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+Project Gutenberg's Chronica de El-Rei D. Sancho II, by Rui de Pina
+
+This eBook is for the use of anyone anywhere at no cost and with
+almost no restrictions whatsoever. You may copy it, give it away or
+re-use it under the terms of the Project Gutenberg License included
+with this eBook or online at www.gutenberg.org
+
+
+Title: Chronica de El-Rei D. Sancho II
+
+Author: Rui de Pina
+
+Release Date: November 22, 2008 [EBook #27311]
+
+Language: Portuguese
+
+Character set encoding: ISO-8859-1
+
+*** START OF THIS PROJECT GUTENBERG EBOOK CHRONICA DE EL-REI D. SANCHO II ***
+
+
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+
+Produced by Rita Farinha and the Online Distributed
+Proofreading Team at http://www.pgdp.net (This file was
+produced from images generously made available by National
+Library of Portugal (Biblioteca Nacional de Portugal).)
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+ *Nota de editor:* Devido à quantidade de erros tipográficos
+ existentes neste texto, foram tomadas várias decisões quanto à
+ versão final. Em caso de dúvida, a grafia foi mantida de acordo com
+ o original. No final deste livro encontrará a lista de erros
+ corrigidos.
+
+ Rita Farinha (Nov. 2008)
+
+
+
+
+BIBLIOTHECA
+
+DE
+
+Classicos Portuguezes
+
+Proprietario e fundador
+
+_MELLO D'AZEVEDO_
+
+
+
+
+Bibliotheca de Classicos Portuguezes
+
+Proprietario e fundador--Mello d'Azevedo
+
+
+(VOLUME LIII)
+
+
+CHRONICA
+
+DE
+
+EL-REI D. SANCHO II
+
+POR
+
+RUY DE PINA
+
+
+_ESCRIPTORIO_
+147--Rua dos Retrozeiros--147
+LISBOA
+
+1906
+
+
+
+
+CHRONICA
+DO MUITO ALTO, E MUITO ESCLARECIDO PRINCIPE
+D. SANCHO II.
+QUARTO REY DE PORTUGAL,
+COMPOSTA
+POR RUY DE PINA,
+Fidalgo da Casa Real, e Chronista Môr do Reyno.
+FIELMENTE COPIADA DE SEU ORIGINAL,
+Que se conserva no Archivo Real da Torre do Tombo.
+OFFERECIDA
+Á MAGESTADE SEMPRE AUGUSTA DELREY
+
+D. JOAÕ O V.
+
+NOSSO SENHOR
+
+LISBOA OCCIDENTAL.
+
+Na Officina FERREYRIANA.
+M.DCC.XXVIII.
+
+_Com todas as licenças necessarias._
+
+
+
+ SENHOR
+
+
+As desgraças do infelicissimo Rei D. Sancho II deste nome só se podem
+dalgum modo fazer menos sensiveis vendo-se amparada esta sua brevissima
+Chronica com o Augusto nome de V. Magestade se entre tantos infortunios
+quantos foram os que tem padecido a posteridade da sua fama, póde haver
+algum genero de diminuição, foi a brevidade, com que todos os
+Historiadores trataram as acções da sua vida, porque até parece que
+enfastia a memoria das infelicidades. Mas como é tanto o esplendor das
+inimitaveis acções de V. Magestade, bastará a sua protecção Real para
+que retrocedendo tres seculos encha de gloria aquelle Reinado. A Real
+Pessoa de V. Magestade guarde Deos muitos annos como todos os seus
+vassallos dezejamos.
+
+
+ _Miguel Lopes Ferreira._
+
+
+
+
+AO EXCELLENTISSIMO SENHOR
+
+D. Francisco Xavier de Menezes
+
+
+ _Quarto conde da Ericeira, do Concelho de Sua Magestade, Sargento
+ mór de Batalha dos seus Exercitos, Deputado da Junta dos Tres
+ Estados, Perpetuo Senhor da Villa da Ericeira, e Senhor da de
+ Ancião, oitavo Senhor da Caza do Louriçal, Commendador das
+ Commendas de Santa Christina de Sarzedello, de S. Cipriano de
+ Angueyra, S. Martinho de Frazão, S. Payo de Fragoas, de S. Pedro de
+ Elvas, e de S. Bertholameu de Covilhã todas na Ordem de Christo,
+ Academico da Academia Real da Historia Portugueza, e um dos cinco
+ Censores della &c._
+
+
+A benignidade com que V. Excellencia desculpou a minha confiança quando
+procurei o seu amparo para offerecer a Sua Magestade a Chronica del-Rei
+Dom Affonso III me anima agora a buscar segunda vez a V. Excellencia,
+para que me faça a mercê de pôr aos pés del-Rei N. Senhor esta Chronica
+de D. Sancho II de Portugal. Na pessoa de V. Excellencia concorrem todas
+as circunstancias, que são necessarias para este beneficio, porque V.
+Excellencia é dotado de uma condição tão propensa para os estudiosos,
+que a immensa copia de livros, que com singular eleição tem juntos, mais
+são dos que delles se querem servir, que de V. Excellencia mesmo. É
+verdade que esta generosidade tem o seu principio na estopenda memoria
+de que V. Excellencia é dotado, pois basta ler um livro, para lhe
+escuzar outra vez a lição, mas tambem nace da particular satisfação que
+V. Excellencia tem de que todos sejam imitadores dos seus estudos. A
+ninguem melhor do que a V. Excellencia se devia dedicar esta Chronica,
+porque só V. Excellencia tem meios na sua grande capacidade para
+defender algumas materias, que nella se tratam, porque é certo que nem
+tudo foi concedido a todos, mas na pessoa de V. Excellencia se acha tudo
+o que dividido fez grandes a outros. Deos guarde a V. Excellencia muitos
+annos.
+
+
+ Criado de Vossa Excellencia
+
+ _Miguel Lopes Ferreira._
+
+
+
+
+
+PROLOGO
+
+
+Aqui tens Amigo Leitor a brevissima Chronica do desgraçado Rei de
+Portugal D. Sancho II deste nome. Foi este Principe na vida, e na morte
+o exemplo de toda a infelicidade humana, para que depois pelos
+inscrutaveis juizos de Deos tivesse o premio de tantos infurtunios na
+eternidade da Bemaventurança. Na vida foi como dizem, tão sogeito aos
+validos, que não teve acção, que se podesse chamar sua, e na morte, foi
+tão infeliz, que a não teve na Patria. Tudo o que escreveram os
+Authores, foi duvidoso, porque uns o fazem cazado, e outros lhe negam o
+cazamento; uns o fazem pusilanime, e outros valeroso. Seguiram as penas
+dos Chronistas a inconstancia da sua fortuna, tudo deixáram em questões,
+porque o seu descuido lhes não deixou averiguar a certeza do que
+escreviam. O Doutor Fr. Antonio Brandão na Quarta parte da Monarchia
+Lusitana desaggrava em muitas acções a este Principe das injurias dos
+seus Chronistas, mostrando que fora valeroso, e que conquistara muitas
+Praças aos Mouros, como o dizem as doações que fez dellas ás Ordens
+Militares. Sem duvida que a administração do governo, que deram os povos
+a seu irmão D. Affonso Conde de Bolonha em França, foi a cauza do muito
+que tem padecido a Real opinião deste Principe, porque não ha quem senão
+atreva a um desgraçado, ainda que lhe anime as veas um sangue soberano.
+As parcialidades que naquelle tempo havia de introduzir necessariamente
+na Corte a politica, deviam de ser o fundamento desta variedade, porque
+uns para justificarem a acção, o deviam de condenar, e outros que seriam
+os menos, o haviam de desculpar. Venceo com o tempo a felicidade de seu
+irmão D. Affonso, e arrastada da lizonja gemeo a memoria de D. Sancho. O
+que escreveram os antigos, é o que agora te dou a ler nesta brevissima
+Chronica. Se quizeres ver resgatada de tanto descuido a fama deste
+piissimo Rei, vê o Mestre Brandão, que em tudo mostrou a sua diligencia.
+
+
+ _Vale._
+
+
+
+
+
+LICENÇAS DO SANTO OFFICIO
+
+
+ _Approvação do Reverendissimo Padre Mestre D. Antonio Caetano de
+ Souza, Clerigo Regular da Divina Providencia, Qualificador do Santo
+ Officio, e Academico da Academia Real da Historia Portugueza_
+
+
+EMINENTÍSSIMO SENHOR
+
+
+Vi a Chronica de El-Rei D. Sancho o II, a quem os nossos Authores
+antigos chamam o Capelo, que tambem anda em nome do Chronista Ruy de
+Pina, como já disse na censura que fiz na de El-Rei D. Affonso II, seu
+pai, e não contem couza alguma para que V. Eminencia não conceda a
+licença que se pede para a imprimirem, este é o meu parecer. Lisboa
+Occidental 8 de Março de 1726.
+
+
+ _D. Antonio Caetano de Souza C. R._
+
+
+
+
+ _Approvação do Reverendissimo Padre Mestre Fr. Vicente das Chagas,
+ Religioso da Provincia de Santo Antonio dos Capuchos, Lente
+ jubilado na sagrada Theologia, Qualificador do Santo Officio, &c._
+
+
+EMINENTISSIMO SENHOR
+
+
+A Chronica d'El-Rei Dom Sancho o II a quem os Authores antigos chamam o
+Capelo, pelos vestidos honestos, de que sempre uzou, mais de feição de
+Religioso, que de Rei, não tem cousa que se oponha aos dogmas da nossa
+Santa Fé, ou bons costumes. Este Rei não teve exercicio de reinar todo o
+tempo de sua vida, porque pelos seus erros foi posto por Regedor no
+Reino seu irmão o Infante D. Affonso Conde de Bolonha, e errou o dito
+Rei D. Sancho se cuidou que havia de reger sempre: «Errat, si quis
+existimat tutum diu esse Regem». Diz Seneca «In sui Proverbiis in fine
+positis lit. E.» Mas se lhe tiraram o Reino, ou a regencia delle pelos
+seus erros, e culpas, não lhe podiam tirar o Reinar em o Ceo, morrendo
+(como dizem morreo) com sinaes de bom Christão, e Catholico Rei, e cheio
+de virtudes. Pelo que merece a licença que pede o Chronista para se
+imprimir. V. Eminencia fará o que for servido. Santo Antonio dos
+Capuchos de Lisboa Occidental 21 de Março de 1726.
+
+
+ _Fr. Vicente das Chagas._
+
+
+
+
+
+Vistas as informações, pode-se imprimir a Chronica del-Rei D. Sancho II,
+e depois de impressa tornará para se conferir, e dar licença que corra,
+sem a qual não correrá. Lisboa Occidental, 22 de Março de 1726.
+
+
+ _Rocha, Fr. Lancastre. Teixeira. Silva. Cabedo._
+
+
+
+
+DO ORDINARIO
+
+
+ _Approvação do Reverendissimo Padre Mestre Fr. João Baptista
+ Troyano, Religioso da Ordem de N. Senhora do Monte do Carmo, Mestre
+ na Sagrada Theologia, Consultor do Santo Officio, Definidor
+ perpetuo, e Provincial absoluto, Secretario que foi da Provincia, e
+ Prior do convento do Carmo de Lisboa Occidental, &c._
+
+
+ILLUSTRISSIMO E REVERENDISSIMO SENHOR
+
+
+Por mandado de V. Illustrissima Reverendissima li a Chronica del-Rei D.
+Sancho II no Nome, e quarto dos Reis de Portugal, vulgarmente chamado
+Capelo, na fórma que a deixou escrita Ruy de Pina Chronista mór do
+Reino, e como nella se não encontre couza que se opponha aos dogmas da
+nossa Santa Fé Catholica, ou bons costumes, julgo se lhe póde conceder a
+licença que se pede, salvo, &c. Carmo de Lisboa Occidental 4 de Outubro
+de 1726.
+
+
+ _Fr. João Baptista Troyano, Prior do Carmo._
+
+
+
+Pode-se imprimir vistas as informações, a Chronica del-Rei D. Sancho II,
+e depois de impressa tornará para se conferir, e dar licença sem a qual
+não correrá. Lisboa Occidental 1 de Junho de 1728.
+
+ _Gouvea._
+
+
+
+
+DO PAÇO.
+
+
+ _Approvação do Excellentissimo Senhor D. Francisco Xavier de
+ Menezes, Conde da Ericeira, do Conselho de S. Magestade, Academico
+ da Academia Real da Historia Portugueza, e um dos cinco Censores
+ della, &c._
+
+
+ SENHOR
+
+
+Na censura que fiz por ordem de V. Magestade á Chronica del-Rei D.
+Sebastião, ponderei largamente o juizo que fazia da utilidade que
+resultava á Historia de Portugal, de que se publicassem as memorias mais
+antigas, que se conservavam manuscritas na Torre do Tombo, e em muitas
+livrarias, ainda que tivessem alguns defeitos, que nasceram da sincera
+credulidade dos seus Authores, outros da corrupção das copias, e muitos
+que os modernos suppõem, que foram erros, e que póde ser sejam verdades,
+e que prevaleça a antiguidade de alguns seculos, que faz os Authores
+melhor instruidos de tradição sucessiva, e então mais vezinha ao tempo
+dos sucessos; á critica que fundada em documentos, e conjecturas, nem
+sempre descobre as dezejadas demonstrações. A Chronica del-Rei D. Sancho
+II sendo muito breve, merece maior exame, que as outras, porque era
+precizo ao seu escritor defender o que fez todo o Reino para autorizar a
+deposição daquelle Principe mais infelice, que culpado, e quanto mais
+razões buscou este escritor para culpar o seu Rei, tanto mais seguio a
+primeira errada maxima, continuada por muitos Historiadores, que se
+convencem a si mesmos com a força da razão, celebrando a fidelidade dos
+dous valerosos defensores de Coimbra, e Cerolico. Tambem se buscaram
+outros principios, que as Monarchias independentes, como é a de Portugal
+não admitem, nem acho inconveniente em que se imprimam as Historias do
+que o mundo fazia, e hoje não observa, porque assim conhecemos o genio
+dos seculos passados, e a parcialidade dos nossos Chronistas; sendo
+poucos em todas as nações, os que se livraram deste perigo, e não sendo
+o mesmo permetir V. Magestade a licença que se pede para sahirem a luz
+os livros antigos, que aprovar tudo o que elles dizem, e copiáram os
+outros, que o seguiram, e assim entendo que com esta censura que deve
+imprimir-se nas mais Edições desta Chronica, se dê a faculdade que
+pertende o seu curioso Collector, desta, e de todas as Historias antigas
+de Portugal. Lisboa Occidental 7 de Junho de 1728.
+
+
+ _Conde da Ericeira._
+
+
+Que se possa imprimir, visto as licenças do Santo Officio, e Ordinario,
+e depois de impresso tornará á Meza, para se conferir, e taxar, e sem
+isso não correrá, com declaração, que no mesmo livro se imprima esta
+censura do Conde da Ericeira. Lisboa Occidental 8 de Junho de 1728.
+
+ _Marquez P. Pereira. Oliveira. Teixeira. Bonicho._
+
+
+
+
+_Coronica do muito alto e esclarecido Principe D. Sancho II, quarto Rei
+de Portugal a que vulgarmente chamavam o Capelo_
+
+
+
+
+CAPITULO I
+
+
+ _Como o Ifante D. Sancho Capelo, foi alevantado por Rei, e das
+ condições fracas que teve, e como cazou, e não como a sua honra e
+ estado Real compria, e se devia_
+
+
+El-Rei Dom Affonso deste nome o segundo, e dos Reis de Portugal o
+terceiro, faleceo na era de mil duzentos e vinte e tres, (1223) como em
+sua Coronica é declarado, e por seu falecimento foi logo alevantado, e
+obedecido por Rei o Ifante Dom Sancho, seu filho maior legitimo, e
+herdeiro, a que disseram Capelo, deste nome o segundo, e dos Reis de
+Portugal o quarto, em idade de dezaseis annos, e a cauza porque este
+sobrenome de Capelo lhe fosse posto, as lembranças antigas Despanha, e
+de Portugal, que delle falam, e assi o nomeam, não o declaram, sómente
+que lhe devia ser posto por sua maneira de vestidos honestos, que sempre
+trouxe, mais de feição de Religioso, que de Rei, nem Cavaleiro, porque
+foi Principe, que do começo de sua vida até que acabou em servir mais a
+Deos, que haver respeito ás couzas, e pompas do mundo, em cujo coração
+não houve a verdadeira fortaleza que pera Rei era mui necessaria, mas
+houve nelle sua pura simpreza com que dezejou que seus Reinos, e
+Vassalos fossem regidos por lei de natureza, e por regras, e concelhos
+de boa condição, sem outra prema, nem contradição de Lei, nem de algum
+direito positivo, e por esso na execução nas cousas da justiça era muito
+brando, e as não provia nem ponia, com aquelle rigor, e escarmento, que
+as culpas, e crimes de homens requeriam, e por esta sua natural, e fraca
+incrinação, e juntamente com os máos, e desassolutos Conselheiros, que
+de moço logo o recolheram, e porque não devidamente se regia o Reino de
+Portugal, e todolos naturaes delle em todalas couzas, assi espirituaes,
+como temporaes, durando o seu Reinado padeceram muitas perdas, e danos
+incomportaveis, que depois com quebra de seu nome, e pera provizão de
+seu Estado se remediaram, como ao diante se dirá.
+
+E ao tempo que este Rei Dom Sancho começou de Reinar em Portugal,
+governava os Reinos de Castella, e de Lião sua tia, a Rainha Dona
+Biringela, molher que foi del-Rei Dom Affonso de Lião, com El-Rei Dom
+Fernando seu filho, a qual era tia deste Rei Dom Sancho, irmã da Rainha
+Dona Orraca sua madre, e porque a Rainha Dona Biringela, a que este Rei
+Dom Sancho ficou encomendado, era Princeza de mui singulares virtudes e
+Reaes perfeições, e muita prudenia, doendo-se da governança de Portugal,
+e de uma evidente sua perdição, a que decrinava, ella muitas vezes
+enviou a conselhar a seu sobrinho assi bem, e verdadeiramente como a
+elle, e ao Reino compria, e principalmente pera fundamento de sua maior
+liança de o querer cazar, como seu Estado, e dinidade Real requeria. Ao
+que El Rei D. Sancho por máos concelhos dalguns seus não fieis, e
+danados conselheiros nunca obedeceo, antes por induzimento delles sem
+dispensação, e muito contra sua honra, e com grande escandalo, e nojo
+dos do Reino, cazou com Dona Mecia Lopes, Dona fermosa, e viuva, filha
+de Dom Lopo, senhor de Biscaya, que era parenta sua dentro no quarto
+gráu, a qual fôra já cazada com Dom Alvaro Pires de Castro, filho de Dom
+Pedro Fernandes de Castro, o Castellão, e posto que El-Rei Dom Sancho
+pelos Prelados, e povos, Senhores, e pessoas de titulo de seu Reino
+muitas vezes fosse requerido, amoestado, e aconselhado, que se apartasse
+desta molher, e recebesse outra qual, á sua honra, e conciencia
+convinha, elle, ou por afeição não quiz, ou por feitiços, de que diziam
+que era ligado, o não pôde nunca fazer, nem consentir, porque naquelle
+tempo segundo as couzas passavam, mui clara, e geralmente se dizia, que
+El-Rei andava em poder della enfeitiçado, e cego do juizo sem se poder
+apartar, e que ajudavam muito o mao conselho daquelles, que sostinham a
+parte da Rainha Dona Mecia, por cujo favor em que a este tempo havia o
+poder, e authoridade com grande desolução elles tomavam, e destroiam do
+Regno todolo que queriam, e assi o faziam, outros muitos grandes, e
+pequenos por seu exemplo, os quaes males El-Rei por fraqueza de coração
+não castigava, nem tornava a elles com aquella severidade, e rigor, que
+se devia, e assi teve El-Rei D. Sancho esta molher algum tempo sem della
+haver alguma geração, não cessando no Regno estes insultos, e
+desoluções, antes crecendo cada vez mais.
+
+
+
+
+CAPITULO II
+
+
+ _Do que o Papa a requerimento dos Prelados, e povo de Portugal
+ escreveo, e requereo a El-Rei Dom Sancho por sua Bulla_
+
+
+Pelo qual os Prelados, e povo de Portugal concirando a fealdade destas
+couzas, que era em grande ofença de Deos e cançasso e destroição da
+terra, e vendo que a continua, e perseverada aprezentação de suas
+querelas ante El-Rei não aproveitavam, todos em uma concordia se
+enviaram querelar ao Papa Honorio III na Igreja de Deos a esse tempo
+Presidente, que como bom, e Sancto Pastor, por aconselhar a El-Rei, e
+por verdadeiramente ao Regno, sabendo todas as cousas sobreditas, que
+com verdadeira relação lhe foram senificadas, enviou a El-Rei seu Breve,
+em que lhe vieram suas sanctas, e devidas amoestações, e nelle límitado
+tempo, em que inteiramente emendasse os erros de sua pessoa, e
+satisfizesse aos danos feitos por sua negligencia, em todo o Regno, e
+passado o tempo, que pera a emenda destas cousas lhe era assinado, sendo
+o Papa certificado, que em nada se satisfazia, enviou a elle de Roma por
+Delegado o Bispo Sabenense, o qual pela dureza, e pouca obediencia que
+nelle, e nos seus Conselheiros achou, poz condicionalmente em suas
+pessoas sentença de Excommunhão, e de antredito, e em todo o Regno sem
+outro devido, e peremptorio termo, que lhe assinou, se se não emendasse,
+e satisfizesse. Das quaes sentenças ficou por mero executor, por mandado
+especial do Papa, o Arcebispo de Braga, que por se não satisfazer aos
+males, tomadias e roubos, que eram feitos especialmente ás Igrejas, nem
+se leixavam de fazer tantos, o tornou a notificar ao Padre Santo, que
+por uzar de mais clemencia, e piedade com El-Rei Dom Sancho, e lhe
+afastar todalas couzas de sua essencia, lhe escreveo outra carta na
+entrada da qual lhe tirou aquella solennidade de amor, e benção
+Apostolica, que em outras escrevia aos outros Reis sempre costumada de
+escrever, ca lhe não poz Carissimo em Christo filho, nem disse nella:
+«Salutem & Apostolicam benedictionem».
+
+Com a Bulla, que a El-Rei Dom Sancho em sua pessoa, e em muitas partes
+de seu Regno, foi pubricada, elle foi muito anojado, e vendo se apertado
+de muitas necessidades, que nesta necessidade concorriam, aconselhado
+dos seus que o seguiam, disse que em todo queria, e prometia de obedecer
+ao Papa, e satisfazer inteiramente aos mandamentos da Sé Apostolica, e
+que elle logo emendaria, e faria aos seus emendar todolos danos, e
+perdas que eram feitos, e não consentiria, que dahi em diante em seu
+Regno por elle, nem pelos seus, lhe fizessem outros alguns, assi por
+suas cartas patentes, o segurou, e prometeo particularmente ao Papa,
+pelo qual a esta cautella, e com condição de todo comprir a certo tempo,
+foram todos absoltos da excommunhão, e levantado o antredito do Regno.
+
+
+
+
+CAPITULO III
+
+
+ _Como El-Rei Dom Sancho por amoestações do Papa se não quiz apartar
+ de Dona Mecia Lopes sua molher, e como lhe foi tomada_
+
+
+Mas como El-Rei Dom Sancho da excommunhão, e antredito se vio livre, e
+afrouxado, e os Delegados do Papa partidos do Regno, elle e os seus por
+mao conselho, e induzimento de maos homens, que comsigo trazia, não
+leixaram de proseguir, e uzar de todolos erros, e males, que dantes
+faziam, e esto durou por muitos annos, ca foi no tempo do dito Papa
+Honorio, e depois em vida do Papa Gregorio IX que a requerimento, e
+sopricação dos Prelados, e povo de Portugal, lhe enviava continuas
+amoestações, e sanctos conselhos, a que nunca quiz inteiramente
+obedecer, quazi de sua boa, e fraca condição, era faze-lo logo, a Rainha
+Dona Mecia sua molher, e aquelles que seguiam sua vontade o disviavam de
+seu bom proposito, especialmente em a não querer nem poder leixar por
+molher, sobre que muitas vezes, foi pelo Papa aconselhado, e amoestado,
+e excommungado, por quanto ella era filha do Conde Dom Lopo de Biscaya,
+como já disse, e era muito conjunto ao Real sangue dos Reis Despanha, de
+que El-Rei Dom Sancho descendia, e porém nunca por direito, nem por sua
+vontade a quiz de si apartar, ca por qualquer maneira que fosse, elle
+lhe era muito afeiçoado, e porém acha-se, que neste tempo, tendo-a
+El-Rei comsigo em Coimbra, um Reymão Viegas de Porto Carreiro, com
+gentes de Dom Martim Gil de Soveroza, naturaes de Portugal, e Vassallos
+del-Rei Dom Sancho, da frontaria de Galiza, donde eram, com multas
+gentes, que comsigo trouxeram, tomaram a dita Dona Mecia, e a leváram ao
+Castello Dourem, que ella tinha del-Rei por Arras de seu cazamento,
+sobre o qual El-Rei logo foi armado, e com a gente que pode requerendo
+lhes, que lhe entregassem sua molher, e elles o não quizeram fazer,
+antes resistiram a El Rei com armas, e forças, com que se tornou, e
+elles a levaram a Galiza, mas o que della se depois fez, ou com que
+fundamento, e cauza certa foi assi tomada, e levada, eu o não achei, nem
+soube, e porém até o tempo que o Papa Innocencio IV foi Prezidente na
+Igreja de Roma, nunca por El-Rei Dom Sancho nos males, e danos passados,
+se fez alguma emenda, nem deu satisfação, nem menos havia rigor de
+justiça, por cujo temor elles se leixassem de fazer.
+
+
+
+
+CAPITULO IV
+
+ _Do Concilio que o Papa Innocencio IV fez em Lião de França, onde
+ os Prelados, e os Senhores de Portugal, se foram querelar del Rei
+ Dom Sancho, e lhe pediram novo Regedor para o Regno, que por mingoa
+ da justiça se perdia, e lhe outorgou o Ifante Dom Affonso, Conde de
+ Bolonha, irmão do dito Rei Dom Sancho_
+
+
+Sobre o qual sendo El-Rei por muitos, e muitas vezes aconselhado do
+requerido, e pedido, que se emendasse, e castigasse os malfeitores, elle
+não o querendo, ou não podendo fazer, os Prelados, e povo se enviaram
+outra vez aggravar ao Papa Innocencio IV e pedir-lhe remedio, o qual por
+algumas vezes escreveo a El-Rei cartas de mui sanctos concelhos, e
+devidas amoestações, e assi outras ao Bispo de Coimbra, que em seu nome,
+e da sua parte o aconselhasse para se privar dos erros, e males, que
+consentia, e o esforçasse para castigo, e emenda daquelles, que os
+cometiam, encomendando ao dito Bispo, que de todo o que em El-Rei sobre
+esso achasse, e deste cazo lhe parecesse, lho fizesse saber por suas
+cartas, as quaes enviaria ao Concilio, que se havia então de fazer, como
+fez em Lião Solanova em França, para que foram convocados os Reis, e
+Principes Christãos, e assi muitos Prelados, no qual Concilio se
+acordaram muitas, e mui sanctas couzas por bem da universal Igreja, ante
+as quaes El Rei S. Luis, por mortal doença de um fernezim, de que
+escapou, tornando a seu entendimento, fez nelle voto de ir, como foi em
+pessoa, por se recobrar á Caza Santa, e á conquista de ultra mar, e
+levou em pessoa comsigo a Rainha Dona Margarida sua molher, filha do
+Conde de Proença, e desta ida tomou por cerco a Cidade Damiata no
+Egipto, que era de imigos, mas logo pelo grande poder do Soldão, El-Rei,
+e dous seus irmãos, que com elle passaram, a saber, Dom Affonso, e Dom
+Carlos em uma batalha foram tambem cativos, e resgatados pela mesma
+Cidade de Damiata, e das muitas gentes de seu exercito, muitos foram
+mortos, e os outros prezos, e cativos.
+
+E retornando El Rei S. Luis a França com esperança de vingar o mal
+passado, logo com outro grande exercito, que refez, tornou a ir sobre a
+Cidade de Tunes, com propozito de fazer o Rei della Christão, como lhe
+enviara prometer, e de conquistar por hi a terra dos Infieis, ao longo
+do mar até Alexandria pera dahi poder cobrar a Terra Sancta com menos
+trabalhos das pessoas, e deficuldades, e estando neste cerco, e tendo
+comsigo tres filhos, a saber Felippe Johane, e Pedro, elle faleceo de
+fruxo, e o dito seu filho Dom Joham de peste, e por estes merecimentos,
+e por outras muitas virtudes este Rei Luis foi pelo Papa Bonifacio
+Canonizado, e era primo com irmão deste Rei Dom Sancho, filhos de duas
+irmãs.
+
+E volvendo ao proposito de sua Istoria, El Rei Dom Sancho com todolos
+conselhos, e amoestações de amor, e de rigor pelos Papas, e pelos de seu
+Regno muitas vezes lhe foram feitos, nunca por sua natural fraqueza se
+quiz, ou nem se pode emendar, nem dar ordem como se os malfeitores
+emendassem, e castigassem, e privassem dos malificios que cometiam, pelo
+qual os Prelados, e mais principaes do Regno com todo o povo, por
+remediarem sua total perdição em que se viam, acordaram de enviar pedir
+no dito Consilio ao sobredito Papa Innocencio IV que lhes desse auto, e
+pertencente Regedor pera o Regno, pera o qual foram eleitos pera
+Embaixadores, e Procuradores Dom Joham Arcebispo de Braga, que em todo o
+Reinado del­­-Rei Dom Sancho tinha muitas perseguições, e perdas
+padecidas, e Dom Tiburço Bispo de Coimbra, e Ruy Comes de Briteiros, e
+Gomes Viegas, nobres Cavalleiros, e pessoas de muita authoridade no
+Regno, os quaes chegando ao Consilio, propozeram ante o Papa todalas
+querelas do Regno passadas, e a desesperação que havia pera se nunca
+emendarem antes ao despois se fazerem peor, pera cuja prova prezentaram
+aprovadas cartas, e verdadeiras inquirições, que pera esso levávam, e o
+Papa, que claramente gostou da verdade depois de sobre esso haver sua
+deliberação lhes respondeo que elles escolhessem, e tomassem por Regedor
+do Regno de Portugal, quem quizessem, e entendessem, que o faria bem,
+com tanto que fosse natural do Regno.
+
+E porque os ditos Prelados, e Cavalleiros, tinham já sobre este cazo
+assás deliberado, e consultado depois de lhe beijarem por esso seus
+santos pés, lhes disseram, que a pessoa natural que pera tal cargo
+achavam era o Ifante Dom Affonso, Conde de Bolonha, irmão do mesmo Rei D
+Sancho, e que este lhe pediam por mercê ques désse por Regedor, ca o
+Papa aprouve, e lho outorgou. Sobre o qual mandou logo chamar o dito
+Ifante Conde, que era em Bolonha de França, não longe do Papa, que era
+na dita Cidade de Lião, ao qual Sua Santidade fez larga relação das
+couzas de Portugal, que até aquelle tempo eram passadas, e com esso as
+necessidades que hi havia pera com paz, e justiça se remediarem, e lhe
+encomendou, e mandou que asseitasse o Regimento, defenção, e governação
+do dito Rego, e fizesse como se delle confiava, e o Conde sem
+contradição, nem escuza consentio no dito cargo, e o asseitou, e esto
+foi em Lião a seis dias de Setembro de mil duzentos quorenta, e cinco
+annos (1245).
+
+
+
+
+CAPITULO V
+
+
+ _Como o Conde de Bolonha, depois de asseitar a governança de
+ Portugal fez sobre esso juramento com algumas condições declaradas_
+
+
+Tanto que o Conde pelo Papa foi dado por Regedor de Portugal, elle, e os
+ditos Prelados, e Cavalleiros do Regno, por acordo que sobre esso antes
+se tomou se vieram todos á Cidade de Pariz, onde dentro nas cazas do
+Mestre Perochel da Cidade, sendo elle prezente, e Mestre Joham, Capelão
+do Papa Adaião da Igreja da Carnota, e Soeiro Soares Chançarel, e
+Estevão Annes Cavalleiro do Conde, e assi sendo prezentes os ditos
+Arcebispos, e Bispo, e Cavalleiros, e outras muitas pessoas Religiozas
+do Regno de Portugal, o dito Conde em prezença de todos, e tendo as mãos
+sobre um livro dos Santos Evangelhos, fez solenne juramento nesta fórma.
+
+«Eu Dom Affonso, Conde de Bolonha, filho Del-Rei Dom Affonso de crara
+memoria, Rei que foi de Portugal, prometo, e juro sobre estes Santos
+Evangelhos de Deos, que por qualquer titulo, que eu aja o Regno de
+Portugal, eu guarde, e faça guardar aos Concelhos, e todo o povo, e
+Religiosos, e Clerezia de todo o Regno todolos bons costumes, e foros
+escritos, e não escritos, os quaes houveram, e tiveram com meu avô, e
+com meu visavô, e que tire todos os maos costumes, e abozões, que vieram
+por algumas necessidades, ou que pozeram algumas pessoas em tempo do meu
+padre, e de meu irmão, especialmente, que não leixe, nem consinta nenhum
+mau costume, que ha no Regno de se com mudar a Justiça que ha de morte
+de um homem em pena de dinheiro, e que eu faça, que os Juizes, onde quer
+que os houver de poer, sejam justos, e sem cobiça, e amadores de fazer
+justiça, e direito sem medo de nenhumas pessoas, e esto a quanto eu
+puder, e entender segundo me Deos ajudar, e que sejam feitos por eleição
+dos mesmos povos, que elles houverem de reger, e não por afeição, nem
+rogo, nem pera oprimir, e despeitar o povo, que hão de julgar em
+justiça, e em direito, e que este juramento me farão os Juizes quando
+receberem os officios.
+
+«Item, que eu tire Inquirição por mi, ou por outrem se taes Juizes
+cumprem o que juraram, e os que não fizerem o que devem que lhes mande
+dar tal pena, que a elles seja escarmento, e a outros castigo.
+
+«Item, que aquelles, que forçarem quaesquer molheres, ou matarem
+Clerigo, ou Frade, ou qualquer outra pessoa, que eu faça delles taes
+justiças, que a sua pena castigue os outros.
+
+«Item, que defenda, e mantenha em seu estado quanto eu puder as Igrejas,
+e Moesteiros, e Lugares Religiosos fazendo-lhes entregar qualquer couza,
+que lhe foi tomada, e que quaesquer males, e sem razões, que alguns
+sejam em posse de fazer des o tempo de meu irmão até agora que não lhe
+valha alegança de tempo perlongado.
+
+«Item, que eu faça emendar segundo meu poder, com conselho dos Prelados,
+e dos do Regno todolos males, que até qui foram feitos em elle, e
+reformarei paz quanto poder não leixando sem pena taes couzas passar nem
+as consentindo fazer no dito Regno.
+
+«Item, que segundo me Deos ministrar, e eu puder, que bem, e lealmente
+reja, e aministre o dito Regno de Portugal desque em elle for, e faça
+especialmente fazer justiça, dando a cada um segundo seu merecimento não
+asseitando pessoas pobres, nem ricas.
+
+«Item, que reja todo bom estado da terra, e proveito do dito Regno com
+conselho dos Prelados, e povos delle, e ser sempre obediente, e devoto á
+Igreja de Roma, minha madre, e assi como fiel, e Catholico, e como todo
+Principe Christão deve ser, e que guardarei estas couzas sobreditas
+segundo meu poder, e e me Deos ministrar».
+
+E depois que o dito Conde jurou estas cousas, e outras mais a estas
+conformes, todolos que eram prezentes assináram o juramento, e desso
+passaram escrituras pubricas, que os Prelados trouxeram a Portugal.
+
+
+
+
+CAPITULO VI
+
+
+ _Das Bullas e Provizões do Papa, que o Conde trouxe a Portugal pera
+ os do Regno sobre sua governança, e assi outra Bulla que sobre o
+ mesmo caso enviou aos Frades de S. Francisco_
+
+
+Como o Conde fez este juramento, procurou logo de aviar as couzas mais
+necessarias pera a sua vinda, e álem de sua fazenda lhe compria a honra
+de sua pessoa, e serviço, e repairo de sua caza, e familia.
+
+_A tradução destas Bullas andam muito viciadas nas copias desta
+Chronica, e se acham em outros livros, e por esta, e outras cauzas senão
+imprimem neste Capitulo._
+
+
+
+
+CAPITULO VII
+
+
+ _De como o Conde de Bolonha chegou a Portugal, e com elle um
+ delegado do Papa, e das notificações que logo fizeram a El-Rei D.
+ Sancho_
+
+
+Despedidas as Bulas do Papa, e aparelhadas as couzas, que ao Conde para
+seu caminho mais cumpriam, se despedio da Condessa de Bolonha sua
+molher, que havia nome Dona Matildes, a qual fora já outra vez cazada, e
+era da linhagem dos Rex de França, e molher, em que havia singulares
+bondades, e vertudes, e tinham muitas terras, e grande fazenda, e dahi
+com os Prelados, e Cavalleiros Portuguezes, que o foram requerer, se
+veio a este Reino, e com elle enviou mais o Papa por seu Delegado pera
+estas couzas de Portugal Frei Desiderio, pessoa em que havia doutrina, e
+sinaes de bom Religioso, pera que em nome do Papa, e da sua parte
+requeresse, que entregassem ao Conde os Castellos do Regno, nos quaes
+pozesse Alcaides, e as Villas, e terras, em que fizesse Juizes com que o
+Regno se mantivesse em paz, e justiça, e por tal, que nas Fortalezas
+principalmente se não acolhessem os mal feitoras, que nas pessoas, que
+em todo lhe não obedecessem, pozesse sentença de excommunhão, e como
+chegaram ao Estremo de Portugal, o Conde por suas cartas noteficou logo
+sua vinda a todolo Regno, dizendo em seu titulo: «Dom Affonso, filho do
+muito nobre Rei Dom Affonso por graça de Deos, Conde de Bolonha, e
+Procurador, e defensor do Regno de Portugal». E assi noteficou a El Rei
+Dom Sancho seu irmão, como a requerimento do Regno vinha, e não pera ser
+Rei, mas pera lhe reger, e governar o Regno, e se fazer nelle direito, e
+justiça, que se não fazia, e lhe conheceria senhorio, como a seu Rei, e
+Senhor, salvo a cerca daquelles, em cujo poder, e mãos andava, e porque
+tão mal aconselhado, e por cuja cauza tantos males no Regno eram feitos,
+e com esto lhe enviou o Delegado um Breve do Papa.
+
+
+
+
+CAPITULO VIII
+
+
+ _Como El Rei Dom Sancho mal aconselhado se foi com os de sua valia
+ pedir soccorro a Castella, e como veio em sua ajuda o Ifante Dom
+ Affonso de Molina com outros grandes, e gentes de Castella_
+
+
+El-Rei Dom Sancho a este tempo era em Coimbra, e como vio as cartas do
+Papa, e de seu irmão, e soube que elle era entrado no Regno onde
+inteiramente lhe obedeciam, elle de si mesmo foi muito trovado, e o
+fizeram ser muito mais os homens maos, e perversos Conselheiros, que
+consigo trazia, porque receáram executar-se nelles sem escuza as penas,
+que por seus desmerecimentos, e grandes delitos mereciam, e estes lhe
+fizeram que não cresse, nem obedecesse a couza, que o Papa, nem seu
+irmão lhe escrevesse, nem outros por seu bem lhe dicessem, porque o bem,
+nem asecego del-Rei, em cazo que depois o tivesse não asegurava, nem
+descançava aos que o seguiam, pelo qual de seu parecer delles, e como
+desesperado doutro bom conselho, sem receber dano de pessoa alguma, nem
+lhe ser feita desobediencia, nem contradição, se foi logo a Castella com
+fundamento de pedir soccorro contra seu irmão, a El-Rei Dom Fernando,
+deste nome o segundo, que então nelle Regnava, que era seu primo com
+irmão, filhos de duas irmãs da Rainha Dona Biringela, madre del-Rei Dom
+Fernando, e Dona Orraca, madre del-Rei Dom Sancho, ou ao menos pedir
+este soccorro e ajuda ao Ifante Dom Affonso, filho herdeiro do dito Rei
+Dom Fernando, que em Castella e Lião, já tinha grande poder, e muita
+autoridade.
+
+E com este proposito chegou a Toledo andando a era em mil e duzentos
+quarenta e sete annos (1247) antes um anno que Sevilha fosse aos Mouros
+tomada. A este tempo El-Rei Dom Fernando veo a Toledo, tendo tomado
+Cordova, e já com dezejo, e fundamento de ir cercar, e tomar Sevilha, se
+podesse, ao qual El-Rei Dom Sancho de Portugal seu primo, dice logo, que
+a causa de sua ida a elle, era pera lhe fazer saber, o que elle teria
+sabido, que seu irmão o Ifante Dom Affonso Conde de Bolonha, entrára em
+seu Regno de Portugal, e com ajuda e favor dalguns seus naturaes, se
+alçara contra elle, e que o tinham recebido por Senhor, e que porém lhe
+pedia, como a Rei tão poderoso, e que com elle era tão conjunto em
+parentesco, que em tamanha força lhe desse ajuda e favor com que
+inteiramente cobrasse seu Regno, e lançasse delle fóra seu irmão, que
+individamente lho tinha tomado, e que pois não tinha filho que o
+herdasse, que depois de sua morte ficasse Portugal a elle, ou a seu
+filho herdeiro.
+
+Da qual couza prouve a El-Rei Dom Fernando, e pondo-a em obra ordenou
+logo pera vir a Portugal o Ifante Dom Affonso de Molina, seu irmão,
+filhos ambos del-Rei Dom Affonso de Lião, e da Rainha Dona Biringela, e
+com elle Dom Diogo Lopes de Haro, Senhor de Biscaya, e Dom Nuno
+Gonçalves de Lara, e Dom Ruy Gomes de Galiza, e Dom Ramilo Frole, e Dom
+Rodrigo Froyas, bom Cavalleiro, e Dom Fernando Anes de Lima, e outros
+grandes senhores, e com elles muitas gentes de pé, e de cavallo, com que
+entráram em Portugal pela Comarca de Riba de Coa, que a este tempo ainda
+era de Castella, e por elles fazerem sua entrada pela terra da Beira,
+que toda estava á obediencia del-Rei Dom Sancho, não houveram no caminho
+contradição, nem resistencia alguma, e assi chegaram ao lugar de Abiul,
+que é a quatro legoas de Leiria.
+
+E o Conde Dom Affonso de Bolonha tanto que entrou no Regno, tanta
+alegria receberam os Portuguezes com sua vinda, sabendo quem era, e como
+vinha a seu requerimento, que os mais dos Lugares por as proprias
+vontades dos moradores delles se lhe davam, e aquelles em que achava
+alguma contradição logo por execuções que o Delegado sobre elles punha,
+ou por combates, ou forças não tardou em os cobrar todos salvo Coimbra,
+em que estava Martim de Freitas, e Celorico da Beira, em que estava Dom
+Fernão Rodrigues Pacheco, que ambos as tinham por El-Rei Dom Sancho de
+que ao diante direi.
+
+
+
+
+CAPITULO IX
+
+
+ _Como pelas deligencias do Conde de Bolonha El-Rei Dom Sancho se
+ tornou a Castella, e do que se passou no caminho com os Cavalleiros
+ de Trancozo_
+
+
+E sabendo o Conde de Bolonha da entrada del-Rei seu irmão no Regno com o
+Ifante Dom Affonso de Molina, e com os Cavalleiros, e gentes de
+Castella, logo percebeo, e houve pera ter, e trazer comsigo por defenção
+do Regno as mais gentes que pode, e com ellas se veio a Obidos, e avizou
+a Dom João Arcebispo de Braga, e a Dom Domingos, que então era Bispo de
+Coimbra, os quaes lhe disseram que elles pela comissão do Papa, haviam o
+dito Ifante Dom Affonso de Molina com todolos Senhores, e gentes de
+Castella por excomungados, e malditos, e desso tomáram estromentos, e
+por esta cauza El Rei, e o Ifante não passáram de Abiul, e se tornaram
+pera Castella sem no Regno, nem nas gentes, e couzas delle fazerem algum
+mal, nem dano, e principalmente se tornaram, e não proseguiram adiante,
+porque El Rei Dom Sancho pelas dezordens, e males passados, a que nunca
+provera, era de todolos mais do Regno mui dezamado, e mal quisto, e o
+Conde pelo contrairo álem desso era já das mais forças delle de todo
+apoderado, e por esta cauza o Ifante Dom Affonso com outros Senhores,
+que vieram em ajuda del-Rei, vendo o pouco que lhe podiam aproveitar, e
+o muito dano, que se podia seguir, aconselharam ao dito Rei Dom Sancho,
+que ou ficasse em seu Regno, segundo lhe era apontado, ou se fosse com
+elles a Castella.
+
+Este derradeiro houve El-Rei por melhor, sendo pior conselho, e porém
+El-Rei Dom Sancho tinha feitas doações ao Ifante Dom Pedro seu primo de
+muitas Villas, e Castellos principaes de Portugal, em grande dano da
+Coroa do Regno, as quaes por sua injusta concessão não houveram nunca
+efeito, como quer que o dito Ifante depois o procurasse, e requeresse
+aficadamente por intercessões do Papa, que sobre esso escreveo algumas
+vezes ao Conde de Bolonha, que justamente sempre se escuzou.
+
+E acha-se, que em tornando El-Rei pera Castella, achegou ao Lugar de
+Moreira, que é junto da Villa de Trancozo, na qual a esse tempo estava
+Dom Gonçalo Garcia, e Dom Fernão Garcia de Souza, que diceram
+Esgaravunha, que foi bom trovador, e Dom Fernando Lopes, e Dom Diogo
+Lopes, todos quatro irmãos, filhos de Dom Garcia Mendes de Souza, filho
+do Conde Dom Mendo o Souzão, e de Dona Elvira Gonçalves, filha de Dom
+Gonçalo Paes de Toronho, que eram nobres homens, e mui principaes no
+Regno, e Dom Fernão Garcia sabendo da vinda de Castella del Rei por
+conselho de seus irmãos com um só Escudeiro, a que deram sua lança, e
+sendo elle vestido de todalas outras suas armas se foi a Moreira, onde
+estava El-Rei, e o Ifante, e os outros Senhores, e posto ante elles
+tirou o Elmo da cabeça, e com os joelhos em terra beijou a mão a El-Rei,
+e ao Ifante Dom Affonso, e como se levantou, fez reverencia a Dom Diogo,
+e a todolos outros homens honrados, que eram prezentes, salvo a Dom
+Martim Gil de Soverosa, que era o principal homem; porque El-Rei Dom
+Sancho com quebra de seu Estado se regia.
+
+E perguntando Dom Fernão Garcia a El-Rei se o conhecia? Elle dice que
+si, e que era seu natural vassallo, e D. Fernão Garcia lhe tornou
+dizendo: «Senhor meus irmãos, que estão em Trancozo, e por cujo mandado
+venho como vossos vassallos, e naturaes, vos mandam pedir, e requerer,
+por ante o Ifante vosso primo, e estes Senhores que aqui estão, que vos
+vades pera aquella Villa, na qual, e em seu Castello vos receberão como
+a seu Rei, e Senhor, e assi em todolos outros de redor, que são a seu
+cargo, com tanto que não leveis com vosco Martim Gil, que aqui está, nem
+os seus, que destruiram vossa terra, e elle matou, e leixou os que quiz,
+sem querer que dos seus e doutros mal feitores se fizesse alguma
+justiça, ca certamente vós não tinheis de Rei mais que o nome, e a muito
+alta linhagem, e Real sangue de que decendeis, porque no efeito elle era
+Rei, e com este tamanho credito que lhe destes vos teem mui mal servido,
+em especial por seu mao conselho, por cuja cauza vós viestes ao estado
+em que agora estaes. E se elle dicer que não é assi eu por minha
+verdade, e por sua confuzão me combaterei com elle, e lhe porei as mãos,
+e o corpo, ca por esso venho aqui armado, e alli á porta tenho o
+cavallo, e sobresso espero em Deos, que eu o matarei, ou por sua boca
+lhe farei confeçar que mui mal, e como não devia vos teem aconselhado, e
+com grande quebra e mingoa de vosso Estado, e de vossa terra».
+
+Este Martim Gil era Cavalleiro, e de honrada caza, e de grande esforço,
+porque este foi o que com grande e bom nome seu, venceo a lide do Porto.
+E ouvindo estas palavras a Dom Fernão Garcia, ficou muito injuriado, e
+abatido especialmente, porque áquella hora não lhe respondeo como a sua
+honra compria porque sómente lhe dice: «Dom Fernão Garcia dizeis mal, e
+do que dicestes vos não deveis de achar bem, se eu não morro». Polo qual
+Dom Martim Gil, fez logo mostrança a alguns dos seus que alli estavam
+que lhe fossem ter ao caminho, e o matassem, e Dom Fernão Garcia que os
+vio, e entendeo bem a má tenção com que sahiam, antes doutra couza dice
+a El-Rei: «Senhor, vós quereis ir pera Trancozo, como vos tenho
+requerido?» E El-Rei lhe respondeo, que não, e então tornou D. Fernão
+Garcia, e dice ao Ifante D. Affonso: «Senhor, sereis testemunha vós, e
+esses Senhores que aqui estades da oferta, que por meus irmãos, e por mi
+vim fazer a El-Rei».
+
+E com dito esto volveo o rosto contra Dom Diogo Lopes, e a Dom Nuno de
+Lara, e dice-lhes: «Bem vistes Senhores a offerta, que por limpeza, e
+lealdade minha, e de meus irmãos fiz com El-Rei, e assi ouvistes o que
+tambem dice a Dom Martim Gil, que aqui está, e não querendo por seu
+corpo tornar a esso, como por sua honra devia, mandou aquelles seus, que
+daqui partiram, que me vão ter ao caminho pera desacompanhado me
+matarem, porque vos peço, como a nobres, e honrados Cavalleiros, que por
+boa mezura me mandeis poer em salvo em Trancozo». E logo Dom Affonso se
+levantou, e dice: «Martim Gil vós não atentaste no que Dom Fernão Garcia
+vos dice? o que deveres de fazer, ca me parece que vos toca por maneira
+de traição, e não lhe quereis poer as mãos, como deveis, e vos elle
+requer?»
+
+E Dom Martim Gil brevemente dice, que dava pouco por suas palavras vãs,
+pelo qual estes Senhores diceram a El-Rei, que Dom Fernão Garcia, e os
+nobres homens que eram em Trancozo não podiam fazer melhor comprimento,
+porque com elle compriam, como bons vassallos quanto deviam, e que dahi
+por diante qualquer culpa que hi ouvesse, que era del-Rei, e não delles,
+e logo Dom Diogo, e Dom Nuno com esses bons homens que hi eram
+cavalgaram, e foram-se com Dom Fernão Garcia até Trancozo, donde sahiram
+seus irmãos e outra boa, e nobre gente, que hi eram, e lhe tiveram em
+mercê sua vinda, e depois de praticarem sobre as couzas que pendiam, Dom
+Diogo, e Dom Nuno se tornaram pera o Ifante Dom Affonso, que juntos com
+El-Rei Dom Sancho se foram todos pera Castella, e com elles este Dom
+Martim Gil, que era Portuguez, e homem muito honrado, o que com medo do
+Conde Dom Affonso não ouzou de ficar, e se foi tambem a Castella com
+El-Rei Dom Sancho, e lá faleceo, e foi del-Rei D. Affonso Decimo, com
+quem viveo havido por Rico homem, e em grande estima, e por tál está
+posto por testamenteiro, com outros no testamento del-Rei, quando por
+desagardecimentos do Ifante Dom Sancho seu filho, o deserdou de
+Castella, ainda que seu deserdamento não houve efeito.
+
+
+
+
+CAPITULO X
+
+
+ _Como o Conde cercou em Celorico da Beira a Dom Fernão Rodrigues
+ Pacheco, que lhe não quiz obedecer, e como por causa de uma truita
+ se alevantou o cerco_
+
+
+O Conde de Bolonha governador como entrou no Regno segundo atraz já
+dice, logo por força, ou por vontade, ou a sua obediencia todalas
+Cidades, Villas, e Castellos do Regno, em que entraram todalas que
+El-Rei Dom Sancho tinha dado em Portugal ao Ifante Dom Affonso de Molina
+por entrar com elle, e em sua ajuda no Regno, do que o dito Ifante se
+mandou queixar ao Papa, e assi com elle outros Cavalleiros, e Alcaides
+de Portugal, pelo Conde de Bolonha lhes tomar contra suas vontades os
+Castellos que tinham por suas menagens, e destes o Papa se escuzou
+havendo que o Conde pera asecego, e boa governança do Regno fazia o que
+devia, mas sómente escreveo ao Conde rogando-lhe pelos Castellos, que
+por El-Rei Dom Sancho eram dados ao Ifante Dom Affonso de Molina, ao que
+não satisfez pelos grandes inconvenientes que nesto havia, e porque
+soube que eram cartas, e rogos de comprimento.
+
+Neste tempo depois del-Rei D. Sancho ser em Castella, porque o Castello
+de Celorico da Beira, que tinha Dom Fernão Rodrigues Pacheco, e o de
+Coimbra, que tinha Dom Martim de Freitas, ficaram sómente por El-Rei,
+como atrás dice, o Conde depois de sua partida lhes mandou dizer, e
+rogar que lhos quizessem entregar, como os outros tinham já feito em
+todo o Regno, prometendo-lhe por esso além de fazerem o que deviam
+mercê, e bom galardão. E cada um por si lhe respondeo: «Que elles tinham
+feita menagem a El-Rei Dom Sancho, seu Rei e Senhor, e que em quanto
+elle fosse vivo, posto que andasse em Castella, não deviam de entregar
+seus Castellos, se não a elle, de cuja mão os receberam, ou por seu
+especial mandado, e do Papa, nem por outro algum temor, os não haviam de
+entregar, em cazo, que sobresso fossem excommungados, e padecessem
+cercos, e quaesquer outras fadigas, e tormentos».
+
+Pelo qual vendo o Conde sua tão firme determinação, e que pera o que
+dezejava não aproveitavam muito suas repricas brandas, que fez,
+detreminou cerca-los, e poz logo cerco em pessoa sobre Celorico, ca este
+por ser mais junto á frontaria de Castella houve por melhor cobrar-se
+logo, e este mandou combater muitas vezes, mas por sua fortaleza, e por
+a boa gente que o defendia, não se podia cobrar por força, e durou o
+cerco tanto tempo, que por o Castello não ter soccorro, nem lhe poder
+vir provizão de mantimentos de fóra, foram os de dentro postos em tanta
+estreiteza de fome, e doutras necessidades que por não morrerem, tão
+cruas e dezesperadas mortes, como se lhes ofereciam, estavam pera se
+dar, e entregar o Castello, e não sofrer mais apertos de tão perversa
+lealdade.
+
+E estando nesta afronta se diz, que Dom Fernão Rodrigues Pacheco se
+alevantou um dia muito cedo, e andando pelo muro cuidando na preça, em
+que estava, e sobresso posto em desvairados pensamentos sem
+determinadamente saber o que faria, lembrando-se de Deos, lhe pedia
+muito de coração, que por sua misericordia por alguma maneira lhe
+socorresse, por tal, que não cahisse em tamanha mingoa de sua honra,
+como seria dar aquelle Castello se não a El-Rei, que lho dera, e porque
+lhe tinha feita menagem, e que durando nesta maginação, e oração, que
+vio vir contra a ribeira do Mondego, que é ahi junto, uma Aguia, que
+trazia nas unhas uma grande truita, e que voando por sima do Castello
+lhe cahio dentro, ainda mui fresca, com que algum tanto logo se alegrou,
+e que a mesma truita, e com desse melhor pão, que no Castello se pode
+haver, e aparelhar, mandou todo em prezente ao Conde no arraial, que
+tinha cercado, e lhe mandou dizer: «Que bem o poderia ter cercado quanto
+fosse sua mercê, mas que se por fome o esperava tomar, que visse se os
+homens, que daquella vianda eram bem bastecidos, se teriam rezão de
+entregar-lhe contra suas honras o Castello». Da qual couza o Conde, e
+estes a que do prezente deu parte, foram assás maravilhados, e vendo,
+que por longar mais o cerco alli, não aproveitava, e em outras muitas
+partes danaria, alevantou o cerco sobre Celorico, e o foi pôr sobre
+Coimbra.
+
+
+
+
+CAPITULO XI
+
+
+ _Como o Conde foi cercar o Castello de Coimbra, que tinha Martim de
+ Freitas, por El Rei Dom Sancho, e das afrontas que passou no cerco_
+
+
+O Conde como chegou a Coimbra antes de fazer grandes aparelhos pera o
+cerco e combates mandou dizer a Dom Martim de Freitas: «Que lhe
+entregasse a Cidade, e o Castello, como por muitas vezes já lhe mandara
+requerer, e por esso lhe faria muita mercê, porque se o assi não
+fizesse, que o combateria, e o cobraria tudo com sua perda, e dano». E
+Dom Martim de Freitas lhe respondeo: «Que sua mercê poderia comprir sua
+vontade, e fazer o que quizesse, porém que fosse certo, que em quanto
+soubesse que El-Rei Dom Sancho seu Rei, e Senhor, era vivo, que lho não
+entregaria sem seu mandado, ou sabendo, que era morto, e que o não
+ameaçasse com morte, nem perigos, porque tudo padeceria com bom coração
+por inteiramente comprir com sua lealdade». Pelo qual o Conde assentou
+seu cerco sobre o Castello, e ordenou seus combates, com que logo, e
+depois o combateo muitas vezes, em que de uma parte, e da outra houve
+mortos e feridos.
+
+Mas o alcaide, e os que por sua defenção comsigo tinha eram taes, que os
+cometimentos do Conde não aproveitavam pera cobrar o Castello por força,
+da qual cauza anojado o Conde fez juramento a Deos de nunca se alevantar
+de sobre elle até o tomar por força, ou por fome, e assi o fez porque o
+cerco foi tão porlongado, que os de dentro por falecimento dagoa, e de
+provizões, que já não tinham, como desesperados comiam, e bebiam couzas
+mui contrairas, e descostumadas da natureza humana, que não ficáram
+bestas, cães, gatos vivos, nem os couros das alimarias mortas. E sendo o
+Conde desto certificado os mandava afrontar, e requerer cada dia: «Que
+se dessem, e não padecessem sem cauza, e por contumacia tão asperas
+cruezas, que a sua tal façanha era vã, que não podia, nem devia levar ao
+diante».
+
+Ao que Dom Martim de Freitas por sua honra, e fama não queria obedecer,
+e dice, que durando este cerco, padecendo já de dentro grande, e mortal
+necessidade de sede, que porque viram um Cavalleiro do Conde cavalgado
+pelo rio do Mondego passar, e que o cavallo de farto não provou agoa, e
+que os de dentro magoados por sua mingoa, e envejozos da bemaventurança
+da alimaria, fizeram sobresso grandes lamentações, com que alguns
+parentes, e amigos do Alcaide lhe aconselhavam: «Que pois os
+padecimentos incomportaveis que sofriam sem esperança de ajuda, nem
+soccorro estranho eram taes, que já se não podiam comportar, e elle no
+Regno era só o que sostinha tal profia, que por dar a elle, e aos seus
+as vidas, désse o Castello ao Conde».
+
+Dom Martim de Freitas lhes respondeo: «Parentes, e meus amigos, que aqui
+estaes, nunca Deos queira, que obedecendo a esse vosso concelho eu ponha
+tão grande magoa sobre minha limpeza, nem consinta tamanha traição sobre
+minha honra, e lealdade, nas quaes todas encorreria se desse este
+Castello senão a quem por minha menagem mo deu, em quanto elle for vivo,
+e ami não fica por ver, e conhecer craramente as grandes tribulações que
+vós, e eu, e todos aqui padecemos, mas se vós quizerdes trazer a vossas
+memorias, e poer ante estas vossas necessidades outras muito maiores
+fomes, e males, que muitos sendo cercados já padeceram, achareis que por
+manterem suas lealdades depois que todalas couzas lhe faleciam a comerem
+as raizes das viz ervas, se sostiveram, pelo qual deste temor e afronta
+prazerá a Deos por sua piedade, que bom nome, e segurança nossa sedo nos
+livrará, e em algum tempo vos alegrareis contardes a vossos filhos e
+amigos estes males que padeceis, com que não acrecentareis pouco em
+vosso louvor e merecimento, e obrigação de bondade, e lealdade, que a
+outros em semelhantes cazos confrangeo, e essa mesma neste cazo nosso
+nos não desobriga, ca em outra maneira as vidas, que salvamos, durarão
+poucos dias, e a infamia, e deshonra, que por esso recebemos, durarão
+pera sempre, pelo qual vos rogo, que em quanto poderdes não faleçais, e
+me ajudeis, ca Deos nos acorrerá, e este mal prazendo a elle não durará
+muito, e por ventura se algum de vós pera seu serviço, ou pera outra sua
+deleitação tiverem dezejos de molheres dizei-mo, que aqui está minha
+filha, que é boa donzella, e que muito amo a que eu mandarei que em tudo
+vos sirva de boamente, porque com melhor vontade consentirei, e menos me
+doerá, que ella perca a vertude de sua virgindade, que por mingoa de vós
+outros, perder eu minha lealdade, e ser constrangido a fazer tamanha
+traição, como seria dar como não devo este Castello a quem mo não deu».
+
+Com estas palavras, que Dom Martim de Freitas dice, ficaram todos muito
+maravilhados, e louvando muito sua bondade, se esforçaram, e lhe
+prometeram, que ora fosse com rezão, ou sem ella, elles por satisfazer a
+seu dezejo por algum cazo, e afronta, que sobreviesse, o não leixariam,
+antes todos morreriam primeiro com elle.
+
+
+
+
+CAPITULO XII
+
+
+ _Como pela morte del Rei Dom Sancho, Dom Martim de Freitas entregou
+ o Castello de Coimbra, e das deligencias e exames que primeiro fez
+ por limpeza de sua rigorosa lealdade_
+
+
+Estando Dom Martim de Freitas nesta afronta com El-Rei, e havendo já um
+anno e quatro mezes, que El-Rei Dom Sancho fora pera Castella, prouve a
+Deos de o levar deste mundo, e faleceo em Toledo, como adiante direi, e
+sendo de sua morte certificado o Conde seu irmão, tendo ainda o cerco
+sobre Coimbra, como Principe em que havia muita prudencia, e grande
+piedade, mandou logo ajuntar muito pão, e vinho, e carnes, e pescados, e
+outras maneiras de refrescos, e mandou levar tudo ao Castello, enviando
+dizer ao Alcaide: «Que fosse certo, que El Rei Dom Sancho seu irmão era
+já falecido, e que lhe daria tempo, em que por elle em pessoa, ou por
+outrem, podesse haver desso verdadeira certidão, com a qual entregasse o
+Castello».
+
+Dom Martim escolheo certificar-se por si mesmo. E o Conde o segurou da
+hida e estada, e ser livre até tornar ao dito Castello, que então se não
+combateria. Dom Martim de Freitas chegou a Toledo, e como quer que por
+muitos fosse certificado da morte del-Rei Dom Sancho, que no Moimento
+que mostraram o viram sepultar, elle o não quiz crer, mas por mór
+certeza fez tirar a campa que o cobria, e como o vio, e achou que em
+certo era aquelle, se diz, que prezente muitas testemunhas, que trouxe
+por comprir com sua menagem poz as chaves do Castello de Coimbra, que
+levava, no proprio braço direito del-Rei Dom Sancho, e depois de lhe
+fazer por ellas entrega do dito Castello lhas tirou, e trouxe comsigo a
+Portugal, e desso tomou escrituras pubricas, e fez cerrar o Moimento, e
+se tornou a Coimbra, e dentro entrou secretamente no Castello, e ao
+outro dia mandou logo dizer ao Conde que o fosse receber, porque já lho
+podia entregar, e lhe devia obedecer: e que a elle, e não a outro algum
+o entregaria com boa vontade.
+
+O Conde foi logo ao Castello, e o Alcaide abrio logo as portas delle, e
+tomou a molher, e a filha, e as poz fóra dizendo: «Leixemos este
+Castello a cujo é». E com esso se poz de joelhos diante o Conde, e com
+as chaves delle nas mãos alevantadas lhe dice: «Senhor, pois a Deos
+prouve que El-Rei Dom Sancho, vosso irmão falecesse tomai vossas chaves,
+e vosso Castello, e daqui por diante eu vos servirei, e haverei por Rei,
+e Senhor». E logo amostrou ao Conde, e á nobre gente que era com elle as
+escrituras das deligencias, que em Toledo por sua honra, e descargo
+fizera, e acertou-se que um Cavalleiro do Conde, que era prezente dice a
+Dom Martim de Freitas: «Que porque não pedia perdão ao Conde, por quanto
+nojo e desserviço lhe fizera, e por lhe ferir, e matar tanta gente,
+denegando-lhe tanto tempo a entrega e obediencia do Castello, que era
+seu».
+
+E Dom Martim em se querendo escuzar pera não dever de pedir tal perdão,
+acudio mui prestes o Conde, e dice ao fidalgo, que o reprendia: «Que
+semelhante perdão em tal cazo Dom Martim não era obrigado de pedir,
+porque elle não fizera erro, mas tinha feita boa façanha dina de bom
+Cavalleiro, e leal fidalgo». E por ella lhe tornava a dar o dito
+Castello pera elle, e pera todos os que delle decendessem, fazendo
+menagem a elle, e a todos seus herdeiros. E Dom Martim lhe respondeo:
+«Que lho tinha muito em mercê; mas que elle por alguma maneira não
+tomaria o dito Castello, antes lançava maldição a seus filhos, e netos,
+e a todolos que delle descendessem até o quarto grao se por Castello
+fizessem menagem a Rei, nem a outra pessoa de qualquer condição que
+fosse».
+
+E com esto assi concertado o Conde leixou o Castello de Coimbra, como
+devia, e se tornou outra vez a Celorico, onde Dom Fernão Rodrigues
+estava, porque da morte del-Rei Dom Sancho era já bem certificado, e
+assi sabia que o Castello de Coimbra já era entregue, deu logo ao Conde
+o Castello sem mais resistencia, nem cautella. Estes dous foram os
+derradeiros Castellos de Portugal que ao Conde obedeceram.
+
+
+
+
+CAPITULO XIII
+
+
+ _Da morte del-Rei Dom Sancho, e onde jaz, e de algumas couzas que
+ se em seu tempo passaram_
+
+
+El-Rei Dom Sancho depois da segunda vez que tornou a Toledo nunca dahi
+mais se partio onde com sua vida, e costumes passados em grandes
+virtudes, e com sinaes de bom, e Catholico Christão acabou sua vida em
+idade de quarenta annos, na era de mil duzentos quarenta e sete annos
+(1247) que dos quaes Reinou vinte e quatro, a saber vinte e dous em
+Portugal, e dous estando em Castella, e seu corpo foi sepultado na
+Capella dos Rex da Sé de Toledo, que elle mandou fazer á sua propria
+custa, e assi deu grandes ajudas pera o acabamento da dita Sé, que se
+então fazia por El Rei Dom Fernando, que de mesquita, que era a mandou
+refazer em fórma das outras Igrejas, como agora está, porque quando
+El-Rei Dom Sancho se foi pera Castella, levou comsigo muitas joias, e
+grandes riquezas, que ficaram del-Rei Dom Affonso seu padre, e del-Rei
+Dom Sancho seu avô; das quaes algumas não tornaram a Portugal, e todas
+se gastáram em Castella.
+
+Este Rei Dom Sancho no começo de seu Regnado deu á Ordem de San Tiago em
+desvairados tempos, e por apertadas doações, as Villas de Mertola e
+Daljustrel, as quaes Villas tomou aos Mouros Dom Payo Correa, Mestre de
+San Tiago de Castella, e porque eram da conquista de Portugal as tornou
+a El-Rei Dom Sancho, que dellas fez as ditas doações á dita Ordem. E
+como estas Villas se ganharam, na Coronica del-Rei Dom Affonso Conde de
+Bolonha, se dirá mais largo, e El Rei Dom Sancho povorou de fogo morto a
+Cidade da Idanha a velha, sendo de todo destroida dos Mouros, e depois
+que El-Rei Dom Sancho seu avô a leixou á Ordem do Templo, e o dito Rei
+Dom Sancho faleceo sem filho, nem filha legitimos, nem bastardos, que se
+soubesse.
+
+E dahi a um anno, em dia de São Clemente a vinte e tres dias de Novembro
+do anno de mil duzentos e quarenta e oito annos, El-Rei Dom Fernando
+tomou por cerco a Cidade de Sevilha aos Mouros, e dahi a tres annos e
+meio, nella faleceo, e ahi jaz sepultado, e havia treze annos que tambem
+tomára Cordova salteada primeiro, e entrada por certos Christãos
+Almogaveis, e foi socorrida, e mantida por o mesmo Rei Dom Fernando.
+
+E em Regnando este Rei Dom Sancho faleceram de suas vidas por muitos, e
+grandes milagres São Domingos, que faleceo em Bolonha, no anno de mil
+duzentos e vinte sete (1227) e Sancto Antonio, natural da Cidade de
+Lisboa, em Padua, os quaes suas mui sanctas vidas foram em seu tempo
+deste Rei Dom Sancho, todos Canonizados, e referidos ao numero dos
+Sanctos, por o Papa Gregorio IX, o qual Canonizou Sancto Antonio na
+Cidade Despoleto em Italia anno de mil duzentos trinta e um (1231).
+
+DEO GRATIAS
+
+
+
+
+INDEX DAS COUSAS NOTAVEIS
+
+
+A
+
+Affonso II (El Rei D.) de Portugal, em que anno morreo, pag. 19
+
+Affonso (D.) Conde de Bolonha é nomeado pelo Papa Innocencio IV para
+Governador do Reino de Portugal, pela incapacidade de seu irmão D.
+Sancho II, pag. 28. Na Cidade de Pariz na prezença de muitos Prelados e
+Cavalleiros, toma o juramento do Governo do Reino, e de que forma o fez,
+pag. 28. Deixa sua mulher a Condessa Dona Matilde em França, e parte
+para Portugal, e do modo como se intitulava pag. 32. Cerca o Castello de
+Celorico, que governava Fernão Rodrigues Pacheco, e o levanta por cauza
+de um celebre estratagema de que este uzou, pag. 42. Põe cerco ao
+Castello de Coimbra, e da resistencia que lhe fez Martim de Freitas, que
+o governava, até que sabendo da morte del-Rei D. Sancho II lho entregou,
+pag. 42 a 47.
+
+Affonso de Molina (D.) irmão de D. Fernando Rei de Lião, acompanhado de
+muitos Cavalleiros, e Soldados, entram por Portugal á petição del-Rei D.
+Sancho II para lançar fóra delle a seu irmão o Conde de Bolonha, pag.
+34. Volta com os que o acompanhavam para Castella temerozo das censuras
+da Igreja, pag. 36.
+
+Aljustrel. Foi tomada aos Mouros por D. Payo Correa, e dada por El-Rei
+D. Sancho II á Ordem de San-Tiago, pag. 48.
+
+Alvaro Pires de Castro, (D.) filho de D. Pedro Fernandes de Castro o
+Castelão, foi cazado com D. Mecia Lopes, que depois cazou com El-Rei Dom
+Sancho II, pag. 21.
+
+Antonio, (Santo) em que anno foi Canonizado por Gregorio IX, pag. 49.
+
+
+B
+
+Beringella (D.) mulher del-Rei D. Affonso de Lião. tia del-Rei D. Sancho
+II, de Portugal, o aconselha muitas vezes a que caze, por ser muito
+conveniente ao seu Reino, e elle o não executa, pag. 20.
+
+
+C
+
+Celorico. É cercado o seu Castello por D. Affonso Conde de Bolonha, e
+levanta o sitio por um estratagema de que uzou D. Fernão Rodrigues
+Pacheco, que o governava, pag. 42.
+
+
+D
+
+Desiderio (Fr.) é delegado do Papa Innocencio IV, para que entregue os
+Castellos, e Fortalezas de Portugal á obediencia de D. Affonso Conde de
+Bolonha, pag. 32.
+
+Domingos, (S.) donde, e quando falleceo, pag. 49.
+
+
+F
+
+Fernando (D.) Rei de Lião, em que dia, e anno conquistou Sevilha, pag.
+49. Faleceo nesta Cidade ibi.
+
+Fernão Garcia de Souza, filho de D. Garcia Mendes de Souza, e neto do
+Conde D. Mendo o Souzão, offerece a El-Rei D. Sancho II, quando voltava
+para Castella sem esperança de governar em Portugal, que se recolhe-se a
+Trancozo, e da pratica que fez a El-Rei em Moreira contra Martim Gil,
+pag. 36 e 37.
+
+Fernão Rodrigues Pacheco, governando Celorico, e sendo sitiado por D.
+Affonso Conde de Bolonha levanta o sitio por cauza de um celebre
+estratagema de que uzou, pag. 42.
+
+
+H
+
+Honorio III expede uma Bulla a Sancho II de Portugal, em que lhe adverte
+queira emendar os absurdos que se cometem no seu Reino, e o excomunga se
+não obedecer, sendo executor destas censuras o Arcebispo de Braga, pag.
+22. Segunda vez o notifica com palavras de maior severidade, e rigor,
+até que El-Rei obedece, pag. 23.
+
+
+I
+
+Idanha a Velha foi povoada por Sancho II. pag. 49.
+
+Innocencio IV convoca Concilio em Lião, e nelle á petição dos Prelados e
+Conselheiros de Portugal nomea por Governador do Reino a D. Affonso
+Conde de Bolonha pela incapacidade de seu irmão D. Sancho II, pag. 25 e
+26.
+
+João (D.) Arcebispo de Braga com D. Tiburço Bispo de Coimbra, e outros
+Cavalleiros Portuguezes, vão ao Concilio de Lião onde reprezentam a
+Innocencio IV, que lhe nomeie Governador do Reino pela incapacidade de
+D. Sancho II, pag. 27.
+
+
+L
+
+Lopo (D.) senhor de Biscaia, foi pai de D. Mecia Lopes mulher de D.
+Sancho II, de Portugal, pag. 21.
+
+Luis (S.), rei de França primo del-Rei D. Sancho II, de Portugal
+assistio no Concilio de Lião, que convocou Innocencio IV, pag. 26. Foi
+conquistar a Terra Santa, levando comsigo sua espoza a Rainha Dona
+Margarida, ibi. Conquista a Cidade de Damiata, ibi. Morre no sitio da
+Cidade de Tunes, e seu filho D. João e é Canonizado pelo Papa Bonifacio
+VIII, pag. 27.
+
+
+M
+
+Martim de Freitas Governando o Castello de Coimbra, e sendo cercado por
+D. Affonso Conde de Bolonha animosamente o defende, pag. 43 a 45. Parte
+a Toledo para se certificar da morte del-Rei Dom Sancho II e achando ser
+certa lhe entregou as chaves do Castello de Coimbra, e depois voltando a
+ella o entrega a D. Affonso irmão do dito Rei defunto, pag. 46 e 47.
+
+Martim Gil, cavalleiro honrado teve tenção de matar a D. Fernão Garcia
+de Souza, pelo que disse da sua pessoa a D. Sancho II em Moreira, pag.
+38.
+
+Mecia Lopes (D.) filha de D. Lopo Senhor de Biscaia, viuva de D. Alvaro
+Pires de Castro caza com D. Sancho II, pag. 21. É separada violentamente
+del Rei, e levada ao Castello de Ourem por estar nullamente cazada com
+elle, pag. 25.
+
+Mertola foi conquistada dos Mouros por D. Payo Correa, e dada á Ordem de
+San-Tiago por Sancho II, pag. 48.
+
+
+O
+
+Orraca (D.) mãi del-Rei Dom Sancho II de Portugal, foi irmã de D.
+Beringela Rainha de Lião, pag. 20.
+
+
+R
+
+Reymão Viegas de Porto Carreiro, em companhia de D. Martim Gil de
+Soveroza, e de outros Cavalleiros levaram para o Castello de Ourem a D.
+Mecia, contra a vontade del-Rei D. Sancho II, pag. 25.
+
+
+S
+
+Sancho II, (D.) de Portugal em que idade foi levantado Rei, pag. 19.
+Porque lhe chamáram Capello não se sabe certamente, mas infere-se, ibi.
+Pela sua enercia padeceo o Reino repetidas perdas no tempo, que o
+governou, pag. 20. Caza com D. Mecia Lopes, filha de D. Lopo Senhor de
+Biscaya, ibi. É admoestado pelos Prelados, e povos do Reino a que se
+aparte de D. Mecia, e o não executa, ibi. O Papa Honorio III, o exorta a
+que emende os absurdos de que é author, aliás que o excomungará, pag.
+22. É advertido por Gregorio IX a que largue a D. Mecia por estar
+nullamente cazado com ella, pag. 23. Tendo noticia de que seu irmão D.
+Affonso entrara no Reino para o governar parte a Castella para pedir
+soccorro a seu primo D. Fernando, pera que o lançasse fóra, e lho
+concede, pag. 33 e 34. Donde morreo, em que idade, e onde está
+enterrado, pag. 48. Deu á Ordem de San-Tiago as Villas de Mertola, e
+Aljustrel, que conquistára D. Payo Correa, pag. 48.
+
+Sevilha. Em que dia e anno foi conquistada por El-Rei D. Fernando de
+Lião, pag. 49. Nella morreo, e está sepultado o mesmo Rei ibi.
+
+
+T
+
+Tiburço (D.) bispo de Coimbra com D. João Arcebispo de Braga, e outros
+Cavalleiros Portuguezes vão ao Concilio de Lião, onde representam a
+Innocencio IV a necessidade que tem de que lhes nomeie Governador do
+Reino por ser incapaz D. Sancho II, pag. 25 e 26.
+
+FIM
+
+
+
+
+INDICE DOS CAPITULOS
+
+
+I--Como o Ifante D. Sancho Capelo, foi alevantado por Rei, e das
+condições fracas que teve, e como cazou, e não como a sua honra e estado
+Real compria e se devia 19
+
+II--Do que o Papa a requerimento dos Prelados, e povo de Portugal
+escreveo, e requereo a El-Rei Dom Sancho por sua Bulla 22
+
+III--Como El-Rei Dom Sancho por amoestações do Papa se não quiz apartar
+de Dona Mecia Lopes sua molher, e como lhe foi tomada 24
+
+IV--Do Concilio que o Papa Innocencio IV fez em Lião de França, onde os
+Prelados, e os Senhores de Portugal, se foram querelar del-Rei Dom
+Sancho, e lhe pediram novo Regedor para o Regno, que por mingoa da
+justiça se perdia, e lhe outorgou o Ifante Dom Affonso Conde de Bolonha,
+irmão do dito Rei Dom Sancho 25
+
+V--Como o Conde de Bolonha, depois de asseitar a governança de Portugal
+fez sobre esso juramento com algumas condições declaradas 28
+
+VI--Das Bullas e Provizões do Papa, que o Conde trouxe a Portugal pera
+os do Regno sobre sua governança, e assi outra Bulla que sobre o mesmo
+caso enviou aos Frades de S. Francisco 31
+
+VII--De como o Conde de Bolonha chegou a Portugal, e com elle um
+delegado do Papa, e das notificações que logo fizeram a El-Rei D. Sancho
+ 31
+
+VIII--Como El-Rei Dom Sancho mal aconselhado se foi com os de sua valia
+pedir soccorro a Castella, e como veio em sua ajuda o Ifante Dom Affonso
+de Molina com outros grandes, e gentes de Castella 33
+
+IX---Como pelas deligencias do Conde de Bolonha El-Rei D. Sancho se
+tornou a Castella, e do que se passou no caminho com os cavalleiros de
+Trancozo 35
+
+X--Como o Conde cercou em Celorico da Beira a Dom Fernão Rodrigues
+Pacheco, que lhe não quiz obedecer, e como por causa de uma truita se
+alevantou o cerco 40
+
+XI--Como o Conde foi cercar o Castello de Coimbra, que tinha Martim de
+Freitas, por El-Rei D. Sancho, e das afrontas que passou no cerco 42
+
+XII--Como pela morte del Rei Dom Sancho, Dom Martim de Freitas entregou
+o Castello de Coimbra, e das deligencias e exames que primeiro fez por
+limpeza de sua rigoroza lealdade 45
+
+XIII--Da morte del-Rei Dom Sancho, e onde jaz, e de algumas couzas que
+se em seu tempo passaram 48
+
+
+
+
+OBRAS PUBLICADAS
+
+
+I--Historia do Cerco de Diu, por _Lope de Sousa Coutinho_, 1 volume
+(esgotada) 400
+
+II--Historia do Cerco de Mazagão, por _Agostinho Gavy de Mendonça_, 1
+volume (esgotada) 400
+
+III--Ethiopia Oriental, por _Fr. João dos Santos_, 2 grossos volumes
+(esgotada) 1$500
+
+IV--O Infante D. Pedro, chronica inédita por _Gaspar Dias de Landim_, 3
+volumes 700
+
+V--Chronica d'El-Rei D. Pedro I, (o Cru ou Justiceiro) por _Fernão
+Lopes_, 1 volume 400
+
+VI--Chronica d'El-Rei D. Fernando, por _Fernão Lopes_, 3 volumes 1$200
+
+VII--Chronica d'El-Rei D. João I, por _Fernão Lopes_, 7 volumes 2$800
+
+VIII--Chronica d'El-Rei D. João I, _por Gomes Eannes d'Azurara_, vol. I,
+II e III (VIII, IX e X). 1$200
+
+IX--Dois Capitães da India, por _Luciano Cordeiro_, 1 volume 400
+
+X--Arte da Caça de Altenaria, por _Diogo Fernandes Ferreira_, 2 volumes
+ 800
+
+XI--Apologos Dialogaes, por _D. Francisco Manuel de Mello_, 3 volumes
+ 1$200
+
+XII--Chronica d'El-Rei D. Duarte, por _Ruy de Pina_, 1 volume 400
+
+XIII--Chronica d'El-Rei D. Affonse V, por _Ruy de Pina_, 3 volumes 1$200
+
+XIV--Chronica d'El-Rei D. João II, por _Garcia de Resende_, 3 volumes
+ 1$500
+
+XV--Vida de D. Paulo de Lima Pereira, por _Diogo do Couto_, 1 volume 500
+
+XVI--Chronica d'El-Rei D. Sebastião, por _Fr. Bernardo da Cruz_, 2
+volumes. 1$000
+
+XVII--Jornada de Africa, por _Jeronymo de Mendoça_, 2 volumes 800
+
+XVIII--Historia Tragico-Maritima, por _Bernardo Gomes de Brito_, vol. I
+a X 3$800
+
+XIX--Jornada de Antonio d'Albuquerque Coelho, por _João Tavares de Vellez
+Guerreiro_, 1 volume 600
+
+XX--Chronica d'El-Rei D. Affonso Henriques, por _Duarte Galvão_, 1
+volume 600
+
+XXI--Chronica D'el-Rei D. Sancho I, por _Ruy de Pina_, 1 volume 400
+
+XXII--Chronica d'El-Rei D. Affonso II e de El-Rei D. Sancho II, por Ruy
+de Pina, 1 volume 400
+
+
+EM PUBLICAÇÃO
+
+Historia Tragico-Maritima, _por Bernardo Gomes de Brito_, vol. XI.
+
+
+
+
+Lista de erros corrigidos
+
+
+Aqui encontram-se listados todos os erros encontrados e corrigidos:
+
+
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+ | | Original | Correcção |
+ +----------+---------------------+----------------------+
+ |#pág. 15| _Theogia_ | _Theologia_ |
+ |#pág. 16| cencura | censura |
+ |#pág. 16| ontros | outros |
+ |#pág. 23| Apostoilcam | Apostolicam |
+ |#pág. 23| parttcularmente | particularmente |
+ |#pág. 32| sm que | em que |
+ |#pág. 50| Convernador | Governador |
+ |#pág. 50| Coudessa | Condessa |
+ |#pág. 51| Saucho | Sancho |
+ |#pág. 51| Affonos | Affonso |
+ |#pág. 51| doPapa | do Papa |
+ |#pág. 52| palaras | palavras |
+ |#pág. 52| Saneho | Sancho |
+ +----------+---------------------+----------------------+
+
+
+
+
+
+End of Project Gutenberg's Chronica de El-Rei D. Sancho II, by Rui de Pina
+
+*** END OF THIS PROJECT GUTENBERG EBOOK CHRONICA DE EL-REI D. SANCHO II ***
+
+***** This file should be named 27311-8.txt or 27311-8.zip *****
+This and all associated files of various formats will be found in:
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+Produced by Rita Farinha and the Online Distributed
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+Gutenberg-tm electronic works if you follow the terms of this agreement
+and help preserve free future access to Project Gutenberg-tm electronic
+works. See paragraph 1.E below.
+
+1.C. The Project Gutenberg Literary Archive Foundation ("the Foundation"
+or PGLAF), owns a compilation copyright in the collection of Project
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+compressed, marked up, nonproprietary or proprietary form, including any
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+request, of the work in its original "Plain Vanilla ASCII" or other
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+License as specified in paragraph 1.E.1.
+
+1.E.7. Do not charge a fee for access to, viewing, displaying,
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+unless you comply with paragraph 1.E.8 or 1.E.9.
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+access to or distributing Project Gutenberg-tm electronic works provided
+that
+
+- You pay a royalty fee of 20% of the gross profits you derive from
+ the use of Project Gutenberg-tm works calculated using the method
+ you already use to calculate your applicable taxes. The fee is
+ owed to the owner of the Project Gutenberg-tm trademark, but he
+ has agreed to donate royalties under this paragraph to the
+ Project Gutenberg Literary Archive Foundation. Royalty payments
+ must be paid within 60 days following each date on which you
+ prepare (or are legally required to prepare) your periodic tax
+ returns. Royalty payments should be clearly marked as such and
+ sent to the Project Gutenberg Literary Archive Foundation at the
+ address specified in Section 4, "Information about donations to
+ the Project Gutenberg Literary Archive Foundation."
+
+- You provide a full refund of any money paid by a user who notifies
+ you in writing (or by e-mail) within 30 days of receipt that s/he
+ does not agree to the terms of the full Project Gutenberg-tm
+ License. You must require such a user to return or
+ destroy all copies of the works possessed in a physical medium
+ and discontinue all use of and all access to other copies of
+ Project Gutenberg-tm works.
+
+- You provide, in accordance with paragraph 1.F.3, a full refund of any
+ money paid for a work or a replacement copy, if a defect in the
+ electronic work is discovered and reported to you within 90 days
+ of receipt of the work.
+
+- You comply with all other terms of this agreement for free
+ distribution of Project Gutenberg-tm works.
+
+1.E.9. If you wish to charge a fee or distribute a Project Gutenberg-tm
+electronic work or group of works on different terms than are set
+forth in this agreement, you must obtain permission in writing from
+both the Project Gutenberg Literary Archive Foundation and Michael
+Hart, the owner of the Project Gutenberg-tm trademark. Contact the
+Foundation as set forth in Section 3 below.
+
+1.F.
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+receive the work electronically in lieu of a refund. If the second copy
+is also defective, you may demand a refund in writing without further
+opportunities to fix the problem.
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+1.F.4. Except for the limited right of replacement or refund set forth
+in paragraph 1.F.3, this work is provided to you 'AS-IS' WITH NO OTHER
+WARRANTIES OF ANY KIND, EXPRESS OR IMPLIED, INCLUDING BUT NOT LIMITED TO
+WARRANTIES OF MERCHANTIBILITY OR FITNESS FOR ANY PURPOSE.
+
+1.F.5. Some states do not allow disclaimers of certain implied
+warranties or the exclusion or limitation of certain types of damages.
+If any disclaimer or limitation set forth in this agreement violates the
+law of the state applicable to this agreement, the agreement shall be
+interpreted to make the maximum disclaimer or limitation permitted by
+the applicable state law. The invalidity or unenforceability of any
+provision of this agreement shall not void the remaining provisions.
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+1.F.6. INDEMNITY - You agree to indemnify and hold the Foundation, the
+trademark owner, any agent or employee of the Foundation, anyone
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+with this agreement, and any volunteers associated with the production,
+promotion and distribution of Project Gutenberg-tm electronic works,
+harmless from all liability, costs and expenses, including legal fees,
+that arise directly or indirectly from any of the following which you do
+or cause to occur: (a) distribution of this or any Project Gutenberg-tm
+work, (b) alteration, modification, or additions or deletions to any
+Project Gutenberg-tm work, and (c) any Defect you cause.
+
+
+Section 2. Information about the Mission of Project Gutenberg-tm
+
+Project Gutenberg-tm is synonymous with the free distribution of
+electronic works in formats readable by the widest variety of computers
+including obsolete, old, middle-aged and new computers. It exists
+because of the efforts of hundreds of volunteers and donations from
+people in all walks of life.
+
+Volunteers and financial support to provide volunteers with the
+assistance they need, is critical to reaching Project Gutenberg-tm's
+goals and ensuring that the Project Gutenberg-tm collection will
+remain freely available for generations to come. In 2001, the Project
+Gutenberg Literary Archive Foundation was created to provide a secure
+and permanent future for Project Gutenberg-tm and future generations.
+To learn more about the Project Gutenberg Literary Archive Foundation
+and how your efforts and donations can help, see Sections 3 and 4
+and the Foundation web page at http://www.pglaf.org.
+
+
+Section 3. Information about the Project Gutenberg Literary Archive
+Foundation
+
+The Project Gutenberg Literary Archive Foundation is a non profit
+501(c)(3) educational corporation organized under the laws of the
+state of Mississippi and granted tax exempt status by the Internal
+Revenue Service. The Foundation's EIN or federal tax identification
+number is 64-6221541. Its 501(c)(3) letter is posted at
+http://pglaf.org/fundraising. Contributions to the Project Gutenberg
+Literary Archive Foundation are tax deductible to the full extent
+permitted by U.S. federal laws and your state's laws.
+
+The Foundation's principal office is located at 4557 Melan Dr. S.
+Fairbanks, AK, 99712., but its volunteers and employees are scattered
+throughout numerous locations. Its business office is located at
+809 North 1500 West, Salt Lake City, UT 84116, (801) 596-1887, email
+business@pglaf.org. Email contact links and up to date contact
+information can be found at the Foundation's web site and official
+page at http://pglaf.org
+
+For additional contact information:
+ Dr. Gregory B. Newby
+ Chief Executive and Director
+ gbnewby@pglaf.org
+
+
+Section 4. Information about Donations to the Project Gutenberg
+Literary Archive Foundation
+
+Project Gutenberg-tm depends upon and cannot survive without wide
+spread public support and donations to carry out its mission of
+increasing the number of public domain and licensed works that can be
+freely distributed in machine readable form accessible by the widest
+array of equipment including outdated equipment. Many small donations
+($1 to $5,000) are particularly important to maintaining tax exempt
+status with the IRS.
+
+The Foundation is committed to complying with the laws regulating
+charities and charitable donations in all 50 states of the United
+States. Compliance requirements are not uniform and it takes a
+considerable effort, much paperwork and many fees to meet and keep up
+with these requirements. We do not solicit donations in locations
+where we have not received written confirmation of compliance. To
+SEND DONATIONS or determine the status of compliance for any
+particular state visit http://pglaf.org
+
+While we cannot and do not solicit contributions from states where we
+have not met the solicitation requirements, we know of no prohibition
+against accepting unsolicited donations from donors in such states who
+approach us with offers to donate.
+
+International donations are gratefully accepted, but we cannot make
+any statements concerning tax treatment of donations received from
+outside the United States. U.S. laws alone swamp our small staff.
+
+Please check the Project Gutenberg Web pages for current donation
+methods and addresses. Donations are accepted in a number of other
+ways including checks, online payments and credit card donations.
+To donate, please visit: http://pglaf.org/donate
+
+
+Section 5. General Information About Project Gutenberg-tm electronic
+works.
+
+Professor Michael S. Hart is the originator of the Project Gutenberg-tm
+concept of a library of electronic works that could be freely shared
+with anyone. For thirty years, he produced and distributed Project
+Gutenberg-tm eBooks with only a loose network of volunteer support.
+
+
+Project Gutenberg-tm eBooks are often created from several printed
+editions, all of which are confirmed as Public Domain in the U.S.
+unless a copyright notice is included. Thus, we do not necessarily
+keep eBooks in compliance with any particular paper edition.
+
+
+Most people start at our Web site which has the main PG search facility:
+
+ http://www.gutenberg.org
+
+This Web site includes information about Project Gutenberg-tm,
+including how to make donations to the Project Gutenberg Literary
+Archive Foundation, how to help produce our new eBooks, and how to
+subscribe to our email newsletter to hear about new eBooks.
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+Release Date: November 22, 2008 [EBook #27311]
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+*** START OF THIS PROJECT GUTENBERG EBOOK CHRONICA DE EL-REI D. SANCHO II ***
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+
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+Produced by Rita Farinha and the Online Distributed
+Proofreading Team at http://www.pgdp.net (This file was
+produced from images generously made available by National
+Library of Portugal (Biblioteca Nacional de Portugal).)
+
+
+
+
+
+
+</pre>
+
+
+<div>
+<div class="fbox"><b>Nota de editor:</b>
+Devido &agrave;
+quantidade de erros tipogr&aacute;ficos existentes neste texto,
+foram tomadas v&aacute;rias decis&otilde;es quanto &agrave;
+vers&atilde;o final. Em caso de d&uacute;vida, a grafia foi
+mantida de acordo com o original. No final deste livro
+encontrar&aacute; a lista de erros corrigidos.<br />
+
+<br />
+
+<div style="text-align: right; font-style: italic;">Rita
+Farinha (Nov. 2008)
+</div>
+
+</div>
+
+<br />
+
+<br />
+
+<br />
+
+<br />
+
+<h4>
+BIBLIOTHECA<br />
+
+<br />
+
+DE<br />
+
+<br />
+
+Classicos Portuguezes<br />
+
+<br />
+
+Proprietario e fundador<br />
+
+<br />
+
+<em>MELLO D'AZEVEDO</em></h4>
+
+<br />
+
+<br />
+
+<br />
+
+<br />
+
+<div class="bbox"><br />
+
+<h4><span class="smallcaps">Bibliotheca de Classicos
+Portuguezes</span><br />
+
+Proprietario e fundador&#8213;<span class="smallcaps">Mello
+d'Azevedo</span><br />
+
+</h4>
+
+<h4>(VOLUME LIII) <br />
+
+</h4>
+
+<h2>CHRONICA<br />
+
+<br />
+
+DE<br />
+
+<br />
+
+EL-REI D. SANCHO II </h2>
+
+<h4>
+POR </h4>
+
+<h3>
+RUY DE PINA </h3>
+
+<br />
+
+<br />
+
+<div style="text-align: center;"><img style="width: 150px; height: 94px;" alt="" src="images/fig01.png" /><br />
+
+</div>
+
+<br />
+
+<h4><em>ESCRIPTORIO</em><br />
+
+147&#8213;<span class="smallcaps">Rua
+dos Retrozeiros&#8213;</span>147<br />
+
+LISBOA<br />
+
+<br />
+
+1906
+</h4>
+
+</div>
+
+<br />
+
+<br />
+
+<br />
+
+<br />
+
+<br />
+
+<div style="text-align: center;">CHRONICA <br />
+
+<br />
+
+DO MUITO ALTO, E MUITO ESCLARECIDO PRINCIPE <br />
+
+<br />
+
+D. SANCHO II. <br />
+
+<br />
+
+QUARTO REY DE PORTUGAL, <br />
+
+<br />
+
+COMPOSTA <br />
+
+<br />
+
+POR RUY DE PINA, <br />
+
+<br />
+
+Fidalgo da Casa Real, e Chronista M&ocirc;r do Reyno. <br />
+
+<br />
+
+FIELMENTE COPIADA DE SEU ORIGINAL, <br />
+
+<br />
+
+Que se conserva no Archivo Real da Torre do Tombo. <br />
+
+<br />
+
+OFFERECIDA <br />
+
+<br />
+
+&Aacute; MAGESTADE SEMPRE AUGUSTA DELREY <br />
+
+<br />
+
+D. JOA&Otilde; O V. <br />
+
+<br />
+
+NOSSO SENHOR <br />
+
+<br />
+
+<img style="width: 150px; height: 74px;" alt="" src="images/fig02.png" /><br />
+
+<br />
+
+<br />
+
+LISBOA OCCIDENTAL. <br />
+
+<br />
+
+Na Officina FERREYRIANA. <br />
+
+<br />
+
+M.DCC.XXVIII. <br />
+
+<br />
+
+<em>Com todas as licen&ccedil;as
+necessarias.</em><br />
+
+</div>
+
+<br />
+
+<br />
+
+<br />
+
+<br />
+
+<br />
+
+<div class="signature"><b>SENHOR</b></div>
+
+<br />
+
+<br />
+
+As desgra&ccedil;as do infelicissimo Rei D. Sancho II deste nome
+s&oacute; se podem dalgum modo fazer menos sensiveis vendo-se
+amparada esta sua brevissima Chronica com o Augusto nome de V.
+Magestade se entre tantos infortunios quantos foram os que tem padecido
+a posteridade da sua fama, p&oacute;de haver algum genero de
+diminui&ccedil;&atilde;o, foi a
+brevidade, com que todos os Historiadores trataram as
+ac&ccedil;&otilde;es
+da sua vida, porque at&eacute; parece que enfastia a memoria das
+infelicidades. Mas como &eacute; tanto o esplendor das inimitaveis
+ac&ccedil;&otilde;es de V. Magestade,
+bastar&aacute; a sua protec&ccedil;&atilde;o Real para que
+retrocedendo tres
+seculos encha de gloria aquelle Reinado. A Real Pessoa de V. Magestade
+guarde Deos muitos annos como todos os seus vassallos dezejamos. <br />
+
+<br />
+
+<div class="signature"><em>Miguel Lopes Ferreira.</em></div>
+
+<br />
+
+<br />
+
+<br />
+
+<br />
+
+<br />
+
+<h4>AO EXCELLENTISSIMO SENHOR </h4>
+
+<h3>
+D. Francisco Xavier de Menezes </h3>
+
+<br />
+
+<br />
+
+<div class="quote1">Quarto conde da Ericeira, do Concelho
+de Sua
+Magestade, Sargento m&oacute;r de Batalha dos seus Exercitos,
+Deputado da Junta dos Tres Estados, Perpetuo Senhor da Villa da
+Ericeira, e Senhor da de Anci&atilde;o, oitavo Senhor da Caza do
+Louri&ccedil;al,
+Commendador das Commendas de Santa Christina de Sarzedello, de S.
+Cipriano de Angueyra, S. Martinho de Fraz&atilde;o, S. Payo de
+Fragoas, de S. Pedro de Elvas, e de S. Bertholameu de
+Covilh&atilde; todas na Ordem de Christo, Academico da Academia
+Real da Historia Portugueza, e um dos cinco Censores della &amp;c.</div>
+
+<br />
+
+<br />
+
+<span class="smallcaps">A benignidade</span> com que
+V. Excellencia desculpou a minha
+confian&ccedil;a quando procurei o seu amparo para offerecer a Sua
+Magestade a Chronica del-Rei Dom Affonso III me anima agora a buscar
+segunda vez a V. Excellencia, para que me fa&ccedil;a a
+merc&ecirc; de p&ocirc;r aos p&eacute;s
+del-Rei N. Senhor esta
+<span class="pagenum">[9]</span>
+Chronica de D. Sancho II
+de Portugal. Na pessoa de V. Excellencia concorrem todas as
+circunstancias, que s&atilde;o necessarias para este beneficio,
+porque V.
+Excellencia &eacute; dotado de uma condi&ccedil;&atilde;o
+t&atilde;o propensa para os estudiosos, que a immensa copia de
+livros, que com singular elei&ccedil;&atilde;o tem juntos, mais
+s&atilde;o
+dos que delles se querem servir, que de V. Excellencia mesmo.
+&Eacute; verdade que esta generosidade tem o seu principio na
+estopenda memoria de que V. Excellencia &eacute; dotado, pois basta
+ler um livro, para lhe escuzar outra vez a li&ccedil;&atilde;o,
+mas tambem nace da particular
+satisfa&ccedil;&atilde;o que V. Excellencia tem de que todos
+sejam imitadores dos seus estudos. A ninguem melhor do que a V.
+Excellencia se devia dedicar esta Chronica, porque s&oacute; V.
+Excellencia tem meios na sua grande capacidade para defender algumas
+materias, que nella se tratam, porque &eacute; certo que nem tudo
+foi concedido a todos, mas na pessoa de V. Excellencia se acha tudo o
+que dividido fez grandes a outros. Deos guarde a V. Excellencia muitos
+annos. <br />
+
+<br />
+
+<br />
+
+<div style="text-align: center;">Criado de Vossa
+Excellencia <br />
+
+</div>
+
+<br />
+
+<div class="signature"><em>Miguel Lopes Ferreira</em></div>
+
+<br />
+
+<br />
+
+<br />
+
+<h2>PROLOGO</h2>
+
+<br />
+
+<br />
+
+<span class="smallcaps">Aqui</span> tens Amigo
+Leitor a brevissima Chronica do desgra&ccedil;ado
+Rei de Portugal D. Sancho II deste nome. Foi este Principe na vida, e
+na morte o exemplo de toda a infelicidade humana, para que depois pelos
+inscrutaveis juizos de Deos tivesse o premio de tantos infurtunios na
+eternidade da
+Bemaventuran&ccedil;a. Na vida foi como dizem, t&atilde;o
+sogeito aos validos, que n&atilde;o teve
+ac&ccedil;&atilde;o, que se
+podesse chamar sua, e na morte, foi t&atilde;o infeliz, que a
+n&atilde;o teve
+na Patria. Tudo o que escreveram os Authores, foi duvidoso, porque uns
+o fazem cazado, e outros lhe negam o cazamento; uns o fazem pusilanime,
+e outros valeroso. Seguiram as penas dos Chronistas a inconstancia da
+sua fortuna, tudo deix&aacute;ram em quest&otilde;es, porque
+o seu descuido lhes n&atilde;o deixou averiguar a certeza do que
+escreviam. O Doutor Fr. Antonio Brand&atilde;o na Quarta parte da
+Monarchia Lusitana desaggrava em muitas ac&ccedil;&otilde;es a
+este Principe das injurias dos
+<span class="pagenum">[11]</span>
+seus Chronistas, mostrando que fora
+valeroso, e que conquistara muitas Pra&ccedil;as aos Mouros, como o
+dizem as doa&ccedil;&otilde;es que fez dellas &aacute;s
+Ordens
+Militares. Sem duvida que a administra&ccedil;&atilde;o do
+governo, que deram os povos a seu irm&atilde;o D. Affonso Conde de
+Bolonha em Fran&ccedil;a, foi a cauza do muito que tem padecido a
+Real opini&atilde;o deste Principe, porque n&atilde;o ha quem
+sen&atilde;o atreva a um desgra&ccedil;ado, ainda que lhe anime
+as veas um sangue soberano. As parcialidades que naquelle tempo havia
+de introduzir necessariamente na Corte a politica, deviam de ser o
+fundamento desta variedade, porque uns para justificarem a
+ac&ccedil;&atilde;o, o deviam de condenar, e outros que seriam
+os menos, o haviam de desculpar. Venceo com o tempo a felicidade de seu
+irm&atilde;o D. Affonso, e arrastada da lizonja gemeo a memoria de
+D. Sancho. O que escreveram os antigos, &eacute; o que agora te dou
+a ler nesta brevissima Chronica. Se quizeres ver resgatada de tanto
+descuido a fama deste piissimo Rei, v&ecirc; o Mestre
+Brand&atilde;o, que em tudo
+mostrou a sua diligencia. <br />
+
+<br />
+
+<br />
+
+<div class="signature"><em>Vale.</em></div>
+
+<br />
+
+<br />
+
+<br />
+
+<h2>LICEN&Ccedil;AS<br />
+
+</h2>
+
+<h3>DO<br />
+
+SANTO OFFICIO </h3>
+
+<br />
+
+<div class="quote1">Approva&ccedil;&atilde;o do
+Reverendissimo
+Padre Mestre D. Antonio Caetano de Souza, Clerigo Regular da Divina
+Providencia, Qualificador do Santo Officio, e Academico da Academia
+Real da Historia Portugueza</div>
+
+<h4>EMINENT&Iacute;SSIMO SENHOR </h4>
+
+<br />
+
+Vi a Chronica de El-Rei D. Sancho o II, a quem os nossos Authores
+antigos chamam o Capelo, que tambem anda em nome do Chronista Ruy de
+Pina, como j&aacute; disse na censura que fiz na de El-Rei D.
+Affonso II, seu pai, e n&atilde;o contem couza alguma para que V.
+Eminencia n&atilde;o conceda a licen&ccedil;a que se pede para
+a imprimirem, este &eacute; o meu parecer. Lisboa Occidental 8 de
+Mar&ccedil;o de 1726.<br />
+
+<br />
+
+<br />
+
+<div class="signature"><em>D. Antonio Caetano de
+Souza C. R.</em></div>
+
+<br />
+
+<br />
+
+<br />
+
+<br />
+
+<div class="quote1">Approva&ccedil;&atilde;o do
+Reverendissimo
+Padre Mestre Fr. Vicente das Chagas, Religioso da Provincia de Santo
+Antonio dos Capuchos, Lente jubilado na sagrada Theologia, Qualificador
+do Santo Officio, &amp;c.</div>
+
+<h4>EMINENTISSIMO SENHOR</h4>
+
+<br />
+
+A Chronica d'El-Rei Dom Sancho o II a quem os Authores antigos chamam o
+Capelo, pelos vestidos honestos, de que sempre uzou, mais de
+fei&ccedil;&atilde;o de Religioso, que de Rei, n&atilde;o
+tem cousa que se oponha aos dogmas da nossa Santa F&eacute;, ou
+bons costumes. Este Rei n&atilde;o teve exercicio de reinar todo o
+tempo de sua vida, porque pelos seus erros foi posto por Regedor no
+Reino seu irm&atilde;o o Infante D. Affonso Conde de Bolonha, e
+errou o dito Rei D. Sancho se cuidou que havia de reger sempre:
+&laquo;Errat, si quis existimat tutum diu esse Regem&raquo;.
+Diz Seneca &laquo;In sui
+Proverbiis in fine positis lit. E.&raquo; Mas se lhe tiraram o
+Reino, ou a regencia delle pelos seus erros, e culpas, n&atilde;o
+lhe podiam tirar o Reinar em o Ceo, morrendo (como dizem morreo) com
+sinaes de bom Christ&atilde;o, e Catholico Rei, e cheio de
+virtudes. Pelo que merece a licen&ccedil;a que pede o Chronista
+para se imprimir. V. Eminencia far&aacute; o que for servido. Santo
+Antonio dos Capuchos de Lisboa Occidental 21 de Mar&ccedil;o de
+1726.<br />
+
+<br />
+
+<br />
+
+<div class="signature"><em>Fr. Vicente das Chagas.</em></div>
+
+<br />
+
+<br />
+
+<br />
+
+<br />
+
+<span class="pagenum">[14]</span>
+<span class="smallcaps">Vistas</span> as
+informa&ccedil;&otilde;es, pode-se imprimir a
+Chronica del-Rei D. Sancho II, e depois de impressa tornar&aacute;
+para se conferir, e dar licen&ccedil;a que corra, sem a qual
+n&atilde;o correr&aacute;. Lisboa Occidental,
+22 de Mar&ccedil;o de 1726. <br />
+
+<br />
+
+<br />
+
+<div class="signature"><em>Rocha, Fr. Lancastre.
+Teixeira. Silva.
+Cabedo.</em></div>
+
+<br />
+
+<br />
+
+<br />
+
+<h3><a name="p15"></a>DO ORDINARIO </h3>
+
+<br />
+
+<div class="quote1">Approva&ccedil;&atilde;o do
+Reverendissimo
+Padre Mestre Fr. Jo&atilde;o Baptista Troyano, Religioso da Ordem
+de N. Senhora do Monte do Carmo, Mestre na Sagrada <a href="#e1">Theologia</a>,
+Consultor do Santo Officio, Definidor perpetuo, e
+Provincial absoluto, Secretario que foi da Provincia, e Prior do
+convento do Carmo de Lisboa Occidental, &amp;c.</div>
+
+<h4>
+ILLUSTRISSIMO E REVERENDISSIMO SENHOR </h4>
+
+<br />
+
+<span class="smallcaps">Por</span> mandado de V.
+Illustrissima Reverendissima li a Chronica del-Rei D.
+Sancho II no Nome, e quarto dos Reis de Portugal, vulgarmente chamado
+Capelo, na f&oacute;rma que a deixou escrita Ruy de Pina Chronista
+m&oacute;r do Reino, e como nella se
+n&atilde;o encontre couza que se opponha aos dogmas da nossa Santa
+F&eacute; Catholica, ou bons costumes, julgo se lhe p&oacute;de
+conceder a licen&ccedil;a que se pede, salvo,
+&amp;c. Carmo de Lisboa Occidental 4 de Outubro de 1726. <br />
+
+<br />
+
+<br />
+
+<div class="signature"><em>Fr. Jo&atilde;o
+Baptista Troyano, Prior do
+Carmo.</em></div>
+
+<br />
+
+<br />
+
+<span class="smallcaps">Pode-se</span> imprimir
+vistas as
+informa&ccedil;&otilde;es, a Chronica del-Rei D. Sancho II, e
+depois de impressa tornar&aacute; para se conferir, e dar
+licen&ccedil;a sem a qual n&atilde;o correr&aacute;. Lisboa
+Occidental 1 de Junho de
+1728. <br />
+
+<br />
+
+<div class="signature"><em>Gouvea.</em></div>
+
+<br />
+
+<br />
+
+<br />
+
+<h3><a name="p16"></a>DO PA&Ccedil;O. </h3>
+
+<br />
+
+<div class="quote1">Approva&ccedil;&atilde;o do
+Excellentissimo
+Senhor D. Francisco Xavier de Menezes, Conde da Ericeira, do Conselho
+de S. Magestade, Academico da Academia Real da Historia Portugueza, e
+um dos cinco Censores della, &amp;c.</div>
+
+<br />
+
+<br />
+
+<div class="signature"><b>SENHOR</b></div>
+
+<br />
+
+<br />
+
+<span class="smallcaps">Na</span> <a href="#e2">censura</a>
+que fiz
+por ordem de V. Magestade
+&aacute; Chronica del-Rei D. Sebasti&atilde;o, ponderei
+largamente o juizo que fazia da utilidade que resultava &aacute;
+Historia de Portugal, de que se publicassem as memorias mais antigas,
+que se conservavam manuscritas na Torre do Tombo, e em muitas
+livrarias, ainda que tivessem alguns defeitos, que nasceram da sincera
+credulidade dos seus Authores, <a href="#e3">outros</a>
+da corrup&ccedil;&atilde;o das copias, e muitos
+que os modernos supp&otilde;em,
+<span class="pagenum">[17]</span>
+que foram erros, e que p&oacute;de ser sejam
+verdades, e que prevale&ccedil;a a antiguidade de alguns seculos,
+que faz os Authores melhor instruidos de tradi&ccedil;&atilde;o
+sucessiva, e ent&atilde;o mais vezinha ao tempo dos sucessos;
+&aacute; critica que fundada em documentos, e conjecturas, nem
+sempre descobre as dezejadas demonstra&ccedil;&otilde;es. A
+Chronica del-Rei D. Sancho II sendo muito breve, merece maior exame,
+que as outras, porque era precizo ao seu escritor defender o que fez
+todo o Reino para autorizar a deposi&ccedil;&atilde;o daquelle
+Principe mais
+infelice, que culpado, e quanto mais raz&otilde;es buscou este
+escritor para culpar o seu Rei, tanto mais seguio a primeira errada
+maxima, continuada por muitos Historiadores, que se convencem a si
+mesmos com a for&ccedil;a da raz&atilde;o, celebrando a
+fidelidade dos dous valerosos defensores
+de Coimbra, e Cerolico. Tambem se buscaram outros principios, que as
+Monarchias independentes, como &eacute; a de Portugal
+n&atilde;o admitem, nem acho
+inconveniente em que se imprimam as Historias do que o mundo fazia, e
+hoje n&atilde;o observa, porque assim conhecemos o genio dos
+seculos passados, e a parcialidade dos nossos Chronistas; sendo poucos
+em todas as
+na&ccedil;&otilde;es, os que se livraram deste perigo, e
+n&atilde;o sendo o mesmo permetir V. Magestade a licen&ccedil;a
+que se pede para sahirem a luz os livros antigos, que aprovar tudo o
+que elles dizem, e copi&aacute;ram os outros, que o seguiram, e
+assim entendo que com esta censura que deve imprimir-se nas mais
+Edi&ccedil;&otilde;es desta Chronica,
+se d&ecirc; a faculdade que pertende o seu curioso Collector,
+desta, e de todas as Historias antigas de Portugal. Lisboa Occidental 7
+de Junho de 1728. <br />
+
+<br />
+
+<br />
+
+<div class="signature"><em>Conde da Ericeira.</em></div>
+
+<br />
+
+<br />
+
+<br />
+
+<span class="pagenum">[18]</span>
+<span class="smallcaps">Que</span> se possa
+imprimir, visto as licen&ccedil;as do Santo Officio, e
+Ordinario, e depois de impresso tornar&aacute; &aacute; Meza,
+para se conferir, e taxar, e sem isso n&atilde;o
+correr&aacute;, com
+declara&ccedil;&atilde;o, que no mesmo livro se imprima esta
+censura do Conde da Ericeira. Lisboa Occidental 8 de Junho de 1728.<br />
+
+<br />
+
+<br />
+
+<div class="signature"><em>Marquez P. Pereira.
+Oliveira. Teixeira.
+Bonicho.</em></div>
+
+<br />
+
+<br />
+
+<br />
+
+<br />
+
+<h3><em>Coronica do muito alto e esclarecido Principe D.
+Sancho II,
+quarto Rei de Portugal a que vulgarmente chamavam o Capelo</em> </h3>
+
+<br />
+
+<br />
+
+<br />
+
+<h2><a name="c1"></a>CAPITULO I </h2>
+
+<br />
+
+<div class="quote1">Como o Ifante D. Sancho Capelo, foi
+alevantado por Rei, e
+das condi&ccedil;&otilde;es fracas que teve, e como
+cazou, e n&atilde;o como a sua honra e estado Real compria, e se
+devia</div>
+
+<br />
+
+<br />
+
+<span class="smallcaps">El-Rei</span> Dom Affonso
+deste nome o
+segundo, e dos Reis de Portugal o
+terceiro, faleceo na era de mil duzentos e vinte e tres, (1223) como em
+sua Coronica &eacute; declarado, e por seu falecimento foi logo
+alevantado, e obedecido por Rei o Ifante Dom Sancho, seu filho maior
+legitimo, e herdeiro, a que disseram Capelo, deste nome o segundo, e
+dos Reis de Portugal o quarto, em idade de dezaseis annos, e a cauza
+porque este sobrenome de Capelo lhe fosse posto, as
+lembran&ccedil;as antigas Despanha, e de Portugal, que delle falam,
+e assi o nomeam, n&atilde;o o declaram, s&oacute;mente que lhe
+devia ser posto por sua maneira
+<span class="pagenum"><a name="p20">[20]</a></span>
+de vestidos honestos, que sempre trouxe, mais de
+fei&ccedil;&atilde;o de Religioso, que de Rei, nem Cavaleiro,
+porque foi Principe, que do come&ccedil;o de sua vida
+at&eacute; que acabou em servir mais a Deos, que haver respeito
+&aacute;s couzas, e pompas do mundo, em cujo
+cora&ccedil;&atilde;o
+n&atilde;o houve a verdadeira fortaleza que pera Rei era mui
+necessaria, mas houve nelle sua pura simpreza com que dezejou que seus
+Reinos, e Vassalos fossem regidos por lei de natureza, e por regras, e
+concelhos de boa condi&ccedil;&atilde;o, sem outra prema, nem
+contradi&ccedil;&atilde;o de Lei, nem de algum direito
+positivo, e por esso na
+execu&ccedil;&atilde;o nas cousas da justi&ccedil;a era
+muito brando, e as n&atilde;o provia nem ponia, com aquelle rigor,
+e escarmento, que as culpas, e crimes de homens requeriam, e por esta
+sua natural, e fraca incrina&ccedil;&atilde;o, e
+juntamente com os m&aacute;os, e desassolutos Conselheiros, que de
+mo&ccedil;o
+logo o recolheram, e porque n&atilde;o devidamente se regia o Reino
+de Portugal, e todolos naturaes delle em todalas couzas, assi
+espirituaes, como temporaes, durando o seu Reinado padeceram muitas
+perdas, e danos incomportaveis, que depois com quebra de seu nome, e
+pera proviz&atilde;o de seu Estado se remediaram, como ao diante se
+dir&aacute;. <br />
+
+<br />
+
+E ao tempo que este Rei Dom Sancho come&ccedil;ou de Reinar em
+Portugal, governava os Reinos de Castella, e de Li&atilde;o sua
+tia, a Rainha Dona Biringela, molher que foi del-Rei Dom Affonso de
+Li&atilde;o, com El-Rei Dom Fernando seu filho, a qual era tia
+deste Rei Dom Sancho, irm&atilde; da Rainha Dona Orraca sua madre,
+e porque a Rainha Dona Biringela, a que este Rei Dom Sancho ficou
+encomendado, era Princeza de mui singulares virtudes e Reaes
+perfei&ccedil;&otilde;es, e
+muita prudenia, doendo-se da
+governan&ccedil;a de Portugal, e de uma evidente sua
+perdi&ccedil;&atilde;o, a que decrinava, ella
+muitas vezes enviou a conselhar a seu sobrinho assi bem,
+<span class="pagenum"><a name="p21">[21]</a></span>
+e verdadeiramente como a elle, e ao Reino compria, e
+principalmente pera fundamento de sua maior lian&ccedil;a de o
+querer cazar, como seu Estado, e dinidade Real requeria. Ao que El Rei
+D. Sancho por m&aacute;os concelhos dalguns seus n&atilde;o
+fieis, e danados conselheiros nunca obedeceo, antes por induzimento
+delles sem dispensa&ccedil;&atilde;o, e muito contra sua honra,
+e com
+grande escandalo, e nojo dos do Reino, cazou com Dona Mecia Lopes, Dona
+fermosa, e viuva, filha de Dom Lopo, senhor de Biscaya, que era parenta
+sua dentro no quarto gr&aacute;u, a qual f&ocirc;ra
+j&aacute; cazada
+com Dom Alvaro Pires de Castro, filho de Dom Pedro Fernandes de Castro,
+o Castell&atilde;o, e posto que El-Rei Dom Sancho pelos Prelados, e
+povos, Senhores, e pessoas de titulo de seu Reino muitas vezes fosse
+requerido, amoestado, e aconselhado, que se apartasse desta molher, e
+recebesse outra qual, &aacute; sua honra, e conciencia convinha,
+elle, ou por afei&ccedil;&atilde;o n&atilde;o
+quiz, ou por feiti&ccedil;os, de que diziam que era ligado, o
+n&atilde;o p&ocirc;de nunca fazer, nem consentir, porque
+naquelle tempo segundo as couzas passavam, mui clara, e geralmente se
+dizia, que El-Rei andava em poder della enfeiti&ccedil;ado, e cego
+do juizo sem se poder apartar, e que ajudavam muito o mao conselho
+daquelles, que sostinham a parte da Rainha Dona Mecia, por cujo favor
+em que a este tempo havia o poder, e authoridade com grande
+desolu&ccedil;&atilde;o elles tomavam, e destroiam do Regno
+todolo que queriam, e assi o faziam, outros muitos grandes, e pequenos
+por seu exemplo, os quaes males El-Rei por fraqueza de
+cora&ccedil;&atilde;o n&atilde;o castigava,
+nem tornava a elles com aquella severidade, e rigor, que se devia, e
+assi teve El-Rei D. Sancho esta molher algum tempo sem della haver
+alguma gera&ccedil;&atilde;o,
+n&atilde;o cessando no Regno estes insultos, e
+desolu&ccedil;&otilde;es, antes
+crecendo cada vez mais.<br />
+
+<br />
+
+<span class="pagenum"><a name="p22">[22]</a></span>
+<h2><a name="c2"></a>CAPITULO II </h2>
+
+<br />
+
+<div class="quote1">Do que o Papa a requerimento dos
+Prelados, e povo de
+Portugal escreveo, e requereo a El-Rei Dom Sancho por sua Bulla</div>
+
+<br />
+
+<br />
+
+<span class="smallcaps">Pelo</span> qual os
+Prelados, e povo de Portugal concirando a fealdade destas couzas, que
+era em grande
+ofen&ccedil;a de Deos e can&ccedil;asso e
+destroi&ccedil;&atilde;o da terra, e vendo que a continua,
+e perseverada
+aprezenta&ccedil;&atilde;o de suas querelas ante El-Rei
+n&atilde;o aproveitavam, todos em uma concordia se enviaram
+querelar ao Papa Honorio III na Igreja de Deos a esse tempo Presidente,
+que como bom, e Sancto Pastor, por aconselhar a El-Rei, e por
+verdadeiramente ao Regno, sabendo todas as cousas sobreditas, que com
+verdadeira rela&ccedil;&atilde;o lhe foram senificadas, enviou
+a El-Rei
+seu Breve, em que lhe vieram suas sanctas, e devidas
+amoesta&ccedil;&otilde;es, e nelle l&iacute;mitado tempo,
+em que inteiramente emendasse os erros de sua pessoa, e satisfizesse
+aos danos feitos por sua negligencia, em todo o Regno, e passado o
+tempo, que pera a emenda destas cousas lhe era assinado, sendo o Papa
+certificado, que em nada se satisfazia, enviou a elle de Roma por
+Delegado o Bispo Sabenense, o qual pela dureza, e pouca obediencia que
+nelle, e nos seus Conselheiros achou, poz condicionalmente em suas
+pessoas senten&ccedil;a de
+Excommunh&atilde;o, e de antredito, e em todo o Regno sem outro
+devido, e peremptorio termo, que lhe assinou, se se n&atilde;o
+emendasse, e satisfizesse. Das quaes
+senten&ccedil;as ficou por mero executor, por mandado especial do
+Papa, o Arcebispo de Braga, que por se n&atilde;o satisfazer aos
+males, tomadias e roubos, que eram feitos especialmente
+<span class="pagenum"><a name="p23">[23]</a></span>
+&aacute;s Igrejas, nem se leixavam de
+fazer tantos, o tornou a notificar ao Padre Santo, que por uzar de mais
+clemencia, e piedade com El-Rei Dom Sancho, e lhe afastar todalas
+couzas de sua essencia, lhe escreveo outra carta na entrada da qual lhe
+tirou aquella solennidade de amor, e ben&ccedil;&atilde;o
+Apostolica, que em outras escrevia aos outros Reis sempre costumada de
+escrever, ca lhe n&atilde;o poz Carissimo em Christo filho, nem
+disse nella: &laquo;Salutem &amp; <a href="#e4">Apostolicam</a>
+benedictionem&raquo;. <br />
+
+<br />
+
+Com a Bulla, que a El-Rei Dom Sancho em sua pessoa, e em muitas partes
+de seu Regno, foi pubricada, elle foi muito anojado, e vendo se
+apertado de muitas necessidades, que
+nesta necessidade concorriam, aconselhado dos seus que o seguiam, disse
+que em todo queria, e prometia de obedecer ao Papa, e satisfazer
+inteiramente aos mandamentos da S&eacute; Apostolica, e que elle
+logo emendaria, e faria aos seus emendar todolos danos, e perdas que
+eram feitos, e n&atilde;o consentiria, que dahi em diante em seu
+Regno por elle, nem pelos seus, lhe fizessem outros alguns, assi por
+suas cartas patentes, o segurou, e prometeo
+<a href="#e5">particularmente</a> ao Papa, pelo qual
+a esta
+cautella, e com
+condi&ccedil;&atilde;o de todo comprir a certo tempo, foram
+todos absoltos da excommunh&atilde;o, e levantado o antredito do
+Regno.
+<br />
+
+<br />
+
+<span class="pagenum">[24]</span>
+<h2><a name="c3"></a>CAPITULO III </h2>
+
+<br />
+
+<div class="quote1">Como El-Rei Dom Sancho por
+amoesta&ccedil;&otilde;es do Papa se n&atilde;o quiz
+apartar de Dona Mecia Lopes sua molher, e como lhe foi tomada</div>
+
+<br />
+
+<br />
+
+<span class="smallcaps">Mas</span> como El-Rei Dom
+Sancho da excommunh&atilde;o, e antredito se
+vio livre, e afrouxado, e os Delegados do Papa partidos do Regno, elle
+e os seus por mao conselho, e induzimento de maos homens, que comsigo
+trazia, n&atilde;o leixaram de proseguir, e uzar de todolos erros,
+e males, que dantes faziam, e esto durou por muitos annos, ca foi no
+tempo do dito Papa Honorio, e depois em vida do Papa Gregorio IX que a
+requerimento, e soprica&ccedil;&atilde;o dos Prelados, e povo
+de Portugal, lhe enviava continuas amoesta&ccedil;&otilde;es, e
+sanctos conselhos, a que nunca
+quiz inteiramente obedecer, quazi de sua boa, e fraca
+condi&ccedil;&atilde;o, era faze-lo logo, a Rainha Dona Mecia
+sua molher, e aquelles que seguiam sua vontade o disviavam de seu bom
+proposito, especialmente em a n&atilde;o querer nem poder leixar
+por molher, sobre que muitas vezes, foi pelo Papa aconselhado, e
+amoestado, e excommungado, por quanto ella era filha do Conde Dom Lopo
+de Biscaya, como j&aacute; disse, e era muito conjunto ao Real
+sangue dos Reis Despanha, de que El-Rei Dom Sancho descendia, e
+por&eacute;m nunca por direito, nem por sua vontade a quiz de si
+apartar, ca por qualquer maneira que fosse, elle lhe era muito
+afei&ccedil;oado, e por&eacute;m
+acha-se, que neste tempo, tendo-a El-Rei comsigo em Coimbra, um
+Reym&atilde;o Viegas de Porto Carreiro, com gentes de Dom Martim
+Gil de Soveroza, naturaes de Portugal, e Vassallos del-Rei Dom Sancho,
+da frontaria
+<span class="pagenum"><a name="p25">[25]</a></span>
+de Galiza, donde eram, com multas
+gentes, que comsigo trouxeram, tomaram a dita Dona Mecia, e a
+lev&aacute;ram ao Castello Dourem, que ella tinha del-Rei por Arras
+de seu cazamento, sobre o qual El-Rei logo foi armado, e com a gente
+que pode requerendo lhes,
+que lhe entregassem sua molher, e elles o n&atilde;o quizeram
+fazer, antes resistiram a El Rei com armas, e for&ccedil;as, com
+que se tornou, e elles a levaram a Galiza, mas o que della se depois
+fez, ou com que fundamento, e cauza certa foi assi tomada, e levada, eu
+o n&atilde;o achei, nem soube, e por&eacute;m at&eacute; o
+tempo que o Papa
+Innocencio IV foi Prezidente na Igreja de Roma, nunca por El-Rei Dom
+Sancho nos males, e danos passados, se fez alguma emenda, nem deu
+satisfa&ccedil;&atilde;o, nem menos havia rigor de
+justi&ccedil;a, por cujo temor elles se leixassem de fazer.
+<br />
+
+<br />
+
+<h2><a name="c4"></a>CAPITULO IV </h2>
+
+<br />
+
+<div class="quote1">Do Concilio que o Papa Innocencio IV
+fez em
+Li&atilde;o de Fran&ccedil;a, onde os Prelados, e os Senhores
+de Portugal, se foram querelar del Rei Dom Sancho, e lhe pediram novo
+Regedor para o Regno, que por mingoa da justi&ccedil;a se perdia, e
+lhe outorgou o Ifante Dom Affonso, Conde de Bolonha, irm&atilde;o
+do dito Rei Dom Sancho</div>
+
+<br />
+
+<br />
+
+<span class="smallcaps">Sobre</span> o qual sendo
+El-Rei por muitos, e muitas vezes aconselhado do
+requerido, e pedido, que se emendasse, e castigasse os malfeitores,
+elle n&atilde;o o querendo, ou n&atilde;o podendo fazer, os
+Prelados, e povo se enviaram outra vez aggravar ao Papa Innocencio IV e
+pedir-lhe remedio, o qual por algumas
+<span class="pagenum"><a name="p26">[26]</a></span>
+vezes escreveo a El-Rei cartas de mui sanctos concelhos, e devidas
+amoesta&ccedil;&otilde;es, e assi outras
+ao Bispo de Coimbra, que em seu nome, e da sua parte o aconselhasse
+para se privar dos erros, e males, que consentia, e o
+esfor&ccedil;asse para castigo, e emenda daquelles, que os
+cometiam, encomendando ao dito Bispo, que de todo o que em El-Rei sobre
+esso achasse, e deste cazo lhe parecesse, lho fizesse saber por suas
+cartas, as quaes enviaria ao Concilio, que se havia ent&atilde;o de
+fazer, como fez em Li&atilde;o Solanova em Fran&ccedil;a, para
+que foram convocados os Reis, e Principes Christ&atilde;os, e assi
+muitos Prelados, no qual Concilio se acordaram muitas, e mui sanctas
+couzas por bem da universal Igreja, ante as quaes El Rei S. Luis, por
+mortal doen&ccedil;a de um fernezim, de que escapou, tornando a seu
+entendimento, fez nelle voto de ir, como foi em pessoa, por se recobrar
+&aacute; Caza Santa, e &aacute; conquista de ultra mar, e levou
+em pessoa comsigo a Rainha Dona Margarida sua molher, filha do Conde de
+Proen&ccedil;a, e desta ida tomou por cerco a Cidade Damiata no
+Egipto, que era de imigos, mas logo pelo grande poder do
+Sold&atilde;o, El-Rei, e dous seus irm&atilde;os, que com elle
+passaram, a saber, Dom Affonso, e Dom Carlos em uma batalha foram
+tambem cativos, e resgatados pela mesma Cidade de Damiata, e das muitas
+gentes de seu exercito, muitos foram mortos, e os outros prezos, e
+cativos. <br />
+
+<br />
+
+E retornando El Rei S. Luis a Fran&ccedil;a com
+esperan&ccedil;a de vingar o mal passado, logo com outro grande
+exercito, que refez, tornou a ir sobre a Cidade de Tunes, com propozito
+de fazer o Rei della Christ&atilde;o, como lhe enviara prometer, e
+de conquistar por hi a terra dos Infieis, ao longo do mar
+at&eacute; Alexandria pera dahi poder cobrar a Terra Sancta com
+menos trabalhos das pessoas, e deficuldades, e estando neste cerco,
+<span class="pagenum"><a name="p27">[27]</a></span>
+e tendo comsigo tres filhos, a saber
+Felippe Johane, e Pedro, elle faleceo de fruxo, e o dito seu filho Dom
+Joham de peste, e por estes merecimentos, e por outras muitas virtudes
+este Rei Luis foi pelo Papa Bonifacio Canonizado, e era primo com
+irm&atilde;o deste Rei Dom Sancho, filhos de duas irm&atilde;s.
+<br />
+
+<br />
+
+E volvendo ao proposito de sua Istoria, El Rei Dom Sancho com todolos
+conselhos, e amoesta&ccedil;&otilde;es de
+amor, e de rigor pelos Papas, e pelos de seu Regno muitas vezes lhe
+foram feitos, nunca por sua natural fraqueza se quiz, ou nem se pode
+emendar, nem dar ordem como se os malfeitores emendassem, e
+castigassem, e privassem dos malificios que cometiam, pelo qual os
+Prelados, e mais principaes do Regno com todo o povo, por remediarem
+sua total perdi&ccedil;&atilde;o em que se viam,
+acordaram de enviar pedir no dito Consilio ao sobredito Papa Innocencio
+IV que lhes desse auto, e pertencente Regedor pera o Regno, pera o qual
+foram eleitos pera Embaixadores, e Procuradores Dom Joham Arcebispo de
+Braga, que em todo o Reinado del&shy;&shy;-Rei Dom Sancho tinha
+muitas persegui&ccedil;&otilde;es, e perdas
+padecidas, e Dom Tibur&ccedil;o Bispo de Coimbra, e Ruy Comes de
+Briteiros, e Gomes Viegas, nobres Cavalleiros, e pessoas de muita
+authoridade no Regno, os quaes chegando ao Consilio, propozeram ante o
+Papa todalas querelas do Regno passadas, e a
+desespera&ccedil;&atilde;o que
+havia pera se nunca emendarem antes ao despois se fazerem peor, pera
+cuja prova prezentaram aprovadas cartas, e verdadeiras
+inquiri&ccedil;&otilde;es, que pera esso
+lev&aacute;vam, e o Papa, que claramente gostou da verdade depois
+de sobre esso haver sua delibera&ccedil;&atilde;o lhes
+respondeo que elles escolhessem, e tomassem por Regedor do Regno de
+Portugal, quem quizessem, e entendessem, que o faria bem, com tanto que
+fosse natural do Regno. <br />
+
+<br />
+
+E porque os ditos Prelados, e Cavalleiros, tinham
+<span class="pagenum"><a name="p28">[28]</a></span>
+j&aacute; sobre este cazo ass&aacute;s deliberado,
+e consultado
+depois de lhe beijarem por esso seus santos p&eacute;s, lhes
+disseram, que a pessoa natural que pera tal cargo achavam era o Ifante
+Dom Affonso, Conde de Bolonha, irm&atilde;o do mesmo Rei D Sancho,
+e que este lhe pediam por merc&ecirc; ques d&eacute;sse
+por Regedor, ca o Papa aprouve, e lho outorgou. Sobre o qual mandou
+logo chamar o dito Ifante Conde, que era em Bolonha de
+Fran&ccedil;a, n&atilde;o
+longe do Papa, que era na dita Cidade de Li&atilde;o, ao qual Sua
+Santidade fez larga rela&ccedil;&atilde;o das couzas de
+Portugal, que at&eacute; aquelle tempo eram passadas, e com esso as
+necessidades que hi havia pera com paz, e justi&ccedil;a se
+remediarem, e lhe encomendou, e mandou que asseitasse o Regimento,
+defen&ccedil;&atilde;o, e
+governa&ccedil;&atilde;o do dito Rego, e fizesse como se delle
+confiava, e o Conde sem contradi&ccedil;&atilde;o, nem escuza
+consentio no dito
+cargo, e o asseitou, e esto foi em Li&atilde;o a seis dias de
+Setembro de mil duzentos quorenta, e cinco
+annos (1245).
+<br />
+
+<br />
+
+<h2><a name="c5"></a>CAPITULO V </h2>
+
+<br />
+
+<div class="quote1">Como o Conde de Bolonha, depois de
+asseitar a
+governan&ccedil;a de Portugal fez sobre esso juramento com algumas
+condi&ccedil;&otilde;es declaradas</div>
+
+<br />
+
+<br />
+
+<span class="smallcaps">Tanto</span> que o Conde
+pelo Papa foi dado por Regedor de Portugal, elle, e
+os ditos Prelados, e Cavalleiros do Regno, por acordo que sobre esso
+antes se tomou se vieram todos &aacute; Cidade de Pariz, onde
+dentro nas cazas do Mestre Perochel da Cidade, sendo elle prezente, e
+Mestre Joham, Capel&atilde;o do Papa Adai&atilde;o da Igreja da
+Carnota, e Soeiro Soares Chan&ccedil;arel, e Estev&atilde;o
+Annes Cavalleiro do Conde, e
+<span class="pagenum">[29]</span>
+assi sendo prezentes os ditos Arcebispos, e
+Bispo, e Cavalleiros, e outras muitas pessoas Religiozas do Regno de
+Portugal, o dito Conde em prezen&ccedil;a de todos, e tendo as
+m&atilde;os sobre um livro dos Santos Evangelhos, fez solenne
+juramento nesta f&oacute;rma. <br />
+
+<br />
+
+&laquo;Eu Dom Affonso, Conde de Bolonha, filho Del-Rei Dom Affonso
+de crara memoria, Rei que foi de Portugal, prometo, e juro sobre estes
+Santos Evangelhos de Deos, que por qualquer titulo, que eu aja o Regno
+de Portugal, eu guarde, e fa&ccedil;a guardar aos Concelhos, e todo
+o povo, e Religiosos, e Clerezia de todo o Regno todolos bons costumes,
+e foros escritos, e n&atilde;o escritos, os quaes houveram, e
+tiveram com meu av&ocirc;, e com meu visav&ocirc;, e que tire
+todos os maos costumes, e aboz&otilde;es, que vieram por algumas
+necessidades, ou que pozeram algumas pessoas em tempo do meu padre, e
+de meu irm&atilde;o,
+especialmente, que n&atilde;o leixe, nem consinta nenhum mau
+costume, que ha no Regno de se com mudar a Justi&ccedil;a que ha de
+morte de um homem em pena de dinheiro, e que eu fa&ccedil;a, que os
+Juizes, onde quer que os houver de poer, sejam justos, e sem
+cobi&ccedil;a, e amadores de fazer justi&ccedil;a, e direito
+sem medo de nenhumas pessoas, e esto a quanto eu puder, e entender
+segundo me Deos ajudar, e que sejam feitos por
+elei&ccedil;&atilde;o
+dos mesmos povos, que elles houverem de reger, e n&atilde;o por
+afei&ccedil;&atilde;o, nem rogo, nem pera oprimir, e
+despeitar o povo, que h&atilde;o de julgar em justi&ccedil;a, e
+em
+direito, e que este juramento me far&atilde;o os Juizes quando
+receberem os officios. <br />
+
+<br />
+
+&laquo;Item, que eu tire Inquiri&ccedil;&atilde;o por mi,
+ou por outrem se taes Juizes cumprem o que juraram, e os que
+n&atilde;o fizerem o que devem que lhes mande dar tal pena, que a
+elles seja escarmento, e a outros castigo. <br />
+
+<br />
+
+&laquo;Item, que aquelles, que for&ccedil;arem quaesquer
+molheres,
+<span class="pagenum">[30]</span>
+ou matarem Clerigo, ou Frade,
+ou qualquer outra pessoa, que eu fa&ccedil;a delles taes
+justi&ccedil;as, que a
+sua pena castigue os outros. <br />
+
+<br />
+
+&laquo;Item, que defenda, e mantenha em seu estado quanto eu puder
+as Igrejas, e Moesteiros, e Lugares Religiosos fazendo-lhes entregar
+qualquer couza, que lhe foi tomada, e que quaesquer males, e sem
+raz&otilde;es, que alguns sejam em posse de fazer des o tempo de
+meu irm&atilde;o at&eacute; agora que n&atilde;o lhe
+valha alegan&ccedil;a de tempo perlongado. <br />
+
+<br />
+
+&laquo;Item, que eu fa&ccedil;a emendar segundo meu poder, com
+conselho dos Prelados, e dos do Regno todolos males, que at&eacute;
+qui foram feitos em elle, e reformarei paz quanto poder n&atilde;o
+leixando sem pena taes couzas passar nem as consentindo fazer no dito
+Regno. <br />
+
+<br />
+
+&laquo;Item, que segundo me Deos ministrar, e eu puder, que bem, e
+lealmente reja, e aministre o dito Regno de Portugal desque em elle
+for, e fa&ccedil;a especialmente fazer justi&ccedil;a, dando a
+cada um segundo seu merecimento n&atilde;o asseitando pessoas
+pobres, nem ricas. <br />
+
+<br />
+
+&laquo;Item, que reja todo bom estado da terra, e proveito do dito
+Regno com conselho dos Prelados, e povos delle, e ser sempre obediente,
+e devoto &aacute; Igreja de Roma, minha madre, e assi como fiel, e
+Catholico, e como todo Principe Christ&atilde;o deve ser, e que
+guardarei estas couzas sobreditas segundo meu poder, e e me Deos
+ministrar&raquo;. <br />
+
+<br />
+
+E depois que o dito Conde jurou estas cousas, e outras mais a estas
+conformes, todolos que eram prezentes assin&aacute;ram o juramento,
+e desso passaram escrituras pubricas, que os Prelados trouxeram a
+Portugal.
+<br />
+
+<br />
+
+<span class="pagenum">[31]</span>
+<h2><a name="c6"></a>CAPITULO VI</h2>
+
+<br />
+
+<div class="quote1">Das Bullas e Proviz&otilde;es do
+Papa, que o Conde
+trouxe a Portugal pera os do Regno sobre sua governan&ccedil;a, e
+assi outra Bulla que sobre o mesmo caso enviou aos Frades de S.
+Francisco</div>
+
+<br />
+
+<br />
+
+<span class="smallcaps">Como</span> o Conde fez este
+juramento, procurou logo de aviar as couzas mais
+necessarias pera a sua vinda, e &aacute;lem de sua fazenda lhe
+compria a honra de sua pessoa, e servi&ccedil;o, e repairo de sua
+caza, e familia. <br />
+
+<br />
+
+<em>A tradu&ccedil;&atilde;o destas Bullas andam
+muito viciadas nas copias desta Chronica, e se acham em outros livros,
+e por esta, e outras cauzas sen&atilde;o imprimem neste Capitulo.</em>
+<br />
+
+<br />
+
+<h2><a name="c7"></a>CAPITULO VII </h2>
+
+<br />
+
+<div class="quote1">De como o Conde de Bolonha chegou a
+Portugal, e com elle
+um delegado do Papa, e das notifica&ccedil;&otilde;es que logo
+fizeram a El-Rei D. Sancho</div>
+
+<br />
+
+<br />
+
+<span class="smallcaps">Despedidas</span> as Bulas
+do Papa, e aparelhadas as couzas, que ao Conde para
+seu caminho mais cumpriam, se despedio da Condessa de Bolonha sua
+molher, que havia nome Dona Matildes, a qual fora j&aacute; outra
+vez cazada, e era da linhagem dos Rex de Fran&ccedil;a, e molher,
+em que havia singulares
+<span class="pagenum"><a name="p32">[32]</a></span>
+bondades, e
+vertudes, e tinham muitas terras, e grande fazenda, e dahi com os
+Prelados, e Cavalleiros Portuguezes, que o foram requerer, se veio a
+este Reino, e com elle enviou mais o Papa por seu Delegado pera estas
+couzas de Portugal Frei Desiderio, pessoa <a href="#e6">em
+que</a> havia doutrina, e
+sinaes de bom Religioso, pera que em nome do Papa, e da sua parte
+requeresse, que entregassem ao Conde os Castellos do Regno, nos quaes
+pozesse Alcaides, e as Villas, e terras, em que fizesse Juizes com que
+o Regno se mantivesse em paz, e justi&ccedil;a, e por tal, que nas
+Fortalezas principalmente se n&atilde;o acolhessem os mal feitoras,
+que nas pessoas, que em todo lhe n&atilde;o obedecessem, pozesse
+senten&ccedil;a de excommunh&atilde;o, e como chegaram ao
+Estremo de Portugal, o Conde por suas cartas noteficou logo sua vinda a
+todolo Regno, dizendo em seu titulo: &laquo;Dom Affonso, filho do
+muito nobre Rei Dom Affonso por gra&ccedil;a de Deos, Conde de
+Bolonha, e Procurador, e defensor do Regno de Portugal&raquo;. E
+assi noteficou a El Rei Dom Sancho seu irm&atilde;o, como a
+requerimento do Regno vinha, e n&atilde;o pera ser Rei, mas pera
+lhe reger, e governar o Regno, e se fazer nelle direito, e
+justi&ccedil;a, que se n&atilde;o fazia, e lhe
+conheceria senhorio, como a seu Rei, e Senhor, salvo a cerca daquelles,
+em cujo poder, e m&atilde;os andava, e porque t&atilde;o mal
+aconselhado, e por cuja cauza tantos males no Regno eram feitos, e com
+esto lhe enviou o Delegado um Breve do Papa.
+<br />
+
+<br />
+
+<span class="pagenum"><a name="p33">[33]</a></span>
+<h2><a name="c8"></a>CAPITULO VIII </h2>
+
+<br />
+
+<div class="quote1">Como El Rei Dom Sancho mal aconselhado
+se foi com os de
+sua valia pedir soccorro a Castella, e como veio em sua ajuda o Ifante
+Dom Affonso de Molina com outros grandes, e gentes de Castella</div>
+
+<br />
+
+<br />
+
+<span class="smallcaps">El-Rei</span> Dom Sancho a
+este tempo era em Coimbra, e como vio as cartas do
+Papa, e de seu irm&atilde;o, e soube que elle era entrado no Regno
+onde inteiramente lhe obedeciam, elle de si mesmo foi muito trovado, e
+o fizeram ser muito mais os homens maos, e perversos Conselheiros, que
+consigo trazia, porque rece&aacute;ram executar-se nelles sem
+escuza as penas, que por seus desmerecimentos, e grandes delitos
+mereciam, e estes lhe fizeram que n&atilde;o cresse, nem obedecesse
+a couza, que o Papa, nem seu irm&atilde;o lhe escrevesse, nem
+outros por seu bem lhe dicessem, porque o bem, nem asecego del-Rei, em
+cazo que depois o tivesse n&atilde;o asegurava, nem
+descan&ccedil;ava aos que o
+seguiam, pelo qual de seu parecer delles, e como desesperado doutro bom
+conselho, sem receber dano de pessoa alguma, nem lhe ser feita
+desobediencia, nem contradi&ccedil;&atilde;o, se foi logo a
+Castella com
+fundamento de pedir soccorro contra seu irm&atilde;o, a El-Rei Dom
+Fernando, deste nome o segundo, que ent&atilde;o nelle Regnava, que
+era seu primo com irm&atilde;o, filhos de duas irm&atilde;s
+da Rainha Dona Biringela, madre del-Rei Dom Fernando, e Dona Orra Dom
+Sancho a este tempo era em Coimbra, e como vio as cartas do
+Papa, e de seu irm&atilde;o, e soube que elle era entrado no Regno
+onde inteiramente lhe obedeciam, elle de si mesmo foi muito trovado, e
+o fizeram ser muito mais os homens maos, e perversos Conselheiros, que
+consigo trazia, porque rece&aacute;ram executar-se nelles sem
+escuza as penas, que por seus desmerecimentos, e grandes delitos
+mereciam, e estes lhe fizeram que n&atilde;o cresse, nem obedecesse
+a couza, que o Papa, nem seu irm&atilde;o lhe escrevesse, nem
+outros por seu bem lhe dicessem, porque o bem, nem asecego del-Rei, em
+cazo que depois o tivesse n&atilde;o asegurava, nem
+descan&ccedil;ava aos que o
+seguiam, pelo qual de seu parecer delles, e como desesperado doutro bom
+conselho, sem receber dano de pessoa alguma, nem lhe ser feita
+desobediencia, nem contradi&ccedil;&atilde;o, se foi logo a
+Castella com
+fundamento de pedir soccorro contra seu irm&atilde;o, a El-Rei Dom
+Fernando, deste nome o segundo, que ent&atilde;o nelle Regnava, que
+era seu primo com irm&atilde;o, filhos de duas irm&atilde;s
+da Rainha Dona Biringela, madre del-Rei Dom Fernando, e Dona Orraca,
+madre del-Rei Dom Sancho, ou ao menos pedir este soccorro e ajuda ao
+Ifante Dom Affonso, filho herdeiro do dito Rei Dom Fernando,
+<span class="pagenum"><a name="p34">[34]</a></span>
+que em Castella e Li&atilde;o, j&aacute;
+tinha grande
+poder, e muita autoridade. <br />
+
+<br />
+
+E com este proposito chegou a Toledo andando a era em mil e duzentos
+quarenta e sete annos (1247) antes um anno que Sevilha fosse aos Mouros
+tomada. A este tempo El-Rei Dom Fernando veo a Toledo, tendo tomado
+Cordova, e j&aacute; com dezejo, e fundamento de ir cercar, e tomar
+Sevilha, se podesse, ao qual El-Rei Dom Sancho de Portugal seu primo,
+dice logo, que a causa de sua ida a elle, era pera lhe fazer saber, o
+que elle teria sabido, que seu irm&atilde;o o Ifante Dom Affonso
+Conde de Bolonha, entr&aacute;ra em seu Regno de Portugal, e com
+ajuda e favor dalguns seus naturaes, se al&ccedil;ara contra elle,
+e que o tinham recebido por Senhor, e que por&eacute;m lhe pedia,
+como a Rei t&atilde;o
+poderoso, e que com elle era t&atilde;o conjunto em parentesco, que
+em tamanha for&ccedil;a lhe desse ajuda e favor com que
+inteiramente cobrasse seu Regno, e lan&ccedil;asse delle
+f&oacute;ra seu irm&atilde;o, que individamente lho tinha
+tomado, e que pois n&atilde;o tinha filho que o herdasse, que
+depois de sua morte ficasse Portugal a elle, ou a seu filho herdeiro. <br />
+
+<br />
+
+Da qual couza prouve a El-Rei Dom Fernando, e pondo-a em obra ordenou
+logo pera vir a Portugal o Ifante Dom Affonso de Molina, seu
+irm&atilde;o, filhos ambos del-Rei Dom Affonso de Li&atilde;o,
+e da Rainha Dona Biringela, e com elle Dom Diogo Lopes de Haro, Senhor
+de Biscaya, e Dom Nuno Gon&ccedil;alves de Lara, e Dom Ruy Gomes de
+Galiza, e Dom Ramilo Frole, e Dom Rodrigo Froyas, bom Cavalleiro, e Dom
+Fernando Anes de Lima, e outros grandes senhores, e com elles muitas
+gentes de p&eacute;, e de cavallo, com que
+entr&aacute;ram em Portugal pela Comarca de Riba de Coa, que a este
+tempo ainda era de Castella, e por elles fazerem sua entrada pela terra
+da Beira, que toda estava &aacute;
+<span class="pagenum">[35]</span>
+obediencia del-Rei Dom Sancho, n&atilde;o houveram no caminho
+contradi&ccedil;&atilde;o, nem resistencia alguma, e assi
+chegaram ao lugar de Abiul, que &eacute; a quatro legoas de Leiria.
+<br />
+
+<br />
+
+E o Conde Dom Affonso de Bolonha tanto que entrou no Regno, tanta
+alegria receberam os Portuguezes com sua vinda, sabendo quem era, e
+como vinha a seu requerimento, que os mais dos Lugares por as proprias
+vontades dos moradores delles se lhe davam, e aquelles em que achava
+alguma contradi&ccedil;&atilde;o logo
+por execu&ccedil;&otilde;es que o Delegado sobre elles punha,
+ou
+por combates, ou for&ccedil;as n&atilde;o tardou em os cobrar
+todos
+salvo Coimbra, em que estava Martim de Freitas, e Celorico da Beira, em
+que estava Dom Fern&atilde;o Rodrigues Pacheco, que ambos as tinham
+por El-Rei Dom Sancho de que ao diante direi. <br />
+
+<br />
+
+<h2><a name="c9"></a>CAPITULO IX </h2>
+
+<br />
+
+<div class="quote1">Como pelas deligencias do Conde de
+Bolonha El-Rei Dom
+Sancho se tornou a Castella, e do que se passou no caminho com os
+Cavalleiros de Trancozo</div>
+
+<br />
+
+<br />
+
+<span class="smallcaps">E sabendo</span> o Conde de
+Bolonha da entrada del-Rei seu irm&atilde;o no
+Regno com o Ifante Dom Affonso de Molina, e com os Cavalleiros, e
+gentes
+de Castella, logo percebeo, e houve pera ter, e trazer comsigo por
+defen&ccedil;&atilde;o do Regno as mais gentes que pode, e com
+ellas se veio a Obidos, e avizou a Dom Jo&atilde;o Arcebispo de
+Braga, e a Dom Domingos, que ent&atilde;o era Bispo de Coimbra, os
+quaes lhe disseram que elles pela comiss&atilde;o do Papa, haviam o
+dito Ifante Dom
+<span class="pagenum"><a name="p36">[36]</a></span>
+Affonso de Molina com todolos
+Senhores, e gentes de Castella por excomungados, e malditos, e desso
+tom&aacute;ram estromentos, e por esta cauza El Rei, e o Ifante
+n&atilde;o pass&aacute;ram de Abiul, e se
+tornaram pera
+Castella sem no Regno, nem nas gentes, e couzas delle fazerem algum
+mal, nem dano, e principalmente se tornaram, e n&atilde;o
+proseguiram adiante, porque El Rei Dom Sancho pelas dezordens, e males
+passados, a que nunca provera, era de todolos mais do Regno mui
+dezamado, e mal quisto, e o Conde pelo contrairo &aacute;lem desso
+era j&aacute; das mais for&ccedil;as delle de todo apoderado, e
+por esta cauza o Ifante Dom Affonso com outros Senhores, que vieram em
+ajuda del-Rei, vendo o pouco que lhe podiam aproveitar, e o muito dano,
+que se podia seguir, aconselharam ao dito Rei Dom Sancho, que ou
+ficasse em seu Regno, segundo lhe era apontado, ou se fosse com elles a
+Castella. <br />
+
+<br />
+
+Este derradeiro houve El-Rei por melhor, sendo pior conselho, e
+por&eacute;m El-Rei Dom Sancho tinha feitas
+doa&ccedil;&otilde;es ao Ifante Dom Pedro seu primo de muitas
+Villas, e Castellos principaes de Portugal, em grande dano da Coroa do
+Regno, as quaes por sua injusta concess&atilde;o n&atilde;o
+houveram nunca efeito, como quer que o dito Ifante depois o procurasse,
+e requeresse aficadamente por intercess&otilde;es do Papa, que
+sobre esso escreveo algumas vezes ao Conde de Bolonha, que justamente
+sempre se escuzou. <br />
+
+<br />
+
+E acha-se, que em tornando El-Rei pera Castella, achegou ao Lugar de
+Moreira, que &eacute; junto da Villa de Trancozo, na qual a esse
+tempo estava Dom Gon&ccedil;alo Garcia, e Dom Fern&atilde;o
+Garcia de Souza, que diceram Esgaravunha, que foi bom trovador, e Dom
+Fernando Lopes, e Dom Diogo Lopes, todos quatro irm&atilde;os,
+filhos de Dom Garcia Mendes de Souza, filho do Conde Dom Mendo o
+Souz&atilde;o, e de Dona Elvira
+<span class="pagenum"><a name="p37">[37]</a></span>
+Gon&ccedil;alves, filha de Dom Gon&ccedil;alo Paes de Toronho,
+que eram nobres homens, e mui principaes no Regno, e Dom
+Fern&atilde;o Garcia sabendo da vinda de Castella del Rei por
+conselho de seus irm&atilde;os com um s&oacute; Escudeiro, a
+que deram sua lan&ccedil;a, e sendo elle vestido de todalas outras
+suas armas se foi a Moreira, onde estava El-Rei, e o Ifante, e os
+outros Senhores, e posto ante elles tirou o Elmo da cabe&ccedil;a,
+e com os joelhos em terra beijou a m&atilde;o a El-Rei, e ao Ifante
+Dom Affonso, e como se levantou, fez reverencia a Dom Diogo, e a
+todolos outros homens honrados, que eram prezentes, salvo a Dom Martim
+Gil de Soverosa, que era o principal homem; porque El-Rei Dom Sancho
+com quebra de seu Estado se regia. <br />
+
+<br />
+
+E perguntando Dom Fern&atilde;o Garcia a El-Rei se o conhecia? Elle
+dice que si, e que era seu natural vassallo, e D. Fern&atilde;o
+Garcia lhe tornou dizendo: &laquo;Senhor meus irm&atilde;os,
+que est&atilde;o em Trancozo, e por cujo mandado venho como vossos
+vassallos, e naturaes, vos mandam pedir, e requerer, por ante o Ifante
+vosso primo, e estes Senhores que aqui est&atilde;o, que vos vades
+pera aquella Villa, na qual, e em seu Castello vos receber&atilde;o
+como a seu Rei, e Senhor, e assi em todolos outros de redor, que
+s&atilde;o a seu cargo, com tanto que n&atilde;o leveis com
+vosco Martim Gil, que aqui
+est&aacute;, nem os seus, que destruiram vossa terra, e elle matou,
+e leixou os que quiz, sem querer que dos seus e doutros mal feitores se
+fizesse alguma justi&ccedil;a, ca
+certamente v&oacute;s n&atilde;o tinheis de Rei mais que o
+nome, e a muito alta linhagem, e Real sangue de que decendeis, porque
+no efeito elle era Rei, e com este tamanho credito que lhe destes vos
+teem mui mal servido, em especial por seu mao conselho, por cuja cauza
+v&oacute;s viestes ao estado em que agora estaes. E se elle dicer
+que n&atilde;o &eacute; assi eu por minha verdade, e por sua
+confuz&atilde;o
+<span class="pagenum"><a name="p38">[38]</a></span>
+me combaterei com
+elle, e lhe porei as m&atilde;os, e o corpo, ca por esso venho aqui
+armado, e alli &aacute; porta tenho o cavallo, e sobresso espero em
+Deos, que eu o matarei, ou por sua boca lhe farei confe&ccedil;ar
+que mui mal, e como n&atilde;o devia vos teem aconselhado, e com
+grande quebra e mingoa de vosso Estado, e de vossa terra&raquo;. <br />
+
+<br />
+
+Este Martim Gil era Cavalleiro, e de honrada caza, e de grande
+esfor&ccedil;o, porque este foi o que com grande e bom nome seu,
+venceo a lide do Porto. E ouvindo estas palavras a Dom
+Fern&atilde;o Garcia, ficou muito injuriado, e abatido
+especialmente, porque &aacute;quella hora n&atilde;o lhe
+respondeo como a sua honra compria porque s&oacute;mente lhe dice:
+&laquo;Dom Fern&atilde;o Garcia
+dizeis mal, e do que dicestes vos n&atilde;o deveis de achar bem,
+se eu n&atilde;o morro&raquo;. Polo qual Dom Martim Gil, fez
+logo mostran&ccedil;a a alguns dos seus que alli estavam que lhe
+fossem ter ao caminho, e o matassem, e Dom Fern&atilde;o Garcia que
+os vio, e entendeo bem a m&aacute;
+ten&ccedil;&atilde;o com que sahiam, antes doutra couza dice a
+El-Rei: &laquo;Senhor, v&oacute;s quereis ir pera Trancozo,
+como vos
+tenho requerido?&raquo; E El-Rei lhe respondeo, que n&atilde;o,
+e
+ent&atilde;o tornou D. Fern&atilde;o Garcia, e dice ao Ifante
+D. Affonso: &laquo;Senhor, sereis testemunha v&oacute;s, e
+esses Senhores que aqui estades da oferta, que por meus
+irm&atilde;os, e por mi vim fazer a El-Rei&raquo;. <br />
+
+<br />
+
+E com dito esto volveo o rosto contra Dom Diogo Lopes, e a Dom Nuno de
+Lara, e dice-lhes: &laquo;Bem vistes Senhores a offerta, que por
+limpeza, e lealdade minha, e de meus irm&atilde;os fiz com El-Rei,
+e assi ouvistes o que tambem dice a Dom Martim Gil, que aqui
+est&aacute;, e n&atilde;o querendo por seu corpo tornar a esso,
+como por sua honra devia, mandou aquelles seus, que daqui partiram, que
+me v&atilde;o ter ao caminho pera desacompanhado me matarem, porque
+vos pe&ccedil;o, como a nobres, e honrados Cavalleiros, que por boa
+mezura me mandeis
+<span class="pagenum">[39]</span>
+poer em salvo em
+Trancozo&raquo;. E logo Dom Affonso se levantou, e dice:
+&laquo;Martim Gil v&oacute;s
+n&atilde;o atentaste no que Dom Fern&atilde;o Garcia vos dice?
+o que deveres de fazer, ca me parece que vos toca por maneira de
+trai&ccedil;&atilde;o, e n&atilde;o lhe quereis poer as
+m&atilde;os, como deveis, e vos elle requer?&raquo; <br />
+
+<br />
+
+E Dom Martim Gil brevemente dice, que dava pouco por suas palavras
+v&atilde;s, pelo qual estes Senhores diceram a El-Rei, que Dom
+Fern&atilde;o Garcia, e os nobres homens que eram em Trancozo
+n&atilde;o podiam fazer melhor comprimento, porque com elle
+compriam, como bons vassallos quanto deviam, e que dahi por diante
+qualquer culpa que hi ouvesse, que era del-Rei, e n&atilde;o
+delles, e logo Dom Diogo, e Dom Nuno com esses bons homens que hi eram
+cavalgaram, e foram-se com Dom Fern&atilde;o Garcia at&eacute;
+Trancozo, donde sahiram
+seus irm&atilde;os e outra boa, e nobre gente, que hi eram, e lhe
+tiveram em merc&ecirc; sua vinda, e depois de praticarem sobre as
+couzas que pendiam, Dom Diogo, e Dom Nuno se tornaram pera o Ifante Dom
+Affonso, que juntos com El-Rei Dom Sancho se foram todos pera Castella,
+e com elles este Dom Martim Gil, que era Portuguez, e homem muito
+honrado, o que com medo do Conde Dom Affonso n&atilde;o ouzou de
+ficar, e se foi tambem a Castella com El-Rei Dom Sancho, e
+l&aacute; faleceo, e foi del-Rei D. Affonso Decimo, com quem viveo
+havido por Rico homem, e em grande estima, e por t&aacute;l
+est&aacute; posto por testamenteiro,
+com outros no testamento del-Rei, quando por desagardecimentos do
+Ifante Dom Sancho seu filho, o deserdou de Castella, ainda que seu
+deserdamento n&atilde;o houve efeito.
+<br />
+
+<br />
+
+<span class="pagenum">[40]</span>
+<h2><a name="c10"></a>CAPITULO X </h2>
+
+<br />
+
+<div class="quote1">Como o Conde cercou em Celorico da
+Beira a Dom
+Fern&atilde;o Rodrigues Pacheco, que lhe n&atilde;o quiz
+obedecer, e como por causa de uma truita se alevantou o cerco</div>
+
+<br />
+
+<br />
+
+<span class="smallcaps">O Conde</span> de Bolonha
+governador como entrou no Regno segundo atraz
+j&aacute; dice, logo por for&ccedil;a, ou por vontade, ou a sua
+obediencia todalas Cidades, Villas, e Castellos do Regno, em que
+entraram todalas que El-Rei Dom Sancho tinha dado em Portugal ao Ifante
+Dom Affonso de Molina por entrar com elle, e em sua ajuda no Regno, do
+que o dito Ifante se mandou queixar ao Papa, e assi com elle outros
+Cavalleiros, e Alcaides de Portugal, pelo Conde de Bolonha lhes tomar
+contra suas vontades os Castellos que tinham por suas menagens, e
+destes o Papa se escuzou
+havendo
+que o Conde pera asecego, e boa governan&ccedil;a do Regno fazia o
+que devia, mas s&oacute;mente escreveo ao Conde rogando-lhe pelos
+Castellos, que por El-Rei Dom Sancho eram dados ao Ifante Dom Affonso
+de Molina, ao que n&atilde;o satisfez pelos grandes inconvenientes
+que nesto havia, e porque soube que eram cartas, e rogos de
+comprimento. <br />
+
+<br />
+
+Neste tempo depois del-Rei D. Sancho ser em Castella, porque o Castello
+de Celorico da Beira, que tinha Dom Fern&atilde;o Rodrigues
+Pacheco, e o de Coimbra, que tinha Dom Martim de Freitas, ficaram
+s&oacute;mente por El-Rei, como atr&aacute;s dice, o Conde
+depois de sua partida lhes mandou dizer, e rogar que lhos quizessem
+entregar, como os outros tinham j&aacute; feito em
+<span class="pagenum">[41]</span>
+todo o Regno, prometendo-lhe por esso al&eacute;m de
+fazerem o que deviam merc&ecirc;, e bom galard&atilde;o. E cada
+um por si lhe respondeo: &laquo;Que elles tinham feita menagem a
+El-Rei Dom Sancho, seu Rei e Senhor, e que em quanto elle fosse vivo,
+posto que andasse em Castella, n&atilde;o deviam de entregar seus
+Castellos, se n&atilde;o a elle, de cuja m&atilde;o os
+receberam, ou por seu especial mandado, e do Papa, nem por outro algum
+temor, os n&atilde;o haviam de entregar, em cazo, que sobresso
+fossem excommungados, e padecessem cercos, e quaesquer outras fadigas,
+e tormentos&raquo;. <br />
+
+<br />
+
+Pelo qual vendo o Conde sua t&atilde;o firme
+determina&ccedil;&atilde;o, e que pera o que dezejava
+n&atilde;o aproveitavam muito suas repricas brandas, que fez,
+detreminou cerca-los, e poz logo cerco em pessoa sobre Celorico, ca
+este por ser mais junto &aacute; frontaria de Castella houve por
+melhor cobrar-se logo, e este mandou combater muitas vezes, mas por sua
+fortaleza, e por a boa gente que o defendia, n&atilde;o se podia
+cobrar por for&ccedil;a, e
+durou o cerco tanto tempo, que por o Castello n&atilde;o ter
+soccorro, nem lhe poder vir proviz&atilde;o de mantimentos de
+f&oacute;ra, foram os de dentro postos em tanta estreiteza de fome,
+e doutras necessidades que por n&atilde;o morrerem, t&atilde;o
+cruas e dezesperadas mortes, como se lhes ofereciam, estavam pera se
+dar, e entregar o Castello, e n&atilde;o sofrer mais apertos de
+t&atilde;o perversa
+lealdade. <br />
+
+<br />
+
+E estando nesta afronta se diz, que Dom Fern&atilde;o Rodrigues
+Pacheco se alevantou um dia muito cedo, e andando pelo muro cuidando na
+pre&ccedil;a, em que estava, e sobresso posto em desvairados
+pensamentos sem determinadamente saber o que faria, lembrando-se de
+Deos, lhe pedia muito de cora&ccedil;&atilde;o, que por sua
+misericordia por alguma maneira lhe socorresse, por tal, que
+n&atilde;o cahisse em tamanha mingoa de sua honra, como seria dar
+aquelle Castello se n&atilde;o a El-Rei,
+<span class="pagenum"><a name="p42">[42]</a></span>
+que lho dera, e porque lhe tinha feita menagem, e que
+durando nesta magina&ccedil;&atilde;o, e
+ora&ccedil;&atilde;o, que vio vir contra a ribeira do Mondego,
+que &eacute; ahi junto, uma Aguia, que trazia nas unhas uma grande
+truita, e que voando por sima do Castello lhe cahio dentro, ainda mui
+fresca, com que algum tanto logo se alegrou, e que a mesma truita, e
+com desse melhor p&atilde;o, que no Castello se pode haver, e
+aparelhar, mandou todo em prezente ao Conde no arraial, que tinha
+cercado, e lhe mandou dizer: &laquo;Que bem o poderia ter cercado
+quanto fosse sua merc&ecirc;, mas que se por fome o esperava tomar,
+que visse se os homens, que daquella vianda eram bem bastecidos, se
+teriam rez&atilde;o de entregar-lhe contra suas honras o
+Castello&raquo;. Da qual couza o Conde, e estes a que do prezente
+deu parte, foram ass&aacute;s maravilhados, e vendo, que por longar
+mais o cerco alli, n&atilde;o aproveitava, e em outras muitas
+partes danaria, alevantou o cerco sobre Celorico, e o foi p&ocirc;r
+sobre Coimbra. <br />
+
+<br />
+
+<h2><a name="c11"></a>CAPITULO XI </h2>
+
+<br />
+
+<div class="quote1">Como o Conde foi cercar o Castello de
+Coimbra, que tinha
+Martim de Freitas, por El Rei Dom Sancho, e das afrontas que passou no
+cerco</div>
+
+<br />
+
+<br />
+
+<span class="smallcaps">O Conde</span> como chegou a
+Coimbra antes de fazer grandes aparelhos pera o
+cerco e combates mandou dizer a Dom Martim de Freitas: &laquo;Que
+lhe entregasse a Cidade, e o Castello, como por muitas vezes
+j&aacute; lhe mandara requerer, e por esso lhe faria muita
+merc&ecirc;, porque se o assi n&atilde;o fizesse, que o
+combateria, e o cobraria tudo com sua perda, e dano&raquo;. E
+<span class="pagenum"><a name="p43">[43]</a></span>
+Dom Martim de Freitas lhe respondeo:
+&laquo;Que sua merc&ecirc;
+poderia comprir sua vontade, e fazer o que quizesse, por&eacute;m
+que fosse certo, que em quanto soubesse que El-Rei Dom Sancho seu Rei,
+e Senhor, era vivo, que lho n&atilde;o entregaria sem seu mandado,
+ou sabendo, que era morto, e que o n&atilde;o amea&ccedil;asse
+com morte, nem perigos, porque tudo padeceria com bom
+cora&ccedil;&atilde;o por inteiramente comprir com sua
+lealdade&raquo;. Pelo qual o Conde assentou seu cerco sobre o
+Castello, e ordenou seus combates, com que logo, e depois o combateo
+muitas vezes, em que de uma parte, e da outra houve mortos e feridos. <br />
+
+<br />
+
+Mas o alcaide, e os que por sua defen&ccedil;&atilde;o comsigo
+tinha eram taes, que os cometimentos do Conde n&atilde;o
+aproveitavam pera cobrar o Castello por for&ccedil;a, da qual cauza
+anojado o Conde fez juramento a Deos de nunca se alevantar de sobre
+elle at&eacute; o tomar por for&ccedil;a,
+ou por fome, e assi o fez porque o cerco foi t&atilde;o porlongado,
+que os de dentro por falecimento dagoa, e de proviz&otilde;es, que
+j&aacute; n&atilde;o tinham, como
+desesperados comiam, e bebiam couzas mui contrairas, e descostumadas da
+natureza humana, que n&atilde;o fic&aacute;ram bestas,
+c&atilde;es, gatos vivos, nem os couros das alimarias mortas. E
+sendo o Conde desto certificado os mandava afrontar, e requerer cada
+dia: &laquo;Que se dessem, e
+n&atilde;o padecessem sem cauza, e por contumacia t&atilde;o
+asperas cruezas, que a sua tal fa&ccedil;anha era v&atilde;,
+que
+n&atilde;o podia, nem devia levar ao diante&raquo;. <br />
+
+<br />
+
+Ao que Dom Martim de Freitas por sua honra, e fama n&atilde;o
+queria obedecer, e dice, que durando este cerco, padecendo
+j&aacute; de dentro grande, e mortal necessidade de sede, que
+porque viram um Cavalleiro do Conde cavalgado pelo rio do Mondego
+passar, e que o cavallo de farto n&atilde;o provou agoa, e que os
+de dentro magoados por sua mingoa, e envejozos da
+bemaventuran&ccedil;a
+<span class="pagenum">[44]</span>
+da alimaria, fizeram sobresso grandes
+lamenta&ccedil;&otilde;es, com que alguns parentes, e amigos do
+Alcaide lhe aconselhavam: &laquo;Que pois os padecimentos
+incomportaveis que sofriam sem esperan&ccedil;a de ajuda, nem
+soccorro estranho eram taes, que j&aacute; se n&atilde;o
+podiam comportar, e elle no Regno era s&oacute; o que sostinha tal
+profia, que por dar a elle, e aos seus as vidas, d&eacute;sse o
+Castello ao
+Conde&raquo;. <br />
+
+<br />
+
+Dom Martim de Freitas lhes respondeo: &laquo;Parentes, e meus
+amigos, que aqui estaes, nunca Deos queira, que obedecendo a esse vosso
+concelho eu ponha t&atilde;o grande magoa sobre minha limpeza, nem
+consinta tamanha trai&ccedil;&atilde;o sobre minha honra, e
+lealdade, nas quaes todas encorreria se desse este Castello
+sen&atilde;o a quem por minha menagem mo deu, em quanto elle for
+vivo, e ami n&atilde;o fica por ver, e conhecer craramente as
+grandes tribula&ccedil;&otilde;es que v&oacute;s, e eu, e
+todos
+aqui padecemos, mas se v&oacute;s quizerdes trazer a vossas
+memorias, e poer ante estas vossas necessidades outras muito maiores
+fomes, e males, que muitos sendo cercados j&aacute; padeceram,
+achareis que por manterem suas lealdades depois que todalas couzas lhe
+faleciam a comerem as raizes das viz ervas, se sostiveram, pelo qual
+deste temor e afronta prazer&aacute; a Deos por sua piedade, que
+bom nome, e seguran&ccedil;a nossa sedo nos livrar&aacute;, e
+em algum tempo vos alegrareis contardes a vossos filhos e amigos estes
+males que padeceis, com que n&atilde;o acrecentareis
+pouco em vosso louvor e merecimento, e obriga&ccedil;&atilde;o
+de bondade, e lealdade, que a outros em
+semelhantes cazos confrangeo, e essa mesma neste cazo nosso nos
+n&atilde;o desobriga, ca em outra maneira as vidas, que salvamos,
+durar&atilde;o poucos dias, e a infamia, e deshonra, que por esso
+recebemos, durar&atilde;o pera sempre, pelo qual vos rogo, que em
+quanto poderdes n&atilde;o fale&ccedil;ais, e me ajudeis, ca
+Deos nos
+acorrer&aacute;, e este
+<span class="pagenum"><a name="p45">[45]</a></span>
+mal prazendo a
+elle n&atilde;o durar&aacute; muito, e por
+ventura se algum de v&oacute;s pera seu servi&ccedil;o, ou pera
+outra sua deleita&ccedil;&atilde;o tiverem dezejos de molheres
+dizei-mo, que aqui est&aacute; minha filha, que &eacute; boa
+donzella, e
+que muito amo a que eu mandarei que em tudo vos sirva de boamente,
+porque com melhor vontade consentirei, e menos me doer&aacute;, que
+ella perca a vertude de sua virgindade, que por mingoa de
+v&oacute;s outros, perder eu minha lealdade, e ser constrangido a
+fazer tamanha trai&ccedil;&atilde;o, como seria dar como
+n&atilde;o devo
+este Castello a quem mo n&atilde;o deu&raquo;. <br />
+
+<br />
+
+Com estas palavras, que Dom Martim de Freitas dice, ficaram todos muito
+maravilhados, e louvando muito sua bondade, se esfor&ccedil;aram, e
+lhe prometeram, que ora fosse com rez&atilde;o, ou sem ella, elles
+por satisfazer a seu dezejo por algum cazo, e afronta, que sobreviesse,
+o n&atilde;o leixariam, antes todos morreriam primeiro com elle. <br />
+
+<br />
+
+<br />
+
+<br />
+
+<h2><a name="c12"></a>CAPITULO XII </h2>
+
+<br />
+
+<div class="quote1">Como pela morte del Rei Dom Sancho,
+Dom Martim de Freitas
+entregou o Castello de Coimbra, e das deligencias e exames que primeiro
+fez por limpeza de sua rigorosa lealdade</div>
+
+<br />
+
+<br />
+
+<span class="smallcaps">Estando</span> Dom Martim de
+Freitas nesta afronta com El-Rei, e havendo
+j&aacute; um anno e quatro mezes, que El-Rei Dom Sancho fora pera
+Castella, prouve a Deos de o levar deste mundo, e faleceo em Toledo,
+como adiante direi, e sendo de sua morte certificado o Conde seu
+irm&atilde;o, tendo ainda o cerco sobre Coimbra, como Principe em
+que havia
+<span class="pagenum"><a name="p46">[46]</a></span>
+muita prudencia, e grande piedade,
+mandou logo ajuntar muito p&atilde;o, e vinho, e carnes, e
+pescados, e outras maneiras de refrescos, e mandou levar tudo ao
+Castello, enviando dizer ao Alcaide: &laquo;Que fosse certo, que El
+Rei Dom Sancho seu irm&atilde;o era j&aacute; falecido,
+e que lhe daria tempo, em que por elle em pessoa, ou por outrem,
+podesse haver desso verdadeira certid&atilde;o, com a qual
+entregasse o Castello&raquo;. <br />
+
+<br />
+
+Dom Martim escolheo certificar-se por si mesmo. E o Conde o segurou da
+hida e estada, e ser livre at&eacute; tornar ao dito Castello, que
+ent&atilde;o se n&atilde;o
+combateria. Dom Martim de Freitas chegou a Toledo, e como quer que por
+muitos fosse certificado da morte del-Rei Dom Sancho, que no Moimento
+que mostraram o viram sepultar, elle o n&atilde;o quiz crer, mas
+por m&oacute;r
+certeza fez tirar a campa que o cobria, e como o vio, e achou que em
+certo era aquelle, se diz, que prezente muitas testemunhas, que trouxe
+por comprir com sua menagem poz as chaves do Castello de Coimbra, que
+levava, no proprio bra&ccedil;o direito del-Rei Dom Sancho, e
+depois de lhe fazer por ellas entrega do dito Castello lhas tirou, e
+trouxe comsigo a Portugal, e desso tomou escrituras pubricas, e fez
+cerrar o Moimento, e se tornou a Coimbra, e dentro entrou secretamente
+no Castello, e ao outro dia mandou logo dizer ao Conde que o fosse
+receber, porque j&aacute; lho podia entregar, e lhe devia obedecer:
+e que a elle, e n&atilde;o a outro algum o entregaria com boa
+vontade. <br />
+
+<br />
+
+O Conde foi logo ao Castello, e o Alcaide abrio logo as portas delle, e
+tomou a molher, e a filha, e as poz f&oacute;ra dizendo:
+&laquo;Leixemos este Castello a cujo
+&eacute;&raquo;. E com esso se poz de joelhos diante o Conde, e
+com as chaves delle nas m&atilde;os alevantadas lhe dice:
+&laquo;Senhor, pois a Deos prouve que El-Rei Dom Sancho, vosso
+irm&atilde;o falecesse tomai vossas chaves, e vosso
+<span class="pagenum"><a name="p47">[47]</a></span>
+Castello, e daqui por diante eu vos servirei, e haverei por
+Rei, e Senhor&raquo;. E logo amostrou ao Conde, e &aacute;
+nobre gente que era com elle as escrituras das deligencias, que em
+Toledo por sua honra, e descargo fizera, e acertou-se que um Cavalleiro
+do Conde, que era prezente dice a Dom Martim de Freitas: &laquo;Que
+porque n&atilde;o pedia perd&atilde;o ao Conde, por quanto nojo
+e desservi&ccedil;o lhe fizera, e por lhe ferir, e matar tanta
+gente, denegando-lhe tanto tempo a entrega e obediencia do Castello,
+que era seu&raquo;. <br />
+
+<br />
+
+E Dom Martim em se querendo escuzar pera n&atilde;o dever de pedir
+tal perd&atilde;o, acudio mui prestes o Conde, e dice ao fidalgo,
+que o reprendia: &laquo;Que semelhante perd&atilde;o em tal
+cazo Dom Martim n&atilde;o era obrigado de pedir, porque elle
+n&atilde;o fizera erro, mas tinha feita boa fa&ccedil;anha dina
+de bom Cavalleiro, e leal
+fidalgo&raquo;. E por ella lhe tornava a dar o dito Castello pera
+elle, e pera todos os que delle decendessem, fazendo menagem a elle, e
+a todos seus herdeiros. E Dom Martim lhe respondeo: &laquo;Que lho
+tinha muito em merc&ecirc;; mas que elle por alguma maneira
+n&atilde;o tomaria o dito Castello, antes lan&ccedil;ava
+maldi&ccedil;&atilde;o a
+seus filhos, e netos, e a todolos que delle descendessem at&eacute;
+o quarto grao se por Castello fizessem menagem a Rei, nem a outra
+pessoa de qualquer condi&ccedil;&atilde;o que
+fosse&raquo;. <br />
+
+<br />
+
+E com esto assi concertado o Conde leixou o Castello de Coimbra, como
+devia, e se tornou outra vez a Celorico, onde Dom Fern&atilde;o
+Rodrigues estava, porque da morte del-Rei Dom Sancho era j&aacute;
+bem certificado, e assi sabia que o Castello de Coimbra j&aacute;
+era entregue, deu logo ao Conde o Castello sem mais resistencia, nem
+cautella. Estes dous foram os derradeiros Castellos de Portugal que ao
+Conde obedeceram.
+<br />
+
+<br />
+
+<span class="pagenum"><a name="p48">[48]</a></span>
+<h2><a name="c13"></a>CAPITULO XIII </h2>
+
+<br />
+
+<div class="quote1">Da morte del-Rei Dom Sancho, e onde
+jaz, e de algumas
+couzas que se em seu tempo passaram</div>
+
+<br />
+
+<br />
+
+<span class="smallcaps">El-Rei</span> Dom Sancho
+depois da segunda vez que tornou a Toledo nunca dahi
+mais se partio onde com sua vida, e costumes passados em grandes
+virtudes, e com sinaes de bom, e Catholico Christ&atilde;o acabou
+sua vida em idade de quarenta annos, na era de mil duzentos quarenta e
+sete annos (1247) que dos quaes Reinou vinte e quatro, a saber vinte e
+dous em Portugal, e dous estando em Castella, e seu corpo foi sepultado
+na Capella dos Rex da S&eacute; de Toledo, que elle mandou fazer
+&aacute; sua propria custa, e assi deu grandes ajudas pera o
+acabamento da dita S&eacute;, que se ent&atilde;o
+fazia por El Rei Dom Fernando, que de mesquita, que era a mandou
+refazer em f&oacute;rma das outras Igrejas, como agora
+est&aacute;, porque quando El-Rei Dom Sancho se foi pera Castella,
+levou comsigo muitas joias, e grandes riquezas, que ficaram del-Rei Dom
+Affonso seu padre, e del-Rei Dom Sancho seu av&ocirc;; das quaes
+algumas n&atilde;o tornaram a Portugal, e todas se
+gast&aacute;ram em Castella. <br />
+
+<br />
+
+Este Rei Dom Sancho no come&ccedil;o de seu Regnado deu
+&aacute; Ordem de San Tiago em desvairados tempos, e por apertadas
+doa&ccedil;&otilde;es, as Villas de Mertola e
+Daljustrel, as quaes Villas tomou aos Mouros Dom Payo Correa, Mestre de
+San Tiago de Castella, e porque eram da conquista de Portugal as tornou
+a El-Rei Dom Sancho, que dellas fez as ditas
+doa&ccedil;&otilde;es
+&aacute; dita Ordem. E como estas Villas se ganharam, na Coronica
+del-Rei Dom Affonso Conde de Bolonha, se dir&aacute; mais
+<span class="pagenum"><a name="p49">[49]</a></span>
+largo, e El Rei Dom Sancho povorou de fogo morto
+a Cidade da Idanha a velha, sendo de todo destroida dos Mouros, e
+depois que El-Rei Dom Sancho seu av&ocirc; a leixou &aacute;
+Ordem do Templo, e o dito Rei Dom Sancho faleceo sem filho, nem filha
+legitimos, nem bastardos, que se soubesse. <br />
+
+<br />
+
+E dahi a um anno, em dia de S&atilde;o Clemente a vinte e tres dias
+de Novembro do anno de mil duzentos e quarenta e oito annos, El-Rei Dom
+Fernando tomou por cerco a Cidade de Sevilha aos Mouros, e dahi a tres
+annos e meio, nella faleceo, e ahi jaz sepultado, e havia treze annos
+que tambem tom&aacute;ra Cordova salteada primeiro, e entrada por
+certos Christ&atilde;os Almogaveis, e foi socorrida, e mantida por
+o mesmo Rei Dom Fernando. <br />
+
+<br />
+
+E em Regnando este Rei Dom Sancho faleceram de suas vidas por muitos, e
+grandes milagres S&atilde;o Domingos, que faleceo em Bolonha, no
+anno de mil duzentos e vinte sete (1227) e Sancto Antonio, natural da
+Cidade de Lisboa, em Padua, os quaes suas mui sanctas vidas foram em
+seu tempo deste Rei Dom Sancho, todos Canonizados, e referidos ao
+numero dos Sanctos, por o Papa Gregorio IX, o qual Canonizou Sancto
+Antonio na Cidade Despoleto em Italia anno de mil duzentos trinta e um
+(1231). <br />
+
+<br />
+
+<h4>DEO GRATIAS</h4>
+
+<br />
+
+<br />
+
+<h2><a name="p50"></a>INDEX<br />
+
+<br />
+
+DAS COUSAS NOTAVEIS </h2>
+
+<br />
+
+<h3>A </h3>
+
+<br />
+
+Affonso II (El Rei D.) de Portugal, em que anno morreo, <a href="#c1">pag. 19</a> <br />
+
+<br />
+
+Affonso (D.) Conde de Bolonha &eacute; nomeado pelo Papa Innocencio
+IV para <a href="#e7">Governador</a> do Reino de
+Portugal, pela incapacidade de seu
+irm&atilde;o D. Sancho II, <a href="#p28">pag. 28</a>.
+Na Cidade de Pariz na
+prezen&ccedil;a de muitos Prelados e Cavalleiros, toma o juramento
+do Governo do Reino, e de que forma o fez, <a href="#p28">pag.
+28</a>. Deixa sua mulher a
+<a href="#e8">Condessa</a>
+Dona Matilde em Fran&ccedil;a, e parte para Portugal, e do modo
+como se intitulava <a href="#p32">pag. 32</a>.
+Cerca o Castello de Celorico, que governava
+Fern&atilde;o Rodrigues Pacheco, e o levanta por cauza de um
+celebre estratagema de que este uzou, <a href="#p42">pag.
+42</a>. P&otilde;e cerco ao
+Castello de Coimbra, e da resistencia que lhe fez Martim de Freitas,
+que o governava, at&eacute; que sabendo da morte del-Rei D. Sancho
+II lho entregou, <a href="#p42">pag. 42</a> a <a href="#p47">47</a>. <br />
+
+<br />
+
+Affonso de Molina (D.) irm&atilde;o de D. Fernando Rei de
+Li&atilde;o, acompanhado de muitos Cavalleiros, e Soldados, entram
+por Portugal &aacute;
+peti&ccedil;&atilde;o del-Rei D. Sancho II para
+lan&ccedil;ar f&oacute;ra delle a seu
+irm&atilde;o o Conde de Bolonha, <a href="#p34">pag.
+34</a>. Volta com os que o
+acompanhavam para Castella temerozo das censuras da Igreja, <a href="#p36">pag. 36</a>.
+<br />
+
+<br />
+
+<span class="pagenum"><a name="p51">[51]</a></span>
+Aljustrel. Foi tomada aos Mouros por D. Payo Correa, e dada por El-Rei
+D. Sancho II &aacute; Ordem de San-Tiago, <a href="#p48">pag.
+48</a>. <br />
+
+<br />
+
+Alvaro Pires de Castro, (D.) filho de D. Pedro Fernandes de Castro o
+Castel&atilde;o, foi cazado com D. Mecia Lopes, que depois cazou
+com El-Rei Dom Sancho II, <a href="#p21">pag. 21</a>.
+<br />
+
+<br />
+
+Antonio, (Santo) em que anno foi Canonizado por Gregorio IX, <a href="#p49">pag. 49</a>. <br />
+
+<br />
+
+<br />
+
+<h3>B </h3>
+
+<br />
+
+Beringella (D.) mulher del-Rei D. Affonso de Li&atilde;o. tia
+del-Rei D. <a href="#e9">Sancho</a> II, de
+Portugal, o
+aconselha muitas vezes a que caze, por ser muito conveniente ao seu
+Reino, e elle o n&atilde;o executa, <a href="#p20">pag.
+20</a>. <br />
+
+<br />
+
+<br />
+
+<h3>C </h3>
+
+<br />
+
+Celorico. &Eacute; cercado o seu Castello por D. <a href="#e10">Affonso</a>
+Conde de Bolonha, e levanta o sitio por um estratagema
+de que uzou D. Fern&atilde;o Rodrigues Pacheco, que o governava,
+<a href="#p42">pag. 42</a>. <br />
+
+<br />
+
+<br />
+
+<h3>D </h3>
+
+<br />
+
+Desiderio (Fr.) &eacute; delegado <a href="#e11">do
+Papa</a>
+Innocencio IV, para que entregue os Castellos, e Fortalezas de Portugal
+&aacute; obediencia de D. Affonso Conde de Bolonha, <a href="#p32">pag. 32</a>. <br />
+
+<br />
+
+Domingos, (S.) donde, e quando falleceo, <a href="#p49">pag.
+49</a>. <br />
+
+<br />
+
+<br />
+
+<h3>F </h3>
+
+<br />
+
+Fernando (D.) Rei de Li&atilde;o, em que dia, e anno conquistou
+Sevilha, <a href="#p49">pag. 49</a>. Faleceo nesta
+Cidade ibi. <br />
+
+<br />
+
+Fern&atilde;o Garcia de Souza, filho de D. Garcia Mendes de Souza,
+e neto do Conde D. Mendo o Souz&atilde;o, offerece
+<span class="pagenum"><a name="p52">[52]</a></span>
+a El-Rei D. Sancho II, quando voltava para Castella
+sem esperan&ccedil;a de governar em Portugal, que se recolhe-se a
+Trancozo, e da pratica que fez a El-Rei em Moreira contra Martim Gil,
+<a href="#p36">pag. 36</a> e <a href="#p37">37</a>.
+<br />
+
+<br />
+
+Fern&atilde;o Rodrigues Pacheco, governando Celorico, e sendo
+sitiado por D. Affonso Conde de Bolonha levanta o sitio por cauza de um
+celebre estratagema de que uzou, <a href="#p42">pag. 42</a>.
+<br />
+
+<br />
+
+<br />
+
+<h3>H </h3>
+
+<br />
+
+Honorio III expede uma Bulla a Sancho II de Portugal, em que lhe
+adverte queira emendar os absurdos que se cometem no seu Reino, e o
+excomunga se n&atilde;o obedecer, sendo executor destas censuras o
+Arcebispo de Braga, <a href="#p22">pag. 22</a>.
+Segunda vez o notifica com <a href="#e12">palavras</a>
+de maior
+severidade, e rigor, at&eacute; que El-Rei obedece, <a href="#p23">pag. 23</a>. <br />
+
+<br />
+
+<br />
+
+<h3>I </h3>
+
+<br />
+
+Idanha a Velha foi povoada por Sancho II. <a href="#p49">pag.
+49</a>. <br />
+
+<br />
+
+Innocencio IV convoca Concilio em Li&atilde;o, e nelle &aacute;
+peti&ccedil;&atilde;o dos Prelados e Conselheiros de Portugal
+nomea por Governador do Reino a D. Affonso Conde de Bolonha pela
+incapacidade de seu irm&atilde;o D. Sancho II, <a href="#p25">pag.
+25</a> e <a href="#p26">26</a>. <br />
+
+<br />
+
+Jo&atilde;o (D.) Arcebispo de Braga com D. Tibur&ccedil;o Bispo
+de Coimbra, e outros Cavalleiros Portuguezes, v&atilde;o ao
+Concilio de Li&atilde;o onde reprezentam a Innocencio IV, que lhe
+nomeie Governador do Reino pela incapacidade de D. <a href="#e13">Sancho</a>
+II, <a href="#p27">pag. 27</a>.
+<br />
+
+<br />
+
+<br />
+
+<h3>L </h3>
+
+<br />
+
+Lopo (D.) senhor de Biscaia, foi pai de D. Mecia Lopes mulher de D.
+Sancho II, de Portugal, <a href="#p21">pag. 21</a>.
+<br />
+
+<br />
+
+Luis (S.), rei de Fran&ccedil;a primo del-Rei D. Sancho II, de
+Portugal assistio no Concilio de Li&atilde;o, que convocou
+<span class="pagenum">[53]</span>
+Innocencio IV, <a href="#p26">pag. 26</a>. Foi
+conquistar a Terra
+Santa, levando comsigo sua espoza a Rainha Dona Margarida, ibi.
+Conquista a Cidade de Damiata, ibi. Morre no sitio da Cidade de Tunes,
+e seu filho D. Jo&atilde;o e &eacute; Canonizado pelo Papa
+Bonifacio VIII,
+<a href="#p27">pag. 27</a>. <br />
+
+<br />
+
+<br />
+
+<h3>M </h3>
+
+<br />
+
+Martim de Freitas Governando o Castello de Coimbra, e sendo cercado por
+D. Affonso Conde de Bolonha animosamente o defende, <a href="#p43">pag.
+43</a> a <a href="#p45">45</a>. Parte
+a Toledo para se certificar da morte del-Rei Dom Sancho II e achando
+ser certa lhe entregou as chaves do Castello de Coimbra, e depois
+voltando a ella o entrega a D. Affonso irm&atilde;o do dito Rei
+defunto, <a href="#p46">pag. 46</a> e <a href="#p47">47</a>. <br />
+
+<br />
+
+Martim Gil, cavalleiro honrado teve ten&ccedil;&atilde;o de
+matar a D. Fern&atilde;o Garcia de Souza, pelo que disse da sua
+pessoa a D. Sancho II em Moreira, <a href="#p38">pag. 38</a>.<br />
+
+<br />
+
+Mecia Lopes (D.) filha de D. Lopo Senhor de Biscaia, viuva de D. Alvaro
+Pires de Castro caza com D. Sancho II, <a href="#p21">pag.
+21</a>. &Eacute; separada
+violentamente del Rei, e levada ao Castello de Ourem por estar
+nullamente cazada com elle, <a href="#p25">pag. 25</a>.
+<br />
+
+<br />
+
+Mertola foi conquistada dos Mouros por D. Payo Correa, e dada
+&aacute; Ordem de San-Tiago por Sancho II, <a href="#p48">pag.
+48</a>. <br />
+
+<br />
+
+<br />
+
+<h3>O </h3>
+
+<br />
+
+Orraca (D.) m&atilde;i del-Rei Dom Sancho II de Portugal, foi
+irm&atilde; de D. Beringela Rainha de Li&atilde;o, <a href="#p20">pag. 20</a>.
+<br />
+
+<br />
+
+<br />
+
+<h3>R </h3>
+
+<br />
+
+Reym&atilde;o Viegas de Porto Carreiro, em companhia de D. Martim
+Gil de Soveroza, e de outros Cavalleiros levaram para o Castello de
+Ourem a D. Mecia, contra a vontade del-Rei D. Sancho II, <a href="#p25">pag. 25</a>.
+<br />
+
+<br />
+
+<br />
+
+<span class="pagenum">[54]</span>
+<h3>S </h3>
+
+<br />
+
+Sancho II, (D.) de Portugal em que idade foi levantado Rei, <a href="#c1">pag. 19</a>.
+Porque lhe cham&aacute;ram Capello n&atilde;o se sabe
+certamente, mas infere-se, ibi. Pela sua enercia padeceo o Reino
+repetidas perdas no tempo, que o governou, <a href="#p20">pag.
+20</a>. Caza com D. Mecia
+Lopes, filha de D. Lopo Senhor de Biscaya, ibi. &Eacute; admoestado
+pelos Prelados, e povos do Reino a que se aparte de D. Mecia, e o
+n&atilde;o executa, ibi. O Papa Honorio III, o exorta a que emende
+os absurdos de que &eacute; author, ali&aacute;s que o
+excomungar&aacute;, <a href="#p22">pag. 22</a>.
+&Eacute; advertido por
+Gregorio IX a que largue a D. Mecia por estar nullamente cazado com
+ella, <a href="#p23">pag. 23</a>. Tendo noticia de
+que seu irm&atilde;o D. Affonso
+entrara no Reino para o governar parte a Castella para pedir soccorro a
+seu primo D. Fernando, pera que o lan&ccedil;asse f&oacute;ra,
+e lho
+concede, <a href="#p33">pag. 33</a> e <a href="#p34">34</a>. Donde morreo, em que idade, e onde
+est&aacute; enterrado, <a href="#p48">pag. 48</a>.
+Deu &aacute; Ordem de San-Tiago
+as Villas de Mertola, e Aljustrel, que conquist&aacute;ra D. Payo
+Correa, <a href="#p48">pag. 48</a>. <br />
+
+<br />
+
+Sevilha. Em que dia e anno foi conquistada por El-Rei D. Fernando de
+Li&atilde;o, <a href="#p49">pag. 49</a>. Nella
+morreo, e
+est&aacute; sepultado o mesmo Rei ibi. <br />
+
+<br />
+
+<br />
+
+<h3>T </h3>
+
+<br />
+
+Tibur&ccedil;o (D.) bispo de Coimbra com D. Jo&atilde;o
+Arcebispo de Braga, e outros Cavalleiros Portuguezes v&atilde;o ao
+Concilio de Li&atilde;o, onde representam a Innocencio IV a
+necessidade que tem de que lhes nomeie Governador do Reino por ser
+incapaz D. Sancho II, <a href="#p25">pag. 25</a> e <a href="#p26">26</a>. <br />
+
+<br />
+
+<h4>FIM</h4>
+
+<br />
+
+<h2><br />
+
+INDICE DOS CAPITULOS </h2>
+
+<br />
+
+<table style="text-align: left; width: 100%;" border="0" cellpadding="2" cellspacing="2">
+
+ <tbody>
+
+ <tr>
+
+ <td style="text-align: justify;">I&#8213;Como o Ifante D.
+Sancho Capelo, foi alevantado por Rei, e das
+condi&ccedil;&otilde;es fracas que teve, e como cazou, e
+n&atilde;o como a sua honra e estado Real compria e se
+devia</td>
+
+ <td></td>
+
+ <td style="text-align: right; vertical-align: bottom;"><a href="#c1">19</a></td>
+
+ </tr>
+
+ <tr>
+
+ <td style="text-align: justify;">II&#8213;Do que o Papa a
+requerimento dos Prelados, e povo de Portugal
+escreveo, e requereo a El-Rei Dom Sancho por sua
+Bulla</td>
+
+ <td></td>
+
+ <td style="text-align: right; vertical-align: bottom;"><a href="#c2">22</a></td>
+
+ </tr>
+
+ <tr>
+
+ <td style="text-align: justify;">III&#8213;Como El-Rei
+Dom Sancho por amoesta&ccedil;&otilde;es do
+Papa se n&atilde;o quiz apartar de Dona Mecia Lopes sua molher, e
+como lhe foi
+tomada</td>
+
+ <td></td>
+
+ <td style="text-align: right; vertical-align: bottom;"><a href="#c3">24</a></td>
+
+ </tr>
+
+ <tr>
+
+ <td style="text-align: justify;">IV&#8213;Do Concilio que
+o Papa Innocencio IV fez em Li&atilde;o de
+Fran&ccedil;a, onde os Prelados, e os Senhores de Portugal, se
+foram querelar del-Rei Dom Sancho, e lhe pediram novo Regedor para o
+Regno, que por mingoa da justi&ccedil;a se perdia, e lhe outorgou o
+Ifante Dom Affonso Conde de Bolonha, irm&atilde;o do dito Rei Dom
+Sancho</td>
+
+ <td></td>
+
+ <td style="text-align: right; vertical-align: bottom;"><a href="#c4">25</a></td>
+
+ </tr>
+
+ <tr>
+
+ <td style="text-align: justify;">V&#8213;Como o Conde de
+Bolonha, depois de asseitar a governan&ccedil;a
+de Portugal fez sobre esso juramento com algumas
+condi&ccedil;&otilde;es declaradas</td>
+
+ <td></td>
+
+ <td style="text-align: right; vertical-align: bottom;"><a href="#c5">28</a></td>
+
+ </tr>
+
+ </tbody>
+</table>
+
+<span class="pagenum">[56]</span>
+<table style="text-align: left; width: 100%;" border="0" cellpadding="2" cellspacing="2">
+
+ <tbody>
+
+ <tr>
+
+ <td style="text-align: justify;">
+VI&#8213;Das Bullas e Proviz&otilde;es do Papa, que o Conde trouxe a
+Portugal pera os do Regno sobre sua governan&ccedil;a, e assi outra
+Bulla que sobre o mesmo caso enviou aos Frades de S.
+Francisco</td>
+
+ <td></td>
+
+ <td style="text-align: right; vertical-align: bottom;"><a href="#c6">31</a></td>
+
+ </tr>
+
+ <tr>
+
+ <td style="text-align: justify;">
+VII&#8213;De como o Conde de Bolonha chegou a Portugal, e com elle um
+delegado do Papa, e das notifica&ccedil;&otilde;es que logo
+fizeram a El-Rei D.
+Sancho</td>
+
+ <td></td>
+
+ <td style="text-align: right; vertical-align: bottom;"><a href="#c7">31</a></td>
+
+ </tr>
+
+ <tr>
+
+ <td style="text-align: justify;">
+VIII&#8213;Como El-Rei Dom Sancho mal aconselhado se foi com os de sua valia
+pedir soccorro a Castella, e como veio em sua ajuda o Ifante Dom
+Affonso de Molina com outros grandes, e gentes de
+Castella</td>
+
+ <td></td>
+
+ <td style="text-align: right; vertical-align: bottom;"><a href="#c8">33</a></td>
+
+ </tr>
+
+ <tr>
+
+ <td style="text-align: justify;">
+IX&#8213;Como pelas deligencias do Conde de Bolonha El-Rei D. Sancho se
+tornou a Castella, e do que se passou no caminho com os cavalleiros de
+Trancozo</td>
+
+ <td></td>
+
+ <td style="text-align: right; vertical-align: bottom;"><a href="#c9">35</a></td>
+
+ </tr>
+
+ <tr>
+
+ <td style="text-align: justify;">
+X&#8213;Como o Conde cercou em Celorico da Beira a Dom Fern&atilde;o
+Rodrigues Pacheco, que lhe n&atilde;o quiz obedecer, e como por
+causa de uma truita se alevantou o
+cerco</td>
+
+ <td></td>
+
+ <td style="text-align: right; vertical-align: bottom;"><a href="#c10">40</a></td>
+
+ </tr>
+
+ <tr>
+
+ <td style="text-align: justify;">XI&#8213;Como o Conde
+foi cercar o Castello de Coimbra, que tinha Martim de
+Freitas, por El-Rei D. Sancho, e das afrontas que passou no
+cerco</td>
+
+ <td></td>
+
+ <td style="text-align: right; vertical-align: bottom;"><a href="#c11">42</a></td>
+
+ </tr>
+
+ <tr>
+
+ <td style="text-align: justify;">XII&#8213;Como pela
+morte del Rei Dom Sancho, Dom Martim de
+Freitas entregou o Castello de Coimbra, e das deligencias e exames que
+primeiro fez por limpeza de sua rigoroza
+lealdade</td>
+
+ <td></td>
+
+ <td style="text-align: right; vertical-align: bottom;"><a href="#c12">45</a></td>
+
+ </tr>
+
+ <tr>
+
+ <td style="text-align: justify;">XIII&#8213;Da morte
+del-Rei Dom Sancho, e onde jaz, e de algumas couzas que
+se em seu tempo
+passaram</td>
+
+ <td></td>
+
+ <td style="vertical-align: bottom;"><a href="#c13">48</a></td>
+
+ </tr>
+
+ </tbody>
+</table>
+
+<br />
+
+<br />
+
+<br />
+
+<h3>OBRAS PUBLICADAS </h3>
+
+<br />
+
+<table style="text-align: left; width: 100%;" border="0" cellpadding="2" cellspacing="2">
+
+ <tbody>
+
+ <tr>
+
+ <td style="text-align: right; vertical-align: top;">I</td>
+
+ <td style="text-align: center; vertical-align: top;">&#8213;</td>
+
+ <td style="text-align: justify;"><span class="smallcaps">Historia
+do Cerco
+de Diu</span>, por <em>Lope de Sousa&nbsp;Coutinho</em>,
+1 volume
+(esgotada)</td>
+
+ <td></td>
+
+ <td style="text-align: right; vertical-align: bottom;">400</td>
+
+ </tr>
+
+ <tr>
+
+ <td style="text-align: right; vertical-align: top;">II</td>
+
+ <td style="text-align: center; vertical-align: top;">&#8213;</td>
+
+ <td style="text-align: justify;"><span class="smallcaps">Historia
+do Cerco de
+Mazag&atilde;o</span>, por <em>Agostinho&nbsp;Gavy
+de Mendon&ccedil;a</em>, 1 volume
+(esgotada)</td>
+
+ <td></td>
+
+ <td style="text-align: right; vertical-align: bottom;">400</td>
+
+ </tr>
+
+ <tr>
+
+ <td style="text-align: right; vertical-align: top;">III</td>
+
+ <td style="text-align: center; vertical-align: top;">&#8213;</td>
+
+ <td style="text-align: justify;"><span class="smallcaps">Ethiopia Oriental</span>,
+por <em>Fr. Jo&atilde;o dos Santos</em>,
+2
+grossos volumes
+(esgotada)</td>
+
+ <td></td>
+
+ <td style="text-align: right; vertical-align: bottom;">1$500</td>
+
+ </tr>
+
+ <tr>
+
+ <td style="text-align: right; vertical-align: top;">IV</td>
+
+ <td style="text-align: center; vertical-align: top;">&#8213;</td>
+
+ <td style="text-align: justify;"><span class="smallcaps">O Infante
+D.
+Pedro</span>, chronica in&eacute;dita por
+ <em>Gaspar
+Dias de Landim</em>,
+3
+volumes</td>
+
+ <td></td>
+
+ <td style="text-align: right; vertical-align: bottom;">700</td>
+
+ </tr>
+
+ <tr>
+
+ <td style="text-align: right; vertical-align: top;">V</td>
+
+ <td style="text-align: center; vertical-align: top;">&#8213;</td>
+
+ <td style="text-align: justify;"><span class="smallcaps">Chronica
+d'El-Rei
+D. Pedro I</span>, (<span class="smallcaps">o Cru ou
+Justiceiro</span>) por <em>Fern&atilde;o Lopes</em>,
+1
+volume</td>
+
+ <td></td>
+
+ <td style="text-align: right; vertical-align: bottom;">400</td>
+
+ </tr>
+
+ <tr>
+
+ <td style="text-align: right; vertical-align: top;">VI</td>
+
+ <td style="text-align: center; vertical-align: top;">&#8213;</td>
+
+ <td style="text-align: justify;"><span class="smallcaps">Chronica
+d'El-Rei D.
+Fernando</span>, por <em>Fern&atilde;o
+Lopes</em>,
+3
+volumes</td>
+
+ <td></td>
+
+ <td style="text-align: right; vertical-align: bottom;">1$200</td>
+
+ </tr>
+
+ <tr>
+
+ <td style="text-align: right; vertical-align: top;">VII</td>
+
+ <td style="text-align: center; vertical-align: top;">&#8213;</td>
+
+ <td style="text-align: justify;"><span class="smallcaps">Chronica d'El-Rei
+D. Jo&atilde;o
+I</span>, por <em>Fern&atilde;o
+Lopes</em>, 7
+volumes</td>
+
+ <td></td>
+
+ <td style="text-align: right; vertical-align: bottom;">2$800</td>
+
+ </tr>
+
+ <tr>
+
+ <td style="text-align: right; vertical-align: top;">VIII</td>
+
+ <td style="text-align: center; vertical-align: top;">&#8213;</td>
+
+ <td style="text-align: justify;"><span class="smallcaps">Chronica d'El-Rei
+D. Jo&atilde;o
+I</span>, <em>por Gomes
+Eannes d'Azurara</em>,&nbsp;<span class="smallcaps">vol.
+I, II e III (VIII, IX e
+X)</span>.&nbsp;</td>
+
+ <td></td>
+
+ <td style="text-align: right; vertical-align: bottom;">1$200</td>
+
+ </tr>
+
+ <tr>
+
+ <td style="text-align: right; vertical-align: top;">IX</td>
+
+ <td style="text-align: center; vertical-align: top;">&#8213;</td>
+
+ <td style="text-align: justify;"><span class="smallcaps">Dois
+Capit&atilde;es da
+India</span>, por <em>Luciano
+Cordeiro</em>,
+1
+volume&nbsp;</td>
+
+ <td></td>
+
+ <td style="text-align: right; vertical-align: bottom;">400</td>
+
+ </tr>
+
+ <tr>
+
+ <td style="text-align: right; vertical-align: top;">X</td>
+
+ <td style="text-align: center; vertical-align: top;">&#8213;</td>
+
+ <td style="text-align: justify;"><span class="smallcaps">Arte da
+Ca&ccedil;a de
+Altenaria</span>, por <em>Diogo Fernandes Ferreira</em>,
+2
+volumes</td>
+
+ <td></td>
+
+ <td style="text-align: right; vertical-align: bottom;">800</td>
+
+ </tr>
+
+ <tr>
+
+ <td style="text-align: right; vertical-align: top;">XI</td>
+
+ <td style="text-align: center; vertical-align: top;">&#8213;</td>
+
+ <td style="text-align: justify;"><span class="smallcaps">Apologos Dialogaes</span>,
+por <em>D. Francisco Manuel de Mello</em>,
+3
+volumes</td>
+
+ <td></td>
+
+ <td style="text-align: right; vertical-align: bottom;">1$200</td>
+
+ </tr>
+
+ <tr>
+
+ <td style="text-align: right; vertical-align: top;">XII</td>
+
+ <td style="text-align: center; vertical-align: top;">&#8213;</td>
+
+ <td style="text-align: justify;"><span class="smallcaps">Chronica d'El-Rei
+D.
+Duarte</span>, por <em>Ruy de
+Pina</em>,
+1
+volume&nbsp;</td>
+
+ <td></td>
+
+ <td style="text-align: right; vertical-align: bottom;">400</td>
+
+ </tr>
+
+ <tr>
+
+ <td style="text-align: right; vertical-align: top;">XIII</td>
+
+ <td style="text-align: center; vertical-align: top;">&#8213;</td>
+
+ <td style="text-align: justify;"><span class="smallcaps">Chronica d'El-Rei D. Affonse
+V</span>, por <em>Ruy de Pina</em>,
+3
+volumes</td>
+
+ <td></td>
+
+ <td style="text-align: right; vertical-align: bottom;">1$200</td>
+
+ </tr>
+
+ <tr>
+
+ <td style="text-align: right; vertical-align: top;">XIV</td>
+
+ <td style="text-align: center; vertical-align: top;">&#8213;</td>
+
+ <td style="text-align: justify;"><span class="smallcaps">Chronica d'El-Rei
+D. Jo&atilde;o
+II</span>, por <em>Garcia de
+Resende</em>,
+3
+volumes</td>
+
+ <td></td>
+
+ <td style="text-align: right; vertical-align: bottom;">1$500</td>
+
+ </tr>
+
+ <tr>
+
+ <td style="text-align: right; vertical-align: top;">XV</td>
+
+ <td style="text-align: center; vertical-align: top;">&#8213;</td>
+
+ <td style="text-align: justify;"><span class="smallcaps">Vida de
+D. Paulo de Lima
+Pereira</span>, por <em>Diogo
+do Couto</em>,
+1
+volume</td>
+
+ <td></td>
+
+ <td style="text-align: right; vertical-align: bottom;">500</td>
+
+ </tr>
+
+ <tr>
+
+ <td style="text-align: right; vertical-align: top;">XVI</td>
+
+ <td style="text-align: center; vertical-align: top;">&#8213;</td>
+
+ <td style="text-align: justify;"><span class="smallcaps">Chronica d'El-Rei
+D.
+Sebasti&atilde;o</span>, por <em>Fr.
+Bernardo da Cruz</em>,
+2
+volumes.&nbsp;</td>
+
+ <td></td>
+
+ <td style="text-align: right; vertical-align: bottom;">1$000</td>
+
+ </tr>
+
+ <tr>
+
+ <td style="text-align: right; vertical-align: top;">XVII</td>
+
+ <td style="text-align: center; vertical-align: top;">&#8213;</td>
+
+ <td style="text-align: justify;"><span class="smallcaps">Jornada de Africa</span>,
+por <em>Jeronymo de Mendo&ccedil;a</em>, 2
+volumes</td>
+
+ <td></td>
+
+ <td style="text-align: right; vertical-align: bottom;">800</td>
+
+ </tr>
+
+ <tr>
+
+ <td style="text-align: right; vertical-align: top;">XVIII</td>
+
+ <td style="text-align: center; vertical-align: top;">&#8213;</td>
+
+ <td style="text-align: justify;"><span class="smallcaps">Historia Tragico-Maritima</span>,
+por <em>Bernardo
+Gomes de Brito</em>,
+ <span class="smallcaps">vol.</span> I a
+X</td>
+
+ <td></td>
+
+ <td style="text-align: right; vertical-align: bottom;">3$800</td>
+
+ </tr>
+
+ <tr>
+
+ <td style="text-align: right; vertical-align: top;">XIX</td>
+
+ <td style="text-align: center; vertical-align: top;">&#8213;</td>
+
+ <td style="text-align: justify;"><span class="smallcaps">Jornada de Antonio
+d'Albuquerque
+Coelho</span>, por <em>Jo&atilde;o Tavares de Vellez
+Guerreiro</em>, 1
+volume</td>
+
+ <td></td>
+
+ <td style="text-align: right; vertical-align: bottom;">600</td>
+
+ </tr>
+
+ <tr>
+
+ <td style="text-align: right; vertical-align: top;">XX</td>
+
+ <td style="text-align: center; vertical-align: top;">&#8213;</td>
+
+ <td style="text-align: justify;"><span class="smallcaps">Chronica
+d'El-Rei D. Affonso
+Henriques</span>, por <em>Duarte Galv&atilde;o</em>,
+1
+volume</td>
+
+ <td></td>
+
+ <td style="text-align: right; vertical-align: bottom;">600</td>
+
+ </tr>
+
+ <tr>
+
+ <td style="text-align: right; vertical-align: top;">XXI</td>
+
+ <td style="text-align: center; vertical-align: top;">&#8213;</td>
+
+ <td style="text-align: justify;"><span class="smallcaps">Chronica D'el-Rei
+D. Sancho
+I</span>, por <em>Ruy de
+Pina</em>,
+1
+volume</td>
+
+ <td></td>
+
+ <td style="text-align: right; vertical-align: bottom;">400</td>
+
+ </tr>
+
+ <tr>
+
+ <td style="text-align: right; vertical-align: top;">XXII</td>
+
+ <td style="text-align: center; vertical-align: top;">&#8213;</td>
+
+ <td style="text-align: justify;"><span class="smallcaps">Chronica d'El-Rei
+D. Affonso II e de
+El-Rei
+D. Sancho II</span>, por <span class="smallcaps">Ruy
+de
+Pina</span>, 1
+volume</td>
+
+ <td></td>
+
+ <td style="text-align: right; vertical-align: bottom;">400</td>
+
+ </tr>
+
+ </tbody>
+</table>
+
+<br />
+
+<h4>EM PUBLICA&Ccedil;&Atilde;O </h4>
+
+<br />
+
+<span class="smallcaps">Historia Tragico-Maritima</span>,
+<em>por Bernardo Gomes de
+Brito</em>, <span class="smallcaps">vol.
+XI.</span><br />
+
+<br />
+
+<br />
+
+<br />
+
+<br />
+
+</div>
+
+<div class="fbox">
+<h2>Lista de erros corrigidos</h2>
+
+<div style="text-align: center;">Aqui encontram-se
+listados todos os erros encontrados e corrigidos:</div>
+
+<br />
+
+<br />
+
+<table style="width: 80%; text-align: left; margin-left: auto; margin-right: auto;" border="0" cellpadding="4" cellspacing="4">
+
+ <tbody>
+
+ <tr align="right">
+
+ <td style="width: 61px;"></td>
+
+ <td style="font-weight: bold; text-align: center; width: 121px;">Original</td>
+
+ <td style="text-align: center; width: 5px;"></td>
+
+ <td style="font-weight: bold; text-align: center; width: 135px;">Correc&ccedil;&atilde;o</td>
+
+ </tr>
+
+ <tr>
+
+ <td style="text-align: right; width: 61px;"><a name="e1"></a><a href="#p15">#pag. 15</a></td>
+
+ <td style="text-align: center; width: 121px;"><em>Theogia</em></td>
+
+ <td style="text-align: center; width: 5px;">...</td>
+
+ <td style="text-align: center; width: 135px;"><em>Theologia</em></td>
+
+ </tr>
+
+ <tr>
+
+ <td style="text-align: right; width: 61px;"><a name="e2"></a><a href="#p16">#p&aacute;g.
+16</a></td>
+
+ <td style="text-align: center; width: 121px;">cencura</td>
+
+ <td style="text-align: center; width: 5px;">...</td>
+
+ <td style="text-align: center; width: 135px;">censura</td>
+
+ </tr>
+
+ <tr>
+
+ <td style="text-align: right;"><a name="e3"></a><a href="#p16">#p&aacute;g. 16</a></td>
+
+ <td style="text-align: center;">ontros</td>
+
+ <td>...</td>
+
+ <td style="text-align: center;">outros</td>
+
+ </tr>
+
+ <tr>
+
+ <td style="text-align: right; vertical-align: top;"><a name="e4"></a><a href="#p23">#p&aacute;g.
+23</a></td>
+
+ <td style="text-align: center; vertical-align: top;">Apostoilcam</td>
+
+ <td style="text-align: center; vertical-align: top;">...</td>
+
+ <td style="text-align: center; vertical-align: top;">Apostolicam</td>
+
+ </tr>
+
+ <tr>
+
+ <td style="text-align: right;"><a name="e5"></a><a href="#p23">#p&aacute;g. 23</a></td>
+
+ <td style="text-align: center;">parttcularmente</td>
+
+ <td style="text-align: center;">...</td>
+
+ <td style="text-align: center;">particularmente</td>
+
+ </tr>
+
+ <tr>
+
+ <td style="text-align: right;"><a name="e6"></a><a href="#p32">#p&aacute;g. 32</a></td>
+
+ <td style="text-align: center;">sm que</td>
+
+ <td style="text-align: center;">...</td>
+
+ <td style="text-align: center;">em que</td>
+
+ </tr>
+
+ <tr>
+
+ <td style="text-align: right; width: 61px;"><a name="e7"></a><a href="#p50">#p&aacute;g.
+50</a></td>
+
+ <td style="text-align: center; width: 121px;">Covernador</td>
+
+ <td style="text-align: center; width: 5px;">...</td>
+
+ <td style="text-align: center; width: 135px;">Governador</td>
+
+ </tr>
+
+ <tr>
+
+ <td style="text-align: right;"><a name="e8"></a><a href="#p50">#p&aacute;g. 50</a></td>
+
+ <td style="text-align: center;">Coudessa</td>
+
+ <td style="text-align: center;">...</td>
+
+ <td style="text-align: center;">Condessa</td>
+
+ </tr>
+
+ <tr>
+
+ <td style="text-align: right;"><a name="e9"></a><a href="#p51">#p&aacute;g. 51</a></td>
+
+ <td style="text-align: center;">Saucho</td>
+
+ <td style="text-align: center;">...</td>
+
+ <td style="text-align: center;">Sancho</td>
+
+ </tr>
+
+ <tr>
+
+ <td style="text-align: right;"><a name="e10"></a><a href="#p51">#p&aacute;g. 51</a></td>
+
+ <td style="text-align: center;">Affonos</td>
+
+ <td style="text-align: center;">...</td>
+
+ <td style="text-align: center;">Affonso</td>
+
+ </tr>
+
+ <tr>
+
+ <td style="text-align: right;"><a name="e11"></a><a href="#p51">#p&aacute;g. 51</a></td>
+
+ <td style="text-align: center;">doPapa</td>
+
+ <td style="text-align: center;">...</td>
+
+ <td style="text-align: center;">do Papa</td>
+
+ </tr>
+
+ <tr>
+
+ <td style="text-align: right;"><a name="e12"></a><a href="#p52">#p&aacute;g. 52</a></td>
+
+ <td style="text-align: center;">palaras</td>
+
+ <td style="text-align: center;">...</td>
+
+ <td style="text-align: center;">palavras</td>
+
+ </tr>
+
+ <tr>
+
+ <td style="text-align: right;"><a name="e13"></a><a href="#p52">#p&aacute;g. 52</a></td>
+
+ <td style="text-align: center;">Saneho</td>
+
+ <td style="text-align: center;">...</td>
+
+ <td style="text-align: center;">Sancho</td>
+
+ </tr>
+
+ </tbody>
+</table>
+
+<br />
+
+<div style="text-align: center;"><br />
+
+</div>
+
+</div>
+
+
+
+
+
+
+
+
+<pre>
+
+
+
+
+
+End of Project Gutenberg's Chronica de El-Rei D. Sancho II, by Rui de Pina
+
+*** END OF THIS PROJECT GUTENBERG EBOOK CHRONICA DE EL-REI D. SANCHO II ***
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+
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+Gutenberg-tm License.
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+remain freely available for generations to come. In 2001, the Project
+Gutenberg Literary Archive Foundation was created to provide a secure
+and permanent future for Project Gutenberg-tm and future generations.
+To learn more about the Project Gutenberg Literary Archive Foundation
+and how your efforts and donations can help, see Sections 3 and 4
+and the Foundation web page at http://www.pglaf.org.
+
+
+Section 3. Information about the Project Gutenberg Literary Archive
+Foundation
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+The Project Gutenberg Literary Archive Foundation is a non profit
+501(c)(3) educational corporation organized under the laws of the
+state of Mississippi and granted tax exempt status by the Internal
+Revenue Service. The Foundation's EIN or federal tax identification
+number is 64-6221541. Its 501(c)(3) letter is posted at
+http://pglaf.org/fundraising. Contributions to the Project Gutenberg
+Literary Archive Foundation are tax deductible to the full extent
+permitted by U.S. federal laws and your state's laws.
+
+The Foundation's principal office is located at 4557 Melan Dr. S.
+Fairbanks, AK, 99712., but its volunteers and employees are scattered
+throughout numerous locations. Its business office is located at
+809 North 1500 West, Salt Lake City, UT 84116, (801) 596-1887, email
+business@pglaf.org. Email contact links and up to date contact
+information can be found at the Foundation's web site and official
+page at http://pglaf.org
+
+For additional contact information:
+ Dr. Gregory B. Newby
+ Chief Executive and Director
+ gbnewby@pglaf.org
+
+
+Section 4. Information about Donations to the Project Gutenberg
+Literary Archive Foundation
+
+Project Gutenberg-tm depends upon and cannot survive without wide
+spread public support and donations to carry out its mission of
+increasing the number of public domain and licensed works that can be
+freely distributed in machine readable form accessible by the widest
+array of equipment including outdated equipment. Many small donations
+($1 to $5,000) are particularly important to maintaining tax exempt
+status with the IRS.
+
+The Foundation is committed to complying with the laws regulating
+charities and charitable donations in all 50 states of the United
+States. Compliance requirements are not uniform and it takes a
+considerable effort, much paperwork and many fees to meet and keep up
+with these requirements. We do not solicit donations in locations
+where we have not received written confirmation of compliance. To
+SEND DONATIONS or determine the status of compliance for any
+particular state visit http://pglaf.org
+
+While we cannot and do not solicit contributions from states where we
+have not met the solicitation requirements, we know of no prohibition
+against accepting unsolicited donations from donors in such states who
+approach us with offers to donate.
+
+International donations are gratefully accepted, but we cannot make
+any statements concerning tax treatment of donations received from
+outside the United States. U.S. laws alone swamp our small staff.
+
+Please check the Project Gutenberg Web pages for current donation
+methods and addresses. Donations are accepted in a number of other
+ways including checks, online payments and credit card donations.
+To donate, please visit: http://pglaf.org/donate
+
+
+Section 5. General Information About Project Gutenberg-tm electronic
+works.
+
+Professor Michael S. Hart is the originator of the Project Gutenberg-tm
+concept of a library of electronic works that could be freely shared
+with anyone. For thirty years, he produced and distributed Project
+Gutenberg-tm eBooks with only a loose network of volunteer support.
+
+
+Project Gutenberg-tm eBooks are often created from several printed
+editions, all of which are confirmed as Public Domain in the U.S.
+unless a copyright notice is included. Thus, we do not necessarily
+keep eBooks in compliance with any particular paper edition.
+
+
+Most people start at our Web site which has the main PG search facility:
+
+ http://www.gutenberg.org
+
+This Web site includes information about Project Gutenberg-tm,
+including how to make donations to the Project Gutenberg Literary
+Archive Foundation, how to help produce our new eBooks, and how to
+subscribe to our email newsletter to hear about new eBooks.
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+This eBook, including all associated images, markup, improvements,
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