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-rw-r--r--27691-h/27691-h.htm5531
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+ <title>Silva Porto e Livingstone</title>
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+ <meta name="AUTHOR" content="Ant&oacute;nio Francisco Ferreira da Silva Porto" />
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+<pre>
+
+The Project Gutenberg EBook of Silva Porto e Livingstone, by
+António Francisco Ferreira da Si Porto
+
+This eBook is for the use of anyone anywhere at no cost and with
+almost no restrictions whatsoever. You may copy it, give it away or
+re-use it under the terms of the Project Gutenberg License included
+with this eBook or online at www.gutenberg.org
+
+
+Title: Silva Porto e Livingstone
+ manuscripto de Silva Porto encontrado no seu espólio
+
+Author: António Francisco Ferreira da Si Porto
+
+Release Date: January 3, 2009 [EBook #27691]
+
+Language: Portuguese
+
+Character set encoding: ISO-8859-1
+
+*** START OF THIS PROJECT GUTENBERG EBOOK SILVA PORTO E LIVINGSTONE ***
+
+
+
+
+Produced by Rita Farinha and the Online Distributed
+Proofreading Team at http://www.pgdp.net (This file was
+produced from images generously made available by National
+Library of Portugal (Biblioteca Nacional de Portugal).)
+
+
+
+
+
+
+</pre>
+
+
+<div>
+<div class="fbox"><b>Nota de editor:</b>
+Devido &agrave;
+exist&ecirc;ncia de erros tipogr&aacute;ficos neste texto,
+foram tomadas v&aacute;rias decis&otilde;es quanto &agrave;
+vers&atilde;o final. Em caso de d&uacute;vida, a grafia foi
+mantida de acordo com o original. No final deste livro
+encontrar&aacute; a lista de erros corrigidos.<br />
+
+<br />
+
+<div style="text-align: right; font-style: italic;">Rita
+Farinha (Jan. 2009)
+</div>
+
+</div>
+
+<br />
+
+<br />
+
+<br />
+
+<br />
+
+<div class="bbox"><br />
+
+<div style="text-align: center;"><span class="smallcaps">Sociedade
+de Geographia de Lisboa</span>
+<br />
+
+</div>
+
+<br />
+
+<h1>
+SILVA PORTO<br />
+
+</h1>
+
+<h2>E<br />
+
+<br />
+
+LIVINGSTONE </h2>
+
+<br />
+
+<br />
+
+<h4>MANUSCRIPTO DE SILVA PORTO </h4>
+
+<h5>
+ENCONTRADO NO SEU ESPOLIO </h5>
+
+<br />
+
+<br />
+
+<div style="text-align: center;"><img style="width: 75px; height: 118px;" alt="" src="images/fig01.png" /><br />
+
+</div>
+
+<br />
+
+<h4>
+LISBOA<br />
+
+<em>Typographia da Academia Real das
+Sciencias</em><br />
+
+1891</h4>
+
+</div>
+
+<br />
+
+<br />
+
+<br />
+
+<br />
+
+<br />
+
+<br />
+
+<br />
+
+<div style="text-align: center;"><span class="smallcaps">Sociedade
+de Geographia de Lisboa</span>
+<br />
+
+</div>
+
+<br />
+
+<h1>
+SILVA PORTO<br />
+
+</h1>
+
+<h2>E<br />
+
+<br />
+
+LIVINGSTONE </h2>
+
+<br />
+
+<br />
+
+<h4>MANUSCRIPTO DE SILVA PORTO </h4>
+
+<h5>
+ENCONTRADO NO SEU ESPOLIO </h5>
+
+<br />
+
+<br />
+
+<div style="text-align: center;"><img style="width: 75px; height: 118px;" alt="" src="images/fig01.png" /><br />
+
+</div>
+
+<br />
+
+<h4>
+LISBOA<br />
+
+<em>Typographia da Academia Real das
+Sciencias</em><br />
+
+1891</h4>
+
+<br />
+
+<br />
+
+<br />
+
+Este trabalho foi encontrado entre os papeis do
+illustre sertanejo portuguez que deram entrada na Sociedade de
+Geographia de Lisboa, depois da morte d'elle.<br />
+
+<br />
+
+Foi escripto no Bih&eacute; em 1868. Conv&eacute;m ter sempre
+em vista esta circumstancia e esta data.<br />
+
+<br />
+
+<br />
+
+<br />
+
+<h3>APONTAMENTOS SOBRE A OBRA </h3>
+
+<h4>
+DO<br />
+
+<br />
+
+EX.<sup>MO</sup> SR. D. JOS&Eacute; DE LACERDA </h4>
+
+<br />
+
+<h3>&laquo;EXAME DAS VIAGENS DO DR. DAVID
+LIVINGSTONE&raquo; </h3>
+
+<br />
+
+<h5>
+POR</h5>
+
+<h5><br />
+
+UM PORTUENSE</h5>
+
+<br />
+
+<br />
+
+<br />
+
+<div class="signature"><span class="smallcaps">Leitor</span></div>
+
+<br />
+
+<br />
+
+Uma das testemunhas avocadas na obra do ex.<sup>mo</sup>
+Sr. D. Jos&eacute;
+de Lacerda, devo explica&ccedil;&otilde;es sobre muitos dos
+seus
+artigos, pois que a recusa d'ellas, seria crime de
+lesa-na&ccedil;&atilde;o, em
+aggravo do bom nome portuguez.<br />
+
+<br />
+
+O reverendo dr. David Livingstone mereceu, sem duvida, a
+cor&ocirc;a que seus concidad&atilde;os lhe votaram pelos
+servi&ccedil;os
+prestados n'estas partes de Africa; no entretanto, for&ccedil;a
+&eacute;
+confessal-o, ella foi desfeita pelo illustre viajante, visto havel-a
+manchado com a pe&ccedil;onha
+da calumnia.<br />
+
+<br />
+
+Quiz chegar aos fins importando-se pouco com os meios.<br />
+
+<br />
+
+Em abril ou maio de 1853, no dia em que teve noticias minhas, um raio
+que lhe cahisse proximo n&atilde;o causaria a
+impress&atilde;o que lhe produziu semelhante nova, porque,
+necessariamente havia de comprehender
+que, mais cedo ou tarde, teria de se achar em face de um competidor,
+obscuro pelo seu fraco talento, sim, mas testemunho vivo de prioridade
+nos mesmos logares em que o dr. se julgava com direito a chamar-se o
+primeiro europeu que os visitou. Ella n&atilde;o me
+pertence inteiramente, &eacute; certo, visto que outras pessoas
+percorreram
+esses mesmos logares antes de mim e muito antes do illustre viajante,
+mas
+pertence-me de facto, pois que essas pessoas eram enviadas por mim,
+existiam, e existem ainda, presentemente, no maior numero, ao meu
+servi&ccedil;o: umas naturaes de Loanda, outras de Golungo-alto,
+outras de Ambaca, outras de Pungo-andongo, outras, finalmente, do
+Bih&eacute;.<br />
+
+<br />
+
+O illustre auctor do <em>Exame</em>
+n&atilde;o tem porventura provado at&eacute; &aacute;
+evidencia que ella pertence desde epocha remota aos portuguezes?<br />
+
+<br />
+
+Mas, modernamente, pelo que me diz respeito, e em
+rela&ccedil;&atilde;o ao illustre viajante, creio
+n&atilde;o estar em erro dizendo que, a
+prioridade no interior do continente Africano &eacute; minha.
+<br />
+
+<br />
+
+<span class="pagenum">[8]</span>
+Para o provar poderia reportar-me &aacute; epocha de 1840; mas como
+n&atilde;o pretendo exaggerar nem sequer allegar
+servi&ccedil;os, trarei unicamente para a arena a data de 1845, da
+primeira viajem ao Lui, muito anterior &aacute;
+appari&ccedil;&atilde;o do illustre viajante e
+seus companheiros, em 1 de agosto de 1849, no lago Ngami, percorrendo
+ent&atilde;o, as pessoas que
+acabo de designar, o Rianbeje em todas as
+direc&ccedil;&otilde;es, como
+adeante terei occasi&atilde;o de mostrar.<br />
+
+<br />
+
+Oppondo muitos nomes &aacute;quelles de que se serve o illustre
+viajante para designar coisas e pessoas, n&atilde;o fa&ccedil;o
+mais do
+que servir-me dos termos empregados pelos indigenas, a fim de designar
+essas mesmas coisas e pessoas, visto que pela maior parte, se forem
+interrogados sobre o assumpto, n&atilde;o obstante darem por
+alguns, outro tanto
+n&atilde;o acontecer&aacute; em rela&ccedil;&atilde;o a
+outros; e nem
+fa&ccedil;o mais do que servir-me da orthographia da minha lingua
+materna, bem assim como o illustre
+viajante usou da liberdade de se servir da sua. Outro tanto
+n&atilde;o direi
+da situa&ccedil;&atilde;o geographica dos logares aqui
+indicados, attendendo a que n&atilde;o
+s&atilde;o marcados com a bussola, mas sim segundo a
+posi&ccedil;&atilde;o em que nasce e se p&otilde;e o sol;
+para me subtrahir a taes inconvenientes
+dirigi a carta que abaixo segue ao illustre viajante, julgando-o
+ent&atilde;o em
+Rinhande.<br />
+
+<br />
+
+Hoje mesmo, que o governo portuguez se delibere a enviar uma pessoa
+pratica nas sciencias naturaes e geographicas, e eu, com muito gosto me
+promptifico a acompanhal-a a todas as paragens d'esta parte da Africa
+para o indicado fim, que ser&aacute; o unico meio de
+p&ocirc;r termo, de uma vez por todas, a invectivas menos justas de
+naturaes e estranhos.<br />
+
+<br />
+
+Eis a carta a que me refiro.<br />
+
+<br />
+
+<table style="width: 100%; text-align: justify; font-size: 95%;" border="0" cellpadding="2" cellspacing="2">
+
+ <tbody>
+
+ <tr>
+
+ <td colspan="2" rowspan="1">
+ <div class="signature">Meu illustre amigo.</div>
+
+ <br />
+
+ <div class="quote1"><em>Bih&eacute;</em>,
+22 de setembro de
+1861.</div>
+
+ <br />
+
+ <br />
+
+Os grandes heroes que a historia proclama, a m&oacute;r parte das
+vezes o s&atilde;o, assolando a terra, e devastando a
+ra&ccedil;a humana. A esses,
+pois, tal titulo significa uma blasfemia! Em identicas circumstancias,
+mas por f&oacute;rma
+diversa, que &eacute; por certo maior gloria, ao vosso zelo,
+perseverante vontade, e &aacute;
+custa de immensos sacrificios a prol das sciencias, e a favor da
+humanidade, ella com
+justi&ccedil;a e verdade, vos ter&aacute; de acclamar de seu
+heroe.<br />
+
+ <br />
+
+Poderei ser t&atilde;o feliz que tenha a dita de vos tornar a
+v&ecirc;r? Se assim se verificar desde j&aacute; ponho a minha
+gente &aacute;s ordens do meu
+illustre amigo, para estas paragens, e n'ellas, ou mesmo para qualquer
+parte que pretenda seguir,
+a minha pessoa fica desde j&aacute; tambem &aacute; sua
+disposi&ccedil;&atilde;o.<br />
+
+ <br />
+
+Assigno-me com toda a considera&ccedil;&atilde;o<br />
+
+ <br />
+
+ <br />
+
+ <br />
+
+ </td>
+
+ </tr>
+
+ <tr>
+
+ <td></td>
+
+ <td style="text-align: center; width: 60%;">De
+V. S.<sup>a</sup><br />
+
+ <br />
+
+Amigo attencioso<br />
+
+ <br />
+
+ <em>Antonio Francisco Ferreira da Silva
+Porto</em></td>
+
+ </tr>
+
+ </tbody>
+</table>
+
+<br />
+
+<br />
+
+<br />
+
+Disse e repito que, o illustre viajante quiz chegar aos fins
+importando-se pouco com os meios; vejamos se assim n&atilde;o
+&eacute;.<br />
+
+<br />
+
+A carta que acabo de transcrever e que lhe dirigi julgando encontral-o
+em Rinhande, &eacute; a confirma&ccedil;&atilde;o plena da
+minha boa vontade,
+<span class="pagenum">[9]</span>
+quando, puz os
+meus bons servi&ccedil;os &aacute; sua
+disposi&ccedil;&atilde;o. A tel-os acceitado, a sua
+miss&atilde;o seria completa, porque eu levava-o, facilmente,
+&aacute;s nascentes dos seguintes rios: Riambeje, Quango, Cubango,
+Cunene, Quanza, e outros que v&atilde;o desaguar no atlantico ao
+sul de
+Loanda at&eacute; Benguella. Regeitou, porque n&atilde;o quiz
+que uma segunda pessoa
+partilhasse tal gloria, muito principalmente sendo essa pessoa estranha
+&aacute; sua nacionalidade; preferiu occupar-se exclusivamente, e
+mais de
+espa&ccedil;o, em pintar com sombrias e carregadas c&ocirc;res,
+o hediondo quadro dos incorrigiveis traficantes de carne humana; da sua
+prioridade no descobrimento do interior do continente Africano, e
+finalmente na
+prega&ccedil;&atilde;o da Biblia, como palavra descida do
+C&eacute;o.<br />
+
+<br />
+
+Deixou o rio Lunga, affluente do Cabombo, e esteve na
+povoa&ccedil;&atilde;o do soba Machico. Devia de saber alli que
+d'esse local &aacute;
+nascente do Riambeje, apenas se contam dez dias de viagem, como affirma
+o actual soba do paiz, que por vezes foi &aacute; ca&ccedil;a
+dos
+elephantes para essas partes; parece-me que valia a pena accrescentar
+esses dias na ambicionada viagem de Loanda, embora se tornasse mais
+demorada, a fim de marcar com precis&atilde;o a latitude e
+longitude da nascente do manancial
+de mais longo curso, conhecido aqui em Africa, se &eacute; que o
+rio
+Cubango se n&atilde;o dirige para o mar, e p&otilde;e termo
+&aacute; sua carreira no
+lago Ngami, como &eacute; a opini&atilde;o do illustre
+viajante. Proseguiu
+&aacute;vante, deixando tudo em trevas, como quer fazer acreditar
+aos olhos do mundo civilisado,
+fazendo-nos passar por inteiramente ignorantes; e note o illustre
+viajante que falo em marcar com precis&atilde;o, e n&atilde;o
+em
+descobrir o que ha muito j&aacute; se acha descoberto.<br />
+
+<br />
+
+Poderia eu dirigir-me &aacute;s nascentes d'esses mananciaes que
+ficam descriptas a fim de que se viesse no conhecimento das suas
+verdadeiras origens, mas attendendo a que a sciencia exige mais alguma
+cousa,
+al&eacute;m de uma simples descrip&ccedil;&atilde;o, por
+este motivo tenho
+desistido da empreza aguardando que de futuro pessoa competente na
+materia, venha resolver o problema.<br />
+
+<br />
+
+Pondo remate a esta minha introduc&ccedil;&atilde;o,
+pe&ccedil;o indulgencia para algumas phrases menos mal cabidas, que
+porventura se encontrem no decurso dos meus apontamentos; mas, sendo
+ellas t&atilde;o
+amiudadas na descrip&ccedil;&atilde;o que o illustre viajante
+nos apresenta,
+seria necessaria a paciencia de um santo para deixar de respostar ao
+p&eacute; da
+lettra.<br />
+
+<br />
+
+<br />
+
+<div class="quote1"><em>Lui</em>, 14 de
+setembro de 1868 </div>
+
+<br />
+
+<br />
+
+<div class="signature"><em>Antonio Francisco
+Ferreira da Silva
+Porto</em></div>
+
+<br />
+
+<br />
+
+<br />
+
+<br />
+
+<br />
+
+Principiaremos pelas nossas coisas, e vem a ser que, tratando o
+illustre auctor do <em>Exame</em> a ps. 12,
+das miss&otilde;es, diz o que segue:<br />
+
+<br />
+
+<br />
+
+<div class="tinyl">&laquo;A
+extinc&ccedil;&atilde;o das ordens religiosas,
+e
+com ella a de todas as miss&otilde;es, foi perda irreparavel para
+as nossas possess&otilde;es africanas, que tanto
+podiam e deviam ter com ellas aproveitado. As funestas consequencias
+est&atilde;o-se
+experimentando, e desde logo tinham de prever-se: de certo, porque de
+todo o ponto
+&eacute; f&oacute;ra de duvida que, miss&otilde;es
+regularmente constituidas, e d'onde hajam a
+esperar-se effectivos e avantajados resultados, s&oacute; por via
+das
+corpora&ccedil;&otilde;es religiosas podem obter-se. O que,
+n'este intuito, podem fazer as corpora&ccedil;&otilde;es
+religiosas, s&oacute; ellas podem fasel-o, porque s&oacute;
+ellas podem preparar, escolher e ter
+&aacute; m&atilde;o, mediante os votos monasticos, os obreiros
+mais competentes; as
+condi&ccedil;&otilde;es t&atilde;o especiaes,
+proporcionadas pelos votos, mormente pelo da obediencia, n&atilde;o
+ha nenhum
+outro modo de serem suppridas. &Eacute; por isso que tanto fizeram
+outr'ora os
+nossos missionarios em uma e outra Africa, e na India, e na America, e
+na China, e no
+Jap&atilde;o, e na Cochinchina, e em toda a parte; e &eacute;
+por isso tambem que
+t&atilde;o pouco t&ecirc;em feito quaesquer outros missionarios
+n&atilde;o pertencentes &aacute;s
+congrega&ccedil;&otilde;es religiosas: estes v&atilde;o
+aonde querem ou aonde podem, aquelles aonde os mandam:
+para estes, tudo s&atilde;o estorvos e trope&ccedil;os, para
+aquelles, sem
+familia, sem bolsa e sem vontade propria, n&atilde;o ha obstaculo,
+porque obdecem: estes hesitam, porque
+deliberam; aquelles obram, porque n&atilde;o carecem de
+resolver-se. etc.&raquo;</div>
+
+<br />
+
+<br />
+
+Assim o creio no que diz respeito &aacute;s miss&otilde;es,
+visto que os missionarios que ent&atilde;o existiam pelas colonias
+nada tinham com a politica
+seguida na metropole, n&atilde;o dizendo outro tanto dos seus
+ultimos tempos em Portugal, porque os factos praticados pelos membros
+de que se compunham as differentes ordens religiosas durante o periodo
+de 1828 a 1833, s&atilde;o de todos conhecidos, e foram o que deram
+causa &aacute; sua extinc&ccedil;&atilde;o. Os ministros
+que representam Jesus
+Christo na terra devem occupar-se unicamente da miss&atilde;o
+sagrada do seu
+ministerio, e n&atilde;o de negocios mundanos, inteiramente em
+desharmonia com
+ella.
+<br />
+
+<br />
+
+<span class="pagenum"><a name="p12">[12]</a></span>
+&Eacute; indubitavel o incremento do nosso poder no interior d'este
+vasto continente, sob a ac&ccedil;&atilde;o das
+miss&otilde;es, e
+a sua decadencia depois da extin&ccedil;&atilde;o d'ellas; o
+Bih&eacute; gozou dos seus beneficos effeitos tendo por
+capit&atilde;o-m&oacute;r Antonio Francisco da
+Concei&ccedil;&atilde;o e Mattos, nomeado
+em 11 de maio de 1791, no governo de Manuel de Almeida e
+Vasconcellos,<sup><a href="#1">[1]</a></sup>
+e a miss&atilde;o dirigida por um barbadinho
+italiano, que
+celebrava os officios Divinos n'uma casa apropriada ao fim, na
+povoa&ccedil;&atilde;o
+do dito Mattos, baptizou grande numero de sertanejos que ao tempo
+existia no paiz, uns naturaes da Europa, e outros do Brazil, outros
+finalmente indigenas, mas todos portuguezes, ministrando egualmente o
+mesmo Sacramento, a grande parte do povo Bihano, o qual, na falta de
+sacerdote no seu territorio, tem por habito receber o baptismo na
+cidade de S. Filippe de Benguella.<br />
+
+<br />
+
+Em 1842 conheci egualmente n'esta cidade o seu vigario (padre Manoel),
+que tambem exerceu o ministerio no Bih&eacute;, e em
+Caconda. A sua benefica influi&ccedil;&atilde;o devia de ter
+chegado
+&aacute;s terras da Lunda, Luvar e Lui, attendendo a que os
+habitantes d'estas regi&otilde;es
+s&atilde;o t&atilde;o sociaveis como o povo Bihano,
+n&atilde;o se podendo dizer outro tanto em
+rela&ccedil;&atilde;o a grande parte da tribu Quimbunda, a que
+pertence a Bihana, visto que os quimbundos se conservam no estado
+primittivo de selvagens, e bem assim a ra&ccedil;a Ganguella, cuja
+familia se pode dizer composta
+de diversas tribus, como aquella.<br />
+
+<br />
+
+Finalmente, venham missionarios para as nossas possess&otilde;es,
+mas missionarios portuguezes. Com o intuito de se reparar o erro, foi
+restaurado o collegio de S. Jos&eacute; do Bombarral, sendo do
+dever do
+governo lan&ccedil;ar vistas para assumpto t&atilde;o
+momentoso, a
+querer que conservemos a importancia que nos compete como
+na&ccedil;&atilde;o de
+grande considera&ccedil;&atilde;o colonial.<br />
+
+<br />
+
+A paginas 30 e 31 o seguinte:<br />
+
+<br />
+
+<div class="tinyl">&laquo;Vou occupar-me do lago
+Ngami, um dos descobrimentos de
+que
+t&atilde;o grande alardo fez o dr. Livingstone. <a href="#e1">No
+capitulo</a>
+3.&ordm; l&ecirc;-se a pag. 65 o seguinte: Doze dias depois que
+nos
+apart&aacute;mos dos wagons em Ngabisane chegamos
+&aacute; extremidade nordeste do lago Ngami; e no 1.&ordm; de
+agosto de
+1849 descemos todos &agrave;
+bacia do lago, e, <em>pela primeira vez</em>, observaram
+europeus este magnifico lan&ccedil;o de agua.&raquo;</div>
+
+<br />
+
+<br />
+
+Sendo interrogado pelo illustre viajante sobre se conhecia o Cubango,
+respondi affirmativamente, ao que retorquiu alimentar o lago
+mencionado; disse eu ent&atilde;o que n&atilde;o omittia
+opini&atilde;o segura, mas que me parecia n&atilde;o limitar-se
+ao lago unicamente, visto ser um
+rio de grandes dimens&otilde;es.<br />
+
+<br />
+
+No dia 22 de maio de 1846 digo o seguinte:
+&laquo;Continu&aacute;mos a viagem, e fomos fazer quilombo nos
+mattos, na margem direita do rio Cutato dos Mangoias. Caminho plano,
+mattos fechados, em partes, em outras despovoado de arvoredo, falta de
+riachos, terreno fertil. Uma hora de marcha distante d'esta paragem,
+existem as nascentes de dois rios caudalosos: Rio Cutato dos Mangoias,
+dirigindo o seu curso para
+<span class="pagenum">[13]</span>
+o norte a desaguar no rio Quanza, e o rio
+Cubango, dirigindo o seu curso para o sul a desaguar no mar para o
+nascente.&raquo;<br />
+
+<br />
+
+Ora, comprehendendo as vertentes d'este grande manancial at&eacute;
+ao lago Ngami, n&atilde;o quero discutir se com effeito
+&eacute; ahi o seu termo, ou se segue &aacute;vante como acabo
+de transcrever no trecho acima
+da minha Viagem, no citado anno, &aacute; cidade de Benguella, o
+que fica
+para ser resolvido por pessoas competentes, mas sim fazer ver que os
+portuguezes de Quilengues, desde antiga data, mantem n&atilde;o
+interrompido commercio pelo interior para o sul e sueste,
+comprehendendo o lago em quest&atilde;o.<br />
+
+<br />
+
+Os portugueses de Caconda, Quingollo, Galangue, e Caquingue,
+s&oacute; mais tarde &eacute; que principiaram de transitar
+para esses mesmos logares; e finalmente os portuguezes do
+Bih&eacute;; todas as paragens do
+interior d'este vasto continente, desde antiga data, e at&eacute;
+ao
+presente teem sido, e s&atilde;o por elles percorridas em
+n&atilde;o
+interrompido commercio com os indigenas. Em virtude do que,
+n&atilde;o teem
+raz&atilde;o de ser a pretens&atilde;o do illustre viajante
+&aacute; descoberta do
+lago, visto que em setembro de 1841, achando-me na cidade de Benguella,
+ahi encontrei j&aacute; grande movimento commercial para as terras
+que acabo de
+designar: e para que parte seguiriam essas fazendas, a n&atilde;o
+ser para
+esses logares que ficam indicados? Regressando ao Bih&eacute;
+n'esse mesmo mez e anno, o mesmo presenciei, e para que parte seguiria
+esse commercio, a n&atilde;o ser para o Ribebe, e terras
+circumvisinhas,
+Ganguellas, Luvar e Lunda, onde a concorrencia era immensa para cera,
+marfim e escravos, mas com especialidade para estes ultimos, pelas
+grandes vantagens que ent&atilde;o se davam, mas que tinham de ter
+termo como todas as cousas o teem n'este vae-vem terrestre? E a
+concorrencia continuou de affluir &aacute; terra da Lunda, depois
+d'elle; porque
+n&atilde;o obstante a extinc&ccedil;&atilde;o do trafico,
+sempre foi um grande mercado de marfim, explorado de antiga data pelo
+povo de Cassange; da mesma sorte a terra j&aacute; citada do Ribebe
+e circumvisinhas, situadas nas vertentes
+do Cubango; em identicas circumstancias as terras da grande familia
+Ganguella sob diversas denomina&ccedil;&otilde;es, que
+n&atilde;o
+obstante a extinc&ccedil;&atilde;o do trafico, sempre se
+tornaram uns grandes mercados de cera, n'umas, e d'este mesmo producto
+e marfim, egualmente, em outras. Finalmente, temos as diversas terras
+da grande familia Quimbunda, tambem sob diversas
+denomina&ccedil;&otilde;es, cujo commercio consta
+unicamente de escravos, e que em virtude da sua visinhan&ccedil;a
+ao litoral, sempre foram
+habitadas, de antiga data, por europeus que n'ellas fixaram residencia,
+e hoje por seus filhos, netos e bisnetos, sobrepujando a todas, a terra
+do Bih&eacute;, grande centro de todo o commercio do interior, na
+epocha em que o trafico era licito, e annos depois por contrabando
+at&eacute;
+1845. Ellas n&atilde;o bastavam a abastecer o mercado do litoral, e
+os sertanejos &aacute;
+porfia procuravam e percorriam as terras que acabamos de designar para
+o indicado fim: acabado o trafico hediondo da escravatura, pelos
+principios philantropos e humanitarios, assim chamados, s&atilde;o
+da mesma
+f&oacute;rma procuradas as terras do interior, onde apparece a cera
+e o marfim.<br />
+
+<br />
+
+Que fosse pois at&eacute; essa epocha, que o illustre viajante nos
+quizesse expor &aacute; censura geral como entes desmoralisados,
+v&aacute;: advertindo que,
+<span class="pagenum"><a name="p14">[14]</a></span>
+ainda lhe restava a
+presump&ccedil;&atilde;o do parallelo entre
+portuguezes e inglezes; considerando que estes depois do aprisionamento
+de qualquer navio negreiro, conduziam os desgra&ccedil;ados
+africanos para as
+suas possess&otilde;es, e n&atilde;o os vendiam por toda a
+vida, e por pre&ccedil;os
+fabulosos, como faziam os infames contrabandistas, mas sim por uma
+modica quantia e por um determinado espa&ccedil;o de tempo no fim
+do qual,
+o filho de Africa se tornava livre!<br />
+
+<br />
+
+Mas presentemente, e tanto de espa&ccedil;o tratar de uma
+quest&atilde;o que se p&oacute;de dizer extincta, parece
+incrivel que a tanto se
+aventurasse!<br />
+
+<br />
+
+Esteve no meu estabelecimento em Catongo: quantas correntes cheias de
+infelizes encontrou?<br />
+
+<br />
+
+Se tal se desse teria materia de sobejo para um volume.<br />
+
+<br />
+
+E se me desviei do assumpto que me tinha proposto, de mostrar a
+prioridade dos portuguezes no lago Ngami, assim era de necessidade a
+fim de mostrar que para a permuta&ccedil;&atilde;o de
+escravos n&atilde;o era necessario sahir de territorio Quimbundo do
+anno de 1845 por deante.<br />
+
+<br />
+
+A paginas 62 sobre a mosca
+<em>tse-tse</em>,&#8213;os Macorrollos
+d&atilde;o-lhe a denomina&ccedil;&atilde;o de <em>Zeze</em>,
+o povo Lui
+d&aacute;-lhe a denomina&ccedil;&atilde;o de
+<em>Madinda</em>, e finalmente, o povo Bihano
+d&aacute;-lhe a
+denomina&ccedil;&atilde;o de
+<em>Bisumangalla</em> ou <em>Apopullo</em>,&#8213;eis
+o que digo a respeito
+d'este insecto damninho, no dia 26 de junho de 1853:<br />
+
+<br />
+
+&#8213;&laquo;Continu&aacute;mos a viagem, e fomos fazer quilombo
+nos mattos, logar denominado Maranhati. Caminho plano, mattos fechados,
+terreno fertil, legoas andadas 6, rumo de sul.<br />
+
+<br />
+
+&laquo;Encontr&aacute;mo-nos com tres <a href="#e2">grandes
+manadas</a> de gado, que se dirigiam com destino a Quiceque
+e Rinhande, tendo sahido poucos dias antes da minha partida da capital
+do Lui. Seguiam pois os conductores munidos de escudos e azagaias,
+pelos lados do gado, este, formando o centro, carregando, sobre a
+cabe&ccedil;a, e ligado entre a
+arma&ccedil;&atilde;o, os couros preparados, e que servem de
+cobertura aos mesmos pastores; seguindo manso e vagaroso, o som do
+apito de um unico pastor como guia, na sua frente: os chefes da
+comitiva seguiam por ultimo, para que n&atilde;o se desgarrasse
+alguma crea&ccedil;&atilde;o.
+<br />
+
+<br />
+
+&laquo;Quando chegam na margem de alguma lagoa ou rio, tiram os
+couros que o gado conduz, e este principia de pastar, isto pelo
+espa&ccedil;o de duas horas, pouco mais ou menos, tempo em que o
+geral do povo se entrega a tomar tabaco, a fumar, a comer, e finalmente
+ao
+descan&ccedil;o; e, ao cabo de cujo espa&ccedil;o tornando de
+p&ocirc;r os
+utensilios em cima dos animaes, continuam a marcha encetada, que, no
+maior rigor,
+n&atilde;o excede j&aacute;mais a cinco horas diariamente,
+excepto por certas e
+determinadas paragens, nas quaes se torna indispensavel a marcha
+nocturna, em consequencia de uma mosca de mordedura venenosa que, sendo
+em grande abundancia se torna o flagello (do gado) visto seguir-se a
+morte
+ao cabo de determinado periodo. Por estas paragens &eacute;
+denominada de Zeze, e pelos bihanos de Bisumangalla; &eacute; um
+pouco mais
+comprida que a mosca ordinaria, mas muito mais dura de pelle, pois que
+para se matar &eacute; necessario pizal-as com os p&eacute;s,
+bem
+assim, andar o viajante munido de ramos nas m&atilde;os para as
+afugentar do corpo, pelos
+mesmos logares
+&laquo;Quando chegam na margem de alguma lagoa ou rio, tiram os
+couros que o gado conduz, e este principia de pastar, isto pelo
+espa&ccedil;o de duas horas, pouco mais ou menos, tempo em que o
+geral do povo se entrega a tomar tabaco, a fumar, a comer, e finalmente
+ao
+descan&ccedil;o; e, ao cabo de cujo espa&ccedil;o tornando de
+p&ocirc;r os
+utensilios em cima dos animaes, continuam a marcha encetada, que, no
+maior rigor,
+n&atilde;o excede j&aacute;mais a cinco horas diariamente,
+excepto por certas e
+determinadas paragens, nas quaes se torna indispensavel a marcha
+nocturna, em consequencia de uma mosca de mordedura venenosa que, sendo
+em grande abundancia se torna o flagello (do gado) visto seguir-se a
+morte
+ao cabo de determinado periodo. Por estas paragens &eacute;
+denominada de Zeze, e pelos bihanos de Bisumangalla; &eacute; um
+pouco mais
+comprida que a mosca ordinaria, mas muito mais dura de pelle, pois que
+para se matar &eacute; necessario pizal-as com os p&eacute;s,
+bem
+assim, andar o viajante munido de ramos nas m&atilde;os para as
+afugentar do corpo, pelos
+mesmos logares onde se tornam abundantes.
+<br />
+
+<br />
+
+<span class="pagenum">[15]</span>
+&laquo;Verificada a occasi&atilde;o da marcha nocturna, um
+pastor na frente, servindo de guia, e tangendo uma frauta, o mais povo
+dos lados, e na retaguarda os chefes com ti&ccedil;&otilde;es
+accesos, fecham o
+sequito de uma numerosa manada de gado; logo que chegam no logar
+destinado para o curral, este &eacute; feito n'um momento, de paus
+e ramos das
+arvores, que cortam para o indicado effeito: no centro repousa o gado,
+em
+circulo, e encostado ao cerco o mais povo da comitiva para evitar
+qualquer assaltada do rei das selvas, e em virtude do que
+n&atilde;o deixam
+de velar continuamente.&raquo;<br />
+
+<br />
+
+N'essa occasi&atilde;o, levando a cavalgadura do meu uso, por me
+livrar de um excesso, vim a cahir no excesso contrario: livrei-me de
+um, deixando de costear o Riambeje por causa dos rios seus affluentes
+que for&ccedil;osamente tinha de passar em canoas, e cuja passagem
+se
+tornava perigosa para ella; deixando por esse motivo de visitar a
+catarata Chungo ou Mosioatunia cuja descoberta ent&atilde;o teria a
+regalia
+de disputar ao illustre viajante, mas n&atilde;o assim aos meus
+concidad&otilde;es, fosse qual fosse a sua c&ocirc;r e
+condi&ccedil;&atilde;o;&#8213;comtudo,
+visitei-a mais tarde como terei occasi&atilde;o de mostrar&#8213;e
+cahindo por consequencia no excesso
+contrario por causa da mosca de que acabo de falar, visto que fui
+obrigado a deixar ficar a cavalgadura no dia 30 d'esse mesmo mez e
+anno, n'uma das povoa&ccedil;&otilde;es do povo Guete, fazendo
+por tal
+motivo a jornada a p&eacute; d'esse local para Rinhande, e
+vice-versa, para o que me n&atilde;o
+achava preparado.<br />
+
+<br />
+
+A paginas 71 o seguinte:<br />
+
+<br />
+
+<br />
+
+<div class="tinyl">&laquo;Contando-nos a sua marcha
+para o interior do continente
+africano, e o seu encontro com Sebituane, celebre chefe indigena, em o
+esbo&ccedil;o
+que desveladamente d'elle nos bosquejou, diz o dr. Livingstone:
+&laquo;Tendo
+conquistado todas as convisinhan&ccedil;as do lago Kumadau (<em>Mculadau</em>),
+ouvio
+fallar dos homens brancos, que viviam na costa occidental; e esporeado
+pelo que parece ter sido o sonho de
+toda a sua vida, o desejo de abrir communica&ccedil;&atilde;o
+com os
+brancos, passou ao sudoeste.&raquo; Mais adeante se l&ecirc;:
+&laquo;Sebituane
+(<em>Xabitane?</em>) formou o designo de
+descer o Zambeze at&eacute; &aacute;s terras dos homens
+brancos. Tinha a
+id&eacute;a fixa, que <em>n&atilde;o sei d'onde
+lhe viera</em>, de que, se possuisse uma pe&ccedil;a de
+artilharia, lhe seria possivel viver em paz. Sebituane passara a vida
+na guerra, e todavia ninguem mostrava
+desejar a paz tanto como elle. Um propheta o persuadiu a voltar de novo
+para
+oeste. Aquelle homem, por nome Tlapano, era chamado
+&laquo;Senoga&raquo;, isto
+&eacute;, que trata com deuses... Tlapano apontando para o oriente,
+exclamou: Alli, Sebituane, vejo fogo:
+evita-o: &eacute; fogo que pode abrazar-te. Os deuses dizem que
+n&atilde;o vas alli.&raquo; Voltando-se para o oeste, exclamou:
+&laquo;Vejo uma cidade e uma
+na&ccedil;&atilde;o de homens negros, homens da agua: o seu
+gado &eacute; vermelho: a tua tribu est&aacute;
+a acabar, e toda ser&aacute; destruida: tu has de governar os
+homens negros, e depois que os teus guerreiros
+tiverem captivado o gado vermelho, n&atilde;o consintas que os
+donos d'elle
+sejam mortos. S&atilde;o elles a tua futura tribu, elles
+h&atilde;o de formar a tua cidade.
+Sejam poupados, para que te obriguem a edifical-a. E tu, Ramosini, sabe
+que a tua
+ald&ecirc;a ser&aacute; totalmente arruinada. Se Mokari se
+apartar d'aquella ald&ecirc;a elle
+perecer&aacute; primeiro, e tu, Ramosini, perecer&aacute;s ao
+depois.&raquo; Com respeito a
+si proprio accrescentou. &laquo;Os deuses foram causa de que outros
+homens tivessem agua para beber;
+por&eacute;m a mim s&oacute; me concederam a pessima bebida do
+chakuru
+(rhinoceros.) Chamam-me para si. N&atilde;o posso demorar-me
+mais.&raquo;</div>
+
+<br />
+
+<br />
+
+<span class="pagenum">[16]</span>
+Disse que para provar a nossa prioridade ao illustre viajante, traria
+unicamente para o caso a data de 1845 da primeira viagem ao Lui, o que
+passo a demonstrar.<br />
+
+<br />
+
+A minha perigrina&ccedil;&atilde;o por estas paragens data de
+1840, tendo partido da Cidade de S. Paulo
+d'Assump&ccedil;&atilde;o de
+Loanda; por&eacute;m em 1841, dirigindo-me &aacute; cidade de
+S. Filippe de Benguella, como
+j&aacute; tive tambem occasi&atilde;o de dizer, os meus
+commissionados dirigindo-se pelas
+terras do interior que ficam designadas, passavam e repassavam o
+Riambeje, no dominio da Lunda, e nas terras dos Ganguellas; o ponto a
+que se dirigiam era para a terra do Lutembo, povo ass&aacute;s
+turbulento,
+e mescla das tribus Bunda e Zambueira, com o intuito de se obter
+passagem para a terra do Lui, j&aacute; de grande nomeada pelas
+amiudadas
+incurs&otilde;es que fasia o seu povo &aacute;s terras
+circumvisinhas a fim de se
+assenhorear do gado que na epocha abundava por todas. Eram taes as
+maravilhas que circulavam d'esta California em prespectiva, que se
+tornava
+necessario l&aacute; chegar, fossem quaes tivessem de ser os
+sacrificios a
+fazer.<br />
+
+<br />
+
+O soba Cabitta, ent&atilde;o senhor da dita terra, ou porque
+quizesse o exclusivo do mercado do marfim que negociava com o soba do
+Lui (Cacoma Mulonga ou Sanduro), e permutava com sertanejos do
+Bih&eacute;, semelhantemente ao Jaga de Cassange, com o
+Matiamvo,&#8213;ou receioso de ser aggredido mais amiudadamente depois de
+franqueado o caminho aos da mesma procedencia, &eacute; certo que
+sempre se recusou a
+prestar o seu consenso; por&eacute;m no anno de 1845, mediante
+extors&otilde;es inauditas, e a clausula de dois empregados que
+foram constrangidos de ficar comprando os generos por pre&ccedil;os
+fabulosos, foram abertas as
+portas de par em par &aacute; comitiva para a terra da
+promiss&atilde;o, e obtida esta primeira conquista, restava ainda
+outra de n&atilde;o menos
+difficil empenho e vinha a ser o p&ocirc;r termo as excessos do
+senhor de Lutembo,
+visto que as extors&otilde;es se foram grandes na ida, se tornaram
+muito
+maiores no regresso, exigindo-se dentes de marfim como tributo da
+passagem concedida para o Lui.<br />
+
+<br />
+
+Prompta, pois, a comitiva para a partida, recommendei ao seu chefe,
+Francisco Monteiro da Fonseca, um diario da dita viagem, e bem assim,
+procurar por todos os meios ao seu alcance, passagem para o Lui que
+n&atilde;o fosse a da terra j&aacute; citada.<br />
+
+<br />
+
+No anno de 1847, na segunda viagem &aacute; dita terra, eis o que
+digo a este respeito:<br />
+
+<br />
+
+&laquo;A terra do Lui propriamente dita, &eacute; habitada
+presentemente pelo povo Genge, (synonymo de audacioso, posto pelos
+indigenas aos
+Macorrollos, e pelo qual se ficou denominando o paiz,) o qual se
+assenhoreou do paiz pela imbecillidade do soba Riumbo, antigo senhor do
+mesmo. Este se bem que tarde conhecesse a sua fraqueza,
+j&aacute;mais quiz ser tributario d'aquelles a quem o havia
+entregue, e por esse motivo, expatriando-se, com parte do seu povo, se
+veiu refugiar n'esta terra denominada Locullo, antigamente sua
+tributaria, e hoje sua
+c&ocirc;rte, denominada Lui. O soba Riumbo tem seguros sessenta
+annos de idade, e n&atilde;o obstante a mesma, ainda n&atilde;o
+dep&ocirc;z
+as armas de guerreiro, pois se tarde conheceu a sua fraqueza entregando
+o paiz aos seus inimigos; presentemente n&atilde;o lhes tem cedido
+um palmo de terra.
+&Eacute; paiz de grande
+<span class="pagenum">[17]</span>
+extens&atilde;o, com immensas terras que lhe s&atilde;o
+tributarias, cujos sobas seguidos do seu povo, annualmente vem prestar
+tributo ao soba Riumbo, com os seguintes generos: marfim, escravos,
+canoas, pelles de todas as qualidades, mantimentos, carnes de
+ca&ccedil;a, peixe, mel e
+sal; n&atilde;o ha gado domestico de especie alguma, visto que o
+possuido antigamente, ficou em poder do povo Genje; a unica
+crea&ccedil;&atilde;o
+domestica que possuem s&atilde;o gallinhas.<br />
+
+<br />
+
+&laquo;&Eacute; pois este povo, d'entre o geral do gentio, de
+costumes simples e n&atilde;o corrompidos; o unico instincto que
+possuem &eacute;
+o de Deus e nada mais: usam trajar pelles dos differentes animaes
+bravios, as quaes
+s&atilde;o por elles mui bem preparadas; as suas armas,
+s&atilde;o: arcos e
+frechas, lan&ccedil;as curtas e compridas.&raquo;<br />
+
+<br />
+
+Pelo que diz respeito ao soba Cabitta, as coisas continuaram da mesma
+f&oacute;rma, e relativamente a buscar differente caminho,
+n&atilde;o foi possivel persuadir os Bihanos para tal fim.<br />
+
+<br />
+
+No anno de 1849, da terceira viagem, falleceu o soba Riumbo,
+succedendo-lhe seu primogenito Machico, e de cujo acontecimento nenhum
+damno resultou para os viajantes, attendendo &aacute; boa indole do
+povo, e attendendo egualmente ao estylo seguido alli
+tambem:&#8213;<em>Morreu o rei: Viva o rei</em>.&#8213;pois que o
+defunto soba
+n&atilde;o passa al&eacute;m de vinte e quatro horas insepulto,
+e o herdeiro j&aacute; existe
+occupando o seu logar, passando por consequencia o acontecimento
+desapercebido como qualquer outro.<br />
+
+<br />
+
+As extors&otilde;es do soba Cabitta, j&aacute; para com as
+pessoas da comitiva, j&aacute; para com dois empregados que de
+rigor eram obrigados de
+ficar, como tive occasi&atilde;o de dizer, continuavam da mesma
+maneira,
+dando logar n'esta occasi&atilde;o a ter eu de lan&ccedil;ar
+m&atilde;os das armas para repellir do quilombo o dito soba e a
+turba de que se fazia acompanhar a fim de lhes infundir respeito aos
+viajantes; para evitar taes disturbios
+aquelles se fitavam mutuamente, concorrendo cada um com o peculio
+indispensavel,
+e em propor&ccedil;&atilde;o das fazendas que cada contribuinte
+recebia da minha m&atilde;o, e depois de entregue, segundo o
+pre&ccedil;o
+imposto pelo insaciavel e turbulento soba, e de bem examinados todos os
+objectos, respondia este: <em>agora sim, est&atilde;o
+desempedidos; podem
+seguir viagem quando quizerem</em>.<br />
+
+<br />
+
+No entretanto, estes vexames n&atilde;o eram praticados unicamente
+na ida; no regresso, apresentava-se o licencioso soba no quilombo
+exigindo
+dentes de marfim de tributo, e segundo o que cada pessoa conduzia,
+visto que assistindo &aacute; passagem da comitiva no rio Lutembo,
+em cuja margem esquerda se acha situada a libata grande, que vem a ser
+a povoa&ccedil;&atilde;o principal ou chefe da terra, contava e
+recontava as cargas de marfim que do porto eram conduzidas para o
+abarracamento, dizendo sem rebu&ccedil;o em tal acto, que era para
+que o n&atilde;o
+enganassem; tornava-se necessario p&ocirc;r termo a taes
+excessos, mas, como
+vamos v&ecirc;r, a um acaso providencial se deve semelhante
+successo.<br />
+
+<br />
+
+No anno de 1850, da quarta viagem, ainda o soba Cabitta gozou na ida da
+comitiva o direito de passagem, por&eacute;m chegando
+ella na margem direita do Riambeje, como era de costume dispararam-se
+as armas a fim de dar aviso da chegada de hospedes na terra, e a cujo
+<span class="pagenum">[18]</span>
+signal de prompto acudiam os
+canoeiros; o silencio n'esta
+occasi&atilde;o, bem assim no dia seguinte, foi a resposta que os
+viajantes obtiveram; acto continuo formaram conselho sobre o que
+restava a fazer, e o
+accordo foi geral de que Machico tinha sido guerreado pelos intrusos
+visinhos, e por consequencia havia mudado de local, e ent&atilde;o
+que se devia descer o rio com o intuito de se entabolar
+negocia&ccedil;&otilde;es com o chefe dos Macorrollos; para
+este effeito deram ca&ccedil;a a dois
+pretos da tribu Nhengo, que depois de presos para n&atilde;o
+fugirem,
+serviram de guias &aacute; comitiva at&eacute; &aacute;s
+povoa&ccedil;&otilde;es de Ribonda, ao noroeste do Riambeje, e
+situadas na sua margem direita, onde, depois de postos em liberdade e
+gratificados, regressaram ao logar da sua nacionalidade.<br />
+
+<br />
+
+Por ordem do chefe do local foi a comitiva impedida, julgando-a povo de
+invasores, at&eacute; ulterior decis&atilde;o da libata
+grande do paiz, para onde tinham seguido emissarios com a
+participa&ccedil;&atilde;o
+da sua chegada, regressando ao cabo de dois dias com outros enviados do
+soba, a fim de a conduzir para o local que lhe era indicado para fazer
+o
+estabelecimento, ou Quibango, como o denominam na lingua Bihana, em
+frente a Nariere, ent&atilde;o corte do povo Macorrollo no Lui.<br />
+
+<br />
+
+Esta povoa&ccedil;&atilde;o ficou inteiramente deshabitada
+depois da revolu&ccedil;&atilde;o de setembro de 1864, que
+elevou ao poder Hipopa, actual senhor do paiz, e ultimo filho de Cacoma
+Mulonga ou Sanduro, muito conhecido do illustre viajante, visto que
+esteve ao seu servi&ccedil;o por
+concess&atilde;o de Hiquereto, ent&atilde;o sob o nome de
+Lutango.<br />
+
+<br />
+
+Recebeu o chefe da comitiva &aacute; sua chegada no local, um dente
+grande de elephante, um boi, e grande por&ccedil;&atilde;o de
+mantimento, e no dia seguinte, seguida dos seus companheiros,
+apresentou-se em Nariere, que, como era de esperar, estava
+litteralmente apinhada de povo, avido sempre de novidades.<br />
+
+<br />
+
+Na pra&ccedil;a, ou centro da povoa&ccedil;&atilde;o,
+Hebitane; Pepe, seu logar-tenente no Lui; Hiquereto, seu filho e
+successor, pastoreando ent&atilde;o
+o gado n'esse tempo; Borollo, seu irm&atilde;o;
+inclusiv&egrave;
+as pessoas do sexo masculino da familia, e mais optimatos da tribu
+assentados em bancos rasos a curta distancia da residencia do soba; os
+viajantes proximos, e a turba na pra&ccedil;a se achava apinhada,
+como j&aacute;
+disse, assentada no ch&atilde;o; sendo recommendado silencio,
+levantou-se o chefe da
+comitiva, e no idioma Ganguella deu conta de todas as particularidades
+relativas &aacute; viagem; da terra da sua naturalidade; por quem
+eram
+enviados, e finalmente as suas inten&ccedil;&otilde;es de
+manter
+rela&ccedil;&otilde;es de amizade com o chefe do paiz, o que
+foi transmittido a Pepe, e este, acto continuo,
+passou a transmittir a Hebitane, o qual respondeu achar-se de accordo,
+visto serem esses os seus desejos.&#8213;&laquo;A Quiceque, disse elle,
+chegaram Macuas do Oriente, apontando para o indicado ponto, (No dia 12
+de
+mar&ccedil;o de 1853 falo d'esta gente, procedente de Inhambane ou
+talvez de
+Quelimane), mas havendo-se retirado, n&atilde;o teem regressado.
+Por
+differentes vezes, continuou elle, tenho ouvido falar de Macuas do
+Occidente em Locullo, sem que se apresentassem no local, o que tinha
+dado logar a mandar guerrear Machico, a fim de v&ecirc;r, se,
+continuariam de o
+procurar, ou ent&atilde;o se vinham ao local como acabava de se
+realisar, e
+por cujo successo todos se deviam congratular.&raquo;
+<br />
+
+<br />
+
+<span class="pagenum">[19]</span>
+Findo o que, teve logar a entrega de presentes, mutuamente, e o
+dispersar de actores e espectadores para seus logares; e agora, que o
+soba Cabitta desappareceu da scena, visto que morreu em 1854, e visto
+egualmente que d'elle nos n&atilde;o tornaremos a occupar, porque a
+comitiva na torna viagem passou pela terra do Cutti: permitta-me o
+leitor que desviando-me do assumpto, relate um caso que tem
+rela&ccedil;&atilde;o com uma heroina, m&atilde;e d'este
+mesmo soba fallecido, e em cuja
+familia &eacute; innato o despeito.<br />
+
+<br />
+
+No dia 30 de maio do corrente anno, na margem direita do rio Cubangui,
+emissarios de Muene Gambo ou Muene Calunga, (a m&atilde;e
+de Cabitta) me vieram da sua parte pedir um dia de demora no local, a
+fim de fazer negocio do dente direito de um elephante, e de cujo animal
+j&aacute; tinha comprado o dente esquerdo na cabeceira do dito rio;
+respondendo affirmativamente, esperei, e eis o que digo a este
+respeito:<br />
+
+<br />
+
+&#8213;&laquo;<em>31 de maio de 1868.</em>
+Pelas duas horas da tarde chegou Muene Gambo com uma comitiva excedente
+a duzentas pessoas, n&atilde;o
+trazia marimbas, mas trazia os tambores que &eacute; de uso fazer
+concerto
+com os ditos instrumentos, e o indispensavel farcista ao estylo do
+Luvar e da Lunda, cujo unico servi&ccedil;o consiste em ser
+varredor, fazer
+visagens, e repetir continuamente a sauda&ccedil;&atilde;o
+usual do dito
+povo: <em>Averi&eacute;!
+Averi&eacute;!</em><br />
+
+<br />
+
+&laquo;Tendo feito alto f&oacute;ra do quilombo, (arraial), dei
+ordem para que fosse introduzida, e hospedada n'uma barraca que lhe
+tinha destinado, e depois de haver descan&ccedil;ado algum tempo,
+mandei
+comprimental-a, e saber se queria fazer negocio do dente de marfim, que
+j&aacute; a
+tinha precidido; respondeu negativamente, dizendo que: o seu
+canca&ccedil;o era grande, em virtude da jornada que
+j&aacute; n&atilde;o
+comportava a sua edade; e em presen&ccedil;a de semelhante
+decis&atilde;o, lhe mandei dar
+algumas gallinhas, carne de vacca secca, e farinha de massango, para o
+seu jantar:
+concluido este dever, tratei egualmente de apromptar os generos
+necessarios para o negocio em quest&atilde;o, a fim de estar
+prevenido para o
+dia seguinte.<br />
+
+<br />
+
+&laquo;Frio, e vento forte de Nordeste.&raquo;<br />
+
+<br />
+
+&laquo;<em>1.&ordm; de junho.</em> Eram oito
+horas quando mandei comprimentar Muene Gambo, e saber se estava
+disposta a tratar do negocio,
+apresentou-se pessoalmente com seis dos seus macotas (conselheiros),
+fazendo-me v&ecirc;r que, o seu fim tinha por objecto conhecer-me,
+e o dente de marfim, era presente que me fazia: retorqui agradecendo a
+visita; e dizendo que n&atilde;o tinha por habito receber presentes
+de
+valia, e ent&atilde;o seria melhor tratarmos do negocio, attendendo
+a que se n&atilde;o
+daria mal. Com effeito, sendo esta gente bastante impertinente em
+assumptos de mutua troca, com esta velhinha ainda robusta, eram nove
+horas quando o negocio estava concluido, muito a seu contento e dos
+seus
+conselheiros, jurando ella que de futuro, cera ou marfim que lhe fosse
+possivel obter, teria o cuidado de conservar a fim de me ser enviado
+para o dito effeito; n&atilde;o necessitando dizer que, o direito
+de
+passagem que teria a fazer ao seu subdito Muene Camgamba, (soba do
+local, mas que nada recebe de tributo dos viajantes, em virtude de
+n'elle vir
+situar muito posteriormente &aacute; passagem de comitivas para
+Lui) o fiz
+a ella em mais avultado quinh&atilde;o, mas n&atilde;o exigido,
+e
+dado com muito gosto.
+<br />
+
+<br />
+
+<span class="pagenum">[20]</span>
+&laquo;Esta mulher deve com effeito ufanar-se da sua existencia,
+visto que tem sido m&atilde;e de treze filhos que por seu turno
+reinaram
+em diversas partes, sendo, seis do sexo masculino, e sete do sexo
+feminino, existindo apenas Chiella sua filha, actualmente em Cangilla,
+e
+av&oacute; do actual soba da dita terra, de que falei a 22 do mez
+proximo findo; presentemente ent&atilde;o governando os seus netos
+e bisnetos de
+ambos os sexos, sendo os seguintes de maior
+considera&ccedil;&atilde;o: Soba Liatto no
+Lungu&eacute;bungo, de quem &eacute; feudatario o soba da terra
+de Muatamjamba; sobas das terras de Cangilla, Gonga e Lutembo; o
+celebre Catongotongo, hoje situado proximo das vertentes do rio Cutti,
+tambem &eacute;
+seu neto.<br />
+
+<br />
+
+&laquo;Concluindo, direi que, Muene Gambo tem para mais de oitenta
+janeiros, estatura baixa, e refor&ccedil;ada de corpo; cabellos
+brancos, cheios de missanga branca grossa, entretecida de maneira a
+dar-lhe
+&aacute; cabe&ccedil;a a apparencia de coberta com um capacete.
+Uma especie de baculo de canna, de que ha abundancia nos bosques da
+Lunda, imitante a canna da India, lhe servia de arrimo; trajava pannos
+de zuarte, e sobre o hombro direito, trazia um especie de
+enx&oacute; bastante
+enfeitada. Notei que tinha o passo firme, n&atilde;o obstante a sua
+avan&ccedil;ada edade; e, como acabo de dizer, eram nove horas
+quando o negocio estava concluido; depois de nos haver-mos despedido,
+dei ordem para alevantar a comitiva.
+Continu&aacute;mos a viagem, pass&aacute;mos o rio
+Cubangu&iacute;*, e proseguindo a marcha, fomos entrar no quilombo
+sito na sua margem esquerda, onde nos encontr&aacute;mos a 14 de
+novembro do anno passado, eu, e
+o meu amigo Bonifacio Jos&eacute; Rasquete.<br />
+
+<br />
+
+Tempo frio e vento forte de Nordeste.&raquo;<br />
+
+<br />
+
+Agora, voltando ao assumpto de que me tinha desviado, direi que da
+quinta viagem no anno 1852, est&aacute; o illustre viajante
+bastante ao facto, visto que n'ella tive a honra de o conhecer, o que,
+hoje, em
+virtude do que se tem dado julgo que melhor f&ocirc;ra se
+n&atilde;o
+tivesse realisado. O illustre viajante sabe perfeitamente que a
+ingratid&atilde;o
+&eacute; uma dama que causa tedio! Quanto melhor n&atilde;o
+f&ocirc;ra que
+tivesse tratado simples e puramente da sua viagem no interior d'este
+continente?
+deixasse viver em paz os pobres traficantes? n&atilde;o tratasse
+tanto de
+uma ephemera superioridade, que hoje eleva para amanh&atilde;
+abater? e
+finalmente tratasse mais da Biblia, como palavra descida do
+c&eacute;o...<br />
+
+<br />
+
+Hebitane, tinha tido conhecimento de viajantes portuguezes do Oriente e
+do Occidente, muito tempo antes do illustre viajante
+p&ocirc;r p&eacute;s em territorio africano. Os primeiros
+vieram a Quiceque, e os segundos faziam parada em Locullo, apenas a
+cinco dias de distancia de Nariere, como j&aacute; tive
+occasi&atilde;o de dizer; que sejam
+classificados de negociantes, sertanejos, ou <em>mambari</em>,
+(&aacute;parte a c&ocirc;r) isso pouco importa. O illustre
+viajante &eacute; conhecido commummente pelo seu nome:&#8213;O Reverendo
+Dr. David Livingstone,&#8213;mas entre os indigenas simplesmente pelo
+appellido de <em>Monare</em>; a
+pe&ccedil;a de artelharia, encommenda de Habitane, na
+occasi&atilde;o da retirada dos meus empregados, e que mandei
+vir de Lisboa, teve-a seu herdeiro no poder, mais tarde, isto
+&eacute;, em
+1854, mas o destino que lhe deu, foi o de a mandar refundir para
+manilhas dos bra&ccedil;os e pernas, visto que era de bronze, e
+pouco menos de calibre um;
+<span class="pagenum">[21]</span>
+o mesmo destino lhe daria
+seu pae, a dar-se o caso de n&atilde;o
+ter fallecido.<br />
+
+<br />
+
+Admira pois que o illustre viajante perdesse o seu tempo com taes
+futilidades, como a da prophecia; pense que ninguem &eacute;
+propheta na sua patria, e muito menos na alheia: Hebitane tinha um
+tanto de lunatico, e era um selvagem; nada mais natural do que
+acreditar nos ditos do embusteiro Tlapano, que, em parte se realisaram
+com a
+revolu&ccedil;&atilde;o de setembro de 1864, preludio do
+massacre de seu irm&atilde;o
+Borollo, regente na menoridade de seu sobrinho Ritari, de toda a sua
+familia, e de toda a tribu Macorrollo, aqui no paiz, e que, como
+j&aacute; tive occasi&atilde;o de falar, elevou ao poder o
+actual soba Hipopa,
+filho de Cacoma Mulonga.<br />
+
+<br />
+
+Esta terrivel catastrophe para a tribu em quest&atilde;o,
+s&oacute; poupou algumas mulheres que de bom grado acceitaram a
+nova ordem de coisas, entregando-se voluntariamente nas m&atilde;os
+d'aquelles que na
+vespera curvavam a cerviz ao jugo estranho, e que no curto
+espa&ccedil;o de vinte e quatro horas, trocando-se os papeis,
+passavam de escravos a senhores. &Aacute;
+excep&ccedil;&atilde;o d'essas infelizes que inda
+assim assistiram &aacute; tragedia, o massacre foi geral,
+n&atilde;o poupou crean&ccedil;a de peito!
+Effeitos violentos de medidas que emanam sempre do terror, e que mais
+tarde ou cedo fazem acabar os que as empregam &aacute;s
+m&atilde;os do mesmo
+terror, mas n&atilde;o de vaticinios sem connex&atilde;o, nem
+mesmo com o merecimente da
+novidade.<br />
+
+<br />
+
+Senhor do mais bello paiz central do continente africano, que o acaso
+havia deposto a seus p&eacute;s, sem que lhe custasse a mais
+minima gotta de sangue, Habitane n&atilde;o o soube gozar, nem
+mesmo soube
+aplanar o caminho para os seus, a fim de que para o futuro o viessem a
+desfructar; principiou por ordenar o exterminio d'elles, n&atilde;o
+obstante o
+seu j&aacute; reduzido numero; at&eacute; que a morte o veiu
+colher em 1851, em
+Rinhande de Muanamgombe ou sitio Dumbua, capital que havia fundado, e
+onde jaz sepultado. Uns dizem que de morte natural, outros, e d'estes o
+maior numero, dizem que envenenado; o que deixo para ser averiguado por
+pessoas competentes, que de futuro se occupem com as nossas coisas de
+Africa.<br />
+
+<br />
+
+Hiquereto, seu primogenito, assumindo o poder, transferiu a capital
+para Rinhande, local mais ao Sueste, e a oito horas de distancia,
+por&eacute;m, trilhando a mesma vereda de seu pae, pode dizer-se
+que o seu governo foi um continuo sorvedouro de vitimas, mandadas
+assassinar sob a mais leve apparencia de suspeitas, j&aacute; ao
+supremo arbitrio,
+j&aacute; em virtude de feiti&ccedil;os contra a sua pessoa.
+Depois de uma longa
+enfermidade do mal de Lazaro, foi mandado estrangular no leito da
+agonia por seu tio Borollo, segundo o preg&atilde;o da turba, em
+1863, e sepultado
+n'esse mesmo local de que foi fundador, e que durante os primeiros
+annos do seu governo, se tornou um grande centro de
+anima&ccedil;&atilde;o e movimento.<br />
+
+<br />
+
+Borollo, vendo que o poder, depois da morte de Hiquereto, passava
+&aacute;s m&atilde;os de sua m&atilde;e, apresenta-se em
+Rinhande a fim de o disputar (1863), o que consegue depois de uma
+grande batalha, em que a victoria dep&otilde;e a cor&ocirc;a de
+vencedor a seus
+p&eacute;s, assumindo por essa occasi&atilde;o a regencia
+durante a menoridade de seu sobrinho Ritari e
+<span class="pagenum">[22]</span>
+recolhendo &aacute;
+terra do Lui que torna a readquirir a sua
+antiga preponderancia da capital do paiz. No entretanto, em logar de
+poupar os da sua tribu a fim de equilibrar a
+governa&ccedil;&atilde;o entre
+elles e os indigenas ao contrario de seu irm&atilde;o e sobrinho,
+continua o seu
+exterminio sem descan&ccedil;o, a fim de desaggravar as injurias
+porque havia
+passado no governo d'este ultimo: o que visto pelos naturaes, foi o
+signal de
+alarme para sacudir o jugo dos Macorrollos em setembro de 1864, como
+acabei de dizer.<br />
+
+<br />
+
+A paginas 72 e 73 o seguinte:<br />
+
+<br />
+
+<br />
+
+<div class="tinyl">&laquo;Conta o Dr. Livingstone que,
+tendo-se dirigido de Naliele
+a
+Sesheke (deve ser de Rinhande), cento e trinta milhas ao nordeste, e
+descoberto o
+Zambeze no centro do continente, e visitado o paiz limitrophe,
+f&ocirc;ra
+procurado, e o seu companheiro Oswell, por muitos individuos, que
+trajavam baetas de differentes
+cores, e um d'elles algod&atilde;o pintado; e nos informa de que
+taes
+mercadorias eram obtidas por via dos Mambari, que demoram nas
+proximidades do Bih&eacute;,
+os quaes as tinham trocado por crean&ccedil;as de ambos os sexos.
+Accrescenta que, em
+1851, se realisara um rasgate de duzentos rapazes de 13 a 14 annos de
+idade por
+espingardas portuguezas, as quaes tinham a marca de <em>Ligitimo
+de
+Braga</em>. Ora os Mambari eram, por assim dizer,
+commorc&atilde;os do Bih&eacute;, e estavam em
+intimas rela&ccedil;&otilde;es com os portuguezes, com quem
+traficavam em escravatura, e de quem eram corretores, e a quem, como
+&eacute; sabido, e, como veremos, attesta o mesmo Dr.
+Livingstone, acompanhavam nas suas excurs&otilde;es commerciaes
+pelo interior de todas
+aquellas regi&otilde;es. N&atilde;o p&oacute;de pois deixar
+de ter-se por certo, porque
+se torna incrivel o contrario, que tinham dado os Mambari largas
+noticias do Zambeze central.&raquo;</div>
+
+<br />
+
+<br />
+
+No j&aacute; citado anno de 1845, os negociantes da
+pra&ccedil;a da cidade de Benguella que at&eacute;
+ent&atilde;o depositavam inteira
+confian&ccedil;a nos seus sertanejos do Bih&eacute;, e de
+futuro continuaram, entregavam as suas
+fazendas a estes sem condi&ccedil;&otilde;es previas, quer
+dizer: que as
+dividas at&eacute; essa data fossem solvidas em escravos, em cera,
+ou em marfim, isso n&atilde;o
+era quest&atilde;o, esta limitava-se a que se fizesse o pagamento,
+em
+prazo mais ou menos longo, n&atilde;o obstante o estipulado na
+escriptura que
+era de seis meses; no entretanto, no j&aacute; citado anno, foi
+imposta
+condi&ccedil;&atilde;o positiva de taes dividas serem pagas em
+cera e marfim, o que sempre se tem verificado at&eacute; ao
+presente.<br />
+
+<br />
+
+N&atilde;o necessito dizer que isto foi motivado pelo rigoroso
+cruzeiro ent&atilde;o estabelecido para a total
+suppress&atilde;o do
+contrabando.<br />
+
+<br />
+
+Disse egualmente que as diversas terras de que se compunha a tribu da
+grande familia Quimbunda, e &aacute; qual pertence a
+Bihana, faziam o seu exclusivo, de escravos, e, a ser possivel a
+exporta&ccedil;&atilde;o d'elles, sendo a pra&ccedil;a da
+cidade de Benguella o grande centro de
+affluenci&agrave; do commercio do interior, n'um
+momento dado em que lhe fosse
+necessario, mil, ou dois mil escravos, n&atilde;o tinha mais do que
+enviar
+emissarios pelo interior, para que no curto espa&ccedil;o de um
+mez, tal
+numero se apresentasse. O Bih&eacute; demora apenas a dez dias de
+distancia d'esta cidade, e d'aqui para baixo as mais terras da tribu
+designada. Ora, os sertanejos em quest&atilde;o, n&atilde;o se
+podiam afastar de
+uma condi&ccedil;&atilde;o imposta muito antecipadamente ao
+contrahimento da divida, e na mesma
+escriptura, que, para todos os effeitos reputavam de sagrada, e dada
+tal hypothese, significaria faltar &aacute; f&eacute; dos
+contractos, a que por certo se
+<span class="pagenum">[23]</span>
+n&atilde;o queriam expor; menos, quando fosse possivel a
+exporta&ccedil;&atilde;o de escravos no litoral por qualquer
+circumstancia fortuita como acabei de falar.<br />
+
+<br />
+
+Porque haviam de aventurar-se ent&atilde;o a um mercado de tal
+natureza, t&atilde;o longiquo como a terra do Lui, Luvar, ou mesmo
+da Lunda,
+tendo-o &aacute; porta, e por todo o interior nas differentes
+terras de
+grande familia Ganguella, depois de se transpor os rios Cuquema e
+Quanza,
+comprehendendo o quadrante do norte e sul, a limitar por leste com as
+tres terras acima, nas quaes, muito antes das medidas suppressores do
+trafico, o melhor escravo n&atilde;o excedia j&aacute;mais dez
+len&ccedil;&otilde;es, (medida de cinco covados cada
+len&ccedil;ol,) e d'este pre&ccedil;o para baixo
+at&eacute; tres len&ccedil;&otilde;es.<br />
+
+<br />
+
+E sendo o primeiro pre&ccedil;o, aquelle porque regula qualquer
+escravo entre a tribu Quimbunda, n&atilde;o necessito dizer que,
+cahe por
+terra qualquer argumento em contrario ao que acabo de expender.<br />
+
+<br />
+
+No Lui, os escravos eram comprados pelos Bihanos com os pagamentos que
+se lhes fazia, que nunca excedeu para todas as terras do interior,
+al&eacute;m de tres len&ccedil;&otilde;es, na ida
+(para a cidade de Benguella regulava o mesmo pre&ccedil;o na ida,
+por&eacute;m na recolhida em seis
+len&ccedil;&otilde;es;) e outros tres na recolhida, fazenda que
+dava perfeitamente para dois
+escravos, que serviam de carregadores ao senhor, em quanto que elle
+passava a carregar a carga do sertanejo. E hoje que se n&atilde;o
+d&atilde;o negocios taes n'este paiz, e se realisam na terra da
+Lunda, os Bihanos seguem &aacute; porfia para esta.<br />
+
+<br />
+
+Relativamente ao resgate ou melhor diremos compra, de duzentos rapazes
+de 13 a 14 annos de edade, pelas taes espingardas denominadas
+portuguezas, n&atilde;o teem qualifica&ccedil;&atilde;o
+possivel tal asserto; no entretanto, notaremos que &eacute; um
+excessivo numero de instrumentos
+mortiferos para quem lhes sabe o valor intrinseco, mas n&atilde;o
+na
+m&atilde;o d'esta gente que, ao menor desarranjo em qualquer mola,
+e na falta de mestre para o concerto, as vendem por um
+len&ccedil;ol de fazenda ou um
+macete de missanga. Qualquer sertanejo procedente do Bih&eacute;
+quando se
+dirige para este paiz, nunca traz mais de uma at&eacute; duas
+caixas de espingardas, segundo a quadra do anno, que vem a ser no
+primeiro caso, trinta, e no segundo, sessenta armas; uma parte d'este
+numero fica no caminho permutado por cera e marfim; nas comitivas, de
+ordinario, sempre veem um numero muito maior, mas &eacute; para sua
+defeza.<br />
+
+<br />
+
+D'onde, sahiu pois o numero indicado pelo illustre viajante?...<br />
+
+<br />
+
+Emquanto ao rotulo, significa usurpa&ccedil;&atilde;o pura e
+simples d'aquelle de que faz uso seu primitivo auctor, visto que a
+procedencia d'essas
+armas, hoje, &eacute; das fabricas da Allemanha e Inglaterra, que
+as
+mandam ao mercado por modicos pre&ccedil;os e em virtude dos quaes
+o
+verdadeiro auctor n&atilde;o pode fazer competencia.<br />
+
+<br />
+
+At&eacute; 1854 foram aquellas as armas que para aqui vieram, e
+todas as tribus para o poente n&atilde;o fazem uso de outras,
+por&eacute;m, como os Macorrollos sympathisassem mais com as
+raiunas, introduzidas pelo illustre viajante, principiaram estas,
+d'essa epocha por deante at&eacute;
+1864, de affluir ao paiz, mas em consequencia dos acontecimentos
+cahiram em desuso, para de novo darem entrada &aacute;quelles, as
+quaes,
+bem como polvora, chumbo em balas, e muni&ccedil;&atilde;o,
+arame de
+lat&atilde;o grosso, contaria
+<span class="pagenum">[24]</span>
+de diversas c&ocirc;res e qualidades, fazendas finas e
+ordinarias, e finalmente roupas, finas e ordinarias, genero de grande
+extrac&ccedil;&atilde;o, s&atilde;o de exclusiva
+negocia&ccedil;&atilde;o com o soba, attendendo a que
+este concentra na sua pessoa como senhor absoluto, todo o machinismo
+mercantil,
+negocia&ccedil;&atilde;o unicamente feito, por elle, e pelo
+sertanejo que se apresenta. Concluida, ella tem logar a entrega do
+marfim, e por consequencia a
+distribui&ccedil;&atilde;o dos generos pelos magnates em geral;
+tem egualmente logar ent&atilde;o a dispers&atilde;o do povo da
+comitiva para as
+terras limitrophes, onde se permuta o marfim, egualmente os escravos,
+sendo este segundo ramo da attribui&ccedil;&atilde;o dos
+Bihanos, que, se
+d&atilde;o melhor com elles, que n&atilde;o com os da sua
+ra&ccedil;a, em consequencia da humildade d'elles,
+j&aacute; para o seu servi&ccedil;o, j&aacute; para
+satisfazer Milongas (crimes),
+j&aacute; finalmente para permutar por cabe&ccedil;as de gado,
+cujo pre&ccedil;o &eacute; de
+seis bois grandes (castrados) por um escravo, o que o possuidor decora
+com o pomp&ocirc;so titulo
+de sua manada de gado. E todo aquelle que possue esta, e, ainda
+al&eacute;m d'ella, quatro ou seis escravos, sahiu da classe plebea
+para a nobre;
+j&aacute; por ter maior numero de concubinas, que uma honraria
+adquirida &aacute;
+raz&atilde;o de um escravo ou um boi; e j&aacute; finalmente
+porque entra na
+classe de pombeiro, recebendo fazendas dos sertanejos, pelo que
+&eacute;
+obrigado de acompanhal-os para toda a parte; sendo a isto que o Bihano
+aspira unicamente, dando principio &aacute; sua carreira pelo
+tirocinio de
+carregador.<br />
+
+<br />
+
+Pelo que fica dito se v&ecirc; que o nome de
+<em>Mambari</em>, applicado indistinctamente ao povo Bihano
+pelos indigenas, e alternadamente
+<em>Himbari</em>, e <em>Bimbari</em>, pelo
+povo Ganguella,
+&eacute; synonymo de <em>Quimbar</em> ou <em>Himbar</em>,
+com o qual s&atilde;o
+designados os escravos pertencentes aos sertanejos, entre a
+ra&ccedil;a Qimbunda, &aacute; qual, como j&aacute;
+tive occasi&atilde;o de falar, pertence a terra do Bih&eacute;,
+e mais terras para o poente
+at&eacute; &aacute; cidade de Benguella, comprehendo algumas
+que demoram para o norte e sul. Em virtude do seu dialecto especial, e
+unico assim denominado,
+apresentando-se os sertanejos do Bih&eacute; pelo interior a tratar
+de seus
+negocios, os habitantes julgando o povo da comitiva como sujeito aos
+mesmos, os ficaram designando de vez pelos nomes que ficam notados, e
+com os quaes se n&atilde;o deshonram os Bihanos, povo
+excencialmente
+commerciante.<br />
+
+<br />
+
+Nas mesmas pag. 73 e 74 o seguinte:<br />
+
+<br />
+
+<br />
+
+<div class="tinyl">&laquo;Quando os Mambari (narra
+Livingstone) divulgaram entre os
+seus, em 1850, noticias favoraveis do novo mercado, aberto no Oeste,
+muitos
+mulatos portuguezes, dados ao commercio da escravatura, foram induzidos
+a ir alli em 1853; e um, que <em>similhava perfeitamente um
+portuguez</em>, chegou a Liniante
+(<em>Rinhande?</em>) emquanto eu alli estava. Este homem
+n&atilde;o trazia mercadorias,
+e affirmava ter vindo unicamente com o fim de indagar que sorte de
+fazendas teriam
+sahida no mercado. Pareceu-me muito transtornado com a minha
+presen&ccedil;a.
+Sekeletu (<em>Hiquereto?</em>), deu-lhe de mimo um dente de
+elephante e um boi, e, tendo-se (o
+portuguez) encaminhado a distancia de perto de cincoenta milhas a
+Oeste, levou
+comsigo uma <em>aldeia inteira de Bakalahari</em>
+(<em>Bacalaliari?</em>) pertencente ao
+Makololo (<em>Macorrolos?</em>). Trazia comsigo grande
+numero de escravos armados; e como todos os habitantes da aldeia,
+homens, mulheres e crean&ccedil;as foram
+levados, e o facto ficou ignorado at&eacute; muito tempo depois,
+n&atilde;o se
+sabe se elle realizou o seu intento por meio da for&ccedil;a,
+ou se mediante seductoras
+promessas. Em todo o caso a escravid&atilde;o foi a sua sorte. O
+portuguez era conduzido n'uma
+maca, dependurada de duas varas, de modo que tendo a
+configura&ccedil;&atilde;o
+de um sacco, os Makololo, o nomeavam &laquo;o
+pae-do-sacco.&raquo;</div>
+
+<br />
+
+<br />
+
+<span class="pagenum"><a name="p25">[25]</a></span>
+Este homem t&atilde;o infamemente ultrajado, e que foi meu visinho
+no Bih&eacute;, presentemente morador no concelho do Dombe, no
+districto da cidade de Benguella, chama-se Caetano Jos&eacute;
+Ferreira, natural
+do Barreiro, suburbio de Lisboa, e tem tanto de mulato, quanto o
+illustre viajante tem de boa f&eacute; nos seus escriptos.<br />
+
+<br />
+
+Sahindo comigo do Bih&eacute; a 20 de novembro de <a href="#e3">1852</a>,
+e seu companheiro Norberto Pedro de Senna
+Machado, natural de Setubal, a 16 de janeiro de 1853, a comitiva dos
+ditos senhores tomou a
+direc&ccedil;&atilde;o do Sul, para as vertentes do rio Quando,
+e a minha, a
+direc&ccedil;&atilde;o de Nordeste para aqui.<br />
+
+<br />
+
+Caetano Jos&eacute; Ferreira, por suggest&otilde;es das pessoas
+principaes da comitiva, foi levado a contrahir juramento com o soba do
+local onde permutou seus negocios, dominio do ent&atilde;o soba
+Hiquereto,
+como actualmente o &eacute; do soba Hipopa.<br />
+
+<br />
+
+Este juramento que os <a href="#e4">indigenas</a>
+denominam Cacendo, consiste na diabolica cerimonia dos contrahentes
+fazerem uma pequena
+incis&atilde;o no peito, &aacute; qual depois de applicados os
+labios, mutuamente
+chupam o sangue que d'ella sae, e concluido tal acto, dizem-se
+inseparaveis para a vida e para a morte; bem assim com direito
+reciproco nos seus bens, havidos e por haver.<br />
+
+<br />
+
+N'esta scena repugnante que rapido acabo de bosquejar, verificou-se,
+por&eacute;m, o contrario do que naturalmente era de esperar, visto
+que um mez depois da retirada do mesmo senhor para o Bih&eacute;,
+succede morrer o soba, e os selvagens affirmando ser proveniente do
+sangue que tinha sorvido do europeu, em raz&atilde;o de tal
+ceremonia
+achar-se unicamente em uso entre os naturaes, aguardaram ensejo de se
+apresentar alli em 1854 uma comitiva minha, para preparar o assassinato
+de dois Bihanos, como represalia do acontecimento, notificando ao chefe
+de dita comitiva, que, se Caetano Jos&eacute; Ferreira se
+n&atilde;o apresentasse, ou gente sua, a fim de pagar o crime da
+morte do soba, os dois
+assassinatos que tinham commettido, seria o preludio de
+vingan&ccedil;as mais estrondosas na occasi&atilde;o em que no
+local, ou
+circumvisinhan&ccedil;as, apparecessem comitivas do
+Bih&eacute;.<br />
+
+<br />
+
+Effectivamente, os dois assassinatos foram
+<em>pagos</em> pelo dito sr. no
+Bih&eacute; aos parentes das victimas, e, acto continuo, foi
+constrangido a mandar enviados seus com fazendas, para satisfazer ao
+arguido crime da morte do soba em quest&atilde;o, a fim de evitar
+maiores
+complica&ccedil;&otilde;es e prejuizos de futuro.<br />
+
+<br />
+
+E sendo o caso que acabo de descrever a consequencia de uma imprudencia
+irreflectida, qual n&atilde;o seria aquelle que
+immediatamente se seguiria ao attentado do sequestro de uma <em>aldeia
+inteira de Bakalahari?!!</em> Eu vou dizer ao leitor: O chefe da
+comitiva, o seu companheiro, inclusive brancos naturaes do paiz, e
+brancos para mais de mil, seriam massacrados ao furor da turba de taes
+paragens, sempre
+<span class="pagenum">[26]</span>
+avida de sangue,
+attendendo a que para tal carnificina, seriam
+sufficientes quarenta e oito horas, se tanto, de
+communica&ccedil;&atilde;o
+pelo rio Quando, a fim do soba Hiquereto enviar a ordem, depois de
+recebida a participa&ccedil;&atilde;o, no que n&atilde;o
+seria
+economico, muito principalmente tendo por mentor o illustre viajante
+inglez.<br />
+
+<br />
+
+N&atilde;o appliques aos outros aquillo que, n&atilde;o desejas
+te seja applicado, diz o rif&atilde;o. De fado, o illustre viajante
+n&atilde;o
+pensou j&aacute;mais que mui proximo teria de ser victima d'este
+proloquiio, pois que recebendo debaixo da mais boa f&eacute;, do
+dito soba, a gente que o conduziu
+a Loanda, bem assim o marfim para alli lhe permutar, parte d'este
+genero serviu de costeio &aacute; dita viagem, affectuada a qual
+nos nivela com
+zero; e tornando de receber identico beneficio na viagem premeditada e
+realizada a Mo&ccedil;ambique, tornou ainda a abusar da boa
+f&eacute; do
+mesmo soba, porque o actual senhor do Lui espera ainda pelo marfim e
+gente que acompanhou o illustre viajante &aacute; mencionada terra.
+<br />
+
+<br />
+
+Terminarei este paragrapho com duas palavras sobre a quest&atilde;o
+das c&ocirc;res. Os inglezes sabem bellamente o quanto lhes teem
+custado estes mesquinhos preconceitos. Os portuguezes est&atilde;o
+ao facto da
+malqueren&ccedil;a que entre elles e seus irm&atilde;os do
+Brazil existe: no
+entretanto, nem uns nem outros querem tomar o juizo perante os
+exemplos, a fim de uma vez por todas acabarem com elles.<br />
+
+<br />
+
+Nas mesmas pag. 74, 75, e 76 o seguinte:<br />
+
+<br />
+
+<br />
+
+<div class="tinyl">&laquo;Mpepe (Pepe?) favorecia
+estes commerciantes de escravos,
+e
+elles, segundo o seu costume, fundavam as esperan&ccedil;as de se
+tornarem
+preponderantes no bom resultado da rebelli&atilde;o meditada.
+Conheceram que o apparecer
+eu em scena havia de pezar na balan&ccedil;a contra os seus
+interesses. Um grande
+golpe de Mambari tinham vindo a Liniante (<em>Rinhande</em>),
+quando
+eu andava herborisando nos prados ao sul do Chobe (<em>Rio Quando?</em>).
+Chegando-lhes a noticia de eu estar alli proximo, mudaram de
+rosto; e quando alguns Makololo, que nos tinham ajudado a
+atravessar o rio voltaram com os chap&eacute;os que eu lhes dera,
+os Mambari
+fugiram precipitadamente. &Eacute; do costume que os visitantes
+pe&ccedil;am
+licen&ccedil;a com formalidade antes de se retirarem da terra do
+chefe onde se acham, por&eacute;m a
+appari&ccedil;&atilde;o dos chap&eacute;os fez que os
+Mambari enfardassem &aacute; pressa. Os Makololo
+informaram-se da causa da precipitada retirada, e lhes disseram que, se
+eu alli
+estivesse, lhes tomaria os escravos e as fazendas; e posto que Sekeletu
+lhes assegurasse que eu
+n&atilde;o era salteador, mas sim homem de paz, fugiram de noite,
+achando-me eu a sessenta milhas de distancia. Marcharam para o norte,
+sob a
+protec&ccedil;&atilde;o de Mpepe, constru&iacute;ram uma
+forte estacada, d'onde alguns mulatos,
+commerciantes de escravos, capitaneados pelo portuguez nativo,
+continuaram no seu trafico, sem
+fazerem caso do chefe, em cujo territorio tinham feito
+incurs&atilde;o com
+a maior semceremonia.&raquo;<br />
+
+<br />
+
+&laquo;Accresce que, n'outro logar Livingstone, referindo-se a este
+mesmo facto, accrescenta: <em>Alguns Mambari nos visitaram
+quando
+estavamos em Naliele</em>.&raquo; S&atilde;o da familia
+Ambonda (<em>Quimbunda?</em>) que
+habita o territorio ao sueste de Angola, e falla o dialecto bunda
+(<em>Quimbundo?</em>) commum aos Barosse,
+(<em>Brose</em>,
+<em>Bruse?</em>) Baicie, etc. S&atilde;o t&atilde;o
+negros como Barosse, mas
+<em>vive entre elles grande numero de mulatos</em>,
+distinctos pela sua c&ocirc;r peculiar
+de amarello doente. Os <em>mulatos</em>,
+<em>os portuguezes nativos</em>, todos sabem l&ecirc;r,
+e escrever, e o
+cabe&ccedil;a do bando, se <em>realmente n&atilde;o
+&eacute; portuguez, tem o cabello
+europeu</em>, e obrigado provavelmente pela carta de
+recommenda&ccedil;&atilde;o do cavalleiro Duprat, arbitro por
+parte do governo de S. M. F. na commiss&atilde;o mixta ingleza
+e portugueza na cidade do Cabo,
+mostrou-se sinceramente desejoso de apresentar-me todos os bons
+officios ao seu
+alcan&ccedil;e. Estas pessoas, <em>estou certo</em>,
+foram os primeiros
+individuos de sangue portuguez, que viram o Zambeze no centro do paiz,
+e chegaram l&aacute; dois annos depois
+da nossa descoberta em 1851.&raquo;</div>
+
+<br />
+
+<br />
+
+<span class="pagenum">[27]</span>
+Ja tive occasi&atilde;o de dizer que, o soba como senhor absoluto
+do paiz concentra na sua pessoa todo o poder, todos affirmam, mas
+ninguem se aventura de reprovar a minima de suas
+ac&ccedil;&otilde;es;
+elle, e o sertanejo, s&atilde;o as duas pessoas que unicamente se
+entendem sobre
+negocios: feliz d'este se &aacute; primeira partida de marfim que
+recebeu lhe
+paga a factura, porque todo o mais que f&ocirc;r apparecendo de
+tributo
+at&eacute; ao dia da sua retirada, pertence-lhe, porque o vae
+recebendo
+proporcionalmente ao passo que f&ocirc;r chegando.<br />
+
+<br />
+
+O tributo de escravos &aacute; sua chegada, depois de escolher os
+melhores para o seu servi&ccedil;o, &eacute; distribuido pelo
+povo da
+localidade, verificando-se a mesma particularidade nos mais ramos
+tributarios, com excep&ccedil;&atilde;o das canoas, e redes de
+pescar; aquellas
+para o servi&ccedil;o geral, e estas para distribuir pelos
+pescadores. De tal regalia gozaram Pepe, em virtude dos seus poderes
+illimitados; mais tarde Hiquereto; mais tarde Borollo; e goza
+actualmente Hipopa. Esse grande numero de rapazes
+de 13 a 14 annos de edade que tanto deram no goto do illustre viajante,
+tambem disse s&oacute; poderia ser
+transac&ccedil;&atilde;o dos Bihanos. O sertanejo quando
+d&aacute; as suas fazendas &aacute;s diversas pessoas de
+que se comp&ocirc;em a comitiva, &eacute; para a
+permuta&ccedil;&atilde;o de
+marfim e j&aacute;mais de escravos.<br />
+
+<br />
+
+Agora, rebelli&atilde;o de quem, a favor de quem, e contra quem?...
+<br />
+
+<br />
+
+Eu teria tudo a perder com ella, e nada a ganhar; no entretanto posso
+affirmar ao illustre viajante que, effectivamente, tive propostas
+do infeliz soba Pepe de cooperar com elle para o extreminio do soba
+Hiquereto, a que respondi negativamente, fazendo-lhe v&ecirc;r que
+tinha vindo
+tratar dos meus negocios, e n&atilde;o ingirir-me em outros que me
+n&atilde;o diziam respeito.<br />
+
+<br />
+
+Propostas identicas me foram mandadas fazer da parte do soba Machico,
+que rejeitei egualmente; ora se eu fosse natural de Zamzibar, e,
+qui&ccedil;a, que inglez, tendo como tinha sufficientes meios de
+que dispor para o effeito, talvez me inclinasse a acceitar taes
+offerecimentos que
+na realidade eram brilhantes; mas sendo de opini&atilde;o
+differente, n&atilde;o quiz acceitar o que por tres vezes me foi
+offerecido: uma pessoalmente pelo infeliz soba Pepe, e duas por parte
+do soba Machico, como acabei de dizer. As medalhas teem verso e
+reverso, e quem assim
+n&atilde;o pensar arrisca-se de cahir de muito alto.<br />
+
+<br />
+
+E eu dava tanta importancia ao apparecimento do illustre viajante em
+scena, ou melhor direi &aacute; sua sem raz&atilde;o no
+assumpto a que se refere, que por elle sou justificado na minha
+semceremonia de transitar em
+todas as direc&ccedil;&otilde;es, n'um paiz que n&atilde;o
+era
+meu, mas onde, no entretanto, para usofruir de tal regalia, havia
+comprado esse direito, contribuindo com o competente tributo, como
+&eacute; de uso em todas estas paragens.
+<br />
+
+<br />
+
+Quereria talvez o sr. Levingstone o exclusivo d'elle como Mentor do
+soba Hiquereto?!
+<br />
+
+<br />
+
+<span class="pagenum">[28]</span>
+Dependeria eu d'elle em alguma coisa?!<br />
+
+<br />
+
+Mas os Bihanos fugiram de que? Pela appari&ccedil;&atilde;o dos
+chap&eacute;os, ou pela noticia que tiveram de se achar proximo o
+illustre viajante, visto
+que andava como diz: &laquo;herborisando nos prados ao sul do
+Chobe?&raquo;<br />
+
+<br />
+
+Responderei que nem por uma nem outra coisa. Retiraram-se mas foi
+realmente pelo illustre explorador andar
+&laquo;herborisando&raquo;... na boa f&eacute; do soba
+Hiquereto, que a n&atilde;o ser tal
+circumstancia, talvez este se resolvesse a vender o marfim que possuia,
+e que n&atilde;o vendeu por
+insinua&ccedil;&atilde;o sua, dirigindo-se ent&atilde;o
+elles para Quiceque, e logares
+circumvisinhos, bem assim para territorio do dominio da tribu Batebere,
+onde permutaram as fazendas pelos dentes de elephantes, e
+n&atilde;o:
+&laquo;Marcharam para o norte, onde, sob a
+protec&ccedil;&atilde;o de Mpepe,
+construiram uma forte estacada.&raquo; Esta estava concluida em
+fevereiro, quando a
+dispers&atilde;o do povo da comitiva teve logar em mar&ccedil;o
+de 1853, como passo a
+demonstrar. Ella, e a bandeira das quinas que dei ordem de arvorar
+&aacute; sua
+chegada, causariam ao illustre viajante sem duvida, a
+impress&atilde;o de um raio, qual a da minha
+appari&ccedil;&atilde;o no Lui, como
+j&aacute; tive occasi&atilde;o de dizer.<br />
+
+<br />
+
+Por esse lado n&atilde;o tem raz&atilde;o, como effectivamente
+a n&atilde;o tem na maior parte dos seus escriptos, attendendo a
+que a prioridade das descobertas em Africa pertence de facto e de
+direito aos portuguezes. Agora, que na terra a for&ccedil;a
+disponha da justi&ccedil;a,
+o reverendo Dr. David Livingstone, sabe perfeitamente que acima de
+n&oacute;s existe um
+poder superior a n&oacute;s, perante o qual todos teremos de ser
+julgados.<br />
+
+<br />
+
+Relativamente &aacute; celebre estacada de Catongo, ou muro de pau
+a pique, de que acabei de falar, responderei que querendo eu ficar na
+margem d'al&eacute;m do Riambeje, por estar ao facto das
+desintelligencias do soba Pepe com o soba Hiquereto, aquelle fez-me
+v&ecirc;r que tal
+passo n&atilde;o era do seu agrado, em virtude do que, dei ordem
+para se passar para a margem d'aquem. N'esta, foi-me destinada a
+montanha denominada Catongo, para fabricar o estabelecimento, local
+verdadeiramente bello pela eleva&ccedil;&atilde;o que occupa, e
+pela prespectiva que
+apresenta da sua sumidade. Dei principio e conclus&atilde;o
+&aacute;quelle fabrico em
+fevereiro do j&aacute; citado anno, seguindo o povo da comitiva
+para os differentes pontos do paiz no mez de mar&ccedil;o seguinte,
+bem assim a comitiva de
+Mo&ccedil;ambique, e isto depois de recebida a ordem do soba
+Hiquereto para o indicado effeito, quando ainda o illustre viajante
+n&atilde;o tinha chegado
+da sua t&atilde;o apregoada segunda viagem.<br />
+
+<br />
+
+Desgostoso pelos acontecimentos, fiz formal
+ten&ccedil;&atilde;o de n&atilde;o voltar ao Lui; despachei
+os meus empregados no anno seguinte de 1854, por&eacute;m
+regressando elles ao Bih&eacute; junto a
+emissarios do soba Hiquereto, e de sua ordem, tanto insistiram commigo
+que resolvi seguir viagem em 1858. Chegando no paiz fiquei na margem
+d'aquem do Riambeje, no estabelecimento de Luiz Albino Rodrigues, e
+local dos primeiros, onde continuou fluctuando a bandeira das quinas,
+al&eacute;m da que
+nos era inseparavel, quotidianamente, na frente da comitiva, sendo
+ent&atilde;o logar-tenente de Hiquereto, seu tio Borollo, com quem
+communiquei no que dizia respeito aos meus negocios, attendendo a que
+aquelle era apenas um automato da vontade d'este, e o Lui,
+<em>Broze</em>, e <em>Bruse</em> dos
+indigenas,
+<span class="pagenum"><a name="p29">[29]</a></span>
+era simplesmente a sombra de sua passada
+grandeza. O movimento, e a vida do paiz, estava litteralmente falando,
+em Rinhande.<br />
+
+<br />
+
+Depois de ter despachado a comitiva para os seus differentes pontos, e
+de ter chegado a esta capital, n'um dia, em
+occasi&atilde;o de conversar com Hiquereto, disse-me elle que: o
+illustre viajante lhe havia dito n&atilde;o approvar no paiz a
+presen&ccedil;a de
+Macuas de Oeste, pois que pretendiam apossar-se d'elle, havendo as
+provas do que
+avan&ccedil;ava, na estacada por mim feita em Calongo!!<br />
+
+<br />
+
+Respondi ser falsa semelhante asser&ccedil;&atilde;o, tendo
+elle provas mais convincentes do contrario na minha recusa de voltar ao
+paiz, e quem pretendesse assenhorear-se de qualquer dominio,
+n&atilde;o dava,
+por certo semelhante passo, nem, ainda, se apresentaria com a
+for&ccedil;a
+com que eu me apresentava; poderia pois socegar por este lado, porque
+n&atilde;o seria da minha pessoa que lhe resultaria o menor damno.<br />
+
+<br />
+
+Podendo inferir-se de um t&atilde;o insolito procedimento, a
+raz&atilde;o de ser que existe na
+confronta&ccedil;&atilde;o de portuguezes e
+inglezes, descripta a ps. quinze da introduc&ccedil;&atilde;o,
+68 e 231 do
+<em>Exame</em>, accrescentarei, que n&atilde;o levei
+j&aacute;mais a audacia a ponto de malquistar
+meus irm&atilde;os perante os selvagens, considerando como meus
+irm&atilde;os todos aquelles
+que andam peregrinando por estas paragens seja qual f&ocirc;r a sua
+procedencia e naturalidade.<br />
+
+<br />
+
+Em presen&ccedil;a do que acabo de dizer, perguntar&aacute; o
+leitor para que dirigia a carta de offerecimento dos meus
+servi&ccedil;os ao
+illustre viajante; responderei que ent&atilde;o n&atilde;o quiz
+dar credito ao que
+Hiquereto me disse, attribuindo a revela&ccedil;&atilde;o a
+intriga dos familiares;
+hoje, por&eacute;m, verifica-se o contrario em presen&ccedil;a
+dos factos que se apresentam.<br />
+
+<br />
+
+&Eacute; menos exacto egualmente o que o illustre viajante diz
+sobre dialectos, isto &eacute;, ser commum a lingua Quimbunda ao
+povo Lui
+e Baieie; Como a ps. 191 do <em>Exame</em> se trata
+mais detidamente do assumpto, responderei que, &eacute; commum a
+lingua Quimbunda a grande parte
+do territorio Africano, podendo fazer-se egual parallelo entre ella, e
+o dialecto Bunda (de Angola e suas dependencias) &aacute;quelle que
+se d&aacute; entre a Portugueza e a Castelhana: mas j&aacute;
+n&atilde;o assim em
+rela&ccedil;&atilde;o aos dialectos Cafrial, Ganguella, Humbe,
+Macorrollo, e Mullua; n&atilde;o
+menciono a tribu numerosa dos <em>Cassaqueres</em>,
+especie de ciganos, de c&ocirc;r pardo claro, e errante pelo
+interior do continente, em virtude do seu estado vagabundo. Aquelles
+tribus espalhando-se com o correr do tempo pelo extenso e vasto solo
+que lhes deu o ber&ccedil;o, vieram mais tarde
+a mesclar-se umas com as outras, formando na&ccedil;&otilde;es
+diversas, e
+taes como existem presentemente. Os sabios de futuro ter&atilde;o
+de resolver
+o problema.<br />
+
+<br />
+
+Reservando para aqui as palavras que de proposito sublinhei de:
+&laquo;<em>Alguns Mambari nos visitaram quando
+estavamos em Naliele</em>.&raquo; direi que n&atilde;o
+t&ecirc;em qualifica&ccedil;&atilde;o
+possivel, visto que o illustre viajante foi visitado por mim, e
+n&atilde;o pelos Bihanos, faltando por consequencia ao que deve a
+si como cavalheiro, nivelando um outro com os selvagens.<br />
+
+<br />
+
+A <a href="#e5">paginas</a> 77 e 78 o
+seguinte; ou&ccedil;amos o que diz ao ponto o Dr. Livingstone, e
+ficaremos desenganados:<br />
+
+<br />
+
+<br />
+
+<span class="pagenum">[30]</span>
+<div class="tinyl">Mr. Oswell e eu nos dirigimos para
+Sesheh
+(<em>Quiceque?</em>) a cento e trinta milhas ao Nordeste,
+e, no fim de junho de 1851, fomos recompensados das nossas
+fadigas com o descobrimento do Zambeze no interior do continente. Isto
+era de grande momento, porque d'antes n&atilde;o se sabia que
+existisse
+alli aquelle rio. Os mappas portuguezes todos o representam como tendo
+origem muito mais a
+&Eacute;ste do lado onde nos achavamos, e se em algum tempo tivesse
+existido coisa
+que semelhasse uma serie de postos commerciaes atravez do paiz, entre
+as latitudes
+12.&deg; e 18.&deg; Sul, esta magnifica
+por&ccedil;&atilde;o
+d'aquelle rio
+devia ter sido conhecida. N&oacute;s o vimos no fim da
+esta&ccedil;&atilde;o estiva, tempo em que o rio
+est&aacute; mais diminuido, e comtudo levava ent&atilde;o
+corrente de agua profunda na largura de tresentas a
+seis centas jardas. Mr. Oswell declarou que nunca vira rio
+t&atilde;o formoso
+(<em>que n&atilde;o tem em tal logar formosura, visto ser
+despido de arvoredo</em>), nem mesmo
+na sua India. No tempo da sua inunda&ccedil;&atilde;o annual
+eleva-se
+perpendicularmente vinte p&eacute;s e alaga quinze ou vinte milhas
+de terras adjacentes &aacute;s suas
+margens.&raquo;</div>
+
+<br />
+
+<br />
+
+N&atilde;o obstante repizar n'um objecto que n&atilde;o admitte
+controversia, como seja o Riambeje visitado em antiga data pelos meus
+concidad&atilde;os; anteriormente a 1845 pela minha gente em
+territorio do dominio da Lunda, e d'esta data por deante no Lui,
+lembrarei a feira de Cassange estabelecida de antiga data, e da qual
+ainda me n&atilde;o occupei.
+Os portuguezes ahi estabelecidos enviavam e enviam suas fazendas pelo
+interior, tomando diversas direc&ccedil;&otilde;es, e em
+algumas, segundo
+os pontos a que se dirigem, passam e tornam a repassar o Riambeje. Em
+identicas circumstancias temos os portuguezes residentes nas Pedras de
+Pungoandongo, as suas fazendas seguem da mesma f&oacute;rma para
+todos os pontos do interior, em alguns passam e tornam a repassar o
+Riambeje,&#8213;<em>Riambei</em> e <em>Riambeje</em>,
+nomes empregados
+commummente pelos indigenas por estas paragens, para designar o grande
+rio, e cujas terras banha com as suas aguas, o qual, como j&aacute;
+tive
+occasi&atilde;o de falar, &eacute; o manancial de mais longo
+curso conhecido aqui em Africa.<br />
+
+<br />
+
+No dia 20 de janeiro de 1848 na viagem dos meus empregados, eis o que
+digo em rela&ccedil;&atilde;o a este rio:<br />
+
+<br />
+
+&#8213;&laquo;Pass&aacute;mos o Riambeje para a margem opposta, ao
+qual se torna impossivel marcar as bra&ccedil;as que
+poder&aacute; ter, em
+consequencia de ser um grande descampado todo cheio de agua na presente
+esta&ccedil;&atilde;o; o rio dirige o seu curso pelo centro, as
+canoas largando da margem direita para a esquerda, gastam seis horas de
+bom remar na ida e volta. O Riambeje tem a nascente na terra do dominio
+da Lunda denominada <em>Musso-candanda</em>, e vae
+desaguar no
+mar para o Oriente.&raquo;<br />
+
+<br />
+
+Na actual viagem encontrei no estabelecimento Bonifacio Jos&eacute;
+Basquete e o seu empregado Jo&atilde;o Francisco da Silva; aquelle
+senhor na
+sua viagem do Bih&eacute; para Cazembe-mucullo, passou, a um dia de
+distancia d'aquella terra, o Riambeje, com agua pela curva da perna;
+accrescentando o dito seu empregado, que, a gente da
+povoa&ccedil;&atilde;o
+Namoanna Hicungo, do j&aacute; citado dominio de Musso-candanda,
+est&aacute; situada na cabeceira do rio em quest&atilde;o,
+d'onde tiram agua para seu uso diario. A povoa&ccedil;&atilde;o
+de um dominio qualquer pode existir
+hoje, e amanh&atilde; desapparecer em virtude da sua
+f&oacute;rma de governo, mas j&aacute;
+n&atilde;o a terra de Musso-candanda, ou mesmo outra qualquer em
+dominio poderoso; mudam apenas os sobas. Concedendo por&eacute;m
+que assim n&atilde;o seja como acabo
+<span class="pagenum">[31]</span>
+de transcrever, &eacute; f&oacute;ra de toda a duvida que
+qualquer rio caudaloso aqui em Africa, vadiavel que seja com a agua
+pela curva da perna, d'ahi &aacute; sua cabeceira n&atilde;o
+podem distar mais de
+quatro dias de jornada, a experiencia assim m'o tem ensinado. Fica pois
+demonstrado que n&atilde;o tem raz&atilde;o de ser a
+pretens&atilde;o
+do illustre viajante &aacute; descoberta do Riambeje no interior do
+continente, em 21 de junho de 1851, querendo ainda corroboral-a com a
+presen&ccedil;a de mr. Oswell,
+attendendo a que muito anterior &aacute; sua
+apresenta&ccedil;&atilde;o no dito local, isto &eacute;, de
+fins do seculo passado at&eacute; ao presente, os portuguezes o
+teem passado e repassado em todos os pontos banhados pelas suas aguas.<br />
+
+<br />
+
+A paginas 79 e 80 o seguinte:<br />
+
+<br />
+
+<br />
+
+<div class="tinyl">&laquo;Fallando do reino de
+Matiamvo, e do desejo que tivera de
+visitar este potentado, diz o dr. Livingstone: Que lhe asseguram, assim
+os commerciantes
+indigenas, como os naturaes de Balonda
+(<em>Calundas?</em>) que um bra&ccedil;o
+consideravel do Zambeze, corre no territorio a leste da capital, e
+caminha ao sul.
+&laquo;Todo este bra&ccedil;o (accrescenta o dr. Livingstone)
+incluindo o ponto, d'onde toma a oeste,
+para Masiko (<em>Machico?</em>) est&aacute;
+assignalado no mappa (d'elle Livingstone) provavelmente em demasia ao
+nascente. Foi assim marcado quando eu pensava que o Matiamvo
+e Cazembe ficavam mais a leste do que tive ao depois motivo para
+julgar.
+Sendo todas estas indica&ccedil;&otilde;es derivadas do
+testemunho
+dos indigenas, eu as dou com desconfian&ccedil;a, e como carecendo
+de ser verificadas por novos exploradores.</div>
+
+<br />
+
+<br />
+
+Machico acossado por Pepe, e mais tarde seu tio Rimb&uacute;a, que
+habitava as lagoas do rio Nhengo, onde se tinha exilado, depois de
+Hebitane se assenhorear do paiz, foram fixar domicilio no mesmo local a
+oito horas de marcha, de distancia um do outro, onde vinham permutar
+seus negocios as comitivas procedentes das Pedras de Pungo-Andongo, de
+Cassange e do Bih&eacute;; mas depois de ser assassinado por seu
+tio Hipopa, este assenhoreou-se do dominio, que desfructou
+at&eacute; o momento de ser acclamado senhor do Lui, e por esse
+motivo aquelle ponto presentemente &eacute; dominio seu feudatario,
+dando logar a
+que n&atilde;o seja t&atilde;o concorrido.<br />
+
+<br />
+
+&Eacute; d'esse mesmo local que eu disse por occasi&atilde;o da
+passagem do illustre viajante para Loanda, achar-se apenas a dez dias
+de distancia da nascente do Riambeje, segundo as
+indica&ccedil;&otilde;es de
+Hipopa, que por vezes foi &aacute; ca&ccedil;a dos elephantes
+para essas
+partes. Com effeito, no espa&ccedil;o que medeia entre Machico e
+Catende para o sul e sudoeste, que s&atilde;o necessarios dez dias
+para percorrer, deve effectivamente
+encontrar-se a nascente do grande rio.<br />
+
+<br />
+
+De Catende para Catema, temos cinco dias, d'esta terra para Chaquilembe
+outros cinco dias; estas tres terras s&atilde;o tributarias do
+Matiamvo, e n'ellas limita o seu dominio com a tribu do Lui, do Luvar e
+do Quiboco, sendo em Chaquilembe que as comitivas procedentes das
+terras que acabei de designar, se refazem de mantimento para continuar
+a sua viagem mais para o centro, e quem, seguindo por ellas, tomar a
+direc&ccedil;&atilde;o do nordoeste e leste,
+n&atilde;o passa o Riambeje porque o deixa ao sul e sudoeste, como
+acabei de dizer.<br />
+
+<br />
+
+Agora, as comitivas da mesma procedencia tomando esta ultima
+direc&ccedil;&atilde;o, teem necessariamente de passar pelas
+terras de Musso-candanda
+<span class="pagenum">[32]</span>
+e Canunguessa, egualmente do dominio Matiamvo, e passar o Riambeje na
+sua nascente, a vau ou em ponte, segundo as localidades a que se
+dirigir.<br />
+
+<br />
+
+Se, pois, o illustre viajante, pondo de parte preconceitos mesquinhos e
+futeis puerilidades, tratando com mais afinco dos objectos em immediata
+rela&ccedil;&atilde;o com a sciencia, partisse de
+Machico com destino a estas ultimas terras, e n'ellas tratasse de
+investigar o que tanto
+prendia com o seu dever, teria sem duvida achado a chave do enigma,
+como seja a nascente do Riambeje, deixando por consequencia de luctar
+n'aquella duvida do ser e n&atilde;o ser, como infelizmente se veiu
+a realizar para a sua pessoa.<br />
+
+<br />
+
+A mesma pagina 80 o seguinte:<br />
+
+<br />
+
+<br />
+
+<div class="tinyl">&laquo;Expondo a extranheza que lhe
+causou o phenomeno de um rio
+correndo em duas direc&ccedil;&otilde;es oppostas, nota o dr.
+Livingstone que n&atilde;o advertira, quando tinha atravessado o
+Lotembua, qual direc&ccedil;&atilde;o toma a
+corrente d'este rio; mas que, tendo feito reparo, ao achar-se da outra
+banda do lago Dilolo, de que
+seguia para o sul, presumiu que nascia no grande pa&uacute;l, que
+observara
+indo para o nordeste, e continuava correndo para o meio dia;
+por&eacute;m que chegando
+&aacute; margem meridional, ali o informaram de que a parte do rio,
+que tinha acabado de
+atravessar, caminha ao norte, e n&atilde;o desagua no lago Dilolo,
+mas sim no rio
+Kasai. Posto que eu n&atilde;o observei a corrente (adverte
+Livingstone) de nenhuma
+sorte duvido de que seja exacta a asser&ccedil;&atilde;o, que
+ali&aacute;s
+me foi confirmada, nem de que, por conseguinte, o lago Dilolo sirva de
+reservatorio commum dos rios que v&atilde;o
+correndo uns para o nascente, outros para o poente.&raquo;</div>
+
+<br />
+
+<br />
+
+A este respeito s&oacute; a sciencia geographica pode apresentar um
+trabalho completo, o que n&atilde;o est&aacute; em
+rela&ccedil;&atilde;o com os meus conhecimentos; no entretanto,
+apresentarei aquillo de que posso dispor, dizendo que os rios de uma
+mesma origem, e com direc&ccedil;&otilde;es
+oppostas, abundam aqui em Africa:&#8213;aquelles de que tenho conhecimento
+segundo as informa&ccedil;&otilde;es obtidas, s&atilde;o os
+que
+seguem descriptos nas minhas differentes viagens:<br />
+
+<br />
+
+<em>Rio Loengue</em>, na terra de
+Miqueselumbue. <em>Rio
+Lungu&eacute;bungue</em>, no territorio Ganguella, das tribus
+Luchiaje e Bunda. <em>Rio
+Quando</em>, no territorio Ganguella, das tribus Zambueira e
+Bunda. <em>Rios Cuito da
+Zambueira, Cuime</em> e <em>Cuiba</em>, no
+territorio Ganguella, entre as tribus Luchiaje, Zambueira, e Quiboco. <em>Rios
+Caquema</em>,
+<em>Cuito</em> e
+<em>Cunhinga</em>, no territorio Quimbundo, do dominio do
+Bih&eacute;, descampado denominado Inhana
+Umbolobulo. <em>Rios Cubango</em> e
+<em>Cutato dos Mangoias</em>, no territorio
+Quimbundo proximo &aacute;s terras de Candumbo e Sambo, descampado
+denominado
+Acaca e Acatumbo. <em>Rios Quebe</em>
+(<em>Cubo</em> na sua foz ao sul de Loanda) e <em>Cunene</em>,
+no territorio Quimbundo, na
+terra do Ambo, montanha denominada <em>Ecunjo</em>, e
+assento da libata grande
+da dita terra, podendo dizer-se que, &eacute; ella e suas
+circumvisinhan&ccedil;as, a paragem
+onde t&ecirc;em origem todos os rios que deitam suas aguas no
+Atlantico, comprehendendo
+todo o litoral ao sul de Loanda at&eacute; Benguella.
+N&atilde;o falo do Cunene, visto que segue curso mais longiquo pelo
+interior, at&eacute;
+&aacute; sua foz ao Sul de Cabo Negro. Tambem &eacute; voz
+tradiccional que n'ella existem
+min, e
+assento da libata grande
+da dita terra, podendo dizer-se que, &eacute; ella e suas
+circumvisinhan&ccedil;as, a paragem
+onde t&ecirc;em origem todos os rios que deitam suas aguas no
+Atlantico, comprehendendo
+todo o litoral ao sul de Loanda at&eacute; Benguella.
+N&atilde;o falo do Cunene, visto que segue curso mais longiquo pelo
+interior, at&eacute;
+&aacute; sua foz ao Sul de Cabo Negro. Tambem &eacute; voz
+tradiccional que n'ella existem
+minas de oiro, explorado em principio do seculo actual pelo sertanejo
+de Benguella Jo&atilde;o Pedro Costa.
+<br />
+
+<br />
+
+<span class="pagenum"><a name="p33">[33]</a></span>
+A paginas 91 depois de fazer v&ecirc;r o illustre auctor do
+<em>Exame</em> que, o conhecimento da
+navega&ccedil;&atilde;o e do curso do Zambeze
+pelos portuguezes, j&aacute; &eacute; de antiga data, conclue
+como segue:<br />
+
+<br />
+
+<br />
+
+<div class="tinyl">&laquo;Eis aqui as palavras do
+homem t&atilde;o competente,
+como insuspeito a que me referi, fallo de mr. V. A. Malte-Brum, que
+dando noticia do mappa de
+Zambezia e Sofalla do sr. visconde (hoje marquez) de S&aacute; da
+Bandeira,
+que vae publicado no fim d'este volume (do exame) assim se explica.
+&laquo;<a href="#e6">A carta</a> que
+temos &aacute; vista
+comprehende a parte da Africa Austral, que se estende do 10.&ordm;
+ao 24.&ordm;
+grao de latitude meridional, e do 25.&ordm; ao 41.&ordm;
+gr&aacute;o de
+longitude
+oriental do meridiano de Greenwich.<br />
+
+<br />
+
+O mappa representa o curso do Zambeze desde Seshek, capital dos
+Makololos, at&eacute; &aacute; foz do rio, e tem por objecto
+fazer
+conhecido, qual &eacute; sobre as suas duas margens, e no interior
+do continente africano austral, os estados dos
+conhecimentos e dos dominios portuguezes.<br />
+
+<br />
+
+N&atilde;o ha duvida em que, por esta costa oriental da Africa, os
+portuguezes hajam ha muito penetrado muito mais &aacute;vante do
+que nenhuma
+na&ccedil;&atilde;o europea; mas tambem nada mais certo do que,
+quer fosse por motivos politicos, quer
+fosse por indifferen&ccedil;a <a href="#e7">relativamente</a>
+aos interesses scientificos, haver-se guardado silencio
+&aacute;cerca de descobertas que s&oacute; o engodo commercial
+tinha provocado. Hoje os portuguezes parece que soffrem o castigo
+d'este silencio premeditado; silencio que deu naturalmente
+occasi&atilde;o ao esquecimento; e comtudo elles
+reclamam a prioridade das descobertas feitas pelo reverendo David
+Livingstone sobre as
+margens do Chire e do Nhanja... O mappa permitte que se fa&ccedil;a
+id&eacute;a exacta da extens&atilde;o que tinha adquerido o
+dominio portuguez sobre a costa de Sofalla, e
+sobre as margens do Zambeze, e contem indica&ccedil;&otilde;es
+uteis,
+que debalde se procurariam n'outra parte.&raquo;</div>
+
+<br />
+
+<br />
+
+A prioridade das descobertas pelos portuguezes, est&aacute;
+demonstrando at&eacute; &aacute; saciedade que lhes pertence de
+facto e de
+direito, faltando unicamente para que fossem o que deviam ser, e era de
+esperar, que, o governo ou mesmo sociedades scientificas, enviassem
+homens praticos nos conhecimentos dos differentes ramos da sciencia
+humana, a fim de explorar, investigar, e descrever tudo o que teem
+immediata
+rela&ccedil;&atilde;o com essas descobertas, e quando tivessem
+a desgra&ccedil;a de serem
+seifados pela morte, como succedeu ao dr. Francisco Jos&eacute; de
+Lacerda e
+Almeida, era do dever n&atilde;o desanimar, proseguindo sempre na
+obra
+encetada at&eacute; o seu complemento. As honras, as grandezas, e
+os premios, foram
+instituidos para renumerar taes feitos, visto que como diz Mr.
+Matte-Brun, o engodo commercial obriga a grandes reservas, e distrae os
+espiritos para a sordida avidez dos interesses.<br />
+
+<br />
+
+Mas que &eacute; o que pode prosperar sobre a terra sem esse agente
+que se chama commercio?! Aquelles, que vivem exclusivamente d'elle,
+n&atilde;o s&atilde;o competentes para metter hombros a taes
+emprezas, e os
+exemplos temol-os de casa.<br />
+
+<br />
+
+Se a minha obra fosse o que deveria ser, ha muito que estaria
+publicada, e talvez que em diversas linguas, obrigando o illustre
+viajante, a se tornar mais commedido nos seus
+escriptos; n&atilde;o o tem sido pela falta de valor litterario,
+nunca &eacute; tarde
+por&eacute;m Se a minha obra fosse o que deveria ser, ha muito que
+estaria
+publicada, e talvez que em diversas linguas, obrigando o illustre
+viajante, a se tornar mais commedido nos seus
+escriptos; n&atilde;o o tem sido pela falta de valor litterario,
+nunca &eacute; tarde
+por&eacute;m para se emendar e corrigir erros.
+<br />
+
+<br />
+
+<span class="pagenum">[34]</span>
+As pag. 96 e 97 o seguinte. No cap. 12 escreve o dr. Livingstone:<br />
+
+<br />
+
+<br />
+
+<div class="tinyl">&laquo;Procurando certificar-me se
+por ventura Santura
+(<em>Sanduro?</em>) tinha sido visitado em algum tempo por
+homens brancos, n&atilde;o pude achar vestigios
+de tal visita: n&atilde;o existe prova de que alguem da tribu de
+Santura tivesse
+visto um homem branco antes da minha chegada e de Mr. Oswell em 1851.
+Aquelles povos n&atilde;o tem, &eacute; certo,
+recorda&ccedil;&otilde;es escriptas; por&eacute;m os
+acontecimentos notaveis s&atilde;o commemorados por nomes, como
+Parke observou ser costume nas terras por
+onde viajara. O anno da minha chegada foi honrado com o nome do anno em
+que
+chegou o homem branco. Depois da primeira visita de minha mulher muitas
+crean&ccedil;as tiveram o nome de <em>Ma-Roberto</em>
+(applicado &aacute; m&atilde;e e n&atilde;o ao filho,
+synonimo das primeiras lettras; depois do tra&ccedil;o &eacute;
+o nome do
+filho. A tribu Quimbunda serve-se das lettras Ma, para designar
+M&atilde;e) ou m&atilde;e de
+Roberto, nome do seu filho mais velho, outros tiveram o nome de
+Espingarda, Wagon, Monare, Jesus, etc,
+por&eacute;m posto que os nossos nomes e os dos nativos
+portuguezes, que vieram em
+1853, foram adoptados, n&atilde;o ha vestigio de que tivesse logar
+cousa
+semelhante mais cedo entre os Barotse: a visita do homem branco
+&eacute; acontecimento
+t&atilde;o notavel, que, se tivesse occorrido durante os ultimos
+cem annos, devia ter d'ella ficado
+tradi&ccedil;&atilde;o.&raquo;<br />
+
+<br />
+
+&laquo;&Eacute; muito para notar esta insistencia do dr.
+Livingstone em que n&atilde;o eram os portuguezes conhecidos dos
+Barotse. Esta demasiada insistencia faz
+desde logo nascer suspeitas no animo do leitor desprevenido, e
+m&oacute;rmente
+se porventura est&aacute; familiarisado com a maneira de escrever
+do celebre missionario: n'elle
+a insistencia longe de significar seguran&ccedil;a, quasi sempre
+indica
+hesita&ccedil;&atilde;o, e n&atilde;o acontecer&aacute;
+agora o mesmo? Examinemos.&raquo;<br />
+
+<br />
+
+&laquo;Em uma nota ao logar citado diz o dr. Livingstone:
+&laquo;Os Barotse d&atilde;o a si o nome de Buloiana, ou
+pequenos Baloi, como procedendo do Loi ou Lui,
+segundo a commum pronuncia&ccedil;&atilde;o. Lui tem sido
+visitado
+pelos portuguezes, por&eacute;m como a
+posi&ccedil;&atilde;o de Lui n&atilde;o est&aacute;
+bem fixada, voltaram-se as minhas indaga&ccedil;&otilde;es para
+verificar se porventura era a mesma que a de Naliele. Perguntando ao
+cabo dos Mambari, chamado Porto, se tinha ouvido dizer que Naliele
+tivesse
+anteriormente sido visitada, respondeu negativamente, e declarou
+&laquo;que por
+tres vezes tentara elle ir alli do Bih&eacute;, por&eacute;m
+que sempre lhe
+tolh&ecirc;ra o intento a tribu dos Ganguellas.&raquo; Elle
+quasi o conseguiu em 1852, por&eacute;m foi repellido. Agora
+(1853) tentou ir ao nascente de Naliele, mas retrocedeu para Barotse,
+n&atilde;o
+podendo ir al&eacute;m de Kamko, povoa&ccedil;&atilde;o
+situada junto ao rio
+Bashukulompo, a oito dias de distancia. A gente de Porto desejava com
+ardor obter a recompensa promettida pelo
+governo portuguez. O n&atilde;o ter sido elle bem succedido,
+confirmou-me
+na inten&ccedil;&atilde;o de ir para Oeste. Porto benevolamente
+se offereceu a acompanhar-me, querendo
+eu ir com elle ao Bih&eacute;, por&eacute;m, n&atilde;o
+acceitando eu, precedeu-me a Loanda, e, estava publicando o <em>Diario</em>
+da sua viagem,
+quando cheguei &aacute;quella cidade. Ben-Habibe contou-me que
+Porto tinha remettido cartas para Mo&ccedil;ambique
+pelo arabe Ben-Chombo, que eu conheci; e depois assegurou, em Portugal,
+que elle mesmo
+f&ocirc;ra a Mo&ccedil;ambique com as suas cartas.&raquo;</div>
+
+<br />
+
+<br />
+
+O illustre viajante sendo menos exacto na
+exposi&ccedil;&atilde;o dos factos, taes, como se deram,
+permitta-me de os narrar como se passaram.<br />
+
+<br />
+
+No dia 1.&ordm; de fevereiro de 1853, cheguei na terra do Lui,
+margem
+direita do Riambeje, isto &eacute;, ao estabelecimento feito pelos
+meus empregados em 1850, sendo n'este mesmo mez que passei para a
+margem esquerda, e dei principio e fim ao novo estabelecimento, e
+ficando por consequencia depois da sua conclus&atilde;o, esperando,
+que chegasse a
+<span class="pagenum">[35]</span>
+licen&ccedil;a do
+soba Hiquereto, para a comitiva tomar os seus
+differentes destinos.<br />
+
+<br />
+
+Com effeito, ella n&atilde;o se fez muito demorada, porque a 12 de
+mar&ccedil;o chegaram os emissarios do soba Pepe que tinha partido
+para Rinhande &aacute; nossa chegada no paiz, juntos a outros do
+soba
+Hiquereto, que acompanhavam doze dentes grandes de elephante para
+permutar por polvora, com ordem para a comitiva transitar por onde bem
+lhe conviesse: o que logo se levou a effeito, visto que tudo se achava
+prestes para o dito fim; bem assim a partida da comitiva de
+Mo&ccedil;ambique, realizada a 25 do j&aacute; citado mez e
+anno, como egualmente tive
+occasi&atilde;o de falar.<br />
+
+<br />
+
+Projectando Pepe, em fins de maio, prestar homenagem ao seu Suzerano, e
+em atten&ccedil;&atilde;o, &aacute; qualidade de seu
+hospede com que era tratado, convidou-me para a jornada, que,
+gostosamente acceitei, em virtude da recente noticia da chegada de um
+homem branco com carros a Rinhande. Este homem era o illustre viajante.
+<br />
+
+<br />
+
+Partimos a 20 de junho, eu por terra, o soba Pepe pelo Riambeje, em
+companhia de quem enviei Jorge Jos&eacute; Motta meu empregado, com
+dois fardos de fazendas, (esta fazenda voltou intacta para o
+estabelecimento) para permutar por marfim, segundo a
+indica&ccedil;&atilde;o d'aquelle.<br />
+
+<br />
+
+A 3 de julho cheguei a Quiceque, onde, os primeiros emboras da minha
+recep&ccedil;&atilde;o foram a noticia do assassinato do
+soba Pepe, trai&ccedil;oeiramente, &aacute;s m&atilde;os de
+seu primo Hiquereto, e victima por
+consequencia da sua bonhomia e boa f&eacute;.<br />
+
+<br />
+
+Confesso que bastante impressionado fiquei com tal acontecimento,
+fazendo-me luctar na alternativa de retroceder, ou de proseguir
+&aacute;vante, mas vencendo esta fraqueza, optei em proseguir a
+minha jornada,
+chegando a Rinhande a 12 do j&aacute; citado mez, onde fui
+minuciosamente
+informado, pelo dito meu empregado, do homicidio em quest&atilde;o,
+o qual o illustre viajante em virtude dos seus usos, teria o cynismo de
+attribuir a connivencia nossa e os mais que ap&oacute;s se seguiram
+na
+desditosa familia da victima, quando o pequeno le&atilde;o senhor
+do Lui
+fosse assistido de qualquer portuguez, como era assistido da sua
+pessoa.<br />
+
+<br />
+
+Pela minha parte n&atilde;o lhe quero arrogar semelhante injuria.<br />
+
+<br />
+
+No dia 13 estava prestes a seguir para a libata grande ou
+povoa&ccedil;&atilde;o do soba, comprimentar este, reservando
+para depois a mesma cerimonia para com o branco, que os indigenas
+appellidavam geralmente de <em>Monare</em> (synonymo de
+negociante ou
+sertanejo, como o illustre viajante me disse), quando, inesperadamente
+se apresenta o primeiro seguido de um numeroso sequito, como
+&eacute; de costume entre os
+Macorrollos, e ap&oacute;s elle, o illustre viajante, pelas nove
+horas da
+manh&atilde;.<br />
+
+<br />
+
+Depois de trocados os comprimentos do estylo, puzemo-nos a conversar;
+segundo as minhas indica&ccedil;&otilde;es falava o interprete
+Joaquim Marianno, conhecido dos indigenas pelo appellido de
+<em>Hindere</em> (synonymo de branco na lingua quimbunda),
+com Hiquereto, j&aacute; seu
+conhecido da viagem de 1850, pastoreando elle ao tempo o gado no Lui,
+como
+j&aacute; tive occasi&atilde;o de falar, e eu, com o illustre
+viajante que,
+dirigindo-me a palavra sobre se eu falava inglez, francez, latim, etc.,
+respondi negativamente,
+<span class="pagenum">[36]</span>
+n&atilde;o dissimulando o meu constrangimento em
+presen&ccedil;a de taes interroga&ccedil;&otilde;es.<br />
+
+<br />
+
+Apresentei-lhe papel e lapis a fim de inscrever o seu nome, o que fez,
+fazendo eu outro tanto por baixo, bem assim, passei a inscrever o de
+Caetano Jos&eacute; Ferreira, segundo a
+indica&ccedil;&atilde;o do illustre viajante, trabalho a que se
+n&atilde;o quiz dar na occasi&atilde;o da
+visita do mesmo senhor no local, pelo julgar,
+qui&ccedil;&aacute;, de superfluo;
+retirando-se o soba e o seu sequito, bem assim o illustre viajante,
+eram onze horas.<br />
+
+<br />
+
+No dia 14 recebi dois dentes grandes de elephante e um boi, presente do
+soba Hiquereto, que retribui na occasi&atilde;o, e mais tarde,
+na minha retirada para o Bih&eacute;, e n'este dia, pelas dez
+horas,
+fui retribuir as visitas recebidas na vespera, a primeira ao soba por
+ter a certeza de que n&atilde;o seria t&atilde;o demorado, e a
+segunda ao
+illustre viajante, onde me demorei bastante tempo e tive a honra de
+jantar.<br />
+
+<br />
+
+Antes por&eacute;m de proseguir &aacute;vante, permitta-me o
+illustre viajante, que passe a transcrever os trechos que seguem, e que
+vem aqui muito a proposito; o primeiro tem
+rela&ccedil;&atilde;o com o
+assassinato do infeliz soba Pepe, prova de que nada diz a seu respeito,
+e &eacute; este:<br />
+
+<br />
+
+&laquo;<em>10 de julho de 1853.</em>
+Continu&aacute;mos a viagem, e fomos fazer quilombo nas
+povoa&ccedil;&otilde;es de Rinhande. Caminho plano, mattos
+de espinheiro, e palmeiras, abundante de sal, terreno fertil, leguas
+andadas 6, rumo de oeste. Este local serviu de theatro ao mais atroz
+attentado, no assassinato do infeliz soba Pepe, perpetrado por seu
+primo o soba Hiquereto. O homicida n&atilde;o tendo a menor
+considera&ccedil;&atilde;o para com aquelle que espontaneamente
+lhe havia entregue o poder, t&atilde;o cobarde
+se mostrou, que o commetteu &aacute; trai&ccedil;&atilde;o,
+e revestido
+do seguinte facto: Em maio do corrente anno, partiu Borollo da capital
+do Lui, dizendo ao seu superior que seguia para Rinhande a visitar
+Hiquereto; na realidade
+assim se verificou, por&eacute;m, o objecto da sua visita teve por
+fim a ambi&ccedil;&atilde;o do poder em mira, servindo-se das
+armas
+da calumnia, para levar a cabo seus malevolos intentos contra quem o
+havia salvo da morte, livrando-o da azagaia de seu irm&atilde;o o
+defuncto soba
+Hebitane; diz o rif&atilde;o que &laquo;quem seu inimigo poupa
+nas
+m&atilde;os lhe vem a morrer&raquo;. Tendo a calumnia na mente
+do inexperto soba sortido o desejado effeito,
+com a sua inexperiencia de mo&ccedil;o e selvagem, n&atilde;o
+quiz recorrer a provas para a salvadora
+justifica&ccedil;&atilde;o da victima, mas
+sim, servindo de juiz e algoz a um tempo, saciou a sede de sangue
+n'aquelle que lhe apontavam
+de rival. Foi, pois, n'este local, que sahindo ao encontro da sua
+victima, e a titulo de obsequio, a deshoras, commetteu o homicidio,
+degolando o infeliz. Egual sorte espera no futuro o calumniador, muito
+principalmente n'este paiz, em que a vontade do chefe &eacute; a
+lei suprema.&raquo;<br />
+
+<br />
+
+Os dois paragraphos que seguem &eacute; para que o leitor possa
+avaliar o cavalheirismo do illustre viajante, na linguagem empregada
+nos seus escriptos em rela&ccedil;&atilde;o &aacute; minha
+pessoa.<br />
+
+<br />
+
+&laquo;<em>13 de julho.</em> Fui visitado
+pelo soba Hiquereto, que esteve a conversar perto de duas horas no
+quilombo, ao cabo de cujo espa&ccedil;o, e seguido do seu sequito,
+se retirou &aacute; sua
+povoa&ccedil;&atilde;o. Ao mesmo tempo tive a honra da receber
+a visita do dr. David Livingstone, missionario
+<span class="pagenum"><a name="p37">[37]</a></span>
+inglez, enviado pela Sociedade da propaganda
+da f&eacute; em
+Londres, a fim de explorar o interior de Africa.&raquo;<br />
+
+<br />
+
+&laquo;<em>14 de julho</em>. Fui visitar
+o dr. Livingstone, e vendo at&eacute; que ponto pode chegar a
+industria dos inglezes, completamente admirei o seu arrojo. A comitiva
+do dr. &eacute; composta de oito pessoas, e em
+geral, bem como elle, falam perfeitamente a lingua dos macorrollos;
+dois grandes carros de quatro rodas cada um, e puxados cada qual por
+seis juntas de bois, transportam uma immensa bagagem, que, a ser
+conduzida por pretos, indispensavel seriam sessenta carregadores.
+Sahindo, pois, do Cabo da Boa Esperan&ccedil;a, at&eacute;
+&aacute; capital
+do povo Macorrollo, gastou seis mezes de viagem, passando unicamente
+dois rios caudalosos, Orange, proximo do Cabo, e Quando, proximo de
+Rinhande; havendo ao mesmo tempo paragens, nas quaes n&atilde;o
+encontrava agua em cinco dias
+consecutivos. &Eacute;, pois, esta a segunda viagem do dr. David
+Livingstone a Rinhande, e a querer emprehender viagem para o Occidente
+com taes carros, inteiramente se tornava impossivel, em virtude dos
+mattos
+fechados a percorrer, serras a transpor, grandes paues, e finalmente
+abundancia de rios caudalosos. Teve a bondade de me fazer ver todos os
+seus mappas, uns completos e outros incompletos, e ao mesmo tempo, que
+desejava seguir em minha companhia at&eacute; &aacute;
+capital de Angola, ao que annuindo, lhe fiz ver que com muito gosto
+acceitava a sua
+companhia; depois de nos havermos despedido, retirei-me ao
+quilombo&raquo;.<br />
+
+<br />
+
+Tornando ao assumpto de que me tinha desviado. Depois dos comprimentos
+indispensaveis, o illustre viajante apresentou-me os seus mappas, uns
+completos e outros incompletos, e um mappa antigo
+portuguez, de pequeno formato, contra cujo auctor se mostrou o illustre
+viajante agastado, por n&atilde;o haver marcado precisamente como
+era do seu dever, a posi&ccedil;&atilde;o e largura do rio
+Loanja,
+apresentando-o muito f&oacute;ra do seu natural.<br />
+
+<br />
+
+Objectei que os rios na esta&ccedil;&atilde;o invernosa,
+s&atilde;o uma cousa, e na esta&ccedil;&atilde;o secca,
+<a href="#e8">outra</a>, talvez que essa mesma
+circumstancia se desse em
+rela&ccedil;&atilde;o ao rio Loanja, sendo visitado na primeira
+d'essas esta&ccedil;&otilde;es pelo auctor do dito mappa, o que
+o fizera cahir em erro, mas que tendo eu transitado pela sua margem
+direita, tres dias consecutivos, e trazendo a
+direc&ccedil;&atilde;o do sul para Quiceque, lhe assignalara
+tres bra&ccedil;as de largo, sem comtudo o haver passado, e com a
+particularidade de ser na
+esta&ccedil;&atilde;o secca; n&atilde;o insistindo mais
+sobre este ponto, aqui terminou o
+incidente, do qual me tornarei a occupar. Disse mais se tinha conhecido
+o soba Hebitane. A uma proposi&ccedil;&atilde;o t&atilde;o
+insolita, respondi indicando o interprete Joaquim Mariano; a isto nada
+retorquiu.<br />
+
+<br />
+
+Perguntou mais quantos dias eram do Bih&eacute; ao logar em que nos
+achava-mos; respondi que s&oacute; apresentando o Diario da minha
+viagem poderia dizer alguma cousa com precis&atilde;o.<br />
+
+<br />
+
+Fomos jantar, e depois d'este, apresentou-me o illustre viajante um
+mappa em branco, que desenrolou; deu-me um lapis, a fim de marcar a
+posi&ccedil;&atilde;o do Bih&eacute;, e pontos
+principaes por onde tinha transitado. Mais um vexame para mim, por me
+fazer passar por ignorante aos olhos do illustre viajante, visto que
+tive mais de uma vez de lhe responder negativamente, dizendo
+n&atilde;o ter os conhecimentos necessarios
+<span class="pagenum"><a name="p38">[38]</a></span>
+para tal. Enrolou o mappa, que guardou, bem assim a bussola, e depois
+apresentou-me a carta do cavalheiro Duprat, especie de circular
+&aacute;s auctoridades e subditos de S. M. F., recommendando o
+illustre viajante, a qual, depois de ter acabado de ler, dobrei e
+entreguei; e como fossem j&aacute; cinco horas da tarde despedi-me
+e retirei ao
+quilombo.<br />
+
+<br />
+
+No dia 15 de julho, fui percorrer a povoa&ccedil;&atilde;o de
+Rinhande, e tendo sido prevenido de que Hiquereto partia no dia
+seguinte para o Lui, pelo Riambeje, em companhia do illustre viajante
+(foi n'esta
+occasi&atilde;o que elle visitou a catarata Cungo
+(<em>Chungo</em>) ou Mosioatunia, e que
+tiveram logar os assassinatos de que acabei de falar, na desditosa
+familia do infeliz soba Pepe) dispuz a minha partida para o mesmo dia,
+mas por terra, e pelo mesmo caminho da vinda, em consequencia de ter
+ficado a minha cavalgadura no caminho, a quatro dias de distancia de
+Quiceque, por motivo da mosca
+<em>Zeze</em> em que abunda as margens do Loanja, do que
+j&aacute; tive occasi&atilde;o de falar.<br />
+
+<br />
+
+A 16 de julho parti de Rinhande, e depois de vinte dias gastos no
+caminho, em marchas e demoras, cheguei ao estabelecimento a 4 de
+agosto. Acto continuo &aacute; minha chegada mandei chamar a gente
+que tinha partido para Mo&ccedil;ambique a 25 de mar&ccedil;o,
+a fim do
+seu chefe dar conta dos motivos que originaram o aborto da viagem,
+cujos se acham
+descriptos no logar competente. Ap&oacute;s esta audiencia tambem
+mandei
+chamar as pessoas principaes da comitiva, a quem expuz os pormenores
+relativos &aacute; viagem que acabava de fazer, bem assim a
+ten&ccedil;&atilde;o immediata de continuar jornada para o
+nordeste, a fim de me encontrar com os pombeiros de Miqueselumbue,
+unicos que faltavam no estabelecimento. Isto era um dever a que me
+n&atilde;o podia eximir, segundo a
+pratica estabelecida, e concluido elle, dei por terminada esta segunda
+audiencia, e ordem para os preparativos de partida.<br />
+
+<br />
+
+No dia 5 de agosto apresentei-me na libata grande, onde pernoitei, a
+fim de comprimentar Hiquereto, bem assim o illustre viajante;
+retirando-me no dia 6, visto haver cumprido esse dever de civilidade.
+N'esta povoa&ccedil;&atilde;o denominada Nariere, entre outras
+coisas de que fal&aacute;mos, veiu a do illustre viajante fazer
+men&ccedil;&atilde;o dos
+recentes assassinatos, consequencia do trama preparado por Borollo;
+respondi que egual sorte aguardava este no <a href="#e9">futuro</a>.
+Disse mais que desejava viver retirado, e, se, com este
+intuito n&atilde;o haveria para o occidente uma
+terra para n'ella residir; respondi negativamente, visto que o illustre
+viajante havia delineado um segundo paraiso. E, interrogado mais sobre
+se em Loanda haviam hospedarias, e inglezes, respondi affirmativamente,
+accrescentando elle que, pretendia dirigir-se a Ribonda fazer algumas
+observa&ccedil;&otilde;es, e que no seu regresso aproveitaria o
+ensejo para me visitar; a que retorqui achar-me &aacute;s suas
+ordens.<br />
+
+<br />
+
+No dia 7 alevantei com direc&ccedil;&atilde;o ao nordeste a
+encontrar-me com os pombeiros de Miqueselumbue nas margens do Loengue,
+unicos que faltavam no estabelecimento de entre o grande numero que
+tinha
+despachado para diversas paragens, como acabei de dizer, e prompto para
+despachar pela segunda vez a comitiva para Mo&ccedil;ambique, isto
+depois de ter recommendado o bom agasalhado do illustre viajante, como
+&aacute; minha propria pessoa.
+<br />
+
+<br />
+
+<span class="pagenum"><a name="p39">[39]</a></span>
+Nos mattos, a dois dias de distancia, da terra de Miqueselumbue, isto
+&eacute;, depois de dezaseis dias de marcha, e no dia 22 de
+agosto, encontramo-nos, passando acto continuo a tomar contas aos
+diversos negociadores sobre a permuta&ccedil;&atilde;o que
+haviam feito. No
+entretanto, a minha miss&atilde;o n&atilde;o estava terminada;
+tinha vindo ao
+encontro d'esta gente, &eacute; certo; mas no seu numero faltava a
+arabe Ben-Habibe, a quem eu queria confiar a minha gente para a viagem
+de Mo&ccedil;ambique, pelo
+julgar mais habil que seu tio Ben-Chombo, que j&aacute; se tinha
+recolhido ao
+estabelecimento, e ambos haviam recebido fazendas minhas. Mas havendo
+ficado ainda &aacute; retaguarda, e n&atilde;o me sendo
+possivel ter
+mais demora, no dia seguinte 23 de agosto retrocedendo para o Lui,
+<a href="#e10">cheguei</a> ao estabelecimento a 6 de
+setembro,
+tendo a noticia de que o soba Hiquereto, bem assim o illustre viajante,
+tinham partido para Rinhande cinco dias
+antes da minha chegada. Acto continuo mandei chamar Ben-Chombo ao qual
+propuz a commiss&atilde;o de Mo&ccedil;ambique em companhia da
+minha gente, mediante o perd&atilde;o da quantia em que tinha
+ficado
+alcan&ccedil;ado, e a gratifica&ccedil;&atilde;o de cem
+pezos, no caso de bom exito, acceitando promptamente e ficando por
+consequencia &aacute; minha
+disposi&ccedil;&atilde;o; (ainda n&atilde;o satisfiz esta
+divida em virtude de se n&atilde;o ter apresentado o arabe depois
+que desempenhou a commiss&atilde;o) tratando-se unicamente n'este
+meio tempo dos preparativos das duas viagens: a de
+Mo&ccedil;ambique realisada
+a 22, e a minha para o Bih&eacute; levada a effeito a 30 d'esse
+mesmo
+mez.<br />
+
+<br />
+
+Posto isto, direi que, em referencia &aacute; terra n&atilde;o
+ser visitada por branco algum, antes, e mesmo no tempo de Sanduro, se o
+illustre
+viajante se d&eacute;sse ao incommodo de visitar o local onde jaz
+sepultado
+este mesmo soba, (todos os sobas depois de acclamados t&ecirc;em
+por
+habito construir a sua respectiva povoa&ccedil;&atilde;o, ahi
+residem,
+e ahi s&atilde;o enterrados, e sempre no valle de Lui) alli
+encontraria vestigios do contrario
+n'umas campainhas que foram do dito Sanduro: eis o que digo
+relativamente:<br />
+
+<br />
+
+&laquo;<em>15 de setembro de 1867.</em>
+Hoje fui ao local de romagem dos sobas primitivos d'este povo, e,
+tambem dos senhores intrusos durante o seu dominio no paiz, que nada
+teem a admirar, exceptuando as
+E&ccedil;andeiras e Palmeiras que contam para mais de seculo de
+existencia, seguindo a posi&ccedil;&atilde;o das mesmas a
+f&oacute;rma oval, como
+s&atilde;o todas as povoa&ccedil;&otilde;es dos selvagens;
+hoje, apenas apresenta a f&oacute;rma semi-circular,
+visto que o tempo destruindo algumas da parte de sueste, damnificou de
+alguma maneira o todo pittoresco do local, em consequencia da
+situa&ccedil;&atilde;o que occupa no meio d'este descampado
+immenso, e despovoado de arvoredo, que, tem uma
+eleva&ccedil;&atilde;o de dez p&eacute;s acima
+do nivel terreo, onde nunca chegou a agua, mesmo em annos de grande
+inunda&ccedil;&atilde;o; e que segundo
+informa&ccedil;&otilde;es dos velhos que me assistiram,
+foi mandado entulhar pelo soba Sanduro.<br />
+
+<br />
+
+&laquo;Proximo do mesmo, sobranceiro ao Riambeje pequeno, do lado
+do norte, e junto, do lado de leste, existem duas
+povoa&ccedil;&otilde;es a cargo de cujos habitadores
+est&aacute; confiada a sua limpeza; no centro,
+e junto de uma corpulenta E&ccedil;andeira, est&aacute; a
+sepultura do
+fundador que com facilidade se distingue em virtude de oito grossas
+forquilhas de pau ferro com as hastes bastante compridas e agudas, e
+nas quaes o soba manda depositar uma pe&ccedil;a de fazenda fina,
+(&eacute; primeiramente rasgada
+<span class="pagenum">[40]</span>
+aos peda&ccedil;os) logo que na terra faz entrada qualquer comitiva
+de sertanejos, e que ahi &eacute; consumida pelo tempo. Tambem ahi
+encontrei quatro campainhas antigas.<br />
+
+<br />
+
+&laquo;Como fosse prevenido para o effeito, depositei egualmente
+quatro jardas de algod&atilde;o e quatro campainhas pelos ditos
+paus,
+presenteando egualmente o chefe do local, velho de oitenta janeiros,
+com duas jardas de baeta, e missanga aos seus companheiros e para a
+turba que me rodeava; ap&oacute;s o que me retirei, deixando todos
+satisfeitos da minha visita, qui&ccedil;&aacute;, que anhelando
+outras identicas
+pelo proveito que d'ellas lhes resulta. Spleen de Londres, e vento
+vario de dia e de noite.&raquo;<br />
+
+<br />
+
+De que parte sahiram essas campainhas antigas de que acabo de fazer
+men&ccedil;&atilde;o: do Oriente ou do Occidente?<br />
+
+<br />
+
+Quem &eacute; tambem o auctor do mappa de pequeno formato, antigo e
+portuguez, cujo auctor tanto tinha attrahido a colera do illustre
+viajante, pelo erro relativo ao rio Loanja?<br />
+
+<br />
+
+O povo Lui segue o costume de beijar as palmas das m&atilde;os, e
+tambem o de se oscular, costume que ainda n&atilde;o vi reproduzido
+entre as mais tribus d'estas paragens; isto quando por qualquer
+circumstancia
+se avistam parentes e amigos, ou mesmo por caso fortuito se encontram;
+se o soba segue para a guerra, e dada a circumstancia de regressar
+victorioso, o povo de ambos os sexos acode pressuroso ao seu encontro
+para o victoriar. Como emblema da victoria, cada individuo
+previne-se de dois ramos verdes de arvore especial, que leva em cada
+uma das m&atilde;os, e chegado na margem de qualquer rio, lago
+ou lag&ocirc;a, mettem-n'os como emers&atilde;o na agua,
+tirando-os acto continuo, e espargindo-se &aacute;
+imita&ccedil;&atilde;o de agua
+benta, e como que purificando-se.<br />
+
+<br />
+
+Concluida esta primeira cerimonia, a um tempo, e seja qual
+f&ocirc;r o numero de pessoas, todas em ala, com os ramos sempre
+nas
+m&atilde;os, canto monotono e candenciado, mas que tem um tanto de
+agradavel e harmonico, em louvor do soba e dos seus, pela victoria
+acabada de alcan&ccedil;ar, a passo grave e candenciado, dirigem-se
+em ala
+para elle. A um tempo tudo se prosta de joelhos, dando principio de lhe
+beijar as palmas das m&atilde;os, alternadamente a direita e
+esquerda;
+primeiramente as pessoas de elevada jerarchia, seguindo-se
+ap&oacute;s estas, as
+pessoas plebeias, isto por tres vezes successivas, tendo
+logar
+primeiramente a espars&atilde;o da agua, a fim de ter logar
+ap&oacute;s a
+mesma, o beijar das palmas das m&atilde;os. Os osculos teem logar
+entre pessoas de
+egual jerarchia; o soba &eacute; t&atilde;o s&oacute;mente
+osculado por pessoas da sua familia, &aacute;s quaes tributa alguma
+considera&ccedil;&atilde;o.<br />
+
+<br />
+
+Dado o caso de ser em occasi&atilde;o do seu regresso, e depois de
+transpor os limites da capital, que a turba venha ao seu encontro, o
+soba p&aacute;ra, e egualmente o povo da guerra, a fim de ter logar
+a cerimonia que acabo de descrever: continuando da mesma
+f&oacute;rma na libata
+grande, at&eacute; que o povo em geral, da capital, tenha cumprido
+tal dever, acompanhado de tributo segundo o custume do paiz, mas
+tributo que se n&atilde;o torna oneroso, visto que cada pessoa
+deposita aos
+p&eacute;s do soba aquillo de que pode dispor, e em virtude do
+habito de que ninguem se lhe apresenta sem que leve alguma cousa.
+<br />
+
+<br />
+
+<span class="pagenum">[41]</span>
+D'onde, pois, veiu tal habito ao povo Lui: dos missionarios catholicos
+ou protestantes? creio que d'aquelles e n&atilde;o d'estes, em
+presen&ccedil;a de n&atilde;o haver exemplos em contrario.<br />
+
+<br />
+
+Finalizo dizendo que na digress&atilde;o por mim feita a
+encontrar-me com os pombeiros de Miqueselumbue, gastei at&eacute;
+ao logar do
+encontro, dois dias &aacute;quem do rio Loengue, 16 dias. Para
+Mo&ccedil;ambique, da primeira vez em que a viagem abortou, sahindo
+a minha gente como j&aacute;
+disse do estabelecimento a 25 de mar&ccedil;o de 1853
+at&eacute;
+&aacute; terra do soba Camgomba, al&eacute;m do rio Lohunje, em
+7 de junho do citado anno, 75 dias, sendo 46 de viagem e 23 de demora
+nos differentes pontos por onde transitou; recorrendo, pois, o illustre
+viajante ao seu mappa, e no
+qual grandes modifica&ccedil;&otilde;es teem a fazer,
+vir&aacute; no conhecimento da falta que commetteu em se deixar
+levar das informa&ccedil;&otilde;es
+menos bem cabidas de Ben-Habibe.<br />
+
+<br />
+
+Em identico caso estamos na minha precedencia ao illustre viajante a
+Loanda, bem assim na minha ida a Portugal. As minhas viagens
+at&eacute; o presente, a partir da epocha em que tivemos a honra de
+nos conhecer-mos, teem-se limitado unicamente: da terra do
+Bih&eacute; para a cidade de Benguella, e vice-versa, e da terra do
+Bih&eacute; para
+o Lui, e vice-versa. E que, &aacute; imita&ccedil;&atilde;o
+do
+illustre viajante poderia eu egualmente desmentir as suas palavras sob
+a asser&ccedil;&atilde;o de ter
+visitado o Riambeje em companhia de Mr. Oswell, em 21 de junho de 1851,
+mas sim haver realisado tal excurs&atilde;o na sua segunda viagem
+em
+1853, da qual data a sua visita &aacute; catarata Chungo ou
+Mosioatunia,
+visto que assim me foi affirmado por Hipopa, dizendo que na
+occasi&atilde;o
+em que o illustre viajante e Mr. Oswell, se dirigiam para Quiceque,
+tivera
+logar o seu encontro com a comitiva de Pepe e Hiquereto, que se
+dirigiam para Rinhande, em consequencia da morte do soba Hebitane, e
+que regressando, se retir&aacute;ra poucos dias depois para o Cabo,
+fazendo tal excurs&atilde;o na segunda viagem como acabo de dizer.<br />
+
+<br />
+
+Fa&ccedil;o simplesmente a narra&ccedil;&atilde;o, tal como
+me foi affirmada; mas n&atilde;o respondo por ella.<br />
+
+<br />
+
+A paginas 120, o seguinte.<br />
+
+<br />
+
+<br />
+
+<div class="tinyl">&laquo;Por occasi&atilde;o de
+encarecer a
+affei&ccedil;&atilde;o dos Bechuanas aos filhos, quando estes
+ainda em tenra edade, diz o dr. Livingstone: &laquo;Tive
+conhecimento de varios casos de av&oacute;s que amamentaram os
+netos. Masina de Kuruman
+n&atilde;o tinha tornado a ter filhos desde o nascimento de sua
+filha Sina, e n&atilde;o tinha
+leite depois que Sina fora desmamada, o que costuma ter logar quando a
+crean&ccedil;a tem dois
+ou tres annos de edade. Sina casou quando contava dezesete ou dezoito
+annos, e teve
+dois gemeos. Masina, decorrido o intervallo pelo menos de quinze annos
+desde que
+amamentara o ultimo filho, pegou de uma das crean&ccedil;as e a poz
+ao peito,
+e o leite correu em tal abundancia, que ella poude s&oacute; por si
+alimental-a. Masina contava ent&atilde;o pelo menos quarenta
+annos.&raquo;</div>
+
+<br />
+
+<br />
+
+Vou egualmente corroborar o facto apresentado pelo illustre viajante.
+No Bih&eacute; havia uma familia oriunda de paes europeus,
+fallecidos muito tempo antes da minha chegada ao paiz; o chefe era
+homem que sustentava a m&atilde;e, velha sexagenaria, e duas filhas
+que
+vinham a ser netas da velha; das quaes, tendo-se amancebado a mais
+velha, que foi
+<span class="pagenum"><a name="p42">[42]</a></span>
+habitar para a
+companhia d'aquelle que a tinha escolhido para sua companhia, veiu a
+constar a familia unicamente de tres pessoas.
+Acontecendo por&eacute;m este mesmo homem ter a desgra&ccedil;a
+de ser
+arguido de feiticeiro por um europeu, que levou a barbaridade a ponto
+de o mandar assassinar, segundo o estylo do paiz, ficou por
+consequencia a familia sem chefe, seguindo a av&oacute;, e a neta
+por tomar estado, para a
+companhia d'aquelle que, ainda n&atilde;o havia decorrido um anno
+tinha
+elegido para sua companheira a filha do homem barbaramente assassinado,
+e o qual cumprindo os deveres d'este, veiu a ser o arrimo da familia,
+succedendo por essa occasi&atilde;o dar a sua companheira
+&aacute; luz um
+infante, mas fallecendo poucas horas depois do parto.<br />
+
+<br />
+
+A pobre creatura ferida no amago d'alma por dois golpes, se pode dizer
+repetidos, a perda do filho que era o seu arrimo, e
+ap&oacute;s ella a perda da neta, sabendo ser delicto entre a tribu
+Quimbumda que reduz &aacute; escravid&atilde;o a familia que em
+virtude de um tal
+acontecimento entregasse a crean&ccedil;a a peitos estranhos para
+amamentar: toma o bisneto recemnascido em seus bra&ccedil;os, e
+trata de cumprir o dever do
+amor maternal, alimentando-o a seus resequidos peitos, a que acorde
+copiozo alimento, o qual serve de conservar a existencia ao innocente
+por
+espa&ccedil;o de um mez, no fim do qual expirou, mas em virtude de
+doen&ccedil;a que lhe sobreveiu.<br />
+
+<br />
+
+Por egual extraordinario, talvez, em tal acontecimento, &eacute; a
+natureza ter produzido um ente em paiz culto, que em Africa, pela falta
+absoluta de conhecimentos, de mistura com a sua fraqueza veiu a
+adquirir os habitos dos selvagens, tornando-se uma fera como aquellas
+que habitam as selvas, por suggest&otilde;es d'aquelles que o
+rodeavam. E para honra da humanidade taes actos apontam-se.<br />
+
+<br />
+
+A paginas 158 o seguinte.<br />
+
+<br />
+
+<br />
+
+<div class="tinyl">&laquo;As ald&eacute;as dos
+Barotse s&atilde;o
+construidas
+sobre defezas, algumas das quaes dizem que foram elevadas
+<a href="#e11">artificialmente</a> por Santuru,
+antigo chefe dos
+Barotse, e, durante a inunda&ccedil;&atilde;o, todo o valle
+toma a
+apparencia de um grande lago, com as ald&ecirc;as sobre as defezas
+como ilhas, do mesmo modo que
+succede no Egypto com as ald&ecirc;as dos egypcios.&raquo;</div>
+
+<br />
+
+<br />
+
+J&aacute; tive occasi&atilde;o de falar d'este local onde jaz
+sepultado o pae do actual soba do paiz, unico que foi mandado aterrar
+por elle, e tambem de que ha exemplo; os mais logares ficam pelo
+descampado ou valle, onde
+residiram e foram enterrados os antecessores do actual soba, (a sua
+povoa&ccedil;&atilde;o corre de noroeste para sueste,
+&eacute; a maior que tem existido, e
+approximadamente cont&eacute;m duas mil pessoas; por
+occasi&atilde;o da inunda&ccedil;&atilde;o d'este anno
+n&atilde;o fizeram mudan&ccedil;a, visto que a agua
+se conservou a vinte passos de distancia do local) e do povo Lui
+propriamente dito que em parte habita os lados marginaes ou encosta dos
+mattos, e em parte o descampado, sobre monticulos de maior ou menor
+ambito e eleva&ccedil;&atilde;o, nos quaes pela maior parte
+tambem
+cultivam o gr&atilde;o, que fica sempre de vez em antes de se
+realisar o periodo da
+inunda&ccedil;&atilde;o, &aacute;
+excep&ccedil;&atilde;o dos logares proximos aos mattos, e mesmo
+por estes em ambas as margens do descampado, bem assim as dos
+monticulos de que acabei
+<span class="pagenum">[43]</span>
+de falar;
+este povo n&atilde;o tem por habito cultivar a terra nos
+logares baixos do valle; emquanto a inunda&ccedil;&atilde;o vae
+tomando
+incremento, n&atilde;o lhe d&atilde;o importancia, mas no
+momento em que principia a
+chegar &aacute;s povoa&ccedil;&otilde;es, e s&oacute;
+n'este
+caso, ent&atilde;o d&atilde;o immediatamente logar &aacute;
+sua mudan&ccedil;a para ambas as margens do descampado, porque
+&eacute; indicio da inunda&ccedil;&atilde;o tomar maior
+incremento, o que de
+ordinario tem logar nos mezes de janeiro e fevereiro, tendo logar o
+regresso nos mezes de abril e maio, nos quaes a agua vae diminuindo
+progressivamente. Para este effeito est&atilde;o de ordinario
+prevenidos com as canoas,
+porque ent&atilde;o se pode dizer um mar ou grande lago o geral do
+descampado, formando ilhas de maior ou menor ambito os monticulos como
+que espalhados por elle, e como seja o seu elemento favorito, e pelo
+qual de ordinario almejam; a ca&ccedil;ada ao hipopotamo, e a de
+toda a
+especie de aves, em que ent&atilde;o abunda, torna-se o seu
+divertimento de
+todos os dias: ao passo que a gente do sexo feminino passeia de uma
+para as outras povoa&ccedil;&otilde;es. Por&eacute;m
+n&atilde;o
+havendo indicios de que a inunda&ccedil;&atilde;o v&aacute;
+em progressivo augmento, conservam-se nas suas
+localidades, sendo n'este caso o gado o unico objecto que
+n&atilde;o admitte de
+longar, porque effectuam de ordinario a sua transferencia no mez de
+dezembro, para ambas as margens do descampado; reservando unicamente
+aquelle de tirar leite, do seu uso diario, o qual, &eacute; mudado
+no caso de
+se verificar a mudan&ccedil;a do proprietario, visto haver logares
+conhecidos
+dos indigenas por onde pode passar sem perigo.&raquo;<br />
+
+<br />
+
+Foi pois Sanduro que mandou aterrar o local em que habitou, o qual
+n&atilde;o tem mais de uma milha em toda a sua circumferencia,
+isto provavelmente por ter escolhido para sua residencia, justamente
+uma ilha formada por um bra&ccedil;o do Riambeje, a partir do lado
+de
+noroeste, a desembocar no de nordeste, e que tem a
+designa&ccedil;&atilde;o de Riambeje pequeno; paragem mais
+baixa que o geral do descampado. Na mesma ilha, em egual
+direc&ccedil;&atilde;o, e na distancia de uma
+legoa, existe o local denominado Nariere, antiga c&ocirc;rte do
+povo Macorrollo, hoje
+inteiramente deshabitada como j&aacute; disse. F&oacute;ra da
+dita ilha, em
+egual direc&ccedil;&atilde;o, e na distancia de uma legoa
+egualmente, existe a
+povoa&ccedil;&atilde;o de Hipopa, da qual tambem acabei de
+falar.<br />
+
+<br />
+
+A paginas 162 e 163 o seguinte:<br />
+
+<br />
+
+<br />
+
+<div class="tinyl">&laquo;Ter&ccedil;a feira 17 de
+janeiro (1854) fomos
+honrados
+(narra Livingstone) com uma grande recep&ccedil;&atilde;o por
+Shinto. Sambanza reclamou
+a honra de nos apresentar, porque Manenko se achou um tanto doente. Os
+portuguezes nativos e os
+Mambari iam armados de espingardas a fim de darem uma salva a Shinto,
+fazendo o
+tambor e o trombeteiro todo o ruido que lhes era possivel com
+instrumentos
+muito velhos. O Kotta, ou logar da audiencia era uma pra&ccedil;a
+de perto de cem
+jardas, e viam-se em uma das extremidades dois agradaveis specimens de
+uma especie de
+Bani&aacute;na, (<em>arvore, cujos ramos pendem para a
+terra, e, tomando
+n'ella raiz, engrossam e formam novos troncos, etc.,
+&laquo;E&ccedil;andeira, ou ulemba
+dos Quimbundos; existem seis especies.&raquo;</em>) Debaixo
+de uma d'ellas
+estava assentado Shinto, sobre uma especie de throno, coberto com uma
+pelle de leopardo; trajava com
+v&eacute;stia variegada, saiote de baeta vermelha agaloada de
+verde, pendiam-lhe do
+pesco&ccedil;o muitos fios de contas grossas, e os
+bra&ccedil;os e as pernas enfeitadas de
+braceletes e varios ornamentos de ferro e de cobre, na
+cabe&ccedil;a tinha posto uma sorte de
+capacete feito de contas de
+vidro entretecidas com primor, e coroado de grande penacho de
+pennas de pato. Proximo a elle estavam assentados tres mancebos com
+grandes
+feixes de settas sobre os hombros, etc.&raquo;</div>
+
+<br />
+
+<br />
+
+<span class="pagenum"><a name="p44">[44]</a></span>
+Admiramos unicamente a belleza do estylo empregado pelo illustre
+viajante no trecho que acabamos de reproduzir, e seguintes, descrevendo
+a recep&ccedil;&atilde;o que lhe fez o soba de Catema, que a
+falar a verdade nem merece as honras do titulo, n&atilde;o porque o
+queira
+humilhar, mas pelo papel que representa, elle e todos os mais do
+dominio da Lunda perante o seu Suzerano, ou dado o caso de virem
+enviados d'este a exigir-lhes tributo, como adeante terei
+occasi&atilde;o de falar.<br />
+
+<br />
+
+Entre as tribus Ganguellas ou Quimbundas constituidas pela maior parte
+sob a f&oacute;rma republicana, poderiam gozar das
+prerogativas de estados de segunda ordem, porque ent&atilde;o
+poderiam taes sobas
+dizer-se, <a href="#e12">senhores</a> do <em>quero,
+posso e
+mando</em>; mas debaixo do jugo ferreo do Matiamvo, tornam-se
+simples automatos da sua vontade.<br />
+
+<br />
+
+O illustre viajante deve de estar ao facto do tratamento dado por
+Hiquereto &aacute;quelles potentados que se lhes apresentavam com
+tributo, ou mesmo teria ouvido falar das extors&otilde;es feitas
+pelos seus
+emissarios, quando, enviados em qualquer commiss&atilde;o aos ditos
+sobas, que,
+por via de regra, vinha a ser pela tardan&ccedil;a de tributo,
+faziam e
+fazem ainda presentemente (e quando deixar&atilde;o de o fazer!)
+pelas suas
+localidades: pois n'uma e n'outra terra &eacute; identico o
+tratamento; com a
+differen&ccedil;a por&eacute;m de que, no Lui n&atilde;o
+fazem
+ostenta&ccedil;&atilde;o dos assassinatos prepetrados e
+mandados perpetrar; ao passo que na Lunda &eacute; um acto de
+glorifica&ccedil;&atilde;o do Matiamvo. Posto isto, passaremos
+a narrar os factos taes como se passam, e cujos significam o reverso da
+medalha.<br />
+
+<br />
+
+Os sobas Chinde, Catema e Catende, que s&atilde;o precisamente
+aquelles por onde transitou o illustre viajante, em antes da
+extinc&ccedil;&atilde;o do trafico e quando os elephantes
+percorriam os seus respectivos dominios, vendiam
+escravos, e tributavam com elles o Matiamvo, correndo-lhes tudo por
+esse motivo &aacute;s mil maravilhas, monteando-se aquelles animaes
+&aacute; imita&ccedil;&atilde;o dos outros, para seu
+alimento, ficando, por consequencia, os dentes no mesmo local em que
+era morto o elephante, expostos &aacute;
+deteriora&ccedil;&atilde;o e sem que ninguem os procurasse,
+(presentemente ainda se d&aacute;
+esta celebre anomalia para o sul al&eacute;m do rio Cubango, nas
+paragens
+percorridas pelos Cassaqueres); mas findo o trafico as coisas
+tornaram-se outras; o marfim teve principio de ser procurado, os
+indigenas deram principio egualmente de o p&ocirc;rem debaixo de
+guarda; e tendo
+finalmente logar d'essa epocha por deante o tributo de escravos e
+marfim para o Matiamvo, em virtude das suas ordens.<br />
+
+<br />
+
+Os ca&ccedil;adores Quibocos como fossem conhecendo o valor d'este
+genero em presen&ccedil;a dos concorrentes, principiaram no seu
+paiz de mover guerra de exterminio aos mesmos animaes, que afugentados
+por esse motivo, se foram internando pelo interior, onde da mesma
+f&oacute;rma se lhes continuou tal guerra, pela
+ambi&ccedil;&atilde;o a que o marfim tinha dado origem, ficando
+o ca&ccedil;ador com o dente esquerdo e dando
+o direito ao senhorio em cujo dominio era morto o elephante. A
+persegui&ccedil;&atilde;o n&atilde;o diminuiu; pelo
+contrario, foi em progressivo augmento, visto
+<span class="pagenum"><a name="p45">[45]</a></span>
+que j&aacute; se n&atilde;o falava em escravos pelas mesmas
+terras, mas sim a ordem do dia era marfim, porque ao passo que affluia
+ao mercado do littoral, ia tendo alta de pre&ccedil;o; dando-se por
+consequencia
+a mesma circumstancia pelos differentes pontos do interior. A isto se
+deve a
+descoberta de novos mercados, de outras terras, e finalmente de outras
+tribus, at&eacute; ent&atilde;o desconhecidas. Os elephantes
+foram escaceando no dominio dos tres sobas que acabei de designar, e
+outros, at&eacute;
+o seu total desapparecimento; e como era for&ccedil;oso de
+apresentar tributo
+annualmente ao Matiamvo, faziam-no com escravos, fazenda, missangas,
+pelles e alguns dentes de marfim, quando os podiam obter dos
+ca&ccedil;adores; em presen&ccedil;a de que, se tornava
+excessivamente oneroso tal
+encargo, visto que para arranjar fazendas e missangas sufficientes, se
+lhe
+tornava necessario disp&ocirc;r de dez escravos, termo medio,
+al&eacute;m d'aquelles com que tributavam o seu suzerano. Por este
+motivo a
+decapita&ccedil;&atilde;o de taes sobas principiou a ter logar
+mais amiudadamente, j&aacute; na
+occasi&atilde;o em que se apresentavam com o tributo na
+c&ocirc;rte, j&aacute;
+mandando o Matiamvo saber porque motivo se demorava o tributo
+al&eacute;m do tempo
+marcado; se por um lado quando se apresentam, ficavam por via de regra
+desempedidos, pelo outro ficavam detidos de permeio com o povo de que
+eram acompanhados, empregando-os em todo o servi&ccedil;o que
+lhes era destinado, at&eacute; que ao cabo de um ou dois mezes, e
+&aacute;s vezes mais tempo, lhes era permittido regressar aos
+logares de suas naturalidades.
+Se, pelo contrario na occasi&atilde;o em que se <a href="#e13">apresentavam</a>
+com o tributo, o Matiamvo n&atilde;o
+ficava satisfeito com qualquer dos
+apresentantes, em acto continuo o mandava decapitar, depois de lhe
+tiraram do pulso a insignia do poder, que vem a ser uma manilha ou
+bracellete de metal, envolvida em certos e determinados preservativos
+do seu conhecimento e supersti&ccedil;&atilde;o, que acto
+continuo
+v&atilde;o depositar aos p&eacute;s do Matiamvo. Este, pegando
+n'ella e depois de ter mandado vir
+&aacute; sua presen&ccedil;a o successor immediato da victima,
+porque
+necessariamente deve acompanhal-a, depois de lhe recommendar o bom
+regimen do seu dominio, e o que deve fazer em
+rela&ccedil;&atilde;o ao
+tributo, entrega-lhe a insignia do poder, que o investe no mandato do
+seu decapitado parente, ficando por consequencia habilitado para o
+exercer, se por acaso
+n&atilde;o vier a ter egual sorte.<br />
+
+<br />
+
+Verificando-se por&eacute;m o caso de que o Matiamvo envie
+emissarios ao dominio de taes sobas, estes tornam-se martyres das
+extors&otilde;es que lhes s&atilde;o feitas, e emquanto
+n&atilde;o s&atilde;o
+despedidos, a sua auctoridade torna-se nulla na
+povoa&ccedil;&atilde;o; havendo alguns, como tem
+acontecido, que fazendo observa&ccedil;&otilde;es contra
+t&atilde;o
+insolito procedimento, o enviado puxando do <em>Mucuale</em>(fac&atilde;o
+de dois
+gumes) decepa-lhe a cabe&ccedil;a sem mais ceremonia que a sua
+vontade, e sem opposi&ccedil;&atilde;o da parte do
+povo da povoa&ccedil;&atilde;o, tira-lhe do pulso a insignia do
+poder,
+que entrega ao successor immediatamente, dizendo-lhe simplesmente que
+seja mais pontual que o seu antecessor no desempenho das ordens do
+Matiamvo; depois de mandar preparar o craneo, isto &eacute;, raspar
+por
+dentro e por f&oacute;ra a fim de lhe serem extrahidas todas as
+particulas
+admissiveis de putrefac&ccedil;&atilde;o, para ser guardado
+cuidadosamente com
+outros que teem egual sorte, e que na sua retirada para a
+c&ocirc;rte, apresenta como tropheus
+<span class="pagenum">[46]</span>
+na presen&ccedil;a do senhor, que lhe diz simplesmente ter
+cumprido o seu dever, dando-lhe a maior importancia proporcionalmente
+&aacute; maior por&ccedil;&atilde;o de objectos de valor,
+lhe fosse possivel
+conduzir &aacute; sua presen&ccedil;a.<br />
+
+<br />
+
+Algumas vezes subornados pelos ambiciosos do poder, estes mesmos
+enviados do Matiamvo, a que d&atilde;o o nome de
+<em>Cacoattas</em>, ao entrar na libata grande do dominio a
+que se dirigem, intimam o soba existente a fim de abandonar o logar
+para que o seu successor o possa occupar, o que executa acto continuo
+sem mais
+observa&ccedil;&otilde;es, n&atilde;o lhe sendo permittido
+levar coisa alguma, al&eacute;m das pelles ou
+pannos que tinha no corpo, e com os quaes o encontraram na
+occasi&atilde;o;
+porque lhe advertem immediatamente, que, tudo quanto existe na
+povoa&ccedil;&atilde;o pertence ao Matiamvo. As pessoas que lhe
+s&atilde;o
+affei&ccedil;oadas s&oacute; depois da retirada do enviado
+&eacute; que se lhe v&atilde;o aggregar,
+e, se na occasi&atilde;o da expuls&atilde;o se n&atilde;o
+lembrou de entregar a insignia
+do poder, seguem logo emissarios em seu alcance para que a restitua, e
+no que tambem n&atilde;o faz a menor
+objec&ccedil;&atilde;o, visto que
+por felizes se reputam aquelles a quem a sua boa estrella concedeu
+semelhante gra&ccedil;a.<br />
+
+<br />
+
+Finalmente, taes atrocidades s&atilde;o frequentes, e os Cacoattas
+tornam-se os flagellos dos sobas secundarios; taes
+oppress&otilde;es teem
+dado logar a que alguns se tenham rebellado, mas n&atilde;o obstam
+ellas, os pretendentes ao poder s&atilde;o muitos, e n&atilde;o
+s&atilde;o exemplo a causar-lhes a menor impress&atilde;o,
+visto que do acontecimento de hoje
+j&aacute; ninguem fala &aacute;manh&atilde;; advertindo,
+que, n&atilde;o
+&eacute; s&oacute; entre os Mulluas que ellas se d&atilde;o
+e repetem, os mesmos episodios s&atilde;o identices no Batebere, no
+Cazembe, no Lui e entre o povo Macorrollo, potentados poderosos para
+estas paragens.<br />
+
+<br />
+
+Para al&eacute;m, isto &eacute; para o Oeste, entre a
+ra&ccedil;a Quimbunda que se pode reputar excepcional, temos as
+seguintes terras de potentados
+poderosos: Bailundo, Bih&eacute;, Gallangue e Quiaca; mas n'ellas
+as unicas barbaridades que se d&atilde;o, vem a ser o assassinato
+de quatro
+pessoas, o maximo, no governo de cada potentado para differentes
+preservativos, em virtude da arreigada cren&ccedil;a de seus
+antepassados, bem
+assim a de feiticeiria, que, leva a perpetrar o assassinato por
+differentes
+f&oacute;rmas, na pessoa do desgra&ccedil;ado que f&ocirc;r
+arguido de tal
+epitheto.<br />
+
+<br />
+
+A paginas 175 e 176 o seguinte:<br />
+
+<br />
+
+<br />
+
+<div class="tinyl">O dr. Livingstone censura Manuel
+Caetano Pereira de ter exagerado
+egualmente o seu poder. &laquo;Indagando eu, escreve Livingstone,
+se ainda se
+faziam sacrificios humanos no reino de Cazembe, como no tempo de
+Pereira, informaram-me que taes sacrificios nunca tinham sido
+t&atilde;o communs como
+Pereira os representara, e que s&oacute; tinham logar
+occasionalmente, quando o chefe
+carecia de certos encantamentos, porque ent&atilde;o era morto um
+homem por serem para aquelle
+precizas algumas partes do seu corpo.&raquo; N'outro logar
+accrescenta:
+&laquo;O Cazembe al&eacute;m de ser visitado por Lacerda,
+tambem o foi por Pereira, que deu do poder
+d'aquelle chefe grandiosa informa&ccedil;&atilde;o, a qual
+n&atilde;o
+foi confirmada pelas minhas
+investiga&ccedil;&otilde;es&raquo;.</div>
+
+<br />
+
+<br />
+
+Se bem que tenha acabado de tratar da materia, e, se bem que sob
+differente assumpto, o volver a ella nunca se torna demasiado.
+<span class="pagenum">[47]</span>
+Assassinar sob que pretexto
+f&ocirc;r, sempre &eacute;
+commetter o homicidio; o illustre viajante esquece aquelles que
+continuamente commettia
+Hiquereto, n&atilde;o obstante a sua assidua assistencia entre os
+Macorrollos,
+a quem, se n&atilde;o diariamente, ao menos uns dias por outros,
+fazia ouvir a palavra da Biblia, como descida do ceu, para se dar ao
+incommodo de investigar o que outros escriptores, muito tempo antes,
+relatavam sobre o assumpto, no qual pecca como em todos os outros, por
+menos veridico nas asser&ccedil;&otilde;es.<br />
+
+<br />
+
+Como pode ser que taes assassinatos tenham logar occasionalmente, dada
+a circumstancia de se tornarem necessarios para os preservativos
+d'esses mesmos poderosos potentados?! Se o seu instincto &eacute; a
+sede de sangue, com elle s&atilde;o ammamentados, e
+n'elle iniciados, at&eacute; que assumindo o poder se fartam
+&aacute;
+semelhan&ccedil;a do tigre que habita as selvas! E, porventura, se
+taes crueldades n&atilde;o fossem
+continuas, o seu poder n&atilde;o seria ephemero? Decerto que o
+seria, visto
+que para se sustentarem n'elle, ellas s&atilde;o perpetradas com
+assiduidade, at&eacute; que uma conspira&ccedil;&atilde;o
+urdida nas trevas, em
+presen&ccedil;a de uma indisposi&ccedil;&atilde;o qualquer
+que elles sintam, lhes p&otilde;em termo &aacute;
+existencia, j&aacute; propinando-se-lhes veneno, j&aacute;
+torcendo-se-lhes o pesco&ccedil;o, e
+j&aacute; finalmente a decapita&ccedil;&atilde;o, se um
+chefe audacioso preside &aacute;
+conspira&ccedil;&atilde;o. O herdeiro assumindo as redeas do
+governo, n&atilde;o modifica estas
+disposi&ccedil;&otilde;es tradicionaes do seu codigo,
+cumpril-as-ha &aacute; risca, se porventura se
+n&atilde;o tornar mais sanguinario.<br />
+
+<br />
+
+Enviando uma expedi&ccedil;&atilde;o qualquer contra um estado
+rebellado, o chefe e seus adjuntos devem apresentar no regresso o sacco
+dos craneos do soba e mais pessoas de subida jerarchia do mesmo estado,
+que despejam com grande ceremonial aos p&eacute;s d'esses grandes
+potentados (Matiamvo e Cazembe), e que acto continuo v&atilde;o
+designando a quem pertenceram, porque &eacute; n'isto que se cifra
+a sua maior
+vaidade; ap&oacute;s este acto segue-se a entrega do despojo, que,
+por via
+de regra &eacute; o que reservam para o fim do ceremonial. Se, pelo
+contrario, em logar d'estes signaes de victoria, foram derrotados,
+apresentando-se dando conta do successo, sejam quaes forem as
+raz&otilde;es que possam
+allegar, ellas tornar-se-h&atilde;o baldadas perante o suzerano,
+porque a um
+signal seu particular, s&atilde;o mandados retirar da sua
+presen&ccedil;a, a fim de serem decapitados, um a um, sem o menor
+queixume da sua parte por lhes ter chegado a sua ultima hora.<br />
+
+<br />
+
+Este ceremonial de caveiras, tem logar unicamente no Cazembe, e na
+Lunda, na terra do Luvar, entre a ra&ccedil;a Ganguella, se o
+soba segue para qualquer excurs&atilde;o, bem assim por
+occasi&atilde;o da
+sua morte; agora, entre o povo Batebere, Lui, Macorrollo,
+n&atilde;o se
+d&atilde;o ao incommodo de decepar cabe&ccedil;as, o
+assassinato sendo perpetrado
+&aacute; azagaia, e na presen&ccedil;a do soba; o
+cad&aacute;ver &eacute;
+arrastado para f&oacute;ra da povoa&ccedil;&atilde;o, onde
+&eacute; consumido pelos animaes; e sendo commetido
+f&oacute;ra, ahi mesmo o deixam ficar para ter egual destino; que
+seja proximo ou distante
+&eacute; coisa que pouco importa.<br />
+
+<br />
+
+Finalmente, em rela&ccedil;&atilde;o ao poder do Cazembe, direi
+que &eacute; elle muito fraco para affrontar o poder do Matiamvo,
+mas muito forte para o repellir em caso aggressivo. O illustre viajante
+sabe perfeitamente o
+<span class="pagenum">[48]</span>
+proverbio: Duas aves de rapina
+n&atilde;o se fazem companhia; no
+mesmo caso temos ambos os chefes indigenas e consanguineos.<br />
+
+<br />
+
+A folhas 203 o seguinte:<br />
+
+<br />
+
+<br />
+
+<div class="tinyl">A situa&ccedil;&atilde;o do
+Bih&eacute; n&atilde;o
+&eacute; bem conhecida. Estando n&oacute;s em Sanza,
+asseveraram-nos, que demora ao sul d'aquelle ponto, a oito dias de
+distancia. Esta
+noticia pareceu confirmar-se pelo facto de encontrar-nos muita gente,
+que vinha
+do Bih&eacute; para o Matianvo (<em>Sobre este ponto
+consulte o Diario de Joaquim Rodrigues &aacute; sahida do
+Bih&eacute;</em>) e para
+Loanda. Toda esta gente veiu reunida at&eacute; Sanza, e alli se
+separou, tomando uns para o nascente, e outros para oeste. A
+nascente do Coanza por conseguinte n&atilde;o fica provavelmente
+longe do
+Bih&eacute;.&raquo;</div>
+
+<br />
+
+<br />
+
+&laquo;A 10 de dezembro de 1853 digo o
+seguinte&#8213;&laquo;Continu&aacute;mos a viagem, passamos o rio
+Quanza em ponte e a vau; n'esta paragem de quatro bra&ccedil;as de
+largo, e d'ella &aacute; sua nascente
+dois dias de viagem. Proseguimos a marcha, e fomos fazer quilombo nos
+mattos, margem direita do dito rio. Caminho plano, mattos fechados,
+abundancia de
+riachos, terreno fertil, legoas andadas 3, rumo de leste.&raquo;<br />
+
+<br />
+
+Mais tarde pude colher a seguinte informa&ccedil;&atilde;o: Que
+o rio Quanza procede de um lago sito no local denominado Gunda-angongo,
+povo de ra&ccedil;a Ganguella da tribu Nhemba. Em
+rela&ccedil;&atilde;o ao Riambeje disse j&aacute; o
+seguinte: &laquo;Concedendo, pois, que assim n&atilde;o seja
+como acabo
+de transcrever, &eacute; f&oacute;ra de toda a duvida que,
+qualquer rio
+caudaloso aqui em Africa, vadiavel que seja com agua pela curva da
+perna, d'ahi &aacute; sua
+cabeceira n&atilde;o pode distar mais de quatro dias de jornada, a
+experiencia assim m'o tem ensinado.&raquo;<br />
+
+<br />
+
+Posto isto, direi ser applicavel o que fica dito ao rio de que nos
+estamos occupando, e que concordamos inteiramente com a
+opini&atilde;o do illustre viajante, pelos exemplos que passamos a
+apresentar.<br />
+
+<br />
+
+<em>Rio Nhengo</em>,
+<em>Ninda</em> na sua cabeceira:
+Direc&ccedil;&atilde;o de Oeste para Leste, leito de areia e
+pedra, e de margens apauladas; da sua nascente
+&aacute; sua desembocadura no Riambeje, nove dias de marcha;
+vadiavel nos quatro primeiros dias a partir da mesma, d'ahi por deante
+a partir para a sua foz, percorre-se em canoas. <em>Rio
+Cutti</em>: Direc&ccedil;&atilde;o do Norte para o Sul,
+leito de areia e argilla, e de margens apauladas no
+espa&ccedil;o de duas milhas, isto &eacute; da margem direita
+para a esquerda do matto;
+da sua nascente &aacute; sua desembocadura no rio Quando, oito dias
+de
+marcha; vadiavel nos quatro primeiros dias, a partir da mesma, e d'ahi
+por deante a partir para a sua foz, &eacute; percorrido em canoas.
+<em>Rio Cubangui</em>: Direc&ccedil;&atilde;o do
+Norte para o Sudoeste, leito de
+argilla, pedra e areia, e de margens apauladas; da sua cabeceira
+&aacute;vante quatro dias;
+j&aacute; n&atilde;o d&aacute; vau, tornando-se necessario
+construir ponte para se passar para a sua margem esquerda; dirige o seu
+curso para o rio Quando.
+<em>Rio Quando</em>: Direc&ccedil;&atilde;o do
+Norte para Sueste, leito de argilla e
+areia, e de margens apauladas; da sua nascente &aacute;vante quatro
+dias, offerece
+passagem em ponte e a vau; d'ahi para a sua foz no Riambeje proximo a
+Quiceque, &eacute; percorrido em canoas. <em>Rio
+Caimbo</em>: Direc&ccedil;&atilde;o de Nordeste
+para Sueste, leito de argilla, pedra e areia, e de margens apauladas; a
+sua nascente
+procede de um lago, e d'ella &aacute;vante dois dias, offerece
+unicamente passassem
+<span class="pagenum">[49]</span>
+em ponte e a vau, com difficuldade, pelo motivo da sua corrente
+veloz; d'esta passagem &aacute; sua foz, no rio Quando,
+&eacute; percorrido em canoas. <em>Rio Cuttau</em>:
+Direc&ccedil;&atilde;o de Sudoeste para Noroeste, leito de
+areia, e de margens apauladas; espraia muito, e por este motivo se pode
+dizer vadiavel at&eacute; &aacute; sua foz no rio
+Lungu&eacute;bungo; este dirige o seu curso Para o Riambeje. <em>Cuito
+da Zambueira</em>:
+Direc&ccedil;&atilde;o do Norte para o Sul, leito de argilla e
+areia, e de margens apauladas; da sua nascente &aacute;vante cinco
+dias offerece passagem a vau, e em ponte, e
+d'ahi para a sua foz no Cubango, &eacute; percorrido em canoas.
+<em>Rio Varia</em>:
+Direc&ccedil;&atilde;o do Sul para o Norte, leito de argilla;
+da sua nascente &aacute;vante
+cinco dias, offerece unicamente passagem em ponte, e &aacute;vante
+tres dias na
+sua desembocadura no rio Cuime, (este tem a sua foz no Quanza)
+&eacute; percorrido em canoas. <em>Rio Quanza</em>:
+Direc&ccedil;&atilde;o do Sul para o Norte, leito de argilla e
+pedra, e margens de argilla; oito dias da sua nascente
+&aacute;vante, no porto do Cuio, onde se passa em canoas. <em>Rio
+Cuquema</em>: Direc&ccedil;&atilde;o de Nordeste para
+Sudoeste, leito de argilla e pedra, e margens de
+argilla; cinco dias &aacute;vante da sua nascente, no porto do
+Bissongue,
+onde se passa em canoas, dando-se a mesma circumstancia d'ahi para a
+sua foz no Quanza, nos dois dias a percorrer. Finalizo dizendo que os
+rios que ficam notados, existem a partir do Lui para o Bih&eacute;,
+e
+vice-versa, e aquelles unicamente cujas cabeceiras se passam, ou
+existem distantes do caminho do transito os dias que ficam marcados; o
+que julgo sufficiente a provar o que fica dito em
+rela&ccedil;&atilde;o
+aos rios Quanza e Riambeje.<br />
+
+<br />
+
+A ps. 256 o seguinte:<br />
+
+<br />
+
+<br />
+
+<div class="tinyl">&laquo;Chegado ao rio Loembua, no
+proseguimento da marcha
+come&ccedil;ada, refere o dr. Livingstone, que a
+presen&ccedil;a de um homem branco
+infundio terror nas mulheres, e que, n'estes casos, pareciam muito
+contentes quando elle dr.
+Livingstone acabava de passar sem se ter apoderado d'ellas; que o
+espreitavam das
+fendas das portas, at&ecirc; que elle se approximava, e
+ent&atilde;o se
+recolhiam fugindo para o interior da casa.&raquo;</div>
+
+<br />
+
+<br />
+
+O illustre viajante quiz mostrar mais uma vez, a
+degrada&ccedil;&atilde;o a que chegou por estas paragens o
+immoral e escandaloso commercio de
+escravos, dando logar a que o bello sexo horrorisado nem se atreva de
+apparecer aos olhos dos desmoralisadores traficantes de entes humanos,
+verdadeiro flagello da humanidade n'esta parte do mundo chamado Africa.
+Mas isto em rela&ccedil;&atilde;o &aacute;
+situa&ccedil;&atilde;o reciproca de duas partes mutuantes na
+ac&ccedil;&atilde;o de contrahir um negocio
+qualquer; j&aacute;mais no caso de aprisionamento de pessoas, que
+se torna muito mais melindroso como aconteceria com a <em>aldeia
+inteira de
+Bakalakau</em>; tal procedimento daria causa a graves
+represalias, como ent&atilde;o tive
+occasi&atilde;o de fazer ver, e ao facto de correrem muito risco
+todos os sertanejos do
+Bih&eacute;, Caconda, Cassange, Pungoandongo, de Quilengues, que
+n&atilde;o obstante
+partirem de pontos oppostos, muitas vezes se encontram pelo interior
+d'este vasto continente; mas quando se n&atilde;o desse essa mesma
+circumstancia, quem deixar&aacute; de ignorar que piratas
+n&atilde;o necessitam de
+negociar?<br />
+
+<br />
+
+Aqui tem o illustre viajante o reverso da medalha. Depois de se
+transpor os rios Cuquema e Quanza, as comitivas do Bih&eacute;
+s&atilde;o honradas
+<span class="pagenum"><a name="p50">[50]</a></span>
+na pessoa do seu chefe, pelas pessoas de ambos os sexos em massa, das
+povoa&ccedil;&otilde;es dos Ganguellas das tribus
+Luchiaj&eacute;, Bunda, e Zambueira, nas terras por onde passa, da
+maneira que segue: <em>O
+nosso senhor veiu! O nosso branco veiu! O nosso amigo veiu!</em>
+Isto
+&aacute; appari&ccedil;&atilde;o do chefe da comitiva,
+batendo palmas continuamente, e fazendo-lhe um cerco entre o qual com
+difficuldade caminham os conductores da tipoia. E no momento
+em que elle tenha transposto a povoa&ccedil;&atilde;o, o povo,
+da mesma sorte corre precipitadamente para a frente, a fim de repetir a
+mesma
+ceremonia que finda depois de terem acompanhado o negociante na
+distancia de uma a duas milhas, retrocedendo ent&atilde;o depois de
+can&ccedil;ados &aacute;s povoa&ccedil;&otilde;es
+d'onde sahiram.<br />
+
+<br />
+
+Entre a tribu dos Quibocos, estas demonstra&ccedil;&otilde;es
+de jubilo excedem muito al&eacute;m do que acabo de referir, porque
+aturam pelo
+espa&ccedil;o de dois a tres dias, acompanhando a comitiva com seus
+generos, que permutam logo que se acha concluido o trabalho de
+construir o quilombo,
+retrocedendo &aacute;s suas povoa&ccedil;&otilde;es ao cabo
+do dito espa&ccedil;o; agora, se o illustre viajante n&atilde;o
+recebeu applausos semelhantes,
+muito principalmente tendo effectuado a sua passagem pela terra d'esta
+tribu, &eacute; isso devido ao pequeno numero de pessoas de que se
+compunha a sua comitiva, limitando-se por consequencia a vel-o pelas
+frestas das
+portas, como diz; mas n&atilde;o com receio de que aprisionasse
+pessoa
+alguma, ou mesmo de que fosse anthropophago, como as m&atilde;es
+persuadem
+&aacute;s crean&ccedil;as indicando-lhes a
+approxima&ccedil;&atilde;o
+de qualquer europeu, &aacute; maneira de pap&atilde;o, a fim de
+as adormecer.<br />
+
+<br />
+
+Finalmente, n&atilde;o tendo o cond&atilde;o de adevinho,
+n&atilde;o obstante achar-me no paiz onde em larga escalla se
+exercita essa arte, quer-me parecer que foi a obra do illustre viajante
+que em 1866 ou 1867 deu logar a tanto alardo na camara alta em Portugal
+para a total
+suppress&atilde;o da escravatura em todas as possess&otilde;es
+portuguezas,
+n&atilde;o reflectindo j&aacute;mais os nossos legisladores que
+&eacute; um negocio
+ass&aacute;s melindroso de um tra&ccedil;o de penna acabar com
+ella, e que al&eacute;m
+d'isso temos uma lei que fixa para 1867 a mesma suppress&atilde;o.<br />
+
+<br />
+
+Quaes s&atilde;o as medidas j&aacute; adoptadas depois do
+celebre decreto de 22 de abril de de 1858, para que aquelles que podem
+mandar, tenham aquelles que sabem obedecer?<br />
+
+<br />
+
+Responder&atilde;o: o trabalho livre! Esperemos e veremos.<br />
+
+<br />
+
+A ps. 261 o seguinte:<br />
+
+<br />
+
+<br />
+
+<div class="tinyl">&laquo;Como d'este ponto (do
+Zambeze interior) deviamos
+separar-nos
+para o nordeste, resolvi-me a visitar na seguinte manh&atilde; a
+catarata Victoria,
+chamada pelos <a href="#e14">indigenas</a>
+Mosioatunia, e mais antigamente Shongu&ecirc;
+(<em>Chungo?</em>) Tinha-mos ouvido fallar d'ella desde que
+entramos n'estas terras, e uma das perguntas
+que me fez Sebituane foi &laquo;Tendes na vossa terra fumo que
+fa&ccedil;a
+estampido? Elles (os indigenas) n&atilde;o se atrevem a
+approximar-se t&atilde;o perto que
+possam examinal-a; por&eacute;m, referindo-se ao vapor e ao
+estrondo &laquo;Mosi-va-tunia&raquo;
+o fumo alli estrondea. Outr'ora a catarata chamava-se
+Shongu&ecirc;, mas nunca pude saber a
+raz&atilde;o de lhe darem este nome. A palavra que entre elles
+designa a vasilha de cozer a
+comida tem similhan&ccedil;a com aquella, e acaso quereriam
+significar uma
+caldeira a ferver, comtudo n&atilde;o tenho certeza d'isto.
+Persuadido de que Mr.
+Oswell e eu fomos os primeiros europeus, que visit&aacute;mos o
+Zambeze no interior do
+paiz, e de ser esta catarata o annel que prende as duas
+por&ccedil;&otilde;es,
+<em>conhecidas e desconhecidas</em>,
+d'aquelle rio, decedi-me a usar da mesma liberdade com que se
+auctorisaram os
+Makololo, e lhe dei aquelle nome inglez, sendo esta a s&oacute;
+occasi&atilde;o em que appliquei um nome da minha
+na&ccedil;&atilde;o a alguma parte das terras que
+investiguei...&raquo;</div>
+
+<br />
+
+<br />
+
+<span class="pagenum">[51]</span>
+<em>Chungo</em>,
+<em>namatittima</em>,
+<em>imb&ocirc;to ea mahenza</em>:
+&laquo;D'aquelles local (o abysmo) sae fumo, que molha a gente, e
+que atemoriza como o fragor do trov&atilde;o,&raquo; dizem os
+indigenas do local, tribu
+Baleia ou Guete (nome generico pelo qual &eacute; denominada esta
+numerosa familia
+composta de diversas tribus) d'estas paragens.
+&laquo;<em>Mosi-oa-tunia</em>:&#8213;&laquo;O
+fumo alli estrondea&raquo;, diziam outr'ora os Macorrollos, ao
+approximarem-se do local d'onde sahem as columnas de fumo da catarata,
+e que por assim a terem chrismado, assim se ficou denominando.&#8213;<em>Victoria
+falls</em>, repete o illustre viajante &aacute;
+imita&ccedil;&atilde;o dos intrusos
+senhores, querendo coroar a obra da sua gloria na parte conhecida e
+desconhecida, do grande
+manancial.<br />
+
+<br />
+
+Eu penso, e creio n&atilde;o me enganar, que se os Macorrollos a um
+tempo se fossem precipitar no abysmo da catarata que chrismaram como
+acabei de dizer de Mosioatunia, o illustre viajante n&atilde;o
+os seguia, visto que a sua prudencia assim lh'o aconselhava, mas
+j&aacute; o
+amor proprio lhe n&atilde;o permitte recusa na
+denomina&ccedil;&atilde;o
+em paiz estranho, a objectos, applicando-lhes nomes do seu paiz natal,
+porque ao passo que o quer engrandecer, tambem engrandece a sua pessoa!
+Vaidade das vaidades, e tudo vaidade.<br />
+
+<br />
+
+Eis os nomes que lhe s&atilde;o applicados pelos indigenas aos
+differentes pontos do seu curso a partir do Lui para Quiceque, e
+vice-versa.<br />
+
+<br />
+
+<em>Sioma.</em>
+Povoa&ccedil;&atilde;o proxima da catarata;<br />
+
+<br />
+
+<em>Gonhe.</em> Principio da catarata, e no
+qual as canoas s&atilde;o conduzidas por terra em virtude dos
+escolhos.<br />
+
+<br />
+
+<em>Cale.</em> Local mais &aacute;vante
+por onde passam as canoas com praticos.<br />
+
+<br />
+
+<em>Lu&ccedil;o.</em> Local mais
+&aacute;vante por onde passam as canoas com praticos.<br />
+
+<br />
+
+<em>Gambue.</em> Local mais
+&aacute;vante, no qual as canoas s&atilde;o conduzidas por
+terra em virtude dos escolhos.<br />
+
+<br />
+
+<em>Lucibe.</em> Local mais &aacute;vante
+por onde passam as canoas com praticos.<br />
+
+<br />
+
+<em>Molele.</em> Local mais &aacute;vante
+por onde passam as canoas com praticos.<br />
+
+<br />
+
+<em>Acicuti.</em> Local mais
+&aacute;vante por onde passam as canoas com praticos, bem assim
+onde habitou o fundador de que ha
+tradic&ccedil;&atilde;o, do mesmo nome, e chefe da tribu
+Baleia.<br />
+
+<br />
+
+<em>Chungo.</em> Mosioatunia, synonymo do
+primeiro nome; fim da catarata e local do abysmo, e no qual as canoas
+s&atilde;o conduzidas por
+terra em virtude dos escolhos.<br />
+
+<br />
+
+E, eis o que digo egualmente em 23 de julho de 1858 sobre o assumpto:<br />
+
+<br />
+
+&laquo;23. Continu&aacute;mos a viagem por mattos fechados, e
+chegamos na cachoeira do Riambeje, sitio Catongo, onde se fez quilombo.
+Paragem de transito sem inconveniente algum, terreno fertil, horas de
+marcha 9 <span style="white-space: nowrap;" class="template-frac"><sup>1</sup><big>&frasl;</big><sub>2</sub></span>,
+rumo de sul.<br />
+
+<br />
+
+&laquo;Estamos nas margens do magestoso rio sem rival n'estas
+paragens,
+<span class="pagenum">[52]</span>
+que banha com
+suas aguas os contornos de Senne, Tete e
+Quilimane; o seu curso &eacute; apenas interrompido por tres
+cachoeiras,
+prestando no mais do seu transito, livre e seguro apoio
+&aacute;quelles que
+com as suas canoas, sulcam as suas aguas. N'esta paragem que
+ter&aacute; de extens&atilde;o seis legoas, as canoas em partes
+s&atilde;o
+carregadas por pretos, e em outras proseguem na sua carreira pelos
+differentes
+bra&ccedil;os que sahem do rio; formando este aqui e alli, ilhas de
+maiores ou menores dimens&otilde;es, cheias de arvoredo secular, e
+em outros logares
+de cannaviaes impenetraveis; bem assim, os contornos cheios de arvoredo
+gigante. O rio comprimido aqui pelas suas margens alcantiladas, em
+partes cobertas de areia mui fina e clara, que as enchentes
+v&atilde;o accumulando segundo a direc&ccedil;&atilde;o do
+seu curso, formam um
+contraste inteiramente sublime; o terreno contiguo n'esta
+esta&ccedil;&atilde;o todo
+gretado, bem assim algumas lagoas cheias de pedras, acham-se cobertas
+de espessas camadas de sal, que os naturaes preparam com alguma
+perfei&ccedil;&atilde;o. Finalmente, o dr. David Livingstone,
+penna intelligente a toda a prova,
+e que bastantes servi&ccedil;os tem prestado &aacute; causa das
+sciencias, e a prol da humanidade, por vezes tem percorrido estas
+paragens em
+investiga&ccedil;&otilde;es scientificas, ninguem, pois, melhor
+que elle, poder&aacute;
+apresentar o quadro completo da topographia do paiz, cousa muito
+f&oacute;ra
+da esphera dos meus conhecimentos, como o meu amigo leitor facilmente
+dever&aacute; comprehender, e que me n&atilde;o envergonho
+confessar.&raquo;<br />
+
+<br />
+
+A ps. 286 o seguinte:<br />
+
+<br />
+
+<br />
+
+<div class="tinyl">&laquo;N'outro logar conta
+Livingstone que, achando-se na tribu
+de
+Mpende, cujo chefe lhe difficult&aacute;ra o passo, dous velhos
+vieram, de ordem
+d'este, perguntar-lhe quem era. E que lhes respondera. &laquo;Sou
+inglez.&raquo; A
+isto replicaram os velhos que n&atilde;o conheciam aquella tribu, e
+que suppunham que elle e os
+seus eram Muzungos (portuguezes) com os quaes n'outro tempo haviam
+combatido.
+&laquo;Ent&atilde;o (accrescenta Livingstone) como eu ainda
+n&atilde;o sabia que a palavra Muzungo
+era applicada aos portuguezes, e pensei que queriam com ella designar
+os mulatos, mostrei-lhes o meu cabello e a pelle do meu peito, e
+perguntei se os
+Muzungos tinham o cabello e a pelle como eu? Como os portuguezes
+costumam cortar
+o cabello rente, e s&atilde;o al&eacute;m d'isso menos claros
+de que
+n&oacute;s, os velhos responderam. &laquo;N&atilde;o,
+n&oacute;s nunca vimos pelle como essa
+t&atilde;o branca.&raquo; E continuaram &laquo;Ah!
+v&oacute;s decerto pertenceis &aacute; tribu que tem
+cora&ccedil;&atilde;o para os homens pretos.&raquo; Eu com
+satisfa&ccedil;&atilde;o lhe respondi que sim, etc.&raquo;
+</div>
+
+<br />
+
+<br />
+
+Diz inconsideradamente o illustre viajante: &laquo;Sou
+inglez&raquo;! Julgaria por ventura que a Inglaterra enviasse a sua
+esquadra e desaggravar o seu assassinato, dado o caso de que os
+selvagens o tentassem?!
+Felizmente que taes arrogancias &aacute;quem Bih&eacute;,
+n&atilde;o
+se podem contar e apontar, ao passo que al&eacute;m, a partir da
+mesma terra para o litoral,
+n&atilde;o s&oacute; se apontam, como infelizmente se contam
+repetidas! E, ai quando tal se realizasse na pessoa do illustre
+viajante, em presen&ccedil;a do
+seu caracter um tanto irrascivel, n&atilde;o teria por certo
+direito a melhores
+honras, que aquellas que tiveram tantos outros portuguezes, cujas
+ossadas
+insepultas por essas mesmas paragens, reclamam incessantemente dos
+transeuntes a ora&ccedil;&atilde;o funebre pelo eterno
+descan&ccedil;o
+de suas almas, j&aacute; que outra cousa n&atilde;o podem obter
+em desaggravo do seu desastrado
+fim.
+<br />
+
+<br />
+
+<span class="pagenum">[53]</span>
+O sr. Gamitto diz-nos no seu <em>Muata
+Cazembe</em> que, os chefes designam os portuguezes por Muzungos.
+Segundo o mesmo sr. a ra&ccedil;a de Cazembe d&aacute;-lhes
+egual denomina&ccedil;&atilde;o.
+A ra&ccedil;a da Lunda chama-lhes <em>Hinder oe comema</em>;
+a ra&ccedil;a
+dos Ganguellas, <em>Sungo</em>, e a
+antecedente, bem assim, <em>Hinder ea numba</em>; a
+ra&ccedil;a do Luvar d&aacute;-lhes aquellas
+denomina&ccedil;&otilde;es, a ra&ccedil;a dos Quimbundos,
+<em>Sungo</em>; a ra&ccedil;a Bunda, de
+Angola e suas dependencias: <em>Sungo</em>, e
+<em>Cangundo</em>; a ra&ccedil;a Lui e
+Macorrollo: <em>Macua do Oriente</em>, e
+<em>Macua do occidente</em>, indicando as
+ditas partes do globo. Pela mesma maneira designar&atilde;o o
+Allem&atilde;o, o
+Belga, o Hespanhol, o Francez, o Inglez, e finalmente o Russo, em
+virtude da sua
+c&ocirc;r, de natos da mesma parte do globo, de filhos de
+al&eacute;m mar; mas
+n&atilde;o que sirva a distinguir uma ra&ccedil;a qualquer,
+como o illustre
+viajante quer fazer acreditar. Que nos venha dizer que, este ou aquelle
+regulo se
+n&atilde;o chame Hiquereto, sua segunda Providencia, e que em
+virtude da sua indole, fizesse menos pre&ccedil;o da sua pessoa,
+levando a audacia
+ao ponto de o querer impedir na jornada, &eacute; cousa que se
+entende, mas
+n&atilde;o a insinua&ccedil;&atilde;o opprobriosa sob o
+nome portuguez,
+simplesmente pela circumstancia de alguns membros da mesma familia
+empregarem-se, no odioso trafico de escravos; o que n&atilde;o
+est&aacute; em
+harmonia com a posi&ccedil;&atilde;o que occupa na sociedade, e
+muito menos com o caracter de que se acha revestido. A n&atilde;o
+ser essa sua segunda Providencia,
+torno a repetir, o illustre viajante teria effectuado a sua viagem a
+Loanda auxiliado por esses mesmos a quem amiudadamente pretende expor
+no pelourinho da irris&atilde;o publica, como empregando-se n'um
+genero de vida que j&aacute; de ha muito deixou de ser. Teria
+egualmente
+effectuado a sua viagem a Mo&ccedil;ambique auxiliado pelo bom
+governo portuguez, a
+cuja fraqueza deve o bom exito da sua viagem de Costa a Costa, para
+mais tarde o escarnecer, como effectivamente o fez;... a
+retribui&ccedil;&atilde;o seria sempre a mesma!<br />
+
+<br />
+
+Oh! se esta bella joia engastada como est&aacute; na
+cor&ocirc;a de Portugal, pertencesse &aacute; de
+Fran&ccedil;a ou da Inglaterra, o
+commercio da escravatura far-se-hia sempre, ent&atilde;o,
+n&atilde;o direi que para
+possess&otilde;es estranhas, mas sim nas proprias; havendo a
+certeza de que uma potencia n&atilde;o
+tomaria contas &aacute; outra por semelhante procedimento. O
+illustre viajante percorrendo Africa como acaba de realisar, diria
+ent&atilde;o: Acabo de fazer a
+minha digress&atilde;o na terra por excellencia denominada a oitava
+maravilha do mundo, visto que est&aacute; ainda por vir
+&aacute; luz. Mas
+se bem que lhe pese, ella pertence a Portugal, e isso &eacute;
+sufficiente para a desacreditar, n&atilde;o obstante os obsequios
+com que por toda a parte foi honrado.<br />
+
+<br />
+
+As vicissitudes do acaso s&atilde;o assim, um tanto inconstantes
+para os individuos como tambem para as na&ccedil;&otilde;es, e
+para
+fortuna sua e dos seus, um Pombal &eacute; como um meteoro;
+apparece de tempos a
+tempos, para desaggravar e elevar a sua patria.<br />
+
+<br />
+
+Qual ser&aacute; o potentado poderoso ou secundario em Africa, que
+abomine o trafico da escravatura? Se d'ahi lhe prov&eacute;m a sua
+grandeza, que se pode dizer ephemera, porque para se sustentar no
+poder, tem necessariamente de ser prodigo!... E a prodigalidade
+&eacute; exercida em virtude dos pleitos que quotidianamente
+decidem, e dos
+quaes s&atilde;o provenientes os escravos, o gado, a fazenda, as
+enchadas, a cera, alguma
+<span class="pagenum">[54]</span>
+ponta de marfim, e finalmente toda a especie de
+crea&ccedil;&atilde;o miuda, fonte principal do seu rendimento;
+visto que nem todos se podem chamar senhores da Lunda, Lui, Cazembe,
+Batebere, Risucatebe e Macorrollos, onde abunda o marfim; os
+Ganguellas, onde apparece o marfim e abunda a cera; o Humbe, onde
+apparece o marfim e abunda o gado, mas que tambem permutam os escravos
+em maior ou menor escala, attendendo a ser a for&ccedil;a principal
+da sua
+popula&ccedil;&atilde;o.<br />
+
+<br />
+
+Embora a total suppress&atilde;o se approxime do termo, o illustre
+auctor do <em>Exame</em> pode ter a certeza de que o
+trafico n&atilde;o cessar&aacute; j&aacute;mais
+al&eacute;m do dominio das Quinas, visto que ahi se d&atilde;o
+egualmente lucros para especuladores; compram escravos para o
+servi&ccedil;o, para a
+troca do marfim, da cera, do sal, do gado e finalmente para satisfazer
+Milongas (crimes), como j&aacute; tive occasi&atilde;o de
+falar.<br />
+
+<br />
+
+E como poder&aacute; deixar de ser assim, se os escravos e o gado,
+s&atilde;o os unicos dois elementos que f&oacute;rmam a riqueza
+principal e
+unica de todas as classes, aqui no interior d'este grande continente?<br />
+
+<br />
+
+Estudem primeiro o caracter, a indole, as leis tradicionaes, usos e
+costumes dos seus habitantes, e depois falem-nos do odioso trafico da
+escravatura, visto, repito, que n&atilde;o ha nenhum potentado
+poderoso ou secundario que o abomine.<br />
+
+<br />
+
+&Eacute; certo egualmente que sem restric&ccedil;&otilde;es
+o condemna a doutrina de Jesus Christo, mas tambem n&atilde;o
+&eacute; menos verdade
+que ella manda illuminar os pobres de espirito, a fim de que venham no
+conhecimento dos beneficios recebidos e por receber.<br />
+
+<br />
+
+E, j&aacute; que desgra&ccedil;adamente em tudo imitamos o
+extrangeiro, imitemol-o egualmente na forma&ccedil;&atilde;o de
+companhias para o bem
+estar das nossas possess&otilde;es, no tocante a
+religi&atilde;o,
+civilisa&ccedil;&atilde;o e progresso; a fim de n&atilde;o
+estar-mos unicamente com a mira no governo. Agora,
+prestar-se-lhes taes beneficios sem o previo conhecimento d'elles,
+&eacute;,
+creio-o, do intimo da minha alma, procurar a nossa ruina. Quem
+l&aacute;
+chegar o reconhecer&aacute;, como diz o rif&atilde;o.<br />
+
+<br />
+
+Acabo aqui o meu trabalho bastante desagradavel pelo motivo que lhe deu
+origem, e, logo que o illustre viajante traz para a arena o
+incidente de triste recorda&ccedil;&atilde;o para os
+portuguezes do
+<em>Charles e George</em>, responderei que, sou da
+opini&atilde;o d'aquelles que preferem
+morrer na brecha, a ver a sua patria ludibriada, visto dizer-nos o sr.
+conselheiro Bastos que: &laquo;Antes inveja que piedade, vale mais
+ser invejado
+que lastimado&raquo;. N'este ultimo caso existe a infeliz e
+desditosa Polonia! E, mal da Inglaterra se todos os seus filhos
+nutrissem sentimentos eguaes aos do illustre viajante, porque
+ent&atilde;o seria a unica dominadora
+do mundo, ou riscada do mappa das na&ccedil;&otilde;es.<br />
+
+<br />
+
+<h4><span class="smallcaps">Fim</span></h4>
+
+<br />
+
+<br />
+
+Passo agora a transcrever o documento a que me referi, e que devo
+&aacute; bondade de Jo&atilde;o Francisco da
+Concei&ccedil;&atilde;o e Mattos, filho do agraciado; por elle
+se vir&aacute; no conhecimento, que a
+nomea&ccedil;&atilde;o de capit&atilde;es m&oacute;res
+do paiz &eacute; muito anterior a 1791.<br />
+
+<br />
+
+<br />
+
+<div class="sbreak">
+<hr /></div>
+
+<br />
+
+<br />
+
+Manoel de Almeida e Vasconcellos, Cavalheiro da Sagrada Ordem de S.
+Jo&atilde;o de Jerusalem de Malta, do conselho de Sua
+Magestade Fidelissima; Governador e capit&atilde;o general d'este
+Reino, e suas
+Conquistas, etc. etc. Fa&ccedil;o saber aos que esta Minha Carta
+Patente virem,
+que por justas considera&ccedil;&otilde;es do Real
+Servi&ccedil;o, e do bem dos povos, &eacute; absolutamente
+necessario prover-se o posto de Capit&atilde;o m&oacute;r, e
+Juiz da Provincia do Bih&eacute;, povoa&ccedil;&atilde;o do
+Amarante, freguezia de Nossa Senhora do Desterro, e S.
+Gon&ccedil;allo,
+jurisdic&ccedil;&atilde;o da Capitania de Benguella, que vagou
+por fallecimento de Joaquim Jos&eacute; Rodrigues, que o
+exercia, em Pessoa de satisfa&ccedil;&atilde;o, e merecimentos,
+que bem o
+haja de exercer; e tendo considera&ccedil;&atilde;o aos de
+Antonio Francisco da
+Concei&ccedil;&atilde;o, ter servido a Sua Magestade no posto
+de Capit&atilde;o M&oacute;r e Cabo da
+dita Provincia do Bih&eacute;, com aptid&atilde;o, e prestimo;
+e me pertencer
+este provimento pelo cap. 9.&ordm; do Regimento d'este Governo: Hei
+por bem
+de o prover (como por esta o provo) no dito posto de
+Capit&atilde;o-m&oacute;r, e
+Luiz da Provincia do Bih&eacute;, povoa&ccedil;&atilde;o de
+Amarante,
+freguezia de Nossa Senhora do Desterro, e S. Gon&ccedil;allo,
+jurisdic&ccedil;&atilde;o da
+Capitania de Benguella, em quanto a Rainha Nossa Senhora n&atilde;o
+mandar o contrario, e eu entender
+he
+<span class="pagenum"><a name="p56">[56]</a></span>
+conveniente ao seu
+Real servi&ccedil;o; com <a href="#e15">a
+declara&ccedil;&atilde;o</a> de que ser&aacute;
+obrigado a
+residir na dita Provincia, e a guardar todos os Regimentos, Leis, e
+ordens, que se lhe communicarem, dilatando o commercio, a agricultura,
+e a industria, quanto permittirem as for&ccedil;as da
+mesma Provincia, e as Regras da Justi&ccedil;a, e de que
+n&atilde;o
+ser&aacute; reconhecido por tal Capit&atilde;o-m&oacute;r,
+f&oacute;ra da dita Provincia,
+n&atilde;o fazendo guerra aos Negros, nem acto nenhum de
+hostilidade, sem expressa ordem Minha, e dos meus Successores, e que
+attrahir&aacute; e dilatar&aacute; os
+Vassallos, e Dominios de Sua Magestade, pelos meios justos e suaves, da
+paz, da
+justi&ccedil;a, e do commercio, fazendo que a cada um se pague os
+servi&ccedil;os que
+fizer, ou os generos que vender, e que escuzando-se, n&atilde;o
+sahir&aacute; do Governo sem que primeiro seja rendido por aquelle
+que Eu nomear. Pelo que mando ao Governador da Capitania de Benguella
+conhe&ccedil;a ao
+dito Antonio Francisco da Concei&ccedil;&atilde;o por
+Capit&atilde;o-m&oacute;r, e Juiz da Provincia do
+Bih&eacute;, e como tal o honre, estime, deixe servir, e exercitar
+o dito posto, dando-lhe d'elle Posse, e juramento na f&oacute;rma
+costumada, de
+que se far&aacute; assento nas costas d'esta Carta Patente; e as
+pessoas
+suas Subordinadas, que em tudo lhe obede&ccedil;&atilde;o,
+cumpr&atilde;o, e
+guardem suas ordens por escripto, e de palavra, no que pertencer ao
+Real
+servi&ccedil;o, como devem, e s&atilde;o obrigados. Na
+Thesouraria Geral das Tropas
+ordeno se lhe fa&ccedil;a o seu Assento nos livros competentes,
+para
+delles tirar sua F&eacute; de officios quando lhe convier. E por
+firmeza de tudo
+lhe mandei passar a presente por mim assignado, e sellada com o sello
+das Minhas Armas, a qual ser&aacute; registada nos livros da
+Secretaria do Estado deste Reino, e aonde mais tocar. Dada nesta cidade
+de
+S&atilde;o Paulo da Assump&ccedil;&atilde;o a onze de Maio.
+Hippolito
+Fernandes Pinto official menor da mesma Secretaria, a fez.
+<a href="#e16">Anno</a> de mil setecentos
+noventa e um, Joaquim Jos&eacute; da Silva,
+Capit&atilde;o-m&oacute;r encarregado do expediente da
+Secretaria do Estado a fez escrever.<br />
+
+<br />
+
+<div class="signature"><em>Manuel de Almeida e
+Vasconcellos.</em></div>
+
+<br />
+
+<br />
+
+Carta Patente porque V. Ex.<sup>cia</sup> ha por bem prover
+Antonio Francisco
+da Concei&ccedil;&atilde;o, no Posto de Capit&atilde;o
+M&oacute;r, e Juiz da Provincia do Bih&eacute;,
+Povoa&ccedil;&atilde;o de Amarante, Freguezia
+de Nossa Senhora do desterro e S&atilde;o Gon&ccedil;allo,
+Jurisdic&ccedil;&atilde;o
+da Capitania de Benguella, como nella se declara.<br />
+
+<br />
+
+<br />
+
+<div class="signature">Para V. Ex.<sup>cia</sup>
+ver.</div>
+
+<br />
+
+<div class="quote1">Por Despacho de S. Ex.<sup>a</sup>
+de 11 de Maio de 1791.<br />
+
+</div>
+
+<div class="quote">Reg.<sup>da</sup> af. 39 do
+L.<sup>o</sup> 25
+de Patentes e af. 41 do L.<sup>o</sup> 5.&ordm; dos
+Postos para fora fica assentada a sua Pra&ccedil;a.</div>
+
+<div class="quote2">Thesouraria Geral das Tropas 12 de
+Maio de 1791</div>
+
+<br />
+
+<div class="signature"><em>Manuel Pinto Delgado</em></div>
+
+<br />
+
+<br />
+
+<div class="quote1">Cumpra-se e registe-se.<br />
+
+Q.<sup>el</sup> de Benguella 25 de maio de
+1791.</div>
+
+<br />
+
+<div class="signature"><em>Francisco Paym da Camara
+e
+Ornellas</em></div>
+
+<br />
+
+<br />
+
+<span class="pagenum">[57]</span>
+<div class="quote1">Reg.<sup>da</sup> af do
+L.<sup>o</sup> 21 de Patentes que deve
+n'esta Secretaria do Estado d'este Reino. S&atilde;o Paulo da
+Assump&ccedil;&atilde;o a 11 de Maio de 1791.</div>
+
+<br />
+
+<div class="signature"><em>Joaquim
+Jos&eacute; da Silva</em></div>
+
+<br />
+
+<br />
+
+<div class="quote1">Reg.<sup>da</sup> af.
+111 do Registo Geral d'esta Capitania. Benguella 26 de julho de
+1791.</div>
+
+<br />
+
+<div class="signature"><em>Francisco Bermesso</em></div>
+
+<br />
+
+<br />
+
+Principiei pelas nossa cousas, e por um
+acaso findei egualmente por ellas, visto ter-me vindo &aacute;
+m&atilde;o o documento que acabo de transcrever, accrescentando,
+que, somos bastantes pigmeos para n&atilde;o seguir-mos a vereda de
+nossos antepassados. Ent&atilde;o, procuravam, elles, estender e
+dilatar o nosso poder. Presentemente, n&atilde;o s&oacute; se
+trata de o incurtar, como tambem abandonar! Assim se verificou com a
+Feira de Cassange, terra subjugada em 1850 pelo bravo Francisco de
+Salles Ferreira, e mandada abandonar pelo sr. Jo&atilde;o Baptista
+de Andrada em 1862...<br />
+
+<br />
+
+<div class="quote1">Bih&eacute; 2 de mar&ccedil;o
+de 1869.</div>
+
+<br />
+
+<div class="signature"><em>Antonio Francisco
+Ferreira
+da
+Silva Porto</em></div>
+
+<br />
+
+<br />
+
+<br />
+
+<b>Notas:</b><br />
+
+<br />
+
+<a name="1"></a><sup>[1]</sup> Veja-se o
+diploma no fim.<br />
+
+<br />
+
+<br />
+
+<br />
+
+<div class="fbox">
+<h2>Lista de erros corrigidos</h2>
+
+<div style="text-align: center;">Aqui encontram-se
+listados todos os erros encontrados e corrigidos:</div>
+
+<br />
+
+<br />
+
+<table style="width: 80%; text-align: left; margin-left: auto; margin-right: auto;" border="0" cellpadding="4" cellspacing="4">
+
+ <tbody>
+
+ <tr align="right">
+
+ <td style="width: 61px;"></td>
+
+ <td style="font-weight: bold; text-align: center; width: 121px;">Original</td>
+
+ <td style="text-align: center; width: 5px;"></td>
+
+ <td style="font-weight: bold; text-align: center; width: 135px;">Correc&ccedil;&atilde;o</td>
+
+ </tr>
+
+ <tr>
+
+ <td style="text-align: right; width: 61px;"><a name="e1"></a><a href="#p12">#p&aacute;g.
+12</a></td>
+
+ <td style="text-align: center; width: 121px;">Na
+capitulo</td>
+
+ <td style="text-align: center; width: 5px;">...</td>
+
+ <td style="text-align: center; width: 135px;">No
+capitulo</td>
+
+ </tr>
+
+ <tr>
+
+ <td style="text-align: right; width: 61px;"><a name="e2"></a><a href="#p14">#p&aacute;g.
+14</a></td>
+
+ <td style="text-align: center; width: 121px;">grande
+smanadas</td>
+
+ <td style="text-align: center; width: 5px;">...</td>
+
+ <td style="text-align: center; width: 135px;">grandes
+manadas</td>
+
+ </tr>
+
+ <tr>
+
+ <td style="text-align: right;"><a name="e3"></a><a href="#p25">#p&aacute;g. 25</a></td>
+
+ <td style="text-align: center;">1352</td>
+
+ <td>...</td>
+
+ <td style="text-align: center;">1852</td>
+
+ </tr>
+
+ <tr>
+
+ <td style="text-align: right; vertical-align: top;"><a name="e4"></a><a href="#p25">#p&aacute;g.
+25</a></td>
+
+ <td style="text-align: center; vertical-align: middle;">iudigenas</td>
+
+ <td style="text-align: center; vertical-align: middle;">...</td>
+
+ <td style="text-align: center; vertical-align: middle;">indigenas</td>
+
+ </tr>
+
+ <tr>
+
+ <td style="text-align: right;"><a name="e5"></a><a href="#p29">#p&aacute;g. 29</a></td>
+
+ <td style="text-align: center;">papinas</td>
+
+ <td style="text-align: center;">...</td>
+
+ <td style="text-align: center;">paginas</td>
+
+ </tr>
+
+ <tr>
+
+ <td style="text-align: right;"><a name="e6"></a><a href="#p33">#p&aacute;g. 33</a></td>
+
+ <td style="text-align: center;">Acarta</td>
+
+ <td style="text-align: center;">...</td>
+
+ <td style="text-align: center;">A carta</td>
+
+ </tr>
+
+ <tr>
+
+ <td style="text-align: right;"><a name="e7"></a><a href="#p33">#p&aacute;g. 33</a></td>
+
+ <td style="text-align: center;">relativamete</td>
+
+ <td style="text-align: center;">...</td>
+
+ <td style="text-align: center;">relativamente</td>
+
+ </tr>
+
+ <tr>
+
+ <td style="text-align: right;"><a name="e8"></a><a href="#p37">#p&aacute;g. 37</a></td>
+
+ <td style="text-align: center;">eutra</td>
+
+ <td style="text-align: center;">...</td>
+
+ <td style="text-align: center;">outra</td>
+
+ </tr>
+
+ <tr>
+
+ <td style="text-align: right;"><a name="e9"></a><a href="#p38">#p&aacute;g. 38</a></td>
+
+ <td style="text-align: center;">fnturo</td>
+
+ <td style="text-align: center;">...</td>
+
+ <td style="text-align: center;">futuro</td>
+
+ </tr>
+
+ <tr>
+
+ <td style="text-align: right;"><a name="e10"></a><a href="#p39">#p&aacute;g. 39</a></td>
+
+ <td style="text-align: center;">chegei</td>
+
+ <td style="text-align: center;">...</td>
+
+ <td style="text-align: center;">cheguei</td>
+
+ </tr>
+
+ <tr>
+
+ <td style="text-align: right;"><a name="e11"></a><a href="#p42">#p&aacute;g. 42</a></td>
+
+ <td style="text-align: center;">artificialment&eacute;</td>
+
+ <td style="text-align: center;">...</td>
+
+ <td style="text-align: center;">artificialmente</td>
+
+ </tr>
+
+ <tr>
+
+ <td style="text-align: right;"><a name="e12"></a><a href="#p44">#p&aacute;g. 44</a></td>
+
+ <td style="text-align: center;">seuhores</td>
+
+ <td style="text-align: center;">...</td>
+
+ <td style="text-align: center;">senhores</td>
+
+ </tr>
+
+ <tr>
+
+ <td style="text-align: right;"><a name="e13"></a><a href="#p45">#p&aacute;g. 45</a></td>
+
+ <td style="text-align: center;">apresentayam</td>
+
+ <td style="text-align: center;">...</td>
+
+ <td style="text-align: center;">apresentavam</td>
+
+ </tr>
+
+ <tr>
+
+ <td style="text-align: right;"><a name="e14"></a><a href="#p50">#p&aacute;g. 50</a></td>
+
+ <td style="text-align: center;">?ndigenas</td>
+
+ <td style="text-align: center;">...</td>
+
+ <td style="text-align: center;">indigenas</td>
+
+ </tr>
+
+ <tr>
+
+ <td style="text-align: right;"><a name="e15"></a><a href="#p56">#p&aacute;g. 56</a></td>
+
+ <td style="text-align: center;">o
+declara&ccedil;&atilde;o</td>
+
+ <td style="text-align: center;">...</td>
+
+ <td style="text-align: center;">a
+declara&ccedil;&atilde;o</td>
+
+ </tr>
+
+ <tr>
+
+ <td style="text-align: right;"><a name="e16"></a><a href="#p56">#p&aacute;g. 56</a></td>
+
+ <td style="text-align: center;">Annno</td>
+
+ <td style="text-align: center;">...</td>
+
+ <td style="text-align: center;">Anno</td>
+
+ </tr>
+
+ </tbody>
+</table>
+
+<br />
+
+<div style="text-align: center;"><br />
+
+</div>
+
+</div>
+
+</div>
+
+
+
+
+
+
+
+
+<pre>
+
+
+
+
+
+End of the Project Gutenberg EBook of Silva Porto e Livingstone, by
+António Francisco Ferreira da Si Porto
+
+*** END OF THIS PROJECT GUTENBERG EBOOK SILVA PORTO E LIVINGSTONE ***
+
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+Produced by Rita Farinha and the Online Distributed
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+
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+agree to be bound by the terms of this agreement. There are a few
+things that you can do with most Project Gutenberg-tm electronic works
+even without complying with the full terms of this agreement. See
+paragraph 1.C below. There are a lot of things you can do with Project
+Gutenberg-tm electronic works if you follow the terms of this agreement
+and help preserve free future access to Project Gutenberg-tm electronic
+works. See paragraph 1.E below.
+
+1.C. The Project Gutenberg Literary Archive Foundation ("the Foundation"
+or PGLAF), owns a compilation copyright in the collection of Project
+Gutenberg-tm electronic works. Nearly all the individual works in the
+collection are in the public domain in the United States. If an
+individual work is in the public domain in the United States and you are
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+are removed. Of course, we hope that you will support the Project
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+Gutenberg-tm License when you share it without charge with others.
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+Gutenberg" is associated) is accessed, displayed, performed, viewed,
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+through 1.E.7 or obtain permission for the use of the work and the
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+
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+
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+work or any other work associated with Project Gutenberg-tm.
+
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+electronic work, or any part of this electronic work, without
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+License as specified in paragraph 1.E.1.
+
+1.E.7. Do not charge a fee for access to, viewing, displaying,
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+ must be paid within 60 days following each date on which you
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+ returns. Royalty payments should be clearly marked as such and
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+
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+ money paid for a work or a replacement copy, if a defect in the
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+
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+1.F.5. Some states do not allow disclaimers of certain implied
+warranties or the exclusion or limitation of certain types of damages.
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+law of the state applicable to this agreement, the agreement shall be
+interpreted to make the maximum disclaimer or limitation permitted by
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+
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+Gutenberg Literary Archive Foundation was created to provide a secure
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+To learn more about the Project Gutenberg Literary Archive Foundation
+and how your efforts and donations can help, see Sections 3 and 4
+and the Foundation web page at http://www.pglaf.org.
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+Foundation
+
+The Project Gutenberg Literary Archive Foundation is a non profit
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+state of Mississippi and granted tax exempt status by the Internal
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+
+
+Section 4. Information about Donations to the Project Gutenberg
+Literary Archive Foundation
+
+Project Gutenberg-tm depends upon and cannot survive without wide
+spread public support and donations to carry out its mission of
+increasing the number of public domain and licensed works that can be
+freely distributed in machine readable form accessible by the widest
+array of equipment including outdated equipment. Many small donations
+($1 to $5,000) are particularly important to maintaining tax exempt
+status with the IRS.
+
+The Foundation is committed to complying with the laws regulating
+charities and charitable donations in all 50 states of the United
+States. Compliance requirements are not uniform and it takes a
+considerable effort, much paperwork and many fees to meet and keep up
+with these requirements. We do not solicit donations in locations
+where we have not received written confirmation of compliance. To
+SEND DONATIONS or determine the status of compliance for any
+particular state visit http://pglaf.org
+
+While we cannot and do not solicit contributions from states where we
+have not met the solicitation requirements, we know of no prohibition
+against accepting unsolicited donations from donors in such states who
+approach us with offers to donate.
+
+International donations are gratefully accepted, but we cannot make
+any statements concerning tax treatment of donations received from
+outside the United States. U.S. laws alone swamp our small staff.
+
+Please check the Project Gutenberg Web pages for current donation
+methods and addresses. Donations are accepted in a number of other
+ways including checks, online payments and credit card donations.
+To donate, please visit: http://pglaf.org/donate
+
+
+Section 5. General Information About Project Gutenberg-tm electronic
+works.
+
+Professor Michael S. Hart is the originator of the Project Gutenberg-tm
+concept of a library of electronic works that could be freely shared
+with anyone. For thirty years, he produced and distributed Project
+Gutenberg-tm eBooks with only a loose network of volunteer support.
+
+
+Project Gutenberg-tm eBooks are often created from several printed
+editions, all of which are confirmed as Public Domain in the U.S.
+unless a copyright notice is included. Thus, we do not necessarily
+keep eBooks in compliance with any particular paper edition.
+
+
+Most people start at our Web site which has the main PG search facility:
+
+ http://www.gutenberg.org
+
+This Web site includes information about Project Gutenberg-tm,
+including how to make donations to the Project Gutenberg Literary
+Archive Foundation, how to help produce our new eBooks, and how to
+subscribe to our email newsletter to hear about new eBooks.
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+</pre>
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+</body>
+</html>
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+++ b/27691-h/images/fig01.png
Binary files differ