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+Project Gutenberg's Paz e Arbitragem, by Sebastião de Magalhães Lima
+
+This eBook is for the use of anyone anywhere at no cost and with
+almost no restrictions whatsoever. You may copy it, give it away or
+re-use it under the terms of the Project Gutenberg License included
+with this eBook or online at www.gutenberg.org
+
+
+Title: Paz e Arbitragem
+
+Author: Sebastião de Magalhães Lima
+
+Release Date: May 21, 2009 [EBook #28914]
+
+Language: Portuguese
+
+Character set encoding: ISO-8859-1
+
+*** START OF THIS PROJECT GUTENBERG EBOOK PAZ E ARBITRAGEM ***
+
+
+
+
+Produced by Pedro Saborano. A partir da digitalização
+disponibilizada pela bibRIA.
+
+
+
+
+
+
+ O IDEAL MODERNO
+
+ BIBLIOTHECA
+ POPULAR
+ DE
+ ORIENTAÇÃO
+ SOCIALISTA
+
+
+ PAZ E ARBITRAGEM
+
+
+ DIRECTORES
+ MAGALHÃES LIMA
+ E
+ TEIXEIRA BASTOS
+
+
+ COMP.A N.AL EDITORA
+ SECÇÃO EDITORIAL
+ ADM. J. GUEDES--LISBOA
+
+
+
+
+ O IDEAL MODERNO
+
+
+ PAZ E ARBITRAGEM
+
+ POR
+
+ MAGALHÃES LIMA
+
+ Membro do Bureau Internacional permanente da paz
+
+
+
+
+ LISBOA
+ Secção Editorial da Companhia Nacional Editora
+ Administrador--Justino Guedes
+ 50, Largo do Conde Barão, Lisboa
+ Agencias
+ Porto, Largo dos Loyos, 47, 1.º
+ 38, Rua da Quitanda, Rio de Janeiro
+ 1897
+
+
+
+
+Á Senhora Baroneza de Suttner
+
+
+_Á Senhora Baroneza de Suttner, a brilhante evangelista do movimento
+pacifico, auctora do famoso romance *Abaixo as armas*, que tem feito a
+volta do mundo com um successo nunca visto--dedico e consagro este
+livrinho. No ultimo congresso da paz que se realizou, em Hamburgo, no
+passado mez de agosto, do corrente anno, foi esta illustre senhora quem
+mais se esforçou, para que a nova reunião se effectuasse em Lisbôa,
+pondo, em nosso favor, a sua palavra eloquente e a sua influencia
+prestigiosa._
+
+_Com esta pequena e insignificante offerta, desejo provar-lhe, em
+primeiro logar, a altissima consideração em que é tido, entre nós, o seu
+nome aureolado, e, em segundo logar, pretendo manifestar-lhe
+publicamente o meu inolvidavel reconhecimento na obra grandiosa da paz e
+da arbitragem internacional que proseguimos solidariamente._
+
+
+
+
+I
+
+O movimento pacifico
+
+
+No fim do seculo XIX, nota-se este contraste singular e monstruoso: ao
+passo que as industrias attingem um desenvolvimento maximo, nunca o
+poder do militarismo foi maior do que em nossos dias. A guerra é um
+crime no ponto de vista humanitario; é um crime no ponto de vista
+social; é um crime no ponto de vista moral; e é um crime no ponto de
+vista economico e financeiro. O movimento pacifico tem tomado, por toda
+a parte, proporções assombrosas. Só na Allemanha existem mais de
+sessenta sociedades da paz. Os Estados-Unidos da America e a Inglaterra
+revelam-nos, a cada passo, a tendencia para as idéas pacificas, pela
+pratica da arbitragem. O principio da arbitragem é a maior conquista
+d'este seculo. É a acção do individuo substituindo-se cada vez mais á
+acção do Estado. Os amigos da paz, além da suppressão dos exercitos
+permanentes, pretendem resolver pela arbitragem todos os litigios
+internacionaes. Nada mais racional e nada mais justo. A democracia
+moderna fez da arbitragem uma das suas primeiras reivindicações. Haja
+vista o que succede em todas as grandes republicas; como a Suissa, onde
+existe um verdadeiro partido pacifico, organisado e disciplinado, tendo
+por orgão o interessante jornal--_Os Estados Unidos da Europa_, fundado
+por Charles Lemonnier e como meio de propaganda a _Liga da Paz e da
+Liberdade_ que foi presidida, nas suas primeiras sessões, por Garibaldi
+e Victor Hugo; o Brazil que, ainda ha pouco, recorreu a nós na questão
+relativa á ilha da Trindade; os Estados-Unidos da America que, n'este
+momento, negoceiam com a Inglaterra um tratado de arbitragem permanente.
+Os amigos da paz encontram o seu principal ponto de apoio no
+desenvolvimento intellectual e material das sociedades. As condições
+economicas hão de impor o desarmamento, n'uma épocha mais ou menos
+proxima. A guerra só pode aproveitar aos chefes de Estado, ambiciosos de
+glorias e de conquistas. A guerra e a paz armada constituem um mesmo mal
+e uma mesma calamidade. A affirmação da paz e a condemnação da guerra
+entra hoje, como ponto obrigado, de todas as reivindicações operarias.
+Por occasião do ultimo congresso socialista, que se reuniu em Londres, o
+_meeting_ de _Hyde-Park_, em favor da paz, foi de uma imponencia
+desusada. Affirmar a paz é affirmar o respeito pela vida e pela
+dignidade humana. Affirmar a paz o mesmo é que consagrar o principio do
+trabalho. A guerra só pode interessar aos reis e aos imperadores que
+n'ella encontram o esteio ás suas ambições desregradas e á sua cupidez
+nunca assaz saciada. A democracia quer e consagra a paz, como suprema
+aspiração social.
+
+Sustentam alguns que a guerra é uma solução, e que só ella pode resolver
+as contendas que dividem os povos entre si. Mas, dado que assim fôsse,
+como se explica que *oito mil e tantas guerras* nada puderam resolver
+até hoje? Só Napoleão, á sua parte, causou a morte a *3.700.000*
+pessoas. Em que melhorou a sorte da França com isso? E, porventura,
+modificou ou alterou essa horrivel matança, no minimo que fôsse, os
+destinos da humanidade? Desde 1648 a guerra tem custado á Europa 400
+biliões de francos, roubados á producção e ao trabalho. A paz armada
+absorve dois terços do rendimento das nações. Está calculado que, em
+impostos directos ou indirectos, a guerra absorve, cada anno, cêrca de
+um decimo do rendimento de cada francez. O cidadão que possue 10.000
+francos de rendimento é obrigado a contribuir, para as despesas de
+guerra, com mil francos por anno, sem prejuizo de toda a sua fortuna e
+mesmo da sua vida se ella lhe fôr exigida e reclamada. O operario,
+independentemente dos tres annos que é obrigado a servir na caserna, dos
+vinte oito dias de serviço, em tempo de guerra, em cada anno de plena
+paz, trabalha um mez para a guerra. Egual cálculo se poderia fazer em
+relação aos outros paizes. Simplesmente monstruoso!
+
+Para fazer cessar semelhante estado de cousas, o movimento pacifico
+entendeu dever ampliar a sua esphera de acção, dirigindo-se
+simultaneamente a todas as classes sociaes sem distincção, aos grupos
+nacionaes, aos partidos politicos, aos governos, aos parlamentos e á
+grande massa trabalhadora que parece ainda não ter comprehendido
+claramente as vantagens que, para a civilisação, poderiam advir de um
+desarmamento geral. A idéa de patria está hoje consubstanciada nos
+exercitos permanentes, nas alfandegas, n'um proteccionismo economico
+levado ao seu maximo exaggêro e n'outros meios artificiaes que servem
+sómente para cavar um abysmo, cada vez mais fundo, entre os povos. Em
+nome de um falso patriotismo, commettem-se os maiores absurdos e as
+maiores infamias. No dia em que todos se convencerem que o patriotismo,
+invocado pelos governos, não passa de um pretexto para illudir e
+escravisar os povos; no dia em que o proletariado responder ao
+chamamento ás armas com uma gréve geral ou com a recusa ao serviço
+militar, n'esse dia terá soado a ultima hora para essa nefasta politica
+que alguem appellidou a _politica dos kilometros quadrados_.
+
+A paz é a grande questão, por excellencia, a que estão subordinadas
+todas as soluções, sociaes, philosophicas e humanitarias. Assim o
+comprehendem os pensadores, os philantropos, os jornalistas e os
+publicistas de todos os paizes. Qual o meio de crear uma opinião
+internacional efficaz, capaz de reagir contra o militarismo?--eis o
+problema. É, n'este sentido, que se dirigem as vistas de todos os que se
+interessam pelo bem-estar da humanidade e pelo futuro da civilisação. O
+movimento pacifico, já hoje muito poderoso, comprehende as quatro
+divisões seguintes: 1.º, a _conferencia inter-parlamentar_,
+exclusivamente composta de delegados dos parlamentos; 2.º, o _congresso
+universal da paz_, composto de delegados de todas as sociedades da paz;
+3.º, os _comités parlamentares_; 4.º, _as sociedades da paz_. A
+propaganda é, no fundo, obra eminentemente prática para a qual concorrem
+milhares de trabalhadores. Os grupos inter-parlamentares teem o seu
+_Bureau central_, em Berne, e as sociedades da paz teem, como principal
+orgão, o _Bureau internacional da paz_, com séde tambem em Berne. As
+sociedades sobem, presentemente, ao numero de 18 nos Estados-Unidos da
+America, com uma centena de succursaes e de 69 na Europa, com 190
+secções, regularmente constituidas, sem falar dos numerosos grupos
+locaes. Muitas e importantes sociedades de damas, tendo em vista a
+reivindicação dos direitos da mulher, pronunciaram-se tambem por uma
+propaganda energica em favor das idéas de paz. Innumeras sociedades
+operarias se proclamaram solidarias com a obra da paz. Todas estas
+organisações se puzeram em contacto, umas com as outras, nos differentes
+congressos internacionaes (Paris, 1889; Londres, 1890; Roma, 1891;
+Berne, 1892; Chicago, 1893; Antuerpia, 1894; Budapesth, 1896; Hamburgo,
+1897.) O _Bureau_ de Berne serve do centro de communicação aos diversos
+grupamentos e está em correspondencia, com todos os paizes do mundo. Os
+partidarios da paz contam com numerosos e importantes orgãos na imprensa
+de todos os paizes: na França--_La France_; _l'Epoque_; _La paix par le
+droit_; _Almanach de la paix_; _La revue liberale_; _La Coopération des
+Idées_; _Le Devoir_; _Petits plaidoyers contre la guerre_: na
+Inglaterra--_Concord_; _The Herald of Peace_: na Suissa--_Les Etats Unis
+d'Europe_; _La conférence inter-parlementaire_; _Correspondance
+bi-mensuelle_: na Dinamarca--_Fredebladet_; na Suecia--_Ned Med Vapnen_:
+na Noruega--_Det Norske Frebsblad_; na Italia--Almanach _Giu le armi_;
+_la libertá e la pace_: na Hollanda--_Pax Humanitate_: na Austria--_Die
+Waffen Nieder_: na Allemanha--_Monatliche Friedens Korrespondenz_: na
+Belgica--_L'Independance belge_: nos Estados-Unidos da America--_The
+advocate of peace_; _The peace-maker_.
+
+Para que se possa avaliar, com exactidão, do movimento que hoje
+preoccupa os espiritos em todo o mundo civilisado, damos, em seguida, a
+historia summaria e a lista das sociedades da paz, com o interesse que
+nos inspiram todas as manifestações do direito, da justiça e da
+consciencia publica, qualquer que seja o paiz onde ellas se realisem.
+
+
+A. Estados Unidos da America
+
+1--Sociedade da paz de New-York, fundada em 1815 por um grupo de vinte
+individuos. Creou um grande numero de secções até á sua fusão com a
+Sociedade americana da paz.
+
+2--Sociedade da paz de Ohio, fundada em 2 do dezembro de 1815, sob a
+influencia de uma brochura do dr. Noah Worcester. Contava 8 secções em
+1815.
+
+3--Sociedade da paz de Massachusets, fundada em 26 de dezembro de 1815,
+pela iniciativa do dr. Worcester. Contava 22 membros do momento da sua
+fundação. Em 1831 tinha 19 secções.
+
+
+Sociedades actuaes
+
+4--Sociedade americana da paz, fundada em Nova York, a 8 de maio de
+1828, pela fusão das sociedades de Maine, Massachusets, de Nova York e
+da Pensylvania. A sua séde foi transferida, em 1837, de Nova York para
+Boston.
+
+5--Sociedade da paz de Connectitut, fundada em 1935. Creou um grande
+numero de secções.
+
+6--União universal da paz. Esta sociedade foi fundada, em 1866, pelo sr.
+Alfredo Love, em Philadelphia, e conta mais de 30 secções, espalhadas
+nas differentes regiões dos Estados-Unidos, entre outras, Washington,
+Nova York, Rhode Island, Pensylvania, Massachusets, Connectitut,
+Carolina do Sul e Chicago.
+
+7--Associação dos amigos da paz da America, fundada, em 1869, em Nova
+Vienna. Extendeu-se até Richmond.
+
+8--Arbitragem christã e Sociedade da paz, fundada em Philadelphia, em
+1866.
+
+9--Departamento da paz, sociedade de damas, fundada, em 1887, pela
+Senhora Hannah J. Bailey, em Maine.
+
+10--Associação nacional de arbitragem, fundada em Washington, em 1877,
+por Belva Lockwood.
+
+11--Sociedade nacional da paz, fundada, em 1893, em Kansas.
+
+12--Liga internacional feminina da paz, fundada, em 1895, por Frost
+Evans, em Mystic, Conn., possuindo secções em várias regiões.
+
+13--Sociedade da paz da Carolina do Sul, Columbia.
+
+14--Sociedade da paz Illinois, Chicago.
+
+15--Sociedade pacifica de arbitragem, California.
+
+16--Sociedade da paz de Rhode Island.
+
+17--Associação dos amigos da paz de Philadelphia.
+
+18--Conselho da arbitragem, Philadelphia.
+
+
+B. Europa
+
+
+Gran-Bretanha
+
+1--Sociedade da paz, fundada em 14 de julho de 1896, com séde em
+Londres, e tendo 31 sociedades filiadas como auxiliares.
+
+2--Liga internacional da arbitragem, fundada em dezembro de 1868, em
+Londres. Possue numerosos grupos.
+
+3--Associação internacional da paz e arbitragem, fundada por Hodgson
+Pratt, em 1880. Possue uma secção em Oxford, creou uma secção em
+Bruxellas e muitas outras sociedades da paz na Italia.
+
+4--Sociedade feminina da paz e arbitragem de Liverpool e Birkenhead,
+fundada em fevereiro de 1886, em Birkenhead.
+
+5--Comité da sociedade dos amigos da paz, fundada em 1888, em Haslemere.
+
+6--União christã da concordia internacional, fundada em Londres, em
+1889, pelo fallecido George Gillett.
+
+7--Associação de arbitragem britannica e extrangeira, Liverpool.
+
+8--Associação de arbitragem, Londres.
+
+9--Associação internacional da lei, Londres.
+
+10--Sociedade da paz de Dublin, Dublin.
+
+
+França
+
+1--Liga do bem publico, fundada em 1858, pelo sr. Potonié Pierre.
+
+2--Sociedade francesa da arbitragem entre as nações fundada por
+Frederico Passy, em 1867, sob a designação de «Liga internacional da
+paz». Foi denominada mais tarde: Sociedade francesa dos amigos da paz.
+
+3--Grupo dos amigos da paz de Puy-de-Dôme, fundado em Clermont Ferrand.
+
+4--Sociedade da paz e da arbitragem do Familisterio de Guise, fundada, a
+15 de maio do 1886, em Guise, pelo sr. Godin.
+
+5--Associação da paz pelo direito, fundada, em Nimes, em abril de 1887,
+sob a denominação de Associação dos jovens amigos da paz.
+
+6--Sociedade da paz d'Abbeville e de Ponthien, fundada, em 1892, pelo
+sr. Jules Tripier.
+
+7--Sociedade da paz de Felletin e Aubusson, fundada, em julho de 1893,
+pelos srs. Pichot e Jorrand.
+
+8--União internacional das mulheres, fundada om 1895, em Paris, pela
+iniciativa de algumas damas de Inglaterra e de França.
+
+9--Liga franco italiana, fundada em Paris pelo st. Raqueni, com uma
+succursal na Algeria.
+
+10--A alliança universal, fundada pelo sr. Jonnet, em St. Raphael, Var.
+
+11--Liga internacional das mulheres para o desarmamento internacional,
+fundada em Paris pela princeza Wiszniewska.
+
+
+Suissa
+
+1--Liga internacional da paz e da liberdade, fundada em Genebra, em
+1867, por Charles Lemonnier. A séde do seu comité central foi
+transferida de Genebra para Berne, em junho de 1897.
+
+2--Sociedade suissa da paz. Esta secção da Liga da paz e da liberdade
+foi fundada em 1869, em Neuchatel, o compõe-se de 19 grupos espalhados
+por toda a Suissa.
+
+3--Sociedade academica da paz, fundada em Zurich, a 20 de julho de 1893.
+
+4--Sociedade christã para a propaganda da paz, fundado em Bienne em
+1894.
+
+
+Dinamarca
+
+Associação da paz da Dinamarca, outr'ora _Sociedade para a neutralização
+da Dinamarca_ fundada em 28 do novembro de 1882, em Copenhague, pela
+iniciativa do sr. Frederico Bajer. Conta cêrca de 120 secções,
+organisadas e distribuidas por todo o paiz.
+
+
+Suecia
+
+Associação Sueca da arbitragem e da paz, fundada em 1883, em Stockholmo.
+Conta 21 secções com grande numero da sub-secções.
+
+
+Noruega
+
+Sociedade norueguesa da paz, fundada em 1895, por iniciativa do sr. M.
+Hanssen, em Christiania. Conta 28 secções.
+
+
+Allemanha
+
+1--Associação allemã para a propaganda da paz internacional, sociedade
+fundada em 1874, pelo sr. Lowenthal e por elle reconstituida em Berlim.
+Organisou uma sociedade de damas.
+
+2--Sociedade da paz de Frankfort, fundada a 23 de outubro de 1886.
+Contribuiu para a creação de differentes grupos allemães.
+
+3--Sociedade dos amigos da paz de Wiesbaden, Wiesbaden.
+
+4--Sociedade allemã da paz, fundada em 1892 em Berlim. Conta 53 grupos
+que são outras tantas sociedades, e a sua influencia é enorme e cresce e
+augmenta de dia para dia.
+
+5--Sociedade da paz de Munich, Munich.
+
+
+Italia
+
+1--Sociedade internacional União lombarda, fundada em Milão, em 1887.
+
+2--Associação da arbitragem e da paz internacional, fundada em Roma, em
+maio de 1877.
+
+3--Sociedade da paz, fundada em Veneza, em 1889.
+
+4--Sociedade da paz, de Palermo, fundada em maio de 1890. Conta uma
+secção.
+
+6--Sociedade da paz e da arbitragem de Perugia, fundada a 16 de julho de
+1892. Creou differentes sociedades.
+
+6--Comité franco-italiano de propaganda conciliadora, fundado em Roma, a
+6 de julho de 1893, pelo fallecido homem de Estado, M. R. Bonghi. É
+formado por 210 membros approxidamente, entre italianos e francezes, na
+sua maioria senadores e deputados.
+
+7--Os pioneiros da paz, fundada em Turim, em 1894. Conta uma secção em
+Nice.
+
+8--União artigiana da paz e da arbitragem, Arti.
+
+9--Comité de Borgosesia, Bargosesia, provincia de Novara.
+
+10--Comité de Ceres para a paz e arbitragem internacional, Ceres,
+provincia de Turim.
+
+11--Comité de Barzano, Barzano, provincia de Como.
+
+12--Sociedade para a paz e arbitragem, de Voghera, Voghera.
+
+13--Comité de Missaglia, Missaglia, provincia de Como.
+
+14--Comité de Torre Pellice, fundado a 31 de maio de 1896, em
+Bricherasio.
+
+15--Comité de Murisengo, fundado em dezembro de 1896, em Casale
+Monferrato.
+
+
+Belgica
+
+Sociedade belga da arbitragem e da paz, fundada em Bruxellas, a 25 de
+fevereiro de 1889.
+
+
+Hollanda
+
+Sociedade geral neerlandeza da paz, fundada em Amsterdam, a 26 de
+janeiro de 1871. Conta 7 secções espalhadas por todo o paiz.
+
+
+Austria
+
+1--Sociedade austriaca da paz, fundada em Vienna, em 1891
+
+2--Sociedade academica da paz de Vienna, fundada em 1891.
+
+3--Sociedade litteraria e artistica para a propagação da idéa da paz,
+fundada em Vienna, em 1894.
+
+4--Sociedade dos amigos da paz de Trieste, fundada em 1891, como secção
+da sociedade de Vienna, e constituida em sociedade independente em 1895.
+
+5--Sociedade da paz de Baden, secção da sociedade austriaca da paz,
+fundada em 1894.
+
+6--Grupo de Reichenberg, fundado a 24 de fevereiro de 1896.
+
+7--Sociedade academica da paz, de Insbruck, fundada om 1896.
+
+8--Grupo da paz de Mir, fundado em 1896 em Vyzovice, Moravia.
+
+
+Hungria
+
+Sociedade hungara da paz; fundada em 1895, em Budapesth.
+
+
+Russia
+
+Confraria operaria da exaltação da Santa Cruz. Jaupal, Tscheruigow.
+
+
+Portugal
+
+Commissão geral da paz e arbitragem, inslallada em abril de 1897, na
+_Sociedade de Geographia_, de Lisboa.
+
+
+
+
+II
+
+Os amigos da paz
+
+
+Foi no comêço d'este seculo, após uma longa série de guerras, que a
+opinião publica se pronunciou em favor da paz.[1] A _Associação dos
+amigos da paz_ foi fundada, em Nova-York, no anno de 1815; no anno
+seguinte extendeu-se a Londres; em 1821 fundou-se, em Paris, a Sociedade
+da Moral Christã, e, em 1830, a Sociedade da paz em Genebra.
+
+ [1] Magalhães Lima--_A obra internacional_.
+
+Os amigos da paz reuniram-se, em Londres, em 1843, e adoptaram a
+proposta de uma mensagem dirigida a todos os governos civilisados. Em
+janeiro de 1844, a mesma proposta foi apresentada ao presidente dos
+Estados-Unidos, o sr. Beckwith, que a agradeceu com as seguintes
+palavras: "Que o povo seja instruido e gose dos seus direitos, e
+reclamará a paz como indispensavel á sua prosperidade."
+
+Quatro congressos dos amigos da paz se effectuaram de 1848 a 1851: um em
+Bruxellas (1848); o segundo em Paris (1849); o terceiro em Londres e o
+quarto em Frankfort.
+
+Em 12 de junho de 1849, Ricardo Cobden, o grande advogado da arbitragem,
+propoz ao parlamento inglez, para que, de futuro, fosse admittido o
+principio da arbitragem em todos os conflictos entre nações.
+
+A 22 de agosto de 1849, inaugurou-se, em Paris, o congresso dos amigos
+da paz.
+
+Em 1869, Garibaldi, o heroe da Italia, abandonava os campos de batalha
+para proclamar a paz e a fraternidade dos povos.
+
+Em 1867, fundou-se, em Paris, a _Liga internacional permanente da paz_,
+e, em Genebra, a _Liga da paz e da Liberdade_.
+
+A 27 de setembro de 1878, abriu-se no Trocadero um congresso dos amigos
+da paz.
+
+Seria necessario um grosso volume, para nos occuparmos dos principaes
+apostolos e dos principaes evangelistas do movimento pacifico, dos seus
+serviços relevantissimos, da sua dedicação á causa da justiça e da
+emancipação dos povos. Fallaremos, todavia, d'aquelles que mais se teem
+assignalado, na propaganda em favor do direito humano, postergado,
+ludibriado, escarnecido pelos apologistas da guerra e da conquista, isto
+é, pelos defensores do roubo e do assassinato.
+
+Comecemos pela França. Á frente do luminoso grupo, destacam-se dois
+homens de sciencia, de grande e solido renome: Charles Letourneau, o
+mestre da sociologia em França, o sabio anthropologo e Charles Richet, o
+medico illustre, venerado e respeitado em todas as escholas e em todos
+os centros scientificos e litterarios. Vem em seguida Frederico Passy,
+um velho que mantem, aos 60 annos, a mesma frescura de espirito e a
+mesma juventude perenne dos vinte annos. Orador eloquente, propagandista
+infatigavel, escriptor brilhante, a sua acção no movimento, tem sido
+benefica e fecunda em resultados práticos. A seu lado encontramos
+luctadores da mais fina têmpera. Mencionemos, entre outros, Edmond
+Thiaudière, um philosopho _doublé_ de um homem de lettras; Emile Arnaud,
+o continuador da obra gloriosa do venerando patriarcha do movimento
+Charles Lemonnier; Gaston Moch, o fino e scintillante redactor da
+_Independencia belga_; Potonié Pierre, o modêlo dos apostolos, na
+sinceridade, na abnegação com que advoga o seu generoso ideal; Urbain
+Gohier, o jornalista impeccavel que poz a sua penna ao serviço da
+propaganda; Gaston Morin, Raqueni e tantos outros egualmente sympathicos
+e egualmente bemquistos.
+
+A Inglaterra, entre os seus luctadores mais destemidos, apresenta nos
+homens da estatura de Hodgson Pratt, de Frederico Stanhope, de Randal
+Cremer, de Ervans Darby, de Felix Moscheles, e mensageiras da boa nova,
+como Peckover e Ellen Robisson.
+
+É na Suissa, em Berne, que reside o secretario geral do Bureau
+internacional permanente da paz, Elie Ducommun. Tribuno, poeta e
+escriptor dos mais brilhantes, os seus serviços á grande causa da
+humanidade, podem contar-se pelos dias de cada anno. Georges Renard, o
+estimado director da _Revista Socialista_, e um dos professores mais
+distinctos da Universidade de Lausanne e a sua solidariedade com o
+movimento pacifico é, ha muito, conhecida e apreciada. O dr. Gobat,
+secretario do Bureau inter-parlamentar, assim como o doutor Marcuson,
+não poderiam ser esquecidos, quando se trata de prestar homenagem aos
+servidores de uma idéa.
+
+Se nos voltamos para os Estados-Unidos da America, o paiz onde os
+principios de arbitragem mais teem fructificado, como em todos os demais
+paizes novos, encontramos, á frente do movimento, as primeiras
+personalidades da politica, da sciencia, da litteratura, taes como
+Madame Belva Lockwood, que já foi candidata á presidencia da republica,
+Frost Evans, Benjamin Trueblood, etc.
+
+Na Allemanha o movimento em favor da paz é profundo e accentuado. E
+assim devia ser, porque elle corresponde, de certo modo, á corrente de
+idéas que agitam aquelle paiz e o collocam á frente da democracia na
+Europa. O partido socialista, por mais de uma vez se tem affirmado pela
+propaganda pacifica. Independentemente d'isso, porém, póde dizer-se
+afoitamente, sem receio de errar, que existe, na Allemanha, um
+verdadeiro partido pacifico, perfeitamente organisado e servido por
+homens convictos e dedicados, taes como Franz Wirth, ha pouco fallecido,
+Adolpho Richter, o dr. E. Lowenthal, o conde de Bothemer, o dr.
+Rosenthal, Haberland, Fried, e outros.
+
+Que diremos da Austria, onde reside a _generala em chefe_, para nos
+servirmos da phrase consagrada, do grande e poderoso exercito, a
+baroneza de Suttner?
+
+Nos paizes do norte, ao mesmo tempo que se nota um movimento de
+renovação scientifica, observa-se um grande amor pelos ideaes generosos
+o humanitarios. Assim, em Copenhague, onde o jornal socialista _Social
+Democraten_ é o periodico de maior tiragem, as sociedades da paz que
+foram constituidas primitivamente com o fim de advogar a neutralisação
+da Dinamarca, teem á sua frente Frederico Bajer, que é, ao mesmo tempo,
+o presidente do _Bureau internacional_.
+
+Os amigos da paz encontram-se por toda a parte. Na Roumania, o porta-voz
+do movimento é um antigo ministro, o fogoso tribuno, de uma popularidade
+immensa em Bucaresth, chamado Nicolau Fleva. Na Russia é o sociologo
+eminente, Noviow, além do conde Leão Tolstoi, certamente o mais notavel
+e o mais revolucionario de todos os propagandistas, que não hesita em
+aconselhar a recusa ao serviço militar, como o meio mais seguro de
+anniquilar o militarismo. Na Suecia é o deputado Eduardo Wavrinski, tão
+sympathico pelo seu caracter, como pela sua dedicação á causa. Na
+Belgica, e particularmente em Bruxellas, um verdadeiro centro
+intellectual, o numero dos pacificos é já hoje consideravel, e, para
+falarmos tão sómente nos principaes, mencionaremos o senador socialista
+Henri Lafontaine, o antigo deputado Houzeau, o sr. Decamps, o antigo e
+vigoroso redactor da _Réforme_, Georges Lorand, e muitos outros. Na
+Italia, onde o militarismo predomina fortemente, graças á influencia
+allemã, o movimento pacifico, que teve em José Garibaldi um dos seus
+principaes apostolos, tem-se alastrado por todo o paiz, e a propaganda,
+devida á iniciativa do fallecido Bonghi e á tenacidade de Theodoro
+Moneta, o antigo e conceituado director do _Secolo_, de Milão, tem
+frutitificado e progredido de um modo assombroso. Muito
+intencionalmente, deixei para o fim a Hungria, afim de prestar a minha
+homenagem ao valente companheiro de Kossuth, o general Türr, que, á
+semelhança de Garibaldi, trocou os horrores da guerra, que contemplou de
+perto, pelas doçuras ineffaveis da paz.
+
+Perguntar-nos-hão, naturalmente, o que teem feito os amigos da paz, qual
+a sua obra e quaes os seus resultados effectivos e immediatos.
+
+A obra dos pacificos tem sido enorme e impõe-se pela sinceridade dos
+seus apostolos e pela grandeza da sua propaganda. Além dos oito
+congressos que conseguiram reunir, em differentes cidades da Europa,
+onde, com muita elevação e intelligencia, foram tratadas as questões que
+mais podem interessar, presentemente, as sociedades, no ponto de vista
+do direito e da justiça, os amigos da paz teem conquistado, pouco a
+pouco, a adhesão dos governos e dos parlamentos á nobre causa que
+defendem, fazendo prevalecer a sua opinião, por todos os modos ao seu
+alcance, sempre que a lucta ou a guerra se declara entre povos.
+
+Em 1888, um certo numero de deputados francezes e inglezes reuniam-se em
+Paris e creavam uma conferencia inter-parlamentar, um areopago
+internacional, destinado, em caso de conflicto, a fazer ouvir a sua
+opinião imparcial, appellando para a consciencia de todos. Desde então
+este areopago principiou a reunir-se todos os annos, nas mesmas cidades
+onde se reuniam os congressos. Em Londres, em 1890, recebeu mais de mil
+cartas, enviadas ao comité de organisação pelos membros dos diversos
+parlamentos, conseguindo reunir mais de 250 assistentes, vindos de todos
+os pontos do universo. Em Roma, a França esteve representada por 56
+senadores e deputados; inglezes 43; allemães 16; hespanhoes 40;
+austriacos 52; belgas 3; dinamarquezes 3; gregos 6; suissos 17;
+italianos 358; hungaros 13; norueguezes 3; roumaicos 56; suecos 5;
+portuguezes 3; hollandezes 7. Sob proposta de um deputado allemão,
+adoptou-se o francez como lingua official da conferencia.
+
+Para manter uma acção continua e ininterrupta, no intervallo das
+reuniões annuaes, existe, para a conferencia um _Bureau_ permanente,
+semelhante ao _Bureau internacional permanente_ que existe para os
+congressos e que tão relevantes serviços tem prestado á causa da paz.
+Estes dois _Bureaux_ sao independentes um do outro.
+
+Entre os campeões do movimento, distinguem-se duas correntes
+importantes: uns declaram que um desarmamento proporcional e simultaneo
+não pode ser senão a consequencia de uma solução amigavel dada ás
+questões que dividem os povos da Europa, e, em especial, á questão da
+Alsacia e Lorena e á do desmembramento do imperio turco. Outros nutrem a
+convicção que essa solução amigavel não poderá nunca ser procurada no
+estado actual da Europa, e que, antes de tudo, convém estabelecer
+relações juridicas entre as nações, a começar pelo estabelecimento de um
+tribunal internacional ao qual seriam submettidas todas as novas
+contestações. D'este modo, dizem, a confiança renasceria com a noção da
+justiça internacional e chegar-se-hia forçosamente a um desarmamento
+voluntario, ainda que fosse apenas parcial, e, em seguida, á solução
+amigavel da contestação de territorios ou de nacionalidades.
+
+O pensamento geral e que mais importa propagar, consiste em _ganhar a
+opinião publica ás idéas de concordia e de conciliação_, afim de que os
+povos possam exercer uma influencia salutar sobre os parlamentos e sobre
+os governos, na hora em que certos problemas reclamem imperiosamente uma
+solução, que não pode ser senão uma solução pacifica.[2]
+
+ [2] _Le programme pratique des amis de la paix_ par Elie Ducommun.
+
+É este o pensamento predominante de todos os que se interessam pelo
+movimento e para elle contribuem com os seus esforços, com a sua
+actividade e com a sua iniciativa.
+
+Os amigos da paz reunem-se frequentemente, em banquetes, que tão grandes
+serviços podem prestar á propaganda, como os comicios e os _meetings_, e
+d'isso tivemos uma prova com o que se passou, durante a revolução de
+1848, em França; e ainda recentemente se fundou em Paris uma _associação
+internacional dos jornalistas, amigos da paz_, sob a presidencia do
+auctor d'estas linhas.
+
+As sociedades feministas tambem, na sua maioria, adheriram á causa da
+paz. De modo que o movimento, limitado e restricto, no seu principio, a
+alguns _visionarios e utopistas_, como então lhes chamavam, foi-se
+desenvolvendo até tomar as proporções, que hoje tem, de um forte e
+poderoso exercito, armado da razão, a mais temivel de todas as armas, e
+escudado pelo direito e pela justiça, os dois baluartes inexpugnaveis da
+moderna democracia. A conquista da paz impõe-se á solução dos grandes e
+complexos problemas que, presentemente, agitam a humanidade.
+
+Um facto insignificante, mas que dá a medida da importancia do
+movimento, perante o mundo! Por occasião da visita do presidente da
+Republica franceza, sr. Felix Faure, ao imperador da Russia, o meu
+illustre amigo Emile Arnaud publicou, na _Independencia belga_, uma
+pequena nota em que consagrava as aspirações do partido pacifico perante
+o acontecimento, que foi transcripta e applaudida por quasi todos os
+jornaes da Europa.
+
+Eis o artigo:
+
+"A recepção feita pelo povo russo ao presidenie da Republica franceza
+reveste claramente o caracter de uma alliança entre dois grandes povos
+para a paz e para a felicidade da humanidade. Foi, pelo menos, n'este
+sentido, que se exprimiram os dois grandes orgãos da imprensa russa,
+antes da chegada do presidente Faure, e é n'este mesmo sentido que
+continuam a exprimir-se depois da sua partida.
+
+Presentemente, pois, a união franco-russa ultrapassa, como significação,
+os limites que poderiam ter-lhe imposto os diplomatas na sua origem. E,
+uma vez que o czar Nicolau II permittiu ao povo russo que tomasse parte
+n'este grupamento internacional que une uma aristocracia a uma
+democracia, não nos é defeso esperar que este povo, pela vontade do seu
+imperador, possa um dia beneficiar d'esta união mesmo relativamente ás
+suas liberdades interiores.
+
+N'esse dia será para desejar que a união dos povos francez e russo,
+essencialmente pacifica e humanitaria, se extenda a outros povos que
+aboliriam a guerra, ligando-se, entre si, por tratados de arbitragem
+permanente, realisando assim o _foedus pacificum_, a alliança pacifica
+de povo para povo, não estabelecendo nenhum dominio de Estado para
+Estado, como recommendava Kant, ha cem annos, na sua _Tentativa
+philosophica de paz perpetua_."
+
+Estes e outros factos provam-nos exuberantemente que o futuro não
+pertence aos complicados armamentos nem ao canhão Krupp do nosso tempo,
+mas, sim, á obra fecunda da paz, no trabalho, no altruismo e no respeito
+pela dignidade de cada um e pela dignidade de todos.
+
+
+
+
+III
+
+Arbitragem internacional
+
+
+De todas as idéas pacificas, a mais estudada e a que mais conquistas tem
+feito no terreno pratico e no campo positivo, tem sido, sem duvida, a
+_arbitragem internacional_. Foram mais de 150 os casos de arbitragem que
+regularam os litigios entre Estados, desde o comêço d'este seculo.
+
+Os Congressos e aa Sociedades da paz, o Instituto de direito
+internacional, a Associação para a reforma e codificação do direito das
+gentes, uma sub-commissão do _Bureau_ internacional permanente da paz,
+um _comité_ instituido pelo Congresso de Chicago, occuparam-se e
+occupam-se ainda, com egual competencia e egual zêlo, dos meios de
+alargar os processos, seguidos até o presente com certas reservas e
+certa timidez, para se estabelecer definitivamente a arbitragem em todas
+as contendas internacionaes. Juristas eminentes elaboraram projectos de
+grande alcance, destinados a serem submettidos aos governos, tendo em
+vista a composição e attribuições de tribunaes internacionaes assim como
+o processo arbitral a seguir. Teem sido publicadas obras
+importantissimas sobre a questão da arbitragem internacional, nos seus
+principios e nas suas applicações. Entre outras apraz-nos mencionar as
+de Michel Revon e as do professor Mérignhac.
+
+A conferencia inter-parlamentar de 1895, em Bruxellas, reuniu, n'um só,
+tres projectos de organisação de um tribunal internacional ou de um
+collegio de árbitros e encarregou o seu _Bureau_ de fazer um appêllo aos
+Estados que quizessem formar uma primeira união sobre estas bases. Este
+projecto, redigido pelo sr. Augusto Houzeau Delahaie, actualmente
+senador belga, foi publicado e commentado polo sr. E. Decamps, e em
+seguida enviado a todos os governos, sob a fórma de memoria, induzindo
+alguns Estados neutros a formarem o nucleo de uma primeira União
+internacional de arbitragem sobre as bases propostas.
+
+A conclusão de tratados de arbitragem permanente está hoje, mais do que
+nunca, na ordem do dia. Um grande passo foi dado, n'este sentido, no fim
+do anno passado, pela assignatura de um _tratado de arbitragem
+permanente entre a Gran-Bretanha e os Estados-Unidos da America_. Este
+tratado não foi ainda ratificado, mas espera-se que o seja em breve. O
+governo dos Estados Unidos da America, não só se dirigiu á Suissa como
+tambem á França, no sentido de entabolar negociações, afim de
+estabelecer tratados de arbitragem permanente com as duas mencionadas
+nações.
+
+Todas estas informações, aliás bem authenticas, nos foram fornecidas
+pelo proprio secretario do _Bureau_, o sr. Elie Ducommun, no seu
+_Programme pratique des amis de la paix_, e são de molde a incutir
+alento aos espiritos ainda os mais refractarios a estas questões.
+
+Não ha duvida que são enormes e incontestados os progressos, no campo da
+arbitragem. Para se aquilatar da sua importancia, bastar-nos-na
+consultar a lista dos principaes tratados de arbitragem, realizados
+n'este seculo.
+
+1--Entre os Estados Unidos e a Gran-Bretanha em 1816, relativo ao rio de
+Santa Cruz e aos Lagos;
+
+2--Entre os Estados-Unidos e a Gran-Bretanha em 1818, com respeito á
+obrigação de entregar os escravos, submettidos ao julgamento do
+imperador da Russia;
+
+3--Entre os Estados-Unidos e a Hespanha, em 1819, relativamente ás
+reclamações da Florida;
+
+4--Entre os Estados-Unidos e a Gran-Bretanha em 1827, por uma questão de
+limites: submettido á decisão do rei dos Paizes Baixos;
+
+5--Entre os Estados-Unidos e a Dinamarca em 1830;
+
+6--Entre a Beigica e a Hollanda em 1834;
+
+7--Entre a França e a Inglaterra em 1835;
+
+8--Entre os Estados-Unidos e o Mexico em 1839;
+
+9--Entre os Estados-Unidos e Portugal em 1835; submettido á decisão do
+imperador dos francezes;
+
+10--Entre os Estados-Unidos e a Inglaterra em 1853;
+
+11--Entre os Estados-Unidos e a Nova Granada em 1857;
+
+12--Entre os Estados-Unidos e o Chili em 1858;
+
+13--Entre os Estados-Unidos e o Paraguay em 1859;
+
+14--Entre os Estados-Unidos e a Costa Ricca em 1860 e em 1881;
+
+15--Entre os Estados-Unidos e o Equador em 1862 e em 1864;
+
+16--Entre a Gran-Bretanha e o Brazil em 1863;
+
+17--Entre os Estados-Unidos e o Perú em 1863;
+
+18--Entre os Estados-Unidos e a Gran-Bretanha em 1863, relativo á
+companhia da bahia de Hudson;
+
+19--Entre a França e o Mexico em 1839;
+
+20--Entre os Estados-Unidos e Venezuela em 1866;
+
+21--Entre a França e a Russia em 1867;
+
+22--Entre a Turquia e a Grecia em 1867 e em 1882;
+
+23--Entre a Inglaterra e a Hespanha em 1867;
+
+24--Entre os Estados-Unidos e o Mexico em 1868;
+
+25--Entre os Estados-Unidos e o Perú em 1868 e era 1869;
+
+26--Entre a Gran-Bretanha e o Perú, em 1864; o senado de Hamburgo,
+escolhido como árbitro, rejeita as allegações da Inglaterra;
+
+27--Entre os Estados-Unidos e o Brazil em 1870;
+
+28--Entre a Gran-Bretanha e Portugal em 1870;
+
+29--Entre os Estados-Unidos e a Hespanha em 1871 e em 1885;
+
+30--Entre oa Estados-Unidos e a Gran-Bretanha, com respeito ao Alabama,
+em 1871;
+
+31--Entre o Japão e o Perú, em 1872; o imperador da Russia, escolhido
+como árbitro, decide em favor do Japão;
+
+32--Entre os Estados-Unidos e a Gran-Bretanha em 1871 (questão de San
+Juan e das pescarias da Nova Escocia);
+
+33--Entre a China e o Japão em 1879; árbitro o ex-presidente dos
+Estados-Unidos, Ulysse Grant;
+
+34--Entre a Gran-Bretanha e o Brazil em 1873; submettido aos ministros
+dos Estados-Unidos e da Italia, no Rio;
+
+35--Entre a Italia e a Suissa em 1874; submettido ao ministro dos
+Estados-Unidos na Italia;
+
+36--Entre a Gran-Bretanha e Portugal em 1875; submettido ao presidente
+da Republica franceza;
+
+37--Entre a China e o Japão em 1876;
+
+38--Entre a Persia e o Afghanistan em 1877;
+
+39--Entre a Gran-Bretanha e Liberia em 1879;
+
+40--Entre os Estados-Unidos e a Hespanha, relativo a Cuba, em 1879;
+
+41--Entre a Gran-Bretanha e Nicaragua em 1879 e 1881;
+
+42--Entre os Estados-Unidos e a França em 1880;
+
+43--Entre a Gran-Bretanha e a Russia em 1885; questão de fronteira
+asiatica, submettida a uma commissão;
+
+44--Entre a França e Nicaragua em 1881;
+
+45--Entre o Chili e a Colombia em 1881;
+
+46--Entre o Chili e a Republica Argentina, relativo ao Estreito de
+Magalhães em 1881; submettido ao presidente dos Estados-Unidos;
+
+47--Entre a Hollanda e o Haiti em 1882;
+
+48--Entre os Estados-Unidos e o Haiti em 1884;
+
+49--Entre a Inglaterra e a Allemanha, com respeito ás ilhas Fidjü em
+1885;
+
+50--Entre os Estados-Unidos e a Allemanha em 1887;
+
+51--Entre a Allemanha e a Hespanha, relativo ás Carolinas; submettido ao
+papa em 1885;
+
+52--Entre a França e a Inglaterra (1884), a Italia, de um lado, e o
+Chili, do outro, com respeito ás reclamações provenientes da guerra
+entre o Chili e o Perú;
+
+153--Entre o Perú e o Japão, relativo á captura de um barco da primeira
+d'estas nações;
+
+54--Entre Honduras, Guatemala e Salvador em 1886;
+
+55--Entre duas povoações africanas em 1887, submettidas ao administrador
+do Bechuanaland britannico;
+
+56--Entre a Gran-Bretanha, os Estados-Unidos e o Canadá;
+
+57--Entre Nicaragua e Costa Ricca, em 1887 e em 1889; submettido ao
+presidente dos Estados Unidos;
+
+58--Entre a Gran-Bretanha e a Hespanha, relativo a um conflicto no mar;
+árbitro, a Italia, em 1887;
+
+59--Entre a Italia e a Colombia em 1888; submettido ao governo da
+Hespanha;
+
+60--Entre a Italia e a Colombia, por causa de um conflicto no mar, em
+1888;
+
+61--Entre os Estados-Unidos e Marrocos, com a Italia, por árbitro, em
+1888;
+
+62--Entre Portugal e Marrocos; árbitro, a França, em 1888;
+
+63--Entre a Dinamarca e os Estados-Unidos em 1889 (reclamação chamada
+Butterfield);
+
+64--Entre a Hollanda e a França; a proposito das fronteiras de Surinam;
+árbitro, o imperador da Russia (1889); decisão em favor da Hollanda;
+
+65--Entre o Brazil e la Plata; árbitro, o presidente dos Estados-Unidos,
+em 1889;
+
+66--Entre a Gran-Bretanha e a Allemanha, com respeito a uma ilha
+africana, 1890; árbitro, um ministro do Estado belga;
+
+67--Entre a Gran-Bretanha e Portugal (1890), relativo ao caminho de
+ferro de Lourenço Marques, árbitros suissos;
+
+68--Entre a Gran-Bretanha e os Estados-Unidos; 1891, com respeito ás
+pescarias no mar de Behring;
+
+69--Entre a Gran-Bretanha e a França, relativo ás pescarias na Terra
+Nova, 1891; árbitro, uma commissão de 7 membros;
+
+70--A Commissão danubiana, estabelecida em 1856, constitue um tribunal
+de arbitragem permanente;
+
+71--O Congresso de Berlim, em 1878, foi, na realidade, um tribunal de
+arbitragem, organisado por sete grandes potencias para regular as
+reclamações de differentes Estados na peninsula dos Balkans;
+
+72--O Congresso Pan-americano, reunido em Washington, a 28 de abril de
+1890, adoptou uma moção convidando todas as republicas americanas a
+submetterem, d'aquelle dia em deante, as suas questões á arbitragem.
+Esta moção foi adoptada por 17 republicas;
+
+73--Tratado permanente de arbitragem entre a Inglaterra e os Estados
+Unidos, assignado em 1897, válido por cinco annos e podendo ser renovado
+em pleno direito e indefinidamente.
+
+74--Entre a Inglaterra e o Brazil, por causa da ilha da Trindade, em
+1896; árbitro Portugal.
+
+Os principios geraes, adoptados por todos os pacificos, são os
+seguintes: a politica não é senão a applicação da moral; as regras do
+justo e do injusto são as mesmas, tanto para as nações, como para os
+individuos; e o fundamento commum d'estas regras é a autonomia da
+consciencia individual. O direito publico moderno repousa em principios
+inteiramente differentes d'aquelles de que o faziam derivar os
+tratadistas antigos; e a Revolução--na phrase judiciosa de Ch.
+Lemonnier--não é outra cousa senão a applicação d'estes principios
+novos, quer nas relações dos cidadãos entre si, quer na constituição dos
+governos, quer nas relações dos cidadãos com os governos. Para fundar a
+paz internacional, é mistér proclamar ousadamente o direito novo, em
+harmonia com as regras da moral e da justiça, e tornal-o comprehensivel
+a todos os espiritos, pela pratica d'estes mesmos principios, nas
+relações dos povos entre si. Eis, em breves palavras, a base, o
+fundamento e a necessidade dos tratados de arbitragem permanente entre
+nações.
+
+A palavra de ordem, dada por um dos mais dedicados apostolos do
+movimento pacifico, é a seguinte:
+
+_Exigir de todos os mandatarios do suffragio universal, e especialmente
+dos membros do parlamento, o compromisso formal:_
+
+_1.º--Que se opporão a toda a declaração de guerra que não haja sido
+precedida de uma tentativa de arbitragem;_
+
+_2.º--Que votarão os tratados de arbitragem propostos;_
+
+_3.º--Que darão a sua adhesão á conferencia inter-parlamentar._
+
+
+
+
+IV
+
+Desarmamento
+
+
+Ha quem considere o desarmamento, como um meio para conseguir a paz.
+Divergimos dos que assim pensam. O desarmamento será antes um resultado
+da paz e nunca um meio para a obter. Folgamos que fôsse tambem esta a
+opinião consignada na memoria apresentada, ao congresso de Hamburgo,
+pelo sr. Gaston Moch.
+
+Sabemos já que a causa da arbitragem ganha terreno de dia para dia; que
+está perfeitamente em harmonia com as aspirações dos povos e os seus
+interesses economicos; que se oppõe aos exercitos permanentes e que as
+massas trabalhadoras não teem o minimo interesse na guerra.
+
+Será, porém, possivel um desarmamento? Em que condições?
+
+O desarmamento constitue, como a arbitragem, um dos artigos do programma
+da paz. Os exercitos permanentes roubam á producção milhares e milhares
+de braços válidos e aptos para trabalhar. Manteem, além d'isso, com
+todos os vicios que lhes são inherentes, o desequilibrio nos orçamentos
+de todos os paizes. A sua suppressão impõe-se. Mas como? Pela recusa ao
+serviço militar, do mesmo modo que as guerras se poderão, até certo
+ponto, evitar pela declaração de uma greve geral. Para grandes males,
+grandes remedios.
+
+Em nosso juizo, só a federação entre povos poderá obrigar as nações a
+desarmar. Emquanto, porém, isso se não consegue, é nosso dever trabalhar
+para um desarmamento, senão total e completo, pelo menos parcial e
+simultaneo. Jules Simon chegou a tomar a iniciativa d'uma proposta para
+a conclusão de uma trégua, assegurada por dez annos, ou, pelo menos, até
+a Exposição de 1900. Uma paz definitiva, um desarmamento parcial e a
+instituição de um tribunal internacional, deveriam ser a consequencia
+d'esta idéa. Em Inglaterra, teem-se erguido vozes auctorisadas, afim de
+pedirem ás potencias que se compromettam entre si a não augmentarem os
+seus armamentos, durante um certo e determinado periodo, uma vez que não
+possam renunciar completamente a toda a velleidade de guerra.
+
+Estes planos, aliás muito generosos, não passariam de simples
+palliativos. O que se torna indispensavel é atacar o mal na sua origem
+que é o exaggêro dos encargos militares impostos ás populações. Uma
+trégua não traria comsigo a suppressão dos exercitos que se torna
+necessaria, e o compromisso de não augmentar os armamentos não
+alliviaria o pesado fardo que esmaga a Europa.
+
+Com effeito--escreve Elie Ducommun--a reducção das despesas militares
+constitue apenas um dos termos do problema a resolver: o outro, não
+menos importante, é o afastamento das probabilidades de guerra.
+
+Um _desarmamento parcial_ actuaria incontestavelmente nos dois sentidos,
+ao mesmo tempo como meio de diminuir as probabilidades de guerra e de
+alliviar os encargos militares.
+
+Os Estados da Europa dispendem, actualmente, 5 biliões de francos, por
+anno, com o militarismo: collocando-se, sob o regimen da paz de 1869,
+não dispenderiam mais de 2 3/4. O augmento de 2:500 milhões de francos,
+por anno, nas despesas militares da Europa, foi o resultado das guerras
+de 1886 entre a Russia e a Austria e de 1870-71 entre a Allemanha e a
+França.
+
+O desarmamento significaria diminuição de impostos; amortisação de uma
+parte das dividas publicas, pondo ao serviço da industria e da
+agricultura os capitaes disponiveis; o equilibrio das relações entre a
+producção e o consumo, e um augmento sempre crescente de hygiene, de
+saude e de moralidade para os povos.
+
+Como chegar, porém, até lá? Como conseguil-o?
+
+Napoleão III fez várias tentativas n'esse sentido. A sua idéa fixa era o
+desarmamento e a federacão europêa, apesar das guerras em que andou
+sempre envolvido.
+
+Em 1863 propoz ás potencias a reunião de um congresso, para uma revisão
+amigavel dos tratados de 1815 e para o desarmamento geral. Em 1815, no
+discurso da corôa, por occasião da abertura das camaras, deplorava a
+indifferença dos outros soberanos, relativamente "aos verdadeiros
+interesses dos povos". Em fevereiro de 1870, negociava com a Inglaterra,
+para que esta o ajudasse a vencer a resistencia da Prussia, e annunciava
+que daria o primeiro passo, reduzindo, a titulo de indicação, o proximo
+contingente; esta reducção--dizia elle--seria de 10.000 homens sómente.
+Com effeito, a 21 de março de 1870, os seus ministros apresentaram um
+projecto de reducção, para o proximo contingente, de 100.000 a 90.000
+homens. Este projecto foi votado pelo corpo legislativo no 1.º de julho
+de 1870, por occasião do incidente Hohenzollern. A guerra foi declarada
+a 15 de julho.
+
+No estado de desconfiança em que hoje vivem as nações, um desarmamento
+total seria difficil, senão impossivel. Mas não ha duvida que um
+desarmamento proporcional e simultaneo seria um grande passo dado no
+sentido de uma solução pacifica.
+
+Quaes os meios, porém, de o conseguir?
+
+Creando e desenvolvendo uma forte corrente de opinião internacional, de
+modo a actuar, de uma maneira decisiva, sobre os parlamentos e sobre os
+governos.
+
+Quando os povos se convencerem que todo esse luxo de guerra serve
+unicamente para destruir e para os reduzir á miseria, n'esse dia os
+armamentos passarão, com applauso de todos, a figurar nos museus
+archeologicos.
+
+
+
+
+V
+
+A obra da paz
+
+
+Na sua reunião de 6 de março de 1897, resolveu a commissão do _Bureau
+internacional_ publicar as resoluções dos congressos universaes da paz,
+que se realisaram de 1889 a 1896, classificadas segundo as indicações de
+Alfredo Nobel no seu testamento:
+
+1.º--_Approximação fraternal dos povos;_
+
+2.º--_Reducção dos exercitos;_
+
+3.º--_Organização e desenvolvimento dos congressos da paz._
+
+
+I. Approximação fraternal dos povos
+
+
+A. Tendencia geral
+
+Os principios seguintes foram proclamados em muitos congressos:
+
+A fraternidade entre os homens implica necessariamente _a fraternidade
+entre as nações_, nas suas relações.
+
+Cada Estado soberano deve ser considerado como _egual a todos os
+outros_, no ponto de vista juridico.
+
+A instituição de uma _Federação europêa_ poria termo ao estado actual de
+anarchia internacional, sem lesar a independencia de cada nação. Ella
+deve constituir o fim supremo da propaganda dos amigos da paz que
+desejam resolver os conflictos pela lei e não pela violencia.
+
+Á propaganda da paz, deve juntar-se a propaganda da _moral em politica_.
+
+Os _direitos dos extrangeiros_ devem ser protegidos, assim como devem
+ser garantidos os tratados internacionaes.
+
+Toda a intelligencia dos povos com o fim de constituirem uma federação,
+não pode senão contribuir para o estabelecimento da paz entre as nações.
+Apoiamos, por isso, a idéa da organisação de uma liga para a
+_Confederação balkanica_.
+
+
+B. Principios de direito internacional
+
+O direito de guerra não existe, assim como não existe o direito de
+conquista.
+
+As relações entre as nações são regidas pelos mesmos principios do
+direito e da moral que regem as relações entre os individuos.
+
+Assim como ninguém tem o direito de fazer justiça por suas proprias
+mãos, assim tambem nenhuma nação tem o direito de declarar guerra a
+outra.
+
+Qualquer conflicto entre nações será regulado por via juridica.
+
+A autonomia de cada nação é inviolavel.
+
+As nações teem o direito de legitima defesa.
+
+As nações teem o direito inalienavel e imprescriptivel de disporem de si
+mesmas.
+
+As nações são solidarias umas com as outras.
+
+
+C. Nacionalidades
+
+Resumo dos principios affirmados pelos congressos:
+
+Nos _Estados compostos de differentes nacionalidades_, os governos
+contribuiriam para a manutenção da paz, tanto exterior como interior,
+se, a exemplo da Suissa, respeitassem o caracter ethnographico e o
+desenvolvimento das nacionalidades, em harmonia com as leis da liberdade
+e da justiça.
+
+Os homens estão ligados por laços communs de humanidade sobre a base
+indestructivel da solidariedade e da fraternidade, e o _sentimento da
+nacionalidade_ ou do _patriotismo_ não pode nunca ir de encontro a essa
+ligação. Importa pois, oppôr á propaganda que divide os homens por
+considerações de meros interesses locaes ou pessoaes uma outra
+propaganda que procure estabelecer a unidade e a fraternidade dos
+individuos, como base da sociedade e como principio das relações
+internacionaes.
+
+
+D. Relações do direito com os povos não civilisados
+
+Estas relações devem ser baseadas sobre as regras da justiça
+internacional. Nenhum Estado poderá, no futuro, apropriar-se dos
+territorios coloniaes. Os paizes em via de colonisação, devem ser
+abertos á actividade de todos, sob a auctoridade de um concelho colonial
+a crear para as nações policiadas.
+
+Na espectativa, é urgente que as potencias signatarias das decisões da
+conferencia de Berlim de 1884 a 1889 e do Acto de Bruxellas de 1890,
+relativos á suppressão da escravidão e á prohibição da venda das armas
+de fogo e das bebidas alcoolicas, tomem medidas effectivas, afim de
+regularem a sua observancia.
+
+
+E. Arbitragens internacionaes
+
+Todos os congressos universaes da paz se teem occupado successivamente
+do principio da _arbitragem internacional_ e da sua applicação, sob a
+reserva da autonomia de cada Estado, aconselhando a sua adopção em todos
+os tratados, como clausula obrigatoria, e indicando a necessidade de
+concluir tratados de arbitragem permanente e de crear tribunaes de
+arbitragem internacional, tendo jurisdicção em todos os conflictos que
+os governos não possam resolver amigavelmente. Para esse fim teem-se os
+mesmos congressos dirigido, por differentes vezes, ás sociedades
+operarias, ás sociedades feministas, ao professorado, aos ministros das
+religiões, de modo a fomentar, em todos os paizes, uma agitação popular
+e parlamentar n'este sentido
+
+Mereceram particularmente a attenção d'essas assembléas as questões que
+dizem respeito á _sancção das sentenças arbitraes, aos limites da
+arbitragem_, á fórmula de um _tratado de arbitragem permanente_, ao
+processo a seguir perante os tribunaes arbitraes, tendo sempre apoiado
+os esforços tentados pelos governos para a conclusão de tratados de
+arbitragem.
+
+
+F. Estudo das questões que podem ameaçar a paz
+
+Os differentes congressos da paz emittiram successivamente os votos
+seguintes:
+
+1.º--Organisação de reuniões dos representantes de diversos paizes, afim
+de estudarem todas as questões internacionaes que podem ameaçar a paz;
+
+2.º--Formação de um comité, composto de grande numero de membros das
+sociedades da paz, afim de se informarem dos factos graves que poderão
+occasionar uma guerra e afim de proporem as medidas que mais opportunas
+se lhes afigurem para afastar semelhante eventualidade.
+
+3.º--Arbitragem em todos os conflictos que dividem as nações da Europa.
+
+4.º--Estudo seguro das causas de complicações internacionaes que podem
+arrastar os povos á guerra.
+
+
+G. Federação para os interesses economicos
+
+O 2.º congresso havia já exprimido a sua satisfação, relativamente ás
+convenções internacionaes que regulam as _questões de interesse commum_,
+taes como as convenções postaes e telegraphicas, a convenção sobre a
+propriedade industrial, etc., que considerou como outros tantos meios de
+tornar harmonicas as leis dos differentes paizes em tudo que diz
+respeito ás questões commerciaes e humanitarias. Outrosim havia
+recommendado aos grupos parlamentares a insistencia sobre novos
+projectos de unificação de pesos e medidas, da moeda, etc., o que foi
+confirmado pelo 7.º congresso.
+
+A abolição gradual das _barreiras alfandegarias_ entre as nações tambem
+constituiu assumpto de discussão do 2.º congresso.
+
+A questão de uma _lingua convencional_ foi dada, como elemento de
+estudo, no 7.º congresso.
+
+
+H. Inviolabilidade da vida humana
+
+O 6.º congresso proclamou o principio da inviolabilidade da vida humana,
+limitando ao direito e defesa, o direito que tem a sociedade de punir, e
+demonstrando que a legitima defesa não necessita nunca a applicação da
+pena de morte.
+
+
+I. Duello
+
+Dois congressos successivos pronunciaram-se contra a prática do duello.
+
+
+II. Reducção dos exercitos
+
+
+A. Desarmamento
+
+O 1.º congresso resolveu interessar-se junto dos governos, afim de os
+convencer a tomarem medidas práticas, conducentes a um desarmamento.
+
+O 2.º congresso propoz a reunião dos Estados da Europa, com o fim de se
+estudarem os meios mais adequados á realisação de um desarmamento
+gradual. O governo que primeiro se resolvesse a licenciar uma parte do
+seu exercito, prestaria, com o seu exemplo, um grande serviço á Europa e
+á humanidade, sem diminuir as condições da sua defesa nacional.
+
+Recommendou ainda mais, o mesmo congresso uma propaganda activa em favor
+de um programma que comportasse a paz, a arbitragem e um desarmamento
+mutuo, proporcional e simultaneo.
+
+O 4.º congresso dirigiu-se ás potencias pedindo a substituição da
+politica baseada sobre o principio: _Si vis pacem para bellum_ pela
+politica do desarmamento.
+
+O 5.º congresso enviou a expressão da sua sympathia aos americanos que
+procuram remediar o deploravel estado atual de desconfiança armada o
+libertar a patria do flagello devorador do militarismo.
+
+O 6.º congresso encarregou o seu _Bureau_ de transmittir á conferencia
+inter-parlamentar a sua convicção ácêrca dos tratados de arbitragem,
+porque só elles poderiam permittir ás potencias a transformação dos seus
+armamentos e a reducção indispensavel ao equilibrio das suas finanças.
+
+Emfim o 7.º congresso protestou contra o augmento continuo das despesas
+feitas com o armamento, e não só convidou os membros dos corpos
+legislativos a votarem contra o augmento futuro d'estas despesas, como
+tambem convidou os eleitores a não darem o seu voto senão áquelles que
+se compromettessem a seguir esta linha de conducta.
+
+Em vista da propaganda a fazer, especialmente para um desarmamento
+parcial, os congressos convidaram as sociedades da paz a formular uma
+estatistica, tão completa e exacta quanto possivel, sobre as despesas
+directas e indirectas que acarretam a guerra e a paz armada.
+
+
+B. Neutralidade
+
+Os cinco primeiros congressos occuparam-se das questões que se ligam á
+neutralisação do maior numero de Estados, como garantia da paz e como
+meio para um desarmamento parcial.
+
+Depois de indicados os direitos e os deveres dos neutros, declararam
+esses mesmos congressos que os tratados que asseguram, presentemente, a
+certos Estados, o beneficio da neutralidade estão em vigor e que muito
+seria para desejar que se concluissem novos tratados, afim de
+estabelecer a neutralidade de outros Estados. Mais declararam ainda que
+os isthmos, os estreitos, e os cabos submarinos, utilizados pelo
+commercio, devem ser livres e que a sua neutralização constitue uma
+garantia para todas as potencias maritimas. Appellaram, emfim, para a
+imprensa dos Estados-Unidos e da Gran-Bretanha para que ella usasse da
+sua influencia em vista da observação ao tratado de 1817, que prohibe a
+estada de navios de guerra nos grandes lagos e proclama a paz perpetua
+sobre estas aguas.
+
+
+C. Declarações de guerra
+
+Como consequencia da declaração do direito de guerra, o 4.º congresso
+foi de opinião de que as probabilidades dos conflictos sangrentos se
+poderiam reduzir consideravelmente, desde que os poderes executivos
+fossem obrigados a consultar os representantes da sua nação, antes de
+declarar uma guerra.
+
+
+D. Emprestimos de guerra
+
+O 4.º congresso desapprovou vivamente o systema de negociar emprestimos
+de guerra, e o 6.º congresso applicou este principio á guerra entre a
+China e o Japão.
+
+
+E. Transformação dos exercitos
+
+Uma proposta relativa á transformação dos exercitos destruidores em
+exercitos productores, foi tomada em consideração pelo 6.º congresso, e
+o 7.º nomeou uma commissão para a estudar.
+
+
+III. Desenvolvimento dos congressos da paz
+
+
+A. Congressos universaes da paz
+
+A serie dos congressos universaes da paz, foi inaugurada, em Paris, no
+anno de 1889, pela iniciativa e sob a presidencia de Frederico Passy.
+
+No anno seguinte, precisou-se o fim d'esta instituição. As Sociedades da
+paz teem por objecto favorecer uma troca frequente de informações e de
+propostas e auxiliar uma acção commum, sendo necessario.
+
+As Sociedades da paz foram convidadas a estabelecer relações com os
+differentes Congressos internacionaes, communicando-lhes as suas
+resoluções, e pedindo-lhes o seu apoio. Em cada uma das sete reuniões
+annuaes, desde 1889, estas sociedades teem-se esforçado em regulamentar
+o melhor possivel os seus congressos, quer quanto ao direito de
+representação nas assembléas, quer quanto á fórma e á marcha das
+deliberações.
+
+
+B. Bureau internacional da paz
+
+No Congresso de Roma, em novembro de 1891, resolveu-se a creação de um
+_Bureau internacional permanente da paz_, que serve de laço de união
+entre as sociedades e os amigos da paz em geral, e que funcciona
+regularmente, em Berne, ha cêrca de sete annos, possuindo personalidade
+civil. A sua commissão compõe-se de 19 membros, reeleitos todos os
+annos, que, por seu turno, elegem um _comité_ permanente de 3 membros,
+residentes em Berne.
+
+O _Bureau internacional_, entre outras cousas, prepara o programma
+provisorio de cada congresso e põe em execução as resoluções tomadas.
+Publica uma _correspondencia bi-mensal_ que envia gratuitamente a todas
+as sociedades da paz e a todas as pessoas que especialmente se occupam
+do movimento pacifico.
+
+Do 7.º congresso (Budapesth) recebeu plenos poderes, para, no intervallo
+das reuniões, se dirigir aos governos e appellar para a opinião publica,
+sempre que um conflicto imminente o torne necessario. Fez uso d'estas
+faculdades, a 6 de março de 1897, a proposito da questão do Oriente.
+
+
+C. Relações com a conferencia inter-parlamentar
+
+O 1.º congresso já havia dado mandato ao seu _Bureau_, afim de levar
+officialmente ao conhecimento da conferencia inter-parlamentar todas as
+resoluções approvadas pelos seus delegados.
+
+O 2.º congresso consignou: 1.º--que o congresso annual da paz se realise
+antes ou immediatamente depois da conferencia inter-parlamentar e na
+mesma cidade: 2.º--que as resoluções e as diversas propostas adoptadas,
+respectivamente pelo congresso e pela conferencia, interessando as duas
+assembléas, sejam officialmente levadas ao conhecimento de cada uma
+d'ellas.
+
+
+IV. Propaganda
+
+As principaes recommendações feitas pelo congresso, em materia de
+propaganda pacifica, referem-se:
+
+a) á _propaganda eleitoral_ em favor dos candidatos dispostos a
+sustentarem as idéas da paz e da arbitragem internacional:
+
+b) á _propaganda pela imprensa_, para que publique, n'uma cruzada em
+favor da paz universal, factos exactos e informações de natureza a
+dissipar os mal-entendidos que muitas vezes são a origem de discordias
+internacionaes;
+
+c) á _propaganda pela eschola_, afim de que, nos dominios da
+instrucção publica, e, em particular no ensino da Historia, se inculquem
+aos alumnos e aos estudantes os principios da solidariedade humana, da
+arbitragem e da paz;
+
+d) á _propaganda pelas collectividades religiosas_;
+
+e) á _propaganda pelas associações de damas_;
+
+f) á _propaganda pelas associações operarias_, facilitando a
+participação d'estes grupos na obra das sociedades da paz;
+
+g) á _propaganda pelas assembléas publicas_.
+
+ * * * * *
+
+Em resumo: as sociedades e os congressos da paz discutiram
+successivamente todas as questões de principio que se impõem ás suas
+investigações. Além d'isso, com o concurso do seu Bureau internacional
+permanente, esforçaram-se por indicar, tão claramente quanto possivel,
+as vias a seguir para combater o militarismo e para acostumar as massas
+a preferirem as soluções pacificas ás soluções violentas, em caso de
+questões ou conflictos internacionaes.
+
+Popularisaram a idéa da _approximação fraternal dos povos_ pela
+egualdade, pela justiça e pela moral em politica, pela protecção dos
+estrangeiros, por bases mais equitativas do direito internacional, pelo
+respeito dos direitos das nacionalidades, por um procedimento leal em
+relação aos povos não civilisados, pela prática da arbitragem
+internacional, pelo estado consciencioso das questões que podem ameaçar
+a paz e das que se referem aos interesses economicos communs das nações,
+emfim, pela proclamação da _inviolabilidade da vida humana_ e pela
+_condemnação do duello_.
+
+Estabeleceram as bases de uma futura _reducção dos exercitos_,
+recommendando um _desarmamento proporcional simultaneo_, pela
+neutralisação do maior numero possivel d'Estados, pela _consulta dos
+parlamentos_, antes de qualquer declaração de guerra, e pela _prohibição
+dos emprestimos de guerra_.
+
+Organisaram, nas melhores condições possiveis, as grandes REUNIÕES DOS
+AMIGOS DA PAZ; instituiram o seu _Bureau internacional permanente_ e
+estabeleceram boas relações entre si e os _grupos inter-parlamentares da
+paz e da arbitragem_.
+
+Finalmente, fizeram uteis e constantes recommendações, em vista de
+fomentar a PROPAGANDA PACIFICA em todos os dominios.
+
+Trabalharam muito e bem, ha alguns annos a esta parte, e os resultados
+obtidos, na opinião publica, são de molde a inspirar confiança no
+futuro, ao mesmo tempo que impõem novos deveres.
+
+
+
+
+VI
+
+A commissão geral de paz e arbitragem internacional
+
+
+Graças á iniciativa da illustre _Sociedade de Geographia_, existe tambem
+em Lisboa uma commissão geral de paz e arbitragem internacional que
+inaugurou os seus trabalhos no dia 12 de abril do corrente anno. É seu
+presidente actual o venerando jornalista e notavel causidico, dr.
+Henrique Midosi, e a ella pertencem distinctas individualidades, todas
+egualmente empenhadas na defesa dos luminosos principios do direito, da
+justiça e da pacificação humana.
+
+Esta commissão, que antes deveria classificar-se uma bella e
+promettedora sociedade, conta já hoje com valiosas adhesões, e, entre os
+seus varios trabalhos preliminares, cumpre-nos assignalar dois
+documentos, ambos destinados a grangearem-lhe as mais vivas e fundas
+sympathias.
+
+O primeiro é a circular-manifesto com que se dirigiu ás sociedades
+extrangeiras:
+
+"Em vesperas da celebração do quarto centenario da descoberta da India,
+que inaugurou, para a Europa, uma nova éra--a éra colonial--abrindo ao
+commercio e ao trabalho novos e vastos horisontes, entendeu a benemerita
+Sociedade de Geographia que se tornava indispensavel crear em Lisboa uma
+commissão geral de paz e arbitragem internacional. Ha muito tempo que a
+necessidade d'este novo agrupamento se fazia sentir.
+
+Para nenhum de nós é desconhecido, com effeito, o enorme desenvolvimento
+que, n'estes ultimos tempos, teem tido as idéas de paz e arbitragem. Ao
+nosso paiz chegou o echo d'essas conquistas gloriosas. Muitos dos nossos
+conterraneos teem cooperado, pelos seus esforços, para essa obra
+redemptora de justiça e de pacificação, quer tomando parte nas
+conferencias inter-parlamentares, quer collaborando nos differentes
+congressos da paz. O paiz que, n'outras eras, encheu as paginas da
+Historia com os feitos luminosos dos seus bravos marinheiros e dos seus
+famosos descobridores, não podia quedar-se indifferente ante essa bella
+e brilhantissima cruzada dos povos modernos em favor dos seus direitos
+postergados e da humanidade offendida e ludibriada.
+
+A fôrça contra o direito constitue uma monstruosidade inaudita. Só o
+respeito pelo direito de todos e pelo direito de cada um poderá
+prevenir, no futuro, os horrores de uma conflagração geral. A applicação
+d'este principio salutar impõe-se como um dever. A affirmação da paz
+implica a condemnação das guerras de conquista e o direito que teem os
+povos de se governarem por si mesmos. Pugnar, pois, pelas soluções
+pacificas, o mesmo é que pugnar pela arbitragem, como meio de resolver
+as contendas que possam surgir entre os povos.
+
+Eis o nosso primeiro pensamento, ao constituir-nos em commissão de
+estudo e de propaganda; e, por muito honrados nos dariamos, se
+pudessemos contribuir pelos nossos esforços, pela nossa boa vontade e
+pela nossa dedicação, para a grande obra immorredoura da pacificação
+humana.
+
+A commissao geral de paz e arbitragem, que se installou, n'esta capital,
+em 12 do corrente mez e anno, envia d'aqui uma saudação calorosa e
+fraterna a todas as sociedades da paz e a todos os que, leal e
+desinteressadamente, trabalham para a conquista dos direitos dos povos.
+Saudamos todos esses valentes apostolos cuja obra grandiosa será a
+divisa do seculo futuro. Saudamos todas as associações cuja propaganda
+incessante constitue o mais bello emprehendimento da geração actual.
+
+O comité portuguez, dirigindo-se a todos os homens de boa vontade e a
+todos os trabalhadores honestos e amigos da humanidade, faz votos para
+que o congresso de 1898 se realise de preferencia em Lisboa, onde os
+evangelistas da paz encontrarão o mais sympathico acolhimento e a mais
+franca adhesão á causa que defendemos. Celebrar-se-ha Vasco da Gama que,
+sobre ser figura proeminente da historia portugueza, é heroe venerado,
+de uma popularidade immensa em todo o mundo culto. Foi elle o grande
+iniciador do movimento que ligou entre si duas civilizações separadas
+por um abysmo e que creou esse espirito d'expansão colonial que
+caracterisa as nações modernas.
+
+Além d'estas festas que contribuirão certamente para levantar o
+prestigio do nome portuguez no extrangeiro, os congressistas terão
+optima occasião para apreciar as bellezas de um clima incomparavel e as
+superiores qualidades de uma raça, sempre aberta a todos os progressos e
+a todas as aspirações generosas.
+
+O comité portuguez espera que estas considerações calarão no espirito
+dos nossos illustrados collegas que não hesitarão em escolher Lisboa
+como séde da proxima conferencia inter-parlamentar e do proximo
+congresso da paz.
+
+A mesa: _Conde de Valenças_, presidente; _Magalhães Lima_ e _Alfredo da
+Cunha_, secretarios."
+
+O segundo é uma moção que, ao mesmo tempo, deve ser tomada como
+affirmação de principios e obra de propaganda, util e efficaz:
+
+"A commissão geral de paz e arbitragem, considerando que o dominio geral
+portuguez constitue o mais bello patrimonio da nação e o seu principal
+elemento de independencia;
+
+"Considerando que, no estado em que nos encontramos, cada vez se torna
+mais difficil protegel-o e defendel-o;
+
+"Considerando, por outro lado, que, no estado actual das relações
+internacionaes, a creação de um supremo tribunal internacional não é
+immediatamente realisavel;
+
+"Considerando, porém, que a conclusão entre povos de tratados de
+arbitragem permanente que transformem o estado de guerra em que
+actualmente vivem as nações, n'um estado pacifico, juridico e
+industrial, se torna uma necessidade, imposta pela civilisação e
+claramente indicada pelas leis do progresso;
+
+"Declara:
+
+"Que a negociação e conclusão de tratados permanentes pelos quaes, sob a
+garantia anticipada e reciproca da plenitude da sua autonomia e da sua
+soberania, dois ou mais povos se compromettem a submetter a árbitros,
+por elles nomeados, segundo a forma indicada nos tratados, todas as
+questões e conflictos que, porventura, possam surgir, se torna a via
+mais segura, mais pratica e mais racional de resolver pacificamente as
+contendas entre nações, evitando, por este modo, o derramamento de
+sangue e o triumpho do mais forte sobre o mais fraco;
+
+"E resolve:
+
+"1.º--promover em favor d'esta idéa uma propaganda activa, por meio de
+brochuras, de conferencias e reuniões;
+
+"2.º--Intervir junto da direcção da Sociedade de Geographia, afim de que
+esta represente ao governo no sentido de se estabelecerem tratados de
+arbitragem permanente entre Portugal e os Estados com que o nosso paiz
+confina nas suas provincias ultramarinas;
+
+"3.º--ampliar ao Brazil e á Hespanha o pensamento consignado n'essa
+proposta;
+
+"4.º--communical-a a todos os socios da Sociedade de Geographia e a
+todas as associações de paz e arbitragem, no extrangeiro, solicitando
+d'estas o seu effectivo apoio;
+
+"5.º--pedir aos futuros parlamentos a sua cooperação no mesmo sentido."
+
+Foi esta commissão que tive a honra de representar no congresso da paz,
+realisado em Hamburgo, no passado mez de agosto. As homenagens de que me
+cercaram, tanto n'esta assembléa, como na conferencia inter-parlamentar
+que se reuniu em Bruxellas, não posso nem devo attribuil-as senão á
+immensa consideração de que gosa a _Sociedade de Geographia_ no
+extrangeiro. Pode ufanar-se d'isso o meu velho e prestante amigo Luciano
+Cordeiro que me foi auxiliar valiosissimo na grata e honrosa tarefa de
+que me incumbiu. Aos meus prezados collegas, membros da commissão,
+submetto este pequeno relatorio, como reconhecimento á affectuosa
+benevolencia com que me distinguiram. Foi certamente pouco numerosa a
+representação, mas não podia ser mais completo nem mais lisonjeiro o
+exito alcançado. No intuito de prestar um serviço á propaganda pacifica
+em Portugal, reuni, em volume, as notas e os documentos que ahi ficam.
+Suppuz que só assim poderia corresponder á confiança dos meus amigos,
+satisfazendo, ao mesmo tempo, os generosos intuitos da commissão a que
+pertenço. Do nosso paiz, foi-me muito agradavel poder citar ao
+extrangeiro tres trabalhos importantes: uma memoria sobre arbitragem,
+apresentada pelo sr. conde de Valenças, ao congresso juridico que se
+reuniu, em Madrid, por occasião do centenario de Christovam Colombo; o
+bello e substancioso relatorio do devotadissimo amigo da paz, dr. João
+de Paiva, ácêrca das conferencias inter-parlamentares em que tomou
+parte, como delegado de Portugal; e, finalmente, o relatorio do meu
+sympathico e affectuoso amigo, dr. José de Castro, relativo á
+conferencia inter-parlamentar de Roma, a que tambem assistiu, como
+representante portuguez. É de esperar que a propaganda pacifica,
+iniciada, n'este paiz, sob tão bons auspicios, continue a fructificar,
+para honra nossa e da civilisação. A proxima reunião da conferencia
+inter-parlamentar e do congresso da paz, em Lisboa, em que tanto me
+empenhei, deve ser um motivo de legitimo orgulho para todos nós. Vamos,
+pela primeira vez, mostrar ao mundo que comprehendemos a nossa missão,
+como povo livre e civilisado; e, solidarios com os grandes e generosos
+ideaes do nosso tempo, tornar-nos-hemos dignos do extrangeiro que nos
+visita.
+
+FIM
+
+
+
+
+PROPAGANDA DE INSTRUCÇÃO
+
+Para Portuguezes e Brazileiros
+
+
+OS DICCIONARIOS DO POVO
+
+N.º 1--Diccionario da lingua portugueza (3.ª edição).
+
+N.º 2--Diccionario francez-portuguez (2.ª edição).
+
+N.º 3--Diccionario portuguez-francez (2.ª edição).
+
+N.º 4--Diccionario inglez-portuguez.
+
+N.º 5--Diccionario portuguez-inglez.
+
+Cada volume contém cerca de 800 paginas. Preços: brochado, 500 réis;
+encadernado em percalina, 600 réis; em carneira, 700 réis.
+
+
+BIBLIOTHECA DO POVO E DAS ESCOLAS
+
+Esta util e valiosissima bibliotheca consta já de 199 volumes, alguns
+dos quaes teem a approvação do governo portuguez, para uso das escolas
+normaes e aulas primarias, e outros são geralmente adoptados em varias
+escolas do paiz.
+
+Preço de cada volume, 50 réis.
+
+
+O IDEAL MODERNO
+
+BIBLIOTHECA POPULAR DE ORIENTAÇÃO SOCIALISTA
+
+Volumes publicados:--Paz e arbitragem
+
+Volumes a publicar:--A dissolução do regimen capitalista--O
+federalismo--O humanismo--O socialismo--O feminismo, etc., etc.
+
+
+
+
+
+End of Project Gutenberg's Paz e Arbitragem, by Sebastião de Magalhães Lima
+
+*** END OF THIS PROJECT GUTENBERG EBOOK PAZ E ARBITRAGEM ***
+
+***** This file should be named 28914-8.txt or 28914-8.zip *****
+This and all associated files of various formats will be found in:
+ https://www.gutenberg.org/2/8/9/1/28914/
+
+Produced by Pedro Saborano. A partir da digitalização
+disponibilizada pela bibRIA.
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+(and you!) can copy and distribute it in the United States without
+permission and without paying copyright royalties. Special rules,
+set forth in the General Terms of Use part of this license, apply to
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+do not charge anything for copies of this eBook, complying with the
+rules is very easy. You may use this eBook for nearly any purpose
+such as creation of derivative works, reports, performances and
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+redistribution.
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+Gutenberg-tm electronic work and you do not agree to be bound by the
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+Gutenberg-tm electronic works if you follow the terms of this agreement
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+works. See paragraph 1.E below.
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+or PGLAF), owns a compilation copyright in the collection of Project
+Gutenberg-tm electronic works. Nearly all the individual works in the
+collection are in the public domain in the United States. If an
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+located in the United States, we do not claim a right to prevent you from
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+are removed. Of course, we hope that you will support the Project
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+ you already use to calculate your applicable taxes. The fee is
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+ has agreed to donate royalties under this paragraph to the
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+ must be paid within 60 days following each date on which you
+ prepare (or are legally required to prepare) your periodic tax
+ returns. Royalty payments should be clearly marked as such and
+ sent to the Project Gutenberg Literary Archive Foundation at the
+ address specified in Section 4, "Information about donations to
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+LIABLE TO YOU FOR ACTUAL, DIRECT, INDIRECT, CONSEQUENTIAL, PUNITIVE OR
+INCIDENTAL DAMAGES EVEN IF YOU GIVE NOTICE OF THE POSSIBILITY OF SUCH
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+is also defective, you may demand a refund in writing without further
+opportunities to fix the problem.
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+in paragraph 1.F.3, this work is provided to you 'AS-IS' WITH NO OTHER
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+WARRANTIES OF MERCHANTIBILITY OR FITNESS FOR ANY PURPOSE.
+
+1.F.5. Some states do not allow disclaimers of certain implied
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+interpreted to make the maximum disclaimer or limitation permitted by
+the applicable state law. The invalidity or unenforceability of any
+provision of this agreement shall not void the remaining provisions.
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+trademark owner, any agent or employee of the Foundation, anyone
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+with this agreement, and any volunteers associated with the production,
+promotion and distribution of Project Gutenberg-tm electronic works,
+harmless from all liability, costs and expenses, including legal fees,
+that arise directly or indirectly from any of the following which you do
+or cause to occur: (a) distribution of this or any Project Gutenberg-tm
+work, (b) alteration, modification, or additions or deletions to any
+Project Gutenberg-tm work, and (c) any Defect you cause.
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+Section 2. Information about the Mission of Project Gutenberg-tm
+
+Project Gutenberg-tm is synonymous with the free distribution of
+electronic works in formats readable by the widest variety of computers
+including obsolete, old, middle-aged and new computers. It exists
+because of the efforts of hundreds of volunteers and donations from
+people in all walks of life.
+
+Volunteers and financial support to provide volunteers with the
+assistance they need are critical to reaching Project Gutenberg-tm's
+goals and ensuring that the Project Gutenberg-tm collection will
+remain freely available for generations to come. In 2001, the Project
+Gutenberg Literary Archive Foundation was created to provide a secure
+and permanent future for Project Gutenberg-tm and future generations.
+To learn more about the Project Gutenberg Literary Archive Foundation
+and how your efforts and donations can help, see Sections 3 and 4
+and the Foundation web page at https://www.pglaf.org.
+
+
+Section 3. Information about the Project Gutenberg Literary Archive
+Foundation
+
+The Project Gutenberg Literary Archive Foundation is a non profit
+501(c)(3) educational corporation organized under the laws of the
+state of Mississippi and granted tax exempt status by the Internal
+Revenue Service. The Foundation's EIN or federal tax identification
+number is 64-6221541. Its 501(c)(3) letter is posted at
+https://pglaf.org/fundraising. Contributions to the Project Gutenberg
+Literary Archive Foundation are tax deductible to the full extent
+permitted by U.S. federal laws and your state's laws.
+
+The Foundation's principal office is located at 4557 Melan Dr. S.
+Fairbanks, AK, 99712., but its volunteers and employees are scattered
+throughout numerous locations. Its business office is located at
+809 North 1500 West, Salt Lake City, UT 84116, (801) 596-1887, email
+business@pglaf.org. Email contact links and up to date contact
+information can be found at the Foundation's web site and official
+page at https://pglaf.org
+
+For additional contact information:
+ Dr. Gregory B. Newby
+ Chief Executive and Director
+ gbnewby@pglaf.org
+
+
+Section 4. Information about Donations to the Project Gutenberg
+Literary Archive Foundation
+
+Project Gutenberg-tm depends upon and cannot survive without wide
+spread public support and donations to carry out its mission of
+increasing the number of public domain and licensed works that can be
+freely distributed in machine readable form accessible by the widest
+array of equipment including outdated equipment. Many small donations
+($1 to $5,000) are particularly important to maintaining tax exempt
+status with the IRS.
+
+The Foundation is committed to complying with the laws regulating
+charities and charitable donations in all 50 states of the United
+States. Compliance requirements are not uniform and it takes a
+considerable effort, much paperwork and many fees to meet and keep up
+with these requirements. We do not solicit donations in locations
+where we have not received written confirmation of compliance. To
+SEND DONATIONS or determine the status of compliance for any
+particular state visit https://pglaf.org
+
+While we cannot and do not solicit contributions from states where we
+have not met the solicitation requirements, we know of no prohibition
+against accepting unsolicited donations from donors in such states who
+approach us with offers to donate.
+
+International donations are gratefully accepted, but we cannot make
+any statements concerning tax treatment of donations received from
+outside the United States. U.S. laws alone swamp our small staff.
+
+Please check the Project Gutenberg Web pages for current donation
+methods and addresses. Donations are accepted in a number of other
+ways including including checks, online payments and credit card
+donations. To donate, please visit: https://pglaf.org/donate
+
+
+Section 5. General Information About Project Gutenberg-tm electronic
+works.
+
+Professor Michael S. Hart was the originator of the Project Gutenberg-tm
+concept of a library of electronic works that could be freely shared
+with anyone. For thirty years, he produced and distributed Project
+Gutenberg-tm eBooks with only a loose network of volunteer support.
+
+
+Project Gutenberg-tm eBooks are often created from several printed
+editions, all of which are confirmed as Public Domain in the U.S.
+unless a copyright notice is included. Thus, we do not necessarily
+keep eBooks in compliance with any particular paper edition.
+
+
+Most people start at our Web site which has the main PG search facility:
+
+ https://www.gutenberg.org
+
+This Web site includes information about Project Gutenberg-tm,
+including how to make donations to the Project Gutenberg Literary
+Archive Foundation, how to help produce our new eBooks, and how to
+subscribe to our email newsletter to hear about new eBooks.
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+<!DOCTYPE HTML PUBLIC "-//W3C//DTD HTML 4.0 Transitional//EN">
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+ <title>Paz e Arbitragem, por Magalhães Lima</title>
+ <meta name="Author" content="Sebastião de Magalhães Lima">
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+<pre>
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+Project Gutenberg's Paz e Arbitragem, by Sebastião de Magalhães Lima
+
+This eBook is for the use of anyone anywhere at no cost and with
+almost no restrictions whatsoever. You may copy it, give it away or
+re-use it under the terms of the Project Gutenberg License included
+with this eBook or online at www.gutenberg.org
+
+
+Title: Paz e Arbitragem
+
+Author: Sebastião de Magalhães Lima
+
+Release Date: May 21, 2009 [EBook #28914]
+
+Language: Portuguese
+
+Character set encoding: ISO-8859-1
+
+*** START OF THIS PROJECT GUTENBERG EBOOK PAZ E ARBITRAGEM ***
+
+
+
+
+Produced by Pedro Saborano. A partir da digitalização
+disponibilizada pela bibRIA.
+
+
+
+
+
+
+</pre>
+
+<div style="text-align:center;">
+<p style="font-size: 2em;"><strong>O IDEAL MODERNO</strong></p>
+
+<p style="font-size: 0.8em;">BIBLIOTHECA<br>
+
+POPULAR<br>
+
+DE<br>
+
+ORIENTAÇÃO<br>
+
+SOCIALISTA</p>
+
+<p style="font-size: 1.5em;"><strong>PAZ E ARBITRAGEM</strong></p>
+
+<p style="font-size: 0.8em;">DIRECTORES<br>
+
+MAGALHÃES LIMA<br>
+
+E<br>
+
+TEIXEIRA BASTOS</p>
+
+<hr style="border: 0; border-bottom: solid 3px #000;">
+
+<p style="font-size: 0.8em;">COMP.<sup>A</sup> N.<sup>AL</sup> EDITORA<br>
+SECÇÃO EDITORIAL<br>
+ADM. J. GUEDES&mdash;LISBOA</p>
+</div>
+<p>&nbsp;</p>
+
+<p>&nbsp;</p>
+
+<div style="text-align:center; border: solid 1px #000; padding: 1em;">
+<p style="font-size: 1.5em;">O IDEAL MODERNO</p>
+
+<p>======</p>
+
+<p style="font-size: 2.5em;">PAZ E ARBITRAGEM</p>
+
+<p>&nbsp;</p>
+
+<p>POR</p>
+
+<p style="font-size: 1.5em;">MAGALHÃES LIMA</p>
+
+<p>Membro do Bureau Internacional permanente da paz</p>
+
+<p>&nbsp;</p>
+
+<p>&nbsp;</p>
+
+<p>&nbsp;</p>
+
+<p>&nbsp;</p>
+
+<p>LISBOA<br>
+SECÇÃO EDITORIAL DA COMPANHIA NACIONAL EDITORA<br>
+Administrador&mdash;JUSTINO GUEDES<br>
+50, Largo do Conde Barão, Lisboa<br>
+AGENCIAS<br>
+Porto, Largo dos Loyos, 47, 1.º<br>
+38, Rua da Quitanda, Rio de Janeiro<br>
+1897</p>
+</div>
+
+<p>&nbsp;</p>
+
+<p>&nbsp;</p>
+
+<div id="corpo">
+<h1>Á Senhora Baroneza de Suttner</h1>
+
+<p><em>Á Senhora Baroneza de Suttner, a brilhante evangelista do movimento
+pacifico, auctora do famoso romance <strong>Abaixo as armas</strong>, que tem
+feito a volta do mundo com um successo nunca visto&mdash;dedico e consagro este
+livrinho. No ultimo congresso da paz que se realizou, em Hamburgo, no passado
+mez de agosto, do corrente anno, foi esta illustre senhora quem mais se
+esforçou, para que a nova reunião se effectuasse em Lisbôa, pondo, em nosso
+favor, a sua palavra eloquente e a sua influencia prestigiosa.</em></p>
+
+<p><em>Com esta pequena e insignificante offerta, desejo provar-lhe, em
+primeiro logar, a altissima consideração em que é tido, entre nós, o seu nome
+aureolado, e, em segundo logar, pretendo manifestar-lhe publicamente o meu
+inolvidavel reconhecimento na obra grandiosa da paz e da arbitragem
+internacional que proseguimos solidariamente.</em></p>
+
+<p>&nbsp;</p>
+
+<h1>I<br>
+O movimento pacifico</h1>
+
+<p>No fim do seculo XIX, nota-se este contraste singular e monstruoso: ao passo
+que as industrias attingem um desenvolvimento maximo, nunca o poder do
+militarismo foi maior do que em nossos dias. A guerra é um crime no ponto de
+vista humanitario; é um crime no ponto de vista social; é um crime no ponto de
+vista moral; e é um crime no ponto de vista economico e financeiro. O movimento
+pacifico tem tomado, por toda a parte, proporções assombrosas. Só na Allemanha
+existem mais de sessenta sociedades da paz. Os Estados-Unidos da America e a
+Inglaterra revelam-nos, a cada passo, a tendencia para as idéas pacificas, pela
+pratica da arbitragem. O principio da arbitragem é a maior conquista d'este
+seculo. É a acção do individuo substituindo-se cada vez mais á acção do Estado.
+Os amigos da paz, além da suppressão dos exercitos permanentes, pretendem
+resolver pela arbitragem todos os litigios internacionaes. Nada mais racional e
+nada mais justo. A democracia moderna fez da arbitragem uma das suas primeiras
+reivindicações. Haja vista o que succede em todas as grandes republicas; como a
+Suissa, onde existe um verdadeiro partido pacifico, organisado e disciplinado,
+tendo por orgão o interessante jornal&mdash;<em>Os Estados Unidos da Europa</em>,
+fundado por Charles Lemonnier e como meio de propaganda a <em>Liga da Paz e da
+Liberdade</em> que foi presidida, nas suas primeiras sessões, por Garibaldi e
+Victor Hugo; o Brazil que, ainda ha pouco, recorreu a nós na questão relativa á
+ilha da Trindade; os Estados-Unidos da America que, n'este momento, negoceiam
+com a Inglaterra um tratado de arbitragem permanente. Os amigos da paz
+encontram o seu principal ponto de apoio no desenvolvimento intellectual e
+material das sociedades. As condições economicas hão de impor o desarmamento,
+n'uma épocha mais ou menos proxima. A guerra só pode aproveitar aos chefes de
+Estado, ambiciosos de glorias e de conquistas. A guerra e a paz armada
+constituem um mesmo mal e uma mesma calamidade. A affirmação da paz e a
+condemnação da guerra entra hoje, como ponto obrigado, de todas as
+reivindicações operarias. Por occasião do ultimo congresso socialista, que se
+reuniu em Londres, o <em>meeting</em> de <em>Hyde-Park</em>, em favor da paz,
+foi de uma imponencia desusada. Affirmar a paz é affirmar o respeito pela vida
+e pela dignidade humana. Affirmar a paz o mesmo é que consagrar o principio do
+trabalho. A guerra só pode interessar aos reis e aos imperadores que n'ella
+encontram o esteio ás suas ambições desregradas e á sua cupidez nunca assaz
+saciada. A democracia quer e consagra a paz, como suprema aspiração social.</p>
+
+<p>Sustentam alguns que a guerra é uma solução, e que só ella pode resolver as
+contendas que dividem os povos entre si. Mas, dado que assim fôsse, como se
+explica que <strong>oito mil e tantas guerras</strong> nada puderam resolver
+até hoje? Só Napoleão, á sua parte, causou a morte a <strong>3.700.000</strong>
+pessoas. Em que melhorou a sorte da França com isso? E, porventura, modificou
+ou alterou essa horrivel matança, no minimo que fôsse, os destinos da
+humanidade? Desde 1648 a guerra tem custado á Europa 400 biliões de francos,
+roubados á producção e ao trabalho. A paz armada absorve dois terços do
+rendimento das nações. Está calculado que, em impostos directos ou indirectos,
+a guerra absorve, cada anno, cêrca de um decimo do rendimento de cada francez.
+O cidadão que possue 10.000 francos de rendimento é obrigado a contribuir, para
+as despesas de guerra, com mil francos por anno, sem prejuizo de toda a sua
+fortuna e mesmo da sua vida se ella lhe fôr exigida e reclamada. O operario,
+independentemente dos tres annos que é obrigado a servir na caserna, dos vinte
+oito dias de serviço, em tempo de guerra, em cada anno de plena paz, trabalha
+um mez para a guerra. Egual cálculo se poderia fazer em relação aos outros
+paizes. Simplesmente monstruoso!</p>
+
+<p>Para fazer cessar semelhante estado de cousas, o movimento pacifico entendeu
+dever ampliar a sua esphera de acção, dirigindo-se simultaneamente a todas as
+classes sociaes sem distincção, aos grupos nacionaes, aos partidos politicos,
+aos governos, aos parlamentos e á grande massa trabalhadora que parece ainda
+não ter comprehendido claramente as vantagens que, para a civilisação, poderiam
+advir de um desarmamento geral. A idéa de patria está hoje consubstanciada nos
+exercitos permanentes, nas alfandegas, n'um proteccionismo economico levado ao
+seu maximo exaggêro e n'outros meios artificiaes que servem sómente para cavar
+um abysmo, cada vez mais fundo, entre os povos. Em nome de um falso
+patriotismo, commettem-se os maiores absurdos e as maiores infamias. No dia em
+que todos se convencerem que o patriotismo, invocado pelos governos, não passa
+de um pretexto para illudir e escravisar os povos; no dia em que o proletariado
+responder ao chamamento ás armas com uma gréve geral ou com a recusa ao serviço
+militar, n'esse dia terá soado a ultima hora para essa nefasta politica que
+alguem appellidou a <em>politica dos kilometros quadrados</em>.</p>
+
+<p>A paz é a grande questão, por excellencia, a que estão subordinadas todas as
+soluções, sociaes, philosophicas e humanitarias. Assim o comprehendem os
+pensadores, os philantropos, os jornalistas e os publicistas de todos os
+paizes. Qual o meio de crear uma opinião internacional efficaz, capaz de reagir
+contra o militarismo?&mdash;eis o problema. É, n'este sentido, que se dirigem as
+vistas de todos os que se interessam pelo bem-estar da humanidade e pelo futuro
+da civilisação. O movimento pacifico, já hoje muito poderoso, comprehende as
+quatro divisões seguintes: 1.º, a <em>conferencia inter-parlamentar</em>,
+exclusivamente composta de delegados dos parlamentos; 2.º, o <em>congresso
+universal da paz</em>, composto de delegados de todas as sociedades da paz;
+3.º, os <em>comités parlamentares</em>; 4.º, <em>as sociedades da paz</em>. A
+propaganda é, no fundo, obra eminentemente prática para a qual concorrem
+milhares de trabalhadores. Os grupos inter-parlamentares teem o seu <em>Bureau
+central</em>, em Berne, e as sociedades da paz teem, como principal orgão, o
+<em>Bureau internacional da paz</em>, com séde tambem em Berne. As sociedades
+sobem, presentemente, ao numero de 18 nos Estados-Unidos da America, com uma
+centena de succursaes e de 69 na Europa, com 190 secções, regularmente
+constituidas, sem falar dos numerosos grupos locaes. Muitas e importantes
+sociedades de damas, tendo em vista a reivindicação dos direitos da mulher,
+pronunciaram-se tambem por uma propaganda energica em favor das idéas de paz.
+Innumeras sociedades operarias se proclamaram solidarias com a obra da paz.
+Todas estas organisações se puzeram em contacto, umas com as outras, nos
+differentes congressos internacionaes (Paris, 1889; Londres, 1890; Roma, 1891;
+Berne, 1892; Chicago, 1893; Antuerpia, 1894; Budapesth, 1896; Hamburgo, 1897.)
+O <em>Bureau</em> de Berne serve do centro de communicação aos diversos
+grupamentos e está em correspondencia, com todos os paizes do mundo. Os
+partidarios da paz contam com numerosos e importantes orgãos na imprensa de
+todos os paizes: na França&mdash;<em>La France</em>; <em>l'Epoque</em>; <em>La paix
+par le droit</em>; <em>Almanach de la paix</em>; <em>La revue liberale</em>;
+<em>La Coopération des Idées</em>; <em>Le Devoir</em>; <em>Petits plaidoyers
+contre la guerre</em>: na Inglaterra&mdash;<em>Concord</em>; <em>The Herald of
+Peace</em>: na Suissa&mdash;<em>Les Etats Unis d'Europe</em>; <em>La conférence
+inter-parlementaire</em>; <em>Correspondance bi-mensuelle</em>: na
+Dinamarca&mdash;<em>Fredebladet</em>; na Suecia&mdash;<em>Ned Med Vapnen</em>: na
+Noruega&mdash;<em>Det Norske Frebsblad</em>; na Italia&mdash;Almanach <em>Giu le
+armi</em>; <em>la libertá e la pace</em>: na Hollanda&mdash;<em>Pax Humanitate</em>:
+na Austria&mdash;<em>Die Waffen Nieder</em>: na Allemanha&mdash;<em>Monatliche Friedens
+Korrespondenz</em>: na Belgica&mdash;<em>L'Independance belge</em>: nos
+Estados-Unidos da America&mdash;<em>The advocate of peace</em>; <em>The
+peace-maker</em>.</p>
+
+<p>Para que se possa avaliar, com exactidão, do movimento que hoje preoccupa os
+espiritos em todo o mundo civilisado, damos, em seguida, a historia summaria e
+a lista das sociedades da paz, com o interesse que nos inspiram todas as
+manifestações do direito, da justiça e da consciencia publica, qualquer que
+seja o paiz onde ellas se realisem.</p>
+
+<h2>A. Estados Unidos da America</h2>
+
+<p>1&mdash;Sociedade da paz de New-York, fundada em 1815 por um grupo de vinte
+individuos. Creou um grande numero de secções até á sua fusão com a Sociedade
+americana da paz.</p>
+
+<p>2&mdash;Sociedade da paz de Ohio, fundada em 2 do dezembro de 1815, sob a
+influencia de uma brochura do dr. Noah Worcester. Contava 8 secções em 1815.</p>
+
+<p>3&mdash;Sociedade da paz de Massachusets, fundada em 26 de dezembro de 1815, pela
+iniciativa do dr. Worcester. Contava 22 membros do momento da sua fundação. Em
+1831 tinha 19 secções.</p>
+
+<h3>Sociedades actuaes</h3>
+
+<p>4&mdash;Sociedade americana da paz, fundada em Nova York, a 8 de maio de 1828,
+pela fusão das sociedades de Maine, Massachusets, de Nova York e da
+Pensylvania. A sua séde foi transferida, em 1837, de Nova York para Boston.</p>
+
+<p>5&mdash;Sociedade da paz de Connectitut, fundada em 1935. Creou um grande numero
+de secções.</p>
+
+<p>6&mdash;União universal da paz. Esta sociedade foi fundada, em 1866, pelo sr.
+Alfredo Love, em Philadelphia, e conta mais de 30 secções, espalhadas nas
+differentes regiões dos Estados-Unidos, entre outras, Washington, Nova York,
+Rhode Island, Pensylvania, Massachusets, Connectitut, Carolina do Sul e
+Chicago.</p>
+
+<p>7&mdash;Associação dos amigos da paz da America, fundada, em 1869, em Nova
+Vienna. Extendeu-se até Richmond.</p>
+
+<p>8&mdash;Arbitragem christã e Sociedade da paz, fundada em Philadelphia, em
+1866.</p>
+
+<p>9&mdash;Departamento da paz, sociedade de damas, fundada, em 1887, pela Senhora
+Hannah J. Bailey, em Maine.</p>
+
+<p>10&mdash;Associação nacional de arbitragem, fundada em Washington, em 1877, por
+Belva Lockwood.</p>
+
+<p>11&mdash;Sociedade nacional da paz, fundada, em 1893, em Kansas.</p>
+
+<p>12&mdash;Liga internacional feminina da paz, fundada, em 1895, por Frost Evans,
+em Mystic, Conn., possuindo secções em várias regiões.</p>
+
+<p>13&mdash;Sociedade da paz da Carolina do Sul, Columbia.</p>
+
+<p>14&mdash;Sociedade da paz Illinois, Chicago.</p>
+
+<p>15&mdash;Sociedade pacifica de arbitragem, California.</p>
+
+<p>16&mdash;Sociedade da paz de Rhode Island.</p>
+
+<p>17&mdash;Associação dos amigos da paz de Philadelphia.</p>
+
+<p>18&mdash;Conselho da arbitragem, Philadelphia.</p>
+
+<h2>B. Europa</h2>
+
+<h3>Gran-Bretanha</h3>
+
+<p>1&mdash;Sociedade da paz, fundada em 14 de julho de 1896, com séde em Londres, e
+tendo 31 sociedades filiadas como auxiliares.</p>
+
+<p>2&mdash;Liga internacional da arbitragem, fundada em dezembro de 1868, em
+Londres. Possue numerosos grupos.</p>
+
+<p>3&mdash;Associação internacional da paz e arbitragem, fundada por Hodgson Pratt,
+em 1880. Possue uma secção em Oxford, creou uma secção em Bruxellas e muitas
+outras sociedades da paz na Italia.</p>
+
+<p>4&mdash;Sociedade feminina da paz e arbitragem de Liverpool e Birkenhead, fundada
+em fevereiro de 1886, em Birkenhead.</p>
+
+<p>5&mdash;Comité da sociedade dos amigos da paz, fundada em 1888, em Haslemere.</p>
+
+<p>6&mdash;União christã da concordia internacional, fundada em Londres, em 1889,
+pelo fallecido George Gillett.</p>
+
+<p>7&mdash;Associação de arbitragem britannica e extrangeira, Liverpool.</p>
+
+<p>8&mdash;Associação de arbitragem, Londres.</p>
+
+<p>9&mdash;Associação internacional da lei, Londres.</p>
+
+<p>10&mdash;Sociedade da paz de Dublin, Dublin.</p>
+
+<h3>França</h3>
+
+<p>1&mdash;Liga do bem publico, fundada em 1858, pelo sr. Potonié Pierre.</p>
+
+<p>2&mdash;Sociedade francesa da arbitragem entre as nações fundada por Frederico
+Passy, em 1867, sob a designação de «Liga internacional da paz». Foi denominada
+mais tarde: Sociedade francesa dos amigos da paz.</p>
+
+<p>3&mdash;Grupo dos amigos da paz de Puy-de-Dôme, fundado em Clermont Ferrand.</p>
+
+<p>4&mdash;Sociedade da paz e da arbitragem do Familisterio de Guise, fundada, a 15
+de maio do 1886, em Guise, pelo sr. Godin.</p>
+
+<p>5&mdash;Associação da paz pelo direito, fundada, em Nimes, em abril de 1887, sob
+a denominação de Associação dos jovens amigos da paz.</p>
+
+<p>6&mdash;Sociedade da paz d'Abbeville e de Ponthien, fundada, em 1892, pelo sr.
+Jules Tripier.</p>
+
+<p>7&mdash;Sociedade da paz de Felletin e Aubusson, fundada, em julho de 1893, pelos
+srs. Pichot e Jorrand.</p>
+
+<p>8&mdash;União internacional das mulheres, fundada om 1895, em Paris, pela
+iniciativa de algumas damas de Inglaterra e de França.</p>
+
+<p>9&mdash;Liga franco italiana, fundada em Paris pelo st. Raqueni, com uma
+succursal na Algeria.</p>
+
+<p>10&mdash;A alliança universal, fundada pelo sr. Jonnet, em St. Raphael, Var.</p>
+
+<p>11&mdash;Liga internacional das mulheres para o desarmamento internacional,
+fundada em Paris pela princeza Wiszniewska.</p>
+
+<h3>Suissa</h3>
+
+<p>1&mdash;Liga internacional da paz e da liberdade, fundada em Genebra, em 1867,
+por Charles Lemonnier. A séde do seu comité central foi transferida de Genebra
+para Berne, em junho de 1897.</p>
+
+<p>2&mdash;Sociedade suissa da paz. Esta secção da Liga da paz e da liberdade foi
+fundada em 1869, em Neuchatel, o compõe-se de 19 grupos espalhados por toda a
+Suissa.</p>
+
+<p>3&mdash;Sociedade academica da paz, fundada em Zurich, a 20 de julho de 1893.</p>
+
+<p>4&mdash;Sociedade christã para a propaganda da paz, fundado em Bienne em 1894.</p>
+
+<h3>Dinamarca</h3>
+
+<p>Associação da paz da Dinamarca, outr'ora <em>Sociedade para a neutralização
+da Dinamarca</em> fundada em 28 do novembro de 1882, em Copenhague, pela
+iniciativa do sr. Frederico Bajer. Conta cêrca de 120 secções, organisadas e
+distribuidas por todo o paiz.</p>
+
+<h3>Suecia</h3>
+
+<p>Associação Sueca da arbitragem e da paz, fundada em 1883, em Stockholmo.
+Conta 21 secções com grande numero da sub-secções.</p>
+
+<h3>Noruega</h3>
+
+<p>Sociedade norueguesa da paz, fundada em 1895, por iniciativa do sr. M.
+Hanssen, em Christiania. Conta 28 secções.</p>
+
+<h3>Allemanha</h3>
+
+<p>1&mdash;Associação allemã para a propaganda da paz internacional, sociedade
+fundada em 1874, pelo sr. Lowenthal e por elle reconstituida em Berlim.
+Organisou uma sociedade de damas.</p>
+
+<p>2&mdash;Sociedade da paz de Frankfort, fundada a 23 de outubro de 1886.
+Contribuiu para a creação de differentes grupos allemães.</p>
+
+<p>3&mdash;Sociedade dos amigos da paz de Wiesbaden, Wiesbaden.</p>
+
+<p>4&mdash;Sociedade allemã da paz, fundada em 1892 em Berlim. Conta 53 grupos que
+são outras tantas sociedades, e a sua influencia é enorme e cresce e augmenta
+de dia para dia.</p>
+
+<p>5&mdash;Sociedade da paz de Munich, Munich.</p>
+
+<h3>Italia</h3>
+
+<p>1&mdash;Sociedade internacional União lombarda, fundada em Milão, em 1887.</p>
+
+<p>2&mdash;Associação da arbitragem e da paz internacional, fundada em Roma, em maio
+de 1877.</p>
+
+<p>3&mdash;Sociedade da paz, fundada em Veneza, em 1889.</p>
+
+<p>4&mdash;Sociedade da paz, de Palermo, fundada em maio de 1890. Conta uma
+secção.</p>
+
+<p>6&mdash;Sociedade da paz e da arbitragem de Perugia, fundada a 16 de julho de
+1892. Creou differentes sociedades.</p>
+
+<p>6&mdash;Comité franco-italiano de propaganda conciliadora, fundado em Roma, a 6
+de julho de 1893, pelo fallecido homem de Estado, M. R. Bonghi. É formado por
+210 membros approxidamente, entre italianos e francezes, na sua maioria
+senadores e deputados.</p>
+
+<p>7&mdash;Os pioneiros da paz, fundada em Turim, em 1894. Conta uma secção em
+Nice.</p>
+
+<p>8&mdash;União artigiana da paz e da arbitragem, Arti.</p>
+
+<p>9&mdash;Comité de Borgosesia, Bargosesia, provincia de Novara.</p>
+
+<p>10&mdash;Comité de Ceres para a paz e arbitragem internacional, Ceres, provincia
+de Turim.</p>
+
+<p>11&mdash;Comité de Barzano, Barzano, provincia de Como.</p>
+
+<p>12&mdash;Sociedade para a paz e arbitragem, de Voghera, Voghera.</p>
+
+<p>13&mdash;Comité de Missaglia, Missaglia, provincia de Como.</p>
+
+<p>14&mdash;Comité de Torre Pellice, fundado a 31 de maio de 1896, em
+Bricherasio.</p>
+
+<p>15&mdash;Comité de Murisengo, fundado em dezembro de 1896, em Casale
+Monferrato.</p>
+
+<h3>Belgica</h3>
+
+<p>Sociedade belga da arbitragem e da paz, fundada em Bruxellas, a 25 de
+fevereiro de 1889.</p>
+
+<h3>Hollanda</h3>
+
+<p>Sociedade geral neerlandeza da paz, fundada em Amsterdam, a 26 de janeiro de
+1871. Conta 7 secções espalhadas por todo o paiz.</p>
+
+<h3>Austria</h3>
+
+<p>1&mdash;Sociedade austriaca da paz, fundada em Vienna, em 1891</p>
+
+<p>2&mdash;Sociedade academica da paz de Vienna, fundada em 1891.</p>
+
+<p>3&mdash;Sociedade litteraria e artistica para a propagação da idéa da paz,
+fundada em Vienna, em 1894.</p>
+
+<p>4&mdash;Sociedade dos amigos da paz de Trieste, fundada em 1891, como secção da
+sociedade de Vienna, e constituida em sociedade independente em 1895.</p>
+
+<p>5&mdash;Sociedade da paz de Baden, secção da sociedade austriaca da paz, fundada
+em 1894.</p>
+
+<p>6&mdash;Grupo de Reichenberg, fundado a 24 de fevereiro de 1896.</p>
+
+<p>7&mdash;Sociedade academica da paz, de Insbruck, fundada om 1896.</p>
+
+<p>8&mdash;Grupo da paz de Mir, fundado em 1896 em Vyzovice, Moravia.</p>
+
+<h3>Hungria</h3>
+
+<p>Sociedade hungara da paz; fundada em 1895, em Budapesth.</p>
+
+<h3>Russia</h3>
+
+<p>Confraria operaria da exaltação da Santa Cruz. Jaupal, Tscheruigow.</p>
+
+<h3>Portugal</h3>
+
+<p>Commissão geral da paz e arbitragem, inslallada em abril de 1897, na
+<em>Sociedade de Geographia</em>, de Lisboa.</p>
+
+<h1>II<br>
+Os amigos da paz</h1>
+
+<p>Foi no comêço d'este seculo, após uma longa série de guerras, que a opinião
+publica se pronunciou em favor da paz.<a name="tex2html1"
+href="#foot296"><sup>[1]</sup></a> A <em>Associação dos amigos da paz</em> foi
+fundada, em Nova-York, no anno de 1815; no anno seguinte extendeu-se a Londres;
+em 1821 fundou-se, em Paris, a Sociedade da Moral Christã, e, em 1830, a
+Sociedade da paz em Genebra.</p>
+
+<p>Os amigos da paz reuniram-se, em Londres, em 1843, e adoptaram a proposta de
+uma mensagem dirigida a todos os governos civilisados. Em janeiro de 1844, a
+mesma proposta foi apresentada ao presidente dos Estados-Unidos, o sr.
+Beckwith, que a agradeceu com as seguintes palavras: "Que o povo seja instruido
+e gose dos seus direitos, e reclamará a paz como indispensavel á sua
+prosperidade."</p>
+
+<p>Quatro congressos dos amigos da paz se effectuaram de 1848 a 1851: um em
+Bruxellas (1848); o segundo em Paris (1849); o terceiro em Londres e o quarto
+em Frankfort.</p>
+
+<p>Em 12 de junho de 1849, Ricardo Cobden, o grande advogado da arbitragem,
+propoz ao parlamento inglez, para que, de futuro, fosse admittido o principio
+da arbitragem em todos os conflictos entre nações.</p>
+
+<p>A 22 de agosto de 1849, inaugurou-se, em Paris, o congresso dos amigos da
+paz.</p>
+
+<p>Em 1869, Garibaldi, o heroe da Italia, abandonava os campos de batalha para
+proclamar a paz e a fraternidade dos povos.</p>
+
+<p>Em 1867, fundou-se, em Paris, a <em>Liga internacional permanente da
+paz</em>, e, em Genebra, a <em>Liga da paz e da Liberdade</em>.</p>
+
+<p>A 27 de setembro de 1878, abriu-se no Trocadero um congresso dos amigos da
+paz.</p>
+
+<p>Seria necessario um grosso volume, para nos occuparmos dos principaes
+apostolos e dos principaes evangelistas do movimento pacifico, dos seus
+serviços relevantissimos, da sua dedicação á causa da justiça e da emancipação
+dos povos. Fallaremos, todavia, d'aquelles que mais se teem assignalado, na
+propaganda em favor do direito humano, postergado, ludibriado, escarnecido
+pelos apologistas da guerra e da conquista, isto é, pelos defensores do roubo e
+do assassinato.</p>
+
+<p>Comecemos pela França. Á frente do luminoso grupo, destacam-se dois homens
+de sciencia, de grande e solido renome: Charles Letourneau, o mestre da
+sociologia em França, o sabio anthropologo e Charles Richet, o medico illustre,
+venerado e respeitado em todas as escholas e em todos os centros scientificos e
+litterarios. Vem em seguida Frederico Passy, um velho que mantem, aos 60 annos,
+a mesma frescura de espirito e a mesma juventude perenne dos vinte annos.
+Orador eloquente, propagandista infatigavel, escriptor brilhante, a sua acção
+no movimento, tem sido benefica e fecunda em resultados práticos. A seu lado
+encontramos luctadores da mais fina têmpera. Mencionemos, entre outros, Edmond
+Thiaudière, um philosopho <em>doublé</em> de um homem de lettras; Emile Arnaud,
+o continuador da obra gloriosa do venerando patriarcha do movimento Charles
+Lemonnier; Gaston Moch, o fino e scintillante redactor da <em>Independencia
+belga</em>; Potonié Pierre, o modêlo dos apostolos, na sinceridade, na
+abnegação com que advoga o seu generoso ideal; Urbain Gohier, o jornalista
+impeccavel que poz a sua penna ao serviço da propaganda; Gaston Morin, Raqueni
+e tantos outros egualmente sympathicos e egualmente bemquistos.</p>
+
+<p>A Inglaterra, entre os seus luctadores mais destemidos, apresenta nos homens
+da estatura de Hodgson Pratt, de Frederico Stanhope, de Randal Cremer, de
+Ervans Darby, de Felix Moscheles, e mensageiras da boa nova, como Peckover e
+Ellen Robisson.</p>
+
+<p>É na Suissa, em Berne, que reside o secretario geral do Bureau internacional
+permanente da paz, Elie Ducommun. Tribuno, poeta e escriptor dos mais
+brilhantes, os seus serviços á grande causa da humanidade, podem contar-se
+pelos dias de cada anno. Georges Renard, o estimado director da <em>Revista
+Socialista</em>, e um dos professores mais distinctos da Universidade de
+Lausanne e a sua solidariedade com o movimento pacifico é, ha muito, conhecida
+e apreciada. O dr. Gobat, secretario do Bureau inter-parlamentar, assim como o
+doutor Marcuson, não poderiam ser esquecidos, quando se trata de prestar
+homenagem aos servidores de uma idéa.</p>
+
+<p>Se nos voltamos para os Estados-Unidos da America, o paiz onde os principios
+de arbitragem mais teem fructificado, como em todos os demais paizes novos,
+encontramos, á frente do movimento, as primeiras personalidades da politica, da
+sciencia, da litteratura, taes como Madame Belva Lockwood, que já foi candidata
+á presidencia da republica, Frost Evans, Benjamin Trueblood, etc.</p>
+
+<p>Na Allemanha o movimento em favor da paz é profundo e accentuado. E assim
+devia ser, porque elle corresponde, de certo modo, á corrente de idéas que
+agitam aquelle paiz e o collocam á frente da democracia na Europa. O partido
+socialista, por mais de uma vez se tem affirmado pela propaganda pacifica.
+Independentemente d'isso, porém, póde dizer-se afoitamente, sem receio de
+errar, que existe, na Allemanha, um verdadeiro partido pacifico, perfeitamente
+organisado e servido por homens convictos e dedicados, taes como Franz Wirth,
+ha pouco fallecido, Adolpho Richter, o dr. E. Lowenthal, o conde de Bothemer, o
+dr. Rosenthal, Haberland, Fried, e outros.</p>
+
+<p>Que diremos da Austria, onde reside a <em>generala</em> <em>em chefe</em>,
+para nos servirmos da phrase consagrada, do grande e poderoso exercito, a
+baroneza de Suttner?</p>
+
+<p>Nos paizes do norte, ao mesmo tempo que se nota um movimento de renovação
+scientifica, observa-se um grande amor pelos ideaes generosos o humanitarios.
+Assim, em Copenhague, onde o jornal socialista <em>Social Democraten</em> é o
+periodico de maior tiragem, as sociedades da paz que foram constituidas
+primitivamente com o fim de advogar a neutralisação da Dinamarca, teem á sua
+frente Frederico Bajer, que é, ao mesmo tempo, o presidente do <em>Bureau
+internacional</em>.</p>
+
+<p>Os amigos da paz encontram-se por toda a parte. Na Roumania, o porta-voz do
+movimento é um antigo ministro, o fogoso tribuno, de uma popularidade immensa
+em Bucaresth, chamado Nicolau Fleva. Na Russia é o sociologo eminente, Noviow,
+além do conde Leão Tolstoi, certamente o mais notavel e o mais revolucionario
+de todos os propagandistas, que não hesita em aconselhar a recusa ao serviço
+militar, como o meio mais seguro de anniquilar o militarismo. Na Suecia é o
+deputado Eduardo Wavrinski, tão sympathico pelo seu caracter, como pela sua
+dedicação á causa. Na Belgica, e particularmente em Bruxellas, um verdadeiro
+centro intellectual, o numero dos pacificos é já hoje consideravel, e, para
+falarmos tão sómente nos principaes, mencionaremos o senador socialista Henri
+Lafontaine, o antigo deputado Houzeau, o sr. Decamps, o antigo e vigoroso
+redactor da <em>Réforme</em>, Georges Lorand, e muitos outros. Na Italia, onde
+o militarismo predomina fortemente, graças á influencia allemã, o movimento
+pacifico, que teve em José Garibaldi um dos seus principaes apostolos, tem-se
+alastrado por todo o paiz, e a propaganda, devida á iniciativa do fallecido
+Bonghi e á tenacidade de Theodoro Moneta, o antigo e conceituado director do
+<em>Secolo</em>, de Milão, tem frutitificado e progredido de um modo
+assombroso. Muito intencionalmente, deixei para o fim a Hungria, afim de
+prestar a minha homenagem ao valente companheiro de Kossuth, o general Türr,
+que, á semelhança de Garibaldi, trocou os horrores da guerra, que contemplou de
+perto, pelas doçuras ineffaveis da paz.</p>
+
+<p>Perguntar-nos-hão, naturalmente, o que teem feito os amigos da paz, qual a
+sua obra e quaes os seus resultados effectivos e immediatos.</p>
+
+<p>A obra dos pacificos tem sido enorme e impõe-se pela sinceridade dos seus
+apostolos e pela grandeza da sua propaganda. Além dos oito congressos que
+conseguiram reunir, em differentes cidades da Europa, onde, com muita elevação
+e intelligencia, foram tratadas as questões que mais podem interessar,
+presentemente, as sociedades, no ponto de vista do direito e da justiça, os
+amigos da paz teem conquistado, pouco a pouco, a adhesão dos governos e dos
+parlamentos á nobre causa que defendem, fazendo prevalecer a sua opinião, por
+todos os modos ao seu alcance, sempre que a lucta ou a guerra se declara entre
+povos.</p>
+
+<p>Em 1888, um certo numero de deputados francezes e inglezes reuniam-se em
+Paris e creavam uma conferencia inter-parlamentar, um areopago internacional,
+destinado, em caso de conflicto, a fazer ouvir a sua opinião imparcial,
+appellando para a consciencia de todos. Desde então este areopago principiou a
+reunir-se todos os annos, nas mesmas cidades onde se reuniam os congressos. Em
+Londres, em 1890, recebeu mais de mil cartas, enviadas ao comité de organisação
+pelos membros dos diversos parlamentos, conseguindo reunir mais de 250
+assistentes, vindos de todos os pontos do universo. Em Roma, a França esteve
+representada por 56 senadores e deputados; inglezes 43; allemães 16; hespanhoes
+40; austriacos 52; belgas 3; dinamarquezes 3; gregos 6; suissos 17; italianos
+358; hungaros 13; norueguezes 3; roumaicos 56; suecos 5; portuguezes 3;
+hollandezes 7. Sob proposta de um deputado allemão, adoptou-se o francez como
+lingua official da conferencia.</p>
+
+<p>Para manter uma acção continua e ininterrupta, no intervallo das reuniões
+annuaes, existe, para a conferencia um <em>Bureau</em> permanente, semelhante
+ao <em>Bureau internacional permanente</em> que existe para os congressos e que
+tão relevantes serviços tem prestado á causa da paz. Estes dois
+<em>Bureaux</em> sao independentes um do outro.</p>
+
+<p>Entre os campeões do movimento, distinguem-se duas correntes importantes:
+uns declaram que um desarmamento proporcional e simultaneo não pode ser senão a
+consequencia de uma solução amigavel dada ás questões que dividem os povos da
+Europa, e, em especial, á questão da Alsacia e Lorena e á do desmembramento do
+imperio turco. Outros nutrem a convicção que essa solução amigavel não poderá
+nunca ser procurada no estado actual da Europa, e que, antes de tudo, convém
+estabelecer relações juridicas entre as nações, a começar pelo estabelecimento
+de um tribunal internacional ao qual seriam submettidas todas as novas
+contestações. D'este modo, dizem, a confiança renasceria com a noção da justiça
+internacional e chegar-se-hia forçosamente a um desarmamento voluntario, ainda
+que fosse apenas parcial, e, em seguida, á solução amigavel da contestação de
+territorios ou de nacionalidades.</p>
+
+<p>O pensamento geral e que mais importa propagar, consiste em <em>ganhar a
+opinião publica ás idéas de concordia e de conciliação</em>, afim de que os
+povos possam exercer uma influencia salutar sobre os parlamentos e sobre os
+governos, na hora em que certos problemas reclamem imperiosamente uma solução,
+que não pode ser senão uma solução pacifica.<a name="tex2html2"
+href="#foot297"><sup>[2]</sup></a></p>
+
+<p>É este o pensamento predominante de todos os que se interessam pelo
+movimento e para elle contribuem com os seus esforços, com a sua actividade e
+com a sua iniciativa.</p>
+
+<p>Os amigos da paz reunem-se frequentemente, em banquetes, que tão grandes
+serviços podem prestar á propaganda, como os comicios e os <em>meetings</em>, e
+d'isso tivemos uma prova com o que se passou, durante a revolução de 1848, em
+França; e ainda recentemente se fundou em Paris uma <em>associação
+internacional dos jornalistas, amigos da paz</em>, sob a presidencia do auctor
+d'estas linhas.</p>
+
+<p>As sociedades feministas tambem, na sua maioria, adheriram á causa da paz.
+De modo que o movimento, limitado e restricto, no seu principio, a alguns
+<em>visionarios e utopistas</em>, como então lhes chamavam, foi-se
+desenvolvendo até tomar as proporções, que hoje tem, de um forte e poderoso
+exercito, armado da razão, a mais temivel de todas as armas, e escudado pelo
+direito e pela justiça, os dois baluartes inexpugnaveis da moderna democracia.
+A conquista da paz impõe-se á solução dos grandes e complexos problemas que,
+presentemente, agitam a humanidade.</p>
+
+<p>Um facto insignificante, mas que dá a medida da importancia do movimento,
+perante o mundo! Por occasião da visita do presidente da Republica franceza,
+sr. Felix Faure, ao imperador da Russia, o meu illustre amigo Emile Arnaud
+publicou, na <em>Independencia belga</em>, uma pequena nota em que consagrava
+as aspirações do partido pacifico perante o acontecimento, que foi transcripta
+e applaudida por quasi todos os jornaes da Europa.</p>
+
+<p>Eis o artigo:</p>
+
+<p>&nbsp;</p>
+
+<p>"A recepção feita pelo povo russo ao presidenie da Republica franceza
+reveste claramente o caracter de uma alliança entre dois grandes povos para a
+paz e para a felicidade da humanidade. Foi, pelo menos, n'este sentido, que se
+exprimiram os dois grandes orgãos da imprensa russa, antes da chegada do
+presidente Faure, e é n'este mesmo sentido que continuam a exprimir-se depois
+da sua partida.</p>
+
+<p>Presentemente, pois, a união franco-russa ultrapassa, como significação, os
+limites que poderiam ter-lhe imposto os diplomatas na sua origem. E, uma vez
+que o czar Nicolau II permittiu ao povo russo que tomasse parte n'este
+grupamento internacional que une uma aristocracia a uma democracia, não nos é
+defeso esperar que este povo, pela vontade do seu imperador, possa um dia
+beneficiar d'esta união mesmo relativamente ás suas liberdades interiores.</p>
+
+<p>N'esse dia será para desejar que a união dos povos francez e russo,
+essencialmente pacifica e humanitaria, se extenda a outros povos que aboliriam
+a guerra, ligando-se, entre si, por tratados de arbitragem permanente,
+realisando assim o <em>foedus pacificum</em>, a alliança pacifica de povo para
+povo, não estabelecendo nenhum dominio de Estado para Estado, como recommendava
+Kant, ha cem annos, na sua <em>Tentativa philosophica de paz perpetua</em>."</p>
+
+<p>&nbsp;</p>
+
+<p>Estes e outros factos provam-nos exuberantemente que o futuro não pertence
+aos complicados armamentos nem ao canhão Krupp do nosso tempo, mas, sim, á obra
+fecunda da paz, no trabalho, no altruismo e no respeito pela dignidade de cada
+um e pela dignidade de todos.</p>
+
+<div class="rodape">
+<p><a name="foot296" href="#tex2html1"><sup>[1]</sup></a> Magalhães Lima&mdash;<em>A
+obra internacional</em>.</p>
+
+<p><a name="foot297" href="#tex2html2"><sup>[2]</sup></a> <em>Le programme
+pratique des amis de la paix</em> par Elie Ducommun.</p>
+</div>
+
+<h1>III<br>
+Arbitragem internacional</h1>
+
+<p>De todas as idéas pacificas, a mais estudada e a que mais conquistas tem
+feito no terreno pratico e no campo positivo, tem sido, sem duvida, a
+<em>arbitragem internacional</em>. Foram mais de 150 os casos de arbitragem que
+regularam os litigios entre Estados, desde o comêço d'este seculo.</p>
+
+<p>Os Congressos e aa Sociedades da paz, o Instituto de direito internacional,
+a Associação para a reforma e codificação do direito das gentes, uma
+sub-commissão do <em>Bureau</em> internacional permanente da paz, um
+<em>comité</em> instituido pelo Congresso de Chicago, occuparam-se e occupam-se
+ainda, com egual competencia e egual zêlo, dos meios de alargar os processos,
+seguidos até o presente com certas reservas e certa timidez, para se
+estabelecer definitivamente a arbitragem em todas as contendas internacionaes.
+Juristas eminentes elaboraram projectos de grande alcance, destinados a serem
+submettidos aos governos, tendo em vista a composição e attribuições de
+tribunaes internacionaes assim como o processo arbitral a seguir. Teem sido
+publicadas obras importantissimas sobre a questão da arbitragem internacional,
+nos seus principios e nas suas applicações. Entre outras apraz-nos mencionar as
+de Michel Revon e as do professor Mérignhac.</p>
+
+<p>A conferencia inter-parlamentar de 1895, em Bruxellas, reuniu, n'um só, tres
+projectos de organisação de um tribunal internacional ou de um collegio de
+árbitros e encarregou o seu <em>Bureau</em> de fazer um appêllo aos Estados que
+quizessem formar uma primeira união sobre estas bases. Este projecto, redigido
+pelo sr. Augusto Houzeau Delahaie, actualmente senador belga, foi publicado e
+commentado polo sr. E. Decamps, e em seguida enviado a todos os governos, sob a
+fórma de memoria, induzindo alguns Estados neutros a formarem o nucleo de uma
+primeira União internacional de arbitragem sobre as bases propostas.</p>
+
+<p>A conclusão de tratados de arbitragem permanente está hoje, mais do que
+nunca, na ordem do dia. Um grande passo foi dado, n'este sentido, no fim do
+anno passado, pela assignatura de um <em>tratado de arbitragem permanente entre
+a Gran-Bretanha e os Estados-Unidos da America</em>. Este tratado não foi ainda
+ratificado, mas espera-se que o seja em breve. O governo dos Estados Unidos da
+America, não só se dirigiu á Suissa como tambem á França, no sentido de
+entabolar negociações, afim de estabelecer tratados de arbitragem permanente
+com as duas mencionadas nações.</p>
+
+<p>Todas estas informações, aliás bem authenticas, nos foram fornecidas pelo
+proprio secretario do <em>Bureau</em>, o sr. Elie Ducommun, no seu
+<em>Programme pratique des amis de la paix</em>, e são de molde a incutir
+alento aos espiritos ainda os mais refractarios a estas questões.</p>
+
+<p>Não ha duvida que são enormes e incontestados os progressos, no campo da
+arbitragem. Para se aquilatar da sua importancia, bastar-nos-na consultar a
+lista dos principaes tratados de arbitragem, realizados n'este seculo.</p>
+
+<p>1&mdash;Entre os Estados Unidos e a Gran-Bretanha em 1816, relativo ao rio de
+Santa Cruz e aos Lagos;</p>
+
+<p>2&mdash;Entre os Estados-Unidos e a Gran-Bretanha em 1818, com respeito á
+obrigação de entregar os escravos, submettidos ao julgamento do imperador da
+Russia;</p>
+
+<p>3&mdash;Entre os Estados-Unidos e a Hespanha, em 1819, relativamente ás
+reclamações da Florida;</p>
+
+<p>4&mdash;Entre os Estados-Unidos e a Gran-Bretanha em 1827, por uma questão de
+limites: submettido á decisão do rei dos Paizes Baixos;</p>
+
+<p>5&mdash;Entre os Estados-Unidos e a Dinamarca em 1830;</p>
+
+<p>6&mdash;Entre a Beigica e a Hollanda em 1834;</p>
+
+<p>7&mdash;Entre a França e a Inglaterra em 1835;</p>
+
+<p>8&mdash;Entre os Estados-Unidos e o Mexico em 1839;</p>
+
+<p>9&mdash;Entre os Estados-Unidos e Portugal em 1835; submettido á decisão do
+imperador dos francezes;</p>
+
+<p>10&mdash;Entre os Estados-Unidos e a Inglaterra em 1853;</p>
+
+<p>11&mdash;Entre os Estados-Unidos e a Nova Granada em 1857;</p>
+
+<p>12&mdash;Entre os Estados-Unidos e o Chili em 1858;</p>
+
+<p>13&mdash;Entre os Estados-Unidos e o Paraguay em 1859;</p>
+
+<p>14&mdash;Entre os Estados-Unidos e a Costa Ricca em 1860 e em 1881;</p>
+
+<p>15&mdash;Entre os Estados-Unidos e o Equador em 1862 e em 1864;</p>
+
+<p>16&mdash;Entre a Gran-Bretanha e o Brazil em 1863;</p>
+
+<p>17&mdash;Entre os Estados-Unidos e o Perú em 1863;</p>
+
+<p>18&mdash;Entre os Estados-Unidos e a Gran-Bretanha em 1863, relativo á companhia
+da bahia de Hudson;</p>
+
+<p>19&mdash;Entre a França e o Mexico em 1839;</p>
+
+<p>20&mdash;Entre os Estados-Unidos e Venezuela em 1866;</p>
+
+<p>21&mdash;Entre a França e a Russia em 1867;</p>
+
+<p>22&mdash;Entre a Turquia e a Grecia em 1867 e em 1882;</p>
+
+<p>23&mdash;Entre a Inglaterra e a Hespanha em 1867;</p>
+
+<p>24&mdash;Entre os Estados-Unidos e o Mexico em 1868;</p>
+
+<p>25&mdash;Entre os Estados-Unidos e o Perú em 1868 e era 1869;</p>
+
+<p>26&mdash;Entre a Gran-Bretanha e o Perú, em 1864; o senado de Hamburgo, escolhido
+como árbitro, rejeita as allegações da Inglaterra;</p>
+
+<p>27&mdash;Entre os Estados-Unidos e o Brazil em 1870;</p>
+
+<p>28&mdash;Entre a Gran-Bretanha e Portugal em 1870;</p>
+
+<p>29&mdash;Entre os Estados-Unidos e a Hespanha em 1871 e em 1885;</p>
+
+<p>30&mdash;Entre oa Estados-Unidos e a Gran-Bretanha, com respeito ao Alabama, em
+1871;</p>
+
+<p>31&mdash;Entre o Japão e o Perú, em 1872; o imperador da Russia, escolhido como
+árbitro, decide em favor do Japão;</p>
+
+<p>32&mdash;Entre os Estados-Unidos e a Gran-Bretanha em 1871 (questão de San Juan e
+das pescarias da Nova Escocia);</p>
+
+<p>33&mdash;Entre a China e o Japão em 1879; árbitro o ex-presidente dos
+Estados-Unidos, Ulysse Grant;</p>
+
+<p>34&mdash;Entre a Gran-Bretanha e o Brazil em 1873; submettido aos ministros dos
+Estados-Unidos e da Italia, no Rio;</p>
+
+<p>35&mdash;Entre a Italia e a Suissa em 1874; submettido ao ministro dos
+Estados-Unidos na Italia;</p>
+
+<p>36&mdash;Entre a Gran-Bretanha e Portugal em 1875; submettido ao presidente da
+Republica franceza;</p>
+
+<p>37&mdash;Entre a China e o Japão em 1876;</p>
+
+<p>38&mdash;Entre a Persia e o Afghanistan em 1877;</p>
+
+<p>39&mdash;Entre a Gran-Bretanha e Liberia em 1879;</p>
+
+<p>40&mdash;Entre os Estados-Unidos e a Hespanha, relativo a Cuba, em 1879;</p>
+
+<p>41&mdash;Entre a Gran-Bretanha e Nicaragua em 1879 e 1881;</p>
+
+<p>42&mdash;Entre os Estados-Unidos e a França em 1880;</p>
+
+<p>43&mdash;Entre a Gran-Bretanha e a Russia em 1885; questão de fronteira asiatica,
+submettida a uma commissão;</p>
+
+<p>44&mdash;Entre a França e Nicaragua em 1881;</p>
+
+<p>45&mdash;Entre o Chili e a Colombia em 1881;</p>
+
+<p>46&mdash;Entre o Chili e a Republica Argentina, relativo ao Estreito de Magalhães
+em 1881; submettido ao presidente dos Estados-Unidos;</p>
+
+<p>47&mdash;Entre a Hollanda e o Haiti em 1882;</p>
+
+<p>48&mdash;Entre os Estados-Unidos e o Haiti em 1884;</p>
+
+<p>49&mdash;Entre a Inglaterra e a Allemanha, com respeito ás ilhas Fidjü em
+1885;</p>
+
+<p>50&mdash;Entre os Estados-Unidos e a Allemanha em 1887;</p>
+
+<p>51&mdash;Entre a Allemanha e a Hespanha, relativo ás Carolinas; submettido ao
+papa em 1885;</p>
+
+<p>52&mdash;Entre a França e a Inglaterra (1884), a Italia, de um lado, e o Chili,
+do outro, com respeito ás reclamações provenientes da guerra entre o Chili e o
+Perú;</p>
+
+<p>153&mdash;Entre o Perú e o Japão, relativo á captura de um barco da primeira
+d'estas nações;</p>
+
+<p>54&mdash;Entre Honduras, Guatemala e Salvador em 1886;</p>
+
+<p>55&mdash;Entre duas povoações africanas em 1887, submettidas ao administrador do
+Bechuanaland britannico;</p>
+
+<p>56&mdash;Entre a Gran-Bretanha, os Estados-Unidos e o Canadá;</p>
+
+<p>57&mdash;Entre Nicaragua e Costa Ricca, em 1887 e em 1889; submettido ao
+presidente dos Estados Unidos;</p>
+
+<p>58&mdash;Entre a Gran-Bretanha e a Hespanha, relativo a um conflicto no mar;
+árbitro, a Italia, em 1887;</p>
+
+<p>59&mdash;Entre a Italia e a Colombia em 1888; submettido ao governo da
+Hespanha;</p>
+
+<p>60&mdash;Entre a Italia e a Colombia, por causa de um conflicto no mar, em
+1888;</p>
+
+<p>61&mdash;Entre os Estados-Unidos e Marrocos, com a Italia, por árbitro, em
+1888;</p>
+
+<p>62&mdash;Entre Portugal e Marrocos; árbitro, a França, em 1888;</p>
+
+<p>63&mdash;Entre a Dinamarca e os Estados-Unidos em 1889 (reclamação chamada
+Butterfield);</p>
+
+<p>64&mdash;Entre a Hollanda e a França; a proposito das fronteiras de Surinam;
+árbitro, o imperador da Russia (1889); decisão em favor da Hollanda;</p>
+
+<p>65&mdash;Entre o Brazil e la Plata; árbitro, o presidente dos Estados-Unidos, em
+1889;</p>
+
+<p>66&mdash;Entre a Gran-Bretanha e a Allemanha, com respeito a uma ilha africana,
+1890; árbitro, um ministro do Estado belga;</p>
+
+<p>67&mdash;Entre a Gran-Bretanha e Portugal (1890), relativo ao caminho de ferro de
+Lourenço Marques, árbitros suissos;</p>
+
+<p>68&mdash;Entre a Gran-Bretanha e os Estados-Unidos; 1891, com respeito ás
+pescarias no mar de Behring;</p>
+
+<p>69&mdash;Entre a Gran-Bretanha e a França, relativo ás pescarias na Terra Nova,
+1891; árbitro, uma commissão de 7 membros;</p>
+
+<p>70&mdash;A Commissão danubiana, estabelecida em 1856, constitue um tribunal de
+arbitragem permanente;</p>
+
+<p>71&mdash;O Congresso de Berlim, em 1878, foi, na realidade, um tribunal de
+arbitragem, organisado por sete grandes potencias para regular as reclamações
+de differentes Estados na peninsula dos Balkans;</p>
+
+<p>72&mdash;O Congresso Pan-americano, reunido em Washington, a 28 de abril de 1890,
+adoptou uma moção convidando todas as republicas americanas a submetterem,
+d'aquelle dia em deante, as suas questões á arbitragem. Esta moção foi adoptada
+por 17 republicas;</p>
+
+<p>73&mdash;Tratado permanente de arbitragem entre a Inglaterra e os Estados Unidos,
+assignado em 1897, válido por cinco annos e podendo ser renovado em pleno
+direito e indefinidamente.</p>
+
+<p>74&mdash;Entre a Inglaterra e o Brazil, por causa da ilha da Trindade, em 1896;
+árbitro Portugal.</p>
+
+<p>Os principios geraes, adoptados por todos os pacificos, são os seguintes: a
+politica não é senão a applicação da moral; as regras do justo e do injusto são
+as mesmas, tanto para as nações, como para os individuos; e o fundamento commum
+d'estas regras é a autonomia da consciencia individual. O direito publico
+moderno repousa em principios inteiramente differentes d'aquelles de que o
+faziam derivar os tratadistas antigos; e a Revolução&mdash;na phrase judiciosa de
+Ch. Lemonnier&mdash;não é outra cousa senão a applicação d'estes principios novos,
+quer nas relações dos cidadãos entre si, quer na constituição dos governos,
+quer nas relações dos cidadãos com os governos. Para fundar a paz
+internacional, é mistér proclamar ousadamente o direito novo, em harmonia com
+as regras da moral e da justiça, e tornal-o comprehensivel a todos os
+espiritos, pela pratica d'estes mesmos principios, nas relações dos povos entre
+si. Eis, em breves palavras, a base, o fundamento e a necessidade dos tratados
+de arbitragem permanente entre nações.</p>
+
+<p>A palavra de ordem, dada por um dos mais dedicados apostolos do movimento
+pacifico, é a seguinte:</p>
+
+<p>&nbsp;</p>
+
+<p><em>Exigir de todos os mandatarios do suffragio universal, e especialmente
+dos membros do parlamento, o compromisso formal:</em></p>
+
+<p><em>1.º&mdash;Que se opporão a toda a declaração de guerra que não haja
+sido precedida de uma tentativa de arbitragem;</em></p>
+
+<p><em>2.º&mdash;Que votarão os tratados de arbitragem propostos;</em></p>
+
+<p><em>3.º&mdash;Que darão a sua adhesão á conferencia inter-parlamentar.</em></p>
+
+<h1>IV<br>
+Desarmamento</h1>
+
+<p>Ha quem considere o desarmamento, como um meio para conseguir a paz.
+Divergimos dos que assim pensam. O desarmamento será antes um resultado da paz
+e nunca um meio para a obter. Folgamos que fôsse tambem esta a opinião
+consignada na memoria apresentada, ao congresso de Hamburgo, pelo sr. Gaston
+Moch.</p>
+
+<p>Sabemos já que a causa da arbitragem ganha terreno de dia para dia; que está
+perfeitamente em harmonia com as aspirações dos povos e os seus interesses
+economicos; que se oppõe aos exercitos permanentes e que as massas
+trabalhadoras não teem o minimo interesse na guerra.</p>
+
+<p>&nbsp;</p>
+
+<p>Será, porém, possivel um desarmamento? Em que condições?</p>
+
+<p>&nbsp;</p>
+
+<p>O desarmamento constitue, como a arbitragem, um dos artigos do programma da
+paz. Os exercitos permanentes roubam á producção milhares e milhares de braços
+válidos e aptos para trabalhar. Manteem, além d'isso, com todos os vicios que
+lhes são inherentes, o desequilibrio nos orçamentos de todos os paizes. A sua
+suppressão impõe-se. Mas como? Pela recusa ao serviço militar, do mesmo modo
+que as guerras se poderão, até certo ponto, evitar pela declaração de uma greve
+geral. Para grandes males, grandes remedios.</p>
+
+<p>&nbsp;</p>
+
+<p>Em nosso juizo, só a federação entre povos poderá obrigar as nações a
+desarmar. Emquanto, porém, isso se não consegue, é nosso dever trabalhar para
+um desarmamento, senão total e completo, pelo menos parcial e simultaneo. Jules
+Simon chegou a tomar a iniciativa d'uma proposta para a conclusão de uma
+trégua, assegurada por dez annos, ou, pelo menos, até a Exposição de 1900. Uma
+paz definitiva, um desarmamento parcial e a instituição de um tribunal
+internacional, deveriam ser a consequencia d'esta idéa. Em Inglaterra, teem-se
+erguido vozes auctorisadas, afim de pedirem ás potencias que se compromettam
+entre si a não augmentarem os seus armamentos, durante um certo e determinado
+periodo, uma vez que não possam renunciar completamente a toda a velleidade de
+guerra.</p>
+
+<p>Estes planos, aliás muito generosos, não passariam de simples palliativos. O
+que se torna indispensavel é atacar o mal na sua origem que é o exaggêro dos
+encargos militares impostos ás populações. Uma trégua não traria comsigo a
+suppressão dos exercitos que se torna necessaria, e o compromisso de não
+augmentar os armamentos não alliviaria o pesado fardo que esmaga a Europa.</p>
+
+<p>&nbsp;</p>
+
+<p>Com effeito&mdash;escreve Elie Ducommun&mdash;a reducção das despesas militares
+constitue apenas um dos termos do problema a resolver: o outro, não menos
+importante, é o afastamento das probabilidades de guerra.</p>
+
+<p>Um <em>desarmamento parcial</em> actuaria incontestavelmente nos dois
+sentidos, ao mesmo tempo como meio de diminuir as probabilidades de guerra e de
+alliviar os encargos militares.</p>
+
+<p>Os Estados da Europa dispendem, actualmente, 5 biliões de francos, por anno,
+com o militarismo: collocando-se, sob o regimen da paz de 1869, não
+dispenderiam mais de 2 3/4. O augmento de 2:500 milhões de francos, por anno,
+nas despesas militares da Europa, foi o resultado das guerras de 1886 entre a
+Russia e a Austria e de 1870-71 entre a Allemanha e a França.</p>
+
+<p>O desarmamento significaria diminuição de impostos; amortisação de uma parte
+das dividas publicas, pondo ao serviço da industria e da agricultura os
+capitaes disponiveis; o equilibrio das relações entre a producção e o consumo,
+e um augmento sempre crescente de hygiene, de saude e de moralidade para os
+povos.</p>
+
+<p>Como chegar, porém, até lá? Como conseguil-o?</p>
+
+<p>Napoleão III fez várias tentativas n'esse sentido. A sua idéa fixa era o
+desarmamento e a federacão europêa, apesar das guerras em que andou sempre
+envolvido.</p>
+
+<p>Em 1863 propoz ás potencias a reunião de um congresso, para uma revisão
+amigavel dos tratados de 1815 e para o desarmamento geral. Em 1815, no discurso
+da corôa, por occasião da abertura das camaras, deplorava a indifferença dos
+outros soberanos, relativamente "aos verdadeiros interesses dos povos". Em
+fevereiro de 1870, negociava com a Inglaterra, para que esta o ajudasse a
+vencer a resistencia da Prussia, e annunciava que daria o primeiro passo,
+reduzindo, a titulo de indicação, o proximo contingente; esta reducção&mdash;dizia
+elle&mdash;seria de 10.000 homens sómente. Com effeito, a 21 de março de 1870, os
+seus ministros apresentaram um projecto de reducção, para o proximo
+contingente, de 100.000 a 90.000 homens. Este projecto foi votado pelo corpo
+legislativo no 1.º de julho de 1870, por occasião do incidente Hohenzollern. A
+guerra foi declarada a 15 de julho.</p>
+
+<p>No estado de desconfiança em que hoje vivem as nações, um desarmamento total
+seria difficil, senão impossivel. Mas não ha duvida que um desarmamento
+proporcional e simultaneo seria um grande passo dado no sentido de uma solução
+pacifica.</p>
+
+<p>Quaes os meios, porém, de o conseguir?</p>
+
+<p>Creando e desenvolvendo uma forte corrente de opinião internacional, de modo
+a actuar, de uma maneira decisiva, sobre os parlamentos e sobre os governos.</p>
+
+<p>Quando os povos se convencerem que todo esse luxo de guerra serve unicamente
+para destruir e para os reduzir á miseria, n'esse dia os armamentos passarão,
+com applauso de todos, a figurar nos museus archeologicos.</p>
+
+<h1>V<br>
+A obra da paz</h1>
+
+<p>Na sua reunião de 6 de março de 1897, resolveu a commissão do <em>Bureau
+internacional</em> publicar as resoluções dos congressos universaes da paz, que
+se realisaram de 1889 a 1896, classificadas segundo as indicações de Alfredo
+Nobel no seu testamento:</p>
+
+<p>1.º&mdash;<em>Approximação fraternal dos povos;</em></p>
+
+<p>2.º&mdash;<em>Reducção dos exercitos;</em></p>
+
+<p>3.º&mdash;<em>Organização e desenvolvimento dos congressos da paz.</em></p>
+
+<h2>I. Approximação fraternal dos povos</h2>
+
+<h3>A. Tendencia geral</h3>
+
+<p>Os principios seguintes foram proclamados em muitos congressos:</p>
+
+<p>A fraternidade entre os homens implica necessariamente <em>a fraternidade
+entre as nações</em>, nas suas relações.</p>
+
+<p>Cada Estado soberano deve ser considerado como <em>egual a todos os
+outros</em>, no ponto de vista juridico.</p>
+
+<p>A instituição de uma <em>Federação europêa</em> poria termo ao estado actual
+de anarchia internacional, sem lesar a independencia de cada nação. Ella deve
+constituir o fim supremo da propaganda dos amigos da paz que desejam resolver
+os conflictos pela lei e não pela violencia.</p>
+
+<p>Á propaganda da paz, deve juntar-se a propaganda da <em>moral em
+politica</em>.</p>
+
+<p>Os <em>direitos dos extrangeiros</em> devem ser protegidos, assim como devem
+ser garantidos os tratados internacionaes.</p>
+
+<p>Toda a intelligencia dos povos com o fim de constituirem uma federação, não
+pode senão contribuir para o estabelecimento da paz entre as nações. Apoiamos,
+por isso, a idéa da organisação de uma liga para a <em>Confederação
+balkanica</em>.</p>
+
+<h3>B. Principios de direito internacional</h3>
+
+<p>O direito de guerra não existe, assim como não existe o direito de
+conquista.</p>
+
+<p>As relações entre as nações são regidas pelos mesmos principios do direito e
+da moral que regem as relações entre os individuos.</p>
+
+<p>Assim como ninguém tem o direito de fazer justiça por suas proprias mãos,
+assim tambem nenhuma nação tem o direito de declarar guerra a outra.</p>
+
+<p>Qualquer conflicto entre nações será regulado por via juridica.</p>
+
+<p>A autonomia de cada nação é inviolavel.</p>
+
+<p>As nações teem o direito de legitima defesa.</p>
+
+<p>As nações teem o direito inalienavel e imprescriptivel de disporem de si
+mesmas.</p>
+
+<p>As nações são solidarias umas com as outras.</p>
+
+<h3>C. Nacionalidades</h3>
+
+<p>Resumo dos principios affirmados pelos congressos:</p>
+
+<p>Nos <em>Estados compostos de differentes nacionalidades</em>, os governos
+contribuiriam para a manutenção da paz, tanto exterior como interior, se, a
+exemplo da Suissa, respeitassem o caracter ethnographico e o desenvolvimento
+das nacionalidades, em harmonia com as leis da liberdade e da justiça.</p>
+
+<p>Os homens estão ligados por laços communs de humanidade sobre a base
+indestructivel da solidariedade e da fraternidade, e o <em>sentimento da
+nacionalidade</em> ou do <em>patriotismo</em> não pode nunca ir de encontro a
+essa ligação. Importa pois, oppôr á propaganda que divide os homens por
+considerações de meros interesses locaes ou pessoaes uma outra propaganda que
+procure estabelecer a unidade e a fraternidade dos individuos, como base da
+sociedade e como principio das relações internacionaes.</p>
+
+<h3>D. Relações do direito com os povos não civilisados</h3>
+
+<p>Estas relações devem ser baseadas sobre as regras da justiça internacional.
+Nenhum Estado poderá, no futuro, apropriar-se dos territorios coloniaes. Os
+paizes em via de colonisação, devem ser abertos á actividade de todos, sob a
+auctoridade de um concelho colonial a crear para as nações policiadas.</p>
+
+<p>Na espectativa, é urgente que as potencias signatarias das decisões da
+conferencia de Berlim de 1884 a 1889 e do Acto de Bruxellas de 1890, relativos
+á suppressão da escravidão e á prohibição da venda das armas de fogo e das
+bebidas alcoolicas, tomem medidas effectivas, afim de regularem a sua
+observancia.</p>
+
+<h3>E. Arbitragens internacionaes</h3>
+
+<p>Todos os congressos universaes da paz se teem occupado successivamente do
+principio da <em>arbitragem internacional</em> e da sua applicação, sob a
+reserva da autonomia de cada Estado, aconselhando a sua adopção em todos os
+tratados, como clausula obrigatoria, e indicando a necessidade de concluir
+tratados de arbitragem permanente e de crear tribunaes de arbitragem
+internacional, tendo jurisdicção em todos os conflictos que os governos não
+possam resolver amigavelmente. Para esse fim teem-se os mesmos congressos
+dirigido, por differentes vezes, ás sociedades operarias, ás sociedades
+feministas, ao professorado, aos ministros das religiões, de modo a fomentar,
+em todos os paizes, uma agitação popular e parlamentar n'este sentido</p>
+
+<p>Mereceram particularmente a attenção d'essas assembléas as questões que
+dizem respeito á <em>sancção das sentenças arbitraes, aos limites da
+arbitragem</em>, á fórmula de um <em>tratado de arbitragem permanente</em>, ao
+processo a seguir perante os tribunaes arbitraes, tendo sempre apoiado os
+esforços tentados pelos governos para a conclusão de tratados de arbitragem.</p>
+
+<h3>F. Estudo das questões que podem ameaçar a paz</h3>
+
+<p>Os differentes congressos da paz emittiram successivamente os votos
+seguintes:</p>
+
+<p>1.º&mdash;Organisação de reuniões dos representantes de diversos paizes, afim de
+estudarem todas as questões internacionaes que podem ameaçar a paz;</p>
+
+<p>2.º&mdash;Formação de um comité, composto de grande numero de membros das
+sociedades da paz, afim de se informarem dos factos graves que poderão
+occasionar uma guerra e afim de proporem as medidas que mais opportunas se lhes
+afigurem para afastar semelhante eventualidade.</p>
+
+<p>3.º&mdash;Arbitragem em todos os conflictos que dividem as nações da Europa.</p>
+
+<p>4.º&mdash;Estudo seguro das causas de complicações internacionaes que podem
+arrastar os povos á guerra.</p>
+
+<h3>G. Federação para os interesses economicos</h3>
+
+<p>O 2.º congresso havia já exprimido a sua satisfação, relativamente ás
+convenções internacionaes que regulam as <em>questões de interesse commum</em>,
+taes como as convenções postaes e telegraphicas, a convenção sobre a
+propriedade industrial, etc., que considerou como outros tantos meios de tornar
+harmonicas as leis dos differentes paizes em tudo que diz respeito ás questões
+commerciaes e humanitarias. Outrosim havia recommendado aos grupos
+parlamentares a insistencia sobre novos projectos de unificação de pesos e
+medidas, da moeda, etc., o que foi confirmado pelo 7.º congresso.</p>
+
+<p>A abolição gradual das <em>barreiras alfandegarias</em> entre as nações
+tambem constituiu assumpto de discussão do 2.º congresso.</p>
+
+<p>A questão de uma <em>lingua convencional</em> foi dada, como elemento de
+estudo, no 7.º congresso.</p>
+
+<h3>H. Inviolabilidade da vida humana</h3>
+
+<p>O 6.º congresso proclamou o principio da inviolabilidade da vida humana,
+limitando ao direito e defesa, o direito que tem a sociedade de punir, e
+demonstrando que a legitima defesa não necessita nunca a applicação da pena de
+morte.</p>
+
+<h3>I. Duello</h3>
+
+<p>Dois congressos successivos pronunciaram-se contra a prática do duello.</p>
+
+<h2>II. Reducção dos exercitos</h2>
+
+<h3>A. Desarmamento</h3>
+
+<p>O 1.º congresso resolveu interessar-se junto dos governos, afim de os
+convencer a tomarem medidas práticas, conducentes a um desarmamento.</p>
+
+<p>O 2.º congresso propoz a reunião dos Estados da Europa, com o fim de se
+estudarem os meios mais adequados á realisação de um desarmamento gradual. O
+governo que primeiro se resolvesse a licenciar uma parte do seu exercito,
+prestaria, com o seu exemplo, um grande serviço á Europa e á humanidade, sem
+diminuir as condições da sua defesa nacional.</p>
+
+<p>Recommendou ainda mais, o mesmo congresso uma propaganda activa em favor de
+um programma que comportasse a paz, a arbitragem e um desarmamento mutuo,
+proporcional e simultaneo.</p>
+
+<p>O 4.º congresso dirigiu-se ás potencias pedindo a substituição da politica
+baseada sobre o principio: <em>Si vis pacem para bellum</em> pela politica do
+desarmamento.</p>
+
+<p>O 5.º congresso enviou a expressão da sua sympathia aos americanos que
+procuram remediar o deploravel estado atual de desconfiança armada o libertar a
+patria do flagello devorador do militarismo.</p>
+
+<p>O 6.º congresso encarregou o seu <em>Bureau</em> de transmittir á
+conferencia inter-parlamentar a sua convicção ácêrca dos tratados de
+arbitragem, porque só elles poderiam permittir ás potencias a transformação dos
+seus armamentos e a reducção indispensavel ao equilibrio das suas finanças.</p>
+
+<p>Emfim o 7.º congresso protestou contra o augmento continuo das despesas
+feitas com o armamento, e não só convidou os membros dos corpos legislativos a
+votarem contra o augmento futuro d'estas despesas, como tambem convidou os
+eleitores a não darem o seu voto senão áquelles que se compromettessem a seguir
+esta linha de conducta.</p>
+
+<p>Em vista da propaganda a fazer, especialmente para um desarmamento parcial,
+os congressos convidaram as sociedades da paz a formular uma estatistica, tão
+completa e exacta quanto possivel, sobre as despesas directas e indirectas que
+acarretam a guerra e a paz armada.</p>
+
+<h3>B. Neutralidade</h3>
+
+<p>Os cinco primeiros congressos occuparam-se das questões que se ligam á
+neutralisação do maior numero de Estados, como garantia da paz e como meio para
+um desarmamento parcial.</p>
+
+<p>Depois de indicados os direitos e os deveres dos neutros, declararam esses
+mesmos congressos que os tratados que asseguram, presentemente, a certos
+Estados, o beneficio da neutralidade estão em vigor e que muito seria para
+desejar que se concluissem novos tratados, afim de estabelecer a neutralidade
+de outros Estados. Mais declararam ainda que os isthmos, os estreitos, e os
+cabos submarinos, utilizados pelo commercio, devem ser livres e que a sua
+neutralização constitue uma garantia para todas as potencias maritimas.
+Appellaram, emfim, para a imprensa dos Estados-Unidos e da Gran-Bretanha para
+que ella usasse da sua influencia em vista da observação ao tratado de 1817,
+que prohibe a estada de navios de guerra nos grandes lagos e proclama a paz
+perpetua sobre estas aguas.</p>
+
+<h3>C. Declarações de guerra</h3>
+
+<p>Como consequencia da declaração do direito de guerra, o 4.º congresso foi de
+opinião de que as probabilidades dos conflictos sangrentos se poderiam reduzir
+consideravelmente, desde que os poderes executivos fossem obrigados a consultar
+os representantes da sua nação, antes de declarar uma guerra.</p>
+
+<h3>D. Emprestimos de guerra</h3>
+
+<p>O 4.º congresso desapprovou vivamente o systema de negociar emprestimos de
+guerra, e o 6.º congresso applicou este principio á guerra entre a China e o
+Japão.</p>
+
+<h3>E. Transformação dos exercitos</h3>
+
+<p>Uma proposta relativa á transformação dos exercitos destruidores em
+exercitos productores, foi tomada em consideração pelo 6.º congresso, e o 7.º
+nomeou uma commissão para a estudar.</p>
+
+<h2>III. Desenvolvimento dos congressos da paz</h2>
+
+<h3>A. Congressos universaes da paz</h3>
+
+<p>A serie dos congressos universaes da paz, foi inaugurada, em Paris, no anno
+de 1889, pela iniciativa e sob a presidencia de Frederico Passy.</p>
+
+<p>No anno seguinte, precisou-se o fim d'esta instituição. As Sociedades da paz
+teem por objecto favorecer uma troca frequente de informações e de propostas e
+auxiliar uma acção commum, sendo necessario.</p>
+
+<p>As Sociedades da paz foram convidadas a estabelecer relações com os
+differentes Congressos internacionaes, communicando-lhes as suas resoluções, e
+pedindo-lhes o seu apoio. Em cada uma das sete reuniões annuaes, desde 1889,
+estas sociedades teem-se esforçado em regulamentar o melhor possivel os seus
+congressos, quer quanto ao direito de representação nas assembléas, quer quanto
+á fórma e á marcha das deliberações.</p>
+
+<h3>B. Bureau internacional da paz</h3>
+
+<p>No Congresso de Roma, em novembro de 1891, resolveu-se a creação de um
+<em>Bureau internacional permanente da paz</em>, que serve de laço de união
+entre as sociedades e os amigos da paz em geral, e que funcciona regularmente,
+em Berne, ha cêrca de sete annos, possuindo personalidade civil. A sua
+commissão compõe-se de 19 membros, reeleitos todos os annos, que, por seu
+turno, elegem um <em>comité</em> permanente de 3 membros, residentes em
+Berne.</p>
+
+<p>O <em>Bureau internacional</em>, entre outras cousas, prepara o programma
+provisorio de cada congresso e põe em execução as resoluções tomadas. Publica
+uma <em>correspondencia bi-mensal</em> que envia gratuitamente a todas as
+sociedades da paz e a todas as pessoas que especialmente se occupam do
+movimento pacifico.</p>
+
+<p>Do 7.º congresso (Budapesth) recebeu plenos poderes, para, no intervallo das
+reuniões, se dirigir aos governos e appellar para a opinião publica, sempre que
+um conflicto imminente o torne necessario. Fez uso d'estas faculdades, a 6 de
+março de 1897, a proposito da questão do Oriente.</p>
+
+<h3>C. Relações com a conferencia inter-parlamentar</h3>
+
+<p>O 1.º congresso já havia dado mandato ao seu <em>Bureau</em>, afim de levar
+officialmente ao conhecimento da conferencia inter-parlamentar todas as
+resoluções approvadas pelos seus delegados.</p>
+
+<p>O 2.º congresso consignou: 1.º&mdash;que o congresso annual da paz se realise
+antes ou immediatamente depois da conferencia inter-parlamentar e na mesma
+cidade: 2.º&mdash;que as resoluções e as diversas propostas adoptadas,
+respectivamente pelo congresso e pela conferencia, interessando as duas
+assembléas, sejam officialmente levadas ao conhecimento de cada uma d'ellas.</p>
+
+<h2>IV. Propaganda</h2>
+
+<p>As principaes recommendações feitas pelo congresso, em materia de propaganda
+pacifica, referem-se:</p>
+
+<p><em>a</em>) á <em>propaganda eleitoral</em> em favor dos candidatos
+dispostos a sustentarem as idéas da paz e da arbitragem internacional:</p>
+
+<p><em>b</em>) á <em>propaganda pela imprensa</em>, para que publique, n'uma
+cruzada em favor da paz universal, factos exactos e informações de natureza a
+dissipar os mal-entendidos que muitas vezes são a origem de discordias
+internacionaes;</p>
+
+<p><em>c</em>) á <em>propaganda pela eschola</em>, afim de que, nos dominios da
+instrucção publica, e, em particular no ensino da Historia, se inculquem aos
+alumnos e aos estudantes os principios da solidariedade humana, da arbitragem e
+da paz;</p>
+
+<p><em>d</em>) á <em>propaganda pelas collectividades religiosas</em>;</p>
+
+<p><em>e</em>) á <em>propaganda pelas associações de damas</em>;</p>
+
+<p><em>f</em>) á <em>propaganda pelas associações operarias</em>, facilitando a
+participação d'estes grupos na obra das sociedades da paz;</p>
+
+<p><em>g</em>) á <em>propaganda pelas assembléas publicas</em>.</p>
+
+<p style="text-align:center;">&mdash;&mdash;&mdash;</p>
+
+<p>Em resumo: as sociedades e os congressos da paz discutiram successivamente
+todas as questões de principio que se impõem ás suas investigações. Além
+d'isso, com o concurso do seu Bureau internacional permanente, esforçaram-se
+por indicar, tão claramente quanto possivel, as vias a seguir para combater o
+militarismo e para acostumar as massas a preferirem as soluções pacificas ás
+soluções violentas, em caso de questões ou conflictos internacionaes.</p>
+
+<p>Popularisaram a idéa da <em>approximação fraternal dos povos</em> pela
+egualdade, pela justiça e pela moral em politica, pela protecção dos
+estrangeiros, por bases mais equitativas do direito internacional, pelo
+respeito dos direitos das nacionalidades, por um procedimento leal em relação
+aos povos não civilisados, pela prática da arbitragem internacional, pelo
+estado consciencioso das questões que podem ameaçar a paz e das que se referem
+aos interesses economicos communs das nações, emfim, pela proclamação da
+<em>inviolabilidade da vida humana</em> e pela <em>condemnação do
+duello</em>.</p>
+
+<p>Estabeleceram as bases de uma futura <em>reducção dos exercitos</em>,
+recommendando um <em>desarmamento proporcional simultaneo</em>, pela
+neutralisação do maior numero possivel d'Estados, pela <em>consulta dos
+parlamentos</em>, antes de qualquer declaração de guerra, e pela <em>prohibição
+dos emprestimos de guerra</em>.</p>
+
+<p>Organisaram, nas melhores condições possiveis, as grandes <small>REUNIÕES
+DOS AMIGOS DA PAZ</small>; instituiram o seu <em>Bureau internacional
+permanente</em> e estabeleceram boas relações entre si e os <em>grupos
+inter-parlamentares da paz e da arbitragem</em>.</p>
+
+<p>Finalmente, fizeram uteis e constantes recommendações, em vista de fomentar
+a <small>PROPAGANDA PACIFICA</small> em todos os dominios.</p>
+
+<p>Trabalharam muito e bem, ha alguns annos a esta parte, e os resultados
+obtidos, na opinião publica, são de molde a inspirar confiança no futuro, ao
+mesmo tempo que impõem novos deveres.</p>
+
+<h1>VI<br>
+A commissão geral de paz e arbitragem internacional</h1>
+
+<p>Graças á iniciativa da illustre <em>Sociedade de Geographia</em>, existe
+tambem em Lisboa uma commissão geral de paz e arbitragem internacional que
+inaugurou os seus trabalhos no dia 12 de abril do corrente anno. É seu
+presidente actual o venerando jornalista e notavel causidico, dr. Henrique
+Midosi, e a ella pertencem distinctas individualidades, todas egualmente
+empenhadas na defesa dos luminosos principios do direito, da justiça e da
+pacificação humana.</p>
+
+<p>Esta commissão, que antes deveria classificar-se uma bella e promettedora
+sociedade, conta já hoje com valiosas adhesões, e, entre os seus varios
+trabalhos preliminares, cumpre-nos assignalar dois documentos, ambos destinados
+a grangearem-lhe as mais vivas e fundas sympathias.</p>
+
+<p>O primeiro é a circular-manifesto com que se dirigiu ás sociedades
+extrangeiras:</p>
+
+<p>"Em vesperas da celebração do quarto centenario da descoberta da India, que
+inaugurou, para a Europa, uma nova éra&mdash;a éra colonial&mdash;abrindo ao commercio e
+ao trabalho novos e vastos horisontes, entendeu a benemerita Sociedade de
+Geographia que se tornava indispensavel crear em Lisboa uma commissão geral de
+paz e arbitragem internacional. Ha muito tempo que a necessidade d'este novo
+agrupamento se fazia sentir.</p>
+
+<p>Para nenhum de nós é desconhecido, com effeito, o enorme desenvolvimento
+que, n'estes ultimos tempos, teem tido as idéas de paz e arbitragem. Ao nosso
+paiz chegou o echo d'essas conquistas gloriosas. Muitos dos nossos conterraneos
+teem cooperado, pelos seus esforços, para essa obra redemptora de justiça e de
+pacificação, quer tomando parte nas conferencias inter-parlamentares, quer
+collaborando nos differentes congressos da paz. O paiz que, n'outras eras,
+encheu as paginas da Historia com os feitos luminosos dos seus bravos
+marinheiros e dos seus famosos descobridores, não podia quedar-se indifferente
+ante essa bella e brilhantissima cruzada dos povos modernos em favor dos seus
+direitos postergados e da humanidade offendida e ludibriada.</p>
+
+<p>A fôrça contra o direito constitue uma monstruosidade inaudita. Só o
+respeito pelo direito de todos e pelo direito de cada um poderá prevenir, no
+futuro, os horrores de uma conflagração geral. A applicação d'este principio
+salutar impõe-se como um dever. A affirmação da paz implica a condemnação das
+guerras de conquista e o direito que teem os povos de se governarem por si
+mesmos. Pugnar, pois, pelas soluções pacificas, o mesmo é que pugnar pela
+arbitragem, como meio de resolver as contendas que possam surgir entre os
+povos.</p>
+
+<p>Eis o nosso primeiro pensamento, ao constituir-nos em commissão de estudo e
+de propaganda; e, por muito honrados nos dariamos, se pudessemos contribuir
+pelos nossos esforços, pela nossa boa vontade e pela nossa dedicação, para a
+grande obra immorredoura da pacificação humana.</p>
+
+<p>A commissao geral de paz e arbitragem, que se installou, n'esta capital, em
+12 do corrente mez e anno, envia d'aqui uma saudação calorosa e fraterna a
+todas as sociedades da paz e a todos os que, leal e desinteressadamente,
+trabalham para a conquista dos direitos dos povos. Saudamos todos esses
+valentes apostolos cuja obra grandiosa será a divisa do seculo futuro. Saudamos
+todas as associações cuja propaganda incessante constitue o mais bello
+emprehendimento da geração actual.</p>
+
+<p>O comité portuguez, dirigindo-se a todos os homens de boa vontade e a todos
+os trabalhadores honestos e amigos da humanidade, faz votos para que o
+congresso de 1898 se realise de preferencia em Lisboa, onde os evangelistas da
+paz encontrarão o mais sympathico acolhimento e a mais franca adhesão á causa
+que defendemos. Celebrar-se-ha Vasco da Gama que, sobre ser figura proeminente
+da historia portugueza, é heroe venerado, de uma popularidade immensa em todo o
+mundo culto. Foi elle o grande iniciador do movimento que ligou entre si duas
+civilizações separadas por um abysmo e que creou esse espirito d'expansão
+colonial que caracterisa as nações modernas.</p>
+
+<p>Além d'estas festas que contribuirão certamente para levantar o prestigio do
+nome portuguez no extrangeiro, os congressistas terão optima occasião para
+apreciar as bellezas de um clima incomparavel e as superiores qualidades de uma
+raça, sempre aberta a todos os progressos e a todas as aspirações generosas.</p>
+
+<p>O comité portuguez espera que estas considerações calarão no espirito dos
+nossos illustrados collegas que não hesitarão em escolher Lisboa como séde da
+proxima conferencia inter-parlamentar e do proximo congresso da paz.</p>
+
+<p>A mesa: <em>Conde de Valenças</em>, presidente; <em>Magalhães Lima</em> e
+<em>Alfredo da Cunha</em>, secretarios."</p>
+
+<p>&nbsp;</p>
+
+<p>O segundo é uma moção que, ao mesmo tempo, deve ser tomada como affirmação
+de principios e obra de propaganda, util e efficaz:</p>
+
+<p>&nbsp;</p>
+
+<p>"A commissão geral de paz e arbitragem, considerando que o dominio geral
+portuguez constitue o mais bello patrimonio da nação e o seu principal elemento
+de independencia;</p>
+
+<p>"Considerando que, no estado em que nos encontramos, cada vez se torna mais
+difficil protegel-o e defendel-o;</p>
+
+<p>"Considerando, por outro lado, que, no estado actual das relações
+internacionaes, a creação de um supremo tribunal internacional não é
+immediatamente realisavel;</p>
+
+<p>"Considerando, porém, que a conclusão entre povos de tratados de arbitragem
+permanente que transformem o estado de guerra em que actualmente vivem as
+nações, n'um estado pacifico, juridico e industrial, se torna uma necessidade,
+imposta pela civilisação e claramente indicada pelas leis do progresso;</p>
+
+<p>"Declara:</p>
+
+<p>"Que a negociação e conclusão de tratados permanentes pelos quaes, sob a
+garantia anticipada e reciproca da plenitude da sua autonomia e da sua
+soberania, dois ou mais povos se compromettem a submetter a árbitros, por elles
+nomeados, segundo a forma indicada nos tratados, todas as questões e conflictos
+que, porventura, possam surgir, se torna a via mais segura, mais pratica e mais
+racional de resolver pacificamente as contendas entre nações, evitando, por
+este modo, o derramamento de sangue e o triumpho do mais forte sobre o mais
+fraco;</p>
+
+<p>"E resolve:</p>
+
+<p>"1.º&mdash;promover em favor d'esta idéa uma propaganda activa, por meio de
+brochuras, de conferencias e reuniões;</p>
+
+<p>"2.º&mdash;Intervir junto da direcção da Sociedade de Geographia, afim de que
+esta represente ao governo no sentido de se estabelecerem tratados de
+arbitragem permanente entre Portugal e os Estados com que o nosso paiz confina
+nas suas provincias ultramarinas;</p>
+
+<p>"3.º&mdash;ampliar ao Brazil e á Hespanha o pensamento consignado n'essa
+proposta;</p>
+
+<p>"4.º&mdash;communical-a a todos os socios da Sociedade de Geographia e a todas as
+associações de paz e arbitragem, no extrangeiro, solicitando d'estas o seu
+effectivo apoio;</p>
+
+<p>"5.º&mdash;pedir aos futuros parlamentos a sua cooperação no mesmo sentido."</p>
+
+<p>Foi esta commissão que tive a honra de representar no congresso da paz,
+realisado em Hamburgo, no passado mez de agosto. As homenagens de que me
+cercaram, tanto n'esta assembléa, como na conferencia inter-parlamentar que se
+reuniu em Bruxellas, não posso nem devo attribuil-as senão á immensa
+consideração de que gosa a <em>Sociedade de Geographia</em> no extrangeiro.
+Pode ufanar-se d'isso o meu velho e prestante amigo Luciano Cordeiro que me foi
+auxiliar valiosissimo na grata e honrosa tarefa de que me incumbiu. Aos meus
+prezados collegas, membros da commissão, submetto este pequeno relatorio, como
+reconhecimento á affectuosa benevolencia com que me distinguiram. Foi
+certamente pouco numerosa a representação, mas não podia ser mais completo nem
+mais lisonjeiro o exito alcançado. No intuito de prestar um serviço á
+propaganda pacifica em Portugal, reuni, em volume, as notas e os documentos que
+ahi ficam. Suppuz que só assim poderia corresponder á confiança dos meus
+amigos, satisfazendo, ao mesmo tempo, os generosos intuitos da commissão a que
+pertenço. Do nosso paiz, foi-me muito agradavel poder citar ao extrangeiro tres
+trabalhos importantes: uma memoria sobre arbitragem, apresentada pelo sr. conde
+de Valenças, ao congresso juridico que se reuniu, em Madrid, por occasião do
+centenario de Christovam Colombo; o bello e substancioso relatorio do
+devotadissimo amigo da paz, dr. João de Paiva, ácêrca das conferencias
+inter-parlamentares em que tomou parte, como delegado de Portugal; e,
+finalmente, o relatorio do meu sympathico e affectuoso amigo, dr. José de
+Castro, relativo á conferencia inter-parlamentar de Roma, a que tambem
+assistiu, como representante portuguez. É de esperar que a propaganda pacifica,
+iniciada, n'este paiz, sob tão bons auspicios, continue a fructificar, para
+honra nossa e da civilisação. A proxima reunião da conferencia
+inter-parlamentar e do congresso da paz, em Lisboa, em que tanto me empenhei,
+deve ser um motivo de legitimo orgulho para todos nós. Vamos, pela primeira
+vez, mostrar ao mundo que comprehendemos a nossa missão, como povo livre e
+civilisado; e, solidarios com os grandes e generosos ideaes do nosso tempo,
+tornar-nos-hemos dignos do extrangeiro que nos visita.</p>
+
+<p style="text-align:center;">FIM</p>
+</div>
+
+<p>&nbsp;</p>
+
+<div style="margin: 10%;">
+<p style="text-align:center;">PROPAGANDA DE INSTRUCÇÃO</p>
+
+<p style="text-align:center;">Para Portuguezes e Brazileiros</p>
+
+<p style="text-align:center;">OS DICCIONARIOS DO POVO</p>
+
+<p>N.º 1&mdash;Diccionario da lingua portugueza (3.ª edição).</p>
+
+<p>N.º 2&mdash;Diccionario francez-portuguez (2.ª edição).</p>
+
+<p>N.º 3&mdash;Diccionario portuguez-francez (2.ª edição).</p>
+
+<p>N.º 4&mdash;Diccionario inglez-portuguez.</p>
+
+<p>N.º 5&mdash;Diccionario portuguez-inglez.</p>
+
+<p>Cada volume contém cerca de 800 paginas. Preços: brochado, 500 réis;
+encadernado em percalina, 600 réis; em carneira, 700 réis.</p>
+
+<p style="text-align:center;">BIBLIOTHECA DO POVO E DAS ESCOLAS</p>
+
+<p>Esta util e valiosissima bibliotheca consta já de 199 volumes, alguns dos
+quaes teem a approvação do governo portuguez, para uso das escolas normaes e
+aulas primarias, e outros são geralmente adoptados em varias escolas do
+paiz.</p>
+
+<p>Preço de cada volume, 50 réis.</p>
+
+<p style="text-align:center;">O IDEAL MODERNO</p>
+
+<p style="text-align:center;">BIBLIOTHECA POPULAR DE ORIENTAÇÃO SOCIALISTA</p>
+
+<p>Volumes publicados:&mdash;Paz e arbitragem</p>
+
+<p>Volumes a publicar:&mdash;A dissolução do regimen capitalista&mdash;O federalismo&mdash;O
+humanismo&mdash;O socialismo&mdash;O feminismo, etc., etc.</p>
+</div>
+<hr>
+
+
+
+
+
+
+
+<pre>
+
+
+
+
+
+End of Project Gutenberg's Paz e Arbitragem, by Sebastião de Magalhães Lima
+
+*** END OF THIS PROJECT GUTENBERG EBOOK PAZ E ARBITRAGEM ***
+
+***** This file should be named 28914-h.htm or 28914-h.zip *****
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+Produced by Pedro Saborano. A partir da digitalização
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+Updated editions will replace the previous one--the old editions
+will be renamed.
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+Creating the works from public domain print editions means that no
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+(and you!) can copy and distribute it in the United States without
+permission and without paying copyright royalties. Special rules,
+set forth in the General Terms of Use part of this license, apply to
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+Gutenberg is a registered trademark, and may not be used if you
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+such as creation of derivative works, reports, performances and
+research. They may be modified and printed and given away--you may do
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+subject to the trademark license, especially commercial
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+paragraph 1.C below. There are a lot of things you can do with Project
+Gutenberg-tm electronic works if you follow the terms of this agreement
+and help preserve free future access to Project Gutenberg-tm electronic
+works. See paragraph 1.E below.
+
+1.C. The Project Gutenberg Literary Archive Foundation ("the Foundation"
+or PGLAF), owns a compilation copyright in the collection of Project
+Gutenberg-tm electronic works. Nearly all the individual works in the
+collection are in the public domain in the United States. If an
+individual work is in the public domain in the United States and you are
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+ License. You must require such a user to return or
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+ and discontinue all use of and all access to other copies of
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+
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+ money paid for a work or a replacement copy, if a defect in the
+ electronic work is discovered and reported to you within 90 days
+ of receipt of the work.
+
+- You comply with all other terms of this agreement for free
+ distribution of Project Gutenberg-tm works.
+
+1.E.9. If you wish to charge a fee or distribute a Project Gutenberg-tm
+electronic work or group of works on different terms than are set
+forth in this agreement, you must obtain permission in writing from
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+Foundation as set forth in Section 3 below.
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+1.F.
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+receive the work electronically in lieu of a refund. If the second copy
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+WARRANTIES OF MERCHANTIBILITY OR FITNESS FOR ANY PURPOSE.
+
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+interpreted to make the maximum disclaimer or limitation permitted by
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+or cause to occur: (a) distribution of this or any Project Gutenberg-tm
+work, (b) alteration, modification, or additions or deletions to any
+Project Gutenberg-tm work, and (c) any Defect you cause.
+
+
+Section 2. Information about the Mission of Project Gutenberg-tm
+
+Project Gutenberg-tm is synonymous with the free distribution of
+electronic works in formats readable by the widest variety of computers
+including obsolete, old, middle-aged and new computers. It exists
+because of the efforts of hundreds of volunteers and donations from
+people in all walks of life.
+
+Volunteers and financial support to provide volunteers with the
+assistance they need are critical to reaching Project Gutenberg-tm's
+goals and ensuring that the Project Gutenberg-tm collection will
+remain freely available for generations to come. In 2001, the Project
+Gutenberg Literary Archive Foundation was created to provide a secure
+and permanent future for Project Gutenberg-tm and future generations.
+To learn more about the Project Gutenberg Literary Archive Foundation
+and how your efforts and donations can help, see Sections 3 and 4
+and the Foundation web page at https://www.pglaf.org.
+
+
+Section 3. Information about the Project Gutenberg Literary Archive
+Foundation
+
+The Project Gutenberg Literary Archive Foundation is a non profit
+501(c)(3) educational corporation organized under the laws of the
+state of Mississippi and granted tax exempt status by the Internal
+Revenue Service. The Foundation's EIN or federal tax identification
+number is 64-6221541. Its 501(c)(3) letter is posted at
+https://pglaf.org/fundraising. Contributions to the Project Gutenberg
+Literary Archive Foundation are tax deductible to the full extent
+permitted by U.S. federal laws and your state's laws.
+
+The Foundation's principal office is located at 4557 Melan Dr. S.
+Fairbanks, AK, 99712., but its volunteers and employees are scattered
+throughout numerous locations. Its business office is located at
+809 North 1500 West, Salt Lake City, UT 84116, (801) 596-1887, email
+business@pglaf.org. Email contact links and up to date contact
+information can be found at the Foundation's web site and official
+page at https://pglaf.org
+
+For additional contact information:
+ Dr. Gregory B. Newby
+ Chief Executive and Director
+ gbnewby@pglaf.org
+
+
+Section 4. Information about Donations to the Project Gutenberg
+Literary Archive Foundation
+
+Project Gutenberg-tm depends upon and cannot survive without wide
+spread public support and donations to carry out its mission of
+increasing the number of public domain and licensed works that can be
+freely distributed in machine readable form accessible by the widest
+array of equipment including outdated equipment. Many small donations
+($1 to $5,000) are particularly important to maintaining tax exempt
+status with the IRS.
+
+The Foundation is committed to complying with the laws regulating
+charities and charitable donations in all 50 states of the United
+States. Compliance requirements are not uniform and it takes a
+considerable effort, much paperwork and many fees to meet and keep up
+with these requirements. We do not solicit donations in locations
+where we have not received written confirmation of compliance. To
+SEND DONATIONS or determine the status of compliance for any
+particular state visit https://pglaf.org
+
+While we cannot and do not solicit contributions from states where we
+have not met the solicitation requirements, we know of no prohibition
+against accepting unsolicited donations from donors in such states who
+approach us with offers to donate.
+
+International donations are gratefully accepted, but we cannot make
+any statements concerning tax treatment of donations received from
+outside the United States. U.S. laws alone swamp our small staff.
+
+Please check the Project Gutenberg Web pages for current donation
+methods and addresses. Donations are accepted in a number of other
+ways including including checks, online payments and credit card
+donations. To donate, please visit: https://pglaf.org/donate
+
+
+Section 5. General Information About Project Gutenberg-tm electronic
+works.
+
+Professor Michael S. Hart was the originator of the Project Gutenberg-tm
+concept of a library of electronic works that could be freely shared
+with anyone. For thirty years, he produced and distributed Project
+Gutenberg-tm eBooks with only a loose network of volunteer support.
+
+
+Project Gutenberg-tm eBooks are often created from several printed
+editions, all of which are confirmed as Public Domain in the U.S.
+unless a copyright notice is included. Thus, we do not necessarily
+keep eBooks in compliance with any particular paper edition.
+
+
+Most people start at our Web site which has the main PG search facility:
+
+ https://www.gutenberg.org
+
+This Web site includes information about Project Gutenberg-tm,
+including how to make donations to the Project Gutenberg Literary
+Archive Foundation, how to help produce our new eBooks, and how to
+subscribe to our email newsletter to hear about new eBooks.
+
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+</pre>
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+the "Copyright How-To" at https://www.gutenberg.org.
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+No investigation has been made concerning possible copyrights in
+jurisdictions other than the United States. Anyone seeking to utilize
+this eBook outside of the United States should confirm copyright
+status under the laws that apply to them.
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