summaryrefslogtreecommitdiff
path: root/28348-8.txt
diff options
context:
space:
mode:
authorRoger Frank <rfrank@pglaf.org>2025-10-15 02:38:12 -0700
committerRoger Frank <rfrank@pglaf.org>2025-10-15 02:38:12 -0700
commit341191d480a88e0575ce7f0ee758a28667bedc01 (patch)
treec80ec6c23cfbf4e805e51caf444ee1590f3d66ae /28348-8.txt
initial commit of ebook 28348HEADmain
Diffstat (limited to '28348-8.txt')
-rw-r--r--28348-8.txt1423
1 files changed, 1423 insertions, 0 deletions
diff --git a/28348-8.txt b/28348-8.txt
new file mode 100644
index 0000000..9e32bbf
--- /dev/null
+++ b/28348-8.txt
@@ -0,0 +1,1423 @@
+The Project Gutenberg EBook of Inscripções portuguezas, by Luciano Cordeiro
+
+This eBook is for the use of anyone anywhere at no cost and with
+almost no restrictions whatsoever. You may copy it, give it away or
+re-use it under the terms of the Project Gutenberg License included
+with this eBook or online at www.gutenberg.org
+
+
+Title: Inscripções portuguezas
+
+Author: Luciano Cordeiro
+
+Release Date: March 17, 2009 [EBook #28348]
+
+Language: Portuguese
+
+Character set encoding: ISO-8859-1
+
+*** START OF THIS PROJECT GUTENBERG EBOOK INSCRIPÇÕES PORTUGUEZAS ***
+
+
+
+
+Produced by Rita Farinha and the Online Distributed
+Proofreading Team at https://www.pgdp.net (This file was
+produced from images generously made available by National
+Library of Portugal (Biblioteca Nacional de Portugal).)
+
+
+
+
+
+
+
+
+
+VESPERAS DO CENTENARIO
+
+DA
+
+INDIA
+
+
+
+Inscripções Portuguezas
+
+POR
+
+LUCIANO CORDEIRO
+
+
+
+_Fiel guarda da memoria é a escripta, porque renova as cousas antigas,
+confirma as novas, conserva as confirmadas e representa as conservadas
+para que as noticias d'ellas se não entreguem ao esquecimento dos
+vindouros._
+
+(N'um diploma de doação de Affonso Henriques ao Mestre Galdino
+Paes.--Trad.)
+
+
+
+LISBOA
+
+IMPRENSA NACIONAL
+
+1895
+
+
+
+
+INSCRIPÇÕES PORTUGUEZAS
+
+
+
+
+VESPERAS DO CENTENARIO
+
+DA
+
+INDIA
+
+
+
+Inscripções Portuguezas
+
+POR
+
+LUCIANO CORDEIRO
+
+
+
+_Fiel guarda da memoria é a escripta, porque renova as cousas antigas,
+confirma as novas, conserva as confirmadas e representa as conservadas
+para que as noticias d'ellas se não entreguem ao esquecimento dos
+vindouros._
+
+(N'um diploma de doação de Affonso Henriques ao Mestre Galdino
+Paes.--Trad.)
+
+
+
+LISBOA
+
+IMPRENSA NACIONAL
+
+1895
+
+
+
+
+A
+
+Gomes de Brito
+
+
+
+
+INSCRIPÇÕES PORTUGUEZAS
+
+1.^a SERIE
+
+(EXTRAHIDA DA _ARTE PORTUGUEZA_)
+
+
+
+
+É claro que os seguintes apontamentos, desordenadamente colhidos e
+reunidos, não têem a menor pretenção a iniciar um _Corpo de inscripções
+portuguezas_, que, aliás, era tempo de começar-se.
+
+Estas notas dispersas, que a piedade domestica, a prosapia genealogica,
+a vaidade individual, o culto civico escreveu na pedra ou no bronze dos
+monumentos ou das campas, têem, sob varios aspectos, um irrecusavel
+interesse critico, alem de que são, frequentemente, verdadeiras e
+importantes revelações históricas.
+
+Parecerá até impertinencia querer demonstrar, ainda, a utilidade da sua
+colheita e registo.
+
+Ora, todos os dias ruem os monumentos e vão-se apagando e desapparecendo
+as legendas tumulares, por esse paiz fóra.
+
+É, comtudo, tão facil, tão agradavel passatempo, até, conserval-as!
+
+Nas minhas excursões provincianas, tenho consagrado ao _calco_,--ao
+modesto e singelissimo calco a papel, agua e escova,--a dedicação de uma
+propaganda importuna e teimosa, e é ainda a idéa de reforçar essa
+propaganda pela lição directa da sua razão e utilidade, que me
+determinou a ir publicando os primeiros resultados,--embora pequenos,
+valiosos.
+
+Pareceu-me, porém, não dever limitar-me a reunir, apenas, as inscripções
+agora directamente colhidas, e, menos ainda, sómente as que podessem
+considerar-se ineditas.
+
+Alem de que algumas, publicadas de ha muito, precisam e poderam ser
+corrigidas por um novo exame, o successivo agrupamento das que andam
+dispersas por varias obras é evidentemente um bom serviço, em que oxalá
+me permittissem o tempo e os recursos poder cooperar melhor do que
+procurarei fazel-o.
+
+
+
+
+I
+
+
+[Figura: Thomar, convento de Christo, na Sacristia Velha: pequena
+lapide, caracteres gothicos minusculos.]
+
+
+
+
+Leitura:
+
+
+ --_Esta capella mandou fazer Vasco Gonçalves d(e) Almeida,
+ cavalleiro, e sua mulher Mecia Lourenço, amos do Infante Dom
+ Henrique, e foi feita (na) era do Salvador de 1426._--
+
+
+Damião de Goes (Liv. das Linh. MS.) abre o--_Titulo dos Almeidas_--com o
+seguinte:
+
+
+--«Fernão d'Alvares d'Almeida foi um honrado cavalleiro em tempo delRei
+Dom João o 1.^o. Foi Vedor de sua Casa, sendo elle Mestre d'Aviz, e,
+depois, em sendo Rei, foi Craveiro da dita Ordem e _Ayo dos filhos do
+dito Rei_.
+
+«Houve filhos bastardos: Diogo Fernandes d'Almeida, Alvaro Fernandes
+d'Almeida e Nuno Fernandes, de quem não ha geração. E houve filhas».
+
+
+N'esta bastardia, é que continuou e prosperou fidalgamente o nome, logo
+pelo primeiro rebento,--o Diogo,--que foi vedor da fazenda de D. João I
+e. de D. Duarte, e que, segundo Goes--«casou com sete mulheres»--das
+quaes o illustre chronista se limita a citar duas, apenas, se é que não
+houve erro de copia na primeira conta:
+
+
+«...a primeira, filha de Dona Tareja, filha de João Fernandes Andeiro,
+Conde de Ourem e foi irmã, da parte da Mãe, do Arcebispo de Braga Dom
+Francisco da Guerra; e della houve a Lopo d'Almeida; e a outra segunda
+mulher foi filha do Prior do Crato Dom Nuno _Gonçalves_, e houve della a
+Alvaro d'Almeida e Antão d'Almeida e Dona Branca d'Almeida, primeira
+mulher de Ruy Gomes da Silva, _o da Chamusca_, e Dona Isabel d'Almeida,
+mulher d'Alvaro de Brito, e assim houve outras filhas.»
+
+
+Não terá havido anterior ligação com a familia do Prior, e não derivaria
+d'ella o Vasco _Gonçalves_, da inscripção?
+
+O que parece certo é ter elle escapado, até agora, á luz indiscreta da
+Genealogia, na desolada solidão da Sacristia Velha de Thomar, com a sua
+companheira, a Mecia Lourenço, que trouxe, naturalmente, aos burguezes
+seios o--«Alto Infante»--das descobertas.
+
+_Amos do Infante_ são evidentemente os que o crearam; e esta designação
+abrangendo a Mecia, deve indicar a mulher que o amamentou. Bemditos
+peitos!
+
+Devo o calco d'esta inscripção ao meu amigo sr. M. H. Pinto, o distincto
+artista e director da escola industrial de Thomar.
+
+
+
+
+II
+
+
+
+[Figura: Leiria, Castello, sobre a porta da Torre de Menagem: em
+caracteres gothicos grosseiramente abertos sobre linhas ou _pautado_
+egualmente cavado, n'uma das pedras da muralha. Inferiormente e na mesma
+pedra, tres pequenos escudos, tendo o do centro as bandas ou barras de
+Aragão e os dos lados as quinas, convergentes.]
+
+
+
+
+Leitura:
+
+
+ --_(Era) 1362 an(n)os foi esta tor(r)e co(meçad)a (aos) 8 dias de
+ maio, e mandou-a fase(r o muito) nobre Dom Diniz, Rei de
+ Portugal.................acabada._
+
+
+Esta ultima parte, inintelligivel já, evidentemente diria a data do
+acabamento: dia e mez, ou sómente o mez.
+
+
+Esta inscripção, que parece ter sido feita depois de concluida a Torre,
+e que é de singular importancia por fixar precisamente a construcção ou
+a reconstrucção do castello por D. Diniz, tem-se conservado
+desapercebida, talvez pela altura em que está e por se confundir, á
+primeira vista, com as escabrosidades da pedra.
+
+Áparte o facto dos nossos archeologos, ou dos que se dizem taes, mais se
+dedicarem, geralmente, á exploração das mais banaes inscripções de
+cippos romanos do que á colheita das que podem illustrar a historia
+patria.
+
+Alli mesmo, n'aquelle formoso monumento chamado o Castello de Leiria,
+que bem póde dizer-se amassado com sangue, a busca das inscripções
+romanas nas pedras funerarias aproveitadas nas muralhas, tem chegado a
+fazer perigar a segurança das construcções, ao passo que nos restos dos
+Paços do Rei Lavrador nenhuma exploração regular se tem feito.
+
+Escusado será acrescentar que o escudo com as barras ou bandas
+aragonezas é uma affirmação ou uma homenagem ao senhorio de Leiria dado
+á Rainha D. Isabel, _a Santa_.
+
+O calco d'esta inscripção, e até a denuncia d'ella, foi-me fornecido
+pelo meu amigo sr. João Christino da Silva, então director e professor
+da escola industrial _Domingos de Sequeira_, de Leiria.
+
+
+
+
+III
+
+
+[Figura: Obidos, Torre do Castello, no humbral da porta (ogival), lado
+esquerdo.]
+
+
+
+
+Leitura:
+
+
+ --_E(ra) 1413 annos, no mez d(e) outubro, foi começada esta
+ tor(r)e, p(or) mandado delrei Dom Fernando, da q(ua)l foi védor
+ D(iog)o M(art)i(n)s da Tougia, e foi della m(estr)e Jo(ão)
+ Do(mingue)s, e foi feita á custa do dito._
+
+
+O meu amigo Sousa Viterbo lembra-me que Giner de los Rios dá esta
+inscripção no seu _Portugal_; mas, pela copia que me transmitte, entendo
+que o escriptor hespanhol não soube copial-a e lel-a bem. Assim, na
+linha 1) tomou o _s_ final pelo algarismo 6, que nada significaria, e na
+linha 2) supprimiu o _o_ na primeira palavra. Embaraçaram-n'o
+naturalmente os pontos de separação, muitas vezes colocados por simples
+fantasia decorativa. Trocou tambem os nomes do védor fazendo-o
+representar por um caprichoso --_A.^n Mig.^n da Toura_-- e o do Mestre
+por--_f.^a Doz_.
+
+O do primeiro é claramente:--_d.^o miz_ (Diogo Martins) e apenas a
+ultima designação offerece difficuldade, não podendo, porém,
+ser:--_Toura_--porque está muito intelligivel no começo da linha 8) a
+letra _g_. A sobreposta parece realmente _r_, o que difficultaria
+extremamente a leitura; mas porventura uma irregularidade ou estrago da
+pedra é que lhe dá aquella apparencia, sendo simplesmente um _i_, o que
+dá a palavra--_Tougia_.
+
+_Tougia_, _Taugia_, _Ataugia_, _Touria_, é _Atouguia da Baleia_,
+povoação que não fica muito distante e que teve grande importancia no
+tempo de D. Fernando e de D. Pedro I, que n'ella celebraram côrtes, e
+onde, pouco antes do primeiro, senão no seu tempo, se fez ou reformou
+tambem um forte castello.
+
+O nome do vedor seria pois: Domingos Martins da Tougia ou _d'Atouguia_,
+o que, como se vê, só pela interpretação de um signal ou letra
+sobreposta, póde suscitar hesitação.
+
+É a leitura que preferimos, até por não encontrarmos melhor. O nome do
+mestre, e que não nos parece que offereça duvida, é _João Domingues_ ou
+_Domingos_.
+
+Devo a um cuidado desenho do meu amigo e distincto professor, o sr. João
+Christino da Silva, esta inscripção, bem como a seguinte.
+
+
+
+
+IV
+
+
+[Figura: Obidos, na Torre do Facho.]
+
+
+
+
+Leitura:
+
+
+ --_Foi reformada esta muralha por Dom Sancho primeiro._--
+
+
+Evidentemente não é coeva esta inscripção, em caracteres mixtos (goth. e
+red.).
+
+
+
+
+V
+
+
+[Figura: Thomar, igreja de Santa Maria dos Olivaes, sob o segundo arco
+da nave esquerda.]
+
+
+
+
+Leitura:
+
+
+ --_Aqui jaz Fernã(o) de Sa(m)paio, Caval(l)eiro fidalgo, creado
+ delrei dom Af(f)onso, e sua filha M(ari)a de Sa(m)paio._--
+
+
+Será Fernão Vaz de Sampaio, filho de Vasco Pires de Sampaio e de D.
+Maria Pereira, da casa da Feira?
+
+Este, fazem-n'o os genealogistas casado duas vezes, uma com D.
+Senhorinha, outra com Joanna de Alvim; e alguns, uma só vez, com uma ou
+com a outra d'aquellas senhoras, attribuindo-lhe varios bastardos
+havidos n'uma Leonor Affonso,--«mulher solteira»--entre os quaes um Lopo
+Vaz de Sampaio, que D. Affonso V legitimou em 1453.
+
+Que o Rei Affonso de que falla a inscripção é Affonso V, não póde
+duvidar-se.
+
+O «titulo» dos Sampaios, como se diz em Genealogia, foi sempre muito
+complicado por enxertos ganceiros.
+
+O calco foi-me enviado pelo sr. M. H. Pinto
+
+
+
+
+VI
+
+
+[Figura: Thomar, igreja de Santa Maria dos Olivaes, do lado esquerdo da
+porta de entrada (interior). Caracteres gothicos.]
+
+
+
+
+Leitura:
+
+
+ --_Esta sepultura é de Isabel Vieira, mulher d(e) Af(f)o(n)so de
+ Vivar, Caval(lei)ro, co(n)tador da casa delrei nos(s)o s(enhor),
+ q(ue), depois de seu fal(l)ecim(en)to, foi Com(m)e(n)dador das
+ Alencarcas. E se finou a 18 dias de fevereiro de 1492._
+
+
+Não póde haver duvida de que a inscripção, muito esmerada por signal,
+diz:--«Commendador das Alencarcas». Foi-o Affonso de Vivar, ou depois do
+fallecimento da mulher, ou, o que é mais provavel que a inscripção
+queira dizer, depois do fallecimento do Rei, que seria então Affonso V,
+se a data da morte da mulher corresponde á da abertura da inscripção.
+
+Mas o que eram as Alencarcas?
+
+Devo o calco ao amigo já citado e que muitas mais vezes terei de citar
+ainda, o sr. M. H. Pinto.
+
+
+
+
+VII
+
+
+[Figura: Thomar, igreja de Santa Maria dos Olivaes, na capella mór.
+Caracteres gothicos. Truncada por construcção posterior, que se lhe
+encostou, dos degraus do altar.]
+
+
+
+
+Leitura:
+
+
+ --_Aq(ui) jaz Do(m) Gil M(ar)ti(n)s, o p(ri)meiro M(estr)e q(ue)
+ foi da Caval(l)aria da Orde(m) de Jesus Christo, q(ue) foi
+ f(re)irado_ (feito freire) _na Ord(e)m d(e) Avis e M(estr)e da
+ Caval(l)aria des(s)a Orde(m) e foi da linhagem do Outeiro; q(ue)
+ pas(s)ou_ (faleceu) _e(m) sexta feira, 13 dias (d)e nove(m)bro,
+ e(ra) 1359 an(n)os (a) q(ua)l alma D(eu)s leve p(er)a a gloria do
+ Paraiso. Ame(n) Co(m) e(lle) mais os(s)os sã(o?)._
+
+
+Está a lapide embebida na parede do lado esquerdo, por baixo do formoso
+mausoleu de D. Diogo Pinheiro, primeiro bispo do Funchal, tendo sido
+para alli removidos os restos do Grão-Mestre, nas obras de renovação
+feitas na igreja, no tempo de D. Manuel ou já de D. João III, segundo a
+tradição.
+
+Deviam estar anteriormente n'um caixão ou tumulo de pedra. A esses
+restos se juntaram os de outros personagens, e a isto seguramente
+alludia a parte truncada ou illegivel da lapide.
+
+Não é, pois, perfeitamente exacto que se não saiba:--«o logar certo onde
+estão as cinzas do primeiro Mestre de Christo»--como diz Santos (_Monum.
+milit_, etc.), que, aliás, indica a remoção d'esses restos e a
+inscripção que os denuncia, que melhor fôra que tivesse copiado, com as
+mais.
+
+Pertence o calco á bella colheita com que me tem brindado o sr. M. H.
+Pinto.
+
+
+
+
+VIII
+
+
+[Figura: Thomar, igreja de Christo, junto á Charola. Caracteres rom.
+maiusc. Grande lapide.]
+
+
+
+
+Leitura:
+
+
+ --_Aq(u)i jaz o m(ui)to (h)o(n)rado Com(m)e(n)dador Do(m) Lopo Dias
+ de Sousa, Mestre da Caval(la)ria da Orde(m) de Christo, q(ue) foi
+ se(m)p(r)e m(ui)to leal s(e)r(v)idor ao m(ui)to alto se(m)p(r)e
+ ve(n)cedor elrei Do(m) Joã(o) o p(r)im(ei)ro, (a)o qual foi
+ gra(n)de ajuda e(m) defe(n)são d'estes reinos; e e(n)trou co(m)
+ el(l)e ci(n)co vezes e(m) Castel(l)a co(m) sua Caval(l)aria, e e(m)
+ a tomada de Ceuta; e teve o mestrado q(u)are(n)ta e seis an(n)os. E
+ finou-se na era de Jesus Christo de 1435 an(n)os, aos nove dias do
+ mes de fev(erei)ro, e o m(ui)to ho(n)rado e presado s(enh)or o
+ I(n)fa(n)te Do(m) (H)e(n)riq(u)e, governador da dita orde(m),
+ duq(ue) de Viseu e s(enh)or de Covilha(m), o ma(n)dou tra(s)ladar a
+ este co(n)ve(n)to, aos oito dias do mez de março da dita era do
+ na(s)c(i)m(en)to de Nos(s)o S(enh)or de 1435 an(n)os._
+
+
+
+Este D. Lopo Dias de Sousa é personagem bem conhecido e de quem é facil
+encontrar larga noticia.
+
+Era bisneto, pelo pae, de D. Affonso Diniz, filho de Affonso III--«e da
+condessa de Bolonha D. Mathilde»--a primeira mulher d'este Rei, sendo
+filho de Alvaro Rodrigues de Sousa e de D. Maria de Menezes, filha de
+Martim Affonso Tello de Menezes, irmão da celebre Rainha e adultera, D.
+Leonor Telles. Foi esta que o fez Mestre da Ordem, quando não tinha
+edade para o ser, o que não obstou a que elle honrada e valentemente
+viesse a servir a causa portugueza do Mestre de Aviz (João I) contra as
+pretensões e a invasão de Castella, patrocinadas pela adultera.
+
+Diz Goes (_Liv. das Linh. MS._):
+
+
+«Dom Lopo Dias de Sousa... foi Mestre de Christo, apresentado na dita
+dignidade por ElRei Dom Fernando, a requerimento da Rainha Dona Leonor
+Telles, mulher do dito Rei Fernando, que era tia d'este Dom Lopo Dias,
+Mestre de Christo... Teve por manceba a Dona Maria Ribeira, que em
+Pombal houve dispensação do Papa para a receber por mulher, e houve
+d'ella estes filhos: a Diogo Lopes de Sousa e Dona Mecia de Sousa, que
+casou com Dom Vasco Fernandes Coutinho, primeiro Conde de Marialva, e
+Dona Violanta, que casou com Ruy Vaz Ribeiro de Vasconcellos, Senhor de
+Figueiró dos Vinhos e do Pedrogam, e Dona Isabel, mulher de Diogo Lopes
+Lobo, Senhor d'Alvito, e Dona Aldonça, mulher de Pedro Gomes de Abreu _o
+Velho_, e Dona Branca, mulher de João Falcão, e Dona Leonor, mulher de
+Affonso Vasco de Sousa.»
+
+
+Um neto d'elle, Alvaro de Sousa, filho de Diogo Lopes de Sousa,
+mordomo-mór do Rei D. Duarte, foi mordomo-mór de D. Affonso V e casou
+com uma filha de D. Fernando de Castro, governador da Casa do Infante D.
+Henrique:--D. Maria de Castro.
+
+Uma observação ainda: A inscripção parece corrigir a versão commum
+adoptada por J. A. dos Santos, na bella monographia _Monumento das
+Ordens militares_, etc., _em Thomar_, de ter Dom Lopo cahido em poder
+dos castelhanos em Torres Novas, ficando inutilisado para todo o resto
+da campanha.
+
+--«Entrou cinco vezes em Castella»--diz terminantemente a pedra.
+
+Devo o calco ao sr. M. H. Pinto, que ultimamente me mandou alguns
+outros, de Figueiró, entre os quaes encontro o da inscripção que incluo
+em seguida por importar á prole do mesmo personagem.
+
+
+
+
+IX
+
+
+[Figura: Figueiró dos Vinhos, igreja de S. João Baptista. Em caracteres
+gothicos.]
+
+
+
+
+Leitura:
+
+
+ --_Aqui jaz o muito ho(n)rado caval(l)eiro Ruy Vasq(ue)s, filho de
+ Ruy Me(n)des de Vasco(n)cel(l)os, neto de G(onçalo) Me(n)des e de
+ Dona Maria Ribeira; e Dona Viola(n)te de Sousa, sua mulher, f(ilh)a
+ de Do(m) Lopo Dias, M(estr)e de Christo, neta d(e) Af(fo)n(s)o Dias
+ de Sousa e de Dona M(ari)a, irma(n) da rainha Dona Leonor; os quaes
+ ma(n)dou s(epulta)r Rodrigo de Vasco(n)cel(l)os, seu filho
+ (h)erdeiro... era de Nos(s)o S(enho)r Jesus Christo de 1453
+ an(n)os._
+
+
+(Vide o commento da inscripção anterior.)
+
+Enviou-me o calco o sr. M. H. Pinto.
+
+
+
+
+X
+
+
+[Figura: Thomar, Convento de Christo, sobre o arco da Sacristia Velha.]
+
+
+
+
+Leitura:
+
+
+ --_Era MCC · VIIII magister Galdinus nobili siquidem genere Bracara
+ oriundus exctitit tempore autem Alfonsi illustrissimi Portugalis
+ regis. Hic secularem abnegans miliciam, in brevi ut Lucifer
+ eminevit, nam Templi miles Gerosolimam peciit ibique per
+ quinquenium non in hermen vitam, duxit cum Magistro enim suo cum
+ Fratisbusque implerige preliis_ contra _Egipti et Surie insurrexit
+ regem. Cumque Ascalona caperetur, presto eum in Antiocam pergens
+ sepe_ contra _Sidan decione dimicavit. Post quinquennium vero ad
+ prefatum qui et eum educaverat et militem fecerat reversus est
+ regem. Factus Domus Templi Portugalis Procurator hoc distruxit
+ castrum Palumbar, Thomar, Ozezar et hoc quod dicitur Almoriol et
+ Eidaniam et Montem Sanctum._--
+
+
+Versão:
+
+
+ --_Era de 1209. O Mestre Galdino, certamente de nobre geração,
+ natural de Braga, existiu no tempo de Affonso, illustrissimo Rei de
+ Portugal. Abandonando a milicia secular, em breve se elevou como um
+ Astro, porquanto, soldado do Templo, dirigiu-se a Jerusalem, onde
+ durante cinco annos levou vida trabalhosa. Com seu Mestre e seus
+ Irmãos, entrou em muitas batalhas, movendo-se contra o Rei do
+ Egypto e da Syria. Como fosse tomada Ascalona, partindo logo para
+ Antiochia pelejou muitas vezes pela rendição de Sidon. Cinco annos
+ passados, voltou, então, para o Rei que o creára e o fizera
+ cavalleiro. Feito Procurador da casa do Templo em Portugal, fundou,
+ n'este, o castello de Pombal, Thomar, Zezere e este que é chamado
+ Almoriol, e Idanha e Monsanto._--
+
+
+Esta inscripção tem sido dada por diversos auctores, mas em nenhum é
+rigorosamente exacta a copia. O proprio Costa (_Historia da ordem_, pg.
+178, doc. 14) figurando-a toscamente em reproducção graphica, erra logo
+na _era_ a leitura, dando a de 1208 pela de MCCVIIII ou 1209 que tão
+nitidamente se lê na linha _1_).
+
+Este erro generalisou-se, repetindo-o Viterbo (_Elucidario_) e
+adoptando-o Pedro Ribeiro (_Dissertações_). Debalde Cunha (_Historia
+ecclesiastica de Braga_), na sua traducção, soffrivelmente phantasiosa,
+restituiu a _era_ exacta de 1209.
+
+Na linha _4_) suscitou-me duvidas a leitura commum do --_hic_,--pela
+fórma especial da inicial, que se encontra na linha _6_), onde parecia
+repugnar-lhe o valor de--_h_--. Mas, não podendo ler-se:--_inic_--ainda
+por:--_in hic_--é forçoso acceitar a leitura geral. Na mesma linha, a
+palavra --_abnegans_--tem evidentemente a fórma de--_acbnegans_,--que
+aliás diz o mesmo.
+
+Na linha _5_), a leitura geral é a de--_emicuit_--por--_emievit_,--que é
+positivamente a que está na pedra. Preferimos, porém, a
+de--_eminevit_,--de--_emineo_,--que mais se approxima, e que não altera,
+mas precisa mais o sentido. Foi-me suggerida por Gabriel Pereira esta
+versão.
+
+Na linha _6_), Costa
+copiou--_petiit_--por--_peciit_,--e--_inermem_--por--_in hermen_,--que é
+o que claramente lá está. Vê-se que o embaraçou tambem a fórma da
+inicial acima alludida, não querendo ler n'ella o--_h_--que aliás não
+duvidára ler, como tal, no--_hic_--da linha _4_). A solução parece-nos
+ser a de dar áquella fórma, aqui, o valor de uma simples tremação ou
+dierese do--_i_--lendo realmente:--_ïermen_--ou--_in ermam vitam_--.
+Podem não ter grande importancia estas variantes, mas é sempre bom
+conservar-se a fórma original em taes cousas.
+
+Na linha _7_) onde se lê:--_cvm Magistro enim svo_,--Costa permitte-se
+acrescentar um--_fuit_,--que lá não está, nem é necessario.
+
+Mas é na linha _9_) que as pretensões correctivas do auctor da _Historia
+da Ordem_, etc., tomam mais graves proporções. Assim: onde nitidamente
+se lê:--_presto evm in Antiocam_,--elle simula copiar:--_presto fuit in
+Antiochie_,--e logo em seguida lê:--_sepe Suldani_--em vez de--_sepe_
+contra _Sidan_,--como diz a pedra, e bem. Dá assim origem ao erro que
+elle, Cunha, e os mais commettem, de
+traduzir--_Soldão_--por--_Sidan_,--o soldão ou sultão, não se sabe qual,
+pela cidade de _Sidon_, perfeitamente conhecida.
+
+Na linha _10_), a leitura de Costa e dos mais, embaraçou-se na
+abreviatura--_vo_,--que se segue á
+palavra--_quinquennium_,--claramente:--_vero_,--e achou então melhor
+supprimil-a. Em seguida, reduziu a--_eum_,--a abreviatura em que entrava
+um--_t_--muito bem definido, mas que o embaraçava tambem.
+Restituimos--_et eum_--que é fórma conhecida.
+
+Na linha _11_), tem-se lido sempre por--_hoc construxit_,--que é a
+leitura que immediatamente occorre, de certo, a fórma ou phrase, que,
+pelo rigoroso confronto dos caracteres da inscripção, não podemos ler
+senão como:--_hocdstrvxit_--. A primeira duvida suscitou-nol-a
+o--_hoc_,--não porque não esteja bem definido nos caracteres, mas porque
+nos pareceu arrevesado ou inadequado ao sentido. É evidente, porém, que
+se quiz precisar o _paiz_, o _logar_ e não o objecto ou o castello,
+determinadamente, e assim traduzimos:--_Feito Procurador da Casa do
+Templo, em Portugal, neste_ (i. e. aqui) _fundou_, etc. Mas porque é que
+todos têem fugido a ler litteralmente:--_dstrvxit_,--que é a forma
+original? Naturalmente, por entenderem que esta fórma equivaleria
+necessariamente á de--_destruxit_ (de _destruo_)--dando o absurdo de ter
+Galdino _destruido_ os castellos em vez de os ter construido
+(_construxit_). Mas é que não lembrou que não era fatal
+ler--_destruxit_,--e que, lendo-se--_distruxit_--(de _distruo_), se
+obtinha a idéa contraria, ou a idéa precisa de ter o Templario portuguez
+lançado, espalhado, ou construido, _aqui_, em _diversas partes_, os
+fundamentos d'esses diversos castellos. E mais explicado fica
+o--_hoc_,--antecedente.
+
+Finalmente, na ultima linha, ha duas abreviaturas:--_dod. dr._--ou
+talvez, por uma inversão da primeira inicial:--_qod. dr._--que
+geralmente se lê, e parece bem:--_quod dicitur_--.
+
+Tambem esta interessantissima inscripção, pela primeira vez directamente
+reproduzida por calco, que me enviou o sr. Pinto, da escola industrial
+de Thomar, não tem obtido até agora uma traducção regularmente exacta.
+Costa e Cunha não separam as orações, nem traduzem litteralmente.
+
+O primeiro traduz:--_sepe pergens_ contra _Sidan_ etc.--por--_e muitas
+vezes venceu ao Soldam_,--o que é duplamente falso. Como já observei,
+iniciou o erro de ler--_Suldani_,--onde, clara e rasoavelmente,
+está:--_Sidan_--.
+
+Cunha, que restitue a _era_ exacta de 1209, antecede-a pela
+formula:--_Em nome de Christo_,--que lá não está, e acrescenta a
+filiação do Rei Affonso:--_filho do Conde Dom Henrique e da Rainha Dona
+Tareja_--. Não contente com isto, traduz que: _quando Escalona foi
+tomada, elle foi alli prestes e prompto_;--põe Galdino em Antiochia
+pelejando muitas vezes--_contra o poder do Soldão_;--augmenta a
+enumeração dos castellos com o de--_Cardiga_,--supprimindo o
+de--_Monsanto_,--e alonga, finalmente, a inscripção com as seguintes
+palavras:--_Era 1209 annos. Mestre Gualdim, nascido em Braga, que he
+cabeça de Galisa, edificou este Castello de Almorol com os freires seus
+irmãos_--.
+
+Bastam estes exemplos. Como é sabido, a inscripção está n'uma grande
+lapide de marmore sobre o arco da chamada Sacristia Velha do convento de
+Christo de Thomar, para onde foi transferida, do castello de Almorol,
+segundo a tradição, no tempo e por ordem do Infante Dom Henrique.
+
+É claro que não havemos de fazer, agora e aqui, a biographia de Mestre
+Gualdino ou Gualdim ou Galdino Paes. N'esse ponto, é justo louvar as
+diligencias e os trabalhos de Costa (_Historia da Ordem_, etc.) e de
+Viterbo (_Elucidario_), que reuniram interessantissimos documentos sobre
+o Templario portuguez. Segundo o primeiro, Galdino nasceu em 1118 e
+morreu em 1195. Era filho de Payo Ramires e de D. Gontrade Soares, nomes
+que denunciam uma origem visigoda. Pelo pae, era bisneto de Ayres
+Carpinteiro que lhe trazia uma bella tradição de fidalguia authentica.
+
+N'um velho livro de linhagens anda dispersamente registada esta
+prosapia:
+
+
+--«Este Ayres Carpinteiro onde (d'onde) vem os Ramirãos foi casado com
+Amiana de Selharis e de Tevora e fege nella Ramiro Ayres...»
+
+
+Ramiro casou com Orraca Peres, filha de Gontinha Eres e de Dom Pedro
+Affonso de Doreas--«que fez Manhente,»--e o seu primogenito foi Dom Payo
+Ramires. Casou Dom Payo, a primeira vez, com Dona Orraca de Caldelas de
+Galiza, de quem teve o alcaide Dom Vasco Paes,--«e desque morreu esta
+mulher a D. Payo Ramires casou com a irman de D. Payo Correa o _Velho_ e
+fege nella o mestre D. Gualdim Paes do Templo e D. Gomes Paes de Piscos:
+e este mestre D. Gualdim Paes fez Tomar e Pombal e Castelo de Almoyrol e
+poboou outros muitos logares que ganhou á ordem, e foi muito forte em
+armas e leixou ao Templo o que agora ha, e em Abelamar (talvez em
+_alem-mar_)».
+
+Goes, que gostâmos sempre de consultar n'estas historias, não parece ter
+encontrado nos Paes, do seu tempo, pelo menos, uma genealogia muito
+antiga, pois que abre o «titulo» com Payo Rodrigues que--«foi um
+cavalleiro muito honrado em tempo delRei Dom Affonso o quinto, e foi
+filho de Pedro Esteves, Alcaide Mór de Portel»--. São outros,
+evidentemente. Tambem da semente d'elle, como dizem os geneologos, não
+seria facil haver noticia, espalhada, como ficaria, clandestina ou
+ganceira, pela Syria e pelo Ribatejo, nas aventuras e desmandos das
+campanhas do Templario.
+
+Segundo Cunha, nasceu o Mestre em Braga e--«n'ella se conserva ainda
+hoje uma rua com o nome de D. Gualdim, em que é tradição que nasceu»--.
+
+Corrigem outros, observando que alli fôra Procurador ou Mestre da Casa
+do Templo, que lá existira,--o que é demonstrado por um documento citado
+no _Elucidario_ de Viterbo,--mas que em Marecos, depois Amaraes e hoje
+Amares, a 10 kilometros de Braga, é que realmente nascera o Mestre, que
+fôra até o primeiro a usar e a nobilitar o titulo de Marecos, da herdade
+que foi o nucleo da povoação.
+
+Convem dizer, pois que não tem sido dito até hoje, que outro velho
+codice geneologico põe uma sombra de duvida n'esta gloria da pequena
+povoação minhota, dizendo, um tanto obscuramente:--«E o meestre dom
+galdim paez do tempre e seu irmaão _forom naturaaes dapardar de braa_».
+Mas sendo justa a hesitação na leitura indicada na compilação da
+Academia (_Port. monum. hist._), não será talvez muito aventuroso
+ler:--_da par de Braga_,--restituindo á antiga Marecos, o seu Templario.
+E já agora avivemos o registo de um pequeno episodio que n'esta altura
+nos offerece esse codice.
+
+Uma neta do irmão de Galdino:--Dona _Estevaynha_ ou Estevaninha Paes
+casou com Dom Martim Annes de Riba da Visella, neto, pela mãe, de um
+grande fidalgo Dom Soeiro Mendes o Gordo que a tivera de uma barregan e
+que fazendo-a herdeira--«mui bem e mui compridamente em seus beens»--a
+casára com Dom João Fernandes de Riba da Vizella.
+
+Diz então o codice:--«E este meestre dom galdim paaez do tempre fez
+muyto bem e deu grandalgo a este dom Martim Annes de riba davizela
+quando casou com esta dona steuaynha paaz sobredita».
+
+Martim Annes foi--«mui priuado delRei dom afonso de portugal, filho
+delRei dom sancho o uelho».
+
+Por ordem do Rei foi cercar a irmã d'este, a Infanta Dona Thereza, a
+Montemór o Velho, e derrotado, cahiu n'um paul entre aquella villa e
+Coimbra. Quando lhe acudiram:--«non se pode sofrer que non morese do
+sangui que del tirarom as çameçugas».
+
+Dá, ainda, uma tradição constante, e parece confirmar a inscripção de
+Thomar, que Galdino fôra creado na côrte do primeiro Rei portuguez, e
+por elle armado cavalleiro na batalha de Ourique, em 1139. É sómente dez
+ou mais annos depois d'esta data, que nos apparece nos documentos, e já
+como Templario graduado, consequentemente depois do seu regresso do
+Oriente.
+
+Segundo Cunha e os diplomas reunidos por elle, seria, até, sómente na
+era de 1199, correspondente ao anno de 1161, que pela primeira vez nos
+appareceria como Mestre, na doação que lhe faz o Rei:--_tibi Magistro
+Gualdino_,--de certas herdades cultivadas e por cultivar junto de
+Cintra; mas Santa Rosa de Viterbo (_Elucidario_) encontra-o muito antes,
+em 1148, figurando como _Mestre_ da Casa Templaria de Braga, n'uma
+concordata feita com esta, e em 1157 como _Mestre_ absoluto ou Geral dos
+Templarios em Portugal, succedendo a Dom Pedro Arnaldo, que abdicou
+n'esse anno e morreu no seguinte. Terá Viterbo lido bem aquella primeira
+data? A interrogação parecera impertinente em relação ao erudito
+investigador, se um facto muito positivo a não auctorisasse. Esse facto
+é a tomada de Ascalonia, expressamente indicada na inscripção. Essa
+tomada, é claro que não foi a de Saladino aos christãos, que só se
+realisou em 1187. Foi a dos christãos aos turcos. Estava lá, então,
+Galdino; isto é, estava no Oriente em 1153, que é a data d'esta
+conquista. (Michaud, _Hist. des Croisades_, t. II.)
+
+Estava, e demorou-se ainda. Estando em 1157 em Portugal, e sendo feito,
+então, Mestre geral dos Templarios Portuguezes, partiria em 1152, ou
+pouco antes, mas já partiria, então, como templario graduado, se é
+verdadeira a data de 1148, attribuida por Viterbo á concordata de Braga,
+o que, de resto, não repugna inteiramente á inscripção.
+
+Inclinamo-nos a crer que foi realmente em 1157 que Galdino voltou, sendo
+então elevado ao cargo de Mestre geral, ou, como a inscripção diz:--de
+Procurador do Templo, em todo o Portugal, tendo partido, como simples
+Mestre da Casa de Braga, em 1152, ou pouco antes.
+
+Dos castellos alludidos na inscripção, dois,--o de Idanha e o de
+Monsanto,--são-lhe doados em 29 de novembro da era de 1203 (1165),
+chamando-se-lhe tambem Mestre:--_vobis Magistro Gualdino_--.
+
+A ideia vulgar da hierarchia monastico-militar póde parecer
+extraordinario que elle seja designado simplesmente como _Procurador_,
+em outubro da era de 1207 (1169), quando lhe são doados, e á Ordem, os
+castellos de Zezere, de Thomar, e ainda o de Cardiga--«com todas as
+herdades que alli fizeste e rompeste»--devendo notar-se que n'esse mesmo
+anno como tal se apellida tambem, na doação:--«de toda a terça parte que
+pela graça de Deus poderem adquirir e povoar desde o rio Tejo por
+deante--»para o sul, é claro, aos--«cavalleiros chamados do Templo de
+Salomão»--nas pessoas dos de Portugal e de--_vobis Fratri Gualdino in
+Portugalia rerum Templi Procuratori_--.
+
+Mas esta qualidade de _Procurator_, referida á gerencia regional ou
+provincial dos diversos agrupamentos da Ordem, não era inferior, e muito
+menos incompativel, com a categoria de _Magister_, a bem dizer a de
+Superior de cada Casa ou Commenda, com tendencias para substituir
+aquella pela separação das diversas communidades nacionaes.
+
+Não foi Galdino o unico _cruzado_ portuguez; mas é dos raros cujos nomes
+se apuram. Se das suas façanhas no Oriente resa sómente a inscripção,
+outros e diversos documentos a corroboram brilhantemente na historia
+patria.
+
+
+
+
+XI
+
+
+[Figura: Claustro da sé de Lisboa.]
+
+
+
+
+Leitura:
+
+
+ --_Esta sepultura é de dona (?) Ignez Eannes, sobrinha de Vicente
+ Domingues Bolhão_.
+
+
+Tem um certo interesse de occasião esta inscripção modestissima, agora
+que vae celebrar-se o centenario de Santo Antonio de Padua, mais
+propriamente: de Lisboa. _Bolhões_ eram a familia d'elle. Vicente Bulhão
+se chamou o avô, ou, melhor, Vicente Martins _dito o Bulhão_, o que
+devia desconcertar um pouco os genealogistas, no esforço de engrandecer
+e nobilitar a alcunha que se tornou patronymico:--_Vicenti Martinii
+dicti Bulhon_,--segundo a nota obituaria que elles encontraram--«no
+livro de mão da Kalenda da Sé antiga de Lisboa».
+
+D'este Vicente, veiu Martim Bulhão,--_Martinus Bulhon_, resava a mesma
+nota,--que, desposando Theresa Taveira, teve os seguintes filhos:
+
+--Pedro Martins de Bulhão, do qual, nota semelhante á citada, dizia:--_6
+nonas julii obiit Petrus Martinii dictus de Bulhon_,--tendo vivido na
+primeira metade do seculo XIII; d'elle procedeu um personagem
+relativamente illustre, o confessor da Rainha Santa, capellão de Dom
+Diniz e lente de theologia da Universidade: Dom Domingos Martins, conego
+de Santa Cruz.
+
+--Fernão Martins de Bulhão, o nosso futuro Santo Antonio;
+
+--Vicente Martins de Bulhão;
+
+--Feliciana Martins Taveira;
+
+--Maria Martins Taveira, freira, que morreu tambem com ares de
+santidade, em 18 de fevereiro de 1240.
+
+Mas é claro que o Vicente da inscripção não é nem o primeiro nem o
+segundo. É, porém, da familia, neto de um ou bisneto do outro, segundo
+Monterroyo.
+
+Teve duas irmãs Vicente Domingues, que casaram fidalgamente: uma, Dona
+Sancha Martins Bulhão, com Dom Soeiro Fernandes Alam, que viveu no tempo
+de Dom Affonso III e Dom Diniz, e com o qual se orgulham os Soares de
+Albergaria; a outra, Dona Dordia, que foi mulher de Pedro Martins
+Botelho, de Riba de Vizella, e depois de Reymondo,--como quem diz
+Raymundo,--de Portocarrero.
+
+Mas nenhuma d'estas senhoras parece ter-nos dado a Ignez da inscripção,
+cuja paternidade modestamente se escondeu na prosapia do tio, especie de
+conservador ou agente official dos negocios das colonias extrangeiras em
+Lisboa.
+
+Uma Ignez se encontra, proximamente, na familia; mas é Ignez Dias
+Bulhão, procedente da geração da Dona Dordia, e que Dona Leonor Telles,
+a rainha bigama, considerava sua parente.
+
+Temos, pois, de nos contentar com o facto do tio nos authenticar a
+antiguidade da inscripção, que obsequiosamente nos forneceu o estudioso
+e dedicado secretario da _Arte Portugueza_, sr. D. José Pessanha.
+
+
+
+
+XII
+
+
+[Figura: Thomar. Igreja de Santa Maria dos Olivaes, na parede da segunda
+capella, á direita.]
+
+
+
+
+Leitura:
+
+
+ --_Obiit frater gvaldinvs magister militum templi portugalie E.
+ MCCXXXIII, III.^o idvs octobris. Hic castrvm Tomaris cum multis
+ aliis popvlauit. Requiescat in pace. Amen._
+
+
+Versão:
+
+
+ --_Morreu Frei Galdino, Mestre dos Cavalleiros do Templo em
+ Portugal, na era de 1233, terceiro dos idos de outubro. Este
+ castello de Thomar, com muitos outros, povoou. Descance em paz.
+ Amen._
+
+
+No movimento, um pouco desordenado, diga-se de passagem, das celebrações
+apotheosicas, centenaes ou não, que ultimamente se tem manifestado entre
+nós, pensaram alguns cavalheiros de Thomar em promover uma que
+attrahisse as attenções e a concorrencia de forasteiros á formosa cidade
+do Nabão, bem digna realmente de ser mais conhecida e visitada. Tiveram,
+então, a feliz idéa de tomar por thema o nome e a memoria do valente
+Templario portuguez, Galdino Paes, tão deploravelmente esquecido tambem,
+e de quem póde dizer-se que foi, alem de fundador de Thomar, um dos mais
+intrepidos e persistentes cooperadores da fundação de Portugal.
+
+Sob aquella idéa se reanimou o empenho do meu amigo e distincto
+director-professor da Escola Industrial d'aquella cidade, sr. Manuel
+Henrique Pinto, de encontrar a jazida dos restos do glorioso Templario.
+Aproveito a occasião para dizer, com reconhecimento, que o sr. Pinto tem
+sido o meu mais dedicado e caloroso auxiliar n'esta colheita de _calcos_
+de inscripções portuguezas. Honra lhe seja, que n'isso não é a mim, mas
+á Historia e ao paiz, que presta um bello serviço.
+
+Obtendo licença para sondar as paredes d'aquella interessantissima e
+vetusta igreja de Santa Maria do Olival ou dos Olivaes, que por si dava
+assumpto para uma soberba monographia sobre a historia da architectura
+nacional, o sr. Pinto, com dois amigos egualmente interessados n'esta
+pesquiza, começou-a e teve a fortuna de, ás primeiras tentativas,
+encontrar a pedra (naturalmente um dos lados do sarcophago), em que
+está, nitida e graciosamente cavada a inscripção de que tirou e me
+enviou o magnifico _calco_, em poucos minutos reproduzido pelo lapis
+primoroso e firme de Casanova. Como se vê, a inscripção não offerece
+hesitações ou duvidas de leitura ou de contemporaneidade, esta ultima
+perfeitamente flagrante, para quem conhece a epigraphia tumular do
+tempo, com as suas cruzes espalmadas (_pattées_) iniciaes, com as
+maiusculas oscillando entre o romano e o gothico, com o seu _pautado_,
+até com a sua redacção dos velhos obituarios e livros de calendas,
+monasticos. Lê-se ao primeiro relance. Que o til ou plica que ornamenta
+um dos XX da _era_, não suggira reparo. Tem o mesmo valor que os do _e_
+(era), do _m_ (mil) ou dos _cc_ (duzentos): isto é, nenhum tem. O
+Viterbo do _Elucidario_ já advertiu esta especie de mau habito
+decorativo, inconsciente.
+
+A _era_ é indiscutivelmente a de 1233, correspondente ao anno de Christo
+de 1195. Sempre se lucrou, com a idéa do centenario, ficarmos
+definitivamente sabendo que o grande Templario morrêra em 1195, a 13 de
+outubro. Teria então setenta e sete annos, se tambem acertou Costa
+(_Hist. da Ord._), quando o dá nascido em 1118. Cedo fizera Galdino a
+sua iniciação de Cavalleiro do Templo nas longinquas campanhas da Syria;
+mas, por mais cedo que n'aquelles tempos se fosse homem, é claro que
+andam erradas algumas datas das suas doações e fundações. Apparecer-nos
+elle como Mestre,--_tibi Magistro Gualdino_,--em 1161, isto é, aos
+quarenta e tres annos, na doação das casas e herdades cultivadas e por
+cultivar junto de Cintra, não repugna, comtudo.
+
+Em 1169, isto é, aos cincoenta e um, é que recebe toda a terça parte que
+podér adquirir e povoar desde o Tejo por deante, em doação «a Deus e aos
+cavalleiros chamados do Templo de Salomão», como Procurador d'elle em
+Portugal:--«_vobis Fratri Galdino in Portugal rerum Templi
+Procuratori_»,--e mais os castellos da foz do Zezere, de Cardiga, e o de
+Thomar, com todas as herdades--«que fizestes e rompestes». Já
+anteriormente, em 1165, lhe haviam sido doados,--_vobis magistro
+Gualdino_,--e á Ordem, os castellos de Idanha e de Monsanto, e antes
+ainda, seguramente,--«aquelle castello que se chama Ceras»--e a Redinha.
+Rigorosamente, estas doações não eram mais que as confirmações reaes das
+fundações, das conquistas e das explorações agricolas, com que o activo
+Templario e os seus freires iam acrescentando e consolidando, dia a dia,
+a patria christã e portugueza.
+
+
+
+
+XIII
+
+
+[Figura: Portalegre; Convento de S. Bernardo (seminario), na casa do
+capitulo (arruinada). Lapide de marmore, com a figura de uma abbadessa
+esculpida e em volta a inscripção.]
+
+
+
+
+Leitura:
+
+
+ --_Aqui jaz Dona Branca de Vasconcellos, a primeira abbadessa que
+ foi d'este mosteiro, a qual ensinou as mo(n)jas d'elle, do começo
+ de suas profissões. E falleceu aos 23 dias do mez de outubro de
+ 1537._
+
+
+Seria uma das filhas de João Rodrigues Ribeiro de Vasconcellos?
+
+Diz Goes:
+
+
+--João Roiz Ribeiro de Vasconcellos, filho d'este Ruy Vaz, foi senhor da
+Casa de seu pae, e foi casado com _Dona Branca_ de Meneses, filha de Ruy
+Gonçalves da Silva, Alcaide Môr de Campo Maior e Ouguella, de quem
+houve... «_e outras que são freiras_».
+
+
+
+
+
+End of Project Gutenberg's Inscripções portuguezas, by Luciano Cordeiro
+
+*** END OF THIS PROJECT GUTENBERG EBOOK INSCRIPÇÕES PORTUGUEZAS ***
+
+***** This file should be named 28348-8.txt or 28348-8.zip *****
+This and all associated files of various formats will be found in:
+ https://www.gutenberg.org/2/8/3/4/28348/
+
+Produced by Rita Farinha and the Online Distributed
+Proofreading Team at https://www.pgdp.net (This file was
+produced from images generously made available by National
+Library of Portugal (Biblioteca Nacional de Portugal).)
+
+
+Updated editions will replace the previous one--the old editions
+will be renamed.
+
+Creating the works from public domain print editions means that no
+one owns a United States copyright in these works, so the Foundation
+(and you!) can copy and distribute it in the United States without
+permission and without paying copyright royalties. Special rules,
+set forth in the General Terms of Use part of this license, apply to
+copying and distributing Project Gutenberg-tm electronic works to
+protect the PROJECT GUTENBERG-tm concept and trademark. Project
+Gutenberg is a registered trademark, and may not be used if you
+charge for the eBooks, unless you receive specific permission. If you
+do not charge anything for copies of this eBook, complying with the
+rules is very easy. You may use this eBook for nearly any purpose
+such as creation of derivative works, reports, performances and
+research. They may be modified and printed and given away--you may do
+practically ANYTHING with public domain eBooks. Redistribution is
+subject to the trademark license, especially commercial
+redistribution.
+
+
+
+*** START: FULL LICENSE ***
+
+THE FULL PROJECT GUTENBERG LICENSE
+PLEASE READ THIS BEFORE YOU DISTRIBUTE OR USE THIS WORK
+
+To protect the Project Gutenberg-tm mission of promoting the free
+distribution of electronic works, by using or distributing this work
+(or any other work associated in any way with the phrase "Project
+Gutenberg"), you agree to comply with all the terms of the Full Project
+Gutenberg-tm License (available with this file or online at
+https://gutenberg.org/license).
+
+
+Section 1. General Terms of Use and Redistributing Project Gutenberg-tm
+electronic works
+
+1.A. By reading or using any part of this Project Gutenberg-tm
+electronic work, you indicate that you have read, understand, agree to
+and accept all the terms of this license and intellectual property
+(trademark/copyright) agreement. If you do not agree to abide by all
+the terms of this agreement, you must cease using and return or destroy
+all copies of Project Gutenberg-tm electronic works in your possession.
+If you paid a fee for obtaining a copy of or access to a Project
+Gutenberg-tm electronic work and you do not agree to be bound by the
+terms of this agreement, you may obtain a refund from the person or
+entity to whom you paid the fee as set forth in paragraph 1.E.8.
+
+1.B. "Project Gutenberg" is a registered trademark. It may only be
+used on or associated in any way with an electronic work by people who
+agree to be bound by the terms of this agreement. There are a few
+things that you can do with most Project Gutenberg-tm electronic works
+even without complying with the full terms of this agreement. See
+paragraph 1.C below. There are a lot of things you can do with Project
+Gutenberg-tm electronic works if you follow the terms of this agreement
+and help preserve free future access to Project Gutenberg-tm electronic
+works. See paragraph 1.E below.
+
+1.C. The Project Gutenberg Literary Archive Foundation ("the Foundation"
+or PGLAF), owns a compilation copyright in the collection of Project
+Gutenberg-tm electronic works. Nearly all the individual works in the
+collection are in the public domain in the United States. If an
+individual work is in the public domain in the United States and you are
+located in the United States, we do not claim a right to prevent you from
+copying, distributing, performing, displaying or creating derivative
+works based on the work as long as all references to Project Gutenberg
+are removed. Of course, we hope that you will support the Project
+Gutenberg-tm mission of promoting free access to electronic works by
+freely sharing Project Gutenberg-tm works in compliance with the terms of
+this agreement for keeping the Project Gutenberg-tm name associated with
+the work. You can easily comply with the terms of this agreement by
+keeping this work in the same format with its attached full Project
+Gutenberg-tm License when you share it without charge with others.
+
+1.D. The copyright laws of the place where you are located also govern
+what you can do with this work. Copyright laws in most countries are in
+a constant state of change. If you are outside the United States, check
+the laws of your country in addition to the terms of this agreement
+before downloading, copying, displaying, performing, distributing or
+creating derivative works based on this work or any other Project
+Gutenberg-tm work. The Foundation makes no representations concerning
+the copyright status of any work in any country outside the United
+States.
+
+1.E. Unless you have removed all references to Project Gutenberg:
+
+1.E.1. The following sentence, with active links to, or other immediate
+access to, the full Project Gutenberg-tm License must appear prominently
+whenever any copy of a Project Gutenberg-tm work (any work on which the
+phrase "Project Gutenberg" appears, or with which the phrase "Project
+Gutenberg" is associated) is accessed, displayed, performed, viewed,
+copied or distributed:
+
+This eBook is for the use of anyone anywhere at no cost and with
+almost no restrictions whatsoever. You may copy it, give it away or
+re-use it under the terms of the Project Gutenberg License included
+with this eBook or online at www.gutenberg.org
+
+1.E.2. If an individual Project Gutenberg-tm electronic work is derived
+from the public domain (does not contain a notice indicating that it is
+posted with permission of the copyright holder), the work can be copied
+and distributed to anyone in the United States without paying any fees
+or charges. If you are redistributing or providing access to a work
+with the phrase "Project Gutenberg" associated with or appearing on the
+work, you must comply either with the requirements of paragraphs 1.E.1
+through 1.E.7 or obtain permission for the use of the work and the
+Project Gutenberg-tm trademark as set forth in paragraphs 1.E.8 or
+1.E.9.
+
+1.E.3. If an individual Project Gutenberg-tm electronic work is posted
+with the permission of the copyright holder, your use and distribution
+must comply with both paragraphs 1.E.1 through 1.E.7 and any additional
+terms imposed by the copyright holder. Additional terms will be linked
+to the Project Gutenberg-tm License for all works posted with the
+permission of the copyright holder found at the beginning of this work.
+
+1.E.4. Do not unlink or detach or remove the full Project Gutenberg-tm
+License terms from this work, or any files containing a part of this
+work or any other work associated with Project Gutenberg-tm.
+
+1.E.5. Do not copy, display, perform, distribute or redistribute this
+electronic work, or any part of this electronic work, without
+prominently displaying the sentence set forth in paragraph 1.E.1 with
+active links or immediate access to the full terms of the Project
+Gutenberg-tm License.
+
+1.E.6. You may convert to and distribute this work in any binary,
+compressed, marked up, nonproprietary or proprietary form, including any
+word processing or hypertext form. However, if you provide access to or
+distribute copies of a Project Gutenberg-tm work in a format other than
+"Plain Vanilla ASCII" or other format used in the official version
+posted on the official Project Gutenberg-tm web site (www.gutenberg.org),
+you must, at no additional cost, fee or expense to the user, provide a
+copy, a means of exporting a copy, or a means of obtaining a copy upon
+request, of the work in its original "Plain Vanilla ASCII" or other
+form. Any alternate format must include the full Project Gutenberg-tm
+License as specified in paragraph 1.E.1.
+
+1.E.7. Do not charge a fee for access to, viewing, displaying,
+performing, copying or distributing any Project Gutenberg-tm works
+unless you comply with paragraph 1.E.8 or 1.E.9.
+
+1.E.8. You may charge a reasonable fee for copies of or providing
+access to or distributing Project Gutenberg-tm electronic works provided
+that
+
+- You pay a royalty fee of 20% of the gross profits you derive from
+ the use of Project Gutenberg-tm works calculated using the method
+ you already use to calculate your applicable taxes. The fee is
+ owed to the owner of the Project Gutenberg-tm trademark, but he
+ has agreed to donate royalties under this paragraph to the
+ Project Gutenberg Literary Archive Foundation. Royalty payments
+ must be paid within 60 days following each date on which you
+ prepare (or are legally required to prepare) your periodic tax
+ returns. Royalty payments should be clearly marked as such and
+ sent to the Project Gutenberg Literary Archive Foundation at the
+ address specified in Section 4, "Information about donations to
+ the Project Gutenberg Literary Archive Foundation."
+
+- You provide a full refund of any money paid by a user who notifies
+ you in writing (or by e-mail) within 30 days of receipt that s/he
+ does not agree to the terms of the full Project Gutenberg-tm
+ License. You must require such a user to return or
+ destroy all copies of the works possessed in a physical medium
+ and discontinue all use of and all access to other copies of
+ Project Gutenberg-tm works.
+
+- You provide, in accordance with paragraph 1.F.3, a full refund of any
+ money paid for a work or a replacement copy, if a defect in the
+ electronic work is discovered and reported to you within 90 days
+ of receipt of the work.
+
+- You comply with all other terms of this agreement for free
+ distribution of Project Gutenberg-tm works.
+
+1.E.9. If you wish to charge a fee or distribute a Project Gutenberg-tm
+electronic work or group of works on different terms than are set
+forth in this agreement, you must obtain permission in writing from
+both the Project Gutenberg Literary Archive Foundation and Michael
+Hart, the owner of the Project Gutenberg-tm trademark. Contact the
+Foundation as set forth in Section 3 below.
+
+1.F.
+
+1.F.1. Project Gutenberg volunteers and employees expend considerable
+effort to identify, do copyright research on, transcribe and proofread
+public domain works in creating the Project Gutenberg-tm
+collection. Despite these efforts, Project Gutenberg-tm electronic
+works, and the medium on which they may be stored, may contain
+"Defects," such as, but not limited to, incomplete, inaccurate or
+corrupt data, transcription errors, a copyright or other intellectual
+property infringement, a defective or damaged disk or other medium, a
+computer virus, or computer codes that damage or cannot be read by
+your equipment.
+
+1.F.2. LIMITED WARRANTY, DISCLAIMER OF DAMAGES - Except for the "Right
+of Replacement or Refund" described in paragraph 1.F.3, the Project
+Gutenberg Literary Archive Foundation, the owner of the Project
+Gutenberg-tm trademark, and any other party distributing a Project
+Gutenberg-tm electronic work under this agreement, disclaim all
+liability to you for damages, costs and expenses, including legal
+fees. YOU AGREE THAT YOU HAVE NO REMEDIES FOR NEGLIGENCE, STRICT
+LIABILITY, BREACH OF WARRANTY OR BREACH OF CONTRACT EXCEPT THOSE
+PROVIDED IN PARAGRAPH F3. YOU AGREE THAT THE FOUNDATION, THE
+TRADEMARK OWNER, AND ANY DISTRIBUTOR UNDER THIS AGREEMENT WILL NOT BE
+LIABLE TO YOU FOR ACTUAL, DIRECT, INDIRECT, CONSEQUENTIAL, PUNITIVE OR
+INCIDENTAL DAMAGES EVEN IF YOU GIVE NOTICE OF THE POSSIBILITY OF SUCH
+DAMAGE.
+
+1.F.3. LIMITED RIGHT OF REPLACEMENT OR REFUND - If you discover a
+defect in this electronic work within 90 days of receiving it, you can
+receive a refund of the money (if any) you paid for it by sending a
+written explanation to the person you received the work from. If you
+received the work on a physical medium, you must return the medium with
+your written explanation. The person or entity that provided you with
+the defective work may elect to provide a replacement copy in lieu of a
+refund. If you received the work electronically, the person or entity
+providing it to you may choose to give you a second opportunity to
+receive the work electronically in lieu of a refund. If the second copy
+is also defective, you may demand a refund in writing without further
+opportunities to fix the problem.
+
+1.F.4. Except for the limited right of replacement or refund set forth
+in paragraph 1.F.3, this work is provided to you 'AS-IS' WITH NO OTHER
+WARRANTIES OF ANY KIND, EXPRESS OR IMPLIED, INCLUDING BUT NOT LIMITED TO
+WARRANTIES OF MERCHANTIBILITY OR FITNESS FOR ANY PURPOSE.
+
+1.F.5. Some states do not allow disclaimers of certain implied
+warranties or the exclusion or limitation of certain types of damages.
+If any disclaimer or limitation set forth in this agreement violates the
+law of the state applicable to this agreement, the agreement shall be
+interpreted to make the maximum disclaimer or limitation permitted by
+the applicable state law. The invalidity or unenforceability of any
+provision of this agreement shall not void the remaining provisions.
+
+1.F.6. INDEMNITY - You agree to indemnify and hold the Foundation, the
+trademark owner, any agent or employee of the Foundation, anyone
+providing copies of Project Gutenberg-tm electronic works in accordance
+with this agreement, and any volunteers associated with the production,
+promotion and distribution of Project Gutenberg-tm electronic works,
+harmless from all liability, costs and expenses, including legal fees,
+that arise directly or indirectly from any of the following which you do
+or cause to occur: (a) distribution of this or any Project Gutenberg-tm
+work, (b) alteration, modification, or additions or deletions to any
+Project Gutenberg-tm work, and (c) any Defect you cause.
+
+
+Section 2. Information about the Mission of Project Gutenberg-tm
+
+Project Gutenberg-tm is synonymous with the free distribution of
+electronic works in formats readable by the widest variety of computers
+including obsolete, old, middle-aged and new computers. It exists
+because of the efforts of hundreds of volunteers and donations from
+people in all walks of life.
+
+Volunteers and financial support to provide volunteers with the
+assistance they need are critical to reaching Project Gutenberg-tm's
+goals and ensuring that the Project Gutenberg-tm collection will
+remain freely available for generations to come. In 2001, the Project
+Gutenberg Literary Archive Foundation was created to provide a secure
+and permanent future for Project Gutenberg-tm and future generations.
+To learn more about the Project Gutenberg Literary Archive Foundation
+and how your efforts and donations can help, see Sections 3 and 4
+and the Foundation web page at https://www.pglaf.org.
+
+
+Section 3. Information about the Project Gutenberg Literary Archive
+Foundation
+
+The Project Gutenberg Literary Archive Foundation is a non profit
+501(c)(3) educational corporation organized under the laws of the
+state of Mississippi and granted tax exempt status by the Internal
+Revenue Service. The Foundation's EIN or federal tax identification
+number is 64-6221541. Its 501(c)(3) letter is posted at
+https://pglaf.org/fundraising. Contributions to the Project Gutenberg
+Literary Archive Foundation are tax deductible to the full extent
+permitted by U.S. federal laws and your state's laws.
+
+The Foundation's principal office is located at 4557 Melan Dr. S.
+Fairbanks, AK, 99712., but its volunteers and employees are scattered
+throughout numerous locations. Its business office is located at
+809 North 1500 West, Salt Lake City, UT 84116, (801) 596-1887, email
+business@pglaf.org. Email contact links and up to date contact
+information can be found at the Foundation's web site and official
+page at https://pglaf.org
+
+For additional contact information:
+ Dr. Gregory B. Newby
+ Chief Executive and Director
+ gbnewby@pglaf.org
+
+
+Section 4. Information about Donations to the Project Gutenberg
+Literary Archive Foundation
+
+Project Gutenberg-tm depends upon and cannot survive without wide
+spread public support and donations to carry out its mission of
+increasing the number of public domain and licensed works that can be
+freely distributed in machine readable form accessible by the widest
+array of equipment including outdated equipment. Many small donations
+($1 to $5,000) are particularly important to maintaining tax exempt
+status with the IRS.
+
+The Foundation is committed to complying with the laws regulating
+charities and charitable donations in all 50 states of the United
+States. Compliance requirements are not uniform and it takes a
+considerable effort, much paperwork and many fees to meet and keep up
+with these requirements. We do not solicit donations in locations
+where we have not received written confirmation of compliance. To
+SEND DONATIONS or determine the status of compliance for any
+particular state visit https://pglaf.org
+
+While we cannot and do not solicit contributions from states where we
+have not met the solicitation requirements, we know of no prohibition
+against accepting unsolicited donations from donors in such states who
+approach us with offers to donate.
+
+International donations are gratefully accepted, but we cannot make
+any statements concerning tax treatment of donations received from
+outside the United States. U.S. laws alone swamp our small staff.
+
+Please check the Project Gutenberg Web pages for current donation
+methods and addresses. Donations are accepted in a number of other
+ways including including checks, online payments and credit card
+donations. To donate, please visit: https://pglaf.org/donate
+
+
+Section 5. General Information About Project Gutenberg-tm electronic
+works.
+
+Professor Michael S. Hart was the originator of the Project Gutenberg-tm
+concept of a library of electronic works that could be freely shared
+with anyone. For thirty years, he produced and distributed Project
+Gutenberg-tm eBooks with only a loose network of volunteer support.
+
+
+Project Gutenberg-tm eBooks are often created from several printed
+editions, all of which are confirmed as Public Domain in the U.S.
+unless a copyright notice is included. Thus, we do not necessarily
+keep eBooks in compliance with any particular paper edition.
+
+
+Most people start at our Web site which has the main PG search facility:
+
+ https://www.gutenberg.org
+
+This Web site includes information about Project Gutenberg-tm,
+including how to make donations to the Project Gutenberg Literary
+Archive Foundation, how to help produce our new eBooks, and how to
+subscribe to our email newsletter to hear about new eBooks.