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+Project Gutenberg's O Padroado Portuguez na China, by A. Marques Pereira
+
+This eBook is for the use of anyone anywhere at no cost and with
+almost no restrictions whatsoever. You may copy it, give it away or
+re-use it under the terms of the Project Gutenberg License included
+with this eBook or online at www.gutenberg.org
+
+
+Title: O Padroado Portuguez na China
+
+Author: A. Marques Pereira
+
+Release Date: March 18, 2010 [EBook #31693]
+
+Language: Portuguese
+
+Character set encoding: ISO-8859-1
+
+*** START OF THIS PROJECT GUTENBERG EBOOK O PADROADO PORTUGUEZ NA CHINA ***
+
+
+
+
+Produced by Pedro Saborano (produced from scanned images
+of public domain material from Google Book Search)
+
+
+
+
+
+
+ O PADROADO PORTUGUEZ NA CHINA
+
+
+ A. MARQUES PEREIRA
+
+ O PADROADO PORTUGUEZ NA CHINA
+
+ (Impresso requisitado por um amigo)
+
+
+ LISBOA
+ IMPRENSA DE J. G. DE SOUSA NEVES
+ 65--Rua da Atalaia--67
+ 1873
+
+
+
+
+A JOSÉ MIGUEL VICTOR DE FIGUEIREDO
+
+
+
+
+Um excellente amigo meu da China (e, Deus Louvado, ainda ahi os tenho de
+molde que me tira a vontade de enxergar os fundibularios covardes que
+tentaram e lograram com a mais infame das ciladas molestar-me nos
+excessos do brio) tendo visto uma das tres pequenas cartas que adiante
+se lêem, cheio de honesto e constante interesse pelo assumpto que
+levemente suggerem, e julgando dos ocios do esclarecido jornalismo
+politico lisbonense com a ingenuidade de um portuguez distante:
+pediu-me, por carta, que lhe mandasse, colligida em volume, toda a
+controversia que antecedêra e seguíra o que tinha lido.
+
+Respondi-lhe que a _controversia_ toda pouco mais era, e nem sequer
+chegaria a dar um folheto; que a uma segunda carta minha, que a _Gazeta
+do Povo_, publicou, não houvera mais resposta: silencio este que, não
+podendo ser attribuido á victoria cesárea dos meus abreviados
+argumentos, tambem com inteira justiça se não podia imputar á
+insufficiencia d'aquella folha, a qual desde logo manifestára que a
+replica, a ter lugar, não cabia á sua redacção effectiva, mas a um seu
+illustrado collaborador e amigo; e finalmente que já se annunciava a
+substituição da _Gazeta_ pelo _Paiz_, e que não era de presumir que este
+cuidasse em tomar dos collaboradores d'aquella o legado triste, e
+felizmente descurado havia mezes, de desmentir e annullar os restantes
+direitos do nosso padroado portuguez na China.
+
+Insiste o meu amigo, pela recemvinda mala, em que lhe mande o folheto,
+entendendo que, por muito exiguo que seja, sempre terá a efficacia de um
+brado ou um gemido em causa de tanta justiça.--Não sei recusar-lhe nada,
+e até o muito que o estimo quasi me não deixa sorrir da sua confiança em
+brados ou gemidos a favor de causas justas. Permitta-me porém a sua
+amisade que declare aqui bem explicitamente que a unica pretensão e o
+unico intuito d'esta pequenina copilação é satisfazer a um pedido seu, e
+sem demora de um paquete.
+
+
+Lisboa, 21 de fevereiro de 1873.
+
+
+
+
+I
+
+
+Em 19 de fevereiro do anno findo, sobre a leitura de justissimas
+considerações do meu referido amigo, dirigi a seguinte carta ao _Diario
+de Noticias_, que a publicou em 20:
+
+
+ Ex.mo sr. redactor,
+
+Com respeito á nossa colonia de Macau, ha tres questões palpitantes,
+importantissimas, que a imprensa periodica de Lisboa conhece, creio eu,
+comquanto as não discuta. São a ratificação do tratado de 1862; as
+alfandegas chinesas em territorio portuguez; a emigração. A solução da
+primeira depende da habilidade e pericia do nosso plenipotenciario.
+A da segunda da inteiresa e energia das primeiras auctoridades do
+estabelecimento. A da terceira da rigorosa e imparcial observancia dos
+regulamentos, e do bom accôrdo com a diplomacia inglesa. A nenhuma
+dellas me refiro n'esta carta. Sobre a primeira e terceira tenho
+escripto em demasia, tanto livre como officialmente. Da segunda sou
+victima, e portanto suspeito perante o programma de uma folha incolor.
+Existe porém uma quarta questão pendente, esquecida ha muitos annos, mas
+nem por isso pouco importante para a colonia de Macau. A solução d'esta
+depende do sr. ministro da marinha e do governo. Refiro-me ao padroado
+portuguez na China, e reduzo-me a historial-o em poucas palavras. O
+bispado portuguez de Macau, erecto pela bulla de Gregorio XIII, de 23 de
+janeiro de 1575, comprehendeu em seu principio toda a China e Japão,
+terras e ilhas adjacentes. Em 1588 foi creado o bispado de Funay, no
+Japão, e em 1690 os de Pekim e Nankim. Innocencio XII, logo depois,
+reduziu consideravelmente os limites dos bispados da China, que
+abraçavam, além das provincias do imperio, a Tartaria, Tongking e todas
+as ilhas. Esta circumscripção foi que designou ao de Macau as provincias
+de Kuang-tung, Kuangsi e as ilhas que a ellas pertencem,--e assim durou
+até não ha muitos annos. Seguiu-se a concordata, ratificada em 6 de
+fevereiro de 1860, que pelos artigos 3.º e 4.º e annexo _A_ reduziu
+ainda o padroado portuguez na China á diocese de Macau, e esta á
+provincia de Kuang-tung e ilhas adjacentes, com excepção de Hongkong.
+Esta diocese, por estar de si bem determinada, não exige para o seu
+completo reconhecimento a circumscripção prévia que a mesma concordata
+estabelece necessaria para as da India. Comtudo em 1872 os missionarios
+da congregação da _Propaganda_ conservam-se em toda a provincia de
+Kuang-tung com um bispo estrangeiro, a despeito da justissima antipathia
+das christandades; e a Santa Sé mantem a recusa da confirmação do bispo
+apresentado pelo real padroeiro na fé dos citados artigos.--Lembrar a
+necessidade que tem de um bispo a diocese de Macau, viuva ha vinte
+annos, e a obrigação que tem o governo de se fazer ouvir do supremo
+chefe da egreja para que considere e afaste a obstinada lesão dos nossos
+direitos, já tão diminuidos, é, sr. redactor, o objecto d'esta minha
+carta, que abreviei quanto me foi possivel.
+
+S. C., 19 de fevereiro de 1872.
+
+ De v. ex.ª
+
+ _A. Marques Pereira_
+
+
+
+
+II
+
+
+Na _Gazeta do Povo_ de 27 li depois isto:
+
+
+NOTICIAS DE MACAU E QUESTÃO DO PADROADO
+
+......................................................................
+
+«A proposito de coisas de Macau, mencionemos uma carta assignada pelo
+sr. Marques Pereira em 19 do corrente mez, e publicada no _Diario de
+Noticias_. Seu objecto principal é ácerca do padroado da China, e da
+questão da escolha e confirmação de bispo para Macau.
+
+Censura o sr. Marques Pereira a recusa da Santa Sé áquella confirmação,
+chamando-lhe obstinada lesão dos nossos direitos.
+
+Para que o publico não seja induzido em erro por taes asserções de
+pessoa que é tida por entendida nos negocios de Macau, contrapomos
+áquella carta algumas observações sobre o mesmo assumpto, copiadas da
+_Correspondencia de Portugal_ de 29 de janeiro ultimo. Este excellente
+jornal é pouco lido no paiz, e por isso mui limitado numero de
+individuos conhecerão aquellas observações.
+
+Julgamos, pois, fazer bem em vulgarisal-as, para que na apreciação de
+assumpto tão importante, se julgue com a imparcialidade e exempção de
+preconceitos que elle reclama.
+
+---
+
+«Está confirmada por Sua Santidade a transferencia do sr. bispo eleito e
+confirmado de Macau para a diocese d'Angra, da qual já mandou tomar posse.
+
+«Está pois vaga a mitra de Macau, e é, a nosso vêr, uma urgente
+necessidade provêl-a sem demora. A falta dum prelado sagrado n'aquella
+cidade é mui prejudicial para seus interesses religiosos e civis. Mas a
+apresentação do novo bispo de nada servirá, se o governo não quizer
+acceitar as respectivas bullas com as restricções de jurisdicção
+exaradas nas do sr. D. João, quando foi confirmado bispo de Macau, ou
+com outras.
+
+«O sr. marquez de Sá da Bandeira, com o tino e sensatez que lhe dá o
+muito conhecimento que possue dos negocios do ultramar, resolveu, na
+ultima vez que foi ministro da marinha, acceitar aquellas bullas, o que
+os ministros seus predecessores tinham recusado.
+
+«Se o digno actual ministro da marinha não fôr d'esta opinião, então é
+inutil a apresentação de novo bispo, e só servirá para renovar já
+cansadas questões, que não levarão a melhor resultado do que até agora.
+
+«Se o governo sinceramente quer attender ás necessidades religiosas de
+Macau, entre em cordeaes negociações com a Santa Sé para restringir, ao
+menos provisoriamente, a desmedida extensão da diocese de Macau.
+
+«Proponha-se que o novo bispo seja confirmado com a jurisdicção
+limitada, não á cidade de Macau, como foi o ultimo bispo eleito, mas á
+contigua denominada peninsula de _Heang-cham_ e ilhas chinezas
+circumvizinhas. Actualmenle não ha n'estes territorios missionarios nem
+estabelecimentos alguns da _Propaganda Fide_, e portanto nenhumas
+difficuldades se suscitariam.
+
+«É sufficiente terreno e população para uma excellente missão,
+proporcionada aos nossos meios, pois tudo comprehenderá 500:000 a
+600:000 habitantes, que teem continuo trato com os portuguezes, cujos
+costumes e leis mais ou menos conhecem, e parte delles por vezes teem
+aproveitado a protecção da nossa bandeira, fugindo á guerra civil, ou ás
+extorsões dos seus mandarins.
+
+«Uma missão n'estes limites, dirigida com zelo, habilidade e
+perseverança por alguns missionarios portuguezes, auxiliados pelo clero
+indigena chinez ou de Macau, conseguiria, em algumas dezenas de annos,
+christianisar, senão toda, decerto uma grande parte da população, e
+preparal-a talvez para acceitar gostosa o nosso dominio temporal,
+aproveitando o governo portuguez algum ensejo favoravel, facil de se dar
+no estado de desorganisação politica e social em que se vê o grande povo
+chinez.
+
+«A guerra civil, que sempre mais ou menos lavra na China, e a renovação
+da guerra com estrangeiros, que é inevitavel, mais tarde ou mais cedo,
+renovarão as circumstancias, tão infelizmente desaproveitadas, que
+occorreram na ultima famosa guerra entre o celeste imperio e a
+França e Inglaterra. Ha mais de dez annos poderiamos possuir a peninsula
+de _Heang-cham_, se não fôra a criminosa incuria, quasi incrivel, d'um
+ministro d'aquella época e dos seus empregados.
+
+«Preparar taes resultados será ao mesmo tempo um grande serviço á
+religião e á civilisação, e ao engrandecimento e gloria da patria.
+
+«A occasião é a melhor possivel. O prestigio e influencia da França nos
+negocios da China está sustado por largos annos. Os interesses politicos
+e religiosos d'aquella potencia é que nos podiam contrariar;
+estabelecendo seus missionarios, capellas, hospitaes e escolas no
+referido territorio, como tem feito em todo o resto da provincia de
+Cantão, em Kuang-si e no Hainão, extensissimos paizes, comprehendidos de
+direito na diocese de Macau, mas ha muitos annos de facto perdidos para
+o padroado real, pela falta de cumprimento das obrigações do padroeiro.
+
+«Não ha, pois, receio que a França venha oppôr difficuldades ao indicado
+accôrdo com a Santa Sé, que julgamos não se recusará a elle, nem
+rasoavelmente o póde fazer. Para nós, Portuguezes, nada tem de
+indecoroso, como o poderão julgar alguns animos possuidos de exaggerado
+e insciente patriotismo.
+
+«Devemos francamente reconhecer que foi justa a restricção imposta pelo
+Summo Pontifice nas bullas da confirmação do mencionado ultimo bispo
+eleito de Macau, e que o será se se repetir esse facto, com o qual o
+governo deve contar, se apresentar novo bispo.
+
+«Se Portugal não cumpre a concordata na parte onerosa, como póde exigir
+o pleno cumprimento d'ella na parte benefica e de privilegio?
+
+«É já tempo que os ministros, os representantes do paiz e a imprensa que
+se diz liberal, deixem esse systema de declamações apaixonadas, quando
+se trata da questão do padroado, que não estudam, ou não querem estudar,
+com a imparcialidade e justiça que ella exige.
+
+«Ha até conveniencias positivas e puramente politicas, que aconselham a
+desistir temporariamente, ou mesmo para sempre, ao direito da actual
+circumscripção da diocese de Macau. Isso nos livraria de muitos
+embaraços e vergonhas. Firmemos bem o dominio espiritual onde temos o
+temporal, tão vacillante nas colonias; e deixemos pretensões que se
+tornaram já ridiculas perante a Europa, pelo estado de abatimento e
+desorganisação em que está Portugal.»
+
+---
+
+Eis, pois, o que diz a _Correspondencia de Portugal_. Ainda que não
+concordassemos inteiramente com as opiniões expostas, as julgamos dignas
+de attenção quando se trata de apresentar novo prelado para Macau, o que
+tambem entendemos não se dever demorar.»
+
+
+
+
+III
+
+
+Era uma accusação de induzir o publico em erro. Outras maiores ainda
+recebi já da imprensa, felizmente com igual justiça, mas em Lisboa foi,
+e é até agora, a primeira que eu lêsse. Maiores ou menores tenho a
+fraqueza de levantar todas, emquanto me não chegue a má hora,--e espero
+que não chegue,--da consciencia me confirmar alguma. Entendo que a voz
+da imprensa deve ser sempre ouvida e discutida, de qualquer lado e até
+de qualquer modo que sõe. Chamei a isto fraqueza, e perdõe-se-me á conta
+de poder chamar-lhe parvoice. Quando, infamado pelo mais abjecto de
+quantos periodicos é crivel que possam existir, pedi ser suspenso do
+exercicio do meu cargo e corri aos tribunaes extrangeiros e nossos a
+esmagar a calumnia e os calumniadores pelo mais brilhante modo que um
+funccionario póde sequer desejar, encontrei na volta o mesmo cargo
+provido por insidia venal e patronato, e reclamando perante o ministro
+da marinha d'esse dia (que era por signal advogado) tive em resposta
+_que me sobejava rasão, mas nada havia a fazer contra factos consummados
+de que elle ministro não era culpado e que dariam ao funccionario
+demittido hoje a mesma rasão de queixa que eu tinha pelo haver sido
+hontem_. D'aqui aprendam quando injuriados, se poderem, os funccionarios
+publicos futuros. Eu por mim, dado o caso, reincidiria na tontice, e óro
+a Deus que me não accusem d'ella meus filhos quando a miseria se
+aprouver de leval-os á idade da rasão.--Trouxe eu isto fóra de proposito
+para dizer que respondi á _Gazeta do Povo_, em cujo numero 700 se lê:
+
+
+«Recebemos do sr. Marques Pereira a carta que em seguida publicâmos. Não
+lhe respondemos, porque deixamos esse cuidado ao nosso illustrado amigo
+e collaborador, que trata da questão de Macau, e que por estar ausente
+só virá a ter conhecimento da carta do sr. Pereira quando a receber
+impressa na _Gazeta do Povo_.
+
+Posto que a polemica mais pareça desejar encetar-se com relação ao que
+escreveu a _Correspondencia de Portugal_, ao nosso collaborador ficará
+pois não só o cuidado, mas a liberdade de fazer o que lhe approuver.
+
+Eis a carta:»
+
+ Ex.mo sr. redactor da _Gazeta do Povo_,
+
+Ha poucos dias dirigi ao _Diario de Noticias_ uma breve carta lembrando
+a necessidade de se obter a confirmação de um bispo para Macau e os
+limites que a concordata ratificada em fevereiro de 1860 designou
+áquella diocese. Acrescentei simplesmente que,--logo depois da
+concordata,--a recusa de tal confirmação com os limites de jurisdicção
+estipulados, e a permanencia dos padres da _Propaganda_ na provincia de
+Kuang-tung (quando ainda existem, mesmo na Asia, muitos paizes sem
+missões) era uma obstinada lesão dos direitos do padroado portuguez, já
+tão diminuidos.
+
+No seu jornal de 27 do corrente, cita v. ex.ª essa minha carta, e, _para
+que o publico não seja induzido em erro por ella_, entende dever
+contrapôr-lhe um artigo da _Correspondencia de Portugal_ de 29 de
+janeiro, que effectivamente transcreve.
+
+Transcripto o artigo, diz por ultimo v. ex.ª que julga as opiniões
+d'elle dignas de attenção, posto que não concorde inteiramente com ellas.
+
+Ignoro portanto qual seja a opinião de v. ex.ª sobre o assumpto do
+padroado portuguez na China, e absolutamente não comprehendo,--ainda
+depois de lêr o artigo da _Correspondencia de Portugal_,--de que modo a
+minha brevissima carta, simplesmente historica, possa _induzir o publico
+em erro_. N'essa carta indiquei o direito existente, assegurado por um
+tratado moderno: a _Correspondencia de Portugal_ propõe que se estipule
+um direito novo. Disse eu que, descrevendo a concordata os limites da
+diocese, devia haver um bispo portuguez com jurisdicção nesses limites.
+Diz a _Correspondencia de Portugal_ que taes limites são ainda
+exagerados e conviria reduzil-os á peninsula (aliás ilha) de
+Hianchan, de cujo dominio temporal se lhe afigura que viriamos mais
+tarde a apossar-nos. Em nada refuta isto o direito que até agora a
+concordata estabelece e eu lembrei.
+
+Haveria porém muito, é certo, que discutir no artigo, e, se é intento de
+v. ex.ª franquear a essa discussão as columnas do seu jornal,
+offereço-me eu a tomar n'ella humilde parte.
+
+S. C., Praça de S. Paulo 13, 1.º;
+
+29 de fevereiro de 1872.
+
+ De v. ex.ª
+
+ _A. Marques Pereira._
+
+
+
+
+IV
+
+
+Em 12 de março veio dizendo o illustrado amigo e collaborador da _Gazeta
+do Povo_:
+
+
+«MACAU--QUESTÃO DO PADROADO
+
+Quando démos as noticias de Macau vindas na precedente malla, aludimos a
+uma carta do sr. Marques Pereira, publicada no _Diario de Noticias_,
+ácerca da confirmação do novo bispo para aquella diocese, que o governo
+tem de apresentar.
+
+Aquella referencia motivou outra carta do mesmo senhor, dirigida a este
+jornal, na qual declarando a primeira _simplesmente historica_, diz
+que por isso não comprehende como possa induzir o publico em erro.
+
+Ainda que ha escriptores que erram na historia, e ás vezes scientemente,
+a nossa allusão não foi decerto á parte historica da carta do sr.
+Marques Pereira, mas sim á opinião ou asserção de que a Santa Sé
+recusára a confirmação do bispo para Macau, _por obstinada lesão dos
+nossos direitos_. A esta opinião do escriptor, segue-se uma instancia ou
+conselho ao governo, para que exija a confirmação do bispo de Macau, sem
+restricções de jurisdicção, pelo direito estabelecido na concordata;
+nada dizendo sobre os deveres a que por ella está obrigado o mesmo
+governo e que não tem cumprido.
+
+Ora isto não é _simplesmente historico_. É uma apreciação que julgámos
+errada, e um conselho que entendemos mau; rasão porque lhe contrapozemos
+o artigo da _Correspondencia de Portugal_, que esclarece a questão, e
+mostra que não ha n'este caso da parte da Santa Sé obstinada lesão dos
+direitos da corôa portugueza.
+
+O Papa não recusou a confirmação do ultimo bispo eleito de Macau, o sr.
+D. João Botelho do Amaral, hoje bispo d'Angra: pelo contrario,
+confirmou-o promptamente; mas com a jurisdicção restricta á cidade de
+Macau, emquanto o governo de Portugal não cumprir as obrigações do
+padroeiro, designadas na Concordata.
+
+É este um tratado ou pacto que estabelece direitos e obrigações para
+ambos os contractantes.
+
+Aconselhar, pois, como faz o sr. Marques Pereira, ao governo portuguez
+que exija a manutenção dos direitos, sabendo-se que este não tem
+cumprido, e que não mostra meios nem disposições para cumprir, as
+correlativas, obrigações; é que nos parece se póde dizer desejo de
+obstinada lesão contra o direito e a justiça natural.
+
+Ainda que seria nas columnas da _Correspondencia de Portugal_, que
+melhor caberia a contestação do artigo que d'ella transcrevemos; comtudo
+se o sr. Marques Pereira quizer publical-a n'este jornal, de bom grado o
+faremos, pela muita attenção em que temos este conhecido escriptor, sem
+que isso nos obrigue a discussão.»
+
+
+
+
+V
+
+
+Ora a _Correspondencia de Portugal_ não me culpára de induzir em erro
+pessoa alguma, e até o artigo que se extrahira d'ella para me convencer
+da culpa (v. pag. 14) antecedêra tres semanas a minha innocente e
+brevissima carta ao _Diario de Noticias_. Não vendo assim motivo de a
+importunar, e tendo vencido uma doença que me importunou a mim alguns
+dias, dirigi mais uma carta á _Gazeta do Povo_, que a inseriu logo e sem
+commentarios.
+
+Dizia:
+
+ Ex.mo sr. redactor da _Gazeta do Povo_,
+
+Por falta de saude deixei de responder logo ao ultimo artigo em que
+tratou do padroado portuguez na China, com referencia a uma carta
+minha, e em que se dignou franquear o seu jornal á publicação das
+modestas considerações que me propuz expender a respeito dum artigo da
+_Correspondencia de Portugal_ sobre o mesmo assumpto: artigo que v. ex.ª
+transcrevêra como refutação a uma outra carta que dirigi ao _Diario de
+Noticias_.
+
+Tratarei de resumir quanto possivel o que tenho a dizer, porque
+infelizmente nem a naturesa do assumpto chamaria grande attenção a um
+artigo em demasia extenso, nem abusando eu do espaço do seu jornal
+corresponderia devidamente ao favor de v. ex.ª
+
+Aceitemos um momento por incontestavel toda a culpa que v. ex.ª e a
+_Correspondencia de Portugal_ attribuem ao governo portuguez na questão
+do bispado de Macau. Ainda assim me parece que, a não sermos mais
+inimigos dos restantes direitos do padroado portuguez do que o são os
+proprios agentes da _Propaganda_, deveriamos duplicadamente citar a
+concordata para que o governo cumprisse os seus deveres e exigisse os
+seus direitos. Querer que o culpado se não arrependa nem se defenda, e
+seja unicamente accusador e executor de si mesmo, parece-me injusto.
+
+Mas, sr. redactor, somos nós hoje em verdade tão culpados quanto v. ex.ª
+e a _Correspondencia de Portugal_ nos fazem? Pois não foi exactamente
+para castigo de nossas culpas que a concordata nos tirou todos os
+bispados da China, á excepção do de Macau, e reduziu este mesmo á
+colonia portugueza com a provincia de Kuang-tung?
+
+E que succedeu porém?
+
+Ratificada a concordata os missionarios estrangeiros conservam-se em
+Cantão sob a exclusiva auctoridade d'um bispo seu que a Santa Sé lhes
+confirma, e ao real padroeiro portuguez é successivamente recusada a
+confirmação de dois bispos eleitos, ou offerecida com a restricção de
+jurisdicção ás tres freguezias da cidade de Macau!
+
+A isto só v. ex.ª me oppõe,--permitta-me que o diga,--o eterno argumento
+dos _Annaes da associação da Propaganda_ e publicações similhantes, do
+qual muitas vezes se usou com verdade tratando em geral do padroado
+portuguez no oriente, e de que muitas mais se abusou com injustiça a
+respeito de varias partes do mesmo padroado:--e é que a concordata impõe
+obrigações assim como assegura direitos, que no exercicio d'estes deve o
+padroeiro cumprir aquellas, e que pois as não cumpre os direitos cessam.
+
+Em primeiro logar, quem viu que as não cumprisse o padroeiro? Se nem um
+dia, se nem uma hora lhe foi dado exercer na China a jurisdicção que a
+concordata lhe deixou, onde se encontra o testemunho de haver faltado
+aos deveres a que se obrigou por ella?
+
+Encontra-se--dir-me-hiam os ecos da associação--na manifesta
+incapacidade de os cumprir, porque não admittindo em seus estados ordens
+religiosas, não póde provêr missões.
+
+Para tal resposta ser justa fôra mister que ao tempo de celebrar-se a
+concordata houvesse em Portugal ordens religiosas, ou que por esse
+tratado nos obrigassemos a admittil-as para missionar.
+
+Mas não; a concordata foi assignada em fevereiro de 1857 e ratificada em
+fevereiro de 1860, e a unica obrigação, dever ou condição que,
+relativamente ao bispado de Macau, nos impõe é (queira v. ex.ª reparar)
+_que se procure pelo real padroeiro augmentar o numero de habeis e
+idoneos missionarios, que, além dos existentes_ (em 21 de fevereiro
+de 1857), _se empreguem na conservação e na propagação da fé catholica
+n'aquellas regiões_.
+
+Ora, eu não vim a esta questão como paladino apaixonado do nosso
+governo, ou de qualquer dos nossos governos. Acho-me até presentemente,
+e ha dois annos, n'uma situação individual tão iniquamente desattendida
+pela nossa entidade chamada governo, que não é de suppôr que eu ande
+muito preoccupado pelo empenho de lhe ser agradavel nos meus raros e
+pobres escriptos. Mas tambem não sei fazer côro em accusações de que não
+tenha inteira consciencia, e no que respeita ao bispado de Macau não me
+parece que a indifferença tenha sido tanta que, perante a lettra da
+concordata, que acabo de citar, justifique o duro castigo que v. ex.ª
+approva. O governo chegou a entregar o seminario de S. José de Macau aos
+jesuitas durante dez annos, desde 1862 até ha poucos mezes, e, se isto
+não mostra grande respeito á lei, denota ao menos com summa evidencia a
+boa vontade que a _Propaganda_ lhe nega. É verdade que em todo esse
+tempo os jesuitas nada fizeram a bem d'aquella porção do padroado, antes
+se mostraram sempre encarniçadissimos inimigos de taes direitos, mas
+nada prova isso contra a boa intenção que presidiu á experiencia de os
+admittir.
+
+Mas dirá ainda a _Propaganda_: as missões não podem confiar-se a
+experiencias, nem a protestos de boa vontade; a concordata não tem valor
+ante o principio _salus populi suprema lex_, e a christandade de Cantão
+seria grandemente prejudicada e arriscada, se a deixassemos.
+
+Para v. ex.ª avaliar este argumento, pedirei apenas que se digne lêr o
+capitulo vigesimo septimo dos _Apontamentos d'uma viagem de Lisboa á
+China e da China a Lisboa_ pelo sr. Carlos José Caldeira. Teria muito
+mais que citar, se não receiasse ostentar erudição d'obras que
+difficilmente se encontram em Lisboa, e exporia até o muito que a
+observação pessoal me suggere se não existisse a deposição do dito
+escriptor, por certo conhecidissimo de v. ex.ª Pelo indicado
+capitulo--que se intitula _Missões portuguezas na China, missionarios
+francezes, padroado real, e a sociedade da propagação da fé_--verá v.
+ex.ª como os missionarios franceses e italianos felicitam as
+christandades que nos tiraram, e apreciará os beneficios que resultam
+para o bispado de Macau do que eu denominei e denomino obstinada lesão
+dos nossos direitos.
+
+Já quero porém collocar-me contra o depoimento do sr. Carlos José
+Caldeira, quero admittir que seja grande o zelo dos missionarios
+estrangeiros no desempenho da missão do bispado de Macau.--Se a Egreja
+de Roma é universal e se é verdadeiro o amor que elles teem a esses
+christãos, por que motivo se não offerecem a obedecer, emquanto preciso
+seja, ao prelado portuguez que aos mesmos christãos pertence?--Porque os
+portuguezes desestimam as missões? Não dizem verdade, quando assim
+dizem, pois que para a mesma associação da propagação da fé concorre o
+povo portuguez annualmente com avultados donativos.--Porque a associação
+é incombinavel com o nosso governo? Não me parece, e ainda agora o
+mostrei. O governo que admittiu dez annos em Macau os jesuitas,
+desaffectos ao nosso pleno exercicio na diocese, não deixa porcerto
+d'aceitar a sujeição transitoria dos propagandistas ao mesmo exercicio.
+
+A rasão, pois, é porque não querem, e não querem hoje assim como não
+quizeram desde o primeiro dia, ha muito tempo, em que entraram nas
+nossas missões da Asia, cheias então de missionarios nossos e providas
+com os nossos bispos, e começaram a guerreal-os sem treguas,
+tirando-lh'as uma a uma. Fugindo de caminhar no mais pequeno accôrdo
+comnosco, esforçavam-se unicamente em combater-nos por modo tal, que os
+christãos se entibiavam e mais se afastavam os gentios, vendo em
+anarchia a egreja que tinham antes pela mais unida. Dir-se-hia em
+verdade que era outra e diametralmente opposta a doutrina que vinham
+prégar. Com o desgosto e afastamento dos nossos missionarios e com as
+circumstancias politicas que mais tarde se deram, a usurpação--como
+sempre succede--ganhou com o tempo os fóros de justiça: e para se nos
+tirar o resto do bispado de Macau serve agora a queixa de sermos
+descuidosos, como então servia a de sermos ambiciosos.
+
+Por ambiciosos e descuidosos nos castigou--torno a lembral-o--a
+concordata, que é lei ha doze annos, e pela qual renunciámos
+definitivamente ao padroado em todos os bispados do Japão e da China,
+conservando unicamente o de Macau, e este reduzido a metade. E pois que
+é lei, e emquanto o seja, entendo que deve cumprir-se, e que deve o
+padroeiro portuguez exigir para o bispado de Macau a posse dos limites
+que a mesma lei designou. E quando por quaesquer circumstancias se
+estipulem novos tratados, cumpram-se esses, de modo que se não tolerem
+usurpações á face d'elles, e que nos não deixemos indifferentemente
+punir pela falta de cumprimento de deveres que nem sequer fomos
+admittidos a praticar. É isto o que me parece justo e digno.
+
+Vou concluir, sr. redactor. Muito mais se me offerecia a dizer, mas não
+quero faltar á promessa de abreviar quanto possivel esta carta.
+Dil-o-hei se tiver de escrever-lhe mais sobre o mesmo assumpto.
+
+Ajunto por agora só duas palavras necessarias.
+
+Eu não me referi a Sua Santidade. Entendo e creio que a inalteravel
+rectidão do supremo chefe da Egreja está muito superior á _obstinada
+lesão dos nossos direitos_, de que fallei. Sei bem que esta distincção é
+censurada e vituperada pelos proprios auctores do facto, cuja inteira
+responsabilidade elles querem que seja do Papa, e por bem o saber é que
+mais me apresso a distinguir.--Não fallei pois do Summo Pontifice, e,
+quando tal fizesse para significar que o illudiam, não saberia dizer
+mais do que o sr. Carlos José Caldeira nas seguintes linhas do capitulo
+acima citado:
+
+«A Sua Santidade cabe uma tremenda responsabilidade, e terá talvez de
+responder perante Deus, por todo o mal que teria evitado, se quizesse
+entrar no verdadeiro conhecimento do estado das christandades na Asia, e
+fizesse caminhar pelas vias regulares e honestas a Congregação da
+Propaganda Fide, que tanto se afasta dos deveres do seu instituto;
+porque se deixa guiar por interesses mundanos e más paixões, e trata com
+incrivel leviandade e desleixo os mais consequentes negocios da Egreja.
+É por isto que muitos lhe chamam na Asia--_Congregação de destruenda
+fide._»
+
+S. C., 1.º d'abril de 1872.
+
+ Sou de v. ex.ª
+
+ _A. Marques Pereira._
+
+
+
+
+VI
+
+
+O collaborador não tornou até hoje, e diga-se isto sem desdouro seu,
+pois que, para mais segura defeza do que escrevêra sem provocação, desde
+logo se desobrigára de replicar.
+
+Depois de publicada a carta que precede, indo eu não sei já com que
+humilde pretensão ao escriptorio do _Diario de Noticias_, em aprazivel e
+variada conversa de minutos junto d'aquella meza feracissima de cujos
+escriptos se alastra Portugal e seus dominios, ouvi de um dos srs.
+collaboradores certa informação que, dias antes, me faria redigir de
+modo algum tanto differente a mesma carta. O folheto acabava
+engraçadissimo se eu repetisse agora a informação: nada me auctorisa
+porem a fazel-o, ainda que o cavalheiro a não declarou segredo.
+
+Acaba por isso triste, inutil, abstracto--á maneira de esphinge velha,
+perdida em areiaes do Egypto... á maneira do padroado portuguez na China.
+
+
+FIM.
+
+
+
+
+
+End of the Project Gutenberg EBook of O Padroado Portuguez na China, by
+A. Marques Pereira
+
+*** END OF THIS PROJECT GUTENBERG EBOOK O PADROADO PORTUGUEZ NA CHINA ***
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+Project Gutenberg-tm is synonymous with the free distribution of
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+including obsolete, old, middle-aged and new computers. It exists
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+Gutenberg Literary Archive Foundation was created to provide a secure
+and permanent future for Project Gutenberg-tm and future generations.
+To learn more about the Project Gutenberg Literary Archive Foundation
+and how your efforts and donations can help, see Sections 3 and 4
+and the Foundation web page at https://www.pglaf.org.
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+Foundation
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+The Project Gutenberg Literary Archive Foundation is a non profit
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+Revenue Service. The Foundation's EIN or federal tax identification
+number is 64-6221541. Its 501(c)(3) letter is posted at
+https://pglaf.org/fundraising. Contributions to the Project Gutenberg
+Literary Archive Foundation are tax deductible to the full extent
+permitted by U.S. federal laws and your state's laws.
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+business@pglaf.org. Email contact links and up to date contact
+information can be found at the Foundation's web site and official
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+Literary Archive Foundation
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+array of equipment including outdated equipment. Many small donations
+($1 to $5,000) are particularly important to maintaining tax exempt
+status with the IRS.
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+The Foundation is committed to complying with the laws regulating
+charities and charitable donations in all 50 states of the United
+States. Compliance requirements are not uniform and it takes a
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+particular state visit https://pglaf.org
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+have not met the solicitation requirements, we know of no prohibition
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+Section 5. General Information About Project Gutenberg-tm electronic
+works.
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+concept of a library of electronic works that could be freely shared
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+Gutenberg-tm eBooks with only a loose network of volunteer support.
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+Project Gutenberg's O Padroado Portuguez na China, by A. Marques Pereira
+
+This eBook is for the use of anyone anywhere at no cost and with
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+with this eBook or online at www.gutenberg.org
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+
+Title: O Padroado Portuguez na China
+
+Author: A. Marques Pereira
+
+Release Date: March 18, 2010 [EBook #31693]
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+Language: Portuguese
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+*** START OF THIS PROJECT GUTENBERG EBOOK O PADROADO PORTUGUEZ NA CHINA ***
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+Produced by Pedro Saborano (produced from scanned images
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+<p>&nbsp;</p>
+<p>&nbsp;</p>
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+<p style="font-size: 2em;">O PADROADO PORTUGUEZ NA CHINA</p>
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+<p>&nbsp;</p>
+
+<p style="font-size: 1.4em;">A. MARQUES PEREIRA</p>
+<hr style="width: 20%;">
+
+<p style="font-size: 2em;">O PADROADO PORTUGUEZ</p>
+
+<p style="font-size: 1.6em;">NA CHINA</p>
+
+<p>(Impresso requisitado por um amigo)</p>
+
+<p>&nbsp;</p>
+<p>&nbsp;</p>
+<hr style="width: 30%;">
+<p>&nbsp;</p>
+<p>&nbsp;</p>
+<p>LISBOA<br>
+
+IMPRENSA DE J. G. DE SOUSA NEVES<br>
+
+65&mdash;Rua da Atalaia&mdash;67<br>
+
+1873</p>
+</div>
+
+<p>&nbsp;</p>
+<p>&nbsp;</p>
+<p>&nbsp;</p>
+<p>&nbsp;</p>
+
+<p style="font-size: 1.2em;">A JOSÉ MIGUEL VICTOR DE FIGUEIREDO</p>
+
+<p>&nbsp;</p>
+<p>&nbsp;</p>
+<p>&nbsp;</p>
+<p>&nbsp;</p>
+
+<div id="corpo">
+<p> <span class="pn">{7}</span></p>
+
+<p>Um excellente amigo meu da China (e, Deus Louvado, ainda ahi os tenho de
+molde que me tira a vontade de enxergar os fundibularios covardes que tentaram
+e lograram com a mais infame das ciladas molestar-me nos excessos do brio)
+tendo visto uma das tres pequenas cartas que adiante se lêem, cheio de honesto
+e constante interesse pelo assumpto que levemente suggerem, e julgando dos
+ocios do esclarecido jornalismo politico lisbonense com a ingenuidade de um
+portuguez distante: pediu-me, por carta, que lhe mandasse, colligida em volume,
+toda a controversia que antecedêra e seguíra o que tinha lido.<span
+class="pn">{8}</span></p>
+
+<p>Respondi-lhe que a <em>controversia</em> toda pouco mais era, e nem sequer
+chegaria a dar um folheto; que a uma segunda carta minha, que a <em>Gazeta do
+Povo</em>, publicou, não houvera mais resposta: silencio este que, não podendo
+ser attribuido á victoria cesárea dos meus abreviados argumentos, tambem com
+inteira justiça se não podia imputar á insufficiencia d'aquella folha, a qual
+desde logo manifestára que a replica, a ter lugar, não cabia á sua redacção
+effectiva, mas a um seu illustrado collaborador e amigo; e finalmente que já se
+annunciava a substituição da <em>Gazeta</em> pelo <em>Paiz</em>, e que não era
+de presumir que este cuidasse em tomar dos collaboradores d'aquella o legado
+triste, e felizmente descurado havia mezes, de desmentir e annullar os
+restantes direitos do nosso padroado portuguez na China.</p>
+
+<p>Insiste o meu amigo, pela recemvinda mala, em que lhe mande o folheto,
+entendendo que, por muito exiguo que seja, sempre terá a efficacia de um brado
+ou um gemido em causa de tanta justiça.&mdash;Não sei recusar-lhe nada, e até o
+muito que o estimo quasi me não deixa sorrir da sua confiança em brados ou
+gemidos a favor de causas justas. Permitta-me porém a sua amisade que declare
+aqui bem explicitamente que a unica pretensão e o unico intuito d'esta
+pequenina copilação é satisfazer a um pedido seu, e sem demora de um paquete.</p>
+
+<p>&nbsp;</p>
+
+<p>Lisboa, 21 de fevereiro de 1873.<span class="pn">{9}</span></p>
+
+<p>&nbsp;</p>
+
+<h1>I</h1>
+
+<p>Em 19 de fevereiro do anno findo, sobre a leitura de justissimas
+considerações do meu referido amigo, dirigi a seguinte carta ao <em>Diario de
+Noticias</em>, que a publicou em 20:</p>
+
+<p>&nbsp;</p>
+
+<p style="text-align: right;">Ex.<sup>mo</sup> sr. redactor,</p>
+
+<p>Com respeito á nossa colonia de Macau, ha tres questões palpitantes,
+importantissimas, que a imprensa periodica de Lisboa conhece, creio eu,
+comquanto as não discuta. São a ratificação do tratado de 1862; as alfandegas
+chinesas em territorio portuguez; a emigração. A solução da primeira depende da
+habilidade e pericia<span class="pn">{10}</span> do nosso plenipotenciario. A
+da segunda da inteiresa e energia das primeiras auctoridades do
+estabelecimento. A da terceira da rigorosa e imparcial observancia dos
+regulamentos, e do bom accôrdo com a diplomacia inglesa. A nenhuma dellas me
+refiro n'esta carta. Sobre a primeira e terceira tenho escripto em demasia,
+tanto livre como officialmente. Da segunda sou victima, e portanto suspeito
+perante o programma de uma folha incolor. Existe porém uma quarta questão
+pendente, esquecida ha muitos annos, mas nem por isso pouco importante para a
+colonia de Macau. A solução d'esta depende do sr. ministro da marinha e do
+governo. Refiro-me ao padroado portuguez na China, e reduzo-me a historial-o em
+poucas palavras. O bispado portuguez de Macau, erecto pela bulla de Gregorio
+XIII, de 23 de janeiro de 1575, comprehendeu em seu principio toda a China e
+Japão, terras e ilhas adjacentes. Em 1588 foi creado o bispado de Funay, no
+Japão, e em 1690 os de Pekim e Nankim. Innocencio XII, logo depois, reduziu
+consideravelmente os limites dos bispados da China, que abraçavam, além das
+provincias do imperio, a Tartaria, Tongking e todas as ilhas. Esta
+circumscripção foi que designou ao de Macau as provincias de Kuang-tung,
+Kuangsi e as ilhas que a ellas pertencem,&mdash;e assim durou até não ha muitos
+annos. Seguiu-se a concordata, ratificada em 6 de fevereiro de 1860, que pelos
+artigos 3.º e 4.º e annexo <em>A</em> reduziu ainda o padroado portuguez na
+China á diocese de Macau, e esta á provincia de Kuang-tung e ilhas adjacentes,
+com excepção de Hongkong. Esta diocese, por estar de si bem determinada, não
+exige para o seu completo reconhecimento a circumscripção prévia que a mesma
+concordata estabelece necessaria para as da India. Comtudo em 1872 os
+missionarios da<span class="pn">{11}</span> congregação da <em>Propaganda</em>
+conservam-se em toda a provincia de Kuang-tung com um bispo estrangeiro, a
+despeito da justissima antipathia das christandades; e a Santa Sé mantem a
+recusa da confirmação do bispo apresentado pelo real padroeiro na fé dos
+citados artigos.&mdash;Lembrar a necessidade que tem de um bispo a diocese de Macau,
+viuva ha vinte annos, e a obrigação que tem o governo de se fazer ouvir do
+supremo chefe da egreja para que considere e afaste a obstinada lesão dos
+nossos direitos, já tão diminuidos, é, sr. redactor, o objecto d'esta minha
+carta, que abreviei quanto me foi possivel.</p>
+
+<p>S. C., 19 de fevereiro de 1872.</p>
+
+<p>&nbsp;</p>
+
+<p style="text-align: right;">De v. ex.ª</p>
+
+<p>&nbsp;</p>
+
+<p style="text-align: right;"><em>A. Marques Pereira</em><span class="pn">{12}</span>
+</p>
+
+<p><span class="pn">{13}</span></p>
+
+<p>&nbsp;</p>
+
+<h1>II</h1>
+
+<p>Na <em>Gazeta do Povo</em> de 27 li depois isto:</p>
+
+<p>&nbsp;</p>
+
+<p>NOTICIAS DE MACAU E QUESTÃO DO PADROADO</p>
+
+<p>&nbsp;</p>
+
+<hr style="border: 0; border-bottom: dotted 2px #000;">
+
+<p>«A proposito de coisas de Macau, mencionemos uma carta assignada pelo sr.
+Marques Pereira em 19 do corrente mez, e publicada no <em>Diario de
+Noticias</em>. Seu objecto principal é ácerca do padroado da China, e da
+questão da escolha e confirmação de bispo para Macau.</p>
+
+<p>Censura o sr. Marques Pereira a recusa da Santa Sé áquella confirmação,
+chamando-lhe obstinada lesão dos nossos direitos.<span class="pn">{14}</span></p>
+
+<p>Para que o publico não seja induzido em erro por taes asserções de pessoa
+que é tida por entendida nos negocios de Macau, contrapomos áquella carta
+algumas observações sobre o mesmo assumpto, copiadas da <em>Correspondencia de
+Portugal</em> de 29 de janeiro ultimo. Este excellente jornal é pouco lido no
+paiz, e por isso mui limitado numero de individuos conhecerão aquellas
+observações.</p>
+
+<p>Julgamos, pois, fazer bem em vulgarisal-as, para que na apreciação de
+assumpto tão importante, se julgue com a imparcialidade e exempção de
+preconceitos que elle reclama.</p>
+
+<hr style="width: 10%;">
+
+<p>«Está confirmada por Sua Santidade a transferencia do sr. bispo eleito e
+confirmado de Macau para a diocese d'Angra, da qual já mandou tomar posse.</p>
+
+<p>«Está pois vaga a mitra de Macau, e é, a nosso vêr, uma urgente necessidade
+provêl-a sem demora. A falta dum prelado sagrado n'aquella cidade é mui
+prejudicial para seus interesses religiosos e civis. Mas a apresentação do novo
+bispo de nada servirá, se o governo não quizer acceitar as respectivas bullas
+com as restricções de jurisdicção exaradas nas do sr. D. João, quando foi
+confirmado bispo de Macau, ou com outras.</p>
+
+<p>«O sr. marquez de Sá da Bandeira, com o tino e sensatez que lhe dá o muito
+conhecimento que possue dos negocios do ultramar, resolveu, na ultima vez que
+foi ministro da marinha, acceitar aquellas bullas, o que os ministros seus
+predecessores tinham recusado.</p>
+
+<p>«Se o digno actual ministro da marinha não fôr d'esta opinião, então é
+inutil a apresentação de novo bispo, e só servirá para renovar já cansadas
+questões, que não levarão a melhor resultado do que até agora.<span
+class="pn">{15}</span></p>
+
+<p>«Se o governo sinceramente quer attender ás necessidades religiosas de
+Macau, entre em cordeaes negociações com a Santa Sé para restringir, ao menos
+provisoriamente, a desmedida extensão da diocese de Macau.</p>
+
+<p>«Proponha-se que o novo bispo seja confirmado com a jurisdicção limitada,
+não á cidade de Macau, como foi o ultimo bispo eleito, mas á contigua
+denominada peninsula de <em>Heang-cham</em> e ilhas chinezas circumvizinhas.
+Actualmenle não ha n'estes territorios missionarios nem estabelecimentos alguns
+da <em>Propaganda Fide</em>, e portanto nenhumas difficuldades se suscitariam.
+</p>
+
+<p>«É sufficiente terreno e população para uma excellente missão, proporcionada
+aos nossos meios, pois tudo comprehenderá 500:000 a 600:000 habitantes, que
+teem continuo trato com os portuguezes, cujos costumes e leis mais ou menos
+conhecem, e parte delles por vezes teem aproveitado a protecção da nossa
+bandeira, fugindo á guerra civil, ou ás extorsões dos seus mandarins.</p>
+
+<p>«Uma missão n'estes limites, dirigida com zelo, habilidade e perseverança
+por alguns missionarios portuguezes, auxiliados pelo clero indigena chinez ou
+de Macau, conseguiria, em algumas dezenas de annos, christianisar, senão toda,
+decerto uma grande parte da população, e preparal-a talvez para acceitar
+gostosa o nosso dominio temporal, aproveitando o governo portuguez algum ensejo
+favoravel, facil de se dar no estado de desorganisação politica e social em que
+se vê o grande povo chinez.</p>
+
+<p>«A guerra civil, que sempre mais ou menos lavra na China, e a renovação da
+guerra com estrangeiros, que é inevitavel, mais tarde ou mais cedo, renovarão
+as circumstancias, tão infelizmente desaproveitadas, que occorreram<span
+class="pn">{16}</span> na ultima famosa guerra entre o celeste imperio e a
+França e Inglaterra. Ha mais de dez annos poderiamos possuir a peninsula de
+<em>Heang-cham</em>, se não fôra a criminosa incuria, quasi incrivel, d'um
+ministro d'aquella época e dos seus empregados.</p>
+
+<p>«Preparar taes resultados será ao mesmo tempo um grande serviço á religião e
+á civilisação, e ao engrandecimento e gloria da patria.</p>
+
+<p>«A occasião é a melhor possivel. O prestigio e influencia da França nos
+negocios da China está sustado por largos annos. Os interesses politicos e
+religiosos d'aquella potencia é que nos podiam contrariar; estabelecendo seus
+missionarios, capellas, hospitaes e escolas no referido territorio, como tem
+feito em todo o resto da provincia de Cantão, em Kuang-si e no Hainão,
+extensissimos paizes, comprehendidos de direito na diocese de Macau, mas ha
+muitos annos de facto perdidos para o padroado real, pela falta de cumprimento
+das obrigações do padroeiro.</p>
+
+<p>«Não ha, pois, receio que a França venha oppôr difficuldades ao indicado
+accôrdo com a Santa Sé, que julgamos não se recusará a elle, nem rasoavelmente
+o póde fazer. Para nós, Portuguezes, nada tem de indecoroso, como o poderão
+julgar alguns animos possuidos de exaggerado e insciente patriotismo.</p>
+
+<p>«Devemos francamente reconhecer que foi justa a restricção imposta pelo
+Summo Pontifice nas bullas da confirmação do mencionado ultimo bispo eleito de
+Macau, e que o será se se repetir esse facto, com o qual o governo deve contar,
+se apresentar novo bispo.</p>
+
+<p>«Se Portugal não cumpre a concordata na parte onerosa, como póde exigir o
+pleno cumprimento d'ella na parte benefica e de privilegio?<span
+class="pn">{17}</span></p>
+
+<p>«É já tempo que os ministros, os representantes do paiz e a imprensa que se
+diz liberal, deixem esse systema de declamações apaixonadas, quando se trata da
+questão do padroado, que não estudam, ou não querem estudar, com a
+imparcialidade e justiça que ella exige.</p>
+
+<p>«Ha até conveniencias positivas e puramente politicas, que aconselham a
+desistir temporariamente, ou mesmo para sempre, ao direito da actual
+circumscripção da diocese de Macau. Isso nos livraria de muitos embaraços e
+vergonhas. Firmemos bem o dominio espiritual onde temos o temporal, tão
+vacillante nas colonias; e deixemos pretensões que se tornaram já ridiculas
+perante a Europa, pelo estado de abatimento e desorganisação em que está
+Portugal.»</p>
+
+<hr style="width: 10%;">
+
+<p>Eis, pois, o que diz a <em>Correspondencia de Portugal</em>. Ainda que não
+concordassemos inteiramente com as opiniões expostas, as julgamos dignas de
+attenção quando se trata de apresentar novo prelado para Macau, o que tambem
+entendemos não se dever demorar.»<span class="pn">{18}</span> <span
+class="pn">{19}</span></p>
+
+<p>&nbsp;</p>
+
+<h1>III</h1>
+
+<p>Era uma accusação de induzir o publico em erro. Outras maiores ainda recebi
+já da imprensa, felizmente com igual justiça, mas em Lisboa foi, e é até agora,
+a primeira que eu lêsse. Maiores ou menores tenho a fraqueza de levantar todas,
+emquanto me não chegue a má hora,&mdash;e espero que não chegue,&mdash;da consciencia me
+confirmar alguma. Entendo que a voz da imprensa deve ser sempre ouvida e
+discutida, de qualquer lado e até de qualquer modo que sõe. Chamei a isto
+fraqueza, e perdõe-se-me á conta de poder chamar-lhe parvoice. Quando, infamado
+pelo mais abjecto de quantos periodicos é crivel que possam existir, pedi ser
+suspenso do exercicio do meu cargo e corri aos tribunaes extrangeiros<span
+class="pn">{20}</span> e nossos a esmagar a calumnia e os calumniadores pelo
+mais brilhante modo que um funccionario póde sequer desejar, encontrei na volta
+o mesmo cargo provido por insidia venal e patronato, e reclamando perante o
+ministro da marinha d'esse dia (que era por signal advogado) tive em resposta
+<em>que me sobejava rasão, mas nada havia a fazer contra factos consummados de
+que elle ministro não era culpado e que dariam ao funccionario demittido hoje a
+mesma rasão de queixa que eu tinha pelo haver sido hontem</em>. D'aqui aprendam
+quando injuriados, se poderem, os funccionarios publicos futuros. Eu por mim,
+dado o caso, reincidiria na tontice, e óro a Deus que me não accusem d'ella
+meus filhos quando a miseria se aprouver de leval-os á idade da rasão.&mdash;Trouxe
+eu isto fóra de proposito para dizer que respondi á <em>Gazeta do Povo</em>, em
+cujo numero 700 se lê:</p>
+
+<p>&nbsp;</p>
+
+<p>«Recebemos do sr. Marques Pereira a carta que em seguida publicâmos. Não lhe
+respondemos, porque deixamos esse cuidado ao nosso illustrado amigo e
+collaborador, que trata da questão de Macau, e que por estar ausente só virá a
+ter conhecimento da carta do sr. Pereira quando a receber impressa na
+<em>Gazeta do Povo</em>.</p>
+
+<p>Posto que a polemica mais pareça desejar encetar-se com relação ao que
+escreveu a <em>Correspondencia de Portugal</em>, ao nosso collaborador ficará
+pois não só o cuidado, mas a liberdade de fazer o que lhe approuver.</p>
+
+<p>Eis a carta:»<span class="pn">{21}</span></p>
+
+<p>&nbsp;</p>
+
+<p style="text-align: right;">Ex.<sup>mo</sup> sr. redactor da <em>Gazeta do
+Povo</em>,</p>
+
+<p>Ha poucos dias dirigi ao <em>Diario de Noticias</em> uma breve carta
+lembrando a necessidade de se obter a confirmação de um bispo para Macau e os
+limites que a concordata ratificada em fevereiro de 1860 designou áquella
+diocese. Acrescentei simplesmente que,&mdash;logo depois da concordata,&mdash;a recusa de
+tal confirmação com os limites de jurisdicção estipulados, e a permanencia dos
+padres da <em>Propaganda</em> na provincia de Kuang-tung (quando ainda existem,
+mesmo na Asia, muitos paizes sem missões) era uma obstinada lesão dos direitos
+do padroado portuguez, já tão diminuidos.</p>
+
+<p>No seu jornal de 27 do corrente, cita v. ex.ª essa minha carta, e, <em>para
+que o publico não seja induzido em erro por ella</em>, entende dever
+contrapôr-lhe um artigo da <em>Correspondencia de Portugal</em> de 29 de
+janeiro, que effectivamente transcreve.</p>
+
+<p>Transcripto o artigo, diz por ultimo v. ex.ª que julga as opiniões d'elle
+dignas de attenção, posto que não concorde inteiramente com ellas.</p>
+
+<p>Ignoro portanto qual seja a opinião de v. ex.ª sobre o assumpto do padroado
+portuguez na China, e absolutamente não comprehendo,&mdash;ainda depois de lêr o
+artigo da <em>Correspondencia de Portugal</em>,&mdash;de que modo a minha brevissima
+carta, simplesmente historica, possa <em>induzir o publico em erro</em>. N'essa
+carta indiquei o direito existente, assegurado por um tratado moderno: a
+<em>Correspondencia de Portugal</em> propõe que se estipule um direito novo.
+Disse eu que, descrevendo a concordata os limites da diocese, devia haver um
+bispo portuguez com jurisdicção nesses limites. Diz a <em>Correspondencia de
+Portugal</em> que taes limites são ainda exagerados e<span
+class="pn">{22}</span> conviria reduzil-os á peninsula (aliás ilha) de
+Hianchan, de cujo dominio temporal se lhe afigura que viriamos mais tarde a
+apossar-nos. Em nada refuta isto o direito que até agora a concordata
+estabelece e eu lembrei.</p>
+
+<p>Haveria porém muito, é certo, que discutir no artigo, e, se é intento de v.
+ex.ª franquear a essa discussão as columnas do seu jornal, offereço-me eu a
+tomar n'ella humilde parte.</p>
+
+<p>&nbsp;</p>
+
+<p>S. C., Praça de S. Paulo 13, 1.º;</p>
+
+<p>29 de fevereiro de 1872.</p>
+
+<p>&nbsp;</p>
+
+<p style="text-align: right;">De v. ex.ª</p>
+
+<p style="text-align: right;"><em>A. Marques Pereira.</em><span
+class="pn">{23}</span></p>
+
+<p>&nbsp;</p>
+
+<h1>IV</h1>
+
+<p>Em 12 de março veio dizendo o illustrado amigo e collaborador da <em>Gazeta
+do Povo</em>:</p>
+
+<p>&nbsp;</p>
+
+<p style="text-align: center;">«MACAU&mdash;QUESTÃO DO PADROADO</p>
+
+<p>&nbsp;</p>
+
+<p>Quando démos as noticias de Macau vindas na precedente malla, aludimos a uma
+carta do sr. Marques Pereira, publicada no <em>Diario de Noticias</em>, ácerca
+da confirmação do novo bispo para aquella diocese, que o governo tem de
+apresentar.</p>
+
+<p>Aquella referencia motivou outra carta do mesmo senhor, dirigida a este
+jornal, na qual declarando a primeira<span class="pn">{24}</span>
+<em>simplesmente historica</em>, diz que por isso não comprehende como possa
+induzir o publico em erro.</p>
+
+<p>Ainda que ha escriptores que erram na historia, e ás vezes scientemente, a
+nossa allusão não foi decerto á parte historica da carta do sr. Marques
+Pereira, mas sim á opinião ou asserção de que a Santa Sé recusára a confirmação
+do bispo para Macau, <em>por obstinada lesão dos nossos direitos</em>. A esta
+opinião do escriptor, segue-se uma instancia ou conselho ao governo, para que
+exija a confirmação do bispo de Macau, sem restricções de jurisdicção, pelo
+direito estabelecido na concordata; nada dizendo sobre os deveres a que por
+ella está obrigado o mesmo governo e que não tem cumprido.</p>
+
+<p>Ora isto não é <em>simplesmente historico</em>. É uma apreciação que
+julgámos errada, e um conselho que entendemos mau; rasão porque lhe
+contrapozemos o artigo da <em>Correspondencia de Portugal</em>, que esclarece a
+questão, e mostra que não ha n'este caso da parte da Santa Sé obstinada lesão
+dos direitos da corôa portugueza.</p>
+
+<p>O Papa não recusou a confirmação do ultimo bispo eleito de Macau, o sr. D.
+João Botelho do Amaral, hoje bispo d'Angra: pelo contrario, confirmou-o
+promptamente; mas com a jurisdicção restricta á cidade de Macau, emquanto o
+governo de Portugal não cumprir as obrigações do padroeiro, designadas na
+Concordata.</p>
+
+<p>É este um tratado ou pacto que estabelece direitos e obrigações para ambos
+os contractantes.</p>
+
+<p>Aconselhar, pois, como faz o sr. Marques Pereira, ao governo portuguez que
+exija a manutenção dos direitos, sabendo-se que este não tem cumprido, e que
+não mostra meios nem disposições para cumprir, as correlativas, obrigações; é
+que nos parece se póde dizer desejo de obstinada lesão contra o direito e a
+justiça natural.<span class="pn">{25}</span></p>
+
+<p>Ainda que seria nas columnas da <em>Correspondencia de Portugal</em>, que
+melhor caberia a contestação do artigo que d'ella transcrevemos; comtudo se o
+sr. Marques Pereira quizer publical-a n'este jornal, de bom grado o faremos,
+pela muita attenção em que temos este conhecido escriptor, sem que isso nos
+obrigue a discussão.»<span class="pn">{26}</span> <span class="pn">{27}</span>
+</p>
+
+<p>&nbsp;</p>
+
+<h1>V</h1>
+
+<p>Ora a <em>Correspondencia de Portugal</em> não me culpára de induzir em erro
+pessoa alguma, e até o artigo que se extrahira d'ella para me convencer da
+culpa (v. pag. 14) antecedêra tres semanas a minha innocente e brevissima carta
+ao <em>Diario de Noticias</em>. Não vendo assim motivo de a importunar, e tendo
+vencido uma doença que me importunou a mim alguns dias, dirigi mais uma carta á
+<em>Gazeta do Povo</em>, que a inseriu logo e sem commentarios.</p>
+
+<p>Dizia:</p>
+
+<p style="text-align: right;">Ex.<sup>mo</sup> sr. redactor da <em>Gazeta do
+Povo</em>,</p>
+
+<p>Por falta de saude deixei de responder logo ao ultimo artigo em que tratou
+do padroado portuguez na China,<span class="pn">{28}</span> com referencia a
+uma carta minha, e em que se dignou franquear o seu jornal á publicação das
+modestas considerações que me propuz expender a respeito dum artigo da
+<em>Correspondencia de Portugal</em> sobre o mesmo assumpto: artigo que v. ex.ª
+transcrevêra como refutação a uma outra carta que dirigi ao <em>Diario de
+Noticias</em>.</p>
+
+<p>Tratarei de resumir quanto possivel o que tenho a dizer, porque infelizmente
+nem a naturesa do assumpto chamaria grande attenção a um artigo em demasia
+extenso, nem abusando eu do espaço do seu jornal corresponderia devidamente ao
+favor de v. ex.ª</p>
+
+<p>Aceitemos um momento por incontestavel toda a culpa que v. ex.ª e a
+<em>Correspondencia de Portugal</em> attribuem ao governo portuguez na questão
+do bispado de Macau. Ainda assim me parece que, a não sermos mais inimigos dos
+restantes direitos do padroado portuguez do que o são os proprios agentes da
+<em>Propaganda</em>, deveriamos duplicadamente citar a concordata para que o
+governo cumprisse os seus deveres e exigisse os seus direitos. Querer que o
+culpado se não arrependa nem se defenda, e seja unicamente accusador e executor
+de si mesmo, parece-me injusto.</p>
+
+<p>Mas, sr. redactor, somos nós hoje em verdade tão culpados quanto v. ex.ª e a
+<em>Correspondencia de Portugal</em> nos fazem? Pois não foi exactamente para
+castigo de nossas culpas que a concordata nos tirou todos os bispados da China,
+á excepção do de Macau, e reduziu este mesmo á colonia portugueza com a
+provincia de Kuang-tung?</p>
+
+<p>E que succedeu porém?</p>
+
+<p>Ratificada a concordata os missionarios estrangeiros conservam-se em Cantão
+sob a exclusiva auctoridade d'um bispo seu que a Santa Sé lhes confirma, e ao
+real<span class="pn">{29}</span> padroeiro portuguez é successivamente recusada
+a confirmação de dois bispos eleitos, ou offerecida com a restricção de
+jurisdicção ás tres freguezias da cidade de Macau!</p>
+
+<p>A isto só v. ex.ª me oppõe,&mdash;permitta-me que o diga,&mdash;o eterno argumento dos
+<em>Annaes da associação da Propaganda</em> e publicações similhantes, do qual
+muitas vezes se usou com verdade tratando em geral do padroado portuguez no
+oriente, e de que muitas mais se abusou com injustiça a respeito de varias
+partes do mesmo padroado:&mdash;e é que a concordata impõe obrigações assim como
+assegura direitos, que no exercicio d'estes deve o padroeiro cumprir aquellas,
+e que pois as não cumpre os direitos cessam.</p>
+
+<p>Em primeiro logar, quem viu que as não cumprisse o padroeiro? Se nem um dia,
+se nem uma hora lhe foi dado exercer na China a jurisdicção que a concordata
+lhe deixou, onde se encontra o testemunho de haver faltado aos deveres a que se
+obrigou por ella?</p>
+
+<p>Encontra-se&mdash;dir-me-hiam os ecos da associação&mdash;na manifesta incapacidade
+de os cumprir, porque não admittindo em seus estados ordens religiosas, não
+póde provêr missões.</p>
+
+<p>Para tal resposta ser justa fôra mister que ao tempo de celebrar-se a
+concordata houvesse em Portugal ordens religiosas, ou que por esse tratado nos
+obrigassemos a admittil-as para missionar.</p>
+
+<p>Mas não; a concordata foi assignada em fevereiro de 1857 e ratificada em
+fevereiro de 1860, e a unica obrigação, dever ou condição que, relativamente ao
+bispado de Macau, nos impõe é (queira v. ex.ª reparar) <em>que se procure pelo
+real padroeiro augmentar o numero de habeis e idoneos missionarios, que, além
+dos existentes</em><span class="pn">{30}</span> (em 21 de fevereiro de 1857),
+<em>se empreguem na conservação e na propagação da fé catholica n'aquellas
+regiões</em>.</p>
+
+<p>Ora, eu não vim a esta questão como paladino apaixonado do nosso governo, ou
+de qualquer dos nossos governos. Acho-me até presentemente, e ha dois annos,
+n'uma situação individual tão iniquamente desattendida pela nossa entidade
+chamada governo, que não é de suppôr que eu ande muito preoccupado pelo empenho
+de lhe ser agradavel nos meus raros e pobres escriptos. Mas tambem não sei
+fazer côro em accusações de que não tenha inteira consciencia, e no que
+respeita ao bispado de Macau não me parece que a indifferença tenha sido tanta
+que, perante a lettra da concordata, que acabo de citar, justifique o duro
+castigo que v. ex.ª approva. O governo chegou a entregar o seminario de S. José
+de Macau aos jesuitas durante dez annos, desde 1862 até ha poucos mezes, e, se
+isto não mostra grande respeito á lei, denota ao menos com summa evidencia a
+boa vontade que a <em>Propaganda</em> lhe nega. É verdade que em todo esse
+tempo os jesuitas nada fizeram a bem d'aquella porção do padroado, antes se
+mostraram sempre encarniçadissimos inimigos de taes direitos, mas nada prova
+isso contra a boa intenção que presidiu á experiencia de os admittir.</p>
+
+<p>Mas dirá ainda a <em>Propaganda</em>: as missões não podem confiar-se a
+experiencias, nem a protestos de boa vontade; a concordata não tem valor ante o
+principio <em>salus populi suprema lex</em>, e a christandade de Cantão seria
+grandemente prejudicada e arriscada, se a deixassemos.</p>
+
+<p>Para v. ex.ª avaliar este argumento, pedirei apenas que se digne lêr o
+capitulo vigesimo septimo dos<span class="pn">{31}</span> <em>Apontamentos
+d'uma viagem de Lisboa á China e da China a Lisboa</em> pelo sr. Carlos José
+Caldeira. Teria muito mais que citar, se não receiasse ostentar erudição
+d'obras que difficilmente se encontram em Lisboa, e exporia até o muito que a
+observação pessoal me suggere se não existisse a deposição do dito escriptor,
+por certo conhecidissimo de v. ex.ª Pelo indicado capitulo&mdash;que se intitula
+<em>Missões portuguezas na China, missionarios francezes, padroado real, e a
+sociedade da propagação da fé</em>&mdash;verá v. ex.ª como os missionarios franceses
+e italianos felicitam as christandades que nos tiraram, e apreciará os
+beneficios que resultam para o bispado de Macau do que eu denominei e denomino
+obstinada lesão dos nossos direitos.</p>
+
+<p>Já quero porém collocar-me contra o depoimento do sr. Carlos José Caldeira,
+quero admittir que seja grande o zelo dos missionarios estrangeiros no
+desempenho da missão do bispado de Macau.&mdash;Se a Egreja de Roma é universal e se
+é verdadeiro o amor que elles teem a esses christãos, por que motivo se não
+offerecem a obedecer, emquanto preciso seja, ao prelado portuguez que aos
+mesmos christãos pertence?&mdash;Porque os portuguezes desestimam as missões? Não
+dizem verdade, quando assim dizem, pois que para a mesma associação da
+propagação da fé concorre o povo portuguez annualmente com avultados
+donativos.&mdash;Porque a associação é incombinavel com o nosso governo? Não me
+parece, e ainda agora o mostrei. O governo que admittiu dez annos em Macau os
+jesuitas, desaffectos ao nosso pleno exercicio na diocese, não deixa porcerto
+d'aceitar a sujeição transitoria dos propagandistas ao mesmo exercicio.</p>
+
+<p>A rasão, pois, é porque não querem, e não querem<span class="pn">{32}</span>
+hoje assim como não quizeram desde o primeiro dia, ha muito tempo, em que
+entraram nas nossas missões da Asia, cheias então de missionarios nossos e
+providas com os nossos bispos, e começaram a guerreal-os sem treguas,
+tirando-lh'as uma a uma. Fugindo de caminhar no mais pequeno accôrdo comnosco,
+esforçavam-se unicamente em combater-nos por modo tal, que os christãos se
+entibiavam e mais se afastavam os gentios, vendo em anarchia a egreja que
+tinham antes pela mais unida. Dir-se-hia em verdade que era outra e
+diametralmente opposta a doutrina que vinham prégar. Com o desgosto e
+afastamento dos nossos missionarios e com as circumstancias politicas que mais
+tarde se deram, a usurpação&mdash;como sempre succede&mdash;ganhou com o tempo os fóros
+de justiça: e para se nos tirar o resto do bispado de Macau serve agora a
+queixa de sermos descuidosos, como então servia a de sermos ambiciosos.</p>
+
+<p>Por ambiciosos e descuidosos nos castigou&mdash;torno a lembral-o&mdash;a concordata,
+que é lei ha doze annos, e pela qual renunciámos definitivamente ao padroado em
+todos os bispados do Japão e da China, conservando unicamente o de Macau, e
+este reduzido a metade. E pois que é lei, e emquanto o seja, entendo que deve
+cumprir-se, e que deve o padroeiro portuguez exigir para o bispado de Macau a
+posse dos limites que a mesma lei designou. E quando por quaesquer
+circumstancias se estipulem novos tratados, cumpram-se esses, de modo que se
+não tolerem usurpações á face d'elles, e que nos não deixemos indifferentemente
+punir pela falta de cumprimento de deveres que nem sequer fomos admittidos a
+praticar. É isto o que me parece justo e digno.</p>
+
+<p>Vou concluir, sr. redactor. Muito mais se me offerecia a dizer, mas não
+quero faltar á promessa de abreviar<span class="pn">{33}</span> quanto possivel
+esta carta. Dil-o-hei se tiver de escrever-lhe mais sobre o mesmo assumpto.</p>
+
+<p>Ajunto por agora só duas palavras necessarias.</p>
+
+<p>Eu não me referi a Sua Santidade. Entendo e creio que a inalteravel rectidão
+do supremo chefe da Egreja está muito superior á <em>obstinada lesão dos nossos
+direitos</em>, de que fallei. Sei bem que esta distincção é censurada e
+vituperada pelos proprios auctores do facto, cuja inteira responsabilidade
+elles querem que seja do Papa, e por bem o saber é que mais me apresso a
+distinguir.&mdash;Não fallei pois do Summo Pontifice, e, quando tal fizesse para
+significar que o illudiam, não saberia dizer mais do que o sr. Carlos José
+Caldeira nas seguintes linhas do capitulo acima citado:</p>
+
+<p>«A Sua Santidade cabe uma tremenda responsabilidade, e terá talvez de
+responder perante Deus, por todo o mal que teria evitado, se quizesse entrar no
+verdadeiro conhecimento do estado das christandades na Asia, e fizesse caminhar
+pelas vias regulares e honestas a Congregação da Propaganda Fide, que tanto se
+afasta dos deveres do seu instituto; porque se deixa guiar por interesses
+mundanos e más paixões, e trata com incrivel leviandade e desleixo os mais
+consequentes negocios da Egreja. É por isto que muitos lhe chamam na
+Asia&mdash;<em>Congregação de destruenda fide.</em>»</p>
+
+<p>&nbsp;</p>
+
+<p>S. C., 1.º d'abril de 1872.</p>
+
+<p>&nbsp;</p>
+
+<p style="text-align: right;">Sou de v. ex.ª</p>
+
+<p>&nbsp;</p>
+
+<p style="text-align: right;"><em>A. Marques Pereira.</em><span
+class="pn">{34}</span> <span class="pn">{35}</span></p>
+
+<p>&nbsp;</p>
+
+<h1>VI</h1>
+
+<p>O collaborador não tornou até hoje, e diga-se isto sem desdouro seu, pois
+que, para mais segura defeza do que escrevêra sem provocação, desde logo se
+desobrigára de replicar.</p>
+
+<p>Depois de publicada a carta que precede, indo eu não sei já com que humilde
+pretensão ao escriptorio do <em>Diario de Noticias</em>, em aprazivel e variada
+conversa de minutos junto d'aquella meza feracissima de cujos escriptos se
+alastra Portugal e seus dominios, ouvi de um dos srs. collaboradores certa
+informação que, dias antes, me faria redigir de modo algum tanto differente a
+mesma carta. O folheto acabava engraçadissimo se eu<span class="pn">{36}</span>
+repetisse agora a informação: nada me auctorisa porem a fazel-o, ainda que o
+cavalheiro a não declarou segredo.</p>
+
+<p>Acaba por isso triste, inutil, abstracto&mdash;á maneira de esphinge velha,
+perdida em areiaes do Egypto... á maneira do padroado portuguez na China.</p>
+
+<p>&nbsp;</p>
+
+<p style="text-align: center;">FIM.</p>
+</div>
+
+
+
+
+
+
+
+<pre>
+
+
+
+
+
+End of the Project Gutenberg EBook of O Padroado Portuguez na China, by
+A. Marques Pereira
+
+*** END OF THIS PROJECT GUTENBERG EBOOK O PADROADO PORTUGUEZ NA CHINA ***
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+and help preserve free future access to Project Gutenberg-tm electronic
+works. See paragraph 1.E below.
+
+1.C. The Project Gutenberg Literary Archive Foundation ("the Foundation"
+or PGLAF), owns a compilation copyright in the collection of Project
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+Project Gutenberg-tm is synonymous with the free distribution of
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+To learn more about the Project Gutenberg Literary Archive Foundation
+and how your efforts and donations can help, see Sections 3 and 4
+and the Foundation web page at https://www.pglaf.org.
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+
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+Foundation
+
+The Project Gutenberg Literary Archive Foundation is a non profit
+501(c)(3) educational corporation organized under the laws of the
+state of Mississippi and granted tax exempt status by the Internal
+Revenue Service. The Foundation's EIN or federal tax identification
+number is 64-6221541. Its 501(c)(3) letter is posted at
+https://pglaf.org/fundraising. Contributions to the Project Gutenberg
+Literary Archive Foundation are tax deductible to the full extent
+permitted by U.S. federal laws and your state's laws.
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+throughout numerous locations. Its business office is located at
+809 North 1500 West, Salt Lake City, UT 84116, (801) 596-1887, email
+business@pglaf.org. Email contact links and up to date contact
+information can be found at the Foundation's web site and official
+page at https://pglaf.org
+
+For additional contact information:
+ Dr. Gregory B. Newby
+ Chief Executive and Director
+ gbnewby@pglaf.org
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+
+Section 4. Information about Donations to the Project Gutenberg
+Literary Archive Foundation
+
+Project Gutenberg-tm depends upon and cannot survive without wide
+spread public support and donations to carry out its mission of
+increasing the number of public domain and licensed works that can be
+freely distributed in machine readable form accessible by the widest
+array of equipment including outdated equipment. Many small donations
+($1 to $5,000) are particularly important to maintaining tax exempt
+status with the IRS.
+
+The Foundation is committed to complying with the laws regulating
+charities and charitable donations in all 50 states of the United
+States. Compliance requirements are not uniform and it takes a
+considerable effort, much paperwork and many fees to meet and keep up
+with these requirements. We do not solicit donations in locations
+where we have not received written confirmation of compliance. To
+SEND DONATIONS or determine the status of compliance for any
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+While we cannot and do not solicit contributions from states where we
+have not met the solicitation requirements, we know of no prohibition
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+approach us with offers to donate.
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+any statements concerning tax treatment of donations received from
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+
+Please check the Project Gutenberg Web pages for current donation
+methods and addresses. Donations are accepted in a number of other
+ways including including checks, online payments and credit card
+donations. To donate, please visit: https://pglaf.org/donate
+
+
+Section 5. General Information About Project Gutenberg-tm electronic
+works.
+
+Professor Michael S. Hart was the originator of the Project Gutenberg-tm
+concept of a library of electronic works that could be freely shared
+with anyone. For thirty years, he produced and distributed Project
+Gutenberg-tm eBooks with only a loose network of volunteer support.
+
+
+Project Gutenberg-tm eBooks are often created from several printed
+editions, all of which are confirmed as Public Domain in the U.S.
+unless a copyright notice is included. Thus, we do not necessarily
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+
+
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+This Web site includes information about Project Gutenberg-tm,
+including how to make donations to the Project Gutenberg Literary
+Archive Foundation, how to help produce our new eBooks, and how to
+subscribe to our email newsletter to hear about new eBooks.
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