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| author | Roger Frank <rfrank@pglaf.org> | 2025-10-14 19:53:05 -0700 |
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Anthero apanhado em «negligé»--Vem a proposito o + baixo-profundo Marinozzi, o Banco Ultramarino, D. Ignez de Castro e + Camões--As novidades velhas--As porcelanas da Russia--Cita-se Nicoláo + Tolentino--Entra-se na questão do ideal--Evocação perigosa--As escolas + da decadencia--Não falta Victor Hugo--Para que servem as imagens--O + manto de Hercules--As aguias e as galinhas._ + + +Publicou-se ha tempo e tem-se espalhado em Lisboa uma carta dirigida +pelo sr. Anthero do Quental ao sr. Antonio Feliciano de Castilho, carta +em que o poeta das _Odes modernas_ protesta violenta e virulentamente +contra a censura, irrogada pelo cantor do _Amor e Melancholia_ á +desastrada escola, de que o sr. Anthero do Quental teve a triste honra +de ser um dos fundadores. Fôra lavrada essa censura no artigo de critica +litteraria com que o sr. Castilho acompanhou o pobre poema, que ahi +publiquei, e que ficou d'essa fórma illustre. Marengo e Austertilz, diz +Victor Hugo no prologo das _Orientaes_, eram duas ignoradas aldeias; +immortalisou-as um dos lampejos victoriosos da espada de Napoleão. + +Não intento responder á carta; ainda que a pessoa, a quem ella é +dirigida, esteja dispensada de responder pela inconveniencia do ataque, +não me compete a mim substituil-a. Penna mais competente e mais +authorisada por todos os motivos se está preparando para isso;[1] +mas eu, que fui um dos primeiros a accusar de falso, de +affectado, de absurdo, de gongorico o estylo da escola de Coimbra, hoje, +que uma das pythonizas desce da tripode, e vem, em linguagem accessivel +aos mortaes, explicar os oraculos, e lançar a luva aos que zombaram dos +livros sybillinos, não desamparo o meu posto, e apresso-me a descer á +liça, onde encontro afinal um adversario. Não via até agora senão +sombras impalpaveis, que fluctuavam nas brumas das abstracções, e se +revestiam de um certo _ideal_, alugado a tanto por ode nos algibebes da +Allemanha. + +Linguagem accessivel aos mortaes, disse eu já, e repito agora. «Uma +das maiores provas do absurdo d'aquelle estylo, dizia-me um dia d'estes +Bulhão Pato illuminando a questão com um dos admiraveis lampejos do seu +espirito de poeta, é que até para o defenderem precisam de o +abandonarem.» Mais ainda, digo eu; a prova de que esse estylo é +affectado é que o sr. Anthero do Quental, quando o seu espirito, +excitado pela critica justa ou injusta, que lhe foi feita, se levantou +de um impeto para defender-se, quando a palavra lhe brotou +espontaneamente dos labios, não procurou phraseado nebuloso, não adoptou +fórmas arrevezadas, deixou-a irromper envenenada mas vehemente, resvalar +pelo declive natural, reflectir na torrente espumosa o esplendor do sol +claro e limpido, o desanuviado azul do nosso firmamento. Apanhámol-o em +flagrante delicto de naturalidade. Surprehendemol-o antes de ir para o +toucador, sem peruca, sem carmim, sem pó de arroz. É verdade que o vimos +tambem em mangas de camisa, e de mangas arregaçadas. Mas antes isso, sr. +Anthero do Quental, antes isso do que vestir aquella casaca allemã, tão +safadinha já, e que nos quer dar por nova. _Innovar_, _inventar_, sr. +Anthero do Quental! no tempo de Henrique Heine já essa casaca estava no +fio, e ainda encontrou em Coimbra quem a arremendasse! Ah! Coimbra, +_terra de encanto, do Mondego amena flor_ o que te falta são alfaiates, +que não tenham só obra feita, vinda pelo paquete de Bordeos. + +A carta, abstrahindo da verrina indigna do sr. Anthero do Quental, +revela um verdadeiro talento, infelizmente para o seu author. A unica +desculpa, que tem quem põe cabelleira, é ser calvo. Agora póde o +sr. Anthero do Quental voltar quando quizer ao seu tom de oraculo, póde +trepar de novo aos pincaros inaccessiveis do seu estylo, vestir-se, +compor-se, arrebicar-se, pôr a mascara de lata com que suppõe engrossar +a voz, como os actores gregos a robusteciam com a mascara de bronze, +esbravejar na tripode, imitar a aguia de Guernesey como o corvo da +fabula, que tambem intentou seguir o exemplo da rainha dos ares e que se +emmaranhou na lã de um carneiro, exactamente como o sr. Anthero do +Quental se emmaranha nas suas lanzudas theorias; improvisar uma Pathmos +da _Ponte no O_, ser o vidente do botequim do Throno, escrever um +Apocalipse que se venda por 400 rs. nas lojas do costume, perceber o sr. +Theophilo Braga e consentir que elle o perceba, chamar ode ao que nem é +charada porque não tem conceito; mas não estranhe, quando estiver todo +ufano com o grande uniforme de sybilla, que lhe puxem pelo rabicho e que +lhe digam: «Larga a cabelleira.» + +Não vou responder á carta, repito, vou apenas levantar as phrases, +que foram dirigidas a todos quantos escrevemos n'esta profana Lisboa, +para nosso ensino e aproveitamento. Oiçamos com o devido respeito. + +Trata-se primeiro de saber qual é o motivo da crua guerra intentada por +nós contra a escola de Coimbra, guerra, em que ousámos, sem sermos +Titães, escalar o Olympo, o que nos ha de render o ficarmos ahi +soterrados debaixo de um Etna de palavriado. O motivo nada tem de +litterario, é simplesmente o despeito que nos causa a independencia de +caracter dos escriptores da universidade, que não vem enfileirar-se nas +nossas phalanges, nem jurar fidelidade aos nossos generaes, e a +indignação que a estes inspira o verem aquelles refractarios vagueando +independentes nos plainos do Mondego. + +Esteve aqui em Lisboa um baixo-profundo Marinozzi, que, tendo sido +applaudido no Porto, foi pateado em S. Carlos. Nunca o digno homem se +pôde convencer de que essa pateada fosse dada sem segunda intenção, e +que a originasse simplesmente ou o seu mau methodo ou a sua má voz. «Fui +pagar em Lisboa, dizia elle voltando lacrymoso para a cidade invicta, a +questão da dissidencia do banco ultramarino, a iniciativa tomada pelo +Porto na idéa da exposição, e outras coisas que excitam os ciumes da +capital.» O sr. Anthero tambem opina pelo banco ultramarino e pela +iniciativa da exposição. Não o perturbemos n'essa illusão suave. Menos +barbaro que Affonso IV com D. Ignez de Castro, deixemol-o passeiar +_pelos saudosos campos do Mondego_. + + N'aquelle engano d'alma ledo e cego! + +Mas, meu caro sr. Marinozzi, seja menos injusto. Suspeita que essas +ovelhas tresmalhadas produzam tamanha desordem no aprisco lisbonense? +Julga que os pastores se ralam com a falta de rezes, que foram atacadas +pela epizootia, que grassa para esses sitios? Essa razão, que o sr. +Anthero allega, não direi que seja uma razão de cabo d'esquadra, mas, +como tanto se affeiçoou aos allemães, não se offenderá que eu lhe diga +que é... _une raison d'allemand_. + +Qual é o outro merecimento, por causa de qual são lapidados estes +prophetas? É porque elles não imitam, mas _innovam_ e _inventam_. + +Innovam o que? Inventam o que? A philosophia de Hegel? os systemas +historicos de Vico? a symbolica pagã de Creuzer? o esclarecimento da +historia pelo estudo da jurisprudencia de Savigny? a critica de +Schlegel, do Raynouard, de Villemain, de Michelet, de Quinet, de Taine? +Mas tudo isso já lá fóra desceu das mysteriosas alturas do saber de +poucos para a erudição comesinha dos Diccionarios de Conversação. +Applicaram pelo menos ao estudo das coisas patrias os novos pharoes +accendidos pelos sabios estrangeiros, pharoes que projectam a sua +immensa luz nos mares tenebrosos do passado? Não, nem isso, a menos que +os artigos do sr. Theophilo Braga, que não dão um passo para além dos +prologos de Garrett, não sejam considerados como equivalentes aos +trabalhos dos eruditos francezes e allemães! E porque não ha de ser assim? + + Eia ardor, coração, vaidade ao menos! + +Ávante! Innovem, sem pagarem direitos d'alfandega. Os manufactores +russos fabricam jarras de porcelana, pondo nas de Sévres um fundo, que +occulta a marca franceza... Cautella, não lhes tirem o fundo, senhores +innovadores e inventores! Escrevam livros, artigos + + Cujos credores _na Allemanha_ fervem + +e fulminem com o seu despreso os que vão pelo trilho da vulgaridade. +Venham as innovações requentadas, as invenções em segunda mão, a +originalidade da feira da ladra, o ideal de contrabando! Assim fez a +gralha, em quanto a não depennaram. + +Mas o que tem inventado então? A fórma talvez, o estylo, o phraseado; +essa farraparia creio que ninguem lh'a reclama. Essas lentejoulas que +tomam por estrellas, essa missanga que impingem por diamantes, essa +baeta vermelha com que arremedam purpura, tudo isso é seu, +pertence-lhes... Que digo? Nem isso mesmo! nem na parodia foram +originaes; já o latego de Nicolau Tolentino flagellava as costas aos +patriarchas d'essa escola, no fim do seculo passado. + + Aos novos ursos todo o povo acode + O estylo é sybillino, o nome é ode! + +Um grito de consciencia obrigou o sr. Anthero do Quental a confessar o +parentesco, dando ao seu livro o titulo de _Odes modernas_. O estylo é +sybillino ainda, e parece que o nosso grande satyrico tinha as poesias +do sr. Anthero do Quental diante dos olhos, quando escrevia: + + As taes poesias (que a entender não chego) + Podres palavras teem desenterrado; + Se levam nó, é tão occulto e cego, + Que quem quer desatal-o vae logrado. + Dizem que imitam n'isto um certo Grego, + Gloria de Thebas, Pindaro chamado, + Se isto é assim, a sua lingua d'oiro + Seria grega, mas fallava moiro. + +Mas não é esta ainda a pedra de escandalo; não é essa a grande virtude, +que nos obrigou a crucificarmos o sr. Anthero do Quental entre o sr. +Theophilo Braga, e o sr. Vieira de Castro. Que este ultimo já +provavelmente é repellido como traidor, por que o sr. Vieira de Castro +actualmente falla, com eloquencia ou sem eloquencia, não é essa a +questão, mas pelo menos na linguagem terrestre. Esse renegou; mas ao sr. +Theophilo Braga é que naturalmente o Christo coimbrão abre o seio +carinhoso, a esse é que elle diz: _Hodie mecum eris in paradiso_. + +A maxima virtude d'essa escola, a que excita as nossas iras, é a sua +adoração pelo ideal, o sacerdocio augusto que esses poetas exercem. Isso +sim, isso é que nós não percebemos, por isso é que os apedrejamos. + +O ideal! mas o ideal deriva de idéa, e a idéa é o que eu em vão procuro +por baixo da tumida crosta das suas poesias. Vejo o sr. Anthero do +Quental ora abolir Deus, ora proclamar a obediencia dos astros á lei do +infinito. Mas o que é o infinito? É a materia? Materia e infinito são +duas palavras que andam aos pontapés uma á outra, como as rimas do sr. +Anthero. Mas, admittindo a conciliação do inconciliavel, se é +materialista, o que faz o distincto poeta ao ideal, que adora? É por fim +de contas um ideal de convenção, bom para produzir effeito, mas em que o +poeta não crê? Esse novo idolo teve a sorte de todos os idolos, e são os +seus sacerdotes os primeiros que zombam d'elle, zombando do crédulo +publico? + +Ah! não profane esse nome sagrado, não beba nos vasos santos o vinho dos +seus desvairamentos! E sobretudo não profira os grandes nomes de Dante e +de Shakespeare, pallido Saul tremente perante as sombras que evoca! E se +persistir n'isso, se quizer por força que desçam do altar dos seculos o +velho florentino e o tragico britanno, acautele-se porque o bando pueril +de que é chefe e que entrou sorrateiramente no templo do ideal por +descuido dos sachristães, póde ser escorraçado e disperso, não pelo +chicote, que serviu a Jesus para expulsar os mercadores, mas pela +férula, que castiga as travessuras das creanças, que vão brincar com +coisas de que nada entendem. + +Dante era um barbaro, e Shakespeare tambem, diz o sr. Anthero do +Quental, reclamando a confraternidade da barbaria. Engana-se; o sr. +Anthero não é um barbaro, é um grego do Baixo Imperio. A sua escola é a +turba de vermes, que brota da putrefacção de uma litteratura. É para os +grandes homens do romantismo o que foi Claudiano para Virgilio, Marini +para Tasso, Campistron para Corneille. A apparição da sua escola é um +facto mil vezes repetido na historia litteraria, e a que +inevitavelmente se segue uma reacção salutar. Cumpram a sua missão; +mas, ao resvalarem no precipicio, não se aferrem a essas arvores +gigantes, que resumem em si uma litteratura inteira. Parasitas do ideal, +não se enrosquem nos robles; mosquitos do coche litterario, não queiram +ser como a sua collega da fabula, que zunia em torno dos corseis que +puxavam o vehiculo, e andava n'uma azafama constante, esfalfada e ufana, +persuadindo-se a si, e querendo persuadir os outros de que era ella e +ella só quem arrastava o carro. + +Tambem Victor Hugo foi chamado a proteger as locubrações do sr. Anthero +e as suas _estolas do infinito_. Se julgam encontrar nos livros de +Victor Hugo authorisação para o emprego d'essas imagens absurdas, +mostram mais uma vez que nem entendem os modêlos que tomam. As imagens +do poeta exilado, por mais arrojadas que sejam, despertam sempre uma +idéa no espirito dos leitores. A imagem (deixem-me fallar a sua lingua, +e citar até, se me não engano, o sr. Theophilo Braga), é a expressão +visivel do Sentimento. A imagem dá um corpo á idéa, e faz com que a +vejam os olhos da phantasia. Quando Victor Hugo, n'uma synthese audaz, +nos diz que a ave leva o infinito preso na ponta d'aza, vemos de relance +a cadeia immensa dos seres, cujos fusis extremos se ligam; que idéa nos +desperta a _estola do infinito_? quando encontrou o sr. Anthero do +Quental, em Victor Hugo, uma imagem tão ôca de sentido como esta! E, se +alguma vez a encontrou, foi de certo nos instantes em que a +imperfectibilidade humana venceu a inspiração divina, foi nos momentos +em que dormia Homero, e é uma covardia, sr. Anthero do Quental, +aproveitar-se do somno do gigante, para lhe ir estampar na fronte o +indelevel estygma da sua imitação. + +Mas o gigante desperta; levanta-se o Hercules, e, ao sacudir o manto, +deixa cair os pygmeus, que lá se esconderam, na lama d'onde brotaram. +_As aguias não saem das capoeiras_, disse, com muita razão o sr. +Anthero; mas tambem não basta não sair de uma capoeira para ser aguia. +As gallinhas tresmalhadas, que se mettem nos ninhos dos alcantís, podem +julgar-se similhantes ás aves de Jupiter; mas quando se trata de voar, +sobem as aguias para o ceu, desabam as gallinhas... no quintal. +Cacarejem embora vituperios; os genios, a quem insultam, e aquelles a +quem imitam (insulto ainda maior), pairam enlaçados no firmamento, e os +zoilos nem terão a triste gloria de ser amarrados por elles ao +pelourinho da sua immortalidade. + + [1] Referia-me ao sr. Julio de Castilho, cuja carta já foi publicada. + + + + +VENDE-SE + +Em LISBOA--Livraria de A. M. Pereira, rua Augusta n.^os 50, 52, e nas +mais do costume. + +PORTO--Livraria da Viuva Moré, e na do sr. Cruz Coutinho. + +COIMBRA--Livraria da Viuva Moré. + +PREÇO 100 RÉIS + + +Tambem se acham nas mesmas lojas: + +Resposta á carta que o senhor Anthero do Quental dirigiu ao senhor +Antonio Feliciano de Castilho, por Manoel Roussado--100 réis. + +O senhor Antonio Feliciano de Castilho e o senhor Anthero do Quental, +por Julio de Castilho--160 réis. + + + + + +End of the Project Gutenberg EBook of Bom senso e bom gosto, folhetim a +proposito da carta que o sr. Anthero do Quental dirigiu ao sr. A. F. de Castilho, by Manuel Pinheiro Chagas + +*** END OF THE PROJECT GUTENBERG EBOOK 30069 *** diff --git a/30069-h/30069-h.htm b/30069-h/30069-h.htm new file mode 100644 index 0000000..64b8654 --- /dev/null +++ b/30069-h/30069-h.htm @@ -0,0 +1,397 @@ +<!DOCTYPE HTML PUBLIC "-//W3C//DTD HTML 4.0 Transitional//EN"> +<html lang="pt"> +<head> + <title>Bom Senso e Bom Gosto, por Pinheiro Chagas</title> + <meta name="Author" content="Manuel Pinheiro Chagas"> + <meta name="Publisher" content="J. G. de Sousa Neves"> + <meta name="Date" content="1865"> + <meta http-equiv="content-type" content="text/html; charset=UTF-8"> + <style type="text/css"> + body{margin-left: 10%; + margin-right: 10%; + } + .pn { + text-indent: 0em; + position: absolute; + left: 92%; + font-size: smaller; + text-align: right; + color: silver; + } + #corpo p{text-align: justify; text-indent: 1em;} + h1, h2, h3 {text-align: center; margin-top: 3em; margin-bottom: 2em;} + #corpo p.sinopse {margin: 0; font-size: small; text-indent: 0;} + hr.dotted {border: 0; border-bottom: dotted 2px #000;} + hr {border: 0; border-bottom: solid 2px;} + blockquote {margin-left: 20%; font-size: small;} + .rodape { + font-size: 0.8em; + margin: 2em; + } + </style> +</head> + +<body> +<div>*** START OF THE PROJECT GUTENBERG EBOOK 30069 ***</div> + +<p> </p> +<div style="border: solid 2px #000; padding: 1em; text-align: center;"> +<p style="font-size: 1.8em;">BOM-SENSO E BOM-GOSTO</p> + +<hr style="width: 20%;"> + +<p style="font-size: 1.8em;">FOLHETIM</p> + +<p style="font-size: 1.4em;">A PROPOSITO DA CARTA</p> + +<p style="font-size: 0.8em;">QUE O SENHOR</p> + +<p style="font-size: 1.4em;">ANTHERO DO QUENTAL</p> + +<p style="font-size: 0.8em;">DIRIGIU AO SENHOR</p> + +<p style="font-size: 1.4em;">ANTONIO FELICIANO DE CASTILHO</p> + +<p>POR M. 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Antonio Feliciano de Castilho, carta em que o +poeta das <em>Odes modernas</em> protesta violenta e virulentamente contra a +censura, irrogada pelo cantor do <em>Amor e Melancholia</em> á desastrada +escola, de que o sr. Anthero do Quental teve a triste honra de ser um dos +fundadores. Fôra lavrada essa censura no artigo de critica litteraria com que o +sr. Castilho acompanhou o pobre poema, que ahi publiquei, e que ficou d'essa +fórma illustre. Marengo e Austertilz, diz Victor Hugo no prologo das +<em>Orientaes</em>, eram duas ignoradas aldeias; immortalisou-as um dos +lampejos victoriosos da espada de Napoleão.</p> + +<p>Não intento responder á carta; ainda que a pessoa, a quem ella é dirigida, +esteja dispensada de responder pela inconveniencia do ataque, não me compete a +mim substituil-a. Penna mais competente e mais authorisada por todos os motivos +se está preparando para isso;<a name="tex2html1" +href="#foot24"><sup>[1]</sup></a> mas eu, que fui um dos primeiros a accusar de +falso, de affectado, de absurdo, de gongorico o estylo da escola de Coimbra, +hoje, que uma das pythonizas desce da tripode, e vem, em linguagem accessivel +aos mortaes, explicar os oraculos, e lançar a luva aos que zombaram dos livros +sybillinos, não desamparo o meu posto, e apresso-me a descer á liça, onde +encontro afinal um adversario. Não via até agora senão sombras impalpaveis, que +fluctuavam nas brumas das abstracções, e se revestiam de um certo +<em>ideal</em>, alugado a tanto por ode nos algibebes da Allemanha.</p> + +<p>Linguagem accessivel aos mortaes, disse eu já, e repito agora.<span +class="pn">{4}</span> «Uma das maiores provas do absurdo d'aquelle estylo, +dizia-me um dia d'estes Bulhão Pato illuminando a questão com um dos admiraveis +lampejos do seu espirito de poeta, é que até para o defenderem precisam de o +abandonarem.» Mais ainda, digo eu; a prova de que esse estylo é affectado é que +o sr. Anthero do Quental, quando o seu espirito, excitado pela critica justa ou +injusta, que lhe foi feita, se levantou de um impeto para defender-se, quando a +palavra lhe brotou espontaneamente dos labios, não procurou phraseado nebuloso, +não adoptou fórmas arrevezadas, deixou-a irromper envenenada mas vehemente, +resvalar pelo declive natural, reflectir na torrente espumosa o esplendor do +sol claro e limpido, o desanuviado azul do nosso firmamento. Apanhámol-o em +flagrante delicto de naturalidade. Surprehendemol-o antes de ir para o +toucador, sem peruca, sem carmim, sem pó de arroz. É verdade que o vimos tambem +em mangas de camisa, e de mangas arregaçadas. Mas antes isso, sr. Anthero do +Quental, antes isso do que vestir aquella casaca allemã, tão safadinha já, e +que nos quer dar por nova. <em>Innovar</em>, <em>inventar</em>, sr. Anthero do +Quental! no tempo de Henrique Heine já essa casaca estava no fio, e ainda +encontrou em Coimbra quem a arremendasse! Ah! Coimbra, <em>terra de encanto, do +Mondego amena flor</em> o que te falta são alfaiates, que não tenham só obra +feita, vinda pelo paquete de Bordeos.</p> + +<p>A carta, abstrahindo da verrina indigna do sr. Anthero do Quental, revela um +verdadeiro talento, infelizmente para o seu author. A unica desculpa, que tem +quem põe cabelleira, é ser calvo. Agora póde o sr. Anthero do Quental +voltar quando quizer ao seu tom de oraculo, póde trepar de novo aos pincaros +inaccessiveis do seu estylo, vestir-se, compor-se, arrebicar-se, pôr a mascara +de lata com que suppõe engrossar a voz, como os actores gregos a robusteciam +com a mascara de bronze, esbravejar na tripode, imitar a aguia de Guernesey +como o corvo da fabula, que tambem intentou seguir o exemplo da rainha dos ares +e que se emmaranhou na lã de um carneiro, exactamente como o sr. Anthero do +Quental se emmaranha nas suas lanzudas theorias; improvisar uma Pathmos da +<em>Ponte no O</em>, ser o vidente do botequim do Throno, escrever um +Apocalipse que se venda por 400 rs. nas lojas do costume, perceber o sr. +Theophilo Braga e consentir que elle o perceba, chamar ode ao que nem é charada +porque não tem conceito; mas não estranhe, quando estiver todo ufano com o +grande uniforme de sybilla, que lhe puxem pelo rabicho e que lhe digam: «Larga +a cabelleira.»</p> + +<p>Não vou responder á carta, repito, vou apenas levantar<span +class="pn">{5}</span> as phrases, que foram dirigidas a todos quantos +escrevemos n'esta profana Lisboa, para nosso ensino e aproveitamento. Oiçamos +com o devido respeito.</p> + +<p>Trata-se primeiro de saber qual é o motivo da crua guerra intentada por nós +contra a escola de Coimbra, guerra, em que ousámos, sem sermos Titães, escalar +o Olympo, o que nos ha de render o ficarmos ahi soterrados debaixo de um Etna +de palavriado. O motivo nada tem de litterario, é simplesmente o despeito que +nos causa a independencia de caracter dos escriptores da universidade, que não +vem enfileirar-se nas nossas phalanges, nem jurar fidelidade aos nossos +generaes, e a indignação que a estes inspira o verem aquelles refractarios +vagueando independentes nos plainos do Mondego.</p> + +<p>Esteve aqui em Lisboa um baixo-profundo Marinozzi, que, tendo sido +applaudido no Porto, foi pateado em S. Carlos. Nunca o digno homem se pôde +convencer de que essa pateada fosse dada sem segunda intenção, e que a +originasse simplesmente ou o seu mau methodo ou a sua má voz. «Fui pagar em +Lisboa, dizia elle voltando lacrymoso para a cidade invicta, a questão da +dissidencia do banco ultramarino, a iniciativa tomada pelo Porto na idéa da +exposição, e outras coisas que excitam os ciumes da capital.» O sr. Anthero +tambem opina pelo banco ultramarino e pela iniciativa da exposição. Não o +perturbemos n'essa illusão suave. Menos barbaro que Affonso <small>IV</small> +com D. Ignez de Castro, deixemol-o passeiar <em>pelos saudosos campos do +Mondego</em>.</p> + + +<blockquote> + N'aquelle engano d'alma ledo e cego!</blockquote> + +<p>Mas, meu caro sr. Marinozzi, seja menos injusto. Suspeita que essas ovelhas +tresmalhadas produzam tamanha desordem no aprisco lisbonense? Julga que os +pastores se ralam com a falta de rezes, que foram atacadas pela epizootia, que +grassa para esses sitios? Essa razão, que o sr. Anthero allega, não direi que +seja uma razão de cabo d'esquadra, mas, como tanto se affeiçoou aos allemães, +não se offenderá que eu lhe diga que é... <em>une raison d'allemand</em>.</p> + +<p>Qual é o outro merecimento, por causa de qual são lapidados estes prophetas? +É porque elles não imitam, mas <em>innovam</em> e <em>inventam</em>.</p> + +<p>Innovam o que? Inventam o que? A philosophia de Hegel? os systemas +historicos de Vico? a symbolica pagã de Creuzer? o esclarecimento da historia +pelo estudo da jurisprudencia de Savigny? a critica de Schlegel, do Raynouard, +de Villemain, de Michelet, de Quinet, de Taine? Mas tudo isso já lá fóra desceu +das mysteriosas alturas do saber de poucos para a erudição<span +class="pn">{6}</span> comesinha dos Diccionarios de Conversação. Applicaram +pelo menos ao estudo das coisas patrias os novos pharoes accendidos pelos +sabios estrangeiros, pharoes que projectam a sua immensa luz nos mares +tenebrosos do passado? Não, nem isso, a menos que os artigos do sr. Theophilo +Braga, que não dão um passo para além dos prologos de Garrett, não sejam +considerados como equivalentes aos trabalhos dos eruditos francezes e allemães! +E porque não ha de ser assim?</p> + + +<blockquote> + Eia ardor, coração, vaidade ao menos!</blockquote> + +<p>Ávante! Innovem, sem pagarem direitos d'alfandega. Os manufactores russos +fabricam jarras de porcelana, pondo nas de Sévres um fundo, que occulta a marca +franceza... Cautella, não lhes tirem o fundo, senhores innovadores e +inventores! Escrevam livros, artigos</p> + + +<blockquote> + Cujos credores <em>na Allemanha</em> fervem</blockquote> + +<p style="text-indent: 0em;">e fulminem com o seu despreso os que vão pelo trilho da vulgaridade. Venham as +innovações requentadas, as invenções em segunda mão, a originalidade da feira +da ladra, o ideal de contrabando! Assim fez a gralha, em quanto a não +depennaram.</p> + +<p>Mas o que tem inventado então? A fórma talvez, o estylo, o phraseado; essa +farraparia creio que ninguem lh'a reclama. Essas lentejoulas que tomam por +estrellas, essa missanga que impingem por diamantes, essa baeta vermelha com +que arremedam purpura, tudo isso é seu, pertence-lhes... Que digo? Nem isso +mesmo! nem na parodia foram originaes; já o latego de Nicolau Tolentino +flagellava as costas aos patriarchas d'essa escola, no fim do seculo passado. +</p> + +<blockquote> + Aos novos ursos todo o povo acode<br> + O estylo é sybillino, o nome é ode!</blockquote> + +<p>Um grito de consciencia obrigou o sr. Anthero do Quental a confessar o +parentesco, dando ao seu livro o titulo de <em>Odes modernas</em>. O estylo é +sybillino ainda, e parece que o nosso grande satyrico tinha as poesias do sr. +Anthero do Quental diante dos olhos, quando escrevia:</p> + +<blockquote> + As taes poesias (que a entender não chego)<br> + Podres palavras teem desenterrado;<br> + Se levam nó, é tão occulto e cego,<br> + Que quem quer desatal-o vae logrado.<br> + Dizem que imitam n'isto um certo Grego,<br> + Gloria de Thebas, Pindaro chamado,<br> + Se isto é assim, a sua lingua d'oiro<br> + Seria grega, mas fallava moiro.<span class="pn">{7}</span></blockquote> + +<p>Mas não é esta ainda a pedra de escandalo; não é essa a grande virtude, que +nos obrigou a crucificarmos o sr. Anthero do Quental entre o sr. Theophilo +Braga, e o sr. Vieira de Castro. Que este ultimo já provavelmente é repellido +como traidor, por que o sr. Vieira de Castro actualmente falla, com eloquencia +ou sem eloquencia, não é essa a questão, mas pelo menos na linguagem terrestre. +Esse renegou; mas ao sr. Theophilo Braga é que naturalmente o Christo coimbrão +abre o seio carinhoso, a esse é que elle diz: <em>Hodie mecum eris in +paradiso</em>.</p> + +<p>A maxima virtude d'essa escola, a que excita as nossas iras, é a sua +adoração pelo ideal, o sacerdocio augusto que esses poetas exercem. Isso sim, +isso é que nós não percebemos, por isso é que os apedrejamos.</p> + +<p>O ideal! mas o ideal deriva de idéa, e a idéa é o que eu em vão procuro por +baixo da tumida crosta das suas poesias. Vejo o sr. Anthero do Quental ora +abolir Deus, ora proclamar a obediencia dos astros á lei do infinito. Mas o que +é o infinito? É a materia? Materia e infinito são duas palavras que andam aos +pontapés uma á outra, como as rimas do sr. Anthero. Mas, admittindo a +conciliação do inconciliavel, se é materialista, o que faz o distincto poeta ao +ideal, que adora? É por fim de contas um ideal de convenção, bom para produzir +effeito, mas em que o poeta não crê? Esse novo idolo teve a sorte de todos os +idolos, e são os seus sacerdotes os primeiros que zombam d'elle, zombando do +crédulo publico?</p> + +<p>Ah! não profane esse nome sagrado, não beba nos vasos santos o vinho dos +seus desvairamentos! E sobretudo não profira os grandes nomes de Dante e de +Shakespeare, pallido Saul tremente perante as sombras que evoca! E se persistir +n'isso, se quizer por força que desçam do altar dos seculos o velho florentino +e o tragico britanno, acautele-se porque o bando pueril de que é chefe e que +entrou sorrateiramente no templo do ideal por descuido dos sachristães, póde +ser escorraçado e disperso, não pelo chicote, que serviu a Jesus para expulsar +os mercadores, mas pela férula, que castiga as travessuras das creanças, que +vão brincar com coisas de que nada entendem.</p> + +<p>Dante era um barbaro, e Shakespeare tambem, diz o sr. Anthero do Quental, +reclamando a confraternidade da barbaria. Engana-se; o sr. Anthero não é um +barbaro, é um grego do Baixo Imperio. A sua escola é a turba de vermes, que +brota da putrefacção de uma litteratura. É para os grandes homens do romantismo +o que foi Claudiano para Virgilio, Marini para Tasso, Campistron para +Corneille. A apparição da sua escola é um facto mil vezes repetido na historia +litteraria, e a que inevitavelmente<span class="pn">{8}</span> se segue uma +reacção salutar. Cumpram a sua missão; mas, ao resvalarem no precipicio, não se +aferrem a essas arvores gigantes, que resumem em si uma litteratura inteira. +Parasitas do ideal, não se enrosquem nos robles; mosquitos do coche litterario, +não queiram ser como a sua collega da fabula, que zunia em torno dos corseis +que puxavam o vehiculo, e andava n'uma azafama constante, esfalfada e ufana, +persuadindo-se a si, e querendo persuadir os outros de que era ella e ella só +quem arrastava o carro.</p> + +<p>Tambem Victor Hugo foi chamado a proteger as locubrações do sr. Anthero e as +suas <em>estolas do infinito</em>. Se julgam encontrar nos livros de Victor +Hugo authorisação para o emprego d'essas imagens absurdas, mostram mais uma vez +que nem entendem os modêlos que tomam. As imagens do poeta exilado, por mais +arrojadas que sejam, despertam sempre uma idéa no espirito dos leitores. A +imagem (deixem-me fallar a sua lingua, e citar até, se me não engano, o sr. +Theophilo Braga), é a expressão visivel do Sentimento. A imagem dá um corpo á +idéa, e faz com que a vejam os olhos da phantasia. Quando Victor Hugo, n'uma +synthese audaz, nos diz que a ave leva o infinito preso na ponta d'aza, vemos +de relance a cadeia immensa dos seres, cujos fusis extremos se ligam; que idéa +nos desperta a <em>estola do infinito</em>? quando encontrou o sr. Anthero do +Quental, em Victor Hugo, uma imagem tão ôca de sentido como esta! E, se alguma +vez a encontrou, foi de certo nos instantes em que a imperfectibilidade humana +venceu a inspiração divina, foi nos momentos em que dormia Homero, e é uma +covardia, sr. Anthero do Quental, aproveitar-se do somno do gigante, para lhe +ir estampar na fronte o indelevel estygma da sua imitação.</p> + +<p>Mas o gigante desperta; levanta-se o Hercules, e, ao sacudir o manto, deixa +cair os pygmeus, que lá se esconderam, na lama d'onde brotaram. <em>As aguias +não saem das capoeiras</em>, disse, com muita razão o sr. Anthero; mas tambem +não basta não sair de uma capoeira para ser aguia. As gallinhas tresmalhadas, +que se mettem nos ninhos dos alcantís, podem julgar-se similhantes ás aves de +Jupiter; mas quando se trata de voar, sobem as aguias para o ceu, desabam as +gallinhas... no quintal. Cacarejem embora vituperios; os genios, a quem +insultam, e aquelles a quem imitam (insulto ainda maior), pairam enlaçados no +firmamento, e os zoilos nem terão a triste gloria de ser amarrados por elles ao +pelourinho da sua immortalidade.</p> + +<div class="rodape"> +<p><a name="foot24" href="#tex2html1"><sup>[1]</sup></a> Referia-me ao sr. +Julio de Castilho, cuja carta já foi publicada.</p> +</div> + + +<p> </p> +<p> </p> +<p> </p> +<p> </p> + + +<h3>VENDE-SE</h3> + +<p>Em LISBOA—Livraria de A. M. Pereira, rua Augusta n.<sup>os</sup> 50, 52, e +nas mais do costume.</p> + +<p>PORTO—Livraria da Viuva Moré, e na do sr. Cruz Coutinho.</p> + +<p>COIMBRA—Livraria da Viuva Moré.</p> + +<p style="text-align: center;">PREÇO 100 RÉIS</p> + +<hr style="width: 30%;"> + +<p>Tambem se acham nas mesmas lojas:</p> + +<p><small><b>Resposta á carta que o senhor Anthero do Quental dirigiu ao senhor +Antonio Feliciano de Castilho</b>, por Manoel Roussado—100 réis.</small></p> + +<p><small><b>O senhor Antonio Feliciano de Castilho e o senhor Anthero do Quental</b>, +por Julio de Castilho—160 réis.</small></p> + +</div> + +<div>*** END OF THE PROJECT GUTENBERG EBOOK 30069 ***</div> +</body> +</html> diff --git a/LICENSE.txt b/LICENSE.txt new file mode 100644 index 0000000..6312041 --- /dev/null +++ b/LICENSE.txt @@ -0,0 +1,11 @@ +This eBook, including all associated images, markup, improvements, +metadata, and any other content or labor, has been confirmed to be +in the PUBLIC DOMAIN IN THE UNITED STATES. + +Procedures for determining public domain status are described in +the "Copyright How-To" at https://www.gutenberg.org. + +No investigation has been made concerning possible copyrights in +jurisdictions other than the United States. 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You may copy it, give it away or +re-use it under the terms of the Project Gutenberg License included +with this eBook or online at www.gutenberg.org + + +Title: Bom senso e bom gosto, folhetim a proposito da carta que o sr. Anthero do Quental dirigiu ao sr. A. F. de Castilho + +Author: Manuel Pinheiro Chagas + +Release Date: September 23, 2009 [EBook #30069] + +Language: Portuguese + +Character set encoding: ISO-8859-15 + +*** START OF THIS PROJECT GUTENBERG EBOOK BOM SENSO E BOM GOSTO--CHAGAS *** + + + + +Produced by Pedro Saborano + + + + + + BOM-SENSO E BOM-GOSTO + + FOLHETIM + + A PROPOSITO DA CARTA + + QUE O SENHOR + + ANTHERO DO QUENTAL + + DIRIGIU AO SENHOR + + ANTONIO FELICIANO DE CASTILHO + + POR M. PINHEIRO CHAGAS + + + + +LISBOA +IMPRENSA DE J. G. DE SOUSA NEVES +17--Rua do Caldeira--17 + +1865 + + + +BOM-SENSO E BOM-GOSTO + +FOLHETIM + +A PROPOSITO DA CARTA + +QUE O SENHOR + +ANTHERO DO QUENTAL + +DIRIGIU AO SENHOR + +ANTONIO FELICIANO DE CASTILHO + +POR M. PINHEIRO CHAGAS + + + + +LISBOA +IMPRENSA DE J. G. DE SOUSA NEVES +17--Rua do Caldeira--17 + +1865 + + + + + _A carta do sr. Anthero do Quental ao sr. Castilho--Motivo por que tomo + a palavra--O sr. Anthero apanhado em neglig--Vem a proposito o + baixo-profundo Marinozzi, o Banco Ultramarino, D. Ignez de Castro e + Cames--As novidades velhas--As porcelanas da Russia--Cita-se Nicolo + Tolentino--Entra-se na questo do ideal--Evocao perigosa--As escolas + da decadencia--No falta Victor Hugo--Para que servem as imagens--O + manto de Hercules--As aguias e as galinhas._ + + +Publicou-se ha tempo e tem-se espalhado em Lisboa uma carta dirigida +pelo sr. Anthero do Quental ao sr. Antonio Feliciano de Castilho, carta +em que o poeta das _Odes modernas_ protesta violenta e virulentamente +contra a censura, irrogada pelo cantor do _Amor e Melancholia_ +desastrada escola, de que o sr. Anthero do Quental teve a triste honra +de ser um dos fundadores. Fra lavrada essa censura no artigo de critica +litteraria com que o sr. Castilho acompanhou o pobre poema, que ahi +publiquei, e que ficou d'essa frma illustre. Marengo e Austertilz, diz +Victor Hugo no prologo das _Orientaes_, eram duas ignoradas aldeias; +immortalisou-as um dos lampejos victoriosos da espada de Napoleo. + +No intento responder carta; ainda que a pessoa, a quem ella +dirigida, esteja dispensada de responder pela inconveniencia do ataque, +no me compete a mim substituil-a. Penna mais competente e mais +authorisada por todos os motivos se est preparando para isso;[1] +mas eu, que fui um dos primeiros a accusar de falso, de +affectado, de absurdo, de gongorico o estylo da escola de Coimbra, hoje, +que uma das pythonizas desce da tripode, e vem, em linguagem accessivel +aos mortaes, explicar os oraculos, e lanar a luva aos que zombaram dos +livros sybillinos, no desamparo o meu posto, e apresso-me a descer +lia, onde encontro afinal um adversario. No via at agora seno +sombras impalpaveis, que fluctuavam nas brumas das abstraces, e se +revestiam de um certo _ideal_, alugado a tanto por ode nos algibebes da +Allemanha. + +Linguagem accessivel aos mortaes, disse eu j, e repito agora. Uma +das maiores provas do absurdo d'aquelle estylo, dizia-me um dia d'estes +Bulho Pato illuminando a questo com um dos admiraveis lampejos do seu +espirito de poeta, que at para o defenderem precisam de o +abandonarem. Mais ainda, digo eu; a prova de que esse estylo +affectado que o sr. Anthero do Quental, quando o seu espirito, +excitado pela critica justa ou injusta, que lhe foi feita, se levantou +de um impeto para defender-se, quando a palavra lhe brotou +espontaneamente dos labios, no procurou phraseado nebuloso, no adoptou +frmas arrevezadas, deixou-a irromper envenenada mas vehemente, resvalar +pelo declive natural, reflectir na torrente espumosa o esplendor do sol +claro e limpido, o desanuviado azul do nosso firmamento. Apanhmol-o em +flagrante delicto de naturalidade. Surprehendemol-o antes de ir para o +toucador, sem peruca, sem carmim, sem p de arroz. verdade que o vimos +tambem em mangas de camisa, e de mangas arregaadas. Mas antes isso, sr. +Anthero do Quental, antes isso do que vestir aquella casaca allem, to +safadinha j, e que nos quer dar por nova. _Innovar_, _inventar_, sr. +Anthero do Quental! no tempo de Henrique Heine j essa casaca estava no +fio, e ainda encontrou em Coimbra quem a arremendasse! Ah! Coimbra, +_terra de encanto, do Mondego amena flor_ o que te falta so alfaiates, +que no tenham s obra feita, vinda pelo paquete de Bordeos. + +A carta, abstrahindo da verrina indigna do sr. Anthero do Quental, +revela um verdadeiro talento, infelizmente para o seu author. A unica +desculpa, que tem quem pe cabelleira, ser calvo. Agora pde o +sr. Anthero do Quental voltar quando quizer ao seu tom de oraculo, pde +trepar de novo aos pincaros inaccessiveis do seu estylo, vestir-se, +compor-se, arrebicar-se, pr a mascara de lata com que suppe engrossar +a voz, como os actores gregos a robusteciam com a mascara de bronze, +esbravejar na tripode, imitar a aguia de Guernesey como o corvo da +fabula, que tambem intentou seguir o exemplo da rainha dos ares e que se +emmaranhou na l de um carneiro, exactamente como o sr. Anthero do +Quental se emmaranha nas suas lanzudas theorias; improvisar uma Pathmos +da _Ponte no O_, ser o vidente do botequim do Throno, escrever um +Apocalipse que se venda por 400 rs. nas lojas do costume, perceber o sr. +Theophilo Braga e consentir que elle o perceba, chamar ode ao que nem +charada porque no tem conceito; mas no estranhe, quando estiver todo +ufano com o grande uniforme de sybilla, que lhe puxem pelo rabicho e que +lhe digam: Larga a cabelleira. + +No vou responder carta, repito, vou apenas levantar as phrases, +que foram dirigidas a todos quantos escrevemos n'esta profana Lisboa, +para nosso ensino e aproveitamento. Oiamos com o devido respeito. + +Trata-se primeiro de saber qual o motivo da crua guerra intentada por +ns contra a escola de Coimbra, guerra, em que ousmos, sem sermos +Tites, escalar o Olympo, o que nos ha de render o ficarmos ahi +soterrados debaixo de um Etna de palavriado. O motivo nada tem de +litterario, simplesmente o despeito que nos causa a independencia de +caracter dos escriptores da universidade, que no vem enfileirar-se nas +nossas phalanges, nem jurar fidelidade aos nossos generaes, e a +indignao que a estes inspira o verem aquelles refractarios vagueando +independentes nos plainos do Mondego. + +Esteve aqui em Lisboa um baixo-profundo Marinozzi, que, tendo sido +applaudido no Porto, foi pateado em S. Carlos. Nunca o digno homem se +pde convencer de que essa pateada fosse dada sem segunda inteno, e +que a originasse simplesmente ou o seu mau methodo ou a sua m voz. Fui +pagar em Lisboa, dizia elle voltando lacrymoso para a cidade invicta, a +questo da dissidencia do banco ultramarino, a iniciativa tomada pelo +Porto na ida da exposio, e outras coisas que excitam os ciumes da +capital. O sr. Anthero tambem opina pelo banco ultramarino e pela +iniciativa da exposio. No o perturbemos n'essa illuso suave. Menos +barbaro que Affonso IV com D. Ignez de Castro, deixemol-o passeiar +_pelos saudosos campos do Mondego_. + + N'aquelle engano d'alma ledo e cego! + +Mas, meu caro sr. Marinozzi, seja menos injusto. Suspeita que essas +ovelhas tresmalhadas produzam tamanha desordem no aprisco lisbonense? +Julga que os pastores se ralam com a falta de rezes, que foram atacadas +pela epizootia, que grassa para esses sitios? Essa razo, que o sr. +Anthero allega, no direi que seja uma razo de cabo d'esquadra, mas, +como tanto se affeioou aos allemes, no se offender que eu lhe diga +que ... _une raison d'allemand_. + +Qual o outro merecimento, por causa de qual so lapidados estes +prophetas? porque elles no imitam, mas _innovam_ e _inventam_. + +Innovam o que? Inventam o que? A philosophia de Hegel? os systemas +historicos de Vico? a symbolica pag de Creuzer? o esclarecimento da +historia pelo estudo da jurisprudencia de Savigny? a critica de +Schlegel, do Raynouard, de Villemain, de Michelet, de Quinet, de Taine? +Mas tudo isso j l fra desceu das mysteriosas alturas do saber de +poucos para a erudio comesinha dos Diccionarios de Conversao. +Applicaram pelo menos ao estudo das coisas patrias os novos pharoes +accendidos pelos sabios estrangeiros, pharoes que projectam a sua +immensa luz nos mares tenebrosos do passado? No, nem isso, a menos que +os artigos do sr. Theophilo Braga, que no do um passo para alm dos +prologos de Garrett, no sejam considerados como equivalentes aos +trabalhos dos eruditos francezes e allemes! E porque no ha de ser assim? + + Eia ardor, corao, vaidade ao menos! + +vante! Innovem, sem pagarem direitos d'alfandega. Os manufactores +russos fabricam jarras de porcelana, pondo nas de Svres um fundo, que +occulta a marca franceza... Cautella, no lhes tirem o fundo, senhores +innovadores e inventores! Escrevam livros, artigos + + Cujos credores _na Allemanha_ fervem + +e fulminem com o seu despreso os que vo pelo trilho da vulgaridade. +Venham as innovaes requentadas, as invenes em segunda mo, a +originalidade da feira da ladra, o ideal de contrabando! Assim fez a +gralha, em quanto a no depennaram. + +Mas o que tem inventado ento? A frma talvez, o estylo, o phraseado; +essa farraparia creio que ninguem lh'a reclama. Essas lentejoulas que +tomam por estrellas, essa missanga que impingem por diamantes, essa +baeta vermelha com que arremedam purpura, tudo isso seu, +pertence-lhes... Que digo? Nem isso mesmo! nem na parodia foram +originaes; j o latego de Nicolau Tolentino flagellava as costas aos +patriarchas d'essa escola, no fim do seculo passado. + + Aos novos ursos todo o povo acode + O estylo sybillino, o nome ode! + +Um grito de consciencia obrigou o sr. Anthero do Quental a confessar o +parentesco, dando ao seu livro o titulo de _Odes modernas_. O estylo +sybillino ainda, e parece que o nosso grande satyrico tinha as poesias +do sr. Anthero do Quental diante dos olhos, quando escrevia: + + As taes poesias (que a entender no chego) + Podres palavras teem desenterrado; + Se levam n, to occulto e cego, + Que quem quer desatal-o vae logrado. + Dizem que imitam n'isto um certo Grego, + Gloria de Thebas, Pindaro chamado, + Se isto assim, a sua lingua d'oiro + Seria grega, mas fallava moiro. + +Mas no esta ainda a pedra de escandalo; no essa a grande virtude, +que nos obrigou a crucificarmos o sr. Anthero do Quental entre o sr. +Theophilo Braga, e o sr. Vieira de Castro. Que este ultimo j +provavelmente repellido como traidor, por que o sr. Vieira de Castro +actualmente falla, com eloquencia ou sem eloquencia, no essa a +questo, mas pelo menos na linguagem terrestre. Esse renegou; mas ao sr. +Theophilo Braga que naturalmente o Christo coimbro abre o seio +carinhoso, a esse que elle diz: _Hodie mecum eris in paradiso_. + +A maxima virtude d'essa escola, a que excita as nossas iras, a sua +adorao pelo ideal, o sacerdocio augusto que esses poetas exercem. Isso +sim, isso que ns no percebemos, por isso que os apedrejamos. + +O ideal! mas o ideal deriva de ida, e a ida o que eu em vo procuro +por baixo da tumida crosta das suas poesias. Vejo o sr. Anthero do +Quental ora abolir Deus, ora proclamar a obediencia dos astros lei do +infinito. Mas o que o infinito? a materia? Materia e infinito so +duas palavras que andam aos pontaps uma outra, como as rimas do sr. +Anthero. Mas, admittindo a conciliao do inconciliavel, se +materialista, o que faz o distincto poeta ao ideal, que adora? por fim +de contas um ideal de conveno, bom para produzir effeito, mas em que o +poeta no cr? Esse novo idolo teve a sorte de todos os idolos, e so os +seus sacerdotes os primeiros que zombam d'elle, zombando do crdulo +publico? + +Ah! no profane esse nome sagrado, no beba nos vasos santos o vinho dos +seus desvairamentos! E sobretudo no profira os grandes nomes de Dante e +de Shakespeare, pallido Saul tremente perante as sombras que evoca! E se +persistir n'isso, se quizer por fora que desam do altar dos seculos o +velho florentino e o tragico britanno, acautele-se porque o bando pueril +de que chefe e que entrou sorrateiramente no templo do ideal por +descuido dos sachristes, pde ser escorraado e disperso, no pelo +chicote, que serviu a Jesus para expulsar os mercadores, mas pela +frula, que castiga as travessuras das creanas, que vo brincar com +coisas de que nada entendem. + +Dante era um barbaro, e Shakespeare tambem, diz o sr. Anthero do +Quental, reclamando a confraternidade da barbaria. Engana-se; o sr. +Anthero no um barbaro, um grego do Baixo Imperio. A sua escola a +turba de vermes, que brota da putrefaco de uma litteratura. para os +grandes homens do romantismo o que foi Claudiano para Virgilio, Marini +para Tasso, Campistron para Corneille. A appario da sua escola um +facto mil vezes repetido na historia litteraria, e a que +inevitavelmente se segue uma reaco salutar. Cumpram a sua misso; +mas, ao resvalarem no precipicio, no se aferrem a essas arvores +gigantes, que resumem em si uma litteratura inteira. Parasitas do ideal, +no se enrosquem nos robles; mosquitos do coche litterario, no queiram +ser como a sua collega da fabula, que zunia em torno dos corseis que +puxavam o vehiculo, e andava n'uma azafama constante, esfalfada e ufana, +persuadindo-se a si, e querendo persuadir os outros de que era ella e +ella s quem arrastava o carro. + +Tambem Victor Hugo foi chamado a proteger as locubraes do sr. Anthero +e as suas _estolas do infinito_. Se julgam encontrar nos livros de +Victor Hugo authorisao para o emprego d'essas imagens absurdas, +mostram mais uma vez que nem entendem os modlos que tomam. As imagens +do poeta exilado, por mais arrojadas que sejam, despertam sempre uma +ida no espirito dos leitores. A imagem (deixem-me fallar a sua lingua, +e citar at, se me no engano, o sr. Theophilo Braga), a expresso +visivel do Sentimento. A imagem d um corpo ida, e faz com que a +vejam os olhos da phantasia. Quando Victor Hugo, n'uma synthese audaz, +nos diz que a ave leva o infinito preso na ponta d'aza, vemos de relance +a cadeia immensa dos seres, cujos fusis extremos se ligam; que ida nos +desperta a _estola do infinito_? quando encontrou o sr. Anthero do +Quental, em Victor Hugo, uma imagem to ca de sentido como esta! E, se +alguma vez a encontrou, foi de certo nos instantes em que a +imperfectibilidade humana venceu a inspirao divina, foi nos momentos +em que dormia Homero, e uma covardia, sr. Anthero do Quental, +aproveitar-se do somno do gigante, para lhe ir estampar na fronte o +indelevel estygma da sua imitao. + +Mas o gigante desperta; levanta-se o Hercules, e, ao sacudir o manto, +deixa cair os pygmeus, que l se esconderam, na lama d'onde brotaram. +_As aguias no saem das capoeiras_, disse, com muita razo o sr. +Anthero; mas tambem no basta no sair de uma capoeira para ser aguia. +As gallinhas tresmalhadas, que se mettem nos ninhos dos alcants, podem +julgar-se similhantes s aves de Jupiter; mas quando se trata de voar, +sobem as aguias para o ceu, desabam as gallinhas... no quintal. +Cacarejem embora vituperios; os genios, a quem insultam, e aquelles a +quem imitam (insulto ainda maior), pairam enlaados no firmamento, e os +zoilos nem tero a triste gloria de ser amarrados por elles ao +pelourinho da sua immortalidade. + + [1] Referia-me ao sr. Julio de Castilho, cuja carta j foi publicada. + + + + +VENDE-SE + +Em LISBOA--Livraria de A. M. Pereira, rua Augusta n.^os 50, 52, e nas +mais do costume. + +PORTO--Livraria da Viuva Mor, e na do sr. Cruz Coutinho. + +COIMBRA--Livraria da Viuva Mor. + +PREO 100 RIS + + +Tambem se acham nas mesmas lojas: + +Resposta carta que o senhor Anthero do Quental dirigiu ao senhor +Antonio Feliciano de Castilho, por Manoel Roussado--100 ris. + +O senhor Antonio Feliciano de Castilho e o senhor Anthero do Quental, +por Julio de Castilho--160 ris. + + + + + +End of the Project Gutenberg EBook of Bom senso e bom gosto, folhetim a +proposito da carta que o sr. Anthero do Quental dirigiu ao sr. A. F. de Castilho, by Manuel Pinheiro Chagas + +*** END OF THIS PROJECT GUTENBERG EBOOK BOM SENSO E BOM GOSTO--CHAGAS *** + +***** This file should be named 30069-8.txt or 30069-8.zip ***** +This and all associated files of various formats will be found in: + https://www.gutenberg.org/3/0/0/6/30069/ + +Produced by Pedro Saborano + +Updated editions will replace the previous one--the old editions +will be renamed. + +Creating the works from public domain print editions means that no +one owns a United States copyright in these works, so the Foundation +(and you!) can copy and distribute it in the United States without +permission and without paying copyright royalties. Special rules, +set forth in the General Terms of Use part of this license, apply to +copying and distributing Project Gutenberg-tm electronic works to +protect the PROJECT GUTENBERG-tm concept and trademark. 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Thus, we do not necessarily +keep eBooks in compliance with any particular paper edition. + + +Most people start at our Web site which has the main PG search facility: + + https://www.gutenberg.org + +This Web site includes information about Project Gutenberg-tm, +including how to make donations to the Project Gutenberg Literary +Archive Foundation, how to help produce our new eBooks, and how to +subscribe to our email newsletter to hear about new eBooks. diff --git a/old/30069-8.zip b/old/30069-8.zip Binary files differnew file mode 100644 index 0000000..c0d30d0 --- /dev/null +++ b/old/30069-8.zip diff --git a/old/30069-h.zip b/old/30069-h.zip Binary files differnew file mode 100644 index 0000000..fbc1ec1 --- /dev/null +++ b/old/30069-h.zip diff --git a/old/30069-h/30069-h.htm b/old/30069-h/30069-h.htm new file mode 100644 index 0000000..95da946 --- /dev/null +++ b/old/30069-h/30069-h.htm @@ -0,0 +1,810 @@ +<!DOCTYPE HTML PUBLIC "-//W3C//DTD HTML 4.0 Transitional//EN"> +<html lang="pt"> +<head> + <title>Bom Senso e Bom Gosto, por Pinheiro Chagas</title> + <meta name="Author" content="Manuel Pinheiro Chagas"> + <meta name="Publisher" content="J. 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F. de Castilho, by Manuel Pinheiro Chagas + +This eBook is for the use of anyone anywhere at no cost and with +almost no restrictions whatsoever. You may copy it, give it away or +re-use it under the terms of the Project Gutenberg License included +with this eBook or online at www.gutenberg.org + + +Title: Bom senso e bom gosto, folhetim a proposito da carta que o sr. Anthero do Quental dirigiu ao sr. A. F. de Castilho + +Author: Manuel Pinheiro Chagas + +Release Date: September 23, 2009 [EBook #30069] + +Language: Portuguese + +Character set encoding: ISO-8859-15 + +*** START OF THIS PROJECT GUTENBERG EBOOK BOM SENSO E BOM GOSTO--CHAGAS *** + + + + +Produced by Pedro Saborano + + + + + +</pre> + + +<p> </p> +<div style="border: solid 2px #000; padding: 1em; text-align: center;"> +<p style="font-size: 1.8em;">BOM-SENSO E BOM-GOSTO</p> + +<hr style="width: 20%;"> + +<p style="font-size: 1.8em;">FOLHETIM</p> + +<p style="font-size: 1.4em;">A PROPOSITO DA CARTA</p> + +<p style="font-size: 0.8em;">QUE O SENHOR</p> + +<p style="font-size: 1.4em;">ANTHERO DO QUENTAL</p> + +<p style="font-size: 0.8em;">DIRIGIU AO SENHOR</p> + +<p style="font-size: 1.4em;">ANTONIO FELICIANO DE CASTILHO</p> + +<p>POR M. PINHEIRO CHAGAS</p> +<p> </p> +<p> </p> + +<hr style="width: 30%;"> +<p> </p> +<p> </p> + +<p>LISBOA<br> +<small>IMPRENSA DE J. G. DE SOUSA NEVES<br> +17—Rua do Caldeira—17</small></p> + +<p>1865</p> +</div> +<p> </p> +<p> </p> +<p> </p> +<p> </p> + +<div style="text-align: center;"> +<p style="font-size: 1.8em;">BOM-SENSO E BOM-GOSTO</p> + +<hr style="width: 20%;"> + +<p style="font-size: 1.8em;">FOLHETIM</p> + +<p style="font-size: 1.4em;">A PROPOSITO DA CARTA</p> + +<p style="font-size: 0.8em;">QUE O SENHOR</p> + +<p style="font-size: 1.4em;">ANTHERO DO QUENTAL</p> + +<p style="font-size: 0.8em;">DIRIGIU AO SENHOR</p> + +<p style="font-size: 1.4em;">ANTONIO FELICIANO DE CASTILHO</p> + +<p>POR M. PINHEIRO CHAGAS</p> +<p> </p> +<p> </p> + +<hr style="width: 30%;"> +<p> </p> +<p> </p> + +<p>LISBOA<br> +<small>IMPRENSA DE J. G. DE SOUSA NEVES<br> +17—Rua do Caldeira—17</small></p> + +<p>1865</p> +</div> +<p> </p> +<p> </p> +<p> </p> +<p> </p> + +<div id="corpo"> +<p><span class="pn">{3}</span></p> + +<p style="text-indent: -1em; margin-left: 1em;"><em>A carta do sr. Anthero do Quental ao sr. Castilho—Motivo por que tomo a +palavra—O sr. Anthero apanhado em neglig—Vem a proposito o baixo-profundo +Marinozzi, o Banco Ultramarino, D. Ignez de Castro e Cames—As novidades +velhas—As porcelanas da Russia—Cita-se Nicolo Tolentino—Entra-se na questo +do ideal—Evocao perigosa—As escolas da decadencia—No falta Victor +Hugo—Para que servem as imagens—O manto de Hercules—As aguias e as +galinhas.</em></p> + +<p> </p> + +<p>Publicou-se ha tempo e tem-se espalhado em Lisboa uma carta dirigida pelo +sr. Anthero do Quental ao sr. Antonio Feliciano de Castilho, carta em que o +poeta das <em>Odes modernas</em> protesta violenta e virulentamente contra a +censura, irrogada pelo cantor do <em>Amor e Melancholia</em> desastrada +escola, de que o sr. Anthero do Quental teve a triste honra de ser um dos +fundadores. Fra lavrada essa censura no artigo de critica litteraria com que o +sr. Castilho acompanhou o pobre poema, que ahi publiquei, e que ficou d'essa +frma illustre. Marengo e Austertilz, diz Victor Hugo no prologo das +<em>Orientaes</em>, eram duas ignoradas aldeias; immortalisou-as um dos +lampejos victoriosos da espada de Napoleo.</p> + +<p>No intento responder carta; ainda que a pessoa, a quem ella dirigida, +esteja dispensada de responder pela inconveniencia do ataque, no me compete a +mim substituil-a. Penna mais competente e mais authorisada por todos os motivos +se est preparando para isso;<a name="tex2html1" +href="#foot24"><sup>[1]</sup></a> mas eu, que fui um dos primeiros a accusar de +falso, de affectado, de absurdo, de gongorico o estylo da escola de Coimbra, +hoje, que uma das pythonizas desce da tripode, e vem, em linguagem accessivel +aos mortaes, explicar os oraculos, e lanar a luva aos que zombaram dos livros +sybillinos, no desamparo o meu posto, e apresso-me a descer lia, onde +encontro afinal um adversario. No via at agora seno sombras impalpaveis, que +fluctuavam nas brumas das abstraces, e se revestiam de um certo +<em>ideal</em>, alugado a tanto por ode nos algibebes da Allemanha.</p> + +<p>Linguagem accessivel aos mortaes, disse eu j, e repito agora.<span +class="pn">{4}</span> Uma das maiores provas do absurdo d'aquelle estylo, +dizia-me um dia d'estes Bulho Pato illuminando a questo com um dos admiraveis +lampejos do seu espirito de poeta, que at para o defenderem precisam de o +abandonarem. Mais ainda, digo eu; a prova de que esse estylo affectado que +o sr. Anthero do Quental, quando o seu espirito, excitado pela critica justa ou +injusta, que lhe foi feita, se levantou de um impeto para defender-se, quando a +palavra lhe brotou espontaneamente dos labios, no procurou phraseado nebuloso, +no adoptou frmas arrevezadas, deixou-a irromper envenenada mas vehemente, +resvalar pelo declive natural, reflectir na torrente espumosa o esplendor do +sol claro e limpido, o desanuviado azul do nosso firmamento. Apanhmol-o em +flagrante delicto de naturalidade. Surprehendemol-o antes de ir para o +toucador, sem peruca, sem carmim, sem p de arroz. verdade que o vimos tambem +em mangas de camisa, e de mangas arregaadas. Mas antes isso, sr. Anthero do +Quental, antes isso do que vestir aquella casaca allem, to safadinha j, e +que nos quer dar por nova. <em>Innovar</em>, <em>inventar</em>, sr. Anthero do +Quental! no tempo de Henrique Heine j essa casaca estava no fio, e ainda +encontrou em Coimbra quem a arremendasse! Ah! Coimbra, <em>terra de encanto, do +Mondego amena flor</em> o que te falta so alfaiates, que no tenham s obra +feita, vinda pelo paquete de Bordeos.</p> + +<p>A carta, abstrahindo da verrina indigna do sr. Anthero do Quental, revela um +verdadeiro talento, infelizmente para o seu author. A unica desculpa, que tem +quem pe cabelleira, ser calvo. Agora pde o sr. Anthero do Quental +voltar quando quizer ao seu tom de oraculo, pde trepar de novo aos pincaros +inaccessiveis do seu estylo, vestir-se, compor-se, arrebicar-se, pr a mascara +de lata com que suppe engrossar a voz, como os actores gregos a robusteciam +com a mascara de bronze, esbravejar na tripode, imitar a aguia de Guernesey +como o corvo da fabula, que tambem intentou seguir o exemplo da rainha dos ares +e que se emmaranhou na l de um carneiro, exactamente como o sr. Anthero do +Quental se emmaranha nas suas lanzudas theorias; improvisar uma Pathmos da +<em>Ponte no O</em>, ser o vidente do botequim do Throno, escrever um +Apocalipse que se venda por 400 rs. nas lojas do costume, perceber o sr. +Theophilo Braga e consentir que elle o perceba, chamar ode ao que nem charada +porque no tem conceito; mas no estranhe, quando estiver todo ufano com o +grande uniforme de sybilla, que lhe puxem pelo rabicho e que lhe digam: Larga +a cabelleira.</p> + +<p>No vou responder carta, repito, vou apenas levantar<span +class="pn">{5}</span> as phrases, que foram dirigidas a todos quantos +escrevemos n'esta profana Lisboa, para nosso ensino e aproveitamento. Oiamos +com o devido respeito.</p> + +<p>Trata-se primeiro de saber qual o motivo da crua guerra intentada por ns +contra a escola de Coimbra, guerra, em que ousmos, sem sermos Tites, escalar +o Olympo, o que nos ha de render o ficarmos ahi soterrados debaixo de um Etna +de palavriado. O motivo nada tem de litterario, simplesmente o despeito que +nos causa a independencia de caracter dos escriptores da universidade, que no +vem enfileirar-se nas nossas phalanges, nem jurar fidelidade aos nossos +generaes, e a indignao que a estes inspira o verem aquelles refractarios +vagueando independentes nos plainos do Mondego.</p> + +<p>Esteve aqui em Lisboa um baixo-profundo Marinozzi, que, tendo sido +applaudido no Porto, foi pateado em S. Carlos. Nunca o digno homem se pde +convencer de que essa pateada fosse dada sem segunda inteno, e que a +originasse simplesmente ou o seu mau methodo ou a sua m voz. Fui pagar em +Lisboa, dizia elle voltando lacrymoso para a cidade invicta, a questo da +dissidencia do banco ultramarino, a iniciativa tomada pelo Porto na ida da +exposio, e outras coisas que excitam os ciumes da capital. O sr. Anthero +tambem opina pelo banco ultramarino e pela iniciativa da exposio. No o +perturbemos n'essa illuso suave. Menos barbaro que Affonso <small>IV</small> +com D. Ignez de Castro, deixemol-o passeiar <em>pelos saudosos campos do +Mondego</em>.</p> + + +<blockquote> + N'aquelle engano d'alma ledo e cego!</blockquote> + +<p>Mas, meu caro sr. Marinozzi, seja menos injusto. Suspeita que essas ovelhas +tresmalhadas produzam tamanha desordem no aprisco lisbonense? Julga que os +pastores se ralam com a falta de rezes, que foram atacadas pela epizootia, que +grassa para esses sitios? Essa razo, que o sr. Anthero allega, no direi que +seja uma razo de cabo d'esquadra, mas, como tanto se affeioou aos allemes, +no se offender que eu lhe diga que ... <em>une raison d'allemand</em>.</p> + +<p>Qual o outro merecimento, por causa de qual so lapidados estes prophetas? + porque elles no imitam, mas <em>innovam</em> e <em>inventam</em>.</p> + +<p>Innovam o que? Inventam o que? A philosophia de Hegel? os systemas +historicos de Vico? a symbolica pag de Creuzer? o esclarecimento da historia +pelo estudo da jurisprudencia de Savigny? a critica de Schlegel, do Raynouard, +de Villemain, de Michelet, de Quinet, de Taine? Mas tudo isso j l fra desceu +das mysteriosas alturas do saber de poucos para a erudio<span +class="pn">{6}</span> comesinha dos Diccionarios de Conversao. Applicaram +pelo menos ao estudo das coisas patrias os novos pharoes accendidos pelos +sabios estrangeiros, pharoes que projectam a sua immensa luz nos mares +tenebrosos do passado? No, nem isso, a menos que os artigos do sr. Theophilo +Braga, que no do um passo para alm dos prologos de Garrett, no sejam +considerados como equivalentes aos trabalhos dos eruditos francezes e allemes! +E porque no ha de ser assim?</p> + + +<blockquote> + Eia ardor, corao, vaidade ao menos!</blockquote> + +<p>vante! Innovem, sem pagarem direitos d'alfandega. Os manufactores russos +fabricam jarras de porcelana, pondo nas de Svres um fundo, que occulta a marca +franceza... Cautella, no lhes tirem o fundo, senhores innovadores e +inventores! Escrevam livros, artigos</p> + + +<blockquote> + Cujos credores <em>na Allemanha</em> fervem</blockquote> + +<p style="text-indent: 0em;">e fulminem com o seu despreso os que vo pelo trilho da vulgaridade. Venham as +innovaes requentadas, as invenes em segunda mo, a originalidade da feira +da ladra, o ideal de contrabando! Assim fez a gralha, em quanto a no +depennaram.</p> + +<p>Mas o que tem inventado ento? A frma talvez, o estylo, o phraseado; essa +farraparia creio que ninguem lh'a reclama. Essas lentejoulas que tomam por +estrellas, essa missanga que impingem por diamantes, essa baeta vermelha com +que arremedam purpura, tudo isso seu, pertence-lhes... Que digo? Nem isso +mesmo! nem na parodia foram originaes; j o latego de Nicolau Tolentino +flagellava as costas aos patriarchas d'essa escola, no fim do seculo passado. +</p> + +<blockquote> + Aos novos ursos todo o povo acode<br> + O estylo sybillino, o nome ode!</blockquote> + +<p>Um grito de consciencia obrigou o sr. Anthero do Quental a confessar o +parentesco, dando ao seu livro o titulo de <em>Odes modernas</em>. O estylo +sybillino ainda, e parece que o nosso grande satyrico tinha as poesias do sr. +Anthero do Quental diante dos olhos, quando escrevia:</p> + +<blockquote> + As taes poesias (que a entender no chego)<br> + Podres palavras teem desenterrado;<br> + Se levam n, to occulto e cego,<br> + Que quem quer desatal-o vae logrado.<br> + Dizem que imitam n'isto um certo Grego,<br> + Gloria de Thebas, Pindaro chamado,<br> + Se isto assim, a sua lingua d'oiro<br> + Seria grega, mas fallava moiro.<span class="pn">{7}</span></blockquote> + +<p>Mas no esta ainda a pedra de escandalo; no essa a grande virtude, que +nos obrigou a crucificarmos o sr. Anthero do Quental entre o sr. Theophilo +Braga, e o sr. Vieira de Castro. Que este ultimo j provavelmente repellido +como traidor, por que o sr. Vieira de Castro actualmente falla, com eloquencia +ou sem eloquencia, no essa a questo, mas pelo menos na linguagem terrestre. +Esse renegou; mas ao sr. Theophilo Braga que naturalmente o Christo coimbro +abre o seio carinhoso, a esse que elle diz: <em>Hodie mecum eris in +paradiso</em>.</p> + +<p>A maxima virtude d'essa escola, a que excita as nossas iras, a sua +adorao pelo ideal, o sacerdocio augusto que esses poetas exercem. Isso sim, +isso que ns no percebemos, por isso que os apedrejamos.</p> + +<p>O ideal! mas o ideal deriva de ida, e a ida o que eu em vo procuro por +baixo da tumida crosta das suas poesias. Vejo o sr. Anthero do Quental ora +abolir Deus, ora proclamar a obediencia dos astros lei do infinito. Mas o que + o infinito? a materia? Materia e infinito so duas palavras que andam aos +pontaps uma outra, como as rimas do sr. Anthero. Mas, admittindo a +conciliao do inconciliavel, se materialista, o que faz o distincto poeta ao +ideal, que adora? por fim de contas um ideal de conveno, bom para produzir +effeito, mas em que o poeta no cr? Esse novo idolo teve a sorte de todos os +idolos, e so os seus sacerdotes os primeiros que zombam d'elle, zombando do +crdulo publico?</p> + +<p>Ah! no profane esse nome sagrado, no beba nos vasos santos o vinho dos +seus desvairamentos! E sobretudo no profira os grandes nomes de Dante e de +Shakespeare, pallido Saul tremente perante as sombras que evoca! E se persistir +n'isso, se quizer por fora que desam do altar dos seculos o velho florentino +e o tragico britanno, acautele-se porque o bando pueril de que chefe e que +entrou sorrateiramente no templo do ideal por descuido dos sachristes, pde +ser escorraado e disperso, no pelo chicote, que serviu a Jesus para expulsar +os mercadores, mas pela frula, que castiga as travessuras das creanas, que +vo brincar com coisas de que nada entendem.</p> + +<p>Dante era um barbaro, e Shakespeare tambem, diz o sr. Anthero do Quental, +reclamando a confraternidade da barbaria. Engana-se; o sr. Anthero no um +barbaro, um grego do Baixo Imperio. A sua escola a turba de vermes, que +brota da putrefaco de uma litteratura. para os grandes homens do romantismo +o que foi Claudiano para Virgilio, Marini para Tasso, Campistron para +Corneille. A appario da sua escola um facto mil vezes repetido na historia +litteraria, e a que inevitavelmente<span class="pn">{8}</span> se segue uma +reaco salutar. Cumpram a sua misso; mas, ao resvalarem no precipicio, no se +aferrem a essas arvores gigantes, que resumem em si uma litteratura inteira. +Parasitas do ideal, no se enrosquem nos robles; mosquitos do coche litterario, +no queiram ser como a sua collega da fabula, que zunia em torno dos corseis +que puxavam o vehiculo, e andava n'uma azafama constante, esfalfada e ufana, +persuadindo-se a si, e querendo persuadir os outros de que era ella e ella s +quem arrastava o carro.</p> + +<p>Tambem Victor Hugo foi chamado a proteger as locubraes do sr. Anthero e as +suas <em>estolas do infinito</em>. Se julgam encontrar nos livros de Victor +Hugo authorisao para o emprego d'essas imagens absurdas, mostram mais uma vez +que nem entendem os modlos que tomam. As imagens do poeta exilado, por mais +arrojadas que sejam, despertam sempre uma ida no espirito dos leitores. A +imagem (deixem-me fallar a sua lingua, e citar at, se me no engano, o sr. +Theophilo Braga), a expresso visivel do Sentimento. A imagem d um corpo +ida, e faz com que a vejam os olhos da phantasia. Quando Victor Hugo, n'uma +synthese audaz, nos diz que a ave leva o infinito preso na ponta d'aza, vemos +de relance a cadeia immensa dos seres, cujos fusis extremos se ligam; que ida +nos desperta a <em>estola do infinito</em>? quando encontrou o sr. Anthero do +Quental, em Victor Hugo, uma imagem to ca de sentido como esta! E, se alguma +vez a encontrou, foi de certo nos instantes em que a imperfectibilidade humana +venceu a inspirao divina, foi nos momentos em que dormia Homero, e uma +covardia, sr. Anthero do Quental, aproveitar-se do somno do gigante, para lhe +ir estampar na fronte o indelevel estygma da sua imitao.</p> + +<p>Mas o gigante desperta; levanta-se o Hercules, e, ao sacudir o manto, deixa +cair os pygmeus, que l se esconderam, na lama d'onde brotaram. <em>As aguias +no saem das capoeiras</em>, disse, com muita razo o sr. Anthero; mas tambem +no basta no sair de uma capoeira para ser aguia. As gallinhas tresmalhadas, +que se mettem nos ninhos dos alcants, podem julgar-se similhantes s aves de +Jupiter; mas quando se trata de voar, sobem as aguias para o ceu, desabam as +gallinhas... no quintal. Cacarejem embora vituperios; os genios, a quem +insultam, e aquelles a quem imitam (insulto ainda maior), pairam enlaados no +firmamento, e os zoilos nem tero a triste gloria de ser amarrados por elles ao +pelourinho da sua immortalidade.</p> + +<div class="rodape"> +<p><a name="foot24" href="#tex2html1"><sup>[1]</sup></a> Referia-me ao sr. +Julio de Castilho, cuja carta j foi publicada.</p> +</div> + + +<p> </p> +<p> </p> +<p> </p> +<p> </p> + + +<h3>VENDE-SE</h3> + +<p>Em LISBOA—Livraria de A. M. Pereira, rua Augusta n.<sup>os</sup> 50, 52, e +nas mais do costume.</p> + +<p>PORTO—Livraria da Viuva Mor, e na do sr. Cruz Coutinho.</p> + +<p>COIMBRA—Livraria da Viuva Mor.</p> + +<p style="text-align: center;">PREO 100 RIS</p> + +<hr style="width: 30%;"> + +<p>Tambem se acham nas mesmas lojas:</p> + +<p><small><b>Resposta carta que o senhor Anthero do Quental dirigiu ao senhor +Antonio Feliciano de Castilho</b>, por Manoel Roussado—100 ris.</small></p> + +<p><small><b>O senhor Antonio Feliciano de Castilho e o senhor Anthero do Quental</b>, +por Julio de Castilho—160 ris.</small></p> + +</div> + + + + + + + + +<pre> + + + + + +End of the Project Gutenberg EBook of Bom senso e bom gosto, folhetim a +proposito da carta que o sr. Anthero do Quental dirigiu ao sr. A. F. de Castilho, by Manuel Pinheiro Chagas + +*** END OF THIS PROJECT GUTENBERG EBOOK BOM SENSO E BOM GOSTO--CHAGAS *** + +***** This file should be named 30069-h.htm or 30069-h.zip ***** +This and all associated files of various formats will be found in: + https://www.gutenberg.org/3/0/0/6/30069/ + +Produced by Pedro Saborano + +Updated editions will replace the previous one--the old editions +will be renamed. + +Creating the works from public domain print editions means that no +one owns a United States copyright in these works, so the Foundation +(and you!) can copy and distribute it in the United States without +permission and without paying copyright royalties. Special rules, +set forth in the General Terms of Use part of this license, apply to +copying and distributing Project Gutenberg-tm electronic works to +protect the PROJECT GUTENBERG-tm concept and trademark. 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Information about the Project Gutenberg Literary Archive +Foundation + +The Project Gutenberg Literary Archive Foundation is a non profit +501(c)(3) educational corporation organized under the laws of the +state of Mississippi and granted tax exempt status by the Internal +Revenue Service. The Foundation's EIN or federal tax identification +number is 64-6221541. Its 501(c)(3) letter is posted at +https://pglaf.org/fundraising. Contributions to the Project Gutenberg +Literary Archive Foundation are tax deductible to the full extent +permitted by U.S. federal laws and your state's laws. + +The Foundation's principal office is located at 4557 Melan Dr. S. +Fairbanks, AK, 99712., but its volunteers and employees are scattered +throughout numerous locations. Its business office is located at +809 North 1500 West, Salt Lake City, UT 84116, (801) 596-1887, email +business@pglaf.org. Email contact links and up to date contact +information can be found at the Foundation's web site and official +page at https://pglaf.org + +For additional contact information: + Dr. Gregory B. Newby + Chief Executive and Director + gbnewby@pglaf.org + + +Section 4. Information about Donations to the Project Gutenberg +Literary Archive Foundation + +Project Gutenberg-tm depends upon and cannot survive without wide +spread public support and donations to carry out its mission of +increasing the number of public domain and licensed works that can be +freely distributed in machine readable form accessible by the widest +array of equipment including outdated equipment. Many small donations +($1 to $5,000) are particularly important to maintaining tax exempt +status with the IRS. + +The Foundation is committed to complying with the laws regulating +charities and charitable donations in all 50 states of the United +States. 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