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Pereira"> + <meta name="Date" content="1866"> + <meta http-equiv="content-type" content="text/html; charset=iso-8859-15"> + <style type="text/css"> + body{margin-left: 10%; + margin-right: 10%; + font-family: sans-serif; + } + .pn { + text-indent: 0em; + position: absolute; + left: 92%; + font-size: smaller; + text-align: right; + color: silver; + } + #corpo p{text-align: justify; text-indent: 1em;} + h1, h2 {text-align: center; margin-top: 3em; margin-bottom: 2em;} + #corpo p.centrado {text-align: center; text-indent: 0;} + #corpo p.ni {text-indent: 0;} + hr.dotted {border: 0; border-bottom: dotted 2px #000;} + hr {border: 0; border-bottom: solid 2px;} + .rodape { + font-size: 0.8em; + margin: 2em; + } + blockquote {margin-left: 20%; font-size: 0.8em;} + </style> +</head> + +<body> + + +<pre> + +The Project Gutenberg EBook of Bom senso e bom gosto : resposta à carta +que o sr. Antero de Quental dirigiu ao sr. Antonio Feliciano de Castilho, by Manuel Roussado + +This eBook is for the use of anyone anywhere at no cost and with +almost no restrictions whatsoever. You may copy it, give it away or +re-use it under the terms of the Project Gutenberg License included +with this eBook or online at www.gutenberg.org + + +Title: Bom senso e bom gosto : resposta à carta que o sr. Antero de Quental dirigiu ao sr. Antonio Feliciano de Castilho + Segunda edição augmentada e seguida de uma carta sabre o mesmo assumpto + +Author: Manuel Roussado + +Release Date: January 4, 2010 [EBook #30856] + +Language: Portuguese + +Character set encoding: ISO-8859-1 + +*** START OF THIS PROJECT GUTENBERG EBOOK BOM SENSO E BOM GOSTO *** + + + + +Produced by Pedro Saborano (produced from scanned images +of public domain material from Google Book Search) + + + + + + +</pre> + +<p> </p> + +<div style="text-align:center; border: solid 1px #000; padding: 1em;"> +<p style="font-size: 1.5em;">BOM-SENSO E BOM-GOSTO</p> + +<p style="font-size: 1.3em;">RESPOSTA</p> + +<p>Á CARTA QUE</p> + +<p style="font-size: 1.3em;">O SR. ANTHERO DO QUENTAL</p> + +<p>DIRIGIU AO EX.<sup>mo</sup> SR.</p> + +<p style="font-size: 1.3em;">ANTONIO FELICIANO DE CASTILHO</p> + +<p>POR</p> + +<p style="font-size: 1.2em;">MANOEL ROUSSADO</p> + +<p>SEGUNDA EDIÇÃO AUGMENTADA</p> + +<p style="font-size: 1.2em;">E seguida de uma carta sabre o mesmo assumpto</p> + +<p>LISBOA<br> +LIVRARIA DE A. M. PEREIRA<br> +<small>50—RUA AUGUSTA—52</small><br> +1866</p> +</div> + +<p> </p> + +<div style="text-align:center;"> +<p style="font-size: 1.5em;">BOM-SENSO E BOM-GOSTO</p> + +<p style="font-size: 1.3em;">RESPOSTA</p> + +<p>Á CARTA QUE</p> + +<p style="font-size: 1.3em;">O SR. ANTHERO DO QUENTAL</p> + +<p>DIRIGIU AO EX.<sup>mo</sup> SR.</p> + +<p style="font-size: 1.3em;">ANTONIO FELICIANO DE CASTILHO</p> + +<p>POR</p> + +<p style="font-size: 1.2em;">MANOEL ROUSSADO</p> + +<p>SEGUNDA EDIÇÃO AUGMENTADA</p> + +<p style="font-size: 1.2em;">E seguida de uma carta sabre o mesmo assumpto</p> + +<p>LISBOA<br> +LIVRARIA DE A. M. PEREIRA<br> +<small>50—RUA AUGUSTA—52</small><br> +1866</p></div> + +<p> </p> +<p> </p> + +<div style="text-align: center; font-size: 0.8em;"> +<p>LISBOA TYP. DE SOUSA NEVES, TRAVESSA DE SANTA CATHARINA, 38</p> + +<p>(Ao Correio Geral)</p> +</div> + +<p><span class="pn">{3}</span></p> + +<div id="corpo"> +<p> </p> + +<p> </p> + +<p> </p> + +<p> </p> + +<p>Achando-se de tempo exhausta a edição da carta, que sob o titulo +<em>Bom-senso e bom-gosto, resposta ao sr. Anthero do Quental</em>, escrevera o +sr. M. Roussado, determinámos reimprimil-a, para satisfazer ao desejo e +exigencias de muitos, que pretendem inteirar em collecção as peças todas deste +notavel processo litterario. Ao realisar o proposito occorreu-nos que +prestariamos á curiosidade do publico um agradavel serviço addicionando a esta +nova edição uma interessante missiva, que de paiz extranho receberamos ha mezes +sobre o assumpto sujeito, e que no voto de pessoas intelligentes a quem a +mostramos foi tida por dignissima de vulgarisação, com quanto seu auctor não a +destinasse de certo a ver a luz da imprensa. Como pois nem temos auctorisação +sua, nem contamos obtel-a, quando a solicitassemos, porque da sua provada +modestia só tinhamos a esperar uma recusa formal, ahi a damos anonyma, e não +sem bastante pezar da nossa parte. Os que a lerem melhor poderão julgar se é ou +não exacto o conceito que de quem a escreveu expressava não ha muito tempo em +obra impressa um dos nossos escriptores de maior vulto, qualificando-o de +«mancebo tão erudito como talentoso, que deve exclusivamente á mais firme e +honrosa vontade, e aos seus unicos recursos o largo adiantamento litterario a +que vai subindo, e que promette ás letras patrias um primoroso cultor.»</p> + +<p>E d'aqui lhe pedimos desculpa, se nisto o offendemos.</p> + +<p style="text-align:right;"><small>O EDITOR.</small></p> + +<p>Lisboa 11 de junho de 1866.</p> + +<p><span class="pn">{4}</span></p> + +<p><span class="pn">{5}</span></p> + +<p> </p> + +<p> </p> + +<p> </p> + +<p> </p> + +<p style="text-align:right;">ILL.<sup>mo</sup> SR.</p> + +<p>Acabo de ler as obras de v. s.ª, e, pasmado ainda com os raios luminosos que +me deram de chapa nos olhos do espirito, pego na penna para expandir os +efluvios da minha admiração, como quem abre uma valvula de segurança, para +evitar quaesquer detonações d'esta preciosa machina, que em linguagem rasteira +se chama homem, e a que v. s.ª nas suas admiraveis <em>Odes</em> +chama—proscripto rei, mendigo escuro.</p> + +<p>Eu aceito esta denominação, apesar de não ser trigueiro, e de ter os meus +seis vintens.</p> + +<p>Não sei se v. s.ª se escandalisa por não lhe dar excellencia, mas eu que me +sinto banzado ao elevar a minha palavra até uma das mais brilhantes estrellas +da constellação coimbrã, ignoro tambem por falta de uso que tratamento pertence +pela Constituição do Idealismo aos que voam lá por cima, atravessando os +espaços infinitos aonde não chegam as exhalaçoes mephiticas do lodaçal mundano, +nem o tratado de civilidade, nem as futilidades da grammatica terrena, nem as +pequices da metrificação sublunar.</p> + +<p>Desculpe-me pois v. s.ª se o não trato como devo, acreditando nas espansões +sinceras do meu <em>eu</em>, que se confessa humilde creado do <em>eu</em> de +v. s.ª<span class="pn">{6}</span></p> + +<p>Ainda não tinha lido as <em>Odes modernas</em>, quando me chegou ás mãos a +carta que v. s.ª escreveu ao sr. Antonio Feliciano de Castilho, a esse caturra +intoleravel que teima na guerra desleal contra os innovadores que vem do norte, +annunciando a nova aurora da independencia litteraria, em que serão quebrados +os ferros que algemam a <em>Idéa</em>, e os seus apostolos rasgarão os +horisontes luminosos sem o auxilio inutil da instrucção secundaria.</p> + +<p>Não tinha lido as <em>Odes</em> que v. s.ª atirou aos ventos da publicidade, +e fui logo compral-as, porque a alludida carta tinha chocado a minha alma, que +para logo concebeu o feto preciosissimo do <em>Ideal</em>. Fui compral-as, e o +proprio livreiro que m'as vendeu, tocado sem duvida pela sublimidade da poesia, +e pelo levantamento do espirito que se admira no parto de v. s.ª, +envergonhou-se ao dizer-me o preço do livro; voltou o rosto, tapou os olhos ao +estender a mão tremente ao baixo e vilissimo cruzado.</p> + +<p>Quanto a mim, sabe Deus o que tambem me custou aquillo!</p> + +<p>Ah! não foi dinheiro perdido. Aquelles quatro tostões foram sementes de +seara nova do meu espirito, e os beneficos resultados da semeadura milagrosa +estou-os já sentindo, porque olho desdenhoso para tudo que me cerca, porque já +vendi o Diccionario de Moraes que me obstruia a meza do trabalho, porque estou +com vontade de trocar os nomes ás coisas, e já me doe o pescoço de olhar lá +para cima onde ha montanhas de luz, e aonde o vocabulario é <em>ad libitum</em> +de quem falla.</p> + +<p>Não, não foi dinheiro deitado á rua esse que o livreiro me aceitou +envergonhado pelas odes com que eu hei de ir remando para as <em>praias do +futuro</em>, em cujas agoas cristalinas se levantarão calices arrendados de +saphira e prata, que servirão para barcas de banhos, e como a pag. 55 v. s.ª +diz:</p> + +<blockquote> + «Com seu olhar d'amôr quem se vestiu?»</blockquote> + +<p class="ni">Creio que na poesia d'essas futuras <em>Deusas dos mares</em> as +vistas purissimas do amôr hão de substituir as camisolas de baeta e as coecas +de algodão.</p> + +<p>Este arrojo da poesia innovadora faz-me lembrar uma<span +class="pn">{7}</span> historia que eu peço licença para contar a v. s.ª Dois +beberrões celebres apostaram entre si que beberia de graça meia canada aquelle +que a bebesse sobre comida mais insignificante. O primeiro comeu uma azeitona e +despejou o copo, o segundo cheirou uma azeitona e enxugou o <em>sino +grande</em>.</p> + +<p>Entre os selvagens, uns vestem-se com tres quartas de panno crú, outros com +um bracelete, alguns com um simples búsio, o sr. Anthero do Quental, sublime +como o homem que cheirou a azeitona, veste com um olhar a geração futura.</p> + +<p>E não digam os homens da prosa que o vestuário será então igual para todos, +porque a diversidade das <em>toilettes</em> imprimiu-a Deus na elegancia visual +das creaturas, fazendo dos olhos outros tantos alfaiates. O olhar da virgem +formosissima corresponde á thesoura do Keill, a vista ordinaria da mulher do +povo será uma especie de remendão de escada.</p> + +<p>E como v. s.ª rasga a membrana que involve o ovario da geração +contemporanea, na qual germina o futuro! E o trajo da gente voltará á +simplicidade primitiva; e o olhar d'amor tomará o logar da parra nos Apollos de +gesso; e os defluxos abandonarão a raça humana; e as lavadeiras fugirão +espavoridas em procura de gente que se vista por diverso teor.</p> + +<p>Ha de ser a edade dos nús. A completa independencia do pensamento, que v. +s.ª prega na sua preciosissima carta, não podia deixar de trazer a +independencia da pelle humana. A nudez da alma, que bate as azas candidas para +as regiões do infinito, não podia deixar de ser acompanhada pela nudez do +corpo, que demanda os bafejos continuados das brizas; porque os tecidos são +enfeites e ninharias luzidias, como os preceitos banaes da arte o são para o +pensamento. As aspirações de v. s.ª hão de ser realisadas. No futuro a +<em>Idéa</em> será livre: esta rainha esplendida, a que v. s.ª presta o devido +culto, pisando as regras de uma orthographia mediocre, para a escrever com I +grande, será a dominadora do universo.</p> + +<p>Os vates abandonados a si mesmos terão a <em>elevação moral, a virtude da +altivez interior, a independencia da alma</em>. Tudo será independencia e +liberdade, os versos parecerão<span class="pn">{8}</span> prosa, como v. s.ª +faz ver em centenares de exemplos taes como o seguinte da 1.ª pagina das +<em>Odes Modernas</em>:</p> + +<blockquote> + «Vai, mas ignora sempre quem o leva</blockquote> + +<p class="ni">e o da pagina 11:</p> + +<blockquote> + «Deus, não póde durar mais que alguns annos.</blockquote> + +<p class="ni">Não haverá medição para os versos, como v. s.ª, sublime +adivinhador, já faz ver por exemplo no seguinte hendecassylabo:</p> + +<blockquote> + «E como o que n'uma mina vai de bruços;</blockquote> + +<p class="ni">Ou n'est'outros, não menos significativos:</p> + +<blockquote> + «Do pôr do sol astronomos do passado....<br> + «A aurora é o sursum corda do universo....<br> + «Este, e aquelle deixal-o em meio da rua....</blockquote> + +<p class="ni">As difficuldades estupidas da rima desaparecerão por uma vez; as +palavras rimarão comsigo mesmas, como por exemplo na seguinte colxea a pag. 23 +do precioso livro de v. s.ª:</p> + +<blockquote> + «É porque um céo maior nos mostre, e é nosso,<br> + Esse céo e esse espaço! é tudo nosso!</blockquote> + +<p class="ni">N'essa edade os Deuses serão rebaixados á condição de letreiros, +como se vê da seguinte quadra a pag. 43,</p> + +<blockquote> + «A pallida cohorte dos proscriptos<br> + Que tem nos rostos estampada a fome;<br> + Que em quanto o frio os roe e os consome,<br> + Trazem no coração Deuses escriptos.</blockquote> + +<p class="ni">E a regeneração ha de chegar aos dominios da Astronomia. Os raios +andarão com as estrellas ao cóllo, como muito bem se póde ver do seguinte verso +de v. s.ª a pag. 47:</p> + +<blockquote> + «Erguendo um filho, como um raio a estrella.»<span +class="pn">{9}</span></blockquote> + +<p class="ni">Que as leis da gravitação universal serão banidas, adivinha-se +pelos seguintes versos a pag. 52:</p> + +<blockquote> + «Entre os astros, e os astros como atheus<br> + Já não querem mais lei que o infinito.</blockquote> + +<p class="ni">Os estofadores tomarão parte no systema planetario, e, o que +ainda é mais, os doceis e as bambinellas ficarão por debaixo das camas, como se +conhece da seguinte quadra a pag. 57:</p> + +<blockquote> + «Oh! o noivado barbaro! o noivado<br> + Sublime! aonde os céos, os céos ingentes,<br> + Serão leito de amor—tendo pendentes<br> + Os astros por docel e, cortinado!</blockquote> + +<p class="ni">E os cometas descerão á nossa atmosphera e girarão por ella como +balões. Vid. pag. 89:</p> + +<blockquote> + «Os cometas que ao ar andam subidos.</blockquote> + +<p class="ni">E assim como os olhares constituirão o vestuario, as almas serão +chailes-mantas, e os peitos serão transformados em trapesio. Vid. pag. 63:</p> + +<blockquote> + «Estendei vossas almas como mantos<br> + Sobre a cabeça d'elles... e do peito<br> + Fazei-lhes o degrau, onde com geito<br> + Possam subir a ver os astros santos...</blockquote> + +<p class="ni">O sr. Anthero do Quental refere-se aos poetas do futuro, e muito +bem fez em recommendar-lhes o <em>geito</em> n'esses vôos de Leotard.</p> + +<p>E outras mil coisas hão de acontecer, como v. s.ª, que é o promettido das +lettras, annuncia brilhantemente á terra e aos astros nas suas admiraveis +prophecias.</p> + +<p>V. s.ª não pôde conter a indignação quando viu a carta do sr. Antonio +Feliciano de Castilho publicada conjunctamente com o <em>Poema da Mocidade</em> +do sr. Pinheiro Chagas, carta em que o traductor de Ovidio alcunhou de nevoeiro +e de inattingivel o estylo que fulge lá para as bandas do<span +class="pn">{10}</span> norte, e que em borbotões de luz ameaça illuminar tudo. +V. s.ª indignou-se e veiu lançar por terra esta chancellaria litteraria de +Lisboa, aonde só se passam titulos de capacidade aos insignificantes que não +progridem, nem innovam como v. s.ª</p> + +<p>Diz v. s.ª na sua inimitavel carta: «Refundem-se as crenças antigas. +Geram-se com esforço novas idéas. Desmoronam-se as velhas religiões. As +instituições do passado abalam-se. O futuro não apparece ainda. E, entre estas +duvidas, estes abalos, estas incertezas, as almas sentem-se menores, mais +tristes, menos ambiciosas de bem, menos dispostas ao sacrificio, e ás +abnegações da consciencia. Ha toda uma humanidade em dissolução, de que é +preciso extrahir uma humanidade viva, sã, crente e formosa. Para este grande +trabalho é que se querem os grandes homens.»</p> + +<p>Isto diz v. s.ª, e como tudo está abalado, e a humanidade em dissolução, é +que v. s.ª tão acremente censura o sr. Antonio Feliciano de Castilho, por não +acordar ao toque de rebate, por não metter mãos á grande obra do futuro +alistando-se sob o commando dos que assentaram as suas trincheiras contra o +senso commum, e deixar-se ficar na paz esteril com as suas traducções de +Ovidio, com a sua <em>Primavera</em>, com os seus <em>Tratados de +Metrificação</em>.</p> + +<p>Emquanto o sr. Castilho assim se conserva inabalavel no meio das ondas +revolucionarias, v. s.ª sr. Anthero, famoso Quixote da Poesia, combate pela +<em>Idéa</em>, e derruba os moinhos de vento, que se oppõem á sua passagem.</p> + +<p>E ha de vencer: quem tem os arrojos de v. s.ª póde muito bem chamar seu ao +mundo.</p> + +<p>Refundem-se as crenças antigas e os antigos costumes, por isso v. s.ª +começou o seu poema com a particula adversativa <em>mas</em></p> + +<blockquote> + «Mas o homem, se é certo que o conduz.</blockquote> + +<p class="ni">É este o primeiro verso do seu thesouro de inexgotaveis riquezas. +E v. s.ª não pára; a extracção da humanidade viva e formosa precisa de v. s.ª, +e por isso o seu novo poema ha de naturalmente começar por <em>ponto e +virgula</em>.</p> + +<p>Ah! abençoados quatro tostões que o livreiro me recebeu<span +class="pn">{11}</span> envergonhado em troca das deliciosas prophecias de v. +s.ª! Com a leitura das obras do sr. Quental a humanidade ha de brevemente +sentir o espirito aberto para o <em>bello ideal</em>, e a intelligencia fechada +para as secções em que se divide a grammatica mundana.</p> + +<p>E eu estou desconfiado de que lá em cima por onde v. s.ª anda, isto de se +fallar ácerca do impalpavel consiste em uma especie de sorteio, como eu já +tinha ensaiado antes de haver lido as <em>Odes Modernas</em>.</p> + +<p>Tinha eu imaginado a Deus dizendo ao Universo a grande missa da creação. +Precisava de um pensamento condigno do assumpto e não o achava. Deitei n'um +chapéo tres palavras em tres papelinhos para ver o que sahia. As palavras eram: +<em>estola</em>, <em>veste</em>, <em>infinito</em>, e como estas palavras +precisavam de colxetes que as ligassem, deitei mais no chapéo em quatro +papelinhos differentes o tempero seguinte: +<em>a</em>—<em>do</em>—<em>que</em>—<em>o</em>.</p> + +<p>Chocalhei tudo, tirei ao acaso papelinho por papelinho e sahiu-me:</p> + +<blockquote> + «O que veste a estola do infinito:</blockquote> + +<p class="ni">Bravo! exclamei; e qual foi a minha admiração quando a pag. 39 +das prophecias de v. s.ª encontro exactamente o mesmo verso!</p> + +<p>Teria v. s.ª para o fazer usado da mesma giria que eu usei? Creio que sim, +creio que a grande musa do acaso, é que é a inspiradora dos vates idealistas +que fulguram em Coimbra.</p> + +<blockquote> + «O que veste a estola do infinito (!)</blockquote> + +<p class="ni">Os reptis do charco immundo da vida dizem naturalmente que é +asneira, mas eu estou com v. s.ª, digo que é sublime.</p> + +<p>Vão lá tapar a bocca aos maldizentes de Lisboa, os quaes andam por ahi a +gritar que deu o mal das vinhas na litteratura coimbrã, que é preciso serem +enxofrados os vates idealistas e innovadores das margens do Mondego, e que ás +authoridades de Lisboa cumpre estabelecer o cordão sanitario que nos preserve +da invasão da epidemia!</p> + +<p>Caminhe v. s.ª, progrida com as suas innovações desentranhando as sociedades +do futuro; e deixe bradar no deserto<span class="pn">{12}</span> estes imbecis. +Perdoe-lhes, ill.<sup>mo</sup> sr., que elles não sabem o que fazem. Ignoram +que o que é grande lá em cima por onde v. s.ª anda, é pequeno cá embaixo por +onde rastejam.</p> + +<p>A linguagem transcendental que abre os horisontes immensos do futuro é +extranha cá nos arruamentos de Lisboa, e por isso, quando o povo ignaro a +escuta na bocca de um ou outro, exclama: <em>coitadinho, tem aduela de +menos</em>.</p> + +<p>Eu porém, que os admiro, peço licença para erguer-lhes aqui um +monumentosinho no seguinte</p> + +<blockquote> + SONETO<br> + <br> + Cabello em desalinho, hirsurto e farto,<br> + A face macilenta, o olhar incerto,<br> + Distingue uns vates d'estrangeiro enxerto,<br> + Que ao mundo impingem transcendente parto.<br> + <br> + Tremem nas lyras os bordões de esparto<br> + Do mystico aranzel rompe o concerto;<br> + Um diz que o sol é hostia, um mais esperto<br> + Diz que o céo é quintal e o Deus lagarto.<br> + <br> + Outro de ventas no ar, immovel, hirto,<br> + Clama que o Padre Eterno é semimorto,<br> + Aquelle aos astros chama ethereo myrtho.<br> + <br> + Deixam com seu cantar o vulgo absorto,<br> + Que esse grupo fatal, com magoa advirto,<br> + Das hortas do <em>Ideal</em> regressa torto.</blockquote> + +<p> </p> + +<p>Por tudo e por muito mais se confessa</p> + +<p> </p> + +<p style="text-align:right;">De v. s.ª</p> + +<p style="text-align:right;">admirador permanente</p> + +<p style="text-align:right;">MANOEL ROUSSADO</p> + +<p><span class="pn">{13}</span></p> + +<p> </p> + +<h2><a name="SECTION00010000000000000000">CARTA AO EDITOR</a></h2> + +<p> </p> + +<p style="text-align:right;">.... SR. A. M. PEREIRA</p> + +<p>Rio de Janeiro, 24 de janeiro de 1866.</p> + +<p> </p> + +<p>Agradeço a v. ter-se lembrado de mim com a remessa do folheto +<em>Bom-senso e bom-gosto</em>, accudindo d'este modo á natural impaciencia em +que previu que eu ficaria por tomar conhecimento da questão.</p> + +<p>Egual favor desejarei merecer-lhe sempre que alguma novidade como esta, e a +do casamento civil, venha pôr em alvoroço a <em>republica das lettras</em>, +republica em todo o rigor do sentido popular que damos á palavra. Eu sou, já de +annos, por gosto e systema, colleccionador d'estas <em>curiosidades +litterarias</em>. Bem o sabe v. , que tanto me tem ajudado na minha +inoffensiva paixão, pois é aos seus pacientes esforços que principalmente devo +o ver a esta hora tão medrados alguns corpos de processos celebres, taes como +<em>Verdadeiro Methodo de Estudar</em>, <em>Camões e José Agostinho</em>, +<em>Eu e o Clero</em>, <em>Ordens religiosas</em>, <em>Irmãs da charidade</em>, +<em>União Iberica</em>, <em>Pena de morte</em>, <em>Biblias protestantes</em>, +<em>etc.</em> Por isso mesmo recommendo instantemente a v. que não deixe de +enviar-me o que fôr apparecendo, não só com referencia a qualquer dos assumptos +notados, mas ainda á <em>Vida de Jesus</em> de Renan, ao padroado do Oriente, +ao folheto do <em>Bom-senso</em>, e bem assim tudo o que houver agora publicado +sobre a questão do casamento civil.<span class="pn">{14}</span></p> + +<p>Dizem-me que o folhetim do sr. Pinheiro Chagas em resposta aos innovadores +de Coimbra, saiu avulso, e eu desejaria obter a todo o preço um exemplar.</p> + +<p>Quanto a mim é a cousa mais substancial que até aqui se tem escripto, posto +haja paginas excellentes, pelo vigor e pela eloquencia, no folheto do sr. Julio +de Castilho, e rasgos de humor caustico deliciosos no do sr. Roussado. O +folhetim do sr. Teixeira de Vasconcellos accende uma vela a Deus e outra ao +diabo. Aos seus olhos o auctor das <em>Odes modernas</em> mede a mesma estatura +do sr. A. F. de Castilho, e entre um e outro nome o folhetim não ousa +decidir-se! As <em>Theocracias Litterarias</em>, essas parecem-me a composição +mais pifia, mais peca, e mais sêcca que a polemica tem brotado de si.</p> + +<p>O sr. conselheiro Castilho terminou a publicação das dez cartas sobre a +<em>eschola coimbran</em>. São o commentario lacerante de muitos dos infinitos +disparates em que enxameiam as producções do sr. Quental. Depois d'esta +formidavel fustigação seguia-se a vez do sr. Theophilo Braga. Pudemos porém +persuadir o sr. Castilho a gastar <em>oleum et operam</em> mais +proveitosamente.</p> + +<p>Eu sou um admirador sincero dos talentos poeticos do auctor da <em>Visão dos +Tempos</em>. Intendo, porém, como toda a gente, que os seus escriptos em verso +não teem a <em>intenção</em>, o alcance philosophico, que o poeta lhes quer +attribuir, e creio que sem os apparatos de que elle os precede, sem as +estheticas, as tricotomias, as asceses, as geneses, as syndereses, as +relatividades e as absolutividades, os symbolismos telluricos e as expressões +morphicas, o publico lh'os acceitaria e applaudiria de muito melhor grado.</p> + +<p>Qual é o homem de mediana erudição em Portugal, que, pondo deante dos olhos, +não digo já as <em>Antiguidades do direito allemão</em>, mas simplesmente a +obra com que Michelet tornou conhecido o livro de Grimm, não seria capaz de +escrever ácerca das origens a que se conveio em chamar poeticas do direito +portuguez uma obra mais farta, mais instructiva, e sobretudo muito mais amena +que a do sr. Theophilo Braga?</p> + +<p>Apezar do mau estylo em que são escriptos, ha merecimento—quem o nega?—nos +seus artigos de litteratura portugueza.<span class="pn">{15}</span> Mas, já o +sr. Pinheiro Chagas o disse, esses artigos não dão um passo para além dos +prologos de Garrett. Veja-se por exemplo o que versa sobre a lenda do Fausto. A +idéa mãe deparou-lh'a um dito das <em>Viagens na minha terra</em>: a obra +franceza de Maury sobre as <em>Lendas da edade-média</em>; o drama de Marlowe +na versão <em>franceza</em> do filho de V. Hugo, e a versão <em>franceza</em> +da Mystica de Goerres fizeram o resto. Quem tiver visto na sua nova edição a +<em>Histoire de la litterature du colportage</em> de Carlos Nisard, pasma +necessariamente da penuria do artiguito ácerca da <em>literatura de +cordel</em>. Entretanto, com que facilidade e felicidade, com que graça, com +que sabor não foi o assumpto indicado por Garrett á frente do jornal <em>A +Illustração</em>! A que se reduzem pois as invenções do sr. Theophilo Braga? +Quaes são os systemas, os pontos de vista novos, os factos que elle não achasse +já apurados ás margens do Sena pelos seus auctores preferidos? Um: a influencia +do cyclo greco-romano na poesia portugueza, que o illustre critico foi estudar +a Cascaes, d'onde nol-a trouxe comprovada (a tal influencia e tambem a tradição +da vinda de Ulysses) com um documento incontrastavel, um documento historico +gravissimo e vetustissimo—as decimas que principiam:</p> + +<blockquote> + «Ulysses, heroe matreiro,<br> + Andava apanhando ninhos,<br> + E vendia os passarinhos<br> + Por avultado dinheiro....!!!</blockquote> + +<p>Voltando porém, ao folheto do <em>Bom-senso</em>. Que reprehende o sr. A. F. +de Castilho á eschola de Coimbra? A escuridade dos conceitos e da linguagem. A +este, o verdadeiro, o unico ponto da questão, com que responde o sr. Quental? +Com um rol de nomes de auctores forasteiros—Quinet, Littré, Proudhon, Taine, +etc.</p> + +<p>Mas Taine, Littré, Quinet e Renan são clarissimos. Mas á summa elegancia, á +perspicuidade suprema do seu estylo deveu Proudhon a diffusão das suas +<em>idéas revolucionarias</em>, das suas doctrinas, dos seus paradoxos +destruidores. Os mesmos dotes nas obras que firmaram a reputação de Michelet, o +qual apenas em algum livro moderno (<em>Sorcière, Bible de l'humanité</em>) me +parece deslizar d'essa grande virtude<span class="pn">{16}</span> da clareza, a +que elle proprio chama a <em>probidade das linguas</em>, e que com muito mais +razão deve ser a probidade do escriptor.</p> + +<p>Se no idioma proprio Stuart Mill se nos affigura menos limpido que nas +paginas de Dupont-White, a culpa não a imputemos a elle, mas ao nosso escasso +inglez. Dos auctores allemães não fallo. Os innovadores de Coimbra leem-nos em +francez como eu leio alguns, sem que por isso me declare alistado na legião dos +<em>pequenos deuses bastantemente satisfactorios, que substituiram Jehovah, o +defuncto Senhor dos Exercitos</em>. E tanto é verdade que só em francez os +lêem, que o sr. Quental até os cita em francez, como se póde ver nas <em>Odes +modernas</em>, a pag. 6.</p> + +<p>Ora, dos escriptores tenebrosos com que a eschola de Coimbra se defende, +qual é o que, fóra da circumscripção geographica do seu paiz, em França por +exemplo, conseguiu fazer-se recebido, sem se subordinar ás exigencias do +espirito d'aquella nação; sem se transformar, sem se accommodar ao «gosto +francez?»</p> + +<p>Ferrari enriquecera de notas explicativas a sua edição da <em>Sciencia +Nova</em>; os principios d'este livro tinham sido expostos por Ballanche; e +todavia o nome de Vico permaneceu ignorado até ao momento em que Michelet tomou +a si explicar e vulgarisar as suas idéas. O estylo das obras allemãs de H. +Heine é por ventura o das versões feitas a seus olhos, ou o das obras escriptas +annos mais tarde em Paris?</p> + +<p>Quanto á <em>Symbolica</em> de Guigniaut, sabe-se que é antes um labor de +interpretação original do que a versão da obra de Creuzer. Vera, o traductor da +<em>Philosophia da natureza</em>, viu que não bastava dar em francez as obras +de Hegel. Eil-o logo a repetir explanação sobre explanação, volume sobre +volume—<em>Introducção á Logica, Commentario perpetuo, Introducção á +Philosophia, O hegelianismo e a philosophia</em>—que servissem de glossa e +fossem um passaporte dos escriptos do reformador de Stuttgard... Pois nem assim +creio que conseguisse melhorar em nossos dias a posição do seu auctor, o qual +bem se conhecia, e como tal, diz um critico francez, <em>se plaignait, de son +vivant, de n'avoir été compris que par un seul disciple, qui même l'avait +<small>MÉCOMPRIS</small></em>.—Mas, quer v. um exemplo mais vivo da +difficuldade com que se fazem acceitas<span class="pn">{17}</span> ao resto da +Europa as especulações, as caligens da philosophia germanica? A versão da +<em>Vida de Jesus</em> de Strauss, publicada em 1839, só dezesepte annos depois +teve segunda edição. E comtudo o traductor chamava-se Emilio Littré.—Apparece +em 1863 a obra de Rénan, obra condemnada pelo proprio Proudhon (<em>Du principe +de l'art</em>, 1.º volume das obras posthumas) e pelos racionalistas da +Allemanha, obra cem vezes inferior, em valor scientifico, á de Strauss, e em +cinco mezes exhaurem-se nove edições! O estylo fizera a reputação d'esse livro +inconsistente e contradictorio, prenhe de phrases dubitativas, de allegações +falsas e de risiveis conjecturas.—Mas não é tudo. Na mesma lingua, de francez +para francez, se tem visto serem ás vezes necessarios estes trabalhos de +tradução—o trabalho de Dumas filho vertendo na admiravel lingua dramatica do +<em>Supplicio de uma mulher</em> a concepção absurda de E. de Girardin.—Assim +é que as diffusas e obscuras theorias do fundador do positivismo, Augusto +Comte, careceram de ser depuradas, resumidas e aclaradas pela elegante penna de +Littré, sem o que parece que ainda hoje o não intenderiam no seu paiz.</p> + +<p>Mas agora reparo, que tenho levado a tagarelar sem tom nem som por todo este +papel. Cinjo-me já á resposta das cartas de v. , e peço desculpa da minha +enfadonha verbiagem.</p> + +<p>Confrontando a sua correspondencia com a conta corrente que me acaba de +enviar, vejo (<em>Omitte-se o resto da carta, por versar exclusivamente sobre +negocios de interesse particular e commercial</em>).</p> + +<p>Sempre</p> + +<p> </p> + +<p style="text-align:right;">De v.</p> + +<p> </p> + +<p style="text-align:right;">Amigo e obrigadissimo creado</p> + +<p> </p> + +<p> </p> + +<p style="text-align:right;">M........ </p> +</div> + +<p> </p> + +<p> </p> + +<p> </p> + +<p> </p> + +<div style="font-size: 0.8em;"> +<p style="text-align:center;">CATALOGO CHRONOLOGICO</p> + +<p style="text-align:center;">DOS OPUSCULOS PUBLICADOS ATÉ HOJE</p> + +<p style="text-align:center;">SOBRE A</p> + +<p style="text-align:center;">ACTUAL QUESTÃO LITTERARIA</p> + +<p>1—<strong>A. F. de Castilho</strong>—Carta ao editor A. M. Pereira sobre o +<em>Poema da Mocidade</em>, impressa no fim do poema, 1 vol. broch. 600</p> + +<p>2—<strong>Anthero do Quental</strong>—Bom senso e bom gosto, carta ao +ex.<sup>mo</sup> sr. A. F. de Castilho, 3.ª edição, br. 100 </p> + +<p>3—<strong>M. Pinheiro Chagas</strong>—Bom senso e bom gosto, folhetim a +proposito da carta que o sr. Anthero do Quental dirigiu ao sr. A. F. de +Castilho br. 100</p> + +<p>4—<strong>Manuel Roussado</strong>—Bom senso e bom gosto, resposta á carta +que o sr. Anthero do Quental dirigiu ao ex.<sup>mo</sup> sr. A. F. de Castilho, +2.ª edição augmentada, seguida de uma carta sobre o mesmo assumpto, br. 100</p> + +<p>5—<strong>Elmano da Cunha</strong>—Carta em resposta a outra bom senso e +bom gosto dirigida por Anthero do Quental ao ex.<sup>mo</sup> sr. A. F. de +Castilho o incomparavel traductor dos Fastos de Ovidio, obra em que se faz o +confronto de Romulo e Jesus-Christo, offerecida ao incomparavel duque de +Saldanha, br. 100</p> + +<p>6—<strong>Julio de Castilho</strong>—O sr. Antonio Feliciano de Castilho e +o sr. Anthero do Quental, 2.ª edição, br. 160</p> + +<p>7—<strong>Theophilo Braga</strong>—As theocracias litterarias, br. 100</p> + +<p>8—<strong>Anthero do Quental</strong>—A dignidade das lettras e as +litteraturas officiaes, br. 160</p> + +<p>9—<strong>Rui de Porto Carrero</strong>—Lisboa, Coimbra e Porto e a +questão litteraria.—A carta do sr. Anthero do Quental ante os srs. Pinheiro +Chagas, M. Roussado e Julio de Castilho, 2.ª edição, br. 160</p> + +<p>10—<strong>A. Ferreira de Freitas</strong>—Os litteratos em +Lisboa—poemeto illustrado por Jeronymo da Silva Motta, bacharel nas faculdades +de theologia e direito, br. 240</p> + +<p>11—<strong>Amaro Mendes Gaveta</strong>—O mau senso e o mau gosto—Carta +mui respeitosa ao ex.<sup>mo</sup> sr. A. F. de Castilho em que se falla de +todos e de muitas pessoas mais, com uma conversação preambular por Gaveta +Mendes Amaro, br. 100</p> + +<p>12—<strong>S. de A.</strong>—Bom senso e bom gosto—Carta de boas festas a +Manuel Roussado, br. 100</p> + +<p>13—<strong>J. D. Ramalho Ortigão</strong>—Litteratura de hoje, br. 100</p> + +<p>14—<strong>Camillo Castello Branco</strong>—Vaidades irritadas e +irritantes—opusculo ácerca de uns que se dizem offendidos em sua liberdade de +consciencia litteraria, br. 200</p> + +<p>15—<strong>Augusto Malheiro Dias</strong>—Castilho e Quental—reflexões +sobre a actual questão litteraria, br. 100</p> + +<p>16—<strong>Urbano Loureiro</strong>—Questão de palheiro; Coimbrões e +lisboetas, br. 100</p> + +<p>17—<strong>Ermita do Chiado</strong>—Garrett, Castilho, Herculano e a +escola coimbrã, ou dissertação ácerca da genealogia da moderna escola, contendo +um esboço rapido e pittoresco da litteratura contemporanea, br. 100</p> + +<p>18—<strong>C. F.</strong>—A litteratura ramalhuda a proposito dos srs. +Castilho e Ramalho Ortigao, br. 100</p> + +<p>19—<strong>A. F. de Castilho e J. A. de Freitas e Oliveira</strong>—A +questão litteraria—a proposito do jazigo de José Estevão, br. 60</p> + +<p>20—<strong>José Francisco</strong>—Os coimbrões; questão em que tambem +entra pelos cem réis, José Francisco, caiador da rainha do Congo; com uma +dedicatoria por Diogo Bernardes, br. 100</p> + +<p>21—<strong>José Feliciano de Castilho</strong>—A escola coimbrã.—Cartas +ao redactor do Correio Mercantil, do Rio de Janeiro (este folheto contem as +tres primeiras cartas; as seguintes formarão outro folheto que já está no +prelo), br. 100</p> + +<p>22—<strong>Dito</strong>—Idem, idem, idem.</p> + +<p>23—<strong>Eduardo A. Vidal</strong>—Guelfos e gibelinos. Tentativa +critica sobre a actual polemica litteraria, br. 100</p> + +<p>24—<strong>P. W. de Brito Aranha</strong>—Bom senso e bom gosto. Humilde +parecer com uma carta do ex.<sup>mo</sup> sr. A. F. de Castilho, br. 100</p> + +<p>25—<strong>Eduardo Salgado</strong>—Litteratura de ámanhã, duas palavras +ao sr. Anthero do Quental, br. 100</p> + +<p>26—<strong>Carlos Borges</strong>—Penna e espada, duas palavras ácerca da +Litteratura de hoje, de Ramalho Ortigão br. 100</p> + +<p>27—<strong>Anonymo</strong>—Anthero do Quental, e Ramalho Ortigão, br. +100</p> + +<p>28—<strong>Anonymo</strong>—O tyrannete Quental e Ortigão. Verso, br. +100</p> + +<p>29—<strong>Sachristão</strong>—Analyse critica, rapida, despretenciosa, +feita ao folheto intitulado Garrett, Castilho, Herculano e a escola coimbrã +pelo Ermita do Chiado, br. 100</p> + +<p>30—<strong>A. A. Teixeira de Vasconcellos</strong>—A. F. de Castilho—A. +Osorio de Vasconcellos—Sobre a questão coimbrã, br. 100</p> + +<p>31—<strong>Sombra de Cicero</strong>—Verdadeira luz derramada na questão +litteraria, e supremo remate a ella, br. 100</p> + +<p>32—<strong>Antonio Peixoto do Amaral</strong>—Litteratura de hontem, ou +breves reflexões sobre a questão litteraria, br. 100</p> + +<p>33—<strong>A. M. da Cunha Belem</strong>—Horacios e Curiacios, ou mais um +ponto e virgula na actual questão liiteraria, br. 100</p> + +<p>34—<strong>Lisboeta convertido</strong>—A aguia no ovo e nos astros, sive +a escola coimbrã na sua aurora e em seu zenith, 2 folhetos (1.ª e 2.ª parte), +br. 200</p> + +<p> </p> +</div> + + + + + + + +<pre> + + + + + +End of the Project Gutenberg EBook of Bom senso e bom gosto : resposta à +carta que o sr. Antero de Quental dirigiu ao sr. Antonio Feliciano de Castilho, by Manuel Roussado + +*** END OF THIS PROJECT GUTENBERG EBOOK BOM SENSO E BOM GOSTO *** + +***** This file should be named 30856-h.htm or 30856-h.zip ***** +This and all associated files of various formats will be found in: + https://www.gutenberg.org/3/0/8/5/30856/ + +Produced by Pedro Saborano (produced from scanned images +of public domain material from Google Book Search) + + +Updated editions will replace the previous one--the old editions +will be renamed. + +Creating the works from public domain print editions means that no +one owns a United States copyright in these works, so the Foundation +(and you!) can copy and distribute it in the United States without +permission and without paying copyright royalties. Special rules, +set forth in the General Terms of Use part of this license, apply to +copying and distributing Project Gutenberg-tm electronic works to +protect the PROJECT GUTENBERG-tm concept and trademark. 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