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You may copy it, give it away or +re-use it under the terms of the Project Gutenberg License included +with this eBook or online at www.gutenberg.org + + +Title: Suicida + +Author: Camilo Castelo Branco + +Release Date: January 17, 2008 [EBook #24339] + +Language: Portuguese + +Character set encoding: ISO-8859-1 + +*** START OF THIS PROJECT GUTENBERG EBOOK SUICIDA *** + + + + +Produced by Pedro Saborano (produced from scanned images +of public domain material from Google Book Search) + + + + + + + +SUICIDA + + + PORTO + Typographia de A. J. da Silva Teixeira + Cancella Velha, 63 + 1880 + + + +Camillo Castello Branco + + +SUICIDA + + + Cada suicida é um poema sublime de melancolia. + + Balzac. + + + + + Livraria Internacional + de + Ernesto Chardron, Editor + PORTO E BRAGA + 1880 + + + + +ELISA LOEVE-WEIMAR + + +A senhora, que teve este nome, suicidou-se com um tiro, no Porto, no dia +30 do mez passado[1]. + +D'entre os meus escriptos de ha doze annos reproduzo um que a toda gente, +com certeza, esqueceu, tirante o coração d'aquella que hoje é morta. + +Dizia assim: + +A Formosa das Violetas + +Julio Janin, no folhetim do _Jornal dos Debates_ de 30 de março do corrente +anno (1863), escreveu o seguinte: «No anno da graça de 1836, o mez de abril +correu aprazivel e delicioso; e no mez de maio resoaram canções que farte. +Ora, a ponto de expirar o mavioso abril e repontar o maio (apenas são +volvidos vinte e sete annos e tres revoluções!) as turbas afanadas e +curiosas acotovelavam-se no vestibulo do theatro da _Porte-Saint-Martim_. O +já então popular e glorificado author de HENRIQUE III, de ANTONY, de +RICARDO DE ARLINGTON, da TORRE DE NESLE e de ANGELO, n'aquella noite, +puzera em scena um mysterio em que figuravam anjos e demonios. Agrupados á +porta do theatro, muitos rapazes d'aquelle tempo cediam o passo á multidão +azafamada, divertiam-se a vêl-a enthusiasmada, e notavam os homens +conhecidos, os homens celebres, uns no começo, outros no termo da sua +carreira. Eis senão quando todos os olhos convergiram sobre um soberbissimo +trem, uma berlinda de Erhler, ajaezada á Brune, e tirada por uma parelha de +enormes urcos inglezes, sahidos das cavallariças de _madame la Dauphine_. +Um espadaúdo cocheiro, e um alentado hungaro de sete palmos de altura, +afóra o pennacho, todo broslado de galões de ouro, completavam a equipagem +que parou de súbito á porta do theatro. E, aberta logo pelo _keiduque_ a +portinhola, cahidos estrondosamente os degraus da berlinda, vimos apear um +elegante moço. + +«Não tinha ainda trinta annos; vestia com requintado esmero; gravata branca +e luvas amarellas; estatura corpulenta e formosamente conformada; +cabelleira clamistrada; bocca um tanto grande, mas graciosa; olhar ardente, +e altiva compostura no aspecto. No braço do mancebo apoiava-se a leve mão +de uma senhora, juvenil como elle, anciosa de volitar por sobre o espaço +intermedio. Que linda ella estava com o seu vestido de primavera! Violetas +na mão, violetas como adorno no chapéo de palha, ondulante faxa a +tira-collo, calçada com extremada perfeição de botinas gaspeadas de +cinzento e escarlate. Formosa e esbelta a mais não ser! A impaciencia +tirava por ella; e o irmão caminhava a passo mesurado, com aquelles ares de +homem que em si escuta a fada benigna da suprema fortuna. Exornavam o peito +do cavalheiro as mais variegadas côres da pedraria dos ornatos e +condecorações. Era barão em França, marquez em Hespanha[2], e socio do club +dos fidalgos florentinos. Contava-se--e era verdade--que o somenos +utensilio dos seus aposentos era de ouro: o seu lavatorio era de ouro +armoreado, e dourada a sua camara. E, todavia, creiam-me, se quizerem: a +sensação que nos causou foi a da admiração sympathica; inveja, não. N'esta +França, attenta e alheada nos apparecimentos de cada dia, taes como, de +manhã, AS ORIENTAES, depois A CARNAGEM DE MISSOLONGHI de Eugenio de +Lacroix; ao meio dia, os discursos de Thiers; á noite, a opera de +Meyerbeer; no dia seguinte, um romance de Balzac, uma canção de Alfredo de +Musset,--entre nós, aquelle mancebo tinha, de pouco, revelado Hoffmann e os +seus contos. Escrevia elle rapido, pouco e bem. Sabia inglez como um +diplomata, e allemão como um philosopho. Pertencia n'aquelle tempo á +nascente redacção do _Jornal dos Debates_, e chamava-se LOEVE-WEIMAR». + +Até aqui Julio Janin. + + * * * * * + +Nos arrabaldes de Londres, em uma quinta de delicias, quantas póde imitar +da natureza a arte britannica, vivia, n'aquelle tempo, um portuguez que a +intolerancia politica expatriára em 1828. A fortuna commercial dava-lhe +desvelados amigos para o espirito, optimos convivas para a mesa e gentis +mulheres para o coração. O nosso patricio, encarreirado prosperamente no +trafico mercantil, assentou que lhe era dever acudir aos desterrados +pobres; e assim, quantos portuguezes se soccorriam de sua valia encontraram +franco e inexhaurivel aquelle coração de ouro, e o ouro das suas gavetas. +Os convivas habituaes da sua mesa eram um jurisconsulto dos mais celebrados +em Londres, e um portuguez de excellentes qualidades, nosso ministro +actualmente na côrte de Madrid[3]. + +Um dia, porém, os contubernaes sahiram do encantador abrigo do emigrado, +porque eram de mais em alegrias, cuja dôce poesia está no resguardo e +recolhimento de dous. O portuguez fôra o preferido d'aquella «formosa das +violetas» que Julio Janin relembra no seu folhetim. M.^elle Elisa +Loeve-Weimar, a irmã do nacionalisador de Hoffmann em França, do barão, do +marquez, do fidalgo florentino, casára com o nosso patricio, que era então +um rapaz alegre como a felicidade, descuidado do futuro como criança a +brincar entre flôres, todo expansibilidade em olhos e palavras do muito bem +querer que lhe exuberava do coração. + +Coração e nome são ainda os mesmos n'aquelle homem, vinte e sete annos +depois. Porém, ha de reconhecer-se hoje o festejado e amado noivo da irmã +de Loeve-Weimar n'aquelles cabellos brancos e fronte avincada do jornalista +portuense? Aqui vol-o apresento agora: estendei a mão áquella mão liberal +que muitos infelizes beijaram. Abraçai José Joaquim Gonçalves Basto, e +sentireis pulsar o melhor e mais infeliz dos corações! + + * * * * * + +_Infeliz!..._ Com tão prospera monção ao entrar em bonançoso mar? Amado por +aquella peregrina dama, cujo espirito cultivado em Paris e Londres competia +com a distincção da belleza? + +Infeliz, sim, e porque não? A desgraça, quando colhe de sobresalto os seus +predilectos, quebra os elos da corrente que parecia forjada por esforço de +virtudes domesticas para os duradouros contentamentos do amor. Compraz-se +ella em abater e rasourar ao nivel das baixas condições os mais altos +espiritos. + +Gonçalves Basto, decorridos dous annos de esposo e pai, foi vencido na +lucta com imprevistas calamidades commerciaes. Empobreceu. Sahiu de +Inglaterra, e repatriou-se com a sua familia. De repente, e o mais +logicamente que o puderam fazer, os amigos desampararam-o, desobrigando-se +da divida, esquecendo o credor. Permaneceu, com tudo, leal no infortunio um +que se mantivera desprendido na prosperidade: era José Vieira de Carvalho, +moço portuense abastado, instruido e bom. Deliberára Vieira fundar um +jornal de parceria com Antonio Bernardo Ferreira, e com o actual deputado e +integerrimo caracter, o snr. Joaquim Ribeiro de Faria Guimarães[4]. +Fundaram a _Coalisão_, cuja redacção e responsabilidade aceitou Gonçalves +Basto. Os proprietarios, porém, a pouco e pouco se desligaram de +compromissos, declinando sobre o redactor o encargo de sustentar +intellectual e materialmente o jornal. Gonçalves Basto, extincta a +_Coalisão_, fundou o _Nacional_, faz hoje dezoito annos. + +Entretanto, José Vieira, rico e celibatario, antevendo o proximo termo da +vida, annuncia que a sorte dos filhos de Gonçalves Basto está segura nos +seus haveres. Morre em Paris, e o testamento é roubado em beneficio de +parentes remotos. + +Na contra-revolução de 1846, Gonçalves Basto, ao serviço da Junta do Porto, +foi nomeado commandante d'um batalhão de artistas. Reprime a indisciplina, +e dá no campo o exemplo da coragem um tanto insubordinada, porque +espingardeava os hespanhoes que transpunham as fronteiras do norte, quando +a Junta lhe ordenára que respeitasse a intervenção. E, n'este entretanto, a +familia do jornalista, esposa e tres filhos, bellissimas e adoraveis +crianças, viviam da gratificação mensal do commandante: _Dez mil +reis_..................................... + + * * * * * + +José Joaquim Gonçalves Basto envelheceu cortado de lancinantes dôres; +porém, duas vezes tão sómente lhe vi o rosto lavado de lagrimas: foi ao +resvalarem-lhe dos braços á sepultura dous filhos. A pobreza cerra-o de +perto ha quinze annos; e elle como que tem minas de diamantes na mais +risonha philosophia que ainda vi! É sempre com um sorriso que vos elle diz: +«Não tenho nada». A desgraça tem d'estes sorrisos que são, a dentro do +peito, unhas de ferro. + +E ella, a «formosa das violetas,» de 1836, a irmã do barão em França, do +fidalgo em Florença e do marquez em Hespanha? Elisa Loeve-Weimar vai, +algumas vezes, ao cemiterio da Foz, onde vicejam umas flôres plantadas por +sua mão sobre a sepultura de um dos seus filhos. Alli, de certo lhe +esquecem as pompas e as vaidades de sua brilhante mocidade. Aquelle cômoro +de terra separa esta mãi das gloriosas presumpçoes da irmã do fastuoso +litterato, da formosa que o principe dos folhetinistas francezes recordava +vinte e sete annos depois com as calorosas expressões d'uma saudade que +parece o reflexo do amor. Que tem que vêr no cemiterio da Foz aquella Nióbe +com a sua belleza preconisada em Paris? Ai! formosura! flôr d'um dia, +queimada pelo gear de uma noite! E tu, talento! flamma esplendente que mais +nos cerras a escuridão, quando nos não alumias a vereda por onde o +infortunio nos assalta! Ó santa de todas as dôres de mulher que é mãi! quem +saberá contar as cruzes do teu calvario? quaes almas, sequer, se inquietam, +pensando o que foste, o que és, e que paragem final te assignalou o +destino! + + * * * * * + +Meu caro Basto, releva ao teu amigo de dezeseis annos o vir elle dizer dos +teus infortunios em face d'uma gente que os ha de lêr por ser isto em +folhetim e ageitado á guisa de romance. Quando entrei n'esta vida dolorosa +das letras, achei-me comtigo. Encontrei-te n'este tormento de Sisypho e ahi +te vejo ainda agora a rolar o penedo. Se ás vezes paras um instante na +ladeira, é para contemplares como a estupidez e a infamia trazem +avassallados os fiscaes da republica, e como elles galgam arreiados de +placas e fitas, em quanto tu vaes descendo á margem do rio da morte, +olhando em ti, e antevendo próximo o dia em que não terás um pão para +repartir com tua familia. Ha trinta annos que esperas e trabalhas por +affecto á patria e por forçada violencia de operario d'esta galé. Deves ter +desmaios de angustia quando em ti reparas e não vês homem que possa +dizer-te: «Soffri e lidei tanto como tu, e recebi dos governos do meu paiz +a retribuição de igual desprezo». Lucta, meu amigo; e, quando mais não +puderes, vinga-te morrendo como o soldado do padre Vieira, e vai saber nos +segredos da divina Providencia que mal devias fazer à patria e aos teus +concidadãos para que elles te beneficiassem». + + * * * * * + +Algum tempo depois, José Joaquim Gonçalves Basto, quando o circulo de ferro +da penuria se apertava, encontrou a mão poderosa de um ministro que lh'o +partiu. A salvadora chamava-se a _Justiça_, e o ministro era o snr. Fontes +Pereira de Mello. + + * * * * * + +Ora, como em 30 de setembro d'este anno se suicidasse, no Porto, com um +tiro, a minha «formosa das violetas», pareceu-me apropositada a ampliação e +complemento do meu folhetim de 1863. + +Elisa Weimar nasceu em Paris em 1805. O barão Nemi Loeve-Weimar, seu pai, +era allemão, oriundo de israelitas. Exercera funcções importantes na côrte +de Luiz XVIII. Em 1814, quando o exercito prussiano infestou o territorio +francez, a familia Loeve-Weimar retirou para Hamburgo. O futuro +nacionalisador de Hoffmann seguiu alguns annos a carreira commercial; +depois, apostatou do judaismo, converteu-se á fé catholica, e regressou a +Paris, ao mesmo tempo que M.^elle Elisa foi completar em Londres a sua +educação litteraria. + +Conhecedor dos idiomas e litteraturas do norte, o moço escriptor alistou-se +vantajosamente de par com os litteratos de mais voga. Entrou seguidamente +na redacção do _Album_, da _Revue encyclopedique_ e do _Figaro_. Muitos +livros allemães desconhecidos em França trasladou-os elle com estylo +seductor; e da litteratura d'além-Rheno publicou em 1826 um compendio. +Traduziu depois, com excellente exito, romances de Vander-Velde, CONTOS de +Zschokke, de que auferiu renome e dinheiro a granel. Na _Revista de Paris_, +cujo fundador foi, publicou novellas e artigos de esthetica. Em 1830 +substituiu no _Tempo_ o celebrado Imbert na redacção dos folhetins +theatraes, e excedeu-o na graça mordente e na dicacidade engenhosa. A +pujança do critico era tal que um empresario e director da opera lhe deu +sociedade nos lucros do theatro, a fim de o amaciar e polir com o attrito +do ouro. «É inutil acrescentar, diz um biographo, que, no conceito do +folhetinista, o modo como era dirigida a scena lyrica não deixava nada a +desejar». + +Volvido um anno, solicitou-o a _Revista dos dous mundos_ para escrever a +«chronica politica». N'esta ardua missão houve-se com rara fortuna e +dexteridade, flagellando os personagens mais graduados. Os ministros +galardoaram-lhe a satyra, enviando-o diplomaticamente á Russia com uma +missão temporaria e especial ao imperador Nicolau. + +Esta enviatura acresceu ás despezas dos negocios estrangeiros 60:000 +francos annuaes: era cara a mordaça. Regressando a Paris, foi nomeado +consul de França em Bagdad. + +A revolução de 1848 esbulhou da brilhante posição o apostata da republica +mal rebuçada; quando porém Loeve-Weimar chegou demittido a Paris, já a +reacção vingou repôl-o na diplomacia, indemnisando-o da injustiça com o +consulado geral de Caracas (America do Sul). Chegado á capital da republica +de Venezuela, Loeve-Weimar, receando a febre amarella, pediu licença, e +veio a Paris requerer a transferencia para o consulado geral de Lima, que +lhe foi dado. + +Preparava-se para a viagem quando a morte o arrebatou em Paris no dia 7 de +novembro de 1854. + +Acrescenta o biographo em phrases pouco funerarias: «A morte é de crêr que +o apanhasse com as madeixas encaracoladas em papelotes; porquanto o seu +trajar, o apontado da sua pessoa, e mormente os esmeros que punha na sua +cabelleira loura, lhe haviam sido a constante preoccupação da vida. A tal +respeito, se conta que o primeiro dividendo que recebeu na empresa lyrica, +empregou-o na compra de um vestido completo de velludo escarlate lavrado +que lhe custou 25:000 francos. É o que faria, nem mais nem menos, uma +_lorette!_ Não custa, pois, a crêr que elle, sempre narcisando-se e sempre +_rapaz_, acabasse, já em annos outoniços, por esposar uma estrangeira rica. +Luiz Filippe fizera-o barão. Um dia, deu-lhe na veneta de abrir o seu +brazão de fresca data em um manto de arminho com a corôa de duque; fez-se, +pois, _enducalisar_, mediante dinheiro, pelo governo hespanhol. Afóra as +obras já referidas, deixou SCENAS CONTEMPORANEAS, publicadas com o +pseudonymo de _Comtesse de Chamilly_. O livreiro Ladvocat tambem imprimiu +em 1840, sob o titulo homerico de NÉPENTHÈS, uma selecta de seus artigos de +jornaes e revistas». + +Um dos admiradores mais exaltados de Loeve-Weimar foi o insigne Philarète +Chasles, professor do Collegio de França, ha pouco mais d'um anno +fallecido, com reputação europêa. Nos seus ESTUDOS SOBRE A ALLEMANHA NO XIX +SECULO, publicados em 1861, recorda-se de Loeve-Weimar, no capitulo +intitulado _Os tres magos do norte_. Um dos tres magos era o nacionalisador +de Hoffmann. + +São estas aproximadamente as palavras de Philarète Chasles: «... Vêde-me +este personagemzinho[5] franzino e louro, gracioso e fino, melodioso e +sardonico, taful, garrido, esbelto, refinadamente casquilho. Casou +romanticamente. Assim se casavam quasi todos os litteratos do nosso tempo. +É Loeve-Weimar, aquelle que escreveu o NÉPENTHÈS, e collaborou na _Revista +dos dous mundos_ com o doutor Véron, Charles Nodier e commigo. Acabou por +ser em Bassora ou Badgad não sei que sultão oriental bochechudo, +pantafaçudo, enojado, somnolento e amodorrado. Este pintalegrete, este +chasqueador, aliás amabilissimo, que foi o adail, o porta-bandeira do motim +litterario de 1815, não nascera para contemplações absortas nem aventuras +grandiosas. O salão do seculo XVIII era a mais frizante moldura da sua vida +e o theatro que mais lhe quadrava à indole. Procedia de Champfort, de +Champcenetz e de Cazzotte. Tinha o desempeno social, o conhecimento dos +homens, a flexibilidade, a solercia. Como _Congrève_, pavoneava-se de não +ser homem de letras. Arreda! Não que a tinta suja os dedos... + +«Delatouche introduzira Hoffmann, e Loeve-Weimar nacionalisára-o francez. +Loeve arregaçou os punhos, adelgaçou-lhe as grosserias, recobriu as côres +dubias, encurtou as demasias, elidiu os destemperos, amenisou as asperezas +e recompoz, sob pretexto de versão, um novo Hoffmann, que deu brado em +Paris. Inventou-se então uma palavra para tamanho exito: o _fantastico_... +A França morreu de amores por Hoffmann falsificado por Loeve e apregoado +por Koraff...» + + * * * * * + +Ahi está o que sei do irmão da suicida. + +Esta senhora, quando eu a conheci em 1849, mostrava ainda uns traços +esmaecidos de belleza rara. Representava trinta e cinco annos, tinha +quarenta e quatro, e redigia uma folha em francez, cujo titulo me esqueceu. +Collaborava n'esse semanario ameno o consul de França Mr. _d'Estrées_, que +pereceu no naufragio do vapor _Porto_, em 1852. Eram tres os seus filhos, +lindos e louros como ella e como o pai. Gonçalves Basto havia sido um homem +gentilissimo. Dava ares de inglez, e nascera em Cabeceiras de Basto, onde +florece uma raça de homens celtas esculpturaes, e de mulheres fortes, raça +callaica, ás quaes sobejam as exigencias musculosas da estatuaria. + +N'aquelle tempo, ouvi dizer que a paz domestica do proprietario e +collaborador do _Nacional_ não era invejavel. De feito, Gonçalves Basto +alimentava-se nos _restaurantes_, desculpando a irregularidade insalubre e +estouvanada d'este viver parisiense com a faina jornalistica. + +Elisa era mãi extremosa. Quando lhe morreu o terceiro genito, a criança +mais angelical que ainda vi--uma menina de nove annos,--a mãi, n'um impeto +de desvario, fugiu para a Foz com os outros dous filhos, e alfaiou +elegantemente uma casinha contigua ao cemiterio, que então se andava +construindo. Uma das primeiras lapides que alli se assentaram cobriu o +cadaver d'um dos dous filhos. Este menino, se bem me recordo, era afilhado +de Lamartine. + +Visitei com frequencia esta senhora n'esse anno de luto e desesperação. Era +solidamente instruida. Lia os livros portuguezes com rara intelligencia. +Achava os romances peninsulares fastidiosos como a CÔRTE NA ALDÊA de +Rodrigues Lobo. Dizia que nós apenas tinhamos um céo azul com uma bonita +lua, e na terra muitas flôres e ribeiros crystallinos que nos inspirassem; +mas que o romancista carece de sociedade viva, com as suas boas e ruins +paixões. E acrescentava que Portugal era geographicamente obrigado a ser um +alfobre de lyristas. + +Mostrou-me o seu album de autographos. Os mais preciosos dera-lh'os o +irmão, que se carteára com parte dos seus contemporaneos illustrados. +Tinha-os de alto valor historico, escriptos por Maria Antoinette, por Luiz +XVI, por Chateaubriand, por M.^me de Staël, pelos estadistas das grandes +tradições. A sua livraria era pequena, e quasi toda ingleza. Não sabia o +allemão; tencionava porém estudal-o, quando serenasse a tempestade que +ainda rugia á volta da sua alma articulando-lhe os nomes dos filhos. Foi +ella quem me deu o ADOLPHO, romance de Benjamin Constant, e me disse: +«Leia-o em quanto lhe póde ser proveitoso». Li-o, e não aproveitei nada; +nem ella, que o lêra tres vezes, aproveitára muito. Os livros nada ensinam +na alçada do coração. A experiencia, sim; mas a lição vem tarde. Quem +ensina tudo é a velhice. Ainda bem, se nos salva dos espectaculos do riso, +e nos tira o pincel do bigode. + +Henri de Weimar Basto, o filho primogenito, quando frequentava +distinctamente a escola polytechnica e auxiliava o pai traduzindo o +_Times_, morreu tisico aos dezoito annos de idade, nos arrabaldes de +Lisboa. + +Fez-se então o crepusculo da noite infinita na razão de Elisa Basto; a +treva, todavia, condensou-se vagarosamente, porque a intelligencia reagiu +com as suas poderosas energias á paixão que a dementava. + +Principiou a estudar o idioma germanico de tão phrenetico modo que ahi +mesmo denunciava o desconcerto do seu espirito. Gonçalves Basto raras vezes +a visitava. Depois da morte do ultimo filho, deslaçaram-se de todo os +frouxos vinculos que os ligavam. Encontravam-se n'aquelle filho os dous +amores dos corações divorciados; era de ambos aquelle sêr querido e +disputado á competencia de caricias. Morreu o incentivo, apagou-se a luz +que ainda lhes mostrava ao longe a saudade na penumbra do passado amor: a +pedra que o cobriu abafou tudo o mais!--acabaram alli com elle todas as +recordações e esperanças. D'ahi em diante, cada qual habitava sua casa; +ella na Foz, e elle na rua 29 de Julho. + +Entretanto, Elisa pernoitava sobre os lexicons allemães, e decifrava a +traducção biblica de Luthero. D'este afanoso estudo tenho á vista a prova +no fragmento d'uma carta que me ella escreveu por esse tempo. Eu tinha +publicado um folhetim de má prosa ácerca dos PROVERBIOS E CANTARES. Dos +PROVERBIOS extrahira eu estes periodos dos capitulos XII, XIV e XV: + + +_A mulher diligente é a corôa de seu marido; e a que obra cousas dignas de +confusão far-lhe-ha apodrecer os ossos._ + +_A saude do coração é a vida da carne, a inveja é a podridão dos ossos._ + +_A luz dos olhos alegra a alma; a boa reputação engorda os ossos._ + + +Isto, bom ou mau, está assim, em osso, nas versões biblicas portuguezas; +porém, a illustrada e talvez religiosa dama, acudindo pelo siso do poeta +hebreu, arguiu de muito paraphrastica e cavillosa a minha interpretação, e +corrigiu-a nos seguintes termos: + + +_...... La meilleure, la plus exacte, la plus élegante traduction de la +Bible c'est la traduction allemande de Martin Luther. Or voici, mot pour +mot, les versets que Mr. C. C. B. a cité:_ + +_La femme déligente est la couronne de son mari, la nonchalante est +l'ulcère de son corps[6]._ + +_Un bon c[oe]ur est la vie de la complexion_ (constitution du corps); +_l'envie est l'ulcère des os._ + +_Un c[oe]ur joyeux rend la vie agréable; mais une humeur sombre desséche le +corps._ + +_Une visage amicale rejouit le c[oe]ur, une bonne renommée engraisse le +corps._ + +_Le langage affectueux est du miel qui conforte l'âme et rafraichit le +corps._ + + +Na verdade, o monge augustiniano, vertendo para _corpo_ o que os SETENTA +_ossificaram_ desgraçiadamente, expungiu dos versiculos a parte picaresca. +Bom foi isso. + + * * * * * + +A demencia de Elisa Weimar manifestou-se n'um lance que, a não ter a +irresponsabilidade da loucura, seria o maximo desdouro--uma catastrophe +moral. Foi ella pessoalmente delatar á authoridade civil que seu marido e +outras pessoas conjuravam contra a dynastia e elaboravam tramas +sanguinolentos nos subterraneos da officina do _Nacional_. O magistrado, +como se a respiração da mentecapta o contagiasse provisoriamente, lançou +inculcas, adestrou espias, afuroou certas luras onde os conspiradores +poderiam alapardar-se. Afinal relaxou-se um pouco, confiando a sorte da +dynastia ás fatalidades indeclinaveis do destino. + +D'outra vez, a deploravel senhora, quando o meu querido amigo José Cardoso +Vieira de Castro era já fallecido em Loanda, denunciou ao administrador do +bairro de Cedofeita que, em casa de seu marido, estava escondido Vieira de +Castro, fugitivo de Angola, onde, de accordo com as authoridades, dera +morto por si. Esta denuncia foi desprezada com bastante admiração minha. +Varias pessoas me disseram por esse tempo que Vieira de Castro passeava +vivissimo na America ingleza; não seria, pois, absurdo fazel-o viajar até +casa de Gonçalves Basto, na Ramada Alta. + +N'esta visualidade de Elisa ha uma coincidencia memoravel. Na casa que ella +indicára como escondrijo do condemnado, hospedára-se Vieira de Castro com +sua senhora, quando chegaram a Portugal. Morava então alli seu irmão +Antonio. No anno seguinte, foi habital-a Gonçalves Basto, attrahido pela +belleza do sitio e prazeres da jardinagem em que se occupava todas as horas +vagas dos seus labores de escrivão de fazenda. + +Aqui viveu tres alegres annos o fatigado lidador do jornalismo, cultivando +flôres, morangaes, parreiras, e fabricando elle mesmo, na qualidade de +lagareiro, o seu vinho, com que, no estio, deliciava os hospedes. + +N'esta innocencia de patriarcha, o assalteou um dia a esposa, ao cabo de +nove annos de divorcio, intimando-lhe que sahisse d'aquella casa que era +d'ella. O fleugmatico marido enfardelou alguns objectos de primeira +necessidade e mudou-se, como quem foge. Tinha juizo. Aquella visão etherea +de J. Janin, olorosa de violetas, recendia agora á polvora e phosphoro dos +rewolvers, desde que o rapazio da Foz lhe pegou de apupar as abas amorphas +e infinitas de uns chapéos de palha mastreados de escumilhas variegadas. + +Magôa-me verdadeiramente desfazer algum tanto na sentimentalidade com que, +em alguns periodicos, se lastimou a miseria de Elisa Weimar. Vi escripto +que a suicida experimentára as agonias da fome, da casa sem aconchego, do +desamparo dos indigentes. Não é exacto isto. Ha de haver quatorze annos que +ella foi a Paris instaurar um pleito sobre a herança de seu irmão. A acção +intentada terminou por conciliação, lucrando a irmã de Loeve-Weimar uma +pensão annual e vitalicia de 3:000 francos. Além d'isso, recebia 18$000 +reis mensaes que lhe dava o marido. 750$000 reis bastariam ao decente +passadio de uma senhora com regular entendimento para governar-se; porém, +se os proprietarios dos predios que ella habitava recorriam ao expediente +das penhoras, é porque M.^me Elisa Weimar não pensava normalmente ácerca +dos senhorios; ou, no estado informe das suas idéas embaralhadas, não podia +conciliar as obrigações impostas pelo Codigo civil, no artigo 1608, que +reza: _O arrendatario é obrigado a satisfazer a renda, etc._ + +De mais a mais, esta senhora presumia-se muito rica e muito perseguida +pelos jesuitas--talvez reminiscencias delirantes da familia do general +Simon de E. Sue. Á volta do Porto, reputava propriedades suas, rusticas e +urbanas, as campinas mais ferteis e os _chalets_ mais imbrincados. Afóra +isto, dava-se como directa senhora e emphyteuta de terrenos na Foz e outros +pontos convidativos a edificação. De modo que, se lia no _Primeiro de +Janeiro_ ou _Commercio do Porto_ o annuncio d'uma propriedade á venda, no +dia seguinte contra-annunciava que a propriedade era sua, ainda mesmo que a +não tivesse arrolado no tombo imaginario dos seus haveres litigiosos. Aqui +ha mezes, um padre que se dizia procurador do meu amigo Custodio Teixeira +Pinto Basto, replicando a um desses contra-annuncios, allegou, na imprensa, +que a snr.ª D. Elisa Loewe-Weimar estava enganada; pois que os predios, +quintas e chãos que ella reputava seus, eram indisputavelmente do seu +constituinte o snr. Pinto Basto. Em resultado d'este desmentido, _assignado +por um padre_, me escreveu M.^me Elisa confirmando-me na guerra que os +jesuitas lhe moviam, confederados em espolial-a porque era protestante e +estrangeira desprotegida das authoridades portuguezas. Em virtude do que me +rogava que sahisse em sua defeza e lhe communicasse os alvitres a seguir +mediante cartas que, a uma hora determinada, eu devia introduzir pela +fresta d'uma das suas janellas ao rez do chão, visto que a sua +correspondencia lhe era subtrahida no correio pela Companhia de Jesus. + +Ás vezes, parava na rua, e detinha-se a examinar a frontaria d'um predio. A +final, recordava-se que era um dos seus, entrava no pateo, sacudia +rijamente a campainha, e fazia saber ao morador que estava alli a senhoria +para vêr se eram precisas obras na sua casa. Era inoffensiva; mas não +deixava de ser incommoda esta maneira de doudice. + +Ha quatro annos ainda, vestia-se singularmente. Quando a saia era azul com +requifes encarnados, o corpete era branco, e verde o filó do chapéo. +Gostava muito do vestido de velludo preto e botinas brancas. Os transeuntes +paravam descaridosamente a rir, e ella passava, triste e solemne como o +symbolo da desgraça n'um baile de carnaval. N'estes dous annos derradeiros, +trajava menos que modesta, pobremente, um capotilho côr de castanha, +apresilhado na cintura, e um chapéo campestre de palha côr de bronze. Não +erguia os olhos, nem correspondia aos cortejos, quando algum raro +encontradiço com memoria e coração reconhecia, n'aquella mulher encanecida +e trôpega, a esbelta e irrequieta franceza de ha trinta annos, e +machinalmente se descobria como se faz a um esquife coberto de crepe e +assignalado por uma cruz amarella. + + * * * * * + +José Joaquim Gonçalves Basto, no fim do anno passado, alegrou a minha mesa +com a sua jovialidade, com as suas épicas faculdades digestivas. Estava +comnosco Placido de Freitas Costa, um galhardo espirito com todas as graças +petulantes dos rapazes de 1850. Não tem ainda trinta annos, e protesta +contra o marasmo dos homens da sua geração--uma gente que tem o coração em +modôrra e a alma anhelante no dominio de quatro inscripções. + +Não havia ahi distinguir entre os dous na competencia de festivas +rapazices. Alta noite, sahiram de braço dado, percorreram os theatros e +passearam as ruas até ao romper da aurora. Gonçalves Basto perfizera +setenta annos n'esse mez. Ao outro dia, Placido de Freitas dava um jantar +ao decano da imprensa portuense no _Hotel do Louvre_. Os commensaes eram +todos rapazes e alguns estrangeiros. Gonçalves Basto brindava-os nas suas +linguas, e as risadas estrondeavam quando elle salgava os discursos com as +facecias que se usam lá fóra nos lautos banquetes britannicos em que o +corpo, mais debil que o espirito, resvala para debaixo da mesa, e todo +homem se fica então parecendo com Horacio ou Numentano a resonar no +triclinio. + +Dous mezes depois, estando eu enfermo, disseram-me que José Joaquim +Gonçalves Basto adoecera, pela primeira vez na sua vida. Ao outro dia, +mandei saber como passára a noite. Tinha morrido ás cinco horas da manhã. + + * * * * * + +A viuva, participando-me que seu marido era defunto, relatava o caso tão +glacialmente como se historiasse o trespasse do seu quinto avô. Todavia, +tinha magoados toques o seu estylo quando o arguia de haver deixado +hypothecadas fraudulentamente as propriedades em beneficio de varias +mancebas. + +A falta do marido, que para ella representava quatro libras mensaes, +verdadeiramente não authorisa a hypothese da pobreza. Os numerosos e +extensos annuncios que publicava, em resalva das suas propriedades, eram +pagos. Visitava as livrarias e comprava livros. Tinha uma casa decentemente +trastejada, e servia-se com criados a quem pagava talvez, não os +confundindo com os senhorios. + +Quando o proprietario da casa lhe enviou mandado de despejo e sequestro no +dia ultimo de setembro, Elisa Weimar fez trancar as avenidas. N'esse +momento, a sua alma aterrada pelo estrondo dos esbirros que arrombavam as +portas, estremeceu, e... acordou. Eis o momento da lucidez! Ao cabo de seis +annos de demencia, relampagueou-lhe na razão o fulgor d'um corisco; e +então, vendo-se desgraçada e ridicula, matou-se. + + * * * * * + +Adeus, minha «formosa das violetas»! O teu Julio Janin, o teu cantor, +quantos te amaram e admiraram são já mortos, desde Henri Heine até +Philarète Chasles. Como devias ter morrido antes da velhice, a tua alma +sempre juvenil desamparou-te; e emquanto ella gemia nos cyprestaes do +_Père-la-Chaise_ a cada sahimento dos teus amigos da mocidade, o teu corpo +inerte e estupido immergia no pesadêlo das sonhadas riquezas! Ias ser +baldeada aos apódos das turbas, e levada pela policia á caverna das doudas, +quando a tua alma regressou nas suas azas de luz, radiou por sobre a área +negra da tua suprema desgraça, e ahi te alumiou o suave reclinatorio da +sepultura. Era a hora bemdita ou maldita da morte. Abraçaste-a. Descansas. +Em uma das tuas cartas me escreveste ha vinte annos, estas palavras de +Balzac: _Cada suicida é um poema sublime de melancolia..._ Adeus! quando eu +souber onde a caridade te sepultou, irei levar-te um ramo de violetas. + + +FIM + + +[1] Setembro de 1875. + +[2] Outro biographo, peor informado, diz _duque_. + +[3] O snr. visconde de Soveral. + +[4] Fallecido no dia 2 d'abril de 1879. + +[5] Julio Janin pintou-nol-o _corpulento_. Modos de vêr; mas M.^me Elisa +Loeve-Weimar disse-me que seu irmão era de baixa estatura. + +[6] Traslada a versão de Luthero correspondente a cada verso. + + + + + +End of the Project Gutenberg EBook of Suicida, by Camilo Castelo Branco + +*** END OF THIS PROJECT GUTENBERG EBOOK SUICIDA *** + +***** This file should be named 24339-8.txt or 24339-8.zip ***** +This and all associated files of various formats will be found in: + http://www.gutenberg.org/2/4/3/3/24339/ + +Produced by Pedro Saborano (produced from scanned images +of public domain material from Google Book Search) + + +Updated editions will replace the previous one--the old editions +will be renamed. + +Creating the works from public domain print editions means that no +one owns a United States copyright in these works, so the Foundation +(and you!) can copy and distribute it in the United States without +permission and without paying copyright royalties. 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Thus, we do not necessarily +keep eBooks in compliance with any particular paper edition. + + +Most people start at our Web site which has the main PG search facility: + + http://www.gutenberg.org + +This Web site includes information about Project Gutenberg-tm, +including how to make donations to the Project Gutenberg Literary +Archive Foundation, how to help produce our new eBooks, and how to +subscribe to our email newsletter to hear about new eBooks. diff --git a/24339-8.zip b/24339-8.zip Binary files differnew file mode 100644 index 0000000..a89dbdc --- /dev/null +++ b/24339-8.zip diff --git a/24339-h.zip b/24339-h.zip Binary files differnew file mode 100644 index 0000000..a633c19 --- /dev/null +++ b/24339-h.zip diff --git a/24339-h/24339-h.htm b/24339-h/24339-h.htm new file mode 100644 index 0000000..101150d --- /dev/null +++ b/24339-h/24339-h.htm @@ -0,0 +1,1128 @@ +<!DOCTYPE HTML PUBLIC "-//W3C//DTD HTML 4.01 Transitional//EN" "http://www.w3.org/TR/html4/loose.dtd"> +<html> + +<head> + <title>Suicida</title> + <meta name="GENERATOR" content="Quanta Plus"> + <meta name="AUTHOR" content="Camillo Castello Branco"> + <meta http-equiv="Content-Type" content="text/html; charset=iso-8859-1"> + <meta name="KEYWORDS" content=""> + <style type="text/css"> + @media print { + .pagenum { display: none;} + } + @media handheld { + .pagenum { display: none;} + } + body {width: 520px; margin-left: 90px; text-align: justify;} + .pagenum {font-size: 0.8em; color: #cccccc; position:absolute; left: 610px;} + .capa {text-align: center; border: solid 1px #000000;} + hr { + border: none; + border-bottom: solid 2px #000000; + } + a {color: #000000; text-decoration: none;} + sup {font-size: 0.6em;} + h2, h3, h4 {text-align: center;} + h1 {text-align: center; margin-top: 2em; margin-bottom: 2em;} + .small-caps { + font-variant: small-caps; + } + .direita { + text-align: right; + } + .centrado { + text-align: center; + } + .citacao { + margin-left: 40%; + margin-right: 5%; + font-size: 0.8em; + text-align: left; + } + .poesia { + margin: 2em; + text-align: left; + } + .rodape { + font-size: 0.8em; + padding: 1em; + border: dotted 1px #cccccc; + } + .dotted {border: 0; border-bottom: dotted 2px #000000;} + .corpo { + text-indent: 1em; + line-height: 1.5em; + } + </style> +</head> +<body> + + +<pre> + +The Project Gutenberg EBook of Suicida, by Camilo Castelo Branco + +This eBook is for the use of anyone anywhere at no cost and with +almost no restrictions whatsoever. You may copy it, give it away or +re-use it under the terms of the Project Gutenberg License included +with this eBook or online at www.gutenberg.org + + +Title: Suicida + +Author: Camilo Castelo Branco + +Release Date: January 17, 2008 [EBook #24339] + +Language: Portuguese + +Character set encoding: ISO-8859-1 + +*** START OF THIS PROJECT GUTENBERG EBOOK SUICIDA *** + + + + +Produced by Pedro Saborano (produced from scanned images +of public domain material from Google Book Search) + + + + + + +</pre> + +<p style="border: solid 1px #000000; margin: 1em; font-size: 4em; text-align: center"> +SUICIDA +</p> +<div style="text-align: center; font-size: 0.8em;"> +<hr style="width: 10em;"> +<p>PORTO<br> + +Typographia de A. J. da Silva Teixeira<br> + +Cancella Velha, 63<br> + +1880</p> +<hr style="width: 10em;"> +</div> + +<div class="capa"> + +<p style="font-size: 2em;">Camillo Castello Branco</p> + +<hr style="width: 80%;" > +<hr style="width: 80%;" > + +<p style="font-size: 4em;">SUICIDA</p> + +<div class="citacao"> +<p>Cada suicida é um poema sublime de melancolia.</p> + +<p class="small-caps" style="text-align: right; margin-right: 4em;">Balzac.</p> +</div> +<br> +<br> +<br> +<br> + +<p> +<span class="small-caps"> +Livraria Internacional +<br> +de +<br> +Ernesto Chardron, Editor +<br> +PORTO E BRAGA +</span> +<br> +1880</p> +</div> +<span class='pagenum'>[5]</span> +<div class="corpo"> + + + + +<h1>ELISA LOEVE-WEIMAR</h1> + + +<p>A senhora, que teve este nome, suicidou-se com um tiro, no Porto, no dia +30 do mez passado<sup><a href="#fn1" name="fnb1">[1]</a></sup>.</p> + +<p>D'entre os meus escriptos de ha doze annos reproduzo um que a toda +gente, com certeza, esqueceu, tirante o coração d'aquella que hoje é +morta.</p> + +<p>Dizia assim:</p> + +<p class="small-caps" style="text-align:center;">A Formosa das Violetas</p> + +<p>Julio Janin, no folhetim do <i>Jornal dos Debates</i> de 30 de março do +corrente anno (1863), escreveu <span class='pagenum'>[6]</span> o seguinte: «No anno da graça de +1836, o mez de abril correu aprazivel e delicioso; e no mez de maio +resoaram canções que farte. Ora, a ponto de expirar o mavioso abril e +repontar o maio (apenas são volvidos vinte e sete annos e tres +revoluções!) as turbas afanadas e curiosas acotovelavam-se no vestibulo +do theatro da <i>Porte-Saint-Martim</i>. O já então popular e glorificado +author de <span class="small-caps">Henrique III</span>, de <span class="small-caps">Antony</span>, de <span class="small-caps">Ricardo de Arlington</span>, da <span class="small-caps">Torre de +Nesle</span> e de <span class="small-caps">Angelo</span>, n'aquella noite, puzera em scena um mysterio em que +figuravam anjos e demonios. Agrupados á porta do theatro, muitos rapazes +d'aquelle tempo cediam o passo á multidão azafamada, divertiam-se a +vêl-a enthusiasmada, e notavam os homens conhecidos, os homens celebres, +uns no começo, outros no termo da sua carreira. Eis senão quando todos +os olhos convergiram sobre um soberbissimo trem, uma berlinda de Erhler, +ajaezada á Brune, e tirada por uma parelha de enormes urcos inglezes, +sahidos das cavallariças de <i>madame la Dauphine</i>. Um espadaúdo cocheiro, +e um alentado hungaro de sete palmos de altura, afóra o pennacho, todo +broslado de galões de ouro, completavam a equipagem que parou de súbito +á porta do theatro. E, aberta logo pelo <i>keiduque</i> a portinhola, cahidos +estrondosamente os degraus da berlinda, vimos apear um elegante moço.</p> +<span class='pagenum'>[7]</span> + +<p>«Não tinha ainda trinta annos; vestia com requintado esmero; gravata +branca e luvas amarellas; estatura corpulenta e formosamente conformada; +cabelleira clamistrada; bocca um tanto grande, mas graciosa; olhar +ardente, e altiva compostura no aspecto. No braço do mancebo apoiava-se +a leve mão de uma senhora, juvenil como elle, anciosa de volitar por +sobre o espaço intermedio. Que linda ella estava com o seu vestido de +primavera! Violetas na mão, violetas como adorno no chapéo de palha, +ondulante faxa a tira-collo, calçada com extremada perfeição de botinas +gaspeadas de cinzento e escarlate. Formosa e esbelta a mais não ser! A +impaciencia tirava por ella; e o irmão caminhava a passo mesurado, com +aquelles ares de homem que em si escuta a fada benigna da suprema +fortuna. Exornavam o peito do cavalheiro as mais variegadas côres da +pedraria dos ornatos e condecorações. Era barão em França, marquez em +Hespanha<sup><a href="#fn2" name="fnb2">[2]</a></sup>, e socio do club dos fidalgos florentinos. Contava-se--e era +verdade--que o somenos utensilio dos seus aposentos era de ouro: o seu +lavatorio era de ouro armoreado, e dourada a sua camara. E, todavia, +creiam-me, se quizerem: a sensação que nos causou foi a da admiração +<span class='pagenum'>[8]</span> sympathica; inveja, não. N'esta França, attenta e alheada nos +apparecimentos de cada dia, taes como, de manhã, <span class="small-caps">As orientaes</span>, depois +<span class="small-caps">A carnagem de Missolonghi</span> de Eugenio de Lacroix; ao meio dia, os +discursos de Thiers; á noite, a opera de Meyerbeer; no dia seguinte, um +romance de Balzac, uma canção de Alfredo de Musset,--entre nós, aquelle +mancebo tinha, de pouco, revelado Hoffmann e os seus contos. Escrevia +elle rapido, pouco e bem. Sabia inglez como um diplomata, e allemão como +um philosopho. Pertencia n'aquelle tempo á nascente redacção do <i>Jornal +dos Debates</i>, e chamava-se <span class="small-caps">Loeve-Weimar</span>».</p> + +<p>Até aqui Julio Janin.</p> + +<p class="centrado">*</p> + +<p>Nos arrabaldes de Londres, em uma quinta de delicias, quantas póde +imitar da natureza a arte britannica, vivia, n'aquelle tempo, um +portuguez que a intolerancia politica expatriára em 1828. A fortuna +commercial dava-lhe desvelados amigos para o espirito, optimos convivas +para a mesa e gentis mulheres para o coração. O nosso patricio, +encarreirado prosperamente no trafico mercantil, assentou que lhe era +dever acudir aos desterrados pobres; e assim, <span class='pagenum'>[9]</span> quantos portuguezes se +soccorriam de sua valia encontraram franco e inexhaurivel aquelle +coração de ouro, e o ouro das suas gavetas. Os convivas habituaes da sua +mesa eram um jurisconsulto dos mais celebrados em Londres, e um +portuguez de excellentes qualidades, nosso ministro actualmente na côrte +de Madrid<sup><a href="#fn3" name="fnb3">[3]</a></sup>.</p> + +<p>Um dia, porém, os contubernaes sahiram do encantador abrigo do emigrado, +porque eram de mais em alegrias, cuja dôce poesia está no resguardo e +recolhimento de dous. O portuguez fôra o preferido d'aquella «formosa +das violetas» que Julio Janin relembra no seu folhetim. M.<sup>elle</sup> Elisa +Loeve-Weimar, a irmã do nacionalisador de Hoffmann em França, do barão, +do marquez, do fidalgo florentino, casára com o nosso patricio, que era +então um rapaz alegre como a felicidade, descuidado do futuro como +criança a brincar entre flôres, todo expansibilidade em olhos e palavras +do muito bem querer que lhe exuberava do coração.</p> + +<p>Coração e nome são ainda os mesmos n'aquelle homem, vinte e sete annos +depois. Porém, ha de reconhecer-se hoje o festejado e amado noivo da +irmã de Loeve-Weimar n'aquelles cabellos brancos e fronte <span class='pagenum'>[10]</span> avincada +do jornalista portuense? Aqui vol-o apresento agora: estendei a mão +áquella mão liberal que muitos infelizes beijaram. Abraçai José Joaquim +Gonçalves Basto, e sentireis pulsar o melhor e mais infeliz dos +corações!</p> + +<p class="centrado">*</p> + +<p><i>Infeliz!...</i> Com tão prospera monção ao entrar em bonançoso mar? Amado +por aquella peregrina dama, cujo espirito cultivado em Paris e Londres +competia com a distincção da belleza?</p> + +<p>Infeliz, sim, e porque não? A desgraça, quando colhe de sobresalto os +seus predilectos, quebra os elos da corrente que parecia forjada por +esforço de virtudes domesticas para os duradouros contentamentos do +amor. Compraz-se ella em abater e rasourar ao nivel das baixas condições +os mais altos espiritos.</p> + +<p>Gonçalves Basto, decorridos dous annos de esposo e pai, foi vencido na +lucta com imprevistas calamidades commerciaes. Empobreceu. Sahiu de +Inglaterra, e repatriou-se com a sua familia. De repente, e o mais +logicamente que o puderam fazer, os amigos desampararam-o, +desobrigando-se da divida, esquecendo o credor. Permaneceu, com tudo, +leal no infortunio um que se mantivera desprendido na prosperidade: +<span class='pagenum'>[11]</span> era José Vieira de Carvalho, moço portuense abastado, instruido e +bom. Deliberára Vieira fundar um jornal de parceria com Antonio Bernardo +Ferreira, e com o actual deputado e integerrimo caracter, o snr. Joaquim +Ribeiro de Faria Guimarães<sup><a href="#fn4" name="fnb4">[4]</a></sup>. Fundaram a <i>Coalisão</i>, cuja redacção e +responsabilidade aceitou Gonçalves Basto. Os proprietarios, porém, a +pouco e pouco se desligaram de compromissos, declinando sobre o redactor +o encargo de sustentar intellectual e materialmente o jornal. Gonçalves +Basto, extincta a <i>Coalisão</i>, fundou o <i>Nacional</i>, faz hoje dezoito +annos.</p> + +<p>Entretanto, José Vieira, rico e celibatario, antevendo o proximo termo +da vida, annuncia que a sorte dos filhos de Gonçalves Basto está segura +nos seus haveres. Morre em Paris, e o testamento é roubado em beneficio +de parentes remotos.</p> + +<p>Na contra-revolução de 1846, Gonçalves Basto, ao serviço da Junta do +Porto, foi nomeado commandante d'um batalhão de artistas. Reprime a +indisciplina, e dá no campo o exemplo da coragem um tanto insubordinada, +porque espingardeava os hespanhoes que transpunham as fronteiras do +norte, quando a Junta lhe ordenára que respeitasse a intervenção. E, +n'este <span class='pagenum'>[12]</span> entretanto, a familia do jornalista, esposa e tres filhos, +bellissimas e adoraveis crianças, viviam da gratificação mensal do +commandante: <i>Dez mil reis</i>............</p> + +<p class="centrado">*</p> + +<p>José Joaquim Gonçalves Basto envelheceu cortado de lancinantes dôres; +porém, duas vezes tão sómente lhe vi o rosto lavado de lagrimas: foi ao +resvalarem-lhe dos braços á sepultura dous filhos. A pobreza cerra-o de +perto ha quinze annos; e elle como que tem minas de diamantes na mais +risonha philosophia que ainda vi! É sempre com um sorriso que vos elle +diz: «Não tenho nada». A desgraça tem d'estes sorrisos que são, a dentro +do peito, unhas de ferro.</p> + +<p>E ella, a «formosa das violetas,» de 1836, a irmã do barão em França, do +fidalgo em Florença e do marquez em Hespanha? Elisa Loeve-Weimar vai, +algumas vezes, ao cemiterio da Foz, onde vicejam umas flôres plantadas +por sua mão sobre a sepultura de um dos seus filhos. Alli, de certo lhe +esquecem as pompas e as vaidades de sua brilhante mocidade. Aquelle +cômoro de terra separa esta mãi das gloriosas presumpçoes da irmã do +fastuoso litterato, da formosa que o principe dos folhetinistas +francezes recordava vinte e sete annos depois com as calorosas +expressões <span class='pagenum'>[13]</span> d'uma saudade que parece o reflexo do amor. Que tem que +vêr no cemiterio da Foz aquella Nióbe com a sua belleza preconisada em +Paris? Ai! formosura! flôr d'um dia, queimada pelo gear de uma noite! E +tu, talento! flamma esplendente que mais nos cerras a escuridão, quando +nos não alumias a vereda por onde o infortunio nos assalta! Ó santa de +todas as dôres de mulher que é mãi! quem saberá contar as cruzes do teu +calvario? quaes almas, sequer, se inquietam, pensando o que foste, o que +és, e que paragem final te assignalou o destino!</p> + +<p class="centrado">*</p> + +<p>Meu caro Basto, releva ao teu amigo de dezeseis annos o vir elle dizer +dos teus infortunios em face d'uma gente que os ha de lêr por ser isto +em folhetim e ageitado á guisa de romance. Quando entrei n'esta vida +dolorosa das letras, achei-me comtigo. Encontrei-te n'este tormento de +Sisypho e ahi te vejo ainda agora a rolar o penedo. Se ás vezes paras um +instante na ladeira, é para contemplares como a estupidez e a infamia +trazem avassallados os fiscaes da republica, e como elles galgam +arreiados de placas e fitas, em quanto tu vaes descendo á margem do rio +da morte, olhando em ti, e antevendo próximo o dia em que não terás um +pão para repartir com tua familia. <span class='pagenum'>[14]</span> Ha trinta annos que esperas e +trabalhas por affecto á patria e por forçada violencia de operario +d'esta galé. Deves ter desmaios de angustia quando em ti reparas e não +vês homem que possa dizer-te: «Soffri e lidei tanto como tu, e recebi +dos governos do meu paiz a retribuição de igual desprezo». Lucta, meu +amigo; e, quando mais não puderes, vinga-te morrendo como o soldado do +padre Vieira, e vai saber nos segredos da divina Providencia que mal +devias fazer à patria e aos teus concidadãos para que elles te +beneficiassem».</p> + +<p class="centrado">*</p> + +<p>Algum tempo depois, José Joaquim Gonçalves Basto, quando o circulo de +ferro da penuria se apertava, encontrou a mão poderosa de um ministro +que lh'o partiu. A salvadora chamava-se a <i>Justiça</i>, e o ministro era o +snr. Fontes Pereira de Mello.</p> + +<p class="centrado">*</p> + +<p>Ora, como em 30 de setembro d'este anno se suicidasse, no Porto, com um +tiro, a minha «formosa das violetas», pareceu-me apropositada a +ampliação e complemento do meu folhetim de 1863.</p> + +<p>Elisa Weimar nasceu em Paris em 1805. O barão Nemi Loeve-Weimar, seu +pai, era allemão, oriundo <span class='pagenum'>[15]</span> de israelitas. Exercera funcções +importantes na côrte de Luiz XVIII. Em 1814, quando o exercito prussiano +infestou o territorio francez, a familia Loeve-Weimar retirou para +Hamburgo. O futuro nacionalisador de Hoffmann seguiu alguns annos a +carreira commercial; depois, apostatou do judaismo, converteu-se á fé +catholica, e regressou a Paris, ao mesmo tempo que M.<sup>elle</sup> Elisa foi +completar em Londres a sua educação litteraria.</p> + +<p>Conhecedor dos idiomas e litteraturas do norte, o moço escriptor +alistou-se vantajosamente de par com os litteratos de mais voga. Entrou +seguidamente na redacção do <i>Album</i>, da <i>Revue encyclopedique</i> e do +<i>Figaro</i>. Muitos livros allemães desconhecidos em França trasladou-os +elle com estylo seductor; e da litteratura d'além-Rheno publicou em 1826 +um compendio. Traduziu depois, com excellente exito, romances de +Vander-Velde, <span class="small-caps">Contos</span> de Zschokke, de que auferiu renome e dinheiro a +granel. Na <i>Revista de Paris</i>, cujo fundador foi, publicou novellas e +artigos de esthetica. Em 1830 substituiu no <i>Tempo</i> o celebrado Imbert +na redacção dos folhetins theatraes, e excedeu-o na graça mordente e na +dicacidade engenhosa. A pujança do critico era tal que um empresario e +director da opera lhe deu sociedade nos lucros do theatro, a fim de o +amaciar e polir com o attrito do ouro. «É inutil acrescentar, diz um +biographo, <span class='pagenum'>[16]</span> que, no conceito do folhetinista, o modo como era +dirigida a scena lyrica não deixava nada a desejar».</p> + +<p>Volvido um anno, solicitou-o a <i>Revista dos dous mundos</i> para escrever a +«chronica politica». N'esta ardua missão houve-se com rara fortuna e +dexteridade, flagellando os personagens mais graduados. Os ministros +galardoaram-lhe a satyra, enviando-o diplomaticamente á Russia com uma +missão temporaria e especial ao imperador Nicolau.</p> + +<p>Esta enviatura acresceu ás despezas dos negocios estrangeiros 60:000 +francos annuaes: era cara a mordaça. Regressando a Paris, foi nomeado +consul de França em Bagdad.</p> + +<p>A revolução de 1848 esbulhou da brilhante posição o apostata da +republica mal rebuçada; quando porém Loeve-Weimar chegou demittido a +Paris, já a reacção vingou repôl-o na diplomacia, indemnisando-o da +injustiça com o consulado geral de Caracas (America do Sul). Chegado á +capital da republica de Venezuela, Loeve-Weimar, receando a febre +amarella, pediu licença, e veio a Paris requerer a transferencia para o +consulado geral de Lima, que lhe foi dado.</p> + +<p>Preparava-se para a viagem quando a morte o arrebatou em Paris no dia 7 +de novembro de 1854.</p> + +<p>Acrescenta o biographo em phrases pouco funerarias: «A morte é de crêr +que o apanhasse com <span class='pagenum'>[17]</span> as madeixas encaracoladas em papelotes; +porquanto o seu trajar, o apontado da sua pessoa, e mormente os esmeros +que punha na sua cabelleira loura, lhe haviam sido a constante +preoccupação da vida. A tal respeito, se conta que o primeiro dividendo +que recebeu na empresa lyrica, empregou-o na compra de um vestido +completo de velludo escarlate lavrado que lhe custou 25:000 francos. É o +que faria, nem mais nem menos, uma <i>lorette!</i> Não custa, pois, a crêr +que elle, sempre narcisando-se e sempre <i>rapaz</i>, acabasse, já em annos +outoniços, por esposar uma estrangeira rica. Luiz Filippe fizera-o +barão. Um dia, deu-lhe na veneta de abrir o seu brazão de fresca data em +um manto de arminho com a corôa de duque; fez-se, pois, <i>enducalisar</i>, +mediante dinheiro, pelo governo hespanhol. Afóra as obras já referidas, +deixou <span class="small-caps">Scenas contemporaneas</span>, publicadas com o pseudonymo de <i>Comtesse +de Chamilly</i>. O livreiro Ladvocat tambem imprimiu em 1840, sob o titulo +homerico de <span class="small-caps">Népenthès</span>, uma selecta de seus artigos de jornaes e +revistas».</p> + +<p>Um dos admiradores mais exaltados de Loeve-Weimar foi o insigne +Philarète Chasles, professor do Collegio de França, ha pouco mais d'um +anno fallecido, com reputação europêa. Nos seus <span class="small-caps">Estudos sobre a +Allemanha no xix seculo</span>, publicados em 1861, recorda-se de Loeve-Weimar, +no capitulo intitulado <span class='pagenum'>[18]</span> <i>Os tres magos do norte</i>. Um dos tres magos +era o nacionalisador de Hoffmann.</p> + +<p>São estas aproximadamente as palavras de Philarète Chasles: «... Vêde-me +este personagemzinho<sup><a href="#fn5" name="fnb5">[5]</a></sup> franzino e louro, gracioso e fino, melodioso e +sardonico, taful, garrido, esbelto, refinadamente casquilho. Casou +romanticamente. Assim se casavam quasi todos os litteratos do nosso +tempo. É Loeve-Weimar, aquelle que escreveu o <span class="small-caps">Népenthès</span>, e collaborou na +<i>Revista dos dous mundos</i> com o doutor Véron, Charles Nodier e commigo. +Acabou por ser em Bassora ou Badgad não sei que sultão oriental +bochechudo, pantafaçudo, enojado, somnolento e amodorrado. Este +pintalegrete, este chasqueador, aliás amabilissimo, que foi o adail, o +porta-bandeira do motim litterario de 1815, não nascera para +contemplações absortas nem aventuras grandiosas. O salão do seculo XVIII +era a mais frizante moldura da sua vida e o theatro que mais lhe +quadrava à indole. Procedia de Champfort, de Champcenetz e de Cazzotte. +Tinha o desempeno social, o conhecimento dos homens, a flexibilidade, a +solercia. Como <i>Congrève</i>, pavoneava-se de <span class='pagenum'>[19]</span> não ser homem de letras. +Arreda! Não que a tinta suja os dedos...</p> + +<p>«Delatouche introduzira Hoffmann, e Loeve-Weimar nacionalisára-o +francez. Loeve arregaçou os punhos, adelgaçou-lhe as grosserias, +recobriu as côres dubias, encurtou as demasias, elidiu os destemperos, +amenisou as asperezas e recompoz, sob pretexto de versão, um novo +Hoffmann, que deu brado em Paris. Inventou-se então uma palavra para +tamanho exito: o <i>fantastico</i>... A França morreu de amores por Hoffmann +falsificado por Loeve e apregoado por Koraff...»</p> + +<p class="centrado">*</p> + +<p>Ahi está o que sei do irmão da suicida.</p> + +<p>Esta senhora, quando eu a conheci em 1849, mostrava ainda uns traços +esmaecidos de belleza rara. Representava trinta e cinco annos, tinha +quarenta e quatro, e redigia uma folha em francez, cujo titulo me +esqueceu. Collaborava n'esse semanario ameno o consul de França Mr. +<i>d'Estrées</i>, que pereceu no naufragio do vapor <i>Porto</i>, em 1852. Eram +tres os seus filhos, lindos e louros como ella e como o pai. Gonçalves +Basto havia sido um homem gentilissimo. Dava ares de inglez, e nascera +em Cabeceiras de Basto, <span class='pagenum'>[20]</span> onde florece uma raça de homens celtas +esculpturaes, e de mulheres fortes, raça callaica, ás quaes sobejam as +exigencias musculosas da estatuaria.</p> + +<p>N'aquelle tempo, ouvi dizer que a paz domestica do proprietario e +collaborador do <i>Nacional</i> não era invejavel. De feito, Gonçalves Basto +alimentava-se nos <i>restaurantes</i>, desculpando a irregularidade insalubre +e estouvanada d'este viver parisiense com a faina jornalistica.</p> + +<p>Elisa era mãi extremosa. Quando lhe morreu o terceiro genito, a criança +mais angelical que ainda vi--uma menina de nove annos,--a mãi, n'um +impeto de desvario, fugiu para a Foz com os outros dous filhos, e +alfaiou elegantemente uma casinha contigua ao cemiterio, que então se +andava construindo. Uma das primeiras lapides que alli se assentaram +cobriu o cadaver d'um dos dous filhos. Este menino, se bem me recordo, +era afilhado de Lamartine.</p> + +<p>Visitei com frequencia esta senhora n'esse anno de luto e desesperação. +Era solidamente instruida. Lia os livros portuguezes com rara +intelligencia. Achava os romances peninsulares fastidiosos como a <span class="small-caps">Côrte +na aldêa</span> de Rodrigues Lobo. Dizia que nós apenas tinhamos um céo azul +com uma bonita lua, e na terra muitas flôres e ribeiros crystallinos que +nos inspirassem; mas que o romancista carece de sociedade viva, com as +suas boas e ruins paixões. E <span class='pagenum'>[21]</span> acrescentava que Portugal era +geographicamente obrigado a ser um alfobre de lyristas.</p> + +<p>Mostrou-me o seu album de autographos. Os mais preciosos dera-lh'os o +irmão, que se carteára com parte dos seus contemporaneos illustrados. +Tinha-os de alto valor historico, escriptos por Maria Antoinette, por +Luiz XVI, por Chateaubriand, por M.<sup>me</sup> de Staël, pelos estadistas das +grandes tradições. A sua livraria era pequena, e quasi toda ingleza. Não +sabia o allemão; tencionava porém estudal-o, quando serenasse a +tempestade que ainda rugia á volta da sua alma articulando-lhe os nomes +dos filhos. Foi ella quem me deu o <span class="small-caps">Adolpho</span>, romance de Benjamin +Constant, e me disse: «Leia-o em quanto lhe póde ser proveitoso». Li-o, +e não aproveitei nada; nem ella, que o lêra tres vezes, aproveitára +muito. Os livros nada ensinam na alçada do coração. A experiencia, sim; +mas a lição vem tarde. Quem ensina tudo é a velhice. Ainda bem, se nos +salva dos espectaculos do riso, e nos tira o pincel do bigode.</p> + +<p>Henri de Weimar Basto, o filho primogenito, quando frequentava +distinctamente a escola polytechnica e auxiliava o pai traduzindo o +<i>Times</i>, morreu tisico aos dezoito annos de idade, nos arrabaldes de +Lisboa.</p> + +<p>Fez-se então o crepusculo da noite infinita na razão de Elisa Basto; a +treva, todavia, condensou-se <span class='pagenum'>[22]</span> vagarosamente, porque a intelligencia +reagiu com as suas poderosas energias á paixão que a dementava.</p> + +<p>Principiou a estudar o idioma germanico de tão phrenetico modo que ahi +mesmo denunciava o desconcerto do seu espirito. Gonçalves Basto raras +vezes a visitava. Depois da morte do ultimo filho, deslaçaram-se de todo +os frouxos vinculos que os ligavam. Encontravam-se n'aquelle filho os +dous amores dos corações divorciados; era de ambos aquelle sêr querido e +disputado á competencia de caricias. Morreu o incentivo, apagou-se a luz +que ainda lhes mostrava ao longe a saudade na penumbra do passado amor: +a pedra que o cobriu abafou tudo o mais!--acabaram alli com elle todas +as recordações e esperanças. D'ahi em diante, cada qual habitava sua +casa; ella na Foz, e elle na rua 29 de Julho.</p> + +<p>Entretanto, Elisa pernoitava sobre os lexicons allemães, e decifrava a +traducção biblica de Luthero. D'este afanoso estudo tenho á vista a +prova no fragmento d'uma carta que me ella escreveu por esse tempo. Eu +tinha publicado um folhetim de má prosa ácerca dos <span class="small-caps">Proverbios e +Cantares</span>. Dos <span class="small-caps">Proverbios</span> extrahira eu estes periodos dos capitulos XII, +XIV e XV:</p> <br> + +<p><i>A mulher diligente é a corôa de seu marido; e a que obra cousas dignas +de confusão far-lhe-ha apodrecer os ossos.</i></p> <span class='pagenum'>[23]</span> + +<p><i>A saude do coração é a vida da carne, a inveja é a podridão dos ossos.</i></p> + +<p><i>A luz dos olhos alegra a alma; a boa reputação engorda os ossos.</i></p> <br> + +<p>Isto, bom ou mau, está assim, em osso, nas versões biblicas portuguezas; +porém, a illustrada e talvez religiosa dama, acudindo pelo siso do poeta +hebreu, arguiu de muito paraphrastica e cavillosa a minha interpretação, +e corrigiu-a nos seguintes termos:</p> <br> + +<p><i>...... La meilleure, la plus exacte, la plus élegante traduction de la +Bible c'est la traduction allemande de Martin Luther. Or voici, mot pour +mot, les versets que Mr. C. C. B. a cité:</i></p> + +<p><i>La femme déligente est la couronne de son mari, la nonchalante est +l'ulcère de son corps<sup><a href="#fn6" name="fnb6">[6]</a></sup>.</i></p> + +<p><i>Un bon c[oe]ur est la vie de la complexion</i> (constitution du corps); +<i>l'envie est l'ulcère des os.</i></p> + +<p><i>Un c[oe]ur joyeux rend la vie agréable; mais une humeur sombre desséche +le corps.</i></p> + +<p><i>Une visage amicale rejouit le c[oe]ur, une bonne renommée engraisse le +corps.</i></p> + +<p><i>Le langage affectueux est du miel qui conforte l'âme et rafraichit le +corps.</i></p> +<br> +<span class='pagenum'>[24]</span> + +<p>Na verdade, o monge augustiniano, vertendo para <i>corpo</i> o que os <span class="small-caps">setenta</span> +<i>ossificaram</i> desgraçiadamente, expungiu dos versiculos a parte +picaresca. Bom foi isso.</p> + +<p class="centrado">*</p> + +<p>A demencia de Elisa Weimar manifestou-se n'um lance que, a não ter a +irresponsabilidade da loucura, seria o maximo desdouro--uma catastrophe +moral. Foi ella pessoalmente delatar á authoridade civil que seu marido +e outras pessoas conjuravam contra a dynastia e elaboravam tramas +sanguinolentos nos subterraneos da officina do <i>Nacional</i>. O magistrado, +como se a respiração da mentecapta o contagiasse provisoriamente, lançou +inculcas, adestrou espias, afuroou certas luras onde os conspiradores +poderiam alapardar-se. Afinal relaxou-se um pouco, confiando a sorte da +dynastia ás fatalidades indeclinaveis do destino.</p> + +<p>D'outra vez, a deploravel senhora, quando o meu querido amigo José +Cardoso Vieira de Castro era já fallecido em Loanda, denunciou ao +administrador do bairro de Cedofeita que, em casa de seu marido, estava +escondido Vieira de Castro, fugitivo de Angola, onde, de accordo com as +authoridades, dera morto por si. Esta denuncia foi desprezada com +bastante <span class='pagenum'>[25]</span> admiração minha. Varias pessoas me disseram por esse tempo +que Vieira de Castro passeava vivissimo na America ingleza; não seria, +pois, absurdo fazel-o viajar até casa de Gonçalves Basto, na Ramada +Alta.</p> + +<p>N'esta visualidade de Elisa ha uma coincidencia memoravel. Na casa que +ella indicára como escondrijo do condemnado, hospedára-se Vieira de +Castro com sua senhora, quando chegaram a Portugal. Morava então alli +seu irmão Antonio. No anno seguinte, foi habital-a Gonçalves Basto, +attrahido pela belleza do sitio e prazeres da jardinagem em que se +occupava todas as horas vagas dos seus labores de escrivão de fazenda.</p> + +<p>Aqui viveu tres alegres annos o fatigado lidador do jornalismo, +cultivando flôres, morangaes, parreiras, e fabricando elle mesmo, na +qualidade de lagareiro, o seu vinho, com que, no estio, deliciava os +hospedes.</p> + +<p>N'esta innocencia de patriarcha, o assalteou um dia a esposa, ao cabo de +nove annos de divorcio, intimando-lhe que sahisse d'aquella casa que era +d'ella. O fleugmatico marido enfardelou alguns objectos de primeira +necessidade e mudou-se, como quem foge. Tinha juizo. Aquella visão +etherea de J. Janin, olorosa de violetas, recendia agora á polvora e +phosphoro dos rewolvers, desde que o rapazio da Foz lhe pegou de apupar +as abas amorphas e infinitas <span class='pagenum'>[26]</span> de uns chapéos de palha mastreados de +escumilhas variegadas.</p> + +<p>Magôa-me verdadeiramente desfazer algum tanto na sentimentalidade com +que, em alguns periodicos, se lastimou a miseria de Elisa Weimar. Vi +escripto que a suicida experimentára as agonias da fome, da casa sem +aconchego, do desamparo dos indigentes. Não é exacto isto. Ha de haver +quatorze annos que ella foi a Paris instaurar um pleito sobre a herança +de seu irmão. A acção intentada terminou por conciliação, lucrando a +irmã de Loeve-Weimar uma pensão annual e vitalicia de 3:000 francos. +Além d'isso, recebia 18$000 reis mensaes que lhe dava o marido. 750$000 +reis bastariam ao decente passadio de uma senhora com regular +entendimento para governar-se; porém, se os proprietarios dos predios +que ella habitava recorriam ao expediente das penhoras, é porque M.<sup>me</sup> +Elisa Weimar não pensava normalmente ácerca dos senhorios; ou, no estado +informe das suas idéas embaralhadas, não podia conciliar as obrigações +impostas pelo Codigo civil, no artigo 1608, que reza: <i>O arrendatario é +obrigado a satisfazer a renda, etc.</i></p> + +<p>De mais a mais, esta senhora presumia-se muito rica e muito perseguida +pelos jesuitas--talvez reminiscencias delirantes da familia do general +Simon de E. Sue. Á volta do Porto, reputava propriedades suas, <span class='pagenum'>[27]</span> +rusticas e urbanas, as campinas mais ferteis e os <i>chalets</i> mais +imbrincados. Afóra isto, dava-se como directa senhora e emphyteuta de +terrenos na Foz e outros pontos convidativos a edificação. De modo que, +se lia no <i>Primeiro de Janeiro</i> ou <i>Commercio do Porto</i> o annuncio d'uma +propriedade á venda, no dia seguinte contra-annunciava que a propriedade +era sua, ainda mesmo que a não tivesse arrolado no tombo imaginario dos +seus haveres litigiosos. Aqui ha mezes, um padre que se dizia procurador +do meu amigo Custodio Teixeira Pinto Basto, replicando a um desses +contra-annuncios, allegou, na imprensa, que a snr.ª D. Elisa +Loewe-Weimar estava enganada; pois que os predios, quintas e chãos que +ella reputava seus, eram indisputavelmente do seu constituinte o snr. +Pinto Basto. Em resultado d'este desmentido, <i>assignado por um padre</i>, +me escreveu M.<sup>me</sup> Elisa confirmando-me na guerra que os jesuitas lhe +moviam, confederados em espolial-a porque era protestante e estrangeira +desprotegida das authoridades portuguezas. Em virtude do que me rogava +que sahisse em sua defeza e lhe communicasse os alvitres a seguir +mediante cartas que, a uma hora determinada, eu devia introduzir pela +fresta d'uma das suas janellas ao rez do chão, visto que a sua +correspondencia lhe era subtrahida no correio pela Companhia de Jesus.</p> +<span class='pagenum'>[28]</span> + +<p>Ás vezes, parava na rua, e detinha-se a examinar a frontaria d'um +predio. A final, recordava-se que era um dos seus, entrava no pateo, +sacudia rijamente a campainha, e fazia saber ao morador que estava alli +a senhoria para vêr se eram precisas obras na sua casa. Era inoffensiva; +mas não deixava de ser incommoda esta maneira de doudice.</p> + +<p>Ha quatro annos ainda, vestia-se singularmente. Quando a saia era azul +com requifes encarnados, o corpete era branco, e verde o filó do chapéo. +Gostava muito do vestido de velludo preto e botinas brancas. Os +transeuntes paravam descaridosamente a rir, e ella passava, triste e +solemne como o symbolo da desgraça n'um baile de carnaval. N'estes dous +annos derradeiros, trajava menos que modesta, pobremente, um capotilho +côr de castanha, apresilhado na cintura, e um chapéo campestre de palha +côr de bronze. Não erguia os olhos, nem correspondia aos cortejos, +quando algum raro encontradiço com memoria e coração reconhecia, +n'aquella mulher encanecida e trôpega, a esbelta e irrequieta franceza +de ha trinta annos, e machinalmente se descobria como se faz a um +esquife coberto de crepe e assignalado por uma cruz amarella.</p> + +<p class="centrado">*</p> <span class='pagenum'>[29]</span> + +<p>José Joaquim Gonçalves Basto, no fim do anno passado, alegrou a minha +mesa com a sua jovialidade, com as suas épicas faculdades digestivas. +Estava comnosco Placido de Freitas Costa, um galhardo espirito com todas +as graças petulantes dos rapazes de 1850. Não tem ainda trinta annos, e +protesta contra o marasmo dos homens da sua geração--uma gente que tem o +coração em modôrra e a alma anhelante no dominio de quatro inscripções.</p> + +<p>Não havia ahi distinguir entre os dous na competencia de festivas +rapazices. Alta noite, sahiram de braço dado, percorreram os theatros e +passearam as ruas até ao romper da aurora. Gonçalves Basto perfizera +setenta annos n'esse mez. Ao outro dia, Placido de Freitas dava um +jantar ao decano da imprensa portuense no <i>Hotel do Louvre</i>. Os +commensaes eram todos rapazes e alguns estrangeiros. Gonçalves Basto +brindava-os nas suas linguas, e as risadas estrondeavam quando elle +salgava os discursos com as facecias que se usam lá fóra nos lautos +banquetes britannicos em que o corpo, mais debil que o espirito, resvala +para debaixo da mesa, e todo homem se fica então parecendo com Horacio +ou Numentano a resonar no triclinio.</p> + +<p>Dous mezes depois, estando eu enfermo, disseram-me que José Joaquim +Gonçalves Basto adoecera, pela primeira vez na sua vida. Ao outro dia, +mandei <span class='pagenum'>[30]</span> saber como passára a noite. Tinha morrido ás cinco horas da +manhã.</p> + +<p class="centrado">*</p> + +<p>A viuva, participando-me que seu marido era defunto, relatava o caso tão +glacialmente como se historiasse o trespasse do seu quinto avô. Todavia, +tinha magoados toques o seu estylo quando o arguia de haver deixado +hypothecadas fraudulentamente as propriedades em beneficio de varias +mancebas.</p> + +<p>A falta do marido, que para ella representava quatro libras mensaes, +verdadeiramente não authorisa a hypothese da pobreza. Os numerosos e +extensos annuncios que publicava, em resalva das suas propriedades, eram +pagos. Visitava as livrarias e comprava livros. Tinha uma casa +decentemente trastejada, e servia-se com criados a quem pagava talvez, +não os confundindo com os senhorios.</p> + +<p>Quando o proprietario da casa lhe enviou mandado de despejo e sequestro +no dia ultimo de setembro, Elisa Weimar fez trancar as avenidas. N'esse +momento, a sua alma aterrada pelo estrondo dos esbirros que arrombavam +as portas, estremeceu, e... acordou. Eis o momento da lucidez! Ao cabo +de seis annos de demencia, relampagueou-lhe na razão o fulgor <span class='pagenum'>[31]</span> d'um +corisco; e então, vendo-se desgraçada e ridicula, matou-se.</p> + +<p class="centrado">*</p> + +<p>Adeus, minha «formosa das violetas»! O teu Julio Janin, o teu cantor, +quantos te amaram e admiraram são já mortos, desde Henri Heine até +Philarète Chasles. Como devias ter morrido antes da velhice, a tua alma +sempre juvenil desamparou-te; e emquanto ella gemia nos cyprestaes do +<i>Père-la-Chaise</i> a cada sahimento dos teus amigos da mocidade, o teu +corpo inerte e estupido immergia no pesadêlo das sonhadas riquezas! Ias +ser baldeada aos apódos das turbas, e levada pela policia á caverna das +doudas, quando a tua alma regressou nas suas azas de luz, radiou por +sobre a área negra da tua suprema desgraça, e ahi te alumiou o suave +reclinatorio da sepultura. Era a hora bemdita ou maldita da morte. +Abraçaste-a. Descansas. Em uma das tuas cartas me escreveste ha vinte +annos, estas palavras de Balzac: <i>Cada suicida é um poema sublime de +melancolia...</i> Adeus! quando eu souber onde a caridade te sepultou, irei +levar-te um ramo de violetas.</p> +<br> + +<p class="centrado">FIM</p> +</div> + +<div class="rodape"> +<p><a href="#fnb1" name="fn1">[1]</a> Setembro de 1875.</p> + +<p><a href="#fnb2" name="fn2">[2]</a> Outro biographo, peor informado, diz <i>duque</i>.</p> + +<p><a href="#fnb3" name="fn3">[3]</a> O snr. visconde de Soveral.</p> + +<p><a href="#fnb4" name="fn4">[4]</a> Fallecido no dia 2 d'abril de 1879.</p> + +<p><a href="#fnb5" name="fn5">[5]</a> Julio Janin pintou-nol-o <i>corpulento</i>. Modos de vêr; mas M.<sup>me</sup> Elisa +Loeve-Weimar disse-me que seu irmão era de baixa estatura.</p> + +<p><a href="#fnb6" name="fn6">[6]</a> Traslada a versão de Luthero correspondente a cada verso.</p> +</div> + + + + + + + +<pre> + + + + + +End of the Project Gutenberg EBook of Suicida, by Camilo Castelo Branco + +*** END OF THIS PROJECT GUTENBERG EBOOK SUICIDA *** + +***** This file should be named 24339-h.htm or 24339-h.zip ***** +This and all associated files of various formats will be found in: + http://www.gutenberg.org/2/4/3/3/24339/ + +Produced by Pedro Saborano (produced from scanned images +of public domain material from Google Book Search) + + +Updated editions will replace the previous one--the old editions +will be renamed. + +Creating the works from public domain print editions means that no +one owns a United States copyright in these works, so the Foundation +(and you!) can copy and distribute it in the United States without +permission and without paying copyright royalties. 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Email contact links and up to date contact +information can be found at the Foundation's web site and official +page at http://pglaf.org + +For additional contact information: + Dr. Gregory B. Newby + Chief Executive and Director + gbnewby@pglaf.org + + +Section 4. Information about Donations to the Project Gutenberg +Literary Archive Foundation + +Project Gutenberg-tm depends upon and cannot survive without wide +spread public support and donations to carry out its mission of +increasing the number of public domain and licensed works that can be +freely distributed in machine readable form accessible by the widest +array of equipment including outdated equipment. Many small donations +($1 to $5,000) are particularly important to maintaining tax exempt +status with the IRS. + +The Foundation is committed to complying with the laws regulating +charities and charitable donations in all 50 states of the United +States. Compliance requirements are not uniform and it takes a +considerable effort, much paperwork and many fees to meet and keep up +with these requirements. We do not solicit donations in locations +where we have not received written confirmation of compliance. To +SEND DONATIONS or determine the status of compliance for any +particular state visit http://pglaf.org + +While we cannot and do not solicit contributions from states where we +have not met the solicitation requirements, we know of no prohibition +against accepting unsolicited donations from donors in such states who +approach us with offers to donate. + +International donations are gratefully accepted, but we cannot make +any statements concerning tax treatment of donations received from +outside the United States. U.S. laws alone swamp our small staff. + +Please check the Project Gutenberg Web pages for current donation +methods and addresses. Donations are accepted in a number of other +ways including checks, online payments and credit card donations. +To donate, please visit: http://pglaf.org/donate + + +Section 5. General Information About Project Gutenberg-tm electronic +works. + +Professor Michael S. Hart is the originator of the Project Gutenberg-tm +concept of a library of electronic works that could be freely shared +with anyone. For thirty years, he produced and distributed Project +Gutenberg-tm eBooks with only a loose network of volunteer support. + + +Project Gutenberg-tm eBooks are often created from several printed +editions, all of which are confirmed as Public Domain in the U.S. +unless a copyright notice is included. Thus, we do not necessarily +keep eBooks in compliance with any particular paper edition. + + +Most people start at our Web site which has the main PG search facility: + + http://www.gutenberg.org + +This Web site includes information about Project Gutenberg-tm, +including how to make donations to the Project Gutenberg Literary +Archive Foundation, how to help produce our new eBooks, and how to +subscribe to our email newsletter to hear about new eBooks. + + +</pre> + +</body> +</html> diff --git a/LICENSE.txt b/LICENSE.txt new file mode 100644 index 0000000..6312041 --- /dev/null +++ b/LICENSE.txt @@ -0,0 +1,11 @@ +This eBook, including all associated images, markup, improvements, +metadata, and any other content or labor, has been confirmed to be +in the PUBLIC DOMAIN IN THE UNITED STATES. + +Procedures for determining public domain status are described in +the "Copyright How-To" at https://www.gutenberg.org. + +No investigation has been made concerning possible copyrights in +jurisdictions other than the United States. 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