+a proposito: &laquo;N&atilde;o me opporei a que se
+fa&ccedil;a effectiva a responsabilidade dos ministros do Rio nem
+de outro algum empregado; mas no que
+<span class="pagenum">[330]</span>
+n&atilde;o posso convir &eacute; na desegualdade proposta:
+exigir a responsabilidade dos ministros e a n&atilde;o exigir do
+principe, a quem nenhuma lei faz inviolavel, repugna com a egualdade da
+lei: Voto portanto que havendo culpados respondam todos&raquo;<sup><a href="#Z409">[409]</a></sup>.<br />
+
+<br />
+
+Encerrou a sess&atilde;o o illustre Guerreiro com longo discurso.
+Dentre os portugu&ecirc;ses nenhum o avantajava no desejo e no
+esfor&ccedil;o de estabelecer o novo regimen com a egualdade
+politica mais perfeita para os dous reinos. Justificava o desprazer dos
+ultramarinos com a perda da s&eacute;de da monarchia, que se viam
+assim privados de recursos promptos contra os abusos das
+autoridades<sup><a href="#Z410">[410]</a></sup>,
+e reconhecia a legitimidade das suas queixas contra a
+reorganiza&ccedil;&atilde;o das juntas provinciaes<sup><a href="#Z411">[411]</a></sup>. Quando
+Moura e outros energumenos em 23 de maio pelejavam para se assignalar
+na acta haverem sido recebidos com agrado as
+congratula&ccedil;&otilde;es de Jorge de Avillez, considerado o
+defensor das côrtes no Rio, oppôs-se corajosamente
+a essa men&ccedil;&atilde;o por p&ecirc;sar sobre o general
+a
+imputa&ccedil;&atilde;o de indisciplina lan&ccedil;ada pelo
+regente. No diuturno debate a respeito das
+rela&ccedil;&otilde;es commerciaes de Portugal com o Brasil, no
+qual os constituintes portugu&ecirc;ses sob a apparencia de
+reciprocidade de vantagens e concess&otilde;es, n&atilde;o
+attendiam
+&aacute; porfia sen&atilde;o os interesses da metropole, o seu
+papel foi dos mais apagados.<br />
+
+<br />
+
+A todos esses motivos de respeito e sympathia &aacute; sua memoria
+para os que estudam o nosso passado, accrescia-a sua urbanidade para
+<span class="pagenum">[331]</span>
+com a minoria, a qual o
+singularizava dos regeneradores. Por ardente que fosse a
+discuss&atilde;o, jamais a sua palavra molestou os ultramarinos com
+a insinua&ccedil;&atilde;o perfida, a impertinencia
+rasteira ou a grosseria atroadora. Infelizmente se n&atilde;o
+pôde subtrahir &aacute; paix&atilde;o que lavrava por
+Lisboa inteira e n&atilde;o divergiu do sentir de Moura. Procurou,
+todavia, responder &aacute;s duas objec&ccedil;&otilde;es
+graves de Bueno e Vergueiro. Declarou lealmente haver outros criminosos
+que as autoridades de S. Paulo, mas que por prudencia n&atilde;o
+convinha ao governo alargar o numero dos querelados; e reconheceu
+outrosim ter nascido no Rio o movimento contra as côrtes.
+Ahi, por&eacute;m, a
+opposi&ccedil;&atilde;o n&atilde;o ultrapassou o direito de
+peti&ccedil;&atilde;o
+consagrado pela doutrina constitucional, ao passo que Jos&eacute;
+Bonifacio e os consortes pronunciaram-se quaes verdadeiros rebeldes, e
+como foram os primeiros que se manifestaram com esse caracter, deviam
+soffrer o rigor da lei. N&atilde;o era possivel provar que a
+commiss&atilde;o com indicar criminosos &aacute;
+justi&ccedil;a e n&atilde;o admittir
+execu&ccedil;&atilde;o da
+senten&ccedil;a sem ouvir o congresso n&atilde;o se apoderava
+de
+func&ccedil;&otilde;es do poder judicial. Tentou-o, contudo,
+Guerreiro affirmando que se n&atilde;o dava a confus&atilde;o
+de
+attribui&ccedil;&otilde;es porque a commiss&atilde;o
+n&atilde;o designava a lei violada nem a pena. A def&ecirc;sa
+n&atilde;o era digna de esclarecido constituinte, verdade
+&eacute; que o tachygrapho o p&otilde;e ao abrigo da critica
+com notar que reproduziu mal o seu discurso, mutilando alguns periodos
+e omittindo outros. Em todo o caso se n&atilde;o pode negar a menos
+que se n&atilde;o mude o sentido das palavras que a
+commiss&atilde;o com julgar delinquentes certos adversarios dos
+decretos de setembro e n&atilde;o admittindo que a
+Justi&ccedil;a perseguisse outros, desviava-se de sua
+<span class="pagenum"><a name="p332">[332]</a></span>
+jurisdic&ccedil;&atilde;o legislativa
+para invadir a esphera de
+ac&ccedil;&atilde;o de um outro org&atilde;o do Estado.<br />
+
+<br />
+
+Disse mais que os brasileiros eram livres de aceitar ou repellir o
+regimen de Portugal, mas desde que lhe prestaram adhes&atilde;o com
+os protestos de obdiencia &aacute;s
+Côrtes e com o juramento da
+constitui&ccedil;&atilde;o que ellas fizessem, subscreveram um
+pacto, ao qual n&atilde;o podiam faltar sem incorrer na censura do
+Direito. At&eacute; ahi essa
+argumenta&ccedil;&atilde;o, interpretada em termos habeis, era
+aceitavel mas desde que o illustre regenerador &aacute;
+lembran&ccedil;a de uma quest&atilde;o de Feij&oacute;,
+formulada na famosa proposta definiu a submiss&atilde;o a que se
+achavam obrigados os do Brasil, avan&ccedil;ou
+proposi&ccedil;&atilde;o temeraria e justificativa do
+despotismo asi&aacute;tico. Reconhecendo a auctoridade do
+Congresso, pergunt&aacute;ra Feij&oacute;, se as provincias
+ficavam sujeitas a uma obdiencia c&eacute;ga e passiva?
+&laquo;Por obediencia
+c&eacute;ga entendo eu, explicou Guerreiro, aquella que obriga
+obrar &aacute; for&ccedil;a, e a esta nunca se est&aacute;
+obrigado; mas obediencia passiva &eacute; commum a todos e a esta
+obediencia est&aacute; sujeito todo o Brasil. E porque
+est&aacute; sujeito? Porque elle assim o
+quiz&raquo;<sup><a href="#Z412">[412]</a></sup>.<br />
+
+<br />
+
+No dia immediato proseguiu a discuss&atilde;o, e depois de Moniz
+Tavares, como convinha a um padre, aconselhar o esquecimento das
+express&otilde;es injuriosas dos documentos, levantou-se Antonio
+Carlos. Nas sess&otilde;es de maio quando Moura e os exaltados
+clamavam que o Congresso n&atilde;o devia providenciar o respeito
+do Brasil sem previamente deliberar sobre o famoso officio de S. Paulo,
+n&atilde;o foi das menores surpr&ecirc;sas o silencio
+de Antonio Carlos ante os insultos vomitados contra Jos&eacute;
+Bonifacio. Os que esperavam que a sua paciencia se n&atilde;o
+conteria mais &aacute;s insolencias, renovadas agora com
+vehemencia, extrema,
+<span class="pagenum"><a name="p333">[333]</a></span>
+tiveram novo desengano: o orador paulista deixou a cargo dos accusados
+a
+repulsa dos doestos para n&atilde;o inflammar os debates, dos
+quaes, ao seu parecer, dependia a integridade da monarchia. Analysados
+o discurso do <a href="#e95">vice-presidente</a> de
+Minas e
+o officio da junta de Pernambuco ao principe, nos quaes se reproduziam
+as express&otilde;es do governo de S. Paulo consideradas offensivas
+e de manifesta rebeldia, concluiu que eram criminosos uns como os
+outros e que com reduzir a commiss&atilde;o o numero dos culpados
+podia fazer politica mas commettia a injusti&ccedil;a mais
+repellente, a injusti&ccedil;a nascida da pusillanimidade.
+N&atilde;o atinava com a distinc&ccedil;&atilde;o entre
+obediencia cega e passiva, porque na especie considerava os
+qualificativos synonymos. Sabia, por&eacute;m, que o novo reino
+adoptando o regimen constitucional, virtualmente reconhecia
+n&atilde;o admittir leis que n&atilde;o fossem aceitas por seus
+mandatarios. Se pelo facto de haver jurado as Bases e a
+constitui&ccedil;&atilde;o futura renunciou &aacute;quelle
+direito como pretende a maioria, ent&atilde;o j&aacute;
+n&atilde;o existe para a
+America o systhema representativo e &laquo;fa&ccedil;am-se duas
+sec&ccedil;&otilde;es uma de povo que obedece e outra de povo
+que manda. O povo do Brasil quando jurou as Bases, jurou pela bondade
+de sua doutrina, jurou o Congresso composto de deputados brasileiros e
+europeus; n&atilde;o podia jurar de outro modo e se t&atilde;o
+estupido foi, que o fez de outra sorte, ent&atilde;o
+o juramento n&atilde;o &eacute; valido: n&atilde;o
+&eacute; contracto bilateral que se n&atilde;o possa desfazer
+sem consentimento de ambos&raquo;. Vingado o parecer da
+commiss&atilde;o que intentava restabelecer no novo reino a
+influencia das Côrtes por meio da for&ccedil;a, era de
+temer, ao contrario, novo desprestigio do poder legislativo, porquanto
+o Brasil n&atilde;o entregaria
+<span class="pagenum">[334]</span>
+os defensores de seus direitos &aacute; justi&ccedil;a e, por
+outra parte, medidas de rigor arriscavam promover a independencia, de
+que n&atilde;o cogitavam as auctoridades brasileiras. &laquo;O
+Brasil n&atilde;o
+&eacute; mais que um irm&atilde;o desconfiado do
+irm&atilde;o mais velho, um irm&atilde;o que se queixa; e
+ser&aacute; modo de abafar as suas queixas, irrital-o? Acho mais
+coherente quando se est&aacute; em estado de
+irrita&ccedil;&atilde;o,
+n&atilde;o usar de remedios heroicos; n&atilde;o &eacute; o
+cauterio que cura chagas velhas; s&atilde;o
+applica&ccedil;&otilde;es
+balsamicas e estas requeiro eu.&raquo; Como todos os brasileiros,
+votava pela rejei&ccedil;&atilde;o do
+&laquo;parecer&raquo;<sup><a href="#Z413">[413]</a></sup>.<br />
+
+<br />
+
+A este discurso moderado respondeu com ataque pessoal Ferreira Borges,
+e, allucinado da paix&atilde;o, reputou Jos&eacute; Bonifacio
+despota por haver relaxado da pris&atilde;o como intendente de
+policia do Porto, juizes accusados de servi&ccedil;os aos
+franc&ecirc;ses na invas&atilde;o. N&atilde;o podemos
+deixar de produzir a bella resposta de Antonio Carlos na
+sess&atilde;o seguinte: &laquo;Justo Deus em que tempo estou!
+&Eacute; despotismo escutar a humanidade! &Eacute; despotismo
+salvar as victimas das injustas preven&ccedil;&otilde;es de uma
+plebe brutal e furiosa! Bemfaseja providencia que vigias sobre os
+destinos da na&ccedil;&atilde;o portugu&ecirc;sa! Tu, que
+espero e creio, conservar&aacute;s a integridade d'este imperio
+apesar dos encontrados empux&otilde;es da inexperiencia, da
+ignorancia
+presump&ccedil;osa e da mesquinha rivalidade, permitte que se entre
+o clangor das armas, no silencio das leis, no meio das
+convuls&otilde;es da anarquia, houver de se insinuar alguma
+arbitrariedade e poder discrecionario, seja este sempre disposto, como
+foi o <em>grande despota</em> Jos&eacute; Bonifacio, a
+<span class="pagenum">[335]</span>
+desopprimir afflictos, a arredar da garganta
+da desgra&ccedil;a a espada do resentimento, a arrancar emfim
+&aacute;s fauces ensanguentadas da vingan&ccedil;a as victimas
+que ella j&aacute; saboreava&raquo;<sup><a href="#Z414">[414]</a></sup>.<br />
+
+<br />
+
+O debate proseguiu repetidos os argumentos em todas as
+f&oacute;rmas. Alternadamente com Gyr&atilde;o, Trigoso,
+Freire, Serpa Machado, Corr&ecirc;a de Seabra e Fernandes Thomaz
+fallaram Vergueiro, Antonio Carlos, Lino Coutinho e Barata. Salvo Serpa
+Machado e Corr&ecirc;a de Seabra que alvitravam a
+rejei&ccedil;&atilde;o do parecer, todos os
+constituintes portugu&ecirc;ses se mostravam partidarios de
+severidade contra as auctoridades de S. Paulo. Serpa Machado julgava
+absurdo que, vista a
+fermenta&ccedil;&atilde;o do Brasil com os decretos de 29 de
+setembro, a commiss&atilde;o propuzesse a
+conserva&ccedil;&atilde;o delles e
+forma&ccedil;&atilde;o de culpa a homens, que haviam
+interpretado o sentimento dos povos<sup><a href="#Z415">[415]</a></sup>.
+Correia de Seabra
+singularizou-se dando ao juramento da
+constitui&ccedil;&atilde;o futura e ao artigo 21 das Bases a
+intelligencia acceita no ultramar<sup><a href="#Z416">[416]</a></sup>.<br />
+
+<br />
+
+O decreto de 16 de fevereiro que creava a assembl&eacute;a de
+procuradores geraes das provincias com o simples voto consultivo, era o
+grande argumento apresentado pelos portugu&ecirc;ses das tendencias
+reaccionarias de Jos&eacute; Bonifacio e do principe. Os
+brasileiros contestavam o conceito, e explicavam aquelle acto como meio
+de informa&ccedil;&atilde;o
+de que se ia servir a regencia para governar t&atilde;o vasto
+imperio a aprazimento geral, e ajuntavam que se com elle intentasse o
+ministerio
+<span class="pagenum">[336]</span>
+do Rio restaurar o
+despotismo, n&atilde;o resistiria ao clamor da opini&atilde;o.
+Antonio Carlos chegou a affirmar que mataria Jos&eacute; Bonifacio
+se lhe descobrisse inten&ccedil;&otilde;es sinistras contra a
+liberdade. Alencar, em excellente discurso, previu com acerto o
+sossôbro d'aquelle decreto<sup><a href="#Z417">[417]</a></sup>.<br />
+
+<br />
+
+Barata que, por causa do incidente com Pinto da Fran&ccedil;a
+andara affastado do parlamento e acabava de tomar o seu posto, orou com
+bom humor e audacia. N&atilde;o apresenta argumentos novos, mas
+velhas raz&otilde;es expostas pelo bahiano t&ecirc;m sabor pela
+malicia de duende com que as sazona a juventude perpetua do
+sexagenario. Zomba de Moura que propunha o embarque immediato do
+principe. &laquo;Diz o seu parecer que S. A. deve regressar
+j&aacute; e j&aacute; e que a sua
+delega&ccedil;&atilde;o deve cessar immediatamente: hoc opus,
+dic labor est. Minhas opini&otilde;es, snr. Presidente,
+s&atilde;o mui
+differentes: estou persuadido de que S. A. s&oacute;
+voltar&aacute; por sua vontade e n&atilde;o ha meios para o
+for&ccedil;ar. Supponhamos que o mandam vir e que elle diz:
+n&atilde;o quero. Que se lhe ha de fazer? Eu n&atilde;o vejo
+remedio. Supponhamos que se p&otilde;em as cousas em figura de
+rompimento. S. A. &eacute; mô&ccedil;o
+ardente, fogoso e prompto para tudo e al&eacute;m disso ha de ter
+algum lisongeiro que o estimule e que sopre o veneno da lisonja,
+dizendo-lhe: Senhor, Vossa Alteza n&atilde;o deve ir; aqui
+p&oacute;de ser muito grande e nada lhe falta, e talvez em Lisboa
+n&atilde;o lhe v&atilde;o bem os negocios, etc., etc., e S. A.
+teima e n&atilde;o volta. Que far&aacute; o Congresso?
+Supponhamos que mande uma esquadra, a na&uacute; D.
+Jo&atilde;o VI, a fragata D. Pedro e outras
+embarca&ccedil;&otilde;es; neste caso S. A.
+<span class="pagenum"><a name="p337">[337]</a></span>
+mandar&aacute; contra ellas a
+na&uacute; Martinho de Freitas, a fragata Uni&atilde;o e
+mais quatro. Eis aqui uma guerra civil come&ccedil;ada entre as
+duas partes da na&ccedil;&atilde;o. A S. A., snr.
+<a href="#e97">Presidente</a>, nada falta; tem
+soldados, tem marujos
+ingl&ecirc;ses, franc&ecirc;ses e
+americanos, dinheiro e soccorro de bra&ccedil;o forte<sup><a href="#Z418">[418]</a></sup> e ainda
+tem outros meios que eu de proposito n&atilde;o
+explico&raquo;<sup><a href="#Z419">[419]</a></sup>.<br />
+
+<br />
+
+Os meios que n&atilde;o declarava eram os exercitos da triplice
+allian&ccedil;a para desbaratarem as Côrtes, os quaes
+j&aacute; amea&ccedil;avam a
+Peninsula. No final de sua ora&ccedil;&atilde;o j&aacute;
+n&atilde;o
+sorria o bahiano. &laquo;Se este parecer da commiss&atilde;o
+for approvado e chegar ao Brasil na forma em que se acha,
+ser&aacute; o grito de alarme, ser&aacute; um tambor tocando <a href="#e98">a rebate</a> e chamando as armas por toda
+a
+parte. Se tal succede, estamos perdidos, e que fazemos <a href="#e99">n&oacute;s</a> brasileiros? Nada mais
+nos restar&aacute;
+sen&atilde;o
+chamarmos a Deus e a na&ccedil;&atilde;o por testemunhas:
+cobrir-nos de lucto, pedirmos os nossos passaportes e irmos defender a
+nossa patria.&raquo;<br />
+
+<br />
+
+Fernandes Thomaz interveio na discuss&atilde;o com o azedume
+habitual com que se referira aos negocios da
+America e teve o desp&ecirc;jo de se mostrar surprezo da attitude
+do Brasil contra as Côrtes, porque assistia aos seus
+deputados o direito de providenciar &aacute;cerca dos interesses de
+&aacute;lem-mar. &laquo;Quem
+dera aos americanos do norte, ponderou, que se lhes concedesse
+representa&ccedil;&atilde;o no Congresso; talvez se
+n&atilde;o levantassem&raquo;.<br />
+
+<br />
+
+Lino Coutinho doente e com licen&ccedil;a por
+<span class="pagenum">[338]</span>
+trinta dias, interrompeu o tratamento para
+acudir &aacute; ultima sess&atilde;o. Ao contrario de Borges de
+Barros
+que julgava innutil o exercicio de procura&ccedil;&atilde;o que
+n&atilde;o produzia fructo, o grande orador bahiano entendia que a
+inanidade do esfor&ccedil;o n&atilde;o justificava o abandono
+da lucta pelo deputado. Era, ali&aacute;s, a unica intelligencia do
+mandato consagrada pela moral, que prescreve o cumprimento do dever sem
+considerar o successo, dependente da vontade alheia.<br />
+
+<br />
+
+De que valem os mandatarios da America se n&atilde;o s&atilde;o
+ouvidos nos negocios de sua patria? respondeu a Fernandes Thomaz.
+Clamaram contra o desbarato dos tribunaes, a
+nomea&ccedil;&atilde;o de Madeira,
+a remessa de tropas e a falta de delega&ccedil;&atilde;o do
+poder executivo. &laquo;De nada disto se fez caso, e tudo foi
+decidido como bem pareceu aos deputados da Europa e o Brasil apesar de
+ter aqui uma parte de seus representantes, v&ecirc;-se hoje
+despojado de algumas vantagens que tinha no tempo do antigo despotismo
+colonial&raquo;<sup><a href="#Z420">[420]</a></sup>.
+Poderia ajuntar o orador, que mais sagazes do
+que os seus visinhos do sul, os americanos do norte nunca pretenderam
+fazer parte do parlamento britannico, persuadidos de que em virtude da
+inferioridade numerica de sua representa&ccedil;&atilde;o,
+jamais thriumphari&atilde;o as conveniencias de sua patria
+hostilizadas pelos ingl&ecirc;ses<sup><a href="#Z421">[421]</a></sup>.<br />
+
+<br />
+
+Era o terceiro dia de discuss&atilde;o e a materia estava
+exgottada. Passou-se &aacute; vota&ccedil;&atilde;o
+e a maioria ainda uma vez desattendeu &aacute;s
+informa&ccedil;&otilde;es e desejos dos collegas americanos,
+approvando sem mudan&ccedil;a substancial o parecer da
+commiss&atilde;o. O
+<span class="pagenum"><a name="p339">[339]</a></span>
+principe permaneceria no Brasil at&eacute; a
+publica&ccedil;&atilde;o da carta constitucional, governando
+com sujei&ccedil;&atilde;o aos poderes publicos de Lisboa as
+provincias que actualmente lhe prestavam obediencia. Declararam nullo o
+decreto de 16 de fevereiro e mandaram responsabilizar o ministerio do
+Rio n&atilde;o s&oacute; por aquelle acto sen&atilde;o por
+todos os outros que envolvessem abuso de poder. Decretaram o julgamento
+da junta de S. Paulo por causa do officio de 24 de dezembro e dos
+quatro signatarios do discurso ao Regente, proferido em 26 de janeiro,
+mas a senten&ccedil;a, consoante a proposta da
+commiss&atilde;o, n&atilde;o seria cumprida sem
+autoriza&ccedil;&atilde;o das Côrtes<sup><a href="#Z422">[422]</a></sup>.<br />
+
+<br />
+
+O Congresso n&atilde;o tinha duvida a respeito da
+execu&ccedil;&atilde;o pontual de suas ordens. Estava
+convencido de que D. Pedro, informado pelos debates que nova
+desobediencia o exporia &aacute; perda do throno, aceitaria os
+secretarios de estado que el-rei lhe aprouvesse dar e trataria de
+instaurar o processo dos <a href="#e100">ministros</a>
+de
+sua livre escolha e da junta de S. Paulo, deligenciando ao mesmo tempo
+os preparativos de seu regresso &aacute; patria. N&atilde;o o
+acreditavam os deputados da America,
+mas esses, no conceito dos collegas europeus, ignoravam a verdade, ou a
+fingiam ignorar porque eram cumplices dos partidarios da independencia.
+A verdade, sabiam-na os ministros da regencia demittidos por D. Pedro e
+chegados ha pouco a Lisboa e sabiam-na outras pessoas vindas
+recentemente de al&eacute;m-mar e os commerciantes em
+rela&ccedil;&otilde;es com o nosso reino.
+<br />
+
+<br />
+
+<br />
+
+<br />
+
+<h3><a name="c18"></a>CAPITULO XVIII</h3>
+
+<br />
+
+<div class="intro1">SUMMARIO:<br />
+
+<br />
+
+<em>Commiss&atilde;o incumbida de apresentar os artigos
+addicionaes &aacute; Constitui&ccedil;&atilde;o relativos
+ao Brasil.&#8213;Difficuldade de accordo entre os brasileiros.&#8213;A
+impress&atilde;o dos
+regeneradores.&#8213;Objec&ccedil;&otilde;es contra a proposta.&#8213;A
+verdadeira causa da opposi&ccedil;&atilde;o do
+congresso.&#8213;Def&ecirc;sa dos brasileiros e a sua
+disposi&ccedil;&atilde;o
+conciliadora.&#8213;Opini&otilde;es sobre o Brasil de Borges Carneiro,
+Gyr&atilde;o e Guerreiro.&#8213;Divergencia de Silvestre
+Pinheiro.&#8213;Descontentamento dos
+brasileiros.&#8213;Considera&ccedil;&atilde;o judiciosa de
+Sarmento.&#8213;N&atilde;o &eacute; submettida &aacute;
+discuss&atilde;o a primeira parte do projecto.&#8213;Tomam assento F. de
+Sousa Moreira, do Par&aacute;, e J. R. da Costa Aguiar de S.
+Paulo.&#8213;Discuss&atilde;o da ultima parte da proposta.&#8213;Conveniencia
+de ser o successor da Corôa o agente do poder
+executivo.&#8213;Opposi&ccedil;&atilde;o de
+Moura.&#8213;Incidente.&#8213;Tendencia da assembl&eacute;a a multiplicar os
+delegados do poder executivo.&#8213;Versatilidade dos
+regeneradores.&#8213;Desalento de Antonio Carlos.&#8213;O congresso
+<span class="pagenum">[341]</span>
+decide que o
+principe real n&atilde;o
+ser&aacute; jamais delegado del-rei e manda a commiss&atilde;o
+organizar novo parecer.</em></div>
+
+<br />
+
+<br />
+
+<br />
+
+Todas as vezes que os regeneradores inflingiam derrota aos brasileiros,
+cuidavam immediatamente de os indemnizar do desprazer com acto de
+clemencia a favor dos presos politicos remettidos de
+al&eacute;m-mar ou com qualquer
+manifesta&ccedil;&atilde;o de desvelo pela antiga colonia.
+Votada a expedi&ccedil;&atilde;o militar para a Bahia,
+appareceu o gesto
+habitual. Em requerimento solemne pelo numero dos signatarios, ao mesmo
+passo que deligenciavam a conclus&atilde;o do pacto social,
+propunham se nomeasse uma commiss&atilde;o composta de deputados
+brasileiros com a tarefa de apresentar sem perda de tempo &laquo;as
+addic&ccedil;&otilde;es e
+altera&ccedil;&otilde;es que julgar necessarias para que a
+constitui&ccedil;&atilde;o
+portugu&ecirc;sa possa fazer a felicidade de ambos os
+hemispherios&raquo;<sup><a href="#Z423">[423]</a></sup>.<br />
+
+<br />
+
+Aceito o alvitre, o presidente incumbiu desse trabalho a Antonio
+Carlos, Lino Coutinho, Araujo Lima, Villela Barbosa e Fernandes
+Pinheiro<sup><a href="#Z424">[424]</a></sup>,
+os quaes aos 17 de junho
+apresentaram o fructo de seus estudos. Come&ccedil;a a
+commiss&atilde;o por declarar que o regimen centralizador se
+n&atilde;o accommoda a reinos, separados pela vastid&atilde;o
+do oceano, e com necessidades distinctas por causa da diversidade de
+clima, de costumes, de produc&ccedil;&atilde;o e da natureza do
+trabalho. Portugal e Brasil exigem legislaturas separadas. Nellas
+tratar&atilde;o os
+<span class="pagenum"><a name="p342">[342]</a></span>
+deputados das conveniencias locaes e de promover o desenvolvimento
+interno da
+regi&atilde;o. Mas como ha interesses communs &aacute;s duas
+sec&ccedil;&otilde;es da monarchia, haveria tambem
+Côrtes geraes compostas de cincoenta representantes, vinte e
+cinco de cada reino, nomeadas por aquellas <a href="#e102">legislaturas</a>
+com as seguintes attribui&ccedil;&otilde;es:
+regular as rela&ccedil;&otilde;es politicas e commerciaes com
+os povos extranhos; legislar sobre o exercito e a marinha de guerra, e
+prover &aacute; def&ecirc;sa da
+na&ccedil;&atilde;o; determinar a moeda, p&ecirc;sos e
+medidas e estabelecer os or&ccedil;amentos geraes da monarchia.
+Al&eacute;m destes poderes meramente legislativos cabia-lhes uma
+func&ccedil;&atilde;o judiciaria de summa importancia: julgar
+&aacute; luz da uni&atilde;o se os actos do congresso
+portugu&ecirc;s ou brasileiro contrastavam o bem geral da
+na&ccedil;&atilde;o ou o bem particular do reino
+irm&atilde;o. No caso affirmativo, as Côrtes os
+suspenderi&atilde;o, e na outra hypothese, os
+sanccionari&atilde;o para que entrassem definitivamente em vigor.<br />
+
+<br />
+
+Tudo quanto n&atilde;o coubesse &aacute; assembl&eacute;a
+federal e fosse do interesse exclusivo de qualquer dos reinos, como a
+organiza&ccedil;&atilde;o do ensino, da policia e do trabalho
+dependeria das <a href="#e103">legislaturas</a>
+especiaes do Brasil e de Portugal. As provincias da
+Asia e da Africa portugu&ecirc;sa seri&atilde;o representadas
+na assembl&eacute;a do reino em que se quisessem encorporar.<br />
+
+<br />
+
+Creava mais o projecto uma delega&ccedil;&atilde;o do poder
+executivo no ultramar americano, ampla e permanente, a qual agiria
+atrav&eacute;s do territorio por propostos de sua
+nomea&ccedil;&atilde;o e sob sua immediata
+dependencia, e seria actualmente exercida pelo successor da
+corôa, e ulteriormente por qualquer membro da familia real, e
+na falta d'este por uma regencia. &Aacute;
+excep&ccedil;&atilde;o dos bispados e
+<span class="pagenum">[343]</span>
+dos cargos do Supremo
+Tribunal de Justi&ccedil;a que o governo de Lisboa devia preencher,
+escolhendo, por&eacute;m, os titulares entre tres nomes submettidos
+pelo vice-rei, assistia a este eleger todos os magistrados e
+funccionarios debaixo da responsabilidade do secretario de estado em
+cuja reparti&ccedil;&atilde;o iam servir. Era vedado ao
+regente: praticar qualquer acto de politica internacional, declarar
+guerra offensiva e conceder titulos em recompensa de
+servi&ccedil;os<sup><a href="#Z425">[425]</a></sup>.<br />
+
+<br />
+
+N&atilde;o nasc&ecirc;ra semelhante plano da imaginativa de
+seus auctores; achava-se consubstanciado no regimento dos deputados de
+S. Paulo, e o vice-presidente de Minas e a camara municipal do Rio,
+alludindo &aacute; conveniencia de haver no Brasil poder
+legislativo, inculcavam n&atilde;o comprehender a uni&atilde;o
+com outro regimen que a
+federa&ccedil;&atilde;o. N&atilde;o foi dos menores
+triumphos da commiss&atilde;o apresentar a proposta sem voto
+divergente e apoiada pela deputa&ccedil;&atilde;o americana.
+Villela Barbosa hesitara em a subscrever, mas n&atilde;o sabemos
+quaes os motivos de sua reluctancia<sup><a href="#Z426">[426]</a></sup>,
+e brasileiros extremados
+queriam assembl&eacute;a legislativa em cada provincia<sup><a href="#Z427">[427]</a></sup>.<br />
+
+<br />
+
+O projecto, que estabelecia a unica organiza&ccedil;&atilde;o
+compativel com a integridade da monarchia, porque punha os dous reinos
+no mesmo p&eacute; de egualdade politica, promettida pelos
+manifestos da regenera&ccedil;&atilde;o, teve o dom de
+exasperar
+<span class="pagenum">[344]</span>
+os portugu&ecirc;ses. &laquo;N&atilde;o &eacute;
+possivel que o sangue deixe de ferver nas veias dos lusitanos perante
+um projecto que n&atilde;o ousa qualificar em
+considera&ccedil;&atilde;o dos seus auctores&raquo;. Assim
+come&ccedil;a Gyr&atilde;o, o primeiro que sobe a tribuna; e
+nesse tom de exalta&ccedil;&atilde;o phrenetica rugiram quasi
+todos os oradores da maioria, que enxergavam na proposta <em>independencia
+mascarada</em>. Como,
+por&eacute;m, n&atilde;o bastava berrar nem gesticular, e o
+decoro da assembl&eacute;a n&atilde;o admittia a
+rejei&ccedil;&atilde;o dos artigos sem argumentos, allegaram
+que os artigos se oppunham &aacute;s Bases approvadas solemnemente
+por todos os povos da monarchia.<br />
+
+<br />
+
+Os principios fundamentaes da carta constitucional, diziam uns,
+declaram que n&atilde;o ha sen&atilde;o uma camara formada
+pelos representantes da na&ccedil;&atilde;o; ora, consoante o
+projecto
+haver&aacute;, al&eacute;m das Côrtes Geraes,
+legislatura em cada um dos reinos, constituida exclusivamente de
+deputados do Brasil ou de Portugal. Acceito o plano, opinavam outros,
+as Côrtes lan&ccedil;ari&atilde;o por terra a
+institui&ccedil;&atilde;o de uma s&oacute; camara
+consagrada recentemente ap&oacute;s longa e porfiada
+discuss&atilde;o. De feito desde que houvesse côrtes
+geraes e côrtes
+particulares e que &aacute;quellas coubesse a faculdade de acceitar
+ou repellir decis&otilde;es d'estas, n&atilde;o ha
+negar que existiri&atilde;o dous congressos legislando sobre o
+mesmo objecto. Ainda posto de parte este vicio substancial, concordavam
+todos, o projecto por trazer em si o germen da independencia do novo
+reino, incorre na reprova&ccedil;&atilde;o do patriotismo.
+N&atilde;o sendo permittido contestar a existencia no Brasil de um
+partido da separa&ccedil;&atilde;o, deve-se temer a sua
+victoria nas elei&ccedil;&otilde;es.<br />
+
+<br />
+
+&laquo;No primeiro dia que se juntarem oitenta deputados em um
+ponto d'aquelle paiz, ser&aacute; este
+<span class="pagenum">[345]</span>
+o dia que acabar&aacute; a
+uni&atilde;o com Portugal e
+n&atilde;o quero tomar sobre mim t&atilde;o grande
+responsabilidade&raquo;<sup><a href="#Z428">[428]</a></sup>.
+Quem assim se exprimia era Moura,
+aquelle mesmo que proclamava adherir &aacute; independencia do
+Brasil em sendo reclamada pela maioria dos seus naturaes. O medo do
+desmembramento era a raz&atilde;o unica por que os
+portugu&ecirc;ses n&atilde;o consentiam parlamento no ultramar;
+e todos os argumentos baseados nas infrac&ccedil;&otilde;es do
+pacto social n&atilde;o passavam de pretextos para estrangular no
+nascedouro a proposta. Moura declarou que se em verdade fôra
+ella o meio de garantir a uni&atilde;o, n&atilde;o hesitaria em
+a
+subscrever<sup><a href="#Z429">[429]</a></sup>.<br />
+
+<br />
+
+Impugnaram os brasileiros de modo irrecusavel as
+objec&ccedil;&otilde;es. N&atilde;o se deve perder de
+vista, ponderavam, que as Bases concernem toda a monarchia espalhada
+nas varias partes do mundo e que o parecer considera Portugal e Brasil
+individualmente. Na na&ccedil;&atilde;o n&atilde;o
+haver&aacute;
+sen&atilde;o um corpo legislativo e este ser&aacute; as
+Côrtes Geraes; as Côrtes especiaes ter&atilde;o
+esphera de
+ac&ccedil;&atilde;o limitada ao territorio portugu&ecirc;s
+da Europa e ao territorio portugu&ecirc;s da America e
+n&atilde;o
+assumir&atilde;o nenhuma das attribui&ccedil;&otilde;es do
+Congresso Nacional. As bases n&atilde;o prohibem legislaturas
+particulares a cada reino. De accordo com ellas continuar&atilde;o
+a competir ao parlamento da na&ccedil;&atilde;o o approvar
+tratados de allian&ccedil;a, de commercio e subsidios e o
+determinar o valor da moeda. O projecto, pois, em vez de contrariar as
+disposic&ccedil;&otilde;es
+juradas, reconhece-as rigorosamente e apenas investe as
+Côrtes Geraes de novo encargo: rejeitar as leis
+<span class="pagenum">[346]</span>
+promulgadas no Brasil ou em Portugal offensivas do bem geral ou
+damnosas ao reino irm&atilde;o. Neste caso ellas n&atilde;o
+legislam, julgam; e semelhante func&ccedil;&atilde;o,
+por&eacute;m, podia ser confiada ao Supremo Tribunal ou ao Conselho
+de Estado. Cumpre darem-se assembl&eacute;as legislativas ao Brasil
+n&atilde;o porque aquelles povos as pedem, sen&atilde;o tambem
+para fiscalizarem o delegado do executivo, o qual, com dispor de
+auctoridade formidavel, abusar&aacute; necessariamente se
+n&atilde;o for contido por uma corpora&ccedil;&atilde;o
+emanada do povo<sup><a href="#Z430">[430]</a></sup>.
+Os regeneradores
+reconheceram o valor do argumento, e entenderam alguns que para
+enfraquecer tal poder bastava se creassem tantos agentes del-rei
+quantas eram as capitanias. Os brasileiros repelliram a
+lembran&ccedil;a com calor mas nenhum delles o fez com mais
+eloquencia do que Lino Coutinho. &laquo;Longe, longe de
+n&oacute;s semelhante
+id&eacute;a desorganizadora da unidade brasiliense. O Brasil
+&eacute; um reino bem como Portugal; elle &eacute; indivisivel,
+e desgra&ccedil;ado daquelles que tentam contra a sua categoria e
+grandeza, desmembrando as suas provincias para anniquillar o que
+t&atilde;o liberalmente lhe foi concedido pelo immortal D.
+Jo&atilde;o VI, baseado em seu desenvolvimento politico e em suas
+riquezas naturaes. Jamais como deputado do Brasil consentirei em
+t&atilde;o feio attentado: o nosso paiz ha de reviver ou morrer com
+dignidade de um reino unico e indivisivel&raquo;<sup><a href="#Z431">[431]</a></sup>. Contrastava
+esta linguagem com os conceitos do egregio bahiano chegando ao
+Congresso.
+<span class="pagenum">[347]</span>
+Ent&atilde;o a emula&ccedil;&atilde;o de sua provincia com
+o Rio, feito capital da antiga colonia, levara-o a declarar que as
+capitanias eram reinos distinctos, a fim de cada uma ter
+organiza&ccedil;&atilde;o completa que dispensasse
+de procurar recursos e receber ordens da cidade fluminense. Devia-se a
+transforma&ccedil;&atilde;o
+bemfazeja aos deputados paulistas, secundados da voz prestigiosa de
+Jos&eacute; Bonifacio pregando a uni&atilde;o.<br />
+
+<br />
+
+N&atilde;o comprehendiam t&atilde;o pouco os deputados
+americanos como os regeneradores pretendiam negar a sua patria
+legislatura, e ao mesmo tempo se achavam dispostos a lhe conceder um ou
+mais delegados do monarcha, quando o texto das Bases era t&atilde;o
+imperativo numa materia como na outra. Diziam ellas: o poder
+legislativo reside nas Côrtes, o poder executivo
+est&aacute; com o rei. Como interpretar taxativamente aquella
+proposi&ccedil;&atilde;o
+e dar a esta significa&ccedil;&atilde;o ampla perante a
+uniformidade absoluta da redac&ccedil;&atilde;o? Tanto mais se
+deve extranhar a explica&ccedil;&atilde;o litteral dada ao
+preceito acerca do poder legislativo, que se n&atilde;o conforma
+com a realidade, a qual mostra outras corpora&ccedil;&otilde;es
+que as Côrtes, creando
+leis. J&aacute; as fazem as Camaras Municipaes, pois as suas
+posturas s&atilde;o na essencia actos legislativos, embora com
+efficacia somente em determinadas por&ccedil;&otilde;es do
+territorio nacional. Os do Brasil aceitavam, concluiam os seus
+mandatarios, quaesquer
+modifica&ccedil;&otilde;es ao projecto comtanto que lhes
+n&atilde;o recuse o Congresso legislatura, e satisfazendo-os os
+constituintes portugu&ecirc;ses, em vez de promoverem a
+independencia, dilatal-a-&atilde;o para todo o sempre, por
+n&atilde;o convir a America affrontar o desmembramento, quando com
+a uni&atilde;o se compadecem os seus interesses e
+aspira&ccedil;&otilde;es.<br />
+
+<br />
+
+Nada queriam ouvir os europeus, e procuravam
+<span class="pagenum">[348]</span>
+esmorecer os brasileiros,
+allegando os perigos para o ultramar da sua
+emancipa&ccedil;&atilde;o politica, consequencia certa e
+proxima do projecto. Borges Carneiro fez certamente sorrir os collegas
+de al&eacute;m-mar, sabedores da
+condi&ccedil;&atilde;o desgra&ccedil;ada da m&atilde;e
+patria, com a
+confiss&atilde;o candida de n&atilde;o poder o Brasil progredir
+sem o concurso de Portugal<sup><a href="#Z432">[432]</a></sup>.
+O ineffavel Gyr&atilde;o previu a
+renova&ccedil;&atilde;o da tragedia de S. Domingos, a
+matan&ccedil;a dos brancos pelos negros, caso o novo reino se
+desligasse<sup><a href="#Z433">[433]</a></sup>.
+No conceito de Guerreiro, o titulo de reino
+n&atilde;o dava ao Brasil as prerogativas provenientes dessa
+gradua&ccedil;&atilde;o
+politica, n&atilde;o passava de mera honraria; e pelo atraso
+intellectual, o ultramar continuava a ser colonia e incapaz de se
+governar a si mesmo. &laquo;N&atilde;o me posso persuadir,
+dizia afoutamente, que haja ali bastantes pessoas aptas para todos os
+ramos da administra&ccedil;&atilde;o publica&raquo;<sup><a href="#Z434">[434]</a></sup>.<br />
+
+<br />
+
+Era a id&eacute;a corrente dos que n&atilde;o haviam
+frequentado a America portugu&ecirc;sa, e como se ajustava
+&aacute; philaucia e conveniencias da metropole, adquirira no
+congresso a for&ccedil;a de axioma mathematico, inaccessivel,
+&aacute; refuta&ccedil;&atilde;o. Silvestre
+Pinheiro, que servira doze annos em al&eacute;m-mar, e com o qual
+n&atilde;o hombreava Guerreiro nem nenhum constituinte na cultura e
+na agudeza da intelligencia, acab&aacute;ra comtudo de declarar que
+elevando o Brasil a reino, el-rei n&atilde;o fizera
+sen&atilde;o reconhecer ter attingido a antiga colonia aquelle
+gr&aacute;u de civiliza&ccedil;&atilde;o que reclama o
+governo por leis e magistrados, e n&atilde;o por dictadores e
+providencias
+<span class="pagenum"><a name="p349">[349]</a></span>
+de momento<sup><a href="#Z435">[435]</a></sup>.
+Era tambem leviano o temor de faltar entre os naturaes da
+America administradores habeis, por que o progresso intellectual do
+novo reino se manifestava com evidencia na pluralidade de seus filhos
+eminentes nas lettras, a termos de assignalar um escriptor moderno:
+brasileiros eram na maxima parte os sabios e litteratos
+portugu&ecirc;ses de ent&atilde;o<sup><a href="#Z436">[436]</a></sup>.<br />
+
+<br />
+
+O ardor aggressivo e a m&aacute; f&eacute; da maioria com
+persuadirem aos brasileiros da improficuidade de seus
+esfor&ccedil;os, n&atilde;o os deixaram empregar na
+def&ecirc;sa do parecer a tenacidade ordinaria. De feito ao passo
+que do lado portugu&ecirc;s se succediam os oradores tomados do
+delirio do verbo, da bancada americana n&atilde;o falaram por assim
+dizer sen&atilde;o os autores do projecto; e Araujo Lima, um
+delles, enojado da fei&ccedil;&atilde;o
+<a href="#e105">miseranda</a> do debate,
+no qual os regeneradores alternavam o sophisma com vituperios contra o
+Brasil, arrependeu-se de haver pedido a palavra<sup><a href="#Z437">[437]</a></sup>.<br />
+
+<br />
+
+Tres portugu&ecirc;ses mostraram-se favoraveis ao novo reino.
+Peixoto e Corr&eacute;a de Seabra julgaram conveniente conceder-lhe
+mais de uma assembl&eacute;a, vista a vastid&atilde;o do
+territorio, sem o que os deputados seri&atilde;o obrigados a
+viagens longas e dispendiosas<sup><a href="#Z438">[438]</a></sup>.
+Era tambem um meio de dividir a
+antiga colonia.<br />
+
+<br />
+
+Sarmento foi o terceiro. Receando que pelo facto de haver nascido no
+Brasil, os collegas da
+<span class="pagenum"><a name="p350">[350]</a></span>
+Europa o considerassem
+levado de outro sentimento que a justi&ccedil;a, come&ccedil;a
+por affirmar que na infancia deixara a terra de seu nascimento por
+Portugal, onde creara rela&ccedil;&otilde;es e affectos que
+atam o homem &aacute; sociedade.<br />
+
+<br />
+
+Adverte judiciosamente que o imperio ultramarino muito desprendido de
+Portugal desde que possuira em seu seio a familia real e foi elevado a
+reino, manifestara-se, todavia, resoluto a estreitar a
+uni&atilde;o, acclamado o regimen constitucional. Devia-se
+aproveitar este impulso imprevisto para se lan&ccedil;arem os
+alicerces de uma vasta monarchia, e para isso cumpria attender as
+aspira&ccedil;&otilde;es dos irm&atilde;os mais novos,
+formuladas pelos seus org&atilde;os legitimos, que er&atilde;o
+os deputados da America. Supposto n&atilde;o admittisse o projecto
+tal qual, preferindo ver em al&eacute;m-mar um corpo consultivo em
+vez de legislatura, propunha fosse elle submettido &aacute;
+discuss&atilde;o<sup><a href="#Z439">[439]</a></sup>.
+N&atilde;o o
+quis o congresso, que por forte maioria declarou n&atilde;o dever
+occupar a atten&ccedil;&atilde;o dos constituintes o capitulo
+da proposta referente &aacute;
+crea&ccedil;&atilde;o de poder legislativo no Brasil<sup><a href="#Z440">[440]</a></sup>.<br />
+
+<br />
+
+Era tratar com menoscabo a representa&ccedil;&atilde;o de parte
+notavel da monarchia, e por isso a mor parte de seus membros
+n&atilde;o compareceram &aacute; derradeira sess&atilde;o.
+Apenas treze brasileiros concorreram ao escrutinio. O <a href="#e106">bispo</a> do
+Par&aacute;, Grangeiro e Lemos Brand&atilde;o votaram com a
+maioria<sup><a href="#Z441">[441]</a></sup>.
+<br />
+
+<br />
+
+<span class="pagenum">[351]</span>
+Por esse tempo tomaram assento Francisco de Sousa Moreira, do
+Par&aacute;<sup><a href="#Z442">[442]</a></sup>
+e o desembargador Jos&eacute; Ricardo da Costa
+Aguiar de S. Paulo<sup><a href="#Z443">[443]</a></sup>.
+O ultimo parente dos Andradas, que apenas
+installado interviera no debate com energia e intelligencia, completava
+harmonicamente a mais notavel deputa&ccedil;&atilde;o da
+America. Nenhum deputado por&eacute;m, foi recebido com mais
+gosto dos compatriotas que Sousa Moreira, n&atilde;o pelo auxilio
+que lhe podia prestar a sua palavra mas por causa de suas
+convic&ccedil;&otilde;es. O comportamento de D. Romualdo em
+desaccordo continuo com os collegas da America e a attitude da junta do
+Par&aacute;, persuadiam aos portugu&ecirc;ses que na vasta
+provincia n&atilde;o havia sen&atilde;o um partido e que esse
+defendia a sua sujei&ccedil;&atilde;o incondicional
+&aacute;s Côrtes e ao governo de Portugal e repellia a
+regencia do Rio. Desenganou-os Sousa Moreira, testemunhando que no
+extremo norte n&atilde;o faltavam brasileiros solidarios com os
+compatricios do sul. O seu primeiro acto na assembl&eacute;a
+&eacute; um protesto contra a institui&ccedil;&atilde;o em
+vigor do
+commando das armas, e, ao rev&eacute;s do bispo do Par&aacute;,
+queria assembl&eacute;a legislativa no Brasil.<br />
+
+<br />
+
+Entrou-se em seguida no exame da outra parte da proposta que
+estabelecia a delega&ccedil;&atilde;o do poder executivo no
+Brasil. Segundo ella n&atilde;o haveria ahi mais que um delegado, e
+este seria o successor da corôa, em sua falta um
+var&atilde;o da casa reinante. Na hypothese, por&eacute;m, de
+n&atilde;o existir
+<span class="pagenum">[352]</span>
+na familia real sujeito capaz de preencher t&atilde;o subidas
+func&ccedil;&otilde;es, confiar-se-ia a
+direc&ccedil;&atilde;o suprema dos negocios de
+al&eacute;m-mar a uma regencia. J&aacute; dissemos que os
+brasileiros n&atilde;o consentiam outra pessoa que principe real no
+governo de sua terra, porque ninguem mais do que elle tinha interesse
+na integridade da monarchia, e n&atilde;o queriam tambem
+sen&atilde;o um unico agente do executivo. Mais de um delegado
+al&eacute;m de consagrar o desmembramento administrativo do novo
+reino, que punha em contingencia a sua unidade politica, abria campo a
+conflictos de competencia entre os governos, enfraquecia a auctoridade
+perante os ataques do extrangeiro e, at&eacute;, ante a
+insubordina&ccedil;&atilde;o de uma ou mais provincias.<br />
+
+<br />
+
+Discordavam em todos os pontos os portugu&ecirc;ses com singular
+intransigencia. Reputavam a delega&ccedil;&atilde;o exercida
+pelo principe herdeiro
+altamente perigosa para o amor proprio nacional, e Moura investiu
+contra a proposi&ccedil;&atilde;o com energia e magnifica
+eloquencia. &laquo;E se v&oacute;s, illustres
+representantes da America, exclamou o fogoso tribuno, recorreis muitas
+vezes &aacute; opini&atilde;o geral do Brasil para fundardes
+nella as vossas opini&otilde;es dentro deste Congresso, sabei que
+deste modo pensa Portugal inteiro, e que n&oacute;s, os
+representantes europeus, iriamos manifestamente contra a
+opini&atilde;o universal de todos os nossos constituintes, se
+subscrevessemos ou se incautamente conviessemos em que o principe
+ficasse na America para nos ser negado, quando o direito de
+success&atilde;o o chamasse para vir sentar-se no throno, que
+nasceu nesta parte da monarchia. Se vos n&atilde;o convem a
+uni&atilde;o deste modo, deveis fallar claro, podeis abandonar este
+posto, quando quizerdes; deixae de ser co-legisladores comnosco:
+<span class="pagenum">[353]</span>
+as ben&ccedil;&atilde;os do c&eacute;o se entornem sobre o
+vosso afortunado paiz; sejamos amigos, mas com tal dependencia
+n&atilde;o queremos uni&atilde;o&raquo;<sup><a href="#Z444">[444]</a></sup>.<br />
+
+<br />
+
+N&atilde;o havia outro sentimento nos deputados
+portugu&ecirc;ses e na sua patria, mas ninguem o formulou com egual
+precis&atilde;o e violencia.<br />
+
+<br />
+
+Pires Ferreira, de Pernambuco, com simplicidade e bom senso respondeu a
+esse arremesso oratorio. Os brasileiros nunca occultaram a
+raz&atilde;o por que pretendiam o principe herdeiro na regencia e a
+tem sem rebu&ccedil;o e &aacute; saciedade proclamado.
+N&atilde;o sabem quem melhor que o successor da corôa
+possa promover a uni&atilde;o, em virtude do interesse de manter
+inteira a heran&ccedil;a. Quanto ao receio de que morto o soberano,
+elle se deixe ficar na America e por conseguinte para l&aacute;
+volva novamente a côrte, &eacute; absolutamente
+v&atilde;o
+em virtude da carta constitucional que fixa no velho reino a residencia
+do monarcha. Se, por&eacute;m, a constitui&ccedil;&atilde;o
+n&atilde;o hade ser cumprida,
+n&atilde;o vale a pena malbaratar tempo em a fazer<sup><a href="#Z445">[445]</a></sup>.<br />
+
+<br />
+
+A deputa&ccedil;&atilde;o de S. Paulo, Agostinho Gomes e Barata
+accudiram &aacute; provoca&ccedil;&atilde;o de
+Moura. Na sess&atilde;o immediata Vergueiro em nome de todos leu
+uma mo&ccedil;&atilde;o que terminava com a seguinte
+alternativa: ou o Congresso reprova as phrases de Moura como injustas e
+injuriosas ao Brasil, declarando que este tem tanto direito como o
+reino &aacute; s&eacute;de da
+monarchia ou permitte aos signatarios do requerimento darem por findo o
+seu mandato<sup><a href="#Z446">[446]</a></sup>.
+<br />
+
+<br />
+
+<span class="pagenum">[354]</span>
+N&atilde;o podia haver attitude mais digna nem resposta mais cabal
+aos que enxergavam dobrez nas palavras de paz, nos protestos de
+uni&atilde;o dos ultramarinos.<br />
+
+<br />
+
+O Congresso suffocou a quest&atilde;o, reservando o debate para
+segunda leitura da proposta, a qual nunca se realizou.<br />
+
+<br />
+
+Da demonstra&ccedil;&atilde;o magistral do parecer no sentido
+da necessidade de legislatura no Brasil para fiscalizar e conter a
+regencia, sem o que commetteria abusos e se transformaria em tyrannia,
+valeram-se com a&ccedil;odamento os lusitanos para propor a
+divis&atilde;o do governo da antiga colonia. Desde que o interesse
+da uni&atilde;o, ponderavam, n&atilde;o consentia congresso no
+ultramar, n&atilde;o existia sen&atilde;o um expediente para
+reduzir ahi o poder do representante del-rei: multiplicar as
+delega&ccedil;&otilde;es. Demais, com tal providencia
+attendia-se &aacute; commodidade dos povos, que teri&atilde;o
+mais perto de si a autoridade suprema para o provimento de seus
+recursos, o desaggravo de suas queixas. Borges Carneiro chegou a
+lembrar que fossem tantos os regentes quantas eram as provincias<sup><a href="#Z447">[447]</a></sup>. A
+maioria a despeito de lhe servir o alvitre, n&atilde;o o ousou
+adoptar com receio de exacerbar a suspeita dos americanos de que as
+Côrtes miravam avassallar a sua patria por via do
+fraccionamento da delega&ccedil;&atilde;o, e inclinava-se a
+crear dous centros
+do executivo, um com s&eacute;de no Rio para as provincias
+meridionaes e outra na Bahia central. O Par&aacute; e o
+Maranh&atilde;o, em consequencia de lhes ser mais facil o trato com
+a Europa do que com aquellas terras do novo reino, ficari&atilde;o
+sujeitas ao
+<span class="pagenum"><a name="p355">[355]</a></span>
+governo de Portugal. N&atilde;o
+constituia isto, ali&aacute;s, innova&ccedil;&atilde;o,
+visto que esses povos no periodo
+colonial n&atilde;o despendiam da
+administra&ccedil;&atilde;o brasileira, e al&eacute;m
+disso, assim o desejavam D. Romualdo, e Backman, um dos deputados do
+Maranh&atilde;o<sup><a href="#Z448">[448]</a></sup>.<br />
+
+<br />
+
+Os regeneradores fallaram &aacute; solta, desinteressados os
+brasileiros do projecto desde que o mutilaram n&atilde;o admittindo
+assembl&eacute;a legislativa em al&eacute;m-mar. Disseram-no
+Antonio Carlos e Lino Coutinho em <a href="#e107">ora&ccedil;&otilde;es</a>
+curtas. Este tentou ainda mortificar
+os portugu&ecirc;ses assignalando a sua versatilidade. Ha poucos
+m&ecirc;ses proclamavam repugnar &aacute; natureza indivisivel
+do poder executivo, consagrada nas Bases, que elle fosse delegado, e
+agora porfiavam em multiplicar os representantes do monarcha. Antonio
+Carlos, desenganado de dissipar as preven&ccedil;&otilde;es
+espessas do Congresso contra os irm&atilde;os <a href="#e108">mais</a>
+novos e possuido
+de desalento, protestou renunciar para todo o sempre &aacute;
+palavra e ao voto<sup><a href="#Z449">[449]</a></sup>.
+Protestos, por&eacute;m, logo abandonados por
+inconciliaveis com a sua indole batalhadora.<br />
+
+<br />
+
+As Côrtes resolveram, por grande numero de votos, que o
+principe real n&atilde;o exerceria a
+delega&ccedil;&atilde;o no Brasil, e nada decidiram sobre o
+numero das regencias, mandando a commiss&atilde;o apresentar outro
+parecer<sup><a href="#Z450">[450]</a></sup>.
+<br />
+
+<br />
+
+<br />
+
+<br />
+
+<h3><a name="c19"></a>CAPITULO XIX</h3>
+
+<br />
+
+<div class="intro1">SUMMARIO:<br />
+
+<br />
+
+<em>D. Pedro resolve convocar
+Côrtes.&#8213;Discuss&atilde;o do projecto de 18 de
+mar&ccedil;o.&#8213;Entram no Congresso os deputados substitutos de
+Piauhy e da Parahyba.&#8213;O principal motivo da
+opposi&ccedil;&atilde;o das provincias ao decreto de
+setembro.&#8213;Debate sobre o art. 5.&ordm;</em></div>
+
+<br />
+
+<br />
+
+<br />
+
+Mal acabava o Congresso de decidir com arrogancia que n&atilde;o
+tomava em
+considera&ccedil;&atilde;o a proposta creando legislaturas no
+Brasil por attentatorias da integridade da monarchia, que D. Pedro o
+fulminava com contradicta humilhante. Justamente por manter a
+uni&atilde;o dos dous reinos, importava estabelecer entre elles
+egualdade politica mais completa, e esta n&atilde;o poderia existir
+sem se outorgarem ao ultramar americano côrtes particulares,
+quaes pediam os seus deputados. O atilado mancebo estava, portanto,
+determinado a convocal-as no Rio ainda contra a vontade da
+assembl&eacute;a constituinte<sup><a href="#Z451">[451]</a></sup>.<br />
+
+<br />
+
+Nada exprimia de modo mais evidente a uniformidade de vistas entre os
+povos e os seus procuradores que essa noticia, e demonstrava
+<span class="pagenum"><a name="p357">[357]</a></span>
+melhor o erro daquelles que apregoavam no
+parlamento que os collegas da America n&atilde;o representavam a
+opini&atilde;o de sua terra. Parece, por conseguinte, que a
+li&ccedil;&atilde;o devia abrir os olhos aos peores cegos e os
+convencer da necessidade de attenderem nos negocios de
+al&eacute;m-mar aos seus mandatarios. Os regeneradores,
+por&eacute;m, n&atilde;o entendiam governar a outra
+sec&ccedil;&atilde;o da monarchia consoante a vontade dos seus
+naturaes mas segundo os impulsos do seu amor proprio e os interesses
+materiaes da metropole expressos no restabelecimento mais ou menos
+disfar&ccedil;ado do monopolio mercantil; e uns e outros se
+n&atilde;o accommodavam com regimen que n&atilde;o fosse a
+supremacia indiscutivel da m&atilde;e patria sobre as antigas
+colonias.<br />
+
+<br />
+
+N&atilde;o hesitaram, por isso, em menosprezar a
+preten&ccedil;&atilde;o manifestada com unanimidade no Brasil
+inteiro de ser o commando das armas sujeito &aacute;s juntas
+provinciaes.<br />
+
+<br />
+
+A materia fazia parte do projecto 232, apresentado em 18 de
+mar&ccedil;o pela commiss&atilde;o especial constituida de
+europeus e americanos. Dev&ecirc;ra entrar em discuss&atilde;o
+apenas submettida ao parlamento, mas como a parcialidade exaltada das
+Côrtes n&atilde;o queria tratar das cousas de
+al&eacute;m-mar sem que o Congresso primeiro considerasse rebeldes
+Jos&eacute; Bonifacio e outros adversarios dos decretos de 29
+<a href="#e109">de</a> setembro, a
+commiss&atilde;o
+condescendeu com Fernandes Thomaz e outros regeneradores de
+p&ecirc;so. Mandadas submetter a processo as auctoridades de S.
+Paulo em 1 de julho, na sess&atilde;o immediata o congresso entrou
+a examinar o relatorio de 18 de mar&ccedil;o.<br />
+
+<br />
+
+Compendiadas em outra parte as providencias nelle suggeridas, apenas
+lembraremos que a
+<span class="pagenum">[358]</span>
+commiss&atilde;o, salvo a remo&ccedil;&atilde;o do Brasil
+das tropas europeias solicitada pelos ultramarinos, attendia a todos os
+mais desejos do novo reino<sup><a href="#Z452">[452]</a></sup>.
+Assim propunha a permanencia de D. Pedro
+na America, conforme acabara de ser decretada, a
+extinc&ccedil;&atilde;o dos tribunaes a juizo do Regente e o
+reembolso ao Banco do Brasil. O ultramar americano teria uma ou mais
+delega&ccedil;&otilde;es do poder executivo. O que,
+por&eacute;m, no projecto agradava sobremaneira aos brasileiros era
+a subordina&ccedil;&atilde;o da m&ecirc;sa da fazenda e do
+commando das armas &aacute;s juntas governativas. Os chefes da
+for&ccedil;a armada
+viri&atilde;o a fazer parte das
+administra&ccedil;&otilde;es provinciaes com votos,
+por&eacute;m, t&atilde;o s&oacute;mente nas
+materias de sua jurisdic&ccedil;&atilde;o. Era esse,
+ali&aacute;s, o
+parecer de Silvestre Pinheiro, ministro dos negocios extrangeiros,
+ouvido sobre o negocio, mas o preclaro estadista ia mais longe: opinava
+que ao governo local devia competir a nomea&ccedil;&atilde;o do
+commandante das armas.<br />
+
+<br />
+
+A commiss&atilde;o rejeitou o conselho, rec&ecirc;osa de tirar
+ao poder executivo da metropole a influencia que lhe resultaria de ter
+um official de sua escolha na testa dos regimentos do Brasil.<br />
+
+<br />
+
+Decretado que o regente supprimiria os tribunaes do Rio como e quando
+lhe conviesse e que a junta da fazenda seria presidida por um dos
+membros do governo da provincia<sup><a href="#Z453">[453]</a></sup>,
+o congresso resolveu tratar do
+commando das armas ap&oacute;s vehemente
+opposi&ccedil;&atilde;o dos
+pr&oacute;ceres da revolu&ccedil;&atilde;o. Entendiam uns
+que como os artigos addicionaes em estudo n&atilde;o
+deixari&atilde;o de attribuir
+<span class="pagenum"><a name="p359">[359]</a></span>
+aos delegados do poder executivo auctoridade
+sobre o exercito, n&atilde;o valia a pena estabelecer reforma
+provisoria, mandava a prudencia se conservassem as cousas taes quaes
+at&eacute; a organisa&ccedil;&atilde;o
+definitiva do Brasil. Entendiam outros ser indecoroso ao parlamento
+legislar para povos que n&atilde;o observavam as suas
+determina&ccedil;&otilde;es<sup><a href="#Z454">[454]</a></sup>.<br />
+
+<br />
+
+Nem uns nem outros falavam com sinceridade. Os regeneradores
+n&atilde;o podiam, em verdade, discutir a proposta sen&atilde;o
+para a condemnarem, porquanto Madeira protestava abandonar o posto, na
+hypothese do poder militar ficar dependente da auctoridade civil. Ora,
+como s&oacute; na Bahia se exercia com efficacia a
+ac&ccedil;&atilde;o das
+Côrtes, n&atilde;o era licito a estas adoptarem uma
+reforma que as deixaria ao abandono na America e desbarataria o sonho
+daquelles, e eram numerosos, que enxergavam no official
+portugu&ecirc;s o restaurador glorioso da influencia da metropole
+por todo o reino ultramarino. Por outra parte, o projecto, divulgado em
+al&eacute;m-mar, fazendo antever a
+repara&ccedil;&atilde;o das queixas dos brasileiros,
+n&atilde;o o podia repellir a assembl&eacute;a sem estimular o
+descontentamento contra a m&atilde;i patria. Sobravam, pois,
+raz&otilde;es aos portugu&ecirc;ses para n&atilde;o
+ventilarem a materia. Comprehenderam-no os deputados americanos, e
+alcan&ccedil;aram tambem que, tratado o negocio, eram por demais
+tenues as <a href="#e110">probabilidades</a> de
+solu&ccedil;&atilde;o consentanea com os
+seus desejos. Insistiram, todavia, com ardor pela discuss&atilde;o,
+porque por vaga que fosse a esperan&ccedil;a de desopprimir a
+grande provincia da presen&ccedil;a de Madeira, era uma
+esperan&ccedil;a, e n&atilde;o deviam esses
+<span class="pagenum">[360]</span>
+lidadores tenazes abrir m&atilde;o do que
+a gerava. Villela Barbosa, os bravos deputados do Cear&aacute;, os
+paulistas e Araujo Lima aconchegaram-se aos bahianos, reclamando o
+exame do artigo.<br />
+
+<br />
+
+Per essa epoca entraram nas Côrtes os padres Jos&eacute;
+da Costa Cirne e Domingos da
+Concei&ccedil;&atilde;o, representantes substitutos da Parahyba
+e do Piauhy. Ultimara-se a constitui&ccedil;&atilde;o em 12 de
+julho, e como urgia que a assignassem o maior numero de deputados, o
+Congresso n&atilde;o quis por mais tempo aguardar os mandatarios da
+Parahyba, o dr. Francisco de Arruda Camara e o vigario Virginio
+Rodrigues Campello que, eleitos com Monteiro da Fran&ccedil;a,
+deixavam-se, comtudo, ficar em Pernambuco<sup><a href="#Z455">[455]</a></sup>,
+e os do Piauhy, Ovidio
+Saraiva de Carvalho, domiciado no Rio, e Miguel de Sousa Borges
+Leal<sup><a href="#Z456">[456]</a></sup>.
+Se deste corria noticia de se achar em viagem para o Reino,
+presumia-se que aquelle sob a influencia dos acontecimentos do Brasil
+meridional n&atilde;o se apartaria de sua residencia. As
+Côrtes convidaram, pois, os substitutos dessas
+deputa&ccedil;&otilde;es retardatarias, os quaes eram os
+sacerdotes referidos, a tomarem assento<sup><a href="#Z457">[457]</a></sup>.
+J&aacute; nos occupamos
+em outra parte da
+representa&ccedil;&atilde;o da Parahyba. No Piauhy a
+acclama&ccedil;&atilde;o do novo regimen operou-se sem abalo, e
+aos 30 de outubro realizaram-se as elei&ccedil;&otilde;es. O
+substituto agora installado era portugu&ecirc;s como Segurado e
+Vergueiro mas os n&atilde;o egualava no amor da
+<span class="pagenum">[361]</span>
+terra adoptiva. T&atilde;o intenso,
+por&eacute;m, se mostrava a grita contra o decreto 124 de 29 de
+setembro, que Domingos da Concei&ccedil;&atilde;o tomou parte
+no debate com a vehemencia dos brasileiros mais resolutos.<br />
+
+<br />
+
+&laquo;Adiar este artigo, exclamou o sacerdote com energia que
+n&atilde;o mais se reproduziu, adiar este artigo &eacute;
+lan&ccedil;ar polvora e applicar toda a lenha para incendiar o
+Brasil&raquo;<sup><a href="#Z458">[458]</a></sup>.<br />
+
+<br />
+
+Barata, pequenino e intrepido, levantou-se irado, despojada a sua
+eloquencia da ironia e malicia habituaes. O assumpto n&atilde;o
+soffria
+protela&ccedil;&atilde;o por causa da anciedade com que o
+Brasil aguardava o seu desenlace. Importava, demais, aos deputados de
+al&eacute;m-mar conhecerem o voto da assembl&eacute;a, para
+tomarem posi&ccedil;&atilde;o
+perante a carta constitucional, porque caso as juntas n&atilde;o
+guardassem os poderes, de que foram investidas pelos povos, os
+brasileiros n&atilde;o a sanccionar&atilde;o
+com o seu nome.<br />
+
+<br />
+
+Surgia pela primeira vez a formidavel quest&atilde;o da assignatura
+da constitui&ccedil;&atilde;o pela America.<br />
+
+<br />
+
+&laquo;Se o parecer for adiado e as desordens continuarem no
+Brasil, rematou o bahiano, j&aacute; declaro que n&atilde;o
+assigno a
+constitui&ccedil;&atilde;o, e desde agora protesto que emquanto
+existir na Bahia um europeu de farda com bayoneta ou espada,
+n&atilde;o assigno a constitui&ccedil;&atilde;o porque me
+julgo coacto e em guerra&raquo;.<sup><a href="#Z459">[459]</a></sup>.<br />
+
+<br />
+
+Succedeu-lhe Costa Aguiar, de S. Paulo. Em verdade, declarou, a
+organiza&ccedil;&atilde;o dos governos
+<span class="pagenum"><a name="p362">[362]</a></span>
+ultramarinos estava
+dependente do que a constitui&ccedil;&atilde;o decretasse, mas
+agora se
+n&atilde;o cogitavam de providencias definitivas sen&atilde;o
+de revogar um acto provisorio, qual a resolu&ccedil;&atilde;o
+de 29 de
+setembro. Se estivessem em jogo os interesses do Brasil meridional,
+continuou com lealdade, julgaria desassisado providenciar o Congresso
+&aacute;cerca delles porquanto corria perigo de ser desobedecido.
+Tratava-se, por&eacute;m, de attender &aacute;s provincias
+<a href="#e112">do Norte</a>, tranquillas e doceis,
+e que,
+at&eacute;, haviam requerido contra a actual
+constitui&ccedil;&atilde;o do commando das armas.<br />
+
+<br />
+
+As Côrtes resolveram tratar do assumpto na sess&atilde;o
+seguinte.<br />
+
+<br />
+
+Sem embargo da opposi&ccedil;&atilde;o que o decreto 124
+encontrou em S. Paulo<sup><a href="#Z460">[460]</a></sup>
+e em Minas<sup><a href="#Z461">[461]</a></sup>,
+foi mais a circumstancia de
+caber a direc&ccedil;&atilde;o da for&ccedil;a armada aos
+officiaes portugu&ecirc;ses do que ser ella independente das
+juntas, que o fez considerar no Brasil instrumento de
+oppress&atilde;o ao servi&ccedil;o da m&atilde;i patria.
+Jos&eacute; Bonifacio
+e Teixeira de Vasconcellos arriscavam n&atilde;o formar proselytos,
+quando clamavam que os governadores militares subordinados ao poder
+executivo da metropole eram proconsules, resurgiam os
+capit&atilde;es generaes, se o ministerio e as Côrtes
+n&atilde;o nomeassem officiaes europeus para o commando dos
+regimentos ultramarinos. Ninguem attribuiria, em verdade, a um militar
+brasileiro intuitos de molestar
+<span class="pagenum">[363]</span>
+os compatricios
+no interesse da preeminencia de Portugal. O acto de 29 de setembro
+determinando que assumiria a gest&atilde;o militar das provincias
+administradas recentemente por governadores e capit&atilde;es
+generaes o general mais antigo, e nas outras a patente mais graduada
+at&eacute; coronel, sem indicar a nacionalidade,
+entend&ecirc;ra o Brasil que exerceria o posto o general ou o
+coronel que se achasse na capitania, fôsse europeu ou
+americano. Sem duvida que a discuss&atilde;o deixara entrever ser
+id&eacute;a dos constituintes portugu&ecirc;ses tornar aquelle
+cargo privativo dos seus conterraneos mas como isso n&atilde;o
+constava do decreto, podia-se acreditar que semelhante conceito
+n&atilde;o merec&ecirc;ra a sanc&ccedil;&atilde;o das
+Côrtes.<br />
+
+<br />
+
+As provincias do Norte acolheram, por
+isso, n&atilde;o s&oacute; sem desconfian&ccedil;a mas com
+alvoro&ccedil;o a resolu&ccedil;&atilde;o legislativa. As
+juntas eleitas e os
+novos commandantes apressaram-se em communicar &aacute;
+assembl&eacute;a constituinte a tranquillidade dos povos e em lhe
+protestar fidelidade<sup><a href="#Z462">[462]</a></sup>.
+Se por acaso em alguma parte, como aconteceu
+na Parahyba<sup><a href="#Z463">[463]</a></sup>
+o acto das côrtes n&atilde;o teve
+cumprimento rigoroso, n&atilde;o foi porque repugnasse aos
+moradores a independencia do chefe militar para com a autoridade civil,
+sen&atilde;o porque as tropas indisciplinadas recusavam obediencia
+ao official investido, pela lei, do commando. At&eacute;
+Pernambuco<sup><a href="#Z464">[464]</a></sup>
+e a sua vizinha meridional mostraram-se satisfeitos com
+<span class="pagenum">[364]</span>
+a reforma: o general Manuel Pedro que tomara a
+direc&ccedil;&atilde;o das for&ccedil;as da Bahia por
+portaria do ministro da marinha, lisongeado da confian&ccedil;a do
+Reino, communica estar tranquilla a provincia e sempre animada
+&laquo;dos mais energicos sentimentos de amor &aacute;
+constitui&ccedil;&atilde;o e &aacute;
+uni&atilde;o dos tres reinos&raquo;<sup><a href="#Z465">[465]</a></sup>.<br />
+
+<br />
+
+Quando, por&eacute;m, se tornou conhecida a portaria de 9 de
+dezembro que investia da administra&ccedil;&atilde;o militar
+das provincias ultramarinas aos naturaes do Reino, excluidos
+systhematicamente os brasileiros, estes se escandalizaram, confirmando
+a previs&atilde;o do atilado Hippolyto da Costa<sup><a href="#Z466">[466]</a></sup>. Apenas os novos
+titulares desembarcavam, as juntas que at&eacute; ent&atilde;o
+se haviam mostrado accordes com os chefes do exercito, j&aacute;
+n&atilde;o podiam tolerar os recem-chegados. Consideravam com
+preven&ccedil;&otilde;es esses representantes da m&atilde;e
+patria, que na realidade evocavam os antigos capit&atilde;es
+generaes, de memoria detestada, porquanto n&atilde;o
+responderi&atilde;o pelos abusos do poder sen&atilde;o ao
+governo distante de Lisboa; e o official portugu&ecirc;s, de outra
+parte, orgulhoso de sua origem e julgando-se por isso superior aos
+povos que vinha reger, n&atilde;o sabia ou n&atilde;o podia
+desfazer a desconfian&ccedil;a geral
+j&aacute; nas rela&ccedil;&otilde;es com a auctoridade
+civil,
+j&aacute; no contacto com os moradores. Mal desembarcava o
+commandante das armas, o primeiro correio trazia &aacute; Europa
+queixas das juntas e das camaras contra elle. O proprio
+Par&aacute;, onde o elemento reinol preponderava como em nenhum
+outro ponto do Brasil, e cujo governo era submisso &aacute;s
+<span class="pagenum">[365]</span>
+Côrtes, n&atilde;o pôde deixar de representar
+contra Jos&eacute; Maria de Moura por tratar com menosprezo o poder
+civil<sup><a href="#Z467">[467]</a></sup>.<br />
+
+<br />
+
+Salvo Villela Barbosa que precedentemente reputara altamente injurioso
+&aacute; officialidade brasileira o preteriram-na do commando das
+tropas ultramarinas, os deputados brasileiros n&atilde;o encaravam
+o assumpto sob esse aspecto irritante, mas &aacute; luz do Direito
+publico que n&atilde;o consente o poder executivo sem a
+disposi&ccedil;&atilde;o da
+for&ccedil;a armada. Nem outro foi o ponto de vista do
+representante fluminense no debate instaurado em 22 de julho.<br />
+
+<br />
+
+A discuss&atilde;o em 22 de julho correu t&atilde;o breve
+qu&atilde;o animada e com escassa assistencia dos americanos.
+Encetou-a o arrebatado Gir&atilde;o que previu o exterminio dos
+portugu&ecirc;ses pelos brasileiros, caso os governadores militares
+fossem dependentes das juntas. N&atilde;o acreditava t&atilde;o
+pouco que o congresso fosse ass&aacute;s temerario para decretar
+uma providencia que entregaria a Bahia aos facciosos, perdendo desse
+modo Portugal o ultimo baluarte que lhe restava na America,
+gra&ccedil;as ao valor de Medeira e aos
+sacrificios de
+gente e de dinheiro, da patria, despovoada e pobre.<br />
+
+<br />
+
+Borges Carneiro estava allucinado. Attribuiu a D. Pedro a
+inten&ccedil;&atilde;o sinistra de attrahir a
+Portugal os exercitos da Santa Allian&ccedil;a, adversarios da
+liberdade dos povos, por vestir &aacute; moda austriaca a sua
+guarda de honra. Convencido tambem do que o ministerio do Rio cogitava
+de se apoderar das colonias das Asia e da Africa, aconselhara a
+expedi&ccedil;&atilde;o de um vaso de guerra a
+<span class="pagenum"><a name="p366">[366]</a></span>
+Angola e de quatro ou cinco mil
+pra&ccedil;as ao Brasil. O general proclamaria &aacute;s
+provincias &laquo;offerecendo em uma das m&atilde;os a
+constitui&ccedil;&atilde;o e os decretos liberaes das
+Côrtes e com a outra lhes apontaria a possibilidade de
+bloquear qualquer ponto rebelde, de punir uma cidade sublevada e de
+fechar em Africa a fonte da industria e cultura do Brasil&raquo;.<br />
+
+<br />
+
+Falou em seguida Antonio Carlos, cuja posi&ccedil;&atilde;o por
+haver assignado o parecer se tornara difficil. A proposta em
+quest&atilde;o fôra formulada com o intuito de conciliar
+os constituintes de um e outro hemispherio. Os portugu&ecirc;ses
+transigiram sobre assumptos em que at&eacute; ent&atilde;o se
+haviam mostrado intolerantes, e os brasileiros corresponderam
+condignamente a esse empenho de congra&ccedil;amento. Um dos pontos
+de mais difficil accordo fôra justamente esse commando das
+armas. Os europeus recusavam sujeital-o &aacute;s juntas com receio
+de perderem toda a autoridade sobre o reino americano, em
+raz&atilde;o de n&atilde;o terem
+influencia nos governos provinciaes, eleitos pelo povo; e os
+ultramarinos n&atilde;o queriam saber da independencia dos chefes
+militares para com o poder civil provincial, por que sem
+ac&ccedil;&atilde;o sobre a for&ccedil;a armada, <a href="#e114">elle</a> se
+tornara fraco e at&eacute;
+exposto a ser annullado pelas tropas, no caso de conflicto com o seu
+commandante. <a href="#e115">Irritava</a>, demais,
+os povos que no acto da
+acclama&ccedil;&atilde;o do novo regimen haviam investido da
+gest&atilde;o militar a administra&ccedil;&atilde;o da
+provincia que lh'o
+arrebatassem as Côrtes; parecia-lhes isso
+usurpa&ccedil;&atilde;o,
+abuso do poder. Para resolver a difficuldade os commissarios
+brasileiros e portugu&ecirc;ses assentiram que o governo local
+teria ac&ccedil;&atilde;o sobre o exercito, mas
+que o chefe deste seria membro da junta com
+<span class="pagenum">[367]</span>
+voto, todavia, t&atilde;o s&oacute;mente nos negocios
+militares. Conhecido no Brasil o projecto, por esta e outras clausulas
+desagradou aos exaltados, que n&atilde;o admittiam fizesse um reino
+em cousas de sua organiza&ccedil;&atilde;o interna
+concess&otilde;es a um egual sen&atilde;o inferior, e Antonio
+Carlos confessou ulteriormente, ali&aacute;s sem resentimento, que
+a sua condescendencia para com os europeus o despopularizara na
+patria<sup><a href="#Z468">[468]</a></sup>.
+Por outra parte, em consequencia dos recentes successos do
+ultramar, o parlamento j&aacute; n&atilde;o estava disposto a
+transigir sobre o assumpto. Antonio Carlos entendeu, contudo
+n&atilde;o deixar ao desamparo a proposta, impugnada tanto pelos
+europeus como pelos brasileiros. Se aquelles rejeitavam a
+subordina&ccedil;&atilde;o do commando das armas &aacute;s
+juntas, estes n&atilde;o admittiam que o chefe militar fizesse
+parte do governo. Villela Barbosa, major do exercito e lente da escola
+naval, poucos dias antes a commett&ecirc;ra com vigor o artigo. A
+sua intelligencia
+luminosa e o seu subido patriotismo se n&atilde;o compadeciam com o
+espirito de classe, tacanho e funesto, e o insigne fluminense se
+expressou de modo a ser renegado dos camaradas de hoje. Propugnava a
+dependencia absoluta do exercito para com a autoridade civil, porque
+n&atilde;o admittia a interven&ccedil;&atilde;o dos
+soldados nos negocios da republica. Temia &laquo;o orgulho e
+capricho militar&raquo;. Oppunha-se, rematou, a que o chefe das
+tropas tivesse assento nas juntas, embora fosse ouvido nas materias de
+sua jurisdic&ccedil;&atilde;o mas nunca influindo com a sua
+presen&ccedil;a e votos nas delibera&ccedil;&otilde;es do
+governo.<br />
+
+<br />
+
+Antonio Carlos n&atilde;o cogitou de responder
+<span class="pagenum">[368]</span>
+aos compatricios, em desaccordo,
+ali&aacute;s, com elles sobre uma clausula accidental da proposta e
+n&atilde;o sobre a sua substancia. Reconhecia que o submetter o
+commando das armas &aacute; administra&ccedil;&atilde;o
+local, j&aacute; ass&aacute;s poderosa pela
+confian&ccedil;a do povo, que a nomeara, parecia investil-a de
+jurisdic&ccedil;&atilde;o exorbitante e por isso perigosa. Se
+n&atilde;o devia, por&eacute;m, perder de vista que as juntas
+sendo na realidade o poder executivo provincial n&atilde;o poderia
+viver destituida de ac&ccedil;&atilde;o sobre o exercito.
+N&atilde;o era de temer que abusassem, porquanto respondiam de seus
+actos ao ministerio da metropole e nenhuma dellas se achava em
+condi&ccedil;&otilde;es de lhe resistir. Se o Brasil austral em
+virtude de se oppôr &aacute;s
+resolu&ccedil;&otilde;es
+legislativas, n&atilde;o merecia o desvelo das côrtes, as
+provincias septentrionaes t&atilde;o solicitas nos seus testemunhos
+de respeito e obediencia ao congresso, tinham jus a serem ouvidas; ora,
+ellas clamaram com vehemencia pela adop&ccedil;&atilde;o
+parecer. Dizia-se,
+por&eacute;m, agora que as attendendo, a assembl&eacute;a
+compromettia a seguran&ccedil;a da Bahia e a sua influencia nos
+povos fieis e que o momento, vista a convuls&atilde;o progressiva
+do reino americano, se n&atilde;o prestava a politica de paz mas
+exigia
+repress&atilde;o severa. Se Portugal, advertiu, pôde
+alterar, mudar modificar a forma de seu governo, egual direito tem o
+Brasil.<br />
+
+<br />
+
+D'alli por diante a ora&ccedil;&atilde;o, que n&atilde;o
+transpusera at&eacute; agora os limites de eloquencia mediocre,
+porque Antonio Carlos se n&atilde;o sentia &aacute; vontade com
+repetir argumentos repisados ou porque considerava v&atilde;o o seu
+esfor&ccedil;o, vai
+attingir regi&atilde;o superior. Combate as
+expedi&ccedil;&otilde;es
+militares e pleit&ecirc;a a causa da Bahia. O trecho &eacute;
+longo; reproduzil-o-emos por constituir um bello
+<span class="pagenum">[369]</span>
+documento da coragem e lisura do grande
+paulista. &laquo;...A constitui&ccedil;&atilde;o mutilou a
+realeza
+para a accommodar aos direitos e utilidade da
+na&ccedil;&atilde;o. Isto que Portugal tem feito &eacute; o
+que o Brasil pode fazer tambem, sem ser taxado de rebelde, e sem que
+para tolher-lhe o imprescreptivel exercicio da sua liberdade, haja
+justi&ccedil;a de se lhe mandarem tropas. A mascara de amor e
+fraternidade n&atilde;o pode mais excusar semelhante comportamento;
+o v&eacute;o &eacute; mui raro, traz luz por entre elle e a
+verdade. N&atilde;o &eacute; a presumida independencia
+que pode justificar a remessa de tropas; ella n&atilde;o existe,
+nada ha que a prove, nem mesmo o manifesto da camara do Rio a sua
+Alteza Real; Côrtes especiaes subordinadas &aacute;s
+geraes, delegado do poder executivo sujeito ao chefe supremo da
+na&ccedil;&atilde;o n&atilde;o formam elementos de
+independencia, antes &eacute; uma uni&atilde;o bem que mais
+frouxa e complicada, por&eacute;m a unica possivel. Se o temor de
+independencia n&atilde;o justifica as medidas de rigor adoptadas,
+menos as pode justificar o allegado pretexto de salvar os
+portugu&ecirc;ses europeus da brutal vingan&ccedil;a dos
+brasileiros. O rancor n&atilde;o existe sen&atilde;o em alguns
+pontos; as provincias do sul que mais energicas tem sido em se
+oppôr &aacute; suspeitada injusti&ccedil;a de
+Portugal, a nenhum s&oacute; portugu&ecirc;s tem offendido;
+Pernambuco mesmo tem respeitado, quanto tem sido possivel, os
+la&ccedil;os de parentesco, apesar de
+provoca&ccedil;&otilde;es recentes e dos velhos resentimentos
+de 1817. A Bahia descansava, no rega&ccedil;o da boa f&eacute;
+e da inabalavel irmandade, quando attentados do mais criminoso dos
+officiaes portugu&ecirc;ses, como o estampido do trov&atilde;o,
+destruiram de um s&ograve; golpe a sua at&eacute;
+ent&atilde;o intacta
+seguridade: mas que fez ella? Sacrificou a seus irm&atilde;os da
+<span class="pagenum">[370]</span>
+Europa? N&atilde;o: antes
+sangrando por todos os p&oacute;ros, humilhada e insultada,
+&eacute; ella quem soffre mas n&atilde;o tem attentado nem
+contra a vida nem contra os bens dos seus crueis oppressores: como,
+pois, mandar novos janizaros para soccorrer a quem opprime e tornar
+mais pesado o jugo j&aacute; imposto? &Eacute; nova
+generosidade
+embra&ccedil;ar as armas em favor do oppressor que n&atilde;o
+precisa auxilio, e ensurdecer-se aos lamentos do opprimido que
+s&oacute; demanda justi&ccedil;a?! Mas clamam uns nobres
+preopinantes, e tem-se neste recinto atturdido a todos com a
+repeti&ccedil;&atilde;o da mesma linguagem: &eacute; para
+guardar os brasileiros contra os negros que se lhes mandam os
+batalh&otilde;es n&atilde;o pedidos, antes detestados.
+Assombrosa audacia! Terrivel zombaria accrescentada &aacute; mais
+escandalosa oppress&atilde;o! T&atilde;o ignorantes nos
+acreditam que imaginam recebemos como obsequio insultos e offensas?!
+N&atilde;o sabemos n&oacute;s melhor que ninguem que os
+escravos n&atilde;o s&atilde;o para temer, que o seu numero
+&eacute; insignificante comparado com o dos livres, e que a
+do&ccedil;ura da servid&atilde;o domestica entre
+n&oacute;s, tem feito dos nossos escravos antes amigos, do que
+inimigos? Tudo sabemos, conhecemos as tra&ccedil;as com que se
+pretendem restabelecer as antigas cad&ecirc;as, e apesar da nossa
+repugnancia jur&aacute;mos de antes morrer do que nos sujeitar aos
+nossos eguaes: n&atilde;o temeremos as borrascas da intempestiva
+independencia, se de outra sorte nos n&atilde;o pudermos salvar da
+escurid&atilde;o.
+Obre-se com franqueza comnosco, declare-se-nos embora a guerra
+generosamente, cesse de uma vez a burlesca far&ccedil;a de uma
+illusoria
+representa&ccedil;&atilde;o. At&eacute; quando
+h&atilde;o de inimigos estar sentados entre inimigos?
+At&eacute; quando ha de continuar o vergonhoso commercio de
+falsidades e
+<span class="pagenum"><a name="p371">[371]</a></span>
+enganos, que
+prodigas entornam linguas de mel, ao mesmo tempo que o
+cora&ccedil;&atilde;o est&aacute;
+ensopado do mais refinado f&eacute;l. Declare-se emfim a guerra
+abertamente: deputados haver&aacute;, e eu sou um d'elles, que
+preferir&atilde;o a manejar inutilmente a imbelle lingua o
+lan&ccedil;ar-se nas fileiras dos seus irm&atilde;os, e morrer
+nellas repulsando a injusta aggress&atilde;o de qualquer parte que
+ella venha&raquo;<sup><a href="#Z469">[469]</a></sup>.<br />
+
+<br />
+
+Depois do primeiro orador da bancada americana subiu &aacute;
+tribuna o mais eloquente dos portugu&eacute;ses,
+Moura. Fora um dos signatarios do parecer mas n&atilde;o teve
+embara&ccedil;o em o repellir allegando a mudan&ccedil;a da
+situa&ccedil;&atilde;o. Em
+mar&ccedil;o todas as juntas acatavam as ordens das
+Côrtes e do governo, e agora imperava no ultramar a anarquia.
+&laquo;A junta de S. Paulo desobedece, injuria e at&eacute;
+nega a authoridade do Congresso; a de Minas legisla; a de Pernambuco
+obedece numas cousas e desobedece noutras, a da Bahia faz
+<a href="#e116">raciocinios</a>; a do
+Maranh&atilde;o
+hesita, e a camara do Rio reclama a independencia: e &eacute;
+porventura no meio de t&atilde;o vacillantes opini&otilde;es
+que havemos de arriscar as ordens do governo a serem desobedecidas e
+mallogrados os projectos que tendem assegurar a tranquillidade daquelle
+paiz? N&atilde;o &eacute; j&aacute; tempo de subscrevermos
+semelhante
+concess&atilde;o?&raquo;.<br />
+
+<br />
+
+Segundo Moura o designio de recolonizar o Brasil imputado ao congresso
+n&atilde;o passava de tactica dos fautores da independencia para
+inflamarem os animos contra a metropole no sentido de sua
+aspira&ccedil;&atilde;o, porquanto a carta
+constitucional que regulava as rela&ccedil;&otilde;es, dos dous
+povos n&atilde;o
+<span class="pagenum">[372]</span>
+concedia a uns direitos negados a outros.
+Na verdade sob o ponto de vista da seguran&ccedil;a e liberdade
+individuaes assim acontecia: mas affirmar que a America ia achar-se em
+egualdade politica com o Reino era protervia inqualificavel. Portugal
+teria comsigo o rei, o ministerio e o parlamento: d'ahi resultaria a
+vantagem inestimavel da fiscalisa&ccedil;&atilde;o immediata e
+portanto efficaz do poder executivo pela
+representa&ccedil;&atilde;o nacional; ao passo que a antiga
+colonia seria regida por propostos n&atilde;o de sua escolha mas de
+nomea&ccedil;&atilde;o de metropole, e isto por
+delibera&ccedil;&atilde;o exclusiva dos constituintes europeus.
+N&atilde;o se podia dizer com seriedade que o Brasil fosse
+representado nas Côrtes, visto que os portugu&ecirc;ses
+em maioria legislavam para elle sem deferencia alguma para com os
+deputados americanos. Vencia o que elles queriam e n&atilde;o o que
+propunham os brasileiros. Que differen&ccedil;a substancial havia
+entre o regimen reservado &aacute; mais importante
+sec&ccedil;&atilde;o da monarchia e aquelle applicavel
+&aacute;s colonias da Asia e da Africa? N&atilde;o
+receberi&atilde;o todas como o ultramar americano governador da
+Europa e designado pela m&atilde;i patria? N&atilde;o era isto
+reduzil-o a condi&ccedil;&atilde;o das dependencias africanas e
+asiaticas de Portugal e por conseguinte degradal-o da categoria
+indisputada de reino?<br />
+
+<br />
+
+Moura repetiu com os collegas que as tropas portugu&ecirc;sas
+preenchiam no Brasil tres fins: conter os independentes, proteger as
+pessoas e bens dos europeus e guardar os brancos da gente servil.
+Rematou o seu copioso discurso declarando que mais do que Portugal
+padeceria o Brasil com a separa&ccedil;&atilde;o. Aquelle
+n&atilde;o soffreria
+sen&atilde;o no prestigio politico, e este al&eacute;m de
+perder a vantagem de pertencer ao systema europeu, fica exposto
+<span class="pagenum">[373]</span>
+&aacute; ambi&ccedil;&atilde;o de
+na&ccedil;&otilde;es poderosas e emprehendedoras e se
+lan&ccedil;aria &laquo;em fragil barco ao mar tempestuoso e
+embravecido da anarquia e das convuls&otilde;es
+populares&raquo;.<br />
+
+<br />
+
+Costa Aguiar, ha pouco installado no parlamento, n&atilde;o
+perd&ecirc;ra provavelmente a esperan&ccedil;a
+de rectificar o juizo dos portugu&ecirc;ses acerca dos negocios do
+Brasil. De feito n&atilde;o havia outra raz&atilde;o para
+intervir no debate, do qual se affastaram desilludidos os brasileiros
+mais pugnazes, quem n&atilde;o representava a Bahia nem
+subscrev&ecirc;ra o
+projecto. De todos os successos da America nenhum sobresaltava
+presentemente mais os regeneradores do que a nova dignidade do regente.
+Acclamado defensor perpetuo do novo reino pelas tropas e povo, a camara
+do Rio ao felicital-o em 13 de maio pelo anniversario do monarca,
+pediu-lhe acceitasse aquelle titulo em signal de sua
+resolu&ccedil;&atilde;o de n&atilde;o abandonar o Brasil.
+D. Pedro acquiesceu com bizarria. Exasperados com essa investidura, que
+lhes burlava o intento de ter em Portugal o successor da
+corôa, os portugu&ecirc;ses acommettiam com violencia aos
+ultramarinos a titulo de pretenderem estes o despeda&ccedil;amento
+da patria.<br />
+
+<br />
+
+Costa Aguiar come&ccedil;ou tentando desfazer essa
+apprehens&atilde;o. A municipalidade, disse, com aquelle
+requerimento n&atilde;o cogitava de proclamar rei o regente nem de
+desunir a na&ccedil;&atilde;o, mas simplesmente queria
+pôr o novo reino ao abrigo de convuls&otilde;es, que
+resultariam necessariamente da ausencia de D. Pedro. Era, ao contrario,
+uma medida para salvaguardar a integridade da monarchia e acceita com
+enthusiasmo por todas as provincias. &laquo;O que os brasileiros
+querem &eacute; ter os mesmos direitos e em tudo ser equiparados
+<span class="pagenum">[374]</span>
+aos povos de Portugal. Muito
+embora se possa dizer que ha dissidencia de id&eacute;as politicas
+nas terras do sul, porque em verdade ellas pensam de modo differente do
+que aqui se quer, por forma alguma, por&eacute;m, semelhante
+diversidade de pensar deve ser denominada independencia, por que ha
+grande differen&ccedil;a entre uma e outra cousa&raquo;.<br />
+
+<br />
+
+A escravatura no reino americano, prosegue, n&atilde;o &eacute;
+ass&aacute;s numerosa comparativamente
+aos brancos para gerar temor de se reproduzir ahi a tragedia de S.
+Domingos. Na Bahia, que cont&eacute;m a maior
+popula&ccedil;&atilde;o negra, ha um escravo para tres homens
+livres e em outras partes a propor&ccedil;&atilde;o
+varia de um para cinco e oito. Se em al&eacute;m-mar ninguem teme a
+gente servil, n&atilde;o ha raz&atilde;o para o Reino se
+despojar de seus soldados com o fim de a conter. O facto, continua, de
+reinar em Pernambuco harmonia entre o chefe militar e a
+administra&ccedil;&atilde;o civil quando por toda a parte
+subsiste entre elles discordia persuade que a
+institui&ccedil;&atilde;o, presuppondo nos que exercem esses
+cargos qualidades excepcionaes, se n&atilde;o accommoda
+&aacute; indole commum dos homens. No Par&aacute; a junta geria
+os negocios publicos a contento geral e sem conflicto entre os seus
+membros ou com outras auctoridades, quando &aacute; chegada de
+Moura os horisontes politicos se turvaram. Este general invade a cada
+passo attribui&ccedil;&otilde;es alheias e menoscaba o poder
+provincial.<br />
+
+<br />
+
+Aceita, pois, o projecto na parte que subordina o exercito ao governo
+local mas n&atilde;o admitte que o commandante da for&ccedil;a
+armada fa&ccedil;a parte, por direito, da junta, supposto tenha
+voto nos negocios do seu ministerio. O mandato d'aquelles
+administradores vigorando por dous
+<span class="pagenum">[375]</span>
+annos e sendo sem prazo a
+commiss&atilde;o militar, os eleitos do povo ficariam de alguma
+f&oacute;rma na dependencia do chefe das tropas, por causa do
+receio que, finda a sua miss&atilde;o, o collega militar que
+continuava no poder, os molestasse ou os n&atilde;o servisse.
+Propunha, rematou, que os commandantes votassem nas materias de sua
+jurisdic&ccedil;&atilde;o discutidas pela junta mas que
+n&atilde;o fossem membros natos d'ella.<br />
+
+<br />
+
+Os levianos t&ecirc;m sempre alguma cousa que dizer, e por isso
+Miranda, o mais leviano dos homens, galgou a tribuna com desempeno. Era
+um d'esses espiritos singulares que n&atilde;o vendo
+sen&atilde;o o reverso da realidade, proporcionari&atilde;o a
+estadista sagaz modo seguro de se recommendar ao louvor da historia:
+n&atilde;o teria mais que seguir a direc&ccedil;&atilde;o
+opposta &aacute; apontada por
+elles. Come&ccedil;a por affirmar que os deputados da America se
+cansavam em v&atilde;o por illudir o Congresso com os protestos de
+n&atilde;o haver no Brasil partidarios da independencia, e insinua
+que surprehenderam a boa f&eacute; dos portugueses que collaboraram
+no parecer. N&atilde;o o intimidam as fac&ccedil;&otilde;es
+do
+reino americano incapazes de resistencia &aacute;s armas da
+metropole, no presupposto do poder executivo obrar com vigor, tanto
+mais que, dominado em geral de sympathia ao Congresso, o Brasil acolhe
+com alegria os regimentos europeus. Apesar, por&eacute;m, de sua
+confian&ccedil;a na fidelidade dos povos de al&eacute;m-mar,
+rec&ecirc;ando adoptem as juntas a maneira de pensar do governo do
+Rio, reprova a proposta.<br />
+
+<br />
+
+Melindrado com a imputa&ccedil;&atilde;o de perfidia irrogada
+aos representantes americanos, Antonio Carlos apenas Miranda acabara de
+fallar, exigiu do offensor desaffronta. Presidia a assembl&eacute;a
+<span class="pagenum"><a name="p376">[376]</a></span>
+Gouv&ecirc;a
+Dur&atilde;o, circunspecto e conciliador, e que at&eacute; ha
+pouco se n&atilde;o mostrara hostil aos
+ultramarinos. Os negocios, por&eacute;m, haviam inflammado os
+animos a termos de se tornar suspeito ao patriotismo lusitano quem
+procedia sem injusti&ccedil;a para com os irm&atilde;os mais
+novos. O presidente n&atilde;o descortinou, por isso, injuria nas
+palavras do compatriota, allegando que se exprimira genericamente.
+Antonio Carlos <a href="#e117">retrucou</a> com
+escandalo da assembl&eacute;a:
+&laquo;Eu pela minha parte digo com toda a franqueza que a minha
+opini&atilde;o ser&aacute; sempre o da minha provincia; se o
+Brasil quiser a separa&ccedil;&atilde;o e independencia julgo
+dever religioso
+para mim adoptar o que elle seguir&raquo;.<br />
+
+<br />
+
+Uns suspeitavam, outros estavam certos de que a revolta de D. Pedro
+contra as Côrtes, tendia a desbaratar o regimen. <a href="#e118">Entre</a> estes figurava Fernandes Thomaz<sup><a href="#Z470">[470]</a></sup>. Parece, pois,
+que os reaccionarios, os corcundas como lhes chamavam os regeneradores,
+deviam esfor&ccedil;ar-se por enfraquecer a authoridade do poder
+legislativo no Brasil. Os corcundas, por&eacute;m, eram
+portugu&ecirc;ses e os portugu&ecirc;ses queriam maiormente
+manter sob o jugo do Reino o ultramar. Havia, contudo,
+differen&ccedil;a entre os liberaes e conservadores nas referencias
+aos brasileiros: aquelles molestavam com frequencia os
+irm&atilde;os mais novos, e os ultimos na defesa da preeminencia da
+m&atilde;i patria se n&atilde;o serviam de termos aggressivos.
+N&atilde;o havia corcunda mais corcunda que o bar&atilde;o de
+Mollelos, e no entanto o projecto em discuss&atilde;o
+n&atilde;o teve nunca adversario mais antigo nem mais tenaz. Aos
+seus argumentos perfilhados agora pelos
+<span class="pagenum">[377]</span>
+corypheus da
+revolu&ccedil;&atilde;o, ajuntou na presente sess&atilde;o
+uma considera&ccedil;&atilde;o nova. Declarou
+que o segredo das opera&ccedil;&otilde;es militares
+constituindo um dos elementos do exito dellas, subordinado o commando
+das armas &aacute;s juntas, corria risco de ser divulgado com
+antecipa&ccedil;&atilde;o o
+movimento das tropas e quaesquer planos de estrategia.<br />
+
+<br />
+
+Barata fez um longo discurso, desordenado e violento, mas que
+certamente colheu applausos na patria indignada com a metropole. O
+exordio evoca o seu primeiro contacto com a
+representa&ccedil;&atilde;o
+nacional em 17 de dezembro. Lembra que em consequencia das Bases
+declararem obrigatorias para o Brasil as
+disposi&ccedil;&otilde;es constitucionaes approvadas por seus
+mandatarios, propusera ent&atilde;o que se n&atilde;o
+discutisse o pacto social na ausencia dos americanos. N&atilde;o o
+quiseram attender, allegando que com representarem os deputados a
+na&ccedil;&atilde;o, assistia a maioria, fosse constituida de
+europeus ou ultramarinos, o direito de legislar para qualquer parte da
+monarchia sem dependencia dos seus mandatarios directos. Como
+extranhasse semelhante comprehens&atilde;o do Direito Publico e
+insistisse no seu requerimento, o presidente, de accordo com os
+regeneradores, protestou que, finda a carta constitucional, se trataria
+de organizar o novo reino a aprazimento dos brasileiros.<br />
+
+<br />
+
+Este come&ccedil;o rigorosamente verdadeiro, pois que se estribava
+nas actas do parlamento, devia magoar os constituintes, que, na
+effervescencia das paix&otilde;es, n&atilde;o houvessem perdido
+o sentimento da honra. Infelizmente Barata, ou por temperamento ou
+porque os brasileiros falavam agora mais para os patricios distantes do
+que para as Côrtes,
+<span class="pagenum"><a name="p378">[378]</a></span>
+surdas &aacute;s suas vozes, trocou esse terreno solido pelo
+vago das generalidades. &Eacute; todavia, interessante o seu
+discurso. Combatido o projecto segundo o pensamento dominante da
+bancada americana, disse que os ultramarinos formando minoria
+n&atilde;o tinham esperan&ccedil;a de triumphar nas
+decis&otilde;es legislativas. &laquo;Mas que successo pode ter
+o meu discurso, quando os illustres membros s&atilde;o mais de cem,
+e nos brasileiros trinta ou quarenta, que, <em>&aacute;
+excep&ccedil;&atilde;o de poucos, os mais s&atilde;o taes e
+quaes e nada valem</em>. (Alguns deputados gritam &aacute;
+ordem! e o orador continuou). Falo com os meus amigos e companheiros,
+n&atilde;o offendo a ninguem, estou na ordem&raquo;.<br />
+
+<br />
+
+Talvez na esperan&ccedil;a de que as demasias do bahiano irritassem
+os compatriotas a termos de crear dissidencia avultada na
+deputa&ccedil;&atilde;o da
+America, os portugu&ecirc;ses, em reconhecendo que elle se dirigia
+aos compatricios, n&atilde;o mais o interromperam. Barata, que
+formava singular conceito da amizade, pois, entendia que os amigos eram
+feitos para ouvir impertinencias, acaso por descobrir a manobra,
+n&atilde;o proseguiu na digress&atilde;o inflammavel
+e voltou ao assumpto com <a href="#e119">vigor</a>.
+O empenho de desfazer nos lusitanos a
+apprehens&atilde;o do desmembramento da monarchia em ordem a
+alcan&ccedil;ar a sujei&ccedil;&atilde;o das armas
+&aacute;s juntas, induziu Barata a encarecer o amor da integridade
+nacional. &laquo;O Brasil n&atilde;o se quer separar de
+Portugal, desde que os seus deputados aqui chegaram, t&eacute;m
+procurado a uni&atilde;o: eu mesmo tenho falado sempre com a maior
+sinceridade e enthusiasmo; mas o Congresso &eacute; incredulo; pois
+eu affirmo que Portugal se n&atilde;o ha de separar do Brasil, <em>por
+que o Brasil n&atilde;o quer; o
+Brasil ha de lan&ccedil;ar-lhe arp&eacute;us com que o ha de
+unir e
+<span class="pagenum">[379]</span>
+prender a si</em>; e ainda
+haver&aacute; quem diga que o
+Brasil aspira &aacute; desuni&atilde;o?&raquo;<br />
+
+<br />
+
+Semelhante linguagem quando os acontecimentos do novo reino o
+arrastavam para a independencia, n&atilde;o exprimia o pensamento
+do liberal mais exaltado da bancada ultramarina. Nem Antonio Carlos,
+Lino Coutinho, Moniz Tavares, Alencar, nenhum dos mais ardentes da
+deputa&ccedil;&atilde;o se expressaria nesses termos, mais
+proprios de reinol fanatico. A falta, por&eacute;m, &eacute;
+venial, por
+n&atilde;o envolver perfidia. Barata anciava por alliviar a patria
+de Medeira e n&atilde;o cuidava de
+promover a independencia, dando &aacute; junta a
+disposi&ccedil;&atilde;o da for&ccedil;a armada.<br />
+
+<br />
+
+Encerrou o debate Fernandes Thomaz. Ninguem ignorava a sua
+opini&atilde;o sobre o negocio. Quando os regeneradores propendiam
+a sanccionar o parecer, o astuto constituinte que o n&atilde;o
+approvava, recommendou o adiamento a titulo de se aguardarem novas
+informa&ccedil;&otilde;es mas na realidade
+esperan&ccedil;ado de recrescerem occorrencias capazes de modificar
+a disposi&ccedil;&atilde;o da
+assembl&eacute;a. Ainda desta vez n&atilde;o falhou a sua
+sagacidade. O liberal que fizera a revolu&ccedil;&atilde;o em
+sua patria, negava peremptoriamente aos da America o direito de se
+governarem a seu gosto, e baseado na intelligencia cavillosa da
+formula,&#8213;os deputados representam a
+na&ccedil;&atilde;o,&#8213;descoberta por elle, alcan&ccedil;ara
+annullar a deputa&ccedil;&atilde;o
+da America e entregar a sorte do Brasil aos europeus. O propugnador
+mais habil e mais tenaz da dependencia do Brasil para com o Reino
+combateu o artigo com brevidade. Sujeito o governo militar
+&aacute;s juntas, disse, ser&aacute; mist&eacute;r mandar
+com o decreto navios que tragam as tropas lusitanas destacadas no
+ultramar. Se n&atilde;o houvera mais que
+<span class="pagenum">[380]</span>
+essa considera&ccedil;&atilde;o
+n&atilde;o mereceria
+referencia o seu discurso; mas cont&eacute;m cousa mais grave, e
+que justifica a avers&atilde;o dos brasileiros aos militares do
+Reino. Acredita, advertiu, n&atilde;o haver official deste lado do
+Atlantico que se submetta &aacute;s juntas provinciaes. Moura
+falara no mesmo sentido, attenuando, por&eacute;m, com artificios
+de linguagem o que poderia haver no conceito de offensivo ao amor
+proprio dos brasileiros e n&atilde;o com a nudez brutal da
+philaucia metropolitana do revolucionario. A allus&atilde;o a esse
+sentimento estupido, desacompanhada de censura, era sanccionar a
+arrogancia aggressiva desses soldados, da qual se queixavam os povos do
+Brasil. N&atilde;o bastava esse commum sentir da officialidade
+europeia para que um prudente estadista a desviasse do Brasil? Rematou
+o seu discurso alvitrando se n&atilde;o alterasse com medidas
+provisorias o que devia ser corrigido definitivamente pela carta
+constitucional. &laquo;Est&aacute; para se acabar a
+constitui&ccedil;&atilde;o com a sua
+addi&ccedil;&atilde;o para o Brasil: diz-se aos
+brasileiros: aqui est&aacute; o pacto social, se o quereis, muito
+bem; se n&atilde;o, tratai da vossa vida, que n&oacute;s
+trataremos da nossa&raquo;.<br />
+
+<br />
+
+Enganar-se-ia, por&eacute;m, quem o julgasse inclinado a reger o
+ultramar pela persuas&atilde;o. Mais bem informado da miseria
+financeira da patria do que Miranda, Gyr&atilde;o, Borges Carneiro
+e outros sabia perfeitamente que a situa&ccedil;&atilde;o do
+erario n&atilde;o comportava expedi&ccedil;&otilde;es
+militares
+ass&aacute;s importantes para serem efficazes, e por isso cuidou de
+estimular o clero, o commercio e os capitalistas com exemplos de
+civismo, colhidos na historia nacional, a proporcionarem recursos ao
+governo. O clero, o commercio e os argentarios, que assistiram
+impassiveis &aacute;s difficuldades e angustias
+<span class="pagenum"><a name="p381">[381]</a></span>
+do Thesouro por
+occasi&atilde;o de se enviarem a Bahia seiscentas
+pra&ccedil;as, n&atilde;o acudiram
+&aacute; suggest&atilde;o, persuadidos talvez da inanidade dos
+sacrificios. O artigo foi rejeitado, e n&atilde;o sabemos quaes os
+brasileiros, se os houve, que acompanharam a maioria, por
+n&atilde;o ter sido nominal a vota&ccedil;&atilde;o.<br />
+
+<br />
+
+Com o intuito de desembara&ccedil;ar a Bahia de Madeira, Alencar,
+propôs em seguida se removessem para outras provincias os
+commandantes em conflicto com as juntas. O congresso suffocou o negocio
+reservando a discuss&atilde;o para a segunda leitura do
+requerimento<sup><a href="#Z471">[471]</a></sup>.<br />
+
+<br />
+
+Em testemunho de sua politica energica, publicaram-se no dia immediato
+os decretos declarando temporaria a permanencia de D. Pedro no
+ultramar, mandando processar as autoridades de S. Paulo e annullando o
+acto do governo do Rio, que convocara os procuradores das provincias
+brasileiras<sup><a href="#Z472">[472]</a></sup>.
+<br />
+
+<br />
+
+<br />
+
+<br />
+
+<h3><a name="c20"></a>CAPITULO XX</h3>
+
+<br />
+
+<div class="intro1">SUMMARIO:<br />
+
+<br />
+
+<em>Os novos artigos addicionaes.&#8213;Indifferen&ccedil;a
+dos brasileiros.&#8213;Os portugu&ecirc;ses querem mais de uma
+delega&ccedil;&atilde;o no Brasil.&#8213;Guerreiro.&#8213;Voto manhoso do
+Congresso.&#8213;Jos&eacute; da Costa Cirne presta juramento.&#8213;Padre
+Virginio Rodrigues Campello.&#8213;Manuel Felix De V&eacute;ras,
+deputado do Sert&atilde;o de Pernambuco.&#8213;A
+representa&ccedil;&atilde;o do Rio Grande do
+Norte.&#8213;Montenegro.&#8213;Resolu&ccedil;&otilde;es hostis contra o
+Brasil.&#8213;Proclama&ccedil;&atilde;o.</em></div>
+
+<br />
+
+<br />
+
+<br />
+
+Os brasileiros eminentes que haviam formulado o parecer de 17 de junho,
+condemnado com violencia, <a href="#e120">pela</a>
+maioria,
+abstiveram-se quasi unanimemente de collaborar no novo projecto,
+convencidos de que nenhum outro plano de governo do Brasil satisfaria
+esses povos, ou molestados com os doestos nascidos do calor do debate.
+O brando Fernandes Pinheiro, aggravado com as injurias de Moura,
+sollicitou com lagrimas na voz, excusa da commiss&atilde;o<sup><a href="#Z473">[473]</a></sup>. Regeitaram-lh'a,
+<span class="pagenum">[383]</span>
+mas o sensivel deputado n&atilde;o se determinou a
+trabalhar nella, no que o imitaram Antonio Carlos, Lino Coutinho e
+Araujo Lima. Ou porque assignasse o primeiro relatorio mais por
+comprazer a estes do que por convic&ccedil;&atilde;o
+espontanea<sup><a href="#Z474">[474]</a></sup>.
+ou porque a sua dependencia do governo
+portugu&ecirc;s, em raz&atilde;o de leccionar na escola de
+Marinha de Lisboa o obrigasse &aacute; deferencia para com as
+Côrtes, Villela Barbosa foi o unico dos signatarios do
+projecto repellido, que se conformou com a ordem do Congresso
+&aacute; commiss&atilde;o para apresentar outro trabalho.
+N&atilde;o enxergue o leitor em nossa conjectura o intento de
+desluzir o caracter do eximio lente de geometria. Sobejam nos annaes
+das côrtes provas de solidariedade estreita do fluminense com
+os collegas mais estrenuos na def&ecirc;sa da causa do Brasil e
+exemplos de altivez e patriotismo.<br />
+
+<br />
+
+Para o demonstrar basta lembrar que antes de soar com estrepito no
+Congresso o clamor da America contra o famigerado decreto sobre a
+organisa&ccedil;&atilde;o dos governos ultramarinos, o futuro
+marqu&ecirc;s de Paranagu&aacute; o verberara com vehemencia
+nunca excedida, desvendando os intuitos de
+recoloniza&ccedil;&atilde;o que n'elle se escondiam<sup><a href="#Z475">[475]</a></sup>. O
+emprego publico podia leval-o a certas atten&ccedil;&otilde;es
+para com o governo e o parlamento, mas por causa d'elle n&atilde;o
+comprometteu j&aacute;mais a sua honra ou as conveniencias
+sacrosantas da patria. Por eloquente e subtil orador que
+fôsse o interesse, Villela Barbosa tinha a intelligencia
+ass&aacute;s vasta
+<span class="pagenum">[384]</span>
+para lhe alcan&ccedil;ar os sophismas e o
+cora&ccedil;&atilde;o ass&aacute;s puro para resistir
+&aacute; sua seduc&ccedil;&atilde;o.
+Al&eacute;m de Villela subscreveram o novo plano o fluminense
+Martins Basto, o desembargador Belford, do Maranh&atilde;o, e
+Fortunato Ramos do Espirito Santo, os quaes se n&atilde;o
+hombreavam com aquelle em facundia e illustra&ccedil;&atilde;o,
+n&atilde;o haviam patenteado
+desfallecimentos no exercicio do mandato. Fortunato Ramos e Belford,
+mais que Martins Basto<sup><a href="#Z476">[476]</a></sup>
+tinham invariavelmente seguido nas
+vota&ccedil;&otilde;es os
+principaes da bancada brasileira. N&atilde;o eram, pois, homens
+desestimados desta como o bispo do Par&aacute; e Beckman, que
+preferiam submetter as suas provincias, Par&aacute; e
+Maranh&atilde;o, ao governo da metropole &aacute; regencia do
+Rio; quaes os bahianos Pinto da Fran&ccedil;a e Bandeira, que por
+leviandade ou servilismo assignaram sem reserva o projecto commercial
+tendente a tolher o trato da Europa com a antiga colonia, e como o
+alagoano grangeiro, signatario do parecer que condemnava
+Jos&eacute; Bonifacio e outros defensores da dignidade e interesses
+da patria. A despeito de n&atilde;o condemnarem em todas as suas
+partes o novo projecto e do apre&ccedil;o em que tinham os seus
+auctores, as figuras primaciaes da representa&ccedil;&atilde;o
+ultramarina n&atilde;o tomaram parte na discuss&atilde;o, salvo
+Antonio Carlos, o mais pugnaz dos americanos, persuadidos de que a
+sorte do Brasil n&atilde;o dependia mais das Côrtes. De
+feito j&aacute; corria voz que o regente chamara os representantes
+do Brasil em assembl&eacute;a legislativa e que Pernambuco com o
+enthusiasmo tradicional com que
+<span class="pagenum"><a name="p385">[385]</a></span>
+servia
+as id&eacute;as liberaes, adherira ao movimento do Rio e expedira
+emissarios ao Norte para propugnarem a boa causa. Os deputados
+pernambucanos que, reconhecidas as preven&ccedil;&otilde;es das
+Côrtes contra a antiga colonia, come&ccedil;avam a faltar
+&aacute;s
+sess&otilde;es, e deixaram absolutamente de as frequentar depois do
+voto de 22 de julho no sentido de permanecer o commando das armas
+independente das juntas, nem agora, que se ia discutir projecto de
+t&atilde;o alta importancia para o ultramar, julgaram conveniente
+quebrar o proposito.<br />
+
+<br />
+
+Mais <a href="#e121">de um</a> deputado
+portugu&ecirc;s perfilhava tambem a
+id&eacute;a de que as Côrtes j&aacute;
+n&atilde;o governavam o Brasil. Gyr&atilde;o propôs o
+adiamento do debate, grandemente desconsolado com o estado economico da
+patria por n&atilde;o comportar expedi&ccedil;&atilde;o de
+dez mil homens armados de
+&laquo;syllogismos de a&ccedil;o&raquo; a fim de convencer
+os de al&eacute;m-mar de que os parentes os n&atilde;o
+intentavam reduzir a colonos<sup><a href="#Z477">[477]</a></sup>;
+e o abbade de Medr&otilde;es
+ponderou que s&oacute; uma esquadra os reconduziria &aacute;
+obediencia e que a acompanharia de bom grado. Antonio Carlos redargiu
+ao caritativo religioso que essa armada n&atilde;o podia ter
+capell&atilde;o mais digno. O Congresso, por&eacute;m,
+entendendo que se n&atilde;o devia desinteressar da antiga colonia
+emquanto houvesse algumas provincias fieis, encetou a
+discuss&atilde;o.<br />
+
+<br />
+
+A assembl&eacute;a ao repellir os primeiros artigos addicionaes,
+determinara que o novo projecto estabeleceria uma ou mais
+delega&ccedil;&otilde;es, investidas em authoridade collectiva
+ou singular, mas nunca
+<span class="pagenum">[386]</span>
+no successor da corôa ou em
+qualquer membro da familia real.<br />
+
+<br />
+
+A commiss&atilde;o, preoccupada com assegurar a integridade do
+reino ultramarino, propôz a
+crea&ccedil;&atilde;o de um s&oacute; centro do poder
+executivo com o titulo de regencia. Compori&atilde;o a regencia
+sete membros nomeados pelo monarcha entre as pessoas que as provincias
+lhe houvessem indigitado; porque cada provincia no acto de eleger a
+junta, escolheria tambem o seu candidato para o governo supremo. Os
+regentes designari&atilde;o um dos collegas para dirigir os seus
+trabalhos assim como o vice-presidente, e seri&atilde;o assistidos
+de tres secretarios de estado tirados por el-rei da lista proposta pela
+regencia. A cargo dos secretarios ficari&atilde;o os negocios
+ecclesiasticos e da justi&ccedil;a, do reino e da fazenda, e os da
+marinha e da guerra.<br />
+
+<br />
+
+Todos esses funccionarios responderi&atilde;o de seus actos perante
+o governo da metropole. Era vedado &aacute;
+delega&ccedil;&atilde;o: preencher os
+arcebispados e bispados; prover os cargos do Supremo Tribunal e os
+postos elevados do exercito desde tenente general, praticar actos de
+politica externa e conceder titulos honorificos<sup><a href="#Z478">[478]</a></sup>.<br />
+
+<br />
+
+Os portugu&ecirc;ses n&atilde;o quiseram saber de uma unica
+regencia com o fundamento de n&atilde;o satisfazer os intuitos da
+delega&ccedil;&atilde;o. Esta fora admittida a fim de facilitar
+aos habitantes do ultramar a interposi&ccedil;&atilde;o de
+recursos para a authoridade suprema; ora um s&oacute; representante
+del-rei, embora com s&eacute;de no ponto mais central do paiz, em
+virtude da extens&atilde;o do territorio e das difficuldades
+<span class="pagenum">[387]</span>
+de communica&ccedil;&atilde;o, n&atilde;o
+approveitaria aos povos distantes. A bem da commodidade geral devia
+haver ao menos dous centros do poder executivo, um no Rio com
+jurisdic&ccedil;&atilde;o sobre as provincias austraes e outro
+talvez na Bahia para as provincias do centro e do norte<sup><a href="#Z479">[479]</a></sup>. Alguns
+propunham al&eacute;m das duas regencias, que o Brasil
+septentrional desde o cabo S. Roque se tornasse sujeito a Portugal<sup><a href="#Z480">[480]</a></sup>.<br />
+
+<br />
+
+Do estabelecimento de dous governos n&atilde;o resultaria, ao seu
+parecer, a mutila&ccedil;&atilde;o do
+Brasil, porque ambos emanavam da mesma fonte, enfeixavam-se no poder
+executivo. De mais, &laquo;se desligamos de Portugal esse centro do
+poder executivo, n&atilde;o o havemos de desligar no Brasil para o
+bem dos seus habitantes?&raquo;<br />
+
+<br />
+
+Era Serpa Machado, quem assim se exprimia. N&atilde;o &eacute;
+possivel precisar at&eacute; que ponto
+lhe interessavam as vantagens dos brasileiros mas se n&atilde;o
+pode contestar que o desmembramento da delega&ccedil;&atilde;o
+n&atilde;o divergia na essencia de
+conceito seu expresso precedentemente. Confessara elle em 29 de junho
+n&atilde;o haver meio mais apropriado ao enfraquecimento do Brasil
+perante as Côrtes, que lhe dar tantas regencias quantas eram
+as capitanias.<br />
+
+<br />
+
+Os brasileiros contradiziam semelhante modo de ver por se
+n&atilde;o conformar com a vontade do reino americano manifestado
+em cartas, em jornaes e sobretudo nas
+representa&ccedil;&otilde;es das juntas e
+<span class="pagenum"><a name="p388">[388]</a></span>
+das municipalidades<sup><a href="#Z481">[481]</a></sup>.
+Sobre as conveniencias particulares prevalece o
+interesse supremo, que &eacute; manter um unico agente do poder
+executivo, a fim de evitar conflictos de
+jurisdic&ccedil;&atilde;o e de
+assegurar a unidade do commando das for&ccedil;as brasileiras, sem
+a qual se compromette a def&ecirc;sa contra o extrangeiro e a
+reduc&ccedil;&atilde;o das revoltas domesticas. De feito no
+caso de duas regencias, as tropas de uma n&atilde;o passam
+&aacute;
+disposi&ccedil;&atilde;o da outra sem consentimento daquella, e
+como n&atilde;o est&aacute; na natureza dar cousas que a
+authoridade se enfraque&ccedil;a
+scientemente, ao governo solicitado se deparar&aacute; pretexto
+para n&atilde;o servir ao visinho, tanto mais que lhe &eacute;
+licito adduzir a necessidade de se acautelar contra o contagio da
+insurrei&ccedil;&atilde;o ou contra a surpr&ecirc;sa do
+inimigo. Para obviar a este <a href="#e122">inconveniente</a>,
+tornar-se-&aacute;
+mister supprir as delega&ccedil;&otilde;es com exercitos
+ass&aacute;z fortes.
+Gravar-se-h&atilde;o, por&eacute;m, deste modo as
+finan&ccedil;as do novo reino, e n&atilde;o ser&aacute; o
+unico augmento da
+desp&ecirc;sa que gerar&aacute; a dualidade do governo.
+Convir&aacute; em verdade, que em cada regencia se achem todos os
+recursos administrativos e judiciarios e n&atilde;o ha
+raz&atilde;o para que se negue a uma o que se dispensa a outra.<br />
+
+<br />
+
+Muito devia affligir a esses lidadores incomparaveis que, estimulados
+sen&atilde;o esclarecidos por Jos&eacute; Bonifacio, reputavam
+o elemento essencial da importancia futura do Brasil a sua integridade
+territorial, a attitude extranha do bispo do Par&aacute; e Beckman,
+os quaes haviam manifestado anteriormente o desejo de sujeitar as suas
+respectivas provincias a Portugal de preferencia ao governo
+<span class="pagenum">[389]</span>
+do novo reino. D.
+Romualdo parece, todavia, ter abandonado aquelle alvitre, porque
+propugnava agora a crea&ccedil;&atilde;o no Brasil de duas
+delega&ccedil;&otilde;es por assim o querer a sua provincia.
+Antonio Carlos advertiu-lhe com acerto que confundia
+administra&ccedil;&atilde;o com governo. Devia haver tantas
+administra&ccedil;&otilde;es locaes quantas as
+provincias, mas todas subordinadas a um s&oacute; poder supremo a
+bem da ordem e indivisibilidade do Brasil.<br />
+
+<br />
+
+Havendo os povos do reino americano formulado a sua vontade nesse
+sentido, n&atilde;o era licito aos seus mandatarios affastarem-se
+della. Se por acaso, por&eacute;m, alguma provincia se recusava a
+submetter &aacute; regencia para ficar na dependencia de Lisboa,
+devia declaral-o sem rebu&ccedil;o. &laquo;Se o Par&aacute;
+quer ser desmembrado do Brasil, diga-o claro&raquo;. O cearense
+Castro e Silva come&ccedil;a por invocar contra o bom do prelado o
+Evangelho: &laquo;todo o
+reino
+dividido ser&aacute; assolado. Nem o bispo do Par&aacute; nem
+qualquer representante americano, prosegue, podem aceitar duas
+delega&ccedil;&otilde;es sem trahirem o mandato, porque os
+deputados do Brasil n&atilde;o trouxeram poderes para a
+mutila&ccedil;&atilde;o da patria. A
+separa&ccedil;&atilde;o de qualquer provincia, vista a
+gravidade extrema do acto, exige express&atilde;o da vontade muito
+positiva daquella que se intenta desligar das irmans&raquo;<sup><a href="#Z482">[482]</a></sup>.<br />
+
+<br />
+
+Dos portugu&ecirc;ses nenhum interveiu no debate com vistas mais
+elevadas nem com mais isen&ccedil;&atilde;o de animo que
+Guerreiro. A bem do engrandecimento futuro da antiga colonia, ponderou,
+devemos promover o sentimento da nacionalidade, o
+<span class="pagenum">[390]</span>
+qual por assim
+dizer ainda n&atilde;o existe ahi, t&atilde;o dominante se
+revela o espirito provincial, e para o conseguir n&atilde;o ha
+expediente mais apropriado que submetter aquellas partes a um
+s&oacute; agente do poder executivo. D'ahi promanar&atilde;o
+sem duvida inconvenientes aos povos que n&atilde;o puderem appellar
+para a auctoridade central sem viagens longas e penosas. O interesse,
+por&eacute;m, attenuar&aacute; grande parte do mal com a
+abertura prompta de boas vias de communica&ccedil;&atilde;o, e
+o que ainda restar de m&aacute;u, liberalmente resgata-o a
+uni&atilde;o e a solidariedade das provincias, sem o que o Brasil
+j&aacute;mais ser&aacute; na&ccedil;&atilde;o
+poderosa. Demais, aquelles povos querem viver debaixo de uma
+s&oacute; regencia, como revelam tantos testemunhos. Mas emquanto a
+s&eacute;de da delega&ccedil;&atilde;o se
+n&atilde;o transfere do Rio para ponto mais central, parece que
+Par&aacute; e Maranh&atilde;o affeitos a recorreram aos
+tribunaes de Portugal, devem-se manter dependentes da antiga
+metropole<sup><a href="#Z483">[483]</a></sup>.<br />
+
+<br />
+
+Com assignalar que o bairrismo provincial preponderava a termos de
+n&atilde;o consentir que vingasse o espirito nacional, Guerreiro
+reconhecia um phenomeno social plenamente averiguado e confirmado pela
+historia<sup><a href="#Z484">[484]</a></sup>.
+De feito esta n&atilde;o mostra a solidariedade das
+provincias nem at&eacute; perante as incurs&otilde;es
+extrangeiras. Repellia-as o ponto aggredido, ajudado das
+regi&otilde;es limitrophes levadas do instincto de
+conserva&ccedil;&atilde;o e
+n&atilde;o de qualquer sentimento de unidade politica. O magnifico
+enthusiasmo que provocou a guerra do Paraguay
+<span class="pagenum"><a name="p391">[391]</a></span>
+attrahindo das terras menos expostas
+&aacute;s violencias do inimigo &aacute;s fronteiras do sul
+numerosos voluntarios, &eacute; um facto sem precedente nas guerras
+holland&ecirc;sas e nas invas&otilde;es francesas. O espirito
+nacional acordava agora sob o impulso de Jos&eacute; Bonifacio,
+cuja fama incontestada de sabio e de patriota sem m&aacute;cula,
+dava a sua palavra uma auctoridade tal que ninguem j&aacute;mais a
+possuiu t&atilde;o grande no Brasil.<br />
+
+<br />
+
+O parecer de Guerreiro lograria certamente conciliar as
+opini&otilde;es se, n&atilde;o fôra o
+facho de esperan&ccedil;a, <a href="#e123">acceso</a>
+por Madeira, de
+trazer a Bahia submettida a Portugal e talvez todo o norte. Com uma
+unica delega&ccedil;&atilde;o, comprehensiva da Bahia, cessava
+virtualmente o poder do energico cabo e por conseguinte Portugal vinha
+a perder o apoio mais solido, que, consoante as apparencias, lhe
+restava no novo reino. Se bem n&atilde;o soasse nos debates o nome
+do official portugu&ecirc;s, n&atilde;o escapou a maioria esse
+temeroso effeito da proposta e por isso a rejeitou absolutamente.
+Approvou o Congresso houvesse no Brasil uma
+delega&ccedil;&atilde;o do poder executivo confiada a regencia
+collectiva mas que della <em>pudessem</em>
+ficar independentes algumas provincias e subordinadas ao governo de
+Lisboa.<br />
+
+<br />
+
+Era um voto manhoso. Parecia significar que as terras tinham a
+faculdade de optar pela delega&ccedil;&atilde;o ou pelo governo
+de Lisboa, e a maioria manifestava desse modo respeito &aacute;
+vontade dos povos com o que tingia de justi&ccedil;a o seu gesto.
+N&atilde;o era esse, contudo, o pensamento real da
+regenera&ccedil;&atilde;o. Aceitava, ou melhor, tolerava a
+auctoridade substabelecida apenas nas provincias do sul; todas as mais
+partes que intentassem render preito e homenagem ao governo do Rio,
+considerava-as
+<span class="pagenum"><a name="p392">[392]</a></span>
+rebeldes e, por isso, sujeitas &aacute;
+repress&atilde;o do Reino<sup><a href="#Z485">[485]</a></sup>.
+N&atilde;o proferira, ainda a
+ultima palavra a astucia mais de saloio que de estadista. No caso,
+por&eacute;m, de desbarato de Madeira e de reconhecerem a Bahia,
+Par&aacute; e Maranh&atilde;o a regencia do sul, os
+regeneradores, na impotencia de reagir, dari&atilde;o ao texto
+constitucional a unica interpreta&ccedil;&atilde;o compativel
+com a lettra delle, para
+cohonestarem a sua fraqueza com a observancia da lei fundamental.<br />
+
+<br />
+
+Os brasileiros se n&atilde;o deixaram embahir, e declararam
+n&atilde;o aceitar para todas as provincias outra authoridade que o
+delegado do soberano. Seguiram-nos Guerreiro e mais doze
+portugu&ecirc;ses D. Romualdo, Beckman, e o padre Domingos da
+Concei&ccedil;&atilde;o e Borges Leal, representantes do
+Piauhy, votaram com a maioria<sup><a href="#Z486">[486]</a></sup>.<br />
+
+<br />
+
+O projecto, como deixamos dito, determinava o rei escolher os membros
+da regencia entre os nomes propostos pelo povo. N&atilde;o se
+contrariava com tal disposi&ccedil;&atilde;o o systhema
+constitucional, ponderavam os defensores da proposta, porquanto
+j&aacute; o governo tirava certos funccionarios da lista formada
+pelo conselho de estado vindo indirectamente da
+elei&ccedil;&atilde;o popular,
+porquanto o nomeava a representa&ccedil;&atilde;o nacional.<br />
+
+<br />
+
+Certamente, proseguiam, se houvesse em al&eacute;m-mar
+assembl&eacute;a legislativa, a
+commiss&atilde;o n&atilde;o cogitaria de coarctar desse modo a
+liberdade do soberano. Mas sem aquella guarda dos interesses
+brasileiros, n&atilde;o havia <a href="#e124">outro</a>
+meio de assegurar as
+<span class="pagenum"><a name="p393">[393]</a></span>
+conveniencias da
+administra&ccedil;&atilde;o nem de resguardar os povos de
+vexa&ccedil;&otilde;es e abusos que confiar delles a
+indica&ccedil;&atilde;o dos que os deviam governar. Adoptada,
+al&eacute;m d'isso, a providencia, os ultramarinos responsaveis da
+nomea&ccedil;&atilde;o, se n&atilde;o
+podiam queixar sen&atilde;o de si mesmos, e n&atilde;o de
+Portugal, de sorte que se supprimiria poderosa causa de
+descontentamento contra a m&atilde;e patria.<br />
+
+<br />
+
+A maioria n&atilde;o concordava. N&atilde;o era licito,
+advertia, tirar ao poder executivo que escolhia livremente os seus
+auxiliares a liberdade de eleger aquelles que mais que nenhuns outros
+eram delegados immediatos do monarcha. O conselho de estado propunha ao
+rei magistrados mas esses n&atilde;o representando o poder
+executivo e sim o poder judiciario, n&atilde;o colhia o argumento
+por analogia. N&atilde;o se deviam temer irregularidades ou
+descommedimentos da regencia, porque a imprensa, livre e independente,
+n&atilde;o deixaria de clamar contra o m&aacute;u uso das
+func&ccedil;&otilde;es
+governativas e, demais, o Congresso de Lisboa, onde havia deputados da
+America, fiscalizaria com efficacia o governo do Brasil.<br />
+
+<br />
+
+Em virtude do respeito religioso que os regeneradores mostravam
+tributar &aacute;s maximas de Direito Publico j&aacute;
+n&atilde;o era licito esperar a
+sanc&ccedil;&atilde;o de um projecto que fazia a
+delega&ccedil;&atilde;o do poder executivo dependente do
+escrutinio popular. Ou porque o sentissem ou porque se interessassem
+cada menos pela discuss&atilde;o nas Côrtes dos negocios
+da patria, os americanos defenderam essa parte da proposta ainda mais
+frouxamente que a primeira. Venceu por formidavel maioria que os
+membros da regencia seri&atilde;o nomeados pelo rei, ouvido o
+conselho de estado, e approvaram-se todas as outras
+<a href="#e125">clausulas</a> da
+proposi&ccedil;&atilde;o de somenos
+<span class="pagenum">[394]</span>
+importancia com pequenas
+modifica&ccedil;&otilde;es<sup><a href="#Z487">[487]</a></sup>.<br />
+
+<br />
+
+Revia-se a constitui&ccedil;&atilde;o e em breve se procederia
+&aacute; sua assignatura. Importava que a subscrevessem os
+importunos americanos para n&atilde;o mais repisarem que se haviam
+resolvido os negocios de al&eacute;m-mar sem a presen&ccedil;a
+delles. As
+Côrtes, por alvitre de Borges Carneiro, entenderam completar
+as deputa&ccedil;&otilde;es ultramarinas com os substitutos que
+se achassem em Lisboa e ordenou &aacute; commiss&atilde;o de
+poderes apontasse os brasileiros em condi&ccedil;&otilde;es de
+occupar as cadeiras vazias pela ausencia sem excusa dos proprietarios.
+N&atilde;o havia mais que o padre Jos&eacute; da Costa Cirne<sup><a href="#Z488">[488]</a></sup>
+supplente da representa&ccedil;&atilde;o de Parahyba. Chegara
+ao Reino em fevereiro com Monteiro da Franca, mas lhe n&atilde;o
+deram posse por haver
+informa&ccedil;&atilde;o que o dr. Arruda Camara e o vigario
+Rodrigues Campello, deputados proprietarios, estabelecidos no interior
+da provincia n&atilde;o tardari&atilde;o em
+partir<sup><a href="#Z489">[489]</a></sup>.
+Desde, por&eacute;m, de abril n&atilde;o mais houve
+noticia d'elles. Bem avisado andou o Congresso com investir Cirne do
+mandato aos 15 de julho, pois Arruda Camara j&aacute;mais
+compareceu nem enviou diploma julgando inutil sen&atilde;o ridicula
+a sua presen&ccedil;a em conselho que n&atilde;o attendia aos
+votos da patria; e o padre Virginio Rodrigues Campello, desembarcado em
+Lisboa no m&ecirc;ado
+<span class="pagenum">[395]</span>
+de Agosto, nunca se apresentou nas
+Côrtes a despeito de sollicitado com instancia<sup><a href="#Z490">[490]</a></sup>, por
+n&atilde;o jurar o pacto social que n&atilde;o convinha ao
+reino ultramarino.<br />
+
+<br />
+
+Aos 16 de agosto prestou juramento Manuel Felix De Veras, representante
+do interior de Pernambuco. Para accelerar a
+elei&ccedil;&atilde;o Luiz do Rego determinara considerar
+provincia distincta a vasta comarca do Sert&atilde;o; e em 6 de
+dezembro na villa de Garunhuns o povo designou seus deputados em
+côrtes Theodoro Cordeiro e o vigario Seraphim de Souza
+Pereira e supplente Manuel Felix De Veras<sup><a href="#Z491">[491]</a></sup>.
+N&atilde;o se ouviu
+mais fallar de Theodoro Cordeiro, que nem apresentou o seu diploma, e o
+vigario falleceu antes de verificados os seus poderes.<br />
+
+<br />
+
+Amazonas, que nesse tempo era a capitania de S. Jos&eacute; do Rio
+Negro dependente do Gr&atilde;o Par&aacute;, elegeu a 14 de
+janeiro de 1822 na Barra de Nossa Senhora da
+Concei&ccedil;&atilde;o de
+Man&aacute;us procurador Jos&eacute; Cavalcanti de Albuquerque
+e substituto Jo&atilde;o Lopes da Cunha. Aos 29 de agosto tomou
+posse o substituto com a condi&ccedil;&atilde;o de se retirar
+em comparecendo o deputado proprietario<sup><a href="#Z492">[492]</a></sup>.<br />
+
+<br />
+
+Se os constituintes portugu&ecirc;ses se n&atilde;o conformaram
+com a ausencia acintosa dos mandatarios de Minas, comprehende-se quanto
+se irritari&atilde;o com a attitude da
+representa&ccedil;&atilde;o do Rio Grande e do Norte. A pequena
+provincia nomeara a 8 de
+<span class="pagenum">[396]</span>
+dezembro deputados
+Affonso de Albuquerque Maranh&atilde;o e Antonio de Albuquerque
+Montenegro e substituto Gon&ccedil;alo Borges de Andrade. O
+primeiro e o supplente n&atilde;o vieram ao Reino mas Montenegro
+que cogitara de entrar no Congresso, pois apenas desembarcado em Lisboa
+lhe submetteu o diploma, mudou de resolu&ccedil;&atilde;o em
+conhecendo as disposi&ccedil;&otilde;es dos regeneradores para
+com o reino ultramarino e n&atilde;o acudiu &aacute;s ordens da
+assembl&eacute;a para vir occupar a sua cadeira<sup><a href="#Z493">[493]</a></sup>.<br />
+
+<br />
+
+A attitude do padre Campello e de Albuquerque Montenegro Moura honra
+sobremaneira a energia e patriotismo desses modestos deputados que
+passam no fundo da Historia. De feito succediam-se nas Côrtes
+a breves intervallos medidas contra o ultramar. Acabavam ellas de
+auctorizar um emprestimo de quatro mil contos para consolidar a divida
+fluctuante e cust&ecirc;ar empr&ecirc;sas militares contra a
+America. &laquo;Todos sabem, dizia a commiss&atilde;o de
+fazenda, que a posi&ccedil;&atilde;o
+de Portugal &aacute;cerca das provincias ultramarinas &eacute;
+violenta e exige sacrificios extraordinarios&raquo;<sup><a href="#Z494">[494]</a></sup>. Seguiu-lhe
+disposi&ccedil;&atilde;o mais temerosa. O governo
+alcan&ccedil;ara finalmente a faculdade de transportar para onde
+lhe conviesse os tres mil e seiscentos voluntarios reaes em
+servi&ccedil;o na Banda Oriental a pretexto de resguardar as tropas
+mais aguerridas da monarchia da dissolu&ccedil;&atilde;o pela
+indisciplina. Os brasileiros concordavam com a providencia, tanto mais
+que bastavam para conter a ordem em Montevideu os regimentos de S.
+Paulo e do Rio
+<span class="pagenum"><a name="p397">[397]</a></span>
+Grande, com a clausula, por&eacute;m, da divis&atilde;o
+portugu&ecirc;sa volver a Europa, onde poderia ajudar a Hespanha a
+defender as institui&ccedil;&otilde;es liberaes
+amea&ccedil;adas pela reac&ccedil;&atilde;o estribada nos
+batalh&otilde;es de Luiz XVIII alinhados amea&ccedil;adoramente
+nos Pyreneus. Os portugu&ecirc;ses recusaram-se a indicar o destino
+ulterior dos voluntarios reaes a titulo de competir a materia ao poder
+executivo, gritaram, todavia, com tal vehemencia contra o Brasil que
+n&atilde;o era licito duvidar da applica&ccedil;&atilde;o
+daquelle corpo. Comprehendeu-o Antonio Carlos, e advertiu nobremente
+que a lealdade e a raz&atilde;o n&atilde;o consentiam
+declara&ccedil;&atilde;o de guerra ao reino
+americano sem pr&eacute;viamente serem excluidos das
+Côrtes os seus deputados<sup><a href="#Z495">[495]</a></sup>.<br />
+
+<br />
+
+Antes de se iniciar esta discuss&atilde;o, o Congresso que
+n&atilde;o abandonava o v&ecirc;so de alternar a brandura com a
+violencia n&atilde;o descobrindo o que fazer para acalentar os
+brasileiros, deu-lhes palavras sonoras na
+proclama&ccedil;&atilde;o de 17 de agosto. N&atilde;o
+passa, com effeito, de declama&ccedil;&atilde;o
+onde as falsidades e os sophismas se acotovelam em tropel. Com desprezo
+raramente egualado em documentos officiaes ha assertos d'estes.
+&laquo;As Côrtes n&atilde;o pretendem sustentar a
+uni&atilde;o de Portugal com o Brasil pelas armas&raquo;...
+&laquo;Os vossos
+representantes cooperam com actividade e sabedoria para se fazerem na
+Constitui&ccedil;&atilde;o aquellas
+addi&ccedil;&otilde;es compativeis com a unidade do poder e do
+Imperio e que tiverem por fim immediato a geral
+utilidade&raquo;<sup><a href="#Z496">[496]</a></sup>.
+<br />
+
+<br />
+
+<br />
+
+<br />
+
+<h3><a name="c21"></a>CAPITULO XXI</h3>
+
+<br />
+
+<div class="intro1">SUMMARIO:<br />
+
+<br />
+
+<em>Os paulistas querem deixar as Côrtes.&#8213;A
+commiss&atilde;o de constitui&ccedil;&atilde;o estabelece o
+criterio da adhes&atilde;o do Brasil &aacute; politica da
+Regencia.&#8213;Os bahianos querem sair do
+Congresso.&#8213;Declara&ccedil;&atilde;o de Fernandes Pinheiro e
+Castro e Silva&#8213;Projecto de Miranda.&#8213;Emenda de Xavier
+Monteiro.&#8213;Muitos brasileiros querem differir o juramento da
+Constitui&ccedil;&atilde;o.&#8213;A assignatura da
+Constitui&ccedil;&atilde;o.&#8213;Partida dos
+paulistas.&#8213;Côrtes ordinarias.</em> </div>
+
+<br />
+
+<br />
+
+<br />
+
+Os successos que se desdobravam no Rio e a persuas&atilde;o de que
+a voz do Brasil j&aacute;mais seria attendida dos europeus,
+agu&ccedil;avam mais e mais nos paulistas o desejo de deixarem as
+Côrtes. Rejeitados os primeiros artigos addicionaes, esse
+empenho assumira em Antonio Carlos a f&oacute;rma de
+obsess&atilde;o. Os portugu&ecirc;ses, todavia, lhe
+n&atilde;o prestavam atten&ccedil;&atilde;o, crendo
+porventura que o grande orador ainda d'esta vez n&atilde;o
+sa&iacute;ria com o intento, como acontecia habitualmente; porque
+<a href="#e126">quando</a> o magoavam os debates,
+tinha o
+v&ecirc;zo de protestar n&atilde;o mais comparecer
+&aacute;s
+sess&otilde;es, mas arrastado da indole batalhadora mudava
+<span class="pagenum">[399]</span>
+promptamente de
+resolu&ccedil;&atilde;o. Os proprios
+regeneradores proporcionaram-lhe mon&ccedil;&atilde;o de
+expôr o seu designio com firm&ecirc;za de animo.
+Discutindo-se a proposta de Xavier Monteiro no sentido de excluir da
+deputa&ccedil;&atilde;o permanente os procuradores das
+provincias ultramarinas em revolta contra o poder legislativo, um
+deputado ponderou que antes de tratar o Congresso de semelhante materia
+devia lan&ccedil;ar de seu seio os representantes d'aquelles
+povos<sup><a href="#Z497">[497]</a></sup>.
+Approvou o paulista, e juntamente com Fernandes Pinheiro,
+Costa Aguiar e Bueno requereu se declarassem nullas as
+deputa&ccedil;&otilde;es das provincias partidarias de D.
+Pedro<sup><a href="#Z498">[498]</a></sup>.
+Consultada a commiss&atilde;o de
+constitui&ccedil;&atilde;o
+repelliu a proposta allegando n&atilde;o haver prova de pactuar a
+popula&ccedil;&atilde;o do novo reino com o governo do Rio na
+desobediencia &aacute; legislatura de Portugal. Em breve,
+por&eacute;m, se reconheceri&atilde;o os sentimentos do
+ultramar, pois que impendiam as elei&ccedil;&otilde;es
+decretadas concorrentemente pela regencia do Rio e pelo poder executivo
+da antiga metropole. As provincias ultramarinas que ent&atilde;o
+mandassem deputados &aacute; assembl&eacute;a brasileira,
+significavam adhes&atilde;o a D. Pedro e cassavam virtualmente o
+mandato dos seus representantes no Congresso portugu&ecirc;s, de
+sorte que estes regularmente deixariam de pertencer &aacute;
+assembl&eacute;a de Lisboa<sup><a href="#Z499">[499]</a></sup>.<br />
+
+<br />
+
+Salvo Xavier Monteiro, os portugu&ecirc;ses interpretando os factos
+e documentos ao sabor de
+<span class="pagenum">[400]</span>
+seus affectos e conveniencias,
+entendiam &aacute; uma voz que D. Pedro n&atilde;o exprimia o
+espirito publico e que os povos inflingiri&atilde;o formidavel
+derrota ao seu ministerio n&atilde;o se fazendo representar no
+parlamento brasileiro mas sim nas Côrtes do Reino. A indole
+portugu&ecirc;sa, onde a sensibilidade e o amor proprio dominam a
+reflex&atilde;o e a analyse nos negocios da collectividade, nunca
+se manifestara com egual rel&ecirc;vo. Borges Carneiro baseado em
+carta particular que affirmava rejeitarem os fluminenses a
+assembl&eacute;a, declarou com seguran&ccedil;a: O partido do
+principe n&atilde;o tem
+importancia alguma; mandem-se militares e almirantes n&atilde;o
+affei&ccedil;oados ao pa&ccedil;o e com elles
+uma al&ccedil;ada para o exercicio da justi&ccedil;a que se
+restaurara promptamente o respeito aos poderes publicos de Portugal<sup><a href="#Z500">[500]</a></sup>.<br />
+
+<br />
+
+Diziam-se essas cousas quando j&aacute; haviam soado no Congresso
+informa&ccedil;&otilde;es officiaes do enthusiasmo com que os
+povos acolhiam as
+resolu&ccedil;&otilde;es do governo do Rio. Pernambuco, que
+andava hesitante, adheria sem reserva &aacute; regencia<sup><a href="#Z501">[501]</a></sup>; Madeira
+communicava que as villas mais importantes da Bahia successivamente
+prestavam homenagem ao principe<sup><a href="#Z502">[502]</a></sup>,
+e desconfiado da propria cidade
+enchia de patrulhas o pa&ccedil;o municipal para que os vereadores
+n&atilde;o affirmassem solidariedade com os compatriotas do sul<sup><a href="#Z503">[503]</a></sup>.
+Seguro da opini&atilde;o publica, D. Pedro affrontava
+<span class="pagenum">[401]</span>
+resolutamente as
+Côrtes. Depois de lhes chamar <em>facciosas</em>,
+<em>horrorosas</em> e
+<em>pestiferas</em>, escreve ao pai: &laquo;O Brasil
+ama a V. M., reconhece-o e sempre o reconhecer&aacute; como seu
+rei; foi sectario das malditas Côrtes por
+desgra&ccedil;a, ou felicidade (problema difficil de se decidir);
+hoje n&atilde;o s&oacute; as abomina e
+detesta mas n&atilde;o lhes obedece nem obedecer&aacute; mais,
+nem eu consentiria tal, o que n&atilde;o &eacute;
+preciso, porque de todo n&atilde;o querem sen&atilde;o leis de
+sua assembl&eacute;a constituinte e legislativa, creada por sua
+livre vontade para lhes fazer uma
+constitui&ccedil;&atilde;o, que os felicite <em>in
+eternum</em> se
+fôr possivel&raquo;<sup><a href="#Z504">[504]</a></sup>.<br />
+
+<br />
+
+O debate tomou duas sess&otilde;es, e dos brasileiros
+n&atilde;o oraram mais que Villela Barbosa Antonio Carlos e Borges
+Leal. Aquelle entendia que excepto a hypothese de
+declara&ccedil;&atilde;o formal dos povos recusando fazer parte
+do Congresso de Lisboa, n&atilde;o deviam os constituintes europeus
+eliminar do seu gremio os representantes de alem-mar. Se com esse
+conceito se recommendava a benevolencia dos portugu&ecirc;ses, o
+illustre fluminense revelou em seguida que a n&atilde;o procurava,
+e colheu applausos dos brasileiros com dizer que excluidos das
+Côrtes os mandatarios das terras reputadas dissidentes, devia
+o poder legislativo consagrar a independencia dellas. &laquo;Os
+povos n&atilde;o s&atilde;o rebanhos de ovelhas, continuou,
+cuja propriedade perten&ccedil;a a alguem. O Brasil tem
+t&atilde;o livre a sua vontade e tanto direito de a manifestar como
+tem e teve Portugal no famoso dia 24, em que se separou do Brasil. Que
+se diria se ent&atilde;o este, n&atilde;o annuindo ao novo
+systhema
+<span class="pagenum"><a name="p402">[402]</a></span>
+aqui proclamado, como podia
+n&atilde;o querer <a href="#e127">annuir</a>,
+pretendesse obrigar
+Portugal a permanecer unido contra a sua vontade? Seria o procedimento
+mais iniquo, e de certo Portugal resistiria com toda a
+justi&ccedil;a&raquo;<sup><a href="#Z505">[505]</a></sup>.<br />
+
+<br />
+
+Antonio Carlos discorreu magistralmente. Na primeira sess&atilde;o,
+ponderou a necessidade de ausentarem os americanos das
+Côrtes, onde assistiam impotentes &aacute;
+decreta&ccedil;&atilde;o de medidas contra a
+patria.<br />
+
+<br />
+
+Dahi resultavam remoques e doestos reciprocos que azedavam a
+discuss&atilde;o e compromettiam a integridade da monarchia.
+&laquo;Julgava, pois, que uma pausa a tantos combates seria
+vantajosa &aacute; uni&atilde;o que devemos querer, ainda que
+ora pare&ccedil;a o contrario; julgava que era conforme mesmo ao
+melindre dos senhores deputados do Brasil e &aacute; delicadeza dos
+senhores deputados de Portugal adoptar esta pausa&raquo;.
+Precederam estas palavras outras egualmente dignas de
+transcrip&ccedil;&atilde;o
+por indicarem que o desejo, tantas vezes manifestado de deixar o
+Congresso, n&atilde;o tinha outra causa que a sua sensibilidade
+apurada. &laquo;Ha um n&atilde;o sei que de inexprimivelmente
+doloroso na sensa&ccedil;&atilde;o que em n&oacute;s produz
+a vista dos
+deputados do Brasil luctando com a indisposi&ccedil;&atilde;o
+do povo portugu&ecirc;s, insultados, injuriados, e n&atilde;o
+podendo mesmo &aacute; custa de tanto vilipendio salvar a patria
+afflicta. &Eacute; preciso que esteja morto de todo o sentimento da
+dignidade da patria que os viu nascer para poderem supportar
+t&atilde;o grandes choques, e t&atilde;o grandes
+tormentos&raquo;<sup><a href="#Z506">[506]</a></sup>.
+Na reuni&atilde;o
+<span class="pagenum">[403]</span>
+immediata combateu os que concordando com a rebeldia de D. Pedro,
+contestavam, contudo, que os povos approvassem os actos do governo do
+Rio. Havia, considerou, um facto ass&aacute;s expressivo da
+absoluta unidade politica do regente com os seus administrados, e eram
+os transportes de alegria com que os povos por toda a parte,
+at&eacute; na Bahia, acclamavam defensor perpetuo do Brasil o
+principe que se levantava contra o poder legislativo da
+na&ccedil;&atilde;o<sup><a href="#Z507">[507]</a></sup>.<br />
+
+<br />
+
+Tomada de optimismo invencivel, a maioria approvou o parecer da
+commiss&atilde;o com o additamento de se n&atilde;o
+considerarem desmembradas da monarchia as provincias que, em
+raz&atilde;o da dissidencia com a metropole, viessem a perder a
+representa&ccedil;&atilde;o na assembl&eacute;a do
+Reino<sup><a href="#Z508">[508]</a></sup>.
+Infelizmente se n&atilde;o encerrou o debate sem uma
+deser&ccedil;&atilde;o vergonhosa da bancada brasileira. Borges
+Leal deputado do Piauhy disse que, visto o juramento de obdiencia
+&aacute;s
+Côrtes prestado pelos seus conterraneos, s&oacute; sairia
+do Congresso por determina&ccedil;&atilde;o deste.<br />
+
+<br />
+
+Reviam-se os derradeiros artigos da constitui&ccedil;&atilde;o,
+e &aacute; medida que se approximava o momento dos deputados a
+sanccionarem com o seu nome, crescia o malestar na bancada. O astuto
+Feij&oacute;, que desde julho s&oacute; apparecia no Congresso
+quando ahi se discutiam propostas dos compatriotas ao ultramar,
+impetrou em 2 de setembro licen&ccedil;a para regressar
+&aacute; patria em busca de allivio aos seus soffrimentos<sup><a href="#Z509">[509]</a></sup>. Na
+sess&atilde;o
+<span class="pagenum"><a name="p404">[404]</a></span>
+seguinte Barata, a
+proposito de um protesto da verea&ccedil;&atilde;o da capital
+bahiana contra os soldados de Madeira, declarou terminantemente que em
+raz&atilde;o da guerra de Portugal contra o Brasil, os deputados
+daquella provincia n&atilde;o podiam continuar nas
+Côrtes<sup><a href="#Z510">[510]</a></sup>.
+Poucos dias eram passados, que os bahianos em
+p&ecirc;so pela voz de Lino Coutinho requeriam a sua
+exclus&atilde;o das Côrtes e que, no caso de
+indeferimento, os dispensassem de jurar a
+constitui&ccedil;&atilde;o. Fundamentavam a
+peti&ccedil;&atilde;o com uma
+representa&ccedil;&atilde;o da Bahia firmada por mais de mil e
+quatrocentos cidad&atilde;os contra a politica de
+recoloniza&ccedil;&atilde;o do Brasil seguida pelo parlamento e
+applaudiam as resolu&ccedil;&otilde;es do
+ministerio do Rio. Como o Congresso acabava de regeitar a
+mo&ccedil;&atilde;o dos de S. Paulo com o pretexto de estar D.
+Pedro, e n&atilde;o o povo de alem-mar, em conflicto com os poderes
+publicos de Portugal, e provando aquelle documento a perfeita
+concordancia da regencia com os seus administrados, ao parecer dos
+bahianos, n&atilde;o podia a assembl&eacute;a os conservar em
+seu seio, pois que a rebeldia dos committentes contra a legislatura
+revogava virtualmente o mandato para a
+representa&ccedil;&atilde;o nacional<sup><a href="#Z511">[511]</a></sup>.
+Ainda a
+commiss&atilde;o n&atilde;o formulara juizo acerca da
+resolu&ccedil;&atilde;o dos bahianos que Fernandes Pinheiro e
+Castro e Silva, do Cear&aacute;, perfilharam a id&ecirc;a com
+argumentos ponderosos. Declararam
+<a href="#e128">categoricamente</a> que
+n&atilde;o assignari&atilde;o a carta
+constitucional repellida do reino americano. O Brasil proclamara D.
+Pedro seu defensor perpetuo e na Constitui&ccedil;&atilde;o
+elle n&atilde;o
+<span class="pagenum"><a name="p405">[405]</a></span>
+passa de delegado temporario e amovivel.
+No pacto social negaram-se Côrtes a outra parte da monarchia
+a despeito de pedidas pelos deputados ultramarinos, e agora
+l&aacute; se vai installar assembl&eacute;a constituinte. Se
+aceitassem, por conseguinte, a constitui&ccedil;&atilde;o,
+iri&atilde;o contra os votos dos seus constituintes,
+faltari&atilde;o ao mandato. Castro e Silva expressou-se com
+energia. Enumeradas as queixas do ultramar contra as Côrtes,
+concluiu que n&atilde;o juraria a carta constitucional
+sen&atilde;o for&ccedil;ado mas que nesse caso o seu acto
+n&atilde;o obrigaria aos seus commitentes.<br />
+
+<br />
+
+Persistia inalteravel a illus&atilde;o dos portugu&ecirc;ses
+Ferreira Borges e Miranda declararam que havi&atilde;o sido
+precipitados os auctores da proposta: em S. Paulo j&aacute; se
+desencadeava a
+rea&ccedil;&atilde;o contra a <a href="#e130">politica</a>
+de Jos&eacute; Bonifacio. Fernandes
+Pinheiro, n&atilde;o sem compaix&atilde;o por esses estadistas,
+assignalou a facilidade com que acolhiam noticias agradaveis embora
+emanadas de desconhecidos<sup><a href="#Z512">[512]</a></sup>.<br />
+
+<br />
+
+Carlos Costa Aguiar, Ant&oacute;nio Carlos e Bueno subscreveram na
+sess&atilde;o seguinte a
+declara&ccedil;&atilde;o de Fernandes Pinheiro<sup><a href="#Z513">[513]</a></sup>. Nesse mesmo
+dia chegava &aacute;s Côrtes nova
+participa&ccedil;&atilde;o
+de Feij&oacute;. Se n&atilde;o fôra o estado de
+saude, dizia, iria &aacute; assembl&eacute;a apoiar
+o parecer dos conterraneos, e que a sua consciencia lhe n&atilde;o
+permittindo jurar a
+constitui&ccedil;&atilde;o, s&oacute; o faria
+&laquo;obrigado, violentado e arrastado&raquo;<sup><a href="#Z514">[514]</a></sup>.<br />
+
+<br />
+
+A commiss&atilde;o de constitui&ccedil;&atilde;o condemnou
+um e outro pedido, allegando n&atilde;o admittir outra
+<span class="pagenum"><a name="p406">[406]</a></span>
+prova da rebeldia
+dos povos que a nomea&ccedil;&atilde;o de deputados para as
+Côrtes convocadas na America. Foi-lhe facil contestar que
+exprimisse a vontade de uma provincia o manifesto de 1:400
+cidad&atilde;os, tanto mais que fallecia ao documento a
+condi&ccedil;&atilde;o elementar da authenticidade: o
+reconhecimento das assignaturas por tabelli&atilde;o. Os
+fundamentos, por&eacute;m, da declara&ccedil;&atilde;o de
+Fernandes
+Pinheiro, offereciam resistencia invencivel. N&atilde;o os podendo
+combater com a raz&atilde;o, recorreu ao sophisma mais
+transparente. Proclamou que os ultramarinos por haverem sido regeitados
+os seus projectos, n&atilde;o tinham mais direito de n&atilde;o
+jurar a
+constitui&ccedil;&atilde;o do que quaesquer deputados vencidos
+na discuss&atilde;o,<sup><a href="#Z515">[515]</a></sup>
+como se a resolu&ccedil;&atilde;o
+dos povos de fazer vingar aquelles projectos n&atilde;o tornasse
+descabida a analogia.<br />
+
+<br />
+
+Antes de se discutirem esses relatorios, o parlamento teve de se
+occupar de um parecer da mesma commiss&atilde;o, provocado por
+Miranda, que julgava urgente pôrem as Côrtes cobro
+&aacute;
+insolencia e rebeldia crescentes do Regente.<br />
+
+<br />
+
+A commiss&atilde;o <a href="#e131">que
+n&atilde;o</a> podia aconselhar
+expedi&ccedil;&atilde;o de
+tropas pela miseria do erario,
+tentou lan&ccedil;ar por terra o ministerio do Rio e intimidar a D.
+Pedro com papeis. Propôs a
+annulla&ccedil;&atilde;o do acto de 3 de junho que reunia
+côrtes no reino ultramarino, a responsabilidade dos
+secretarios de estado, a cessa&ccedil;&atilde;o immediata da
+regencia e a volta &aacute; Europa do Principe no termo de quatro
+m&ecirc;ses sob pena de perder o direito &aacute;
+corôa. Declarava mais criminosa a obediencia voluntaria de
+qualquer auctoridade ao governo
+<span class="pagenum"><a name="p407">[407]</a></span>
+do Rei e traidor o commandante de
+for&ccedil;as de terra ou de mar ao seu servi&ccedil;o<sup><a href="#Z516">[516]</a></sup>.
+Alguns
+portugu&ecirc;ses<sup><a href="#Z517">[517]</a></sup>
+apoiados dos brasileiros julgavam inutil um
+parecer, cujas conclus&otilde;es notificavam &aacute;s
+auctoridades e povos de al&eacute;m-mar cousas
+sabidas de que teri&atilde;o conhecimento com a carta
+constitucional prestes a ser promulgada. A nullidade fulminada
+&aacute; provis&atilde;o do ministerio do Rio que chamava em
+conselho os procuradores das provincias, persuadindo aos ultramarinos
+que devia incorrer na mesma censura o decreto creador de
+côrtes no Brasil, os demoveria de nomearem representantes
+para a assembl&eacute;a sem necessidade de novo aviso, Se os
+secretarios da regencia por aquella resolu&ccedil;&atilde;o se
+tornavam passiveis de penas, deviam prever ao menos egual
+sanc&ccedil;&atilde;o para o ultimo acto, evidentemente mais
+grave. Determinando-se em julho que, publicada a lei <a href="#e132">fundamental</a>
+cessari&atilde;o as
+attribui&ccedil;&otilde;es de D. Pedro, n&atilde;o se fazia
+mist&eacute;r revocal-o ao Reino; mas se porventura elle se
+obstinasse em permanecer no ultramar, ali estava a
+constitui&ccedil;&atilde;o
+que lhe punia a desobediencia com a perda do direito de succeder na
+corôa, para o coagir a volver &aacute; patria.<br />
+
+<br />
+
+Para que, pois, multiplicar providencias que n&atilde;o avigoravam
+as que existiam? Na verdade se havia duvida acerca da
+aceita&ccedil;&atilde;o do pacto social pela America, era
+licita maior hesita&ccedil;&atilde;o a
+respeito dos novos alvitres propostos pela commiss&atilde;o.
+<br />
+
+<br />
+
+<span class="pagenum">[408]</span>
+Os proceres da regenera&ccedil;&atilde;o replicaram que encarar
+a proposta sob esse aspecto era reduzir-lhe a importancia a termos de a
+annullar. N&atilde;o visava o projecto expôr o juizo do
+congresso acerca de certas decis&otilde;es da regencia
+sen&atilde;o
+desbaratar a propria regencia, que com exercer auctoridade delegada por
+el-rei illudia a uns e entibiava em todos a resistencia contra os seus
+actos revolucionarios. Proclamada a
+insubordina&ccedil;&atilde;o de D. Pedro e cassado o seu
+mandato, removiam-se escrupulos e incertezas. Os officiaes de terra e
+de mar desertari&atilde;o a causa do rebelde; n&atilde;o poucas
+juntas e os povos unidos pelo amor da integridade da monarchia e do
+regimen constitucional assoberbari&atilde;o os facciosos e
+turbulentos, ali&aacute;s activos, porque contavam com a
+cumplicidade do governo do Rio. &laquo;Estou persuadido, bradou
+Miranda, que apenas este decreto chegar ao seu destino, o governo do
+principe acabou n'um instante&raquo;<sup><a href="#Z518">[518]</a></sup>.<br />
+
+<br />
+
+Parece que os brasileiros que j&aacute; nada esperavam do Congresso
+sen&atilde;o licen&ccedil;a para se irem embora e que conheciam
+a inefficacia das
+resolu&ccedil;&otilde;es legislativas contra o Brasil,
+n&atilde;o se deviam apaixonar por essa quest&atilde;o.<br />
+
+<br />
+
+Assim, todavia, n&atilde;o succedeu; bateram-se com o vigor com que
+impugnaram a expedi&ccedil;&atilde;o militar contra a Bahia.
+N&atilde;o acreditavam no regresso do principe, temiam,
+por&eacute;m, que os seus adversarios no Brasil com a proposta
+creassem novas for&ccedil;as. &Eacute; a
+preoccupa&ccedil;&atilde;o que os afflige, supposto se mostre
+de passagem e accessoriamente em seus discursos. Os paulistas, os
+bahianos,
+<span class="pagenum">[409]</span>
+os cearenses e o fluminense
+Villela Barbosa oraram com intelligencia e denodo. Costa Aguiar e
+Antonio Carlos mal convalescido, que deixara a cama pela tribuna,
+declararam que apesar das injurias e amea&ccedil;as
+formulari&atilde;o o seu juizo sobre o negocio. Come&ccedil;am
+os brasileiros por affirmar que, a despeito dos assertos dos
+regeneradores, estavam convencidos da installa&ccedil;&atilde;o
+de
+assembl&eacute;a constituinte no Brasil em virtude do clamor dos
+povos pela convoca&ccedil;&atilde;o de côrtes
+brasileiras. Desfeita por conseguinte a unidade da legislatura,
+n&atilde;o subsistiria outro vinculo que a
+sujei&ccedil;&atilde;o dos dous reinos ao mesmo poder
+executivo. Ora, o projecto tendia a desatar esse la&ccedil;o com
+chamar &aacute; Europa D. Pedro. No caso d'elle vir, os
+ultramarinos proclamari&atilde;o a independencia,
+rec&ecirc;osos de que as Côrtes os privavam do seu
+protector, para tornarem effectiva a
+recoloniza&ccedil;&atilde;o do reino americano. O principe,
+por&eacute;m, certamente n&atilde;o accudiria ao appello.
+Acclamado defensor perpetuo do Brasil e aceitando com jubilo o encargo,
+n&atilde;o faltaria ao compromisso para com gentes que &aacute;
+porfia lhe testemunhavam amor e dedica&ccedil;&atilde;o, para
+volver a patria, cujos
+representantes no parlamento o qualificavam de ignorante, malcreado e
+rebelde<sup><a href="#Z519">[519]</a></sup>.
+Dahi resultaria tambem o desmembramento, em virtude de
+prever a constitui&ccedil;&atilde;o que na hypothese a
+desobediencia importava na perda do throno de Portugal. Antonio Carlos
+que punha tanta tenacidade em propugnar a uni&atilde;o quanta
+energia em protestar que seguiria os destinos da patria, fossem quaes
+fossem, mostrou-se conciliador em extremo.
+<br />
+
+<br />
+
+<span class="pagenum">[410]</span>
+&laquo;Eu queria que se fizesse sentir de uma vez claramente ao
+snr. D. Pedro de Alcantara que elle passando a convocar
+côrtes no Brasil, punha em desconfian&ccedil;a a
+na&ccedil;&atilde;o
+portugu&ecirc;sa, de que elle faz parte, e por consequente poria a
+na&ccedil;&atilde;o na dura necessidade de o n&atilde;o
+reconhecer; que se fa&ccedil;a egualmente sentir aos povos do
+Brasil as verdadeiras inten&ccedil;&otilde;es de Portugal; que
+se lhe
+d&ecirc; a entender que embora tenha havido alguns descuidos,
+porque de facto os tem havido, mas que seguramente n&atilde;o
+&eacute; inten&ccedil;&atilde;o
+de Portugal escravizar o Brasil e muito menos de o reduzir &aacute;
+miseria. Que sejamos liberaes com esse paiz, que se lhe mandem
+emissarios fornecidos de poderes ad hoc, a fim de se procurar a
+uni&atilde;o; que sejamos nobres e generosos. Se se puder conseguir
+a unidade absoluta, bem, n&atilde;o me opponho. E se se
+n&atilde;o puder conseguir, que n&atilde;o sejamos
+t&atilde;o mesquinhos que percamos tudo. Acceitemos a
+uni&atilde;o talvez unica que a natureza comporta; emquanto
+n&atilde;o estivermos nisto nada faremos; e a n&atilde;o se
+adoptar, ent&atilde;o &eacute; necessario
+usar de for&ccedil;a, declarar guerra a povos irm&atilde;os mas
+a
+declarar-se, &eacute; nobre, &eacute; generoso despedir os
+representantes d'esse paiz, porque em verdade os que tiverem brio e
+dignidade h&atilde;o-de seguir a causa d'elle&raquo;<sup><a href="#Z520">[520]</a></sup>.<br />
+
+<br />
+
+Nem outras ideias expendia jamais o honesto paulista. Os
+portugu&ecirc;ses, por&eacute;m, suspeitavam da sinceridade de
+suas palavras e levados mais da paix&atilde;o que do senso politico
+consideravam org&atilde;o do espirito publico da America
+n&atilde;o os documentos officiaes e os deputados de
+<span class="pagenum"><a name="p411">[411]</a></span>
+al&eacute;m-mar, sen&atilde;o alguns commerciantes
+s&oacute;fregos do restabelecimento do monopolio mercantil e
+officiaes partidarios da preeminencia do Reino sobre a antiga colonia
+que estanciavam ainda na America ou que se finavam de despeito na
+patria, por haverem sido enxotados de Pernambuco ou do Rio.
+N&atilde;o queriam saber de
+<a href="#e133">modera&ccedil;&atilde;o</a>
+demasiado branda na
+qualifica&ccedil;&atilde;o de seus actos. Xavier Monteiro,
+resoluto e sagaz, attribuindo o ardor com que os americanos reprovaram
+as providencias ao medo de desfallecimento em D. Pedro, entendeu
+assegurar a efficacia do projecto tornando-o mais aspero e
+propôs fosse considerada a
+convoca&ccedil;&atilde;o de Côrtes no Brasil acto de
+rebelli&atilde;o<sup><a href="#Z521">[521]</a></sup>.
+Seguiu-se debate assignalado por mais de um
+incidente. Miranda perfilhou com o enthusiasmo dos irreflectidos a
+id&eacute;a do compatriota, e desconhecendo que os ultramarinos
+n&atilde;o podiam deixar de defender o principe promotor dos
+interesses da patria e guarda de seus foros capitulou de adulador a
+Antonio Carlos. Se havia constituinte a quem n&atilde;o cabia o
+lab&eacute;o era justamente aquelle que applaudira a
+revolu&ccedil;&atilde;o de 1817 e por ella
+soffr&ecirc;ra. Rebatido por essa forma a
+increpa&ccedil;&atilde;o, o eximio paulista combateu a emenda
+por &laquo;fechar as portas do bello palacio da
+uni&atilde;o&raquo;. Barata mostrou temeridade inaudita. No
+momento nada mais sobresaltava o Reino que a imminencia do desbarato da
+constitui&ccedil;&atilde;o hespanhola pelas armas de Luiz XVIII
+ao servi&ccedil;o da Santa allian&ccedil;a, e
+n&atilde;o havia em Portugal individuos mais detestados que
+<span class="pagenum"><a name="p412">[412]</a></span>
+os brasileiros reputados capazes de
+todos os crimes contra a na&ccedil;&atilde;o. O fundador e o
+agente mais activo da confedera&ccedil;&atilde;o dos reis
+contra os povos era Francisco I da Austria, o sogro do D. Pedro.
+Exgottados os argumentos, Barata tentou aterrar o congresso,
+aconselhando-o n&atilde;o exacerbasse o principe, porque no auje da
+colera podia <a href="#e134">attrahir</a> contra o
+regimen os batalh&otilde;es
+temerosos do sogro. &Aacute; evoca&ccedil;&atilde;o dos
+exercitos reaccionarios dispersando os regeneradores, as galerias
+agitaram-se em tumulto infernal e cogitou-se de suspender a
+sess&atilde;o. Serenados por&eacute;m os animos, proseguiu o
+debate rejeitando-se afinal o additivo de Xavier Monteiro.<br />
+
+<br />
+
+O que mais irritava, contudo, os ultramarinos n&atilde;o eram os
+medidas de repress&atilde;o em si mesmas sen&atilde;o
+significarem ellas que os portugueses recusavam ao novo reino o direito
+de se constituir como lhe conviesse. A primazia, argumentavam, da
+m&atilde;i patria sobre a antiga colonia cessou com a transferencia
+da Côrte para o Brasil, tornado o centro da monarchia.
+Ent&atilde;o se havia uma parte da na&ccedil;&atilde;o
+subalternizada a outra, era a sec&ccedil;&atilde;o europeia.
+Confessaram-na os
+revolucionarios no manifesto de 15 de Dezembro. &laquo;A
+id&eacute;a do estado de colonia, s&atilde;o
+palavras textuaes, a que Portugal em realidade se achava reduzido
+affligia sobremaneira todos os cidad&atilde;os que ainda
+conservavam e pregavam o sentimento da dignidade nacional&raquo;.
+Indignado, Portugal fez a revolu&ccedil;&atilde;o de 1820
+separou-se formalmente dos outros estados da monarchia, porque
+j&aacute; o n&atilde;o governava o delegado del-rei e mudara de
+regimen, e come&ccedil;ou a se reorganizar abandonando inteiramente
+&aacute; sua sorte os irm&atilde;os mais novos. Este abandono
+n&atilde;o provinha de ter em
+<span class="pagenum"><a name="p413">[413]</a></span>
+casa bastantes cuidados para se poder
+occupar das cousas ultramarinas, era voluntario e nascia do desejo de
+n&atilde;o <a href="#e135">desgostar</a> o
+monarcha, que trazia sobre sua immediata auctoridade o novo reino. Que
+a Europa portugu&ecirc;sa estava resolvida a proseguir a liberdade
+sem dependencia dos americanos, prova-o o artigo 21 das Bases, o qual
+lhes torna obrigatoria a constitui&ccedil;&atilde;o depois
+que <a href="#e136">a
+acceitassem</a> por seus legitimos representantes. Reconhecem,
+pois, as
+Côrtes que elles s&atilde;o livres de adoptar ou
+n&atilde;o a nova
+organiza&ccedil;&atilde;o politica e at&eacute; de fazer ou
+n&atilde;o parte da mesma na&ccedil;&atilde;o. Ao passo,
+por&eacute;m, que Portugal
+calculadamente se desinteressa da America, esta, informada da
+insurrei&ccedil;&atilde;o de 24 de agosto, acclamava-o e adhere
+ao seu emprehendimento, persuadida de que a sua
+gradua&ccedil;&atilde;o, a sua riqueza e progresso, e o auxilio
+inestimavel que prestava aos <a href="#e137">portugu&ecirc;ses</a>
+da Europa
+desamparando o absolutismo, garantiam-lhe a egualdade politica mais
+perfeita com a metropole na futura organiza&ccedil;&atilde;o
+politica. Aos desenganos succederam os desenganos, e o Brasil
+reconhecendo a impotencia de seus deputados na obra da
+reconstitui&ccedil;&atilde;o social, em raz&atilde;o de
+serem as suas propostas repellidas systhematicamente pela maioria,
+chamou a si a incumbencia para o delegar em D. Pedro. O mais poderoso
+argumento contra o decreto 3 de junho era que D. Pedro convocando
+Côrtes exorbitava do mandato confiado pelo pai, pois nelle
+n&atilde;o figurava esse poder. O cearense Alencar desbaratou a
+objec&ccedil;&atilde;o e
+revelou-se dialectico de pulso e sagaz, mostrando assim aos
+portugu&ecirc;ses que tanto no sul como no centro e norte do reino
+ultramarino encontravam adversarios terriveis. &laquo;O principe,
+ponderou, n&atilde;o
+<span class="pagenum">[414]</span>
+&eacute; como supp&otilde;e a commiss&atilde;o, auctoridade
+illegitima e menos se pode dizer rigorosamente que n&atilde;o cabe
+nas suas attribui&ccedil;&otilde;es o
+convocar Côrtes, porque o poder pelo qual elle as convoca,
+n&atilde;o &eacute; aquelle que lhe delegou o seu augusto pai
+&eacute; sim aquelle de que o povo immediatamente o revestiu. Sim,
+sua Alteza Real como defensor perpetuo do Brasil, podia fazer tudo
+quanto julgasse capaz de o defender, e se julgou que as
+Côrtes eram o meio de def&ecirc;sa, podia e devia
+convocal-as, tinha para isto o mesmo poder que teve o supremo governo
+do Reino em 1820: este tinha o poder que lhe havia dado o povo de
+Portugal e Sua Alteza o poder que lhe deu o povo do
+Brasil&raquo;<sup><a href="#Z522">[522]</a></sup>.
+Os irm&atilde;os mais velhos desnorteados
+j&aacute; n&atilde;o acham no arsenal dos
+argumentos mais que o velho sabre do juramento das Bases, enferrujado e
+amalgamado. Manejam-no sem pudor. Jurando os ultramarinos a
+constitui&ccedil;&atilde;o
+que fizessem as Côrtes de Lisboa, n&atilde;o podem deixar
+de a cumprir, salvo se s&atilde;o perjuros. Villela Barbosa
+replicou que perjuravam os portugu&ecirc;ses. Na
+elabora&ccedil;&atilde;o da lei fundamental, explicou, conforme
+a propria constitui&ccedil;&atilde;o deviam ter parte europeus
+e americanos; ora como n&atilde;o foram sen&atilde;o aquelles
+que a fizeram, repellidos os votos destes, faltaram ao compromisso
+sagrado<sup><a href="#Z523">[523]</a></sup>.<br />
+
+<br />
+
+Alguns portugu&ecirc;ses impugnaram a proposta, temendo que
+occasionasse a emancipa&ccedil;&atilde;o do reino americano. O
+Congresso sanccionou-a, persuadido de que se o acto de energia
+n&atilde;o reduzisse
+<span class="pagenum">[415]</span>
+o Brasil e D. Pedro &aacute; obdiencia teria ao menos o
+merito de salvar a dignidade do Reino.<br />
+
+<br />
+
+Discutia-se ainda esse conjuncto de medidas contra o Brasil quando
+dezeseis americanos cogitaram de novo do juramento da carta
+constitucional. Ao contrario dos bahianos e paulistas, estavam
+dispostos a subscrever o pacto social mas o queriam fazer depois de
+conhecida a
+resolu&ccedil;&atilde;o dos povos ultramarinos de
+n&atilde;o terem outras côrtes que as de Portugal; e no
+caso da America annuir &aacute; convoca&ccedil;&atilde;o da
+assembl&ecirc;a no Rio, ficariam dispensados de jurar a lei
+fundamental. Se o congresso, alvitram, esperava o resultado das
+elei&ccedil;&otilde;es do novo reino para guardar ou
+despedir os seus representantes, era tambem esse o momento de decidir
+&aacute;cerca da melindrosa quest&atilde;o da assignatura.
+Subscreveram a
+peti&ccedil;&atilde;o Villela Barbosa, Allencar e Antonio
+Jos&eacute; Moreira (Cear&aacute;),
+Monteiro da Fran&ccedil;a e Costa Cirne (Parahiba), Assis Barbosa
+(Alagôas), Louren&ccedil;o Rodrigues de Andrade (Santa
+Catharina) e a deputa&ccedil;&atilde;o inteira de Pernambuco
+sem exceptuar Manoel Felix de Veras, do Sert&atilde;o<sup><a href="#Z524">[524]</a></sup>. Villela
+Barbosa fundamentou o requerimento. Justificou demoradamente o
+resentimento do Brasil com o Congresso por n&atilde;o lhe terem
+sido satisfeitas as aspira&ccedil;&otilde;es expostas
+por seus mandatarios, declarou que a attitude actual destes
+n&atilde;o decorria da susceptibilidade ferida com as derrotas nos
+escrutinios como apregoavam os de Portugal. &laquo;N&atilde;o
+&eacute; o
+nosso voto particular que respeitamos; &eacute; o voto das nossas
+provincias; s&atilde;o as suas
+representa&ccedil;&otilde;es; emfim &eacute; o receio bem
+fundado de que isto n&atilde;o
+<span class="pagenum"><a name="p416">[416]</a></span>
+seja ali aceite&raquo;. Ao concluir
+desembara&ccedil;ou o escrupulo do povo em repellir a lei firmada
+por seus procuradores, allegando que o nome do deputado na lei
+fundamental significava t&atilde;o somente o ter elle feito parte
+do congresso constituinte e n&atilde;o que a aprovava<sup><a href="#Z525">[525]</a></sup>. Votado o
+projecto de Miranda, na mesma sess&atilde;o encetou-se o exame das
+proposi&ccedil;&otilde;es dos brasileiros
+&aacute;cerca do negocio que os atormentava. Pouco se tratou do
+requerimento de Villela, reputado impraticavel &aacute; primeira
+vista. Seria em verdade extranho <a href="#e138">protrahir</a>
+a entrada em vigor do estatuto
+constitucional at&eacute; se averiguar se haveria ou n&atilde;o
+parlamento no ultramar. Os proprios signitarios da
+peti&ccedil;&atilde;o renderam-se a esta reflex&atilde;o
+judiciosa. N&atilde;o se illudiam t&atilde;o pouco a respeito
+do exito d'ella, e formulando-a n&atilde;o pensavam
+sen&atilde;o em patentear de modo solemne a sua repugnancia em
+jurar o novo pacto. Nenhum, e eram dezeseis, se levantou para a
+defender, e Allencar, o unico d'elles que interveio na
+discuss&atilde;o, instituida a respeito dos requerimentos dos
+bahianos e paulistas, cuidou d'estes e n&atilde;o da sua
+proposi&ccedil;&atilde;o.<br />
+
+<br />
+
+Os bahianos e paulistas haviam protestado n&atilde;o jurar
+expontaneamente a
+constitui&ccedil;&atilde;o. Apesar de reconhecerem os
+portugu&ecirc;ses que poucos assumptos tratados no Congresso
+egualavam a esse em gravidade, n&atilde;o discutiram a
+preten&ccedil;&atilde;o dos ultramarinos com o calor e
+arrogancia habituaes, tomados de desalento e apprehens&atilde;o
+melancolica &aacute;cerca dos negocios de al&eacute;m-mar.
+Repisaram todos a mesma argumenta&ccedil;&atilde;o. Os
+brasileiros que haviam trazido procura&ccedil;&atilde;o para
+fazer
+<span class="pagenum"><a name="p417">[417]</a></span>
+o pacto social com os irm&atilde;os
+mais velhos n&atilde;o podiam deixar de o subscrever a pretexto da
+divergencia de algumas provincias ou de terem sido vencidos na
+discuss&atilde;o. A lei essencial do regimen representativo
+sujeitava nos corpos deliberantes a minoria &aacute;s
+decis&otilde;es do maior numero, e o desaccordo de alguns povos do
+Brasil com as côrtes n&atilde;o era ass&aacute;s
+provado para se
+julgar revogado o mandato de seus representantes.<br />
+
+<br />
+
+Os brasileiros aproveitaram o debate para historiar o menoscabo com que
+os portugu&ecirc;ses acolhiam as suas propostas a respeito do novo
+reino. Ninguem excedeu na materia Lino Coutinho, que rematou o discurso
+com estas palavras: &laquo;N&oacute;s viemos fazer
+constitui&ccedil;&atilde;o que fôsse <a href="#e139">util</a> aos nossos
+constituintes que nos haviam enviado; mas quando se regulam os artigos
+mais essenciaes e peculiares &aacute;quelle continente, quando a
+parte europeia dicta os artigos addicionaes em menospre&ccedil;o
+dos que foram apresentados pela commiss&atilde;o de brasileiros
+nomeados para isso, poderemos n&oacute;s sem escrupulo assignar uma
+constitui&ccedil;&atilde;o assim feita? De certo que
+n&atilde;o. Debalde se diz que nos devemos sujeitar &aacute;s
+leis da maioria; assignando a constitui&ccedil;&atilde;o, ainda
+que tenhamos sido vencidos; mas isto ser&aacute; bem dito quando se
+trata de negocio particular em que qualquer deputado emitte seu
+parecer; mas n&atilde;o quando deputa&ccedil;&otilde;es
+inteiras do Brasil t&ecirc;m feito
+suas representa&ccedil;&otilde;es e t&ecirc;m pedido as
+cousas necessarias e uteis &aacute;s provincias a quem pertencem,
+isto &eacute; bem differente, e a lei da maioria n&atilde;o
+p&oacute;de achar aqui cabimento algum. Taes s&atilde;o os
+motivos que me obrigam a manifestar segundo o foro intimo de minha
+consciencia e segundo a caracter de bom representante, que
+n&atilde;o posso e
+<span class="pagenum"><a name="p418">[418]</a></span>
+nem
+devo assignar a presente constitui&ccedil;&atilde;o, a qual
+ainda que a meu v&ecirc;r, como homem particular, a julgue obra
+prima de
+sabedoria e liberalismo, comtudo n&atilde;o a posso julgar
+admissivel no Brasil, que, segundo o estado em que se acha, a
+n&atilde;o quer receber sem aquellas emendas e
+annota&ccedil;&otilde;es que lhe s&atilde;o
+convenientes&raquo;<sup><a href="#Z526">[526]</a></sup>.<br />
+
+<br />
+
+Nem todos os bahianos se esprimiam com essa
+determina&ccedil;&atilde;o. O delicado Borges de Barros que se
+remett&ecirc;ra ao silencio, decretada a remessa de tropas para a
+Bahia, rompeu-o agora para patentear o seu torturante escrupulo de
+consciencia: quer saber se os brasileiros <a href="#e140">faltam</a>
+ao dever e &aacute; honra, n&atilde;o jurando o <a href="#e141">pacto</a> social. O melindre era
+descabido, porque os ultramarinos
+n&atilde;o podiam approvar uma lei em desaccordo flagrante com o
+commum sentir do Brazil. Alencar vai proval-o com evidencia. Pedimos
+escusa de amortecer o movimento da narrativa com essas
+transcrip&ccedil;&otilde;es.
+N&atilde;o podemos, contudo, deixar de o fazer. As nossas palavras
+n&atilde;o dari&atilde;o j&aacute;mais
+id&eacute;a da eloquencia do illustre sacerdote cearense que embora
+chegado tarde ao Congresso, teve occasi&atilde;o de mostrar que
+hombreava com as figuras de vulto da bancada americana.<br />
+
+<br />
+
+&laquo;N&atilde;o entrarei em minuciosa
+indaga&ccedil;&atilde;o dos artigos constitucionaes
+prejudiciaes ao Brasil. N&atilde;o farei reflex&otilde;es sobre
+a injusti&ccedil;a de se lhes
+negar Côrtes peculiares para fazerem suas leis <a href="#e142">particulares</a>, sobre a forma do
+governo das provincias e nem mesmo tratarei do insulto, que se lhe fez,
+julgando-o incapaz de possuir em si a pessoa do chefe da
+na&ccedil;&atilde;o, a quem se comminou a pena
+<span class="pagenum">[419]</span>
+de perder a
+corôa se saisse do reino de Portugal: falarei t&atilde;o
+somente de um artigo constitucional, que sendo prejudicial ao Brazil,
+est&aacute; al&eacute;m disso reprovado e rejeitado
+absolutamente dos brasileiros, isto &eacute;, que o poder executivo
+do Brasil nunca recaia na pessoa do herdeiro da corôa e que
+sua Alteza Real regresse para Portugal. Ora, porque fatalidade se faria
+este artigo ao mesmo tempo que todo o Brasil obrava em sentido
+contrario, acclamando sua Alteza regente defensor prepetuo do Brasil?
+Porque fatalidade o soberano congresso, cujas
+delibera&ccedil;&otilde;es
+n&atilde;o devem chocar directamente com a vontade dos povos, havia
+de sanccionar um artigo contrario &aacute; vontade expressa e geral
+de uma t&atilde;o preponderante parte da
+na&ccedil;&atilde;o? E se o soberano Congresso assim quis
+olhar, dever&atilde;o os deputados brasileiros subscrever o acto da
+reprova&ccedil;&atilde;o e indigna&ccedil;&atilde;o dos
+seus constituintes? &Eacute;
+porventura ainda facto duvidoso que os brazileiros n&atilde;o
+querem que o principe venha para Portugal? Ha alguma
+por&ccedil;&atilde;o do Brazil que se n&atilde;o
+tenha declarado a favor delle, se exceptuarmos o Par&aacute; e o
+governo do Maranh&atilde;o, mas n&atilde;o o povo do
+Maranh&atilde;o, como j&aacute; hontem disse? A mesma Bahia,
+apesar de subjugada pelas armas europeias, n&atilde;o tem
+proclamado o principe em todas as villas do Reconcavo? Pois
+ent&atilde;o como ainda se duvida da vontade geral do Brasil? E
+&aacute; vista disso devem os deputados brasileiros assignar a
+constitui&ccedil;&atilde;o obrando expressamente contra a
+vontade dos seus constituintes?&raquo;<sup><a href="#Z527">[527]</a></sup><br />
+
+<br />
+
+Os deputados do ultramar naturaes de Portugal
+<span class="pagenum"><a name="p420">[420]</a></span>
+rejeitavam
+a maneira de pensar dos bahianos e paulistas. O padre Domingos da
+Concei&ccedil;&atilde;o, representante do Piauhy declarou que
+faltaria ao mandato se n&atilde;o assignasse a
+constitui&ccedil;&atilde;o. O alemtejano Segurado, que se
+mostrara solidario com os brasileiros nas suas principaes
+proposi&ccedil;&otilde;es, desertou-lhes a causa com singular
+desempeno. N&atilde;o s&oacute; approvara a
+constitui&ccedil;&atilde;o sen&atilde;o que repellia a
+auctoridade do principe, e para se justificar contou o episodio
+<a href="#e143">seguinte</a>:<br />
+
+<br />
+
+&laquo;Quando eu ha mais de um anno estabeleci um governo
+provisorio em S. Jo&atilde;o das Duas Barras, os moradores
+disseram-me logo: Isto &eacute; contra el-rei ou contra as
+Côrtes? N&atilde;o, respondi; desconfio do partido do Rio
+de Janeiro, do partido republicano. A minha
+inten&ccedil;&atilde;o &eacute; unir
+isto com Portugal, com as Côrtes e com o senhor D.
+Jo&atilde;o VI. Veja bem o que faz, replicaram-me, porque se isto
+fôr a favor do Rio de Janeiro immediatamente o
+matamos&raquo;<sup><a href="#Z528">[528]</a></sup>.<br />
+
+<br />
+
+E Vergueiro? O transmontano, rejeitados os artigos addicionaes dos
+brasileiros, n&atilde;o mais tomara parte nos trabalhos
+legislativos, convencido de que nada faria de proveitoso ao Brasil o
+parlamento. Recolhido em Traz-os-Montes<sup><a href="#Z529">[529]</a></sup>,
+no solar da familia,
+n&atilde;o se ouviu mais fallar d'elle sen&atilde;o a proposito
+das proroga&ccedil;&otilde;es
+successivas de sua licen&ccedil;a para n&atilde;o comparecer
+&aacute;s
+sess&otilde;es.<br />
+
+<br />
+
+O Congresso rejeitou todos os requerimentos dos brasileiros, e na
+sess&atilde;o immediata come&ccedil;aram os constituintes a
+lan&ccedil;ar a sua assignatura por
+<span class="pagenum">[421]</span>
+debaixo
+da lei constitucional. Manifestado o escrupulo em cumprir a derradeira
+formalidade da constitui&ccedil;&atilde;o n&atilde;o
+restava aos
+americanos sen&atilde;o se submetterem &aacute;
+decis&atilde;o da assembl&eacute;a,
+tanto mais que o nome no contracto social significava rigorosamente a
+participa&ccedil;&atilde;o do signatario na feitura principal
+das Côrtes e nada mais. Ainda assim houve
+hesita&ccedil;&atilde;o. Se quatro europeus faltaram por
+doen&ccedil;a &aacute; primeira sess&atilde;o designada
+para a assignatura, dezaseis brasileiros n&atilde;o vieram a ella,
+dos quaes apenas quatro justificaram a sua ausencia. Na
+sess&atilde;o immediata e ultima, por&eacute;m, todos esses
+compareceram, salvo Agostinho Gomes, Barata e os paulistas e aquelles
+quatro que continuavam com licen&ccedil;a. Eram estes Belford, do
+Maranh&atilde;o; Pinto da Fran&ccedil;a, da Bahia; Fortunato
+Ramos, do Espirito Santo e Vergueiro; e todos se n&atilde;o
+subscreveram mais tarde a nova lei, a juraram, salvo Vergueiro, que
+n&atilde;o fez nem uma cousa nem outra. Os paulistas e bahianos
+tinham motivos particulares que os excusavam de se n&atilde;o
+conformarem com a resolu&ccedil;&atilde;o legislativa. O
+protesto d'aquelles redigido por Fernandes Pinheiro rezava que seria <em>estupida
+condescendencia geradora do eterno remorso</em>, fazer um acto
+contra a raz&atilde;o e a consciencia. N&atilde;o era, demais,
+requerimento ou proposta, mas a manifesta&ccedil;&atilde;o de
+proposito firme que os seus auctores n&atilde;o podiam renunciar
+sem merecer a nota de levianos. Fel-o, comtudo, Castro e Silva, que
+perfilhara a
+declara&ccedil;&atilde;o mas confessou ingenuamente que assim
+procedia com receio do desterro com que amea&ccedil;aram os
+regeneradores aos recalcitrantes. N&atilde;o quadrava aos
+mandatarios de um povo rebelde semelhante
+explica&ccedil;&atilde;o, custosa, ali&aacute;s,
+&aacute; generalidade dos homens.
+<br />
+
+<br />
+
+<span class="pagenum">[422]</span>
+A Bahia estando em guerra aberta com os poderes publicos da metropole,
+desculpava-se aos seus deputados um acto revolucionario que tomava a
+fei&ccedil;&atilde;o de represalias contra os
+oppressores da patria.<br />
+
+<br />
+
+Os portugu&ecirc;ses estavam inquietos com a unanimidade do
+conselho paulista significativo de n&atilde;o haver divergencia na
+provincia, e Trigoso tratou de abrir brecha na resistencia
+massi&ccedil;a de S. Paulo. Amigo de Fernandes Pinheiro desde os
+annos de Coimbra foi visital-o. Ponderou a imprudencia de sua
+determina&ccedil;&atilde;o no caso dos seus committentes
+adherirem &aacute; carta constitucional: que contas lhes prestaria?
+O argumento n&atilde;o era novo mas Fernandes Pinheiro, fraco e
+timorato, n&atilde;o pôde resistir &aacute;
+press&atilde;o
+do collega. No dia seguinte veio ao Congresso declarar que a sua saude
+lhe n&atilde;o permittindo assignar a
+constitui&ccedil;&atilde;o no prazo e como este se achava
+esgotado pedia licen&ccedil;a para o fazer agora. Os europeus, que
+o haviam acolhido com demonstra&ccedil;&otilde;es de jubilo,
+satisfizeram-no promptamente<sup><a href="#Z530">[530]</a></sup>.<br />
+
+<br />
+
+Aos 30 de setembro procedeu-se ao juramento da lei fundamental e os
+deputados que se n&atilde;o achavam presentes, prestaram-no quando
+compareceram ao congresso. Com a m&atilde;o direita sobre as
+Sagradas Escripturas, diziam: &laquo;Juro guardar a
+constitui&ccedil;&atilde;o politica da monarchia
+portugu&ecirc;sa que acabam de decretar as Côrtes
+Constituintes da mesma na&ccedil;&atilde;o&raquo;.<br />
+
+<br />
+
+Agora era mais fundada a hesita&ccedil;&atilde;o dos
+brasileiros, at&eacute; sem tomarem em conta as noticias
+<span class="pagenum">[423]</span>
+do Brasil
+divulgadas desde a vespera nas côrtes.<br />
+
+<br />
+
+N&atilde;o havia mais duvida sobre a
+installa&ccedil;&atilde;o da assembl&eacute;a constituinte
+em al&eacute;m-mar, em virtude
+das adhes&otilde;es que affluiam ao ministerio do Rei; a Regencia
+reputava inimigos as tropas lusitanas expedidas de Portugal sem o seu
+pedido e proclamara &aacute;s na&ccedil;&otilde;es que o
+Brazil
+para se subtrahir a recoloniza&ccedil;&atilde;o n&atilde;o
+cumpriria sen&atilde;o as leis feitas em seu seio por seus
+representantes.<sup><a href="#Z531">[531]</a></sup>
+Era melhor, pois, que os brasileiros n&atilde;o
+protestassem perante Deus respeitar uma lei que no intimo estavam
+dispostos a n&atilde;o guardar. Fazendo-o por&eacute;m,
+n&atilde;o perjuravam, porque agiam constrangidos da maioria. Havia
+ainda outra
+considera&ccedil;&atilde;o que pesou no animo d'esses homens de
+honra e partidarios do regimen constitucional. A desobediencia ao
+Congresso seria um acto revolucionario capaz, attenta a effeverscencia
+dos espiritos e a reac&ccedil;&atilde;o em augmento de
+resuscitar o despotismo.<br />
+
+<br />
+
+Dos que assignaram a Constitui&ccedil;&atilde;o, todos a
+juraram, salvo Moniz Tavares e Lino Coutinho, que se esquivaram
+&aacute; formalidade, n&atilde;o mais indo ao Congresso.
+Barata, Agostinho Gomes e os conterraneos do futuro visconde de S.
+Leopoldo continuaram a n&atilde;o dar signaes de vida. Em 2 de
+outubro tiveram as Côrtes noticia de Antonio Carlos:
+solicitava permiss&atilde;o para se retirar de Portugal.
+Passaram-se os dias e a commiss&atilde;o n&atilde;o dava
+parecer sobre o requerimento. O odio contra os americanos em
+crescimento &aacute; medida que progredia em al&eacute;m-mar a
+revolta contra os poderes
+<span class="pagenum"><a name="p424">[424]</a></span>
+publicos da metropole, tornava-se
+aggressivo e visava particularmente os intemeratos que se obstinavam em
+n&atilde;o approvar a
+Constitui&ccedil;&atilde;o. Correu voz de
+conjura&ccedil;&atilde;o tramada nas
+associa&ccedil;&otilde;es secretas para os assassinar<sup><a href="#Z532">[532]</a></sup>.<br />
+
+<br />
+
+Na manh&atilde; de seis de outubro estalou a nova de terem na
+vespera tomado barco ingl&ecirc;s com destino a Falmonth, Lino
+Coutinho, Barata, Agostinho Gomes, Antonio Carlos, Bueno, Costa Aguiar
+e Feij&oacute;. A colera contra elles explodiu com violencia e de
+Portugal estendeu-se as possess&otilde;es. A imprensa cobriu-os de
+injurias; nas Côrtes, Xavier Monteiro requereu que
+n&atilde;o fossem considerados portugu&ecirc;ses<sup><a href="#Z533">[533]</a></sup> e os
+madeirenses assanhados tentaram arrebatal-os do navio ingl&ecirc;s
+de escala em Funchal que os levava a patria<sup><a href="#Z534">[534]</a></sup>.<br />
+
+<br />
+
+Prestado o juramento da constitui&ccedil;&atilde;o, as
+Côrtes ainda continuaram a funccionar por n&atilde;o
+suspender trabalhos inadiaveis. Poucos brasileiros, por&eacute;m
+concorriam &aacute;s sess&otilde;es, e esses
+n&atilde;o tomavam parte na discuss&atilde;o, supposto
+versassem &aacute;cerca da patria. Os assumptos que outr'ora os
+exaltavam n&atilde;o conseguiam agora quebrar-lhes o silencio
+systhematico. Nem ainda o parecer da commiss&atilde;o a respeito do
+conflicto agudo da junta do Par&aacute; com o <a href="#e144">commandante</a>
+das armas, o famigerado Moura,
+vingou modificar-lhes a attitude de protesto contra a violencia da
+maioria retendo-os no parlamento. Ao congresso constituinte succederam
+as Côrtes ordinarias installadas
+<span class="pagenum">[425]</span>
+em 15 de
+novembro. Para o fim do ultramar ser nellas representado desde a
+abertura, fôra estabelecido, contra o alvitre judicioso de
+Antonio Carlos, que os deputados da America continuari&atilde;o no
+exercicio do mandato at&eacute; que chegassem os eleitos para a
+nova legislatura<sup><a href="#Z535">[535]</a></sup>.<br />
+
+<br />
+
+Os cearenses, quasi todos os bahianos e mais seis americanos ou a
+titulo de doen&ccedil;a ou sem pretexto algum n&atilde;o
+compareceram no novo parlamento<sup><a href="#Z536">[536]</a></sup>.
+Ao mesmo tempo do Brasil affluiam
+noticias t&atilde;o positivas de revolta contra Portugal que a
+commiss&atilde;o de infrac&ccedil;&otilde;es da
+constitui&ccedil;&atilde;o entendeu indecoroso escurecer a
+verdade. Propôs fossem reputadas dissidentes as provincias
+n&atilde;o s&oacute; que nomeassem deputados para a
+assembl&eacute;a do Rio sen&atilde;o ainda que prestassem
+homenagem &aacute; regencia ou desobdecessem aos poderes publicos
+da antiga metropole, para ficarem excluidos da
+representa&ccedil;&atilde;o nacional os mandatarios desses
+povos rebeldes. Era a id&eacute;a de Antonio Carlos, Lino Coutinho,
+Alencar e outros propugnada em agosto. O Congresso, aceito o alvitre,
+reconheceu que n&atilde;o assistia ao Cear&aacute;,
+Alagôas, Parahyba, Pernambuco, Rio de Janeiro e S. Paulo o
+direito de terem procuradores no corpo legislativo. Deixaram, por isso
+as Côrtes vinte e quatro ultramarinos e agora n&atilde;o
+estavam mais que as deputa&ccedil;&otilde;es do
+Maranh&atilde;o,
+Par&aacute;, Piauhy, Rio Negro (Amazonas) Santa Catharina, Espirito
+Santo, Goyaz e Bahia<sup><a href="#Z537">[537]</a></sup>.
+<br />
+
+<br />
+
+<span class="pagenum"><a name="p426">[426]</a></span>
+Isto era o que dizia a lei mas na realidade estas provindas
+n&atilde;o eram nem foram representadas na assembl&eacute;a
+ordinaria, pois que a maior parte de seus deputados n&atilde;o
+tomaram assento no novo Congresso e os que o fizeram, desde
+ent&atilde;o n&atilde;o mais voltaram a elle, salvo os
+portugu&ecirc;ses Domingos da Concei&ccedil;&atilde;o
+(Pranhy) e Segurado (Goyaz), e os brasileiros Francisco de Souza
+Moreira (Par&aacute;) e o amazonense Jos&eacute;
+Cavalcante de Albuquerque, os quaes continuaram a comparecer
+&aacute;s sess&otilde;es, convencidos de que
+n&atilde;o podiam desertar o parlamento sem a vontade expressa de
+seus committentes.<br />
+
+<br />
+
+E assim terminou o mandato dos brasileiros nas Côrtes
+Geraes.
+<br />
+
+<br />
+
+<br />
+
+<br />
+
+<h2>INDICE</h2>
+
+<h3><br />
+
+</h3>
+
+<h3>CAPITULO I</h3>
+
+<br />
+
+<table summary="" style="text-align: left; width: 100%;" border="0" cellpadding="2" cellspacing="6">
+
+ <tbody>
+
+ <tr>
+
+ <td style="text-align: justify; width: 499px;">Causas
+da revolu&ccedil;&atilde;o de Portugal de
+1820.&#8213;Incerteza sobre o regresso d'el-rei.&#8213;Necessidade da
+adhes&atilde;o do Brasil para o exito da
+revolu&ccedil;&atilde;o.
+Pag.</td>
+
+ <td style="vertical-align: bottom; text-align: right; width: 84px;"><a href="#c1">5</a> a <a href="#p12">12</a></td>
+
+ </tr>
+
+ </tbody>
+</table>
+
+<br />
+
+<br />
+
+<h3>CAPITULO II</h3>
+
+<br />
+
+<table summary="table" style="text-align: left; width: 100%;" border="0" cellpadding="2" cellspacing="6">
+
+ <tbody>
+
+ <tr>
+
+ <td style="width: 499px; text-align: justify;">Esperan&ccedil;a
+no apoio do Brasil.&#8213;Come&ccedil;am a chegar
+novas de al&eacute;m-mar.&#8213;Revolu&ccedil;&atilde;o no
+Par&aacute;.&#8213;Par&aacute; provincia de
+Portugal.&#8213;Adhes&atilde;o da Bahia. Divergencias no governo do
+Rio.&#8213;As côrtes desconfiam d'el-rei.&#8213;O decreto de 18 de
+abril.&#8213;El-rei aceita a revolu&ccedil;&atilde;o.&#8213;O enthusiasmo
+de Lisboa. Pag.</td>
+
+ <td style="text-align: right; vertical-align: bottom; width: 84px;"><a href="#c2">13</a> a
+ <a href="#p29">29</a></td>
+
+ </tr>
+
+ </tbody>
+</table>
+
+<br />
+
+<br />
+
+<h3>CAPITULO III</h3>
+
+<br />
+
+<table summary="table" style="text-align: left; width: 100%;" border="0" cellpadding="2" cellspacing="6">
+
+ <tbody>
+
+ <tr>
+
+ <td style="text-align: justify; width: 499px;">O
+Conde de Palmella.&#8213;Hesita&ccedil;&atilde;o d'el-rei.&#8213;O
+decreto de 18 de fevereiro.&#8213;Irrita&ccedil;&atilde;o
+popular.&#8213;A junta consultiva.&#8213;26 de fevereiro.&#8213;O rei resolve
+partir.&#8213;Protestos do commercio.&#8213;Reuni&atilde;o dos eleitores na
+Pra&ccedil;a do Commercio.&#8213;Providencias de Silvestre
+Pinheiro.&#8213;Dissolu&ccedil;&atilde;o violenta da
+assembl&eacute;a.&#8213;Os poderes da regencia.&#8213;Embarque do rei.
+Pag.</td>
+
+ <td style="text-align: right; vertical-align: bottom; width: 84px;"><a href="#c3">30</a> a <a href="#p74">74</a></td>
+
+ </tr>
+
+ </tbody>
+</table>
+
+<br />
+
+<br />
+
+<h3>CAPITULO IV</h3>
+
+<br />
+
+<table summary="table" style="text-align: left; width: 100%;" border="0" cellpadding="2" cellspacing="6">
+
+ <tbody>
+
+ <tr>
+
+ <td style="text-align: justify; width: 499px;">As
+responsabilidades do crime de 21 de abril.&#8213;O conde dos Arcos.
+Pag.</td>
+
+ <td style="text-align: right; vertical-align: bottom; width: 84px;"><a href="#c4">75</a> a <a href="#p82">82</a></td>
+
+ </tr>
+
+ </tbody>
+</table>
+
+<br />
+
+<br />
+
+<h3>CAPITULO V</h3>
+
+<br />
+
+<table summary="table" style="text-align: left; width: 100%;" border="0" cellpadding="2" cellspacing="6">
+
+ <tbody>
+
+ <tr>
+
+ <td style="text-align: justify; width: 499px;">Medidas
+da regencia.&#8213;Descontentamento do povo.&#8213;Deputados do
+Rio.&#8213;Vota&ccedil;&atilde;o.&#8213;Regulamento
+eleitoral.&#8213;Recrutamento.&#8213;As bases
+constitucionaes.&#8213;Resolu&ccedil;&atilde;o de 5 de
+junho.&#8213;Destitui&ccedil;&atilde;o do conde dos
+Arcos.&#8213;Targini.&#8213;A calumnia no Brasil em Portugal.
+Pag.</td>
+
+ <td style="text-align: right; vertical-align: bottom; width: 84px;"><a href="#c5">83</a>
+a <a href="#p102">102</a></td>
+
+ </tr>
+
+ </tbody>
+</table>
+
+<br />
+
+<br />
+
+<h3>CAPITULO VI</h3>
+
+<br />
+
+<table summary="table" style="text-align: left; width: 100%;" border="0" cellpadding="2" cellspacing="6">
+
+ <tbody>
+
+ <tr>
+
+ <td style="text-align: justify; width: 499px;">Os
+deputados de Pernambuco.&#8213;Luiz do Rego.&#8213;Attitude circumspecta das
+Côrtes em rela&ccedil;&atilde;o ao Brasil.&#8213;A
+apprehens&atilde;o da
+independencia.&#8213;Organiza&ccedil;&atilde;o do governo de
+Pernambuco.&#8213;Distinc&ccedil;&atilde;o entre as juntas
+acclamadas pelo povo e as estabelecidas pelas
+Côrtes.&#8213;Resolu&ccedil;&otilde;es
+&aacute;cerca dos officiaes implicados na revolta de
+1817.&#8213;Propostas de Araujo Lima e Moniz
+Tavares.&#8213;Deputa&ccedil;&atilde;o fluminense.&#8213;O conde dos
+Arcos.&#8213;Organiza&ccedil;&atilde;o dos governos
+ultramarinos.&#8213;Decreto sobre o regresso do principe.&#8213;Villela
+Barbosa.&#8213;Os quarenta e dous presos politicos.
+Pag.</td>
+
+ <td style="text-align: right; vertical-align: bottom; width: 84px;"><a href="#c6">103</a> a <a href="#p138">138</a></td>
+
+ </tr>
+
+ </tbody>
+</table>
+
+<br />
+
+<br />
+
+<h3>CAPITULO VII</h3>
+
+<br />
+
+<table summary="table" style="text-align: left; width: 100%;" border="0" cellpadding="2" cellspacing="6">
+
+ <tbody>
+
+ <tr>
+
+ <td style="text-align: justify; width: 499px;">Expedi&ccedil;&atilde;o
+de tropas para
+Pernambuco.&#8213;Argumenta&ccedil;&atilde;o dos
+regeneradores.&#8213;Villela Barbosa.&#8213;Attitude extranha dos deputados
+fluminenses.&#8213;Illegitimidade da resolu&ccedil;&atilde;o.&#8213;Os
+deputados do Maranh&atilde;o.&#8213;Debate sobre a junta
+permanente.&#8213;Deputado de Santa Catharina.&#8213;Chegam os representantes da
+Bahia e de Alagôas.&#8213;A deputa&ccedil;&atilde;o da
+Bahia.
+Pag.</td>
+
+ <td style="text-align: right; vertical-align: bottom; width: 84px;"><a href="#c7">139</a> a <a href="#p154">154</a></td>
+
+ </tr>
+
+ </tbody>
+</table>
+
+<br />
+
+<h3>CAPITULO VIII</h3>
+
+<br />
+
+<table summary="table" style="text-align: left; width: 100%;" border="0" cellpadding="2" cellspacing="6">
+
+ <tbody>
+
+ <tr>
+
+ <td style="text-align: justify; width: 499px;">Estreia
+de Barata.&#8213;Legitimidade da sua proposta.&#8213;Os brasileiros
+n&atilde;o a defendem com vigor.&#8213;Barata
+retira-a.&#8213;Suppress&atilde;o dos tribunaes do Rio.&#8213;A
+emula&ccedil;&atilde;o das
+provincias aproveita aos
+portugu&ecirc;ses.&#8213;Indigna&ccedil;&atilde;o no Rio contra
+Varella.&#8213; Decidir-se-&atilde;o no Brasil as revistas das causas
+ahi julgadas. Pag.</td>
+
+ <td style="text-align: right; vertical-align: bottom; width: 84px;"><a href="#c8">155</a> a <a href="#p167">167</a></td>
+
+ </tr>
+
+ </tbody>
+</table>
+
+<br />
+
+<br />
+
+<h3>CAPITULO IX</h3>
+
+<br />
+
+<table summary="table" style="text-align: left; width: 100%;" border="0" cellpadding="2" cellspacing="6">
+
+ <tbody>
+
+ <tr>
+
+ <td style="text-align: justify; width: 499px;">Presos
+da Bahia.&#8213;Inanidade do parecer da commiss&atilde;o
+&aacute;cerca dos negocios do
+Brasil.&#8213;Condescendencia dos deputados brasileiros.&#8213;Surge no Rio o
+partido da Independencia.
+Pag.</td>
+
+ <td style="text-align: right; vertical-align: bottom; width: 84px;"><a href="#c9">168</a> a <a href="#p176">176</a></td>
+
+ </tr>
+
+ </tbody>
+</table>
+
+<br />
+
+<br />
+
+<h3>CAPITULO X</h3>
+
+<br />
+
+<table summary="table" style="text-align: left; width: 100%;" border="0" cellpadding="2" cellspacing="6">
+
+ <tbody>
+
+ <tr>
+
+ <td style="text-align: justify; width: 499px;">A
+subserviencia da magistratura.&#8213;O jury nas causas crimes e civeis.&#8213;A
+responsabilidade dos magistrados e o direito de os suspender; Borges
+Carneiro; argumentos da maioria; replica dos brasileiros.&#8213;Prestam
+juramento os deputados de S. Paulo.&#8213;Antonio
+Carlos.&#8213;Exalta&ccedil;&atilde;o dos representantes do
+Brasil.&#8213;Vergueiro.&#8213;Resultado dos debates.
+Pag.</td>
+
+ <td style="text-align: right; vertical-align: bottom; width: 84px;"><a href="#c10">177</a>
+a <a href="#p196">196</a></td>
+
+ </tr>
+
+ </tbody>
+</table>
+
+<br />
+
+<br />
+
+<h3>CAPITULO XI</h3>
+
+<br />
+
+<table summary="table" style="text-align: left; width: 100%;" border="0" cellpadding="2" cellspacing="6">
+
+ <tbody>
+
+ <tr>
+
+ <td style="text-align: justify; width: 499px;">O
+regimento dos deputados de S. Paulo.&#8213;A
+preoccupa&ccedil;&atilde;o do congresso em confundir o Brasil
+com as possess&otilde;es ultramarinas.&#8213;A
+representa&ccedil;&atilde;o da Parahyba do Norte.
+Pag.</td>
+
+ <td style="text-align: right; vertical-align: bottom; width: 84px;"><a href="#c11">197</a> a <a href="#p204">204</a></td>
+
+ </tr>
+
+ </tbody>
+</table>
+
+<br />
+
+<br />
+
+<h3>CAPITULO XII</h3>
+
+<br />
+
+<table summary="table" style="text-align: left; width: 100%;" border="0" cellpadding="2" cellspacing="6">
+
+ <tbody>
+
+ <tr>
+
+ <td style="text-align: justify; width: 499px;">Confraternidade
+dos brasileiros e portugu&ecirc;ses f&oacute;ra
+dos negocios do Brasil.&#8213;O liberalismo dos americanos.&#8213;Proposta de
+Borges de Barros &aacute;cerca da composi&ccedil;&atilde;o
+do Supremo Tribunal.&#8213;Borges de Barros prop&otilde;e o adiamento do
+projecto da administra&ccedil;&atilde;o provincial.&#8213;Moura.&#8213;A
+quest&atilde;o do juramento.&#8213;Vergueiro.&#8213;Insinceridade dos
+portugueses na interpretac&atilde;o do juramento prestado pelos
+povos do Brasil.
+Pag.</td>
+
+ <td style="text-align: right; vertical-align: bottom; width: 84px;"><a href="#c12"> 205</a> a
+ <a href="#p217">217</a></td>
+
+ </tr>
+
+ </tbody>
+</table>
+
+<br />
+
+<br />
+
+<h3>CAPITULO XIII</h3>
+
+<br />
+
+<table summary="table" style="text-align: left; width: 100%;" border="0" cellpadding="2" cellspacing="6">
+
+ <tbody>
+
+ <tr>
+
+ <td style="text-align: justify; width: 499px;">Como
+o Brasil acolheu os decretos das Côrtes.&#8213;Desacertos de
+Jos&eacute; Maria de Moura.&#8213;Protestos dos brasileiros e proposta
+de Villela Barbosa sobre o commando das armas.&#8213;Effervescencia dos
+animos no Rio.&#8213;Commiss&atilde;o especial dos negocios politicos do
+Brasil.&#8213;Informa&ccedil;&atilde;o de Silvestre
+Pinheiro.&#8213;Parecer da commiss&atilde;o especial.&#8213;O officio da
+junta de S. Paulo.
+Pag.</td>
+
+ <td style="text-align: right; vertical-align: bottom; width: 84px;"><a href="#c13">218</a> a <a href="#p242">242</a></td>
+
+ </tr>
+
+ </tbody>
+</table>
+
+<br />
+
+<br />
+
+<h3>CAPITULO XIV</h3>
+
+<br />
+
+<table summary="table" style="text-align: left; width: 100%;" border="0" cellpadding="2" cellspacing="6">
+
+ <tbody>
+
+ <tr>
+
+ <td style="text-align: justify; width: 499px;">O
+empenho de Portugal em reformar as pautas da alfandega.&#8213;-A
+commiss&atilde;o de commercio.&#8213;O privilegio de
+navega&ccedil;&atilde;o e a marinha
+portugu&ecirc;sa.&#8213;Parecer conciliador dos brasileiros.&#8213;Fernandes
+Thomaz.&#8213;Injusti&ccedil;a do projecto &aacute;cerca dos
+productos agricolas.&#8213;A industria do Brasil e de Portugal.&#8213;O projecto
+fecha o Brasil &aacute;s na&ccedil;&otilde;es amigas.&#8213;Os
+brasileiros n&atilde;o o acceitavam.&#8213;Devolve-se o projecto
+&aacute; commiss&atilde;o para ser revisto.&#8213;Fernandes Pinheiro
+assigna o novo projecto.&#8213;O artigo incriminado reapparece
+intacto.&#8213;&Eacute; restituido &aacute; commiss&atilde;o.
+Pag.</td>
+
+ <td style="text-align: right; vertical-align: bottom; width: 84px;"><a href="#c14">243</a> a <a href="#p257">257</a></td>
+
+ </tr>
+
+ </tbody>
+</table>
+
+<br />
+
+<br />
+
+<h3>CAPITULO XV</h3>
+
+<br />
+
+<table summary="table" style="text-align: left; width: 100%;" border="0" cellpadding="2" cellspacing="6">
+
+ <tbody>
+
+ <tr>
+
+ <td style="text-align: justify; width: 499px;">Noticias
+do Rio.&#8213;Insultos aos partidarios de D. Pedro.&#8213;A.
+Carlos.&#8213;Effervescencia da assembl&eacute;a.&#8213;Os
+portugu&ecirc;ses n&atilde;o censuram
+as tribunas.&#8213;Alguns deputados de S. Paulo e da Bahia resolvem
+n&atilde;o vir &aacute;s Côrtes.&#8213;Antonio Carlos
+renuncia ao mandato.&#8213;O Congresso convida os brasileiros melindrados a
+tomarem os seus logares.&#8213;Projecto de
+Feij&oacute;.&#8213;Impress&atilde;o nas Côrtes.&#8213;Attitude
+de Moura.
+Pag.</td>
+
+ <td style="text-align: right; vertical-align: bottom; width: 84px;"><a href="#c15">258</a> a <a href="#p267">267</a></td>
+
+ </tr>
+
+ </tbody>
+</table>
+
+<br />
+
+<br />
+
+<h3>CAPITULO XVI</h3>
+
+<br />
+
+<table summary="table" style="text-align: left; width: 100%;" border="0" cellpadding="2" cellspacing="6">
+
+ <tbody>
+
+ <tr>
+
+ <td style="text-align: justify; width: 499px;">Os
+deputados do Par&aacute;, Goyaz e Espirito Santo.&#8213;D. Romualdo
+de Sousa Coelho.&#8213;Desembargador Segurado.&#8213;Hostilidades contra o
+Brasil.&#8213;A quest&atilde;o de Montevideu.&#8213;Fernandes Pinheiro.&#8213;O
+Congresso n&atilde;o admitte o despejo militar da Banda
+Oriental.&#8213;Opini&atilde;o singular de Segurado.&#8213;Incidente
+Barata.&#8213;Irrita&ccedil;&atilde;o com as noticias do Rio.&#8213;O
+governo resolve mandar tropas ao Brasil.&#8213;Odio dos americanos do norte
+aos regimentos da metropole.&#8213;A deputa&ccedil;&atilde;o do
+Cear&aacute;.&#8213;Os regeneradores querem reduzir o Brasil pelas
+armas.&#8213;Felicita&ccedil;&otilde;es de Jorge de Avilez ao
+Congresso.&#8213;As Côrtes approvam o acto do
+governo.&#8213;Resolu&ccedil;&atilde;o de Borges de Barros.
+Pag.</td>
+
+ <td style="text-align: right; vertical-align: bottom; width: 84px;"><a href="#c16">268</a> a
+ <a href="#p298">298</a></td>
+
+ </tr>
+
+ </tbody>
+</table>
+
+<br />
+
+<br />
+
+<h3>CAPITULO XVII</h3>
+
+<br />
+
+<table summary="table" style="text-align: left; width: 100%;" border="0" cellpadding="2" cellspacing="6">
+
+ <tbody>
+
+ <tr>
+
+ <td style="text-align: justify; width: 499px;">Embarque
+da divis&atilde;o auxiliadora.&#8213;Necessidade de
+assembl&eacute;a legislativa no Brasil.&#8213;O parecer da
+commiss&atilde;o de
+constitui&ccedil;&atilde;o.&#8213;&Eacute; approvado sem
+altera&ccedil;&atilde;o capital.
+Pag.</td>
+
+ <td style="text-align: right; vertical-align: bottom; width: 84px;"><a href="#c17">299</a> a <a href="#p339">339</a></td>
+
+ </tr>
+
+ </tbody>
+</table>
+
+<br />
+
+<br />
+
+<h3>CAPITULO XVIII</h3>
+
+<br />
+
+<table summary="table" style="text-align: left; width: 100%;" border="0" cellpadding="2" cellspacing="6">
+
+ <tbody>
+
+ <tr>
+
+ <td style="text-align: justify; width: 499px;">Commiss&atilde;o
+incumbida de apresentar os artigos addicionaes
+&aacute; constitui&ccedil;&atilde;o relativos ao
+Brasil.&#8213;Discuss&atilde;o.&#8213;Tomam assento F. de Sousa Moreira, do
+Par&aacute;, e J. R. da Costa Aguiar, de S. Paulo.&#8213;O congresso
+decide que o principe real n&atilde;o ser&aacute;
+j&aacute;mais delegado d'el-rei e manda a commiss&atilde;o
+organizar novo projecto.
+Pag.</td>
+
+ <td style="text-align: right; vertical-align: bottom; width: 84px;"><a href="#c18">340</a> a <a href="#p355">355</a></td>
+
+ </tr>
+
+ </tbody>
+</table>
+
+<br />
+
+<br />
+
+<h3>CAPITULO XIX</h3>
+
+<br />
+
+<table summary="table" style="text-align: left; width: 100%;" border="0" cellpadding="2" cellspacing="6">
+
+ <tbody>
+
+ <tr>
+
+ <td style="text-align: justify; width: 499px;">D.
+Pedro resolve convocar côrtes.&#8213;Entram no congresso os
+deputados substitutos de Piauhy e da Parahyba.
+Pag.</td>
+
+ <td style="text-align: right; vertical-align: bottom; width: 84px;"><a href="#c19">356</a> a <a href="#p381">381</a></td>
+
+ </tr>
+
+ </tbody>
+</table>
+
+<br />
+
+<br />
+
+<h3>CAPITULO XX</h3>
+
+<br />
+
+<table summary="table" style="text-align: left; width: 100%;" border="0" cellpadding="2" cellspacing="6">
+
+ <tbody>
+
+ <tr>
+
+ <td style="text-align: justify; width: 499px;">Os
+novos artigos addicionaes.&#8213;Jos&eacute; da Costa Cirne.&#8213;O padre
+Virginio Rodrigues Campello.&#8213;Manuel Felix De Veras.&#8213;A
+representa&ccedil;&atilde;o do Rio Grande do
+Norte.&#8213;Montenegro.&#8213;Resolu&ccedil;&otilde;es hostis contra o
+Brasil. Pag.</td>
+
+ <td style="text-align: right; vertical-align: bottom; width: 84px;"><a href="#c20">382</a> a
+ <a href="#p397">397</a></td>
+
+ </tr>
+
+ </tbody>
+</table>
+
+<br />
+
+<br />
+
+<h3>CAPITULO XXI</h3>
+
+<br />
+
+<table summary="table" style="text-align: left; width: 100%;" border="0" cellpadding="2" cellspacing="6">
+
+ <tbody>
+
+ <tr>
+
+ <td style="text-align: justify; width: 499px;">Os
+paulistas querem deixar as
+côrtes.&#8213;Declara&ccedil;&atilde;o de Fernandes
+Pinheiro de Castro e Silva.&#8213;Muitos brasileiros querem differir o
+juramento da constitui&ccedil;&atilde;o.&#8213;Partida dos paulistas
+e de alguns bahianos.&#8213;Côrtes ordin&aacute;rias.
+Pag.</td>
+
+ <td style="text-align: right; vertical-align: bottom; width: 84px;"><a href="#c21">398</a> a <a href="#p426">426</a></td>
+
+ </tr>
+
+ </tbody>
+</table>
+
+<br />
+
+<br />
+
+<br />
+
+<br />
+
+<b>Notas:</b><br />
+
+<br />
+
+<br />
+
+<sup><a name="Z1" id="Z1">[1]</a></sup> Relatorio
+de Fernandes Thomaz, sess&atilde;o de 5 de
+fevereiro de 1821 (Diario das Côrtes Geraes, tomo
+1.&ordm; pag. 35).<br />
+
+<br />
+
+<sup><a name="Z2" id="Z2">[2]</a></sup> Manifesto
+de 15 de de dezembro de 1820. (Documentos para a
+historia das Côrtes Geraes, vol. 1.&ordm; pag.
+118).<br />
+
+<br />
+
+<sup><a name="Z3" id="Z3">[3]</a></sup>
+Proclama&ccedil;&atilde;o
+da junta do Porto
+(Documentos para a historia da Côrtes Geraes, vol.
+1.&ordm;, pag.
+14).<br />
+
+<br />
+
+<sup><a name="Z4" id="Z4">[4]</a></sup> Gama
+Barros&#8213;Administra&ccedil;&atilde;o
+publica,&#8213;vol. 1.&ordm; pag. 539.<br />
+
+<br />
+
+<sup><a name="Z5" id="Z5">[5]</a></sup>
+Documentos
+para a historia das Côrtes Geraes,
+vol. 1.&ordm;, pag. 17.<br />
+
+<br />
+
+<sup><a name="Z6" id="Z6">[6]</a></sup>
+Documentos
+para a historia das Côrtes Geraes,
+vol. 1.&ordm; pag. 25.<br />
+
+<br />
+
+<sup><a name="Z7" id="Z7">[7]</a></sup> Carta
+do governo supremo, de 6 de outubro de 1820
+(Documentos para a historia das Côrtes Geraes, vol.
+1.&ordm; pag. 75).<br />
+
+<br />
+
+<sup><a name="Z8" id="Z8">[8]</a></sup> O
+Campe&atilde;o em Londres, de 1 de agosto
+de 1819 e de 16 de mar&ccedil;o de 1820.<br />
+
+<br />
+
+<sup><a name="Z9" id="Z9">[9]</a></sup> Moniz
+Tavares&#8213;A revolu&ccedil;&atilde;o de
+Pernambuco de 1817&#8213;(Ser. do Inst. Hist. de Brav&eacute;, anno
+1897, vol.
+60.)<br />
+
+<br />
+
+<sup><a name="Z10" id="Z10">[10]</a></sup> Mello
+Moraes&#8213;Brasil-reino e Brasil-imperio.<br />
+
+<br />
+
+<sup><a name="Z11" id="Z11">[11]</a></sup> Carta
+de 2 de setembro de 1820 (Documentos para a Historia
+das Côrtes Geraes, vol. 1.&ordm;, pag.
+125.<br />
+
+<br />
+
+<sup><a name="Z12" id="Z12">[12]</a></sup>
+Documentos
+para a Historia das Côrtes Geraes,
+vol. 1.&ordm;, pag. 125).<br />
+
+<br />
+
+<sup><a name="Z13" id="Z13">[13]</a></sup> Maria
+Amalia&#8213;Duque de Palmella, vol. 5.&ordm; cap. 9
+pag. 367.<br />
+
+<br />
+
+<sup><a name="Z14" id="Z14">[14]</a></sup> O
+Campe&atilde;o em Londres, de 16 de setembro de
+1820, vol. 2.&ordm; pag. 120.<br />
+
+<br />
+
+<sup><a name="Z15" id="Z15">[15]</a></sup>
+Manifesto
+de 31 de outubro de 1820. (Documentos para a
+historia das Côrtes Geraes, vol. 1.&ordm; pag.
+80).<br />
+
+<br />
+
+<sup><a name="Z16" id="Z16">[16]</a></sup> A
+revolu&ccedil;&atilde;o de Pernambuco em 1817.
+(Rev. do Inst. Historico do Brasil, vol. 60 anno 1897).<br />
+
+<br />
+
+<sup><a name="Z17" id="Z17">[17]</a></sup> Diario
+das Côrtes Geraes, vol. 1.&ordm; pag.
+369&#8213;Officio de 5 de fevereiro de 1821.<br />
+
+<br />
+
+<sup><a name="Z18" id="Z18">[18]</a></sup> Rev.
+do Inst. Hist. do Brasil, vol. 22, pag. 161 e
+memorias do Marqu&ecirc;s de Santa Cruz.<br />
+
+<br />
+
+<sup><a name="Z19" id="Z19">[19]</a></sup> Sess.
+de 4 de abril de 1821 (Diario das Côrtes
+Geraes, vol. 1.&ordm;, pag. 455).<br />
+
+<br />
+
+<sup><a name="Z20" id="Z20">[20]</a></sup>
+Jos&eacute; d'Arriaga&#8213;Historia da
+revolu&ccedil;&atilde;o de 1820, faz
+excep&ccedil;&atilde;o reproduzindo alguns trechos.<br />
+
+<br />
+
+<sup><a name="Z21" id="Z21">[21]</a></sup> D.
+Romualdo, de quem foi discipulo Patroni, reconhece-lhe
+raro talento. (Memorias do Marqu&ecirc;s de Santa Cruz).<br />
+
+<br />
+
+<sup><a name="Z22" id="Z22">[22]</a></sup> Diario
+das Côrtes Geraes, vol. 2.&ordm;,
+pag. 483. (Sess. de 5 de abril de 1821).<br />
+
+<br />
+
+<sup><a name="Z23" id="Z23">[23]</a></sup>
+Margioccli,
+sess. de 14 de novembro de 1821 (Diario das
+Côrtes Geraes, vol. 5.&ordm; pag. 3078).<br />
+
+<br />
+
+<sup><a name="Z24" id="Z24">[24]</a></sup> Sess.
+de 5 de abril de 1821 (Diario das Côrtes
+Geraes, vol. 1.&ordm;, pag. 484).<br />
+
+<br />
+
+<sup><a name="Z25" id="Z25">[25]</a></sup> O
+Campe&atilde;o em Londres de 16 de mar&ccedil;o
+de 1821.<br />
+
+<br />
+
+<sup><a name="Z26" id="Z26">[26]</a></sup> O
+que ahi fica dito resulta do Diario das Côrtes
+Geraes ou foi colhido na Historia da Revolu&ccedil;&atilde;o
+portugu&ecirc;sa de 1820 e na galeria dos deputados das
+Côrtes Geraes extraordinarias e constituintes.<br />
+
+<br />
+
+<sup><a name="Z27" id="Z27">[27]</a></sup> Sess.
+de 16 de abril de 1821. (Diario das Côrtes
+Geraes, vol. 2, pag. 600).<br />
+
+<br />
+
+<sup><a name="Z28" id="Z28">[28]</a></sup> Sess.
+de 17 de abril de 1821. (Diario das Côrtes
+Geraes, vol. 2.&ordm;, pag. 609).<br />
+
+<br />
+
+<sup><a name="Z29" id="Z29">[29]</a></sup> Correio
+Brasiliense, de 16 de janeiro de 1821 (vol. 26).<br />
+
+<br />
+
+<sup><a name="Z30" id="Z30">[30]</a></sup> Maria
+Amalia&#8213;O duque de Palmella, vol. 1.&ordm; e
+Jos&eacute; d'Arriaga, Historia da revolu&ccedil;&atilde;o
+portugu&ecirc;sa de 1820.<br />
+
+<br />
+
+<sup><a name="Z31" id="Z31">[31]</a></sup> Correio
+brasileirense, de abril de 1821 (vol. 26).<br />
+
+<br />
+
+<sup><a name="Z32" id="Z32">[32]</a></sup> Sess.
+de 3 de fevereiro de 1821, discuss&atilde;o do
+projecto Pereira do Carmo. (Diario das Côrtes Geraes, vol.
+1.&ordm;, pag. 23).<br />
+
+<br />
+
+<sup><a name="Z33" id="Z33">[33]</a></sup> Carta
+do marechal Felisberto Caldeira Brasil Pontes. (O
+Campe&atilde;o portugu&ecirc;s em Londres, de junho
+de 1821).<br />
+
+<br />
+
+<sup><a name="Z34" id="Z34">[34]</a></sup> Pereira
+da Silva&#8213;Historia da
+funda&ccedil;&atilde;o do Imperio brasileiro, vol. 5.&ordm;<br />
+
+<br />
+
+<sup><a name="Z35" id="Z35">[35]</a></sup>
+Jos&eacute;
+d'Arriaga&#8213;Historia da
+revolu&ccedil;&atilde;o portugu&ecirc;sa de 1820 e Diario
+das Côrtes Geraes, vol. 2.&ordm; pag.
+709.<br />
+
+<br />
+
+<sup><a name="Z36" id="Z36">[36]</a></sup> Sess.
+de 28 de abril de 1821. (Diario das Côrtes
+Geraes, vol. 2.&ordm;, pag. 709).<br />
+
+<br />
+
+<sup><a name="Z37" id="Z37">[37]</a></sup>
+Oliveira
+Lima&#8213;D. Jo&atilde;o VI no Brasil, vol.
+2.&ordm; pag. 1037.<br />
+
+<br />
+
+<sup><a name="Z38" id="Z38">[38]</a></sup> Cartas
+de Silvestre Pinheiro (Rev. do Inst. Hist. do
+Brasil, anno 1888, vol. 51).<br />
+
+<br />
+
+<sup><a name="Z39" id="Z39">[39]</a></sup> Mello
+Moraes&#8213;Historia do Brasil-Reino e Brasil-Imperio.
+Conde de Palmella&#8213;Despachos e correspondencia.<br />
+
+<br />
+
+<sup><a name="Z40" id="Z40">[40]</a></sup> Conde
+de Palmella&#8213;Despachos e correspondencia
+(Introduc&ccedil;&atilde;o).<br />
+
+<br />
+
+<sup><a name="Z41" id="Z41">[41]</a></sup> Conde
+de Palmella&#8213;Despachos e correspondencia (carta de 5
+de janeiro).<br />
+
+<br />
+
+<sup><a name="Z42" id="Z42">[42]</a></sup> Conde
+de Palmella&#8213;Despachos e correspondencia; e Maria
+Amalia&#8213;Duque de Palmella.<br />
+
+<br />
+
+<sup><a name="Z43" id="Z43">[43]</a></sup>
+Palmella&#8213;Despachos e correspondencia. (Carta de 26 de
+janeiro).<br />
+
+<br />
+
+<sup><a name="Z44" id="Z44">[44]</a></sup> Aviso
+de 10 de fevereiro (Mello Moraes, Brasil-Reino e Brasil-Imperio).<br />
+
+<br />
+
+<sup><a name="Z45" id="Z45">[45]</a></sup>
+Palmella&#8213;Despachos
+e correspondencia.<br />
+
+<br />
+
+<sup><a name="Z46" id="Z46">[46]</a></sup> Maria
+Amalia&#8213;O duque de Palmella (carta de 3 de
+mar&ccedil;o ao conde de Linhares. Sobre o caracter e as
+id&eacute;as de Thomaz l&ecirc;r &laquo;Despachos e
+correspondencia do mesmo Palmella e Considera&ccedil;&otilde;es
+sobre Portugal e
+Brasil&raquo; (Revista do Inst. Hist. do Brasil, anno 1863, vol.
+26).<br />
+
+<br />
+
+<sup><a name="Z47" id="Z47">[47]</a></sup>
+Palmella&#8213;Despachos
+e correspondencia. (Carta a el-rei de
+19 de fevereiro de 1821).<br />
+
+<br />
+
+<sup><a name="Z48" id="Z48">[48]</a></sup>
+Palmella&#8213;Despachos
+e correspondencia (Projecto de 21 de fevereiro).<br />
+
+<br />
+
+<sup><a name="Z49" id="Z49">[49]</a></sup> Decreto
+de 18 de fevereiro, que foi antedatado e s&oacute; appareceu cinco
+dias depois.<br />
+
+<br />
+
+<sup><a name="Z50" id="Z50">[50]</a></sup>
+Palmella&#8213;Despachos
+e correspondencia; e Maria Amalia.&#8213;A
+vida do duque de Palmella.<br />
+
+<br />
+
+<sup><a name="Z51" id="Z51">[51]</a></sup>
+Palmella&#8213;Despachos
+e correspondencia, vol. 1.&ordm;,
+e Maria Amalia.&#8213;A vida do Duque de Palmella.<br />
+
+<br />
+
+<sup><a name="Z52" id="Z52">[52]</a></sup> Maria
+Amalia&#8213;A vida do duque de Palmella. (Carta
+&aacute; condessa de Palmella, de 3 de mar&ccedil;o).<br />
+
+<br />
+
+<sup><a name="Z53" id="Z53">[53]</a></sup>
+Oliveira
+Lima&#8213;D. Jo&atilde;o VI no Brasil, capitulos
+28 e 29.<br />
+
+<br />
+
+<sup><a name="Z54" id="Z54">[54]</a></sup>
+Memorias
+para a historia do reino do Brasil por
+Gon&ccedil;alves dos Santos (Introduc&ccedil;&atilde;o).<br />
+
+<br />
+
+<sup><a name="Z55" id="Z55">[55]</a></sup> Cartas
+sobre a revolu&ccedil;&atilde;o do Brasil,
+vol. 51 da Rev. do Inst. Historico do Brasil.<br />
+
+<br />
+
+<sup><a name="Z56" id="Z56">[56]</a></sup> Mello
+Moraes&#8213;Brasil-Reino e Brasil-Imperio,
+edi&ccedil;&atilde;o 1871 pag. 53.<br />
+
+<br />
+
+<sup><a name="Z57" id="Z57">[57]</a></sup>
+Oliveira&#8213;D.
+Jo&atilde;o VI no Brasil, pag. 1091.<br />
+
+<br />
+
+<sup><a name="Z58" id="Z58">[58]</a></sup> Cartas
+sobre a revolu&ccedil;&atilde;o do Brasil.
+Rev. do Inst. Historico do Brasil, anno 1888 vol. 57.<br />
+
+<br />
+
+<sup><a name="Z59" id="Z59">[59]</a></sup> Revista
+do Inst. Hist. do Brasil, vol. 24. Eis os outros
+membros da junta: bar&atilde;o de Santo Amaro; monsenhor Almeida;
+A. S. Pereira da Cunha; A. Rodrigues Velloso; C. M. Fonellet; J. da
+Silva Lisboa; J. de S. de Almeida Corte-Real; J. R. Pereira de Almeida;
+A. J. da Costa Ferreira; F. Xavier Pires; Jos&eacute; C. Gomes;
+Presidente
+marqu&ecirc;s de Alegrete; procurador da corôa,
+Jos&eacute; de O. B.
+Pinto Mosqueira; secretarios, M. J. Nogueira da Gama e M. Moreira de
+Figueiredo; secretarios substitutos, Coronel F. S. da Costa Refoios; e
+desembargador J. J. de Mendon&ccedil;a&#8213;(Mello Moraes, obra
+citada).<br />
+
+<br />
+
+<sup><a name="Z60" id="Z60">[60]</a></sup> Mello
+Moraes, obra citada, pag. 58.<br />
+
+<br />
+
+<sup><a name="Z61" id="Z61">[61]</a></sup> As
+informa&ccedil;&otilde;es do levante que
+n&atilde;o tiverem indica&ccedil;&atilde;o procedem do
+noticioso Mello Moraes. (Brasil-Reino e Brasil-Imperio,
+edi&ccedil;&atilde;o 1871, pag. 53 a 58).<br />
+
+<br />
+
+<sup><a name="Z62" id="Z62">[62]</a></sup> Cartas
+sobre a Revolu&ccedil;&atilde;o do Brasil,
+(Rev. do Inst Hist. do Brasil, vol. 51).<br />
+
+<br />
+
+<sup><a name="Z63" id="Z63">[63]</a></sup>
+Herculano
+considera-o &laquo;o grande pensador
+portugu&ecirc;s do seculo XIX.&raquo;<br />
+
+<br />
+
+<sup><a name="Z64" id="Z64">[64]</a></sup> Eis
+os altos funccionarios indigitados pelos revoltosos
+&aacute; corôa. O Vice-almirante J. da C. Quintella,
+ministro do reino; o vice-almirante J. J. Monteiro Torres, ministro da
+marinha e dominios ultramarinos; S. P. Ferreira, ministro da guerra e
+de estrangeiros; conde de Lousan, D. Diogo de Menezes, presidente do
+Brasil; bispo
+capell&atilde;o-m&oacute;r, presidente da m&ecirc;sa da
+consciencia e ordem; intendente geral da policia, A. Luiz Pereira da
+Cunha; thesoureiro do real erario, desembargador Sebasti&atilde;o
+Luiz Tinoco; inspector dos estabelecimentos litterarios, J. da Silva
+Lisboa; director do banco do Brasil pela fazenda real, J. R. Pereira de
+Almeida; chefe de policia, J. de Oliveira Barbosa; presidente da junta
+do commercio, visconde de Asseca; general das armas, o brigadeiro
+Carlos Frederico Caula. (Mello Moraes, Brasil-Reino e Brasil-Imperio).<br />
+
+<br />
+
+<sup><a name="Z65" id="Z65">[65]</a></sup> Mello
+Moraes. Brasil-Reino e Brasil-Imperio.<br />
+
+<br />
+
+<sup><a name="Z66" id="Z66">[66]</a></sup>
+Oliveira
+Lima. D. Jo&atilde;o VI no Brasil.<br />
+
+<br />
+
+<sup><a name="Z67" id="Z67">[67]</a></sup> Mello
+Moraes. Brasil-Reino e Brasil-Imperio.<br />
+
+<br />
+
+<sup><a name="Z68" id="Z68">[68]</a></sup> Vida
+do Duque de Palmella, por Maria Amalia, vol.
+1.&ordm;.<br />
+
+<br />
+
+<sup><a name="Z69" id="Z69">[69]</a></sup>
+Silvestre
+Pinheiro. Cartas sobre a
+revolu&ccedil;&atilde;o do Brasil. (Rev. do Inst. Hist. do
+Brasil, vol. 51, anno 1888).<br />
+
+<br />
+
+<sup><a name="Z70" id="Z70">[70]</a></sup> Maria
+Amalia. Vida do duque de Palmella.<br />
+
+<br />
+
+<sup><a name="Z71" id="Z71">[71]</a></sup> Mello
+Moraes. Brasil-Reino e Brasil-Imperio.<br />
+
+<br />
+
+<sup><a name="Z72" id="Z72">[72]</a></sup> Mello
+Moraes. Brasil-Reino e Brasil-Imperio.<br />
+
+<br />
+
+<sup><a name="Z73" id="Z73">[73]</a></sup> Cartas
+sobre a revolu&ccedil;&atilde;o
+do Brasil. (Rev. do Inst. Hist do Brasil, vol. 51).<br />
+
+<br />
+
+<sup><a name="Z74" id="Z74">[74]</a></sup> Decreto
+de 21 de abril de 1821 (Documentos para
+a historia das Côrtes Geraes, vol. 1.&ordm;).<br />
+
+<br />
+
+<sup><a name="Z75" id="Z75">[75]</a></sup> Decreto
+de 22 de abril de 1821. (Documentos para a
+Historia das Côrtes Geraes, vol. 1.&ordm;).<br />
+
+<br />
+
+<sup><a name="Z76" id="Z76">[76]</a></sup> Moreira
+de Azevedo&#8213;O Rio de Janeiro, 2.&ordm;
+vol. (Pra&ccedil;a do Commercio).<br />
+
+<br />
+
+<sup><a name="Z77" id="Z77">[77]</a></sup> Sobre
+os acontecimentos de 26 de fevereiro e 21 de abril
+consultamos: Silvestre Pinheiro, cartas sobre a
+revolu&ccedil;&atilde;o do Brasil (Rev. do Inst. Hist. do
+Brasil, vol. 51); Mello Moraes&#8213;Brasil-Reino e Brasil-Imperio, e
+Independencia do Brasil&#8213;Astro da Lusitania de 14 de agosto de
+1821&#8213;Rev. do Inst. Hist. do Brasil, vol. 27&#8213;(memoria de uma
+testemunha presencial).<br />
+
+<br />
+
+<sup><a name="Z78" id="Z78">[78]</a></sup>
+Silvestre
+Pinheiro. Cartas sobre a
+Revolu&ccedil;&atilde;o do Brasil, (Rev. do Inst. Hist. do
+Brasil, vol. 51, pag. 327-28).<br />
+
+<br />
+
+<sup><a name="Z79" id="Z79">[79]</a></sup>
+Armitage&#8213;Historia
+do Brasil de 1808 a 1831.<br />
+
+<br />
+
+<sup><a name="Z80" id="Z80">[80]</a></sup> Alberto
+Pimentel&#8213;A ultima côrte do absolutismo
+em Portugal.<br />
+
+<br />
+
+<sup><a name="Z81" id="Z81">[81]</a></sup> Luiz
+do Rego e a posteridade (Rev. do Inst. Hist. do
+Brasil, vol. 24).<br />
+
+<br />
+
+<sup><a name="Z82" id="Z82">[82]</a></sup> Maria
+Amalia&#8213;Vida do duque de Palmella.<br />
+
+<br />
+
+<sup><a name="Z83" id="Z83">[83]</a></sup> Correio
+Brasiliense, mar&ccedil;o de 1818, vol. 20.<br />
+
+<br />
+
+<sup><a name="Z84" id="Z84">[84]</a></sup> Rev.
+do Instituto Historico do Brasil, vol. 2, pag. 98.<br />
+
+<br />
+
+<sup><a name="Z85" id="Z85">[85]</a></sup> Mello
+Moraes. Brasil-reino e Brasil-imperio.<br />
+
+<br />
+
+<sup><a name="Z86" id="Z86">[86]</a></sup> Mello
+Moraes. Brasil-reino e Brasil-imperio&#8213;e Rev. do
+Inst. Historico do Brasil (tomo especial do centenario da imprensa).<br />
+
+<br />
+
+<sup><a name="Z87" id="Z87">[87]</a></sup> Correio
+Brasiliense de nov. 1817, vol. 19.<br />
+
+<br />
+
+<sup><a name="Z88" id="Z88">[88]</a></sup>
+Palmella&#8213;Despachos
+e correspondencia.<br />
+
+<br />
+
+<sup><a name="Z89" id="Z89">[89]</a></sup>
+Silvestre
+Pinheiro&#8213;Cartas sobre a revolu&ccedil;&atilde;o do Brasil.
+(Rev. do Inst. Hist. do Brasil, vol. 51).<br />
+
+<br />
+
+<sup><a name="Z90" id="Z90">[90]</a></sup> Pessoas
+e cousas do Brasil reproduzido sem escripto de
+Andr&eacute; P. Lacerda Werneck (Rev. do Inst. Hist. do Brasil,
+vol. 61).<br />
+
+<br />
+
+<sup><a name="Z91" id="Z91">[91]</a></sup> Ensaio
+economico de J. J. da C. Azevedo Coutinho,
+edi&ccedil;&atilde;o de 1815.<br />
+
+<br />
+
+<sup><a name="Z92" id="Z92">[92]</a></sup> Mello
+Moraes&#8213;Brasil-Reino e Brasil-Imperio.<br />
+
+<br />
+
+<sup><a name="Z93" id="Z93">[93]</a></sup> Astro
+da Lusitania de
+2 de agosto de 1821 (correspondencia do Rio de 29
+de maio).<br />
+
+<br />
+
+<sup><a name="Z94" id="Z94">[94]</a></sup>
+Apontamentos
+de Drummond reproduzidos no artigo
+&laquo;Pessoas e Cousas do Brasil&raquo; (Rev. do Inst.
+Hist. vol. 61).<br />
+
+<br />
+
+<sup><a name="Z95" id="Z95">[95]</a></sup> Foi
+um dos rarissimos amigos de Pombal, que o n&atilde;o desampararam
+na desgra&ccedil;a e &laquo;n&atilde;o trepidou de lhe
+honrar as exequias com a pompa do b&aacute;culo&raquo; (O
+marquez de Pombal e a sua &eacute;pocha de Lucio de Azevedo).<br />
+
+<br />
+
+<sup><a name="Z96" id="Z96">[96]</a></sup> Sobre
+Villela Barbosa, v&ecirc;r a Rev. do Inst. Hist.
+do Brasil, vol. 9; sobre D. Francisco de Lemos a mesma Rev.
+vol. 2, e sobre D. J. de Azevedo Coutinho a mesma revista volumes 1 e
+7.<br />
+
+<br />
+
+<sup><a name="Z97" id="Z97">[97]</a></sup> Astro
+da Lusitania de 31 de julho de 1821 (correspondencia
+do Rio de Janeiro).<br />
+
+<br />
+
+<sup><a name="Z98" id="Z98">[98]</a></sup> Rev. do
+Inst. Hist. do Brasil, vol. 58.<br />
+
+<br />
+
+<sup><a name="Z99" id="Z99">[99]</a></sup> Rev. do
+Inst. Hist. do Brasil, vol. 33.<br />
+
+<br />
+
+<sup><a name="Z100" id="Z100">[100]</a></sup>
+Jos&eacute;
+Liberato&#8213;Memorias.<br />
+
+<br />
+
+<sup><a name="Z101" id="Z101">[101]</a></sup>
+Regulamento eleitoral de 22 de novembro 1820 (Documentos para a
+historia das Côrtes Geraes, vol. 1.&ordm;, pag. 108.)<br />
+
+<br />
+
+<sup><a name="Z102" id="Z102">[102]</a></sup> Astro
+da Lusitania de 2 de agosto 1821 (Correspondenciado Rio).<br />
+
+<br />
+
+<sup><a name="Z103" id="Z103">[103]</a></sup>
+Pereira
+da Silva&#8213;Hist. da funda&ccedil;&atilde;o
+do Imperio brasileiro, vol. 5.&ordm;
+(Proclama&ccedil;&atilde;o da
+regencia de
+3 de junho).<br />
+
+<br />
+
+<sup><a name="Z104" id="Z104">[104]</a></sup> Carta
+de D. Pedro de 17 de Julho (Documentos para a
+Historia das Côrtes Geraes, vol. 1.&ordm;, pag. 243).<br />
+
+<br />
+
+<sup><a name="Z105" id="Z105">[105]</a></sup> Mello
+Moraes. Brasil-reino e Brasil-imperio,
+edi&ccedil;&atilde;o 1871).<br />
+
+<br />
+
+<sup><a name="Z106" id="Z106">[106]</a></sup> Carta
+de D. Pedro de 8 de junho (Documentos para a
+Historia das Côrtes Geraes vol. 1.&ordm;).<br />
+
+<br />
+
+<sup><a name="Z107" id="Z107">[107]</a></sup>
+Decreto
+de 5 de junho de 1821. (Brasil-Reino e
+Brasil-Imperio de Mello Moraes).<br />
+
+<br />
+
+<sup><a name="Z108" id="Z108">[108]</a></sup>
+Compuseram
+a junta: Marianno J. Pereira da Fonseca; o
+bispo capell&atilde;o-m&oacute;r; J. de Oliveira
+Barbosa; J. C. Ferreira de Aguiar; J. de Oliveira Alves; J. J. Pereira
+de Faro; S. Luiz Tinoco; P. J. Fernandes Barbosa, e M. Pedro Gomes
+(Mello Moraes&#8213;Brasil-Reino e Brasil-Imperio).<br />
+
+<br />
+
+<sup><a name="Z109" id="Z109">[109]</a></sup> Carta
+citada de D. Pedro de 8 de junho (Documentos para a
+historia das Côrtes Geraes, vol. 1.&ordm;).<br />
+
+<br />
+
+<sup><a name="Z110" id="Z110">[110]</a></sup>
+Diario
+das Côrtes Geraes, sess&atilde;o de
+27 de novembro 1821, pag. 3242.<br />
+
+<br />
+
+<sup><a name="Z111" id="Z111">[111]</a></sup> O
+campe&atilde;o em Londres de 1.&ordm; de agosto
+de
+1819.<br />
+
+<br />
+
+<sup><a name="Z112" id="Z112">[112]</a></sup> Mello
+Moraes&#8213;Brasil-Reino e Brasil-Imperio,
+edi&ccedil;&atilde;o 1871 pag. 189.<br />
+
+<br />
+
+<sup><a name="Z113" id="Z113">[113]</a></sup> O
+campe&atilde;o em Londres de 16 de novembro de
+1819.<br />
+
+<br />
+
+<sup><a name="Z114" id="Z114">[114]</a></sup> O
+campe&atilde;o em Londres de outubro de 1819.<br />
+
+<br />
+
+<sup><a name="Z115" id="Z115">[115]</a></sup> O
+Campe&atilde;o em
+Londres de junho de 1820.<br />
+
+<br />
+
+<sup><a name="Z116" id="Z116">[116]</a></sup>
+Silvestre
+Pinheiro&#8213;Cartas sobre a
+revolu&ccedil;&atilde;o do Brasil. (Rev. do Inst. Hist. do
+Brasil, vol. 51).<br />
+
+<br />
+
+<sup><a name="Z117" id="Z117">[117]</a></sup> Astro
+da Lusitania de 9 de agosto de 1821.<br />
+
+<br />
+
+<sup><a name="Z118" id="Z118">[118]</a></sup> Mello
+Moraes&#8213;Brasil-Reino e Brasil-Imperio.<br />
+
+<br />
+
+<sup><a name="Z119" id="Z119">[119]</a></sup> Luiz
+do Rego&#8213;Memoria justificativa, pag. 37.<br />
+
+<br />
+
+<sup><a name="Z120" id="Z120">[120]</a></sup> Sess.
+de agosto de 1822. (Diario das Côrtes
+Geraes).<br />
+
+<br />
+
+<sup><a name="Z121" id="Z121">[121]</a></sup> Moniz
+Tavares&#8213;Revolu&ccedil;&atilde;o de
+Pernambuco de 1817. (Rev. do Inst. Hist. do Brasil, vol. 60).<br />
+
+<br />
+
+<sup><a name="Z122" id="Z122">[122]</a></sup> Moniz
+Tavares&#8213;A revol. em Pernambuco em 1817. (Rev. do
+Inst. Hist. do Brasil, vol. 60).<br />
+
+<br />
+
+<sup><a name="Z123" id="Z123">[123]</a></sup> Luiz
+do Rego&#8213;Memoria justificativa.
+(Documentos).<br />
+
+<br />
+
+<sup><a name="Z124" id="Z124">[124]</a></sup> Sess.
+de 3 de fevereiro de1821. (Diario das Côrtes
+Geraes).<br />
+
+<br />
+
+<sup><a name="Z125" id="Z125">[125]</a></sup> Carta
+de D. Pedro a D. Jo&atilde;o VI de 19 de junho de 1822 (Documentos
+para a Historia das Côrtes Geraes, vol. 1.&ordm; pag.
+358).<br />
+
+<br />
+
+<sup><a name="Z126" id="Z126">[126]</a></sup>
+Silvestre
+Pinheiro&#8213;Cartas sobre a revolu&ccedil;&atilde;o do Brasil
+(Rev. do Inst. Hist. do Brasil, vol. 51).<br />
+
+<br />
+
+<sup><a name="Z127" id="Z127">[127]</a></sup> Sess.
+de 28 de julho de 1821 (Diario das Côrtes Geraes).<br />
+
+<br />
+
+<sup><a name="Z128" id="Z128">[128]</a></sup> Sess.
+23 e 25 de agosto 1821 (Diario das Côrtes
+Geraes, pag. 1998).<br />
+
+<br />
+
+<sup><a name="Z129" id="Z129">[129]</a></sup> Sess.
+164 de 30 de agosto de 1821. (Diario das
+Côrtes Geraes).<br />
+
+<br />
+
+<sup><a name="Z130" id="Z130">[130]</a></sup> Sess.
+165 de 31 de agosto de 1821. (Diario das
+<a href="#e22">Côrtes</a> Geraes).<br />
+
+<br />
+
+<sup><a name="Z131" id="Z131">[131]</a></sup> Luiz
+do Rego&#8213;Memoria justificativa.<br />
+
+<br />
+
+<sup><a name="Z132" id="Z132">[132]</a></sup> Sess.
+165 de 31 de agosto de 1821. (Diario das
+Côrtes Geraes, pag. 2109).<br />
+
+<br />
+
+<sup><a name="Z133" id="Z133">[133]</a></sup>
+Reduzida
+a revolta, o desgra&ccedil;ado, frustrada a
+tentativa de envenenamento, estrangulou-se com uma corda.<br />
+
+<br />
+
+<sup><a name="Z134" id="Z134">[134]</a></sup> Sess.
+165 de 31 de agosto de 1821. (Diario das
+Côrtes Geraes, pag. 2109).<br />
+
+<br />
+
+<sup><a name="Z135" id="Z135">[135]</a></sup> Sess.
+10 de setembro de 1821. (Diario das Côrtes
+Geraes, pag. 2205).<br />
+
+<br />
+
+<sup><a name="Z136" id="Z136">[136]</a></sup> Rev.
+do Inst. Hist. do Brasil, vol. 6.<br />
+
+<br />
+
+<sup><a name="Z137" id="Z137">[137]</a></sup>
+Contava
+86 annos, pois nasc&ecirc;ra em 1735. (Rev. do
+Inst. Hist. do Brasil, vol. 2).<br />
+
+<br />
+
+<sup><a name="Z138" id="Z138">[138]</a></sup>
+Officio
+da junta da Bahia de 20 de junho de 1821. (Mello
+Moraes, Brasil-reino e Brasil-Imperio).<br />
+
+<br />
+
+<sup><a name="Z139" id="Z139">[139]</a></sup> Sess.
+17 de setembro 1821 (Diario das Côrtes
+Geraes).<br />
+
+<br />
+
+<sup><a name="Z140" id="Z140">[140]</a></sup> Sess.
+11 de setembro 1821 (Diario das Côrtes Geraes, pag. 2219).<br />
+
+<br />
+
+<sup><a name="Z141" id="Z141">[141]</a></sup>
+Officio
+da junta do Par&aacute; na sess&atilde;o de 10 de setembro
+de1821 (Diario das Côrtes Geraes, pag.
+2206).<br />
+
+<br />
+
+<sup><a name="Z142" id="Z142">[142]</a></sup> Sess.
+de 19 setembro de 1821. (Diario das Côrtes Geraes, pag.
+2326-2329).<br />
+
+<br />
+
+<sup><a name="Z143" id="Z143">[143]</a></sup> Sess.
+179 de 19 de setembro 1821. (Diario das
+Côrtes Geraes, pag. 2329).<br />
+
+<br />
+
+<sup><a name="Z144" id="Z144">[144]</a></sup>
+Documentos
+para a Historia das Côrtes Geraes,
+vol. 1.&ordm;.<br />
+
+<br />
+
+<sup><a name="Z145" id="Z145">[145]</a></sup>
+Correio
+Brasileirense de outubro de 1821, vol. 27.<br />
+
+<br />
+
+<sup><a name="Z146" id="Z146">[146]</a></sup>
+Representa&ccedil;&atilde;o
+do commercio de 20 de
+mar&ccedil;o de 1821 (Mello Moraes&#8213;Brasil-Reino Brasil-Imperio).<br />
+
+<br />
+
+<sup><a name="Z147" id="Z147">[147]</a></sup> Salvo
+S. Paulo,
+do que, por&eacute;m, se n&atilde;o teve conhecimento nas
+Côrtes sen&atilde;o em 9 de outubro. A junta da Bahia com
+o fundamento de que ao congresso e n&atilde;o ao ao monarcha
+competia a nomea&ccedil;&atilde;o, terminantemente
+n&atilde;o se submetteu &aacute; auctoridade de D. Pedro,
+declara&ccedil;&atilde;o aclamada na assembl&eacute;a
+constituinte em sendo ahi conhecida em 7 de agosto. (Mello
+Moraes&#8213;Brasil-Reino e Brasil-Imperio, officio da junta da Bahia; Sousa
+Monteiro, Historia de Portugal, sess&atilde;o 19).<br />
+
+<br />
+
+<sup><a name="Z148" id="Z148">[148]</a></sup>
+Moura, sess. de 6 de julho 1822 (Diario das
+Côrtes Geraes, tomo 6.&ordm;. pag. 718).<br />
+
+<br />
+
+<sup><a name="Z149" id="Z149">[149]</a></sup> Carta
+de D. Pedro de 17 de julho 1821 (Documentos para a
+Historia das Côrtes Geraes, vol. 6.&ordm;. pag.
+243-245).<br />
+
+<br />
+
+<sup><a name="Z150" id="Z150">[150]</a></sup>
+Correio Brasiliense de nov. 1821, vol. 27.<br />
+
+<br />
+
+<sup><a name="Z151" id="Z151">[151]</a></sup>
+Fernandes Thomaz, sess. 180 de 20 de setembro, 1821 (Diario das
+Côrtes Geraes).<br />
+
+<br />
+
+<sup><a name="Z152" id="Z152">[152]</a></sup>
+Rebello&#8213;Sess.
+180 de 20 de setembro 1821 (Diario das Côrtes Geraes).<br />
+
+<br />
+
+<sup><a name="Z153" id="Z153">[153]</a></sup> Moniz
+Tavares&#8213;A revolu&ccedil;&atilde;o
+em Pernambuco em 1817. (Rev. do Inst. do
+Brasil, vol. 60).<br />
+
+<br />
+
+<sup><a name="Z154" id="Z154">[154]</a></sup>
+Revista
+do Inst Hist. do Brasil, vol. 9
+(Biographia do Marqu&ecirc;s de Paranagua).<br />
+
+<br />
+
+<sup><a name="Z155" id="Z155">[155]</a></sup> Sess.
+de 16 de outubro 1821 (Diario das Côrtes
+Geraes).<br />
+
+<br />
+
+<sup><a name="Z156" id="Z156">[156]</a></sup> Astro
+da Lusitania de 22 de outubro de 1821 e Correio
+Brasiliense, n.&ordm; 162 vol. 27.<br />
+
+<br />
+
+<sup><a name="Z157" id="Z157">[157]</a></sup> Sess.
+16 de outubro 1821 (Diario das Côrtes
+Geraes).<br />
+
+<br />
+
+<sup><a name="Z158" id="Z158">[158]</a></sup>
+Terceiro
+interrogatorio de Francisco de Paulo (Rev. do
+Inst. Hist. do Brasil, vol. 31).<br />
+
+<br />
+
+<sup><a name="Z159" id="Z159">[159]</a></sup> Moniz
+Tavares&#8213;A revolu&ccedil;&atilde;o em
+Pernambuco em 1817 (Rev. do Inst. Hist. do Brasil, vol. 60).<br />
+
+<br />
+
+<sup><a name="Z160" id="Z160">[160]</a></sup>
+Joaquim
+Nabuco&#8213;Um estadista do Imperio, vol.
+1.&ordm;.<br />
+
+<br />
+
+<sup><a name="Z161" id="Z161">[161]</a></sup>
+Macedo&#8213;Anno
+biographico.<br />
+
+<br />
+
+<sup><a name="Z162" id="Z162">[162]</a></sup>
+Correio
+Brasiliense de novembro 1821 vol. 27.<br />
+
+<br />
+
+<sup><a name="Z163" id="Z163">[163]</a></sup>
+Accordam
+da Rela&ccedil;&atilde;o de 27 de outubro
+1821 (Correio Brasiliense de dezembro de 1821, n.&ordm; 163 vol.
+27).<br />
+
+<br />
+
+<sup><a name="Z164" id="Z164">[164]</a></sup> Moniz
+Tavares&#8213;A revolu&ccedil;&atilde;o em Pernambuco em 1817 (Rev.
+do Inst. Hist. do Brasil, vol. 60).<br />
+
+<br />
+
+<sup><a name="Z165" id="Z165">[165]</a></sup> Moniz
+Tavares e Ferreira da Silva. Sess. de 18 de outubro
+de 1821. (Diario das Côrtes Geraes).<br />
+
+<br />
+
+<sup><a name="Z166" id="Z166">[166]</a></sup> Sess.
+de 18
+de outubro de 1821.
+(Diario das Côrtes Geraes).<br />
+
+<br />
+
+<sup><a name="Z167" id="Z167">[167]</a></sup> Voz
+cavernosa e sepulchral qualifica o conselheiro
+Francisco Gomes da Silva, o chala&ccedil;a. (Memoria offerecida
+&aacute; na&ccedil;&atilde;o brasileira,
+edi&ccedil;&atilde;o 1831).<br />
+
+<br />
+
+<sup><a name="Z168" id="Z168">[168]</a></sup>
+Bancroft&#8213;Historia
+dos Estados-Unidos.<br />
+
+<br />
+
+<sup><a name="Z169" id="Z169">[169]</a></sup>
+Oliveira
+Lima&#8213;D. Jo&atilde;o VI no Brasil, capitulo
+27, pag. 102.<br />
+
+<br />
+
+<sup><a name="Z170" id="Z170">[170]</a></sup> Luiz
+do Rego&#8213;Memoria justificativa.<br />
+
+<br />
+
+<sup><a name="Z171" id="Z171">[171]</a></sup> Sess.
+218 de 6 de novembro de 1821. (Diario das
+Côrtes Geraes, pag. 2958).<br />
+
+<br />
+
+<sup><a name="Z172" id="Z172">[172]</a></sup> Sess.
+223 de 12 de novembro de 1821. (Diario das
+Côrtes Geraes, pag. 3045).<br />
+
+<br />
+
+<sup><a name="Z173" id="Z173">[173]</a></sup>
+Miranda,
+Freire e Bettencourt. (Diario das
+Côrtes Geraes, sess. 223 de 12 de novembro) e Miranda,
+sess&atilde;o 225 de 14 de novembro. (Diario das
+Côrtes Geraes,
+pag. 3046).<br />
+
+<br />
+
+<sup><a name="Z174" id="Z174">[174]</a></sup>
+Margiocchi,
+Moura e Fernandes Thomaz, sess. 225
+de 14 de novembro. (Diario das Côrtes Geraes, paginas 3075,
+3078 e 3079).<br />
+
+<br />
+
+<sup><a name="Z175" id="Z175">[175]</a></sup> Sess.
+119 de 5 de julho de 1821. (Diario das
+Côrtes Geraes, pag. 1450).<br />
+
+<br />
+
+<sup><a name="Z176" id="Z176">[176]</a></sup>
+Decreto
+de 7 de dezembro de 1821 e
+Correio Brasiliense n.&ordm; 164 de janeiro 1822 (vol. 27).<br />
+
+<br />
+
+<sup><a name="Z177" id="Z177">[177]</a></sup> Sess.
+225 de 14 de novembro de 1821 (Diario das
+Côrtes Geraes, pag. 3075).<br />
+
+<br />
+
+<sup><a name="Z178" id="Z178">[178]</a></sup> Sess.
+223 e 225 de 12 e 14 de novembro (Diario das
+Côrtes Geraes).<br />
+
+<br />
+
+<sup><a name="Z179" id="Z179">[179]</a></sup> Sess.
+223 de 12 de novembro (Diario das Côrtes
+Geraes, pag. 3048) Vasconcellos na sess&atilde;o de 14 de novembro
+exprimiu-se com a mesma franqu&ecirc;sa.<br />
+
+<br />
+
+<sup><a name="Z180" id="Z180">[180]</a></sup> Sess.
+225 de 14 de novembro (Diario das Côrtes
+Geraes, pag. 3079).<br />
+
+<br />
+
+<sup><a name="Z181" id="Z181">[181]</a></sup> Sess.
+229 de 19 de novembro. (Diario das Côrtes
+Geraes, pag. 3389).<br />
+
+<br />
+
+<sup><a name="Z182" id="Z182">[182]</a></sup> Sess.
+251 de 15 de dezembro. (Diario das Côrtes
+Geraes, pag. 3420).<br />
+
+<br />
+
+<sup><a name="Z183" id="Z183">[183]</a></sup> Sess.
+248 de 12 de dezembro. (Diario das Côrtes
+Geraes, pag. 3389).<br />
+
+<br />
+
+<sup><a name="Z184" id="Z184">[184]</a></sup> Anno
+biographico, 4 de abril.<br />
+
+<br />
+
+<sup><a name="Z185" id="Z185">[185]</a></sup> Sess.
+de
+18 de mar&ccedil;o e 22 de abril de
+1822. (Diario das Côrtes Geraes, tomo 5.&ordm;, paginas
+538 e
+907).<br />
+
+<br />
+
+<sup><a name="Z186" id="Z186">[186]</a></sup>
+Macedo&#8213;Anno
+biographico, 2 de junho.<br />
+
+<br />
+
+<sup><a name="Z187" id="Z187">[187]</a></sup>
+Elogio
+historico. (Rev. do Inst. Hist. do Brasil vol. 4,
+supplemento). Mello Moraes (Brasil-Reino e Brasil-Imperio) define-o: um
+sabio de grande modestia.<br />
+
+<br />
+
+<sup><a name="Z188" id="Z188">[188]</a></sup> Sess.
+de 20 de julho de 1822 (Diario das Côrtes
+Geraes, tomo 6.&ordm; pag. 883).<br />
+
+<br />
+
+<sup><a name="Z189" id="Z189">[189]</a></sup> Sess.
+252 de 17 de dezembro de 1821 (Diario das
+Côrtes Geraes, pag. 3440).<br />
+
+<br />
+
+<sup><a name="Z190" id="Z190">[190]</a></sup> Bases
+da constitui&ccedil;&atilde;o de 10 de
+mar&ccedil;o de 1821 (Documentos para a Historia das
+Côrtes Geraes, vol.
+1.&ordm; pag. 165).<br />
+
+<br />
+
+<sup><a name="Z191" id="Z191">[191]</a></sup>
+Miranda&#8213;sess.
+254 de 19 de dezembro de 1821 (Diario das
+Côrtes Geraes, pag. 3475).<br />
+
+<br />
+
+<sup><a name="Z192" id="Z192">[192]</a></sup> Sess.
+254 de 19 de dezembro de 1821 (Diario das
+Côrtes Geraes, pag. 3475).<br />
+
+<br />
+
+<sup><a name="Z193" id="Z193">[193]</a></sup> Sess.
+254 de 19 de dezembro de 1821 (Diario das
+Côrtes Geraes).<br />
+
+<br />
+
+<sup><a name="Z194" id="Z194">[194]</a></sup> Sess.
+103 de 15 de junho de 1821 (Diario das
+Côrtes Geraes, pag. 1214).<br />
+
+<br />
+
+<sup><a name="Z195" id="Z195">[195]</a></sup> Sess.
+180 de 20 de setembro de 1821 (Diario das
+Côrtes Geraes, pag. 2334). Moura disse ent&atilde;o:
+Aqui n&atilde;o somos representantes das provincias
+sen&atilde;o da na&ccedil;&atilde;o inteira: eu sou tanto
+representante do Rio de Janeiro como os do Brasil s&atilde;o de
+Portugal e de qualquer das suas
+provincias.<br />
+
+<br />
+
+<sup><a name="Z196" id="Z196">[196]</a></sup>
+Trigoso,
+sess. de 28 de junho de 1822 (Diario das
+Côrtes Geraes, vol. 6.&ordm; pag. 611).<br />
+
+<br />
+
+<sup><a name="Z197" id="Z197">[197]</a></sup> Carta
+de D. Pedro de 17 de julho (Documentos para a
+Historia das Côrtes Geraes, vol. 1.&ordm; pag.
+243).<br />
+
+<br />
+
+<sup><a name="Z198" id="Z198">[198]</a></sup> Sess.
+255 de 20 de dezembro de 1821 (Diario das
+Côrtes Geraes, pag. 3484).<br />
+
+<br />
+
+<sup><a name="Z199" id="Z199">[199]</a></sup> Sess.
+255 de 20 de dezembro de 1821 (Diario das
+Côrtes Geraes, pag. 3484).<br />
+
+<br />
+
+<sup><a name="Z200" id="Z200">[200]</a></sup> Sess.
+261 de 29 de dezembro (Diario das Côrtes
+Geraes, pag. 3542).<br />
+
+<br />
+
+<sup><a name="Z201" id="Z201">[201]</a></sup> Sess.
+261 de 29 de dezembro (Diario das Côrtes
+Geraes, pag. 3543).<br />
+
+<br />
+
+<sup><a name="Z202" id="Z202">[202]</a></sup> Sess.
+179 de 19 de setembro de 1821 (Diario das
+Côrtes Geraes, pag. 2329).<br />
+
+<br />
+
+<sup><a name="Z203" id="Z203">[203]</a></sup> Sess.
+261 de 29 de dezembro de 1821 (Diario das
+Côrtes Geraes, pag. 3543).<br />
+
+<br />
+
+<sup><a name="Z204" id="Z204">[204]</a></sup> Sess.
+261 de 29 de dezembro (Diario das Côrtes
+Geraes, pag. 3544).<br />
+
+<br />
+
+<sup><a name="Z205" id="Z205">[205]</a></sup>
+Sess&atilde;o
+citada 261 de 29 de dezembro.<br />
+
+<br />
+
+<sup><a name="Z206" id="Z206">[206]</a></sup>
+Correio
+Brasiliense n.&ordm; 165 de fevereiro de 1822
+(vol. 27).<br />
+
+<br />
+
+<sup><a name="Z207" id="Z207">[207]</a></sup> Sess.
+de 28 de maio de 1822 (Diario das Côrtes
+Geraes, tomo 6.&ordm;, pag. 290).<br />
+
+<br />
+
+<sup><a name="Z208" id="Z208">[208]</a></sup> Sess.
+de 31 de janeiro de 1822. (Diario das Côrtes
+Geraes, tomo 5.&ordm;, pag. 60).<br />
+
+<br />
+
+<sup><a name="Z209" id="Z209">[209]</a></sup> Mello
+Moraes&#8213;Brasil-Reino e Brasil-Imperio&#8213;,e Antonio
+Carlos, sess. de 27 de abril de 1822 (Diario das Côrtes
+Geraes, tomo 5.&ordm; pag. 991).<br />
+
+<br />
+
+<sup><a name="Z210" id="Z210">[210]</a></sup> Sess.
+de 4 de fevereiro de 1822 (Diario das
+Côrtes Geraes, tomo 5.&ordm; pag. 82).<br />
+
+<br />
+
+<sup><a name="Z211" id="Z211">[211]</a></sup> Sess.
+de 26 de mar&ccedil;o e 7 de maio de 1822
+(Diario das Côrtes Geraes, tomo 5.&ordm; pag. 621 e tomo
+6.&ordm; pag. 79).<br />
+
+<br />
+
+<sup><a name="Z212" id="Z212">[212]</a></sup>
+Correio
+Brasiliense n.&ordm; 164 de janeiro de 1822
+(vol 27) e Mello Moraes&#8213;Brasil-Reino e Brasil-Imperio.<br />
+
+<br />
+
+<sup><a name="Z213" id="Z213">[213]</a></sup> Sess.
+270 de 10 de janeiro de 1822 (Diario das
+Côrtes Geraes, tomo 5.&ordm; pag. 3655).<br />
+
+<br />
+
+<sup><a name="Z214" id="Z214">[214]</a></sup> Sess.
+de 25 de fevereiro de 1822. (Diario das
+Côrtes Geraes, tomo 5.&ordm;, pag. 301).<br />
+
+<br />
+
+<sup><a name="Z215" id="Z215">[215]</a></sup> Sess.
+270 de 10 de janeiro de 1822. (Diario das
+Côrtes Geraes, pag. 3656).<br />
+
+<br />
+
+<sup><a name="Z216" id="Z216">[216]</a></sup> Mello
+Moraes&#8213;Brasil-Reino e Brasil-Imperio.<br />
+
+<br />
+
+<sup><a name="Z217" id="Z217">[217]</a></sup>
+Correio Brasiliense, de dezembro 1821 (vol. 27).<br />
+
+<br />
+
+<sup><a name="Z218" id="Z218">[218]</a></sup> Carta
+de D. Pedro a el-rei de 4 de outubro de 1821
+(Documentos para a Historia das Côrtes Geraes vol.
+1.&ordm;)<br />
+
+<br />
+
+<sup><a name="Z219" id="Z219">[219]</a></sup> Carta
+de D. Pedro a el-rei de 9 de outubro de 1821
+(Documentos para a Historia das Côrtes Geraes, vol.
+2.&ordm; pag. 257).<br />
+
+<br />
+
+<sup><a name="Z220" id="Z220">[220]</a></sup> Sess.
+269 de 9 de janeiro de 1822 (Diario das Côrtes Geraes, pag.
+3639).<br />
+
+<br />
+
+<sup><a name="Z221" id="Z221">[221]</a></sup> Sess.
+122 de 9 de julho de 1821 (Diario das Côrtes Geraes, pag.
+1474).<br />
+
+<br />
+
+<sup><a name="Z222" id="Z222">[222]</a></sup> Sess.
+223 de 12 de novembro 1821 (Diario das
+Côrtes Geraes, pag. 3047).<br />
+
+<br />
+
+<sup><a name="Z223" id="Z223">[223]</a></sup>
+Arriaga&#8213;A revolu&ccedil;&atilde;o de 1820.<br />
+
+<br />
+
+<sup><a name="Z224" id="Z224">[224]</a></sup>
+Borges Carneiro.<br />
+
+<br />
+
+<sup><a name="Z225" id="Z225">[225]</a></sup> Carta
+de 17 de julho de 1821 (Documentos para a Historia das
+Côrtes Geraes,
+vol. 1.&ordm;).<br />
+
+<br />
+
+<sup><a name="Z226" id="Z226">[226]</a></sup> Moniz
+Tavares&#8213;A revolu&ccedil;&atilde;o em
+Pernambuco em 1817 (Rev. do Inst. Hist. do Brasil, vol. 60).<br />
+
+<br />
+
+<sup><a name="Z227" id="Z227">[227]</a></sup>
+Interrogatorio 6.&ordm; (Rev. do Inst. Hist. do
+Brasil, vol. 30).<br />
+
+<br />
+
+<sup><a name="Z228" id="Z228">[228]</a></sup>
+Elogio por Pereira Pinto (Rev. do Inst. Hist. do Brasil,
+vol. 11).<br />
+
+<br />
+
+<sup><a name="Z229" id="Z229">[229]</a></sup> Silva
+Maia&#8213;Jos&eacute; Bonifacio (Rev. do Inst. Hist
+do Brasil, vol. 3).<br />
+
+<br />
+
+<sup><a name="Z230" id="Z230">[230]</a></sup> Mello
+Moraes&#8213;Brasil-reino e Brasil-Imperio.<br />
+
+<br />
+
+<sup><a name="Z231" id="Z231">[231]</a></sup>
+Macedo&#8213;Anno
+Biographico.<br />
+
+<br />
+
+<sup><a name="Z232" id="Z232">[232]</a></sup> Carta
+de D. Pedro a D. Jo&atilde;o VI de 9 de novembro
+1821. (Documentos para a Historia das Côrtes Geraes).<br />
+
+<br />
+
+<sup><a name="Z233" id="Z233">[233]</a></sup> Sess.
+9 e 13 de fevereiro de 1822 (Diario das
+Côrtes Geraes, vol 5.&ordm; pag. 138 e 172).<br />
+
+<br />
+
+<sup><a name="Z234" id="Z234">[234]</a></sup> Sess.
+de 13 de fevereiro de 1822. (Diario das
+Côrtes Geraes, tomo 5.&ordm; pag. 183). A materia occupou
+as sess&otilde;es de 9, 11 e 13 de fevereiro.<br />
+
+<br />
+
+<sup><a name="Z235" id="Z235">[235]</a></sup> <a href="#e36">Olegario</a>
+H. de Aquino e Castro. Biographia de M. J. do Amaral Gurgel. (Rev. do
+Inst. Hist. do Brasil, vol. 41).<br />
+
+<br />
+
+<sup><a name="Z236" id="Z236">[236]</a></sup>
+Instruc&ccedil;&otilde;es
+aos deputados de S.
+Paulo de 9 de outubro de 1821. (Mello Moraes, Brasil-reino e
+Brasil-imperio, edi&ccedil;&atilde;o 1871 pag. 84).<br />
+
+<br />
+
+<sup><a name="Z237" id="Z237">[237]</a></sup>
+Castello
+Branco, sess. de 4 de julho de 1822. (Diario das Côrtes
+Geraes, vol. 6.&ordm;, pag. 661).<br />
+
+<br />
+
+<sup><a name="Z238" id="Z238">[238]</a></sup> Art.
+158 do projecto de
+constitui&ccedil;&atilde;o. (Diario das Côrtes
+Geraes, tomo 5.&ordm;, pag. 14).<br />
+
+<br />
+
+<sup><a name="Z239" id="Z239">[239]</a></sup> Sess.
+de 31 de janeiro de 1822. (Diario das
+Côrtes Geraes, tomo 5.&ordm;, pag. 63).<br />
+
+<br />
+
+<sup><a name="Z240" id="Z240">[240]</a></sup>
+Diario
+das Côrtes Geraes, vol. 5.&ordm;,
+pag. 394.)<br />
+
+<br />
+
+<sup><a name="Z241" id="Z241">[241]</a></sup> Sess.
+de 4 de fevereiro e de 11 e 15 de julho de 1822.
+(Diario das Côrtes Geraes).<br />
+
+<br />
+
+<sup><a name="Z242" id="Z242">[242]</a></sup>
+Memoria
+justificativa de Luiz do Rego e Correio
+Brasiliense de fevereiro de 1822, (vol. 27).<br />
+
+<br />
+
+<sup><a name="Z243" id="Z243">[243]</a></sup> Sess.
+271 de 11 e 275 de 16 de janeiro de 1822 (Diario das
+Côrtes Geraes). Os paulistas n&atilde;o
+faziam ainda parte do congresso.<br />
+
+<br />
+
+<sup><a name="Z244" id="Z244">[244]</a></sup> Sess.
+de 25 de fevereiro de 1822 (Diario das Côrtes Geraes, tomo
+5.&ordm; pag. 292).<br />
+
+<br />
+
+<sup><a name="Z245" id="Z245">[245]</a></sup> Sess.
+de 20 de fevereiro de 1822 (Diario das Côrtes Geraes, tomo
+5.&ordm; pag. 246).<br />
+
+<br />
+
+<sup><a name="Z246" id="Z246">[246]</a></sup> Sess.
+de mar&ccedil;o de 1822 (Diario das
+Côrtes Geraes, tomo 5.&ordm; pag. 348, 353).<br />
+
+<br />
+
+<sup><a name="Z247" id="Z247">[247]</a></sup> Sess.
+180 de 20 de setembro 1821 (Diario das
+Côrtes Geraes, pag. 2334).<br />
+
+<br />
+
+<sup><a name="Z248" id="Z248">[248]</a></sup> Sess.
+254 de 19 de dezembro 1821 (Diario das Côrtes Geraes, pag.
+3474).<br />
+
+<br />
+
+<sup><a name="Z249" id="Z249">[249]</a></sup> Sess.
+de 6 de mar&ccedil;o de 1822 (Diario das
+Côrtes Geraes, tomo 5.&ordm; pag. 378).<br />
+
+<br />
+
+<sup><a name="Z250" id="Z250">[250]</a></sup> Sess.
+de mar&ccedil;o 1822 (Diario das Côrtes Geraes, tomo 5
+pag. 379).<br />
+
+<br />
+
+<sup><a name="Z251" id="Z251">[251]</a></sup> Sess.
+de 6 de mar&ccedil;o de 1822. (Diario das
+Côrtes Geraes, tomo 5.&ordm; pag. 382).<br />
+
+<br />
+
+<sup><a name="Z252" id="Z252">[252]</a></sup> A
+respeito das attribui&ccedil;&otilde;es dos
+commandantes das armas, consultar a excellente obra de <a href="#e43">Fernandes</a> Thomaz,
+Indice alphabetico das leis extravagantes.<br />
+
+<br />
+
+<sup><a name="Z253" id="Z253">[253]</a></sup> Lino
+Coutinho, sess. 9 de mar&ccedil;o de 1822 (Diario
+das Côrtes Geraes. Tomo 5.&ordm; pag. 421).<br />
+
+<br />
+
+<sup><a name="Z254" id="Z254">[254]</a></sup> Sess.
+9 de mar&ccedil;o citada.<br />
+
+<br />
+
+<sup><a name="Z255" id="Z255">[255]</a></sup> Sess.
+de 9 e 11 de mar&ccedil;o de 1822 (Diario das Côrtes
+Geraes, tomo 5.&ordm; pag. 431 e 441).<br />
+
+<br />
+
+<sup><a name="Z256" id="Z256">[256]</a></sup> Sess.
+8 de mar&ccedil;o 1822 (Diario das Côrtes Geraes, tomo
+5.&ordm; pag. 402).<br />
+
+<br />
+
+<sup><a name="Z257" id="Z257">[257]</a></sup>
+Cartas
+do Principe de 14 e 15 de dezembro de 1821 (Documentos para a Historia
+das Côrtes Geraes, vol. 1.&ordm; pag. 272 e 273).<br />
+
+<br />
+
+<sup><a name="Z258" id="Z258">[258]</a></sup> Sess.
+de 12 de mar&ccedil;o de 1822 (Diario das
+Côrtes Geraes, tomo 5.&ordm; pag. 446).<br />
+
+<br />
+
+<sup><a name="Z259" id="Z259">[259]</a></sup> Sess.
+de 12 de mar&ccedil;o de 1822 (Diario das
+Côrtes Geraes, tomo 5.&ordm; pag. 460).<br />
+
+<br />
+
+<sup><a name="Z260" id="Z260">[260]</a></sup> Sess.
+de 14 de mar&ccedil;o de 1822 (Diario das
+Côrtes Geraes, tomo 5.&ordm; pag. 495).<br />
+
+<br />
+
+<sup><a name="Z261" id="Z261">[261]</a></sup>
+Cartas
+sobre a Revolu&ccedil;&atilde;o no Brasil
+(Rev. do Inst. Hist. do Brasil, vol 51).<br />
+
+<br />
+
+<sup><a name="Z262" id="Z262">[262]</a></sup>
+Cartas
+sobre a revolu&ccedil;&atilde;o do Brasil.
+(Rev. do Inst. Hist. do Brasil, vol. 51).<br />
+
+<br />
+
+<sup><a name="Z263" id="Z263">[263]</a></sup> Sess.
+de 14 de junho de 1821. (Diario das Côrtes Geraes, pag. 1209).<br />
+
+<br />
+
+<sup><a name="Z264" id="Z264">[264]</a></sup> Sess.
+255 de 20 de dezembro de 1821 e de 4 e 3 de mar&ccedil;o de 1822.
+(Diario das Côrtes Geraes, pag. 3478 e tomo
+5&ordm;, pag. 347 e 465).<br />
+
+<br />
+
+<sup><a name="Z265" id="Z265">[265]</a></sup> Sess.
+de 18 de mar&ccedil;o de 1822. (Diario das Côrtes Geraes,
+tomo 5.&ordm;, pag. 575).<br />
+
+<br />
+
+<sup><a name="Z266" id="Z266">[266]</a></sup>
+Cartas
+de 30 de dezembro e 2 de janeiro (Documentos para a Historia das
+Côrtes Geraes, vol. 1.&ordm; pag. 276).<br />
+
+<br />
+
+<sup><a name="Z267" id="Z267">[267]</a></sup> Mello
+Moraes&#8213;Brasil-reino e Brasil-imperio.<br />
+
+<br />
+
+<sup><a name="Z268" id="Z268">[268]</a></sup>
+Segundo
+Mello Moraes escreveu a
+representa&ccedil;&atilde;o Jos&eacute; Bonifacio
+(Brasil-reino e Brasil-imperio).<br />
+
+<br />
+
+<sup><a name="Z269" id="Z269">[269]</a></sup>
+Moura, Castello Branco, Feio, Miranda e Fernandes Thomaz (Diario das
+Côrtes Geraes, sess. de 22 de mar&ccedil;o de 1822).<br />
+
+<br />
+
+<sup><a name="Z270" id="Z270">[270]</a></sup>
+Xavier de Araujo&#8213;Revela&ccedil;&otilde;es e memorias.<br />
+
+<br />
+
+<sup><a name="Z271" id="Z271">[271]</a></sup> Sess.
+5 de abril 1821 (Diario das Côrtes Geraes,
+pag. 484).<br />
+
+<br />
+
+<sup><a name="Z272" id="Z272">[272]</a></sup> Sess.
+de 22 de mar&ccedil;o de 1822. (Diario das
+Côrtes Geraes, tomo 5.&ordm; pag. 583). Rebello da Silva.
+Var&otilde;es illustres e Xavier de
+Araujo&#8213;Revela&ccedil;&otilde;es e
+Memorias.<br />
+
+<br />
+
+<sup><a name="Z273" id="Z273">[273]</a></sup> Sess.
+de 23 de mar&ccedil;o de 1822. (Diario das
+Côrtes Geraes, tomo 5.&ordm;, pag. 592).<br />
+
+<br />
+
+<sup><a name="Z274" id="Z274">[274]</a></sup> Sess.
+de 23 de mar&ccedil;o de 1822. (Diario das
+Côrtes Geraes, tomo 5.&ordm;, pag. 597).<br />
+
+<br />
+
+<sup><a name="Z275" id="Z275">[275]</a></sup> Sess.
+citada. (Diario das Côrtes Geraes, tomo
+5.&ordm;, pag. 602).<br />
+
+<br />
+
+<sup><a name="Z276" id="Z276">[276]</a></sup> Sess.
+de 20 e 25 de fevereiro de 1822 (Diario das
+Côrtes Geraes, tomo 5.&ordm; pag. 242 e 293).<br />
+
+<br />
+
+<sup><a name="Z277" id="Z277">[277]</a></sup> Sess.
+de 23 de mar&ccedil;o de 1822 (Diario das
+Côrtes Geraes, tomo 5.&ordm; pag. 598).<br />
+
+<br />
+
+<sup><a name="Z278" id="Z278">[278]</a></sup> Sess.
+de 23 de mar&ccedil;o de 1822 (Diario das
+Côrtes Geraes, tomo 5.&ordm; pag. 604).<br />
+
+<br />
+
+<sup><a name="Z279" id="Z279">[279]</a></sup> Sess.
+de 23 de mar&ccedil;o (Diario das
+Côrtes Geraes, tomo 5.&ordm; pag. 604).<br />
+
+<br />
+
+<sup><a name="Z280" id="Z280">[280]</a></sup> Sess.
+citada (Diario das Côrtes Geraes, tomo
+5.&ordm; pag. 591 e 615).<br />
+
+<br />
+
+<sup><a name="Z281" id="Z281">[281]</a></sup>
+Jos&eacute;
+d'Arriaga&#8213;Historia da
+revolu&ccedil;&atilde;o de 1820. (Vol. 4.&ordm;, pag. 42).<br />
+
+<br />
+
+<sup><a name="Z282" id="Z282">[282]</a></sup> Sousa
+Monteiro&#8213;Historia de Portugal,
+sec&ccedil;&atilde;o 20.<br />
+
+<br />
+
+<sup><a name="Z283" id="Z283">[283]</a></sup>
+Borges
+de Barros, sess. de 22 de mar&ccedil;o de 1822
+(<a href="#e51">Diario</a> das
+Côrtes Geraes, tomo 5.&ordm; pag. 583).<br />
+
+<br />
+
+<sup><a name="Z284" id="Z284">[284]</a></sup>
+Biographia
+de Jannuario da Cunha Barbosa (Rev. do Inst.
+Hist. do Brasil, vol. 65).<br />
+
+<br />
+
+<sup><a name="Z285" id="Z285">[285]</a></sup> Astro
+da Lusitania de 10 de abril de 1822 e discurso de
+Vergueiro, sess. citada de 23 de mar&ccedil;o de 1822.<br />
+
+<br />
+
+<sup><a name="Z286" id="Z286">[286]</a></sup> Sess.
+6 de 3 de fevereiro de 1821. (Diario das
+Côrtes Geraes, pag. 24).<br />
+
+<br />
+
+<sup><a name="Z287" id="Z287">[287]</a></sup>
+Bettencourt,
+Pessanha e Borges Carneiro. (Sess. de 12 a 31
+de janeiro de 1821).<br />
+
+<br />
+
+<sup><a name="Z288" id="Z288">[288]</a></sup>
+Parecer
+da commiss&atilde;o especial. (Diario das
+Côrtes Geraes, tomo 5.&ordm;, pag. 531).<br />
+
+<br />
+
+<sup><a name="Z289" id="Z289">[289]</a></sup>
+Galeria
+dos deputados das Côrtes Geraes.<br />
+
+<br />
+
+<sup><a name="Z290" id="Z290">[290]</a></sup>
+Relatorio
+de Fernandes Thomaz, sess. 7 <a href="#e56">de</a>
+6 de
+fevereiro 1821; sess. 2 de abril
+1822 (Diario das Côrtes Geraes, pag. 35 vol. 1.&ordm; e
+pag. 705 do vol. 5.&ordm;).<br />
+
+<br />
+
+<sup><a name="Z291" id="Z291">[291]</a></sup>
+Ferreira
+Borges&#8213;sess. 2 de abril 1822 (Diario das
+Côrtes Geraes tomo 5, pag. 702).<br />
+
+<br />
+
+<sup><a name="Z292" id="Z292">[292]</a></sup> Sess.
+de 1, 2 e 9 de abril 1822 (Diario das
+Côrtes Geraes, tomo 5.&ordm; pag. 685-728).<br />
+
+<br />
+
+<sup><a name="Z293" id="Z293">[293]</a></sup> J.
+Accurcio das Neves. Memoria sobre os meios de melhorar
+a industria portugu&ecirc;sa (Lisboa, 1820).<br />
+
+<br />
+
+<sup><a name="Z294" id="Z294">[294]</a></sup>
+Soares
+Franco e Antonio Carlos, sess. 27 de abril 1822
+(Diario das Côrtes Geraes, tomo 5.&ordm; pag.
+980).<br />
+
+<br />
+
+<sup><a name="Z295" id="Z295">[295]</a></sup>
+Antonio
+Carlos, sess. 15 de abril 1822 (Diario das
+Côrtes Geraes, tomo 5.&ordm; 807).<br />
+
+<br />
+
+<sup><a name="Z296" id="Z296">[296]</a></sup> Sess.
+15 e 27 de abril 1822 (Diario das Côrtes
+Geraes, tomo 5.&ordm; pag. 807 e 978 e 989).<br />
+
+<br />
+
+<sup><a name="Z297" id="Z297">[297]</a></sup> J.
+<a href="#e57">Accursio</a> das Neves&#8213;Memoria sobre
+a industria
+portugu&ecirc;sa, e Soares Franco, sess. de 30 de agosto de 1822.
+(Diario das Côrtes Geraes, tomo 6.&ordm;, pag.
+301).<br />
+
+<br />
+
+<sup><a name="Z298" id="Z298">[298]</a></sup> J.
+Accursio das Neves&#8213;Memoria sobre a industria
+portugu&ecirc;sa.<br />
+
+<br />
+
+<sup><a name="Z299" id="Z299">[299]</a></sup>
+Relatorio
+de Fernandes Thomaz. Sess. 7.&ordf; de 5 de
+fevereiro de 1821. (Diario das Côrtes Geraes, pag. 36).<br />
+
+<br />
+
+<sup><a name="Z300" id="Z300">[300]</a></sup> Sess.
+de 14 de maio de 1822. (Diario das Côrtes
+Geraes, tomo 6.&ordm;, pag. 157 a 159.<br />
+
+<br />
+
+<sup><a name="Z301" id="Z301">[301]</a></sup>
+Zefirino
+dos Santos, sess. de 17 de
+julho de 1822 (Diario das Côrtes Geraes, <a href="#e60">tomo</a>
+6.&ordm; pag. 850).<br />
+
+<br />
+
+<sup><a name="Z302" id="Z302">[302]</a></sup> Sess.
+de 17 de julho de 1822 (Diario das Côrtes
+Geraes, tomo 6.&ordm; pag. 848).<br />
+
+<br />
+
+<sup><a name="Z303" id="Z303">[303]</a></sup> Sess.
+17 de Julho 1822 (Diario das Côrtes
+Geraes, tomo 6.&ordm; pag. 850).<br />
+
+<br />
+
+<sup><a name="Z304" id="Z304">[304]</a></sup> Sess.
+17 de julho de 1822 (Diario das Côrtes
+Geraes, tomo 5.&ordm; pag, 852).<br />
+
+<br />
+
+<sup><a name="Z305" id="Z305">[305]</a></sup> Sess.
+27 de agosto 1822 (Diario das Côrtes
+Geraes, tomo 7.&ordm; pag. 262).<br />
+
+<br />
+
+<sup><a name="Z306" id="Z306">[306]</a></sup>
+Diario
+das Côrtes Geraes, tomo
+7.&ordm; pag. 435).<br />
+
+<br />
+
+<sup><a name="Z307" id="Z307">[307]</a></sup>
+Arriaga&#8213;Revolu&ccedil;&atilde;o
+de 1820, vol.
+1.&ordm;,
+pag. 660.<br />
+
+<br />
+
+<sup><a name="Z308" id="Z308">[308]</a></sup> Sess.
+26 de setembro de 1822. (Diario das Côrtes
+Geraes, tomo 7.&ordm;, pag. 568-574.<br />
+
+<br />
+
+<sup><a name="Z309" id="Z309">[309]</a></sup> Sess.
+15 de abril 1822 (Diario das <a href="#e65">Côrtes</a>
+Geraes, tomo 5.&ordm; pag. 795 e 803.)<br />
+
+<br />
+
+<sup><a name="Z310" id="Z310">[310]</a></sup>
+Diario
+das Côrtes Geraes, tomo 5.&ordm; pag.
+803.<br />
+
+<br />
+
+<sup><a name="Z311" id="Z311">[311]</a></sup> Carta
+de Antonio Carlos (Diario do Governo de 17 de abril
+1822; Fernandes Pinheiro memorias; e Sousa Monteiro, Historia de
+Portugal).<br />
+
+<br />
+
+<sup><a name="Z312" id="Z312">[312]</a></sup>
+Pereira
+da Silva assignala a excellencia da voz e a
+majestade do gesto de Antonio Carlos. (Memorias do meu tempo).<br />
+
+<br />
+
+<sup><a name="Z313" id="Z313">[313]</a></sup>
+Diario das Côrtes Geraes, tomo
+5.&ordm;
+pag. 807.<br />
+
+<br />
+
+<sup><a name="Z314" id="Z314">[314]</a></sup> Sess.
+de 18 de abril de 1822 (Diario das Côrtes
+Geraes, tomo 5.&ordm; pag. 850 e 854).<br />
+
+<br />
+
+<sup><a name="Z315" id="Z315">[315]</a></sup>
+Diario
+do Governo de 17 de abril e Diario das
+Côrtes Geraes, (tomo 5.&ordm; pag. 853).<br />
+
+<br />
+
+<sup><a name="Z316" id="Z316">[316]</a></sup>
+Memorias
+(Rev. do Inst. Hist. do Brasil, vol. 37).<br />
+
+<br />
+
+<sup><a name="Z317" id="Z317">[317]</a></sup> Sess.
+de 18 de abril de 1822 (Diario das Côrtes
+Geraes, tomo 5.&ordm; pag. 850).<br />
+
+<br />
+
+<sup><a name="Z318" id="Z318">[318]</a></sup> Sousa
+Monteiro&#8213;Historia de Portugal,
+sec&ccedil;&atilde;o 20.<br />
+
+<br />
+
+<sup><a name="Z319" id="Z319">[319]</a></sup> Sess.
+de 18 de abril de 1822 (Diario das Côrtes
+Geraes, tomo 5.&ordm; pag. 854).<br />
+
+<br />
+
+<sup><a name="Z320" id="Z320">[320]</a></sup> Sess.
+18 e 23 de abril. (Diario das Côrtes, tomo
+5.&ordm;, pag. 852, 855 e 929).<br />
+
+<br />
+
+<sup><a name="Z321" id="Z321">[321]</a></sup>
+Borges
+Carneiro e Moura. (Diario das Côrtes
+Geraes, tomo 5.&ordm;, pag. 850 e 851).<br />
+
+<br />
+
+<sup><a name="Z322" id="Z322">[322]</a></sup>
+Castello
+Branco, sess. de 25 de abril de 1822 (Diario das
+Côrtes Geraes, tomo 5.&ordm; pag. 594).<br />
+
+<br />
+
+<sup><a name="Z323" id="Z323">[323]</a></sup> Sess.
+de 25 de abril de 1822 (Diario das Côrtes
+Geraes, tomo 5.&ordm; pag. 954).<br />
+
+<br />
+
+<sup><a name="Z324" id="Z324">[324]</a></sup> Sess.
+de 27 de abril de 1822 (Diario das Côrtes
+Geraes, tomo 5.&ordm; pag. 989).<br />
+
+<br />
+
+<sup><a name="Z325" id="Z325">[325]</a></sup> Sess.
+1.&ordm; de
+abril 1822
+(Diario das Côrtes Geraes, tomo 5.&ordm; pag. 677).<br />
+
+<br />
+
+<sup><a name="Z326" id="Z326">[326]</a></sup> Sess.
+18 de abril 1822 (Diario das Côrtes
+Geraes, tomo 5.&ordm; pag. 855).<br />
+
+<br />
+
+<sup><a name="Z327" id="Z327">[327]</a></sup> Sess.
+citada de 18 de abril.<br />
+
+<br />
+
+<sup><a name="Z328" id="Z328">[328]</a></sup> Sess.
+9 de abril 1822 (Diario das Côrtes Geraes.
+tomo 5.&ordm; pag. 721). As informa&ccedil;&otilde;es sobre
+D.
+Romualdo foram escolhidas na sua biographia. (Rev. do Inst. Hist. do do
+Brasil, vol. 3.&ordm;).<br />
+
+<br />
+
+<sup><a name="Z329" id="Z329">[329]</a></sup> Sess.
+de 3 de maio 1822. (Diario das Côrtes
+Geraes, tomo 6.&ordm; pag. 53).<br />
+
+<br />
+
+<sup><a name="Z330" id="Z330">[330]</a></sup>
+Memorias
+do Espirito Santo por Braz da Costa Rubim (Rev.
+do Inst. Hist. do Brasil, vol. 24).<br />
+
+<br />
+
+<sup><a name="Z331" id="Z331">[331]</a></sup>
+Regulamento
+eleitoral de 22 de novembro de 1820
+(Documentos para a Historia das Côrtes Geraes, vol.
+1.&ordm; pag. 108) e sess. de 16 de abril de 1822 (Diario das
+Côrtes Geraes, tomo 5.&ordm; pag. 824).<br />
+
+<br />
+
+<sup><a name="Z332" id="Z332">[332]</a></sup> Sess.
+de 16 de abril de 1822 (Diario das Côrtes
+Geraes, tomo 5.&ordm; pag. 824).<br />
+
+<br />
+
+<sup><a name="Z333" id="Z333">[333]</a></sup> Sess.
+de 22 de abril de 1822 (Diario das Côrtes
+Geraes, tomo 5.&ordm; pag. 914) e Annaes de Goyaz (Rev. do Inst.
+Hist do Brasil, vol. 27).<br />
+
+<br />
+
+<sup><a name="Z334" id="Z334">[334]</a></sup>
+Correio
+Brasiliense de mar&ccedil;o e abril de 1822
+(vol. 28).<br />
+
+<br />
+
+<sup><a name="Z335" id="Z335">[335]</a></sup> Sess.
+27 de abril 1822 (Diario das Côrtes
+Geraes, tomo 5.&ordm; pag. 978).<br />
+
+<br />
+
+<sup><a name="Z336" id="Z336">[336]</a></sup> Mello
+Moraes&#8213;Brasil-reino e Brasil-imperio e,
+principalmente, Oliveira Lima&#8213;D. Jo&atilde;o VI no Brasil.
+Excellente obra pela copia de noticias como pelo senso critico.<br />
+
+<br />
+
+<sup><a name="Z337" id="Z337">[337]</a></sup> Sess.
+de 30 de abril e 2 de maio 1822 (Diario das
+Côrtes Geraes, tomo 5.&ordm; pag. 1020 e tomo
+6.&ordm; pag. 17).<br />
+
+<br />
+
+<sup><a name="Z338" id="Z338">[338]</a></sup>
+Diario
+das Côrtes Geraes, tomo 5.&ordm; pag.
+978.<br />
+
+<br />
+
+<sup><a name="Z339" id="Z339">[339]</a></sup>
+Correio
+Brasiliense de Junho de 1822 (vol. 28).<br />
+
+<br />
+
+<sup><a name="Z340" id="Z340">[340]</a></sup> Sess.
+de 30 de abril de 1822 (Diario das Côrtes
+Geraes, tomo 5.&ordm; pag. 1021).<br />
+
+<br />
+
+<sup><a name="Z341" id="Z341">[341]</a></sup>
+Annaes
+da Provincia de Goyaz (Rev. do Inst. Hist. do
+Brasil, vol. 27).<br />
+
+<br />
+
+<sup><a name="Z342" id="Z342">[342]</a></sup> Folha
+redigida por Barata em 1831 e 1832.<br />
+
+<br />
+
+<sup><a name="Z343" id="Z343">[343]</a></sup>
+Diario
+das Côrtes Geraes tomo 5.&ordm;
+pag. 1014.<br />
+
+<br />
+
+<sup><a name="Z344" id="Z344">[344]</a></sup>
+Trigoso,
+sess. 30 de abril 1822 (Diario das
+Côrtes Geraes, tomo 5.&ordm; pag. 1017).<br />
+
+<br />
+
+<sup><a name="Z345" id="Z345"></a>[345]</sup> Pinto
+da Fran&ccedil;a, sess. citada (Diario das
+Côrtes Geraes, tomo 5.&ordm; pag. 1015).<br />
+
+<br />
+
+<sup><a name="Z346" id="Z346"></a>[346]</sup>
+Fernando
+Pinheiro. Memorias (Revista do Inst. Hist. do Brasil, vol. 37.) e sess.
+2 de maio 1822 (Diario das Côrtes Geraes, tomo 6.&ordm;
+pag. 39).<br />
+
+<br />
+
+<sup><a name="Z347" id="Z347"></a>[347]</sup> Sess.
+4 de maio 1822 (Diario das Côrtes Geraes,
+tomo 6.&ordm; pag. 65).<br />
+
+<br />
+
+<sup><a name="Z348" id="Z348"></a>[348]</sup> Sess.
+15 de maio (Diario das Côrtes Geraes, tomo
+6.&ordm; pag. 167-172).<br />
+
+<br />
+
+<sup><a name="Z349" id="Z349"></a>[349]</sup> Sess.
+10 de maio 1822 (Diario das Côrtes Geraes,
+tomo 6.&ordm; pag. 135).<br />
+
+<br />
+
+<sup><a name="Z350" id="Z350"></a>[350]</sup> Sess.
+de 25 de junho 1822 (Diario das Côrtes
+Geraes, tomo 6.&ordm; pag. 553).<br />
+
+<br />
+
+<sup><a name="Z351" id="Z351"></a>[351]</sup> Sess.
+29 de abril de 1822. (Diario das Côrtes
+Geraes, tomo 5.&ordm; pag. 1010). &Eacute; a
+conspira&ccedil;&atilde;o da rua Formosa. (Souza Monteiro.
+Historia de Portugal, sec&ccedil;&atilde;o 20
+e Arriaga&#8213;Hist. da Rev.
+de
+1820, vol. 3.&ordm;, pag. 574).<br />
+
+<br />
+
+<sup><a name="Z352" id="Z352"></a>[352]</sup>
+Discurso
+de Jos&eacute; Bonifacio a D. Pedro, e carta
+d'este a D. Jo&atilde;o VI de 2 de fevereiro de 1822. (Documentos
+para a Historia das Côrtes Geraes, vol. 1.&ordm;, pag.
+300 e 285).<br />
+
+<br />
+
+<sup><a name="Z353" id="Z353"></a>[353]</sup>
+Bancroft&#8213;Historia
+dos Estados-Unidos.<br />
+
+<br />
+
+<sup><a name="Z354" id="Z354"></a>[354]</sup> Sess.
+de 20 de maio de 1822. (Diario das Côrtes
+Geraes, tomo 6.&ordm;, pag. 201).<br />
+
+<br />
+
+<sup><a name="Z355" id="Z355"></a>[355]</sup> Sess.
+de 9 de maio de 1822. (Diario das Côrtes
+Geraes, vol. 6.&ordm;, pag. 109).<br />
+
+<br />
+
+<sup><a name="Z356" id="Z356"></a>[356]</sup>
+Depoimento
+de B. J. Teixeira. (Rev. do Inst.
+Hist. do Brasil, vol. 38, pag. 159); e Revolu&ccedil;&atilde;o
+do Cear&aacute; (Rev. do Inst. Hist. do Brasil, vol. 29, pag.
+255-262).<br />
+
+<br />
+
+<sup><a name="Z357" id="Z357"></a>[357]</sup> A
+revolu&ccedil;&atilde;o de 1817. (Rev. do Inst.
+Hist. do Brasil, vol. 60).<br />
+
+<br />
+
+<sup><a name="Z358" id="Z358"></a>[358]</sup>
+Fernandes
+Pinheiro&#8213;Memorias, (Rev. do Inst. do Brasil,
+vol. 37).<br />
+
+<br />
+
+<sup><a name="Z359" id="Z359"></a>[359]</sup> Sess.
+de 21 de maio de 1822. (Diario das Côrtes
+Geraes, tomo 6.&ordm;, pag. 203-215).<br />
+
+<br />
+
+<sup><a name="Z360" id="Z360"></a>[360]</sup> Sess.
+de 23 de maio de 1822 (Diario das Côrtes
+Geraes, tomo 6.&ordm; pag. 249).<br />
+
+<br />
+
+<sup><a name="Z361" id="Z361"></a>[361]</sup>
+Correio
+Brasiliense de junho de 1822 (vol. 20) e Fernandes
+Pinheiro&#8213;Memorias (Rev. do Inst. Hist. do Brasil, vol. 37).<br />
+
+<br />
+
+<sup><a name="Z362" id="Z362"></a>[362]</sup>
+Diario
+das Côrtes Geraes, tomo 6.&ordm; pag.
+221 e
+248.<br />
+
+<br />
+
+<sup><a name="Z363" id="Z363"></a>[363]</sup>
+Correio
+Brasiliense.<br />
+
+<br />
+
+<sup><a name="Z364" id="Z364"></a>[364]</sup> Sess.
+22 de maio 1822 (Diario das Côrtes Geraes,
+vol. 6.&ordm; pag. 248).<br />
+
+<br />
+
+<sup><a name="Z365" id="Z365"></a>[365]</sup>
+Fernandes
+Pinheiro&#8213;Memorias&#8213;(Rev. do Inst. Hist. do
+Brasil, vol. 37).<br />
+
+<br />
+
+<sup><a name="Z366" id="Z366"></a>[366]</sup>
+Correio
+Brasiliense de junho de 1822 (vol. 28).<br />
+
+<br />
+
+<sup><a name="Z367" id="Z367"></a>[367]</sup> O
+Campe&atilde;o portugu&ecirc;s em Lisboa,
+n.&ordm; 8
+de 25 de maio de 1822 (vol. 1.&ordm;).<br />
+
+<br />
+
+<sup><a name="Z368" id="Z368"></a>[368]</sup>
+Diario
+das Côrtes Geraes, tomo 6.&ordm;, pag. 256.<br />
+
+<br />
+
+<sup><a name="Z369" id="Z369"></a>[369]</sup> O
+Rio de Janeiro nomeou procuradores o dr. Jos&eacute;
+Marianno de Azevedo Coutinho e Joaquim
+Gon&ccedil;alves Ledo, o notavel redactor do Reverbero.<br />
+
+<br />
+
+<sup><a name="Z370" id="Z370"></a>[370]</sup>
+Considera-o
+assim, porque devolve ao povo a
+nomea&ccedil;&atilde;o de um corpo que nas monarchias
+constitucionaes deve ser escolhido pelo poder executivo (Diario das
+Côrtes Geraes, tomo 6.&ordm; pag. 603).<br />
+
+<br />
+
+<sup><a name="Z371" id="Z371"></a>[371]</sup>
+Officio
+do ministro da guerra, sess&atilde;o 28 de
+maio 1822 (Diario das Côrtes Geraes, tomo 6.&ordm; pag.
+289).<br />
+
+<br />
+
+<sup><a name="Z372" id="Z372"></a>[372]</sup>
+Officio
+de Maximiliano de Sousa (Diario das
+Côrtes Geraes, tomo 6.&ordm; pag. 302).<br />
+
+<br />
+
+<sup><a name="Z373" id="Z373"></a>[373]</sup>
+Protesto
+dos commandantes (Diario das Côrtes
+Geraes, tomo 6.&ordm; pag. 313).<br />
+
+<br />
+
+<sup><a name="Z374" id="Z374"></a>[374]</sup> Carta
+de 14 de maio de 1822 (Diario das Côrtes Geraes, tomo
+6.&ordm; pag. 313).<br />
+
+<br />
+
+<sup><a name="Z375" id="Z375"></a>[375]</sup> Carta
+de 19 de mar&ccedil;o (Diario das Côrtes Geraes, tomo
+6.&ordm; pag. 313).<br />
+
+<br />
+
+<sup><a name="Z376" id="Z376"></a>[376]</sup>
+Notavel
+representa&ccedil;&atilde;o da camara do
+Rio ao Congresso (Diario das Côrtes Geraes, tomo 6.&ordm;
+pag.
+285).<br />
+
+<br />
+
+<sup><a name="Z377" id="Z377"></a>[377]</sup>
+Representa&ccedil;&atilde;o
+da camara do Rio e
+fala da deputa&ccedil;&atilde;o de Minas Geraes ao regente,
+(Diario das Côrtes Geraes, vol. 6.&ordm; pag. 283).<br />
+
+<br />
+
+<sup><a name="Z378" id="Z378"></a>[378]</sup> Sess.
+de 29 de maio de 1822. (Diario das Côrtes
+Geraes, tomo 6.&ordm;, pag. 313-316).<br />
+
+<br />
+
+<sup><a name="Z379" id="Z379"></a>[379]</sup>
+&sect;
+1.&ordm; do artigo 159 da
+constitui&ccedil;&atilde;o (Documentos para a Historia das
+Côrtes Geraes, vol. 1.&ordm; pag.
+<a href="#e85">428</a>.)<br />
+
+<br />
+
+<sup><a name="Z380" id="Z380"></a>[380]</sup>
+Diario
+das Côrtes Geraes, tomo 6.&ordm; pag.
+425.<br />
+
+<br />
+
+<sup><a name="Z381" id="Z381"></a>[381]</sup> Sess.
+de 10 de abril de 1822 (Diario das Côrtes
+Geraes, tomo 5.&ordm; pag. 753).<br />
+
+<br />
+
+<sup><a name="Z382" id="Z382"></a>[382]</sup>
+Revolu&ccedil;&atilde;o
+em Pernambuco de
+1817 (Rev. do Inst. Hist. do Brasil, vol. 60).<br />
+
+<br />
+
+<sup><a name="Z383" id="Z383"></a>[383]</sup> Sess.
+de 12 de junho de 1822 (Diario das Côrtes
+Geraes, tomo 6.&ordm; pag. 433).<br />
+
+<br />
+
+<sup><a name="Z384" id="Z384"></a>[384]</sup> Sess.
+de 20 de junho 1822 (Diario das Côrtes
+Geraes, tomo 6.&ordm; pag. 515).<br />
+
+<br />
+
+<sup><a name="Z385" id="Z385"></a>[385]</sup> Sess.
+22 e 25 de junho 1822 (Diario das Côrtes
+Geraes, tomo 6.&ordm; pag. 541 e 556).<br />
+
+<br />
+
+<sup><a name="Z386" id="Z386"></a>[386]</sup> Sess.
+26 de junho 1822 (Diario das Côrtes
+Geraes, tomo 6.&ordm; pag. 573).<br />
+
+<br />
+
+<sup><a name="Z387" id="Z387"></a>[387]</sup>
+Capitulo
+XIII.<br />
+
+<br />
+
+<sup><a name="Z388" id="Z388"></a>[388]</sup> Sess.
+23 de mar&ccedil;o (Diario das Côrtes
+Geraes, tomo 5.&ordm; pag. 611).<br />
+
+<br />
+
+<sup><a name="Z389" id="Z389"></a>[389]</sup> Sess.
+29 de mar&ccedil;o (Diario das Côrtes
+Geraes, tomo 5.&ordm; pag. 670).<br />
+
+<br />
+
+<sup><a name="Z390" id="Z390"></a>[390]</sup>
+Fernandes
+Pinheiro&#8213;Memorias. (Rev. do Inst Historico do
+Brasil, vol. 36).<br />
+
+<br />
+
+<sup><a name="Z391" id="Z391"></a>[391]</sup> Sess.
+15 e 25 de abril 1822 (Diario das Côrtes
+Geraes, tomo 5.&ordm; pag. 855 e 954).<br />
+
+<br />
+
+<sup><a name="Z392" id="Z392"></a>[392]</sup> Sess.
+de 7 de junho 1822 (Diario das Côrtes
+Geraes, tomo 6.&ordm; pag. 360).<br />
+
+<br />
+
+<sup><a name="Z393" id="Z393"></a>[393]</sup> J.
+C. Augusto de Oeynausen, presidente; Jos&eacute;
+Bonifacio, vice-presidente; Martins Francisco; Lazaro Jos&eacute;
+Gon&ccedil;alves; M. J. de Oliveira Pinto; Manuel Rodrigues
+Jord&atilde;o; F. J. de Sousa e Queiroz; J. F. de Oliveira Bueno;
+A. Leite Pereira
+da Gama Lobo, Daniel P. M&uacute;ller; Andr&eacute; da Silva
+Gomes; F. de Paulo e Oliveira.<br />
+
+<br />
+
+<sup><a name="Z394" id="Z394"></a>[394]</sup>
+Jos&eacute;
+Bonifacio e Antonio L. P. da Gama Lobo,
+deputados pelo governo e camara; Jos&eacute; Arouche de Toledo
+Rendon, deputado pela camara, e o padre Alexandre Gomes de Azevedo
+deputado pelo clero.<br />
+
+<br />
+
+<sup><a name="Z395" id="Z395"></a>[395]</sup>
+&Eacute;
+a representa&ccedil;&atilde;o de
+1.&ordm;
+de janeiro. Juntamente com o bispo a assignaram o cabido da
+S&eacute;, e o clero do bispado por seu procurador o padre A. Gomes
+de Azevedo.<br />
+
+<br />
+
+<sup><a name="Z396" id="Z396"></a>[396]</sup> Carta
+do principe de 15 de fevereiro 1822 (Documentos para
+a Historia das Côrtes Geraes, vol. 1.&ordm; pag. 304).
+Eram 13: Antonio Felix da Costa; Belchior Pinheiro de Oliveira;
+Domingos Alves Macedo; Francisco de Paula Pereira Duarte; Jacintho
+Furtado de Mendon&ccedil;a; J. Gomes da Silveira; J. C. de Miranda
+Ribeiro; J. Custodio Dias; J. Eloy Ottini; J. de Rezende Costa; L. A.
+Monteiro de Barros; Lucio Jos&eacute; Soares; Manuel J. Velloso.
+Substitutos: M. Rodrigues Jardim; B. Carneiro Pinto; Jos&eacute;
+Joaquim da Rocha e Carlos J. Pinheiro (Documentos para a
+Historia das Côrtes Geraes, vol. 1.&ordm; pag. 126).<br />
+
+<br />
+
+<sup><a name="Z397" id="Z397"></a>[397]</sup> Sess.
+de 29 de julho 1822 (Diario das Côrtes
+Geraes, tomo 6.&ordm; pag. 965).<br />
+
+<br />
+
+<sup><a name="Z398" id="Z398"></a>[398]</sup> Sess.
+17 de junho 1822 (Diario das Côrtes
+Geraes, tomo 6.&ordm; pag. 458).<br />
+
+<br />
+
+<sup><a name="Z399" id="Z399"></a>[399]</sup>
+Discurso
+de J. Clemente (Documentos para a Historia das
+Côrtes Geraes, vol. 1.&ordm; pag. 292).<br />
+
+<br />
+
+<sup><a name="Z400" id="Z400"></a>[400]</sup>
+Diario
+das Côrtes Geraes, tomo
+6.&ordm; pag. 393.<br />
+
+<br />
+
+<sup><a name="Z401" id="Z401"></a>[401]</sup>
+Correio
+Brasiliense n.&ordm; 169 de junho 1822 (vol.
+28).<br />
+
+<br />
+
+<sup><a name="Z402" id="Z402"></a>[402]</sup>
+Vergueiro,
+sess. 1.&ordm; de julho 1822 (Diario das
+Côrtes Geraes, tomo 6.&ordm; pag. 628).<br />
+
+<br />
+
+<sup><a name="Z403" id="Z403"></a>[403]</sup> Sousa
+Monteiro. Historia de Portugal,
+sec&ccedil;&atilde;o 20.<br />
+
+<br />
+
+<sup><a name="Z404" id="Z404"></a>[404]</sup>
+Diario
+das Côrtes Geraes, tomo 6.&ordm; pag.
+577.<br />
+
+<br />
+
+<sup><a name="Z405" id="Z405"></a>[405]</sup>
+Diario
+das Côrtes Geraes, tomo 6.&ordm;,
+pag. 580.<br />
+
+<br />
+
+<sup><a name="Z406" id="Z406"></a>[406]</sup> Art.
+24. &laquo;A lei &eacute; a vontade dos
+cidad&atilde;os declarada pelos seus representantes juntos em
+Côrtes. Todos os cidad&atilde;os devem concorrer para a
+forma&ccedil;&atilde;o da Lei.&raquo; (Documentos para a
+Historia das Côrtes
+Geraes, vol. 1.&ordm;, pag. 65).<br />
+
+<br />
+
+<sup><a name="Z407" id="Z407"></a>[407]</sup> Sess.
+de 27 de junho de 1822. (Diario das Côrtes
+Geraes, tomo 6.&ordm;, pag. 588.<br />
+
+<br />
+
+<sup><a name="Z408" id="Z408"></a>[408]</sup>
+Barreto
+Feio.<br />
+
+<br />
+
+<sup><a name="Z409" id="Z409"></a>[409]</sup>
+Diario
+das Côrtes Geraes, tomo 6.&ordm; pag.
+590.<br />
+
+<br />
+
+<sup><a name="Z410" id="Z410"></a>[410]</sup>
+Diario
+das Côrtes Geraes, tomo 5.&ordm; pag.
+445.<br />
+
+<br />
+
+<sup><a name="Z411" id="Z411"></a>[411]</sup>
+Diario
+das Côrtes Geraes, tomo 5.&ordm; pag.
+609.<br />
+
+<br />
+
+<sup><a name="Z412" id="Z412"></a>[412]</sup> <span class="note">[<b>Nota
+de editor:</b> aus&ecirc;ncia de nota para esta
+refer&ecirc;ncia].</span><br />
+
+<br />
+
+<sup><a name="Z413" id="Z413"></a>[413]</sup> Sess.
+28 de junho 1822 (Diario das Côrtes Geraes, tomo 6.&ordm;
+pag. 600).<br />
+
+<br />
+
+<sup><a name="Z414" id="Z414"></a>[414]</sup> Sess.
+de 1 de <a href="#e96">julho</a> de 1822. (Diario
+das Côrtes Geraes, tomo
+6.&ordm;, pag. 635).<br />
+
+<br />
+
+<sup><a name="Z415" id="Z415"></a>[415]</sup>
+Diario das Côrtes Geraes, tomo 6.&ordm;,
+pag. 626.<br />
+
+<br />
+
+<sup><a name="Z416" id="Z416"></a>[416]</sup>
+Diario
+das Côrtes Geraes, tomo 6.&ordm; pag.
+640.<br />
+
+<br />
+
+<sup><a name="Z417" id="Z417"></a>[417]</sup> Sess.
+de 1 de julho de 1822. (Diario das Côrtes
+Geraes, tomo 6.&ordm;, pag. 643).<br />
+
+<br />
+
+<sup><a name="Z418" id="Z418"></a>[418]</sup>
+Referia-se
+a Inglaterra descontente com a
+disposi&ccedil;&atilde;o das Côrtes de fazer no
+Brasil tarifas contrarias aos interesses della.<br />
+
+<br />
+
+<sup><a name="Z419" id="Z419"></a>[419]</sup> Sess.
+de 1 de julho de 1822. (Diario das Côrtes
+Geraes, tomo 6.&ordm;, pag. 645).<br />
+
+<br />
+
+<sup><a name="Z420" id="Z420"></a>[420]</sup>
+Diario
+das Côrtes Geraes, tomo 6.&ordm; pag.
+653.<br />
+
+<br />
+
+<sup><a name="Z421" id="Z421"></a>[421]</sup>
+Bancroft.
+Historia dos Estados Unidos.<br />
+
+<br />
+
+<sup><a name="Z422" id="Z422"></a>[422]</sup>
+Diario
+das Côrtes Geraes, tomo 6.&ordm; pag.
+657 e decretos de 24 de julho 1822 (Documentos para a Historia das
+Côrtes Geraes, vol. 1.&ordm; pag. <a href="#e101">350-351</a>).<br />
+
+<br />
+
+<sup><a name="Z423" id="Z423"></a>[423]</sup> Sess.
+de 23 de maio de 1822 (Diario das Côrtes
+Geraes, tomo 6.&ordm; pag. 256).<br />
+
+<br />
+
+<sup><a name="Z424" id="Z424"></a>[424]</sup> Sess.
+de 25 de maio de 1822 (Diario das Côrtes Geraes, tomo
+6.&ordm; pag. 277).<br />
+
+<br />
+
+<sup><a name="Z425" id="Z425"></a>[425]</sup> Sess.
+de 17 de junho de 1822. (Diario das Côrtes
+Geraes, tomo 6.&ordm;, pag. 465).<br />
+
+<br />
+
+<sup><a name="Z426" id="Z426"></a>[426]</sup>
+Villela
+Barbosa. Sess. de 26 de junho. (Diario das
+Côrtes Geraes, tomo 6.&ordm;, pag. 567).<br />
+
+<br />
+
+<sup><a name="Z427" id="Z427"></a>[427]</sup>
+Fernandes
+Pinheiro, sess. de 3 de
+julho. (Diario das Côrtes Geraes, tomo 6.&ordm;, pag.
+674).<br />
+
+<br />
+
+<sup><a name="Z428" id="Z428"></a>[428]</sup>
+Diario
+das Côrtes Geraes, tomo 6.&ordm;,
+pag. 567.<br />
+
+<br />
+
+<sup><a name="Z429" id="Z429"></a>[429]</sup> Sess.
+de 3 de julho. (Diario das Côrtes Geraes,
+tomo 6.&ordm;, pag. 683).<br />
+
+<br />
+
+<sup><a name="Z430" id="Z430"></a>[430]</sup>
+Antonio
+Carlos, sess. 26 de junho 1822 (Diario das
+Côrtes Geraes, tomo 6.&ordm; pag. 560).<br />
+
+<br />
+
+<sup><a name="Z431" id="Z431"></a>[431]</sup> Sess.
+3 de julho 1822 (Diario <a href="#e104">das</a>
+Côrtes
+Geraes, tomo 6.&ordm; pag. 677).<br />
+
+<br />
+
+<sup><a name="Z432" id="Z432"></a>[432]</sup>
+Diario
+das Côrtes Geraes, tomo 6.&ordm; pag.
+562.<br />
+
+<br />
+
+<sup><a name="Z433" id="Z433"></a>[433]</sup>
+Diario
+das Côrtes Geraes, tomo 6.&ordm; pag.
+559.<br />
+
+<br />
+
+<sup><a name="Z434" id="Z434"></a>[434]</sup>
+Diario
+das Côrtes Geraes, tomo 6.&ordm; pag.
+691.<br />
+
+<br />
+
+<sup><a name="Z435" id="Z435"></a>[435]</sup>
+Cartas
+sobre a Revolu&ccedil;&atilde;o no Brasil (Rev. do Inst. Hist.
+do Brasil, vol. 51).<br />
+
+<br />
+
+<sup><a name="Z436" id="Z436"></a>[436]</sup>
+Oliveira
+Martins&#8213;O Brasil e as colonias.<br />
+
+<br />
+
+<sup><a name="Z437" id="Z437"></a>[437]</sup>
+Diario
+das Côrtes Geraes, tomo 6.&ordm; pag. 699.<br />
+
+<br />
+
+<sup><a name="Z438" id="Z438"></a>[438]</sup>
+Diario
+das Côrtes Geraes, tomo 6.&ordm; pag. 702 e 703.<br />
+
+<br />
+
+<sup><a name="Z439" id="Z439"></a>[439]</sup> Sess.
+de 3 de julho de 1822 (Diario das Côrtes
+Geraes, tomo 6.&ordm; pag. 675).<br />
+
+<br />
+
+<sup><a name="Z440" id="Z440"></a>[440]</sup> Sess.
+de 4 de julho de 1822 (Diario das Côrtes
+Geraes, tomo 6.&ordm; pag. 703).<br />
+
+<br />
+
+<sup><a name="Z441" id="Z441"></a>[441]</sup>
+Diario
+das Côrtes Geraes, tomo 6.&ordm; pag.
+703.<br />
+
+<br />
+
+<sup><a name="Z442" id="Z442"></a>[442]</sup> Sess.
+de 2 de julho de 1822 (Diario das Côrtes
+Geraes, tomo 6.&ordm; pag. 662).<br />
+
+<br />
+
+<sup><a name="Z443" id="Z443"></a>[443]</sup> Sess.
+citada (Diario das Côrtes Geraes, tomo
+6.&ordm; pag. 662).<br />
+
+<br />
+
+<sup><a name="Z444" id="Z444"></a>[444]</sup> Sess.
+de 6 de julho de 1822. (Diario das Côrtes
+Geraes, tomo 6.&ordm;, pag. 718).<br />
+
+<br />
+
+<sup><a name="Z445" id="Z445"></a>[445]</sup> Sess.
+citada (Diario das Côrtes Geraes, vol.
+6.&ordm; pag. 719).<br />
+
+<br />
+
+<sup><a name="Z446" id="Z446"></a>[446]</sup> Sess.
+8 de julho 1822. (Diario das Côrtes
+Geraes, tomo 6.&ordm; pag. 731).<br />
+
+<br />
+
+<sup><a name="Z447" id="Z447"></a>[447]</sup> Sess.
+5 de julho 1822. (Diario das Côrtes
+Geraes, tomo 6.&ordm; pag. 710)<br />
+
+<br />
+
+<sup><a name="Z448" id="Z448"></a>[448]</sup>
+Trigoso,
+sess. 6 de julho (Diario das Côrtes
+Geraes, tomo 6.&ordm; pag. 715).<br />
+
+<br />
+
+<sup><a name="Z449" id="Z449"></a>[449]</sup> Sess.
+de 5
+de julho. (Diario das Côrtes Geraes, tomo 6.&ordm;, pag.
+712).<br />
+
+<br />
+
+<sup><a name="Z450" id="Z450"></a>[450]</sup> Sess.
+de 6 de julho. (Diario das Côrtes Geraes,
+tomo 6.&ordm;, pag. 722).<br />
+
+<br />
+
+<sup><a name="Z451" id="Z451"></a>[451]</sup> Carta
+do principe de 28 de abril de 1822. (Diario das
+Côrtes Geraes, tomo 6.&ordm;, pag. 767).<br />
+
+<br />
+
+<sup><a name="Z452" id="Z452"></a>[452]</sup>
+Capitulo XIII.<br />
+
+<br />
+
+<sup><a name="Z453" id="Z453"></a>[453]</sup> Sess.
+de 2 de julho de 1822. (Diario das Côrtes
+Geraes, tomo 6.&ordm;, pag. 659).<br />
+
+<br />
+
+<sup><a name="Z454" id="Z454"></a>[454]</sup> Sess.
+de 20 de julho de 1822. (Diario das Côrtes
+Geraes, tomo 6.&ordm;, pag. 579).<br />
+
+<br />
+
+<sup><a name="Z455" id="Z455"></a>[455]</sup> Sess.
+29 de abril 1822 (Diario das Côrtes
+Geraes, tomo 5.&ordm; pag. 994).<br />
+
+<br />
+
+<sup><a name="Z456" id="Z456"></a>[456]</sup> Sess.
+8 de julho 1822 (Diario das Côrtes Geraes,
+tomo 6.&ordm; pag. 730).<br />
+
+<br />
+
+<sup><a name="Z457" id="Z457"></a>[457]</sup>
+Sess&atilde;o
+de 8 e 15 julho 1822 (Diario das
+Côrtes Geraes, tomo 6.&ordm; pag. 739 e 820).<br />
+
+<br />
+
+<sup><a name="Z458" id="Z458"></a>[458]</sup> Sess.
+20 de julho 1822 (Diario das Côrtes
+Geraes, tomo 6.&ordm; pag. 880).<br />
+
+<br />
+
+<sup><a name="Z459" id="Z459"></a>[459]</sup> Sess.
+20 de julho 1822 (Diario das <a href="#e111">Côrtes</a>
+Geraes, tomo 6.&ordm;
+pag. 884).<br />
+
+<br />
+
+<sup><a name="Z460" id="Z460"></a>[460]</sup>
+Discurso
+de J. Bonifacio ao regente em 26 de janeiro
+(Documentos para a Historia das Côrtes Geraes, vol.
+1.&ordm; pag. 300).<br />
+
+<br />
+
+<sup><a name="Z461" id="Z461"></a>[461]</sup>
+Discurso
+do vice-presidente de Minas em 15 de fevereiro
+(Documentos para a Historia das Côrtes Geraes, vol.
+1.&ordm; pag. 305).<br />
+
+<br />
+
+<sup><a name="Z462" id="Z462"></a>[462]</sup>
+Cear&aacute;,
+Alagoas e Espirito Santo, sess. de 29 de
+abril, 7 de maio e 3 de julho (Diario das Côrtes Geraes).<br />
+
+<br />
+
+<sup><a name="Z463" id="Z463"></a>[463]</sup> Sess.
+de 29 de abril e 16 de julho de 1822 (Diario das
+Côrtes Geraes).<br />
+
+<br />
+
+<sup><a name="Z464" id="Z464"></a>[464]</sup> Sess.
+de 29 de janeiro de 1822 (Diario das
+Côrtes Geraes, tomo 5.&ordm; pag. 29).<br />
+
+<br />
+
+<sup><a name="Z465" id="Z465"></a>[465]</sup> Sess.
+de 10 de abril de 1822 (Diario das Côrtes
+Geraes, tomo 5.&ordm; pag. 749).<br />
+
+<br />
+
+<sup><a name="Z466" id="Z466"></a>[466]</sup>
+Correio
+Brasiliense de janeiro de 1822, (vol. 27).<br />
+
+<br />
+
+<sup><a name="Z467" id="Z467"></a>[467]</sup> Sess.
+de 11 de julho <a href="#e113">de 1822</a>.
+(Diario das Côrtes Geraes, vol. 6.&ordm;, pag. 770).<br />
+
+<br />
+
+<sup><a name="Z468" id="Z468"></a>[468]</sup> Sess.
+de 22 de agosto de 1822 (Diario das Côrtes
+Geraes, tomo 7.&ordm; pag. 204).<br />
+
+<br />
+
+<sup><a name="Z469" id="Z469"></a>[469]</sup> Sess.
+22 de julho 1822 (Diario das Côrtes
+Geraes, tomo 6.&ordm; pag. 892-893).<br />
+
+<br />
+
+<sup><a name="Z470" id="Z470"></a>[470]</sup> Sess.
+26 de junho 1822 (Diario das Côrtes
+Geraes, tomo 6.&ordm; pag. 574).<br />
+
+<br />
+
+<sup><a name="Z471" id="Z471"></a>[471]</sup> Sess.
+de 22 de julho de 1822 (Diario das Côrtes
+Geraes, tomo 6.&ordm; pag. 889 e 905).<br />
+
+<br />
+
+<sup><a name="Z472" id="Z472"></a>[472]</sup>
+Diario
+das Côrtes Geraes, tomo 6.&ordm; pag.
+923.<br />
+
+<br />
+
+<sup><a name="Z473" id="Z473"></a>[473]</sup> Sess.
+de 6 de julho. (Diario das Côrtes Geraes,
+tomo 6.&ordm;, pag. 723) e Fernandes Pinheiro&#8213;Memorias&#8213;(Rev. do
+Inst. Hist. do Brasil, vol. 37).<br />
+
+<br />
+
+<sup><a name="Z474" id="Z474"></a>[474]</sup>
+Diario
+das Côrtes Geraes, tomo 6.&ordm;,
+pags. 567 e 684.<br />
+
+<br />
+
+<sup><a name="Z475" id="Z475"></a>[475]</sup> Sess.
+de 13 de fevereiro. (Diario das Côrtes
+Geraes, tomo 5.&ordm;, pag. 179).<br />
+
+<br />
+
+<sup><a name="Z476" id="Z476"></a>[476]</sup> Votou
+pelo regresso immediato de D. Pedro (Diario das
+Côrtes Geraes, tomo 6.&ordm;, pag. 659, sess.
+de 1 de julho de 1822).<br />
+
+<br />
+
+<sup><a name="Z477" id="Z477"></a>[477]</sup> Sess.
+de 7 de agosto 1822 (Diario das Côrtes
+Geraes, tomo 7.&ordm; pag. 72).<br />
+
+<br />
+
+<sup><a name="Z478" id="Z478"></a>[478]</sup>
+Sess&atilde;o
+de 2 de agosto (Diario das
+Côrtes Geraes, tomo 7.&ordm; pag. 19).<br />
+
+<br />
+
+<sup><a name="Z479" id="Z479"></a>[479]</sup> Serpa
+Machado, Miranda, bispo do Par&aacute;, sess. 7
+de agosto 1822 (Diario das Côrtes Geraes, tomo 7.&ordm;
+pag. 73 e 83).<br />
+
+<br />
+
+<sup><a name="Z480" id="Z480"></a>[480]</sup>
+Borges
+Carneiro, Soares Franco e Leite Lobo, sess.
+citada.<br />
+
+<br />
+
+<sup><a name="Z481" id="Z481"></a>[481]</sup>
+Antonio
+Carlos e Villela Barbosa, sess. citada.<br />
+
+<br />
+
+<sup><a name="Z482" id="Z482"></a>[482]</sup> Sess.
+de 7 de agosto de 1822. (Diario das Côrtes
+Geraes).<br />
+
+<br />
+
+<sup><a name="Z483" id="Z483"></a>[483]</sup> Sess.
+de 7 de agosto de 1822. (Diario das Côrtes
+Geraes).<br />
+
+<br />
+
+<sup><a name="Z484" id="Z484"></a>[484]</sup>
+Hendelman,
+citado na magnifica obra de Oliveira Lima&#8213;D.
+Jo&atilde;o VI no Brasil.<br />
+
+<br />
+
+<sup><a name="Z485" id="Z485"></a>[485]</sup>
+Miranda
+e Fernandes Thomaz, sess. 12 de agosto (Diario das
+Côrtes Geraes, tomo 7.&ordm; pag. 733).<br />
+
+<br />
+
+<sup><a name="Z486" id="Z486"></a>[486]</sup> Sess.
+7 de agosto 1822 (Diario das Côrtes
+Geraes, tomo 7.&ordm; pag. 83).<br />
+
+<br />
+
+<sup><a name="Z487" id="Z487"></a>[487]</sup> Sess.
+de 8 de agosto de 1822. (Diario das Côrtes
+Geraes, tomo 7.&ordm;, pag. 85-95) e
+Constitui&ccedil;&atilde;o de
+23 de setembro de 1822. (Documentos para a Historia das
+Côrtes Geraes, vol. 1.&ordm;).<br />
+
+<br />
+
+<sup><a name="Z488" id="Z488"></a>[488]</sup> Sess.
+de 11 de julho (Diario das Côrtes Geraes,
+tomo 6.&ordm; pag. 770).<br />
+
+<br />
+
+<sup><a name="Z489" id="Z489"></a>[489]</sup> Sess.
+de 4 de fevereiro. (Diario das Côrtes
+Geraes, tomo 5.&ordm;, pag. 80).<br />
+
+<br />
+
+<sup><a name="Z490" id="Z490"></a>[490]</sup>
+Diario
+das Côrtes Geraes, tomo 7.&ordm; pag.
+168, 772 e 843.<br />
+
+<br />
+
+<sup><a name="Z491" id="Z491"></a>[491]</sup> Sess.
+14 de agosto. (Diario das Côrtes Geraes,
+tomo 7.&ordm;, pag. 147).<br />
+
+<br />
+
+<sup><a name="Z492" id="Z492"></a>[492]</sup>
+Diario
+das Côrtes Geraes, tomo 7.&ordm; pag.
+279.<br />
+
+<br />
+
+<sup><a name="Z493" id="Z493"></a>[493]</sup>
+Diario
+das Côrtes Geraes, tomo 4.&ordm; pag.
+235 e tomo 7.&ordm;, pag. 158, 168, 833 e 887.<br />
+
+<br />
+
+<sup><a name="Z494" id="Z494"></a>[494]</sup>
+Diario
+das Côrtes Geraes, tomo 6.&ordm; pag.
+100 e tomo 7.&ordm;, pag. 100-115.<br />
+
+<br />
+
+<sup><a name="Z495" id="Z495"></a>[495]</sup>
+Diario
+das Côrtes Geraes, tomo 7.&ordm;,
+pag. 216.<br />
+
+<br />
+
+<sup><a name="Z496" id="Z496"></a>[496]</sup>
+Diario
+das Côrtes Geraes, tomo 7.&ordm;,
+pag. 172.<br />
+
+<br />
+
+<sup><a name="Z497" id="Z497"></a>[497]</sup>
+Castello
+Branco Manuel, sess. de 22 de agosto de 1822.
+(Diario das Côrtes Geraes, tomo 7.&ordm;, pag.
+203).<br />
+
+<br />
+
+<sup><a name="Z498" id="Z498"></a>[498]</sup> Sess.
+de 26 de agosto de 1822. (Diario das
+Côrtes Geraes, tomo 7.&ordm;, pag. 243).<br />
+
+<br />
+
+<sup><a name="Z499" id="Z499"></a>[499]</sup> Sess.
+de 27 de agosto. (Diario das Côrtes
+Geraes, tomo 7.&ordm; pag. 261).<br />
+
+<br />
+
+<sup><a name="Z500" id="Z500"></a>[500]</sup>
+Diario
+das Côrtes Geraes, tomo 7.&ordm;,
+pag.
+290-291.<br />
+
+<br />
+
+<sup><a name="Z501" id="Z501"></a>[501]</sup> Carta
+de D. Pedro de 19 de julho. (Diario das
+Côrtes Geraes, tomo 7.&ordm;, pag. 223).<br />
+
+<br />
+
+<sup><a name="Z502" id="Z502"></a>[502]</sup>
+Officio
+de 7 de junho. (Diario das Côrtes
+Geraes, tomo 7.&ordm;, pag. 225).<br />
+
+<br />
+
+<sup><a name="Z503" id="Z503"></a>[503]</sup> Termo
+de verea&ccedil;&atilde;o de 15 de julho.
+(Diario das Côrtes Geraes, tomo 7.&ordm; pag. 229).<br />
+
+<br />
+
+<sup><a name="Z504" id="Z504"></a>[504]</sup> Carta
+citada de 19 de junho.<br />
+
+<br />
+
+<sup><a name="Z505" id="Z505"></a>[505]</sup> Sess.
+27 de agosto (Diario das Côrtes Geraes,
+tomo 7.&ordm; pag. 281).<br />
+
+<br />
+
+<sup><a name="Z506" id="Z506"></a>[506]</sup> Sess.
+28 de agosto (Diario das Côrtes Geraes,
+tomo 7.&ordm; pag. 283).<br />
+
+<br />
+
+<sup><a name="Z507" id="Z507"></a>[507]</sup> Sess.
+30 de agosto (Diario das Côrtes Geraes,
+tomo 7.&ordm; pag. 296).<br />
+
+<br />
+
+<sup><a name="Z508" id="Z508"></a>[508]</sup> Sess.
+citada (Diario das Côrtes Geraes, tomo
+7.&ordm; pag. 296).<br />
+
+<br />
+
+<sup><a name="Z509" id="Z509"></a>[509]</sup>
+Diario
+das Côrtes Geraes, tomo 7.&ordm; pag.
+318.<br />
+
+<br />
+
+<sup><a name="Z510" id="Z510"></a>[510]</sup>
+Diario
+das <a href="#e129">Côrtes</a> Geraes,
+tomo 7.&ordm; pag. 324.<br />
+
+<br />
+
+<sup><a name="Z511" id="Z511"></a>[511]</sup> Sess.
+11 de setembro 1822 (Diario das
+Côrtes Geraes, tomo 7.&ordm; pag. 411).<br />
+
+<br />
+
+<sup><a name="Z512" id="Z512"></a>[512]</sup> Sess.
+de 14 de setembro (Diario das Côrtes
+Geraes, tomo 7.&ordm;, pags. 433 e 434).<br />
+
+<br />
+
+<sup><a name="Z513" id="Z513"></a>[513]</sup> Sess.
+de 16 de setembro de 1822. (Diario das
+Côrtes Geraes, tomo 7.&ordm;, pag. 452).<br />
+
+<br />
+
+<sup><a name="Z514" id="Z514"></a>[514]</sup>
+Diario
+das Côrtes Geraes, tomo 7.&ordm;,
+pag. 437.<br />
+
+<br />
+
+<sup><a name="Z515" id="Z515"></a>[515]</sup> Sess.
+de 16 e 17 de setembro (Diario das Côrtes
+Geraes, tomo 7.&ordm;, pag. 453 e 467).<br />
+
+<br />
+
+<sup><a name="Z516" id="Z516"></a>[516]</sup> Sess.
+de 19 de setembro de 1822 (Diario das
+Côrtes Geraes, tomo 7.&ordm;, pag. 480).<br />
+
+<br />
+
+<sup><a name="Z517" id="Z517"></a>[517]</sup>
+Trigoso,
+Pinheiro de Azevedo, Van-Zeller, Peixoto, sess.
+19 e 20 de setembro. (Diario das Côrtes Geraes, tomo
+7.&ordm;, pag. 480, 502, 507 e 511).<br />
+
+<br />
+
+<sup><a name="Z518" id="Z518"></a>[518]</sup> Sess.
+de 19 de setembro. (Diario das Côrtes
+Geraes, tomo 7.&ordm;, pag. 481).<br />
+
+<br />
+
+<sup><a name="Z519" id="Z519"></a>[519]</sup> Lino
+Coutinho, sess. 19 de setembro (Diario das
+Côrtes Geraes, tomo 7.&ordm;, pag. 487).<br />
+
+<br />
+
+<sup><a name="Z520" id="Z520"></a>[520]</sup> Sess.
+citada. (Diario das Côrtes Geraes, tomo
+7.&ordm; pag. 496).<br />
+
+<br />
+
+<sup><a name="Z521" id="Z521"></a>[521]</sup> Sess.
+20 de setembro 1822 (Diario das Côrtes
+Geraes, tomo 7.&ordm; pag. 512).<br />
+
+<br />
+
+<sup><a name="Z522" id="Z522"></a>[522]</sup> Sess.
+de 20 de setembro 1822 (Diario das Côrtes
+Geraes, tomo 7.&ordm; pag. 505).<br />
+
+<br />
+
+<sup><a name="Z523" id="Z523"></a>[523]</sup> Sess.
+citada (Diario das Côrtes Geraes, tomo
+7.&ordm; pag. 511).<br />
+
+<br />
+
+<sup><a name="Z524" id="Z524"></a>[524]</sup> Sess.
+de 19 de setembro de 1822 (Diario das
+Côrtes Geraes, tomo 7.&ordm;, pag. 503).<br />
+
+<br />
+
+<sup><a name="Z525" id="Z525"></a>[525]</sup> Sess.
+de 20 de setembro (Diario das Côrtes
+Geraes, tomo 7.&ordm;, pag. 517).<br />
+
+<br />
+
+<sup><a name="Z526" id="Z526"></a>[526]</sup>
+Diario
+das Côrtes Geraes, tomo 7.&ordm;,
+pag. 520.<br />
+
+<br />
+
+<sup><a name="Z527" id="Z527"></a>[527]</sup>
+Diario
+das Côrtes Geraes, tomo 7.&ordm;,
+pag. 532.<br />
+
+<br />
+
+<sup><a name="Z528" id="Z528"></a>[528]</sup> Sess.
+de 21 de setembro. (Diario das Côrtes
+Geraes, tomo 7.&ordm;, pag. 536).<br />
+
+<br />
+
+<sup><a name="Z529" id="Z529"></a>[529]</sup>
+Fernandes
+Pinheiro, Memorias. (Rev. do Instituto Historico
+do Brasil, vol. 37).<br />
+
+<br />
+
+<sup><a name="Z530" id="Z530"></a>[530]</sup> Sess.
+de 25 de setembro de 1822 (Diario das
+Côrtes Geraes, tomo 7.&ordm;, pag. 554) e Fernandes
+Pinheiro. Memorias (Revista do Instituto Historico do Brazil, vol.
+37).<br />
+
+<br />
+
+<sup><a name="Z531" id="Z531"></a>[531]</sup>
+Documentos
+para a Historia das Côrtes Geraes,
+vol. 1.&ordm;, pag. 388 a 402.<br />
+
+<br />
+
+<sup><a name="Z532" id="Z532"></a>[532]</sup>
+Protesto
+de Antonio Carlos (Documentos para a Historia das
+Côrtes Geraes, vol. 1.&ordm;, pag. 457 a
+459).<br />
+
+<br />
+
+<sup><a name="Z533" id="Z533"></a>[533]</sup> Sess.
+15 de outubro 1822 (Diario das Côrtes
+Geraes, tomo 7.&ordm; pag. 792).<br />
+
+<br />
+
+<sup><a name="Z534" id="Z534"></a>[534]</sup> Carta
+de Barata &aacute; Gazeta Pernambucana
+(Documentos para a Historia das Côrtes Geraes, vol. pag
+331).
+<br />
+
+<br />
+
+<sup><a name="Z535" id="Z535"></a>[535]</sup>
+Lei de 17 de julho de 1822, artigo 52 (Documentos para a
+Historia das Côrtes geraes, vol. 1.&ordm; pag.
+331).<br />
+
+<br />
+
+<sup><a name="Z536" id="Z536"></a>[536]</sup>
+Documentos para a Historia das Côrtes geraes,
+vol. 1.&ordm; pag. 497, 503 e 730 a 740.<br />
+
+<br />
+
+<sup><a name="Z537" id="Z537"></a>[537]</sup> Lei
+de 20 de janeiro 1822 (Documentos para a Historia das
+Côrtes Geraes, vol. 1.&ordm; pag. 585).
+<br />
+
+<br />
+
+<br />
+
+<br />
+
+<br />
+
+<br />
+
+<br />
+
+<br />
+
+<br />
+
+<div class="fbox">
+<h2>Lista de erros corrigidos</h2>
+
+<div style="text-align: center;">Aqui encontram-se
+listados todos os erros encontrados e corrigidos:</div>
+
+<br />
+
+<br />
+
+<table summary="table" style="width: 80%; text-align: left; margin-left: auto; margin-right: auto;" border="0" cellpadding="4" cellspacing="4">
+
+ <tbody>
+
+ <tr align="right">
+
+ <td style="width: 61px;"></td>
+
+ <td style="font-weight: bold; text-align: center; width: 121px;">Original</td>
+
+ <td style="text-align: center; width: 5px;"></td>
+
+ <td style="font-weight: bold; text-align: center; width: 135px;">Correc&ccedil;&atilde;o</td>
+
+ </tr>
+
+ <tr>
+
+ <td style="text-align: right; vertical-align: top; width: 61px;"><a name="e1"></a><a href="#p16">#p&aacute;g.
+16</a></td>
+
+ <td style="text-align: center; width: 121px;">substancia,
+para
+requerer</td>
+
+ <td style="text-align: center; vertical-align: top; width: 5px;">...</td>
+
+ <td style="text-align: center; width: 135px;">substancia:
+requerer* </td>
+
+ </tr>
+
+ <tr>
+
+ <td style="text-align: right; width: 61px;"><a name="e2"></a><a href="#p21">#p&aacute;g.
+21</a></td>
+
+ <td style="text-align: center; width: 121px;">os</td>
+
+ <td style="text-align: center; width: 5px;">...</td>
+
+ <td style="text-align: center; width: 135px;">as*</td>
+
+ </tr>
+
+ <tr>
+
+ <td style="text-align: right; width: 61px;"><a name="e3"></a><a href="#p26">#p&aacute;g.
+26</a></td>
+
+ <td style="text-align: center; width: 121px;">o conde</td>
+
+ <td style="text-align: center; width: 5px;">...</td>
+
+ <td style="text-align: center; width: 135px;">como o
+conde*</td>
+
+ </tr>
+
+ <tr>
+
+ <td style="text-align: right; width: 61px;"><a name="e4"></a><a href="#p27">#p&aacute;g.
+27</a></td>
+
+ <td style="text-align: center; width: 121px;">lei da</td>
+
+ <td style="text-align: center; width: 5px;">...</td>
+
+ <td style="text-align: center; width: 135px;">ter a*</td>
+
+ </tr>
+
+ <tr>
+
+ <td style="text-align: right; width: 61px;"><a name="e5"></a><a href="#p28">#p&aacute;g.
+28</a></td>
+
+ <td style="text-align: center; width: 121px;">das</td>
+
+ <td style="text-align: center; width: 5px;">...</td>
+
+ <td style="text-align: center; width: 135px;">nas*</td>
+
+ </tr>
+
+ <tr>
+
+ <td style="text-align: right; width: 61px;"><a name="e6"></a><a href="#p29">#p&aacute;g.
+29</a></td>
+
+ <td style="text-align: center; width: 121px;">grutas</td>
+
+ <td style="text-align: center; width: 5px;">...</td>
+
+ <td style="text-align: center; width: 135px;">grotas*</td>
+
+ </tr>
+
+ <tr>
+
+ <td style="text-align: right; width: 61px;"><a name="e7"></a><a href="#c3">#p&aacute;g.
+30</a></td>
+
+ <td style="text-align: center; width: 121px;">os
+quaes</td>
+
+ <td style="text-align: center; width: 5px;">...</td>
+
+ <td style="text-align: center; width: 135px;">o que*</td>
+
+ </tr>
+
+ <tr>
+
+ <td style="text-align: right; width: 61px;"><a name="e8"></a><a href="#p32">#p&aacute;g.
+32</a></td>
+
+ <td style="text-align: center; width: 121px;">out'ora</td>
+
+ <td style="text-align: center; width: 5px;">...</td>
+
+ <td style="text-align: center; width: 135px;">outr'ora</td>
+
+ </tr>
+
+ <tr>
+
+ <td style="text-align: right; width: 61px;"><a name="e9"></a><a href="#p35">#p&aacute;g.
+35</a></td>
+
+ <td style="text-align: center; width: 121px;">illudia</td>
+
+ <td style="text-align: center; width: 5px;">...</td>
+
+ <td style="text-align: center; width: 135px;">illudir*</td>
+
+ </tr>
+
+ <tr>
+
+ <td style="text-align: right; width: 61px;"><a name="e10"></a><a href="#p38">#p&aacute;g.
+38</a></td>
+
+ <td style="text-align: center; width: 121px;">Rei</td>
+
+ <td style="text-align: center; width: 5px;">...</td>
+
+ <td style="text-align: center; width: 135px;">Rio*</td>
+
+ </tr>
+
+ <tr>
+
+ <td style="text-align: right; width: 61px;"><a name="e11"></a><a href="#p39">#p&aacute;g.
+39</a></td>
+
+ <td style="text-align: center; width: 121px;">antigos</td>
+
+ <td style="text-align: center; width: 5px;">...</td>
+
+ <td style="text-align: center; width: 135px;">artigos*</td>
+
+ </tr>
+
+ <tr>
+
+ <td style="text-align: right; width: 61px;"><a name="e12"></a><a href="#p40">#p&aacute;g.
+40</a></td>
+
+ <td style="text-align: center; width: 121px;">troncamento</td>
+
+ <td style="text-align: center; width: 5px;">...</td>
+
+ <td style="text-align: center; width: 135px;">truncamento*</td>
+
+ </tr>
+
+ <tr>
+
+ <td style="text-align: right; width: 61px;"><a name="e13"></a><a href="#p44">#p&aacute;g.
+44</a></td>
+
+ <td style="text-align: center; width: 121px;">instruida</td>
+
+ <td style="text-align: center; width: 5px;">...</td>
+
+ <td style="text-align: center; width: 135px;">instruc&ccedil;&atilde;o*</td>
+
+ </tr>
+
+ <tr>
+
+ <td style="text-align: right; width: 61px;"><a name="e14"></a><a href="#p55">#p&aacute;g.
+55</a></td>
+
+ <td style="text-align: center; width: 121px;">pessoeas</td>
+
+ <td style="text-align: center; width: 5px;">...</td>
+
+ <td style="text-align: center; width: 135px;">pessoaes</td>
+
+ </tr>
+
+ <tr>
+
+ <td style="text-align: right; width: 61px;"><a name="e15"></a><a href="#p57">#p&aacute;g.
+57</a></td>
+
+ <td style="text-align: center; width: 121px;">officialidade</td>
+
+ <td style="text-align: center; width: 5px;">...</td>
+
+ <td style="text-align: center; width: 135px;">officiaes*</td>
+
+ </tr>
+
+ <tr>
+
+ <td style="text-align: right; width: 61px;"><a name="e16"></a><a href="#p58">#p&aacute;g.
+58</a></td>
+
+ <td style="text-align: center; width: 121px;">uma</td>
+
+ <td style="text-align: center; width: 5px;">...</td>
+
+ <td style="text-align: center; width: 135px;">a*</td>
+
+ </tr>
+
+ <tr>
+
+ <td style="text-align: right; width: 61px;"><a name="e17"></a><a href="#p58">#p&aacute;g.
+58</a></td>
+
+ <td style="text-align: center; width: 121px;">novo</td>
+
+ <td style="text-align: center; width: 5px;">...</td>
+
+ <td style="text-align: center; width: 135px;">nova</td>
+
+ </tr>
+
+ <tr>
+
+ <td style="text-align: right; width: 61px;"><a name="e18"></a><a href="#p73">#p&aacute;g.
+73</a></td>
+
+ <td style="text-align: center; width: 121px;">achava</td>
+
+ <td style="text-align: center; width: 5px;">...</td>
+
+ <td style="text-align: center; width: 135px;">achara*</td>
+
+ </tr>
+
+ <tr>
+
+ <td style="text-align: right; width: 61px;"><a name="e19"></a><a href="#c4">#p&aacute;g.
+75</a></td>
+
+ <td style="text-align: center; width: 121px;">attrbui&ccedil;&otilde;es</td>
+
+ <td style="text-align: center; width: 5px;">...</td>
+
+ <td style="text-align: center; width: 135px;">atribui&ccedil;&otilde;es</td>
+
+ </tr>
+
+ <tr>
+
+ <td style="text-align: right; width: 61px;"><a name="e20"></a><a href="#p86">#p&aacute;g.
+86</a></td>
+
+ <td style="text-align: center; width: 121px;">1878</td>
+
+ <td style="text-align: center; width: 5px;">...</td>
+
+ <td style="text-align: center; width: 135px;">1787*</td>
+
+ </tr>
+
+ <tr>
+
+ <td style="vertical-align: top; text-align: right; width: 61px;"><a name="e21"></a><a href="#p113">#p&aacute;g.
+113</a></td>
+
+ <td style="text-align: center; width: 121px;">Respondiam
+individual
+e</td>
+
+ <td style="text-align: center; vertical-align: top; width: 5px;">...</td>
+
+ <td style="text-align: center; width: 135px;">Respondiam
+os seus
+membros*</td>
+
+ </tr>
+
+ <tr>
+
+ <td style="text-align: right; width: 61px;"><a name="e23"></a><a href="#p122">#p&aacute;g.
+122</a></td>
+
+ <td style="text-align: center; width: 121px;">capinias</td>
+
+ <td style="text-align: center; width: 5px;">...</td>
+
+ <td style="text-align: center; width: 135px;">capitanias</td>
+
+ </tr>
+
+ <tr>
+
+ <td style="text-align: right; width: 61px;"><a name="e24"></a><a href="#p125">#p&aacute;g.
+125</a></td>
+
+ <td style="text-align: center; width: 121px;">im&atilde;os</td>
+
+ <td style="text-align: center; width: 5px;">...</td>
+
+ <td style="text-align: center; width: 135px;">irm&atilde;os</td>
+
+ </tr>
+
+ <tr>
+
+ <td style="text-align: right; width: 61px;"><a name="e25"></a><a href="#p127">#p&aacute;g.
+127</a></td>
+
+ <td style="text-align: center; width: 121px;">m&atilde;e
+pai</td>
+
+ <td style="text-align: center; width: 5px;">...</td>
+
+ <td style="text-align: center; width: 135px;">m&atilde;e
+patria*</td>
+
+ </tr>
+
+ <tr>
+
+ <td style="text-align: right; width: 61px;"><a name="e26"></a><a href="#p131">#p&aacute;g.
+131</a></td>
+
+ <td style="text-align: center; width: 121px;">da da
+patria</td>
+
+ <td style="text-align: center; width: 5px;">...</td>
+
+ <td style="text-align: center; width: 135px;">da
+patria</td>
+
+ </tr>
+
+ <tr>
+
+ <td style="text-align: right; vertical-align: top; width: 61px;"><a name="e27"></a><a href="#p132">#p&aacute;g.
+132</a></td>
+
+ <td style="text-align: center; vertical-align: top; width: 121px;">n&atilde;o
+os differen&ccedil;ava sen&atilde;o
+a</td>
+
+ <td style="text-align: center; vertical-align: top; width: 5px;">...</td>
+
+ <td style="text-align: center; vertical-align: top; width: 135px;">differen&ccedil;ava-os
+a*</td>
+
+ </tr>
+
+ <tr>
+
+ <td style="text-align: right; width: 61px;"><a name="e28"></a><a href="#p134">#p&aacute;g.
+134</a></td>
+
+ <td style="text-align: center; width: 121px;">o qual
+toma</td>
+
+ <td style="text-align: center; width: 5px;">...</td>
+
+ <td style="text-align: center; width: 135px;">o qual
+torna*</td>
+
+ </tr>
+
+ <tr>
+
+ <td style="text-align: right; width: 61px;"><a name="e29"></a><a href="#c7">#p&aacute;g.
+139</a></td>
+
+ <td style="text-align: center; width: 121px;">detestatavam</td>
+
+ <td style="text-align: center; width: 5px;">...</td>
+
+ <td style="text-align: center; width: 135px;">detestavam</td>
+
+ </tr>
+
+ <tr>
+
+ <td style="text-align: right; width: 61px;"><a name="e30"></a><a href="#p143">#p&aacute;g.
+143</a></td>
+
+ <td style="text-align: center; width: 121px;">1910</td>
+
+ <td style="text-align: center; width: 5px;">...</td>
+
+ <td style="text-align: center; width: 135px;">1810</td>
+
+ </tr>
+
+ <tr>
+
+ <td style="text-align: right; vertical-align: top; width: 61px;"><a name="e31"></a><a href="#c10">#p&aacute;g.
+177</a></td>
+
+ <td style="text-align: center; vertical-align: top; width: 121px;">pela
+morte ou
+pris&atilde;o</td>
+
+ <td style="text-align: center; vertical-align: top; width: 5px;">...</td>
+
+ <td style="text-align: center; vertical-align: top; width: 135px;">com
+a morte ou a pris&atilde;o*</td>
+
+ </tr>
+
+ <tr>
+
+ <td style="text-align: right; width: 61px;"><a name="e32"></a><a href="#p181">#p&aacute;g.
+181</a></td>
+
+ <td style="text-align: center; width: 121px;">a
+responsabilidades</td>
+
+ <td style="text-align: center; width: 5px;">...</td>
+
+ <td style="text-align: center; width: 135px;">as
+responsabilidades</td>
+
+ </tr>
+
+ <tr>
+
+ <td style="text-align: right;"><a name="e33"></a><a href="#p183">#p&aacute;g. 183</a></td>
+
+ <td style="text-align: center;">defeferencia</td>
+
+ <td style="text-align: center;">...</td>
+
+ <td style="text-align: center;">deferencia</td>
+
+ </tr>
+
+ <tr>
+
+ <td style="text-align: right;"><a name="e34"></a><a href="#p186">#p&aacute;g. 186</a></td>
+
+ <td style="text-align: center;">falculdade</td>
+
+ <td style="text-align: center;">...</td>
+
+ <td style="text-align: center;">faculdade</td>
+
+ </tr>
+
+ <tr>
+
+ <td style="text-align: right;"><a name="e35"></a><a href="#p193">#p&aacute;g. 193</a></td>
+
+ <td style="text-align: center;">manisfestado</td>
+
+ <td style="text-align: center;">...</td>
+
+ <td style="text-align: center;">manifestado</td>
+
+ </tr>
+
+ <tr>
+
+ <td style="text-align: right;"><a name="e37"></a><a href="#p200">#p&aacute;g. 200</a></td>
+
+ <td style="text-align: center;">opposta</td>
+
+ <td style="text-align: center;">...</td>
+
+ <td style="text-align: center;">apposta*</td>
+
+ </tr>
+
+ <tr>
+
+ <td style="text-align: right;"><a name="e38"></a><a href="#p207">#p&aacute;g. 207</a></td>
+
+ <td style="text-align: center;">assignalava</td>
+
+ <td style="text-align: center;">...</td>
+
+ <td style="text-align: center;">assignalara*</td>
+
+ </tr>
+
+ <tr>
+
+ <td style="text-align: right;"><a name="e39"></a><a href="#p210">#p&aacute;g. 210</a></td>
+
+ <td style="text-align: center;">deliciava</td>
+
+ <td style="text-align: center;">...</td>
+
+ <td style="text-align: center;">se deliciava*</td>
+
+ </tr>
+
+ <tr>
+
+ <td style="text-align: right;"><a name="e40"></a><a href="#p212">#p&aacute;g. 212</a></td>
+
+ <td style="text-align: center;">n&atilde;o
+admittia</td>
+
+ <td style="text-align: center;">...</td>
+
+ <td style="text-align: center;">n&atilde;o a
+admittia*</td>
+
+ </tr>
+
+ <tr>
+
+ <td style="text-align: right;"><a name="e41"></a><a href="#p214">#p&aacute;g. 214</a></td>
+
+ <td style="text-align: center;">no</td>
+
+ <td style="text-align: center;">...</td>
+
+ <td style="text-align: center;">ao*</td>
+
+ </tr>
+
+ <tr>
+
+ <td style="text-align: right;"><a name="e42"></a><a href="#p214">#p&aacute;g. 214</a></td>
+
+ <td style="text-align: center;">contitucionaes</td>
+
+ <td style="text-align: center;">...</td>
+
+ <td style="text-align: center;">constitucionaes</td>
+
+ </tr>
+
+ <tr>
+
+ <td style="text-align: right;"><a name="e44"></a><a href="#p221">#p&aacute;g. 221</a></td>
+
+ <td style="text-align: center;">satitua&ccedil;&atilde;o</td>
+
+ <td style="text-align: center;">...</td>
+
+ <td style="text-align: center;">situa&ccedil;&atilde;o</td>
+
+ </tr>
+
+ <tr>
+
+ <td style="text-align: right;"><a name="e45"></a><a href="#p222">#p&aacute;g. 222</a></td>
+
+ <td style="text-align: center;">da liberalismo</td>
+
+ <td style="text-align: center;">...</td>
+
+ <td style="text-align: center;">do liberalismo</td>
+
+ </tr>
+
+ <tr>
+
+ <td style="text-align: right;"><a name="e46"></a><a href="#p222">#p&aacute;g. 222</a></td>
+
+ <td style="text-align: center;">longiquo</td>
+
+ <td style="text-align: center;">...</td>
+
+ <td style="text-align: center;">longinquo</td>
+
+ </tr>
+
+ <tr>
+
+ <td style="text-align: right;"><a name="e47"></a><a href="#p227">#p&aacute;g. 227</a></td>
+
+ <td style="text-align: center;">ar</td>
+
+ <td style="text-align: center;">...</td>
+
+ <td style="text-align: center;">as</td>
+
+ </tr>
+
+ <tr>
+
+ <td style="text-align: right;"><a name="e48"></a><a href="#p231">#p&aacute;g. 231</a></td>
+
+ <td style="text-align: center;">sedioso</td>
+
+ <td style="text-align: center;">...</td>
+
+ <td style="text-align: center;">sedicioso*</td>
+
+ </tr>
+
+ <tr>
+
+ <td style="text-align: right;"><a name="e49"></a><a href="#p232">#p&aacute;g. 232</a></td>
+
+ <td style="text-align: center;">trasladada&ccedil;&atilde;o</td>
+
+ <td style="text-align: center;">...</td>
+
+ <td style="text-align: center;">traslada&ccedil;&atilde;o</td>
+
+ </tr>
+
+ <tr>
+
+ <td style="text-align: right;"><a name="e50"></a><a href="#p237">#p&aacute;g. 237</a></td>
+
+ <td style="text-align: center;">bahia</td>
+
+ <td style="text-align: center;">...</td>
+
+ <td style="text-align: center;">Bahia</td>
+
+ </tr>
+
+ <tr>
+
+ <td style="text-align: right;"><a name="e52"></a><a href="#p241">#p&aacute;g. 241</a></td>
+
+ <td style="text-align: center;">a m&atilde;e
+patria</td>
+
+ <td style="text-align: center;">...</td>
+
+ <td style="text-align: center;">&aacute;
+m&atilde;e patria*</td>
+
+ </tr>
+
+ <tr>
+
+ <td style="text-align: right;"><a name="e53"></a><a href="#p242">#p&aacute;g. 242</a></td>
+
+ <td style="text-align: center;">nas
+vastid&atilde;o</td>
+
+ <td style="text-align: center;">...</td>
+
+ <td style="text-align: center;">na
+vastid&atilde;o</td>
+
+ </tr>
+
+ <tr>
+
+ <td style="text-align: right;"><a name="e54"></a><a href="#p242">#p&aacute;g. 242</a></td>
+
+ <td style="text-align: center;">ficavavam</td>
+
+ <td style="text-align: center;">...</td>
+
+ <td style="text-align: center;">ficavam</td>
+
+ </tr>
+
+ <tr>
+
+ <td style="text-align: right;"><a name="e55"></a><a href="#p246">#p&aacute;g. 246</a></td>
+
+ <td style="text-align: center;">capit&atilde;es</td>
+
+ <td style="text-align: center;">...</td>
+
+ <td style="text-align: center;">capitaes*</td>
+
+ </tr>
+
+ <tr>
+
+ <td style="text-align: right;"><a name="e58"></a><a href="#p251">#p&aacute;g. 251</a></td>
+
+ <td style="text-align: center;">esperaria</td>
+
+ <td style="text-align: center;">...</td>
+
+ <td style="text-align: center;">expiraria*</td>
+
+ </tr>
+
+ <tr>
+
+ <td style="text-align: right;"><a name="e59"></a><a href="#p251">#p&aacute;g. 251</a></td>
+
+ <td style="text-align: center;">motropole</td>
+
+ <td style="text-align: center;">...</td>
+
+ <td style="text-align: center;">metropole</td>
+
+ </tr>
+
+ <tr>
+
+ <td style="text-align: right;"><a name="e61"></a><a href="#p252">#p&aacute;g. 252</a></td>
+
+ <td style="text-align: center;">pateuteou</td>
+
+ <td style="text-align: center;">...</td>
+
+ <td style="text-align: center;">patenteou</td>
+
+ </tr>
+
+ <tr>
+
+ <td style="text-align: right;"><a name="e62"></a><a href="#p252">#p&aacute;g. 252</a></td>
+
+ <td style="text-align: center;">1590</td>
+
+ <td style="text-align: center;">...</td>
+
+ <td style="text-align: center;">15%*</td>
+
+ </tr>
+
+ <tr>
+
+ <td style="text-align: right;"><a name="e63"></a><a href="#p253">#p&aacute;g. 253</a></td>
+
+ <td style="text-align: center;">conveniencia</td>
+
+ <td style="text-align: center;">...</td>
+
+ <td style="text-align: center;">conveniencias</td>
+
+ </tr>
+
+ <tr>
+
+ <td style="text-align: right;"><a name="e64"></a><a href="#p255">#p&aacute;g. 255</a></td>
+
+ <td style="text-align: center;">causa</td>
+
+ <td style="text-align: center;">...</td>
+
+ <td style="text-align: center;">cousa*</td>
+
+ </tr>
+
+ <tr>
+
+ <td style="text-align: right;"><a name="e66"></a><a href="#p260">#p&aacute;g. 260</a></td>
+
+ <td style="text-align: center;">vehemente-do</td>
+
+ <td style="text-align: center;">...</td>
+
+ <td style="text-align: center;">vehemente do</td>
+
+ </tr>
+
+ <tr>
+
+ <td style="text-align: right;"><a name="e67"></a><a href="#p264">#p&aacute;g. 264</a></td>
+
+ <td style="text-align: center;">l&ecirc;-se</td>
+
+ <td style="text-align: center;">...</td>
+
+ <td style="text-align: center;">lesse*</td>
+
+ </tr>
+
+ <tr>
+
+ <td style="text-align: right;"><a name="e68"></a><a href="#p269">#p&aacute;g. 269</a></td>
+
+ <td style="text-align: center;">incumbencla</td>
+
+ <td style="text-align: center;">...</td>
+
+ <td style="text-align: center;">incumbencia</td>
+
+ </tr>
+
+ <tr>
+
+ <td style="text-align: right;"><a name="e69"></a><a href="#p275">#p&aacute;g. 275</a></td>
+
+ <td style="text-align: center;">septentional</td>
+
+ <td style="text-align: center;">...</td>
+
+ <td style="text-align: center;">septentrional</td>
+
+ </tr>
+
+ <tr>
+
+ <td style="text-align: right;"><a name="e70"></a><a href="#p275">#p&aacute;g. 275</a></td>
+
+ <td style="text-align: center;">guyana</td>
+
+ <td style="text-align: center;">...</td>
+
+ <td style="text-align: center;">Guyana</td>
+
+ </tr>
+
+ <tr>
+
+ <td style="text-align: right;"><a name="e71"></a><a href="#p279">#p&aacute;g. 279</a></td>
+
+ <td style="text-align: center;">porto</td>
+
+ <td style="text-align: center;">...</td>
+
+ <td style="text-align: center;">posto*</td>
+
+ </tr>
+
+ <tr>
+
+ <td style="text-align: right;"><a name="e72"></a><a href="#p281">#p&aacute;g. 281</a></td>
+
+ <td style="text-align: center;">tornou</td>
+
+ <td style="text-align: center;">...</td>
+
+ <td style="text-align: center;">tomou</td>
+
+ </tr>
+
+ <tr>
+
+ <td style="text-align: right;"><a name="e73"></a><a href="#p284">#p&aacute;g. 284</a></td>
+
+ <td style="text-align: center;">chegarem</td>
+
+ <td style="text-align: center;">...</td>
+
+ <td style="text-align: center;">chegaram</td>
+
+ </tr>
+
+ <tr>
+
+ <td style="text-align: right;"><a name="e74"></a><a href="#p287">#p&aacute;g. 287</a></td>
+
+ <td style="text-align: center;">descontamento</td>
+
+ <td style="text-align: center;">...</td>
+
+ <td style="text-align: center;">descontentamento</td>
+
+ </tr>
+
+ <tr>
+
+ <td style="text-align: right;"><a name="e75"></a><a href="#p287">#p&aacute;g. 287</a></td>
+
+ <td style="text-align: center;">&eacute;</td>
+
+ <td style="text-align: center;">...</td>
+
+ <td style="text-align: center;">n&atilde;o
+&eacute;*</td>
+
+ </tr>
+
+ <tr>
+
+ <td style="text-align: right;"><a name="e76"></a><a href="#p288">#p&aacute;g. 288</a></td>
+
+ <td style="text-align: center;">conhecimento</td>
+
+ <td style="text-align: center;">...</td>
+
+ <td style="text-align: center;">desconhecimento*</td>
+
+ </tr>
+
+ <tr>
+
+ <td style="text-align: right;"><a name="e77"></a><a href="#p289">#p&aacute;g. 289</a></td>
+
+ <td style="text-align: center;">prelagia</td>
+
+ <td style="text-align: center;">...</td>
+
+ <td style="text-align: center;">prelazia*</td>
+
+ </tr>
+
+ <tr>
+
+ <td style="text-align: right;"><a name="e78"></a><a href="#p298">#p&aacute;g. 298</a></td>
+
+ <td style="text-align: center;">feitas</td>
+
+ <td style="text-align: center;">...</td>
+
+ <td style="text-align: center;">feitos</td>
+
+ </tr>
+
+ <tr>
+
+ <td style="text-align: right;"><a name="e79"></a><a href="#p298">#p&aacute;g. 298</a></td>
+
+ <td style="text-align: center;">a</td>
+
+ <td style="text-align: center;">...</td>
+
+ <td style="text-align: center;">&aacute;</td>
+
+ </tr>
+
+ <tr>
+
+ <td style="text-align: right;"><a name="e80"></a><a href="#p300">#p&aacute;g. 300</a></td>
+
+ <td style="text-align: center;">forem</td>
+
+ <td style="text-align: center;">...</td>
+
+ <td style="text-align: center;">fossem*</td>
+
+ </tr>
+
+ <tr>
+
+ <td style="text-align: right;"><a name="e81"></a><a href="#p302">#p&aacute;g. 302</a></td>
+
+ <td style="text-align: center;">Bahia</td>
+
+ <td style="text-align: center;">...</td>
+
+ <td style="text-align: center;">bahia*</td>
+
+ </tr>
+
+ <tr>
+
+ <td style="text-align: right;"><a name="e82"></a><a href="#p303">#p&aacute;g. 303</a></td>
+
+ <td style="text-align: center;">custo</td>
+
+ <td style="text-align: center;">...</td>
+
+ <td style="text-align: center;">curto*</td>
+
+ </tr>
+
+ <tr>
+
+ <td style="text-align: right;"><a name="e83"></a><a href="#p303">#p&aacute;g. 303</a></td>
+
+ <td style="text-align: center;">aos aos</td>
+
+ <td style="text-align: center;">...</td>
+
+ <td style="text-align: center;">aos</td>
+
+ </tr>
+
+ <tr>
+
+ <td style="text-align: right;"><a name="e84"></a><a href="#p307">#p&aacute;g. 307</a></td>
+
+ <td style="text-align: center;">de uso</td>
+
+ <td style="text-align: center;">...</td>
+
+ <td style="text-align: center;">uso*</td>
+
+ </tr>
+
+ <tr>
+
+ <td style="text-align: right;"><a name="e86"></a><a href="#p308">#p&aacute;g. 308</a></td>
+
+ <td style="text-align: center;">dedse</td>
+
+ <td style="text-align: center;">...</td>
+
+ <td style="text-align: center;">desde</td>
+
+ </tr>
+
+ <tr>
+
+ <td style="text-align: right;"><a name="e87"></a><a href="#p310">#p&aacute;g. 310</a></td>
+
+ <td style="text-align: center;">singularizava</td>
+
+ <td style="text-align: center;">...</td>
+
+ <td style="text-align: center;">singularizara*</td>
+
+ </tr>
+
+ <tr>
+
+ <td style="text-align: right;"><a name="e88"></a><a href="#p315">#p&aacute;g. 315</a></td>
+
+ <td style="text-align: center;">acacina-lhes</td>
+
+ <td style="text-align: center;">...</td>
+
+ <td style="text-align: center;">acirra-lhes*</td>
+
+ </tr>
+
+ <tr>
+
+ <td style="text-align: right;"><a name="e89"></a><a href="#p315">#p&aacute;g. 315</a></td>
+
+ <td style="text-align: center;">pirncipe</td>
+
+ <td style="text-align: center;">...</td>
+
+ <td style="text-align: center;">principe</td>
+
+ </tr>
+
+ <tr>
+
+ <td style="text-align: right;"><a name="e90"></a><a href="#p316">#p&aacute;g. 316</a></td>
+
+ <td style="text-align: center;">El-rei;</td>
+
+ <td style="text-align: center;">...</td>
+
+ <td style="text-align: center;">El-rei,*</td>
+
+ </tr>
+
+ <tr>
+
+ <td style="text-align: right;"><a name="e91"></a><a href="#p319">#p&aacute;g. 319</a></td>
+
+ <td style="text-align: center;">accomadadas</td>
+
+ <td style="text-align: center;">...</td>
+
+ <td style="text-align: center;">accomodadas</td>
+
+ </tr>
+
+ <tr>
+
+ <td style="text-align: right;"><a name="e92"></a><a href="#p322">#p&aacute;g. 322</a></td>
+
+ <td style="text-align: center;">as</td>
+
+ <td style="text-align: center;">...</td>
+
+ <td style="text-align: center;">&aacute;s</td>
+
+ </tr>
+
+ <tr>
+
+ <td style="text-align: right;"><a name="e93"></a><a href="#p324">#p&aacute;g. 324</a></td>
+
+ <td style="text-align: center;">commiss&atilde;o</td>
+
+ <td style="text-align: center;">...</td>
+
+ <td style="text-align: center;">commo&ccedil;&atilde;o*</td>
+
+ </tr>
+
+ <tr>
+
+ <td style="text-align: right;"><a name="e94"></a><a href="#p324">#p&aacute;g. 324</a></td>
+
+ <td style="text-align: center;">profundo</td>
+
+ <td style="text-align: center;">...</td>
+
+ <td style="text-align: center;">profunda</td>
+
+ </tr>
+
+ <tr>
+
+ <td style="text-align: right;"><a name="e95"></a><a href="#p333">#p&aacute;g. 333</a></td>
+
+ <td style="text-align: center;">vice-presisidente</td>
+
+ <td style="text-align: center;">...</td>
+
+ <td style="text-align: center;">vice-presidente</td>
+
+ </tr>
+
+ <tr>
+
+ <td style="text-align: right;"><a name="e97"></a><a href="#p337">#p&aacute;g. 337</a></td>
+
+ <td style="text-align: center;">Presideute</td>
+
+ <td style="text-align: center;">...</td>
+
+ <td style="text-align: center;">Presidente</td>
+
+ </tr>
+
+ <tr>
+
+ <td style="text-align: right;"><a name="e98"></a><a href="#p337">#p&aacute;g. 337</a></td>
+
+ <td style="text-align: center;">&aacute; rebate</td>
+
+ <td style="text-align: center;">...</td>
+
+ <td style="text-align: center;">a rebate</td>
+
+ </tr>
+
+ <tr>
+
+ <td style="text-align: right;"><a name="e99"></a><a href="#p337">#p&aacute;g. 337</a></td>
+
+ <td style="text-align: center;">nos</td>
+
+ <td style="text-align: center;">...</td>
+
+ <td style="text-align: center;">n&oacute;s</td>
+
+ </tr>
+
+ <tr>
+
+ <td style="text-align: right;"><a name="e100"></a><a href="#p339">#p&aacute;g. 339</a></td>
+
+ <td style="text-align: center;">minsitros</td>
+
+ <td style="text-align: center;">...</td>
+
+ <td style="text-align: center;">ministros</td>
+
+ </tr>
+
+ <tr>
+
+ <td style="text-align: right;"><a name="e102"></a><a href="#p342">#p&aacute;g. 342</a></td>
+
+ <td style="text-align: center;">lesgislaturas</td>
+
+ <td style="text-align: center;">...</td>
+
+ <td style="text-align: center;">legislaturas</td>
+
+ </tr>
+
+ <tr>
+
+ <td style="text-align: right;"><a name="e103"></a><a href="#p342">#p&aacute;g. 342</a></td>
+
+ <td style="text-align: center;">legisluras</td>
+
+ <td style="text-align: center;">...</td>
+
+ <td style="text-align: center;">legislaturas</td>
+
+ </tr>
+
+ <tr>
+
+ <td style="text-align: right;"><a name="e105"></a><a href="#p349">#p&aacute;g. 349</a></td>
+
+ <td style="text-align: center;">miserando</td>
+
+ <td style="text-align: center;">...</td>
+
+ <td style="text-align: center;">miseranda</td>
+
+ </tr>
+
+ <tr>
+
+ <td style="text-align: right;"><a name="e106"></a><a href="#p350">#p&aacute;g. 350</a></td>
+
+ <td style="text-align: center;">hispo</td>
+
+ <td style="text-align: center;">...</td>
+
+ <td style="text-align: center;">bispo</td>
+
+ </tr>
+
+ <tr>
+
+ <td style="text-align: right;"><a name="e107"></a><a href="#p355">#p&aacute;g. 355</a></td>
+
+ <td style="text-align: center;">ora&ccedil;&otilde;as</td>
+
+ <td style="text-align: center;">...</td>
+
+ <td style="text-align: center;">ora&ccedil;&otilde;es</td>
+
+ </tr>
+
+ <tr>
+
+ <td style="text-align: right;"><a name="e108"></a><a href="#p355">#p&aacute;g. 355</a></td>
+
+ <td style="text-align: center;">maia</td>
+
+ <td style="text-align: center;">...</td>
+
+ <td style="text-align: center;">mais</td>
+
+ </tr>
+
+ <tr>
+
+ <td style="text-align: right;"><a name="e109"></a><a href="#p357">#p&aacute;g. 357</a></td>
+
+ <td style="text-align: center;">do</td>
+
+ <td style="text-align: center;">...</td>
+
+ <td style="text-align: center;">de</td>
+
+ </tr>
+
+ <tr>
+
+ <td style="text-align: right;"><a name="e110"></a><a href="#p359">#p&aacute;g. 359</a></td>
+
+ <td style="text-align: center;">probalidades</td>
+
+ <td style="text-align: center;">...</td>
+
+ <td style="text-align: center;">probabilidades</td>
+
+ </tr>
+
+ <tr>
+
+ <td style="text-align: right;"><a name="e112"></a><a href="#p362">#p&aacute;g. 362</a></td>
+
+ <td style="text-align: center;">da Norte</td>
+
+ <td style="text-align: center;">...</td>
+
+ <td style="text-align: center;">do Norte</td>
+
+ </tr>
+
+ <tr>
+
+ <td style="text-align: right;"><a name="e114"></a><a href="#p366">#p&aacute;g. 366</a></td>
+
+ <td style="text-align: center;">este</td>
+
+ <td style="text-align: center;">...</td>
+
+ <td style="text-align: center;">elle*</td>
+
+ </tr>
+
+ <tr>
+
+ <td style="text-align: right;"><a name="e115"></a><a href="#p366">#p&aacute;g. 366</a></td>
+
+ <td style="text-align: center;">Irritara</td>
+
+ <td style="text-align: center;">...</td>
+
+ <td style="text-align: center;">Irritava*</td>
+
+ </tr>
+
+ <tr>
+
+ <td style="text-align: right;"><a name="e116"></a><a href="#p371">#p&aacute;g. 371</a></td>
+
+ <td style="text-align: center;">racicinios</td>
+
+ <td style="text-align: center;">...</td>
+
+ <td style="text-align: center;">raciocinios</td>
+
+ </tr>
+
+ <tr>
+
+ <td style="text-align: right;"><a name="e117"></a><a href="#p376">#p&aacute;g. 376</a></td>
+
+ <td style="text-align: center;">retrincou</td>
+
+ <td style="text-align: center;">...</td>
+
+ <td style="text-align: center;">retrucou*</td>
+
+ </tr>
+
+ <tr>
+
+ <td style="text-align: right;"><a name="e118"></a><a href="#p376">#p&aacute;g. 376</a></td>
+
+ <td style="text-align: center;">Entres</td>
+
+ <td style="text-align: center;">...</td>
+
+ <td style="text-align: center;">Entre</td>
+
+ </tr>
+
+ <tr>
+
+ <td style="text-align: right;"><a name="e119"></a><a href="#p378">#p&aacute;g. 378</a></td>
+
+ <td style="text-align: center;">calor</td>
+
+ <td style="text-align: center;">...</td>
+
+ <td style="text-align: center;">vigor*</td>
+
+ </tr>
+
+ <tr>
+
+ <td style="text-align: right;"><a name="e120"></a><a href="#c20">#p&aacute;g. 382</a></td>
+
+ <td style="text-align: center;">plae</td>
+
+ <td style="text-align: center;">...</td>
+
+ <td style="text-align: center;">pela</td>
+
+ </tr>
+
+ <tr>
+
+ <td style="text-align: right;"><a name="e121"></a><a href="#p385">#p&aacute;g. 385</a></td>
+
+ <td style="text-align: center;">de que um</td>
+
+ <td style="text-align: center;">...</td>
+
+ <td style="text-align: center;">de um*</td>
+
+ </tr>
+
+ <tr>
+
+ <td style="text-align: right;"><a name="e122"></a><a href="#p388">#p&aacute;g. 388</a></td>
+
+ <td style="text-align: center;">inconveuiente</td>
+
+ <td style="text-align: right;">...</td>
+
+ <td style="text-align: center;">inconveniente</td>
+
+ </tr>
+
+ <tr>
+
+ <td style="text-align: right;"><a name="e123"></a><a href="#p391">#p&aacute;g. 391</a></td>
+
+ <td style="text-align: center;">accesso</td>
+
+ <td style="text-align: right;">...</td>
+
+ <td style="text-align: center;">acceso</td>
+
+ </tr>
+
+ <tr>
+
+ <td style="text-align: right;"><a name="e124"></a><a href="#p392">#p&aacute;g. 392</a></td>
+
+ <td style="text-align: center;">ontro</td>
+
+ <td style="text-align: center;">...</td>
+
+ <td style="text-align: center;">outro</td>
+
+ </tr>
+
+ <tr>
+
+ <td style="text-align: right;"><a name="e125"></a><a href="#p393">#p&aacute;g. 393</a></td>
+
+ <td style="text-align: center;">causulas</td>
+
+ <td style="text-align: center;">...</td>
+
+ <td style="text-align: center;">clausulas</td>
+
+ </tr>
+
+ <tr>
+
+ <td style="text-align: right;"><a name="e126"></a><a href="#c21">#p&aacute;g. 398</a></td>
+
+ <td style="text-align: center;">qnando</td>
+
+ <td style="text-align: center;">...</td>
+
+ <td style="text-align: center;">quando</td>
+
+ </tr>
+
+ <tr>
+
+ <td style="text-align: right;"><a name="e127"></a><a href="#p402">#p&aacute;g. 402</a></td>
+
+ <td style="text-align: center;">annnir</td>
+
+ <td style="text-align: center;">...</td>
+
+ <td style="text-align: center;">annuir</td>
+
+ </tr>
+
+ <tr>
+
+ <td style="text-align: right;"><a name="e128"></a><a href="#p404">#p&aacute;g. 404</a></td>
+
+ <td style="text-align: center;">categoricamenta</td>
+
+ <td style="text-align: center;">...</td>
+
+ <td style="text-align: center;">categoricamente</td>
+
+ </tr>
+
+ <tr>
+
+ <td style="text-align: right;"><a name="e130"></a><a href="#p405">#p&aacute;g. 405</a></td>
+
+ <td style="text-align: center;">potitica</td>
+
+ <td style="text-align: center;">...</td>
+
+ <td style="text-align: center;">politica</td>
+
+ </tr>
+
+ <tr>
+
+ <td style="text-align: right;"><a name="e131"></a><a href="#p406">#p&aacute;g. 406</a></td>
+
+ <td style="text-align: center;">que que
+n&atilde;o</td>
+
+ <td style="text-align: center;">...</td>
+
+ <td style="text-align: center;">que n&atilde;o</td>
+
+ </tr>
+
+ <tr>
+
+ <td style="text-align: right;"><a name="e132"></a><a href="#p407">#p&aacute;g. 407</a></td>
+
+ <td style="text-align: center;">foudamental</td>
+
+ <td style="text-align: center;">...</td>
+
+ <td style="text-align: center;">fundamental</td>
+
+ </tr>
+
+ <tr>
+
+ <td style="text-align: right;"><a name="e133"></a><a href="#p411">#p&aacute;g. 411</a></td>
+
+ <td style="text-align: center;">moderara&ccedil;&atilde;o</td>
+
+ <td style="text-align: center;">...</td>
+
+ <td style="text-align: center;">modera&ccedil;&atilde;o</td>
+
+ </tr>
+
+ <tr>
+
+ <td style="text-align: right;"><a name="e134"></a><a href="#p412">#p&aacute;g. 412</a></td>
+
+ <td style="text-align: center;">atrrahir</td>
+
+ <td style="text-align: center;">...</td>
+
+ <td style="text-align: center;">attrahir</td>
+
+ </tr>
+
+ <tr>
+
+ <td style="text-align: right;"><a name="e135"></a><a href="#p413">#p&aacute;g. 413</a></td>
+
+ <td style="text-align: center;">desgotar</td>
+
+ <td style="text-align: center;">...</td>
+
+ <td style="text-align: center;">desgostar</td>
+
+ </tr>
+
+ <tr>
+
+ <td style="text-align: right;"><a name="e136"></a><a href="#p413">#p&aacute;g. 413</a></td>
+
+ <td style="text-align: center;">a a acceitassem</td>
+
+ <td style="text-align: center;">...</td>
+
+ <td style="text-align: center;">a acceitassem</td>
+
+ </tr>
+
+ <tr>
+
+ <td style="text-align: right;"><a name="e137"></a><a href="#p413">#p&aacute;g. 413</a></td>
+
+ <td style="text-align: center;">portug&ecirc;ses</td>
+
+ <td style="text-align: center;">...</td>
+
+ <td style="text-align: center;">portugu&ecirc;ses</td>
+
+ </tr>
+
+ <tr>
+
+ <td style="text-align: right;"><a name="e138"></a><a href="#p416">#p&aacute;g. 416</a></td>
+
+ <td style="text-align: center;">portrahir</td>
+
+ <td style="text-align: center;">...</td>
+
+ <td style="text-align: center;">protrahir</td>
+
+ </tr>
+
+ <tr>
+
+ <td style="text-align: right;"><a name="e139"></a><a href="#p417">#p&aacute;g. 417</a></td>
+
+ <td style="text-align: center;">utll</td>
+
+ <td style="text-align: center;">...</td>
+
+ <td style="text-align: center;">util</td>
+
+ </tr>
+
+ <tr>
+
+ <td style="text-align: right;"><a name="e140"></a><a href="#p418">#p&aacute;g. 418</a></td>
+
+ <td style="text-align: center;">fallam</td>
+
+ <td style="text-align: center;">...</td>
+
+ <td style="text-align: center;">faltam</td>
+
+ </tr>
+
+ <tr>
+
+ <td style="text-align: right;"><a name="e141"></a><a href="#p418">#p&aacute;g. 418</a></td>
+
+ <td style="text-align: center;">facto</td>
+
+ <td style="text-align: center;">...</td>
+
+ <td style="text-align: center;">pacto</td>
+
+ </tr>
+
+ <tr>
+
+ <td style="text-align: right;"><a name="e142"></a><a href="#p418">#p&aacute;g. 418</a></td>
+
+ <td style="text-align: center;">particuculares</td>
+
+ <td style="text-align: center;">...</td>
+
+ <td style="text-align: center;">particulares</td>
+
+ </tr>
+
+ <tr>
+
+ <td style="text-align: right;"><a name="e143"></a><a href="#p420">#p&aacute;g. 420</a></td>
+
+ <td style="text-align: center;">segniute</td>
+
+ <td style="text-align: center;">...</td>
+
+ <td style="text-align: center;">seguinte</td>
+
+ </tr>
+
+ <tr>
+
+ <td style="text-align: right;"><a name="e144"></a><a href="#p424">#p&aacute;g. 424</a></td>
+
+ <td style="text-align: center;">cammandante</td>
+
+ <td style="text-align: center;">...</td>
+
+ <td style="text-align: center;">commandante</td>
+
+ </tr>
+
+ <tr>
+
+ <td></td>
+
+ <td></td>
+
+ <td></td>
+
+ <td></td>
+
+ </tr>
+
+ <tr>
+
+ <td style="text-align: right; width: 61px;"></td>
+
+ <td style="text-align: center; width: 121px;"></td>
+
+ <td style="text-align: center; width: 5px;"></td>
+
+ <td style="text-align: center; width: 135px;"></td>
+
+ </tr>
+
+ <tr>
+
+ <td style="text-align: right; width: 61px;"><a name="e22"></a><a href="#Z130">#nota 130</a></td>
+
+ <td style="text-align: center; width: 121px;">Corte</td>
+
+ <td style="text-align: center; width: 5px;">...</td>
+
+ <td style="text-align: center; width: 135px;">Côrtes</td>
+
+ </tr>
+
+ <tr>
+
+ <td style="text-align: right;"><a name="e36"></a><a href="#Z235">#nota 235</a></td>
+
+ <td style="text-align: center;">O legario</td>
+
+ <td style="text-align: center;">...</td>
+
+ <td style="text-align: center;">Olegario</td>
+
+ </tr>
+
+ <tr>
+
+ <td style="text-align: right;"><a name="e43"></a><a href="#Z252">#nota 252</a></td>
+
+ <td style="text-align: center;">Fernando</td>
+
+ <td style="text-align: center;">...</td>
+
+ <td style="text-align: center;">Fernandes</td>
+
+ </tr>
+
+ <tr>
+
+ <td style="text-align: right;"><a name="e51"></a><a href="#Z283">#nota 283</a></td>
+
+ <td style="text-align: center;">Diaria</td>
+
+ <td style="text-align: center;">...</td>
+
+ <td style="text-align: center;">Diario</td>
+
+ </tr>
+
+ <tr>
+
+ <td style="text-align: right;"><a name="e56"></a><a href="#Z290">#nota 290</a></td>
+
+ <td style="text-align: center;">de de</td>
+
+ <td style="text-align: center;">...</td>
+
+ <td style="text-align: center;">de</td>
+
+ </tr>
+
+ <tr>
+
+ <td style="text-align: right;"><a name="e57"></a><a href="#Z297">#nota 297</a></td>
+
+ <td style="text-align: center;">Accacio</td>
+
+ <td style="text-align: center;">...</td>
+
+ <td style="text-align: center;">Accursio</td>
+
+ </tr>
+
+ <tr>
+
+ <td style="text-align: right;"><a name="e60"></a><a href="#Z301">#nota 301</a></td>
+
+ <td style="text-align: center;">tome</td>
+
+ <td style="text-align: center;">...</td>
+
+ <td style="text-align: center;">tomo</td>
+
+ </tr>
+
+ <tr>
+
+ <td style="text-align: right;"><a name="e65"></a><a href="#Z309">#nota 309</a></td>
+
+ <td style="text-align: center;">C&oacute;rtes</td>
+
+ <td style="text-align: center;">...</td>
+
+ <td style="text-align: center;">Côrtes</td>
+
+ </tr>
+
+ <tr>
+
+ <td style="text-align: right;"><a name="e85"></a><a href="#Z379">#nota 379</a></td>
+
+ <td style="text-align: center;">428.&ordm;</td>
+
+ <td style="text-align: center;">...</td>
+
+ <td style="text-align: center;">428</td>
+
+ </tr>
+
+ <tr>
+
+ <td style="text-align: right;"><a name="e96"></a><a href="#Z414">#nota 414</a></td>
+
+ <td style="text-align: center;">juiho</td>
+
+ <td style="text-align: center;">...</td>
+
+ <td style="text-align: center;">julho</td>
+
+ </tr>
+
+ <tr>
+
+ <td style="text-align: right;"><a name="e101"></a><a href="#Z422">#nota 422</a></td>
+
+ <td style="text-align: center;">350 1351</td>
+
+ <td style="text-align: center;">...</td>
+
+ <td style="text-align: center;">350-351</td>
+
+ </tr>
+
+ <tr>
+
+ <td style="text-align: right;"><a name="e104"></a><a href="#Z431">#nota 431</a></td>
+
+ <td style="text-align: center;">dus</td>
+
+ <td style="text-align: center;">...</td>
+
+ <td style="text-align: center;">das</td>
+
+ </tr>
+
+ <tr>
+
+ <td style="text-align: right;"><a name="e111"></a><a href="#Z459">#nota 459</a></td>
+
+ <td style="text-align: center;">Cortes</td>
+
+ <td style="text-align: center;">...</td>
+
+ <td style="text-align: center;">Côrtes</td>
+
+ </tr>
+
+ <tr>
+
+ <td style="text-align: right;"><a name="e113"></a><a href="#Z467">#nota 467</a></td>
+
+ <td style="text-align: center;">da 1832</td>
+
+ <td style="text-align: center;">...</td>
+
+ <td style="text-align: center;">de 1822</td>
+
+ </tr>
+
+ <tr>
+
+ <td style="text-align: right;"><a name="e129"></a><a href="#Z510">#nota 510</a></td>
+
+ <td style="text-align: center;">Côrttes</td>
+
+ <td style="text-align: center;">...</td>
+
+ <td style="text-align: center;">Côrtes</td>
+
+ </tr>
+
+ </tbody>
+</table>
+
+<br />
+
+<br />
+
+<div style="text-align: center;">*
+correc&ccedil;&otilde;es feitas com base na errata do
+pr&oacute;prio livro.<br />
+
+<br />
+
+Na errata ainda se l&ecirc;: "Ha ainda outros erros que, por serem
+manifestos,<br />
+
+n&atilde;o se assignalam."<br />
+
+<br />
+
+Foram adicionadas aspas onde se justificavam e que faltavam devido, ao
+que penso ter sido, a um lapso tipogr&aacute;fico.<br />
+
+<br />
+
+A duplica&ccedil;&atilde;o de pontua&ccedil;&atilde;o
+existente antes e depois das refer&ecirc;ncias,<br />
+
+para notas de rodap&eacute;, foram mantidas nos casos em que se
+verificavam.<br />
+
+<br />
+
+N&atilde;o existe refer&ecirc;ncia no texto para a <a href="#Z345">nota 345</a>, da <a href="#p280">p&aacute;gina
+280</a> deste livro.<br />
+
+Na <a href="#p307">p&aacute;gina 307</a> deste
+livro, existem duas refer&ecirc;ncias para a mesma nota<br />
+
+(<a href="#Z379">nota 379</a>), tendo sido mantidas,
+podendo ser no entanto um erro.<br />
+
+A <a href="#Z412">nota 412</a> da <a href="#p332">p&aacute;gina
+332</a> est&aacute; em falta no livro original: mantive o seu
+local sinalizado, embora n&atilde;o tenha nenhuma nota associada.<br />
+
+<br />
+
+A numera&ccedil;&atilde;o das p&aacute;ginas do
+&iacute;ndice foi alterada em alguns dos casos,<br />
+
+para estar de acordo com a pagina&ccedil;&atilde;o do texto.
+</div>
+
+<div style="text-align: center;"><br />
+
+<br />
+
+</div>
+
+</div>
+
+</div>
+
+</div>
+
+<div style='display:block;margin-top:4em'>*** END OF THE PROJECT GUTENBERG EBOOK OS DEPUTADOS BRASILEIROS NAS CÔRTES GERAES DE 1821 ***</div>
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+Updated editions will replace the previous one&#8212;the old editions will
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+</div>
+
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+</div>
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+</div>
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+Section 1. General Terms of Use and Redistributing Project Gutenberg&#8482; electronic works
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+</div>
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+</div>
+
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+1.F.
+</div>
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+Section 2. Information about the Mission of Project Gutenberg&#8482;
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+Project Gutenberg&#8482; is synonymous with the free distribution of
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+
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+Volunteers and financial support to provide volunteers with the
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+goals and ensuring that the Project Gutenberg&#8482; collection will
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+generations. To learn more about the Project Gutenberg Literary
+Archive Foundation and how your efforts and donations can help, see
+Sections 3 and 4 and the Foundation information page at www.gutenberg.org.
+</div>
+
+<div style='display:block; font-size:1.1em; margin:1em 0; font-weight:bold'>
+Section 3. Information about the Project Gutenberg Literary Archive Foundation
+</div>
+
+<div style='display:block; margin:1em 0'>
+The Project Gutenberg Literary Archive Foundation is a non-profit
+501(c)(3) educational corporation organized under the laws of the
+state of Mississippi and granted tax exempt status by the Internal
+Revenue Service. The Foundation&#8217;s EIN or federal tax identification
+number is 64-6221541. Contributions to the Project Gutenberg Literary
+Archive Foundation are tax deductible to the full extent permitted by
+U.S. federal laws and your state&#8217;s laws.
+</div>
+
+<div style='display:block; margin:1em 0'>
+The Foundation&#8217;s business office is located at 809 North 1500 West,
+Salt Lake City, UT 84116, (801) 596-1887. Email contact links and up
+to date contact information can be found at the Foundation&#8217;s website
+and official page at www.gutenberg.org/contact
+</div>
+
+<div style='display:block; font-size:1.1em; margin:1em 0; font-weight:bold'>
+Section 4. Information about Donations to the Project Gutenberg Literary Archive Foundation
+</div>
+
+<div style='display:block; margin:1em 0'>
+Project Gutenberg&#8482; depends upon and cannot survive without widespread
+public support and donations to carry out its mission of
+increasing the number of public domain and licensed works that can be
+freely distributed in machine-readable form accessible by the widest
+array of equipment including outdated equipment. Many small donations
+($1 to $5,000) are particularly important to maintaining tax exempt
+status with the IRS.
+</div>
+
+<div style='display:block; margin:1em 0'>
+The Foundation is committed to complying with the laws regulating
+charities and charitable donations in all 50 states of the United
+States. Compliance requirements are not uniform and it takes a
+considerable effort, much paperwork and many fees to meet and keep up
+with these requirements. We do not solicit donations in locations
+where we have not received written confirmation of compliance. To SEND
+DONATIONS or determine the status of compliance for any particular state
+visit <a href="https://www.gutenberg.org/donate/">www.gutenberg.org/donate</a>.
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+
+<div style='display:block; margin:1em 0'>
+While we cannot and do not solicit contributions from states where we
+have not met the solicitation requirements, we know of no prohibition
+against accepting unsolicited donations from donors in such states who
+approach us with offers to donate.
+</div>
+
+<div style='display:block; margin:1em 0'>
+International donations are gratefully accepted, but we cannot make
+any statements concerning tax treatment of donations received from
+outside the United States. U.S. laws alone swamp our small staff.
+</div>
+
+<div style='display:block; margin:1em 0'>
+Please check the Project Gutenberg web pages for current donation
+methods and addresses. Donations are accepted in a number of other
+ways including checks, online payments and credit card donations. To
+donate, please visit: www.gutenberg.org/donate
+</div>
+
+<div style='display:block; font-size:1.1em; margin:1em 0; font-weight:bold'>
+Section 5. General Information About Project Gutenberg&#8482; electronic works
+</div>
+
+<div style='display:block; margin:1em 0'>
+Professor Michael S. Hart was the originator of the Project
+Gutenberg&#8482; concept of a library of electronic works that could be
+freely shared with anyone. For forty years, he produced and
+distributed Project Gutenberg&#8482; eBooks with only a loose network of
+volunteer support.
+</div>
+
+<div style='display:block; margin:1em 0'>
+Project Gutenberg&#8482; eBooks are often created from several printed
+editions, all of which are confirmed as not protected by copyright in
+the U.S. unless a copyright notice is included. Thus, we do not
+necessarily keep eBooks in compliance with any particular paper
+edition.
+</div>
+
+<div style='display:block; margin:1em 0'>
+Most people start at our website which has the main PG search
+facility: <a href="https://www.gutenberg.org">www.gutenberg.org</a>.
+</div>
+
+<div style='display:block; margin:1em 0'>
+This website includes information about Project Gutenberg&#8482;,
+including how to make donations to the Project Gutenberg Literary
+Archive Foundation, how to help produce our new eBooks, and how to
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+
+</body>
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