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diff --git a/35324-h/35324-h.htm b/35324-h/35324-h.htm new file mode 100644 index 0000000..81c44e5 --- /dev/null +++ b/35324-h/35324-h.htm @@ -0,0 +1,1392 @@ +<!DOCTYPE HTML PUBLIC "-//W3C//DTD HTML 4.0 Transitional//EN"> +<html lang="pt"> +<head> + <title>Isabel de Aragão: a rainha Santa</title> + <meta name="Author" content="..."> + <meta name="Edition" content="Coimbra: Gráfica Conimbricense, 1921"> + <meta http-equiv="content-type" content="text/html; charset=iso-8859-15"> + <style type="text/css"> + body{margin-left: 10%; + margin-right: 10%; + } + .pn { + text-indent: 0em; + position: absolute; + left: 93%; + font-size: 7pt; + text-align: right; + color: gray; + } + blockquote {margin: 1em; margin-left: 3em; padding: 1em;} + .capa p {margin: 0;} + #corpo p.centrado{text-align: center; text-indent: 0;} + #corpo p.ni{text-indent: 0;} + #corpo p.inv{text-indent: -2em; margin-left: 2em;} + #corpo p {text-align: justify; text-indent: 1em;} + h1,h2,h3 {text-align: center; margin-top: 2em; margin-bottom: 2em;} + hr {border: 0; border-bottom: solid 2px;} + .rodape { + font-size: small; + margin-left: 2em; + margin-right: 2em; + } </style> +</head> + +<body> + + +<pre> + +The Project Gutenberg EBook of Isabel d'Aragão a Rainha Santa, by Anonymous + +This eBook is for the use of anyone anywhere at no cost and with +almost no restrictions whatsoever. You may copy it, give it away or +re-use it under the terms of the Project Gutenberg License included +with this eBook or online at www.gutenberg.org + + +Title: Isabel d'Aragão a Rainha Santa + Historia sucinta da sua vida, morte e excelsas virtudes + +Author: Anonymous + +Release Date: February 19, 2011 [EBook #35324] + +Language: Portuguese + +Character set encoding: ISO-8859-1 + +*** START OF THIS PROJECT GUTENBERG EBOOK ISABEL D'ARAGÃO A RAINHA SANTA *** + + + + +Produced by Pedro Saborano + + + + + +</pre> + +<p> </p> + +<div style="text-align:center;padding: 1em;border: solid 2px #000;"> +<p style="font-size: 1.8em;">ISABEL D'ARAGÃO</p> + +<p style="font-size: 1.2em;">A</p> + +<p style="font-size: 2.5em;">RAINHA SANTA</p> + +<p>———</p> + +<p style="font-size: 1.2em;">HISTORIA SUCINTA DA SUA VIDA, MORTE E EXCELSAS VIRTUDES</p> + +<p>———</p> + +<p style="font-size: 1.3em;">DEDICADA AOS FIEIS</p> + +<p> </p> + +<p><img src="images/logo.png" border="0" width="200" alt="Logotipo"></p> + +<p> </p> + +<p>COIMBRA</p> + +<p style="font-size: 0.8em;">GRAFICA CONIMBRICENSE, LIMITADA</p> + +<p>—</p> + +<p>1921</p> +</div> + +<p> </p> + +<div style="text-align:center;padding: 1em;"> +<p style="font-size: 1.8em;">ISABEL D'ARAGÃO</p> + +<p style="font-size: 1.2em;">A</p> + +<p style="font-size: 2.5em;">RAINHA SANTA</p> + +<p>———</p> + +<p style="font-size: 1.2em;">HISTORIA SUCINTA DA SUA VIDA, MORTE E EXCELSAS VIRTUDES</p> + +<p>———</p> + +<p style="font-size: 1.3em;">DEDICADA AOS FIEIS</p> + +<p> </p> + +<p><img src="images/logo.png" border="0" width="200" alt="Logotipo"></p> + +<p> </p> + +<p>COIMBRA</p> + +<p style="font-size: 0.8em;">GRAFICA CONIMBRICENSE, LIMITADA</p> + +<p>—</p> + +<p>1921</p> +</div> + +<p> </p> + +<p> <span class="pn">{3}</span></p> + +<p> </p> + +<div id="corpo"> +<h1>PRÓLOGO</h1> + +<p>Muito se tem escrito ácerca da vida da excelsa e virtuosissima D. Isabel +d'Aragão, Esposa d'el-rei D. Dinís; mas impunha-se ha muito a publicação dum +folheto, como este, que sendo conciso na sua descrição não deixasse de relatar +os factos que mais distinguiram Aquela que a cidade de Coimbra escolheu para +sua Augusta Padroeira e Protectora.</p> + +<p>O que o autor deste folheto teve em vista foi facultar aos fieis, com grande +economia de preço, um livrinho de leitura facil e corrente, ao alcance de +todos, onde a historia sagrada da Rainha Santa possa deixar bem arreigada no +espirito dos crentes a obra sublime, verdadeiramente maravilhosa, que lhe +concedeu logar na côrte celestial.</p> + +<p>As notas que colhemos foram, principalmente, extraídas do monumental +trabalho de investigação historica do Ex.<sup>o</sup> Sr. Dr. Antonio Garcia +Ribeiro de Vasconcelos, na sua tão apreciada obra <em>D. Isabel d' +Aragão</em>.<span class="pn">{4}</span></p> + +<p class="centrado">*<br> +* *</p> + +<p>A fama de santidade da Rainha Santa Isabel estende-se por todo Portugal e +por muitas terras de Hespanha. Em Coimbra, porém, é tão grande que em parte +alguma do nosso país se realizam festas tão pomposas em honra dum santo, como +nesta cidade, onde concorrem para mais de 50:000 pessoas por essa ocasião.</p> + +<p>É nos momentos de luta pela adversidade da vida que os conimbricenses, +principalmente, recorrem á protecção da Rainha Santa na sua fervorosa suplica, +e se nem sempre logram alcançar a satisfação das suas preces, é já poderoso +linitivo para a sua dôr a lembrança de que Ela nunca desamparou os infelizes +com a sua divina graça.</p> + +<p>Isabel d'Aragão tendo sido um grande exemplo de virtudes, deu tambem uma +prova bem frisante do seu amor a Coimbra, determinando em seu testamento que o +seu corpo sagrado repousasse no mosteiro de Santa Clara desta cidade, onde Ela +esteve clausurada e donde foi trasladado o seu corpo para o novo mosteiro do +mesmo nome.</p> + +<p>É, pois, pouco quanto façam os conimbricenses em honra da memoria sagrada da +Sua excelsa Padroeira.<span class="pn">{5}</span></p> + + + +<h1>CAPITULO I</h1> + + + +<h2>Nascimento da Rainha Santa</h2> + + + +<h3>Da côrte de Aragão ao Trono de Portugal</h3> + +<p>A Rainha Santa Isabel, que Coimbra se ufana de ter como desvelada Protectora +e valiosa Padroeira, nasceu na cidade de Saragoça (Espanha), no ano de 1271.</p> + +<p>Filha do Principe real D. Pedro de Aragão e de sua esposa D. Constança, o +seu nascimento foi desde logo iluminado pela graça divina, pois que seu avô, +El-rei D. Jaime, que até aí vivia em grande discordia com D. Pedro de Aragão, +imediatamente se congraçou com este, passando ambos a viver na mais doce +harmonia.</p> + +<p>Assim demonstrou Deus aos homens que esta menina estava reservada a ser na +terra a medianeira da paz, o Anjo predestinado a estabelecer a harmonia e a +concordia entre os desavindos, facto que mais tarde, quando Rainha de Portugal, +se verificou nas diversas desavenças entre seu esposo El-rei D. Dinís e seu +filho D. Afonso IV.</p> + +<p>A Rainha Santa Isabel foi, como já dissemos, aureolada desde o seu +nascimento pela graça do Senhor. As suas preciosas virtudes bem cedo se +revelaram, crescendo nela com a idade a fama que tanto a impôs á consideração +de todas as côrtes da Europa, facto que despertou em bastantes principes o +desejo de possuirem como esposa tão excelsa senhora.<span class="pn">{6}</span></p> + +<p>Foi á côrte de Portugal, felizmente, que coube a suprema ventura de ser a +preferida entre todas as outras, merecendo El-rei D. Dinís a gloria de ter como +consorte um tesouro de tantas virtudes e de tão preciosos encantos.</p> + +<p class="centrado">*<br> +* *</p> + +<p>O casamento de D. Dinís com D. Isabel celebrou-se por procuração na antiga +cidade de Barcelona, tendo lugar este acto no dia 11 de Fevereiro de 1282 e +contando a futura Rainha de Portugal apenas 11 anos de idade. Êste auspicioso +enlace constituiu um motivo de grande regosijo para todos os portugueses, +antevendo estes os enormes beneficios deste casamento, o qual foi muito +festejado e aclamado em todo o país com demonstrações de grande alegria e +verdadeira satisfação.</p> + +<p>A saída de D. Isabel para Portugal causou a seus pais grandes tristesas, +custando-lhes imenso essa separação pelas profundas saudades que D. Isabel +deixava em todos os corações que muito a estremeciam.</p> + +<p>De Espanha até Coimbra foi a excelsa Rainha delirantemente aclamada por todo +o povo que acorria á sua passagem, salientando-se mais essas carinhosas +manifestações na antiga vila de Trancoso, onde, no dia 24 de Junho de 1282, no +templo de S. Bartolomeu, se celebraram com toda a pompa as bençãos nupciais.</p> + +<p>Em Coimbra, onde a esse tempo residia a côrte juntamente com a principal +nobresa do reino, as manifestações de contentamento e alegria pela chegada dos +régios nubentes, atingiram o mais delirante entusiasmo, conquistando logo a +Rainha D. Isabel a simpatia e o amor dum povo que, mais tarde, havia de herdar +o seu mais precioso tesouro—o sagrado corpo que todos<span class="pn">{7}</span> hoje veneramos—e +que esta cidade conserva com a mais desvelada e respeitosa devoção.</p> + +<p>As manifestações de regosijo com que a cidade recebeu os régios consortes +foram, pois, verdadeiramente grandiosas, vestindo a cidade as suas melhores +galas para bem lhes significar o contentamento de que se achava possuida por +motivo daquele enlace, cujos efeitos tanto se evidenciaram na vida da nação +portuguesa, e de que Coimbra comparticipou em larga escala pelos benéficos +actos de caridade que a Santa Rainha espalhou por toda a parte.</p> + +<p>Foi nesta cidade, principalmente, que D. Isabel de Aragão manifestou mais +claramente a pureza da sua alma. Os actos de caridade que praticou, os socorros +por ela prestados á indigencia, aos órfãos, ás viúvas e ás donzelas +abandonadas, foram os primeiros lavores que lhe teceram a sua coroa de gloria; +a fundação de asilos, de albergues e de hospitais, que a sua magnificencia +sustentou e onde se recolhia uma legião de infelizes, originou, sem duvida, a +fama de santidade que bem cedo a distinguiu e que, mais tarde, a 25 de Maio de +1625, dia da Santíssima Trindade, a Igreja confirmou, englobando-a no numero +dos eleitos do Senhor.</p> + + + +<h1>CAPITULO II</h1> + + + +<h2>Actos de Caridade</h2> + +<p>Se durante a vida de El-rei D. Dinís a acção da Rainha Santa foi um +constante manancial de actos virtuosos, a partir do momento da sua viuvês, a +sua acção tornou-se verdadeiramente exemplar.<span class="pn">{8}</span></p> + +<p>O numero de factos que desde então assinalam tão gloriosa existencia na +terra, mais e mais fazem arreigar na alma do povo a convicção dos designios de +Deus por Ela tão santamente interpretados.</p> + +<p>Sem todavia esquecer os deveres de Rainha, que lhe absorviam uma grande +parte dos seus cuidados, e não poucas vezes foram motivo de profundos +desgostos, D. Isabel de Aragão cinge livremente o hábito de freira Clarista e +volvendo os olhos piedosos para um mais largo horisonte, consagra-se +completamente a obras de caridade, fundando e auxiliando hospicios e asilos, +nos quais se albergam, sob a sua protecção, muitas infelizes que se regeneraram +pelos seus conselhos e alcançaram na terra a felicidade que só sabem gosar as +almas puras e simples.</p> + +<p>Querendo encaminhar-se pela estrada luminosa que da terra se eleva até Deus, +um dos seus primeiros cuidados, ao ver-se cingida pela roupagem da viuvês, foi +trocar os faustos das glorias terrenas pela humildade da clausura a que, como +já dissemos, livremente se sujeitou.</p> + +<p class="centrado">*<br> +* *</p> + +<p>Junto dos seus Paços riais corriam vagarosamente as obras para a fundação do +Convento de Santa Clara, obras que prometiam eternizar-se por demandas entre os +frades Cruzios e D. Maior Dias, fundadora daquele convento, e que certamente +ficariam incompletas se não fosse o auxilio e protecção que a Rainha Santa +dispensou para a sua rapida conclusão.</p> + +<p>Uma vez concluido, cuidou logo a Rainha Santa em fundar junto deste convento +um asilo para órfãos e para a pobresa envergonhada, chamando para junto de<span class="pn">{9}</span> +si algumas amas de leite com o encargo de alimentarem as crianças +desvalidas!</p> + +<p>A maior parte do seu tempo tinha-o a Rainha Santa distribuido por forma a +satisfazer os seus deveres de Rainha e cristã; o restante empregava-o no +ministerio da caridade visitando os asilados, a quem não só consolava com a sua +palavra, mas muitas vezes servia de carinhosa enfermeira curando as chagas que +lhes corroiam o corpo.</p> + +<p>Nesta e em muitas outras obras de verdadeira abnegação dispendia a Rainha +Santa quasi toda a sua fortuna. Com o auxilio de Deus, a quem firmemente +procurava engrandecer com os merecimentos das suas preciosas virtudes, nunca a +Rainha Santa lutou com dificuldades para se desempenhar da sua nobre missão. Os +proventos de que dispunha parece que tinham o condão de se multiplicar e, se +algumas vezes houve em que o seu socorro tinha de fazer face a maiores +calamidades, então eram as Rosas que, adquirindo a forma de oiro reluzente, +premiavam os seus actos de caridade e satisfaziam os encargos adquiridos para +garantir o pão aos famintos!</p> + +<p>Da sua vida, tão brilhantemente documentada na preciosa obra de S. Ex.ª o +sr. Dr. Antonio Garcia Ribeiro de Vasconcelos, erudito professor da +Universidade de Coimbra<a name="tex2html1" href="#foot143"><sup>[1]</sup></a>, +constam muitos e importantes factos da vida gloriosa da Rainha Santa, +traduzidos todos eles nos mais altos beneficios em favor dos +desprotegidos.<span class="pn">{10}</span></p> + + + +<h1>CAPITULO III</h1> + + + +<h2>Morte da Rainha Santa</h2> + +<p>Em Junho de 1336 teve a Rainha Santa conhecimento de que seu filho D. Afonso +IV e seu neto D. Afonso XI, rei de Castela, se haviam indisposto por motivo de +graves acontecimentos, tendo-se declarado a guerra entre aqueles dois poderosos +monarcas.</p> + +<p>Quando a Rainha Santa soube de tal resolução imediatamente se resolveu a +partir para Estremoz, lugar onde a esse tempo estava seu filho acompanhado de +toda a Côrte.</p> + +<p>Êste propósito foi prudentemente combatido pelos medicos da Rainha Santa, os +quais, temendo mais o excesso do calor e a fadiga dessa longa viagem do que a +idade da virtuosa Senhora, se apressaram a demovê-la dessa resolução. Inuteis +rogos e infrutiferas tentativas! A Rainha Santa, despresando esses bons +conselhos e animada sómente em restabelecer a paz entre os reis +desavindos—filho e neto—, parte apressadamente de Coimbra, caminhando sob um +sol abrasador, e chega finalmente junto das fortalezas de Estremoz, abatida e +fatigada, mas cheia de animo para cumprir a sua carinhosa missão.</p> + +<p>Logo que a sua chegada é conhecida no acampamento de D. Afonso IV, +imediatamente se suspendem as hostilidades e todos se abeiram do leito da +Rainha Santa para lhe prodigalizarem os cuidados que a sua melindrosa saude +exigia.</p> + +<p>Baldados esforços porque o mal agravava-se de momento para momento. Uma +pústula que rapidamente<span class="pn">{11}</span> lhe apareceu num braço tornou mais melindroso o +seu estado e, no dia 4 de Julho, manhã cedo, a Rainha Santa declarou que queria +receber os ultimos Sacramentos. Na tarde desse mesmo dia as forças principiaram +a faltar-lhe, a Rainha Santa vê que é chegada a sua ultima hora, e erguendo o +pensamento até ao Ceu, encarrega a Mãe de Deus de lhe receber a alma, +pronunciando com toda a suavidade estes versos do hino eclesiastico:</p> + +<blockquote> + Mãe de graças e Misericordia <br> + Maria piedosa e forte: <br> + Livra a minha alma, recebe-a <br> + Na hora da minha morte. </blockquote> + +<p>A seguir recita com visivel comoção algumas orações; os olhos fecham-se +lentamente, o peito deixa de arfar, e todos os presentes, estupefactos ante +aquele quadro tão emocionante, compreendem que a alma pura da Rainha Santa, +solta do seu veneravel corpo, subia aos céus a receber o premio das suas +virtudes, descançando para sempre na paz do Senhor, onde eternamente gosará a +bemaventurança com que Deus premeia os seus eleitos.</p> + +<p class="centrado">*<br> +* *</p> + +<p>É, pois, no reino celestial que a nossa Santa Protectora está recebendo o +premio das suas boas acções e dos seus constantes trabalhos. Ali, no seio de +Deus, junto da Virgem Santissima, intercede pelo seu povo, por aqueles que a +ela recorrem com a alma angustiada pelas dôres humanas, e que jamais esquecem o +seu nome para lhe tributar as homenagens do seu reconhecimento. Essas +homenagens concretizam-se no culto<span class="pn">{12}</span> fervoroso de todos os portugueses pela +Santa Rainha e, mui especialmente, do povo de Coimbra que por Ela nutre o maior +respeito e a mais significativa devoção.</p> + + + +<h1>CAPITULO IV</h1> + + + +<h2>Trasladações</h2> + + + +<h3>I</h3> + +<p>Logo que a Rainha Santa entregou a sua alma a Deus, o primeiro cuidado da +côrte foi escolher local para depositar o corpo de tão excelsa Senhora, +opinando uns para que fôsse sepultado no Convento dos Franciscanos, em +Estremoz, e outros para que fôsse trasladado para a Sé de Evora, a cidade mais +proxima daquela terra. Por conselho de El-rei procurou-se o testamento de D. +Isabel e vendo-se por ele que a Rainha Santa queria ser sepultada em Coimbra, +na Igreja de Santa Clara, foi respeitada esta vontade, dando-se logo ordens +para se pôr em pratica o desejo ali expresso.</p> + +<p>Apezar das opiniões em contrario, prevaleceram as determinações de +El-rei.</p> + +<p>O prestito funebre saiu de Estremoz na tarde do dia 5 de julho e, em marchas +apressadas, chegou a Coimbra no dia 11 do mesmo mês, tendo atravessado tão +longo percurso debaixo dum sol abrazador.</p> + +<p>As inumeras pessoas que constituiam o prestito funebre foram tomadas de +verdadeiro espanto quando, ao 3.º dia de viagem, notaram que o ataúde onde +vinha o corpo de Santa Isabel principiava de abrir algumas fendas, escorrendo +por entre elas um liquido que todos supozeram ser proveniente da decomposição +do cadaver.<span class="pn">{13}</span></p> + +<p>Mas, feliz engano! Esse liquido, longe de exalar qualquer cheiro +desagradavel, antes era ameno e consolador, espalhando no espaço um tal aroma +que aqueles que a principio se sentiam inquietos e desconfiados, logo se +aproximaram do ataúde, louvando o Senhor por esta manifestação da sua +omnipotencia.</p> + +<p>Quando o cortejo chegou a Coimbra deram-se então scenas comovedoras e +lancinantes entre a população citadina. Todos á porfia queriam beijar o ataúde +onde vinha a sua Protectora, a sua desvelada Bemfeitora, ouvindo-se choros de +verdadeiro compungimento pela morte da virtuosa Rainha, cujo passado tinha sido +um manancial de graças e bondade!</p> + +<p>Quando o ataúde deu entrada na igreja de Santa Clara muita gente supôs que o +corpo da Rainha Santa seria exposto à veneração do publico. Tal se não deu; no +dia seguinte, 12 de Julho, é que se celebraram os oficios divinos por alma de +D. Isabel, sendo estes actos revestidos de toda a solenidade e com a +assistencia de alguns Prelados, Professores da Universidade, Rei, Cabido e +muitos religiosos das diversas ordens.</p> + +<p>Logo que eles terminaram, foi o ataúde transportado para uma capela que a +Rainha Santa havia mandado edificar ao fundo da Igreja e na qual estava o +tumulo de pedra que em sua vida também mandara construir <em>(fig. 1)</em>.</p> + +<p>Foi dentro dêste precioso moimento de pedra, ricamente cinzelado, que se +colocou o ataúde tal qual veiu de Estremoz, envolvido numa pele de boi e com um +pano de brocado repregado por cima.</p> + +<p>Sobre o ataúde colocaram o bordão de peregrina e uma bolsa que o arcebispo +de S. Tiago de Galiza ofereceu à Rainha Santa quando ela visitou esta +cidade,<span class="pn">{14}</span> sendo em seguida fechado o tumulo com a pesada pedra que ainda +hoje o cobre e na qual vemos representada a figura da Rainha Santa com habito +de freira.</p> + +<p>Assim se conservou até ao dia 26 de Março de 1612, 276 anos depois da sua +morte, dia em que foi aberto por consentimento do Sumo Pontifice.</p> + +<div class="ilustracao"> + +<p class="centrado"> +<img src="images/fig1.png" border="0" width="100%" alt="Túmulo de Pedra"> +<br> +(Fig. 1)</p> +</div> + +<p>Esta cerimonia, que se tornou necessaria para se proceder ao processo de +canonização de D. Isabel, foi presidida pelo Bispo de Coimbra D. Afonso de +Castelo Branco, e tendo como assistentes D. Martim Afonso, Bispo de Leiria, Dr. +Francisco Vaz Pinto, dois medicos, um cirurgião e algumas testemunhas a quem +foi confiado o encargo de examinarem os restos mortais da Rainha Santa.</p> + +<p>Pedimos licença para trasladar para aqui o relato que sobre esta cerimónia +encontramos no autorizado<span class="pn">{15}</span> livrinho—<em>Historia Popular da Rainha Santa +Isabel—Protectora de Coimbra</em>.........</p> + +<p>«Subindo à capela superior, onde estava o tumulo, e analisando-o com todo o +cuidado por fóra, acharam-no exactamente como havia ficado 276 anos antes, +quando sobre ele se colocara a tampa, depois de introduzido o ataúde que +encerrava o corpo. Apenas a piedade dos fieis o havia rodeado de demonstrações +da fé e amor que os prendia Áquela cujos restos ali estavam encerrados.</p> + +<p>«Ninguem sabia se o tumulo continha sómente os ossos da santa Esposa de D. +Dinís, se mais alguma cousa que ainda restasse do corpo e mortalhas; por isso +todos estavam anciosos por que o tumulo se abrisse.</p> + +<p>«Retirada a pedra, encontrou-se a bolsa e o bordão de peregrina, que foram +pelo bispo-conde entregues à guarda das religiosas.</p> + +<p>«O ataúde ainda se achava envolvido em restos da pele de boi e da tela +vermelha que havia sido repregada por cima.</p> + +<p>«Com dificuldade se despregou a taboa superior do ataúde, cortaram-se à +tesoura os numerosos envoltorios em que a santa Rainha fora amortalhada em +Extremoz, antes de ser metida no caixão, os quais, se encontraram com admiração +de todos, em perfeito estado de conservação, como se ali tivessem sido +colocados pouco antes.</p> + +<p>«Por fim descobriu-se o rosto, peito e braço direito da nossa excelsa +Protectora. Todos cairam de joelhos, estupefactos pelo grande milagre que +viam!</p> + +<p>«O corpo achava-se inteiro e incorrupto, branco como se fosse de cera, a +cabeça coberta de louros cabelos,<span class="pn">{16}</span> perfeitamente seguros na pele, a boca e +olhos fechados e bem compostos, tendo impresso na fisionomia o cunho da bondade +e majestade que haviam sido apanagio da Rainha Santa. Vestia o habito de +estamenha das freiras de santa Clara, e um pano branco de linho envolvia-lhe a +cabeça. Do ataúde saia aroma suave.</p> + +<p>«Á vista de tal milagre as religiosas cantaram o hino do velho Simeão, +dizendo: <em>Agora, Senhor, já podeis deixar-nos morrer em paz, porque os +nossos olhos viram as grandes maravilhas do vosso poder</em>.</p> + +<p>«Feito pelos medicos e cirurgião o exame minucioso que se lhes pedia, +concertaram-se de novo as mortalhas, o tumulo fechou-se, e de tudo se lavrou o +auto competente».</p> + + + +<h3>II</h3> + +<p>Com o decorrer do tempo e as sucessivas enchentes do rio Mondego muito grave +se tornou a vida monástica no convento fundado pela Rainha Santa. Como as +invernias ameaçassem sepultar nas areias daquele rio as paredes do convento, as +religiosas reciavam, e com razão, ficar sepultadas sob os seus escombros, +perdendo-se neles todas as preciosidades que enriqueciam a Igreja e entre as +quais devemos destacar o precioso corpo da Rainha Santa.</p> + +<p>Em vista, pois, dos graves e constantes perigos a que estava sujeita a +comunidade do velho mosteiro, dignou-se El-rei D. João IV ouvir os rogos das +religiosas claristas e mandou erigir no monte da Senhora da Esperança um novo +convento para sua habitação.</p> + +<p>As obras deste grandioso edificio, que se prolongaram durante muito tempo, +foram iniciadas no dia 5 de julho de 1649 e só no dia 29 de Outubro de +1677,<span class="pn">{17}</span> 28 anos depois, êle estava apto a receber as referidas +religiosas.</p> + +<p>Por ordem do Principe regente D. Pedro, 2.º filho de D. João IV, procedeu-se +no dia 27 de Outubro daquele ano á abertura do túmulo da Rainha Santa, +assistindo a este acto alguns representantes da Côrte, 8 Bispos. Professores da +Universidade e muitos religiosos das diversas ordens de Coimbra. Como se +verificasse que o caixão que guardava o corpo da Rainha Santa estava um tanto +deteriorado, logo se procedeu á construção dum outro que o substituisse e para +o qual foi mudado o corpo da veneranda Padroeira de Coimbra. Durante esta +operação quiz o acaso que se soltassem algumas pregas das roupagens que +envolviam os despojos de Santa Isabel, podendo assim todos os presentes ver a +mão direita desta virtuosa Rainha, alva como a neve, e em tão perfeito estado +de conservação que logo provocou o natural e piedoso desejo de ser osculada, +como o foi com efeito, por todos aqueles que tiveram a suprema felicidade de +ali estar reunidos.</p> + +<p>Duraram os preparativos da trasladação para o novo convento ainda 2 dias e, +em 29 de Outubro, foi a Rainha Santa para ali conduzida procissionalmente, +acompanhada de muitos milhares de pessoas, e tendo de atravessar por entre duas +alas compactas de povo que se estendiam até ao novo convento.</p> + +<p>Como a essa data não estivesse ainda concluida a Igreja que hoje admiramos, +foi o corpo da Rainha Santa conduzido para uma pequena sala existente ao fundo +do côro, colocando-se então no precioso e riquíssimo túmulo de prata <em>(fig. +2)</em> que D. Afonso de Castelo Branco, um dos mais notaveis Prelados desta +diocese, mandara fabricar, e no qual ainda hoje se guarda o<span class="pn">{18}</span> precioso +tesouro que Coimbra venera com o maior respeito e o mais devotado amor!</p> + +<p class="centrado">*<br> +* *</p> + +<p>Concluida que foi a Igreja de Santa Clara, procedeu-se no dia 3 de julho de +1696 a nova trasladação da Rainha Santa para a tribuna da Capela-mór, lugar em +que esteve durante muitos anos e donde teve de mudar-se por causa da invasão +dos francêses.</p> + +<div class="ilustracao"> +<p class="centrado"> +<img src="images/fig2.png" border="0" width="100%" alt="Túmulo de Prata"> +<br>(Fig. 2)</p> +</div> + + +<p>No dia 1 de Outubro de 1810 tiveram as freiras conhecimento de que os +soldados de Massena, enfurecidos com a derrota que tiveram no Bussaco dias +antes, vinham a caminho de Coimbra. Sabedoras do pouco respeito que aos +soldados franceses mereciam as preciosidades do nosso país, apressaram-se elas +em esconder as melhores alfaias do Convento e, apressadamente, retiraram tambem +do seu lugar o tumulo da Rainha Santa, o objecto da sua mais estremecida +estima, indo ocultá-lo numa cela do dormitorio, a última do lado esquerdo, onde +dois pedreiros de absoluta confiança o<span class="pn">{19}</span> entaiparam sob um arco que +engenhosamente foi disfarçado com uma cortina de alvenaria.</p> + +<p>Aí se conservou o tumulo da Rainha Santa até ao ano de 1814, data em que se +estabeleceu a paz geral, sendo então novamente mudado para o seu lugar com +grande regosijo das freiras claristas e ainda mais do povo de Coimbra que +anciosamente desejava acercar-se do tumulo da sua desvelada Protectora, da sua +excelsa Padroeira.</p> + +<p class="centrado">*<br> +* *</p> + +<p>Infelizmente não pararam aqui as mudanças a que esteve sujeito o túmulo da +Rainha Santa.</p> + +<p>Quando em 1852 D. Miguel visitou esta cidade, resolveram as freiras, +certamente no proposito de ver tambem a Rainha Santa, mudar o seu tumulo para o +côro superior da Igreja. Com efeito, no dia 21 de Outubro daquele ano, foi D. +Miguel a Santa Clara e aí, na presença das pessoas do seu séquito, foi aberto o +caixão onde está o corpo da excelsa Rainha, esposa de D. Dinís.</p> + +<p>Para o mesmo efeito foi ainda o tumulo da Rainha Santa mudado no ano de +1852, por ocasião da visita de D. Maria II a Coimbra, e em 1860 quando aqui +esteve El-rei D. Pedro V. De então até 1912 conservou-se sempre o tumulo da +Rainha Santa no referido côro.</p> + +<p>Como a esta data o convento de Santa Clara não tivesse já quem zelosamente +pudesse cuidar do tumulo da Rainha Santa, e porque o local onde êle estava não +oferecia as necessarias condições de segurança, podendo facilmente ser violado +por aqueles que vieram estabelecer residencia neste convento, praticando talvez +um desacato que ferisse profundamente as crenças dos devotos da Rainha Santa, +conseguiu a Mesa desta Confraria que o<span class="pn">{20}</span> tumulo fôsse mudado para o lugar +que lhe era mais proprio, a tribuna da Capela-mór da Igreja, lugar onde agora +se conserva e, segundo cremos, se conservará definitivamente. Porque esta +mudança se deu em nossos dias, podemos aqui reproduzir com toda a fidelidade a +forma como ela decorreu, louvando nós o Senhor por nos dar ocasião de +presenciar tão emocionante como piedoso acto, cuja descrição respigamos dum +jornal desta terra<a name="tex2html2" href="#foot144"><sup>[2]</sup></a>.</p> + + + +<p>«Do côro superior da Igreja de Santa Clara, foi no domingo trasladado para a +tribuna da Capela-mor da mesma Igreja, o riquíssimo túmulo de prata e a +respectiva urna que encerram o venerando corpo da Rainha Santa.</p> + +<p>«Esta trasladação, sem dúvida motivada pelos rumores que corriam nesta +cidade, rumores estes em que se salientavam até actos menos respeitosos, fez-se +com a possível reserva afim de evitar aglomerações nada convenientes ao bom +êxito da trasladação.</p> + +<p>«Ainda assim, o número de pessoas que se reuniu no templo de Santa Clara, na +ância de assistir a tão piedoso acto, foi elevado, vendo-se ali representadas +muitas das principais famílias de Coimbra.</p> + +<p>«Perto das 5 horas da tarde, quando estavam concluídos os preparativos para +a deslocação do túmulo, a entrada no côro foi rigorosamente interceptada, +ficando ali apenas, além do pessoal necessário para a trasladação, os srs. +Francisco José da Costa e Antonio Augusto Lourenço, da Mesa da Rainha Santa; +Francisco Nazaré,<span class="pn">{21}</span> Joaquim Rasteiro Fontes, Custódio José da Costa, +Adriano Ferreira Rocha e João Ribeiro Arrobas, os quais foram convidados a +examinar as fitas lacradas que ligavam a tampa do túmulo.</p> + +<p>«Verificada a sua inviolabilidade, foram quebradas as fitas e retirada de +dentro do túmulo a urna em que repousa Santa Isabel. Esta operação, é bom +frisá-la, foi feita com o maior respeito e o seu bom exito, deve-se, sem +duvida, aos srs. Antonio Augusto Gonçalves e Antonio Viana que, mui +sensatamente, dirigiram os trabalhos da trasladação.</p> + +<p>«No momento em que ia conduzir-se para a tribuna da Igreja o caixão em que +se encerra o corpo da Rainha Santa, uma comissão de senhoras obteve do sr. +Antonio Augusto Gonçalves permissão para conduzir a urna, sendo pois esta +transportada pelas seguintes: D. Maria do Carmo Joice Dinís, D. Maria de Gusmão +Galvão, D. Elvira Refoios de Matos, D. Maria José Joice Dinís, D. Maria Amelia +Carneiro de Sousa Pires, D. Isabel de Sousa Coutinho (Linhares), D. Tafones +Roxanes de Carvalho, D. Maria do Carmo Forjaz, D. Maria do Ceu Pinto e D. +Matilde de Matos Mancelos Aragão.</p> + +<p>«Logo que a urna deu entrada na Capela-mór, as inúmeras pessoas que ali a +aguardavam prostraram-se respeitosamente na mais viva e sincera contemplação, +vendo-se em muitos olhos o deslisar de lagrimas constantes. É que dentro +daquele ataúde está em repouso não só o corpo duma Mulher nobre por excelência +e virtuosa e santa pelos rasgos generosos da sua candida alma, mas, o que é +mais, por estar ali concentrada a fé ardente e sincera de milhares de crentes +que nos transes dolorosos da sua atribulada existencia envolvem nas suas +fervorosas preces o nome da Rainha Santa<span class="pn">{22}</span> como um balsamo consolador para +as suas misérias e para as suas desditas.</p> + +<p>«Por isso as pessoas que ali se reuniram para assistir à passagem da Rainha +Santa, viveram bem felizes aquele rapido momento da existencia. A noite, porém, +ia avançando e era forçoso pôr termo aos trabalhos da trasladação, colocando-se +no local designado o ataúde da Rainha Santa.</p> + +<p>«Feito este serviço o povo começou a retirar-se, louvando a nobre ideia de +trasladar para a Igreja a santa querida que passou a vida na senda do bem, +espalhando por toda a parte o perfume das suas rosas, que são aquelas que lhe +engrinaldam o nome querido e ainda hoje digno de todo o respeito.»</p> + + + +<h1>CAPITULO V</h1> + + + +<h2>Aberturas do túmulo e caixão da Rainha Santa</h2> + +<p>Por ser muito curiosa, damos neste lugar a noticia das vezes que tem sido +aberto o túmulo e caixão da Rainha Santa.</p> + +<p>A notícia descritiva dêsses actos tão solenes, extraímo-la da notável obra +do Exmo. Sr. Dr. Antonio Ribeiro de Vasconcelos—<em>D. Isabel de +Aragão</em>—, primoroso trabalho que S. Ex.ª publicou em 1894, e que é bem um +autentico testemunho das suas altas qualidades de escritor erudito e +consciencioso.</p> + +<p>I.—Segunda feira, 26 de março de 1612.</p> + +<p>II.—Quarta feira, 27 de outubro de 1677.</p> + +<p>III.—Domingo, 11 de janeiro de 1695, na capela que provisoriamente serviu +de Igreja em o novo Mosteiro.<span class="pn">{23}</span></p> + +<p>IV.—Segunda-feira, 2 de julho de 1696, ás 8 horas-da manhã.</p> + +<p>V.—No mesmo dia, horas depois, nova abertura pelas freiras do convento, por +estas não terem assistido como desejavam à primeira cerimónia.</p> + +<p>VI.—No dia 4 do mesmo mês e ano foi novamente aberto o tumulo por se +desconfiar que as freiras, num excesso do seu amor para com a Rainha Santa, se +tivessem apropriado de algumas reliquias ou mesmo furtado o seu corpo +ocultando-o em sítio só por elas conhecido.</p> + +<p>VII.—Segunda feira, 9 de agosto, foi o tumulo aberto na presença de D. +Pedro II.</p> + +<p>VIII.—Domingo, 29 do mesmo mês e ano, na presença de D. Carlos, Arquiduque +da Austria.</p> + +<p>IX.—Domingo, 21 de outubro de 1832, na presença de D. Miguel e das Infantas +D. Isabel Maria e D. Maria de Assunção.</p> + +<p>X.—Domingo, 25 de abril de 1852, na presença de D. Maria II, de El-rei D. +Fernando seu esposo, do Principe real D. Pedro e do Infante D. Luís.</p> + +<p>XI.—Quinta feira, 17 de junho de 1852, para serem substituidas as vestes +que amortalhavam a Rainha Santa por outras oferecidas por D. Maria II.</p> + +<p>XII.—Quinta feira, 29 de novembro de 1860, na presença de D. Pedro V e de +seus irmãos D. Luís e D. João.</p> + +<p>XIII.—Quarta feira, 22 de outubro de 1862, na presença do Principe +Humberto, depois Rei de Italia, que foi hospede da nossa Universidade.</p> + +<p>XIV.—Quarta feira, 9 de dezembro de 1863, na presença de El-rei D. Luís e +de sua esposa D. Maria Pia.</p> + +<p>XV.—Quarta feira, 21 de junho de 1865, na presença de D. Isabel Cristina, +Princesa Imperial do Brasil e de seu esposo o Conde de Eu.<span class="pn">{24}</span></p> + +<p>XVI.—Sabado, 4 de julho de 1868, na presença do Infante D. Augusto.</p> + +<p>XVII.—Segunda feira, 4 de março de 1872, na presença de D. Pedro II, +Imperador do Brasil.</p> + +<p>XVIII.—Quarta feira, 14 de maio de 1875, na presença de El-rei D. Fernando, +do Infante D. Augusto e da Condessa de Edla.</p> + +<p>XIX.—Terça feira, 24 de dezembro de 1889, na presença dos Imperadores do +Brasil.</p> + +<p>XX.—Sabado, 25 de julho de 1892, na presença de El-rei D. Carlos, D. Amelia +e do Principe D. Luís Filipe.</p> + +<p class="centrado">*<br> +* *</p> + +<p>Finalmente, no dia 28 de março de 1912 procedeu-se a nova e ultima abertura +do ataude da Rainha Santa.</p> + +<p>Como decorreu este acto di-lo uma das testemunhas que a ele assistiram e que +fielmente fez reproduzir na <em>Gazeta de Coimbra</em> de 30 de março de +1912.</p> + +<p>Como o número do jornal que publicou esta notícia foi rapidamente esgotado, +embora a tiragem fosse muito aumentada, entendemos por bem reproduzir aqui o +texto desse artigo:</p> + +<p>«Noticiámos ha dias a trasladação do túmulo com o corpo da Rainha Santa +Isabel, do côro de cima do extinto convento de Santa Clara, onde estava +indevidamente desde Novembro de 1860. Foi na quarta feira, 28 deste mês e ano, +que as freiras claristas, a pretexto de irem no dia seguinte o rei D. Pedro V +com seus irmãos D. Luís e D. João àquele mosteiro beijar a mão da Santa Rainha, +e mais comodamente o poderem fazer no côro do convento de que na tribuna do +altar-mór,<span class="pn">{25}</span> trasladaram o caixão com o corpo, e não mais o deixaram voltar +para o seu sítio.</p> + +<p>«Entretanto é indiscutível que muito melhor se acha na bela tribuna, +revestida de talha dourada, prepositadameníe feita para êle sobre o altar-mór, +onde esteve exposto à veneração dos fieis durante 146 anos, desde a tarde de 5 +de Julho de 1696, em que foi para ali transportado em soleníssima procissão +pelos Bispos da Guarda, Lamego, Portalegre, Vizeu, Leiria e Miranda, sob a +presidencia do Bispo-conde D. Fr. Alvaro de S. Boaventura, que oito dias antes, +a 26 de Junho, havia sagrado a nova Igreja de Santa Clara.</p> + +<p>«Hoje damos aos nossos prezados leitores uma outra noticia, ainda +respeitante ao mesmo assunto.</p> + +<p>«Espalhou-se, ha tempos em Coimbra, com bastante insistencia, o boato de que +o túmulo da Rainha Santa havia sido violado; e embora se verificasse, quando ha +dias se fez a trasladação, que os selos que o fechavam permaneciam intactos, é +certo que recrudesceu depois disto o rumor de que o caixão transportado do côro +para a Capela-mór se encontrava vazio. Em face de tal boato, tornava-se +necessária a verificação, abrindo-se o túmulo com devidas formalidades, antes +da aposição de novos selos.</p> + +<p>«Foi êste acto que se realizou anteontem, quinta-feira, 28 do corrente, +pelas 9 horas da manhã.</p> + +<p>«Achavam-se presentes apenas os srs.: conego José Dias d'Andrade, +representando o sr. Bispo Conde; Antonio Augusto Gonçalves, presidente da +Camara Municipal e director do museu Machado de Castro; dr. Joaquim Mendes dos +Remedios, reitor da Universidade; dr. Antonio José Gonçalves Guimarães, +professor da faculdade de sciencias: dr. Antonio Garcia Ribeiro de +Vasconcelos,<span class="pn">{26}</span> presidente da Confraria da Rainha Santa Isabel; Francisco +José da Costa, tesoureiro da mesma; Antonio Viana, fiel do museu Machado de +Castro.</p> + +<p>«Principiou por ser presente um envólucro, devidamente lacrado e selado, no +qual externamente se lia a declaração de que continha as chaves do caixão da +Rainha Santa, que ali foram encerradas e seladas a 23 de julho de 1892, em +seguida ao acto de ser fechado o tumulo, depois da visita que a ele fizeram +naquele dia o rei, rainha e principe. Verificado que os sêlos estavam intactos, +foi aberto o invólucro, e apareceram duas chaves, uma de prata e outra de +ferro, ligadas por uma cadeia de prata.</p> + +<p>«Depois abriu-se o túmulo de prata, e tirou-se dele o caixão de madeira, +forrado de rico brocado de seda e ouro, e com quatro belas fechaduras. Todos +verificaram cuidadosamente que não acusava sinal algum de arrombamento; e em +seguida, abertas as fechaduras e retirada a tampa, apareceu uma ostentosa +colcha de brocado, igual ao que veste por dentro e por fora o caixão, sendo +guarnecida de galão de ouro, e forrada de seda carmezim. Levantada esta +cobertura, apareceu outra perfeitamente igual à primeira, e por baixo dela um +veu transparente, através do qual se via nitidamente a mão da Santa Padroeira, +e o habito de seda cinzenta que vestia o corpo. Cobrindo-lhe a cabeça havia um +veu espesso de seda branca, sobre outro de fino linho, que lhe desciam até ao +peito.</p> + +<p>«Levantaram-se sucessivamente todos estes véus, e observou-se minuciosamente +a mão direita, o rosto e os dois pés, que estão descalsos e em perfeito estado +de conservação. Não se levou mais longe o exame, por ser +desnecessario.<span class="pn">{27}</span></p> + +<p>«A mão da santa e virtuosíssima Esposa de D. Dinís foi beijada com piedoso +fervor por aqueles dos presentes que tiveram essa devoção.</p> + +<p>«Terminado o acto de verificação foi fechado o caixão e encerrado no tumulo +de prata, com aposição de seis sêlos. Depois selaram-se novamente as chaves, e +lavrou-se o respectivo auto.</p> + +<p>«E assim ficou perfeitamente demonstrada a absoluta falsidade dos boatos que +correram, e a que muita gente parecia dar crédito.»</p> + + + +<h1>CAPITULO VI</h1> + +<h2>A Igreja de Santa Clara</h2> + +<p>Esta Igreja fica situada numa vistosa colina fronteira á cidade, estando +precedida dum espaçoso pátio quadrilongo, do qual se disfruta um dos mais belos +e ricos panoramas de Coimbra. Á entrada deste pátio encontra-se ainda hoje uma +forte corrente de ferro que servia para dar o direito de defesa aos criminosos +perseguidos.</p> + +<p>O templo, que é de magnifica construção e de uma só nave, é fabricado no +estilo romano; os retábulos dos seus altares são dignos de ser admirados, +revelando-se neles a perfeição e gosto artistico que presidiu á sua +execução.</p> + +<p>Ao fundo da Igreja, e aos lados da grade do côro, estão dois túmulos de +pedra artisticamente ornados, tendo nos tampos figuras de mulheres jacentes. O +do lado do Evangelho encerra os ossos da Infanta D. Isabel, filha de D. Afonso +IV, falecida com pouco mais de 2<span class="pn">{28}</span> anos e o do lado da Epistola supõe-se +conter os restos de D. Maria, filha de D. Pedro I e de D. Constança.</p> + +<p>Estes dois túmulos vieram tambem do velho convento de Santa Clara logo após +a mudança da comunidade.</p> + +<p>Dentro do côro da Igreja, em lugar menos proprio por falta de luz, +conserva-se ainda hoje o tumulo de pedra onde primitivamente esteve depositado +o corpa da Rainha Santa, túmulo este que, segundo as melhores opiniões, ela +mandara fabricar em vida. As suas faces laterais são guarnecidas de várias +imagens e de onze estatuetas de freiras metidas em nichos de gracioso +desenho.</p> + +<p>Sobre este túmulo vê-se estendida a figura da Rainha Santa envolta no hábito +de freira clarista, sobraçando o bordão de peregrina, uma bolsa e um livro de +orações.</p> + +<p>A cabeça da imagem, primorosamente esculturada, repousa num largo almofadão +a coberto dum elegante baldaquino, sendo este ladeado por dois anjos em atitude +de turificarem a Rainha Santa.</p> + +<p>Tanto este côro como o que lhe fica superior, eram adornados com riquíssimos +altares de boa talha, muitos quadros de subido valor e bastantes imagens por +quem as religiosas nutriam a mais piedosa devoção.</p> + +<p>Muitos destes preciosos objectos estão depositados no Museu Machado Castro, +de Coimbra.</p> + +<p>Voltando á Igreja, onde se admira a preciosa estatua da Rainha Santa, essa +delicada jóia que Teixeira Lopes delineou em momentos de feliz inspiração e +perante a qual instintivamente se teem curvado tantos milhares de pessoas de +todas as classes sociais, chamamos a atenção do leitor para os quadros que +adornam a Capela-mór da Igreja, quasi todos referentes à vida da Rainha Santa, +e recomendamos-lhe especialmente a sua<span class="pn">{29}</span> visita ao Museu de alfaias +religiosas que a Confraria instituiu junto da Igreja e aonde se encontram +algumas preciosidades de raro valor artístico. Êsse museu, que fica situado ao +lado direito da Capela-mór, é precedido dum espaçoso corredor que serve de +<em>Galeria</em> dos Irmãos Benemeritos. Ao fundo, noutra sala mais espaçosa, +estão guardados os objectos de maior valor pertencentes á Confraria, figurando +entre êles alguns que eram do uso da Rainha Santa. Neste precioso museu está +exposto um colar de pedras preciosas com que a Rainha Santa costumava adornar +as donzelas pobres no dia do seu casamento, guardando-se tambem ali algumas +peças do seu vestuario e a roupa com que foi amortalhada. Todos estes objectos +devem merecer uma particular atenção ao visitante de Santa Clara.</p> + +<p>A respectiva Confraria é digna dos maiores louvores pela dedicação e zelo +que tem mostrado na conservação deste Museu, procurando enriquecê-lo cada vez +mais com a adquisição dos objectos que digam respeito á Rainha Santa. +Ultimamente foi ali exposto o <em>Breve Original</em>, obtido por El-rei D. +João III da Curia romana, e pelo qual é extensivo a toda a nação o culto de +Santa Isabel. Este documento, muito bem conservado ainda, é digno de particular +atenção pelo fino desenho dos seus ornatos e caracteres.</p> + +<p>O claustro de Santa Clara, situado ao lado esquerdo da Igreja, é tambem +digno de ser visitado. As suas magestosas proporções, as arcadas, e as +graciosas varandas que o circundam, formam um conjunto agradavel ao nosso +sentimento, transportando-nos á vida dum mundo superior, em tudo mais perfeito +e harmonioso.</p> + +<p>O nosso espirito banha-se duma clarividente realidade que nos enebria, que +nos consola e seduz. Na paz<span class="pn">{30}</span> daquelas arcadas contemplamos o mundo despido +de lutas inglorias, de ódios e malquerenças, e a nossa imaginação, livre das +contrariedades e dos sobresaltos fomentados pela vida presente, embala-se no +doce arroio das avesinhas que saltitam pelas arvores floridas quasi obrigando +os nossos labios a murmurar com elas:</p> + +<blockquote> + Bemdito seja o Senhor! </blockquote> + +<p class="centrado">*<br> +* *</p> + +<p>O vasto e grandioso edificio de Santa Clara, onde durante alguns séculos se +abrigaram muitas senhoras da mais pura linhagem e onde se praticaram tantos +actos de piedosa devoção, serve hoje de quartel ao regimento de Infantaria +35.</p> + +<p>A parte que serviu para hospedaria do Mosteiro e que está situada do lado +Sul, é hoje ocupada por um grupo do regimento de Artilharia.</p> + +<p class="centrado">*<br> +* *</p> + +<p>As festas com que Coimbra rende o seu culto á Rainha Santa são das mais +importantes e fervorosas que se realizam em Portugal. Nos anos em que são +levadas a efeito, a cidade veste-se das melhores galas para receber a sua +excelsa Padroeira e todos os conimbricenses, num amplexo de verdadeiro regosijo +e satisfação, cooperam no brilhantismo desses festejos esforçando-se para lhe +dar o maior luzimento possível.</p> + +<p>A grandiosa procissão em que é conduzida a Imagem da Rainha Santa, compõe-se +de inumeras confrarias e centenas de crianças vestidas de anjo, fazendo o +trajecto<span class="pn">{31}</span> de Santa Clara para Santa Cruz por entre milhares e milhares de +pessoas que de todos os pontos do país vêem para assistir a tão emocionante +como grandioso espectaculo. As festas da Rainha Santa, que se prolongam durante +5 dias, costumam atrair a Coimbra perto de 60:000 pessoas, não se registando +nunca qualquer desacato que possa ofuscar o brilho e a imponencia dessas tão +piedosas como emocionantes manifestações.</p> + +<p>Com a procissão da Rainha Santa dá-se até um facto que nos apraz registar: +quando a preciosa Imagem de Santa Isabel dá entrada na cidade, e ao ter de +atravessar por entre a multidão que a aguarda desde a Ponte até Santa Cruz, não +ha joelho que deixe de se dobrar ante a magestade da sua figura! Todo aquele +mar humano, que se apinha em tão longo trajecto, se curva respeitosamente +perante a doce Imagem da Rainha Santa, vendo-se muitos olhos marejados de +lágrimas devido á comoção que todos experimentam.</p> + +<p>É que aquela Imagem é o refúgio de todos os crentes. Nela estão concentradas +as preces dos que sofrem, os rogos dos infelizes. E se o povo português nutre +por Ela a mais terna devoção, o povo de Coimbra, que a elegeu sua medianeira +junto de Deus, não esquece nunca a sua benéfica acção em prol dos +desprotegidos, tributando-lhe um amor puríssimo e uma veneração a mais +sublimada! Continue Ela a amercear-se do seu povo junto de Deus e oxalá a sua +poderosa influencia consiga tornar felizes na terra aqueles que lhe solicitam a +sua protecção no Ceu.</p> + + + +<p class="centrado">FIM.</p> + +<h4>Notas</h4> + +<blockquote class="rodape"> + <p><a name="foot143" href="#tex2html1"><sup>[1]</sup></a> <em>D. Isabel de + Aragão</em>, Coimbra, 1894.</p> + + <p><a name="foot144" href="#tex2html2"><sup>[2]</sup></a> <em>Gazeta de + Coimbra</em>, de 20 de março de 1912.</p> +</blockquote> + + +<div class="ilustracao"> +<p class="centrado"> +<img src="images/fig3.png" border="0" width="100%" alt="Ilustração final"></p> +</div> + +</div> + + + + + + + +<pre> + + + + + +End of Project Gutenberg's Isabel d'Aragão a Rainha Santa, by Anonymous + +*** END OF THIS PROJECT GUTENBERG EBOOK ISABEL D'ARAGÃO A RAINHA SANTA *** + +***** This file should be named 35324-h.htm or 35324-h.zip ***** +This and all associated files of various formats will be found in: + https://www.gutenberg.org/3/5/3/2/35324/ + +Produced by Pedro Saborano + +Updated editions will replace the previous one--the old editions +will be renamed. + +Creating the works from public domain print editions means that no +one owns a United States copyright in these works, so the Foundation +(and you!) can copy and distribute it in the United States without +permission and without paying copyright royalties. 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However, if you provide access to or +distribute copies of a Project Gutenberg-tm work in a format other than +"Plain Vanilla ASCII" or other format used in the official version +posted on the official Project Gutenberg-tm web site (www.gutenberg.org), +you must, at no additional cost, fee or expense to the user, provide a +copy, a means of exporting a copy, or a means of obtaining a copy upon +request, of the work in its original "Plain Vanilla ASCII" or other +form. Any alternate format must include the full Project Gutenberg-tm +License as specified in paragraph 1.E.1. + +1.E.7. Do not charge a fee for access to, viewing, displaying, +performing, copying or distributing any Project Gutenberg-tm works +unless you comply with paragraph 1.E.8 or 1.E.9. + +1.E.8. 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It exists +because of the efforts of hundreds of volunteers and donations from +people in all walks of life. + +Volunteers and financial support to provide volunteers with the +assistance they need are critical to reaching Project Gutenberg-tm's +goals and ensuring that the Project Gutenberg-tm collection will +remain freely available for generations to come. In 2001, the Project +Gutenberg Literary Archive Foundation was created to provide a secure +and permanent future for Project Gutenberg-tm and future generations. +To learn more about the Project Gutenberg Literary Archive Foundation +and how your efforts and donations can help, see Sections 3 and 4 +and the Foundation web page at https://www.pglaf.org. + + +Section 3. Information about the Project Gutenberg Literary Archive +Foundation + +The Project Gutenberg Literary Archive Foundation is a non profit +501(c)(3) educational corporation organized under the laws of the +state of Mississippi and granted tax exempt status by the Internal +Revenue Service. The Foundation's EIN or federal tax identification +number is 64-6221541. Its 501(c)(3) letter is posted at +https://pglaf.org/fundraising. Contributions to the Project Gutenberg +Literary Archive Foundation are tax deductible to the full extent +permitted by U.S. federal laws and your state's laws. + +The Foundation's principal office is located at 4557 Melan Dr. S. +Fairbanks, AK, 99712., but its volunteers and employees are scattered +throughout numerous locations. Its business office is located at +809 North 1500 West, Salt Lake City, UT 84116, (801) 596-1887, email +business@pglaf.org. Email contact links and up to date contact +information can be found at the Foundation's web site and official +page at https://pglaf.org + +For additional contact information: + Dr. Gregory B. Newby + Chief Executive and Director + gbnewby@pglaf.org + + +Section 4. Information about Donations to the Project Gutenberg +Literary Archive Foundation + +Project Gutenberg-tm depends upon and cannot survive without wide +spread public support and donations to carry out its mission of +increasing the number of public domain and licensed works that can be +freely distributed in machine readable form accessible by the widest +array of equipment including outdated equipment. Many small donations +($1 to $5,000) are particularly important to maintaining tax exempt +status with the IRS. + +The Foundation is committed to complying with the laws regulating +charities and charitable donations in all 50 states of the United +States. Compliance requirements are not uniform and it takes a +considerable effort, much paperwork and many fees to meet and keep up +with these requirements. We do not solicit donations in locations +where we have not received written confirmation of compliance. To +SEND DONATIONS or determine the status of compliance for any +particular state visit https://pglaf.org + +While we cannot and do not solicit contributions from states where we +have not met the solicitation requirements, we know of no prohibition +against accepting unsolicited donations from donors in such states who +approach us with offers to donate. + +International donations are gratefully accepted, but we cannot make +any statements concerning tax treatment of donations received from +outside the United States. U.S. laws alone swamp our small staff. + +Please check the Project Gutenberg Web pages for current donation +methods and addresses. Donations are accepted in a number of other +ways including including checks, online payments and credit card +donations. To donate, please visit: https://pglaf.org/donate + + +Section 5. General Information About Project Gutenberg-tm electronic +works. + +Professor Michael S. Hart was the originator of the Project Gutenberg-tm +concept of a library of electronic works that could be freely shared +with anyone. For thirty years, he produced and distributed Project +Gutenberg-tm eBooks with only a loose network of volunteer support. + + +Project Gutenberg-tm eBooks are often created from several printed +editions, all of which are confirmed as Public Domain in the U.S. +unless a copyright notice is included. Thus, we do not necessarily +keep eBooks in compliance with any particular paper edition. + + +Most people start at our Web site which has the main PG search facility: + + https://www.gutenberg.org + +This Web site includes information about Project Gutenberg-tm, +including how to make donations to the Project Gutenberg Literary +Archive Foundation, how to help produce our new eBooks, and how to +subscribe to our email newsletter to hear about new eBooks. + + +</pre> + +</body> +</html> diff --git a/35324-h/images/fig1.png b/35324-h/images/fig1.png Binary files differnew file mode 100644 index 0000000..7c05204 --- /dev/null +++ b/35324-h/images/fig1.png diff --git a/35324-h/images/fig2.png b/35324-h/images/fig2.png Binary files differnew file mode 100644 index 0000000..e62f046 --- /dev/null +++ b/35324-h/images/fig2.png diff --git a/35324-h/images/fig3.png b/35324-h/images/fig3.png Binary files differnew file mode 100644 index 0000000..4a9f371 --- /dev/null +++ b/35324-h/images/fig3.png diff --git a/35324-h/images/logo.png b/35324-h/images/logo.png Binary files differnew file mode 100644 index 0000000..e92c5ba --- /dev/null +++ b/35324-h/images/logo.png |
