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+ <title>Tratado do Processo Criminal Preparatorio ou
+d'Instruc&ccedil;&atilde;o e Pronuncia</title>
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+
+<pre>
+
+The Project Gutenberg EBook of Tratado do processo criminal preparatorio
+ou d'instrucção e pronuncia, by Unknown
+
+This eBook is for the use of anyone anywhere at no cost and with
+almost no restrictions whatsoever. You may copy it, give it away or
+re-use it under the terms of the Project Gutenberg License included
+with this eBook or online at www.gutenberg.org
+
+
+Title: Tratado do processo criminal preparatorio ou d'instrucção e pronuncia
+
+Author: Unknown
+
+Release Date: October 5, 2007 [EBook #22894]
+
+Language: Portuguese
+
+Character set encoding: ISO-8859-1
+
+*** START OF THIS PROJECT GUTENBERG EBOOK TRATADO DO PROCESSO CRIMINAL ***
+
+
+
+
+Produced by Rita Farinha and the Online Distributed
+Proofreading Team at http://www.pgdp.net (This file was
+produced from images generously made available by National
+Library of Portugal (Biblioteca Nacional de Portugal).)
+
+
+
+
+
+
+</pre>
+
+
+<div><br />
+
+<h2>TRATADO<br />
+
+DO<br />
+
+PROCESSO<br />
+
+CRIMINAL&nbsp;PREPARATORIO<br />
+
+OU<br />
+
+D'INSTRUC&Ccedil;&Atilde;O E PRONUNCIA.</h2>
+
+<h2><br />
+
+LOANDA.<br />
+
+IMPRENSA DO GOVERNO.<br />
+
+<br />
+
+1850.</h2>
+
+<br />
+
+<br />
+
+<br />
+
+<div class="bbox">
+<div style="text-align: center;"><br />
+
+TRATADO<br />
+
+DO<br />
+
+PROCESSO CRIMINAL PREPARATORIO<br />
+
+OU<br />
+
+D'INSTRUC&Ccedil;&Atilde;O E PRONUNCIA.<br />
+
+<br />
+
+</div>
+
+</div>
+
+<br />
+
+<br />
+
+<div class="break">
+<hr /></div>
+
+<br />
+
+<h1>CAPITULO I.</h1>
+
+<h2><em>Da noticia e participa&ccedil;&atilde;o dos
+delictos</em>.</h2>
+
+<br />
+
+<br />
+
+&sect;. 1.&ordm; A participa&ccedil;&atilde;o dos
+delictos,
+&eacute; um dos actos do processo preparatorio nos crimes publicos,
+mas n&atilde;o essencial. Esta
+&eacute; a declara&ccedil;&atilde;o do crime publico feita
+em Juizo, para se proceder contra o delinquente pelo Ministerio
+Publico; prepara, para assim dizer, o caminho para a querela.<br />
+
+<br />
+
+&sect;. 2.&ordm; A participa&ccedil;&atilde;o dos
+crimes
+publicos, p&oacute;de ser feita por toda a pessoa, que os
+presenciar, ou delles tiver noticia, e bem assim pela parte offendida,
+ainda n&atilde;o querendo querelar; e
+s&atilde;o auctoridades competentes para recebe-la, o Juiz
+Ordinario, o Ministerio Publico do Julgado em que f&ocirc;rem
+commetidos, e o Juiz Eleito da respectiva Freguezia. <em>Nov.
+Ref. Jud. Art. 891 e 896</em>.<br />
+
+<br />
+
+&sect;. 3.&ordm; A participa&ccedil;&atilde;o, quando
+feita ao
+Ministerio Publico, deve ser escripta, assignada, e reconhecida; e
+sendo feita ao Juiz Ordinario, ou Eleito, p&oacute;de tambem ser
+verbal, mas reduzida a auto pelo
+Escriv&atilde;o, assignado por este, <span class="pagenum">[4]</span>
+pelo Juiz e participante, o
+qual n&atilde;o
+sendo conhecido em Juizo, ir&aacute; acompanhado de uma ou mais
+testemunhas que o
+conhe&ccedil;am, e estas devem tambem assignar o auto; e quando o
+participante
+n&atilde;o poder, n&atilde;o quizer, ou n&atilde;o souber
+assignar o auto, se
+far&aacute; men&ccedil;&atilde;o desta circumstancia.<br />
+
+<br />
+
+Tanto a participa&ccedil;&atilde;o escripta, como a verbal
+reduzida a auto, deve conter todas as circumstancias do crime, o nome,
+moradas e misteres das testemunhas. <em>Nov. Ref. Jud. Art. 891
+e 892</em>.<br />
+
+<br />
+
+&sect;. 4.&ordm; As auctoridades administrativas tem
+obriga&ccedil;&atilde;o de dar noticia dos crimes publicos ao
+Ministerio Publico do Julgado em que forem commettidos, formando e
+remettendo-lhe o auto
+d'investiga&ccedil;&atilde;o com
+indica&ccedil;&atilde;o das testemunhas, e todos os documentos
+que possam servir de esclarecimento e prova. <em>Nov. Ref. Jud.
+Art. 894</em>.<br />
+
+<br />
+
+Incumbe tambem aos Juizes Eleitos noticiar ao Juiz de Direito no
+Julgado Cabe&ccedil;a de Comarca, qualquer crime publico commettido
+na sua
+Freguezia, enviando-lhe a participa&ccedil;&atilde;o,
+havendo-a, e o auto
+do corpo de delicto.<br />
+
+<br />
+
+O Ministerio Publico tem igual obriga&ccedil;&atilde;o de
+communicar ao Juiz respectivo a participa&ccedil;&atilde;o
+escripta que houver
+recebido, requerendo-lhe se proceda a corpo de delicto, quando
+n&atilde;o esteja feito.
+<em>Nov. Ref. Jud. Art. 893 e 897</em>.<br />
+
+<br />
+
+&sect;. 5.&ordm; O Supremo Tribunal de Justi&ccedil;a, as
+Rela&ccedil;&otilde;es e os Juizes de Direito, quando por exame
+d'algum feito descobrirem qualquer crime publico, o
+participar&atilde;o ao Ministerio Publico junto delles;
+e qualquer outra auctoridade far&aacute; esta
+participa&ccedil;&atilde;o ao Ministerio Publico do Julgado em
+que se commetteo o delicto. <em>Nov. Ref. Jud. Art. 895 e
+&sect;. unico</em>.<br />
+
+<br />
+
+<br />
+
+<div class="break">
+<hr /></div>
+
+<br />
+
+<span class="pagenum">[5]</span>
+<h3>FORMULA DO AUTO DE PARTICIPA&Ccedil;&Atilde;O OU
+NOTICIA DE
+QUALQUER CRIME PUBLICO.</h3>
+
+<h4><em>Auto de participa&ccedil;&atilde;o</em>.</h4>
+
+<br />
+
+Anno do Nascimento de Nosso Senhor Jezus Christo de... aos... dias do
+mez de... do dito anno nesta Cidade (Districto, ou Presidio) de...
+Freguezia de... e moradas do Juiz de Direito (Ordinario, ou Eleito)
+F... aonde eu Escriv&atilde;o vim, ahi compareceo F... natural
+de...
+(aqui deve declarar-se a Freguezia, Julgado e Comarca donde
+&eacute; o
+participante) reconhecido de mim Escriv&atilde;o pelo proprio, de
+que dou
+f&eacute; (e n&atilde;o sendo reconhecido, se
+dir&aacute;--acompanhado de F... reconhecido etc.),
+e que disse vinha declarar, que no sitio de... &aacute;s... horas
+da...
+(manh&atilde;, tarde, ou noite) do dia... do mez de... ahi
+presenci&aacute;ra (aqui se
+refere o facto noticiado, com todas as circumstancias), de que foram
+testemunhas F... e F... (aqui se declaram os nomes, moradas, e
+profiss&otilde;es das
+testemunhas). De que elle Juiz mandou fazer este auto, que assignou com
+o participante, depois de lido por mim F... Escriv&atilde;o que o
+escrevi e assignei (quando o declarante n&atilde;o souber,
+n&atilde;o
+quizer, ou n&atilde;o poder assignar, o Escriv&atilde;o no auto
+far&aacute;
+men&ccedil;&atilde;o do motivo da falta de assignatura).<br />
+
+<br />
+
+<em>Juiz</em>,<br />
+
+<br />
+
+<div class="half"><em>Participante</em>,<br />
+
+<br />
+
+<div style="text-align: left;"><em>Testemunhas</em>,
+(quando o
+participante&nbsp;n&atilde;o &eacute; conhecido no Juizo.)<br />
+
+</div>
+
+<br />
+
+<em>Escriv&atilde;o</em>,</div>
+
+<br />
+
+<br />
+
+<br />
+
+<br />
+
+<br />
+
+<div class="break">
+<hr /></div>
+
+<span class="pagenum">[6]</span>
+<h1>CAPITULO 2&ordm;.</h1>
+
+<h2><em>Do Corpo de Delicto</em>.</h2>
+
+<br />
+
+<br />
+
+&sect;. 6.&ordm; Corpo de delicto &eacute; a
+investiga&ccedil;&atilde;o da existencia de um crime, e de
+todas as suas circumstancias: &eacute; a base essencial de todo o
+procedimento criminal; sem elle &eacute; nullo o processo; e
+n&atilde;o p&oacute;de supprir-se pela confiss&atilde;o da
+parte. <em>Nov. Ref.
+Jud. Art. 901
+e 1251</em>.<br />
+
+<br />
+
+&sect;. 7.&ordm; O corpo de delicto p&oacute;de fazer-se:
+1.&ordm; por
+inspec&ccedil;&atilde;o ocular; 2.&ordm; pelo depoimento de
+testemunhas. Forma-se por
+inspec&ccedil;&atilde;o nos delictos de facto permanente, isto
+&eacute;, naquelles que deixam vestigios
+apoz de si: taes s&atilde;o, o homicidio, ferimento, incendio,
+arrombamento de
+porta, e outros similhantes; e sempre que possa ter logar, deve
+formar-se por este modo nos crimes de facto permanente, sob pena de
+nullidade. <em>Nov. Ref. Jud. Art. 900</em>.<br />
+
+<br />
+
+Tem logar pelo depoimento de testemunhas, nos crimes de facto
+transeunte, isto &eacute;, nos que n&atilde;o deixam vestigio
+presente: taes o furto simples sem arrombamento, homicidio occulto,
+etc. <em>Nov. Ref.
+Jud. Art. 908</em>.<br />
+
+<br />
+
+&sect;. 8.&ordm; Os corpos de delicto p&oacute;dem fazer-se
+em
+qualquer tempo e hora, porque para a sua forma&ccedil;&atilde;o
+n&atilde;o ha
+ferias, ainda divinas; e s&atilde;o v&aacute;lidos feitos de
+noite, ou em dia sanctificado. <em>Nov. Ref. Jud. Art.
+919</em>.<br />
+
+<br />
+
+Al&eacute;m das solemnidades prescriptas pela lei nas diversas
+especies dos corpos de delicto, e segundo a natureza dos crimes, exige
+a lei como solemnidade geral o rubricar-se pelo Juiz cada uma das
+folhas do auto; e fazer-se men&ccedil;&atilde;o expressa dos
+nomes, moradas, e
+misteres das pessoas que verosimilmente saibam a verdade do caso. <em>Nov.
+Ref. Jud. Art.
+910 e 911</em>.<br />
+
+<br />
+
+&sect;. 9.&ordm; Nos corpos de delicto de facto permanente, que
+tambem
+se chamam--directos--devem verificar-se por meio de exames todos os
+vestigios que deixar o crime, bem como o estado do logar em que se
+commetter; investigar <span class="pagenum">[7]</span>todas
+as circumstancias, que disserem
+rela&ccedil;&atilde;o ao modo, porque foi commettido; e
+recolher todos os indicios contra os presumidos culpados, tomando
+declara&ccedil;&otilde;es verbaes
+e summarias a todas as pessoas, que possam dar alguma noticia,
+lan&ccedil;ando-se estas
+declara&ccedil;&otilde;es no auto do corpo de delicto, que,
+al&eacute;m do Juiz,
+Escriv&atilde;o, e duas testemunhas, deve ser assignado pelos
+declarantes. E para este fim deve o Juiz providenciar para que se
+n&atilde;o alterem os vestigios do
+crime, nem se retirem do logar delle as pessoas, que p&oacute;dem
+dar
+informa&ccedil;&atilde;o; e devem ser apprehendidas as armas,
+que serviram, ou estavam destinadas ao crime, e todos os objectos
+deixados pelos delinquentes, que possam servir para descobrimento da
+verdade, sendo tudo declarado no auto. <em>Nov. Ref. Jud. Art.
+902, 905, e 907</em>.<br />
+
+<br />
+
+&sect;. 10.&ordm; Sendo necessario fazer algum exame, que
+dependa de conhecimentos particulares d'alguma sciencia ou arte, como
+nos crimes de veneficio, ferimento, ou morte; ser&aacute; aquelle
+feito por dois
+per&iacute;tos, a quem o Juiz deffere juramento sob pena de
+nullidade, fazendo-se disto men&ccedil;&atilde;o no auto. O
+exame &eacute; feito na
+presen&ccedil;a do Juiz, Ministerio Publico, Escriv&atilde;o, e
+duas testemunhas; e as
+declara&ccedil;&otilde;es ser&atilde;o lan&ccedil;adas
+no auto, que ser&aacute; assignado por todos sob pena de nullidade.
+<em>Nov.
+Ref. Jud. Art. 903 e &sect;. 1.&ordm;</em><br />
+
+<br />
+
+No caso d'estupro ser&aacute; feito o exame por duas parteiras, e
+na falta destas por duas matronas ajuramentadas, em casa separada; e
+das declara&ccedil;&otilde;es se far&aacute;
+men&ccedil;&atilde;o no auto.<br />
+
+<br />
+
+O exame p&oacute;de ser feito com um s&oacute;
+per&iacute;to, quando a uma legoa em redor do logar do exame
+n&atilde;o houver mais algum; e sem
+per&iacute;tos, quando a tres legoas em redor n&atilde;o houver
+per&iacute;to algum; mas
+neste caso o Juiz escolher&aacute; dois individuos, que tiverem
+melhor conhecimento da sciencia ou arte, e estes servir&atilde;o de
+per&iacute;tos; e desta circumstancia
+se deve fazer men&ccedil;&atilde;o no auto. <em>Nov.
+Ref. Jud. Art. 903 &sect;&sect;.
+2.&ordm; e 3.&ordm;</em><br />
+
+<br />
+
+&sect;. 11.&ordm; Nos crimes de morte ou ferimentos, os
+per&iacute;tos devem declarar o numero e qualidade das feridas; se
+<span class="pagenum">[8]</span>s&atilde;o
+mortaes, ou
+s&oacute;mente perigosas; se dellas resultou necessariamente a
+morte, ou proveio de outras circumstancias; e o instrumento com que
+denotarem haver sido feitas. <em>Nov. Ref. Jud. Art 904</em>.<br />
+
+<br />
+
+&sect;. 12.&ordm; Os corpos de delicto de facto transeunte, que
+tambem
+se chamam--indirectos--s&atilde;o formados das
+declara&ccedil;&otilde;es juradas de todas as pessoas, que
+verosimilmente possam saber da verdade: estas
+declara&ccedil;&otilde;es s&atilde;o lan&ccedil;adas em
+um auto, assignado pelo Juiz,
+Escriv&atilde;o e declarantes; e n&atilde;o sabendo, ou
+n&atilde;o podendo estes escrever, o
+Escriv&atilde;o far&aacute; men&ccedil;&atilde;o da
+falta d'assignatura delles. Nestes crimes os depoimentos das
+testemunhas no summario da querela corroboram o corpo de delicto, e
+supprem qualquer falta, que nelle houver occorrido. <em>Nov.
+Ref. Jud. Art. 908
+&sect;.
+unic.</em><br />
+
+<br />
+
+&sect;. 13.&ordm; No auto de corpo de delicto nos crimes de
+furto, ou
+roubo, deve fazer-se expressa men&ccedil;&atilde;o do valor da
+cousa
+roubada, ou furtada, dando-se juramento ao roubado, ou a quaesquer
+pessoas, que possam fazer esta declara&ccedil;&atilde;o. <em>Nov.
+Ref. Jud. Art. 909</em>.<br />
+
+<br />
+
+&sect;. 14.&ordm; Quando o crime f&ocirc;r de natureza, que
+se
+entenda que a prova delle se poder&aacute; obter por papeis e
+outros objectos
+existentes em caza do supposto delinquente, ou outra pessoa, o Juiz a
+requerimento do Ministerio Publico, ou das partes, e
+ainda--ex-officio--mandar&aacute; formar um auto preliminar e
+especial, contendo a
+declara&ccedil;&atilde;o dos motivos e ras&otilde;es de
+suspeita, que constarem em Juizo.<br />
+
+<br />
+
+&sect;. 15.&ordm; Feito o auto preliminar, o Juiz acompanhado
+do
+representante do Ministerio Publico, Escriv&atilde;o respectivo, e
+duas testemunhas,
+dever&aacute; &iacute;r &aacute; caza suspeita; e na
+presen&ccedil;a destes, e do R&eacute;o ou
+seu procurador especial, ou &aacute; revelia, n&atilde;o
+nomeando procurador,
+se procede &aacute; busca e apprehens&atilde;o.<br />
+
+<br />
+
+Todos os papeis, que forem apprehendidos, devem ser rubricados pelo
+R&eacute;o ou seu procurador; e n&atilde;o podendo, ou
+n&atilde;o
+querendo, uma das testemunhas os rubricar&aacute;, declarando-se no
+auto esta circumstancia. Esta
+mesma formalidade se observar&aacute;, quando a
+apprehens&atilde;o
+f&ocirc;r feita &aacute; revelia do R&eacute;o. No auto se
+mencionar&atilde;o o numero e qualidade
+dos papeis, e outros objectos apprehendidos. Quando o R&eacute;o
+reconhecer por seus
+alguns papeis, ou objectos, deste reconhecimento se far&aacute;
+expressa
+men&ccedil;&atilde;o.<br />
+
+<br />
+
+O auto de busca e apprehens&atilde;o ser&aacute; assignado pelo
+Juiz, Escriv&atilde;o, testemunhas, e R&eacute;o, ou seu
+procurador; se alguma das
+testemunhas, o R&eacute;o, ou seu procurador, n&atilde;o
+quizer, ou n&atilde;o poder
+assignar, se far&aacute; disso men&ccedil;&atilde;o no
+auto; e este ser&aacute; junto ao
+processo.<br />
+
+<br />
+
+N&atilde;o p&oacute;dem ser apprehendidos papeis ou objectos,
+que n&atilde;o tenham rela&ccedil;&atilde;o com o crime. E
+esta deligencia n&atilde;o p&oacute;de fazer-se
+antes de nascer o sol, nem depois do seu occaso.<br />
+
+<br />
+
+&sect;. 16.&ordm; Quando os papeis e outros objectos, em que
+tenha de
+se fazer a busca, existirem em outro julgado, depreca-se ao respectivo
+Juiz para proceder a esta deligencia, o qual observar&aacute; nella
+as
+formalidades mencionadas. <em>N. R. J. Art. 914, 916,
+&sect;&sect;.
+1.&ordm; e 4.&ordm;</em><br />
+
+<br />
+
+&sect;. 17.&ordm; Para a forma&ccedil;&atilde;o dos
+corpos de
+delicto &eacute; cumulativa a jurisdic&ccedil;&atilde;o das
+differentes auctoridades
+judiciaes da Comarca.<br />
+
+<br />
+
+Na concorrencia das diversas auctoridades o Juiz de Direito prefere a
+todas; qualquer Juiz Ordinario aos Eleitos; o Juiz Ordinario do Julgado
+a qualquer outro Juiz Ordinario; e o Juiz Eleito da Freguezia a
+qualquer outro Juiz Eleito. <em>N. R. J. Art. 899 e &sect;.
+unic.</em><br />
+
+<br />
+
+&sect;. 18.&ordm; Nos crimes, que n&atilde;o admittem
+fian&ccedil;a occorridos na Cidade, ou Villa, em que residir o Juiz
+Ordinario, ou de Direito, os corpos de delicto ser&atilde;o feitos
+na presen&ccedil;a deste com
+assistencia do Ministerio publico, que no acto do exame p&oacute;de
+requerer tudo quanto
+convier para a melhor indaga&ccedil;&atilde;o da verdade. <em>N.
+R. J.
+Art. 899 e
+910 &sect;. unic.</em><br />
+
+<br />
+
+&sect;. 19.&ordm; Os Juizes eleitos s&atilde;o obrigados a
+fazer os
+corpos de delicto nos crimes publicos occorridos na sua <span class="pagenum">[10]</span>Freguezia,
+excepto no caso do
+&sect;. antecedente; e quando n&atilde;o satisfa&ccedil;am
+a esta
+obriga&ccedil;&atilde;o, o Juiz respectivo manda proceder a
+elles pelo Juiz Eleito de uma das Freguezias mais proximas, impondo
+&aacute;quelles pela sua negligencia a pena de
+dez at&eacute; cem mil reis. <em>N. R. J. Art. 146
+&sect;. 1.&ordm; 893 e
+899</em>.<br />
+
+<br />
+
+Feitos os corpos de delicto, devem ser remettidos ao Juiz de Direito,
+ou Ordinario, dentro em vinte e quatro horas com o rol das testemunhas:
+estes, logo que os receberem, e achando-os legaes, os
+communicar&atilde;o ao Ministerio Publico, que dentro em vinte e
+quatro horas dar&aacute;
+sua querela, ou lan&ccedil;ar&aacute; &aacute; margem dos
+autos do corpo
+de delicto as raz&otilde;es porque entende n&atilde;o deve
+querelar, e os remmetter&aacute; com
+estas notas aos respectivos Juizes. <em>N. R. J. Art. 912 e 917</em>.<br />
+
+<br />
+
+&sect;. 20.&ordm; Os Sub-delegados tem
+obriga&ccedil;&atilde;o
+de participar ao respectivo Delegado todos os corpos de delicto, que
+lhes forem communicados pelos Juizes Ordinarios, e o seguimento que
+tiveram; e devem cumprir as ordens, que delle receberem, relativas aos
+actos do processo preparatorio. <em>N. R. J. Art. 917
+&sect;. 2.&ordm;</em><br />
+
+<br />
+
+&sect;. 21.&ordm; Os autos de corpo de delicto devem ser
+registados
+pelo Escriv&atilde;o em um livro proprio; e os feitos pelos Juizes
+Eleitos o devem ser no Juizo, para onde esses autos foram remettidos.<br />
+
+<br />
+
+<br />
+
+<div class="break">
+<hr /></div>
+
+<br />
+
+<h3>FORMULA DO AUTO D'EXAME E CORPO DE DELICTO DE FACTO
+PERMANENTE.</h3>
+
+<h4><em>Auto d'exame e corpo de delicto</em>.</h4>
+
+<br />
+
+Anno do Nascimento de Nosso Senhor Jesus Christo de... aos... de... do
+dito anno, nesta Cidade (Presidio ou Districto) de... Freguezia de...,
+sitio de... (ou moradas de F... ) aonde eu Escriv&atilde;o vim com
+o Juiz de Direito <span class="pagenum">[11]</span>(Ordinario
+ou Eleito) F... para se proceder ao exame
+e corpo de delicto no cadaver de... (ou pelos ferimentos praticados na
+pessoa de... ) ahi presente; com os facultativos F... e F... por mim
+notificados
+&aacute; ordem delle Juiz para este acto, de que dou f&eacute;
+(quando no
+logar, ou a uma legoa em redor n&atilde;o houver mais que um, se
+dir&aacute;--e com o facultativo F... por n&atilde;o haver
+outro ahi, nem uma legoa em redor;--e
+quando ahi e tres legoas em redor n&atilde;o houver nenhum, se
+dir&aacute;
+com F... e F... nomeados para servirem de per&iacute;tos neste
+acto, por n&atilde;o
+haver per&iacute;tos ahi, nem a tres legoas em redor);--ahi elle
+Juiz lhes deferio o juramento aos Santos Evangelhos, sob cargo do qual
+lhes encarregou que vissem e examinassem bem o cadaver de F... (ou os
+ferimentos, n&oacute;doas
+e contus&otilde;es, de que se queixava o dito F...), e declarassem
+com toda a
+exactid&atilde;o e verdade o numero e qualidade das feridas; se
+s&atilde;o mortaes, ou
+s&oacute;mente perigosas; o instrumento com que denotarem haver
+sido feitas (nos crimes de morte se declara--se a morte resultou
+necessariamente das feridas, ou proveio de circumstancias accessorias),
+especificando tudo que achassem digno de notar-se; e sendo por elles
+recebido o dito juramento, assim o prometteram cumprir, sendo presentes
+as testemunhas F... e F... e o Delegado (ou Sub-delegado) F... (quando
+os corpos de delicto
+s&atilde;o feitos pelo Juiz de Direito ou Ordinario). E logo
+passaram a examinar o dito cadaver (ou ferido); em resultado do que,
+declararam (aqui deve o Escriv&atilde;o escrever com toda a
+exactid&atilde;o as
+declara&ccedil;&otilde;es dos per&iacute;tos): e concluindo
+disseram que nada mais tinham a declarar, debaixo do juramento que
+haviam recebido, de que dou f&eacute;, pelo
+v&ecirc;r e presenciar. E logo elle Juiz passou a informar-se do
+delicto, suas circumstancias, e modo porque f&ocirc;ra perpetrado,
+e de quem seriam seus autores; e
+fazendo para isso as necessarias perguntas ao queixoso (no caso de
+ferimento) e aos circumstantes F... e F... &aacute;cerca do crime
+(devem-se tomar declara&ccedil;&otilde;es verbaes e summarias
+aos
+circumstantes, visinhos, domesticos, ou a <span class="pagenum">[12]</span>todas
+as pessoas, que
+pare&ccedil;a p&oacute;dem dar
+alguma noticia, declarando-se seu nome, morada, e profiss&atilde;o)
+declararam
+(aqui deve escrever-se a declara&ccedil;&atilde;o
+&aacute;cerca do
+logar, dia e hora do delicto, e todas as mais circumstancias, bem como
+o nome, morada e profiss&atilde;o
+das pessoas, que presenciassem o crime, ou que verosimilmente
+pare&ccedil;a
+sabem a verdade do caso. <em>N. R. J. Art. 910</em>.). E
+neste acto foram
+apprehendidas (aqui se deve declarar ter-se feito
+apprehens&atilde;o das armas e
+instrumentos, que serviram ao crime, ou estavam destinados para isso, e
+de todos os objectos encontrados, que possam servir para descobrimento
+da verdade. <em>N. R. J. Art. 905</em>.). E por esta
+f&oacute;rma
+elle Juiz deu por
+concluido o presente auto d'exame e corpo de delicto, que assignou com
+o Delegado (ou Sub-delegado), Facultativos, queixoso, declarantes e
+testemunhas F... e F... sendo-lhes primeiro lido este auto por mim F...
+Escriv&atilde;o, que o escrevi e assignei.<br />
+
+<br />
+
+<br />
+
+<em>Juiz</em>,
+<div class="half"><em>Delegado</em>,<br />
+
+<em>Facultativos</em>,<br />
+
+<em>Queixoso</em>,<br />
+
+<em>Declarantes</em>,<br />
+
+<em>1.^a Testemunha</em>,<br />
+
+<em>2.^a Dita</em>,<br />
+
+<em>Escriv&atilde;o</em>,</div>
+
+<br />
+
+<br />
+
+<br />
+
+<em>Observa&ccedil;&atilde;o</em>.--E quando o
+queixoso ou declarantes
+n&atilde;o poderem ou n&atilde;o souberem assignar, se
+far&aacute; disso expressa
+men&ccedil;&atilde;o no auto. E cada uma das folhas do auto
+ser&aacute; rubricada pelo Juiz. <em>N. R. J.
+Art. 908 e 911</em>.<br />
+
+<br />
+
+<br />
+
+<div class="break">
+<hr /></div>
+
+<br />
+
+<span class="pagenum">[13]</span>
+<h3>FORMULA
+DO AUTO DE EXAME E CORPO DE DELICTO DE FACTO TRANSEUNTE.
+</h3>
+
+<h4><em>Auto
+de exame e corpo de delicto</em>.</h4>
+
+<br />
+
+Anno do Nascimento etc... aos... de... do dito anno, nesta Cidade
+(Logar) de... Freguezia de... e moradas de F... (Juiz de Direito,
+Ordinario, ou Eleito) aonde eu Escriv&atilde;o vim, ahi compareceu
+F... do Logar de... Villa ou Cidade de... que disse vinha queixar-se,
+que no dia (ou noite) de... &aacute;s... horas lhe tinham furtado
+(aqui se
+declaram os objectos que foram roubados, o logar e sitio em que se
+achavam, e todas as circumstancias relativas ao furto), e por isso
+requeria a elle Juiz mandasse proceder a exame e corpo de delicto, para
+usar da
+ac&ccedil;&atilde;o competente contra os perpetradores de tal
+furto; o que sendo ouvido pelo mesmo na presen&ccedil;a das
+testemunhas F... e F... lhe deferio o
+juramento dos Santos Evangelhos para declarar o valor da cousa furtada,
+o que o mesmo queixoso satisfez, declarando logo que os referidos
+objectos valiam a quantia de... (aqui se declara o valor dos objectos
+furtados). E logo mandou elle Juiz vir &aacute; sua
+presen&ccedil;a F... e
+F... (visinhos, creados, domesticos, ou outras quaesquer pessoas que
+verosimilmente possam saber a verdade), que mais ras&atilde;o
+tinham de saber a
+verdade do facto occorrido; e sendo presentes, citados por mim, de que
+dou
+f&eacute;, lhes deferio o juramento dos Santos Evangelhos, sob
+cargo do qual lhes encarregou que houvessem de declarar tudo quanto
+sabiam a respeito do modo porque se tinha feito esse furto, tempo e
+logar, e seus auctores, bem como o nome, moradas e
+profiss&otilde;es das testemunhas, que verosimilmente soubessem a
+verdade. E logo sendo perguntado F... disse (aqui se escrevem todas as
+declara&ccedil;&otilde;es, que fizer
+o interrogado; e assim v&atilde;o sendo perguntados successivamente
+os declarantes, e
+escrevendo-se suas declara&ccedil;&otilde;es). E por esta
+f&oacute;rma
+elle Juiz deu por concluido este auto d'exame e corpo de <span class="pagenum">[14]</span>delicto, que
+assignou com os declarantes, queixoso, e com as testemunhas presentes
+F... e F... depois de lido por mim Escriv&atilde;o, que o escrevi e
+assignei.<br />
+
+<br />
+
+<em>Juiz</em>, <br />
+
+<div class="half"><em>Declarantes</em>,<br />
+
+<em>Queixoso</em>,<br />
+
+<em>1.^a Testemunha</em>,<br />
+
+<em>2.^a Dita</em>,<br />
+
+<em>O Escriv&atilde;o, F</em>...,</div>
+
+<br />
+
+<br />
+
+<br />
+
+<em>Observa&ccedil;&atilde;o</em>.--Quando o
+queixoso ou declarantes
+n&atilde;o poderem ou n&atilde;o souberem assignar, se
+far&aacute; esta
+declara&ccedil;&atilde;o no auto; e cada uma das folhas do auto
+ser&aacute; rubricada pelo Juiz. <em>N. R. J.
+Art. 908
+e 911</em>.<br />
+
+<br />
+
+<div class="break">
+<hr /></div>
+
+<br />
+
+<h3>FORMULA DO AUTO DE
+DECLARA&Ccedil;&Atilde;O PRELIMINAR
+&Aacute; BUSCA E APPREHENS&Atilde;O DE&nbsp;PAPEIS, E
+OUTROS OBJECTOS, A QUE SE REFERE O ART. 914 DA N. R. J.</h3>
+
+<h4><em>Auto de
+declara&ccedil;&atilde;o</em>.</h4>
+
+<br />
+
+Anno do Nascimento de Nosso Senhor Jezus Christo etc... aos... de... do
+dito anno, nesta Cidade (ou Villa), perante o Juiz de Direito desta
+Comarca (ou Juiz Ordinario deste Julgado) F..., aonde eu
+Escriv&atilde;o vim, por elle Juiz foi dito, que lhe constava, que
+em caza de F..., que se diz ser o que perpetr&aacute;ra o crime
+de..., do qual se formou o
+corpo de delicto aos... dias do mez de... e anno de... (quando a busca
+&eacute; em caza de outra pessoa, como permitte o <em>Art.
+914</em>, deve
+fazer-se essa declara&ccedil;&atilde;o), existiam alguns papeis
+e objectos,
+que servem para prova do crime de que se trata, havendo para isso
+algumas ras&otilde;es de
+suspeita, a saber (aqui se declaram os motivos e ras&otilde;es da
+suspeita). De
+tudo isto mandou elle Juiz formar este auto de
+<span class="pagenum">[15]</span>declara&ccedil;&atilde;o,
+que assignou comigo F... Escriv&atilde;o, que o escrevi e assignei.<br />
+
+<br />
+
+<em>Juiz</em>,
+<div class="half"><em>Escriv&atilde;o</em>,</div>
+
+<br />
+
+<br />
+
+<br />
+
+<em>Observa&ccedil;&atilde;o</em>.--Quando a
+diligencia f&ocirc;r
+requerida pelo Ministerio Publico, ou pela parte, se dir&aacute;,
+que em consequencia de
+requerimento do Ministerio Publico, ou da parte... lhe
+const&aacute;ra, etc.<br />
+
+<br />
+
+<br />
+
+<div class="break">
+<hr /></div>
+
+<br />
+
+<h3>FORMULA DO AUTO DE BUSCA E APPREHENS&Atilde;O DE PAPEIS E
+OUTROS
+OBJECTOS.</h3>
+
+<h4><em>Auto de busca e apprehens&atilde;o</em>.</h4>
+
+<br />
+
+Anno do Nascimento de Nosso Senhor Jezus Christo etc... aos... de... do
+dito anno..., nesta Cidade (Villa ou Logar) de... e moradas de F...
+(aqui se declara a denomina&ccedil;&atilde;o do local ou rua,
+em que se faz a diligencia), aonde eu Escriv&atilde;o vim com o
+Juiz de Direito
+desta Comarca de... (ou Juiz Ordinario deste Julgado de... ) F..., bem
+como o Delegado (ou Sub-delegado) F..., e as testemunhas F... e F...
+por mim notificadas, de que dou f&eacute;, a fim de se proceder
+&aacute; busca e apprehens&atilde;o de todos os papeis e
+objectos, que forem achados na dita caza, e tiverem
+rela&ccedil;&atilde;o com o crime de..., em que se acha
+indiciado F...; ahi na presen&ccedil;a de todas as pessoas
+mencionadas, e do mesmo
+R&eacute;o (ou do procurador F..., nomeado pelo R&eacute;o para
+este acto, ou
+&aacute; revelia), mandou o dito Juiz se procurassem e examinassem
+os papeis e objectos ahi existentes, para serem apprehendidos os que
+dissessem respeito ao crime; e em resultado desta diligencia foram
+apprehendidos os seguintes papeis e objectos (aqui se declaram todos os
+papeis e objectos apprehendidos, seu numero e qualidade). <span class="pagenum">[16]</span>E logo elle
+Juiz ordenou que os papeis apprehendidos fossam rubricados pelo
+R&eacute;o (ou procurador do
+R&eacute;o, ou por uma das testemunhas, quando aquelles
+n&atilde;o podem, ou
+n&atilde;o querem assignar, ou a diligencia se faz &aacute;
+revelia; mas deve-se declarar no
+auto o motivo, porque os papeis s&atilde;o rubricados pela
+testemunha), o que
+effectivamente se cumprio (e quando o R&eacute;o
+reconhe&ccedil;a alguns
+papeis como seus, se dir&aacute; em seguida); e neste acto foram
+pelo R&eacute;o reconhecidos como seus
+os papeis e objectos seguintes (declaram-se quaes sejam, seu numero e
+qualidade). E por esta f&oacute;rma o dito Juiz deu por concluida
+esta diligencia
+de busca e apprehens&atilde;o, de que mandou fazer este auto, que
+assignou com
+o Delegado (ou Sub-delegado), R&eacute;o (ou procurador do
+R&eacute;o) e
+as testemunhas F... e F... e comigo Escriv&atilde;o, que o escrevi,
+e assignei. (Se
+alguma das testemunhas, o R&eacute;o, ou seu procurador
+n&atilde;o quizer, ou n&atilde;o poder assignar, se
+far&aacute; disso men&ccedil;&atilde;o no auto.)<br />
+
+<br />
+
+<em>Juiz</em>,
+<div class="half"><em>Delegado</em>, (ou
+Sub-delegado)<br />
+
+<em>R&eacute;o</em>, (ou seu procurador)<br />
+
+<em>1.^a Testemunha</em>,<br />
+
+<em>2.^a Dita</em>,<br />
+
+<em>Escriv&atilde;o</em>,</div>
+
+<br />
+
+<br />
+
+<br />
+
+<br />
+
+<div class="break">
+<hr /></div>
+
+<h1>CAPITULO III.</h1>
+
+<h2><em>Da Querela</em>.</h2>
+
+<br />
+
+<br />
+
+&sect;. 22.&ordm; Querela &eacute; a
+declara&ccedil;&atilde;o, que alguem faz em Juizo competente,
+d'algum crime publico, ou particular, conjunctamente com o requerimento
+para que delle se conhe&ccedil;a, inquerindo-se as testemunhas
+apontadas. <em>N. R. J. Art. 864</em>.<br />
+
+<br />
+
+Este acto &eacute; o principio do processo preparatorio criminal, <span class="pagenum">[17]</span>e
+indispensavel segundo a legisla&ccedil;&atilde;o vigente, que
+n&atilde;o reconhece outro meio de indagar e perseguir os crimes em
+Juizo, sen&atilde;o a querela.
+<em>N. R. J. Art. 880 &sect;. unic.</em><br />
+
+<br />
+
+&sect;. 23.&ordm; Tem logar a querela em todos os crimes
+classificados
+pela lei como publicos, ou particulares, e a que s&atilde;o
+impostas maiores
+penas, que as declaradas na <em>N. R. J. Art. 125O, 854, 857,
+865, e 866</em>.<br />
+
+<br />
+
+&sect;. 24.&ordm; A querela nos crimes publicos s&oacute;
+p&oacute;de ser intentada pelo Ministerio Publico e pelas partes
+particularmente offendidas. Exceptuam-se:<br />
+
+<br />
+
+1.&ordm; Os crimes de suborno, peita, peculato e
+concuss&atilde;o,
+commettidos pelos Juizes, Jurados, Officiaes de Justi&ccedil;a, ou
+quaesquer
+outros Empregados Publicos, em que p&oacute;de querelar qualquer do
+povo.<br />
+
+<br />
+
+2.&ordm; Os crimes de morte, em que p&oacute;dem querelar
+simultaneamente o viuvo, ou viuva, que n&atilde;o passou a segundas
+nupcias, e os
+ascendentes, ou descendentes do morto. Na falta destes s&atilde;o
+admittidos os
+parentes collateraes at&eacute; o 4.&ordm; gr&aacute;o
+contado por
+direito
+civil: mas n&atilde;o conjunctamente, pois o mais proximo exclue o
+mais remoto; e sendo muitos do mesmo gr&aacute;o, recebida a
+querela de um, n&atilde;o
+&eacute; admittida a de nenhum outro, pena de nullidade. <em>N.
+R. J. Art. 865
+&sect;&sect;. 1.&ordm;
+e 2.&ordm;</em><br />
+
+<br />
+
+3.&ordm; Os commetidos contra os impuberes, dementes, furiosos, e
+mulheres casadas, em que p&oacute;dem querelar os pais, tutores e
+curadores,
+e maridos. <em>N. R. J. Art. 867</em>.<br />
+
+<br />
+
+&sect;. 25.&ordm; A querela d'interesse particular
+s&oacute;
+p&oacute;de ser dada pelas partes offendidas. Exceptuam-se:<br />
+
+<br />
+
+1.&ordm; Os crimes d'estupro n&atilde;o violento, e rapto por
+seduc&ccedil;&atilde;o, em que p&oacute;dem querelar os
+pais, tutores ou curadores das estupradas,
+e na falta destes os irm&atilde;os.<br />
+
+<br />
+
+As proprias estupradas ou raptadas, s&oacute; p&oacute;dem
+querelar n&atilde;o excedendo 17 annos.<br />
+
+<br />
+
+2.&ordm; Nos crimes mencionados, e adulterio n&atilde;o
+violento,
+p&oacute;de e deve o Ministerio Publico querelar e accusar:
+1.&ordm; quando os
+offendidos, ou aquelles a quem a lei auctorisa, <span class="pagenum">[18]</span>tiverem querelado e
+accusado:
+2.&ordm; quando n&atilde;o o fazendo, tiverem reclamado o
+exercicio da
+ac&ccedil;&atilde;o publica. Mas em qualquer dos casos a
+desistencia ou perd&atilde;o da parte
+faz cessar a querela e accusa&ccedil;&atilde;o. <em>N.
+R. J. Art.
+886,
+&sect;&sect;. 1.&ordm; e 2.&ordm;</em><br />
+
+<br />
+
+3.&ordm; Os mencionados no n.&ordm; 3 do &sect;.
+antecedente.<br />
+
+<br />
+
+&sect;. 26.&ordm; S&atilde;o prohibidos de querelar:
+1.&ordm; os
+menores puberes sem auctorisa&ccedil;&atilde;o de seus pais ou
+curadores:
+2.&ordm; as
+mulheres casadas sem auctorisa&ccedil;&atilde;o de seus
+maridos: 3.&ordm; os
+condemnados
+a pena ultima ou degredo perpetuo; excepto nos crimes de perjurio
+contra alguma testemunha, que jurasse contra elles no plenario da
+accusa&ccedil;&atilde;o; e nos de peita e suborno contra algum
+jurado, que interviesse na
+senten&ccedil;a: 4.&ordm; as estupradas ou raptadas maiores de
+17 annos: 5.&ordm; os que pelo
+mesmo facto tiverem intentado ac&ccedil;&atilde;o civil, salvo
+havendo protesto pela ac&ccedil;&atilde;o criminal, quando
+intentaram a civil. <em>N. R. J. Art. 866
+&sect;.
+1.&ordm;, 868, e 882</em>.<br />
+
+<br />
+
+&sect;. 27.&ordm; Nos crimes publicos a quer&eacute;la
+p&oacute;de ser dada contra pessoas certas e determinadas, ou
+contra as incertas, que se mostrarem culpadas pelo summario; pelo que
+nestes crimes p&oacute;dem ser indiciadas
+n&atilde;o s&oacute; as pessoas certas, contra quem nomeada e
+especialmente se deu a querela, mas as outras, contra quem pelo
+summario forem apparecendo indicios sufficientes para a pronuncia. <em>N.
+R. J. Art. 871, 872, e 987</em>.<br />
+
+<br />
+
+Nos crimes particulares s&oacute; p&oacute;de ser dada contra
+pessoas certas e determinadas; e n&atilde;o poder&atilde;o ser
+nella
+pronunciadas outras, sen&atilde;o as de que se querelar. <em>N.
+R. J. Art. 883</em>.<br />
+
+<br />
+
+&sect;. 28.&ordm; A querela da parte offendida tanto nos crimes
+publicos, como particulares, p&oacute;de ser dada ou pessoalmente
+ou por
+procurador; mas a procura&ccedil;&atilde;o, al&eacute;m de
+ser em
+f&oacute;rma legal, deve declarar o facto com todas as suas
+circumstancias, e o nome da pessoa contra quem se hade dar a querela, e
+conter poder especial para prestar juramento. <em>N.
+R. J. Art. 877</em>.<br />
+
+<br />
+
+&sect;. 29.&ordm; &Eacute; reputada uma s&oacute;
+querela a da
+parte offendida,<span class="pagenum">[19]</span> e
+a do Ministerio Publico sobre o mesmo crime, e
+f&oacute;rmam ambas um
+s&oacute; processo. E p&oacute;de querelar-se conjunctamente de
+diversos crimes contra um
+s&oacute; criminoso. <em>N. R. J. Art. 875 e 885</em>.<br />
+
+<br />
+
+&sect;. 30.&ordm; A peti&ccedil;&atilde;o da querela
+deve
+conter: 1.&ordm; o nome do querelante, sua profiss&atilde;o e
+morada, quando n&atilde;o f&ocirc;r
+o Ministerio Publico: 2.&ordm; o nome do querelado: 3.&ordm; a
+natureza, qualidade e circumstancias do
+facto: 4.&ordm; a declara&ccedil;&atilde;o do tempo e lugar
+do delicto, sempre
+que f&ocirc;r possivel: 5.&ordm; a
+nomea&ccedil;&atilde;o das testemunhas: 6.&ordm; nas
+querelas do
+Ministerio Publico a cita&ccedil;&atilde;o da lei, que prohibe
+o fado denunciado.
+<em>N. R. J. Art. 878</em>.<br />
+
+<br />
+
+&sect;. 31.&ordm; Feita a peti&ccedil;&atilde;o da
+querela
+segundo os requisitos indicados no &sect;. antecedente, segue-se:<br />
+
+<br />
+
+1.&ordm; A sua distribui&ccedil;&atilde;o pelo Juiz; e o
+Escriv&atilde;o que sem ella escrever em alguma querela, incorre na
+multa de 50$000 a 100$000 rs., mas
+n&atilde;o se anulla o processo. <em>N. R. J. Art. 890</em>.<br />
+
+<br />
+
+2.&ordm; O reconhecimento da pessoa do quereloso: se este
+n&atilde;o
+f&ocirc;r conhecido em Juizo, n&atilde;o lhe &eacute;
+aceita a querela sem que
+primeiro appresente testemunha conhecida, que atteste a sua identidade
+e morada; e o Escriv&atilde;o que d'outro modo tomar a querela
+incorre na pena de
+suspens&atilde;o de um at&eacute; seis mezes. <em>N. R.
+J. Art. 881</em>.<br />
+
+<br />
+
+3.&ordm; O juramento de calumnia: o quereloso, que n&atilde;o
+f&ocirc;r o Minist&eacute;rio Publico, prestar&aacute; sob
+pena de nullidade, este juramento
+perante o Juiz no acto do recebimento da querela. <em>N. R. J.
+Art. 874</em>.<br />
+
+<br />
+
+4&ordm; Escolha de domicilio pelo querelante dentro do Julgado:
+quando o querelante &eacute; de f&oacute;ra do Julgado, em que
+der a
+querela, deve dentro delle escolher domicilio, e neste lhe
+s&atilde;o feitas as
+notifica&ccedil;&otilde;es para o andamento do processo. <em>N.
+R. J. Art. 879</em>.<br />
+
+<br />
+
+&sect;. 32&ordm; O auto da querela deve conter: 1.&ordm; a
+copia da
+peti&ccedil;&atilde;o; 2.&ordm; as
+declara&ccedil;&otilde;es que fiserem os querelosos;
+3.&ordm; a
+nomea&ccedil;&atilde;o das testemunhas pelos seus nomes,
+misteres, e <span class="pagenum">[20]</span>moradas;
+4.&ordm; deve ser lido pelo
+Escriv&atilde;o ao quereloso na presen&ccedil;a do Juiz sob
+pena de nullidade, e
+deve no auto fazer-se declarada men&ccedil;&atilde;o da
+leitura;
+5.&ordm; sob a
+mesma pena deve ser assignado pelo Juiz, Escriv&atilde;o, quereloso
+e testemunha, que
+reconhece a sua identidade (quando n&atilde;o &eacute;
+conhecido em Juizo);
+por&eacute;m quando o quereloso, ou a testemunha n&atilde;o
+p&oacute;dem, ou
+n&atilde;o sabem assignar, declara-se esta circumstancia no auto, e
+s&atilde;o sufficientes as
+assignaturas do Juiz e Escriv&atilde;o. <em>N. R. J. Art.
+880 e 881</em>.<br />
+
+<br />
+
+&sect;. 33.&ordm; &Eacute; nulla a querela: 1.&ordm;
+sendo dada perante
+Juiz incompetente; 2.&ordm; fora dos casos em que a lei a permitte:
+3.&ordm; sendo
+dada por menores puberes sem auctorisa&ccedil;&atilde;o de seus
+pais e
+curadores; 4.&ordm; pelas mulheres cazadas sem
+auctorisa&ccedil;&atilde;o de seus maridos, <em>N.
+R.
+J. Art. 868</em>; 5.&ordm; sendo segunda entre as mesmas
+pessoas e pelo mesmo crime, salvo sendo declarada nulla a primeira, <em>N.
+R. J. Art. 883</em>;
+6.&ordm; a que
+&eacute; dada por um collateral em crime de morte, tendo sido
+j&aacute; recebida a de
+outro no mesmo gr&aacute;o, <em>N. R. J. Art. 855
+&sect;.
+2.&ordm; in fine</em>;
+7.&ordm; aquella em que se n&atilde;o prestou o juramento de
+calumnia, excepto se o quereloso
+f&ocirc;r o Ministerio Publico, <em>N. R. J. Art. 874</em>;
+8.&ordm; a que &eacute; dada
+por pessoas prohibidas por Direito.<br />
+
+<br />
+
+&sect;. 34.&ordm; Quando muitas pessoas p&oacute;dem
+querelar de um
+mesmo crime publico, n&atilde;o &eacute; admittida outra alguma
+querela, depois de
+ultimado e fechado o summario da primeira; por&eacute;m a parte
+offendida
+p&oacute;de querelar depois de aberto o summario do Ministerio
+Publico, ou <em>vice-versa</em>,
+e ainda depois de inqueridas as vinte testemunhas; e neste caso
+p&oacute;de o novo
+querelante produsir mais cinco testemunhas. <em>N. R. J. Art.
+884 e 939,
+&sect;&sect;. 1.&ordm; e 2.&ordm;</em><br />
+
+<br />
+
+&sect;. 35.&ordm; A querela nos crimes publicos s&oacute;
+p&oacute;de ser dada dentro de tres annos contados do dia em que se
+commetteo o delicto; e nos crimes particulares dentro d'anno e dia, e
+nestes deve provar-se a querela em vinte dias contados da data do auto.
+<em>N. R. J. Art. 1208 e
+1210</em>.<br />
+
+<br />
+
+&sect;. 36.&ordm; A querela s&oacute;mente ser&aacute;
+dada
+perante o Juiz <span class="pagenum">[21]</span>do
+Julgado, em que o delicto f&ocirc;r commettido,
+ou o R&eacute;o f&ocirc;r
+achado, salvo nos casos exceptuados pela lei. <em>N. R. J. Art.
+886</em>.<br />
+
+<br />
+
+<br />
+
+<div class="break">
+<hr /></div>
+
+<br />
+
+<h3>FORMULA DA PETI&Ccedil;&Atilde;O DA QUERELA.</h3>
+
+<br />
+
+Diz F... de... (aqui se declara a profiss&atilde;o e morada), que
+no dia... de... pelas... horas da manh&atilde; (da tarde ou noite),
+pouco
+mais ou menos passando pelo sitio de... f&ocirc;ra espancado por
+F... (aqui se
+declara a natureza, qualidade, e circumstancias do facto), de que
+resultaram os graves ferimentos constantes do auto do corpo de delicto;
+pelo que pertende dar sua querela contra o dito F... para ser punido
+com as penas da lei, e para este fim<br />
+
+<br />
+
+<table style="text-align: left; width: 100%;" border="0" cellpadding="2" cellspacing="2">
+
+ <tbody>
+
+ <tr>
+
+ <td style="width: 50%;">
+ <div style="text-align: center;">(Despacho)<br />
+
+D. a F ... (nome
+do<br />
+
+Escriv&atilde;o)<br />
+
+Deferido.&nbsp;<br />
+
+Logar e data do
+despacho.<br />
+
+ <em>F</em>... (nome do Juiz)<br />
+
+ </div>
+
+ <br />
+
+ <br />
+
+ <div style="text-align: center;">Testemunhas<br />
+
+ </div>
+
+ <div style="margin-left: 40px;"><em>F</em>...<br />
+
+ <em>F</em>... </div>
+
+ </td>
+
+ <td style="vertical-align: top; width: 50%;">
+ <div style="text-align: justify;">P.
+a V. S.^a mande
+que D., e jurando de calumnia, se lhe tome sua querela, e se sigam os
+termos do summario inquerindo-se as testemunhas.<br />
+
+ </div>
+
+ <br />
+
+ <div style="text-align: center;">E. R. M.</div>
+
+ </td>
+
+ </tr>
+
+ </tbody>
+</table>
+
+<br />
+
+<div style="text-align: center;"><em>F</em>...
+assignatura do querelante ou seu procurador.<br />
+
+</div>
+
+<br />
+
+<br />
+
+<em>Observa&ccedil;&atilde;o</em>.--Al&eacute;m
+do nome das
+testemunhas, devem indicar-se as profiss&otilde;es e moradas; e na
+peti&ccedil;&atilde;o da
+querela do Ministerio Publico deve apontar-se a lei, que prohibe o
+facto denunciado; e n&atilde;o ha
+juramento de calumnia, quando se n&atilde;o tem formado corpo de
+delicto, na
+peti&ccedil;&atilde;o de querela se requer se proceda a elle.<br />
+
+<br />
+
+<br />
+
+<div class="break">
+<hr /></div>
+
+<br />
+
+<span class="pagenum">[22]</span>
+<h3>FORMULA DO AUTO DE QUERELA.</h3>
+
+<h4><em>Auto de Querela</em>.</h4>
+
+<br />
+
+Anno do Nascimento etc... aos... de... do dito anno nesta Cidade (ou
+Villa) de... perante o Juiz de Direito (ou Ordinario) F... aonde eu
+Escriv&atilde;o vim; a&iacute; foi presente F... de... por mim
+reconhecido, de que dou f&eacute;, que disse vinha a este Juizo dar
+sua querela contra F...
+de... pelo crime de... mencionado na sua peti&ccedil;&atilde;o
+de querela
+que &eacute; do theor seguinte (aqui se lan&ccedil;a a
+c&oacute;pia da
+peti&ccedil;&atilde;o de querela). E n&atilde;o se continha
+mais na dita peti&ccedil;&atilde;o e despacho: e disse o mesmo
+querelante, que nomeava para testemunhas F... (aqui se nomeam as
+testemunhas pelos seus nomes, sobrenomes, alcunhas, misteres, e
+moradas). E logo o dito Juiz deferio ao querelante o juramento de
+calumnia nos Santos Evangelhos, em que declarou que dava esta querela
+sem odio, malicia, nem m&aacute;
+vontade a pessoa alguma, e s&oacute;mente a bem de sua
+justi&ccedil;a,
+pelo que elle Juiz lha recebeo tanto quanto era de receber. De tudo
+elle Juiz mandou fazer o presente auto, que foi por mim
+Escriv&atilde;o lido ao querelante
+perante elle Juiz, que o assignou com o querelante (e quando este
+n&atilde;o
+&eacute; conhecido em Juizo, a testemunha que reconhece a sua
+identidade e morada, tambem assigna o auto; quando o querelante
+n&atilde;o sabe ou
+n&atilde;o p&oacute;de escrever, declara-se esta circumstancia
+no auto), e comigo F...
+Escriv&atilde;o que o escrevi e assignei.<br />
+
+<br />
+
+<em>Juiz</em>,
+<div class="half"><em>Querelante</em>,<br />
+
+<em>Escriv&atilde;o</em>,</div>
+
+<br />
+
+<br />
+
+<br />
+
+<div class="break">
+<hr /></div>
+
+<br />
+
+<span class="pagenum">[23]</span>
+<h1>CAPITULO IV.</h1>
+
+<h2><em>Do Summario das Querelas</em>.</h2>
+
+<br />
+
+<br />
+
+&sect;. 37.&ordm; Feito o auto da querela pela
+f&oacute;rma, e com
+os requisitos que ficam indicados, procede-se ao summario inquerindo-se
+as testemunhas apontadas. Se o crime &eacute; publico, o Juiz
+pergunta sempre vinte testemunhas, f&oacute;ra as referidas; e
+s&oacute;
+poder&aacute; exceder este numero no caso do <em>Art. 939
+&sect;. 3.&ordm; da N. R. J</em>.
+Se o crime &eacute;
+particular, o Juiz n&atilde;o perguntar&aacute; mais que as
+testemunhas nomeadas pelo querelante,
+que n&atilde;o p&oacute;dem exceder a oito. <em>N. R. J.
+Art. 876, e 938
+&sect;.
+unic.</em><br />
+
+<br />
+
+&sect;. 38.&ordm; Nos crimes publicos, quando houver querelante
+al&eacute;m do Ministerio Publico, o Juiz pergunta as testemunhas
+nomeadas por ambos at&eacute; o numero de vinte; quando a
+nomea&ccedil;&atilde;o excede este numero, o que &eacute;
+permittido pelo <em>Art. 876</em>, ent&atilde;o o Juiz
+inquire as
+primeiras dez testemunhas nomeadas pelo Ministerio Publico, e as
+primeiras dez nomeadas pelo querelante.<br />
+
+<br />
+
+Quando ha mais que uma parte querelante, o Juiz inquire sempre dez das
+testemunhas nomeadas pelo Ministerio Publico, e as outras dez
+s&atilde;o igualmente tiradas das primeiras nomeadas de todos os
+querelantes; e se alguma restar da distribui&ccedil;&atilde;o,
+pertencer&aacute; ao primeiro dos querelantes.<br />
+
+<br />
+
+Quando a parte offendida vier querelar, depois de aberto o summario da
+querela do Ministerio Publico, ou <em>vice-versa</em>, o
+numero das testemunhas que faltar a perguntar, &eacute; preenchido
+pelo novo querelante,
+n&atilde;o excedendo o numero de dez.<br />
+
+<br />
+
+Se por&eacute;m j&aacute; estiverem perguntadas as vinte
+testemunhas, poder&aacute; sempre o novo querelante produsir mais
+cinco. <em>N. R. J. Art. 939
+&sect;&sect;. 1.&ordm;, 2.&ordm; e 3.&ordm;</em><br />
+
+<br />
+
+&sect;. 39.&ordm; N&atilde;o p&oacute;dem ser
+testemunhas nos
+summarios das querelas: 1.&ordm; os furiosos e mentecaptos:
+2.&ordm; os impuberes; por&eacute;m
+sendo
+maiores de sete annos, p&oacute;dem ser<span class="pagenum">[24]</span>
+perguntados como
+testemunhas, mas sem
+prestarem juramento: 3.&ordm; os inimigos capitaes: 4.&ordm; os
+presos;
+salvo havendo sido nomeados antes da pris&atilde;o, ou sobre crimes
+commettidos na
+cad&ecirc;a: 5.&ordm; os ascendentes e descendentes,
+irm&atilde;os e affins do mesmo
+gr&aacute;o: 6.&ordm; o marido e mulher de alguma das partes:
+7.&ordm; os que participaram o crime
+em Juizo, e os maridos e as mulheres destes: 8.&ordm; as partes
+particularmente offendidas; mas n&atilde;o sendo querelantes,
+p&oacute;dem-lhes
+ser tomadas declara&ccedil;&otilde;es sem juramento:
+9.&ordm; aquelle,
+que vier
+a Juizo para dep&ocirc;r voluntariamente, sem precedencia de
+intima&ccedil;&atilde;o
+judicial: 10.&ordm; o Escriv&atilde;o do processo, e o
+interprete <em>N. R. J. Art. 969</em>.<br />
+
+<br />
+
+&sect;. 40.&ordm; As testemunhas, para dep&ocirc;rem no
+summario,
+devem ser judicialmente intimadas; as que vierem a Juizo
+voluntariamente,
+n&atilde;o s&atilde;o inqueridas. Nos crimes publicos a
+intima&ccedil;&atilde;o
+&eacute; feita a requerimento do Ministerio Publico; e nos
+particulares, a requerimento da parte querelante. <em>N. R. J.
+Art. 940 e 941</em>.<br />
+
+<br />
+
+&sect;. 41.&ordm; Toda a pessoa intimada para testemunha deve
+comparecer no dia, hora e logar, que lhe f&ocirc;r indicado: a que
+deixar de
+comparecer, &eacute; novamente intimada por mandado para outro dia,
+ou se passa mandado de custodia, para debaixo della vir
+dep&ocirc;r: e al&eacute;m
+disto a requerimento da parte ou do Ministerio Publico ser&aacute;
+condemnado, sem
+f&oacute;rma ou figura de Juizo, em doze mil r&eacute;is, ou
+doze dias de pris&atilde;o,
+n&atilde;o tendo com que pagar.<br />
+
+<br />
+
+Se por&eacute;m, comparecendo em Juizo pela segunda
+intima&ccedil;&atilde;o, ou sendo condusida presa, allegar
+legitima escusa, poder&aacute; ser
+alliviada da multa, ouvido o Ministerio Publico.<br />
+
+<br />
+
+N&atilde;o se verificando alguma destas circumstancias, ainda
+poder&aacute; por si ou por seu procurador, allegar em Juizo dentro
+de cinco dias as escusas legitimas da falta. <em>N. R. J. Art.
+959 e 960 &sect;. unic.</em><br />
+
+<br />
+
+&sect;. 42.&ordm; Se as testemunhas mostrarem por attestado de
+Facultativos, e, na falta destes, dos Juizes Eleitos das suas
+Freguezias, que por
+doen&ccedil;a grave est&atilde;o impossibilitadas de comparecer
+perante o Juiz da
+querela, este, acompanhado do respectivo Escriv&atilde;o, se
+transportar&aacute; logo ao domicilio dellas, para lhes tomar o
+depoimento.<br />
+
+<br />
+
+Se o Juiz, transportando-se ao domicilio da testemunha, se convencer de
+que ella n&atilde;o estava impossibilitada de <span class="pagenum">[25]</span>comparecer perante o
+Juiz, mandar&aacute; logo por Facultativo differente daquelle, que
+passou
+o attestado, fazer exame do estado da saude da testemunha: e resultando
+do exame que a testemunha podia comparecer, a condemnar&aacute;
+logo
+sem f&oacute;rma do Juizo, e sem recurso, na pris&atilde;o de
+quinze dias
+at&eacute; dois mezes, e na multa de dez at&eacute; cem mil
+r&eacute;is; e na mesma pena
+ser&aacute; condemnado o Facultativo, que passou o attestado: se
+por&eacute;m este
+f&ocirc;r falso, proceder-se-ha contra a testemunha e Facultativo,
+como falsarios. <em>N.
+R. J. Art. 961 e 962</em>.<br />
+
+<br />
+
+&sect;. 43.&ordm; Se a testemunha, comparecendo, n&atilde;o
+quiser
+responder &aacute;s perguntas, que se lhe fizerem, ser&aacute;
+autuada, e processada
+como desobediente aos mandados da Justi&ccedil;a. <em>N. R.
+J.
+Art. 993</em>.<br />
+
+<br />
+
+&sect;. 44.&ordm; As testemunhas s&atilde;o inqueridas pelo
+Juiz na
+presen&ccedil;a do Escriv&atilde;o, que escreve os depoimentos;
+por&eacute;m umas
+separadamente das outras, sob pena de nullidade. Nenhuma das partes,
+nem mesmo o Ministerio Publico, p&oacute;de estar presente
+&aacute;
+inquiri&ccedil;&atilde;o das testemunhas. Estas devem ser
+juradas; e sendo estrangeiros, devem prestar juramento segundo a
+religi&atilde;o que seguirem, sob pena de nullidade: e no
+depoimento se far&aacute; men&ccedil;&atilde;o do
+juramento; de outro
+modo presume-se que se n&atilde;o prestou. <em>N. R. J. Art.
+943 e 944 &sect;. unic.</em><br />
+
+<br />
+
+&sect;. 45.&ordm; As testemunhas s&atilde;o primeiro
+perguntadas
+pelos seus nomes, sobrenomes, alcunhas, estado, idade, moradas, e
+misteres; se
+s&atilde;o creados, domesticos, ou parentes d'alguma das partes, e
+se lhes tem amizade ou odio: as suas respostas ser&atilde;o
+escriptas.
+Satisfeitas estas perguntas, procede-se &aacute; leitura do corpo
+de delicto, e auto
+da querela, e por elles s&atilde;o inquiridas as testemunhas
+&aacute; cerca
+das circumstancias <span class="pagenum">[26]</span>do
+crime, tempo, logar, e modo como foi commetido. <em>N.
+R. J.
+Art. 945 e 946</em>.<br />
+
+<br />
+
+&sect;. 46.&ordm; As testemunhas ser&atilde;o perguntadas
+sobre o
+modo porque souberam o que dep&otilde;em; se disserem que o sabem
+de vista,
+ser&atilde;o perguntadas pelo tempo e lugar; se estavam
+a&iacute; outras pessoas, que o vissem; e
+quaes eram: se disserem o sabem de ouvida, dir&atilde;o a quem o
+ouviram; em
+que tempo e logar; se estavam presentes outras pessoas; e quaes sejam:
+e todas as respostas ser&atilde;o escriptas nos depoimentos.<br />
+
+<br />
+
+&Eacute; absolutamente prohibido &aacute;s testemunhas
+declararem que sabem de sciencia certa o que dep&otilde;em; o Juiz,
+que manda escrever esta
+resposta, incorre na multa de cinco at&eacute; cincoenta mil
+r&eacute;is,
+que lhe ser&aacute; imposta pelas Rela&ccedil;&otilde;es
+sem f&oacute;rma de processo,
+logo que encontrarem nos autos esta f&oacute;rmula de depoimento. <em>N.
+R. J. Art. 947
+&sect;.
+unic.</em><br />
+
+<br />
+
+&sect;. 47.&ordm; Quando a testemunha na occasi&atilde;o do
+depoimento appresentar algum objecto, que possa servir para fazer culpa
+aos R&eacute;os, ou para
+bem de sua defeza; no depoimento se far&aacute;
+men&ccedil;&atilde;o
+da appresenta&ccedil;&atilde;o, e se juntar&aacute; ao
+processo; e n&atilde;o sendo possivel, se guardar&aacute; no
+Cartorio do Escriv&atilde;o. Se o objecto appresentado for algum
+escripto, ser&aacute; rubricado
+pelo Juiz, e pela testemunha, que o appresentar; e n&atilde;o
+sabendo esta
+escrever, pelo Escriv&atilde;o. <em>N. R. J. Art. 949</em>.<br />
+
+<br />
+
+&sect;. 48.&ordm; Quando alguma testemunha n&atilde;o
+souber fallar
+a lingua portugueza, o Juiz, sob pena de nullidade, nomear&aacute;
+um interprete, a quem
+deferir&aacute; juramento de traduzir com exactid&atilde;o, e
+transmittir com
+fidelidade todas as perguntas feitas pelo Juiz, e respostas dadas pela
+testemunha. O juramento deferido ao interprete hade constar do
+processo;
+ali&aacute;z presume-se que se n&atilde;o prestou, e
+n&atilde;o se admitte
+prova em contrario. O depoimento feito por este modo, ser&aacute;
+assignado pelo
+interprete juntamente com a testemunha, pena de nullidade.<br />
+
+<br />
+
+Se a testemunha f&ocirc;r surda, e souber l&ecirc;r, as
+perguntas <span class="pagenum">[27]</span>lhe
+ser&atilde;o feitas por escripto, e
+responder&aacute; de viva voz. Se por&eacute;m
+f&ocirc;r surda e muda, e souber l&ecirc;r e escrever, as
+perguntas e respostas
+ser&atilde;o feitas por escripto: se por&eacute;m
+n&atilde;o souber l&ecirc;r nem
+escrever, o Juiz nomea por interprete a pessoa, que mais habilmente se
+entenda com ella; e neste caso se proceder&aacute; pela
+f&oacute;rma indicada neste
+&sect;. <em>N. R. J. Art. 946 &sect;&sect;.
+2.&ordm; e 3.&ordm;, e 950</em>.<br />
+
+<br />
+
+&sect;. 49.&ordm; As testemunhas tem a faculdade de dictar os
+depoimentos, que ser&atilde;o escriptos pelo Escriv&atilde;o; e
+quando ellas
+n&atilde;o usarem desta faculdade, ser&atilde;o dictados pelo
+Juiz, que deve conservar, as
+proprias express&otilde;es da testemunha, de maneira que cada
+palavra possa
+ser bem comprehendida por ella.<br />
+
+<br />
+
+Os depoimentos, antes de assignados, ser&atilde;o lidos
+&aacute;s testemunhas, sob pena de nullidade; e o
+Escriv&atilde;o far&aacute;
+men&ccedil;&atilde;o da leitura: de outro modo presume-se que
+se n&atilde;o fez, nem se admitte prova em contrario.<br />
+
+<br />
+
+As testemunhas podem confirmar os seus depoimentos, augmenta-los, ou
+diminui-los, e fazer-lhes qualquer outra
+altera&ccedil;&atilde;o: de tudo se far&aacute;
+men&ccedil;&atilde;o no seguimento do depoimento, sem todavia
+se emendar o que j&aacute; estiver escripto.<br />
+
+<br />
+
+Nos depoimentos das testemunhas n&atilde;o haver&aacute;
+entre-linhas; as rasuras e emendas ser&atilde;o resalvadas
+&aacute; margem, e a sua
+resalva assignada pelo Juiz, Escriv&atilde;o e testemunha: por
+outro modo, se haver&atilde;o
+por n&atilde;o feitas; e no caso de
+contraven&ccedil;&atilde;o o Escriv&atilde;o
+pagar&aacute; uma multa de cinco at&eacute; trinta mil
+r&eacute;is.<br />
+
+<br />
+
+Depois de lidos, os depoimentos ser&atilde;o assignados pelas
+testemunhas, Juiz e Escriv&atilde;o. Se as testemunhas
+n&atilde;o souberem, ou
+n&atilde;o poderem assignar, o Escriv&atilde;o far&aacute;
+men&ccedil;&atilde;o disso
+no fim dos depoimentos, e estes valer&atilde;o com a assignatura do
+Juiz e Escriv&atilde;o. As folhas, que contiverem os
+depoimentos das testemunhas, ser&atilde;o rubricadas pelo Juiz,
+pelo
+Escriv&atilde;o, e pela testemunha se souber e poder escrever.<br />
+
+<br />
+
+Os depoimentos ser&atilde;o escriptos de modo, que possam ser
+<span class="pagenum">[28]</span>fechados e cosidos,
+sem prejuizo das outras partes do processo. <em>N.
+R.
+J. Art. 952 e 955</em>.<br />
+
+<br />
+
+&sect;. 50.&ordm; Quando as testemunhas s&atilde;o
+moradoras
+f&oacute;ra do julgado, em que se d&eacute;r a querela,
+passa-se carta precatoria ao Juiz do
+respectivo julgado, para ahi serem inqueridas, guardadas todas as
+formalidades prescriptas pela lei que deixamos referida.<br />
+
+<br />
+
+A carta precatoria deve conter a c&oacute;pia do auto de querela e
+corpo de delicto, e todas as notas, instruc&ccedil;&otilde;es
+ou
+clarezas, que sirvam para indicar os pontos, sobre que a testemunha ha
+de dep&ocirc;r. Os
+depoimentos ser&atilde;o remettidos fechados e cosidos ao Juiz
+deprecante,
+ficando traslado no Juizo deprecado. <em>N. R. J. Art. 956 e 957</em>.<br />
+
+<br />
+
+&sect;. 51.&ordm; Ao Ministerio Publico incumbe nos crimes
+publicos
+promover, e fazer executar as deprecadas mencionadas,--os mandados
+d'intima&ccedil;&atilde;o &aacute;s testemunhas, ou de
+custodia contra estas ou contra os indiciados,--e as mais diligencias
+ordenadas pelo Juiz da querela, como necessarias para a
+prepara&ccedil;&atilde;o do processo. <em>N. R. J. Art.
+958</em>.<br />
+
+<br />
+
+&sect;. 52.&ordm; Discordando as testemunhas entre si sobre as
+circumstancias importantes do crime, o Juiz, julgando-o necessario,
+proceder&aacute; &aacute; confronta&ccedil;&atilde;o de
+umas com outras, e do resultado
+se far&aacute; auto, que se juntar&aacute; ao processo. <em>N.
+R. J. Art. 970</em>.<br />
+
+<br />
+
+&sect;. 53.&ordm; Se houver duvida sobre a pessoa do culpado,
+de
+maneira que seja necessario proceder ao reconhecimento pela testemunha,
+ser&aacute;
+este, sob pena de dez at&eacute; cem mil r&eacute;is, feito na
+presen&ccedil;a do Juiz e Escriv&atilde;o, de que se
+far&aacute; auto, n&atilde;o sendo o culpado apresentado
+&aacute; testemunha s&oacute;, por&eacute;m conjunctamente
+com outros individuos, entre os quaes a testemunha
+reconhecer&aacute;. Sendo necessario fazer-se o reconhecimento por
+mais de uma testemunha, cada um delles se far&aacute;
+separadamente. <em>N.
+R. J.
+Art. 971 e &sect;. un.</em><br />
+
+<br />
+
+<br />
+
+<div class="break">
+<hr /></div>
+
+<br />
+
+<span class="pagenum">[29]</span>
+<h3>FORMULA DA CERTID&Atilde;O
+D'INTIMA&Ccedil;&Atilde;O DAS
+TESTEMUNHAS.</h3>
+
+<h4><em>Certid&atilde;o</em>.</h4>
+
+<br />
+
+Certifico e dou f&eacute; ter intimado as testemunhas F... F... e
+F... para que no dia... &aacute;s... horas da manh&atilde; (ou
+tarde)
+compare&ccedil;am nas moradas de F... Juiz de Direito desta Comarca
+de... (ou Juiz Ordinario deste Julgado de...), afim de deporem ao que
+lhes f&ocirc;r perguntado, com a
+pena da lei; e de como se deram por intimados, passei a presente, que
+elles comigo assignaram; e dou f&eacute; serem os proprios (quando
+o
+Escriv&atilde;o n&atilde;o conhecer a identidade das
+testemunhas, se dir&aacute;,--que elles comigo
+assignaram, e com as testemunhas F... e F...--declarando as moradas, e
+occupa&ccedil;&otilde;es destas). Logar e data.<br />
+
+<br />
+
+<div class="half">Assignatura do Escriv&atilde;o.</div>
+
+<br />
+
+<br />
+
+<div class="half1"><em></em>
+<table style="text-align: left; width: 100%;" border="0" cellpadding="2" cellspacing="2">
+
+ <tbody>
+
+ <tr>
+
+ <td><em>F</em>...</td>
+
+ <td colspan="1" rowspan="3"><big><big><big><big><big>}</big></big></big></big></big></td>
+
+ <td></td>
+
+ </tr>
+
+ <tr>
+
+ <td><em>F</em>...</td>
+
+ <td>Testemunhas notificadas.</td>
+
+ </tr>
+
+ <tr>
+
+ <td><em>F</em>...</td>
+
+ <td></td>
+
+ </tr>
+
+ </tbody>
+</table>
+
+<em><br />
+
+</em></div>
+
+<em>Obs</em>.--A intima&ccedil;&atilde;o
+p&oacute;de fazer-se ou
+pelo Escriv&atilde;o do processo, passando Certid&atilde;o
+segundo a formula supra, ou por qualquer Official de Diligencias do
+Juizo em virtude de mandado, segundo a formula abaixo transcripta,
+passando nelle Certid&atilde;o da
+intima&ccedil;&atilde;o.<br />
+
+<br />
+
+<br />
+
+<div class="break">
+<hr /></div>
+
+<br />
+
+<h3>FORMULA DO MANDADO.</h3>
+
+<br />
+
+<br />
+
+<div class="half">
+Mandado para notifica&ccedil;&atilde;o de<br />
+
+testemunhas para o dia...<br />
+
+pelas... horas da manh&atilde; (ou<br />
+
+tarde).</div>
+
+<br />
+
+<br />
+
+O Doutor F... Juiz de Direito desta Comarca de... (ou o
+Cidad&atilde;o F... Juiz Ordinario deste Julgado de...) por <span class="smallcaps">S. M.
+F. A Rainha</span>, que Deos Guarde, etc.<br />
+
+<br />
+
+Mando a qualquer Official de Justi&ccedil;a competente, notifique
+<span class="pagenum">[30]</span>as testemunhas
+declaradas no verso deste, para que
+compare&ccedil;am
+perante mim no dia e hora acima indicadas, afim de deporem sobre o que
+lhes
+f&ocirc;r perguntado, com a pena da lei, n&atilde;o
+comparecendo. O que se
+cumprir&aacute;, e se passar&aacute; Certid&atilde;o na
+devida f&oacute;rma.
+Logar e data. F... (nome do Escriv&atilde;o) o escrevi.<br />
+
+<br />
+
+<div class="half">Assignatura do Juiz.</div>
+
+<br />
+
+<br />
+
+<h4><em>Certid&atilde;o</em>.</h4>
+
+<br />
+
+<br />
+
+Certifico e dou f&eacute; ter notificado as testemunhas declaradas,
+em suas proprias pessoas, para todo o conteudo neste mandado, de que
+ficaram scientes; e por verdade passei a presente, que comigo
+assignaram; e
+s&atilde;o os proprios, de que dou f&eacute;. Logar e data.<br />
+
+<br />
+
+<div class="half">Assignatura do Official.</div>
+
+<br />
+
+<div style="text-align: left;" class="half1"><em></em>
+<table style="text-align: left; width: 100%;" border="0" cellpadding="2" cellspacing="2">
+
+ <tbody>
+
+ <tr>
+
+ <td><em>F</em>...</td>
+
+ <td rowspan="3" colspan="1"><big><big><big><big><big>}</big></big></big></big></big></td>
+
+ <td></td>
+
+ </tr>
+
+ <tr>
+
+ <td><em>F</em>...</td>
+
+ <td>Testemunhas notificadas.</td>
+
+ </tr>
+
+ <tr>
+
+ <td><em>F</em>...</td>
+
+ <td></td>
+
+ </tr>
+
+ </tbody>
+</table>
+
+<em></em><br />
+
+</div>
+
+<br />
+
+<em>Obs</em>.--Quando o Official n&atilde;o reconhece a
+identidade das
+testemunhas notificadas, dir-se-ha na Certid&atilde;o--que comigo
+assignaram, e
+com as testemunhas F... e F...<br />
+
+<br />
+
+O Mandado deve levar os nomes, moradas, e profiss&otilde;es das
+testemunhas que h&atilde;o de ser notificadas, no verso; e o
+Official competente
+passa em seguida a Certid&atilde;o antecedente.<br />
+
+<br />
+
+<br />
+
+<div class="break">
+<hr /></div>
+
+<br />
+
+<h3>FORMULA DA INQUIRI&Ccedil;&Atilde;O DAS TESTEMUNHAS
+NO SUMMARIO
+DA QUERELA.</h3>
+
+<h4>
+SUMMARIO.</h4>
+
+<div style="text-align: center;"><em>Assentada</em>.<br />
+
+</div>
+
+<br />
+
+<br />
+
+Aos... dias do mez de... de mil e oitocentos e... nesta <span class="pagenum">[31]</span>Cidade de...
+(ou Villa de...), e moradas de F... Juiz de Direito desta Comarca (ou
+Juiz Ordinario deste Julgado), aonde eu Escriv&atilde;o vim; ahi
+por
+elle Juiz foram inquiridas as testemunhas abaixo pelo modo seguinte, de
+que fiz este termo. Eu F... (nome do Escriv&atilde;o) o escrevi.<br />
+
+<br />
+
+F... (nome, sobrenome, alcunha, estado e profiss&atilde;o)
+testemunha citada, a quem elle Juiz deferio o juramento, que recebeo, e
+prometteu dizer a verdade e da sua idade disse ter... annos, e do
+costume disse nada (ou disse...--aqui deve ser perguntada, se
+&eacute; domestico, ou
+parente de alguma das partes; se lhes tem amisade, ou odio; e
+escrever-se o que a testemunha declarar).<br />
+
+<br />
+
+E perguntado pelo conteudo nos autos da querela e exame de corpo de
+delicto, disse... (aqui devem escrever-se todas as respostas da
+testemunha, que o Juiz inquirir &aacute;cerca de todas as
+circumstancias do delicto, tempo, logar e modo, porque foi commettido,
+observando-se as disposi&ccedil;&otilde;es dos artt. 946 e
+seguintes da N. R.
+J.) E mais n&atilde;o disse; e sendo-lhe lido seu depoimento,
+assignou e rubricou com elle Juiz, e comigo F... (nome do
+Escriv&atilde;o) o escrevi e assignei.<br />
+
+<br />
+
+<em>Juiz</em>,
+<div class="half"><em>Escriv&atilde;o</em>,<br />
+
+<em>Testemunha</em>,</div>
+
+<br />
+
+<br />
+
+<br />
+
+<em>Obs. 1.^a</em>--Quando a testemunha n&atilde;o
+souber ou
+n&atilde;o poder escrever se dir&aacute;--E mais n&atilde;o
+disse; e assignou
+s&oacute;mente elle Juiz seu depoimento, depois de lido por mim,
+por dizer a testemunha que n&atilde;o sabia
+(ou n&atilde;o podia) escrever F... etc.<br />
+
+<br />
+
+<em>Obs. 2.^a</em>--Continuando a
+inquiri&ccedil;&atilde;o de mais
+testemunhas no mesmo acto, se faz pela f&oacute;rma seguinte em
+seguida ao depoimento anterior.<br />
+
+<br />
+
+F... (nome, sobrenome etc), testemunha citada, a quem elle Juiz deferio
+o juramento, etc.;--como se deixa declarado; e assim a respeito das
+outras testemunhas.<br />
+
+<br />
+
+<span class="pagenum">[32]</span>E quando a
+inquiri&ccedil;&atilde;o contin&uacute;a em
+outros dias, se come&ccedil;a a da primeira testemunha com o termo
+de assentada, como se v&ecirc; no principio
+da formula, principiando do seguinte modo:<br />
+
+<br />
+
+<h4>CONTINUA&Ccedil;&Atilde;O DO SUMMARIO.</h4>
+
+<br />
+
+<div style="text-align: center;"><em>Assentada</em>.<br />
+
+</div>
+
+<br />
+
+<br />
+
+Aos... dias do mez de... etc.<br />
+
+<br />
+
+<br />
+
+<div class="break">
+<hr /></div>
+
+<br />
+
+<br />
+
+<h3>FORMULA DO AUTO DE RECONHECIMENTO DA PESSOA DO CULPADO, A QUE
+SE REFERE&nbsp;O ART. 971 E &sect;. UN. DA N&Oacute;V. REF.
+JUD.</h3>
+
+<h4><em>Auto do reconhecimento do preso F</em>...</h4>
+
+<br />
+
+Anno do Nascimento etc... aos... dias do mez de... nesta Cidade de (ou
+Villa de...) e cadeias da mesma, aonde veio F... Juiz de Direito desta
+Comarca (ou Juiz Ordinario deste Julgado) comigo Escriv&atilde;o
+para o fim de se proceder ao reconhecimento do preso F... ahi elle Juiz
+ordenou ao Carcereiro da Cadeia, que lhe apresentassem o dito preso no
+meio de mais<br />
+
+tres, quaesquer que fossem, afim de poder ser reconhecido pelas
+testemunhas para esse fim citadas, que seriam chamadas separadamente
+para o reconhecimento ordenado; e sendo logo presentes o dito preso
+F... com mais tres, que o carcereiro tirou da competente
+pris&atilde;o,
+mandou elle Juiz chamar &aacute; sua presen&ccedil;a neste acto
+a
+testemunha.<br />
+
+<br />
+
+F... (seu nome, sobrenome, profiss&atilde;o e morada), que depois
+de observar attentamente os referidos quatro presos, e interrogado por
+elle Juiz, declarou (aqui se escrevem as
+declara&ccedil;&otilde;es da
+testemunha). E sendo depois chamada a testemunha F...<br />
+
+<br />
+
+<span class="pagenum">[33]</span>E dizendo as
+testemunhas, que nada mais tinham a declarar, debaixo do
+juramento, que elle Juiz lhes deferio, houve o mesmo esta diligencia
+por concluida e mandou fazer este auto de reconhecimento, que assignou
+com as testemunhas interrogadas; e foram testemunhas presentes a este
+acto F... e F... que igualmente assignaram. Eu F... o escrevi e
+assignei.<br />
+
+<br />
+
+<em>Juiz</em>,
+<div class="half"><em>Escriv&atilde;o</em>,<br />
+
+<em>Testemunhas</em>,</div>
+
+<br />
+
+<br />
+
+<br />
+
+<div class="break">
+<hr /></div>
+
+<br />
+
+<h3>FORMULA
+DA CARTA D'INQUIRI&Ccedil;&Atilde;O CRIME.</h3>
+
+<br />
+
+<table style="text-align: left; width: 100%;" border="0" cellpadding="2" cellspacing="2">
+
+ <tbody>
+
+ <tr>
+
+ <td style="vertical-align: top; width: 50%;"><em>Juizo
+de
+Direito</em>
+(ou&nbsp;ordinario) <em>da Comarca&nbsp;</em>
+(ou Julgado) <em>de</em>... </td>
+
+ <td style="width: 50%;">Carta de
+inquiri&ccedil;&atilde;o crime
+com a Dila&ccedil;&atilde;o&nbsp;de...
+dias,&nbsp;passada
+a requerimento do
+Auctor F..., da Cidade ou Villa de...<br />
+
+ <br />
+
+ <div style="text-align: center;"><em>Contra</em><br />
+
+ </div>
+
+ <br />
+
+O r&eacute;o F... do logar de...<br />
+
+ <br />
+
+ <div style="text-align: center;"><em>Dirigida</em><br />
+
+ </div>
+
+ <br />
+
+Ao Juizo Ordinario do Julgado&nbsp;de...<br />
+
+Para se cumprir na sua f&oacute;rma.</td>
+
+ </tr>
+
+ </tbody>
+</table>
+
+<br />
+
+<br />
+
+<span class="smallcaps">Dona Maria Segunda</span>,
+por Gra&ccedil;a de Deos, e pela
+Constitui&ccedil;&atilde;o da Monarquia, <span class="smallcaps">Rainha</span> de Portugal e
+Algarves d'aquem e d'alem mar, etc.<br />
+
+<br />
+
+A todas as Justi&ccedil;as em geral, e com especialidade
+&aacute;s do Julgado de...<br />
+
+<br />
+
+Fa&ccedil;o saber, que no Juizo de Direito na Comarca de..., foi
+instaurado um processo crime, em que &eacute; Auctor (ou
+<span class="pagenum">[34]</span>querelante) F...,
+da
+Cidade de..., e r&eacute;o F..., do logar de..., no qual processo
+apresentou o
+mesmo Auctor o seu libello accusatorio do te&ocirc;r seguinte (aqui
+se transcreve
+o libello, ou a contesta&ccedil;&atilde;o se a carta
+&eacute; a
+requerimento do r&eacute;o com os nomes, moradas e misteres das
+testemunhas. Quando a carta &eacute; para o
+summario, transcreve-se o acto de querela e corpo de delicto) segundo o
+que assim se continha no dito libello, logo tendo-se continuado os
+termos legaes do processo, se acha este instruido para ser julgado
+competentemente; pelo que como o Auctor requereo se-lhe passasse carta
+de
+inquiri&ccedil;&atilde;o dirigida ao Juiz ordinario do Julgado
+de... afim de serem inquiridas as testemunhas F... e F..., agora se lhe
+mandou dar e passar, e
+&eacute; a presente, pelo teor da qual mando &aacute;s
+Justi&ccedil;as, a
+quem apresentada f&ocirc;r, e especialmente a v&oacute;s Juiz
+ordinario do dito Julgado, de...,
+que sendo-vos apresentada, assignada pelo Dr. F... Juiz de Direito da
+Comarca de... (ou F... Juiz ordinario do Julgado de...,) a cumpraes e
+fa&ccedil;aes cumprir como nella se cont&eacute;m; e em seu
+cumprimento, logo que
+apresentada vos f&ocirc;r, e pondo-lhe o ==cumpra-se== ordenareis
+que sejam
+notificadas as duas testemunhas acima declaradas (todas as do rol) para
+que no dia e hora, que a&iacute; assignado lhes f&ocirc;r, e
+com a pena da
+lei, faltando, compare&ccedil;am na caza da audiencia desse
+Julgado, a fim de
+dep&ocirc;rem ao que lhes f&ocirc;r perguntado; e sendo as
+mesmas presentes na dita
+audiencia, aonde tambem deve ser presente o agente do Ministerio
+Publico
+(se o crime f&ocirc;r publico (<em>N. R. J. Art. 1119</em>),
+bem como os
+procuradores das partes, se a&iacute; os tiverem constituido (salvo
+sendo a
+inquiri&ccedil;&atilde;o no processo preparatorio, porque
+ent&atilde;o deve haver segredo, e
+para este caso v&atilde;o copiados na carta os autos da querela e
+corpos de
+delicto), deferireis a cada uma o juramento aos Santos Evangelhos de
+dizer a verdade, e lhes perguntareis pelos seus nomes, sobrenomes,
+alcunhas, estado, morada, misteres e idade, se s&atilde;o criados,
+domesticos, ou parentes de alguma das partes, se lhe tem amizade ou
+odio; e sendo-lhes <span class="pagenum">[35]</span>depois
+lidos os artigos a que h&atilde;o de
+dep&ocirc;r,
+ser&atilde;o suas respostas fielmente escriptas pelo
+Escriv&atilde;o respectivo, observadas em
+tudo e por tudo as solemnidades prescriptas nos artigos novecentos
+cincoenta e um e novecentos cincoenta e dois da Novissima Reforma
+Judiciaria, e seguintes, na parte que f&ocirc;r applicavel ao
+objecto da
+inquiri&ccedil;&atilde;o, a qual deve ser concluida dentro no
+termo de dez dias, em que esta Carta
+a&iacute; vos f&ocirc;r apresentada, a qual ser&aacute;
+logo junta
+&aacute; propria inquiri&ccedil;&atilde;o, ficando
+a&iacute; o traslado dos depoimentos; e remettida ao Juizo
+Deprecante, aonde deve ser apresentada dentro da
+dila&ccedil;&atilde;o de... dias, que
+l&aacute; lhe ficar&atilde;o assignados, a correr da data da
+Carta, etc. Cumpri-o assim, porque A Rainha Fidelissima, que Deos
+Guarde, assim o Mandou pelo Doutor F..., Juiz de Direito da Comarca
+de... (ou pelo F... Juiz Ordinario do Julgado de...) por quem esta vai
+assignada e sellada: sobscripta por F..., Escriv&atilde;o do Juizo
+Deprecante, por quem vai conferida com
+outro Official de Justi&ccedil;a. Dada e passada na Cidade de...
+aos... dias do
+mez de... do Anno do Nascimento... etc. F..., Escriv&atilde;o a
+sobscrevi (ou
+escrevi, concertei e rubriquei.)<br />
+
+<br />
+
+<div class="half">
+<div style="text-align: center;">(Assignatura do Juiz.)<br />
+
+</div>
+
+<br />
+
+<div style="text-align: left;">Concertada por mim
+Escriv&atilde;o,<br />
+
+</div>
+
+<br />
+
+<div style="text-align: center;">(<em>F</em>...)<br />
+
+</div>
+
+<br />
+
+E comigo Official de Justi&ccedil;a,<br />
+
+<br />
+
+<div style="text-align: center;">(<em>F</em>...)</div>
+
+</div>
+
+<br />
+
+<br />
+
+<br />
+
+<div class="break">
+<hr /></div>
+
+<span class="pagenum">[36]</span>
+<h1>CAPITULO V.</h1>
+
+<h2><em>Da Pronuncia</em>.</h2>
+
+<br />
+
+<br />
+
+&sect;. 54.&ordm; Pronuncia &eacute; o despacho do Juiz,
+que
+decl&aacute;ra, se o quereloso est&aacute; ou n&atilde;o
+indiciado de ter commettido, ou
+concorrido para o crime, que faz objecto da querela, e no caso
+affirmativo o manda p&ocirc;r no
+numero dos culpados.<br />
+
+<br />
+
+&sect;. 55.&ordm; O despacho da pronuncia obrigatoria deve
+conter: 1.&ordm;
+a declara&ccedil;&atilde;o da lei, que prohibe o facto, e o
+qualifica crime; 2.&ordm; a declara&ccedil;&atilde;o se a
+pris&atilde;o p&oacute;de
+ou n&atilde;o ser substituida por fian&ccedil;a. <em>N.
+R. J. Art. 989 e argum. do Art. 1005, 921 e 1017</em>.<br />
+
+<br />
+
+&sect;. 56.&ordm; A pronuncia p&oacute;de fazer-se de dois
+modos: o
+primeiro, obrigando o R&eacute;o a pris&atilde;o e livramento;
+o segundo,
+obrigando-o s&oacute; a livramento sem pris&atilde;o. <em>N.
+R. J Art. 920</em>.<br />
+
+<br />
+
+&sect;. 57.&ordm; O Despacho da pronuncia ser&aacute;
+lan&ccedil;ado no summario da querela, logo que nelle
+appare&ccedil;a sufficientemente indiciado algum dos
+querelados, continuando-se o summario, at&eacute; se prehencher o
+numero legal
+das testemunhas, e lan&ccedil;ando-se novas pronuncias,
+&aacute;
+propor&ccedil;&atilde;o que se f&ocirc;rem descobrindo
+outros culpados. <em>N. R. J. Art. 987</em>.<br />
+
+<br />
+
+&sect;. 58.&ordm; Quando algum dos querelados estiver preso, a
+pronuncia ser&aacute; feita no espa&ccedil;o de oito dias
+contados d'aquelle, em que se
+fez a pris&atilde;o: passado este praso sem pronuncia, o preso
+ser&aacute; logo posto em
+liberdade; e se pela continua&ccedil;&atilde;o do summario
+apparecer
+culpado, ser&aacute; novamente preso. <em>N. R. J. Art. 988</em>.<br />
+
+<br />
+
+&sect;. 59.&ordm; O despacho de pronuncia ser&aacute;
+intimado aos
+R&eacute;os; quando esta obrigar s&oacute; a livramento,
+ter&aacute; logar a
+intima&ccedil;&atilde;o, findo o summario; obrigando
+por&eacute;m &aacute; pris&atilde;o,
+s&oacute; lhes ser&aacute; intimado, depois de preso, ou
+afian&ccedil;ado, quando o crime f&ocirc;r de natureza, que
+admitia fian&ccedil;a. <em>N. R. J. Art. 994</em>.<br />
+
+<br />
+
+&sect;. 60.&ordm; Do despacho da pronuncia compete ao
+R&eacute;o
+<span class="pagenum">[37]</span>aggravo de
+peti&ccedil;&atilde;o ou instrumento, denominado
+d'injusta pronuncia, para a
+Rela&ccedil;&atilde;o do Districto; por&eacute;m quando o
+R&eacute;o entende, que o
+facto imputado n&atilde;o &eacute; prohibido nem qualificado
+crime por lei, e esta materia vem a ser o fundamento do aggravo, deve
+elle ser interposto no espa&ccedil;o de
+tres dias depois da intima&ccedil;&atilde;o, e a
+Rela&ccedil;&atilde;o s&oacute; poder&aacute; julgar da
+criminalidade no facto, e se elle &eacute; ou n&atilde;o,
+prohibido por lei. <em>N.
+R. J. Art. 995</em>.<br />
+
+<br />
+
+&sect;. 61.&ordm; Se por&eacute;m o R&eacute;o aggravar
+com o
+fundamento de que n&atilde;o existe prova para ser indiciado, deve
+o recurso ser interposto dentro em cinco dias da data da
+intima&ccedil;&atilde;o; e o seu effeito
+&eacute; suspensivo, ainda que o aggravo seja d'instrumento. A
+Rela&ccedil;&atilde;o neste caso
+conhece da existencia do facto e da sua criminalidade. <em>N. R.
+J. Art. 996,
+&sect;&sect;. 1.&ordm; e 2.&ordm;</em><br />
+
+<br />
+
+Para que o R&eacute;o possa interp&ocirc;r este recurso,
+&eacute; necessario que esteja preso ou afian&ccedil;ado,
+quando a pronuncia obriga a
+pris&atilde;o e livramento. <em>N. R. J. Art. 994 e 1001
+&sect;. unic.</em><br />
+
+<br />
+
+&sect;. 62.&ordm; Quando o Juiz julga n&atilde;o provada a
+querela
+contra todos, ou algum dos querelados, assim o pronunciar&aacute;
+por seu despacho:
+este &eacute; intimado ao Ministerio Publico, e &aacute;s
+partes querelosas, que
+poder&atilde;o requerer, que o processo seja apresentado ao Jury de
+pronuncia, e reperguntadas as testemunhas do Summario, a fim de ficarem
+pronunciadas pelo Jury as que o n&atilde;o foram pelo Juiz. Este
+recurso
+n&atilde;o suspende a soltura dos presos. <em>N. R. J. Art.
+990</em>.<br />
+
+<br />
+
+&sect;. 63.&ordm; Quando o Juiz n&atilde;o pronuncia os
+querelados
+com o fundamento de que o facto imputado n&atilde;o &eacute;
+prohibido, nem
+qualificado crime pela lei; assim o declara em seu despacho, mandando
+soltar o querelado, se estiver preso: este despacho &eacute;
+intimado ao querelante, e ao
+Ministerio Publico, que p&oacute;dem appellar para a
+Rela&ccedil;&atilde;o
+dentro de tres dias contados da intima&ccedil;&atilde;o; e o
+recurso n&atilde;o impede a
+soltura dos R&eacute;os. <em>N. R. J. Art. 991</em>.<br />
+
+<br />
+
+&sect;. 64.&ordm; Se por&eacute;m o Juiz declara no seu
+despacho,
+que nem o facto &eacute; criminoso, nem contra os querelados ha
+sufficientes <span class="pagenum">[38]</span>indicios,
+a parte ou o Ministerio Publico p&oacute;de
+appellar para a
+Rela&ccedil;&atilde;o dentro em tres dias contados da
+intima&ccedil;&atilde;o, e julgado por esta o facto
+criminoso, &eacute; o processo levado ao Jury de pronuncia. <em>N.
+R. J. Art. 992</em>.
+Nas appella&ccedil;&otilde;es referidas neste &sect;. e
+antecedente, os autos subir&atilde;o &aacute; 2.&ordf;
+instancia fechados e lacrados com todo o segredo de Justi&ccedil;a
+<em>N. R. J. Art. 993</em>; e nellas n&atilde;o
+poder&aacute; a
+Rela&ccedil;&atilde;o julgar, sen&atilde;o da criminalidade
+do facto, e se elle &eacute;, ou n&atilde;o, prohibido por lei,
+<em>N. R. J. Art. 995</em>.<br />
+
+<br />
+
+&sect;. 65.&ordm; Em quanto por&eacute;m estiver suspensa a
+ratificac&atilde;o da pronuncia, ou nos casos, em que esta
+n&atilde;o tem logar, compete na hypothese
+do &sect;. antecedente o aggravo de peti&ccedil;&atilde;o
+ou instrumento,
+que deve interp&ocirc;r-se em cinco dias; e o mesmo recurso cabe,
+quando o Juiz, sendo o crime Publico n&atilde;o pronunciou algum
+individuo, contra quem haja prova,
+posto que delle se n&atilde;o tenha expressamente querelado: e a
+Rela&ccedil;&atilde;o nestes aggravos conhece da existencia do
+facto, e da sua criminalidade. <em>N.
+R. J. Art. 996 e &sect;. 2.&ordm;</em><br />
+
+<br />
+
+&sect;. 66.&ordm; S&atilde;o effeitos do despacho da
+pronuncia:<br />
+
+<br />
+
+1.&ordm; Proceder-se &aacute; pris&atilde;o dos indiciados,
+passando-se para isso os competentes mandados, salvo os casos
+exceptuados pela lei. <em>N.
+R. J. Art. 1002 e 1004</em>.<br />
+
+<br />
+
+2.&ordm; Ficarem os bens dos indiciados sugeitos &aacute;
+satisfa&ccedil;&atilde;o das restitui&ccedil;&otilde;es
+e repara&ccedil;&otilde;es,
+em que f&ocirc;rem condemnados, sendo nulla qualquer
+aliena&ccedil;&atilde;o, salvo se os possuidores
+mostrarem outros bens livres e desembargados em poder dos mesmos
+R&eacute;os. <em>N. R.
+J. Art.
+999</em>.<br />
+
+<br />
+
+3.&ordm; A suspens&atilde;o, quando os indiciados
+s&atilde;o
+Juizes, agentes do Ministerio Publico, ou Escriv&atilde;es e outros
+officiaes de
+Justi&ccedil;a. <em>N. R. J. Art. 765 e 778</em>, <em>Peculio
+do Procurador Regio</em>--verbis--<em>Escriv&atilde;o
+e
+suspens&atilde;o</em>.<br />
+
+<br />
+
+&sect;. 67.&ordm; Nas querelas dos crimes publicos, se o
+Ministerio
+Publico deixar de appellar, ou aggravar do despacho da pronuncia nos
+termos, que por lei &eacute; permittido, mas a parte querelosa o
+tiver feito;
+se esta obtiver provimento, a accusa&ccedil;&atilde;o do crime
+ficar&aacute; igualmente pertencendo assim &aacute; <span class="pagenum">[39]</span>parte
+querelosa, como o Ministerio Publico. O mesmo
+se observa, quando f&ocirc;r appellante ou aggravante o Ministerio
+Publico, e
+n&atilde;o a parte querelosa. <em>N. R. J. Art. 997</em>.<br />
+
+<br />
+
+<br />
+
+<div class="break">
+<hr /></div>
+
+<br />
+
+<h3>FORMULA DO DESPACHO DA PRONUNCIA OBRIGATORIA A
+PRIS&Atilde;O E
+LIVRAMENTO POR&nbsp;CRIME, EM QUE N&Atilde;O CABE
+FIAN&Ccedil;A.</h3>
+
+<br />
+
+<br />
+
+As testemunhas perguntadas obrigam a pris&atilde;o e livramento,
+sem substitui&ccedil;&atilde;o de fian&ccedil;a, a F...
+(aqui
+se declara nome e naturalidade do indiciado) pelo <span class="pagenum">[40]</span>crime de... (aqui se
+declara a natureza do crime) prohibido pela Ord. L... Tit...
+&sect;... (aqui se menciona a lei,
+que prohibe o facto imputado, e o qualifica crime). O
+Escriv&atilde;o
+lance seu nome no livro dos culpados, fa&ccedil;a o seu dever, e
+sigam-se os
+termos legaes do processo. Logar e data.<br />
+
+<br />
+
+<div class="half"><em>F</em>... (assignatura
+do Juiz em rubrica).</div>
+
+<br />
+
+<br />
+
+<br />
+
+<em>Obs</em>.--Quando o indiciado j&aacute; se acha
+preso, ou pelo ter
+sido em flagrante, ou porque o crime seja daquelles, em que pela lei
+&eacute; permittida a pris&atilde;o sem culpa formada, se
+dir&aacute;:--O Escriv&atilde;o lance o seu nome no livro dos
+culpados, e sendo o R&eacute;o conservado em
+custodia, sigam-se os termos legaes do processo.--E quando ainda faltam
+para inquirir algumas das testemunhas do summario, no fim do despacho
+se dir&aacute;--continue a inquiri&ccedil;&atilde;o das
+testemunhas at&eacute; se prehencher o numero legal.<br />
+
+<br />
+
+<br />
+
+<div class="break">
+<hr /></div>
+
+<br />
+
+<h3>FORMULA DE DESPACHO DE PRONUNCIA A PRIS&Atilde;O COM
+SUBSTITUI&Ccedil;&Atilde;O DE FIAN&Ccedil;A.</h3>
+
+<br />
+
+As testemunhas perguntadas obrigam a pris&atilde;o e livramento a
+F... (aqui se diz o nome e naturalidade do indiciado) pelo crime de...
+(aqui se declara a natureza do crime), prohibido pela Ord. L... Tit...
+&sect;... (aqui se declara a lei que prohibe o facto imputado, e o
+qualifica crime). P&oacute;de por&eacute;m a pris&atilde;o
+ser substituida
+por fian&ccedil;a. O Escriv&atilde;o passe o nome do
+R&eacute;o ao livro dos culpados, e fa&ccedil;a o seu dever,
+seguindo-se os termos legaes. Logar e data.<br />
+
+<br />
+
+<div class="half"><em>F</em>...
+(assignatura
+do Juiz em rubrica).</div>
+
+<br />
+
+<br />
+
+<em>Obs</em>.--Quando o summario prosegue, e as testemunhas
+novamente perguntadas f&oacute;rmam culpa a mais alguma pessoa,
+v&atilde;o-se lan&ccedil;ando novos despachos de pronuncia na
+f&oacute;rma do <em>Art. 987 da N.
+R. J</em>. Se
+por&eacute;m fizerem s&oacute; culpa aos j&aacute;
+indiciados, accrescem-lhe
+em culpa, proferindo-se o despacho pela f&oacute;rma seguinte:<br />
+
+<br />
+
+As testemunhas perguntadas depois do despacho folh... accrescem em
+culpa ao R&eacute;o ahi indiciado; e sigam-se os termos legaes.
+Logar e
+data.<br />
+
+<br />
+
+<div class="half"><em>F</em>...
+(Juiz).</div>
+
+<br />
+
+<br />
+
+<br />
+
+<div class="break">
+<hr /></div>
+
+<br />
+
+<br />
+
+<h3>FORMULA DE CERTID&Atilde;O
+D'INTIMA&Ccedil;&Atilde;O DO
+DESPACHO DE PRONUNCIA.</h3>
+
+<h4><em>Certid&atilde;o</em>.</h4>
+
+<br />
+
+Certifico que fui hoje &aacute;s Cadeias deste Julgado, e ahi
+intimei ao preso F... o despacho da sua pronuncia a folhas..., e lhe
+declarei que tinha cinco dias para elle recorrer, querendo; de que
+passei a presente Certid&atilde;o; e foram testemunhas presenciaes
+F... e F... que
+assignaram comigo e com o preso intimado. Logar e data.<br />
+
+<br />
+
+<div class="half"><em>Escriv&atilde;o</em>,<br />
+
+<em>Preso</em>,<br />
+
+<em>1.&ordf; Testemunha</em>,<br />
+
+<em>2.&ordf; Dita</em>,</div>
+
+<br />
+
+<div class="break">
+<hr /></div>
+
+<span class="pagenum">[41]</span>
+<h1>CAPITULO VI.</h1>
+
+<h2><em>Da Pris&atilde;o</em>.</h2>
+
+<br />
+
+&sect;. 68.&ordm; Feita a pronuncia, e lan&ccedil;ados os
+nomes dos
+R&eacute;os no livro dos culpados, contra elles se passam mandados
+de custodia, para debaixo della serem condusidos &aacute; Cadeia do
+Julgado. <em>N. R.
+J. Art.
+1002</em>.<br />
+
+<br />
+
+&sect;. 69.&ordm; Os mandados de custodia ser&atilde;o:
+1.&ordm;
+passados em duplicado; 2.&ordm; datados e assignados pelo Juiz;
+3.&ordm; devem conter a
+exposi&ccedil;&atilde;o do crime, porque s&atilde;o
+passados; 4.&ordm; a
+designa&ccedil;&atilde;o
+da pessoa, que hade ser presa, pelo seu nome, sobrenome, alcunha, e o
+maior numero de circumstancias, que f&ocirc;r possivel;
+5.&ordm; devem conter a
+declara&ccedil;&atilde;o, se a pris&atilde;o
+p&oacute;de, ou n&atilde;o ser substituida pela
+fian&ccedil;a; e o
+Escriv&atilde;o, que de outro modo os passar, pagar&aacute; uma
+multa de dez a cem mil reis, e
+poder&aacute; ser suspenso de um at&eacute; seis mezes;
+6.&ordm; poder&aacute; conter a
+expressa
+determina&ccedil;&atilde;o da entrada na caza do indiciado: mas
+s&oacute;mente nos crimes que
+n&atilde;o admittem fian&ccedil;a. <em>N. R. J. Art. 1005</em>.<br />
+
+<br />
+
+&sect;. 70.&ordm; No acto da pris&atilde;o ser&aacute;
+sempre
+entregue ao preso um dos mandados; e o official, que a fizer sem
+preceder &aacute; entrega
+de um dos mandados, ser&aacute; suspenso do officio por tres mezes
+at&eacute; um anno, e pagar&aacute; uma multa de dez
+at&eacute; cincoenta mil r&eacute;is. <em>N.
+R.
+J. Art. 1006</em>.<br />
+
+<br />
+
+&sect;. 71.&ordm; Os mandados de custodia ou pris&atilde;o
+s&atilde;o exequiveis em todas as partes do Reino; por&eacute;m
+se o indiciado f&ocirc;r achado
+f&oacute;ra do Julgado do Juiz, que passou o mandado,
+n&atilde;o ser&aacute; este
+executado sem o ==cumpra-se== do Juiz do Julgado, em que se hade
+effeituar a pris&atilde;o.<br />
+
+<br />
+
+Nenhum Juiz se poder&aacute; eximir de cumprir qualquer mandado de
+pris&atilde;o, ou custodia, que lhe f&ocirc;r appresentado;
+salvo se nelle faltar
+alguma das solemnidades externas estabelecida na lei.<br />
+
+<br />
+
+Todo o Official, que proceder &aacute; pris&atilde;o de
+qualquer pessoa por mandado do Juiz de outro Julgado sem
+o ==cumpra-se== <span class="pagenum">[42]</span>do
+Juiz do Julgado, em que se hade fazer a
+pris&atilde;o pagar&aacute; uma multa de cinco
+at&eacute; cincoenta mil r&eacute;is, e ficar&aacute;
+al&eacute;m disso responsavel por perdas e
+damnos, no caso de n&atilde;o ser legal o mandado. <em>N. R.
+J. Art. 1007 e 1008</em>.<br />
+
+<br />
+
+&sect;. 72.&ordm; Para cumprimento dos mandados de custodia e
+pris&atilde;o dos indiciados, nunca se entrar&aacute; em caza
+destes antes do
+nascimento do Sol, nem depois do seu occaso; e de dia, para ser
+permittida a entrada em caza dos indiciados, &eacute;
+necess&aacute;rio: 1.&ordm;
+que o
+mandado de custodia contenha a expressa
+determina&ccedil;&atilde;o da entrada;
+2.&ordm;
+que o Official da diligencia v&aacute; acompanhado de duas
+testemunhas, e mostre um
+dos mandados aos moradores da caza.<br />
+
+<br />
+
+O Official, que entrar na caza do indiciado para o prender, sem que o
+mandado de custodia contenha essa determina&ccedil;&atilde;o,
+ser&aacute; suspenso de um at&eacute; tres annos, e
+pagar&aacute; uma multa de cem at&eacute;
+quinhentos mil r&eacute;is; e o dobro em caso de reincidencia: e se
+na entrada deixar de mostrar um dos mandados aos moradores da caza,
+acompanhado de duas testemunhas,
+pagar&aacute; uma multa de cinco at&eacute; vinte mil
+r&eacute;is, e
+ser&aacute; suspenso por um at&eacute; tres mezes, e o dobro em
+caso de reincidencia. <em>N. R. J. Art. 1009
+e 1010</em>.<br />
+
+<br />
+
+&sect;. 73.&ordm; A entrada em caza do indiciado, ainda mesmo
+de dia,
+para prender, s&oacute; poder&aacute; ser determinada nos
+crimes que
+n&atilde;o admittem fian&ccedil;a; e o Juiz, que nos outros
+crimes determinar a entrada ser&aacute;
+suspenso por um at&eacute; tres annos, e pagar&aacute; uma
+multa de cem
+at&eacute; tresentos mil r&eacute;is. <em>N. R. J. Art.
+1011, vid. Art. 1021</em>.<br />
+
+<br />
+
+&sect;. 74.&ordm; A entrada em caza de qualquer
+cidad&atilde;o para
+a pris&atilde;o dos indiciados, que se presumem nella acolhidos,
+s&oacute;
+poder&aacute; ser determinada de dia nos crimes, que n&atilde;o
+admittem fian&ccedil;a.
+Por&eacute;m antes de ser determinada a entrada, &eacute;
+necessario: 1.&ordm; a
+forma&ccedil;&atilde;o de um auto especial, em que se declarem
+todos os motivos e raz&otilde;es de
+suspeita, que constarem em Juizo; 2.&ordm; que se passe a ordem de
+entrada em
+separado do mandado de custodia, e que aquella fa&ccedil;a
+men&ccedil;&atilde;o do auto especial; 3.&ordm; que a ordem
+seja em duplicado, e <span class="pagenum">[43]</span>uma
+dellas seja entregue ao dono da caza;
+4.&ordm; que a entrada seja sempre feita na
+presen&ccedil;a de
+duas testemunhas.<br />
+
+<br />
+
+O Juiz, que proceder de outra f&oacute;rma, ser&aacute; punido
+com a pena mencionada no &sect;. antecedente; e o Official, que
+entrar na caza sem as
+solemnidades referidas, ser&aacute; punido com as penas referidas
+no &sect;.
+72. <em>N. R. J. Art. 1012</em>.<br />
+
+<br />
+
+&sect;. 75.&ordm; O Official, que entrando na caza de terceira
+pessoa,
+ou do proprio indiciado, o n&atilde;o encontrar, far&aacute;
+disto um
+auto, que ser&aacute; assignado por elle, e pelas testemunhas, que
+o acompanharam, e se juntar&aacute; ao processo. <em>N. R.
+J. Art. 1013</em>.<br />
+
+<br />
+
+&sect;. 76.&ordm; Effeituada a pris&atilde;o do indiciado,
+ser&aacute; este condusido logo &aacute; Cadeia do Juizo, por
+onde se passou o mandado, no verso do qual o carcereiro
+lan&ccedil;ar&aacute; o recibo da entrega, em que se
+declare o nome, sobrenome, profiss&atilde;o, estado, naturalidade,
+filia&ccedil;&atilde;o, e idade do preso, para o que o
+carcereiro lhe far&aacute; as perguntas necessarias.
+Este mandado com o recibo se juntar&aacute; aos autos. <em>N.
+R. J. Art.
+1014</em>.<br />
+
+<br />
+
+&sect;. 77.&ordm; Para o cumprimento e
+execu&ccedil;&atilde;o
+de qualquer mandado de custodia, ou pris&atilde;o,
+poder&aacute; o Official da deligencia
+fazer-se acompanhar, sendo necessario, da for&ccedil;a militar
+sufficiente para que o
+indiciado se n&atilde;o possa evadir. As auctoridades militares
+s&atilde;o obrigadas a
+prestar auxilio da for&ccedil;a armada, sendo-lhe apresentado
+mandado da
+auctoridade legitima com requisi&ccedil;&atilde;o directa do
+auxilio.<br />
+
+<br />
+
+O Official da diligencia deve condusir-se com
+modera&ccedil;&atilde;o, e &eacute;-lhe prohibido fazer
+algum insulto, ou violencia aos presos; e s&oacute;
+no caso de resistencia lhe ser&aacute; licito usar da
+for&ccedil;a
+necessaria para repellir a aggress&atilde;o e effectuar a
+diligencia. <em>N. R. J. Art.
+1015 e
+1016</em>.<br />
+
+<br />
+
+&sect;. 78.&ordm; Se o mandado de costodia contiver a
+declara&ccedil;&atilde;o, que p&oacute;de haver
+fian&ccedil;a, e o indiciado se offerecer logo a presta-la,
+n&atilde;o ser&aacute; condusido &aacute; Cadeia, mas
+levado directamente &aacute;
+presen&ccedil;a do Juiz, aonde ser&aacute; logo posto em
+liberdade, prestada que seja a fian&ccedil;a, ou
+depositada a quantia della. Nesta diligencia se proceder&aacute;
+cont&iacute;nua e
+successivamente, <span class="pagenum">[44]</span>salvo
+os intervallos necessarios para satisfazer as
+necessidades de comida e repouso. <em>N. R J. Art. 1017</em>.<br />
+
+<br />
+
+&sect;. 79.&ordm; Se a pris&atilde;o f&ocirc;r feita em
+Julgado
+diverso do Juizo da culpa, a diligencia mencionada no &sect;.
+antecedente ser&aacute; feita
+perante o Juiz, que cumprio o mandado de custodia, ou
+pris&atilde;o; o qual
+remetter&aacute; ao Juiz da culpa a c&oacute;pia do termo de
+fian&ccedil;a ou deposito, e a
+certid&atilde;o da intima&ccedil;&atilde;o, que
+ser&aacute; feita ao afian&ccedil;ado, para que dentro de
+um praso, assignado a ras&atilde;o de quatro legoas por dia,
+compare&ccedil;a no
+Juizo da culpa.<br />
+
+<br />
+
+Se o afian&ccedil;ado n&atilde;o comparecer no Juizo da culpa
+dentro do praso, que foi assignado, ser-lhe-ha quebrada a
+fian&ccedil;a, e n&atilde;o
+lhe ser&aacute; admittida outra. <em>N. R. J. Art. 1018 e
+&sect;. unic.</em><br />
+
+<br />
+
+&sect;. 80.&ordm; Ninguem p&oacute;de ser preso sem ordem
+escripta
+da auctoridade legitima, nem antes da culpa formada, excepto:
+1.&ordm; em flagrante delicto; 2.&ordm; nos crimes de alta
+trai&ccedil;&atilde;o,
+furto
+violento, ou domestico,<br />
+
+homicidio, e levantamento de fazenda alheia. <em>N. R. J. Art.
+1023</em>.<br />
+
+<br />
+
+&sect;. 81.&ordm; Flagrante delicto &eacute; aquelle, que
+se
+est&aacute; commettendo, ou se acabou de commetter sem intervallo
+algum. Reputa-se tambem flagrante delicto o caso, em que o delinquente,
+acabando de perpetrar o delicto, foge do logar delle, e &eacute;
+logo cont&iacute;nua e
+successivamente seguido pela Justi&ccedil;a, ou qualquer do povo. <em>N.
+R. J. Art. 961</em>.<br />
+
+<br />
+
+&sect;. 82.&ordm; Em flagrante delicto todo o Official de
+Justi&ccedil;a, toda a auctoridade p&uacute;blica e ainda
+qualquer pessoa do povo
+p&oacute;de prender os delinquentes, conduzindo-os immediatamente
+&aacute;
+presen&ccedil;a do respectivo Juiz Eleito, ou do Julgado. <em>N.
+R. J. Art. 1019</em>.<br />
+
+<br />
+
+&sect;. 83.&ordm; Se os presos em flagrante delicto por crime
+em que
+cabe fian&ccedil;a, levados &aacute; presen&ccedil;a do
+Juiz offerecerem logo
+fian&ccedil;a idonea, ou deposito especial da quantia, que se
+arbitrar, ser&atilde;o logo postos em
+liberdade, procedendo-se pela maneira, que se disse no &sect;. 78. <em>N.
+R. J.
+Art. 1022</em>.<br />
+
+<br />
+
+&sect;. 84.&ordm; Para pris&atilde;o dos R&eacute;os em
+flagrante por crime, <span class="pagenum">[45]</span>em
+que n&atilde;o cabe fian&ccedil;a, os
+Officiaes de Justi&ccedil;a, ou qualquer
+pessoa do povo p&oacute;dem entrar de dia tanto na caza, em que o
+delicto se est&aacute; commettendo,
+como naquella, em que o R&eacute;o se acolheo, independentemente de
+inquirito, ou solemnidade alguma; de noite s&oacute;
+ter&aacute; logar a
+entrada, havendo reclama&ccedil;&atilde;o de dentro. <em>N.
+R. J. Art. 1021</em>.<br />
+
+<br />
+
+&sect;. 85.&ordm; Nos crimes em que p&oacute;de ter logar a
+pris&atilde;o antes de culpa formada (&sect;. 80.&ordm;),
+&eacute; permittido
+&aacute;
+auctoridade administrativa prender ou mandar prender os culpados; e o
+carcereiro &eacute; obrigado a
+receber os presos, que lhe f&ocirc;rem enviados por ordem da
+auctoridade
+administrativa: por&eacute;m tanto esta, como o carcereiro,
+s&atilde;o
+obrigados a participar logo a pris&atilde;o &aacute; competente
+auctoridade judicial. <em>N.
+R.
+J. Art. 1023</em>.<br />
+
+<br />
+
+&sect;. 86.&ordm; A auctoridade administrativa, que tiver
+ordenado a
+pris&atilde;o nos crimes em que sen&atilde;o exige a
+pr&eacute;via
+forma&ccedil;&atilde;o de culpa, formar&aacute; auto de
+investiga&ccedil;&atilde;o dos factos, em que se mencionem as
+testemunhas que os p&oacute;dem confirmar, e todas as
+circumstancias, que sirvam para esclarecimento e prova: e este auto
+ser&aacute; remettido com
+informa&ccedil;&atilde;o sua ao Ministerio Publico.<br />
+
+<br />
+
+&Aacute; auctoridade judicial compete progredir nos mais termos do
+processo ordenados pela lei, procedendo a respeito dos presos
+&aacute; ordem
+da auctoridade administrativa, como se f&ocirc;ssem por ordem
+judicial.<br />
+
+<br />
+
+&sect;. 87.&ordm; No caso de pris&atilde;o em flagrante, ou
+por
+crimes, em que esta &eacute; permittida antes de culpa formada, o
+Juiz em uma nota por elle assignada far&aacute; constar aos presos
+os motivos da pris&atilde;o, e o
+nome das testemunhas e accusadores, havendo-os. A entrega da nota
+ser&aacute; feita ao
+preso na presen&ccedil;a de duas testemunhas no espa&ccedil;o
+de vinte e
+quatro horas depois da pris&atilde;o, se esta tiver logar nas
+Cidades, Villas, ou
+povoa&ccedil;&otilde;es proximas da residencia do Juiz; e no
+caso de ser a pris&atilde;o feita em
+logares distantes, a nota da culpa ser&aacute; entregue dentro em
+vinte e
+quatro horas contadas da entrada na pris&atilde;o. <em>N. R.
+J. Art. 1024</em>.<br />
+
+<br />
+
+<span class="pagenum">[46]</span>Alem da entrega da
+nota da culpa, &eacute; necessario que o preso
+seja pronunciado dentro de oito dias contados d'aquelle, em que se fez
+a pris&atilde;o; passado este praso sem pronuncia, ser&aacute;
+o
+preso posto em liberdade. <em>N. R. J. Art. 988</em>.<br />
+
+<br />
+
+<br />
+
+<div class="break">
+<hr /></div>
+
+<br />
+
+<h3>FORMULA DOS MANDADOS DE CUSTODIA.</h3>
+
+<br />
+
+O Doutor F... Juiz de Direito desta Comarca de... (ou F... Juiz
+Ordinario do Julgado de...) por <span class="smallcaps">S.
+M. F. A Rainha</span>, que Deos Guarde.<br />
+
+<br />
+
+Mando a qualquer Official deste Juizo, que prenda e conduza
+&aacute; Cadeia desta Cidade (ou Villa) a F... morador em... por se
+achar pronunciado neste Juizo como auctor do crime de... tendo a
+declarar-se-lhe que a pris&atilde;o p&oacute;de (ou
+n&atilde;o p&oacute;de)
+ser substituida por fian&ccedil;a; o que assim se
+cumprir&aacute;. Logar e data. E eu F... Escriv&atilde;o, que o
+escrevi.<br />
+
+<br />
+
+<div class="half"><em>F</em>... (assignatura
+do Juiz).</div>
+
+<br />
+
+<br />
+
+<br />
+
+Nos crimes que n&atilde;o admittem fian&ccedil;a, querendo-se
+entrar de d&iacute;a em caza do pronunciado, se dir&aacute; no
+mandado:--E poder&aacute; o
+Official entrar em caza do indiciado para o prender.<br />
+
+<br />
+
+<br />
+
+<div class="break">
+<hr /></div>
+
+<br />
+
+<br />
+
+<h3>FORMULA DO AUTO ESPECIAL COM A
+DECLARA&Ccedil;&Atilde;O DOS
+MOTIVOS, PORQUE SE PRESUME&nbsp;A EXISTENCIA DO INDICIADO EM CAZA
+DE TERCEIRA PESSOA AFIM DE SE PASSAR&nbsp;ORDEM PARA A ENTRADA NA
+CAZA E PRIS&Atilde;O DO INDICIADO CONFORME
+O ART. 1012&nbsp;DA N. R. J.</h3>
+
+<h4><em>Auto de declara&ccedil;&atilde;o</em>.</h4>
+
+<br />
+
+Anno do Nascimento etc. aos... de... do dito anno nesta Cidade (ou
+Villa de...) e morada do Juiz de Direito desta <span class="pagenum">[47]</span>Comarca
+(ou Juiz
+Ordinario deste Julgado) F..., aonde eu Escriv&atilde;o vim, ahi
+por elle
+Juiz foi dito lhe constava, que em caza de F... morador um F... se
+achava F... indiciado do crime de... havendo para isso algumas
+ras&otilde;es e
+motivos de suspeita, a saber: (aqui se declaram os motivos de
+suspeita). De tudo mandou elle Juiz fazer este auto de
+declara&ccedil;&atilde;o,
+que assignou comigo. F... Escriv&atilde;o, que o escrevi e assignei.<br />
+
+<br />
+
+<em>Juiz</em>,<br />
+
+<div class="half"><em>Escriv&atilde;o</em>,</div>
+
+<br />
+
+<br />
+
+<br />
+
+<div class="break">
+<hr /></div>
+
+<br />
+
+<h3>FORMULA DO MANDADO OU
+ORDEM PARA A ENTRADA EM CAZA DE UM TERCEIRO, EM&nbsp;QUE SE PRESUME
+SE ACHA ACOLHIDO O INDICIADO DE CRIME, EM QUE
+N&Atilde;O &Eacute;&nbsp;ADMITTIDA A FIAN&Ccedil;A A
+QUE SE REFERE O ART. 1012 DA N. R. J.</h3>
+
+<br />
+
+<br />
+
+O Doutor F... Juiz de Direito desta Comarca de... (ou o
+Cidad&atilde;o F... Juiz Ordinario deste Julgado de...) por
+<span class="smallcaps">S. M. F. A Rainha</span>,
+que Deos Guarde,
+etc.
+<br />
+
+<br />
+
+Mando a qualquer Official de diligencias deste Juizo, que entre em caza
+de F... morador em... e ahi procure o indiciado F... para o prender,
+visto que ha motivos e ras&otilde;es de suspeita de que este se
+acha acolhido na dita caza, como consta do competente auto de
+declara&ccedil;&atilde;o e informa&ccedil;&atilde;o
+summaria, a que se procedeo: o que assim se cumprir&aacute;,
+observando-se as solemnidades legaes. Logar e data. E eu F...
+Escriv&atilde;o, que o
+escrevi.<br />
+
+<br />
+
+<div class="half"><em>Juiz</em>,</div>
+
+<br />
+
+<br />
+
+<em>Obs</em>.--Esta ordem &eacute; passada em
+duplicado, e uma dellas
+ser&aacute; entregue ao dono da caza. A entrada ser&aacute;
+sempre feita na
+presen&ccedil;a de duas testemunhas.<br />
+
+<br />
+
+<br />
+
+<div class="break">
+<hr /></div>
+
+<br />
+
+<span class="pagenum">[48]</span>
+<h3>FORMULA DO AUTO DE
+DECLARA&Ccedil;&Atilde;O, QUE O
+OFFICIAL DE
+DELIGENCIAS DEVE&nbsp;FORMAR, QUANDO N&Atilde;O ENCONTRAR O
+INDICIADO EM SUA PROPRIA
+CAZA, OU DE&nbsp;TERCEIRA PESSOA CONFORME O ART. 1013 DA N. R. J.</h3>
+
+<br />
+
+Anno do Nascimento etc. aos... de... do dito anno nesta Cidade (Villa
+ou Logar) de... e caza de F... indiciado do crime de... aonde eu F...
+Official de deligencias desta Comarca (ou deste Julgado), entrei para
+prender o dito indiciado em cumprimento do mandado de custodia passado
+pelo Doutor F... Juiz de Direito desta Comarca (ou Juiz Ordinario deste
+Julgado)--[e quando a diligencia f&ocirc;r em caza de terceira
+pessoa, se dir&aacute;--e caza de F... morador em... aonde eu F...
+Official de
+diligencias desta Comarca,--ou deste Julgado,--entrei para prender a
+F... indiciado do crime de... em cumprimento da Ordem especial do
+Doutor F... Juiz de Direito desta Comarca,--ou Juiz Ordinario deste
+Julgado,--de que entreguei o duplicado ao mencionado dono da caza]:
+depois de fazer toda a diligencia para effeituar a pris&atilde;o,
+n&atilde;o
+encontrei o dito F... indiciado, de que foram testemunhas F... e F...
+moradores em... em cuja presen&ccedil;a procedi a esta diligencia;
+e para constar, fiz este
+auto, que assignei com as testemunhas.<br />
+
+<br />
+
+<div class="half"><em>1.&ordf; Testemunha</em>,<br />
+
+<em>2.&ordf; Dita</em>,<br />
+
+<em>Official de Deligencias</em>,</div>
+
+<br />
+
+<br />
+
+<br />
+
+<div class="break">
+<hr /></div>
+
+<br />
+
+<br />
+
+<h3>FORMULA
+DO RECIBO DA ENTREGA DO PRESO, QUE O CARCEREIRO DEVE PASSAR
+NO&nbsp;VERSO DO MANDADO DA PRIS&Atilde;O CONFORME O ART. 1014
+DA N. R. J.</h3>
+
+<br />
+
+No dia... do mez de... do corrente anno pelas... horas da
+manh&atilde; (tarde ou noite) me foi entregue o preso F... solteiro
+(casado ou viuvo), natural de... filho de... de idade... annos, e de
+profiss&atilde;o... que fica recolhido nesta Cadeia &aacute;
+ordem do Doutor Juiz de Direito
+desta Comarca (ou Juiz Ordinario deste Julgado). E para constar, passei
+o presente recibo, que assignei. Logar e data.<br />
+
+<br />
+
+<div class="half">O Carcereiro <em>F</em>...</div>
+
+<br />
+
+<br />
+
+<div class="break">
+<hr /></div>
+
+<br />
+
+<h3>FORMULA DA NOTA DA CULPA, QUE DEVE SER ENTREGUE AOS
+PRESOS,
+NA
+F&Oacute;RMA DO&nbsp;ART. 1024 DA N. R. J.</h3>
+
+<h4><em>Nota da culpa do preso F... morador em...</em></h4>
+
+<br />
+
+O Doutor F... Juiz de Direito desta Comarca (ou o Cidad&atilde;o
+F... Juiz Ordinario deste Julgado) por <span class="smallcaps">S.
+M. F. A Rainha</span>, que Deos
+Guarde.<br />
+
+<br />
+
+Mando ao Escriv&atilde;o competente, intime e declare ao preso
+acima mencionado, que o motivo da sua pris&atilde;o &eacute;
+por
+constar em Juizo ser elle um dos perpetradores do crime de... (aqui se
+declara o crime, de que
+&eacute; suspeito o preso), que teve logar no dia... pelas... horas
+no sitio de..., em que &eacute; parte accusadora F... (o Ministerio
+Publico)
+e s&atilde;o testemunhas F... e F... (aqui se declaram os nomes das
+testemunhas e accusadores, havendo-os). O que assim o
+cumprir&aacute;. Logar e
+data. E eu F... o escrevi.<br />
+
+<br />
+
+<div class="half"><em>Juiz</em>,</div>
+
+<br />
+
+<br />
+
+<div class="break">
+<hr /></div>
+
+<br />
+
+<h3>FORMULA DA CERTID&Atilde;O DA ENTREGA DA NOTA
+DA CULPA AO
+PRESO.</h3>
+
+<h4><em>Certid&atilde;o</em>.
+</h4>
+
+<br />
+
+Certifico que fui hoje &aacute;s Cadeias desta Comarca (ou Julgado)
+e ahi na presen&ccedil;a das testemunhas F... e F... entreguei ao
+preso F...
+a nota da sua culpa; e de como a <span class="pagenum">[50]</span>recebeo,
+passei a presente que foi por
+elle assignada, e pelas ditas testemunhas. Logar e data.<br />
+
+<br />
+
+<div class="half"><em>Escriv&atilde;o</em>,<br />
+
+<em>Preso</em>,<br />
+
+<em>1.&ordf; Testemunha</em>,<br />
+
+<em>2.&ordf; Dita</em>,</div>
+
+<br />
+
+<br />
+
+<em>Obs</em>.--Quando o preso n&atilde;o
+p&oacute;de ou n&atilde;o
+sabe assignar, se dir&aacute;--n&atilde;o assignando o dito
+preso, por dizer n&atilde;o sabia (ou
+n&atilde;o podia) escrever.<br />
+
+<br />
+
+<div class="break">
+<hr /></div>
+
+<h1>CAPITULO VII.</h1>
+
+<h2><em>Das Perguntas</em>.</h2>
+
+<br />
+
+<br />
+
+&sect;. 88.&ordm; As perguntas ser&atilde;o necessariamente
+feitas
+pelo Juiz da culpa dentro das primeiras quarenta e oito horas da
+entrada dos presos na Cadeia. Este acto poder&aacute; ser repetido
+at&eacute;
+&aacute; ultima&ccedil;&atilde;o do processo preparatorio,
+ou a requerimento das partes, ou <em>ex-officio</em>
+quando ao
+Juiz parecer necessario para melhor indaga&ccedil;&atilde;o da
+verdade. <em>N. R. J. Art. 972</em>.<br />
+
+<br />
+
+&sect;. 89.&ordm; Os presos suspeitos de crimes, em que
+n&atilde;o
+cabe fian&ccedil;a, n&atilde;o poder&atilde;o nas primeiras
+quarenta e oito horas de
+pris&atilde;o communicar com pessoa alguma, salvo com seus pais,
+filhos, mulheres ou maridos, e irm&atilde;os, precedendo
+licen&ccedil;a do Juiz, e na
+presen&ccedil;a de um Official do Juizo. <em>N. R. J. Art.
+973</em>.<br />
+
+<br />
+
+&sect;. 90.&ordm; As perguntas sob pena de nullidade,
+ser&atilde;o
+feitas s&oacute;mente pelo Juiz na presen&ccedil;a de dois
+Escriv&atilde;es; e se
+n&atilde;o houver prompto mais que um Escriv&atilde;o,
+ser&atilde;o feitas na presen&ccedil;a de
+duas testemunhas, &aacute;s quaes se defere juramento para vigiarem
+que as perguntas sejam escriptas conforme foram feitas, e guardarem
+dellas segredo at&eacute; &aacute;
+audiencia da <span class="pagenum">[51]</span>ratifica&ccedil;&atilde;o
+de pronuncia, quando, e
+nos casos em que ella tiver lugar. <em>N.
+R. J.<br />
+
+Art. 974</em>.<br />
+
+<br />
+
+&sect;. 91.&ordm; Nas perguntas n&atilde;o se defere
+juramento ao
+R&eacute;o; e sendo este menor, se lhe nom&ecirc;a Curador para
+este acto, sob pena de
+nullidade. <em>N. R. J. Art. 976 &sect;. unic.</em><br />
+
+<br />
+
+&sect;. 92.&ordm; O R&eacute;o no acto das perguntas deve
+estar
+solto, e n&atilde;o com ferros; e as perguntas n&atilde;o
+ser&atilde;o suggestivas, nem
+cavillosas, nem acompanhadas de dolosas
+persua&ccedil;&otilde;es, falsas promessas, ou
+amea&ccedil;os, sob pena de responsabilidade ao Juiz por abuso de
+poder. <em>N. R. J. Art.
+986</em>.<br />
+
+<br />
+
+&sect;. 93.&ordm; Os R&eacute;os ser&atilde;o
+perguntados pelos
+seus nomes, sobrenomes, idades, nuturalidades,
+filia&ccedil;&atilde;o, estado,
+profiss&atilde;o, e ultima morada, e se j&aacute; estiveram
+alguma outra vez presos. <em>N. R. J. Art. 976</em>.<br />
+
+<br />
+
+O R&eacute;o n&atilde;o ser&aacute; obrigado a responder
+precipitadamente; as perguntas ser&atilde;o repetidas sempre que
+pare&ccedil;a que as n&atilde;o
+comprehendeo da primeira vez; e esta repeti&ccedil;&atilde;o
+ter&aacute; logar
+principalmente, quando a resposta n&atilde;o concorda com a
+pergunta; e neste cazo n&atilde;o se escreve sen&atilde;o
+a resposta dada &aacute; pergunta repetida. Nas perguntas sobre
+circumstancias mais particulares, ou sobre tempos mais remotos,
+dar-se-ha ao R&eacute;o o tempo
+conveniente para se recordar dos factos com exactid&atilde;o. <em>N.
+R. J.
+Art. 978</em>.<br />
+
+<br />
+
+&sect;. 94.&ordm; Se os R&eacute;os negam os factos, que
+j&aacute; constam do depoimento das testemunhas da querela,
+ser-lhes-h&atilde;o lidos os depoimentos, e
+instados sobre elles.<br />
+
+<br />
+
+Quando por&eacute;m o R&eacute;o nega o crime, allegando algum
+facto, que exclua a culpabilidade, offerecendo-se logo a prova-lo por
+documento, o Juiz o receber&aacute;, e mandar&aacute; juntar ao
+processo da querela.<br />
+
+<br />
+
+Se o R&eacute;o confessa o crime, ser&aacute; perguntado pelo
+motivo delle, tempo, logar, modo, e meios empregados para o seu
+commettimento; se
+&eacute; reincidencia, e se tem cumplices, quando a natureza do
+crime os admitta. <em>N. R. J. Art. 977 979 e 980</em>.<br />
+
+<br />
+
+&sect;. 95.&ordm; Se o R&eacute;o n&atilde;o sabe a
+lingua
+portugueza, ou &eacute; <span class="pagenum">[52]</span>surdo
+e mudo, precede-se pela
+f&oacute;rma referida no &sect;. 48.&ordm; <em>N.
+R.
+J. Art. 981</em>.<br />
+
+<br />
+
+&sect;. 96.&ordm; O R&eacute;o tem a faculdade de dictar ao
+Escriv&atilde;o as suas respostas; mas n&atilde;o o fazendo,
+ser&atilde;o dictadas pelo Juiz pelo
+modo mencionado no &sect;. 49.&ordm;. As respostas
+ser&atilde;o lidas ao R&eacute;o
+antes de
+assignadas, pena de dez a cem mil r&eacute;is; e no auto se
+far&aacute;
+men&ccedil;&atilde;o da leitura. Se o R&eacute;o
+n&atilde;o ratificar as respostas, mas as alterar, augmentar, ou
+diminuir,
+n&atilde;o se riscam as primeiras, por&eacute;m
+ser-lhes-h&atilde;o
+accrescentadas todas as altera&ccedil;&otilde;es, que lhes
+forem feitas.<br />
+
+<br />
+
+Nas perguntas e respostas n&atilde;o haver&aacute; entrelinhas;
+e as emendas e rasuras ser&atilde;o resalvadas &aacute; margem,
+como fica dito no
+&sect;. 49.&ordm;. <em>N. R. J. Art. 982, 983 e 984</em>.<br />
+
+<br />
+
+&sect;. 97.&ordm; O auto das perguntas, sob pena de nullidade,
+ser&aacute; assignado pelo Juiz, pelos Escriv&atilde;es
+presentes, ou pelas duas
+testemunhas (&sect;. 90.&ordm;), pelo Curador, quando o
+R&eacute;o interrogado
+&eacute;
+menor, e pelos interrogados. E se estes n&atilde;o poderem,
+n&atilde;o
+quiserem, ou n&atilde;o souberem assignar, o Escriv&atilde;o
+far&aacute; disso
+men&ccedil;&atilde;o no auto, que valer&aacute; sem a
+assignatura delles. Cada uma das folhas do auto ser&aacute;
+rubricada pelo Juiz, Escriv&atilde;o, Curador, e interrogado, se
+este quizer,
+poder, ou souber escrever. <em>N. R. J. Art. 985 e &sect;.
+unic.</em><br />
+
+<br />
+
+&sect;. 98.&ordm; Se houver co-R&eacute;os do crime, a cada
+um se
+far&atilde;o separadamente os interrogatorios, observando-se as
+formalidades mencionadas; findos os quaes se f&ocirc;r necessario
+para melhor
+indaga&ccedil;&atilde;o da verdade, o Juiz preceder&aacute;
+a acarea&ccedil;&atilde;o de uns com
+outros. <em>N. R. J. Art. 975</em>.<br />
+
+<br />
+
+<br />
+
+<div class="break">
+<hr /></div>
+
+<br />
+
+<h3>FORMULA DO AUTO DE PERGUNTAS.</h3>
+
+<h4><em>Auto de Perguntas</em>.</h4>
+
+<br />
+
+Anno do Nascimento de Nosso Senhor etc. aos... dias do mez de... do
+dito anno nesta Cidade (ou, Villa) de... e Cadeias da mesma, aonde eu
+Escriv&atilde;o <span class="pagenum">[53]</span>vim
+com F... Juiz de Direito desta Comarca (ou Juiz
+Ordinario deste Julgado), e com o Escriv&atilde;o F...
+(n&atilde;o
+havendo disponivel mais que um Escriv&atilde;o, se
+dir&aacute;--e com as testemunhas F... e
+F... moradores em... chamadas para este acto por n&atilde;o haver
+prompto outro
+Escriv&atilde;o, &aacute;s quaes elle Juiz sob o juramento dos
+Santos Evangelhos, que lhes deferio, encarregou vigiassem, que as
+perguntas e respostas se escrevessem conforme fossem feitas, e dellas
+guardassem segredo); sendo ahi presente F... preso na dita Cadeia, elle
+Juiz lhe fez as perguntas, que se seguem:<br />
+
+<br />
+
+Perguntou-lhe seu nome, sobrenome, idade, naturalidade,
+filia&ccedil;&atilde;o, estado, profiss&atilde;o, ultima
+morada, se j&aacute; estivera
+alguma outra vez preso, e se gozava da liberdade propria do seu estado.<br />
+
+<br />
+
+Respondeo chamar-se F... de idade de... annos, natural de... filho
+de... <span class="pagenum">[49]</span>solteiro
+(casado ou viuvo), de profiss&atilde;o... que
+residia
+ultimamente em... que nunca estivera preso, (ou que estivera, e porque
+motivo), e que estava na liberdade propria do seu estado de custodia.
+(E quando
+pela declara&ccedil;&atilde;o da idade se conhecer, que o
+R&eacute;o &eacute; menor, o Juiz lhe nomear&aacute;
+Curador, e se dir&aacute; no auto:--E logo
+conhecendo elle Juiz que o R&eacute;o interrogado, pela
+declara&ccedil;&atilde;o da
+idade, era menor, nomeou por Curador ao Doutor F... e comparecendo
+este, lhe deferio o mesmo Juiz o juramento aos Santos Evangelhos, sob o
+qual o encarregou de exercer as
+func&ccedil;&otilde;es de Curador do R&eacute;o menor neste
+acto de perguntas, o qual elle
+prometteu cumprir).<br />
+
+<br />
+
+E logo perguntou ao R&eacute;o--(aqui se escrevem as perguntas do
+Juiz e respostas do R&eacute;o &aacute;cerca do crime, que lhe
+&eacute; imputado, observando as disposi&ccedil;&otilde;es
+dos <em>Art. 977, 980, e 986
+da N. R.
+J.</em>)<br />
+
+<br />
+
+E por esta forma houve elle Juiz este acto por concluido; e sendo lidas
+ao preso interrogado todas as perguntas, que lhe foram feitas, e
+respostas por elle dadas, disse que estavam conformes, e que nada tinha
+a accrescentar, diminuir, ou alterar, e por isso as ratificava; e de
+tudo mandou <span class="pagenum">[54]</span>elle
+Juiz fazer este auto, que assignou com o
+Escriv&atilde;o assistente (ou com as testemunhas F... e F...
+quando n&atilde;o
+assiste outro Escriv&atilde;o), com o Curador, R&eacute;o
+interrogado, e
+comigo F... Escriv&atilde;o, que o escrevi e assignei.<br />
+
+<br />
+
+<div class="half"><em>Juiz</em> (em rubrica),<br />
+
+<em>Escriv&atilde;o</em>,<br />
+
+<em>R&eacute;o interrogado</em>,<br />
+
+<em>Curador</em>,<br />
+
+<div style="text-align: left;"><em>Escriv&atilde;o
+assistente</em>, (ou duas
+testemunhas).</div>
+
+</div>
+
+<br />
+
+<br />
+
+<br />
+
+<em>Obs</em>.--Quando o R&eacute;o n&atilde;o
+ratifica as respostas
+depois de lidas, e faz nellas algumas altera&ccedil;&otilde;es,
+n&atilde;o se
+riscam as primeiras, mas s&atilde;o accrescentadas todas as
+altera&ccedil;&otilde;es. E quando o
+interrogado n&atilde;o sabe, n&atilde;o quer, ou n&atilde;o
+p&oacute;de escrever, se faz essa
+declara&ccedil;&atilde;o no auto, que vale sem a assignatura
+delle.<br />
+
+<br />
+
+As folhas do auto ser&atilde;o rubricadas pelo Juiz,
+Escriv&atilde;es, Curador e R&eacute;o, sabendo, querendo, ou
+podendo escrever.<br />
+
+<br />
+
+<div class="break">
+<hr /></div>
+
+<br />
+
+<em>N. B.</em> Estas instruc&ccedil;&otilde;es
+foram
+extrahidas dos
+Elementos do Processo Criminal de F. J Duarte Nazareth, segunda
+Edi&ccedil;&atilde;o,
+para auxilio dos Chefes dos Districtos, e Commandantes de Presidios
+desta Provincia, no Processo Crime Preparatorio.<br />
+
+<br />
+
+<br />
+
+<div style="text-align: center;"><b>FIM.<br />
+
+</b>
+</div>
+
+</div>
+
+
+
+
+
+
+
+
+<pre>
+
+
+
+
+
+End of the Project Gutenberg EBook of Tratado do processo criminal
+preparatorio ou d'instrucção e pronuncia, by Unknown
+
+*** END OF THIS PROJECT GUTENBERG EBOOK TRATADO DO PROCESSO CRIMINAL ***
+
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+works. See paragraph 1.E below.
+
+1.C. The Project Gutenberg Literary Archive Foundation ("the Foundation"
+or PGLAF), owns a compilation copyright in the collection of Project
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+Project Gutenberg-tm is synonymous with the free distribution of
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+including obsolete, old, middle-aged and new computers. It exists
+because of the efforts of hundreds of volunteers and donations from
+people in all walks of life.
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+Volunteers and financial support to provide volunteers with the
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+remain freely available for generations to come. In 2001, the Project
+Gutenberg Literary Archive Foundation was created to provide a secure
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+To learn more about the Project Gutenberg Literary Archive Foundation
+and how your efforts and donations can help, see Sections 3 and 4
+and the Foundation web page at http://www.pglaf.org.
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+
+Section 3. Information about the Project Gutenberg Literary Archive
+Foundation
+
+The Project Gutenberg Literary Archive Foundation is a non profit
+501(c)(3) educational corporation organized under the laws of the
+state of Mississippi and granted tax exempt status by the Internal
+Revenue Service. The Foundation's EIN or federal tax identification
+number is 64-6221541. Its 501(c)(3) letter is posted at
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+Literary Archive Foundation are tax deductible to the full extent
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+
+For additional contact information:
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+ gbnewby@pglaf.org
+
+
+Section 4. Information about Donations to the Project Gutenberg
+Literary Archive Foundation
+
+Project Gutenberg-tm depends upon and cannot survive without wide
+spread public support and donations to carry out its mission of
+increasing the number of public domain and licensed works that can be
+freely distributed in machine readable form accessible by the widest
+array of equipment including outdated equipment. Many small donations
+($1 to $5,000) are particularly important to maintaining tax exempt
+status with the IRS.
+
+The Foundation is committed to complying with the laws regulating
+charities and charitable donations in all 50 states of the United
+States. Compliance requirements are not uniform and it takes a
+considerable effort, much paperwork and many fees to meet and keep up
+with these requirements. We do not solicit donations in locations
+where we have not received written confirmation of compliance. To
+SEND DONATIONS or determine the status of compliance for any
+particular state visit http://pglaf.org
+
+While we cannot and do not solicit contributions from states where we
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+against accepting unsolicited donations from donors in such states who
+approach us with offers to donate.
+
+International donations are gratefully accepted, but we cannot make
+any statements concerning tax treatment of donations received from
+outside the United States. U.S. laws alone swamp our small staff.
+
+Please check the Project Gutenberg Web pages for current donation
+methods and addresses. Donations are accepted in a number of other
+ways including checks, online payments and credit card donations.
+To donate, please visit: http://pglaf.org/donate
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+
+Section 5. General Information About Project Gutenberg-tm electronic
+works.
+
+Professor Michael S. Hart is the originator of the Project Gutenberg-tm
+concept of a library of electronic works that could be freely shared
+with anyone. For thirty years, he produced and distributed Project
+Gutenberg-tm eBooks with only a loose network of volunteer support.
+
+
+Project Gutenberg-tm eBooks are often created from several printed
+editions, all of which are confirmed as Public Domain in the U.S.
+unless a copyright notice is included. Thus, we do not necessarily
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