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authorRoger Frank <rfrank@pglaf.org>2025-10-15 02:18:25 -0700
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+<title>O Federalismo, por Sebasti&atilde;o de Magalh&atilde;es
+Lima</title>
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+"Sebasti&atilde;o de Magalh&atilde;es Lima">
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+<pre>
+
+The Project Gutenberg EBook of O Federalismo, by Sebastião de Magalhães Lima
+
+This eBook is for the use of anyone anywhere at no cost and with
+almost no restrictions whatsoever. You may copy it, give it away or
+re-use it under the terms of the Project Gutenberg License included
+with this eBook or online at www.gutenberg.org
+
+
+Title: O Federalismo
+
+Author: Sebastião de Magalhães Lima
+
+Release Date: June 3, 2008 [EBook #25690]
+
+Language: Portuguese
+
+Character set encoding: ASCII
+
+*** START OF THIS PROJECT GUTENBERG EBOOK O FEDERALISMO ***
+
+
+
+
+Produced by Pedro Saborano. A partir da digitalização
+disponibilizada pela bibRIA.
+
+
+
+
+
+
+</pre>
+
+<h1>O IDEAL MODERNO</h1>
+<h5>BIBLIOTHECA<br>
+POPULAR<br>
+DE<br>
+ORIENTA&Ccedil;&Atilde;O<br>
+SOCIALISTA</h5>
+<hr style="width: 20%">
+<h2>O FEDERALISMO</h2>
+<h6>DIRECTORES</h6>
+<h5>MAGALH&Atilde;ES LIMA</h5>
+<h6>E</h6>
+<h5>TEIXEIRA BASTOS</h5>
+<hr style="width: 80%">
+<p style="margin-left: 30%; font-size: 0.8em;">COMP.<sup>A</sup>
+N.<sup>AL</sup> EDITORA<br>
+SEC&Ccedil;&Atilde;O EDITORIAL<br>
+ADM. J. GUEDES&mdash;LISBOA</p>
+<div class="capa">
+<h2>O IDEAL MODERNO</h2>
+<h1>O FEDERALISMO</h1>
+<h5>POR</h5>
+<h2>MAGALH&Atilde;ES LIMA</h2>
+<h6>LISBOA<br>
+SEC&Ccedil;&Atilde;O EDITORIAL DA COMPANHIA NACIONAL EDITORA<br>
+Administrador&mdash;JUSTINO GUEDES<br>
+50, Largo do Conde Bar&atilde;o, Lisboa<br>
+AGENCIAS<br>
+Porto, Largo dos Loyos, 47, 1.&ordm;<br>
+38, Rua da Quitanda, Rio de Janeiro<br>
+1898</h6>
+</div>
+<div id="corpo">
+<span class="pagenum"><a name="pag_2" id="pag_2">[2]</a></span>
+<br>
+<span class="pagenum"><a name="pag_3" id="pag_3">[3]</a></span>
+<h1><a name="SECTION00100000000000000000" id=
+"SECTION00100000000000000000"></a><br>
+PALAVRAS PR&Eacute;VIAS</h1>
+<p>Com a publica&ccedil;&atilde;o do <em>Ideal Moderno</em>,
+tivemos, principalmente, em vista a vulgarisa&ccedil;&atilde;o das
+id&eacute;as que, no extrangeiro, mais preoccupam os espiritos,
+actualmente, e tanto concorrem para a renova&ccedil;&atilde;o
+philosophica, scientifica e social que caracteriza a nossa
+&eacute;poca. Desde os bancos da Universidade que vimos fazendo a
+propaganda do federalismo, como a cupula magestosa, destinada a
+completar o edificio republicano. Resumindo n'um pequeno volume
+tudo o que temos publicado a tal respeito, e expondo, n'uma
+edi&ccedil;&atilde;o portugueza, os principios que defendera no meu
+livro&mdash;<em>La F&eacute;d&eacute;ration Ib&eacute;rique</em>
+que t&atilde;o discutido foi, por occasi&atilde;o do seu
+apparecimento, em Paris, julgo prestar um servi&ccedil;o &aacute;
+democracia portugueza. A obra democratica s&oacute; ser&aacute;
+estavel e s&oacute; poder&aacute; triumphar, quando, em vez de
+incensar homens, procurar apoiar-se nas ideias e nos principios,
+unico alicerce a uma construc&ccedil;&atilde;o solida e
+duradoira.</p>
+<span class="pagenum"><a name="pag_4" id="pag_4">[4]</a></span>
+<br>
+<span class="pagenum"><a name="pag_5" id="pag_5">[5]</a></span>
+<h1><a name="SECTION00200000000000000000" id=
+"SECTION00200000000000000000"></a><br>
+I<br>
+O que &eacute; o federalismo</h1>
+<p>Federa&ccedil;&atilde;o (do latim <em>foedus</em>) quer dizer
+pacto, allian&ccedil;a, que liga e obriga as duas partes
+contractantes.</p>
+<p>Proudhon define assim a federa&ccedil;&atilde;o: &Eacute; um
+contracto ou uma conven&ccedil;&atilde;o, em virtude da qual um ou
+differentes chefes de familia, uma ou differentes communas, um ou
+differentes grupos de communas ou de Estados, se obrigam
+reciprocamente e egualmente, uns para com os outros, por um ou
+muitos objectos particulares, cujo encargo pertence exclusivamente
+aos delegados da federa&ccedil;&atilde;o. Por outros termos: a
+federa&ccedil;&atilde;o &eacute; o justo equilibrio entre os dois
+polos sobre os quaes se baseiam todos os systemas governamentaes, a
+<em>auctoridade</em> e a <em>liberdade</em>. Por auctoridade deve
+comprehender-se &laquo;o governo geral&raquo;, composto dos
+delegados
+<span class="pagenum"><a name="pag_6" id="pag_6">[6]</a></span>
+dos Estados federados; e por liberdade a autonomia
+municipal.<a name="tex2html1" href="#foot39" id=
+"tex2html1"><sup>1</sup></a></p>
+<p>O federalismo, segundo Pi y Margall, &eacute; o unico systema de
+governo que pode conciliar os variados elementos que se encontram
+no meio de cada sociedade: ra&ccedil;as, religi&otilde;es,
+id&eacute;as, costumes, linguas, etc., e o unico systema capaz de
+realisar as aspira&ccedil;&otilde;es do progresso cujo equilibrio
+produz a evolu&ccedil;&atilde;o pacifica e continua da
+humanidade.<a name="tex2html2" href="#foot321" id=
+"tex2html2"><sup>2</sup></a></p>
+<p>A federa&ccedil;&atilde;o, longe de ser uma id&eacute;a
+antiquada, como pretendem muitos, &eacute;, pelo contrario, uma
+id&eacute;a do nosso tempo, em perfeita harmonia com as
+aspira&ccedil;&otilde;es dos povos modernos. Montesquieu que
+n&atilde;o pertenceu certamente nem &aacute; Antiguidade nem
+&aacute; Edade-M&eacute;dia, considerava-a como o unico systema
+capaz de evitar os inconvenientes das grandes e pequenas
+nacionalidades.</p>
+<p>Proudhon acabou por fazer do federalismo o seu programma de
+governo, &laquo;aconselhando-o como a unica solu&ccedil;&atilde;o a
+todas as antinomias politicas, como o melhor remedio contra as
+usurpa&ccedil;&otilde;es do Estado e a idolatria das massas, como a
+mais solemne
+<span class="pagenum"><a name="pag_7" id="pag_7">[7]</a></span>
+express&atilde;o da dignidade humana. &Eacute; na
+federa&ccedil;&atilde;o das ra&ccedil;as que repousam, n'um
+equilibrio indestructivel, a paz e a justi&ccedil;a.</p>
+<p>Gervinus, um dos primeiros historiadores do seculo, &eacute; de
+parecer que s&oacute; pela realisa&ccedil;&atilde;o do principio
+federativo se poder&aacute; assegurar a liberdade e a paz da
+Europa. Em 1852 annunciava elle j&aacute; o engrandecimento actual
+da Allemanha, predizendo o fim dos grandes Estados pela sua
+transforma&ccedil;&atilde;o em federa&ccedil;&otilde;es. Oa paizes
+unitarios encontram-se expostos a todos os perigos.<a name=
+"tex2html3" href="#foot322" id="tex2html3"><sup>3</sup></a></p>
+<p>P&oacute;de bem dizer-se que <em>unifica&ccedil;&atilde;o</em> e
+<em>federa&ccedil;&atilde;o</em> representam dois graus
+profundamente distinctos da sociabilidade humana: o primeiro deriva
+de um empirismo cego, da interven&ccedil;&atilde;o irracional de
+uma poderosa individualidade, ao passo que o segundo &eacute; a
+obra consciente de uma collectividade que procura, nas
+condi&ccedil;&otilde;es da sua propria existencia, a garantia
+perpetua da sua independencia.<a name="tex2html4" href="#foot323"
+id="tex2html4"><sup>4</sup></a></p>
+<p><em>Uni&atilde;o</em> e <em>annexa&ccedil;&atilde;o</em>
+s&atilde;o cousas bem differentes de
+<span class="pagenum"><a name="pag_8" id="pag_8">[8]</a></span>
+federa&ccedil;&atilde;o. A annexa&ccedil;&atilde;o indica sempre
+uma id&eacute;a de f&ocirc;r&ccedil;a e de violencia. A
+federa&ccedil;&atilde;o, pelo contrario, assenta sobre a
+id&eacute;a de um acc&ocirc;rdo reciproco, de uma mutualidade, de
+uma id&eacute;a baseada sobre o direito e a garantia m&uacute;tuas.</p>
+<p>Cada um dos Estados do Brazil, assim como cada Estado da grande
+Republica americana, assim como cada cant&atilde;o da valente
+Republica suissa, teem assegurados o seu governo, a sua autonomia,
+os seus magistrados, a sua policia, as suas fronteiras, as suas
+finan&ccedil;as, a sua administra&ccedil;&atilde;o, e tudo isto bem
+garantido com a sua bandeira. Estes Estados constituem verdadeiras
+na&ccedil;&otilde;es, ligadas umas &aacute;s outras pelo
+la&ccedil;o federal, e preparadas assim para todas as
+eventualidades que porventura possam surgir.</p>
+<p>O federalismo &eacute; a evolu&ccedil;&atilde;o social, &eacute;
+a tradi&ccedil;&atilde;o historica, &eacute; a lei do progresso,
+&eacute; a ac&ccedil;&atilde;o incessante da
+civilisa&ccedil;&atilde;o, &eacute; a monarchia de Carlos V,
+transformada n'uma Republica poderosa e indestructivel, dividida em
+Estados confederados; &eacute;, emfim, a allian&ccedil;a dos povos,
+elevando-se &aacute; altura da miss&atilde;o que teem a cumprir na
+vida europeia.<a name="tex2html5" href="#foot49" id=
+"tex2html5"><sup>5</sup></a>
+<span class="pagenum"><a name="pag_9" id="pag_9">[9]</a></span>
+O federalismo &eacute; o systema de governo que consiste em reunir
+differentes Estados n'uma s&oacute; na&ccedil;&atilde;o,
+<em>conservando a cada um d'elles a sua autonomia</em>, sobretudo
+no que diz respeito aos interesses communs.</p>
+<p>A Suissa<a name="tex2html6" href="#foot324" id=
+"tex2html6"><sup>6</sup></a> comp&otilde;e-se de vinte e dois
+cant&otilde;es, ou, para falar com mais exactid&atilde;o, de
+dezenove cant&otilde;es e de seis meios cant&otilde;es. Estes
+cant&otilde;es apresentam, entre si, differen&ccedil;as
+consideraveis em extens&atilde;o, popula&ccedil;&atilde;o e
+riqueza, mas gosam todos dos mesmos direitos. Cada cant&atilde;o
+&eacute; um verdadeiro Estado, tendo leis o codigos especiaes, e
+governando-se, quer por parlamentos, quer por assembl&eacute;as
+populares segundo sua constitui&ccedil;&atilde;o externa.</p>
+<p>Encravada no meio da Europa, com 2.500:000 habitantes, sem
+exercito permanente e sem marinha, a Suissa tem sabido
+imp&ocirc;r-se ao respeito e &aacute; considera&ccedil;&atilde;o
+das outras na&ccedil;&otilde;es, por uma
+administra&ccedil;&atilde;o mod&ecirc;lo e pela superioridade da
+sua constitui&ccedil;&atilde;o federal, a qual, no seu art.
+2.&ordm; diz o seguinte:</p>
+<p>&nbsp;</p>
+<p>&laquo;A Confedera&ccedil;&atilde;o tem por fim assegurar a
+independencia
+<span class="pagenum"><a name="pag_10" id="pag_10">[10]</a></span>
+da patria contra o extrangeiro, proteger a liberdade e o direito
+dos confederados, e augmentar a sua prosperidade commum.&raquo;</p>
+<p>&nbsp;</p>
+<p>Citemos ainda alguns artigos:</p>
+<p>&nbsp;</p>
+<p>N&atilde;o ha na Suissa nem subditos, nem privilegios de logar,
+de nascimentos, de pessoas ou de familias (art. 4.&ordm;).</p>
+<p>A Confedera&ccedil;&atilde;o n&atilde;o tem o direito de manter
+exercitos permanentes (art. 13.&ordm;).</p>
+<p>Todo o cidad&atilde;o suisso &eacute; obrigado ao servi&ccedil;o
+militar. Os militares que, no servi&ccedil;o federal, perderem a
+vida ou arruinarem a saude, teem direito aos soccorros da
+Confedera&ccedil;&atilde;o para si ou para suas familias (art.
+18.&ordm;)</p>
+<p>A liberdade de consciencia e de cren&ccedil;a &eacute;
+inviolavel (art. 49.&ordm;).</p>
+<p>O livre exercicio dos cultos &eacute; garantido nos limites
+compativeis com a ordem publica e os bons costumes (art.
+50.&ordm;).</p>
+<p>A ordem dos jesuitas e as sociedades n'ella filiadas n&atilde;o
+podem estabelecer-se em parte alguma da Suissa, e toda a sua
+ac&ccedil;&atilde;o na Egreja e na eschola &eacute; prohibida aos
+seus membros (art. 51).
+<span class="pagenum"><a name="pag_11" id="pag_11">[11]</a></span>
+O illustre publicista Emile Laveleye occupou-se, com toda a
+imparcialidade, da applica&ccedil;&atilde;o da doutrina federal
+&aacute; organisa&ccedil;&atilde;o da politica franceza.
+Examinando, com o auxilio da historia, os diversos elementos
+sociaes, chegou &aacute; conclus&atilde;o "<em>que sem as
+liberdades locaes, provinciaes e communaes, a Republica &eacute; um
+titulo sem livro, uma institui&ccedil;&atilde;o s&oacute;mente
+nominal</em>." Um dos grandes erros da
+&laquo;evolu&ccedil;&atilde;o&mdash;accrescenta&mdash;foi a
+destrui&ccedil;&atilde;o das assembl&eacute;as provinciaes, e
+duvido que a Fran&ccedil;a chegue a possuir a verdadeira liberdade,
+sem restabelecer de novo estas assembl&eacute;as.<a name=
+"tex2html7" href="#foot325" id="tex2html7"><sup>7</sup></a></p>
+<p>Refutando as id&eacute;as unitarias e as suas consequencias
+desastrosas nos governos dos Estados, Laveleye accrescenta:
+&laquo;A Revolu&ccedil;&atilde;o commetteu uma falta, proscrevendo
+com furor o federalismo e os federalistas.&raquo; O federalismo era
+a unica forma de governo que houvera podido garantir a
+f&ocirc;r&ccedil;a e a prosperidade da Fran&ccedil;a, e os
+federalistas os unicos homens capazes de salvar a Republica. As
+Republicas que duram e prosperam s&atilde;o
+federa&ccedil;&otilde;es. Haja vista a Suissa e os Estados-Unidos
+da America.
+<span class="pagenum"><a name="pag_12" id="pag_12">[12]</a></span>
+Temos em n&oacute;s mesmos o typo do systema. Com effeito o
+organismo humano &eacute; composto de org&atilde;os autonomos, mas
+subordinados a um centro regulador de todos os nossos actos
+externos. &Eacute; uma verdadeira federa&ccedil;&atilde;o onde se
+observam os principios essenciaes, inherentes &aacute; theoria
+federalista: a unidade na variedade, a autonomia na solidariedade.</p>
+<p>Como &eacute; sabido e como tantas vezes se tem dito, os
+planetas, girando &aacute; volta do sol e recebendo d'elle o calor
+e a luz, n&atilde;o teem todos os mesmos movimentos nem a mesma
+vida. Cada planeta &eacute; uma variedade na unidade do systema.
+Esta variedade na unidade, ou, o que vale o mesmo, esta unidade na
+variedade &eacute; geral na natureza. Todos os seres obedecem
+&aacute; lei da necessidade, excepto o espirito do homem.<a name=
+"tex2html8" href="#foot58" id="tex2html8"><sup>8</sup></a></p>
+<p>Em nosso juizo a id&eacute;a federalisia &eacute; a id&eacute;a
+republicana completada, alargada e aperfei&ccedil;oada. Somos
+federalistas, socialistas e livres pensadores, por isso mesmo que
+somos republicanos. A liberdade de consciencia &eacute; a base de
+todas as liberdades e a Republica consagra a <em>liberdade</em>. O
+socialismo
+<span class="pagenum"><a name="pag_13" id="pag_13">[13]</a></span>
+&eacute; a express&atilde;o da egualdade e a Republica consagra a
+<em>egualdade</em>. Federalismo significa fraternidade e a
+Republica consagra a <em>fraternidade humana</em>. De extranhar
+&eacute; pois, que republicanos, como taes considerados, tenham
+ainda receio de se declararem federaiistas nos tempos que
+v&atilde;o correndo, como se para uma propaganda honesta e
+s&eacute;ria, f&ocirc;sse preciso deturpar e inverter principios!</p>
+<span class="pagenum"><a name="pag_14" id="pag_14">[14]</a></span>
+<h1><a name="SECTION00300000000000000000" id=
+"SECTION00300000000000000000"></a><br>
+II<br>
+A Europa e o federalismo</h1>
+<p>As nacionalidades, taes quaes existem hoje, escreve Jos&eacute;
+Leroux, exclusivas e separadas umas das outras, como mundos
+&aacute;parte, s&atilde;o um mal&mdash;s&atilde;o a causa do mal e
+a causa da guerra. Uma modifica&ccedil;&atilde;o &eacute; pois
+necessaria a estes grupamentos humanos; &eacute; mister
+descentralisar as na&ccedil;&otilde;es; estabelecer em cada
+provincia, em cada cidade um centro de actividade especial;
+&eacute; mister descentralisar e federar as na&ccedil;&otilde;es
+entre si. Federa&ccedil;&atilde;o na na&ccedil;&atilde;o e
+federa&ccedil;&atilde;o das na&ccedil;&otilde;es; uni&atilde;o
+federal e autonomia federal.</p>
+<p>Para se ver quanto &eacute; justa a affirmativa do illustre
+descendente de Pierre Leroux, o creador da palavra
+<em>socialismo</em>, bastar-nos-ha relancear a vista pelo mappa da
+Europa.</p>
+<p>Sob as differentes monarchias dominantes, a
+<span class="pagenum"><a name="pag_15" id="pag_15">[15]</a></span>
+Fran&ccedil;a esteve sempre dividida em reinos e condados diversos;
+sob o dominio dos Capetos chegou a contar sessenta e um Estados que
+n&atilde;o dependiam do monarcha sen&atilde;o nominalmente.
+At&eacute; o fim do seculo XVIII a cor&ocirc;a n&atilde;o conseguiu
+attrahir a si nenhum dos Estados independentes. O maior foi
+annexado pela conquista.</p>
+<p>Durante a Edade-M&eacute;dia e os tres primeiros seculos do
+periodo contemporaneo, a Fran&ccedil;a n&atilde;o formou uma
+s&oacute; nacionalidade sen&atilde;o em dois periodos muito curtos:
+os quatro ultimos annos do reinado de Clovis e sob Carlos Magno, de
+771 a 817.</p>
+<p>Ser&aacute; a federa&ccedil;&atilde;o um
+anachronismo?&mdash;pergunta Pi y Margall, no seu precioso
+livro&mdash;<em>Las Nacionalidades</em>. Qual &eacute; hoje a
+na&ccedil;&atilde;o mais unitaria? A Fran&ccedil;a, n&atilde;o
+&eacute; verdade? Pois, apesar d'isso, um guerreiro habil,
+Napole&atilde;o I, comprehendendo a f&ocirc;r&ccedil;a do
+federalismo, dissolve a confedera&ccedil;&atilde;o allem&atilde;,
+mas restabelece-a sob o titulo de Confedera&ccedil;&atilde;o do
+Rheno. Napole&atilde;o III, depois da batalha de Solferino, quiz
+confederar os povos de Italia.</p>
+<p>Poder&atilde;o objectar-nos que os dois referidos monarchas
+n&atilde;o queriam para o seu paiz o regimen federalista.</p>
+<p>Conv&eacute;m, por&eacute;m, dizer que, sem o querer ou sem
+<span class="pagenum"><a name="pag_16" id="pag_16">[16]</a></span>
+o saber, a na&ccedil;&atilde;o franceza estava impregnada da
+id&eacute;a federalista.</p>
+<p>No seu bello e grandioso movimento de 1789, celebrava os seus
+triumphos revolucionarios com a festa da Federa&ccedil;&atilde;o, a
+maior festa que j&aacute;mais concebeu o espirito de um povo. Na
+celebre conven&ccedil;&atilde;o, havia um partido que podia
+n&atilde;o ser federal, mas que queria organisar as provincias
+francezas, por meio de um ponto commum, afim de resistir &aacute;
+tyrannia da assembl&eacute;a de Paris.</p>
+<p>A soberba e importantissima festa da Federa&ccedil;&atilde;o
+celebrou-se, no Campo de Marte, a 14 de julho de 1789. De todos os
+pontos da Fran&ccedil;a accorreram mais de 60:000 homens com as
+bandeiras das suas respectivas provincias. As bandeiras foram
+aben&ccedil;oadas pelo bispo de Autan no altar da patria. Lafayette
+falou aos 60:000 delegados, em seu nome e em nome do exercito. Nem
+ent&atilde;o nem depois se deu a estes representantes da provincia
+outro nome que n&atilde;o fosse o de confederados.</p>
+<p>O que, sobretudo, devemos considerar n'uma grande &eacute;pocha,
+&eacute; o aspecto geral das cousas e os seus resultados
+immediatos. E &eacute; por elles, effectivamente, e Madame Roland
+observa-o tambem nas suas <em>Memorias</em>, que apreciamos as
+id&eacute;as dos
+<span class="pagenum"><a name="pag_17" id="pag_17">[17]</a></span>
+Girondinos, &aacute;c&ecirc;rca das provincias, e as raz&otilde;es
+que Bozot invocava para defender este systema de governo.
+Sustentava-se a unidade e a indivisibilidade da Republica,
+unicamente por se reputarem necessarias, n'aquelle momento, como
+meio de resistir &aacute; Europa coalisada.</p>
+<p>A fei&ccedil;&atilde;o federativa da revolu&ccedil;&atilde;o de
+1871, revela-nos factos ainda mais caracteristicos. A Communa que
+se proclamou, em Paris, n&atilde;o era um systema administractivo,
+mas um verdadeiro poder que legislou e decretou para a cidade como
+houvera podido fazel-o a na&ccedil;&atilde;o inteira e o governo da
+assembl&eacute;a. A Communa declarou-se autonoma e apresentou-se
+aos olhos da Fran&ccedil;a, como o modelo das outras communas, e,
+para que se n&atilde;o pudesse duvidar das suas
+inten&ccedil;&otilde;es, disse, pela b&ocirc;cca de Breslay, seu
+presidente: "Cada um dos diversos grupamentos sociaes ter&aacute;
+hoje, na Republica, a sua independencia. Tudo o que &eacute; local
+deve ser discutido e administrado pela cidade; tudo o que &eacute;
+regional ser&aacute; tratado pela regi&atilde;o; tudo o que diz
+respeito &aacute; na&ccedil;&atilde;o sel-o-ha pelo governo."</p>
+<p>&Eacute; uma f&oacute;rmula de federalismo, expressa d'uma
+maneira precisa e completa.
+<span class="pagenum"><a name="pag_18" id="pag_18">[18]</a></span>
+Em 1871, viu-se esta mesma cidade de Paris levantar-se com as armas
+na m&atilde;o, e, cheia de enthusiasmo pela sua autonomia,
+proclamar a federa&ccedil;&atilde;o e morrer pelo seu ideal.</p>
+<p>Em que &eacute;pocha se viu maior explos&atilde;o do sentimento
+federalista?</p>
+<p>A Communa queria, antes de tudo, defender a Republica, por a
+julgar a unica forma de governo digna das modernas
+na&ccedil;&otilde;es civilizadas, e por a reputar uma garantia de
+ordem e de progresso que assegura ao individuo como &aacute;
+collectividade o seu maior desenvolvimento e a mais completa
+realisa&ccedil;&atilde;o dos seus direitos.</p>
+<p>Eis as palavras, pronunciadas por Fran&ccedil;ois Jourde,
+delegado das finan&ccedil;as durante a Communa:</p>
+<p>"O movimento de 18 de mar&ccedil;o &eacute; triplice, no seu
+programma. &Eacute;, ao mesmo tempo, republicano, reivindicador das
+franquias municipaes e socialista.</p>
+<p>"Em Fran&ccedil;a impoz a Republica e reconheceu as liberdades
+communaes.</p>
+<p>"Socialista, provocou o levantamento dos trabalhadores no mundo
+inteiro. As suas reivindica&ccedil;&otilde;es agitam todos os povos
+e imp&otilde;em-se a todos os governos.</p>
+<span class="pagenum"><a name="pag_19" id="pag_19">[19]</a></span>
+
+<hr style="border-bottom: dotted 2px;">
+
+<p>"O sr. Gladstone disse que o seculo XIX era o seculo dos
+operarios. E disse bem. O seculo que vae come&ccedil;ar
+assistir&aacute; &aacute; emancipa&ccedil;&atilde;o dos
+trabalhadores.</p>
+<p>"&Eacute; mist&eacute;r, pois, reconhecer que ao movimento
+inicial de 18 de mar&ccedil;o cabe a honra de ter posto claramente
+os termos do problema: republica, liberdades municipaes,
+solu&ccedil;&atilde;o do conflicto entre o capital e o
+trabalho.</p>
+<p>"Os povos n&atilde;o se enganaram; em todas as partes do globo,
+o 18 de mar&ccedil;o &eacute; celebrado como ponto de partida de
+uma era de emancipa&ccedil;&atilde;o, de egualdade e de
+justi&ccedil;a."</p>
+<p><br></p>
+<p class="separador">*<br>
+*&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;*</p>
+<br>
+<p>A na&ccedil;&atilde;o ingleza &eacute; antiga. Mas a parte que
+actualmente se chama a Gran-Bretanha pode dizer-se quasi moderna.
+At&eacute; o anno de 1603, a Escocia manteve-ae separada,
+conservando ainda, durante um seculo, o seu parlamento e as suas
+leis, que perdeu em 1707. At&eacute; o XII seculo, Henrique II
+n&atilde;o teve a posse de uma parte da Irlanda. Os irlandezes
+resistiram, durante muito tempo, a toda a
+<span class="pagenum"><a name="pag_20" id="pag_20">[20]</a></span>
+tentativa de domina&ccedil;&atilde;o; luctaram at&eacute; meados do
+seculo XVII. Vencidos, quantas vezes n&atilde;o tentaram repellir o
+jugo? A miseria da Irlanda &eacute; proverbial. Ha sete seculos que
+aquelle pequeno e valoroso paiz vive na oppress&atilde;o. Ha sete
+seculos que os irlandezes luctam contra a tyrannia e a
+oppress&atilde;o inglezas. A causa da Irlanda &eacute; sagrada,
+como &eacute; a causa de todas as victimas.</p>
+<p>Os tres reinos da Gran-Bretanha estiveram divididos, durante os
+primeiros seculos da Edade-M&eacute;dia. Os sax&otilde;es
+estabeleceram quatro reinos differentes durante metade do seculo V,
+e tres, no seculo VI. Depois da expuls&atilde;o dos romanos houve
+dois reinos na Escocia e cinco, pelo menos, na Irlanda. Os sete
+reinos da Inglaterra reuniram-se n'um s&oacute;, mas isso foi
+depois do seculo XI.</p>
+<p>Todos conhecem o fermento separatista que lavra na Escocia e na
+Irlanda, para que se torne mist&eacute;r insistir n'elle. E
+&eacute; ainda por causa das id&eacute;as federalistas que a
+Inglaterra mantem as suas colonias. O principio ter&aacute;, mais
+tarde ou mais cedo, de se generalisar ao resto do paiz, porque
+ser&aacute; esse o unico meio de evitar uma lucta civil ou uma
+terrivel revolu&ccedil;&atilde;o. S&oacute;, pela
+applica&ccedil;&atilde;o do systema federalista, se poder&aacute;
+conseguir a harmonia na
+<span class="pagenum"><a name="pag_21" id="pag_21">[21]</a></span>
+variedade de ra&ccedil;as, de religi&otilde;es e de linguas de que
+se comp&otilde;e a Gran-Bretanha.</p>
+<p><br></p>
+<p class="separador">*<br>
+*&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;*</p>
+<br>
+<p>As republicas italianas, bem longe de terem vivido unidas pelos
+la&ccedil;os politicos, eram, pelo contrario, rivaes, guerreando-se
+com frequencia. As cidades de Genova, de Pisa, Mil&atilde;o e
+Pavia, C&ocirc;mo e Mil&atilde;o, Mil&atilde;o e Cremona
+guerrearam-se, entre si, por mais de uma vez. A guerra entre
+C&ocirc;mo e Mil&atilde;o durou dez annos. Estes pequenos Estados
+confederavam-se, a cada passo, para a defesa, e muitas vezes tambem
+para a sua ruina. Na guerra de C&ocirc;mo, quasi todas as
+republicas da Lombardia se collocaram do lado de Mil&atilde;o.
+Sobre a ruina das republicas de Gaeta, Napoles e Amalfi, fundaram
+os normandos o reino da Sicilia.</p>
+<p>Pelo meado do seculo XII, as republicas da Lombardia foram
+anniquiladas. Veneza, Genova e Pisa conservaram o regimen
+republicano, posto que muitas vezes destruido e outras tantas vezes
+reconstruido.</p>
+<p>As cidades da Italia, de um lado, e os bar&otilde;es, por sua
+parte, mantiveram este paiz dividido
+<span class="pagenum"><a name="pag_22" id="pag_22">[22]</a></span>
+n'uma infinidade de pequenos Estados, durante toda a
+Edade-M&eacute;dia.</p>
+<p>Napoles e a Sicilia permaneceram, por oito seculos,
+independentes do resto da peninsula, quer dizer, at&eacute; 1861.
+Veneza foi-o de 697 a 1797; Genova, depois do seculo X, at&eacute;
+1805. N&atilde;o foram estes periodos demasiadamente longos, para
+fazer d'estes Estados verdadeiras na&ccedil;&otilde;es?</p>
+<p>A tradi&ccedil;&atilde;o federalista de Carlo Cattaneo mantem-se
+ainda hoje viva na Italia. Dario Papa, ha pouco fallecido, depois
+do seu regresso da America, onde residiu por alguns annos, fundou
+em Mil&atilde;o um periodico diario de grande
+circula&ccedil;&atilde;o&mdash;<em>L'Italia del
+Popolo</em>,&mdash;com o fim de advogar as id&eacute;as
+federalistas. Napoleone Colajanni, notavel sociologo e
+criminalista, sustenta, em Roma, uma revista popular com eguaes
+intuitos.</p>
+<p>A unidade italiana n&atilde;o passa de uma fic&ccedil;&atilde;o,
+porque est&aacute; longe de ser uma realidade. Quem percorrer o
+paiz, como observador desinteressado, n&atilde;o pode deixar de
+notar as differen&ccedil;as profundas que se d&atilde;o de
+provincia para provincia e o espirito de independencia que as
+anima. O caracter var&iacute;a e os costumes s&atilde;o outros e
+bem diversos, como, se, effectivamente, se tratasse de povos de
+<span class="pagenum"><a name="pag_23" id="pag_23">[23]</a></span>
+indole contr&aacute;ria. Para o verificar, basta estabelecer um
+leve confronto entre Roma e Napoles. Dir-se-hia que os habitantes
+das duas cidades se odeiam e se hostilisam encarni&ccedil;adamente.
+Tal &eacute; o abysmo que as separa e divide.</p>
+<p><br></p>
+<p class="separador">*<br>
+*&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;*</p>
+<br>
+<p>A Allemanha tambem estava dividida em pequenos Estados que
+gosavam de uma autonomia &aacute; parte. Todos esses Estados tinham
+as suas dynastias, as suas institui&ccedil;&otilde;es e as suas
+leis; raramente invadiam o territorio dos seus vizinhos. Antes e
+depois de Oth&atilde;o havia, na Allemanha, seis ducados: o de
+Saxe, o da Baviera, o de Sonabe, o da Franconia, o da Lorena e o do
+Thuningue.</p>
+<p>A geographia politica do paiz allem&atilde;o foi sempre muito
+movimentada. Houve alli reinos, principados, ducados, condados,
+archiducados, cidades imperiaes ou livres, etc. N'este seculo
+ainda, a confedera&ccedil;&atilde;o germanica era composta de
+quatro reinos, cinco grandes ducados, seis pequenos ducados e
+dezenove principados.</p>
+<p>Onde est&atilde;o pois, os ultimos vestigios historicos
+<span class="pagenum"><a name="pag_24" id="pag_24">[24]</a></span>
+da Allemanha? pergunta mui judiciosamente o sr. Pi y Margall. A
+tendencia para a divis&atilde;o &eacute;, n'este caso, t&atilde;o
+grande como na Italia; as guerras de povo para povo t&atilde;o
+frequentes, sen&atilde;o ainda mais; as fronteiras de cada Estado
+n&atilde;o est&atilde;o bem limitadas. &Eacute; verdade que,
+durante seculos, houve na Allemanha imperadores. Mas n&atilde;o
+puderam nunca dominar este espirito de divis&atilde;o nem impedir
+as guerras, nem sequer delimitar as fronteiras. Nunca puderam
+dictar leis a todos os Estados nem sequer regular o exercicio do
+seu poder politico.</p>
+<p>O poder legislativo na Allemanha &eacute; exercido por duas
+assembl&eacute;as&mdash;o <em>Bundesrath</em> e o
+<em>Reichstag</em>. O Bundesrath ou conselho federal &eacute;
+composto de plenipotenciarios, representantes dos Estados que fazem
+parte da confedera&ccedil;&atilde;o germanica. Conta 58 membros por
+cada 25 Estados, e a Prussia disp&otilde;e, s&oacute; &aacute; sua
+parte, de 19 vozes no conselho. A bem dizer, o Bundesrath
+corresponde mais a uma especie de conselho de Estado, legislando em
+nome da unidade allem&atilde;, do que a um senado. Estuda, adopta
+ou rejeita as leis votadas polo Reichstag. O imperador n&atilde;o
+tem o direito de declarar a guerra, sem a approva&ccedil;&atilde;o
+do Bundesrath. N&atilde;o se pode
+<span class="pagenum"><a name="pag_25" id="pag_25">[25]</a></span>
+fazer, ao mesmo tempo, parte d'este conselho e do Reichstag.</p>
+<p>O espirito de divis&atilde;o do povo allem&atilde;o tem
+continuado a accentuar-se n'estes ultimos tempos. At&eacute;, no
+partido socialista, se reflectem essas tendencias separatistas na
+lucta em que se debatem, a cada passo, bavaros e prussianos.</p>
+<p><br></p>
+<p class="separador">*<br>
+*&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;*</p>
+<br>
+<p>A Hollanda fez outr'ora parte da Allemanha. Foi a sua
+convers&atilde;o &aacute; monarchia que a tornou unitaria. Para ser
+independente teve de manter-se republica federal. Foi unificada por
+Napole&atilde;o, gra&ccedil;as ao nefasto tratado de Vienna que a
+annexou &aacute; Belgica, sob a denomina&ccedil;&atilde;o de reino
+dos Paizes-Baixos. Quaes eram os verdadeiros limites da Hollanda? A
+Belgica ou a Fran&ccedil;a? A Hollanda comprehendeu provavelmente
+que os seus limites deviam ser os da Fran&ccedil;a, e por isso
+mesmo fez pagar caro &aacute; Belgica a sua independencia. Com
+effeito, nem pela natureza nem pela diversidade das linguas, nem
+pela historia se pode explicar a separa&ccedil;&atilde;o d'estes
+dois povos. A capital da Belgica &eacute; no Brebante, que fazia
+parte da Hollanda.</p>
+<span class="pagenum"><a name="pag_26" id="pag_26">[26]</a></span>
+<p>Os belgas, como lingua, como religi&atilde;o, como costumes,
+n&atilde;o tinham nada de commum com os hollandezes. Se &eacute;
+certo que soffreram a domina&ccedil;&atilde;o imperial, tambem, por
+outro lado, conservaram uma grande recorda&ccedil;&atilde;o do
+dominio francez, durante a Revolu&ccedil;&atilde;o. Ser um povo
+livre, vivendo uma vida propria, senhores dos seus destinos,
+segundo as suas aspira&ccedil;&otilde;es politicas e as suas
+necessidades economicas&mdash;eis o que elles mais desejavam e
+ambicionavam.</p>
+<p>A lingua hollandeza, ignorada pelos belgas, foi exigida em todos
+os actos officiaes. A despropor&ccedil;&atilde;o ridicula do numero
+dos representantes, com respeito ao algarismo da
+popula&ccedil;&atilde;o, a contribui&ccedil;&atilde;o esmagadora
+para a regularisa&ccedil;&atilde;o da divida hollandeza, foram
+outros tantos vexames que augmentaram o descontentamento provocado
+pela annexa&ccedil;&atilde;o.</p>
+<p>Nenhum dos processos adoptados, para constituir uma
+nacionalidade, p&ocirc;de j&aacute;mais servir &aacute; Belgica
+para formar um s&oacute; povo.</p>
+<p>Prova-nos a historia que nunca foi senhora de si mesma. A sua
+lingua &eacute; meia franceza, meia flamenga, e a sua
+popula&ccedil;&atilde;o participa d'este contraste.</p>
+<span class="pagenum"><a name="pag_27" id="pag_27">[27]</a></span>
+<br>
+<p class="separador">*<br>
+*&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;*</p>
+<br>
+<p>Na Europa ha outras na&ccedil;&otilde;es que offerecem as mesmas
+difficuldades. Tomemos a Scandinavia, quer dizer, a Dinamarca, a
+Suecia e a Noruega. A Dinamarca &eacute; uma peninsula entre o mar
+Baltico e o mar do Norte, cuja base fica entre as b&ocirc;ccas do
+Trave e do Elbe. A Suecia e a Noruega formam uma outra peninsula
+entre o golfo de Botnia, ao norte do mar Baltico, o Oceano
+Atlantico e o Oceano Glacial Arctico. A sua base n&atilde;o
+&eacute; t&atilde;o definida como a da Dinamarca, mas encontra-se
+entre a emboccadura da Torn&eacute;a e de Tana. Estas peninsulas
+estavam evidentemente destinadas a formar um s&oacute; corpo com a
+Finlandia. Vimol-as reunidas, na historia, de 1397 a 1523.</p>
+<p>A Suecia e a Noruega n&atilde;o se constituiram, n'uma s&oacute;
+nacionalidade, sen&atilde;o durante a conven&ccedil;&atilde;o
+diplomatica que reuniu estes paizes &aacute; Dinamarca em 1397, e
+muito mais tarde, sob o sceptro de Bernardotte. A Noruega foi
+annexada &aacute; Dinamarca depois da dissolu&ccedil;&atilde;o do
+pacto de Colmar e s&oacute; se libertou para de novo se reunir
+&aacute; Suecia.</p>
+<p>Os dois paizes foram, de resto, talhados pela natureza,
+<span class="pagenum"><a name="pag_28" id="pag_28">[28]</a></span>
+para serem dois povos federados, sob uma Republica.</p>
+<p>A guerra dos Trinta Annos foi o come&ccedil;o e a causa da
+decadencia da Dinamarca, que perdeu n'esta occasi&atilde;o, as
+provincias suecas. Perdeu mais tarde egualmente o
+Schleswig-Holstein e o Lanenburg, partes integrantes da peninsula e
+que a Allemanha lhe arrancou, invocando, n&atilde;o obstante, o
+principio das nacionalidades.</p>
+<p><br></p>
+<p class="separador">*<br>
+*&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;*</p>
+<br>
+<p>A Russia, a na&ccedil;&atilde;o immensa, o maior imperio do
+mundo, passou tambem por muitas vicissitudes. Decomp&ocirc;z-se, no
+seculo XI, em pequenos principados, cujas invas&otilde;es
+successivas do Oriente contribuiram para augmentar o numero. No
+seculo XIII os mongoes atravessaram o Volga e provocaram ainda
+outras divis&otilde;es. Os reis da Russia do Norte tornaram-se
+ent&atilde;o vassallos dos chefes mongolicos, e apenas o principado
+de Moscow ficou intacto com a sua inteira independencia.</p>
+<p>Pode dizer-se que Moscow foi, dois seculos mais tarde, a origem
+e a base do imperio russo.</p>
+<p>Uma s&eacute;rie de conquistas formou o formidavel
+<span class="pagenum"><a name="pag_29" id="pag_29">[29]</a></span>
+imperio russo actual. Conservar&aacute; elle, ainda por largo
+tempo, os seus limites?</p>
+<p><br></p>
+<p class="separador">*<br>
+*&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;*</p>
+<br>
+<p>Se quizessemos definir historicamente os limites da Austria,
+chegariamos antes &aacute; dissolu&ccedil;&atilde;o do imperio do
+que a outra cousa. Porventura foi livre e espontanea a
+reuni&atilde;o d'estes povos? A Bohemia foi uma na&ccedil;&atilde;o
+independente, durante oito seculos; no fundo &eacute; uma
+na&ccedil;&atilde;o slava.</p>
+<p>Acontece o mesmo com a Hungria. Ducado, depois do IX seculo,
+teve os seus periodos de independencia e de grandeza.</p>
+<p>As pequenas provincias da Austria tambem passaram de uma a outra
+na&ccedil;&atilde;o, sem se fixarem em nenhuma.</p>
+<p>N&atilde;o obstante a vontade real e imperial, n&atilde;o
+adoptou a Austria o systema federativo, nas suas
+rela&ccedil;&otilde;es com a Hungria?</p>
+<p>A Hungria, como &eacute; sabido, luctou pela sua independencia,
+em 1848. Vencida, nunca cessou de ser para o imperio um elemento de
+perturba&ccedil;&atilde;o e de perigo. A Austria foi for&ccedil;ada
+a conceder-lhe a sua autonomia, subordinando-a ao governo de
+<span class="pagenum"><a name="pag_30" id="pag_30">[30]</a></span>
+Vienna pelos la&ccedil;os federativos. Rege-se pelas suas leis, e
+possue o seu parlamento e a sua administra&ccedil;&atilde;o; no
+interior &eacute; senhora de si mesma. N&atilde;o ser&aacute; para
+extranhar que a Bohemia siga approximadamente o seu exemplo.</p>
+<p>A Turquia foi egualmente o producto da conquista. Encontramo-nos
+nos mesmos embara&ccedil;os para poder fixar os seus limites
+territoriaes e para explicar a sua constitui&ccedil;&atilde;o
+t&atilde;o artificial e t&atilde;o exposta a mudan&ccedil;as.</p>
+<p>Que significa tudo isto?</p>
+<p>&Eacute; simples a resposta: que a id&eacute;a federativa se tem
+manifestado em todos os paizes da Europa e em todos os tempos; que
+semelhante tendencia &eacute; inherente &aacute;s
+na&ccedil;&otilde;es europ&ecirc;as; e que o futuro
+pertencer&aacute; &aacute; federa&ccedil;&atilde;o, unico meio de
+reconstituir os antigos Estados, segundo as suas afinidades
+historicas e naturaes.</p>
+<span class="pagenum"><a name="pag_31" id="pag_31">[31]</a></span>
+<h1><a name="SECTION00400000000000000000" id=
+"SECTION00400000000000000000"></a><br>
+III<br>
+A federa&ccedil;&atilde;o latina</h1>
+<p>Se alguma cousa prova a madureza de um principio, &eacute; a
+explos&atilde;o quasi simultanea dos sentimentos que elle evoca em
+muitos paizes, ao mesmo tempo. O principio federativo apresenta-se
+pois, como a melhor base de organisa&ccedil;&atilde;o e &eacute;
+egualmente considerado pelos povos opprimidos como o melhor systema
+de regenera&ccedil;&atilde;o politica e social. A id&eacute;a
+federativa tende a assegurar o futuro de cada um pelo accordo de
+muitos, constituindo a unidade na diversidade e conciliando a
+auctoridade do direito commum com a liberdade dos direitos
+individuaes<a name="tex2html9" href="#foot328" id=
+"tex2html9"><sup>9</sup></a>.</p>
+<p>N&atilde;o obstante as solemnes declara&ccedil;&otilde;es, a
+cada passo repetidas contra o federalismo, sustentamos
+<span class="pagenum"><a name="pag_32" id="pag_32">[32]</a></span>
+que a unica solu&ccedil;&atilde;o para assegurar a
+emancipa&ccedil;&atilde;o de um povo e para assegurar a paz e a
+independencia das na&ccedil;&otilde;es, reside no systema federal.</p>
+<p>Os Estados federaes que at&eacute; hoje teem existido, quer na
+Antiguidade, como as amphyctionias gregas, quer em nossos dias,
+como os cant&otilde;es suissos e os Estados-Unidos da America,
+podem servir-nos de modelo.</p>
+<p>Com effeito, as confedera&ccedil;&otilde;es suissa e americana
+nasceram de um contracto de allian&ccedil;a. A allian&ccedil;a
+fez-se entre Estados independentes e soberanos. N'estas
+condi&ccedil;&otilde;es, cada Estado despoja-se de uma parte da sua
+soberania particular em beneficio da soberania collectiva. Segue-se
+d'aqui que a auctoridade federal se comp&otilde;e do conjuncto de
+todas as concess&otilde;es feitas pelas auctoridades locaes.
+&Eacute; uma centralisa&ccedil;&atilde;o de f&ocirc;r&ccedil;as e
+de attribui&ccedil;&otilde;es at&eacute; alli separadas. Mas
+&eacute; uma centralisa&ccedil;&atilde;o limitada nos seus
+direitos, na sua ac&ccedil;&atilde;o, por isso que cada Estado,
+reservando a plenitude da sua soberania para tudo o que n&atilde;o
+faz objecto especial de uma concess&atilde;o, sabe o que conserva.
+A soberania particular, sendo limitada pelas concess&otilde;es
+feitas &aacute; soberania collectiva, torna-se illimitada para tudo
+o que est&aacute; fora d'estas concess&otilde;es, emtanto que a
+soberania
+<span class="pagenum"><a name="pag_33" id="pag_33">[33]</a></span>
+collectiva se encerra, pelo contrario, no circulo das
+concess&otilde;es que n&atilde;o pode ultrapassar.</p>
+<p>A apprendizagem da vida politica faz-se na liberdade do regimen
+federalista. A communa livre &eacute; a eschola primaria da
+sciencia politica. N&atilde;o &eacute; a lei que d&aacute; o
+espirito de ordem: &eacute; a educa&ccedil;&atilde;o. Escriptores
+auctorisados sustentam que a forma federal &eacute; a mais logica
+entre todas aquellas que o futuro reserva &aacute;s
+na&ccedil;&otilde;es europ&ecirc;as.</p>
+<p>Um d'elles, o sr. Vivien, diz que o fraccionamento operado em
+Fran&ccedil;a, em 1789, a divis&atilde;o por departamentos,
+arranjada por Siey&ecirc;s, repousava sobre o capricho.</p>
+<p>&Eacute; certo que, as divis&otilde;es por provincias, e
+ra&ccedil;as, se teem mantido e se manteem ainda, sem embargo de
+todos os esfor&ccedil;os em contrario do nivel administrativo. A
+Normandia, a Borgonha, a Bretanha, a Gasconha, conservam quasi
+involuntariamente os seus velhos nomes e os seus velhos limites,
+assim como teem conservado com o codigo, com a unidade de medidas,
+com a unidade da moeda, e apesar da fus&atilde;o provocada pela
+facilidade das communica&ccedil;&otilde;es, os seus costumes
+proprios, mais fortes que as leis, os seus dialectos, as suas
+tradi&ccedil;&otilde;es no trabalho e as differen&ccedil;as da sua
+religi&atilde;o.
+<span class="pagenum"><a name="pag_34" id="pag_34">[34]</a></span>
+&Eacute; uma quest&atilde;o de ethnographia. O clima &eacute; mais
+poderoso que a vontade da politica.</p>
+<p>N&atilde;o &eacute; certamente em proveito do absolutismo e das
+velhas monarchias que se manifesta esta tendencia para a
+reconstitui&ccedil;&atilde;o da provincia; n&atilde;o &eacute;
+t&atilde;o pouco em proveito unico da
+descentralisa&ccedil;&atilde;o; &eacute; em beneficio da historia e
+da individualidade de ra&ccedil;as; &eacute; porque, de facto,
+existe uma revolta da natureza contra essa fus&atilde;o systematica
+e arbitraria do sangue e dos caracteres.</p>
+<p>&Eacute; interessante a opini&atilde;o do sr. Julio Ferry sobre
+a Federa&ccedil;&atilde;o em Fran&ccedil;a, extrahida de uma carta
+que o illustre homem de Estado dirigiu ao comit&eacute;
+descentralisador de Nancy, composto, entre outros, dos srs. Carnot,
+Garnier-Pag&eacute;s, Jules Simon, Vacherot, Pelletan, Guizot, de
+Montalembert, Berryer, etc.</p>
+<p>"Apenas ha uma maneira de ser livre&mdash;dizia o sr. Julio
+Ferry&mdash;&eacute; de o querer. A liberdade conquista-se,
+n&atilde;o se mendiga. Quando a provincia o quizer; quando a
+id&eacute;a reformadora tiver despertado todas as
+f&ocirc;r&ccedil;as dispersas ou adormecidas, todas as
+intelligencias comprimidas, todas as auctoridades sem empr&ecirc;go
+que a centralisa&ccedil;&atilde;o desloca e sacrifica, n&atilde;o
+haver&aacute; mais poder nem partido
+<span class="pagenum"><a name="pag_35" id="pag_35">[35]</a></span>
+que se sustentem; o municipalismo ser&aacute; o unico senhor."</p>
+<p>Sob o imperio das necessidades, tudo se transforma e tudo
+est&aacute; em via de se tornar internacional.
+Exposi&ccedil;&otilde;es internacionaes da industria; de commercio;
+conven&ccedil;&otilde;es postaes e telegraphicas; grandes
+companhias exploradoras para a perfura&ccedil;&atilde;o dos isthmos
+e das montanhas ou para a construc&ccedil;&atilde;o de vias ferreas
+e extrac&ccedil;&atilde;o do minerio e transportes maritimos; tudo
+emfim, reveste um caracter internacional. Unem-se os capitaes de
+todos os paizes para a explora&ccedil;&atilde;o dos povos, e, por
+um bello e singular contraste, os povos por seu turno d&atilde;o-se
+as m&atilde;os para as reivindica&ccedil;&otilde;es dos seus
+direitos.</p>
+<p>Em Hespanha, particularmente, tem sido a forma de governo
+federalista mais estudada que nos outros paizes.</p>
+<p>De todas as na&ccedil;&otilde;es da Europa escrevia o sr.
+Germond de Lavigne na <em>Revue Contemporaine</em>&mdash;a
+Hespanha, pela sua posi&ccedil;&atilde;o geographica, &eacute;
+aquella que menos tem a recear dos seus vizinhos, e que menos
+necessidade tem de uma for&ccedil;a permanente. A Hespanha mostrou
+como substitue os exercitos quando a sua independencia est&aacute;
+amea&ccedil;ada.</p>
+<span class="pagenum"><a name="pag_36" id="pag_36">[36]</a></span>
+
+<hr style="border-bottom: dotted 2px;">
+
+<p>"Se a Hespanha quizesse, poderia o seu exemplo servir de
+lic&ccedil;&atilde;o aos governantes e aos povos.</p>
+<p>J&aacute;, na &eacute;pocha do feudalismo, os pequenos reinos
+arabes, estabelecidos em Granada, em Sevilha, em Toledo, em
+Sarago&ccedil;a, em Le&atilde;o, n&atilde;o passavam de
+frac&ccedil;&otilde;es da na&ccedil;&atilde;o mourisca,
+subordinados todos a um d'elles, que tinha por chefe um
+logar-tenente do califado de Islam. Eram de origens differentes,
+segundo as &eacute;pochas em que haviam sido fundados, segundo as
+invas&otilde;es que lhes haviam fornecido o seu contingente: arabes
+de Y&eacute;men, mouros de Marrocos, kabylas de Djurjura ou
+berb&eacute;res do Riff; mas obraram evidentemente n'um fim e
+segundo um acc&ocirc;rdo commum. Formaram a federa&ccedil;&atilde;o
+sarracena, assim como mais tarde, sob uma apparencia monarchica,
+mais arbitraria que regular, os differentes reinos hespanhoes
+formaram a uni&atilde;o das Hespanhas. Por mais afastada que esteja
+esta &eacute;pocha, a federa&ccedil;&atilde;o n&atilde;o deixou de
+ser nas tradi&ccedil;&otilde;es dos differentes povos, a forma mais
+natural para a administra&ccedil;&atilde;o da peninsula; e, posto
+que se hajam fundido entre si, merc&ecirc; dos esfor&ccedil;os das
+monarchias modernas, com os seus systemas de
+constitui&ccedil;&atilde;o, os Estados hespanhoes conservam
+<span class="pagenum"><a name="pag_37" id="pag_37">[37]</a></span>
+ainda o seu caracter particular, e direi at&eacute; a sua
+autonomia.</p>
+<p>"Nos tempos modernos, os bascos, sem embargo das
+ambi&ccedil;&otilde;es que se teem agitado em volta d'elles,
+permanecem bascos e cantabros. Debalde a invas&atilde;o napoleonica
+dividiu o s&oacute;lo em departamentos; debalde a
+restaura&ccedil;&atilde;o dos Bourbons fez tres provincias da sua
+republica. Tiraram d'ahi um emblema: tres m&atilde;os reunidas com
+a seguinte divisa: <em>Trurac Bat</em>, (tres n'uma) e defendem
+sempre com ardor as liberdades consagradas pelos seus
+<em>fueros</em>.</p>
+<p>N&atilde;o ousaram tocar nas Asturias. Havia sido o ber&ccedil;o
+das restaura&ccedil;&otilde;es christ&atilde;s, e os asturianos
+dizem que s&oacute; elles s&atilde;o a Hespanha, por Pelagio e
+Cavadonga.</p>
+<p>O Arag&atilde;o ficou independente com os <em>fueros</em>
+intactos, focos de independencia e de insurrei&ccedil;&atilde;o
+Sarago&ccedil;a n&atilde;o esquece que foi sobre o s&oacute;lo do
+seu palacio que o rei curvava a cabe&ccedil;a deante da
+<em>justicia mayor</em>. Recorda-se tambem que Philippe II fez
+desapparecer violentamente esta independencia, ainda hoje sentida
+pela na&ccedil;&atilde;o aragoneza.</p>
+<p>Os catal&atilde;es sempre em revolta, sempre apaixonados pela
+Republica conservam a recorda&ccedil;&atilde;o dos tempos em que as
+suas provincias viviam sob as
+<span class="pagenum"><a name="pag_38" id="pag_38">[38]</a></span>
+mesmas leis do reino de Arag&atilde;o, e em que partilhavam com o
+soberano o poder legislativo. N&atilde;o reconheciam a auctoridade
+d'aquelle sen&atilde;o na sua qualidade de conde de Barcelona,
+n&atilde;o pagando outros impostos que os livremente consentidos e
+n&atilde;o fornecendo sen&atilde;o os soldados que queriam.</p>
+<p>A Navarra &eacute; tambem senhora da sua
+administra&ccedil;&atilde;o interna. &Eacute; regida por uma
+deputa&ccedil;&atilde;o provincial, e conserva o caracter
+democratico das suas velhas institui&ccedil;&otilde;es municipaes.
+Os montanhezes dos valles de Batzan, de Leran e de Roncevaux
+s&atilde;o t&atilde;o bascos e t&atilde;o ciosos da sua
+independencia como os guipuzcoanos.</p>
+<p>A Galliza est&aacute; no fim do mundo. Foi a primeira provincia
+a auxiliar a insurrei&ccedil;&atilde;o de Pelagio contra o poder
+arabe. Mas nem por isso os gallegos ficaram menos independentes.
+Entrincheirados atraz das suas torrentes, encerrados nas suas
+montanhas, importaram-se pouco com a auctoridade e consideravam
+muito pouco os condes, encarregados de as representar junto delles.
+Os senhores dominavam; os vassallos eram livres. Os gallegos
+s&atilde;o hoje muito pacificos e de poucos cuidados.</p>
+<p>Le&atilde;o foi, pelo contrario, depois de Oviedo, o
+verdadeiro
+<span class="pagenum"><a name="pag_39" id="pag_39">[39]</a></span>
+nucleo da monarchia hespanhola e foi a capital dos vinte primeiros
+reis. Le&atilde;o viu o Cid e os reis do Cid, D. Sancho e D.
+Affonso. As conquistas dos christ&atilde;os extenderam-se. Castella
+p&ocirc;de triumphar de Le&atilde;o. A realeza foi installar-se em
+Burgos, levando atraz de si tudo o que fazia de Le&atilde;o uma
+capital.</p>
+<p>Os leonezes viviam todos da cultura do s&oacute;lo. Sustentam
+com as suas pastagens t&atilde;o afamadas os numerosos rebanhos que
+os seus pastores obrigam a emigrar, durante o inverno, para as
+grandes terras da Extremadura. Mostraram-se, por vezes, ciosos das
+liberdades publicas, e uniram-se aos castelhanos, quando estes se
+ergueram para defender os seus privilegios contra a invas&atilde;o
+de Carlos V, no momento em que os aragonezes, os catal&atilde;es e
+os valencianos, t&atilde;o ciosos, n&atilde;o obstante, das suas
+liberdades, assistiam desinteressados &aacute; lucta. Succedeu o
+mesmo com a Extremadura. A indifferen&ccedil;a &eacute; a grande
+palavra da hespanha. E como n&atilde;o haviam de ser indifferentes
+os <em>extreme&ntilde;os</em>? N&atilde;o chegam a ser 60 por legua
+quadrada; teem poucas estradas, pouca industria e participam
+pouquissimo do movimento das outras partes do reino. O paiz
+pertence a grandes proprietarios, a
+<span class="pagenum"><a name="pag_40" id="pag_40">[40]</a></span>
+communidades: n&atilde;o cultivam a terra e vivem da venda das suas
+pastagens. &Eacute; o paiz mais triste e mais desolador da
+Hespanha, decidido a viver tranquillamente em sua casa,
+inquietando-se pouco com os outros. Que lhe pode importar a realeza
+que nunca se occupou d'elle?</p>
+<p>As duas Castellas foram o theatro das grandes
+agita&ccedil;&otilde;es liberaes, dos <em>communeros</em>.
+N&atilde;o foi uma parte da Castella, foi a Castella inteira que se
+levantou contra o despotismo de Carlos V.</p>
+<p>Foram os castelhanos que, entre os seus velhos privilegios,
+invocaram o direito de fazerem parte das c&ocirc;rtes dos
+deputados, eleitos, ao mesmo tempo pelo clero, pela nobreza, pelas
+communas, sendo expressamente interdito &aacute; Cor&ocirc;a o
+influir de qualquer modo para a nomea&ccedil;&atilde;o d'esses
+deputados. Nenhum membro das c&ocirc;rtes podia receber, sob pena
+de morte, uma pens&atilde;o ou um logar para si ou para qualquer
+dos seus. As c&ocirc;rtes tinham o direito de se reunirem, em
+&eacute;pochas regulares, ainda mesmo quando n&atilde;o eram
+convocadas pelo rei. Eis o que eram as duas Castellas, as
+provincias, na apparencia, as mais monarchicas, mas, ao mesmo
+tempo, as mais convictas do poder e dos direitos das
+nacionalidades.
+<span class="pagenum"><a name="pag_41" id="pag_41">[41]</a></span>
+A bem dizer, a organisa&ccedil;&atilde;o do poder, nos tempos de
+maior gloria para a hespanha, a realeza n&atilde;o foi sen&atilde;o
+o primeiro emprego da Republica, voluntariamente conferida pela
+na&ccedil;&atilde;o e benevolamente por ella deixada nas
+m&atilde;os dos herdeiros dos primeiros eleitos. A Republica,
+dissemos n&oacute;s? Cervantes, no seu immortal romance, n&atilde;o
+p&otilde;e outra express&atilde;o na b&ocirc;cca do seu
+her&oacute;e, quando falla do Estado, e &eacute; curioso de ver,
+como, n'este livro, que &eacute; um modelo, em todos os pontos de
+vista, a id&eacute;a de na&ccedil;&atilde;o, do poder e da
+supremacia de na&ccedil;&atilde;o predominam em todas as
+quest&otilde;es de philosophia e de politica, desenvolvidas por
+esse maniaco sublime, que &eacute; o verdadeiro typo do
+cidad&atilde;o liberal.</p>
+<p>O espirito independente do conquistador arabe, ficou sendo o
+espirito das popula&ccedil;&otilde;es andaluzas, sempre indoceis,
+e, muitas vezes, revolucionadas. O que e peculiar &aacute;
+ra&ccedil;a andaluza, &eacute; o nivel perfeito entre os homens,
+qualquer que seja a sua categoria social. O grande senhor e o homem
+do povo encontram-se na rua e approximam-se familiarmente.
+N&atilde;o &eacute;, no primeiro, um esfor&ccedil;o de
+benevolencia, nem no segundo um acto de familiaridade
+inconveniente.
+<span class="pagenum"><a name="pag_42" id="pag_42">[42]</a></span>
+N'este rapido estado, ao mesmo tempo t&atilde;o lucido e t&atilde;o
+pittoresco, o sr. Germond de Lavigne conclue que o systema
+federativo deve constituir, para esta na&ccedil;&atilde;o, a base
+da sua reorganisa&ccedil;&atilde;o.</p>
+<p>Quando a Republica&mdash;escrevia o sr. Theophilo
+Braga&mdash;tiver dividido a hespanha em Estados autonomos:
+Galliza, Asturias, Biscaya, Navarra, Catalunha, Arag&atilde;o,
+Valencia, Murcia, Granada, Andaluzia, Nova Castella, Velha Castella
+e Le&atilde;o, &eacute; ent&atilde;o que Portugal, tendo a sua
+autonomia garantida, poder&aacute; entrar livremente na
+constitui&ccedil;&atilde;o do pacto federal dos Estados livres da
+peninsula iberica.</p>
+<p>Proclamadas as duas Republicas, a federa&ccedil;&atilde;o
+impor-se-ha logicamente. As tradi&ccedil;&otilde;es do partido
+republicano portuguez, s&atilde;o federalistas com Henriques
+Nogueira, e absurdo seria o contrario, por isso que a
+federa&ccedil;&atilde;o &eacute; a suprema express&atilde;o da
+Republica. A federa&ccedil;&atilde;o iberica seria o primeiro passo
+para a federa&ccedil;&atilde;o latina, que, por seu turno, seria o
+preambulo da federa&ccedil;&atilde;o humana. Na phrase de Charles
+Letourneau, a federa&ccedil;&atilde;o ter&aacute; de ser, primeiro,
+politica entre os grandes Estados, e, em seguida, socialista entre
+as communas e as cidades. &Eacute; este o limite maximo da
+id&eacute;a federativa, na sua forma mais racional e humana.</p>
+<span class="pagenum"><a name="pag_43" id="pag_43">[43]</a></span>
+<h1><a name="SECTION00500000000000000000" id=
+"SECTION00500000000000000000"></a><br>
+IV<br>
+O Federalismo e a peninsula hispanica<a name="tex2html10" href=
+"#foot226" id="tex2html10"><sup>10</sup></a></h1>
+<p>O federalismo &eacute;, como atraz fica dito, o systema de
+governo, que consiste na reuni&atilde;o de varios estados em um
+s&oacute; corpo de na&ccedil;&atilde;o, <em>conservando cada um
+d'elles a sua autonomia</em> em tudo que n&atilde;o affecta os
+interesses communs.</p>
+<p>D'aqui se deprehende, que os federalistas s&atilde;o os inimigos
+irreconciliaveis e os adversarios mais intransigentes da
+<em>uni&atilde;o iberica</em>, quer esta se apresente sob a
+f&oacute;rma monarchica, quer se manifeste sob a forma
+republicana.</p>
+<p>Entre federalistas e monarchicos ou republicanos
+<span class="pagenum"><a name="pag_44" id="pag_44">[44]</a></span>
+ibericos n&atilde;o ha transigencias nem
+contemporisa&ccedil;&otilde;es possiveis.</p>
+<p>Entre estes dois systemas ha um abysmo.</p>
+<p>A federa&ccedil;&atilde;o hispanica &eacute; o ideal generoso e
+imperecivel de todos os espiritos illustrados, incapazes de se
+deixarem corromper pelos sordidos interesses ou pelas
+ambi&ccedil;&otilde;es mesquinhas de uma politica gananciosa e vil.
+Ao passo que a <em>uni&atilde;o iberica</em>, em todos os seus
+aspectos, &eacute; illogica, irracional, contraria &aacute;
+evolu&ccedil;&atilde;o, anti-scientifica, e uma
+trai&ccedil;&atilde;o de lesa nacionalidade, que f&eacute;re
+profundamente as nossas tradi&ccedil;&otilde;es e pretende expungir
+a nossa autonomia, e dilacerar a nossa existencia como
+na&ccedil;&atilde;o.</p>
+<p>O sr. Theophilo Braga no seu notavel estudo &aacute;cerca das
+<em>Modernas Id&eacute;as na Litteratura Portugueza</em>
+d&aacute;-nos a no&ccedil;&atilde;o perfeita e clara dos destinos
+futuros e da miss&atilde;o historica que est&aacute; reservada aos
+povos que habitam a peninsula hispanica.</p>
+<p>Vejamos:</p>
+<h2><a name="SECTION00501000000000000000" id=
+"SECTION00501000000000000000">Condi&ccedil;&otilde;es ethnicas e
+historicas do federalismo peninsular</a></h2>
+<p>"As condi&ccedil;&otilde;es de existencia de qualquer sociedade,
+ou propriamente os elementos staticos da sua
+constitui&ccedil;&atilde;o, comprehendem o <em>territorio</em>, a
+<em>ra&ccedil;a</em>, o
+<span class="pagenum"><a name="pag_45" id="pag_45">[45]</a></span>
+<em>percurso historico</em> e a <em>contiguidade</em> ou o
+<em>isolamento</em> de outros povos. Todos estes factores imprimem
+f&oacute;rma ao typo da nacionalidade, sua
+organiza&ccedil;&atilde;o politica e caracteres da sua
+civilisa&ccedil;&atilde;o, embora a ac&ccedil;&atilde;o das
+individualidades governativas malbaratem as energias sociaes em
+levarem &aacute; realisa&ccedil;&atilde;o pratica os seus modos de
+v&ecirc;r theoricos.</p>
+<p>"Nenhum progresso ou evolu&ccedil;&atilde;o das for&ccedil;as
+dynamicas da sociedade pode ser attingido sem a
+considera&ccedil;&atilde;o dos elementos staticos. Emquanto a
+organisa&ccedil;&atilde;o e a ac&ccedil;&atilde;o politica
+n&atilde;o forem a resultante das condi&ccedil;&otilde;es staticas,
+que s&atilde;o a base espontanea da ordem, os governos exercendo-se
+sem plano, ser&atilde;o a principal for&ccedil;a perturbadora da
+sociedade, fazendo e desfazendo anarchicamente, como na lenda da
+t&ecirc;a de Peneloppe.</p>
+<p>"&Eacute; esta obceca&ccedil;&atilde;o deante das for&ccedil;as
+staticas, que determina o estupendo absurdo sociologico de se
+procurar manter a ordem pela repress&atilde;o, e o progresso pelas
+agita&ccedil;&otilde;es revolucionarias. Quando a Politica
+f&ocirc;r comprehendida como uma sciencia de
+observa&ccedil;&atilde;o e de applica&ccedil;&atilde;o, o
+conhecimento das for&ccedil;as staticas sociaes levar&aacute; a
+aproveitar esses impulsos dirigindo-os da mesma f&oacute;rma que o
+engenheiro se aproveita de uma queda de agua, ou
+<span class="pagenum"><a name="pag_46" id="pag_46">[46]</a></span>
+a industria de uma riqueza local, ou o commercio de uma via de
+communica&ccedil;&atilde;o. Ent&atilde;o a ordem deixar&aacute; de
+ser a justifica&ccedil;&atilde;o dos abusos da auctoridade, e o
+progresso n&atilde;o ser&aacute; a utopia demagogica, mas a simples
+evolu&ccedil;&atilde;o de um estado normal da sociedade.</p>
+<p>"Applicando estes principios &aacute; politica que compete
+&aacute; na&ccedil;&atilde;o portugueza, tomamos as suas
+condi&ccedil;&otilde;es staticas deduzindo do seu logar no
+territorio da peninsula hispanica, das tendencias da sua
+ra&ccedil;a, dos seus antecedentes historicos, da contiguidade das
+outras nacionalidades, qual a f&oacute;rma como este paiz deve ser
+governado, e a organisa&ccedil;&atilde;o politica que possa
+<em>assegurar-nos uma autonomia segura</em>, e um progresso que nos
+torne solidarios com a civilisa&ccedil;&atilde;o europ&ecirc;a.
+Servir esta aspira&ccedil;&atilde;o com emo&ccedil;&otilde;es
+patrioticas s&oacute; conduz os ingenuos a serem ludibriados pelos
+interesses d'aquelles que se colligaram com uma familia dynastica,
+para quem Portugal &eacute; um feudo explorado em commum.</p>
+<p>O criterio scientifico &eacute; impessoal, como desinteressadas
+as conclus&otilde;es a que chega; desde o momento que a mesologia
+da peninsula se acha bem conhecida, e que os caracteres
+anthropologicos s&atilde;o persistentes, e que a marcha historica
+em seus emmaranhados
+<span class="pagenum"><a name="pag_47" id="pag_47">[47]</a></span>
+conflictos est&aacute; explicada, s&atilde;o simples as
+deduc&ccedil;&otilde;es de todos estes elementos para estabelecer a
+politica normal ou positiva de que depende a nacionalidade
+portugueza."</p>
+<p>A politica de aventuras e de sentimentalismo &eacute; plenamente
+absurda. As sciencias modernas n&atilde;o a acceitam, nem a
+consentem. Pode servir a um grupo qualquer de ambiciosos ou de
+cubi&ccedil;osos e farmilentos, que busquem, por sobre os hombros
+dos ingenuos e ignorantes, galgar &aacute;s eminencias do poder.
+Mas para todos os cerebros pensantes, para todos os espiritos
+energicos, para todos os homens que consideram a politica como uma
+sciencia, obedecendo a leis t&atilde;o invariaveis como s&atilde;o
+as leis cosmicas e biologicas, que regem o universo, para esses
+pensadores o futuro de Portugal e da Hespanha hade ser fatalmente a
+federa&ccedil;&atilde;o iberica.</p>
+<p><br></p>
+<p class="separador">*<br>
+*&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;*</p>
+<br>
+<p>A unifica&ccedil;&atilde;o da peninsula, nas diversas phases de
+governos unitarios, produziu sempre innumerosas catastrophes.</p>
+<p>A conquista romana esbateu nos povos peninsulares as duas
+fei&ccedil;&otilde;es mais proeminentes e mais
+<span class="pagenum"><a name="pag_48" id="pag_48">[48]</a></span>
+valiosas do seu organismo social: o <em>individualismo</em> e o
+<em>separatismo</em>. Educou-os e habituou-os, depois de os ter
+sugado at&eacute; &aacute; medulla, a obedecer cegamente ao poder
+central. Levada no turbilh&atilde;o de vicissitudes que acompanham
+as na&ccedil;&otilde;es conquistadoras, reduzida a provincia de um
+poder central e longinquo, chegou o momento em que o longo
+bra&ccedil;o de ferro de Roma devia cingir a Hespanha para
+s&oacute; a arrojar de si, exhausta e transfigurada, nas
+m&atilde;os de barbaros indomitos.</p>
+<p>De feito, deixou a peninsula &aacute; merc&ecirc; dos vandalos,
+alanos e suevos, que assignalaram a sua irrup&ccedil;&atilde;o por
+todo o genero de devasta&ccedil;&otilde;es.</p>
+<p>A unifica&ccedil;&atilde;o obtida pelo imperio romano, depois de
+subjugados e degenerados os povos peninsulares, preparou a entrada
+dos barbaros que converteram todo o paiz quasi n'um ermo. Foi este
+o mais valioso resultado da espolia&ccedil;&atilde;o latina, e do
+governo unitario da Hespanha.</p>
+<p>Pouco depois transpunham os Pyren&eacute;us as hostes
+wisigothicas, que deviam durante tres seculos dominar a peninsula
+Constituida ainda mais uma vez uma s&oacute; na&ccedil;&atilde;o,
+tal era a impossibilidade de prender por fortes la&ccedil;os de
+unidade os povos peninsulares, que bastou uma simples batalha,
+nas
+<span class="pagenum"><a name="pag_49" id="pag_49">[49]</a></span>
+margens do Chryssus ou Guadalete, para desmoronar inteiramente a
+phantasiosa unidade peninsular.</p>
+<p>&Eacute; indubitavel, opina um illustre historiador, que esta
+jornada foi decisiva, e que n'ella se fez peda&ccedil;os o imperio
+wisigothico.</p>
+<p>Vejamos agora o que escreve o sr. Theophilo Braga:</p>
+<p>&nbsp;</p>
+<p>"As duas correntes de unifica&ccedil;&atilde;o e
+desmembra&ccedil;&atilde;o politica."</p>
+<p>"Quem lan&ccedil;ar um rapido olhar pela historia da Hespanha,
+v&ecirc; que toda a sua existencia nacional se dispendeu em uma
+agita&ccedil;&atilde;o constante, de um lado em reivindicar as
+autonomias dos pequenos estados, ou <em>separatismo</em>, e do
+outro, em incorporar todos esses estados livres debaixo de um
+sceptro, tendo por centro de convergencia ora a monarchia leoneza,
+ora a monarchia navarra, ora a monarchia castelhana. A monarchia,
+como o demonstra Charri&egrave;re, foi sempre um elemento
+extrangeiro para a Hespanha, e o facto de ser ella essencialmente
+unitaria o prova; porque a Hespanha, pelos seus relevos
+orographicos, pelas suas differentes ra&ccedil;as, &eacute; um paiz
+destinado a constituir-se em Federa&ccedil;&atilde;o
+<span class="pagenum"><a name="pag_50" id="pag_50">[50]</a></span>
+de pequenos estados, ao passo que os monarchas for&ccedil;aram
+sempre estas qualidades naturaes, tentando pela violencia a
+unifica&ccedil;&atilde;o politica."</p>
+<p>"Quem fez a primeira unifica&ccedil;&atilde;o politica da
+Hespanha? O Imperio romano. Depois da queda do Imperio, vieram os
+wisigodos que, sob Leovigildo, restauraram a unidade imperial.
+Depois vieram os arabes que sob o kalifado de Cordova, conseguiram
+tambem a unidade politica, que os destruiu. Depois veiu a
+reconquista neogothica, que procurou restaurar a unidade dos tempos
+de Leovigildo, primeiramente sob o sceptro leonez de Affonso III,
+em seguida pela absorp&ccedil;&atilde;o da Navarra sob Sancho,
+depois pela unifica&ccedil;&atilde;o castelhana sob Fernando Magno
+e Affonso VI, por cuja morte Portugal p&ocirc;de quebrar os seus
+circulos e constituir-se como estado e nacionalidade livre."</p>
+<p>"N&atilde;o ficam aqui os esfor&ccedil;os para a
+unifica&ccedil;&atilde;o politica dos estados peninsulares; a
+monarchia de Fernando e Isabel consumiria a obra da morte d'estas
+fecundas nacionalidades, e Filippe II, em 1580, unifica Portugal
+como provincia no territorio hespanhol."</p>
+<p>"Quando a monarchia n&atilde;o podia unificar pelas
+<span class="pagenum"><a name="pag_51" id="pag_51">[51]</a></span>
+armas, empregava os casamentos reaes, como em Fernando com Isabel,
+em D. Affonso V de Portugal com a Beltraneja, no principe D.
+Affonso com Isabel; emfim, os casamentos dos reis D. Manoel e D.
+Jo&atilde;o III, como os de Carlos V e Filippe II, visavam &aacute;
+unifica&ccedil;&atilde;o das duas na&ccedil;&otilde;es."</p>
+<p>"Se a republica, na peninsula hispanica, tem um destino
+s&eacute;rio e progressivo, &eacute; dar a essas tendencias
+<em>separatistas</em>, que s&atilde;o immorredouras, a f&oacute;rma
+consciente e disciplinada de <em>pacto federativo</em>,
+reconstruindo a autonomia d'esses pequenos Estados da
+Edade-m&eacute;dia.</p>
+<p>"Tudo o que n&atilde;o f&ocirc;r isto, &eacute; um absurdo, uma
+violencia, e n&atilde;o se far&aacute; sem sangue, para se tornar a
+desfazer, como em 1640."</p>
+<p>&nbsp;</p>
+<p>Se a Fran&ccedil;a em 1790, tivesse acceitado a
+orienta&ccedil;&atilde;o dos girondinos, formando os Estados unidos
+das Gallias, em logar de constituir a republica una e indivisivel,
+teria resistido incolume a todos os embates das monarchias
+absolutas, n&atilde;o seria a victima sangrenta das loucas
+ambi&ccedil;&otilde;es napoleonicas, n&atilde;o veria o seu solo
+talado pelos exercitos dos autocratas europeus, nunca o seu
+estandarte da liberdade, se abateria, humilhado, perante, a
+<span class="pagenum"><a name="pag_52" id="pag_52">[52]</a></span>
+reac&ccedil;&atilde;o, e outra poderia ser j&aacute; a sorte de
+todos os povos neolatinos, que attentam em Paris como na Athenas
+moderna.</p>
+<p>Os povos confederados n&atilde;o teem, nem querem conquistadores
+ou heroes. Reputam-nos o que elles realmente s&atilde;o: os algozes
+da humanidade.</p>
+<p>Entre uma federa&ccedil;&atilde;o e um governo unitario ha a
+mesma differen&ccedil;a que encontramos entre Washington e
+Bonaparte: um cidad&atilde;o illustre e um aventureiro abjecto.</p>
+<p><br></p>
+<p class="separador">*<br>
+*&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;*</p>
+<br>
+<p>Quando um povo tem atravessado de rold&atilde;o phases
+politicas, debaixo de systemas acintemente sophismados, e que
+tendem todos, na sua essencia, a afasta-lo de uma determinada
+marcha evolutiva, perturbando-o na sua vida economica, industrial,
+fabril, commercial, civil e social, a necessidade urgente de
+retomar o logar que lhe compete no convivio das outras
+na&ccedil;&otilde;es civilisadas, n&atilde;o se lhe imp&otilde;e
+s&oacute; como um direito&mdash;est&aacute;-lhe prescripto como um
+dever rigoroso e inadiavel.</p>
+<p>Hespanha e Portugal, tal &eacute; a for&ccedil;a da sua
+cohes&atilde;o ethnica e social, desde a reconquista neogoda
+<span class="pagenum"><a name="pag_53" id="pag_53">[53]</a></span>
+teem tido governos, existencia politica e fei&ccedil;&otilde;es
+economicas e civis de um parallelismo, que surprehender&aacute;
+somente quem ignorar a communh&atilde;o de cren&ccedil;as e de
+opini&otilde;es, e a egualdade de sentimentos, de faculdades e de
+ac&ccedil;&otilde;es reflexas d'estes dois povos irm&atilde;os.</p>
+<p>Distanceados, por uma multiplicidade de causas, que n&atilde;o
+&eacute; para aqui relatar, do estado da opulencia e
+desenvolvimento de outras na&ccedil;&otilde;es europ&ecirc;as,
+veem-se a bra&ccedil;os estes dois povos com as crises successivas
+de uma politica ardilosa, reaccionaria e expoliadora, tanto das
+suas liberdades publicas como dos seus interesses economicos. E a
+par d'estas administra&ccedil;&otilde;es subversivas, sem
+orienta&ccedil;&atilde;o nem programma definido e consciencioso de
+governo, accumulam-se, sem estudo nem solu&ccedil;&atilde;o
+pratica, todos os problemas sociaes em que se debate o
+proletariado. Problemas que pela sua gravidade e urgencia
+preoccupam e s&atilde;o anciosa e tenazmente meditados e discutidos
+pelos trabalhadores de todos os paizes civilisados.</p>
+<p>Todos prev&ecirc;em, que o seculo futuro ser&aacute; mais ou
+menos proximamente iniciado por uma revolu&ccedil;&atilde;o social,
+quer seja a consequencia irresistivel da guerra que se prepara,
+quer se manifeste como o
+<span class="pagenum"><a name="pag_54" id="pag_54">[54]</a></span>
+complemento das reivindica&ccedil;&otilde;es postergadas e da
+miseria com que luctam as classes populares.</p>
+<p>Se, no meio da instabilidade d'ac&ccedil;&atilde;o governativa e
+da lassid&atilde;o que affecta as articula&ccedil;&otilde;es do
+organismo politico d'estas duas na&ccedil;&otilde;es, incidir
+tambem uma transforma&ccedil;&atilde;o social, ser&aacute;
+ent&atilde;o tarde para deter a formosa peninsula hispanica na
+beira do abysmo a que essas duas correntes a podem impellir.</p>
+<p>O <em>ultimatum</em> que a Inglaterra nos arremessou, nunca se
+nos afigurou uma simples expolia&ccedil;&atilde;o, envolta n'uma
+brutesa. A Gran-Bretanha, pratica como &eacute;, nunca exerce a sua
+ac&ccedil;&atilde;o por uma forma brutal, quando n&atilde;o tem de
+ceder a cousas superiores. A sua m&atilde;o de ferro ao empolgar
+bens alheios, vem sempre cal&ccedil;ada de uma luva de macio e
+frizado velludo&mdash;s&atilde;o estas as pragmaticas da Carthago
+da actualidade.</p>
+<p>O <em>ultimatum</em> da velha Albion foi claramente um acto
+grosseiro, sim, mas energico e violento de previs&atilde;o.</p>
+<p>Se um dia a Hespanha e Portugal formarem os Estados Unidos da
+peninsula, reunidas que sejam, sob o mesmo regimen, as colonias dos
+dois povos, terminar&atilde;o os insultos e arremettidas da
+Inglaterra,
+<span class="pagenum"><a name="pag_55" id="pag_55">[55]</a></span>
+&aacute; Africa portugueza, porque lh'o n&atilde;o
+consentir&aacute; uma grande na&ccedil;&atilde;o: a Republica
+federal da Iberia.</p>
+<p>Estar&aacute; proxima a realiza&ccedil;&atilde;o do pacto
+federal, que hade unir as duas na&ccedil;&otilde;es irm&atilde;s,
+ou vir&aacute; ainda demorado o dia em que essa grandiosa
+transforma&ccedil;&atilde;o se possa effectuar? &Eacute; isto que a
+Gran-Bretanha n&atilde;o pode precisar, porque acontecimentos
+t&atilde;o poderosos na sua desenvolu&ccedil;&atilde;o dependem de
+factores que fojem aos calculos dos mais sagazes homens de
+Estado&mdash;e possue-os esta potencia t&atilde;o solertes como os
+educava e d'elles se servia a famosa Republica de Veneza.</p>
+<p>Todavia a anarchia social e economica que lavra nos dois paizes,
+a falta de orienta&ccedil;&atilde;o politica e do systema de
+governar que se manifesta tanto em Portugal como em Hespanha,
+aggravados ainda com a desorganisa&ccedil;&atilde;o das suas
+finan&ccedil;as, com o empobrecimento das suas industrias, com o
+atrazo dos seus processos na crea&ccedil;&atilde;o de fontes de
+riqueza, com a delapida&ccedil;&atilde;o dos erarios publicos, e
+com a perturba&ccedil;&atilde;o que promana da falta de decoro e de
+honestidade nos actos mais singelos da vida politica, todas estas
+cousas engrossando a corrente caudal das aspira&ccedil;&otilde;es e
+das impaciencias da democracia, podem, n'uma dada hora, no
+momento
+<span class="pagenum"><a name="pag_56" id="pag_56">[56]</a></span>
+psychologico, galgar os diques artificiaes, construidos pela
+politica das monarchias europeias e tornar um facto indiscutivel
+esse esplendoroso ideal de todos os pensadores e crentes da
+peninsula hispanica.</p>
+<p>&Eacute; este o receio da rainha dos mares, e por isso se
+apressou, n&atilde;o olhando aos meios, a praticar o acto de
+extors&atilde;o mais violento e cynico de que temos memoria na
+historia das na&ccedil;&otilde;es civilisadas.</p>
+<p>A n&oacute;s, este proceder da nossa fiel e antiga alliada,
+feriu-nos como fere uma affronta, que tem por causa unica a
+depreda&ccedil;&atilde;o do que n&oacute;s possuimos, confiados no
+direito das gentes, e a que tinhamos ligadas gloriosas
+tradi&ccedil;&otilde;es. Affronta que tivemos de devorar sem
+desfor&ccedil;o immediato; porque a honra e a altivez decorosa da
+familia peninsular perderam-se nas m&atilde;os dos nossos sinistros
+homens de Estado.</p>
+<p>Mas a par da affronta, fica o vaticinio, a par do ultrage resta
+a preoccupa&ccedil;&atilde;o da Gran-Bretanha, o pensamento que a
+deixa mal dormida, a previs&atilde;o de que a peninsula hispanica
+hade proclamar por uma lei fatal da evolu&ccedil;&atilde;o a
+Republica federal que por&aacute; um dique &aacute; sua
+arrogancia.</p>
+<span class="pagenum"><a name="pag_57" id="pag_57">[57]</a></span>
+<br>
+<p class="separador">*<br>
+*&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;*</p>
+<br>
+<p>"N&atilde;o foi o sceptro dos reis, escreve o sr. Theophilo
+Braga, que dividiu a Hespanha, mas sim as montanhas que irradiam da
+cordilheira dos Pyrineus, a que vem do norte a oeste, que em quatro
+ramifica&ccedil;&otilde;es divide a Catalunha, Arag&atilde;o,
+Asturias, Galliza e Vasconia; e a que vem de norte a sul, na
+vertente oriental, limitando Valencia, Murcia e Granada, e na
+vertente occidental ou atlantica, a Castella Velha, Le&atilde;o,
+Castella Nova, Extremadura e Andaluzia.</p>
+<p>"Essas ramifica&ccedil;&otilde;es conservaram a persistencia dos
+diversos typos anthropologicos, das ra&ccedil;as que povoaram a
+Hespanha; definiram as f&oacute;rmas das agrupa&ccedil;&otilde;es
+sociaes em rudimentos de estados autonomos; sustentaram as suas
+differen&ccedil;as ethnicas nos <em>dialectos</em> que ainda falam,
+nos modos da sua <em>actividade</em>, nas
+<em>legisla&ccedil;&otilde;es</em> civis porque se regem,
+at&eacute; mesmo nas suas <em>dan&ccedil;as</em> e
+<em>cantares</em> tradicionaes em que se expressa a <em>indole</em>
+de uma independencia t&atilde;o absolutamente desconhecida da
+politica."</p>
+<p>&nbsp;</p>
+<p>Um erudito historiador, querendo explicar a
+disposi&ccedil;&atilde;o hereditaria e sempre inalteravel para
+o
+<span class="pagenum"><a name="pag_58" id="pag_58">[58]</a></span>
+<em>separatismo</em>, que se encontra nos povos que occupam a nossa
+peninsula, observa que a confian&ccedil;a inabalavel que os iberos
+mantiveram, sempre no seu proprio arrojo, manifesta-se pela mesma
+forma na continuada tendencia das diversas frac&ccedil;&otilde;es
+da Hespanha, desde Pelayo at&eacute; aos nossos dias, para se
+isolarem em vida autonomica distincta, sem attenderem nem &aacute;
+sua fraqueza, nem &aacute; pequena extens&atilde;o do seu
+territorio.</p>
+<p>Foi evidentemente o individualismo, rebellando-se contra o poder
+central e contra a unidade que determinou as
+revolu&ccedil;&otilde;es do occidente da Peninsula, no decurso dos
+seculos VIII a XII.</p>
+<p>&nbsp;</p>
+<p>"As parcialidades, opina Alexandre Herculano, compunham-se,
+dividiam-se, ou transformavam-se sem custo, &aacute; merc&ecirc; do
+primeiro impeto de paix&atilde;o ou calculo ambicioso. Tal era a
+fragilidade do elemento unitario, e tal era a energia das
+tendencias separatistas."</p>
+<p>&nbsp;</p>
+<p>D'este estado tumultuario derivou a separa&ccedil;&atilde;o
+definitiva de Portugal, e a consolida&ccedil;&atilde;o da autonomia
+portugueza.</p>
+<p>&nbsp;</p>
+<p>"Obra a principio de ambi&ccedil;&atilde;o e orgulho,
+observa
+<span class="pagenum"><a name="pag_59" id="pag_59">[59]</a></span>
+o illustre escriptor, a desmembra&ccedil;&atilde;o dos dois
+condados do Porto e de Coimbra, veiu, por milagres de prudencia e
+de energia, a constituir, n&atilde;o a na&ccedil;&atilde;o mais
+forte, mas de certo a mais audaz da Europa nos fins do XV seculo."</p>
+<p>&nbsp;</p>
+<p>De feito, em todos esses reinos christ&atilde;os que se formam
+dos fragmentos da conquista arabe, em todas essas provincias, que
+substituiram o poder sarraceno, conservando com uma transparente
+affecta&ccedil;&atilde;o sob a monarchia central, o nome v&atilde;o
+de reinos, n&atilde;o se encontra por ventura, a mesma irresistivel
+inclina&ccedil;&atilde;o para o federalismo e a mesma
+repuls&atilde;o para a unidade? Ainda hoje pergunta um notavel
+publicista, tres seculos de despotismo deixaram por acaso mais
+solido o principio do unitararismo? N&atilde;o vemos n&oacute;s ao
+primeiro abalo pender logo para a desmembra&ccedil;&atilde;o cada
+um dos fragmentos d'este corpo mal unido, e onde os sonhos de
+independencia nunca cessam de se manifestar.</p>
+<p>Embora nos seus tra&ccedil;os geraes a familia iberica tenha uma
+grande homogeneidade de rela&ccedil;&otilde;es ethnicas e de
+qualidades genericas, todavia, cada um dos membros d'este grande
+corpo, que constitue
+<span class="pagenum"><a name="pag_60" id="pag_60">[60]</a></span>
+a Peninsula possue condi&ccedil;&otilde;es suas proprias que se
+n&atilde;o confundem, elementos de uma modalidade t&atilde;o
+accentuada, que demonstram sobejamente as causas irreductiveis de
+individualismo e separatismo hereditarios, que determinam todos os
+seus actos.</p>
+<p>Tanto na sua vida physica como na vida moral, a Hespanha
+&eacute; um composto de contrastes e n&atilde;o parece formar um
+todo sen&atilde;o por uma aggrega&ccedil;&atilde;o artificial.
+Differe tanto o caracter dos habitantes de cada provincia, como o
+seu aspecto physico.</p>
+<p>Ao lan&ccedil;armos os olhos sobre o mappa da Peninsula, todos
+os contrastes e variedade que encontramos nas familias ibericas
+teem logo uma facil explica&ccedil;&atilde;o. Af&oacute;ra
+excep&ccedil;&otilde;es diminutas, cada provincia do territorio
+iberico est&aacute; separada das outras por uma barreira de
+montanhas, que lhe cria uma barreira natural, assaz elevada para
+separar dois povos e dois Estados. Cada parte est&aacute;
+t&atilde;o isolada do todo, como a propria Peninsula se acha
+separada do resto da Europa. &Eacute; por isso que a historia da
+Peninsula pyreneica est&aacute; t&atilde;o patente na sua
+configura&ccedil;&atilde;o physica como o caracter d'um homem que
+se nos revella nos tra&ccedil;os da sua physionomia.</p>
+<span class="pagenum"><a name="pag_61" id="pag_61">[61]</a></span>
+<h1><a name="SECTION00600000000000000000" id=
+"SECTION00600000000000000000"></a><br>
+V<br>
+A Federa&ccedil;&atilde;o e a paz</h1>
+<p>Todos os pensadores progressistas&mdash;escreve Benoit
+Malon&mdash;est&atilde;o de accordo sobre o futuro dos Estados
+socialistas que n&atilde;o ser&atilde;o outra cousa sen&atilde;o
+republicas federadas, constituindo cada uma d'ellas uma estreita
+federa&ccedil;&atilde;o de communas engrandecidas e transformadas
+politica e socialmente.</p>
+<p>A Republica, sendo a f&oacute;rma politica que mais se coaduna
+com a dignidade humana, os Estados que fundarem os povos
+emancipados n&atilde;o poder&atilde;o ser sen&atilde;o
+republicanos-federalistas, por isso que s&oacute; o federalismo
+concilia o respeito das necessidades regionaes com os grandes
+interesses das na&ccedil;&otilde;es livremente constituidas e com
+os da suprema confedera&ccedil;&atilde;o internacional que
+ligar&aacute; e tornar&aacute; solidarios todos os povos.
+<span class="pagenum"><a name="pag_62" id="pag_62">[62]</a></span>
+Na conferencia interparlamentar de 1892, foi votada a seguinte
+mo&ccedil;&atilde;o:</p>
+<p>&nbsp;</p>
+<p>Considerando:</p>
+<p>Que a paz na Europa &eacute; uma condi&ccedil;&atilde;o
+indispensavel da civilisa&ccedil;&atilde;o e que n&atilde;o
+&eacute; possivel sem a justi&ccedil;a, e, por conseguinte, sem a
+uni&atilde;o;</p>
+<p>A conferencia faz votos:</p>
+<p>Para que a ideia de uma confedera&ccedil;&atilde;o de Estados,
+tendente a definir o direito internacional e a favorecer a
+fraternidade dos povos, possa conquistar o maior numero de
+sympathias e de adhes&otilde;es.</p>
+<p>&nbsp;</p>
+<p>Accrescentaremos a esta uma outra proposta, sobre a
+federa&ccedil;&atilde;o europeia, apresentada ao congresso da paz,
+pelos srs. Moneta, S. J. Copper e a baroneza de Suttner:</p>
+<p>&nbsp;</p>
+<p>Considerando que os prejuizos causados pela paz armada e o
+perigo imminente para a Europa de uma grande guerra, dependem do
+estado de anarchia no qual se encontram as differentes
+na&ccedil;&otilde;es europeias em face umas das outras;</p>
+<p>Considerando que a uni&atilde;o federal da Europa&mdash;que
+<span class="pagenum"><a name="pag_63" id="pag_63">[63]</a></span>
+&eacute; tambem reclamada pelos interesses commerciaes de todos os
+paizes&mdash;poria termo a este estado de anarchia constituindo um
+estado juridico europeu;</p>
+<p>Considerando que a uni&atilde;o federal para os interesses
+communs em nada lesaria a independencia de cada na&ccedil;&atilde;o
+nos seus negocios interiores, nem, por conseguinte, na sua
+f&oacute;rma de governo;</p>
+<p>O Congresso convida as sociedades europeias da paz e os seus
+adherentes a acceitarem uma uni&atilde;o dos Estados, baseada sobre
+o direito das gentes, com o fim supremo da propaganda, e convida
+todas as sociedades do mundo a insistirem, principalmente nos
+periodos de elei&ccedil;&otilde;es politicas, sobre a necessidade
+de se estabelecer um congresso permanente das na&ccedil;&otilde;es,
+ao qual deveria ser submettida a solu&ccedil;&atilde;o de todas as
+quest&otilde;es internacionaes, como meio de resolver os conflictos
+pela lei e n&atilde;o pela violencia.</p>
+<p>&nbsp;</p>
+<p>Ou o bem estar e a federa&ccedil;&atilde;o, ou a miseria e
+anarchia internacional&mdash;diz Novicow.</p>
+<p>Somos solidarios uns com os outros. Solidarios todos os homens
+de uma mesma na&ccedil;&atilde;o. Solidarias egualmente as
+na&ccedil;&otilde;es que formam uma s&oacute;
+<span class="pagenum"><a name="pag_64" id="pag_64">[64]</a></span>
+e grande familia&mdash;o mundo civilisado, a humanidade.<a name=
+"tex2html11" href="#foot331" id="tex2html11"><sup>11</sup></a></p>
+<p>A era pacifica s&oacute; poder&aacute; ser definitivamente
+inaugurada pela pratica do federalismo. A federa&ccedil;&atilde;o
+&eacute; o fim, o ideal supremo da Europa, escreve Strada.<a name=
+"tex2html12" href="#foot332" id="tex2html12"><sup>12</sup></a> Como
+chegar at&eacute; l&aacute;?&mdash;eis a quest&atilde;o. Com a
+federa&ccedil;&atilde;o, a Europa tornar-se-hia uma America
+poderosissima.</p>
+<h2><a name="SECTION00601000000000000000" id=
+"SECTION00601000000000000000">FIM</a></h2>
+</div>
+<div class="rodape">
+<p><a name="foot39" id="foot39"></a><a href=
+"#tex2html1"><sup>1</sup></a> Proudhon.</p>
+<p><a name="foot321" id="foot321"></a><a href=
+"#tex2html2"><sup>2</sup></a> Pi y Margall&mdash;<em>Las
+Nacionalidades</em>.</p>
+<p><a name="foot322" id="foot322"></a><a href=
+"#tex2html3"><sup>3</sup></a> Gervinus&mdash;<em>Introduction
+&aacute; l'histoire du dix-neuvi&egrave;me-si&egrave;cle</em>.</p>
+<p><a name="foot323" id="foot323"></a><a href=
+"#tex2html4"><sup>4</sup></a> Theophilo Braga&mdash;<em>As modernas
+id&eacute;as da litteratura portugueza</em>.</p>
+<p><a name="foot49" id="foot49"></a><a href=
+"#tex2html5"><sup>5</sup></a> Visconde de Ouguella.</p>
+<p><a name="foot324" id="foot324"></a><a href=
+"#tex2html6"><sup>6</sup></a> Hepworth Dixon&mdash;<em>La Suisse
+contemporaine</em>.</p>
+<p><a name="foot325" id="foot325"></a><a href=
+"#tex2html7"><sup>7</sup></a> E. Laveleye&mdash;<em>Essais sur la
+forme de gouvernement</em>.</p>
+<p><a name="foot58" id="foot58"></a><a href=
+"#tex2html8"><sup>8</sup></a> Teixeira Bastos</p>
+<p><a name="foot328" id="foot328"></a><a href=
+"#tex2html9"><sup>9</sup></a> Regnault&mdash;<em>La
+Province</em>.</p>
+<p><a name="foot226" id="foot226"></a><a href=
+"#tex2html10"><sup>10</sup></a> Este capitulo encerra parte de um
+estudo feito com a collabora&ccedil;&atilde;o do illustre e
+fallecido escriptor visconde de Ouguella, que n&atilde;o
+cheg&aacute;mos a concluir e que tencionavamos publicar em
+volume.</p>
+<p><a name="foot331" id="foot331"></a><a href=
+"#tex2html11"><sup>11</sup></a> M. von Egidy&mdash;<em>A era sem
+violencia</em>.</p>
+<p><a name="foot332" id="foot332"></a><a href=
+"#tex2html12"><sup>12</sup></a> Strada&mdash;<em>L'Europe
+sauv&eacute;e et la f&eacute;d&eacute;ratian</em>.</p>
+</div>
+<br>
+<hr>
+<br>
+<h2>PROPAGANDA DE INSTRUC&Ccedil;&Atilde;O</h2>
+<h4>Para Portuguezes e Brazileiros</h4>
+<h3>OS DICCIONARIOS DO POVO</h3>
+<p>N.&ordm; 1&mdash;Diccionario da lingua portugueza (3.&ordf;
+edi&ccedil;&atilde;o).</p>
+<p>N.&ordm; 2&mdash;Diccionario francez-portuguez (2.&ordf;
+edi&ccedil;&atilde;o).</p>
+<p>N.&ordm; 3&mdash;Diccionario portuguez-francez (2.&ordf;
+edi&ccedil;&atilde;o).</p>
+<p>N.&ordm; 4&mdash;Diccionario inglez-portuguez.</p>
+<p>N.&ordm; 5&mdash;Diccionario portuguez-inglez.</p>
+<p>Cada volume cont&eacute;m cerca de 800 paginas. Pre&ccedil;os:
+brochado, 500 r&eacute;is; encadernado em percalina, 600
+r&eacute;is; em carneira, 700 r&eacute;is.</p>
+<h3>BIBLIOTHECA DO POVO E DAS ESCOLAS</h3>
+<p>Esta util e valiosissima bibliotheca consta j&aacute; de 199
+volumes, alguns dos quaes teem a approva&ccedil;&atilde;o do
+governo portuguez, para uso das escolas normaes e aulas primarias,
+e outros s&atilde;o geralmente adoptados em varias escolas do
+paiz.</p>
+<p>Pre&ccedil;o de cada volume, 50 r&eacute;is.</p>
+<h3>O IDEAL MODERNO<br>
+BIBLIOTHECA POPULAR DE ORIENTA&Ccedil;&Atilde;O SOCIALISTA</h3>
+<p>Volumes publicados:&mdash;Paz e arbitragem&mdash;A
+dissolu&ccedil;&atilde;o do regimen capitalista.&mdash;O
+federalismo.</p>
+<p>Volumes a publicar:&mdash;Bolsas de trabalho&mdash;O
+humanismo&mdash;O socialismo&mdash;O feminismo, etc., etc.</p>
+
+
+
+
+
+
+
+<pre>
+
+
+
+
+
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+
+Section 2. Information about the Mission of Project Gutenberg-tm
+
+Project Gutenberg-tm is synonymous with the free distribution of
+electronic works in formats readable by the widest variety of computers
+including obsolete, old, middle-aged and new computers. It exists
+because of the efforts of hundreds of volunteers and donations from
+people in all walks of life.
+
+Volunteers and financial support to provide volunteers with the
+assistance they need, is critical to reaching Project Gutenberg-tm's
+goals and ensuring that the Project Gutenberg-tm collection will
+remain freely available for generations to come. In 2001, the Project
+Gutenberg Literary Archive Foundation was created to provide a secure
+and permanent future for Project Gutenberg-tm and future generations.
+To learn more about the Project Gutenberg Literary Archive Foundation
+and how your efforts and donations can help, see Sections 3 and 4
+and the Foundation web page at http://www.pglaf.org.
+
+
+Section 3. Information about the Project Gutenberg Literary Archive
+Foundation
+
+The Project Gutenberg Literary Archive Foundation is a non profit
+501(c)(3) educational corporation organized under the laws of the
+state of Mississippi and granted tax exempt status by the Internal
+Revenue Service. The Foundation's EIN or federal tax identification
+number is 64-6221541. Its 501(c)(3) letter is posted at
+http://pglaf.org/fundraising. Contributions to the Project Gutenberg
+Literary Archive Foundation are tax deductible to the full extent
+permitted by U.S. federal laws and your state's laws.
+
+The Foundation's principal office is located at 4557 Melan Dr. S.
+Fairbanks, AK, 99712., but its volunteers and employees are scattered
+throughout numerous locations. Its business office is located at
+809 North 1500 West, Salt Lake City, UT 84116, (801) 596-1887, email
+business@pglaf.org. Email contact links and up to date contact
+information can be found at the Foundation's web site and official
+page at http://pglaf.org
+
+For additional contact information:
+ Dr. Gregory B. Newby
+ Chief Executive and Director
+ gbnewby@pglaf.org
+
+
+Section 4. Information about Donations to the Project Gutenberg
+Literary Archive Foundation
+
+Project Gutenberg-tm depends upon and cannot survive without wide
+spread public support and donations to carry out its mission of
+increasing the number of public domain and licensed works that can be
+freely distributed in machine readable form accessible by the widest
+array of equipment including outdated equipment. Many small donations
+($1 to $5,000) are particularly important to maintaining tax exempt
+status with the IRS.
+
+The Foundation is committed to complying with the laws regulating
+charities and charitable donations in all 50 states of the United
+States. Compliance requirements are not uniform and it takes a
+considerable effort, much paperwork and many fees to meet and keep up
+with these requirements. We do not solicit donations in locations
+where we have not received written confirmation of compliance. To
+SEND DONATIONS or determine the status of compliance for any
+particular state visit http://pglaf.org
+
+While we cannot and do not solicit contributions from states where we
+have not met the solicitation requirements, we know of no prohibition
+against accepting unsolicited donations from donors in such states who
+approach us with offers to donate.
+
+International donations are gratefully accepted, but we cannot make
+any statements concerning tax treatment of donations received from
+outside the United States. U.S. laws alone swamp our small staff.
+
+Please check the Project Gutenberg Web pages for current donation
+methods and addresses. Donations are accepted in a number of other
+ways including checks, online payments and credit card donations.
+To donate, please visit: http://pglaf.org/donate
+
+
+Section 5. General Information About Project Gutenberg-tm electronic
+works.
+
+Professor Michael S. Hart is the originator of the Project Gutenberg-tm
+concept of a library of electronic works that could be freely shared
+with anyone. For thirty years, he produced and distributed Project
+Gutenberg-tm eBooks with only a loose network of volunteer support.
+
+
+Project Gutenberg-tm eBooks are often created from several printed
+editions, all of which are confirmed as Public Domain in the U.S.
+unless a copyright notice is included. Thus, we do not necessarily
+keep eBooks in compliance with any particular paper edition.
+
+
+Most people start at our Web site which has the main PG search facility:
+
+ http://www.gutenberg.org
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+This Web site includes information about Project Gutenberg-tm,
+including how to make donations to the Project Gutenberg Literary
+Archive Foundation, how to help produce our new eBooks, and how to
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