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If you are not located in the United States, you -will have to check the laws of the country where you are located before -using this eBook. - -Title: Os jardins ou a arte de aformosear as paisagens - Poema - -Author: Jacques Delille - -Translator: Manuel Maria Barbosa du Bocage - -Release Date: October 22, 2022 [eBook #69209] - -Language: Portuguese - -Produced by: Rita Farinha and the Online Distributed Proofreading Team - at https://www.pgdp.net (This file was produced from images - generously made available by National Library of Portugal - (Biblioteca Nacional de Portugal).) - -*** START OF THE PROJECT GUTENBERG EBOOK OS JARDINS OU A ARTE DE -AFORMOSEAR AS PAISAGENS *** - - - - - - OS JARDINS, - - OU - A ARTE DE AFORMOSEAR AS PAIZAGENS, - - POEMA - DE - Mr. DELILLE, - DA ACADEMIA FRANCEZA, - - TRADUZIDO EM VERSO - DE ORDEM - DE - S. ALTEZA REAL - O PRINCIPE REGENTE, - NOSSO SENHOR, - - POR - MANOEL MARIA DE BARBOSA - DU BOCAGE. - - [Illustração] - - LISBOA. - - NA TYPOGRAPHIA CHALCOGRAPHICA, - E LITTERARIA DO ARCO DO CEGO. - - ANNO M. DCCC. - - - - - _--------Hic inter flumina nota, - Et fontes sacros frigus captabis opacum._ - - Virg. Eclog. I. - - Entre os rios aqui, e as sacras fontes - Gozarás em repouso a sombra amena. - - - - - PROLOGO - - DO - - AUTHOR. - - -Varias pessoas de grande merecimento escrevêrão em prosa á cerca dos -Jardins. O Author deste Poema colheo dellas alguns preceitos, e até -descripções. Em bastantes passagens teve a dita de encontrar-se com -tão bons Escritores, porque este Poema foi começado antes que elles -publicassem as suas obras. Confessa que dá ao prelo com extrema -desconfiança huma composição muito esperada, e engrandecida de mais: a -indulgencia excessiva, dos que a ouvìrão, lhe agoira a severidade, dos -que a lerem. - -Este Poema, além disso, tem hum grave inconveniente, o de ser -didáctico. Tal genero he necessariamente hum pouco frio, e mais o -deve parecer á huma Nação, que lhe custa muito (como se tem observado -repetidas vezes) a tolerar versos, em não sendo os compostos para o -Theatro, os que pintão as paixões, ou as baldas dos Homens. Poucas -Pessoas, digo mais, até poucos Litteratos lem as Geórgicas de Virgilio, -e quasi todos, os que aprendêrão Latim, sabem de cór o quarto Canto da -Eneida. - -No primeiro destes dois Poemas, dá o Poeta a entender que sente -não lhe permittirem os limites do seu assumpto cantar os Jardins. -Depois de haver lutado longamente com as miudas, e hum tanto ingratas -particularidades da cultura geral dos Campos, a modo que deseja -repousar sobre mais risonhos objectos. Mas estreitado no de que trata, -vinga-se desta sujeição com hum bello, e rápido esboço dos Jardins, e -com o pathetico episódio de hum Velho feliz no seu pequeno campo, que -elle mesmo cultiva, e enfeita. - -O que o Poeta Romano sentia não poder executar, executou o P. Rapin. -Escreveo na lingua, e ás vezes no estilo de Virgilio, hum Poema em -quatro Cantos sobre os Jardins, que foi mui applaudido, n’um tempo em -que ainda se lião versos Latinos modernos. A sua obra não he despida -de elegancia; mas quizera-se que abundasse de precisão, e de melhores -episódios. - -De mais, o plano do seu Poema não interessa, não tem variedade. Hum -Canto he consagrado ás agoas, outro ás arvores, outro ás flores. -Adivinha-se o comprido cathalogo, e a enumeração tediosa, que mais -pertence ao Botanico que ao Poeta: e aquelle passo methódico, que assás -prestaria n’um tratado em prosa, he grande defeito n’uma composição -Poetica, onde o Espirito pede que o levem por caminhos hum pouco -desviados, e lhe apresentem objectos que não espera. - -Além disto, Rapin cantou Jardins do genero regular, e a monotonia -inherente á summa regularidade, passou do assumpto ao Poema. A -imaginação, naturalmente amiga da liberdade, ora vai a custo pelos -desenhos enviezados de hum canteiro de flores, ora morre no fim de huma -longa, e direita alameda. Por toda a parte lhe lembra com saudades -a formosura hum tanto desordenada, e a chistosa irregularidade da -Natureza. - -Emfim, aquelle Author não tratou senão a parte mecanica da Jardinagem. -Totalmente esqueceo a mais importante, a que procura em nossas -sensações, em nossos sentimentos a origem do prazer, que nos causão -as scenas campestres, e os attractivos da Natureza aperfeiçoados pela -arte. Em suma, os seus Jardins são os do Architecto; os outros são os -do Filosofo, os do Pintor, os do Poeta. - -Este genero tem medrado por extremo ha annos, e se isto he tambem -effeito da moda, demos-lhe graças. A arte dos Jardins, a que se -poderia chamar luxo da Architectura, parece hum dos entretenimentos -mais convenientes, e talvez hum dos mais virtuosos da Gente rica. Como -cultura, reconduz á innocencia das occupações campesinas; como adorno, -apadrinha sem risco a paixão dos dispendios, que acompanha as grandes -Fortunas: finalmente, esta arte tem para semelhante classe de Homens o -duplicado prestimo de participar, ao mesmo tempo, dos gostos que vogão -nas Cidades, e dos que existem nos Campos. - -Este prazer dos Particulares achou-se ligado á utilidade pública: fez -com que os Opulentos folgassem de habitar as suas terras. O oiro, que -sustentaria Artifices do luxo, vai alimentar os Cultivadores, e a -riqueza torna á sua verdadeira fonte. Acresce a isto, que a cultura -se enriqueceo com muitas, e muitas plantas, ou arvores estrangeiras, -aggregadas ás producções do nosso terreno, e isto vale certamente o -marmore todo que perdêrão nossos Jardins. - -Feliz este Poema se desparzir, ainda mais, affeições tão simplices, e -puras! Porque, como o Author deste Poema o disse em outra composição, - - Quem dos Campos o amor inspira aos Homens, - Tambem, Virtudes, vosso amor lhe inspira. - - - - - PROLOGO DO TRADUCTOR. - - -A Gloriosa reputação do Abbade Delille, como Litterato, e como Poeta, a -estima geral, dada ao seu Poema dos Jardins, onde se encontrão todo o -atavio, toda a graça, e toda a filosofia, de que he capaz o assumpto, -me incitou a versificallo em vulgar, apurando nisso o cabedal que -possuo em Poesia, cabedal muito inferior ao apreço, e acolheita, de -que estou em divida com os meus Compatriotas. O amor á Gloria, e á -Gratidão talvez ainda criem na minha alma hum ardor que a fecunde, -tornando-me digno do affecto, com que me honra o Publico; e entretanto -lhe apresento esta versão, a mais concisa, a mais fiel, que pude -ordenal-la, e em que só usei o circumloquio nos lugares, cuja traducção -litteral se não compadecia, a meu ver, com a elegancia, que deve reinar -em todas as composições Poeticas. - -NB. Na pag. 66 vers. 21 lêa-se Soleil, em vez de Ciel: = na pag. 67 -vers. 22 Occaso, onde está Oceano: = na pag. 65 vers. 21 Cobertas -d’outro Ceo: = na pag. 83 vers. 31 luzidio, em lugar de luzido: = e -na pag. 119 vers. 35 diversos, em lugar de diverssas: = e na pag. 121 -vers. 28 milhos, em lugar de trigos. - - - - - [Illustração] - - LES JARDINS, - - POÈME, - - CHANT PREMIER. - - - Le doux Printemps revient, et ranime à la fois - Les oiseaux, les zéphirs, et les fleurs, et ma voix. - Pour quel sujet nouveau dois-je monter ma lyre? - Ah! lorsque d’un long deuil la terre enfin respire, - Dans les champs, dans les bois, sur les monts d’alentour, - Quand tout rit de bonheur, d’espérance, et d’amour, - Qu’un autre ouvre aux grands noms les fastes de la gloire; - Sur un char foudroyant qu’il place la victoire; - Que la coupe d’Atrée ensanglante ses mains: - Flore a souri; ma voix va chanter les Jardins. - Je dirai comment l’art, dans de frais paysages, - Dirige l’eau, les fleurs, les gazons, les ombrages. - Toi donc, qui, mariant la grace, et la vigueur, - Sais du chant didactique animer la langueur, - O Muse! si jadis, dans les vers de Lucrece, - Des austères leçons tu polis la rudesse; - Si par toi, sans flétrir le langage des Dieux, - Son rival a chanté le soc laborieux; - Viens orner un sujet plus riche, plus fertile, - Dont le charme autrefois avoit tenté Virgile. - N’empruntons point ici d’ornement étranger; - Viens, de mes propres fleurs mon front va s’ombrager; - Et, comme un rayon pur colore un beau nuage, - Des couleurs du sujet je teindrai mon langage. - L’art innocent, et doux que célébrent mes vers, - Remonte aux premiers jours de l’antique univers. - Dès que l’Homme eut soumis les champs à la culture, - D’un heureux coin de terre il soigna la parure; - Et plus près de ses yeux il rangea sous ses loix - Des arbres favoris, et des fleurs de son choix. - Du simple Alcinous le luxe encore rustique - Décoroit un verger. D’un art plus magnifique - Babylone éleva des jardins dans les airs. - Quand Rome au monde entier eut envoyé des fers, - Les vainqueurs, dans des parcs ornés par la victoire, - Alloient calmer leur foudre, et reposer leur gloire. - La sagesse autrefois habitoit les jardins, - Et d’un air plus riant instruisoit les humains: - Et quand les Dieux offroient un Elysée aux sages, - Etoit-ce des Palais? c’étoit de verds boccages; - C’étoit des prés fleuris, séjour des doux loisirs, - Où d’une longue paix ils goùtoient les plaisirs. - Ouvrons donc, il est temps, ma carriere nouvelle; - Philippe m’encourage, et mon sujet m’appelle. - Pour embellir les champs, simples dans leur attraits, - Gardez-vous d’insulter la nature à grands frais. - Ce noble emploi demande un Artiste qui pense, - Prodigue de génie, et non pas de dépense. - Moins pompeux qu’élégant, moins décoré que beau, - Un jardin, a mes yeux, est un vaste tableau. - Soyez peintre. Les champs, leurs nuances sans nombre, - Les jets de la lumiere, et les masses de l’ombre, - Les heures, les saisons variant tour-a tour - Le cercle de l’année, et le cercle du jour, - Et des prés émaillés les riches broderies, - Et des rians côteaux les vertes draperies, - Les arbres, les rochers, et les eaux, et les fleurs, - Ce sont la vos pinceaux, vos toiles, vos couleurs. - La nature est à vous; et votre main féconde - Dispose, pour créer, des élémens du monde. - Mais avant de planter, avant que du terrein - Votre bêche imprudente ait entamé le sein, - Pour donner aux jardins une forme plus pure, - Observez, connoissez, imitez la nature. - N’avez-vous pas souvent, aux lieux infrequentés, - Rencontré tout-a-coup ces aspects enchantés, - Qui suspendent vos pas, dont l’image chérie - Vous jette en une douce, et longue réverie? - Saisissez, s’il se peut, leurs traits les plus frappans, - Et des champs apprenez l’art de parer les champs. - Voyez aussi les lieux qu’un goût savant décore. - Dans ces tableaux choisis vous choisirez encore. - Dans sa pompe élégante admirez Chantilli, - De héros en héros, d’âge en âge embelli. - Belœil, tout à la fois magnifique, et champêtre, - Chanteloup, fier encor de l’exil de son Maitre, - Vous plairont tour-à tour. Tel que ce frais bouton, - Timide avant-coureur de la belle saison, - L’aimable Tivoli, d’une forme nouvelle - Fit le premier en France entrevoir le modèle. - Les Grâces en riant dessinerent Montreuil. - Maupertuis, le Desert, Rincy, Limours, Auteuil, - Que dans vos frais sentiers doucement on s’égare! - L’ombre du grand Henri chérit encore Navarre. - Semblable à son auguste, et jeune dêité, - Trianon joint la grace avec la majesté: - Pour elle il s’embellit, et s’embellit par elle. - Et toi, d’un Prince aimable, ô l’asyle fidele! - Dont le nom trop modeste est indigne de toi, - Lieu charmant! offre-lui tout ce que je lui doi, - Un fortuné loisir, une douce retraite. - Bienfaiteur de mes vers, ainsi que du Poète, - C’est lui qui dans ce choix d’Ecrivains enchanteurs, - Dans ce jardin paré de poétiques fleurs, - Daigne accueillir ma muse. Ainsi du sein de l’herbe - La violette croit auprès du lys superbe. - Compagnon inconnu de ces hommes fameux, - Ah! si ma foible voix pouvoit chanter comme eux, - Je peindrois tes jardins, le dieu qui les habite, - Les arts, et l’amitié qu’il y mène a sa suite. - Beau lieu! fais son bonheur. Et moi, si quelque jour, - Grace a lui, j’embellis un champêtre sejour, - De mon illustre appui j’y placerai l’image. - De mes premieres fleurs je veux qu’elle ait l’hommage: - Pour elle je cultive, et j’enlace en festons - Le myrthe, et le laurier, tous deux chers aux Bourbons; - Et si l’ombre, la paix, la liberté m’inspire, - A l’auteur de ces dons je dévouerai ma lyre. - J’ai dit les lieux charmans que l’art peut imiter; - Mais il est de écueils que l’art doit éviter. - L’esprit imitateur trop souvent nous abuse. - Ne prêtez point au sol des beautés qu’il refuse: - Avant tout, connoissez votre site; et du lieu - Adorez le génie, et consultez le dieu. - Ses loix impunément ne sont pas offensées. - Cependant moins hardi qu’etrange en ses pensées, - Tous les jours dans les champs un artiste sans gout - Change, mêle, déplace, et dénature tout; - Et, par l’absurde choix des beautés qu’il allie, - Revient gàter en France un site d’Italie. - Ce que votre terrein adopte avec plaisir, - Sachez le reconnoitre, osez vous en saisir. - C’est mieux que la nature, et cependant c’est elle; - C’est un tableau parfait qui n’a point de modèle. - Ainsi savoient choisir les Berghems, les Poussins. - Voyez, étudiez leurs chef-d’œuvre divins: - Et ce qu’a la campagne emprunta la peinture, - Que l’art reconnoissant le rende a la nature. - Maintenant des terreins examinons le choix, - Et quels lieux se plairont a recevoir vos loix. - Il fut un tems funeste où, tourmentant la terre, - Aux sites les plus beaux l’art dêclaroit la guerre, - Et comblant les vallons, et rasant les côteaux, - D’un sol heureux formoit d’insipides plateaux. - Par un contraire abus l’art, tyran des campagnes, - Aujourd’hui veut créer des vallons, des montagnes. - Evitez ces excès. Vos soins infructueux - Vainement combattroient un terrein montueux, - Et dans un sol égal un humble monticule - Veut etre pittoresque, et n’est que ridicule. - Desirez-vous un lieu propice a vos travaux? - Loin des champs tropunis, des monts trop inégaux, - J’aimerois ces hauteurs ou sans orgueil domine - Sur un riche vallon une belle colline. - Là, le terrein est doux sans insipidité, - Elevé sans roideur, sec sans aridité. - Vous marchez: l’horizon vous obeit. La terre - S’éleve, ou redescend, s’etend, ou se reserre. - Vos sites, vos plaisirs changent a chaque pas. - Qu’un obscur arpenteur, armé de son compas, - Au fond d’un cabinet, d’un jardin symmétrique - Confie au froid papier le plan géometrique; - Vous, venez sur les lieux. La, le crayon en main, - Dessinez ces aspects, ces côteaux, ce lointain; - Devinez les moyens, pressentez les obstacles: - C’est des difficultés que naissent les miracles. - Le sol le plus ingrat connoîtra la beauté. - Est-il nu? que des bois parent sa nudité: - Couvert? portez la hache en ces forêts profondes: - Humide? en lacs pompeux, en rivieres fécondes - Changez cette onde impure; et, par d’heureux travaux, - Corrigez a la fois l’air, la terre, et les eaux: - Aride enfin? cherchez, sondez, fouillez encore: - L’eau, lente a se trahir, peut-être est près d’éclore. - Ainsi d’un long effort moi-même rebute, - Quand j’ai d’un froid détail maudit l’aridité, - Soudain un trait heureux jaillit d’un fond stérile, - Et mon vers ranimé coule enfin plus facile. - Il est des soins plus doux, un art plus enchanteur. - C’est peu de charmer l’œil, il faut parler au cœur. - Avez-vous donc connu ces rapports invisibles - Des corps inanimés, et des êtres sensibles? - Avez-vous entendu des eaux, des prés, des bois - La muette éloquence, et la secrette voix? - Rendez-nous ces effets. Que du riant au sombre, - Du noble au gracieux, les passages sans nombre - M’interessent toujours. Simple, et grand, fort, et doux, - Unissez tous les tons pour plaire a tous les goûts. - Lá, que le peintre vienne enrichir sa palette; - Que l’inspiration y trouble le poète; - Que le sage, du calme y goûte les douceurs; - L’heureux, ses souvenirs; le malheureux, ses pleurs. - Mais l’audace est commune, et le bon sens est rare. - Au lieu d’être piquant, souvent on est bizarre, - Gardez que, mal unis, ces effets différens - Ne forment qu’un cahos de traits incohérens: - Les contradictions ne sont pas des contrastes. - D’ailleurs, a ces tableux il faut des toiles vastes. - N’allez pas resserrer dans des cadres étroits - Des rivieres, des lacs, des montagnes, des bois. - On rit de ces jardins, absurde parodie - Des traits que jette en grand la nature hardie, - Ou l’art invraisemblable a la fois, et grossier, - Enferme en un arpent un pays tout entier. - Au lieu de cet amas, de ce confus mélange, - Variez les objets, ou que leur aspect change. - Rapprochés, eloignés, entrevus, découverts, - Qu’ils offrent tour-à tour vingt spectacles divers. - Que de l’effet qui suit, l’adroite incertitude - Laisse a l’œil curieux sa douce inquietude: - Qu’enfin les ornemens avec gout soient placés, - Jamais trop imprévus, jamais trop annoncés. - Sur-tout, du mouvement: sans lui, sans sa magie, - L’esprit desoccupé retombe en lethargie; - Sans lui, sur vos champs froids mon œil glisse au hasard. - Des grands peintres encore faut-il attester l’art? - Voyez-les prodiguer de leur pinceau fertile - De mobiles objets sur la toile immobile, - L’onde qui fuit, le vent qui courbe les rameaux, - Les globes de fumée exhalés des hameaux, - Les troupeaux, les pasteurs, et leurs jeux, et leur danse, - Saisissez leur secret. Plantez en abondance - Ces souples arbrisseaux, et ces arbres mouvans - Dont la tête obêit a l’haleine des vents; - Quels qu’ils soient, respectez leur flotante verdure, - Et défendez au fer d’outrager la nature. - Voyez-la dessiner ces chênes, ces ormeaux. - Voyez comment sa main, du tronc jusqu’aux rameaux, - Des rameaux au feuillage augmentant leur souplesse, - Des ondulations leur donna la mollesse. - Mais les ciseaux cruels... Prevenez ce forfait, - Nymphes des bois, courez. Que dis-je? c’en est fait. - L’acier a retranché leur cime verdoyante, - Je n’entends plus au loin sur leur tête ondoyante, - Le rapide aquilon legerement courir, - Frémir dans leurs rameaux, s’éloigner et mourir. - Froids, monotones, morts, du fer qui les mutile - Ils semblent avoir pris la roideur immobile. - Vous donc, dans vos tableaux amis du mouvement, - A vos arbres laissez leur doux balancement. - Qu’en mobiles objets la perspective abonde: - Faites courir, bondir, et rejaillir cette onde. - Vous voyez ces vallons, ces bois, ces champs deserts; - Des différens troupeaux dans les sites divers - Envoyez, répandez les peuplades nombreuses. - Là, du sommet lointain des roches buissonneuses, - Je vois la chèvre pendre. Ici, de mille agneaux - L’écho porte les cris de côteaux en côteaux. - Dans ces prês abreuvés des eaux de la colline, - Couché sur ses genoux, le bœuf pésant rumine; - Tandis qu’impétueux, fier, inquiet, ardent, - Cet animal guerrier qu’enfanta le trident, - Déploie; en se jouant, dans un gras pâturage - Sa vigueur indomptée, et sa grace sauvage. - Que j’aime et sa souplesse, et son port animé, - Soit que dans le courant du fleuve accoutumé - En frissonnant il plonge, et luttant contre l’onde, - Batte du pied le flot qui blanchit, et qui gronde; - Soit qu’à travers les prés il s’échape par bonds; - Soit que livrant aux vents ses longs crins vagabonds, - Superbe, l’œil en feu, les narines fumantes, - Beau d’orgueil, et d’amour, il vole a ses amantes! - Quand je ne le vois plus, mon œil le suit encor. - Ainsi de la nature épuisant le tresor, - Le terrein, les aspects, les eaux, et les ombrages - Donnent le mouvement, la vie aux paysages. - Mais si du mouvement notre œil est enchanté, - Il ne chérit pas moins un air de liberté. - Laissez donc des jardins la limite indécise, - Et que votre art l’efface, ou du moins la déguise. - Où l’œil n’espere plus, le charme disparoit. - Aux bornes d’un beau lieu nous touchons à regret: - Bientôt il nous ennuie, et même nous irrite. - Au-dela de ces murs, importune limite, - On imagine encor de plus aimables lieux, - Et l’esprit inquiet désenchante les yeux. - Quand toujours guerroyant vos gothiques ancetres - Transformoient en champ-clos leurs asyles champetres - Chacun dans son donjon, de murs environné, - Pour vivre surement, vivoit emprisonné. - Mais que fait aujourd’hui cette ennuyeuse enceinte - Que conserve l’orgueil, et qu’inventa la crainte? - A ces murs qui génoient, attristoient les regards, - Le goût préfereroit ces verdoyans remparts, - Ces murs tissus d’épine, où votre main tremblante - Cueille et la rose inculte, et la mûre sanglante. - Mais les jardins bornés m’importunent encor. - Loin de ce cercle étroit prenons enfin l’essor - Vers un genre plus vaste, et des formes plus belles, - Dont seul Ermenonville offre encor des modèles. - Les jardins appeloient les champs dans leur séjour, - Les jardins dans les champs vont entrer a leur tour. - Du haut de ces côteaux, de ces monts d’où la vue - D’un vaste paysage embrasse l’ètendu, - La Nature au Génie a dit: »Ecoute moi. - Tu vois tous ces trésors; ces trésors sont a toi. - Dans leur pompe sauvage et leur brute richesse, - Mes tableaux imparfaits implorent ton adresse« - Elle dit. Il s’elance, il va de toux côtés - Fouiller dans cette masse où dorment cent beautes, - Des vallons aux côteaux, des bois a la prairie, - Il retouche en passant le tableau qui varie. - Il sait au gre des yeux, reunir, détacher, - Eclairer, rembrunir, decouvrir, ou cacher. - Il ne compose pas; il corrige, il epure, - Il acheve les traits qu’ébaucha la Nature. - Le front des noirs rochers a perdu sa terreur; - La forêt egayée adoucit son horreur: - Un ruisseau s’egaroit: il dirige sa course; - Il s’empare d’un lac, s’enrichit d’une source. - Il veut; et des sentiers courent de toutes parts - Chercher, saisir, lier tous ces membres epars, - Qui, surpris, enchantés du nœud qui les rassemble, - Forment de cent details un magnifique ensemble. - Ces grands travaux peut-etre epouvantent votre art. - Rentrez dans nos vieux parcs, et voyez d’un regard - Ces riens dispendieux, ces recherches frivoles, - Ces treillages sculptes, ces bassins, ces rigoles. - Avec bien moins de frais qu’un art minutieux - N’orna ce seul reduit qui plait un jour aux yeux, - Vous allez embellir un paysage immense. - Tombez devant cet art, fausse magnificence, - Et qu’un jour transformée en un nouvel Eden, - La France a nos regards offre un vaste jardin! - Que si vous n’osez pas tenter cette carriere, - Du moins, de vos enclos franchissant la barriere, - Par de riches aspects agrandissez les lieux. - D’un vallon, d’un côteau, d’un lointain gracieux, - Ajoutez a vos parcs l’etrangère etendue; - Possedez par les yeux, jouissez par la vue. - Sur tout sachez saisir, enchainer a vos plants - Ces accidens heureux qui distinguent les champs. - Ici, c’est un hameau que des bois environnent: - Lá, de leurs longues tours les Cités se couronnent; - Et l’ardoise azurée, au loin frappant les yeux, - Court en sommet aigu se perdre dans les cieux. - Oublierai-je ce fleuve, et son cours, et ses rives? - Votre œil de loin poursuit les voiles fugitives. - Des isles quelquefois s’elevent de son sein; - Quelquefois il s’enfuit sous l’arc d’un pont lointain. - Et si la vaste mer à vos yeux se presente, - Montrez, mais variez cette scene imposante. - Ici, qu’on l’entrevoie a travers des rameaux, - Lá, dans l’enfoncement de ces profonds berceaux, - Comme au bout d’un long tube une voûte la montre. - Au détour d’un bosquet ici l’œil la rencontre, - La perd encore; enfin la vue en liberté - Tout-à-coup la découvre en son immensité. - Sur ces aspects divers fixez l’œil qui s’égare; - Mais, il faut l’avouer, c’est d’une main avare - Que les hommes, les arts, la nature, et le temps - Sèment autour de nous de riches accidens. - O plaines de la Grèce! o champs de l’Ausonie! - Lieux toujours inspirans, toujours chers au génie; - Que de fois arrêté dans un bel horizon, - Le peintre voit, s’enflamme, et saisit son crayon, - Dessine ces lointains, et ces mers, et ces isles, - Ces ports, ces monts brûlans, et devenus fertiles, - Des laves de ces monts encor tout menaçans, - Sur des palais détruits d’autres palais naissans, - Et, dans ce long tourment de la terre, et de l’onde, - Un nouveau monde éclos des debris du vieux monde - Hélas! jé n’ai point vu ce séjour enchanté, - Ces beaux lieux où Virgile a tant de fois chanté; - Mais, j’en jure et Virgile, et ses accords sublimes, - J’irai; de l’Apennin je franchirai les cimes; - J’irai, plein de son nom, plein de ses vers sacrés, - Les lire aux mêmes lieux qui les ont inspirés. - Vous, épris des beautés qu’étalent ces rivages, - Au lieu de ces aspects, de ces grands paysages, - N’avez-vous au-dehors que d’insipides champs? - Qu’au-dedans, des objets mieux choisis, plus touchans - Dédommagent vos yeux d’une vue étrangère: - Dans votre propre enceinte apprenez a vous plaire; - Symbole henreux du sage, independant d’autrui, - Qui rentre dans son ame, et se plait avec lui. - Je m’enfonce avec vous dans ce secret asyle. - Toutefois aux lieux même où le sol plus fertile - En aspects variés est le plus abondant, - Des trésors de la vue èconome prudent, - Faites-les acheter d’une course legere. - Que votre art les promette, et que l’œil les espère. - Promettre, c’est donner; esperer, c’est jouir. - Il faut m’intéresser, et non pas m’eblouir. - Dans mes leçons encor je voudrois vous apprendre - L’art d’avertir les yeux, et l’art de les surprendre. - Mais avant de dicter des préceptes nouveaux, - Deux genres, dès-long-tems ambitieux rivaux, - Se disputent nos vœux. L’un a nos yeux présente - D’un dessein régulier l’ordonnance imposante, - Prête aux champs des beautés qu’ils ne connoissoient pas? - D’une pompe étrangère embellit leurs appas, - Donne aux arbres des loix, aux ondes des entraves, - Et, despote orgueilleux, brille entouré d’esclaves. - Son air est moins riant, et plus majestueux. - L’autre, de la nature amant respectueux, - L’orne, sans la farder, traite avec indulgence - Ses caprices charmans, sa noble négligence, - Sa marche irrégulière, et fait naitre avec art - Les beautés, du desordre, et même du hasard. - Chacun d’eux a ses droits; n’excluons l’un ni l’autre: - Je ne décide point entre Kent, et le Nôtre. - Ainsi que leurs beautés, tous les deux ont leurs loix. - L’un est fait pour briller chez les Grands, et les Rois; - Les Rois sont condamnés a la magnificence. - On attend autour d’eux l’effort de la puissance; - On y veut admirer, enyvrer ses regards - Des prodiges du luxe, et du faste des arts. - L’art peut donc subjuguer la nature rébelle; - Mais c’est toujours en grand qu’il doit triompher d’elle. - Son éclat fait ses droits; c’est un usurpateur - Qui doit obtenir grace a force de grandeur. - Loin donc ces froids jardins, colifichet champêtre, - Insipides réduits, dont l’insipide maitre - Vous vante, en s’admirant, ses arbres bien peignés, - Ses petits sallons verds bien tondus, bien soignés; - Son plant bien symmétrique, ou, jamais solitaire, - Chaque allée a sa sœur, chaque berceau son frere; - Ses sentiers ennyés d’obéir au cordeau, - Son parterre bordé, son maigre filet d’eau, - Ses buis tournés en globes, en pyramide, en vase, - Et ses petits bergers bien guindés sur leur base. - Laissez-le s’applaudir de son luxe mesquin; - Je préfere un champ brut a son triste jardin. - Loin de ces vains apprêts, de ces petits prodiges, - Venez, suivez mon vol au pays des prestiges, - A ce pompeux Versaille, a ce riant Marly, - Que Louis, la nature, et l’art ont embelli. - C’est là que tout est grand, que l’art n’est point timide; - Là tout est enchanté. C’est le palais d’Armide; - C’est le jardin d’Alcine, ou plutôt d’un héros - Noble dans sa retraite, et grand dans son repos, - Qui cherche encor a vaincre, a dompter des obstacles, - Et ne marche jamais qu’entouré de miracles. - Voyez-vous et les eaux, et la terre, et les bois, - Subjugués a leur tour, obéir a ses loix; - A ces douze palais d’elegante structure - Ces arbres marier leur verte architecture; - Ces bronzes respirer; ces fleuves suspendus, - En gros bouillons d’ecume a grand bruit descendus, - Tomber, se prolonger dans des canaux superbes; - Lá, s’epancher en nappe; ici, monter en gerbes; - Et, dans l’air s’enflammant aux feux d’un soleil pur, - Pleuvoir en gouttes d’or, d’emeraude, et d’azur? - Si j’egare mes pas dans ces bocages sombres, - Des Faunes, des Sylvains en out peuplé les ombres, - Et Diane, et Venus enchantent ce beau lieu. - Tout bosquet est un temple, et tout marbre est un dieu; - Et Louis, respirant du fracas des conquêtes, - Semble avoir invité tout l’Olympe a ses fêtes. - C’est dans ces grands effets que l’art doit se montrer. - Mais l’esprit aisement se lasse d’admirer. - J’applaudis l’Orateur dont les nobles pensées - Roulent pompeusement, avec soin cadencées: - Mais ce plaisir est court. Je quitte l’Orateur - Pour chercher un ami qui me parle du cœur. - Du marbre, de l’airain, que le luxe prodigue, - Des ornemens de l’art l’œil bientôt se fatigue; - Mais les bois, mais les eaux, mais les ombrages frais, - Tout ce luxe innocent ne fatigue jamais. - Aimez donc des jardins la beauté naturelle. - Dieu lui-même aux mortels en traça le modèle. - Regardez dans Milton. Quand ses puissantes mains - Preparent un asyle aux premiers des humains, - Le voyez-vous tracer des routes regulieres, - Contraindre dans leur cours les ondes prisonnieres? - Le voyez vous parer d’etrangers ornemens - L’enfance de la terre, et son premier printemps? - Sans contrainte, sans art, de ses douces prémices - La Nature epuisa les plus pures délices. - Des plaines, des côteaux le mêlange charmant, - Les ondes a leur choix errantes mollement, - Des sentiers sinueux les routes indécises, - Le desordre enchanteur, les piquantes surprises, - Des aspects où les yeux hesitoient a choisir, - Varioient, suspendoient, prolongeoient leur plaisir. - Sur l’email velouté d’une fraiche verdure, - Mille arbres, de ces lieux ondoyante parure, - Charme de l’odorat, du goût, et des regards, - Elegamment groupés, negligemment epars, - Se fuyoient, s’approchoient, quelquefois a leur vue - Ouvroient dans le lointain une scéne imprevue; - Ou tombant jusqu’a terre, et recourbant leurs bras, - Venoient d’un doux obstacle embarasser leurs pas; - Ou pendoient sur leur tête en festons de verdure, - Et de fleures, en passant, semoient leur chevelure, - Dirai-je ces forêts d’arbustes, d’arbrisseaux, - Entrelaçant en voûte, en alcove, en berceaux - Leurs bras voluptueux, et leurs tiges fleuries? - C’es là que les yeux pleins de tendres reveries, - Eve a son jeune epoux abandonna sa main, - Et rougit comme l’aube aux portes du matin. - Tout les felicitoit dans toute la nature, - Le ciel par son eclat, l’onde par son murmure, - La terre, en tressaillant, ressentit leurs plaisirs; - Zéphire aux antres verds redisoit leurs soupirs; - Les arbres fremissoient, et la rose inclinée - Versoit tous ses parfums sur le lit d’hymenée. - O bonheur ineffable! ô fortunés époux! - Heureux dans ses jardins, heureux qui, comme vous, - Vivroit, loin des tourmens où l’orgueil est en proie, - Riche de fruits, de fleurs, d’innocence, et de joie! - - - FIN DU PRÉMIER CHANT. - - - - - [Illustração] - - OS JARDINS, - - POEMA - - CANTO PRIMEIRO. - - - Renasce a Primavera, influe, e anima - As Aves, os Favonios, Flores, Musas. - Que novo objecto á lyra os sons me pede? - Ah! Quando a Terra despe antigos lutos - Nos campos, nas florestas, sobre os montes, - Quando tudo se ri, tudo se inflamma - De amor, e de esperança, e de ventura, - Outro c’o a fantazia em Febo acceza, - Abra os fastos da Gloria aos grandes nomes, - N’um carro fulminante alce o Triunfo, - Manche, ensanguente as mãos na taça horrivel - Do vingativo Atrêo: sorrio-se Flora, - Vou cantar os Jardins, dizer qual arte - Em terreno loução, dispoem, regùla - As flores, a corrente, a relva, as sombras. - Tu, que o vigor, e a graça entrelaçando, - Dás ao canto didáctico energia, - De Lucrecio na voz, se outr’hora, oh Musa, - As austeras lições amaciaste; - Se pôde o seu Rival (sem que nos labios - A linguagem dos Numes desluzisse) - Ao laborioso arado unir o metro; - Vem mais fertil ornar, mais rico assumpto, - Assumpto amavel, que tentou Virgilio. - Mãos não lancemos de atavio estranho; - Das minhas mesmas flores vou croar-me: - Qual pura luz, que bella nuvem doira, - A expressão tingirei na côr do objecto. - Arte innocente, que em meus versos canto, - Origem teve nos cerúleos dias, - Nas Primavéras do recente Globo. - Apenas o Homem submettêra os campos - Á cultura efficaz, pôz mil disvelos - De viçósa porção no trato, e mimo, - Alinhou para si com leis, e industria - Plantas selectas, escolhidas flores. - De Alcino o luxo, o gosto, ainda rude - Punha a curto vergel módico enfeite; - Eis com arte maior, mais sumptuosa - Jardins nos ares Babylonia ostenta. - Os Latinos Heróes, de Marte os Filhos, - Depois que Roma agrilhoava o Mundo, - Davão repouso ameno á gloria, ao raio, - Em frescos Hortos, que a Victoria ornára. - Habitava os jardins outr’hora o Sabio, - Doutrinando os Mortaes mais ledo que hoje. - Quando a Sabedoria Elysios teve, - Ereis vós, Dons do Céo, talvez Palacios? - Não: vós ereis hum prado, hum rio, hum bosque - De imperturbavel paz ditoso abrigo, - Puras delicias, que a virtude anhéla. - Corra-se pois, que he tempo, o novo espaço: - FILIPPE, e o bello assumpto a voz me alentão. - Para aformosear simples terrenos - Não insulteis co’a pompa a Natureza; - Este emprego requer sisudo Artista, - Parco em dispendios, na invenção profuso; - Jardim, menos fastoso que elegante, - Jardim com mais belleza que atavío, - Parece aos olhos meus hum amplo quadro. - Sede Pintor: o campo, os seus matizes, - Os reflexos da luz, da sombra as massas, - As estações, e as horas, variando - O gyro do anno, o circulo diurno; - Ricos esmaltes de cheirosos prados, - Dos oiteiros o alegre, o verde forro, - Aguas, boninas, arvores, penedos: - Eis os vossos pinceis, têas, e côres. - Podeis crear: a Natureza he vossa, - E dóceis para vós os Elementos. - Mas antes de plantar, antes que encete - Instrumento imprudente o seio á Terra, - Para dar aos jardins mais linda fórma - Observai, reflecti, sabei de que arte - Se imita, se arreméda a Natureza. - Não tendes vezes mil em ermos sitios - De repente encontrado aquellas vistas, - Que as plantas, que os sentidos vos suspendem, - E que em meditações quietas, longas - Enlevão manso, e manso a fantazia? - Tudo o melhor senhoreai c’o a mente, - Dos campos aprendei a ornar os campos. - Lugares, que sutil decóra o gosto, - Olhai tambem; nos escolhidos quadros - Ainda há que escolher; por vós se admire - De Chantilli magnifica elegancia, - Que de Heróes em Heróes, de Idade a Idade - Ganha novo esplendor. Belœil, a hum tempo - Campestre, apparatoso, e tu que ainda - Ufano Chanteloup, te desvaneces - De teu grande Senhor com o desterro; - Todos vós alternais o bem dos olhos. - Qual purpureo botão, mimoso, e breve, - Timido precursor da Quadra bella, - O amavel Tivoli, de fórma estranha - Á França descobrio ténue modélo. - Montreuil as Graças desenhárão rindo, - Maupertuis, le Desert, com que alegria, - Auteuil, Rincy, Limours, quão docemente - Nas vossas lindas, arejadas ruas - Olhos se embebem, se extravião passos! - Do grande Henrique a veneravel Sombra - Ama ainda Navarra, e parecido - Comtigo Trianon, Deosa, que o reges, - Une a graça, o recreio á magestade, - Se adorna para ti, por ti se adorna. - Grato asylo d’hum Principe adoravel, - Tu, cujo nome de apoucada idéa - He indigno de ti; lugar vistoso, - Quanto lhe devo a teu Senhor, offrece: - Hum plácido retiro, hum ocio lédo. - Bemfeitor de meus versos, de meus dias, - Na eleição de atilados Escritores, - Em jardim, que do Pindo as rosas vestem, - Inclue a Musa minha, e brando a acolhe. - Junto ao Lyrio soberbo, e magestoso - Assim cresce a violeta humilde, e escura. - De illustres Vates não illustre socio, - Ah! se coubera em mim cantar como elles, - Pintára os teus jardins, pintára o Nume, - Que os habita, que os honra; o gosto, as artes, - As virtudes, a gloria, os bens que o seguem, - O ladeão em ti. Lugar formoso, - Sê tu sua ventura. Eu se algum dia - Findar, por graça delle, amena estancia, - Mais bella a tornarei co’a bella imagem - Do alto meu Protector; quero que sejão - Minhas primeiras flores seu tributo. - Para o busto real cultivo, enlaço - Em virentes festões o loiro, o myrto, - Tão caros aos Bourbons, e se o repouso, - A liberdade, as sombras me inspirarem, - Ao bemfazejo Heroe te sagro, oh lyra. - Fallei desses lugares deleitosos, - Que a arte deve imitar: convem que falle - Dos escolhos que a mesma evitar deve. - O engenho imitador tambem se engana. - Não dê belleza ao chão, que o chão não queira, - A paragem conheça antes de tudo, - Do sitio adore o Genio, o Deos consulte: - Impunemente as leis não se lhe aggravão. - Nos Campos, todavia, a cada instante, - Menos audaz que estranho em fantasias, - Tudo altera, e confunde Artista inerte, - E desnaturaliza, e perde tudo; - Com absurda eleição mil graças liga: - Encantavão na Italia, em França enjoão. - O que o terreno teu sem custo adopte - Reconhece, e depois te apossa delle. - Isto ainda he melhor que a Natureza, - Mas isto mesmo he ella, isto he perfeito - Quadro brilhante, que não tem modélo. - Dos Berghems, dos Poussins tal foi a escolha, - De ambos estuda as producções divinas, - E o muito que o pincel aos campos deve, - Arte cultivadora, agradecida, - Nos jardins restitua á Natureza. - Os terrenos agora se examinem, - E que lugar se apraz das leis, que traças. - Houve tempo fatal em que Arte infensa, - Guerra aos mais bellos sitios declarando, - Enchendo os valles, arrazando os montes, - Formou de chão gentil planicie ingrata. - Hoje, rural Tyranno, outro Artificio - Quer, por contrario abuso, erguer montanhas, - Valles quer profundar. Longe os excessos, - Longe as lidas, e ardis: tudo he baldado - Contra intrataveis, repugnantes serros; - E sobre terra igual montinho humilde - Cuida ser pictoresco, e move a riso. - Queres a teu suor lugar propicio? - Foge as mui desiguaes, os muito planos - Campos, e serras. Eu tomara os sitios - Onde sem altivez fosse eminente - A rico valle matizado oiteiro. - Não tendo insipidez, lá tem brandura - O solo complacente, he alto, he secco, - Estéril não, não rispido: caminhas; - Obedece o horizonte, ergue-se a Terra, - Ou a Terra se abate, aperta, estende: - Luzem de passo a passo encantos novos. - Dos Gabinetes no silencio triste, - De compasso na dextra, embora ordene, - Artifice vulgar a symmetria - D’enfadoso jardim, confie embora - O Geometrico plano ao papel frio. - Tu vai ver em si propria a Natureza. - O lapis maneando, alli copìa - Este aspecto, estes longes, esta altura, - Meios advinha, obstáculos presente: - Só a difficuldade he Mãi de assombros, - E o chão de menos graça havella póde, - He nu? Florestas a nudez lhe amparem. - He coberto? Os machados vão despillo. - Humido? Em lagos de cristal pomposo, - Em ribeiras fecundas, transparentes - Se converta, se aclare essa agua impura. - Por trabalho feliz corrige a hum tempo - Melhora as aguas, o terreno, os ares: - He árido talvez? Procura, sonda, - Torna ainda a sondar, não te enfasties: - Póde ser que, em trahir-se vagarosa, - A agua de rebentar esteja a ponto. - Tal de hum tenaz esforço eu mesmo anciado, - Morna individuação maldigo, entejo, - Mas de estéril objecto aborrecido - Idéa graciosa eis surge, eis salta: - O verso resuscita, e facil corre. - Inda mais doces que estes ha cuidados, - Arte existe inda mais encantadora. - Falle-se ao coração, não basta aos olhos. - As invisiveis relações conheces - Desses corpos sem alma, e dos que sentem? - Das aguas, prados, selvas tens ouvido - A calada eloquencia, a voz occulta? - Todos estes effeitos deves dar-nos. - Do alegre ao melancolico, e do nobre - Ao engraçado, os transitos sem conto - Sempre me aprazem, me cativão sempre. - Une, simples, e grande, forte, e brando, - Todo o matiz, que a todo o gosto agrade. - O Pintor enriqueça alli a idéa, - A santa Inspiração turbe o Poeta. - Alli remansos d’alma o Sabio goze, - Memorias o ditoso alli desfrute, - De lagrimas se farte o miserando. - Mas a audacia he commum, e o siso he raro. - Graça ás vezes se crê a extravagancia. - Evita que os effeitos, mal unidos, - De incoherentes imagens formem cáhos; - Vê que as contradicções não são contrastes. - Estes paineis de natural pintura - Requerem longo espaço; em quadro estreito - Não vás aprisionar montanhas, bosques, - Nem lagos, nem ribeiras. He costume - Zombar desses jardins, paródia absurda - Dos rasgos que a atrevida Natureza - No seu grande espectáculo derrama; - Jardins, em que Arte rude, e inverosimil - Hum Paiz todo n’uma geira encerra. - Em vez deste montão confuso, inerte, - Varía objectos, ou lhe altera a face. - Perto, longe, patentes, quasi occultos, - Revezem todos mil diversas vistas. - Dos effeitos seguintes a incerteza - Grato desassocego aos olhos deixe, - Ornamentos o gosto emfim coloque, - Imprevistos jamais em demasia, - Jámais em demasia annunciados. - Presta sobre maneira o movimento; - Sem a doce magia, a elle annexa, - Em lethargo recae a alma ociosa. - Sem elle, por teus campos enfadonhos - Em gyro casual vão sempre os olhos. - Citarei outra vez altos Pintores? - Lá diffunde o pincel pródigo, e fertil - Móveis objectos sobre o panno immovel: - O rio foge, o vento encurva os ramos, - Globos de fumo das Aldêas sobem, - Os Gados, os Pastores brincão, danção. - Cuida em te apoderar deste segredo, - Dispoem sem parcimonia arbustos dóces, - Arvores brandas, cuja afavel coma - Das virações ao hálito obedece. - Sejão quaes forem, tu, Cultor, venera - A vacilante, undisona verdura, - Tolhe, que o ferro a Natureza ultraje, - Ella c’o a mestra mão como desenha - Desta parte os carvalhos, desta os olmos! - Olha como do tronco até aos ramos, - Dos ramos té ás folhas desparzido - Da Mãi universal benigno influxo; - Vai das undulações dar-lhe a molleza. - Porém golpes crueis... vedai tal crime, - Correi, Nynfas da selva... ah! Q’he de balde, - O córte cerceou-lhe a gala, o viço. - Já na cópa vivaz não oiço ao longe - Correr os Aquilões, bramir na rama, - Affastar-se, expirar. Tácitos, frios, - Mortos do ferro os vegetaveis Entes, - Delle semelhão rispideza immovel. - Ás plantas deixa, pois, tremor suave - Nos quadros teus, do movimento amigos: - Faze fugir, ferver, saltar as aguas. - Vês estes valles, solidões, florestas? - Por varios sitios de diversos gados. - A nédia multidão se envie, e alongue. - Além vejo a cabrinha roedora - Pender do cume de remotas penhas, - Aqui mil cordeirinhos melindrosos - Soltão queixumes, que de serro a serro - Vai éco em molles sons amiudando. - Nestes, que as aguas da collina sorvem, - Prados lustrosos, sobre as mãos se estende, - E ruminando jaz o Boi pesado, - Em quanto generoso, altivo, accezo, - O filho do Tridente, o Marcio Bruto - Ostenta, vicejando, em pingues pastos, - O indómito vigor, e o brio agreste. - Quanto me atrahe, me regozija, quanto - A audaz agilidade, o gesto activo! - Ou elle, usado ás fluviais correntes, - Sobre ellas se arremesse, estremecendo, - E luctando depois, c’os pés sacuda - As ondas, que murmurão, que branqueão; - Ou atravez dos prados salte, e fuja; - Ou, longa crina errante aos ventos dada, - Brotando os olhos fogo, as ventas fumo, - Bello de orgulho, e amor, voe ás amadas. - Sumio-se já, e a vista ainda o segue. - O thesoiro exhaurindo á Natureza, - Assim terrenos, vistas, e agua, e sombras - Dão ás paizagens movimento, e vida. - Porém se o movimento encanta os olhos, - De liberdade hum ar não menos querem. - O limite aos jardins fique indeciso; - Ou com arte se esconda, ou se disfarce. - Não ha mais que esperar? Vôa o feitiço. - Com certo dissabor o fim se tóca - De huma estancia aprazivel: cedo enfada, - E irrita finalmente; alem dos muros, - Importuna barreira, inda se ideão - Lugares mais gentis, mais attractivos, - E a alma inquieta desencanta os olhos. - Quando nossos Avós, á guerra affeitos, - Seus campos em castellos convertião, - Cada qual em munida, enorme torre - Preso vivia por viver seguro. - Mas hoje de que servem taes muralhas, - Que o temor inventou, mantem o orgulho? - A estes, que prendendo outr’hora a vista, - A vista duramente entristecião, - Prefere o gosto verdejantes muros, - Muros tecidos de espinhoso enredo, - Muros, por onde a mão, tremendo, colhe - A rosa inculta, a amóra ensanguentada. - Mas jardim limitado inda me ancêa. - Surja-se em fim de hum circulo tão breve - A genero mais vasto, e mais formoso, - De que hoje Ermenonville he só modélo. - Os jardins para si chamavão campos, - Vão nelles os jardins entrar agora. - Do cimo desses montes, donde os olhos - Paizagem dilatada abração, medem, - A madre Natureza ao Genio disse: - Os thesoiros, que vês, são teus: envoltos - Na rude pompa, na opulencia bruta, - Os quadros meus tua destreza implorão. - Ella diz, elle vôa: em toda a parte - Esquadrinha esta massa, onde repousão, - Onde dormindo estão bellezas cento. - Do valle á serra, da floresta ao prado - Vai retocando os quadros, que varía. - Dos olhos a sabor, une, e desune, - Illumina, escurece, occulta, ou mostra: - Não destróe, não compoem, corrige, apura, - O esboço aperfeiçoa á Natureza. - Carrancudo terror já despem rochas, - O bosque alegre adóça, encurta as sombras; - Hia perder-se hum rio: eis o encaminhão; - De hum lago se apodera a mão geitosa, - De cristalina fonte se enriquece. - Quer, e veredas mil subito correm - A demandar, cingir, prender os membros, - Por aqui, por alli soltos, dispersos, - Os membros, que assombrados, que attrahidos - Da engenhosa união, do nó, que os junta, - Formão de cem porções hum todo insigne. - Talvez, campestre Artifice, te espantem - Estes grandes trabalhos. Entra os nossos - Idosos parques; de huma vez contempla - Apuros vãos, dispendiosos nadas; - As estacadas vê, regos, e tanques. - Preço menor do que a minucias coube - Para ornar o que hum dia apraz somente, - Póde aformosear hum campo immenso. - Fallaz, e sem sabor magnificencia, - Cahe ante esta arte, e por milagre della - A cara Patria minha se transforme - Toda em vasto jardim, n’um Eden novo! - Se não ousas tentar esta carreira, - Ao menos, franqueando o teu circuito, - De aspectos opulentos o engrandece. - De hum valle, hum serro, huns agradaveis longes - Ajunta posse alhêa á posse tua: - Rege c’oa vista, pelos olhos gosa. - Os varios, favoraveis accidentes, - Com que innumeros campos se distinguem, - Une principalmente a teus plantios.[1] - Aqui jaz hum lugar, que cingem bosques, - Acolá torreões Cidades croão, - E a grimpa azul, ferindo ao longe os olhos, - Vai sumir pelos Ceos o agudo extremo. - Hum rio omitirei, e as margens suas? - Após fugazes vélas corre a vista. - Ilhas ás vezes sahem do vitreo seio, - Ponte arqueada outr’hora o furta aos olhos. - Se os mares espaçosos descortinas, - Offrece, mas varía a grave scena. - Mal se divise aqui por entre as folhas, - Huma abóbada além, qual no remate - De tubo extenso, aos olhos o apresente - Em fundo de odoriferas latadas; - Nas voltas de florente bosquezinho - Aqui se encontra o mar, alli se perde: - Eis sùbito apparece em toda a sua - Fervente, rugidora immensidade. - Folgue a attenção nestes semblantes vários; - Mas com mesquinhas mãos (cumpre que o diga) - Os Homens, Natureza, o Tempo, as Artes - Nos cercão de tão ricos accidentes. - Oh Planicies da Grecia! Ausonios Campos! - Lugares divinais, inspiradores, - Sempre caros ao genio! Ah! quantas vezes - Embebido n’um mágico horisonte, - O pintor vê, se inflamma, e toma o lapis, - E debuxa esses longes, essas ilhas, - Esse pégo, esses portos, esses montes, - Torrados de volcões, e já fecundos; - As lavas delles, que ameação, fervem, - Palacios, que em ruinas de outros surgem, - Hum novo Mundo que do velho assoma - Nestes de Terra, e Mar longos tormentos. - Ah! Eu inda não vi essa risonha, - Essa encantada estancia, onde mil vezes - Soou do Mantuano a voz divina, - Mas, pelo Vate, pelo Vate o juro, - Heide, Apenino, transcender teus cumes, - E cheio do seu nome, e de seus versos, - Lêlos naquelles amorosos sitios, - Sitios, cópia do Ceo, que os inspirárão. - De encantadoras margens namorado, - Por fóra ingratos campos tens sómente - Em vez de aspectos que interessem a alma? - De estranha vista, que atedía o gosto, - Vinguem-te objectos de mais bella escolha. - Aprende a deleitar-te em teu recinto, - Sê o emblema do Sabio independente, - Que entra em si mesmo, e que se apraz comsigo. - Nesse asylo fiel nos entranhemos. - Todavia em lugares onde a Terra - De aspectos variados mais abunde, - Os thezoiros da vista he bem que poupes, - E seja leve gyro o custo delles. - A arte os prometta, os olhos os esperem; - Dá quem promette, quem espera goza. - Releva, que enfeitices, não que assombres. - Entre minhas lições tambem quizera - Duas artes de effeitos encontrados: - Huma os olhos adverte, outra os saltêa. - Mas antes de dictar preceitos novos, - Dois generos, ha tempo émulos ambos, - Disputão nossos vótos. Hum presenta - De regular desenho a ordem grave, - Aos campos dá bellezas que ignoravão, - De pompa desusada os atavia, - E ás arvores poem leis, põe freio ás ondas; - Brilha entre Escravos, Déspota orgulhoso: - He mais em magestade, em riso he menos. - Da Natureza respeitoso Amante, - O outro lhe ajusta comedido enfeite, - Trata benignamente os feiticeiros - Caprichos seus, o seu desleixo nobre, - O passo irregular, e extrahe com arte - Lindezas da desordem, té do acaso. - Cada qual tem seu jus, nenhum se exclua; - Entre Kent, e le Notre eu não decido. - Ambos tem leis, tem graças: hum creou-se - Para Grandes, e Reis: oh Reis! oh Grandes, - Sois á magnificencia condemnados. - Em torno a vós o esforço, o extremo, o apuro - De alto poder se espera; alli queremos - Que em prodigios, o luxo, o gosto, as artes - Excitem pasmos, embriaguem vistas. - Rebelde a Natureza á Industria cede; - Mas deve grão triunfo honrar a Industria; - Ella em seu esplendor tem seus direitos, - He huma usurpadora, e lhe compete - Á força de grandeza obter desculpa. - Longe, pois, os Jardins desengenhosos, - Insulsa Estancia, de que o Dono insulso - As arvores garridas fôfo exalta. - Os pequenos salões bem decotados, - A extrema symmetria escrupulosa, - Passeios, onde nunca solitaria, - Alameda não ha, que irmãa não tenha; - Caminhos degostosos, enjoados - Da obediencia ao cordel, os seus canteiros - Bordados, e os seus tenues fios de agua; - Das arvores algumas torneadas - Em vasos, em pyramides, em globos, - E alçados bem na base os Pastorinhos. - Gabe o seu luxo pobre: eu anteponho - Hum campo bruto a seu jardim tristonho. - Distante destes minimos portentos, - Segue meu vôo á patria dos prestigios, - Vê Versailles, Marly, pomposos, lédos, - Onde Luiz, e a Natureza, e a Arte - Em tanta cópia desparzirão graças. - Que afoito resplandece alli o engenho! - Alli tudo he grandeza, he tudo encanto, - São de Alcina os jardins, de Armida os Paços, - Antes os de hum Heróe, que inda procura - Vencer, domar obstaculos, sublime - Em seu retiro, em seu repouso, e sempre - Caminha, de milagres circundado. - Aquellas aguas vês, a terra, os bosques? - Submettidos tambem, seu jugo adorão. - Das arvores á verde arquitectura - Olha com que elegancia estão cazados - De fórma singular Palacios doze! - Vê bronzes, que respirão, vê correntes - Que, soltas da repreza, esbravejando, - Em grossos borbotões de fofa espuma - Cahem, e se estendem por canaes soberbos; - Em lustrosa espadana além se espalhão, - Em pavêas brilhantes cá se elevão, - E nos benignos ares incendidas - De hum sol immaculado, eis chovem gotas - Côr de oiro, de safira, e de esmeralda. - Selvas, por onde absorto me extravio, - Os Sátyros, os Faunos vos povoão, - Em vós Diana influe, e Citheréa; - He cada bosquezinho em vós hum Templo, - Cada mármore hum Deos. Luiz, folgando - Do pezo marcial, do horror da Guerra, - Como que nesta, a Jove idónea Estancia, - Convida todo o Olympo a seus festejos. - Nestes grandes effeitos he que importa - Que a arte se esmere, avulte, e brilhe, e encante. - Facilmente porém o assombro péza. - Louvo o Orador que erguidos pensamentos - Na luz, na pompa, na cadencia envólve, - Mas he curto prazer, e o deixo, e corro - A escutar corações na voz de amigos; - Mármores, bronzes, que alardêa o luxo, - Arte ostentosa em breve os olhos cança. - Mas as correntes, o arvoredo, as sombras, - Este luxo innocente, ah! não fatiga, - Não fatiga jámais. Deos mesmo aos homens - Traçou este modélo. Atenta em Milton. - Quando essa eterna Mão, que rege tudo, - Aos primeiros Mortais guarida aprésta, - Regulares caminhos abre acaso, - Talvez cativa na carreira as ondas? - De improprias, de forçadas vestiduras - Cobre a infancia do Mundo, a Primavera - Recemnascida? Não, sem arte alguma, - E sem constrangimento, a Natureza - Estreou, exhaurio delicias puras, - Delicias puras, que nem ha na idéa. - O misto amavel de planicie, e monte, - Livres, e mollemente errando as aguas, - Veredas tortuosas, e indecisas, - Gratas desordens, novidades gratas, - Aspectos, onde os olhos mal sabião - Escolher, preferir, tudo alongava, - Entretinha o prazer na variedade. - Sobre viçoso esmalte aveludado - Mil arvores, mil plantas, mil arbustos, - Destes lugares ondeante adorno, - Iman da vista, do sabor, e olfato, - Em grupos elegantes, movediços, - Em natural, dispersa negligencia, - Já se fugião, já se avisinhavão. - Seu brando movimento ao longe ás vezes - Inopinada scena aos olhos dava; - Ou com pendor gentil curvando a rama, - Aos passos vinhão pôr suave estorvo; - Ou sobre as frontes em festões pendião, - Ou, na passagem, lhe entornavão flores. - Lindos Bosques direi de tenras plantas, - Em latadas, e abóbadas travando - Troncos florentes, e florentes braços? - Lá de imaginações, queridas, ternas, - Cheios a mente, o coração, e os olhos, - Deo Eva ao bello Amante a mão mimosa, - E córou como a Aurora ás portas de oiro. - A Natureza toda os afagava, - O Céo c’o a luz, com seu murmureo as ondas; - Tremendo a Terra, lhes sentia os gostos; - Favonio aos écos os suspiros dava; - O Arvoredo rugia, e curva a Rosa, - Cedia ao tóro seus perfumes todos. - Oh ventura inefavel, Par tranquillo! - Feliz quem, como vós, nos seus amados, - Bonançosos jardins, longe dos males - Que a Soberba atormentão, vive rico - De flores, frutos, innocencia, e gosto! - - - FIM DO CANTO PRIMEIRO. - - - NOTAS DE RODAPÉ: - -[1] Vem no Diccionario de Sousa, e a harmonia, e necessidade do termo -animou-me a adoptallo, parecendo-me todavia que os Camponezes o usão. A -palavra _Paizagens_, de cuja pureza duvidei, acha-se em bons Escritores -nossos, sendo hum delles Rodrigues Lobo, para mim de tanta decisão como -os melhores. - - - - - [Illustração] - - - LES JARDINS, POÈME, - - CHANT SECOND. - - - Oh! si j’avois ce luth dont le charme autrefois - Entrainoit sur l’Hémus les rochers, et les bois, - Je le ferois parler; et sur les paysages - Les arbres tout-à coup déploiroient leurs ombrages. - Le chêne, le tilleul, le cèdre, et l’oranger - En cadence viendroient dans mes champs se ranger. - Mais l’antique harmonie a perdu ses merveilles; - La lyre est sans pouvoir, les rochers sans oreilles; - L’arbre reste immobile aux sons les plus flateurs, - Et l’art, et le travail sont les seuls enchanteurs. - Apprenez donc de l’art quel soin, et quelle adresse - Donne aux arbres divers la grace, ou la richesse. - Par ses fruits, par ses fleurs, par son beau vetement, - L’arbre est de nos jardins le plus bel ornement. - Pour mieux plaire a nos yeux combien il prend de formes! - La s’étendent ses bras pompeusement informes; - Sa tige ailleurs s’elance avec legereté, - Ici, j’aime sa graçe, e la, sa majesté. - Il tremble au moindre soufile, ou contre la tempête - Roidit son tronc noueux, et sa robuste tête. - Rude, ou poli, baissant, ou dressant ses rameaux, - Veritable proteé entre les vegetaux, - Il change incessament, pour orner la nature, - Sa taille, sa couleur, ses fruits, et sa verdure. - Ces effets variés sont les trésors de l’art, - Que le goût lui defend d’employer au hasard. - Des divers plants encor la forme, et l’étendue - Sous des aspects divers se presente a la vue. - Tantôt un bois profond, sauvage, tenebreux, - Epanche une ombre immense, et tantot moins nombreux - Un plant d’arbres choisis forme un riant bocage, - Plus-loin, distribués dans un frais paysage, - Des groupes elegans fixent l’œil enchanté: - Ailleurs se confiant a sa prope beauté, - Un arbre seul se montre, et seul orne la terre. - Tels, si la paix des champs peut rappeler la guerre, - Une nombreuse armée étale a nos regards - Des bataillons épais, des pelottons epars; - Et la, fier de sa force, et de sa renomée, - Un heros seul avance, et vaut seul une armée. - Tous ces plants differens suivent diverses loix. - Dans les jardins de l’art, notre luxe autrefois - Des arbres isolés dedaignoit la parure: - Ils plaisent aujourd’hui dans ceux de la nature. - Par un caprice heureux, par de savans hasards, - Leurs plants desordonnés charmeront nos regards. - Qu’ils different d’aspect, do forme, de distance; - Que toujours la grandeur, ou du moins l’elegance, - Distingue chaque tige, ou que l’arbre honteux - Se cache dans la foule, et disparoisse aux yeux. - Mais lorsqu’un chêne antique, ou lorsqu’un vieil érable, - Patriarche des bois, leve un front vénérable, - Que toute sa tribu, se rangeant à l’entour, - S’écarte avec respect, et compose sa cour; - Ainsi, l’arbre isolé plait aux champs qu’il décore. - Avec bien plus de choix, et plus de goût encore, - Les grouppes formeront mille tableaux heureux. - D’arbres plus ou moins forts, et plus ou moins nombreux - Formez leur masse épaisse, ou leurs touffes legères: - De loin l’œil aime à voir tout ce peuple de frères. - C’est par eux que l’on peut varier ses dessins, - Rapprocher, et tantôt repousser les lointains, - Réunir, séparer, et sur les paysages - Etendre, ou replier le rideau des ombrages. - Vos grouppes sont formés: il est temps que ma voix - A connoitre un peu d’art accoutume les bois. - Bois augustes, salut! Vos voûtes poétiques - N’entendent plus le Barde, et ses affreux cantiques; - Mais un plus doux délire habite vos déserts, - Et vos antres encor nous instruisent en vers, - Vous inspirez les miens, ombres majestueuses! - Souffrez donc qu’aujourd’hui mes mains respectueuses - Viennent vous embellir, mais sans vous profaner; - C’est de vous que je veux apprendre à vous orner. - Les bois peuvent s’offrir sous des aspects sans nombre. - Ici, des troncs pressés rembruniront leur ombre: - Lá, de quelques rayons égayant ce séjour, - Formez un doux combat de la nuit, et du jour. - Plus loin, marquant le sol de leurs feuilles légères, - Quelques arbres épars joueront dans les clairières, - Et flottant l’un vers l’autre, et n’osant se toucher, - Paroitront á la fois se fuir, et se chercher. - Ainsi le bois par vous perd sa rudesse austère: - Mais n’en détruisez pas le grave caractère. - De détails trop fréquens d’objets minutieux - N’allez paz découper son ensemble á nos yeux. - Qu’il soit un, simple, et grand, et que votre art lui laisse - Avec toute sa pompe, un peu de sa rudesse. - Montrez ces troncs brisés; je veux des noirs torrens - Dans le creux des ravins suivre les flots errans. - Du temps, des eaux, de l’air n’effacez point la trace, - De ces rochers pendans respectez la menace, - Et qu’enfin dans ces lieux, empreints de majesté, - Tout respire une mâle, et sauvage beauté. - Telle on aime d’un bois la rustique noblesse. - Le bocage moins fier, avec plus de molesse - Déploie á nos regards des tableaux plus rians, - Veut un site agréable, et des contours lians, - Fuit, revient, et s’égare en routes sinueuses, - Promène entre des fleurs des eaux voluptueuses; - Et j’y crois voir encore, ivre d’un doux loisir, - Epicure dicter les leçons du plaisir. - Mais c’est peu qu’en leur sein le bois, ou le bocage - Renferment leur richesse êlégante ou sauvage; - Il en faut avec soin embellir les dehors. - Avant tout, n’allez point, symmétrisant leurs bords, - Par vos murs de verdure, et vos tristes charmilles - Nous cacher des forêts les nombreuses familles: - Je veux les voir; je veux, perçant au fond des bois, - Voir ces arbres divers qui croissent á la fois; - Les uns tout vigoureux, et tout frais de jeunesse, - D’autres tout décrépits, tout noueux de vieillesse; - Ceux-ci rampans, ceux-lá fiers tyrans des forêts, - Des tributs de la sève épuisant leurs sujets: - Vaste scène, où des mœurs, de la vie, et des àges, - L’esprit avec plaisir reconnoit les images. - Près de ces grands effets, que sont ces verts remparts - Dont la forme importune attriste les regards, - Forme toujours la même, et jamais imprévue? - Riche variété, délices de la vue, - Accours, viens rompre enfin l’insipide niveau, - Brise la triste équerre, et l’ennuyeux cordeau. - Par un mêlange heureux de golphes, de saillies, - Les lisieres des bois veulent être embellies. - L’œil, qui des plants tracés par l’uniformité - Se dégoûte, et s’élancé á leur extrêmité, - Se plaît á parcourir, dans sa vaste étendue, - De ces bords variés la forme inattendue; - Il s’égare, il se joue en ces replis nombreux; - Tour-á-tour il s’enfonce, il ressort avec eux; - Sur les tableaux divers que leur chaîne compose - De distance en distance avec plaisir repose: - Le bois s’en aggrandit, et, dans ses longs retours, - Varie á chaque pas son charmee et ses détours. - Dessinez donc sa forme, et d’abord qu’on choisisse - Les arbres dont le Goût prescrit le sacrifice. - Mais ne vous hâtez point; condamnez á regrêt: - Avant d’exécuter un rigoureux arrêt, - Ah! songez que du temps ils sont le lent ouvrage, - Que tout votre or ne peut racheter leur ombrage, - Que de leur frais abri vous goûtiez la douceur. - Quelquefois cependant un ingrat possesseur, - Sans besoin, sans remords les livre á la cognée. - Renversés sur le sein de la terre indignée, - Ils meurent; de ces lieux s’éxilent pour toujours - La douce rêverie, et les discrets amours. - Ah! par ces bois sacrés, dont le feuillage sombre - Aux danses du hameau prêta souvent son ombre, - Par ces dômes touffus qui couvroient vos ayeux, - Profanes, respectez ces troncs religieux; - Et quand l’âge leur laisse une tige robuste, - Gardez-vous d’attenter á leur vieillesse auguste. - Trop-tôt le jour viendra que ces bois languissans, - Pour céder leur empire á de plus jeunes plants, - Tomberont sous le fer, et de leur tête altière - Verront l’antique honneur flétri dans la poussiere. - O Versaille! ô regrêts! ô bosquets ravissans, - Chefs-d’œuvre d’un grande Roi, de Le Nôtre, et des ans! - La hâche est á vos pieds, et votre heure est venue. - Ces arbres dont l’orgueil s’élançoit dans la nue, - Frappés dans leur racine, et balançant dans l’air - Leurs superbes sommets ébranlés par le fer, - Tombent, et de leurs troncs jonchent au loin ces routes - Sur qui leurs bras pompeux s’arondissoient en voûtes: - Ils sont détruits, ces bois, dont le front glorieux - Ombrageoit de Louis le front victorieux, - Ces bois, où célébrant de plus douces conquêtes, - Les arts voluptueux multiplioient les fêtes! - Amour, qu’est devenu cet asyle enchanté - Qui vit de Montespan soupirer la fierté? - Qu’est devenu l’ombrage où si belle et si tendre, - A son amant surpris, et charmé de l’entendre, - La Valière apprenoit le secret de son cœur, - Et sans se croire aimée avouoit son vainqueur? - Tout périt, tout succombe; au bruit de ce ravage - Voyez-vous point s’enfuir les hôtes du bocage? - Tout ce peuple d’oiseaux fiers d’habiter ces bois, - Qui chantoient leurs amours dans l’asyle des Rois, - S’exilent á regret de leurs berceaux antiques. - Ces Dieux, dont le ciseau peupla ces verds portiques, - D’un voile de verdure autrefois habillés, - Tous honteux aujour d’hui de se voir dépouillés, - Pleurent leur doux ombrage; et, redoutant la vue, - Vénus même une fois s’étonna d’être nue. - Croissez, hâtez votre ombre, et repeuplez ces champs, - Vous, jeunes arbrisseaux; et vous, arbres mourans, - Consolez-vous. Témoins de la foiblesse humaine, - Vous avez vu périr et Corneille, et Turenne: - Vous comptez cent printemps, hélas! et nos beaux jours - S’envolent les premiers, s’envolent pour toujours! - Heureux donc qui jouit d’un bois formé par l’âge; - Mais trop heureux aussi qui créa son bocage! - Ces arbres, dont le temps prépare la beauté, - Il dit comme Cyrus: »C’est moi qui les plantai.« - Vous donc, si de vos plants vous êtes maitre encore, - Craignez qu’avant le temps ils se pressent d’éclore. - Tel qu’un peintre, arrêtant ses indiscrets pinceaux, - Long-tems dans sa pensée ébauche ses tableaux, - Ainsi de vos desseins méditez l’ordonnance. - Des sites, des aspects connoissez la puissance, - Et le charme des bois aux côteaux suspendus, - Et la pompe des bois dans la plaine étendus. - Ainsi que les couleurs, et les formes amies, - Connoissez les couleurs, les formes ennemies. - Le frêne aux longs rameaux dans les airs élancés, - Repousseroit le saule aux longs rameaux baissés. - Le verd du peuplier combat celui du chêne; - Mais l’art industrieux peut adoucir leur haine; - Et de leur union médiateur heureux, - Un arbre mitoyen les concilie entr’eux. - Ainsi par une teinte avec art assortie, - Vernet de deux couleurs éteint l’antipathie. - Connoissez donc l’emploi de ces différents verds, - Brillans ou sans éclat, plus foncés ou plus clairs. - C’est par ces tons changeans qu’au sein des paysages - Vous pouvez avec choix varier les ombrages, - Produire des effets tantôt doux, tantôt forts, - Des contrastes frappans, ou de moelleux accords. - Observez-les sur-tout, lorsque la pâle automne, - Près de la voir flétrie, embellit sa couronne: - Que de variété, que de pompe, et d’éclat! - Le pourpre, l’orangé, l’opale, l’incarnat - Le leurs riches couleurs étalent l’abondance. - Hélas! tout cet éclat marque leur décadence. - Tel est le sort commun. Bientôt les aquilons - Des dépouilles des bois vont joncher les vallons; - De moment en moment la feuille sur la terre, - En tombant, interrompt le réveur solitaire. - Mais ces ruines même ont pour moi des attraits. - Lá, si mon cœur nourrit quelques profonds regrets, - Si quelque souvenir vient r’ouvrir ma blessure, - J’aime á mêler mon deuil au deuil de la nature. - De ces bois desséchés, de ces rameaux flétris, - Seul, errant, je me plais á fouler les débris. - Ils sont passés les jours d’ivresse, et de folie; - Viens, je me livre á toi, tendre mélancolie; - Viens, non le front chargé des nuages affreux - Dont marche enveloppé le chagrin ténébreux, - Mais l’œil demi-voilé, mais telle qu’en automne - A travers des vapeurs un jour plus doux rayonne: - Viens, le regard pensif, le front calme, et les yeux - Tout prêts á s’humecter de pleurs délicieux. - Mais tandis que mon cœur nourrit ces rêveries, - D’arbustes, d’arbrisseaux mille races fleuries - M’appellent á leur tour. Venez, peuple enchanteur, - Vous êtes la nuance entre l’arbre, et la fleur; - De vos traits délicats venez orner la scene. - Oh! que si moins pressé du sujet qui m’entraine, - Vers le but qui m’attend je ne hâtois mes pas, - Que j’aurois de plaisir á diriger vos bras! - Je vous reproduirois sous cent formes fécondes; - Ma main sous vos berceaux feroit rouler les ondes; - En dômes, en lambris j’unirois vos rameaux; - Mollement enlacés autour de ces ormeaux, - Vos bras serpenteroient sur leur robuste écorce, - Emblème de la grace unie avec la force: - Je fondrois vos couleurs, et du blanc le plus pur, - Du plus tendre incarnat jusqu’au plus sombre azur, - De l’œil rassasié variant les délices, - Vos panaches, vos fleurs, vos boules, vos calices, - A l’envi s’uniroient dans mes brillans travaux, - Et Van Huysum lui-même envieroit mes tableaux. - Pour vous á qui le ciel prodigua leur richesse, - Ménagez avec art leur pompe enchanteresse: - Partagez aux saisons leurs brillantes faveurs; - Que chacun apportant ses parfums, ses couleurs, - Reparoisse á son tour, et qu’au front de l’année - Sa guirlande de fleurs ne soit jamais fanée. - Ainsi votre jardin varie avec le temps: - Tout mois a ses bosquets, tout bosquet son printemps, - Printemps bientôt flétri! Toutefois votre adresse - Peut consoler encor de sa courte richesse. - Que par des soins prudens tous ces arbres plantés, - Quand ils seront sans fleurs, ne soient pas sans beautés. - Ainsi l’adroite Eglé prolongeant son empire, - Au déclin des beaux ans sait encor nous séduire. - Le ciel même, malgré l’inclemence de l’air, - N’a pas de tous ses dons déshérité l’hiver; - Alors des vents jaloux défiant les outrages, - Plusieurs arbres encor retiennent leurs feuillages. - Voyez l’if, et le lierre, et le pin résineux, - Le houx luisant, armé de ses dards épineux, - Et du laurier divin l’immortelle verdure, - Dédommager la terre, et venger la nature. - Voyez leurs fruits de pourpre, et leurs glands de corail - Au verd de leurs rameaux mêler un vif émail. - Au milieu des champs nus leur parure m’enchante, - Et plus inespérée en paroit plus touchante. - De vos jardins d’hiver qu’ils ornent le séjour. - Là, vous venez saisir les rayons d’un beau jour. - Là, l’oiseau, quand la terre ailleurs est dépouillée, - Vole, et s’égaie encor sous la verte feuillée, - Et trompé par les lieux ne connoit plus les temps, - Croit revoir les beaux jours, et chante le printemps. - Ainsi ce doux réduit plait sans être factice. - Mais les jardins des rois avec plus d’artifice, - Avec plus d’appareil triomphent des hivers. - J’en atteste, ô Mouceaux, tes jardins toujours verds, - Là, des arbres absens les tiges imitées, - Les magiques berceaux, les grottes enchantées, - Tout vous charme á la fois. Là, bravant les saisons, - La rose apprend á naitre au milieu des glaçons; - Et les temps, les climats vaincus par des prodiges; - Semblent de la Féerie épuiser les prestiges. - Cependant la Féerie, et ses enchantemens - Ne sont pas des jardins les plus doux ornemens. - L’habitude bientôt a flétri vos bocages, - Souvent, quand l’étranger jouit de vos ombrages, - Déja leur possesseur languit sans intérêt. - N’est-il pas des moyens dont le charme secret - Vous rende leur beauté toujours plus attachante? - Oh! combien des Lapons l’usage heureux m’enchante! - Qu’ils savent bien tromper leurs hivers rigoureux! - Nos superbes tilleuls, nos ormeaux vigoureux, - De ces champs ennemis redoutent la froidure: - De quelques noirs sapins d’indigente verdure - Par intervalle á peine y perce les frimats; - Mais le moindre arbrisseau qu’épargnent ces climats, - Par des charmes plus doux á leurs regards sait plaire: - Planté pour un ami, pour un fils, pour un père, - Pour un hôte qui part, emportant leurs regrets, - Il en reçoit le nom, le nom cher á jamais. - Vous, dont un ciel plus pur éclaire la patrie, - Vous pouvez imiter cette heureuse industrie: - Elle animera tout. Vos arbres, vos bosquets - Dès-lors ne seront plus ni déserts, ni muets; - Ils seront habités de souvenirs sans nombre, - Et vos plaisirs absens embelliront leur ombre. - Qui vous empêche encor, quand les bontés des dieux! - D’un enfant désiré comblent enfin vos vœux, - De consacrer ce jour par les tiges naissantes - D’un bocage, d’un bois?... Mais tandis que tu chantes, - Muse, quels cris dans l’air s’élancent á la fois? - Il est né l’héritier du sceptre de nos rois! - Il est né! Dans nos murs, dans nos camps, sur les ondes, - Nos foudres triomphans l’annoncent aux deux mondes, - Pour parer son berceau c’est trop peu que des fleurs; - Apportez les lauriers, les palmes des vainqueurs. - Qu’á ses premiers regards brillent des jours de gloire; - Qu’il entende en naissant l’hymne de la victoire; - C’est la fête qu’on doit au pur sang de Bourbon. - Et toi, par qui le ciel nous fit cet heureux don, - Toi, qui, le plus beau nœud, la châine la plus chère - Des Germains, des François, d’un époux, et d’un frère, - Les unis, comme on voit de deux pompeux ormeaux - Une guirlande en fleurs enchainer les rameaux; - Sœur, mère, épouse auguste; enfin la destinée - Joint au deuil du trépas les fruits de l’hyménée, - Et mêlant dans tes yeux les larmes, et les ris, - Quand tu perds une mère, elle te donne un fils. - D’autres, dans les transports que ce beau jour inspire, - Animeront la toile, ou le marbre, ou la lyre; - Moi, l’humble ami des champs, j’irai dans ce séjour - Où Flore, et les Zéphirs composent seuls ta cour, - J’irai dans Trianon: lá, pour unique hommage, - Je consacre á ton fils des arbres de son âge, - Un bosquet de son nom. Ce simple monument, - Ces tiges, de tes bois le plus cher ornement, - Tes yeux les verront croitre, et croissant avec elles; - Ton fils viendra chercher les ombres fraternelles. - Enfin vous jouissez, et le cœur, et les yeux - Chérissent de vos bois l’abri délicieux. - Au plaisir voulez-vous joindre encore la gloire? - Voulez-vous de votre art remporter la victoire? - Déjá de nos jardins heureux décorateur, - Ajoutez á ces noms le nom de créateur. - Voyez comme en secret la nature fermente; - Quel besoin d’enfanter sans cesse la tourmente. - Et vous ne l’aidez pas! Qui sait dans son trésor - Quels biens á l’industrie elle réserve encore? - Comme l’art á son gré guide le cours de l’onde, - Il peut guider la sève; á sa liqueur féconde - Montrez d’autres chemins, ouvrez d’autres canaux. - Dans vos champs enrichis par des hymens nouveaux, - Des sucs vierges encor essayez le mêlange; - De leurs dons mutuels favorisez l’échange. - Combien d’arbres, de fruits, de plantes, et de fleurs, - Dont l’art changea le goût, les parfums, les couleurs! - La pêche a dû sa gloire á ces métamorphoses. - D’un triple diadême ainsi brillent les roses, - De son panache ainsi l’œillet s’énorgueillit. - Osez. Dieu fit le monde, et l’homme l’embellit. - Que si vous n’osez pas essayer ces conquêtes, - Combien sous d’autres cieux de richesses sont prêtes! - Usurpez ces trésors. Ainsi le fier Romain, - Et ravisseur plus juste, et vainqueur plus humain, - Conquit des fruits nouveaux, porta dans l’Ausonie - Le prunier de Damas, l’abricot d’Arménie, - Le poirier des Gaulois, tant d’autres fruits divers. - C’est ainsi qu’il falloit s’asservir l’univers. - Quand Lucullus vainqueur triomphoit de l’Asie, - L’airain, le marbre, et l’or frappoient Rome éblouie; - Le sage dans la foule aimoit á voir ses mains - Porter le cérisier en triomphe aux Romains. - Et ces mêmes Romains n’ont-ils pas vu nos pères - En bataillons armés, sous des cieux plus prospères - Aller chercher la vigne, et vouer à Bacchus - Leurs étendards rougis du nectar des vaincus? - Du fruit de leurs exploits leurs troupes échauffées, - Rapportoient, en chantant, ces précieux trophées, - De guirlandes de pampre ils couronnoient leurs fronts: - Le pampre sur leurs dards s’enlaçoit en festons. - Tel revint triomphant le Dieu vainqueur du Gange. - Les vallons, les côteaux celébroient la vendange; - Et par-tout où coula la nectar enchanté, - Coururent le plaisir, l’audace, et la gaieté. - Enfans de ces Gaulois, imitons nos ancêtres; - Enlevons, disputons ces dépouilles champêtres. - Voyez dans ces jardins, fiers de se voir soumis - A la main qui porta le sceptre de Thémis, - Le sang des Lamoignon, l’éloquent Malesherbes - Enrichir notre sol de cent tiges superbes. - Là, des plants rassemblés des bouts de l’univers, - De la cime des monts, de la rive des mers, - Des portes du couchant, de celles de l’aurore, - Ceux que l’ardent midi, que le nord voit éclore, - Les enfans du soleil, les enfans des frimats, - Me font, en un lieu seul, parcourir cent climats. - Je voyage, entouré de leur foule choisie, - D’Amérique en Europe, et d’Afrique en Asie. - Tous, parmi nos vieux plants charmés de se ranger, - Chérissent notre ciel, et l’heureux étranger, - Des bords qu’il a quittés reconnoissant l’ombrage, - Doute de son exil á leur touchante image, - Et d’un doux souvenir sent son cœur attendri. - Je t’en prends á témoin, jeune Potaveri. - Des champs d’O-Ttaiti, si chers á son enfance, - Où l’amour, sans pudeur, n’est pas sans innocence, - Ce sauvage ingénu dans nos murs transporté, - Regrettoit en son cœur sa douce liberté, - Et son isle riante, et ses plaisirs faciles. - Ebloui, mais lassé de l’éclat de nos villes, - Souvent il s’écrioit: «Rendez-moi mes forêts» - Un jour, dans ces jardins où Louis á grands frais - De vingt climats divers en un seul lieu rassemble - Ces peuples végétaux surpris de croître ensemble, - Qui, changeant á la fois de saison, e de lieu, - Viennent tous á l’envi rendre hommage á Jussieu, - L’indien parcouroit leurs tribus réunies, - Quand tout-á-coup, parmi ces vertes colonies, - Un arbre qu’il connut dés ses plus jeunes ans - Frappe ses yeux. Soudain, avec des cris perçans - Il s’elance, il l’embrasse, il le baigne de larmes, - Le couvre de baisers. Mille objets pleins de charmes, - Ces beaux champs, ce beau ciel qui le virent heureux, - Le fleuve qu’il fendoit de ses bras vigoureux, - La forêt dont ses traits perçoient l’hôte sauvage, - Ces bananiers chargés, et de fruits, et d’ombrage - Et le toit paternel, et les bois d’alentour, - Ces bois qui répondoient á ses doux chants d’amour, - Il croit les voir encore, et son ame attendrie, - Du moins pour un instant, retrouva sa patrie. - - - FIN DU SECOND CHANT. - - - - - [Illustração] - - - OS JARDINS, POEMA. - - CANTO SEGUNDO. - - - A lyra, que os rochedos, que as florestas - Ao Rhódope attrahia, oh se eu tivesse! - Ella fallára, e sùbito arvoredos - Sobre as paizagens lançarião sombras; - A Laranjeira, o Til, Carvalhos, Cedros - Virião nos meus campos collocar-se - Em pasmosa cadencia, em ordem bella; - Mas perdeo a harmonia os seus milagres, - A lyra já não reina, a penha he surda, - A arvore immóvel fica aos sons mais gratos; - Dous mágicos ha só: trabalho, e arte. - Aprende, pois, que industria, e que desvelo - Prestão mimo, ou riqueza ás várias plantas. - Pela ridente cópa, a flor, e o fructo - A arvore he dos jardins primeiro ornato. - Para agradar, quantas figuras tóma, - Quantas figuras! Acolá se estendem - Pomposamente seus informes braços; - Brando, e ligeiro além se eleva o tronco, - Aqui lhe admiro, lhe namoro a graça, - A magestade alli. Roçada apenas, - Da menor viração, lhe ondêa a rama, - Ou contra os furacões arrebatados - Firma o corpo nodoso, a rija fronte; - Dura, ou molle, se inclina, ou se levanta, - Protêo dos vegetais, a cada instante - Muda o feitio, a cor, verdura, e frutos - Para dar novo brilho á Natureza. - Eis os thesoiros teus, oh Arte, e o Gosto - Prohibe que sem ordem se dispendão. - Das varias plantas a extensão, e a fórma - Se offrece aos olhos em aspectos varios. - Ora selva profunda, inculta, e negra - Derrama sombra immensa, ora apparece - Bosque risonho de arvores formosas. - Em ventilados campos mais ao longe - Os olhos chamão, a attenção dominão - Distribuidos, primorosos grupos. - Fiando-se na propria louçania, - Só, n’outra parte, huma arvore pompêa, - Só ella exorna o chão: Tal, se he possivel - Que a paz dos campos assemelhe a guerra, - Cerrados batalhões, dispersas turmas, - Numero, e forças ante nós ostentão; - E altivo do seu nome, e sustentado - Na sua intrepidez, á frente delles - Hum só Heroe se avança, e todos vale. - Diversas plantações tem leis diversas. - Nos Jardins do Artificio em outros tempos - Olhava o luxo com desdem, com tedio - As isoladas arvores, e agora - Aprazem nos Jardins da Natureza. - Por capricho feliz, sisudo acaso - Estas desproporções tem attractivos, - Difirão na distancia, aspecto, e fórma; - Sempre a grandeza, ao menos a elegancia, - Distinga a planta, ou ella, envergonhada, - Por entre a multidão desappareça. - Mas se hum Carvalho, ou Plátano longevo, - Patriarcha dos Bosques, ergue a fronte - Sombria, veneravel, toda a Tribu, - Disposta emtorno, com respeito o esquive, - Lhe faça Corte. Agradará dest’arte - A arvore, que isolada o Campo adorna. - Com mais escolha ainda, e com mais gosto - Os grupos te daráõ prestantes quadros. - De arvores mais, ou menos vigorosas, - Em numero qualquer, pequeno, ou grande - Fórma-lhe a massa espessa, ou leves tufos: - Este Povo de Irmãos apraz ao longe, - Pódes por elles variar desenhos; - Com elles se aproximão, se removem, - Se afastão, se reunem perspectivas, - E com elles tambem sobre as paizagens - Se dobra, ou se desdobra o véo das sombras. - Formárão-se teus grupos: he já tempo - Q’a hum tanto de arte os bosques se habituem. - Bosques augustos! Bosques venerandos! - Eu vos acato, eu vos saudo: as vossas - Poeticas abóbadas não ouvem - Já do Bardo feróz o horrivel canto; - Hum delirio mais doce em vós habita, - Vossas grutas ainda em verso instruem. - Ermos antigos, magestosas sombras, - Vós inspirais os meus: ah! dai que eu possa - Com respeitosa mão tocar-vos hoje, - E que, sem profanar, aformosêe: - De vós aprender quero a adereçar-vos. - Arvoredos expor-se aos olhos podem - Em milhares de aspectos. Deste lado - Pressos troncos as sombras lhe carreguem: - Alegre-se acolá de luz escassa - A redolente estancia, travem nella - Combate deleitoso a noite, e o dia: - Mais além, signalando o chão co’as folhas, - Sobre os claros dispersas tremão plantas. - Porque, humas para as outras fluctuando, - E sem ousar tocar-se, ao mesmo tempo - Pareça, que se fogem, que se buscão. - O bosque assim por ti perde a aspereza; - Mas seu grave caracter não desmanches; - Com miudos objectos, mui frequentes - Não se interrompa, não se altere o todo. - Hum seja, simples, grande, e toda a pompa - Com alguma rudez a Arte lhe deixe. - Apresenta esses troncos destroçados; - Quero ver, e seguir negras torrentes, - Pelas quebradas concavas fervendo. - D’agoa, do tempo, do ar mantem vestigios; - Venera do rochedo os ameaços, - Deixa-o pender, e emfim tudo respire - Silvestre, vigorosa formosura - Sobre o terreno magestoso. Agrada - Assim de hum bosque a rustica nobreza. - Com menor altivez, com mais brandura - Hum bosquezinho offrece amenos quadros: - Quer bellos sitios, e contórnos bellos; - Fóge, tórna, em rodeios vai perder-se; - Entre flores estende agoas serenas, - E cuido que inda nelle, embriagado - De hum extasis suave, em ocio puro, - As lições do prazer dicta Epicuro. - Mas não basta que em selva, ou bosquezinho - Haja riqueza ou elegante, ou bruta, - Cumpre ornar com primor seus exteriores. - Não vás, symmetrisando-lhe os limites, - Com recendentes muros ocultar-nos - Dos bosques as innúmeras familias. - Ver quero, penetrando o centro agreste, - Crescer a hum tempo as arvores diversas, - De vigor juvenil humas brilhantes, - Outras todas decrépitas, nodósas, - Estas rasteiras, languidas, e aquellas, - Tyrannos das Florestas, esgotando - Da substancia o tributo a seus vassalos; - Scena em que a idéa vê com gosto imagens - Das idades, da vida, e dos costumes. - Apar destes effeitos, que valia - Teraõ verdes reparos, cuja fórma - Entristece, importuna, afflige os olhos, - Forma que he sempre igual, nunca inesperada? - Oh delicias da vista! Oh variedade! - Acode, vem romper nivel insulso, - Triste esquadro, e cordel fastidioso. - De matiz acertado, interessante - As estremas dos bosques se guarneção, - He a uniformidade ingrata aos olhos; - Da que vem nos jardins elles se enfadão, - Á sua extremidade elles se avanção, - Folgão de discorrer a inopinada - Fórma que lustra nos limites varios. - Em gyros mil brincando a vista errante, - Ou com elles se entranha, ou sahe com elles, - E nos diversos, florecentes quadros - De distancia em distancia, alegre pousa. - O Bosque se engrandece, e a cada passo - Seus rodeios varia, e seus encantos. - A fórma, pois, se lhe desenhe, e logo - As Arvores se escolhão, a que o Gosto - Prescreve o sacrificio; mas sê tardo, - Condena devagar, condena a custo: - Antes de executar-se a lei sevéra, - Ah! vê que manso, e manso as cria o Tempo, - E altêa manso, e manso; que impossivel - He a todo o oiro teu remir-lhe as sombras, - E que já lhe deveste hum fresco amparo. - Duro Possuidor, com tudo, ás vezes, - E sem necessidade, e sem remorso, - Aos golpes do machado as abandona, - Eis sobre o seio da indignada Terra - As miseras baqueão, seccão, morrem: - Para sempre dalli com magoa vôão - Doces meditações, cautos amores. - Ah! por estes sagrados Arvoredos, - Que aos bailes Pastoris prestavão sombra, - Por estas densas comas, que abrigárão - Vossos Avós, tende atenção, Profanos, - C’os troncos religiosos. Já que os Evos - Nelles a robustez inda consentem, - Não lhe afronteis a ancianidade augusta. - Tem de raiar, tem de raiar em breve - O dia em que estes bosques desmaiados, - Para ceder o imperio a tenras plantas, - Da excelsa fronte, succumbindo ao ferro, - Verão no pó murchar-se a honra antiga. - Oh Versailles! Oh dor! Oh vós, Florestas, - De celeste apparencia! Maravilhas, - Que fez hum grande Rei, Le Notre, e os Annos! - Eis sôa o corte; vosso termo he vindo. - Arvores, cuja audacia ás nuvens hia, - Feridas na raiz, no ar balançando - Suas cópas louçaãs, que abala o ferro, - Já dão ruidosa quéda, e já seus troncos - Vão alastrando ao longe esses passeios, - Que de frescas abobadas cobrião - Com seus pomposos, estendidos braços. - O estrago se atreveo aos Arvoredos, - Cuja gloriosa fronte a fronte heroica - De Luiz, o magnanimo, assombrava! - Destruirão-se bosques, onde as Artes, - Mais suaves conquistas celebrando, - Multiplicavão festivais prazeres! - Amor, que he feito do encantado abrigo, - Que ouvio de Montespan gemer o orgulho? - Que he do retiro, onde tão meiga, e bella, - Ao de ouvilla attrahido, absorto Amante - La Valiere exprimio segredos ternos, - Rendida suspirou, sem crer-se amada? - Tudo cahe, tudo acaba; ao som terrivel - Desta destruição, não vês, não sentes - Alígero Tropel fugir medroso? - Este volátil Povo, alegre, ufano - De habitação tão bella, e que entoava - Dos Monarcas no asylo os seus amores, - Com dor se ausenta dos saudosos lares. - Deozes, de que estes pórticos honrara - Estremado cinzel, Deozes, vestidos - De verdes, molles véos, ainda ha pouco, - Pela perdida sombra estão carpindo, - Mostrão-se da nudez envergonhados; - E, receando os olhos, Venus mesma, - Venus se assombra de se ver despida. - Appressai-vos, crescei, mimosas Plantas, - Tornai a povoar a Estancia cara. - Arvores semimortas, consolai-vos. - Vós, testemunhas da fraqueza humana. - De Corneille, e Turenna os fados vistes, - Vistes morrer o Heroe, morrer o Vate: - Ao menos, já contais cem primaveras, - E os nossos dias de mais luz, mais gloria - Ah! voão logo, e para sempre voão. - Feliz daquelle que possue hum bosque - Formado pelo tempo! Mas ditoso - Tambem quem para si pôde criallo! - Estas, que vão medrando, arvores bellas, - Eu fui o que as plantou: (diz como Cyro) - Tu, pois, se inda dispor das tuas pódes, - Teme que antes de tempo ellas rebentem. - Assim como o Pintor que, demorando - Indiscreto pincel na mão sabida, - Longamente co’a idéa esboça os quadros: - Tu dos desenhos teus medita a ordem; - O valor, a eficacia dos aspectos, - E dos sitios conhece; e o attractivo - Dos bosques nas colinas pendurados, - E a gala dos que em plano a sombra estendem. - Como as amigas fórmas, como as côres - Amigas, te he proveito conheceres - As adversas tambem. O freixo altivo, - Arremessando ao ar comprida rama, - O inclinado salgueiro aborrecêra, - Do álamo opõem-se o verde ao do carvalho; - Mas tais odios tempérão-se com arte: - Elege por feliz intercessora - Huma arvore meaã, que os concilie. - Desta sorte Vernet, com maga tinta - De duas côres a discordia extingue. - Conhece, pois, o emprego, a serventia - Das difrentes verduras, ou brilhantes, - Ou sem lustre, mais mortas, ou mais vivas. - Com taes alterações, com taes matizes - No seio das paizagens se varião - Formosamente as sombras, se produzem - Effeitos ora doces, e ora fortes, - Grandes contrastes, ou gentis concordias. - Observa-as maiormente quando o Outono - Perto de vella murcha enfeita a crôa: - Que pompa! Q’esplendor! Que variedade! - A côr alaranjada, a côr purpurea, - A opálica viveza, a do encarnado - Ostentação de seus thesoiros fazem. - Ai! Todo este esplendor lhe agoira a quéda! - Eis o fado commum! Depressa os Euros - Hão de espalhar pelos profundos valles - Os despojos selváticos: a folha - Cahindo, já distrahe de quando em quando - O solitario Pensador; mas estas - Mesmas ruinas para mim são gratas; - Alli, se fundas queixas nutro n’alma, - Ou assanhar-me a chaga vem memorias, - Gósto de misturar, de ver conforme - O luto meu da Natureza ao luto. - Dos seccos bosques, dos raminhos murchos - Me apraz pizar fragmentos, só, e errante. - Dias de embriaguez, e de loucura, - Os mentirosos dias já voárão; - Terna Melancolia, a ti me entrego, - Vem, mas não de atras nuvens carregada; - Onde se envolve a tenebrosa Angustia: - Por entre véo ligeiro a vista branda - Dirige á Terra, aos Ceos, como no Outono - Os vapores traspassa hum tibio dia; - Traze, oh dos Vates, dos Amantes socia, - Sereno o rosto, os olhos pensativos, - E a deleitosas lagrimas propensos. - Mas em quanto minha alma se apascenta - Nestas idéas, mil floridas castas - De fragrantes, de tremulos arbustos - Chamando estão por mim. Vem, lindo Povo, - Tu entre a arvore, e a flor tu és o meio, - És como a transição. Teus delicados - Caractéres agora a scena enfeitem. - Oh! se não me instigasse o largo assumpto, - Se ao termo, que me espera, eu não corresse, - Que jubilo teria em dirigir-vos! - Eu vos reproduzira, eu vos mostrára - Em cem fecundas fórmas, eu faria - Á sombra vossa murmurar correntes, - Vossa rama em abóbadas travara; - Envoltos nestes vividos ulmeiros, - Irião serpeando os vossos braços - Pelos rìgidos troncos, e serieis - O symbolo da graça, unida á força. - Fundira, approveitára as vossas côres: - A azul ferrete, a encarnada, a branca; - Dos olhos as delicias alternando, - Vossos penachos, cálices, e flores, - Formar virião meus brilhantes quadros, - E o mesmo Vanhuysum mos invejára. - Tu, que estes férteis dons dos Ceos houveste, - Com arte economiza arbórea pompa: - Favores seus co’as Estações reparte. - Co’as côres, e os perfumes cada arbusto - Por seu turno appareça, e nunca murche - Na fronte do Anno a flórida capela. - Assim com elle o teu jardim varia: - Cada mez tem seu bosque, e cada bosque - A sua Primavera... ah! cedo extincta! - Tua industria, porém, da sua instavel, - Curta riqueza consolar-nos póde. - Com prudencia estas arvores plantadas, - Quando flor não tiverem, graça tenhão. - Tal, dilatando o imperio de seus olhos, - Já na declinação dos annos bellos, - A destra Ulina me seduz, me enlêa. - Da inclemencia dos ares a despeito, - O Ceo não desherdou de todo o Inverno; - Então dos ventos provocando a raiva, - Não poucos vegetaes conservão folhas. - Olha o Teixo, olha a Era, olha o Pinheiro, - O pungente Azevinho, o sacro Loiro, - De verdura immortal, que a Terra vingão, - Vingão dos Aquilões a Natureza. - De purpura, e coral, vê fructos, bagas; - Que esmalte aos ramos dão! Seu atavio - Sobre os despidos Campos lisonjêa: - Por menos esperado he mais formoso. - Os teus Jardins de Inverno assim povôa; - Lá de hum benigno dia a luz te affaga, - Lá, quando em outra parte he nua a Terra, - O passarinho adeja, e se diverte - Inda debaixo de viçosas folhas: - O sitio o illude, não conhece o tempo, - Vêlla imagina, e canta a Primavera: - Assim, sem ser facticia a Estancia agrada. - Mas os Jardins dos Reis com que artificio, - Com que apparato esplendido triunfão - Dos sanhudos Invernos! Sempre verdes, - Oh Mouceaux! Teus jardins são disto exemplo, - Troncos fingidos de arvores ausentes, - Grutas de encanto, mágicas latadas, - Tudo alli rouba os olhos. Afrontando - A ríspida Estação caliginosa, - A nascer entre o gelo aprende a rosa. - Milagres alli domão tempos, climas, - Das Fadas o poder alli se antolha. - Mas não são todavia estes encantos - Dos Jardins o melhor, mais doce ornato, - Cedo o costume te desorna os bosques. - Quando os Estranhos tuas sombras gostão - Jaz muitas vezes descontente o Dono. - Meios não ha, cuja virtude occulta - Sempre a teus bosques a affeição te avive? - Oh! quanto dos Lapões me apraz o estilo! - Oh! como enganão seus Invernos duros! - O Til soberbo, os Olmos reforçados - Temem daquelles Campos o regelo; - De alguns tristes Pinheiros, negros, bravos - Indigente, escassissima verdura - Apenas a geada alli penetra. - Mas o minimo arbusto, que poupassem - Aquelles agros climas, ante os olhos - Dos habitantes seus tem mil feitiços. - He consagrado a filho, a pai, a amigo, - A Hospede que parte, e deixa prantos, - Deixa saudade eterna, e de algum delles - O nome, sempre caro, á Planta fica. - Tu, de quem puro Ceo clarêa a Patria, - Imitar podes tão feliz industria: - Ella animará tudo, arvores, bosques - Não serão mudos, não serão desertos: - Hão de immensas memorias habitallos, - Gostos distantes adornar-lhe as sombras, - E quem prohibe, se o favor dos Numes - Com doce prole teus desejos farta, - Quem véda consagrares esse dia - Com troncos de nascente bosquezinho...! - Mas em quanto estes versos, Musa, entôas, - Que popular clamor aos ares sobe! - Nasceo, nasceo o herdeiro aos Reis da Gallia! - Nos muros, nas falanges, sobre as ondas, - Nosso terrivel, triunfante raio - Trôa, corre, e aos dois Mundos o annuncia, - Flores são pouco para ornar-lhe o berço, - Os loiros lhe trazei, trazei-lhe as palmas; - Raiem dias de gloria ante o primeiro - Volver dos olhos seus; nascido apenas, - Da Victoria oiça o hymno; eis o festejo - Que ao puro sangue dos Bourbons se deve. - E tu por quem tal dom dos Ceos nos veio, - Tu, nó mimoso, tu prizão querida - Do Germano, e Francez, que Irmão, e Esposo - Unes como odorifera grinalda - Que enlaça dois Ulmeiros magestosos; - Consorte, Mãi, e Irmã, teus fados ligão - O Penhor de Hymenêo da Morte ao luto, - Em teus olhos misturão pranto, e riso, - Dando-te o Filho quando a Mãi te roubão, - Nos transportes que influe este aureo dia, - Ousem Almas ferventes, creadoras - Animar os pinceis, a pedra, a lyra; - Dos Campos eu cantor, e humilde amigo, - Irei onde os Favonios, onde Flora - Sós te compõem a deleitavel Corte, - Irei a Trianon: alli risonho - Em unico tributo á Prole tua - Arvores sagrarei da sua idade, - Hum bosquezinho que lhe deva o nome. - Verão teus olhos avultar o amavel, - O simples monumento, aquelles troncos, - Dos bosques teus o mais suave ornato; - E com ellas crescendo, recrear-se - Ás sombras fraternais irá teu filho. - Gozas, emfim, e o coração, e os olhos - Feliz Possuidor, já se embellezão - Nos arvoredos teus. Tambem desejas - Unir ao gosto a gloria, obter a palma - Nesta arte singular com que os decoras? - De creador merece, alcança o nome. - Olha como em segredo a Natureza - Sempre está fermentando, e como sempre - A precisão de produzir a ancêa. - Não lhe acodes? Quem sabe que thesoiros - Inda em seus cofres para a Industria guarda? - Como esta a seu arbitrio as ondas guia, - Póde guiar o succo: outros caminhos, - Outros canaes a seu liquor franquêa. - Por novos hymenêos fecunda os Campos, - Das seibas virgens exprimenta o mixto, - De seus dons mutuos favorece a troca. - Quantas arvores, fructos, plantas, flores - Tem mudado o perfume, a côr, e o gosto, - Tudo por arte! O Pecegueiro a estas - Metamorfóses sua gloria deve. - Assim com triple croa a rosa brilha, - De seu penacho assim blasona o cravo. - Ousa. Deos fez o Mundo, o Homem o adorna. - Se a tão bellas conquistas não te afoitas, - Cobertas d’ outro Ceo tens mil riquezas. - Usurpa esses thesoiros. Tal, mais brando - Vencedor, e mais justo nos seus roubos, - O Romano soberbo á Ausonia trouxe - Syrias ameixas, o damasco Armenio, - Da Gallia a pera, e fructos mil diversos: - Assim devêra subjugar-se o Mundo. - Lá quando d’Asia triunfou Lucullo - O bronze, o oiro, o marmore assombravão - De Roma os olhos, e entretanto o Sabio - Prezou ver-lhe nas mãos a cereijeira - Conduzida em triunfo ao Capitolio. - E esses mesmos Romanos já não vírão - Nossos Avós, em batalhões armados, - Debaixo de outros Ceos mais bemfazejos - As vinhas ir buscar, votando a Brómio - Tintos pendões em nectar dos Vencidos? - Co’ fruto das beligeras emprezas - Excandecida a Turba, os preciosos - Troféos, cantando, aos Lares seus trazia. - As cabeças o pâmpano croava, - O pâmpano em festoens cingia as lanças. - Desta arte o Numen, vencedor do Ganges, - Tornou triunfante: serranias, valles - Da vindima o fervor solemnisavão, - E por onde corria o mago nectar - Folgavão brincos, e o prazer, e a audacia. - Netos dos Gallos, os Avós se imitem; - Roubemos, disputemos taes despojos. - Nesses jardins, altivos de regellos - A mão, que a Themis empunhara o Sceptro, - Malesherbe, o facundo, o digno ramo - Dos Lamoignons, com troncos orgulhosos - Honra, abastece o chão: trazidas Plantas - Dos fins da Terra, das equóreas margens, - De alcantalidos cumes de agras serras, - Das portas do Nascente, e das do Occaso; - Plantas, que açoita o Sul, que açoita o Norte, - Plantas, filhas do ardor, filhas do gelo, - Me fazem, n’um lugar, correr mil climas. - Vago, entre aquella Multidão florente, - Asia, America, Europa, Africa, o Mundo. - Regozijadas de se ver no meio - Das velhas plantas nossas, amão todas - Nosso amoravel Ceo, e estranhas Gentes - Reconhecendo as arvores da Patria, - Duvidão já da sua ausencia, ao vellas, - Ou de terna saudade os golpes sentem. - Moço Potaveri, tu disto es prova. - Dos Campos d’O-taiti, daquelles Campos, - Tão caros, n’outro tempo á sua infancia, - Onde he sem pejo Amor, Amor sem crime, - Este ingenuo, selvatico Mancebo, - Trazido a nossos muros, pranteava - Sua antiga, innocente liberdade, - Ilha risonha, e jubilos tão faceis. - Do esplendor das Cidades sim pasmado, - Mas farto dellas, vezes mil clamava: - Dai-me as florestas minhas: eis que hum dia - Nesses jardins, onde Luiz congrega, - Dispôem n’um sitio só, e a custo immenso, - Os Povos vegetaes de tantos climas, - Como espantados de crescerem juntos, - De lugar, e estação mudando a hum tempo, - E cultos a Jussieu rendendo todos; - Nesses Jardins o Indiano vagueava, - Olhando as varias, ordenadas Tribus, - Quando entre estas Colonias vicejantes - Lhe fere os olhos arvore que o triste - Desde os primeiros annos seus conhece. - Súbito, desatando agudos gritos, - A ella corre, abraça-se com ella, - Beijos a cobrem, lagrimas a innundão. - Objectos mil de inexplicavel gosto, - Os Ceos, os Campos que ditoso o virão, - Ceos tão formosos, tão formosos Campos? - Os rios que fendeo co’as mãos nervosas, - Matas por onde os brutos habitantes - Tão destro asseteava, as bananeiras - De sombras, e de frutos abastadas, - O patrio asylo, os bosques circumstantes, - Que aos canticos de amor lhe respondião, - Julgou ver, e a sua alma enternecida - Hum momento sequer gozou da Patria. - - - FIM DO CANTO SEGUNDO. - - * * * * * - -Na pag. 47 depois da linha 32 escapou o verso seguinte: - - De distancia em distancia, alegre pousa. - - - - - [Illustração] - - - LES JARDINS, POÈME, - - CHANT TROISIEME. - - - Je chantois les jardins, les vergers, et les bois, - Quand le cri de Bellone a retenti trois fois. - A ces cris, arrachés des foyers de leurs pères, - Nos guerriers ont volé sur des mers étrangères, - Et Mars a de Vénus déserté les bosquets. - Dieux des champs, Dieux amis de l’innocente paix, - Ne craignez rien. Louis, au lieu de vous détruire, - Veut sur des bords lointains étendre votre empire; - Il veut qu’un peuple ami, trop long-temps opprimé, - Recueille en paix le grain que ses mains ont semé. - Et vous, jeunes guerriers qu’admire un autre monde, - Je ne puis vers Yorck, sur les gouffres de l’onde - Suivre votre valeur; mais pour votre retour - Ma muse des jardins embellit le séjour. - Déjá j’ordonne aux fleurs de croitre pour vos têtes; - Pour de myrtes verds des couronnes sont prêtes, - Je prépare pour vous le murmure des eaux, - Les tapis des gazons, les abris des berceaux, - Où mollement assis, oubliant les alarmes, - Tranquilles vous direz la gloire de nos armes, - Tandis qu’entre la crainte, et l’espoir suspendus, - Vos enfans frémiront d’un danger qui n’est plus. - Achevons cependant d’orner ces frais asyles. - Jadis dans nos jardins les sables infertiles, - Tristes, secs, et du jour réfléchissant les feux, - Importunoient les pieds, et fatiguoient les yeux. - Tout étoit nu, brûlant; mais enfin l’Angleterre - Nous apprit l’art d’orner, et d’habiller la terre. - Soignez donc ces gazons déployés sur son sein. - Sans cesse l’arrosoir ou la faulx á la main, - Désaltérez leur soif, tondez leur chevelure. - Que le roulant cylindre en foule la verdure. - Que toujours bien choisis, bien unis, bien serres, - De L’herbe usurpatrice avec soin délivrés, - Du plus tendre duvet ils gardent la finesse; - Et quelquefois enfin réparez leur vieillesse. - Réservez toutefois aux lieux moins éloignés - Ce luxe de verdure, et ces gazons soignés. - Du reste composez une riche pâture, - Et que vos seuls troupeaux en fassent la culture. - Ainsi vous formerez des nourrissons nombreux, - Des engrais pour vos champs, des tableaux pour vos yeux. - Ne rougissez donc point, quoique l’orgueil en gronde, - D’ouvrir vos parcs au bœuf, á la vache féconde, - Qui ne dégrade plus ni vos parcs, ni mes vers. - Mais c’est peu de créer ces vastes tapis verds; - Il en faut avec goût savoir choisir les formes. - Craignez pour eux l’ennui des cadres uniformes. - En d’insipides ronds, ou d’ennuyeux quarrés, - Je ne veux point les voir tristement resserrés. - Un air de liberté fait leur première grace. - Que tantôt dans les bois, dont l’ombre les embrasse, - D’un air mystérieux ils aillent se cacher, - Et que tantôt les bois les reviennent chercher. - Telle est d’un beau gazon la forme simple, et pure. - Voulez-vous mieux l’orner? Imitez la nature. - Elle émaille les prés des plus riches couleurs. - Hâtez-vous; vos jardins vous demandent des fleurs. - Fleurs charmantes! par vous la nature est plus belle; - Dans ses brillans tableaux l’art vous prend pour modèle; - Simples tributs du cœur, vos dons sont chaque jour - Offerts par l’amitié, hasardés par l’amour. - D’embellir la beauté vous obtenez la gloire; - Le laurier vous permet de parer la victoire; - Plus d’un hameau vous donne en prix á la pudeur. - L’autel même où de Dieu repose la Grandeur, - Se parfume au printemps de vos douces offrandes, - Et la Religion sourit á vos guirlandes. - Mais c’est dans nos jardins qu’est votre heureux séjour. - Filles de la rosée, et de l’astre du jour, - Venez donc de nos champs décorer la théâtre. - N’attendez pas pourtant qu’amateur idolâtre, - Au lieu de vous jetter par touffes, par bouquets, - J’aille de lits en lits, de parquets en parquets, - De chaque fleur nouvelle attendre la naissance, - Observer ses couleurs, épier leur nuance. - Je sais que dans Harlem plus d’un triste amateur - Au fond de ses jardins s’enferme avec sa fleur, - Pour voir sa renoncule avant l’aube s’éveille, - D’une anémone unique adore la merveille, - Où, d’un rival heureux enviant le secret, - Achete au poids de l’or les taches d’un œillet. - Laissez-lui sa manie, et son amour bizarre; - Qu’il possède en jaloux, et jouisse en avare. - Sans obéir aux loix d’un art capricieux, - Fleurs, parure des champs, et délices des yeux, - De vos riches couleurs venez peindre la terre. - Venez: mais n’allez pas dans les buis d’un parterre - Renfermer vos appas tristement relégués. - Que vos heureux trésors soient par-tout prodigués, - Tantôt de ces tapis émaillez la verdure; - Tantôt de ces sentiers égayez la bordure; - Formez-vous en bouquets; entourez ces berceaux; - En Méandres brillans courez au bord des eaux, - Ou tapissez ces murs, ou dans cette corbeille - Du choix de vos parfums embarrassez l’abeille. - Que Rapin, vous suivant dans toutes les saisons, - Décrive tous vos traits, rapelle tous vos noms; - A de si longs détails le dieu du goût s’oppose. - Mais qui peut refuser un hommage à la rose, - La rose, dont Vénus compose ses bosquets, - Le printemps sa guirlande, et l’Amour ses bouquets, - Qu’Anacréon chanta, qui formoit avec grace - Dans les jours de festin la couronne d’Horace? - Mais ce riant sujet plait trop à mes pinceaux, - Destinés à tracer de plus mâles tableaux. - O vous, dont je foulois les pelouses fleuries, - Adieu, charmants bosquets, adieu, vertes prairies; - Ces masses de rochers confusément épars - Sur leur informe aspect appellent mes regards. - De nos jardins voués à la monotonie - Leur sublime âprêté jadis étoit bannie. - Depuis qu’enfin le peintre y prescrivant des loix, - Sur l’arpenteur timide a repris tous ses droits, - Nos jardins plus hardis de ces effets s’emparent. - Mais de quelque beauté que ces masses les parent, - Si le sol n’offre point ces blocs majestueux, - De la nature en vain rival présomptueux, - L’art en voudroit tenter une infidelle image. - Du haut des vrais rochers, sa demeure sauvage, - La nature se rit de ces rocs contrefaits, - D’un travail impuissant avortons imparfaits. - Loin de ces froids essais qu’un vain effort étale, - Aux champs de Midleton, aux monts de Dovedale, - Whateli, je te suis; viens, j’y monte avec toi. - Que je m’y sens saisi d’un agréable effroi! - Tous ces rocs variant leurs gigantesques cimes, - Vers le ciel elancés, roulés dans des abimes, - L’un par l’autre appuyés, l’un sur l’autre étendus, - Quelquefois dans les airs hardiment suspendus, - Les uns taillés en tours, en arcades rustiques, - Quelques-uns á travers leurs noirâtres portiques - Du ciel dans le lointain laissant percer l’azur, - Des sources, des ruisseaux le cours brillant, et pur, - Tout rapelle á l’esprit ces magiques retraites, - Ces romanesques lieux qu’ont chanté les poètes. - Heureux si ces grands traits embellissent vos champs! - Mais dans votre tableau leurs tons seroient tranchans. - C’est lá, c’est pour dompter leur inculte énergie, - Qu’il faut d’un enchanteur le charme, et la magie. - Cet enchanteur, c’est l’art; ces charmes, sont les bois, - Il parte: les rochers s’ombragent á sa voix, - Et semblent s’applaudir de leur pompe étrangère. - Mais en ornant ainsi leur sécheresse austère, - Variez bien vos plants. Offrez aux spectateurs - Des contrastes de tons, de formes, de couleurs; - Que les plus beaux rochers sortent par intervalles. - N’interromprez-vous point ces masses trop égales? - Cachez, ou découvrez, variez á la fois - Les bois par les rochers, les rochers par les bois. - N’avez-vous pas encor, pour former leur parure, - Des arbustes rampans l’errante chevelure? - J’aime á voir ces rameaux, ces souples rejettons, - Sur leurs arides flancs serpenter en festons. - J’aime á voir leur front chauve, et leur tête sauvage - Se coeffer de verdure, et s’entourer d’ombrage. - C’est peu. Parmi ces rocs un vallon précieux, - Un terrein moins ingrat vient-il rire á nos yeux? - Saisissez ce bienfait; déployez á la vue - D’un sol favorisé la richesse imprévue. - C’est un contraste heureux; c’est la stérilité - Qui cède un coin de terre a la fertilité. - Ainsi vous subjuguez leur âpre caractère. - Quoi donc! faut-il toujours les orner pour vous plaire? - Non; l’art qui doit toujours en adoucir l’horreur, - Leur permet quelquefois d’inspirer la terreur. - Lui-même il les seconde. Au bord d’un précipice - D’une simple cabane il pose l’édifice: - Le précipice encore en paroit agrandi; - Tantôt d’un roc á l’autre il jette un pont hardi. - A leur terrible aspect je tremble, et de leur cime - L’imagination me suspend sur l’abime. - Je songe á tous ces bruits du peuple répétés, - De voyageurs perdus, d’amans précipités; - Vieux récits, qui, charmant la foule émerveillée, - Des crédules hameaux abrègent la veillée, - Et que l’effroi du lieu persuade un moment. - Mais de ces grands effets n’usez que sobrement. - Notre cœur dans les champs á ces rudes secousses - Préfère un calme heureux, des émotions douces. - Moi-même, je le sens, de la cime des monts - J’ai besoin de descendre en mes rians vallons. - Je les ornai de fleurs, les couvris de bocages; - Il est temps que des eaux roulent sous leurs ombrages. - Eh bien! si vos sommets jadis tout dépouillés - Sont, grace á mes leçons, richement habillés, - O rochers: ouvrez-moi vos sources souterraines: - Et vous, fleuves, ruisseaux, beaux lacs, claires fontaines, - Venez, portez par-tout la vie, et la fraicheur. - Ah! qui peut remplacer votre aspect enchanteur? - De près il nous amuse, et de loin nous invite; - C’est le premier qu’on cherche, et le dernier qu’on quite. - Vous fécondez les champs; vous repetez les cieux; - Vous enchantez l’oreille, et vous charmez les yeux. - Venez: puissent mes vers, en suivant votre course, - Couler plus abondants encor que votre source, - Plus legers que les vents qui courbent vos roseaux, - Doux comme votre bruit, et purs comme vos eaux! - Et vous qui dirigez ces ondes bienfaitrices, - Respectez leurs penchans, et même leurs caprices. - Dans la facilité de ses libres detours, - Voyez l’eau de ses bords embrasser les contours, - De quel droit osez-vous, captivant sa souplesse, - De ses plis sinueux contraindre la mollesse? - Que lui fait tout le marbre où vous l’emprisonnez? - Voyez-vous, les cheveux aux vents abandonnés, - Sans contrainte, sans art, sans parure étrangère, - Marcher, courir, bondir la folâtre bergère? - Sa grace est dans l’aisance, et dans la liberté. - Mais au fond d’un sérail contemplez la beauté: - En vain elle éblouit, vainement elle étale - De ses atours captifs la pompe orientale; - Je ne sais quoi de triste, empreint dans tous ses traits, - Décèle la contrainte, et flétrit ses attraits. - Que l’eau conserve donc la liberté qu’elle aime, - Ou changez en beauté son esclavage même. - Ainsi malgré Morel, dont l’éloquente voix - De la simple nature a sçu plaider les droits, - J’aime ces jeux ou l’onde en des canaux pressée - Part, s’échappe, et jaillit avec force élancée. - A l’aspect de ces flots qu’un art audacieux - Fait sortir de la terre, et lance jusqu’aux cieux, - L’homme se dit: «C’est moi qui créai ces prodiges» - L’homme admire son art dans ces brillans prestiges; - Qu’ils soient donc déployés chez les grands, et les rois - Mais, je le dis encor; loin le luxe bourgeois, - Dont le jet d’eau honteux, n’osant quitter la terre, - S’élève á peine, et meurt á deux pieds du parterre. - C’est peu: tout doit répondre á ce riche ornement; - Que tout prenne á l’entour un air d’enchantement. - Persuadez aux yeux que d’un coup de baguette - Une Fée, en passant, s’est fait cette retraite. - Tel j’ai vu de Saint-Cloud le bocage enchanteur. - L’œil de son jet hardi mesure la hauteur? - Aux eaux qui sur les eaux retombent, et bondissent, - Les bassins, les bosquets, les grottes applaudissent; - Le gazon est plus verd, l’air plus frais, des oiseaux - Le chant s’anime au bruit de la chûte des eaux, - Et les bois inclinant leurs têtes arrosées, - Semblent s’épanouir á ces douces rosées. - Plus simple, plus champêtre, et non moinsbelleauxyeux, - La cascade ornera de plus sauvages lieux. - De près est admirée, et de loin entendue - Cette eau toujours tombante, et toujours suspendue. - Variée, imposante, elle anime á la fois - Les rochers, et la terre, et les eaux, et les bois. - Employez donc cet art; mais loin l’architecture - De ces tristes gradins, ou tombant en mesure, - D’un mouvement égal, les flots précipités - Jusques dans la fureur marchent á pas comptés. - La variété seule a le droit de vous plaire. - La cascade d’ailleurs a plus d’un caractère. - Il faut choisir. Tantôt d’un cours tumultueux - L’eau se précipitant dans son lit tortueux, - Court, tombe, et rejaillit, retombe, écume, et gronde. - Tantôt avec lenteur developpant son onde, - Sans colère, sans bruit un ruisseau doux, et pur - S’epanche, se deploie en un voile d’azur. - L’œil aime á contempler ces frais amphiteâtres, - Et l’or des feux du jour sur les nappes bleuâtres, - Et le noir des rochers, et le verd des roseaux, - Et l’eclat argenté de l’ecume des eaux. - Consultez donc l’effet que votre art veut produire, - Et ces flots, toujours prompts á se laisser conduire, - Vont vous offrir, plus lents, ou plus impetueux, - Des tableaux gais, ou fiers, grands, ou voluptueux. - Tableaux toujours puissans! Eh! qui n’a pas de l’onde, - Eprouvé sur son cœur l’impression profonde? - Toujours, soit qu’un courant vif, et precipité - Sur des cailloux bondisse avec agilité, - Soit que sur le limon une rivière lente - Deroule en paix les plis de son onde indolente; - Soit qu’á travers des rocs un torrent en courroux - Se brise avec fracas; triste, ou gai, vif, ou doux - Leur cours excite, appaise, ou menace, ou caresse. - De Vénus, nous dit-on, l’echarpe enchanteresse - Renfermoit les amours, et les tendres desirs, - Et la joie, et l’espoir, precurseur des plaisirs. - Les eaux sont ta ceinture, ô divine Cybèle! - Non moins imperieuse, elle renferme en elle - La gaieté, la tristesse, et le trouble, et l’effroi. - Eh! qui l’a mieux connu, l’a mieux senti que moi? - Souvent, je m’en souviens, lorsque les chagrins sombres, - Que de la nuit encore avoient noircis les ombres, - Accabloient ma pensée, et flétrissoient mes sens, - Si d’un ruisseau voisin j’entendois les accens, - J’allois, je visitois ses consolantes ondes. - Le murmure, le frais de ses eaux vagabondes - Suspendoient mes chagrins, endormoient ma douleur, - Et la sérénité renaissoit dans mon cœur, - Tant du doux bruit des eaux l’influence est puissante! - Pour prix de ce bienfait, toi, dont le cours m’enchante, - Ruisseau, permets que l’art, sans trop s’énorgueillir, - T’embellisse à nos yeux, si l’art peut t’embellir. - Un ruisseau siéroit mal dans une vaste plaine; - Son lit n’y traceroit qu’une ligne incertaine. - Modestes, au grand jour se montrant á regret, - Ses flots veulent baigner un bocage secret. - Son cours orne les bois. Les bois font ses délices. - Lá, je puis á loisir suivre tous ses caprices, - Son embarras charmant, sa pente, ses replis, - Le courroux de ses flots par l’obstacle embellis. - Tantôt dans un lit creux, qu’un noir taillis ombrage, - Cachant son onde agreste, et sa course sauvage, - Tantôt á plein canal présentant son miroir, - Je le vois sans l’entendre, ou l’entends sans le voir. - Lá, ses flots amoureux vont embrasser des iles. - Plus loin, il se sépare en deux ruisseaux agiles, - Qui, se suivant l’un l’autre avec rapidité, - Disputent de vitesse, et de limpidité; - Puis, rejoignant tous deux le lit qui les rassemble, - Murmurent enchantés de voyager ensemble. - Ainsi, toujours errant de détour en détour, - Muet, bruyant, paisible, inquiet tour-á-tour, - Sous mille aspects divers son cours se renouvelle. - Mais vers ses bords rians la rivière m’appelle. - Dans un champ plus ouvert, noble et pompeux tableau, - Son onde moins modeste en larges nappes d’eau - Roule, des feux du jour au loin étincelante. - Elle laisse au ruisseau sa gaieté pétulante, - Et son inquiétude, et ses plis tortueux. - Son lit, en longs courans, des vallons sinueux - Suivra les doux contours, et la molle courbure. - Si le ruisseau des bois emprunte sa parure, - La rivière aime aussi que des arbres divers, - Les pâles peupliers, les saules demi-verds, - Ornent souvent son cours. Quelle source féconde - De scènes, d’accidens! Lá, j’aime á voir dans l’onde - Se renverser leur cime, et leurs feuillages verds - Trembler du mouvement, et des eaux, et des airs. - Ici, le flot bruni fuit sous leur voûte obscure. - Lá, le jour par filets pénétre leur verdure. - Tantôt dans le courant ils trempent leurs rameaux, - Et tantôt leur racine embarasse les flots. - Souvent d’un bord á l’autre étendant leur feuillage, - Ils semblent s’élancer, et changer de rivage. - Ainsi l’arbre, et les eaux se prêtent leur secours: - L’onde rajeuni l’arbre, et l’arbre orne son cours, - Et tous deux, s’alliant sous des formes sans nombre, - Font un échange aimable, et de fraicheur, et d’ombre. - Sachez donc les unir; ou si, dans de beaux lieux, - La nature sans vous fit cet hymen heureux, - Respectez-la. Malheur á qui feroit mieux qu’elle! - Tel est, cher Watelet, mon cœur me le rappelle, - Tel est le simple asyle oú, suspendant son cours, - Pure comme tes mœurs, libre comme tes jours, - En canaux ombragés la Seine se partage, - Et visite en secret la retraite d’un sage. - Ton art la seconda; non cet art imposteur, - Des lieux qu’il croit orner hardi profanateur. - Digne de voir, d’aimer, de sentir la nature, - Tu traitas sa beauté comme une vierge pure - Qui rougit d’être nue, et craint les ornemens. - Je crois voir le faux-goût gâter ces lieux charmans. - Ce moulin, dont le bruit nourrit la rêverie, - N’est qu’un son importun, qu’une meule qui crie; - On l’écarte. Ces bords doucement contournés, - Par le fleuve lui-même en roulant façonnés, - S’alignent tristement. Au lieu de la verdure - Qui renferme le fleuve en sa molle ceinture, - L’eau dans des quais de pierre accuse sa prison; - Le marbre fastueux outrage le gazon, - Et des arbres tondus la famille captive - Sur ces saules vieillis ose usurper la rive. - Barbares, arrêtez, et respectez ces lieux. - Et vous, fleuve charmant, vous, bois délicieux, - Si j’ai peint vos beautés, si dés mon premier âge - Je me plûs á chanter les prés, l’onde, et l’ombrage, - Beaux lieux, offrez long-temps á votre possesseur - L’image de la paix qui règne dans son cœur. - Autant que la riviére en sa molle souplesse - D’un rivage anguleux redoute la rudesse, - Autant les bords aigus, les longs enfoncemens - Sont d’un lac étendu les plus beaux ornemens. - Que la terre tantôt s’avance au sein des ondes; - Tantôt qu’elle ouvre aux flots des retraites profondes; - Et qu’ainsi s’appellant d’un mutuel amour, - Et la terre, et les eaux se cherchent tour-á-tour. - Ces aspects variés amusent votre vue. - L’œil aime dans un lac une vaste étendue. - Cependant offrez-lui quelques points de repos. - Si vous n’interrompez l’immensité des flots, - Mes yeux sans intérêt glissent sur leur surface. - Ainsi, pour abréger leur insipide espace, - Ou qu’un frais bâtiment, des chaleurs respecté, - Se présente de loin dans les flots répété, - Ou bien faites éclore une ile de verdure. - Les iles sont des eaux la plus riche parure. - Ou relevez leurs bords, ou qu’en bouquets épars - Des masses d’arbres verds arrêtent vos regards. - Par un contraire effet si vous voulez l’étendre, - Aux bords trop exhaussés ordonnez de descendre; - Ou reculez vos bois, ou commandez que l’eau - Se perde en un bosquet, tourne au pied d’un côteau, - A travers ces rideaux où l’eau fuit, et se plonge, - L’imagination la fuit, et la prolonge. - Ainsi votre œil jouit de ce qu’il ne voit pas; - Ainsi le goût savant prête á tout des appas, - Et des objets qu’il crée, et de ceux qu’il imite - Resserre, étend, découvre, ou cache la limite. - Or, maintenant que l’art dans ses jardins pompeux - Insulte à mes travaux, dans mes jardins heureux - Par-tout respire un air de liberté, de joie; - La pelouse riante á son gré se déploie; - Les bois indépendans relèvent leurs rameaux; - Les fleurs bravent l’équerre, et l’arbre les ciseaux: - L’onde chérit ses bords, la terre sa parure; - Tout est beau, simple, et grand: c’est l’art de la nature. - Cependant, et ce fleuve, et ces lacs sont déserts, - Venez; peuplons leur sein de citoyens divers. - Plaçons-y ces oiseaux qui, d’une rame agile, - Navigateurs ailés, fendent l’onde docile. - Au milieu d’eux s’élève, et nage avec fierté - Le cygne au cou superbe, au plumage argenté, - Le cygne, á qui l’erreur prêta des chants aimables, - Et qui n’a pas besoin du mensonge des fables. - Pour animer les eaux, l’art encor n’a-t-il pas - Le flottant appareil des voiles, et des mâts? - Par la rame emportée, une barque légére - Laisse á peine, en fuyant, sa trace passagére: - Zéphyre de la toile enfle les plis mouvans, - Et chaque banderole est le jouet des vents. - Et si nos vieux romans, ou la fable, ou l’histoire, - D’un ruisseau, d’une source ont consacré la gloire! - De leur antique honneur ces flots énorgueillis, - Par d’heureux souvenirs sont assez embellis. - Quel cœur, sans être ému, trouveroit Aréthuse, - Alphée, ou le Lignon: toi sur-tout, toi, Vaucluse, - Vaucluse, heureux séjour, que sans enchantement - Ne peut voir nul poéte, et sur-tout nul amant? - Dans ce cercle de monts, qui, recourbant leur chaine, - Nourrissent de leurs eaux ta source souterraine, - Sous la roche voûtée, antre mystérieux, - Où ta Nymphe, échappant aux regards curieux, - Dans un gouffre sans fond cache sa source obscure, - Combien j’aimois á voir ton eau, qui, toujours pure, - Tantôt dans son bassin renferme ses trésors, - Tantôt en bouillonnant s’eléve, et de ses bords - Versant parmi des rocs ses vagues blanchissantes, - De cascade en cascade au loin rejaillissantes, - Tombe, et roule á grand bruit; puis, calmant son courroux, - Sur un lit plus égal répand des flots plus doux, - Et sous un ciel d’azur par vingt canaux feconde - Le plus riant vallon qu’eclaire l’œil du monde! - Mais ces eaux, ce beau ciel, ce vallon enchanteur, - Moins que Petrarque, et Laure interessoient mon cœur - La voilá donc, disois je, oui, voilá cette rive - Que Petrarque charmoit de sa lyre plaintive! - Ici Petrarque á Laure exprimant son amour, - Voyoit naitre trop tard, mourir trop tôt le jour. - Retrouverai je encor sur ces rocs solitaires. - De leurs chiffres unis les tendres caracteres? - Une grotte ecartée avoit frappé mes yeux. - Grotte sombre, dis moi si tu les vis heureux, - M’ecriois-je! Un vieux tronc bordoit-il le rivage? - Laure avoit reposé sous son antique ombrage. - Je redemandois Laure á l’echo du vallon, - Et l’echo n’avoit point oublié ce doux nom. - Par-tout mes yeux cherchoient, voyoient Petrarque, et Laure, - Et par eux ces beaux lieux s’embellissoient encore. - - - FIN DU TROISIEME CHANT. - - - - - [Illustração] - - - OS JARDINS, POEMA. - - CANTO TERCEIRO. - - - Eu cantava os jardins, vergeis, e bosques, - Eis sólta vezes tres Belona o grito, - Eis dos paternos Lares arrancado, - Vôa o Francez Guerreiro a estranhos mares, - E de Venus, Mavorte as selvas deixa. - Vós, á Paz innocente affeiçoados, - Deoses dos Campos, não temais a guerra, - Quer o grande Luiz não destruir-vos, - Mas ao longe estender o imperio vosso; - Quer que logre tranquillo o que semêa - Hum Povo amigo longamente oppresso. - E vós, Mancebos, que outro Mundo admira, - Se por cima de tumidas voragens, - A York o vosso ardor seguir não posso, - Para quando volteis aperfeiçoa - Jardins a Musa minha. Ordeno ás flores - Que para as frontes vossas vão crescendo. - Aprompto para vós de myrto as croas, - O murmureo das agoas vos preparo, - E gramineo tapiz, e asylo umbroso. - Sentados molemente, ao Lethes dando - Fadigas marciais, direis a gloria - Das nossas forças bélicas, e emtanto - Entre esperanças, e temor suspensos, - Confundiráõ, tremendo, os filhos vossos - Co’ a presença do prigo a imagem delle. - Amador dos jardins, eia, acabemos - De pulir estes placidos abrigos. - Infecundo areal, e secco, e triste, - Nelles o dia reflectindo outr’hora, - Importunava os pés, cansava os olhos. - Tudo era ardente, e nu; mas Inglaterra - Nos ensinou com que arte o chão se veste, - Na relva cuida, pois, que os campos brotão. - O regador na dextra, ou nella a fouce, - Lhes mate as sedes, lhes tosquie as tranças. - As leivas o cylindro pize, aplane; - Sempre, escolhidas bem, bem apertadas, - Bem libertas da erva usurpadora, - Qual macia lanugem finas sejão; - Repare-se-lhe ás vezes a velhice; - Mas, comtudo, aos lugares não remotos - Se reserve este luxo de verdura: - Do resto se componhão ricos pastos, - E sómente os cultivem teus rebanhos. - Terás dest’arte numerosas crias, - Os Campos adubio, os olhos quadros. - Não te envergonhe, pois, (e grite embora - O orgulho) não defendas que em teus parques - Entre a Vacca fecunda, o Boi tardio: - Nem deshonrão teus parques, nem meus versos. - Muito pouco he, porém, crear sómente - Esses tapizes vastos, e viçosos: - Cumpre que saibas escolher-lhe as formas. - Longe a monotonia, ah! longe delles: - Em quadrada feição, feição redonda - Tristemente opprimidos os não quero. - Hum ar de liberdade he seu primeiro, - Gracioso attractivo: ora nos bosques, - Cuja sombra os abraça, elles se escondão - Com visos de mysterio, ora esses mesmos - Bosques venhão buscallos. Esta a forma - Da campestre alcatifa, pura, e simples, - Amas o bello? A Natureza imita, - Que esmalta os prados de opulentas cores: - Dá-te pressa; os jardins te pedem flores. - Flores mimosas, candidas boninas, - Por vós he mais gentil a Natureza. - Nos quadros por modelo a arte vos toma; - De terno coração sois dons singelos, - Que arrisca Amor, e que a Amizade offrece. - Em doirada madeixa, em niveo seio - Requinta-se comvosco a formosura; - Que a Victoria adorneis permitte o Loiro, - Do virgineo pudor tambem sois premio. - O mesmo, o mesmo Altar, onde repousa - A Grandeza de hum Deos, na Primavera - Com vossas oblações se aromatiza, - E a Religião, sorrindo-se, as acolhe; - Mas tendes nos jardins o domicilio. - Do Sol, da Aurora vinde, pois, oh filhas, - Decorar o theatro a nossos campos. - Comtudo, não cuideis que, insano Amante, - Em vez de vos travar, em vez de unir-vos - Em brandos, amorosos ramilhetes, - De canteiro em canteiro, attento espere - De cada nova flor o nascimento, - E lhe espie o matiz, lhe observe as côres. - Sei que em Harlem ha curiosos tristes, - Que em seus jardins co’as flores vão fechar-se, - Que, por ver hum rainunculo, despertão - Antes d’alva, e que adorão, qual prodigio, - Anémona exquisita, ou que, invejando - De hum rival o segredo, a peso de oiro - Comprão de hum cravo as manchas. Deixa aos loucos - Seu maniaco amor: possuão, gozem - Embora quaes ciosos, quaes avaros. - Sem de arte caprichosa as leis seguirdes, - Vós, dos olhos prazer, do campo adorno, - Flores, pintai a superficie á Terra; - Mas a vossa beleza, o mimo vosso - Entre curtos limites não se estreitem. - Em toda a parte esses thesoiros brilhem: - Ora aos tapizes a verdura esmaltem, - Ora de hum lado, e d’outro enfeitem ruas; - Em mesclados festões cercai ramadas, - Agoas orlai em lucidos Meandros, - Ou comvosco estes muros se alcatifem, - Ou, querendo escolher vossos perfumes, - Gyre, indecisa, no açafate a abelha. - Seguindo-vos Rapin nas quadras todas, - Nenhum matiz, ou nome vosso esqueça; - A tão frias, cansadas miudezas - Oppõem-se o Deos do gosto. Mas quem póde - Negar o obsequio, a preferencia á rosa, - Á rosa, de que Venus bosques tece, - Croas a Primavera, Amor seus mimos? - Á flor de Anacreonte, á flor que Horacio - Nos dias festivais engrinaldava? - Mas tão risonho objecto em demasia - Apraz aos meus pinceis, cujo destino - He quadros desenhar mais vigorosos. - Oh vós, de que eu trilhava o chão florido, - Bosquesinhos, adeos, adeos, oh prados. - Attrahe minha attenção o informe aspecto - Dos rochedos sem regra desparzidos. - Foi sua alta rudeza em outros tempos - Banida dos Jardins, onde reinava - A inérte, semsabor monotonia. - Mas depois que o Pintor, leis dando nelles, - Contra acanhado Artifice restaura - Totalmente o seu jus, emfim se atrevem - A apossar-se os jardins destes effeitos. - Por mais graças, porém, que venha dellas, - Se estas rígidas massas magestosas - Não offrece o terreno, então debalde, - Presumpçosa Rival da Natureza, - A Arte em falsas imagens se apurara. - Do cume dos Rochedos verdadeiros, - Da Mãi universal morada inculta, - Ella escarnece de affectadas penhas, - Misero aborto de fadiga inutil. - Aos Campos de Midléton, ás Montanhas - De Dovedale, te acompanho os passos, - A ellas, Whateli, comtigo subo. - Que aprazivel terror me assenhorêa! - Todos esses rochedos, variando - Os cimos colossais, arremessados - Aqui aos Ceos, alli para os abysmos, - Hum por outro amparados, hum sobre outro, - E no ar ousadamente alguns suspensos; - Este em arcada, em torre afeiçoado, - Aquelle pelo pórtico sombrio - Deixando perceber ao longe o Polo; - Além mananciais, aqui regatos - De limpida corrente, alegre, e mansa, - Tudo, ah! tudo no espirito revolve - Os mágicos retiros, que os Poetas - Cantárão, fabulando. Oh quão ditoso - Serás se teus jardins afformosêas - Com estas grandes, alterosas vistas! - Mas para que a teu quadro bem se ajustem, - Contra a tôsca energia dos rochedos - Cumpre de encantador ter a eficacia. - O encantador he a arte, o encanto os bosques; - Ella falla, os rochedos eis se assombrão, - E como que os enfuna a pompa estranha. - Porém, sua aridez austera ornando, - Sagaz diversifica os teus plantios. - Ao cobiçoso espectador offrece - Das formas, e das côres os contrastes; - Saião por entre as arvores a espaços - Os mais bellos rochedos: interrompe - Summa igualdade, esconde, ou patentêa! - Variem-se co’as arvores as róchas, - As arvores co’as róchas se variem. - Não tens tambem, para formar-lhe a gala - Não tens do baixo arbusto a folha errante? - Gósto de ver os dóceis novedios - Pelos áridos flancos dos penedos - Em tenrinhos festões ir serpeando; - Gósto de ver-lhes a escalvada fronte - Toucar-se de verdura, e ganhar sombras. - Isto inda he pouco. Hum valle entre estas penhas, - Hum valle precioso, hum chão mais grato - Ri-se a teus olhos? Aproveita-o, mostra, - Expoem esta riqueza inesperada. - He feliz, singular este contraste, - He a esterilidade, ella, que hum breve - Espaço apetecivel de terreno - Cede á fertilidade: assim subjugas - O aspérrimo caracter dos rochedos. - Para agradar-te he força ornallos sempre? - Não; se a arte deve o horror sempre adoçar-lhes, - Consente ás vezes que o pavor inspirem, - Favorece-os até. Na extremidade - De hum precipicio huma cabana eleva, - E com ella augmentado elle parece: - Ponte audaz de hum rochedo a outro lança; - Eu tremo ao vêllos, e a medonho abysmo - Imminente me põem a fantasia. - Lembrão-me esses boatos populares, - Os casos de perdidos Passageiros, - D’Amantes despenhados: contos velhos - Que, prendendo attenção maravilhada, - Á credula Aldeã serões encurtão; - E o terror do lugar ajuda a crença. - Porém com sobriedade usar se deve - Destes grandes effeitos. A tão duras, - Tão agras commoções, abalos doces, - Molle socego o coração prefere: - Eu exprimento em mim que das montanhas - Me he preciso baixar aos ledos valles. - Tenho-os de flores, de arvores coberto: - Tempo he que á sombra dellas manem agoas. - Bem: já que os cimos vossos, nus outr’hora, - Pelas minhas lições estão vestidos - Tão ricamente, oh róchas, franqueai-me - As subterraneas, íntimas origens: - Rios, arroyos, vós, vós, lagos, fontes, - Vinde, espraiai frescura, e vida em tudo. - Ah! Que prazer substituir-vos póde? - Vosso contente, luzidio aspecto - Se de perto entretem, convida ao longe. - Sois o primeiro objecto que se busca, - O ultimo que se deixa. As agoas vossas - Fertilizando a Terra, o Ceo duplicão. - Os ouvidos encanta, encanta os olhos - Vosso cristal, vosso murmùreo. Ah! vinde; - Dado seja a meus versos, que vos seguem, - Correr do coração mais tentadores, - Mais abundantes que o principio vosso; - Mais leves do que os Zéfyros, que dobrão - Vossos canaviais; e brandos, puros - Como esse rumorzinho, essa corrente. - Tu, senhor destas agoas bemfeitoras, - Venera-lhe o pendor, té o capricho; - Nos livres gyros seus vê como abração - Facilmente das margens os contórnos. - E ousas, encarcerando-lhe a brandura, - Os tortuosos passos constranger-lhe! - De que lhe serve o marmore em que he preza? - Não vês co’a longa trança entregue aos ventos, - Sem arte alguma, sem postiço adorno, - Campestre, prazenteira, ingénua Moça - Andar, correr, saltar! A graça della - Está no solto, natural meneio. - Contempla n’um Serralho a Formosura. - Ella deslumbra em vão, debalde ostenta - A pompa oriental, brilho estudado: - Hum triste não sei que, na face impresso, - Lhe argue a sujeição, desbota as graças. - A agoa mantenha a liberdade que ama, - Ou muda-lhe em belleza o cativeiro. - Assim, contra Morel, cuja eloquente, - E ponderosa vóz pleitear soube - Os direitos da simples Natureza, - Gósto das agoas, que em canaes opressas, - Com rápida violencia partem, saltão. - Ao ver esses cristais, que arte atrevida - Da Terra faz brotar, e aos ares lança, - O Homem diz: «eu criei estes portentos:» - E em tais prestigios a arte sua admira. - Nos custosos jardins dos Reis, dos Grandes - Reluzão, pois; mas, outra vez o digo, - Longe os luxos plebêos, o vergonhoso, - Mesquinho jácto de agoa, que da Terra - Mal ousando arredar-se, apenas sóbe, - E em minima distancia morre logo. - Tudo a tanta riqueza corresponda; - Tudo grangêe á roda hum ar de encanto. - Os olhos persuade, e o pensamento - De que vara eficaz em mão de Fada - Formára para a Dona este retiro. - Tàl eu vi de Saint Cloud o amavel bosque. - Póde a vista medir do jacto a altura? - Como que aplaudem tanques, grutas, plantas - As agoas, que sobre agoas cahem, fervem; - O ar he mais fresco alli, mais verde a relva, - Das aves o gorgeio alli se aviva - Ao som das vitreas ondas, que baquêão; - E, as rociadas testas inclinando, - Como que ao doce orvalho os bosques se abrem. - Não menos bella, mais campestre, e simples - A cascata ornará lugar mais tosco. - De longe se ouve, admira-se de perto - Lympha sempre a cahir, sempre suspensa; - E vária, e magestosa, anima a hum tempo - Os rochedos, a terra, agoas, e bosques. - Emprega, pois, esta arte; porém longe - Esses tristes degráos, onde, cahindo - Com movimento igual, medida certa, - As ondas, bem que vão precipitadas, - Até no seu furor seus passos contão. - Só tem jus de aprazer a variedade. - Goza mais de hum caracter a cascata. - Ora em tumulto as agoas despenhadas - No tortuoso leito, correm, cahem, - Saltão, recahem, e escumão, e esbravêão, - Ora de espaço desdobrando as ondas, - Puro, calado, remansinho ameno - Em azul véo se esparge. Os olhos folgão - De ver estes gentis Anfiteatros, - De ver sobre as ceruleas espadanas - Reflectir, scintilar o oiro diurno; - Tambem lhe apraz a escuridão das penhas, - E a verdura das canas, e a espumosa - Argentea côr das agoas fugidias. - Consulta, pois, Artifice, os effeitos - Que intentas produzir. As lymphas, promptas - Sempre a deixar guiar-se, hão de offrecer-te, - Quer mais impetuosas, quer mais lentas, - Quadros benignos, ou soberbos quadros, - Graves, ou deleitosos: quadros, n’alma - Sempre efficazes. Que mortal não próva - A profunda impressão que vem das ondas? - Sempre, ou viva corrente arrebatada - Sobre seixos murmure, e ferva, e salte, - Ou ribeira indolente sobre o lodo - Em paz alargue as agoas preguiçosas, - Ou torrente feróz entre penedos - Quebre com rijo estrondo, alegre, triste - A sua correnteza excita, applaca, - Ameaça, ou amima. Escuto á fama - Que de Vénus o cinto milagroso - Amores, e desejos incluia, - E o prazer, e a esperança, precursôra - De inefaveis delicias. O teu cinto - He, divina Cybele, he agoa: nella, - Não menos poderosa, estão complexos - Terror, perturbação, tristeza, e riso. - Quem melhor o sentio do que a minha alma? - Quem o soube melhor? Mil, e mil vezes - Quando azedos, escuros pezadumes, - Inda mais pela noite enegrecidos, - Vinhão martyrizar-me o pensamento, - Se ouvia os passos de visinho arroyo, - Demandava estes sons consoladores. - Das agoas a frescura, a vóz das agoas - Cuidados, afflicções me adormecião, - E a paz do coração resuscitava: - Tanto d’agoa o murmureo n’alma influe! - Em paga de tão gratos beneficios, - Sofre, oh ribeiro, que a arte, sem, comtudo, - Muito se assoberbar, te aformosêe, - Se he que aformosear-te acaso póde. - Não quadra a vasto plano hum rio escasso: - Seu leito incerta linha alli traçára. - A timida corrente á luz se furta, - E quer banhar hum bosquezinho escuso. - Sua doce carreira adorna as selvas, - Só ellas o namorão. Seus caprichos - Lá com todo o vagar seguir-se pódem, - Seus gyros, seu pendor, seu lindo estorvo, - A cólera, o fervor das bellas ondas, - Tornadas pelo obstáculo mais bellas. - Ora num álveo concavo, e sombrio - Co’a ramada que o cobre, elle recata - O cabedal agreste, ora presenta - Em patente canal o espelho á vista: - Sem vello o escuto, ou sem ouvillo o vejo. - Alli meigos cristais abração Ilhas, - Além se torna em dois o leve arroyo, - Em dois, que nas carreiras competindo, - Apóstão rapidez, e claridade; - E ambos depois no leito, que os ajunta - De andarem par a par murmurão ledos. - Errando sempre assim, de volta em volta, - Mudo, loquaz, pacifico, agitado, - Em mil varios aspectos se renova. - Mas copiosa ribeira ás frescas margens - Me está chamando. Em campo mais aberto, - Nobre, e pomposo quadro, as ondas suas - Ondas menos modestas, vão rolando, - E co’ fulgor diurno ao longe brilhão. - Deixa ao regato seu prazer lascivo, - A sua agitação, e os seus rodeios; - E segue caudalosa a curvidade, - O circuito dos valles sinuosos. - Se dos bosques o arroyo adorno colhe, - Ama o rio tambem diversas plantas. - Quer que lhe ornem, lhe assombrem a corrente, - Os descorados chôpos, e os salgueiros - Meios verdes. Que origem tão fecunda - De scenas, de accidentes! Alli gósto - De olhar-lhe derrubadas sobre o rio - As ramas, e tremer ao movimento - Das agoas, e dos ares; aqui foge - Por baixo das abobadas virentes - A onda escurecida; além penetra - Por entre folha, e folha hum tenue lume, - Ora as grenhas se embebem na corrente, - Ora a impede a raiz; e desmandando - De huma para outra margem a verdura, - Como que avanção, que outro sitio querem. - Assim as ondas, e arvores se ajudão, - A agoa remoça a planta, a planta a enfeita; - E ambas fazem, ligando-se em mil fórmas, - Amavel cambio de frescura, e sombra. - Unillas sabe, pois, ou se em lugares - Formosos, proprios della, a Natureza - Já celebrou sem ti este consorcio, - Respeita-a. Desgraçado o que presume - Excedella no engenho! He tal (e á mente - O coração mo traz) tal he o asylo, - Querido Watelet, onde, amansando, - Em sombrios canais se parte o Sena, - O Sena encantador, tão puro, e livre - Como a tua moral, como os teus dias, - E visita em segredo o lar de hum Sabio. - Com arte lhe acudiste, não com arte - Temeraria, fallaz, profanadora - Desses lugares que supõe que adorna. - Viste, amaste, sentiste a Natureza, - Digno de a ver, de amalla, e de sentilla; - Tu a trataste como intacta Virgem, - Que da nudez se corre, e teme o ornato. - Parece-me, que vejo o falso gosto - Estragar esses campos feiticeiros: - «Este moinho, cujo som ruidoso - Nutre a meditação, he importuno:» - Dalli o arrancão subito. Estas margens - Torneadas assim tão brandamente, - E pelo proprio Sena afeiçoadas, - Duramente se alinhão. A verdura, - Que no seu molle cinto o rio encerra, - Alli já não florece. Agoas queixosas - Seus lageados cárceres accusão. - O marmore fastoso a relva ultraja, - E tosqueadas arvores cativas - Os idosos salgueiros desapossão - Da margem linda, e cara. Ah! suspendei-vos: - Barbaros; acatai esses lugares; - E vós, oh rio, oh bosques deleitosos, - Se a vossa formosura hei retratado, - Se, adolescente ainda, alegres versos - Ás agoas, prados, sombras já tecia, - Ministrai longamente, oh rio, oh bosques, - Ao vosso possessor a doce imagem - Da paz sagrada que em sua alma reina. - Quanto na molle agilidade o rio - De margem angular teme a aspereza, - Tanto as margens agudas ornamento - São de estendidos lagos, e o mais bello. - Ora se avance a Terra ao seio undoso, - Ora abra ás ondas domicilio fundo. - Com revezado amor assim se chamem, - Se busquem mutuamente Agoas, e Terra: - Nestes varios aspectos folga a vista. - A comprida extensão n’um lago se ama; - Da-lhe sitios, comtudo, em que repouse. - Não se lhe interrompendo a immensidade, - Meus olhos sem prazer, sem interesse - Vão pela superficie escorregando. - Para lhe abreviar o espaço insulso, - Edificio, das calmas venerado, - Nas ondas repetido, assome ao longe, - Ou Ilha que verdeje entre ellas surja: - As Ilhas são das agoas summo adorno. - Ou levanta-lhe as margens, ou viçosas - Arvores, em festões dispersos, ganhem - Tua contemplação, teus olhos prendão. - Se queres produzir opposto effeito, - Se o lago estender queres, manda ás margens - Mui subidas, que desção, e ou distancia - Mais arredada os arvoredos tenhão, - Ou faze com que as agoas vão sumir-se - N’um denso bosquezinho, e que tornêem - Ao pé de huma colina. O pensamento - Por entre estas cortinas de verdura, - Onde desaparecem, vai seguindo - As agoas, e as prolonga. Assim teus olhos - Gozão do que não vem; dest’arte o Gosto - Lindezas, perfeições confere a tudo; - E de objectos que inventa, e dos que imita - Descobre, alonga, aperta, esconde o termo. - Agora que a Arte o meu trabalho insulta - Em soberbos jardins, nos meus, ditosos, - Liberdade, e prazer tudo respira: - Rindo-se a relva, a seu sabor viceja, - Independente o bosque, altèa a rama; - Não temem a tisoira os arvoredos, - Nem flores a esquadria; amão as ondas - As margens suas, seu adorno a Terra; - Tudo he formoso alli, simples, e grande, - Tudo: esta arte he a tua, oh Natureza. - Porém o lago, o rio estão desertos, - De Cidadãos se lhe povôe o seio. - Dem-se-lhe as aves, que com agil remo - Alados navegantes, a agoa fendem. - Nella se pavonêa, e nada o Cysne, - De vanglorioso cóllo, argêntea pluma, - O Cysne, a que a Ficção deo vóz tão doce, - E que escusa das Fabulas o auxilio. - Tambem não tens para animar as agoas, - Oh Arte, esse apparato vacilante - Dos mastros, e das vélas? Impelida - De remo compassado, a leve barca - Deixa apenas, fugindo, hum tenue rasto, - Que logo se esvaece. Entumecido - Dos Favonios azuis, sussurra o pano, - E em cada bandeirinha os ares brincão. - Pois se a Novela, a Fabula, ou a Historia - Huma fonte, hum ribeiro consagrárão, - Da sua gloria antiga elles ufanos, - Assás se aformosêão, se atavião - Com suaves memorias. Ah! Quem póde, - Descobrir, encontrar, sem commover-se, - Arethusa, o Lignon, Alfêo? Quem póde - Sem cordial saudade olhar Vauclusa? - Vauclusa, encantamento irresistivel - Dos Vates, e inda mais dos Amadores, - No circulo de Montes, que, encurvando - Sua cadeia, com liquor sadio - Te alenta a subterranea, doce origem, - Lá debaixo da abobada nativa, - Do antro mysterioso, onde, esquivada - A Nynfa tua aos olhos cubiçosos, - Sóme em fundo insondavel teu principio, - Oh quanto me foi grato o ver-te as agoas, - Que, sempre crystalinas, sempre bellas, - Ora n’um lago seus thesoiros fechão, - Ora sobem, fervendo, e lanção fóra - Ondas, a branquejar por entre as penhas; - De cascata em cascata ao longe pulão, - Cahem, e rólão com impeto estrondoso; - A cólera depois amaciando, - Por leito mais igual vão docemente; - E debaixo de Ceos sempre azulados - Por cem canais fecundão valle ameno, - Ameno qual nenhum que os Sóes aclárão! - Mas estes puros Ceos, estas correntes, - Este delicioso, e pingue valle, - Menos o coração me penhoravão - Do que Petrarca, e Laura. Eis (eu dizia, - Eu dizia a mim mesmo) ah! Eis as margens - Que a lyra de Petrarca suspirosa - Outr’hora enfeitiçou! Aqui o Amante - Via, exprimindo a Laura os seus amores, - Vir devagar o dia, ir-se depressa. - Inda sobre estas róchas solitarias, - Inda, acaso, acharei das cifras de ambos - Unidos, maviosos caractéres? - Tocão meus olhos desviada Gruta: - Ah! dize-me se os vistes venturosos, - Guarida opáca? (eu pronuncio) Hum tronco - Toldava encanecido á fonte á margem? - Laura dormido havia á sombra delle. - Alli por Laura perguntava aos Ecos, - E os Ecos o seu nome inda sabião. - Buscaveis, olhos meus, Petrarca, e Laura - Em toda a parte, e em toda a parte os vieis. - Erão já morte, e cinza os dois Amantes, - Mas inda com seus Manes amorosos - Mais bello se tornava o sitio bello. - - - FIM DO CANTO TERCEIRO. - - - - - [Illustração] - - - LES JARDINS, POÈME, - - CHANT QUATRIEME. - - - Non, je ne puis quitter le spectacle des champs. - Eh qui dédaigneroit ce sujet de mes chants? - Il inspiroit Virgile, il séduisoit Homère. - Homère, qui d’Achille a chanté la colère, - Qui nous peint la terreur attelant ses coursiers, - Le vol sifflant des dards, le choc des boucliers, - Le trident de Neptune ebranlant les murailles, - Se plait á rappeller au milieu des batailles - Les bois, les prés, les champs; et de ces frais tableaux - Les riantes couleurs délassent ses pinceaux. - Et, lorsque pour Achille il prépare des armes, - S’il y grave d’abord les siéges, les alarmes, - Le vainqueur tout poudreux, le vaincu tout sanglant, - Sa main trace bientôt d’un burin consolant - La vigne, les troupeaux, les bois, les pâturages. - Le héros se revêt de ces douces images, - Part, et porte à travers les affreux bataillons - L’innocente vendange, et les riches moissons. - Chantre divin, je laisse à tes muses altières - Le soin de diriger ces phalanges guerrières; - Diriger les jardins est mon paisible emploi. - Déjá le sol docile a reconnu ma loi; - Des gazons l’ont couvert, et de sa main vermeille - Flore sur leur tapis a versé sa corbeille. - Des bois ont couronné les rochers, et les eaux. - Maintenant, pour jouir de ces brillans tableaux, - Dans ces champs découverts, sous ces obscures voûtes - D’agréables sentiers vont me frayer des routes. - Des scènes á ma voix naitront de toutes parts; - Pour les orner enfin j’y conduirai les arts, - Et le ciseau divin, la noble architecture - Vont de ces lieux charmans achever la parure. - Les sentiers, de nos pas guides ingénieux, - Doivent, en les montrant, nous embellir ces lieux. - Dans vos jardins naissans je défends qu’on les trace. - Dans vos plants achevés l’œil choisit mieux leur place, - Vers les plus beaux aspects sachez les diriger. - Voyez, lorsque vous-même aux yeux de l’étranger - Vous montrez vos travaux, votre art avec adresse - Va chercher ce qui plait, évite ce qui blesse, - Lui découvre en passant des sites enchantés, - Lui réserve au retour de nouvelles beautés, - De surprise en surprise, et l’amuse, et l’entraine, - D’une scène qui nait fait naitre une autre scène, - Et toujours remplissant ou piquant son desir, - Souvent, pour l’augmenter, diffère son plaisir. - Eh bien! que vos sentiers vous imitent vous-même. - Dans leurs formes encor fuyez tout vain systême, - Enfant du mauvais goût, par la mode adopté. - La mode règne aux champs, ainsi qu’-á la cité. - Quand de leur symmétrique, et pompeuse ordonnance - Les jardins d’Italie eurent charmé la France, - Tout de cet art brillant fut prompt á s’éblouir: - Pas un arbre au cordeau n’osa désobéir; - Tout s’aligna. Par-tout, en deux rangs étalées, - S’allongèrent sans fin d’éternelles allées. - Autre temps, autre goût. Enfin le parc Anglais - D’une beauté plus libre avertit le François. - Dès-lors on ne vit plus que lignes ondoyantes, - Que sentiers tortueux, que routes tournoyantes. - Lassé d’errer, en vain le terme est devant moi; - Il faut encor errer, serpenter malgré soi, - Et, maudissant vingt fois votre importune adresse, - Suivre sans cesse un but qui recule sans cesse. - Evitez ces excès; tout excès dure peu. - De ces sentiers divers chaque genre a son lieu. - L’un conduit aux aspects dont la grandeur frappante - De loin fixe mes yeux, et nourrit mon attente. - L’autre m’égarera dans ces réduits secrets - Qu’un art mystérieux semble voiler exprés. - Mais rendez naturel ce Dédale factice. - Qu’il ait l’air du besoin, et non pas du caprice. - Que divers accidens rencontrés dans son cours. - Les bois, les eaux, le sol commandent ces detours. - Dans leur forme j’exige une heureuse souplesse. - Des longs alignemens si je hais la tristesse, - Je hais bien plus encor le cours embarrassé - D’un sentier qui, pareil á ce serpent blessé, - En replis convulsifs sans cesse s’entrelace. - De détours redoublés m’inquiète, me lasse, - Et, sans variété, brusque, et capricieux, - Tourmente, et le terrein, et mes pas, et mes yeux. - Il est des plis heureux, des courbes naturelles - Dont les champs quelquefois vous offrent des modèles. - La route de ces chars, la trace des troupeaux, - Qui d’un pas négligent regagnent les hameaux, - La bergère indolente, et qui dans les prairies - Semble suivre au hasard ses tendres rêveries; - Vous enseignent ces plis mollement onduleux. - Loin donc de vos sentiers ces contours anguleux. - Sur-tout, quand vers le but un long détour vous méne: - Songez que le plaisir doit racheter la peine. - Des poétes fameux osez imiter l’art. - Si leur muse en marchant se permet quelque écart, - Ce détour me rit plus que le chemin lui-même. - C’est Nisus défendant Euryale qu’il aime, - C’est au tombeau d’Hector son Andromaque en pleurs. - Qu’ainsi votre art m’êgare en de douces erreurs. - Des plus rians objets égayez le passage, - Et qu’au terme arrivés, votre art nous dédommage - Par d’aimables aspects, de riches ornemens, - De ce vivant poéme épisodes charmans. - Ici, vous m’offrirez des antres verds, et sombres, - Qu’habitent la fraicheur, le silence, et les ombres. - L’imagination y devance les yeux. - Plus loin, c’est un beau lac, qui réfléchit les cieux. - Tantôt, dans le lointain, confuse, et fugitive, - Se déploie une immense, et noble perspective. - Quelquefois un bosquet riant, mais recueilli, - Par la nature, et vous richement embelli, - Plein d’ombres, et de fleurs, et d’un luxe champêtre, - Semble dire: «Arrêtez; où pouvez-vous mieux être»? - Soudain la scéne change: au lieu de la gaieté, - C’est la mélancolie, et la tranquillité; - C’est le calme imposant des lieux où sont nourries - La méditation, les longues rêveries. - Lá, l’homme avec son cœur revient s’entretenir, - Médite le présent, plonge dans l’avenir, - Songe aux biens, songe aux maux épars dans sa carriére; - Quelquefois, rejettant ses regards en arriére, - Se plait á distinguer dans le cercle des jours - Ce peu d’instans, hélas! et si chers, et si courts, - Ces fleurs dans un désert, ces tems où le raméne - Le regret du bonheur, et même de la peine. - Craignez donc d’imiter ces froids décorateurs - Qui ne veulent jamais que des objets flatteurs. - Jamais rien de hardi dans leurs froids paysages: - Par-tout de frais berceaux, et d’elégans bocages, - Toujours des fleurs, toujours des festons; c’est toujours - Ou le temple de Flore, ou celui des Amours. - Leur gaieté monotone à la fin m’importune. - Mais vous, osez sortir de la route commune. - Inventez, hasardez des contrastes heureux; - Des effets opposés peuvent s’aider entr’eux. - Imitez le Poussin. Aux fêtes bocagères, - Il nous peint des bergers, et de jeunes bergères, - Les bras entrelacés dansant sous des ormeaux, - Et près d’eux une tombe où sont écrits ces mots: - _Et moi, je fus aussi pasteur dans l’Arcadie_. - Ce tableau des plaisirs, du néant de la vie, - Semble dire: «Mortels, hâtez-vous de jouir; - Jeux, danses, et bergers, tout va s’évanouir.» - Et dans l’ame attendrie, á la vive alégresse - Succéde par dégrés une douce tristesse. - Imitez ces effets. Dans de rians tableaux - Ne craignez point d’offrir des urnes, des tombeaux, - D’offrir de vos douleurs le monument fidèle. - Eh! qui n’a pas pleuré quelque perte cruelle? - Loin du monde léger venez donc á vos pleurs, - Venez associer les bois, les eaux, les fleurs. - Tout devient un ami pour les ames sensibles: - Déjá, pour l’embrasser de leurs ombres paisibles, - Se penchent sur la tombe, objet de vos regrets, - L’if, le sombre sapin; et toi, triste cyprés, - Fidéle ami des morts, protecteur de leur cendre. - Ta tige, chére au cœur mélancolique, et tendre, - Laisse la joie au myrte, et la gloire au laurier; - Tu n’es point l’arbre heureux de l’amant, du guerrier, - Je le sais; mais ton deuil compâtit á nos peines. - Dans tous ces monumens point de recherches vaines: - Pouvez-vous allier dans ces objets touchans - L’art avec la douleur, le luxe avec les champs? - Sur-tout ne feignez rien. Loin ce cercueil factice, - Ces urnes sans douleur, que plaça le caprice. - Loin ces vains monumens d’un chien ou d’un oiseau: - C’est profaner le deuil, insulter au tombeau. - Ah! si d’aucun ami vous n’honorez la cendre, - Voyez sous ces vieux ifs la tombe où vont se rendre - Ceux qui, courbés pour vous sur des sillons ingrats, - Au sein de la misére espérent le trépas. - Rougiriez-vous d’orner leurs humbles sépultures? - Vous n’y pouvez graver d’illustres aventures, - Sans doute. Depuis l’aube, oú le coq matinal - Des rustiques travaux leur donne le signal, - Jusques á la veillée, ou leur jeune famille - Environne avec eux le sarment qui pétille, - Dans les mèmes travaux roulent en paix leurs jours. - Des guerres, des traités n’en marquent point le cours. - Naitre, souffrir, mourir, c’est toute leur histoire. - Mais leur cœur n’est point sourd au bruit de leur mémoire. - Quel homme vers la vie, au moment du départ, - Ne se tourne, et ne jette un triste, et long regard, - A l’espoir d’un regret ne sent pas quelque charme, - Et des yeux d’un ami n’attend pas une larme? - Pour consoler leur vie honorez donc leur mort. - Celui qui, de son rang faisant rougir le sort, - Servit son Dieu, son Roi, son pays, sa famille, - Qui grava la pudeur sur le front de sa fille, - D’une pierre moins brute honorez son tombeau; - Tracez y ses vertus, et les pleurs du hameau; - Qu’on y lise: _Ci git le bon fils, le bon père, - Le bon époux_. Souvent un charme involontaire - Vers ces enclos sacrés appellera vos yeux. - Et toi qui vins chanter sous ces arbres pieux, - Avant de les quitter, Muse, que ta guirlande - Demeure á leurs rameaux suspendue en offrande. - Que d’autres dans leurs vers célébrent la beauté; - Que leur Muse, toujours ivre de volupté, - Ne se montre jamais qu’un myrte sur la tête, - Qu’avec ses chants de joie, et ses habits de fête; - Toi, tu dis au tombeau des chants consolateurs, - Et ta main la premiére y jetta quelques fleurs. - Revenons, il est temps, sous de plus gais ombrages. - L’architecture encore au fond de ces bocages - M’attend, pour les orner d’édifices charmans. - Ce ne sont plus du deuil les tristes monumens; - Ce sont d’heureux réduits, qui parmi la verdure - Offrent sous mille aspects leur riante parure. - Mais j’en permets l’usage, et j’en proscris l’abus. - Bannissez des jardins tout cet amas confus - D’edifices divers, prodigués par la mode, - Obélisque, rotonde, et kiosk, et pagode, - Ces bâtimens Romains, Grecs, Arabes, Chinois, - Chaos d’architecture, et sans but, et sans choix, - Dont la profusion stérilement féconde - Enferme en un jardin les quatre parts du monde. - N’y cherchez pas non plus un oisif ornement, - Et sous l’utilité déguisez l’agrément. - La ferme, le trésor, le plaisir de son maitre, - Réclamera d’abord sa parure champêtre. - Que l’orgueilleux château ne la dédaigne pas; - Il lui doit sa richesse; et ses simples appas - L’emportent sur son luxe, autant que l’art d’Armide - Céde au souris naif d’une vierge timide. - La ferme! A ce seul nom les moissons, les vergers, - Le régne pastoral, les doux soins des bergers, - Ces biens de l’âge d’or, dont l’image chérie - Plut tant á mon enfance, âge d’or de la vie, - Réveillent dans mon cœur mille regrets touchans. - Venez; de vos oiseaux j’entends déja les chants; - J’entends rouler les chars qui trainent l’abondance, - Et le bruit des fléaux qui tombent en cadence. - Ornez donc ce séjour. Mais, absurde á grands frais, - N’allez paz ériger une ferme en palais. - Elégante á la fois, et simple dans son style, - La ferme est aux jardins cequ’aux vers est l’Idylle. - Ah! par les dieux des champs, que le luxe effronté - De ce modeste lieu soit toujours rejetté. - N’allez pas déguiser vos pressoirs, et vos granges. - Je veux voir l’appareil des moissons, des vendanges. - Que le crible, le van, où le froment doré - Bondit avec la paille, et retombe épuré, - La herse, les traineaux, tout l’attirail champêtre - Sans honte à mes regards osent ici paroître. - Sur-tout, des animaux que le tableau mouvant - Au-dedans, au-dehors lui donne un air vivant. - Ce n’est plus du château la parure stérile, - La grace inanimée, et la pompe immobile: - Tout vit, tout est peuplé dans ces murs, sous ces toits. - Que d’oiseaux différens, et d’instinct, et de voix, - Habitants sous l’ardoise, ou la tuile, ou le chaume, - Famille, nation, république, royaume, - M’occupent de leurs mœurs, m’amusent de leurs jeux! - A leur tête est le coq, père, amant, chef heureux, - Qui, roi sans tyrannie, et sultan sans mollesse, - A son sérail ailé prodiguant sa tendresse, - Aux droits de la valeur joint ceux de la beauté, - Commande avec douceur, caresse avec fierté, - Et fait pour les plaisirs, et l’empire, et la gloire, - Aime, combat, triomphe, et chante sa victoire. - Vous aimerez á voir leurs jeux, et leurs combats, - Leurs haines, leurs amours, et jusqu’á leurs repas. - La corbeille á la main, la sage ménagére - A peine a reparu; la nation légére - Du sommet de ses tours, du penchaut de ses toits - En tourbillons bruyans descend toute á la fois: - La foule avide en cercle autour d’elle se presse; - D’autres, toujours chassés, et revenant sans cesse, - Assiégent la corbeille, et jusques dans la main, - Parasites hardis, viennent ravir le grain. - Soignez donc, protégez ce peuple domestique. - Que leur logis soit sain, et non pas magnifique. - Que lui font des réduits richement décorés, - Le marbre des bassins, les grillages dorés? - Un seul grain de millet leur plairoit davantage. - La Fontaine l’a dit. O véritable sage! - La Fontaine, c’est toi qu’il faudroit en ces lieux; - Chantre heureux de l’instinct, ils t’inspireroient mieux. - Le paon, fier d’étaler l’iris qui le décore, - Du dindon rengorgé l’orgueil plus sot encore, - Pourroient á nos dépens égayer ton pinceau. - Lá, de tes deux pigeons tu verrois le tableau, - Et deux coqs amoureux, á la discorde en proie, - Te feroient dire encore: «Amour, tu perdis Troie»! - Ainsi nous plait la ferme, et son air animé. - Dans cet autre réduit, quel peuple renfermé - De ses cris inconnus a frappé mes oreilles? - Lá, sont des animaux, étrangères merveilles, - Lá, dans un doux exil vivent emprisonnés - Quadrupèdes, oiseaux, l’un de l’autre étonnés. - N’allez point rechercher les espèces bizarres. - Préférez les plus beaux, et non pas les plus rares. - Offrez-nous ces oiseaux qui, nés sous d’autres cieux, - Favoris du soleil, brillent de tous ses feux, - L’or pourpré du faisan, l’émail de la pintade. - Logez plus richement ces oiseaux de parade; - Eux-mêmes sont un luxe, et puisque leur beauté - Rachette á vos regards leur inutilité, - De ces captifs brillans que les prisons soient belles. - Sur tout, ne m’offrez point ces animaux rebelles, - De qui l’orgueil s’indigne, et languit dans nos fers. - Eh! quel œil sans regret peut voir le roi des airs, - L’aigle, qui se jouoit au milieu de l’orage, - Oublier aujourd’hui dans une indigne cage - La fierté de son vol, et l’eclair de ses yeux? - Rendez-lui le soleil, et la voûte des cieux: - Un être degradé ne peut jamais nous plaire. - Mais tandis qu’etalant leur parure etrangère, - Ces hôtes differens semblent briguer mon choix, - Mon odorat charmé m’appelle sous ces toits - Ou, de même exilés, et ravis á leur terre, - D’etrangers vegetaux habitent sous le verre. - Entourez d’un air doux ces frêles nourrissons. - Mais, vainqueur des climats, respectez les saisons; - Ne forcez point d’eclore, au sein de la froidure, - Des biens qu’à d’autres temps destinoit la nature. - Laissez aux lieux fletris par des hivers constans - Ces fruits d’un faux eté, ces fleurs d’un faux printemps; - Et lorsque le soleil va mûrir vos richesses, - Sans forcer ses presens, attendez ses largesses. - Mais j’aime á voir ces toits, ces abris transparens - Receler des climats les tributs differens, - Cet asyle enhardir le jasmin d’Iberie, - La pervanche frileuse oublier sa patrie, - Et le jeune ananas par ces chaleurs trompé - Vous livrer de son fruit le trésor usurpé. - Motivez donc toujours vos divers edifices, - Des animaux, des fleurs agréables hospices. - Combien d’autres encore, adoptés par les lieux, - Approuvés par le goût, peuvent charmer nos yeux! - Sous ces saules, que baigne une onde salutaire, - Je placerois du bain l’asyle solitaire. - Plus loin, une cabane où regne la fraicheur, - Offriroit les filets, et la ligne au pêcheur. - Vous voyez de ce bois la douce solitude; - J’y consacre un asyle aux Muses, á l’etude. - Dans ce majestueux, et long enfoncement - J’ordonne un obelisque, auguste monument. - Il s’elève, et j’ecris sur la pierre attendrie: - _A nos braves Marins, mourans pour la Patrie_. - Ainsi vos bâtimens, vos asyles divers - Ne seront point oisifs, ne seront point deserts. - Au site assortissez leur figure, leur masse. - Que chacun avec goût etabli dans sa place, - Jamais trop resserré, jamais trop etendu, - N’eclipse point la scene, et n’y soit point perdu. - Sachez ce qui convient, ou nuit au caractere. - Un reduit ecarte dans un lieu solitaire - Peint mieux la solitude encore, et l’abandon. - Montrez-vous donc fidele á chaque expression. - N’allez pas au grand jour offrir un hermitage, - Ne cachez point un temple au fond d’un bois sauvage; - Un temple veut paroitre au penchant d’un côteau. - Son site aerien repand dans le tableau - L’eclat, la majesté, le mouvement, la vie. - Je crois voir un aspect de la belle Ausonie. - Telle est des bâtimens la grace, et la beauté. - Mais de ces monumens la brillante gaieté, - Et leur luxe moderne, et leur fraiche jeunesse, - Des antiques debris valent-ils la vieillesse? - L’aspect désordonné de ces grands corps épars, - Leur forme pittoresque attache les regards. - Par eux le cours des ans est marqué sur la terre. - Détruits par les volcans, ou l’orage, ou la guerre, - Ils instruisent toujours, consolent quelquefois. - Ces masses que du temps sentent aussi le poids, - Enseignent à céder à ce commun ravage, - A pardonner au sort. Telle jadis Carthage - Vit sur ses murs détruits Marius malheureux, - Et ces deux grands débris se consoloient entr’eux, - Liez donc á vos plans ces vénérables restes. - Et toi, qui m’égarant dans ces sites agrestes, - Bien loin des lieux frayés, des vulgaires chemins, - Par des sentiers nouveaux guides l’art des jardins, - O sœur de la Peinture, aimable Poésie, - A ces vieux monumens viens redonner la vie: - Viens présenter au goût ces riches accidens, - Que de ses lentes mains a dessinés le temps. - Tantôt, c’est une antique, et modeste chapelle. - Saint asyle, ou jadis dans la saison nouvelle, - Vierges, femmes, enfans, sur un rustique autel - Venoient pour les moissons implorer l’Eternel. - Un long respect consacre encore ces ruines. - Tantôt, c’est un vieux fort, qui, du haut des collines, - Tyran de la contrée, effroi de ses vassaux, - Portoit jusques au ciel l’orgueil de ses creneaux; - Qui, dans ces temps affreux de discorde, et d’alarmes, - Vit les grands coups de lance, et les nobles faits d’armes - De nos preux Chevaliers, des Baiards, des Henris; - Aujourd’hui la moisson flotte sur ses débris. - Ces débris, cette mâle, et triste architecture, - Qu’environne une fraiche, et riante verdure, - Ces angles, ces glacis, ces vieux restes de tours, - Où l’oiseau couve en paix le fruit de ses amours, - Et ces troupeaux peuplant ces enceintes guerrières, - Et l’enfant qui se joue où combattoient ses pères; - Saisissez ce contraste, et déployez aux yeux - Ce tableau doux, et fier, champêtre, et belliqueux. - Plus loin, une abbaye antique, abandonnée, - Tout-á-coup s’offre aux yeux de bois environnée. - Quel silence! C’est lá qu’amante du désert - La méditation avec plaisir se perd - Sous ces portiques saints, où des vierges austéres, - Jadis, comme ces feux, ces lampes solitaires, - Dont les mornes clartés veillent dans le saint lieu, - Pâles, veilloient, brûloient, se consumoient pour Dieu. - Le saint recueillement, la paisible innocence - Semble encor de ces lieux habiter le silence. - La mousse de ces murs, ce dôme, cette tour, - Les arcs de ce long cloitre impénétrable au jour, - Les dégrés de l’autel usés par la prière, - Ces noirs vitraux, ce sombre, et profond sanctuaire, - Où peut-être des cœurs en secret malheureux - A l’inflexible autel se plaignoient de leurs nœuds, - Et pour des souvenirs encor trop pleins de charmes, - A la religion déroboient quelques larmes; - Tout parle, tout émeut dans ce séjour sacré. - Lá, dans la solitude en rêvant égaré, - Quelquefois vous croirez, au déclin d’un jour sombre, - D’une Héloise en pleurs entendre gémir l’ombre. - Mettez donc á profit ces restes précieux, - Augustes ou touchans, profanes ou pieux. - Mais loin ces monumens dont la ruine feinte - Imite mal du temps l’inimitable empreinte, - Tous ces temples anciens récemment contrefaits, - Ces restes d’un château qui n’exista jamais, - Ces vieux ponts nés d’hier, et cette tour gothique - Ayant l’air délabré, sans avoir l’air antique, - Artifice á la fois impuissant, et grossier. - Je crois voir cet enfant tristement grimacier, - Qui, jouant la vieillesse, et ridant son visage, - Perd, sans paroitre vieux, les graces du jeune âge. - Mais un débris réel intéresse mes yeux, - Jadis contemporain de nos simples aieux, - J’aime á l’interroger, je me plais á le croire. - Des peuples, et des temps il me redit l’histoire. - Plus ces temps sont fameux, plus ces peuples sont grands, - Et plus j’admirerai ces restes imposans. - O champs de l’Italie! ô campagnes de Rome, - Ou dans tout son orgueil git le néant de l’homme! - C’est lá que des débris fameux par de grands noms, - Pleins de grands souvenirs, et de hautes leçons, - Vous offrent ces aspects, trésors des paysages. - Voyez de toutes parts, comme le cours des âges - Dispersant, déchirant de précieux lambeaux, - Jettant temple sur temple, et tombeaux sur tombeaux, - De Rome étale au loin la ruine immortelle; - Ces portiques, ces arcs, où la pierre fidelle - Garde du peuple-roi les exploits éclatans; - Leur masse indestructible a fatigué le temps. - Des fleuves suspendus ici mugissoit l’onde; - Sous ces portes passoient les dépouilles du monde; - Par-tout confusément dans la poussière épars, - Les thermes, les palais, les tombeaux des Césars, - Tandis que de Virgile, et d’Ovide, et d’Horace, - La douce illusion nous montre encor la trace. - Heureux, cent fois heureux l’artiste des jardins, - Dont l’art peut s’emparer de ces restes divins! - Déjá la main du temps sourdement le seconde; - Déjá sur les grandeurs de ces maitres du monde - La nature se plait á reprendre ses droits. - Au lieu même ou Pompée, heureux vainqueur des Rois, - Etaloit tant de faste, ainsi qu’aux jours d’Evandre, - La flute des bergers revient se faire entendre. - Voyez rire ces champs au laboureur rendus, - Sur ces combles tremblans ces chevreaux suspendus, - L’orgueilleux obélisque au loin couché sur l’herbe, - L’humble ronce embrassant la colonne superbe; - Ces forêts d’arbrisseaux, de plantes, de buissons, - Montant, tombant en grappe, en touffes, en festons; - Par le souffle des vents semés sur ces ruines, - Le figuier, l’olivier, de leurs foibles racines - Achèvent d’ebranler l’ouvrage des Romains; - Et la vigne flexible, et le lierre aux cent mains, - Autour de ces débris rampant avec souplesse, - Semblent vouloir cacher, ou parer leur vieillesse. - Que si vous n’avez pas ces restes renommés, - N’avez-vous pas du moins ces bronzes animés, - Et ces membres vivans, déités des vieux âges, - Où l’art seul fut divin, et força les hommages? - Je sais qu’un goût sévère a voulu des jardins - Exiler tous ces dieux des Grecs, et des Romains. - Et pourquoi? Dans Athène, et dans Rome nourrie, - Notre enfance a connu leur riante Féerie. - Ces dieux n’étoient-ils pas laboureurs, et bergers? - Pourquoi donc leur fermer vos bois, et vos vergers? - Sans Pomone, vos fruits oseront-ils éclore? - De l’empire des fleurs pouvez-vous chasser Flore? - Ah! que ces dieux toujours enchantent nos regards! - L’idolâtrie encore est le culte des arts. - Mais que l’art soit parfait; loin des jardins qu’on chasse - Ces dieux sans majesté, ces déesses sans grace. - A chaque déité choisissez son vrai lieu. - Qu’un dieu n’usurpe pas les droits d’un autre dieu. - Laissez Pan dans les bois. D’où vient que ces Naiades, - Que ces Tritons à sec se mêlent aux Dryades? - Pourquoi ce Nil en vain couronné de roseaux, - Et dont l’urne poudreuse est l’abri des oiseaux? - Otez-moi ces lions, et ces tigres sauvages: - Ces monstres me font peur, même dans leurs images, - Et ces tristes Césars, cent fois plus monstres qu’eux, - Aux portes des bosquets sentinelles affreux, - Qui tout hideux encor de soupçons, et de crimes, - Semblent encor de l’œil désigner leurs victimes. - De quel droit s’offrent-ils dans ce riant séjour? - Montrez-moi des mortels plus chers á notre amour. - En des lieux consacrés á leur apothéose, - Créez un Elysée où leur ombre repose. - Loin des profanes yeux, dans des vallons couverts - De lauriers odorans, de myrtes toujours verds, - En marbre de Paros offrez-nous leurs images. - Qu’une eau lente se plaise á baigner ces bocages, - Et qu’aux ombres du soir mêlant un jour douteux, - Diane aux doux rayons soit l’astre de ces lieux. - Leur tranquille beauté, sous ces dais de verdure - De ces marbres cheris la blancheur tendre, et pure, - Ces grands hommes, leur calme, et simple majesté, - Cette eau silencieuse, image du Léthé, - Qui semble pour leurs cœurs, exempts d’inquiétude, - Rouler l’oubli des maux, et de l’ingratitude, - Ces bois, ce jour mourant sous leur ombrage épais, - Tout des manes heureux y respire la paix. - Vous donc, n’y consacrez que des vertus tranquilles. - Loin tous ces conquérans en ravages fertiles: - Comme ils troubloient le monde, ils troubleroient ces lieux. - Placez-y les amis des hommes, et des dieux, - Ceux de qui les bienfaits vivent dans la mémoire, - Ces rois dont leurs sujets n’ont point pleuré la gloire; - Montrez-y Fénelon á notre œil attendri; - Que Sully s’y relève embrassé par Henri. - Donnez des fleurs, donnez; j’en couvrirai ces sages - Qui, dans un noble exil, sur de lointains rivages - Cherchoient, ou répandoient les arts consolateurs; - Toi sur-tout, brave Cook, qui, cher á tous les cœurs, - Unis par les regrets la France, et l’Angleterre; - Toi qui, dans ces climats où le bruit du tonnerre - Nous annonçoit jadis, Triptolème nouveau, - Apportois le coursier, la brebis, le taureau, - Le soc cultivateur, les arts de ta patrie, - Et des brigands d’Europe expiois la furie. - Ta voile en arrivant leur annonçoit la paix, - Et ta voile en partant leur laissoit des bienfaits. - Reçois donc ce tribut d’un enfant de la France. - Et que fait son pays á ma reconnoissance? - Ses vertus en ont fait notre concitoyen. - Imitons notre Roi, digne d’être le sien. - Hélas! de quoi lui sert que deux fois son audace - Ait vu des cieux brûlans, fendu des mers de glace; - Que, des peuples, des vents, des ondes révéré, - Seul sur les vastes mers son vaisseau fût sacré; - - Que pour lui seul la guerre oubliat ses ravages? - L’ami du monde, helas! meurt en proie aux sauvages. - Vous qui pleurez sa mort, fiers enfants d’Albion, - Imitez, il est tems, sa noble ambition. - Pourquoi dans vos égaux cherchez-vous des esclaves? - Portez leur des bienfaits, et non pas des entraves. - Le front ceint de lauriers cueillis par les François, - La victoire aujourd’hui sollicite la paix. - Descends, aimable paix, si long-temps attendue, - Descends; que ta présence á l’univers rendue, - Embellisse les lieux qu’ont célébré mes vers; - Viens; forme un peuple heureux de cent peuples divers. - Rends l’abondance aux champs, rend le commerce aux ondes, - Et la vie aux beaux arts, et le calme aux deux mondes. - - - FIN DU QUATRIEME CHANT. - - - - - [Illustração] - - - OS JARDINS, POEMA. - - CANTO QUARTO. - - - Dos campos o espectáculo não posso, - Não posso abandonar; e quem se affoita - A ter em pouco o objecto de meus cantos? - Elle inspirava de Virgilio a Musa, - Seduzia a de Homero. Homero, aquelle - Que de Achiles cantou a horrivel sanha, - Que nos pinta o Terror jungindo os Brutos, - No dardo voador silvando a Morte, - O embate dos escudos, o tridente - Do equóreo Numen abalando as torres; - Esse Vate immortal, de Esmyrna o Cysne - Se apraz de matizar o horror da Guerra - Com bosques, prados, montes: na frescura, - No riso destes quadros tão suaves - Desafoga os pinceis; e quando apresta - De Thetis para o Filho arnez terrivel, - Se os combates, e os sitios nelle grava, - Se mostra o Vencedor de pó coberto, - Se apresenta o Vencido envolto em sangue, - Buril afagador depois movendo, - Traça a vinha, os rebanhos, selvas, pastos. - Vestido o Heróe destas imagens doces, - Parte, e leva por entre horrendas Turmas - A innocente vindima, e ricas messes. - A teu estro sempar, Cantor divino, - Cabe reger as marciais Phalanges: - He reger os jardins meu brando emprego. - Já minhas leis conhece a dócil Terra: - Ei-la relvosa; no tapete alegre - A Mãi das flores lhe entornou seus mimos, - E arvoredos croárão rochas, agoas. - Para gozar destes brilhantes quadros, - Agora em campos, que discorre a vista, - E por baixo de abobadas escuras, - Gratos caminhos abrirei. Mil scenas - Criará minha vóz por toda a parte; - As artes guiarei para adornallas: - E o divino Cinzel, e a Architectura - Nobre, insigne, hão de emfim destes lugares - Encantadores completar o ornato. - De nossos passos engenhosas guias, - Aos olhos os jardins patenteando, - As ruas devem, pois, agraciallos. - Nos recentes, porém, não se abrão ruas, - Nas findas plantações melhor se escolhem. - Aos mais lindos aspectos as dirige. - Repara como, se aos Estranhos mostras - Do teu trabalho os fructos, como destro - Buscas o bello, o que não presta evitas; - Sitios formosos, ao passar, lhe apontas, - Lhe guardas para a volta outras bellezas, - O prendes, o entretens de pasmo em pasmo, - Em scena que nascer faz outra scena; - E assim satisfazendo, ou provocando - Sempre os desejos seus, não poucas vezes - Retardas seu prazer para espertallo. - Os teus passeios a ti proprio imitem. - Foge, foge, tambem, nas fórmas delles - Os filhos do máo Gosto, os vãos systemas, - Pela moda abraçados. Lá no campo, - Como cá na Cidade, a móda reina. - Quando a ordem symmetrica, e pomposa - De Italicos Jardins luzio na França, - Tudo se deslumbrou, cegou-se tudo - Com esta arte fulgente. Huma só planta - Não negou ao cordel obediencia: - Em toda a parte se alinhárão todas; - De hum lado, e de outro lado enfileiradas, - Alamedas eternas se estendêrão, - Veio outro tempo emfim, veio outro gosto. - De bellezas mais livres avisárão - Aos Francezes Jardins Jardins Britannos. - Só linhas ondeantes, e passeios - Só tortuosos desde então se virão. - Farto de vaguear, debalde o termo - Está fronteiro a mim: cumpre que ainda, - Cumpre que, a meu despeito, erre, serpêe; - Que, importuno artificio praguejando - Mil, e mil vezes, sem cessar procure - Hum fim, que sem cessar de mim se aparta. - Isto evita: os excessos durão pouco. - Destes varios caminhos cada especie - Tem seu lugar. Hum me conduz a vistas - Pasmosas, que de longe os olhos fixão, - Nutrem a expectação; outro me sóme - Nessas mudas estancias, que parece - A algum fim, de proposito, velára - Arte mysteriosa; mas tornemos - Natural o facticio labyrintho, - E não capricho, precisão se antolhe. - Diversos accidentes, encontrados - Pelo caminho seu; agoas, e bosques, - Como igualmente o chão, devem regello. - Se quero huma feliz docilidade - Na fórma sua, se a tristeza odeio, - E insipidez de alinhamentos longos, - Mais detesto hum passeio embaraçado, - Que, de ferida serpe á semelhança, - Em convulsivas rôscas se entrelaça, - Com gyros duplicados cansa, enjoa, - E ríspido, uniforme, caprichoso, - O terreno atormenta, e passos, e olhos. - Ha curvas naturais, ha torcicólos, - De que ás vezes os campos dão modelo. - Do carro a roda, a pista dos rebanhos, - Que em passo negligente a Aldêa buscão; - A Pastorinha, que, no prado abstracta, - Vai talvez entretendo a fantasia - Em visões amorosas: isto ensina - Rodeios mollemente volteados. - Longe, pois, os contornos angulares, - Longe de teus passeios, mais ainda - Quando ao fim te encaminha hum longo gyro. - Co’ prazer galardôe-se a fadiga. - A arte se imite dos Poetas grandes; - Releva, que ouses tanto. Se alta Musa, - Andando, algum desvio a si permitte, - Mais que o caminho a digressão me agrada. - Niso o seu doce Euríalo defende, - No sepulcro de Heitor a Esposa geme. - Assim teu artificio me extravie - Por gratas illusões, assim me alegre - Com risonhos objectos a passagem; - Tocando o termo, indemnisado eu fique - Da extensão que soffri, meus olhos gozem - Aspectos singulares, episodios - De vivente Poema. Além me chamão - Verdes, propicias grutas, onde sempre - A frescura, o silencio, as sombras morão. - O pensamento alli precede aos olhos. - Mais longe vitreo lago o Ceo reflecte, - E confusa acolá, como fugindo, - Assoma perspectiva immensa, e nobre. - Ás vezes bosquezinho alegre, ameno, - Mas em si recolhido, e ricamente - Por ti, e a Natureza adereçado, - De flores, e de sombras abundante, - Parece que te diz: «detem-te: ah! onde - Podes estar melhor?» Sùbito a scena - Se altera: eis em lugar de gosto, e riso - Paz, e melancolia, eis o repouso, - Eis a grave mudez, onde se embebe, - Onde a meditação se alonga, e pasce. - Lá com seu coração conversa o Homem, - Attenta no presente, entra o futuro, - Da carreira vital nos males pensa, - Pensa nos bens, e recuando a vista - Ao tempo que voou, se apraz ás vezes - De perceber no circulo dos dias - Esses poucos instantes, ai! Tão caros, - Tão curtos! Essas flores n’um deserto, - Essas quadras da vida, a que lhe apontão - Saudades do prazer, e até da magoa. - Teme, pois, imitar os que atavião - Friamente os jardins, os que só querem - Objectos festivais, e lisonjeiros. - Nada em suas paizagens he sublime, - Nada atrevido: tudo são latadas, - Tudo elegantes bosques: sempre flores, - Sempre o Templo de Flora, ou dos Amores: - A alegria monótona aborrece. - Sahe tu desta commum, cansada trilha; - Contrastes imagina interessantes, - E affoito os aventura. Entre si podem - Encontrados effeitos soccorrer-se. - Eia, segue o Poussin. Elle apresenta - Em campestre festejo alvas Serranas, - Robustos Aldeãos, bailando á sombra - Dos ulmeiros frondosos, e alli perto - Impressas vozes taes sobre hum sepulcro: - Já fui, já fui tambem Pastor da Arcadia - Este painel dos gostos voadores, - Do nada da Existencia, está dizendo, - Ou parece que diz: «Mortais, cuidemos - Em lograr, tudo vai desvanecer-se; - Jogos, danças, Pastores.» Dentro n’alma - Ao jubilo vivaz, alvoroçado - Mansa tristeza por degráos succede. - Imita estes effeitos. Não receies - Em quadros ledos pôr sepulcros, e urnas, - Monumento fiel das magoas tuas. - Ah! Quem não tem chorado alguma perda - Rigorosa, cruel! Eia, associa, - Longe do Mundo leviano, e cego, - Os bosques, agoas, flores com teu pranto. - Vem hum amigo em tudo Almas sensiveis - Já co’as sombras pacificas se curvão - Para abraçar a campa, onde suspiras, - O Teixo, o agudo Pinho, e tu, Cipreste, - Das cinzas protector, leal aos Mortos. - Teus ramos, que affeiçoão genios tristes, - Deixão a gloria, o gosto ao Loiro, ao Myrto; - Do Guerreiro, do Amante a venturosa - Arvore tu não es, porém teu luto - Compadece-se, e diz co’as nossas penas. - Em todos estes monumentos nada, - Nada de apuros vãos. Aliar pódes - Acaso, ante estes lugubres objectos - A arte co’a dor, e co’á riqueza os campos? - Longe principalmente o fingimento, - Longe tumulo falso, urnas sem magoa, - Que o capricho formou; longe as estatuas - De animal ladrador, de ave nocturna: - Isso profana o luto, insulta as cinzas. - Ah! Se as de algum amigo alli não honras, - De envelhecidos Teixos lá debaixo - Não vês a sepultura onde esconder-se - Hão de ir aquelles, que, por ti curvados, - Por ti suando sobre ingratos sulcos, - No seio da indigencia a morte esperão? - Pejo de ornar-lhes o sepulcro humilde - Terás acaso! He certo, que não pódes - Gravar illustres aventuras nelle - Desde o incerto crepusculo, em que os chama - Ave madrugadora a seus trabalhos, - Té ao serão em que a familia tenra - Com elles vai sentar-se ao lar, que estala, - Em paz, e em lida igual seus dias correm. - Nem guerras, nem tratados os distinguem: - Nascer, soffrer, morrer, eis sua historia. - Mas o seu coração ah! não he surdo - Da memoria ao rumor. E qual dos Homens - No momento fatal da ausencia eterna, - Qual se não volve, e tristemente alonga - A vista pelos campos da Existencia? - Não tem na idéa de deixar saudades - Algum gosto, e dos olhos de hum amigo - Não espera huma lagrima? Epitafios - Para adoçar-lhe a vida, a morte lhe honrem. - Aquelle, que, maior do que a Fortuna, - Servio seu Deos, seu Rei, familia, patria, - E o pudor imprimio no rosto á filha, - Merece que de pedra menos bruta - A campa se lhe dê: suas virtudes - Contem-se alli, e as lagrimas da Aldêa; - Gravem-lhe sobre a lousa: «aqui descansa - O bom filho, o bom pai, e o bom consorte.» - Encanto involuntario ha de mil vezes - Teus olhos attrahir ao sacro sitio. - E tu, que estás cantando, antes carpindo, - Debaixo destas Arvores piedosas, - Tu, primeiro que as deixes, Musa minha, - Suspende em oblação tua grinalda - Na rama veneravel. Muito embora - Outrem celébre em verso a Formosura; - Nos gostos engolfada a Musa de outrem - Da cabeça jámais deponha o myrto; - Télas trajando, fulgurantes de oiro, - Só da meiga alegria entôe os hymnos: - Verso consolador tu dás ás cinzas, - E primeiro que as outras a mão tua - Algumas flores sobre as campas sólta. - Para baixo de sombras prazenteiras - Voltemos, que he já tempo. A Architectura - Em selvoso lugar inda me espera - Para adornallo de edificios bellos. - Já não do luto os monumentos tristes, - Mais eis gostosos sitios, que em mil faces - Entre a verdura seu primor offertão. - O uso, porém, lhe approvo, e tolho o abuso. - Desterra dos jardins montão sem ordem, - De edificios diversos, essa pompa - De perdulária moda: os Obeliscos, - Rotundas, e Kioskos, e Pagodes; - Esses cáhos de ingrata Architectura, - Romanos, Gregos, Arabes, Chinezes; - Esterilmente profusão fecunda, - Que o mundo inteiro n’um jardim concentra. - Não procures tambem ocioso ornato, - Antes disfarça em util o aprazivel. - De seu Senhor thesoiro, e seu recreio, - A Herdade exige campezino adorno. - Lares que sobre o campo ergueo o Orgulho, - Magnifico Solar não a desdenhe; - As riquezas lhe deve, e delle ao fausto - Sobresahe tanto a singeleza della, - Quanto de Armida aos artificios todos - Sorriso ingénuo de acanhada Virgem. - A Herdade! A este nome Hortos, colheitas, - O pastoril Reinado, o emprego doce, - Os innocentes bens dos aureos tempos, - Cujas meigas imagens enfeitição - A infancia, que he na vida a idade de oiro, - E tanto a infancia minha enfeitiçárão; - Isto, ah! Isto, que idéas, que saudades - Dentro do coração me não desperta! - Vem, já das aves tuas oiço o canto; - Já chião carros, da abundancia ao peso, - Que as tulhas te demandão, e a compasso - Cahe o instrumento que debulha os milhos. - Orna, pois, o teu predio, mas com tanto - Que, pródigo, em palacio o não convertas. - Por seu caracter simples, e elegante - Entre os Jardins, ou Quintas he a Herdade - O mesmo que entre os versos he o Idyllio. - Pelos Numes dos campos, ah! desvia - O luxo audaz deste lugar modesto, - Desvia-o sempre; de occultar não trates - Nem os lagares teus, nem teus celeiros; - Ver quero o trem das ceifas, das vindimas, - Ver o crivo, a joeira, onde co’a palha - O grão doirado salta, e recahe puro; - A grade, o trilho, tudo o mais da Granja, - Sem pejo aos olhos meus se manifestem; - Mórmente de animais o móbil quadro - Lhe dê por dentro, e fóra hum ar vivente. - Não vemos do solar o adorno estéril, - A graça inanimada, a immovel pompa: - Debaixo destes tectos, nestes muros - Tudo está povoado, e tudo he vivo. - Que aves, diversas pela vóz, e instincto, - Que no abrigo da telha, ou colmo habitão, - Republica, Nação, Familia, Reino, - Me entretem com seus brincos, seus costumes! - Eis á frente de todas gyra o Gallo, - O Gallo, feliz chefe, e pai, e amante, - Que, Sultão sem molleza, distribue - Pelo Serralho alígero a ternura; - Une ao jus do valor o da belleza, - Impera carinhoso, altivo afaga; - Para mandar, para gozar nascido, - Nascido para a gloria, ama, combate, - Triunfa, e logo seus triunfos canta. - Ha de aprazer-te o ver como elles brincão, - Como contendem; seu amor, seus odios, - E até sua comida. Assim que assoma - Com a teiga nas mãos a Dispenseira, - De repente a Nação voraz, e leve - Vôa daqui, dalli, de toda a parte - Em turbilhão ruidoso, e quasi a hum tempo. - O sôfrego tropel junto á que o ceva - Subito fórma hum circulo apinhado; - Ha tais que, sempre expulsos, tornão sempre, - Perseguem o comer, e até na palma, - Affoitos Parasitos, vem furtallo. - Este Povo domestico protege; - Não soberbos, mas sãos seus pousos sejão. - Decoradas estancias que lhe prestão? - Marmóreos bebedoiros, e aureas grades? - Mais lhe apraz, muito mais, hum grão de milho. - Já la Fontaine o disse. Oh la Fontaine! - Oh Sabio verdadeiro, eras lucroso - Neste lugar! Cantor feliz do instincto, - Melhor te inspiraria aqui o olhallo. - Fofo o Pavão de assoalhar seu Iris, - A inchação do Peru, mais louco ainda, - Teus pinceis alegrára á nossa custa. - Viras aqui dos Pombos teus a imagem; - De dois Gallos amantes a discordia - A dizer outra vez te obrigaria: - «Tu derrubaste, Amor, de Troia os muros!» - Dest’arte nos apraz, e attrahe a Herdade. - Mas em outra prizão que vulgo fere - Por incognitos sons os meus ouvidos? - Estranhos animais alli se guardão, - Maravilhas dos olhos, alli vivem - N’um suave desterro encarcerados - Brutos da Terra, do Ar, e hum d’outro pasmão. - Extravagantes castas não procures, - Prefere o que he mais bello ao que he mais raro. - Mostra-nos aves n’outros Ceos criadas, - Que, validas do Sol, seus lumes vibrão; - Da Indiana Galinha o vivo esmalte, - E o oiro do Faisão purpureado. - Aves de ostentação melhor se alojem; - Ellas mesmas são luxo, e co’a belleza - Já que a inutilidade ellas compensão, - Brilhe a prizão como os cativos brilhão. - Rebeldes animais, porém, não tenhas, - Cujo orgulho se irrita, e cansa em ferros. - Quem póde ver sem magoa o Rei dos ares, - O passaro feroz, que andou folgando - Lá por entre o trovão, por entre o raio, - Quem póde vello na gaiola indigna - Esquecer o relampago dos olhos, - Dos vôos a altivez! Livre de novo, - Na abobada dos Ceos ao Sol se atreva: - Nunca póde agradar Ente aviltado. - Mas com seu lustre peregrino em quanto - Parece que estes hospedes diffrentes - Á minha escolha, á preferencia aspirão, - O olfato me convida a aquelles tectos, - Onde, do patrio chão tambem roubados, - Estranhos Vegetais o vidro ampara. - Tu cerca de ar macio as debeis plantas, - Mas venera estações, vencendo climas; - Não forces a brotar na Quadra fêa - Bens que a bons tempos Natureza guarda. - Deixa aos Paizes de aturado Inverno, - Deixa embora essas flores, esses fructos, - De falsa primavera, e falso Estio; - Certo de que ha de o Sol madurecellos, - Sem violentar seus dons, seus dons espera. - Mas folgo em ver no transparente abrigo - Prendas diversas de diversas plagas. - Os Ibéros jasmins alli se animão, - Friorenta congorça esquece a Patria, - Tenro ananás pelo calor se engana, - E usurpado thesoiro em si te entrega. - Talhe a Razão teus edificios varios, - De flores, e animais formoso hospicio, - Oh quantos, quantos mais, que o sitio abrace, - Que approve o gosto, recrear-nos podem! - A sombra desses humidos salgueiros, - Humidos com sadia agoa corrente, - Seja do banho o solitario asylo. - Além cabana, em que a frescura assiste, - Offerte ao Pescador linhas, e redes, - Não vês a mansidão deste Retiro? - Doce acolheita alli consagro ás Musas. - No seio florecido, e magestoso - Alli sómente hum obelisco ordeno: - Aos ares sóbe o monumento augusto, - E lavro sobre a pedra enternecida: - «A nossos destemidos Mareantes, - Que pela patria voluntarios morrem.» - Assim teus variados edificios - Nem desertos serão, nem ociosos. - Com seu lugar se ageitem massa, e forma, - Cada qual se coloque onde releva, - E não se perca, não destrua a scena - Por sobeja extensão, por muito aperto. - O que empece ao caracter, e utilisa - Sabe, pois; hum recanto quasi occulto - Lá bem n’um descampado, he que nos pinta - Melhor o desamparo, a soledade. - Sempre a cada expressão fiel te mostra; - Hum Ermo a grande luz não patentees, - Nem selva carrancuda esconda hum Templo: - Do Monte sobre a espádoa quer ser visto. - Movimento, esplendor, grandeza, e vida - O aerio sitio pelo quadro espalha. - Julgo hum aspecto olhar da bella Ausonia. - Esta dos Edificios, esta a graça. - Mas de tais monumentos a alegria, - Luxo moderno, e fresca mocidade - Valem de antigos restos a velhice? - Desses aqui, e alli dispersos corpos - O já desordenado, e grão volume, - A fórma pictoresca enlaça a vista. - Por elles sobre a terra está marcada - Dos Evos a carreira, e, destruidos - Pelos Vulcões, ou Tempestade, ou Guerra, - Instruem sempre, alguma vez consolão. - Sim, estas massas, que tambem da Idade - Cedem ao pezo, como nós cedemos, - Á derrota geral nos habituão, - E a perdoar á Sorte. Assim Carthago - Sobre os desfeitos muros n’outros tempos - Mário vio infeliz, e estes dois restos - Tão grandes entre si se consolavão. - Aproveita ruinas venerandas. - E tu, que os passos meus tens variado - Pelos selvosos campos, tu, que, longe - Das vulgares estradas, vás dictando - Leis aos jardins, oh Poesia amavel! - Oh Irmã da Pintura! A monumentos - De longa idade restitue a vida; - Presenta ao gosto os ricos accidentes, - Que o Tempo desenhou co’a mão remissa. - Huma antiga Capela ora apparece, - Modesto, e santo Asylo, onde algum dia - Hião em tosco Altar, na quadra nova, - As Donzelas, e as Mãis, e os seus Filhinhos - A bem das messes implorar o Eterno. - Consagra inda o Respeito estas ruinas. - Ora avulta acolá Castello annoso, - Em fragosos cabeços, que, Tyranno - Do Territorio, e dos Vassallos medo, - Co’as ameias aos Ceos arremettia; - Que em tempos de terror, discordias, sangue, - Vio lançadas mortais, vio gentilezas - De nossos invenciveis Cavalleiros, - Os Baiards, os Henriques: hoje o trigo - Sobre os fragmentos seus lourêa, e treme. - Esta triste, forçosa Architectura, - Cingida de verdor fresco, e risonho, - As esplanadas, e angulos, e torres, - Rotas, quasi abatidas, onde as aves - Dos amores em paz o fructo aquecem; - Os gados povoando estes guerreiros, - Recintos façanhosos, e o Menino, - Q’onde os Avós já guerreárão, brinca, - Fórma tudo isto singular constraste. - Delle te apóssa, dando aos olhos quadro - Duro, e brando, campestre, e belicoso. - Mais ao longe hum Mosteiro abandonado - Entre arvoredos subito se encontra. - Que silencio! Amadora dos desertos, - Com gosto alli, Meditação, te entranhas - Por baixo das abóbadas sagradas, - Por onde austeras Virgens, algum dia, - Como as turvas alampadas, que velão - Ante a Religião, tambem velavão, - E descarnadas, pálidas, ardião - Por Deos, e emfim, por Deos se consumião. - Santa contemplação, paz, innocencia, - Como que ainda este silencio occupão! - Musgosos muros, o Zimborio, as Torres, - Os arcos deste Claustro escuro, e longo, - Destes Altares o degráo roçado - Do supplice joelho, os vidros negros, - O sombrio, e profundo Santuario, - Onde, escondidamente desgraçadas, - Almas houve, talvez, que de seus laços - Ás inflexiveis Aras se carpissem, - E por doces memorias inda frescas - Algum medroso pranto ao Ceo furtassem: - Tudo commove alli, tudo alli falla. - Alli cevando a mente em soledade, - Ás vezes cuidarás, ao pôr do dia, - Que de alguma Heloisa a Sombra geme; - Que as lagrimas, que a dor, que os ais lhe sentes. - Logra, pois, estes restos de alto preço, - Térnos, augustos, pios, ou profanos. - Mas longe os monumentos, cujo estrago - Do fingimento he filho, e mal imita - Do Tempo as impressões inimitaveis: - Esses antigos Templos, fabricados - Inda ha pouco, as reliquias de hum Castello - Que jámais existio, Pontes idosas, - Que hontem nascêrão, Torreão dos Godos, - Que, roto, e gasto, não parece antigo: - São artificio inutil, e grosseiro. - Fitando-lhe a attenção, se me figura - Que vejo hum moço arremedando hum velho, - Despindo as graças da amorosa idade, - Sem que retrate da velhice as rugas; - Mas estrago real dá pasto aos olhos. - Restos, que já contemporaneos fostes - De nossos bons, e simplices Maiores, - Gosta meu coração de interrogar-vos, - E gosta de vos crer. De novo a Historia - Estudo em vós dos Tempos, e dos Povos. - Quanto esses Povos mais famosos forão, - E quanto mais famosos esses Tempos, - Tanto mais nesses restos fico absorto. - Campos de Italia! Oh Campos d’alta Roma! - Onde jaz, por fatal, e horrivel quéda, - Com todo o seu orgulho o Nada do Homem! - Ahi he que ruinas, afamadas - Por grandes nomes, por memorias grandes, - Dão sublimes lições, aspectos graves, - Thesoiros que as paizagens enriquecem. - Vê como, cá, e lá, por toda a parte - A rapidez dos Seculos tremendos, - Das Artes os prodigios destroçando, - Sepulcros arrojou sobre Sepulcros, - Hum Templo derribou sobre outro Templo, - Olha as Idades blasonando ao longe - Co’a ruina immortal da excelsa Roma. - Os pórticos, e os arcos, (onde a Pedra - Em carácter fiel conserva ainda - Do Povo Rei magnânimas proezas), - Pórticos, e arcos tem cansado os Tempos, - Ondas suspensas por aqui bramião, - Por baixo destas pórtas dilatadas - Os despójos do Mundo hião passando. - Esparzidos estão, no pó confusos - Por toda a parte, os Thermes, os Palacios, - Os Sepulcros dos Cesares, em quanto - De Virgilio, de Ovidio, Horacio, e de Outros - Inda grata Illusão nos finge o rasto. - Oh tres, e quatro vezes venturoso - O Artista dos Jardins! Feliz quem póde - Destes restos divinos apossar-se! - Já lhe vai surdamente a mão do Tempo - Ajudando as tenções; já sobre pompas - Dos Senhores do Mundo, a Natureza - De recobrar os seus direitos fólga: - Lá onde o Domador dos Reis, lá onde - Campeava Pompêo com fasto immenso, - Agora dos Pastores se ouve a flauta, - Como nos dias do tranquillo Evandro. - Vê rir os campos que ao Cultor volvêrão, - E relvar os cabritos sobre os tectos, - E Obelisco arrogante além cahido: - Olha abraçado co’a columna altiva - O humilde espinho; as Arvores, as Plantas, - Subir, baixar em mil festões, mil cachos: - Aquella que Minerva aos Homens trouxe, - E a Figueira, pelo hálito dos ventos - Por entre estes estragos semeadas, - Acabão de abalar co’a raiz branda - As veneraveis Obras dos Romanos; - A torta vide, a hera, de cem braços, - Emtorno das ruinas serpeando, - A modo que desejão, que procurão - Recatar-lhe a velhice, ou guarnecella. - Se não tens estes restos estupendos, - Terás, sequer, os animados Bronzes, - Terás os Numes das Idades mortas, - Em que Arte divinal forçava os cultos? - Quiz dos Jardins, bem sei, Gosto severo - Lançar todos os Deoses dos Romanos, - Dos Gregos; mas porque? Nossas infancias, - Em Athenas, em Roma cultivadas, - Sua doce magía exprimentárão. - Estes Numes Agrícolas não erão? - Não Pastores? Porque has de, pois, tolher-lhes - Os bosques, os vergeis? Podem teus fructos - Rebentar sem auxilio de Pomona? - Ou te he dado expellir do Imperio Flora? - Ah! sempre essas Deidades nos encantem: - Das Artes inda he culto a Idolatria; - Mas haja perfeição, primor na escolha. - Não queiras nos jardins improprios Deoses, - Elles sem magestade, ellas sem graça. - Elege a cada qual assento idóneo, - Seus direitos nenhum ao outro usurpe. - Deixa nas selvas Pan. Porque motivo - Co’as Driades estão Tritões, Nereidas? - De que serve este Nilo, em vão croado - De canas, e a mostrar do pó manchada - A urna, que he de passaros abrigo? - Fóra os Leões, e os Tigres: esses monstros - Tè nas imagens suas me arripião; - E os Cesares tambem, mais monstros que elles, - Sentinellas horriferas das portas - De bordadas florestas, que, nojosos - Da suspeita, e do crime, inda parece - Com os olhos as victimas apontão. - Ao risonho lugar que jus tem elles? - Mostra-me Objectos que eu venere, eu ame; - Á sua apotheóses sagra hum sitio, - Elysios cria em que seus Manes folguem. - Longe de olhos profanos, sobre valles - De verdes murtas, de cheirosos loiros - Honrem seus vultos marmore de Paros; - Goste hum remanso de banhar tais selvas, - E, mesclando co’a sombra os dubios lumes, - Seja Diana affavel o Astro dellas. - Dos virentes doceis a formosura - Sobre as queridas, candidas Estatuas, - Destes Homens egregios o repouso, - A simples, a benigna magestade, - Correntes sem rumor, como as do Lethes, - Que para aquellas Almas tão serenas - Parece vão rolando o esquecimento - Da crua ingratidão, e de outros males; - Bosques, e o dia, entre elles expirando, - Tudo respira a paz dos Manes ledos. - Tu não consagres, pois, se não tranquillas, - Estremadas virtudes nesses campos. - Longe, longe os fatais Conquistadores, - Verdugos, não Heróes: esses lugares - Turbarião talvez como turbárão - Este Mundo infeliz: ahi colóca - Os amigos dos Homens, e dos Deoses: - Os de que ainda beneficios vivem - Na fama, e tradicção; tambem Monarcas, - De que o seu Povo não chorasse a gloria: - Mostra ahi Fenelon, mostra á saudade, - E com Sully se abrace Henrique o Grande. - Dá, dá-me flores, cobrirei com ellas - Os Sabios, que em longinquas, novas praias - Artes consoladoras demandárão, - Artes consoladoras desparzírão. - E tu, primariamente, Heroe Britanno, - Tu Cook, infatigavel, denodado, - Que, acceito, e caro aos corações de todos, - Unes co’a magoa teu Paiz, e a França; - Que a essas Regiões, que aonde o raio - Outr’hora os Européos annunciava, - Util, novo Triptólemo, guiaste - O serviçal cavallo, a ovelha, o toiro, - O arado agricultor, e as patrias artes, - Nossas furias, e roubos expiando. - Com doce paz fraterna lá surgias; - Prantos, e beneficios lá deixavas. - Recebe de hum Francez este tributo...; - E á minha gratidão que importa o clima? - Virtudes immortais do illustre Nauta - Nosso Concidadão já o fizerão; - No grande exemplo o nosso Rei se imite; - Digno de ser seu Rei. Ah! que aproveita - Ao pasmoso Varão ter vezes duas - Visto os Mares de gêlo, os Ceos de fogo, - Ter estes afrontado, e roto aquelles? - Que as ondas, ventos, Povos o acatassem; - Que em toda a vastidão do Pego immenso - Fosse immune, e sagrada a quilha sua; - Que só com elle reprimisse a Guerra - Seu hórrido furor? Do Mundo o Amigo - Ai! Morre ás mãos de barbaros Selvagens. - Oh vós, que lamentais seu fim cruento, - Da potente Albion soberbos filhos, - Imitai-lhe, que he tempo, a ambição nobre. - Porque em vossos iguais quereis escravos? - Dai-lhe fraternidade, e não cadeias. - Dos loiros triunfais cingida a fronte, - Dos loiros, que o Francez colheo de novo, - Té a mesma Victoria a Paz cobiça. - Desce, Prole do Ceo, Paz suspirada, - Doira este Globo, emfim, com teus sorrisos, - Dos sitios, que eu cantei, requinta as graças; - Fórma hum Povo feliz de tantos Póvos; - Aos campos abundancia restitue, - E restitue ás ondas o commercio: - Hajão da tua mão, propicio Nume, - Os dois Mundos socego, as Artes vida. - - - FIM DO CANTO QUARTO. - - - - - NOTAS DO PRIMEIRO CANTO. - - -(_Pag.5. vers. 7._) - - Assumpto amavel, que tentou Virgilio, etc. - -Vê-se nas Georgicas, liv. 4. que a composição dos Jardins, de que -fallão, he mui singela, e naturalissima, e que se acha nelles o util -com o aprazivel: pomos, flores, hortaliças. Mas estes Jardins são os de -hum ordinario Habitante dos Campos, Jardins, tais como, com hum gosto -simples, quizera o Sabio ornallos, e cultivallos pela sua mão; tais -como folgaria de os aformosear o amavel Poeta, que os descreve. Não -tratou daquelles Jardins famosos que o luxo dos Vencedores do Mundo: os -Crassos, os Lucullos, os Pompêos, os Cesares, carregárão das riquezas -da Asia, e dos despojos do Universo. - -(_Pag. 5. vers. 20._) - - De Alcino o luxo, o gosto, ainda rude, - Punha a curto Vergel módico enfeite, etc. - -He hum monumento precioso da Antiguidade, e da historia dos Jardins a -descripção que faz Homéro do de Alcino. Vê-se, que ella distava pouco -do nascimento da Arte; que todo o seu luxo estava na symmetria, e -ordem, na riqueza do chão, na fertilidade das arvores, nas duas fontes, -de que era ornado: e todos os que quizessem jardim para gozar, e não -para mostrallo, escusarião outro. - -(Ibid. _vers. 22._) - - Eis com arte maior, mais sumptuosa - Jardins nos ares Babylonia ostenta. - -Parte destes Jardins suspensos ainda durava mil, e seiscentos annos -depois da sua creação; elles forão o assombro de Alexandre, quando -entrou em Babylonia. - -(Ibid. _vers. 24._) - - Os Latinos Heróes, de Marte os Filhos, - Depois que Roma agrilhoava o Mundo, - Davão repouso ameno á gloria, ao raio - Em frescos hortos, que a victoria ornára. - -Existe monumento inestimavel do gosto, e fórma dos Jardins Romanos em -huma Carta de Plinio Junior, e nella se lê que já então conhecião a -arte de affeiçoar as arvores, de dar-lhes diversas figuras de vasos, ou -animais; que a Architectura, e o luxo dos Edificios erão dos primarios -ornamentos dos Parques; mas que todos tinhão hum objecto de utilidade, -objecto em demasia esquecido nos Jardins modernos. - -(_Pag. 9. vers. 1._) - - Belœil, a hum tempo - Campestre, apparatoso, etc. - -Belœil, foi huma casa de recreio, ou quinta, do Principe de Ligne. - -(Ibid. _vers. 8._) - - O amavel Tivoli, de fórma estranha - Á França descobrio ténue modélo. - -O local de Tivoli negava-se aos grandes effeitos pictorescos; mas -Boutin teve o merecimento de colher delle a utilidade possivel, e -principalmente de ser o que primeiro experimentou com bom exito o -genero irregular. - -(Ibid. _vers. 10._) - - Montreuil as Graças desenhárão rindo, etc. - -Montreuil era hum bellissimo Jardim da Princeza de Guimené, na estrada -de Paris a Versailles. - -(Ibid. _vers. 11._) - - Maupertuis, le Desert, com que alegria, - Rincy, Limours, etc. - -Maupertuis. Este Jardim, conhecido pelo nome de Elysio, pertenceo ao -Marquez de Montesquiou. Se bellas agoas, soberbas plantações, aprazivel -mixto de colinas, e valles, fazem hum sitio formoso, o Elysio he digno -do seu amavel nome. - -Le Desert. Este Jardim foi desenhado com muita graça por Monville. - -Rincy. Este lindo Jardim foi do Duque de Orleans. - -Limours. Este lugar, naturalmente inculto, foi mui aformoseado pela -Condessa de Brionne, e perdeo parte da aspereza sem perder o caracter. - -(Ibid. _vers. 16._) - - E parecido - Comtigo Trianon, Deosa, que o reges, etc. - -O pequeno Trianon, Jardim da Rainha, he modélo neste genero. Parece que -a riqueza foi nelle empregada sempre pelo gosto. - -(Ibid. _vers. 20._) - - Grato asylo d’hum Principe adoravel, - Tu, cujo nome de apoucada idéa, etc. - -He o gracioso Jardim==Bagatela==composto com muita arte para o Conde de -Artois, e que tem a vantagem de se achar no meio de Bosque aprazivel, -que parece parte delle. O pavilhão he de huma elegancia rara. Não se -podérão nomear neste Poema outros agradaveis Jardins, feitos alguns -annos depois. - -(_Pag. 29. vers. 8._) - - A arte os prometta, os olhos os esperem: - Dá quem promette, quem espera goza. - -Este ultimo hemistichio vem n’uma Epistola de Saint Lambert; a -reminiscencia o introduzio neste Poema. - -(Ibid. _vers. 30._) - - Entre Kent, e le Notre eu não decido, etc. - -Kent, Architecto, e famoso Desenhador em Inglaterra, foi o primeiro -que tentou felizmente o genero livre, que principia a lavrar por toda -Europa. Os Chinezes são sem dùvida seus inventores. - -(_Pag. 33. vers. 34._) - - Attenta em Milton, etc. - -Muitos Inglezes querem que esta bella descripção do Paraiso Terreal, e -alguns lugares de Spencer, dessem a idéa do Jardim irregular; e posto -que he provavel, como já se disse, que este genero venha dos Chins, -o Author antepoz a authoridade de Milton como a mais poetica. Além -disso, julgou que se olharia com gosto a magnificencia toda do maior -Rei do Mundo, todos os milagres das Artes em opposição com os feitiços -da Natureza recente, com a innocencia das primeiras Creaturas que a -aformoseárão, e com o attractivo dos primeiros amores. Não traduzio, -nem tão pouco imitou Milton, que devia, e podia descrever mais -longamente o Eden. - - - - - NOTAS DO SEGUNDO CANTO. - - -(_Pag. 59. vers. 25._) - - Sempre verdes, - Oh Mouceaux, teus Jardins são disto exemplo. - -O Jardim de Inverno do Duque de Chartres, he com effeito, hum -encantamento. A estufa especialmente he huma das melhores que se -conhecem. - -(_Pag. 67. vers. 34._) - - Moço Potaveri, tu disto és prova, etc. - -Este o nome de hum Habitante de O-taiti, conduzido a França por -Bougainville, célebre pelo seu valor, e constancia em varias acções, e -gloriosamente conhecido quer por Navegante, quer por Militar. O passo -que se refere, do Mancebo Otaitiano, he mui notorio, e interessante. Só -o que fez o Author foi alterar o lugar da Sena, que fingio no Jardim -Real das Plantas. Quizera pôr em seus versos toda a sensibilidade que -respira nas poucas palavras que o Moço proferio, abraçando a arvore -que havia conhecido, e que lhe recordou a Patria.==He O-taiti==dizia -elle==, e olhando para as outras arvores,==Não he O-taiti.==Assim -estas arvores, e a sua patria se identificavão no seu espirito. Julgou -o Author que este lance tão terno, e tão novo, poderia ministrar hum -bello Episodio. - -(_Pag. 69. vers. 2._) - - Onde he sem pejo Amor, Amor sem crime. - -Observou-se em todos os Povos, onde a Sociedade tem feito curtos -progressos, huma certa innocencia nos costumes, muito diversa do -resguardo, e do pejo que sempre acompanhão a virtude nas Mulheres das -Nações polidas. Na Ilha de O-taiti, na maior parte das outras do Mar -do Sul, em Madasgacar, etc. as casadas julgão dever-se exclusivamente -a seus maridos, e quebrão raras vezes a lealdade conjugal; mas as -solteiras não escrupulizão em se entregar até á paixão momentanea que -os homens lhes inspirão. Não se sujeitão nem nas palavras, nem nos -modos, nem no vestido ao que olhamos como deveres do sexo feminino. Mas -isto he nellas simplicidade, não he corrupção: não desprezão as normas -da decencia, ellas as ignorão. Nestes Paizes a Natureza he grosseira, -mas não depravada. Eis o que se intentou exprimir naquelle verso. - - - - - NOTAS DO TERCEIRO CANTO. - - -(_Pag. 77. vers. 2._) - - Sei que em Harlem ha Curiosos tristes, - Que em seus Jardins co’as flores vão fechar-se. - -Harlem he Cidade de Hollanda, onde se commercia muito em flores, -e sabe-se a que extravagancia tem chegado os Floristas no amor á -raridade, e ás posses exclusivas. - -(_Pag. 79. vers. 17._) - - Do cume dos Rochedos verdadeiros, etc. - -Em geral, não se podem imitar bem os rochedos, nem todos os grandes -effeitos da Natureza. Ella não consente á Arte emprehender estes -atrevimentos, salvo quando combate com todos os esforços, e cabedais -do engenho, e da opulencia. Assim se formou, segundo os desenhos -de Robert, o soberbo Rochedo de Versailles, cujo effeito só o póde -adivinhar a fantasia, que o vê d’ante mão toucado de vistosas arvores, -e ornado de toda quanta verosemelhança, e belleza póde só dar-lhe o -tempo. - -(Ibid. _vers. 21._) - - Aos Campos de Midléton, ás Montanhas - De Dovedále te acompanho os passos, - A ellas, Whateli, comtigo subo. - -São dois sitios de Inglaterra, famosos pelas fórmas pictorescas da sua -cadeia de rochedos, descriptos por Whateli, de que o Author, assim como -Morel, no seu formoso tratado dos Jardins, colhêrão algumas passagens, -tais como a cabana, e a ponte suspensas sobre despenhadeiros. Mas -Delille cuidou em exprimir de hum modo seu as sensações que nascem -destes aspectos medonhos. - - - - - NOTAS DO QUARTO CANTO. - - -(_Pag. 115. vers. 9._) - - Eia, imita o Poussin, etc. - -Este famoso quadro he certamente o melhor de todos os de Paizagens. -Senão soubessemos quanto a imaginação do Poussin se alimentou com as -producções dos grandes Poetas da Antiguidade, este painel bastaria -para o provar. Quasi todas as obras voluptuosas de Horacio tem o mesmo -caracter. Por toda a parte no seio dos prazeres, e das festas, aponta -ao longe a morte. Dai-vos pressa, (diz elle) quem sabe se á manhã -viveremos? Nosso fado he morrer; será forçoso deixar esta bella casa, -esta Mulher encantadora, e de todas as arvores que cultivais, só o -Cypreste, ai de mim! seguirá seu Senhor, mui pouco duravel. - -Esta mesma filosofia, colhida dos antigos Poetas, he a que dictou a -Chaulieu aquelles versos cheios de melancolia tão doce:== - - Musas, que neste retiro - Começastes meu prazer, - Plantas, que nascer me vistes, - Cedo me vereis morrer. - -Estes contrastes de sensações, compostas de alegria, e tristeza, -agitando a alma em sentido contrario, fazem sempre huma impressão -profunda; e he o que obrigou o Author a colocar no meio das scenas -risonhas dos Jardins a vista melancolica dos sepulcros, e urnas -consagradas á Amizade, ou á Virtude. - -(_Pag. 117. vers. 14._) - - De envelhecidos Teixos lá debaixo - Não vês aquelles, etc. - -Nestes versos, dedicados ás sepulturas humildes dos Camponezes, o -Author imitou alguns versos do Cimiterio de Gray. - -(_Pag. 135. vers. 9._) - - Mas longe os monumentos, cujo estrago, etc. - -Chabanon, em huma linda Epistola, escrita a favor dos Jardins -regulares, notou antes do Author dos Jardins, que os monumentos velhos -despertavão memorias, vantagem que não tem ruinas fingidas. Esta idéa -se acha em outras obras, e particularmente na de Whateli: demais, ella -he tão natural, que era facil achalla. Talvez o não fosse exprimilla -bem, mórmente depois de Chabanon; mas se o Author se encontrou com -elle, o que todavia cuidou em evitar, confessa, e repete, que os seus -versos são posteriores aos daquelle Poeta. - -(_Pag. 143. vers. 12._) - - E tu, primariamente, Heroe Britanno, etc. - -Todos tem noticia das viagens instructivas, e animosas do afamado, -e desditoso Cook; todos sabem a ordem que Luiz XVI. deo para se lhe -respeitar o navio em todos os Mares, ordem que honra igualmente as -Sciencias, este illustre Viajante, e o Rei, de que elle, por assim -dizer, se tornou vassallo, com este novo genero de beneficencia, e -protecção. - - - FIM DAS NOTAS. - - -*** END OF THE PROJECT GUTENBERG EBOOK OS JARDINS OU A ARTE DE -AFORMOSEAR AS PAISAGENS *** - -Updated editions will replace the previous one--the old editions will -be renamed. - -Creating the works from print editions not protected by U.S. copyright -law means that no one owns a United States copyright in these works, -so the Foundation (and you!) can copy and distribute it in the -United States without permission and without paying copyright -royalties. 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Hart was the originator of the Project -Gutenberg-tm concept of a library of electronic works that could be -freely shared with anyone. For forty years, he produced and -distributed Project Gutenberg-tm eBooks with only a loose network of -volunteer support. - -Project Gutenberg-tm eBooks are often created from several printed -editions, all of which are confirmed as not protected by copyright in -the U.S. unless a copyright notice is included. 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You may copy it, give it away or re-use it under the terms -of the Project Gutenberg License included with this eBook or online -at <a href="https://www.gutenberg.org">www.gutenberg.org</a>. 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ALTEZA REAL<br> -O PRINCIPE REGENTE,<br> -NOSSO SENHOR,</span><br> -POR<br> -MANOEL MARIA DE BARBOSA<br> -DU BOCAGE.</span><br> -</p> -<p class="center p2"><span class="figcenter" id="img000"> -<img src="images/000.jpg" class="w10" alt="imagem da editora"> -</span></p> -<p class="center"> -LISBOA.<br> -<br> -<span class="small">NA TYPOGRAPHIA CHALCOGRAPHICA,<br> -E LITTERARIA DO ARCO DO CEGO.</span><br> -</p> -<hr class="r5"> -<p class="center"> -ANNO M. DCCC.<br> -</p> - -<p><span class="pagenum" id="Page_i">[Pg i]</span></p> - - - - -<hr class="chap x-ebookmaker-drop"> - -<div class="chapter"> -<p class="poetry"> -<span style="margin-left: 1em;"><i>————Hic inter flumina nota,</i></span><br> -<span style="margin-left: 1em;"><i>Et fontes sacros frigus captabis opacum.</i></span><br> -</p> -<p class="center">Virg. Eclog. I.</p> -<p class="poetry"> -<span style="margin-left: 1em;">Entre os rios aqui, e as sacras fontes</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Gozarás em repouso a sombra amena.</span><br> -</p></div> -<hr class="chap x-ebookmaker-drop"> - -<div class="chapter"> -<p><span class="pagenum" id="Page_ii">[Pg ii]</span></p> - -<h2 class="nobreak" id="PROLOGO">PROLOGO <br><span class="small">DO</span><br>AUTHOR.</h2> -</div> - - -<p>Varias pessoas de grande merecimento escrevêrão em prosa á cerca dos -Jardins. O Author deste Poema colheo dellas alguns preceitos, e até -descripções. Em bastantes passagens teve a dita de encontrar-se com -tão bons Escritores, porque este Poema foi começado antes que elles -publicassem as suas obras. Confessa que dá ao prelo com extrema -desconfiança huma composição muito esperada, e engrandecida de mais: a -indulgencia excessiva, dos que a ouvìrão, lhe agoira a severidade, dos -que a lerem.</p> - -<p>Este Poema, além disso, tem hum grave inconveniente, o de ser -didáctico. Tal genero he necessariamente hum pouco frio, e mais o -deve parecer á huma Nação, que lhe custa muito (como se tem observado -repetidas vezes) a tolerar versos, em não sendo os compostos para o -Theatro, os que pintão as paixões, ou as baldas dos Homens. Poucas -Pessoas, digo mais, até poucos Litteratos lem as Geórgicas de Virgilio, -e quasi todos, os que aprendêrão Latim, sabem de cór o quarto Canto da -Eneida.</p> - -<p>No primeiro destes dois Poemas, dá o Poeta a entender que sente -não lhe permittirem os limites do seu assumpto cantar os Jardins. -Depois de haver lutado longamente com as miudas, e hum tanto ingratas -particularidades da cultura geral dos Campos, a modo que deseja -repousar sobre mais risonhos objectos. Mas estreitado no de que trata, -vinga-se desta sujeição com hum bello, e rápido esboço dos Jardins, e -com o pathetico<span class="pagenum" id="Page_iii">[Pg iii]</span> episódio de hum Velho feliz no seu pequeno campo, que -elle mesmo cultiva, e enfeita.</p> - -<p>O que o Poeta Romano sentia não poder executar, executou o P. Rapin. -Escreveo na lingua, e ás vezes no estilo de Virgilio, hum Poema em -quatro Cantos sobre os Jardins, que foi mui applaudido, n’um tempo em -que ainda se lião versos Latinos modernos. A sua obra não he despida -de elegancia; mas quizera-se que abundasse de precisão, e de melhores -episódios.</p> - -<p>De mais, o plano do seu Poema não interessa, não tem variedade. Hum -Canto he consagrado ás agoas, outro ás arvores, outro ás flores. -Adivinha-se o comprido cathalogo, e a enumeração tediosa, que mais -pertence ao Botanico que ao Poeta: e aquelle passo methódico, que assás -prestaria n’um tratado em prosa, he grande defeito n’uma composição -Poetica, onde o Espirito pede que o levem por caminhos hum pouco -desviados, e lhe apresentem objectos que não espera.</p> - -<p>Além disto, Rapin cantou Jardins do genero regular, e a monotonia -inherente á summa regularidade, passou do assumpto ao Poema. A -imaginação, naturalmente amiga da liberdade, ora vai a custo pelos -desenhos enviezados de hum canteiro de flores, ora morre no fim de huma -longa, e direita alameda. Por toda a parte lhe lembra com saudades -a formosura hum tanto desordenada, e a chistosa irregularidade da -Natureza.</p> - -<p>Emfim, aquelle Author não tratou senão a parte mecanica da Jardinagem. -Totalmente esqueceo a mais importante, a que procura em nossas -sensações, em nossos sentimentos a origem do prazer, que nos causão -as scenas campestres, e os attractivos da Natureza aperfeiçoados pela -arte. Em suma, os seus Jardins são os do Architecto; os outros são os -do Filosofo, os do Pintor, os do Poeta.</p> - -<p>Este genero tem medrado por extremo ha annos,<span class="pagenum" id="Page_iv">[Pg iv]</span> e se isto he tambem -effeito da moda, demos-lhe graças. A arte dos Jardins, a que se -poderia chamar luxo da Architectura, parece hum dos entretenimentos -mais convenientes, e talvez hum dos mais virtuosos da Gente rica. Como -cultura, reconduz á innocencia das occupações campesinas; como adorno, -apadrinha sem risco a paixão dos dispendios, que acompanha as grandes -Fortunas: finalmente, esta arte tem para semelhante classe de Homens o -duplicado prestimo de participar, ao mesmo tempo, dos gostos que vogão -nas Cidades, e dos que existem nos Campos.</p> - -<p>Este prazer dos Particulares achou-se ligado á utilidade pública: fez -com que os Opulentos folgassem de habitar as suas terras. O oiro, que -sustentaria Artifices do luxo, vai alimentar os Cultivadores, e a -riqueza torna á sua verdadeira fonte. Acresce a isto, que a cultura -se enriqueceo com muitas, e muitas plantas, ou arvores estrangeiras, -aggregadas ás producções do nosso terreno, e isto vale certamente o -marmore todo que perdêrão nossos Jardins.</p> - -<p>Feliz este Poema se desparzir, ainda mais, affeições tão simplices, e -puras! Porque, como o Author deste Poema o disse em outra composição,</p> - -<p class="poetry"> -<span style="margin-left: 1em;">Quem dos Campos o amor inspira aos Homens,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Tambem, Virtudes, vosso amor lhe inspira.</span><br> -</p> - -<p><span class="pagenum" id="Page_v">[Pg v]</span></p> -<hr class="chap x-ebookmaker-drop"> - -<div class="chapter"> -<p><span class="pagenum" id="Page_vi">[Pg vi]</span></p> - -<h2 class="nobreak" id="PROLOGO_DO_TRADUCTOR">PROLOGO DO TRADUCTOR.</h2> -</div> - - -<p>A Gloriosa reputação do Abbade Delille, como Litterato, e como Poeta, a -estima geral, dada ao seu Poema dos Jardins, onde se encontrão todo o -atavio, toda a graça, e toda a filosofia, de que he capaz o assumpto, -me incitou a versificallo em vulgar, apurando nisso o cabedal que -possuo em Poesia, cabedal muito inferior ao apreço, e acolheita, de -que estou em divida com os meus Compatriotas. O amor á Gloria, e á -Gratidão talvez ainda criem na minha alma hum ardor que a fecunde, -tornando-me digno do affecto, com que me honra o Publico; e entretanto -lhe apresento esta versão, a mais concisa, a mais fiel, que pude -ordenal-la, e em que só usei o circumloquio nos lugares, cuja traducção -litteral se não compadecia, a meu ver, com a elegancia, que deve reinar -em todas as composições Poeticas.</p> - -<p>NB. Na pag. 66 vers. 21 lêa-se Soleil, em vez de Ciel: = na pag. 67 -vers. 22 Occaso, onde está Oceano: = na pag. 65 vers. 21 Cobertas -d’outro Ceo: = na pag. 83 vers. 31 luzidio, em lugar de luzido: = e -na pag. 119 vers. 35 diversos, em lugar de diverssas: = e na pag. 121 -vers. 28 milhos, em lugar de trigos.</p> -<hr class="chap x-ebookmaker-drop"> - -<div class="chapter"> -<p><span class="pagenum" id="Page_2">[Pg 2]</span></p> - -<p class="center p2"><span class="figcenter" id="img001a"> -<img src="images/001.jpg" class="w50" alt="Imagem decorativa"> -</span></p> - -<h2 class="nobreak" id="CHANT_PREMIER">LES JARDINS,<br><span class="small">POÈME,</span></h2> -</div> - -<hr class="r5"> -<p class="center big"> -CHANT PREMIER.</p> -<hr class="r5"> - -<p class="poetry"> -<span style="margin-left: 2em;">Le doux Printemps revient, et ranime à la fois</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Les oiseaux, les zéphirs, et les fleurs, et ma voix.</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Pour quel sujet nouveau dois-je monter ma lyre?</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Ah! lorsque d’un long deuil la terre enfin respire,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Dans les champs, dans les bois, sur les monts d’alentour,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Quand tout rit de bonheur, d’espérance, et d’amour,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Qu’un autre ouvre aux grands noms les fastes de la gloire;</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Sur un char foudroyant qu’il place la victoire;</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Que la coupe d’Atrée ensanglante ses mains:</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Flore a souri; ma voix va chanter les Jardins.</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Je dirai comment l’art, dans de frais paysages,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Dirige l’eau, les fleurs, les gazons, les ombrages.</span><br> -<span style="margin-left: 2em;">Toi donc, qui, mariant la grace, et la vigueur,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Sais du chant didactique animer la langueur,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">O Muse! si jadis, dans les vers de Lucrece,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Des austères leçons tu polis la rudesse;</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Si par toi, sans flétrir le langage des Dieux,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Son rival a chanté le soc laborieux;</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Viens orner un sujet plus riche, plus fertile,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Dont le charme autrefois avoit tenté Virgile.</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">N’empruntons point ici d’ornement étranger;</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Viens, de mes propres fleurs mon front va s’ombrager;</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Et, comme un rayon pur colore un beau nuage,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Des couleurs du sujet je teindrai mon langage.</span><br> -<span style="margin-left: 2em;">L’art innocent, et doux que célébrent mes vers,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Remonte aux premiers jours de l’antique univers.</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Dès que l’Homme eut soumis les champs à la culture,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">D’un heureux coin de terre il soigna la parure;</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Et plus près de ses yeux il rangea sous ses loix</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Des arbres favoris, et des fleurs de son choix.</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Du simple Alcinous le luxe encore rustique</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Décoroit un verger. D’un art plus magnifique</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Babylone éleva des jardins dans les airs.</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Quand Rome au monde entier eut envoyé des fers,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Les vainqueurs, dans des parcs ornés par la victoire,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Alloient calmer leur foudre, et reposer leur gloire.</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">La sagesse autrefois habitoit les jardins,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Et d’un air plus riant instruisoit les humains:</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Et quand les Dieux offroient un Elysée aux sages,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Etoit-ce des Palais? c’étoit de verds boccages;</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">C’étoit des prés fleuris, séjour des doux loisirs,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Où d’une longue paix ils goùtoient les plaisirs.</span><br> -<span style="margin-left: 2em;">Ouvrons donc, il est temps, ma carriere nouvelle;</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Philippe m’encourage, et mon sujet m’appelle.</span><br> -<span style="margin-left: 2em;">Pour embellir les champs, simples dans leur attraits,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Gardez-vous d’insulter la nature à grands frais.</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Ce noble emploi demande un Artiste qui pense,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Prodigue de génie, et non pas de dépense.</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Moins pompeux qu’élégant, moins décoré que beau,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Un jardin, a mes yeux, est un vaste tableau.</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Soyez peintre. Les champs, leurs nuances sans nombre,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Les jets de la lumiere, et les masses de l’ombre,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Les heures, les saisons variant tour-a tour</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Le cercle de l’année, et le cercle du jour,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Et des prés émaillés les riches broderies,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Et des rians côteaux les vertes draperies,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Les arbres, les rochers, et les eaux, et les fleurs,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Ce sont la vos pinceaux, vos toiles, vos couleurs.</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">La nature est à vous; et votre main féconde</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Dispose, pour créer, des élémens du monde.</span><br> -<span style="margin-left: 2em;">Mais avant de planter, avant que du terrein</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Votre bêche imprudente ait entamé le sein,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Pour donner aux jardins une forme plus pure,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Observez, connoissez, imitez la nature.</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">N’avez-vous pas souvent, aux lieux infrequentés,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Rencontré tout-a-coup ces aspects enchantés,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Qui suspendent vos pas, dont l’image chérie</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Vous jette en une douce, et longue réverie?</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Saisissez, s’il se peut, leurs traits les plus frappans,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Et des champs apprenez l’art de parer les champs.</span><br> -<span style="margin-left: 2em;">Voyez aussi les lieux qu’un goût savant décore.</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Dans ces tableaux choisis vous choisirez encore.</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Dans sa pompe élégante admirez Chantilli,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">De héros en héros, d’âge en âge embelli.</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Belœil, tout à la fois magnifique, et champêtre,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Chanteloup, fier encor de l’exil de son Maitre,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Vous plairont tour-à tour. Tel que ce frais bouton,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Timide avant-coureur de la belle saison,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">L’aimable Tivoli, d’une forme nouvelle</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Fit le premier en France entrevoir le modèle.</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Les Grâces en riant dessinerent Montreuil.</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Maupertuis, le Desert, Rincy, Limours, Auteuil,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Que dans vos frais sentiers doucement on s’égare!</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">L’ombre du grand Henri chérit encore Navarre.</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Semblable à son auguste, et jeune dêité,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Trianon joint la grace avec la majesté:</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Pour elle il s’embellit, et s’embellit par elle.</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Et toi, d’un Prince aimable, ô l’asyle fidele!</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Dont le nom trop modeste est indigne de toi,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Lieu charmant! offre-lui tout ce que je lui doi,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Un fortuné loisir, une douce retraite.</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Bienfaiteur de mes vers, ainsi que du Poète,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">C’est lui qui dans ce choix d’Ecrivains enchanteurs,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Dans ce jardin paré de poétiques fleurs,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Daigne accueillir ma muse. Ainsi du sein de l’herbe</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">La violette croit auprès du lys superbe.</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Compagnon inconnu de ces hommes fameux,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Ah! si ma foible voix pouvoit chanter comme eux,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Je peindrois tes jardins, le dieu qui les habite,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Les arts, et l’amitié qu’il y mène a sa suite.</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Beau lieu! fais son bonheur. Et moi, si quelque jour,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Grace a lui, j’embellis un champêtre sejour,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">De mon illustre appui j’y placerai l’image.</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">De mes premieres fleurs je veux qu’elle ait l’hommage:</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Pour elle je cultive, et j’enlace en festons</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Le myrthe, et le laurier, tous deux chers aux Bourbons;</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Et si l’ombre, la paix, la liberté m’inspire,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">A l’auteur de ces dons je dévouerai ma lyre.</span><br> -<span style="margin-left: 2em;">J’ai dit les lieux charmans que l’art peut imiter;</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Mais il est de écueils que l’art doit éviter.</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">L’esprit imitateur trop souvent nous abuse.</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Ne prêtez point au sol des beautés qu’il refuse:</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Avant tout, connoissez votre site; et du lieu</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Adorez le génie, et consultez le dieu.</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Ses loix impunément ne sont pas offensées.</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Cependant moins hardi qu’etrange en ses pensées,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Tous les jours dans les champs un artiste sans gout</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Change, mêle, déplace, et dénature tout;</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Et, par l’absurde choix des beautés qu’il allie,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Revient gàter en France un site d’Italie.</span><br> -<span style="margin-left: 2em;">Ce que votre terrein adopte avec plaisir,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Sachez le reconnoitre, osez vous en saisir.</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">C’est mieux que la nature, et cependant c’est elle;</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">C’est un tableau parfait qui n’a point de modèle.</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Ainsi savoient choisir les Berghems, les Poussins.</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Voyez, étudiez leurs chef-d’œuvre divins:</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Et ce qu’a la campagne emprunta la peinture,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Que l’art reconnoissant le rende a la nature.</span><br> -<span style="margin-left: 2em;">Maintenant des terreins examinons le choix,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Et quels lieux se plairont a recevoir vos loix.</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Il fut un tems funeste où, tourmentant la terre,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Aux sites les plus beaux l’art dêclaroit la guerre,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Et comblant les vallons, et rasant les côteaux,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">D’un sol heureux formoit d’insipides plateaux.</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Par un contraire abus l’art, tyran des campagnes,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Aujourd’hui veut créer des vallons, des montagnes.</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Evitez ces excès. Vos soins infructueux</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Vainement combattroient un terrein montueux,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Et dans un sol égal un humble monticule</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Veut etre pittoresque, et n’est que ridicule.</span><br> -<span style="margin-left: 2em;">Desirez-vous un lieu propice a vos travaux?</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Loin des champs tropunis, des monts trop inégaux,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">J’aimerois ces hauteurs ou sans orgueil domine</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Sur un riche vallon une belle colline.</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Là, le terrein est doux sans insipidité,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Elevé sans roideur, sec sans aridité.</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Vous marchez: l’horizon vous obeit. La terre</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">S’éleve, ou redescend, s’etend, ou se reserre.</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Vos sites, vos plaisirs changent a chaque pas.</span><br> -<span style="margin-left: 2em;">Qu’un obscur arpenteur, armé de son compas,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Au fond d’un cabinet, d’un jardin symmétrique</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Confie au froid papier le plan géometrique;</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Vous, venez sur les lieux. La, le crayon en main,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Dessinez ces aspects, ces côteaux, ce lointain;</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Devinez les moyens, pressentez les obstacles:</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">C’est des difficultés que naissent les miracles.</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Le sol le plus ingrat connoîtra la beauté.</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Est-il nu? que des bois parent sa nudité:</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Couvert? portez la hache en ces forêts profondes:</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Humide? en lacs pompeux, en rivieres fécondes</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Changez cette onde impure; et, par d’heureux travaux,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Corrigez a la fois l’air, la terre, et les eaux:</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Aride enfin? cherchez, sondez, fouillez encore:</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">L’eau, lente a se trahir, peut-être est près d’éclore.</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Ainsi d’un long effort moi-même rebute,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Quand j’ai d’un froid détail maudit l’aridité,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Soudain un trait heureux jaillit d’un fond stérile,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Et mon vers ranimé coule enfin plus facile.</span><br> -<span style="margin-left: 2em;">Il est des soins plus doux, un art plus enchanteur.</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">C’est peu de charmer l’œil, il faut parler au cœur.</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Avez-vous donc connu ces rapports invisibles</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Des corps inanimés, et des êtres sensibles?</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Avez-vous entendu des eaux, des prés, des bois</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">La muette éloquence, et la secrette voix?</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Rendez-nous ces effets. Que du riant au sombre,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Du noble au gracieux, les passages sans nombre</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">M’interessent toujours. Simple, et grand, fort, et doux,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Unissez tous les tons pour plaire a tous les goûts.</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Lá, que le peintre vienne enrichir sa palette;</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Que l’inspiration y trouble le poète;</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Que le sage, du calme y goûte les douceurs;</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">L’heureux, ses souvenirs; le malheureux, ses pleurs.</span><br> -<span style="margin-left: 2em;">Mais l’audace est commune, et le bon sens est rare.</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Au lieu d’être piquant, souvent on est bizarre,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Gardez que, mal unis, ces effets différens</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Ne forment qu’un cahos de traits incohérens:</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Les contradictions ne sont pas des contrastes.</span><br> -<span style="margin-left: 2em;">D’ailleurs, a ces tableux il faut des toiles vastes.</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">N’allez pas resserrer dans des cadres étroits</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Des rivieres, des lacs, des montagnes, des bois.</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">On rit de ces jardins, absurde parodie</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Des traits que jette en grand la nature hardie,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Ou l’art invraisemblable a la fois, et grossier,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Enferme en un arpent un pays tout entier.</span><br> -<span style="margin-left: 2em;">Au lieu de cet amas, de ce confus mélange,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Variez les objets, ou que leur aspect change.</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Rapprochés, eloignés, entrevus, découverts,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Qu’ils offrent tour-à tour vingt spectacles divers.</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Que de l’effet qui suit, l’adroite incertitude</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Laisse a l’œil curieux sa douce inquietude:</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Qu’enfin les ornemens avec gout soient placés,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Jamais trop imprévus, jamais trop annoncés.</span><br> -<span style="margin-left: 2em;">Sur-tout, du mouvement: sans lui, sans sa magie,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">L’esprit desoccupé retombe en lethargie;</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Sans lui, sur vos champs froids mon œil glisse au hasard.</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Des grands peintres encore faut-il attester l’art?</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Voyez-les prodiguer de leur pinceau fertile</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">De mobiles objets sur la toile immobile,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">L’onde qui fuit, le vent qui courbe les rameaux,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Les globes de fumée exhalés des hameaux,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Les troupeaux, les pasteurs, et leurs jeux, et leur danse,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Saisissez leur secret. Plantez en abondance</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Ces souples arbrisseaux, et ces arbres mouvans</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Dont la tête obêit a l’haleine des vents;</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Quels qu’ils soient, respectez leur flotante verdure,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Et défendez au fer d’outrager la nature.</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Voyez-la dessiner ces chênes, ces ormeaux.</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Voyez comment sa main, du tronc jusqu’aux rameaux,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Des rameaux au feuillage augmentant leur souplesse,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Des ondulations leur donna la mollesse.</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Mais les ciseaux cruels... Prevenez ce forfait,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Nymphes des bois, courez. Que dis-je? c’en est fait.</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">L’acier a retranché leur cime verdoyante,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Je n’entends plus au loin sur leur tête ondoyante,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Le rapide aquilon legerement courir,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Frémir dans leurs rameaux, s’éloigner et mourir.</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Froids, monotones, morts, du fer qui les mutile</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Ils semblent avoir pris la roideur immobile.</span><br> -<span style="margin-left: 2em;">Vous donc, dans vos tableaux amis du mouvement,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">A vos arbres laissez leur doux balancement.</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Qu’en mobiles objets la perspective abonde:</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Faites courir, bondir, et rejaillir cette onde.</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Vous voyez ces vallons, ces bois, ces champs deserts;</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Des différens troupeaux dans les sites divers</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Envoyez, répandez les peuplades nombreuses.</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Là, du sommet lointain des roches buissonneuses,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Je vois la chèvre pendre. Ici, de mille agneaux</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">L’écho porte les cris de côteaux en côteaux.</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Dans ces prês abreuvés des eaux de la colline,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Couché sur ses genoux, le bœuf pésant rumine;</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Tandis qu’impétueux, fier, inquiet, ardent,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Cet animal guerrier qu’enfanta le trident,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Déploie; en se jouant, dans un gras pâturage</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Sa vigueur indomptée, et sa grace sauvage.</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Que j’aime et sa souplesse, et son port animé,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Soit que dans le courant du fleuve accoutumé</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">En frissonnant il plonge, et luttant contre l’onde,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Batte du pied le flot qui blanchit, et qui gronde;</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Soit qu’à travers les prés il s’échape par bonds;</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Soit que livrant aux vents ses longs crins vagabonds,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Superbe, l’œil en feu, les narines fumantes,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Beau d’orgueil, et d’amour, il vole a ses amantes!</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Quand je ne le vois plus, mon œil le suit encor.</span><br> -<span style="margin-left: 2em;">Ainsi de la nature épuisant le tresor,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Le terrein, les aspects, les eaux, et les ombrages</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Donnent le mouvement, la vie aux paysages.</span><br> -<span style="margin-left: 2em;">Mais si du mouvement notre œil est enchanté,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Il ne chérit pas moins un air de liberté.</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Laissez donc des jardins la limite indécise,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Et que votre art l’efface, ou du moins la déguise.</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Où l’œil n’espere plus, le charme disparoit.</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Aux bornes d’un beau lieu nous touchons à regret:</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Bientôt il nous ennuie, et même nous irrite.</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Au-dela de ces murs, importune limite,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">On imagine encor de plus aimables lieux,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Et l’esprit inquiet désenchante les yeux.</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Quand toujours guerroyant vos gothiques ancetres</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Transformoient en champ-clos leurs asyles champetres</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Chacun dans son donjon, de murs environné,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Pour vivre surement, vivoit emprisonné.</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Mais que fait aujourd’hui cette ennuyeuse enceinte</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Que conserve l’orgueil, et qu’inventa la crainte?</span><br> -<span style="margin-left: 2em;">A ces murs qui génoient, attristoient les regards,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Le goût préfereroit ces verdoyans remparts,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Ces murs tissus d’épine, où votre main tremblante</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Cueille et la rose inculte, et la mûre sanglante.</span><br> -<span style="margin-left: 2em;">Mais les jardins bornés m’importunent encor.</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Loin de ce cercle étroit prenons enfin l’essor</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Vers un genre plus vaste, et des formes plus belles,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Dont seul Ermenonville offre encor des modèles.</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Les jardins appeloient les champs dans leur séjour,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Les jardins dans les champs vont entrer a leur tour.</span><br> -<span style="margin-left: 2em;">Du haut de ces côteaux, de ces monts d’où la vue</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">D’un vaste paysage embrasse l’ètendu,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">La Nature au Génie a dit: »Ecoute moi.</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Tu vois tous ces trésors; ces trésors sont a toi.</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Dans leur pompe sauvage et leur brute richesse,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Mes tableaux imparfaits implorent ton adresse«</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Elle dit. Il s’elance, il va de toux côtés</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Fouiller dans cette masse où dorment cent beautes,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Des vallons aux côteaux, des bois a la prairie,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Il retouche en passant le tableau qui varie.</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Il sait au gre des yeux, reunir, détacher,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Eclairer, rembrunir, decouvrir, ou cacher.</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Il ne compose pas; il corrige, il epure,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Il acheve les traits qu’ébaucha la Nature.</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Le front des noirs rochers a perdu sa terreur;</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">La forêt egayée adoucit son horreur:</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Un ruisseau s’egaroit: il dirige sa course;</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Il s’empare d’un lac, s’enrichit d’une source.</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Il veut; et des sentiers courent de toutes parts</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Chercher, saisir, lier tous ces membres epars,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Qui, surpris, enchantés du nœud qui les rassemble,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Forment de cent details un magnifique ensemble.</span><br> -<span style="margin-left: 2em;">Ces grands travaux peut-etre epouvantent votre art.</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Rentrez dans nos vieux parcs, et voyez d’un regard</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Ces riens dispendieux, ces recherches frivoles,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Ces treillages sculptes, ces bassins, ces rigoles.</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Avec bien moins de frais qu’un art minutieux</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">N’orna ce seul reduit qui plait un jour aux yeux,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Vous allez embellir un paysage immense.</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Tombez devant cet art, fausse magnificence,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Et qu’un jour transformée en un nouvel Eden,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">La France a nos regards offre un vaste jardin!</span><br> -<span style="margin-left: 2em;">Que si vous n’osez pas tenter cette carriere,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Du moins, de vos enclos franchissant la barriere,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Par de riches aspects agrandissez les lieux.</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">D’un vallon, d’un côteau, d’un lointain gracieux,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Ajoutez a vos parcs l’etrangère etendue;</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Possedez par les yeux, jouissez par la vue.</span><br> -<span style="margin-left: 2em;">Sur tout sachez saisir, enchainer a vos plants</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Ces accidens heureux qui distinguent les champs.</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Ici, c’est un hameau que des bois environnent:</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Lá, de leurs longues tours les Cités se couronnent;</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Et l’ardoise azurée, au loin frappant les yeux,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Court en sommet aigu se perdre dans les cieux.</span><br> -<span style="margin-left: 2em;">Oublierai-je ce fleuve, et son cours, et ses rives?</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Votre œil de loin poursuit les voiles fugitives.</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Des isles quelquefois s’elevent de son sein;</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Quelquefois il s’enfuit sous l’arc d’un pont lointain.</span><br> -<span style="margin-left: 2em;">Et si la vaste mer à vos yeux se presente,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Montrez, mais variez cette scene imposante.</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Ici, qu’on l’entrevoie a travers des rameaux,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Lá, dans l’enfoncement de ces profonds berceaux,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Comme au bout d’un long tube une voûte la montre.</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Au détour d’un bosquet ici l’œil la rencontre,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">La perd encore; enfin la vue en liberté</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Tout-à-coup la découvre en son immensité.</span><br> -<span style="margin-left: 2em;">Sur ces aspects divers fixez l’œil qui s’égare;</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Mais, il faut l’avouer, c’est d’une main avare</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Que les hommes, les arts, la nature, et le temps</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Sèment autour de nous de riches accidens.</span><br> -<span style="margin-left: 2em;">O plaines de la Grèce! o champs de l’Ausonie!</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Lieux toujours inspirans, toujours chers au génie;</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Que de fois arrêté dans un bel horizon,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Le peintre voit, s’enflamme, et saisit son crayon,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Dessine ces lointains, et ces mers, et ces isles,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Ces ports, ces monts brûlans, et devenus fertiles,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Des laves de ces monts encor tout menaçans,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Sur des palais détruits d’autres palais naissans,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Et, dans ce long tourment de la terre, et de l’onde,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Un nouveau monde éclos des debris du vieux monde</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Hélas! jé n’ai point vu ce séjour enchanté,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Ces beaux lieux où Virgile a tant de fois chanté;</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Mais, j’en jure et Virgile, et ses accords sublimes,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">J’irai; de l’Apennin je franchirai les cimes;</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">J’irai, plein de son nom, plein de ses vers sacrés,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Les lire aux mêmes lieux qui les ont inspirés.</span><br> -<span style="margin-left: 2em;">Vous, épris des beautés qu’étalent ces rivages,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Au lieu de ces aspects, de ces grands paysages,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">N’avez-vous au-dehors que d’insipides champs?</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Qu’au-dedans, des objets mieux choisis, plus touchans</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Dédommagent vos yeux d’une vue étrangère:</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Dans votre propre enceinte apprenez a vous plaire;</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Symbole henreux du sage, independant d’autrui,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Qui rentre dans son ame, et se plait avec lui.</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Je m’enfonce avec vous dans ce secret asyle.</span><br> -<span style="margin-left: 2em;">Toutefois aux lieux même où le sol plus fertile</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">En aspects variés est le plus abondant,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Des trésors de la vue èconome prudent,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Faites-les acheter d’une course legere.</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Que votre art les promette, et que l’œil les espère.</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Promettre, c’est donner; esperer, c’est jouir.</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Il faut m’intéresser, et non pas m’eblouir.</span><br> -<span style="margin-left: 2em;">Dans mes leçons encor je voudrois vous apprendre</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">L’art d’avertir les yeux, et l’art de les surprendre.</span><br> -<span style="margin-left: 2em;">Mais avant de dicter des préceptes nouveaux,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Deux genres, dès-long-tems ambitieux rivaux,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Se disputent nos vœux. L’un a nos yeux présente</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">D’un dessein régulier l’ordonnance imposante,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Prête aux champs des beautés qu’ils ne connoissoient pas?</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">D’une pompe étrangère embellit leurs appas,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Donne aux arbres des loix, aux ondes des entraves,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Et, despote orgueilleux, brille entouré d’esclaves.</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Son air est moins riant, et plus majestueux.</span><br> -<span style="margin-left: 2em;">L’autre, de la nature amant respectueux,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">L’orne, sans la farder, traite avec indulgence</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Ses caprices charmans, sa noble négligence,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Sa marche irrégulière, et fait naitre avec art</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Les beautés, du desordre, et même du hasard.</span><br> -<span style="margin-left: 2em;">Chacun d’eux a ses droits; n’excluons l’un ni l’autre:</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Je ne décide point entre Kent, et le Nôtre.</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Ainsi que leurs beautés, tous les deux ont leurs loix.</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">L’un est fait pour briller chez les Grands, et les Rois;</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Les Rois sont condamnés a la magnificence.</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">On attend autour d’eux l’effort de la puissance;</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">On y veut admirer, enyvrer ses regards</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Des prodiges du luxe, et du faste des arts.</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">L’art peut donc subjuguer la nature rébelle;</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Mais c’est toujours en grand qu’il doit triompher d’elle.</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Son éclat fait ses droits; c’est un usurpateur</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Qui doit obtenir grace a force de grandeur.</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Loin donc ces froids jardins, colifichet champêtre,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Insipides réduits, dont l’insipide maitre</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Vous vante, en s’admirant, ses arbres bien peignés,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Ses petits sallons verds bien tondus, bien soignés;</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Son plant bien symmétrique, ou, jamais solitaire,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Chaque allée a sa sœur, chaque berceau son frere;</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Ses sentiers ennyés d’obéir au cordeau,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Son parterre bordé, son maigre filet d’eau,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Ses buis tournés en globes, en pyramide, en vase,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Et ses petits bergers bien guindés sur leur base.</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Laissez-le s’applaudir de son luxe mesquin;</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Je préfere un champ brut a son triste jardin.</span><br> -<span style="margin-left: 2em;">Loin de ces vains apprêts, de ces petits prodiges,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Venez, suivez mon vol au pays des prestiges,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">A ce pompeux Versaille, a ce riant Marly,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Que Louis, la nature, et l’art ont embelli.</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">C’est là que tout est grand, que l’art n’est point timide;</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Là tout est enchanté. C’est le palais d’Armide;</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">C’est le jardin d’Alcine, ou plutôt d’un héros</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Noble dans sa retraite, et grand dans son repos,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Qui cherche encor a vaincre, a dompter des obstacles,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Et ne marche jamais qu’entouré de miracles.</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Voyez-vous et les eaux, et la terre, et les bois,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Subjugués a leur tour, obéir a ses loix;</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">A ces douze palais d’elegante structure</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Ces arbres marier leur verte architecture;</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Ces bronzes respirer; ces fleuves suspendus,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">En gros bouillons d’ecume a grand bruit descendus,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Tomber, se prolonger dans des canaux superbes;</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Lá, s’epancher en nappe; ici, monter en gerbes;</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Et, dans l’air s’enflammant aux feux d’un soleil pur,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Pleuvoir en gouttes d’or, d’emeraude, et d’azur?</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Si j’egare mes pas dans ces bocages sombres,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Des Faunes, des Sylvains en out peuplé les ombres,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Et Diane, et Venus enchantent ce beau lieu.</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Tout bosquet est un temple, et tout marbre est un dieu;</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Et Louis, respirant du fracas des conquêtes,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Semble avoir invité tout l’Olympe a ses fêtes.</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">C’est dans ces grands effets que l’art doit se montrer.</span><br> -<span style="margin-left: 2em;">Mais l’esprit aisement se lasse d’admirer.</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">J’applaudis l’Orateur dont les nobles pensées</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Roulent pompeusement, avec soin cadencées:</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Mais ce plaisir est court. Je quitte l’Orateur</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Pour chercher un ami qui me parle du cœur.</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Du marbre, de l’airain, que le luxe prodigue,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Des ornemens de l’art l’œil bientôt se fatigue;</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Mais les bois, mais les eaux, mais les ombrages frais,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Tout ce luxe innocent ne fatigue jamais.</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Aimez donc des jardins la beauté naturelle.</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Dieu lui-même aux mortels en traça le modèle.</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Regardez dans Milton. Quand ses puissantes mains</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Preparent un asyle aux premiers des humains,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Le voyez-vous tracer des routes regulieres,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Contraindre dans leur cours les ondes prisonnieres?</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Le voyez vous parer d’etrangers ornemens</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">L’enfance de la terre, et son premier printemps?</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Sans contrainte, sans art, de ses douces prémices</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">La Nature epuisa les plus pures délices.</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Des plaines, des côteaux le mêlange charmant,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Les ondes a leur choix errantes mollement,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Des sentiers sinueux les routes indécises,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Le desordre enchanteur, les piquantes surprises,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Des aspects où les yeux hesitoient a choisir,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Varioient, suspendoient, prolongeoient leur plaisir.</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Sur l’email velouté d’une fraiche verdure,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Mille arbres, de ces lieux ondoyante parure,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Charme de l’odorat, du goût, et des regards,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Elegamment groupés, negligemment epars,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Se fuyoient, s’approchoient, quelquefois a leur vue</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Ouvroient dans le lointain une scéne imprevue;</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Ou tombant jusqu’a terre, et recourbant leurs bras,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Venoient d’un doux obstacle embarasser leurs pas;</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Ou pendoient sur leur tête en festons de verdure,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Et de fleures, en passant, semoient leur chevelure,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Dirai-je ces forêts d’arbustes, d’arbrisseaux,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Entrelaçant en voûte, en alcove, en berceaux</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Leurs bras voluptueux, et leurs tiges fleuries?</span><br> -<span style="margin-left: 2em;">C’es là que les yeux pleins de tendres reveries,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Eve a son jeune epoux abandonna sa main,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Et rougit comme l’aube aux portes du matin.</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Tout les felicitoit dans toute la nature,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Le ciel par son eclat, l’onde par son murmure,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">La terre, en tressaillant, ressentit leurs plaisirs;</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Zéphire aux antres verds redisoit leurs soupirs;</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Les arbres fremissoient, et la rose inclinée</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Versoit tous ses parfums sur le lit d’hymenée.</span><br> -<span style="margin-left: 2em;">O bonheur ineffable! ô fortunés époux!</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Heureux dans ses jardins, heureux qui, comme vous,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Vivroit, loin des tourmens où l’orgueil est en proie,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Riche de fruits, de fleurs, d’innocence, et de joie!</span><br> -</p> - - -<p class="center p2">FIN DU PRÉMIER CHANT.</p> -<hr class="chap x-ebookmaker-drop"> - -<div class="chapter"> -<p><span class="pagenum" id="Page_3">[Pg 3]</span></p> - -<p class="center p2"><span class="figcenter" id="img001b"> -<img src="images/001.jpg" class="w50" alt="Imagem decorativa"> -</span></p> - -<h2 class="nobreak" id="CANTO_PRIMEIRO">OS JARDINS, <br><span class="small">POEMA</span></h2> -</div> - -<hr class="r5"> - -<p class="center big">CANTO PRIMEIRO.</p> -<hr class="r5"> - -<p class="poetry"> -<span style="margin-left: 2em;">Renasce a Primavera, influe, e anima</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">As Aves, os Favonios, Flores, Musas.</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Que novo objecto á lyra os sons me pede?</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Ah! Quando a Terra despe antigos lutos</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Nos campos, nas florestas, sobre os montes,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Quando tudo se ri, tudo se inflamma</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">De amor, e de esperança, e de ventura,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Outro c’o a fantazia em Febo acceza,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Abra os fastos da Gloria aos grandes nomes,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">N’um carro fulminante alce o Triunfo,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Manche, ensanguente as mãos na taça horrivel</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Do vingativo Atrêo: sorrio-se Flora,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Vou cantar os Jardins, dizer qual arte</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Em terreno loução, dispoem, regùla</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">As flores, a corrente, a relva, as sombras.</span><br> -<span style="margin-left: 2em;">Tu, que o vigor, e a graça entrelaçando,</span><br> -<span class="pagenum" id="Page_5">[Pg 5]</span><span style="margin-left: 1em;">Dás ao canto didáctico energia,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">De Lucrecio na voz, se outr’hora, oh Musa,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">As austeras lições amaciaste;</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Se pôde o seu Rival (sem que nos labios</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">A linguagem dos Numes desluzisse)</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Ao laborioso arado unir o metro;</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Vem mais fertil ornar, mais rico assumpto,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;" id="note1">Assumpto amavel, que tentou Virgilio.</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Mãos não lancemos de atavio estranho;</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Das minhas mesmas flores vou croar-me:</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Qual pura luz, que bella nuvem doira,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">A expressão tingirei na côr do objecto.</span><br> -<span style="margin-left: 2em;">Arte innocente, que em meus versos canto,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Origem teve nos cerúleos dias,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Nas Primavéras do recente Globo.</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Apenas o Homem submettêra os campos</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Á cultura efficaz, pôz mil disvelos</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">De viçósa porção no trato, e mimo,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Alinhou para si com leis, e industria</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Plantas selectas, escolhidas flores.</span><br> -<span style="margin-left: 1em;" id="note2">De Alcino o luxo, o gosto, ainda rude</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Punha a curto vergel módico enfeite;</span><br> -<span style="margin-left: 1em;" id="note3">Eis com arte maior, mais sumptuosa</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Jardins nos ares Babylonia ostenta.</span><br> -<span style="margin-left: 1em;" id="note4">Os Latinos Heróes, de Marte os Filhos,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Depois que Roma agrilhoava o Mundo,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Davão repouso ameno á gloria, ao raio,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Em frescos Hortos, que a Victoria ornára.</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Habitava os jardins outr’hora o Sabio,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Doutrinando os Mortaes mais ledo que hoje.</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Quando a Sabedoria Elysios teve,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Ereis vós, Dons do Céo, talvez Palacios?</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Não: vós ereis hum prado, hum rio, hum bosque</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">De imperturbavel paz ditoso abrigo,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Puras delicias, que a virtude anhéla.</span><br> -<span class="pagenum" id="Page_7">[Pg 7]</span><span style="margin-left: 2em;">Corra-se pois, que he tempo, o novo espaço:</span><br> -<span style="margin-left: 1em;"><span class="smcap">Filippe</span>, e o bello assumpto a voz me alentão.</span><br> -<span style="margin-left: 2em;">Para aformosear simples terrenos</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Não insulteis co’a pompa a Natureza;</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Este emprego requer sisudo Artista,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Parco em dispendios, na invenção profuso;</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Jardim, menos fastoso que elegante,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Jardim com mais belleza que atavío,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Parece aos olhos meus hum amplo quadro.</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Sede Pintor: o campo, os seus matizes,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Os reflexos da luz, da sombra as massas,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">As estações, e as horas, variando</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">O gyro do anno, o circulo diurno;</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Ricos esmaltes de cheirosos prados,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Dos oiteiros o alegre, o verde forro,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Aguas, boninas, arvores, penedos:</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Eis os vossos pinceis, têas, e côres.</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Podeis crear: a Natureza he vossa,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">E dóceis para vós os Elementos.</span><br> -<span style="margin-left: 2em;">Mas antes de plantar, antes que encete</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Instrumento imprudente o seio á Terra,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Para dar aos jardins mais linda fórma</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Observai, reflecti, sabei de que arte</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Se imita, se arreméda a Natureza.</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Não tendes vezes mil em ermos sitios</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">De repente encontrado aquellas vistas,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Que as plantas, que os sentidos vos suspendem,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">E que em meditações quietas, longas</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Enlevão manso, e manso a fantazia?</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Tudo o melhor senhoreai c’o a mente,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Dos campos aprendei a ornar os campos.</span><br> -<span style="margin-left: 2em;">Lugares, que sutil decóra o gosto,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Olhai tambem; nos escolhidos quadros</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Ainda há que escolher; por vós se admire</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">De Chantilli magnifica elegancia,</span><br> -<span class="pagenum" id="Page_8">[Pg 8]</span><span style="margin-left: 1em;">Que de Heróes em Heróes, de Idade a Idade</span><br> -<span class="pagenum" id="Page_9">[Pg 9]</span><span style="margin-left: 1em;" id="note5">Ganha novo esplendor. Belœil, a hum tempo</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Campestre, apparatoso, e tu que ainda</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Ufano Chanteloup, te desvaneces</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">De teu grande Senhor com o desterro;</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Todos vós alternais o bem dos olhos.</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Qual purpureo botão, mimoso, e breve,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Timido precursor da Quadra bella,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;" id="note6">O amavel Tivoli, de fórma estranha</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Á França descobrio ténue modélo.</span><br> -<span style="margin-left: 1em;" id="note7">Montreuil as Graças desenhárão rindo,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;" id="note8">Maupertuis, le Desert, com que alegria,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Auteuil, Rincy, Limours, quão docemente</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Nas vossas lindas, arejadas ruas</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Olhos se embebem, se extravião passos!</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Do grande Henrique a veneravel Sombra</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Ama ainda Navarra, e parecido</span><br> -<span style="margin-left: 1em;" id="note9">Comtigo Trianon, Deosa, que o reges,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Une a graça, o recreio á magestade,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Se adorna para ti, por ti se adorna.</span><br> -<span style="margin-left: 1em;" id="note10">Grato asylo d’hum Principe adoravel,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Tu, cujo nome de apoucada idéa</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">He indigno de ti; lugar vistoso,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Quanto lhe devo a teu Senhor, offrece:</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Hum plácido retiro, hum ocio lédo.</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Bemfeitor de meus versos, de meus dias,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Na eleição de atilados Escritores,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Em jardim, que do Pindo as rosas vestem,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Inclue a Musa minha, e brando a acolhe.</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Junto ao Lyrio soberbo, e magestoso</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Assim cresce a violeta humilde, e escura.</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">De illustres Vates não illustre socio,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Ah! se coubera em mim cantar como elles,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Pintára os teus jardins, pintára o Nume,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Que os habita, que os honra; o gosto, as artes,</span><br> -<span class="pagenum" id="Page_10">[Pg 10]</span><span style="margin-left: 1em;">As virtudes, a gloria, os bens que o seguem,</span><br> -<span class="pagenum" id="Page_11">[Pg 11]</span><span style="margin-left: 1em;">O ladeão em ti. Lugar formoso,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Sê tu sua ventura. Eu se algum dia</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Findar, por graça delle, amena estancia,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Mais bella a tornarei co’a bella imagem</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Do alto meu Protector; quero que sejão</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Minhas primeiras flores seu tributo.</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Para o busto real cultivo, enlaço</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Em virentes festões o loiro, o myrto,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Tão caros aos Bourbons, e se o repouso,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">A liberdade, as sombras me inspirarem,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Ao bemfazejo Heroe te sagro, oh lyra.</span><br> -<span style="margin-left: 2em;">Fallei desses lugares deleitosos,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Que a arte deve imitar: convem que falle</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Dos escolhos que a mesma evitar deve.</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">O engenho imitador tambem se engana.</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Não dê belleza ao chão, que o chão não queira,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">A paragem conheça antes de tudo,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Do sitio adore o Genio, o Deos consulte:</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Impunemente as leis não se lhe aggravão.</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Nos Campos, todavia, a cada instante,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Menos audaz que estranho em fantasias,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Tudo altera, e confunde Artista inerte,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">E desnaturaliza, e perde tudo;</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Com absurda eleição mil graças liga:</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Encantavão na Italia, em França enjoão.</span><br> -<span style="margin-left: 2em;">O que o terreno teu sem custo adopte</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Reconhece, e depois te apossa delle.</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Isto ainda he melhor que a Natureza,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Mas isto mesmo he ella, isto he perfeito</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Quadro brilhante, que não tem modélo.</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Dos Berghems, dos Poussins tal foi a escolha,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">De ambos estuda as producções divinas,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">E o muito que o pincel aos campos deve,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Arte cultivadora, agradecida,</span><br> -<span class="pagenum" id="Page_12">[Pg 12]</span><span style="margin-left: 1em;">Nos jardins restitua á Natureza.</span><br> -<span class="pagenum" id="Page_13">[Pg 13]</span><span style="margin-left: 2em;">Os terrenos agora se examinem,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">E que lugar se apraz das leis, que traças.</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Houve tempo fatal em que Arte infensa,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Guerra aos mais bellos sitios declarando,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Enchendo os valles, arrazando os montes,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Formou de chão gentil planicie ingrata.</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Hoje, rural Tyranno, outro Artificio</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Quer, por contrario abuso, erguer montanhas,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Valles quer profundar. Longe os excessos,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Longe as lidas, e ardis: tudo he baldado</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Contra intrataveis, repugnantes serros;</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">E sobre terra igual montinho humilde</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Cuida ser pictoresco, e move a riso.</span><br> -<span style="margin-left: 2em;">Queres a teu suor lugar propicio?</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Foge as mui desiguaes, os muito planos</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Campos, e serras. Eu tomara os sitios</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Onde sem altivez fosse eminente</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">A rico valle matizado oiteiro.</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Não tendo insipidez, lá tem brandura</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">O solo complacente, he alto, he secco,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Estéril não, não rispido: caminhas;</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Obedece o horizonte, ergue-se a Terra,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Ou a Terra se abate, aperta, estende:</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Luzem de passo a passo encantos novos.</span><br> -<span style="margin-left: 2em;">Dos Gabinetes no silencio triste,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">De compasso na dextra, embora ordene,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Artifice vulgar a symmetria</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">D’enfadoso jardim, confie embora</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">O Geometrico plano ao papel frio.</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Tu vai ver em si propria a Natureza.</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">O lapis maneando, alli copìa</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Este aspecto, estes longes, esta altura,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Meios advinha, obstáculos presente:</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Só a difficuldade he Mãi de assombros,</span><br> -<span class="pagenum" id="Page_15">[Pg 15]</span><span style="margin-left: 1em;">E o chão de menos graça havella póde,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">He nu? Florestas a nudez lhe amparem.</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">He coberto? Os machados vão despillo.</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Humido? Em lagos de cristal pomposo,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Em ribeiras fecundas, transparentes</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Se converta, se aclare essa agua impura.</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Por trabalho feliz corrige a hum tempo</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Melhora as aguas, o terreno, os ares:</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">He árido talvez? Procura, sonda,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Torna ainda a sondar, não te enfasties:</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Póde ser que, em trahir-se vagarosa,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">A agua de rebentar esteja a ponto.</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Tal de hum tenaz esforço eu mesmo anciado,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Morna individuação maldigo, entejo,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Mas de estéril objecto aborrecido</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Idéa graciosa eis surge, eis salta:</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">O verso resuscita, e facil corre.</span><br> -<span style="margin-left: 2em;">Inda mais doces que estes ha cuidados,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Arte existe inda mais encantadora.</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Falle-se ao coração, não basta aos olhos.</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">As invisiveis relações conheces</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Desses corpos sem alma, e dos que sentem?</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Das aguas, prados, selvas tens ouvido</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">A calada eloquencia, a voz occulta?</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Todos estes effeitos deves dar-nos.</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Do alegre ao melancolico, e do nobre</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Ao engraçado, os transitos sem conto</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Sempre me aprazem, me cativão sempre.</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Une, simples, e grande, forte, e brando,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Todo o matiz, que a todo o gosto agrade.</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">O Pintor enriqueça alli a idéa,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">A santa Inspiração turbe o Poeta.</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Alli remansos d’alma o Sabio goze,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Memorias o ditoso alli desfrute,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">De lagrimas se farte o miserando.</span><br> -<span class="pagenum" id="Page_16">[Pg 16]</span><span style="margin-left: 2em;">Mas a audacia he commum, e o siso he raro.</span><br> -<span class="pagenum" id="Page_17">[Pg 17]</span><span style="margin-left: 1em;">Graça ás vezes se crê a extravagancia.</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Evita que os effeitos, mal unidos,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">De incoherentes imagens formem cáhos;</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Vê que as contradicções não são contrastes.</span><br> -<span style="margin-left: 2em;">Estes paineis de natural pintura</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Requerem longo espaço; em quadro estreito</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Não vás aprisionar montanhas, bosques,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Nem lagos, nem ribeiras. He costume</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Zombar desses jardins, paródia absurda</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Dos rasgos que a atrevida Natureza</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">No seu grande espectáculo derrama;</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Jardins, em que Arte rude, e inverosimil</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Hum Paiz todo n’uma geira encerra.</span><br> -<span style="margin-left: 2em;">Em vez deste montão confuso, inerte,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Varía objectos, ou lhe altera a face.</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Perto, longe, patentes, quasi occultos,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Revezem todos mil diversas vistas.</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Dos effeitos seguintes a incerteza</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Grato desassocego aos olhos deixe,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Ornamentos o gosto emfim coloque,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Imprevistos jamais em demasia,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Jámais em demasia annunciados.</span><br> -<span style="margin-left: 2em;">Presta sobre maneira o movimento;</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Sem a doce magia, a elle annexa,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Em lethargo recae a alma ociosa.</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Sem elle, por teus campos enfadonhos</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Em gyro casual vão sempre os olhos.</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Citarei outra vez altos Pintores?</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Lá diffunde o pincel pródigo, e fertil</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Móveis objectos sobre o panno immovel:</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">O rio foge, o vento encurva os ramos,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Globos de fumo das Aldêas sobem,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Os Gados, os Pastores brincão, danção.</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Cuida em te apoderar deste segredo,</span><br> -<span class="pagenum" id="Page_18">[Pg 18]</span><span style="margin-left: 1em;">Dispoem sem parcimonia arbustos dóces,</span><br> -<span class="pagenum" id="Page_19">[Pg 19]</span><span style="margin-left: 1em;">Arvores brandas, cuja afavel coma</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Das virações ao hálito obedece.</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Sejão quaes forem, tu, Cultor, venera</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">A vacilante, undisona verdura,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Tolhe, que o ferro a Natureza ultraje,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Ella c’o a mestra mão como desenha</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Desta parte os carvalhos, desta os olmos!</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Olha como do tronco até aos ramos,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Dos ramos té ás folhas desparzido</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Da Mãi universal benigno influxo;</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Vai das undulações dar-lhe a molleza.</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Porém golpes crueis... vedai tal crime,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Correi, Nynfas da selva... ah! Q’he de balde,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">O córte cerceou-lhe a gala, o viço.</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Já na cópa vivaz não oiço ao longe</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Correr os Aquilões, bramir na rama,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Affastar-se, expirar. Tácitos, frios,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Mortos do ferro os vegetaveis Entes,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Delle semelhão rispideza immovel.</span><br> -<span style="margin-left: 2em;">Ás plantas deixa, pois, tremor suave</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Nos quadros teus, do movimento amigos:</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Faze fugir, ferver, saltar as aguas.</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Vês estes valles, solidões, florestas?</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Por varios sitios de diversos gados.</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">A nédia multidão se envie, e alongue.</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Além vejo a cabrinha roedora</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Pender do cume de remotas penhas,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Aqui mil cordeirinhos melindrosos</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Soltão queixumes, que de serro a serro</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Vai éco em molles sons amiudando.</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Nestes, que as aguas da collina sorvem,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Prados lustrosos, sobre as mãos se estende,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">E ruminando jaz o Boi pesado,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Em quanto generoso, altivo, accezo,</span><br> -<span class="pagenum" id="Page_20">[Pg 20]</span><span style="margin-left: 1em;">O filho do Tridente, o Marcio Bruto</span><br> -<span class="pagenum" id="Page_21">[Pg 21]</span><span style="margin-left: 1em;">Ostenta, vicejando, em pingues pastos,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">O indómito vigor, e o brio agreste.</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Quanto me atrahe, me regozija, quanto</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">A audaz agilidade, o gesto activo!</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Ou elle, usado ás fluviais correntes,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Sobre ellas se arremesse, estremecendo,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">E luctando depois, c’os pés sacuda</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">As ondas, que murmurão, que branqueão;</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Ou atravez dos prados salte, e fuja;</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Ou, longa crina errante aos ventos dada,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Brotando os olhos fogo, as ventas fumo,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Bello de orgulho, e amor, voe ás amadas.</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Sumio-se já, e a vista ainda o segue.</span><br> -<span style="margin-left: 2em;">O thesoiro exhaurindo á Natureza,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Assim terrenos, vistas, e agua, e sombras</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Dão ás paizagens movimento, e vida.</span><br> -<span style="margin-left: 2em;">Porém se o movimento encanta os olhos,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">De liberdade hum ar não menos querem.</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">O limite aos jardins fique indeciso;</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Ou com arte se esconda, ou se disfarce.</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Não ha mais que esperar? Vôa o feitiço.</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Com certo dissabor o fim se tóca</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">De huma estancia aprazivel: cedo enfada,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">E irrita finalmente; alem dos muros,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Importuna barreira, inda se ideão</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Lugares mais gentis, mais attractivos,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">E a alma inquieta desencanta os olhos.</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Quando nossos Avós, á guerra affeitos,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Seus campos em castellos convertião,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Cada qual em munida, enorme torre</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Preso vivia por viver seguro.</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Mas hoje de que servem taes muralhas,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Que o temor inventou, mantem o orgulho?</span><br> -<span style="margin-left: 2em;">A estes, que prendendo outr’hora a vista,</span><br> -<span class="pagenum" id="Page_22">[Pg 22]</span><span style="margin-left: 1em;">A vista duramente entristecião,</span><br> -<span class="pagenum" id="Page_23">[Pg 23]</span><span style="margin-left: 1em;">Prefere o gosto verdejantes muros,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Muros tecidos de espinhoso enredo,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Muros, por onde a mão, tremendo, colhe</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">A rosa inculta, a amóra ensanguentada.</span><br> -<span style="margin-left: 2em;">Mas jardim limitado inda me ancêa.</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Surja-se em fim de hum circulo tão breve</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">A genero mais vasto, e mais formoso,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">De que hoje Ermenonville he só modélo.</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Os jardins para si chamavão campos,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Vão nelles os jardins entrar agora.</span><br> -<span style="margin-left: 2em;">Do cimo desses montes, donde os olhos</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Paizagem dilatada abração, medem,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">A madre Natureza ao Genio disse:</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Os thesoiros, que vês, são teus: envoltos</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Na rude pompa, na opulencia bruta,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Os quadros meus tua destreza implorão.</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Ella diz, elle vôa: em toda a parte</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Esquadrinha esta massa, onde repousão,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Onde dormindo estão bellezas cento.</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Do valle á serra, da floresta ao prado</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Vai retocando os quadros, que varía.</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Dos olhos a sabor, une, e desune,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Illumina, escurece, occulta, ou mostra:</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Não destróe, não compoem, corrige, apura,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">O esboço aperfeiçoa á Natureza.</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Carrancudo terror já despem rochas,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">O bosque alegre adóça, encurta as sombras;</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Hia perder-se hum rio: eis o encaminhão;</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">De hum lago se apodera a mão geitosa,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">De cristalina fonte se enriquece.</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Quer, e veredas mil subito correm</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">A demandar, cingir, prender os membros,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Por aqui, por alli soltos, dispersos,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Os membros, que assombrados, que attrahidos</span><br> -<span class="pagenum" id="Page_24">[Pg 24]</span><span style="margin-left: 1em;">Da engenhosa união, do nó, que os junta,</span><br> -<span class="pagenum" id="Page_25">[Pg 25]</span><span style="margin-left: 1em;">Formão de cem porções hum todo insigne.</span><br> -<span style="margin-left: 2em;">Talvez, campestre Artifice, te espantem</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Estes grandes trabalhos. Entra os nossos</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Idosos parques; de huma vez contempla</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Apuros vãos, dispendiosos nadas;</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">As estacadas vê, regos, e tanques.</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Preço menor do que a minucias coube</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Para ornar o que hum dia apraz somente,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Póde aformosear hum campo immenso.</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Fallaz, e sem sabor magnificencia,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Cahe ante esta arte, e por milagre della</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">A cara Patria minha se transforme</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Toda em vasto jardim, n’um Eden novo!</span><br> -<span style="margin-left: 2em;">Se não ousas tentar esta carreira,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Ao menos, franqueando o teu circuito,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">De aspectos opulentos o engrandece.</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">De hum valle, hum serro, huns agradaveis longes</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Ajunta posse alhêa á posse tua:</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Rege c’oa vista, pelos olhos gosa.</span><br> -<span style="margin-left: 2em;">Os varios, favoraveis accidentes,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Com que innumeros campos se distinguem,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Une principalmente a teus plantios.<a id="FNanchor_1" href="#Footnote_1" class="fnanchor">[1]</a></span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Aqui jaz hum lugar, que cingem bosques,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Acolá torreões Cidades croão,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">E a grimpa azul, ferindo ao longe os olhos,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Vai sumir pelos Ceos o agudo extremo.</span><br> -<span style="margin-left: 2em;">Hum rio omitirei, e as margens suas?</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Após fugazes vélas corre a vista.</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Ilhas ás vezes sahem do vitreo seio,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Ponte arqueada outr’hora o furta aos olhos.</span><br> -<span style="margin-left: 2em;">Se os mares espaçosos descortinas,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Offrece, mas varía a grave scena.</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Mal se divise aqui por entre as folhas,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Huma abóbada além, qual no remate</span><br> -<span class="pagenum" id="Page_26">[Pg 26]</span><span style="margin-left: 1em;">De tubo extenso, aos olhos o apresente</span><br> -<span class="pagenum" id="Page_27">[Pg 27]</span><span style="margin-left: 1em;">Em fundo de odoriferas latadas;</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Nas voltas de florente bosquezinho</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Aqui se encontra o mar, alli se perde:</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Eis sùbito apparece em toda a sua</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Fervente, rugidora immensidade.</span><br> -<span style="margin-left: 2em;">Folgue a attenção nestes semblantes vários;</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Mas com mesquinhas mãos (cumpre que o diga)</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Os Homens, Natureza, o Tempo, as Artes</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Nos cercão de tão ricos accidentes.</span><br> -<span style="margin-left: 2em;">Oh Planicies da Grecia! Ausonios Campos!</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Lugares divinais, inspiradores,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Sempre caros ao genio! Ah! quantas vezes</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Embebido n’um mágico horisonte,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">O pintor vê, se inflamma, e toma o lapis,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">E debuxa esses longes, essas ilhas,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Esse pégo, esses portos, esses montes,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Torrados de volcões, e já fecundos;</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">As lavas delles, que ameação, fervem,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Palacios, que em ruinas de outros surgem,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Hum novo Mundo que do velho assoma</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Nestes de Terra, e Mar longos tormentos.</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Ah! Eu inda não vi essa risonha,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Essa encantada estancia, onde mil vezes</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Soou do Mantuano a voz divina,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Mas, pelo Vate, pelo Vate o juro,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Heide, Apenino, transcender teus cumes,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">E cheio do seu nome, e de seus versos,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Lêlos naquelles amorosos sitios,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Sitios, cópia do Ceo, que os inspirárão.</span><br> -<span style="margin-left: 2em;">De encantadoras margens namorado,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Por fóra ingratos campos tens sómente</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Em vez de aspectos que interessem a alma?</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">De estranha vista, que atedía o gosto,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Vinguem-te objectos de mais bella escolha.</span><br> -<span class="pagenum" id="Page_28">[Pg 28]</span><span style="margin-left: 1em;">Aprende a deleitar-te em teu recinto,</span><br> -<span class="pagenum" id="Page_29">[Pg 29]</span><span style="margin-left: 1em;">Sê o emblema do Sabio independente,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Que entra em si mesmo, e que se apraz comsigo.</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Nesse asylo fiel nos entranhemos.</span><br> -<span style="margin-left: 2em;">Todavia em lugares onde a Terra</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">De aspectos variados mais abunde,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Os thezoiros da vista he bem que poupes,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">E seja leve gyro o custo delles.</span><br> -<span style="margin-left: 1em;" id="note11">A arte os prometta, os olhos os esperem;</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Dá quem promette, quem espera goza.</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Releva, que enfeitices, não que assombres.</span><br> -<span style="margin-left: 2em;">Entre minhas lições tambem quizera</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Duas artes de effeitos encontrados:</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Huma os olhos adverte, outra os saltêa.</span><br> -<span style="margin-left: 2em;">Mas antes de dictar preceitos novos,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Dois generos, ha tempo émulos ambos,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Disputão nossos vótos. Hum presenta</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">De regular desenho a ordem grave,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Aos campos dá bellezas que ignoravão,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">De pompa desusada os atavia,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">E ás arvores poem leis, põe freio ás ondas;</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Brilha entre Escravos, Déspota orgulhoso:</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">He mais em magestade, em riso he menos.</span><br> -<span style="margin-left: 2em;">Da Natureza respeitoso Amante,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">O outro lhe ajusta comedido enfeite,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Trata benignamente os feiticeiros</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Caprichos seus, o seu desleixo nobre,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">O passo irregular, e extrahe com arte</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Lindezas da desordem, té do acaso.</span><br> -<span style="margin-left: 2em;">Cada qual tem seu jus, nenhum se exclua;</span><br> -<span style="margin-left: 1em;" id="note12">Entre Kent, e le Notre eu não decido.</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Ambos tem leis, tem graças: hum creou-se</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Para Grandes, e Reis: oh Reis! oh Grandes,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Sois á magnificencia condemnados.</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Em torno a vós o esforço, o extremo, o apuro</span><br> -<span class="pagenum" id="Page_30">[Pg 30]</span><span style="margin-left: 1em;">De alto poder se espera; alli queremos</span><br> -<span class="pagenum" id="Page_31">[Pg 31]</span><span style="margin-left: 1em;">Que em prodigios, o luxo, o gosto, as artes</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Excitem pasmos, embriaguem vistas.</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Rebelde a Natureza á Industria cede;</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Mas deve grão triunfo honrar a Industria;</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Ella em seu esplendor tem seus direitos,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">He huma usurpadora, e lhe compete</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Á força de grandeza obter desculpa.</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Longe, pois, os Jardins desengenhosos,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Insulsa Estancia, de que o Dono insulso</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">As arvores garridas fôfo exalta.</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Os pequenos salões bem decotados,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">A extrema symmetria escrupulosa,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Passeios, onde nunca solitaria,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Alameda não ha, que irmãa não tenha;</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Caminhos degostosos, enjoados</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Da obediencia ao cordel, os seus canteiros</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Bordados, e os seus tenues fios de agua;</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Das arvores algumas torneadas</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Em vasos, em pyramides, em globos,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">E alçados bem na base os Pastorinhos.</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Gabe o seu luxo pobre: eu anteponho</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Hum campo bruto a seu jardim tristonho.</span><br> -<span style="margin-left: 2em;">Distante destes minimos portentos,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Segue meu vôo á patria dos prestigios,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Vê Versailles, Marly, pomposos, lédos,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Onde Luiz, e a Natureza, e a Arte</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Em tanta cópia desparzirão graças.</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Que afoito resplandece alli o engenho!</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Alli tudo he grandeza, he tudo encanto,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">São de Alcina os jardins, de Armida os Paços,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Antes os de hum Heróe, que inda procura</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Vencer, domar obstaculos, sublime</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Em seu retiro, em seu repouso, e sempre</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Caminha, de milagres circundado.</span><br> -<span class="pagenum" id="Page_32">[Pg 32]</span><span style="margin-left: 1em;">Aquellas aguas vês, a terra, os bosques?</span><br> -<span class="pagenum" id="Page_33">[Pg 33]</span><span style="margin-left: 1em;">Submettidos tambem, seu jugo adorão.</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Das arvores á verde arquitectura</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Olha com que elegancia estão cazados</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">De fórma singular Palacios doze!</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Vê bronzes, que respirão, vê correntes</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Que, soltas da repreza, esbravejando,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Em grossos borbotões de fofa espuma</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Cahem, e se estendem por canaes soberbos;</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Em lustrosa espadana além se espalhão,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Em pavêas brilhantes cá se elevão,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">E nos benignos ares incendidas</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">De hum sol immaculado, eis chovem gotas</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Côr de oiro, de safira, e de esmeralda.</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Selvas, por onde absorto me extravio,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Os Sátyros, os Faunos vos povoão,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Em vós Diana influe, e Citheréa;</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">He cada bosquezinho em vós hum Templo,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Cada mármore hum Deos. Luiz, folgando</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Do pezo marcial, do horror da Guerra,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Como que nesta, a Jove idónea Estancia,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Convida todo o Olympo a seus festejos.</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Nestes grandes effeitos he que importa</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Que a arte se esmere, avulte, e brilhe, e encante.</span><br> -<span style="margin-left: 2em;">Facilmente porém o assombro péza.</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Louvo o Orador que erguidos pensamentos</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Na luz, na pompa, na cadencia envólve,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Mas he curto prazer, e o deixo, e corro</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">A escutar corações na voz de amigos;</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Mármores, bronzes, que alardêa o luxo,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Arte ostentosa em breve os olhos cança.</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Mas as correntes, o arvoredo, as sombras,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Este luxo innocente, ah! não fatiga,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Não fatiga jámais. Deos mesmo aos homens</span><br> -<span style="margin-left: 1em;" id="note13">Traçou este modélo. Atenta em Milton.</span><br> -<span class="pagenum" id="Page_34">[Pg 34]</span><span style="margin-left: 1em;">Quando essa eterna Mão, que rege tudo,</span><br> -<span class="pagenum" id="Page_35">[Pg 35]</span><span style="margin-left: 1em;">Aos primeiros Mortais guarida aprésta,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Regulares caminhos abre acaso,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Talvez cativa na carreira as ondas?</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">De improprias, de forçadas vestiduras</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Cobre a infancia do Mundo, a Primavera</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Recemnascida? Não, sem arte alguma,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">E sem constrangimento, a Natureza</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Estreou, exhaurio delicias puras,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Delicias puras, que nem ha na idéa.</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">O misto amavel de planicie, e monte,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Livres, e mollemente errando as aguas,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Veredas tortuosas, e indecisas,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Gratas desordens, novidades gratas,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Aspectos, onde os olhos mal sabião</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Escolher, preferir, tudo alongava,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Entretinha o prazer na variedade.</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Sobre viçoso esmalte aveludado</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Mil arvores, mil plantas, mil arbustos,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Destes lugares ondeante adorno,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Iman da vista, do sabor, e olfato,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Em grupos elegantes, movediços,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Em natural, dispersa negligencia,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Já se fugião, já se avisinhavão.</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Seu brando movimento ao longe ás vezes</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Inopinada scena aos olhos dava;</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Ou com pendor gentil curvando a rama,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Aos passos vinhão pôr suave estorvo;</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Ou sobre as frontes em festões pendião,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Ou, na passagem, lhe entornavão flores.</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Lindos Bosques direi de tenras plantas,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Em latadas, e abóbadas travando</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Troncos florentes, e florentes braços?</span><br> -<span style="margin-left: 2em;">Lá de imaginações, queridas, ternas,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Cheios a mente, o coração, e os olhos,</span><br> -<span class="pagenum" id="Page_37">[Pg 37]</span><span style="margin-left: 1em;">Deo Eva ao bello Amante a mão mimosa,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">E córou como a Aurora ás portas de oiro.</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">A Natureza toda os afagava,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">O Céo c’o a luz, com seu murmureo as ondas;</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Tremendo a Terra, lhes sentia os gostos;</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Favonio aos écos os suspiros dava;</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">O Arvoredo rugia, e curva a Rosa,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Cedia ao tóro seus perfumes todos.</span><br> -<span style="margin-left: 2em;">Oh ventura inefavel, Par tranquillo!</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Feliz quem, como vós, nos seus amados,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Bonançosos jardins, longe dos males</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Que a Soberba atormentão, vive rico</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">De flores, frutos, innocencia, e gosto!</span><br> -</p> - - -<p class="center p2">FIM DO CANTO PRIMEIRO.</p> - - -<div class="footnotes"><h3>NOTAS DE RODAPÉ:</h3> - -<div class="footnote"> - -<p><a id="Footnote_1" href="#FNanchor_1" class="label">[1]</a> Vem no Diccionario de Sousa, e a harmonia, e necessidade -do termo animou-me a adoptallo, parecendo-me todavia que os Camponezes -o usão. A palavra <i>Paizagens</i>, de cuja pureza duvidei, acha-se em -bons Escritores nossos, sendo hum delles Rodrigues Lobo, para mim de -tanta decisão como os melhores.</p> - -</div> -</div> - -<p><span class="pagenum" id="Page_38">[Pg 38]</span></p> -<p class="center p2"><span class="figcenter" id="img002a"> -<img src="images/002.jpg" class="w50" alt="Imagem decorativa"> -</span></p> - -<h2 class="nobreak" id="CHANT_SECOND">LES JARDINS, <br><span class="small">POÈME,</span></h2> - -<hr class="r5"> - -<p class="center big">CHANT SECOND.</p> -<hr class="r5"> - - -<p class="poetry"> -<span style="margin-left: 2em;">Oh! si j’avois ce luth dont le charme autrefois</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Entrainoit sur l’Hémus les rochers, et les bois,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Je le ferois parler; et sur les paysages</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Les arbres tout-à coup déploiroient leurs ombrages.</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Le chêne, le tilleul, le cèdre, et l’oranger</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">En cadence viendroient dans mes champs se ranger.</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Mais l’antique harmonie a perdu ses merveilles;</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">La lyre est sans pouvoir, les rochers sans oreilles;</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">L’arbre reste immobile aux sons les plus flateurs,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Et l’art, et le travail sont les seuls enchanteurs.</span><br> -<span style="margin-left: 2em;">Apprenez donc de l’art quel soin, et quelle adresse</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Donne aux arbres divers la grace, ou la richesse.</span><br> -<span style="margin-left: 2em;">Par ses fruits, par ses fleurs, par son beau vetement,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">L’arbre est de nos jardins le plus bel ornement.</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Pour mieux plaire a nos yeux combien il prend de formes!</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">La s’étendent ses bras pompeusement informes;</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Sa tige ailleurs s’elance avec legereté,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Ici, j’aime sa graçe, e la, sa majesté.</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Il tremble au moindre soufile, ou contre la tempête</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Roidit son tronc noueux, et sa robuste tête.</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Rude, ou poli, baissant, ou dressant ses rameaux,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Veritable proteé entre les vegetaux,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Il change incessament, pour orner la nature,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Sa taille, sa couleur, ses fruits, et sa verdure.</span><br> -<span style="margin-left: 2em;">Ces effets variés sont les trésors de l’art,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Que le goût lui defend d’employer au hasard.</span><br> -<span style="margin-left: 2em;">Des divers plants encor la forme, et l’étendue</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Sous des aspects divers se presente a la vue.</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Tantôt un bois profond, sauvage, tenebreux,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Epanche une ombre immense, et tantot moins nombreux</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Un plant d’arbres choisis forme un riant bocage,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Plus-loin, distribués dans un frais paysage,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Des groupes elegans fixent l’œil enchanté:</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Ailleurs se confiant a sa prope beauté,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Un arbre seul se montre, et seul orne la terre.</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Tels, si la paix des champs peut rappeler la guerre,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Une nombreuse armée étale a nos regards</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Des bataillons épais, des pelottons epars;</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Et la, fier de sa force, et de sa renomée,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Un heros seul avance, et vaut seul une armée.</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Tous ces plants differens suivent diverses loix.</span><br> -<span style="margin-left: 2em;">Dans les jardins de l’art, notre luxe autrefois</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Des arbres isolés dedaignoit la parure:</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Ils plaisent aujourd’hui dans ceux de la nature.</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Par un caprice heureux, par de savans hasards,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Leurs plants desordonnés charmeront nos regards.</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Qu’ils different d’aspect, do forme, de distance;</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Que toujours la grandeur, ou du moins l’elegance,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Distingue chaque tige, ou que l’arbre honteux</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Se cache dans la foule, et disparoisse aux yeux.</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Mais lorsqu’un chêne antique, ou lorsqu’un vieil érable,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Patriarche des bois, leve un front vénérable,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Que toute sa tribu, se rangeant à l’entour,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">S’écarte avec respect, et compose sa cour;</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Ainsi, l’arbre isolé plait aux champs qu’il décore.</span><br> -<span style="margin-left: 2em;">Avec bien plus de choix, et plus de goût encore,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Les grouppes formeront mille tableaux heureux.</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">D’arbres plus ou moins forts, et plus ou moins nombreux</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Formez leur masse épaisse, ou leurs touffes legères:</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">De loin l’œil aime à voir tout ce peuple de frères.</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">C’est par eux que l’on peut varier ses dessins,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Rapprocher, et tantôt repousser les lointains,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Réunir, séparer, et sur les paysages</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Etendre, ou replier le rideau des ombrages.</span><br> -<span style="margin-left: 2em;">Vos grouppes sont formés: il est temps que ma voix</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">A connoitre un peu d’art accoutume les bois.</span><br> -<span style="margin-left: 2em;">Bois augustes, salut! Vos voûtes poétiques</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">N’entendent plus le Barde, et ses affreux cantiques;</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Mais un plus doux délire habite vos déserts,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Et vos antres encor nous instruisent en vers,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Vous inspirez les miens, ombres majestueuses!</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Souffrez donc qu’aujourd’hui mes mains respectueuses</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Viennent vous embellir, mais sans vous profaner;</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">C’est de vous que je veux apprendre à vous orner.</span><br> -<span style="margin-left: 2em;">Les bois peuvent s’offrir sous des aspects sans nombre.</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Ici, des troncs pressés rembruniront leur ombre:</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Lá, de quelques rayons égayant ce séjour,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Formez un doux combat de la nuit, et du jour.</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Plus loin, marquant le sol de leurs feuilles légères,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Quelques arbres épars joueront dans les clairières,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Et flottant l’un vers l’autre, et n’osant se toucher,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Paroitront á la fois se fuir, et se chercher.</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Ainsi le bois par vous perd sa rudesse austère:</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Mais n’en détruisez pas le grave caractère.</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">De détails trop fréquens d’objets minutieux</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">N’allez paz découper son ensemble á nos yeux.</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Qu’il soit un, simple, et grand, et que votre art lui laisse</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Avec toute sa pompe, un peu de sa rudesse.</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Montrez ces troncs brisés; je veux des noirs torrens</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Dans le creux des ravins suivre les flots errans.</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Du temps, des eaux, de l’air n’effacez point la trace,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">De ces rochers pendans respectez la menace,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Et qu’enfin dans ces lieux, empreints de majesté,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Tout respire une mâle, et sauvage beauté.</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Telle on aime d’un bois la rustique noblesse.</span><br> -<span style="margin-left: 2em;">Le bocage moins fier, avec plus de molesse</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Déploie á nos regards des tableaux plus rians,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Veut un site agréable, et des contours lians,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Fuit, revient, et s’égare en routes sinueuses,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Promène entre des fleurs des eaux voluptueuses;</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Et j’y crois voir encore, ivre d’un doux loisir,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Epicure dicter les leçons du plaisir.</span><br> -<span style="margin-left: 2em;">Mais c’est peu qu’en leur sein le bois, ou le bocage</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Renferment leur richesse êlégante ou sauvage;</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Il en faut avec soin embellir les dehors.</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Avant tout, n’allez point, symmétrisant leurs bords,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Par vos murs de verdure, et vos tristes charmilles</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Nous cacher des forêts les nombreuses familles:</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Je veux les voir; je veux, perçant au fond des bois,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Voir ces arbres divers qui croissent á la fois;</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Les uns tout vigoureux, et tout frais de jeunesse,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">D’autres tout décrépits, tout noueux de vieillesse;</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Ceux-ci rampans, ceux-lá fiers tyrans des forêts,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Des tributs de la sève épuisant leurs sujets:</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Vaste scène, où des mœurs, de la vie, et des àges,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">L’esprit avec plaisir reconnoit les images.</span><br> -<span style="margin-left: 2em;">Près de ces grands effets, que sont ces verts remparts</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Dont la forme importune attriste les regards,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Forme toujours la même, et jamais imprévue?</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Riche variété, délices de la vue,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Accours, viens rompre enfin l’insipide niveau,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Brise la triste équerre, et l’ennuyeux cordeau.</span><br> -<span style="margin-left: 2em;">Par un mêlange heureux de golphes, de saillies,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Les lisieres des bois veulent être embellies.</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">L’œil, qui des plants tracés par l’uniformité</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Se dégoûte, et s’élancé á leur extrêmité,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Se plaît á parcourir, dans sa vaste étendue,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">De ces bords variés la forme inattendue;</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Il s’égare, il se joue en ces replis nombreux;</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Tour-á-tour il s’enfonce, il ressort avec eux;</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Sur les tableaux divers que leur chaîne compose</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">De distance en distance avec plaisir repose:</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Le bois s’en aggrandit, et, dans ses longs retours,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Varie á chaque pas son charmee et ses détours.</span><br> -<span style="margin-left: 2em;">Dessinez donc sa forme, et d’abord qu’on choisisse</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Les arbres dont le Goût prescrit le sacrifice.</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Mais ne vous hâtez point; condamnez á regrêt:</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Avant d’exécuter un rigoureux arrêt,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Ah! songez que du temps ils sont le lent ouvrage,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Que tout votre or ne peut racheter leur ombrage,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Que de leur frais abri vous goûtiez la douceur.</span><br> -<span style="margin-left: 2em;">Quelquefois cependant un ingrat possesseur,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Sans besoin, sans remords les livre á la cognée.</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Renversés sur le sein de la terre indignée,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Ils meurent; de ces lieux s’éxilent pour toujours</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">La douce rêverie, et les discrets amours.</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Ah! par ces bois sacrés, dont le feuillage sombre</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Aux danses du hameau prêta souvent son ombre,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Par ces dômes touffus qui couvroient vos ayeux,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Profanes, respectez ces troncs religieux;</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Et quand l’âge leur laisse une tige robuste,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Gardez-vous d’attenter á leur vieillesse auguste.</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Trop-tôt le jour viendra que ces bois languissans,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Pour céder leur empire á de plus jeunes plants,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Tomberont sous le fer, et de leur tête altière</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Verront l’antique honneur flétri dans la poussiere.</span><br> -<span style="margin-left: 2em;">O Versaille! ô regrêts! ô bosquets ravissans,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Chefs-d’œuvre d’un grande Roi, de Le Nôtre, et des ans!</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">La hâche est á vos pieds, et votre heure est venue.</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Ces arbres dont l’orgueil s’élançoit dans la nue,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Frappés dans leur racine, et balançant dans l’air</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Leurs superbes sommets ébranlés par le fer,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Tombent, et de leurs troncs jonchent au loin ces routes</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Sur qui leurs bras pompeux s’arondissoient en voûtes:</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Ils sont détruits, ces bois, dont le front glorieux</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Ombrageoit de Louis le front victorieux,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Ces bois, où célébrant de plus douces conquêtes,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Les arts voluptueux multiplioient les fêtes!</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Amour, qu’est devenu cet asyle enchanté</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Qui vit de Montespan soupirer la fierté?</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Qu’est devenu l’ombrage où si belle et si tendre,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">A son amant surpris, et charmé de l’entendre,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">La Valière apprenoit le secret de son cœur,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Et sans se croire aimée avouoit son vainqueur?</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Tout périt, tout succombe; au bruit de ce ravage</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Voyez-vous point s’enfuir les hôtes du bocage?</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Tout ce peuple d’oiseaux fiers d’habiter ces bois,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Qui chantoient leurs amours dans l’asyle des Rois,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">S’exilent á regret de leurs berceaux antiques.</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Ces Dieux, dont le ciseau peupla ces verds portiques,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">D’un voile de verdure autrefois habillés,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Tous honteux aujour d’hui de se voir dépouillés,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Pleurent leur doux ombrage; et, redoutant la vue,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Vénus même une fois s’étonna d’être nue.</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Croissez, hâtez votre ombre, et repeuplez ces champs,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Vous, jeunes arbrisseaux; et vous, arbres mourans,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Consolez-vous. Témoins de la foiblesse humaine,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Vous avez vu périr et Corneille, et Turenne:</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Vous comptez cent printemps, hélas! et nos beaux jours</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">S’envolent les premiers, s’envolent pour toujours!</span><br> -<span style="margin-left: 2em;">Heureux donc qui jouit d’un bois formé par l’âge;</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Mais trop heureux aussi qui créa son bocage!</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Ces arbres, dont le temps prépare la beauté,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Il dit comme Cyrus: »C’est moi qui les plantai.«</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Vous donc, si de vos plants vous êtes maitre encore,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Craignez qu’avant le temps ils se pressent d’éclore.</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Tel qu’un peintre, arrêtant ses indiscrets pinceaux,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Long-tems dans sa pensée ébauche ses tableaux,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Ainsi de vos desseins méditez l’ordonnance.</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Des sites, des aspects connoissez la puissance,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Et le charme des bois aux côteaux suspendus,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Et la pompe des bois dans la plaine étendus.</span><br> -<span style="margin-left: 2em;">Ainsi que les couleurs, et les formes amies,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Connoissez les couleurs, les formes ennemies.</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Le frêne aux longs rameaux dans les airs élancés,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Repousseroit le saule aux longs rameaux baissés.</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Le verd du peuplier combat celui du chêne;</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Mais l’art industrieux peut adoucir leur haine;</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Et de leur union médiateur heureux,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Un arbre mitoyen les concilie entr’eux.</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Ainsi par une teinte avec art assortie,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Vernet de deux couleurs éteint l’antipathie.</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Connoissez donc l’emploi de ces différents verds,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Brillans ou sans éclat, plus foncés ou plus clairs.</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">C’est par ces tons changeans qu’au sein des paysages</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Vous pouvez avec choix varier les ombrages,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Produire des effets tantôt doux, tantôt forts,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Des contrastes frappans, ou de moelleux accords.</span><br> -<span style="margin-left: 2em;">Observez-les sur-tout, lorsque la pâle automne,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Près de la voir flétrie, embellit sa couronne:</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Que de variété, que de pompe, et d’éclat!</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Le pourpre, l’orangé, l’opale, l’incarnat</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Le leurs riches couleurs étalent l’abondance.</span><br> -<span style="margin-left: 2em;">Hélas! tout cet éclat marque leur décadence.</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Tel est le sort commun. Bientôt les aquilons</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Des dépouilles des bois vont joncher les vallons;</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">De moment en moment la feuille sur la terre,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">En tombant, interrompt le réveur solitaire.</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Mais ces ruines même ont pour moi des attraits.</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Lá, si mon cœur nourrit quelques profonds regrets,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Si quelque souvenir vient r’ouvrir ma blessure,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">J’aime á mêler mon deuil au deuil de la nature.</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">De ces bois desséchés, de ces rameaux flétris,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Seul, errant, je me plais á fouler les débris.</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Ils sont passés les jours d’ivresse, et de folie;</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Viens, je me livre á toi, tendre mélancolie;</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Viens, non le front chargé des nuages affreux</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Dont marche enveloppé le chagrin ténébreux,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Mais l’œil demi-voilé, mais telle qu’en automne</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">A travers des vapeurs un jour plus doux rayonne:</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Viens, le regard pensif, le front calme, et les yeux</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Tout prêts á s’humecter de pleurs délicieux.</span><br> -<span style="margin-left: 2em;">Mais tandis que mon cœur nourrit ces rêveries,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">D’arbustes, d’arbrisseaux mille races fleuries</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">M’appellent á leur tour. Venez, peuple enchanteur,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Vous êtes la nuance entre l’arbre, et la fleur;</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">De vos traits délicats venez orner la scene.</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Oh! que si moins pressé du sujet qui m’entraine,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Vers le but qui m’attend je ne hâtois mes pas,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Que j’aurois de plaisir á diriger vos bras!</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Je vous reproduirois sous cent formes fécondes;</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Ma main sous vos berceaux feroit rouler les ondes;</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">En dômes, en lambris j’unirois vos rameaux;</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Mollement enlacés autour de ces ormeaux,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Vos bras serpenteroient sur leur robuste écorce,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Emblème de la grace unie avec la force:</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Je fondrois vos couleurs, et du blanc le plus pur,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Du plus tendre incarnat jusqu’au plus sombre azur,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">De l’œil rassasié variant les délices,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Vos panaches, vos fleurs, vos boules, vos calices,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">A l’envi s’uniroient dans mes brillans travaux,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Et Van Huysum lui-même envieroit mes tableaux.</span><br> -<span style="margin-left: 2em;">Pour vous á qui le ciel prodigua leur richesse,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Ménagez avec art leur pompe enchanteresse:</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Partagez aux saisons leurs brillantes faveurs;</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Que chacun apportant ses parfums, ses couleurs,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Reparoisse á son tour, et qu’au front de l’année</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Sa guirlande de fleurs ne soit jamais fanée.</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Ainsi votre jardin varie avec le temps:</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Tout mois a ses bosquets, tout bosquet son printemps,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Printemps bientôt flétri! Toutefois votre adresse</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Peut consoler encor de sa courte richesse.</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Que par des soins prudens tous ces arbres plantés,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Quand ils seront sans fleurs, ne soient pas sans beautés.</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Ainsi l’adroite Eglé prolongeant son empire,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Au déclin des beaux ans sait encor nous séduire.</span><br> -<span style="margin-left: 2em;">Le ciel même, malgré l’inclemence de l’air,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">N’a pas de tous ses dons déshérité l’hiver;</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Alors des vents jaloux défiant les outrages,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Plusieurs arbres encor retiennent leurs feuillages.</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Voyez l’if, et le lierre, et le pin résineux,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Le houx luisant, armé de ses dards épineux,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Et du laurier divin l’immortelle verdure,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Dédommager la terre, et venger la nature.</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Voyez leurs fruits de pourpre, et leurs glands de corail</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Au verd de leurs rameaux mêler un vif émail.</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Au milieu des champs nus leur parure m’enchante,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Et plus inespérée en paroit plus touchante.</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">De vos jardins d’hiver qu’ils ornent le séjour.</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Là, vous venez saisir les rayons d’un beau jour.</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Là, l’oiseau, quand la terre ailleurs est dépouillée,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Vole, et s’égaie encor sous la verte feuillée,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Et trompé par les lieux ne connoit plus les temps,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Croit revoir les beaux jours, et chante le printemps.</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Ainsi ce doux réduit plait sans être factice.</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Mais les jardins des rois avec plus d’artifice,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Avec plus d’appareil triomphent des hivers.</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">J’en atteste, ô Mouceaux, tes jardins toujours verds,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Là, des arbres absens les tiges imitées,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Les magiques berceaux, les grottes enchantées,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Tout vous charme á la fois. Là, bravant les saisons,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">La rose apprend á naitre au milieu des glaçons;</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Et les temps, les climats vaincus par des prodiges;</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Semblent de la Féerie épuiser les prestiges.</span><br> -<span style="margin-left: 2em;">Cependant la Féerie, et ses enchantemens</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Ne sont pas des jardins les plus doux ornemens.</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">L’habitude bientôt a flétri vos bocages,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Souvent, quand l’étranger jouit de vos ombrages,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Déja leur possesseur languit sans intérêt.</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">N’est-il pas des moyens dont le charme secret</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Vous rende leur beauté toujours plus attachante?</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Oh! combien des Lapons l’usage heureux m’enchante!</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Qu’ils savent bien tromper leurs hivers rigoureux!</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Nos superbes tilleuls, nos ormeaux vigoureux,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">De ces champs ennemis redoutent la froidure:</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">De quelques noirs sapins d’indigente verdure</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Par intervalle á peine y perce les frimats;</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Mais le moindre arbrisseau qu’épargnent ces climats,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Par des charmes plus doux á leurs regards sait plaire:</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Planté pour un ami, pour un fils, pour un père,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Pour un hôte qui part, emportant leurs regrets,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Il en reçoit le nom, le nom cher á jamais.</span><br> -<span style="margin-left: 2em;">Vous, dont un ciel plus pur éclaire la patrie,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Vous pouvez imiter cette heureuse industrie:</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Elle animera tout. Vos arbres, vos bosquets</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Dès-lors ne seront plus ni déserts, ni muets;</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Ils seront habités de souvenirs sans nombre,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Et vos plaisirs absens embelliront leur ombre.</span><br> -<span style="margin-left: 2em;">Qui vous empêche encor, quand les bontés des dieux!</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">D’un enfant désiré comblent enfin vos vœux,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">De consacrer ce jour par les tiges naissantes</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">D’un bocage, d’un bois?... Mais tandis que tu chantes,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Muse, quels cris dans l’air s’élancent á la fois?</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Il est né l’héritier du sceptre de nos rois!</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Il est né! Dans nos murs, dans nos camps, sur les ondes,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Nos foudres triomphans l’annoncent aux deux mondes,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Pour parer son berceau c’est trop peu que des fleurs;</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Apportez les lauriers, les palmes des vainqueurs.</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Qu’á ses premiers regards brillent des jours de gloire;</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Qu’il entende en naissant l’hymne de la victoire;</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">C’est la fête qu’on doit au pur sang de Bourbon.</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Et toi, par qui le ciel nous fit cet heureux don,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Toi, qui, le plus beau nœud, la châine la plus chère</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Des Germains, des François, d’un époux, et d’un frère,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Les unis, comme on voit de deux pompeux ormeaux</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Une guirlande en fleurs enchainer les rameaux;</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Sœur, mère, épouse auguste; enfin la destinée</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Joint au deuil du trépas les fruits de l’hyménée,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Et mêlant dans tes yeux les larmes, et les ris,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Quand tu perds une mère, elle te donne un fils.</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">D’autres, dans les transports que ce beau jour inspire,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Animeront la toile, ou le marbre, ou la lyre;</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Moi, l’humble ami des champs, j’irai dans ce séjour</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Où Flore, et les Zéphirs composent seuls ta cour,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">J’irai dans Trianon: lá, pour unique hommage,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Je consacre á ton fils des arbres de son âge,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Un bosquet de son nom. Ce simple monument,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Ces tiges, de tes bois le plus cher ornement,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Tes yeux les verront croitre, et croissant avec elles;</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Ton fils viendra chercher les ombres fraternelles.</span><br> -<span style="margin-left: 2em;">Enfin vous jouissez, et le cœur, et les yeux</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Chérissent de vos bois l’abri délicieux.</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Au plaisir voulez-vous joindre encore la gloire?</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Voulez-vous de votre art remporter la victoire?</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Déjá de nos jardins heureux décorateur,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Ajoutez á ces noms le nom de créateur.</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Voyez comme en secret la nature fermente;</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Quel besoin d’enfanter sans cesse la tourmente.</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Et vous ne l’aidez pas! Qui sait dans son trésor</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Quels biens á l’industrie elle réserve encore?</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Comme l’art á son gré guide le cours de l’onde,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Il peut guider la sève; á sa liqueur féconde</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Montrez d’autres chemins, ouvrez d’autres canaux.</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Dans vos champs enrichis par des hymens nouveaux,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Des sucs vierges encor essayez le mêlange;</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">De leurs dons mutuels favorisez l’échange.</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Combien d’arbres, de fruits, de plantes, et de fleurs,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Dont l’art changea le goût, les parfums, les couleurs!</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">La pêche a dû sa gloire á ces métamorphoses.</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">D’un triple diadême ainsi brillent les roses,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">De son panache ainsi l’œillet s’énorgueillit.</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Osez. Dieu fit le monde, et l’homme l’embellit.</span><br> -<span style="margin-left: 2em;">Que si vous n’osez pas essayer ces conquêtes,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Combien sous d’autres cieux de richesses sont prêtes!</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Usurpez ces trésors. Ainsi le fier Romain,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Et ravisseur plus juste, et vainqueur plus humain,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Conquit des fruits nouveaux, porta dans l’Ausonie</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Le prunier de Damas, l’abricot d’Arménie,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Le poirier des Gaulois, tant d’autres fruits divers.</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">C’est ainsi qu’il falloit s’asservir l’univers.</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Quand Lucullus vainqueur triomphoit de l’Asie,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">L’airain, le marbre, et l’or frappoient Rome éblouie;</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Le sage dans la foule aimoit á voir ses mains</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Porter le cérisier en triomphe aux Romains.</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Et ces mêmes Romains n’ont-ils pas vu nos pères</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">En bataillons armés, sous des cieux plus prospères</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Aller chercher la vigne, et vouer à Bacchus</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Leurs étendards rougis du nectar des vaincus?</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Du fruit de leurs exploits leurs troupes échauffées,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Rapportoient, en chantant, ces précieux trophées,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">De guirlandes de pampre ils couronnoient leurs fronts:</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Le pampre sur leurs dards s’enlaçoit en festons.</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Tel revint triomphant le Dieu vainqueur du Gange.</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Les vallons, les côteaux celébroient la vendange;</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Et par-tout où coula la nectar enchanté,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Coururent le plaisir, l’audace, et la gaieté.</span><br> -<span style="margin-left: 2em;">Enfans de ces Gaulois, imitons nos ancêtres;</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Enlevons, disputons ces dépouilles champêtres.</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Voyez dans ces jardins, fiers de se voir soumis</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">A la main qui porta le sceptre de Thémis,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Le sang des Lamoignon, l’éloquent Malesherbes</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Enrichir notre sol de cent tiges superbes.</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Là, des plants rassemblés des bouts de l’univers,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">De la cime des monts, de la rive des mers,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Des portes du couchant, de celles de l’aurore,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Ceux que l’ardent midi, que le nord voit éclore,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Les enfans du soleil, les enfans des frimats,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Me font, en un lieu seul, parcourir cent climats.</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Je voyage, entouré de leur foule choisie,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">D’Amérique en Europe, et d’Afrique en Asie.</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Tous, parmi nos vieux plants charmés de se ranger,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Chérissent notre ciel, et l’heureux étranger,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Des bords qu’il a quittés reconnoissant l’ombrage,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Doute de son exil á leur touchante image,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Et d’un doux souvenir sent son cœur attendri.</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Je t’en prends á témoin, jeune Potaveri.</span><br> -<span style="margin-left: 2em;">Des champs d’O-Ttaiti, si chers á son enfance,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Où l’amour, sans pudeur, n’est pas sans innocence,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Ce sauvage ingénu dans nos murs transporté,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Regrettoit en son cœur sa douce liberté,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Et son isle riante, et ses plaisirs faciles.</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Ebloui, mais lassé de l’éclat de nos villes,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Souvent il s’écrioit: «Rendez-moi mes forêts»</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Un jour, dans ces jardins où Louis á grands frais</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">De vingt climats divers en un seul lieu rassemble</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Ces peuples végétaux surpris de croître ensemble,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Qui, changeant á la fois de saison, e de lieu,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Viennent tous á l’envi rendre hommage á Jussieu,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">L’indien parcouroit leurs tribus réunies,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Quand tout-á-coup, parmi ces vertes colonies,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Un arbre qu’il connut dés ses plus jeunes ans</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Frappe ses yeux. Soudain, avec des cris perçans</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Il s’elance, il l’embrasse, il le baigne de larmes,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Le couvre de baisers. Mille objets pleins de charmes,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Ces beaux champs, ce beau ciel qui le virent heureux,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Le fleuve qu’il fendoit de ses bras vigoureux,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">La forêt dont ses traits perçoient l’hôte sauvage,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Ces bananiers chargés, et de fruits, et d’ombrage</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Et le toit paternel, et les bois d’alentour,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Ces bois qui répondoient á ses doux chants d’amour,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Il croit les voir encore, et son ame attendrie,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Du moins pour un instant, retrouva sa patrie.</span><br> -</p> - - -<p class="center p2">FIN DU SECOND CHANT.</p> -<hr class="chap x-ebookmaker-drop"> - -<div class="chapter"> -<p><span class="pagenum" id="Page_39">[Pg 39]</span></p> - - -<p class="center p2"><span class="figcenter" id="img002b"> -<img src="images/002.jpg" class="w50" alt="Imagem decorativa"> -</span></p> -<h2 class="nobreak" id="OS_JARDINS_POEMA">OS JARDINS,<br><span class="small">POEMA.</span></h2> -</div> - -<hr class="r5"> -<p class="center big">CANTO SEGUNDO.</p> -<hr class="r5"> - -<p class="poetry"> -<span style="margin-left: 2em;">A lyra, que os rochedos, que as florestas</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Ao Rhódope attrahia, oh se eu tivesse!</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Ella fallára, e sùbito arvoredos</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Sobre as paizagens lançarião sombras;</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">A Laranjeira, o Til, Carvalhos, Cedros</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Virião nos meus campos collocar-se</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Em pasmosa cadencia, em ordem bella;</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Mas perdeo a harmonia os seus milagres,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">A lyra já não reina, a penha he surda,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">A arvore immóvel fica aos sons mais gratos;</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Dous mágicos ha só: trabalho, e arte.</span><br> -<span style="margin-left: 2em;">Aprende, pois, que industria, e que desvelo</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Prestão mimo, ou riqueza ás várias plantas.</span><br> -<span style="margin-left: 2em;">Pela ridente cópa, a flor, e o fructo</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">A arvore he dos jardins primeiro ornato.</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Para agradar, quantas figuras tóma,</span><br> -<span class="pagenum" id="Page_40">[Pg 40]</span><span style="margin-left: 1em;">Quantas figuras! Acolá se estendem</span><br> -<span class="pagenum" id="Page_41">[Pg 41]</span><span style="margin-left: 1em;">Pomposamente seus informes braços;</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Brando, e ligeiro além se eleva o tronco,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Aqui lhe admiro, lhe namoro a graça,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">A magestade alli. Roçada apenas,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Da menor viração, lhe ondêa a rama,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Ou contra os furacões arrebatados</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Firma o corpo nodoso, a rija fronte;</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Dura, ou molle, se inclina, ou se levanta,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Protêo dos vegetais, a cada instante</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Muda o feitio, a cor, verdura, e frutos</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Para dar novo brilho á Natureza.</span><br> -<span style="margin-left: 2em;">Eis os thesoiros teus, oh Arte, e o Gosto</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Prohibe que sem ordem se dispendão.</span><br> -<span style="margin-left: 2em;">Das varias plantas a extensão, e a fórma</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Se offrece aos olhos em aspectos varios.</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Ora selva profunda, inculta, e negra</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Derrama sombra immensa, ora apparece</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Bosque risonho de arvores formosas.</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Em ventilados campos mais ao longe</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Os olhos chamão, a attenção dominão</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Distribuidos, primorosos grupos.</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Fiando-se na propria louçania,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Só, n’outra parte, huma arvore pompêa,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Só ella exorna o chão: Tal, se he possivel</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Que a paz dos campos assemelhe a guerra,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Cerrados batalhões, dispersas turmas,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Numero, e forças ante nós ostentão;</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">E altivo do seu nome, e sustentado</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Na sua intrepidez, á frente delles</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Hum só Heroe se avança, e todos vale.</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Diversas plantações tem leis diversas.</span><br> -<span style="margin-left: 2em;">Nos Jardins do Artificio em outros tempos</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Olhava o luxo com desdem, com tedio</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">As isoladas arvores, e agora</span><br> -<span class="pagenum" id="Page_42">[Pg 42]</span><span style="margin-left: 1em;">Aprazem nos Jardins da Natureza.</span><br> -<span class="pagenum" id="Page_43">[Pg 43]</span><span style="margin-left: 2em;">Por capricho feliz, sisudo acaso</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Estas desproporções tem attractivos,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Difirão na distancia, aspecto, e fórma;</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Sempre a grandeza, ao menos a elegancia,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Distinga a planta, ou ella, envergonhada,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Por entre a multidão desappareça.</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Mas se hum Carvalho, ou Plátano longevo,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Patriarcha dos Bosques, ergue a fronte</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Sombria, veneravel, toda a Tribu,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Disposta emtorno, com respeito o esquive,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Lhe faça Corte. Agradará dest’arte</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">A arvore, que isolada o Campo adorna.</span><br> -<span style="margin-left: 2em;">Com mais escolha ainda, e com mais gosto</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Os grupos te daráõ prestantes quadros.</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">De arvores mais, ou menos vigorosas,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Em numero qualquer, pequeno, ou grande</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Fórma-lhe a massa espessa, ou leves tufos:</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Este Povo de Irmãos apraz ao longe,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Pódes por elles variar desenhos;</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Com elles se aproximão, se removem,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Se afastão, se reunem perspectivas,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">E com elles tambem sobre as paizagens</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Se dobra, ou se desdobra o véo das sombras.</span><br> -<span style="margin-left: 2em;">Formárão-se teus grupos: he já tempo</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Q’a hum tanto de arte os bosques se habituem.</span><br> -<span style="margin-left: 2em;">Bosques augustos! Bosques venerandos!</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Eu vos acato, eu vos saudo: as vossas</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Poeticas abóbadas não ouvem</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Já do Bardo feróz o horrivel canto;</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Hum delirio mais doce em vós habita,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Vossas grutas ainda em verso instruem.</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Ermos antigos, magestosas sombras,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Vós inspirais os meus: ah! dai que eu possa</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Com respeitosa mão tocar-vos hoje,</span><br> -<span class="pagenum" id="Page_44">[Pg 44]</span><span style="margin-left: 1em;">E que, sem profanar, aformosêe:</span><br> -<span class="pagenum" id="Page_45">[Pg 45]</span><span style="margin-left: 1em;">De vós aprender quero a adereçar-vos.</span><br> -<span style="margin-left: 2em;">Arvoredos expor-se aos olhos podem</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Em milhares de aspectos. Deste lado</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Pressos troncos as sombras lhe carreguem:</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Alegre-se acolá de luz escassa</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">A redolente estancia, travem nella</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Combate deleitoso a noite, e o dia:</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Mais além, signalando o chão co’as folhas,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Sobre os claros dispersas tremão plantas.</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Porque, humas para as outras fluctuando,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">E sem ousar tocar-se, ao mesmo tempo</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Pareça, que se fogem, que se buscão.</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">O bosque assim por ti perde a aspereza;</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Mas seu grave caracter não desmanches;</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Com miudos objectos, mui frequentes</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Não se interrompa, não se altere o todo.</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Hum seja, simples, grande, e toda a pompa</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Com alguma rudez a Arte lhe deixe.</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Apresenta esses troncos destroçados;</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Quero ver, e seguir negras torrentes,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Pelas quebradas concavas fervendo.</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">D’agoa, do tempo, do ar mantem vestigios;</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Venera do rochedo os ameaços,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Deixa-o pender, e emfim tudo respire</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Silvestre, vigorosa formosura</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Sobre o terreno magestoso. Agrada</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Assim de hum bosque a rustica nobreza.</span><br> -<span style="margin-left: 2em;">Com menor altivez, com mais brandura</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Hum bosquezinho offrece amenos quadros:</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Quer bellos sitios, e contórnos bellos;</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Fóge, tórna, em rodeios vai perder-se;</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Entre flores estende agoas serenas,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">E cuido que inda nelle, embriagado</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">De hum extasis suave, em ocio puro,</span><br> -<span class="pagenum" id="Page_46">[Pg 46]</span><span style="margin-left: 1em;">As lições do prazer dicta Epicuro.</span><br> -<span class="pagenum" id="Page_47">[Pg 47]</span><span style="margin-left: 2em;">Mas não basta que em selva, ou bosquezinho</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Haja riqueza ou elegante, ou bruta,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Cumpre ornar com primor seus exteriores.</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Não vás, symmetrisando-lhe os limites,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Com recendentes muros ocultar-nos</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Dos bosques as innúmeras familias.</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Ver quero, penetrando o centro agreste,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Crescer a hum tempo as arvores diversas,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">De vigor juvenil humas brilhantes,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Outras todas decrépitas, nodósas,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Estas rasteiras, languidas, e aquellas,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Tyrannos das Florestas, esgotando</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Da substancia o tributo a seus vassalos;</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Scena em que a idéa vê com gosto imagens</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Das idades, da vida, e dos costumes.</span><br> -<span style="margin-left: 2em;">Apar destes effeitos, que valia</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Teraõ verdes reparos, cuja fórma</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Entristece, importuna, afflige os olhos,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Forma que he sempre igual, nunca inesperada?</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Oh delicias da vista! Oh variedade!</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Acode, vem romper nivel insulso,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Triste esquadro, e cordel fastidioso.</span><br> -<span style="margin-left: 2em;">De matiz acertado, interessante</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">As estremas dos bosques se guarneção,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">He a uniformidade ingrata aos olhos;</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Da que vem nos jardins elles se enfadão,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Á sua extremidade elles se avanção,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Folgão de discorrer a inopinada</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Fórma que lustra nos limites varios.</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Em gyros mil brincando a vista errante,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Ou com elles se entranha, ou sahe com elles,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">E nos diversos, florecentes quadros</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">De distancia em distancia, alegre pousa.</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">O Bosque se engrandece, e a cada passo</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Seus rodeios varia, e seus encantos.</span><br> -<span class="pagenum" id="Page_48">[Pg 48]</span><span style="margin-left: 2em;">A fórma, pois, se lhe desenhe, e logo</span><br> -<span class="pagenum" id="Page_49">[Pg 49]</span><span style="margin-left: 1em;">As Arvores se escolhão, a que o Gosto</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Prescreve o sacrificio; mas sê tardo,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Condena devagar, condena a custo:</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Antes de executar-se a lei sevéra,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Ah! vê que manso, e manso as cria o Tempo,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">E altêa manso, e manso; que impossivel</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">He a todo o oiro teu remir-lhe as sombras,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">E que já lhe deveste hum fresco amparo.</span><br> -<span style="margin-left: 2em;">Duro Possuidor, com tudo, ás vezes,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">E sem necessidade, e sem remorso,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Aos golpes do machado as abandona,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Eis sobre o seio da indignada Terra</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">As miseras baqueão, seccão, morrem:</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Para sempre dalli com magoa vôão</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Doces meditações, cautos amores.</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Ah! por estes sagrados Arvoredos,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Que aos bailes Pastoris prestavão sombra,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Por estas densas comas, que abrigárão</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Vossos Avós, tende atenção, Profanos,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">C’os troncos religiosos. Já que os Evos</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Nelles a robustez inda consentem,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Não lhe afronteis a ancianidade augusta.</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Tem de raiar, tem de raiar em breve</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">O dia em que estes bosques desmaiados,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Para ceder o imperio a tenras plantas,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Da excelsa fronte, succumbindo ao ferro,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Verão no pó murchar-se a honra antiga.</span><br> -<span style="margin-left: 2em;">Oh Versailles! Oh dor! Oh vós, Florestas,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">De celeste apparencia! Maravilhas,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Que fez hum grande Rei, Le Notre, e os Annos!</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Eis sôa o corte; vosso termo he vindo.</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Arvores, cuja audacia ás nuvens hia,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Feridas na raiz, no ar balançando</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Suas cópas louçaãs, que abala o ferro,</span><br> -<span class="pagenum" id="Page_50">[Pg 50]</span><span style="margin-left: 1em;">Já dão ruidosa quéda, e já seus troncos</span><br> -<span class="pagenum" id="Page_51">[Pg 51]</span><span style="margin-left: 1em;">Vão alastrando ao longe esses passeios,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Que de frescas abobadas cobrião</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Com seus pomposos, estendidos braços.</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">O estrago se atreveo aos Arvoredos,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Cuja gloriosa fronte a fronte heroica</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">De Luiz, o magnanimo, assombrava!</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Destruirão-se bosques, onde as Artes,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Mais suaves conquistas celebrando,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Multiplicavão festivais prazeres!</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Amor, que he feito do encantado abrigo,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Que ouvio de Montespan gemer o orgulho?</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Que he do retiro, onde tão meiga, e bella,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Ao de ouvilla attrahido, absorto Amante</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">La Valiere exprimio segredos ternos,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Rendida suspirou, sem crer-se amada?</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Tudo cahe, tudo acaba; ao som terrivel</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Desta destruição, não vês, não sentes</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Alígero Tropel fugir medroso?</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Este volátil Povo, alegre, ufano</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">De habitação tão bella, e que entoava</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Dos Monarcas no asylo os seus amores,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Com dor se ausenta dos saudosos lares.</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Deozes, de que estes pórticos honrara</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Estremado cinzel, Deozes, vestidos</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">De verdes, molles véos, ainda ha pouco,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Pela perdida sombra estão carpindo,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Mostrão-se da nudez envergonhados;</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">E, receando os olhos, Venus mesma,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Venus se assombra de se ver despida.</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Appressai-vos, crescei, mimosas Plantas,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Tornai a povoar a Estancia cara.</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Arvores semimortas, consolai-vos.</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Vós, testemunhas da fraqueza humana.</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">De Corneille, e Turenna os fados vistes,</span><br> -<span class="pagenum" id="Page_52">[Pg 52]</span><span style="margin-left: 1em;">Vistes morrer o Heroe, morrer o Vate:</span><br> -<span class="pagenum" id="Page_53">[Pg 53]</span><span style="margin-left: 1em;">Ao menos, já contais cem primaveras,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">E os nossos dias de mais luz, mais gloria</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Ah! voão logo, e para sempre voão.</span><br> -<span style="margin-left: 2em;">Feliz daquelle que possue hum bosque</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Formado pelo tempo! Mas ditoso</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Tambem quem para si pôde criallo!</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Estas, que vão medrando, arvores bellas,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Eu fui o que as plantou: (diz como Cyro)</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Tu, pois, se inda dispor das tuas pódes,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Teme que antes de tempo ellas rebentem.</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Assim como o Pintor que, demorando</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Indiscreto pincel na mão sabida,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Longamente co’a idéa esboça os quadros:</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Tu dos desenhos teus medita a ordem;</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">O valor, a eficacia dos aspectos,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">E dos sitios conhece; e o attractivo</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Dos bosques nas colinas pendurados,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">E a gala dos que em plano a sombra estendem.</span><br> -<span style="margin-left: 2em;">Como as amigas fórmas, como as côres</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Amigas, te he proveito conheceres</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">As adversas tambem. O freixo altivo,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Arremessando ao ar comprida rama,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">O inclinado salgueiro aborrecêra,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Do álamo opõem-se o verde ao do carvalho;</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Mas tais odios tempérão-se com arte:</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Elege por feliz intercessora</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Huma arvore meaã, que os concilie.</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Desta sorte Vernet, com maga tinta</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">De duas côres a discordia extingue.</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Conhece, pois, o emprego, a serventia</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Das difrentes verduras, ou brilhantes,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Ou sem lustre, mais mortas, ou mais vivas.</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Com taes alterações, com taes matizes</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">No seio das paizagens se varião</span><br> -<span class="pagenum" id="Page_54">[Pg 54]</span><span style="margin-left: 1em;">Formosamente as sombras, se produzem</span><br> -<span class="pagenum" id="Page_55">[Pg 55]</span><span style="margin-left: 1em;">Effeitos ora doces, e ora fortes,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Grandes contrastes, ou gentis concordias.</span><br> -<span style="margin-left: 2em;">Observa-as maiormente quando o Outono</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Perto de vella murcha enfeita a crôa:</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Que pompa! Q’esplendor! Que variedade!</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">A côr alaranjada, a côr purpurea,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">A opálica viveza, a do encarnado</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Ostentação de seus thesoiros fazem.</span><br> -<span style="margin-left: 2em;">Ai! Todo este esplendor lhe agoira a quéda!</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Eis o fado commum! Depressa os Euros</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Hão de espalhar pelos profundos valles</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Os despojos selváticos: a folha</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Cahindo, já distrahe de quando em quando</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">O solitario Pensador; mas estas</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Mesmas ruinas para mim são gratas;</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Alli, se fundas queixas nutro n’alma,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Ou assanhar-me a chaga vem memorias,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Gósto de misturar, de ver conforme</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">O luto meu da Natureza ao luto.</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Dos seccos bosques, dos raminhos murchos</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Me apraz pizar fragmentos, só, e errante.</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Dias de embriaguez, e de loucura,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Os mentirosos dias já voárão;</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Terna Melancolia, a ti me entrego,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Vem, mas não de atras nuvens carregada;</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Onde se envolve a tenebrosa Angustia:</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Por entre véo ligeiro a vista branda</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Dirige á Terra, aos Ceos, como no Outono</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Os vapores traspassa hum tibio dia;</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Traze, oh dos Vates, dos Amantes socia,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Sereno o rosto, os olhos pensativos,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">E a deleitosas lagrimas propensos.</span><br> -<span style="margin-left: 2em;">Mas em quanto minha alma se apascenta</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Nestas idéas, mil floridas castas</span><br> -<span class="pagenum" id="Page_56">[Pg 56]</span><span style="margin-left: 1em;">De fragrantes, de tremulos arbustos</span><br> -<span class="pagenum" id="Page_57">[Pg 57]</span><span style="margin-left: 1em;">Chamando estão por mim. Vem, lindo Povo,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Tu entre a arvore, e a flor tu és o meio,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">És como a transição. Teus delicados</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Caractéres agora a scena enfeitem.</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Oh! se não me instigasse o largo assumpto,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Se ao termo, que me espera, eu não corresse,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Que jubilo teria em dirigir-vos!</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Eu vos reproduzira, eu vos mostrára</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Em cem fecundas fórmas, eu faria</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Á sombra vossa murmurar correntes,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Vossa rama em abóbadas travara;</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Envoltos nestes vividos ulmeiros,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Irião serpeando os vossos braços</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Pelos rìgidos troncos, e serieis</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">O symbolo da graça, unida á força.</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Fundira, approveitára as vossas côres:</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">A azul ferrete, a encarnada, a branca;</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Dos olhos as delicias alternando,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Vossos penachos, cálices, e flores,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Formar virião meus brilhantes quadros,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">E o mesmo Vanhuysum mos invejára.</span><br> -<span style="margin-left: 2em;">Tu, que estes férteis dons dos Ceos houveste,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Com arte economiza arbórea pompa:</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Favores seus co’as Estações reparte.</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Co’as côres, e os perfumes cada arbusto</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Por seu turno appareça, e nunca murche</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Na fronte do Anno a flórida capela.</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Assim com elle o teu jardim varia:</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Cada mez tem seu bosque, e cada bosque</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">A sua Primavera... ah! cedo extincta!</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Tua industria, porém, da sua instavel,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Curta riqueza consolar-nos póde.</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Com prudencia estas arvores plantadas,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Quando flor não tiverem, graça tenhão.</span><br> -<span class="pagenum" id="Page_58">[Pg 58]</span><span style="margin-left: 1em;">Tal, dilatando o imperio de seus olhos,</span><br> -<span class="pagenum" id="Page_59">[Pg 59]</span><span style="margin-left: 1em;">Já na declinação dos annos bellos,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">A destra Ulina me seduz, me enlêa.</span><br> -<span style="margin-left: 2em;">Da inclemencia dos ares a despeito,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">O Ceo não desherdou de todo o Inverno;</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Então dos ventos provocando a raiva,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Não poucos vegetaes conservão folhas.</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Olha o Teixo, olha a Era, olha o Pinheiro,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">O pungente Azevinho, o sacro Loiro,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">De verdura immortal, que a Terra vingão,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Vingão dos Aquilões a Natureza.</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">De purpura, e coral, vê fructos, bagas;</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Que esmalte aos ramos dão! Seu atavio</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Sobre os despidos Campos lisonjêa:</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Por menos esperado he mais formoso.</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Os teus Jardins de Inverno assim povôa;</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Lá de hum benigno dia a luz te affaga,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Lá, quando em outra parte he nua a Terra,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">O passarinho adeja, e se diverte</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Inda debaixo de viçosas folhas:</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">O sitio o illude, não conhece o tempo,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Vêlla imagina, e canta a Primavera:</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Assim, sem ser facticia a Estancia agrada.</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Mas os Jardins dos Reis com que artificio,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Com que apparato esplendido triunfão</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Dos sanhudos Invernos! Sempre verdes,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;" id="note14">Oh Mouceaux! Teus jardins são disto exemplo,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Troncos fingidos de arvores ausentes,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Grutas de encanto, mágicas latadas,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Tudo alli rouba os olhos. Afrontando</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">A ríspida Estação caliginosa,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">A nascer entre o gelo aprende a rosa.</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Milagres alli domão tempos, climas,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Das Fadas o poder alli se antolha.</span><br> -<span style="margin-left: 2em;">Mas não são todavia estes encantos</span><br> -<span class="pagenum" id="Page_60">[Pg 60]</span><span style="margin-left: 1em;">Dos Jardins o melhor, mais doce ornato,</span><br> -<span class="pagenum" id="Page_61">[Pg 61]</span><span style="margin-left: 1em;">Cedo o costume te desorna os bosques.</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Quando os Estranhos tuas sombras gostão</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Jaz muitas vezes descontente o Dono.</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Meios não ha, cuja virtude occulta</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Sempre a teus bosques a affeição te avive?</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Oh! quanto dos Lapões me apraz o estilo!</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Oh! como enganão seus Invernos duros!</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">O Til soberbo, os Olmos reforçados</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Temem daquelles Campos o regelo;</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">De alguns tristes Pinheiros, negros, bravos</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Indigente, escassissima verdura</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Apenas a geada alli penetra.</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Mas o minimo arbusto, que poupassem</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Aquelles agros climas, ante os olhos</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Dos habitantes seus tem mil feitiços.</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">He consagrado a filho, a pai, a amigo,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">A Hospede que parte, e deixa prantos,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Deixa saudade eterna, e de algum delles</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">O nome, sempre caro, á Planta fica.</span><br> -<span style="margin-left: 2em;">Tu, de quem puro Ceo clarêa a Patria,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Imitar podes tão feliz industria:</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Ella animará tudo, arvores, bosques</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Não serão mudos, não serão desertos:</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Hão de immensas memorias habitallos,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Gostos distantes adornar-lhe as sombras,</span><br> -<span style="margin-left: 2em;">E quem prohibe, se o favor dos Numes</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Com doce prole teus desejos farta,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Quem véda consagrares esse dia</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Com troncos de nascente bosquezinho...!</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Mas em quanto estes versos, Musa, entôas,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Que popular clamor aos ares sobe!</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Nasceo, nasceo o herdeiro aos Reis da Gallia!</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Nos muros, nas falanges, sobre as ondas,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Nosso terrivel, triunfante raio</span><br> -<span class="pagenum" id="Page_62">[Pg 62]</span><span style="margin-left: 1em;">Trôa, corre, e aos dois Mundos o annuncia,</span><br> -<span class="pagenum" id="Page_63">[Pg 63]</span><span style="margin-left: 1em;">Flores são pouco para ornar-lhe o berço,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Os loiros lhe trazei, trazei-lhe as palmas;</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Raiem dias de gloria ante o primeiro</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Volver dos olhos seus; nascido apenas,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Da Victoria oiça o hymno; eis o festejo</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Que ao puro sangue dos Bourbons se deve.</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">E tu por quem tal dom dos Ceos nos veio,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Tu, nó mimoso, tu prizão querida</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Do Germano, e Francez, que Irmão, e Esposo</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Unes como odorifera grinalda</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Que enlaça dois Ulmeiros magestosos;</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Consorte, Mãi, e Irmã, teus fados ligão</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">O Penhor de Hymenêo da Morte ao luto,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Em teus olhos misturão pranto, e riso,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Dando-te o Filho quando a Mãi te roubão,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Nos transportes que influe este aureo dia,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Ousem Almas ferventes, creadoras</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Animar os pinceis, a pedra, a lyra;</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Dos Campos eu cantor, e humilde amigo,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Irei onde os Favonios, onde Flora</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Sós te compõem a deleitavel Corte,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Irei a Trianon: alli risonho</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Em unico tributo á Prole tua</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Arvores sagrarei da sua idade,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Hum bosquezinho que lhe deva o nome.</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Verão teus olhos avultar o amavel,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">O simples monumento, aquelles troncos,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Dos bosques teus o mais suave ornato;</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">E com ellas crescendo, recrear-se</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Ás sombras fraternais irá teu filho.</span><br> -<span style="margin-left: 2em;">Gozas, emfim, e o coração, e os olhos</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Feliz Possuidor, já se embellezão</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Nos arvoredos teus. Tambem desejas</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Unir ao gosto a gloria, obter a palma</span><br> -<span class="pagenum" id="Page_64">[Pg 64]</span><span style="margin-left: 1em;">Nesta arte singular com que os decoras?</span><br> -<span class="pagenum" id="Page_65">[Pg 65]</span><span style="margin-left: 1em;">De creador merece, alcança o nome.</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Olha como em segredo a Natureza</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Sempre está fermentando, e como sempre</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">A precisão de produzir a ancêa.</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Não lhe acodes? Quem sabe que thesoiros</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Inda em seus cofres para a Industria guarda?</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Como esta a seu arbitrio as ondas guia,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Póde guiar o succo: outros caminhos,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Outros canaes a seu liquor franquêa.</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Por novos hymenêos fecunda os Campos,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Das seibas virgens exprimenta o mixto,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">De seus dons mutuos favorece a troca.</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Quantas arvores, fructos, plantas, flores</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Tem mudado o perfume, a côr, e o gosto,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Tudo por arte! O Pecegueiro a estas</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Metamorfóses sua gloria deve.</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Assim com triple croa a rosa brilha,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">De seu penacho assim blasona o cravo.</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Ousa. Deos fez o Mundo, o Homem o adorna.</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Se a tão bellas conquistas não te afoitas,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Cobertas d’ outro Ceo tens mil riquezas.</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Usurpa esses thesoiros. Tal, mais brando</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Vencedor, e mais justo nos seus roubos,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">O Romano soberbo á Ausonia trouxe</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Syrias ameixas, o damasco Armenio,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Da Gallia a pera, e fructos mil diversos:</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Assim devêra subjugar-se o Mundo.</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Lá quando d’Asia triunfou Lucullo</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">O bronze, o oiro, o marmore assombravão</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">De Roma os olhos, e entretanto o Sabio</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Prezou ver-lhe nas mãos a cereijeira</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Conduzida em triunfo ao Capitolio.</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">E esses mesmos Romanos já não vírão</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Nossos Avós, em batalhões armados,</span><br> -<span class="pagenum" id="Page_66">[Pg 66]</span><span style="margin-left: 1em;">Debaixo de outros Ceos mais bemfazejos</span><br> -<span class="pagenum" id="Page_67">[Pg 67]</span><span style="margin-left: 1em;">As vinhas ir buscar, votando a Brómio</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Tintos pendões em nectar dos Vencidos?</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Co’ fruto das beligeras emprezas</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Excandecida a Turba, os preciosos</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Troféos, cantando, aos Lares seus trazia.</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">As cabeças o pâmpano croava,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">O pâmpano em festoens cingia as lanças.</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Desta arte o Numen, vencedor do Ganges,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Tornou triunfante: serranias, valles</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Da vindima o fervor solemnisavão,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">E por onde corria o mago nectar</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Folgavão brincos, e o prazer, e a audacia.</span><br> -<span style="margin-left: 2em;">Netos dos Gallos, os Avós se imitem;</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Roubemos, disputemos taes despojos.</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Nesses jardins, altivos de regellos</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">A mão, que a Themis empunhara o Sceptro,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Malesherbe, o facundo, o digno ramo</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Dos Lamoignons, com troncos orgulhosos</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Honra, abastece o chão: trazidas Plantas</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Dos fins da Terra, das equóreas margens,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">De alcantalidos cumes de agras serras,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Das portas do Nascente, e das do Occaso;</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Plantas, que açoita o Sul, que açoita o Norte,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Plantas, filhas do ardor, filhas do gelo,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Me fazem, n’um lugar, correr mil climas.</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Vago, entre aquella Multidão florente,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Asia, America, Europa, Africa, o Mundo.</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Regozijadas de se ver no meio</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Das velhas plantas nossas, amão todas</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Nosso amoravel Ceo, e estranhas Gentes</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Reconhecendo as arvores da Patria,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Duvidão já da sua ausencia, ao vellas,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Ou de terna saudade os golpes sentem.</span><br> -<span style="margin-left: 1em;" id="note15">Moço Potaveri, tu disto es prova.</span><br> -<span class="pagenum" id="Page_69">[Pg 69]</span><span style="margin-left: 2em;">Dos Campos d’O-taiti, daquelles Campos,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Tão caros, n’outro tempo á sua infancia,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;" id="note16">Onde he sem pejo Amor, Amor sem crime,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Este ingenuo, selvatico Mancebo,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Trazido a nossos muros, pranteava</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Sua antiga, innocente liberdade,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Ilha risonha, e jubilos tão faceis.</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Do esplendor das Cidades sim pasmado,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Mas farto dellas, vezes mil clamava:</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Dai-me as florestas minhas: eis que hum dia</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Nesses jardins, onde Luiz congrega,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Dispôem n’um sitio só, e a custo immenso,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Os Povos vegetaes de tantos climas,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Como espantados de crescerem juntos,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">De lugar, e estação mudando a hum tempo,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">E cultos a Jussieu rendendo todos;</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Nesses Jardins o Indiano vagueava,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Olhando as varias, ordenadas Tribus,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Quando entre estas Colonias vicejantes</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Lhe fere os olhos arvore que o triste</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Desde os primeiros annos seus conhece.</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Súbito, desatando agudos gritos,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">A ella corre, abraça-se com ella,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Beijos a cobrem, lagrimas a innundão.</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Objectos mil de inexplicavel gosto,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Os Ceos, os Campos que ditoso o virão,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Ceos tão formosos, tão formosos Campos?</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Os rios que fendeo co’as mãos nervosas,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Matas por onde os brutos habitantes</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Tão destro asseteava, as bananeiras</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">De sombras, e de frutos abastadas,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">O patrio asylo, os bosques circumstantes,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Que aos canticos de amor lhe respondião,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Julgou ver, e a sua alma enternecida</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Hum momento sequer gozou da Patria.</span><br> -</p> - - -<p class="center p2">FIM DO CANTO SEGUNDO.</p> - -<hr class="tb"> - -<p>Na pag. 47 depois da linha 32 escapou o verso seguinte:</p> - -<p> -<span style="margin-left: 1em;">De distancia em distancia, alegre pousa.</span><br> -</p> - -<hr class="chap x-ebookmaker-drop"> - -<div class="chapter"> -<p><span class="pagenum" id="Page_70">[Pg 70]</span></p> - - -<p class="center p2"><span class="figcenter" id="img003a"> -<img src="images/003.jpg" class="w50" alt="Imagem decorativa"> -</span></p> -<h2 class="nobreak" id="CHANT_TROISIEME">LES JARDINS,<br><span class="small">POÈME,</span></h2> -</div> - -<hr class="r5"> -<p class="center big">CHANT TROISIEME.</p> -<hr class="r5"> - -<p class="poetry"> -<span style="margin-left: 2em;">Je chantois les jardins, les vergers, et les bois,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Quand le cri de Bellone a retenti trois fois.</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">A ces cris, arrachés des foyers de leurs pères,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Nos guerriers ont volé sur des mers étrangères,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Et Mars a de Vénus déserté les bosquets.</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Dieux des champs, Dieux amis de l’innocente paix,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Ne craignez rien. Louis, au lieu de vous détruire,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Veut sur des bords lointains étendre votre empire;</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Il veut qu’un peuple ami, trop long-temps opprimé,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Recueille en paix le grain que ses mains ont semé.</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Et vous, jeunes guerriers qu’admire un autre monde,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Je ne puis vers Yorck, sur les gouffres de l’onde</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Suivre votre valeur; mais pour votre retour</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Ma muse des jardins embellit le séjour.</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Déjá j’ordonne aux fleurs de croitre pour vos têtes;</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Pour de myrtes verds des couronnes sont prêtes,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Je prépare pour vous le murmure des eaux,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Les tapis des gazons, les abris des berceaux,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Où mollement assis, oubliant les alarmes,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Tranquilles vous direz la gloire de nos armes,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Tandis qu’entre la crainte, et l’espoir suspendus,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Vos enfans frémiront d’un danger qui n’est plus.</span><br> -<span style="margin-left: 2em;">Achevons cependant d’orner ces frais asyles.</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Jadis dans nos jardins les sables infertiles,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Tristes, secs, et du jour réfléchissant les feux,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Importunoient les pieds, et fatiguoient les yeux.</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Tout étoit nu, brûlant; mais enfin l’Angleterre</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Nous apprit l’art d’orner, et d’habiller la terre.</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Soignez donc ces gazons déployés sur son sein.</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Sans cesse l’arrosoir ou la faulx á la main,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Désaltérez leur soif, tondez leur chevelure.</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Que le roulant cylindre en foule la verdure.</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Que toujours bien choisis, bien unis, bien serres,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">De L’herbe usurpatrice avec soin délivrés,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Du plus tendre duvet ils gardent la finesse;</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Et quelquefois enfin réparez leur vieillesse.</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Réservez toutefois aux lieux moins éloignés</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Ce luxe de verdure, et ces gazons soignés.</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Du reste composez une riche pâture,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Et que vos seuls troupeaux en fassent la culture.</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Ainsi vous formerez des nourrissons nombreux,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Des engrais pour vos champs, des tableaux pour vos yeux.</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Ne rougissez donc point, quoique l’orgueil en gronde,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">D’ouvrir vos parcs au bœuf, á la vache féconde,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Qui ne dégrade plus ni vos parcs, ni mes vers.</span><br> -<span style="margin-left: 2em;">Mais c’est peu de créer ces vastes tapis verds;</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Il en faut avec goût savoir choisir les formes.</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Craignez pour eux l’ennui des cadres uniformes.</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">En d’insipides ronds, ou d’ennuyeux quarrés,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Je ne veux point les voir tristement resserrés.</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Un air de liberté fait leur première grace.</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Que tantôt dans les bois, dont l’ombre les embrasse,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">D’un air mystérieux ils aillent se cacher,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Et que tantôt les bois les reviennent chercher.</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Telle est d’un beau gazon la forme simple, et pure.</span><br> -<span style="margin-left: 2em;">Voulez-vous mieux l’orner? Imitez la nature.</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Elle émaille les prés des plus riches couleurs.</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Hâtez-vous; vos jardins vous demandent des fleurs.</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Fleurs charmantes! par vous la nature est plus belle;</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Dans ses brillans tableaux l’art vous prend pour modèle;</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Simples tributs du cœur, vos dons sont chaque jour</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Offerts par l’amitié, hasardés par l’amour.</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">D’embellir la beauté vous obtenez la gloire;</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Le laurier vous permet de parer la victoire;</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Plus d’un hameau vous donne en prix á la pudeur.</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">L’autel même où de Dieu repose la Grandeur,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Se parfume au printemps de vos douces offrandes,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Et la Religion sourit á vos guirlandes.</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Mais c’est dans nos jardins qu’est votre heureux séjour.</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Filles de la rosée, et de l’astre du jour,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Venez donc de nos champs décorer la théâtre.</span><br> -<span style="margin-left: 2em;">N’attendez pas pourtant qu’amateur idolâtre,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Au lieu de vous jetter par touffes, par bouquets,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">J’aille de lits en lits, de parquets en parquets,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">De chaque fleur nouvelle attendre la naissance,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Observer ses couleurs, épier leur nuance.</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Je sais que dans Harlem plus d’un triste amateur</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Au fond de ses jardins s’enferme avec sa fleur,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Pour voir sa renoncule avant l’aube s’éveille,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">D’une anémone unique adore la merveille,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Où, d’un rival heureux enviant le secret,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Achete au poids de l’or les taches d’un œillet.</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Laissez-lui sa manie, et son amour bizarre;</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Qu’il possède en jaloux, et jouisse en avare.</span><br> -<span style="margin-left: 2em;">Sans obéir aux loix d’un art capricieux,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Fleurs, parure des champs, et délices des yeux,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">De vos riches couleurs venez peindre la terre.</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Venez: mais n’allez pas dans les buis d’un parterre</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Renfermer vos appas tristement relégués.</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Que vos heureux trésors soient par-tout prodigués,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Tantôt de ces tapis émaillez la verdure;</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Tantôt de ces sentiers égayez la bordure;</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Formez-vous en bouquets; entourez ces berceaux;</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">En Méandres brillans courez au bord des eaux,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Ou tapissez ces murs, ou dans cette corbeille</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Du choix de vos parfums embarrassez l’abeille.</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Que Rapin, vous suivant dans toutes les saisons,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Décrive tous vos traits, rapelle tous vos noms;</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">A de si longs détails le dieu du goût s’oppose.</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Mais qui peut refuser un hommage à la rose,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">La rose, dont Vénus compose ses bosquets,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Le printemps sa guirlande, et l’Amour ses bouquets,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Qu’Anacréon chanta, qui formoit avec grace</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Dans les jours de festin la couronne d’Horace?</span><br> -<span style="margin-left: 2em;">Mais ce riant sujet plait trop à mes pinceaux,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Destinés à tracer de plus mâles tableaux.</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">O vous, dont je foulois les pelouses fleuries,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Adieu, charmants bosquets, adieu, vertes prairies;</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Ces masses de rochers confusément épars</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Sur leur informe aspect appellent mes regards.</span><br> -<span style="margin-left: 2em;">De nos jardins voués à la monotonie</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Leur sublime âprêté jadis étoit bannie.</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Depuis qu’enfin le peintre y prescrivant des loix,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Sur l’arpenteur timide a repris tous ses droits,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Nos jardins plus hardis de ces effets s’emparent.</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Mais de quelque beauté que ces masses les parent,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Si le sol n’offre point ces blocs majestueux,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">De la nature en vain rival présomptueux,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">L’art en voudroit tenter une infidelle image.</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Du haut des vrais rochers, sa demeure sauvage,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">La nature se rit de ces rocs contrefaits,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">D’un travail impuissant avortons imparfaits.</span><br> -<span style="margin-left: 2em;">Loin de ces froids essais qu’un vain effort étale,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Aux champs de Midleton, aux monts de Dovedale,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Whateli, je te suis; viens, j’y monte avec toi.</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Que je m’y sens saisi d’un agréable effroi!</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Tous ces rocs variant leurs gigantesques cimes,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Vers le ciel elancés, roulés dans des abimes,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">L’un par l’autre appuyés, l’un sur l’autre étendus,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Quelquefois dans les airs hardiment suspendus,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Les uns taillés en tours, en arcades rustiques,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Quelques-uns á travers leurs noirâtres portiques</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Du ciel dans le lointain laissant percer l’azur,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Des sources, des ruisseaux le cours brillant, et pur,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Tout rapelle á l’esprit ces magiques retraites,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Ces romanesques lieux qu’ont chanté les poètes.</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Heureux si ces grands traits embellissent vos champs!</span><br> -<span style="margin-left: 2em;">Mais dans votre tableau leurs tons seroient tranchans.</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">C’est lá, c’est pour dompter leur inculte énergie,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Qu’il faut d’un enchanteur le charme, et la magie.</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Cet enchanteur, c’est l’art; ces charmes, sont les bois,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Il parte: les rochers s’ombragent á sa voix,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Et semblent s’applaudir de leur pompe étrangère.</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Mais en ornant ainsi leur sécheresse austère,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Variez bien vos plants. Offrez aux spectateurs</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Des contrastes de tons, de formes, de couleurs;</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Que les plus beaux rochers sortent par intervalles.</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">N’interromprez-vous point ces masses trop égales?</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Cachez, ou découvrez, variez á la fois</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Les bois par les rochers, les rochers par les bois.</span><br> -<span style="margin-left: 2em;">N’avez-vous pas encor, pour former leur parure,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Des arbustes rampans l’errante chevelure?</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">J’aime á voir ces rameaux, ces souples rejettons,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Sur leurs arides flancs serpenter en festons.</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">J’aime á voir leur front chauve, et leur tête sauvage</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Se coeffer de verdure, et s’entourer d’ombrage.</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">C’est peu. Parmi ces rocs un vallon précieux,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Un terrein moins ingrat vient-il rire á nos yeux?</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Saisissez ce bienfait; déployez á la vue</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">D’un sol favorisé la richesse imprévue.</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">C’est un contraste heureux; c’est la stérilité</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Qui cède un coin de terre a la fertilité.</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Ainsi vous subjuguez leur âpre caractère.</span><br> -<span style="margin-left: 2em;">Quoi donc! faut-il toujours les orner pour vous plaire?</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Non; l’art qui doit toujours en adoucir l’horreur,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Leur permet quelquefois d’inspirer la terreur.</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Lui-même il les seconde. Au bord d’un précipice</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">D’une simple cabane il pose l’édifice:</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Le précipice encore en paroit agrandi;</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Tantôt d’un roc á l’autre il jette un pont hardi.</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">A leur terrible aspect je tremble, et de leur cime</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">L’imagination me suspend sur l’abime.</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Je songe á tous ces bruits du peuple répétés,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">De voyageurs perdus, d’amans précipités;</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Vieux récits, qui, charmant la foule émerveillée,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Des crédules hameaux abrègent la veillée,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Et que l’effroi du lieu persuade un moment.</span><br> -<span style="margin-left: 2em;">Mais de ces grands effets n’usez que sobrement.</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Notre cœur dans les champs á ces rudes secousses</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Préfère un calme heureux, des émotions douces.</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Moi-même, je le sens, de la cime des monts</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">J’ai besoin de descendre en mes rians vallons.</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Je les ornai de fleurs, les couvris de bocages;</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Il est temps que des eaux roulent sous leurs ombrages.</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Eh bien! si vos sommets jadis tout dépouillés</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Sont, grace á mes leçons, richement habillés,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">O rochers: ouvrez-moi vos sources souterraines:</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Et vous, fleuves, ruisseaux, beaux lacs, claires fontaines,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Venez, portez par-tout la vie, et la fraicheur.</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Ah! qui peut remplacer votre aspect enchanteur?</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">De près il nous amuse, et de loin nous invite;</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">C’est le premier qu’on cherche, et le dernier qu’on quite.</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Vous fécondez les champs; vous repetez les cieux;</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Vous enchantez l’oreille, et vous charmez les yeux.</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Venez: puissent mes vers, en suivant votre course,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Couler plus abondants encor que votre source,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Plus legers que les vents qui courbent vos roseaux,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Doux comme votre bruit, et purs comme vos eaux!</span><br> -<span style="margin-left: 2em;">Et vous qui dirigez ces ondes bienfaitrices,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Respectez leurs penchans, et même leurs caprices.</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Dans la facilité de ses libres detours,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Voyez l’eau de ses bords embrasser les contours,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">De quel droit osez-vous, captivant sa souplesse,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">De ses plis sinueux contraindre la mollesse?</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Que lui fait tout le marbre où vous l’emprisonnez?</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Voyez-vous, les cheveux aux vents abandonnés,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Sans contrainte, sans art, sans parure étrangère,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Marcher, courir, bondir la folâtre bergère?</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Sa grace est dans l’aisance, et dans la liberté.</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Mais au fond d’un sérail contemplez la beauté:</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">En vain elle éblouit, vainement elle étale</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">De ses atours captifs la pompe orientale;</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Je ne sais quoi de triste, empreint dans tous ses traits,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Décèle la contrainte, et flétrit ses attraits.</span><br> -<span style="margin-left: 2em;">Que l’eau conserve donc la liberté qu’elle aime,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Ou changez en beauté son esclavage même.</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Ainsi malgré Morel, dont l’éloquente voix</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">De la simple nature a sçu plaider les droits,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">J’aime ces jeux ou l’onde en des canaux pressée</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Part, s’échappe, et jaillit avec force élancée.</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">A l’aspect de ces flots qu’un art audacieux</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Fait sortir de la terre, et lance jusqu’aux cieux,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">L’homme se dit: «C’est moi qui créai ces prodiges»</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">L’homme admire son art dans ces brillans prestiges;</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Qu’ils soient donc déployés chez les grands, et les rois</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Mais, je le dis encor; loin le luxe bourgeois,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Dont le jet d’eau honteux, n’osant quitter la terre,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">S’élève á peine, et meurt á deux pieds du parterre.</span><br> -<span style="margin-left: 2em;">C’est peu: tout doit répondre á ce riche ornement;</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Que tout prenne á l’entour un air d’enchantement.</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Persuadez aux yeux que d’un coup de baguette</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Une Fée, en passant, s’est fait cette retraite.</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Tel j’ai vu de Saint-Cloud le bocage enchanteur.</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">L’œil de son jet hardi mesure la hauteur?</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Aux eaux qui sur les eaux retombent, et bondissent,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Les bassins, les bosquets, les grottes applaudissent;</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Le gazon est plus verd, l’air plus frais, des oiseaux</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Le chant s’anime au bruit de la chûte des eaux,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Et les bois inclinant leurs têtes arrosées,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Semblent s’épanouir á ces douces rosées.</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Plus simple, plus champêtre, et non moinsbelleauxyeux,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">La cascade ornera de plus sauvages lieux.</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">De près est admirée, et de loin entendue</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Cette eau toujours tombante, et toujours suspendue.</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Variée, imposante, elle anime á la fois</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Les rochers, et la terre, et les eaux, et les bois.</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Employez donc cet art; mais loin l’architecture</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">De ces tristes gradins, ou tombant en mesure,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">D’un mouvement égal, les flots précipités</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Jusques dans la fureur marchent á pas comptés.</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">La variété seule a le droit de vous plaire.</span><br> -<span style="margin-left: 2em;">La cascade d’ailleurs a plus d’un caractère.</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Il faut choisir. Tantôt d’un cours tumultueux</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">L’eau se précipitant dans son lit tortueux,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Court, tombe, et rejaillit, retombe, écume, et gronde.</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Tantôt avec lenteur developpant son onde,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Sans colère, sans bruit un ruisseau doux, et pur</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">S’epanche, se deploie en un voile d’azur.</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">L’œil aime á contempler ces frais amphiteâtres,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Et l’or des feux du jour sur les nappes bleuâtres,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Et le noir des rochers, et le verd des roseaux,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Et l’eclat argenté de l’ecume des eaux.</span><br> -<span style="margin-left: 2em;">Consultez donc l’effet que votre art veut produire,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Et ces flots, toujours prompts á se laisser conduire,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Vont vous offrir, plus lents, ou plus impetueux,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Des tableaux gais, ou fiers, grands, ou voluptueux.</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Tableaux toujours puissans! Eh! qui n’a pas de l’onde,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Eprouvé sur son cœur l’impression profonde?</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Toujours, soit qu’un courant vif, et precipité</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Sur des cailloux bondisse avec agilité,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Soit que sur le limon une rivière lente</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Deroule en paix les plis de son onde indolente;</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Soit qu’á travers des rocs un torrent en courroux</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Se brise avec fracas; triste, ou gai, vif, ou doux</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Leur cours excite, appaise, ou menace, ou caresse.</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">De Vénus, nous dit-on, l’echarpe enchanteresse</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Renfermoit les amours, et les tendres desirs,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Et la joie, et l’espoir, precurseur des plaisirs.</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Les eaux sont ta ceinture, ô divine Cybèle!</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Non moins imperieuse, elle renferme en elle</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">La gaieté, la tristesse, et le trouble, et l’effroi.</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Eh! qui l’a mieux connu, l’a mieux senti que moi?</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Souvent, je m’en souviens, lorsque les chagrins sombres,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Que de la nuit encore avoient noircis les ombres,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Accabloient ma pensée, et flétrissoient mes sens,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Si d’un ruisseau voisin j’entendois les accens,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">J’allois, je visitois ses consolantes ondes.</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Le murmure, le frais de ses eaux vagabondes</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Suspendoient mes chagrins, endormoient ma douleur,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Et la sérénité renaissoit dans mon cœur,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Tant du doux bruit des eaux l’influence est puissante!</span><br> -<span style="margin-left: 2em;">Pour prix de ce bienfait, toi, dont le cours m’enchante,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Ruisseau, permets que l’art, sans trop s’énorgueillir,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">T’embellisse à nos yeux, si l’art peut t’embellir.</span><br> -<span style="margin-left: 2em;">Un ruisseau siéroit mal dans une vaste plaine;</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Son lit n’y traceroit qu’une ligne incertaine.</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Modestes, au grand jour se montrant á regret,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Ses flots veulent baigner un bocage secret.</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Son cours orne les bois. Les bois font ses délices.</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Lá, je puis á loisir suivre tous ses caprices,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Son embarras charmant, sa pente, ses replis,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Le courroux de ses flots par l’obstacle embellis.</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Tantôt dans un lit creux, qu’un noir taillis ombrage,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Cachant son onde agreste, et sa course sauvage,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Tantôt á plein canal présentant son miroir,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Je le vois sans l’entendre, ou l’entends sans le voir.</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Lá, ses flots amoureux vont embrasser des iles.</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Plus loin, il se sépare en deux ruisseaux agiles,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Qui, se suivant l’un l’autre avec rapidité,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Disputent de vitesse, et de limpidité;</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Puis, rejoignant tous deux le lit qui les rassemble,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Murmurent enchantés de voyager ensemble.</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Ainsi, toujours errant de détour en détour,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Muet, bruyant, paisible, inquiet tour-á-tour,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Sous mille aspects divers son cours se renouvelle.</span><br> -<span style="margin-left: 2em;">Mais vers ses bords rians la rivière m’appelle.</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Dans un champ plus ouvert, noble et pompeux tableau,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Son onde moins modeste en larges nappes d’eau</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Roule, des feux du jour au loin étincelante.</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Elle laisse au ruisseau sa gaieté pétulante,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Et son inquiétude, et ses plis tortueux.</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Son lit, en longs courans, des vallons sinueux</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Suivra les doux contours, et la molle courbure.</span><br> -<span style="margin-left: 2em;">Si le ruisseau des bois emprunte sa parure,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">La rivière aime aussi que des arbres divers,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Les pâles peupliers, les saules demi-verds,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Ornent souvent son cours. Quelle source féconde</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">De scènes, d’accidens! Lá, j’aime á voir dans l’onde</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Se renverser leur cime, et leurs feuillages verds</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Trembler du mouvement, et des eaux, et des airs.</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Ici, le flot bruni fuit sous leur voûte obscure.</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Lá, le jour par filets pénétre leur verdure.</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Tantôt dans le courant ils trempent leurs rameaux,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Et tantôt leur racine embarasse les flots.</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Souvent d’un bord á l’autre étendant leur feuillage,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Ils semblent s’élancer, et changer de rivage.</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Ainsi l’arbre, et les eaux se prêtent leur secours:</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">L’onde rajeuni l’arbre, et l’arbre orne son cours,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Et tous deux, s’alliant sous des formes sans nombre,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Font un échange aimable, et de fraicheur, et d’ombre.</span><br> -<span style="margin-left: 2em;">Sachez donc les unir; ou si, dans de beaux lieux,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">La nature sans vous fit cet hymen heureux,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Respectez-la. Malheur á qui feroit mieux qu’elle!</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Tel est, cher Watelet, mon cœur me le rappelle,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Tel est le simple asyle oú, suspendant son cours,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Pure comme tes mœurs, libre comme tes jours,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">En canaux ombragés la Seine se partage,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Et visite en secret la retraite d’un sage.</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Ton art la seconda; non cet art imposteur,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Des lieux qu’il croit orner hardi profanateur.</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Digne de voir, d’aimer, de sentir la nature,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Tu traitas sa beauté comme une vierge pure</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Qui rougit d’être nue, et craint les ornemens.</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Je crois voir le faux-goût gâter ces lieux charmans.</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Ce moulin, dont le bruit nourrit la rêverie,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">N’est qu’un son importun, qu’une meule qui crie;</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">On l’écarte. Ces bords doucement contournés,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Par le fleuve lui-même en roulant façonnés,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">S’alignent tristement. Au lieu de la verdure</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Qui renferme le fleuve en sa molle ceinture,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">L’eau dans des quais de pierre accuse sa prison;</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Le marbre fastueux outrage le gazon,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Et des arbres tondus la famille captive</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Sur ces saules vieillis ose usurper la rive.</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Barbares, arrêtez, et respectez ces lieux.</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Et vous, fleuve charmant, vous, bois délicieux,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Si j’ai peint vos beautés, si dés mon premier âge</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Je me plûs á chanter les prés, l’onde, et l’ombrage,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Beaux lieux, offrez long-temps á votre possesseur</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">L’image de la paix qui règne dans son cœur.</span><br> -<span style="margin-left: 2em;">Autant que la riviére en sa molle souplesse</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">D’un rivage anguleux redoute la rudesse,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Autant les bords aigus, les longs enfoncemens</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Sont d’un lac étendu les plus beaux ornemens.</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Que la terre tantôt s’avance au sein des ondes;</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Tantôt qu’elle ouvre aux flots des retraites profondes;</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Et qu’ainsi s’appellant d’un mutuel amour,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Et la terre, et les eaux se cherchent tour-á-tour.</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Ces aspects variés amusent votre vue.</span><br> -<span style="margin-left: 2em;">L’œil aime dans un lac une vaste étendue.</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Cependant offrez-lui quelques points de repos.</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Si vous n’interrompez l’immensité des flots,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Mes yeux sans intérêt glissent sur leur surface.</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Ainsi, pour abréger leur insipide espace,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Ou qu’un frais bâtiment, des chaleurs respecté,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Se présente de loin dans les flots répété,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Ou bien faites éclore une ile de verdure.</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Les iles sont des eaux la plus riche parure.</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Ou relevez leurs bords, ou qu’en bouquets épars</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Des masses d’arbres verds arrêtent vos regards.</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Par un contraire effet si vous voulez l’étendre,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Aux bords trop exhaussés ordonnez de descendre;</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Ou reculez vos bois, ou commandez que l’eau</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Se perde en un bosquet, tourne au pied d’un côteau,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">A travers ces rideaux où l’eau fuit, et se plonge,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">L’imagination la fuit, et la prolonge.</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Ainsi votre œil jouit de ce qu’il ne voit pas;</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Ainsi le goût savant prête á tout des appas,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Et des objets qu’il crée, et de ceux qu’il imite</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Resserre, étend, découvre, ou cache la limite.</span><br> -<span style="margin-left: 2em;">Or, maintenant que l’art dans ses jardins pompeux</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Insulte à mes travaux, dans mes jardins heureux</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Par-tout respire un air de liberté, de joie;</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">La pelouse riante á son gré se déploie;</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Les bois indépendans relèvent leurs rameaux;</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Les fleurs bravent l’équerre, et l’arbre les ciseaux:</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">L’onde chérit ses bords, la terre sa parure;</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Tout est beau, simple, et grand: c’est l’art de la nature.</span><br> -<span style="margin-left: 2em;">Cependant, et ce fleuve, et ces lacs sont déserts,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Venez; peuplons leur sein de citoyens divers.</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Plaçons-y ces oiseaux qui, d’une rame agile,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Navigateurs ailés, fendent l’onde docile.</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Au milieu d’eux s’élève, et nage avec fierté</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Le cygne au cou superbe, au plumage argenté,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Le cygne, á qui l’erreur prêta des chants aimables,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Et qui n’a pas besoin du mensonge des fables.</span><br> -<span style="margin-left: 2em;">Pour animer les eaux, l’art encor n’a-t-il pas</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Le flottant appareil des voiles, et des mâts?</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Par la rame emportée, une barque légére</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Laisse á peine, en fuyant, sa trace passagére:</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Zéphyre de la toile enfle les plis mouvans,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Et chaque banderole est le jouet des vents.</span><br> -<span style="margin-left: 2em;">Et si nos vieux romans, ou la fable, ou l’histoire,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">D’un ruisseau, d’une source ont consacré la gloire!</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">De leur antique honneur ces flots énorgueillis,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Par d’heureux souvenirs sont assez embellis.</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Quel cœur, sans être ému, trouveroit Aréthuse,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Alphée, ou le Lignon: toi sur-tout, toi, Vaucluse,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Vaucluse, heureux séjour, que sans enchantement</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Ne peut voir nul poéte, et sur-tout nul amant?</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Dans ce cercle de monts, qui, recourbant leur chaine,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Nourrissent de leurs eaux ta source souterraine,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Sous la roche voûtée, antre mystérieux,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Où ta Nymphe, échappant aux regards curieux,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Dans un gouffre sans fond cache sa source obscure,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Combien j’aimois á voir ton eau, qui, toujours pure,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Tantôt dans son bassin renferme ses trésors,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Tantôt en bouillonnant s’eléve, et de ses bords</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Versant parmi des rocs ses vagues blanchissantes,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">De cascade en cascade au loin rejaillissantes,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Tombe, et roule á grand bruit; puis, calmant son courroux,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Sur un lit plus égal répand des flots plus doux,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Et sous un ciel d’azur par vingt canaux feconde</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Le plus riant vallon qu’eclaire l’œil du monde!</span><br> -<span style="margin-left: 2em;">Mais ces eaux, ce beau ciel, ce vallon enchanteur,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Moins que Petrarque, et Laure interessoient mon cœur</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">La voilá donc, disois je, oui, voilá cette rive</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Que Petrarque charmoit de sa lyre plaintive!</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Ici Petrarque á Laure exprimant son amour,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Voyoit naitre trop tard, mourir trop tôt le jour.</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Retrouverai je encor sur ces rocs solitaires.</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">De leurs chiffres unis les tendres caracteres?</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Une grotte ecartée avoit frappé mes yeux.</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Grotte sombre, dis moi si tu les vis heureux,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">M’ecriois-je! Un vieux tronc bordoit-il le rivage?</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Laure avoit reposé sous son antique ombrage.</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Je redemandois Laure á l’echo du vallon,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Et l’echo n’avoit point oublié ce doux nom.</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Par-tout mes yeux cherchoient, voyoient Petrarque, et Laure,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Et par eux ces beaux lieux s’embellissoient encore.</span><br> -</p> - - -<p class="center p2">FIN DU TROISIEME CHANT.</p> -<hr class="chap x-ebookmaker-drop"> - -<div class="chapter"> -<p><span class="pagenum" id="Page_71">[Pg 71]</span></p> - - -<p class="center p2"><span class="figcenter" id="img003b"> -<img src="images/003.jpg" class="w50" alt="Imagem decorativa"> -</span></p> -<h2 class="nobreak" id="CANTO_TERCEIRO">OS JARDINS,<br><span class="small">POEMA.</span></h2> -</div> - -<hr class="r5"> -<p class="center big">CANTO TERCEIRO.</p> -<hr class="r5"> - - -<p class="poetry"> -<span style="margin-left: 2em;">Eu cantava os jardins, vergeis, e bosques,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Eis sólta vezes tres Belona o grito,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Eis dos paternos Lares arrancado,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Vôa o Francez Guerreiro a estranhos mares,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">E de Venus, Mavorte as selvas deixa.</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Vós, á Paz innocente affeiçoados,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Deoses dos Campos, não temais a guerra,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Quer o grande Luiz não destruir-vos,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Mas ao longe estender o imperio vosso;</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Quer que logre tranquillo o que semêa</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Hum Povo amigo longamente oppresso.</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">E vós, Mancebos, que outro Mundo admira,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Se por cima de tumidas voragens,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">A York o vosso ardor seguir não posso,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Para quando volteis aperfeiçoa</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Jardins a Musa minha. Ordeno ás flores</span><br> -<span class="pagenum" id="Page_72">[Pg 72]</span><span style="margin-left: 1em;">Que para as frontes vossas vão crescendo.</span><br> -<span class="pagenum" id="Page_73">[Pg 73]</span><span style="margin-left: 1em;">Aprompto para vós de myrto as croas,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">O murmureo das agoas vos preparo,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">E gramineo tapiz, e asylo umbroso.</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Sentados molemente, ao Lethes dando</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Fadigas marciais, direis a gloria</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Das nossas forças bélicas, e emtanto</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Entre esperanças, e temor suspensos,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Confundiráõ, tremendo, os filhos vossos</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Co’ a presença do prigo a imagem delle.</span><br> -<span style="margin-left: 2em;">Amador dos jardins, eia, acabemos</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">De pulir estes placidos abrigos.</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Infecundo areal, e secco, e triste,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Nelles o dia reflectindo outr’hora,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Importunava os pés, cansava os olhos.</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Tudo era ardente, e nu; mas Inglaterra</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Nos ensinou com que arte o chão se veste,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Na relva cuida, pois, que os campos brotão.</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">O regador na dextra, ou nella a fouce,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Lhes mate as sedes, lhes tosquie as tranças.</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">As leivas o cylindro pize, aplane;</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Sempre, escolhidas bem, bem apertadas,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Bem libertas da erva usurpadora,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Qual macia lanugem finas sejão;</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Repare-se-lhe ás vezes a velhice;</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Mas, comtudo, aos lugares não remotos</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Se reserve este luxo de verdura:</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Do resto se componhão ricos pastos,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">E sómente os cultivem teus rebanhos.</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Terás dest’arte numerosas crias,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Os Campos adubio, os olhos quadros.</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Não te envergonhe, pois, (e grite embora</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">O orgulho) não defendas que em teus parques</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Entre a Vacca fecunda, o Boi tardio:</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Nem deshonrão teus parques, nem meus versos.</span><br> -<span class="pagenum" id="Page_74">[Pg 74]</span><span style="margin-left: 2em;">Muito pouco he, porém, crear sómente</span><br> -<span class="pagenum" id="Page_75">[Pg 75]</span><span style="margin-left: 1em;">Esses tapizes vastos, e viçosos:</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Cumpre que saibas escolher-lhe as formas.</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Longe a monotonia, ah! longe delles:</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Em quadrada feição, feição redonda</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Tristemente opprimidos os não quero.</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Hum ar de liberdade he seu primeiro,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Gracioso attractivo: ora nos bosques,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Cuja sombra os abraça, elles se escondão</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Com visos de mysterio, ora esses mesmos</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Bosques venhão buscallos. Esta a forma</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Da campestre alcatifa, pura, e simples,</span><br> -<span style="margin-left: 2em;">Amas o bello? A Natureza imita,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Que esmalta os prados de opulentas cores:</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Dá-te pressa; os jardins te pedem flores.</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Flores mimosas, candidas boninas,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Por vós he mais gentil a Natureza.</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Nos quadros por modelo a arte vos toma;</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">De terno coração sois dons singelos,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Que arrisca Amor, e que a Amizade offrece.</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Em doirada madeixa, em niveo seio</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Requinta-se comvosco a formosura;</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Que a Victoria adorneis permitte o Loiro,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Do virgineo pudor tambem sois premio.</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">O mesmo, o mesmo Altar, onde repousa</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">A Grandeza de hum Deos, na Primavera</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Com vossas oblações se aromatiza,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">E a Religião, sorrindo-se, as acolhe;</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Mas tendes nos jardins o domicilio.</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Do Sol, da Aurora vinde, pois, oh filhas,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Decorar o theatro a nossos campos.</span><br> -<span style="margin-left: 2em;">Comtudo, não cuideis que, insano Amante,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Em vez de vos travar, em vez de unir-vos</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Em brandos, amorosos ramilhetes,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">De canteiro em canteiro, attento espere</span><br> -<span class="pagenum" id="Page_76">[Pg 76]</span><span style="margin-left: 1em;">De cada nova flor o nascimento,</span><br> -<span class="pagenum" id="Page_77">[Pg 77]</span><span style="margin-left: 1em;">E lhe espie o matiz, lhe observe as côres.</span><br> -<span style="margin-left: 1em;" id="note17">Sei que em Harlem ha curiosos tristes,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Que em seus jardins co’as flores vão fechar-se,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Que, por ver hum rainunculo, despertão</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Antes d’alva, e que adorão, qual prodigio,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Anémona exquisita, ou que, invejando</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">De hum rival o segredo, a peso de oiro</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Comprão de hum cravo as manchas. Deixa aos loucos</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Seu maniaco amor: possuão, gozem</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Embora quaes ciosos, quaes avaros.</span><br> -<span style="margin-left: 2em;">Sem de arte caprichosa as leis seguirdes,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Vós, dos olhos prazer, do campo adorno,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Flores, pintai a superficie á Terra;</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Mas a vossa beleza, o mimo vosso</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Entre curtos limites não se estreitem.</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Em toda a parte esses thesoiros brilhem:</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Ora aos tapizes a verdura esmaltem,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Ora de hum lado, e d’outro enfeitem ruas;</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Em mesclados festões cercai ramadas,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Agoas orlai em lucidos Meandros,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Ou comvosco estes muros se alcatifem,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Ou, querendo escolher vossos perfumes,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Gyre, indecisa, no açafate a abelha.</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Seguindo-vos Rapin nas quadras todas,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Nenhum matiz, ou nome vosso esqueça;</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">A tão frias, cansadas miudezas</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Oppõem-se o Deos do gosto. Mas quem póde</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Negar o obsequio, a preferencia á rosa,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Á rosa, de que Venus bosques tece,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Croas a Primavera, Amor seus mimos?</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Á flor de Anacreonte, á flor que Horacio</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Nos dias festivais engrinaldava?</span><br> -<span style="margin-left: 2em;">Mas tão risonho objecto em demasia</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Apraz aos meus pinceis, cujo destino</span><br> -<span class="pagenum" id="Page_78">[Pg 78]</span><span style="margin-left: 1em;">He quadros desenhar mais vigorosos.</span><br> -<span class="pagenum" id="Page_79">[Pg 79]</span><span style="margin-left: 1em;">Oh vós, de que eu trilhava o chão florido,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Bosquesinhos, adeos, adeos, oh prados.</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Attrahe minha attenção o informe aspecto</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Dos rochedos sem regra desparzidos.</span><br> -<span style="margin-left: 2em;">Foi sua alta rudeza em outros tempos</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Banida dos Jardins, onde reinava</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">A inérte, semsabor monotonia.</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Mas depois que o Pintor, leis dando nelles,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Contra acanhado Artifice restaura</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Totalmente o seu jus, emfim se atrevem</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">A apossar-se os jardins destes effeitos.</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Por mais graças, porém, que venha dellas,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Se estas rígidas massas magestosas</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Não offrece o terreno, então debalde,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Presumpçosa Rival da Natureza,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">A Arte em falsas imagens se apurara.</span><br> -<span style="margin-left: 1em;" id="note18">Do cume dos Rochedos verdadeiros,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Da Mãi universal morada inculta,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Ella escarnece de affectadas penhas,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Misero aborto de fadiga inutil.</span><br> -<span style="margin-left: 2em;" id="note19">Aos Campos de Midléton, ás Montanhas</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">De Dovedale, te acompanho os passos,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">A ellas, Whateli, comtigo subo.</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Que aprazivel terror me assenhorêa!</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Todos esses rochedos, variando</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Os cimos colossais, arremessados</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Aqui aos Ceos, alli para os abysmos,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Hum por outro amparados, hum sobre outro,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">E no ar ousadamente alguns suspensos;</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Este em arcada, em torre afeiçoado,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Aquelle pelo pórtico sombrio</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Deixando perceber ao longe o Polo;</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Além mananciais, aqui regatos</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">De limpida corrente, alegre, e mansa,</span><br> -<span class="pagenum" id="Page_80">[Pg 80]</span><span style="margin-left: 1em;">Tudo, ah! tudo no espirito revolve</span><br> -<span class="pagenum" id="Page_81">[Pg 81]</span><span style="margin-left: 1em;">Os mágicos retiros, que os Poetas</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Cantárão, fabulando. Oh quão ditoso</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Serás se teus jardins afformosêas</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Com estas grandes, alterosas vistas!</span><br> -<span style="margin-left: 2em;">Mas para que a teu quadro bem se ajustem,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Contra a tôsca energia dos rochedos</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Cumpre de encantador ter a eficacia.</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">O encantador he a arte, o encanto os bosques;</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Ella falla, os rochedos eis se assombrão,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">E como que os enfuna a pompa estranha.</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Porém, sua aridez austera ornando,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Sagaz diversifica os teus plantios.</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Ao cobiçoso espectador offrece</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Das formas, e das côres os contrastes;</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Saião por entre as arvores a espaços</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Os mais bellos rochedos: interrompe</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Summa igualdade, esconde, ou patentêa!</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Variem-se co’as arvores as róchas,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">As arvores co’as róchas se variem.</span><br> -<span style="margin-left: 2em;">Não tens tambem, para formar-lhe a gala</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Não tens do baixo arbusto a folha errante?</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Gósto de ver os dóceis novedios</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Pelos áridos flancos dos penedos</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Em tenrinhos festões ir serpeando;</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Gósto de ver-lhes a escalvada fronte</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Toucar-se de verdura, e ganhar sombras.</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Isto inda he pouco. Hum valle entre estas penhas,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Hum valle precioso, hum chão mais grato</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Ri-se a teus olhos? Aproveita-o, mostra,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Expoem esta riqueza inesperada.</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">He feliz, singular este contraste,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">He a esterilidade, ella, que hum breve</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Espaço apetecivel de terreno</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Cede á fertilidade: assim subjugas</span><br> -<span class="pagenum" id="Page_82">[Pg 82]</span><span style="margin-left: 1em;">O aspérrimo caracter dos rochedos.</span><br> -<span class="pagenum" id="Page_83">[Pg 83]</span><span style="margin-left: 2em;">Para agradar-te he força ornallos sempre?</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Não; se a arte deve o horror sempre adoçar-lhes,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Consente ás vezes que o pavor inspirem,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Favorece-os até. Na extremidade</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">De hum precipicio huma cabana eleva,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">E com ella augmentado elle parece:</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Ponte audaz de hum rochedo a outro lança;</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Eu tremo ao vêllos, e a medonho abysmo</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Imminente me põem a fantasia.</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Lembrão-me esses boatos populares,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Os casos de perdidos Passageiros,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">D’Amantes despenhados: contos velhos</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Que, prendendo attenção maravilhada,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Á credula Aldeã serões encurtão;</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">E o terror do lugar ajuda a crença.</span><br> -<span style="margin-left: 2em;">Porém com sobriedade usar se deve</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Destes grandes effeitos. A tão duras,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Tão agras commoções, abalos doces,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Molle socego o coração prefere:</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Eu exprimento em mim que das montanhas</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Me he preciso baixar aos ledos valles.</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Tenho-os de flores, de arvores coberto:</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Tempo he que á sombra dellas manem agoas.</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Bem: já que os cimos vossos, nus outr’hora,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Pelas minhas lições estão vestidos</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Tão ricamente, oh róchas, franqueai-me</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">As subterraneas, íntimas origens:</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Rios, arroyos, vós, vós, lagos, fontes,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Vinde, espraiai frescura, e vida em tudo.</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Ah! Que prazer substituir-vos póde?</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Vosso contente, luzidio aspecto</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Se de perto entretem, convida ao longe.</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Sois o primeiro objecto que se busca,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">O ultimo que se deixa. As agoas vossas</span><br> -<span class="pagenum" id="Page_84">[Pg 84]</span><span style="margin-left: 1em;">Fertilizando a Terra, o Ceo duplicão.</span><br> -<span class="pagenum" id="Page_85">[Pg 85]</span><span style="margin-left: 1em;">Os ouvidos encanta, encanta os olhos</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Vosso cristal, vosso murmùreo. Ah! vinde;</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Dado seja a meus versos, que vos seguem,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Correr do coração mais tentadores,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Mais abundantes que o principio vosso;</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Mais leves do que os Zéfyros, que dobrão</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Vossos canaviais; e brandos, puros</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Como esse rumorzinho, essa corrente.</span><br> -<span style="margin-left: 2em;">Tu, senhor destas agoas bemfeitoras,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Venera-lhe o pendor, té o capricho;</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Nos livres gyros seus vê como abração</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Facilmente das margens os contórnos.</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">E ousas, encarcerando-lhe a brandura,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Os tortuosos passos constranger-lhe!</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">De que lhe serve o marmore em que he preza?</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Não vês co’a longa trança entregue aos ventos,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Sem arte alguma, sem postiço adorno,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Campestre, prazenteira, ingénua Moça</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Andar, correr, saltar! A graça della</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Está no solto, natural meneio.</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Contempla n’um Serralho a Formosura.</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Ella deslumbra em vão, debalde ostenta</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">A pompa oriental, brilho estudado:</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Hum triste não sei que, na face impresso,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Lhe argue a sujeição, desbota as graças.</span><br> -<span style="margin-left: 2em;">A agoa mantenha a liberdade que ama,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Ou muda-lhe em belleza o cativeiro.</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Assim, contra Morel, cuja eloquente,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">E ponderosa vóz pleitear soube</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Os direitos da simples Natureza,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Gósto das agoas, que em canaes opressas,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Com rápida violencia partem, saltão.</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Ao ver esses cristais, que arte atrevida</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Da Terra faz brotar, e aos ares lança,</span><br> -<span class="pagenum" id="Page_86">[Pg 86]</span><span style="margin-left: 1em;">O Homem diz: «eu criei estes portentos:»</span><br> -<span class="pagenum" id="Page_87">[Pg 87]</span><span style="margin-left: 1em;">E em tais prestigios a arte sua admira.</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Nos custosos jardins dos Reis, dos Grandes</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Reluzão, pois; mas, outra vez o digo,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Longe os luxos plebêos, o vergonhoso,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Mesquinho jácto de agoa, que da Terra</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Mal ousando arredar-se, apenas sóbe,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">E em minima distancia morre logo.</span><br> -<span style="margin-left: 2em;">Tudo a tanta riqueza corresponda;</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Tudo grangêe á roda hum ar de encanto.</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Os olhos persuade, e o pensamento</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">De que vara eficaz em mão de Fada</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Formára para a Dona este retiro.</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Tàl eu vi de Saint Cloud o amavel bosque.</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Póde a vista medir do jacto a altura?</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Como que aplaudem tanques, grutas, plantas</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">As agoas, que sobre agoas cahem, fervem;</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">O ar he mais fresco alli, mais verde a relva,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Das aves o gorgeio alli se aviva</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Ao som das vitreas ondas, que baquêão;</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">E, as rociadas testas inclinando,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Como que ao doce orvalho os bosques se abrem.</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Não menos bella, mais campestre, e simples</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">A cascata ornará lugar mais tosco.</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">De longe se ouve, admira-se de perto</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Lympha sempre a cahir, sempre suspensa;</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">E vária, e magestosa, anima a hum tempo</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Os rochedos, a terra, agoas, e bosques.</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Emprega, pois, esta arte; porém longe</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Esses tristes degráos, onde, cahindo</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Com movimento igual, medida certa,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">As ondas, bem que vão precipitadas,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Até no seu furor seus passos contão.</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Só tem jus de aprazer a variedade.</span><br> -<span style="margin-left: 2em;">Goza mais de hum caracter a cascata.</span><br> -<span class="pagenum" id="Page_88">[Pg 88]</span><span style="margin-left: 1em;">Ora em tumulto as agoas despenhadas</span><br> -<span class="pagenum" id="Page_89">[Pg 89]</span><span style="margin-left: 1em;">No tortuoso leito, correm, cahem,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Saltão, recahem, e escumão, e esbravêão,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Ora de espaço desdobrando as ondas,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Puro, calado, remansinho ameno</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Em azul véo se esparge. Os olhos folgão</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">De ver estes gentis Anfiteatros,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">De ver sobre as ceruleas espadanas</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Reflectir, scintilar o oiro diurno;</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Tambem lhe apraz a escuridão das penhas,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">E a verdura das canas, e a espumosa</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Argentea côr das agoas fugidias.</span><br> -<span style="margin-left: 2em;">Consulta, pois, Artifice, os effeitos</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Que intentas produzir. As lymphas, promptas</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Sempre a deixar guiar-se, hão de offrecer-te,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Quer mais impetuosas, quer mais lentas,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Quadros benignos, ou soberbos quadros,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Graves, ou deleitosos: quadros, n’alma</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Sempre efficazes. Que mortal não próva</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">A profunda impressão que vem das ondas?</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Sempre, ou viva corrente arrebatada</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Sobre seixos murmure, e ferva, e salte,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Ou ribeira indolente sobre o lodo</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Em paz alargue as agoas preguiçosas,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Ou torrente feróz entre penedos</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Quebre com rijo estrondo, alegre, triste</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">A sua correnteza excita, applaca,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Ameaça, ou amima. Escuto á fama</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Que de Vénus o cinto milagroso</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Amores, e desejos incluia,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">E o prazer, e a esperança, precursôra</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">De inefaveis delicias. O teu cinto</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">He, divina Cybele, he agoa: nella,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Não menos poderosa, estão complexos</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Terror, perturbação, tristeza, e riso.</span><br> -<span class="pagenum" id="Page_90">[Pg 90]</span><span style="margin-left: 1em;">Quem melhor o sentio do que a minha alma?</span><br> -<span class="pagenum" id="Page_91">[Pg 91]</span><span style="margin-left: 1em;">Quem o soube melhor? Mil, e mil vezes</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Quando azedos, escuros pezadumes,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Inda mais pela noite enegrecidos,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Vinhão martyrizar-me o pensamento,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Se ouvia os passos de visinho arroyo,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Demandava estes sons consoladores.</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Das agoas a frescura, a vóz das agoas</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Cuidados, afflicções me adormecião,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">E a paz do coração resuscitava:</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Tanto d’agoa o murmureo n’alma influe!</span><br> -<span style="margin-left: 2em;">Em paga de tão gratos beneficios,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Sofre, oh ribeiro, que a arte, sem, comtudo,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Muito se assoberbar, te aformosêe,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Se he que aformosear-te acaso póde.</span><br> -<span style="margin-left: 2em;">Não quadra a vasto plano hum rio escasso:</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Seu leito incerta linha alli traçára.</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">A timida corrente á luz se furta,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">E quer banhar hum bosquezinho escuso.</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Sua doce carreira adorna as selvas,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Só ellas o namorão. Seus caprichos</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Lá com todo o vagar seguir-se pódem,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Seus gyros, seu pendor, seu lindo estorvo,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">A cólera, o fervor das bellas ondas,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Tornadas pelo obstáculo mais bellas.</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Ora num álveo concavo, e sombrio</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Co’a ramada que o cobre, elle recata</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">O cabedal agreste, ora presenta</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Em patente canal o espelho á vista:</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Sem vello o escuto, ou sem ouvillo o vejo.</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Alli meigos cristais abração Ilhas,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Além se torna em dois o leve arroyo,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Em dois, que nas carreiras competindo,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Apóstão rapidez, e claridade;</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">E ambos depois no leito, que os ajunta</span><br> -<span class="pagenum" id="Page_92">[Pg 92]</span><span style="margin-left: 1em;">De andarem par a par murmurão ledos.</span><br> -<span class="pagenum" id="Page_93">[Pg 93]</span><span style="margin-left: 1em;">Errando sempre assim, de volta em volta,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Mudo, loquaz, pacifico, agitado,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Em mil varios aspectos se renova.</span><br> -<span style="margin-left: 2em;">Mas copiosa ribeira ás frescas margens</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Me está chamando. Em campo mais aberto,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Nobre, e pomposo quadro, as ondas suas</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Ondas menos modestas, vão rolando,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">E co’ fulgor diurno ao longe brilhão.</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Deixa ao regato seu prazer lascivo,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">A sua agitação, e os seus rodeios;</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">E segue caudalosa a curvidade,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">O circuito dos valles sinuosos.</span><br> -<span style="margin-left: 2em;">Se dos bosques o arroyo adorno colhe,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Ama o rio tambem diversas plantas.</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Quer que lhe ornem, lhe assombrem a corrente,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Os descorados chôpos, e os salgueiros</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Meios verdes. Que origem tão fecunda</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">De scenas, de accidentes! Alli gósto</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">De olhar-lhe derrubadas sobre o rio</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">As ramas, e tremer ao movimento</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Das agoas, e dos ares; aqui foge</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Por baixo das abobadas virentes</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">A onda escurecida; além penetra</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Por entre folha, e folha hum tenue lume,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Ora as grenhas se embebem na corrente,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Ora a impede a raiz; e desmandando</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">De huma para outra margem a verdura,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Como que avanção, que outro sitio querem.</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Assim as ondas, e arvores se ajudão,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">A agoa remoça a planta, a planta a enfeita;</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">E ambas fazem, ligando-se em mil fórmas,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Amavel cambio de frescura, e sombra.</span><br> -<span style="margin-left: 2em;">Unillas sabe, pois, ou se em lugares</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Formosos, proprios della, a Natureza</span><br> -<span class="pagenum" id="Page_94">[Pg 94]</span><span style="margin-left: 1em;">Já celebrou sem ti este consorcio,</span><br> -<span class="pagenum" id="Page_95">[Pg 95]</span><span style="margin-left: 1em;">Respeita-a. Desgraçado o que presume</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Excedella no engenho! He tal (e á mente</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">O coração mo traz) tal he o asylo,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Querido Watelet, onde, amansando,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Em sombrios canais se parte o Sena,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">O Sena encantador, tão puro, e livre</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Como a tua moral, como os teus dias,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">E visita em segredo o lar de hum Sabio.</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Com arte lhe acudiste, não com arte</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Temeraria, fallaz, profanadora</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Desses lugares que supõe que adorna.</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Viste, amaste, sentiste a Natureza,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Digno de a ver, de amalla, e de sentilla;</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Tu a trataste como intacta Virgem,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Que da nudez se corre, e teme o ornato.</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Parece-me, que vejo o falso gosto</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Estragar esses campos feiticeiros:</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">«Este moinho, cujo som ruidoso</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Nutre a meditação, he importuno:»</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Dalli o arrancão subito. Estas margens</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Torneadas assim tão brandamente,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">E pelo proprio Sena afeiçoadas,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Duramente se alinhão. A verdura,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Que no seu molle cinto o rio encerra,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Alli já não florece. Agoas queixosas</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Seus lageados cárceres accusão.</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">O marmore fastoso a relva ultraja,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">E tosqueadas arvores cativas</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Os idosos salgueiros desapossão</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Da margem linda, e cara. Ah! suspendei-vos:</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Barbaros; acatai esses lugares;</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">E vós, oh rio, oh bosques deleitosos,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Se a vossa formosura hei retratado,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Se, adolescente ainda, alegres versos</span><br> -<span class="pagenum" id="Page_97">[Pg 97]</span><span style="margin-left: 1em;">Ás agoas, prados, sombras já tecia,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Ministrai longamente, oh rio, oh bosques,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Ao vosso possessor a doce imagem</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Da paz sagrada que em sua alma reina.</span><br> -<span style="margin-left: 2em;">Quanto na molle agilidade o rio</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">De margem angular teme a aspereza,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Tanto as margens agudas ornamento</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">São de estendidos lagos, e o mais bello.</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Ora se avance a Terra ao seio undoso,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Ora abra ás ondas domicilio fundo.</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Com revezado amor assim se chamem,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Se busquem mutuamente Agoas, e Terra:</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Nestes varios aspectos folga a vista.</span><br> -<span style="margin-left: 2em;">A comprida extensão n’um lago se ama;</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Da-lhe sitios, comtudo, em que repouse.</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Não se lhe interrompendo a immensidade,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Meus olhos sem prazer, sem interesse</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Vão pela superficie escorregando.</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Para lhe abreviar o espaço insulso,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Edificio, das calmas venerado,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Nas ondas repetido, assome ao longe,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Ou Ilha que verdeje entre ellas surja:</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">As Ilhas são das agoas summo adorno.</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Ou levanta-lhe as margens, ou viçosas</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Arvores, em festões dispersos, ganhem</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Tua contemplação, teus olhos prendão.</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Se queres produzir opposto effeito,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Se o lago estender queres, manda ás margens</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Mui subidas, que desção, e ou distancia</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Mais arredada os arvoredos tenhão,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Ou faze com que as agoas vão sumir-se</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">N’um denso bosquezinho, e que tornêem</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Ao pé de huma colina. O pensamento</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Por entre estas cortinas de verdura,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Onde desaparecem, vai seguindo</span><br> -<span class="pagenum" id="Page_98">[Pg 98]</span><span style="margin-left: 1em;">As agoas, e as prolonga. Assim teus olhos</span><br> -<span class="pagenum" id="Page_99">[Pg 99]</span><span style="margin-left: 1em;">Gozão do que não vem; dest’arte o Gosto</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Lindezas, perfeições confere a tudo;</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">E de objectos que inventa, e dos que imita</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Descobre, alonga, aperta, esconde o termo.</span><br> -<span style="margin-left: 2em;">Agora que a Arte o meu trabalho insulta</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Em soberbos jardins, nos meus, ditosos,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Liberdade, e prazer tudo respira:</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Rindo-se a relva, a seu sabor viceja,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Independente o bosque, altèa a rama;</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Não temem a tisoira os arvoredos,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Nem flores a esquadria; amão as ondas</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">As margens suas, seu adorno a Terra;</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Tudo he formoso alli, simples, e grande,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Tudo: esta arte he a tua, oh Natureza.</span><br> -<span style="margin-left: 2em;">Porém o lago, o rio estão desertos,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">De Cidadãos se lhe povôe o seio.</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Dem-se-lhe as aves, que com agil remo</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Alados navegantes, a agoa fendem.</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Nella se pavonêa, e nada o Cysne,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">De vanglorioso cóllo, argêntea pluma,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">O Cysne, a que a Ficção deo vóz tão doce,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">E que escusa das Fabulas o auxilio.</span><br> -<span style="margin-left: 2em;">Tambem não tens para animar as agoas,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Oh Arte, esse apparato vacilante</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Dos mastros, e das vélas? Impelida</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">De remo compassado, a leve barca</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Deixa apenas, fugindo, hum tenue rasto,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Que logo se esvaece. Entumecido</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Dos Favonios azuis, sussurra o pano,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">E em cada bandeirinha os ares brincão.</span><br> -<span style="margin-left: 2em;">Pois se a Novela, a Fabula, ou a Historia</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Huma fonte, hum ribeiro consagrárão,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Da sua gloria antiga elles ufanos,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Assás se aformosêão, se atavião</span><br> -<span class="pagenum" id="Page_100">[Pg 100]</span><span style="margin-left: 1em;">Com suaves memorias. Ah! Quem póde,</span><br> -<span class="pagenum" id="Page_101">[Pg 101]</span><span style="margin-left: 1em;">Descobrir, encontrar, sem commover-se,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Arethusa, o Lignon, Alfêo? Quem póde</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Sem cordial saudade olhar Vauclusa?</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Vauclusa, encantamento irresistivel</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Dos Vates, e inda mais dos Amadores,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">No circulo de Montes, que, encurvando</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Sua cadeia, com liquor sadio</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Te alenta a subterranea, doce origem,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Lá debaixo da abobada nativa,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Do antro mysterioso, onde, esquivada</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">A Nynfa tua aos olhos cubiçosos,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Sóme em fundo insondavel teu principio,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Oh quanto me foi grato o ver-te as agoas,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Que, sempre crystalinas, sempre bellas,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Ora n’um lago seus thesoiros fechão,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Ora sobem, fervendo, e lanção fóra</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Ondas, a branquejar por entre as penhas;</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">De cascata em cascata ao longe pulão,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Cahem, e rólão com impeto estrondoso;</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">A cólera depois amaciando,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Por leito mais igual vão docemente;</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">E debaixo de Ceos sempre azulados</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Por cem canais fecundão valle ameno,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Ameno qual nenhum que os Sóes aclárão!</span><br> -<span style="margin-left: 2em;">Mas estes puros Ceos, estas correntes,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Este delicioso, e pingue valle,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Menos o coração me penhoravão</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Do que Petrarca, e Laura. Eis (eu dizia,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Eu dizia a mim mesmo) ah! Eis as margens</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Que a lyra de Petrarca suspirosa</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Outr’hora enfeitiçou! Aqui o Amante</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Via, exprimindo a Laura os seus amores,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Vir devagar o dia, ir-se depressa.</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Inda sobre estas róchas solitarias,</span><br> -<span class="pagenum" id="Page_103">[Pg 103]</span><span style="margin-left: 1em;">Inda, acaso, acharei das cifras de ambos</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Unidos, maviosos caractéres?</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Tocão meus olhos desviada Gruta:</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Ah! dize-me se os vistes venturosos,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Guarida opáca? (eu pronuncio) Hum tronco</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Toldava encanecido á fonte á margem?</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Laura dormido havia á sombra delle.</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Alli por Laura perguntava aos Ecos,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">E os Ecos o seu nome inda sabião.</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Buscaveis, olhos meus, Petrarca, e Laura</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Em toda a parte, e em toda a parte os vieis.</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Erão já morte, e cinza os dois Amantes,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Mas inda com seus Manes amorosos</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Mais bello se tornava o sitio bello.</span><br> -</p> - - -<p class="center p2">FIM DO CANTO TERCEIRO.</p> -<hr class="chap x-ebookmaker-drop"> - -<div class="chapter"> -<p><span class="pagenum" id="Page_104">[Pg 104]</span></p> - -<p class="center p2"><span class="figcenter" id="img004a"> -<img src="images/004.jpg" class="w50" alt="Imagem decorativa"> -</span></p> -<h2 class="nobreak" id="CHANT_QUATRIEME">LES JARDINS,<br><span class="small">POÈME,</span></h2> -</div> - -<hr class="r5"> -<p class="center big">CHANT QUATRIEME.</p> -<hr class="r5"> - - - -<p class="poetry"> -<span style="margin-left: 2em;">Non, je ne puis quitter le spectacle des champs.</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Eh qui dédaigneroit ce sujet de mes chants?</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Il inspiroit Virgile, il séduisoit Homère.</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Homère, qui d’Achille a chanté la colère,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Qui nous peint la terreur attelant ses coursiers,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Le vol sifflant des dards, le choc des boucliers,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Le trident de Neptune ebranlant les murailles,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Se plait á rappeller au milieu des batailles</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Les bois, les prés, les champs; et de ces frais tableaux</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Les riantes couleurs délassent ses pinceaux.</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Et, lorsque pour Achille il prépare des armes,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">S’il y grave d’abord les siéges, les alarmes,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Le vainqueur tout poudreux, le vaincu tout sanglant,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Sa main trace bientôt d’un burin consolant</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">La vigne, les troupeaux, les bois, les pâturages.</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Le héros se revêt de ces douces images,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Part, et porte à travers les affreux bataillons</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">L’innocente vendange, et les riches moissons.</span><br> -<span style="margin-left: 2em;">Chantre divin, je laisse à tes muses altières</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Le soin de diriger ces phalanges guerrières;</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Diriger les jardins est mon paisible emploi.</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Déjá le sol docile a reconnu ma loi;</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Des gazons l’ont couvert, et de sa main vermeille</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Flore sur leur tapis a versé sa corbeille.</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Des bois ont couronné les rochers, et les eaux.</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Maintenant, pour jouir de ces brillans tableaux,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Dans ces champs découverts, sous ces obscures voûtes</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">D’agréables sentiers vont me frayer des routes.</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Des scènes á ma voix naitront de toutes parts;</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Pour les orner enfin j’y conduirai les arts,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Et le ciseau divin, la noble architecture</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Vont de ces lieux charmans achever la parure.</span><br> -<span style="margin-left: 2em;">Les sentiers, de nos pas guides ingénieux,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Doivent, en les montrant, nous embellir ces lieux.</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Dans vos jardins naissans je défends qu’on les trace.</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Dans vos plants achevés l’œil choisit mieux leur place,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Vers les plus beaux aspects sachez les diriger.</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Voyez, lorsque vous-même aux yeux de l’étranger</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Vous montrez vos travaux, votre art avec adresse</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Va chercher ce qui plait, évite ce qui blesse,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Lui découvre en passant des sites enchantés,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Lui réserve au retour de nouvelles beautés,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">De surprise en surprise, et l’amuse, et l’entraine,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">D’une scène qui nait fait naitre une autre scène,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Et toujours remplissant ou piquant son desir,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Souvent, pour l’augmenter, diffère son plaisir.</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Eh bien! que vos sentiers vous imitent vous-même.</span><br> -<span style="margin-left: 2em;">Dans leurs formes encor fuyez tout vain systême,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Enfant du mauvais goût, par la mode adopté.</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">La mode règne aux champs, ainsi qu’-á la cité.</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Quand de leur symmétrique, et pompeuse ordonnance</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Les jardins d’Italie eurent charmé la France,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Tout de cet art brillant fut prompt á s’éblouir:</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Pas un arbre au cordeau n’osa désobéir;</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Tout s’aligna. Par-tout, en deux rangs étalées,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">S’allongèrent sans fin d’éternelles allées.</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Autre temps, autre goût. Enfin le parc Anglais</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">D’une beauté plus libre avertit le François.</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Dès-lors on ne vit plus que lignes ondoyantes,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Que sentiers tortueux, que routes tournoyantes.</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Lassé d’errer, en vain le terme est devant moi;</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Il faut encor errer, serpenter malgré soi,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Et, maudissant vingt fois votre importune adresse,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Suivre sans cesse un but qui recule sans cesse.</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Evitez ces excès; tout excès dure peu.</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">De ces sentiers divers chaque genre a son lieu.</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">L’un conduit aux aspects dont la grandeur frappante</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">De loin fixe mes yeux, et nourrit mon attente.</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">L’autre m’égarera dans ces réduits secrets</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Qu’un art mystérieux semble voiler exprés.</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Mais rendez naturel ce Dédale factice.</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Qu’il ait l’air du besoin, et non pas du caprice.</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Que divers accidens rencontrés dans son cours.</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Les bois, les eaux, le sol commandent ces detours.</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Dans leur forme j’exige une heureuse souplesse.</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Des longs alignemens si je hais la tristesse,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Je hais bien plus encor le cours embarrassé</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">D’un sentier qui, pareil á ce serpent blessé,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">En replis convulsifs sans cesse s’entrelace.</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">De détours redoublés m’inquiète, me lasse,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Et, sans variété, brusque, et capricieux,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Tourmente, et le terrein, et mes pas, et mes yeux.</span><br> -<span style="margin-left: 2em;">Il est des plis heureux, des courbes naturelles</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Dont les champs quelquefois vous offrent des modèles.</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">La route de ces chars, la trace des troupeaux,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Qui d’un pas négligent regagnent les hameaux,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">La bergère indolente, et qui dans les prairies</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Semble suivre au hasard ses tendres rêveries;</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Vous enseignent ces plis mollement onduleux.</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Loin donc de vos sentiers ces contours anguleux.</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Sur-tout, quand vers le but un long détour vous méne:</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Songez que le plaisir doit racheter la peine.</span><br> -<span style="margin-left: 2em;">Des poétes fameux osez imiter l’art.</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Si leur muse en marchant se permet quelque écart,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Ce détour me rit plus que le chemin lui-même.</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">C’est Nisus défendant Euryale qu’il aime,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">C’est au tombeau d’Hector son Andromaque en pleurs.</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Qu’ainsi votre art m’êgare en de douces erreurs.</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Des plus rians objets égayez le passage,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Et qu’au terme arrivés, votre art nous dédommage</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Par d’aimables aspects, de riches ornemens,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">De ce vivant poéme épisodes charmans.</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Ici, vous m’offrirez des antres verds, et sombres,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Qu’habitent la fraicheur, le silence, et les ombres.</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">L’imagination y devance les yeux.</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Plus loin, c’est un beau lac, qui réfléchit les cieux.</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Tantôt, dans le lointain, confuse, et fugitive,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Se déploie une immense, et noble perspective.</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Quelquefois un bosquet riant, mais recueilli,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Par la nature, et vous richement embelli,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Plein d’ombres, et de fleurs, et d’un luxe champêtre,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Semble dire: «Arrêtez; où pouvez-vous mieux être»?</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Soudain la scéne change: au lieu de la gaieté,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">C’est la mélancolie, et la tranquillité;</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">C’est le calme imposant des lieux où sont nourries</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">La méditation, les longues rêveries.</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Lá, l’homme avec son cœur revient s’entretenir,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Médite le présent, plonge dans l’avenir,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Songe aux biens, songe aux maux épars dans sa carriére;</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Quelquefois, rejettant ses regards en arriére,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Se plait á distinguer dans le cercle des jours</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Ce peu d’instans, hélas! et si chers, et si courts,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Ces fleurs dans un désert, ces tems où le raméne</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Le regret du bonheur, et même de la peine.</span><br> -<span style="margin-left: 2em;">Craignez donc d’imiter ces froids décorateurs</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Qui ne veulent jamais que des objets flatteurs.</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Jamais rien de hardi dans leurs froids paysages:</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Par-tout de frais berceaux, et d’elégans bocages,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Toujours des fleurs, toujours des festons; c’est toujours</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Ou le temple de Flore, ou celui des Amours.</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Leur gaieté monotone à la fin m’importune.</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Mais vous, osez sortir de la route commune.</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Inventez, hasardez des contrastes heureux;</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Des effets opposés peuvent s’aider entr’eux.</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Imitez le Poussin. Aux fêtes bocagères,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Il nous peint des bergers, et de jeunes bergères,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Les bras entrelacés dansant sous des ormeaux,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Et près d’eux une tombe où sont écrits ces mots:</span><br> -<span style="margin-left: 1em;"><i>Et moi, je fus aussi pasteur dans l’Arcadie</i>.</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Ce tableau des plaisirs, du néant de la vie,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Semble dire: «Mortels, hâtez-vous de jouir;</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Jeux, danses, et bergers, tout va s’évanouir.»</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Et dans l’ame attendrie, á la vive alégresse</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Succéde par dégrés une douce tristesse.</span><br> -<span style="margin-left: 2em;">Imitez ces effets. Dans de rians tableaux</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Ne craignez point d’offrir des urnes, des tombeaux,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">D’offrir de vos douleurs le monument fidèle.</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Eh! qui n’a pas pleuré quelque perte cruelle?</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Loin du monde léger venez donc á vos pleurs,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Venez associer les bois, les eaux, les fleurs.</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Tout devient un ami pour les ames sensibles:</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Déjá, pour l’embrasser de leurs ombres paisibles,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Se penchent sur la tombe, objet de vos regrets,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">L’if, le sombre sapin; et toi, triste cyprés,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Fidéle ami des morts, protecteur de leur cendre.</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Ta tige, chére au cœur mélancolique, et tendre,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Laisse la joie au myrte, et la gloire au laurier;</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Tu n’es point l’arbre heureux de l’amant, du guerrier,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Je le sais; mais ton deuil compâtit á nos peines.</span><br> -<span style="margin-left: 2em;">Dans tous ces monumens point de recherches vaines:</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Pouvez-vous allier dans ces objets touchans</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">L’art avec la douleur, le luxe avec les champs?</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Sur-tout ne feignez rien. Loin ce cercueil factice,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Ces urnes sans douleur, que plaça le caprice.</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Loin ces vains monumens d’un chien ou d’un oiseau:</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">C’est profaner le deuil, insulter au tombeau.</span><br> -<span style="margin-left: 2em;">Ah! si d’aucun ami vous n’honorez la cendre,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Voyez sous ces vieux ifs la tombe où vont se rendre</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Ceux qui, courbés pour vous sur des sillons ingrats,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Au sein de la misére espérent le trépas.</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Rougiriez-vous d’orner leurs humbles sépultures?</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Vous n’y pouvez graver d’illustres aventures,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Sans doute. Depuis l’aube, oú le coq matinal</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Des rustiques travaux leur donne le signal,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Jusques á la veillée, ou leur jeune famille</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Environne avec eux le sarment qui pétille,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Dans les mèmes travaux roulent en paix leurs jours.</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Des guerres, des traités n’en marquent point le cours.</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Naitre, souffrir, mourir, c’est toute leur histoire.</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Mais leur cœur n’est point sourd au bruit de leur mémoire.</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Quel homme vers la vie, au moment du départ,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Ne se tourne, et ne jette un triste, et long regard,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">A l’espoir d’un regret ne sent pas quelque charme,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Et des yeux d’un ami n’attend pas une larme?</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Pour consoler leur vie honorez donc leur mort.</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Celui qui, de son rang faisant rougir le sort,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Servit son Dieu, son Roi, son pays, sa famille,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Qui grava la pudeur sur le front de sa fille,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">D’une pierre moins brute honorez son tombeau;</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Tracez y ses vertus, et les pleurs du hameau;</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Qu’on y lise: <i>Ci git le bon fils, le bon père,</i></span><br> -<span style="margin-left: 1em;"><i>Le bon époux</i>. Souvent un charme involontaire</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Vers ces enclos sacrés appellera vos yeux.</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Et toi qui vins chanter sous ces arbres pieux,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Avant de les quitter, Muse, que ta guirlande</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Demeure á leurs rameaux suspendue en offrande.</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Que d’autres dans leurs vers célébrent la beauté;</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Que leur Muse, toujours ivre de volupté,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Ne se montre jamais qu’un myrte sur la tête,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Qu’avec ses chants de joie, et ses habits de fête;</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Toi, tu dis au tombeau des chants consolateurs,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Et ta main la premiére y jetta quelques fleurs.</span><br> -<span style="margin-left: 2em;">Revenons, il est temps, sous de plus gais ombrages.</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">L’architecture encore au fond de ces bocages</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">M’attend, pour les orner d’édifices charmans.</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Ce ne sont plus du deuil les tristes monumens;</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Ce sont d’heureux réduits, qui parmi la verdure</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Offrent sous mille aspects leur riante parure.</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Mais j’en permets l’usage, et j’en proscris l’abus.</span><br> -<span style="margin-left: 2em;">Bannissez des jardins tout cet amas confus</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">D’edifices divers, prodigués par la mode,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Obélisque, rotonde, et kiosk, et pagode,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Ces bâtimens Romains, Grecs, Arabes, Chinois,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Chaos d’architecture, et sans but, et sans choix,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Dont la profusion stérilement féconde</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Enferme en un jardin les quatre parts du monde.</span><br> -<span style="margin-left: 2em;">N’y cherchez pas non plus un oisif ornement,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Et sous l’utilité déguisez l’agrément.</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">La ferme, le trésor, le plaisir de son maitre,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Réclamera d’abord sa parure champêtre.</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Que l’orgueilleux château ne la dédaigne pas;</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Il lui doit sa richesse; et ses simples appas</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">L’emportent sur son luxe, autant que l’art d’Armide</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Céde au souris naif d’une vierge timide.</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">La ferme! A ce seul nom les moissons, les vergers,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Le régne pastoral, les doux soins des bergers,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Ces biens de l’âge d’or, dont l’image chérie</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Plut tant á mon enfance, âge d’or de la vie,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Réveillent dans mon cœur mille regrets touchans.</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Venez; de vos oiseaux j’entends déja les chants;</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">J’entends rouler les chars qui trainent l’abondance,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Et le bruit des fléaux qui tombent en cadence.</span><br> -<span style="margin-left: 2em;">Ornez donc ce séjour. Mais, absurde á grands frais,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">N’allez paz ériger une ferme en palais.</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Elégante á la fois, et simple dans son style,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">La ferme est aux jardins cequ’aux vers est l’Idylle.</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Ah! par les dieux des champs, que le luxe effronté</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">De ce modeste lieu soit toujours rejetté.</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">N’allez pas déguiser vos pressoirs, et vos granges.</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Je veux voir l’appareil des moissons, des vendanges.</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Que le crible, le van, où le froment doré</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Bondit avec la paille, et retombe épuré,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">La herse, les traineaux, tout l’attirail champêtre</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Sans honte à mes regards osent ici paroître.</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Sur-tout, des animaux que le tableau mouvant</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Au-dedans, au-dehors lui donne un air vivant.</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Ce n’est plus du château la parure stérile,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">La grace inanimée, et la pompe immobile:</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Tout vit, tout est peuplé dans ces murs, sous ces toits.</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Que d’oiseaux différens, et d’instinct, et de voix,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Habitants sous l’ardoise, ou la tuile, ou le chaume,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Famille, nation, république, royaume,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">M’occupent de leurs mœurs, m’amusent de leurs jeux!</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">A leur tête est le coq, père, amant, chef heureux,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Qui, roi sans tyrannie, et sultan sans mollesse,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">A son sérail ailé prodiguant sa tendresse,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Aux droits de la valeur joint ceux de la beauté,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Commande avec douceur, caresse avec fierté,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Et fait pour les plaisirs, et l’empire, et la gloire,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Aime, combat, triomphe, et chante sa victoire.</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Vous aimerez á voir leurs jeux, et leurs combats,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Leurs haines, leurs amours, et jusqu’á leurs repas.</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">La corbeille á la main, la sage ménagére</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">A peine a reparu; la nation légére</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Du sommet de ses tours, du penchaut de ses toits</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">En tourbillons bruyans descend toute á la fois:</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">La foule avide en cercle autour d’elle se presse;</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">D’autres, toujours chassés, et revenant sans cesse,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Assiégent la corbeille, et jusques dans la main,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Parasites hardis, viennent ravir le grain.</span><br> -<span style="margin-left: 2em;">Soignez donc, protégez ce peuple domestique.</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Que leur logis soit sain, et non pas magnifique.</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Que lui font des réduits richement décorés,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Le marbre des bassins, les grillages dorés?</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Un seul grain de millet leur plairoit davantage.</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">La Fontaine l’a dit. O véritable sage!</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">La Fontaine, c’est toi qu’il faudroit en ces lieux;</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Chantre heureux de l’instinct, ils t’inspireroient mieux.</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Le paon, fier d’étaler l’iris qui le décore,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Du dindon rengorgé l’orgueil plus sot encore,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Pourroient á nos dépens égayer ton pinceau.</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Lá, de tes deux pigeons tu verrois le tableau,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Et deux coqs amoureux, á la discorde en proie,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Te feroient dire encore: «Amour, tu perdis Troie»!</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Ainsi nous plait la ferme, et son air animé.</span><br> -<span style="margin-left: 2em;">Dans cet autre réduit, quel peuple renfermé</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">De ses cris inconnus a frappé mes oreilles?</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Lá, sont des animaux, étrangères merveilles,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Lá, dans un doux exil vivent emprisonnés</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Quadrupèdes, oiseaux, l’un de l’autre étonnés.</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">N’allez point rechercher les espèces bizarres.</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Préférez les plus beaux, et non pas les plus rares.</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Offrez-nous ces oiseaux qui, nés sous d’autres cieux,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Favoris du soleil, brillent de tous ses feux,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">L’or pourpré du faisan, l’émail de la pintade.</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Logez plus richement ces oiseaux de parade;</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Eux-mêmes sont un luxe, et puisque leur beauté</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Rachette á vos regards leur inutilité,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">De ces captifs brillans que les prisons soient belles.</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Sur tout, ne m’offrez point ces animaux rebelles,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">De qui l’orgueil s’indigne, et languit dans nos fers.</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Eh! quel œil sans regret peut voir le roi des airs,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">L’aigle, qui se jouoit au milieu de l’orage,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Oublier aujourd’hui dans une indigne cage</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">La fierté de son vol, et l’eclair de ses yeux?</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Rendez-lui le soleil, et la voûte des cieux:</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Un être degradé ne peut jamais nous plaire.</span><br> -<span style="margin-left: 2em;">Mais tandis qu’etalant leur parure etrangère,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Ces hôtes differens semblent briguer mon choix,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Mon odorat charmé m’appelle sous ces toits</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Ou, de même exilés, et ravis á leur terre,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">D’etrangers vegetaux habitent sous le verre.</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Entourez d’un air doux ces frêles nourrissons.</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Mais, vainqueur des climats, respectez les saisons;</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Ne forcez point d’eclore, au sein de la froidure,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Des biens qu’à d’autres temps destinoit la nature.</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Laissez aux lieux fletris par des hivers constans</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Ces fruits d’un faux eté, ces fleurs d’un faux printemps;</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Et lorsque le soleil va mûrir vos richesses,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Sans forcer ses presens, attendez ses largesses.</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Mais j’aime á voir ces toits, ces abris transparens</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Receler des climats les tributs differens,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Cet asyle enhardir le jasmin d’Iberie,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">La pervanche frileuse oublier sa patrie,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Et le jeune ananas par ces chaleurs trompé</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Vous livrer de son fruit le trésor usurpé.</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Motivez donc toujours vos divers edifices,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Des animaux, des fleurs agréables hospices.</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Combien d’autres encore, adoptés par les lieux,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Approuvés par le goût, peuvent charmer nos yeux!</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Sous ces saules, que baigne une onde salutaire,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Je placerois du bain l’asyle solitaire.</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Plus loin, une cabane où regne la fraicheur,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Offriroit les filets, et la ligne au pêcheur.</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Vous voyez de ce bois la douce solitude;</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">J’y consacre un asyle aux Muses, á l’etude.</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Dans ce majestueux, et long enfoncement</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">J’ordonne un obelisque, auguste monument.</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Il s’elève, et j’ecris sur la pierre attendrie:</span><br> -<span style="margin-left: 1em;"><i>A nos braves Marins, mourans pour la Patrie</i>.</span><br> -<span style="margin-left: 2em;">Ainsi vos bâtimens, vos asyles divers</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Ne seront point oisifs, ne seront point deserts.</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Au site assortissez leur figure, leur masse.</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Que chacun avec goût etabli dans sa place,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Jamais trop resserré, jamais trop etendu,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">N’eclipse point la scene, et n’y soit point perdu.</span><br> -<span style="margin-left: 2em;">Sachez ce qui convient, ou nuit au caractere.</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Un reduit ecarte dans un lieu solitaire</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Peint mieux la solitude encore, et l’abandon.</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Montrez-vous donc fidele á chaque expression.</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">N’allez pas au grand jour offrir un hermitage,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Ne cachez point un temple au fond d’un bois sauvage;</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Un temple veut paroitre au penchant d’un côteau.</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Son site aerien repand dans le tableau</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">L’eclat, la majesté, le mouvement, la vie.</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Je crois voir un aspect de la belle Ausonie.</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Telle est des bâtimens la grace, et la beauté.</span><br> -<span style="margin-left: 2em;">Mais de ces monumens la brillante gaieté,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Et leur luxe moderne, et leur fraiche jeunesse,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Des antiques debris valent-ils la vieillesse?</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">L’aspect désordonné de ces grands corps épars,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Leur forme pittoresque attache les regards.</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Par eux le cours des ans est marqué sur la terre.</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Détruits par les volcans, ou l’orage, ou la guerre,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Ils instruisent toujours, consolent quelquefois.</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Ces masses que du temps sentent aussi le poids,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Enseignent à céder à ce commun ravage,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">A pardonner au sort. Telle jadis Carthage</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Vit sur ses murs détruits Marius malheureux,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Et ces deux grands débris se consoloient entr’eux,</span><br> -<span style="margin-left: 2em;">Liez donc á vos plans ces vénérables restes.</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Et toi, qui m’égarant dans ces sites agrestes,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Bien loin des lieux frayés, des vulgaires chemins,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Par des sentiers nouveaux guides l’art des jardins,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">O sœur de la Peinture, aimable Poésie,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">A ces vieux monumens viens redonner la vie:</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Viens présenter au goût ces riches accidens,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Que de ses lentes mains a dessinés le temps.</span><br> -<span style="margin-left: 2em;">Tantôt, c’est une antique, et modeste chapelle.</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Saint asyle, ou jadis dans la saison nouvelle,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Vierges, femmes, enfans, sur un rustique autel</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Venoient pour les moissons implorer l’Eternel.</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Un long respect consacre encore ces ruines.</span><br> -<span style="margin-left: 2em;">Tantôt, c’est un vieux fort, qui, du haut des collines,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Tyran de la contrée, effroi de ses vassaux,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Portoit jusques au ciel l’orgueil de ses creneaux;</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Qui, dans ces temps affreux de discorde, et d’alarmes,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Vit les grands coups de lance, et les nobles faits d’armes</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">De nos preux Chevaliers, des Baiards, des Henris;</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Aujourd’hui la moisson flotte sur ses débris.</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Ces débris, cette mâle, et triste architecture,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Qu’environne une fraiche, et riante verdure,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Ces angles, ces glacis, ces vieux restes de tours,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Où l’oiseau couve en paix le fruit de ses amours,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Et ces troupeaux peuplant ces enceintes guerrières,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Et l’enfant qui se joue où combattoient ses pères;</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Saisissez ce contraste, et déployez aux yeux</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Ce tableau doux, et fier, champêtre, et belliqueux.</span><br> -<span style="margin-left: 2em;">Plus loin, une abbaye antique, abandonnée,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Tout-á-coup s’offre aux yeux de bois environnée.</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Quel silence! C’est lá qu’amante du désert</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">La méditation avec plaisir se perd</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Sous ces portiques saints, où des vierges austéres,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Jadis, comme ces feux, ces lampes solitaires,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Dont les mornes clartés veillent dans le saint lieu,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Pâles, veilloient, brûloient, se consumoient pour Dieu.</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Le saint recueillement, la paisible innocence</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Semble encor de ces lieux habiter le silence.</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">La mousse de ces murs, ce dôme, cette tour,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Les arcs de ce long cloitre impénétrable au jour,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Les dégrés de l’autel usés par la prière,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Ces noirs vitraux, ce sombre, et profond sanctuaire,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Où peut-être des cœurs en secret malheureux</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">A l’inflexible autel se plaignoient de leurs nœuds,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Et pour des souvenirs encor trop pleins de charmes,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">A la religion déroboient quelques larmes;</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Tout parle, tout émeut dans ce séjour sacré.</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Lá, dans la solitude en rêvant égaré,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Quelquefois vous croirez, au déclin d’un jour sombre,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">D’une Héloise en pleurs entendre gémir l’ombre.</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Mettez donc á profit ces restes précieux,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Augustes ou touchans, profanes ou pieux.</span><br> -<span style="margin-left: 2em;">Mais loin ces monumens dont la ruine feinte</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Imite mal du temps l’inimitable empreinte,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Tous ces temples anciens récemment contrefaits,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Ces restes d’un château qui n’exista jamais,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Ces vieux ponts nés d’hier, et cette tour gothique</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Ayant l’air délabré, sans avoir l’air antique,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Artifice á la fois impuissant, et grossier.</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Je crois voir cet enfant tristement grimacier,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Qui, jouant la vieillesse, et ridant son visage,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Perd, sans paroitre vieux, les graces du jeune âge.</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Mais un débris réel intéresse mes yeux,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Jadis contemporain de nos simples aieux,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">J’aime á l’interroger, je me plais á le croire.</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Des peuples, et des temps il me redit l’histoire.</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Plus ces temps sont fameux, plus ces peuples sont grands,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Et plus j’admirerai ces restes imposans.</span><br> -<span style="margin-left: 2em;">O champs de l’Italie! ô campagnes de Rome,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Ou dans tout son orgueil git le néant de l’homme!</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">C’est lá que des débris fameux par de grands noms,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Pleins de grands souvenirs, et de hautes leçons,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Vous offrent ces aspects, trésors des paysages.</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Voyez de toutes parts, comme le cours des âges</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Dispersant, déchirant de précieux lambeaux,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Jettant temple sur temple, et tombeaux sur tombeaux,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">De Rome étale au loin la ruine immortelle;</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Ces portiques, ces arcs, où la pierre fidelle</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Garde du peuple-roi les exploits éclatans;</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Leur masse indestructible a fatigué le temps.</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Des fleuves suspendus ici mugissoit l’onde;</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Sous ces portes passoient les dépouilles du monde;</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Par-tout confusément dans la poussière épars,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Les thermes, les palais, les tombeaux des Césars,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Tandis que de Virgile, et d’Ovide, et d’Horace,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">La douce illusion nous montre encor la trace.</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Heureux, cent fois heureux l’artiste des jardins,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Dont l’art peut s’emparer de ces restes divins!</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Déjá la main du temps sourdement le seconde;</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Déjá sur les grandeurs de ces maitres du monde</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">La nature se plait á reprendre ses droits.</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Au lieu même ou Pompée, heureux vainqueur des Rois,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Etaloit tant de faste, ainsi qu’aux jours d’Evandre,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">La flute des bergers revient se faire entendre.</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Voyez rire ces champs au laboureur rendus,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Sur ces combles tremblans ces chevreaux suspendus,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">L’orgueilleux obélisque au loin couché sur l’herbe,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">L’humble ronce embrassant la colonne superbe;</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Ces forêts d’arbrisseaux, de plantes, de buissons,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Montant, tombant en grappe, en touffes, en festons;</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Par le souffle des vents semés sur ces ruines,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Le figuier, l’olivier, de leurs foibles racines</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Achèvent d’ebranler l’ouvrage des Romains;</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Et la vigne flexible, et le lierre aux cent mains,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Autour de ces débris rampant avec souplesse,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Semblent vouloir cacher, ou parer leur vieillesse.</span><br> -<span style="margin-left: 2em;">Que si vous n’avez pas ces restes renommés,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">N’avez-vous pas du moins ces bronzes animés,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Et ces membres vivans, déités des vieux âges,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Où l’art seul fut divin, et força les hommages?</span><br> -<span style="margin-left: 2em;">Je sais qu’un goût sévère a voulu des jardins</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Exiler tous ces dieux des Grecs, et des Romains.</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Et pourquoi? Dans Athène, et dans Rome nourrie,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Notre enfance a connu leur riante Féerie.</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Ces dieux n’étoient-ils pas laboureurs, et bergers?</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Pourquoi donc leur fermer vos bois, et vos vergers?</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Sans Pomone, vos fruits oseront-ils éclore?</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">De l’empire des fleurs pouvez-vous chasser Flore?</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Ah! que ces dieux toujours enchantent nos regards!</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">L’idolâtrie encore est le culte des arts.</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Mais que l’art soit parfait; loin des jardins qu’on chasse</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Ces dieux sans majesté, ces déesses sans grace.</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">A chaque déité choisissez son vrai lieu.</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Qu’un dieu n’usurpe pas les droits d’un autre dieu.</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Laissez Pan dans les bois. D’où vient que ces Naiades,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Que ces Tritons à sec se mêlent aux Dryades?</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Pourquoi ce Nil en vain couronné de roseaux,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Et dont l’urne poudreuse est l’abri des oiseaux?</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Otez-moi ces lions, et ces tigres sauvages:</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Ces monstres me font peur, même dans leurs images,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Et ces tristes Césars, cent fois plus monstres qu’eux,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Aux portes des bosquets sentinelles affreux,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Qui tout hideux encor de soupçons, et de crimes,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Semblent encor de l’œil désigner leurs victimes.</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">De quel droit s’offrent-ils dans ce riant séjour?</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Montrez-moi des mortels plus chers á notre amour.</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">En des lieux consacrés á leur apothéose,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Créez un Elysée où leur ombre repose.</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Loin des profanes yeux, dans des vallons couverts</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">De lauriers odorans, de myrtes toujours verds,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">En marbre de Paros offrez-nous leurs images.</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Qu’une eau lente se plaise á baigner ces bocages,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Et qu’aux ombres du soir mêlant un jour douteux,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Diane aux doux rayons soit l’astre de ces lieux.</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Leur tranquille beauté, sous ces dais de verdure</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">De ces marbres cheris la blancheur tendre, et pure,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Ces grands hommes, leur calme, et simple majesté,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Cette eau silencieuse, image du Léthé,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Qui semble pour leurs cœurs, exempts d’inquiétude,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Rouler l’oubli des maux, et de l’ingratitude,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Ces bois, ce jour mourant sous leur ombrage épais,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Tout des manes heureux y respire la paix.</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Vous donc, n’y consacrez que des vertus tranquilles.</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Loin tous ces conquérans en ravages fertiles:</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Comme ils troubloient le monde, ils troubleroient ces lieux.</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Placez-y les amis des hommes, et des dieux,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Ceux de qui les bienfaits vivent dans la mémoire,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Ces rois dont leurs sujets n’ont point pleuré la gloire;</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Montrez-y Fénelon á notre œil attendri;</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Que Sully s’y relève embrassé par Henri.</span><br> -<span style="margin-left: 2em;">Donnez des fleurs, donnez; j’en couvrirai ces sages</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Qui, dans un noble exil, sur de lointains rivages</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Cherchoient, ou répandoient les arts consolateurs;</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Toi sur-tout, brave Cook, qui, cher á tous les cœurs,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Unis par les regrets la France, et l’Angleterre;</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Toi qui, dans ces climats où le bruit du tonnerre</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Nous annonçoit jadis, Triptolème nouveau,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Apportois le coursier, la brebis, le taureau,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Le soc cultivateur, les arts de ta patrie,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Et des brigands d’Europe expiois la furie.</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Ta voile en arrivant leur annonçoit la paix,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Et ta voile en partant leur laissoit des bienfaits.</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Reçois donc ce tribut d’un enfant de la France.</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Et que fait son pays á ma reconnoissance?</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Ses vertus en ont fait notre concitoyen.</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Imitons notre Roi, digne d’être le sien.</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Hélas! de quoi lui sert que deux fois son audace</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Ait vu des cieux brûlans, fendu des mers de glace;</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Que, des peuples, des vents, des ondes révéré,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Seul sur les vastes mers son vaisseau fût sacré;</span><br> -<br> -<span style="margin-left: 1em;">Que pour lui seul la guerre oubliat ses ravages?</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">L’ami du monde, helas! meurt en proie aux sauvages.</span><br> -<span style="margin-left: 2em;">Vous qui pleurez sa mort, fiers enfants d’Albion,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Imitez, il est tems, sa noble ambition.</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Pourquoi dans vos égaux cherchez-vous des esclaves?</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Portez leur des bienfaits, et non pas des entraves.</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Le front ceint de lauriers cueillis par les François,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">La victoire aujourd’hui sollicite la paix.</span><br> -<span style="margin-left: 2em;">Descends, aimable paix, si long-temps attendue,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Descends; que ta présence á l’univers rendue,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Embellisse les lieux qu’ont célébré mes vers;</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Viens; forme un peuple heureux de cent peuples divers.</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Rends l’abondance aux champs, rend le commerce aux ondes,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Et la vie aux beaux arts, et le calme aux deux mondes.</span><br> -</p> - - -<p class="center p2">FIN DU QUATRIEME CHANT.</p> -<hr class="chap x-ebookmaker-drop"> - -<div class="chapter"> -<p><span class="pagenum" id="Page_105">[Pg 105]</span></p> - -<p class="center p2"><span class="figcenter" id="img004b"> -<img src="images/004.jpg" class="w50" alt="Imagem decorativa"> -</span></p> -<h2 class="nobreak" id="CANTO_QUARTO">OS JARDINS,<br><span class="small">POEMA.</span></h2> -</div> - -<hr class="r5"> -<p class="center big">CANTO QUARTO.</p> -<hr class="r5"> - - -<p class="poetry"> -<span style="margin-left: 2em;">Dos campos o espectáculo não posso,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Não posso abandonar; e quem se affoita</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">A ter em pouco o objecto de meus cantos?</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Elle inspirava de Virgilio a Musa,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Seduzia a de Homero. Homero, aquelle</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Que de Achiles cantou a horrivel sanha,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Que nos pinta o Terror jungindo os Brutos,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">No dardo voador silvando a Morte,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">O embate dos escudos, o tridente</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Do equóreo Numen abalando as torres;</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Esse Vate immortal, de Esmyrna o Cysne</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Se apraz de matizar o horror da Guerra</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Com bosques, prados, montes: na frescura,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">No riso destes quadros tão suaves</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Desafoga os pinceis; e quando apresta</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">De Thetis para o Filho arnez terrivel,</span><br> -<span class="pagenum" id="Page_106">[Pg 106]</span><span style="margin-left: 1em;">Se os combates, e os sitios nelle grava,</span><br> -<span class="pagenum" id="Page_107">[Pg 107]</span><span style="margin-left: 1em;">Se mostra o Vencedor de pó coberto,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Se apresenta o Vencido envolto em sangue,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Buril afagador depois movendo,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Traça a vinha, os rebanhos, selvas, pastos.</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Vestido o Heróe destas imagens doces,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Parte, e leva por entre horrendas Turmas</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">A innocente vindima, e ricas messes.</span><br> -<span style="margin-left: 2em;">A teu estro sempar, Cantor divino,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Cabe reger as marciais Phalanges:</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">He reger os jardins meu brando emprego.</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Já minhas leis conhece a dócil Terra:</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Ei-la relvosa; no tapete alegre</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">A Mãi das flores lhe entornou seus mimos,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">E arvoredos croárão rochas, agoas.</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Para gozar destes brilhantes quadros,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Agora em campos, que discorre a vista,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">E por baixo de abobadas escuras,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Gratos caminhos abrirei. Mil scenas</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Criará minha vóz por toda a parte;</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">As artes guiarei para adornallas:</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">E o divino Cinzel, e a Architectura</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Nobre, insigne, hão de emfim destes lugares</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Encantadores completar o ornato.</span><br> -<span style="margin-left: 2em;">De nossos passos engenhosas guias,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Aos olhos os jardins patenteando,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">As ruas devem, pois, agraciallos.</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Nos recentes, porém, não se abrão ruas,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Nas findas plantações melhor se escolhem.</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Aos mais lindos aspectos as dirige.</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Repara como, se aos Estranhos mostras</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Do teu trabalho os fructos, como destro</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Buscas o bello, o que não presta evitas;</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Sitios formosos, ao passar, lhe apontas,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Lhe guardas para a volta outras bellezas,</span><br> -<span class="pagenum" id="Page_108">[Pg 108]</span><span style="margin-left: 1em;">O prendes, o entretens de pasmo em pasmo,</span><br> -<span class="pagenum" id="Page_109">[Pg 109]</span><span style="margin-left: 1em;">Em scena que nascer faz outra scena;</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">E assim satisfazendo, ou provocando</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Sempre os desejos seus, não poucas vezes</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Retardas seu prazer para espertallo.</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Os teus passeios a ti proprio imitem.</span><br> -<span style="margin-left: 2em;">Foge, foge, tambem, nas fórmas delles</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Os filhos do máo Gosto, os vãos systemas,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Pela moda abraçados. Lá no campo,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Como cá na Cidade, a móda reina.</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Quando a ordem symmetrica, e pomposa</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">De Italicos Jardins luzio na França,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Tudo se deslumbrou, cegou-se tudo</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Com esta arte fulgente. Huma só planta</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Não negou ao cordel obediencia:</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Em toda a parte se alinhárão todas;</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">De hum lado, e de outro lado enfileiradas,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Alamedas eternas se estendêrão,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Veio outro tempo emfim, veio outro gosto.</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">De bellezas mais livres avisárão</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Aos Francezes Jardins Jardins Britannos.</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Só linhas ondeantes, e passeios</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Só tortuosos desde então se virão.</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Farto de vaguear, debalde o termo</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Está fronteiro a mim: cumpre que ainda,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Cumpre que, a meu despeito, erre, serpêe;</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Que, importuno artificio praguejando</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Mil, e mil vezes, sem cessar procure</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Hum fim, que sem cessar de mim se aparta.</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Isto evita: os excessos durão pouco.</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Destes varios caminhos cada especie</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Tem seu lugar. Hum me conduz a vistas</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Pasmosas, que de longe os olhos fixão,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Nutrem a expectação; outro me sóme</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Nessas mudas estancias, que parece</span><br> -<span class="pagenum" id="Page_110">[Pg 110]</span><span style="margin-left: 1em;">A algum fim, de proposito, velára</span><br> -<span class="pagenum" id="Page_111">[Pg 111]</span><span style="margin-left: 1em;">Arte mysteriosa; mas tornemos</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Natural o facticio labyrintho,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">E não capricho, precisão se antolhe.</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Diversos accidentes, encontrados</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Pelo caminho seu; agoas, e bosques,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Como igualmente o chão, devem regello.</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Se quero huma feliz docilidade</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Na fórma sua, se a tristeza odeio,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">E insipidez de alinhamentos longos,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Mais detesto hum passeio embaraçado,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Que, de ferida serpe á semelhança,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Em convulsivas rôscas se entrelaça,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Com gyros duplicados cansa, enjoa,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">E ríspido, uniforme, caprichoso,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">O terreno atormenta, e passos, e olhos.</span><br> -<span style="margin-left: 2em;">Ha curvas naturais, ha torcicólos,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">De que ás vezes os campos dão modelo.</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Do carro a roda, a pista dos rebanhos,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Que em passo negligente a Aldêa buscão;</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">A Pastorinha, que, no prado abstracta,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Vai talvez entretendo a fantasia</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Em visões amorosas: isto ensina</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Rodeios mollemente volteados.</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Longe, pois, os contornos angulares,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Longe de teus passeios, mais ainda</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Quando ao fim te encaminha hum longo gyro.</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Co’ prazer galardôe-se a fadiga.</span><br> -<span style="margin-left: 2em;">A arte se imite dos Poetas grandes;</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Releva, que ouses tanto. Se alta Musa,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Andando, algum desvio a si permitte,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Mais que o caminho a digressão me agrada.</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Niso o seu doce Euríalo defende,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">No sepulcro de Heitor a Esposa geme.</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Assim teu artificio me extravie</span><br> -<span class="pagenum" id="Page_112">[Pg 112]</span><span style="margin-left: 1em;">Por gratas illusões, assim me alegre</span><br> -<span class="pagenum" id="Page_113">[Pg 113]</span><span style="margin-left: 1em;">Com risonhos objectos a passagem;</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Tocando o termo, indemnisado eu fique</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Da extensão que soffri, meus olhos gozem</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Aspectos singulares, episodios</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">De vivente Poema. Além me chamão</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Verdes, propicias grutas, onde sempre</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">A frescura, o silencio, as sombras morão.</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">O pensamento alli precede aos olhos.</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Mais longe vitreo lago o Ceo reflecte,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">E confusa acolá, como fugindo,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Assoma perspectiva immensa, e nobre.</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Ás vezes bosquezinho alegre, ameno,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Mas em si recolhido, e ricamente</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Por ti, e a Natureza adereçado,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">De flores, e de sombras abundante,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Parece que te diz: «detem-te: ah! onde</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Podes estar melhor?» Sùbito a scena</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Se altera: eis em lugar de gosto, e riso</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Paz, e melancolia, eis o repouso,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Eis a grave mudez, onde se embebe,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Onde a meditação se alonga, e pasce.</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Lá com seu coração conversa o Homem,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Attenta no presente, entra o futuro,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Da carreira vital nos males pensa,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Pensa nos bens, e recuando a vista</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Ao tempo que voou, se apraz ás vezes</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">De perceber no circulo dos dias</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Esses poucos instantes, ai! Tão caros,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Tão curtos! Essas flores n’um deserto,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Essas quadras da vida, a que lhe apontão</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Saudades do prazer, e até da magoa.</span><br> -<span style="margin-left: 2em;">Teme, pois, imitar os que atavião</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Friamente os jardins, os que só querem</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Objectos festivais, e lisonjeiros.</span><br> -<span class="pagenum" id="Page_114">[Pg 114]</span><span style="margin-left: 1em;">Nada em suas paizagens he sublime,</span><br> -<span class="pagenum" id="Page_115">[Pg 115]</span><span style="margin-left: 1em;">Nada atrevido: tudo são latadas,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Tudo elegantes bosques: sempre flores,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Sempre o Templo de Flora, ou dos Amores:</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">A alegria monótona aborrece.</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Sahe tu desta commum, cansada trilha;</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Contrastes imagina interessantes,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">E affoito os aventura. Entre si podem</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Encontrados effeitos soccorrer-se.</span><br> -<span style="margin-left: 1em;" id="note20">Eia, segue o Poussin. Elle apresenta</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Em campestre festejo alvas Serranas,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Robustos Aldeãos, bailando á sombra</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Dos ulmeiros frondosos, e alli perto</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Impressas vozes taes sobre hum sepulcro:</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Já fui, já fui tambem Pastor da Arcadia</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Este painel dos gostos voadores,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Do nada da Existencia, está dizendo,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Ou parece que diz: «Mortais, cuidemos</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Em lograr, tudo vai desvanecer-se;</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Jogos, danças, Pastores.» Dentro n’alma</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Ao jubilo vivaz, alvoroçado</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Mansa tristeza por degráos succede.</span><br> -<span style="margin-left: 2em;">Imita estes effeitos. Não receies</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Em quadros ledos pôr sepulcros, e urnas,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Monumento fiel das magoas tuas.</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Ah! Quem não tem chorado alguma perda</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Rigorosa, cruel! Eia, associa,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Longe do Mundo leviano, e cego,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Os bosques, agoas, flores com teu pranto.</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Vem hum amigo em tudo Almas sensiveis</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Já co’as sombras pacificas se curvão</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Para abraçar a campa, onde suspiras,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">O Teixo, o agudo Pinho, e tu, Cipreste,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Das cinzas protector, leal aos Mortos.</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Teus ramos, que affeiçoão genios tristes,</span><br> -<span class="pagenum" id="Page_116">[Pg 116]</span><span style="margin-left: 1em;">Deixão a gloria, o gosto ao Loiro, ao Myrto;</span><br> -<span class="pagenum" id="Page_117">[Pg 117]</span><span style="margin-left: 1em;">Do Guerreiro, do Amante a venturosa</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Arvore tu não es, porém teu luto</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Compadece-se, e diz co’as nossas penas.</span><br> -<span style="margin-left: 2em;">Em todos estes monumentos nada,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Nada de apuros vãos. Aliar pódes</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Acaso, ante estes lugubres objectos</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">A arte co’a dor, e co’á riqueza os campos?</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Longe principalmente o fingimento,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Longe tumulo falso, urnas sem magoa,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Que o capricho formou; longe as estatuas</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">De animal ladrador, de ave nocturna:</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Isso profana o luto, insulta as cinzas.</span><br> -<span style="margin-left: 2em;">Ah! Se as de algum amigo alli não honras,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;" id="note21">De envelhecidos Teixos lá debaixo</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Não vês a sepultura onde esconder-se</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Hão de ir aquelles, que, por ti curvados,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Por ti suando sobre ingratos sulcos,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">No seio da indigencia a morte esperão?</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Pejo de ornar-lhes o sepulcro humilde</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Terás acaso! He certo, que não pódes</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Gravar illustres aventuras nelle</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Desde o incerto crepusculo, em que os chama</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Ave madrugadora a seus trabalhos,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Té ao serão em que a familia tenra</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Com elles vai sentar-se ao lar, que estala,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Em paz, e em lida igual seus dias correm.</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Nem guerras, nem tratados os distinguem:</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Nascer, soffrer, morrer, eis sua historia.</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Mas o seu coração ah! não he surdo</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Da memoria ao rumor. E qual dos Homens</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">No momento fatal da ausencia eterna,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Qual se não volve, e tristemente alonga</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">A vista pelos campos da Existencia?</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Não tem na idéa de deixar saudades</span><br> -<span class="pagenum" id="Page_118">[Pg 118]</span><span style="margin-left: 1em;">Algum gosto, e dos olhos de hum amigo</span><br> -<span class="pagenum" id="Page_119">[Pg 119]</span><span style="margin-left: 1em;">Não espera huma lagrima? Epitafios</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Para adoçar-lhe a vida, a morte lhe honrem.</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Aquelle, que, maior do que a Fortuna,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Servio seu Deos, seu Rei, familia, patria,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">E o pudor imprimio no rosto á filha,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Merece que de pedra menos bruta</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">A campa se lhe dê: suas virtudes</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Contem-se alli, e as lagrimas da Aldêa;</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Gravem-lhe sobre a lousa: «aqui descansa</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">O bom filho, o bom pai, e o bom consorte.»</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Encanto involuntario ha de mil vezes</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Teus olhos attrahir ao sacro sitio.</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">E tu, que estás cantando, antes carpindo,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Debaixo destas Arvores piedosas,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Tu, primeiro que as deixes, Musa minha,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Suspende em oblação tua grinalda</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Na rama veneravel. Muito embora</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Outrem celébre em verso a Formosura;</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Nos gostos engolfada a Musa de outrem</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Da cabeça jámais deponha o myrto;</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Télas trajando, fulgurantes de oiro,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Só da meiga alegria entôe os hymnos:</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Verso consolador tu dás ás cinzas,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">E primeiro que as outras a mão tua</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Algumas flores sobre as campas sólta.</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Para baixo de sombras prazenteiras</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Voltemos, que he já tempo. A Architectura</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Em selvoso lugar inda me espera</span><br> -<span style="margin-left: 2em;">Para adornallo de edificios bellos.</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Já não do luto os monumentos tristes,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Mais eis gostosos sitios, que em mil faces</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Entre a verdura seu primor offertão.</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">O uso, porém, lhe approvo, e tolho o abuso.</span><br> -<span style="margin-left: 2em;">Desterra dos jardins montão sem ordem,</span><br> -<span class="pagenum" id="Page_120">[Pg 120]</span><span style="margin-left: 1em;">De edificios diversos, essa pompa</span><br> -<span class="pagenum" id="Page_121">[Pg 121]</span><span style="margin-left: 1em;">De perdulária moda: os Obeliscos,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Rotundas, e Kioskos, e Pagodes;</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Esses cáhos de ingrata Architectura,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Romanos, Gregos, Arabes, Chinezes;</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Esterilmente profusão fecunda,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Que o mundo inteiro n’um jardim concentra.</span><br> -<span style="margin-left: 2em;">Não procures tambem ocioso ornato,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Antes disfarça em util o aprazivel.</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">De seu Senhor thesoiro, e seu recreio,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">A Herdade exige campezino adorno.</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Lares que sobre o campo ergueo o Orgulho,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Magnifico Solar não a desdenhe;</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">As riquezas lhe deve, e delle ao fausto</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Sobresahe tanto a singeleza della,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Quanto de Armida aos artificios todos</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Sorriso ingénuo de acanhada Virgem.</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">A Herdade! A este nome Hortos, colheitas,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">O pastoril Reinado, o emprego doce,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Os innocentes bens dos aureos tempos,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Cujas meigas imagens enfeitição</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">A infancia, que he na vida a idade de oiro,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">E tanto a infancia minha enfeitiçárão;</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Isto, ah! Isto, que idéas, que saudades</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Dentro do coração me não desperta!</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Vem, já das aves tuas oiço o canto;</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Já chião carros, da abundancia ao peso,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Que as tulhas te demandão, e a compasso</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Cahe o instrumento que debulha os milhos.</span><br> -<span style="margin-left: 2em;">Orna, pois, o teu predio, mas com tanto</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Que, pródigo, em palacio o não convertas.</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Por seu caracter simples, e elegante</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Entre os Jardins, ou Quintas he a Herdade</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">O mesmo que entre os versos he o Idyllio.</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Pelos Numes dos campos, ah! desvia</span><br> -<span class="pagenum" id="Page_122">[Pg 122]</span><span style="margin-left: 1em;">O luxo audaz deste lugar modesto,</span><br> -<span class="pagenum" id="Page_123">[Pg 123]</span><span style="margin-left: 1em;">Desvia-o sempre; de occultar não trates</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Nem os lagares teus, nem teus celeiros;</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Ver quero o trem das ceifas, das vindimas,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Ver o crivo, a joeira, onde co’a palha</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">O grão doirado salta, e recahe puro;</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">A grade, o trilho, tudo o mais da Granja,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Sem pejo aos olhos meus se manifestem;</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Mórmente de animais o móbil quadro</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Lhe dê por dentro, e fóra hum ar vivente.</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Não vemos do solar o adorno estéril,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">A graça inanimada, a immovel pompa:</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Debaixo destes tectos, nestes muros</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Tudo está povoado, e tudo he vivo.</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Que aves, diversas pela vóz, e instincto,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Que no abrigo da telha, ou colmo habitão,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Republica, Nação, Familia, Reino,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Me entretem com seus brincos, seus costumes!</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Eis á frente de todas gyra o Gallo,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">O Gallo, feliz chefe, e pai, e amante,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Que, Sultão sem molleza, distribue</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Pelo Serralho alígero a ternura;</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Une ao jus do valor o da belleza,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Impera carinhoso, altivo afaga;</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Para mandar, para gozar nascido,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Nascido para a gloria, ama, combate,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Triunfa, e logo seus triunfos canta.</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Ha de aprazer-te o ver como elles brincão,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Como contendem; seu amor, seus odios,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">E até sua comida. Assim que assoma</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Com a teiga nas mãos a Dispenseira,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">De repente a Nação voraz, e leve</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Vôa daqui, dalli, de toda a parte</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Em turbilhão ruidoso, e quasi a hum tempo.</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">O sôfrego tropel junto á que o ceva</span><br> -<span class="pagenum" id="Page_124">[Pg 124]</span><span style="margin-left: 1em;">Subito fórma hum circulo apinhado;</span><br> -<span class="pagenum" id="Page_125">[Pg 125]</span><span style="margin-left: 1em;">Ha tais que, sempre expulsos, tornão sempre,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Perseguem o comer, e até na palma,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Affoitos Parasitos, vem furtallo.</span><br> -<span style="margin-left: 2em;">Este Povo domestico protege;</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Não soberbos, mas sãos seus pousos sejão.</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Decoradas estancias que lhe prestão?</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Marmóreos bebedoiros, e aureas grades?</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Mais lhe apraz, muito mais, hum grão de milho.</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Já la Fontaine o disse. Oh la Fontaine!</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Oh Sabio verdadeiro, eras lucroso</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Neste lugar! Cantor feliz do instincto,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Melhor te inspiraria aqui o olhallo.</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Fofo o Pavão de assoalhar seu Iris,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">A inchação do Peru, mais louco ainda,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Teus pinceis alegrára á nossa custa.</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Viras aqui dos Pombos teus a imagem;</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">De dois Gallos amantes a discordia</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">A dizer outra vez te obrigaria:</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">«Tu derrubaste, Amor, de Troia os muros!»</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Dest’arte nos apraz, e attrahe a Herdade.</span><br> -<span style="margin-left: 2em;">Mas em outra prizão que vulgo fere</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Por incognitos sons os meus ouvidos?</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Estranhos animais alli se guardão,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Maravilhas dos olhos, alli vivem</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">N’um suave desterro encarcerados</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Brutos da Terra, do Ar, e hum d’outro pasmão.</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Extravagantes castas não procures,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Prefere o que he mais bello ao que he mais raro.</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Mostra-nos aves n’outros Ceos criadas,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Que, validas do Sol, seus lumes vibrão;</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Da Indiana Galinha o vivo esmalte,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">E o oiro do Faisão purpureado.</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Aves de ostentação melhor se alojem;</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Ellas mesmas são luxo, e co’a belleza</span><br> -<span class="pagenum" id="Page_126">[Pg 126]</span><span style="margin-left: 1em;">Já que a inutilidade ellas compensão,</span><br> -<span class="pagenum" id="Page_127">[Pg 127]</span><span style="margin-left: 1em;">Brilhe a prizão como os cativos brilhão.</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Rebeldes animais, porém, não tenhas,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Cujo orgulho se irrita, e cansa em ferros.</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Quem póde ver sem magoa o Rei dos ares,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">O passaro feroz, que andou folgando</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Lá por entre o trovão, por entre o raio,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Quem póde vello na gaiola indigna</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Esquecer o relampago dos olhos,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Dos vôos a altivez! Livre de novo,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Na abobada dos Ceos ao Sol se atreva:</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Nunca póde agradar Ente aviltado.</span><br> -<span style="margin-left: 2em;">Mas com seu lustre peregrino em quanto</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Parece que estes hospedes diffrentes</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Á minha escolha, á preferencia aspirão,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">O olfato me convida a aquelles tectos,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Onde, do patrio chão tambem roubados,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Estranhos Vegetais o vidro ampara.</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Tu cerca de ar macio as debeis plantas,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Mas venera estações, vencendo climas;</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Não forces a brotar na Quadra fêa</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Bens que a bons tempos Natureza guarda.</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Deixa aos Paizes de aturado Inverno,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Deixa embora essas flores, esses fructos,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">De falsa primavera, e falso Estio;</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Certo de que ha de o Sol madurecellos,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Sem violentar seus dons, seus dons espera.</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Mas folgo em ver no transparente abrigo</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Prendas diversas de diversas plagas.</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Os Ibéros jasmins alli se animão,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Friorenta congorça esquece a Patria,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Tenro ananás pelo calor se engana,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">E usurpado thesoiro em si te entrega.</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Talhe a Razão teus edificios varios,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">De flores, e animais formoso hospicio,</span><br> -<span class="pagenum" id="Page_128">[Pg 128]</span><span style="margin-left: 1em;">Oh quantos, quantos mais, que o sitio abrace,</span><br> -<span class="pagenum" id="Page_129">[Pg 129]</span><span style="margin-left: 1em;">Que approve o gosto, recrear-nos podem!</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">A sombra desses humidos salgueiros,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Humidos com sadia agoa corrente,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Seja do banho o solitario asylo.</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Além cabana, em que a frescura assiste,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Offerte ao Pescador linhas, e redes,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Não vês a mansidão deste Retiro?</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Doce acolheita alli consagro ás Musas.</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">No seio florecido, e magestoso</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Alli sómente hum obelisco ordeno:</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Aos ares sóbe o monumento augusto,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">E lavro sobre a pedra enternecida:</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">«A nossos destemidos Mareantes,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Que pela patria voluntarios morrem.»</span><br> -<span style="margin-left: 2em;">Assim teus variados edificios</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Nem desertos serão, nem ociosos.</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Com seu lugar se ageitem massa, e forma,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Cada qual se coloque onde releva,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">E não se perca, não destrua a scena</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Por sobeja extensão, por muito aperto.</span><br> -<span style="margin-left: 2em;">O que empece ao caracter, e utilisa</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Sabe, pois; hum recanto quasi occulto</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Lá bem n’um descampado, he que nos pinta</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Melhor o desamparo, a soledade.</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Sempre a cada expressão fiel te mostra;</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Hum Ermo a grande luz não patentees,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Nem selva carrancuda esconda hum Templo:</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Do Monte sobre a espádoa quer ser visto.</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Movimento, esplendor, grandeza, e vida</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">O aerio sitio pelo quadro espalha.</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Julgo hum aspecto olhar da bella Ausonia.</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Esta dos Edificios, esta a graça.</span><br> -<span style="margin-left: 1.5em;">Mas de tais monumentos a alegria,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Luxo moderno, e fresca mocidade</span><br> -<span class="pagenum" id="Page_130">[Pg 130]</span><span style="margin-left: 1em;">Valem de antigos restos a velhice?</span><br> -<span class="pagenum" id="Page_131">[Pg 131]</span><span style="margin-left: 1em;">Desses aqui, e alli dispersos corpos</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">O já desordenado, e grão volume,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">A fórma pictoresca enlaça a vista.</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Por elles sobre a terra está marcada</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Dos Evos a carreira, e, destruidos</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Pelos Vulcões, ou Tempestade, ou Guerra,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Instruem sempre, alguma vez consolão.</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Sim, estas massas, que tambem da Idade</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Cedem ao pezo, como nós cedemos,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Á derrota geral nos habituão,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">E a perdoar á Sorte. Assim Carthago</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Sobre os desfeitos muros n’outros tempos</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Mário vio infeliz, e estes dois restos</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Tão grandes entre si se consolavão.</span><br> -<span style="margin-left: 2em;">Aproveita ruinas venerandas.</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">E tu, que os passos meus tens variado</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Pelos selvosos campos, tu, que, longe</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Das vulgares estradas, vás dictando</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Leis aos jardins, oh Poesia amavel!</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Oh Irmã da Pintura! A monumentos</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">De longa idade restitue a vida;</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Presenta ao gosto os ricos accidentes,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Que o Tempo desenhou co’a mão remissa.</span><br> -<span style="margin-left: 2em;">Huma antiga Capela ora apparece,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Modesto, e santo Asylo, onde algum dia</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Hião em tosco Altar, na quadra nova,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">As Donzelas, e as Mãis, e os seus Filhinhos</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">A bem das messes implorar o Eterno.</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Consagra inda o Respeito estas ruinas.</span><br> -<span style="margin-left: 2em;">Ora avulta acolá Castello annoso,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Em fragosos cabeços, que, Tyranno</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Do Territorio, e dos Vassallos medo,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Co’as ameias aos Ceos arremettia;</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Que em tempos de terror, discordias, sangue,</span><br> -<span class="pagenum" id="Page_132">[Pg 132]</span><span style="margin-left: 1em;">Vio lançadas mortais, vio gentilezas</span><br> -<span class="pagenum" id="Page_133">[Pg 133]</span><span style="margin-left: 1em;">De nossos invenciveis Cavalleiros,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Os Baiards, os Henriques: hoje o trigo</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Sobre os fragmentos seus lourêa, e treme.</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Esta triste, forçosa Architectura,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Cingida de verdor fresco, e risonho,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">As esplanadas, e angulos, e torres,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Rotas, quasi abatidas, onde as aves</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Dos amores em paz o fructo aquecem;</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Os gados povoando estes guerreiros,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Recintos façanhosos, e o Menino,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Q’onde os Avós já guerreárão, brinca,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Fórma tudo isto singular constraste.</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Delle te apóssa, dando aos olhos quadro</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Duro, e brando, campestre, e belicoso.</span><br> -<span style="margin-left: 2em;">Mais ao longe hum Mosteiro abandonado</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Entre arvoredos subito se encontra.</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Que silencio! Amadora dos desertos,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Com gosto alli, Meditação, te entranhas</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Por baixo das abóbadas sagradas,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Por onde austeras Virgens, algum dia,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Como as turvas alampadas, que velão</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Ante a Religião, tambem velavão,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">E descarnadas, pálidas, ardião</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Por Deos, e emfim, por Deos se consumião.</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Santa contemplação, paz, innocencia,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Como que ainda este silencio occupão!</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Musgosos muros, o Zimborio, as Torres,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Os arcos deste Claustro escuro, e longo,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Destes Altares o degráo roçado</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Do supplice joelho, os vidros negros,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">O sombrio, e profundo Santuario,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Onde, escondidamente desgraçadas,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Almas houve, talvez, que de seus laços</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Ás inflexiveis Aras se carpissem,</span><br> -<span class="pagenum" id="Page_134">[Pg 134]</span><span style="margin-left: 1em;">E por doces memorias inda frescas</span><br> -<span class="pagenum" id="Page_135">[Pg 135]</span><span style="margin-left: 1em;">Algum medroso pranto ao Ceo furtassem:</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Tudo commove alli, tudo alli falla.</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Alli cevando a mente em soledade,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Ás vezes cuidarás, ao pôr do dia,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Que de alguma Heloisa a Sombra geme;</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Que as lagrimas, que a dor, que os ais lhe sentes.</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Logra, pois, estes restos de alto preço,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Térnos, augustos, pios, ou profanos.</span><br> -<span style="margin-left: 2em;" id="note22">Mas longe os monumentos, cujo estrago</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Do fingimento he filho, e mal imita</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Do Tempo as impressões inimitaveis:</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Esses antigos Templos, fabricados</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Inda ha pouco, as reliquias de hum Castello</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Que jámais existio, Pontes idosas,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Que hontem nascêrão, Torreão dos Godos,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Que, roto, e gasto, não parece antigo:</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">São artificio inutil, e grosseiro.</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Fitando-lhe a attenção, se me figura</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Que vejo hum moço arremedando hum velho,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Despindo as graças da amorosa idade,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Sem que retrate da velhice as rugas;</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Mas estrago real dá pasto aos olhos.</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Restos, que já contemporaneos fostes</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">De nossos bons, e simplices Maiores,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Gosta meu coração de interrogar-vos,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">E gosta de vos crer. De novo a Historia</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Estudo em vós dos Tempos, e dos Povos.</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Quanto esses Povos mais famosos forão,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">E quanto mais famosos esses Tempos,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Tanto mais nesses restos fico absorto.</span><br> -<span style="margin-left: 2em;">Campos de Italia! Oh Campos d’alta Roma!</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Onde jaz, por fatal, e horrivel quéda,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Com todo o seu orgulho o Nada do Homem!</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Ahi he que ruinas, afamadas</span><br> -<span class="pagenum" id="Page_136">[Pg 136]</span><span style="margin-left: 1em;">Por grandes nomes, por memorias grandes,</span><br> -<span class="pagenum" id="Page_137">[Pg 137]</span><span style="margin-left: 1em;">Dão sublimes lições, aspectos graves,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Thesoiros que as paizagens enriquecem.</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Vê como, cá, e lá, por toda a parte</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">A rapidez dos Seculos tremendos,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Das Artes os prodigios destroçando,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Sepulcros arrojou sobre Sepulcros,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Hum Templo derribou sobre outro Templo,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Olha as Idades blasonando ao longe</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Co’a ruina immortal da excelsa Roma.</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Os pórticos, e os arcos, (onde a Pedra</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Em carácter fiel conserva ainda</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Do Povo Rei magnânimas proezas),</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Pórticos, e arcos tem cansado os Tempos,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Ondas suspensas por aqui bramião,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Por baixo destas pórtas dilatadas</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Os despójos do Mundo hião passando.</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Esparzidos estão, no pó confusos</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Por toda a parte, os Thermes, os Palacios,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Os Sepulcros dos Cesares, em quanto</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">De Virgilio, de Ovidio, Horacio, e de Outros</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Inda grata Illusão nos finge o rasto.</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Oh tres, e quatro vezes venturoso</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">O Artista dos Jardins! Feliz quem póde</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Destes restos divinos apossar-se!</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Já lhe vai surdamente a mão do Tempo</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Ajudando as tenções; já sobre pompas</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Dos Senhores do Mundo, a Natureza</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">De recobrar os seus direitos fólga:</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Lá onde o Domador dos Reis, lá onde</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Campeava Pompêo com fasto immenso,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Agora dos Pastores se ouve a flauta,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Como nos dias do tranquillo Evandro.</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Vê rir os campos que ao Cultor volvêrão,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">E relvar os cabritos sobre os tectos,</span><br> -<span class="pagenum" id="Page_138">[Pg 138]</span><span style="margin-left: 1em;">E Obelisco arrogante além cahido:</span><br> -<span class="pagenum" id="Page_139">[Pg 139]</span><span style="margin-left: 1em;">Olha abraçado co’a columna altiva</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">O humilde espinho; as Arvores, as Plantas,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Subir, baixar em mil festões, mil cachos:</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Aquella que Minerva aos Homens trouxe,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">E a Figueira, pelo hálito dos ventos</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Por entre estes estragos semeadas,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Acabão de abalar co’a raiz branda</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">As veneraveis Obras dos Romanos;</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">A torta vide, a hera, de cem braços,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Emtorno das ruinas serpeando,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">A modo que desejão, que procurão</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Recatar-lhe a velhice, ou guarnecella.</span><br> -<span style="margin-left: 2em;">Se não tens estes restos estupendos,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Terás, sequer, os animados Bronzes,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Terás os Numes das Idades mortas,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Em que Arte divinal forçava os cultos?</span><br> -<span style="margin-left: 2em;">Quiz dos Jardins, bem sei, Gosto severo</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Lançar todos os Deoses dos Romanos,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Dos Gregos; mas porque? Nossas infancias,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Em Athenas, em Roma cultivadas,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Sua doce magía exprimentárão.</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Estes Numes Agrícolas não erão?</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Não Pastores? Porque has de, pois, tolher-lhes</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Os bosques, os vergeis? Podem teus fructos</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Rebentar sem auxilio de Pomona?</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Ou te he dado expellir do Imperio Flora?</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Ah! sempre essas Deidades nos encantem:</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Das Artes inda he culto a Idolatria;</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Mas haja perfeição, primor na escolha.</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Não queiras nos jardins improprios Deoses,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Elles sem magestade, ellas sem graça.</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Elege a cada qual assento idóneo,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Seus direitos nenhum ao outro usurpe.</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Deixa nas selvas Pan. Porque motivo</span><br> -<span class="pagenum" id="Page_140">[Pg 140]</span><span style="margin-left: 1em;">Co’as Driades estão Tritões, Nereidas?</span><br> -<span class="pagenum" id="Page_141">[Pg 141]</span><span style="margin-left: 1em;">De que serve este Nilo, em vão croado</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">De canas, e a mostrar do pó manchada</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">A urna, que he de passaros abrigo?</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Fóra os Leões, e os Tigres: esses monstros</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Tè nas imagens suas me arripião;</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">E os Cesares tambem, mais monstros que elles,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Sentinellas horriferas das portas</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">De bordadas florestas, que, nojosos</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Da suspeita, e do crime, inda parece</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Com os olhos as victimas apontão.</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Ao risonho lugar que jus tem elles?</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Mostra-me Objectos que eu venere, eu ame;</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Á sua apotheóses sagra hum sitio,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Elysios cria em que seus Manes folguem.</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Longe de olhos profanos, sobre valles</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">De verdes murtas, de cheirosos loiros</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Honrem seus vultos marmore de Paros;</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Goste hum remanso de banhar tais selvas,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">E, mesclando co’a sombra os dubios lumes,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Seja Diana affavel o Astro dellas.</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Dos virentes doceis a formosura</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Sobre as queridas, candidas Estatuas,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Destes Homens egregios o repouso,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">A simples, a benigna magestade,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Correntes sem rumor, como as do Lethes,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Que para aquellas Almas tão serenas</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Parece vão rolando o esquecimento</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Da crua ingratidão, e de outros males;</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Bosques, e o dia, entre elles expirando,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Tudo respira a paz dos Manes ledos.</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Tu não consagres, pois, se não tranquillas,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Estremadas virtudes nesses campos.</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Longe, longe os fatais Conquistadores,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Verdugos, não Heróes: esses lugares</span><br> -<span class="pagenum" id="Page_142">[Pg 142]</span><span style="margin-left: 1em;">Turbarião talvez como turbárão</span><br> -<span class="pagenum" id="Page_143">[Pg 143]</span><span style="margin-left: 1em;">Este Mundo infeliz: ahi colóca</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Os amigos dos Homens, e dos Deoses:</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Os de que ainda beneficios vivem</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Na fama, e tradicção; tambem Monarcas,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">De que o seu Povo não chorasse a gloria:</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Mostra ahi Fenelon, mostra á saudade,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">E com Sully se abrace Henrique o Grande.</span><br> -<span style="margin-left: 2em;">Dá, dá-me flores, cobrirei com ellas</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Os Sabios, que em longinquas, novas praias</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Artes consoladoras demandárão,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Artes consoladoras desparzírão.</span><br> -<span style="margin-left: 1em;" id="note23">E tu, primariamente, Heroe Britanno,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Tu Cook, infatigavel, denodado,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Que, acceito, e caro aos corações de todos,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Unes co’a magoa teu Paiz, e a França;</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Que a essas Regiões, que aonde o raio</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Outr’hora os Européos annunciava,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Util, novo Triptólemo, guiaste</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">O serviçal cavallo, a ovelha, o toiro,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">O arado agricultor, e as patrias artes,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Nossas furias, e roubos expiando.</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Com doce paz fraterna lá surgias;</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Prantos, e beneficios lá deixavas.</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Recebe de hum Francez este tributo...;</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">E á minha gratidão que importa o clima?</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Virtudes immortais do illustre Nauta</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Nosso Concidadão já o fizerão;</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">No grande exemplo o nosso Rei se imite;</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Digno de ser seu Rei. Ah! que aproveita</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Ao pasmoso Varão ter vezes duas</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Visto os Mares de gêlo, os Ceos de fogo,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Ter estes afrontado, e roto aquelles?</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Que as ondas, ventos, Povos o acatassem;</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Que em toda a vastidão do Pego immenso</span><br> -<span class="pagenum" id="Page_145">[Pg 145]</span><span style="margin-left: 1em;">Fosse immune, e sagrada a quilha sua;</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Que só com elle reprimisse a Guerra</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Seu hórrido furor? Do Mundo o Amigo</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Ai! Morre ás mãos de barbaros Selvagens.</span><br> -<span style="margin-left: 2em;">Oh vós, que lamentais seu fim cruento,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Da potente Albion soberbos filhos,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Imitai-lhe, que he tempo, a ambição nobre.</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Porque em vossos iguais quereis escravos?</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Dai-lhe fraternidade, e não cadeias.</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Dos loiros triunfais cingida a fronte,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Dos loiros, que o Francez colheo de novo,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Té a mesma Victoria a Paz cobiça.</span><br> -<span style="margin-left: 2em;">Desce, Prole do Ceo, Paz suspirada,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Doira este Globo, emfim, com teus sorrisos,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Dos sitios, que eu cantei, requinta as graças;</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Fórma hum Povo feliz de tantos Póvos;</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Aos campos abundancia restitue,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">E restitue ás ondas o commercio:</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Hajão da tua mão, propicio Nume,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Os dois Mundos socego, as Artes vida.</span><br> -</p> - - -<p class="center p2">FIM DO CANTO QUARTO.</p> -<hr class="chap x-ebookmaker-drop"> - -<div class="chapter"> -<p><span class="pagenum" id="Page_147">[Pg 147]</span></p> - -<h2 class="nobreak" id="NOTAS_DO_PRIMEIRO_CANTO">NOTAS DO PRIMEIRO CANTO.</h2> -</div> - - -<p class="center"><a href="#note1">(<i>Pag.5. vers. 7.</i>)</a></p> - -<p class="poetry"> -<span style="margin-left: 1em;">Assumpto amavel, que tentou Virgilio, etc.</span><br> -</p> - -<p>Vê-se nas Georgicas, liv. 4. que a composição dos Jardins, de que -fallão, he mui singela, e naturalissima, e que se acha nelles o util -com o aprazivel: pomos, flores, hortaliças. Mas estes Jardins são os de -hum ordinario Habitante dos Campos, Jardins, tais como, com hum gosto -simples, quizera o Sabio ornallos, e cultivallos pela sua mão; tais -como folgaria de os aformosear o amavel Poeta, que os descreve. Não -tratou daquelles Jardins famosos que o luxo dos Vencedores do Mundo: os -Crassos, os Lucullos, os Pompêos, os Cesares, carregárão das riquezas -da Asia, e dos despojos do Universo.</p> - -<p class="center"><a href="#note2">(<i>Pag. 5. vers. 20.</i>)</a></p> - -<p class="poetry"> -<span style="margin-left: 1em;">De Alcino o luxo, o gosto, ainda rude,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Punha a curto Vergel módico enfeite, etc.</span><br> -</p> - -<p>He hum monumento precioso da Antiguidade, e da historia dos Jardins a -descripção que faz Homéro do de Alcino. Vê-se, que ella distava pouco -do nascimento da Arte; que todo o seu luxo estava na symmetria, e -ordem, na riqueza do chão, na fertilidade das arvores, nas duas fontes, -de que era ornado: e todos os que quizessem jardim para gozar, e não -para mostrallo, escusarião outro.</p> - -<p><span class="pagenum" id="Page_148">[Pg 148]</span></p> - -<p class="center"><a href="#note3">(Ibid. <i>vers. 22.</i>)</a></p> - -<p class="poetry"> -<span style="margin-left: 1em;">Eis com arte maior, mais sumptuosa</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Jardins nos ares Babylonia ostenta.</span><br> -</p> - -<p>Parte destes Jardins suspensos ainda durava mil, e seiscentos annos -depois da sua creação; elles forão o assombro de Alexandre, quando -entrou em Babylonia.</p> - -<p class="center"><a href="#note4">(Ibid. <i>vers. 24.</i>)</a></p> - -<p class="poetry"> -<span style="margin-left: 1em;">Os Latinos Heróes, de Marte os Filhos,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Depois que Roma agrilhoava o Mundo,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Davão repouso ameno á gloria, ao raio</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Em frescos hortos, que a victoria ornára.</span><br> -</p> - -<p>Existe monumento inestimavel do gosto, e fórma dos Jardins Romanos em -huma Carta de Plinio Junior, e nella se lê que já então conhecião a -arte de affeiçoar as arvores, de dar-lhes diversas figuras de vasos, ou -animais; que a Architectura, e o luxo dos Edificios erão dos primarios -ornamentos dos Parques; mas que todos tinhão hum objecto de utilidade, -objecto em demasia esquecido nos Jardins modernos.</p> - -<p class="center"><a href="#note5">(<i>Pag. 9. vers. 1.</i>)</a></p> - -<p class="poetry"> -<span style="margin-left: 7em;">Belœil, a hum tempo</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Campestre, apparatoso, etc.</span><br> -</p> - -<p>Belœil, foi huma casa de recreio, ou quinta, do Principe de Ligne.</p> - -<p><span class="pagenum" id="Page_149">[Pg 149]</span></p> - -<p class="center"><a href="#note6">(Ibid. <i>vers. 8.</i>)</a></p> - -<p class="poetry"> -<span style="margin-left: 1em;">O amavel Tivoli, de fórma estranha</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Á França descobrio ténue modélo.</span><br> -</p> - -<p>O local de Tivoli negava-se aos grandes effeitos pictorescos; mas -Boutin teve o merecimento de colher delle a utilidade possivel, e -principalmente de ser o que primeiro experimentou com bom exito o -genero irregular.</p> - -<p class="center"><a href="#note7">(Ibid. <i>vers. 10.</i>)</a></p> - -<p class="poetry"> -<span style="margin-left: 1em;">Montreuil as Graças desenhárão rindo, etc.</span><br> -</p> - -<p>Montreuil era hum bellissimo Jardim da Princeza de Guimené, na estrada -de Paris a Versailles.</p> - -<p class="center"><a href="#note8">(Ibid. <i>vers. 11.</i>)</a></p> - -<p class="poetry"> -<span style="margin-left: 1em;">Maupertuis, le Desert, com que alegria,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Rincy, Limours, etc.</span><br> -</p> - -<p>Maupertuis. Este Jardim, conhecido pelo nome de Elysio, pertenceo ao -Marquez de Montesquiou. Se bellas agoas, soberbas plantações, aprazivel -mixto de colinas, e valles, fazem hum sitio formoso, o Elysio he digno -do seu amavel nome.</p> - -<p>Le Desert. Este Jardim foi desenhado com muita graça por Monville.</p> - -<p>Rincy. Este lindo Jardim foi do Duque de Orleans.</p> - -<p>Limours. Este lugar, naturalmente inculto, foi mui aformoseado pela -Condessa de Brionne, e perdeo parte da aspereza sem perder o caracter.</p> - -<p><span class="pagenum" id="Page_150">[Pg 150]</span></p> - -<p class="center"><a href="#note9">(Ibid. <i>vers. 16.</i>)</a></p> - -<p class="poetry"> -<span style="margin-left: 7em;">E parecido</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Comtigo Trianon, Deosa, que o reges, etc.</span><br> -</p> - -<p>O pequeno Trianon, Jardim da Rainha, he modélo neste genero. Parece que -a riqueza foi nelle empregada sempre pelo gosto.</p> - -<p class="center"><a href="#note10">(Ibid. <i>vers. 20.</i>)</a></p> - -<p class="poetry"> -<span style="margin-left: 1em;">Grato asylo d’hum Principe adoravel,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Tu, cujo nome de apoucada idéa, etc.</span><br> -</p> - -<p>He o gracioso Jardim==Bagatela==composto com muita arte para o Conde de -Artois, e que tem a vantagem de se achar no meio de Bosque aprazivel, -que parece parte delle. O pavilhão he de huma elegancia rara. Não se -podérão nomear neste Poema outros agradaveis Jardins, feitos alguns -annos depois.</p> - -<p class="center"><a href="#note11">(<i>Pag. 29. vers. 8.</i>)</a></p> - -<p class="poetry"> -<span style="margin-left: 1em;">A arte os prometta, os olhos os esperem:</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Dá quem promette, quem espera goza.</span><br> -</p> - -<p>Este ultimo hemistichio vem n’uma Epistola de Saint Lambert; a -reminiscencia o introduzio neste Poema.</p> - -<p class="center"><a href="#note12">(Ibid. <i>vers. 30.</i>)</a></p> - -<p class="poetry"> -<span style="margin-left: 1em;">Entre Kent, e le Notre eu não decido, etc.</span><br> -</p> - -<p>Kent, Architecto, e famoso Desenhador em Inglaterra, foi o primeiro -que tentou felizmente o genero<span class="pagenum" id="Page_151">[Pg 151]</span> livre, que principia a lavrar por toda -Europa. Os Chinezes são sem dùvida seus inventores.</p> - -<p class="center"><a href="#note13">(<i>Pag. 33. vers. 34.</i>)</a></p> - -<p class="poetry"> -<span style="margin-left: 1em;">Attenta em Milton, etc.</span><br> -</p> - -<p>Muitos Inglezes querem que esta bella descripção do Paraiso Terreal, e -alguns lugares de Spencer, dessem a idéa do Jardim irregular; e posto -que he provavel, como já se disse, que este genero venha dos Chins, -o Author antepoz a authoridade de Milton como a mais poetica. Além -disso, julgou que se olharia com gosto a magnificencia toda do maior -Rei do Mundo, todos os milagres das Artes em opposição com os feitiços -da Natureza recente, com a innocencia das primeiras Creaturas que a -aformoseárão, e com o attractivo dos primeiros amores. Não traduzio, -nem tão pouco imitou Milton, que devia, e podia descrever mais -longamente o Eden.</p> -<hr class="chap x-ebookmaker-drop"> - -<div class="chapter"> -<p><span class="pagenum" id="Page_152">[Pg 152]</span></p> - -<h2 class="nobreak" id="NOTAS_DO_SEGUNDO_CANTO">NOTAS DO SEGUNDO CANTO.</h2> -</div> - - -<p class="center"><a href="#note14">(<i>Pag. 59. vers. 25.</i>)</a></p> - -<p class="poetry"> -<span style="margin-left: 6em;">Sempre verdes,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Oh Mouceaux, teus Jardins são disto exemplo.</span><br> -</p> - -<p>O Jardim de Inverno do Duque de Chartres, he com effeito, hum -encantamento. A estufa especialmente he huma das melhores que se -conhecem.</p> - -<p class="center"><a href="#note15">(<i>Pag. 67. vers. 34.</i>)</a></p> - -<p class="poetry"> -<span style="margin-left: 1em;">Moço Potaveri, tu disto és prova, etc.</span><br> -</p> - -<p>Este o nome de hum Habitante de O-taiti, conduzido a França por -Bougainville, célebre pelo seu valor, e constancia em varias acções, e -gloriosamente conhecido quer por Navegante, quer por Militar. O passo -que se refere, do Mancebo Otaitiano, he mui notorio, e interessante. Só -o que fez o Author foi alterar o lugar da Sena, que fingio no Jardim -Real das Plantas. Quizera pôr em seus versos toda a sensibilidade que -respira nas poucas palavras que o Moço proferio, abraçando a arvore -que havia conhecido, e que lhe recordou a Patria.==He O-taiti==dizia -elle==, e olhando para as outras arvores,==Não he O-taiti.==Assim -estas arvores, e a sua patria se identificavão no seu espirito. Julgou -o Author que este lance tão terno, e tão novo, poderia ministrar hum -bello Episodio.</p> - -<p><span class="pagenum" id="Page_153">[Pg 153]</span></p> - -<p class="center"><a href="#note16">(<i>Pag. 69. vers. 2.</i>)</a></p> - -<p class="poetry"> -<span style="margin-left: 1em;">Onde he sem pejo Amor, Amor sem crime.</span><br> -</p> - -<p>Observou-se em todos os Povos, onde a Sociedade tem feito curtos -progressos, huma certa innocencia nos costumes, muito diversa do -resguardo, e do pejo que sempre acompanhão a virtude nas Mulheres das -Nações polidas. Na Ilha de O-taiti, na maior parte das outras do Mar -do Sul, em Madasgacar, etc. as casadas julgão dever-se exclusivamente -a seus maridos, e quebrão raras vezes a lealdade conjugal; mas as -solteiras não escrupulizão em se entregar até á paixão momentanea que -os homens lhes inspirão. Não se sujeitão nem nas palavras, nem nos -modos, nem no vestido ao que olhamos como deveres do sexo feminino. Mas -isto he nellas simplicidade, não he corrupção: não desprezão as normas -da decencia, ellas as ignorão. Nestes Paizes a Natureza he grosseira, -mas não depravada. Eis o que se intentou exprimir naquelle verso.</p> -<hr class="chap x-ebookmaker-drop"> - -<div class="chapter"> -<p><span class="pagenum" id="Page_154">[Pg 154]</span></p> - -<h2 class="nobreak" id="NOTAS_DO_TERCEIRO_CANTO">NOTAS DO TERCEIRO CANTO.</h2> -</div> - - -<p class="center"><a href="#note17">(<i>Pag. 77. vers. 2.</i>)</a></p> - -<p class="poetry"> -<span style="margin-left: 1em;">Sei que em Harlem ha Curiosos tristes,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Que em seus Jardins co’as flores vão fechar-se.</span><br> -</p> - -<p>Harlem he Cidade de Hollanda, onde se commercia muito em flores, -e sabe-se a que extravagancia tem chegado os Floristas no amor á -raridade, e ás posses exclusivas.</p> - -<p class="center"><a href="#note18">(<i>Pag. 79. vers. 17.</i>)</a></p> - -<p class="poetry"> -<span style="margin-left: 1em;">Do cume dos Rochedos verdadeiros, etc.</span><br> -</p> - -<p>Em geral, não se podem imitar bem os rochedos, nem todos os grandes -effeitos da Natureza. Ella não consente á Arte emprehender estes -atrevimentos, salvo quando combate com todos os esforços, e cabedais -do engenho, e da opulencia. Assim se formou, segundo os desenhos -de Robert, o soberbo Rochedo de Versailles, cujo effeito só o póde -adivinhar a fantasia, que o vê d’ante mão toucado de vistosas arvores, -e ornado de toda quanta verosemelhança, e belleza póde só dar-lhe o -tempo.</p> - -<p class="center"><a href="#note19">(Ibid. <i>vers. 21.</i>)</a></p> - -<p class="poetry"> -<span style="margin-left: 1em;">Aos Campos de Midléton, ás Montanhas</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">De Dovedále te acompanho os passos,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">A ellas, Whateli, comtigo subo.</span><br> -</p> - -<p><span class="pagenum" id="Page_155">[Pg 155]</span></p> - -<p>São dois sitios de Inglaterra, famosos pelas fórmas pictorescas da sua -cadeia de rochedos, descriptos por Whateli, de que o Author, assim como -Morel, no seu formoso tratado dos Jardins, colhêrão algumas passagens, -tais como a cabana, e a ponte suspensas sobre despenhadeiros. Mas -Delille cuidou em exprimir de hum modo seu as sensações que nascem -destes aspectos medonhos.</p> -<hr class="chap x-ebookmaker-drop"> - -<div class="chapter"> -<p><span class="pagenum" id="Page_156">[Pg 156]</span></p> - -<h2 class="nobreak" id="NOTAS_DO_QUARTO_CANTO">NOTAS DO QUARTO CANTO.</h2> -</div> - - -<p class="center"><a href="#note20">(<i>Pag. 115. vers. 9.</i>)</a></p> - -<p class="poetry"> -<span style="margin-left: 1em;">Eia, imita o Poussin, etc.</span><br> -</p> - -<p>Este famoso quadro he certamente o melhor de todos os de Paizagens. -Senão soubessemos quanto a imaginação do Poussin se alimentou com as -producções dos grandes Poetas da Antiguidade, este painel bastaria -para o provar. Quasi todas as obras voluptuosas de Horacio tem o mesmo -caracter. Por toda a parte no seio dos prazeres, e das festas, aponta -ao longe a morte. Dai-vos pressa, (diz elle) quem sabe se á manhã -viveremos? Nosso fado he morrer; será forçoso deixar esta bella casa, -esta Mulher encantadora, e de todas as arvores que cultivais, só o -Cypreste, ai de mim! seguirá seu Senhor, mui pouco duravel.</p> - -<p>Esta mesma filosofia, colhida dos antigos Poetas, he a que dictou a -Chaulieu aquelles versos cheios de melancolia tão doce:==</p> - -<p class="poetry"> -<span style="margin-left: 1em;">Musas, que neste retiro</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Começastes meu prazer,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Plantas, que nascer me vistes,</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Cedo me vereis morrer.</span><br> -</p> - -<p>Estes contrastes de sensações, compostas de alegria, e tristeza, -agitando a alma em sentido contrario, fazem sempre huma impressão -profunda; e he o que obrigou o Author a colocar no meio das scenas -risonhas dos Jardins a vista melancolica dos sepulcros, e urnas -consagradas á Amizade, ou á Virtude.</p> - -<p><span class="pagenum" id="Page_157">[Pg 157]</span></p> - -<p class="center"><a href="#note21">(<i>Pag. 117. vers. 14.</i>)</a></p> - -<p class="poetry"> -<span style="margin-left: 1em;">De envelhecidos Teixos lá debaixo</span><br> -<span style="margin-left: 1em;">Não vês aquelles, etc.</span><br> -</p> - -<p>Nestes versos, dedicados ás sepulturas humildes dos Camponezes, o -Author imitou alguns versos do Cimiterio de Gray.</p> - -<p class="center"><a href="#note22">(<i>Pag. 135. vers. 9.</i>)</a></p> - -<p class="poetry"> -<span style="margin-left: 1em;">Mas longe os monumentos, cujo estrago, etc.</span><br> -</p> - -<p>Chabanon, em huma linda Epistola, escrita a favor dos Jardins -regulares, notou antes do Author dos Jardins, que os monumentos velhos -despertavão memorias, vantagem que não tem ruinas fingidas. Esta idéa -se acha em outras obras, e particularmente na de Whateli: demais, ella -he tão natural, que era facil achalla. Talvez o não fosse exprimilla -bem, mórmente depois de Chabanon; mas se o Author se encontrou com -elle, o que todavia cuidou em evitar, confessa, e repete, que os seus -versos são posteriores aos daquelle Poeta.</p> - -<p class="center"><a href="#note23">(<i>Pag. 143. vers. 12.</i>)</a></p> - -<p class="poetry"> -<span style="margin-left: 1em;">E tu, primariamente, Heroe Britanno, etc.</span><br> -</p> - -<p>Todos tem noticia das viagens instructivas, e animosas do afamado, -e desditoso Cook; todos sabem a ordem que Luiz XVI. deo para se lhe -respeitar o navio em todos os Mares, ordem que honra igualmente as -Sciencias, este illustre Viajante, e o Rei, de que elle, por assim -dizer, se tornou vassallo, com este novo genero de beneficencia, e -protecção.</p> - - -<p class="center p2">FIM DAS NOTAS.</p> - - -<div lang='en' xml:lang='en'> -<div style='display:block; margin-top:4em'>*** END OF THE PROJECT GUTENBERG EBOOK <span lang='pt' xml:lang='pt'>OS JARDINS OU A ARTE DE AFORMOSEAR AS PAISAGENS</span> ***</div> -<div style='text-align:left'> - -<div style='display:block; margin:1em 0'> -Updated editions will replace the previous one—the old editions will -be renamed. -</div> - -<div style='display:block; margin:1em 0'> -Creating the works from print editions not protected by U.S. copyright -law means that no one owns a United States copyright in these works, -so the Foundation (and you!) can copy and distribute it in the United -States without permission and without paying copyright -royalties. 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Information about the Mission of Project Gutenberg™ -</div> - -<div style='display:block; margin:1em 0'> -Project Gutenberg™ is synonymous with the free distribution of -electronic works in formats readable by the widest variety of -computers including obsolete, old, middle-aged and new computers. It -exists because of the efforts of hundreds of volunteers and donations -from people in all walks of life. -</div> - -<div style='display:block; margin:1em 0'> -Volunteers and financial support to provide volunteers with the -assistance they need are critical to reaching Project Gutenberg™’s -goals and ensuring that the Project Gutenberg™ collection will -remain freely available for generations to come. In 2001, the Project -Gutenberg Literary Archive Foundation was created to provide a secure -and permanent future for Project Gutenberg™ and future -generations. To learn more about the Project Gutenberg Literary -Archive Foundation and how your efforts and donations can help, see -Sections 3 and 4 and the Foundation information page at www.gutenberg.org. -</div> - -<div style='display:block; font-size:1.1em; margin:1em 0; font-weight:bold'> -Section 3. Information about the Project Gutenberg Literary Archive Foundation -</div> - -<div style='display:block; margin:1em 0'> -The Project Gutenberg Literary Archive Foundation is a non-profit -501(c)(3) educational corporation organized under the laws of the -state of Mississippi and granted tax exempt status by the Internal -Revenue Service. The Foundation’s EIN or federal tax identification -number is 64-6221541. Contributions to the Project Gutenberg Literary -Archive Foundation are tax deductible to the full extent permitted by -U.S. federal laws and your state’s laws. -</div> - -<div style='display:block; margin:1em 0'> -The Foundation’s business office is located at 809 North 1500 West, -Salt Lake City, UT 84116, (801) 596-1887. Email contact links and up -to date contact information can be found at the Foundation’s website -and official page at www.gutenberg.org/contact -</div> - -<div style='display:block; font-size:1.1em; margin:1em 0; font-weight:bold'> -Section 4. Information about Donations to the Project Gutenberg Literary Archive Foundation -</div> - -<div style='display:block; margin:1em 0'> -Project Gutenberg™ depends upon and cannot survive without widespread -public support and donations to carry out its mission of -increasing the number of public domain and licensed works that can be -freely distributed in machine-readable form accessible by the widest -array of equipment including outdated equipment. Many small donations -($1 to $5,000) are particularly important to maintaining tax exempt -status with the IRS. -</div> - -<div style='display:block; margin:1em 0'> -The Foundation is committed to complying with the laws regulating -charities and charitable donations in all 50 states of the United -States. Compliance requirements are not uniform and it takes a -considerable effort, much paperwork and many fees to meet and keep up -with these requirements. We do not solicit donations in locations -where we have not received written confirmation of compliance. To SEND -DONATIONS or determine the status of compliance for any particular state -visit <a href="https://www.gutenberg.org/donate/">www.gutenberg.org/donate</a>. -</div> - -<div style='display:block; margin:1em 0'> -While we cannot and do not solicit contributions from states where we -have not met the solicitation requirements, we know of no prohibition -against accepting unsolicited donations from donors in such states who -approach us with offers to donate. -</div> - -<div style='display:block; margin:1em 0'> -International donations are gratefully accepted, but we cannot make -any statements concerning tax treatment of donations received from -outside the United States. U.S. laws alone swamp our small staff. -</div> - -<div style='display:block; margin:1em 0'> -Please check the Project Gutenberg web pages for current donation -methods and addresses. 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Thus, we do not -necessarily keep eBooks in compliance with any particular paper -edition. -</div> - -<div style='display:block; margin:1em 0'> -Most people start at our website which has the main PG search -facility: <a href="https://www.gutenberg.org">www.gutenberg.org</a>. -</div> - -<div style='display:block; margin:1em 0'> -This website includes information about Project Gutenberg™, -including how to make donations to the Project Gutenberg Literary -Archive Foundation, how to help produce our new eBooks, and how to -subscribe to our email newsletter to hear about new eBooks. -</div> - -</div> -</div> -</body> -</html> diff --git a/old/69209-h/images/000.jpg b/old/69209-h/images/000.jpg Binary files differdeleted file mode 100644 index ae9155f..0000000 --- a/old/69209-h/images/000.jpg +++ /dev/null diff --git a/old/69209-h/images/001.jpg b/old/69209-h/images/001.jpg Binary files differdeleted file mode 100644 index b90c025..0000000 --- a/old/69209-h/images/001.jpg +++ /dev/null diff --git a/old/69209-h/images/002.jpg b/old/69209-h/images/002.jpg Binary files differdeleted file mode 100644 index 0d964c2..0000000 --- a/old/69209-h/images/002.jpg +++ /dev/null diff --git a/old/69209-h/images/003.jpg b/old/69209-h/images/003.jpg Binary files differdeleted file mode 100644 index 40e2e65..0000000 --- a/old/69209-h/images/003.jpg +++ /dev/null diff --git a/old/69209-h/images/004.jpg b/old/69209-h/images/004.jpg Binary files differdeleted file mode 100644 index bdc3121..0000000 --- a/old/69209-h/images/004.jpg +++ /dev/null diff --git a/old/69209-h/images/cover.jpg b/old/69209-h/images/cover.jpg Binary files differdeleted file mode 100644 index 03af2fb..0000000 --- a/old/69209-h/images/cover.jpg +++ /dev/null |
