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+ <title>Eucalyptos e Acacias, por Jaime de Magalhães Lima</title>
+ <meta name="Author" content="Jaime de Magalhães Lima">
+ <meta name="Date" content="1920">
+ <meta name="Publisher" content="«O LAVRADOR»">
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+<pre>
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+Project Gutenberg's Eucalyptos e Acacias, by Jaime de Magalhães Lima
+
+This eBook is for the use of anyone anywhere at no cost and with
+almost no restrictions whatsoever. You may copy it, give it away or
+re-use it under the terms of the Project Gutenberg License included
+with this eBook or online at www.gutenberg.org
+
+
+Title: Eucalyptos e Acacias
+ Vinte annos de experiencias
+
+Author: Jaime de Magalhães Lima
+
+Release Date: January 6, 2009 [EBook #27715]
+
+Language: Portuguese
+
+Character set encoding: ISO-8859-1
+
+*** START OF THIS PROJECT GUTENBERG EBOOK EUCALYPTOS E ACACIAS ***
+
+
+
+
+Produced by Pedro Saborano. A partir da digitalização
+disponibilizada pela bibRIA.
+
+
+
+
+
+
+</pre>
+
+<p>&nbsp;</p>
+<div style="text-align: center; border: solid 1px #000000; padding: 1em;">
+<p style="font-size: 1.5em;">LIVRARIA DO LAVRADOR</p>
+
+<p style="font-size: 1.3em;">XXXII</p>
+
+<hr style="width: 80%; border: 0; border-top: solid 1px #000000; border-bottom: solid 1px #000000; height: 5px;">
+
+<p style="font-size: 1.1em;">JAYME DE MAGALHÃES LIMA</p>
+
+<p style="font-size: 2.5em;">EUCALYPTOS E ACACIAS</p>
+
+<p style="font-size: 1.1em;">Vinte annos de experiencias</p>
+
+<p style="font-size: 1.1em;">PUBLICAÇÃO DO «LAVRADOR»</p>
+
+<p style="font-size: 0.8em;">(PROPRIEDADE REGISTADA)</p>
+
+<p>&nbsp;</p>
+<p>&nbsp;</p>
+<p>&nbsp;</p>
+<p>&nbsp;</p>
+
+<p>PORTO<br>
+Officinas do "Commercio do Porto"<br>
+102&mdash;Rua do "Commercio do Porto"&mdash;112<br>
+1920</p>
+</div>
+
+<p>&nbsp;</p>
+<div id="corpo">
+<p><span class="pagenum"><a name="pag_III" id="pag_III">[III]</a></span>«Avaliando os lucros da silvicultura, dois factos devemos ter em
+conta: o consumo progressivo da madeira por cada habitante, em todo o mundo,
+apesar da introducção de materiaes que a substituem; e mais a exploração,
+destroço e destruição das florestas virgens pelo fogo, especialmente das que
+continham as madeiras de construcção mais importantes. D'aqui resultou já uma
+escassez apreciavel de offerta de madeira, como é manifesto pela firme subida
+de preços em todos os mercados e pela baixa de qualidade. Não parece possivel
+fugir á conclusão de que esta tendencia ha-de continuar a accentuar-se, e de
+que por todo este seculo temos a contar com uma subida de preços certa e
+muito consideravel. A segurança de collocação economica que a cultura
+florestal offerece tem, por conseguinte, todas as probabilidades de ser
+d'aquellas que vão melhorando com um augmento de lucros correspondente.»</p>
+
+<p><span class="pagenum"><a name="pag_IV" id="pag_IV">[IV]</a></span>Isto dizia um interessantissimo relatorio apresentado, em 1909, ao
+parlamento inglez, por uma commissão nomeada para dar parecer sobre varias
+questões que se prendiam com o desenvolvimento da cultura florestal na
+Inglaterra, de iniciativa e conta do Estado. E, se isto era uma verdade de
+larguissimo alcance então, antes da guerra, e indiscutivelmente o era, agora,
+depois do desperdicio colossal de madeiras a que acabamos de assistir, e
+quando madeiras faltam para tudo, achamos o salutar aviso de homens
+intelligentes e auctorisados já posto em termos de demonstração prática
+eloquentissima, com que a calamidade confirmou a previsão e o conselho.</p>
+
+<p>Observa aquelle relatorio que as mattas, davam «um producto para o qual
+parecia haver uma procura quasi illimitada». Mas hoje o problema aggravou-se,
+a ponto de que não ha que discutir as possibilidades de procura que os
+productos florestaes possam ter. Apenas teremos a cuidar de saber por que
+modos se poderá attenuar a fome de madeiras que vai pelo mundo, e
+particularmente na Europa, partindo do principio que a satisfação completa é
+de todo impossivel, tratando-se de uma riqueza que na melhor hypothese leva
+25 annos a criar e, em muitos casos,<span class="pagenum"><a name="pag_V" id="pag_V">[V]</a></span> aliás normaes, carece de 80 annos
+para se constituir capazmente.</p>
+
+<p>Evidentemente, não ha caixa economica que, em segurança e rendimento, se
+compare com a plantação d'uma arvore. É capital posto muitas vezes a 100, 200
+ou 300% ao anno. Meu pai vendeu a 4$500 réis <i>Eucalyptos</i> de 20 annos,
+cuja plantação lhe havia custado a 40 réis cada um, ha muito tempo, quando
+ainda em Portugal se usavam libras; e eu vendi agora a 18 escudos australias
+plantadas ha 17 annos, e postas na terra a menos de tostão cada uma. Os
+economistas costumam dizer que a exploração florestal é empreza a tão largo
+praso que não ha que fiar na paciencia e tenacidade individual, e deve ser
+confiada á administração do Estado e á sua persistencia. Mas, pois que muitas
+coisas fazemos sómente <i>para deixar aos filhos</i>, eu diria a quem podésse
+dispõr de um modestissimo peculio que comprasse uma leirita de bravio e a
+arroteasse e plantasse de arvores, se queria estar certo de multiplicar seus
+parcos bens e legar aos filhos um pé de meia em que não entra traça e que
+durante a vida nos deu sombra e prazer, e esta inefavel delicia de criar.</p>
+
+<p>É n'estas circumstancias que por favor da natureza, e favor muito menos
+vulgar do<span class="pagenum"><a name="pag_VI" id="pag_VI">[VI]</a></span> que geralmente se imagina, nos achamos senhores de largas
+regiões onde é possivel a cultura do <i>Eucalypto</i>, com antecipada certeza
+de sua prosperidade. Li algures que o <i>Eucalypto</i>, em igualdade de
+situação, dá cinco vezes o producto do carvalho. Haverá casos de dar menos e
+haverá tambem casos, infinitamente mais numerosos, de dar muito mais; mas,
+sem muito nos prendermos com o rigor de numeros que a natureza nas suas
+divagações e caprichos transgride de contínuo, podemos ter por averiguado e
+fóra de duvida que não ha entre nós arvore florestal de maior rendimento em
+volume e peso do que o <i>Eucalypto</i>.</p>
+
+<p>Por isso me convenci de que não seria totalmente inopportuna e esteril a
+publicação d'estas notas da experiencia da cultura de algumas dezenas de
+especies de <i>Eucalyptos</i>, a que ha vinte annos me dedico. Alguma coisa
+n'ella haverá que possa aproveitar aos nossos lavradores. Sobretudo me parece
+que, além do <i>E. globulus</i>, convém que, sem demora, plantemos mais meia
+duzia, pelo menos, de outras especies que se distinguem, ou pela superior
+qualidade da madeira, ou pela faculdade de adaptação a terrenos que o <i>E.
+globulus</i> engeita e que nenhuma das nossas arvores acceita com promessa de
+rendimento<span class="pagenum"><a name="pag_VII" id="pag_VII">[VII]</a></span> comparavel ao de certas variedades de <i>Eucalyptos</i>,
+ás quaes uma tradicional preguiça não concedeu ainda logar dentro dos
+vallados das suas mal povoadas mattas.</p>
+
+<p>O leitor talvez estranhe que eu aqui tomasse nota de muitas variedades por
+diversos motivos condemnadas. Mas persuadi-me de que nem assim convinha
+ignoral-as; os livros e os catalogos estrangeiros facilmente induzem em
+esperanças e enthusiasmos que não raro e facilmente só a desenganos conduzem,
+e imagino que onde eu desenganado me encontrasse em emprehendimentos que
+custam algum dinheiro, muitos cuidados e grande perda de tempo, seria de
+duvidosa camaradagem e rematado mau gosto ficar calado e pelo silencio deixar
+que os companheiros corressem a precipitar-se em igual desastre.</p>
+
+<p>Eixo, 26 de Janeiro de 1920.<span class="pagenum"><a name="pag_9" id="pag_9">[9]</a></span></p>
+
+
+<h1>Eucalyptos e Acacias</h1>
+
+
+<h2>I<br>
+<small class="SMALL">Do logar do Eucalypto na economia florestal do nosso
+paiz e da apreciação do valor dos seus productos</small></h2>
+
+<p>Tem já historia a cultura do <i>Eucalypto</i> na Europa, embora não tão
+remota como a data do descobrimento d'estas arvores soberbas nos auctorisaria
+a suppôr. O primeiro registado nos annaes dos exploradores, o <i>Eucalyptus
+obliqua</i>, foi visto na Australia por l'Héritier, em 1788, e por elle
+annunciado então ao mundo scientifico; e onze annos depois, em 1799, achado
+por Labillardière, vinha o <i>Eucalyptus globulus</i>, «o principe dos
+Eucalyptos», no dizer do Barão de Mueller, por sua vez tambem principe no
+estudo d'este genero de plantas. Sempre terão de recorrer aos seus preciosos
+trabalhos quantos em similhante cultura se acharem interessados. Todavia, só
+do meado do seculo XIX em diante começou a reconhecer-se a importancia do
+<i>Eucalypto</i>, comquanto «o prolongado desprezo de arvores de tão
+maravilhoso valor pareça agora quasi indizivel e enygmatico»,<span class="pagenum"><a name="pag_10" id="pag_10">[10]</a></span> segundo
+tambem, e com toda a justiça, observa aquelle grande e illustre mestre.</p>
+
+<p>Para nós, apesar de possuirmos nas collecções scientificas alguns
+exemplares antigos, de 1850 ou pouco depois, o tempo da passagem do
+<i>Eucalypto</i> dos viveiros escolares para a cultura economica usual poderá
+começar em 1870. É de 1870 a <i>Breve noticia sobre o Eucalypto globulus</i>
+do illustre propagandista snr. Duarte de Oliveira, e de 1876 o <i>Eucalyptus
+globulus</i> de Carlos de Souza Pimentel. Essas publicações, ainda hoje de
+considerar na grande maioria das suas observações, marcam uma época, o inicio
+intelligente e fecundo d'esta cultura florestal.</p>
+
+<p>A esse tempo, não havia virtude de que o <i>Eucalypto</i> não commungasse.
+Crescia rapidamente, multiplicaria milagrosamente a riqueza florestal em
+proporções descommunaes, povoava os desertos, soffria toda a inclemencia da
+atmosphera e do sólo, purificava os logares insalubres, livrava das febres
+paludosas, dava madeira excellente para todos os fins, rebelde á podridão, e
+distillava oleos, essencias e medicamentos preciosos. N'esta fé se plantaram
+muitos <i>Eucalyptos</i> pelas nossas provincias e por todo o littoral do
+Mediterraneo. Plantaram-se bem e plantaram-se mal, onde vingavam e onde
+morriam, n'uma variedade de condições infinita; e, por isso, houve plantações
+que foram maravilha de prosperidade e opulencia, e outras houve tambem que se
+tornaram exemplo tremendo de miseria e ruina. Não podia deixar de haver de
+tudo isto n'uma experiencia feita em tão larga escala, em grande parte filha
+de illusorias e arrebatadas esperanças, mal consideradas, de todo alheias a
+uma sensata<span class="pagenum"><a name="pag_11" id="pag_11">[11]</a></span> observação das coisas, desde principio condemnadas a
+naufragio por violação de leis impreteriveis da natureza.</p>
+
+<p>Seguiu-se a reacção contra os impulsos da primeira hora. Os que haviam
+sido infelizes se encarregaram de a proclamar, pondo á conta da debilidade e
+insignificancia da arvore o que frequentemente era apenas a consequencia da
+mingua de reflexão de quem precipitadamente a havia plantado. Então, não
+houve defeito de que não se accusasse o <i>Eucalypto</i>: não resistia nem ao
+sol, nem ao frio, nem á pobreza da terra; onde crescesse, edificava um abrigo
+temeroso para os passaros que devastavam as seáras; estragava os mattos e
+logo de começo ficava caro pela despeza da plantação. A madeira não prestava
+para nada; estalava por mil modos, torcia e rachava ao seccar, apodrecia
+depressa, quando enterrada ou mesmo fóra da terra, e demais o córte das
+arvores tornava-se dispendiosissimo em muitos casos pelo volume monstruoso
+que ellas tinham attingido. Quanto a effeitos de saneamento, pura phantasia;
+em vez de beneficios, o <i>Eucalypto</i> importava calamidades. Não só onde
+havia plantação de <i>Eucalyptos</i> e as condições hygienicas haviam
+melhorado, a melhoria provinha de outras causas; mas até acontecia que o
+<i>Eucalypto</i> era nocivo, creando na casca e na sombra humida viveiros de
+mosquitos, e assim se convertendo indirectamente em agente disseminador de
+febres palustres.</p>
+
+<p>Tudo isto se dizia e se jurava.</p>
+
+<p>Como, porém, havia plantações que tinham medrado e offereciam bons córtes,
+entrou no debate um elemento novo e resolveu a questão;<span class="pagenum"><a name="pag_12" id="pag_12">[12]</a></span> veio o
+mercado e em termos do seu uso garantiu que os <i>Eucalyptos</i> eram
+excelentes. Comprando-os, pagando-os por um preço altamente remunerador,
+dando-lhes variadissimo destino, decidia com todo o desrespeito pelas
+academias e seus libelos, que os <i>Eucalyptos</i> constituiam uma cultura,
+pelo menos lucrativa. N'uma reacção contra a reacção, volta-se á primeira
+fórma, e eis que aquella cultura começou a insinuar-se por todos os cantos,
+entre as fagueiras esperanças dos que n'ella se empenhavam e as liquidações
+vantajosas dos que, tendo ido á frente, começavam a arrecadar os proventos,
+não raro avultados, da sua audacia.</p>
+
+<p>A verdade será que nem o <i>Eucalypto</i> tinha os poderes miraculosos de
+resgate de esterilidade que o primitivo enthusiasmo de botanicos e de
+iniciadores annunciou, nem tambem, e muito menos, era a nullidade economica e
+o perturbador nocivo que o estouvamento e má sorte de alguns cultivadores
+desastrados proclamava.</p>
+
+<p>A madeira do <i>Eucalypto</i> é magnifica, incontestavelmente, quando lhe
+tivermos dado o tempo necessario para amadurecer capazmente. Cortaram-se
+<i>Eucalyptos</i> com 10 ou 12 annos e não deram madeira que prestasse. Não
+podia prestar. Pois se essas arvores eram herva!... D'essa idade, que
+consistencia podiam ter! Uma arvore, seja de que especie fôr, não demanda
+menos de 30 ou 40 annos para criar cerne e endurecer. Se está feita aos 25, e
+isso não raro acontece com o <i>Eucalypto</i>, já foi grande fortuna.</p>
+
+<p>Demais, para apreciação da madeira de <i>Eucalypto</i>, fomos buscar um
+padrão subido, dos mais subidos. Comparamol-o com o carvalho. Por<span class="pagenum"><a name="pag_13" id="pag_13">[13]</a></span>
+pouco iriamos até ao mogno e ao pau santo. Não é d'isso que se trata; não se
+pensa em trocar pelo <i>Eucalypto</i> essas madeiras que formam uma
+aristocracia; apenas se procura auxiliar e engrandecer as plebes florestaes,
+associando-lhes plantas novas da sua igualha. É ao choupo, ao amieiro, á
+nogueira, ao ulmeiro, á cerejeira, sobretudo ao pinheiro, que temos de
+referir o valor do <i>Eucalypto</i>. Com estas e outras madeiras da classe
+das communs a que estas pertencem, temos de o comparar, e perante ellas
+achar-lhe-hemos uma superiosidade indiscutivel a todos os respeitos&mdash;pela
+rapidez do desenvolvimento e pelo volume dos troncos, pela duração, pela
+belleza, (em obra confunde-se facilmente com o castanho), pela resistencia,
+pela elasticidade e pela faculdade, aliás de summa importancia, de durar na
+agua mais do que qualquer outra das nossas arvores. De que se trata é
+unicamente de plantar <i>Eucalyptos</i> onde estavam pinheiros, e de tirar
+das margens dos nossos rios e das areias dos seus campos um rendimento
+florestal superior ao que actualmente d'alli podemos colher com as arvores
+que lá temos. Pela minha parte, direi que não semearei mais um pinheiro onde
+possa plantar um <i>Eucalypto</i>; todas as experiencias de comparação que
+n'este sentido fiz durante 20 annos, e em terrenos, no geral, ruins,
+pedregosos, frios e magros, me auctorisam sem discrepancia esta conclusão.
+</p>
+
+<p>Muitas são as vantagens do <i>Eucalypto</i>, mas entre todas avulta a
+facilidade e vigor com que rebenta dos troncos cortados. O mesmo terreno dá
+dois e tres córtes de madeira, sem necessidade de renovar a plantação ou
+sequer, a cultura, e advertindo&mdash;circumstancia devéras apreciavel e<span class="pagenum"><a name="pag_14" id="pag_14">[14]</a></span>
+que muitos ignoram&mdash;que as segundas camadas, sem duvida porque a robustez do
+raizame e a condição das seivas lh'o facultam, criam cerne immediatamente, ao
+contrario do que é a regra com a primeira haste, prompta em crescer, mas
+lenta em amadurecer. Assim, nas segundas camadas, as varas delgadas, de seis
+ou oito annos não dão ordinariamente mais de 25 por cento de cerne. O Barão
+de Mueller diz que a renovação do <i>Eucalypto</i> pelos rebentos das hastes
+cortadas é sobretudo propria de arvores não muito antigas e não se opera com
+igual força e promptidão nas differentes especies. Entre os mais faceis em
+rebentar, menciona o <i>E. globulus</i> e o <i>E. amygdalina</i>, e acha o
+<i>E. rostrata</i> dos menos inclinados a este modo de renovação. Mas nas
+minhas plantações, provavelmente por serem recentes, todas as especies téem
+rebentado admiravelmente. Foram rarissimos os <i>Eucalyptos</i> que não
+rebentaram depois de cortados, e n'esses as baixas mostram ser accidentaes,
+questão de condição individual e não commum á especie que n'outros exemplares
+provou a sua faculdade de renovação.</p>
+
+<p>Como combustivel, as analyses do snr. C. Lepierre, publicadas pelo snr. W.
+C. Tait, em 1915, mostram que a lenha de <i>Eucalypto</i> dá 4:353 calorias
+onde a lenha do pinheiro não passa de 3:200&mdash;isto é, a lenha do
+<i>Eucalypto</i> tem um terço a mais do poder calorifero da lenha de
+pinheiro; e póde mesmo substituir o carvão, valendo um kilo de lenha de
+<i>Eucalypto</i> por 550 grammas de hulha. De modo que, para este effeito,
+quando, por exemplo, uma tonelada de pinheiro custar 12 escudos, a de
+<i>Eucalypto</i> deve valer 16. E, se considerarmos que a mesma superficie
+plantada de <i>Eucalyptos</i><span class="pagenum"><a name="pag_15" id="pag_15">[15]</a></span> ou semeiada de pinheiros dá no primeiro
+caso um volume de madeira que é tres ou quatro vezes, pelo menos, aquelle que
+póde produzir na segunda hypothese, por ahi se calculará quanto vale a
+substituição do pinheiro pelo <i>Eucalypto</i>, ainda que não seja senão para
+criar lenha.</p>
+
+<p>Secarão os <i>Eucalyptos</i> as fontes, segundo muitos crêem? Desconfio.
+Ganharam essa fama e provavelmente continuarão a soffrel-a, se os que téem
+minas e canalisações debaixo das raizes dos <i>Eucalyptos</i> não as limparem
+assiduamente. As raizes dos <i>Eucalyptos</i>, no seu rapido desenvolvimento,
+depressa obstruirão completamente essas minas e canalisações,
+transviando-lhes e sumindo-lhes as aguas. Se, porém, houver os necessarios
+cuidados de limpeza, creio que tal não acontecerá, pois sobre este quesito
+posso dar testemunho de que, tendo ha quarenta annos um macisso colossal de
+<i>Eucalyptos</i> sobre uma nascente, nunca esta deu signal de
+enfraquecimento. É hoje o que sempre foi.</p>
+
+<p>Dão abrigo aos passaros&mdash;evidentemente, como todo o arvoredo. Se isso
+houvesse de ser motivo de depreciação do <i>Eucalypto</i>, importaria a
+condemnação de todas as florestas. O que faltou dizer, quando se aduziu
+semelhante prejuizo do <i>Eucalypto</i>, é se essas aves que elles abrigam
+não valem bem o que pastam nos campos e se sem ellas não corre grave risco a
+nossa saude e o nosso sustento, pela invasão de uma fauna bem mais
+destruidora do que as aves, e da qual as aves são inimigos infatigaveis e
+mortaes. Isto reduzindo a questão a termos meramente economicos, porque, se a
+apreciassemos por considerações moraes e estheticas, não podia subsistir
+um<span class="pagenum"><a name="pag_16" id="pag_16">[16]</a></span> instante. A belleza, o conforto e a protecção do arvoredo de
+qualquer especie serão eternamente um regalo dos sentidos incomparavel e um
+mysterioso mas efficaz elixir de paz de espirito.</p>
+
+<p>Mas os <i>Eucalyptos</i> dão cabo dos mattos, ou melhor, do tojo. É este
+um dos artigos mais repetidos da excommunhão dos <i>Eucalyptos</i>.</p>
+
+<p>Sobre isso, não haja duvida. É muito certo. O <i>Eucalypto</i> é
+absorvente, onde se planta, logo se apossa absolutamente da terra, como
+inevitavelmente, sempre terá de acontecer com toda a especie vegetal de
+natureza opulenta. O <i>Eucalypto</i> reclama tudo para si; necessidades
+formidaveis de sustentação assim o determinam. Que eu saiba, apenas as
+acacias, as hakeas e os sobreiros lhe supportam a vizinhança e apezar d'ella
+se mantéem e medram. O que resta saber e aqui constitue todo o problema, é se
+vale a pena conservar o matto onde podemos crear <i>Eucalyptos</i>. Ora, um
+hectare com 1:000 <i>Eucalyptos</i> dará, ao fim de 25 annos, 5 contos,
+calculando cada <i>Eucalypto</i> a 5 escudos, preço modesto. Serão 200
+escudos por anno. E quantas carradas de matto seriam necessarias para que
+esse hectare produzisse rendimento semelhante? Haverá mesmo algum pedaço de
+matto em Portugal dando rendimento que com aquella cifra se compare?</p>
+
+<p>O lavrador corre a affirmar que não póde dispensar os mattos para adubo
+dos campos. Mas suspeito de que haverá agronomos que discordem, respondendo
+que semelhante processo de adubação é tão antiquado como pobre. As adubações
+em verde, com a sua riqueza de azote, barateza de applicação e mais vantagens
+scientificamente demonstradas, e os adubos mineraes,<span class="pagenum"><a name="pag_17" id="pag_17">[17]</a></span> de uma efficacia
+admiravel e de uma commodidade de transporte unica, vão deixando para um
+derradeiro e pesado recurso as adubações pelo tojo, de proveito minguado e
+lento e preparação dispendiosa, reclamando uma somma de trabalho que não está
+em proporção da riqueza fertillisante do adubo, seriamente estorvada por
+difficuldades de decomposição desanimadoras. Não, não será o tojo que
+economicamente possa medir-se com o <i>Eucalypto</i>.</p>
+
+<p>Dar-se-ha, porém, o abstruso caso da insalubridade das mattas de
+<i>Eucalypto</i>, por propicias á propagação dos mosquitos? Abrirão ellas uma
+excepção na velha e incontestada crença pupular de que as arvores são
+beneficas para a saude de quem entre ellas habita?</p>
+
+<p>Sobre esse ponto atrevo-me a ter opinião propria, com toda a arrogancia do
+incompetente que não é medico nem homem de sciencia.</p>
+
+<p>O Barão de Mueller falla do «grande poder de exhalação» que os
+<i>Eucalyptos</i> possuem, e na minha intimidade com essas arvores
+casualmente vi demonstrada essa assombrosa capacidade de exhalação. Puz
+flôres em diversos vasos de vidro, d'estes vulgarmente chamados «solitarios»,
+e entre elles ficou um contendo unicamente ramos e flôres do <i>Eucalyptus
+gracilis</i>. Passadas vinte e quatro horas, vi quasi sem agua o vaso do
+<i>Eucalypto</i>, emquanto os outros a conservavam aproximadamente na altura
+em que na vespera a deixára, o que aliás era de esperar passando-se isto em
+dezembro, mez em que a evaporação é frouxissima. Enchi de novo o vaso no qual
+a agua baixára e, passadas as segundas vinte e quatro horas, de novo a agua
+desapparecêra, como da<span class="pagenum"><a name="pag_18" id="pag_18">[18]</a></span> primeira vez. Seguidamente, repeti a
+experiencia e o resultado foi invariavelmente o mesmo. Percebi então o que
+era o extraordinario «poder de exhalação» do Eucalypto.</p>
+
+<p>Ora, sendo assim com os ramos cortados, cuja vitalidade necessariamente
+terá abrandado pelo córte, pergunto que especie de atmosphera será a que
+cobre uma floresta de <i>Eucalyptos</i> e a sua visinhança immediata, e não
+posso deixar de suspeitar que essa atmosphera será permanentemente moderada
+por uma evaporação que tanto ha-de quebrar a violencia do calor no estio,
+como o rigor do frio no inverno. Será um manto precioso para a actividade do
+corpo e uma fonte continua de suavidade para os sentidos. Se isso não é
+salutar, não sei o que o seja nem o que deva buscar para ter saude.</p>
+
+<p>Quanto aos effeitos therapeuticos das essencias derivadas do
+<i>Eucalypto</i>, especialmente das folhas e dos seus oleos, respondem os
+formularios pharmaceuticos e o uso medico actual. Mas convem lembrar que esse
+será um rendimento secundario, apenas subsidiario, nas plantações de
+<i>Eucalyptos</i> em larga escala.</p>
+
+<p>Para preencher os pedidos da pharmacia, bastará uma quantidade de arvores
+muito reduzida. Por ahi o lavrador não enriquece, e nem sequer achará mercado
+sufficiente, se tem muitas arvores para vender.</p>
+
+<p>E, porventura, o mesmo se poderá dizer do <i>Eucalypto</i> como pasto das
+abelhas. Sem duvida, não haverá melhor planta para este fim; a profusão de
+flôres em cada especie e a diversidade de época em que as differentes
+especies florescem, facultam sustento ás abelhas na maior parte<span class="pagenum"><a name="pag_19" id="pag_19">[19]</a></span> do
+anno, senão mesmo durante todos os mezes do anno. Sobretudo o <i>Eucalyptus
+cosmophylla</i> torna-se notavel sob este aspecto; vingando bem em terras
+nossas, floresce no principio do inverno, quando a escassez de flôres nos
+montes é extrema.</p>
+
+<p>Não tenho elementos para conjecturar até que ponto será remuneradora a
+cultura do <i>Eucalypto</i> como planta melifera. Parece-me, todavia, que
+alguma cousa ha ainda a experimentar e estudar n'este capitulo,
+particularmente com a especie que acabo de apontar.</p>
+
+
+
+<h2>II<br>
+Cultura do Eucalypto</h2>
+
+<p>A cultura do <i>Eucalypto</i> tornou-se facilima e corrente entre nós.
+Hoje, o <i>Eucalypto</i> vende-se nas feiras á duzia e ao cento como as
+couves, enterra-se depois pelo meio dos mattos em covachos abertos a esmo, e
+n'esta barbarie, com estes cuidados elementares por demais resumidos, vinga,
+se o terreno lhe agrada e a humidade atmospherica o favorece, ou se não
+sobrevêm dois ou tres dias de nordeste que o mirram. Assim se téem criado
+arvores magnificas.</p>
+
+<p>Sempre aconselharei, porém, mais algum esmero a quem quizér proceder com
+segurança ou com minguado risco de perder o tempo e o dinheiro.</p>
+
+<p>De quantos processos de cultura experimentei, e creio ter percorrido a
+escala toda ou pouco<span class="pagenum"><a name="pag_20" id="pag_20">[20]</a></span> menos, o que decididamente offerece mais
+probabilidades de exito começa pela sementeira em vasos ou caixões, seguida
+da transplantação de cada pé para seu vaso privativo&mdash;sementeira em abril ou
+ainda mesmo na primeira quinzena de maio; transplantação para vasos de 8 e 10
+centimetros de bocca e altura correspondente, quando as plantas estão de 3 a
+4 centimetros; plantação definitiva, logo no começo do outomno, de exemplares
+não muito grandes, de cerca de palmo, tirados dos vasos antes que as raizes
+comecem a enrodilhar-se, como sempre acontece se se prolonga a estação nos
+vasos, determinando-lhes aquella fórma de desenvolvimento em espiral que
+ulteriormente conservam e as prende mal á terra, sujeitando a arvore a cahir
+quando o temporal a açoite. As transplantações para vasos deverão fazer-se
+pela fresca, de manhã cedo ou á tardinha, onde o sol não toque a raiz; a
+simples exposição da raiz a uma atmosphera secca e quente, por poucos minutos
+que seja, bastará para inutilisar alguns pés e atrazar nos demais a renovação
+do crescimento interrompido pela transplantação. Deverão os vasos ser postos
+á sombra, durante quinze dias, e quer então, quer posteriormente, depois de
+passados para o sol, convém regal-os abundantemente duas vezes por dia, de
+manhã e á tarde. Em outubro e d'ahi por diante até aos primeiros dias de
+março, abrindo apenas um parenthesis durante o tempo das geadas mais
+rigorosas, poderá proceder-se á plantação definitiva. Para esta, será grande
+vantagem cavar ou lavrar primeiro a eito o terreno da plantação, abrindo
+depois de tres em tres metros covas de tres palmos em toda a direcção<span class="pagenum"><a name="pag_21" id="pag_21">[21]</a></span>
+e tendo o cuidado de picar bem fundo o leito da cova. Bem sei que se
+encontram bellissimos <i>Eucalyptos</i> plantados em covas sem arroteamento
+prévio de toda a terra, e não é cousa que eu não tenha feito e repetido,
+algumas vezes com resultado; mas para mim não soffrem duvidas as vantagens
+incalculaveis do arroteamento prévio. É miraculoso.</p>
+
+<p>A sementeira em viveiros e a plantação definitiva immediata é o processo
+vulgar, o mais usado, ficando contente o lavrador quando achou e comprou
+exemplares bem desenvolvidos, frequentemente de um metro de altura e mesmo
+mais. Mas, a não ser em terrenos cultivados e muito frescos, ainda não
+observei factos que me demonstrem a vantagem de semelhante regra. Não só por
+este systema as probabilidades de vingar serão largamente reduzidas porque na
+transplantação se inutilisaram as raizes mais delicadas; simultaneamente e
+tambem por effeito da perda d'essas raizes, os <i>Eucalyptos</i> grandes
+levarão tanto tempo a pegar que os pequenos, não havendo soffrido igual perda
+e trazendo intacto do viveiro todo o raizame, depressa alcançam e ultrapassam
+os que foram plantados já grandes.</p>
+
+<p>Sementeiras de outomno nunca me deram boa prova. Não vingam tão facilmente
+como as da primavera e prolongam inutilmente, e até prejudicialmente, o tempo
+de viveiro; não crescem tanto que estejam em termos de plantação definitiva
+na primavera immediata á sementeira, e ficarão demasiado desenvolvidas para
+plantação ao fim de um anno, no outomno seguinte depois da sementeira.</p>
+
+<p>A melhor época para colher a semente é o<span class="pagenum"><a name="pag_22" id="pag_22">[22]</a></span> fim do inverno, quando as
+capsulas só esperam o calor de março para expontaneamente se abrir e lançar á
+terra a semente. Antes d'isso, as capsulas murcham muito, quando se colhem, e
+téem certa difficuldade em largar a semente, o que indicará talvez um
+amadurecimento imperfeito. Segundo o Barão de Mueller, a semente do
+<i>Eucalyptus globulus</i> conservaria durante 4 annos o poder germinativo
+que no <i>Eucalyptus amygdalina</i> vai até 6 annos e n'outras especies
+alcança mesmo 13 annos, se a semente foi conservada em logar secco e frio.
+Mas tenho-me dado mal com sementes velhas; em regra, poucas nasceram. Por
+isso, direi:&mdash;Semente fresca, o mais possivel, de poucas semanas, e até de
+poucos dias, podendo ser. Vai n'isso uma vantagem manifesta.</p>
+
+<p>Exceptuando as argilas e os calcareos, todo o terreno convém ao
+<i>Eucalypto</i>, comtanto que não seja fundado em rocha a pequena
+profundidade e dê ás raizes possibilidade de penetração. Tenho lido que o
+<i>Eucalyptus gomphocephala</i> e o <i>cornuta</i> supportam os barros e os
+calcareos; não vi, porém, ainda demonstração prática d'essa faculdade
+auctorisando qualquer experiencia de certa latitude. O livrinho de Souza
+Pimentel diz que o <i>Eucalypto</i> viverá onde o sobreiro viver, e
+inclino-me a crêr que essa indicação será, em geral, segura. O certo é que o
+<i>Eucalypto</i> é facil de contentar quanto a terreno e capaz de vestir e
+enriquecer os mais ingratos, desde os seixos frios das charnecas até as
+areias mais safaras.</p>
+
+<p>Outro tanto não se poderá dizer das exigencias do <i>Eucalypto</i> em
+materia de clima. Na Australia supporta temperaturas de 70° centigrados ao
+sol e algumas especies ha, como o <i>Eucalyptus largiflorens</i><span class="pagenum"><a name="pag_23" id="pag_23">[23]</a></span> e o
+<i>polyanthema</i>, que affrontam impunemente as nossas estiagens mais duras.
+Mas desenganemo-nos, tanto mais que os enganos poderão sahir caros ao
+lavrador, como aconteceu na Argelia; o <i>Eucalypto</i> é arvore de climas
+moderados, alegra-se na frescura e soffre deveras com o frio. Em temperaturas
+inferiores a 4° centigradus abaixo de zero, dá logo signais de doença, e nas
+especies mais melindrosas gela até ao colo da raiz, mesmo quando já está com
+alguns metros de altura. Isto me aconteceu, por exemplo, com o <i>Eucalyptus
+maculata</i>; perdi n'um só inverno quantos tinha, já muito crescidos e
+lindos.</p>
+
+<p>Sobretudo, acabemos por uma vez com a illusão de que os <i>Eucalyptos</i>
+podem formar abrigos contra o vento do mar. Tenhamos bem presente a preciosa
+recommendação de Souza Pimentel, que, sendo de 1876, ainda hoje carece de ser
+repetida, tão lenta é a diffusão dos conhecimentos agricolas:&mdash;«Apezar do
+clima maritimo ser muito favoravel para os <i>Eucalyptos</i>, não devemos
+fazer plantações d'esta arvore em sitios muito proximos do mar e que estejam
+directamente expostos ás emanações salgadiças e aos ventos muito violentos do
+littoral; ou então procederemos de modo que as plantas fiquem abrigadas por
+alguma elevação natural, ou outra qualquer defeza, o que é facil encontrar.»
+Quererá o <i>Eucalypto</i> sentir o alento das aguas do mar, mas onde lhe
+chegue isento de toda a aspereza que é caracteristica da nossa costa
+maritima.</p>
+
+<p>Sem embargo, a grande zona do <i>Eucalypto</i>, em Portugal, aquella que
+admitte largo numero de especies e lhes assegura condições de desenvolvimento
+perfeito, será essa que as brumas maritimas<span class="pagenum"><a name="pag_24" id="pag_24">[24]</a></span> de perto ou de longe e em
+toda a estação bafejam. O fallecido e benemerito Bernardino Barros Gomes, nas
+<i>Cartas elementares de Portugal</i> que, a meu vêr, continuam sendo um
+documento fundamental no estudo da physiographia do nosso paiz, acha a linha
+culminante que domina a vida physica do paiz na extensissima cordilheira que
+com depressões de variada profundeza vai subindo lentamente do Cabo da Roca á
+Estrella, pelas serras de Cintra, Aire e Louzã, e da Estrella vai a Larouco,
+na fronteira da Galliza, pelas serras de Montemuro, Marão e Gerez. «Linha
+seguida de condensação mais extensa e elevada não ha no paiz: 1:580, 1:206,
+1:422, 1:389 1:993 e 1:202 são as alturas dos seus pontos culminantes,
+marcados na carta geographica com os nomes de Larouco, Gerez, Marão,
+Montemuro, Estrella e Louzã.» São essas as muralhas que os ventos do mar téem
+a vencer na passagem para o interior da Peninsula, e por sua poderosa
+influencia de condensação essas serras dividem o paiz ao norte do Tejo em
+duas grandes zonas&mdash;littoral e interna.</p>
+
+<p>Ora, é esta zona littoral ao norte do Tejo que eu julgo ser a grande zona
+da cultura do <i>Eucalypto</i> em Portugal&mdash;na faixa média, isto é, a
+distancia sufficiente do mar, para não soffrer com o rigor da ventania, e
+limitando-se na subida ás alturas, para não morrer victima dos gelos, devendo
+todavia notar que a 600 metros de altitude tenho encontrado lindos exemplares
+do <i>Eucalyptus globulus</i> e que, se o <i>Eucalyptus globulus</i> prospera
+n'essas alturas, é de suppôr que o <i>Eucalyptus amygdalina</i>, o
+<i>coriacea</i> e o <i>Gunnii</i> consentirão em crescer nos nossos montes a
+700<span class="pagenum"><a name="pag_25" id="pag_25">[25]</a></span> ou mesmo 800 metros de altitude, se ahi lhes soubermos escolher
+situação. Fóra d'essa extensissima região litoral do norte do paiz, quer no
+sul, quer no interior do norte, haverá, sem duvida, muitissimos logares onde
+o <i>Eucalypto</i> medre rapida e magestosamente, sobretudo nos valles e na
+proximidade de ribeiros que alguma frescura lhe facultem. Mas, pois que não é
+licito contar aqui como regra a abundante e permanente humidade da zona norte
+que tracei, a cultura do <i>Eucalypto</i> passa a ser como accidental, o que
+aliás não impede de apresentar muitas e valiosas manchas de explendor,
+igualando as melhores da zona eleita.</p>
+
+
+
+<h2>III<br>
+Póda dos Eucalyptos</h2>
+
+<p>Algum tempo, e muito longo, tive como regra invariavel que os
+<i>Eucalyptos</i> não careciam de póda. Mais do que isso, a póda era-lhes
+nociva. Isto me diziam os melhores livros que se occupavam da sua cultura;
+isto me era confirmado pelo que observava nas minhas plantações e nas dos
+visinhos; e isto tambem me era aconselhado pelo exame das proprias arvores
+que, despojando-se expontaneamente dos ramos caducos, d'aquelles cuja acção
+havia cessado, estavam em seu trabalho organico a mostrar-nos a indiscrição
+de qualquer intervenção, que por certo nunca poderia exceder, ou sequer
+emparelhar, a sua natural previdencia. Ellas, as arvores, é que<span class="pagenum"><a name="pag_26" id="pag_26">[26]</a></span>
+sabiam, muito melhor do que nós, quando é que lhes convinha desfazer-se das
+roupas velhas.</p>
+
+<p>As minhas observações então limitavam-se, porém, a uma só especie de
+<i>Eucalyptos</i>, ao <i>globulus</i>. E para esse e para todos os afins no
+modo de vegetar, isto é, para aquelles que crescem em haste direita e se
+despojam expontaneamente dos ramos velhos, a regra prevalece:&mdash;não se lhes
+deve tocar. A não ser, claro está, para cortar algum ramo muito baixo que por
+acaso persista e se desenvolva, encurtando mais tarde o comprimento das
+madeiras ou empecendo, no presente, o caminho ou passagem. E esta ultima
+hypothese não é rara nos <i>Eucalyptos</i> plantados isoladamente, em
+condições de bracejar com largueza, a seu capricho.</p>
+
+<p>Nas especies que não dão expontaneamente haste direita, e n'este numero se
+tornam notaveis e predominantes o <i>polyanthema</i>, o <i>melliodora</i>, o
+<i>Behriana</i> e o <i>bicolor</i> ou <i>largiflorens</i>, n'estas, se não
+lhes acudimos a tempo encaminhando-as pelo córte dos ramos rasteiros, teremos
+todas as probabilidades de as vêr convertidas em grandes arbustos, pendidos,
+tortos e curvados por mil modos, sem dois palmos de madeira direita
+aproveitavel. Ahi, a póda é essencial e tem sua arte, reclamando a attenção
+de quem a faz, para que não seja tardia, nem excessiva, para que não deixe
+engrossar demasiado os ramos e tambem para que por excesso de póda não
+adelgace muito a haste e lhe prejudique a robustez.</p>
+
+<p>Mas ha mais: em certos casos, e mesmo para <i>Eucalyptos</i> que
+naturalmente crescem em haste direita, poderá haver vantagem no córte
+das<span class="pagenum"><a name="pag_27" id="pag_27">[27]</a></span> pontas terminaes a quatro ou cinco metros do chão. Em Roma,
+encontrei frequentemente <i>Eucalyptus rostrata</i>, assim degolados, com
+troncos magnificos na base e bem vestidos de frondosos braços no cimo. E
+aqui, nas minhas plantações, aconteceu que, havendo sido cortadas (por
+malvadez) as pontas de oito <i>Eucalyptus macrorrynchas</i>, crearam outras
+que soldaram perfeitamente no tronco, e este engrossou bem, e até mais do que
+o dos <i>Eucalyptos</i> da mesma especie que estavam proximos e foram
+poupados pelo vandalismo.</p>
+
+<p>Por isso me inclino a crêr que, n'esta materia, a regra é, na verdade, não
+podar; mas tem muitas excepções, a que convém attender. E não me tenho dado
+mal, muito pelo contrario, admittindo-as no meu uso.</p>
+
+<p>A proposito, acrescentarei que o <i>Eucalypto</i> que comece a crescer
+inclinado, seja de que especie fôr, não só d'aquellas que acima aponto como
+tendo invariavelmente esta tendencia, mas tambem de outras que
+accidentalmente a revelam, como, por exemplo, o <i>Gunnii</i> e o
+<i>Stuartiana</i>, <i>Eucalypto</i> que assim cresça deve ser cortado a meio
+palmo do chão, logo que o tronco chegue a robustez bastante, de ordinario no
+quarto ou quinto anno. É o unico modo de obter boas hastes d'essa cêpa; véem
+depressa, direitas e vigorosas. Algumas tenho que subiram mais de dois metros
+logo no primeiro anno depois do córte. E, se considerarmos que os rebentos
+são mais promptos em crear cerne do que as mães, convencer-nos-hemos de que
+similhante operação é de todo o ponto vantajosa. Muitas vezes a tenho feito e
+nunca me arrependi.<span class="pagenum"><a name="pag_28" id="pag_28">[28]</a></span></p>
+
+
+
+<h2>IV<br>
+Escolha das variedades</h2>
+
+<p>Evidentemente, em mais de oitenta especies e variedades de
+<i>Eucalyptos</i> que tenho experimentado, o <i>globulus</i> mantém o seu
+logar de primazia, quanto á rapidez de desenvolvimento. Quem procurar o
+volume maximo de madeira a crear em determinado tempo e espaço, não tem que
+hesitar: plante o <i>globulus</i>. E, se nos lembrarmos de que a sua madeira
+é excellente, propria para innumeraveis applicações, teremos por seguro e
+certo que, quem assim resolver, procede com as maiores probabilidades de
+haver feito um magnifico negocio, rendoso como os melhores.</p>
+
+<p>Mas, se o <i>Eucalyptus globulus</i> conta a seu favor a vantagem do mais
+rapido desenvolvimento, outras especies o preterem, quanto á resistencia a
+doenças parasitarias, e quanto a belleza e quanto á capacidade de supportar
+as vicissitudes climatericas e a pobreza do sólo, e quanto á qualidade da
+madeira.</p>
+
+<p>Não ha plantação de <i>Eucalyptus globulus</i> que se mostre viçosa por
+igual. Aqui e além apparecem sempre exemplares rachiticos, e tenho para mim
+que esses, em geral, definham por doenças cryptogamicas, sobretudo se a
+exposição é ao norte e batida do vento d'esse lado. O <i>Eucalyptus</i>
+<i>Risdoni</i> partilha com o <i>globulus</i> d'essa susceptibilidade; adoece
+tambem muito facilmente. Mas, exceptuando este, julgo que, em grande
+maioria,<span class="pagenum"><a name="pag_29" id="pag_29">[29]</a></span> as outras especies de <i>Eucalyptos</i> são, em geral, muito
+menos sensiveis ás invasões cryptogamicas do que o <i>Eucalyptus
+globulus</i>.</p>
+
+<p>Quanto a belleza, se queremos formar avenidas copadas, ou vestir de
+folhagem abundante um pedaço de terra, se procuramos sombra e frescura, o
+<i>Eucalyptus botryoides</i>, aliás facil de contentar em riqueza do sólo e
+favor do clima, excede todos os demais. Em seguida, para este effeito, virá o
+<i>Eucalyptus Andreana</i>, uma especie de chorão, de folhas delgadas, um
+pouco esguio, na verdade, mas lindo, sem embargo, principalmente quando se
+cobre de flôr. Por ventura o <i>Eucalyptus virgata</i>, ou <i>Sieberiana</i>,
+segundo outra classificação, tem de ser incluido n'esta cathegoria. Ramifica
+copiosamente. Mas os exemplares que possuo estão ainda muito novos para que
+me auctorizem juizo definitivo. É possivel que com a idade se tornem mais
+despidos.</p>
+
+<p>Para os terrenos humidos e frios, a solução não offerece duvida. O
+<i>Eucalyptus amygdalina</i>, o <i>coriacea</i> e o <i>Gunnii</i> téem de ser
+os redemptores d'esses brejos miseraveis das nossas florestas, assim como nos
+terrenos sêccos o <i>Eucalyptus polyanthema</i>, o <i>melliodora</i>, o
+<i>bicolor</i> ou <i>largiflorens</i> (são synonimos) e o <i>Behriana</i> e
+o <i>hemiphloia</i>&mdash;de crescimento lento, note-se&mdash;excedem em coragem para
+supportar a estiagem todos os demais. Sobretudo, o <i>Eucalyptus
+polyanthema</i>, quando plantado basto e bem guiado, porque facilmente
+entorta e deixa engrossar os ramos rasteiros com prejuizo da haste
+principal&mdash;é muito de cultivar, tanto mais que a madeira é rija como ferro. O
+<i>Eucalyptus melliodora</i> cresce mais depressa e dá troncos mais direitos;
+mas pelo que<span class="pagenum"><a name="pag_30" id="pag_30">[30]</a></span> tenho visto e lido, supponho que a madeira, embora boa
+seja, é inferior à do <i>polyanthema</i>.</p>
+
+<p>Pela qualidade da madeira é que muitos <i>Eucalyptus</i> se antepõem ao
+<i>globulus</i>, coincidindo a superioridade da madeira com uma celeridade de
+desenvolvimento e aptidões de cultura inteiramente satisfatorias e mesmo
+comparaveis ás d'aquelle gigante das nossas florestas. Aqui seria longa a
+lista das especies de <i>Eucalyptos</i> do meu conhecimento e experiencia que
+convém preferir ao <i>globulus</i>, embora este jámais deixe de ser
+excellente. Outros o vencem, é incontestavel: e para abreviar, mesmo porque
+ha vantagem prática em abreviar e não dispersar o nosso esforço em incertezas
+e caprichos, eu recommendaria, a quem quizesse produzir madeiras de
+excepcional valor, todos os <i>Iron-bark</i> (casca de ferro), como é, por
+exemplo, o <i>crebra</i>, de que facilmente conseguiremos bons exemplares, e
+poria na cabeça do ról o <i>Eucalyptus corynocalyx</i> ou <i>cladocalyx</i>,
+que não torce depois de sêcco, o <i>marginata</i>, de uma dureza maravilhosa,
+e ainda o <i>resinifera</i> que não dispensa logar favoravel; mas que, cemo o
+<i>crebra</i>, não é tão esquivo que não vegete bem em muitissimos valles e
+encostas do nosso paiz e possa formar florestas esplendidas.</p>
+
+
+
+<h2>V<br>
+Do córte dos Eucalyptos</h2>
+
+<p>Sobre o córte dos <i>Eucalyptos</i>, a <i>Eucalyptographia</i> do Barão de
+Mueller reproduz as recommendações de George Simpson, o qual, na
+opinião<span class="pagenum"><a name="pag_31" id="pag_31">[31]</a></span> de Mueller, «falla em resultado d'uma longa experiencia e com
+auctoridade»; e porque essas recommendações se me afiguram de uma importancia
+capital, aqui as reproduzo.</p>
+
+<p>Dizem assim:</p>
+
+<p>«Por causa da sua densidade, a madeira do <i>Eucalypto</i> não póde seccar
+nos cêpos; troncos de 12 pés de comprimento por 12 polegadas de espessura,
+deixados durante 7 annos no logar onde foram cortados, empenaram, quando
+depois foram serrados em pranchões, quasi tanto como se houvessem sido
+cortados recentemente. D'aqui vem que a exposição dos cêpos a influencias
+proprias a effectuar a séca alcança apenas a parte externa e com prejuizo,
+pelo menos, d'essas camadas que attinge. Por isso, G. Simpson insiste, com
+razão, na conveniencia de serrar os troncos nas dimensões que se quizerem,
+logo que são derrubados. A madeira serrada deve depois ser empilhada, e, para
+obstar a que se fenda e torça, convem cobril-a levemente com serradura, sendo
+esta substancia a mais facil de obter e applicar para evitar uma evaporação
+demasiado rapida da humidade da madeira. A serradura é um mau conductor do
+calor. A madeira do <i>Eucalypto</i> (pelo menos do <i>Jarrah</i>,
+<i>Eucalyptus marginata</i>) requer para seccar por este processo cerca de 3
+mezes, se é feita em pranchões de 3X2 polegadas; para pranchões de 12X12
+polegadas demandará, aproximadamente, um anno. Quanto á occasião do córte, o
+snr. Simpson está de accôrdo com todos os observadores sensatos, insistindo
+em que as arvores devem ser cortadas quando o movimento da seiva é menos
+activo; por conseguinte, ahi pelo fim do estio, antes que as chuvas<span class="pagenum"><a name="pag_32" id="pag_32">[32]</a></span>
+pesadas dos mezes mais frios venham despertar uma circulação mais vigorosa da
+seiva. Mais nota ainda G. Simpson que os ramos de <i>Eucalyptos</i>, quando
+cortados na estação humida, fendem muito mais do que quando o córte se faz
+nas épocas mais sêccas do anno. Deve haver tambem muito cuidado em livrar as
+arvores de grande abalo ao cair. De outra fórma, a madeira apresentará
+defeitos, embora algumas vezes estes só se revelem muito tempo depois de a
+empregarmos. Poder-se-ha evitar muito esmagamento inclinando a quéda para
+onde haja ramada e afastando-a dos terrenos pedregosos e das rochas.»</p>
+
+
+
+<h2>VI<br>
+Eucalyptos hybridos</h2>
+
+<p>Desde que, em 1902 comecei a fazer sementeiras de <i>Eucalyptos</i> com
+maior assiduidade e experimentando largo numero de especies, achei entre
+exemplares que inteiramente se conformavam com a descripção que d'elles tinha
+nos livros proprios do seu estudo, alguns que eram uma aberração manifesta do
+typo especifico. A principio julguei que essas divergencias, então raras,
+proviessem de menos cuidado no apartamento das sementes; seriam resultado de
+qualquer mistura casual. Mas, havendo plantado algumas dezenas de especies
+n'um espaço relativamente estreito, verifiquei, á medida que comecei a colher
+sementes das arvores por mim plantadas, a progressiva frequencia dos
+exemplares extravagentes,<span class="pagenum"><a name="pag_33" id="pag_33">[33]</a></span> e tive por indubitavel a hybridação. Até
+que, ultimamente, me veio ás mãos a obra do illustre botanico e professor
+Maiden, <i>A Critical Revision of the genus Eucalyptus</i>; e ahi vi o facto
+da hybridação dos <i>Eucalyptos</i> confirmado por uma das mais subidas
+auctoridades contemporaneas em materia de flora australiana.</p>
+
+<p>Maiden considera «absolutamente provada» a hybridação dos
+<i>Eucalyptos</i>, e acha que d'esse facto abundam provas. Segundo as suas
+observações, o <i>Eucalyptus Boormanii</i> é um hybrido do
+<i>siderophloia</i> e do <i>hemiphloia</i>; o <i>affinis</i> vem do
+cruzamento do <i>sideroxylon</i> e do <i>hemiphloia</i> e o
+<i>consideneana</i> será talvez um hybrido do <i>piperita</i> e do
+<i>Sieberiana</i>.</p>
+
+<p>Nas minhas sementeiras, os <i>Eucalyptos</i> que se mostraram mais
+facilmente susceptiveis de cruzamento foram o <i>Gunnii</i> e o
+<i>leucoxylon</i>. De quinze exemplares provenientes de uma sementeira d'este
+ultimo, não havia talvez dois perfeitamente iguaes. O <i>robusta</i>, o
+<i>botryoides</i> e mais acentuadamente o <i>Stuartiana</i> tambem não eram
+dos mais esquivos em apresentar exemplares divergindo das mães, não sei se
+por hybridação, se por tendencia ingenita a variar, a qual é igualmente fóra
+de duvida para grande parte das especies d'este genero. Em compensação, ha
+outras que não variam. Do <i>globulus</i> nunca encontrei um só hybrido. No
+<i>amygdalina</i> são rarissimos os exemplares divergentes; n'uma sementeira
+que produziu mais de quatrocentos pés, apenas encontrei um que não se
+conformava inteiramente com o typo commum.</p>
+
+<p>Dado este facto da hybridação e começando nós a conhecer as especies em
+que se manifesta,<span class="pagenum"><a name="pag_34" id="pag_34">[34]</a></span> convém saber se d'ella poderemos tirar proveito
+economico e não teremos antes de a considerar no ról das meras curiosidades
+da cultura florestal.</p>
+
+<p>N'este ponto é que a obra de Maiden nos dá, se não me engano, uma
+indicação de valor, onde diz que as especies e variedades de
+<i>Eucalyptos</i> agrupadas na designação vulgar sob o nome de
+<i>box-trees</i> (arvores de buxo) e entre as quaes se encontram o
+<i>melliodora</i>, o <i>polyanthema</i>, o <i>largiflorens</i> e outros,
+mostram «uma particular tendencia para cruzar com aquellas outras especies
+chamadas <i>iron-barks</i> (casca de ferro) das quaes o <i>crebra</i> é muito
+nosso conhecido e a todos os respeitos justamente famoso.</p>
+
+<p>Esta affirmação do sabio director do Jardim Botanico de Sydney porventura
+envolverá para nós uma indicação preciosa. O <i>polyanthema</i>, um
+<i>box-tree</i>, é muito provavelmente o <i>Eucalypto</i> que entre nós
+melhor supporta o calor do estio, emquanto resiste perfeitamente aos nossos
+invernos; mas é lento, muito lento no desenvolvimento. Entretanto, o
+<i>crebra</i>, um <i>iron-bark</i>, mais sensivel ás vicissitudes
+climatericas, prosperando, todavia, sob temperaturas elevadas e supportando
+sem maior mal frios rigorosos, tem um desenvolvimento mediano, em termos
+manifestos de aproveitamento economico. Em ambos a madeira é excellente.
+Seria possivel pelo cruzamento do <i>polyanthema</i> e do <i>crebra</i> obter
+hybridos que tendo as notabilissimas qualidades de resistencia do
+<i>polyanthema</i> lhes juntassem uma maior celeridade de desenvolvimento? E
+o <i>Gunnii</i> tão prompto em cruzar e tão proprio para povoar as encostas
+frias, não poderia ser melhorado pela insinuação de elementos novos, trazendo
+á sua madeira qualidades<span class="pagenum"><a name="pag_35" id="pag_35">[35]</a></span> superiores a essas, devéras aproveitaveis,
+que já possue, e fazendo-a tão boa para construcções como magnifica é para
+lenha?</p>
+
+<p>A experiencia é tentadora para os lavradores moços e confiados que queiram
+juntar a uma justa ambição de lucros uma intelligente applicação dos seus
+ocios e um sympathico esforço para legar aos filhos e aos filhos dos seus
+filhos uma riqueza nacional.</p>
+
+<p>Todavia, convém notar que as experiencias d'esta natureza mais pertencem
+ao Estado e ás suas estações do que aos particulares e ás suas minguadas
+forças. Experiencias florestaes demandam longos annos e extensos campos; nem
+podem fazer-se em pouco espaço, nem pódem concluir em pouco tempo, como
+acontece com as hervas e ainda com os arbustos. Tenho <i>Eucalyptos</i> com
+dezeseis annos de que ainda não colhi semente; tenho, por exemplo, um
+<i>urnigera</i>, já feito e com não menos de doze annos, magnifico e bello,
+que ainda não deu flôr. O que, devo acrescentar, não me desanima; antes me
+prende. Quanto mais os fructos tardarem, mais se alongará a esperança e os
+seus cuidados e prazeres. Tal qual como com os nossos filhos: quanto mais
+crescidos são e mais trabalhos deram, mais os amamos.</p>
+
+
+
+<h2>VII<br>
+A côrte dos gigantes</h2>
+
+<p>Para corrigir a nudez habitual das mattas de <i>Eucalyptos</i>, de
+ordinario esqueleticas, apezar da robustez dos troncos, para lhes dar
+espessura,<span class="pagenum"><a name="pag_36" id="pag_36">[36]</a></span> misturei-lhes em diversos logares grande cópia de
+<i>Acacias</i>, espalhadas a trôxe-moche, muito bastas e de variadissimas
+especies. Verifico, porém, ao fim de alguns annos, que se tornou uma
+exploração economica rendosa aquillo que havia sido feito por méra
+preoccupação de belleza. Plantando os <i>Eucalyptos</i> a tres metros de
+distancia e intercalando-lhes, em igual compasso, as <i>Acacias</i>, mais
+conhecidas pela designação popular de <i>mimosas</i>, conseguiremos vestir a
+terra, abundantemente, de folhagem e flôres, e conjunctamente fabricaremos
+alguma lenha e madeira nos espaços livres nos primeiros tempos, emquanto os
+<i>Eucalyptos</i> pelo seu desenvolvimento não os tomam e cobrem
+inteiramente.</p>
+
+<p>O effeito de belleza é grande&mdash;o que tambem representa valor. Nem só de
+pão vive o homem; a vida não se resume em operações arithemeticas de sommar e
+multiplicar. Disseminando entre os <i>Eucalyptos</i> <i>Acacias
+podalyriaefolia</i>, <i>Baileyana</i>, <i>dealbata</i>, <i>mollissima</i>,
+<i>longifolia</i>, <i>pycnantha</i>, <i>cyanophylla</i>, <i>decurrens</i>,
+<i>melanoxilon</i> e todas a demais d'este genero, possuiremos quanto baste
+para termos flôres, de um perfume leve e delicioso, desde os fins de novembro
+até maio, quasi ininterrompidamente. Por momentos, quando a estação lhes
+corre favoravel, dão um deslumbramento, de que o lavrador, se bom lavrador
+quizer ser, alguma coisa colhe e traz ao mercado para engordar o mealheiro.
+</p>
+
+<p>Entretando, criou-se muita ramagem que aquece o forno da brôa e poupa o
+córte de arvores adultas, e criou-se tambem, além de muita lenha, uma
+avultada somma de madeira preciosa, com diversos usos, sobretudo convindo á
+marcenaria e<span class="pagenum"><a name="pag_37" id="pag_37">[37]</a></span> á tanoaria. Para estes ultimos fins, a <i>Acacia
+melanoxilon</i> tem hoje os creditos feitos; facilmente se pagará por 20
+escudos uma arvore de 20 annos, se foi convenientemente tratada&mdash;isto é,
+rendeu 1 escudo por anno e, calculando que um hectare comporta 1:000, rendeu
+um conto por hectare e por anno. Mesmo suppondo que os preços baixarão algum
+dia d'aquelles exageros em que a guerra os pôz, a plantação da <i>Acacia
+melanoxilon</i>, ou da <i>australia</i>, como no vulgo é chamada, ficará em
+toda a hypothese uma cultura altamente lucrativa.</p>
+
+<p>Immediatamente, como productores de madeira, vém a <i>Acacia decurrens</i>
+e as suas variedades, entre as quaes póde contar-se a <i>Acacia dealbata</i>,
+recentemente em uso para fabrico de tamancos e dando casca excellente para
+cortumes, de uma elevada percentagem de tanino. Muito proxima, senão igual
+n'esta ultima applicação, segue-se a <i>Acacia pycnantha</i>, de uma rijeza
+de madeira notabilissima e «uma das cascas taninosas mais ricas que ha no
+mundo», segundo Maiden diz, o qual acrescenta que «outra mais rica poderá
+haver, mas não do seu conhecimento.»</p>
+
+<p>Supponho todavia que o principal valor economico das <i>Acacias</i>,
+sobrelevando áquelle muito subido que possam ter para madeira, lenha e
+cortumes, estará porventura na sua prodigiosa capacidade de criar vegetação
+nos terrenos áridos, terrenos que, na expressão de Maiden, «nem herva dão»,
+nem para pastagem servem. D'isso tenho na minha experiencia provas
+concludentes.</p>
+
+<p>Pelos residuos de materia organica que n'essas terras deixam, as
+<i>Acacias</i> são o baptismo milagroso pelo qual a esterilidade se converte
+á cultura.<span class="pagenum"><a name="pag_38" id="pag_38">[38]</a></span> Para este effeito, a <i>Acacia</i> é reputada superior ao
+<i>Eucalypto</i>, e creio mesmo que é superior a qualquer outra planta,
+embora tenha conseguido cobrir gandaras frias e miserrimas com o apertado
+manto de verdura que a <i>Hakea saligna</i> lhes prodigalisa em poucos annos,
+enriquecendo essas gandaras, preparando-as para melhores destinos com boas
+camas de folhido. Mas as <i>Hakeas</i>, se depressa medram, cedo morrem e dos
+seus troncos só nos deixam uma lenha que me parece muito pobre. As
+<i>Acacias</i> levam-lhes, evidentemente, grande vantagem na missão de
+fertilisadores: a sua qualidade de leguminosas e o poder fecundante que
+d'essa qualidade lhes vém, juntando-se a uma incomparavel resistencia ás
+violencias da estiagem e á avareza nativa do sólo, attribue-lhes um logar
+unico no desbravamento das nossas charnecas, tanto mais que parece averiguado
+que a cultura das <i>Acacias</i> se póde prolongar no mesmo terreno sem
+prejuizo da sua fertilidade. Os cultivadores e botanicos australianos são de
+opinião que por esse lado não ha inconveniente na repetição immediata de tres
+ou quatro plantações sucessivas de <i>Acacias</i> na mesma terra. Note-se que
+a <i>Acacia</i> é uma arvore que se faz depressa e envelhece cedo, mostrando
+exemplares de 10 e 12 annos com uma boa percentagem de cerne, e este facto,
+acrescentando-se aos demais que acabo de apontar, legitíma a esperança de
+melhorar um terreno fazendo tres cortes de madeira boa em 60 annos.</p>
+
+<p>A cultura da <i>Acacia</i> é em tudo igual a do <i>Eucalypto</i>,
+modificada apenas em dois pontos: a sementeira e a póda.</p>
+
+<p>A semente da <i>Acacia</i> tem um invólucro muito<span class="pagenum"><a name="pag_39" id="pag_39">[39]</a></span> rijo; ha
+exemplos de sementes enterradas fundo, durante muitos annos, que depois
+d'isso germinaram, quando o acaso da cultura as trouxe de novo á superficie
+da terra. Por isso, agradece preparo que facilite a germinação; convém
+lançar-lhe em cima agua a ferver e n'essa agua a conservar antes de a lançar
+á terra. Isto tenho feito com bom resultado. E ha até quem recommende que se
+ferva a semente por um instante, advertindo todavia que a temperatura não
+deve exceder 75° centigrados. Tenho para mim que a melhor sementeira das
+<i>Acacias</i> é a que se faz com as sementes frescas logo que se colhem.
+Então germinam quasi todas, mesmo sem prévia immersão na agua quente; e como
+essas sementeiras são antes do fim do estio, época em que a semente
+amadurece, habilitam-nos a ter plantas em estado de collocação definitiva na
+primavera seguinte; o que, afinal, significa o adiantamento de um anno.</p>
+
+<p>A póda é indispensavel, a <i>Acacia</i> facilmente alastra e rasteja, se
+se encontra abandonada e á larga. Para obter troncos bons, altos, lisos e
+aprumados, teremos de os guiar com cuidado, limpando os ramos lateraes e
+decapitando a arvore, para lhe engrossar a haste principal, se ella vai muito
+delgada, com o risco de se tornar curva pelo peso da folhagem.</p>
+
+<p>O melhor processo, particularmente para a <i>Acacia melanoxylon</i>, é a
+plantação basta; assim, a falta de luz, determinando a inanição dos ramos
+lateraes, atrophia-os e secca-os, ao mesmo que promove a elevação do tronco.
+Considere-se, porém, que póda ha-de ser feita com discernimento e paciencia,
+pouco a pouco, de modo que<span class="pagenum"><a name="pag_40" id="pag_40">[40]</a></span> a arvore se forme bem equilibrada, sem
+nunca se achar demasiado despida, o que a enfraquece e atraza, quando não a
+inutilisa.</p>
+
+<p>Maiden é de parecer que as <i>Acacias</i> se devem dividir em dois grupos:
+as das terras sêccas, que medram com pouca chuva, e d'essas a <i>Acacia
+pycnantha</i> é o typo; e as das terras frescas e dos climas maritimos,
+demandando mais agua e florescendo em temperaturas inferiores d'estas, o typo
+é <i>a Acacia decurrens</i>.</p>
+
+<p>Esta distincção, que tenho por fundamental, bastaria para a selecção das
+variedades conforme as circumstancias da cultura que emprehendessemos; mas
+entretanto não será ocioso, para mais segura apreciação, tomar conhecimento
+de certas qualidades peculiares a cada uma das especies que passo a apontar,
+e que julgo as principaes:</p>
+
+<p><b>Acacia Baileyana.</b>&mdash;Lindissima, como planta ornamental, pela
+profusão das flôres; mas especie pouco firme, degenerando com frequencia, e
+das menos rusticas. Quer abrigo, boa terra e, ainda assim, não raro morre
+nova.</p>
+
+<p><b>Acacia cyanophylla.</b>&mdash;Arvore robusta. Bellas flôres, das mais
+tardias. Excellente para logares sêccos. Teme a geada. Comparavel á <i>Acacia
+pycnantha</i>, manifestamente.</p>
+
+<p><b>Acacia dealbata.</b>&mdash;A mais conhecida das mimosas. Flôres já muito
+apreciadas nos mercados. Como arvore florestal, aproxima-se da <i>Acacia
+decurrens</i>, sendo-lhe um pouco inferior no volume dos troncos, na
+percentagem taninosa da casca, e talvez na dureza da madeira. O Barão de
+Mueller, no excellente <i>Diccionario das plantas uteis extra-tropicaes</i>,
+traduzido para a nossa lingua pelo illustre professor da Universidade de
+Coimbra<span class="pagenum"><a name="pag_41" id="pag_41">[41]</a></span> o snr. dr. Julio Henriques, recommenda a <i>Acacia
+dealbata</i>, «principalmente como combustivel, por ter grande poder
+calorifero.»</p>
+
+<p><b>Acacia decurrens.</b>&mdash;D'esta, diz o Barão de Mueller que «é mais
+resistente do que o <i>Eucalyptus globulus</i>, podendo ser cultivada a
+altitudes mesmo muito notaveis.» Riqueza taninosa superior, boa madeira,
+contentando-se com terrenos pobres, e, como a <i>Australia</i>, com maior
+tendencia a crescer direita do que as congeneres.</p>
+
+<p><b>Acacia longifolia.</b>&mdash;Boa flôr para o córte, crescimento rapido,
+valor baixo em madeira e tanino, acentuada propensão a rastejar, preciosa
+como povoador e fixador das areias da costa maritima. É esta a sua qualidade
+por excellencia, provada entre nós em algumas localidades.</p>
+
+<p><b>Acacia melanoxylon.</b>&mdash;Dispensa commentarios. Conhecida e
+experimentada em todo o nosso paiz que d'ella ostenta exemplares soberbos, em
+grande variedade de situacões. Madeira magnifica para innumeraveis
+applicações. Não ha, porém, que fiar na sua generosidade, quanto a qualidade
+do terreno; nem todos lhe servem. Tenho d'esta especie plantações atrophiadas
+por não terem gostado de terrenos, onde aliás o <i>Eucalyptus globulus</i>
+medra bem. Por isso, passei a reservar-lhe algum pedaço de terra mais fresca,
+leve e penetravel. Encontra-se em grande variedade de situações; é sabido e
+certo. Mas, até onde a minha experiencia alcança, inclino-me a incluir a
+<i>Acacia melanoxylon</i> nas <i>Acacias</i> do typo da <i>decurrens</i>,
+para os effeitos da cultura e da escolha do local da plantação.</p>
+
+<p><b>Acacia mollissima.</b>&mdash;Maiden julga que a <i>Acacia mollissima</i>,
+como a <i>dealbata</i>, é uma variedade<span class="pagenum"><a name="pag_42" id="pag_42">[42]</a></span> da <i>decurrens</i>. Por esta
+poderiamos, pois, aferir o valor economico da <i>Acacia mollissima</i>. Das
+plantações que tenho feito, inclino-me a concluir que a <i>Acacia
+mollissima</i> não prospera em terrenos agrestes pela seccura ou pela pobreza
+do fundo. Deixa-la-hia, portanto, na cathegoria das <i>Acacias
+ornamentaes</i>, porque as flôres são realmente opulentas, brilhantes, e de
+um amarelo de oiro. Degenera e cruza com uma frequencia extrema.</p>
+
+<p><b>Acacia podalyriaefolia.</b>&mdash;Cultivo-a ha poucos annos; faltam-me
+elementos para lhe apreciar o valor da madeira e o desenvolvimento, que
+entretanto me parece mediano. Supporta terras magras e estiagens aturadas.
+Como productor de flôres para a venda, é incomparavel, não só pela sua côr,
+de um amarelo leve, mas sobretudo pela época em que ellas véem, em novembro,
+logo após os ultimos chrysanthemos, quando as flôres muito escasseiam.</p>
+
+<p><b>Acacia pycnantha.</b>&mdash;Os naturalistas australianos reputam-lhe a casca
+immediata á da <i>Acacia decurrens</i>, em riqueza de tanino. O Barão de
+Mueller diz que «é de rapido crescimento, contentando-se com quasi toda a
+terra, mas encontrando-se geralmente em terrenos arenosos pobres, proximo á
+costa maritima.»</p>
+
+<p>Maiden acha-lhe uma casca esplendida, densa e nada fibrosa,
+pulverisando-se completamente, o que porventura não será indifferente quando
+se empregue em cortumes. Não é das mais promptas em enraizar na primeira
+transplantação para vaso; mas depois, na plantação definitiva, vinga bem e
+atura grandes estiagens. Madeira rigissima, troncos grossos; um exemplar de
+20 annos, tinha 30 centimetros de diametro quando<span class="pagenum"><a name="pag_43" id="pag_43">[43]</a></span> o cortei. Passa por
+ser das mais sensiveis ao frio; mas as que plantei nas encostas e entre outro
+arvoredo, soffreram temperaturas de 2° centigrados abaixo de zero, sem maior
+mal. Flôres grandes e magnificas, facilidade em dar á arvore boa fórma por
+uma póda conveniente.<span class="pagenum"><a name="pag_44" id="pag_44">[44]</a></span></p>
+
+
+
+<h1>Notas sobre as principaes especies de Eucalyptos que tenho cultivado</h1>
+
+<p><b>Eucalyptus acervula.</b>&mdash;Uma variedade do <i>Eucalyptus Gunnii</i>,
+sem vantagem alguma sobre a especie typo, quanto a crescimento e resistencia
+ou qualquer outra qualidade.</p>
+
+<p><b>Eucalyptus acmenoides.</b>&mdash;Da Nova Galles do Sul. Boa madeira, sem
+duvida, na opinião unanime dos que se lhe referem. Desenvolvimento mediocre
+nos exemplares que experimentei. Macclatchie aponta-o como «conveniente para o
+littoral das regiões tropicaes», o que, acrescido ao acanhado desenvolvimento
+que na experiencia mostrou, o deve excluir das nossas plantações.</p>
+
+<p><b>Eucalyptus affinis.</b>&mdash;É um hybrido do <i>Eucalyptus sideroxylon</i>
+e do <i>Eucalyptus hemiphloia</i>, segundo as indicações de Maiden, que o
+reputa de boa madeira. São muito novos os exemplares que possuo, para que
+possa concluir o quer que seja sobre a conveniencia da sua cultura. Cresceram
+bem no vaso, nos primeiros mezes; mas na plantação definitiva amuaram a tal
+ponto que não farei nova tentativa. Creio que d'alli nada ha a esperar.</p>
+
+<p><b>Eucalyptus amygdalina.</b>&mdash;Da Tasmania e muitas outras regiões da
+Australia. Gigantesca e preciosa arvore, de que se encontraram
+exemplares<span class="pagenum"><a name="pag_45" id="pag_45">[45]</a></span> com 120 metros de altura e 20 de circumferencia na base. A
+sua madeira é leve, propria para muito genero de carpintaria; habitualmente
+não torce ao seccar, e fende em estacas com facilidade; mas não é muito
+duradoura, quando enterrada, nem tão pouco dá combustivel de primeira ordem.
+</p>
+
+<p>Tenho d'este <i>Eucalypto</i> muitos exemplares e em muito diversas
+condições, e apezar da qualidade da madeira que apodrece quando enterrada e
+dá uma lenha de valor mediano, afoita e calorosamente o aconselho, sobretudo
+nas encostas frias e humidas, onde em desenvolvimento excede algumas vezes o
+<i>Eucalyptus coriacea</i> e o <i>Eucalyptus Gunnii</i>, generosos e os
+melhores povoadores d'essas terras. O <i>Eucalyptus amygdalina</i> passa por
+ser ávido de humidade; mas nunca, porém, me morreu nenhum de estiagens,
+embora alguns as soffressem e das mais severas. Em terrenos bons, attinge
+rapidamente proporções magnificas, e em terrenos pobrissimos, nos quaes o
+<i>Eucalyptus globulus</i> adoeceu e se tornou rachitico, o <i>Eucalyptus
+amygdalina</i> cresceu devagar, muito devagar, mas sempre sadio.</p>
+
+<p>É positivamente um criador de vegetação notabilissimo; merece ser
+disseminado com prodigalidade, podendo subir a grandes elevações, pois
+supporta temperaturas baixissimas, parecendo sob este aspecto mais robusto
+que os seus companheiros da frialdade, o <i>Eucalyptus coriacea</i> e o
+<i>Eucalyptus Gunnii</i>. Nem nos prenda a limitada applicação da madeira;
+não servindo para muita coisa em que outras especies se distinguem, ainda
+assim lhe ficam qualidades de sobra para ser classificada em alto apreço.</p>
+
+<p>O <i>Eucalyptus coccifera</i>, o <i>dives</i>, o <i>fissilis</i>, o
+melanophloia,<span class="pagenum"><a name="pag_46" id="pag_46">[46]</a></span> o <i>regnans</i> e o <i>Risdoni</i>, todos téem com o
+<i>Eucalyptus amygdalina</i> parentesco, quando não são apenas um estado
+acidental d'essa especie, determinado pela situação em que vegetam, convindo
+considerar n'este ponto que, segundo o Barão de Mueller, o <i>Eucalyptus
+amygdalina</i>, mesmo ordinariamente, varía bastante de aspecto, conforme as
+condições geologicas e climatericas a que fôr sujeito. A essas variedades do
+<i>Eucalyptus amygdalina</i> me referirei em sua altura; mas desde já será
+bom fixar que para as nossas culturas florestaes nenhuma d'essas variedades
+offerece qualquer vantagem comparada com a especie de que derivam.</p>
+
+<p><b>Eucalyptus Andreana.</b>&mdash;Naudin julga que provavelmente, será uma das
+especies a que se deu o nome de <i>Eucalyptus amygdalina</i>, e achou-lhe
+caracteres que d'esta especie o aproximam, emquanto na fórma juvenil parece
+mostrar parentesco com o <i>Eucalyptus viminalis</i>. Sejam, porém, quaes
+forem as suas affinidades especificas, que aliás não auctorisam a presumpção
+de grande resistencia de madeira&mdash;«resistencia», note-se, não se confunda com
+«utilidade», a qual não só na resistencia se funda&mdash;seja qual fôr o seu logar
+na classificação botanica, o certo é que o <i>Eucalyptus Andreana</i> dá uma
+linda arvore, com a folhagem miuda e os ramos delgados e pendentes, tronco
+direito e grande abundancia de flôres na época propria.</p>
+
+<p>Tenho exemplares de 17 annos com 90 centimetros de circumferencia,
+prosperando em terrenos mediocres e nunca se havendo mostrado muito captivos
+do frio. Ainda não decapitei nenhum; por isso, ignoro se tem facilidade
+em<span class="pagenum"><a name="pag_47" id="pag_47">[47]</a></span> ramificar e formar arvores baixas e copadas que seriam bellas. É
+uma experiencia a fazer, com probabilidades de bom exito, a julgar pelo
+parentesco. Tanto o <i>Eucalyptus amygdalina</i> como o <i>Eucalyptus
+viminalis</i> podem sem maior difficuldade sujeitar-se a fórmas ramificadas.
+</p>
+
+<p><b>Eucalyptus Behriana.</b>&mdash;Pequeno e vagaroso no desenvolvimento. Na
+opinião dos botanicos, talvez uma variedade do <i>Eucalyptus largiflorens</i>
+(ou <i>Eucalyptus bicolor</i>). O Barão de Mueller diz que «as qualidades
+technicas da madeira estão ainda por experimentar.» Os exemplares que tenho
+d'esta especie, semeados em 1903, estão bons e téem mostrado grande
+resistencia ás estiagens. Mas cresceram anchamente, são de casca persistente,
+e por estas qualidades supponho que houve erro na classificação e são do
+<i>Eucalyptus hemiphtoia</i>, especie da qual o <i>Eucalyptus Behriana</i> se
+distingue a custo.</p>
+
+<p><b>Eucalyptus Boormannii.</b>&mdash;Maiden tem-no por hybrido do <i>Eucalyptus
+siderophloia</i> e do <i>Eucalyptus hemiphloia</i>, dando madeira de duração.
+Por este lado, é de boa origem; qualquer das especies de que provém dá
+madeira rigissima. Acresce que o <i>Eucalyptus hemiphloia</i> é oriundo de
+regiões sêccas.</p>
+
+<p>Do <i>Eucalyptus Boormannii</i> tenho um só exemplar. Cresceu devagar e
+não está grande, em terreno de segunda ordem; mas sempre se mostrou sadio.
+Por isto e attendendo á qualidade da madeira, convém persistir na
+experiencia, a meu vêr.</p>
+
+<p><b>Eucalyptus bosistoana.</b>&mdash;Encontro-o indicado nos livros estrangeiros
+como de boa madeira e proprio para regiões humidas. O unico exemplar<span class="pagenum"><a name="pag_48" id="pag_48">[48]</a></span>
+que d'elle tenho, sendo muito novo, e é nos primeiros tempos que mais
+costumam crescer, e estando em excellentes condições, não mostra pressa de
+ser grande, e desanima-me de novas tentativas.</p>
+
+<p><b>Eucalyptus botryoides.</b>&mdash;Abunda na Nova Galles do Sul e ainda na
+colonia de Victoria; e tornou-se vulgar no sul da França, na Italia e na
+Argelia. É, portanto, uma especie experimentada em climas muito parentes do
+nosso, da qual já se sabe alguma coisa provada.</p>
+
+<p>Mueller apresenta-o como arvore mediana, raro excedendo 40 metros de
+altura, de casca permanente e madeira sólida, escura na côr, similhando
+mogno, boa para carpintaria e marcenaria. Acha esta especie uma das mais
+proprias para cultura á beira-mar, presumpção justificada pelo facto de se
+encontrar indigena em localidades humidas e arenosas. Naudin tambem a
+recommenda, «pela fórma pyramidal e pela folhagem abundante e umbrosa»
+capazes de «a converter n'uma bella arvore de estrada».</p>
+
+<p>Da excellencia da madeira do <i>Eucalyptus botryoides</i> ha, porém, quem
+duvide; Macclatchie, no seu precioso livro sobre <i>Os Eucalyptus cultivados
+nos Estados-Unidos</i>, muito avisadamente aponta as divergencias, embora
+previamente confirme as vantagens da cultura. Pois diz: «Esta especie
+prospera á beira-mar; mas não convém a regiões de clima sêcco. Na Australia
+prefere as situações arenosas e humidas, junto á costa maritima, e, segundo o
+Barão de Mueller, vinga bem em terras contendo agua estagnada. Na California
+dá-se bem em grande variedade de situações que vão até 50 milhas da costa.»
+Esta arvore é<span class="pagenum"><a name="pag_49" id="pag_49">[49]</a></span> das que se pódem usar para plantação florestal em
+terras baixas de regiões moderadamente humidas, onde não ha a temer grandes
+geadas. Pela folhagem é util como arvore de sombra, em muitos sitios. Na
+Australia, onde os colonos de differentes sitios estimam diversamente a sua
+madeira, chamam-lhe «mogno dos brejos» e «mogno bastardo». Maiden julga que
+este ultimo nome deve ser devido a confusão. Bailey e o Barão de Mueller
+ambos reputam boa a madeira, emquanto Maiden se lhe refere como «inferior,
+tanto pela resistencia como pela duração». Mueller e Bailey indicam a madeira
+como dura, rija e duradoura, util para travejamentos nas grandes edificações,
+cavernas de embarcações, postes, carros e ripado. A madeira é avermelhada e
+de fibra apertada. Mueller diz que os postes d'esta qualidade são muito
+duradouros, não lhes havendo notado signaes de decadencia, ao fim de quatorze
+annos de uso.</p>
+
+<p>Pela minha parte, confessarei grande predilecção por esta especie. Ha
+bastantes annos que a tenho plantado em grande variedade de terrenos, alguns
+assaz sêccos e sáfaros, e em todos elles encontro exemplares perfeitos, senão
+pela rapidez do desenvolvimento, alguns medram devagar, ao menos pela
+conformação e saude. O melhor de todos, da primeira plantação, ha dezesete
+annos, tem hoje 1<sup>m</sup>,50 de circumferencia no tronco, um metro acima
+do sólo. Note-se que estas plantações sentem ainda o ar do mar; ficam a menos
+de vinte kilometros da costa, e sem montes de permeio que embaracem a visita
+das brizas maritimas. Nada posso dizer da madeira, senão que é maravilha o
+aprumo das hastes quando a plantação<span class="pagenum"><a name="pag_50" id="pag_50">[50]</a></span> é basta; e crescendo este
+<i>Eucalypto</i> rapidamente, é de crer que a madeira amadureça tarde, e só
+em exemplares de quarenta annos, pelo menos, attinja aquella firmeza de trama
+que lhe dá todo o seu valor. Cortada cêdo, achando-se tenra, tanto mais tenra
+quanto mais depressa cresceu, ha-de por força torcer e rachar, tal qual as
+congeneres em iguaes condições.</p>
+
+<p>Para arvore decorativa e de sombra, o <i>Eucalyptus botryoides</i> é
+manifestamente magnifico, o mais bello do seu genero.</p>
+
+<p>Achando-se desafrontado, ramifica abundantemente, sem prejuizo do aprumo
+do tronco, sendo frequentemente necessario cortar-lhe os ramos inferiores,
+dos quaes não tem tendencia a desfazer-se espontaneamente, como acontece com
+muitas especies, sobretudo, com o <i>globulus</i>. A folhagem expande-se
+horisontal, bella de côr e de fórma, e assim fórma uma copa opulenta.</p>
+
+<p>Advirta-se que, apezar de agradecer e preferir a humidade, até hoje ainda
+nenhum <i>Eucalypto</i> d'esta especie me morreu por effeito da estiagem, o
+que aliás me tem acontecido com muitos outros, especialmente com o
+<i>Eucalyptus capitellata</i>, com o <i>Eucalyptus obliqua</i>, com o
+<i>Eucalyptus Stuartiana</i> e mais alguns de importancia secundaria.</p>
+
+<p><b>Eucalyptus calophylla.</b>&mdash;Uma curiosidade de jardim. Flôres grandes,
+folhagem bella, lusidia, lauriforme; mas muito melindroso, tanto que nem vale
+a pena pensarmos na qualidade da sua madeira, embora não falte quem a gabe.
+</p>
+
+<p><b>Eucalyptus capitellata.</b>&mdash;D'esta especie, geralmente reputada de boa
+madeira, tenho bons exemplares. O melhor, plantado em 1903, mede agora 80
+centimetros de circumferencia. Mas é<span class="pagenum"><a name="pag_51" id="pag_51">[51]</a></span> uma <i>Stringybark</i> (de casca
+encordoada) e, como as parceiras, facil em povoar terras pobres, mas exigente
+quanto a humidade. Alguns exemplares perdi já com as estiagens.</p>
+
+<p><b>Eucalyptus citriodora.</b>&mdash;Folhagem de um delicioso aroma, lembrando o
+do limão, unica, por este lado, entre as congeneres. Madeira linda e
+excellente, sem contestação dos que se lhe referem. Extremamente exigente,
+quanto a clima. Emquanto novo, qualquer geada o mata. Deve, todavia, notar-se
+que em Portugal se conhecem exemplares crescidos d'este <i>Eucalypto</i>, com
+bastantes annos e grande desenvolvimento.</p>
+
+<p><b>Eucalyptus coccifera.</b>&mdash;De Tasmania. Verdadeiramente um arbusto,
+resistindo bem ao frio e sem valor algum florestal ou decorativo.</p>
+
+<p><b>Eucalyptus colossea.</b>&mdash;Vide <i>Eucalyptus diversicolor</i>, do qual
+é synonimo.</p>
+
+<p><b>Eucalyptus Consideneana.</b>&mdash;Segundo Maiden, é talvez um hybrido do
+<i>Eucalyptus piperita</i> e do <i>Sieberiana</i>, de madeira descorada e
+macia, proprio do littoral.</p>
+
+<p>Os exemplares que d'elle tenho são poucos e muito novos. Entre elles está
+um de magnifico desenvolvimento e em exposição assaz fresca, voltada ao
+norte. Apesar d'isso, julgaria imprudencia confiar, por emquanto, em grandes
+plantações d'esta especie. Parece demandar humidade, e n'essas condições
+haverá especies que se lhe avantagem, tanto mais que a qualidade da madeira
+não é tal que mereça maior risco em experiencias.</p>
+
+<p><b>Eucalyptus cordata.</b>&mdash;Da Tasmania, apparecendo em altitudes de 500
+metros acima do nivel do mar. Interesse meramente botanico. Embora<span class="pagenum"><a name="pag_52" id="pag_52">[52]</a></span>
+supporte bem o frio e a pobreza do sólo, como verifico no magnifico exemplar
+que tenho na minha collecção, nada vejo que me auctorise a recommendar-lhe a
+madeira. Conserva sempre as folhas oppostas, sesseis, azuladas, cobertas de
+goma, o que para as outras especies, como no <i>Eucalyptus globulus</i>, é
+transitorio.</p>
+
+<p><b>Eucalyptus coriacea.</b>&mdash;Magnifica especie, a aproveitar em muita
+terra portugueza, humida e fria.</p>
+
+<p>Muito conhecido em algumas classificações por <i>Eucalyptus
+pauciflora</i>, encontra-se desde as mais pequenas elevações até ás mais
+altas montanhas, tanto nos terrenos graniticos como em formações de outro
+genero. Apparece na colonia de Victoria, Nova Gales do Sul e Tasmania,
+estendendo-se por muitas outras regiões.</p>
+
+<p>Arvore mediana, chegando a 30 metros de alto, de bello aspecto, ramos
+pendentes, tira o seu principal interesse da resistencia a frios severos. Nos
+Alpes Australianos constitue com o <i>Eucalyptus Gunnii</i> florestas em
+miniatura a 1:500 metros de altitude, até proximo das geleiras. Na Europa
+houve um exemplar em Pau (Pyrineus) que viveu durante alguns annos, chegando
+a florir; só morreu com o frio excepcional do inverno de 1881-1882. Proximo
+de Montpellier, supportou uma tempestade de 11 graus abaixo de zero, onde o
+<i>Eucalyptus amygdalina</i>, que é dos mais resistentes, gelava.</p>
+
+<p>Madeira relativamente macia, facil de cortar, mais descorada que a maior
+parte dos <i>Eucalyptos</i>, fendendo bem; excellente lenha. Não convém para
+enterrar; assim, apodrece facilmente.</p>
+
+<p>Não se esqueça que teme muito as estiagens.<span class="pagenum"><a name="pag_53" id="pag_53">[53]</a></span> Macclatchie diz que na
+California não supporta a atmosphera sêcca, nem mesmo regado.</p>
+
+<p>A principio não me captivei muito d'esta especie. É lenta em germinar,
+pega mal na primeira transplantação e medra muito a medo nos primeiros annos.
+Mas depois mostrou o que era. Distingue-se entre as companheiras pela
+robustez nas encostas frias. Os melhores exemplares, de 17 annos, téem agora
+1 metro de circumferencia.</p>
+
+<p><b>Eucalyptus cornuta.</b>&mdash;Da Australia occidental do Sul, nas
+proximidades de Geographe-Bay e nos massiços montanhosos de Sterling. Na
+Europa, é já vulgar nas margens de todo o Mediterraneo, principalmente na
+Provença, na Argelia e em Genova.</p>
+
+<p>Arvore de mediana grandeza, chegando excepcionalmente a 30 metros,
+supporta um sólo arido, mas prefere os logares humidos, apparecendo
+(circumstancia importante por não ser vulgar nos <i>Eucalyptos</i>) nos
+terrenos calcareos.</p>
+
+<p>A madeira, rija e elastica, convém para lanças de carros, instrumentos
+agricolas e embarcações, sendo para este fim de valor aproximado ao do
+freixo. É a mais pesada de todas as madeiras do occidente australiano,
+afundando-se na agua, ainda mesmo depois de bem sêcca.</p>
+
+<p>Macclatchie dá informações da cultura d'esta especie na California, que são
+muito de considerar em nosso uso:</p>
+
+<p>«Resiste a temperaturas elevadas, soffrendo, todavia, muito com as geadas.
+Não sucumbe com cerca de 50° centigrados positivos; mas ficará rijamente
+molestado com 5° abaixo de 0. Prefere terra rica e lenta, nem por isso
+deixando de crescer bem em terra pobre. Pelo modo de crescer e<span class="pagenum"><a name="pag_54" id="pag_54">[54]</a></span> pela
+densidade da folhagem, é uma arvore de sombra, havendo poucos
+<i>Eucalyptos</i> que ramifiquem a tão pequena altura como este. Na
+California tem sido empregado quasi unicamente como arvore de sombra.»</p>
+
+<p>Apezar de recommendado para as regiões tropicaes e adjacentes, tenho
+achado que o <i>Eucalyptus cornuta</i> póde servir a vastas regiões do nosso
+paiz. Em Moreira da Maia encontrei-o viçoso e excellente entre o matto, sem
+nenhuns cuidados, e tenho exemplares em condições bem pouco favoraveis que no
+primeiro anno se desenvolveram a par dos <i>Eucalyptus globulus</i> e, de
+1902 até hoje, crearam um tronco de 0<sup>m</sup>,60 de circumferencia.</p>
+
+<p><b>Eucalyptus corymbosa.</b>&mdash;Não é para desprezar, se não me engano. Os
+dois unicos exemplares que possuo, plantados em 1902, passaram já duros
+invernos e violentos estios, ao fim mostrando dois troncos medianos em
+grossura, mas aprumados e perfeitos. Sobre a qualidade da madeira não ha
+duvida; facil de apparelhar em verde, durissima depois de sêcca, fraca lenha,
+por virtude de excessiva quantidade de <i>kino</i>, e, por isso mesmo,
+impenetravel ás termitas. D'este, diz Maiden:</p>
+
+<p>«Para postes enterrados e para canalisações subterraneas é quasi
+imperecivel.»</p>
+
+<p><b>Eucalyptus corynocalyx.</b>&mdash;Da Australia do Sul. Já experimentado em
+varias localidades do sul da França. Boa madeira para estacas de vedação e
+travessas do caminho de ferro; postes de quinze annos não mostravam signaes
+de decadencia.</p>
+
+<p>De uma grande elasticidade, quanto ás vicissitudes<span class="pagenum"><a name="pag_55" id="pag_55">[55]</a></span> atmosphericas,
+dizem os que se lhe téem referido, que supporta temperaturas que vão de 8°
+centigrados abaixo de 0 até 45° positivos. A folhagem é adocicada, qualidade
+que partilha com o <i>Eucalyptus Gunnii</i>; os gados roem-na,
+differentemente do que em regra acontece com a quasi totalidade dos
+<i>Eucalyptos</i>, em que os animaes não costumam tocar&mdash;o que não deverá
+esquecer a quem os plantar em terras onde persista o mau costume de
+apascentar os gados soltos nas mattas.</p>
+
+<p>Torna-se, porém, notabilissima esta especie, porque a sua madeira não
+fende nem torce ao seccar. Só o <i>Eucalyptus resinifera</i> encontro
+indicado com igual boa prenda e, como este não supporta tão bem o nosso
+clima, o <i>Eucalyptus corynocalyx</i> tem, por aquella sua virtude, um logar
+de primazia.</p>
+
+<p>Mueller diz que o crescimento não é de maior celeridade, segundo observou,
+cultivando-o por muito tempo; e Naudin calcula esse crescimento em cerca de
+um metro por anno. Os melhores exemplares que eu tenho, com 17 annos, téem,
+em média, 60 centimetros de circumferencia.</p>
+
+<p>Mueller aconselhou este <i>Eucalypto</i> para a Argelia, como resistindo á
+maior aridez e a estiagens prolongadas, e indifferente á natureza
+mineralogica do terreno. Eu, sem querer ensinar o mestre, mas traduzindo-lhe
+para portuguez os conselhos em dezesete annos de experiencias, direi apenas,
+e para portuguezes que vivam em sitios similhantes a estas colinas proximas
+de Aveiro, não em extremo sêccas no verão nem demasiado agrestes no
+inverno:&mdash;Bella arvore, na verdade, o <i>Eucalyptus corynocalyx</i>. Mas ao
+abrigo,<span class="pagenum"><a name="pag_56" id="pag_56">[56]</a></span> ainda que quente seja. Nunca nenhum dos meus soffreu com as
+estiagens e muitas téem passado incolumes, assim como rijos janeiros. Mas
+detesta o norte e o frio dos brejos desarmados do sol. Exemplares plantados
+no mesmo dia, em terreno da mesma natureza, e a 50 metros de distancia, téem
+hoje um palmo de diametro ou duas polegadas, conforme estejam ao abrigo do
+vento e bafejados do sol, ou sepultados na sombra e açoitados do norte.</p>
+
+<p><b>Eucalyptus cosmophylla.</b>&mdash;Não tem valor industrial apreciavel; mas
+goza da singularidade de dar flôr no inverno&mdash;em Eixo floresce em dezembro&mdash;e
+assim offerece bom pasto ás abelhas, em tempo no qual o pasto escasseia.
+Fórma uma arvore pequena, de folhagem espessa, prosperando em situações muito
+diversas, sem grandes exigencias, quanto a terra e clima. Na Australia occupa
+logares sêccos e pedregosos.</p>
+
+<p><b>Eucalyptus crebra.</b>&mdash;Este é um dos meus preferidos. Quereria vêl-o
+disseminado largamente; e, pelo que tenho observado, são de todo applicaveis
+em nossas terras as indicações com que Macclatchie o recommenda para a
+America. «A <i>iron-bark</i> (casca de ferro) de folha estreita, diz,
+supporta uma maior variedade de condições climatericas do que as outras
+<i>iron-bark</i>. É a unica d'este grupo que supporta valles sêccos e quentes
+do interior», com temperaturas minimas de 7° centigrados negativos e maximas
+de 50° positivos, aproximadamente. «Pela madeira dura, rija e elastica, serve
+para grande numero de applicações. É uma das madeiras da Australia mais
+altamente apreciadas; duradoura debaixo do chão e, por isso, muito usada para
+postes<span class="pagenum"><a name="pag_57" id="pag_57">[57]</a></span> e travessas de caminho de ferro; é tambem material bom para
+pontes, carros e grande variedade de applicações.»</p>
+
+<p>Está com 80 centimetros de circumferencia o maioral dos <i>Eucalyptus
+crebra</i> que plantei, e todos são de uma resistencia notavel, teimando em
+não morrer muitos que ficaram perdidos, sem luz nem espaço, entre as
+plantações de outros mais apressados em tomar conta do terreno.</p>
+
+<p><b>Eucalyptus Deanmaiden.</b>&mdash;Deste tenho apenas dois exemplares e novos.
+Não são feios, com a sua folhagem horisontal. Em crescimento estão, porém,
+muito distantes de muitos outros companheiros da mesma idade e differente
+especie. Creio que não convirá ás nossas terras.</p>
+
+<p><b>Eucalyptus decipiens.</b>&mdash;Arvore pequena. Da sua madeira diz o Barão
+de Mueller que «é pouco conhecida e não parece ter qualquer valor capital.»
+E, ainda que assim não fosse, não nos serviria, porque cresce devagar e não
+chega a tamanho que valha o quer que seja.</p>
+
+<p><b>Eucalyptus delegatensis.</b>&mdash;O viveirista onde comprei a semente
+apresentou-o no catalogo como o menos exigente dos <i>Eucalyptos</i>,
+crescendo entre a neve a 1:500 ou 1:800 metros de altitude e dando boa
+madeira. Mas a obra de Maiden indica-o como uma variedade alpina do
+<i>Eucalyptus obliqua</i>, e eu que tenho medo do <i>Eucalyptus obliqua</i>,
+como de todos os <i>stringybarks</i>, tão faceis em seccar com a estiagem,
+deixal-o-hei de remissa, embora d'elle possua um lindissimo exemplar.</p>
+
+<p><b>Eucalyptus diversicolor.</b>&mdash;É o afamado <i>karri</i> dos
+australianos, cantado e celebrado como rival do <i>Eucalyptus globulus</i>, e
+presentemente<span class="pagenum"><a name="pag_58" id="pag_58">[58]</a></span> apregoado na Europa como capaz de curar a diabetes com
+a infusão das suas folhas.</p>
+
+<p>Muito conhecido sob a designação de <i>Eucalyptus colossea</i>. Da sua
+estatura contam-se maravilhas, chegaria a 120 metros de altura e n'um
+crescimento rapido; e sobre a qualidade da madeira não divergem as opiniões:
+é excellente, de resistencia superior ao carvalho e apresentando casos de
+conservação na agua durante 26 annos.</p>
+
+<p>Quanto a terreno e clima, é que lhe porei grandes duvidas. Não se póde
+comparar com o <i>Eucalyptus globulus</i>. Gelou até ao colo da raiz onde o
+<i>Eucalyptus globulus</i> nada soffreu, e de todo estacionou, emquanto os
+companheiros erguiam bellos lançamentos. E parece que não serei o unico a
+queixar-me, porque Macclatchie diz: «Esta especie prospéra nas regiões
+moderadamente humidas, junto á costa; mas não supporta bem o calor sêcco do
+interior. Os melhores exemplares que observei cresceram entre Los Angeles e
+Pasadena, da California, onde a atmosphera é moderadamente humida e as geadas
+leves.»</p>
+
+<p>Por conseguinte, é bom, e será mesmo optimo para quem lhe puder offerecer
+terras profundas e valles abrigados, não muito longe do mar, para respirar
+frescura, entre Douro e Minho, segundo me palpita.</p>
+
+<p><b>Eucalyptus dives.</b>&mdash;Um arbusto, fórma aberrativa do <i>Eucalyptus
+amygdalina</i>, sem importancia alguma.</p>
+
+<p><b>Eucalyptus eximia.</b>&mdash;Boa lenha e fraca madeira, segundo os mestres
+affirmam. Acrescentando a isto que se tem mostrado acanhado no crescer, desde
+que o tenho, ha 17 annos,<span class="pagenum"><a name="pag_59" id="pag_59">[59]</a></span> posto que sempre sadio, não mais pensarei
+em repetir a experiencia.</p>
+
+<p><b>Eucalyptus erythronema.</b>&mdash;Os horticultores gabam-lhe as flôres,
+vermelhas e com sua graça, na verdade. Mas é um arbusto pobrissimo de
+folhagem, em toda a situação, pondo uma nota de mingua, constrangimento e
+desharmonia.</p>
+
+<p><b>Eucalyptus ficifolia.</b>&mdash;Arvore de bastante sombra, casca
+persistente, raras vezes excedendo na Australia 15 metros de altura,
+aproximando-se apenas do <i>Eucalyptus calophylla</i> e differindo muito das
+outras especies. Do valor da madeira nada se sabe. Como planta decorativa,
+notabilissima; são maravilha os feixes esplendidos das suas flôres côr de
+fogo, de um vermelho singular. Por esse lado, é o unico <i>Eucalypto</i>
+francamente decorativo.</p>
+
+<p>Melindroso, quer boa terra, abrigo e frescura; é verdadeiramente uma
+arvore de jardim. Devo, porém, advertir que o tenho achado menos sensivel ás
+geadas do que o <i>Eucalyptus citriodora</i> e o <i>Eucalyptus maculata</i>.
+Facto curioso:&mdash;varía extraordinariamente na côr das flôres, provavelmente
+por hybridação. Direi mesmo que nunca achei dois exemplares com flôres
+exactamente do mesmo tom.</p>
+
+<p><b>Eucalyptus fissilis.</b>&mdash;Maiden julgou a principio que o <i>Eucalyptus
+fissilis</i>, do Barão de Mueller, devia ser considerado synonimo do
+<i>Eucalyptus amygdalina</i>, de Labillardière. Ultimamente, porém, diz que
+Luehmann o convenceu de que o <i>Eucalyptus fissilis</i> se deve ligar ao
+<i>Eucalyptus obliqua</i>. O catalogo de Vilmorin diz que se aproxima do
+<i>Eucalyptus goniocalyx</i>. Com isto coincide que diversas sementes que
+pude haver com o rotulo<span class="pagenum"><a name="pag_60" id="pag_60">[60]</a></span> de <i>Eucalyptus fissilis</i>, deram arvores
+muito differentes. De tudo o que concluo que é especie assaz incerta na
+classificação, e não será sensato plantal-a em similhantes condições, embora
+eu possa mostrar um exemplar soberbo, nascido e creado sob esta invocação, e
+havendo dado ao fim dos seus 17 annos de existencia um tronco com
+1<sup>m</sup>,3 de circumferencia. Demais, se o <i>Eucalyptus fissilis</i> é
+um <i>Eucalyptus amygdalina</i>, teremos este para o substituir com menos
+incertezas; e, se é um <i>Eucalyptus obliqua</i> ou um <i>Eucalyptus
+goniocalyx</i>, não será de confiança para grandes plantações, pelos motivos
+a que me refiro nas minhas notas sobre estas duas ultimas especies.</p>
+
+<p><b>Eucalyptus f&oelig;cunda.</b>&mdash;Um arbusto, que pouco se me desenvolveu e
+vive em grande miseria.</p>
+
+<p><b>Eucalyptus F&oelig;ld-Bay.</b>&mdash;Em livro algum sobre a flora australiana
+encontrei referencia a qualquer <i>Eucalypto</i> sob esta designação; nem tão
+pouco achei nas cartas geographicas <i>F&oelig;ld-Bay</i>. O que lá está é
+<i>Twofold Bay</i>, ao sul, no extremo da Nova Galles do Sul. Porventura
+houve equivoco; será d'aqui o <i>Eucalyptus F&oelig;ld-Bay</i> que o catalogo da
+casa Vilmorin offerecia em 1901, quando ahi comprei a semente. Por isso, nada
+sei do valor da madeira d'esse Eucalypto; emquanto da sua robustez e aspecto
+decorativo, só posso dizer bem. É uma bella arvore, ramificando com largueza,
+de ramos pendentes como o chorão, prosperando em situações frias e ainda
+n'outras onde o calor aperta, e reproduzindo-se espontaneamente com uma certa
+facilidade. Pelo fructo, pela folhagem e pela casca, lembra muito o
+<i>Eucalyptus viminalis</i><span class="pagenum"><a name="pag_61" id="pag_61">[61]</a></span> e ainda, bastante, o <i>Eucalyptus
+rostrata</i>.</p>
+
+<p><b>Eucalyptus gigantea.</b>&mdash;Synonimo do <i>Eucalyptus obliqua</i>, a que
+em sua altura me referirei.</p>
+
+<p><b>Eucalyptus globulus.</b>&mdash;Dispensa commentario. Do que é e vale dizem
+já as nossas mattas e estradas, e tambem, largamente, as nossas officinas. O
+que sobre elle se tem escripto formaria uma bibliotheca; mas a pujança em que
+a cada passo se ostenta, substitue-a com vantagem. O seu rendimento florestal
+e a excellencia da madeira são casos julgados em sua honra. De passagem,
+apenas quero notar que Naudin escreve que o <i>Eucalyptus globulus</i>
+supporta no sul da França frios de 6° centigrados abaixo de zero, e que o
+tenho encontrado viçoso, robusto e já com muitos annos e tronco formidavel,
+em elevações de 500 e 600 metros acima do nivel do mar, nas serras do
+Caramulo e S. Macario.</p>
+
+<p><b>Eucalyptus gomphocephala.</b>&mdash;Nunca d'esta especie me foi possivel
+crear coisa que se visse. Sempre se me mostrou por diversos modos
+inteiramente esquiva. Todavia, talvez não seja ocioso que outros e em outras
+circunstancias repitam a experiencia, pois leio que convém aos terrenos
+calcareos, qualidade rarissima nos <i>Eucalyptos</i>, e que dá madeira
+durissima. Não irá muito alto, apenas a uns 30 metros, mas engrossa bem.
+Note-se, quer, segundo leio, terrenos frescos.</p>
+
+<p><b>Eucalyptus goniocalyx.</b>&mdash;A julgar pelos exemplares que possuo d'este
+<i>Eucalypto</i>, inclinar-me-hia a excluil-o, desde já, das nossas
+plantações; cresceram bem nos primeiros annos, emquanto encontraram terra
+cavada, e depois passaram<span class="pagenum"><a name="pag_62" id="pag_62">[62]</a></span> a medrar muito devagar. Em geral, não são
+propensos a dar hastes direitas, tendo a seu favor uma facilidade notavel em
+rebentar da cepa quando cortados e d'ahi dar rapidamente lançamentos
+elevados. Apesar d'esse balanço pouco favoravel, talvez não seja desacerto
+insistir na tentativa; os botanicos attribuem ao <i>Eucalyptus goniocalyx</i>
+qualidades de alto valor. A madeira é boa, duradoura, mesmo que enterrada
+esteja, e um combustivel excellente. Demais, esta especie iria a altitudes de
+900 ou mesmo 1:000 metros e, segundo Sahut, prestar-se-hia maravilhosamente
+para a distillação, produzindo, como outras congeneres, uma essencia que os
+colonos australianos empregam sobretudo para a illuminação, e acrescendo que
+a essencia derivada das folhas do <i>Eucalyptus goniocalyx</i> seria
+preferida a qualquer outra por sua chamma brilhante, sem fumo nem cheiro.</p>
+
+<p><b>Eucalyptus Gunnii.</b>&mdash;É de certeza, um dos poucos que merecem ser
+propagados para aproveitar terrenos e situações em que o <i>globulus</i> vai
+mal e o proprio pinheiro cresce miseravelmente.</p>
+
+<p>Frequente nas montanhas da Tasmania, é a especie mais vulgar dos Alpes
+australianos da colonia de Victoria, onde se encontra a 1:800 metros de
+altitude; por estas circumstancias de origem, legitima é a supposição de que
+ha-de prosperar em muitos dos nossos montes mais sáfaros. Associado com o
+<i>coriacea</i>, fórma na Australia as florestas miniaturas dos Alpes
+d'aquelle continente, e ahi floresce em estado arbustivo, qualidade que entre
+nós conserva, havendo produzido sementes fecundas em arvores de quatro
+annos<span class="pagenum"><a name="pag_63" id="pag_63">[63]</a></span> de idade. Na Europa, apparece em França; na Africa, tem sido
+experimentado; na Argelia, e na Inglaterra, em Kew, proximo de Londres, ha um
+exemplar que ha muitos annos resiste aos invernos, embora plantado ao ar
+livre.</p>
+
+<p>Da sua resistencia ao frio, não ha a menor duvida. Os muitos exemplares
+que d'elle tenho, alguns já com dezeseis annos, nunca soffreram com o frio,
+havendo passado invernos rigorosissimos. N'este ponto, leva grande vantagem
+ao <i>globulus</i>.</p>
+
+<p>Quanto a terreno, contenta-se com os mais pobres. Mostra-se são e com um
+desenvolvimento normal em terras expostas ao norte, frias, pedregosas e muito
+humidas no inverno, emquanto, ao mesmo tempo, tem vencido estios prolongados
+em terras de areia, muito sêccas, sendo de notar, todavia, que, para terras
+sêccas, outras especies lhe são inferiores e devem ser preferidas.</p>
+
+<p>Não é feio. A massa da folhagem é mais escura e sombria do que em grande
+parte de outras especies, sem o cheiro particular de nenhuma d'ellas. D'ahi
+vem que os gados a roem, circumstancia rara nos <i>Eucalyptos</i>, apontada
+tambem como particularidade do <i>corynocalix</i>.</p>
+
+<p>Sobre as qualidades da madeira, divergem um pouco os que a téem examinado.
+O barão de Mueller acha-a uma «bella madeira, igual em dureza á do
+<i>macrorryncha</i>, <i>rostrata</i> e <i>globulus</i>; muito boa para
+diversa obra, se se poderem conseguir hastes direitas, em regra fendendo mal,
+mas excellente para lenha.» Porém, Macclatchie, repetindo a informação de
+Mueller, diz que «esta arvore não fornece uma madeira especialmente util»,
+sem embargo de acrescentar que «é especie<span class="pagenum"><a name="pag_64" id="pag_64">[64]</a></span> muito promettedora como
+revestimento florestal nas situações montanhosas, não sujeitas a temperaturas
+estivaes muito altas.»</p>
+
+<p>Esta conclusão, a que se chegou nos Estados-Unidos da America, está para
+mim absolutamente confirmada pela experiencia, já não muito breve, que tenho
+da cultura d'esta especie. Verifica-se que varía muito nas proporções do seu
+desenvolvimento; alcançando 60 ou 70 metros de altura, quando encontra
+condições favoraveis de terra e abrigo, decresce em differentes graus e chega
+mesmo a reduzir-se a um arbusto rasteiro, á medida que essas condições se vão
+tornando menos propicias. Mas é incontestavel a sua pujança, que quasi a
+isenta por completo das doenças cryptogamicas, amiudadas vezes fataes ao
+<i>globulus</i>; a sua rudeza, que lhe permitte um desenvolvimento superior
+ao do pinheiro em terrenos de gandara magrissimos; e, finalmente, a boa
+qualidade de madeira que, ainda mesmo acceitando como subsistentes todas as
+duvidas que a depreciem, conservaria a virtude de um magnifico combustivel.
+</p>
+
+<p>N'estes termos, o <i>Eucalyptus Gunnii</i>, plantado basto, a um metro de
+distancia, é uma arvore preciosa para o aproveitamento de muita charneca fria
+e ao presente abandonada, povoando-a e adornando-a de uma vegetação por
+diversos titulos vantajosa.</p>
+
+<p>Convém notar que esta especie cresce frequentemente torta, com tendencia a
+arrastar-se pelo chão.</p>
+
+<p>N'este caso, não ha que hesitar. A haste corta-se a meio palmo de altura;
+invariavelmente dá origem a diversos rebentos, de ordinario direitos;<span class="pagenum"><a name="pag_65" id="pag_65">[65]</a></span>
+e d'estes deixam-se os dois ou tres mais aprumados, que em breve estarão da
+grossura do ramo que se cortou&mdash;o que, aliás, deve ter-se como regra geral
+para os <i>Eucalyptos</i> que comecem a crescer inclinados. É assim que eu
+tenho usado, com os melhores resultados, até mesmo com o <i>globulus</i>.</p>
+
+<p>Admitta-se mais que a plantação, para ser bem feita, deverá ser precedida
+da cava ou da lavoura de todo o terreno, no qual depois se abrem as covas. É
+uma despeza de manifesta importancia; mas, como uma plantação d'estas não se
+faz para dez ou vinte annos, mas sim para sessenta ou oitenta, porque os
+<i>Eucalyptos</i>, dando successivos córtes, povoam um pedaço de terra por
+dilatados annos, essa despeza torna-se minima pela duração da sua utilidade e
+rendimento.</p>
+
+<p><b>Eucalyptus hemiphloia.</b>&mdash;Já por um exemplar authentico d'esta
+especie que possuo, já por outros exemplares, cujas sementes me vieram como
+do <i>Eucalyptus Behriana</i>, parente muito proximo do <i>Eucalyptus
+hemiphloia</i>, e que muito mais se conformam com a descripção d'este do que
+com os caracteres d'aquelle, estou em dizer que o <i>Eucalyptus
+hemiphloia</i> é muito de aproveitar e propagar. Em primeiro logar, o
+<i>Eucalyptus hemiphloia</i> pertence áquella secção dos <i>box-tree</i>
+(arvore do buxo) em que se encorporam os <i>Eucalyptus polyanthema</i>,
+<i>melliodora</i>, <i>largiflorens</i> e outros, todos notaveis pela boa
+qualidade da madeira e pela resistencia ás estiagens. Depois, em fontes
+auctorisadas leio que o <i>Eucalyptus hemiphloia</i> prospéra tanto junto da
+costa maritima como nos outeiros e valles sêccos do interior, supportando
+temperaturas minimas de 5° e 7°<span class="pagenum"><a name="pag_66" id="pag_66">[66]</a></span> centigrados abaixo de zero e maximas
+de 43° a 48°, e não temendo nem geadas pesadas nem o vento quente. Depois
+ainda, produz madeira de notavel resistencia. O Barão de Mueller diz que os
+postes d'este <i>Eucalypto</i> cravados na terra foram achados quasi
+perfeitamente sãos, ao fim de 16 annos, e Maiden refere que elle dá uma das
+melhores lenhas da Nova Galles do Sul. E, finalmente, pelas informações que
+de longe véem e a minha experiencia confirma, é uma arvore de folhagem densa,
+qualidade rara em <i>Eucalyptos</i>, e, a meu vêr, prosperando mesmo nos
+terrenos argilosos, qualidade tambem não menos excepcional n'este genero de
+plantas, tudo o que é precioso num paiz como o nosso, onde ha muitos barros
+sêccos carecidos de sombra e com poucas probabilidades de achar arvore que
+lh'a dê.</p>
+
+<p><b>Eucalyptus yugalis.</b>&mdash;Um arbusto, de todo sem importancia para o
+lavrador.</p>
+
+<p><b>Eucalyptus largiflorens.</b>&mdash;Synonimo do <i>Eucalyptus bicolor</i>.
+</p>
+
+<p>D'este direi o que fica dito do <i>Eucalyptus hemiphloia</i>.
+Adoptal-o-hia para os logares sêccos. Sómente acrescentarei que não leva
+grande vantagem áquelle seu companheiro na rapidez de desenvolvimento e no
+volume dos troncos, e muito menos na espessura da folhagem, e que, sendo
+muito propenso a entortar e rastejar, convém guial-o,&mdash;o que, não se esqueça,
+é mais a regra do que a excepção em todos os <i>Eucalyptos</i> que formam a
+classe dos <i>box-tree</i>.</p>
+
+<p><b>Eucalyptus Lehmani.</b>&mdash;Botanicamente «inseparavel» do <i>Eucalyptus
+cornuta</i>, segundo a expressão do Barão de Mueller, e apontado pelos
+horticultores como admissivel nos jardins.<span class="pagenum"><a name="pag_67" id="pag_67">[67]</a></span></p>
+
+<p>Qualidades decorativas e mediocres, a meu vêr, e valor florestal nullo,
+porque, circumstancia decisiva, é arvore pequena e assaz melindrosa,
+extremamente sensivel ás geadas.</p>
+
+<p><b>Eucalyptus leucoxylon.</b>&mdash;Aqui de todo me perco. Emquanto o Barão de
+Mueller recommenda calorosamente o <i>Eucalyptus leucoxylon</i> e lhe acha
+muitas virtudes, Maiden reputa-o de nenhum valor. Demais, enganou-me; cresceu
+bem nos primeiros dois annos, e em seguida passou á cathegoria dos
+retardatarios. Entre tantas incertezas deixaria de contar com elle,
+absolutamente, para o quer que fosse, se não tivesse mostrado uma excepcional
+facilidade de cruzamento. D'esses hybridos do <i>Eucalyptus leucoxylon</i>
+tenho um bonito exemplar, viçoso, crescendo bem e aprumado. O futuro, porém,
+dirá se traz no ventre qualquer coisa aproveitavel.</p>
+
+<p><b>Eucalyptus longifolia.</b>&mdash;Não se illudam os que o encontrarem viçoso
+em terrenos frescos, que só n'esses sabe prosperar. É dos que menos vale pela
+madeira e conjunctamente é de robustez muito limitada.</p>
+
+<p><b>Eucalyptus Mac-Arthuri.</b>&mdash;É tentador! Quando o logar lhe agrada,
+desenvolve-se esplendidamente, ramificando com largueza; e onde o terreno
+deixa de o favorecer, ainda ahi resiste e vai medrando devagarinho. Mas
+Maiden reputa inferior a sua madeira e, n'esta deficiencia, junta-o com o
+<i>Eucalyptus Stuartiana</i> e semelhantes. Por conseguinte, não será muito
+avisado quem, seduzido pela belleza do aspecto, se alargar na plantação.</p>
+
+<p><b>Eucalyptus macrandra.</b>&mdash;Insignificante a todos os respeitos.<span class="pagenum"><a name="pag_68" id="pag_68">[68]</a></span>
+</p>
+
+<p><b>Eucalyptus macrocarpa.</b>&mdash;Como o precedente, um arbusto
+insignificante. Não me deu trabalho. Morreu ás primeiras geadas que lhe
+tocaram.</p>
+
+<p><b>Eucalyptus macrorryncha.</b>&mdash;Na verdade, os livros não mentiram onde
+dizem que o <i>Eucalyptus macrorryncha</i> é maravilha para medrar em
+terrenos pobres. Vejo-o crescer um metro em terras miseraveis, emquanto os
+pinheiros a par crescem um palmo. A madeira é boa e a casca aproveitavel para
+cobertura de choupanas e curraes, podendo em semelhante uso durar cerca de 20
+annos. Mas... um terrivel mas o persegue; é um <i>stringybark</i>, parente
+proximo do <i>Eucalyptus capitellata</i> e não muito distante do
+<i>Eucalyptus obliqua</i>, e, como elles, sujeito a morrer da estiagem, o que
+aliás todas estas especies já ampla e praticamente me provaram nas minhas
+experiencias.</p>
+
+<p><b>Eucalyptus maculata.</b>&mdash;Visinho do <i>Eucalyptus citriodora</i>, e de
+menos confiança do que este. Não teremos que discutir-lhe qualidades da
+madeira, quando em materia de clima é de todo esquivo. Exemplares magnificos,
+com mais de 5 metros de altura, gelaram até ao colo da raiz desde que
+sentiram um inverno rigoroso. Depois d'isso, rebentam e crescem; mas, quando
+de novo vem um inverno em que a geada abunda, voltam á primeira fórma, ao
+rez-do-chão.</p>
+
+<p><b>Eucalyptus Maideni.</b>&mdash;Uma variedade do <i>Eucalyptus globulus</i>,
+annunciada como de mais vigor... onde o terreno fôr de primeira ordem,
+acrescentarei eu. Nos outros, nos terrenos mediocres, parece-me mesmo muito
+menos robusto do que o <i>Eucalyptus globulus</i>.</p>
+
+<p><b>Eucalyptus marginata.</b>&mdash;Da Australia<span class="pagenum"><a name="pag_69" id="pag_69">[69]</a></span> Occidental. Casca
+persistente; altura mediana, 30 metros, de ordinario, indo, por excepção, até
+45.</p>
+
+<p>É o famoso <i>Jarrah</i> dos australianos. Originario das terras humidas,
+parece um pouco mais indifferente á situação e ao sólo do que outras especies
+congeneres; mas foge dos logares quentes e sêccos. O seu maior
+desenvolvimento é nos sitios que recebem humidade do mar.</p>
+
+<p>Na opinião unanime de britanicos, silvicultores, engenheiros e homens
+práticos, o <i>Jarrah</i> é de uma robustez verdadeiramente sem igual.
+Exposta ao ar ou submergida, ao sol, á chuva ou debaixo da terra, a sua
+madeira apparece intacta, ao fim de uma prova de cincoenta annos. Como foi
+usada desde a fundação da colonia da Australia Occidental, em 1829,
+encontram-se exemplos numerosos a demonstrar a sua duração inexcedivel. Em
+certas circumstancias, essa duração excede a do ferro. Para construcções
+navaes está a par ou muito proxima da teca, e é invulneravel ao teredo e ás
+termitas; os barcos d'essa madeira dispensam cobertura de cobre. Além d'isso,
+é uma das madeiras menos inflammaveis, qualidade muito de apreciar onde se
+usarem construcções de madeira, e, por certo, em virtude d'essa mesma
+qualidade, dá excellente carvão. A madeira das planicies arenosas á beira do
+mar é de qualidade inferior; a melhor é a que se cria nos terrenos
+montanhosos, particularmente a dos terrenos ferruginosos e dos graniticos&mdash;do
+que, confiadamente o lembro, o nosso Minho deve tomar boa nota para seu uso.
+Não faltam lá nem terrenos frescos, nem montes, nem granitos, nem a frescura
+maritima que frequentemente alcança<span class="pagenum"><a name="pag_70" id="pag_70">[70]</a></span> até ás maiores alturas das serras
+entre o Mondego e Minho.</p>
+
+<p>Nas minhas experiencias, comecei por ser infeliz com esta especie; nasceu
+mal, soffreu muitas baixas na primeira transplantação, e cresceu muito
+devagar na plantação definitiva. Mas insisti, e com a boa fortuna mudei de
+ideias. O melhor exemplar que possuo, em terreno mediocre e algo sêcco, tem
+hoje 16 annos e mede 75 centimetros de circumferencia, um metro acima do
+sólo. Os outros que plantei em terreno aliás bem pobre e alto, assás exposto
+ao norte, vão devagar, é certo, mas sadios, com lindas hastes aprumadas.</p>
+
+<p>Tudo o que, bem considerado, e acrescentando-lhe ainda que a madeira do
+<i>Eucalyptus marginata</i> é mais docil á ferramenta do que as madeiras de
+outras especies de <i>Eucalyptos</i>, posto que menos forte seja em
+resistencia ás pressões&mdash;tudo o que me leva a crêr que temos todo o interesse
+em plantar o <i>Eucalyptus marginata</i> onde lhe acharmos condições
+proprias. A riqueza das suas qualidades colloca-o em logar privilegiado e a
+marcenaria rural tem alli uma grande esperança de moveis seguros, bellos e
+duradouros.</p>
+
+<p>O <i>Eucalyptus marginata</i> é um dos <i>Eucalyptos</i> que com mais
+facilidade se propaga expontaneamente. Tenho isso por um signal de vigor e
+tendencia a acclimação. Como processo de reproducção, a ninguem o
+aconselharia. Os <i>Eucalyptos</i> nascidos expontaneamente crescem sempre
+muito devagar, quando crescem. A cova e o esboroamento da gleba é um começo
+de vida essencial n'esta cultura.</p>
+
+<p><b>Eucalyptus megacarpa.</b>&mdash;Pequeno, crescendo<span class="pagenum"><a name="pag_71" id="pag_71">[71]</a></span> devagar, e de
+duvidosa qualidade de madeira. Não ha que perder tempo com elle.</p>
+
+<p><b>Eucalyptus melanophloia.</b>&mdash;Boa madeira, segundo o Barão de Mueller.
+Mas não é para as nossas terras, onde vegeta mal. Assáz o experimentei para
+não pensar mais n'elle.</p>
+
+<p><b>Eucalyptus melliodora.</b>&mdash;Um <i>box-tree</i>, e tanto lhe basta para
+carta de admissão; d'esta cathegoria todos são bons e proprios para as nossas
+terras.</p>
+
+<p>Da colonia de Victoria e Nova Galles do Sul, onde apparece principalmente
+nos outeiros, não subindo, porém, a grandes elevações. Arvore mediana, chega,
+por excepção, a 70 metros, com um diametro superior a dois metros na base.
+Madeira amarellada, extremamente rija depois de sêcca, duradoura e pezada,
+d'uma flexibilidade notavel, mas, em regra, difficil de obrar e fender. Na
+textura, muito semelhante ao <i>Eucalyptus rostrata</i>. Não convém para
+cortar em pranchas, por apresentar frequentemente largas fendas
+perpendiculares entre as camadas. Excellente combustivel. Na Australia vive
+em terras pobres e é de crescimento lento.</p>
+
+<p>Naudin diz:&mdash;«Conhece-se facilmente ao longe, pelos ramos longos, delgados
+e pendentes, que lhe dão certa semelhança com o chorão. Abundante de folhagem
+e flôres, recommenda-se como arvore decorativa.» Sahut julga-o «muito
+resistente e interessante pelos ramos pendentes e pelas flôres odoriferas que
+as abelhas procuram avidamente».</p>
+
+<p>Merece propagar-se; é manifesto. Sempre se me mostrou resistente, até
+mesmo em situações ardentes e em terrenos com larga dose de argila.<span class="pagenum"><a name="pag_72" id="pag_72">[72]</a></span>
+</p>
+
+<p>E convenço-me de que não ficaria mal á beira das estradas e em volta da
+casa dos nossos vinhateiros. Tem belleza, vigor e utilidade que o abonem para
+isso.</p>
+
+<p><b>Eucalyptus microcorys.</b>&mdash;Não devemos contar com elle. A madeira é
+excellente; mas pressente a geada, quando nós ainda mal a enxergamos.
+Macclatchie acha-o «proprio para as regiões humidas semitropicaes.» E assim
+deve ser, porque é um <i>stringybark</i>, ávido de humidade por conseguinte.
+</p>
+
+<p>Apezar d'isto, tenho d'este <i>Eucalypto</i> alguns exemplares bem
+desenvolvidos n'uma encosta ao sul, abrigados entre pinheiros.</p>
+
+<p><b>Eucalyptus microphylla.</b>&mdash;O catalogo de Vilmorin, de cuja casa me
+veio a semente, indica o <i>Eucalyptus microphylla</i>, ou <i>stricta</i>,
+como uma variedade dos <i>Iron-bark</i> (casca de ferro) que chega a attingir
+40 metros de altura, e dando boa madeira e um combustivel de primeira
+qualidade. Os exemplares provenientes d'essas sementes confirmaram a
+informação. Porém, a <i>Eucalyptographia</i> do Barão de Mueller acceitando a
+synonimia do <i>Eucalyptus microphylla</i> e do <i>Eucalyptus stricta</i>,
+quando este ultimo descreve, não condiz no resto com a noticia de Vilmorin.
+Pela minha parte, direi que os <i>Eucalyptos</i> que tenho sob a designação
+de <i>microphylla</i> são <i>Iron-bark</i>, por certo de excellente madeira,
+como todos os d'essa classe, com um desenvolvimento a par do <i>Eucalyptus
+crebra</i>, ao qual o juntaria para todos os effeitos. Desconfio que o
+<i>Eucalyptus microphylla</i> da minha collecção será o <i>Eucalyptus
+paniculata</i>.</p>
+
+<p><b>Eucalyptus microtheca.</b>&mdash;Nas minhas mãos negou toda a fama com que
+da Australia passou<span class="pagenum"><a name="pag_73" id="pag_73">[73]</a></span> para a Europa. Invariavelmente ficou rachitico,
+embora lhe houvesse offerecido logar não de todo agreste. Segundo lia,
+supportava temperaturas minimas de perto de 8° centigrados abaixo de 0° e
+maximas de mais de 50°; encontrar-se-hia nas regiões mais áridas da Australia
+e já se desenvolvia admiravelmente na França e na Argelia. Nada d'isto
+encontrei. Dou-me por desenganado, de tal fórma que não reincidirei na
+tentativa.</p>
+
+<p><b>Eucalyptus Mulleri.</b>&mdash;Não me afoita, posto que d'elle possua
+exemplares bonitos. Ha duvidas quanto á excellencia da madeira; e não será
+especie tão firmemente caracterisada, que esteja isenta do risco de variar na
+reproducção. Muitos o poderão substituir com segurança e vantagem.</p>
+
+<p><b>Eucalyptus obliqua.</b>&mdash;É o <i>Eucalyptus gigantea</i> da
+classificação de J. Hooker, e foi a especie que primeiro se conheceu e sobre
+a qual l'Héritier fundou este genero. Frequente na Tasmania, isso basta para
+estabelecer probabilidades de adaptação ao nosso clima. Em regra, são as
+especies de <i>Eucalyptos</i> d'essa latitude aquellas em que mais
+seguramente podemos confiar.</p>
+
+<p>Mueller descreveu o <i>Eucalyptus obliqua</i> como arvore muito aprumada,
+de crescimento rapido, chegando a uma altura de noventa metros, embora
+floresça muito nova, e encontrando-se em elevações medianas, «não alpestres.»
+Casca persistente, muito fibrosa, ardendo facilmente, macia e fragil. «É uma
+das mais importantes de todas as arvores da Australia pela sua grande
+abundancia e tambem pela facilidade com que a madeira se presta a diverso
+trabalho.» Serve para construcções, travessas de caminho de ferro e<span class="pagenum"><a name="pag_74" id="pag_74">[74]</a></span>
+vedações, e para isso é muito usada, mas «apodrece depressa, quando
+enterrada.» A casca emprega-se em larga escala para cobertura de edificações
+ruraes primitivas, e convém tambem para o fabrico de papel, quer ordinario,
+de empacotamento, quer de impressão, e até de escrever.</p>
+
+<p>Cultivo esta especie ha dezesete annos; d'ella tenho muitos exemplares
+bons e um esplendido, possuindo todas as qualidades que Mueller lhe attribue.
+Todavia, não a aconselho.</p>
+
+<p>O <i>Eucalyptus obliqua</i> é nas minhas plantações a especie que com o
+<i>Eucalyptus rostrata</i> me tem atraiçoado maior numero de vezes. Morre
+facilmente com as estiagens; exemplares de oito metros de altura e outros
+tantos annos de prosperidade seccaram com o calor, plantados entre muitas
+outras especies que todas o supportaram e resistiram. Já não téem conta os
+que perdi por este motivo, mesmo quando pela estatura a que haviam chegado
+era de esperar que estivessem para afrontar todos os rigores do sol e do
+frio.</p>
+
+<p>O <i>Eucalyptus obliqua</i> só é aproveitavel em terrenos frescos, e para
+terrenos frescos não faltam especies de superior madeira que lhe devem ser
+preferidas.</p>
+
+<p>Note-se&mdash;pertence este <i>Eucalypto</i> ao grupo dos que na Australia
+chamam <i>stringybark</i>, isto é, de casca encordoada, e tenho como regra,
+por effeito de dilatada experiencia, que todos os <i>Eucalyptos</i> d'esse
+grupo, alguns dos quaes vegetam em terrenos pobrissimos, carecem de humidade
+na terra. Se não a encontram, facilmente morrem, apenas se acham expostos a
+quatro ou cinco dias consecutivos de calor mais forte. Todos elles enganam, e
+com tanto maior risco, para<span class="pagenum"><a name="pag_75" id="pag_75">[75]</a></span> quem os planta, quanto é certo que não
+raro a sua fraqueza só se mostra e nos surprehende ao fim de alguns annos de
+plantação.</p>
+
+<p><b>Eucalyptus obtusiflora.</b>&mdash;Uma variedade do <i>Eucalyptus
+obliqua</i>, segundo creio, partilhando, por isso, de todo o seu bem e de
+todo o seu mal, e não mostrando qualquer superioridade sobre este ultimo nos
+exemplares que tenho plantado.</p>
+
+<p><b>Eucalyptus occidentalis.</b>&mdash;D'este, aliás gabado pela qualidade da
+madeira, repetirei o que d'outros tenho dito:&mdash;Na minha mão, nunca deu nada
+que prestasse. Supponho que sente frio; Macclatchie nota que elle soffre com
+temperaturas de 4° centigrados abaixo de zero, e em terras portuguezas fica
+muito sujeito a essas inclemencias para poder prosperar.</p>
+
+<p><b>Eucalyptus paniculata.</b>&mdash;Se é o que tenho com o rotulo de
+<i>Eucalyptus microphylla</i>, estamos bem. Vai a par do <i>Eucalyptus
+crebra</i> e não será desacerto semeial-o e plantal-o de mistura com este.
+Mas os exemplares authenticos que tenho d'esta especie estão apenas de 4
+annos, tempo insufficiente para ajuizar da sua resistencia.</p>
+
+<p>Por emquanto, mostram-se viçosos e crescem regularmente. Teme as
+estiagens, segundo os livros estrangeiros indicam, e, por conseguinte, convém
+pensar n'isto ao plantal-o e guardar-lhe alguma quebrada mais fresca. Da
+qualidade da madeira é que não ha duvida; é um <i>Iron-bark</i> (casca de
+ferro), e isso por si o garante.</p>
+
+<p><b>Eucalyptus pilularis.</b>&mdash;Não virá mal a ninguem, se fôr plantando
+alguns exemplares d'este <i>Eucalypto</i> onde houver bom terreno e clima
+dôce, porque é menos resistente do que o <i>Eucalyptus globulus</i>, cresce
+mais devagar e teme sobretudo<span class="pagenum"><a name="pag_76" id="pag_76">[76]</a></span> a mingua de frescura, que o desterra
+dos valles e outeiros do interior. Tanto na opinião do Barão de Mueller, como
+na de Maiden, dá madeira de superior qualidade em todas as suas variedades.
+Macclatchie diz: «Este é considerado como produzindo uma das melhores
+madeiras entre todas as de qualquer outra especie de <i>Eucalypto</i>. De
+postes de vedações d'esta madeira se conta que duraram mais de 20 annos.
+Excellente como productor de mel, dizendo-se que o mel que d'elle provém é de
+uma qualidade especialmente boa.» E deu-me já bons exemplares.</p>
+
+<p><b>Eucalyptus Planchoniana.</b>&mdash;Vão vivendo, sadios, mas acanhados no
+crescer, os exemplares que tenho d'esta especie. E, por isso, e porque a vejo
+indicada para regiões sêccas, livres de geada, a ninguem darei de conselho
+que se aventure a plantal-a, tanto mais que a madeira é boa, mas não superior
+á de outras especies que pódem bem com os rigores do nosso clima.</p>
+
+<p><b>Eucalyptus platypus.</b>&mdash;Synonimo de <i>Eucalyptus obcordata</i>, e
+apontado como planta decorativa. É, a meu vêr, um engano, como o
+<i>Eucalyptus erythronema</i>. As flôres, tambem vermelhas, téem alguma
+graça; mas a planta é de tão misero aspecto, que a limitada belleza da flôr
+não compensa o desgosto da presença durante todo o anno de uma vida
+semi-tysica.</p>
+
+<p><b>Eucalyptus pleurocarpa.</b>&mdash;Um arbusto que é bom lembrar, como os
+outros <i>Eucalyptos</i> arbustivos, para que, por equivoco, não gastemos
+tempo e dinheiro a experimental-o.</p>
+
+<p><b>Eucalyptus polyanthema.</b>&mdash;Preciosa arvore que eu desejaria vêr
+disseminada pelas nossas mattas; tem todas as condições para isso. O<span class="pagenum"><a name="pag_77" id="pag_77">[77]</a></span>
+Barão de Mueller encontrou-a na Australia nos «outeiros e cumiadas sêccas»;
+acha-a «inexcedivel» como combustivel, e mais forte na madeira do que o
+carvalho e o freixo; nas suas affinidades especificas o <i>Eucalyptus
+polyanthema</i> estaria muito proximo do <i>Eucalyptus melliodora</i>,
+acontecendo todavia que «ambos se encontram nos mesmos logares,
+promiscuamente, e cada um parece manter nas mesmas circumstancias de sólo e
+clima as suas caracteristicas distinctivas; mas, em geral, o <i>Eucalyptus
+polyanthema</i> prefere mais o cimo das elevações, emquanto o <i>Eucalyptus
+melliodora</i> desce antes para as terras mais ricas dos valles.» E, pelo seu
+lado, Macclatchie diz «que esta especie prospéra em grande diversidade de
+condições climatericas, crescendo na costa e proximo da costa, nos outeiros,
+na encosta dos montes e nos valles sêccos e quentes do interior.» «É uma das
+especies experimentadas na Estação Agricola das proximidades de Phoenix, que
+inteiramente passa incolume, quer com as geadas do inverno, quer com o calor
+do estio.» Além d'isso, «pela profusão de flôres, vindo n'um tempo em que as
+fontes de mel são restrictas, é uma arvore util para pasto das abelhas.»</p>
+
+<p>Muitos exemplares d'esta especie tenho plantado, e em variadissimas
+situações, e todos, sem excepção, confirmam as virtudes que os silvicultores
+da Australia e da America lhe attribuem. Dos <i>Box-tree</i> (arvore do
+buxo), a cuja classe pertence, seria, juntamente com o <i>Eucalyptus
+melliodora</i>, aquelle <i>Eucalypto</i>, que eu preferiria para os terrenos
+sêccos. Mas, advirta-se, não é para os apressados ou impacientes; cresce
+devagar, o melhor<span class="pagenum"><a name="pag_78" id="pag_78">[78]</a></span> exemplar que eu tenho, está agora com 17 annos de
+plantação e 50 centimetros de circumferencia. Nem tão pouco será para os
+descuidados; facilmente rasteja e entorta; é necessario visital-o, podal-o e
+guial-o com arte. Tudo merece; a robustez da madeira e a resistencia ás
+intemperies e a toda a violencia climaterica pagarão anchamente a paciencia e
+zelo que na cultura empregarmos.</p>
+
+<p><b>Eucalyptus pulverulenta.</b>&mdash;A custo o distingo do <i>Eucalyptus
+cordata</i>, sendo certo que os botanicos lhe acham differenças apreciaveis.
+Creio que economicamente não vale mais nem menos do que o <i>Eucalyptus
+cordata</i>, e o reduzido logar que occupa nos livros dos auctores
+estrangeiros fortalece-me n'este juizo.</p>
+
+<p><b>Eucalyptus punctata.</b>&mdash;Aqui ponho um ponto de interrogação e boas
+esperanças. De madeira magnifica, crescimento rapido e modesta exigencia
+quanto a fertilidade do terreno, o <i>Eucalyptus punctata</i> não dispensaria
+a frescura das regiões costeiras, e não se sujeitaria á seccura das regiões
+do interior. O certo é que os exemplares que plantei ha quatro annos, estão
+lindissimos, com lançamentos pujantes e ramificação abundante; e um outro
+exemplar mais antigo tem já um bello tronco. Serão, porém, necessarios mais
+alguns annos para uma conclusão prática fundada.</p>
+
+<p>Entretanto, não será erro propagal-o nas localidades menos desfavorecidas.
+Outros indicados como mais melindrosos considero eu já absolutamente proprios
+para as nossas terras.</p>
+
+<p><b>Eucalyptus Raveretiana.</b>&mdash;Aconselhado para climas tropicaes humidos.
+E assim deverá<span class="pagenum"><a name="pag_79" id="pag_79">[79]</a></span> ser, porque na minha collecção morreu das geadas, logo
+no primeiro anno.</p>
+
+<p><b>Eucalyptus redunca.</b>&mdash;Este foi tambem dos que viveu sómente emquanto
+a geada não lhe tocou.</p>
+
+<p><b>Eucalyptus regnans.</b>&mdash;Uma variedade do <i>Eucalyptus amygdalina</i>,
+de mais rapido crescimento, maior estatura e melhor madeira&mdash;o que tudo creio
+ser verdade, onde o terreno fôr bom e não faltar a frescura. Sem isto, cada
+estio será para elle uma doença grave, e para o proprietario o risco da perda
+de uma arvore muitas vezes já crescida. Foi o que por experiencia verifiquei,
+d'ahi resultando que o risquei do rol dos que reputo proprios para povoar as
+nossas encostas. Quando muito, servirá para as terras profundas dos valles, e
+para estas não faltam especies infinitamente mais meritorias pela qualidade
+da madeira.</p>
+
+<p><b>Eucalyptus resinifera.</b>&mdash;Este foi dos poucos que me deu muito mais
+do que promettia. Annunciado como proprio para as regiões tropicaes,
+planteio-o a medo, sempre á espera de um inverno que o matasse. Afinal, os
+invernos vão correndo e um exemplar plantado em 1903 tem agora 90 centimetros
+de circumferencia.</p>
+
+<p>Todavia, não seja isto razão bastante para que deixe de observar a regra
+quem tiver de o plantar; parta do principio que não deverá expôl-o a frios
+muito severos, nem tão pouco a temperaturas muito elevadas, n'uma atmosphera
+sêcca. Guarde-lhe sitio ameno.</p>
+
+<p>Merece-o. Porque a madeira é «esplendida e tão duradoura como qualquer dos
+<i>Iron-bark</i>», segundo um botanico que estudou a flora
+australiana<span class="pagenum"><a name="pag_80" id="pag_80">[80]</a></span> e é citado para este effeito pelo Barão de Mueller&mdash;o que
+Maiden confirma, dizendo por sua vez:&mdash;«É esta uma das madeiras rijas de mais
+valor da Nova Galles do Sul. De um vermelho intenso, muito se assemelha no
+aspecto ao mogno verdadeiro. É grande madeira para moveis onde o peso não fôr
+obstaculo... Uma das mais duradouras madeiras que nós temos, altamente
+resistente á humidade e ao ataque da formiga branca.»</p>
+
+<p>Junte-se a isto que o <i>Eucalyptus resinifera</i> é com o <i>Eucalyptus
+goniocalyx</i> um dos poucos que não torce nem fende expontaneamente ao
+seccar; relembre-se a rapidez do seu desenvolvimento; e teremos quanto baste
+para lhe reservar bom logar na silvicultura nacional e não perdermos ensejo
+de o aproveitar.</p>
+
+<p><b>Eucalyptus Risdoni.</b>&mdash;Segundo todas as probabilidades, será uma
+variedade ou fórma erradia do <i>Eucalyptus amygdalina</i>, mas ainda aqui,
+como com todas as demais derivações ou aberrações do <i>Eucalyptus
+amygdalina</i>, eu preferiria á extravagante a especie typo. Obtive bons
+exemplares do <i>Eucalyptus Risdoni</i>; tenho mesmo um, das plantações de
+1902, com 1<sup>m</sup>,80 de circumferencia. É magnifico. Mas vinga com
+muito menos facilidade do que o <i>Eucalyptus amygdalina</i> nos primeiros
+tempos, é talvez mais exigente em humidade do que este ultimo, tem accentuada
+tendencia a ramificar em fórmas arbustivas e torna-se necessario guial-o, se
+pretendemos criar troncos direitos, e, finalmente, não sei de qualidade
+alguma singular que lhe distinga a madeira e por esse facto recommende em
+especial a sua cultura.<span class="pagenum"><a name="pag_81" id="pag_81">[81]</a></span></p>
+
+<p><b>Eucalyptus robusta.</b>&mdash;Segundo o Barão de Mueller, «como arvore para
+lenha e para madeira que não demande grande resistencia, o <i>Eucalyptus
+robusta</i> é evidentemente mais importante do que até aqui se suppunha,
+especialmente quando consideramos a faculdade de se adaptar aos brejos e ás
+localidades apauladas&mdash;as quaes convém sómente a uma muito limitada classe de
+plantas florestaes; mas este <i>Eucalypto</i> parece requerer para seu
+superior desenvolvimento o accesso do ar do mar.» No <i>Diccionario das
+Plantas Uteis</i>, diz mais este mesmo illustre mestre que o <i>Eucalyptus
+robusta</i> «resiste aos cyclones melhor do que as outras especies.» Na
+qualidade da madeira, que é avermelhada, ha a considerar que é quebradiça,
+difficil de rachar e, por isso, pouco querida dos carpinteiros; porém
+duradoura debaixo da terra, o que, por certo, lhe dará valor nos telegraphos,
+nos caminhos de ferro e entre lavradores que procurem estacaria.</p>
+
+<p>Tambem encontro o <i>Eucalyptus robusta</i> aconselhado para ensombrar
+avenidas&mdash;no que porei os meus reparos. Nos primeiros annos é realmente
+bello, com a sua folhagem larga e ramagem espessa. Mas, quando Deus quer,
+foge para as alturas, despojando-se espontaneamente dos ramos inferiores e
+deixando a estrada assás desprotegida.</p>
+
+<p>Rebenta muito bem, quando cortado, e dá feixes de lançamentos lindos e
+pujantes.</p>
+
+<p>Plantei muitos exemplares d'esta especie e, pelo seu exame, tenho por
+certo que é o melhor para as proximidades do mar. Onde o ar fôr sêcco, não se
+canse ninguem a plantal-o.</p>
+
+<p><b>Eucalyptus rostrata.</b>&mdash;Foi com este que<span class="pagenum"><a name="pag_82" id="pag_82">[82]</a></span> fabriquei os meus
+maiores desastres. Devo-lhe as manchas de maior miseria das minhas
+plantações, tanto mais sensiveis quanto maior foi a largueza com que o
+disseminei, incitado pelo elogio caloroso que de outras terras o acompanhava.
+Grande culpa, na verdade; nada d'isso me aconteceria, se houvesse lido com
+attenção o livro de Sahut, onde diz: «O <i>Eucalyptus rostrata</i> é muito
+resistente, supportando grandes calores e frios devéras rigorosos, segundo os
+logares em que se encontra. O crescimento é rapido; mas, em contrario do
+<i>Eucalyptus resinifera</i>, gosta de <i>terras ferteis</i> e da borda da
+agua, e resiste muito menos do que este á estiagem.» O sublinhado é
+meu&mdash;«terras ferteis.» Fóra d'isso, não vale um caracol; vegeta emquanto tem
+a terra solta da cova, e depois não passa d'ahi, torna-se absolutamente
+rachitico. Mesmo em terras ferteis, desenvolvendo-se bem, ficará por este
+lado abaixo de muitas outras especies, aliás magnificas.</p>
+
+<p>Quanto a qualidade da madeira, quasi não ha virtude que se lhe recuse. Mas
+ainda n'este capitulo proponho certo desconto. Maiden, diz; «Quasi tão rija
+como o ferro, quando bem sêcca.» E o Barão de Mueller, citado por
+Macclatchie, é um pouco mais explicito; acha que as arvores, <i>bem
+maduras</i>, d'esta especie, cortadas na estação em que a circulação da seiva
+é menos activa, e <i>cuidadosamente postas a secar</i>, produziram uma das
+mais duradouras das madeiras de todo o mundo.» «Bem maduras» e
+«cuidadosamente postas a seccar», note-se; tambem aqui os sublinhados foram
+meus, porque tenho cortado bastantes <i>Eucalyptus rostrata</i> e, se não me
+engano, é uma das especies que mais tarde amadurece, e por isso<span class="pagenum"><a name="pag_83" id="pag_83">[83]</a></span> uma
+das que mais fende e torce ao seccar, se a arvore não é velha.</p>
+
+<p>Salvo o devido respeito a auctorisados mestres, direi que só por excepção
+e curiosidade guardaria logar para o <i>Eucalyptus rostrata</i> em mattas de
+terras nossas. Se em qualquer arvore de semelhante caracter me sentisse
+disposto a gastar tempo e dinheiro, então empregal-os-hia com o <i>Eucalyptus
+tereticornis</i> que vale o <i>Eucalyptus rostrata</i> como madeira e
+altamente se lhe avantaja em modestia de exigencias.</p>
+
+<p><b>Eucalyptus rudis.</b>&mdash;Sabe-se pouco das qualidades da sua madeira;
+será, porém, evidentemente e para todos os effeitos, superior ao pinheiro,
+cujo logar haja de tomar. Dá bellos troncos, aprumados, não muito altos, não
+indo ordinariamente a mais de 25 metros, e engrossando bem. Vigoroso e de
+crescimento rapido, capaz de descer a povoar terrenos mediocres. Mediocres,
+note-se; para os ruins não será de confiança. Na America mostrou-se
+«notavelmente resistente ao calor e ao frio» (Macclatchie); Naudin
+considera-o «naturalisado» na Europa. A fórma do fructo, proxima da do
+<i>rostrata</i>, promette que será dos que se prestam a cruzamentos, e
+parece-me mesmo que das sementes que colhi, tenho já exemplares hybridos.</p>
+
+<p>O que tudo visto, e sendo certo que os numerosos <i>Eucalyptos</i> d'esta
+especie que possuo confirmam a informação dos livros estrangeiros a seu
+respeito, creio que é de propagar com franqueza e estudar com attenção e com
+probabilidades de proveito.</p>
+
+<p><b>Eucalyptus saligna.</b>&mdash;As noticias que encontro sobre este
+<i>Eucalypto</i> divergem.<span class="pagenum"><a name="pag_84" id="pag_84">[84]</a></span></p>
+
+<p>Aqui, leio que a madeira é «esplendida» e que os carpinteiros a estimam
+muito; além me acautelam contra a sua «inferior» qualidade. Talvez questão de
+terreno, o que nos <i>Eucalyptos</i> muitas vezes determina a boa e má
+qualidade da madeira. Quanto a exigencias climatericas, não é maior a
+conformidade: na America, não sobreviveu a estiagens intensas, e na Australia
+habita apenas as regiões mais quentes do littoral; mas o <i>Diccionario das
+Plantas Uteis</i> diz que «é mais rustico do que o <i>Eucalyptus
+globulus</i>». Sobre terreno é que não ha duvida; o apparecimento d'esta
+especie é uma «indicação de terreno bom», diz a <i>Eucalyptographia</i>.</p>
+
+<p>Os exemplares que eu tenho, já não são novos e estão magnificos, em boa
+exposição e boa terra; mas, não obstante esta demonstração favoravel, correrá
+talvez a desenganos quem se aventurar á plantação fóra de iguaes condições, e
+as reservas sobre a qualidade da madeira não auctorisam aventuras.</p>
+
+<p><b>Eucalyptus salubris.</b>&mdash;Boa fama; promettedor para as regiões áridas,
+supportando temperaturas elevadas e geadas consideraveis, e afinal dando boa
+madeira. E d'estas virtudes nenhuma subsistiu nos poucos exemplares que
+d'elle obtive. Desde o viveiro foram muito pobresinhos, e, depois, nunca
+tiveram nem um momento de crescenças francas nem estatura apreciavel.</p>
+
+<p><b>Eucalyptus santalifolia.</b>&mdash;Um arbusto. Perdi quantos tinha no
+primeiro inverno; morreram de frio.</p>
+
+<p><b>Eucalyptus siderophloia.</b>&mdash;Um <i>Iron-bark</i> (casca de ferro), de
+excellente madeira, como todos os da sua classe. Parente proximo do<span class="pagenum"><a name="pag_85" id="pag_85">[85]</a></span>
+<i>Eucalyptus</i> <i>crebra</i>, será talvez menos resistente do que este, o
+que aliás não foi estorvo a que me desse um exemplar que, da mesma idade do
+<i>Eucalyptus crebra</i>, não lhe está muito inferior nem em desenvolvimento
+nem em saude. Porventura não será erro, na cultura meramente florestal,
+plantar conjunctamente, em mistura, o <i>Eucalyptus crebra</i>, o
+<i>Eucalyptus paniculata</i> e o <i>Eucalyptus siderophloia</i>.</p>
+
+<p><b>Eucalyptus Smithiana.</b>&mdash;D'esta especie pouco pude averiguar. Os
+exemplares que possuo, de sementeiras de 1913, ainda não passaram invernos
+bastantes para dizer claramente ao que vem. Alguma cousa dizem já; é certo. O
+desenvolvimento é magnifico em qualquer exposição, preferindo a frescura,
+manifestamente; mas tambem sem temer a terra ingrata e ardente onde vejo um
+exemplar sadio e com um desenvolvimento mediano. Aspecto lindo, folhagem
+abundante, delicada e pendente. Madeira... parece que é parente do
+<i>Eucalyptus viminalis</i>, ao qual muito se assemelha, realmente, á
+primeira vista; e, n'esse caso, teremos a contar com uma madeira clara,
+inferior em dureza á das especies congeneres mais notaveis, mas de muitas e
+utilissimas applicações apezar d'isso.</p>
+
+<p><b>Eucalyptus stellulata.</b>&mdash;Arvore pequena, que não será talvez para
+desprezar em encostas voltadas ao norte, pois supporta grandes frios e dá boa
+lenha. Sem grandes esperanças, claro está; em Portugal serão mais de apreciar
+<i>Eucalyptos</i> que resistam ao calor do que os que supportam grandes
+frios. Abrigos não faltam em nossos montes; a humidade é que nem sempre será
+bastante, e sem alguns dias ardentes ninguem<span class="pagenum"><a name="pag_86" id="pag_86">[86]</a></span> passa no estio, quer
+more á beira do mar, quer paire nas alturas da Estrella.</p>
+
+<p><b>Eucalyptus Stuartiana.</b>&mdash;São de 1902 os que eu tenho. Muito me
+animaram nos primeiros dez annos; depois afrouxaram no crescer, e entretanto
+moderavam-me o enthusiasmo. Resiste bem ao frio mas teme a falta de humidade;
+por este lado muito me lembra o <i>Eucalyptus obliqua</i>, o <i>Eucalyptus
+capitellata</i> e os demais <i>Stringybark</i>, seccando quando elles seccam
+e nunca se lhes assemelhando nas proporções quando elles medram. Juntando a
+isso que o <i>Eucalyptus</i> <i>Stuartiana</i> não dá nada especial quanto a
+madeira, embora muito aproveitavel seja e faça boa lenha, inclino-me a crêr
+que não ha vantagem em insistir na sua disseminação.</p>
+
+<p><b>Eucalyptus tereticornis.</b>&mdash;Convém não o perder de vista. Agradece a
+frescura das proximidades do littoral, emquanto ao mesmo tempo não succumbe
+com a estiagem e a seccura dos valles do interior; e, quanto a madeira, é o
+rival do <i>Eucalyptus rostrata</i> na opinião do maior numero, e até lhe
+será superior na opinião de alguns outros. «O snr. Maiden, diz Macclatchie,
+conta que um poste d'esta madeira se conservou inteiramente são durante 55
+annos; e, segundo o mesmo auctor, o snr. Howitt, eminente auctoridade sobre
+as arvores da colonia de Victoria, põe o <i>Eucalyptus</i>
+<i>tereticornis</i> na cabeça do rol das madeiras d'aquella colonia proprias
+para commercio.»</p>
+
+<p>Vão bem os dois exemplares mais antigos que d'esta especie possuo; o
+maior, de 1902, tem 85 centimetros de circumferencia. Note-se: cresceram
+devagar nos primeiros annos e, no<span class="pagenum"><a name="pag_87" id="pag_87">[87]</a></span> geral, não terão tendencia a dar
+troncos muito aprumados,&mdash;o que se corrige, já vigiando-os e guiando-os, já
+plantando basto e assim mantendo direitas as hastes que sobem á procura da
+luz.</p>
+
+<p><b>Eucalyptus uncinnata.</b>&mdash;Um pobre arbusto, que nem sequer pelo vigor
+se faz valer.</p>
+
+<p><b>Eucalyptus urnigera.</b>&mdash;Não fica pequeno; tenho, entre outros, um
+exemplar com 15 annos e 1<sup>m</sup>,10 de circumferencia. Talvez o
+<i>Eucalypto</i> que mais baixas temperaturas supporta; vem das regiões mais
+frias da Tasmania. Affigura-se-me, porém, assás amigo de humidade, e não
+tenho podido achar informações algumas sobre a qualidade da madeira. Se é
+certo o seu proximo parentesco com o <i>Eucalyptus</i> <i>cordata</i>,
+conforme o Barão de Mueller tem por probabilisimo, o <i>Eucalyptus
+urnigera</i> não nos promette madeira melhor do que a de muitos outros de
+cultura igualmente facil, senão mesmo mais segura e rendosa.</p>
+
+<p><b>Eucalyptus viminalis.</b>&mdash;Um colosso; dos meus, o mais alentado, com
+20 annos, mede de circumferencia 2<sup>m</sup>,20. Cultura facil; até os
+encontrei nascidos e crescidos expontaneamente em terra de uma vinha
+abandonada, argilosa e de todo exposta ao sol. Na Italia supportou
+temperatura de 9° e 10° centigrados abaixo de zero. Além d'isto, uma bella
+arvore de sombra, melhor do que qualquer outra especie.</p>
+
+<p>A madeira é que não tem muito credito; julga-se inferior á da maior parte
+das outras especies, pouco duradoura em contacto com a terra e fraca para
+lenha.</p>
+
+<p>Talvez que o juizo que mais exactamente resume<span class="pagenum"><a name="pag_88" id="pag_88">[88]</a></span> as qualidades e
+deficiencias d'esta arvore seja o de Naudin, dizendo que o <i>Eucalyptus
+viminalis</i> é uma bella arvore de ornamento ou de avenida, chegando a mais
+de 30 metros de altura, sem crescer tão depressa como o <i>Eucalyptus</i>
+<i>globulus</i>. A sua madeira não tem nem a mesma densidade nem a mesma
+duração da madeira do <i>Eucalyptus</i> <i>globulus</i>, o que não a impede
+de servir para numerosas applicações em obras do interior da casa.</p>
+
+<p><b>Eucalyptus virgata.</b>&mdash;Ou <i>Eucalyptus</i> <i>Sieberiana</i>, na
+classificação do Barão de Mueller, que d'elle diz muito bem. É o
+<i>Iron-bark</i> da Tasmania, frequente nas cumiadas graniticas da costa, nos
+valles arenosos e pedregosos do interior, assim como nos outeiros de
+lousinho, e indo até 1:200 metros de altitude. Boa madeira para serrar, dura
+depois de sêcca, leve e elastica, ardendo bem mesmo em verde, fraca para
+enterrar, muito superior á do <i>Eucalyptus hoemastoma</i>, do qual o
+<i>Eucalyptus Sieberiana</i> é parente muito proximo. De casca aspera e
+persistente, ramifica mais copiosamente do que qualquer outra especie de
+<i>Eucalyptos</i> da Tasmania.</p>
+
+<p>Téem apenas tres annos os exemplares que possuo d'esta especie,
+provenientes de sementes enviadas para o Jardim Botanico da Universidade de
+Coimbra pelo professor Maiden, e, por isso, com todas as garantias de
+authenticidade. Mas estão promettedores, com mais de 2 metros de altura,
+viçosos, amplamente ramificados e já com fructos, segundo a precocidade
+sabida e caracteristica da especie. Tudo me anima aqui a novas sementeiras e
+a insistir na cultura.</p>
+
+<p><b>Eucalyptus Wabtoniana.</b>&mdash;De incerta qualidade<span class="pagenum"><a name="pag_89" id="pag_89">[89]</a></span> de madeira e
+parente do <i>Eucalyptus maculata</i>, por extrema susceptibilidade ao frio
+excluido das nossas culturas, o <i>Eucalyptus Wabtoniana</i> não resistiu á
+geada, nem mesmo com certo abrigo. Entre nós será quasi uma planta de
+estufa.<span class="pagenum"><a name="pag_91" id="pag_91">[91]</a></span></p>
+
+
+
+<h1>BIBLIOGRAPHIA</h1>
+
+<p>As publicações sobre descripção e cultura dos <i>Eucalyptos</i> já não
+téem conta; o que sobre o assumpto nos offereceu a França, a Australia e a
+Italia, formaria uma bibliotheca. E, mesmo entre nós, haverá muito a colher e
+a aproveitar em innumeraveis e utilissimas noticias espalhadas pelas
+publicações agricolas periodicas, dando conta da experiencia da cultura de
+varias especies de <i>Eucalyptos</i> em terras portuguezas.</p>
+
+<p>Creio, porém, que com os poucos volumes abaixo indicados se constituirá
+livraria sufficiente para quem se sentir tentado a proseguir no estudo de
+similhantes missionarios de abastança das nossas florestas, tão carecidas de
+renovação:</p>
+
+<p>Em primeiro logar, as obras do Barão de Mueller. Sobretudo a
+<i>Eucalyptographia</i>, publicada em Melbourne, de 1874 a 1884, e o
+<i>Diccionario das Plantas Uteis</i>, edição da <i>Gazeta das Aldeias</i>,
+traduzido em portuguez, em 1905, pelo illustre professor da Universidade de
+Coimbra, o snr. dr. Julio A. Henriques.</p>
+
+<p>Depois, as obras de Maiden, o eminente naturalista e director do Jardim
+Botanico de Sydney, particularmente <i>The Useful Plants of Australia</i> e
+<i>A Critical Revision of the Genus Eucalyptus</i>, ainda não concluida.</p>
+
+<p>Em seguida e, finalmente: o livro de A. James Macclatchie <i>Eucalypts
+cultivated in the United States</i>, boletim n.º 35 da repartição de
+agricultura d'aquelle paiz, publicado em Washington em 1902 (livro
+excellente, talvez de todos o mais prático); <i>Description et Emploi des
+Eucalyptus introduits en Europe</i>, de C. Naudin (Antibes, 1891); <i>Les
+Eucalyptus</i>, de Felix Sahut (Delahaye &amp; Lecrosnier, Pariz,
+1888).<span class="pagenum"><a name="pag_93" id="pag_93">[93]</a></span></p>
+</div>
+
+
+
+<div style="width: 80%; margin: auto;">
+<h2>INDICE</h2>
+
+<p><b>Eucalyptos e Acacias</b></p>
+
+<p><a href="#pag_9">Do logar do Eucalypto na economia florestal do nosso paiz e da apreciação do valor dos seus productos</a></p>
+
+<p><a href="#pag_19">Cultura do Eucalypto</a></p>
+
+<p><a href="#pag_25">Póda dos Eucalyptos</a></p>
+
+<p><a href="#pag_28">Escolha das variedades</a></p>
+
+<p><a href="#pag_30">Do córte dos Eucalyptos</a></p>
+
+<p><a href="#pag_32">Eucalyptos hybridos</a></p>
+
+<p><a href="#pag_35">A côrte dos gigantes</a></p>
+
+<p><a href="#pag_44">Notas sobre as principaes especies de Eucalyptos que tenho cultivado</a></p>
+
+<p><a href="#pag_91">Bibliographia</a></p>
+</div>
+
+<div style="margin: auto; width: 80%;">
+<p style="text-align: center; font-size: 2em;">Livraria do «Lavrador»</p>
+
+<p style="text-align: center; font-size: 1.1em;">LIVRINHOS JÁ PUBLICADOS:</p>
+
+<p>I&mdash;Manual do podador (2.ª edição), 90 réis</p>
+
+<p>II&mdash;Doenças das videiras (3.ª edição), 100 réis</p>
+
+<p>III&mdash;Doenças das fructeiras (2.ª edição), 160 réis</p>
+
+<p>IV&mdash;O vinho: como se faz e conserva (2.ª edição), 140 réis</p>
+
+<p>V&mdash;O desengace, 280 réis</p>
+
+<p>VI&mdash;Adubações (2.ª edição), 130 réis</p>
+
+<p>VII&mdash;Manual do enxertador (2.ª edição), 230 réis</p>
+
+<p>VIII&mdash;Cultura da batata (3.ª edição), 140 réis</p>
+
+<p>IX&mdash;Oliveira, 140 réis</p>
+
+<p>X&mdash;O Azeite, 140 réis</p>
+
+<p>XI&mdash;O Milho; cultura aperfeiçoada (2.ª ed.) 200 réis</p>
+
+<p>XII&mdash;Animaes uteis ao lavrador, 140 réis</p>
+
+<p>XIII&mdash;Animaes nocivos ao lavrador, 340 réis</p>
+
+<p>XIV&mdash;As hortas; sua cultura racional (2.ª ed.) 250 réis</p>
+
+<p>XV&mdash;Os pomares, 280 réis</p>
+
+<p>XVI&mdash;A capoeira, 280 réis</p>
+
+<p>XVII&mdash;O gado, 230 réis</p>
+
+<p>XVIII&mdash;Guia do lavrador, 90 réis</p>
+
+<p>XIX&mdash;Botanica e Agricultura, 280 réis</p>
+
+<p>XX&mdash;Prados e Pastagens, 250 réis</p>
+
+<p>XXI&mdash;Doenças internas, não contagiosas, dos animaes domesticos, 350 réis</p>
+
+<p>XXII&mdash;Doenças externas, não contagiosas, dos animaes domesticos, 510 réis</p>
+
+<p>XXIII&mdash;Doenças contagiosas e parasitarias dos animaes domesticos, 510 réis
+</p>
+
+<p>XXIV&mdash;O bicho da sêda, 280 réis</p>
+
+<p>XXV&mdash;A Agua&mdash;Como se procura nos terrenos, 310 réis</p>
+
+<p>XXVI&mdash;Construcções agricolas, 420 réis</p>
+
+<p>XXVII&mdash;O Trigo&mdash;Como se obtém grande rendimemto, 350 réis</p>
+
+<p>XXVIII&mdash;Os Pinhaes&mdash;Como se conservam; como se augmentam, 350 réis</p>
+
+<p>XXIX&mdash;As Abelhas, 350 réis</p>
+
+<p>XXX&mdash;Ervas más, 340 réis</p>
+
+<p>XXXI&mdash;Jardinagem, 350 réis</p>
+</div>
+
+
+
+
+
+
+
+<pre>
+
+
+
+
+
+End of Project Gutenberg's Eucalyptos e Acacias, by Jaime de Magalhães Lima
+
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+Project Gutenberg-tm work, and (c) any Defect you cause.
+
+
+Section 2. Information about the Mission of Project Gutenberg-tm
+
+Project Gutenberg-tm is synonymous with the free distribution of
+electronic works in formats readable by the widest variety of computers
+including obsolete, old, middle-aged and new computers. It exists
+because of the efforts of hundreds of volunteers and donations from
+people in all walks of life.
+
+Volunteers and financial support to provide volunteers with the
+assistance they need are critical to reaching Project Gutenberg-tm's
+goals and ensuring that the Project Gutenberg-tm collection will
+remain freely available for generations to come. In 2001, the Project
+Gutenberg Literary Archive Foundation was created to provide a secure
+and permanent future for Project Gutenberg-tm and future generations.
+To learn more about the Project Gutenberg Literary Archive Foundation
+and how your efforts and donations can help, see Sections 3 and 4
+and the Foundation web page at https://www.pglaf.org.
+
+
+Section 3. Information about the Project Gutenberg Literary Archive
+Foundation
+
+The Project Gutenberg Literary Archive Foundation is a non profit
+501(c)(3) educational corporation organized under the laws of the
+state of Mississippi and granted tax exempt status by the Internal
+Revenue Service. The Foundation's EIN or federal tax identification
+number is 64-6221541. Its 501(c)(3) letter is posted at
+https://pglaf.org/fundraising. Contributions to the Project Gutenberg
+Literary Archive Foundation are tax deductible to the full extent
+permitted by U.S. federal laws and your state's laws.
+
+The Foundation's principal office is located at 4557 Melan Dr. S.
+Fairbanks, AK, 99712., but its volunteers and employees are scattered
+throughout numerous locations. Its business office is located at
+809 North 1500 West, Salt Lake City, UT 84116, (801) 596-1887, email
+business@pglaf.org. Email contact links and up to date contact
+information can be found at the Foundation's web site and official
+page at https://pglaf.org
+
+For additional contact information:
+ Dr. Gregory B. Newby
+ Chief Executive and Director
+ gbnewby@pglaf.org
+
+
+Section 4. Information about Donations to the Project Gutenberg
+Literary Archive Foundation
+
+Project Gutenberg-tm depends upon and cannot survive without wide
+spread public support and donations to carry out its mission of
+increasing the number of public domain and licensed works that can be
+freely distributed in machine readable form accessible by the widest
+array of equipment including outdated equipment. Many small donations
+($1 to $5,000) are particularly important to maintaining tax exempt
+status with the IRS.
+
+The Foundation is committed to complying with the laws regulating
+charities and charitable donations in all 50 states of the United
+States. Compliance requirements are not uniform and it takes a
+considerable effort, much paperwork and many fees to meet and keep up
+with these requirements. We do not solicit donations in locations
+where we have not received written confirmation of compliance. To
+SEND DONATIONS or determine the status of compliance for any
+particular state visit https://pglaf.org
+
+While we cannot and do not solicit contributions from states where we
+have not met the solicitation requirements, we know of no prohibition
+against accepting unsolicited donations from donors in such states who
+approach us with offers to donate.
+
+International donations are gratefully accepted, but we cannot make
+any statements concerning tax treatment of donations received from
+outside the United States. U.S. laws alone swamp our small staff.
+
+Please check the Project Gutenberg Web pages for current donation
+methods and addresses. Donations are accepted in a number of other
+ways including including checks, online payments and credit card
+donations. To donate, please visit: https://pglaf.org/donate
+
+
+Section 5. General Information About Project Gutenberg-tm electronic
+works.
+
+Professor Michael S. Hart was the originator of the Project Gutenberg-tm
+concept of a library of electronic works that could be freely shared
+with anyone. For thirty years, he produced and distributed Project
+Gutenberg-tm eBooks with only a loose network of volunteer support.
+
+
+Project Gutenberg-tm eBooks are often created from several printed
+editions, all of which are confirmed as Public Domain in the U.S.
+unless a copyright notice is included. Thus, we do not necessarily
+keep eBooks in compliance with any particular paper edition.
+
+
+Most people start at our Web site which has the main PG search facility:
+
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+including how to make donations to the Project Gutenberg Literary
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