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+The Project Gutenberg EBook of O Oraculo do Passado, do presente e do
+Futuro (2/7), by Bento Serrano
+
+This eBook is for the use of anyone anywhere at no cost and with
+almost no restrictions whatsoever. You may copy it, give it away or
+re-use it under the terms of the Project Gutenberg License included
+with this eBook or online at www.gutenberg.org
+
+
+Title: O Oraculo do Passado, do presente e do Futuro (2/7)
+ Parte Segunda: O oraculo das Salas
+
+Author: Bento Serrano
+
+Release Date: November 22, 2008 [EBook #27310]
+
+Language: Portuguese
+
+Character set encoding: ISO-8859-1
+
+*** START OF THIS PROJECT GUTENBERG EBOOK O ORACULO DO PASSADO (2/7) ***
+
+
+
+
+Produced by M. Silva (produced from scanned images of
+public domain material from Google Book Search)
+
+
+
+
+
+O ORACULO
+
+DO
+
+PASSADO, DO PRESENTE E DO FUTURO
+
+OU O
+
+Verdadeiro modo de aprender no passado
+a prevenir o presente, e a adivinhar o futuro
+
+POR
+
+BENTO SERRANO
+
+ASTROLOGO DA SERRA DA ESTRELLA,
+
+_Onde reside ha perto de trinta annos, sendo a sua habitação uma estreita
+gruta que lhe serve de gabinete dos seus assiduos estudos astronomicos_
+
+
+OBRA DIVIDIDA EM SETE PARTES, CONTENDO CADA UMA O SEGUINTE:
+
+ Parte primeira--O ORACULO DA NOITE
+ Parte Segunda--O ORACULO DAS SALAS
+ Parte Terceira--O ORACULO DOS SEGREDOS
+ Parte Quarta--O ORACULO DAS FLORES
+ Parte Quinta--O ORACULO DAS SINAS
+ Parte Sexta--O ORACULO DA MAGICA
+ Parte Setima--O ORACULO DOS ASTROS
+
+
+PORTO
+LIVRARIA PORTUGUEZA--EDITORA
+55, Largo dos Loyos, 56
+1883
+
+
+
+
+PARTE SEGUNDA
+
+O ORACULO DAS SALAS
+
+OU
+
+O modo seguro de adivinhar o futuro por meio da verdadeira interpretação
+das sortes e adivinhas e muitos outros jogos honestos e recreativos
+
+
+PORTO
+LIVRARIA PORTUGUEZA--EDITORA
+55, Largo dos Loyos, 56
+1883
+
+
+
+
+Porto: 1883--Imprensa Commercial--Lavadouros, 16.
+
+
+
+
+ADVERTENCIA INDISPENSAVEL
+
+ÁS DAMAS E CAVALHEIROS
+
+O melhor meio de usar d'estas perguntas e respostas, é extrahir de todas
+(ou d'aquellas collecções que se quizer) uma copia em bilhetes de papel
+grosso, entregando os que contiver as perguntas aos cavalheiros, e os
+das respostas ás senhoras, e depois de bem baralhados se irão lendo
+_aquelles que a sorte conduzir á vista_, e as senhoras respondem no
+mesmo gosto; porque nenhuma graça poderiam ter se se estivessem
+escolhendo _como eu já tenho visto praticar_.
+
+A divisão dos bilhetes deve ser feita na proporção dos homens e senhoras
+que se queiram entregar a este divertimento, de sorte que não excedam os
+perguntadores ás respondentes, nem estas áquelles.
+
+
+1.ª COLLECÇÃO
+
+
+ PERGUNTA 1.ª
+
+ Poderei em vosso peito,
+ O meu amor depositar?
+
+
+ RESPOSTA 1.ª
+
+ O vosso amor em meu peito,
+ Já occupa distincto lugar.
+
+
+ P. 2.ª
+
+ Longe da minha vista,
+ Podereis lenitivo encontrar?
+
+
+ R. 2.ª
+
+ Ausente da vossa companhia,
+ Bem mal poderei respirar.
+
+
+ P. 3.ª
+
+ Com o vosso puro amor,
+ Posso eternamente contar?
+
+
+ R. 3.ª
+
+ Eu vos amo por sympathia,
+ Heide as leis d'amor respeitar.
+
+
+ P. 4.ª
+
+ Pode vosso candido peito,
+ Meu sincero amor desprezar?
+
+
+ R. 4.ª
+
+ Jurei ser a mais constante,
+ Protestei sempre amar.
+
+
+ P. 5.ª
+
+ Um amor puro e sincero,
+ Podeis em mim acreditar?
+
+
+ R. 5.ª
+
+ Ser ingrata, é imprpprio
+ De quem sabe adorar.
+
+
+ P. 6.ª
+
+ No intimo do vosso peito,
+ Posso meu amor eternisar?
+
+
+ R. 6.ª
+
+ O conceito que de vós formei,
+ Não é possivel expressar.
+
+
+ P. 7.ª
+
+ Alguma ideia de lealdade,
+ Podeis de mim formar?
+
+
+ R. 7.ª
+
+ Certa da vossa fidelidade,
+ Não vos posso mais deixar.
+
+
+ P. 8.ª
+
+ Despresareis os grilhões,
+ Com que amor nos quer ligar?
+
+
+ R. 8.ª
+
+ Vossa ternura, m'inspira,
+ Um amor mui singular.
+
+
+ P. 9.ª
+
+ Sabeis a quem amor puro,
+ Sempre se deve consagrar?
+
+
+ R. 9.ª
+
+ Esse manancial de doçuras,
+ Será para quem o estimar.
+
+
+ P. 10.ª
+
+ Posso em vosso coração,
+ Extremoso amor firmar?
+
+
+ R. 10.ª
+
+ A violencia de meus males,
+ Só vós podereis mitigar.
+
+
+ P. 11.ª
+
+ Não vos compadecereis,
+ De me vêr desesperar?
+
+
+ R. 11ª
+
+ Adquiro um triumpho,
+ Quando vos vejo penar.
+
+
+ P. 12.ª
+
+ Sereis sempre indifferente,
+ A quem não cessa de vos idolatrar?
+
+
+ R. 12.ª
+
+ Estou vendo em vosso rosto,
+ Vivos desejos d'enganar.
+
+
+ P. 13.ª
+
+ Ah! Senhora, dizei-me,
+ Podeis minha dôr suavisar?
+
+
+ R. 13.ª
+
+ Não, jámais, só a morte
+ Vos poderá alliviar.
+
+
+ P. 14.ª
+
+ Quereis ver continuamente,
+ Minhas dores augmentar?
+
+
+ R. 14.ª
+
+ Se outra causa vossas dôres,
+ Só a ella deveis culpar.
+
+
+ P. 15.ª
+
+ Podereis acaso um dia,
+ Com ternura em mim pensar?
+
+
+ R. 15.ª
+
+ Se despréso o vosso amor,
+ Para que haveis de teimar?
+
+
+ P. 16.ª
+
+ As chaves de Cupido de vosso
+ Coração, posso alcançar?
+
+
+ R. 16.ª
+
+ Acabai vossas perguntas,
+ Tanto já não posso aturar.
+
+
+ P. 17.ª
+
+ Consentireis que em vosso
+ Peito, vá meu amor occultar?
+
+
+ R. 17.ª
+
+ Não queiraes em lagrimas,
+ Meu coração sepultar.
+
+
+ P. 18.ª
+
+ Em que dia o constante
+ Amor, vos hade dominar?
+
+
+ R. 18.ª
+
+ Quando em vosso coração,
+ A perfida ingratidão cessar.
+
+
+ P. 19.ª
+
+ Não verei a ingratidão,
+ Em vosso peito abrandar?
+
+
+ R. 19.ª
+
+ Sim, quando as angustias
+ Vosso rosto desfigurar.
+
+
+ P. 20.ª
+
+ Não vos compadecereis,
+ De me ver sempre suspirar?
+
+
+ R. 20.ª
+
+ Compassiva me vereis,
+ Deixando vós d'adular.
+
+
+ P. 21.ª
+
+ Jurasteis á negra morte,
+ Meu coração sacrificar?
+
+
+ R. 21.ª
+
+ A vossa falsa constancia,
+ Protestei sempre imitar.
+
+
+ P. 22.ª
+
+ O possuidor de vosso coração,
+ Não m'haveis d'indicar?
+
+
+ R. 22.ª
+
+ Jurei guardar segredo,
+ Não quero juramento violar.
+
+
+ P. 23.ª
+
+ Conheceis em minha alma,
+ O dom natural d'adorar?
+
+
+ R. 23.ª
+
+ A vossas perguntas não respondo,
+ Escusaes de vos cançar.
+
+
+ P. 24.ª
+
+ Entreguei-vos meu coração,
+ Que mais vos resta a desejar?
+
+
+ R. 24.ª
+
+ Vosso desejo é lograr-me,
+ Tal não podereis realisar.
+
+
+ P. 25.ª
+
+ Terei eu assás forças, para
+ Vosso coração captivar?
+
+
+ R. 25.ª
+
+ Vossas supplicas são inuteis,
+ Nunca me poderão encantar.
+
+
+ P. 26.ª
+
+ Quando irei em vosso peito,
+ Minha cabeça reclinar?
+
+
+ R. 26.ª
+
+ Quando as sombras da morte,
+ Vosso rosto matizar.
+
+
+ P. 27.ª
+
+ Nunca a crueldade, hade
+ Em vosso peito terminar?
+
+
+ R. 27.ª
+
+ Só quando vosso modo
+ Enganador finalisar.
+
+
+ P. 28.ª
+
+ Se vos pedir uma entrevista,
+ Sereis prompta em acceitar?
+
+
+ R. 28.ª
+
+ Não vos enfadeis, senhor,
+ Pois não sei abjurar.
+
+
+ P. 29.ª
+
+ Prometteis o implacavel
+ Odio, para sempre detestar?
+
+
+ R. 29.ª
+
+ Assim que vós perdereis
+ O costume de ludibriar.
+
+
+ P. 30.ª
+
+ Dizem que sois eminente,
+ N'arte de namorar?
+
+
+ R. 30.ª
+
+ Nada d'isso em mim vereis,
+ O que me apraz é ver penar.
+
+
+ P. 31.ª
+
+ Meu amor e sinceridade,
+ Não merece um terno olhar?
+
+
+ R. 31.ª
+
+ Queria responder-vos,
+ Mas não me posso explicar.
+
+
+ P. 32.ª
+
+ Prometteis-me algum dia,
+ Meus suspiros escutar?
+
+
+ R. 32.ª
+
+ Sim, no momento em que
+ Por verdadeiro vos acreditar.
+
+
+ P. 33.ª
+
+ Longe da minha vista,
+ Pode vosso coração socegar?
+
+
+ R. 33.ª
+
+ A inconstancia do vosso caracter,
+ Eu vou fazer decantar.
+
+
+ P. 34.ª
+
+ Na mais triste solidão,
+ Quereis minha alma despenhar?
+
+
+ R. 34.ª
+
+ Nas promessas do vosso amor,
+ Eu já não posso confiar.
+
+
+ P. 35.ª
+
+ Os sofrimentos d'um amor
+ Sincero, não haveis d'evitar?
+
+
+ R. 35.ª
+
+ A vossas penas darei fim,
+ Quando com a morte m'abraçar.
+
+
+ P. 36.ª
+
+ Sabeis aonde uma paixão,
+ Verdadeira nos pode arrastar?
+
+
+ R. 36.ª
+
+ Victima da ingratidão,
+ Em nada posso combinar.
+
+
+ P. 37.ª
+
+ Esse genio indifferente,
+ Não haveis de desterrar?
+
+
+ R. 37.ª
+
+ Se visse o coração dos homens,
+ Poder-me-hia deliberar.
+
+
+ P. 38.ª
+
+ Se vos apparecer ás horas,
+ Dar-me-heis do vosso jantar?
+
+
+ R. 38.ª
+
+ Não posso responder-vos,
+ De meu Pai licença vou solicitar.
+
+
+ P. 39.ª
+
+ De vossos gentis encantos,
+ Posso o gosto saborear?
+
+
+ R. 39.ª
+
+ Não direi que não, quando
+ De vingança me saciar.
+
+
+ P. 40.ª
+
+ Desejareis sempre ver,
+ Meus males continuar?
+
+
+ R. 40.ª
+
+ Deixai de ser ingrato,
+ Vereis meu odio abrandar.
+
+
+2.ª COLLECÇÃO
+
+
+ PERGUNTA 1.ª
+
+ Um verdadeiro amante,
+ Merecerá vosso coração?
+
+
+ RESPOSTA 1.ª
+
+ Tenho deveres a cumprir,
+ Fallai para o S. João.
+
+
+ P. 2.ª
+
+ Se vos pedir um beijo,
+ Tereis n'isso satisfação?
+
+
+ R. 2.ª
+
+ Sim, senhor, se de joelhos
+ Me pedireis perdão.
+
+
+ P. 3.ª
+
+ Se me vireis perecer,
+ Tereis de mim compaixão?
+
+
+ R. 3.ª
+
+ Oh! sim, certamente,
+ Morrerei d'afflicção.
+
+
+ P. 4.ª
+
+ Estarei condemnado,
+ A soffrer vossa ingratidão?
+
+
+ R. 4.ª
+
+ Não digo que sim senhor,
+ Nem é da minha approvação.
+
+
+ P. 5.ª
+
+ As algemas do vosso amor,
+ Serão d'eterna duração?
+
+
+ R. 5.ª
+
+ Estou cançada de tanto,
+ É muita satisfação.
+
+
+ P. 6.ª
+
+ De ser por vós amada,
+ Posso ter presumpção?
+
+
+ R. 6.ª
+
+ Respostas d'esta sorte,
+ Jámais a ninguem se dão.
+
+
+ P. 7.ª
+
+ De ser minha amada,
+ Tereis gosto e devoção?
+
+
+ R. 7.ª
+
+ É verdade que vos amei,
+ Porem mudei d'opinião.
+
+
+ P. 8.ª
+
+ Nos doces laços d'amor,
+ Fareis commigo união?
+
+
+ R. 8.ª
+
+ Não posso dizer que sim,
+ Eis a minha consternação.
+
+
+ P. 9.ª
+
+ Se vos fallar em amor,
+ Gostareis da conversação?
+
+
+ R. 9.ª
+
+ Amo-vos com sinceridade,
+ E adoro-vos por inclinação.
+
+
+ P. 10.ª
+
+ De minha fiel amante,
+ Acceitareis a eleição?
+
+
+ R. 10.ª
+
+ Não estou resolvida,
+ A prestar-vos attenção.
+
+
+ P. 11.ª
+
+ Para ser de vós amado,
+ Deverei pôr tudo em acção?
+
+
+ R. 11.ª
+
+ Podeis fazel-o, senhor,
+ Porem será indiscrição.
+
+
+ P. 12.ª
+
+ A minhas expressões d'amor,
+ Dareis consideração?
+
+
+ R. 12.ª
+
+ Sou firme no que prometto,
+ Já não mudo de resolução.
+
+
+ P. 13.ª
+
+ De todos os vossos amantes,
+ Sentis por mim alguma affeição?
+
+
+ R. 13.ª
+
+ Não posso já responder,
+ D'amor preciso lição.
+
+
+ P. 14.ª
+
+ Se vos escolher por amante,
+ Fareis d'isso estimação?
+
+
+ R. 14.ª
+
+ Não tenho taes ideas,
+ No entanto ainda virão.
+
+
+ P. 15.ª
+
+ D'amor gostareis,
+ Longa e rigida prisão?
+
+
+ R. 15.ª
+
+ Oh! quereis-me no laço,
+ Bem sei que sois erpertalhão.
+
+
+ P. 16.ª
+
+ Das leis de Cupido,
+ Seguireis a Religião?
+
+
+ R. 16.ª
+
+ Sois bem importuno!...
+ Já vos dei a decisão.
+
+
+ P. 17.ª
+
+ Um verdadeiro amante,
+ Merece vossa protecção?
+
+
+ R. 17.ª
+
+ De verdadeiro nada tendes,
+ Tudo é pura ficção.
+
+
+ P. 18.ª
+
+ Da vossa sinceridade,
+ Posso ter a confirmação?
+
+
+ R. 18.ª
+
+ Na verdade, é muito exigir,
+ Já tendes a minha confissão.
+
+
+ P. 19.ª
+
+ Se vos fallar de himeneu,
+ Acceitareis a petição?
+
+
+ R. 19.ª
+
+ Fallareis outro dia,
+ Hoje não é occasião.
+
+
+ P. 20.ª
+
+ Dos amantes que tendes,
+ Eu terei a predilecção?
+
+
+ R. 20.ª
+
+ O vosso amor em meu peito,
+ Tem segura habitação.
+
+
+ P. 21.ª
+
+ De meus puros sentimentos,
+ Fareis especial menção?
+
+
+ R. 21.ª
+
+ Já é tempo de me deixar,
+ Parece-me isto mangação!
+
+
+ P. 22.ª
+
+ Em corresponder-me,
+ Heide achar obstinação?
+
+
+ R. 22.ª
+
+ Se quereis uma resposta,
+ Tendes a dar um tostão.
+
+
+ P. 23.ª
+
+ Se vos offertar meu amor,
+ Poreis alguma objecção?
+
+
+ R. 23.ª
+
+ Para dizer-vos o que sinto,
+ Não tenho obrigação.
+
+
+ P. 24.ª
+
+ D'entre os que vos adoram,
+ Escolhereis com rectidão?
+
+
+ R. 24.ª
+
+ Serei em tudo minuciosa,
+ Ficai certo da remuneração.
+
+
+ P. 25.ª
+
+ Meus ternos sentimentos,
+ Serão a vossa admiração?
+
+
+ R. 25.ª
+
+ Se quereis que vos responda,
+ Rezai uma oração.
+
+
+ P. 26.ª
+
+ Hoje ouvi dizer que sois
+ O symbolo da mansidão?
+
+
+ R. 26.ª
+
+ Essa pergunta não parece,
+ De quem tem educação.
+
+
+ P. 27.ª
+
+ A indifferença commigo,
+ Nasce da vossa disposição?
+
+
+ R. 27.ª
+
+ Meus puros sentimentos,
+ Não soffrem diminuição.
+
+
+ P. 28.ª
+
+ Acreditaes que vos amo,
+ Por intima convicção?
+
+
+ R. 28.ª
+
+ Desejava responder-vos,
+ Fóra d'esta reunião.
+
+
+ P. 29.ª
+
+ Do amor que vos consagro,
+ Fareis boa estimação?
+
+
+ R. 29.ª
+
+ Os vossos ternos affectos,
+ Podem ter compensação.
+
+
+ P. 30.ª
+
+ Das culpas que tenho d'amor,
+ Concedeis-me o perdão?
+
+
+ R. 30.ª
+
+ Estaes sempre perdoado,
+ Ide com a Virgem Conceição.
+
+
+3.ª COLLECÇÃO
+
+
+ PERGUNTA 1.ª
+
+ Reconheceis em mim,
+ O mais sincero amor?
+
+
+ RESPOSTA 1.ª
+
+ Recebo vossa declaração,
+ Como seguro penhor.
+
+
+ P. 2.ª
+
+ Acceitais minha confissão,
+ De ser verdadeiro amador?
+
+
+ R. 2.ª
+
+ Não acceito essa confissão,
+ De meus males sois auctor.
+
+
+ P. 3.ª
+
+ De vossas bellas qualidades,
+ Conheceis-me admirador?
+
+
+ R. 3.ª
+
+ Os laços que a vós me ligam,
+ Não precisam de fiador.
+
+
+ P. 4.ª
+
+ De vosso amavel peito,
+ Sou o unico director?
+
+
+ R. 4.ª
+
+ O que sinto em meu peito.
+ Não merece se não louvor.
+
+
+ P. 5.ª
+
+ Em amar-vos com pureza,
+ Serei grande peccador?
+
+
+ R. 5.ª
+
+ Sois de meu coração,
+ O maior usurpador.
+
+
+ P. 6.ª
+
+ Da vossa sinceridade,
+ Acreditais-me defensor?
+
+
+ R. 6.ª
+
+ Vossas virtudes m'encantam,
+ Amo-vos com fervor.
+
+
+ P. 7.ª
+
+ Serei de vossa alma,
+ O unico possuidor?
+
+
+ R. 7.ª
+
+ Não andais na moda,
+ Sois pouco tentador.
+
+
+ P. 8.ª
+
+ No intimo de vossa alma,
+ Só eu sou imperador?
+
+
+ R. 8.ª
+
+ Não quero responder,
+ Se o faço é por favor.
+
+
+ P. 9.ª
+
+ Gostais muito de namorar?
+ Quem é o vosso encantador?
+
+
+ R. 9.ª
+
+ Quizera fallar verdade,
+ Sois grande criticador.
+
+
+ P. 10.ª
+
+ Dizem que muito gostaes,
+ De cavalheiro adulador?
+
+
+ R. 10.ª
+
+ Responder-vos é ocioso,
+ Sei o que sinto no interior.
+
+
+ P. 11.ª
+
+ Poderei eu acreditar,
+ Que não tenho competidor?
+
+
+ R. 11.ª
+
+ Não quero responder,
+ A similhante lisongeador.
+
+
+ P. 12.ª
+
+ Em vossos grandes namoros,
+ Haveis, soffrido dissabor?
+
+
+ R. 12.ª
+
+ Oh! Deos e eu o sabemos,
+ Qual tem sido minha dôr.
+
+
+ P. 13.ª
+
+ Quem foi de vosso coração,
+ O primeiro roubador?
+
+
+ R. 13.ª
+
+ Vós certamente que não,
+ Sois um vil traidor.
+
+
+ P. 14.ª
+
+ Serei das leis de Cupido,
+ O mais fiel observador?
+
+
+ R. 14.ª
+
+ Dizem todos, que sois
+ O maior namorador...
+
+
+ P. 15.ª
+
+ Tantos namorados que tendes,
+ Quem vos ama com mais vigor?
+
+
+ R. 15.ª
+
+ Vós certamente não,
+ Sois um grande impostor.
+
+
+ P. 16.ª
+
+ Quem de vossas qualidades,
+ É mais que eu respeitador?
+
+
+ R. 16.ª
+
+ Deixai-me importuno!
+ Sois um enganador.
+
+
+ P. 17.ª
+
+ Que mal vos tenho feito,
+ Para tanto desamor?
+
+
+ R. 17.ª
+
+ Do mais puro affecto,
+ Sois o maior transgressor.
+
+
+ P. 18.ª
+
+ Das sagradas leis d'amor,
+ Eu sou o mais apreciador?
+
+
+ R. 18.ª
+
+ Sim senhor, sem duvida,
+ Tendes nota de corruptor.
+
+
+ P. 19.ª
+
+ Poderei de vosso coração,
+ Ser um dia habitador?
+
+
+ R. 19.ª
+
+ Fallai-me a esse respeito,
+ Quando eu rainha fôr.
+
+
+ P. 20.ª
+
+ Pode alguem amar-vos,
+ Com mais pureza e calor?
+
+
+ R. 20.ª
+
+ Não posso hoje responder,
+ Procurai o melhor Doutor.
+
+
+ P. 21.ª
+
+ Dos amorosos sentimentos,
+ De vossa alma serei consolador?
+
+
+ R. 21.ª
+
+ Essa pergunta é louca,
+ N'isto estaes atrazador?
+
+
+ P. 22.ª
+
+ Dos amores de vossa alma,
+ Serei eu o edificador?
+
+
+ R. 22.ª
+
+ Era um bello serviço,
+ Servindo-me de libertador.
+
+
+ P. 23.ª
+
+ Sereis d'entre as bellas,
+ A mais mimosa flôr?
+
+
+ R. 23.ª
+
+ O que sinto não se diz,
+ Não tenho o preciso valor.
+
+
+ P. 24.ª
+
+ Vossa constante firmeza,
+ São effeitos do creador?
+
+
+ R. 24.ª
+
+ De meus puros sentimentos,
+ Deveis estar conhecedor.
+
+
+ P. 25.ª
+
+ Concordaes que sou vosso,
+ Mais pura estimador?
+
+
+ R. 25.ª
+
+ Sei que sois o maior,
+ E mais vil contradictor.
+
+
+ P. 26.ª
+
+ De todos vossos namoros,
+ Fui o primeiro descobridor?
+
+
+ R. 26.ª
+
+ De discreto nada tendes,
+ Sois um indigno delator.
+
+
+ P. 27.ª
+
+ Devo ir em vosso peito,
+ Minha fidelidade depôr?
+
+
+ R. 27.ª
+
+ Acceitar vossa declaração,
+ É soffrer um dictador.
+
+
+ P. 28.ª
+
+ Posso esperar de vós,
+ Um affecto conservador?
+
+
+ R. 28.ª
+
+ Desisti de taes ideias,
+ Não quero mais amargôr.
+
+
+ P. 29.ª
+
+ Reconheceis em mim,
+ Um sincero amador?
+
+
+ R. 29.ª
+
+ De meu peito estai certo,
+ Sois n'elle o dominador.
+
+
+ P. 30.ª
+
+ Acreditaes que vos amo,
+ Com indizivel primor?
+
+
+ R. 30.ª
+
+ Adeos, basta de tormentos,
+ Sois um consumidor.
+
+
+4.ª COLLECÇÃO
+
+
+ PERGUNTA 1.ª
+
+ Pode um fiel amante,
+ Confiar na vossa amizade?
+
+
+ RESPOSTA 1.ª
+
+ Meus sentimentos são puros,
+ Meu coração ama a verdade.
+
+
+ P. 2.ª
+
+ Se vos offertar meu peito,
+ Recebel-o-eis com vontade?
+
+
+ R. 2.ª
+
+ Amar a todos em geral,
+ É proprio da mocidade.
+
+
+ P. 3.ª
+
+ É certo que vosso coração,
+ Só encerra verdade?
+
+
+ R. 3.ª
+
+ Goso d'essa opinião,
+ N'alta sociedade.
+
+
+ P. 4.ª
+
+ De vos offertar meu coração,
+ Concedeis-me a liberdade?
+
+
+ R. 4.ª
+
+ Acceito a bella offerta,
+ E gosto d'essa habilidade.
+
+
+ P. 5.ª
+
+ S'eu morrer em vossos braços,
+ Iremos para a Eternidade?
+
+
+ R. 5.ª
+
+ Iremos se Deus quizer,
+ Mas não desejo a dignidade.
+
+
+ P. 6.ª
+
+ Para ser vosso amante,
+ Terei capacidade?
+
+
+ R. 6.ª
+
+ Não costumo preterir,
+ Sigo a antiguidade.
+
+
+ P. 7.ª
+
+ Se vos tributar meu amor,
+ Dispensaes formalidade?
+
+
+ R. 7.ª
+
+ Ceremonias são d'igreja,
+ E só proprio d'abbade.
+
+
+ P. 8.ª
+
+ Se vos offertar meu peito,
+ Direis que já é tarde?
+
+
+ R 8.ª
+
+ Não vos canceis commigo,
+ Isso é uma temeridade.
+
+
+ P. 9.ª
+
+ O amor que sinto por vós,
+ Será tido por vaidade?
+
+
+ R. 9.ª
+
+ Não: Acredito-vos sincero,
+ Não falto a tal qualidade.
+
+
+ P. 10.ª
+
+ Se vos disser que amo outra,
+ Julgareis realidade?
+
+
+ R. 10.ª
+
+ Acreditarei sim, tudo,
+ Como grande falsidade.
+
+
+ P. 11.ª
+
+ Se morrer longe de vós,
+ Não tereis de mim saudade?
+
+
+ R. 11.ª
+
+ Talvez fosse dia de prazer,
+ Sabendo tal novidade.
+
+
+ P. 12.ª
+
+ Dizem que em namoros,
+ Tendes grande felicidade?
+
+
+ R. 12.ª
+
+ Para realisar esses desejos,
+ Ha impossibilidade.
+
+
+ P. 13.ª
+
+ É verdade que escarneceis,
+ Do meu amor com impiedade?
+
+
+ R. 13.ª
+
+ Não: Sou firme e constante,
+ Sabeis minha sinceridade.
+
+
+ P. 14.ª
+
+ Tratareis vosso amante,
+ Com rigor e severidade?
+
+
+ R. 14.ª
+
+ Gôsto meu é ser austéra,
+ Mas tratarei com igualdade.
+
+
+ P. 15.ª
+
+ D'amor haveis soffrido,
+ Grande enfermidade?
+
+
+ R. 15.ª
+
+ Tenho tido em demasia,
+ Porque vivo na Cidade.
+
+
+ P. 16.ª
+
+ Será verdade que em namoro,
+ Procedeis com leviandade?
+
+
+ R. 16.ª
+
+ Sei o que me cumpre fazer,
+ Em objecto de gravidade.
+
+
+ P. 17.ª
+
+ É certo que tratais, vossos
+ Amantes sem piedade?
+
+
+ R. 17.ª
+
+ A culpa não é minha,
+ Que tenham mais sagacidade.
+
+
+ P. 18.ª
+
+ Duvidaes que vos amo,
+ Com toda a assiduidade?
+
+
+ R. 18.ª
+
+ Não duvido do que dizeis,
+ Conheço a vossa lealdade.
+
+
+ P. 19.ª
+
+ De vosso terno coração,
+ Quem é propriedade?
+
+
+ R. 19.ª
+
+ Essa pergunta delicada,
+ Precisa profundidade.
+
+
+ P. 20.ª
+
+ Toda a vida soffrerei,
+ A vossa crueldade?
+
+
+ R. 20.ª
+
+ Vós assim o quereis,
+ Não faço isso por maldade.
+
+
+ P. 21.ª
+
+ Para que me tratareis,
+ Com tanta inimizade?
+
+
+ R 21.ª
+
+ Aborreço-vos de coração,
+ Fallo com ingenuidade.
+
+
+ P. 22.ª
+
+ Desprezaes quem vos ama,
+ Com tanta affabilidade?
+
+
+ R. 22.ª
+
+ Se quereis que vos estime,
+ Tende mais agilidade.
+
+
+ P. 23.ª
+
+ Existirá sempre entre nós,
+ Sympathia e fraternidade?
+
+
+ R. 23.ª
+
+ Em vossas mãos, entrego
+ Minha fidelidade.
+
+
+ P. 24.ª
+
+ Vosso amor será confiado,
+ Á minha generosidade?
+
+
+ R. 24.ª
+
+ Nunca: Só consentirei,
+ Na ultima extremidade.
+
+
+ P. 25.ª
+
+ Concedeis-me affecto
+ Com muita brevidade?
+
+
+ R. 25.ª
+
+ É de noite, não respondo,
+ Gosto de tudo com claridade.
+
+
+ P. 26.ª
+
+ Nas lidas de Cupido
+ Encontraes suavidade?
+
+
+ R. 26.ª
+
+ É um divertimento,
+ Que dou por caridade.
+
+
+ P. 27.ª
+
+ Tantos namorados que tendes
+ Algum é da minha idade?
+
+
+ R. 27.ª
+
+ Com toda a certeza não sei,
+ Mas perguntarei ao Padre.
+
+
+ P. 28.ª
+
+ Os namoros verdadeiros,
+ Produzem debilidade?
+
+
+ R. 28.ª
+
+ Não m'incommodeis,
+ Com essa singularidade.
+
+
+ P. 29.ª
+
+ Males d'amor devo soffrer,
+ Na ultima extremidade?
+
+
+ R. 29.ª
+
+ É vosso gosto predilecto,
+ Soffrei com perpetuidade.
+
+
+ P. 30.ª
+
+ Apreciaes meu affecto,
+ E minha fidelidade?
+
+
+ R. 30.ª
+
+ Amo-vos muito, muito;
+ Mas gosto de tranquillidade.
+
+
+5.ª COLLECÇÃO
+
+
+ PERGUNTA 1.ª
+
+ Entendeis, senhora,
+ Nosso amor conveniente?
+
+
+ RESPOSTA 1.ª
+
+ Fujo de suas algemas,
+ Quero viver innocente.
+
+
+ P. 2.ª
+
+ No amor que vos dedico,
+ Acreditaes firmemente?
+
+
+ R. 2.ª
+
+ Creio em vossos extremos,
+ Quero ser condescendente.
+
+
+ P. 3.ª
+
+ Se vos declarar meu amor,
+ Ficareis muito contente?
+
+
+ R. 3.ª
+
+ Amo por divertimento,
+ De lagrimas serei ausente.
+
+
+ P. 4.ª
+
+ Em vosso terno coração,
+ Terei fiel correspondente?
+
+
+ R. 4.ª
+
+ Não respondo n'este objecto,
+ A quem é tão sapiente.
+
+
+ P. 5.ª
+
+ Não vos compadecereis,
+ De me ver sempre doente?
+
+
+ R. 5.ª
+
+ Não merece compaixão
+ Quem s'ufana de valente.
+
+
+ P. 6.ª
+
+ Nos combates do vosso amor,
+ Serei o maior padecente?
+
+
+ R. 6.ª
+
+ Se padecer é gosto vosso,
+ A isso sou indifferente.
+
+
+ P. 7.ª
+
+ Sabeis que em namoros,
+ Vos tornaes mui saliente?
+
+
+ R. 7.ª
+
+ Para fallar a meu respeito,
+ Julgo-vos incompetente.
+
+
+ P. 8.ª
+
+ É certo que em namoros,
+ Sois mui intelligente?
+
+
+ R. 8.ª
+
+ Não vos acredito--; só creio
+ N'um Deus Omnipotente.
+
+
+ P. 9.ª
+
+ Do vosso amor, flcarei
+ Na incerteza permanente?
+
+
+ R. 9.ª
+
+ Estou sujeita, senhor,
+ E a meu Pai obediente.
+
+
+ P. 10.ª
+
+ Heide soffrer por vosso amor
+ Sempre uma dôr pungente?
+
+
+ R. 10.ª
+
+ Vossa dôr não tem limite,
+ Assim o diz o assistente.
+
+
+ P. 11.ª
+
+ Se vos fallar em amor,
+ Sereis commigo indulgente?
+
+
+ R. 11.ª
+
+ É meu gosto ver penar,
+ Sereis por isso penitente.
+
+
+ P. 12.ª
+
+ Se vos offertar meu amor,
+ Serei julgado delinquente?
+
+
+ R. 12.ª
+
+ Não posso acceitar a offerta,
+ Vosso amor é transparente.
+
+
+ P. 13.ª
+
+ Na lista de vossos amantes,
+ Eu sou o mais prudente?
+
+
+ R. 13.ª
+
+ Dos amantes que possuo,
+ Sois o mais impertinente.
+
+
+ P. 14.ª
+
+ De que sou por vós amado,
+ Dareis prova evidente?
+
+
+ R. 14.ª
+
+ Pago amor, com amor,
+ De ser fiel ficai sciente.
+
+
+ P. 15.ª
+
+ Sabeis que vos consagro
+ Verdadeiro amor ingente?
+
+
+ R. 15.ª
+
+ No que dizeis não creio,
+ Vosso amor é apparente.
+
+
+ P. 16.ª
+
+ Dos amantes que tendes,
+ Eu sou o presidente?
+
+
+ R. 16.ª
+
+ Não posso responder hoje,
+ Que estou de má mente.
+
+
+ P. 17.ª
+
+ Ao gozo do vosso amor,
+ Sou o maior pretendente?
+
+
+ R. 17.ª
+
+ Eu com vossas lembranças,
+ Não estou coherente.
+
+
+ P. 18.ª
+
+ É certo, que vosso amante
+ É do lado do occidente?
+
+
+ R. 18.ª
+
+ Amo virtudes onde estão,
+ E detesto o prepotente.
+
+
+ P. 19.ª
+
+ D'entre vossos-amantes,
+ Sou escolhido previamente?
+
+
+ R. 19.ª
+
+ Não posso dizer que sim,
+ Julgo-vos negligente.
+
+
+ P. 20.ª
+
+ Dos votos d'um terno amor,
+ Acreditais-me profitente?
+
+
+ R. 20.ª
+
+ Creio em vossas expressões,
+ Meu coração tem fé vivente.
+
+
+ P. 21.ª
+
+ Qual de vossos amantes,
+ É o mais frequente?
+
+
+ R. 21.ª
+
+ Á pergunta não respondo,
+ E vos reputo insolente.
+
+
+ P. 22.ª
+
+ Encontro em vosso peito,
+ Um puro amor nascente?
+
+
+ R. 22.ª
+
+ Não vos canceis, senhor,
+ Para vós sou inclemente.
+
+
+ P. 23.ª
+
+ Dos segredos de vossa alma,
+ Quem é ditoso confidente?
+
+
+ R. 23.ª
+
+ É coisa que não digo,
+ Nem mesmo a um parente.
+
+
+ P. 24.ª
+
+ Os extremos de vosso peito,
+ São d'amor descendente?
+
+
+ R. 24.ª
+
+ Reparai em meus olhos,
+ Resposta tereis presente.
+
+
+ P. 25.ª
+
+ O vosso terno amor,
+ É ao meu equivalente?
+
+
+ R. 25.ª
+
+ Sinceramente vos amo,
+ N'essa ideia ficai crente.
+
+
+ P. 26.ª
+
+ De todos vossos amantes,
+ Sou o mais reverente?
+
+
+ R. 26.ª
+
+ Eu vos dedico puro amor,
+ A minhas forças excedente.
+
+
+ P. 27.ª
+
+ Em vosso terno peito,
+ É puro o amor existente?
+
+
+ R. 27.ª
+
+ Não vos calareis palrador?
+ Sois um omnisciente.
+
+
+ P. 28.ª
+
+ É certo o vosso amante,
+ Ser aspirante a tenente?
+
+
+ R. 28.ª
+
+ Não tem resposta a pergunta,
+ Podeis marchar em frente.
+
+
+ P. 29.ª
+
+ Acceitaes a declaração
+ De meu amor ardente?
+
+
+ R. 29.ª
+
+ Não posso responder-vos,
+ Gozaes fama de mal querente.
+
+
+ P. 30.ª
+
+ Pode alguem amar-vos,
+ Como eu tão vehemente?
+
+
+ R. 30.ª
+
+ Oh! fallador, deixai-me,
+ Eu não posso ser accedente.
+
+
+
+
+JOGOS
+
+DE
+
+Mãos com cartas mui curiosos, os quaes são de muito divertimento,
+podendo qualquer pessoa aprendel-os com facilidade, porque são feitos
+com o baralho de quarenta cartas.
+
+
+_Modo de compor o baralho para fazer alguns jogos_
+
+Compõe-se o baralho, dando ás cartas um valor diverso, isto é, o tres
+terá o valor de 3, o seis tambem terá o valor de 6, a sóta de 9, o dous
+de 12, o cinco de 15, o valéte de 18, o az de 21, o quatro de 24, o sete
+de 27, e o rei de 30; darás tambem um certo valor aos naipes por
+graduação, isto é, o primeiro gráo ás espadas, 2.º aos páos, 3.º aos
+ouros, e 4.º ás copas; agora para se compor o baralho, estenderás todas
+as cartas em cima da meza cara acima, e em 4 fileiras, por graduação, e
+começarás pelo primeiro gráo, que são as espadas a levantar; supponhamos
+levantas o tres d'espadas, e juntando-lhe 3 de memoria faz 6, levantarás
+o 6 do segundo gráo que é páos, e o porás em cima do 3 bocca abaixo, e
+dirás seis de páos, com tres de memoria faz nove, levantarás a sóta do
+3.º gráo que é ouros, e com os 3 de memoria faz 12, levantarás o dous de
+copas que é o ultimo gráo, e ao 2 junta 3 de memoria faz 15, levantarás
+o 5 d'espadas com 3 faz 18, levantarás o valéte de páos, com os 3 faz
+21, levantarás o az d'ouros, com os 3 faz 24, levantarás o 4 de copas,
+com os 3 faz 27, levantarás o sete d'espadas, e com os 3 faz 30,
+levantarás o rei de páos, e adverte que chegando aos reis, os quaes teem
+o valor de 30, não se lhe juntam os 3 de memoria, e torna-se a começar
+no tres do mesmo naipe d'aquelle rei, por isso levantarás o 3 de páos, e
+com os 3 de memoria faz 6, levantarás o 6 d'ouros, e juntando-lhe os 3
+de memoria faz 9, levantarás a sóta de copas, e proseguirás assim até
+levantar todo o baralho, juntando sempre os 3 de memoria, excepto aos
+reis; e porás as cartas sempre umas detraz das outras, e depois do
+baralho assim composto (sem que o saibam) poderás fazer os jogos
+seguintes.
+
+
+_Jogo para adivinhar todas as cartas do baralho, estando repartidas
+pelos circunstantes_
+
+Tomarás o baralho composto, e o embaralharás mas de tal sorte que nunca
+hasde metter cartas entre meio, mas sim tirar de baixo e pôr em cima,
+depois mandarás partir, começarás a dar uma porção de cartas a cada
+pessoa deixando ficar na mão a ultima carta de baixo, ou entregal-a, mas
+observar, que carta é para por ella pedir todas as outras, começando por
+onde acabaste de entregar; supponhamos que a ultima carta era um valéte
+de páos, dirás dezoito (que é o valor do valéte) e 3 de memoria faz 21,
+pedirás o az d'ouros; e proseguirás assim até concluir, guardando a
+regra antecedente; e as cartas que fores pedindo as irás pondo na meza
+bocca abaixo umas em cima das outras para ficarem sempre compostas para
+fazeres os jogos seguintes.
+
+
+_Jogo para adivinhar todas as cartas pelo tacto_
+
+Depois de baralhar e partir o baralho como no jogo antecedente,
+observarás a ultima carta, sem que o percebam, e com o baralho na mão
+esquerda bocca abaixo, e fazendo que apalpas com os dedos, supponhamos
+que a carta que observaste por baixo é um rei de páos, dirás: esta pelo
+tacto conheço que é um rei de páos, o qual mostrarás, e posto em cima da
+meza bocca abaixo puxarás outro e como aos reis não se junta nada,
+dirás: esta é um 3 de páos o qual mostrarás, e porás em cima do rei, e
+juntando ao 3 mais 3 de memoria que faz 6, dirás: este é o 6 de ouros, e
+juntando-lhe os 3 faz 9, precisamente a que se segue será a sóta de
+copas, e proseguindo assim até final verás como se acertam todas,
+observando sempre a regra de juntar os 3 de memoria a cada carta,
+excepto aos reis, e tambem seguir a graduação dos naipes.
+
+
+_Jogo para adivinhar repentinamente uma carta que outro tenha escondido_
+
+Com o baralho composto como acima, o estenderás a modo de um leque na
+mão esquerda bocca abaixo, que se não vejam as suas pintas, e dirás a um
+dos circunstantes, que tire uma carta qual quizer, e que a esconda logo,
+partirás o baralho em dois montes pelo sitio onde o sugeito tirou a
+carta e observarás a carta que está por cima do monte de baixo (com
+dissimulo que o não percebam), v. g. era um sete d'espadas, ao qual
+juntarás os 3 de memoria e faz 30, por isso dirás que a carta escondida
+é o rei de páos, o qual porás no sitio donde foi tirado, e o monte por
+onde partiste por cima para ficar sempre o baralho composto.
+
+
+_Jogo para adivinhar e mostrar as cartas que te pedirem_
+
+Depois de baralhar e partir pelo modo que acima fica dito, observarás a
+carta de baixo e começarás por ella a fazer quatro carreiras de cartas
+bocca abaixo, contendo 10 cartas cada uma, de modo que fiquem todas em
+linha recta, tanto do alto como ao través; Supponhamos que a carta que
+viste por baixo era um quatro de páos, logo as outras 3 que lhe estão em
+linha no cimo das fileiras, são os outros 3 quatros, v. g. supponhamos
+que te pedem o rei de copas, contarás sobre a carta da primeira fileira
+dizendo 4 de páos com 3 de memoria faz sete, e com mais 3 faz 30; logo
+entenderás que nas terceiras cartas de cada fileira estão os reis e para
+saberes o seu naipe dirás a primeira páos, a segunda ouros, e a terceira
+copas, que é exactamente o dito rei de copas; e se te houvessem pedido o
+rei de páos, bastaria seguir a graduação pelos 4 reis, pois sendo o rei
+de copas da primeira fileira, o da 2.ª deve ser o de espadas, o da 3.ª
+de páos, e o da 4.ª ouros, e adverte que depois de haveres mostrado as
+cartas que te pedirem as irás pondo no mesmo sitio, e depois que todos
+hajam pedido, levantarás as cartas ao través, isto é, primeiro os quatro
+quatros, que são as primeiras cartas de cada fileira e assim até final,
+de modo que não vejam que vão juntos d'este modo, para fazeres o jogo
+seguinte.
+
+
+_Jogo para fazer sahir os reis, as sótas, os valétes, e todas as mais
+cartas todas juntas_
+
+Depois de baralhar e partir como te tenho ensinado, observarás a ultima
+carta de baixo, supponhamos que é um valéte, logo dirás aos
+circunstantes, vou agora fazer sahir os 4 valétes juntos, e adverte que
+n'estas 4 primeiras cartas póde succeder não sahirem certas, e faltar
+alguma, mas succedendo isto, dirás que te fugiram é as tirarás por cima,
+que lá estarão, e tirados os 4 valétes lhe juntarás ao seu valor de 18,
+os 3 de memoria que faz 21, por isso dirás agora vou a tirar os 4 azes,
+depois junta a 21 os 3 de memoria faz 24, dirás agora vou tirar os
+quatros, e por esta forma tirarás todas as outras, e com este jogo
+ficará o baralho desarranjado.
+
+
+_Jogo para dividir os quatro valétes pelo baralho e fazer com que
+appareçam juntos_
+
+Mostrarás os quatro valétes por baixo, mas de modo que antes do ultimo
+de baixo tenhas mettido 3 cartas de tal modo justas ao valéte que se não
+percebam, puxando os outros 3 algum tanto fóra para que vejam que estão
+todos no fundo do baralho, depois com o baralho bocca abaixo, puxarás
+pelo primeiro valéte e o porás por cima, e depois irás tirando as 3
+cartas e as porás pelo meio do baralho uma em cada sitio, e julgando os
+circunstantes que tens mettido os valétes, mandarás a um que parta, e
+depois puxarás as cartas e verás como sahem juntos.
+
+
+_Jogo para adivinhar as cartas que um sugeito tem na mão_
+
+Mandarás a um sugeito, que tome do baralho as cartas que quizer, e que
+lhe junte outras tantas, depois dá-lhe tu por tua mão mais um certo
+numero d'ellas, mandarás depois que tire metade de todas as que tiver, e
+tambem as que primeiro tomou do baralho; feito isto, saberás que lhe
+ficaram na mão só metade das que lhe tu deste por tua mão, para o que é
+preciso que lhe dês sempre numero par.
+
+
+_Jogo para adivinhar quem tomou na tua ausencia dois objectos que
+tiveres deixado em cima da meza_
+
+Darás a um sugeito 3 cartas, e a outro 9, depois porás em cima da meza 2
+cartas, ou 2 objectos; supponhamos que pozeste um rei e um az; e sendo
+preciso dar aos 2 objectos valores differentes, darás ao rei o valor
+superior, e ao az inferior, e retirando-te para que cada um dos sugeitos
+a quem deste as cartas tome a sua carta, lhe dirás depois que o sugeito
+que tomou o rei, multiplique o numero de cartas que lhe deste por 2, e o
+que tomou o az por 12, e que sommem as multiplicações, cuja somma
+diminuam de 156, e que digam depois o que ficou, cuja quantia partirás
+por 11 (sem que o percebam) e se te vierem 9 ao quociente saberás que o
+sugeito a quem deste as 9 cartas tem o objecto de maior valor que é o
+rei, e se te vier 3 ao quociente, o sugeito a quem deste as 3 cartas
+terá o dito rei, ou o objecto de maior valor, e por conseguinte o outro
+o de menos valor que é o az, se fizeres o jogo com objectos darás sempre
+o valor superior a um, e inferior ao outro, e em lugar de cartas usarás
+grãos, ou outra cousa similhante.
+
+
+_Jogo para adivinhar os tentos de tres cartas_
+
+N'este jogo contam-se os tentos das cartas pelas suas pintas, excepto as
+figuras que terão o valor de 10 tentos cada uma, assim como no jogo do
+chincalhão; agora a pessoa que quizer adivinhar os tentos de 3 cartas
+mandarás que na sua ausencia façam 3 montes de cartas, contando sobre os
+tentos da primeira até 15, v. g. a primeira carta é um rei, ponha-se na
+meza bocca abaixo, e conte-se por 10, e ponha-se outra em cima e diga-se
+11, e logo outra 12 (sem as ver) e irás pondo cartas até chegar á conta
+de 15, cujo monte ficará concluido com 6 cartas, depois faça-se outro, e
+supponhamos que a carta a seguir é um sete, darás principio ao 2.º monte
+com ella contando-a por sete, e logo porás em cima dizendo 8, e assim
+até concluir a conta de 15, depois proceda-se ao terceiro monte, e
+supponhamos que a sua carta primeira é um az, dirás 1, e á que lhe
+pozeres em cima 2, até chegar a 15; e feitos os montes, dirás á pessoa
+ausente que te adivinhe os tentos que conteem as 3 primeiras cartas dos
+montes, este te perguntará quantas cartas sobejaram, v. g. sobejaram 10
+cartas, ao que só lhe basta juntar a este numero 8 de memoria, (sem que
+ninguem o saiba), ao que dirás que as 3 cartas contém 18 tentos, porque
+o rei vale 10, com o sete 17, e com o az que vale 1, são os 18.
+
+
+_Jogo para fazer sahir dous azes juntos; tendo-se mettido um em cada
+sitio_
+
+Tomem-se os 2 azes pretos, ou os vermelhos, metta-se um no meio do
+baralho, mas que fique mais de meio para baixo, e o outro tambem no meio
+mas mais do meio para cima, e sem que o percebam observarás a carta que
+fica proxima por baixo d'este segundo az, a qual pódes mesmo mostrar aos
+circunstantes dizendo-lhe que a vejam e que não pensem que é algum outro
+az; depois mandarás partir ou partirás tu mesmo, mas de modo, que a
+partição seja feita entre os dous azes ficando o de cima por baixo e o
+debaixo por cima com a partição; feito isto puxarás as cartas uma a uma,
+reparando quando sahe, a carta que ficou proxima ao az, e quando ella
+sahir com a ponta do dedo afastarás o dito az para a palma da mão não o
+tirando até que appareça o outro, e apparecendo se tiram juntos.
+
+
+_Jogo para adivinhar uma carta com os olhos vendados_
+
+Para fazeres este. jogo é preciso ter observado a carta de baixo, sem
+que o percebam, depois dirás aos circunstantes, que com os olhos
+vendados com um lenço vais baralhar as cartas, e advinhar uma que lhes
+mostrarás; feito isto, pegarás no baralho, e baralhando sem mover a
+carta de baixo, a mostrarás junta com o baralho, depois tornarás a
+baralhar naturalmente, e mandarás partir em quanto tiras o lenço dos
+olhos, e depois passarás as cartas até dar com a dita carta que antes
+tinhas visto e a mostrarás.
+
+
+_Jogo para adivinhar as cartas pelo tacto com o baralho posto ao alto em
+cima da cabeça_
+
+Para fazeres este jogo é preciso haver terceira pessoa, a quem tenhas
+dado conta do segredo, a qual te avisará tocando-te no pé, ou dando-te o
+signal pelos dedos etc., v. gr. mandam-te adivinhar as figuras, posto o
+baralho na cabeça de modo que todos vejam as suas pintas, irás tirando
+cartas, e quando se descobrir alguma figura, a pessoa que tens prevenida
+te dará o signal, e tu então apalpando com os dedos dirás: este é uma
+figura porque a conheço pelo tacto e este agora não é etc., tambem se
+póde fazer este jogo com o baralho em cima da meza bocca acima e com os
+olhos vendados, fazendo que as conheces pelo cheiro e se se descobrir o
+segredo de haver quem te dê as senhas, ou te pedirem que adivinhes as
+cartas pelas pintas e pelos naipes, então fazendo que apostas irás
+disfarçado compor o baralho pelo modo que te ensinei no primeiro jogo, e
+depois sabendo a primeira carta saberás todas as outras augmentando-lhe
+os 3 de memoria e observando a graduação dos naipes.
+
+
+_Jogo para fazer com que um navio carregado com 15 cavallos brancos, e
+15 pretos por sorte sejam os pretos todos lançados ao mar_
+
+Tomarás 30 cartas, e porás 15 de cara abaixo, representando os cavallos
+pretos e as outras 15 de cara acima representando os cavallos brancos,
+formarás com ellas um circulo a modo de um navio do modo seguinte--4
+brancos, 5 pretos, 2 brancos, 1 preto, 3 brancos, 1 preto, 1 branco, 2
+pretos, 2 brancos, 3 pretos, 1 branco, 2 pretos, 2 brancos, e 1 preto;
+isto é 4. 5. 2. 1. 3. 1. 1. 2. 2. 3. 1. 2. 2. 1; agora sendo preciso
+deitar metade da carga ao mar por causa de um temporal que pôz o navio
+em perigo, os dois donos dos cavallos disputavam quaes haviam de ir sem
+que nenhum d'elles consentisse, porém o capitão vendo o perigo e a
+necessidade disse que fossem por sorte, e que contassem, até 9, e onde
+cahisse o numero 9, fossem todos ao mar, e sendo acceite a proposta
+começaram com as sortes e começando a contar pelo primeiro dos 4
+brancos, e depois do numero 9 por diante até concluir a conta de 15, se
+verificou irem os pretos todos ao mar.
+
+
+_Jogo para adivinhar as cartas que um tem na mão direita_
+
+Mandarás a um sugeito, que tome cartas iguaes em cada mão, que tire
+depois um certo numero d'ellas da esquerda para a direita, e que dobre
+as da esquerda com as da direita; feito isto, saberás que tem na mão
+direita o dobro das que lhe mandaste tirar da esquerda.
+Exemplo--supponhamos que o sugeito tomou 6 cartas em cada mão, e que lhe
+mandaste tirar da esquerda para a direita 2 cartas, e que lhe mandaste
+dobrar as da esquerda com as da direita, o resto será o dobro das que
+lhe mandaste tirar da esquerda para a direita, que são 4.
+
+
+_Jogo para adivinhar, em que mão ha par ou impar de cartas_
+
+Mandarás a um sugeito tomar em cada mão as cartas que quizer, isto é, em
+uma mão par, e em outra impar, mandarás que multiplique as da direita
+por 3, e as da esquerda por 2, que somme depois as duas multiplicações,
+e que te diga o seu importe, o qual sendo par tal estará na mão direita,
+e se fôr pernão tal estará na mão direita, e o par na esquerda. Exemplo
+supponhamos que o sugeito em nossa ausencia tomou 5 cartas na mão
+direita? e 2 na esquerda, e multiplicando as da mão direita por 3--faz
+15, e as da esquerda por 2, faz 4--a somma das duas multiplicações é 19,
+e por ser numero impar direi que o sugeito tem impar na mão direita e
+par na esquerda.
+
+
+_Jogo para adivinhar uma carta que outro tenha no sentido_
+
+Tomarás 21 cartas e as porás em cima da meza em 3 fileiras cara acima, e
+mandarás a um sugeito que deite o sentido á carta que quizer, e que
+tenha conta em qual das fileiras está e que te diga, logo apanharás as
+cartas de cada fileira: pondo as da fileira que elle te marcou no meio,
+e fazendo isto, outra vez começando sempre a fazer as fileiras todas
+juntas de cima para baixo, perguntarás outra vez em qual fileira está, a
+qual porás sempre no meio, apanhando as fileiras uma por cada vez d'alto
+abaixo, e a terceira vez deitarás as cartas de cara abaixo, e lhe dirás
+que te diga em qual fileira está, e como t'o não saiba dizer, lhe
+mostrarás a undecima carta, ou a 4.ª carta da fileira do meio; tambem
+poderás fazer este jogo escolhendo um numero impar do qual se possam
+tirar 3 partes cabaes, assim como 9, 15, 21, 27, etc., e fazendo as
+operações das 3 fileiras, isto é, 3 fileiras, e 3 repartições d'ellas,
+incluindo sempre a fileira em que se acha a carta no meio das outras 2,
+o que executado irás pondo as cartas á 3.ª vez de cara abaixo até que
+contes a que faz o meio d'ellas todas, que em 9, é a quinta carta, em 15
+será a 8.ª em 21 a 11, e em 27, a 14, e em as mais a sua correspondente,
+a qual mostrarás.
+
+
+_Jogo para adivinhar uma carta que se tenha tirado do baralho_
+
+Mandarás tirar uma carta do baralho, e no sitio onde a tirarem
+observarás a carta que lhe fica proxima por cima, e mandarás que depois
+de a verem, que a ponham no mesmo sitio, depois puxarás as cartas por
+cima esperando que saiha a que tu viste, e a que se lhe seguir será a
+que elles viram.
+
+
+_Jogo para adivinhar uma carta que tenham tirado do baralho_
+
+Tomarás o baralho, e o baralharás e com ligeireza, verás a carta debaixo
+qual é, depois baralharás outra vez sem mover a dita carta de baixo, e
+porás todo o baralho estendido em fórma de um leque na mão, cara abaixo;
+dirás a um dos assistentes que tire uma qual quizer, e depois de a ver
+que a ponha em cima de todo o baralho, e lhe dirás que parta, e porás o
+monte debaixo em cima do outro, lho dirás ainda que parta as vezes que
+quizer, depois passarás todas as cartas, e a carta que estiver era cima
+da 1.ª que havias visto antes, será a que elles viram.
+
+
+_Jogo de riso para adivinhar uma carta que outro tenha pensado_
+
+Darás o baralho a um dos circunstantes, e lhe dirás que o baralhe bem, e
+que o ponha em cima da meza em dois montes, e que ponha o sentido em uma
+carta, e que te diga que carta é, e havendo-te dito, lhe dirás que a
+tire d'aquelle monte, (mostrando-lhe por exemplo o que tiver mais
+cartas,) e encontrando-a no dito monte ficarão maravilhados, pensando
+que o tens adivinhado, e se não encontram, lhe dirás muito sério--pois
+então estará no outro monte, o que os fará rir, por tal habilidade.
+
+
+_Jogo de entretimento e de pôr 9 cartas em 3 fileiras, e fazer que por
+todos os lados façam o numero de 15_
+
+Tomarás todos os ouros, isto é, desde o az até o 9, e se não tiveres
+cartas que tenham os oitos e noves, cortarás 9 quadrados pequenos de
+papel, e lhe escreverás em cada um seu algarismo de 1 até 9, e os porás
+do modo seguinte--
+
+ 1 2 3
+ 4 5 6
+ 7 8 9
+
+e dirás aos circunstantes, que para se entreterem, quer vêr se haverá
+algum que se atreva a por este quadro magico de modo que ao alto, ao
+través, e ao encruzado, ao mesmo tempo contenha o numero de 15, e depois
+que já estejam cansados, e o não saibam fazer, o farás do modo seguinte--
+
+ 2 7 6
+ 9 5 1
+ 4 3 8
+
+e depois que todos tenham examinado o desmancharás outra vez para que o
+façam, e se houver alguem que o faça, mostrando-se esperto, tirarás o
+numero 1, e porás outro que contenha o numero 10 em seu lugar, e lhe
+dirás que faça o dito quadro magico, contendo para todos os lados, ou
+direcções a somma de 18, e se não houver quem o faça, o que succede se o
+não souberem em antes, o farás d'este modo--
+
+ 5 10 3
+ 4 6 8
+ 9 2 7
+
+e ainda lhe farás outro se quizeres, tirando o numero dois pondo em seu
+lugar o numero 11, dizendo-lhe que o façam de modo que para, todos os
+lados e direcções, somme o numero de 21, e se o não souberem fazer o
+farás d'este modo--
+
+ 6 11 4
+ 5 7 9
+ 10 3 8
+
+e ainda lhe farás outro para os divertir mais, tirando o numero 3, e
+pondo em seu lugar o numero 12, dizendo-lhe que façam o dito quadro
+magico de modo que para todos os lados e direcções sommem o numero de
+24, e se o não souberem fazer, o farás de modo seguinte--
+
+ 7 12 5
+ 6 8 10
+ 11 4 9
+
+
+_Jogo para adivinhar 3 cartas (ou 3 objectos), e entre 3 sugeitos, qual
+tomou cada uma_
+
+Porás em cima da meza 3 cartas, ou 3 objectos, supponhamos um rei, um
+valéte e uma sóta; darás o valor superior ao rei, inferior ao valéte, o
+infimo á sóta; repartirás depois 6 cartas entre 3 sugeitos; isto é, 3 a
+um, 2 a outro, e 1 a outro; porás mais 18 cartas em cima da meza
+retirando as outras, sem que faças caso d'ellas para este jogo, e
+retirando-te para dar lugar a que cada um dos sujeitos a quem deste as 6
+cartas, tome a sua carta ou objecto, lhe mandarás ao que tiver o rei, ou
+objecto de maior valor, que tome tantas cartas como as que lhe tiveres
+dado; isto é, que se tiver uma, que tome outra, se tiver duas que tome
+mais 2, e se tiver tres mais 3; ao que tiver o valéte ou objecto de
+valor inferior que tome duas vezes tantas cartas como tiver; isto é, que
+se tiver uma tome 2, se tiver duas tome 4, e se tiver trez tome 6, o que
+tiver a sóta ou objecto de infimo valor tome 4 vezes tantas cartas como
+tiver; isto é, que tendo uma tome 4, se tiver 2 tome 8, e se tiver 3
+tome 12; depois te approximarás, e só te resta contar as cartas que
+sobejar das 18 que la deixaste; advertindo que para cada numero de
+cartas que sobejar haverá uma dicção; isto é, sobejando uma carta lhe
+pertence a primeira dicção--_Aderi_--se sobejarem 2, lhe pertence
+a 2.ª dicção--_Redari_--se sobejarem 3, lhe pertence a 3.ª
+dicção--_Camiré_--se sobejarem 4.ª dicção--_Nada_--porque nunca podem
+sobejar 4 cartas; se sobejarem 5 a dicção--_Ermina_--se sobejarem 6 a
+dicção--_Filaré_--e se sobejarem 7 a dicção--_Gibélla_--; cujas dicções
+servem para declarar quem tomou os objectos, o que se sabe pela posição
+das letras vogaes de cada dicção, advertindo que a letra vogal--_a_--tem
+o valor de um, indicando o sujeito a quem déste uma carta, a letra
+vogal--_e_--o valor de 2 indicando o sugeito a quem deste 2 cartas, e a
+letra vogal--_i_--o valor de 3 indicando o sujeito a quem deste as 3
+cartas. Exemplo: supponhamos que sobejaram 2 cartas das 18--, observarás
+a dicção que lhe corresponde, que é a 3.ª dicção--_Camiré_--e como a
+vogal--_a_--está em primeiro lugar, pedirás ao sujeito a quem déste uma
+carta o rei, ou o objecto de maior valor, e como a vogal--_i_--está em
+segundo lugar, pedirás ao sugeito a quem deste as 3 cartas o valéte ou o
+objecto de inferior valor; e finalmente como a vogal--_e_--está em
+terceiro lugar, pedirás ao sugeito a quem deste 2 cartas, a sóta ou o
+objecto de infimo valor, e por este modo farás ou praticarás em todas as
+mais cartas que sobejarem, observando a dicção que lhe corresponde, e a
+posição das letras vogaes de cada dicção, e o seu valor.
+
+
+_Jogo para adivinhar entre dous sugeitos, quantas cartas tomou cada um
+de 12, que deixaste em cima da meza_
+
+Porás em cima da meza 12 cartas, e ausentando-te para que dois sugeitos
+as tomem; depois mandarás a um d'elles, que multiplique as suas por 2 e
+ao outro por 12; depois que sommem as duas multiplicações, cuja somma
+diminuam de 156, e que te digam o que ficou, cuja quantia repartirás por
+11, e o que te vier ao quociente será o numero de cartas que tomou o
+sugeito a quem mandaste multiplicar por 2, e o resto da partição
+indicará o numero de cartas que tomou o sugeito a quem mandaste
+multiplicar por 12. Exemplo: supponhamos mandaste multiplicar a João por
+2, e que este tinha 4 cartas, cuja multiplicação fez 8, e que mandaste a
+José multiplicar por 12, e tendo este 8 cartas e multiplicando-as por 12
+fez 96, agora mandaste sommar duas multiplicações fez 104 cuja quantia
+mandaste diminuir de 156, cujo resto te dirão que é--52,--agorar
+partindo tu estes--25--por 11, (sem que o percebam) te sahirão 4 no
+quociente, e 8 no resto, por isso dirás que João (a quem mandaste
+multiplicar por 2) tem 4 cartas das 12, e José as outras que são 8;
+adverte-se que se vierem 2 ao quociente sem sobejar nada se hade
+entender que o sugeito a quem mandaste multiplicar por 2, terá uma só
+carta e o outra 11.
+
+
+_Jogo para adivinhar em todo o baralho a carta em que um sugeito pozer o
+dedo_
+
+Estenderás o baralho pela latitude da meza, e dirás a um sugeito, que
+ponha o dedo na carta que quizer, e que deite sentido a quantas cartas
+está contando da primeira d'onde começaste a estender o baralho, depois
+te aproximarás, e lhe mandarás dobrar esse numero que contou de cartas
+até á que poz o dedo, e que junte mais 5 e depois que multiplique tudo
+por 5, e que te diga o seu importe, o qual diminuirás de 25 e tantas
+dezenas como ficarem, tantas são as cartas até a que se poz o dedo.
+Exemplo: supponhamos que poz o dedo em a 13 carta, mandarás que dobre
+esse numero e fará 26, que lhe junte 5, fará 31, que multiplique por 5 e
+fará 155, dos quaes tirarás--25--(sem que o percebam, pois feitas as 3
+operações, lhe pedirás o seu importe) cujo resto são 130, em cuja
+quantia ha 13 dezenas, e logo levantarás a carta aonde cahir o numero
+13, contando da primeira d'onde começaste a estender o baralho.
+
+
+_Jogo para adivinhar todas as cartas que quizeres_
+
+Depois de teres observado a carta que está por baixo tomarás o baralho e
+o baralharás sem mover a carta que está por baixo, depois farás tantos
+montes, quantas pessoas houver, tendo conta no monte em que está a carta
+que tiveres visto, supponhamos fosse um sete de copas, dirás a um dos
+assistentes, de qual monte quer que tire o sete de copas? e do monte que
+te mandar tirarás uma carta, e observando qual é, supponhamos fosse o 2
+de espadas, logo dirás a outro, de qual monte quer que tire o 2
+d'espadas? e do monte que te mandar o levarás e tirarás todas as outras
+que te mandarem umas pelas outras, e depois não havendo mais quem queira
+dirás: eu tambem quero tirar uma, e tirarás então o dito sete de copas
+do dito monte em que reparaste que ficou; depois dirás ao primeiro de
+qual monte terá mandado tirar o sete da copas, e logo porás o dito sete
+de copas descoberto em cima do monte que te disserem, depois farás as
+mesmas perguntas com os outros pondo-lhe a carta descoberta em cima dos
+montes que te apontarem.
+
+
+_Jogo de adivinhar 3 cartas antes de as tirar do baralho_
+
+Depois de observar a carta de baixo, baralharás bem, mas sem movel-a
+dando depois o baralho á um dos circunstantes, lhe dirás que te dê por
+cima a carta que tiveres visto por baixo; que te dé do meio a que elle
+te deu por cima; e que te dê por baixo a que te tiver dado do meio, e
+adverte que pela carta que lhe fôres pedindo lhe podes pedir todas as
+mais que quizeres, deixando a debaixo que tenhas visto para o resto de
+todas.
+
+
+_Jogo para fazer desapparecer uma carta do baralho e adivinhal-a_
+
+Mandarás gue partam o baralho, e pegando tu no monte de cima, dirás que
+vejam a carta que está por cima do monte de baixo, e que a ponham no
+mesmo sitio, e dando tu uma volta pela casa molharás um pouco as costas
+da mão direita com saliva da bocca ou cousa semilhante, e com o outro
+monte na dita mão porás as costas da mão em cima da dita carta
+carregando para que se pegue, e perguntando aos circunstantes se será
+aquella que tens á vista na palma da mão e dizendo-te que não,
+levantarás a mão de sorte que se não veja a que trazes pegada nas
+costas, e deixando depois o monte de cima em cima do de baixo lhe dirás
+que a procurem, e tendo já visto a carta que trouxeste pegada lhe dirás
+que carta é, e vendo que a não encontram a juntarás ao baralho sem que o
+percebam e fazendo que a procuras lh'a mostrarás.
+
+
+_Jogo para adivinhar a carta que um tenha tocado com o dedo_
+
+Para fazeres este jogo, é preciso haver terceira pessoa a quem tenhas
+dado conta do segredo, para te dar as senhas precisas: depois estenderás
+todo o baralho em cima da meza bocca acima em 4 fileiras, dando á
+primeira o nome de dias, á segunda de semanas, á terceira de mezes, e á
+quarta d'annos; e estando tu ausente, a pessoa prevenida observará a
+carta que tocaram e em que fileira está; depois te aproximarás á meza,
+v. g. tenham tocado a setima carta da primeira fileira, a senha que te
+hade dar a pessoa prevenida é a seguinte: senhores, é impossivel
+adivinhar ainda que esteja sete dias continuos; depois bastará contares
+as cartas da primeira fileira começando d'alto a baixo até a setima, a
+qual levantarás e mostrarás: adverte que as senhas podem ser mais
+dissimuladas para que o não percebam, fazendo que apostas, etc. etc.
+
+
+_Jogo enigmatico_
+
+Tomarás os reis, os valétes, as sótas e os azes do baralho, e porás os 4
+reis em uma fileira ao lado uns dos outros e um pouco divididos; depois
+porás um valéte em cima de cada rei, de modo que estes se vejam; depois
+porás as sótas pelo mesmo modo que pozeste os valétes; depois os azes
+pelo mesmo modo: mandarás depois aos circunstantes que vejam como estão
+em cada fileira um rei, um valéte, uma sóta e um az, e que depois de os
+baralhar bem farás que appareçam os 4 reis divididos, os valétes, as
+sótas e os azes cada um em sua fileira; logo levantarás uma fileira,
+isto é, um rei, um valéte, uma sóta e um az, e as mais da mesma fórma,
+depois baralharás bem pondo as cartas de baixo em cima, sem que mettas
+nenhuma por entre meio, e mandarás partir, depois pegando n'ellas as
+puxarás cobertas, e por baixo e as irás pondo pelo mesmo modo que
+pozeste da primeira vez em 4 fileiras e umas ao lado das outras; depois
+as descobrirás, e verão como estão os 4 reis em uma fileira e os valétes
+e mostra as sótas em outra e os azes em outra.
+
+
+_Jogo de pôr 3 valétes e uma sóta divididos pelo baralho e fazel-os
+apparecer juntos_
+
+Tomarás 3 valétes e uma sóta, e os porás em cima da meza; dirás depois
+aos circunstantes: estes 3 sugeitos teem-se aqui divertido na taberna, e
+feito tão grande despeza que se vêem obrigados a fugir sem pagarem á
+vendeira, pois não teem um real de seu; para cujo effeito assentaram que
+mandar a vendeira, (que é a sóta) buscar mais vinho e fugir entretanto,
+e virando tu a sóta para baixo tomarás os valétes, e os farás
+desapparecer pondo um no cimo, outro no fundo, e outro no meio do
+baralho; mas adverte que antes de tudo é preciso que tenhas posto (sem
+que o percebam) o 4.º valéte no fundo, depois tomarás a sóta e a farás
+correr atraz dos caloteiros pondo-a por cima do baralho, e mandando
+partir, puxarás as cartas até encontrares os 3 valétes e a sóta.
+
+
+_Jogo para fazer um relogio, e adivinhar as horas a que um sugeito
+costuma jantar, cear ou dormir_
+
+Tomarás 12 cartas d'um naipe, com as duas falsas o oito, e o nove, e
+darás o valor á sóta de 10, ao valéte de 11, e ao rei de 12, depois
+formarás um circulo a modo d'um mostrador de relogio, começando do az
+até o rei, e todas de cara a baixo; mas deves ter sentido aonde fica a
+1.ª que é o az; depois sabendo tu as horas em que qualquer sugeito
+costuma jantar, cear, ou dormir, farás o jogo por um de 2 modos; o
+primeiro é mandar contar desde a uma inclusivè ao revés, isto é, da uma
+que passe ás 12, depois ás 11 etc., e sobre a hora que elegerem em
+segredo até 14; e pelo segundo, mandarás contar sobre a hora que levar
+em o seu pensamento, até um certo numero; isto é, que para a uma hora
+mandarás contar sobre ella inclusivè até 14; para as 2, sobre as 2 até
+15; para as 3, sobre as 3 até 16 etc. Exemplo: Quando quizeres que te
+caia a hora, por saberes que a esta hora costuma um sugeito jantar,
+mandarás que conte da uma hora ao revés sobre a hora que leva no seu
+pensamento até 14, e tendo o dito sugeito elegido a uma hora contará na
+carta que tu lhe propozeste (que é a uma) e dirá n'ella 2, nas 12 dirá
+3, nas 11 dirá 4 e contando assim até 14, essa levantará e verá que é á
+uma hora; se fôr as 2, contará da uma até 14, sobre as 2 que leva no
+pensamento; isto é começando a contar na 1 hora com 3, até 14, ao revés;
+e assim por diante contando sempre até 14, e começando sempre na uma
+hora a contar sobre as que levar no pensamento. Exemplo do segundo modo:
+Sendo a hora elegida á uma, mandarás contar sobre ella até 14, sendo ás
+2 mandarás contar das mesmas 2 até 15; sendo ás 3 mandarás contar das 3
+até 16; ás 4 que conte dellas até 17, e assim por diante, mas advirta-se
+que sempre se começa a contar, sobre as que se levam no pensamento.
+Supponhamos que para as 4, mandarás começar no dito 4 na qual dirá 5 no
+3, 6, no 2, 7, no az 8, nas 12--9, nas 11--10--assim até 17, cuja carta
+dos 17 levantará, e verão que é o 4, significando as 4 horas.
+
+Outros muitos jogos aqui podia ensinar, o que deixo de fazer por serem
+muito difficeis e custosos de fazer.
+
+
+
+
+O SUSPIRO
+
+ Vai, terno Suspiro meu,
+ Ligeiro fendendo o ar,
+ Nos labios da minha amada
+ Saudosamente expirar.
+
+ Mas primeiro, o meu suspiro,
+ Brando gira ante o meu seio,
+ E podes alguns momentos
+ Alli pousar sem receio.
+
+ N'esse logar delicioso
+ Espreita a mais leve acção:
+ Indaga attento por quem
+ Suspira o seu coração.
+
+ Se um só ai do peito amante
+ Lhe escapar e me pertença,
+ Então, então não expires,
+ Vem trazer-m'o sem detença.
+
+ Mas se aleivosa comigo
+ A outrem seu ai mandar,
+ Então nos labios da ingrata
+ Tu deves logo expirar.
+
+ Nada mais lenho a dizer-te,
+ Corre, vôa onde te ordeno,
+ Brandos zefiros te guiem,
+ Conserve-se o ar sereno.
+
+
+ENIGMAS
+
+ Principio do mundo sou
+ O meu ser é um, e é trino
+ Não sou deus, nem o imagino
+ E em todas as partes estou.
+
+ No mundo faço a principal figura
+ Entre os homens me vês, e não me sentes
+ Se dizes sou ar, agua ou fogo mentes;
+ Mas em todas as partes me procura.
+
+ Sou o primeiro, a morrer sem ser gerado,
+ Estou com o demonio no inferno
+ E no meio do tempo sem ser passado.
+ (_E. A letra--M._)
+
+ Sou femea e sou triste
+ Mui secreta e repousada,
+ De corpo e alma privada,
+ E só trage negro me assiste
+ Sendo de muitos estimada.
+ (_A noite._)
+
+ Em as mãos das damas
+ Quasi sempre estou mettido
+ Umas vezes estirado
+ E outras vezes encolhido.
+ (_O Leque._)
+
+ Quem será um velho ligeiro
+ Que tem quatro movimentos,
+ E doze repartimentos,
+ Que a qualquer passageiro,
+ Dá mais penas que contentos?
+ (_O Anno._)
+
+ Ha um filho de um velho
+ Que tem mais onze irmãos
+ Sem cabeças, pés, nem mãos,
+ Que nos causa a differença
+ De estarmos doentes ou sãos.
+ (_O Mez._)
+
+ Dou o sangue ás veias
+ E tambem por meus amores
+ Me transformo em mil flores,
+ Misturadas com as assucenas
+ E rozas de todas as côres.
+ (_A Primavera._)
+
+ Todos dizem que sou navio,
+ Chamando-me tardo, e ligeiro,
+ Que ao pobre, e cavalleiro
+ Roubo como grande corsario,
+ Sendo um velho passageiro.
+ (_O tempo._)
+
+ Quem é um grande senhor,
+ Que foi nascido da terra,
+ E tem armas de paz, e guerra,
+ E que a uns dá grande valor
+ E a outros sua ausencia interra?
+ (_O dinheiro._)
+
+ O meu principio foi de ervas
+ Depois me pintaram de côres
+ E costumo a dar dissabores,
+ E mortes tenho causado acerbas.
+ E a pobreza a muitos senhores.
+ (_As cartas de jogar._)
+
+ Qual é a cousa que Deus nunca viu
+ Nem terá de vêr?--Resposta--Outro igual a elle.
+
+ Qual é a cousa que em tudo poisa?
+ Resposta--É o nome.
+
+
+FIM DA SEGUNDA PARTE
+
+
+
+
+
+End of the Project Gutenberg EBook of O Oraculo do Passado, do presente e do
+Futuro (2/7), by Bento Serrano
+
+*** END OF THIS PROJECT GUTENBERG EBOOK O ORACULO DO PASSADO (2/7) ***
+
+***** This file should be named 27310-8.txt or 27310-8.zip *****
+This and all associated files of various formats will be found in:
+ https://www.gutenberg.org/2/7/3/1/27310/
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+Produced by M. Silva (produced from scanned images of
+public domain material from Google Book Search)
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+
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+will be renamed.
+
+Creating the works from public domain print editions means that no
+one owns a United States copyright in these works, so the Foundation
+(and you!) can copy and distribute it in the United States without
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+set forth in the General Terms of Use part of this license, apply to
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+Gutenberg is a registered trademark, and may not be used if you
+charge for the eBooks, unless you receive specific permission. If you
+do not charge anything for copies of this eBook, complying with the
+rules is very easy. You may use this eBook for nearly any purpose
+such as creation of derivative works, reports, performances and
+research. They may be modified and printed and given away--you may do
+practically ANYTHING with public domain eBooks. Redistribution is
+subject to the trademark license, especially commercial
+redistribution.
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+entity to whom you paid the fee as set forth in paragraph 1.E.8.
+
+1.B. "Project Gutenberg" is a registered trademark. It may only be
+used on or associated in any way with an electronic work by people who
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+things that you can do with most Project Gutenberg-tm electronic works
+even without complying with the full terms of this agreement. See
+paragraph 1.C below. There are a lot of things you can do with Project
+Gutenberg-tm electronic works if you follow the terms of this agreement
+and help preserve free future access to Project Gutenberg-tm electronic
+works. See paragraph 1.E below.
+
+1.C. The Project Gutenberg Literary Archive Foundation ("the Foundation"
+or PGLAF), owns a compilation copyright in the collection of Project
+Gutenberg-tm electronic works. Nearly all the individual works in the
+collection are in the public domain in the United States. If an
+individual work is in the public domain in the United States and you are
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+
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+or cause to occur: (a) distribution of this or any Project Gutenberg-tm
+work, (b) alteration, modification, or additions or deletions to any
+Project Gutenberg-tm work, and (c) any Defect you cause.
+
+
+Section 2. Information about the Mission of Project Gutenberg-tm
+
+Project Gutenberg-tm is synonymous with the free distribution of
+electronic works in formats readable by the widest variety of computers
+including obsolete, old, middle-aged and new computers. It exists
+because of the efforts of hundreds of volunteers and donations from
+people in all walks of life.
+
+Volunteers and financial support to provide volunteers with the
+assistance they need, is critical to reaching Project Gutenberg-tm's
+goals and ensuring that the Project Gutenberg-tm collection will
+remain freely available for generations to come. In 2001, the Project
+Gutenberg Literary Archive Foundation was created to provide a secure
+and permanent future for Project Gutenberg-tm and future generations.
+To learn more about the Project Gutenberg Literary Archive Foundation
+and how your efforts and donations can help, see Sections 3 and 4
+and the Foundation web page at https://www.pglaf.org.
+
+
+Section 3. Information about the Project Gutenberg Literary Archive
+Foundation
+
+The Project Gutenberg Literary Archive Foundation is a non profit
+501(c)(3) educational corporation organized under the laws of the
+state of Mississippi and granted tax exempt status by the Internal
+Revenue Service. The Foundation's EIN or federal tax identification
+number is 64-6221541. Its 501(c)(3) letter is posted at
+https://pglaf.org/fundraising. Contributions to the Project Gutenberg
+Literary Archive Foundation are tax deductible to the full extent
+permitted by U.S. federal laws and your state's laws.
+
+The Foundation's principal office is located at 4557 Melan Dr. S.
+Fairbanks, AK, 99712., but its volunteers and employees are scattered
+throughout numerous locations. Its business office is located at
+809 North 1500 West, Salt Lake City, UT 84116, (801) 596-1887, email
+business@pglaf.org. Email contact links and up to date contact
+information can be found at the Foundation's web site and official
+page at https://pglaf.org
+
+For additional contact information:
+ Dr. Gregory B. Newby
+ Chief Executive and Director
+ gbnewby@pglaf.org
+
+
+Section 4. Information about Donations to the Project Gutenberg
+Literary Archive Foundation
+
+Project Gutenberg-tm depends upon and cannot survive without wide
+spread public support and donations to carry out its mission of
+increasing the number of public domain and licensed works that can be
+freely distributed in machine readable form accessible by the widest
+array of equipment including outdated equipment. Many small donations
+($1 to $5,000) are particularly important to maintaining tax exempt
+status with the IRS.
+
+The Foundation is committed to complying with the laws regulating
+charities and charitable donations in all 50 states of the United
+States. Compliance requirements are not uniform and it takes a
+considerable effort, much paperwork and many fees to meet and keep up
+with these requirements. We do not solicit donations in locations
+where we have not received written confirmation of compliance. To
+SEND DONATIONS or determine the status of compliance for any
+particular state visit https://pglaf.org
+
+While we cannot and do not solicit contributions from states where we
+have not met the solicitation requirements, we know of no prohibition
+against accepting unsolicited donations from donors in such states who
+approach us with offers to donate.
+
+International donations are gratefully accepted, but we cannot make
+any statements concerning tax treatment of donations received from
+outside the United States. U.S. laws alone swamp our small staff.
+
+Please check the Project Gutenberg Web pages for current donation
+methods and addresses. Donations are accepted in a number of other
+ways including including checks, online payments and credit card
+donations. To donate, please visit: https://pglaf.org/donate
+
+
+Section 5. General Information About Project Gutenberg-tm electronic
+works.
+
+Professor Michael S. Hart was the originator of the Project Gutenberg-tm
+concept of a library of electronic works that could be freely shared
+with anyone. For thirty years, he produced and distributed Project
+Gutenberg-tm eBooks with only a loose network of volunteer support.
+
+
+Project Gutenberg-tm eBooks are often created from several printed
+editions, all of which are confirmed as Public Domain in the U.S.
+unless a copyright notice is included. Thus, we do not necessarily
+keep eBooks in compliance with any particular paper edition.
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