summaryrefslogtreecommitdiff
path: root/30070-h
diff options
context:
space:
mode:
Diffstat (limited to '30070-h')
-rw-r--r--30070-h/30070-h.htm605
1 files changed, 605 insertions, 0 deletions
diff --git a/30070-h/30070-h.htm b/30070-h/30070-h.htm
new file mode 100644
index 0000000..16c44cd
--- /dev/null
+++ b/30070-h/30070-h.htm
@@ -0,0 +1,605 @@
+<!DOCTYPE HTML PUBLIC "-//W3C//DTD HTML 4.0 Transitional//EN">
+<html lang="pt">
+<head>
+ <title>Bom senso e Bom Gosto, por Anthero de Quental</title>
+ <meta name="Author" content="Anthero de Quental">
+ <meta name="Publisher" content="Imprensa da Universidade">
+ <meta name="Date" content="1865">
+ <meta http-equiv="content-type" content="text/html; charset=UTF-8">
+ <style type="text/css">
+ body{margin-left: 10%;
+ margin-right: 10%;
+ font-family: sans-serif;
+ }
+ .pn {
+ text-indent: 0em;
+ position: absolute;
+ left: 92%;
+ font-size: smaller;
+ text-align: right;
+ color: silver;
+ }
+ #corpo p{text-align: justify; text-indent: 1em;}
+ h1, h2, h3, h4 {text-align: center; margin-top: 3em; margin-bottom: 2em;}
+ #corpo p.centrado {text-align: center; text-indent: 0;}
+ hr.dotted {border: 0; border-bottom: dotted 2px #000;}
+ hr {border: 0; border-bottom: solid 2px;}
+ .rodape {
+ font-size: 0.8em;
+ margin: 2em;
+ }
+ </style>
+</head>
+
+<body>
+<div>*** START OF THE PROJECT GUTENBERG EBOOK 30070 ***</div>
+
+<p>&nbsp;</p>
+
+<div style="text-align:center; border: solid 1px #000; padding: 1em;">
+<p style="font-size: 1.8em;">BOM-SENSO E BOM-GOSTO</p>
+
+<hr style="width: 30%;">
+
+<p style="font-size: 1.8em;">CARTA</p>
+
+<p style="font-size: 0.8em;">AO EXCELENTISSIMO SENHOR</p>
+
+<p style="font-size: 1.2em;">ANTONIO FELICIANO DE CASTILHO</p>
+
+<p style="font-size: 0.8em;">POR</p>
+
+<p style="font-size: 1em;"><strong>Anthero do Quental</strong></p>
+
+<p>&nbsp;</p>
+<p>&nbsp;</p>
+
+<hr style="width: 30%;">
+<p>&nbsp;</p>
+<p>&nbsp;</p>
+
+<p>NOVEMBRO DE 1865</p>
+</div>
+
+<p>&nbsp;</p>
+
+<div style="text-align: center;">
+<p style="font-size: 1.8em;">BOM-SENSO E BOM-GOSTO</p>
+
+<hr style="width: 30%;">
+
+<p style="font-size: 1.8em;">CARTA</p>
+
+<p style="font-size: 0.8em;">AO EXCELENTISSIMO SENHOR</p>
+
+<p style="font-size: 1.2em;">ANTONIO FELICIANO DE CASTILHO</p>
+
+<p style="font-size: 0.8em;">POR</p>
+
+<p style="font-size: 1em;"><strong>Anthero do Quental</strong></p>
+
+<p>&nbsp;</p>
+<p>&nbsp;</p>
+
+<hr style="width: 30%;">
+<p>&nbsp;</p>
+<p>&nbsp;</p>
+
+<p>COIMBRA<br>
+<small>IMPRENSA DA UNIVERSIDADE</small><br>
+1865</p>
+</div>
+
+<p>&nbsp;</p>
+
+<div id="corpo">
+<p><span class="pn">{3}</span></p>
+
+<p>&nbsp;</p>
+
+<p>&nbsp;</p>
+
+<p style="text-align: right;">Ex.<sup>mo</sup> Sr.</p>
+
+<p>&nbsp;</p>
+
+<p>Acabo de ler um escripto<a name="tex2html1"
+href="#foot103"><sup>[1]</sup></a> de v. ex.ª onde, a proposito de faltas de
+bom-senso e de bom-gosto, se falla com aspera censura da chamada eschola
+litteraria de Coimbra, e entre dois nomes illustres<a name="tex2html2"
+href="#foot53"><sup>[2]</sup></a> se cita o meu, quasi desconhecido e sobre
+tudo desambicioso.</p>
+
+<p>Esta minha obscuridade faz com que a parte de censura que me cabe seja sobre
+maneira diminuta: em quanto que, por outro lado, a minha despreoccupação de
+fama litteraria, os meus habitos de espirito e o meu modo de vida, me tornam
+essa mesma pequena parte que me resta tão indifferente, que é como que se a
+nada a reduzissemos.</p>
+
+<p>Estas circumstancias pareceriam sufficiente para me imporem um silencio, ou
+modesto ou desdenhoso. Não o são, todavia. Eu tenho para fallar dois fortes
+motivos. Um é a liberdade absoluta que a minha posição independentissima de
+homem sem pretenções litterarias me dá para julgar desassombradamente, com
+justiça, com frieza, com boa-fé. Como não pretendo logar algum, mesmo infimo,
+na brilhante phalange<span class="pn">{4}</span> das reputações contemporaneas,
+é por isso que, estando de fóra, posso como ninguem avaliar a figura, a
+destreza e o garbo ainda dos mais luzidos chefes do glorioso esquadrão. Posso
+tambem fallar livremente. E não é esta uma pequena superioridade neste tempo de
+conveniencias, de precauções, de reticencias&mdash;ou, digamos a cousa pelo seu
+nome, de hypocrisia e falsidade. Livre das vaidades, das ambições, das miserias
+d'uma posição, que não pretendo, posso fallar nas miserias, nas ambições, nas
+vaidades d'esse mundo tão extranho para mim, atravessando por meio d'ellas e
+sahindo puro, limpo e innocente.</p>
+
+<p>A este primeiro motivo, que é um direito, uma faculdade só, accresce um
+outro, e mais grave e mais obrigatorio, porque é um dever, uma necessidade
+moral. É esta força desconhecida que nos leva muitas vezes, ainda contra a
+vontade, ainda contra o gosto, ainda contra o interesse, a erguer a voz pelo
+que julgamos a verdade, a erguer a mão pelo que acreditamos a justiça. É ella
+que me manda fallar. Não que a justiça e a verdade se offendessem com v. ex.ª
+ou com as suas apreciações. Verdade e justiça estão tão altas, que não têm
+olhos com que vejam as pequenas cousas e os pequenos homens das infimas
+questiunculas litterarias d'um ignorado canto de terra, a que ainda se chama
+Portugal.</p>
+
+<p>Não é isso o que as offende. Mas as idéas que estão por de trás dos homens;
+o mal profundo que as cousas apenas miseraveis representam; uma grande doença
+moral accusada por uma pequenez intellectual; as desgraças, tanto para
+reflexões lamentosas, d'esta terra, reveladas pelas miserias, tão merecedoras
+de despreso, dos que cuidam dominal-a; isso é que afflige excessivamente a
+razão e o sentimento, o que prende o olhar ainda o mais desdenhoso a estas
+baças intrigas; isso é que levanta esta questão do raso das personalidades para
+a elevar até á altura d'uma questão de principios, e que dá ás ridiculas
+chufas, que entre si trocam uns tristes litteratos, todo o valor d'uma
+discussão de philosophia e de historia.</p>
+
+<p>Sim, ex.<sup>mo</sup> sr. Eu não sei se v. ex.ª tem olhos para ver tudo
+isto. Cuido que não: porque a intelligencia dos habeis, dos prudentes, dos
+espertissimos é muitas vezes<span class="pn">{5}</span> cega em lhe faltando
+uma cousa bem pequena, que se encontra nos simples e nos humildes&mdash;a boa-fé.
+</p>
+
+<p>Á luz d'ella, porem, eu hei de sempre ver uma pessima acção, digna de toda a
+importancia d'um castigo, nas impensadas e infelizes palavras de v. ex.ª,
+dignas quando muito d'um sorriso de desdem e do esquecimento. E se eu nem
+sequer me daria ao incommodo de erguer a cabeça de cima do meu trabalho para
+escutar essas palavras, entendo que não perco o meu tempo, que sirvo a moral e
+a verdade, censurando, verberando a deshonesta acção de v. ex.ª</p>
+
+<p>Porque é uma acção deshonesta. O que se ataca na eschola de Coimbra (talvez
+mesmo v. ex.ª o ignore, porque ha malevolos innocentes e inconscientes), o que
+se ataca não é uma opinião litteraria menos provada, uma concepção poetica mais
+atrevida, um estylo ou uma idêa. Isso é o pretexto, apenas. Mas a guerra faz-se
+á independencia irreverente de escriptores, que entendem fazer por si o seu
+caminho, sem pedirem licença aos <em>mestres</em>, mas consultando só o seu
+trabalho e a sua consciencia. A guerra faz-se ao escandalo inaudito d'uma
+litteratura desaforada, que cuidou poder correr mundo sem o sello e o visto da
+chancelharia dos grãos-mestres officiaes. A guerra faz-se á impiedade d'estes
+hereges das lettras, que se revoltam contra a auctoridade dos papas e
+pontifices, porque, ao que parece, ainda a luz de cima lhes não escreveu nas
+frontes o signal da infallibilidade. Faz-se contra quem entende pensar por si e
+ser só responsavel por seus actos e palavras...</p>
+
+<p>Agora quem move estes ridiculos combates de phrases é a vaidade ferida dos
+mestres e dos pontifices; é o espirito de rotina violentamente incommodado por
+mãos rudes e inconvenientes; é a banalidade que quer dormir socegada no seu
+leito de ninharias; é a vulgaridade que cuida que a forçam&mdash;nós só lhe queremos
+puchar as orelhas!</p>
+
+<p>Isto, resumido em poucas palavras, quer dizer: combatem-se os hereges da
+eschola de Coimbra por causa do negro crime de sua dignidade, do atrevimento de
+sua rectidão moral, do attentado de sua probidade litteraria, da impudencia e
+miseria de serem independentes e pensarem<span class="pn">{6}</span> por suas
+cabeças. E combatem-se por faltarem ás virtudes de respeito humilde ás vaidades
+omnipotentes, de submissão estupida, de baixeza e pequenez moral e
+intellectual.</p>
+
+<p>V. ex.ª, com a imparcialidade que todos lhe conhecemos, deve confessar que
+uma guerra assim feita é não só mal feita, mas tambem pequena e miseravelmente
+feita. Mas é que a eschola de Coimbra commetteu effectivamente alguma cousa
+peior de que um crime&mdash;commetteu uma grande falta: <em>quiz innovar</em>. Ora,
+para as litteraturas officiaes, para as reputações estabelecidas, mais
+criminoso do que manchar a verdade com a baba dos sophismas, do que envenenar
+com o erro as fontes do espirito publico, do que pensar mal, do que escrever
+pessimamente, peior do que isto é essa falta de querer caminhar por si, de
+<em>dizer</em> e não <em>repetir</em>, de <em>inventar</em> e não de
+<em>copiar</em>. Por que? Porque todos os outros crimes eram contra as idêas:
+haveria sempre um perdão para elles. Mas esta falta era contra as pessoas: e
+essas taes são imperdoaveis. Innovar é dizer aos prophetas, aos reveladores
+encartados: «ha alguma cousa que vós ignoraes; alguma cousa que nunca pensastes
+nem dissestes; ha mundo além do circulo que se vê com os vossos oculos de
+theatro; ha mundo maior do que os vossos systemas, mais profundo do que os
+vossos folhetins; ha universo um pouco mais extenso e mais agradavel sobre tudo
+do que os vossos livros e os vossos discursos.» Isto, sim, que é intoleravel!
+Isto, sim, que é infame e revoltante e impio e subversivo! Contra isto, sim, ás
+armas, ergamo-nos na nossa força, mostremos o que somos e o que podemos...
+escrevamos tres folhetins e um prologo!...</p>
+
+<p>V. ex.ª fez-se chefe d'esta cruzada tão desgraçada e tão mesquinha. Não
+posso senão dar-lhe os pezames por tão triste papel. Mas se eu, como homem,
+desprézo e esqueço, como escriptor é que não posso calar-me; porque atacar a
+independencia do pensamento, a liberdade dos espiritos, é não só offender o que
+ha de mais sancto nos individuos, mas é ainda levantar mão roubadora contra o
+patrimonio sagrado da humanidade&mdash;o futuro.&mdash;É seccar as nascentes da fonte
+aonde as gerações futuras têm de<span class="pn">{7}</span> beber. É cortar a
+raiz da arvore a que os vindoiros tinham de pedir sombra e socego. E atrophiar
+as idêas e os sentimentos das cabeças e dos corações que têm de vir.</p>
+
+<p>O contrario d'isto tudo é que é a bella, a immensa missão do escriptor. É um
+sacerdocio, um officio publico e religioso de guarda incorruptivel das idêas,
+dos sentimentos, dos costumes, das obras e das palavras. Para isso toda a
+altura, toda a nobreza interior são pouco ainda. Para isso toda a independencia
+de espirito, toda a despreoccupação de vaidades, toda a liberdade de jugos
+impostos, de mestres, de auctoridades, nunca será de mais. O mineiro quer os
+braços soltos para cavar buscando o ouro entre as areias grossas. O piloto quer
+os olhos desvendados para ler nos astros o caminho da náo por entre as ondas
+incertas. O sacerdote quer o coração limpo de paixões, de interesses, para
+aconselhar, guiar, julgar, imparcial e justo. O escriptor quer o espirito livre
+de jugos, o pensamento livre de preconceitos e respeitos inuteis, o coração
+livre de vaidades, incorruptivel e intemerato. Só assim serão grandes e
+fecundas as suas obras: só assim merecerá o logar de censor entre os homens,
+porque o terá alcançado, não pelo favor das turbas inconstantes e injustas, ou
+pelo patronato degradante dos grandes e illustres, mas elevando-se naturalmente
+sobre todos pela sciencia, pelo paciente estudo de si e dos outros, pela
+limpeza interior d'uma alma que só vê e busca o bem, o bello, o verdadeiro.</p>
+
+<p>Este é o escriptor, o poeta, o apostolo. Se o obrigassem a respeitos
+convencionaes, a terrores supersticiosos diante de certos homens, a espantos
+cegos diante de certas cousas; se o fizessem baixar a cabeça e as costas para
+entrar a porta do pantheon litterario; elle, o pobre, ficaria sempre curvo e
+submisso, humilde e sem força propria, servo de alheias idêas e apostolo apenas
+de palavras decoradas e vazias d'alma. Como se havia elle pois erguer, entre
+seus irmãos, tão alto que seus olhos fossem uns como pharoes para todos os
+outros olhos, a sua fronte uma como montanha de luz; tão alto que as palavras
+de sua bocca cahissem sobre as cabeças como uma chuva benefica e fecundante?
+Seria, depois das provas e das torturas, das genuflexões e das baixezas da
+iniciação no gremio dos <em>senhores</em>, seria<span class="pn">{8}</span> um
+aleijão e não gigante, um aborto em vez de heroe e, em vez de sobr'exceder a
+todos com a fronte, andaria sumido entre elles, visitado escassamente pelo sol
+e pela luz. Elle, que não soubera procurar para si o seu caminho, como poderia
+elle allumiar o dos outros? Elle, humilde, como ensinaria a altivez e a
+dignidade? Respeitador de conveniencias estereis, como daria o exemplo das
+revoltas fecundas? Sem alma, como a insuflaria no peito dos tristes e
+humilhados? Sem vontade, como resistiria ás tyrannias da opinião omnipotente,
+ao capricho dos grandes, ás ambições, ás tentações?</p>
+
+<p>As grandes, as bellas, as boas cousas só se fazem quando se é bom, bello e
+grande. Mas a condição da grandeza, da belleza, da bondade, a primeira e
+indispensavel condição, não é o talento, nem a sciencia, nem a experiencia: é a
+elevação moral, a virtude da altivez interior, a independencia da alma e a
+dignidade do pensamento e do caracter. Nem aos <em>mestres</em>, aos que a
+maioria boçal aponta como illustres, nem á opinião, á critica sem sciencia nem
+consciencia das turbas, do maior numero, deve pedir conselhos e approvação, mas
+só ao seu entendimento, á sua meditação, ás suas crenças. Nesta eschola do
+trabalho, da dignidade, das altas convicções, se formam os homens em cujos
+peitos a humanidade encontra sempre um vasto lago onde farte a sêde de verdade,
+de consolações, de ensinos para a intelligencia e confortos para o coração.</p>
+
+<p>No peito dos outros, dos que andam de capella em capella na lida afanosa de
+incensar cada dia todos os idolos, dos que fazem da gloria uma bastilha para
+aventureiros levarem de assalto, e não pulpito aonde se suba com respeito e
+amor, no peito d'esses não habita mais do que ambição, vaidade, endurecimento e
+miseria. Esses lisongeiam os grandes; e os grandes dão-lhes a mão para que
+subam, e desprezam-nos depois. Lisongeiam as maiorias; e as maiorias
+inconstantes lançam-lhes no regaço um pouco de ouro e algum applauso de
+momento, e depois passam e esquecem. Afagam todas as vaidades; e têm em cada
+vicio humano um capital, cujo juro dissipam em quanto vivos, porque essa moeda
+corrompida para mais ninguem serve. Emfim, nos quinze ou vinte annos em que dão
+que<span class="pn">{9}</span> falar ás gazetas, aos botequins, aos gremios, a
+todos os vadios, a todos os futeis, folgam, vivem alegres e esquecidos de tudo
+quanto não seja a satisfação do que ha no homem de mais pequeno&mdash;a vaidade e o
+interesse.</p>
+
+<p>Para os outros a obscuridade, e a miseria muita vez&mdash;mas a estima dos
+melhores entre os homens pelo espirito, e, o que excede tudo, a posse d'uma
+consciencia superior a quanto não seja a verdade, a justiça e a formosura. As
+idêas serenas brilham-lhes na escuridão do isolamento e alumiam-lhes com uma
+luz doce mas immensa toda a sua obscuridade. Dão-se a desbaratar o mal dos
+outros homens, como muitos se dão a augmentar o seu bem proprio. Vivem na
+região das bençãos, escutando as palavras da bôcca invisivel, e com os echos
+d'essa voz celeste compõem os hymnos de esperança e de amor para a humanidade.
+Morrem; mas morrem nobres e puros. Tudo isto porque foram independentes. Não
+pertenceram a corrilhos; não elogiaram ninguem para que os elogiassem a elles;
+não incensaram os fetiches dos ridiculos pagodes litterarios. Foram honrados.
+Foram simples.</p>
+
+<p>A estes taes chamo eu poetas. Porque nos ensinam o bem. Porque são originaes
+e dizem sempre alguma cousa nova á nossa curiosidade de saber. Porque dão com a
+elevação das vidas confirmação á sublimidade dos escriptos. Porque são tão
+poeticos como os seus poemas. Porque vão adiante abrindo á luz e ao amor novos
+horisontes. Porque não conhecem ambições nem orgulhos. Porque têm a cabeça do
+genio e o coração da innocencia. É por isso tudo que lhes chamo poetas.</p>
+
+<p>Os outros adoram a <em>palavra</em>, que illude o vulgo, e desprezam a
+<em>idêa</em>, que custa muito e nada luz. São apostolos do diccionario, e têm
+por evangelho um tractado de metrificação. Fazem da poesia o instrumento de
+suas vaidades. Pregam o bem por uso e convenção litteraria, porque se presta á
+declamação poetica, mas practicam o egoismo por indole e por vontade. Fazem-nos
+descrer da grandeza humana, porque são uns sophismas que nos mostram a pequenez
+e a má fé aonde as apparencias são todas de nobreza. Preferem imitar a
+inventar; e a imitar preferem ainda traduzir. Repetem o que está dicto ha mil
+annos, e<span class="pn">{10}</span> fazem-nos duvidar se o espirito humano
+será uma esteril e constante banalidade. São os enfeitadores das ninharias
+luzidias. Põem os nadas em pé para parecerem alguma cousa. São os idolos
+litterarios da multidão que mal sabe ler. São os philosophos queridos da turba
+que nunca pensou. São, emfim, genios no Brasil como v. ex.ª</p>
+
+<p>Estes taes escusam da nobreza e da dignidade: têm a habilidade e a finura.
+Para a obra que fazem, isso lhes basta. Mas a obra, ex.<sup>mo</sup> sr., é que
+é uma obra vulgar: bem feita para agradar ao ouvido, mas esteril para o
+espirito. Sôa bem, mas não ensina nem eleva. Ora a humanidade precisa que a
+levantem e que a doutrinem. São, pois, necessarias outras e melhores obras.</p>
+
+<p>Mas, se já alguma hora da historia impoz aos que fallam alto entre os povos
+obrigações de seriedade, de profunda abnegação, de sacrificio do <em>eu</em> ás
+tristezas e miserias da humanidade, de trabalho e silencioso pensamento; se
+alguma hora lhes mandou serem graves, puros, crentes, é certamente esta do dia
+de hoje, da edade de transformação dolorosa, de scepticismo, de abaixamento
+moral, de descrença, que é o nosso seculo. Refundem-se as crenças antigas.
+Geram-se com esforço novas idêas. Desmoronam-se as velhas religiões. As
+instituições do passado abalam-se. O futuro não apparece ainda. E, entre estas
+duvidas, estes abalos, estas incertezas, as almas sentem-se menores, mais
+tristes, menos ambiciosas de bem, menos dispostas ao sacrifício e ás abnegações
+da consciencia. Ha toda uma humanidade em dissolução, de que é preciso extrahir
+uma humanidade viva, sã, crente e formosa.</p>
+
+<p>Para este grande trabalho é que se querem os grandes homens. Sahirão esses
+heroes das academias litterarias? das arcadias? das sinecuras opulentas? dos
+corrilhos do elogio-mutuo? Sahirão as aguias das capoeiras? Saltarão as idêas
+salvadoras do choque das maledicencias e dos doestos? Nascerão as dedicações do
+casamento das vaidades? Darão a grande novidade os ledores de Horacio?
+Inventarão as novas formulas os que decoram as phrases rabugentas dos livros
+bolorentos que chamam classicos? E os Socrates e os Epictetos descerão para as
+suas missões das cadeiras almofadadas, das rendosas conezias litterarias, das
+prebendas, das explorações?<span class="pn">{11}</span></p>
+
+<p>Fóra d'essa atmosphera corrupta, e, quando não corrupta, pelo menos
+esterilisadora, é mais provavel encontrarem-se as condições que precisam para
+viver e crescer os homens uteis e necessarios ás transformações do espirito
+humano.</p>
+
+<p>Não é traduzindo os velhos poetas sensualistas da Grecia e de Roma;<a
+name="tex2html3" href="#foot75"><sup>[3]</sup></a> requentando fabulas insossas
+diluidas em milhares de versos semsabores;<a name="tex2html4"
+href="#foot76"><sup>[4]</sup></a> não é com idyllios grotescos sem expressão
+nem originalidade, com allusões mythologicas que já faziam bocejar nossos
+avós;<a name="tex2html5" href="#foot77"><sup>[5]</sup></a> com phrases e
+sentimentos postiços de academico e rhetorico;<a name="tex2html6"
+href="#foot78"><sup>[6]</sup></a> com visualidades infantis e puerilidades
+vãs;<a name="tex2html7" href="#foot79"><sup>[7]</sup></a> com prosas imitadas
+das algaravias mysticas de frades estonteados;<a name="tex2html8"
+href="#foot80"><sup>[8]</sup></a> com banalidades;<a name="tex2html9"
+href="#foot81"><sup>[9]</sup></a> com ninharias;<a name="tex2html10"
+href="#foot82"><sup>[10]</sup></a> não é, sobre tudo, lisongeando o máo gosto e
+as pessimas idêas das maiorias, indo atrás d'ellas, tomando por guia a
+ignorancia e a vulgaridade, que se hão de produzir as ideias, as sciencias, as
+crenças, os sentimentos de que a humanidade contemporanea precisa para se
+reformar como uma fogueira a que a lenha vai faltando.</p>
+
+<p>Mas fóra de tudo isto, d'estas necedades tradicionaes, é o nevoeiro, é o
+methaphysico, é o inattingivel&mdash;diz v. ex.ª</p>
+
+<p>Todavia, quem pensa e sabe hoje na Europa não é Portugal, não é Lisboa,
+cuido eu: é Paris, é Londres, é Berlim. Não é a nossa divertida Academia das
+Sciencias, que revolve, decompõe, classifica e explica o mundo dos factos e das
+idêas. É o Instituto de França, é a Academia Scientifica de Berlim, são as
+escholas de philosophia, de historia, de mathematica, de physica, de biologia,
+de todas as sciencias e de todas as artes, em França, em Inglaterra, em
+Allemanha. Pois bem: a Allemanha, a Inglaterra, a França, comprazem-se no
+nevoeiro, são incomprehensiveis<span class="pn">{12}</span> e ridiculas, são
+methaphysicas tambem. As tres grandes nações pensantes são risiveis deante da
+critica fradesca do sr. Castilho. Os grandes genios modernos são grotescos e
+despreziveis aos olhos baços do banal metrificador portuguez.</p>
+
+<p>O grande espirito philosophico do nosso tempo, a grande creação original,
+immensa da nossa edade, não passa de confusão e embroglio desprezivel para o
+professor de ninharias, que cuida que se fustiga Hegel, Stuart Mill, Augusto
+Comte, Herder, Wolff, Vico, Michelet, Proudhon, Littré, Feuerbach, Creuzer,
+Strauss, Taine, Renan, Buchner, Quinet, a philosophia allemã, a critica
+franceza, o positivismo, o naturalismo, a historia, a methaphysica, as immensas
+creações da alma moderna, o espirito mesmo da nossa civilisação.... que se
+fustiga tudo isto e se ridicularisa e se derriba com a mesma sem-cerimonia com
+que elle dá palmatoadas nos seus meninos de 30, 40 e 50 annos, de Lisboa, do
+Gremio, da Revista Contemporanea!</p>
+
+<p>Quem seguir tudo isto vai com o pensamento moderno; com as tendencias da
+sciencia; com os resultados de trinta annos de critica; com a nova eschola
+historica; com a renovação philosophica; com os pensadores; com os sabios; com
+os genios; vai com a França; vai com a Allemanha&mdash;mas que importa? não vai com
+o sr. Castilho! não vai com o novo methodo repentista! não vai com o moderno
+folhetim portuguez!</p>
+
+<p>O metrificador das Cartas d'Echo diz ao pensador da Philosophia da
+natureza&mdash;<em>tira-te do meu sol!</em>&mdash;O mythologo do diccionario da fabula
+diz ao profundo descubridor da Symbolica&mdash;<em>és um ignorante!</em>&mdash;A
+rethorica portugueza diz á sciencia, ao espirito moderno&mdash;<em>cala-te d'ahi,
+papelão!</em></p>
+
+<p>É que tudo isto não passa de idêas. Ora ha uma cousa que o sr. Castilho
+tomou á sua conta, que não deixa em paz, que nos prometteu destruir... é a
+methaphysica... é o ideal...</p>
+
+<p>O ideal! palavra mystica; de gothica configuração; quasi impalpavel;
+espiritualista; impopular; que o artigo de fundo repelle; que desacreditaria o
+deputado do centro que a empregasse; que Victor Hugo adora e de que se riem os
+localistas; que não chega para um folhetim e que<span class="pn">{13}</span>
+enche o maior poema; immensa aos olhos dos que a vêem com os olhos fechados e
+que nunca viram os que os trazem sempre arregalados; palavra pessima para uma
+rima de madrigal; palavra que faz desmaiar as beatas; grotesca num botequim;
+disforme numa sala; medonha numa assembleia de litteratos horacianos...
+decididamente v. ex.ª devia odiar esta desgraçada palavra!</p>
+
+<p>O ideal quer dizer isto: desprezo das vaidades; amor desinteressado da
+verdade; preoccupação exclusiva do grande e do bom; desdem do futil, do
+convencional; boa fe; desinteresse; grandeza d'alma; simplicidade; nobreza;
+soberano bom gosto e soberanissimo bom senso... tudo isto quer dizer esta
+palavra de cinco letras&mdash;ideal.</p>
+
+<p>Por todos estes motivos ella é sobremaneira odiavel; ella é desprezivel por
+todas estas causas; e v. ex.ª tem toda a razão, chacoteando, bigodeando,
+pulverisando esse miseravel ideal.</p>
+
+<p>Elle, com effeito, nada do que elle é ou do que vem d'elle, serve ou pode
+servir jamais para alguma cousa do que se procura na vida, do que nella
+procuram os homens graves, os homens serios, os homens de senso e gosto como v.
+ex.ª, que nada querem com ideaes ou com idêas, mas só com realidades e com
+tactos; para captar a admiração das turbas; o applauso das multidões; para
+formar um grande nome composto de pequeninas lettras; para merecer os encomios
+dos grammaticões e o assombro dos burguezes; para ser das academias; das
+arcadias; commendador; citado pelos brasileiros retirados do commercio;
+decorado pelos directores de collegio; o Tirteu dos mercieiros e um Homero
+constitucional.</p>
+
+<p>Para isto é que não serve o ideal. E é por isso, pela sua absurda
+inutilidade, que v. ex.ª o apeia com tanta sem cerimonia do pedestal aonde,
+para o adorarem, o têm posto os loucos que nunca foram nada neste mundo, nem
+das academias nem do conselho de instrucção publica, um Christo, um Socrates,
+um Homero...</p>
+
+<p>Por isso é que v. ex.ª faz muito bem em o destruir, a esse pobre diabo do
+ideal; de o pôr fóra de casa a bofetões; de o bannir das suas obras, que não
+haver por lá nem a mais leve sombra d'elle. Agradam a todos assim. Os
+versos<span class="pn">{14}</span> de v. ex.ª não têm ideal&mdash;mas começam por
+letra pequena. As suas criticas não têm idêas&mdash;mas têm palavras quantas bastem
+para um diccionario de synonimos. Os seus poemas lyricos não são methaphysicos,
+não precisam d'uma excessiva attenção, de esforços de pensamento para se
+comprehenderem&mdash;e têm a vantagem de não deixarem ver nem um só ideal. Nas suas
+obras todas ha uma falta tão completa d'essas incomprehensibilidades, que deve
+pôr muito á sua vontade os leitores que v. ex.ª têm no Brasil. V. ex.ª diz tudo
+quanto se pode dizer sem idêas&mdash;boa, excellente receita para não cahir nas
+nebulosidades do ideal. Os seus escriptos são optimos escriptos&mdash;menos as
+idêas: e é v. ex.ª um grande homem&mdash;menos o ideal.</p>
+
+<p>Dante, que era um barbaro, e Shakspeare, que era um selvagem, é que
+rechearam as suas obras de ideal. Victor Hugo tambem cáe muito nesse defeito.
+V. ex.ª é que o tem sempre evitado cautelosamente, e por isso não é um barbaro
+como Dante, nem selvagem como Shakspeare, nem um máo poeta como Victor Hugo.
+Não é Dante, nem Shakspeare, nem Hugo&mdash;mas é amigo do sr. Viale, que falla
+latim como Mevio e Bavio.</p>
+
+<p>Mas, ex.<sup>mo</sup> sr., será possivel viver sem idêas? Esta é que é a
+grande questão. Em Lisboa, no curso de lettras, na academia, no conselho
+superior, no gremio, nos saraus de v. ex.ª, dizem-me que sim, e que é mesmo uma
+condição para viver bem. Fóra de Lisboa, isto é, no resto do mundo, em Paris,
+Berlim, Londres, Turim, Goettingue, New-York, Boston, paizes mais
+desfavorecidos da sorte, na velha Grecia tambem e mesmo na Roma antiga, é que
+nunca poderam passar sem essas magnificas inutilidades. Ellas o muito que têm
+feito é servirem de entretenimento aos visionarios como Christo (um metaphysico
+bem nebuloso), como Socrates, como Çakia-Mouni, como Mahomet, como Confucio e
+outros sujeitos de nenhuma consideração social, que se entretinham fazendo
+systemas com ellas, e com os systemas religiões, e com as religiões povos, e
+com os povos civilisações, e com as civilisações codigos, leis, sentimentos,
+amores, paixões, crenças, a alma emfim da humanidade, cousa que se não vê nem
+rende, e é tambem inutil e incomprehensivel. Eis ahi o mais a que as idêas
+têm<span class="pn">{15}</span> chegado. Creio que pouco mais ou nada mais têm
+feito do que isto.</p>
+
+<p>Em Lisboa é que nem isto. Não sei se tem havido quem tente introduzil-as
+nessa capital. V. ex.ª é que eu tenho a certeza de que não era capaz d'essa má
+acção. Por isso Lisboa não cahe como cahiram Athenas e Roma, por causa das suas
+idêas, e Jerusalem e outras cidades infelizes, cujos poetas tiveram um amor
+demasiado ao ideal... Uma só cousa ficou d'ellas: uma memoria grande, honrosa,
+nobilissima. Cahiram, mas deram ao mundo um espectaculo raro&mdash;o espirito e a
+consciencia humana triumphando da materia e brilhando no meio das ruinas como a
+chamma que se alimenta da destruição da lenha d'onde sahe e que a gerou. Eu não
+sei se v. ex.ª acha isto sensato e de bom gosto. Cuido que não. O que eu sei
+sómente é que isto é sublime......................</p>
+
+<p>Paro aqui, ex.<sup>mo</sup> sr. Muito tinha eu ainda que dizer: mas temo, no
+ardor do discurso, faltar ao respeito a v. ex.ª, aos seus cabellos brancos.
+Cuido mesmo que já me escapou uma ou outra phrase não tão reverente e tão
+lisongeira como eu desejára. Mas é que realmente não sei como hei de dizer, sem
+parecer ensinar, certas cousas elementares a um homem de sessenta annos;
+dizel-as eu com os meus vinte e cinco! V. ex.ª aturou-me em tempo no seu
+collegio do Portico, tinha eu ainda dez annos, e confesso que devo á sua muita
+paciencia o pouco francez que ainda hoje sei. Lembra-se, pois, da minha
+docilidade e adivinha quanto eu desejaria agora podel-o seguir humildemente nos
+seus preceitos e nos seus exemplos, em poesia e philosophia como outr'ora em
+grammatica franceza, na comprehensão das verdades eternas como em outro tempo
+no entendimento das fabulas de La Fontaine. Vejo, porem, com desgosto que temos
+muitas vezes de renegar aos vinte e cinco annos do culto das auctoridades dos
+dez; e que saber explicar bem Telemaco a crianças não é precisamente quanto
+basta para dar o direito de ensinar a homens o que sejam razão e gosto. Concluo
+d'aqui que a edade não a fazem os cabellos brancos, mas a madureza das idêas, o
+tino e a seriedade: e, neste ponto, os meus vinte e cinco annos têm-me as
+verduras de v. ex.ª convencido valerem<span class="pn">{16}</span> pelo menos
+os seus sessenta. Posso pois fallar sem desacato. Levanto-me quando os cabellos
+brancos de v. ex.ª passam deante de mim. Mas o travesso cerebro que está
+debaixo e as garridas e pequeninas cousas, que sahem d'elle, confesso não me
+merecerem nem admiração nem respeito, nem ainda estima. A futilidade num velho
+desgosta-me tanto como a gravidade numa criança. V. ex.ª precisa menos
+cincoenta annos de edade, ou então mais cincoenta de reflexão.</p>
+
+<p>É por estes motivos todos que lamento do fundo d'alma não me poder
+confessar, como desejava, de v. ex.ª</p>
+
+<p> </p>
+
+<p>Coimbra 2 de Novembro de 1865.</p>
+
+<p>&nbsp;</p>
+
+<p>&nbsp;</p>
+
+<p style="text-align: right;">Nem admirador nem respeitador</p>
+
+<p>&nbsp;</p>
+
+<p style="text-align: right;"><em>Anthero do Quental.</em></p>
+
+<p>&nbsp;</p>
+<p>&nbsp;</p>
+<p>&nbsp;</p>
+
+<div class="rodape">
+<p><a name="foot103" href="#tex2html1"><sup>[1]</sup></a>
+No livro do sr. Pinheiro Chagas&mdash;<em>Poema da Mocidade</em>. </p>
+
+<p><a name="foot53" href="#tex2html2"><sup>[2]</sup></a>
+Os srs. Theophilo Braga e Vieira de Castro. </p>
+
+<p><a name="foot75" href="#tex2html3"><sup>[3]</sup></a>
+Allude as traducções de Ovidio e Anacreonte. </p>
+
+<p><a name="foot76" href="#tex2html4"><sup>[4]</sup></a>
+Allude as Cartas d'Echo e Narciso.</p>
+
+<p><a name="foot77" href="#tex2html5"><sup>[5]</sup></a>
+Allude á Primavera. </p>
+
+<p><a name="foot78" href="#tex2html6"><sup>[6]</sup></a>
+Allude ao Tributo Portuguez na morte de Pedro V. </p>
+
+<p><a name="foot79" href="#tex2html7"><sup>[7]</sup></a>
+Allude aos tractados de Metrificação e Mnemonica. </p>
+
+<p><a name="foot80" href="#tex2html8"><sup>[8]</sup></a>
+Allude a todas as obras em prosa. </p>
+
+<p><a name="foot81" href="#tex2html9"><sup>[9]</sup></a>
+Allude a todas as obras em verso. </p>
+
+<p><a name="foot82" href="#tex2html10"><sup>[10]</sup></a>
+Allude a todas as obras junctas, prosa e verso.</p> </div>
+</div>
+
+<p>&nbsp;</p>
+<p>&nbsp;</p>
+
+
+<div style="text-align:center; border: solid 1px #000; padding: 1em;">
+
+<p><em>Vende-se nas principaes livrarias... preço 100 rs.</em></p>
+
+<p>DO MESMO AUCTOR</p>
+
+<p><b>Odes Modernas</b> 1 vol. em 8.º... preço 400 rs.</p>
+
+<p><em>Em Lisboa na loja de livros de Lavado; Porto e Coimbra, na livraria da
+Viuva Moré.</em></p>
+</div>
+<p>&nbsp;</p>
+
+<div>*** END OF THE PROJECT GUTENBERG EBOOK 30070 ***</div>
+</body>
+</html>