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diff --git a/28122-h/28122-h.htm b/28122-h/28122-h.htm new file mode 100644 index 0000000..b9b301b --- /dev/null +++ b/28122-h/28122-h.htm @@ -0,0 +1,1611 @@ +<!DOCTYPE html PUBLIC "-//W3C//DTD XHTML 1.0 Strict//EN" +"http://www.w3.org/TR/xhtml1/DTD/xhtml1-strict.dtd"> +<html xmlns="http://www.w3.org/1999/xhtml"> +<head> +<meta http-equiv="Content-Type" content="text/html;charset=utf-8" /> +<meta http-equiv="Content-Style-Type" content="text/css" /> +<title>The Project Gutenberg eBook of Tractado da Terra do Brasil, by Pero de Magalhães Gandavo</title> + +<style type="text/css"> + +body{margin-left: 10%; +margin-right: 10%; +} + +p { margin-top: .75em; +text-align: justify; +margin-bottom: .75em; +} +h1,h2,h3,h4,h5,h6 { +text-align: center; /* all headings centered */ +clear: both; +} +hr { width: 33%; +margin-top: 2em; +margin-bottom: 2em; +margin-left: auto; +margin-right: auto; +clear: both; +} +table {margin-left: auto; margin-right: auto;} +.sidenote {width: 20%; padding-bottom: .5em; padding-top: .5em; +padding-left: .5em; padding-right: .5em; margin-left: 1em; +float: right; clear: right; margin-bottom: 1em; +font-size: smaller; color: black; background: #eeeeee; border: dashed 1px;} +.center {text-align: center;} +.u {text-decoration: underline;} +.mynote {background-color: #DDE; color: #000; padding: .5em; +margin: 1em 5%; font-family: sans-serif; font-size: 95%;} + +</style> +</head> +<body> + +<div style='text-align:center; font-size:1.2em; font-weight:bold;'>The Project Gutenberg eBook of Tractado da terra do Brasil, by Pedro de Magalhães Gandavo</div> +<div style='display:block;margin:1em 0'> +This eBook is for the use of anyone anywhere in the United States and +most other parts of the world at no cost and with almost no restrictions +whatsoever. You may copy it, give it away or re-use it under the terms +of the Project Gutenberg License included with this eBook or online +at <a href="https://www.gutenberg.org">www.gutenberg.org</a>. If you +are not located in the United States, you will have to check the laws of the +country where you are located before using this eBook. +</div> +<div style='display:block; margin-top:1em; margin-bottom:1em; margin-left:2em; text-indent:-2em'>Title: Tractado da terra do Brasil<br /> +no qual se contem a informação das cousas que ha nestas partes feito por P.º de Magalhaes</div> +<div style='display:block; margin-top:1em; margin-bottom:1em; margin-left:2em; text-indent:-2em'>Author: Pedro de Magalhães Gandavo</div> +<div style='display:block;margin:1em 0'>Release Date: February 20, 2009 [eBook #28122]<br /> +[Most recently updated: January 2, 2021]</div> +<div style='display:block;margin:1em 0'>Language: Portuguese</div> +<div style='display:block;margin:1em 0'>Character set encoding: UTF-8</div> +<div style='display:block; margin-left:2em; text-indent:-2em'>Produced by: Júlio Reis, Carlo Traverso and the Online Distributed Proofreading Team</div> +<div style='margin-top:2em;margin-bottom:4em'>*** START OF THE PROJECT GUTENBERG EBOOK TRACTADO DA TERRA DO BRASIL ***</div> + +<div class="mynote"> +<p> +Notas de transcrição: +</p> +<ul> +<li>a grafia do +século XVI era totalmente livre; portanto, nenhum +esforço foi feito para harmonizar acentos, grafia etc.</li> +</ul> +</div> +<div class="mynote"> +<!-- Autogenerated TOC. Modify or delete as required. --> +<p> +<a href="#Ao_muy_alto_e_Serenissimo_Principe_dom_Anrrique_Cardeal_Iffante_de"><b>Ao +muy alto e Serenìssimo Principe dom Anrrique Cardeal Iffante +de portugal.</b></a><br /> +<a href="#Prollogo_Ao_lector"><b>Prollogo Ao lector.</b></a><br /> +<a href="#Declaracao_da_costa"><b>Declaracão +da costa.</b></a><br /> +</p> +<blockquote><p> +<a href="#Cap_1_da_capitania_de_Tamaraca"><b>Cap. +1.º da capitania de Tamaracá.</b></a><br /> +<a href="#Cap_2_da_capitania_de_Phernabuco"><b>Cap. +2.º da capitania de Phernãbuco.</b></a><br /> +<a href="#Cap_3_da_capitania_da_Bahya_de_Todollos_Sanctos"><b>Cap. +3. da capitania da Bahya de Todollos Sanctos.</b></a><br /> +<a href="#Cap_4_da_capitania_dos_Ilheos"><b>Cap. +4.º da capitania dos Ilheos.</b></a><br /> +<a href="#Cap_5_dua_nascao_de_gentio_-X-q_se_acha_nesta_Capitania"><b>Cap. +5.º duã nascaõ de gentio q̃ se acha +nesta Capitania.</b></a><br /> +<a href="#Cap_6_da_Capitania_de_Porto_seguro"><b>Cap. +6. da Capitania de Porto seguro.</b></a><br /> +<a href="#Cap_7_da_Capitania_do_spirito_sancto"><b>Cap. +7.º da Capitania do spirito sancto.</b></a><br /> +<a href="#Cap_8_da_Capitania_do_Rio_de_Janeiro"><b>Cap. +8.º da Capitania do Rio de Janeiro.</b></a><br /> +<a href="#Cap_9_da_Capitania_de_SanVicente"><b>Cap. +9.º da Capitania de SanViçente.</b></a> +</p> +</blockquote> +<p> +<a href="#Tractado_segundo_das_cousas_que_sao_gerais_por_toda_Costa_do_Brasil"><b>Tractado +segundo das cousas que são gerais por toda Costa do Brasil</b></a><br /> +</p> +<blockquote><p> +<a href="#Cap_1_das_fazendas_da_terra"><b>Cap. +1.º das fazendas da terra</b></a><br /> +<a href="#Cap_2_dos_custumes_da_terra"><b>Cap. +2.º dos custumes da terra</b></a><br /> +<a href="#Cap_3_das_callidades_da_terra"><b>Cap. +3.º das callidades da terra.</b></a><br /> +<a href="#Cap_4_dos_mantimentos_da_terra"><b>Cap. +4.º dos mantimentos da terra.</b></a><br /> +<a href="#Cap_5_da_caca_da_terra"><b>Cap. +5.º da caça da terra.</b></a><br /> +<a href="#Cap_6_das_fruitas_da_terra"><b>Cap. +6.º das fruitas da terra.</b></a><br /> +<a href="#Cap_7_da_Condicao_E_Custumes_dos_indios_da_terra"><b>Cap. +7.º da Condiçaõ E Custumes dos indios da +terra.</b></a><br /> +<a href="#Cap_8_dos_bichos_da_terra"><b>Cap. +8.º dos bichos da terra.</b></a><br /> +<a href="#Cap_9_da_terra_-X-q_certos_homes_da_Capitania_de_porto_seguro_forao_a"><b>Cap. +9.º da terra q̃ certos homẽs da Capitania +de porto seguro forão a descobrir, e do q̃ +acharão nella.</b></a> +</p><!-- End Autogenerated TOC. --></blockquote> +</div> + +<h1>TRACTADO DATERRA<br /> +do Brasil no qual Se cõtem<br /> +a informaçaõ das<br /> +cousas que ha nestas<br /> +partes feito por<br /> +Pº de magalhaẽs.</h1> + +<hr style="width: 65%;" /> + +<h2><a name="Ao_muy_alto_e_Serenissimo_Principe_dom_Anrrique_Cardeal_Iffante_de" id="Ao_muy_alto_e_Serenissimo_Principe_dom_Anrrique_Cardeal_Iffante_de"></a>Ao +muy alto e Serenìssimo Principe dom Anrrique Cardeal Iffante +de portugal. +</h2> + +<p> +Posto que os dias passados apresentei outro sũmario da terra do brasil a elRei +nosso snõr, foi por comprir primeiro com esta obrigação de vassallo que todos +deuemos anosso Rei: e por esta razáo me pareçeo cousa mui necessaria, (muýto +Alto e serenissimo snõr) offereçer tambem este a V. A. aquẽ se deuem Refirir os +louuores e acreçentamento das terras q̃ nestes Reinos floreçem: pois sempre +deseiou tanto augmentallas e conseruar seus subditos e vassallos ẽ perpetua +paz. +</p> + +<p> +Como eu isto entenda, e conheça quam aççeitos saõ os bõs seruiços a V. A. que +ao Reino se fazem imaginei comigo que podia trazer destas partes com que desse +testemunho de minha pura tençaõ: e acheý que naõ se podia dũ fraco homẽ esperar +maior seruiço (ainda que tal naõ pareça) que lançar maõ desta informaçaõ da +terra do Brasil (cousa q̃ ategora naõ imprendeo pessoa algũa) pera q̃ nestes +Reinos se deuulge sua fertillidade e prouoque amuitas pessoas pobres que se vaõ +viuer aesta prouinçia, que nisso consiste a felliçidade e augmento della. E +porque V. A. sabe quanto seruiço de Deos e delRei nosso Snõr seýa esta +denunçiaçaõ determineý collegilla com deliberaçaõ de a offereçer a V. A. aquẽ +humilmente peço ma Reçeba, e com tamanha merçe ficarei satisfeito Rogando a +nosso Sñor lhe de prosperos e largissimos annos de vida e deixe permaneçer Seu +Real estado emperpetua filliçidade. amẽ. +</p> + +<p class="center"> +Humilde vassallo de V. A. Pero de magalhães +</p> + +<hr style="width: 65%;" /> + +<h2><a name="Prollogo_Ao_lector" id="Prollogo_Ao_lector"></a>Prollogo Ao +lector.</h2> + +<p> +Minha tençaõ naõ foi outra neste summario (discreto e corioso lector) senaõ de +nunçiar em breues pallauras a fertillidade e abundançia da terra do brasil, +pera que esta fama venha a notiçia de muitas pessoas que nestes Reinos viuem +com pobreza, e naõ duuidem escolhelha pera seu Remedio: porq̃ a mesma terra he +tam natural e fauorauel aos estranhos que a todos agazalha e conuida com +Remedio por pobres e desemparados que seiaõ. Eassy cada vez se vay fazendo mais +prospera, e depois q̃ as terras viçosas se forem pouoando (que agora estaõ +desertas por falta de gente) haõ se de fazer nellas grossas fazendas como ia +estaõ feitas nas q̃ possuem os moradores da terra, etambem se espera desta +prouinçia que por tempo floreça tanto na Requeza como as Antilhas de Castella +por que he çerto ser en si aterra mui riqua e auer nella m<sup>tos</sup> +metais, osquais ategora se naõ descobrẽ ou pornaõ auer gente na terra pera +cometer esta impreza, outambem por negligençia dos moradores que se naõ querem +despor aesse trabalho: qual seja a causa por que o deixaõ de fazer naõ sei. Mas +permittira nosso snõr que ainda em nossos dias se descubrã nella grãdes +thezouros, assy pera seruiço e augmẽto de S. A. como pera porueito de seus +vassallos que o deseião seruir. +</p> + +<hr style="width: 65%;" /> + +<h2><a name="Declaracao_da_costa" id="Declaracao_da_costa"></a>Declaracão da +costa.</h2> + +<p> +Esta costa do brasil está pera a parte do occidente, corre se de norte e sul. +Da primeira pouoaçaõ a tederradeira ha trezẽtas e sincoenta legoas. Saõ oito +capitanias todas tem portos mui seguros onde podẽ entrar quais quer naos por +grandes que seiaõ. Naõ ha pella terra dentro pouoações de portugeses por causa +dos indios que naõ no consente, etambem pello soccorro e tractos do Reino lhes +he neçessario estarem iunto domar pera terẽ comunicação de mercadorias. E por +este Respeito viuẽ todos junto da Costa. +</p> + +<hr style="width: 65%;" /> + +<h2><a name="Cap_1_da_capitania_de_Tamaraca" id="Cap_1_da_capitania_de_Tamaraca"></a>Cap. +1.º da capitania de Tamaracá.</h2> + +<p> +A pouoaçaõ da primeira capitania e mais antiga está nuã ilha que se chama +Tamaracá pegada com aterra firme, tem tres legoas de comprido e duas de largo: +tẽ trinta e sinco legoas de terra pella costa pera o norte. He de dona Jeronima +dalBuquerque molher que foi de Pero Lopez de Sousa naqual tem posto Capitaõ de +sua maõ. ha nella hũ engenho dassucre, e agora se fazẽ dous nouamẽte, e muito +pao do brasil e algodaõ. Pode ter ate çẽ vezinhos. Ha nesta capitania muitas e +boas terras pera se pouoarem e fazerem nellas fazendas. +</p> + +<hr style="width: 65%;" /> + +<h2><a name="Cap_2_da_capitania_de_Phernabuco" id="Cap_2_da_capitania_de_Phernabuco"></a>Cap. +2.º da capitania de Phernãbuco.</h2> + +<p> +A capitania de Phernambuco + +<span class="sidenote">Noua Lusitania a chamã muytos pollas frequẽcia, é +policia</span> + +está sinco legoas de Tamaracá pera o sul em altura de oito graos, daqual he +capitaõ e gouernador Duarte coelho dalBuquerque. Tem duas pouoações, a +prinçipal se chama Olinda, a outra Guarassú que esta quatro legoas pella terra +dentro. Auera nesta capitania mil vezinhos. Tem <span class="u">vinte +etres</span> + +<span class="sidenote">agora som .60. anno de 1587.</span> + +engenhos dassucre, posto que tres ou quatro delles naõ saõ ainda acabados. +</p> + +<p> +Algũs moem com bois aestes chamã tripiches, fazem menos assucre que os outros. +mas amaior parte dos engenhos do brasil moẽ com agoa. Cada engenho destes hũ +poroutro, faz <span class="u">trez</span> + +<span class="sidenote">agora quatro mil q̃ sam todas as arrouas q̃ se librã +aqui, 240. M.</span> + +mil arrobas cadano. nesta capitania se fazem mais assucres que nas outras, +porque ouue anno que passaraõ de sincoenta mil arrobas, ainda que o Rendimento +delles naõ he çerto, saõ segundo asnouidades e os tempos que se offereçẽ. Esta +seacha huã das Ricas terras do brasil, tem muitos escrauos indios q̃ he +aprinçipal fazenda daterra. Daqui os leuaõ e compram pera todellas outras +capitanias, porque ha nesta muitos, emais baratos que entoda costa. ha muitos +pao do brasil e algodaõ de que enrriqueçẽ os moradores desta capitania. +</p> + +<p> +O porto + +<span class="sidenote">a este porto se entra por un canal tam estreyto, q̃ +apenas cabe una náo por elle y sino entra cõ muyto tẽto, da en pedra viua y +perdesse ô qual acõtece muytas vezes aos exprimẽtados: por isso se chama +Paranambuc. q̃ quer dix Mar furado</span> + +onde os nauios entraõ está hũa legoa da pouoaçaõ Olinda seruense pella praya e +tambem por hũ Rio pequeno que vai dar junto da mesma pouoaçaõ. Aesta capitania +vaõ cadanno mais nauios do Reino que anenhuã das outras. Hanella hũ mosteiro de +padres da companhia de Jesus. +</p> + +<h2>Rios.</h2> + +<p> +Ha dous Rios caudais ate a Bahia de todollos sanctos. hũ se chama de saõ +francisco, está em dez graos e meyo, oqual entra nomar contanta furia q̃ vinte +legoas pello mesmo mar correm suas agoas outro Rio está em onze graos e dous +terços que se chama o Rio Real, tambem he muigrande e correm muito suas agoas +pello mar. +</p> + +<hr style="width: 65%;" /> + +<h2><a name="Cap_3_da_capitania_da_Bahya_de_Todollos_Sanctos" id="Cap_3_da_capitania_da_Bahya_de_Todollos_Sanctos"></a>Cap. +3. da capitania da Bahya de Todollos Sanctos.</h2> + +<p> +A Capitania da Bahia de todollos sanctos esta çem legoas de phernãbuco emaltura +de treze graos. terra del Rei nosso snõr onde Residem os gouernadores e bispo e +ouuidor geral de toda costa. esta he a terra mais pouoada de portugueses que ha +nobrasil. Tem tres pouoaçoẽs, a prinçipal he a cidade do saluador. Aoutra se +chama Villa Velha que esta junto da barra, Esta pouoaçaõ foi aprimeira que ouue +nesta capitania: de pois Thome de Sousa Sendo gouernador edificou esta cidade +do saluador mais adiãte meýa legoa ao longo da Bahia por ser lugar mais +comueniente e porueitoso pera osmoradores da terra. Quatro legoas pella terra +dentro está outraq̃ se chama Paripé. pode auer nesta capitania mil e çem +vezinhos. Tem dez oito engenhos, algũs sefazem nouamẽte: tambem se tira delles +muito assucre, ainda que osmoradores se lançã mais aoalgodaõ que a canas +dassucres porque se daa milhor naterra. +</p> + +<p> +Dentro da çidade está hũ mosteiro de padres da companhia de Jesus, noqual tem +colegio onde ensinã latim e casos de consçiençia. Afora este ha sinco igreias +pella terra dentro antre os indios forros onde Residẽ algũs padres pera fazerẽ +christaõs e casarem osmesmos indios por naõ estarẽ amãçebados. +</p> + +<p> +Esta capitania tem huã bahya mui grande e fermosa, he tres legoas de largo e +nauegase quinze porella dentro. tẽ muitas ilhas de terras mui viçosas quedaõ +infinito algodaõ, diuidese em muitas partes esta bahia: etem muitos braços e +enseadas dentro. Os moradores da terra todos se seruem porella cõ barcos pera +suas fazendas. +</p> + +<h2>Rios.</h2> + +<p> +Doze legoas desta bahia de todollos sanctos esta hũ Rio que se chama Tinharée +onde se Recolhem muitas embarcações q̃ passã, pera as outras capitanias. Tres +legoas por elle dentro está hũ engenho dum Bastiã de ponte, junto doqual estaõ +muitas terras perdidas por falta de moradores, dasquais se consegiria muito +porueito se as pouoassem. Mais auante seis legoas esta hũ Rio que se chama +Camamù em treze graos e dous terços, no qual podẽ entrar quais quer naos +seguramente. quatro sinco legoas porelle dentro. Ao longo deste Rio ha terras +mui viçosas e muitas agoas pera se poderẽ fazer engenhos dassucre, as quais +tambem se perdem por naõ auer gente que as va pouoar. Tem dentro alguãs ilhas +de terras mui grossas e acomodadas pera se fazerem nellas muita fazenda. Neste +mesmo Rio ha muito peixe em estremo, e junto delle muita infinita caça de +porcos e veados. Aqui se pode fazer huã pouoação onde os homẽs viuaõ mui +abastados e façaõ muitas fazendas. Ha outro que se chama o Rio das contas, está +em quatorze graos e meyo, mas naõ he tangrande, ainda q̃ tambem entrão nelle +alguãs embarcações. Entodos estes Rios ha muita abundançia de peixes e de Caça. +</p> + +<hr style="width: 65%;" /> + +<h2><a name="Cap_4_da_capitania_dos_Ilheos" id="Cap_4_da_capitania_dos_Ilheos"></a>Cap. +4.º da capitania dos Ilheos.</h2> + +<p> +A Capitania dos Ilheos está trinta legoas da Bahia de todollas sanctos em +quatorze graos e dous terços. he de francisco giraldez na qual tem posto +capitaõ de sua maõ. Pode auer nella dozentos vezinhos. Tem hũ Rio onde os +nauios entraõ oqual está junto da pouoaçaõ. diuidesse emmuitas partes pella +terradentro, seruẽse os moradores porelhe pera suas fazendas em almadias. ha +nesta capitania oito engenhos dassucre. dentro da pouoação está hũ mosteiro de +Padres da companhia de Jesus q̃ agora se faz nouamente. +</p> + +<p> +Sete legoas da mesma pouoaçaõ pella terra dentro está huã lagoa dagoa doçe q̃ +tem tres legoas de comprido e tresde largo etem dez quinze braças de fundo e +dahi pera sima. Sae della hũ Rio pequeno pello qual vaõ la ter barcos. tẽ esta +lagoa hũ bocal neste Rio tam estreito, que apenas cabe hũ barco por elle, e +depois que anda dentro quasi naõ sabe determinar por onde entrou. Ten, tanta +abundançia dagoa que podem andar nella quais quer naos por grãdes que seiaõ a +vella: e assy quando vẽta muito, alleuantam se alli ondas tam foriosas como se +fosse no meyo do mar comtormenta. Tem muita infinidade de peixes grandes e +pequenos. Criamse nella muitos Peixes bois os quais tem o foçinho como de boi e +dous cotos com que nadaõ amaneira de braços, naõ tem nenhuã escama nẽ outra +feiçaõ de peixe se naõ o Rabo. Matamnos com arpoẽs, saõ tam gordos e tamanhos +q̃ algũs pezaõ trinta corenta arrobas. he hũ peixe muito sabroso e totalmente +pareçe carne e assy tem o gosto della, assado pareçe lombo de porco ou de +veado, cozese com couves e guizase como carne, nẽ pessoa alguã o come que o +tenha por peixe saluo se o conheçer primeiro. As femeas tem duas mamas pellas +quais mamão os filhos e criamse com leite (cousa q̃ se naõ acha noutro peixe +algũ) tambem ha destes emalguãs bahias e Rios desta costa, e posto que se criẽ +no mar, custumã beber agoa doçe porisso acodem muitos aesta lagoa, ou a parte +onde algũ Ribeiro se meta no mar. Tambem ha muitos tubaroẽs nesta lagoa, e +lagartos e muitas cobras, E achamse nella outros mõstros marinhos de diuersas +maneiras. Ha muitas terras e mui viçosas orredor della, e muita caça, E neste +rio que sae da lagoa muita fertilidade de peixe. Finalmente que huã das +abastadas terres de mantimentos q̃ que ha no Brasil he esta capitania dos +ilheos. +</p> + +<hr style="width: 65%;" /> + +<h2><a name="Cap_5_dua_nascao_de_gentio_-X-q_se_acha_nesta_Capitania" id="Cap_5_dua_nascao_de_gentio_-X-q_se_acha_nesta_Capitania"></a>Cap. +5.º duã nascaõ de gentio q̃ se acha +nesta Capitania.</h2> + +<p> +Pellas terras desta capitania ate junto do Spiro sancto, se acha hũa çerta +nasçaõ de gentio que veo do çertaõ ha sinco ou seis annos, e dizem q̃ outros +indios contrarios destes, vierão sobrelles a suas terras, e os destruiraõ todos +e os que fogiraõ saõ estes q̃ andaõ pella costa. chamãse Aýmores, a lingoa +delles he differente dos outros indios, ningẽ os entende, saõ delles tam altos +e taõ largos do corpo q̃ quasi pareçẽ gigantes. Saõ mui aluos naõ tem pareçer +dos outros indios da terra nẽ tem casas nẽ pouoaçoẽs onde morẽ, viuẽ antre os +matos como brutos animais: saõ mui forçosos em estremo, trazem hũs arcos mui +compridos e grossos conforme a suas forças e as frechas da mesma maneira. Estes +indios tem feito muito dano aos moradores de pois que vieraõ aesta costa e +mortos algũs portugeses e escrauos porq̃ saõ imigos de toda gente. Naõ pelleyaõ +em campo nẽ tem animo pera isso, poẽ se antre omato junto dalgũ caminho e tanto +q̃ passa algem attiraõlhe ao coraçaõ ou aparte onde o matem e naõ despedem +frecha que naõ na empregem. finalmente que naõ tem Rosto direito aningẽ senaõ a +treiçaõ fazem a sua. As molheres trazem hũs paos tostados comque pelleiaõ. +Estes indios naõ viuem senaõ pella frecha, seu mantimẽto he caça bichos e carne +humana fazem fogo de baixo do chaõ pornaõ serẽ sentidos nẽ saberem onde andaõ. +Muitas terras viçosas estaõ perdidas junto desta capitania, as quais naõ saõ +possuidas dos Portugeses por causa destes indios. Naõ se pode achar Remedio +pera os destruirem porq̃ naõ tem morada certa, nem saem nunca dantre o matto: E +assi quando cuidamos q̃ vaõ fogindo ante quẽ os persege entaõ ficam atraz +escondidos e atiraõ aos que passaõ descuidados, Desta maneira mataõ alguã +gente. todos quantos indios ha no brasil saõ seus imigos e temẽnos muito porque +he gente atreiçoada. E assy onde os ha nenhũ morador vai a sua fazenda por +terra q̃ naõ leue quinze vinte escrauos consigo de arcos e frechas. Estes +Aymores são mui feros e crueis, naõ se pode cõ pallauras encareçer a dureza +desta gẽte. Naõ andaõ todos juntos, derramamse por muitas partes, equando +sequerem ajuntar assubiã como passaros ou como bogios demaneira que hũs aos +outros se entendem e se conheçẽ. Tambem os portugeses mataõ algũs delles, e tem +muitos destruidos, principalmente nesta capitania dos ilheos, eguardaõse muito +delles por que ja sabem suas manhas e conheçẽ muibem sua mallicia. +</p> + +<hr style="width: 65%;" /> + +<h2><a name="Cap_6_da_Capitania_de_Porto_seguro" id="Cap_6_da_Capitania_de_Porto_seguro"></a>Cap. +6. da Capitania de Porto seguro.</h2> + +<p> +A capitania de Porto seguro está trinta legoas dos jlheos em dezaseis graos e +meýo. He do Duque daueiro, na qual tem posto capitaõ de sua maõ. Tem tres +pouoaçoẽs a prinçipal he porto seguro que está junto do porto onde os nauios +entraõ. outra está dahi huã legoa q̃ se chama sancto amaro outra Sancta Cruz +que está dahi quatro legoas pera o norte. pode auer nesta capitania dozentos e +vinte vezinhos. Tem sinco engenhos dassucre. Ha nella hũ mosteiro de padres da +companhia de Jesus. Tambem chegaõ aesta capitania os Aymorés e fazem nella dano +aos moradores como nos ilheos. he terra mui abastada de caça, e de peixes que +mataõ no Rio que está junto da pouoacaõ. +</p> + +<hr style="width: 65%;" /> + +<h2><a name="Cap_7_da_Capitania_do_spirito_sancto" id="Cap_7_da_Capitania_do_spirito_sancto"></a>Cap. +7.º da Capitania do spirito sancto.</h2> + +<p> +A Capitania do spirito sancto está sincoẽta, legoasde Porto seguro em vinte +graos, da qual he capitaõ e gouernador Vasco fernandes coutinho. Tem hũ engenho +somente, tira se delle omilhor assucre q̃ ha entodo Brasil. Ha nella muito +algodaõ e pao do brasil. Pode ter ate cento e oitenta vezinhos, Ha dentro da +pouoaçaõ hũ mosteiro de padres da Companhia de Jesus. Tem hũ Rio muj grande +onde os nauios entraõ, noqual se achaõ mais peixes bois que noutro nenhũ Rio +desta Costa. No mar junto desta Capitania mataõ grande copia de peixes grandes +E de toda maneira, e tambem nomesmo Rio ha muita abundançia delles. Nesta +capitania ha muitas terras e muj largas onde os moradores viuẽ mui abastados +assi de mantimẽtos da terra como de fazendas. E quando se tomou a fortalleza do +Rio de Janeiro desta mesma capitania do Spirito Sancto sostentaraõ toda gente e +proueraõ sempre de mãtimẽtos neçessarios enquanto esteueraõ na terra os que a +defendiaõ. +</p> + +<p> +Rios. +</p> + +<p> +Auante desta capitania em altura de vinte e hũ graos está o Rio de paraiba este +he mui grande e fermoso e tem infinito peixe. Junto do cabo frio ẽ altura de +vinte e dous graos está a Bahia fermosa naqual se pode fazer hũa capitania de +muitos vezinhos onde tambem se perdem muitas terras por falta de gente. Outros +muitos Rios ha nestas partes q̃ deixo descreuer por serem pequenos e naõ se +fazer tanto caso delles, nẽ minha tençaõ foi outra senaõ tractar destes mais +notaueis onde se podem fazer alguãs pouoaçoẽs e cõsegir porueito das terras +viçosas que poresta costa estaõ desertas. +</p> + +<hr style="width: 65%;" /> + +<h2><a name="Cap_8_da_Capitania_do_Rio_de_Janeiro" id="Cap_8_da_Capitania_do_Rio_de_Janeiro"></a>Cap. +8.º da Capitania do Rio de Janeiro.</h2> + +<p> +A Capitania do Rio de Janeiro cidade de sam Sebastiaõ está sesenta legoas do +Spirito Sancto em vinte e tres graos e hũ terço, terra delRei nosso snõr. Pode +ter pouco mais ou menos cento e corenta vezinhos, agora se começa de pouoar +nouamente. Esta he amais fertil e viçosa terra que ha no brasil. Tem terras mui +singullares e muitas agoas pera engenhos dassucre. Ha nella muito infinito pao +do brasil de que os moradores da terra fazẽ muito porueito. Esta capitania tem +hũ Rio mui largo e fermoso diuide se dentro emmuitas partes, e quantas terras +estaõ ao longo delle se podem aporueitar, assy pera Roças de mantimentos como +pera canas dassucres e algodoẽs, porque saõ muj viçosas e milhores de quantas +ha por toda esta costa. ha nesta çidade hũ mosteiro de padres da companhia de +Jesus, os quais tambem augmentaraõ muito esta terra e deseiaõ muito vella +pouoada de muitos moradores, porq̃ saõ tomo digo as terras desta capitania mui +largas e sabem quam porueitosas saõ pera toda gente pobre que as for possuir. E +por tempo haõ se de fazer nellas grãdes fazendas: eosque la forem viuer com +esta esperança naõ se acharão enganados. +</p> + +<hr style="width: 65%;" /> + +<h2><a name="Cap_9_da_Capitania_de_SanVicente" id="Cap_9_da_Capitania_de_SanVicente"></a>Cap. +9.º da Capitania de SanViçente.</h2> + +<p> +A Capitania de sanviçente está sesenta legoas do Rio de Janeiro em Vinte +equatro graos, he de pero lopez de sousa, naqual tem posto capitaõ de sua maõ: +esta e o Rio de Janeiro saõ as mais frias terras que ha no Brasil, gea nellas +em tempo de inuerno quasi como neste Reino. Nesta capitania se deu ja trigo, +mas naõ no querẽ semear por auer na terra outros mantimẽtos de menos custo. Tem +tres pouoações, e huã fortalleza q̃ está nuã ilha junto da terra firme quatro +legoas pera onorte que se chama Britioga, daqui deffendem esta capitania dos +indios e françeses com artelharia que ha na mesma fortalleza. Aprinçipal +pouoaçaõ se chama sanctos onde está hũ mosteiro de padres da companhia de +Jesus. Aoutra mais avãte ao longo do Rio huã legoa he Sam Viçente, tambem ha +nella outro mostr.º de padres da companhia. Pella terra dẽtro dez legoas +edificarão os mesmos padres huã pouoação antre os indios que se chama o Campo +naqual Viuem muitos moradores, amayor parte delles são mamalucos filhos de +portugueses e de indias da terra. Aqui e nas mais Capitanias tem feito estes +padres da companhia grande fruito e fazem com que a terra va em muito +creçimẽto, trabalhaõ por fazer christaõs a muitos indios, e metem muitas pazes +antre os homẽs, tãbem fazẽ Restituir as liberdades de muitos indios que algũs +moradores da terra tem mal Resgatados: assy que sempre acodem aos que se +desuiaõ do seruiço de Deos e de S. A. +</p> + +<p> +Auera nesta capitania quinhentos vezinhos, tem quatro engenhos dassucre, E +muitas terras viçosas de que os moradores tiraõ muitos mantimẽtos e fazenda e +viuẽ todos mui abastados. Estahe a ultima Capitania q̃ ha nestas partes do +Brasil. +</p> + +<hr style="width: 65%;" /> + +<h2><a name="Tractado_segundo_das_cousas_que_sao_gerais_por_toda_Costa_do_Brasil" id="Tractado_segundo_das_cousas_que_sao_gerais_por_toda_Costa_do_Brasil"></a>Tractado +segundo das cousas que são gerais por toda Costa do Brasil</h2> + +<hr style="width: 65%;" /> + +<h2><a name="Cap_1_das_fazendas_da_terra" id="Cap_1_das_fazendas_da_terra"></a>Cap. +1.º das fazendas da terra</h2> + +<p> +Os moradores desta costa do Brasil todos tem terras de sesmaria dadas e +Repartidas pellos capitaẽs da terra, e a primeira cousa que pretendem alcansar, +saõ escrauos pera lhes fazerẽ e grangearẽ suas Roças e fazẽdas por que sem +elles não se podeẽ sustentar na terra: E huã das cousas porq̃ o Brasil naõ +floreçe muito mais, he pellos escrauos que se alleuantaraõ e fogiraõ pera suas +terras, e fogem cada dia: E se estes indios naõ foraõ tam fogitiuos e mudaueis, +não teuera comparaçaõ a Riqueza do Brasil. As fazendas donde se consige mais +porueito saõ assucres, algodoẽs e pao do brasil, cõ isto fazem pagamento aos +mercadores que deste Reino lhes leuão fazenda porque o dinheiro he pouco na +terra, e assy vendẽ e trocã hũa mercadoria por outra em seu justo preço. +Quantos moradores ha na terra tem Roças de mantimẽtos, e vẽdẽ muitas farinhas +de pao hũs aos outros, de que tambem tiraõ muito porueito. +</p> + +<p> +O mais gado que ha nesta costa saõ bois e vacas, deste ha muita abundançia ẽ +todallas capitanias, porque saõ as heruas muitas e sempre a terra esta cuberta +de verdura, ainda que em porto seguro naõ sequerẽ dar nenhũas vacas senão o +primeiro anno, no qual engordaõ tanto que do muito viço dizem que morrẽ todas. +Cabras e ouelhas ha muito poucas ategora, começaõ de multiplicar nouamente; as +cabras se daõ melhor que as ouelhas E parem dous tres filhos de cadauez. fazem +os moradores da terra muito por esta criação. Tambem ha egoas e cauallos, mas +ainda saõ caros por naõ auer muitos na terra, leuaõ nos do cabo verde pera la +edaõ se muito bem na terra. +</p> + +<p> +Achase tambem por esta costa muito Amber que omar de sy lança fora as mais das +vezes quando faz tormenta e saõ agoas viuas, entaõ ha muitas pessoas que mãdã +seus escrauos pella praya buscallo nos lugares onde custuma sair mais vezes, e +muitas vezes aconteçe enriqueçerẽ algũs assy do que achaõ seus escrauos como do +que Resgataõ aos indios forros. Segũdo a dita e ventura de cada hũ. Os panos +que nesta terra se fazẽ são dalgodaõ, todo mais vay deste Reino. E assy ha +tambem muitos escrauos de guine: estes saõ mais seguros q̃ os indios da terra +por que nunca fogẽ nẽ tem pera onde. Ha tambem muita criaçaõ de porcos e muitas +galinhas adens e patos da terra. Estas saõ as fazendas q̃ possuẽ os moradores +do brasil. +</p> + +<hr style="width: 65%;" /> + +<h2><a name="Cap_2_dos_custumes_da_terra" id="Cap_2_dos_custumes_da_terra"></a>Cap. +2.º dos custumes da terra</h2> + +<p> +As pessoas que no brasil querem viuer tanto que se fazem moradores da terra por +pobres que seiaõ se cada hũ alcançar dous pares ou meyaduzia descrauos (q̃ pode +hũ por outro custar pouco mais ou menos ate dez cruzados) logo tem Remedio pera +sua sostentação porq̃ hũs lhe pescam e caçaõ outros lhe fazem mantimentos e +fazenda e assy pouco a pouco enRiqueçẽ os homẽs e viuem honrradamẽte na terra +com mais descanso q̃ neste Reino, porq̃ os mesmos escrauos indios da terra +buscam de comer pera si e pera os senorẽs, e desta maneira naõ fazem os homẽs +despeza com seus escrauos em mãtimentos nẽ com suas pessoas. +</p> + +<p> +A maior parte das camas do Brasil saõ Redes, as quais armaõ nuã casa com duas +cordas e lançaõse nellas a dormir. este custume tomaraõ dos indios da terra. +</p> + +<p> +Os moradores destas capitanias tratamse muito bem e saõ mais largos que a gente +deste Reino, assy no comer como no vestir de suas pessoas, e folgam dajudar hũs +aos outros com seus escrauos e fauorecẽ muito os pobres que começãoviuer na +terra. Isto se custuma nestas partes: e fazem outras muitas obras pias por onde +todos tem Remedio de vida e nenhũ pobre anda pellas portas a pedir como neste +Reino. +</p> + +<hr style="width: 65%;" /> + +<h2><a name="Cap_3_das_callidades_da_terra" id="Cap_3_das_callidades_da_terra"></a>Cap. +3.º das callidades da terra.</h2> + +<p> +Ha nestas partes do Brasil seis meses de verão e seis de inuerno: os de verão +são de setembro ate feuereiro, os de inuerno de março ate agosto. Assy que +quando nesta prouinçia do brasil he inuerno cá nestes Reinos he verão, eos dias +quasi sẽpre saõ tamanhos como as noites, huã ora somẽte creçẽ emingoão. Cursaõ +sempre ventos gerais, no inuerno seis meses sul é sueste no verão nordeste. +Sempre correm as agoas com o vento por costa, E por isso senaõ pode nauegar de +hũas capitanias pera outras se naõ esperarẽ por mouções pera irem com as agoas +e com o vento, porque cursaõ como digo seis meses duã parte e seis doutra e +portanto saõ muitas veses as viagens vagarosas e quando vão contra tempo as +embarcaçoẽs corrẽ muito Risco e arribaõ as mais das vezes ao porto donde +sairaõ. Mete se no meyo e na força deste verão oito dias ante os Sanctos huã +tormenta de vento sul que dura huã sommana, este he mui çerto e geral, nũca se +acha, que naquelles dias faltasse. Muitas embarcações esperão por este vento e +fazem com elle suas viagens. Esta terra sempre he quente quasi tãto no inuerno +como no verão. A viraçaõ do vento geral entra ao meyo dia, pouco mais oumenos, +he tam fresco este vẽto e tam frio q̃ naõ se sente mais calma, e ficam +Recreados os corpos das pessoas. Dura este vento do mar a te de madrugada, +torna dalli acalmar outra vez por causa dos vapores da terra q̃ o apagam e +quãdo amanheçe está o ceo todo cuberto de nuuens e as mais das manhãs choue +nestas partes e a terra fica toda cuberta de neuoa por que tem muitos aruoredos +e chama a sy todos estes humores. Etanto q̃ este geral acalma começa a ventar +da terra hũ vento brando que nella se gera, a te que o sol con sua quentura o +torna apagar e alimpa tudo outra vez e faz ficar odia claro e sereno, entrão +logo ẽtra o vento do mar acustumado. Este vento da terra he mui perigoso +edoentio e se açerta de permaneçer algũs dias morre muita gente assy portugeses +como indios da terra, mas quer nosso snõr que acõteça isto poucas vezes, e +tirado este mal he esta terra mui sallutifera e de bõs ares onde as pessoas se +achaõ bem despostas e viuem muitos annos prinçipalmente os velhos tem milhor +despossiçaõ e pareçẽ que tormã a Renouar e porisso algũs se naõ querẽ tornar a +suas patrias temendo que nellas se lhes offereça amorte mais çedo. os ares de +pella manhaã saõ mui frescos e sadios: muitas pessoas se custumaõ alleuãotar +çedo por que se aporueitem delles enquanto tem esta vertude. A terra em si he +lassa e deleixada achãose nella os homẽs algũ tanto fracos e mingoados das +forças que possuem cá neste Reino por Respeito da quentura e dos mantimentos +que nella vsaõ, isto he enquanto as pessoas saõ nouas na terra, mas de pois q̃ +por tempo se acustumão ficão tam Rijos e bem despostos como se aquella terra +fora sua mesma patria. Manda se dar nesta terra aos infermos carne de porco, +pera qual quer doença he porueitosa e naõ faz mal a nenhuã pessoa: o peixe +tãbem tem a mesma callidade e poem muita sustançia aos doentes. Esta terra he +mui fertil e viçosa, toda cuberta de altissimos e frondosos aruoredos permaneçe +sempre a verdura nella inuerno e veraõ, isto causa chouerlhe muitas vezes e naõ +auer frio que offenda ao que produz a terra. Ha por baixo destes aruoredos +grande mato e muj basto e detalmaneira está escuro e serrado em partes que +nunca parteçipa o chaõ da quẽtura nẽ da claridade do sol, e assy está sempre +humido e manãdo agoa de sý. As agoas que na terra se bebem saõ mui sadias e +sabrosas, por muita q̃ se beba naõ prejudica a saude da pessoa, a mais della se +torna logo a suar e fica o corpo desaliuádo e saõ. Finalmẽte que he esta terra +tã delleitosa e temperada q̃ nũca nella se sente frio nẽ quentura sobeja. +</p> + +<hr style="width: 65%;" /> + +<h2><a name="Cap_4_dos_mantimentos_da_terra" id="Cap_4_dos_mantimentos_da_terra"></a>Cap. +4.º dos mantimentos da terra.</h2> + +<p> +Nestas partes do Brasil não semeão trigo nem se da outro mantimento algũ deste +Reino. o que la se come em lugar de paõ he farinha de pao: Esta se faz da Raiz +duã pranta que se chama mandioca, aqual he como jnhame. E tanto que se tira de +baixo da terra, está cortindo se em agoa tres quatro dias E depois de cortida +pizaõ na ou Rellaõ na muito bem e espremem na da quelle sumo de talmaneira que +fique bem escorrida porq̃ he aquella agoa que sae della tam pessonhenta que +qualquer pessoa ou animal que a beber logo naquelle instante morre: assy que de +pois de a terem deste modo curada, poem hũ alguidar grande sobre o fogo e como +se aquenta, botaõ aquella mandioca nelle E por espaço de meya ora está naquella +quentura cozendose, dally atiraõ E fica temperada pera se comer. ha todauia +farinha de duas maneiras huã se chama de gerra, E outra fresca, a de gerra he +muito seca, fazemna desta maneira peradurar muito e naõ sedanar: afresca he +mais branda e tẽ mais sustançia, finalmente que naõ he taõ aspera como a outra, +mas naõ dura mais que dous tres dias como passada qui logo se dana. Desta mesma +mandioca fazem outra maneira de mantimentos que se chamaõ beijuús, saõ mui +aluos e mais grossos q̃ obreas: destes vsaõ muito os moradores da terra porque +saõ mais sabrosos e demilhor desistaõ que a farinha. Outra Raiz ha duã pranta +que se chama Aýpim daqual fazem hũs bollos que pareçem paõ fresco deste Reino e +tambem se come assada como batata, de toda maneira se acha. nella +m<sup>to</sup> gosto. Tambem ha naterra muito milho zaburro, este se daa em +todallas capitanias E faz hũ paõ muito aluo. ha nesta terra muita copia de +leite de vacas, muito arroz, faua feigoẽs muitos inhames e batatas, E outros +legumes q̃ fartaõ muito a terra. Ha muita abundançia de marisco e de peixe +portoda esta costa. Com estes mantimentos se sustentaõ os moradores do Brasil +sem fazerem gastos nem deminuirẽ nada em suas fazẽdas. +</p> + +<hr style="width: 65%;" /> + +<h2><a name="Cap_5_da_caca_da_terra" id="Cap_5_da_caca_da_terra"></a>Cap. 5.º +da caça da terra.</h2> + +<p> +Huã das cousas que sostenta e abasta m<sup>to</sup> os moradores desta terra do +Brasil, he amuita caça que ha nestes matos de muitos generos e de diversas +maneiras, aqual os mesmos indios da terra mataõ assy com frechas como por +industriade seus lassos e fojos onde custumão tomar amaior parte della. +</p> + +<p> +Ha muitos veados e muita somma de porcos montezes de muitas castas. Hũs +pequenos ha naterra que tem as çedas mui grossas, asperas e crespas, estes tem +o embigo nas costas, matam se muitos delles, e doutros grandes que naõ saõ +desta callidade. Ha muitas antas que quasi saõ tamanhas como vacas e pasçem +heruas como outro gado qualquer, sua carne tẽ o sabor como de vaca: a pelle +deste animal he mui grossa e Rija. Ha tambem coelhos mas tem as orelhas doutra +maneira mais pequenas e Redondas. Ha outros animais maiores que lebres que se +chamaõ pacas, tambem tem carne m<sup>to</sup> sabrosa. Hũs bichos ha nesta +terra q̃ tambem se comẽ e se tem pella milhor caça que ha nomatto. chamãolhes +Tatús saõ tamanhos como coelhos E tem hũ casco amaneira de lagosta como de +cagado, mas he Repartido em muitas juntas como laminas, pareçe totalmente hũ +caualo armado, tem hũ Rabo do mesmo casco comprido, o foçinho he como de +leitaõ, e naõ bota mais fora do casco q̃ a cabeça, tem as pernas baixas E criaõ +se em couas a carne delles tem o sabor quasi como de gallinha. Esta caça he +muito estimada na terra. ha tambem muitas gallinhas de mato que os indios mataõ +cõ frechas, e outras muitas aues mui gordas e sabrosas milhores q̃ pordizes. +Desta E doutra muita caça ha no brasil m<sup>ta</sup> abũdançia. +</p> + +<hr style="width: 65%;" /> + +<h2><a name="Cap_6_das_fruitas_da_terra" id="Cap_6_das_fruitas_da_terra"></a>Cap. +6.º das fruitas da terra.</h2> + +<p> +Huã fruita se da nesta terra do Brasil muito sabrosa e mais prezada de qũatas +ha. Cria nuã pranta, humilde iunto do chaõ, a qual tem huãs pencas como cardo, +a fruita della nasçe como alcachofres e pareçem naturalmente pinhas e saõ do +mesmo tamanho, chamaõ lhes Ananaszes. Ede pois de maduros tem hũ cheiro muito +exçellente, colhemnos como saõ de vez, e cõ huã faca tiraõ lhes aquella casca +grossa e fazem nos en talhadas e desta maneira, se comẽ. exçedem no gosto +aquantas fruitas ha neste Reino, e fazem todos tanto por esta fruita, q̃ mandaõ +prantar Roças delles como de cardaes; aeste nosso Reino trazem m<sup>tos</sup> +destes ananazes em conserua. Outra fruyta se cria nũas aruores grandes, estas +senaõ prantaõ, nasçem pello mato muitas, esta fruita depois de madura he muito +amarella, saõ como péros Repinaldos compridos, chamão lhe cajuus, tem muito +sumo, e cria se na ponta desta fruita de fora hũ caroço como castanha, e nasçe +diante da mesma fruita, oqual tem a casca mais amargosa que fel, e se tocarẽ +com ella nos beiços dura muito aquelle amargor e faz empollar toda boca, pello +contrario este caroço assado, he muito mais gostoso q̃ amẽdoa saõ de sua +natureza mui quentes em estremo. ha naterra tantos destes caroços que os medem +aos alqueires. Tambem ha huã fruita que lhe chamaõ bananas, e pella lingoa dos +indios pacouas, ha na terra muita abundançia dellas: pareçẽ se na feiçaõ com +pepinos, nasçẽ nuãs aruores mui tenrras enaõ saõ muito altas, nẽ tem Ramos +senaõ folhas mui comprimidas e largas. Estas bananas criamse em cachos algũ se +acha q̃ tem de cento e sincoenta pera cima, e muitas vezes he tam grande o pezo +dellas que faz quebrar a aruore pello meyo. Como saõ de vez colhem estes +cachos, e depois de colhidos amadureçẽ, etanto q̃ que estas aruores daõ huã +fruita, logo as cortaõ por que naõ frutifiçaõ mais que a primeira vez, E tornaõ +arrebentar pellos pees outras nouas. Esta he huã fruita mui sabrosa e das boãs +que ha na terra, tem huã pelle como de figo aqual lhes lançaõ fora quando as +querẽ comer E se comẽ muitas dellas fazem damno a saude E causaõ febre aquẽ se +desmãda nellas. E assadas maduras saõ muito sadias E mandaõ se dar aos +infermos. Cõ esta fruita se mantem amaior parte dos escrauos desta terra, porq̃ +assadas verdes passaõ por mantimẽto Equasi tem sustançia de paõ. Ha duas +callidades desta fruita, huãs saõ pequenas como figos brojassotes as outras saõ +maiores e mais compridas. Estas pequenas tem dentro em si huã cousa estranha +aqual he que quando as cortaõ pello meyo com huã faca ou porqualquer parte que +seja acha se nellas hũ signal amaneira de cruçifixo, E assy totalmente o +pareçe. Tambem ha huã fruita q̃ se chama Aracases, saõ como nespras postoque +comaõ muita naõ fazẽ mal a saude. Ha muita pimenta da terra come se verde, +queima muito em grande maneira. Outras muitas fruitas ha pello mato dẽtro de +diuersas callidades, E saõ tantas que ja se acharaõ pella terra dentro alguãs +pessoas e sostentaraõ se cõ ellas muitos dias sem outro mantimento algũ. Estas +que aqui escreuo saõ asque os portugeses tem antre sy em mais estima E +asmelhores da terra. Alguãs fruitas deste Reino se daõ nestas partes-s-muitos +melloẽs, pepinos e figos de muitas castas, Romãs m<sup>tas</sup> parreiras +quedaõ huuas duas tres vezes no anno E tanto que huãs se acabaõ, começaõ logo +outras nouamẽte, E desta maneira nũca esta o brasil sem fruitas. De limoẽs e +laranjas ha muita infinidade: daõ se muito na terra estas aruores de espinho e +multiplicaõ mais que as outras. +</p> + +<hr style="width: 65%;" /> + +<h2><a name="Cap_7_da_Condicao_E_Custumes_dos_indios_da_terra" id="Cap_7_da_Condicao_E_Custumes_dos_indios_da_terra"></a>Cap. +7.º da Condiçaõ E Custumes dos indios da +terra.</h2> + +<p> +Naõ se pode numerar nem comprẽder a multidaõ do barbaro gentio que semeou a +natureza por toda esta terra do brasil por que ningem pode pello sertaõ dentro +caminhar seguro, nẽ passar por terra onde naõ ache pouoações de indios armados +contra todas as naçoẽs humanas, Eassi como saõ muitos permittio Deos que fossem +contrarios hũs dos outros, E que ouuesse antrelles grandes odios E discordias +porque se assy naõ fosse os portugeses naõ poderĩa viuer na terra nem seria +possiuel, conquistar tamanho poder de gente, Auia muitos destes indios pella +costa Junto das capitanias, tudo enfim estaua cheo delles quando começarão os +Portugeses apouoalla terra, mas porq̃ os mesmos indios se alleuãotauaõ contra +elles E faziaõ lhes muitas treiçoẽs, os gouernadores E capitaẽs da terra +destruiraõ nos pouco apouco e mataraõ muitos delles, outros fogiraõ pera o +sertaõ, E assy ficou a costa despouoada de gentio aolongo das capitanias. Junto +dellas ficaraõ algũas aldeas destes indios que saõde paz e amigos dos +portugeses. +</p> + +<p> +Alingoa deste gentio toda pella costa he huã: careçe de tres letras-s-naõ se +acha nella f, nem L, nẽ R, cousa digna despanto, porq̃ assy naõtem se nẽ lei, +nẽ Rei e desta maneira viuẽ sem Justiça e desordenadam<sup>te</sup>. Estes +indios andaõ nũs sem cobertura alguã assi machos como femeas naõ cobrẽ parte +nenhũ de seu corpo e trazem descuberto quanto a natureza lhes deu. Viuẽ todos +em aldeas, pode auer em cada huã sete oito casas, asquais saõ compridas. feitas +amaneira de cordoarias e cadahuã dellas está chea de gente duã parte e doutra, +e cada hũ por sy tem sua estançia e sua Rede armada emque dorme e assy estaõ +todos hũs junto dos outros por ordem, e pello meyo da casa fica hũ caminho +aberto pera se seruirẽ. Naõ ha comodigo antreelles nenhũ Rei nẽ justiça somẽte +em cada aldea tem hũ prinçipal q̃ he como capitaõ aoqual obedeçẽ por vontade e +naõ por força, morrendo este prinçipal fica seu filho no mesmo lugar naõ serue +doutra cousa se naõ dir cõ elles a gerra e conselhallos como sehaõ dauer na +pelleja, mas naõ castiga seus erros nẽ manda sobrelles cousa alguã contra sua +vontade. Este prinçipal tem tres quatro molheres, a primeiratẽ em mais conta, e +faz della mais caso que das outras, Isto tem por estado e por honrra. Naõ +adoraõ em cousa alguã nẽ tem pera sy que ha na outra vida gloria pera os bõs, e +pena pera os maos, tudo cuidaõ que se acaba nesta e que as almas feneçem com os +corpos, e assi viuem bestialmẽte sem ter conta nẽ pezo, nẽ medida. +</p> + +<p> +Estes indios saõ mui bellicosos e tem sempre grandes gerras hũs contra os +outros nunca se acha nelles paz nẽ he possiuel auer antrelles amizade porque +huãs nasçoẽs pellejaõ contra outras e mataõse muitos delles, e assy vai +creçendo o odio cada vez mais e ficaõ imigos verdadeiros perpetuamente. As +armas com que pellejaõ saõ arcos e frechas a cousa que apontarẽ naõ na erraõ, +saõ mui çertos com esta arma e mui temidos nagerra, andaõ sempre nella +exerçitados. e saõ mui inclinados apellejar e muy vallentes e esforçados contra +seus aduersarios, e assy pareçe cousa estranha ver dous tres mil homẽs nus dũa +parte e doutra cõ grandes assubios e gritta frechando hũs aos outros, e +enquanto dura esta pelleja nũca estaõ com os corpos quedos meneãdose duã parte +pera outra com muita ligeireza pera que naõ possaõ apontar nẽ fazer tiro em +pessoa certa alguãs velhas custumaõ apanharlhes as frechas pello chaõ e +seruillos emquanto pellejaõ. Gente he esta mui atreuida e que teme muito pouco +amorte, e quando vaõ agerra sempre lhes pareçe que tem çerta a Victoria e que +nenhũ de sua companhia ha de morrer, e quãdo partem dizem vamos matar sem mais +consideraçaõ e naõ cuidaõ que taõbem podem ser vençidos. Naõ daõ vida anenhũ +catiuo todos mataõ e comẽ, emfim que suas gerras saõ mui perigosas, e deuẽ se +ter em muita conta por que huã das cousas que desbaratou muitos portugeses foi +a pouca estima em q̃ tinhaõ agerra dos indios e o pouco caso que faziaõ delles +e assy morreraõ m<sup>tos</sup> miserauelmente por naõ se aperçeberẽ como +comuinha, destes ouue muitas mortes desestradas: E isto aconteçe cada paço +nestas partes. +</p> + +<p> +Quando estes indios tomaõ algũs contrarios sellogo comaquelle impito os naõ +mataõ leuaõ nos viuos pera suas aldeas (ou seiaõ portugeses ou quaisquer outros +indios seus imigos) E tanto que chegaõ a suas casas lançaõ hũa corda muj grossa +ao pescoço do catiuo pera que naõ possa fogir, e armaõ lhe huã Rede em que +durma e daõ lhe hũa india moça a mais fermosa e honrrada que ha naldea pera q̃ +durma com elle, e tambem tenha cuidado de o guardar, e naõ vay pera parte que +naõ no acompanhe. Esta india tem cargo de lhe dar muito bem de comer e beber, e +de pois de oterẽ desta maneira sinco ou seis meses ou o tempo que querẽ +determinaõ de o matar, e fazem grandes serimonias e festas aquelles dias e +aparelhaõ muitos vinhos pera se embebedarem e fazemnos da Raiz duã herua q̃ se +chama aipim, aqual feruẽ primeiro e depois de cozida mastigaõ na hũas moças +virgens, e esprememna nũs potes grãdes e dalli atres ou quatro dias o bebem. E +o dia que haõ matar este catiuo pella manhaã se alguã Ribeira está junto daldea +leuaõ no abanhar nella comgrãdes cantares e follias, etanto q̃ chegam com elle +a aldea, attam no pella cinta com quatro cordas cada hũa pera sua parte e tres +quatro indios pegados em cada ponta destas e assi o leuaõ ao meyo dũ terreiro e +tiraõ tanto por estas cordas que naõ se possa bollir pera hũa parte nẽ pera +outra, as maõs lhe deixaõ soltas porque folgam de o ver deffender com ellas. +Aquelle que o ha de matar empena se primeiro com penas de papagayo de muitas +coores portodo corpo: ha de ser este matador o mais vallente da terra e o mais +honrado. Traz na maõ huã espada dũ pao mui duro e pezado com que custumaõ de +matar, e chegase ao padeçẽte dizẽdo lhe muitas cousas e ameaçandolhe sua +geraçaõ que o mesmo ha de fazer a seus parentes, e de pois de oter afrontado +com muitas pallauras injuriosas dalhe huã grãm pancada na cabeça e logo da +primeira o mata e lha fazẽ pedaços. Está huã india velha cõ hũ cabaço na maõ. E +assi como elle cae a code muito de pressa com elle a meterlho na cabeça pera +tomar os meollos eo sange: tudo emfim cozem eassaõ e naõ fica delle cousaque +naõ comaõ. Isto he mais por vingança e por odio que por se fartarẽ. De poisque +comẽ a carne destes contrarios ficam nos odios confirmados, e sentem muito esta +injuria, e por isso andaõ sempre a vingarse hũs contra os outros. E se amoça +que dormia com o catiuo fica prenhe aquella criança que parẽ de pois de criada, +mataõ na e comẽ na e dizem que aquella menina ou menino era seu contrario +verdadeiro, e porisso estimaõ muito comerlhe a carne e vingar se delle. E +porque a maỹ sabe o fim que haõ de dar aesta criança, muitas vezes quando se +sente prenhe mataa dentro da barriga, e faz conque moua. E aconteçe alguãs +vezes affeiçoar se tanto aeste catiuo e tomar lhe tanto amor que foge com elle +pera sua terra pello liurar da morte. E assy algũs portugeses ha que desta +maneira escaparaõ e estaõ oje ẽ dia viuos, e muitos indios que do mesmo modo se +saluaraõ, ainda que saõ algũs taõ brutos que naõ querem fogir depois de os +terem presos: porque ouue algũ que estaua ja no terrejro atado pera padeçer e +dauaõ lhe a vida e naõ quis senaõ que o matassem, dizendo que seus parentes o +naõ teriaõ por Vallente e que todos correriaõ com elle e daqui vem naõ estimarẽ +a morte, e quando chega a quella ora naõ na terem em conta nẽ mostrarẽ nenhuã +tristeza naquelle passo. Finalmente q̃ saõ estes indios mui deshumanos e +crueis, naõ se mouẽ a nenhuã piedade: viuem como brutos animais sẽ ordem nẽ +conçerto de homẽs saõ muidesonestos e dados a sensuallidade e entregãse aos +viços como se nelles naõ ouuera Rezaõ de humanos, ainda que todauia sempre tem +Resquardo os machos eas femeas em seu ajuntamento e mostrã ter nisto algũa +vergonha. Todos comẽ carne humana e tem na pella milhor iguoaria de quantas +pode auer: naõ de seus amigos com quem elles tem paz se naõ dos contrarios. Tem +esta callidade estes indios que de qualquer cousa que comaõ por pequena que +seja haõ de conuidar com ella quanta esteuerẽ presentes, só esta proximidade se +acha antrelles. Comẽ dequantos bichos secriaõ na terra, outro nenhũ engeitaõ +por pessonhento que seja somente aranha. +</p> + +<p> +Tem estes indios machos por custume arrãcarem toda barba e naõ consentẽ nenhũ +cabello em parte alguã de seu corpo, saluo na cabeça ainda que orredor della +por baixo tudo arrancaõ. As femeas prezaõ se muito de seus cabellos e trazem +nos muito compridos e penteados e as mais dellas emnastrados. Os machos +custumaõ trazerẽ o beiço furado e huã pedra no buraco metida por gallantaria +outros ha que trazem o Rosto todo cheo de buracos e assy pareçẽ mui feos e +disformes: isto lhes fazem quando saõ meninos. Tambem algũs indios andaõ +pintados portodo corpo, pello qual fazẽ hũs Riscos de muitas maneiras e poẽlhes +huã çerta tinta e ficam sempre os mesmos Riscos escritos na carne: isto naõ +traz se naõ quẽ tem feito alguã valentia. E assi tambem machos como femeas +custumaõ atingirse cõ o sumo duã fruita que se chama genipapo que he verde +quando se piza e depois que opoẽ no corpo e se inxuga fica mui negro e por +muito que se laue não se tira se naõ aos noue dias, isto tudo fazẽ por +gallantaria. +</p> + +<p> +Estas indias guardaõ castidade a seus maridos e saõ muito suas amigas porque +tambem elles sofrem mal adulterios. Casaõ os mais delles com suas sobrinhas +filhas de seus irmãos ou irmãas, estas saõ suas molheres verdadeiras e naõ lhas +podem negar seus pais. +</p> + +<p> +Algũas indias se achã nestas partes q̃ jurão e prometem castidade, e assy naõ +casaõ nẽ conheçẽ homẽ algum de nenhuã callidade, nẽ no consentiraõ ainda que +por isso as matem. Estas deixaõ todo o exerçiçio de molheres e immittaõ os +homẽs e segem seus offiçios como senaõ fossem molheres, e cortaõ seus cabellos +da mesma maneira que os machos trazem e vaõ agerra com seu arco e frechas, e +acaça: enfim que andaõ sempre na companhia dos homẽs, e cada hũa tem molher que +a serue e que lhe faz de comer como se fossẽ casados. +</p> + +<p> +Estes indios viuem mui descansados, naõ tem cuidado de cousa alguã se naõ de +comer e beber e matar gente e porisso saõ mui gordos em estremo. E assy tambem +com quer desgosto amagreçẽ muito, e como se agastaõ de qualquer cousa comẽ +terra e desta maneira morrẽ muitos delles bestialmente. Todos segẽ muito o +conselho das velhas tudo a que ellas lhe dizem fazem e tẽ no por mui çerto, da +qui vem a muitos moradores naõ comprarẽ nenhũas por lhes naõ fazerẽ fogir seus +escrauos. +</p> + +<p> +Quando estas indias parem a primeira cousa que fazem de pois do parto lauaõ se +todas nũ Ribeiro e ficam tambem despostas como senaõ pariraõ, em lugar dellas +se deitaõ seus maridos nas Redes e assy os vesitaõ e curaõ como se elles fossem +as paridas. +</p> + +<p> +Quando algũ destes indios morre custumaõ enterrallo nũa coua assentado sobre os +pees com sua Rede as costas em que elle dormia, e logo pellos primeiros dias +poem lhe de comer em cima da coua. Outras muitas bestiallidades vsaõ estes +indios que aqui naõ escreuo porque minha tençaõ foi naõ ser comprido, e passar +por tudo isto com breuidade. +</p> + +<p> +Dos Resgates. +</p> + +<p> +Estes indios naõ possuẽ nenhuã fazenda, nẽ procuraõ acquerilla como os outros +homẽs, somente cobiçaõ muito alguãs cousas que vaõ deste Reino-s-camisas, +pellotes, ferramẽtas e outras cousas que elles tem em muita estima e desejaõ +muito alcãçar dos portugeses. Atroco disto se vẽdiaõ hũs aos outros, eos +portugeses Resgatauaõ m<sup>tos</sup> delles e salteauaõ quantos queriaõ sem +ningem lhes ir amaõ, mas ja gora naõ ha isto na terra nẽ Resgates como soya, +porque de pois que os padres da companhia vieraõ aestas partes proueraõ neste +negoçio e vedaraõ muitos saltos que faziaõ os portugeses por esta costa os +quais emcarregauaõ muito suas consçiençias com catiuarẽ muitos indios cõtra +direito e mouerẽ lhes gerras injustas. E porisso ordenaraõ os padres e fezerã +com os capitaẽs daterra que naõ ouuesse mais resgates nẽ consentissẽ que fosse +nenhũ portuges a suas aldeas sem liçença do mesmo capitaõ. E quantos escrauos +agora vem nouamente do sertaõ oudas outras capitanias todos leuão primeiro a +Alfandega e alli os examinaõ e lhes fazem preguntas quẽ os vendeo, ou como +forão Resgatados, porque ningem os pode vender se não seus pais ou aquelles que +em justa gerra os catiuão. E os que achaõ mal acqueridos poem nos em sua +liberdade, e desta maneira quantos indios se compraõ saõ bem Resgatados e os +moradores da terra naõ deixaõ porisso dir m<sup>to</sup> auante com suas +fazendas. +</p> + +<hr style="width: 65%;" /> + +<h2><a name="Cap_8_dos_bichos_da_terra" id="Cap_8_dos_bichos_da_terra"></a>Cap. +8.º dos bichos da terra.</h2> + +<p> +Naõ me pareçeo cousa fora de preposito tratar tambem neste summario dalgũs +bichos que nestas partes se criaõ pois tudo ha na mesma terra, dado que daqui +se não comprehenda mais que a differença e a variadade das criaturas que ha +duãs terras pera outras. +</p> + +<p> +Ha nestas partes muitos bichos mui feros e pessonhentos, prinçipalmente cobras +de muitas castas e de nomes diuersos. Huãs ha tamgrandes e tam disformes que +engolem hũ veado todo inteiro, e affirmão que tem esta cobra tal callidade que +de pois de oter comido arrebenta pella barriga e apodreçe quanta carne tem +pello corpo e fica somẽte no espinhaço com a cabeça e a ponta do Rabo saã, e +tanto que desta maneira fica torna pouco a pouco a criar carne noua ate que se +cobre outra vez da mesma carne taõ perfectamente como dantes, Isto viraõ e +expremẽtaraõ m<sup>tos</sup> indios e moradores da terra. aesta chamão pella +lingoa dos indios Giboiossú. Outras ha muito maiores e mais possonhentas doutra +casta differente. Saõ tamgrandes en tanto estremo que apenas desaseis indios +podiaõ leuar huã que matarão junto da costa antre os Portugeses aesta cobra +chamaõ Surucucù. Outra geração ha dellas que lhe chamaõ boiteninga, tem na +ponta do Rabo huã cousa que soa propriamenta, como cascauel e por onde esta +cobra vai sempre anda Rogindo. he huã das feras bichas que ha na terra. Outras +ha que lhe chamão hebijaras. tem duas bocas huã na cabeça outra no rabo mordem +com ambas, esta cobra he branca e mui curta, o mais do tempo esta debaixo da +terra, he pessonhentissima sobre todas, quem desta formordido não tera vida +muitas oras, e assy qualquer destas outras que morder alguã pessoa o mais +quedura saõ vinte equatro oras. Ha outra callidade dellas que naõ tem dentes nẽ +mordem. Estas naõ saõ pessonhentas nẽ tam pouco muito grandes chamão lhe +Japaranas. Tambẽ affirmão algũs homẽs que virão serpẽtes nesta terra com azas +mui grandes E espantosas, mas achaõ se Raramẽte. Ha muitos lagartos e grandes +pellos Rios dagoa doçe e pellos matos cuios testicollos cheiraõ milhor que +almisere, E aqualquer Roupa que os chegão fica ocheiro pegado por muitos dias. +</p> + +<p> +Os bichos mais feros e mais danosos q̃ ha na terra saõ tigres, estes animais +saõ delles tamanhos como bezerros, vaõ se aos currais do gado dos moradores e +mataõ muito delle e saõ taõ feros e forçosos que huã mão que lançaõ a huã +vitella ou nouilho lhe fazem botar osmeollos fora e leuão no arrasto pera +omato. Tambem pella terra dentro mataõ e comẽ algũs indios quãdo se achaõ +famintos. Sobem pellas aruores como gatos, e dalli espreitaõ acaça que por +baixo passa e Remetem de salto aella e destamaneira naõ lhes escapa nada algũs +destes animais mataõ enfojos os moradores da terra. +</p> + +<p> +Toda esta terra do Brasil he cuberta de formigas pequenas e grandes, estas fazẽ +algũ dano as parreiras dos moradores e as larangeiras que tem nos quintaes, e +se naõ foraõ estas formigas ouuera poruentura muitas vinhas no brasil ainda que +la saõ pouco neçessarias porq̃ deste Reino vai tanto vinho que sempre aterra +delle está prouida. +</p> + +<p> +Tambem ha muita infinidade de mosquitos prinçipalmente ao longo dalgũ Rio antre +huãs aruores que se chamaõ manges naõ pode nenhuã pessoa esperallos, e pello +mato quando naõ ha viraçaõ saõ mui sobejos e persegẽ muito a gente. +</p> + +<p> +Tambem ha huã geraçaõ de Ratos que trazẽ os filhinhos pendurados na barriga e +alli se criaõ e andaõ assy pegados ate serẽ grãdes. Bogios ha muitos e de +muitas castas como ja se sabe: tanto que as femeas parem pegaõ se os filhos nas +suas costas e sempre andaõ caualgados nas mãis ate serẽ bem criados e posto que +as persigaõ e as matem naõ sequerẽ desapegar dellas. Ha tambem muitos lobos +marinhos e porcos marinhos que se criaõ no mar e na terra. Outros muitos bichos +ha nestas partes pella terra dentro que sera impossiuel poderẽ se conheçer nẽ +escreuer tanta multidaõ porq̃ assy como a terra he grandissima, assy saõ muitas +as callidades e efeições das criaturas que Deos nella criou. +</p> + +<hr style="width: 65%;" /> + +<h2><a name="Cap_9_da_terra_-X-q_certos_homes_da_Capitania_de_porto_seguro_forao_a" id="Cap_9_da_terra_-X-q_certos_homes_da_Capitania_de_porto_seguro_forao_a"></a>Cap. +9.º da terra q̃ certos homẽs da Capitania de porto seguro forão a descobrir, e do q̃ acharão nella. +</h2> + +<p> +Posto que minha tençaõ naõ era tratar neste summario senaõ das cousas que saõ +gerais portoda costa do Brasil, de que os moradores da terra parteçipaõ, +pareçeo me tambem neçessario e conueniente aos louuores da terra denunçiar +neste Capitullo a Riqueza dos metais q̃ affirmaõ auer por ella dentro prouãdo +tudo isto com pessoas q̃ o acharão, virão, e experemẽtarão: e amaneira como se +descobrio foi esta q̃ se sege. +</p> + +<p> +A esta Capitania de porto seguro chegarão certos indios do sertão a dar nouas +dũas pedras verdes que auia nũa serra muitas legoas pella terra dentro, e +traziaõ alguãs dellas por amostra, as quais erão esmeraldas mas não de muito +preço. E os mesmos indios dezião q̃ daquellas auia muitas, e que esta serra era +muj fermosa e Resplandeçente. Tanto q̃ os moradores desta Capitania disto forão +certificados fezeraõ se prestes sincoẽta ou sesenta portugeses com algũs indios +da terra e partirão pello sertão dentro com determinção de chegar aesta serra +onde estas pedras estauaõ. Hia por capitão desta gente hũ martim carualho que +agora he morador da Bahia de todollos sanctos, Entrarão pella terra alguãs +dozentas e vinte legoas, onde as mais das serras q̃ acharão e virão erão de mui +fino christal e toda terra ẽ si mui fragosa, E outras muitas serras de hũa +tarra azullada, nas quais affirmão auer muito ouro porque indo elles por antre +duas serras destamaneira forão dar nũ Ribeiro que pello pee dũa dellas deçia +noqual acharão antre area hũs grãos meudos amarellos, osquais algũs homẽs +apalparaõ com os dentes e acharão nos brãdos mas naõ se desfazião, finalmente +que todos assentaraõ ser aquillo ouro nẽ podia ser outro metal pois omesmo ouro +desta maneira nasçe nas partes onde o ha. Apanharão destes graõs antre area do +Ribeiro quantidade dum punhodo os quais acharaõ muito pezados que tambem era +proua de ser ouro; disto naõ fezerão mais experiençia por ser aquillo no +deserto e auer muitos dias q̃ padeçiaõ grãde fome nem comião outra cousa senaõ +semente deruas e algũa cobra que matauão. passarão adiante determinando avinda +tornar por alli a perçebidos de mantim<sup>tos</sup> pera buscarẽ a serra mais +devagar donde aquelle ouro deçia ao Ribeiro. acharaõ pellos matos muita +canafistola, e por este caminho acharão outros m<sup>tos</sup> metais que naõ +conheceraõ, nẽ podiam esperar pellas gerras dos indios que se alleuantauaõ +contraelles. Algũs indios lhes deraõ noticia segundo a mençaõ que fazião q̃ +podiam estar cem legoas da serra das pedras verdes que hiaõ buscar e que não +auia muito dalli ao peruú finalmẽte q̃ cõ os imigos que Recreçião e pella gente +q̃ adoeçia tornaraõ se outra vez em almadias por hũ Rio que se chama Cricaré, +onde se perdeo nũa cachoeira a canoa emque vinhaõ os grãos douro q̃ traziaõ +pera mostra. Nesta viagẽ gastarão oito mezes e assi desbaratados chegarão aesta +Capitania de porto seguro. Os que deste perigo escaparaõ affirmão auer +naquellas partes muito ouro segũdo asmostras e os Signais que acharão: e se la +tornar gente aperçebida como cõuem contoda prouisaõ neçessaria, e leuarem +pessoas que disto conheçaõ dizẽ que se descobrirão nesta terra grandes minas. +</p> + +<p> +Quisera esereuer mais meudamente das particullaridades desta prouinçia do +brasil, mas porque satisfezesse atodos com breuidade guardeime de ser comprido +posto q̃ os louuores da terra pedissem outro liuro mais copioso E de maior +vollume onde se comprehendessẽ por extenço as exçellencias e diuersidades das +cousas q̃ ha nella pera Remedio e porueito dos homẽs que la forẽ viuer. E por +que a felliçidade e augmẽto desta prouinçia consiste em ser pouoada de muita +gẽte, naõ auia dauer pessoa pobre nestes Reinos q̃ naõ fossem viuer aestas +partes com fauor de .S.A. onde os homẽs viuẽ todos abastados e fora das +neçessidades que cá padeçem. E desta maneira permittira Deos que floreça tanto +a terra desta noua lusitania que com ella se augmente muito a coroa destes +Reinos e seia dos outros enuejada pera que não desejemos terras estranhas +prometendo esta nossa tanta Riqueza e prosperidade aos q̃ aforẽ buscar pera seu +Remedio. +</p> + +<p class="center"> Fin. +</p> + +<div style='display:block;margin-top:4em'>*** END OF THE PROJECT GUTENBERG EBOOK TRACTADO DA TERRA DO BRASIL ***</div> +<div style='display:block;margin:1em 0;'>This file should be named 28122-h.htm or 28122-h.zip</div> +<div style='display:block;margin:1em 0;'>This and all associated files of various formats will be found in https://www.gutenberg.org/2/8/1/2/28122/</div> +<div style='display:block;margin:1em 0'> +Updated editions will replace the previous one—the old editions will +be renamed. +</div> + +<div style='display:block;margin:1em 0'> +Creating the works from print editions not protected by U.S. copyright +law means that no one owns a United States copyright in these works, +so the Foundation (and you!) can copy and distribute it in the United +States without permission and without paying copyright +royalties. 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Contributions to the Project Gutenberg Literary +Archive Foundation are tax deductible to the full extent permitted by +U.S. federal laws and your state’s laws. +</div> + +<div style='display:block;margin:1em 0'> +The Foundation’s principal office is in Fairbanks, Alaska, with the +mailing address: PO Box 750175, Fairbanks, AK 99775, but its +volunteers and employees are scattered throughout numerous +locations. Its business office is located at 809 North 1500 West, Salt +Lake City, UT 84116, (801) 596-1887. Email contact links and up to +date contact information can be found at the Foundation’s web site and +official page at www.gutenberg.org/contact +</div> + +<div style='display:block;margin:1em 0'> +For additional contact information: +</div> + +<div style='display:block;margin-top:1em;margin-bottom:1em; margin-left:2em;'> +Dr. Gregory B. Newby<br /> +Chief Executive and Director<br /> +gbnewby@pglaf.org +</div> + +<div style='display:block;font-size:1.1em;margin:1em 0; font-weight:bold'> +Section 4. Information about Donations to the Project Gutenberg Literary Archive Foundation +</div> + +<div style='display:block;margin:1em 0'> +Project Gutenberg™ depends upon and cannot survive without wide +spread public support and donations to carry out its mission of +increasing the number of public domain and licensed works that can be +freely distributed in machine readable form accessible by the widest +array of equipment including outdated equipment. Many small donations +($1 to $5,000) are particularly important to maintaining tax exempt +status with the IRS. +</div> + +<div style='display:block;margin:1em 0'> +The Foundation is committed to complying with the laws regulating +charities and charitable donations in all 50 states of the United +States. 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