diff options
| author | Roger Frank <rfrank@pglaf.org> | 2025-10-14 19:57:59 -0700 |
|---|---|---|
| committer | Roger Frank <rfrank@pglaf.org> | 2025-10-14 19:57:59 -0700 |
| commit | 7d6492079c0dd352562479de6ae4a7bab905295f (patch) | |
| tree | 5351ffef94ef3e3fb34f4b70420bbab31d469efc | |
| -rw-r--r-- | .gitattributes | 3 | ||||
| -rw-r--r-- | 32647-8.txt | 1246 | ||||
| -rw-r--r-- | 32647-8.zip | bin | 0 -> 18811 bytes | |||
| -rw-r--r-- | 32647-h.zip | bin | 0 -> 20098 bytes | |||
| -rw-r--r-- | 32647-h/32647-h.htm | 1368 | ||||
| -rw-r--r-- | LICENSE.txt | 11 | ||||
| -rw-r--r-- | README.md | 2 |
7 files changed, 2630 insertions, 0 deletions
diff --git a/.gitattributes b/.gitattributes new file mode 100644 index 0000000..6833f05 --- /dev/null +++ b/.gitattributes @@ -0,0 +1,3 @@ +* text=auto +*.txt text +*.md text diff --git a/32647-8.txt b/32647-8.txt new file mode 100644 index 0000000..5efa2a0 --- /dev/null +++ b/32647-8.txt @@ -0,0 +1,1246 @@ +The Project Gutenberg EBook of O Infante Navegador, by Alfredo Campos + +This eBook is for the use of anyone anywhere at no cost and with +almost no restrictions whatsoever. You may copy it, give it away or +re-use it under the terms of the Project Gutenberg License included +with this eBook or online at www.gutenberg.org + + +Title: O Infante Navegador + +Author: Alfredo Campos + +Release Date: June 1, 2010 [EBook #32647] + +Language: Portuguese + +Character set encoding: ISO-8859-1 + +*** START OF THIS PROJECT GUTENBERG EBOOK O INFANTE NAVEGADOR *** + + + + +Produced by Pedro Saborano (produced from scanned images +of public domain material from Google Book Search) + + + + + + _ALFREDO CAMPOS_ + + + O INFANTE NAVEGADOR + + POEMETO + + COM UM PREFACIO + + DE + + JOÃO PENHA + + + + + PORTO + _Livraria Internacional de Ernesto Chardron_ + Casa editora + M. LUGAN, Successor + 1894 + Todos os direitos reservados + + + + + PORTO--TYP. DE A. J. DA SILVA TEIXEIRA + _Cancella Velha, 70_ + + + + + _ALFREDO CAMPOS_ + + + O INFANTE NAVEGADOR + + POEMETO + + COM UM PREFACIO + + DE + + JOÃO PENHA + + + + + PORTO + _Livraria Internacional de Ernesto Chardron_ + Casa editora + M. LUGAN, Successor + 1894 + Todos os direitos reservados + + + + +AO ILL.MO E EXC.MO SNR. + + +Conselheiro Luis Augusto Pimentel Pinto + + +RESPEITOSAMENTE OFFERECE + + + _O AUCTOR._ + + + + + _Ill.mo e Exc.mo Snr._ + +_Tomo a liberdade de offerecer a V. Exc.ª este modestissimo trabalho, não +porque o tenha como valioso, mas, sim, para significar a V. Exc.ª, por +esta maneira, a consideração, estima e gratidão, que tributo a V. Exc.ª, +aquellas por sympathia, esta pelas provas de deferencia, benevolencia e +bondade que de V. Exc.ª hei recebido, civil e militarmente._ + +_Sei que V. Exc.ª me concederá a mercê, de o acceitar, e penhorado +agradeço a graça._ + +_Considere-me V. Exc.ª como quem muito se honra, subscrevendo-se_ + + _De V. Exc.ª_ + +_Ovar, 1 de Janeiro de 1894._ + + _subordinado, attento venerador, obrigado e admirador_ + + _Alfredo Campos_ + + _Major d'Infantaria._ + + + + +PREFACIO + + +Em 1865, alguns poetas que se achavam reunidos no cubiculo interior da +modesta livraria de um editor de Paris, resolveram, depois de animada +discussão, _inter pocula_, publicar um periodico de versos. + +Esses poetas eram: François Coppée, André Lemoyne, Paul Verlaine, Léon +Dierx, e José Maria de Heredia; o editor era Lemerre. + +Ha um proverbio francez que diz que não ha ninguem que, uma vez na vida, +não encontre a occasião de se enriquecer: tudo depende de não a deixar +escapar. + +Para Lemerre o momento psychologico, de que mysteriosamente dependia a +sua fortuna, foi aquelle. + +Viu a Occasião, agarrou-a pelos cabellos, e no mez de janeiro do anno +seguinte dava á luz o 1.º numero do periodico, que fôra intitulado: +_Parnasse Contemporain_. Era mensal, e d'elle ha publicadas tres séries; +a primeira abrange o anno de 1866, a segunda, principiada em 1869, e +interrompida pela guerra franco-prussiana, concluiu em 1871; a terceira +e ultima sahiu em 1876. + +O exito d'esta publicação foi enorme: a edição esgotou-se, e Lemerre, +que a encetára pobre, em dia de bons auspicios, ganhou alentos e é +actualmente um dos mais faustosos editores da grande cidade. + +Do titulo do periodico adveio para os seus numerosos collaboradores a +denominação de _poetas parnasianos_. + +Catulle Mendès dá-lhe outra origem, mas a real é a que deixamos +indicada: estas coisas vêem-se melhor de longe do que de perto. + +Já ha muito publicavamos em Coimbra a _Folha_, quando Eça de Queiroz, +enthusiasmado, nos assignalou o novo periodico, incitando-nos a +implantar entre nós a que elle chamava poesia do futuro. + +Acostumados á leitura exclusiva dos cinco ou seis poetas que, por +aquella épocha, se liam e discutiam em Coimbra, surprehendeu-nos a nova +publicação, não tanto pela novidade que poderia notar-se no seu elemento +poetico propriamente dito, mas sim, principalmente, pela correcção quasi +scientifica da fórma. + +Póde affirmar-se que foi ahi que, em França, teve principio a moderna +evolução do verso, evolução que nós, que absolutamente desconheciamos +aquelle movimento, tambem tinhamos iniciado na _Folha_. + +Este phenomeno poderia explicar-se por uma das leis de Vico. + +Dissemos que no _Parnaso_ não havia innovações no elemento poetico, e +realmente, a não ser a exclusão de alguns dos velhos assumptos +convencionaes, o que se observava era que os novos poetas (não nos +referimos á sua idade segundo os repertorios) continuavam como até ali a +poetar, de harmonia com os seus temperamentos, segundo a sua propria +originalidade. Via-se que os não unia nem communhão de idéas ou de +sentimentos e tradições, nem até um mesmo systema ou methodo de +execução: não formavam uma escóla: unia-os apenas um principio, que +manifestamente haviam adoptado por influencia de Th. Gautier e de +Banville, o de que poesia sem arte não é poesia; não tem outro valor +senão o dos pensamentos que contém: é prosa. + +Para esses parnasianos, portanto, que são os que actualmente constituem +a mais gloriosa constellação de poetas do seculo XIX, isto é, para +Baudelaire, F. Coppée, Sully-Prudhomme, Soulary, Leconte de Lisle, André +Lemoyne, Glatigny, Catulle Mendès, Armand Silvestre, Th. de Banville, +Léon Valade, Paul Verlaine, Léon Dierx, José Maria de Heredia, Em. des +Essarts, e para muitos outros, não ha arte aonde o verso não é +absolutamente correcto. + +Mas, a evolução da fórma consistirá só n'isso, parará ahi? + +Com certeza que não. + +Aquelle principio adoptado pelos parnasianos, não é realmente novo; os +grandes poetas latinos sempre o seguiram, e foi na _Epistola ad +Pisones_, que o Tasso, Camões, Ariosto, e outros, o encontraram, +adoptando-o. + +O conhecimento amplissimo da lingua, tão necessario para quem faz um +poema, como o da combinação das côres para quem pinta um quadro, e a +sciencia da revelação do pensamento pela fórma mais nitida, mais +perfeita e mais adequada a esse pensamento, são as duas bases em que +assenta aquelle principio. + +O primeiro d'estes elementos de construcção e de composição technica +estuda-se nos classicos; o segundo nas obras dos grandes escriptores. +Este, porém, deve-o sobretudo estudar o poeta comsigo mesmo; porque um +mesmo pensamento não só póde ser apresentado, sem alteração alguma, por +palavras diversas, mas tambem pelas mesmas palavras combinadas de +maneiras differentes. + +Já o _Mestre de Philosophia_ o indicava, na comedia de Molière, ao +_Burguez Gentilhomem_: + +Mr. Jourdain sentira-se enamorado de uma dama da sociedade elegante, e +queria escrever-lhe qualquer coisa n'um bilhetinho, que lhe deixaria +cahir aos pés. + +A este respeito abriu-se com o seu Mestre de Philosophia. + +--«É em verso que quer escrever-lhe?--perguntou-lhe este. + +--Não; nada de verso. + +--Então quer tudo em prosa? + +--Não; não quero nem prosa nem verso. + +--Ha de ser uma ou outra coisa. + +--Porque? + +--Por uma razão muito simples; porque para nos exprimirmos não ha senão +a prosa ou os versos. + +--Não ha senão a prosa ou os versos? + +--Não. Tudo que não é prosa é verso, e tudo que não é verso é prosa. + +--E, quando eu fallo, isso que é? + +--É prosa. + +--Como! quando eu digo: ó José, traz-me os meus sapatos, e dá-me o meu +barrete de dormir, isto é prosa? + +--Sim, senhor. + +--É boa! Ha quarenta annos que fallo em prosa sem o saber! Muito obrigado +pelas suas instrucções. O que eu queria pôr no bilhete era:--_Bella +marqueza, seus bellos olhos fazem-me morrer d'amor_; mas queria que isto +fosse posto de uma maneira galante, torneado com elegancia. + +--Pôr: que o fogo dos seus olhos lhe reduz o coração a cinzas, que +soffre dia e noite as violencias d'um... + +--Não, não, não. Não quero nada d'isso. Não quero senão o que lhe +disse:--_Bella marqueza, seus bellos olhos fazem-me morrer d'amor._ + +--Comtudo, sempre é necessario estender isso um pouco mais. + +--Não, repito. Não quero senão essas unicas palavras no bilhete, mas +torneadas á moda, arranjadas como o devem ser. Obsequeia-me, dizendo-me, +para eu ver, as diversas maneiras de as pôr. + +--Primeiramente podem pôr-se da maneira que me disse: _Bella marqueza, +seus bellos olhos fazem-me morrer d'amor._ Ou então:--_D'amor morrer me +fazem, bella marqueza, seus bellos olhos._ Ou então:--_Seus olhos +bellos, d'amor me fazem, bella marqueza, morrer._ Ou então:--_Morrer +seus bellos olhos, bella marquesa, d'amor me fazem._ Ou então:--_Me +fazem, seus olhos bellos morrer, bella marqueza, d'amor._ + +--Mas de todas essas maneiras qual é a melhor? + +--A sua: _Bella marqueza, seus bellos olhos fazem-me morrer d'amor!_ + +--E comtudo não tive estudos, fiz isso logo á primeira! Muitissimo +obrigado». + +A resposta final do Mestre de Philosophia, se o caso não fosse de puro +gracejo, não poderia ser applicada, sem restricções, ao verso, não só +porque das diversas formulas de qualquer pensamento deve ser escolhida a +que fôr melhor segundo as circumstancias, mas tambem porque, como diz um +poeta obscuro: + + «Prosa e verso têm balisas». + +Tudo isto, porém: conhecimento cabal da lingua, e sciencia technica da +construcção, não passa do que é estrictamente rudimental na composição +poetica. + +A moderna evolução do verso, iniciada, como dissemos, pelos parnasianos, +tende, no seu movimento ascensional para a perfeição artistica, a pôr de +accordo o pensamento e a fórma, a idéa e o som, a melodia e a harmonia. + +A este respeito, transcreveremos aqui as idéas que já n'outra parte +expozemos. + +«Em toda a composição poetica é indispensavel o elemento musical; sem +este elemento, essa composição, embora rithmada e rimada, não transpõe +os limites da prosa. Tanto o prosador, como o poeta, trabalham a mesma +materia prima: o pensamento; o primeiro, porém, é apenas uma especie de +artifice mechanico: extrahe da pedreira cerebral e transporta para o +papel as idéas que ahi se lhe formam: executa. + +O trabalho do segundo é mais elevado e complexo: o poeta cria. + +Assim como nem toda a pedra é adequada e serve para a estatua que um +Buonarotti se proponha fazer, assim nem todo o pensamento póde ser +objecto de um poema. + +O artista, sem o procurar, escolhe, entre os que espontaneamente lhe +germinam no intellecto, aquelle que o seu espirito de selecção prefere; +expurga-o das impurezas da vulgaridade, que lhe empanem a originalidade +nativa, e depois reveste-o, por meio de processos extremamente +complicados, da fórma que o torna visivel no mundo exterior. + +Esses processos não consistem unicamente na escolha de palavras e +locuções, e na regularidade do rithmo e da consonancia; consistem +sobretudo na escolha dos sons que essas palavras devem produzir, +combinadas umas com as outras, de modo que a composição musical, que +d'ahi resulte, deve estar de harmonia com o pensamento que as mesmas +palavras contêm, isto é, a tacitura e a notação melodica dos vocabulos, +abstrahindo-se das idéas que n'elles estão incluidas, devem revelar, +embora vagamente, o conjuncto d'essas mesmas idéas. + +Os tres grandes poetas romanos, e sobretudo Horacio, attingiram esta +perfeição do verso. + +Leia-se uma ode d'aquelle poeta a um individuo que ignore completamente +a lingua latina, a um professor d'essa lingua, por exemplo, e elle, só +pela harmonia mysteriosa das estrophes, indicará o assumpto de que o +poeta se occupou: Meyerbeer, Beethoven e Mozart collaboraram nas obras +de Hugo, Musset e Lamartine». + +Os fundamentos d'esta nossa theoria, que talvez pareça a uns imaginaria, +e a outros inexequivel, assentam em factos absolutamente experimentaes. + +Observe-se uma joven doente. As palavras que instinctivamente emprega +para exprimir a tristeza da sua alma, e os soffrimentos de que se +queixa, são adequadas ao seu estado, não só pelo tom lugubre e pelos +pensamentos que encerram, mas tambem pela inflexão lamuriante e chorosa +que lhes imprime. Observe-se, pelo contrario, um homem feliz e contente: +se falla, se conta as suas aventuras, ha na sua voz a vibração das notas +claras, estridentes e sonorosamente agudas: entre os seus pensamentos, e +a parte musical que os reveste, ha uma harmonia completa, embora +inconsciente. + +É, pois, na conjuncção d'estes dois elementos que deverá consistir o +arduo e difficultoso trabalho do poeta moderno: se o realisar, a sua +obra occupará um logar perduravel entre os monumentos artisticos da sua +épocha; se o não conseguir, vêr-se-ha collocado, quando muito, entre a +ephemera cohorte dos operarios da prosa, e por mais que diga, por mais +que se contorsa, por mais que rechêe a sua obra de assombros de +pensamento, de bonitos de phrase, e de floripondios de estylo, como +diria sua excellencia o bispo de Bethesaida, ainda em vida a verá +sepultada nos abysmos insondaveis d'um eterno esquecimento. + +É no sentido que deixamos esboçado que em França os antigos parnasianos, +e uma enorme phalange de poetas mais novos, trabalham os seus poemas, +sobresahindo entre elles pela sua mais perfeita comprehensão do elemento +musical, no _La Nature_, Maurice Rollinat, o compositor das _Nevroses_. + +As suas poesias são tão musicaes que podem cantar-se, e elle mesmo, +ainda ha pouco, com uma entoação estridente e angustiosa, que produziu +uma sensação inexprimivel nos que o ouviam, cantou uma d'ellas, o rondó: +_Les yeux morts_: + + «De ses grands yeux, chastes et fous, + Il ne reste pás un vestige. + Ses yeux, qui donnaient le vertige + Sont allés ou nous irons tous. + + En vain ils étaient frais et doux + Comme deux bluets sur leur tige: + De ses yeux, chastes et fous, + Il ne reste plus un vestige. + + Quelquefois, par les minuits roux, + Pleins de mystères et de prestige + La morte autour de moi voltige... + Mais je ne vois plus que les trous + De ses grands yeux chastes et fous!» + +Entre nós, o movimento evolutivo, a que nos temos referido, fôra, como +dissemos, iniciado espontaneamente em Coimbra por uma geração de poetas +que, com os seus adeptos, formam actualmente uma pleiade de artistas que +só tem por egual a pleiade dos poetas francezes. + +Eram e são os que o professor do Curso Superior de Lettras, Theophilo +Braga, o Linneo da nossa litteratura, classifica, na sua ultima obra, +com o desdem olympico de um metrificador de cyclos, da maneira seguinte: +_poetas que tratam unicamente da fórma_. + +No emtanto, em que peze ao illustre cathedratico, para elles, excluido +um, já ha muito fulgura, no Templo da Arte, o antigo _fas vobis limina +divuum_. + +Alfredo Campos não é um d'esses poetas, mas se não é rigorosamente um +parnasiano, mostra nas suas poesias, que, como João de Deus, tem musica +na alma, e essa musica interior muitas vezes suppre, o que a arte, para +os mesmos effeitos, laboriosamente obtem. Muitos dos seus sonetos +poderiam ser assignados por Diogo Bernardes, e as bellas estrophes, que +vão lêr-se, revelam que o seu talento malleavel não se affrontaria +diante de uma obra mais completa, se com ella se propozesse enriquecer a +nossa litteratura. + +11-2-94. + _João Penha._ + + + + +O INFANTE NAVEGADOR + + + + +I + + _.... se a natureza lhe negára a Corôa, as virtudes lhe + deram justiça para a merecer._ + + CANDIDO LUSITANO--_Vida do Infante D. Henrique._ + + + 1 + + Espirito sublime e alevantado, + Cheio de crenças, coração formoso, + Olhar d'águia, profundo e dilatado, + Fictando o sol ardente, corajoso, + Sondando o mar, que adora apaixonado, + E em que sonha o seu poema grandioso, + Deixou seu nome vinculado á Gloria, + Escripto em bronze, pela mão da Historia. + + + 2 + + --Navegador!--Assim o baptisára + A fama das conquistas mais brilhantes; + Já, dominando o mar, na audacia rara, + Para o cortar de estradas rutilantes, + Já, implantando a Fé na gente ignára, + Em paragens ignotas e distantes, + Não, porque da ambição fosse vil presa, + Mas para dar á Fé maior grandeza! + + + 3 + + Varão de largo estudo e são talento, + Em vez de braço inerte na indolencia, + Nos prazeres da côrte, e luzimento + D'uma banal e inutil existencia; + Em vez dos galanteios de momento, + Que passam, como as nuvens d'uma essencia, + Votou a vida, desde a florea edade, + Ao trabalho, com honra e lealdade. + + + 4 + + Foi de Sagres, nos sonhos radiosos, + Embalados, do mar, nas harmonias, + Quando o mar, nos anceios carinhosos, + Ia, meigo, beijar-lhe as penedias, + Como para attrahil-o aos gloriosos, + Altos projectos de futuros dias, + Que concebeu os planos de conquista, + Lançando, ao longe, a penetrante vista. + + + 5 + + Ninguem, como elle, ousára ainda tanto, + Abrir caminho certo a essas paragens, + Onde a noite é mortal, o sol quebranto, + Os habitantes negros e selvagens; + Porque ninguem sentira o doce encanto + De lograr tão esplendidas miragens; + Porque ninguem, como elle, decifrava + Os enigmas, que o mar apresentava. + + + 6 + + Rodeado d'espiritos valentes, + Promptos á voz, que vinha d'um desejo, + Calando, sempre, em corações ardentes, + Cheios de brio, aspiração e pejo, + Mal dardejava ás ondas relusentes, + Os olhos, no clarão d'algum lampejo, + Ao vento desfraldavam, logo, as vélas, + Arrojadas, veleiras caravellas! + + + 7 + + Não eram ambições de vil riqueza, + De conquistas, que augmentam poderio, + Ou paixão de cubiça, de torpeza, + Para satisfazer um desvario, + Ou um capricho vão de vã fraqueza, + O que o levava á busca do gentio: + --Era mais alto e nobre o pensamento, + Que o punha firme n'esse ousado intento. + + + 8 + + Na descoberta de regiões ignotas, + Tinha apenas um alvo, que era a Gloria, + D'avançar na sciencia das derrotas, + Para lograr, sobre outros, tal victoria, + Levando a Fé ás tribus mais remotas, + Cuja religião era irrisoria; + Não por prazer de ter móres dominios + Acalentava o Infante estes designios. + + + 9 + + Tal como o mar, que um dia é bonançoso, + Beijando docemente a costa, a praia, + E no outro dia é já tempestuoso, + Em mortalha mudando a alva cambraia, + Da fina espuma do seu dorso airoso, + Para melhor colher o que desmaia, + Hoje, sereno, amante peregrino, + Mau, amanhã, terrivel e tigrino. + + + 10 + + Assim o espirito do Infante, ás vezes, + Calmo sorria ao fim d'alguma empreza, + Triumphante de todos os revezes; + Mas enchia a sua alma de tristeza + Quando a sorte feria os portuguezes, + Porque ante a sorte ha força que é fraqueza, + E nem sempre volviam gloriosas, + Essas expedições audaciosas! + + + + +II + + O mysterio que desde a creação estava suspenso sobre o + Atlantico, e occultava ao conhecimento do homem metade da + superficie do globo, tinha reservado para o Infante D. + Henrique, o navegador, um campo de nobres commettimentos. + + RICHARD HENRY MAJOR--_Vida do Infante D. Henrique._ + + + 1 + + Como um extenso campo, pelo arado + Fendido em sulcos para a sementeira, + O Atlantico, por elle, foi sulcado, + N'uma larga derrota lisongeira, + Em que, sempre, um caminho era traçado, + De larga via e luminosa esteira, + Levando o Infante ás terras procuradas, + As naus e as galés afortunadas. + + + 2 + + Os Açores, Madeira e Porto Santo, + Pelo arrojo de Zarco e Tristão Vaz, + Surgem formosas, como por encanto, + Ao que, por descubril-as, tanto faz. + Leva a Ceuta os seus feitos e, no emtanto, + Sempre no seu intento firme e audaz, + Segue lançando o penetrante olhar, + As ondas do attrahente e vasto mar! + + + 3 + + Diogo Gomes põe as lusas quinas, + Em Cabo Verde--essa africana porta + --Como se as hasteasse nas campinas, + Onde não houve nunca esperança morta. + Rasgam-se as nuvens densas de neblinas, + Ante o fervor, que o heroismo exhorta, + E á bahia d'Arguim o accesso expande + A maritima audacia, e ao Rio Grande! + + + 4 + + Desvenda-se esse Mar, que Tenebroso, + Toda a coragem transformava em medo, + Como rendido ao susto perigoso, + Quem quer sondar o abysmo d'um segredo; + E esse campo de vagas, mysterioso, + Tão tido por feroz, insano e tredo, + Deixa de ser phantastica voragem, + Para prestar aos lusos vassalagem! + + + 5 + + Levado na corrente caudalosa, + Que os animos inspira com ardor, + Dobra, n'uma derrota gloriosa, + Gil Eannes, o Cabo Bajador; + E essa tarefa rude e trabalhosa, + Que ao Infante traz mais um esplendor, + Novo florão engasta em seu diadema, + Nova estrophe nos cantos do seu poema! + + + 6 + + Andavam cavalleiros, moços, pagens, + Entre si, disputando a primasia, + De derrotas incertas, de viagens, + Tidas por mais difficeis, dia a dia, + Buscando, cada qual, novas paragens, + Consoante as pintava a phantasia; + E foi assim, que, com fervor e fé, + Chegaram a Benim, Congo e Guiné! + + + 7 + + Vencem os seus o Cabo das Tormentas, + Que foi, depois, Cabo da Boa Esperança, + Não sem luctas e luctas violentas, + Em que o trabalho mais renome alcança; + Não sem rudezas grandes e cruentas, + Dessas que a fama em seus laureis entrança, + E coube ao Duque de Vizeu a Gloria, + Dessa arrojada empreza meritoria. + + + 8 + + Levanta em Sagres a grandiosa Escóla, + Onde a navegação acha elemento, + Para as expedições, que desenrola, + Em busca de qualquer descubrimento, + Quando uma frota sua o mar assola, + Ou uma nau se expõe ao mar e ao vento, + Escóla, que assombrava o mundo inteiro, + E em que, no estudo, o Infante era o primeiro! + + + 9 + + Se pelo mar conquista tanta fama, + E o seu nome circumda glorioso, + Das joias das acções que lá derrama, + Como navegador audacioso, + Tambem como homem d'armas se proclama + Disciplinado, firme e valoroso, + Como se fôra feito para a lucta, + Quem, pela Patria, a Gloria só disputa. + + + 10 + + Nos mares, onde tantas caravellas, + Rasgaram horisontes dilatados, + Sem receio da furia das procellas, + Nesses longinquos portos ignorados, + Onde as galés molharam suas velas, + Levando a Cruz e a Fé aos seus povoados, + Andam, inda, hoje, vivas, por memoria, + Do grande Heroe, as tradições de Gloria! + + + + +III + + A fama, a gloria, o nome, e a saudade. + ............................. + Oh! ditoso morrer! Sorte ditosa! + + CAMÕES--_Sonetos_. + + + 1 + + Póde o tempo esquecer, por largos annos, + Os feitos d'um Heroe, acções d'um povo, + Quando o tempo resolve em seus arcanos, + O consagrar algum Heroe mais novo, + Ou commentar cruezas de tyrannos, + Pois cada tronco tem o seu renovo; + Mas desse olvido ha de surgir, um dia, + O tempo que esses feitos esquecia. + + + 2 + + Revive, assim, a grandiosa Gloria + Do compendio da vida d'esse Infante, + Que enche de brilho as paginas da Historia, + N'uma lição famosa e fecundante; + E nesse consagrar tanta victoria, + Nesse avivar exemplo tão gigante, + Cumpre um dever o povo que pretende, + Que é pela Historia que se instrue e aprende. + + + 3 + + Filho de Reis, podia, na grandeza, + Trazer a vida, e em ocios, regalada; + Preferiu, da Sciencia, a realeza, + Porque era d'ella uma alma enamorada, + Levando, em protegel-a, a gentileza + De, em seus Paços, a ver bem hospedada, + Que eram de illustres Sabios, grande gremio, + Sabios, que honrava e a quem dava premio. + + + 4 + + Pelo seu coração foi mui piedoso, + Varão d'inteira Fé, de firme Crença, + Erguendo muito monumento honroso, + Que a tradição, agora, ainda incensa, + Como para attestar o caloroso, + Real valor d'essa piedade immensa, + De quem tinha, por si, segura a regra, + Que sem religião a vida é negra. + + + 5 + + Affavel, terno, todo castidade, + Abria o seio ás afflicções dos pobres, + Que consolava ao sol da caridade, + Mudando em oiro a falta dos seus cobres, + Nos extremos do affecto e da bondade, + Taes como os dispensava aos ricos nobres, + Chegando, por impulsos desvelados + A ser chamado até--_Pai dos Soldados!_ + + + 6 + + _Protector dos estudos_, contribuia, + Com larga renda e generosa offerta, + Para pôr a instrucção em pleno dia, + Nos proprios Paços seus, fulgindo certa, + Como mãi do Progresso, que antevia, + E fonte de ventura, em jorro aberta; + Pois se do mar, das armas era amante, + Punha nas Lettras um amor constante. + + + 7 + + _Talent de bien faire_ era o seu lemma: + --De fazer bem, vontade sempre ardente, + E nessa ancia do bem, viva e suprema, + Exemplo sublimado a toda a gente, + Talhou o maior canto do seu poema; + É raro achar brazão mais resplendente, + Como egualmente o é, entre a nobreza, + Mais virtude, mais Gloria, mais grandeza! + + + 8 + + Foi-lhe a vida sublime uma epopeia! + Heroe, que faz Heroes pelo traslado, + Dos dons com que seus dias encadeia, + Só pelo Patrio amor, sempre inspirado! + Dá flôr e fructo o exemplo que semeia, + Fertil foi sempre o campo que ha lavrado, + E dessa enorme e estranha sementeira, + Inda, hoje, ha grão ao sol da nossa eira! + + + 9 + + Quando morreu, coberto foi de pranto, + Do povo, que o seu nome idolatrava; + Foi tecido de lagrimas o manto, + A mortalha, que ao tumulo levava! + Diziam todos que morrêra um santo! + Dizia o proprio mar que... orphão ficava! + Chorava, assim, uma nação inteira, + Como que a sua esperança derradeira! + + + 10 + + Um povo, que acalenta o seu presente, + Ao sol das tradições do seu passado, + Levanta, agora, um monumento ingente, + Ao seu Navegador afortunado, + Na aspiração da Gloria resplendente, + Porque o que é grande é mister ser lembrado. + Aprenda bem o povo a lêr na Historia, + E Deus o inspire para maior Gloria. + + + +FIM + + + + + + + + + +LIVRARIA CHARDRON--M. LUGAN, EDITOR + + +CENTENARIO DO INFANTE D. HENRIQUE + + +_ALBERTO PIMENTEL_ + +UM CONTEMPORANEO DO INFANTE D. HENRIQUE + +Carta a Mr. Lugan + +Um vol...................................... 300 reis + +Edição em papel de linho.................... 500 reis + + +_CAMILLO CASTELLO BRANCO_ + +A LENDA DE MACHIN + +Reflexões á VIDA DO INFARTE D. HENRIQUE +por Mr. Richard H. Major +Vertida do Inglez por J. A. Ferreira Brandão + +Esta lenda acha-se no romance: EUSEBIO MACARIO + +Um volume................................... 800 reis + + +_MANUEL DUARTE D'ALMEIDA_ + +ESTANCIAS AO INFANTE D. HENRIQUE + +Recitadas pelo auctor + +Edição de luxo.............................. 300 reis. + + +_OLIVEIRA MARTINS_ + +OS FILHOS DE D. JOÃO I + +Edição de luxo, illustrada, papel de linho, tipo elzevir + +Um grosso volume.......................... 2$000 reis + + +Porto--Typ. de A. J. da Silva Teixeira, Cancella Velha, 70 + + + + + +End of the Project Gutenberg EBook of O Infante Navegador, by Alfredo Campos + +*** END OF THIS PROJECT GUTENBERG EBOOK O INFANTE NAVEGADOR *** + +***** This file should be named 32647-8.txt or 32647-8.zip ***** +This and all associated files of various formats will be found in: + https://www.gutenberg.org/3/2/6/4/32647/ + +Produced by Pedro Saborano (produced from scanned images +of public domain material from Google Book Search) + + +Updated editions will replace the previous one--the old editions +will be renamed. + +Creating the works from public domain print editions means that no +one owns a United States copyright in these works, so the Foundation +(and you!) can copy and distribute it in the United States without +permission and without paying copyright royalties. Special rules, +set forth in the General Terms of Use part of this license, apply to +copying and distributing Project Gutenberg-tm electronic works to +protect the PROJECT GUTENBERG-tm concept and trademark. Project +Gutenberg is a registered trademark, and may not be used if you +charge for the eBooks, unless you receive specific permission. If you +do not charge anything for copies of this eBook, complying with the +rules is very easy. You may use this eBook for nearly any purpose +such as creation of derivative works, reports, performances and +research. They may be modified and printed and given away--you may do +practically ANYTHING with public domain eBooks. Redistribution is +subject to the trademark license, especially commercial +redistribution. + + + +*** START: FULL LICENSE *** + +THE FULL PROJECT GUTENBERG LICENSE +PLEASE READ THIS BEFORE YOU DISTRIBUTE OR USE THIS WORK + +To protect the Project Gutenberg-tm mission of promoting the free +distribution of electronic works, by using or distributing this work +(or any other work associated in any way with the phrase "Project +Gutenberg"), you agree to comply with all the terms of the Full Project +Gutenberg-tm License (available with this file or online at +https://gutenberg.org/license). + + +Section 1. General Terms of Use and Redistributing Project Gutenberg-tm +electronic works + +1.A. By reading or using any part of this Project Gutenberg-tm +electronic work, you indicate that you have read, understand, agree to +and accept all the terms of this license and intellectual property +(trademark/copyright) agreement. If you do not agree to abide by all +the terms of this agreement, you must cease using and return or destroy +all copies of Project Gutenberg-tm electronic works in your possession. +If you paid a fee for obtaining a copy of or access to a Project +Gutenberg-tm electronic work and you do not agree to be bound by the +terms of this agreement, you may obtain a refund from the person or +entity to whom you paid the fee as set forth in paragraph 1.E.8. + +1.B. "Project Gutenberg" is a registered trademark. It may only be +used on or associated in any way with an electronic work by people who +agree to be bound by the terms of this agreement. There are a few +things that you can do with most Project Gutenberg-tm electronic works +even without complying with the full terms of this agreement. See +paragraph 1.C below. There are a lot of things you can do with Project +Gutenberg-tm electronic works if you follow the terms of this agreement +and help preserve free future access to Project Gutenberg-tm electronic +works. See paragraph 1.E below. + +1.C. The Project Gutenberg Literary Archive Foundation ("the Foundation" +or PGLAF), owns a compilation copyright in the collection of Project +Gutenberg-tm electronic works. Nearly all the individual works in the +collection are in the public domain in the United States. If an +individual work is in the public domain in the United States and you are +located in the United States, we do not claim a right to prevent you from +copying, distributing, performing, displaying or creating derivative +works based on the work as long as all references to Project Gutenberg +are removed. Of course, we hope that you will support the Project +Gutenberg-tm mission of promoting free access to electronic works by +freely sharing Project Gutenberg-tm works in compliance with the terms of +this agreement for keeping the Project Gutenberg-tm name associated with +the work. You can easily comply with the terms of this agreement by +keeping this work in the same format with its attached full Project +Gutenberg-tm License when you share it without charge with others. + +1.D. The copyright laws of the place where you are located also govern +what you can do with this work. Copyright laws in most countries are in +a constant state of change. If you are outside the United States, check +the laws of your country in addition to the terms of this agreement +before downloading, copying, displaying, performing, distributing or +creating derivative works based on this work or any other Project +Gutenberg-tm work. The Foundation makes no representations concerning +the copyright status of any work in any country outside the United +States. + +1.E. Unless you have removed all references to Project Gutenberg: + +1.E.1. The following sentence, with active links to, or other immediate +access to, the full Project Gutenberg-tm License must appear prominently +whenever any copy of a Project Gutenberg-tm work (any work on which the +phrase "Project Gutenberg" appears, or with which the phrase "Project +Gutenberg" is associated) is accessed, displayed, performed, viewed, +copied or distributed: + +This eBook is for the use of anyone anywhere at no cost and with +almost no restrictions whatsoever. You may copy it, give it away or +re-use it under the terms of the Project Gutenberg License included +with this eBook or online at www.gutenberg.org + +1.E.2. If an individual Project Gutenberg-tm electronic work is derived +from the public domain (does not contain a notice indicating that it is +posted with permission of the copyright holder), the work can be copied +and distributed to anyone in the United States without paying any fees +or charges. If you are redistributing or providing access to a work +with the phrase "Project Gutenberg" associated with or appearing on the +work, you must comply either with the requirements of paragraphs 1.E.1 +through 1.E.7 or obtain permission for the use of the work and the +Project Gutenberg-tm trademark as set forth in paragraphs 1.E.8 or +1.E.9. + +1.E.3. If an individual Project Gutenberg-tm electronic work is posted +with the permission of the copyright holder, your use and distribution +must comply with both paragraphs 1.E.1 through 1.E.7 and any additional +terms imposed by the copyright holder. Additional terms will be linked +to the Project Gutenberg-tm License for all works posted with the +permission of the copyright holder found at the beginning of this work. + +1.E.4. Do not unlink or detach or remove the full Project Gutenberg-tm +License terms from this work, or any files containing a part of this +work or any other work associated with Project Gutenberg-tm. + +1.E.5. Do not copy, display, perform, distribute or redistribute this +electronic work, or any part of this electronic work, without +prominently displaying the sentence set forth in paragraph 1.E.1 with +active links or immediate access to the full terms of the Project +Gutenberg-tm License. + +1.E.6. You may convert to and distribute this work in any binary, +compressed, marked up, nonproprietary or proprietary form, including any +word processing or hypertext form. However, if you provide access to or +distribute copies of a Project Gutenberg-tm work in a format other than +"Plain Vanilla ASCII" or other format used in the official version +posted on the official Project Gutenberg-tm web site (www.gutenberg.org), +you must, at no additional cost, fee or expense to the user, provide a +copy, a means of exporting a copy, or a means of obtaining a copy upon +request, of the work in its original "Plain Vanilla ASCII" or other +form. Any alternate format must include the full Project Gutenberg-tm +License as specified in paragraph 1.E.1. + +1.E.7. Do not charge a fee for access to, viewing, displaying, +performing, copying or distributing any Project Gutenberg-tm works +unless you comply with paragraph 1.E.8 or 1.E.9. + +1.E.8. You may charge a reasonable fee for copies of or providing +access to or distributing Project Gutenberg-tm electronic works provided +that + +- You pay a royalty fee of 20% of the gross profits you derive from + the use of Project Gutenberg-tm works calculated using the method + you already use to calculate your applicable taxes. The fee is + owed to the owner of the Project Gutenberg-tm trademark, but he + has agreed to donate royalties under this paragraph to the + Project Gutenberg Literary Archive Foundation. Royalty payments + must be paid within 60 days following each date on which you + prepare (or are legally required to prepare) your periodic tax + returns. Royalty payments should be clearly marked as such and + sent to the Project Gutenberg Literary Archive Foundation at the + address specified in Section 4, "Information about donations to + the Project Gutenberg Literary Archive Foundation." + +- You provide a full refund of any money paid by a user who notifies + you in writing (or by e-mail) within 30 days of receipt that s/he + does not agree to the terms of the full Project Gutenberg-tm + License. You must require such a user to return or + destroy all copies of the works possessed in a physical medium + and discontinue all use of and all access to other copies of + Project Gutenberg-tm works. + +- You provide, in accordance with paragraph 1.F.3, a full refund of any + money paid for a work or a replacement copy, if a defect in the + electronic work is discovered and reported to you within 90 days + of receipt of the work. + +- You comply with all other terms of this agreement for free + distribution of Project Gutenberg-tm works. + +1.E.9. If you wish to charge a fee or distribute a Project Gutenberg-tm +electronic work or group of works on different terms than are set +forth in this agreement, you must obtain permission in writing from +both the Project Gutenberg Literary Archive Foundation and Michael +Hart, the owner of the Project Gutenberg-tm trademark. Contact the +Foundation as set forth in Section 3 below. + +1.F. + +1.F.1. Project Gutenberg volunteers and employees expend considerable +effort to identify, do copyright research on, transcribe and proofread +public domain works in creating the Project Gutenberg-tm +collection. Despite these efforts, Project Gutenberg-tm electronic +works, and the medium on which they may be stored, may contain +"Defects," such as, but not limited to, incomplete, inaccurate or +corrupt data, transcription errors, a copyright or other intellectual +property infringement, a defective or damaged disk or other medium, a +computer virus, or computer codes that damage or cannot be read by +your equipment. + +1.F.2. LIMITED WARRANTY, DISCLAIMER OF DAMAGES - Except for the "Right +of Replacement or Refund" described in paragraph 1.F.3, the Project +Gutenberg Literary Archive Foundation, the owner of the Project +Gutenberg-tm trademark, and any other party distributing a Project +Gutenberg-tm electronic work under this agreement, disclaim all +liability to you for damages, costs and expenses, including legal +fees. YOU AGREE THAT YOU HAVE NO REMEDIES FOR NEGLIGENCE, STRICT +LIABILITY, BREACH OF WARRANTY OR BREACH OF CONTRACT EXCEPT THOSE +PROVIDED IN PARAGRAPH F3. YOU AGREE THAT THE FOUNDATION, THE +TRADEMARK OWNER, AND ANY DISTRIBUTOR UNDER THIS AGREEMENT WILL NOT BE +LIABLE TO YOU FOR ACTUAL, DIRECT, INDIRECT, CONSEQUENTIAL, PUNITIVE OR +INCIDENTAL DAMAGES EVEN IF YOU GIVE NOTICE OF THE POSSIBILITY OF SUCH +DAMAGE. + +1.F.3. LIMITED RIGHT OF REPLACEMENT OR REFUND - If you discover a +defect in this electronic work within 90 days of receiving it, you can +receive a refund of the money (if any) you paid for it by sending a +written explanation to the person you received the work from. If you +received the work on a physical medium, you must return the medium with +your written explanation. The person or entity that provided you with +the defective work may elect to provide a replacement copy in lieu of a +refund. If you received the work electronically, the person or entity +providing it to you may choose to give you a second opportunity to +receive the work electronically in lieu of a refund. If the second copy +is also defective, you may demand a refund in writing without further +opportunities to fix the problem. + +1.F.4. Except for the limited right of replacement or refund set forth +in paragraph 1.F.3, this work is provided to you 'AS-IS' WITH NO OTHER +WARRANTIES OF ANY KIND, EXPRESS OR IMPLIED, INCLUDING BUT NOT LIMITED TO +WARRANTIES OF MERCHANTIBILITY OR FITNESS FOR ANY PURPOSE. + +1.F.5. Some states do not allow disclaimers of certain implied +warranties or the exclusion or limitation of certain types of damages. +If any disclaimer or limitation set forth in this agreement violates the +law of the state applicable to this agreement, the agreement shall be +interpreted to make the maximum disclaimer or limitation permitted by +the applicable state law. The invalidity or unenforceability of any +provision of this agreement shall not void the remaining provisions. + +1.F.6. INDEMNITY - You agree to indemnify and hold the Foundation, the +trademark owner, any agent or employee of the Foundation, anyone +providing copies of Project Gutenberg-tm electronic works in accordance +with this agreement, and any volunteers associated with the production, +promotion and distribution of Project Gutenberg-tm electronic works, +harmless from all liability, costs and expenses, including legal fees, +that arise directly or indirectly from any of the following which you do +or cause to occur: (a) distribution of this or any Project Gutenberg-tm +work, (b) alteration, modification, or additions or deletions to any +Project Gutenberg-tm work, and (c) any Defect you cause. + + +Section 2. Information about the Mission of Project Gutenberg-tm + +Project Gutenberg-tm is synonymous with the free distribution of +electronic works in formats readable by the widest variety of computers +including obsolete, old, middle-aged and new computers. It exists +because of the efforts of hundreds of volunteers and donations from +people in all walks of life. + +Volunteers and financial support to provide volunteers with the +assistance they need are critical to reaching Project Gutenberg-tm's +goals and ensuring that the Project Gutenberg-tm collection will +remain freely available for generations to come. In 2001, the Project +Gutenberg Literary Archive Foundation was created to provide a secure +and permanent future for Project Gutenberg-tm and future generations. +To learn more about the Project Gutenberg Literary Archive Foundation +and how your efforts and donations can help, see Sections 3 and 4 +and the Foundation web page at https://www.pglaf.org. + + +Section 3. Information about the Project Gutenberg Literary Archive +Foundation + +The Project Gutenberg Literary Archive Foundation is a non profit +501(c)(3) educational corporation organized under the laws of the +state of Mississippi and granted tax exempt status by the Internal +Revenue Service. The Foundation's EIN or federal tax identification +number is 64-6221541. Its 501(c)(3) letter is posted at +https://pglaf.org/fundraising. Contributions to the Project Gutenberg +Literary Archive Foundation are tax deductible to the full extent +permitted by U.S. federal laws and your state's laws. + +The Foundation's principal office is located at 4557 Melan Dr. S. +Fairbanks, AK, 99712., but its volunteers and employees are scattered +throughout numerous locations. Its business office is located at +809 North 1500 West, Salt Lake City, UT 84116, (801) 596-1887, email +business@pglaf.org. Email contact links and up to date contact +information can be found at the Foundation's web site and official +page at https://pglaf.org + +For additional contact information: + Dr. Gregory B. Newby + Chief Executive and Director + gbnewby@pglaf.org + + +Section 4. Information about Donations to the Project Gutenberg +Literary Archive Foundation + +Project Gutenberg-tm depends upon and cannot survive without wide +spread public support and donations to carry out its mission of +increasing the number of public domain and licensed works that can be +freely distributed in machine readable form accessible by the widest +array of equipment including outdated equipment. Many small donations +($1 to $5,000) are particularly important to maintaining tax exempt +status with the IRS. + +The Foundation is committed to complying with the laws regulating +charities and charitable donations in all 50 states of the United +States. Compliance requirements are not uniform and it takes a +considerable effort, much paperwork and many fees to meet and keep up +with these requirements. We do not solicit donations in locations +where we have not received written confirmation of compliance. To +SEND DONATIONS or determine the status of compliance for any +particular state visit https://pglaf.org + +While we cannot and do not solicit contributions from states where we +have not met the solicitation requirements, we know of no prohibition +against accepting unsolicited donations from donors in such states who +approach us with offers to donate. + +International donations are gratefully accepted, but we cannot make +any statements concerning tax treatment of donations received from +outside the United States. U.S. laws alone swamp our small staff. + +Please check the Project Gutenberg Web pages for current donation +methods and addresses. Donations are accepted in a number of other +ways including including checks, online payments and credit card +donations. To donate, please visit: https://pglaf.org/donate + + +Section 5. General Information About Project Gutenberg-tm electronic +works. + +Professor Michael S. Hart was the originator of the Project Gutenberg-tm +concept of a library of electronic works that could be freely shared +with anyone. For thirty years, he produced and distributed Project +Gutenberg-tm eBooks with only a loose network of volunteer support. + + +Project Gutenberg-tm eBooks are often created from several printed +editions, all of which are confirmed as Public Domain in the U.S. +unless a copyright notice is included. Thus, we do not necessarily +keep eBooks in compliance with any particular paper edition. + + +Most people start at our Web site which has the main PG search facility: + + https://www.gutenberg.org + +This Web site includes information about Project Gutenberg-tm, +including how to make donations to the Project Gutenberg Literary +Archive Foundation, how to help produce our new eBooks, and how to +subscribe to our email newsletter to hear about new eBooks. diff --git a/32647-8.zip b/32647-8.zip Binary files differnew file mode 100644 index 0000000..ab76ac2 --- /dev/null +++ b/32647-8.zip diff --git a/32647-h.zip b/32647-h.zip Binary files differnew file mode 100644 index 0000000..9b874c0 --- /dev/null +++ b/32647-h.zip diff --git a/32647-h/32647-h.htm b/32647-h/32647-h.htm new file mode 100644 index 0000000..1424899 --- /dev/null +++ b/32647-h/32647-h.htm @@ -0,0 +1,1368 @@ +<!DOCTYPE HTML PUBLIC "-//W3C//DTD HTML 4.01 Transitional//EN" "http://www.w3.org/TR/html4/loose.dtd"> +<html lang="pt"> +<head> + <title>O Infante Navegador, por Alfredo Campos</title> + <meta name="Author" content="Campos, Alfredo, 1847-1906"> + <meta name="Edition" + content="Porto. Livraria Internacional de Ernesto Chardron, 1894."> + <meta http-equiv="content-type" content="text/html; charset=iso-8859-15"> + <style type="text/css"> + body{margin-left: 10%; + margin-right: 10%; + } + .pn { + text-indent: 0em; + position: absolute; + left: 92%; + font-size: smaller; + text-align: right; + color: silver; + } + #corpo p{text-align: justify; text-indent: 1em;} + #corpo p.ni {text-indent: 0;} + h1, h2 {text-align: center; margin-top: 4em; margin-bottom: 2em;} + h3 {margin-left: 10em;} + hr.dotted {border: 0; border-bottom: dotted 2px #000;} + hr {border: 0; border-bottom: solid 2px;} + .citacao {font-size: small;} + a {text-decoration: none;} + .rodape { + font-size: 0.8em; + margin: 2em; + } + .direita {position: absolute; right: 10%;} + .errata {border-bottom: dotted 2px #aaaaaa;} + .typo {border-bottom: dotted 2px #77dd77;} + .fbox {border: solid black 1px; background-color: #FFFFCC; font-size: 0.8em; + margin-left: 10%; margin-right: 10%;} + </style> +</head> + +<body> + + +<pre> + +The Project Gutenberg EBook of O Infante Navegador, by Alfredo Campos + +This eBook is for the use of anyone anywhere at no cost and with +almost no restrictions whatsoever. You may copy it, give it away or +re-use it under the terms of the Project Gutenberg License included +with this eBook or online at www.gutenberg.org + + +Title: O Infante Navegador + +Author: Alfredo Campos + +Release Date: June 1, 2010 [EBook #32647] + +Language: Portuguese + +Character set encoding: ISO-8859-1 + +*** START OF THIS PROJECT GUTENBERG EBOOK O INFANTE NAVEGADOR *** + + + + +Produced by Pedro Saborano (produced from scanned images +of public domain material from Google Book Search) + + + + + + +</pre> + +<p> </p> + +<div style="text-align: center; border: solid 1px #000; padding: 1em;"> +<p style="font-size: 1.4em;"><i>ALFREDO CAMPOS</i></p> +<hr style="width: 30%;"> + +<p style="font-size: 2.5em;">O INFANTE NAVEGADOR</p> + +<p>POEMETO</p> + +<p style="font-size: 1.1em;">COM UM PREFACIO</p> + +<p>DE</p> + +<p style="font-size: 1.2em;">JOÃO PENHA</p> + +<p> </p> + +<p> </p> + +<p> </p> + +<p> </p> + +<p>PORTO<br> +<i>Livraria Internacional de Ernesto Chardron</i><br> +<small>Casa editora</small><br> +M. LUGAN, Successor<br> +1894<br> +<small>Todos os direitos reservados</small></p> +</div> + +<p> </p> + +<p> </p> + +<p> </p> + +<p> </p> + +<div +style="margin-left: 20%; margin-right: 20%; font-size: small; border: solid 2px #000; border-left:0; border-right: 0; text-align: center;"> +<p>P<small>ORTO—</small>T<small>YP. DE</small> A. J. <small>DA</small> +S<small>ILVA</small> T<small>EIXEIRA</small></p> + +<p><i>Cancella Velha, 70</i></p> +</div> + +<p> </p> + +<div style="text-align: center;"> +<p style="font-size: 1.4em;"><i>ALFREDO CAMPOS</i></p> +<hr style="width: 30%;"> + +<p style="font-size: 2.5em;">O INFANTE NAVEGADOR</p> + +<p>POEMETO</p> + +<p style="font-size: 1.1em;">COM UM PREFACIO</p> + +<p>DE</p> + +<p style="font-size: 1.2em;">JOÃO PENHA</p> + +<p> </p> + +<p> </p> + +<p> </p> + +<p> </p> + +<p>PORTO<br> +<i>Livraria Internacional de Ernesto Chardron</i><br> +<small>Casa editora</small><br> +M. LUGAN, Successor<br> +1894<br> +<small>Todos os direitos reservados</small></p> +</div> + +<p> </p> + +<p> </p> + +<p> </p> + +<p> </p> + +<div style="text-align: center;"> +<p>A<small>O</small> I<small>LL.</small><sup>MO</sup> <small>E</small> +E<small>XC.</small><sup>MO</sup> S<small>NR.</small></p> + +<p> </p> + +<p> </p> + +<p style="font-size: 1.5em;">Conselheiro Luis Augusto Pimentel Pinto</p> + +<p> </p> + +<p> </p> + +<p><small>RESPEITOSAMENTE OFFERECE</small></p> + +<p> </p> + +<p style="text-align: right;"><i>O AUCTOR.</i></p> +</div> + +<p> </p> + +<p> </p> + +<p> </p> + +<p> </p> + +<div id="corpo"> +<p style="text-align: right;"><i>Ill.<sup>mo</sup> e Exc.<sup>mo</sup> +Snr.</i></p> + +<p> </p> + +<p><i>Tomo a liberdade de offerecer a V. Exc.ª este modestissimo trabalho, não +porque o tenha como valioso, mas, sim, para significar a V. Exc.ª, por esta +maneira, a consideração, estima e gratidão, que tributo a V. Exc.ª, +aquellas +por sympathia, esta pelas provas de deferencia, benevolencia e bondade que de +V. Exc.ª hei recebido, civil e militarmente.</i></p> + +<p><i>Sei que V. Exc.ª me concederá a mercê, de o acceitar, e penhorado +agradeço a graça.</i></p> + +<p><i>Considere-me V. Exc.ª como quem muito se honra, subscrevendo-se</i></p> + +<p> </p> + +<p style="text-align: center; margin-left: 30%; margin-right: 10%;"><i>De V. +Exc.ª</i></p> + +<p><small><small><i>Ovar, 1 de Janeiro de 1894.</i></small></small></p> + +<p +style="text-align: center; margin-left: 30%; margin-right: 10%;"><small><i>subordinado, +attento venerador, obrigado e admirador</i></small></p> + +<p style="text-align: center; margin-left: 30%; margin-right: 10%;"><i>Alfredo +Campos</i></p> + +<p +style="text-align: center; margin-left: 30%; margin-right: 10%;"><small><small><i>Major +d'Infantaria.</i></small></small></p> + +<p> </p> + +<h1>PREFACIO</h1> + +<p>Em 1865, alguns poetas que se achavam reunidos no cubiculo interior da +modesta livraria de um editor de Paris, resolveram, depois de animada +discussão, <i>inter pocula</i>, publicar um periodico de versos.</p> + +<p>Esses poetas eram: François Coppée, André Lemoyne, Paul Verlaine, Léon +Dierx, e José Maria de Heredia; o editor era Lemerre.</p> + +<p>Ha um proverbio francez que diz que não ha ninguem que, uma vez na vida, não +encontre a occasião de se enriquecer: tudo depende de não a deixar escapar.</p> + +<p>Para Lemerre o momento psychologico, de que mysteriosamente dependia a sua +fortuna, foi aquelle.</p> + +<p>Viu a Occasião, agarrou-a pelos cabellos, e no mez de janeiro do anno +seguinte dava á luz o 1.º numero do periodico, que fôra intitulado: <i>Parnasse +Contemporain</i>. Era mensal, e d'elle ha publicadas tres séries; a primeira +abrange o anno de 1866, a segunda, principiada em 1869, e interrompida pela +guerra franco-prussiana, concluiu em 1871; a terceira e ultima sahiu em 1876. +</p> + +<p>O exito d'esta publicação foi enorme: a edição esgotou-se, e Lemerre, que a +encetára pobre, em dia de bons auspicios, ganhou alentos e é actualmente um dos +mais faustosos editores da grande cidade.</p> + +<p>Do titulo do periodico adveio para os seus numerosos collaboradores a +denominação de <i>poetas parnasianos</i>.</p> + +<p>Catulle Mendès dá-lhe outra origem, mas a real é a que deixamos indicada: +estas coisas vêem-se melhor de longe do que de perto.</p> + +<p>Já ha muito publicavamos em Coimbra a <i>Folha</i>, quando Eça de Queiroz, +enthusiasmado, nos assignalou o novo periodico, incitando-nos a implantar entre +nós a que elle chamava poesia do futuro.</p> + +<p>Acostumados á leitura exclusiva dos cinco ou seis poetas que, por aquella +épocha, se liam e discutiam em Coimbra, surprehendeu-nos a nova publicação, não +tanto pela novidade que poderia notar-se no seu elemento poetico propriamente +dito, mas sim, principalmente, pela correcção quasi scientifica da fórma.</p> + +<p>Póde affirmar-se que foi ahi que, em França, teve principio a moderna +evolução do verso, evolução que nós, que absolutamente desconheciamos aquelle +movimento, tambem tinhamos iniciado na <i>Folha</i>.</p> + +<p>Este phenomeno poderia explicar-se por uma das leis de Vico.</p> + +<p>Dissemos que no <i>Parnaso</i> não havia innovações no elemento poetico, e +realmente, a não ser a exclusão de alguns dos velhos assumptos convencionaes, o +que se observava era que os novos poetas (não nos referimos á sua idade segundo +os repertorios) continuavam como até ali a poetar, de harmonia com os seus +temperamentos, segundo a sua propria originalidade. Via-se que os não unia nem +communhão de idéas ou de sentimentos e tradições, nem até um mesmo systema ou +methodo de execução: não formavam uma escóla: unia-os apenas um principio, que +manifestamente haviam adoptado por influencia de Th. Gautier e de Banville, o +de que poesia sem arte não é poesia; não tem outro valor senão o dos +pensamentos que contém: é prosa.</p> + +<p>Para esses parnasianos, portanto, que são os que actualmente constituem a +mais gloriosa constellação de poetas do seculo XIX, isto é, para Baudelaire, F. +Coppée, Sully-Prudhomme, Soulary, Leconte de Lisle, André Lemoyne, Glatigny, +Catulle Mendès, Armand Silvestre, Th. de Banville, Léon Valade, Paul Verlaine, +Léon Dierx, José Maria de Heredia, Em. des Essarts, e para muitos outros, +não ha +arte aonde o verso não é absolutamente correcto.</p> + +<p>Mas, a evolução da fórma consistirá só n'isso, parará ahi?</p> + +<p>Com certeza que não.</p> + +<p>Aquelle principio adoptado pelos parnasianos, não é realmente novo; os +grandes poetas latinos sempre o seguiram, e foi na <i>Epistola ad Pisones</i>, +que o Tasso, Camões, Ariosto, e outros, o encontraram, adoptando-o.</p> + +<p>O conhecimento amplissimo da lingua, tão necessario para quem faz um poema, +como o da combinação das côres para quem pinta um quadro, e a sciencia da +revelação do pensamento pela fórma mais nitida, mais perfeita e mais adequada a +esse pensamento, são as duas bases em que assenta aquelle principio.</p> + +<p>O primeiro d'estes elementos de construcção e de composição technica +estuda-se nos classicos; o segundo nas obras dos grandes escriptores. Este, +porém, deve-o sobretudo estudar o poeta comsigo mesmo; porque um mesmo +pensamento não só póde ser apresentado, sem alteração alguma, por palavras +diversas, mas tambem pelas mesmas palavras combinadas de maneiras differentes. +</p> + +<p>Já o <i>Mestre de Philosophia</i> o indicava, na comedia de Molière, ao +<i>Burguez Gentilhomem</i>:</p> + +<p>Mr. Jourdain sentira-se enamorado de uma dama da sociedade elegante, e +queria escrever-lhe qualquer coisa n'um bilhetinho, que lhe deixaria cahir aos +pés.</p> + +<p>A este respeito abriu-se com o seu Mestre de Philosophia.</p> + +<p>—«É em verso que quer escrever-lhe?—perguntou-lhe este.</p> + +<p>—Não; nada de verso.</p> + +<p>—Então quer tudo em prosa?</p> + +<p>—Não; não quero nem prosa nem verso.</p> + +<p>—Ha de ser uma ou outra coisa.</p> + +<p>—Porque?</p> + +<p>—Por uma razão muito simples; porque para nos exprimirmos não ha senão a +prosa ou os versos.</p> + +<p>—Não ha senão a prosa ou os versos?</p> + +<p>—Não. Tudo que não é prosa é verso, e tudo que não é verso é prosa.</p> + +<p>—E, quando eu fallo, isso que é?</p> + +<p>—É prosa.</p> + +<p>—Como! quando eu digo: ó José, traz-me os meus sapatos, e dá-me o meu +barrete de dormir, isto é prosa?</p> + +<p>—Sim, senhor.</p> + +<p>—É boa! Ha quarenta annos que fallo em prosa sem o saber! Muito obrigado +pelas suas instrucções. O que eu queria pôr no bilhete era:—<i>Bella marqueza, +seus bellos olhos fazem-me morrer d'amor</i>; mas queria que isto fosse posto +de uma maneira galante, torneado com elegancia.</p> + +<p>—Pôr: que o fogo dos seus olhos lhe reduz o coração a cinzas, que soffre +dia e noite as violencias d'um...</p> + +<p>—Não, não, não. Não quero nada d'isso. Não quero senão o que lhe +disse:—<i>Bella marqueza, seus bellos olhos fazem-me morrer d'amor.</i></p> + +<p>—Comtudo, sempre é necessario estender isso um pouco mais.</p> + +<p>—Não, repito. Não quero senão essas unicas palavras no bilhete, mas +torneadas á moda, arranjadas como o devem ser. Obsequeia-me, dizendo-me, para +eu ver, as diversas maneiras de as pôr.</p> + +<p>—Primeiramente podem pôr-se da maneira que me disse: <i>Bella marqueza, +seus bellos olhos fazem-me morrer d'amor.</i> Ou então:—<i>D'amor morrer me +fazem, bella marqueza, seus bellos olhos.</i> Ou então:—<i>Seus olhos bellos, +d'amor me fazem, bella marqueza, morrer.</i> Ou então:—<i>Morrer seus bellos +olhos, bella marquesa, d'amor me fazem.</i> Ou então:—<i>Me fazem, seus olhos +bellos morrer, bella marqueza, d'amor.</i></p> + +<p>—Mas de todas essas maneiras qual é a melhor?</p> + +<p>—A sua: <i>Bella marqueza, seus bellos olhos fazem-me morrer d'amor!</i> +</p> + +<p>—E comtudo não tive estudos, fiz isso logo á primeira! Muitissimo +obrigado».</p> + +<p>A resposta final do Mestre de Philosophia, se o caso não fosse de puro +gracejo, não poderia ser applicada, sem restricções, ao verso, não só porque +das diversas formulas de qualquer pensamento deve ser escolhida a que fôr +melhor segundo as circumstancias, mas tambem porque, como diz um poeta obscuro: +</p> + +<blockquote> + «Prosa e verso têm balisas».</blockquote> + +<p>Tudo isto, porém: conhecimento cabal da lingua, e sciencia technica da +construcção, não passa do que é estrictamente rudimental na composição poetica. +</p> + +<p>A moderna evolução do verso, iniciada, como dissemos, pelos parnasianos, +tende, no seu movimento ascensional para a perfeição artistica, a pôr de +accordo o pensamento e a fórma, a idéa e o som, a melodia e a harmonia.</p> + +<p>A este respeito, transcreveremos aqui as idéas que já n'outra parte +expozemos.</p> + +<p>«Em toda a composição poetica é indispensavel o elemento musical; sem este +elemento, essa composição, embora rithmada e rimada, não transpõe os limites da +prosa. Tanto o prosador, como o poeta, trabalham a mesma materia prima: o +pensamento; o primeiro, porém, é apenas uma especie de artifice mechanico: +extrahe da pedreira cerebral e transporta para o papel as idéas que ahi se lhe +formam: executa.</p> + +<p>O trabalho do segundo é mais elevado e complexo: o poeta cria.</p> + +<p>Assim como nem toda a pedra é adequada e serve para a estatua que um +Buonarotti se proponha fazer, assim nem todo o pensamento póde ser objecto de +um poema.</p> + +<p>O artista, sem o procurar, escolhe, entre os que espontaneamente lhe +germinam no intellecto, aquelle que o seu espirito de selecção prefere; +expurga-o das impurezas da vulgaridade, que lhe empanem a originalidade nativa, +e depois reveste-o, por meio de processos extremamente complicados, da fórma +que o torna visivel no mundo exterior.</p> + +<p>Esses processos não consistem unicamente na escolha de palavras e locuções, +e na regularidade do rithmo e da consonancia; consistem sobretudo na escolha +dos sons que essas palavras devem produzir, combinadas umas com as outras, de +modo que a composição musical, que d'ahi resulte, deve estar de harmonia com o +pensamento que as mesmas palavras contêm, isto é, a tacitura e a notação +melodica dos vocabulos, abstrahindo-se das idéas que n'elles estão incluidas, +devem revelar, embora vagamente, o conjuncto d'essas mesmas idéas.</p> + +<p>Os tres grandes poetas romanos, e sobretudo Horacio, attingiram esta +perfeição do verso.</p> + +<p>Leia-se uma ode d'aquelle poeta a um individuo que ignore completamente a +lingua latina, a um professor d'essa lingua, por exemplo, e elle, só pela +harmonia mysteriosa das estrophes, indicará o assumpto de que o poeta se +occupou: Meyerbeer, Beethoven e Mozart collaboraram nas obras de Hugo, Musset e +Lamartine».</p> + +<p>Os fundamentos d'esta nossa theoria, que talvez pareça a uns imaginaria, e a +outros inexequivel, assentam em factos absolutamente experimentaes.</p> + +<p>Observe-se uma joven doente. As palavras que instinctivamente emprega para +exprimir a tristeza da sua alma, e os soffrimentos de que se queixa, são +adequadas ao seu estado, não só pelo tom lugubre e pelos pensamentos que +encerram, mas tambem pela inflexão lamuriante e chorosa que lhes imprime. +Observe-se, pelo contrario, um homem feliz e contente: se falla, se conta as +suas aventuras, ha na sua voz a vibração das notas claras, estridentes e +sonorosamente agudas: entre os seus pensamentos, e a parte musical que os +reveste, ha uma harmonia completa, embora inconsciente.</p> + +<p>É, pois, na conjuncção d'estes dois elementos que deverá consistir o arduo e +difficultoso trabalho do poeta moderno: se o realisar, a sua obra occupará um +logar perduravel entre os monumentos artisticos da sua épocha; se o não +conseguir, vêr-se-ha collocado, quando muito, entre a ephemera cohorte dos +operarios da prosa, e por mais que diga, por mais que se contorsa, por mais que +rechêe a sua obra de assombros de pensamento, de bonitos de phrase, e de +floripondios de estylo, como diria sua excellencia o bispo de Bethesaida, ainda +em vida a verá sepultada nos abysmos insondaveis d'um eterno esquecimento.</p> + +<p>É no sentido que deixamos esboçado que em França os antigos parnasianos, +e +uma enorme phalange de poetas mais novos, trabalham os seus poemas, +sobresahindo entre elles pela sua mais perfeita comprehensão do elemento +musical, no <i>La Nature</i>, Maurice Rollinat, o compositor das +<i>Nevroses</i>.</p> + +<p>As suas poesias são tão musicaes que podem cantar-se, e elle mesmo, ainda ha +pouco, com uma entoação estridente e angustiosa, que produziu uma sensação +inexprimivel nos que o ouviam, cantou uma d'ellas, o rondó: <i>Les yeux +morts</i>:</p> + +<blockquote> + «De ses grands yeux, chastes et fous,<br> + Il ne reste pás un vestige.<br> + Ses yeux, qui donnaient le vertige<br> + Sont allés ou nous irons tous.<br> + <br> + En vain ils étaient frais et doux<br> + Comme deux bluets sur leur tige:<br> + De ses yeux, chastes et fous,<br> + Il ne reste plus un vestige.<br> + <br> + Quelquefois, par les minuits roux,<br> + Pleins de mystères et de prestige<br> + La morte autour de moi voltige...<br> + Mais je ne vois plus que les trous<br> + De ses grands yeux chastes et fous!»</blockquote> + +<p>Entre nós, o movimento evolutivo, a que nos temos referido, fôra, como +dissemos, iniciado espontaneamente em Coimbra por uma geração de poetas que, +com os seus adeptos, formam actualmente uma pleiade de artistas que só tem por +egual a pleiade dos poetas francezes.</p> + +<p>Eram e são os que o professor do Curso Superior de Lettras, Theophilo Braga, +o Linneo da nossa litteratura, classifica, na sua ultima obra, com o desdem +olympico de um metrificador de cyclos, da maneira seguinte: <i>poetas que +tratam unicamente da fórma</i>.</p> + +<p>No emtanto, em que peze ao illustre cathedratico, para elles, excluido um, +já ha muito fulgura, no Templo da Arte, o antigo <i>fas vobis limina +divuum</i>.</p> + +<p>Alfredo Campos não é um d'esses poetas, mas se não é rigorosamente um +parnasiano, mostra nas suas poesias, que, como João de Deus, tem musica na +alma, e essa musica interior muitas vezes suppre, o que a arte, para os mesmos +effeitos, laboriosamente obtem. Muitos dos seus sonetos poderiam ser assignados +por Diogo Bernardes, e as bellas estrophes, que vão lêr-se, revelam que o seu +talento malleavel não se affrontaria diante de uma obra mais completa, se com +ella se propozesse enriquecer a nossa litteratura.</p> + +<p> </p> + +<p><small>11-2-94.</small></p> + +<p> </p> + +<p style="text-align: right;"><i>João Penha.</i></p> + +<h1>O INFANTE NAVEGADOR</h1> + +<h2>I</h2> + +<blockquote style="margin-left: 30%; font-size: small;"> + <p><i>.... se a natureza lhe negára a Corôa, as virtudes lhe deram justiça + para a merecer.</i></p> + + <p>C<small>ANDIDO</small> L<small>USITANO</small>—<i>Vida do Infante D. + Henrique.</i></p> +</blockquote> + +<h3>1</h3> + +<blockquote> + Espirito sublime e alevantado,<br> + Cheio de crenças, coração formoso,<br> + Olhar d'águia, profundo e dilatado,<br> + Fictando o sol ardente, corajoso,<br> + Sondando o mar, que adora apaixonado,<br> + E em que sonha o seu poema grandioso,<br> + Deixou seu nome vinculado á Gloria,<br> + Escripto em bronze, pela mão da Historia.</blockquote> + +<h3>2</h3> + +<blockquote> + —Navegador!—Assim o baptisára<br> + A fama das conquistas mais brilhantes;<br> + Já, dominando o mar, na audacia rara,<br> + Para o cortar de estradas rutilantes,<br> + Já, implantando a Fé na gente ignára,<br> + Em paragens ignotas e distantes,<br> + Não, porque da ambição fosse vil presa,<br> + Mas para dar á Fé maior grandeza!</blockquote> + +<h3>3</h3> + +<blockquote> + Varão de largo estudo e são talento,<br> + Em vez de braço inerte na indolencia,<br> + Nos prazeres da côrte, e luzimento<br> + D'uma banal e inutil existencia;<br> + Em vez dos galanteios de momento,<br> + Que passam, como as nuvens d'uma essencia,<br> + Votou a vida, desde a florea edade,<br> + Ao trabalho, com honra e lealdade.</blockquote> + +<h3>4</h3> + +<blockquote> + Foi de Sagres, nos sonhos radiosos,<br> + Embalados, do mar, nas harmonias,<br> + Quando o mar, nos anceios carinhosos,<br> + Ia, meigo, beijar-lhe as penedias,<br> + Como para attrahil-o aos gloriosos,<br> + Altos projectos de futuros dias,<br> + Que concebeu os planos de conquista,<br> + Lançando, ao longe, a penetrante vista.</blockquote> + +<h3>5</h3> + +<blockquote> + Ninguem, como elle, ousára ainda tanto,<br> + Abrir caminho certo a essas paragens,<br> + Onde a noite é mortal, o sol quebranto,<br> + Os habitantes negros e selvagens;<br> + Porque ninguem sentira o doce encanto<br> + De lograr tão esplendidas miragens;<br> + Porque ninguem, como elle, decifrava<br> + Os enigmas, que o mar apresentava.</blockquote> + +<h3>6</h3> + +<blockquote> + Rodeado d'espiritos valentes,<br> + Promptos á voz, que vinha d'um desejo,<br> + Calando, sempre, em corações ardentes,<br> + Cheios de brio, aspiração e pejo,<br> + Mal dardejava ás ondas relusentes,<br> + Os olhos, no clarão d'algum lampejo,<br> + Ao vento desfraldavam, logo, as vélas,<br> + Arrojadas, veleiras caravellas!</blockquote> + +<h3>7</h3> + +<blockquote> + Não eram ambições de vil riqueza,<br> + De conquistas, que augmentam poderio,<br> + Ou paixão de cubiça, de torpeza,<br> + Para satisfazer um desvario,<br> + Ou um capricho vão de vã fraqueza,<br> + O que o levava á busca do gentio:<br> + —Era mais alto e nobre o pensamento,<br> + Que o punha firme n'esse ousado intento.</blockquote> + +<h3>8</h3> + +<blockquote> + Na descoberta de regiões ignotas,<br> + Tinha apenas um alvo, que era a Gloria,<br> + D'avançar na sciencia das derrotas,<br> + Para lograr, sobre outros, tal victoria,<br> + Levando a Fé ás tribus mais remotas,<br> + Cuja religião era irrisoria;<br> + Não por prazer de ter móres dominios<br> + Acalentava o Infante estes designios.</blockquote> + +<h3>9</h3> + +<blockquote> + Tal como o mar, que um dia é bonançoso,<br> + Beijando docemente a costa, a praia,<br> + E no outro dia é já tempestuoso,<br> + Em mortalha mudando a alva cambraia,<br> + Da fina espuma do seu dorso airoso,<br> + Para melhor colher o que desmaia,<br> + Hoje, sereno, amante peregrino,<br> + Mau, amanhã, terrivel e tigrino.</blockquote> + +<h3>10</h3> + +<blockquote> + Assim o espirito do Infante, ás vezes,<br> + Calmo sorria ao fim d'alguma empreza,<br> + Triumphante de todos os revezes;<br> + Mas enchia a sua alma de tristeza<br> + Quando a sorte feria os portuguezes,<br> + Porque ante a sorte ha força que é fraqueza,<br> + E nem sempre volviam gloriosas,<br> + Essas expedições audaciosas!</blockquote> + +<h2>II </h2> + +<blockquote style="margin-left: 30%; font-size: small;"> + <p>O mysterio que desde a creação estava suspenso sobre o Atlantico, e + occultava ao conhecimento do homem metade da superficie do globo, tinha + reservado para o Infante D. Henrique, o navegador, um campo de nobres + commettimentos. </p> + + <p>R<small>ICHARD</small> H<small>ENRY</small> M<small>AJOR</small>—<i>Vida + do Infante D. Henrique.</i></p> +</blockquote> + +<h3>1</h3> + +<blockquote> + Como um extenso campo, pelo arado<br> + Fendido em sulcos para a sementeira,<br> + O Atlantico, por elle, foi sulcado,<br> + N'uma larga derrota lisongeira,<br> + Em que, sempre, um caminho era traçado,<br> + De larga via e luminosa esteira,<br> + Levando o Infante ás terras procuradas,<br> + As naus e as galés afortunadas.</blockquote> + +<h3>2</h3> + +<blockquote> + Os Açores, Madeira e Porto Santo,<br> + Pelo arrojo de Zarco e Tristão Vaz,<br> + Surgem formosas, como por encanto,<br> + Ao que, por descubril-as, tanto faz.<br> + Leva a Ceuta os seus feitos e, no emtanto,<br> + Sempre no seu intento firme e audaz,<br> + Segue lançando o penetrante olhar,<br> + As ondas do attrahente e vasto mar!</blockquote> + +<h3>3</h3> + +<blockquote> + Diogo Gomes põe as lusas quinas,<br> + Em Cabo Verde—essa africana porta<br> + —Como se as hasteasse nas campinas,<br> + Onde não houve nunca esperança morta.<br> + Rasgam-se as nuvens densas de neblinas,<br> + Ante o fervor, que o heroismo exhorta,<br> + E á bahia d'Arguim o accesso expande<br> + A maritima audacia, e ao Rio Grande!</blockquote> + +<h3>4</h3> + +<blockquote> + Desvenda-se esse Mar, que Tenebroso,<br> + Toda a coragem transformava em medo,<br> + Como rendido ao susto perigoso,<br> + Quem quer sondar o abysmo d'um segredo;<br> + E esse campo de vagas, mysterioso,<br> + Tão tido por feroz, insano e tredo,<br> + Deixa de ser phantastica voragem,<br> + Para prestar aos lusos vassalagem!</blockquote> + +<h3>5</h3> + +<blockquote> + Levado na corrente caudalosa,<br> + Que os animos inspira com ardor,<br> + Dobra, n'uma derrota gloriosa,<br> + Gil Eannes, o Cabo Bajador;<br> + E essa tarefa rude e trabalhosa,<br> + Que ao Infante traz mais um esplendor,<br> + Novo florão engasta em seu diadema,<br> + Nova estrophe nos cantos do seu poema!</blockquote> + +<h3>6</h3> + +<blockquote> + Andavam cavalleiros, moços, pagens,<br> + Entre si, disputando a primasia,<br> + De derrotas incertas, de viagens,<br> + Tidas por mais difficeis, dia a dia,<br> + Buscando, cada qual, novas paragens,<br> + Consoante as pintava a phantasia;<br> + E foi assim, que, com fervor e fé,<br> + Chegaram a Benim, Congo e Guiné!</blockquote> + +<h3>7</h3> + +<blockquote> + Vencem os seus o Cabo das Tormentas,<br> + Que foi, depois, Cabo da Boa Esperança,<br> + Não sem luctas e luctas violentas,<br> + Em que o trabalho mais renome alcança;<br> + Não sem rudezas grandes e cruentas,<br> + Dessas que a fama em seus laureis entrança,<br> + E coube ao Duque de Vizeu a Gloria,<br> + Dessa arrojada empreza meritoria.</blockquote> + +<h3>8</h3> + +<blockquote> + Levanta em Sagres a grandiosa Escóla,<br> + Onde a navegação acha elemento,<br> + Para as expedições, que desenrola,<br> + Em busca de qualquer descubrimento,<br> + Quando uma frota sua o mar assola,<br> + Ou uma nau se expõe ao mar e ao vento,<br> + Escóla, que assombrava o mundo inteiro,<br> + E em que, no estudo, o Infante era o primeiro!</blockquote> + +<h3>9</h3> + +<blockquote> + Se pelo mar conquista tanta fama,<br> + E o seu nome circumda glorioso,<br> + Das joias das acções que lá derrama,<br> + Como navegador audacioso,<br> + Tambem como homem d'armas se proclama<br> + Disciplinado, firme e valoroso,<br> + Como se fôra feito para a lucta,<br> + Quem, pela Patria, a Gloria só disputa.</blockquote> + +<h3>10</h3> + +<blockquote> + Nos mares, onde tantas caravellas,<br> + Rasgaram horisontes dilatados,<br> + Sem receio da furia das procellas,<br> + Nesses longinquos portos ignorados,<br> + Onde as galás molharam suas velas,<br> + Levando a Cruz e a Fé aos seus povoados,<br> + Andam, inda, hoje, vivas, por memoria,<br> + Do grande Heroe, as tradições de Gloria!</blockquote> + +<h2>III </h2> + +<blockquote style="margin-left: 30%; font-size: small;"> + A fama, a gloria, o nome, e a saudade.<br> + .............................<br> + Oh! ditoso morrer! Sorte ditosa!<br> + + + <p style="margin-left: 20%;">C<small>AMÕES</small>—<i>Sonetos</i>.</p> +</blockquote> + +<h3>1</h3> + +<blockquote> + Póde o tempo esquecer, por largos annos,<br> + Os feitos d'um Heroe, acções d'um povo,<br> + Quando o tempo resolve em seus arcanos,<br> + O consagrar algum Heroe mais novo,<br> + Ou commentar cruezas de tyrannos,<br> + Pois cada tronco tem o seu renovo;<br> + Mas desse olvido ha de surgir, um dia,<br> + O tempo que esses feitos esquecia.</blockquote> + +<h3>2</h3> + +<blockquote> + Revive, assim, a grandiosa Gloria<br> + Do compendio da vida d'esse Infante,<br> + Que enche de brilho as paginas da Historia,<br> + N'uma lição famosa e fecundante;<br> + E nesse consagrar tanta victoria,<br> + Nesse avivar exemplo tão gigante,<br> + Cumpre um dever o povo que pretende,<br> + Que é pela Historia que se instrue e aprende.</blockquote> + +<h3>3</h3> + +<blockquote> + Filho de Reis, podia, na grandeza,<br> + Trazer a vida, e em ocios, regalada;<br> + Preferiu, da Sciencia, a realeza,<br> + Porque era d'ella uma alma enamorada,<br> + Levando, em protegel-a, a gentileza<br> + De, em seus Paços, a ver bem hospedada,<br> + Que eram de illustres Sabios, grande gremio,<br> + Sabios, que honrava e a quem dava premio.</blockquote> + +<h3>4</h3> + +<blockquote> + Pelo seu coração foi mui piedoso,<br> + Varão d'inteira Fé, de firme Crença,<br> + Erguendo muito monumento honroso,<br> + Que a tradição, agora, ainda incensa,<br> + Como para attestar o caloroso,<br> + Real valor d'essa piedade immensa,<br> + De quem tinha, por si, segura a regra,<br> + Que sem religião a vida é negra.</blockquote> + +<h3>5</h3> + +<blockquote> + Affavel, terno, todo castidade,<br> + Abria o seio ás afflicções dos pobres,<br> + Que consolava ao sol da caridade,<br> + Mudando em oiro a falta dos seus cobres,<br> + Nos extremos do affecto e da bondade,<br> + Taes como os dispensava aos ricos nobres,<br> + Chegando, por impulsos desvelados<br> + A ser chamado até—<i>Pai dos Soldados!</i></blockquote> + +<h3>6</h3> + +<blockquote> + <i>Protector dos estudos</i>, contribuia,<br> + Com larga renda e generosa offerta,<br> + Para pôr a instrucção em pleno dia,<br> + Nos proprios Paços seus, fulgindo certa,<br> + Como mãi do Progresso, que antevia,<br> + E fonte de ventura, em jorro aberta;<br> + Pois se do mar, das armas era amante,<br> + Punha nas Lettras um amor constante.</blockquote> + +<h3>7</h3> + +<blockquote> + <i>Talent de bien faire</i> era o seu lemma:<br> + —De fazer bem, vontade sempre ardente,<br> + E nessa ancia do bem, viva e suprema,<br> + Exemplo sublimado a toda a gente,<br> + Talhou o maior canto do seu poema;<br> + É raro achar brazão mais resplendente,<br> + Como egualmente o é, entre a nobreza,<br> + Mais virtude, mais Gloria, mais grandeza!</blockquote> + +<h3>8</h3> + +<blockquote> + Foi-lhe a vida sublime uma epopeia!<br> + Heroe, que faz Heroes pelo traslado,<br> + Dos dons com que seus dias encadeia,<br> + Só pelo Patrio amor, sempre inspirado!<br> + Dá flôr e fructo o exemplo que semeia,<br> + Fertil foi sempre o campo que ha lavrado,<br> + E dessa enorme e estranha sementeira,<br> + Inda, hoje, ha grão ao sol da nossa eira!</blockquote> + +<h3>9</h3> + +<blockquote> + Quando morreu, coberto foi de pranto,<br> + Do povo, que o seu nome idolatrava;<br> + Foi tecido de lagrimas o manto,<br> + A mortalha, que ao tumulo levava!<br> + Diziam todos que morrêra um santo!<br> + Dizia o proprio mar que... orphão ficava!<br> + Chorava, assim, uma nação inteira,<br> + Como que a sua esperança derradeira!</blockquote> + +<h3>10</h3> + +<blockquote> + Um povo, que acalenta o seu presente,<br> + Ao sol das tradições do seu passado,<br> + Levanta, agora, um monumento ingente,<br> + Ao seu Navegador afortunado,<br> + Na aspiração da Gloria resplendente,<br> + Porque o que é grande é mister ser lembrado.<br> + Aprenda bem o povo a lêr na Historia,<br> + E Deus o inspire para maior Gloria.</blockquote> + +<p> </p> + +<p style="text-align: center;">FIM</p> +</div> + +<p> </p> + +<p> </p> + +<p> </p> + +<p> </p> + +<div style="text-align:center; font-size: small;"> +<p>LIVRARIA CHARDRON—M. LUGAN, E<small>DITOR</small></p> +<hr width="30%"> + +<p>CENTENARIO DO INFANTE D. HENRIQUE</p> +<hr width="20%"> + +<p><i>ALBERTO PIMENTEL</i></p> + +<p>UM CONTEMPORANEO DO INFANTE D. HENRIQUE</p> + +<p><small>Carta a Mr. Lugan</small></p> + +<p>Um vol...................................... 300 reis</p> + +<p>Edição em papel de linho........ 500 reis</p> +<hr width="20%"> + +<p><i>CAMILLO CASTELLO BRANCO</i></p> + +<p><big><big>A LENDA DE MACHIN</big></big></p> + +<p><small>Reflexões á VIDA DO INFARTE D. HENRIQUE<br> + +<small>por Mr. Richard H. Major</small><br> + +Vertida do Inglez por J. A. Ferreira Brandão</small></p> + +<p>Esta lenda acha-se no romance: EUSEBIO MACARIO</p> + +<p>Um volume....................... 800 reis</p> +<hr width="20%"> + +<p><i>MANUEL DUARTE D'ALMEIDA</i></p> + +<p><big>ESTANCIAS AO INFANTE D. HENRIQUE</big></p> + +<p><small>Recitadas pelo auctor</small></p> + +<p>Edição de luxo................ 300 reis.</p> +<hr width="20%"> + +<p><i>OLIVEIRA MARTINS</i></p> + +<p><big><big>OS FILHOS DE D. JOÃO I</big></big></p> + +<p><small>Edição de luxo, illustrada, papel de linho, tipo elzevir</small></p> + +<p>Um grosso volume............. 2$000 reis</p> + +<hr width="80%"> + +<p><small>Porto—Typ. de A. J. da Silva Teixeira, Cancella Velha, 70</small></p> +</div> + + + + + + + +<pre> + + + + + +End of the Project Gutenberg EBook of O Infante Navegador, by Alfredo Campos + +*** END OF THIS PROJECT GUTENBERG EBOOK O INFANTE NAVEGADOR *** + +***** This file should be named 32647-h.htm or 32647-h.zip ***** +This and all associated files of various formats will be found in: + https://www.gutenberg.org/3/2/6/4/32647/ + +Produced by Pedro Saborano (produced from scanned images +of public domain material from Google Book Search) + + +Updated editions will replace the previous one--the old editions +will be renamed. + +Creating the works from public domain print editions means that no +one owns a United States copyright in these works, so the Foundation +(and you!) can copy and distribute it in the United States without +permission and without paying copyright royalties. Special rules, +set forth in the General Terms of Use part of this license, apply to +copying and distributing Project Gutenberg-tm electronic works to +protect the PROJECT GUTENBERG-tm concept and trademark. Project +Gutenberg is a registered trademark, and may not be used if you +charge for the eBooks, unless you receive specific permission. If you +do not charge anything for copies of this eBook, complying with the +rules is very easy. You may use this eBook for nearly any purpose +such as creation of derivative works, reports, performances and +research. They may be modified and printed and given away--you may do +practically ANYTHING with public domain eBooks. Redistribution is +subject to the trademark license, especially commercial +redistribution. + + + +*** START: FULL LICENSE *** + +THE FULL PROJECT GUTENBERG LICENSE +PLEASE READ THIS BEFORE YOU DISTRIBUTE OR USE THIS WORK + +To protect the Project Gutenberg-tm mission of promoting the free +distribution of electronic works, by using or distributing this work +(or any other work associated in any way with the phrase "Project +Gutenberg"), you agree to comply with all the terms of the Full Project +Gutenberg-tm License (available with this file or online at +https://gutenberg.org/license). + + +Section 1. General Terms of Use and Redistributing Project Gutenberg-tm +electronic works + +1.A. By reading or using any part of this Project Gutenberg-tm +electronic work, you indicate that you have read, understand, agree to +and accept all the terms of this license and intellectual property +(trademark/copyright) agreement. If you do not agree to abide by all +the terms of this agreement, you must cease using and return or destroy +all copies of Project Gutenberg-tm electronic works in your possession. +If you paid a fee for obtaining a copy of or access to a Project +Gutenberg-tm electronic work and you do not agree to be bound by the +terms of this agreement, you may obtain a refund from the person or +entity to whom you paid the fee as set forth in paragraph 1.E.8. + +1.B. "Project Gutenberg" is a registered trademark. It may only be +used on or associated in any way with an electronic work by people who +agree to be bound by the terms of this agreement. There are a few +things that you can do with most Project Gutenberg-tm electronic works +even without complying with the full terms of this agreement. See +paragraph 1.C below. There are a lot of things you can do with Project +Gutenberg-tm electronic works if you follow the terms of this agreement +and help preserve free future access to Project Gutenberg-tm electronic +works. See paragraph 1.E below. + +1.C. The Project Gutenberg Literary Archive Foundation ("the Foundation" +or PGLAF), owns a compilation copyright in the collection of Project +Gutenberg-tm electronic works. Nearly all the individual works in the +collection are in the public domain in the United States. If an +individual work is in the public domain in the United States and you are +located in the United States, we do not claim a right to prevent you from +copying, distributing, performing, displaying or creating derivative +works based on the work as long as all references to Project Gutenberg +are removed. Of course, we hope that you will support the Project +Gutenberg-tm mission of promoting free access to electronic works by +freely sharing Project Gutenberg-tm works in compliance with the terms of +this agreement for keeping the Project Gutenberg-tm name associated with +the work. You can easily comply with the terms of this agreement by +keeping this work in the same format with its attached full Project +Gutenberg-tm License when you share it without charge with others. + +1.D. The copyright laws of the place where you are located also govern +what you can do with this work. Copyright laws in most countries are in +a constant state of change. If you are outside the United States, check +the laws of your country in addition to the terms of this agreement +before downloading, copying, displaying, performing, distributing or +creating derivative works based on this work or any other Project +Gutenberg-tm work. The Foundation makes no representations concerning +the copyright status of any work in any country outside the United +States. + +1.E. Unless you have removed all references to Project Gutenberg: + +1.E.1. The following sentence, with active links to, or other immediate +access to, the full Project Gutenberg-tm License must appear prominently +whenever any copy of a Project Gutenberg-tm work (any work on which the +phrase "Project Gutenberg" appears, or with which the phrase "Project +Gutenberg" is associated) is accessed, displayed, performed, viewed, +copied or distributed: + +This eBook is for the use of anyone anywhere at no cost and with +almost no restrictions whatsoever. You may copy it, give it away or +re-use it under the terms of the Project Gutenberg License included +with this eBook or online at www.gutenberg.org + +1.E.2. If an individual Project Gutenberg-tm electronic work is derived +from the public domain (does not contain a notice indicating that it is +posted with permission of the copyright holder), the work can be copied +and distributed to anyone in the United States without paying any fees +or charges. If you are redistributing or providing access to a work +with the phrase "Project Gutenberg" associated with or appearing on the +work, you must comply either with the requirements of paragraphs 1.E.1 +through 1.E.7 or obtain permission for the use of the work and the +Project Gutenberg-tm trademark as set forth in paragraphs 1.E.8 or +1.E.9. + +1.E.3. If an individual Project Gutenberg-tm electronic work is posted +with the permission of the copyright holder, your use and distribution +must comply with both paragraphs 1.E.1 through 1.E.7 and any additional +terms imposed by the copyright holder. Additional terms will be linked +to the Project Gutenberg-tm License for all works posted with the +permission of the copyright holder found at the beginning of this work. + +1.E.4. Do not unlink or detach or remove the full Project Gutenberg-tm +License terms from this work, or any files containing a part of this +work or any other work associated with Project Gutenberg-tm. + +1.E.5. Do not copy, display, perform, distribute or redistribute this +electronic work, or any part of this electronic work, without +prominently displaying the sentence set forth in paragraph 1.E.1 with +active links or immediate access to the full terms of the Project +Gutenberg-tm License. + +1.E.6. You may convert to and distribute this work in any binary, +compressed, marked up, nonproprietary or proprietary form, including any +word processing or hypertext form. However, if you provide access to or +distribute copies of a Project Gutenberg-tm work in a format other than +"Plain Vanilla ASCII" or other format used in the official version +posted on the official Project Gutenberg-tm web site (www.gutenberg.org), +you must, at no additional cost, fee or expense to the user, provide a +copy, a means of exporting a copy, or a means of obtaining a copy upon +request, of the work in its original "Plain Vanilla ASCII" or other +form. Any alternate format must include the full Project Gutenberg-tm +License as specified in paragraph 1.E.1. + +1.E.7. Do not charge a fee for access to, viewing, displaying, +performing, copying or distributing any Project Gutenberg-tm works +unless you comply with paragraph 1.E.8 or 1.E.9. + +1.E.8. You may charge a reasonable fee for copies of or providing +access to or distributing Project Gutenberg-tm electronic works provided +that + +- You pay a royalty fee of 20% of the gross profits you derive from + the use of Project Gutenberg-tm works calculated using the method + you already use to calculate your applicable taxes. The fee is + owed to the owner of the Project Gutenberg-tm trademark, but he + has agreed to donate royalties under this paragraph to the + Project Gutenberg Literary Archive Foundation. Royalty payments + must be paid within 60 days following each date on which you + prepare (or are legally required to prepare) your periodic tax + returns. Royalty payments should be clearly marked as such and + sent to the Project Gutenberg Literary Archive Foundation at the + address specified in Section 4, "Information about donations to + the Project Gutenberg Literary Archive Foundation." + +- You provide a full refund of any money paid by a user who notifies + you in writing (or by e-mail) within 30 days of receipt that s/he + does not agree to the terms of the full Project Gutenberg-tm + License. You must require such a user to return or + destroy all copies of the works possessed in a physical medium + and discontinue all use of and all access to other copies of + Project Gutenberg-tm works. + +- You provide, in accordance with paragraph 1.F.3, a full refund of any + money paid for a work or a replacement copy, if a defect in the + electronic work is discovered and reported to you within 90 days + of receipt of the work. + +- You comply with all other terms of this agreement for free + distribution of Project Gutenberg-tm works. + +1.E.9. If you wish to charge a fee or distribute a Project Gutenberg-tm +electronic work or group of works on different terms than are set +forth in this agreement, you must obtain permission in writing from +both the Project Gutenberg Literary Archive Foundation and Michael +Hart, the owner of the Project Gutenberg-tm trademark. Contact the +Foundation as set forth in Section 3 below. + +1.F. + +1.F.1. Project Gutenberg volunteers and employees expend considerable +effort to identify, do copyright research on, transcribe and proofread +public domain works in creating the Project Gutenberg-tm +collection. Despite these efforts, Project Gutenberg-tm electronic +works, and the medium on which they may be stored, may contain +"Defects," such as, but not limited to, incomplete, inaccurate or +corrupt data, transcription errors, a copyright or other intellectual +property infringement, a defective or damaged disk or other medium, a +computer virus, or computer codes that damage or cannot be read by +your equipment. + +1.F.2. LIMITED WARRANTY, DISCLAIMER OF DAMAGES - Except for the "Right +of Replacement or Refund" described in paragraph 1.F.3, the Project +Gutenberg Literary Archive Foundation, the owner of the Project +Gutenberg-tm trademark, and any other party distributing a Project +Gutenberg-tm electronic work under this agreement, disclaim all +liability to you for damages, costs and expenses, including legal +fees. YOU AGREE THAT YOU HAVE NO REMEDIES FOR NEGLIGENCE, STRICT +LIABILITY, BREACH OF WARRANTY OR BREACH OF CONTRACT EXCEPT THOSE +PROVIDED IN PARAGRAPH F3. YOU AGREE THAT THE FOUNDATION, THE +TRADEMARK OWNER, AND ANY DISTRIBUTOR UNDER THIS AGREEMENT WILL NOT BE +LIABLE TO YOU FOR ACTUAL, DIRECT, INDIRECT, CONSEQUENTIAL, PUNITIVE OR +INCIDENTAL DAMAGES EVEN IF YOU GIVE NOTICE OF THE POSSIBILITY OF SUCH +DAMAGE. + +1.F.3. LIMITED RIGHT OF REPLACEMENT OR REFUND - If you discover a +defect in this electronic work within 90 days of receiving it, you can +receive a refund of the money (if any) you paid for it by sending a +written explanation to the person you received the work from. If you +received the work on a physical medium, you must return the medium with +your written explanation. The person or entity that provided you with +the defective work may elect to provide a replacement copy in lieu of a +refund. If you received the work electronically, the person or entity +providing it to you may choose to give you a second opportunity to +receive the work electronically in lieu of a refund. If the second copy +is also defective, you may demand a refund in writing without further +opportunities to fix the problem. + +1.F.4. Except for the limited right of replacement or refund set forth +in paragraph 1.F.3, this work is provided to you 'AS-IS' WITH NO OTHER +WARRANTIES OF ANY KIND, EXPRESS OR IMPLIED, INCLUDING BUT NOT LIMITED TO +WARRANTIES OF MERCHANTIBILITY OR FITNESS FOR ANY PURPOSE. + +1.F.5. Some states do not allow disclaimers of certain implied +warranties or the exclusion or limitation of certain types of damages. +If any disclaimer or limitation set forth in this agreement violates the +law of the state applicable to this agreement, the agreement shall be +interpreted to make the maximum disclaimer or limitation permitted by +the applicable state law. The invalidity or unenforceability of any +provision of this agreement shall not void the remaining provisions. + +1.F.6. INDEMNITY - You agree to indemnify and hold the Foundation, the +trademark owner, any agent or employee of the Foundation, anyone +providing copies of Project Gutenberg-tm electronic works in accordance +with this agreement, and any volunteers associated with the production, +promotion and distribution of Project Gutenberg-tm electronic works, +harmless from all liability, costs and expenses, including legal fees, +that arise directly or indirectly from any of the following which you do +or cause to occur: (a) distribution of this or any Project Gutenberg-tm +work, (b) alteration, modification, or additions or deletions to any +Project Gutenberg-tm work, and (c) any Defect you cause. + + +Section 2. Information about the Mission of Project Gutenberg-tm + +Project Gutenberg-tm is synonymous with the free distribution of +electronic works in formats readable by the widest variety of computers +including obsolete, old, middle-aged and new computers. It exists +because of the efforts of hundreds of volunteers and donations from +people in all walks of life. + +Volunteers and financial support to provide volunteers with the +assistance they need are critical to reaching Project Gutenberg-tm's +goals and ensuring that the Project Gutenberg-tm collection will +remain freely available for generations to come. In 2001, the Project +Gutenberg Literary Archive Foundation was created to provide a secure +and permanent future for Project Gutenberg-tm and future generations. +To learn more about the Project Gutenberg Literary Archive Foundation +and how your efforts and donations can help, see Sections 3 and 4 +and the Foundation web page at https://www.pglaf.org. + + +Section 3. Information about the Project Gutenberg Literary Archive +Foundation + +The Project Gutenberg Literary Archive Foundation is a non profit +501(c)(3) educational corporation organized under the laws of the +state of Mississippi and granted tax exempt status by the Internal +Revenue Service. The Foundation's EIN or federal tax identification +number is 64-6221541. Its 501(c)(3) letter is posted at +https://pglaf.org/fundraising. Contributions to the Project Gutenberg +Literary Archive Foundation are tax deductible to the full extent +permitted by U.S. federal laws and your state's laws. + +The Foundation's principal office is located at 4557 Melan Dr. S. +Fairbanks, AK, 99712., but its volunteers and employees are scattered +throughout numerous locations. Its business office is located at +809 North 1500 West, Salt Lake City, UT 84116, (801) 596-1887, email +business@pglaf.org. Email contact links and up to date contact +information can be found at the Foundation's web site and official +page at https://pglaf.org + +For additional contact information: + Dr. Gregory B. Newby + Chief Executive and Director + gbnewby@pglaf.org + + +Section 4. Information about Donations to the Project Gutenberg +Literary Archive Foundation + +Project Gutenberg-tm depends upon and cannot survive without wide +spread public support and donations to carry out its mission of +increasing the number of public domain and licensed works that can be +freely distributed in machine readable form accessible by the widest +array of equipment including outdated equipment. Many small donations +($1 to $5,000) are particularly important to maintaining tax exempt +status with the IRS. + +The Foundation is committed to complying with the laws regulating +charities and charitable donations in all 50 states of the United +States. Compliance requirements are not uniform and it takes a +considerable effort, much paperwork and many fees to meet and keep up +with these requirements. We do not solicit donations in locations +where we have not received written confirmation of compliance. To +SEND DONATIONS or determine the status of compliance for any +particular state visit https://pglaf.org + +While we cannot and do not solicit contributions from states where we +have not met the solicitation requirements, we know of no prohibition +against accepting unsolicited donations from donors in such states who +approach us with offers to donate. + +International donations are gratefully accepted, but we cannot make +any statements concerning tax treatment of donations received from +outside the United States. U.S. laws alone swamp our small staff. + +Please check the Project Gutenberg Web pages for current donation +methods and addresses. Donations are accepted in a number of other +ways including including checks, online payments and credit card +donations. To donate, please visit: https://pglaf.org/donate + + +Section 5. General Information About Project Gutenberg-tm electronic +works. + +Professor Michael S. Hart was the originator of the Project Gutenberg-tm +concept of a library of electronic works that could be freely shared +with anyone. For thirty years, he produced and distributed Project +Gutenberg-tm eBooks with only a loose network of volunteer support. + + +Project Gutenberg-tm eBooks are often created from several printed +editions, all of which are confirmed as Public Domain in the U.S. +unless a copyright notice is included. Thus, we do not necessarily +keep eBooks in compliance with any particular paper edition. + + +Most people start at our Web site which has the main PG search facility: + + https://www.gutenberg.org + +This Web site includes information about Project Gutenberg-tm, +including how to make donations to the Project Gutenberg Literary +Archive Foundation, how to help produce our new eBooks, and how to +subscribe to our email newsletter to hear about new eBooks. + + +</pre> + +</body> +</html> diff --git a/LICENSE.txt b/LICENSE.txt new file mode 100644 index 0000000..6312041 --- /dev/null +++ b/LICENSE.txt @@ -0,0 +1,11 @@ +This eBook, including all associated images, markup, improvements, +metadata, and any other content or labor, has been confirmed to be +in the PUBLIC DOMAIN IN THE UNITED STATES. + +Procedures for determining public domain status are described in +the "Copyright How-To" at https://www.gutenberg.org. + +No investigation has been made concerning possible copyrights in +jurisdictions other than the United States. Anyone seeking to utilize +this eBook outside of the United States should confirm copyright +status under the laws that apply to them. diff --git a/README.md b/README.md new file mode 100644 index 0000000..4046159 --- /dev/null +++ b/README.md @@ -0,0 +1,2 @@ +Project Gutenberg (https://www.gutenberg.org) public repository for +eBook #32647 (https://www.gutenberg.org/ebooks/32647) |
