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-The Project Gutenberg eBook of Os jardins ou a arte de aformosear as
-paisagens, by Jacques Delille
-
-This eBook is for the use of anyone anywhere in the United States and
-most other parts of the world at no cost and with almost no restrictions
-whatsoever. You may copy it, give it away or re-use it under the terms
-of the Project Gutenberg License included with this eBook or online at
-www.gutenberg.org. If you are not located in the United States, you
-will have to check the laws of the country where you are located before
-using this eBook.
-
-Title: Os jardins ou a arte de aformosear as paisagens
- Poema
-
-Author: Jacques Delille
-
-Translator: Manuel Maria Barbosa du Bocage
-
-Release Date: October 22, 2022 [eBook #69209]
-
-Language: Portuguese
-
-Produced by: Rita Farinha and the Online Distributed Proofreading Team
- at https://www.pgdp.net (This file was produced from images
- generously made available by National Library of Portugal
- (Biblioteca Nacional de Portugal).)
-
-*** START OF THE PROJECT GUTENBERG EBOOK OS JARDINS OU A ARTE DE
-AFORMOSEAR AS PAISAGENS ***
-
-
-
-
-
- OS JARDINS,
-
- OU
- A ARTE DE AFORMOSEAR AS PAIZAGENS,
-
- POEMA
- DE
- Mr. DELILLE,
- DA ACADEMIA FRANCEZA,
-
- TRADUZIDO EM VERSO
- DE ORDEM
- DE
- S. ALTEZA REAL
- O PRINCIPE REGENTE,
- NOSSO SENHOR,
-
- POR
- MANOEL MARIA DE BARBOSA
- DU BOCAGE.
-
- [Illustração]
-
- LISBOA.
-
- NA TYPOGRAPHIA CHALCOGRAPHICA,
- E LITTERARIA DO ARCO DO CEGO.
-
- ANNO M. DCCC.
-
-
-
-
- _--------Hic inter flumina nota,
- Et fontes sacros frigus captabis opacum._
-
- Virg. Eclog. I.
-
- Entre os rios aqui, e as sacras fontes
- Gozarás em repouso a sombra amena.
-
-
-
-
- PROLOGO
-
- DO
-
- AUTHOR.
-
-
-Varias pessoas de grande merecimento escrevêrão em prosa á cerca dos
-Jardins. O Author deste Poema colheo dellas alguns preceitos, e até
-descripções. Em bastantes passagens teve a dita de encontrar-se com
-tão bons Escritores, porque este Poema foi começado antes que elles
-publicassem as suas obras. Confessa que dá ao prelo com extrema
-desconfiança huma composição muito esperada, e engrandecida de mais: a
-indulgencia excessiva, dos que a ouvìrão, lhe agoira a severidade, dos
-que a lerem.
-
-Este Poema, além disso, tem hum grave inconveniente, o de ser
-didáctico. Tal genero he necessariamente hum pouco frio, e mais o
-deve parecer á huma Nação, que lhe custa muito (como se tem observado
-repetidas vezes) a tolerar versos, em não sendo os compostos para o
-Theatro, os que pintão as paixões, ou as baldas dos Homens. Poucas
-Pessoas, digo mais, até poucos Litteratos lem as Geórgicas de Virgilio,
-e quasi todos, os que aprendêrão Latim, sabem de cór o quarto Canto da
-Eneida.
-
-No primeiro destes dois Poemas, dá o Poeta a entender que sente
-não lhe permittirem os limites do seu assumpto cantar os Jardins.
-Depois de haver lutado longamente com as miudas, e hum tanto ingratas
-particularidades da cultura geral dos Campos, a modo que deseja
-repousar sobre mais risonhos objectos. Mas estreitado no de que trata,
-vinga-se desta sujeição com hum bello, e rápido esboço dos Jardins, e
-com o pathetico episódio de hum Velho feliz no seu pequeno campo, que
-elle mesmo cultiva, e enfeita.
-
-O que o Poeta Romano sentia não poder executar, executou o P. Rapin.
-Escreveo na lingua, e ás vezes no estilo de Virgilio, hum Poema em
-quatro Cantos sobre os Jardins, que foi mui applaudido, n’um tempo em
-que ainda se lião versos Latinos modernos. A sua obra não he despida
-de elegancia; mas quizera-se que abundasse de precisão, e de melhores
-episódios.
-
-De mais, o plano do seu Poema não interessa, não tem variedade. Hum
-Canto he consagrado ás agoas, outro ás arvores, outro ás flores.
-Adivinha-se o comprido cathalogo, e a enumeração tediosa, que mais
-pertence ao Botanico que ao Poeta: e aquelle passo methódico, que assás
-prestaria n’um tratado em prosa, he grande defeito n’uma composição
-Poetica, onde o Espirito pede que o levem por caminhos hum pouco
-desviados, e lhe apresentem objectos que não espera.
-
-Além disto, Rapin cantou Jardins do genero regular, e a monotonia
-inherente á summa regularidade, passou do assumpto ao Poema. A
-imaginação, naturalmente amiga da liberdade, ora vai a custo pelos
-desenhos enviezados de hum canteiro de flores, ora morre no fim de huma
-longa, e direita alameda. Por toda a parte lhe lembra com saudades
-a formosura hum tanto desordenada, e a chistosa irregularidade da
-Natureza.
-
-Emfim, aquelle Author não tratou senão a parte mecanica da Jardinagem.
-Totalmente esqueceo a mais importante, a que procura em nossas
-sensações, em nossos sentimentos a origem do prazer, que nos causão
-as scenas campestres, e os attractivos da Natureza aperfeiçoados pela
-arte. Em suma, os seus Jardins são os do Architecto; os outros são os
-do Filosofo, os do Pintor, os do Poeta.
-
-Este genero tem medrado por extremo ha annos, e se isto he tambem
-effeito da moda, demos-lhe graças. A arte dos Jardins, a que se
-poderia chamar luxo da Architectura, parece hum dos entretenimentos
-mais convenientes, e talvez hum dos mais virtuosos da Gente rica. Como
-cultura, reconduz á innocencia das occupações campesinas; como adorno,
-apadrinha sem risco a paixão dos dispendios, que acompanha as grandes
-Fortunas: finalmente, esta arte tem para semelhante classe de Homens o
-duplicado prestimo de participar, ao mesmo tempo, dos gostos que vogão
-nas Cidades, e dos que existem nos Campos.
-
-Este prazer dos Particulares achou-se ligado á utilidade pública: fez
-com que os Opulentos folgassem de habitar as suas terras. O oiro, que
-sustentaria Artifices do luxo, vai alimentar os Cultivadores, e a
-riqueza torna á sua verdadeira fonte. Acresce a isto, que a cultura
-se enriqueceo com muitas, e muitas plantas, ou arvores estrangeiras,
-aggregadas ás producções do nosso terreno, e isto vale certamente o
-marmore todo que perdêrão nossos Jardins.
-
-Feliz este Poema se desparzir, ainda mais, affeições tão simplices, e
-puras! Porque, como o Author deste Poema o disse em outra composição,
-
- Quem dos Campos o amor inspira aos Homens,
- Tambem, Virtudes, vosso amor lhe inspira.
-
-
-
-
- PROLOGO DO TRADUCTOR.
-
-
-A Gloriosa reputação do Abbade Delille, como Litterato, e como Poeta, a
-estima geral, dada ao seu Poema dos Jardins, onde se encontrão todo o
-atavio, toda a graça, e toda a filosofia, de que he capaz o assumpto,
-me incitou a versificallo em vulgar, apurando nisso o cabedal que
-possuo em Poesia, cabedal muito inferior ao apreço, e acolheita, de
-que estou em divida com os meus Compatriotas. O amor á Gloria, e á
-Gratidão talvez ainda criem na minha alma hum ardor que a fecunde,
-tornando-me digno do affecto, com que me honra o Publico; e entretanto
-lhe apresento esta versão, a mais concisa, a mais fiel, que pude
-ordenal-la, e em que só usei o circumloquio nos lugares, cuja traducção
-litteral se não compadecia, a meu ver, com a elegancia, que deve reinar
-em todas as composições Poeticas.
-
-NB. Na pag. 66 vers. 21 lêa-se Soleil, em vez de Ciel: = na pag. 67
-vers. 22 Occaso, onde está Oceano: = na pag. 65 vers. 21 Cobertas
-d’outro Ceo: = na pag. 83 vers. 31 luzidio, em lugar de luzido: = e
-na pag. 119 vers. 35 diversos, em lugar de diverssas: = e na pag. 121
-vers. 28 milhos, em lugar de trigos.
-
-
-
-
- [Illustração]
-
- LES JARDINS,
-
- POÈME,
-
- CHANT PREMIER.
-
-
- Le doux Printemps revient, et ranime à la fois
- Les oiseaux, les zéphirs, et les fleurs, et ma voix.
- Pour quel sujet nouveau dois-je monter ma lyre?
- Ah! lorsque d’un long deuil la terre enfin respire,
- Dans les champs, dans les bois, sur les monts d’alentour,
- Quand tout rit de bonheur, d’espérance, et d’amour,
- Qu’un autre ouvre aux grands noms les fastes de la gloire;
- Sur un char foudroyant qu’il place la victoire;
- Que la coupe d’Atrée ensanglante ses mains:
- Flore a souri; ma voix va chanter les Jardins.
- Je dirai comment l’art, dans de frais paysages,
- Dirige l’eau, les fleurs, les gazons, les ombrages.
- Toi donc, qui, mariant la grace, et la vigueur,
- Sais du chant didactique animer la langueur,
- O Muse! si jadis, dans les vers de Lucrece,
- Des austères leçons tu polis la rudesse;
- Si par toi, sans flétrir le langage des Dieux,
- Son rival a chanté le soc laborieux;
- Viens orner un sujet plus riche, plus fertile,
- Dont le charme autrefois avoit tenté Virgile.
- N’empruntons point ici d’ornement étranger;
- Viens, de mes propres fleurs mon front va s’ombrager;
- Et, comme un rayon pur colore un beau nuage,
- Des couleurs du sujet je teindrai mon langage.
- L’art innocent, et doux que célébrent mes vers,
- Remonte aux premiers jours de l’antique univers.
- Dès que l’Homme eut soumis les champs à la culture,
- D’un heureux coin de terre il soigna la parure;
- Et plus près de ses yeux il rangea sous ses loix
- Des arbres favoris, et des fleurs de son choix.
- Du simple Alcinous le luxe encore rustique
- Décoroit un verger. D’un art plus magnifique
- Babylone éleva des jardins dans les airs.
- Quand Rome au monde entier eut envoyé des fers,
- Les vainqueurs, dans des parcs ornés par la victoire,
- Alloient calmer leur foudre, et reposer leur gloire.
- La sagesse autrefois habitoit les jardins,
- Et d’un air plus riant instruisoit les humains:
- Et quand les Dieux offroient un Elysée aux sages,
- Etoit-ce des Palais? c’étoit de verds boccages;
- C’étoit des prés fleuris, séjour des doux loisirs,
- Où d’une longue paix ils goùtoient les plaisirs.
- Ouvrons donc, il est temps, ma carriere nouvelle;
- Philippe m’encourage, et mon sujet m’appelle.
- Pour embellir les champs, simples dans leur attraits,
- Gardez-vous d’insulter la nature à grands frais.
- Ce noble emploi demande un Artiste qui pense,
- Prodigue de génie, et non pas de dépense.
- Moins pompeux qu’élégant, moins décoré que beau,
- Un jardin, a mes yeux, est un vaste tableau.
- Soyez peintre. Les champs, leurs nuances sans nombre,
- Les jets de la lumiere, et les masses de l’ombre,
- Les heures, les saisons variant tour-a tour
- Le cercle de l’année, et le cercle du jour,
- Et des prés émaillés les riches broderies,
- Et des rians côteaux les vertes draperies,
- Les arbres, les rochers, et les eaux, et les fleurs,
- Ce sont la vos pinceaux, vos toiles, vos couleurs.
- La nature est à vous; et votre main féconde
- Dispose, pour créer, des élémens du monde.
- Mais avant de planter, avant que du terrein
- Votre bêche imprudente ait entamé le sein,
- Pour donner aux jardins une forme plus pure,
- Observez, connoissez, imitez la nature.
- N’avez-vous pas souvent, aux lieux infrequentés,
- Rencontré tout-a-coup ces aspects enchantés,
- Qui suspendent vos pas, dont l’image chérie
- Vous jette en une douce, et longue réverie?
- Saisissez, s’il se peut, leurs traits les plus frappans,
- Et des champs apprenez l’art de parer les champs.
- Voyez aussi les lieux qu’un goût savant décore.
- Dans ces tableaux choisis vous choisirez encore.
- Dans sa pompe élégante admirez Chantilli,
- De héros en héros, d’âge en âge embelli.
- Belœil, tout à la fois magnifique, et champêtre,
- Chanteloup, fier encor de l’exil de son Maitre,
- Vous plairont tour-à tour. Tel que ce frais bouton,
- Timide avant-coureur de la belle saison,
- L’aimable Tivoli, d’une forme nouvelle
- Fit le premier en France entrevoir le modèle.
- Les Grâces en riant dessinerent Montreuil.
- Maupertuis, le Desert, Rincy, Limours, Auteuil,
- Que dans vos frais sentiers doucement on s’égare!
- L’ombre du grand Henri chérit encore Navarre.
- Semblable à son auguste, et jeune dêité,
- Trianon joint la grace avec la majesté:
- Pour elle il s’embellit, et s’embellit par elle.
- Et toi, d’un Prince aimable, ô l’asyle fidele!
- Dont le nom trop modeste est indigne de toi,
- Lieu charmant! offre-lui tout ce que je lui doi,
- Un fortuné loisir, une douce retraite.
- Bienfaiteur de mes vers, ainsi que du Poète,
- C’est lui qui dans ce choix d’Ecrivains enchanteurs,
- Dans ce jardin paré de poétiques fleurs,
- Daigne accueillir ma muse. Ainsi du sein de l’herbe
- La violette croit auprès du lys superbe.
- Compagnon inconnu de ces hommes fameux,
- Ah! si ma foible voix pouvoit chanter comme eux,
- Je peindrois tes jardins, le dieu qui les habite,
- Les arts, et l’amitié qu’il y mène a sa suite.
- Beau lieu! fais son bonheur. Et moi, si quelque jour,
- Grace a lui, j’embellis un champêtre sejour,
- De mon illustre appui j’y placerai l’image.
- De mes premieres fleurs je veux qu’elle ait l’hommage:
- Pour elle je cultive, et j’enlace en festons
- Le myrthe, et le laurier, tous deux chers aux Bourbons;
- Et si l’ombre, la paix, la liberté m’inspire,
- A l’auteur de ces dons je dévouerai ma lyre.
- J’ai dit les lieux charmans que l’art peut imiter;
- Mais il est de écueils que l’art doit éviter.
- L’esprit imitateur trop souvent nous abuse.
- Ne prêtez point au sol des beautés qu’il refuse:
- Avant tout, connoissez votre site; et du lieu
- Adorez le génie, et consultez le dieu.
- Ses loix impunément ne sont pas offensées.
- Cependant moins hardi qu’etrange en ses pensées,
- Tous les jours dans les champs un artiste sans gout
- Change, mêle, déplace, et dénature tout;
- Et, par l’absurde choix des beautés qu’il allie,
- Revient gàter en France un site d’Italie.
- Ce que votre terrein adopte avec plaisir,
- Sachez le reconnoitre, osez vous en saisir.
- C’est mieux que la nature, et cependant c’est elle;
- C’est un tableau parfait qui n’a point de modèle.
- Ainsi savoient choisir les Berghems, les Poussins.
- Voyez, étudiez leurs chef-d’œuvre divins:
- Et ce qu’a la campagne emprunta la peinture,
- Que l’art reconnoissant le rende a la nature.
- Maintenant des terreins examinons le choix,
- Et quels lieux se plairont a recevoir vos loix.
- Il fut un tems funeste où, tourmentant la terre,
- Aux sites les plus beaux l’art dêclaroit la guerre,
- Et comblant les vallons, et rasant les côteaux,
- D’un sol heureux formoit d’insipides plateaux.
- Par un contraire abus l’art, tyran des campagnes,
- Aujourd’hui veut créer des vallons, des montagnes.
- Evitez ces excès. Vos soins infructueux
- Vainement combattroient un terrein montueux,
- Et dans un sol égal un humble monticule
- Veut etre pittoresque, et n’est que ridicule.
- Desirez-vous un lieu propice a vos travaux?
- Loin des champs tropunis, des monts trop inégaux,
- J’aimerois ces hauteurs ou sans orgueil domine
- Sur un riche vallon une belle colline.
- Là, le terrein est doux sans insipidité,
- Elevé sans roideur, sec sans aridité.
- Vous marchez: l’horizon vous obeit. La terre
- S’éleve, ou redescend, s’etend, ou se reserre.
- Vos sites, vos plaisirs changent a chaque pas.
- Qu’un obscur arpenteur, armé de son compas,
- Au fond d’un cabinet, d’un jardin symmétrique
- Confie au froid papier le plan géometrique;
- Vous, venez sur les lieux. La, le crayon en main,
- Dessinez ces aspects, ces côteaux, ce lointain;
- Devinez les moyens, pressentez les obstacles:
- C’est des difficultés que naissent les miracles.
- Le sol le plus ingrat connoîtra la beauté.
- Est-il nu? que des bois parent sa nudité:
- Couvert? portez la hache en ces forêts profondes:
- Humide? en lacs pompeux, en rivieres fécondes
- Changez cette onde impure; et, par d’heureux travaux,
- Corrigez a la fois l’air, la terre, et les eaux:
- Aride enfin? cherchez, sondez, fouillez encore:
- L’eau, lente a se trahir, peut-être est près d’éclore.
- Ainsi d’un long effort moi-même rebute,
- Quand j’ai d’un froid détail maudit l’aridité,
- Soudain un trait heureux jaillit d’un fond stérile,
- Et mon vers ranimé coule enfin plus facile.
- Il est des soins plus doux, un art plus enchanteur.
- C’est peu de charmer l’œil, il faut parler au cœur.
- Avez-vous donc connu ces rapports invisibles
- Des corps inanimés, et des êtres sensibles?
- Avez-vous entendu des eaux, des prés, des bois
- La muette éloquence, et la secrette voix?
- Rendez-nous ces effets. Que du riant au sombre,
- Du noble au gracieux, les passages sans nombre
- M’interessent toujours. Simple, et grand, fort, et doux,
- Unissez tous les tons pour plaire a tous les goûts.
- Lá, que le peintre vienne enrichir sa palette;
- Que l’inspiration y trouble le poète;
- Que le sage, du calme y goûte les douceurs;
- L’heureux, ses souvenirs; le malheureux, ses pleurs.
- Mais l’audace est commune, et le bon sens est rare.
- Au lieu d’être piquant, souvent on est bizarre,
- Gardez que, mal unis, ces effets différens
- Ne forment qu’un cahos de traits incohérens:
- Les contradictions ne sont pas des contrastes.
- D’ailleurs, a ces tableux il faut des toiles vastes.
- N’allez pas resserrer dans des cadres étroits
- Des rivieres, des lacs, des montagnes, des bois.
- On rit de ces jardins, absurde parodie
- Des traits que jette en grand la nature hardie,
- Ou l’art invraisemblable a la fois, et grossier,
- Enferme en un arpent un pays tout entier.
- Au lieu de cet amas, de ce confus mélange,
- Variez les objets, ou que leur aspect change.
- Rapprochés, eloignés, entrevus, découverts,
- Qu’ils offrent tour-à tour vingt spectacles divers.
- Que de l’effet qui suit, l’adroite incertitude
- Laisse a l’œil curieux sa douce inquietude:
- Qu’enfin les ornemens avec gout soient placés,
- Jamais trop imprévus, jamais trop annoncés.
- Sur-tout, du mouvement: sans lui, sans sa magie,
- L’esprit desoccupé retombe en lethargie;
- Sans lui, sur vos champs froids mon œil glisse au hasard.
- Des grands peintres encore faut-il attester l’art?
- Voyez-les prodiguer de leur pinceau fertile
- De mobiles objets sur la toile immobile,
- L’onde qui fuit, le vent qui courbe les rameaux,
- Les globes de fumée exhalés des hameaux,
- Les troupeaux, les pasteurs, et leurs jeux, et leur danse,
- Saisissez leur secret. Plantez en abondance
- Ces souples arbrisseaux, et ces arbres mouvans
- Dont la tête obêit a l’haleine des vents;
- Quels qu’ils soient, respectez leur flotante verdure,
- Et défendez au fer d’outrager la nature.
- Voyez-la dessiner ces chênes, ces ormeaux.
- Voyez comment sa main, du tronc jusqu’aux rameaux,
- Des rameaux au feuillage augmentant leur souplesse,
- Des ondulations leur donna la mollesse.
- Mais les ciseaux cruels... Prevenez ce forfait,
- Nymphes des bois, courez. Que dis-je? c’en est fait.
- L’acier a retranché leur cime verdoyante,
- Je n’entends plus au loin sur leur tête ondoyante,
- Le rapide aquilon legerement courir,
- Frémir dans leurs rameaux, s’éloigner et mourir.
- Froids, monotones, morts, du fer qui les mutile
- Ils semblent avoir pris la roideur immobile.
- Vous donc, dans vos tableaux amis du mouvement,
- A vos arbres laissez leur doux balancement.
- Qu’en mobiles objets la perspective abonde:
- Faites courir, bondir, et rejaillir cette onde.
- Vous voyez ces vallons, ces bois, ces champs deserts;
- Des différens troupeaux dans les sites divers
- Envoyez, répandez les peuplades nombreuses.
- Là, du sommet lointain des roches buissonneuses,
- Je vois la chèvre pendre. Ici, de mille agneaux
- L’écho porte les cris de côteaux en côteaux.
- Dans ces prês abreuvés des eaux de la colline,
- Couché sur ses genoux, le bœuf pésant rumine;
- Tandis qu’impétueux, fier, inquiet, ardent,
- Cet animal guerrier qu’enfanta le trident,
- Déploie; en se jouant, dans un gras pâturage
- Sa vigueur indomptée, et sa grace sauvage.
- Que j’aime et sa souplesse, et son port animé,
- Soit que dans le courant du fleuve accoutumé
- En frissonnant il plonge, et luttant contre l’onde,
- Batte du pied le flot qui blanchit, et qui gronde;
- Soit qu’à travers les prés il s’échape par bonds;
- Soit que livrant aux vents ses longs crins vagabonds,
- Superbe, l’œil en feu, les narines fumantes,
- Beau d’orgueil, et d’amour, il vole a ses amantes!
- Quand je ne le vois plus, mon œil le suit encor.
- Ainsi de la nature épuisant le tresor,
- Le terrein, les aspects, les eaux, et les ombrages
- Donnent le mouvement, la vie aux paysages.
- Mais si du mouvement notre œil est enchanté,
- Il ne chérit pas moins un air de liberté.
- Laissez donc des jardins la limite indécise,
- Et que votre art l’efface, ou du moins la déguise.
- Où l’œil n’espere plus, le charme disparoit.
- Aux bornes d’un beau lieu nous touchons à regret:
- Bientôt il nous ennuie, et même nous irrite.
- Au-dela de ces murs, importune limite,
- On imagine encor de plus aimables lieux,
- Et l’esprit inquiet désenchante les yeux.
- Quand toujours guerroyant vos gothiques ancetres
- Transformoient en champ-clos leurs asyles champetres
- Chacun dans son donjon, de murs environné,
- Pour vivre surement, vivoit emprisonné.
- Mais que fait aujourd’hui cette ennuyeuse enceinte
- Que conserve l’orgueil, et qu’inventa la crainte?
- A ces murs qui génoient, attristoient les regards,
- Le goût préfereroit ces verdoyans remparts,
- Ces murs tissus d’épine, où votre main tremblante
- Cueille et la rose inculte, et la mûre sanglante.
- Mais les jardins bornés m’importunent encor.
- Loin de ce cercle étroit prenons enfin l’essor
- Vers un genre plus vaste, et des formes plus belles,
- Dont seul Ermenonville offre encor des modèles.
- Les jardins appeloient les champs dans leur séjour,
- Les jardins dans les champs vont entrer a leur tour.
- Du haut de ces côteaux, de ces monts d’où la vue
- D’un vaste paysage embrasse l’ètendu,
- La Nature au Génie a dit: »Ecoute moi.
- Tu vois tous ces trésors; ces trésors sont a toi.
- Dans leur pompe sauvage et leur brute richesse,
- Mes tableaux imparfaits implorent ton adresse«
- Elle dit. Il s’elance, il va de toux côtés
- Fouiller dans cette masse où dorment cent beautes,
- Des vallons aux côteaux, des bois a la prairie,
- Il retouche en passant le tableau qui varie.
- Il sait au gre des yeux, reunir, détacher,
- Eclairer, rembrunir, decouvrir, ou cacher.
- Il ne compose pas; il corrige, il epure,
- Il acheve les traits qu’ébaucha la Nature.
- Le front des noirs rochers a perdu sa terreur;
- La forêt egayée adoucit son horreur:
- Un ruisseau s’egaroit: il dirige sa course;
- Il s’empare d’un lac, s’enrichit d’une source.
- Il veut; et des sentiers courent de toutes parts
- Chercher, saisir, lier tous ces membres epars,
- Qui, surpris, enchantés du nœud qui les rassemble,
- Forment de cent details un magnifique ensemble.
- Ces grands travaux peut-etre epouvantent votre art.
- Rentrez dans nos vieux parcs, et voyez d’un regard
- Ces riens dispendieux, ces recherches frivoles,
- Ces treillages sculptes, ces bassins, ces rigoles.
- Avec bien moins de frais qu’un art minutieux
- N’orna ce seul reduit qui plait un jour aux yeux,
- Vous allez embellir un paysage immense.
- Tombez devant cet art, fausse magnificence,
- Et qu’un jour transformée en un nouvel Eden,
- La France a nos regards offre un vaste jardin!
- Que si vous n’osez pas tenter cette carriere,
- Du moins, de vos enclos franchissant la barriere,
- Par de riches aspects agrandissez les lieux.
- D’un vallon, d’un côteau, d’un lointain gracieux,
- Ajoutez a vos parcs l’etrangère etendue;
- Possedez par les yeux, jouissez par la vue.
- Sur tout sachez saisir, enchainer a vos plants
- Ces accidens heureux qui distinguent les champs.
- Ici, c’est un hameau que des bois environnent:
- Lá, de leurs longues tours les Cités se couronnent;
- Et l’ardoise azurée, au loin frappant les yeux,
- Court en sommet aigu se perdre dans les cieux.
- Oublierai-je ce fleuve, et son cours, et ses rives?
- Votre œil de loin poursuit les voiles fugitives.
- Des isles quelquefois s’elevent de son sein;
- Quelquefois il s’enfuit sous l’arc d’un pont lointain.
- Et si la vaste mer à vos yeux se presente,
- Montrez, mais variez cette scene imposante.
- Ici, qu’on l’entrevoie a travers des rameaux,
- Lá, dans l’enfoncement de ces profonds berceaux,
- Comme au bout d’un long tube une voûte la montre.
- Au détour d’un bosquet ici l’œil la rencontre,
- La perd encore; enfin la vue en liberté
- Tout-à-coup la découvre en son immensité.
- Sur ces aspects divers fixez l’œil qui s’égare;
- Mais, il faut l’avouer, c’est d’une main avare
- Que les hommes, les arts, la nature, et le temps
- Sèment autour de nous de riches accidens.
- O plaines de la Grèce! o champs de l’Ausonie!
- Lieux toujours inspirans, toujours chers au génie;
- Que de fois arrêté dans un bel horizon,
- Le peintre voit, s’enflamme, et saisit son crayon,
- Dessine ces lointains, et ces mers, et ces isles,
- Ces ports, ces monts brûlans, et devenus fertiles,
- Des laves de ces monts encor tout menaçans,
- Sur des palais détruits d’autres palais naissans,
- Et, dans ce long tourment de la terre, et de l’onde,
- Un nouveau monde éclos des debris du vieux monde
- Hélas! jé n’ai point vu ce séjour enchanté,
- Ces beaux lieux où Virgile a tant de fois chanté;
- Mais, j’en jure et Virgile, et ses accords sublimes,
- J’irai; de l’Apennin je franchirai les cimes;
- J’irai, plein de son nom, plein de ses vers sacrés,
- Les lire aux mêmes lieux qui les ont inspirés.
- Vous, épris des beautés qu’étalent ces rivages,
- Au lieu de ces aspects, de ces grands paysages,
- N’avez-vous au-dehors que d’insipides champs?
- Qu’au-dedans, des objets mieux choisis, plus touchans
- Dédommagent vos yeux d’une vue étrangère:
- Dans votre propre enceinte apprenez a vous plaire;
- Symbole henreux du sage, independant d’autrui,
- Qui rentre dans son ame, et se plait avec lui.
- Je m’enfonce avec vous dans ce secret asyle.
- Toutefois aux lieux même où le sol plus fertile
- En aspects variés est le plus abondant,
- Des trésors de la vue èconome prudent,
- Faites-les acheter d’une course legere.
- Que votre art les promette, et que l’œil les espère.
- Promettre, c’est donner; esperer, c’est jouir.
- Il faut m’intéresser, et non pas m’eblouir.
- Dans mes leçons encor je voudrois vous apprendre
- L’art d’avertir les yeux, et l’art de les surprendre.
- Mais avant de dicter des préceptes nouveaux,
- Deux genres, dès-long-tems ambitieux rivaux,
- Se disputent nos vœux. L’un a nos yeux présente
- D’un dessein régulier l’ordonnance imposante,
- Prête aux champs des beautés qu’ils ne connoissoient pas?
- D’une pompe étrangère embellit leurs appas,
- Donne aux arbres des loix, aux ondes des entraves,
- Et, despote orgueilleux, brille entouré d’esclaves.
- Son air est moins riant, et plus majestueux.
- L’autre, de la nature amant respectueux,
- L’orne, sans la farder, traite avec indulgence
- Ses caprices charmans, sa noble négligence,
- Sa marche irrégulière, et fait naitre avec art
- Les beautés, du desordre, et même du hasard.
- Chacun d’eux a ses droits; n’excluons l’un ni l’autre:
- Je ne décide point entre Kent, et le Nôtre.
- Ainsi que leurs beautés, tous les deux ont leurs loix.
- L’un est fait pour briller chez les Grands, et les Rois;
- Les Rois sont condamnés a la magnificence.
- On attend autour d’eux l’effort de la puissance;
- On y veut admirer, enyvrer ses regards
- Des prodiges du luxe, et du faste des arts.
- L’art peut donc subjuguer la nature rébelle;
- Mais c’est toujours en grand qu’il doit triompher d’elle.
- Son éclat fait ses droits; c’est un usurpateur
- Qui doit obtenir grace a force de grandeur.
- Loin donc ces froids jardins, colifichet champêtre,
- Insipides réduits, dont l’insipide maitre
- Vous vante, en s’admirant, ses arbres bien peignés,
- Ses petits sallons verds bien tondus, bien soignés;
- Son plant bien symmétrique, ou, jamais solitaire,
- Chaque allée a sa sœur, chaque berceau son frere;
- Ses sentiers ennyés d’obéir au cordeau,
- Son parterre bordé, son maigre filet d’eau,
- Ses buis tournés en globes, en pyramide, en vase,
- Et ses petits bergers bien guindés sur leur base.
- Laissez-le s’applaudir de son luxe mesquin;
- Je préfere un champ brut a son triste jardin.
- Loin de ces vains apprêts, de ces petits prodiges,
- Venez, suivez mon vol au pays des prestiges,
- A ce pompeux Versaille, a ce riant Marly,
- Que Louis, la nature, et l’art ont embelli.
- C’est là que tout est grand, que l’art n’est point timide;
- Là tout est enchanté. C’est le palais d’Armide;
- C’est le jardin d’Alcine, ou plutôt d’un héros
- Noble dans sa retraite, et grand dans son repos,
- Qui cherche encor a vaincre, a dompter des obstacles,
- Et ne marche jamais qu’entouré de miracles.
- Voyez-vous et les eaux, et la terre, et les bois,
- Subjugués a leur tour, obéir a ses loix;
- A ces douze palais d’elegante structure
- Ces arbres marier leur verte architecture;
- Ces bronzes respirer; ces fleuves suspendus,
- En gros bouillons d’ecume a grand bruit descendus,
- Tomber, se prolonger dans des canaux superbes;
- Lá, s’epancher en nappe; ici, monter en gerbes;
- Et, dans l’air s’enflammant aux feux d’un soleil pur,
- Pleuvoir en gouttes d’or, d’emeraude, et d’azur?
- Si j’egare mes pas dans ces bocages sombres,
- Des Faunes, des Sylvains en out peuplé les ombres,
- Et Diane, et Venus enchantent ce beau lieu.
- Tout bosquet est un temple, et tout marbre est un dieu;
- Et Louis, respirant du fracas des conquêtes,
- Semble avoir invité tout l’Olympe a ses fêtes.
- C’est dans ces grands effets que l’art doit se montrer.
- Mais l’esprit aisement se lasse d’admirer.
- J’applaudis l’Orateur dont les nobles pensées
- Roulent pompeusement, avec soin cadencées:
- Mais ce plaisir est court. Je quitte l’Orateur
- Pour chercher un ami qui me parle du cœur.
- Du marbre, de l’airain, que le luxe prodigue,
- Des ornemens de l’art l’œil bientôt se fatigue;
- Mais les bois, mais les eaux, mais les ombrages frais,
- Tout ce luxe innocent ne fatigue jamais.
- Aimez donc des jardins la beauté naturelle.
- Dieu lui-même aux mortels en traça le modèle.
- Regardez dans Milton. Quand ses puissantes mains
- Preparent un asyle aux premiers des humains,
- Le voyez-vous tracer des routes regulieres,
- Contraindre dans leur cours les ondes prisonnieres?
- Le voyez vous parer d’etrangers ornemens
- L’enfance de la terre, et son premier printemps?
- Sans contrainte, sans art, de ses douces prémices
- La Nature epuisa les plus pures délices.
- Des plaines, des côteaux le mêlange charmant,
- Les ondes a leur choix errantes mollement,
- Des sentiers sinueux les routes indécises,
- Le desordre enchanteur, les piquantes surprises,
- Des aspects où les yeux hesitoient a choisir,
- Varioient, suspendoient, prolongeoient leur plaisir.
- Sur l’email velouté d’une fraiche verdure,
- Mille arbres, de ces lieux ondoyante parure,
- Charme de l’odorat, du goût, et des regards,
- Elegamment groupés, negligemment epars,
- Se fuyoient, s’approchoient, quelquefois a leur vue
- Ouvroient dans le lointain une scéne imprevue;
- Ou tombant jusqu’a terre, et recourbant leurs bras,
- Venoient d’un doux obstacle embarasser leurs pas;
- Ou pendoient sur leur tête en festons de verdure,
- Et de fleures, en passant, semoient leur chevelure,
- Dirai-je ces forêts d’arbustes, d’arbrisseaux,
- Entrelaçant en voûte, en alcove, en berceaux
- Leurs bras voluptueux, et leurs tiges fleuries?
- C’es là que les yeux pleins de tendres reveries,
- Eve a son jeune epoux abandonna sa main,
- Et rougit comme l’aube aux portes du matin.
- Tout les felicitoit dans toute la nature,
- Le ciel par son eclat, l’onde par son murmure,
- La terre, en tressaillant, ressentit leurs plaisirs;
- Zéphire aux antres verds redisoit leurs soupirs;
- Les arbres fremissoient, et la rose inclinée
- Versoit tous ses parfums sur le lit d’hymenée.
- O bonheur ineffable! ô fortunés époux!
- Heureux dans ses jardins, heureux qui, comme vous,
- Vivroit, loin des tourmens où l’orgueil est en proie,
- Riche de fruits, de fleurs, d’innocence, et de joie!
-
-
- FIN DU PRÉMIER CHANT.
-
-
-
-
- [Illustração]
-
- OS JARDINS,
-
- POEMA
-
- CANTO PRIMEIRO.
-
-
- Renasce a Primavera, influe, e anima
- As Aves, os Favonios, Flores, Musas.
- Que novo objecto á lyra os sons me pede?
- Ah! Quando a Terra despe antigos lutos
- Nos campos, nas florestas, sobre os montes,
- Quando tudo se ri, tudo se inflamma
- De amor, e de esperança, e de ventura,
- Outro c’o a fantazia em Febo acceza,
- Abra os fastos da Gloria aos grandes nomes,
- N’um carro fulminante alce o Triunfo,
- Manche, ensanguente as mãos na taça horrivel
- Do vingativo Atrêo: sorrio-se Flora,
- Vou cantar os Jardins, dizer qual arte
- Em terreno loução, dispoem, regùla
- As flores, a corrente, a relva, as sombras.
- Tu, que o vigor, e a graça entrelaçando,
- Dás ao canto didáctico energia,
- De Lucrecio na voz, se outr’hora, oh Musa,
- As austeras lições amaciaste;
- Se pôde o seu Rival (sem que nos labios
- A linguagem dos Numes desluzisse)
- Ao laborioso arado unir o metro;
- Vem mais fertil ornar, mais rico assumpto,
- Assumpto amavel, que tentou Virgilio.
- Mãos não lancemos de atavio estranho;
- Das minhas mesmas flores vou croar-me:
- Qual pura luz, que bella nuvem doira,
- A expressão tingirei na côr do objecto.
- Arte innocente, que em meus versos canto,
- Origem teve nos cerúleos dias,
- Nas Primavéras do recente Globo.
- Apenas o Homem submettêra os campos
- Á cultura efficaz, pôz mil disvelos
- De viçósa porção no trato, e mimo,
- Alinhou para si com leis, e industria
- Plantas selectas, escolhidas flores.
- De Alcino o luxo, o gosto, ainda rude
- Punha a curto vergel módico enfeite;
- Eis com arte maior, mais sumptuosa
- Jardins nos ares Babylonia ostenta.
- Os Latinos Heróes, de Marte os Filhos,
- Depois que Roma agrilhoava o Mundo,
- Davão repouso ameno á gloria, ao raio,
- Em frescos Hortos, que a Victoria ornára.
- Habitava os jardins outr’hora o Sabio,
- Doutrinando os Mortaes mais ledo que hoje.
- Quando a Sabedoria Elysios teve,
- Ereis vós, Dons do Céo, talvez Palacios?
- Não: vós ereis hum prado, hum rio, hum bosque
- De imperturbavel paz ditoso abrigo,
- Puras delicias, que a virtude anhéla.
- Corra-se pois, que he tempo, o novo espaço:
- FILIPPE, e o bello assumpto a voz me alentão.
- Para aformosear simples terrenos
- Não insulteis co’a pompa a Natureza;
- Este emprego requer sisudo Artista,
- Parco em dispendios, na invenção profuso;
- Jardim, menos fastoso que elegante,
- Jardim com mais belleza que atavío,
- Parece aos olhos meus hum amplo quadro.
- Sede Pintor: o campo, os seus matizes,
- Os reflexos da luz, da sombra as massas,
- As estações, e as horas, variando
- O gyro do anno, o circulo diurno;
- Ricos esmaltes de cheirosos prados,
- Dos oiteiros o alegre, o verde forro,
- Aguas, boninas, arvores, penedos:
- Eis os vossos pinceis, têas, e côres.
- Podeis crear: a Natureza he vossa,
- E dóceis para vós os Elementos.
- Mas antes de plantar, antes que encete
- Instrumento imprudente o seio á Terra,
- Para dar aos jardins mais linda fórma
- Observai, reflecti, sabei de que arte
- Se imita, se arreméda a Natureza.
- Não tendes vezes mil em ermos sitios
- De repente encontrado aquellas vistas,
- Que as plantas, que os sentidos vos suspendem,
- E que em meditações quietas, longas
- Enlevão manso, e manso a fantazia?
- Tudo o melhor senhoreai c’o a mente,
- Dos campos aprendei a ornar os campos.
- Lugares, que sutil decóra o gosto,
- Olhai tambem; nos escolhidos quadros
- Ainda há que escolher; por vós se admire
- De Chantilli magnifica elegancia,
- Que de Heróes em Heróes, de Idade a Idade
- Ganha novo esplendor. Belœil, a hum tempo
- Campestre, apparatoso, e tu que ainda
- Ufano Chanteloup, te desvaneces
- De teu grande Senhor com o desterro;
- Todos vós alternais o bem dos olhos.
- Qual purpureo botão, mimoso, e breve,
- Timido precursor da Quadra bella,
- O amavel Tivoli, de fórma estranha
- Á França descobrio ténue modélo.
- Montreuil as Graças desenhárão rindo,
- Maupertuis, le Desert, com que alegria,
- Auteuil, Rincy, Limours, quão docemente
- Nas vossas lindas, arejadas ruas
- Olhos se embebem, se extravião passos!
- Do grande Henrique a veneravel Sombra
- Ama ainda Navarra, e parecido
- Comtigo Trianon, Deosa, que o reges,
- Une a graça, o recreio á magestade,
- Se adorna para ti, por ti se adorna.
- Grato asylo d’hum Principe adoravel,
- Tu, cujo nome de apoucada idéa
- He indigno de ti; lugar vistoso,
- Quanto lhe devo a teu Senhor, offrece:
- Hum plácido retiro, hum ocio lédo.
- Bemfeitor de meus versos, de meus dias,
- Na eleição de atilados Escritores,
- Em jardim, que do Pindo as rosas vestem,
- Inclue a Musa minha, e brando a acolhe.
- Junto ao Lyrio soberbo, e magestoso
- Assim cresce a violeta humilde, e escura.
- De illustres Vates não illustre socio,
- Ah! se coubera em mim cantar como elles,
- Pintára os teus jardins, pintára o Nume,
- Que os habita, que os honra; o gosto, as artes,
- As virtudes, a gloria, os bens que o seguem,
- O ladeão em ti. Lugar formoso,
- Sê tu sua ventura. Eu se algum dia
- Findar, por graça delle, amena estancia,
- Mais bella a tornarei co’a bella imagem
- Do alto meu Protector; quero que sejão
- Minhas primeiras flores seu tributo.
- Para o busto real cultivo, enlaço
- Em virentes festões o loiro, o myrto,
- Tão caros aos Bourbons, e se o repouso,
- A liberdade, as sombras me inspirarem,
- Ao bemfazejo Heroe te sagro, oh lyra.
- Fallei desses lugares deleitosos,
- Que a arte deve imitar: convem que falle
- Dos escolhos que a mesma evitar deve.
- O engenho imitador tambem se engana.
- Não dê belleza ao chão, que o chão não queira,
- A paragem conheça antes de tudo,
- Do sitio adore o Genio, o Deos consulte:
- Impunemente as leis não se lhe aggravão.
- Nos Campos, todavia, a cada instante,
- Menos audaz que estranho em fantasias,
- Tudo altera, e confunde Artista inerte,
- E desnaturaliza, e perde tudo;
- Com absurda eleição mil graças liga:
- Encantavão na Italia, em França enjoão.
- O que o terreno teu sem custo adopte
- Reconhece, e depois te apossa delle.
- Isto ainda he melhor que a Natureza,
- Mas isto mesmo he ella, isto he perfeito
- Quadro brilhante, que não tem modélo.
- Dos Berghems, dos Poussins tal foi a escolha,
- De ambos estuda as producções divinas,
- E o muito que o pincel aos campos deve,
- Arte cultivadora, agradecida,
- Nos jardins restitua á Natureza.
- Os terrenos agora se examinem,
- E que lugar se apraz das leis, que traças.
- Houve tempo fatal em que Arte infensa,
- Guerra aos mais bellos sitios declarando,
- Enchendo os valles, arrazando os montes,
- Formou de chão gentil planicie ingrata.
- Hoje, rural Tyranno, outro Artificio
- Quer, por contrario abuso, erguer montanhas,
- Valles quer profundar. Longe os excessos,
- Longe as lidas, e ardis: tudo he baldado
- Contra intrataveis, repugnantes serros;
- E sobre terra igual montinho humilde
- Cuida ser pictoresco, e move a riso.
- Queres a teu suor lugar propicio?
- Foge as mui desiguaes, os muito planos
- Campos, e serras. Eu tomara os sitios
- Onde sem altivez fosse eminente
- A rico valle matizado oiteiro.
- Não tendo insipidez, lá tem brandura
- O solo complacente, he alto, he secco,
- Estéril não, não rispido: caminhas;
- Obedece o horizonte, ergue-se a Terra,
- Ou a Terra se abate, aperta, estende:
- Luzem de passo a passo encantos novos.
- Dos Gabinetes no silencio triste,
- De compasso na dextra, embora ordene,
- Artifice vulgar a symmetria
- D’enfadoso jardim, confie embora
- O Geometrico plano ao papel frio.
- Tu vai ver em si propria a Natureza.
- O lapis maneando, alli copìa
- Este aspecto, estes longes, esta altura,
- Meios advinha, obstáculos presente:
- Só a difficuldade he Mãi de assombros,
- E o chão de menos graça havella póde,
- He nu? Florestas a nudez lhe amparem.
- He coberto? Os machados vão despillo.
- Humido? Em lagos de cristal pomposo,
- Em ribeiras fecundas, transparentes
- Se converta, se aclare essa agua impura.
- Por trabalho feliz corrige a hum tempo
- Melhora as aguas, o terreno, os ares:
- He árido talvez? Procura, sonda,
- Torna ainda a sondar, não te enfasties:
- Póde ser que, em trahir-se vagarosa,
- A agua de rebentar esteja a ponto.
- Tal de hum tenaz esforço eu mesmo anciado,
- Morna individuação maldigo, entejo,
- Mas de estéril objecto aborrecido
- Idéa graciosa eis surge, eis salta:
- O verso resuscita, e facil corre.
- Inda mais doces que estes ha cuidados,
- Arte existe inda mais encantadora.
- Falle-se ao coração, não basta aos olhos.
- As invisiveis relações conheces
- Desses corpos sem alma, e dos que sentem?
- Das aguas, prados, selvas tens ouvido
- A calada eloquencia, a voz occulta?
- Todos estes effeitos deves dar-nos.
- Do alegre ao melancolico, e do nobre
- Ao engraçado, os transitos sem conto
- Sempre me aprazem, me cativão sempre.
- Une, simples, e grande, forte, e brando,
- Todo o matiz, que a todo o gosto agrade.
- O Pintor enriqueça alli a idéa,
- A santa Inspiração turbe o Poeta.
- Alli remansos d’alma o Sabio goze,
- Memorias o ditoso alli desfrute,
- De lagrimas se farte o miserando.
- Mas a audacia he commum, e o siso he raro.
- Graça ás vezes se crê a extravagancia.
- Evita que os effeitos, mal unidos,
- De incoherentes imagens formem cáhos;
- Vê que as contradicções não são contrastes.
- Estes paineis de natural pintura
- Requerem longo espaço; em quadro estreito
- Não vás aprisionar montanhas, bosques,
- Nem lagos, nem ribeiras. He costume
- Zombar desses jardins, paródia absurda
- Dos rasgos que a atrevida Natureza
- No seu grande espectáculo derrama;
- Jardins, em que Arte rude, e inverosimil
- Hum Paiz todo n’uma geira encerra.
- Em vez deste montão confuso, inerte,
- Varía objectos, ou lhe altera a face.
- Perto, longe, patentes, quasi occultos,
- Revezem todos mil diversas vistas.
- Dos effeitos seguintes a incerteza
- Grato desassocego aos olhos deixe,
- Ornamentos o gosto emfim coloque,
- Imprevistos jamais em demasia,
- Jámais em demasia annunciados.
- Presta sobre maneira o movimento;
- Sem a doce magia, a elle annexa,
- Em lethargo recae a alma ociosa.
- Sem elle, por teus campos enfadonhos
- Em gyro casual vão sempre os olhos.
- Citarei outra vez altos Pintores?
- Lá diffunde o pincel pródigo, e fertil
- Móveis objectos sobre o panno immovel:
- O rio foge, o vento encurva os ramos,
- Globos de fumo das Aldêas sobem,
- Os Gados, os Pastores brincão, danção.
- Cuida em te apoderar deste segredo,
- Dispoem sem parcimonia arbustos dóces,
- Arvores brandas, cuja afavel coma
- Das virações ao hálito obedece.
- Sejão quaes forem, tu, Cultor, venera
- A vacilante, undisona verdura,
- Tolhe, que o ferro a Natureza ultraje,
- Ella c’o a mestra mão como desenha
- Desta parte os carvalhos, desta os olmos!
- Olha como do tronco até aos ramos,
- Dos ramos té ás folhas desparzido
- Da Mãi universal benigno influxo;
- Vai das undulações dar-lhe a molleza.
- Porém golpes crueis... vedai tal crime,
- Correi, Nynfas da selva... ah! Q’he de balde,
- O córte cerceou-lhe a gala, o viço.
- Já na cópa vivaz não oiço ao longe
- Correr os Aquilões, bramir na rama,
- Affastar-se, expirar. Tácitos, frios,
- Mortos do ferro os vegetaveis Entes,
- Delle semelhão rispideza immovel.
- Ás plantas deixa, pois, tremor suave
- Nos quadros teus, do movimento amigos:
- Faze fugir, ferver, saltar as aguas.
- Vês estes valles, solidões, florestas?
- Por varios sitios de diversos gados.
- A nédia multidão se envie, e alongue.
- Além vejo a cabrinha roedora
- Pender do cume de remotas penhas,
- Aqui mil cordeirinhos melindrosos
- Soltão queixumes, que de serro a serro
- Vai éco em molles sons amiudando.
- Nestes, que as aguas da collina sorvem,
- Prados lustrosos, sobre as mãos se estende,
- E ruminando jaz o Boi pesado,
- Em quanto generoso, altivo, accezo,
- O filho do Tridente, o Marcio Bruto
- Ostenta, vicejando, em pingues pastos,
- O indómito vigor, e o brio agreste.
- Quanto me atrahe, me regozija, quanto
- A audaz agilidade, o gesto activo!
- Ou elle, usado ás fluviais correntes,
- Sobre ellas se arremesse, estremecendo,
- E luctando depois, c’os pés sacuda
- As ondas, que murmurão, que branqueão;
- Ou atravez dos prados salte, e fuja;
- Ou, longa crina errante aos ventos dada,
- Brotando os olhos fogo, as ventas fumo,
- Bello de orgulho, e amor, voe ás amadas.
- Sumio-se já, e a vista ainda o segue.
- O thesoiro exhaurindo á Natureza,
- Assim terrenos, vistas, e agua, e sombras
- Dão ás paizagens movimento, e vida.
- Porém se o movimento encanta os olhos,
- De liberdade hum ar não menos querem.
- O limite aos jardins fique indeciso;
- Ou com arte se esconda, ou se disfarce.
- Não ha mais que esperar? Vôa o feitiço.
- Com certo dissabor o fim se tóca
- De huma estancia aprazivel: cedo enfada,
- E irrita finalmente; alem dos muros,
- Importuna barreira, inda se ideão
- Lugares mais gentis, mais attractivos,
- E a alma inquieta desencanta os olhos.
- Quando nossos Avós, á guerra affeitos,
- Seus campos em castellos convertião,
- Cada qual em munida, enorme torre
- Preso vivia por viver seguro.
- Mas hoje de que servem taes muralhas,
- Que o temor inventou, mantem o orgulho?
- A estes, que prendendo outr’hora a vista,
- A vista duramente entristecião,
- Prefere o gosto verdejantes muros,
- Muros tecidos de espinhoso enredo,
- Muros, por onde a mão, tremendo, colhe
- A rosa inculta, a amóra ensanguentada.
- Mas jardim limitado inda me ancêa.
- Surja-se em fim de hum circulo tão breve
- A genero mais vasto, e mais formoso,
- De que hoje Ermenonville he só modélo.
- Os jardins para si chamavão campos,
- Vão nelles os jardins entrar agora.
- Do cimo desses montes, donde os olhos
- Paizagem dilatada abração, medem,
- A madre Natureza ao Genio disse:
- Os thesoiros, que vês, são teus: envoltos
- Na rude pompa, na opulencia bruta,
- Os quadros meus tua destreza implorão.
- Ella diz, elle vôa: em toda a parte
- Esquadrinha esta massa, onde repousão,
- Onde dormindo estão bellezas cento.
- Do valle á serra, da floresta ao prado
- Vai retocando os quadros, que varía.
- Dos olhos a sabor, une, e desune,
- Illumina, escurece, occulta, ou mostra:
- Não destróe, não compoem, corrige, apura,
- O esboço aperfeiçoa á Natureza.
- Carrancudo terror já despem rochas,
- O bosque alegre adóça, encurta as sombras;
- Hia perder-se hum rio: eis o encaminhão;
- De hum lago se apodera a mão geitosa,
- De cristalina fonte se enriquece.
- Quer, e veredas mil subito correm
- A demandar, cingir, prender os membros,
- Por aqui, por alli soltos, dispersos,
- Os membros, que assombrados, que attrahidos
- Da engenhosa união, do nó, que os junta,
- Formão de cem porções hum todo insigne.
- Talvez, campestre Artifice, te espantem
- Estes grandes trabalhos. Entra os nossos
- Idosos parques; de huma vez contempla
- Apuros vãos, dispendiosos nadas;
- As estacadas vê, regos, e tanques.
- Preço menor do que a minucias coube
- Para ornar o que hum dia apraz somente,
- Póde aformosear hum campo immenso.
- Fallaz, e sem sabor magnificencia,
- Cahe ante esta arte, e por milagre della
- A cara Patria minha se transforme
- Toda em vasto jardim, n’um Eden novo!
- Se não ousas tentar esta carreira,
- Ao menos, franqueando o teu circuito,
- De aspectos opulentos o engrandece.
- De hum valle, hum serro, huns agradaveis longes
- Ajunta posse alhêa á posse tua:
- Rege c’oa vista, pelos olhos gosa.
- Os varios, favoraveis accidentes,
- Com que innumeros campos se distinguem,
- Une principalmente a teus plantios.[1]
- Aqui jaz hum lugar, que cingem bosques,
- Acolá torreões Cidades croão,
- E a grimpa azul, ferindo ao longe os olhos,
- Vai sumir pelos Ceos o agudo extremo.
- Hum rio omitirei, e as margens suas?
- Após fugazes vélas corre a vista.
- Ilhas ás vezes sahem do vitreo seio,
- Ponte arqueada outr’hora o furta aos olhos.
- Se os mares espaçosos descortinas,
- Offrece, mas varía a grave scena.
- Mal se divise aqui por entre as folhas,
- Huma abóbada além, qual no remate
- De tubo extenso, aos olhos o apresente
- Em fundo de odoriferas latadas;
- Nas voltas de florente bosquezinho
- Aqui se encontra o mar, alli se perde:
- Eis sùbito apparece em toda a sua
- Fervente, rugidora immensidade.
- Folgue a attenção nestes semblantes vários;
- Mas com mesquinhas mãos (cumpre que o diga)
- Os Homens, Natureza, o Tempo, as Artes
- Nos cercão de tão ricos accidentes.
- Oh Planicies da Grecia! Ausonios Campos!
- Lugares divinais, inspiradores,
- Sempre caros ao genio! Ah! quantas vezes
- Embebido n’um mágico horisonte,
- O pintor vê, se inflamma, e toma o lapis,
- E debuxa esses longes, essas ilhas,
- Esse pégo, esses portos, esses montes,
- Torrados de volcões, e já fecundos;
- As lavas delles, que ameação, fervem,
- Palacios, que em ruinas de outros surgem,
- Hum novo Mundo que do velho assoma
- Nestes de Terra, e Mar longos tormentos.
- Ah! Eu inda não vi essa risonha,
- Essa encantada estancia, onde mil vezes
- Soou do Mantuano a voz divina,
- Mas, pelo Vate, pelo Vate o juro,
- Heide, Apenino, transcender teus cumes,
- E cheio do seu nome, e de seus versos,
- Lêlos naquelles amorosos sitios,
- Sitios, cópia do Ceo, que os inspirárão.
- De encantadoras margens namorado,
- Por fóra ingratos campos tens sómente
- Em vez de aspectos que interessem a alma?
- De estranha vista, que atedía o gosto,
- Vinguem-te objectos de mais bella escolha.
- Aprende a deleitar-te em teu recinto,
- Sê o emblema do Sabio independente,
- Que entra em si mesmo, e que se apraz comsigo.
- Nesse asylo fiel nos entranhemos.
- Todavia em lugares onde a Terra
- De aspectos variados mais abunde,
- Os thezoiros da vista he bem que poupes,
- E seja leve gyro o custo delles.
- A arte os prometta, os olhos os esperem;
- Dá quem promette, quem espera goza.
- Releva, que enfeitices, não que assombres.
- Entre minhas lições tambem quizera
- Duas artes de effeitos encontrados:
- Huma os olhos adverte, outra os saltêa.
- Mas antes de dictar preceitos novos,
- Dois generos, ha tempo émulos ambos,
- Disputão nossos vótos. Hum presenta
- De regular desenho a ordem grave,
- Aos campos dá bellezas que ignoravão,
- De pompa desusada os atavia,
- E ás arvores poem leis, põe freio ás ondas;
- Brilha entre Escravos, Déspota orgulhoso:
- He mais em magestade, em riso he menos.
- Da Natureza respeitoso Amante,
- O outro lhe ajusta comedido enfeite,
- Trata benignamente os feiticeiros
- Caprichos seus, o seu desleixo nobre,
- O passo irregular, e extrahe com arte
- Lindezas da desordem, té do acaso.
- Cada qual tem seu jus, nenhum se exclua;
- Entre Kent, e le Notre eu não decido.
- Ambos tem leis, tem graças: hum creou-se
- Para Grandes, e Reis: oh Reis! oh Grandes,
- Sois á magnificencia condemnados.
- Em torno a vós o esforço, o extremo, o apuro
- De alto poder se espera; alli queremos
- Que em prodigios, o luxo, o gosto, as artes
- Excitem pasmos, embriaguem vistas.
- Rebelde a Natureza á Industria cede;
- Mas deve grão triunfo honrar a Industria;
- Ella em seu esplendor tem seus direitos,
- He huma usurpadora, e lhe compete
- Á força de grandeza obter desculpa.
- Longe, pois, os Jardins desengenhosos,
- Insulsa Estancia, de que o Dono insulso
- As arvores garridas fôfo exalta.
- Os pequenos salões bem decotados,
- A extrema symmetria escrupulosa,
- Passeios, onde nunca solitaria,
- Alameda não ha, que irmãa não tenha;
- Caminhos degostosos, enjoados
- Da obediencia ao cordel, os seus canteiros
- Bordados, e os seus tenues fios de agua;
- Das arvores algumas torneadas
- Em vasos, em pyramides, em globos,
- E alçados bem na base os Pastorinhos.
- Gabe o seu luxo pobre: eu anteponho
- Hum campo bruto a seu jardim tristonho.
- Distante destes minimos portentos,
- Segue meu vôo á patria dos prestigios,
- Vê Versailles, Marly, pomposos, lédos,
- Onde Luiz, e a Natureza, e a Arte
- Em tanta cópia desparzirão graças.
- Que afoito resplandece alli o engenho!
- Alli tudo he grandeza, he tudo encanto,
- São de Alcina os jardins, de Armida os Paços,
- Antes os de hum Heróe, que inda procura
- Vencer, domar obstaculos, sublime
- Em seu retiro, em seu repouso, e sempre
- Caminha, de milagres circundado.
- Aquellas aguas vês, a terra, os bosques?
- Submettidos tambem, seu jugo adorão.
- Das arvores á verde arquitectura
- Olha com que elegancia estão cazados
- De fórma singular Palacios doze!
- Vê bronzes, que respirão, vê correntes
- Que, soltas da repreza, esbravejando,
- Em grossos borbotões de fofa espuma
- Cahem, e se estendem por canaes soberbos;
- Em lustrosa espadana além se espalhão,
- Em pavêas brilhantes cá se elevão,
- E nos benignos ares incendidas
- De hum sol immaculado, eis chovem gotas
- Côr de oiro, de safira, e de esmeralda.
- Selvas, por onde absorto me extravio,
- Os Sátyros, os Faunos vos povoão,
- Em vós Diana influe, e Citheréa;
- He cada bosquezinho em vós hum Templo,
- Cada mármore hum Deos. Luiz, folgando
- Do pezo marcial, do horror da Guerra,
- Como que nesta, a Jove idónea Estancia,
- Convida todo o Olympo a seus festejos.
- Nestes grandes effeitos he que importa
- Que a arte se esmere, avulte, e brilhe, e encante.
- Facilmente porém o assombro péza.
- Louvo o Orador que erguidos pensamentos
- Na luz, na pompa, na cadencia envólve,
- Mas he curto prazer, e o deixo, e corro
- A escutar corações na voz de amigos;
- Mármores, bronzes, que alardêa o luxo,
- Arte ostentosa em breve os olhos cança.
- Mas as correntes, o arvoredo, as sombras,
- Este luxo innocente, ah! não fatiga,
- Não fatiga jámais. Deos mesmo aos homens
- Traçou este modélo. Atenta em Milton.
- Quando essa eterna Mão, que rege tudo,
- Aos primeiros Mortais guarida aprésta,
- Regulares caminhos abre acaso,
- Talvez cativa na carreira as ondas?
- De improprias, de forçadas vestiduras
- Cobre a infancia do Mundo, a Primavera
- Recemnascida? Não, sem arte alguma,
- E sem constrangimento, a Natureza
- Estreou, exhaurio delicias puras,
- Delicias puras, que nem ha na idéa.
- O misto amavel de planicie, e monte,
- Livres, e mollemente errando as aguas,
- Veredas tortuosas, e indecisas,
- Gratas desordens, novidades gratas,
- Aspectos, onde os olhos mal sabião
- Escolher, preferir, tudo alongava,
- Entretinha o prazer na variedade.
- Sobre viçoso esmalte aveludado
- Mil arvores, mil plantas, mil arbustos,
- Destes lugares ondeante adorno,
- Iman da vista, do sabor, e olfato,
- Em grupos elegantes, movediços,
- Em natural, dispersa negligencia,
- Já se fugião, já se avisinhavão.
- Seu brando movimento ao longe ás vezes
- Inopinada scena aos olhos dava;
- Ou com pendor gentil curvando a rama,
- Aos passos vinhão pôr suave estorvo;
- Ou sobre as frontes em festões pendião,
- Ou, na passagem, lhe entornavão flores.
- Lindos Bosques direi de tenras plantas,
- Em latadas, e abóbadas travando
- Troncos florentes, e florentes braços?
- Lá de imaginações, queridas, ternas,
- Cheios a mente, o coração, e os olhos,
- Deo Eva ao bello Amante a mão mimosa,
- E córou como a Aurora ás portas de oiro.
- A Natureza toda os afagava,
- O Céo c’o a luz, com seu murmureo as ondas;
- Tremendo a Terra, lhes sentia os gostos;
- Favonio aos écos os suspiros dava;
- O Arvoredo rugia, e curva a Rosa,
- Cedia ao tóro seus perfumes todos.
- Oh ventura inefavel, Par tranquillo!
- Feliz quem, como vós, nos seus amados,
- Bonançosos jardins, longe dos males
- Que a Soberba atormentão, vive rico
- De flores, frutos, innocencia, e gosto!
-
-
- FIM DO CANTO PRIMEIRO.
-
-
- NOTAS DE RODAPÉ:
-
-[1] Vem no Diccionario de Sousa, e a harmonia, e necessidade do termo
-animou-me a adoptallo, parecendo-me todavia que os Camponezes o usão. A
-palavra _Paizagens_, de cuja pureza duvidei, acha-se em bons Escritores
-nossos, sendo hum delles Rodrigues Lobo, para mim de tanta decisão como
-os melhores.
-
-
-
-
- [Illustração]
-
-
- LES JARDINS, POÈME,
-
- CHANT SECOND.
-
-
- Oh! si j’avois ce luth dont le charme autrefois
- Entrainoit sur l’Hémus les rochers, et les bois,
- Je le ferois parler; et sur les paysages
- Les arbres tout-à coup déploiroient leurs ombrages.
- Le chêne, le tilleul, le cèdre, et l’oranger
- En cadence viendroient dans mes champs se ranger.
- Mais l’antique harmonie a perdu ses merveilles;
- La lyre est sans pouvoir, les rochers sans oreilles;
- L’arbre reste immobile aux sons les plus flateurs,
- Et l’art, et le travail sont les seuls enchanteurs.
- Apprenez donc de l’art quel soin, et quelle adresse
- Donne aux arbres divers la grace, ou la richesse.
- Par ses fruits, par ses fleurs, par son beau vetement,
- L’arbre est de nos jardins le plus bel ornement.
- Pour mieux plaire a nos yeux combien il prend de formes!
- La s’étendent ses bras pompeusement informes;
- Sa tige ailleurs s’elance avec legereté,
- Ici, j’aime sa graçe, e la, sa majesté.
- Il tremble au moindre soufile, ou contre la tempête
- Roidit son tronc noueux, et sa robuste tête.
- Rude, ou poli, baissant, ou dressant ses rameaux,
- Veritable proteé entre les vegetaux,
- Il change incessament, pour orner la nature,
- Sa taille, sa couleur, ses fruits, et sa verdure.
- Ces effets variés sont les trésors de l’art,
- Que le goût lui defend d’employer au hasard.
- Des divers plants encor la forme, et l’étendue
- Sous des aspects divers se presente a la vue.
- Tantôt un bois profond, sauvage, tenebreux,
- Epanche une ombre immense, et tantot moins nombreux
- Un plant d’arbres choisis forme un riant bocage,
- Plus-loin, distribués dans un frais paysage,
- Des groupes elegans fixent l’œil enchanté:
- Ailleurs se confiant a sa prope beauté,
- Un arbre seul se montre, et seul orne la terre.
- Tels, si la paix des champs peut rappeler la guerre,
- Une nombreuse armée étale a nos regards
- Des bataillons épais, des pelottons epars;
- Et la, fier de sa force, et de sa renomée,
- Un heros seul avance, et vaut seul une armée.
- Tous ces plants differens suivent diverses loix.
- Dans les jardins de l’art, notre luxe autrefois
- Des arbres isolés dedaignoit la parure:
- Ils plaisent aujourd’hui dans ceux de la nature.
- Par un caprice heureux, par de savans hasards,
- Leurs plants desordonnés charmeront nos regards.
- Qu’ils different d’aspect, do forme, de distance;
- Que toujours la grandeur, ou du moins l’elegance,
- Distingue chaque tige, ou que l’arbre honteux
- Se cache dans la foule, et disparoisse aux yeux.
- Mais lorsqu’un chêne antique, ou lorsqu’un vieil érable,
- Patriarche des bois, leve un front vénérable,
- Que toute sa tribu, se rangeant à l’entour,
- S’écarte avec respect, et compose sa cour;
- Ainsi, l’arbre isolé plait aux champs qu’il décore.
- Avec bien plus de choix, et plus de goût encore,
- Les grouppes formeront mille tableaux heureux.
- D’arbres plus ou moins forts, et plus ou moins nombreux
- Formez leur masse épaisse, ou leurs touffes legères:
- De loin l’œil aime à voir tout ce peuple de frères.
- C’est par eux que l’on peut varier ses dessins,
- Rapprocher, et tantôt repousser les lointains,
- Réunir, séparer, et sur les paysages
- Etendre, ou replier le rideau des ombrages.
- Vos grouppes sont formés: il est temps que ma voix
- A connoitre un peu d’art accoutume les bois.
- Bois augustes, salut! Vos voûtes poétiques
- N’entendent plus le Barde, et ses affreux cantiques;
- Mais un plus doux délire habite vos déserts,
- Et vos antres encor nous instruisent en vers,
- Vous inspirez les miens, ombres majestueuses!
- Souffrez donc qu’aujourd’hui mes mains respectueuses
- Viennent vous embellir, mais sans vous profaner;
- C’est de vous que je veux apprendre à vous orner.
- Les bois peuvent s’offrir sous des aspects sans nombre.
- Ici, des troncs pressés rembruniront leur ombre:
- Lá, de quelques rayons égayant ce séjour,
- Formez un doux combat de la nuit, et du jour.
- Plus loin, marquant le sol de leurs feuilles légères,
- Quelques arbres épars joueront dans les clairières,
- Et flottant l’un vers l’autre, et n’osant se toucher,
- Paroitront á la fois se fuir, et se chercher.
- Ainsi le bois par vous perd sa rudesse austère:
- Mais n’en détruisez pas le grave caractère.
- De détails trop fréquens d’objets minutieux
- N’allez paz découper son ensemble á nos yeux.
- Qu’il soit un, simple, et grand, et que votre art lui laisse
- Avec toute sa pompe, un peu de sa rudesse.
- Montrez ces troncs brisés; je veux des noirs torrens
- Dans le creux des ravins suivre les flots errans.
- Du temps, des eaux, de l’air n’effacez point la trace,
- De ces rochers pendans respectez la menace,
- Et qu’enfin dans ces lieux, empreints de majesté,
- Tout respire une mâle, et sauvage beauté.
- Telle on aime d’un bois la rustique noblesse.
- Le bocage moins fier, avec plus de molesse
- Déploie á nos regards des tableaux plus rians,
- Veut un site agréable, et des contours lians,
- Fuit, revient, et s’égare en routes sinueuses,
- Promène entre des fleurs des eaux voluptueuses;
- Et j’y crois voir encore, ivre d’un doux loisir,
- Epicure dicter les leçons du plaisir.
- Mais c’est peu qu’en leur sein le bois, ou le bocage
- Renferment leur richesse êlégante ou sauvage;
- Il en faut avec soin embellir les dehors.
- Avant tout, n’allez point, symmétrisant leurs bords,
- Par vos murs de verdure, et vos tristes charmilles
- Nous cacher des forêts les nombreuses familles:
- Je veux les voir; je veux, perçant au fond des bois,
- Voir ces arbres divers qui croissent á la fois;
- Les uns tout vigoureux, et tout frais de jeunesse,
- D’autres tout décrépits, tout noueux de vieillesse;
- Ceux-ci rampans, ceux-lá fiers tyrans des forêts,
- Des tributs de la sève épuisant leurs sujets:
- Vaste scène, où des mœurs, de la vie, et des àges,
- L’esprit avec plaisir reconnoit les images.
- Près de ces grands effets, que sont ces verts remparts
- Dont la forme importune attriste les regards,
- Forme toujours la même, et jamais imprévue?
- Riche variété, délices de la vue,
- Accours, viens rompre enfin l’insipide niveau,
- Brise la triste équerre, et l’ennuyeux cordeau.
- Par un mêlange heureux de golphes, de saillies,
- Les lisieres des bois veulent être embellies.
- L’œil, qui des plants tracés par l’uniformité
- Se dégoûte, et s’élancé á leur extrêmité,
- Se plaît á parcourir, dans sa vaste étendue,
- De ces bords variés la forme inattendue;
- Il s’égare, il se joue en ces replis nombreux;
- Tour-á-tour il s’enfonce, il ressort avec eux;
- Sur les tableaux divers que leur chaîne compose
- De distance en distance avec plaisir repose:
- Le bois s’en aggrandit, et, dans ses longs retours,
- Varie á chaque pas son charmee et ses détours.
- Dessinez donc sa forme, et d’abord qu’on choisisse
- Les arbres dont le Goût prescrit le sacrifice.
- Mais ne vous hâtez point; condamnez á regrêt:
- Avant d’exécuter un rigoureux arrêt,
- Ah! songez que du temps ils sont le lent ouvrage,
- Que tout votre or ne peut racheter leur ombrage,
- Que de leur frais abri vous goûtiez la douceur.
- Quelquefois cependant un ingrat possesseur,
- Sans besoin, sans remords les livre á la cognée.
- Renversés sur le sein de la terre indignée,
- Ils meurent; de ces lieux s’éxilent pour toujours
- La douce rêverie, et les discrets amours.
- Ah! par ces bois sacrés, dont le feuillage sombre
- Aux danses du hameau prêta souvent son ombre,
- Par ces dômes touffus qui couvroient vos ayeux,
- Profanes, respectez ces troncs religieux;
- Et quand l’âge leur laisse une tige robuste,
- Gardez-vous d’attenter á leur vieillesse auguste.
- Trop-tôt le jour viendra que ces bois languissans,
- Pour céder leur empire á de plus jeunes plants,
- Tomberont sous le fer, et de leur tête altière
- Verront l’antique honneur flétri dans la poussiere.
- O Versaille! ô regrêts! ô bosquets ravissans,
- Chefs-d’œuvre d’un grande Roi, de Le Nôtre, et des ans!
- La hâche est á vos pieds, et votre heure est venue.
- Ces arbres dont l’orgueil s’élançoit dans la nue,
- Frappés dans leur racine, et balançant dans l’air
- Leurs superbes sommets ébranlés par le fer,
- Tombent, et de leurs troncs jonchent au loin ces routes
- Sur qui leurs bras pompeux s’arondissoient en voûtes:
- Ils sont détruits, ces bois, dont le front glorieux
- Ombrageoit de Louis le front victorieux,
- Ces bois, où célébrant de plus douces conquêtes,
- Les arts voluptueux multiplioient les fêtes!
- Amour, qu’est devenu cet asyle enchanté
- Qui vit de Montespan soupirer la fierté?
- Qu’est devenu l’ombrage où si belle et si tendre,
- A son amant surpris, et charmé de l’entendre,
- La Valière apprenoit le secret de son cœur,
- Et sans se croire aimée avouoit son vainqueur?
- Tout périt, tout succombe; au bruit de ce ravage
- Voyez-vous point s’enfuir les hôtes du bocage?
- Tout ce peuple d’oiseaux fiers d’habiter ces bois,
- Qui chantoient leurs amours dans l’asyle des Rois,
- S’exilent á regret de leurs berceaux antiques.
- Ces Dieux, dont le ciseau peupla ces verds portiques,
- D’un voile de verdure autrefois habillés,
- Tous honteux aujour d’hui de se voir dépouillés,
- Pleurent leur doux ombrage; et, redoutant la vue,
- Vénus même une fois s’étonna d’être nue.
- Croissez, hâtez votre ombre, et repeuplez ces champs,
- Vous, jeunes arbrisseaux; et vous, arbres mourans,
- Consolez-vous. Témoins de la foiblesse humaine,
- Vous avez vu périr et Corneille, et Turenne:
- Vous comptez cent printemps, hélas! et nos beaux jours
- S’envolent les premiers, s’envolent pour toujours!
- Heureux donc qui jouit d’un bois formé par l’âge;
- Mais trop heureux aussi qui créa son bocage!
- Ces arbres, dont le temps prépare la beauté,
- Il dit comme Cyrus: »C’est moi qui les plantai.«
- Vous donc, si de vos plants vous êtes maitre encore,
- Craignez qu’avant le temps ils se pressent d’éclore.
- Tel qu’un peintre, arrêtant ses indiscrets pinceaux,
- Long-tems dans sa pensée ébauche ses tableaux,
- Ainsi de vos desseins méditez l’ordonnance.
- Des sites, des aspects connoissez la puissance,
- Et le charme des bois aux côteaux suspendus,
- Et la pompe des bois dans la plaine étendus.
- Ainsi que les couleurs, et les formes amies,
- Connoissez les couleurs, les formes ennemies.
- Le frêne aux longs rameaux dans les airs élancés,
- Repousseroit le saule aux longs rameaux baissés.
- Le verd du peuplier combat celui du chêne;
- Mais l’art industrieux peut adoucir leur haine;
- Et de leur union médiateur heureux,
- Un arbre mitoyen les concilie entr’eux.
- Ainsi par une teinte avec art assortie,
- Vernet de deux couleurs éteint l’antipathie.
- Connoissez donc l’emploi de ces différents verds,
- Brillans ou sans éclat, plus foncés ou plus clairs.
- C’est par ces tons changeans qu’au sein des paysages
- Vous pouvez avec choix varier les ombrages,
- Produire des effets tantôt doux, tantôt forts,
- Des contrastes frappans, ou de moelleux accords.
- Observez-les sur-tout, lorsque la pâle automne,
- Près de la voir flétrie, embellit sa couronne:
- Que de variété, que de pompe, et d’éclat!
- Le pourpre, l’orangé, l’opale, l’incarnat
- Le leurs riches couleurs étalent l’abondance.
- Hélas! tout cet éclat marque leur décadence.
- Tel est le sort commun. Bientôt les aquilons
- Des dépouilles des bois vont joncher les vallons;
- De moment en moment la feuille sur la terre,
- En tombant, interrompt le réveur solitaire.
- Mais ces ruines même ont pour moi des attraits.
- Lá, si mon cœur nourrit quelques profonds regrets,
- Si quelque souvenir vient r’ouvrir ma blessure,
- J’aime á mêler mon deuil au deuil de la nature.
- De ces bois desséchés, de ces rameaux flétris,
- Seul, errant, je me plais á fouler les débris.
- Ils sont passés les jours d’ivresse, et de folie;
- Viens, je me livre á toi, tendre mélancolie;
- Viens, non le front chargé des nuages affreux
- Dont marche enveloppé le chagrin ténébreux,
- Mais l’œil demi-voilé, mais telle qu’en automne
- A travers des vapeurs un jour plus doux rayonne:
- Viens, le regard pensif, le front calme, et les yeux
- Tout prêts á s’humecter de pleurs délicieux.
- Mais tandis que mon cœur nourrit ces rêveries,
- D’arbustes, d’arbrisseaux mille races fleuries
- M’appellent á leur tour. Venez, peuple enchanteur,
- Vous êtes la nuance entre l’arbre, et la fleur;
- De vos traits délicats venez orner la scene.
- Oh! que si moins pressé du sujet qui m’entraine,
- Vers le but qui m’attend je ne hâtois mes pas,
- Que j’aurois de plaisir á diriger vos bras!
- Je vous reproduirois sous cent formes fécondes;
- Ma main sous vos berceaux feroit rouler les ondes;
- En dômes, en lambris j’unirois vos rameaux;
- Mollement enlacés autour de ces ormeaux,
- Vos bras serpenteroient sur leur robuste écorce,
- Emblème de la grace unie avec la force:
- Je fondrois vos couleurs, et du blanc le plus pur,
- Du plus tendre incarnat jusqu’au plus sombre azur,
- De l’œil rassasié variant les délices,
- Vos panaches, vos fleurs, vos boules, vos calices,
- A l’envi s’uniroient dans mes brillans travaux,
- Et Van Huysum lui-même envieroit mes tableaux.
- Pour vous á qui le ciel prodigua leur richesse,
- Ménagez avec art leur pompe enchanteresse:
- Partagez aux saisons leurs brillantes faveurs;
- Que chacun apportant ses parfums, ses couleurs,
- Reparoisse á son tour, et qu’au front de l’année
- Sa guirlande de fleurs ne soit jamais fanée.
- Ainsi votre jardin varie avec le temps:
- Tout mois a ses bosquets, tout bosquet son printemps,
- Printemps bientôt flétri! Toutefois votre adresse
- Peut consoler encor de sa courte richesse.
- Que par des soins prudens tous ces arbres plantés,
- Quand ils seront sans fleurs, ne soient pas sans beautés.
- Ainsi l’adroite Eglé prolongeant son empire,
- Au déclin des beaux ans sait encor nous séduire.
- Le ciel même, malgré l’inclemence de l’air,
- N’a pas de tous ses dons déshérité l’hiver;
- Alors des vents jaloux défiant les outrages,
- Plusieurs arbres encor retiennent leurs feuillages.
- Voyez l’if, et le lierre, et le pin résineux,
- Le houx luisant, armé de ses dards épineux,
- Et du laurier divin l’immortelle verdure,
- Dédommager la terre, et venger la nature.
- Voyez leurs fruits de pourpre, et leurs glands de corail
- Au verd de leurs rameaux mêler un vif émail.
- Au milieu des champs nus leur parure m’enchante,
- Et plus inespérée en paroit plus touchante.
- De vos jardins d’hiver qu’ils ornent le séjour.
- Là, vous venez saisir les rayons d’un beau jour.
- Là, l’oiseau, quand la terre ailleurs est dépouillée,
- Vole, et s’égaie encor sous la verte feuillée,
- Et trompé par les lieux ne connoit plus les temps,
- Croit revoir les beaux jours, et chante le printemps.
- Ainsi ce doux réduit plait sans être factice.
- Mais les jardins des rois avec plus d’artifice,
- Avec plus d’appareil triomphent des hivers.
- J’en atteste, ô Mouceaux, tes jardins toujours verds,
- Là, des arbres absens les tiges imitées,
- Les magiques berceaux, les grottes enchantées,
- Tout vous charme á la fois. Là, bravant les saisons,
- La rose apprend á naitre au milieu des glaçons;
- Et les temps, les climats vaincus par des prodiges;
- Semblent de la Féerie épuiser les prestiges.
- Cependant la Féerie, et ses enchantemens
- Ne sont pas des jardins les plus doux ornemens.
- L’habitude bientôt a flétri vos bocages,
- Souvent, quand l’étranger jouit de vos ombrages,
- Déja leur possesseur languit sans intérêt.
- N’est-il pas des moyens dont le charme secret
- Vous rende leur beauté toujours plus attachante?
- Oh! combien des Lapons l’usage heureux m’enchante!
- Qu’ils savent bien tromper leurs hivers rigoureux!
- Nos superbes tilleuls, nos ormeaux vigoureux,
- De ces champs ennemis redoutent la froidure:
- De quelques noirs sapins d’indigente verdure
- Par intervalle á peine y perce les frimats;
- Mais le moindre arbrisseau qu’épargnent ces climats,
- Par des charmes plus doux á leurs regards sait plaire:
- Planté pour un ami, pour un fils, pour un père,
- Pour un hôte qui part, emportant leurs regrets,
- Il en reçoit le nom, le nom cher á jamais.
- Vous, dont un ciel plus pur éclaire la patrie,
- Vous pouvez imiter cette heureuse industrie:
- Elle animera tout. Vos arbres, vos bosquets
- Dès-lors ne seront plus ni déserts, ni muets;
- Ils seront habités de souvenirs sans nombre,
- Et vos plaisirs absens embelliront leur ombre.
- Qui vous empêche encor, quand les bontés des dieux!
- D’un enfant désiré comblent enfin vos vœux,
- De consacrer ce jour par les tiges naissantes
- D’un bocage, d’un bois?... Mais tandis que tu chantes,
- Muse, quels cris dans l’air s’élancent á la fois?
- Il est né l’héritier du sceptre de nos rois!
- Il est né! Dans nos murs, dans nos camps, sur les ondes,
- Nos foudres triomphans l’annoncent aux deux mondes,
- Pour parer son berceau c’est trop peu que des fleurs;
- Apportez les lauriers, les palmes des vainqueurs.
- Qu’á ses premiers regards brillent des jours de gloire;
- Qu’il entende en naissant l’hymne de la victoire;
- C’est la fête qu’on doit au pur sang de Bourbon.
- Et toi, par qui le ciel nous fit cet heureux don,
- Toi, qui, le plus beau nœud, la châine la plus chère
- Des Germains, des François, d’un époux, et d’un frère,
- Les unis, comme on voit de deux pompeux ormeaux
- Une guirlande en fleurs enchainer les rameaux;
- Sœur, mère, épouse auguste; enfin la destinée
- Joint au deuil du trépas les fruits de l’hyménée,
- Et mêlant dans tes yeux les larmes, et les ris,
- Quand tu perds une mère, elle te donne un fils.
- D’autres, dans les transports que ce beau jour inspire,
- Animeront la toile, ou le marbre, ou la lyre;
- Moi, l’humble ami des champs, j’irai dans ce séjour
- Où Flore, et les Zéphirs composent seuls ta cour,
- J’irai dans Trianon: lá, pour unique hommage,
- Je consacre á ton fils des arbres de son âge,
- Un bosquet de son nom. Ce simple monument,
- Ces tiges, de tes bois le plus cher ornement,
- Tes yeux les verront croitre, et croissant avec elles;
- Ton fils viendra chercher les ombres fraternelles.
- Enfin vous jouissez, et le cœur, et les yeux
- Chérissent de vos bois l’abri délicieux.
- Au plaisir voulez-vous joindre encore la gloire?
- Voulez-vous de votre art remporter la victoire?
- Déjá de nos jardins heureux décorateur,
- Ajoutez á ces noms le nom de créateur.
- Voyez comme en secret la nature fermente;
- Quel besoin d’enfanter sans cesse la tourmente.
- Et vous ne l’aidez pas! Qui sait dans son trésor
- Quels biens á l’industrie elle réserve encore?
- Comme l’art á son gré guide le cours de l’onde,
- Il peut guider la sève; á sa liqueur féconde
- Montrez d’autres chemins, ouvrez d’autres canaux.
- Dans vos champs enrichis par des hymens nouveaux,
- Des sucs vierges encor essayez le mêlange;
- De leurs dons mutuels favorisez l’échange.
- Combien d’arbres, de fruits, de plantes, et de fleurs,
- Dont l’art changea le goût, les parfums, les couleurs!
- La pêche a dû sa gloire á ces métamorphoses.
- D’un triple diadême ainsi brillent les roses,
- De son panache ainsi l’œillet s’énorgueillit.
- Osez. Dieu fit le monde, et l’homme l’embellit.
- Que si vous n’osez pas essayer ces conquêtes,
- Combien sous d’autres cieux de richesses sont prêtes!
- Usurpez ces trésors. Ainsi le fier Romain,
- Et ravisseur plus juste, et vainqueur plus humain,
- Conquit des fruits nouveaux, porta dans l’Ausonie
- Le prunier de Damas, l’abricot d’Arménie,
- Le poirier des Gaulois, tant d’autres fruits divers.
- C’est ainsi qu’il falloit s’asservir l’univers.
- Quand Lucullus vainqueur triomphoit de l’Asie,
- L’airain, le marbre, et l’or frappoient Rome éblouie;
- Le sage dans la foule aimoit á voir ses mains
- Porter le cérisier en triomphe aux Romains.
- Et ces mêmes Romains n’ont-ils pas vu nos pères
- En bataillons armés, sous des cieux plus prospères
- Aller chercher la vigne, et vouer à Bacchus
- Leurs étendards rougis du nectar des vaincus?
- Du fruit de leurs exploits leurs troupes échauffées,
- Rapportoient, en chantant, ces précieux trophées,
- De guirlandes de pampre ils couronnoient leurs fronts:
- Le pampre sur leurs dards s’enlaçoit en festons.
- Tel revint triomphant le Dieu vainqueur du Gange.
- Les vallons, les côteaux celébroient la vendange;
- Et par-tout où coula la nectar enchanté,
- Coururent le plaisir, l’audace, et la gaieté.
- Enfans de ces Gaulois, imitons nos ancêtres;
- Enlevons, disputons ces dépouilles champêtres.
- Voyez dans ces jardins, fiers de se voir soumis
- A la main qui porta le sceptre de Thémis,
- Le sang des Lamoignon, l’éloquent Malesherbes
- Enrichir notre sol de cent tiges superbes.
- Là, des plants rassemblés des bouts de l’univers,
- De la cime des monts, de la rive des mers,
- Des portes du couchant, de celles de l’aurore,
- Ceux que l’ardent midi, que le nord voit éclore,
- Les enfans du soleil, les enfans des frimats,
- Me font, en un lieu seul, parcourir cent climats.
- Je voyage, entouré de leur foule choisie,
- D’Amérique en Europe, et d’Afrique en Asie.
- Tous, parmi nos vieux plants charmés de se ranger,
- Chérissent notre ciel, et l’heureux étranger,
- Des bords qu’il a quittés reconnoissant l’ombrage,
- Doute de son exil á leur touchante image,
- Et d’un doux souvenir sent son cœur attendri.
- Je t’en prends á témoin, jeune Potaveri.
- Des champs d’O-Ttaiti, si chers á son enfance,
- Où l’amour, sans pudeur, n’est pas sans innocence,
- Ce sauvage ingénu dans nos murs transporté,
- Regrettoit en son cœur sa douce liberté,
- Et son isle riante, et ses plaisirs faciles.
- Ebloui, mais lassé de l’éclat de nos villes,
- Souvent il s’écrioit: «Rendez-moi mes forêts»
- Un jour, dans ces jardins où Louis á grands frais
- De vingt climats divers en un seul lieu rassemble
- Ces peuples végétaux surpris de croître ensemble,
- Qui, changeant á la fois de saison, e de lieu,
- Viennent tous á l’envi rendre hommage á Jussieu,
- L’indien parcouroit leurs tribus réunies,
- Quand tout-á-coup, parmi ces vertes colonies,
- Un arbre qu’il connut dés ses plus jeunes ans
- Frappe ses yeux. Soudain, avec des cris perçans
- Il s’elance, il l’embrasse, il le baigne de larmes,
- Le couvre de baisers. Mille objets pleins de charmes,
- Ces beaux champs, ce beau ciel qui le virent heureux,
- Le fleuve qu’il fendoit de ses bras vigoureux,
- La forêt dont ses traits perçoient l’hôte sauvage,
- Ces bananiers chargés, et de fruits, et d’ombrage
- Et le toit paternel, et les bois d’alentour,
- Ces bois qui répondoient á ses doux chants d’amour,
- Il croit les voir encore, et son ame attendrie,
- Du moins pour un instant, retrouva sa patrie.
-
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- FIN DU SECOND CHANT.
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- [Illustração]
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- OS JARDINS, POEMA.
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- CANTO SEGUNDO.
-
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- A lyra, que os rochedos, que as florestas
- Ao Rhódope attrahia, oh se eu tivesse!
- Ella fallára, e sùbito arvoredos
- Sobre as paizagens lançarião sombras;
- A Laranjeira, o Til, Carvalhos, Cedros
- Virião nos meus campos collocar-se
- Em pasmosa cadencia, em ordem bella;
- Mas perdeo a harmonia os seus milagres,
- A lyra já não reina, a penha he surda,
- A arvore immóvel fica aos sons mais gratos;
- Dous mágicos ha só: trabalho, e arte.
- Aprende, pois, que industria, e que desvelo
- Prestão mimo, ou riqueza ás várias plantas.
- Pela ridente cópa, a flor, e o fructo
- A arvore he dos jardins primeiro ornato.
- Para agradar, quantas figuras tóma,
- Quantas figuras! Acolá se estendem
- Pomposamente seus informes braços;
- Brando, e ligeiro além se eleva o tronco,
- Aqui lhe admiro, lhe namoro a graça,
- A magestade alli. Roçada apenas,
- Da menor viração, lhe ondêa a rama,
- Ou contra os furacões arrebatados
- Firma o corpo nodoso, a rija fronte;
- Dura, ou molle, se inclina, ou se levanta,
- Protêo dos vegetais, a cada instante
- Muda o feitio, a cor, verdura, e frutos
- Para dar novo brilho á Natureza.
- Eis os thesoiros teus, oh Arte, e o Gosto
- Prohibe que sem ordem se dispendão.
- Das varias plantas a extensão, e a fórma
- Se offrece aos olhos em aspectos varios.
- Ora selva profunda, inculta, e negra
- Derrama sombra immensa, ora apparece
- Bosque risonho de arvores formosas.
- Em ventilados campos mais ao longe
- Os olhos chamão, a attenção dominão
- Distribuidos, primorosos grupos.
- Fiando-se na propria louçania,
- Só, n’outra parte, huma arvore pompêa,
- Só ella exorna o chão: Tal, se he possivel
- Que a paz dos campos assemelhe a guerra,
- Cerrados batalhões, dispersas turmas,
- Numero, e forças ante nós ostentão;
- E altivo do seu nome, e sustentado
- Na sua intrepidez, á frente delles
- Hum só Heroe se avança, e todos vale.
- Diversas plantações tem leis diversas.
- Nos Jardins do Artificio em outros tempos
- Olhava o luxo com desdem, com tedio
- As isoladas arvores, e agora
- Aprazem nos Jardins da Natureza.
- Por capricho feliz, sisudo acaso
- Estas desproporções tem attractivos,
- Difirão na distancia, aspecto, e fórma;
- Sempre a grandeza, ao menos a elegancia,
- Distinga a planta, ou ella, envergonhada,
- Por entre a multidão desappareça.
- Mas se hum Carvalho, ou Plátano longevo,
- Patriarcha dos Bosques, ergue a fronte
- Sombria, veneravel, toda a Tribu,
- Disposta emtorno, com respeito o esquive,
- Lhe faça Corte. Agradará dest’arte
- A arvore, que isolada o Campo adorna.
- Com mais escolha ainda, e com mais gosto
- Os grupos te daráõ prestantes quadros.
- De arvores mais, ou menos vigorosas,
- Em numero qualquer, pequeno, ou grande
- Fórma-lhe a massa espessa, ou leves tufos:
- Este Povo de Irmãos apraz ao longe,
- Pódes por elles variar desenhos;
- Com elles se aproximão, se removem,
- Se afastão, se reunem perspectivas,
- E com elles tambem sobre as paizagens
- Se dobra, ou se desdobra o véo das sombras.
- Formárão-se teus grupos: he já tempo
- Q’a hum tanto de arte os bosques se habituem.
- Bosques augustos! Bosques venerandos!
- Eu vos acato, eu vos saudo: as vossas
- Poeticas abóbadas não ouvem
- Já do Bardo feróz o horrivel canto;
- Hum delirio mais doce em vós habita,
- Vossas grutas ainda em verso instruem.
- Ermos antigos, magestosas sombras,
- Vós inspirais os meus: ah! dai que eu possa
- Com respeitosa mão tocar-vos hoje,
- E que, sem profanar, aformosêe:
- De vós aprender quero a adereçar-vos.
- Arvoredos expor-se aos olhos podem
- Em milhares de aspectos. Deste lado
- Pressos troncos as sombras lhe carreguem:
- Alegre-se acolá de luz escassa
- A redolente estancia, travem nella
- Combate deleitoso a noite, e o dia:
- Mais além, signalando o chão co’as folhas,
- Sobre os claros dispersas tremão plantas.
- Porque, humas para as outras fluctuando,
- E sem ousar tocar-se, ao mesmo tempo
- Pareça, que se fogem, que se buscão.
- O bosque assim por ti perde a aspereza;
- Mas seu grave caracter não desmanches;
- Com miudos objectos, mui frequentes
- Não se interrompa, não se altere o todo.
- Hum seja, simples, grande, e toda a pompa
- Com alguma rudez a Arte lhe deixe.
- Apresenta esses troncos destroçados;
- Quero ver, e seguir negras torrentes,
- Pelas quebradas concavas fervendo.
- D’agoa, do tempo, do ar mantem vestigios;
- Venera do rochedo os ameaços,
- Deixa-o pender, e emfim tudo respire
- Silvestre, vigorosa formosura
- Sobre o terreno magestoso. Agrada
- Assim de hum bosque a rustica nobreza.
- Com menor altivez, com mais brandura
- Hum bosquezinho offrece amenos quadros:
- Quer bellos sitios, e contórnos bellos;
- Fóge, tórna, em rodeios vai perder-se;
- Entre flores estende agoas serenas,
- E cuido que inda nelle, embriagado
- De hum extasis suave, em ocio puro,
- As lições do prazer dicta Epicuro.
- Mas não basta que em selva, ou bosquezinho
- Haja riqueza ou elegante, ou bruta,
- Cumpre ornar com primor seus exteriores.
- Não vás, symmetrisando-lhe os limites,
- Com recendentes muros ocultar-nos
- Dos bosques as innúmeras familias.
- Ver quero, penetrando o centro agreste,
- Crescer a hum tempo as arvores diversas,
- De vigor juvenil humas brilhantes,
- Outras todas decrépitas, nodósas,
- Estas rasteiras, languidas, e aquellas,
- Tyrannos das Florestas, esgotando
- Da substancia o tributo a seus vassalos;
- Scena em que a idéa vê com gosto imagens
- Das idades, da vida, e dos costumes.
- Apar destes effeitos, que valia
- Teraõ verdes reparos, cuja fórma
- Entristece, importuna, afflige os olhos,
- Forma que he sempre igual, nunca inesperada?
- Oh delicias da vista! Oh variedade!
- Acode, vem romper nivel insulso,
- Triste esquadro, e cordel fastidioso.
- De matiz acertado, interessante
- As estremas dos bosques se guarneção,
- He a uniformidade ingrata aos olhos;
- Da que vem nos jardins elles se enfadão,
- Á sua extremidade elles se avanção,
- Folgão de discorrer a inopinada
- Fórma que lustra nos limites varios.
- Em gyros mil brincando a vista errante,
- Ou com elles se entranha, ou sahe com elles,
- E nos diversos, florecentes quadros
- De distancia em distancia, alegre pousa.
- O Bosque se engrandece, e a cada passo
- Seus rodeios varia, e seus encantos.
- A fórma, pois, se lhe desenhe, e logo
- As Arvores se escolhão, a que o Gosto
- Prescreve o sacrificio; mas sê tardo,
- Condena devagar, condena a custo:
- Antes de executar-se a lei sevéra,
- Ah! vê que manso, e manso as cria o Tempo,
- E altêa manso, e manso; que impossivel
- He a todo o oiro teu remir-lhe as sombras,
- E que já lhe deveste hum fresco amparo.
- Duro Possuidor, com tudo, ás vezes,
- E sem necessidade, e sem remorso,
- Aos golpes do machado as abandona,
- Eis sobre o seio da indignada Terra
- As miseras baqueão, seccão, morrem:
- Para sempre dalli com magoa vôão
- Doces meditações, cautos amores.
- Ah! por estes sagrados Arvoredos,
- Que aos bailes Pastoris prestavão sombra,
- Por estas densas comas, que abrigárão
- Vossos Avós, tende atenção, Profanos,
- C’os troncos religiosos. Já que os Evos
- Nelles a robustez inda consentem,
- Não lhe afronteis a ancianidade augusta.
- Tem de raiar, tem de raiar em breve
- O dia em que estes bosques desmaiados,
- Para ceder o imperio a tenras plantas,
- Da excelsa fronte, succumbindo ao ferro,
- Verão no pó murchar-se a honra antiga.
- Oh Versailles! Oh dor! Oh vós, Florestas,
- De celeste apparencia! Maravilhas,
- Que fez hum grande Rei, Le Notre, e os Annos!
- Eis sôa o corte; vosso termo he vindo.
- Arvores, cuja audacia ás nuvens hia,
- Feridas na raiz, no ar balançando
- Suas cópas louçaãs, que abala o ferro,
- Já dão ruidosa quéda, e já seus troncos
- Vão alastrando ao longe esses passeios,
- Que de frescas abobadas cobrião
- Com seus pomposos, estendidos braços.
- O estrago se atreveo aos Arvoredos,
- Cuja gloriosa fronte a fronte heroica
- De Luiz, o magnanimo, assombrava!
- Destruirão-se bosques, onde as Artes,
- Mais suaves conquistas celebrando,
- Multiplicavão festivais prazeres!
- Amor, que he feito do encantado abrigo,
- Que ouvio de Montespan gemer o orgulho?
- Que he do retiro, onde tão meiga, e bella,
- Ao de ouvilla attrahido, absorto Amante
- La Valiere exprimio segredos ternos,
- Rendida suspirou, sem crer-se amada?
- Tudo cahe, tudo acaba; ao som terrivel
- Desta destruição, não vês, não sentes
- Alígero Tropel fugir medroso?
- Este volátil Povo, alegre, ufano
- De habitação tão bella, e que entoava
- Dos Monarcas no asylo os seus amores,
- Com dor se ausenta dos saudosos lares.
- Deozes, de que estes pórticos honrara
- Estremado cinzel, Deozes, vestidos
- De verdes, molles véos, ainda ha pouco,
- Pela perdida sombra estão carpindo,
- Mostrão-se da nudez envergonhados;
- E, receando os olhos, Venus mesma,
- Venus se assombra de se ver despida.
- Appressai-vos, crescei, mimosas Plantas,
- Tornai a povoar a Estancia cara.
- Arvores semimortas, consolai-vos.
- Vós, testemunhas da fraqueza humana.
- De Corneille, e Turenna os fados vistes,
- Vistes morrer o Heroe, morrer o Vate:
- Ao menos, já contais cem primaveras,
- E os nossos dias de mais luz, mais gloria
- Ah! voão logo, e para sempre voão.
- Feliz daquelle que possue hum bosque
- Formado pelo tempo! Mas ditoso
- Tambem quem para si pôde criallo!
- Estas, que vão medrando, arvores bellas,
- Eu fui o que as plantou: (diz como Cyro)
- Tu, pois, se inda dispor das tuas pódes,
- Teme que antes de tempo ellas rebentem.
- Assim como o Pintor que, demorando
- Indiscreto pincel na mão sabida,
- Longamente co’a idéa esboça os quadros:
- Tu dos desenhos teus medita a ordem;
- O valor, a eficacia dos aspectos,
- E dos sitios conhece; e o attractivo
- Dos bosques nas colinas pendurados,
- E a gala dos que em plano a sombra estendem.
- Como as amigas fórmas, como as côres
- Amigas, te he proveito conheceres
- As adversas tambem. O freixo altivo,
- Arremessando ao ar comprida rama,
- O inclinado salgueiro aborrecêra,
- Do álamo opõem-se o verde ao do carvalho;
- Mas tais odios tempérão-se com arte:
- Elege por feliz intercessora
- Huma arvore meaã, que os concilie.
- Desta sorte Vernet, com maga tinta
- De duas côres a discordia extingue.
- Conhece, pois, o emprego, a serventia
- Das difrentes verduras, ou brilhantes,
- Ou sem lustre, mais mortas, ou mais vivas.
- Com taes alterações, com taes matizes
- No seio das paizagens se varião
- Formosamente as sombras, se produzem
- Effeitos ora doces, e ora fortes,
- Grandes contrastes, ou gentis concordias.
- Observa-as maiormente quando o Outono
- Perto de vella murcha enfeita a crôa:
- Que pompa! Q’esplendor! Que variedade!
- A côr alaranjada, a côr purpurea,
- A opálica viveza, a do encarnado
- Ostentação de seus thesoiros fazem.
- Ai! Todo este esplendor lhe agoira a quéda!
- Eis o fado commum! Depressa os Euros
- Hão de espalhar pelos profundos valles
- Os despojos selváticos: a folha
- Cahindo, já distrahe de quando em quando
- O solitario Pensador; mas estas
- Mesmas ruinas para mim são gratas;
- Alli, se fundas queixas nutro n’alma,
- Ou assanhar-me a chaga vem memorias,
- Gósto de misturar, de ver conforme
- O luto meu da Natureza ao luto.
- Dos seccos bosques, dos raminhos murchos
- Me apraz pizar fragmentos, só, e errante.
- Dias de embriaguez, e de loucura,
- Os mentirosos dias já voárão;
- Terna Melancolia, a ti me entrego,
- Vem, mas não de atras nuvens carregada;
- Onde se envolve a tenebrosa Angustia:
- Por entre véo ligeiro a vista branda
- Dirige á Terra, aos Ceos, como no Outono
- Os vapores traspassa hum tibio dia;
- Traze, oh dos Vates, dos Amantes socia,
- Sereno o rosto, os olhos pensativos,
- E a deleitosas lagrimas propensos.
- Mas em quanto minha alma se apascenta
- Nestas idéas, mil floridas castas
- De fragrantes, de tremulos arbustos
- Chamando estão por mim. Vem, lindo Povo,
- Tu entre a arvore, e a flor tu és o meio,
- És como a transição. Teus delicados
- Caractéres agora a scena enfeitem.
- Oh! se não me instigasse o largo assumpto,
- Se ao termo, que me espera, eu não corresse,
- Que jubilo teria em dirigir-vos!
- Eu vos reproduzira, eu vos mostrára
- Em cem fecundas fórmas, eu faria
- Á sombra vossa murmurar correntes,
- Vossa rama em abóbadas travara;
- Envoltos nestes vividos ulmeiros,
- Irião serpeando os vossos braços
- Pelos rìgidos troncos, e serieis
- O symbolo da graça, unida á força.
- Fundira, approveitára as vossas côres:
- A azul ferrete, a encarnada, a branca;
- Dos olhos as delicias alternando,
- Vossos penachos, cálices, e flores,
- Formar virião meus brilhantes quadros,
- E o mesmo Vanhuysum mos invejára.
- Tu, que estes férteis dons dos Ceos houveste,
- Com arte economiza arbórea pompa:
- Favores seus co’as Estações reparte.
- Co’as côres, e os perfumes cada arbusto
- Por seu turno appareça, e nunca murche
- Na fronte do Anno a flórida capela.
- Assim com elle o teu jardim varia:
- Cada mez tem seu bosque, e cada bosque
- A sua Primavera... ah! cedo extincta!
- Tua industria, porém, da sua instavel,
- Curta riqueza consolar-nos póde.
- Com prudencia estas arvores plantadas,
- Quando flor não tiverem, graça tenhão.
- Tal, dilatando o imperio de seus olhos,
- Já na declinação dos annos bellos,
- A destra Ulina me seduz, me enlêa.
- Da inclemencia dos ares a despeito,
- O Ceo não desherdou de todo o Inverno;
- Então dos ventos provocando a raiva,
- Não poucos vegetaes conservão folhas.
- Olha o Teixo, olha a Era, olha o Pinheiro,
- O pungente Azevinho, o sacro Loiro,
- De verdura immortal, que a Terra vingão,
- Vingão dos Aquilões a Natureza.
- De purpura, e coral, vê fructos, bagas;
- Que esmalte aos ramos dão! Seu atavio
- Sobre os despidos Campos lisonjêa:
- Por menos esperado he mais formoso.
- Os teus Jardins de Inverno assim povôa;
- Lá de hum benigno dia a luz te affaga,
- Lá, quando em outra parte he nua a Terra,
- O passarinho adeja, e se diverte
- Inda debaixo de viçosas folhas:
- O sitio o illude, não conhece o tempo,
- Vêlla imagina, e canta a Primavera:
- Assim, sem ser facticia a Estancia agrada.
- Mas os Jardins dos Reis com que artificio,
- Com que apparato esplendido triunfão
- Dos sanhudos Invernos! Sempre verdes,
- Oh Mouceaux! Teus jardins são disto exemplo,
- Troncos fingidos de arvores ausentes,
- Grutas de encanto, mágicas latadas,
- Tudo alli rouba os olhos. Afrontando
- A ríspida Estação caliginosa,
- A nascer entre o gelo aprende a rosa.
- Milagres alli domão tempos, climas,
- Das Fadas o poder alli se antolha.
- Mas não são todavia estes encantos
- Dos Jardins o melhor, mais doce ornato,
- Cedo o costume te desorna os bosques.
- Quando os Estranhos tuas sombras gostão
- Jaz muitas vezes descontente o Dono.
- Meios não ha, cuja virtude occulta
- Sempre a teus bosques a affeição te avive?
- Oh! quanto dos Lapões me apraz o estilo!
- Oh! como enganão seus Invernos duros!
- O Til soberbo, os Olmos reforçados
- Temem daquelles Campos o regelo;
- De alguns tristes Pinheiros, negros, bravos
- Indigente, escassissima verdura
- Apenas a geada alli penetra.
- Mas o minimo arbusto, que poupassem
- Aquelles agros climas, ante os olhos
- Dos habitantes seus tem mil feitiços.
- He consagrado a filho, a pai, a amigo,
- A Hospede que parte, e deixa prantos,
- Deixa saudade eterna, e de algum delles
- O nome, sempre caro, á Planta fica.
- Tu, de quem puro Ceo clarêa a Patria,
- Imitar podes tão feliz industria:
- Ella animará tudo, arvores, bosques
- Não serão mudos, não serão desertos:
- Hão de immensas memorias habitallos,
- Gostos distantes adornar-lhe as sombras,
- E quem prohibe, se o favor dos Numes
- Com doce prole teus desejos farta,
- Quem véda consagrares esse dia
- Com troncos de nascente bosquezinho...!
- Mas em quanto estes versos, Musa, entôas,
- Que popular clamor aos ares sobe!
- Nasceo, nasceo o herdeiro aos Reis da Gallia!
- Nos muros, nas falanges, sobre as ondas,
- Nosso terrivel, triunfante raio
- Trôa, corre, e aos dois Mundos o annuncia,
- Flores são pouco para ornar-lhe o berço,
- Os loiros lhe trazei, trazei-lhe as palmas;
- Raiem dias de gloria ante o primeiro
- Volver dos olhos seus; nascido apenas,
- Da Victoria oiça o hymno; eis o festejo
- Que ao puro sangue dos Bourbons se deve.
- E tu por quem tal dom dos Ceos nos veio,
- Tu, nó mimoso, tu prizão querida
- Do Germano, e Francez, que Irmão, e Esposo
- Unes como odorifera grinalda
- Que enlaça dois Ulmeiros magestosos;
- Consorte, Mãi, e Irmã, teus fados ligão
- O Penhor de Hymenêo da Morte ao luto,
- Em teus olhos misturão pranto, e riso,
- Dando-te o Filho quando a Mãi te roubão,
- Nos transportes que influe este aureo dia,
- Ousem Almas ferventes, creadoras
- Animar os pinceis, a pedra, a lyra;
- Dos Campos eu cantor, e humilde amigo,
- Irei onde os Favonios, onde Flora
- Sós te compõem a deleitavel Corte,
- Irei a Trianon: alli risonho
- Em unico tributo á Prole tua
- Arvores sagrarei da sua idade,
- Hum bosquezinho que lhe deva o nome.
- Verão teus olhos avultar o amavel,
- O simples monumento, aquelles troncos,
- Dos bosques teus o mais suave ornato;
- E com ellas crescendo, recrear-se
- Ás sombras fraternais irá teu filho.
- Gozas, emfim, e o coração, e os olhos
- Feliz Possuidor, já se embellezão
- Nos arvoredos teus. Tambem desejas
- Unir ao gosto a gloria, obter a palma
- Nesta arte singular com que os decoras?
- De creador merece, alcança o nome.
- Olha como em segredo a Natureza
- Sempre está fermentando, e como sempre
- A precisão de produzir a ancêa.
- Não lhe acodes? Quem sabe que thesoiros
- Inda em seus cofres para a Industria guarda?
- Como esta a seu arbitrio as ondas guia,
- Póde guiar o succo: outros caminhos,
- Outros canaes a seu liquor franquêa.
- Por novos hymenêos fecunda os Campos,
- Das seibas virgens exprimenta o mixto,
- De seus dons mutuos favorece a troca.
- Quantas arvores, fructos, plantas, flores
- Tem mudado o perfume, a côr, e o gosto,
- Tudo por arte! O Pecegueiro a estas
- Metamorfóses sua gloria deve.
- Assim com triple croa a rosa brilha,
- De seu penacho assim blasona o cravo.
- Ousa. Deos fez o Mundo, o Homem o adorna.
- Se a tão bellas conquistas não te afoitas,
- Cobertas d’ outro Ceo tens mil riquezas.
- Usurpa esses thesoiros. Tal, mais brando
- Vencedor, e mais justo nos seus roubos,
- O Romano soberbo á Ausonia trouxe
- Syrias ameixas, o damasco Armenio,
- Da Gallia a pera, e fructos mil diversos:
- Assim devêra subjugar-se o Mundo.
- Lá quando d’Asia triunfou Lucullo
- O bronze, o oiro, o marmore assombravão
- De Roma os olhos, e entretanto o Sabio
- Prezou ver-lhe nas mãos a cereijeira
- Conduzida em triunfo ao Capitolio.
- E esses mesmos Romanos já não vírão
- Nossos Avós, em batalhões armados,
- Debaixo de outros Ceos mais bemfazejos
- As vinhas ir buscar, votando a Brómio
- Tintos pendões em nectar dos Vencidos?
- Co’ fruto das beligeras emprezas
- Excandecida a Turba, os preciosos
- Troféos, cantando, aos Lares seus trazia.
- As cabeças o pâmpano croava,
- O pâmpano em festoens cingia as lanças.
- Desta arte o Numen, vencedor do Ganges,
- Tornou triunfante: serranias, valles
- Da vindima o fervor solemnisavão,
- E por onde corria o mago nectar
- Folgavão brincos, e o prazer, e a audacia.
- Netos dos Gallos, os Avós se imitem;
- Roubemos, disputemos taes despojos.
- Nesses jardins, altivos de regellos
- A mão, que a Themis empunhara o Sceptro,
- Malesherbe, o facundo, o digno ramo
- Dos Lamoignons, com troncos orgulhosos
- Honra, abastece o chão: trazidas Plantas
- Dos fins da Terra, das equóreas margens,
- De alcantalidos cumes de agras serras,
- Das portas do Nascente, e das do Occaso;
- Plantas, que açoita o Sul, que açoita o Norte,
- Plantas, filhas do ardor, filhas do gelo,
- Me fazem, n’um lugar, correr mil climas.
- Vago, entre aquella Multidão florente,
- Asia, America, Europa, Africa, o Mundo.
- Regozijadas de se ver no meio
- Das velhas plantas nossas, amão todas
- Nosso amoravel Ceo, e estranhas Gentes
- Reconhecendo as arvores da Patria,
- Duvidão já da sua ausencia, ao vellas,
- Ou de terna saudade os golpes sentem.
- Moço Potaveri, tu disto es prova.
- Dos Campos d’O-taiti, daquelles Campos,
- Tão caros, n’outro tempo á sua infancia,
- Onde he sem pejo Amor, Amor sem crime,
- Este ingenuo, selvatico Mancebo,
- Trazido a nossos muros, pranteava
- Sua antiga, innocente liberdade,
- Ilha risonha, e jubilos tão faceis.
- Do esplendor das Cidades sim pasmado,
- Mas farto dellas, vezes mil clamava:
- Dai-me as florestas minhas: eis que hum dia
- Nesses jardins, onde Luiz congrega,
- Dispôem n’um sitio só, e a custo immenso,
- Os Povos vegetaes de tantos climas,
- Como espantados de crescerem juntos,
- De lugar, e estação mudando a hum tempo,
- E cultos a Jussieu rendendo todos;
- Nesses Jardins o Indiano vagueava,
- Olhando as varias, ordenadas Tribus,
- Quando entre estas Colonias vicejantes
- Lhe fere os olhos arvore que o triste
- Desde os primeiros annos seus conhece.
- Súbito, desatando agudos gritos,
- A ella corre, abraça-se com ella,
- Beijos a cobrem, lagrimas a innundão.
- Objectos mil de inexplicavel gosto,
- Os Ceos, os Campos que ditoso o virão,
- Ceos tão formosos, tão formosos Campos?
- Os rios que fendeo co’as mãos nervosas,
- Matas por onde os brutos habitantes
- Tão destro asseteava, as bananeiras
- De sombras, e de frutos abastadas,
- O patrio asylo, os bosques circumstantes,
- Que aos canticos de amor lhe respondião,
- Julgou ver, e a sua alma enternecida
- Hum momento sequer gozou da Patria.
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- FIM DO CANTO SEGUNDO.
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- * * * * *
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-Na pag. 47 depois da linha 32 escapou o verso seguinte:
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- De distancia em distancia, alegre pousa.
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-
- [Illustração]
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- LES JARDINS, POÈME,
-
- CHANT TROISIEME.
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- Je chantois les jardins, les vergers, et les bois,
- Quand le cri de Bellone a retenti trois fois.
- A ces cris, arrachés des foyers de leurs pères,
- Nos guerriers ont volé sur des mers étrangères,
- Et Mars a de Vénus déserté les bosquets.
- Dieux des champs, Dieux amis de l’innocente paix,
- Ne craignez rien. Louis, au lieu de vous détruire,
- Veut sur des bords lointains étendre votre empire;
- Il veut qu’un peuple ami, trop long-temps opprimé,
- Recueille en paix le grain que ses mains ont semé.
- Et vous, jeunes guerriers qu’admire un autre monde,
- Je ne puis vers Yorck, sur les gouffres de l’onde
- Suivre votre valeur; mais pour votre retour
- Ma muse des jardins embellit le séjour.
- Déjá j’ordonne aux fleurs de croitre pour vos têtes;
- Pour de myrtes verds des couronnes sont prêtes,
- Je prépare pour vous le murmure des eaux,
- Les tapis des gazons, les abris des berceaux,
- Où mollement assis, oubliant les alarmes,
- Tranquilles vous direz la gloire de nos armes,
- Tandis qu’entre la crainte, et l’espoir suspendus,
- Vos enfans frémiront d’un danger qui n’est plus.
- Achevons cependant d’orner ces frais asyles.
- Jadis dans nos jardins les sables infertiles,
- Tristes, secs, et du jour réfléchissant les feux,
- Importunoient les pieds, et fatiguoient les yeux.
- Tout étoit nu, brûlant; mais enfin l’Angleterre
- Nous apprit l’art d’orner, et d’habiller la terre.
- Soignez donc ces gazons déployés sur son sein.
- Sans cesse l’arrosoir ou la faulx á la main,
- Désaltérez leur soif, tondez leur chevelure.
- Que le roulant cylindre en foule la verdure.
- Que toujours bien choisis, bien unis, bien serres,
- De L’herbe usurpatrice avec soin délivrés,
- Du plus tendre duvet ils gardent la finesse;
- Et quelquefois enfin réparez leur vieillesse.
- Réservez toutefois aux lieux moins éloignés
- Ce luxe de verdure, et ces gazons soignés.
- Du reste composez une riche pâture,
- Et que vos seuls troupeaux en fassent la culture.
- Ainsi vous formerez des nourrissons nombreux,
- Des engrais pour vos champs, des tableaux pour vos yeux.
- Ne rougissez donc point, quoique l’orgueil en gronde,
- D’ouvrir vos parcs au bœuf, á la vache féconde,
- Qui ne dégrade plus ni vos parcs, ni mes vers.
- Mais c’est peu de créer ces vastes tapis verds;
- Il en faut avec goût savoir choisir les formes.
- Craignez pour eux l’ennui des cadres uniformes.
- En d’insipides ronds, ou d’ennuyeux quarrés,
- Je ne veux point les voir tristement resserrés.
- Un air de liberté fait leur première grace.
- Que tantôt dans les bois, dont l’ombre les embrasse,
- D’un air mystérieux ils aillent se cacher,
- Et que tantôt les bois les reviennent chercher.
- Telle est d’un beau gazon la forme simple, et pure.
- Voulez-vous mieux l’orner? Imitez la nature.
- Elle émaille les prés des plus riches couleurs.
- Hâtez-vous; vos jardins vous demandent des fleurs.
- Fleurs charmantes! par vous la nature est plus belle;
- Dans ses brillans tableaux l’art vous prend pour modèle;
- Simples tributs du cœur, vos dons sont chaque jour
- Offerts par l’amitié, hasardés par l’amour.
- D’embellir la beauté vous obtenez la gloire;
- Le laurier vous permet de parer la victoire;
- Plus d’un hameau vous donne en prix á la pudeur.
- L’autel même où de Dieu repose la Grandeur,
- Se parfume au printemps de vos douces offrandes,
- Et la Religion sourit á vos guirlandes.
- Mais c’est dans nos jardins qu’est votre heureux séjour.
- Filles de la rosée, et de l’astre du jour,
- Venez donc de nos champs décorer la théâtre.
- N’attendez pas pourtant qu’amateur idolâtre,
- Au lieu de vous jetter par touffes, par bouquets,
- J’aille de lits en lits, de parquets en parquets,
- De chaque fleur nouvelle attendre la naissance,
- Observer ses couleurs, épier leur nuance.
- Je sais que dans Harlem plus d’un triste amateur
- Au fond de ses jardins s’enferme avec sa fleur,
- Pour voir sa renoncule avant l’aube s’éveille,
- D’une anémone unique adore la merveille,
- Où, d’un rival heureux enviant le secret,
- Achete au poids de l’or les taches d’un œillet.
- Laissez-lui sa manie, et son amour bizarre;
- Qu’il possède en jaloux, et jouisse en avare.
- Sans obéir aux loix d’un art capricieux,
- Fleurs, parure des champs, et délices des yeux,
- De vos riches couleurs venez peindre la terre.
- Venez: mais n’allez pas dans les buis d’un parterre
- Renfermer vos appas tristement relégués.
- Que vos heureux trésors soient par-tout prodigués,
- Tantôt de ces tapis émaillez la verdure;
- Tantôt de ces sentiers égayez la bordure;
- Formez-vous en bouquets; entourez ces berceaux;
- En Méandres brillans courez au bord des eaux,
- Ou tapissez ces murs, ou dans cette corbeille
- Du choix de vos parfums embarrassez l’abeille.
- Que Rapin, vous suivant dans toutes les saisons,
- Décrive tous vos traits, rapelle tous vos noms;
- A de si longs détails le dieu du goût s’oppose.
- Mais qui peut refuser un hommage à la rose,
- La rose, dont Vénus compose ses bosquets,
- Le printemps sa guirlande, et l’Amour ses bouquets,
- Qu’Anacréon chanta, qui formoit avec grace
- Dans les jours de festin la couronne d’Horace?
- Mais ce riant sujet plait trop à mes pinceaux,
- Destinés à tracer de plus mâles tableaux.
- O vous, dont je foulois les pelouses fleuries,
- Adieu, charmants bosquets, adieu, vertes prairies;
- Ces masses de rochers confusément épars
- Sur leur informe aspect appellent mes regards.
- De nos jardins voués à la monotonie
- Leur sublime âprêté jadis étoit bannie.
- Depuis qu’enfin le peintre y prescrivant des loix,
- Sur l’arpenteur timide a repris tous ses droits,
- Nos jardins plus hardis de ces effets s’emparent.
- Mais de quelque beauté que ces masses les parent,
- Si le sol n’offre point ces blocs majestueux,
- De la nature en vain rival présomptueux,
- L’art en voudroit tenter une infidelle image.
- Du haut des vrais rochers, sa demeure sauvage,
- La nature se rit de ces rocs contrefaits,
- D’un travail impuissant avortons imparfaits.
- Loin de ces froids essais qu’un vain effort étale,
- Aux champs de Midleton, aux monts de Dovedale,
- Whateli, je te suis; viens, j’y monte avec toi.
- Que je m’y sens saisi d’un agréable effroi!
- Tous ces rocs variant leurs gigantesques cimes,
- Vers le ciel elancés, roulés dans des abimes,
- L’un par l’autre appuyés, l’un sur l’autre étendus,
- Quelquefois dans les airs hardiment suspendus,
- Les uns taillés en tours, en arcades rustiques,
- Quelques-uns á travers leurs noirâtres portiques
- Du ciel dans le lointain laissant percer l’azur,
- Des sources, des ruisseaux le cours brillant, et pur,
- Tout rapelle á l’esprit ces magiques retraites,
- Ces romanesques lieux qu’ont chanté les poètes.
- Heureux si ces grands traits embellissent vos champs!
- Mais dans votre tableau leurs tons seroient tranchans.
- C’est lá, c’est pour dompter leur inculte énergie,
- Qu’il faut d’un enchanteur le charme, et la magie.
- Cet enchanteur, c’est l’art; ces charmes, sont les bois,
- Il parte: les rochers s’ombragent á sa voix,
- Et semblent s’applaudir de leur pompe étrangère.
- Mais en ornant ainsi leur sécheresse austère,
- Variez bien vos plants. Offrez aux spectateurs
- Des contrastes de tons, de formes, de couleurs;
- Que les plus beaux rochers sortent par intervalles.
- N’interromprez-vous point ces masses trop égales?
- Cachez, ou découvrez, variez á la fois
- Les bois par les rochers, les rochers par les bois.
- N’avez-vous pas encor, pour former leur parure,
- Des arbustes rampans l’errante chevelure?
- J’aime á voir ces rameaux, ces souples rejettons,
- Sur leurs arides flancs serpenter en festons.
- J’aime á voir leur front chauve, et leur tête sauvage
- Se coeffer de verdure, et s’entourer d’ombrage.
- C’est peu. Parmi ces rocs un vallon précieux,
- Un terrein moins ingrat vient-il rire á nos yeux?
- Saisissez ce bienfait; déployez á la vue
- D’un sol favorisé la richesse imprévue.
- C’est un contraste heureux; c’est la stérilité
- Qui cède un coin de terre a la fertilité.
- Ainsi vous subjuguez leur âpre caractère.
- Quoi donc! faut-il toujours les orner pour vous plaire?
- Non; l’art qui doit toujours en adoucir l’horreur,
- Leur permet quelquefois d’inspirer la terreur.
- Lui-même il les seconde. Au bord d’un précipice
- D’une simple cabane il pose l’édifice:
- Le précipice encore en paroit agrandi;
- Tantôt d’un roc á l’autre il jette un pont hardi.
- A leur terrible aspect je tremble, et de leur cime
- L’imagination me suspend sur l’abime.
- Je songe á tous ces bruits du peuple répétés,
- De voyageurs perdus, d’amans précipités;
- Vieux récits, qui, charmant la foule émerveillée,
- Des crédules hameaux abrègent la veillée,
- Et que l’effroi du lieu persuade un moment.
- Mais de ces grands effets n’usez que sobrement.
- Notre cœur dans les champs á ces rudes secousses
- Préfère un calme heureux, des émotions douces.
- Moi-même, je le sens, de la cime des monts
- J’ai besoin de descendre en mes rians vallons.
- Je les ornai de fleurs, les couvris de bocages;
- Il est temps que des eaux roulent sous leurs ombrages.
- Eh bien! si vos sommets jadis tout dépouillés
- Sont, grace á mes leçons, richement habillés,
- O rochers: ouvrez-moi vos sources souterraines:
- Et vous, fleuves, ruisseaux, beaux lacs, claires fontaines,
- Venez, portez par-tout la vie, et la fraicheur.
- Ah! qui peut remplacer votre aspect enchanteur?
- De près il nous amuse, et de loin nous invite;
- C’est le premier qu’on cherche, et le dernier qu’on quite.
- Vous fécondez les champs; vous repetez les cieux;
- Vous enchantez l’oreille, et vous charmez les yeux.
- Venez: puissent mes vers, en suivant votre course,
- Couler plus abondants encor que votre source,
- Plus legers que les vents qui courbent vos roseaux,
- Doux comme votre bruit, et purs comme vos eaux!
- Et vous qui dirigez ces ondes bienfaitrices,
- Respectez leurs penchans, et même leurs caprices.
- Dans la facilité de ses libres detours,
- Voyez l’eau de ses bords embrasser les contours,
- De quel droit osez-vous, captivant sa souplesse,
- De ses plis sinueux contraindre la mollesse?
- Que lui fait tout le marbre où vous l’emprisonnez?
- Voyez-vous, les cheveux aux vents abandonnés,
- Sans contrainte, sans art, sans parure étrangère,
- Marcher, courir, bondir la folâtre bergère?
- Sa grace est dans l’aisance, et dans la liberté.
- Mais au fond d’un sérail contemplez la beauté:
- En vain elle éblouit, vainement elle étale
- De ses atours captifs la pompe orientale;
- Je ne sais quoi de triste, empreint dans tous ses traits,
- Décèle la contrainte, et flétrit ses attraits.
- Que l’eau conserve donc la liberté qu’elle aime,
- Ou changez en beauté son esclavage même.
- Ainsi malgré Morel, dont l’éloquente voix
- De la simple nature a sçu plaider les droits,
- J’aime ces jeux ou l’onde en des canaux pressée
- Part, s’échappe, et jaillit avec force élancée.
- A l’aspect de ces flots qu’un art audacieux
- Fait sortir de la terre, et lance jusqu’aux cieux,
- L’homme se dit: «C’est moi qui créai ces prodiges»
- L’homme admire son art dans ces brillans prestiges;
- Qu’ils soient donc déployés chez les grands, et les rois
- Mais, je le dis encor; loin le luxe bourgeois,
- Dont le jet d’eau honteux, n’osant quitter la terre,
- S’élève á peine, et meurt á deux pieds du parterre.
- C’est peu: tout doit répondre á ce riche ornement;
- Que tout prenne á l’entour un air d’enchantement.
- Persuadez aux yeux que d’un coup de baguette
- Une Fée, en passant, s’est fait cette retraite.
- Tel j’ai vu de Saint-Cloud le bocage enchanteur.
- L’œil de son jet hardi mesure la hauteur?
- Aux eaux qui sur les eaux retombent, et bondissent,
- Les bassins, les bosquets, les grottes applaudissent;
- Le gazon est plus verd, l’air plus frais, des oiseaux
- Le chant s’anime au bruit de la chûte des eaux,
- Et les bois inclinant leurs têtes arrosées,
- Semblent s’épanouir á ces douces rosées.
- Plus simple, plus champêtre, et non moinsbelleauxyeux,
- La cascade ornera de plus sauvages lieux.
- De près est admirée, et de loin entendue
- Cette eau toujours tombante, et toujours suspendue.
- Variée, imposante, elle anime á la fois
- Les rochers, et la terre, et les eaux, et les bois.
- Employez donc cet art; mais loin l’architecture
- De ces tristes gradins, ou tombant en mesure,
- D’un mouvement égal, les flots précipités
- Jusques dans la fureur marchent á pas comptés.
- La variété seule a le droit de vous plaire.
- La cascade d’ailleurs a plus d’un caractère.
- Il faut choisir. Tantôt d’un cours tumultueux
- L’eau se précipitant dans son lit tortueux,
- Court, tombe, et rejaillit, retombe, écume, et gronde.
- Tantôt avec lenteur developpant son onde,
- Sans colère, sans bruit un ruisseau doux, et pur
- S’epanche, se deploie en un voile d’azur.
- L’œil aime á contempler ces frais amphiteâtres,
- Et l’or des feux du jour sur les nappes bleuâtres,
- Et le noir des rochers, et le verd des roseaux,
- Et l’eclat argenté de l’ecume des eaux.
- Consultez donc l’effet que votre art veut produire,
- Et ces flots, toujours prompts á se laisser conduire,
- Vont vous offrir, plus lents, ou plus impetueux,
- Des tableaux gais, ou fiers, grands, ou voluptueux.
- Tableaux toujours puissans! Eh! qui n’a pas de l’onde,
- Eprouvé sur son cœur l’impression profonde?
- Toujours, soit qu’un courant vif, et precipité
- Sur des cailloux bondisse avec agilité,
- Soit que sur le limon une rivière lente
- Deroule en paix les plis de son onde indolente;
- Soit qu’á travers des rocs un torrent en courroux
- Se brise avec fracas; triste, ou gai, vif, ou doux
- Leur cours excite, appaise, ou menace, ou caresse.
- De Vénus, nous dit-on, l’echarpe enchanteresse
- Renfermoit les amours, et les tendres desirs,
- Et la joie, et l’espoir, precurseur des plaisirs.
- Les eaux sont ta ceinture, ô divine Cybèle!
- Non moins imperieuse, elle renferme en elle
- La gaieté, la tristesse, et le trouble, et l’effroi.
- Eh! qui l’a mieux connu, l’a mieux senti que moi?
- Souvent, je m’en souviens, lorsque les chagrins sombres,
- Que de la nuit encore avoient noircis les ombres,
- Accabloient ma pensée, et flétrissoient mes sens,
- Si d’un ruisseau voisin j’entendois les accens,
- J’allois, je visitois ses consolantes ondes.
- Le murmure, le frais de ses eaux vagabondes
- Suspendoient mes chagrins, endormoient ma douleur,
- Et la sérénité renaissoit dans mon cœur,
- Tant du doux bruit des eaux l’influence est puissante!
- Pour prix de ce bienfait, toi, dont le cours m’enchante,
- Ruisseau, permets que l’art, sans trop s’énorgueillir,
- T’embellisse à nos yeux, si l’art peut t’embellir.
- Un ruisseau siéroit mal dans une vaste plaine;
- Son lit n’y traceroit qu’une ligne incertaine.
- Modestes, au grand jour se montrant á regret,
- Ses flots veulent baigner un bocage secret.
- Son cours orne les bois. Les bois font ses délices.
- Lá, je puis á loisir suivre tous ses caprices,
- Son embarras charmant, sa pente, ses replis,
- Le courroux de ses flots par l’obstacle embellis.
- Tantôt dans un lit creux, qu’un noir taillis ombrage,
- Cachant son onde agreste, et sa course sauvage,
- Tantôt á plein canal présentant son miroir,
- Je le vois sans l’entendre, ou l’entends sans le voir.
- Lá, ses flots amoureux vont embrasser des iles.
- Plus loin, il se sépare en deux ruisseaux agiles,
- Qui, se suivant l’un l’autre avec rapidité,
- Disputent de vitesse, et de limpidité;
- Puis, rejoignant tous deux le lit qui les rassemble,
- Murmurent enchantés de voyager ensemble.
- Ainsi, toujours errant de détour en détour,
- Muet, bruyant, paisible, inquiet tour-á-tour,
- Sous mille aspects divers son cours se renouvelle.
- Mais vers ses bords rians la rivière m’appelle.
- Dans un champ plus ouvert, noble et pompeux tableau,
- Son onde moins modeste en larges nappes d’eau
- Roule, des feux du jour au loin étincelante.
- Elle laisse au ruisseau sa gaieté pétulante,
- Et son inquiétude, et ses plis tortueux.
- Son lit, en longs courans, des vallons sinueux
- Suivra les doux contours, et la molle courbure.
- Si le ruisseau des bois emprunte sa parure,
- La rivière aime aussi que des arbres divers,
- Les pâles peupliers, les saules demi-verds,
- Ornent souvent son cours. Quelle source féconde
- De scènes, d’accidens! Lá, j’aime á voir dans l’onde
- Se renverser leur cime, et leurs feuillages verds
- Trembler du mouvement, et des eaux, et des airs.
- Ici, le flot bruni fuit sous leur voûte obscure.
- Lá, le jour par filets pénétre leur verdure.
- Tantôt dans le courant ils trempent leurs rameaux,
- Et tantôt leur racine embarasse les flots.
- Souvent d’un bord á l’autre étendant leur feuillage,
- Ils semblent s’élancer, et changer de rivage.
- Ainsi l’arbre, et les eaux se prêtent leur secours:
- L’onde rajeuni l’arbre, et l’arbre orne son cours,
- Et tous deux, s’alliant sous des formes sans nombre,
- Font un échange aimable, et de fraicheur, et d’ombre.
- Sachez donc les unir; ou si, dans de beaux lieux,
- La nature sans vous fit cet hymen heureux,
- Respectez-la. Malheur á qui feroit mieux qu’elle!
- Tel est, cher Watelet, mon cœur me le rappelle,
- Tel est le simple asyle oú, suspendant son cours,
- Pure comme tes mœurs, libre comme tes jours,
- En canaux ombragés la Seine se partage,
- Et visite en secret la retraite d’un sage.
- Ton art la seconda; non cet art imposteur,
- Des lieux qu’il croit orner hardi profanateur.
- Digne de voir, d’aimer, de sentir la nature,
- Tu traitas sa beauté comme une vierge pure
- Qui rougit d’être nue, et craint les ornemens.
- Je crois voir le faux-goût gâter ces lieux charmans.
- Ce moulin, dont le bruit nourrit la rêverie,
- N’est qu’un son importun, qu’une meule qui crie;
- On l’écarte. Ces bords doucement contournés,
- Par le fleuve lui-même en roulant façonnés,
- S’alignent tristement. Au lieu de la verdure
- Qui renferme le fleuve en sa molle ceinture,
- L’eau dans des quais de pierre accuse sa prison;
- Le marbre fastueux outrage le gazon,
- Et des arbres tondus la famille captive
- Sur ces saules vieillis ose usurper la rive.
- Barbares, arrêtez, et respectez ces lieux.
- Et vous, fleuve charmant, vous, bois délicieux,
- Si j’ai peint vos beautés, si dés mon premier âge
- Je me plûs á chanter les prés, l’onde, et l’ombrage,
- Beaux lieux, offrez long-temps á votre possesseur
- L’image de la paix qui règne dans son cœur.
- Autant que la riviére en sa molle souplesse
- D’un rivage anguleux redoute la rudesse,
- Autant les bords aigus, les longs enfoncemens
- Sont d’un lac étendu les plus beaux ornemens.
- Que la terre tantôt s’avance au sein des ondes;
- Tantôt qu’elle ouvre aux flots des retraites profondes;
- Et qu’ainsi s’appellant d’un mutuel amour,
- Et la terre, et les eaux se cherchent tour-á-tour.
- Ces aspects variés amusent votre vue.
- L’œil aime dans un lac une vaste étendue.
- Cependant offrez-lui quelques points de repos.
- Si vous n’interrompez l’immensité des flots,
- Mes yeux sans intérêt glissent sur leur surface.
- Ainsi, pour abréger leur insipide espace,
- Ou qu’un frais bâtiment, des chaleurs respecté,
- Se présente de loin dans les flots répété,
- Ou bien faites éclore une ile de verdure.
- Les iles sont des eaux la plus riche parure.
- Ou relevez leurs bords, ou qu’en bouquets épars
- Des masses d’arbres verds arrêtent vos regards.
- Par un contraire effet si vous voulez l’étendre,
- Aux bords trop exhaussés ordonnez de descendre;
- Ou reculez vos bois, ou commandez que l’eau
- Se perde en un bosquet, tourne au pied d’un côteau,
- A travers ces rideaux où l’eau fuit, et se plonge,
- L’imagination la fuit, et la prolonge.
- Ainsi votre œil jouit de ce qu’il ne voit pas;
- Ainsi le goût savant prête á tout des appas,
- Et des objets qu’il crée, et de ceux qu’il imite
- Resserre, étend, découvre, ou cache la limite.
- Or, maintenant que l’art dans ses jardins pompeux
- Insulte à mes travaux, dans mes jardins heureux
- Par-tout respire un air de liberté, de joie;
- La pelouse riante á son gré se déploie;
- Les bois indépendans relèvent leurs rameaux;
- Les fleurs bravent l’équerre, et l’arbre les ciseaux:
- L’onde chérit ses bords, la terre sa parure;
- Tout est beau, simple, et grand: c’est l’art de la nature.
- Cependant, et ce fleuve, et ces lacs sont déserts,
- Venez; peuplons leur sein de citoyens divers.
- Plaçons-y ces oiseaux qui, d’une rame agile,
- Navigateurs ailés, fendent l’onde docile.
- Au milieu d’eux s’élève, et nage avec fierté
- Le cygne au cou superbe, au plumage argenté,
- Le cygne, á qui l’erreur prêta des chants aimables,
- Et qui n’a pas besoin du mensonge des fables.
- Pour animer les eaux, l’art encor n’a-t-il pas
- Le flottant appareil des voiles, et des mâts?
- Par la rame emportée, une barque légére
- Laisse á peine, en fuyant, sa trace passagére:
- Zéphyre de la toile enfle les plis mouvans,
- Et chaque banderole est le jouet des vents.
- Et si nos vieux romans, ou la fable, ou l’histoire,
- D’un ruisseau, d’une source ont consacré la gloire!
- De leur antique honneur ces flots énorgueillis,
- Par d’heureux souvenirs sont assez embellis.
- Quel cœur, sans être ému, trouveroit Aréthuse,
- Alphée, ou le Lignon: toi sur-tout, toi, Vaucluse,
- Vaucluse, heureux séjour, que sans enchantement
- Ne peut voir nul poéte, et sur-tout nul amant?
- Dans ce cercle de monts, qui, recourbant leur chaine,
- Nourrissent de leurs eaux ta source souterraine,
- Sous la roche voûtée, antre mystérieux,
- Où ta Nymphe, échappant aux regards curieux,
- Dans un gouffre sans fond cache sa source obscure,
- Combien j’aimois á voir ton eau, qui, toujours pure,
- Tantôt dans son bassin renferme ses trésors,
- Tantôt en bouillonnant s’eléve, et de ses bords
- Versant parmi des rocs ses vagues blanchissantes,
- De cascade en cascade au loin rejaillissantes,
- Tombe, et roule á grand bruit; puis, calmant son courroux,
- Sur un lit plus égal répand des flots plus doux,
- Et sous un ciel d’azur par vingt canaux feconde
- Le plus riant vallon qu’eclaire l’œil du monde!
- Mais ces eaux, ce beau ciel, ce vallon enchanteur,
- Moins que Petrarque, et Laure interessoient mon cœur
- La voilá donc, disois je, oui, voilá cette rive
- Que Petrarque charmoit de sa lyre plaintive!
- Ici Petrarque á Laure exprimant son amour,
- Voyoit naitre trop tard, mourir trop tôt le jour.
- Retrouverai je encor sur ces rocs solitaires.
- De leurs chiffres unis les tendres caracteres?
- Une grotte ecartée avoit frappé mes yeux.
- Grotte sombre, dis moi si tu les vis heureux,
- M’ecriois-je! Un vieux tronc bordoit-il le rivage?
- Laure avoit reposé sous son antique ombrage.
- Je redemandois Laure á l’echo du vallon,
- Et l’echo n’avoit point oublié ce doux nom.
- Par-tout mes yeux cherchoient, voyoient Petrarque, et Laure,
- Et par eux ces beaux lieux s’embellissoient encore.
-
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- FIN DU TROISIEME CHANT.
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- [Illustração]
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- OS JARDINS, POEMA.
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- CANTO TERCEIRO.
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- Eu cantava os jardins, vergeis, e bosques,
- Eis sólta vezes tres Belona o grito,
- Eis dos paternos Lares arrancado,
- Vôa o Francez Guerreiro a estranhos mares,
- E de Venus, Mavorte as selvas deixa.
- Vós, á Paz innocente affeiçoados,
- Deoses dos Campos, não temais a guerra,
- Quer o grande Luiz não destruir-vos,
- Mas ao longe estender o imperio vosso;
- Quer que logre tranquillo o que semêa
- Hum Povo amigo longamente oppresso.
- E vós, Mancebos, que outro Mundo admira,
- Se por cima de tumidas voragens,
- A York o vosso ardor seguir não posso,
- Para quando volteis aperfeiçoa
- Jardins a Musa minha. Ordeno ás flores
- Que para as frontes vossas vão crescendo.
- Aprompto para vós de myrto as croas,
- O murmureo das agoas vos preparo,
- E gramineo tapiz, e asylo umbroso.
- Sentados molemente, ao Lethes dando
- Fadigas marciais, direis a gloria
- Das nossas forças bélicas, e emtanto
- Entre esperanças, e temor suspensos,
- Confundiráõ, tremendo, os filhos vossos
- Co’ a presença do prigo a imagem delle.
- Amador dos jardins, eia, acabemos
- De pulir estes placidos abrigos.
- Infecundo areal, e secco, e triste,
- Nelles o dia reflectindo outr’hora,
- Importunava os pés, cansava os olhos.
- Tudo era ardente, e nu; mas Inglaterra
- Nos ensinou com que arte o chão se veste,
- Na relva cuida, pois, que os campos brotão.
- O regador na dextra, ou nella a fouce,
- Lhes mate as sedes, lhes tosquie as tranças.
- As leivas o cylindro pize, aplane;
- Sempre, escolhidas bem, bem apertadas,
- Bem libertas da erva usurpadora,
- Qual macia lanugem finas sejão;
- Repare-se-lhe ás vezes a velhice;
- Mas, comtudo, aos lugares não remotos
- Se reserve este luxo de verdura:
- Do resto se componhão ricos pastos,
- E sómente os cultivem teus rebanhos.
- Terás dest’arte numerosas crias,
- Os Campos adubio, os olhos quadros.
- Não te envergonhe, pois, (e grite embora
- O orgulho) não defendas que em teus parques
- Entre a Vacca fecunda, o Boi tardio:
- Nem deshonrão teus parques, nem meus versos.
- Muito pouco he, porém, crear sómente
- Esses tapizes vastos, e viçosos:
- Cumpre que saibas escolher-lhe as formas.
- Longe a monotonia, ah! longe delles:
- Em quadrada feição, feição redonda
- Tristemente opprimidos os não quero.
- Hum ar de liberdade he seu primeiro,
- Gracioso attractivo: ora nos bosques,
- Cuja sombra os abraça, elles se escondão
- Com visos de mysterio, ora esses mesmos
- Bosques venhão buscallos. Esta a forma
- Da campestre alcatifa, pura, e simples,
- Amas o bello? A Natureza imita,
- Que esmalta os prados de opulentas cores:
- Dá-te pressa; os jardins te pedem flores.
- Flores mimosas, candidas boninas,
- Por vós he mais gentil a Natureza.
- Nos quadros por modelo a arte vos toma;
- De terno coração sois dons singelos,
- Que arrisca Amor, e que a Amizade offrece.
- Em doirada madeixa, em niveo seio
- Requinta-se comvosco a formosura;
- Que a Victoria adorneis permitte o Loiro,
- Do virgineo pudor tambem sois premio.
- O mesmo, o mesmo Altar, onde repousa
- A Grandeza de hum Deos, na Primavera
- Com vossas oblações se aromatiza,
- E a Religião, sorrindo-se, as acolhe;
- Mas tendes nos jardins o domicilio.
- Do Sol, da Aurora vinde, pois, oh filhas,
- Decorar o theatro a nossos campos.
- Comtudo, não cuideis que, insano Amante,
- Em vez de vos travar, em vez de unir-vos
- Em brandos, amorosos ramilhetes,
- De canteiro em canteiro, attento espere
- De cada nova flor o nascimento,
- E lhe espie o matiz, lhe observe as côres.
- Sei que em Harlem ha curiosos tristes,
- Que em seus jardins co’as flores vão fechar-se,
- Que, por ver hum rainunculo, despertão
- Antes d’alva, e que adorão, qual prodigio,
- Anémona exquisita, ou que, invejando
- De hum rival o segredo, a peso de oiro
- Comprão de hum cravo as manchas. Deixa aos loucos
- Seu maniaco amor: possuão, gozem
- Embora quaes ciosos, quaes avaros.
- Sem de arte caprichosa as leis seguirdes,
- Vós, dos olhos prazer, do campo adorno,
- Flores, pintai a superficie á Terra;
- Mas a vossa beleza, o mimo vosso
- Entre curtos limites não se estreitem.
- Em toda a parte esses thesoiros brilhem:
- Ora aos tapizes a verdura esmaltem,
- Ora de hum lado, e d’outro enfeitem ruas;
- Em mesclados festões cercai ramadas,
- Agoas orlai em lucidos Meandros,
- Ou comvosco estes muros se alcatifem,
- Ou, querendo escolher vossos perfumes,
- Gyre, indecisa, no açafate a abelha.
- Seguindo-vos Rapin nas quadras todas,
- Nenhum matiz, ou nome vosso esqueça;
- A tão frias, cansadas miudezas
- Oppõem-se o Deos do gosto. Mas quem póde
- Negar o obsequio, a preferencia á rosa,
- Á rosa, de que Venus bosques tece,
- Croas a Primavera, Amor seus mimos?
- Á flor de Anacreonte, á flor que Horacio
- Nos dias festivais engrinaldava?
- Mas tão risonho objecto em demasia
- Apraz aos meus pinceis, cujo destino
- He quadros desenhar mais vigorosos.
- Oh vós, de que eu trilhava o chão florido,
- Bosquesinhos, adeos, adeos, oh prados.
- Attrahe minha attenção o informe aspecto
- Dos rochedos sem regra desparzidos.
- Foi sua alta rudeza em outros tempos
- Banida dos Jardins, onde reinava
- A inérte, semsabor monotonia.
- Mas depois que o Pintor, leis dando nelles,
- Contra acanhado Artifice restaura
- Totalmente o seu jus, emfim se atrevem
- A apossar-se os jardins destes effeitos.
- Por mais graças, porém, que venha dellas,
- Se estas rígidas massas magestosas
- Não offrece o terreno, então debalde,
- Presumpçosa Rival da Natureza,
- A Arte em falsas imagens se apurara.
- Do cume dos Rochedos verdadeiros,
- Da Mãi universal morada inculta,
- Ella escarnece de affectadas penhas,
- Misero aborto de fadiga inutil.
- Aos Campos de Midléton, ás Montanhas
- De Dovedale, te acompanho os passos,
- A ellas, Whateli, comtigo subo.
- Que aprazivel terror me assenhorêa!
- Todos esses rochedos, variando
- Os cimos colossais, arremessados
- Aqui aos Ceos, alli para os abysmos,
- Hum por outro amparados, hum sobre outro,
- E no ar ousadamente alguns suspensos;
- Este em arcada, em torre afeiçoado,
- Aquelle pelo pórtico sombrio
- Deixando perceber ao longe o Polo;
- Além mananciais, aqui regatos
- De limpida corrente, alegre, e mansa,
- Tudo, ah! tudo no espirito revolve
- Os mágicos retiros, que os Poetas
- Cantárão, fabulando. Oh quão ditoso
- Serás se teus jardins afformosêas
- Com estas grandes, alterosas vistas!
- Mas para que a teu quadro bem se ajustem,
- Contra a tôsca energia dos rochedos
- Cumpre de encantador ter a eficacia.
- O encantador he a arte, o encanto os bosques;
- Ella falla, os rochedos eis se assombrão,
- E como que os enfuna a pompa estranha.
- Porém, sua aridez austera ornando,
- Sagaz diversifica os teus plantios.
- Ao cobiçoso espectador offrece
- Das formas, e das côres os contrastes;
- Saião por entre as arvores a espaços
- Os mais bellos rochedos: interrompe
- Summa igualdade, esconde, ou patentêa!
- Variem-se co’as arvores as róchas,
- As arvores co’as róchas se variem.
- Não tens tambem, para formar-lhe a gala
- Não tens do baixo arbusto a folha errante?
- Gósto de ver os dóceis novedios
- Pelos áridos flancos dos penedos
- Em tenrinhos festões ir serpeando;
- Gósto de ver-lhes a escalvada fronte
- Toucar-se de verdura, e ganhar sombras.
- Isto inda he pouco. Hum valle entre estas penhas,
- Hum valle precioso, hum chão mais grato
- Ri-se a teus olhos? Aproveita-o, mostra,
- Expoem esta riqueza inesperada.
- He feliz, singular este contraste,
- He a esterilidade, ella, que hum breve
- Espaço apetecivel de terreno
- Cede á fertilidade: assim subjugas
- O aspérrimo caracter dos rochedos.
- Para agradar-te he força ornallos sempre?
- Não; se a arte deve o horror sempre adoçar-lhes,
- Consente ás vezes que o pavor inspirem,
- Favorece-os até. Na extremidade
- De hum precipicio huma cabana eleva,
- E com ella augmentado elle parece:
- Ponte audaz de hum rochedo a outro lança;
- Eu tremo ao vêllos, e a medonho abysmo
- Imminente me põem a fantasia.
- Lembrão-me esses boatos populares,
- Os casos de perdidos Passageiros,
- D’Amantes despenhados: contos velhos
- Que, prendendo attenção maravilhada,
- Á credula Aldeã serões encurtão;
- E o terror do lugar ajuda a crença.
- Porém com sobriedade usar se deve
- Destes grandes effeitos. A tão duras,
- Tão agras commoções, abalos doces,
- Molle socego o coração prefere:
- Eu exprimento em mim que das montanhas
- Me he preciso baixar aos ledos valles.
- Tenho-os de flores, de arvores coberto:
- Tempo he que á sombra dellas manem agoas.
- Bem: já que os cimos vossos, nus outr’hora,
- Pelas minhas lições estão vestidos
- Tão ricamente, oh róchas, franqueai-me
- As subterraneas, íntimas origens:
- Rios, arroyos, vós, vós, lagos, fontes,
- Vinde, espraiai frescura, e vida em tudo.
- Ah! Que prazer substituir-vos póde?
- Vosso contente, luzidio aspecto
- Se de perto entretem, convida ao longe.
- Sois o primeiro objecto que se busca,
- O ultimo que se deixa. As agoas vossas
- Fertilizando a Terra, o Ceo duplicão.
- Os ouvidos encanta, encanta os olhos
- Vosso cristal, vosso murmùreo. Ah! vinde;
- Dado seja a meus versos, que vos seguem,
- Correr do coração mais tentadores,
- Mais abundantes que o principio vosso;
- Mais leves do que os Zéfyros, que dobrão
- Vossos canaviais; e brandos, puros
- Como esse rumorzinho, essa corrente.
- Tu, senhor destas agoas bemfeitoras,
- Venera-lhe o pendor, té o capricho;
- Nos livres gyros seus vê como abração
- Facilmente das margens os contórnos.
- E ousas, encarcerando-lhe a brandura,
- Os tortuosos passos constranger-lhe!
- De que lhe serve o marmore em que he preza?
- Não vês co’a longa trança entregue aos ventos,
- Sem arte alguma, sem postiço adorno,
- Campestre, prazenteira, ingénua Moça
- Andar, correr, saltar! A graça della
- Está no solto, natural meneio.
- Contempla n’um Serralho a Formosura.
- Ella deslumbra em vão, debalde ostenta
- A pompa oriental, brilho estudado:
- Hum triste não sei que, na face impresso,
- Lhe argue a sujeição, desbota as graças.
- A agoa mantenha a liberdade que ama,
- Ou muda-lhe em belleza o cativeiro.
- Assim, contra Morel, cuja eloquente,
- E ponderosa vóz pleitear soube
- Os direitos da simples Natureza,
- Gósto das agoas, que em canaes opressas,
- Com rápida violencia partem, saltão.
- Ao ver esses cristais, que arte atrevida
- Da Terra faz brotar, e aos ares lança,
- O Homem diz: «eu criei estes portentos:»
- E em tais prestigios a arte sua admira.
- Nos custosos jardins dos Reis, dos Grandes
- Reluzão, pois; mas, outra vez o digo,
- Longe os luxos plebêos, o vergonhoso,
- Mesquinho jácto de agoa, que da Terra
- Mal ousando arredar-se, apenas sóbe,
- E em minima distancia morre logo.
- Tudo a tanta riqueza corresponda;
- Tudo grangêe á roda hum ar de encanto.
- Os olhos persuade, e o pensamento
- De que vara eficaz em mão de Fada
- Formára para a Dona este retiro.
- Tàl eu vi de Saint Cloud o amavel bosque.
- Póde a vista medir do jacto a altura?
- Como que aplaudem tanques, grutas, plantas
- As agoas, que sobre agoas cahem, fervem;
- O ar he mais fresco alli, mais verde a relva,
- Das aves o gorgeio alli se aviva
- Ao som das vitreas ondas, que baquêão;
- E, as rociadas testas inclinando,
- Como que ao doce orvalho os bosques se abrem.
- Não menos bella, mais campestre, e simples
- A cascata ornará lugar mais tosco.
- De longe se ouve, admira-se de perto
- Lympha sempre a cahir, sempre suspensa;
- E vária, e magestosa, anima a hum tempo
- Os rochedos, a terra, agoas, e bosques.
- Emprega, pois, esta arte; porém longe
- Esses tristes degráos, onde, cahindo
- Com movimento igual, medida certa,
- As ondas, bem que vão precipitadas,
- Até no seu furor seus passos contão.
- Só tem jus de aprazer a variedade.
- Goza mais de hum caracter a cascata.
- Ora em tumulto as agoas despenhadas
- No tortuoso leito, correm, cahem,
- Saltão, recahem, e escumão, e esbravêão,
- Ora de espaço desdobrando as ondas,
- Puro, calado, remansinho ameno
- Em azul véo se esparge. Os olhos folgão
- De ver estes gentis Anfiteatros,
- De ver sobre as ceruleas espadanas
- Reflectir, scintilar o oiro diurno;
- Tambem lhe apraz a escuridão das penhas,
- E a verdura das canas, e a espumosa
- Argentea côr das agoas fugidias.
- Consulta, pois, Artifice, os effeitos
- Que intentas produzir. As lymphas, promptas
- Sempre a deixar guiar-se, hão de offrecer-te,
- Quer mais impetuosas, quer mais lentas,
- Quadros benignos, ou soberbos quadros,
- Graves, ou deleitosos: quadros, n’alma
- Sempre efficazes. Que mortal não próva
- A profunda impressão que vem das ondas?
- Sempre, ou viva corrente arrebatada
- Sobre seixos murmure, e ferva, e salte,
- Ou ribeira indolente sobre o lodo
- Em paz alargue as agoas preguiçosas,
- Ou torrente feróz entre penedos
- Quebre com rijo estrondo, alegre, triste
- A sua correnteza excita, applaca,
- Ameaça, ou amima. Escuto á fama
- Que de Vénus o cinto milagroso
- Amores, e desejos incluia,
- E o prazer, e a esperança, precursôra
- De inefaveis delicias. O teu cinto
- He, divina Cybele, he agoa: nella,
- Não menos poderosa, estão complexos
- Terror, perturbação, tristeza, e riso.
- Quem melhor o sentio do que a minha alma?
- Quem o soube melhor? Mil, e mil vezes
- Quando azedos, escuros pezadumes,
- Inda mais pela noite enegrecidos,
- Vinhão martyrizar-me o pensamento,
- Se ouvia os passos de visinho arroyo,
- Demandava estes sons consoladores.
- Das agoas a frescura, a vóz das agoas
- Cuidados, afflicções me adormecião,
- E a paz do coração resuscitava:
- Tanto d’agoa o murmureo n’alma influe!
- Em paga de tão gratos beneficios,
- Sofre, oh ribeiro, que a arte, sem, comtudo,
- Muito se assoberbar, te aformosêe,
- Se he que aformosear-te acaso póde.
- Não quadra a vasto plano hum rio escasso:
- Seu leito incerta linha alli traçára.
- A timida corrente á luz se furta,
- E quer banhar hum bosquezinho escuso.
- Sua doce carreira adorna as selvas,
- Só ellas o namorão. Seus caprichos
- Lá com todo o vagar seguir-se pódem,
- Seus gyros, seu pendor, seu lindo estorvo,
- A cólera, o fervor das bellas ondas,
- Tornadas pelo obstáculo mais bellas.
- Ora num álveo concavo, e sombrio
- Co’a ramada que o cobre, elle recata
- O cabedal agreste, ora presenta
- Em patente canal o espelho á vista:
- Sem vello o escuto, ou sem ouvillo o vejo.
- Alli meigos cristais abração Ilhas,
- Além se torna em dois o leve arroyo,
- Em dois, que nas carreiras competindo,
- Apóstão rapidez, e claridade;
- E ambos depois no leito, que os ajunta
- De andarem par a par murmurão ledos.
- Errando sempre assim, de volta em volta,
- Mudo, loquaz, pacifico, agitado,
- Em mil varios aspectos se renova.
- Mas copiosa ribeira ás frescas margens
- Me está chamando. Em campo mais aberto,
- Nobre, e pomposo quadro, as ondas suas
- Ondas menos modestas, vão rolando,
- E co’ fulgor diurno ao longe brilhão.
- Deixa ao regato seu prazer lascivo,
- A sua agitação, e os seus rodeios;
- E segue caudalosa a curvidade,
- O circuito dos valles sinuosos.
- Se dos bosques o arroyo adorno colhe,
- Ama o rio tambem diversas plantas.
- Quer que lhe ornem, lhe assombrem a corrente,
- Os descorados chôpos, e os salgueiros
- Meios verdes. Que origem tão fecunda
- De scenas, de accidentes! Alli gósto
- De olhar-lhe derrubadas sobre o rio
- As ramas, e tremer ao movimento
- Das agoas, e dos ares; aqui foge
- Por baixo das abobadas virentes
- A onda escurecida; além penetra
- Por entre folha, e folha hum tenue lume,
- Ora as grenhas se embebem na corrente,
- Ora a impede a raiz; e desmandando
- De huma para outra margem a verdura,
- Como que avanção, que outro sitio querem.
- Assim as ondas, e arvores se ajudão,
- A agoa remoça a planta, a planta a enfeita;
- E ambas fazem, ligando-se em mil fórmas,
- Amavel cambio de frescura, e sombra.
- Unillas sabe, pois, ou se em lugares
- Formosos, proprios della, a Natureza
- Já celebrou sem ti este consorcio,
- Respeita-a. Desgraçado o que presume
- Excedella no engenho! He tal (e á mente
- O coração mo traz) tal he o asylo,
- Querido Watelet, onde, amansando,
- Em sombrios canais se parte o Sena,
- O Sena encantador, tão puro, e livre
- Como a tua moral, como os teus dias,
- E visita em segredo o lar de hum Sabio.
- Com arte lhe acudiste, não com arte
- Temeraria, fallaz, profanadora
- Desses lugares que supõe que adorna.
- Viste, amaste, sentiste a Natureza,
- Digno de a ver, de amalla, e de sentilla;
- Tu a trataste como intacta Virgem,
- Que da nudez se corre, e teme o ornato.
- Parece-me, que vejo o falso gosto
- Estragar esses campos feiticeiros:
- «Este moinho, cujo som ruidoso
- Nutre a meditação, he importuno:»
- Dalli o arrancão subito. Estas margens
- Torneadas assim tão brandamente,
- E pelo proprio Sena afeiçoadas,
- Duramente se alinhão. A verdura,
- Que no seu molle cinto o rio encerra,
- Alli já não florece. Agoas queixosas
- Seus lageados cárceres accusão.
- O marmore fastoso a relva ultraja,
- E tosqueadas arvores cativas
- Os idosos salgueiros desapossão
- Da margem linda, e cara. Ah! suspendei-vos:
- Barbaros; acatai esses lugares;
- E vós, oh rio, oh bosques deleitosos,
- Se a vossa formosura hei retratado,
- Se, adolescente ainda, alegres versos
- Ás agoas, prados, sombras já tecia,
- Ministrai longamente, oh rio, oh bosques,
- Ao vosso possessor a doce imagem
- Da paz sagrada que em sua alma reina.
- Quanto na molle agilidade o rio
- De margem angular teme a aspereza,
- Tanto as margens agudas ornamento
- São de estendidos lagos, e o mais bello.
- Ora se avance a Terra ao seio undoso,
- Ora abra ás ondas domicilio fundo.
- Com revezado amor assim se chamem,
- Se busquem mutuamente Agoas, e Terra:
- Nestes varios aspectos folga a vista.
- A comprida extensão n’um lago se ama;
- Da-lhe sitios, comtudo, em que repouse.
- Não se lhe interrompendo a immensidade,
- Meus olhos sem prazer, sem interesse
- Vão pela superficie escorregando.
- Para lhe abreviar o espaço insulso,
- Edificio, das calmas venerado,
- Nas ondas repetido, assome ao longe,
- Ou Ilha que verdeje entre ellas surja:
- As Ilhas são das agoas summo adorno.
- Ou levanta-lhe as margens, ou viçosas
- Arvores, em festões dispersos, ganhem
- Tua contemplação, teus olhos prendão.
- Se queres produzir opposto effeito,
- Se o lago estender queres, manda ás margens
- Mui subidas, que desção, e ou distancia
- Mais arredada os arvoredos tenhão,
- Ou faze com que as agoas vão sumir-se
- N’um denso bosquezinho, e que tornêem
- Ao pé de huma colina. O pensamento
- Por entre estas cortinas de verdura,
- Onde desaparecem, vai seguindo
- As agoas, e as prolonga. Assim teus olhos
- Gozão do que não vem; dest’arte o Gosto
- Lindezas, perfeições confere a tudo;
- E de objectos que inventa, e dos que imita
- Descobre, alonga, aperta, esconde o termo.
- Agora que a Arte o meu trabalho insulta
- Em soberbos jardins, nos meus, ditosos,
- Liberdade, e prazer tudo respira:
- Rindo-se a relva, a seu sabor viceja,
- Independente o bosque, altèa a rama;
- Não temem a tisoira os arvoredos,
- Nem flores a esquadria; amão as ondas
- As margens suas, seu adorno a Terra;
- Tudo he formoso alli, simples, e grande,
- Tudo: esta arte he a tua, oh Natureza.
- Porém o lago, o rio estão desertos,
- De Cidadãos se lhe povôe o seio.
- Dem-se-lhe as aves, que com agil remo
- Alados navegantes, a agoa fendem.
- Nella se pavonêa, e nada o Cysne,
- De vanglorioso cóllo, argêntea pluma,
- O Cysne, a que a Ficção deo vóz tão doce,
- E que escusa das Fabulas o auxilio.
- Tambem não tens para animar as agoas,
- Oh Arte, esse apparato vacilante
- Dos mastros, e das vélas? Impelida
- De remo compassado, a leve barca
- Deixa apenas, fugindo, hum tenue rasto,
- Que logo se esvaece. Entumecido
- Dos Favonios azuis, sussurra o pano,
- E em cada bandeirinha os ares brincão.
- Pois se a Novela, a Fabula, ou a Historia
- Huma fonte, hum ribeiro consagrárão,
- Da sua gloria antiga elles ufanos,
- Assás se aformosêão, se atavião
- Com suaves memorias. Ah! Quem póde,
- Descobrir, encontrar, sem commover-se,
- Arethusa, o Lignon, Alfêo? Quem póde
- Sem cordial saudade olhar Vauclusa?
- Vauclusa, encantamento irresistivel
- Dos Vates, e inda mais dos Amadores,
- No circulo de Montes, que, encurvando
- Sua cadeia, com liquor sadio
- Te alenta a subterranea, doce origem,
- Lá debaixo da abobada nativa,
- Do antro mysterioso, onde, esquivada
- A Nynfa tua aos olhos cubiçosos,
- Sóme em fundo insondavel teu principio,
- Oh quanto me foi grato o ver-te as agoas,
- Que, sempre crystalinas, sempre bellas,
- Ora n’um lago seus thesoiros fechão,
- Ora sobem, fervendo, e lanção fóra
- Ondas, a branquejar por entre as penhas;
- De cascata em cascata ao longe pulão,
- Cahem, e rólão com impeto estrondoso;
- A cólera depois amaciando,
- Por leito mais igual vão docemente;
- E debaixo de Ceos sempre azulados
- Por cem canais fecundão valle ameno,
- Ameno qual nenhum que os Sóes aclárão!
- Mas estes puros Ceos, estas correntes,
- Este delicioso, e pingue valle,
- Menos o coração me penhoravão
- Do que Petrarca, e Laura. Eis (eu dizia,
- Eu dizia a mim mesmo) ah! Eis as margens
- Que a lyra de Petrarca suspirosa
- Outr’hora enfeitiçou! Aqui o Amante
- Via, exprimindo a Laura os seus amores,
- Vir devagar o dia, ir-se depressa.
- Inda sobre estas róchas solitarias,
- Inda, acaso, acharei das cifras de ambos
- Unidos, maviosos caractéres?
- Tocão meus olhos desviada Gruta:
- Ah! dize-me se os vistes venturosos,
- Guarida opáca? (eu pronuncio) Hum tronco
- Toldava encanecido á fonte á margem?
- Laura dormido havia á sombra delle.
- Alli por Laura perguntava aos Ecos,
- E os Ecos o seu nome inda sabião.
- Buscaveis, olhos meus, Petrarca, e Laura
- Em toda a parte, e em toda a parte os vieis.
- Erão já morte, e cinza os dois Amantes,
- Mas inda com seus Manes amorosos
- Mais bello se tornava o sitio bello.
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- FIM DO CANTO TERCEIRO.
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- [Illustração]
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- LES JARDINS, POÈME,
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- CHANT QUATRIEME.
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- Non, je ne puis quitter le spectacle des champs.
- Eh qui dédaigneroit ce sujet de mes chants?
- Il inspiroit Virgile, il séduisoit Homère.
- Homère, qui d’Achille a chanté la colère,
- Qui nous peint la terreur attelant ses coursiers,
- Le vol sifflant des dards, le choc des boucliers,
- Le trident de Neptune ebranlant les murailles,
- Se plait á rappeller au milieu des batailles
- Les bois, les prés, les champs; et de ces frais tableaux
- Les riantes couleurs délassent ses pinceaux.
- Et, lorsque pour Achille il prépare des armes,
- S’il y grave d’abord les siéges, les alarmes,
- Le vainqueur tout poudreux, le vaincu tout sanglant,
- Sa main trace bientôt d’un burin consolant
- La vigne, les troupeaux, les bois, les pâturages.
- Le héros se revêt de ces douces images,
- Part, et porte à travers les affreux bataillons
- L’innocente vendange, et les riches moissons.
- Chantre divin, je laisse à tes muses altières
- Le soin de diriger ces phalanges guerrières;
- Diriger les jardins est mon paisible emploi.
- Déjá le sol docile a reconnu ma loi;
- Des gazons l’ont couvert, et de sa main vermeille
- Flore sur leur tapis a versé sa corbeille.
- Des bois ont couronné les rochers, et les eaux.
- Maintenant, pour jouir de ces brillans tableaux,
- Dans ces champs découverts, sous ces obscures voûtes
- D’agréables sentiers vont me frayer des routes.
- Des scènes á ma voix naitront de toutes parts;
- Pour les orner enfin j’y conduirai les arts,
- Et le ciseau divin, la noble architecture
- Vont de ces lieux charmans achever la parure.
- Les sentiers, de nos pas guides ingénieux,
- Doivent, en les montrant, nous embellir ces lieux.
- Dans vos jardins naissans je défends qu’on les trace.
- Dans vos plants achevés l’œil choisit mieux leur place,
- Vers les plus beaux aspects sachez les diriger.
- Voyez, lorsque vous-même aux yeux de l’étranger
- Vous montrez vos travaux, votre art avec adresse
- Va chercher ce qui plait, évite ce qui blesse,
- Lui découvre en passant des sites enchantés,
- Lui réserve au retour de nouvelles beautés,
- De surprise en surprise, et l’amuse, et l’entraine,
- D’une scène qui nait fait naitre une autre scène,
- Et toujours remplissant ou piquant son desir,
- Souvent, pour l’augmenter, diffère son plaisir.
- Eh bien! que vos sentiers vous imitent vous-même.
- Dans leurs formes encor fuyez tout vain systême,
- Enfant du mauvais goût, par la mode adopté.
- La mode règne aux champs, ainsi qu’-á la cité.
- Quand de leur symmétrique, et pompeuse ordonnance
- Les jardins d’Italie eurent charmé la France,
- Tout de cet art brillant fut prompt á s’éblouir:
- Pas un arbre au cordeau n’osa désobéir;
- Tout s’aligna. Par-tout, en deux rangs étalées,
- S’allongèrent sans fin d’éternelles allées.
- Autre temps, autre goût. Enfin le parc Anglais
- D’une beauté plus libre avertit le François.
- Dès-lors on ne vit plus que lignes ondoyantes,
- Que sentiers tortueux, que routes tournoyantes.
- Lassé d’errer, en vain le terme est devant moi;
- Il faut encor errer, serpenter malgré soi,
- Et, maudissant vingt fois votre importune adresse,
- Suivre sans cesse un but qui recule sans cesse.
- Evitez ces excès; tout excès dure peu.
- De ces sentiers divers chaque genre a son lieu.
- L’un conduit aux aspects dont la grandeur frappante
- De loin fixe mes yeux, et nourrit mon attente.
- L’autre m’égarera dans ces réduits secrets
- Qu’un art mystérieux semble voiler exprés.
- Mais rendez naturel ce Dédale factice.
- Qu’il ait l’air du besoin, et non pas du caprice.
- Que divers accidens rencontrés dans son cours.
- Les bois, les eaux, le sol commandent ces detours.
- Dans leur forme j’exige une heureuse souplesse.
- Des longs alignemens si je hais la tristesse,
- Je hais bien plus encor le cours embarrassé
- D’un sentier qui, pareil á ce serpent blessé,
- En replis convulsifs sans cesse s’entrelace.
- De détours redoublés m’inquiète, me lasse,
- Et, sans variété, brusque, et capricieux,
- Tourmente, et le terrein, et mes pas, et mes yeux.
- Il est des plis heureux, des courbes naturelles
- Dont les champs quelquefois vous offrent des modèles.
- La route de ces chars, la trace des troupeaux,
- Qui d’un pas négligent regagnent les hameaux,
- La bergère indolente, et qui dans les prairies
- Semble suivre au hasard ses tendres rêveries;
- Vous enseignent ces plis mollement onduleux.
- Loin donc de vos sentiers ces contours anguleux.
- Sur-tout, quand vers le but un long détour vous méne:
- Songez que le plaisir doit racheter la peine.
- Des poétes fameux osez imiter l’art.
- Si leur muse en marchant se permet quelque écart,
- Ce détour me rit plus que le chemin lui-même.
- C’est Nisus défendant Euryale qu’il aime,
- C’est au tombeau d’Hector son Andromaque en pleurs.
- Qu’ainsi votre art m’êgare en de douces erreurs.
- Des plus rians objets égayez le passage,
- Et qu’au terme arrivés, votre art nous dédommage
- Par d’aimables aspects, de riches ornemens,
- De ce vivant poéme épisodes charmans.
- Ici, vous m’offrirez des antres verds, et sombres,
- Qu’habitent la fraicheur, le silence, et les ombres.
- L’imagination y devance les yeux.
- Plus loin, c’est un beau lac, qui réfléchit les cieux.
- Tantôt, dans le lointain, confuse, et fugitive,
- Se déploie une immense, et noble perspective.
- Quelquefois un bosquet riant, mais recueilli,
- Par la nature, et vous richement embelli,
- Plein d’ombres, et de fleurs, et d’un luxe champêtre,
- Semble dire: «Arrêtez; où pouvez-vous mieux être»?
- Soudain la scéne change: au lieu de la gaieté,
- C’est la mélancolie, et la tranquillité;
- C’est le calme imposant des lieux où sont nourries
- La méditation, les longues rêveries.
- Lá, l’homme avec son cœur revient s’entretenir,
- Médite le présent, plonge dans l’avenir,
- Songe aux biens, songe aux maux épars dans sa carriére;
- Quelquefois, rejettant ses regards en arriére,
- Se plait á distinguer dans le cercle des jours
- Ce peu d’instans, hélas! et si chers, et si courts,
- Ces fleurs dans un désert, ces tems où le raméne
- Le regret du bonheur, et même de la peine.
- Craignez donc d’imiter ces froids décorateurs
- Qui ne veulent jamais que des objets flatteurs.
- Jamais rien de hardi dans leurs froids paysages:
- Par-tout de frais berceaux, et d’elégans bocages,
- Toujours des fleurs, toujours des festons; c’est toujours
- Ou le temple de Flore, ou celui des Amours.
- Leur gaieté monotone à la fin m’importune.
- Mais vous, osez sortir de la route commune.
- Inventez, hasardez des contrastes heureux;
- Des effets opposés peuvent s’aider entr’eux.
- Imitez le Poussin. Aux fêtes bocagères,
- Il nous peint des bergers, et de jeunes bergères,
- Les bras entrelacés dansant sous des ormeaux,
- Et près d’eux une tombe où sont écrits ces mots:
- _Et moi, je fus aussi pasteur dans l’Arcadie_.
- Ce tableau des plaisirs, du néant de la vie,
- Semble dire: «Mortels, hâtez-vous de jouir;
- Jeux, danses, et bergers, tout va s’évanouir.»
- Et dans l’ame attendrie, á la vive alégresse
- Succéde par dégrés une douce tristesse.
- Imitez ces effets. Dans de rians tableaux
- Ne craignez point d’offrir des urnes, des tombeaux,
- D’offrir de vos douleurs le monument fidèle.
- Eh! qui n’a pas pleuré quelque perte cruelle?
- Loin du monde léger venez donc á vos pleurs,
- Venez associer les bois, les eaux, les fleurs.
- Tout devient un ami pour les ames sensibles:
- Déjá, pour l’embrasser de leurs ombres paisibles,
- Se penchent sur la tombe, objet de vos regrets,
- L’if, le sombre sapin; et toi, triste cyprés,
- Fidéle ami des morts, protecteur de leur cendre.
- Ta tige, chére au cœur mélancolique, et tendre,
- Laisse la joie au myrte, et la gloire au laurier;
- Tu n’es point l’arbre heureux de l’amant, du guerrier,
- Je le sais; mais ton deuil compâtit á nos peines.
- Dans tous ces monumens point de recherches vaines:
- Pouvez-vous allier dans ces objets touchans
- L’art avec la douleur, le luxe avec les champs?
- Sur-tout ne feignez rien. Loin ce cercueil factice,
- Ces urnes sans douleur, que plaça le caprice.
- Loin ces vains monumens d’un chien ou d’un oiseau:
- C’est profaner le deuil, insulter au tombeau.
- Ah! si d’aucun ami vous n’honorez la cendre,
- Voyez sous ces vieux ifs la tombe où vont se rendre
- Ceux qui, courbés pour vous sur des sillons ingrats,
- Au sein de la misére espérent le trépas.
- Rougiriez-vous d’orner leurs humbles sépultures?
- Vous n’y pouvez graver d’illustres aventures,
- Sans doute. Depuis l’aube, oú le coq matinal
- Des rustiques travaux leur donne le signal,
- Jusques á la veillée, ou leur jeune famille
- Environne avec eux le sarment qui pétille,
- Dans les mèmes travaux roulent en paix leurs jours.
- Des guerres, des traités n’en marquent point le cours.
- Naitre, souffrir, mourir, c’est toute leur histoire.
- Mais leur cœur n’est point sourd au bruit de leur mémoire.
- Quel homme vers la vie, au moment du départ,
- Ne se tourne, et ne jette un triste, et long regard,
- A l’espoir d’un regret ne sent pas quelque charme,
- Et des yeux d’un ami n’attend pas une larme?
- Pour consoler leur vie honorez donc leur mort.
- Celui qui, de son rang faisant rougir le sort,
- Servit son Dieu, son Roi, son pays, sa famille,
- Qui grava la pudeur sur le front de sa fille,
- D’une pierre moins brute honorez son tombeau;
- Tracez y ses vertus, et les pleurs du hameau;
- Qu’on y lise: _Ci git le bon fils, le bon père,
- Le bon époux_. Souvent un charme involontaire
- Vers ces enclos sacrés appellera vos yeux.
- Et toi qui vins chanter sous ces arbres pieux,
- Avant de les quitter, Muse, que ta guirlande
- Demeure á leurs rameaux suspendue en offrande.
- Que d’autres dans leurs vers célébrent la beauté;
- Que leur Muse, toujours ivre de volupté,
- Ne se montre jamais qu’un myrte sur la tête,
- Qu’avec ses chants de joie, et ses habits de fête;
- Toi, tu dis au tombeau des chants consolateurs,
- Et ta main la premiére y jetta quelques fleurs.
- Revenons, il est temps, sous de plus gais ombrages.
- L’architecture encore au fond de ces bocages
- M’attend, pour les orner d’édifices charmans.
- Ce ne sont plus du deuil les tristes monumens;
- Ce sont d’heureux réduits, qui parmi la verdure
- Offrent sous mille aspects leur riante parure.
- Mais j’en permets l’usage, et j’en proscris l’abus.
- Bannissez des jardins tout cet amas confus
- D’edifices divers, prodigués par la mode,
- Obélisque, rotonde, et kiosk, et pagode,
- Ces bâtimens Romains, Grecs, Arabes, Chinois,
- Chaos d’architecture, et sans but, et sans choix,
- Dont la profusion stérilement féconde
- Enferme en un jardin les quatre parts du monde.
- N’y cherchez pas non plus un oisif ornement,
- Et sous l’utilité déguisez l’agrément.
- La ferme, le trésor, le plaisir de son maitre,
- Réclamera d’abord sa parure champêtre.
- Que l’orgueilleux château ne la dédaigne pas;
- Il lui doit sa richesse; et ses simples appas
- L’emportent sur son luxe, autant que l’art d’Armide
- Céde au souris naif d’une vierge timide.
- La ferme! A ce seul nom les moissons, les vergers,
- Le régne pastoral, les doux soins des bergers,
- Ces biens de l’âge d’or, dont l’image chérie
- Plut tant á mon enfance, âge d’or de la vie,
- Réveillent dans mon cœur mille regrets touchans.
- Venez; de vos oiseaux j’entends déja les chants;
- J’entends rouler les chars qui trainent l’abondance,
- Et le bruit des fléaux qui tombent en cadence.
- Ornez donc ce séjour. Mais, absurde á grands frais,
- N’allez paz ériger une ferme en palais.
- Elégante á la fois, et simple dans son style,
- La ferme est aux jardins cequ’aux vers est l’Idylle.
- Ah! par les dieux des champs, que le luxe effronté
- De ce modeste lieu soit toujours rejetté.
- N’allez pas déguiser vos pressoirs, et vos granges.
- Je veux voir l’appareil des moissons, des vendanges.
- Que le crible, le van, où le froment doré
- Bondit avec la paille, et retombe épuré,
- La herse, les traineaux, tout l’attirail champêtre
- Sans honte à mes regards osent ici paroître.
- Sur-tout, des animaux que le tableau mouvant
- Au-dedans, au-dehors lui donne un air vivant.
- Ce n’est plus du château la parure stérile,
- La grace inanimée, et la pompe immobile:
- Tout vit, tout est peuplé dans ces murs, sous ces toits.
- Que d’oiseaux différens, et d’instinct, et de voix,
- Habitants sous l’ardoise, ou la tuile, ou le chaume,
- Famille, nation, république, royaume,
- M’occupent de leurs mœurs, m’amusent de leurs jeux!
- A leur tête est le coq, père, amant, chef heureux,
- Qui, roi sans tyrannie, et sultan sans mollesse,
- A son sérail ailé prodiguant sa tendresse,
- Aux droits de la valeur joint ceux de la beauté,
- Commande avec douceur, caresse avec fierté,
- Et fait pour les plaisirs, et l’empire, et la gloire,
- Aime, combat, triomphe, et chante sa victoire.
- Vous aimerez á voir leurs jeux, et leurs combats,
- Leurs haines, leurs amours, et jusqu’á leurs repas.
- La corbeille á la main, la sage ménagére
- A peine a reparu; la nation légére
- Du sommet de ses tours, du penchaut de ses toits
- En tourbillons bruyans descend toute á la fois:
- La foule avide en cercle autour d’elle se presse;
- D’autres, toujours chassés, et revenant sans cesse,
- Assiégent la corbeille, et jusques dans la main,
- Parasites hardis, viennent ravir le grain.
- Soignez donc, protégez ce peuple domestique.
- Que leur logis soit sain, et non pas magnifique.
- Que lui font des réduits richement décorés,
- Le marbre des bassins, les grillages dorés?
- Un seul grain de millet leur plairoit davantage.
- La Fontaine l’a dit. O véritable sage!
- La Fontaine, c’est toi qu’il faudroit en ces lieux;
- Chantre heureux de l’instinct, ils t’inspireroient mieux.
- Le paon, fier d’étaler l’iris qui le décore,
- Du dindon rengorgé l’orgueil plus sot encore,
- Pourroient á nos dépens égayer ton pinceau.
- Lá, de tes deux pigeons tu verrois le tableau,
- Et deux coqs amoureux, á la discorde en proie,
- Te feroient dire encore: «Amour, tu perdis Troie»!
- Ainsi nous plait la ferme, et son air animé.
- Dans cet autre réduit, quel peuple renfermé
- De ses cris inconnus a frappé mes oreilles?
- Lá, sont des animaux, étrangères merveilles,
- Lá, dans un doux exil vivent emprisonnés
- Quadrupèdes, oiseaux, l’un de l’autre étonnés.
- N’allez point rechercher les espèces bizarres.
- Préférez les plus beaux, et non pas les plus rares.
- Offrez-nous ces oiseaux qui, nés sous d’autres cieux,
- Favoris du soleil, brillent de tous ses feux,
- L’or pourpré du faisan, l’émail de la pintade.
- Logez plus richement ces oiseaux de parade;
- Eux-mêmes sont un luxe, et puisque leur beauté
- Rachette á vos regards leur inutilité,
- De ces captifs brillans que les prisons soient belles.
- Sur tout, ne m’offrez point ces animaux rebelles,
- De qui l’orgueil s’indigne, et languit dans nos fers.
- Eh! quel œil sans regret peut voir le roi des airs,
- L’aigle, qui se jouoit au milieu de l’orage,
- Oublier aujourd’hui dans une indigne cage
- La fierté de son vol, et l’eclair de ses yeux?
- Rendez-lui le soleil, et la voûte des cieux:
- Un être degradé ne peut jamais nous plaire.
- Mais tandis qu’etalant leur parure etrangère,
- Ces hôtes differens semblent briguer mon choix,
- Mon odorat charmé m’appelle sous ces toits
- Ou, de même exilés, et ravis á leur terre,
- D’etrangers vegetaux habitent sous le verre.
- Entourez d’un air doux ces frêles nourrissons.
- Mais, vainqueur des climats, respectez les saisons;
- Ne forcez point d’eclore, au sein de la froidure,
- Des biens qu’à d’autres temps destinoit la nature.
- Laissez aux lieux fletris par des hivers constans
- Ces fruits d’un faux eté, ces fleurs d’un faux printemps;
- Et lorsque le soleil va mûrir vos richesses,
- Sans forcer ses presens, attendez ses largesses.
- Mais j’aime á voir ces toits, ces abris transparens
- Receler des climats les tributs differens,
- Cet asyle enhardir le jasmin d’Iberie,
- La pervanche frileuse oublier sa patrie,
- Et le jeune ananas par ces chaleurs trompé
- Vous livrer de son fruit le trésor usurpé.
- Motivez donc toujours vos divers edifices,
- Des animaux, des fleurs agréables hospices.
- Combien d’autres encore, adoptés par les lieux,
- Approuvés par le goût, peuvent charmer nos yeux!
- Sous ces saules, que baigne une onde salutaire,
- Je placerois du bain l’asyle solitaire.
- Plus loin, une cabane où regne la fraicheur,
- Offriroit les filets, et la ligne au pêcheur.
- Vous voyez de ce bois la douce solitude;
- J’y consacre un asyle aux Muses, á l’etude.
- Dans ce majestueux, et long enfoncement
- J’ordonne un obelisque, auguste monument.
- Il s’elève, et j’ecris sur la pierre attendrie:
- _A nos braves Marins, mourans pour la Patrie_.
- Ainsi vos bâtimens, vos asyles divers
- Ne seront point oisifs, ne seront point deserts.
- Au site assortissez leur figure, leur masse.
- Que chacun avec goût etabli dans sa place,
- Jamais trop resserré, jamais trop etendu,
- N’eclipse point la scene, et n’y soit point perdu.
- Sachez ce qui convient, ou nuit au caractere.
- Un reduit ecarte dans un lieu solitaire
- Peint mieux la solitude encore, et l’abandon.
- Montrez-vous donc fidele á chaque expression.
- N’allez pas au grand jour offrir un hermitage,
- Ne cachez point un temple au fond d’un bois sauvage;
- Un temple veut paroitre au penchant d’un côteau.
- Son site aerien repand dans le tableau
- L’eclat, la majesté, le mouvement, la vie.
- Je crois voir un aspect de la belle Ausonie.
- Telle est des bâtimens la grace, et la beauté.
- Mais de ces monumens la brillante gaieté,
- Et leur luxe moderne, et leur fraiche jeunesse,
- Des antiques debris valent-ils la vieillesse?
- L’aspect désordonné de ces grands corps épars,
- Leur forme pittoresque attache les regards.
- Par eux le cours des ans est marqué sur la terre.
- Détruits par les volcans, ou l’orage, ou la guerre,
- Ils instruisent toujours, consolent quelquefois.
- Ces masses que du temps sentent aussi le poids,
- Enseignent à céder à ce commun ravage,
- A pardonner au sort. Telle jadis Carthage
- Vit sur ses murs détruits Marius malheureux,
- Et ces deux grands débris se consoloient entr’eux,
- Liez donc á vos plans ces vénérables restes.
- Et toi, qui m’égarant dans ces sites agrestes,
- Bien loin des lieux frayés, des vulgaires chemins,
- Par des sentiers nouveaux guides l’art des jardins,
- O sœur de la Peinture, aimable Poésie,
- A ces vieux monumens viens redonner la vie:
- Viens présenter au goût ces riches accidens,
- Que de ses lentes mains a dessinés le temps.
- Tantôt, c’est une antique, et modeste chapelle.
- Saint asyle, ou jadis dans la saison nouvelle,
- Vierges, femmes, enfans, sur un rustique autel
- Venoient pour les moissons implorer l’Eternel.
- Un long respect consacre encore ces ruines.
- Tantôt, c’est un vieux fort, qui, du haut des collines,
- Tyran de la contrée, effroi de ses vassaux,
- Portoit jusques au ciel l’orgueil de ses creneaux;
- Qui, dans ces temps affreux de discorde, et d’alarmes,
- Vit les grands coups de lance, et les nobles faits d’armes
- De nos preux Chevaliers, des Baiards, des Henris;
- Aujourd’hui la moisson flotte sur ses débris.
- Ces débris, cette mâle, et triste architecture,
- Qu’environne une fraiche, et riante verdure,
- Ces angles, ces glacis, ces vieux restes de tours,
- Où l’oiseau couve en paix le fruit de ses amours,
- Et ces troupeaux peuplant ces enceintes guerrières,
- Et l’enfant qui se joue où combattoient ses pères;
- Saisissez ce contraste, et déployez aux yeux
- Ce tableau doux, et fier, champêtre, et belliqueux.
- Plus loin, une abbaye antique, abandonnée,
- Tout-á-coup s’offre aux yeux de bois environnée.
- Quel silence! C’est lá qu’amante du désert
- La méditation avec plaisir se perd
- Sous ces portiques saints, où des vierges austéres,
- Jadis, comme ces feux, ces lampes solitaires,
- Dont les mornes clartés veillent dans le saint lieu,
- Pâles, veilloient, brûloient, se consumoient pour Dieu.
- Le saint recueillement, la paisible innocence
- Semble encor de ces lieux habiter le silence.
- La mousse de ces murs, ce dôme, cette tour,
- Les arcs de ce long cloitre impénétrable au jour,
- Les dégrés de l’autel usés par la prière,
- Ces noirs vitraux, ce sombre, et profond sanctuaire,
- Où peut-être des cœurs en secret malheureux
- A l’inflexible autel se plaignoient de leurs nœuds,
- Et pour des souvenirs encor trop pleins de charmes,
- A la religion déroboient quelques larmes;
- Tout parle, tout émeut dans ce séjour sacré.
- Lá, dans la solitude en rêvant égaré,
- Quelquefois vous croirez, au déclin d’un jour sombre,
- D’une Héloise en pleurs entendre gémir l’ombre.
- Mettez donc á profit ces restes précieux,
- Augustes ou touchans, profanes ou pieux.
- Mais loin ces monumens dont la ruine feinte
- Imite mal du temps l’inimitable empreinte,
- Tous ces temples anciens récemment contrefaits,
- Ces restes d’un château qui n’exista jamais,
- Ces vieux ponts nés d’hier, et cette tour gothique
- Ayant l’air délabré, sans avoir l’air antique,
- Artifice á la fois impuissant, et grossier.
- Je crois voir cet enfant tristement grimacier,
- Qui, jouant la vieillesse, et ridant son visage,
- Perd, sans paroitre vieux, les graces du jeune âge.
- Mais un débris réel intéresse mes yeux,
- Jadis contemporain de nos simples aieux,
- J’aime á l’interroger, je me plais á le croire.
- Des peuples, et des temps il me redit l’histoire.
- Plus ces temps sont fameux, plus ces peuples sont grands,
- Et plus j’admirerai ces restes imposans.
- O champs de l’Italie! ô campagnes de Rome,
- Ou dans tout son orgueil git le néant de l’homme!
- C’est lá que des débris fameux par de grands noms,
- Pleins de grands souvenirs, et de hautes leçons,
- Vous offrent ces aspects, trésors des paysages.
- Voyez de toutes parts, comme le cours des âges
- Dispersant, déchirant de précieux lambeaux,
- Jettant temple sur temple, et tombeaux sur tombeaux,
- De Rome étale au loin la ruine immortelle;
- Ces portiques, ces arcs, où la pierre fidelle
- Garde du peuple-roi les exploits éclatans;
- Leur masse indestructible a fatigué le temps.
- Des fleuves suspendus ici mugissoit l’onde;
- Sous ces portes passoient les dépouilles du monde;
- Par-tout confusément dans la poussière épars,
- Les thermes, les palais, les tombeaux des Césars,
- Tandis que de Virgile, et d’Ovide, et d’Horace,
- La douce illusion nous montre encor la trace.
- Heureux, cent fois heureux l’artiste des jardins,
- Dont l’art peut s’emparer de ces restes divins!
- Déjá la main du temps sourdement le seconde;
- Déjá sur les grandeurs de ces maitres du monde
- La nature se plait á reprendre ses droits.
- Au lieu même ou Pompée, heureux vainqueur des Rois,
- Etaloit tant de faste, ainsi qu’aux jours d’Evandre,
- La flute des bergers revient se faire entendre.
- Voyez rire ces champs au laboureur rendus,
- Sur ces combles tremblans ces chevreaux suspendus,
- L’orgueilleux obélisque au loin couché sur l’herbe,
- L’humble ronce embrassant la colonne superbe;
- Ces forêts d’arbrisseaux, de plantes, de buissons,
- Montant, tombant en grappe, en touffes, en festons;
- Par le souffle des vents semés sur ces ruines,
- Le figuier, l’olivier, de leurs foibles racines
- Achèvent d’ebranler l’ouvrage des Romains;
- Et la vigne flexible, et le lierre aux cent mains,
- Autour de ces débris rampant avec souplesse,
- Semblent vouloir cacher, ou parer leur vieillesse.
- Que si vous n’avez pas ces restes renommés,
- N’avez-vous pas du moins ces bronzes animés,
- Et ces membres vivans, déités des vieux âges,
- Où l’art seul fut divin, et força les hommages?
- Je sais qu’un goût sévère a voulu des jardins
- Exiler tous ces dieux des Grecs, et des Romains.
- Et pourquoi? Dans Athène, et dans Rome nourrie,
- Notre enfance a connu leur riante Féerie.
- Ces dieux n’étoient-ils pas laboureurs, et bergers?
- Pourquoi donc leur fermer vos bois, et vos vergers?
- Sans Pomone, vos fruits oseront-ils éclore?
- De l’empire des fleurs pouvez-vous chasser Flore?
- Ah! que ces dieux toujours enchantent nos regards!
- L’idolâtrie encore est le culte des arts.
- Mais que l’art soit parfait; loin des jardins qu’on chasse
- Ces dieux sans majesté, ces déesses sans grace.
- A chaque déité choisissez son vrai lieu.
- Qu’un dieu n’usurpe pas les droits d’un autre dieu.
- Laissez Pan dans les bois. D’où vient que ces Naiades,
- Que ces Tritons à sec se mêlent aux Dryades?
- Pourquoi ce Nil en vain couronné de roseaux,
- Et dont l’urne poudreuse est l’abri des oiseaux?
- Otez-moi ces lions, et ces tigres sauvages:
- Ces monstres me font peur, même dans leurs images,
- Et ces tristes Césars, cent fois plus monstres qu’eux,
- Aux portes des bosquets sentinelles affreux,
- Qui tout hideux encor de soupçons, et de crimes,
- Semblent encor de l’œil désigner leurs victimes.
- De quel droit s’offrent-ils dans ce riant séjour?
- Montrez-moi des mortels plus chers á notre amour.
- En des lieux consacrés á leur apothéose,
- Créez un Elysée où leur ombre repose.
- Loin des profanes yeux, dans des vallons couverts
- De lauriers odorans, de myrtes toujours verds,
- En marbre de Paros offrez-nous leurs images.
- Qu’une eau lente se plaise á baigner ces bocages,
- Et qu’aux ombres du soir mêlant un jour douteux,
- Diane aux doux rayons soit l’astre de ces lieux.
- Leur tranquille beauté, sous ces dais de verdure
- De ces marbres cheris la blancheur tendre, et pure,
- Ces grands hommes, leur calme, et simple majesté,
- Cette eau silencieuse, image du Léthé,
- Qui semble pour leurs cœurs, exempts d’inquiétude,
- Rouler l’oubli des maux, et de l’ingratitude,
- Ces bois, ce jour mourant sous leur ombrage épais,
- Tout des manes heureux y respire la paix.
- Vous donc, n’y consacrez que des vertus tranquilles.
- Loin tous ces conquérans en ravages fertiles:
- Comme ils troubloient le monde, ils troubleroient ces lieux.
- Placez-y les amis des hommes, et des dieux,
- Ceux de qui les bienfaits vivent dans la mémoire,
- Ces rois dont leurs sujets n’ont point pleuré la gloire;
- Montrez-y Fénelon á notre œil attendri;
- Que Sully s’y relève embrassé par Henri.
- Donnez des fleurs, donnez; j’en couvrirai ces sages
- Qui, dans un noble exil, sur de lointains rivages
- Cherchoient, ou répandoient les arts consolateurs;
- Toi sur-tout, brave Cook, qui, cher á tous les cœurs,
- Unis par les regrets la France, et l’Angleterre;
- Toi qui, dans ces climats où le bruit du tonnerre
- Nous annonçoit jadis, Triptolème nouveau,
- Apportois le coursier, la brebis, le taureau,
- Le soc cultivateur, les arts de ta patrie,
- Et des brigands d’Europe expiois la furie.
- Ta voile en arrivant leur annonçoit la paix,
- Et ta voile en partant leur laissoit des bienfaits.
- Reçois donc ce tribut d’un enfant de la France.
- Et que fait son pays á ma reconnoissance?
- Ses vertus en ont fait notre concitoyen.
- Imitons notre Roi, digne d’être le sien.
- Hélas! de quoi lui sert que deux fois son audace
- Ait vu des cieux brûlans, fendu des mers de glace;
- Que, des peuples, des vents, des ondes révéré,
- Seul sur les vastes mers son vaisseau fût sacré;
-
- Que pour lui seul la guerre oubliat ses ravages?
- L’ami du monde, helas! meurt en proie aux sauvages.
- Vous qui pleurez sa mort, fiers enfants d’Albion,
- Imitez, il est tems, sa noble ambition.
- Pourquoi dans vos égaux cherchez-vous des esclaves?
- Portez leur des bienfaits, et non pas des entraves.
- Le front ceint de lauriers cueillis par les François,
- La victoire aujourd’hui sollicite la paix.
- Descends, aimable paix, si long-temps attendue,
- Descends; que ta présence á l’univers rendue,
- Embellisse les lieux qu’ont célébré mes vers;
- Viens; forme un peuple heureux de cent peuples divers.
- Rends l’abondance aux champs, rend le commerce aux ondes,
- Et la vie aux beaux arts, et le calme aux deux mondes.
-
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- FIN DU QUATRIEME CHANT.
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- [Illustração]
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- OS JARDINS, POEMA.
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- CANTO QUARTO.
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- Dos campos o espectáculo não posso,
- Não posso abandonar; e quem se affoita
- A ter em pouco o objecto de meus cantos?
- Elle inspirava de Virgilio a Musa,
- Seduzia a de Homero. Homero, aquelle
- Que de Achiles cantou a horrivel sanha,
- Que nos pinta o Terror jungindo os Brutos,
- No dardo voador silvando a Morte,
- O embate dos escudos, o tridente
- Do equóreo Numen abalando as torres;
- Esse Vate immortal, de Esmyrna o Cysne
- Se apraz de matizar o horror da Guerra
- Com bosques, prados, montes: na frescura,
- No riso destes quadros tão suaves
- Desafoga os pinceis; e quando apresta
- De Thetis para o Filho arnez terrivel,
- Se os combates, e os sitios nelle grava,
- Se mostra o Vencedor de pó coberto,
- Se apresenta o Vencido envolto em sangue,
- Buril afagador depois movendo,
- Traça a vinha, os rebanhos, selvas, pastos.
- Vestido o Heróe destas imagens doces,
- Parte, e leva por entre horrendas Turmas
- A innocente vindima, e ricas messes.
- A teu estro sempar, Cantor divino,
- Cabe reger as marciais Phalanges:
- He reger os jardins meu brando emprego.
- Já minhas leis conhece a dócil Terra:
- Ei-la relvosa; no tapete alegre
- A Mãi das flores lhe entornou seus mimos,
- E arvoredos croárão rochas, agoas.
- Para gozar destes brilhantes quadros,
- Agora em campos, que discorre a vista,
- E por baixo de abobadas escuras,
- Gratos caminhos abrirei. Mil scenas
- Criará minha vóz por toda a parte;
- As artes guiarei para adornallas:
- E o divino Cinzel, e a Architectura
- Nobre, insigne, hão de emfim destes lugares
- Encantadores completar o ornato.
- De nossos passos engenhosas guias,
- Aos olhos os jardins patenteando,
- As ruas devem, pois, agraciallos.
- Nos recentes, porém, não se abrão ruas,
- Nas findas plantações melhor se escolhem.
- Aos mais lindos aspectos as dirige.
- Repara como, se aos Estranhos mostras
- Do teu trabalho os fructos, como destro
- Buscas o bello, o que não presta evitas;
- Sitios formosos, ao passar, lhe apontas,
- Lhe guardas para a volta outras bellezas,
- O prendes, o entretens de pasmo em pasmo,
- Em scena que nascer faz outra scena;
- E assim satisfazendo, ou provocando
- Sempre os desejos seus, não poucas vezes
- Retardas seu prazer para espertallo.
- Os teus passeios a ti proprio imitem.
- Foge, foge, tambem, nas fórmas delles
- Os filhos do máo Gosto, os vãos systemas,
- Pela moda abraçados. Lá no campo,
- Como cá na Cidade, a móda reina.
- Quando a ordem symmetrica, e pomposa
- De Italicos Jardins luzio na França,
- Tudo se deslumbrou, cegou-se tudo
- Com esta arte fulgente. Huma só planta
- Não negou ao cordel obediencia:
- Em toda a parte se alinhárão todas;
- De hum lado, e de outro lado enfileiradas,
- Alamedas eternas se estendêrão,
- Veio outro tempo emfim, veio outro gosto.
- De bellezas mais livres avisárão
- Aos Francezes Jardins Jardins Britannos.
- Só linhas ondeantes, e passeios
- Só tortuosos desde então se virão.
- Farto de vaguear, debalde o termo
- Está fronteiro a mim: cumpre que ainda,
- Cumpre que, a meu despeito, erre, serpêe;
- Que, importuno artificio praguejando
- Mil, e mil vezes, sem cessar procure
- Hum fim, que sem cessar de mim se aparta.
- Isto evita: os excessos durão pouco.
- Destes varios caminhos cada especie
- Tem seu lugar. Hum me conduz a vistas
- Pasmosas, que de longe os olhos fixão,
- Nutrem a expectação; outro me sóme
- Nessas mudas estancias, que parece
- A algum fim, de proposito, velára
- Arte mysteriosa; mas tornemos
- Natural o facticio labyrintho,
- E não capricho, precisão se antolhe.
- Diversos accidentes, encontrados
- Pelo caminho seu; agoas, e bosques,
- Como igualmente o chão, devem regello.
- Se quero huma feliz docilidade
- Na fórma sua, se a tristeza odeio,
- E insipidez de alinhamentos longos,
- Mais detesto hum passeio embaraçado,
- Que, de ferida serpe á semelhança,
- Em convulsivas rôscas se entrelaça,
- Com gyros duplicados cansa, enjoa,
- E ríspido, uniforme, caprichoso,
- O terreno atormenta, e passos, e olhos.
- Ha curvas naturais, ha torcicólos,
- De que ás vezes os campos dão modelo.
- Do carro a roda, a pista dos rebanhos,
- Que em passo negligente a Aldêa buscão;
- A Pastorinha, que, no prado abstracta,
- Vai talvez entretendo a fantasia
- Em visões amorosas: isto ensina
- Rodeios mollemente volteados.
- Longe, pois, os contornos angulares,
- Longe de teus passeios, mais ainda
- Quando ao fim te encaminha hum longo gyro.
- Co’ prazer galardôe-se a fadiga.
- A arte se imite dos Poetas grandes;
- Releva, que ouses tanto. Se alta Musa,
- Andando, algum desvio a si permitte,
- Mais que o caminho a digressão me agrada.
- Niso o seu doce Euríalo defende,
- No sepulcro de Heitor a Esposa geme.
- Assim teu artificio me extravie
- Por gratas illusões, assim me alegre
- Com risonhos objectos a passagem;
- Tocando o termo, indemnisado eu fique
- Da extensão que soffri, meus olhos gozem
- Aspectos singulares, episodios
- De vivente Poema. Além me chamão
- Verdes, propicias grutas, onde sempre
- A frescura, o silencio, as sombras morão.
- O pensamento alli precede aos olhos.
- Mais longe vitreo lago o Ceo reflecte,
- E confusa acolá, como fugindo,
- Assoma perspectiva immensa, e nobre.
- Ás vezes bosquezinho alegre, ameno,
- Mas em si recolhido, e ricamente
- Por ti, e a Natureza adereçado,
- De flores, e de sombras abundante,
- Parece que te diz: «detem-te: ah! onde
- Podes estar melhor?» Sùbito a scena
- Se altera: eis em lugar de gosto, e riso
- Paz, e melancolia, eis o repouso,
- Eis a grave mudez, onde se embebe,
- Onde a meditação se alonga, e pasce.
- Lá com seu coração conversa o Homem,
- Attenta no presente, entra o futuro,
- Da carreira vital nos males pensa,
- Pensa nos bens, e recuando a vista
- Ao tempo que voou, se apraz ás vezes
- De perceber no circulo dos dias
- Esses poucos instantes, ai! Tão caros,
- Tão curtos! Essas flores n’um deserto,
- Essas quadras da vida, a que lhe apontão
- Saudades do prazer, e até da magoa.
- Teme, pois, imitar os que atavião
- Friamente os jardins, os que só querem
- Objectos festivais, e lisonjeiros.
- Nada em suas paizagens he sublime,
- Nada atrevido: tudo são latadas,
- Tudo elegantes bosques: sempre flores,
- Sempre o Templo de Flora, ou dos Amores:
- A alegria monótona aborrece.
- Sahe tu desta commum, cansada trilha;
- Contrastes imagina interessantes,
- E affoito os aventura. Entre si podem
- Encontrados effeitos soccorrer-se.
- Eia, segue o Poussin. Elle apresenta
- Em campestre festejo alvas Serranas,
- Robustos Aldeãos, bailando á sombra
- Dos ulmeiros frondosos, e alli perto
- Impressas vozes taes sobre hum sepulcro:
- Já fui, já fui tambem Pastor da Arcadia
- Este painel dos gostos voadores,
- Do nada da Existencia, está dizendo,
- Ou parece que diz: «Mortais, cuidemos
- Em lograr, tudo vai desvanecer-se;
- Jogos, danças, Pastores.» Dentro n’alma
- Ao jubilo vivaz, alvoroçado
- Mansa tristeza por degráos succede.
- Imita estes effeitos. Não receies
- Em quadros ledos pôr sepulcros, e urnas,
- Monumento fiel das magoas tuas.
- Ah! Quem não tem chorado alguma perda
- Rigorosa, cruel! Eia, associa,
- Longe do Mundo leviano, e cego,
- Os bosques, agoas, flores com teu pranto.
- Vem hum amigo em tudo Almas sensiveis
- Já co’as sombras pacificas se curvão
- Para abraçar a campa, onde suspiras,
- O Teixo, o agudo Pinho, e tu, Cipreste,
- Das cinzas protector, leal aos Mortos.
- Teus ramos, que affeiçoão genios tristes,
- Deixão a gloria, o gosto ao Loiro, ao Myrto;
- Do Guerreiro, do Amante a venturosa
- Arvore tu não es, porém teu luto
- Compadece-se, e diz co’as nossas penas.
- Em todos estes monumentos nada,
- Nada de apuros vãos. Aliar pódes
- Acaso, ante estes lugubres objectos
- A arte co’a dor, e co’á riqueza os campos?
- Longe principalmente o fingimento,
- Longe tumulo falso, urnas sem magoa,
- Que o capricho formou; longe as estatuas
- De animal ladrador, de ave nocturna:
- Isso profana o luto, insulta as cinzas.
- Ah! Se as de algum amigo alli não honras,
- De envelhecidos Teixos lá debaixo
- Não vês a sepultura onde esconder-se
- Hão de ir aquelles, que, por ti curvados,
- Por ti suando sobre ingratos sulcos,
- No seio da indigencia a morte esperão?
- Pejo de ornar-lhes o sepulcro humilde
- Terás acaso! He certo, que não pódes
- Gravar illustres aventuras nelle
- Desde o incerto crepusculo, em que os chama
- Ave madrugadora a seus trabalhos,
- Té ao serão em que a familia tenra
- Com elles vai sentar-se ao lar, que estala,
- Em paz, e em lida igual seus dias correm.
- Nem guerras, nem tratados os distinguem:
- Nascer, soffrer, morrer, eis sua historia.
- Mas o seu coração ah! não he surdo
- Da memoria ao rumor. E qual dos Homens
- No momento fatal da ausencia eterna,
- Qual se não volve, e tristemente alonga
- A vista pelos campos da Existencia?
- Não tem na idéa de deixar saudades
- Algum gosto, e dos olhos de hum amigo
- Não espera huma lagrima? Epitafios
- Para adoçar-lhe a vida, a morte lhe honrem.
- Aquelle, que, maior do que a Fortuna,
- Servio seu Deos, seu Rei, familia, patria,
- E o pudor imprimio no rosto á filha,
- Merece que de pedra menos bruta
- A campa se lhe dê: suas virtudes
- Contem-se alli, e as lagrimas da Aldêa;
- Gravem-lhe sobre a lousa: «aqui descansa
- O bom filho, o bom pai, e o bom consorte.»
- Encanto involuntario ha de mil vezes
- Teus olhos attrahir ao sacro sitio.
- E tu, que estás cantando, antes carpindo,
- Debaixo destas Arvores piedosas,
- Tu, primeiro que as deixes, Musa minha,
- Suspende em oblação tua grinalda
- Na rama veneravel. Muito embora
- Outrem celébre em verso a Formosura;
- Nos gostos engolfada a Musa de outrem
- Da cabeça jámais deponha o myrto;
- Télas trajando, fulgurantes de oiro,
- Só da meiga alegria entôe os hymnos:
- Verso consolador tu dás ás cinzas,
- E primeiro que as outras a mão tua
- Algumas flores sobre as campas sólta.
- Para baixo de sombras prazenteiras
- Voltemos, que he já tempo. A Architectura
- Em selvoso lugar inda me espera
- Para adornallo de edificios bellos.
- Já não do luto os monumentos tristes,
- Mais eis gostosos sitios, que em mil faces
- Entre a verdura seu primor offertão.
- O uso, porém, lhe approvo, e tolho o abuso.
- Desterra dos jardins montão sem ordem,
- De edificios diversos, essa pompa
- De perdulária moda: os Obeliscos,
- Rotundas, e Kioskos, e Pagodes;
- Esses cáhos de ingrata Architectura,
- Romanos, Gregos, Arabes, Chinezes;
- Esterilmente profusão fecunda,
- Que o mundo inteiro n’um jardim concentra.
- Não procures tambem ocioso ornato,
- Antes disfarça em util o aprazivel.
- De seu Senhor thesoiro, e seu recreio,
- A Herdade exige campezino adorno.
- Lares que sobre o campo ergueo o Orgulho,
- Magnifico Solar não a desdenhe;
- As riquezas lhe deve, e delle ao fausto
- Sobresahe tanto a singeleza della,
- Quanto de Armida aos artificios todos
- Sorriso ingénuo de acanhada Virgem.
- A Herdade! A este nome Hortos, colheitas,
- O pastoril Reinado, o emprego doce,
- Os innocentes bens dos aureos tempos,
- Cujas meigas imagens enfeitição
- A infancia, que he na vida a idade de oiro,
- E tanto a infancia minha enfeitiçárão;
- Isto, ah! Isto, que idéas, que saudades
- Dentro do coração me não desperta!
- Vem, já das aves tuas oiço o canto;
- Já chião carros, da abundancia ao peso,
- Que as tulhas te demandão, e a compasso
- Cahe o instrumento que debulha os milhos.
- Orna, pois, o teu predio, mas com tanto
- Que, pródigo, em palacio o não convertas.
- Por seu caracter simples, e elegante
- Entre os Jardins, ou Quintas he a Herdade
- O mesmo que entre os versos he o Idyllio.
- Pelos Numes dos campos, ah! desvia
- O luxo audaz deste lugar modesto,
- Desvia-o sempre; de occultar não trates
- Nem os lagares teus, nem teus celeiros;
- Ver quero o trem das ceifas, das vindimas,
- Ver o crivo, a joeira, onde co’a palha
- O grão doirado salta, e recahe puro;
- A grade, o trilho, tudo o mais da Granja,
- Sem pejo aos olhos meus se manifestem;
- Mórmente de animais o móbil quadro
- Lhe dê por dentro, e fóra hum ar vivente.
- Não vemos do solar o adorno estéril,
- A graça inanimada, a immovel pompa:
- Debaixo destes tectos, nestes muros
- Tudo está povoado, e tudo he vivo.
- Que aves, diversas pela vóz, e instincto,
- Que no abrigo da telha, ou colmo habitão,
- Republica, Nação, Familia, Reino,
- Me entretem com seus brincos, seus costumes!
- Eis á frente de todas gyra o Gallo,
- O Gallo, feliz chefe, e pai, e amante,
- Que, Sultão sem molleza, distribue
- Pelo Serralho alígero a ternura;
- Une ao jus do valor o da belleza,
- Impera carinhoso, altivo afaga;
- Para mandar, para gozar nascido,
- Nascido para a gloria, ama, combate,
- Triunfa, e logo seus triunfos canta.
- Ha de aprazer-te o ver como elles brincão,
- Como contendem; seu amor, seus odios,
- E até sua comida. Assim que assoma
- Com a teiga nas mãos a Dispenseira,
- De repente a Nação voraz, e leve
- Vôa daqui, dalli, de toda a parte
- Em turbilhão ruidoso, e quasi a hum tempo.
- O sôfrego tropel junto á que o ceva
- Subito fórma hum circulo apinhado;
- Ha tais que, sempre expulsos, tornão sempre,
- Perseguem o comer, e até na palma,
- Affoitos Parasitos, vem furtallo.
- Este Povo domestico protege;
- Não soberbos, mas sãos seus pousos sejão.
- Decoradas estancias que lhe prestão?
- Marmóreos bebedoiros, e aureas grades?
- Mais lhe apraz, muito mais, hum grão de milho.
- Já la Fontaine o disse. Oh la Fontaine!
- Oh Sabio verdadeiro, eras lucroso
- Neste lugar! Cantor feliz do instincto,
- Melhor te inspiraria aqui o olhallo.
- Fofo o Pavão de assoalhar seu Iris,
- A inchação do Peru, mais louco ainda,
- Teus pinceis alegrára á nossa custa.
- Viras aqui dos Pombos teus a imagem;
- De dois Gallos amantes a discordia
- A dizer outra vez te obrigaria:
- «Tu derrubaste, Amor, de Troia os muros!»
- Dest’arte nos apraz, e attrahe a Herdade.
- Mas em outra prizão que vulgo fere
- Por incognitos sons os meus ouvidos?
- Estranhos animais alli se guardão,
- Maravilhas dos olhos, alli vivem
- N’um suave desterro encarcerados
- Brutos da Terra, do Ar, e hum d’outro pasmão.
- Extravagantes castas não procures,
- Prefere o que he mais bello ao que he mais raro.
- Mostra-nos aves n’outros Ceos criadas,
- Que, validas do Sol, seus lumes vibrão;
- Da Indiana Galinha o vivo esmalte,
- E o oiro do Faisão purpureado.
- Aves de ostentação melhor se alojem;
- Ellas mesmas são luxo, e co’a belleza
- Já que a inutilidade ellas compensão,
- Brilhe a prizão como os cativos brilhão.
- Rebeldes animais, porém, não tenhas,
- Cujo orgulho se irrita, e cansa em ferros.
- Quem póde ver sem magoa o Rei dos ares,
- O passaro feroz, que andou folgando
- Lá por entre o trovão, por entre o raio,
- Quem póde vello na gaiola indigna
- Esquecer o relampago dos olhos,
- Dos vôos a altivez! Livre de novo,
- Na abobada dos Ceos ao Sol se atreva:
- Nunca póde agradar Ente aviltado.
- Mas com seu lustre peregrino em quanto
- Parece que estes hospedes diffrentes
- Á minha escolha, á preferencia aspirão,
- O olfato me convida a aquelles tectos,
- Onde, do patrio chão tambem roubados,
- Estranhos Vegetais o vidro ampara.
- Tu cerca de ar macio as debeis plantas,
- Mas venera estações, vencendo climas;
- Não forces a brotar na Quadra fêa
- Bens que a bons tempos Natureza guarda.
- Deixa aos Paizes de aturado Inverno,
- Deixa embora essas flores, esses fructos,
- De falsa primavera, e falso Estio;
- Certo de que ha de o Sol madurecellos,
- Sem violentar seus dons, seus dons espera.
- Mas folgo em ver no transparente abrigo
- Prendas diversas de diversas plagas.
- Os Ibéros jasmins alli se animão,
- Friorenta congorça esquece a Patria,
- Tenro ananás pelo calor se engana,
- E usurpado thesoiro em si te entrega.
- Talhe a Razão teus edificios varios,
- De flores, e animais formoso hospicio,
- Oh quantos, quantos mais, que o sitio abrace,
- Que approve o gosto, recrear-nos podem!
- A sombra desses humidos salgueiros,
- Humidos com sadia agoa corrente,
- Seja do banho o solitario asylo.
- Além cabana, em que a frescura assiste,
- Offerte ao Pescador linhas, e redes,
- Não vês a mansidão deste Retiro?
- Doce acolheita alli consagro ás Musas.
- No seio florecido, e magestoso
- Alli sómente hum obelisco ordeno:
- Aos ares sóbe o monumento augusto,
- E lavro sobre a pedra enternecida:
- «A nossos destemidos Mareantes,
- Que pela patria voluntarios morrem.»
- Assim teus variados edificios
- Nem desertos serão, nem ociosos.
- Com seu lugar se ageitem massa, e forma,
- Cada qual se coloque onde releva,
- E não se perca, não destrua a scena
- Por sobeja extensão, por muito aperto.
- O que empece ao caracter, e utilisa
- Sabe, pois; hum recanto quasi occulto
- Lá bem n’um descampado, he que nos pinta
- Melhor o desamparo, a soledade.
- Sempre a cada expressão fiel te mostra;
- Hum Ermo a grande luz não patentees,
- Nem selva carrancuda esconda hum Templo:
- Do Monte sobre a espádoa quer ser visto.
- Movimento, esplendor, grandeza, e vida
- O aerio sitio pelo quadro espalha.
- Julgo hum aspecto olhar da bella Ausonia.
- Esta dos Edificios, esta a graça.
- Mas de tais monumentos a alegria,
- Luxo moderno, e fresca mocidade
- Valem de antigos restos a velhice?
- Desses aqui, e alli dispersos corpos
- O já desordenado, e grão volume,
- A fórma pictoresca enlaça a vista.
- Por elles sobre a terra está marcada
- Dos Evos a carreira, e, destruidos
- Pelos Vulcões, ou Tempestade, ou Guerra,
- Instruem sempre, alguma vez consolão.
- Sim, estas massas, que tambem da Idade
- Cedem ao pezo, como nós cedemos,
- Á derrota geral nos habituão,
- E a perdoar á Sorte. Assim Carthago
- Sobre os desfeitos muros n’outros tempos
- Mário vio infeliz, e estes dois restos
- Tão grandes entre si se consolavão.
- Aproveita ruinas venerandas.
- E tu, que os passos meus tens variado
- Pelos selvosos campos, tu, que, longe
- Das vulgares estradas, vás dictando
- Leis aos jardins, oh Poesia amavel!
- Oh Irmã da Pintura! A monumentos
- De longa idade restitue a vida;
- Presenta ao gosto os ricos accidentes,
- Que o Tempo desenhou co’a mão remissa.
- Huma antiga Capela ora apparece,
- Modesto, e santo Asylo, onde algum dia
- Hião em tosco Altar, na quadra nova,
- As Donzelas, e as Mãis, e os seus Filhinhos
- A bem das messes implorar o Eterno.
- Consagra inda o Respeito estas ruinas.
- Ora avulta acolá Castello annoso,
- Em fragosos cabeços, que, Tyranno
- Do Territorio, e dos Vassallos medo,
- Co’as ameias aos Ceos arremettia;
- Que em tempos de terror, discordias, sangue,
- Vio lançadas mortais, vio gentilezas
- De nossos invenciveis Cavalleiros,
- Os Baiards, os Henriques: hoje o trigo
- Sobre os fragmentos seus lourêa, e treme.
- Esta triste, forçosa Architectura,
- Cingida de verdor fresco, e risonho,
- As esplanadas, e angulos, e torres,
- Rotas, quasi abatidas, onde as aves
- Dos amores em paz o fructo aquecem;
- Os gados povoando estes guerreiros,
- Recintos façanhosos, e o Menino,
- Q’onde os Avós já guerreárão, brinca,
- Fórma tudo isto singular constraste.
- Delle te apóssa, dando aos olhos quadro
- Duro, e brando, campestre, e belicoso.
- Mais ao longe hum Mosteiro abandonado
- Entre arvoredos subito se encontra.
- Que silencio! Amadora dos desertos,
- Com gosto alli, Meditação, te entranhas
- Por baixo das abóbadas sagradas,
- Por onde austeras Virgens, algum dia,
- Como as turvas alampadas, que velão
- Ante a Religião, tambem velavão,
- E descarnadas, pálidas, ardião
- Por Deos, e emfim, por Deos se consumião.
- Santa contemplação, paz, innocencia,
- Como que ainda este silencio occupão!
- Musgosos muros, o Zimborio, as Torres,
- Os arcos deste Claustro escuro, e longo,
- Destes Altares o degráo roçado
- Do supplice joelho, os vidros negros,
- O sombrio, e profundo Santuario,
- Onde, escondidamente desgraçadas,
- Almas houve, talvez, que de seus laços
- Ás inflexiveis Aras se carpissem,
- E por doces memorias inda frescas
- Algum medroso pranto ao Ceo furtassem:
- Tudo commove alli, tudo alli falla.
- Alli cevando a mente em soledade,
- Ás vezes cuidarás, ao pôr do dia,
- Que de alguma Heloisa a Sombra geme;
- Que as lagrimas, que a dor, que os ais lhe sentes.
- Logra, pois, estes restos de alto preço,
- Térnos, augustos, pios, ou profanos.
- Mas longe os monumentos, cujo estrago
- Do fingimento he filho, e mal imita
- Do Tempo as impressões inimitaveis:
- Esses antigos Templos, fabricados
- Inda ha pouco, as reliquias de hum Castello
- Que jámais existio, Pontes idosas,
- Que hontem nascêrão, Torreão dos Godos,
- Que, roto, e gasto, não parece antigo:
- São artificio inutil, e grosseiro.
- Fitando-lhe a attenção, se me figura
- Que vejo hum moço arremedando hum velho,
- Despindo as graças da amorosa idade,
- Sem que retrate da velhice as rugas;
- Mas estrago real dá pasto aos olhos.
- Restos, que já contemporaneos fostes
- De nossos bons, e simplices Maiores,
- Gosta meu coração de interrogar-vos,
- E gosta de vos crer. De novo a Historia
- Estudo em vós dos Tempos, e dos Povos.
- Quanto esses Povos mais famosos forão,
- E quanto mais famosos esses Tempos,
- Tanto mais nesses restos fico absorto.
- Campos de Italia! Oh Campos d’alta Roma!
- Onde jaz, por fatal, e horrivel quéda,
- Com todo o seu orgulho o Nada do Homem!
- Ahi he que ruinas, afamadas
- Por grandes nomes, por memorias grandes,
- Dão sublimes lições, aspectos graves,
- Thesoiros que as paizagens enriquecem.
- Vê como, cá, e lá, por toda a parte
- A rapidez dos Seculos tremendos,
- Das Artes os prodigios destroçando,
- Sepulcros arrojou sobre Sepulcros,
- Hum Templo derribou sobre outro Templo,
- Olha as Idades blasonando ao longe
- Co’a ruina immortal da excelsa Roma.
- Os pórticos, e os arcos, (onde a Pedra
- Em carácter fiel conserva ainda
- Do Povo Rei magnânimas proezas),
- Pórticos, e arcos tem cansado os Tempos,
- Ondas suspensas por aqui bramião,
- Por baixo destas pórtas dilatadas
- Os despójos do Mundo hião passando.
- Esparzidos estão, no pó confusos
- Por toda a parte, os Thermes, os Palacios,
- Os Sepulcros dos Cesares, em quanto
- De Virgilio, de Ovidio, Horacio, e de Outros
- Inda grata Illusão nos finge o rasto.
- Oh tres, e quatro vezes venturoso
- O Artista dos Jardins! Feliz quem póde
- Destes restos divinos apossar-se!
- Já lhe vai surdamente a mão do Tempo
- Ajudando as tenções; já sobre pompas
- Dos Senhores do Mundo, a Natureza
- De recobrar os seus direitos fólga:
- Lá onde o Domador dos Reis, lá onde
- Campeava Pompêo com fasto immenso,
- Agora dos Pastores se ouve a flauta,
- Como nos dias do tranquillo Evandro.
- Vê rir os campos que ao Cultor volvêrão,
- E relvar os cabritos sobre os tectos,
- E Obelisco arrogante além cahido:
- Olha abraçado co’a columna altiva
- O humilde espinho; as Arvores, as Plantas,
- Subir, baixar em mil festões, mil cachos:
- Aquella que Minerva aos Homens trouxe,
- E a Figueira, pelo hálito dos ventos
- Por entre estes estragos semeadas,
- Acabão de abalar co’a raiz branda
- As veneraveis Obras dos Romanos;
- A torta vide, a hera, de cem braços,
- Emtorno das ruinas serpeando,
- A modo que desejão, que procurão
- Recatar-lhe a velhice, ou guarnecella.
- Se não tens estes restos estupendos,
- Terás, sequer, os animados Bronzes,
- Terás os Numes das Idades mortas,
- Em que Arte divinal forçava os cultos?
- Quiz dos Jardins, bem sei, Gosto severo
- Lançar todos os Deoses dos Romanos,
- Dos Gregos; mas porque? Nossas infancias,
- Em Athenas, em Roma cultivadas,
- Sua doce magía exprimentárão.
- Estes Numes Agrícolas não erão?
- Não Pastores? Porque has de, pois, tolher-lhes
- Os bosques, os vergeis? Podem teus fructos
- Rebentar sem auxilio de Pomona?
- Ou te he dado expellir do Imperio Flora?
- Ah! sempre essas Deidades nos encantem:
- Das Artes inda he culto a Idolatria;
- Mas haja perfeição, primor na escolha.
- Não queiras nos jardins improprios Deoses,
- Elles sem magestade, ellas sem graça.
- Elege a cada qual assento idóneo,
- Seus direitos nenhum ao outro usurpe.
- Deixa nas selvas Pan. Porque motivo
- Co’as Driades estão Tritões, Nereidas?
- De que serve este Nilo, em vão croado
- De canas, e a mostrar do pó manchada
- A urna, que he de passaros abrigo?
- Fóra os Leões, e os Tigres: esses monstros
- Tè nas imagens suas me arripião;
- E os Cesares tambem, mais monstros que elles,
- Sentinellas horriferas das portas
- De bordadas florestas, que, nojosos
- Da suspeita, e do crime, inda parece
- Com os olhos as victimas apontão.
- Ao risonho lugar que jus tem elles?
- Mostra-me Objectos que eu venere, eu ame;
- Á sua apotheóses sagra hum sitio,
- Elysios cria em que seus Manes folguem.
- Longe de olhos profanos, sobre valles
- De verdes murtas, de cheirosos loiros
- Honrem seus vultos marmore de Paros;
- Goste hum remanso de banhar tais selvas,
- E, mesclando co’a sombra os dubios lumes,
- Seja Diana affavel o Astro dellas.
- Dos virentes doceis a formosura
- Sobre as queridas, candidas Estatuas,
- Destes Homens egregios o repouso,
- A simples, a benigna magestade,
- Correntes sem rumor, como as do Lethes,
- Que para aquellas Almas tão serenas
- Parece vão rolando o esquecimento
- Da crua ingratidão, e de outros males;
- Bosques, e o dia, entre elles expirando,
- Tudo respira a paz dos Manes ledos.
- Tu não consagres, pois, se não tranquillas,
- Estremadas virtudes nesses campos.
- Longe, longe os fatais Conquistadores,
- Verdugos, não Heróes: esses lugares
- Turbarião talvez como turbárão
- Este Mundo infeliz: ahi colóca
- Os amigos dos Homens, e dos Deoses:
- Os de que ainda beneficios vivem
- Na fama, e tradicção; tambem Monarcas,
- De que o seu Povo não chorasse a gloria:
- Mostra ahi Fenelon, mostra á saudade,
- E com Sully se abrace Henrique o Grande.
- Dá, dá-me flores, cobrirei com ellas
- Os Sabios, que em longinquas, novas praias
- Artes consoladoras demandárão,
- Artes consoladoras desparzírão.
- E tu, primariamente, Heroe Britanno,
- Tu Cook, infatigavel, denodado,
- Que, acceito, e caro aos corações de todos,
- Unes co’a magoa teu Paiz, e a França;
- Que a essas Regiões, que aonde o raio
- Outr’hora os Européos annunciava,
- Util, novo Triptólemo, guiaste
- O serviçal cavallo, a ovelha, o toiro,
- O arado agricultor, e as patrias artes,
- Nossas furias, e roubos expiando.
- Com doce paz fraterna lá surgias;
- Prantos, e beneficios lá deixavas.
- Recebe de hum Francez este tributo...;
- E á minha gratidão que importa o clima?
- Virtudes immortais do illustre Nauta
- Nosso Concidadão já o fizerão;
- No grande exemplo o nosso Rei se imite;
- Digno de ser seu Rei. Ah! que aproveita
- Ao pasmoso Varão ter vezes duas
- Visto os Mares de gêlo, os Ceos de fogo,
- Ter estes afrontado, e roto aquelles?
- Que as ondas, ventos, Povos o acatassem;
- Que em toda a vastidão do Pego immenso
- Fosse immune, e sagrada a quilha sua;
- Que só com elle reprimisse a Guerra
- Seu hórrido furor? Do Mundo o Amigo
- Ai! Morre ás mãos de barbaros Selvagens.
- Oh vós, que lamentais seu fim cruento,
- Da potente Albion soberbos filhos,
- Imitai-lhe, que he tempo, a ambição nobre.
- Porque em vossos iguais quereis escravos?
- Dai-lhe fraternidade, e não cadeias.
- Dos loiros triunfais cingida a fronte,
- Dos loiros, que o Francez colheo de novo,
- Té a mesma Victoria a Paz cobiça.
- Desce, Prole do Ceo, Paz suspirada,
- Doira este Globo, emfim, com teus sorrisos,
- Dos sitios, que eu cantei, requinta as graças;
- Fórma hum Povo feliz de tantos Póvos;
- Aos campos abundancia restitue,
- E restitue ás ondas o commercio:
- Hajão da tua mão, propicio Nume,
- Os dois Mundos socego, as Artes vida.
-
-
- FIM DO CANTO QUARTO.
-
-
-
-
- NOTAS DO PRIMEIRO CANTO.
-
-
-(_Pag.5. vers. 7._)
-
- Assumpto amavel, que tentou Virgilio, etc.
-
-Vê-se nas Georgicas, liv. 4. que a composição dos Jardins, de que
-fallão, he mui singela, e naturalissima, e que se acha nelles o util
-com o aprazivel: pomos, flores, hortaliças. Mas estes Jardins são os de
-hum ordinario Habitante dos Campos, Jardins, tais como, com hum gosto
-simples, quizera o Sabio ornallos, e cultivallos pela sua mão; tais
-como folgaria de os aformosear o amavel Poeta, que os descreve. Não
-tratou daquelles Jardins famosos que o luxo dos Vencedores do Mundo: os
-Crassos, os Lucullos, os Pompêos, os Cesares, carregárão das riquezas
-da Asia, e dos despojos do Universo.
-
-(_Pag. 5. vers. 20._)
-
- De Alcino o luxo, o gosto, ainda rude,
- Punha a curto Vergel módico enfeite, etc.
-
-He hum monumento precioso da Antiguidade, e da historia dos Jardins a
-descripção que faz Homéro do de Alcino. Vê-se, que ella distava pouco
-do nascimento da Arte; que todo o seu luxo estava na symmetria, e
-ordem, na riqueza do chão, na fertilidade das arvores, nas duas fontes,
-de que era ornado: e todos os que quizessem jardim para gozar, e não
-para mostrallo, escusarião outro.
-
-(Ibid. _vers. 22._)
-
- Eis com arte maior, mais sumptuosa
- Jardins nos ares Babylonia ostenta.
-
-Parte destes Jardins suspensos ainda durava mil, e seiscentos annos
-depois da sua creação; elles forão o assombro de Alexandre, quando
-entrou em Babylonia.
-
-(Ibid. _vers. 24._)
-
- Os Latinos Heróes, de Marte os Filhos,
- Depois que Roma agrilhoava o Mundo,
- Davão repouso ameno á gloria, ao raio
- Em frescos hortos, que a victoria ornára.
-
-Existe monumento inestimavel do gosto, e fórma dos Jardins Romanos em
-huma Carta de Plinio Junior, e nella se lê que já então conhecião a
-arte de affeiçoar as arvores, de dar-lhes diversas figuras de vasos, ou
-animais; que a Architectura, e o luxo dos Edificios erão dos primarios
-ornamentos dos Parques; mas que todos tinhão hum objecto de utilidade,
-objecto em demasia esquecido nos Jardins modernos.
-
-(_Pag. 9. vers. 1._)
-
- Belœil, a hum tempo
- Campestre, apparatoso, etc.
-
-Belœil, foi huma casa de recreio, ou quinta, do Principe de Ligne.
-
-(Ibid. _vers. 8._)
-
- O amavel Tivoli, de fórma estranha
- Á França descobrio ténue modélo.
-
-O local de Tivoli negava-se aos grandes effeitos pictorescos; mas
-Boutin teve o merecimento de colher delle a utilidade possivel, e
-principalmente de ser o que primeiro experimentou com bom exito o
-genero irregular.
-
-(Ibid. _vers. 10._)
-
- Montreuil as Graças desenhárão rindo, etc.
-
-Montreuil era hum bellissimo Jardim da Princeza de Guimené, na estrada
-de Paris a Versailles.
-
-(Ibid. _vers. 11._)
-
- Maupertuis, le Desert, com que alegria,
- Rincy, Limours, etc.
-
-Maupertuis. Este Jardim, conhecido pelo nome de Elysio, pertenceo ao
-Marquez de Montesquiou. Se bellas agoas, soberbas plantações, aprazivel
-mixto de colinas, e valles, fazem hum sitio formoso, o Elysio he digno
-do seu amavel nome.
-
-Le Desert. Este Jardim foi desenhado com muita graça por Monville.
-
-Rincy. Este lindo Jardim foi do Duque de Orleans.
-
-Limours. Este lugar, naturalmente inculto, foi mui aformoseado pela
-Condessa de Brionne, e perdeo parte da aspereza sem perder o caracter.
-
-(Ibid. _vers. 16._)
-
- E parecido
- Comtigo Trianon, Deosa, que o reges, etc.
-
-O pequeno Trianon, Jardim da Rainha, he modélo neste genero. Parece que
-a riqueza foi nelle empregada sempre pelo gosto.
-
-(Ibid. _vers. 20._)
-
- Grato asylo d’hum Principe adoravel,
- Tu, cujo nome de apoucada idéa, etc.
-
-He o gracioso Jardim==Bagatela==composto com muita arte para o Conde de
-Artois, e que tem a vantagem de se achar no meio de Bosque aprazivel,
-que parece parte delle. O pavilhão he de huma elegancia rara. Não se
-podérão nomear neste Poema outros agradaveis Jardins, feitos alguns
-annos depois.
-
-(_Pag. 29. vers. 8._)
-
- A arte os prometta, os olhos os esperem:
- Dá quem promette, quem espera goza.
-
-Este ultimo hemistichio vem n’uma Epistola de Saint Lambert; a
-reminiscencia o introduzio neste Poema.
-
-(Ibid. _vers. 30._)
-
- Entre Kent, e le Notre eu não decido, etc.
-
-Kent, Architecto, e famoso Desenhador em Inglaterra, foi o primeiro
-que tentou felizmente o genero livre, que principia a lavrar por toda
-Europa. Os Chinezes são sem dùvida seus inventores.
-
-(_Pag. 33. vers. 34._)
-
- Attenta em Milton, etc.
-
-Muitos Inglezes querem que esta bella descripção do Paraiso Terreal, e
-alguns lugares de Spencer, dessem a idéa do Jardim irregular; e posto
-que he provavel, como já se disse, que este genero venha dos Chins,
-o Author antepoz a authoridade de Milton como a mais poetica. Além
-disso, julgou que se olharia com gosto a magnificencia toda do maior
-Rei do Mundo, todos os milagres das Artes em opposição com os feitiços
-da Natureza recente, com a innocencia das primeiras Creaturas que a
-aformoseárão, e com o attractivo dos primeiros amores. Não traduzio,
-nem tão pouco imitou Milton, que devia, e podia descrever mais
-longamente o Eden.
-
-
-
-
- NOTAS DO SEGUNDO CANTO.
-
-
-(_Pag. 59. vers. 25._)
-
- Sempre verdes,
- Oh Mouceaux, teus Jardins são disto exemplo.
-
-O Jardim de Inverno do Duque de Chartres, he com effeito, hum
-encantamento. A estufa especialmente he huma das melhores que se
-conhecem.
-
-(_Pag. 67. vers. 34._)
-
- Moço Potaveri, tu disto és prova, etc.
-
-Este o nome de hum Habitante de O-taiti, conduzido a França por
-Bougainville, célebre pelo seu valor, e constancia em varias acções, e
-gloriosamente conhecido quer por Navegante, quer por Militar. O passo
-que se refere, do Mancebo Otaitiano, he mui notorio, e interessante. Só
-o que fez o Author foi alterar o lugar da Sena, que fingio no Jardim
-Real das Plantas. Quizera pôr em seus versos toda a sensibilidade que
-respira nas poucas palavras que o Moço proferio, abraçando a arvore
-que havia conhecido, e que lhe recordou a Patria.==He O-taiti==dizia
-elle==, e olhando para as outras arvores,==Não he O-taiti.==Assim
-estas arvores, e a sua patria se identificavão no seu espirito. Julgou
-o Author que este lance tão terno, e tão novo, poderia ministrar hum
-bello Episodio.
-
-(_Pag. 69. vers. 2._)
-
- Onde he sem pejo Amor, Amor sem crime.
-
-Observou-se em todos os Povos, onde a Sociedade tem feito curtos
-progressos, huma certa innocencia nos costumes, muito diversa do
-resguardo, e do pejo que sempre acompanhão a virtude nas Mulheres das
-Nações polidas. Na Ilha de O-taiti, na maior parte das outras do Mar
-do Sul, em Madasgacar, etc. as casadas julgão dever-se exclusivamente
-a seus maridos, e quebrão raras vezes a lealdade conjugal; mas as
-solteiras não escrupulizão em se entregar até á paixão momentanea que
-os homens lhes inspirão. Não se sujeitão nem nas palavras, nem nos
-modos, nem no vestido ao que olhamos como deveres do sexo feminino. Mas
-isto he nellas simplicidade, não he corrupção: não desprezão as normas
-da decencia, ellas as ignorão. Nestes Paizes a Natureza he grosseira,
-mas não depravada. Eis o que se intentou exprimir naquelle verso.
-
-
-
-
- NOTAS DO TERCEIRO CANTO.
-
-
-(_Pag. 77. vers. 2._)
-
- Sei que em Harlem ha Curiosos tristes,
- Que em seus Jardins co’as flores vão fechar-se.
-
-Harlem he Cidade de Hollanda, onde se commercia muito em flores,
-e sabe-se a que extravagancia tem chegado os Floristas no amor á
-raridade, e ás posses exclusivas.
-
-(_Pag. 79. vers. 17._)
-
- Do cume dos Rochedos verdadeiros, etc.
-
-Em geral, não se podem imitar bem os rochedos, nem todos os grandes
-effeitos da Natureza. Ella não consente á Arte emprehender estes
-atrevimentos, salvo quando combate com todos os esforços, e cabedais
-do engenho, e da opulencia. Assim se formou, segundo os desenhos
-de Robert, o soberbo Rochedo de Versailles, cujo effeito só o póde
-adivinhar a fantasia, que o vê d’ante mão toucado de vistosas arvores,
-e ornado de toda quanta verosemelhança, e belleza póde só dar-lhe o
-tempo.
-
-(Ibid. _vers. 21._)
-
- Aos Campos de Midléton, ás Montanhas
- De Dovedále te acompanho os passos,
- A ellas, Whateli, comtigo subo.
-
-São dois sitios de Inglaterra, famosos pelas fórmas pictorescas da sua
-cadeia de rochedos, descriptos por Whateli, de que o Author, assim como
-Morel, no seu formoso tratado dos Jardins, colhêrão algumas passagens,
-tais como a cabana, e a ponte suspensas sobre despenhadeiros. Mas
-Delille cuidou em exprimir de hum modo seu as sensações que nascem
-destes aspectos medonhos.
-
-
-
-
- NOTAS DO QUARTO CANTO.
-
-
-(_Pag. 115. vers. 9._)
-
- Eia, imita o Poussin, etc.
-
-Este famoso quadro he certamente o melhor de todos os de Paizagens.
-Senão soubessemos quanto a imaginação do Poussin se alimentou com as
-producções dos grandes Poetas da Antiguidade, este painel bastaria
-para o provar. Quasi todas as obras voluptuosas de Horacio tem o mesmo
-caracter. Por toda a parte no seio dos prazeres, e das festas, aponta
-ao longe a morte. Dai-vos pressa, (diz elle) quem sabe se á manhã
-viveremos? Nosso fado he morrer; será forçoso deixar esta bella casa,
-esta Mulher encantadora, e de todas as arvores que cultivais, só o
-Cypreste, ai de mim! seguirá seu Senhor, mui pouco duravel.
-
-Esta mesma filosofia, colhida dos antigos Poetas, he a que dictou a
-Chaulieu aquelles versos cheios de melancolia tão doce:==
-
- Musas, que neste retiro
- Começastes meu prazer,
- Plantas, que nascer me vistes,
- Cedo me vereis morrer.
-
-Estes contrastes de sensações, compostas de alegria, e tristeza,
-agitando a alma em sentido contrario, fazem sempre huma impressão
-profunda; e he o que obrigou o Author a colocar no meio das scenas
-risonhas dos Jardins a vista melancolica dos sepulcros, e urnas
-consagradas á Amizade, ou á Virtude.
-
-(_Pag. 117. vers. 14._)
-
- De envelhecidos Teixos lá debaixo
- Não vês aquelles, etc.
-
-Nestes versos, dedicados ás sepulturas humildes dos Camponezes, o
-Author imitou alguns versos do Cimiterio de Gray.
-
-(_Pag. 135. vers. 9._)
-
- Mas longe os monumentos, cujo estrago, etc.
-
-Chabanon, em huma linda Epistola, escrita a favor dos Jardins
-regulares, notou antes do Author dos Jardins, que os monumentos velhos
-despertavão memorias, vantagem que não tem ruinas fingidas. Esta idéa
-se acha em outras obras, e particularmente na de Whateli: demais, ella
-he tão natural, que era facil achalla. Talvez o não fosse exprimilla
-bem, mórmente depois de Chabanon; mas se o Author se encontrou com
-elle, o que todavia cuidou em evitar, confessa, e repete, que os seus
-versos são posteriores aos daquelle Poeta.
-
-(_Pag. 143. vers. 12._)
-
- E tu, primariamente, Heroe Britanno, etc.
-
-Todos tem noticia das viagens instructivas, e animosas do afamado,
-e desditoso Cook; todos sabem a ordem que Luiz XVI. deo para se lhe
-respeitar o navio em todos os Mares, ordem que honra igualmente as
-Sciencias, este illustre Viajante, e o Rei, de que elle, por assim
-dizer, se tornou vassallo, com este novo genero de beneficencia, e
-protecção.
-
-
- FIM DAS NOTAS.
-
-
-*** END OF THE PROJECT GUTENBERG EBOOK OS JARDINS OU A ARTE DE
-AFORMOSEAR AS PAISAGENS ***
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@@ -1,5679 +0,0 @@
-<!DOCTYPE html>
-<html xmlns="http://www.w3.org/1999/xhtml" xml:lang="pt" lang="pt">
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- Os Jardins, by Jacques Delille—A Project Gutenberg eBook
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-<div lang='en' xml:lang='en'>
-<p style='text-align:center; font-size:1.2em; font-weight:bold'>The Project Gutenberg eBook of <span lang='pt' xml:lang='pt'>Os jardins ou a arte de aformosear as paisagens</span>, by Jacques Delille</p>
-<div style='display:block; margin:1em 0'>
-This eBook is for the use of anyone anywhere in the United States and
-most other parts of the world at no cost and with almost no restrictions
-whatsoever. You may copy it, give it away or re-use it under the terms
-of the Project Gutenberg License included with this eBook or online
-at <a href="https://www.gutenberg.org">www.gutenberg.org</a>. If you
-are not located in the United States, you will have to check the laws of the
-country where you are located before using this eBook.
-</div>
-</div>
-
-<p style='display:block; margin-top:1em; margin-bottom:0; margin-left:2em; text-indent:-2em'>Title: <span lang='pt' xml:lang='pt'>Os jardins ou a arte de aformosear as paisagens</span></p>
-<p style='display:block; margin-left:2em; text-indent:0; margin-top:0; margin-bottom:1em;'><span lang='pt' xml:lang='pt'>Poema</span></p>
-<p style='display:block; margin-top:1em; margin-bottom:0; margin-left:2em; text-indent:-2em'>Author: Jacques Delille</p>
-<p style='display:block; margin-top:1em; margin-bottom:0; margin-left:2em; text-indent:-2em'>Translator: Manuel Maria Barbosa du Bocage</p>
-<p style='display:block; text-indent:0; margin:1em 0'>Release Date: October 22, 2022 [eBook #69209]</p>
-<p style='display:block; text-indent:0; margin:1em 0'>Language: Portuguese</p>
- <p style='display:block; margin-top:1em; margin-bottom:0; margin-left:2em; text-indent:-2em; text-align:left'>Produced by: Rita Farinha and the Online Distributed Proofreading Team at https://www.pgdp.net (This file was produced from images generously made available by National Library of Portugal (Biblioteca Nacional de Portugal).)</p>
-<div style='margin-top:2em; margin-bottom:4em'>*** START OF THE PROJECT GUTENBERG EBOOK <span lang='pt' xml:lang='pt'>OS JARDINS OU A ARTE DE AFORMOSEAR AS PAISAGENS</span> ***</div>
-
-
-
-<h1> OS JARDINS,</h1>
-<p class="center big">
-OU<br>
-A ARTE DE AFORMOSEAR AS PAIZAGENS,</p>
-<p class="center big">
-POEMA<br>
-DE<br>
-<span class="big">Mr. DELILLE,</span><br>
-DA ACADEMIA FRANCEZA,<br>
-</p>
-<p class="center">
-<span class="big">TRADUZIDO EM VERSO<br>
-DE ORDEM</span><br>
-<span class="small">DE<br>
-<span class="big">S. ALTEZA REAL<br>
-O PRINCIPE REGENTE,<br>
-NOSSO SENHOR,</span><br>
-POR<br>
-MANOEL MARIA DE BARBOSA<br>
-DU BOCAGE.</span><br>
-</p>
-<p class="center p2"><span class="figcenter" id="img000">
-<img src="images/000.jpg" class="w10" alt="imagem da editora">
-</span></p>
-<p class="center">
-LISBOA.<br>
-<br>
-<span class="small">NA TYPOGRAPHIA CHALCOGRAPHICA,<br>
-E LITTERARIA DO ARCO DO CEGO.</span><br>
-</p>
-<hr class="r5">
-<p class="center">
-ANNO M. DCCC.<br>
-</p>
-
-<p><span class="pagenum" id="Page_i">[Pg i]</span></p>
-
-
-
-
-<hr class="chap x-ebookmaker-drop">
-
-<div class="chapter">
-<p class="poetry">
-<span style="margin-left: 1em;"><i>————Hic inter flumina nota,</i></span><br>
-<span style="margin-left: 1em;"><i>Et fontes sacros frigus captabis opacum.</i></span><br>
-</p>
-<p class="center">Virg. Eclog. I.</p>
-<p class="poetry">
-<span style="margin-left: 1em;">Entre os rios aqui, e as sacras fontes</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Gozarás em repouso a sombra amena.</span><br>
-</p></div>
-<hr class="chap x-ebookmaker-drop">
-
-<div class="chapter">
-<p><span class="pagenum" id="Page_ii">[Pg ii]</span></p>
-
-<h2 class="nobreak" id="PROLOGO">PROLOGO <br><span class="small">DO</span><br>AUTHOR.</h2>
-</div>
-
-
-<p>Varias pessoas de grande merecimento escrevêrão em prosa á cerca dos
-Jardins. O Author deste Poema colheo dellas alguns preceitos, e até
-descripções. Em bastantes passagens teve a dita de encontrar-se com
-tão bons Escritores, porque este Poema foi começado antes que elles
-publicassem as suas obras. Confessa que dá ao prelo com extrema
-desconfiança huma composição muito esperada, e engrandecida de mais: a
-indulgencia excessiva, dos que a ouvìrão, lhe agoira a severidade, dos
-que a lerem.</p>
-
-<p>Este Poema, além disso, tem hum grave inconveniente, o de ser
-didáctico. Tal genero he necessariamente hum pouco frio, e mais o
-deve parecer á huma Nação, que lhe custa muito (como se tem observado
-repetidas vezes) a tolerar versos, em não sendo os compostos para o
-Theatro, os que pintão as paixões, ou as baldas dos Homens. Poucas
-Pessoas, digo mais, até poucos Litteratos lem as Geórgicas de Virgilio,
-e quasi todos, os que aprendêrão Latim, sabem de cór o quarto Canto da
-Eneida.</p>
-
-<p>No primeiro destes dois Poemas, dá o Poeta a entender que sente
-não lhe permittirem os limites do seu assumpto cantar os Jardins.
-Depois de haver lutado longamente com as miudas, e hum tanto ingratas
-particularidades da cultura geral dos Campos, a modo que deseja
-repousar sobre mais risonhos objectos. Mas estreitado no de que trata,
-vinga-se desta sujeição com hum bello, e rápido esboço dos Jardins, e
-com o pathetico<span class="pagenum" id="Page_iii">[Pg iii]</span> episódio de hum Velho feliz no seu pequeno campo, que
-elle mesmo cultiva, e enfeita.</p>
-
-<p>O que o Poeta Romano sentia não poder executar, executou o P. Rapin.
-Escreveo na lingua, e ás vezes no estilo de Virgilio, hum Poema em
-quatro Cantos sobre os Jardins, que foi mui applaudido, n’um tempo em
-que ainda se lião versos Latinos modernos. A sua obra não he despida
-de elegancia; mas quizera-se que abundasse de precisão, e de melhores
-episódios.</p>
-
-<p>De mais, o plano do seu Poema não interessa, não tem variedade. Hum
-Canto he consagrado ás agoas, outro ás arvores, outro ás flores.
-Adivinha-se o comprido cathalogo, e a enumeração tediosa, que mais
-pertence ao Botanico que ao Poeta: e aquelle passo methódico, que assás
-prestaria n’um tratado em prosa, he grande defeito n’uma composição
-Poetica, onde o Espirito pede que o levem por caminhos hum pouco
-desviados, e lhe apresentem objectos que não espera.</p>
-
-<p>Além disto, Rapin cantou Jardins do genero regular, e a monotonia
-inherente á summa regularidade, passou do assumpto ao Poema. A
-imaginação, naturalmente amiga da liberdade, ora vai a custo pelos
-desenhos enviezados de hum canteiro de flores, ora morre no fim de huma
-longa, e direita alameda. Por toda a parte lhe lembra com saudades
-a formosura hum tanto desordenada, e a chistosa irregularidade da
-Natureza.</p>
-
-<p>Emfim, aquelle Author não tratou senão a parte mecanica da Jardinagem.
-Totalmente esqueceo a mais importante, a que procura em nossas
-sensações, em nossos sentimentos a origem do prazer, que nos causão
-as scenas campestres, e os attractivos da Natureza aperfeiçoados pela
-arte. Em suma, os seus Jardins são os do Architecto; os outros são os
-do Filosofo, os do Pintor, os do Poeta.</p>
-
-<p>Este genero tem medrado por extremo ha annos,<span class="pagenum" id="Page_iv">[Pg iv]</span> e se isto he tambem
-effeito da moda, demos-lhe graças. A arte dos Jardins, a que se
-poderia chamar luxo da Architectura, parece hum dos entretenimentos
-mais convenientes, e talvez hum dos mais virtuosos da Gente rica. Como
-cultura, reconduz á innocencia das occupações campesinas; como adorno,
-apadrinha sem risco a paixão dos dispendios, que acompanha as grandes
-Fortunas: finalmente, esta arte tem para semelhante classe de Homens o
-duplicado prestimo de participar, ao mesmo tempo, dos gostos que vogão
-nas Cidades, e dos que existem nos Campos.</p>
-
-<p>Este prazer dos Particulares achou-se ligado á utilidade pública: fez
-com que os Opulentos folgassem de habitar as suas terras. O oiro, que
-sustentaria Artifices do luxo, vai alimentar os Cultivadores, e a
-riqueza torna á sua verdadeira fonte. Acresce a isto, que a cultura
-se enriqueceo com muitas, e muitas plantas, ou arvores estrangeiras,
-aggregadas ás producções do nosso terreno, e isto vale certamente o
-marmore todo que perdêrão nossos Jardins.</p>
-
-<p>Feliz este Poema se desparzir, ainda mais, affeições tão simplices, e
-puras! Porque, como o Author deste Poema o disse em outra composição,</p>
-
-<p class="poetry">
-<span style="margin-left: 1em;">Quem dos Campos o amor inspira aos Homens,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Tambem, Virtudes, vosso amor lhe inspira.</span><br>
-</p>
-
-<p><span class="pagenum" id="Page_v">[Pg v]</span></p>
-<hr class="chap x-ebookmaker-drop">
-
-<div class="chapter">
-<p><span class="pagenum" id="Page_vi">[Pg vi]</span></p>
-
-<h2 class="nobreak" id="PROLOGO_DO_TRADUCTOR">PROLOGO DO TRADUCTOR.</h2>
-</div>
-
-
-<p>A Gloriosa reputação do Abbade Delille, como Litterato, e como Poeta, a
-estima geral, dada ao seu Poema dos Jardins, onde se encontrão todo o
-atavio, toda a graça, e toda a filosofia, de que he capaz o assumpto,
-me incitou a versificallo em vulgar, apurando nisso o cabedal que
-possuo em Poesia, cabedal muito inferior ao apreço, e acolheita, de
-que estou em divida com os meus Compatriotas. O amor á Gloria, e á
-Gratidão talvez ainda criem na minha alma hum ardor que a fecunde,
-tornando-me digno do affecto, com que me honra o Publico; e entretanto
-lhe apresento esta versão, a mais concisa, a mais fiel, que pude
-ordenal-la, e em que só usei o circumloquio nos lugares, cuja traducção
-litteral se não compadecia, a meu ver, com a elegancia, que deve reinar
-em todas as composições Poeticas.</p>
-
-<p>NB. Na pag. 66 vers. 21 lêa-se Soleil, em vez de Ciel: = na pag. 67
-vers. 22 Occaso, onde está Oceano: = na pag. 65 vers. 21 Cobertas
-d’outro Ceo: = na pag. 83 vers. 31 luzidio, em lugar de luzido: = e
-na pag. 119 vers. 35 diversos, em lugar de diverssas: = e na pag. 121
-vers. 28 milhos, em lugar de trigos.</p>
-<hr class="chap x-ebookmaker-drop">
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-<div class="chapter">
-<p><span class="pagenum" id="Page_2">[Pg 2]</span></p>
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-<p class="center p2"><span class="figcenter" id="img001a">
-<img src="images/001.jpg" class="w50" alt="Imagem decorativa">
-</span></p>
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-<h2 class="nobreak" id="CHANT_PREMIER">LES JARDINS,<br><span class="small">POÈME,</span></h2>
-</div>
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-<hr class="r5">
-<p class="center big">
-CHANT PREMIER.</p>
-<hr class="r5">
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-<p class="poetry">
-<span style="margin-left: 2em;">Le doux Printemps revient, et ranime à la fois</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Les oiseaux, les zéphirs, et les fleurs, et ma voix.</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Pour quel sujet nouveau dois-je monter ma lyre?</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Ah! lorsque d’un long deuil la terre enfin respire,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Dans les champs, dans les bois, sur les monts d’alentour,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Quand tout rit de bonheur, d’espérance, et d’amour,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Qu’un autre ouvre aux grands noms les fastes de la gloire;</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Sur un char foudroyant qu’il place la victoire;</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Que la coupe d’Atrée ensanglante ses mains:</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Flore a souri; ma voix va chanter les Jardins.</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Je dirai comment l’art, dans de frais paysages,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Dirige l’eau, les fleurs, les gazons, les ombrages.</span><br>
-<span style="margin-left: 2em;">Toi donc, qui, mariant la grace, et la vigueur,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Sais du chant didactique animer la langueur,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">O Muse! si jadis, dans les vers de Lucrece,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Des austères leçons tu polis la rudesse;</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Si par toi, sans flétrir le langage des Dieux,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Son rival a chanté le soc laborieux;</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Viens orner un sujet plus riche, plus fertile,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Dont le charme autrefois avoit tenté Virgile.</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">N’empruntons point ici d’ornement étranger;</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Viens, de mes propres fleurs mon front va s’ombrager;</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Et, comme un rayon pur colore un beau nuage,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Des couleurs du sujet je teindrai mon langage.</span><br>
-<span style="margin-left: 2em;">L’art innocent, et doux que célébrent mes vers,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Remonte aux premiers jours de l’antique univers.</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Dès que l’Homme eut soumis les champs à la culture,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">D’un heureux coin de terre il soigna la parure;</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Et plus près de ses yeux il rangea sous ses loix</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Des arbres favoris, et des fleurs de son choix.</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Du simple Alcinous le luxe encore rustique</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Décoroit un verger. D’un art plus magnifique</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Babylone éleva des jardins dans les airs.</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Quand Rome au monde entier eut envoyé des fers,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Les vainqueurs, dans des parcs ornés par la victoire,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Alloient calmer leur foudre, et reposer leur gloire.</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">La sagesse autrefois habitoit les jardins,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Et d’un air plus riant instruisoit les humains:</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Et quand les Dieux offroient un Elysée aux sages,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Etoit-ce des Palais? c’étoit de verds boccages;</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">C’étoit des prés fleuris, séjour des doux loisirs,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Où d’une longue paix ils goùtoient les plaisirs.</span><br>
-<span style="margin-left: 2em;">Ouvrons donc, il est temps, ma carriere nouvelle;</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Philippe m’encourage, et mon sujet m’appelle.</span><br>
-<span style="margin-left: 2em;">Pour embellir les champs, simples dans leur attraits,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Gardez-vous d’insulter la nature à grands frais.</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Ce noble emploi demande un Artiste qui pense,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Prodigue de génie, et non pas de dépense.</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Moins pompeux qu’élégant, moins décoré que beau,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Un jardin, a mes yeux, est un vaste tableau.</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Soyez peintre. Les champs, leurs nuances sans nombre,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Les jets de la lumiere, et les masses de l’ombre,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Les heures, les saisons variant tour-a tour</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Le cercle de l’année, et le cercle du jour,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Et des prés émaillés les riches broderies,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Et des rians côteaux les vertes draperies,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Les arbres, les rochers, et les eaux, et les fleurs,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Ce sont la vos pinceaux, vos toiles, vos couleurs.</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">La nature est à vous; et votre main féconde</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Dispose, pour créer, des élémens du monde.</span><br>
-<span style="margin-left: 2em;">Mais avant de planter, avant que du terrein</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Votre bêche imprudente ait entamé le sein,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Pour donner aux jardins une forme plus pure,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Observez, connoissez, imitez la nature.</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">N’avez-vous pas souvent, aux lieux infrequentés,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Rencontré tout-a-coup ces aspects enchantés,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Qui suspendent vos pas, dont l’image chérie</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Vous jette en une douce, et longue réverie?</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Saisissez, s’il se peut, leurs traits les plus frappans,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Et des champs apprenez l’art de parer les champs.</span><br>
-<span style="margin-left: 2em;">Voyez aussi les lieux qu’un goût savant décore.</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Dans ces tableaux choisis vous choisirez encore.</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Dans sa pompe élégante admirez Chantilli,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">De héros en héros, d’âge en âge embelli.</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Belœil, tout à la fois magnifique, et champêtre,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Chanteloup, fier encor de l’exil de son Maitre,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Vous plairont tour-à tour. Tel que ce frais bouton,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Timide avant-coureur de la belle saison,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">L’aimable Tivoli, d’une forme nouvelle</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Fit le premier en France entrevoir le modèle.</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Les Grâces en riant dessinerent Montreuil.</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Maupertuis, le Desert, Rincy, Limours, Auteuil,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Que dans vos frais sentiers doucement on s’égare!</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">L’ombre du grand Henri chérit encore Navarre.</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Semblable à son auguste, et jeune dêité,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Trianon joint la grace avec la majesté:</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Pour elle il s’embellit, et s’embellit par elle.</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Et toi, d’un Prince aimable, ô l’asyle fidele!</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Dont le nom trop modeste est indigne de toi,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Lieu charmant! offre-lui tout ce que je lui doi,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Un fortuné loisir, une douce retraite.</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Bienfaiteur de mes vers, ainsi que du Poète,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">C’est lui qui dans ce choix d’Ecrivains enchanteurs,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Dans ce jardin paré de poétiques fleurs,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Daigne accueillir ma muse. Ainsi du sein de l’herbe</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">La violette croit auprès du lys superbe.</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Compagnon inconnu de ces hommes fameux,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Ah! si ma foible voix pouvoit chanter comme eux,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Je peindrois tes jardins, le dieu qui les habite,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Les arts, et l’amitié qu’il y mène a sa suite.</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Beau lieu! fais son bonheur. Et moi, si quelque jour,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Grace a lui, j’embellis un champêtre sejour,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">De mon illustre appui j’y placerai l’image.</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">De mes premieres fleurs je veux qu’elle ait l’hommage:</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Pour elle je cultive, et j’enlace en festons</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Le myrthe, et le laurier, tous deux chers aux Bourbons;</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Et si l’ombre, la paix, la liberté m’inspire,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">A l’auteur de ces dons je dévouerai ma lyre.</span><br>
-<span style="margin-left: 2em;">J’ai dit les lieux charmans que l’art peut imiter;</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Mais il est de écueils que l’art doit éviter.</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">L’esprit imitateur trop souvent nous abuse.</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Ne prêtez point au sol des beautés qu’il refuse:</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Avant tout, connoissez votre site; et du lieu</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Adorez le génie, et consultez le dieu.</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Ses loix impunément ne sont pas offensées.</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Cependant moins hardi qu’etrange en ses pensées,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Tous les jours dans les champs un artiste sans gout</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Change, mêle, déplace, et dénature tout;</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Et, par l’absurde choix des beautés qu’il allie,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Revient gàter en France un site d’Italie.</span><br>
-<span style="margin-left: 2em;">Ce que votre terrein adopte avec plaisir,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Sachez le reconnoitre, osez vous en saisir.</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">C’est mieux que la nature, et cependant c’est elle;</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">C’est un tableau parfait qui n’a point de modèle.</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Ainsi savoient choisir les Berghems, les Poussins.</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Voyez, étudiez leurs chef-d’œuvre divins:</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Et ce qu’a la campagne emprunta la peinture,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Que l’art reconnoissant le rende a la nature.</span><br>
-<span style="margin-left: 2em;">Maintenant des terreins examinons le choix,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Et quels lieux se plairont a recevoir vos loix.</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Il fut un tems funeste où, tourmentant la terre,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Aux sites les plus beaux l’art dêclaroit la guerre,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Et comblant les vallons, et rasant les côteaux,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">D’un sol heureux formoit d’insipides plateaux.</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Par un contraire abus l’art, tyran des campagnes,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Aujourd’hui veut créer des vallons, des montagnes.</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Evitez ces excès. Vos soins infructueux</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Vainement combattroient un terrein montueux,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Et dans un sol égal un humble monticule</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Veut etre pittoresque, et n’est que ridicule.</span><br>
-<span style="margin-left: 2em;">Desirez-vous un lieu propice a vos travaux?</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Loin des champs tropunis, des monts trop inégaux,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">J’aimerois ces hauteurs ou sans orgueil domine</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Sur un riche vallon une belle colline.</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Là, le terrein est doux sans insipidité,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Elevé sans roideur, sec sans aridité.</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Vous marchez: l’horizon vous obeit. La terre</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">S’éleve, ou redescend, s’etend, ou se reserre.</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Vos sites, vos plaisirs changent a chaque pas.</span><br>
-<span style="margin-left: 2em;">Qu’un obscur arpenteur, armé de son compas,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Au fond d’un cabinet, d’un jardin symmétrique</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Confie au froid papier le plan géometrique;</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Vous, venez sur les lieux. La, le crayon en main,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Dessinez ces aspects, ces côteaux, ce lointain;</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Devinez les moyens, pressentez les obstacles:</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">C’est des difficultés que naissent les miracles.</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Le sol le plus ingrat connoîtra la beauté.</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Est-il nu? que des bois parent sa nudité:</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Couvert? portez la hache en ces forêts profondes:</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Humide? en lacs pompeux, en rivieres fécondes</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Changez cette onde impure; et, par d’heureux travaux,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Corrigez a la fois l’air, la terre, et les eaux:</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Aride enfin? cherchez, sondez, fouillez encore:</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">L’eau, lente a se trahir, peut-être est près d’éclore.</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Ainsi d’un long effort moi-même rebute,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Quand j’ai d’un froid détail maudit l’aridité,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Soudain un trait heureux jaillit d’un fond stérile,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Et mon vers ranimé coule enfin plus facile.</span><br>
-<span style="margin-left: 2em;">Il est des soins plus doux, un art plus enchanteur.</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">C’est peu de charmer l’œil, il faut parler au cœur.</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Avez-vous donc connu ces rapports invisibles</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Des corps inanimés, et des êtres sensibles?</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Avez-vous entendu des eaux, des prés, des bois</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">La muette éloquence, et la secrette voix?</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Rendez-nous ces effets. Que du riant au sombre,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Du noble au gracieux, les passages sans nombre</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">M’interessent toujours. Simple, et grand, fort, et doux,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Unissez tous les tons pour plaire a tous les goûts.</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Lá, que le peintre vienne enrichir sa palette;</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Que l’inspiration y trouble le poète;</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Que le sage, du calme y goûte les douceurs;</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">L’heureux, ses souvenirs; le malheureux, ses pleurs.</span><br>
-<span style="margin-left: 2em;">Mais l’audace est commune, et le bon sens est rare.</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Au lieu d’être piquant, souvent on est bizarre,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Gardez que, mal unis, ces effets différens</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Ne forment qu’un cahos de traits incohérens:</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Les contradictions ne sont pas des contrastes.</span><br>
-<span style="margin-left: 2em;">D’ailleurs, a ces tableux il faut des toiles vastes.</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">N’allez pas resserrer dans des cadres étroits</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Des rivieres, des lacs, des montagnes, des bois.</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">On rit de ces jardins, absurde parodie</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Des traits que jette en grand la nature hardie,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Ou l’art invraisemblable a la fois, et grossier,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Enferme en un arpent un pays tout entier.</span><br>
-<span style="margin-left: 2em;">Au lieu de cet amas, de ce confus mélange,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Variez les objets, ou que leur aspect change.</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Rapprochés, eloignés, entrevus, découverts,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Qu’ils offrent tour-à tour vingt spectacles divers.</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Que de l’effet qui suit, l’adroite incertitude</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Laisse a l’œil curieux sa douce inquietude:</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Qu’enfin les ornemens avec gout soient placés,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Jamais trop imprévus, jamais trop annoncés.</span><br>
-<span style="margin-left: 2em;">Sur-tout, du mouvement: sans lui, sans sa magie,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">L’esprit desoccupé retombe en lethargie;</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Sans lui, sur vos champs froids mon œil glisse au hasard.</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Des grands peintres encore faut-il attester l’art?</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Voyez-les prodiguer de leur pinceau fertile</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">De mobiles objets sur la toile immobile,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">L’onde qui fuit, le vent qui courbe les rameaux,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Les globes de fumée exhalés des hameaux,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Les troupeaux, les pasteurs, et leurs jeux, et leur danse,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Saisissez leur secret. Plantez en abondance</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Ces souples arbrisseaux, et ces arbres mouvans</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Dont la tête obêit a l’haleine des vents;</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Quels qu’ils soient, respectez leur flotante verdure,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Et défendez au fer d’outrager la nature.</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Voyez-la dessiner ces chênes, ces ormeaux.</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Voyez comment sa main, du tronc jusqu’aux rameaux,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Des rameaux au feuillage augmentant leur souplesse,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Des ondulations leur donna la mollesse.</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Mais les ciseaux cruels... Prevenez ce forfait,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Nymphes des bois, courez. Que dis-je? c’en est fait.</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">L’acier a retranché leur cime verdoyante,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Je n’entends plus au loin sur leur tête ondoyante,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Le rapide aquilon legerement courir,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Frémir dans leurs rameaux, s’éloigner et mourir.</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Froids, monotones, morts, du fer qui les mutile</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Ils semblent avoir pris la roideur immobile.</span><br>
-<span style="margin-left: 2em;">Vous donc, dans vos tableaux amis du mouvement,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">A vos arbres laissez leur doux balancement.</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Qu’en mobiles objets la perspective abonde:</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Faites courir, bondir, et rejaillir cette onde.</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Vous voyez ces vallons, ces bois, ces champs deserts;</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Des différens troupeaux dans les sites divers</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Envoyez, répandez les peuplades nombreuses.</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Là, du sommet lointain des roches buissonneuses,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Je vois la chèvre pendre. Ici, de mille agneaux</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">L’écho porte les cris de côteaux en côteaux.</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Dans ces prês abreuvés des eaux de la colline,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Couché sur ses genoux, le bœuf pésant rumine;</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Tandis qu’impétueux, fier, inquiet, ardent,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Cet animal guerrier qu’enfanta le trident,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Déploie; en se jouant, dans un gras pâturage</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Sa vigueur indomptée, et sa grace sauvage.</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Que j’aime et sa souplesse, et son port animé,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Soit que dans le courant du fleuve accoutumé</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">En frissonnant il plonge, et luttant contre l’onde,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Batte du pied le flot qui blanchit, et qui gronde;</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Soit qu’à travers les prés il s’échape par bonds;</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Soit que livrant aux vents ses longs crins vagabonds,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Superbe, l’œil en feu, les narines fumantes,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Beau d’orgueil, et d’amour, il vole a ses amantes!</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Quand je ne le vois plus, mon œil le suit encor.</span><br>
-<span style="margin-left: 2em;">Ainsi de la nature épuisant le tresor,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Le terrein, les aspects, les eaux, et les ombrages</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Donnent le mouvement, la vie aux paysages.</span><br>
-<span style="margin-left: 2em;">Mais si du mouvement notre œil est enchanté,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Il ne chérit pas moins un air de liberté.</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Laissez donc des jardins la limite indécise,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Et que votre art l’efface, ou du moins la déguise.</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Où l’œil n’espere plus, le charme disparoit.</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Aux bornes d’un beau lieu nous touchons à regret:</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Bientôt il nous ennuie, et même nous irrite.</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Au-dela de ces murs, importune limite,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">On imagine encor de plus aimables lieux,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Et l’esprit inquiet désenchante les yeux.</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Quand toujours guerroyant vos gothiques ancetres</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Transformoient en champ-clos leurs asyles champetres</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Chacun dans son donjon, de murs environné,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Pour vivre surement, vivoit emprisonné.</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Mais que fait aujourd’hui cette ennuyeuse enceinte</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Que conserve l’orgueil, et qu’inventa la crainte?</span><br>
-<span style="margin-left: 2em;">A ces murs qui génoient, attristoient les regards,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Le goût préfereroit ces verdoyans remparts,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Ces murs tissus d’épine, où votre main tremblante</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Cueille et la rose inculte, et la mûre sanglante.</span><br>
-<span style="margin-left: 2em;">Mais les jardins bornés m’importunent encor.</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Loin de ce cercle étroit prenons enfin l’essor</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Vers un genre plus vaste, et des formes plus belles,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Dont seul Ermenonville offre encor des modèles.</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Les jardins appeloient les champs dans leur séjour,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Les jardins dans les champs vont entrer a leur tour.</span><br>
-<span style="margin-left: 2em;">Du haut de ces côteaux, de ces monts d’où la vue</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">D’un vaste paysage embrasse l’ètendu,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">La Nature au Génie a dit: »Ecoute moi.</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Tu vois tous ces trésors; ces trésors sont a toi.</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Dans leur pompe sauvage et leur brute richesse,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Mes tableaux imparfaits implorent ton adresse«</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Elle dit. Il s’elance, il va de toux côtés</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Fouiller dans cette masse où dorment cent beautes,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Des vallons aux côteaux, des bois a la prairie,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Il retouche en passant le tableau qui varie.</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Il sait au gre des yeux, reunir, détacher,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Eclairer, rembrunir, decouvrir, ou cacher.</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Il ne compose pas; il corrige, il epure,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Il acheve les traits qu’ébaucha la Nature.</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Le front des noirs rochers a perdu sa terreur;</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">La forêt egayée adoucit son horreur:</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Un ruisseau s’egaroit: il dirige sa course;</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Il s’empare d’un lac, s’enrichit d’une source.</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Il veut; et des sentiers courent de toutes parts</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Chercher, saisir, lier tous ces membres epars,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Qui, surpris, enchantés du nœud qui les rassemble,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Forment de cent details un magnifique ensemble.</span><br>
-<span style="margin-left: 2em;">Ces grands travaux peut-etre epouvantent votre art.</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Rentrez dans nos vieux parcs, et voyez d’un regard</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Ces riens dispendieux, ces recherches frivoles,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Ces treillages sculptes, ces bassins, ces rigoles.</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Avec bien moins de frais qu’un art minutieux</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">N’orna ce seul reduit qui plait un jour aux yeux,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Vous allez embellir un paysage immense.</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Tombez devant cet art, fausse magnificence,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Et qu’un jour transformée en un nouvel Eden,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">La France a nos regards offre un vaste jardin!</span><br>
-<span style="margin-left: 2em;">Que si vous n’osez pas tenter cette carriere,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Du moins, de vos enclos franchissant la barriere,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Par de riches aspects agrandissez les lieux.</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">D’un vallon, d’un côteau, d’un lointain gracieux,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Ajoutez a vos parcs l’etrangère etendue;</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Possedez par les yeux, jouissez par la vue.</span><br>
-<span style="margin-left: 2em;">Sur tout sachez saisir, enchainer a vos plants</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Ces accidens heureux qui distinguent les champs.</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Ici, c’est un hameau que des bois environnent:</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Lá, de leurs longues tours les Cités se couronnent;</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Et l’ardoise azurée, au loin frappant les yeux,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Court en sommet aigu se perdre dans les cieux.</span><br>
-<span style="margin-left: 2em;">Oublierai-je ce fleuve, et son cours, et ses rives?</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Votre œil de loin poursuit les voiles fugitives.</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Des isles quelquefois s’elevent de son sein;</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Quelquefois il s’enfuit sous l’arc d’un pont lointain.</span><br>
-<span style="margin-left: 2em;">Et si la vaste mer à vos yeux se presente,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Montrez, mais variez cette scene imposante.</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Ici, qu’on l’entrevoie a travers des rameaux,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Lá, dans l’enfoncement de ces profonds berceaux,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Comme au bout d’un long tube une voûte la montre.</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Au détour d’un bosquet ici l’œil la rencontre,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">La perd encore; enfin la vue en liberté</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Tout-à-coup la découvre en son immensité.</span><br>
-<span style="margin-left: 2em;">Sur ces aspects divers fixez l’œil qui s’égare;</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Mais, il faut l’avouer, c’est d’une main avare</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Que les hommes, les arts, la nature, et le temps</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Sèment autour de nous de riches accidens.</span><br>
-<span style="margin-left: 2em;">O plaines de la Grèce! o champs de l’Ausonie!</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Lieux toujours inspirans, toujours chers au génie;</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Que de fois arrêté dans un bel horizon,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Le peintre voit, s’enflamme, et saisit son crayon,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Dessine ces lointains, et ces mers, et ces isles,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Ces ports, ces monts brûlans, et devenus fertiles,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Des laves de ces monts encor tout menaçans,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Sur des palais détruits d’autres palais naissans,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Et, dans ce long tourment de la terre, et de l’onde,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Un nouveau monde éclos des debris du vieux monde</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Hélas! jé n’ai point vu ce séjour enchanté,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Ces beaux lieux où Virgile a tant de fois chanté;</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Mais, j’en jure et Virgile, et ses accords sublimes,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">J’irai; de l’Apennin je franchirai les cimes;</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">J’irai, plein de son nom, plein de ses vers sacrés,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Les lire aux mêmes lieux qui les ont inspirés.</span><br>
-<span style="margin-left: 2em;">Vous, épris des beautés qu’étalent ces rivages,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Au lieu de ces aspects, de ces grands paysages,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">N’avez-vous au-dehors que d’insipides champs?</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Qu’au-dedans, des objets mieux choisis, plus touchans</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Dédommagent vos yeux d’une vue étrangère:</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Dans votre propre enceinte apprenez a vous plaire;</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Symbole henreux du sage, independant d’autrui,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Qui rentre dans son ame, et se plait avec lui.</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Je m’enfonce avec vous dans ce secret asyle.</span><br>
-<span style="margin-left: 2em;">Toutefois aux lieux même où le sol plus fertile</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">En aspects variés est le plus abondant,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Des trésors de la vue èconome prudent,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Faites-les acheter d’une course legere.</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Que votre art les promette, et que l’œil les espère.</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Promettre, c’est donner; esperer, c’est jouir.</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Il faut m’intéresser, et non pas m’eblouir.</span><br>
-<span style="margin-left: 2em;">Dans mes leçons encor je voudrois vous apprendre</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">L’art d’avertir les yeux, et l’art de les surprendre.</span><br>
-<span style="margin-left: 2em;">Mais avant de dicter des préceptes nouveaux,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Deux genres, dès-long-tems ambitieux rivaux,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Se disputent nos vœux. L’un a nos yeux présente</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">D’un dessein régulier l’ordonnance imposante,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Prête aux champs des beautés qu’ils ne connoissoient pas?</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">D’une pompe étrangère embellit leurs appas,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Donne aux arbres des loix, aux ondes des entraves,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Et, despote orgueilleux, brille entouré d’esclaves.</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Son air est moins riant, et plus majestueux.</span><br>
-<span style="margin-left: 2em;">L’autre, de la nature amant respectueux,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">L’orne, sans la farder, traite avec indulgence</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Ses caprices charmans, sa noble négligence,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Sa marche irrégulière, et fait naitre avec art</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Les beautés, du desordre, et même du hasard.</span><br>
-<span style="margin-left: 2em;">Chacun d’eux a ses droits; n’excluons l’un ni l’autre:</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Je ne décide point entre Kent, et le Nôtre.</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Ainsi que leurs beautés, tous les deux ont leurs loix.</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">L’un est fait pour briller chez les Grands, et les Rois;</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Les Rois sont condamnés a la magnificence.</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">On attend autour d’eux l’effort de la puissance;</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">On y veut admirer, enyvrer ses regards</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Des prodiges du luxe, et du faste des arts.</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">L’art peut donc subjuguer la nature rébelle;</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Mais c’est toujours en grand qu’il doit triompher d’elle.</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Son éclat fait ses droits; c’est un usurpateur</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Qui doit obtenir grace a force de grandeur.</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Loin donc ces froids jardins, colifichet champêtre,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Insipides réduits, dont l’insipide maitre</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Vous vante, en s’admirant, ses arbres bien peignés,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Ses petits sallons verds bien tondus, bien soignés;</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Son plant bien symmétrique, ou, jamais solitaire,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Chaque allée a sa sœur, chaque berceau son frere;</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Ses sentiers ennyés d’obéir au cordeau,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Son parterre bordé, son maigre filet d’eau,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Ses buis tournés en globes, en pyramide, en vase,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Et ses petits bergers bien guindés sur leur base.</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Laissez-le s’applaudir de son luxe mesquin;</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Je préfere un champ brut a son triste jardin.</span><br>
-<span style="margin-left: 2em;">Loin de ces vains apprêts, de ces petits prodiges,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Venez, suivez mon vol au pays des prestiges,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">A ce pompeux Versaille, a ce riant Marly,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Que Louis, la nature, et l’art ont embelli.</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">C’est là que tout est grand, que l’art n’est point timide;</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Là tout est enchanté. C’est le palais d’Armide;</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">C’est le jardin d’Alcine, ou plutôt d’un héros</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Noble dans sa retraite, et grand dans son repos,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Qui cherche encor a vaincre, a dompter des obstacles,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Et ne marche jamais qu’entouré de miracles.</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Voyez-vous et les eaux, et la terre, et les bois,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Subjugués a leur tour, obéir a ses loix;</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">A ces douze palais d’elegante structure</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Ces arbres marier leur verte architecture;</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Ces bronzes respirer; ces fleuves suspendus,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">En gros bouillons d’ecume a grand bruit descendus,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Tomber, se prolonger dans des canaux superbes;</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Lá, s’epancher en nappe; ici, monter en gerbes;</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Et, dans l’air s’enflammant aux feux d’un soleil pur,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Pleuvoir en gouttes d’or, d’emeraude, et d’azur?</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Si j’egare mes pas dans ces bocages sombres,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Des Faunes, des Sylvains en out peuplé les ombres,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Et Diane, et Venus enchantent ce beau lieu.</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Tout bosquet est un temple, et tout marbre est un dieu;</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Et Louis, respirant du fracas des conquêtes,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Semble avoir invité tout l’Olympe a ses fêtes.</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">C’est dans ces grands effets que l’art doit se montrer.</span><br>
-<span style="margin-left: 2em;">Mais l’esprit aisement se lasse d’admirer.</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">J’applaudis l’Orateur dont les nobles pensées</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Roulent pompeusement, avec soin cadencées:</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Mais ce plaisir est court. Je quitte l’Orateur</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Pour chercher un ami qui me parle du cœur.</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Du marbre, de l’airain, que le luxe prodigue,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Des ornemens de l’art l’œil bientôt se fatigue;</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Mais les bois, mais les eaux, mais les ombrages frais,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Tout ce luxe innocent ne fatigue jamais.</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Aimez donc des jardins la beauté naturelle.</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Dieu lui-même aux mortels en traça le modèle.</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Regardez dans Milton. Quand ses puissantes mains</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Preparent un asyle aux premiers des humains,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Le voyez-vous tracer des routes regulieres,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Contraindre dans leur cours les ondes prisonnieres?</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Le voyez vous parer d’etrangers ornemens</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">L’enfance de la terre, et son premier printemps?</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Sans contrainte, sans art, de ses douces prémices</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">La Nature epuisa les plus pures délices.</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Des plaines, des côteaux le mêlange charmant,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Les ondes a leur choix errantes mollement,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Des sentiers sinueux les routes indécises,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Le desordre enchanteur, les piquantes surprises,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Des aspects où les yeux hesitoient a choisir,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Varioient, suspendoient, prolongeoient leur plaisir.</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Sur l’email velouté d’une fraiche verdure,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Mille arbres, de ces lieux ondoyante parure,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Charme de l’odorat, du goût, et des regards,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Elegamment groupés, negligemment epars,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Se fuyoient, s’approchoient, quelquefois a leur vue</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Ouvroient dans le lointain une scéne imprevue;</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Ou tombant jusqu’a terre, et recourbant leurs bras,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Venoient d’un doux obstacle embarasser leurs pas;</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Ou pendoient sur leur tête en festons de verdure,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Et de fleures, en passant, semoient leur chevelure,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Dirai-je ces forêts d’arbustes, d’arbrisseaux,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Entrelaçant en voûte, en alcove, en berceaux</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Leurs bras voluptueux, et leurs tiges fleuries?</span><br>
-<span style="margin-left: 2em;">C’es là que les yeux pleins de tendres reveries,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Eve a son jeune epoux abandonna sa main,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Et rougit comme l’aube aux portes du matin.</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Tout les felicitoit dans toute la nature,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Le ciel par son eclat, l’onde par son murmure,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">La terre, en tressaillant, ressentit leurs plaisirs;</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Zéphire aux antres verds redisoit leurs soupirs;</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Les arbres fremissoient, et la rose inclinée</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Versoit tous ses parfums sur le lit d’hymenée.</span><br>
-<span style="margin-left: 2em;">O bonheur ineffable! ô fortunés époux!</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Heureux dans ses jardins, heureux qui, comme vous,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Vivroit, loin des tourmens où l’orgueil est en proie,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Riche de fruits, de fleurs, d’innocence, et de joie!</span><br>
-</p>
-
-
-<p class="center p2">FIN DU PRÉMIER CHANT.</p>
-<hr class="chap x-ebookmaker-drop">
-
-<div class="chapter">
-<p><span class="pagenum" id="Page_3">[Pg 3]</span></p>
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-<p class="center p2"><span class="figcenter" id="img001b">
-<img src="images/001.jpg" class="w50" alt="Imagem decorativa">
-</span></p>
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-<h2 class="nobreak" id="CANTO_PRIMEIRO">OS JARDINS, <br><span class="small">POEMA</span></h2>
-</div>
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-<hr class="r5">
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-<p class="center big">CANTO PRIMEIRO.</p>
-<hr class="r5">
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-<p class="poetry">
-<span style="margin-left: 2em;">Renasce a Primavera, influe, e anima</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">As Aves, os Favonios, Flores, Musas.</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Que novo objecto á lyra os sons me pede?</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Ah! Quando a Terra despe antigos lutos</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Nos campos, nas florestas, sobre os montes,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Quando tudo se ri, tudo se inflamma</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">De amor, e de esperança, e de ventura,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Outro c’o a fantazia em Febo acceza,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Abra os fastos da Gloria aos grandes nomes,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">N’um carro fulminante alce o Triunfo,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Manche, ensanguente as mãos na taça horrivel</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Do vingativo Atrêo: sorrio-se Flora,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Vou cantar os Jardins, dizer qual arte</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Em terreno loução, dispoem, regùla</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">As flores, a corrente, a relva, as sombras.</span><br>
-<span style="margin-left: 2em;">Tu, que o vigor, e a graça entrelaçando,</span><br>
-<span class="pagenum" id="Page_5">[Pg 5]</span><span style="margin-left: 1em;">Dás ao canto didáctico energia,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">De Lucrecio na voz, se outr’hora, oh Musa,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">As austeras lições amaciaste;</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Se pôde o seu Rival (sem que nos labios</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">A linguagem dos Numes desluzisse)</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Ao laborioso arado unir o metro;</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Vem mais fertil ornar, mais rico assumpto,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;" id="note1">Assumpto amavel, que tentou Virgilio.</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Mãos não lancemos de atavio estranho;</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Das minhas mesmas flores vou croar-me:</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Qual pura luz, que bella nuvem doira,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">A expressão tingirei na côr do objecto.</span><br>
-<span style="margin-left: 2em;">Arte innocente, que em meus versos canto,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Origem teve nos cerúleos dias,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Nas Primavéras do recente Globo.</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Apenas o Homem submettêra os campos</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Á cultura efficaz, pôz mil disvelos</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">De viçósa porção no trato, e mimo,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Alinhou para si com leis, e industria</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Plantas selectas, escolhidas flores.</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;" id="note2">De Alcino o luxo, o gosto, ainda rude</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Punha a curto vergel módico enfeite;</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;" id="note3">Eis com arte maior, mais sumptuosa</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Jardins nos ares Babylonia ostenta.</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;" id="note4">Os Latinos Heróes, de Marte os Filhos,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Depois que Roma agrilhoava o Mundo,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Davão repouso ameno á gloria, ao raio,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Em frescos Hortos, que a Victoria ornára.</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Habitava os jardins outr’hora o Sabio,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Doutrinando os Mortaes mais ledo que hoje.</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Quando a Sabedoria Elysios teve,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Ereis vós, Dons do Céo, talvez Palacios?</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Não: vós ereis hum prado, hum rio, hum bosque</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">De imperturbavel paz ditoso abrigo,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Puras delicias, que a virtude anhéla.</span><br>
-<span class="pagenum" id="Page_7">[Pg 7]</span><span style="margin-left: 2em;">Corra-se pois, que he tempo, o novo espaço:</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;"><span class="smcap">Filippe</span>, e o bello assumpto a voz me alentão.</span><br>
-<span style="margin-left: 2em;">Para aformosear simples terrenos</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Não insulteis co’a pompa a Natureza;</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Este emprego requer sisudo Artista,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Parco em dispendios, na invenção profuso;</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Jardim, menos fastoso que elegante,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Jardim com mais belleza que atavío,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Parece aos olhos meus hum amplo quadro.</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Sede Pintor: o campo, os seus matizes,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Os reflexos da luz, da sombra as massas,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">As estações, e as horas, variando</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">O gyro do anno, o circulo diurno;</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Ricos esmaltes de cheirosos prados,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Dos oiteiros o alegre, o verde forro,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Aguas, boninas, arvores, penedos:</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Eis os vossos pinceis, têas, e côres.</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Podeis crear: a Natureza he vossa,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">E dóceis para vós os Elementos.</span><br>
-<span style="margin-left: 2em;">Mas antes de plantar, antes que encete</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Instrumento imprudente o seio á Terra,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Para dar aos jardins mais linda fórma</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Observai, reflecti, sabei de que arte</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Se imita, se arreméda a Natureza.</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Não tendes vezes mil em ermos sitios</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">De repente encontrado aquellas vistas,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Que as plantas, que os sentidos vos suspendem,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">E que em meditações quietas, longas</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Enlevão manso, e manso a fantazia?</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Tudo o melhor senhoreai c’o a mente,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Dos campos aprendei a ornar os campos.</span><br>
-<span style="margin-left: 2em;">Lugares, que sutil decóra o gosto,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Olhai tambem; nos escolhidos quadros</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Ainda há que escolher; por vós se admire</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">De Chantilli magnifica elegancia,</span><br>
-<span class="pagenum" id="Page_8">[Pg 8]</span><span style="margin-left: 1em;">Que de Heróes em Heróes, de Idade a Idade</span><br>
-<span class="pagenum" id="Page_9">[Pg 9]</span><span style="margin-left: 1em;" id="note5">Ganha novo esplendor. Belœil, a hum tempo</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Campestre, apparatoso, e tu que ainda</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Ufano Chanteloup, te desvaneces</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">De teu grande Senhor com o desterro;</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Todos vós alternais o bem dos olhos.</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Qual purpureo botão, mimoso, e breve,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Timido precursor da Quadra bella,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;" id="note6">O amavel Tivoli, de fórma estranha</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Á França descobrio ténue modélo.</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;" id="note7">Montreuil as Graças desenhárão rindo,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;" id="note8">Maupertuis, le Desert, com que alegria,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Auteuil, Rincy, Limours, quão docemente</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Nas vossas lindas, arejadas ruas</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Olhos se embebem, se extravião passos!</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Do grande Henrique a veneravel Sombra</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Ama ainda Navarra, e parecido</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;" id="note9">Comtigo Trianon, Deosa, que o reges,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Une a graça, o recreio á magestade,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Se adorna para ti, por ti se adorna.</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;" id="note10">Grato asylo d’hum Principe adoravel,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Tu, cujo nome de apoucada idéa</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">He indigno de ti; lugar vistoso,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Quanto lhe devo a teu Senhor, offrece:</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Hum plácido retiro, hum ocio lédo.</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Bemfeitor de meus versos, de meus dias,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Na eleição de atilados Escritores,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Em jardim, que do Pindo as rosas vestem,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Inclue a Musa minha, e brando a acolhe.</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Junto ao Lyrio soberbo, e magestoso</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Assim cresce a violeta humilde, e escura.</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">De illustres Vates não illustre socio,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Ah! se coubera em mim cantar como elles,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Pintára os teus jardins, pintára o Nume,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Que os habita, que os honra; o gosto, as artes,</span><br>
-<span class="pagenum" id="Page_10">[Pg 10]</span><span style="margin-left: 1em;">As virtudes, a gloria, os bens que o seguem,</span><br>
-<span class="pagenum" id="Page_11">[Pg 11]</span><span style="margin-left: 1em;">O ladeão em ti. Lugar formoso,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Sê tu sua ventura. Eu se algum dia</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Findar, por graça delle, amena estancia,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Mais bella a tornarei co’a bella imagem</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Do alto meu Protector; quero que sejão</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Minhas primeiras flores seu tributo.</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Para o busto real cultivo, enlaço</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Em virentes festões o loiro, o myrto,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Tão caros aos Bourbons, e se o repouso,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">A liberdade, as sombras me inspirarem,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Ao bemfazejo Heroe te sagro, oh lyra.</span><br>
-<span style="margin-left: 2em;">Fallei desses lugares deleitosos,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Que a arte deve imitar: convem que falle</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Dos escolhos que a mesma evitar deve.</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">O engenho imitador tambem se engana.</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Não dê belleza ao chão, que o chão não queira,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">A paragem conheça antes de tudo,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Do sitio adore o Genio, o Deos consulte:</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Impunemente as leis não se lhe aggravão.</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Nos Campos, todavia, a cada instante,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Menos audaz que estranho em fantasias,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Tudo altera, e confunde Artista inerte,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">E desnaturaliza, e perde tudo;</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Com absurda eleição mil graças liga:</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Encantavão na Italia, em França enjoão.</span><br>
-<span style="margin-left: 2em;">O que o terreno teu sem custo adopte</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Reconhece, e depois te apossa delle.</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Isto ainda he melhor que a Natureza,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Mas isto mesmo he ella, isto he perfeito</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Quadro brilhante, que não tem modélo.</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Dos Berghems, dos Poussins tal foi a escolha,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">De ambos estuda as producções divinas,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">E o muito que o pincel aos campos deve,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Arte cultivadora, agradecida,</span><br>
-<span class="pagenum" id="Page_12">[Pg 12]</span><span style="margin-left: 1em;">Nos jardins restitua á Natureza.</span><br>
-<span class="pagenum" id="Page_13">[Pg 13]</span><span style="margin-left: 2em;">Os terrenos agora se examinem,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">E que lugar se apraz das leis, que traças.</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Houve tempo fatal em que Arte infensa,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Guerra aos mais bellos sitios declarando,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Enchendo os valles, arrazando os montes,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Formou de chão gentil planicie ingrata.</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Hoje, rural Tyranno, outro Artificio</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Quer, por contrario abuso, erguer montanhas,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Valles quer profundar. Longe os excessos,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Longe as lidas, e ardis: tudo he baldado</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Contra intrataveis, repugnantes serros;</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">E sobre terra igual montinho humilde</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Cuida ser pictoresco, e move a riso.</span><br>
-<span style="margin-left: 2em;">Queres a teu suor lugar propicio?</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Foge as mui desiguaes, os muito planos</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Campos, e serras. Eu tomara os sitios</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Onde sem altivez fosse eminente</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">A rico valle matizado oiteiro.</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Não tendo insipidez, lá tem brandura</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">O solo complacente, he alto, he secco,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Estéril não, não rispido: caminhas;</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Obedece o horizonte, ergue-se a Terra,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Ou a Terra se abate, aperta, estende:</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Luzem de passo a passo encantos novos.</span><br>
-<span style="margin-left: 2em;">Dos Gabinetes no silencio triste,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">De compasso na dextra, embora ordene,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Artifice vulgar a symmetria</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">D’enfadoso jardim, confie embora</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">O Geometrico plano ao papel frio.</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Tu vai ver em si propria a Natureza.</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">O lapis maneando, alli copìa</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Este aspecto, estes longes, esta altura,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Meios advinha, obstáculos presente:</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Só a difficuldade he Mãi de assombros,</span><br>
-<span class="pagenum" id="Page_15">[Pg 15]</span><span style="margin-left: 1em;">E o chão de menos graça havella póde,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">He nu? Florestas a nudez lhe amparem.</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">He coberto? Os machados vão despillo.</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Humido? Em lagos de cristal pomposo,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Em ribeiras fecundas, transparentes</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Se converta, se aclare essa agua impura.</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Por trabalho feliz corrige a hum tempo</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Melhora as aguas, o terreno, os ares:</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">He árido talvez? Procura, sonda,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Torna ainda a sondar, não te enfasties:</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Póde ser que, em trahir-se vagarosa,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">A agua de rebentar esteja a ponto.</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Tal de hum tenaz esforço eu mesmo anciado,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Morna individuação maldigo, entejo,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Mas de estéril objecto aborrecido</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Idéa graciosa eis surge, eis salta:</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">O verso resuscita, e facil corre.</span><br>
-<span style="margin-left: 2em;">Inda mais doces que estes ha cuidados,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Arte existe inda mais encantadora.</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Falle-se ao coração, não basta aos olhos.</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">As invisiveis relações conheces</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Desses corpos sem alma, e dos que sentem?</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Das aguas, prados, selvas tens ouvido</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">A calada eloquencia, a voz occulta?</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Todos estes effeitos deves dar-nos.</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Do alegre ao melancolico, e do nobre</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Ao engraçado, os transitos sem conto</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Sempre me aprazem, me cativão sempre.</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Une, simples, e grande, forte, e brando,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Todo o matiz, que a todo o gosto agrade.</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">O Pintor enriqueça alli a idéa,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">A santa Inspiração turbe o Poeta.</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Alli remansos d’alma o Sabio goze,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Memorias o ditoso alli desfrute,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">De lagrimas se farte o miserando.</span><br>
-<span class="pagenum" id="Page_16">[Pg 16]</span><span style="margin-left: 2em;">Mas a audacia he commum, e o siso he raro.</span><br>
-<span class="pagenum" id="Page_17">[Pg 17]</span><span style="margin-left: 1em;">Graça ás vezes se crê a extravagancia.</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Evita que os effeitos, mal unidos,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">De incoherentes imagens formem cáhos;</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Vê que as contradicções não são contrastes.</span><br>
-<span style="margin-left: 2em;">Estes paineis de natural pintura</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Requerem longo espaço; em quadro estreito</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Não vás aprisionar montanhas, bosques,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Nem lagos, nem ribeiras. He costume</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Zombar desses jardins, paródia absurda</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Dos rasgos que a atrevida Natureza</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">No seu grande espectáculo derrama;</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Jardins, em que Arte rude, e inverosimil</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Hum Paiz todo n’uma geira encerra.</span><br>
-<span style="margin-left: 2em;">Em vez deste montão confuso, inerte,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Varía objectos, ou lhe altera a face.</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Perto, longe, patentes, quasi occultos,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Revezem todos mil diversas vistas.</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Dos effeitos seguintes a incerteza</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Grato desassocego aos olhos deixe,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Ornamentos o gosto emfim coloque,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Imprevistos jamais em demasia,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Jámais em demasia annunciados.</span><br>
-<span style="margin-left: 2em;">Presta sobre maneira o movimento;</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Sem a doce magia, a elle annexa,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Em lethargo recae a alma ociosa.</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Sem elle, por teus campos enfadonhos</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Em gyro casual vão sempre os olhos.</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Citarei outra vez altos Pintores?</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Lá diffunde o pincel pródigo, e fertil</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Móveis objectos sobre o panno immovel:</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">O rio foge, o vento encurva os ramos,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Globos de fumo das Aldêas sobem,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Os Gados, os Pastores brincão, danção.</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Cuida em te apoderar deste segredo,</span><br>
-<span class="pagenum" id="Page_18">[Pg 18]</span><span style="margin-left: 1em;">Dispoem sem parcimonia arbustos dóces,</span><br>
-<span class="pagenum" id="Page_19">[Pg 19]</span><span style="margin-left: 1em;">Arvores brandas, cuja afavel coma</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Das virações ao hálito obedece.</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Sejão quaes forem, tu, Cultor, venera</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">A vacilante, undisona verdura,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Tolhe, que o ferro a Natureza ultraje,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Ella c’o a mestra mão como desenha</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Desta parte os carvalhos, desta os olmos!</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Olha como do tronco até aos ramos,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Dos ramos té ás folhas desparzido</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Da Mãi universal benigno influxo;</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Vai das undulações dar-lhe a molleza.</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Porém golpes crueis... vedai tal crime,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Correi, Nynfas da selva... ah! Q’he de balde,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">O córte cerceou-lhe a gala, o viço.</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Já na cópa vivaz não oiço ao longe</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Correr os Aquilões, bramir na rama,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Affastar-se, expirar. Tácitos, frios,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Mortos do ferro os vegetaveis Entes,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Delle semelhão rispideza immovel.</span><br>
-<span style="margin-left: 2em;">Ás plantas deixa, pois, tremor suave</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Nos quadros teus, do movimento amigos:</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Faze fugir, ferver, saltar as aguas.</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Vês estes valles, solidões, florestas?</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Por varios sitios de diversos gados.</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">A nédia multidão se envie, e alongue.</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Além vejo a cabrinha roedora</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Pender do cume de remotas penhas,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Aqui mil cordeirinhos melindrosos</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Soltão queixumes, que de serro a serro</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Vai éco em molles sons amiudando.</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Nestes, que as aguas da collina sorvem,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Prados lustrosos, sobre as mãos se estende,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">E ruminando jaz o Boi pesado,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Em quanto generoso, altivo, accezo,</span><br>
-<span class="pagenum" id="Page_20">[Pg 20]</span><span style="margin-left: 1em;">O filho do Tridente, o Marcio Bruto</span><br>
-<span class="pagenum" id="Page_21">[Pg 21]</span><span style="margin-left: 1em;">Ostenta, vicejando, em pingues pastos,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">O indómito vigor, e o brio agreste.</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Quanto me atrahe, me regozija, quanto</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">A audaz agilidade, o gesto activo!</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Ou elle, usado ás fluviais correntes,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Sobre ellas se arremesse, estremecendo,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">E luctando depois, c’os pés sacuda</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">As ondas, que murmurão, que branqueão;</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Ou atravez dos prados salte, e fuja;</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Ou, longa crina errante aos ventos dada,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Brotando os olhos fogo, as ventas fumo,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Bello de orgulho, e amor, voe ás amadas.</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Sumio-se já, e a vista ainda o segue.</span><br>
-<span style="margin-left: 2em;">O thesoiro exhaurindo á Natureza,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Assim terrenos, vistas, e agua, e sombras</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Dão ás paizagens movimento, e vida.</span><br>
-<span style="margin-left: 2em;">Porém se o movimento encanta os olhos,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">De liberdade hum ar não menos querem.</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">O limite aos jardins fique indeciso;</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Ou com arte se esconda, ou se disfarce.</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Não ha mais que esperar? Vôa o feitiço.</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Com certo dissabor o fim se tóca</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">De huma estancia aprazivel: cedo enfada,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">E irrita finalmente; alem dos muros,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Importuna barreira, inda se ideão</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Lugares mais gentis, mais attractivos,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">E a alma inquieta desencanta os olhos.</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Quando nossos Avós, á guerra affeitos,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Seus campos em castellos convertião,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Cada qual em munida, enorme torre</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Preso vivia por viver seguro.</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Mas hoje de que servem taes muralhas,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Que o temor inventou, mantem o orgulho?</span><br>
-<span style="margin-left: 2em;">A estes, que prendendo outr’hora a vista,</span><br>
-<span class="pagenum" id="Page_22">[Pg 22]</span><span style="margin-left: 1em;">A vista duramente entristecião,</span><br>
-<span class="pagenum" id="Page_23">[Pg 23]</span><span style="margin-left: 1em;">Prefere o gosto verdejantes muros,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Muros tecidos de espinhoso enredo,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Muros, por onde a mão, tremendo, colhe</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">A rosa inculta, a amóra ensanguentada.</span><br>
-<span style="margin-left: 2em;">Mas jardim limitado inda me ancêa.</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Surja-se em fim de hum circulo tão breve</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">A genero mais vasto, e mais formoso,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">De que hoje Ermenonville he só modélo.</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Os jardins para si chamavão campos,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Vão nelles os jardins entrar agora.</span><br>
-<span style="margin-left: 2em;">Do cimo desses montes, donde os olhos</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Paizagem dilatada abração, medem,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">A madre Natureza ao Genio disse:</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Os thesoiros, que vês, são teus: envoltos</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Na rude pompa, na opulencia bruta,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Os quadros meus tua destreza implorão.</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Ella diz, elle vôa: em toda a parte</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Esquadrinha esta massa, onde repousão,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Onde dormindo estão bellezas cento.</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Do valle á serra, da floresta ao prado</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Vai retocando os quadros, que varía.</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Dos olhos a sabor, une, e desune,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Illumina, escurece, occulta, ou mostra:</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Não destróe, não compoem, corrige, apura,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">O esboço aperfeiçoa á Natureza.</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Carrancudo terror já despem rochas,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">O bosque alegre adóça, encurta as sombras;</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Hia perder-se hum rio: eis o encaminhão;</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">De hum lago se apodera a mão geitosa,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">De cristalina fonte se enriquece.</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Quer, e veredas mil subito correm</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">A demandar, cingir, prender os membros,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Por aqui, por alli soltos, dispersos,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Os membros, que assombrados, que attrahidos</span><br>
-<span class="pagenum" id="Page_24">[Pg 24]</span><span style="margin-left: 1em;">Da engenhosa união, do nó, que os junta,</span><br>
-<span class="pagenum" id="Page_25">[Pg 25]</span><span style="margin-left: 1em;">Formão de cem porções hum todo insigne.</span><br>
-<span style="margin-left: 2em;">Talvez, campestre Artifice, te espantem</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Estes grandes trabalhos. Entra os nossos</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Idosos parques; de huma vez contempla</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Apuros vãos, dispendiosos nadas;</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">As estacadas vê, regos, e tanques.</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Preço menor do que a minucias coube</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Para ornar o que hum dia apraz somente,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Póde aformosear hum campo immenso.</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Fallaz, e sem sabor magnificencia,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Cahe ante esta arte, e por milagre della</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">A cara Patria minha se transforme</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Toda em vasto jardim, n’um Eden novo!</span><br>
-<span style="margin-left: 2em;">Se não ousas tentar esta carreira,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Ao menos, franqueando o teu circuito,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">De aspectos opulentos o engrandece.</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">De hum valle, hum serro, huns agradaveis longes</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Ajunta posse alhêa á posse tua:</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Rege c’oa vista, pelos olhos gosa.</span><br>
-<span style="margin-left: 2em;">Os varios, favoraveis accidentes,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Com que innumeros campos se distinguem,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Une principalmente a teus plantios.<a id="FNanchor_1" href="#Footnote_1" class="fnanchor">[1]</a></span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Aqui jaz hum lugar, que cingem bosques,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Acolá torreões Cidades croão,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">E a grimpa azul, ferindo ao longe os olhos,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Vai sumir pelos Ceos o agudo extremo.</span><br>
-<span style="margin-left: 2em;">Hum rio omitirei, e as margens suas?</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Após fugazes vélas corre a vista.</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Ilhas ás vezes sahem do vitreo seio,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Ponte arqueada outr’hora o furta aos olhos.</span><br>
-<span style="margin-left: 2em;">Se os mares espaçosos descortinas,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Offrece, mas varía a grave scena.</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Mal se divise aqui por entre as folhas,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Huma abóbada além, qual no remate</span><br>
-<span class="pagenum" id="Page_26">[Pg 26]</span><span style="margin-left: 1em;">De tubo extenso, aos olhos o apresente</span><br>
-<span class="pagenum" id="Page_27">[Pg 27]</span><span style="margin-left: 1em;">Em fundo de odoriferas latadas;</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Nas voltas de florente bosquezinho</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Aqui se encontra o mar, alli se perde:</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Eis sùbito apparece em toda a sua</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Fervente, rugidora immensidade.</span><br>
-<span style="margin-left: 2em;">Folgue a attenção nestes semblantes vários;</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Mas com mesquinhas mãos (cumpre que o diga)</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Os Homens, Natureza, o Tempo, as Artes</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Nos cercão de tão ricos accidentes.</span><br>
-<span style="margin-left: 2em;">Oh Planicies da Grecia! Ausonios Campos!</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Lugares divinais, inspiradores,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Sempre caros ao genio! Ah! quantas vezes</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Embebido n’um mágico horisonte,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">O pintor vê, se inflamma, e toma o lapis,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">E debuxa esses longes, essas ilhas,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Esse pégo, esses portos, esses montes,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Torrados de volcões, e já fecundos;</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">As lavas delles, que ameação, fervem,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Palacios, que em ruinas de outros surgem,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Hum novo Mundo que do velho assoma</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Nestes de Terra, e Mar longos tormentos.</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Ah! Eu inda não vi essa risonha,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Essa encantada estancia, onde mil vezes</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Soou do Mantuano a voz divina,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Mas, pelo Vate, pelo Vate o juro,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Heide, Apenino, transcender teus cumes,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">E cheio do seu nome, e de seus versos,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Lêlos naquelles amorosos sitios,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Sitios, cópia do Ceo, que os inspirárão.</span><br>
-<span style="margin-left: 2em;">De encantadoras margens namorado,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Por fóra ingratos campos tens sómente</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Em vez de aspectos que interessem a alma?</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">De estranha vista, que atedía o gosto,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Vinguem-te objectos de mais bella escolha.</span><br>
-<span class="pagenum" id="Page_28">[Pg 28]</span><span style="margin-left: 1em;">Aprende a deleitar-te em teu recinto,</span><br>
-<span class="pagenum" id="Page_29">[Pg 29]</span><span style="margin-left: 1em;">Sê o emblema do Sabio independente,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Que entra em si mesmo, e que se apraz comsigo.</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Nesse asylo fiel nos entranhemos.</span><br>
-<span style="margin-left: 2em;">Todavia em lugares onde a Terra</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">De aspectos variados mais abunde,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Os thezoiros da vista he bem que poupes,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">E seja leve gyro o custo delles.</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;" id="note11">A arte os prometta, os olhos os esperem;</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Dá quem promette, quem espera goza.</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Releva, que enfeitices, não que assombres.</span><br>
-<span style="margin-left: 2em;">Entre minhas lições tambem quizera</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Duas artes de effeitos encontrados:</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Huma os olhos adverte, outra os saltêa.</span><br>
-<span style="margin-left: 2em;">Mas antes de dictar preceitos novos,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Dois generos, ha tempo émulos ambos,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Disputão nossos vótos. Hum presenta</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">De regular desenho a ordem grave,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Aos campos dá bellezas que ignoravão,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">De pompa desusada os atavia,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">E ás arvores poem leis, põe freio ás ondas;</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Brilha entre Escravos, Déspota orgulhoso:</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">He mais em magestade, em riso he menos.</span><br>
-<span style="margin-left: 2em;">Da Natureza respeitoso Amante,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">O outro lhe ajusta comedido enfeite,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Trata benignamente os feiticeiros</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Caprichos seus, o seu desleixo nobre,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">O passo irregular, e extrahe com arte</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Lindezas da desordem, té do acaso.</span><br>
-<span style="margin-left: 2em;">Cada qual tem seu jus, nenhum se exclua;</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;" id="note12">Entre Kent, e le Notre eu não decido.</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Ambos tem leis, tem graças: hum creou-se</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Para Grandes, e Reis: oh Reis! oh Grandes,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Sois á magnificencia condemnados.</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Em torno a vós o esforço, o extremo, o apuro</span><br>
-<span class="pagenum" id="Page_30">[Pg 30]</span><span style="margin-left: 1em;">De alto poder se espera; alli queremos</span><br>
-<span class="pagenum" id="Page_31">[Pg 31]</span><span style="margin-left: 1em;">Que em prodigios, o luxo, o gosto, as artes</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Excitem pasmos, embriaguem vistas.</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Rebelde a Natureza á Industria cede;</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Mas deve grão triunfo honrar a Industria;</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Ella em seu esplendor tem seus direitos,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">He huma usurpadora, e lhe compete</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Á força de grandeza obter desculpa.</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Longe, pois, os Jardins desengenhosos,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Insulsa Estancia, de que o Dono insulso</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">As arvores garridas fôfo exalta.</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Os pequenos salões bem decotados,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">A extrema symmetria escrupulosa,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Passeios, onde nunca solitaria,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Alameda não ha, que irmãa não tenha;</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Caminhos degostosos, enjoados</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Da obediencia ao cordel, os seus canteiros</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Bordados, e os seus tenues fios de agua;</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Das arvores algumas torneadas</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Em vasos, em pyramides, em globos,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">E alçados bem na base os Pastorinhos.</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Gabe o seu luxo pobre: eu anteponho</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Hum campo bruto a seu jardim tristonho.</span><br>
-<span style="margin-left: 2em;">Distante destes minimos portentos,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Segue meu vôo á patria dos prestigios,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Vê Versailles, Marly, pomposos, lédos,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Onde Luiz, e a Natureza, e a Arte</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Em tanta cópia desparzirão graças.</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Que afoito resplandece alli o engenho!</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Alli tudo he grandeza, he tudo encanto,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">São de Alcina os jardins, de Armida os Paços,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Antes os de hum Heróe, que inda procura</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Vencer, domar obstaculos, sublime</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Em seu retiro, em seu repouso, e sempre</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Caminha, de milagres circundado.</span><br>
-<span class="pagenum" id="Page_32">[Pg 32]</span><span style="margin-left: 1em;">Aquellas aguas vês, a terra, os bosques?</span><br>
-<span class="pagenum" id="Page_33">[Pg 33]</span><span style="margin-left: 1em;">Submettidos tambem, seu jugo adorão.</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Das arvores á verde arquitectura</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Olha com que elegancia estão cazados</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">De fórma singular Palacios doze!</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Vê bronzes, que respirão, vê correntes</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Que, soltas da repreza, esbravejando,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Em grossos borbotões de fofa espuma</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Cahem, e se estendem por canaes soberbos;</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Em lustrosa espadana além se espalhão,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Em pavêas brilhantes cá se elevão,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">E nos benignos ares incendidas</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">De hum sol immaculado, eis chovem gotas</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Côr de oiro, de safira, e de esmeralda.</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Selvas, por onde absorto me extravio,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Os Sátyros, os Faunos vos povoão,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Em vós Diana influe, e Citheréa;</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">He cada bosquezinho em vós hum Templo,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Cada mármore hum Deos. Luiz, folgando</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Do pezo marcial, do horror da Guerra,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Como que nesta, a Jove idónea Estancia,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Convida todo o Olympo a seus festejos.</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Nestes grandes effeitos he que importa</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Que a arte se esmere, avulte, e brilhe, e encante.</span><br>
-<span style="margin-left: 2em;">Facilmente porém o assombro péza.</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Louvo o Orador que erguidos pensamentos</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Na luz, na pompa, na cadencia envólve,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Mas he curto prazer, e o deixo, e corro</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">A escutar corações na voz de amigos;</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Mármores, bronzes, que alardêa o luxo,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Arte ostentosa em breve os olhos cança.</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Mas as correntes, o arvoredo, as sombras,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Este luxo innocente, ah! não fatiga,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Não fatiga jámais. Deos mesmo aos homens</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;" id="note13">Traçou este modélo. Atenta em Milton.</span><br>
-<span class="pagenum" id="Page_34">[Pg 34]</span><span style="margin-left: 1em;">Quando essa eterna Mão, que rege tudo,</span><br>
-<span class="pagenum" id="Page_35">[Pg 35]</span><span style="margin-left: 1em;">Aos primeiros Mortais guarida aprésta,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Regulares caminhos abre acaso,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Talvez cativa na carreira as ondas?</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">De improprias, de forçadas vestiduras</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Cobre a infancia do Mundo, a Primavera</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Recemnascida? Não, sem arte alguma,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">E sem constrangimento, a Natureza</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Estreou, exhaurio delicias puras,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Delicias puras, que nem ha na idéa.</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">O misto amavel de planicie, e monte,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Livres, e mollemente errando as aguas,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Veredas tortuosas, e indecisas,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Gratas desordens, novidades gratas,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Aspectos, onde os olhos mal sabião</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Escolher, preferir, tudo alongava,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Entretinha o prazer na variedade.</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Sobre viçoso esmalte aveludado</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Mil arvores, mil plantas, mil arbustos,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Destes lugares ondeante adorno,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Iman da vista, do sabor, e olfato,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Em grupos elegantes, movediços,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Em natural, dispersa negligencia,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Já se fugião, já se avisinhavão.</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Seu brando movimento ao longe ás vezes</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Inopinada scena aos olhos dava;</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Ou com pendor gentil curvando a rama,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Aos passos vinhão pôr suave estorvo;</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Ou sobre as frontes em festões pendião,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Ou, na passagem, lhe entornavão flores.</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Lindos Bosques direi de tenras plantas,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Em latadas, e abóbadas travando</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Troncos florentes, e florentes braços?</span><br>
-<span style="margin-left: 2em;">Lá de imaginações, queridas, ternas,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Cheios a mente, o coração, e os olhos,</span><br>
-<span class="pagenum" id="Page_37">[Pg 37]</span><span style="margin-left: 1em;">Deo Eva ao bello Amante a mão mimosa,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">E córou como a Aurora ás portas de oiro.</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">A Natureza toda os afagava,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">O Céo c’o a luz, com seu murmureo as ondas;</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Tremendo a Terra, lhes sentia os gostos;</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Favonio aos écos os suspiros dava;</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">O Arvoredo rugia, e curva a Rosa,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Cedia ao tóro seus perfumes todos.</span><br>
-<span style="margin-left: 2em;">Oh ventura inefavel, Par tranquillo!</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Feliz quem, como vós, nos seus amados,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Bonançosos jardins, longe dos males</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Que a Soberba atormentão, vive rico</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">De flores, frutos, innocencia, e gosto!</span><br>
-</p>
-
-
-<p class="center p2">FIM DO CANTO PRIMEIRO.</p>
-
-
-<div class="footnotes"><h3>NOTAS DE RODAPÉ:</h3>
-
-<div class="footnote">
-
-<p><a id="Footnote_1" href="#FNanchor_1" class="label">[1]</a> Vem no Diccionario de Sousa, e a harmonia, e necessidade
-do termo animou-me a adoptallo, parecendo-me todavia que os Camponezes
-o usão. A palavra <i>Paizagens</i>, de cuja pureza duvidei, acha-se em
-bons Escritores nossos, sendo hum delles Rodrigues Lobo, para mim de
-tanta decisão como os melhores.</p>
-
-</div>
-</div>
-
-<p><span class="pagenum" id="Page_38">[Pg 38]</span></p>
-<p class="center p2"><span class="figcenter" id="img002a">
-<img src="images/002.jpg" class="w50" alt="Imagem decorativa">
-</span></p>
-
-<h2 class="nobreak" id="CHANT_SECOND">LES JARDINS, <br><span class="small">POÈME,</span></h2>
-
-<hr class="r5">
-
-<p class="center big">CHANT SECOND.</p>
-<hr class="r5">
-
-
-<p class="poetry">
-<span style="margin-left: 2em;">Oh! si j’avois ce luth dont le charme autrefois</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Entrainoit sur l’Hémus les rochers, et les bois,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Je le ferois parler; et sur les paysages</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Les arbres tout-à coup déploiroient leurs ombrages.</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Le chêne, le tilleul, le cèdre, et l’oranger</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">En cadence viendroient dans mes champs se ranger.</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Mais l’antique harmonie a perdu ses merveilles;</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">La lyre est sans pouvoir, les rochers sans oreilles;</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">L’arbre reste immobile aux sons les plus flateurs,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Et l’art, et le travail sont les seuls enchanteurs.</span><br>
-<span style="margin-left: 2em;">Apprenez donc de l’art quel soin, et quelle adresse</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Donne aux arbres divers la grace, ou la richesse.</span><br>
-<span style="margin-left: 2em;">Par ses fruits, par ses fleurs, par son beau vetement,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">L’arbre est de nos jardins le plus bel ornement.</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Pour mieux plaire a nos yeux combien il prend de formes!</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">La s’étendent ses bras pompeusement informes;</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Sa tige ailleurs s’elance avec legereté,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Ici, j’aime sa graçe, e la, sa majesté.</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Il tremble au moindre soufile, ou contre la tempête</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Roidit son tronc noueux, et sa robuste tête.</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Rude, ou poli, baissant, ou dressant ses rameaux,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Veritable proteé entre les vegetaux,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Il change incessament, pour orner la nature,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Sa taille, sa couleur, ses fruits, et sa verdure.</span><br>
-<span style="margin-left: 2em;">Ces effets variés sont les trésors de l’art,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Que le goût lui defend d’employer au hasard.</span><br>
-<span style="margin-left: 2em;">Des divers plants encor la forme, et l’étendue</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Sous des aspects divers se presente a la vue.</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Tantôt un bois profond, sauvage, tenebreux,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Epanche une ombre immense, et tantot moins nombreux</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Un plant d’arbres choisis forme un riant bocage,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Plus-loin, distribués dans un frais paysage,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Des groupes elegans fixent l’œil enchanté:</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Ailleurs se confiant a sa prope beauté,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Un arbre seul se montre, et seul orne la terre.</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Tels, si la paix des champs peut rappeler la guerre,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Une nombreuse armée étale a nos regards</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Des bataillons épais, des pelottons epars;</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Et la, fier de sa force, et de sa renomée,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Un heros seul avance, et vaut seul une armée.</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Tous ces plants differens suivent diverses loix.</span><br>
-<span style="margin-left: 2em;">Dans les jardins de l’art, notre luxe autrefois</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Des arbres isolés dedaignoit la parure:</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Ils plaisent aujourd’hui dans ceux de la nature.</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Par un caprice heureux, par de savans hasards,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Leurs plants desordonnés charmeront nos regards.</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Qu’ils different d’aspect, do forme, de distance;</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Que toujours la grandeur, ou du moins l’elegance,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Distingue chaque tige, ou que l’arbre honteux</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Se cache dans la foule, et disparoisse aux yeux.</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Mais lorsqu’un chêne antique, ou lorsqu’un vieil érable,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Patriarche des bois, leve un front vénérable,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Que toute sa tribu, se rangeant à l’entour,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">S’écarte avec respect, et compose sa cour;</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Ainsi, l’arbre isolé plait aux champs qu’il décore.</span><br>
-<span style="margin-left: 2em;">Avec bien plus de choix, et plus de goût encore,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Les grouppes formeront mille tableaux heureux.</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">D’arbres plus ou moins forts, et plus ou moins nombreux</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Formez leur masse épaisse, ou leurs touffes legères:</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">De loin l’œil aime à voir tout ce peuple de frères.</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">C’est par eux que l’on peut varier ses dessins,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Rapprocher, et tantôt repousser les lointains,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Réunir, séparer, et sur les paysages</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Etendre, ou replier le rideau des ombrages.</span><br>
-<span style="margin-left: 2em;">Vos grouppes sont formés: il est temps que ma voix</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">A connoitre un peu d’art accoutume les bois.</span><br>
-<span style="margin-left: 2em;">Bois augustes, salut! Vos voûtes poétiques</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">N’entendent plus le Barde, et ses affreux cantiques;</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Mais un plus doux délire habite vos déserts,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Et vos antres encor nous instruisent en vers,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Vous inspirez les miens, ombres majestueuses!</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Souffrez donc qu’aujourd’hui mes mains respectueuses</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Viennent vous embellir, mais sans vous profaner;</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">C’est de vous que je veux apprendre à vous orner.</span><br>
-<span style="margin-left: 2em;">Les bois peuvent s’offrir sous des aspects sans nombre.</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Ici, des troncs pressés rembruniront leur ombre:</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Lá, de quelques rayons égayant ce séjour,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Formez un doux combat de la nuit, et du jour.</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Plus loin, marquant le sol de leurs feuilles légères,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Quelques arbres épars joueront dans les clairières,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Et flottant l’un vers l’autre, et n’osant se toucher,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Paroitront á la fois se fuir, et se chercher.</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Ainsi le bois par vous perd sa rudesse austère:</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Mais n’en détruisez pas le grave caractère.</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">De détails trop fréquens d’objets minutieux</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">N’allez paz découper son ensemble á nos yeux.</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Qu’il soit un, simple, et grand, et que votre art lui laisse</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Avec toute sa pompe, un peu de sa rudesse.</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Montrez ces troncs brisés; je veux des noirs torrens</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Dans le creux des ravins suivre les flots errans.</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Du temps, des eaux, de l’air n’effacez point la trace,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">De ces rochers pendans respectez la menace,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Et qu’enfin dans ces lieux, empreints de majesté,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Tout respire une mâle, et sauvage beauté.</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Telle on aime d’un bois la rustique noblesse.</span><br>
-<span style="margin-left: 2em;">Le bocage moins fier, avec plus de molesse</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Déploie á nos regards des tableaux plus rians,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Veut un site agréable, et des contours lians,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Fuit, revient, et s’égare en routes sinueuses,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Promène entre des fleurs des eaux voluptueuses;</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Et j’y crois voir encore, ivre d’un doux loisir,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Epicure dicter les leçons du plaisir.</span><br>
-<span style="margin-left: 2em;">Mais c’est peu qu’en leur sein le bois, ou le bocage</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Renferment leur richesse êlégante ou sauvage;</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Il en faut avec soin embellir les dehors.</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Avant tout, n’allez point, symmétrisant leurs bords,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Par vos murs de verdure, et vos tristes charmilles</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Nous cacher des forêts les nombreuses familles:</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Je veux les voir; je veux, perçant au fond des bois,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Voir ces arbres divers qui croissent á la fois;</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Les uns tout vigoureux, et tout frais de jeunesse,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">D’autres tout décrépits, tout noueux de vieillesse;</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Ceux-ci rampans, ceux-lá fiers tyrans des forêts,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Des tributs de la sève épuisant leurs sujets:</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Vaste scène, où des mœurs, de la vie, et des àges,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">L’esprit avec plaisir reconnoit les images.</span><br>
-<span style="margin-left: 2em;">Près de ces grands effets, que sont ces verts remparts</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Dont la forme importune attriste les regards,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Forme toujours la même, et jamais imprévue?</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Riche variété, délices de la vue,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Accours, viens rompre enfin l’insipide niveau,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Brise la triste équerre, et l’ennuyeux cordeau.</span><br>
-<span style="margin-left: 2em;">Par un mêlange heureux de golphes, de saillies,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Les lisieres des bois veulent être embellies.</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">L’œil, qui des plants tracés par l’uniformité</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Se dégoûte, et s’élancé á leur extrêmité,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Se plaît á parcourir, dans sa vaste étendue,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">De ces bords variés la forme inattendue;</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Il s’égare, il se joue en ces replis nombreux;</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Tour-á-tour il s’enfonce, il ressort avec eux;</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Sur les tableaux divers que leur chaîne compose</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">De distance en distance avec plaisir repose:</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Le bois s’en aggrandit, et, dans ses longs retours,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Varie á chaque pas son charmee et ses détours.</span><br>
-<span style="margin-left: 2em;">Dessinez donc sa forme, et d’abord qu’on choisisse</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Les arbres dont le Goût prescrit le sacrifice.</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Mais ne vous hâtez point; condamnez á regrêt:</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Avant d’exécuter un rigoureux arrêt,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Ah! songez que du temps ils sont le lent ouvrage,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Que tout votre or ne peut racheter leur ombrage,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Que de leur frais abri vous goûtiez la douceur.</span><br>
-<span style="margin-left: 2em;">Quelquefois cependant un ingrat possesseur,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Sans besoin, sans remords les livre á la cognée.</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Renversés sur le sein de la terre indignée,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Ils meurent; de ces lieux s’éxilent pour toujours</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">La douce rêverie, et les discrets amours.</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Ah! par ces bois sacrés, dont le feuillage sombre</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Aux danses du hameau prêta souvent son ombre,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Par ces dômes touffus qui couvroient vos ayeux,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Profanes, respectez ces troncs religieux;</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Et quand l’âge leur laisse une tige robuste,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Gardez-vous d’attenter á leur vieillesse auguste.</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Trop-tôt le jour viendra que ces bois languissans,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Pour céder leur empire á de plus jeunes plants,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Tomberont sous le fer, et de leur tête altière</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Verront l’antique honneur flétri dans la poussiere.</span><br>
-<span style="margin-left: 2em;">O Versaille! ô regrêts! ô bosquets ravissans,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Chefs-d’œuvre d’un grande Roi, de Le Nôtre, et des ans!</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">La hâche est á vos pieds, et votre heure est venue.</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Ces arbres dont l’orgueil s’élançoit dans la nue,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Frappés dans leur racine, et balançant dans l’air</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Leurs superbes sommets ébranlés par le fer,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Tombent, et de leurs troncs jonchent au loin ces routes</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Sur qui leurs bras pompeux s’arondissoient en voûtes:</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Ils sont détruits, ces bois, dont le front glorieux</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Ombrageoit de Louis le front victorieux,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Ces bois, où célébrant de plus douces conquêtes,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Les arts voluptueux multiplioient les fêtes!</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Amour, qu’est devenu cet asyle enchanté</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Qui vit de Montespan soupirer la fierté?</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Qu’est devenu l’ombrage où si belle et si tendre,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">A son amant surpris, et charmé de l’entendre,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">La Valière apprenoit le secret de son cœur,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Et sans se croire aimée avouoit son vainqueur?</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Tout périt, tout succombe; au bruit de ce ravage</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Voyez-vous point s’enfuir les hôtes du bocage?</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Tout ce peuple d’oiseaux fiers d’habiter ces bois,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Qui chantoient leurs amours dans l’asyle des Rois,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">S’exilent á regret de leurs berceaux antiques.</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Ces Dieux, dont le ciseau peupla ces verds portiques,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">D’un voile de verdure autrefois habillés,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Tous honteux aujour d’hui de se voir dépouillés,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Pleurent leur doux ombrage; et, redoutant la vue,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Vénus même une fois s’étonna d’être nue.</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Croissez, hâtez votre ombre, et repeuplez ces champs,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Vous, jeunes arbrisseaux; et vous, arbres mourans,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Consolez-vous. Témoins de la foiblesse humaine,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Vous avez vu périr et Corneille, et Turenne:</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Vous comptez cent printemps, hélas! et nos beaux jours</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">S’envolent les premiers, s’envolent pour toujours!</span><br>
-<span style="margin-left: 2em;">Heureux donc qui jouit d’un bois formé par l’âge;</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Mais trop heureux aussi qui créa son bocage!</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Ces arbres, dont le temps prépare la beauté,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Il dit comme Cyrus: »C’est moi qui les plantai.«</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Vous donc, si de vos plants vous êtes maitre encore,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Craignez qu’avant le temps ils se pressent d’éclore.</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Tel qu’un peintre, arrêtant ses indiscrets pinceaux,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Long-tems dans sa pensée ébauche ses tableaux,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Ainsi de vos desseins méditez l’ordonnance.</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Des sites, des aspects connoissez la puissance,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Et le charme des bois aux côteaux suspendus,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Et la pompe des bois dans la plaine étendus.</span><br>
-<span style="margin-left: 2em;">Ainsi que les couleurs, et les formes amies,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Connoissez les couleurs, les formes ennemies.</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Le frêne aux longs rameaux dans les airs élancés,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Repousseroit le saule aux longs rameaux baissés.</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Le verd du peuplier combat celui du chêne;</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Mais l’art industrieux peut adoucir leur haine;</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Et de leur union médiateur heureux,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Un arbre mitoyen les concilie entr’eux.</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Ainsi par une teinte avec art assortie,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Vernet de deux couleurs éteint l’antipathie.</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Connoissez donc l’emploi de ces différents verds,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Brillans ou sans éclat, plus foncés ou plus clairs.</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">C’est par ces tons changeans qu’au sein des paysages</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Vous pouvez avec choix varier les ombrages,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Produire des effets tantôt doux, tantôt forts,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Des contrastes frappans, ou de moelleux accords.</span><br>
-<span style="margin-left: 2em;">Observez-les sur-tout, lorsque la pâle automne,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Près de la voir flétrie, embellit sa couronne:</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Que de variété, que de pompe, et d’éclat!</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Le pourpre, l’orangé, l’opale, l’incarnat</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Le leurs riches couleurs étalent l’abondance.</span><br>
-<span style="margin-left: 2em;">Hélas! tout cet éclat marque leur décadence.</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Tel est le sort commun. Bientôt les aquilons</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Des dépouilles des bois vont joncher les vallons;</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">De moment en moment la feuille sur la terre,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">En tombant, interrompt le réveur solitaire.</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Mais ces ruines même ont pour moi des attraits.</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Lá, si mon cœur nourrit quelques profonds regrets,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Si quelque souvenir vient r’ouvrir ma blessure,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">J’aime á mêler mon deuil au deuil de la nature.</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">De ces bois desséchés, de ces rameaux flétris,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Seul, errant, je me plais á fouler les débris.</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Ils sont passés les jours d’ivresse, et de folie;</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Viens, je me livre á toi, tendre mélancolie;</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Viens, non le front chargé des nuages affreux</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Dont marche enveloppé le chagrin ténébreux,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Mais l’œil demi-voilé, mais telle qu’en automne</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">A travers des vapeurs un jour plus doux rayonne:</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Viens, le regard pensif, le front calme, et les yeux</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Tout prêts á s’humecter de pleurs délicieux.</span><br>
-<span style="margin-left: 2em;">Mais tandis que mon cœur nourrit ces rêveries,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">D’arbustes, d’arbrisseaux mille races fleuries</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">M’appellent á leur tour. Venez, peuple enchanteur,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Vous êtes la nuance entre l’arbre, et la fleur;</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">De vos traits délicats venez orner la scene.</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Oh! que si moins pressé du sujet qui m’entraine,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Vers le but qui m’attend je ne hâtois mes pas,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Que j’aurois de plaisir á diriger vos bras!</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Je vous reproduirois sous cent formes fécondes;</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Ma main sous vos berceaux feroit rouler les ondes;</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">En dômes, en lambris j’unirois vos rameaux;</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Mollement enlacés autour de ces ormeaux,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Vos bras serpenteroient sur leur robuste écorce,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Emblème de la grace unie avec la force:</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Je fondrois vos couleurs, et du blanc le plus pur,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Du plus tendre incarnat jusqu’au plus sombre azur,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">De l’œil rassasié variant les délices,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Vos panaches, vos fleurs, vos boules, vos calices,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">A l’envi s’uniroient dans mes brillans travaux,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Et Van Huysum lui-même envieroit mes tableaux.</span><br>
-<span style="margin-left: 2em;">Pour vous á qui le ciel prodigua leur richesse,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Ménagez avec art leur pompe enchanteresse:</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Partagez aux saisons leurs brillantes faveurs;</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Que chacun apportant ses parfums, ses couleurs,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Reparoisse á son tour, et qu’au front de l’année</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Sa guirlande de fleurs ne soit jamais fanée.</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Ainsi votre jardin varie avec le temps:</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Tout mois a ses bosquets, tout bosquet son printemps,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Printemps bientôt flétri! Toutefois votre adresse</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Peut consoler encor de sa courte richesse.</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Que par des soins prudens tous ces arbres plantés,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Quand ils seront sans fleurs, ne soient pas sans beautés.</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Ainsi l’adroite Eglé prolongeant son empire,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Au déclin des beaux ans sait encor nous séduire.</span><br>
-<span style="margin-left: 2em;">Le ciel même, malgré l’inclemence de l’air,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">N’a pas de tous ses dons déshérité l’hiver;</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Alors des vents jaloux défiant les outrages,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Plusieurs arbres encor retiennent leurs feuillages.</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Voyez l’if, et le lierre, et le pin résineux,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Le houx luisant, armé de ses dards épineux,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Et du laurier divin l’immortelle verdure,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Dédommager la terre, et venger la nature.</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Voyez leurs fruits de pourpre, et leurs glands de corail</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Au verd de leurs rameaux mêler un vif émail.</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Au milieu des champs nus leur parure m’enchante,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Et plus inespérée en paroit plus touchante.</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">De vos jardins d’hiver qu’ils ornent le séjour.</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Là, vous venez saisir les rayons d’un beau jour.</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Là, l’oiseau, quand la terre ailleurs est dépouillée,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Vole, et s’égaie encor sous la verte feuillée,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Et trompé par les lieux ne connoit plus les temps,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Croit revoir les beaux jours, et chante le printemps.</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Ainsi ce doux réduit plait sans être factice.</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Mais les jardins des rois avec plus d’artifice,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Avec plus d’appareil triomphent des hivers.</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">J’en atteste, ô Mouceaux, tes jardins toujours verds,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Là, des arbres absens les tiges imitées,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Les magiques berceaux, les grottes enchantées,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Tout vous charme á la fois. Là, bravant les saisons,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">La rose apprend á naitre au milieu des glaçons;</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Et les temps, les climats vaincus par des prodiges;</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Semblent de la Féerie épuiser les prestiges.</span><br>
-<span style="margin-left: 2em;">Cependant la Féerie, et ses enchantemens</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Ne sont pas des jardins les plus doux ornemens.</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">L’habitude bientôt a flétri vos bocages,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Souvent, quand l’étranger jouit de vos ombrages,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Déja leur possesseur languit sans intérêt.</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">N’est-il pas des moyens dont le charme secret</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Vous rende leur beauté toujours plus attachante?</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Oh! combien des Lapons l’usage heureux m’enchante!</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Qu’ils savent bien tromper leurs hivers rigoureux!</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Nos superbes tilleuls, nos ormeaux vigoureux,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">De ces champs ennemis redoutent la froidure:</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">De quelques noirs sapins d’indigente verdure</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Par intervalle á peine y perce les frimats;</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Mais le moindre arbrisseau qu’épargnent ces climats,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Par des charmes plus doux á leurs regards sait plaire:</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Planté pour un ami, pour un fils, pour un père,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Pour un hôte qui part, emportant leurs regrets,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Il en reçoit le nom, le nom cher á jamais.</span><br>
-<span style="margin-left: 2em;">Vous, dont un ciel plus pur éclaire la patrie,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Vous pouvez imiter cette heureuse industrie:</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Elle animera tout. Vos arbres, vos bosquets</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Dès-lors ne seront plus ni déserts, ni muets;</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Ils seront habités de souvenirs sans nombre,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Et vos plaisirs absens embelliront leur ombre.</span><br>
-<span style="margin-left: 2em;">Qui vous empêche encor, quand les bontés des dieux!</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">D’un enfant désiré comblent enfin vos vœux,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">De consacrer ce jour par les tiges naissantes</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">D’un bocage, d’un bois?... Mais tandis que tu chantes,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Muse, quels cris dans l’air s’élancent á la fois?</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Il est né l’héritier du sceptre de nos rois!</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Il est né! Dans nos murs, dans nos camps, sur les ondes,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Nos foudres triomphans l’annoncent aux deux mondes,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Pour parer son berceau c’est trop peu que des fleurs;</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Apportez les lauriers, les palmes des vainqueurs.</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Qu’á ses premiers regards brillent des jours de gloire;</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Qu’il entende en naissant l’hymne de la victoire;</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">C’est la fête qu’on doit au pur sang de Bourbon.</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Et toi, par qui le ciel nous fit cet heureux don,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Toi, qui, le plus beau nœud, la châine la plus chère</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Des Germains, des François, d’un époux, et d’un frère,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Les unis, comme on voit de deux pompeux ormeaux</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Une guirlande en fleurs enchainer les rameaux;</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Sœur, mère, épouse auguste; enfin la destinée</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Joint au deuil du trépas les fruits de l’hyménée,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Et mêlant dans tes yeux les larmes, et les ris,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Quand tu perds une mère, elle te donne un fils.</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">D’autres, dans les transports que ce beau jour inspire,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Animeront la toile, ou le marbre, ou la lyre;</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Moi, l’humble ami des champs, j’irai dans ce séjour</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Où Flore, et les Zéphirs composent seuls ta cour,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">J’irai dans Trianon: lá, pour unique hommage,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Je consacre á ton fils des arbres de son âge,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Un bosquet de son nom. Ce simple monument,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Ces tiges, de tes bois le plus cher ornement,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Tes yeux les verront croitre, et croissant avec elles;</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Ton fils viendra chercher les ombres fraternelles.</span><br>
-<span style="margin-left: 2em;">Enfin vous jouissez, et le cœur, et les yeux</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Chérissent de vos bois l’abri délicieux.</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Au plaisir voulez-vous joindre encore la gloire?</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Voulez-vous de votre art remporter la victoire?</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Déjá de nos jardins heureux décorateur,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Ajoutez á ces noms le nom de créateur.</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Voyez comme en secret la nature fermente;</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Quel besoin d’enfanter sans cesse la tourmente.</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Et vous ne l’aidez pas! Qui sait dans son trésor</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Quels biens á l’industrie elle réserve encore?</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Comme l’art á son gré guide le cours de l’onde,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Il peut guider la sève; á sa liqueur féconde</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Montrez d’autres chemins, ouvrez d’autres canaux.</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Dans vos champs enrichis par des hymens nouveaux,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Des sucs vierges encor essayez le mêlange;</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">De leurs dons mutuels favorisez l’échange.</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Combien d’arbres, de fruits, de plantes, et de fleurs,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Dont l’art changea le goût, les parfums, les couleurs!</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">La pêche a dû sa gloire á ces métamorphoses.</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">D’un triple diadême ainsi brillent les roses,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">De son panache ainsi l’œillet s’énorgueillit.</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Osez. Dieu fit le monde, et l’homme l’embellit.</span><br>
-<span style="margin-left: 2em;">Que si vous n’osez pas essayer ces conquêtes,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Combien sous d’autres cieux de richesses sont prêtes!</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Usurpez ces trésors. Ainsi le fier Romain,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Et ravisseur plus juste, et vainqueur plus humain,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Conquit des fruits nouveaux, porta dans l’Ausonie</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Le prunier de Damas, l’abricot d’Arménie,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Le poirier des Gaulois, tant d’autres fruits divers.</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">C’est ainsi qu’il falloit s’asservir l’univers.</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Quand Lucullus vainqueur triomphoit de l’Asie,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">L’airain, le marbre, et l’or frappoient Rome éblouie;</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Le sage dans la foule aimoit á voir ses mains</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Porter le cérisier en triomphe aux Romains.</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Et ces mêmes Romains n’ont-ils pas vu nos pères</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">En bataillons armés, sous des cieux plus prospères</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Aller chercher la vigne, et vouer à Bacchus</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Leurs étendards rougis du nectar des vaincus?</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Du fruit de leurs exploits leurs troupes échauffées,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Rapportoient, en chantant, ces précieux trophées,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">De guirlandes de pampre ils couronnoient leurs fronts:</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Le pampre sur leurs dards s’enlaçoit en festons.</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Tel revint triomphant le Dieu vainqueur du Gange.</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Les vallons, les côteaux celébroient la vendange;</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Et par-tout où coula la nectar enchanté,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Coururent le plaisir, l’audace, et la gaieté.</span><br>
-<span style="margin-left: 2em;">Enfans de ces Gaulois, imitons nos ancêtres;</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Enlevons, disputons ces dépouilles champêtres.</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Voyez dans ces jardins, fiers de se voir soumis</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">A la main qui porta le sceptre de Thémis,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Le sang des Lamoignon, l’éloquent Malesherbes</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Enrichir notre sol de cent tiges superbes.</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Là, des plants rassemblés des bouts de l’univers,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">De la cime des monts, de la rive des mers,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Des portes du couchant, de celles de l’aurore,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Ceux que l’ardent midi, que le nord voit éclore,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Les enfans du soleil, les enfans des frimats,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Me font, en un lieu seul, parcourir cent climats.</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Je voyage, entouré de leur foule choisie,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">D’Amérique en Europe, et d’Afrique en Asie.</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Tous, parmi nos vieux plants charmés de se ranger,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Chérissent notre ciel, et l’heureux étranger,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Des bords qu’il a quittés reconnoissant l’ombrage,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Doute de son exil á leur touchante image,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Et d’un doux souvenir sent son cœur attendri.</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Je t’en prends á témoin, jeune Potaveri.</span><br>
-<span style="margin-left: 2em;">Des champs d’O-Ttaiti, si chers á son enfance,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Où l’amour, sans pudeur, n’est pas sans innocence,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Ce sauvage ingénu dans nos murs transporté,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Regrettoit en son cœur sa douce liberté,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Et son isle riante, et ses plaisirs faciles.</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Ebloui, mais lassé de l’éclat de nos villes,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Souvent il s’écrioit: «Rendez-moi mes forêts»</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Un jour, dans ces jardins où Louis á grands frais</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">De vingt climats divers en un seul lieu rassemble</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Ces peuples végétaux surpris de croître ensemble,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Qui, changeant á la fois de saison, e de lieu,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Viennent tous á l’envi rendre hommage á Jussieu,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">L’indien parcouroit leurs tribus réunies,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Quand tout-á-coup, parmi ces vertes colonies,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Un arbre qu’il connut dés ses plus jeunes ans</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Frappe ses yeux. Soudain, avec des cris perçans</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Il s’elance, il l’embrasse, il le baigne de larmes,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Le couvre de baisers. Mille objets pleins de charmes,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Ces beaux champs, ce beau ciel qui le virent heureux,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Le fleuve qu’il fendoit de ses bras vigoureux,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">La forêt dont ses traits perçoient l’hôte sauvage,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Ces bananiers chargés, et de fruits, et d’ombrage</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Et le toit paternel, et les bois d’alentour,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Ces bois qui répondoient á ses doux chants d’amour,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Il croit les voir encore, et son ame attendrie,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Du moins pour un instant, retrouva sa patrie.</span><br>
-</p>
-
-
-<p class="center p2">FIN DU SECOND CHANT.</p>
-<hr class="chap x-ebookmaker-drop">
-
-<div class="chapter">
-<p><span class="pagenum" id="Page_39">[Pg 39]</span></p>
-
-
-<p class="center p2"><span class="figcenter" id="img002b">
-<img src="images/002.jpg" class="w50" alt="Imagem decorativa">
-</span></p>
-<h2 class="nobreak" id="OS_JARDINS_POEMA">OS JARDINS,<br><span class="small">POEMA.</span></h2>
-</div>
-
-<hr class="r5">
-<p class="center big">CANTO SEGUNDO.</p>
-<hr class="r5">
-
-<p class="poetry">
-<span style="margin-left: 2em;">A lyra, que os rochedos, que as florestas</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Ao Rhódope attrahia, oh se eu tivesse!</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Ella fallára, e sùbito arvoredos</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Sobre as paizagens lançarião sombras;</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">A Laranjeira, o Til, Carvalhos, Cedros</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Virião nos meus campos collocar-se</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Em pasmosa cadencia, em ordem bella;</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Mas perdeo a harmonia os seus milagres,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">A lyra já não reina, a penha he surda,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">A arvore immóvel fica aos sons mais gratos;</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Dous mágicos ha só: trabalho, e arte.</span><br>
-<span style="margin-left: 2em;">Aprende, pois, que industria, e que desvelo</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Prestão mimo, ou riqueza ás várias plantas.</span><br>
-<span style="margin-left: 2em;">Pela ridente cópa, a flor, e o fructo</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">A arvore he dos jardins primeiro ornato.</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Para agradar, quantas figuras tóma,</span><br>
-<span class="pagenum" id="Page_40">[Pg 40]</span><span style="margin-left: 1em;">Quantas figuras! Acolá se estendem</span><br>
-<span class="pagenum" id="Page_41">[Pg 41]</span><span style="margin-left: 1em;">Pomposamente seus informes braços;</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Brando, e ligeiro além se eleva o tronco,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Aqui lhe admiro, lhe namoro a graça,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">A magestade alli. Roçada apenas,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Da menor viração, lhe ondêa a rama,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Ou contra os furacões arrebatados</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Firma o corpo nodoso, a rija fronte;</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Dura, ou molle, se inclina, ou se levanta,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Protêo dos vegetais, a cada instante</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Muda o feitio, a cor, verdura, e frutos</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Para dar novo brilho á Natureza.</span><br>
-<span style="margin-left: 2em;">Eis os thesoiros teus, oh Arte, e o Gosto</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Prohibe que sem ordem se dispendão.</span><br>
-<span style="margin-left: 2em;">Das varias plantas a extensão, e a fórma</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Se offrece aos olhos em aspectos varios.</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Ora selva profunda, inculta, e negra</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Derrama sombra immensa, ora apparece</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Bosque risonho de arvores formosas.</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Em ventilados campos mais ao longe</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Os olhos chamão, a attenção dominão</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Distribuidos, primorosos grupos.</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Fiando-se na propria louçania,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Só, n’outra parte, huma arvore pompêa,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Só ella exorna o chão: Tal, se he possivel</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Que a paz dos campos assemelhe a guerra,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Cerrados batalhões, dispersas turmas,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Numero, e forças ante nós ostentão;</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">E altivo do seu nome, e sustentado</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Na sua intrepidez, á frente delles</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Hum só Heroe se avança, e todos vale.</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Diversas plantações tem leis diversas.</span><br>
-<span style="margin-left: 2em;">Nos Jardins do Artificio em outros tempos</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Olhava o luxo com desdem, com tedio</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">As isoladas arvores, e agora</span><br>
-<span class="pagenum" id="Page_42">[Pg 42]</span><span style="margin-left: 1em;">Aprazem nos Jardins da Natureza.</span><br>
-<span class="pagenum" id="Page_43">[Pg 43]</span><span style="margin-left: 2em;">Por capricho feliz, sisudo acaso</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Estas desproporções tem attractivos,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Difirão na distancia, aspecto, e fórma;</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Sempre a grandeza, ao menos a elegancia,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Distinga a planta, ou ella, envergonhada,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Por entre a multidão desappareça.</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Mas se hum Carvalho, ou Plátano longevo,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Patriarcha dos Bosques, ergue a fronte</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Sombria, veneravel, toda a Tribu,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Disposta emtorno, com respeito o esquive,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Lhe faça Corte. Agradará dest’arte</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">A arvore, que isolada o Campo adorna.</span><br>
-<span style="margin-left: 2em;">Com mais escolha ainda, e com mais gosto</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Os grupos te daráõ prestantes quadros.</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">De arvores mais, ou menos vigorosas,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Em numero qualquer, pequeno, ou grande</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Fórma-lhe a massa espessa, ou leves tufos:</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Este Povo de Irmãos apraz ao longe,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Pódes por elles variar desenhos;</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Com elles se aproximão, se removem,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Se afastão, se reunem perspectivas,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">E com elles tambem sobre as paizagens</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Se dobra, ou se desdobra o véo das sombras.</span><br>
-<span style="margin-left: 2em;">Formárão-se teus grupos: he já tempo</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Q’a hum tanto de arte os bosques se habituem.</span><br>
-<span style="margin-left: 2em;">Bosques augustos! Bosques venerandos!</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Eu vos acato, eu vos saudo: as vossas</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Poeticas abóbadas não ouvem</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Já do Bardo feróz o horrivel canto;</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Hum delirio mais doce em vós habita,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Vossas grutas ainda em verso instruem.</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Ermos antigos, magestosas sombras,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Vós inspirais os meus: ah! dai que eu possa</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Com respeitosa mão tocar-vos hoje,</span><br>
-<span class="pagenum" id="Page_44">[Pg 44]</span><span style="margin-left: 1em;">E que, sem profanar, aformosêe:</span><br>
-<span class="pagenum" id="Page_45">[Pg 45]</span><span style="margin-left: 1em;">De vós aprender quero a adereçar-vos.</span><br>
-<span style="margin-left: 2em;">Arvoredos expor-se aos olhos podem</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Em milhares de aspectos. Deste lado</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Pressos troncos as sombras lhe carreguem:</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Alegre-se acolá de luz escassa</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">A redolente estancia, travem nella</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Combate deleitoso a noite, e o dia:</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Mais além, signalando o chão co’as folhas,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Sobre os claros dispersas tremão plantas.</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Porque, humas para as outras fluctuando,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">E sem ousar tocar-se, ao mesmo tempo</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Pareça, que se fogem, que se buscão.</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">O bosque assim por ti perde a aspereza;</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Mas seu grave caracter não desmanches;</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Com miudos objectos, mui frequentes</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Não se interrompa, não se altere o todo.</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Hum seja, simples, grande, e toda a pompa</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Com alguma rudez a Arte lhe deixe.</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Apresenta esses troncos destroçados;</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Quero ver, e seguir negras torrentes,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Pelas quebradas concavas fervendo.</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">D’agoa, do tempo, do ar mantem vestigios;</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Venera do rochedo os ameaços,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Deixa-o pender, e emfim tudo respire</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Silvestre, vigorosa formosura</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Sobre o terreno magestoso. Agrada</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Assim de hum bosque a rustica nobreza.</span><br>
-<span style="margin-left: 2em;">Com menor altivez, com mais brandura</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Hum bosquezinho offrece amenos quadros:</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Quer bellos sitios, e contórnos bellos;</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Fóge, tórna, em rodeios vai perder-se;</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Entre flores estende agoas serenas,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">E cuido que inda nelle, embriagado</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">De hum extasis suave, em ocio puro,</span><br>
-<span class="pagenum" id="Page_46">[Pg 46]</span><span style="margin-left: 1em;">As lições do prazer dicta Epicuro.</span><br>
-<span class="pagenum" id="Page_47">[Pg 47]</span><span style="margin-left: 2em;">Mas não basta que em selva, ou bosquezinho</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Haja riqueza ou elegante, ou bruta,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Cumpre ornar com primor seus exteriores.</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Não vás, symmetrisando-lhe os limites,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Com recendentes muros ocultar-nos</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Dos bosques as innúmeras familias.</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Ver quero, penetrando o centro agreste,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Crescer a hum tempo as arvores diversas,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">De vigor juvenil humas brilhantes,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Outras todas decrépitas, nodósas,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Estas rasteiras, languidas, e aquellas,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Tyrannos das Florestas, esgotando</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Da substancia o tributo a seus vassalos;</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Scena em que a idéa vê com gosto imagens</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Das idades, da vida, e dos costumes.</span><br>
-<span style="margin-left: 2em;">Apar destes effeitos, que valia</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Teraõ verdes reparos, cuja fórma</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Entristece, importuna, afflige os olhos,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Forma que he sempre igual, nunca inesperada?</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Oh delicias da vista! Oh variedade!</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Acode, vem romper nivel insulso,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Triste esquadro, e cordel fastidioso.</span><br>
-<span style="margin-left: 2em;">De matiz acertado, interessante</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">As estremas dos bosques se guarneção,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">He a uniformidade ingrata aos olhos;</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Da que vem nos jardins elles se enfadão,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Á sua extremidade elles se avanção,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Folgão de discorrer a inopinada</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Fórma que lustra nos limites varios.</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Em gyros mil brincando a vista errante,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Ou com elles se entranha, ou sahe com elles,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">E nos diversos, florecentes quadros</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">De distancia em distancia, alegre pousa.</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">O Bosque se engrandece, e a cada passo</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Seus rodeios varia, e seus encantos.</span><br>
-<span class="pagenum" id="Page_48">[Pg 48]</span><span style="margin-left: 2em;">A fórma, pois, se lhe desenhe, e logo</span><br>
-<span class="pagenum" id="Page_49">[Pg 49]</span><span style="margin-left: 1em;">As Arvores se escolhão, a que o Gosto</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Prescreve o sacrificio; mas sê tardo,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Condena devagar, condena a custo:</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Antes de executar-se a lei sevéra,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Ah! vê que manso, e manso as cria o Tempo,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">E altêa manso, e manso; que impossivel</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">He a todo o oiro teu remir-lhe as sombras,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">E que já lhe deveste hum fresco amparo.</span><br>
-<span style="margin-left: 2em;">Duro Possuidor, com tudo, ás vezes,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">E sem necessidade, e sem remorso,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Aos golpes do machado as abandona,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Eis sobre o seio da indignada Terra</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">As miseras baqueão, seccão, morrem:</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Para sempre dalli com magoa vôão</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Doces meditações, cautos amores.</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Ah! por estes sagrados Arvoredos,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Que aos bailes Pastoris prestavão sombra,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Por estas densas comas, que abrigárão</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Vossos Avós, tende atenção, Profanos,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">C’os troncos religiosos. Já que os Evos</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Nelles a robustez inda consentem,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Não lhe afronteis a ancianidade augusta.</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Tem de raiar, tem de raiar em breve</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">O dia em que estes bosques desmaiados,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Para ceder o imperio a tenras plantas,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Da excelsa fronte, succumbindo ao ferro,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Verão no pó murchar-se a honra antiga.</span><br>
-<span style="margin-left: 2em;">Oh Versailles! Oh dor! Oh vós, Florestas,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">De celeste apparencia! Maravilhas,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Que fez hum grande Rei, Le Notre, e os Annos!</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Eis sôa o corte; vosso termo he vindo.</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Arvores, cuja audacia ás nuvens hia,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Feridas na raiz, no ar balançando</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Suas cópas louçaãs, que abala o ferro,</span><br>
-<span class="pagenum" id="Page_50">[Pg 50]</span><span style="margin-left: 1em;">Já dão ruidosa quéda, e já seus troncos</span><br>
-<span class="pagenum" id="Page_51">[Pg 51]</span><span style="margin-left: 1em;">Vão alastrando ao longe esses passeios,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Que de frescas abobadas cobrião</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Com seus pomposos, estendidos braços.</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">O estrago se atreveo aos Arvoredos,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Cuja gloriosa fronte a fronte heroica</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">De Luiz, o magnanimo, assombrava!</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Destruirão-se bosques, onde as Artes,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Mais suaves conquistas celebrando,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Multiplicavão festivais prazeres!</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Amor, que he feito do encantado abrigo,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Que ouvio de Montespan gemer o orgulho?</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Que he do retiro, onde tão meiga, e bella,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Ao de ouvilla attrahido, absorto Amante</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">La Valiere exprimio segredos ternos,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Rendida suspirou, sem crer-se amada?</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Tudo cahe, tudo acaba; ao som terrivel</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Desta destruição, não vês, não sentes</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Alígero Tropel fugir medroso?</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Este volátil Povo, alegre, ufano</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">De habitação tão bella, e que entoava</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Dos Monarcas no asylo os seus amores,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Com dor se ausenta dos saudosos lares.</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Deozes, de que estes pórticos honrara</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Estremado cinzel, Deozes, vestidos</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">De verdes, molles véos, ainda ha pouco,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Pela perdida sombra estão carpindo,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Mostrão-se da nudez envergonhados;</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">E, receando os olhos, Venus mesma,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Venus se assombra de se ver despida.</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Appressai-vos, crescei, mimosas Plantas,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Tornai a povoar a Estancia cara.</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Arvores semimortas, consolai-vos.</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Vós, testemunhas da fraqueza humana.</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">De Corneille, e Turenna os fados vistes,</span><br>
-<span class="pagenum" id="Page_52">[Pg 52]</span><span style="margin-left: 1em;">Vistes morrer o Heroe, morrer o Vate:</span><br>
-<span class="pagenum" id="Page_53">[Pg 53]</span><span style="margin-left: 1em;">Ao menos, já contais cem primaveras,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">E os nossos dias de mais luz, mais gloria</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Ah! voão logo, e para sempre voão.</span><br>
-<span style="margin-left: 2em;">Feliz daquelle que possue hum bosque</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Formado pelo tempo! Mas ditoso</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Tambem quem para si pôde criallo!</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Estas, que vão medrando, arvores bellas,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Eu fui o que as plantou: (diz como Cyro)</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Tu, pois, se inda dispor das tuas pódes,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Teme que antes de tempo ellas rebentem.</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Assim como o Pintor que, demorando</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Indiscreto pincel na mão sabida,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Longamente co’a idéa esboça os quadros:</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Tu dos desenhos teus medita a ordem;</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">O valor, a eficacia dos aspectos,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">E dos sitios conhece; e o attractivo</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Dos bosques nas colinas pendurados,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">E a gala dos que em plano a sombra estendem.</span><br>
-<span style="margin-left: 2em;">Como as amigas fórmas, como as côres</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Amigas, te he proveito conheceres</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">As adversas tambem. O freixo altivo,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Arremessando ao ar comprida rama,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">O inclinado salgueiro aborrecêra,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Do álamo opõem-se o verde ao do carvalho;</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Mas tais odios tempérão-se com arte:</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Elege por feliz intercessora</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Huma arvore meaã, que os concilie.</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Desta sorte Vernet, com maga tinta</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">De duas côres a discordia extingue.</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Conhece, pois, o emprego, a serventia</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Das difrentes verduras, ou brilhantes,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Ou sem lustre, mais mortas, ou mais vivas.</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Com taes alterações, com taes matizes</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">No seio das paizagens se varião</span><br>
-<span class="pagenum" id="Page_54">[Pg 54]</span><span style="margin-left: 1em;">Formosamente as sombras, se produzem</span><br>
-<span class="pagenum" id="Page_55">[Pg 55]</span><span style="margin-left: 1em;">Effeitos ora doces, e ora fortes,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Grandes contrastes, ou gentis concordias.</span><br>
-<span style="margin-left: 2em;">Observa-as maiormente quando o Outono</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Perto de vella murcha enfeita a crôa:</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Que pompa! Q’esplendor! Que variedade!</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">A côr alaranjada, a côr purpurea,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">A opálica viveza, a do encarnado</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Ostentação de seus thesoiros fazem.</span><br>
-<span style="margin-left: 2em;">Ai! Todo este esplendor lhe agoira a quéda!</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Eis o fado commum! Depressa os Euros</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Hão de espalhar pelos profundos valles</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Os despojos selváticos: a folha</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Cahindo, já distrahe de quando em quando</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">O solitario Pensador; mas estas</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Mesmas ruinas para mim são gratas;</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Alli, se fundas queixas nutro n’alma,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Ou assanhar-me a chaga vem memorias,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Gósto de misturar, de ver conforme</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">O luto meu da Natureza ao luto.</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Dos seccos bosques, dos raminhos murchos</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Me apraz pizar fragmentos, só, e errante.</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Dias de embriaguez, e de loucura,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Os mentirosos dias já voárão;</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Terna Melancolia, a ti me entrego,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Vem, mas não de atras nuvens carregada;</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Onde se envolve a tenebrosa Angustia:</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Por entre véo ligeiro a vista branda</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Dirige á Terra, aos Ceos, como no Outono</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Os vapores traspassa hum tibio dia;</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Traze, oh dos Vates, dos Amantes socia,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Sereno o rosto, os olhos pensativos,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">E a deleitosas lagrimas propensos.</span><br>
-<span style="margin-left: 2em;">Mas em quanto minha alma se apascenta</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Nestas idéas, mil floridas castas</span><br>
-<span class="pagenum" id="Page_56">[Pg 56]</span><span style="margin-left: 1em;">De fragrantes, de tremulos arbustos</span><br>
-<span class="pagenum" id="Page_57">[Pg 57]</span><span style="margin-left: 1em;">Chamando estão por mim. Vem, lindo Povo,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Tu entre a arvore, e a flor tu és o meio,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">És como a transição. Teus delicados</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Caractéres agora a scena enfeitem.</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Oh! se não me instigasse o largo assumpto,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Se ao termo, que me espera, eu não corresse,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Que jubilo teria em dirigir-vos!</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Eu vos reproduzira, eu vos mostrára</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Em cem fecundas fórmas, eu faria</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Á sombra vossa murmurar correntes,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Vossa rama em abóbadas travara;</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Envoltos nestes vividos ulmeiros,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Irião serpeando os vossos braços</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Pelos rìgidos troncos, e serieis</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">O symbolo da graça, unida á força.</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Fundira, approveitára as vossas côres:</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">A azul ferrete, a encarnada, a branca;</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Dos olhos as delicias alternando,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Vossos penachos, cálices, e flores,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Formar virião meus brilhantes quadros,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">E o mesmo Vanhuysum mos invejára.</span><br>
-<span style="margin-left: 2em;">Tu, que estes férteis dons dos Ceos houveste,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Com arte economiza arbórea pompa:</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Favores seus co’as Estações reparte.</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Co’as côres, e os perfumes cada arbusto</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Por seu turno appareça, e nunca murche</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Na fronte do Anno a flórida capela.</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Assim com elle o teu jardim varia:</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Cada mez tem seu bosque, e cada bosque</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">A sua Primavera... ah! cedo extincta!</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Tua industria, porém, da sua instavel,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Curta riqueza consolar-nos póde.</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Com prudencia estas arvores plantadas,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Quando flor não tiverem, graça tenhão.</span><br>
-<span class="pagenum" id="Page_58">[Pg 58]</span><span style="margin-left: 1em;">Tal, dilatando o imperio de seus olhos,</span><br>
-<span class="pagenum" id="Page_59">[Pg 59]</span><span style="margin-left: 1em;">Já na declinação dos annos bellos,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">A destra Ulina me seduz, me enlêa.</span><br>
-<span style="margin-left: 2em;">Da inclemencia dos ares a despeito,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">O Ceo não desherdou de todo o Inverno;</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Então dos ventos provocando a raiva,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Não poucos vegetaes conservão folhas.</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Olha o Teixo, olha a Era, olha o Pinheiro,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">O pungente Azevinho, o sacro Loiro,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">De verdura immortal, que a Terra vingão,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Vingão dos Aquilões a Natureza.</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">De purpura, e coral, vê fructos, bagas;</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Que esmalte aos ramos dão! Seu atavio</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Sobre os despidos Campos lisonjêa:</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Por menos esperado he mais formoso.</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Os teus Jardins de Inverno assim povôa;</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Lá de hum benigno dia a luz te affaga,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Lá, quando em outra parte he nua a Terra,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">O passarinho adeja, e se diverte</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Inda debaixo de viçosas folhas:</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">O sitio o illude, não conhece o tempo,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Vêlla imagina, e canta a Primavera:</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Assim, sem ser facticia a Estancia agrada.</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Mas os Jardins dos Reis com que artificio,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Com que apparato esplendido triunfão</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Dos sanhudos Invernos! Sempre verdes,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;" id="note14">Oh Mouceaux! Teus jardins são disto exemplo,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Troncos fingidos de arvores ausentes,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Grutas de encanto, mágicas latadas,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Tudo alli rouba os olhos. Afrontando</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">A ríspida Estação caliginosa,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">A nascer entre o gelo aprende a rosa.</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Milagres alli domão tempos, climas,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Das Fadas o poder alli se antolha.</span><br>
-<span style="margin-left: 2em;">Mas não são todavia estes encantos</span><br>
-<span class="pagenum" id="Page_60">[Pg 60]</span><span style="margin-left: 1em;">Dos Jardins o melhor, mais doce ornato,</span><br>
-<span class="pagenum" id="Page_61">[Pg 61]</span><span style="margin-left: 1em;">Cedo o costume te desorna os bosques.</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Quando os Estranhos tuas sombras gostão</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Jaz muitas vezes descontente o Dono.</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Meios não ha, cuja virtude occulta</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Sempre a teus bosques a affeição te avive?</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Oh! quanto dos Lapões me apraz o estilo!</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Oh! como enganão seus Invernos duros!</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">O Til soberbo, os Olmos reforçados</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Temem daquelles Campos o regelo;</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">De alguns tristes Pinheiros, negros, bravos</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Indigente, escassissima verdura</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Apenas a geada alli penetra.</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Mas o minimo arbusto, que poupassem</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Aquelles agros climas, ante os olhos</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Dos habitantes seus tem mil feitiços.</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">He consagrado a filho, a pai, a amigo,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">A Hospede que parte, e deixa prantos,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Deixa saudade eterna, e de algum delles</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">O nome, sempre caro, á Planta fica.</span><br>
-<span style="margin-left: 2em;">Tu, de quem puro Ceo clarêa a Patria,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Imitar podes tão feliz industria:</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Ella animará tudo, arvores, bosques</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Não serão mudos, não serão desertos:</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Hão de immensas memorias habitallos,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Gostos distantes adornar-lhe as sombras,</span><br>
-<span style="margin-left: 2em;">E quem prohibe, se o favor dos Numes</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Com doce prole teus desejos farta,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Quem véda consagrares esse dia</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Com troncos de nascente bosquezinho...!</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Mas em quanto estes versos, Musa, entôas,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Que popular clamor aos ares sobe!</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Nasceo, nasceo o herdeiro aos Reis da Gallia!</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Nos muros, nas falanges, sobre as ondas,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Nosso terrivel, triunfante raio</span><br>
-<span class="pagenum" id="Page_62">[Pg 62]</span><span style="margin-left: 1em;">Trôa, corre, e aos dois Mundos o annuncia,</span><br>
-<span class="pagenum" id="Page_63">[Pg 63]</span><span style="margin-left: 1em;">Flores são pouco para ornar-lhe o berço,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Os loiros lhe trazei, trazei-lhe as palmas;</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Raiem dias de gloria ante o primeiro</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Volver dos olhos seus; nascido apenas,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Da Victoria oiça o hymno; eis o festejo</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Que ao puro sangue dos Bourbons se deve.</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">E tu por quem tal dom dos Ceos nos veio,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Tu, nó mimoso, tu prizão querida</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Do Germano, e Francez, que Irmão, e Esposo</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Unes como odorifera grinalda</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Que enlaça dois Ulmeiros magestosos;</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Consorte, Mãi, e Irmã, teus fados ligão</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">O Penhor de Hymenêo da Morte ao luto,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Em teus olhos misturão pranto, e riso,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Dando-te o Filho quando a Mãi te roubão,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Nos transportes que influe este aureo dia,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Ousem Almas ferventes, creadoras</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Animar os pinceis, a pedra, a lyra;</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Dos Campos eu cantor, e humilde amigo,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Irei onde os Favonios, onde Flora</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Sós te compõem a deleitavel Corte,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Irei a Trianon: alli risonho</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Em unico tributo á Prole tua</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Arvores sagrarei da sua idade,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Hum bosquezinho que lhe deva o nome.</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Verão teus olhos avultar o amavel,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">O simples monumento, aquelles troncos,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Dos bosques teus o mais suave ornato;</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">E com ellas crescendo, recrear-se</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Ás sombras fraternais irá teu filho.</span><br>
-<span style="margin-left: 2em;">Gozas, emfim, e o coração, e os olhos</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Feliz Possuidor, já se embellezão</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Nos arvoredos teus. Tambem desejas</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Unir ao gosto a gloria, obter a palma</span><br>
-<span class="pagenum" id="Page_64">[Pg 64]</span><span style="margin-left: 1em;">Nesta arte singular com que os decoras?</span><br>
-<span class="pagenum" id="Page_65">[Pg 65]</span><span style="margin-left: 1em;">De creador merece, alcança o nome.</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Olha como em segredo a Natureza</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Sempre está fermentando, e como sempre</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">A precisão de produzir a ancêa.</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Não lhe acodes? Quem sabe que thesoiros</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Inda em seus cofres para a Industria guarda?</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Como esta a seu arbitrio as ondas guia,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Póde guiar o succo: outros caminhos,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Outros canaes a seu liquor franquêa.</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Por novos hymenêos fecunda os Campos,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Das seibas virgens exprimenta o mixto,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">De seus dons mutuos favorece a troca.</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Quantas arvores, fructos, plantas, flores</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Tem mudado o perfume, a côr, e o gosto,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Tudo por arte! O Pecegueiro a estas</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Metamorfóses sua gloria deve.</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Assim com triple croa a rosa brilha,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">De seu penacho assim blasona o cravo.</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Ousa. Deos fez o Mundo, o Homem o adorna.</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Se a tão bellas conquistas não te afoitas,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Cobertas d’ outro Ceo tens mil riquezas.</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Usurpa esses thesoiros. Tal, mais brando</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Vencedor, e mais justo nos seus roubos,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">O Romano soberbo á Ausonia trouxe</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Syrias ameixas, o damasco Armenio,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Da Gallia a pera, e fructos mil diversos:</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Assim devêra subjugar-se o Mundo.</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Lá quando d’Asia triunfou Lucullo</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">O bronze, o oiro, o marmore assombravão</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">De Roma os olhos, e entretanto o Sabio</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Prezou ver-lhe nas mãos a cereijeira</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Conduzida em triunfo ao Capitolio.</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">E esses mesmos Romanos já não vírão</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Nossos Avós, em batalhões armados,</span><br>
-<span class="pagenum" id="Page_66">[Pg 66]</span><span style="margin-left: 1em;">Debaixo de outros Ceos mais bemfazejos</span><br>
-<span class="pagenum" id="Page_67">[Pg 67]</span><span style="margin-left: 1em;">As vinhas ir buscar, votando a Brómio</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Tintos pendões em nectar dos Vencidos?</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Co’ fruto das beligeras emprezas</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Excandecida a Turba, os preciosos</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Troféos, cantando, aos Lares seus trazia.</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">As cabeças o pâmpano croava,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">O pâmpano em festoens cingia as lanças.</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Desta arte o Numen, vencedor do Ganges,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Tornou triunfante: serranias, valles</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Da vindima o fervor solemnisavão,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">E por onde corria o mago nectar</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Folgavão brincos, e o prazer, e a audacia.</span><br>
-<span style="margin-left: 2em;">Netos dos Gallos, os Avós se imitem;</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Roubemos, disputemos taes despojos.</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Nesses jardins, altivos de regellos</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">A mão, que a Themis empunhara o Sceptro,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Malesherbe, o facundo, o digno ramo</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Dos Lamoignons, com troncos orgulhosos</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Honra, abastece o chão: trazidas Plantas</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Dos fins da Terra, das equóreas margens,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">De alcantalidos cumes de agras serras,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Das portas do Nascente, e das do Occaso;</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Plantas, que açoita o Sul, que açoita o Norte,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Plantas, filhas do ardor, filhas do gelo,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Me fazem, n’um lugar, correr mil climas.</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Vago, entre aquella Multidão florente,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Asia, America, Europa, Africa, o Mundo.</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Regozijadas de se ver no meio</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Das velhas plantas nossas, amão todas</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Nosso amoravel Ceo, e estranhas Gentes</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Reconhecendo as arvores da Patria,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Duvidão já da sua ausencia, ao vellas,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Ou de terna saudade os golpes sentem.</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;" id="note15">Moço Potaveri, tu disto es prova.</span><br>
-<span class="pagenum" id="Page_69">[Pg 69]</span><span style="margin-left: 2em;">Dos Campos d’O-taiti, daquelles Campos,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Tão caros, n’outro tempo á sua infancia,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;" id="note16">Onde he sem pejo Amor, Amor sem crime,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Este ingenuo, selvatico Mancebo,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Trazido a nossos muros, pranteava</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Sua antiga, innocente liberdade,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Ilha risonha, e jubilos tão faceis.</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Do esplendor das Cidades sim pasmado,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Mas farto dellas, vezes mil clamava:</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Dai-me as florestas minhas: eis que hum dia</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Nesses jardins, onde Luiz congrega,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Dispôem n’um sitio só, e a custo immenso,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Os Povos vegetaes de tantos climas,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Como espantados de crescerem juntos,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">De lugar, e estação mudando a hum tempo,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">E cultos a Jussieu rendendo todos;</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Nesses Jardins o Indiano vagueava,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Olhando as varias, ordenadas Tribus,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Quando entre estas Colonias vicejantes</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Lhe fere os olhos arvore que o triste</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Desde os primeiros annos seus conhece.</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Súbito, desatando agudos gritos,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">A ella corre, abraça-se com ella,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Beijos a cobrem, lagrimas a innundão.</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Objectos mil de inexplicavel gosto,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Os Ceos, os Campos que ditoso o virão,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Ceos tão formosos, tão formosos Campos?</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Os rios que fendeo co’as mãos nervosas,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Matas por onde os brutos habitantes</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Tão destro asseteava, as bananeiras</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">De sombras, e de frutos abastadas,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">O patrio asylo, os bosques circumstantes,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Que aos canticos de amor lhe respondião,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Julgou ver, e a sua alma enternecida</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Hum momento sequer gozou da Patria.</span><br>
-</p>
-
-
-<p class="center p2">FIM DO CANTO SEGUNDO.</p>
-
-<hr class="tb">
-
-<p>Na pag. 47 depois da linha 32 escapou o verso seguinte:</p>
-
-<p>
-<span style="margin-left: 1em;">De distancia em distancia, alegre pousa.</span><br>
-</p>
-
-<hr class="chap x-ebookmaker-drop">
-
-<div class="chapter">
-<p><span class="pagenum" id="Page_70">[Pg 70]</span></p>
-
-
-<p class="center p2"><span class="figcenter" id="img003a">
-<img src="images/003.jpg" class="w50" alt="Imagem decorativa">
-</span></p>
-<h2 class="nobreak" id="CHANT_TROISIEME">LES JARDINS,<br><span class="small">POÈME,</span></h2>
-</div>
-
-<hr class="r5">
-<p class="center big">CHANT TROISIEME.</p>
-<hr class="r5">
-
-<p class="poetry">
-<span style="margin-left: 2em;">Je chantois les jardins, les vergers, et les bois,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Quand le cri de Bellone a retenti trois fois.</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">A ces cris, arrachés des foyers de leurs pères,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Nos guerriers ont volé sur des mers étrangères,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Et Mars a de Vénus déserté les bosquets.</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Dieux des champs, Dieux amis de l’innocente paix,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Ne craignez rien. Louis, au lieu de vous détruire,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Veut sur des bords lointains étendre votre empire;</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Il veut qu’un peuple ami, trop long-temps opprimé,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Recueille en paix le grain que ses mains ont semé.</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Et vous, jeunes guerriers qu’admire un autre monde,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Je ne puis vers Yorck, sur les gouffres de l’onde</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Suivre votre valeur; mais pour votre retour</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Ma muse des jardins embellit le séjour.</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Déjá j’ordonne aux fleurs de croitre pour vos têtes;</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Pour de myrtes verds des couronnes sont prêtes,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Je prépare pour vous le murmure des eaux,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Les tapis des gazons, les abris des berceaux,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Où mollement assis, oubliant les alarmes,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Tranquilles vous direz la gloire de nos armes,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Tandis qu’entre la crainte, et l’espoir suspendus,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Vos enfans frémiront d’un danger qui n’est plus.</span><br>
-<span style="margin-left: 2em;">Achevons cependant d’orner ces frais asyles.</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Jadis dans nos jardins les sables infertiles,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Tristes, secs, et du jour réfléchissant les feux,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Importunoient les pieds, et fatiguoient les yeux.</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Tout étoit nu, brûlant; mais enfin l’Angleterre</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Nous apprit l’art d’orner, et d’habiller la terre.</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Soignez donc ces gazons déployés sur son sein.</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Sans cesse l’arrosoir ou la faulx á la main,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Désaltérez leur soif, tondez leur chevelure.</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Que le roulant cylindre en foule la verdure.</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Que toujours bien choisis, bien unis, bien serres,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">De L’herbe usurpatrice avec soin délivrés,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Du plus tendre duvet ils gardent la finesse;</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Et quelquefois enfin réparez leur vieillesse.</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Réservez toutefois aux lieux moins éloignés</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Ce luxe de verdure, et ces gazons soignés.</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Du reste composez une riche pâture,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Et que vos seuls troupeaux en fassent la culture.</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Ainsi vous formerez des nourrissons nombreux,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Des engrais pour vos champs, des tableaux pour vos yeux.</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Ne rougissez donc point, quoique l’orgueil en gronde,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">D’ouvrir vos parcs au bœuf, á la vache féconde,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Qui ne dégrade plus ni vos parcs, ni mes vers.</span><br>
-<span style="margin-left: 2em;">Mais c’est peu de créer ces vastes tapis verds;</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Il en faut avec goût savoir choisir les formes.</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Craignez pour eux l’ennui des cadres uniformes.</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">En d’insipides ronds, ou d’ennuyeux quarrés,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Je ne veux point les voir tristement resserrés.</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Un air de liberté fait leur première grace.</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Que tantôt dans les bois, dont l’ombre les embrasse,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">D’un air mystérieux ils aillent se cacher,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Et que tantôt les bois les reviennent chercher.</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Telle est d’un beau gazon la forme simple, et pure.</span><br>
-<span style="margin-left: 2em;">Voulez-vous mieux l’orner? Imitez la nature.</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Elle émaille les prés des plus riches couleurs.</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Hâtez-vous; vos jardins vous demandent des fleurs.</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Fleurs charmantes! par vous la nature est plus belle;</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Dans ses brillans tableaux l’art vous prend pour modèle;</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Simples tributs du cœur, vos dons sont chaque jour</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Offerts par l’amitié, hasardés par l’amour.</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">D’embellir la beauté vous obtenez la gloire;</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Le laurier vous permet de parer la victoire;</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Plus d’un hameau vous donne en prix á la pudeur.</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">L’autel même où de Dieu repose la Grandeur,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Se parfume au printemps de vos douces offrandes,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Et la Religion sourit á vos guirlandes.</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Mais c’est dans nos jardins qu’est votre heureux séjour.</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Filles de la rosée, et de l’astre du jour,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Venez donc de nos champs décorer la théâtre.</span><br>
-<span style="margin-left: 2em;">N’attendez pas pourtant qu’amateur idolâtre,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Au lieu de vous jetter par touffes, par bouquets,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">J’aille de lits en lits, de parquets en parquets,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">De chaque fleur nouvelle attendre la naissance,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Observer ses couleurs, épier leur nuance.</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Je sais que dans Harlem plus d’un triste amateur</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Au fond de ses jardins s’enferme avec sa fleur,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Pour voir sa renoncule avant l’aube s’éveille,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">D’une anémone unique adore la merveille,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Où, d’un rival heureux enviant le secret,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Achete au poids de l’or les taches d’un œillet.</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Laissez-lui sa manie, et son amour bizarre;</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Qu’il possède en jaloux, et jouisse en avare.</span><br>
-<span style="margin-left: 2em;">Sans obéir aux loix d’un art capricieux,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Fleurs, parure des champs, et délices des yeux,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">De vos riches couleurs venez peindre la terre.</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Venez: mais n’allez pas dans les buis d’un parterre</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Renfermer vos appas tristement relégués.</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Que vos heureux trésors soient par-tout prodigués,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Tantôt de ces tapis émaillez la verdure;</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Tantôt de ces sentiers égayez la bordure;</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Formez-vous en bouquets; entourez ces berceaux;</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">En Méandres brillans courez au bord des eaux,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Ou tapissez ces murs, ou dans cette corbeille</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Du choix de vos parfums embarrassez l’abeille.</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Que Rapin, vous suivant dans toutes les saisons,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Décrive tous vos traits, rapelle tous vos noms;</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">A de si longs détails le dieu du goût s’oppose.</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Mais qui peut refuser un hommage à la rose,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">La rose, dont Vénus compose ses bosquets,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Le printemps sa guirlande, et l’Amour ses bouquets,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Qu’Anacréon chanta, qui formoit avec grace</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Dans les jours de festin la couronne d’Horace?</span><br>
-<span style="margin-left: 2em;">Mais ce riant sujet plait trop à mes pinceaux,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Destinés à tracer de plus mâles tableaux.</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">O vous, dont je foulois les pelouses fleuries,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Adieu, charmants bosquets, adieu, vertes prairies;</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Ces masses de rochers confusément épars</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Sur leur informe aspect appellent mes regards.</span><br>
-<span style="margin-left: 2em;">De nos jardins voués à la monotonie</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Leur sublime âprêté jadis étoit bannie.</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Depuis qu’enfin le peintre y prescrivant des loix,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Sur l’arpenteur timide a repris tous ses droits,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Nos jardins plus hardis de ces effets s’emparent.</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Mais de quelque beauté que ces masses les parent,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Si le sol n’offre point ces blocs majestueux,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">De la nature en vain rival présomptueux,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">L’art en voudroit tenter une infidelle image.</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Du haut des vrais rochers, sa demeure sauvage,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">La nature se rit de ces rocs contrefaits,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">D’un travail impuissant avortons imparfaits.</span><br>
-<span style="margin-left: 2em;">Loin de ces froids essais qu’un vain effort étale,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Aux champs de Midleton, aux monts de Dovedale,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Whateli, je te suis; viens, j’y monte avec toi.</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Que je m’y sens saisi d’un agréable effroi!</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Tous ces rocs variant leurs gigantesques cimes,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Vers le ciel elancés, roulés dans des abimes,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">L’un par l’autre appuyés, l’un sur l’autre étendus,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Quelquefois dans les airs hardiment suspendus,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Les uns taillés en tours, en arcades rustiques,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Quelques-uns á travers leurs noirâtres portiques</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Du ciel dans le lointain laissant percer l’azur,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Des sources, des ruisseaux le cours brillant, et pur,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Tout rapelle á l’esprit ces magiques retraites,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Ces romanesques lieux qu’ont chanté les poètes.</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Heureux si ces grands traits embellissent vos champs!</span><br>
-<span style="margin-left: 2em;">Mais dans votre tableau leurs tons seroient tranchans.</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">C’est lá, c’est pour dompter leur inculte énergie,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Qu’il faut d’un enchanteur le charme, et la magie.</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Cet enchanteur, c’est l’art; ces charmes, sont les bois,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Il parte: les rochers s’ombragent á sa voix,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Et semblent s’applaudir de leur pompe étrangère.</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Mais en ornant ainsi leur sécheresse austère,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Variez bien vos plants. Offrez aux spectateurs</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Des contrastes de tons, de formes, de couleurs;</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Que les plus beaux rochers sortent par intervalles.</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">N’interromprez-vous point ces masses trop égales?</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Cachez, ou découvrez, variez á la fois</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Les bois par les rochers, les rochers par les bois.</span><br>
-<span style="margin-left: 2em;">N’avez-vous pas encor, pour former leur parure,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Des arbustes rampans l’errante chevelure?</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">J’aime á voir ces rameaux, ces souples rejettons,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Sur leurs arides flancs serpenter en festons.</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">J’aime á voir leur front chauve, et leur tête sauvage</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Se coeffer de verdure, et s’entourer d’ombrage.</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">C’est peu. Parmi ces rocs un vallon précieux,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Un terrein moins ingrat vient-il rire á nos yeux?</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Saisissez ce bienfait; déployez á la vue</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">D’un sol favorisé la richesse imprévue.</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">C’est un contraste heureux; c’est la stérilité</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Qui cède un coin de terre a la fertilité.</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Ainsi vous subjuguez leur âpre caractère.</span><br>
-<span style="margin-left: 2em;">Quoi donc! faut-il toujours les orner pour vous plaire?</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Non; l’art qui doit toujours en adoucir l’horreur,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Leur permet quelquefois d’inspirer la terreur.</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Lui-même il les seconde. Au bord d’un précipice</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">D’une simple cabane il pose l’édifice:</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Le précipice encore en paroit agrandi;</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Tantôt d’un roc á l’autre il jette un pont hardi.</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">A leur terrible aspect je tremble, et de leur cime</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">L’imagination me suspend sur l’abime.</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Je songe á tous ces bruits du peuple répétés,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">De voyageurs perdus, d’amans précipités;</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Vieux récits, qui, charmant la foule émerveillée,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Des crédules hameaux abrègent la veillée,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Et que l’effroi du lieu persuade un moment.</span><br>
-<span style="margin-left: 2em;">Mais de ces grands effets n’usez que sobrement.</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Notre cœur dans les champs á ces rudes secousses</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Préfère un calme heureux, des émotions douces.</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Moi-même, je le sens, de la cime des monts</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">J’ai besoin de descendre en mes rians vallons.</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Je les ornai de fleurs, les couvris de bocages;</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Il est temps que des eaux roulent sous leurs ombrages.</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Eh bien! si vos sommets jadis tout dépouillés</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Sont, grace á mes leçons, richement habillés,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">O rochers: ouvrez-moi vos sources souterraines:</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Et vous, fleuves, ruisseaux, beaux lacs, claires fontaines,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Venez, portez par-tout la vie, et la fraicheur.</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Ah! qui peut remplacer votre aspect enchanteur?</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">De près il nous amuse, et de loin nous invite;</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">C’est le premier qu’on cherche, et le dernier qu’on quite.</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Vous fécondez les champs; vous repetez les cieux;</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Vous enchantez l’oreille, et vous charmez les yeux.</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Venez: puissent mes vers, en suivant votre course,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Couler plus abondants encor que votre source,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Plus legers que les vents qui courbent vos roseaux,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Doux comme votre bruit, et purs comme vos eaux!</span><br>
-<span style="margin-left: 2em;">Et vous qui dirigez ces ondes bienfaitrices,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Respectez leurs penchans, et même leurs caprices.</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Dans la facilité de ses libres detours,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Voyez l’eau de ses bords embrasser les contours,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">De quel droit osez-vous, captivant sa souplesse,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">De ses plis sinueux contraindre la mollesse?</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Que lui fait tout le marbre où vous l’emprisonnez?</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Voyez-vous, les cheveux aux vents abandonnés,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Sans contrainte, sans art, sans parure étrangère,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Marcher, courir, bondir la folâtre bergère?</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Sa grace est dans l’aisance, et dans la liberté.</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Mais au fond d’un sérail contemplez la beauté:</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">En vain elle éblouit, vainement elle étale</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">De ses atours captifs la pompe orientale;</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Je ne sais quoi de triste, empreint dans tous ses traits,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Décèle la contrainte, et flétrit ses attraits.</span><br>
-<span style="margin-left: 2em;">Que l’eau conserve donc la liberté qu’elle aime,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Ou changez en beauté son esclavage même.</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Ainsi malgré Morel, dont l’éloquente voix</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">De la simple nature a sçu plaider les droits,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">J’aime ces jeux ou l’onde en des canaux pressée</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Part, s’échappe, et jaillit avec force élancée.</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">A l’aspect de ces flots qu’un art audacieux</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Fait sortir de la terre, et lance jusqu’aux cieux,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">L’homme se dit: «C’est moi qui créai ces prodiges»</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">L’homme admire son art dans ces brillans prestiges;</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Qu’ils soient donc déployés chez les grands, et les rois</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Mais, je le dis encor; loin le luxe bourgeois,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Dont le jet d’eau honteux, n’osant quitter la terre,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">S’élève á peine, et meurt á deux pieds du parterre.</span><br>
-<span style="margin-left: 2em;">C’est peu: tout doit répondre á ce riche ornement;</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Que tout prenne á l’entour un air d’enchantement.</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Persuadez aux yeux que d’un coup de baguette</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Une Fée, en passant, s’est fait cette retraite.</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Tel j’ai vu de Saint-Cloud le bocage enchanteur.</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">L’œil de son jet hardi mesure la hauteur?</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Aux eaux qui sur les eaux retombent, et bondissent,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Les bassins, les bosquets, les grottes applaudissent;</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Le gazon est plus verd, l’air plus frais, des oiseaux</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Le chant s’anime au bruit de la chûte des eaux,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Et les bois inclinant leurs têtes arrosées,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Semblent s’épanouir á ces douces rosées.</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Plus simple, plus champêtre, et non moinsbelleauxyeux,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">La cascade ornera de plus sauvages lieux.</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">De près est admirée, et de loin entendue</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Cette eau toujours tombante, et toujours suspendue.</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Variée, imposante, elle anime á la fois</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Les rochers, et la terre, et les eaux, et les bois.</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Employez donc cet art; mais loin l’architecture</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">De ces tristes gradins, ou tombant en mesure,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">D’un mouvement égal, les flots précipités</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Jusques dans la fureur marchent á pas comptés.</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">La variété seule a le droit de vous plaire.</span><br>
-<span style="margin-left: 2em;">La cascade d’ailleurs a plus d’un caractère.</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Il faut choisir. Tantôt d’un cours tumultueux</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">L’eau se précipitant dans son lit tortueux,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Court, tombe, et rejaillit, retombe, écume, et gronde.</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Tantôt avec lenteur developpant son onde,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Sans colère, sans bruit un ruisseau doux, et pur</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">S’epanche, se deploie en un voile d’azur.</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">L’œil aime á contempler ces frais amphiteâtres,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Et l’or des feux du jour sur les nappes bleuâtres,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Et le noir des rochers, et le verd des roseaux,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Et l’eclat argenté de l’ecume des eaux.</span><br>
-<span style="margin-left: 2em;">Consultez donc l’effet que votre art veut produire,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Et ces flots, toujours prompts á se laisser conduire,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Vont vous offrir, plus lents, ou plus impetueux,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Des tableaux gais, ou fiers, grands, ou voluptueux.</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Tableaux toujours puissans! Eh! qui n’a pas de l’onde,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Eprouvé sur son cœur l’impression profonde?</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Toujours, soit qu’un courant vif, et precipité</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Sur des cailloux bondisse avec agilité,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Soit que sur le limon une rivière lente</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Deroule en paix les plis de son onde indolente;</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Soit qu’á travers des rocs un torrent en courroux</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Se brise avec fracas; triste, ou gai, vif, ou doux</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Leur cours excite, appaise, ou menace, ou caresse.</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">De Vénus, nous dit-on, l’echarpe enchanteresse</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Renfermoit les amours, et les tendres desirs,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Et la joie, et l’espoir, precurseur des plaisirs.</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Les eaux sont ta ceinture, ô divine Cybèle!</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Non moins imperieuse, elle renferme en elle</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">La gaieté, la tristesse, et le trouble, et l’effroi.</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Eh! qui l’a mieux connu, l’a mieux senti que moi?</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Souvent, je m’en souviens, lorsque les chagrins sombres,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Que de la nuit encore avoient noircis les ombres,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Accabloient ma pensée, et flétrissoient mes sens,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Si d’un ruisseau voisin j’entendois les accens,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">J’allois, je visitois ses consolantes ondes.</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Le murmure, le frais de ses eaux vagabondes</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Suspendoient mes chagrins, endormoient ma douleur,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Et la sérénité renaissoit dans mon cœur,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Tant du doux bruit des eaux l’influence est puissante!</span><br>
-<span style="margin-left: 2em;">Pour prix de ce bienfait, toi, dont le cours m’enchante,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Ruisseau, permets que l’art, sans trop s’énorgueillir,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">T’embellisse à nos yeux, si l’art peut t’embellir.</span><br>
-<span style="margin-left: 2em;">Un ruisseau siéroit mal dans une vaste plaine;</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Son lit n’y traceroit qu’une ligne incertaine.</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Modestes, au grand jour se montrant á regret,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Ses flots veulent baigner un bocage secret.</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Son cours orne les bois. Les bois font ses délices.</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Lá, je puis á loisir suivre tous ses caprices,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Son embarras charmant, sa pente, ses replis,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Le courroux de ses flots par l’obstacle embellis.</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Tantôt dans un lit creux, qu’un noir taillis ombrage,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Cachant son onde agreste, et sa course sauvage,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Tantôt á plein canal présentant son miroir,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Je le vois sans l’entendre, ou l’entends sans le voir.</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Lá, ses flots amoureux vont embrasser des iles.</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Plus loin, il se sépare en deux ruisseaux agiles,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Qui, se suivant l’un l’autre avec rapidité,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Disputent de vitesse, et de limpidité;</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Puis, rejoignant tous deux le lit qui les rassemble,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Murmurent enchantés de voyager ensemble.</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Ainsi, toujours errant de détour en détour,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Muet, bruyant, paisible, inquiet tour-á-tour,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Sous mille aspects divers son cours se renouvelle.</span><br>
-<span style="margin-left: 2em;">Mais vers ses bords rians la rivière m’appelle.</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Dans un champ plus ouvert, noble et pompeux tableau,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Son onde moins modeste en larges nappes d’eau</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Roule, des feux du jour au loin étincelante.</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Elle laisse au ruisseau sa gaieté pétulante,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Et son inquiétude, et ses plis tortueux.</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Son lit, en longs courans, des vallons sinueux</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Suivra les doux contours, et la molle courbure.</span><br>
-<span style="margin-left: 2em;">Si le ruisseau des bois emprunte sa parure,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">La rivière aime aussi que des arbres divers,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Les pâles peupliers, les saules demi-verds,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Ornent souvent son cours. Quelle source féconde</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">De scènes, d’accidens! Lá, j’aime á voir dans l’onde</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Se renverser leur cime, et leurs feuillages verds</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Trembler du mouvement, et des eaux, et des airs.</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Ici, le flot bruni fuit sous leur voûte obscure.</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Lá, le jour par filets pénétre leur verdure.</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Tantôt dans le courant ils trempent leurs rameaux,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Et tantôt leur racine embarasse les flots.</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Souvent d’un bord á l’autre étendant leur feuillage,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Ils semblent s’élancer, et changer de rivage.</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Ainsi l’arbre, et les eaux se prêtent leur secours:</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">L’onde rajeuni l’arbre, et l’arbre orne son cours,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Et tous deux, s’alliant sous des formes sans nombre,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Font un échange aimable, et de fraicheur, et d’ombre.</span><br>
-<span style="margin-left: 2em;">Sachez donc les unir; ou si, dans de beaux lieux,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">La nature sans vous fit cet hymen heureux,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Respectez-la. Malheur á qui feroit mieux qu’elle!</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Tel est, cher Watelet, mon cœur me le rappelle,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Tel est le simple asyle oú, suspendant son cours,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Pure comme tes mœurs, libre comme tes jours,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">En canaux ombragés la Seine se partage,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Et visite en secret la retraite d’un sage.</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Ton art la seconda; non cet art imposteur,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Des lieux qu’il croit orner hardi profanateur.</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Digne de voir, d’aimer, de sentir la nature,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Tu traitas sa beauté comme une vierge pure</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Qui rougit d’être nue, et craint les ornemens.</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Je crois voir le faux-goût gâter ces lieux charmans.</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Ce moulin, dont le bruit nourrit la rêverie,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">N’est qu’un son importun, qu’une meule qui crie;</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">On l’écarte. Ces bords doucement contournés,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Par le fleuve lui-même en roulant façonnés,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">S’alignent tristement. Au lieu de la verdure</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Qui renferme le fleuve en sa molle ceinture,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">L’eau dans des quais de pierre accuse sa prison;</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Le marbre fastueux outrage le gazon,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Et des arbres tondus la famille captive</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Sur ces saules vieillis ose usurper la rive.</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Barbares, arrêtez, et respectez ces lieux.</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Et vous, fleuve charmant, vous, bois délicieux,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Si j’ai peint vos beautés, si dés mon premier âge</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Je me plûs á chanter les prés, l’onde, et l’ombrage,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Beaux lieux, offrez long-temps á votre possesseur</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">L’image de la paix qui règne dans son cœur.</span><br>
-<span style="margin-left: 2em;">Autant que la riviére en sa molle souplesse</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">D’un rivage anguleux redoute la rudesse,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Autant les bords aigus, les longs enfoncemens</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Sont d’un lac étendu les plus beaux ornemens.</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Que la terre tantôt s’avance au sein des ondes;</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Tantôt qu’elle ouvre aux flots des retraites profondes;</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Et qu’ainsi s’appellant d’un mutuel amour,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Et la terre, et les eaux se cherchent tour-á-tour.</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Ces aspects variés amusent votre vue.</span><br>
-<span style="margin-left: 2em;">L’œil aime dans un lac une vaste étendue.</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Cependant offrez-lui quelques points de repos.</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Si vous n’interrompez l’immensité des flots,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Mes yeux sans intérêt glissent sur leur surface.</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Ainsi, pour abréger leur insipide espace,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Ou qu’un frais bâtiment, des chaleurs respecté,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Se présente de loin dans les flots répété,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Ou bien faites éclore une ile de verdure.</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Les iles sont des eaux la plus riche parure.</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Ou relevez leurs bords, ou qu’en bouquets épars</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Des masses d’arbres verds arrêtent vos regards.</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Par un contraire effet si vous voulez l’étendre,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Aux bords trop exhaussés ordonnez de descendre;</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Ou reculez vos bois, ou commandez que l’eau</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Se perde en un bosquet, tourne au pied d’un côteau,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">A travers ces rideaux où l’eau fuit, et se plonge,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">L’imagination la fuit, et la prolonge.</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Ainsi votre œil jouit de ce qu’il ne voit pas;</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Ainsi le goût savant prête á tout des appas,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Et des objets qu’il crée, et de ceux qu’il imite</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Resserre, étend, découvre, ou cache la limite.</span><br>
-<span style="margin-left: 2em;">Or, maintenant que l’art dans ses jardins pompeux</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Insulte à mes travaux, dans mes jardins heureux</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Par-tout respire un air de liberté, de joie;</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">La pelouse riante á son gré se déploie;</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Les bois indépendans relèvent leurs rameaux;</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Les fleurs bravent l’équerre, et l’arbre les ciseaux:</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">L’onde chérit ses bords, la terre sa parure;</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Tout est beau, simple, et grand: c’est l’art de la nature.</span><br>
-<span style="margin-left: 2em;">Cependant, et ce fleuve, et ces lacs sont déserts,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Venez; peuplons leur sein de citoyens divers.</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Plaçons-y ces oiseaux qui, d’une rame agile,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Navigateurs ailés, fendent l’onde docile.</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Au milieu d’eux s’élève, et nage avec fierté</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Le cygne au cou superbe, au plumage argenté,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Le cygne, á qui l’erreur prêta des chants aimables,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Et qui n’a pas besoin du mensonge des fables.</span><br>
-<span style="margin-left: 2em;">Pour animer les eaux, l’art encor n’a-t-il pas</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Le flottant appareil des voiles, et des mâts?</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Par la rame emportée, une barque légére</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Laisse á peine, en fuyant, sa trace passagére:</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Zéphyre de la toile enfle les plis mouvans,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Et chaque banderole est le jouet des vents.</span><br>
-<span style="margin-left: 2em;">Et si nos vieux romans, ou la fable, ou l’histoire,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">D’un ruisseau, d’une source ont consacré la gloire!</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">De leur antique honneur ces flots énorgueillis,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Par d’heureux souvenirs sont assez embellis.</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Quel cœur, sans être ému, trouveroit Aréthuse,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Alphée, ou le Lignon: toi sur-tout, toi, Vaucluse,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Vaucluse, heureux séjour, que sans enchantement</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Ne peut voir nul poéte, et sur-tout nul amant?</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Dans ce cercle de monts, qui, recourbant leur chaine,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Nourrissent de leurs eaux ta source souterraine,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Sous la roche voûtée, antre mystérieux,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Où ta Nymphe, échappant aux regards curieux,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Dans un gouffre sans fond cache sa source obscure,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Combien j’aimois á voir ton eau, qui, toujours pure,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Tantôt dans son bassin renferme ses trésors,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Tantôt en bouillonnant s’eléve, et de ses bords</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Versant parmi des rocs ses vagues blanchissantes,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">De cascade en cascade au loin rejaillissantes,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Tombe, et roule á grand bruit; puis, calmant son courroux,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Sur un lit plus égal répand des flots plus doux,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Et sous un ciel d’azur par vingt canaux feconde</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Le plus riant vallon qu’eclaire l’œil du monde!</span><br>
-<span style="margin-left: 2em;">Mais ces eaux, ce beau ciel, ce vallon enchanteur,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Moins que Petrarque, et Laure interessoient mon cœur</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">La voilá donc, disois je, oui, voilá cette rive</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Que Petrarque charmoit de sa lyre plaintive!</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Ici Petrarque á Laure exprimant son amour,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Voyoit naitre trop tard, mourir trop tôt le jour.</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Retrouverai je encor sur ces rocs solitaires.</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">De leurs chiffres unis les tendres caracteres?</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Une grotte ecartée avoit frappé mes yeux.</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Grotte sombre, dis moi si tu les vis heureux,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">M’ecriois-je! Un vieux tronc bordoit-il le rivage?</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Laure avoit reposé sous son antique ombrage.</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Je redemandois Laure á l’echo du vallon,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Et l’echo n’avoit point oublié ce doux nom.</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Par-tout mes yeux cherchoient, voyoient Petrarque, et Laure,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Et par eux ces beaux lieux s’embellissoient encore.</span><br>
-</p>
-
-
-<p class="center p2">FIN DU TROISIEME CHANT.</p>
-<hr class="chap x-ebookmaker-drop">
-
-<div class="chapter">
-<p><span class="pagenum" id="Page_71">[Pg 71]</span></p>
-
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-<p class="center p2"><span class="figcenter" id="img003b">
-<img src="images/003.jpg" class="w50" alt="Imagem decorativa">
-</span></p>
-<h2 class="nobreak" id="CANTO_TERCEIRO">OS JARDINS,<br><span class="small">POEMA.</span></h2>
-</div>
-
-<hr class="r5">
-<p class="center big">CANTO TERCEIRO.</p>
-<hr class="r5">
-
-
-<p class="poetry">
-<span style="margin-left: 2em;">Eu cantava os jardins, vergeis, e bosques,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Eis sólta vezes tres Belona o grito,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Eis dos paternos Lares arrancado,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Vôa o Francez Guerreiro a estranhos mares,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">E de Venus, Mavorte as selvas deixa.</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Vós, á Paz innocente affeiçoados,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Deoses dos Campos, não temais a guerra,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Quer o grande Luiz não destruir-vos,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Mas ao longe estender o imperio vosso;</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Quer que logre tranquillo o que semêa</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Hum Povo amigo longamente oppresso.</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">E vós, Mancebos, que outro Mundo admira,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Se por cima de tumidas voragens,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">A York o vosso ardor seguir não posso,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Para quando volteis aperfeiçoa</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Jardins a Musa minha. Ordeno ás flores</span><br>
-<span class="pagenum" id="Page_72">[Pg 72]</span><span style="margin-left: 1em;">Que para as frontes vossas vão crescendo.</span><br>
-<span class="pagenum" id="Page_73">[Pg 73]</span><span style="margin-left: 1em;">Aprompto para vós de myrto as croas,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">O murmureo das agoas vos preparo,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">E gramineo tapiz, e asylo umbroso.</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Sentados molemente, ao Lethes dando</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Fadigas marciais, direis a gloria</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Das nossas forças bélicas, e emtanto</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Entre esperanças, e temor suspensos,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Confundiráõ, tremendo, os filhos vossos</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Co’ a presença do prigo a imagem delle.</span><br>
-<span style="margin-left: 2em;">Amador dos jardins, eia, acabemos</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">De pulir estes placidos abrigos.</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Infecundo areal, e secco, e triste,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Nelles o dia reflectindo outr’hora,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Importunava os pés, cansava os olhos.</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Tudo era ardente, e nu; mas Inglaterra</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Nos ensinou com que arte o chão se veste,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Na relva cuida, pois, que os campos brotão.</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">O regador na dextra, ou nella a fouce,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Lhes mate as sedes, lhes tosquie as tranças.</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">As leivas o cylindro pize, aplane;</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Sempre, escolhidas bem, bem apertadas,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Bem libertas da erva usurpadora,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Qual macia lanugem finas sejão;</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Repare-se-lhe ás vezes a velhice;</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Mas, comtudo, aos lugares não remotos</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Se reserve este luxo de verdura:</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Do resto se componhão ricos pastos,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">E sómente os cultivem teus rebanhos.</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Terás dest’arte numerosas crias,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Os Campos adubio, os olhos quadros.</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Não te envergonhe, pois, (e grite embora</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">O orgulho) não defendas que em teus parques</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Entre a Vacca fecunda, o Boi tardio:</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Nem deshonrão teus parques, nem meus versos.</span><br>
-<span class="pagenum" id="Page_74">[Pg 74]</span><span style="margin-left: 2em;">Muito pouco he, porém, crear sómente</span><br>
-<span class="pagenum" id="Page_75">[Pg 75]</span><span style="margin-left: 1em;">Esses tapizes vastos, e viçosos:</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Cumpre que saibas escolher-lhe as formas.</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Longe a monotonia, ah! longe delles:</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Em quadrada feição, feição redonda</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Tristemente opprimidos os não quero.</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Hum ar de liberdade he seu primeiro,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Gracioso attractivo: ora nos bosques,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Cuja sombra os abraça, elles se escondão</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Com visos de mysterio, ora esses mesmos</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Bosques venhão buscallos. Esta a forma</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Da campestre alcatifa, pura, e simples,</span><br>
-<span style="margin-left: 2em;">Amas o bello? A Natureza imita,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Que esmalta os prados de opulentas cores:</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Dá-te pressa; os jardins te pedem flores.</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Flores mimosas, candidas boninas,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Por vós he mais gentil a Natureza.</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Nos quadros por modelo a arte vos toma;</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">De terno coração sois dons singelos,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Que arrisca Amor, e que a Amizade offrece.</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Em doirada madeixa, em niveo seio</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Requinta-se comvosco a formosura;</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Que a Victoria adorneis permitte o Loiro,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Do virgineo pudor tambem sois premio.</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">O mesmo, o mesmo Altar, onde repousa</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">A Grandeza de hum Deos, na Primavera</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Com vossas oblações se aromatiza,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">E a Religião, sorrindo-se, as acolhe;</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Mas tendes nos jardins o domicilio.</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Do Sol, da Aurora vinde, pois, oh filhas,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Decorar o theatro a nossos campos.</span><br>
-<span style="margin-left: 2em;">Comtudo, não cuideis que, insano Amante,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Em vez de vos travar, em vez de unir-vos</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Em brandos, amorosos ramilhetes,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">De canteiro em canteiro, attento espere</span><br>
-<span class="pagenum" id="Page_76">[Pg 76]</span><span style="margin-left: 1em;">De cada nova flor o nascimento,</span><br>
-<span class="pagenum" id="Page_77">[Pg 77]</span><span style="margin-left: 1em;">E lhe espie o matiz, lhe observe as côres.</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;" id="note17">Sei que em Harlem ha curiosos tristes,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Que em seus jardins co’as flores vão fechar-se,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Que, por ver hum rainunculo, despertão</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Antes d’alva, e que adorão, qual prodigio,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Anémona exquisita, ou que, invejando</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">De hum rival o segredo, a peso de oiro</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Comprão de hum cravo as manchas. Deixa aos loucos</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Seu maniaco amor: possuão, gozem</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Embora quaes ciosos, quaes avaros.</span><br>
-<span style="margin-left: 2em;">Sem de arte caprichosa as leis seguirdes,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Vós, dos olhos prazer, do campo adorno,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Flores, pintai a superficie á Terra;</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Mas a vossa beleza, o mimo vosso</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Entre curtos limites não se estreitem.</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Em toda a parte esses thesoiros brilhem:</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Ora aos tapizes a verdura esmaltem,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Ora de hum lado, e d’outro enfeitem ruas;</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Em mesclados festões cercai ramadas,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Agoas orlai em lucidos Meandros,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Ou comvosco estes muros se alcatifem,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Ou, querendo escolher vossos perfumes,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Gyre, indecisa, no açafate a abelha.</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Seguindo-vos Rapin nas quadras todas,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Nenhum matiz, ou nome vosso esqueça;</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">A tão frias, cansadas miudezas</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Oppõem-se o Deos do gosto. Mas quem póde</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Negar o obsequio, a preferencia á rosa,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Á rosa, de que Venus bosques tece,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Croas a Primavera, Amor seus mimos?</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Á flor de Anacreonte, á flor que Horacio</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Nos dias festivais engrinaldava?</span><br>
-<span style="margin-left: 2em;">Mas tão risonho objecto em demasia</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Apraz aos meus pinceis, cujo destino</span><br>
-<span class="pagenum" id="Page_78">[Pg 78]</span><span style="margin-left: 1em;">He quadros desenhar mais vigorosos.</span><br>
-<span class="pagenum" id="Page_79">[Pg 79]</span><span style="margin-left: 1em;">Oh vós, de que eu trilhava o chão florido,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Bosquesinhos, adeos, adeos, oh prados.</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Attrahe minha attenção o informe aspecto</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Dos rochedos sem regra desparzidos.</span><br>
-<span style="margin-left: 2em;">Foi sua alta rudeza em outros tempos</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Banida dos Jardins, onde reinava</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">A inérte, semsabor monotonia.</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Mas depois que o Pintor, leis dando nelles,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Contra acanhado Artifice restaura</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Totalmente o seu jus, emfim se atrevem</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">A apossar-se os jardins destes effeitos.</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Por mais graças, porém, que venha dellas,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Se estas rígidas massas magestosas</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Não offrece o terreno, então debalde,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Presumpçosa Rival da Natureza,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">A Arte em falsas imagens se apurara.</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;" id="note18">Do cume dos Rochedos verdadeiros,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Da Mãi universal morada inculta,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Ella escarnece de affectadas penhas,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Misero aborto de fadiga inutil.</span><br>
-<span style="margin-left: 2em;" id="note19">Aos Campos de Midléton, ás Montanhas</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">De Dovedale, te acompanho os passos,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">A ellas, Whateli, comtigo subo.</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Que aprazivel terror me assenhorêa!</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Todos esses rochedos, variando</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Os cimos colossais, arremessados</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Aqui aos Ceos, alli para os abysmos,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Hum por outro amparados, hum sobre outro,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">E no ar ousadamente alguns suspensos;</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Este em arcada, em torre afeiçoado,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Aquelle pelo pórtico sombrio</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Deixando perceber ao longe o Polo;</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Além mananciais, aqui regatos</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">De limpida corrente, alegre, e mansa,</span><br>
-<span class="pagenum" id="Page_80">[Pg 80]</span><span style="margin-left: 1em;">Tudo, ah! tudo no espirito revolve</span><br>
-<span class="pagenum" id="Page_81">[Pg 81]</span><span style="margin-left: 1em;">Os mágicos retiros, que os Poetas</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Cantárão, fabulando. Oh quão ditoso</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Serás se teus jardins afformosêas</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Com estas grandes, alterosas vistas!</span><br>
-<span style="margin-left: 2em;">Mas para que a teu quadro bem se ajustem,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Contra a tôsca energia dos rochedos</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Cumpre de encantador ter a eficacia.</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">O encantador he a arte, o encanto os bosques;</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Ella falla, os rochedos eis se assombrão,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">E como que os enfuna a pompa estranha.</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Porém, sua aridez austera ornando,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Sagaz diversifica os teus plantios.</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Ao cobiçoso espectador offrece</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Das formas, e das côres os contrastes;</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Saião por entre as arvores a espaços</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Os mais bellos rochedos: interrompe</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Summa igualdade, esconde, ou patentêa!</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Variem-se co’as arvores as róchas,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">As arvores co’as róchas se variem.</span><br>
-<span style="margin-left: 2em;">Não tens tambem, para formar-lhe a gala</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Não tens do baixo arbusto a folha errante?</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Gósto de ver os dóceis novedios</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Pelos áridos flancos dos penedos</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Em tenrinhos festões ir serpeando;</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Gósto de ver-lhes a escalvada fronte</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Toucar-se de verdura, e ganhar sombras.</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Isto inda he pouco. Hum valle entre estas penhas,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Hum valle precioso, hum chão mais grato</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Ri-se a teus olhos? Aproveita-o, mostra,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Expoem esta riqueza inesperada.</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">He feliz, singular este contraste,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">He a esterilidade, ella, que hum breve</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Espaço apetecivel de terreno</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Cede á fertilidade: assim subjugas</span><br>
-<span class="pagenum" id="Page_82">[Pg 82]</span><span style="margin-left: 1em;">O aspérrimo caracter dos rochedos.</span><br>
-<span class="pagenum" id="Page_83">[Pg 83]</span><span style="margin-left: 2em;">Para agradar-te he força ornallos sempre?</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Não; se a arte deve o horror sempre adoçar-lhes,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Consente ás vezes que o pavor inspirem,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Favorece-os até. Na extremidade</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">De hum precipicio huma cabana eleva,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">E com ella augmentado elle parece:</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Ponte audaz de hum rochedo a outro lança;</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Eu tremo ao vêllos, e a medonho abysmo</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Imminente me põem a fantasia.</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Lembrão-me esses boatos populares,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Os casos de perdidos Passageiros,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">D’Amantes despenhados: contos velhos</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Que, prendendo attenção maravilhada,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Á credula Aldeã serões encurtão;</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">E o terror do lugar ajuda a crença.</span><br>
-<span style="margin-left: 2em;">Porém com sobriedade usar se deve</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Destes grandes effeitos. A tão duras,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Tão agras commoções, abalos doces,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Molle socego o coração prefere:</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Eu exprimento em mim que das montanhas</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Me he preciso baixar aos ledos valles.</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Tenho-os de flores, de arvores coberto:</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Tempo he que á sombra dellas manem agoas.</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Bem: já que os cimos vossos, nus outr’hora,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Pelas minhas lições estão vestidos</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Tão ricamente, oh róchas, franqueai-me</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">As subterraneas, íntimas origens:</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Rios, arroyos, vós, vós, lagos, fontes,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Vinde, espraiai frescura, e vida em tudo.</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Ah! Que prazer substituir-vos póde?</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Vosso contente, luzidio aspecto</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Se de perto entretem, convida ao longe.</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Sois o primeiro objecto que se busca,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">O ultimo que se deixa. As agoas vossas</span><br>
-<span class="pagenum" id="Page_84">[Pg 84]</span><span style="margin-left: 1em;">Fertilizando a Terra, o Ceo duplicão.</span><br>
-<span class="pagenum" id="Page_85">[Pg 85]</span><span style="margin-left: 1em;">Os ouvidos encanta, encanta os olhos</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Vosso cristal, vosso murmùreo. Ah! vinde;</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Dado seja a meus versos, que vos seguem,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Correr do coração mais tentadores,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Mais abundantes que o principio vosso;</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Mais leves do que os Zéfyros, que dobrão</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Vossos canaviais; e brandos, puros</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Como esse rumorzinho, essa corrente.</span><br>
-<span style="margin-left: 2em;">Tu, senhor destas agoas bemfeitoras,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Venera-lhe o pendor, té o capricho;</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Nos livres gyros seus vê como abração</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Facilmente das margens os contórnos.</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">E ousas, encarcerando-lhe a brandura,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Os tortuosos passos constranger-lhe!</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">De que lhe serve o marmore em que he preza?</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Não vês co’a longa trança entregue aos ventos,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Sem arte alguma, sem postiço adorno,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Campestre, prazenteira, ingénua Moça</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Andar, correr, saltar! A graça della</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Está no solto, natural meneio.</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Contempla n’um Serralho a Formosura.</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Ella deslumbra em vão, debalde ostenta</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">A pompa oriental, brilho estudado:</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Hum triste não sei que, na face impresso,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Lhe argue a sujeição, desbota as graças.</span><br>
-<span style="margin-left: 2em;">A agoa mantenha a liberdade que ama,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Ou muda-lhe em belleza o cativeiro.</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Assim, contra Morel, cuja eloquente,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">E ponderosa vóz pleitear soube</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Os direitos da simples Natureza,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Gósto das agoas, que em canaes opressas,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Com rápida violencia partem, saltão.</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Ao ver esses cristais, que arte atrevida</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Da Terra faz brotar, e aos ares lança,</span><br>
-<span class="pagenum" id="Page_86">[Pg 86]</span><span style="margin-left: 1em;">O Homem diz: «eu criei estes portentos:»</span><br>
-<span class="pagenum" id="Page_87">[Pg 87]</span><span style="margin-left: 1em;">E em tais prestigios a arte sua admira.</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Nos custosos jardins dos Reis, dos Grandes</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Reluzão, pois; mas, outra vez o digo,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Longe os luxos plebêos, o vergonhoso,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Mesquinho jácto de agoa, que da Terra</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Mal ousando arredar-se, apenas sóbe,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">E em minima distancia morre logo.</span><br>
-<span style="margin-left: 2em;">Tudo a tanta riqueza corresponda;</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Tudo grangêe á roda hum ar de encanto.</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Os olhos persuade, e o pensamento</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">De que vara eficaz em mão de Fada</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Formára para a Dona este retiro.</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Tàl eu vi de Saint Cloud o amavel bosque.</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Póde a vista medir do jacto a altura?</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Como que aplaudem tanques, grutas, plantas</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">As agoas, que sobre agoas cahem, fervem;</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">O ar he mais fresco alli, mais verde a relva,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Das aves o gorgeio alli se aviva</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Ao som das vitreas ondas, que baquêão;</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">E, as rociadas testas inclinando,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Como que ao doce orvalho os bosques se abrem.</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Não menos bella, mais campestre, e simples</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">A cascata ornará lugar mais tosco.</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">De longe se ouve, admira-se de perto</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Lympha sempre a cahir, sempre suspensa;</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">E vária, e magestosa, anima a hum tempo</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Os rochedos, a terra, agoas, e bosques.</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Emprega, pois, esta arte; porém longe</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Esses tristes degráos, onde, cahindo</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Com movimento igual, medida certa,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">As ondas, bem que vão precipitadas,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Até no seu furor seus passos contão.</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Só tem jus de aprazer a variedade.</span><br>
-<span style="margin-left: 2em;">Goza mais de hum caracter a cascata.</span><br>
-<span class="pagenum" id="Page_88">[Pg 88]</span><span style="margin-left: 1em;">Ora em tumulto as agoas despenhadas</span><br>
-<span class="pagenum" id="Page_89">[Pg 89]</span><span style="margin-left: 1em;">No tortuoso leito, correm, cahem,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Saltão, recahem, e escumão, e esbravêão,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Ora de espaço desdobrando as ondas,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Puro, calado, remansinho ameno</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Em azul véo se esparge. Os olhos folgão</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">De ver estes gentis Anfiteatros,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">De ver sobre as ceruleas espadanas</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Reflectir, scintilar o oiro diurno;</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Tambem lhe apraz a escuridão das penhas,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">E a verdura das canas, e a espumosa</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Argentea côr das agoas fugidias.</span><br>
-<span style="margin-left: 2em;">Consulta, pois, Artifice, os effeitos</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Que intentas produzir. As lymphas, promptas</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Sempre a deixar guiar-se, hão de offrecer-te,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Quer mais impetuosas, quer mais lentas,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Quadros benignos, ou soberbos quadros,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Graves, ou deleitosos: quadros, n’alma</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Sempre efficazes. Que mortal não próva</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">A profunda impressão que vem das ondas?</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Sempre, ou viva corrente arrebatada</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Sobre seixos murmure, e ferva, e salte,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Ou ribeira indolente sobre o lodo</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Em paz alargue as agoas preguiçosas,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Ou torrente feróz entre penedos</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Quebre com rijo estrondo, alegre, triste</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">A sua correnteza excita, applaca,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Ameaça, ou amima. Escuto á fama</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Que de Vénus o cinto milagroso</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Amores, e desejos incluia,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">E o prazer, e a esperança, precursôra</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">De inefaveis delicias. O teu cinto</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">He, divina Cybele, he agoa: nella,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Não menos poderosa, estão complexos</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Terror, perturbação, tristeza, e riso.</span><br>
-<span class="pagenum" id="Page_90">[Pg 90]</span><span style="margin-left: 1em;">Quem melhor o sentio do que a minha alma?</span><br>
-<span class="pagenum" id="Page_91">[Pg 91]</span><span style="margin-left: 1em;">Quem o soube melhor? Mil, e mil vezes</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Quando azedos, escuros pezadumes,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Inda mais pela noite enegrecidos,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Vinhão martyrizar-me o pensamento,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Se ouvia os passos de visinho arroyo,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Demandava estes sons consoladores.</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Das agoas a frescura, a vóz das agoas</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Cuidados, afflicções me adormecião,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">E a paz do coração resuscitava:</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Tanto d’agoa o murmureo n’alma influe!</span><br>
-<span style="margin-left: 2em;">Em paga de tão gratos beneficios,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Sofre, oh ribeiro, que a arte, sem, comtudo,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Muito se assoberbar, te aformosêe,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Se he que aformosear-te acaso póde.</span><br>
-<span style="margin-left: 2em;">Não quadra a vasto plano hum rio escasso:</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Seu leito incerta linha alli traçára.</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">A timida corrente á luz se furta,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">E quer banhar hum bosquezinho escuso.</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Sua doce carreira adorna as selvas,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Só ellas o namorão. Seus caprichos</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Lá com todo o vagar seguir-se pódem,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Seus gyros, seu pendor, seu lindo estorvo,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">A cólera, o fervor das bellas ondas,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Tornadas pelo obstáculo mais bellas.</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Ora num álveo concavo, e sombrio</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Co’a ramada que o cobre, elle recata</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">O cabedal agreste, ora presenta</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Em patente canal o espelho á vista:</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Sem vello o escuto, ou sem ouvillo o vejo.</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Alli meigos cristais abração Ilhas,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Além se torna em dois o leve arroyo,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Em dois, que nas carreiras competindo,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Apóstão rapidez, e claridade;</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">E ambos depois no leito, que os ajunta</span><br>
-<span class="pagenum" id="Page_92">[Pg 92]</span><span style="margin-left: 1em;">De andarem par a par murmurão ledos.</span><br>
-<span class="pagenum" id="Page_93">[Pg 93]</span><span style="margin-left: 1em;">Errando sempre assim, de volta em volta,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Mudo, loquaz, pacifico, agitado,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Em mil varios aspectos se renova.</span><br>
-<span style="margin-left: 2em;">Mas copiosa ribeira ás frescas margens</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Me está chamando. Em campo mais aberto,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Nobre, e pomposo quadro, as ondas suas</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Ondas menos modestas, vão rolando,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">E co’ fulgor diurno ao longe brilhão.</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Deixa ao regato seu prazer lascivo,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">A sua agitação, e os seus rodeios;</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">E segue caudalosa a curvidade,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">O circuito dos valles sinuosos.</span><br>
-<span style="margin-left: 2em;">Se dos bosques o arroyo adorno colhe,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Ama o rio tambem diversas plantas.</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Quer que lhe ornem, lhe assombrem a corrente,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Os descorados chôpos, e os salgueiros</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Meios verdes. Que origem tão fecunda</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">De scenas, de accidentes! Alli gósto</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">De olhar-lhe derrubadas sobre o rio</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">As ramas, e tremer ao movimento</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Das agoas, e dos ares; aqui foge</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Por baixo das abobadas virentes</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">A onda escurecida; além penetra</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Por entre folha, e folha hum tenue lume,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Ora as grenhas se embebem na corrente,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Ora a impede a raiz; e desmandando</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">De huma para outra margem a verdura,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Como que avanção, que outro sitio querem.</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Assim as ondas, e arvores se ajudão,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">A agoa remoça a planta, a planta a enfeita;</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">E ambas fazem, ligando-se em mil fórmas,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Amavel cambio de frescura, e sombra.</span><br>
-<span style="margin-left: 2em;">Unillas sabe, pois, ou se em lugares</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Formosos, proprios della, a Natureza</span><br>
-<span class="pagenum" id="Page_94">[Pg 94]</span><span style="margin-left: 1em;">Já celebrou sem ti este consorcio,</span><br>
-<span class="pagenum" id="Page_95">[Pg 95]</span><span style="margin-left: 1em;">Respeita-a. Desgraçado o que presume</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Excedella no engenho! He tal (e á mente</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">O coração mo traz) tal he o asylo,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Querido Watelet, onde, amansando,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Em sombrios canais se parte o Sena,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">O Sena encantador, tão puro, e livre</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Como a tua moral, como os teus dias,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">E visita em segredo o lar de hum Sabio.</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Com arte lhe acudiste, não com arte</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Temeraria, fallaz, profanadora</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Desses lugares que supõe que adorna.</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Viste, amaste, sentiste a Natureza,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Digno de a ver, de amalla, e de sentilla;</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Tu a trataste como intacta Virgem,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Que da nudez se corre, e teme o ornato.</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Parece-me, que vejo o falso gosto</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Estragar esses campos feiticeiros:</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">«Este moinho, cujo som ruidoso</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Nutre a meditação, he importuno:»</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Dalli o arrancão subito. Estas margens</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Torneadas assim tão brandamente,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">E pelo proprio Sena afeiçoadas,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Duramente se alinhão. A verdura,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Que no seu molle cinto o rio encerra,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Alli já não florece. Agoas queixosas</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Seus lageados cárceres accusão.</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">O marmore fastoso a relva ultraja,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">E tosqueadas arvores cativas</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Os idosos salgueiros desapossão</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Da margem linda, e cara. Ah! suspendei-vos:</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Barbaros; acatai esses lugares;</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">E vós, oh rio, oh bosques deleitosos,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Se a vossa formosura hei retratado,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Se, adolescente ainda, alegres versos</span><br>
-<span class="pagenum" id="Page_97">[Pg 97]</span><span style="margin-left: 1em;">Ás agoas, prados, sombras já tecia,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Ministrai longamente, oh rio, oh bosques,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Ao vosso possessor a doce imagem</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Da paz sagrada que em sua alma reina.</span><br>
-<span style="margin-left: 2em;">Quanto na molle agilidade o rio</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">De margem angular teme a aspereza,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Tanto as margens agudas ornamento</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">São de estendidos lagos, e o mais bello.</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Ora se avance a Terra ao seio undoso,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Ora abra ás ondas domicilio fundo.</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Com revezado amor assim se chamem,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Se busquem mutuamente Agoas, e Terra:</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Nestes varios aspectos folga a vista.</span><br>
-<span style="margin-left: 2em;">A comprida extensão n’um lago se ama;</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Da-lhe sitios, comtudo, em que repouse.</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Não se lhe interrompendo a immensidade,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Meus olhos sem prazer, sem interesse</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Vão pela superficie escorregando.</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Para lhe abreviar o espaço insulso,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Edificio, das calmas venerado,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Nas ondas repetido, assome ao longe,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Ou Ilha que verdeje entre ellas surja:</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">As Ilhas são das agoas summo adorno.</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Ou levanta-lhe as margens, ou viçosas</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Arvores, em festões dispersos, ganhem</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Tua contemplação, teus olhos prendão.</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Se queres produzir opposto effeito,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Se o lago estender queres, manda ás margens</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Mui subidas, que desção, e ou distancia</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Mais arredada os arvoredos tenhão,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Ou faze com que as agoas vão sumir-se</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">N’um denso bosquezinho, e que tornêem</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Ao pé de huma colina. O pensamento</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Por entre estas cortinas de verdura,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Onde desaparecem, vai seguindo</span><br>
-<span class="pagenum" id="Page_98">[Pg 98]</span><span style="margin-left: 1em;">As agoas, e as prolonga. Assim teus olhos</span><br>
-<span class="pagenum" id="Page_99">[Pg 99]</span><span style="margin-left: 1em;">Gozão do que não vem; dest’arte o Gosto</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Lindezas, perfeições confere a tudo;</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">E de objectos que inventa, e dos que imita</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Descobre, alonga, aperta, esconde o termo.</span><br>
-<span style="margin-left: 2em;">Agora que a Arte o meu trabalho insulta</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Em soberbos jardins, nos meus, ditosos,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Liberdade, e prazer tudo respira:</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Rindo-se a relva, a seu sabor viceja,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Independente o bosque, altèa a rama;</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Não temem a tisoira os arvoredos,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Nem flores a esquadria; amão as ondas</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">As margens suas, seu adorno a Terra;</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Tudo he formoso alli, simples, e grande,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Tudo: esta arte he a tua, oh Natureza.</span><br>
-<span style="margin-left: 2em;">Porém o lago, o rio estão desertos,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">De Cidadãos se lhe povôe o seio.</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Dem-se-lhe as aves, que com agil remo</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Alados navegantes, a agoa fendem.</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Nella se pavonêa, e nada o Cysne,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">De vanglorioso cóllo, argêntea pluma,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">O Cysne, a que a Ficção deo vóz tão doce,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">E que escusa das Fabulas o auxilio.</span><br>
-<span style="margin-left: 2em;">Tambem não tens para animar as agoas,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Oh Arte, esse apparato vacilante</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Dos mastros, e das vélas? Impelida</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">De remo compassado, a leve barca</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Deixa apenas, fugindo, hum tenue rasto,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Que logo se esvaece. Entumecido</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Dos Favonios azuis, sussurra o pano,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">E em cada bandeirinha os ares brincão.</span><br>
-<span style="margin-left: 2em;">Pois se a Novela, a Fabula, ou a Historia</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Huma fonte, hum ribeiro consagrárão,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Da sua gloria antiga elles ufanos,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Assás se aformosêão, se atavião</span><br>
-<span class="pagenum" id="Page_100">[Pg 100]</span><span style="margin-left: 1em;">Com suaves memorias. Ah! Quem póde,</span><br>
-<span class="pagenum" id="Page_101">[Pg 101]</span><span style="margin-left: 1em;">Descobrir, encontrar, sem commover-se,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Arethusa, o Lignon, Alfêo? Quem póde</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Sem cordial saudade olhar Vauclusa?</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Vauclusa, encantamento irresistivel</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Dos Vates, e inda mais dos Amadores,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">No circulo de Montes, que, encurvando</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Sua cadeia, com liquor sadio</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Te alenta a subterranea, doce origem,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Lá debaixo da abobada nativa,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Do antro mysterioso, onde, esquivada</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">A Nynfa tua aos olhos cubiçosos,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Sóme em fundo insondavel teu principio,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Oh quanto me foi grato o ver-te as agoas,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Que, sempre crystalinas, sempre bellas,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Ora n’um lago seus thesoiros fechão,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Ora sobem, fervendo, e lanção fóra</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Ondas, a branquejar por entre as penhas;</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">De cascata em cascata ao longe pulão,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Cahem, e rólão com impeto estrondoso;</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">A cólera depois amaciando,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Por leito mais igual vão docemente;</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">E debaixo de Ceos sempre azulados</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Por cem canais fecundão valle ameno,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Ameno qual nenhum que os Sóes aclárão!</span><br>
-<span style="margin-left: 2em;">Mas estes puros Ceos, estas correntes,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Este delicioso, e pingue valle,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Menos o coração me penhoravão</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Do que Petrarca, e Laura. Eis (eu dizia,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Eu dizia a mim mesmo) ah! Eis as margens</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Que a lyra de Petrarca suspirosa</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Outr’hora enfeitiçou! Aqui o Amante</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Via, exprimindo a Laura os seus amores,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Vir devagar o dia, ir-se depressa.</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Inda sobre estas róchas solitarias,</span><br>
-<span class="pagenum" id="Page_103">[Pg 103]</span><span style="margin-left: 1em;">Inda, acaso, acharei das cifras de ambos</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Unidos, maviosos caractéres?</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Tocão meus olhos desviada Gruta:</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Ah! dize-me se os vistes venturosos,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Guarida opáca? (eu pronuncio) Hum tronco</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Toldava encanecido á fonte á margem?</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Laura dormido havia á sombra delle.</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Alli por Laura perguntava aos Ecos,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">E os Ecos o seu nome inda sabião.</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Buscaveis, olhos meus, Petrarca, e Laura</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Em toda a parte, e em toda a parte os vieis.</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Erão já morte, e cinza os dois Amantes,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Mas inda com seus Manes amorosos</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Mais bello se tornava o sitio bello.</span><br>
-</p>
-
-
-<p class="center p2">FIM DO CANTO TERCEIRO.</p>
-<hr class="chap x-ebookmaker-drop">
-
-<div class="chapter">
-<p><span class="pagenum" id="Page_104">[Pg 104]</span></p>
-
-<p class="center p2"><span class="figcenter" id="img004a">
-<img src="images/004.jpg" class="w50" alt="Imagem decorativa">
-</span></p>
-<h2 class="nobreak" id="CHANT_QUATRIEME">LES JARDINS,<br><span class="small">POÈME,</span></h2>
-</div>
-
-<hr class="r5">
-<p class="center big">CHANT QUATRIEME.</p>
-<hr class="r5">
-
-
-
-<p class="poetry">
-<span style="margin-left: 2em;">Non, je ne puis quitter le spectacle des champs.</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Eh qui dédaigneroit ce sujet de mes chants?</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Il inspiroit Virgile, il séduisoit Homère.</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Homère, qui d’Achille a chanté la colère,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Qui nous peint la terreur attelant ses coursiers,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Le vol sifflant des dards, le choc des boucliers,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Le trident de Neptune ebranlant les murailles,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Se plait á rappeller au milieu des batailles</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Les bois, les prés, les champs; et de ces frais tableaux</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Les riantes couleurs délassent ses pinceaux.</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Et, lorsque pour Achille il prépare des armes,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">S’il y grave d’abord les siéges, les alarmes,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Le vainqueur tout poudreux, le vaincu tout sanglant,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Sa main trace bientôt d’un burin consolant</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">La vigne, les troupeaux, les bois, les pâturages.</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Le héros se revêt de ces douces images,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Part, et porte à travers les affreux bataillons</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">L’innocente vendange, et les riches moissons.</span><br>
-<span style="margin-left: 2em;">Chantre divin, je laisse à tes muses altières</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Le soin de diriger ces phalanges guerrières;</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Diriger les jardins est mon paisible emploi.</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Déjá le sol docile a reconnu ma loi;</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Des gazons l’ont couvert, et de sa main vermeille</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Flore sur leur tapis a versé sa corbeille.</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Des bois ont couronné les rochers, et les eaux.</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Maintenant, pour jouir de ces brillans tableaux,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Dans ces champs découverts, sous ces obscures voûtes</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">D’agréables sentiers vont me frayer des routes.</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Des scènes á ma voix naitront de toutes parts;</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Pour les orner enfin j’y conduirai les arts,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Et le ciseau divin, la noble architecture</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Vont de ces lieux charmans achever la parure.</span><br>
-<span style="margin-left: 2em;">Les sentiers, de nos pas guides ingénieux,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Doivent, en les montrant, nous embellir ces lieux.</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Dans vos jardins naissans je défends qu’on les trace.</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Dans vos plants achevés l’œil choisit mieux leur place,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Vers les plus beaux aspects sachez les diriger.</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Voyez, lorsque vous-même aux yeux de l’étranger</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Vous montrez vos travaux, votre art avec adresse</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Va chercher ce qui plait, évite ce qui blesse,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Lui découvre en passant des sites enchantés,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Lui réserve au retour de nouvelles beautés,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">De surprise en surprise, et l’amuse, et l’entraine,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">D’une scène qui nait fait naitre une autre scène,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Et toujours remplissant ou piquant son desir,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Souvent, pour l’augmenter, diffère son plaisir.</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Eh bien! que vos sentiers vous imitent vous-même.</span><br>
-<span style="margin-left: 2em;">Dans leurs formes encor fuyez tout vain systême,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Enfant du mauvais goût, par la mode adopté.</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">La mode règne aux champs, ainsi qu’-á la cité.</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Quand de leur symmétrique, et pompeuse ordonnance</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Les jardins d’Italie eurent charmé la France,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Tout de cet art brillant fut prompt á s’éblouir:</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Pas un arbre au cordeau n’osa désobéir;</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Tout s’aligna. Par-tout, en deux rangs étalées,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">S’allongèrent sans fin d’éternelles allées.</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Autre temps, autre goût. Enfin le parc Anglais</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">D’une beauté plus libre avertit le François.</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Dès-lors on ne vit plus que lignes ondoyantes,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Que sentiers tortueux, que routes tournoyantes.</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Lassé d’errer, en vain le terme est devant moi;</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Il faut encor errer, serpenter malgré soi,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Et, maudissant vingt fois votre importune adresse,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Suivre sans cesse un but qui recule sans cesse.</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Evitez ces excès; tout excès dure peu.</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">De ces sentiers divers chaque genre a son lieu.</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">L’un conduit aux aspects dont la grandeur frappante</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">De loin fixe mes yeux, et nourrit mon attente.</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">L’autre m’égarera dans ces réduits secrets</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Qu’un art mystérieux semble voiler exprés.</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Mais rendez naturel ce Dédale factice.</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Qu’il ait l’air du besoin, et non pas du caprice.</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Que divers accidens rencontrés dans son cours.</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Les bois, les eaux, le sol commandent ces detours.</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Dans leur forme j’exige une heureuse souplesse.</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Des longs alignemens si je hais la tristesse,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Je hais bien plus encor le cours embarrassé</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">D’un sentier qui, pareil á ce serpent blessé,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">En replis convulsifs sans cesse s’entrelace.</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">De détours redoublés m’inquiète, me lasse,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Et, sans variété, brusque, et capricieux,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Tourmente, et le terrein, et mes pas, et mes yeux.</span><br>
-<span style="margin-left: 2em;">Il est des plis heureux, des courbes naturelles</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Dont les champs quelquefois vous offrent des modèles.</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">La route de ces chars, la trace des troupeaux,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Qui d’un pas négligent regagnent les hameaux,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">La bergère indolente, et qui dans les prairies</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Semble suivre au hasard ses tendres rêveries;</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Vous enseignent ces plis mollement onduleux.</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Loin donc de vos sentiers ces contours anguleux.</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Sur-tout, quand vers le but un long détour vous méne:</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Songez que le plaisir doit racheter la peine.</span><br>
-<span style="margin-left: 2em;">Des poétes fameux osez imiter l’art.</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Si leur muse en marchant se permet quelque écart,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Ce détour me rit plus que le chemin lui-même.</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">C’est Nisus défendant Euryale qu’il aime,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">C’est au tombeau d’Hector son Andromaque en pleurs.</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Qu’ainsi votre art m’êgare en de douces erreurs.</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Des plus rians objets égayez le passage,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Et qu’au terme arrivés, votre art nous dédommage</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Par d’aimables aspects, de riches ornemens,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">De ce vivant poéme épisodes charmans.</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Ici, vous m’offrirez des antres verds, et sombres,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Qu’habitent la fraicheur, le silence, et les ombres.</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">L’imagination y devance les yeux.</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Plus loin, c’est un beau lac, qui réfléchit les cieux.</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Tantôt, dans le lointain, confuse, et fugitive,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Se déploie une immense, et noble perspective.</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Quelquefois un bosquet riant, mais recueilli,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Par la nature, et vous richement embelli,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Plein d’ombres, et de fleurs, et d’un luxe champêtre,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Semble dire: «Arrêtez; où pouvez-vous mieux être»?</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Soudain la scéne change: au lieu de la gaieté,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">C’est la mélancolie, et la tranquillité;</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">C’est le calme imposant des lieux où sont nourries</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">La méditation, les longues rêveries.</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Lá, l’homme avec son cœur revient s’entretenir,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Médite le présent, plonge dans l’avenir,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Songe aux biens, songe aux maux épars dans sa carriére;</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Quelquefois, rejettant ses regards en arriére,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Se plait á distinguer dans le cercle des jours</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Ce peu d’instans, hélas! et si chers, et si courts,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Ces fleurs dans un désert, ces tems où le raméne</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Le regret du bonheur, et même de la peine.</span><br>
-<span style="margin-left: 2em;">Craignez donc d’imiter ces froids décorateurs</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Qui ne veulent jamais que des objets flatteurs.</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Jamais rien de hardi dans leurs froids paysages:</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Par-tout de frais berceaux, et d’elégans bocages,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Toujours des fleurs, toujours des festons; c’est toujours</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Ou le temple de Flore, ou celui des Amours.</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Leur gaieté monotone à la fin m’importune.</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Mais vous, osez sortir de la route commune.</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Inventez, hasardez des contrastes heureux;</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Des effets opposés peuvent s’aider entr’eux.</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Imitez le Poussin. Aux fêtes bocagères,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Il nous peint des bergers, et de jeunes bergères,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Les bras entrelacés dansant sous des ormeaux,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Et près d’eux une tombe où sont écrits ces mots:</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;"><i>Et moi, je fus aussi pasteur dans l’Arcadie</i>.</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Ce tableau des plaisirs, du néant de la vie,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Semble dire: «Mortels, hâtez-vous de jouir;</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Jeux, danses, et bergers, tout va s’évanouir.»</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Et dans l’ame attendrie, á la vive alégresse</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Succéde par dégrés une douce tristesse.</span><br>
-<span style="margin-left: 2em;">Imitez ces effets. Dans de rians tableaux</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Ne craignez point d’offrir des urnes, des tombeaux,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">D’offrir de vos douleurs le monument fidèle.</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Eh! qui n’a pas pleuré quelque perte cruelle?</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Loin du monde léger venez donc á vos pleurs,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Venez associer les bois, les eaux, les fleurs.</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Tout devient un ami pour les ames sensibles:</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Déjá, pour l’embrasser de leurs ombres paisibles,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Se penchent sur la tombe, objet de vos regrets,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">L’if, le sombre sapin; et toi, triste cyprés,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Fidéle ami des morts, protecteur de leur cendre.</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Ta tige, chére au cœur mélancolique, et tendre,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Laisse la joie au myrte, et la gloire au laurier;</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Tu n’es point l’arbre heureux de l’amant, du guerrier,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Je le sais; mais ton deuil compâtit á nos peines.</span><br>
-<span style="margin-left: 2em;">Dans tous ces monumens point de recherches vaines:</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Pouvez-vous allier dans ces objets touchans</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">L’art avec la douleur, le luxe avec les champs?</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Sur-tout ne feignez rien. Loin ce cercueil factice,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Ces urnes sans douleur, que plaça le caprice.</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Loin ces vains monumens d’un chien ou d’un oiseau:</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">C’est profaner le deuil, insulter au tombeau.</span><br>
-<span style="margin-left: 2em;">Ah! si d’aucun ami vous n’honorez la cendre,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Voyez sous ces vieux ifs la tombe où vont se rendre</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Ceux qui, courbés pour vous sur des sillons ingrats,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Au sein de la misére espérent le trépas.</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Rougiriez-vous d’orner leurs humbles sépultures?</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Vous n’y pouvez graver d’illustres aventures,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Sans doute. Depuis l’aube, oú le coq matinal</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Des rustiques travaux leur donne le signal,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Jusques á la veillée, ou leur jeune famille</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Environne avec eux le sarment qui pétille,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Dans les mèmes travaux roulent en paix leurs jours.</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Des guerres, des traités n’en marquent point le cours.</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Naitre, souffrir, mourir, c’est toute leur histoire.</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Mais leur cœur n’est point sourd au bruit de leur mémoire.</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Quel homme vers la vie, au moment du départ,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Ne se tourne, et ne jette un triste, et long regard,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">A l’espoir d’un regret ne sent pas quelque charme,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Et des yeux d’un ami n’attend pas une larme?</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Pour consoler leur vie honorez donc leur mort.</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Celui qui, de son rang faisant rougir le sort,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Servit son Dieu, son Roi, son pays, sa famille,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Qui grava la pudeur sur le front de sa fille,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">D’une pierre moins brute honorez son tombeau;</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Tracez y ses vertus, et les pleurs du hameau;</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Qu’on y lise: <i>Ci git le bon fils, le bon père,</i></span><br>
-<span style="margin-left: 1em;"><i>Le bon époux</i>. Souvent un charme involontaire</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Vers ces enclos sacrés appellera vos yeux.</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Et toi qui vins chanter sous ces arbres pieux,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Avant de les quitter, Muse, que ta guirlande</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Demeure á leurs rameaux suspendue en offrande.</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Que d’autres dans leurs vers célébrent la beauté;</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Que leur Muse, toujours ivre de volupté,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Ne se montre jamais qu’un myrte sur la tête,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Qu’avec ses chants de joie, et ses habits de fête;</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Toi, tu dis au tombeau des chants consolateurs,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Et ta main la premiére y jetta quelques fleurs.</span><br>
-<span style="margin-left: 2em;">Revenons, il est temps, sous de plus gais ombrages.</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">L’architecture encore au fond de ces bocages</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">M’attend, pour les orner d’édifices charmans.</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Ce ne sont plus du deuil les tristes monumens;</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Ce sont d’heureux réduits, qui parmi la verdure</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Offrent sous mille aspects leur riante parure.</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Mais j’en permets l’usage, et j’en proscris l’abus.</span><br>
-<span style="margin-left: 2em;">Bannissez des jardins tout cet amas confus</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">D’edifices divers, prodigués par la mode,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Obélisque, rotonde, et kiosk, et pagode,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Ces bâtimens Romains, Grecs, Arabes, Chinois,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Chaos d’architecture, et sans but, et sans choix,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Dont la profusion stérilement féconde</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Enferme en un jardin les quatre parts du monde.</span><br>
-<span style="margin-left: 2em;">N’y cherchez pas non plus un oisif ornement,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Et sous l’utilité déguisez l’agrément.</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">La ferme, le trésor, le plaisir de son maitre,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Réclamera d’abord sa parure champêtre.</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Que l’orgueilleux château ne la dédaigne pas;</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Il lui doit sa richesse; et ses simples appas</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">L’emportent sur son luxe, autant que l’art d’Armide</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Céde au souris naif d’une vierge timide.</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">La ferme! A ce seul nom les moissons, les vergers,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Le régne pastoral, les doux soins des bergers,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Ces biens de l’âge d’or, dont l’image chérie</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Plut tant á mon enfance, âge d’or de la vie,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Réveillent dans mon cœur mille regrets touchans.</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Venez; de vos oiseaux j’entends déja les chants;</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">J’entends rouler les chars qui trainent l’abondance,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Et le bruit des fléaux qui tombent en cadence.</span><br>
-<span style="margin-left: 2em;">Ornez donc ce séjour. Mais, absurde á grands frais,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">N’allez paz ériger une ferme en palais.</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Elégante á la fois, et simple dans son style,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">La ferme est aux jardins cequ’aux vers est l’Idylle.</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Ah! par les dieux des champs, que le luxe effronté</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">De ce modeste lieu soit toujours rejetté.</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">N’allez pas déguiser vos pressoirs, et vos granges.</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Je veux voir l’appareil des moissons, des vendanges.</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Que le crible, le van, où le froment doré</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Bondit avec la paille, et retombe épuré,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">La herse, les traineaux, tout l’attirail champêtre</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Sans honte à mes regards osent ici paroître.</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Sur-tout, des animaux que le tableau mouvant</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Au-dedans, au-dehors lui donne un air vivant.</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Ce n’est plus du château la parure stérile,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">La grace inanimée, et la pompe immobile:</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Tout vit, tout est peuplé dans ces murs, sous ces toits.</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Que d’oiseaux différens, et d’instinct, et de voix,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Habitants sous l’ardoise, ou la tuile, ou le chaume,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Famille, nation, république, royaume,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">M’occupent de leurs mœurs, m’amusent de leurs jeux!</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">A leur tête est le coq, père, amant, chef heureux,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Qui, roi sans tyrannie, et sultan sans mollesse,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">A son sérail ailé prodiguant sa tendresse,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Aux droits de la valeur joint ceux de la beauté,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Commande avec douceur, caresse avec fierté,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Et fait pour les plaisirs, et l’empire, et la gloire,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Aime, combat, triomphe, et chante sa victoire.</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Vous aimerez á voir leurs jeux, et leurs combats,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Leurs haines, leurs amours, et jusqu’á leurs repas.</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">La corbeille á la main, la sage ménagére</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">A peine a reparu; la nation légére</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Du sommet de ses tours, du penchaut de ses toits</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">En tourbillons bruyans descend toute á la fois:</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">La foule avide en cercle autour d’elle se presse;</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">D’autres, toujours chassés, et revenant sans cesse,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Assiégent la corbeille, et jusques dans la main,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Parasites hardis, viennent ravir le grain.</span><br>
-<span style="margin-left: 2em;">Soignez donc, protégez ce peuple domestique.</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Que leur logis soit sain, et non pas magnifique.</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Que lui font des réduits richement décorés,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Le marbre des bassins, les grillages dorés?</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Un seul grain de millet leur plairoit davantage.</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">La Fontaine l’a dit. O véritable sage!</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">La Fontaine, c’est toi qu’il faudroit en ces lieux;</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Chantre heureux de l’instinct, ils t’inspireroient mieux.</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Le paon, fier d’étaler l’iris qui le décore,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Du dindon rengorgé l’orgueil plus sot encore,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Pourroient á nos dépens égayer ton pinceau.</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Lá, de tes deux pigeons tu verrois le tableau,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Et deux coqs amoureux, á la discorde en proie,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Te feroient dire encore: «Amour, tu perdis Troie»!</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Ainsi nous plait la ferme, et son air animé.</span><br>
-<span style="margin-left: 2em;">Dans cet autre réduit, quel peuple renfermé</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">De ses cris inconnus a frappé mes oreilles?</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Lá, sont des animaux, étrangères merveilles,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Lá, dans un doux exil vivent emprisonnés</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Quadrupèdes, oiseaux, l’un de l’autre étonnés.</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">N’allez point rechercher les espèces bizarres.</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Préférez les plus beaux, et non pas les plus rares.</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Offrez-nous ces oiseaux qui, nés sous d’autres cieux,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Favoris du soleil, brillent de tous ses feux,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">L’or pourpré du faisan, l’émail de la pintade.</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Logez plus richement ces oiseaux de parade;</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Eux-mêmes sont un luxe, et puisque leur beauté</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Rachette á vos regards leur inutilité,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">De ces captifs brillans que les prisons soient belles.</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Sur tout, ne m’offrez point ces animaux rebelles,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">De qui l’orgueil s’indigne, et languit dans nos fers.</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Eh! quel œil sans regret peut voir le roi des airs,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">L’aigle, qui se jouoit au milieu de l’orage,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Oublier aujourd’hui dans une indigne cage</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">La fierté de son vol, et l’eclair de ses yeux?</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Rendez-lui le soleil, et la voûte des cieux:</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Un être degradé ne peut jamais nous plaire.</span><br>
-<span style="margin-left: 2em;">Mais tandis qu’etalant leur parure etrangère,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Ces hôtes differens semblent briguer mon choix,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Mon odorat charmé m’appelle sous ces toits</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Ou, de même exilés, et ravis á leur terre,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">D’etrangers vegetaux habitent sous le verre.</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Entourez d’un air doux ces frêles nourrissons.</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Mais, vainqueur des climats, respectez les saisons;</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Ne forcez point d’eclore, au sein de la froidure,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Des biens qu’à d’autres temps destinoit la nature.</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Laissez aux lieux fletris par des hivers constans</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Ces fruits d’un faux eté, ces fleurs d’un faux printemps;</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Et lorsque le soleil va mûrir vos richesses,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Sans forcer ses presens, attendez ses largesses.</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Mais j’aime á voir ces toits, ces abris transparens</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Receler des climats les tributs differens,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Cet asyle enhardir le jasmin d’Iberie,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">La pervanche frileuse oublier sa patrie,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Et le jeune ananas par ces chaleurs trompé</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Vous livrer de son fruit le trésor usurpé.</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Motivez donc toujours vos divers edifices,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Des animaux, des fleurs agréables hospices.</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Combien d’autres encore, adoptés par les lieux,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Approuvés par le goût, peuvent charmer nos yeux!</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Sous ces saules, que baigne une onde salutaire,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Je placerois du bain l’asyle solitaire.</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Plus loin, une cabane où regne la fraicheur,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Offriroit les filets, et la ligne au pêcheur.</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Vous voyez de ce bois la douce solitude;</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">J’y consacre un asyle aux Muses, á l’etude.</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Dans ce majestueux, et long enfoncement</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">J’ordonne un obelisque, auguste monument.</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Il s’elève, et j’ecris sur la pierre attendrie:</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;"><i>A nos braves Marins, mourans pour la Patrie</i>.</span><br>
-<span style="margin-left: 2em;">Ainsi vos bâtimens, vos asyles divers</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Ne seront point oisifs, ne seront point deserts.</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Au site assortissez leur figure, leur masse.</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Que chacun avec goût etabli dans sa place,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Jamais trop resserré, jamais trop etendu,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">N’eclipse point la scene, et n’y soit point perdu.</span><br>
-<span style="margin-left: 2em;">Sachez ce qui convient, ou nuit au caractere.</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Un reduit ecarte dans un lieu solitaire</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Peint mieux la solitude encore, et l’abandon.</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Montrez-vous donc fidele á chaque expression.</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">N’allez pas au grand jour offrir un hermitage,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Ne cachez point un temple au fond d’un bois sauvage;</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Un temple veut paroitre au penchant d’un côteau.</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Son site aerien repand dans le tableau</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">L’eclat, la majesté, le mouvement, la vie.</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Je crois voir un aspect de la belle Ausonie.</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Telle est des bâtimens la grace, et la beauté.</span><br>
-<span style="margin-left: 2em;">Mais de ces monumens la brillante gaieté,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Et leur luxe moderne, et leur fraiche jeunesse,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Des antiques debris valent-ils la vieillesse?</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">L’aspect désordonné de ces grands corps épars,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Leur forme pittoresque attache les regards.</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Par eux le cours des ans est marqué sur la terre.</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Détruits par les volcans, ou l’orage, ou la guerre,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Ils instruisent toujours, consolent quelquefois.</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Ces masses que du temps sentent aussi le poids,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Enseignent à céder à ce commun ravage,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">A pardonner au sort. Telle jadis Carthage</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Vit sur ses murs détruits Marius malheureux,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Et ces deux grands débris se consoloient entr’eux,</span><br>
-<span style="margin-left: 2em;">Liez donc á vos plans ces vénérables restes.</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Et toi, qui m’égarant dans ces sites agrestes,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Bien loin des lieux frayés, des vulgaires chemins,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Par des sentiers nouveaux guides l’art des jardins,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">O sœur de la Peinture, aimable Poésie,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">A ces vieux monumens viens redonner la vie:</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Viens présenter au goût ces riches accidens,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Que de ses lentes mains a dessinés le temps.</span><br>
-<span style="margin-left: 2em;">Tantôt, c’est une antique, et modeste chapelle.</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Saint asyle, ou jadis dans la saison nouvelle,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Vierges, femmes, enfans, sur un rustique autel</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Venoient pour les moissons implorer l’Eternel.</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Un long respect consacre encore ces ruines.</span><br>
-<span style="margin-left: 2em;">Tantôt, c’est un vieux fort, qui, du haut des collines,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Tyran de la contrée, effroi de ses vassaux,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Portoit jusques au ciel l’orgueil de ses creneaux;</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Qui, dans ces temps affreux de discorde, et d’alarmes,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Vit les grands coups de lance, et les nobles faits d’armes</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">De nos preux Chevaliers, des Baiards, des Henris;</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Aujourd’hui la moisson flotte sur ses débris.</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Ces débris, cette mâle, et triste architecture,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Qu’environne une fraiche, et riante verdure,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Ces angles, ces glacis, ces vieux restes de tours,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Où l’oiseau couve en paix le fruit de ses amours,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Et ces troupeaux peuplant ces enceintes guerrières,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Et l’enfant qui se joue où combattoient ses pères;</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Saisissez ce contraste, et déployez aux yeux</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Ce tableau doux, et fier, champêtre, et belliqueux.</span><br>
-<span style="margin-left: 2em;">Plus loin, une abbaye antique, abandonnée,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Tout-á-coup s’offre aux yeux de bois environnée.</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Quel silence! C’est lá qu’amante du désert</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">La méditation avec plaisir se perd</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Sous ces portiques saints, où des vierges austéres,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Jadis, comme ces feux, ces lampes solitaires,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Dont les mornes clartés veillent dans le saint lieu,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Pâles, veilloient, brûloient, se consumoient pour Dieu.</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Le saint recueillement, la paisible innocence</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Semble encor de ces lieux habiter le silence.</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">La mousse de ces murs, ce dôme, cette tour,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Les arcs de ce long cloitre impénétrable au jour,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Les dégrés de l’autel usés par la prière,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Ces noirs vitraux, ce sombre, et profond sanctuaire,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Où peut-être des cœurs en secret malheureux</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">A l’inflexible autel se plaignoient de leurs nœuds,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Et pour des souvenirs encor trop pleins de charmes,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">A la religion déroboient quelques larmes;</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Tout parle, tout émeut dans ce séjour sacré.</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Lá, dans la solitude en rêvant égaré,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Quelquefois vous croirez, au déclin d’un jour sombre,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">D’une Héloise en pleurs entendre gémir l’ombre.</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Mettez donc á profit ces restes précieux,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Augustes ou touchans, profanes ou pieux.</span><br>
-<span style="margin-left: 2em;">Mais loin ces monumens dont la ruine feinte</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Imite mal du temps l’inimitable empreinte,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Tous ces temples anciens récemment contrefaits,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Ces restes d’un château qui n’exista jamais,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Ces vieux ponts nés d’hier, et cette tour gothique</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Ayant l’air délabré, sans avoir l’air antique,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Artifice á la fois impuissant, et grossier.</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Je crois voir cet enfant tristement grimacier,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Qui, jouant la vieillesse, et ridant son visage,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Perd, sans paroitre vieux, les graces du jeune âge.</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Mais un débris réel intéresse mes yeux,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Jadis contemporain de nos simples aieux,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">J’aime á l’interroger, je me plais á le croire.</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Des peuples, et des temps il me redit l’histoire.</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Plus ces temps sont fameux, plus ces peuples sont grands,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Et plus j’admirerai ces restes imposans.</span><br>
-<span style="margin-left: 2em;">O champs de l’Italie! ô campagnes de Rome,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Ou dans tout son orgueil git le néant de l’homme!</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">C’est lá que des débris fameux par de grands noms,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Pleins de grands souvenirs, et de hautes leçons,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Vous offrent ces aspects, trésors des paysages.</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Voyez de toutes parts, comme le cours des âges</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Dispersant, déchirant de précieux lambeaux,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Jettant temple sur temple, et tombeaux sur tombeaux,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">De Rome étale au loin la ruine immortelle;</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Ces portiques, ces arcs, où la pierre fidelle</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Garde du peuple-roi les exploits éclatans;</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Leur masse indestructible a fatigué le temps.</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Des fleuves suspendus ici mugissoit l’onde;</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Sous ces portes passoient les dépouilles du monde;</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Par-tout confusément dans la poussière épars,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Les thermes, les palais, les tombeaux des Césars,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Tandis que de Virgile, et d’Ovide, et d’Horace,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">La douce illusion nous montre encor la trace.</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Heureux, cent fois heureux l’artiste des jardins,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Dont l’art peut s’emparer de ces restes divins!</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Déjá la main du temps sourdement le seconde;</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Déjá sur les grandeurs de ces maitres du monde</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">La nature se plait á reprendre ses droits.</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Au lieu même ou Pompée, heureux vainqueur des Rois,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Etaloit tant de faste, ainsi qu’aux jours d’Evandre,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">La flute des bergers revient se faire entendre.</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Voyez rire ces champs au laboureur rendus,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Sur ces combles tremblans ces chevreaux suspendus,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">L’orgueilleux obélisque au loin couché sur l’herbe,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">L’humble ronce embrassant la colonne superbe;</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Ces forêts d’arbrisseaux, de plantes, de buissons,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Montant, tombant en grappe, en touffes, en festons;</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Par le souffle des vents semés sur ces ruines,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Le figuier, l’olivier, de leurs foibles racines</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Achèvent d’ebranler l’ouvrage des Romains;</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Et la vigne flexible, et le lierre aux cent mains,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Autour de ces débris rampant avec souplesse,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Semblent vouloir cacher, ou parer leur vieillesse.</span><br>
-<span style="margin-left: 2em;">Que si vous n’avez pas ces restes renommés,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">N’avez-vous pas du moins ces bronzes animés,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Et ces membres vivans, déités des vieux âges,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Où l’art seul fut divin, et força les hommages?</span><br>
-<span style="margin-left: 2em;">Je sais qu’un goût sévère a voulu des jardins</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Exiler tous ces dieux des Grecs, et des Romains.</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Et pourquoi? Dans Athène, et dans Rome nourrie,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Notre enfance a connu leur riante Féerie.</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Ces dieux n’étoient-ils pas laboureurs, et bergers?</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Pourquoi donc leur fermer vos bois, et vos vergers?</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Sans Pomone, vos fruits oseront-ils éclore?</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">De l’empire des fleurs pouvez-vous chasser Flore?</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Ah! que ces dieux toujours enchantent nos regards!</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">L’idolâtrie encore est le culte des arts.</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Mais que l’art soit parfait; loin des jardins qu’on chasse</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Ces dieux sans majesté, ces déesses sans grace.</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">A chaque déité choisissez son vrai lieu.</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Qu’un dieu n’usurpe pas les droits d’un autre dieu.</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Laissez Pan dans les bois. D’où vient que ces Naiades,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Que ces Tritons à sec se mêlent aux Dryades?</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Pourquoi ce Nil en vain couronné de roseaux,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Et dont l’urne poudreuse est l’abri des oiseaux?</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Otez-moi ces lions, et ces tigres sauvages:</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Ces monstres me font peur, même dans leurs images,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Et ces tristes Césars, cent fois plus monstres qu’eux,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Aux portes des bosquets sentinelles affreux,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Qui tout hideux encor de soupçons, et de crimes,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Semblent encor de l’œil désigner leurs victimes.</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">De quel droit s’offrent-ils dans ce riant séjour?</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Montrez-moi des mortels plus chers á notre amour.</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">En des lieux consacrés á leur apothéose,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Créez un Elysée où leur ombre repose.</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Loin des profanes yeux, dans des vallons couverts</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">De lauriers odorans, de myrtes toujours verds,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">En marbre de Paros offrez-nous leurs images.</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Qu’une eau lente se plaise á baigner ces bocages,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Et qu’aux ombres du soir mêlant un jour douteux,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Diane aux doux rayons soit l’astre de ces lieux.</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Leur tranquille beauté, sous ces dais de verdure</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">De ces marbres cheris la blancheur tendre, et pure,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Ces grands hommes, leur calme, et simple majesté,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Cette eau silencieuse, image du Léthé,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Qui semble pour leurs cœurs, exempts d’inquiétude,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Rouler l’oubli des maux, et de l’ingratitude,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Ces bois, ce jour mourant sous leur ombrage épais,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Tout des manes heureux y respire la paix.</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Vous donc, n’y consacrez que des vertus tranquilles.</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Loin tous ces conquérans en ravages fertiles:</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Comme ils troubloient le monde, ils troubleroient ces lieux.</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Placez-y les amis des hommes, et des dieux,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Ceux de qui les bienfaits vivent dans la mémoire,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Ces rois dont leurs sujets n’ont point pleuré la gloire;</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Montrez-y Fénelon á notre œil attendri;</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Que Sully s’y relève embrassé par Henri.</span><br>
-<span style="margin-left: 2em;">Donnez des fleurs, donnez; j’en couvrirai ces sages</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Qui, dans un noble exil, sur de lointains rivages</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Cherchoient, ou répandoient les arts consolateurs;</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Toi sur-tout, brave Cook, qui, cher á tous les cœurs,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Unis par les regrets la France, et l’Angleterre;</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Toi qui, dans ces climats où le bruit du tonnerre</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Nous annonçoit jadis, Triptolème nouveau,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Apportois le coursier, la brebis, le taureau,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Le soc cultivateur, les arts de ta patrie,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Et des brigands d’Europe expiois la furie.</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Ta voile en arrivant leur annonçoit la paix,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Et ta voile en partant leur laissoit des bienfaits.</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Reçois donc ce tribut d’un enfant de la France.</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Et que fait son pays á ma reconnoissance?</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Ses vertus en ont fait notre concitoyen.</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Imitons notre Roi, digne d’être le sien.</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Hélas! de quoi lui sert que deux fois son audace</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Ait vu des cieux brûlans, fendu des mers de glace;</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Que, des peuples, des vents, des ondes révéré,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Seul sur les vastes mers son vaisseau fût sacré;</span><br>
-<br>
-<span style="margin-left: 1em;">Que pour lui seul la guerre oubliat ses ravages?</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">L’ami du monde, helas! meurt en proie aux sauvages.</span><br>
-<span style="margin-left: 2em;">Vous qui pleurez sa mort, fiers enfants d’Albion,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Imitez, il est tems, sa noble ambition.</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Pourquoi dans vos égaux cherchez-vous des esclaves?</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Portez leur des bienfaits, et non pas des entraves.</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Le front ceint de lauriers cueillis par les François,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">La victoire aujourd’hui sollicite la paix.</span><br>
-<span style="margin-left: 2em;">Descends, aimable paix, si long-temps attendue,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Descends; que ta présence á l’univers rendue,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Embellisse les lieux qu’ont célébré mes vers;</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Viens; forme un peuple heureux de cent peuples divers.</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Rends l’abondance aux champs, rend le commerce aux ondes,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Et la vie aux beaux arts, et le calme aux deux mondes.</span><br>
-</p>
-
-
-<p class="center p2">FIN DU QUATRIEME CHANT.</p>
-<hr class="chap x-ebookmaker-drop">
-
-<div class="chapter">
-<p><span class="pagenum" id="Page_105">[Pg 105]</span></p>
-
-<p class="center p2"><span class="figcenter" id="img004b">
-<img src="images/004.jpg" class="w50" alt="Imagem decorativa">
-</span></p>
-<h2 class="nobreak" id="CANTO_QUARTO">OS JARDINS,<br><span class="small">POEMA.</span></h2>
-</div>
-
-<hr class="r5">
-<p class="center big">CANTO QUARTO.</p>
-<hr class="r5">
-
-
-<p class="poetry">
-<span style="margin-left: 2em;">Dos campos o espectáculo não posso,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Não posso abandonar; e quem se affoita</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">A ter em pouco o objecto de meus cantos?</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Elle inspirava de Virgilio a Musa,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Seduzia a de Homero. Homero, aquelle</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Que de Achiles cantou a horrivel sanha,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Que nos pinta o Terror jungindo os Brutos,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">No dardo voador silvando a Morte,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">O embate dos escudos, o tridente</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Do equóreo Numen abalando as torres;</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Esse Vate immortal, de Esmyrna o Cysne</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Se apraz de matizar o horror da Guerra</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Com bosques, prados, montes: na frescura,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">No riso destes quadros tão suaves</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Desafoga os pinceis; e quando apresta</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">De Thetis para o Filho arnez terrivel,</span><br>
-<span class="pagenum" id="Page_106">[Pg 106]</span><span style="margin-left: 1em;">Se os combates, e os sitios nelle grava,</span><br>
-<span class="pagenum" id="Page_107">[Pg 107]</span><span style="margin-left: 1em;">Se mostra o Vencedor de pó coberto,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Se apresenta o Vencido envolto em sangue,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Buril afagador depois movendo,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Traça a vinha, os rebanhos, selvas, pastos.</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Vestido o Heróe destas imagens doces,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Parte, e leva por entre horrendas Turmas</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">A innocente vindima, e ricas messes.</span><br>
-<span style="margin-left: 2em;">A teu estro sempar, Cantor divino,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Cabe reger as marciais Phalanges:</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">He reger os jardins meu brando emprego.</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Já minhas leis conhece a dócil Terra:</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Ei-la relvosa; no tapete alegre</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">A Mãi das flores lhe entornou seus mimos,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">E arvoredos croárão rochas, agoas.</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Para gozar destes brilhantes quadros,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Agora em campos, que discorre a vista,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">E por baixo de abobadas escuras,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Gratos caminhos abrirei. Mil scenas</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Criará minha vóz por toda a parte;</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">As artes guiarei para adornallas:</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">E o divino Cinzel, e a Architectura</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Nobre, insigne, hão de emfim destes lugares</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Encantadores completar o ornato.</span><br>
-<span style="margin-left: 2em;">De nossos passos engenhosas guias,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Aos olhos os jardins patenteando,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">As ruas devem, pois, agraciallos.</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Nos recentes, porém, não se abrão ruas,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Nas findas plantações melhor se escolhem.</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Aos mais lindos aspectos as dirige.</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Repara como, se aos Estranhos mostras</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Do teu trabalho os fructos, como destro</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Buscas o bello, o que não presta evitas;</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Sitios formosos, ao passar, lhe apontas,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Lhe guardas para a volta outras bellezas,</span><br>
-<span class="pagenum" id="Page_108">[Pg 108]</span><span style="margin-left: 1em;">O prendes, o entretens de pasmo em pasmo,</span><br>
-<span class="pagenum" id="Page_109">[Pg 109]</span><span style="margin-left: 1em;">Em scena que nascer faz outra scena;</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">E assim satisfazendo, ou provocando</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Sempre os desejos seus, não poucas vezes</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Retardas seu prazer para espertallo.</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Os teus passeios a ti proprio imitem.</span><br>
-<span style="margin-left: 2em;">Foge, foge, tambem, nas fórmas delles</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Os filhos do máo Gosto, os vãos systemas,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Pela moda abraçados. Lá no campo,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Como cá na Cidade, a móda reina.</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Quando a ordem symmetrica, e pomposa</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">De Italicos Jardins luzio na França,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Tudo se deslumbrou, cegou-se tudo</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Com esta arte fulgente. Huma só planta</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Não negou ao cordel obediencia:</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Em toda a parte se alinhárão todas;</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">De hum lado, e de outro lado enfileiradas,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Alamedas eternas se estendêrão,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Veio outro tempo emfim, veio outro gosto.</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">De bellezas mais livres avisárão</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Aos Francezes Jardins Jardins Britannos.</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Só linhas ondeantes, e passeios</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Só tortuosos desde então se virão.</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Farto de vaguear, debalde o termo</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Está fronteiro a mim: cumpre que ainda,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Cumpre que, a meu despeito, erre, serpêe;</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Que, importuno artificio praguejando</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Mil, e mil vezes, sem cessar procure</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Hum fim, que sem cessar de mim se aparta.</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Isto evita: os excessos durão pouco.</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Destes varios caminhos cada especie</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Tem seu lugar. Hum me conduz a vistas</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Pasmosas, que de longe os olhos fixão,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Nutrem a expectação; outro me sóme</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Nessas mudas estancias, que parece</span><br>
-<span class="pagenum" id="Page_110">[Pg 110]</span><span style="margin-left: 1em;">A algum fim, de proposito, velára</span><br>
-<span class="pagenum" id="Page_111">[Pg 111]</span><span style="margin-left: 1em;">Arte mysteriosa; mas tornemos</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Natural o facticio labyrintho,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">E não capricho, precisão se antolhe.</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Diversos accidentes, encontrados</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Pelo caminho seu; agoas, e bosques,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Como igualmente o chão, devem regello.</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Se quero huma feliz docilidade</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Na fórma sua, se a tristeza odeio,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">E insipidez de alinhamentos longos,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Mais detesto hum passeio embaraçado,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Que, de ferida serpe á semelhança,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Em convulsivas rôscas se entrelaça,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Com gyros duplicados cansa, enjoa,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">E ríspido, uniforme, caprichoso,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">O terreno atormenta, e passos, e olhos.</span><br>
-<span style="margin-left: 2em;">Ha curvas naturais, ha torcicólos,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">De que ás vezes os campos dão modelo.</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Do carro a roda, a pista dos rebanhos,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Que em passo negligente a Aldêa buscão;</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">A Pastorinha, que, no prado abstracta,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Vai talvez entretendo a fantasia</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Em visões amorosas: isto ensina</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Rodeios mollemente volteados.</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Longe, pois, os contornos angulares,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Longe de teus passeios, mais ainda</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Quando ao fim te encaminha hum longo gyro.</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Co’ prazer galardôe-se a fadiga.</span><br>
-<span style="margin-left: 2em;">A arte se imite dos Poetas grandes;</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Releva, que ouses tanto. Se alta Musa,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Andando, algum desvio a si permitte,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Mais que o caminho a digressão me agrada.</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Niso o seu doce Euríalo defende,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">No sepulcro de Heitor a Esposa geme.</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Assim teu artificio me extravie</span><br>
-<span class="pagenum" id="Page_112">[Pg 112]</span><span style="margin-left: 1em;">Por gratas illusões, assim me alegre</span><br>
-<span class="pagenum" id="Page_113">[Pg 113]</span><span style="margin-left: 1em;">Com risonhos objectos a passagem;</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Tocando o termo, indemnisado eu fique</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Da extensão que soffri, meus olhos gozem</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Aspectos singulares, episodios</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">De vivente Poema. Além me chamão</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Verdes, propicias grutas, onde sempre</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">A frescura, o silencio, as sombras morão.</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">O pensamento alli precede aos olhos.</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Mais longe vitreo lago o Ceo reflecte,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">E confusa acolá, como fugindo,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Assoma perspectiva immensa, e nobre.</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Ás vezes bosquezinho alegre, ameno,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Mas em si recolhido, e ricamente</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Por ti, e a Natureza adereçado,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">De flores, e de sombras abundante,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Parece que te diz: «detem-te: ah! onde</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Podes estar melhor?» Sùbito a scena</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Se altera: eis em lugar de gosto, e riso</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Paz, e melancolia, eis o repouso,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Eis a grave mudez, onde se embebe,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Onde a meditação se alonga, e pasce.</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Lá com seu coração conversa o Homem,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Attenta no presente, entra o futuro,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Da carreira vital nos males pensa,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Pensa nos bens, e recuando a vista</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Ao tempo que voou, se apraz ás vezes</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">De perceber no circulo dos dias</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Esses poucos instantes, ai! Tão caros,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Tão curtos! Essas flores n’um deserto,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Essas quadras da vida, a que lhe apontão</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Saudades do prazer, e até da magoa.</span><br>
-<span style="margin-left: 2em;">Teme, pois, imitar os que atavião</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Friamente os jardins, os que só querem</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Objectos festivais, e lisonjeiros.</span><br>
-<span class="pagenum" id="Page_114">[Pg 114]</span><span style="margin-left: 1em;">Nada em suas paizagens he sublime,</span><br>
-<span class="pagenum" id="Page_115">[Pg 115]</span><span style="margin-left: 1em;">Nada atrevido: tudo são latadas,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Tudo elegantes bosques: sempre flores,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Sempre o Templo de Flora, ou dos Amores:</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">A alegria monótona aborrece.</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Sahe tu desta commum, cansada trilha;</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Contrastes imagina interessantes,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">E affoito os aventura. Entre si podem</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Encontrados effeitos soccorrer-se.</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;" id="note20">Eia, segue o Poussin. Elle apresenta</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Em campestre festejo alvas Serranas,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Robustos Aldeãos, bailando á sombra</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Dos ulmeiros frondosos, e alli perto</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Impressas vozes taes sobre hum sepulcro:</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Já fui, já fui tambem Pastor da Arcadia</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Este painel dos gostos voadores,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Do nada da Existencia, está dizendo,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Ou parece que diz: «Mortais, cuidemos</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Em lograr, tudo vai desvanecer-se;</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Jogos, danças, Pastores.» Dentro n’alma</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Ao jubilo vivaz, alvoroçado</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Mansa tristeza por degráos succede.</span><br>
-<span style="margin-left: 2em;">Imita estes effeitos. Não receies</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Em quadros ledos pôr sepulcros, e urnas,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Monumento fiel das magoas tuas.</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Ah! Quem não tem chorado alguma perda</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Rigorosa, cruel! Eia, associa,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Longe do Mundo leviano, e cego,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Os bosques, agoas, flores com teu pranto.</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Vem hum amigo em tudo Almas sensiveis</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Já co’as sombras pacificas se curvão</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Para abraçar a campa, onde suspiras,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">O Teixo, o agudo Pinho, e tu, Cipreste,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Das cinzas protector, leal aos Mortos.</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Teus ramos, que affeiçoão genios tristes,</span><br>
-<span class="pagenum" id="Page_116">[Pg 116]</span><span style="margin-left: 1em;">Deixão a gloria, o gosto ao Loiro, ao Myrto;</span><br>
-<span class="pagenum" id="Page_117">[Pg 117]</span><span style="margin-left: 1em;">Do Guerreiro, do Amante a venturosa</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Arvore tu não es, porém teu luto</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Compadece-se, e diz co’as nossas penas.</span><br>
-<span style="margin-left: 2em;">Em todos estes monumentos nada,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Nada de apuros vãos. Aliar pódes</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Acaso, ante estes lugubres objectos</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">A arte co’a dor, e co’á riqueza os campos?</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Longe principalmente o fingimento,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Longe tumulo falso, urnas sem magoa,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Que o capricho formou; longe as estatuas</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">De animal ladrador, de ave nocturna:</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Isso profana o luto, insulta as cinzas.</span><br>
-<span style="margin-left: 2em;">Ah! Se as de algum amigo alli não honras,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;" id="note21">De envelhecidos Teixos lá debaixo</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Não vês a sepultura onde esconder-se</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Hão de ir aquelles, que, por ti curvados,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Por ti suando sobre ingratos sulcos,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">No seio da indigencia a morte esperão?</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Pejo de ornar-lhes o sepulcro humilde</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Terás acaso! He certo, que não pódes</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Gravar illustres aventuras nelle</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Desde o incerto crepusculo, em que os chama</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Ave madrugadora a seus trabalhos,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Té ao serão em que a familia tenra</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Com elles vai sentar-se ao lar, que estala,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Em paz, e em lida igual seus dias correm.</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Nem guerras, nem tratados os distinguem:</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Nascer, soffrer, morrer, eis sua historia.</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Mas o seu coração ah! não he surdo</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Da memoria ao rumor. E qual dos Homens</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">No momento fatal da ausencia eterna,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Qual se não volve, e tristemente alonga</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">A vista pelos campos da Existencia?</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Não tem na idéa de deixar saudades</span><br>
-<span class="pagenum" id="Page_118">[Pg 118]</span><span style="margin-left: 1em;">Algum gosto, e dos olhos de hum amigo</span><br>
-<span class="pagenum" id="Page_119">[Pg 119]</span><span style="margin-left: 1em;">Não espera huma lagrima? Epitafios</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Para adoçar-lhe a vida, a morte lhe honrem.</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Aquelle, que, maior do que a Fortuna,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Servio seu Deos, seu Rei, familia, patria,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">E o pudor imprimio no rosto á filha,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Merece que de pedra menos bruta</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">A campa se lhe dê: suas virtudes</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Contem-se alli, e as lagrimas da Aldêa;</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Gravem-lhe sobre a lousa: «aqui descansa</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">O bom filho, o bom pai, e o bom consorte.»</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Encanto involuntario ha de mil vezes</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Teus olhos attrahir ao sacro sitio.</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">E tu, que estás cantando, antes carpindo,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Debaixo destas Arvores piedosas,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Tu, primeiro que as deixes, Musa minha,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Suspende em oblação tua grinalda</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Na rama veneravel. Muito embora</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Outrem celébre em verso a Formosura;</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Nos gostos engolfada a Musa de outrem</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Da cabeça jámais deponha o myrto;</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Télas trajando, fulgurantes de oiro,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Só da meiga alegria entôe os hymnos:</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Verso consolador tu dás ás cinzas,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">E primeiro que as outras a mão tua</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Algumas flores sobre as campas sólta.</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Para baixo de sombras prazenteiras</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Voltemos, que he já tempo. A Architectura</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Em selvoso lugar inda me espera</span><br>
-<span style="margin-left: 2em;">Para adornallo de edificios bellos.</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Já não do luto os monumentos tristes,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Mais eis gostosos sitios, que em mil faces</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Entre a verdura seu primor offertão.</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">O uso, porém, lhe approvo, e tolho o abuso.</span><br>
-<span style="margin-left: 2em;">Desterra dos jardins montão sem ordem,</span><br>
-<span class="pagenum" id="Page_120">[Pg 120]</span><span style="margin-left: 1em;">De edificios diversos, essa pompa</span><br>
-<span class="pagenum" id="Page_121">[Pg 121]</span><span style="margin-left: 1em;">De perdulária moda: os Obeliscos,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Rotundas, e Kioskos, e Pagodes;</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Esses cáhos de ingrata Architectura,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Romanos, Gregos, Arabes, Chinezes;</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Esterilmente profusão fecunda,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Que o mundo inteiro n’um jardim concentra.</span><br>
-<span style="margin-left: 2em;">Não procures tambem ocioso ornato,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Antes disfarça em util o aprazivel.</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">De seu Senhor thesoiro, e seu recreio,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">A Herdade exige campezino adorno.</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Lares que sobre o campo ergueo o Orgulho,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Magnifico Solar não a desdenhe;</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">As riquezas lhe deve, e delle ao fausto</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Sobresahe tanto a singeleza della,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Quanto de Armida aos artificios todos</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Sorriso ingénuo de acanhada Virgem.</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">A Herdade! A este nome Hortos, colheitas,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">O pastoril Reinado, o emprego doce,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Os innocentes bens dos aureos tempos,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Cujas meigas imagens enfeitição</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">A infancia, que he na vida a idade de oiro,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">E tanto a infancia minha enfeitiçárão;</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Isto, ah! Isto, que idéas, que saudades</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Dentro do coração me não desperta!</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Vem, já das aves tuas oiço o canto;</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Já chião carros, da abundancia ao peso,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Que as tulhas te demandão, e a compasso</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Cahe o instrumento que debulha os milhos.</span><br>
-<span style="margin-left: 2em;">Orna, pois, o teu predio, mas com tanto</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Que, pródigo, em palacio o não convertas.</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Por seu caracter simples, e elegante</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Entre os Jardins, ou Quintas he a Herdade</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">O mesmo que entre os versos he o Idyllio.</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Pelos Numes dos campos, ah! desvia</span><br>
-<span class="pagenum" id="Page_122">[Pg 122]</span><span style="margin-left: 1em;">O luxo audaz deste lugar modesto,</span><br>
-<span class="pagenum" id="Page_123">[Pg 123]</span><span style="margin-left: 1em;">Desvia-o sempre; de occultar não trates</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Nem os lagares teus, nem teus celeiros;</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Ver quero o trem das ceifas, das vindimas,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Ver o crivo, a joeira, onde co’a palha</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">O grão doirado salta, e recahe puro;</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">A grade, o trilho, tudo o mais da Granja,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Sem pejo aos olhos meus se manifestem;</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Mórmente de animais o móbil quadro</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Lhe dê por dentro, e fóra hum ar vivente.</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Não vemos do solar o adorno estéril,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">A graça inanimada, a immovel pompa:</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Debaixo destes tectos, nestes muros</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Tudo está povoado, e tudo he vivo.</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Que aves, diversas pela vóz, e instincto,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Que no abrigo da telha, ou colmo habitão,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Republica, Nação, Familia, Reino,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Me entretem com seus brincos, seus costumes!</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Eis á frente de todas gyra o Gallo,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">O Gallo, feliz chefe, e pai, e amante,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Que, Sultão sem molleza, distribue</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Pelo Serralho alígero a ternura;</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Une ao jus do valor o da belleza,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Impera carinhoso, altivo afaga;</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Para mandar, para gozar nascido,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Nascido para a gloria, ama, combate,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Triunfa, e logo seus triunfos canta.</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Ha de aprazer-te o ver como elles brincão,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Como contendem; seu amor, seus odios,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">E até sua comida. Assim que assoma</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Com a teiga nas mãos a Dispenseira,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">De repente a Nação voraz, e leve</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Vôa daqui, dalli, de toda a parte</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Em turbilhão ruidoso, e quasi a hum tempo.</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">O sôfrego tropel junto á que o ceva</span><br>
-<span class="pagenum" id="Page_124">[Pg 124]</span><span style="margin-left: 1em;">Subito fórma hum circulo apinhado;</span><br>
-<span class="pagenum" id="Page_125">[Pg 125]</span><span style="margin-left: 1em;">Ha tais que, sempre expulsos, tornão sempre,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Perseguem o comer, e até na palma,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Affoitos Parasitos, vem furtallo.</span><br>
-<span style="margin-left: 2em;">Este Povo domestico protege;</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Não soberbos, mas sãos seus pousos sejão.</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Decoradas estancias que lhe prestão?</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Marmóreos bebedoiros, e aureas grades?</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Mais lhe apraz, muito mais, hum grão de milho.</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Já la Fontaine o disse. Oh la Fontaine!</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Oh Sabio verdadeiro, eras lucroso</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Neste lugar! Cantor feliz do instincto,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Melhor te inspiraria aqui o olhallo.</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Fofo o Pavão de assoalhar seu Iris,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">A inchação do Peru, mais louco ainda,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Teus pinceis alegrára á nossa custa.</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Viras aqui dos Pombos teus a imagem;</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">De dois Gallos amantes a discordia</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">A dizer outra vez te obrigaria:</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">«Tu derrubaste, Amor, de Troia os muros!»</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Dest’arte nos apraz, e attrahe a Herdade.</span><br>
-<span style="margin-left: 2em;">Mas em outra prizão que vulgo fere</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Por incognitos sons os meus ouvidos?</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Estranhos animais alli se guardão,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Maravilhas dos olhos, alli vivem</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">N’um suave desterro encarcerados</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Brutos da Terra, do Ar, e hum d’outro pasmão.</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Extravagantes castas não procures,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Prefere o que he mais bello ao que he mais raro.</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Mostra-nos aves n’outros Ceos criadas,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Que, validas do Sol, seus lumes vibrão;</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Da Indiana Galinha o vivo esmalte,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">E o oiro do Faisão purpureado.</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Aves de ostentação melhor se alojem;</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Ellas mesmas são luxo, e co’a belleza</span><br>
-<span class="pagenum" id="Page_126">[Pg 126]</span><span style="margin-left: 1em;">Já que a inutilidade ellas compensão,</span><br>
-<span class="pagenum" id="Page_127">[Pg 127]</span><span style="margin-left: 1em;">Brilhe a prizão como os cativos brilhão.</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Rebeldes animais, porém, não tenhas,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Cujo orgulho se irrita, e cansa em ferros.</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Quem póde ver sem magoa o Rei dos ares,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">O passaro feroz, que andou folgando</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Lá por entre o trovão, por entre o raio,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Quem póde vello na gaiola indigna</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Esquecer o relampago dos olhos,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Dos vôos a altivez! Livre de novo,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Na abobada dos Ceos ao Sol se atreva:</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Nunca póde agradar Ente aviltado.</span><br>
-<span style="margin-left: 2em;">Mas com seu lustre peregrino em quanto</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Parece que estes hospedes diffrentes</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Á minha escolha, á preferencia aspirão,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">O olfato me convida a aquelles tectos,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Onde, do patrio chão tambem roubados,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Estranhos Vegetais o vidro ampara.</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Tu cerca de ar macio as debeis plantas,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Mas venera estações, vencendo climas;</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Não forces a brotar na Quadra fêa</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Bens que a bons tempos Natureza guarda.</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Deixa aos Paizes de aturado Inverno,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Deixa embora essas flores, esses fructos,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">De falsa primavera, e falso Estio;</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Certo de que ha de o Sol madurecellos,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Sem violentar seus dons, seus dons espera.</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Mas folgo em ver no transparente abrigo</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Prendas diversas de diversas plagas.</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Os Ibéros jasmins alli se animão,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Friorenta congorça esquece a Patria,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Tenro ananás pelo calor se engana,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">E usurpado thesoiro em si te entrega.</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Talhe a Razão teus edificios varios,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">De flores, e animais formoso hospicio,</span><br>
-<span class="pagenum" id="Page_128">[Pg 128]</span><span style="margin-left: 1em;">Oh quantos, quantos mais, que o sitio abrace,</span><br>
-<span class="pagenum" id="Page_129">[Pg 129]</span><span style="margin-left: 1em;">Que approve o gosto, recrear-nos podem!</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">A sombra desses humidos salgueiros,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Humidos com sadia agoa corrente,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Seja do banho o solitario asylo.</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Além cabana, em que a frescura assiste,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Offerte ao Pescador linhas, e redes,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Não vês a mansidão deste Retiro?</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Doce acolheita alli consagro ás Musas.</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">No seio florecido, e magestoso</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Alli sómente hum obelisco ordeno:</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Aos ares sóbe o monumento augusto,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">E lavro sobre a pedra enternecida:</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">«A nossos destemidos Mareantes,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Que pela patria voluntarios morrem.»</span><br>
-<span style="margin-left: 2em;">Assim teus variados edificios</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Nem desertos serão, nem ociosos.</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Com seu lugar se ageitem massa, e forma,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Cada qual se coloque onde releva,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">E não se perca, não destrua a scena</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Por sobeja extensão, por muito aperto.</span><br>
-<span style="margin-left: 2em;">O que empece ao caracter, e utilisa</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Sabe, pois; hum recanto quasi occulto</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Lá bem n’um descampado, he que nos pinta</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Melhor o desamparo, a soledade.</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Sempre a cada expressão fiel te mostra;</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Hum Ermo a grande luz não patentees,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Nem selva carrancuda esconda hum Templo:</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Do Monte sobre a espádoa quer ser visto.</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Movimento, esplendor, grandeza, e vida</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">O aerio sitio pelo quadro espalha.</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Julgo hum aspecto olhar da bella Ausonia.</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Esta dos Edificios, esta a graça.</span><br>
-<span style="margin-left: 1.5em;">Mas de tais monumentos a alegria,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Luxo moderno, e fresca mocidade</span><br>
-<span class="pagenum" id="Page_130">[Pg 130]</span><span style="margin-left: 1em;">Valem de antigos restos a velhice?</span><br>
-<span class="pagenum" id="Page_131">[Pg 131]</span><span style="margin-left: 1em;">Desses aqui, e alli dispersos corpos</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">O já desordenado, e grão volume,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">A fórma pictoresca enlaça a vista.</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Por elles sobre a terra está marcada</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Dos Evos a carreira, e, destruidos</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Pelos Vulcões, ou Tempestade, ou Guerra,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Instruem sempre, alguma vez consolão.</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Sim, estas massas, que tambem da Idade</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Cedem ao pezo, como nós cedemos,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Á derrota geral nos habituão,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">E a perdoar á Sorte. Assim Carthago</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Sobre os desfeitos muros n’outros tempos</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Mário vio infeliz, e estes dois restos</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Tão grandes entre si se consolavão.</span><br>
-<span style="margin-left: 2em;">Aproveita ruinas venerandas.</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">E tu, que os passos meus tens variado</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Pelos selvosos campos, tu, que, longe</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Das vulgares estradas, vás dictando</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Leis aos jardins, oh Poesia amavel!</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Oh Irmã da Pintura! A monumentos</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">De longa idade restitue a vida;</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Presenta ao gosto os ricos accidentes,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Que o Tempo desenhou co’a mão remissa.</span><br>
-<span style="margin-left: 2em;">Huma antiga Capela ora apparece,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Modesto, e santo Asylo, onde algum dia</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Hião em tosco Altar, na quadra nova,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">As Donzelas, e as Mãis, e os seus Filhinhos</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">A bem das messes implorar o Eterno.</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Consagra inda o Respeito estas ruinas.</span><br>
-<span style="margin-left: 2em;">Ora avulta acolá Castello annoso,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Em fragosos cabeços, que, Tyranno</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Do Territorio, e dos Vassallos medo,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Co’as ameias aos Ceos arremettia;</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Que em tempos de terror, discordias, sangue,</span><br>
-<span class="pagenum" id="Page_132">[Pg 132]</span><span style="margin-left: 1em;">Vio lançadas mortais, vio gentilezas</span><br>
-<span class="pagenum" id="Page_133">[Pg 133]</span><span style="margin-left: 1em;">De nossos invenciveis Cavalleiros,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Os Baiards, os Henriques: hoje o trigo</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Sobre os fragmentos seus lourêa, e treme.</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Esta triste, forçosa Architectura,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Cingida de verdor fresco, e risonho,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">As esplanadas, e angulos, e torres,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Rotas, quasi abatidas, onde as aves</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Dos amores em paz o fructo aquecem;</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Os gados povoando estes guerreiros,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Recintos façanhosos, e o Menino,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Q’onde os Avós já guerreárão, brinca,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Fórma tudo isto singular constraste.</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Delle te apóssa, dando aos olhos quadro</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Duro, e brando, campestre, e belicoso.</span><br>
-<span style="margin-left: 2em;">Mais ao longe hum Mosteiro abandonado</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Entre arvoredos subito se encontra.</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Que silencio! Amadora dos desertos,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Com gosto alli, Meditação, te entranhas</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Por baixo das abóbadas sagradas,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Por onde austeras Virgens, algum dia,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Como as turvas alampadas, que velão</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Ante a Religião, tambem velavão,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">E descarnadas, pálidas, ardião</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Por Deos, e emfim, por Deos se consumião.</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Santa contemplação, paz, innocencia,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Como que ainda este silencio occupão!</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Musgosos muros, o Zimborio, as Torres,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Os arcos deste Claustro escuro, e longo,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Destes Altares o degráo roçado</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Do supplice joelho, os vidros negros,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">O sombrio, e profundo Santuario,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Onde, escondidamente desgraçadas,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Almas houve, talvez, que de seus laços</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Ás inflexiveis Aras se carpissem,</span><br>
-<span class="pagenum" id="Page_134">[Pg 134]</span><span style="margin-left: 1em;">E por doces memorias inda frescas</span><br>
-<span class="pagenum" id="Page_135">[Pg 135]</span><span style="margin-left: 1em;">Algum medroso pranto ao Ceo furtassem:</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Tudo commove alli, tudo alli falla.</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Alli cevando a mente em soledade,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Ás vezes cuidarás, ao pôr do dia,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Que de alguma Heloisa a Sombra geme;</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Que as lagrimas, que a dor, que os ais lhe sentes.</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Logra, pois, estes restos de alto preço,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Térnos, augustos, pios, ou profanos.</span><br>
-<span style="margin-left: 2em;" id="note22">Mas longe os monumentos, cujo estrago</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Do fingimento he filho, e mal imita</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Do Tempo as impressões inimitaveis:</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Esses antigos Templos, fabricados</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Inda ha pouco, as reliquias de hum Castello</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Que jámais existio, Pontes idosas,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Que hontem nascêrão, Torreão dos Godos,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Que, roto, e gasto, não parece antigo:</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">São artificio inutil, e grosseiro.</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Fitando-lhe a attenção, se me figura</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Que vejo hum moço arremedando hum velho,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Despindo as graças da amorosa idade,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Sem que retrate da velhice as rugas;</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Mas estrago real dá pasto aos olhos.</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Restos, que já contemporaneos fostes</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">De nossos bons, e simplices Maiores,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Gosta meu coração de interrogar-vos,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">E gosta de vos crer. De novo a Historia</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Estudo em vós dos Tempos, e dos Povos.</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Quanto esses Povos mais famosos forão,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">E quanto mais famosos esses Tempos,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Tanto mais nesses restos fico absorto.</span><br>
-<span style="margin-left: 2em;">Campos de Italia! Oh Campos d’alta Roma!</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Onde jaz, por fatal, e horrivel quéda,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Com todo o seu orgulho o Nada do Homem!</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Ahi he que ruinas, afamadas</span><br>
-<span class="pagenum" id="Page_136">[Pg 136]</span><span style="margin-left: 1em;">Por grandes nomes, por memorias grandes,</span><br>
-<span class="pagenum" id="Page_137">[Pg 137]</span><span style="margin-left: 1em;">Dão sublimes lições, aspectos graves,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Thesoiros que as paizagens enriquecem.</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Vê como, cá, e lá, por toda a parte</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">A rapidez dos Seculos tremendos,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Das Artes os prodigios destroçando,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Sepulcros arrojou sobre Sepulcros,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Hum Templo derribou sobre outro Templo,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Olha as Idades blasonando ao longe</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Co’a ruina immortal da excelsa Roma.</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Os pórticos, e os arcos, (onde a Pedra</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Em carácter fiel conserva ainda</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Do Povo Rei magnânimas proezas),</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Pórticos, e arcos tem cansado os Tempos,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Ondas suspensas por aqui bramião,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Por baixo destas pórtas dilatadas</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Os despójos do Mundo hião passando.</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Esparzidos estão, no pó confusos</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Por toda a parte, os Thermes, os Palacios,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Os Sepulcros dos Cesares, em quanto</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">De Virgilio, de Ovidio, Horacio, e de Outros</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Inda grata Illusão nos finge o rasto.</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Oh tres, e quatro vezes venturoso</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">O Artista dos Jardins! Feliz quem póde</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Destes restos divinos apossar-se!</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Já lhe vai surdamente a mão do Tempo</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Ajudando as tenções; já sobre pompas</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Dos Senhores do Mundo, a Natureza</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">De recobrar os seus direitos fólga:</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Lá onde o Domador dos Reis, lá onde</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Campeava Pompêo com fasto immenso,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Agora dos Pastores se ouve a flauta,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Como nos dias do tranquillo Evandro.</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Vê rir os campos que ao Cultor volvêrão,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">E relvar os cabritos sobre os tectos,</span><br>
-<span class="pagenum" id="Page_138">[Pg 138]</span><span style="margin-left: 1em;">E Obelisco arrogante além cahido:</span><br>
-<span class="pagenum" id="Page_139">[Pg 139]</span><span style="margin-left: 1em;">Olha abraçado co’a columna altiva</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">O humilde espinho; as Arvores, as Plantas,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Subir, baixar em mil festões, mil cachos:</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Aquella que Minerva aos Homens trouxe,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">E a Figueira, pelo hálito dos ventos</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Por entre estes estragos semeadas,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Acabão de abalar co’a raiz branda</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">As veneraveis Obras dos Romanos;</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">A torta vide, a hera, de cem braços,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Emtorno das ruinas serpeando,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">A modo que desejão, que procurão</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Recatar-lhe a velhice, ou guarnecella.</span><br>
-<span style="margin-left: 2em;">Se não tens estes restos estupendos,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Terás, sequer, os animados Bronzes,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Terás os Numes das Idades mortas,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Em que Arte divinal forçava os cultos?</span><br>
-<span style="margin-left: 2em;">Quiz dos Jardins, bem sei, Gosto severo</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Lançar todos os Deoses dos Romanos,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Dos Gregos; mas porque? Nossas infancias,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Em Athenas, em Roma cultivadas,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Sua doce magía exprimentárão.</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Estes Numes Agrícolas não erão?</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Não Pastores? Porque has de, pois, tolher-lhes</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Os bosques, os vergeis? Podem teus fructos</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Rebentar sem auxilio de Pomona?</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Ou te he dado expellir do Imperio Flora?</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Ah! sempre essas Deidades nos encantem:</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Das Artes inda he culto a Idolatria;</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Mas haja perfeição, primor na escolha.</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Não queiras nos jardins improprios Deoses,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Elles sem magestade, ellas sem graça.</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Elege a cada qual assento idóneo,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Seus direitos nenhum ao outro usurpe.</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Deixa nas selvas Pan. Porque motivo</span><br>
-<span class="pagenum" id="Page_140">[Pg 140]</span><span style="margin-left: 1em;">Co’as Driades estão Tritões, Nereidas?</span><br>
-<span class="pagenum" id="Page_141">[Pg 141]</span><span style="margin-left: 1em;">De que serve este Nilo, em vão croado</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">De canas, e a mostrar do pó manchada</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">A urna, que he de passaros abrigo?</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Fóra os Leões, e os Tigres: esses monstros</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Tè nas imagens suas me arripião;</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">E os Cesares tambem, mais monstros que elles,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Sentinellas horriferas das portas</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">De bordadas florestas, que, nojosos</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Da suspeita, e do crime, inda parece</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Com os olhos as victimas apontão.</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Ao risonho lugar que jus tem elles?</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Mostra-me Objectos que eu venere, eu ame;</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Á sua apotheóses sagra hum sitio,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Elysios cria em que seus Manes folguem.</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Longe de olhos profanos, sobre valles</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">De verdes murtas, de cheirosos loiros</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Honrem seus vultos marmore de Paros;</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Goste hum remanso de banhar tais selvas,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">E, mesclando co’a sombra os dubios lumes,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Seja Diana affavel o Astro dellas.</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Dos virentes doceis a formosura</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Sobre as queridas, candidas Estatuas,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Destes Homens egregios o repouso,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">A simples, a benigna magestade,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Correntes sem rumor, como as do Lethes,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Que para aquellas Almas tão serenas</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Parece vão rolando o esquecimento</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Da crua ingratidão, e de outros males;</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Bosques, e o dia, entre elles expirando,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Tudo respira a paz dos Manes ledos.</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Tu não consagres, pois, se não tranquillas,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Estremadas virtudes nesses campos.</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Longe, longe os fatais Conquistadores,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Verdugos, não Heróes: esses lugares</span><br>
-<span class="pagenum" id="Page_142">[Pg 142]</span><span style="margin-left: 1em;">Turbarião talvez como turbárão</span><br>
-<span class="pagenum" id="Page_143">[Pg 143]</span><span style="margin-left: 1em;">Este Mundo infeliz: ahi colóca</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Os amigos dos Homens, e dos Deoses:</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Os de que ainda beneficios vivem</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Na fama, e tradicção; tambem Monarcas,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">De que o seu Povo não chorasse a gloria:</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Mostra ahi Fenelon, mostra á saudade,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">E com Sully se abrace Henrique o Grande.</span><br>
-<span style="margin-left: 2em;">Dá, dá-me flores, cobrirei com ellas</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Os Sabios, que em longinquas, novas praias</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Artes consoladoras demandárão,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Artes consoladoras desparzírão.</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;" id="note23">E tu, primariamente, Heroe Britanno,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Tu Cook, infatigavel, denodado,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Que, acceito, e caro aos corações de todos,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Unes co’a magoa teu Paiz, e a França;</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Que a essas Regiões, que aonde o raio</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Outr’hora os Européos annunciava,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Util, novo Triptólemo, guiaste</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">O serviçal cavallo, a ovelha, o toiro,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">O arado agricultor, e as patrias artes,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Nossas furias, e roubos expiando.</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Com doce paz fraterna lá surgias;</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Prantos, e beneficios lá deixavas.</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Recebe de hum Francez este tributo...;</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">E á minha gratidão que importa o clima?</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Virtudes immortais do illustre Nauta</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Nosso Concidadão já o fizerão;</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">No grande exemplo o nosso Rei se imite;</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Digno de ser seu Rei. Ah! que aproveita</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Ao pasmoso Varão ter vezes duas</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Visto os Mares de gêlo, os Ceos de fogo,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Ter estes afrontado, e roto aquelles?</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Que as ondas, ventos, Povos o acatassem;</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Que em toda a vastidão do Pego immenso</span><br>
-<span class="pagenum" id="Page_145">[Pg 145]</span><span style="margin-left: 1em;">Fosse immune, e sagrada a quilha sua;</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Que só com elle reprimisse a Guerra</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Seu hórrido furor? Do Mundo o Amigo</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Ai! Morre ás mãos de barbaros Selvagens.</span><br>
-<span style="margin-left: 2em;">Oh vós, que lamentais seu fim cruento,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Da potente Albion soberbos filhos,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Imitai-lhe, que he tempo, a ambição nobre.</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Porque em vossos iguais quereis escravos?</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Dai-lhe fraternidade, e não cadeias.</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Dos loiros triunfais cingida a fronte,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Dos loiros, que o Francez colheo de novo,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Té a mesma Victoria a Paz cobiça.</span><br>
-<span style="margin-left: 2em;">Desce, Prole do Ceo, Paz suspirada,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Doira este Globo, emfim, com teus sorrisos,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Dos sitios, que eu cantei, requinta as graças;</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Fórma hum Povo feliz de tantos Póvos;</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Aos campos abundancia restitue,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">E restitue ás ondas o commercio:</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Hajão da tua mão, propicio Nume,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Os dois Mundos socego, as Artes vida.</span><br>
-</p>
-
-
-<p class="center p2">FIM DO CANTO QUARTO.</p>
-<hr class="chap x-ebookmaker-drop">
-
-<div class="chapter">
-<p><span class="pagenum" id="Page_147">[Pg 147]</span></p>
-
-<h2 class="nobreak" id="NOTAS_DO_PRIMEIRO_CANTO">NOTAS DO PRIMEIRO CANTO.</h2>
-</div>
-
-
-<p class="center"><a href="#note1">(<i>Pag.5. vers. 7.</i>)</a></p>
-
-<p class="poetry">
-<span style="margin-left: 1em;">Assumpto amavel, que tentou Virgilio, etc.</span><br>
-</p>
-
-<p>Vê-se nas Georgicas, liv. 4. que a composição dos Jardins, de que
-fallão, he mui singela, e naturalissima, e que se acha nelles o util
-com o aprazivel: pomos, flores, hortaliças. Mas estes Jardins são os de
-hum ordinario Habitante dos Campos, Jardins, tais como, com hum gosto
-simples, quizera o Sabio ornallos, e cultivallos pela sua mão; tais
-como folgaria de os aformosear o amavel Poeta, que os descreve. Não
-tratou daquelles Jardins famosos que o luxo dos Vencedores do Mundo: os
-Crassos, os Lucullos, os Pompêos, os Cesares, carregárão das riquezas
-da Asia, e dos despojos do Universo.</p>
-
-<p class="center"><a href="#note2">(<i>Pag. 5. vers. 20.</i>)</a></p>
-
-<p class="poetry">
-<span style="margin-left: 1em;">De Alcino o luxo, o gosto, ainda rude,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Punha a curto Vergel módico enfeite, etc.</span><br>
-</p>
-
-<p>He hum monumento precioso da Antiguidade, e da historia dos Jardins a
-descripção que faz Homéro do de Alcino. Vê-se, que ella distava pouco
-do nascimento da Arte; que todo o seu luxo estava na symmetria, e
-ordem, na riqueza do chão, na fertilidade das arvores, nas duas fontes,
-de que era ornado: e todos os que quizessem jardim para gozar, e não
-para mostrallo, escusarião outro.</p>
-
-<p><span class="pagenum" id="Page_148">[Pg 148]</span></p>
-
-<p class="center"><a href="#note3">(Ibid. <i>vers. 22.</i>)</a></p>
-
-<p class="poetry">
-<span style="margin-left: 1em;">Eis com arte maior, mais sumptuosa</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Jardins nos ares Babylonia ostenta.</span><br>
-</p>
-
-<p>Parte destes Jardins suspensos ainda durava mil, e seiscentos annos
-depois da sua creação; elles forão o assombro de Alexandre, quando
-entrou em Babylonia.</p>
-
-<p class="center"><a href="#note4">(Ibid. <i>vers. 24.</i>)</a></p>
-
-<p class="poetry">
-<span style="margin-left: 1em;">Os Latinos Heróes, de Marte os Filhos,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Depois que Roma agrilhoava o Mundo,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Davão repouso ameno á gloria, ao raio</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Em frescos hortos, que a victoria ornára.</span><br>
-</p>
-
-<p>Existe monumento inestimavel do gosto, e fórma dos Jardins Romanos em
-huma Carta de Plinio Junior, e nella se lê que já então conhecião a
-arte de affeiçoar as arvores, de dar-lhes diversas figuras de vasos, ou
-animais; que a Architectura, e o luxo dos Edificios erão dos primarios
-ornamentos dos Parques; mas que todos tinhão hum objecto de utilidade,
-objecto em demasia esquecido nos Jardins modernos.</p>
-
-<p class="center"><a href="#note5">(<i>Pag. 9. vers. 1.</i>)</a></p>
-
-<p class="poetry">
-<span style="margin-left: 7em;">Belœil, a hum tempo</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Campestre, apparatoso, etc.</span><br>
-</p>
-
-<p>Belœil, foi huma casa de recreio, ou quinta, do Principe de Ligne.</p>
-
-<p><span class="pagenum" id="Page_149">[Pg 149]</span></p>
-
-<p class="center"><a href="#note6">(Ibid. <i>vers. 8.</i>)</a></p>
-
-<p class="poetry">
-<span style="margin-left: 1em;">O amavel Tivoli, de fórma estranha</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Á França descobrio ténue modélo.</span><br>
-</p>
-
-<p>O local de Tivoli negava-se aos grandes effeitos pictorescos; mas
-Boutin teve o merecimento de colher delle a utilidade possivel, e
-principalmente de ser o que primeiro experimentou com bom exito o
-genero irregular.</p>
-
-<p class="center"><a href="#note7">(Ibid. <i>vers. 10.</i>)</a></p>
-
-<p class="poetry">
-<span style="margin-left: 1em;">Montreuil as Graças desenhárão rindo, etc.</span><br>
-</p>
-
-<p>Montreuil era hum bellissimo Jardim da Princeza de Guimené, na estrada
-de Paris a Versailles.</p>
-
-<p class="center"><a href="#note8">(Ibid. <i>vers. 11.</i>)</a></p>
-
-<p class="poetry">
-<span style="margin-left: 1em;">Maupertuis, le Desert, com que alegria,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Rincy, Limours, etc.</span><br>
-</p>
-
-<p>Maupertuis. Este Jardim, conhecido pelo nome de Elysio, pertenceo ao
-Marquez de Montesquiou. Se bellas agoas, soberbas plantações, aprazivel
-mixto de colinas, e valles, fazem hum sitio formoso, o Elysio he digno
-do seu amavel nome.</p>
-
-<p>Le Desert. Este Jardim foi desenhado com muita graça por Monville.</p>
-
-<p>Rincy. Este lindo Jardim foi do Duque de Orleans.</p>
-
-<p>Limours. Este lugar, naturalmente inculto, foi mui aformoseado pela
-Condessa de Brionne, e perdeo parte da aspereza sem perder o caracter.</p>
-
-<p><span class="pagenum" id="Page_150">[Pg 150]</span></p>
-
-<p class="center"><a href="#note9">(Ibid. <i>vers. 16.</i>)</a></p>
-
-<p class="poetry">
-<span style="margin-left: 7em;">E parecido</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Comtigo Trianon, Deosa, que o reges, etc.</span><br>
-</p>
-
-<p>O pequeno Trianon, Jardim da Rainha, he modélo neste genero. Parece que
-a riqueza foi nelle empregada sempre pelo gosto.</p>
-
-<p class="center"><a href="#note10">(Ibid. <i>vers. 20.</i>)</a></p>
-
-<p class="poetry">
-<span style="margin-left: 1em;">Grato asylo d’hum Principe adoravel,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Tu, cujo nome de apoucada idéa, etc.</span><br>
-</p>
-
-<p>He o gracioso Jardim==Bagatela==composto com muita arte para o Conde de
-Artois, e que tem a vantagem de se achar no meio de Bosque aprazivel,
-que parece parte delle. O pavilhão he de huma elegancia rara. Não se
-podérão nomear neste Poema outros agradaveis Jardins, feitos alguns
-annos depois.</p>
-
-<p class="center"><a href="#note11">(<i>Pag. 29. vers. 8.</i>)</a></p>
-
-<p class="poetry">
-<span style="margin-left: 1em;">A arte os prometta, os olhos os esperem:</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Dá quem promette, quem espera goza.</span><br>
-</p>
-
-<p>Este ultimo hemistichio vem n’uma Epistola de Saint Lambert; a
-reminiscencia o introduzio neste Poema.</p>
-
-<p class="center"><a href="#note12">(Ibid. <i>vers. 30.</i>)</a></p>
-
-<p class="poetry">
-<span style="margin-left: 1em;">Entre Kent, e le Notre eu não decido, etc.</span><br>
-</p>
-
-<p>Kent, Architecto, e famoso Desenhador em Inglaterra, foi o primeiro
-que tentou felizmente o genero<span class="pagenum" id="Page_151">[Pg 151]</span> livre, que principia a lavrar por toda
-Europa. Os Chinezes são sem dùvida seus inventores.</p>
-
-<p class="center"><a href="#note13">(<i>Pag. 33. vers. 34.</i>)</a></p>
-
-<p class="poetry">
-<span style="margin-left: 1em;">Attenta em Milton, etc.</span><br>
-</p>
-
-<p>Muitos Inglezes querem que esta bella descripção do Paraiso Terreal, e
-alguns lugares de Spencer, dessem a idéa do Jardim irregular; e posto
-que he provavel, como já se disse, que este genero venha dos Chins,
-o Author antepoz a authoridade de Milton como a mais poetica. Além
-disso, julgou que se olharia com gosto a magnificencia toda do maior
-Rei do Mundo, todos os milagres das Artes em opposição com os feitiços
-da Natureza recente, com a innocencia das primeiras Creaturas que a
-aformoseárão, e com o attractivo dos primeiros amores. Não traduzio,
-nem tão pouco imitou Milton, que devia, e podia descrever mais
-longamente o Eden.</p>
-<hr class="chap x-ebookmaker-drop">
-
-<div class="chapter">
-<p><span class="pagenum" id="Page_152">[Pg 152]</span></p>
-
-<h2 class="nobreak" id="NOTAS_DO_SEGUNDO_CANTO">NOTAS DO SEGUNDO CANTO.</h2>
-</div>
-
-
-<p class="center"><a href="#note14">(<i>Pag. 59. vers. 25.</i>)</a></p>
-
-<p class="poetry">
-<span style="margin-left: 6em;">Sempre verdes,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Oh Mouceaux, teus Jardins são disto exemplo.</span><br>
-</p>
-
-<p>O Jardim de Inverno do Duque de Chartres, he com effeito, hum
-encantamento. A estufa especialmente he huma das melhores que se
-conhecem.</p>
-
-<p class="center"><a href="#note15">(<i>Pag. 67. vers. 34.</i>)</a></p>
-
-<p class="poetry">
-<span style="margin-left: 1em;">Moço Potaveri, tu disto és prova, etc.</span><br>
-</p>
-
-<p>Este o nome de hum Habitante de O-taiti, conduzido a França por
-Bougainville, célebre pelo seu valor, e constancia em varias acções, e
-gloriosamente conhecido quer por Navegante, quer por Militar. O passo
-que se refere, do Mancebo Otaitiano, he mui notorio, e interessante. Só
-o que fez o Author foi alterar o lugar da Sena, que fingio no Jardim
-Real das Plantas. Quizera pôr em seus versos toda a sensibilidade que
-respira nas poucas palavras que o Moço proferio, abraçando a arvore
-que havia conhecido, e que lhe recordou a Patria.==He O-taiti==dizia
-elle==, e olhando para as outras arvores,==Não he O-taiti.==Assim
-estas arvores, e a sua patria se identificavão no seu espirito. Julgou
-o Author que este lance tão terno, e tão novo, poderia ministrar hum
-bello Episodio.</p>
-
-<p><span class="pagenum" id="Page_153">[Pg 153]</span></p>
-
-<p class="center"><a href="#note16">(<i>Pag. 69. vers. 2.</i>)</a></p>
-
-<p class="poetry">
-<span style="margin-left: 1em;">Onde he sem pejo Amor, Amor sem crime.</span><br>
-</p>
-
-<p>Observou-se em todos os Povos, onde a Sociedade tem feito curtos
-progressos, huma certa innocencia nos costumes, muito diversa do
-resguardo, e do pejo que sempre acompanhão a virtude nas Mulheres das
-Nações polidas. Na Ilha de O-taiti, na maior parte das outras do Mar
-do Sul, em Madasgacar, etc. as casadas julgão dever-se exclusivamente
-a seus maridos, e quebrão raras vezes a lealdade conjugal; mas as
-solteiras não escrupulizão em se entregar até á paixão momentanea que
-os homens lhes inspirão. Não se sujeitão nem nas palavras, nem nos
-modos, nem no vestido ao que olhamos como deveres do sexo feminino. Mas
-isto he nellas simplicidade, não he corrupção: não desprezão as normas
-da decencia, ellas as ignorão. Nestes Paizes a Natureza he grosseira,
-mas não depravada. Eis o que se intentou exprimir naquelle verso.</p>
-<hr class="chap x-ebookmaker-drop">
-
-<div class="chapter">
-<p><span class="pagenum" id="Page_154">[Pg 154]</span></p>
-
-<h2 class="nobreak" id="NOTAS_DO_TERCEIRO_CANTO">NOTAS DO TERCEIRO CANTO.</h2>
-</div>
-
-
-<p class="center"><a href="#note17">(<i>Pag. 77. vers. 2.</i>)</a></p>
-
-<p class="poetry">
-<span style="margin-left: 1em;">Sei que em Harlem ha Curiosos tristes,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Que em seus Jardins co’as flores vão fechar-se.</span><br>
-</p>
-
-<p>Harlem he Cidade de Hollanda, onde se commercia muito em flores,
-e sabe-se a que extravagancia tem chegado os Floristas no amor á
-raridade, e ás posses exclusivas.</p>
-
-<p class="center"><a href="#note18">(<i>Pag. 79. vers. 17.</i>)</a></p>
-
-<p class="poetry">
-<span style="margin-left: 1em;">Do cume dos Rochedos verdadeiros, etc.</span><br>
-</p>
-
-<p>Em geral, não se podem imitar bem os rochedos, nem todos os grandes
-effeitos da Natureza. Ella não consente á Arte emprehender estes
-atrevimentos, salvo quando combate com todos os esforços, e cabedais
-do engenho, e da opulencia. Assim se formou, segundo os desenhos
-de Robert, o soberbo Rochedo de Versailles, cujo effeito só o póde
-adivinhar a fantasia, que o vê d’ante mão toucado de vistosas arvores,
-e ornado de toda quanta verosemelhança, e belleza póde só dar-lhe o
-tempo.</p>
-
-<p class="center"><a href="#note19">(Ibid. <i>vers. 21.</i>)</a></p>
-
-<p class="poetry">
-<span style="margin-left: 1em;">Aos Campos de Midléton, ás Montanhas</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">De Dovedále te acompanho os passos,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">A ellas, Whateli, comtigo subo.</span><br>
-</p>
-
-<p><span class="pagenum" id="Page_155">[Pg 155]</span></p>
-
-<p>São dois sitios de Inglaterra, famosos pelas fórmas pictorescas da sua
-cadeia de rochedos, descriptos por Whateli, de que o Author, assim como
-Morel, no seu formoso tratado dos Jardins, colhêrão algumas passagens,
-tais como a cabana, e a ponte suspensas sobre despenhadeiros. Mas
-Delille cuidou em exprimir de hum modo seu as sensações que nascem
-destes aspectos medonhos.</p>
-<hr class="chap x-ebookmaker-drop">
-
-<div class="chapter">
-<p><span class="pagenum" id="Page_156">[Pg 156]</span></p>
-
-<h2 class="nobreak" id="NOTAS_DO_QUARTO_CANTO">NOTAS DO QUARTO CANTO.</h2>
-</div>
-
-
-<p class="center"><a href="#note20">(<i>Pag. 115. vers. 9.</i>)</a></p>
-
-<p class="poetry">
-<span style="margin-left: 1em;">Eia, imita o Poussin, etc.</span><br>
-</p>
-
-<p>Este famoso quadro he certamente o melhor de todos os de Paizagens.
-Senão soubessemos quanto a imaginação do Poussin se alimentou com as
-producções dos grandes Poetas da Antiguidade, este painel bastaria
-para o provar. Quasi todas as obras voluptuosas de Horacio tem o mesmo
-caracter. Por toda a parte no seio dos prazeres, e das festas, aponta
-ao longe a morte. Dai-vos pressa, (diz elle) quem sabe se á manhã
-viveremos? Nosso fado he morrer; será forçoso deixar esta bella casa,
-esta Mulher encantadora, e de todas as arvores que cultivais, só o
-Cypreste, ai de mim! seguirá seu Senhor, mui pouco duravel.</p>
-
-<p>Esta mesma filosofia, colhida dos antigos Poetas, he a que dictou a
-Chaulieu aquelles versos cheios de melancolia tão doce:==</p>
-
-<p class="poetry">
-<span style="margin-left: 1em;">Musas, que neste retiro</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Começastes meu prazer,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Plantas, que nascer me vistes,</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Cedo me vereis morrer.</span><br>
-</p>
-
-<p>Estes contrastes de sensações, compostas de alegria, e tristeza,
-agitando a alma em sentido contrario, fazem sempre huma impressão
-profunda; e he o que obrigou o Author a colocar no meio das scenas
-risonhas dos Jardins a vista melancolica dos sepulcros, e urnas
-consagradas á Amizade, ou á Virtude.</p>
-
-<p><span class="pagenum" id="Page_157">[Pg 157]</span></p>
-
-<p class="center"><a href="#note21">(<i>Pag. 117. vers. 14.</i>)</a></p>
-
-<p class="poetry">
-<span style="margin-left: 1em;">De envelhecidos Teixos lá debaixo</span><br>
-<span style="margin-left: 1em;">Não vês aquelles, etc.</span><br>
-</p>
-
-<p>Nestes versos, dedicados ás sepulturas humildes dos Camponezes, o
-Author imitou alguns versos do Cimiterio de Gray.</p>
-
-<p class="center"><a href="#note22">(<i>Pag. 135. vers. 9.</i>)</a></p>
-
-<p class="poetry">
-<span style="margin-left: 1em;">Mas longe os monumentos, cujo estrago, etc.</span><br>
-</p>
-
-<p>Chabanon, em huma linda Epistola, escrita a favor dos Jardins
-regulares, notou antes do Author dos Jardins, que os monumentos velhos
-despertavão memorias, vantagem que não tem ruinas fingidas. Esta idéa
-se acha em outras obras, e particularmente na de Whateli: demais, ella
-he tão natural, que era facil achalla. Talvez o não fosse exprimilla
-bem, mórmente depois de Chabanon; mas se o Author se encontrou com
-elle, o que todavia cuidou em evitar, confessa, e repete, que os seus
-versos são posteriores aos daquelle Poeta.</p>
-
-<p class="center"><a href="#note23">(<i>Pag. 143. vers. 12.</i>)</a></p>
-
-<p class="poetry">
-<span style="margin-left: 1em;">E tu, primariamente, Heroe Britanno, etc.</span><br>
-</p>
-
-<p>Todos tem noticia das viagens instructivas, e animosas do afamado,
-e desditoso Cook; todos sabem a ordem que Luiz XVI. deo para se lhe
-respeitar o navio em todos os Mares, ordem que honra igualmente as
-Sciencias, este illustre Viajante, e o Rei, de que elle, por assim
-dizer, se tornou vassallo, com este novo genero de beneficencia, e
-protecção.</p>
-
-
-<p class="center p2">FIM DAS NOTAS.</p>
-
-
-<div lang='en' xml:lang='en'>
-<div style='display:block; margin-top:4em'>*** END OF THE PROJECT GUTENBERG EBOOK <span lang='pt' xml:lang='pt'>OS JARDINS OU A ARTE DE AFORMOSEAR AS PAISAGENS</span> ***</div>
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-</div>
-
-<div style='display:block; font-size:1.1em; margin:1em 0; font-weight:bold'>
-Section 2. Information about the Mission of Project Gutenberg&#8482;
-</div>
-
-<div style='display:block; margin:1em 0'>
-Project Gutenberg&#8482; is synonymous with the free distribution of
-electronic works in formats readable by the widest variety of
-computers including obsolete, old, middle-aged and new computers. It
-exists because of the efforts of hundreds of volunteers and donations
-from people in all walks of life.
-</div>
-
-<div style='display:block; margin:1em 0'>
-Volunteers and financial support to provide volunteers with the
-assistance they need are critical to reaching Project Gutenberg&#8482;&#8217;s
-goals and ensuring that the Project Gutenberg&#8482; collection will
-remain freely available for generations to come. In 2001, the Project
-Gutenberg Literary Archive Foundation was created to provide a secure
-and permanent future for Project Gutenberg&#8482; and future
-generations. To learn more about the Project Gutenberg Literary
-Archive Foundation and how your efforts and donations can help, see
-Sections 3 and 4 and the Foundation information page at www.gutenberg.org.
-</div>
-
-<div style='display:block; font-size:1.1em; margin:1em 0; font-weight:bold'>
-Section 3. Information about the Project Gutenberg Literary Archive Foundation
-</div>
-
-<div style='display:block; margin:1em 0'>
-The Project Gutenberg Literary Archive Foundation is a non-profit
-501(c)(3) educational corporation organized under the laws of the
-state of Mississippi and granted tax exempt status by the Internal
-Revenue Service. The Foundation&#8217;s EIN or federal tax identification
-number is 64-6221541. Contributions to the Project Gutenberg Literary
-Archive Foundation are tax deductible to the full extent permitted by
-U.S. federal laws and your state&#8217;s laws.
-</div>
-
-<div style='display:block; margin:1em 0'>
-The Foundation&#8217;s business office is located at 809 North 1500 West,
-Salt Lake City, UT 84116, (801) 596-1887. Email contact links and up
-to date contact information can be found at the Foundation&#8217;s website
-and official page at www.gutenberg.org/contact
-</div>
-
-<div style='display:block; font-size:1.1em; margin:1em 0; font-weight:bold'>
-Section 4. Information about Donations to the Project Gutenberg Literary Archive Foundation
-</div>
-
-<div style='display:block; margin:1em 0'>
-Project Gutenberg&#8482; depends upon and cannot survive without widespread
-public support and donations to carry out its mission of
-increasing the number of public domain and licensed works that can be
-freely distributed in machine-readable form accessible by the widest
-array of equipment including outdated equipment. Many small donations
-($1 to $5,000) are particularly important to maintaining tax exempt
-status with the IRS.
-</div>
-
-<div style='display:block; margin:1em 0'>
-The Foundation is committed to complying with the laws regulating
-charities and charitable donations in all 50 states of the United
-States. Compliance requirements are not uniform and it takes a
-considerable effort, much paperwork and many fees to meet and keep up
-with these requirements. We do not solicit donations in locations
-where we have not received written confirmation of compliance. To SEND
-DONATIONS or determine the status of compliance for any particular state
-visit <a href="https://www.gutenberg.org/donate/">www.gutenberg.org/donate</a>.
-</div>
-
-<div style='display:block; margin:1em 0'>
-While we cannot and do not solicit contributions from states where we
-have not met the solicitation requirements, we know of no prohibition
-against accepting unsolicited donations from donors in such states who
-approach us with offers to donate.
-</div>
-
-<div style='display:block; margin:1em 0'>
-International donations are gratefully accepted, but we cannot make
-any statements concerning tax treatment of donations received from
-outside the United States. U.S. laws alone swamp our small staff.
-</div>
-
-<div style='display:block; margin:1em 0'>
-Please check the Project Gutenberg web pages for current donation
-methods and addresses. Donations are accepted in a number of other
-ways including checks, online payments and credit card donations. To
-donate, please visit: www.gutenberg.org/donate
-</div>
-
-<div style='display:block; font-size:1.1em; margin:1em 0; font-weight:bold'>
-Section 5. General Information About Project Gutenberg&#8482; electronic works
-</div>
-
-<div style='display:block; margin:1em 0'>
-Professor Michael S. Hart was the originator of the Project
-Gutenberg&#8482; concept of a library of electronic works that could be
-freely shared with anyone. For forty years, he produced and
-distributed Project Gutenberg&#8482; eBooks with only a loose network of
-volunteer support.
-</div>
-
-<div style='display:block; margin:1em 0'>
-Project Gutenberg&#8482; eBooks are often created from several printed
-editions, all of which are confirmed as not protected by copyright in
-the U.S. unless a copyright notice is included. Thus, we do not
-necessarily keep eBooks in compliance with any particular paper
-edition.
-</div>
-
-<div style='display:block; margin:1em 0'>
-Most people start at our website which has the main PG search
-facility: <a href="https://www.gutenberg.org">www.gutenberg.org</a>.
-</div>
-
-<div style='display:block; margin:1em 0'>
-This website includes information about Project Gutenberg&#8482;,
-including how to make donations to the Project Gutenberg Literary
-Archive Foundation, how to help produce our new eBooks, and how to
-subscribe to our email newsletter to hear about new eBooks.
-</div>
-
-</div>
-</div>
-</body>
-</html>
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