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authorRoger Frank <rfrank@pglaf.org>2025-10-15 02:38:12 -0700
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+The Project Gutenberg EBook of Inscripções portuguezas, by Luciano Cordeiro
+
+This eBook is for the use of anyone anywhere at no cost and with
+almost no restrictions whatsoever. You may copy it, give it away or
+re-use it under the terms of the Project Gutenberg License included
+with this eBook or online at www.gutenberg.org
+
+
+Title: Inscripções portuguezas
+
+Author: Luciano Cordeiro
+
+Release Date: March 17, 2009 [EBook #28348]
+
+Language: Portuguese
+
+Character set encoding: ISO-8859-1
+
+*** START OF THIS PROJECT GUTENBERG EBOOK INSCRIPÇÕES PORTUGUEZAS ***
+
+
+
+
+Produced by Rita Farinha and the Online Distributed
+Proofreading Team at https://www.pgdp.net (This file was
+produced from images generously made available by National
+Library of Portugal (Biblioteca Nacional de Portugal).)
+
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+
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+
+VESPERAS DO CENTENARIO
+
+DA
+
+INDIA
+
+
+
+Inscripções Portuguezas
+
+POR
+
+LUCIANO CORDEIRO
+
+
+
+_Fiel guarda da memoria é a escripta, porque renova as cousas antigas,
+confirma as novas, conserva as confirmadas e representa as conservadas
+para que as noticias d'ellas se não entreguem ao esquecimento dos
+vindouros._
+
+(N'um diploma de doação de Affonso Henriques ao Mestre Galdino
+Paes.--Trad.)
+
+
+
+LISBOA
+
+IMPRENSA NACIONAL
+
+1895
+
+
+
+
+INSCRIPÇÕES PORTUGUEZAS
+
+
+
+
+VESPERAS DO CENTENARIO
+
+DA
+
+INDIA
+
+
+
+Inscripções Portuguezas
+
+POR
+
+LUCIANO CORDEIRO
+
+
+
+_Fiel guarda da memoria é a escripta, porque renova as cousas antigas,
+confirma as novas, conserva as confirmadas e representa as conservadas
+para que as noticias d'ellas se não entreguem ao esquecimento dos
+vindouros._
+
+(N'um diploma de doação de Affonso Henriques ao Mestre Galdino
+Paes.--Trad.)
+
+
+
+LISBOA
+
+IMPRENSA NACIONAL
+
+1895
+
+
+
+
+A
+
+Gomes de Brito
+
+
+
+
+INSCRIPÇÕES PORTUGUEZAS
+
+1.^a SERIE
+
+(EXTRAHIDA DA _ARTE PORTUGUEZA_)
+
+
+
+
+É claro que os seguintes apontamentos, desordenadamente colhidos e
+reunidos, não têem a menor pretenção a iniciar um _Corpo de inscripções
+portuguezas_, que, aliás, era tempo de começar-se.
+
+Estas notas dispersas, que a piedade domestica, a prosapia genealogica,
+a vaidade individual, o culto civico escreveu na pedra ou no bronze dos
+monumentos ou das campas, têem, sob varios aspectos, um irrecusavel
+interesse critico, alem de que são, frequentemente, verdadeiras e
+importantes revelações históricas.
+
+Parecerá até impertinencia querer demonstrar, ainda, a utilidade da sua
+colheita e registo.
+
+Ora, todos os dias ruem os monumentos e vão-se apagando e desapparecendo
+as legendas tumulares, por esse paiz fóra.
+
+É, comtudo, tão facil, tão agradavel passatempo, até, conserval-as!
+
+Nas minhas excursões provincianas, tenho consagrado ao _calco_,--ao
+modesto e singelissimo calco a papel, agua e escova,--a dedicação de uma
+propaganda importuna e teimosa, e é ainda a idéa de reforçar essa
+propaganda pela lição directa da sua razão e utilidade, que me
+determinou a ir publicando os primeiros resultados,--embora pequenos,
+valiosos.
+
+Pareceu-me, porém, não dever limitar-me a reunir, apenas, as inscripções
+agora directamente colhidas, e, menos ainda, sómente as que podessem
+considerar-se ineditas.
+
+Alem de que algumas, publicadas de ha muito, precisam e poderam ser
+corrigidas por um novo exame, o successivo agrupamento das que andam
+dispersas por varias obras é evidentemente um bom serviço, em que oxalá
+me permittissem o tempo e os recursos poder cooperar melhor do que
+procurarei fazel-o.
+
+
+
+
+I
+
+
+[Figura: Thomar, convento de Christo, na Sacristia Velha: pequena
+lapide, caracteres gothicos minusculos.]
+
+
+
+
+Leitura:
+
+
+ --_Esta capella mandou fazer Vasco Gonçalves d(e) Almeida,
+ cavalleiro, e sua mulher Mecia Lourenço, amos do Infante Dom
+ Henrique, e foi feita (na) era do Salvador de 1426._--
+
+
+Damião de Goes (Liv. das Linh. MS.) abre o--_Titulo dos Almeidas_--com o
+seguinte:
+
+
+--«Fernão d'Alvares d'Almeida foi um honrado cavalleiro em tempo delRei
+Dom João o 1.^o. Foi Vedor de sua Casa, sendo elle Mestre d'Aviz, e,
+depois, em sendo Rei, foi Craveiro da dita Ordem e _Ayo dos filhos do
+dito Rei_.
+
+«Houve filhos bastardos: Diogo Fernandes d'Almeida, Alvaro Fernandes
+d'Almeida e Nuno Fernandes, de quem não ha geração. E houve filhas».
+
+
+N'esta bastardia, é que continuou e prosperou fidalgamente o nome, logo
+pelo primeiro rebento,--o Diogo,--que foi vedor da fazenda de D. João I
+e. de D. Duarte, e que, segundo Goes--«casou com sete mulheres»--das
+quaes o illustre chronista se limita a citar duas, apenas, se é que não
+houve erro de copia na primeira conta:
+
+
+«...a primeira, filha de Dona Tareja, filha de João Fernandes Andeiro,
+Conde de Ourem e foi irmã, da parte da Mãe, do Arcebispo de Braga Dom
+Francisco da Guerra; e della houve a Lopo d'Almeida; e a outra segunda
+mulher foi filha do Prior do Crato Dom Nuno _Gonçalves_, e houve della a
+Alvaro d'Almeida e Antão d'Almeida e Dona Branca d'Almeida, primeira
+mulher de Ruy Gomes da Silva, _o da Chamusca_, e Dona Isabel d'Almeida,
+mulher d'Alvaro de Brito, e assim houve outras filhas.»
+
+
+Não terá havido anterior ligação com a familia do Prior, e não derivaria
+d'ella o Vasco _Gonçalves_, da inscripção?
+
+O que parece certo é ter elle escapado, até agora, á luz indiscreta da
+Genealogia, na desolada solidão da Sacristia Velha de Thomar, com a sua
+companheira, a Mecia Lourenço, que trouxe, naturalmente, aos burguezes
+seios o--«Alto Infante»--das descobertas.
+
+_Amos do Infante_ são evidentemente os que o crearam; e esta designação
+abrangendo a Mecia, deve indicar a mulher que o amamentou. Bemditos
+peitos!
+
+Devo o calco d'esta inscripção ao meu amigo sr. M. H. Pinto, o distincto
+artista e director da escola industrial de Thomar.
+
+
+
+
+II
+
+
+
+[Figura: Leiria, Castello, sobre a porta da Torre de Menagem: em
+caracteres gothicos grosseiramente abertos sobre linhas ou _pautado_
+egualmente cavado, n'uma das pedras da muralha. Inferiormente e na mesma
+pedra, tres pequenos escudos, tendo o do centro as bandas ou barras de
+Aragão e os dos lados as quinas, convergentes.]
+
+
+
+
+Leitura:
+
+
+ --_(Era) 1362 an(n)os foi esta tor(r)e co(meçad)a (aos) 8 dias de
+ maio, e mandou-a fase(r o muito) nobre Dom Diniz, Rei de
+ Portugal.................acabada._
+
+
+Esta ultima parte, inintelligivel já, evidentemente diria a data do
+acabamento: dia e mez, ou sómente o mez.
+
+
+Esta inscripção, que parece ter sido feita depois de concluida a Torre,
+e que é de singular importancia por fixar precisamente a construcção ou
+a reconstrucção do castello por D. Diniz, tem-se conservado
+desapercebida, talvez pela altura em que está e por se confundir, á
+primeira vista, com as escabrosidades da pedra.
+
+Áparte o facto dos nossos archeologos, ou dos que se dizem taes, mais se
+dedicarem, geralmente, á exploração das mais banaes inscripções de
+cippos romanos do que á colheita das que podem illustrar a historia
+patria.
+
+Alli mesmo, n'aquelle formoso monumento chamado o Castello de Leiria,
+que bem póde dizer-se amassado com sangue, a busca das inscripções
+romanas nas pedras funerarias aproveitadas nas muralhas, tem chegado a
+fazer perigar a segurança das construcções, ao passo que nos restos dos
+Paços do Rei Lavrador nenhuma exploração regular se tem feito.
+
+Escusado será acrescentar que o escudo com as barras ou bandas
+aragonezas é uma affirmação ou uma homenagem ao senhorio de Leiria dado
+á Rainha D. Isabel, _a Santa_.
+
+O calco d'esta inscripção, e até a denuncia d'ella, foi-me fornecido
+pelo meu amigo sr. João Christino da Silva, então director e professor
+da escola industrial _Domingos de Sequeira_, de Leiria.
+
+
+
+
+III
+
+
+[Figura: Obidos, Torre do Castello, no humbral da porta (ogival), lado
+esquerdo.]
+
+
+
+
+Leitura:
+
+
+ --_E(ra) 1413 annos, no mez d(e) outubro, foi começada esta
+ tor(r)e, p(or) mandado delrei Dom Fernando, da q(ua)l foi védor
+ D(iog)o M(art)i(n)s da Tougia, e foi della m(estr)e Jo(ão)
+ Do(mingue)s, e foi feita á custa do dito._
+
+
+O meu amigo Sousa Viterbo lembra-me que Giner de los Rios dá esta
+inscripção no seu _Portugal_; mas, pela copia que me transmitte, entendo
+que o escriptor hespanhol não soube copial-a e lel-a bem. Assim, na
+linha 1) tomou o _s_ final pelo algarismo 6, que nada significaria, e na
+linha 2) supprimiu o _o_ na primeira palavra. Embaraçaram-n'o
+naturalmente os pontos de separação, muitas vezes colocados por simples
+fantasia decorativa. Trocou tambem os nomes do védor fazendo-o
+representar por um caprichoso --_A.^n Mig.^n da Toura_-- e o do Mestre
+por--_f.^a Doz_.
+
+O do primeiro é claramente:--_d.^o miz_ (Diogo Martins) e apenas a
+ultima designação offerece difficuldade, não podendo, porém,
+ser:--_Toura_--porque está muito intelligivel no começo da linha 8) a
+letra _g_. A sobreposta parece realmente _r_, o que difficultaria
+extremamente a leitura; mas porventura uma irregularidade ou estrago da
+pedra é que lhe dá aquella apparencia, sendo simplesmente um _i_, o que
+dá a palavra--_Tougia_.
+
+_Tougia_, _Taugia_, _Ataugia_, _Touria_, é _Atouguia da Baleia_,
+povoação que não fica muito distante e que teve grande importancia no
+tempo de D. Fernando e de D. Pedro I, que n'ella celebraram côrtes, e
+onde, pouco antes do primeiro, senão no seu tempo, se fez ou reformou
+tambem um forte castello.
+
+O nome do vedor seria pois: Domingos Martins da Tougia ou _d'Atouguia_,
+o que, como se vê, só pela interpretação de um signal ou letra
+sobreposta, póde suscitar hesitação.
+
+É a leitura que preferimos, até por não encontrarmos melhor. O nome do
+mestre, e que não nos parece que offereça duvida, é _João Domingues_ ou
+_Domingos_.
+
+Devo a um cuidado desenho do meu amigo e distincto professor, o sr. João
+Christino da Silva, esta inscripção, bem como a seguinte.
+
+
+
+
+IV
+
+
+[Figura: Obidos, na Torre do Facho.]
+
+
+
+
+Leitura:
+
+
+ --_Foi reformada esta muralha por Dom Sancho primeiro._--
+
+
+Evidentemente não é coeva esta inscripção, em caracteres mixtos (goth. e
+red.).
+
+
+
+
+V
+
+
+[Figura: Thomar, igreja de Santa Maria dos Olivaes, sob o segundo arco
+da nave esquerda.]
+
+
+
+
+Leitura:
+
+
+ --_Aqui jaz Fernã(o) de Sa(m)paio, Caval(l)eiro fidalgo, creado
+ delrei dom Af(f)onso, e sua filha M(ari)a de Sa(m)paio._--
+
+
+Será Fernão Vaz de Sampaio, filho de Vasco Pires de Sampaio e de D.
+Maria Pereira, da casa da Feira?
+
+Este, fazem-n'o os genealogistas casado duas vezes, uma com D.
+Senhorinha, outra com Joanna de Alvim; e alguns, uma só vez, com uma ou
+com a outra d'aquellas senhoras, attribuindo-lhe varios bastardos
+havidos n'uma Leonor Affonso,--«mulher solteira»--entre os quaes um Lopo
+Vaz de Sampaio, que D. Affonso V legitimou em 1453.
+
+Que o Rei Affonso de que falla a inscripção é Affonso V, não póde
+duvidar-se.
+
+O «titulo» dos Sampaios, como se diz em Genealogia, foi sempre muito
+complicado por enxertos ganceiros.
+
+O calco foi-me enviado pelo sr. M. H. Pinto
+
+
+
+
+VI
+
+
+[Figura: Thomar, igreja de Santa Maria dos Olivaes, do lado esquerdo da
+porta de entrada (interior). Caracteres gothicos.]
+
+
+
+
+Leitura:
+
+
+ --_Esta sepultura é de Isabel Vieira, mulher d(e) Af(f)o(n)so de
+ Vivar, Caval(lei)ro, co(n)tador da casa delrei nos(s)o s(enhor),
+ q(ue), depois de seu fal(l)ecim(en)to, foi Com(m)e(n)dador das
+ Alencarcas. E se finou a 18 dias de fevereiro de 1492._
+
+
+Não póde haver duvida de que a inscripção, muito esmerada por signal,
+diz:--«Commendador das Alencarcas». Foi-o Affonso de Vivar, ou depois do
+fallecimento da mulher, ou, o que é mais provavel que a inscripção
+queira dizer, depois do fallecimento do Rei, que seria então Affonso V,
+se a data da morte da mulher corresponde á da abertura da inscripção.
+
+Mas o que eram as Alencarcas?
+
+Devo o calco ao amigo já citado e que muitas mais vezes terei de citar
+ainda, o sr. M. H. Pinto.
+
+
+
+
+VII
+
+
+[Figura: Thomar, igreja de Santa Maria dos Olivaes, na capella mór.
+Caracteres gothicos. Truncada por construcção posterior, que se lhe
+encostou, dos degraus do altar.]
+
+
+
+
+Leitura:
+
+
+ --_Aq(ui) jaz Do(m) Gil M(ar)ti(n)s, o p(ri)meiro M(estr)e q(ue)
+ foi da Caval(l)aria da Orde(m) de Jesus Christo, q(ue) foi
+ f(re)irado_ (feito freire) _na Ord(e)m d(e) Avis e M(estr)e da
+ Caval(l)aria des(s)a Orde(m) e foi da linhagem do Outeiro; q(ue)
+ pas(s)ou_ (faleceu) _e(m) sexta feira, 13 dias (d)e nove(m)bro,
+ e(ra) 1359 an(n)os (a) q(ua)l alma D(eu)s leve p(er)a a gloria do
+ Paraiso. Ame(n) Co(m) e(lle) mais os(s)os sã(o?)._
+
+
+Está a lapide embebida na parede do lado esquerdo, por baixo do formoso
+mausoleu de D. Diogo Pinheiro, primeiro bispo do Funchal, tendo sido
+para alli removidos os restos do Grão-Mestre, nas obras de renovação
+feitas na igreja, no tempo de D. Manuel ou já de D. João III, segundo a
+tradição.
+
+Deviam estar anteriormente n'um caixão ou tumulo de pedra. A esses
+restos se juntaram os de outros personagens, e a isto seguramente
+alludia a parte truncada ou illegivel da lapide.
+
+Não é, pois, perfeitamente exacto que se não saiba:--«o logar certo onde
+estão as cinzas do primeiro Mestre de Christo»--como diz Santos (_Monum.
+milit_, etc.), que, aliás, indica a remoção d'esses restos e a
+inscripção que os denuncia, que melhor fôra que tivesse copiado, com as
+mais.
+
+Pertence o calco á bella colheita com que me tem brindado o sr. M. H.
+Pinto.
+
+
+
+
+VIII
+
+
+[Figura: Thomar, igreja de Christo, junto á Charola. Caracteres rom.
+maiusc. Grande lapide.]
+
+
+
+
+Leitura:
+
+
+ --_Aq(u)i jaz o m(ui)to (h)o(n)rado Com(m)e(n)dador Do(m) Lopo Dias
+ de Sousa, Mestre da Caval(la)ria da Orde(m) de Christo, q(ue) foi
+ se(m)p(r)e m(ui)to leal s(e)r(v)idor ao m(ui)to alto se(m)p(r)e
+ ve(n)cedor elrei Do(m) Joã(o) o p(r)im(ei)ro, (a)o qual foi
+ gra(n)de ajuda e(m) defe(n)são d'estes reinos; e e(n)trou co(m)
+ el(l)e ci(n)co vezes e(m) Castel(l)a co(m) sua Caval(l)aria, e e(m)
+ a tomada de Ceuta; e teve o mestrado q(u)are(n)ta e seis an(n)os. E
+ finou-se na era de Jesus Christo de 1435 an(n)os, aos nove dias do
+ mes de fev(erei)ro, e o m(ui)to ho(n)rado e presado s(enh)or o
+ I(n)fa(n)te Do(m) (H)e(n)riq(u)e, governador da dita orde(m),
+ duq(ue) de Viseu e s(enh)or de Covilha(m), o ma(n)dou tra(s)ladar a
+ este co(n)ve(n)to, aos oito dias do mez de março da dita era do
+ na(s)c(i)m(en)to de Nos(s)o S(enh)or de 1435 an(n)os._
+
+
+
+Este D. Lopo Dias de Sousa é personagem bem conhecido e de quem é facil
+encontrar larga noticia.
+
+Era bisneto, pelo pae, de D. Affonso Diniz, filho de Affonso III--«e da
+condessa de Bolonha D. Mathilde»--a primeira mulher d'este Rei, sendo
+filho de Alvaro Rodrigues de Sousa e de D. Maria de Menezes, filha de
+Martim Affonso Tello de Menezes, irmão da celebre Rainha e adultera, D.
+Leonor Telles. Foi esta que o fez Mestre da Ordem, quando não tinha
+edade para o ser, o que não obstou a que elle honrada e valentemente
+viesse a servir a causa portugueza do Mestre de Aviz (João I) contra as
+pretensões e a invasão de Castella, patrocinadas pela adultera.
+
+Diz Goes (_Liv. das Linh. MS._):
+
+
+«Dom Lopo Dias de Sousa... foi Mestre de Christo, apresentado na dita
+dignidade por ElRei Dom Fernando, a requerimento da Rainha Dona Leonor
+Telles, mulher do dito Rei Fernando, que era tia d'este Dom Lopo Dias,
+Mestre de Christo... Teve por manceba a Dona Maria Ribeira, que em
+Pombal houve dispensação do Papa para a receber por mulher, e houve
+d'ella estes filhos: a Diogo Lopes de Sousa e Dona Mecia de Sousa, que
+casou com Dom Vasco Fernandes Coutinho, primeiro Conde de Marialva, e
+Dona Violanta, que casou com Ruy Vaz Ribeiro de Vasconcellos, Senhor de
+Figueiró dos Vinhos e do Pedrogam, e Dona Isabel, mulher de Diogo Lopes
+Lobo, Senhor d'Alvito, e Dona Aldonça, mulher de Pedro Gomes de Abreu _o
+Velho_, e Dona Branca, mulher de João Falcão, e Dona Leonor, mulher de
+Affonso Vasco de Sousa.»
+
+
+Um neto d'elle, Alvaro de Sousa, filho de Diogo Lopes de Sousa,
+mordomo-mór do Rei D. Duarte, foi mordomo-mór de D. Affonso V e casou
+com uma filha de D. Fernando de Castro, governador da Casa do Infante D.
+Henrique:--D. Maria de Castro.
+
+Uma observação ainda: A inscripção parece corrigir a versão commum
+adoptada por J. A. dos Santos, na bella monographia _Monumento das
+Ordens militares_, etc., _em Thomar_, de ter Dom Lopo cahido em poder
+dos castelhanos em Torres Novas, ficando inutilisado para todo o resto
+da campanha.
+
+--«Entrou cinco vezes em Castella»--diz terminantemente a pedra.
+
+Devo o calco ao sr. M. H. Pinto, que ultimamente me mandou alguns
+outros, de Figueiró, entre os quaes encontro o da inscripção que incluo
+em seguida por importar á prole do mesmo personagem.
+
+
+
+
+IX
+
+
+[Figura: Figueiró dos Vinhos, igreja de S. João Baptista. Em caracteres
+gothicos.]
+
+
+
+
+Leitura:
+
+
+ --_Aqui jaz o muito ho(n)rado caval(l)eiro Ruy Vasq(ue)s, filho de
+ Ruy Me(n)des de Vasco(n)cel(l)os, neto de G(onçalo) Me(n)des e de
+ Dona Maria Ribeira; e Dona Viola(n)te de Sousa, sua mulher, f(ilh)a
+ de Do(m) Lopo Dias, M(estr)e de Christo, neta d(e) Af(fo)n(s)o Dias
+ de Sousa e de Dona M(ari)a, irma(n) da rainha Dona Leonor; os quaes
+ ma(n)dou s(epulta)r Rodrigo de Vasco(n)cel(l)os, seu filho
+ (h)erdeiro... era de Nos(s)o S(enho)r Jesus Christo de 1453
+ an(n)os._
+
+
+(Vide o commento da inscripção anterior.)
+
+Enviou-me o calco o sr. M. H. Pinto.
+
+
+
+
+X
+
+
+[Figura: Thomar, Convento de Christo, sobre o arco da Sacristia Velha.]
+
+
+
+
+Leitura:
+
+
+ --_Era MCC · VIIII magister Galdinus nobili siquidem genere Bracara
+ oriundus exctitit tempore autem Alfonsi illustrissimi Portugalis
+ regis. Hic secularem abnegans miliciam, in brevi ut Lucifer
+ eminevit, nam Templi miles Gerosolimam peciit ibique per
+ quinquenium non in hermen vitam, duxit cum Magistro enim suo cum
+ Fratisbusque implerige preliis_ contra _Egipti et Surie insurrexit
+ regem. Cumque Ascalona caperetur, presto eum in Antiocam pergens
+ sepe_ contra _Sidan decione dimicavit. Post quinquennium vero ad
+ prefatum qui et eum educaverat et militem fecerat reversus est
+ regem. Factus Domus Templi Portugalis Procurator hoc distruxit
+ castrum Palumbar, Thomar, Ozezar et hoc quod dicitur Almoriol et
+ Eidaniam et Montem Sanctum._--
+
+
+Versão:
+
+
+ --_Era de 1209. O Mestre Galdino, certamente de nobre geração,
+ natural de Braga, existiu no tempo de Affonso, illustrissimo Rei de
+ Portugal. Abandonando a milicia secular, em breve se elevou como um
+ Astro, porquanto, soldado do Templo, dirigiu-se a Jerusalem, onde
+ durante cinco annos levou vida trabalhosa. Com seu Mestre e seus
+ Irmãos, entrou em muitas batalhas, movendo-se contra o Rei do
+ Egypto e da Syria. Como fosse tomada Ascalona, partindo logo para
+ Antiochia pelejou muitas vezes pela rendição de Sidon. Cinco annos
+ passados, voltou, então, para o Rei que o creára e o fizera
+ cavalleiro. Feito Procurador da casa do Templo em Portugal, fundou,
+ n'este, o castello de Pombal, Thomar, Zezere e este que é chamado
+ Almoriol, e Idanha e Monsanto._--
+
+
+Esta inscripção tem sido dada por diversos auctores, mas em nenhum é
+rigorosamente exacta a copia. O proprio Costa (_Historia da ordem_, pg.
+178, doc. 14) figurando-a toscamente em reproducção graphica, erra logo
+na _era_ a leitura, dando a de 1208 pela de MCCVIIII ou 1209 que tão
+nitidamente se lê na linha _1_).
+
+Este erro generalisou-se, repetindo-o Viterbo (_Elucidario_) e
+adoptando-o Pedro Ribeiro (_Dissertações_). Debalde Cunha (_Historia
+ecclesiastica de Braga_), na sua traducção, soffrivelmente phantasiosa,
+restituiu a _era_ exacta de 1209.
+
+Na linha _4_) suscitou-me duvidas a leitura commum do --_hic_,--pela
+fórma especial da inicial, que se encontra na linha _6_), onde parecia
+repugnar-lhe o valor de--_h_--. Mas, não podendo ler-se:--_inic_--ainda
+por:--_in hic_--é forçoso acceitar a leitura geral. Na mesma linha, a
+palavra --_abnegans_--tem evidentemente a fórma de--_acbnegans_,--que
+aliás diz o mesmo.
+
+Na linha _5_), a leitura geral é a de--_emicuit_--por--_emievit_,--que é
+positivamente a que está na pedra. Preferimos, porém, a
+de--_eminevit_,--de--_emineo_,--que mais se approxima, e que não altera,
+mas precisa mais o sentido. Foi-me suggerida por Gabriel Pereira esta
+versão.
+
+Na linha _6_), Costa
+copiou--_petiit_--por--_peciit_,--e--_inermem_--por--_in hermen_,--que é
+o que claramente lá está. Vê-se que o embaraçou tambem a fórma da
+inicial acima alludida, não querendo ler n'ella o--_h_--que aliás não
+duvidára ler, como tal, no--_hic_--da linha _4_). A solução parece-nos
+ser a de dar áquella fórma, aqui, o valor de uma simples tremação ou
+dierese do--_i_--lendo realmente:--_ïermen_--ou--_in ermam vitam_--.
+Podem não ter grande importancia estas variantes, mas é sempre bom
+conservar-se a fórma original em taes cousas.
+
+Na linha _7_) onde se lê:--_cvm Magistro enim svo_,--Costa permitte-se
+acrescentar um--_fuit_,--que lá não está, nem é necessario.
+
+Mas é na linha _9_) que as pretensões correctivas do auctor da _Historia
+da Ordem_, etc., tomam mais graves proporções. Assim: onde nitidamente
+se lê:--_presto evm in Antiocam_,--elle simula copiar:--_presto fuit in
+Antiochie_,--e logo em seguida lê:--_sepe Suldani_--em vez de--_sepe_
+contra _Sidan_,--como diz a pedra, e bem. Dá assim origem ao erro que
+elle, Cunha, e os mais commettem, de
+traduzir--_Soldão_--por--_Sidan_,--o soldão ou sultão, não se sabe qual,
+pela cidade de _Sidon_, perfeitamente conhecida.
+
+Na linha _10_), a leitura de Costa e dos mais, embaraçou-se na
+abreviatura--_vo_,--que se segue á
+palavra--_quinquennium_,--claramente:--_vero_,--e achou então melhor
+supprimil-a. Em seguida, reduziu a--_eum_,--a abreviatura em que entrava
+um--_t_--muito bem definido, mas que o embaraçava tambem.
+Restituimos--_et eum_--que é fórma conhecida.
+
+Na linha _11_), tem-se lido sempre por--_hoc construxit_,--que é a
+leitura que immediatamente occorre, de certo, a fórma ou phrase, que,
+pelo rigoroso confronto dos caracteres da inscripção, não podemos ler
+senão como:--_hocdstrvxit_--. A primeira duvida suscitou-nol-a
+o--_hoc_,--não porque não esteja bem definido nos caracteres, mas porque
+nos pareceu arrevesado ou inadequado ao sentido. É evidente, porém, que
+se quiz precisar o _paiz_, o _logar_ e não o objecto ou o castello,
+determinadamente, e assim traduzimos:--_Feito Procurador da Casa do
+Templo, em Portugal, neste_ (i. e. aqui) _fundou_, etc. Mas porque é que
+todos têem fugido a ler litteralmente:--_dstrvxit_,--que é a forma
+original? Naturalmente, por entenderem que esta fórma equivaleria
+necessariamente á de--_destruxit_ (de _destruo_)--dando o absurdo de ter
+Galdino _destruido_ os castellos em vez de os ter construido
+(_construxit_). Mas é que não lembrou que não era fatal
+ler--_destruxit_,--e que, lendo-se--_distruxit_--(de _distruo_), se
+obtinha a idéa contraria, ou a idéa precisa de ter o Templario portuguez
+lançado, espalhado, ou construido, _aqui_, em _diversas partes_, os
+fundamentos d'esses diversos castellos. E mais explicado fica
+o--_hoc_,--antecedente.
+
+Finalmente, na ultima linha, ha duas abreviaturas:--_dod. dr._--ou
+talvez, por uma inversão da primeira inicial:--_qod. dr._--que
+geralmente se lê, e parece bem:--_quod dicitur_--.
+
+Tambem esta interessantissima inscripção, pela primeira vez directamente
+reproduzida por calco, que me enviou o sr. Pinto, da escola industrial
+de Thomar, não tem obtido até agora uma traducção regularmente exacta.
+Costa e Cunha não separam as orações, nem traduzem litteralmente.
+
+O primeiro traduz:--_sepe pergens_ contra _Sidan_ etc.--por--_e muitas
+vezes venceu ao Soldam_,--o que é duplamente falso. Como já observei,
+iniciou o erro de ler--_Suldani_,--onde, clara e rasoavelmente,
+está:--_Sidan_--.
+
+Cunha, que restitue a _era_ exacta de 1209, antecede-a pela
+formula:--_Em nome de Christo_,--que lá não está, e acrescenta a
+filiação do Rei Affonso:--_filho do Conde Dom Henrique e da Rainha Dona
+Tareja_--. Não contente com isto, traduz que: _quando Escalona foi
+tomada, elle foi alli prestes e prompto_;--põe Galdino em Antiochia
+pelejando muitas vezes--_contra o poder do Soldão_;--augmenta a
+enumeração dos castellos com o de--_Cardiga_,--supprimindo o
+de--_Monsanto_,--e alonga, finalmente, a inscripção com as seguintes
+palavras:--_Era 1209 annos. Mestre Gualdim, nascido em Braga, que he
+cabeça de Galisa, edificou este Castello de Almorol com os freires seus
+irmãos_--.
+
+Bastam estes exemplos. Como é sabido, a inscripção está n'uma grande
+lapide de marmore sobre o arco da chamada Sacristia Velha do convento de
+Christo de Thomar, para onde foi transferida, do castello de Almorol,
+segundo a tradição, no tempo e por ordem do Infante Dom Henrique.
+
+É claro que não havemos de fazer, agora e aqui, a biographia de Mestre
+Gualdino ou Gualdim ou Galdino Paes. N'esse ponto, é justo louvar as
+diligencias e os trabalhos de Costa (_Historia da Ordem_, etc.) e de
+Viterbo (_Elucidario_), que reuniram interessantissimos documentos sobre
+o Templario portuguez. Segundo o primeiro, Galdino nasceu em 1118 e
+morreu em 1195. Era filho de Payo Ramires e de D. Gontrade Soares, nomes
+que denunciam uma origem visigoda. Pelo pae, era bisneto de Ayres
+Carpinteiro que lhe trazia uma bella tradição de fidalguia authentica.
+
+N'um velho livro de linhagens anda dispersamente registada esta
+prosapia:
+
+
+--«Este Ayres Carpinteiro onde (d'onde) vem os Ramirãos foi casado com
+Amiana de Selharis e de Tevora e fege nella Ramiro Ayres...»
+
+
+Ramiro casou com Orraca Peres, filha de Gontinha Eres e de Dom Pedro
+Affonso de Doreas--«que fez Manhente,»--e o seu primogenito foi Dom Payo
+Ramires. Casou Dom Payo, a primeira vez, com Dona Orraca de Caldelas de
+Galiza, de quem teve o alcaide Dom Vasco Paes,--«e desque morreu esta
+mulher a D. Payo Ramires casou com a irman de D. Payo Correa o _Velho_ e
+fege nella o mestre D. Gualdim Paes do Templo e D. Gomes Paes de Piscos:
+e este mestre D. Gualdim Paes fez Tomar e Pombal e Castelo de Almoyrol e
+poboou outros muitos logares que ganhou á ordem, e foi muito forte em
+armas e leixou ao Templo o que agora ha, e em Abelamar (talvez em
+_alem-mar_)».
+
+Goes, que gostâmos sempre de consultar n'estas historias, não parece ter
+encontrado nos Paes, do seu tempo, pelo menos, uma genealogia muito
+antiga, pois que abre o «titulo» com Payo Rodrigues que--«foi um
+cavalleiro muito honrado em tempo delRei Dom Affonso o quinto, e foi
+filho de Pedro Esteves, Alcaide Mór de Portel»--. São outros,
+evidentemente. Tambem da semente d'elle, como dizem os geneologos, não
+seria facil haver noticia, espalhada, como ficaria, clandestina ou
+ganceira, pela Syria e pelo Ribatejo, nas aventuras e desmandos das
+campanhas do Templario.
+
+Segundo Cunha, nasceu o Mestre em Braga e--«n'ella se conserva ainda
+hoje uma rua com o nome de D. Gualdim, em que é tradição que nasceu»--.
+
+Corrigem outros, observando que alli fôra Procurador ou Mestre da Casa
+do Templo, que lá existira,--o que é demonstrado por um documento citado
+no _Elucidario_ de Viterbo,--mas que em Marecos, depois Amaraes e hoje
+Amares, a 10 kilometros de Braga, é que realmente nascera o Mestre, que
+fôra até o primeiro a usar e a nobilitar o titulo de Marecos, da herdade
+que foi o nucleo da povoação.
+
+Convem dizer, pois que não tem sido dito até hoje, que outro velho
+codice geneologico põe uma sombra de duvida n'esta gloria da pequena
+povoação minhota, dizendo, um tanto obscuramente:--«E o meestre dom
+galdim paez do tempre e seu irmaão _forom naturaaes dapardar de braa_».
+Mas sendo justa a hesitação na leitura indicada na compilação da
+Academia (_Port. monum. hist._), não será talvez muito aventuroso
+ler:--_da par de Braga_,--restituindo á antiga Marecos, o seu Templario.
+E já agora avivemos o registo de um pequeno episodio que n'esta altura
+nos offerece esse codice.
+
+Uma neta do irmão de Galdino:--Dona _Estevaynha_ ou Estevaninha Paes
+casou com Dom Martim Annes de Riba da Visella, neto, pela mãe, de um
+grande fidalgo Dom Soeiro Mendes o Gordo que a tivera de uma barregan e
+que fazendo-a herdeira--«mui bem e mui compridamente em seus beens»--a
+casára com Dom João Fernandes de Riba da Vizella.
+
+Diz então o codice:--«E este meestre dom galdim paaez do tempre fez
+muyto bem e deu grandalgo a este dom Martim Annes de riba davizela
+quando casou com esta dona steuaynha paaz sobredita».
+
+Martim Annes foi--«mui priuado delRei dom afonso de portugal, filho
+delRei dom sancho o uelho».
+
+Por ordem do Rei foi cercar a irmã d'este, a Infanta Dona Thereza, a
+Montemór o Velho, e derrotado, cahiu n'um paul entre aquella villa e
+Coimbra. Quando lhe acudiram:--«non se pode sofrer que non morese do
+sangui que del tirarom as çameçugas».
+
+Dá, ainda, uma tradição constante, e parece confirmar a inscripção de
+Thomar, que Galdino fôra creado na côrte do primeiro Rei portuguez, e
+por elle armado cavalleiro na batalha de Ourique, em 1139. É sómente dez
+ou mais annos depois d'esta data, que nos apparece nos documentos, e já
+como Templario graduado, consequentemente depois do seu regresso do
+Oriente.
+
+Segundo Cunha e os diplomas reunidos por elle, seria, até, sómente na
+era de 1199, correspondente ao anno de 1161, que pela primeira vez nos
+appareceria como Mestre, na doação que lhe faz o Rei:--_tibi Magistro
+Gualdino_,--de certas herdades cultivadas e por cultivar junto de
+Cintra; mas Santa Rosa de Viterbo (_Elucidario_) encontra-o muito antes,
+em 1148, figurando como _Mestre_ da Casa Templaria de Braga, n'uma
+concordata feita com esta, e em 1157 como _Mestre_ absoluto ou Geral dos
+Templarios em Portugal, succedendo a Dom Pedro Arnaldo, que abdicou
+n'esse anno e morreu no seguinte. Terá Viterbo lido bem aquella primeira
+data? A interrogação parecera impertinente em relação ao erudito
+investigador, se um facto muito positivo a não auctorisasse. Esse facto
+é a tomada de Ascalonia, expressamente indicada na inscripção. Essa
+tomada, é claro que não foi a de Saladino aos christãos, que só se
+realisou em 1187. Foi a dos christãos aos turcos. Estava lá, então,
+Galdino; isto é, estava no Oriente em 1153, que é a data d'esta
+conquista. (Michaud, _Hist. des Croisades_, t. II.)
+
+Estava, e demorou-se ainda. Estando em 1157 em Portugal, e sendo feito,
+então, Mestre geral dos Templarios Portuguezes, partiria em 1152, ou
+pouco antes, mas já partiria, então, como templario graduado, se é
+verdadeira a data de 1148, attribuida por Viterbo á concordata de Braga,
+o que, de resto, não repugna inteiramente á inscripção.
+
+Inclinamo-nos a crer que foi realmente em 1157 que Galdino voltou, sendo
+então elevado ao cargo de Mestre geral, ou, como a inscripção diz:--de
+Procurador do Templo, em todo o Portugal, tendo partido, como simples
+Mestre da Casa de Braga, em 1152, ou pouco antes.
+
+Dos castellos alludidos na inscripção, dois,--o de Idanha e o de
+Monsanto,--são-lhe doados em 29 de novembro da era de 1203 (1165),
+chamando-se-lhe tambem Mestre:--_vobis Magistro Gualdino_--.
+
+A ideia vulgar da hierarchia monastico-militar póde parecer
+extraordinario que elle seja designado simplesmente como _Procurador_,
+em outubro da era de 1207 (1169), quando lhe são doados, e á Ordem, os
+castellos de Zezere, de Thomar, e ainda o de Cardiga--«com todas as
+herdades que alli fizeste e rompeste»--devendo notar-se que n'esse mesmo
+anno como tal se apellida tambem, na doação:--«de toda a terça parte que
+pela graça de Deus poderem adquirir e povoar desde o rio Tejo por
+deante--»para o sul, é claro, aos--«cavalleiros chamados do Templo de
+Salomão»--nas pessoas dos de Portugal e de--_vobis Fratri Gualdino in
+Portugalia rerum Templi Procuratori_--.
+
+Mas esta qualidade de _Procurator_, referida á gerencia regional ou
+provincial dos diversos agrupamentos da Ordem, não era inferior, e muito
+menos incompativel, com a categoria de _Magister_, a bem dizer a de
+Superior de cada Casa ou Commenda, com tendencias para substituir
+aquella pela separação das diversas communidades nacionaes.
+
+Não foi Galdino o unico _cruzado_ portuguez; mas é dos raros cujos nomes
+se apuram. Se das suas façanhas no Oriente resa sómente a inscripção,
+outros e diversos documentos a corroboram brilhantemente na historia
+patria.
+
+
+
+
+XI
+
+
+[Figura: Claustro da sé de Lisboa.]
+
+
+
+
+Leitura:
+
+
+ --_Esta sepultura é de dona (?) Ignez Eannes, sobrinha de Vicente
+ Domingues Bolhão_.
+
+
+Tem um certo interesse de occasião esta inscripção modestissima, agora
+que vae celebrar-se o centenario de Santo Antonio de Padua, mais
+propriamente: de Lisboa. _Bolhões_ eram a familia d'elle. Vicente Bulhão
+se chamou o avô, ou, melhor, Vicente Martins _dito o Bulhão_, o que
+devia desconcertar um pouco os genealogistas, no esforço de engrandecer
+e nobilitar a alcunha que se tornou patronymico:--_Vicenti Martinii
+dicti Bulhon_,--segundo a nota obituaria que elles encontraram--«no
+livro de mão da Kalenda da Sé antiga de Lisboa».
+
+D'este Vicente, veiu Martim Bulhão,--_Martinus Bulhon_, resava a mesma
+nota,--que, desposando Theresa Taveira, teve os seguintes filhos:
+
+--Pedro Martins de Bulhão, do qual, nota semelhante á citada, dizia:--_6
+nonas julii obiit Petrus Martinii dictus de Bulhon_,--tendo vivido na
+primeira metade do seculo XIII; d'elle procedeu um personagem
+relativamente illustre, o confessor da Rainha Santa, capellão de Dom
+Diniz e lente de theologia da Universidade: Dom Domingos Martins, conego
+de Santa Cruz.
+
+--Fernão Martins de Bulhão, o nosso futuro Santo Antonio;
+
+--Vicente Martins de Bulhão;
+
+--Feliciana Martins Taveira;
+
+--Maria Martins Taveira, freira, que morreu tambem com ares de
+santidade, em 18 de fevereiro de 1240.
+
+Mas é claro que o Vicente da inscripção não é nem o primeiro nem o
+segundo. É, porém, da familia, neto de um ou bisneto do outro, segundo
+Monterroyo.
+
+Teve duas irmãs Vicente Domingues, que casaram fidalgamente: uma, Dona
+Sancha Martins Bulhão, com Dom Soeiro Fernandes Alam, que viveu no tempo
+de Dom Affonso III e Dom Diniz, e com o qual se orgulham os Soares de
+Albergaria; a outra, Dona Dordia, que foi mulher de Pedro Martins
+Botelho, de Riba de Vizella, e depois de Reymondo,--como quem diz
+Raymundo,--de Portocarrero.
+
+Mas nenhuma d'estas senhoras parece ter-nos dado a Ignez da inscripção,
+cuja paternidade modestamente se escondeu na prosapia do tio, especie de
+conservador ou agente official dos negocios das colonias extrangeiras em
+Lisboa.
+
+Uma Ignez se encontra, proximamente, na familia; mas é Ignez Dias
+Bulhão, procedente da geração da Dona Dordia, e que Dona Leonor Telles,
+a rainha bigama, considerava sua parente.
+
+Temos, pois, de nos contentar com o facto do tio nos authenticar a
+antiguidade da inscripção, que obsequiosamente nos forneceu o estudioso
+e dedicado secretario da _Arte Portugueza_, sr. D. José Pessanha.
+
+
+
+
+XII
+
+
+[Figura: Thomar. Igreja de Santa Maria dos Olivaes, na parede da segunda
+capella, á direita.]
+
+
+
+
+Leitura:
+
+
+ --_Obiit frater gvaldinvs magister militum templi portugalie E.
+ MCCXXXIII, III.^o idvs octobris. Hic castrvm Tomaris cum multis
+ aliis popvlauit. Requiescat in pace. Amen._
+
+
+Versão:
+
+
+ --_Morreu Frei Galdino, Mestre dos Cavalleiros do Templo em
+ Portugal, na era de 1233, terceiro dos idos de outubro. Este
+ castello de Thomar, com muitos outros, povoou. Descance em paz.
+ Amen._
+
+
+No movimento, um pouco desordenado, diga-se de passagem, das celebrações
+apotheosicas, centenaes ou não, que ultimamente se tem manifestado entre
+nós, pensaram alguns cavalheiros de Thomar em promover uma que
+attrahisse as attenções e a concorrencia de forasteiros á formosa cidade
+do Nabão, bem digna realmente de ser mais conhecida e visitada. Tiveram,
+então, a feliz idéa de tomar por thema o nome e a memoria do valente
+Templario portuguez, Galdino Paes, tão deploravelmente esquecido tambem,
+e de quem póde dizer-se que foi, alem de fundador de Thomar, um dos mais
+intrepidos e persistentes cooperadores da fundação de Portugal.
+
+Sob aquella idéa se reanimou o empenho do meu amigo e distincto
+director-professor da Escola Industrial d'aquella cidade, sr. Manuel
+Henrique Pinto, de encontrar a jazida dos restos do glorioso Templario.
+Aproveito a occasião para dizer, com reconhecimento, que o sr. Pinto tem
+sido o meu mais dedicado e caloroso auxiliar n'esta colheita de _calcos_
+de inscripções portuguezas. Honra lhe seja, que n'isso não é a mim, mas
+á Historia e ao paiz, que presta um bello serviço.
+
+Obtendo licença para sondar as paredes d'aquella interessantissima e
+vetusta igreja de Santa Maria do Olival ou dos Olivaes, que por si dava
+assumpto para uma soberba monographia sobre a historia da architectura
+nacional, o sr. Pinto, com dois amigos egualmente interessados n'esta
+pesquiza, começou-a e teve a fortuna de, ás primeiras tentativas,
+encontrar a pedra (naturalmente um dos lados do sarcophago), em que
+está, nitida e graciosamente cavada a inscripção de que tirou e me
+enviou o magnifico _calco_, em poucos minutos reproduzido pelo lapis
+primoroso e firme de Casanova. Como se vê, a inscripção não offerece
+hesitações ou duvidas de leitura ou de contemporaneidade, esta ultima
+perfeitamente flagrante, para quem conhece a epigraphia tumular do
+tempo, com as suas cruzes espalmadas (_pattées_) iniciaes, com as
+maiusculas oscillando entre o romano e o gothico, com o seu _pautado_,
+até com a sua redacção dos velhos obituarios e livros de calendas,
+monasticos. Lê-se ao primeiro relance. Que o til ou plica que ornamenta
+um dos XX da _era_, não suggira reparo. Tem o mesmo valor que os do _e_
+(era), do _m_ (mil) ou dos _cc_ (duzentos): isto é, nenhum tem. O
+Viterbo do _Elucidario_ já advertiu esta especie de mau habito
+decorativo, inconsciente.
+
+A _era_ é indiscutivelmente a de 1233, correspondente ao anno de Christo
+de 1195. Sempre se lucrou, com a idéa do centenario, ficarmos
+definitivamente sabendo que o grande Templario morrêra em 1195, a 13 de
+outubro. Teria então setenta e sete annos, se tambem acertou Costa
+(_Hist. da Ord._), quando o dá nascido em 1118. Cedo fizera Galdino a
+sua iniciação de Cavalleiro do Templo nas longinquas campanhas da Syria;
+mas, por mais cedo que n'aquelles tempos se fosse homem, é claro que
+andam erradas algumas datas das suas doações e fundações. Apparecer-nos
+elle como Mestre,--_tibi Magistro Gualdino_,--em 1161, isto é, aos
+quarenta e tres annos, na doação das casas e herdades cultivadas e por
+cultivar junto de Cintra, não repugna, comtudo.
+
+Em 1169, isto é, aos cincoenta e um, é que recebe toda a terça parte que
+podér adquirir e povoar desde o Tejo por deante, em doação «a Deus e aos
+cavalleiros chamados do Templo de Salomão», como Procurador d'elle em
+Portugal:--«_vobis Fratri Galdino in Portugal rerum Templi
+Procuratori_»,--e mais os castellos da foz do Zezere, de Cardiga, e o de
+Thomar, com todas as herdades--«que fizestes e rompestes». Já
+anteriormente, em 1165, lhe haviam sido doados,--_vobis magistro
+Gualdino_,--e á Ordem, os castellos de Idanha e de Monsanto, e antes
+ainda, seguramente,--«aquelle castello que se chama Ceras»--e a Redinha.
+Rigorosamente, estas doações não eram mais que as confirmações reaes das
+fundações, das conquistas e das explorações agricolas, com que o activo
+Templario e os seus freires iam acrescentando e consolidando, dia a dia,
+a patria christã e portugueza.
+
+
+
+
+XIII
+
+
+[Figura: Portalegre; Convento de S. Bernardo (seminario), na casa do
+capitulo (arruinada). Lapide de marmore, com a figura de uma abbadessa
+esculpida e em volta a inscripção.]
+
+
+
+
+Leitura:
+
+
+ --_Aqui jaz Dona Branca de Vasconcellos, a primeira abbadessa que
+ foi d'este mosteiro, a qual ensinou as mo(n)jas d'elle, do começo
+ de suas profissões. E falleceu aos 23 dias do mez de outubro de
+ 1537._
+
+
+Seria uma das filhas de João Rodrigues Ribeiro de Vasconcellos?
+
+Diz Goes:
+
+
+--João Roiz Ribeiro de Vasconcellos, filho d'este Ruy Vaz, foi senhor da
+Casa de seu pae, e foi casado com _Dona Branca_ de Meneses, filha de Ruy
+Gonçalves da Silva, Alcaide Môr de Campo Maior e Ouguella, de quem
+houve... «_e outras que são freiras_».
+
+
+
+
+
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+things that you can do with most Project Gutenberg-tm electronic works
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+and help preserve free future access to Project Gutenberg-tm electronic
+works. See paragraph 1.E below.
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+or PGLAF), owns a compilation copyright in the collection of Project
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+individual work is in the public domain in the United States and you are
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+what you can do with this work. Copyright laws in most countries are in
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+from the public domain (does not contain a notice indicating that it is
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+and distributed to anyone in the United States without paying any fees
+or charges. If you are redistributing or providing access to a work
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+work, you must comply either with the requirements of paragraphs 1.E.1
+through 1.E.7 or obtain permission for the use of the work and the
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+1.E.9.
+
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+permission of the copyright holder found at the beginning of this work.
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+
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+electronic work, or any part of this electronic work, without
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+active links or immediate access to the full terms of the Project
+Gutenberg-tm License.
+
+1.E.6. You may convert to and distribute this work in any binary,
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+posted on the official Project Gutenberg-tm web site (www.gutenberg.org),
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+License as specified in paragraph 1.E.1.
+
+1.E.7. Do not charge a fee for access to, viewing, displaying,
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+unless you comply with paragraph 1.E.8 or 1.E.9.
+
+1.E.8. You may charge a reasonable fee for copies of or providing
+access to or distributing Project Gutenberg-tm electronic works provided
+that
+
+- You pay a royalty fee of 20% of the gross profits you derive from
+ the use of Project Gutenberg-tm works calculated using the method
+ you already use to calculate your applicable taxes. The fee is
+ owed to the owner of the Project Gutenberg-tm trademark, but he
+ has agreed to donate royalties under this paragraph to the
+ Project Gutenberg Literary Archive Foundation. Royalty payments
+ must be paid within 60 days following each date on which you
+ prepare (or are legally required to prepare) your periodic tax
+ returns. Royalty payments should be clearly marked as such and
+ sent to the Project Gutenberg Literary Archive Foundation at the
+ address specified in Section 4, "Information about donations to
+ the Project Gutenberg Literary Archive Foundation."
+
+- You provide a full refund of any money paid by a user who notifies
+ you in writing (or by e-mail) within 30 days of receipt that s/he
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+ and discontinue all use of and all access to other copies of
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+
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+ money paid for a work or a replacement copy, if a defect in the
+ electronic work is discovered and reported to you within 90 days
+ of receipt of the work.
+
+- You comply with all other terms of this agreement for free
+ distribution of Project Gutenberg-tm works.
+
+1.E.9. If you wish to charge a fee or distribute a Project Gutenberg-tm
+electronic work or group of works on different terms than are set
+forth in this agreement, you must obtain permission in writing from
+both the Project Gutenberg Literary Archive Foundation and Michael
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+Foundation as set forth in Section 3 below.
+
+1.F.
+
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+effort to identify, do copyright research on, transcribe and proofread
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+collection. Despite these efforts, Project Gutenberg-tm electronic
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+of Replacement or Refund" described in paragraph 1.F.3, the Project
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+DAMAGE.
+
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+is also defective, you may demand a refund in writing without further
+opportunities to fix the problem.
+
+1.F.4. Except for the limited right of replacement or refund set forth
+in paragraph 1.F.3, this work is provided to you 'AS-IS' WITH NO OTHER
+WARRANTIES OF ANY KIND, EXPRESS OR IMPLIED, INCLUDING BUT NOT LIMITED TO
+WARRANTIES OF MERCHANTIBILITY OR FITNESS FOR ANY PURPOSE.
+
+1.F.5. Some states do not allow disclaimers of certain implied
+warranties or the exclusion or limitation of certain types of damages.
+If any disclaimer or limitation set forth in this agreement violates the
+law of the state applicable to this agreement, the agreement shall be
+interpreted to make the maximum disclaimer or limitation permitted by
+the applicable state law. The invalidity or unenforceability of any
+provision of this agreement shall not void the remaining provisions.
+
+1.F.6. INDEMNITY - You agree to indemnify and hold the Foundation, the
+trademark owner, any agent or employee of the Foundation, anyone
+providing copies of Project Gutenberg-tm electronic works in accordance
+with this agreement, and any volunteers associated with the production,
+promotion and distribution of Project Gutenberg-tm electronic works,
+harmless from all liability, costs and expenses, including legal fees,
+that arise directly or indirectly from any of the following which you do
+or cause to occur: (a) distribution of this or any Project Gutenberg-tm
+work, (b) alteration, modification, or additions or deletions to any
+Project Gutenberg-tm work, and (c) any Defect you cause.
+
+
+Section 2. Information about the Mission of Project Gutenberg-tm
+
+Project Gutenberg-tm is synonymous with the free distribution of
+electronic works in formats readable by the widest variety of computers
+including obsolete, old, middle-aged and new computers. It exists
+because of the efforts of hundreds of volunteers and donations from
+people in all walks of life.
+
+Volunteers and financial support to provide volunteers with the
+assistance they need are critical to reaching Project Gutenberg-tm's
+goals and ensuring that the Project Gutenberg-tm collection will
+remain freely available for generations to come. In 2001, the Project
+Gutenberg Literary Archive Foundation was created to provide a secure
+and permanent future for Project Gutenberg-tm and future generations.
+To learn more about the Project Gutenberg Literary Archive Foundation
+and how your efforts and donations can help, see Sections 3 and 4
+and the Foundation web page at https://www.pglaf.org.
+
+
+Section 3. Information about the Project Gutenberg Literary Archive
+Foundation
+
+The Project Gutenberg Literary Archive Foundation is a non profit
+501(c)(3) educational corporation organized under the laws of the
+state of Mississippi and granted tax exempt status by the Internal
+Revenue Service. The Foundation's EIN or federal tax identification
+number is 64-6221541. Its 501(c)(3) letter is posted at
+https://pglaf.org/fundraising. Contributions to the Project Gutenberg
+Literary Archive Foundation are tax deductible to the full extent
+permitted by U.S. federal laws and your state's laws.
+
+The Foundation's principal office is located at 4557 Melan Dr. S.
+Fairbanks, AK, 99712., but its volunteers and employees are scattered
+throughout numerous locations. Its business office is located at
+809 North 1500 West, Salt Lake City, UT 84116, (801) 596-1887, email
+business@pglaf.org. Email contact links and up to date contact
+information can be found at the Foundation's web site and official
+page at https://pglaf.org
+
+For additional contact information:
+ Dr. Gregory B. Newby
+ Chief Executive and Director
+ gbnewby@pglaf.org
+
+
+Section 4. Information about Donations to the Project Gutenberg
+Literary Archive Foundation
+
+Project Gutenberg-tm depends upon and cannot survive without wide
+spread public support and donations to carry out its mission of
+increasing the number of public domain and licensed works that can be
+freely distributed in machine readable form accessible by the widest
+array of equipment including outdated equipment. Many small donations
+($1 to $5,000) are particularly important to maintaining tax exempt
+status with the IRS.
+
+The Foundation is committed to complying with the laws regulating
+charities and charitable donations in all 50 states of the United
+States. Compliance requirements are not uniform and it takes a
+considerable effort, much paperwork and many fees to meet and keep up
+with these requirements. We do not solicit donations in locations
+where we have not received written confirmation of compliance. To
+SEND DONATIONS or determine the status of compliance for any
+particular state visit https://pglaf.org
+
+While we cannot and do not solicit contributions from states where we
+have not met the solicitation requirements, we know of no prohibition
+against accepting unsolicited donations from donors in such states who
+approach us with offers to donate.
+
+International donations are gratefully accepted, but we cannot make
+any statements concerning tax treatment of donations received from
+outside the United States. U.S. laws alone swamp our small staff.
+
+Please check the Project Gutenberg Web pages for current donation
+methods and addresses. Donations are accepted in a number of other
+ways including including checks, online payments and credit card
+donations. To donate, please visit: https://pglaf.org/donate
+
+
+Section 5. General Information About Project Gutenberg-tm electronic
+works.
+
+Professor Michael S. Hart was the originator of the Project Gutenberg-tm
+concept of a library of electronic works that could be freely shared
+with anyone. For thirty years, he produced and distributed Project
+Gutenberg-tm eBooks with only a loose network of volunteer support.
+
+
+Project Gutenberg-tm eBooks are often created from several printed
+editions, all of which are confirmed as Public Domain in the U.S.
+unless a copyright notice is included. Thus, we do not necessarily
+keep eBooks in compliance with any particular paper edition.
+
+
+Most people start at our Web site which has the main PG search facility:
+
+ https://www.gutenberg.org
+
+This Web site includes information about Project Gutenberg-tm,
+including how to make donations to the Project Gutenberg Literary
+Archive Foundation, how to help produce our new eBooks, and how to
+subscribe to our email newsletter to hear about new eBooks.
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Binary files differ
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@@ -0,0 +1,2481 @@
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+The Project Gutenberg EBook of Inscripções portuguezas, by Luciano Cordeiro
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+with this eBook or online at www.gutenberg.org
+
+
+Title: Inscripções portuguezas
+
+Author: Luciano Cordeiro
+
+Release Date: March 17, 2009 [EBook #28348]
+
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+
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+
+*** START OF THIS PROJECT GUTENBERG EBOOK INSCRIPÇÕES PORTUGUEZAS ***
+
+
+
+
+Produced by Rita Farinha and the Online Distributed
+Proofreading Team at https://www.pgdp.net (This file was
+produced from images generously made available by National
+Library of Portugal (Biblioteca Nacional de Portugal).)
+
+
+
+
+
+
+</pre>
+
+
+<div>
+<div><br />
+
+<br />
+
+<br />
+
+<br />
+
+<h4>
+VESPERAS DO CENTENARIO<br />
+
+<br />
+
+DA<br />
+
+<br />
+
+INDIA </h4>
+
+<br />
+
+<h1><span class="smallcaps">Inscrip&ccedil;&otilde;es
+Portuguezas</span></h1>
+
+<h5>
+POR </h5>
+
+<h4>
+LUCIANO CORDEIRO </h4>
+
+<br />
+
+<br />
+
+<br />
+
+<div class="quote1 tiny">
+<em>Fiel guarda da memoria &eacute; a escripta, porque
+<br />
+
+renova as cousas antigas, confirma as novas, <br />
+
+conserva as confirmadas e representa as<br />
+
+conservadas para que as noticias d'ellas se n&atilde;o <br />
+
+entreguem ao esquecimento dos vindouros.</em> <br />
+
+<br />
+
+(N'um diploma de doa&ccedil;&atilde;o de Affonso Henriques <br />
+
+ao Mestre Galdino Paes.--Trad.) </div>
+
+<br />
+
+<br />
+
+<div style="text-align: center;"><img style="width: 100px; height: 134px;" alt="" src="images/fig01.png" /><br />
+
+</div>
+
+<br />
+
+<br />
+
+<h4>
+LISBOA<br />
+
+<br />
+
+IMPRENSA NACIONAL<br />
+
+<br />
+
+1895 </h4>
+
+<br />
+
+<br />
+
+<h2><br />
+
+INSCRIP&Ccedil;&Otilde;ES PORTUGUEZAS </h2>
+
+<br />
+
+<br />
+
+<br />
+
+<div class="bbox">
+
+<h4>VESPERAS DO CENTENARIO<br />
+
+<br />
+
+DA<br />
+
+<br />
+
+INDIA</h4>
+<br />
+
+<div class="sbreak">
+<hr /></div>
+
+<h1><span class="smallcaps">Inscrip&ccedil;&otilde;es
+Portuguezas</span></h1>
+
+<div class="sbreak">
+<hr /></div>
+
+<br />
+
+<h5>
+POR </h5>
+
+<h4>
+LUCIANO CORDEIRO </h4>
+
+
+<br />
+
+<div class="quote1 tiny">
+<em>Fiel guarda da memoria &eacute; a escripta, porque
+<br />
+
+renova as cousas antigas, confirma as novas, <br />
+
+conserva as confirmadas e representa as<br />
+
+conservadas para que as noticias d'ellas se n&atilde;o <br />
+
+entreguem ao esquecimento dos vindouros.</em> <br />
+
+<br />
+
+(N'um diploma de doa&ccedil;&atilde;o de Affonso Henriques <br />
+
+ao Mestre Galdino Paes.--Trad.) </div>
+
+<br />
+
+<br />
+
+<div style="text-align: center;"><img style="width: 100px; height: 134px;" alt="" src="images/fig01.png" /><br />
+
+</div>
+
+<br />
+
+<h4>
+LISBOA<br />
+
+<br />
+
+IMPRENSA NACIONAL<br />
+
+<br />
+
+1895 </h4>
+
+<br />
+
+</div>
+
+<br />
+
+<br />
+
+<br />
+
+<h3>
+A<br />
+
+<br />
+
+Gomes de Brito </h3>
+
+<br />
+
+<br />
+
+<br />
+
+<br />
+
+<br />
+
+<h4>INSCRIP&Ccedil;&Otilde;ES PORTUGUEZAS </h4>
+
+<div class="sbreak">
+<hr /></div>
+
+<br />
+
+<h4>1.&ordf; SERIE </h4>
+
+<div class="sbreak">
+<hr /></div>
+
+<br />
+
+<h4>(EXTRAHIDA DA <em>ARTE PORTUGUEZA</em>)</h4>
+
+<br />
+
+<br />
+
+<br />
+
+<br />
+
+<br />
+
+&Eacute; claro que os seguintes apontamentos, desordenadamente
+colhidos e reunidos, n&atilde;o t&ecirc;em a menor
+preten&ccedil;&atilde;o a iniciar um
+<em>Corpo de inscrip&ccedil;&otilde;es portuguezas</em>,
+que, ali&aacute;s, era tempo de
+come&ccedil;ar-se. <br />
+
+<br />
+
+Estas notas dispersas, que a piedade domestica, a prosapia genealogica,
+a vaidade individual, o culto civico escreveu na pedra ou no bronze dos
+monumentos ou das campas, t&ecirc;em, sob varios aspectos, um
+irrecusavel interesse critico, alem de que s&atilde;o,
+frequentemente, verdadeiras e importantes
+revela&ccedil;&otilde;es hist&oacute;ricas. <br />
+
+<br />
+
+Parecer&aacute; at&eacute; impertinencia querer demonstrar,
+ainda, a utilidade da sua colheita e registo. <br />
+
+<br />
+
+Ora, todos os dias ruem os monumentos e v&atilde;o-se apagando e
+desapparecendo as legendas tumulares, por esse paiz f&oacute;ra. <br />
+
+<br />
+
+&Eacute;, comtudo, t&atilde;o facil, t&atilde;o agradavel
+passatempo, at&eacute;, conserval-as! <br />
+
+<br />
+
+Nas minhas excurs&otilde;es provincianas, tenho consagrado ao <em>calco</em>,--ao
+modesto e singelissimo
+calco a papel, agua e escova,--a dedica&ccedil;&atilde;o de uma
+propaganda importuna
+e teimosa, e &eacute; ainda a id&eacute;a de
+refor&ccedil;ar essa
+propaganda pela
+<span class="pagenum">[10]</span>
+li&ccedil;&atilde;o directa da sua raz&atilde;o e
+utilidade, que me determinou a ir publicando os primeiros
+resultados,--embora pequenos, valiosos. <br />
+
+<br />
+
+Pareceu-me, por&eacute;m, n&atilde;o dever limitar-me a reunir,
+apenas, as inscrip&ccedil;&otilde;es agora directamente
+colhidas, e,
+menos ainda, s&oacute;mente as que podessem considerar-se ineditas.
+<br />
+
+<br />
+
+Alem de que algumas, publicadas de ha muito, precisam e poderam ser
+corrigidas por um novo exame, o successivo agrupamento das que andam
+dispersas por varias obras &eacute; evidentemente um bom
+servi&ccedil;o, em que oxal&aacute; me
+permittissem o tempo e os recursos poder cooperar melhor do que
+procurarei fazel-o.<br />
+
+<br />
+
+<br />
+
+<br />
+
+<div style="text-align: center;"><img style="width: 150px; height: 106px;" alt="" src="images/fig02.png" /><br />
+
+</div>
+
+<br />
+
+<br />
+
+<br />
+
+<span class="pagenum">[11]</span>
+<h3>I </h3>
+
+<br />
+
+<br />
+
+<div style="text-align: center;"><img style="width: 400px; height: 220px;" alt="" src="images/fig03.png" /><br />
+
+</div>
+
+<br />
+
+<div class="quote1 tiny">Thomar, convento de Christo, na
+Sacristia Velha: pequena
+lapide, caracteres gothicos minusculos.</div>
+
+<br />
+
+<br />
+
+<br />
+
+<span class="pagenum">[12]</span>
+<span class="smallcaps">Leitura</span>: <br />
+
+<br />
+
+<div class="quote3"><em>--Esta capella mandou fazer
+Vasco Gon&ccedil;alves
+d(e) Almeida, cavalleiro, e sua mulher Mecia Louren&ccedil;o, amos
+do Infante Dom Henrique, e foi feita (na) era do Salvador de 1426.--</em>
+</div>
+
+<br />
+
+<br />
+
+Dami&atilde;o de Goes (Liv. das Linh. MS.) abre
+o--<em>Titulo dos Almeidas</em>--com o seguinte:<br />
+
+<br />
+
+<br />
+
+<div class="tinys">--&laquo;Fern&atilde;o
+d'Alvares d'Almeida foi um honrado
+cavalleiro em tempo delRei Dom Jo&atilde;o o 1.&ordm;. Foi
+Vedor
+de sua
+Casa, sendo elle
+Mestre d'Aviz, e, depois, em sendo Rei, foi Craveiro da dita Ordem e
+<em>Ayo dos filhos do dito Rei</em>. <br />
+
+<br />
+
+&laquo;Houve filhos bastardos: Diogo Fernandes d'Almeida, Alvaro
+Fernandes d'Almeida e Nuno Fernandes, de quem n&atilde;o ha
+gera&ccedil;&atilde;o. E houve filhas&raquo;.</div>
+
+<br />
+
+<br />
+
+N'esta bastardia, &eacute; que continuou e prosperou fidalgamente o
+nome, logo pelo primeiro rebento,--o Diogo,--que foi vedor da fazenda
+de D. Jo&atilde;o I e. de D. Duarte, e que, segundo
+Goes--&laquo;casou com sete mulheres&raquo;--das quaes o
+illustre chronista se limita a citar duas, apenas, se &eacute; que
+n&atilde;o houve erro de copia na primeira conta:<br />
+
+<br />
+
+<br />
+
+<div class="tinys">&laquo;...a primeira, filha de Dona
+Tareja, filha de
+Jo&atilde;o Fernandes Andeiro, Conde de Ourem e foi
+irm&atilde;, da parte da M&atilde;e, do
+Arcebispo de Braga Dom Francisco da Guerra; e della houve a Lopo
+d'Almeida; e a outra segunda mulher foi filha do Prior do Crato Dom
+Nuno
+<em>Gon&ccedil;alves</em>, e houve della a Alvaro
+d'Almeida e Ant&atilde;o d'Almeida e Dona Branca d'Almeida,
+primeira mulher de Ruy Gomes da Silva,
+<em>o da Chamusca</em>, e Dona Isabel d'Almeida, mulher
+d'Alvaro de Brito, e assim houve outras filhas.&raquo;</div>
+
+<br />
+
+<br />
+
+N&atilde;o ter&aacute; havido anterior
+liga&ccedil;&atilde;o com a familia do Prior, e n&atilde;o
+derivaria d'ella o Vasco
+<em>Gon&ccedil;alves</em>, da
+inscrip&ccedil;&atilde;o? <br />
+
+<br />
+
+O que parece certo &eacute; ter elle escapado, at&eacute;
+agora, &aacute; luz indiscreta da Genealogia, na desolada
+solid&atilde;o da Sacristia
+Velha de Thomar, com a sua companheira, a Mecia Louren&ccedil;o,
+<span class="pagenum">[13]</span>
+que trouxe, naturalmente, aos
+burguezes seios o--&laquo;Alto
+Infante&raquo;--das descobertas. <br />
+
+<br />
+
+<em>Amos do Infante</em> s&atilde;o
+evidentemente os que o crearam; e esta designa&ccedil;&atilde;o
+abrangendo a Mecia, deve
+indicar a mulher que o amamentou. Bemditos peitos! <br />
+
+<br />
+
+Devo o calco d'esta inscrip&ccedil;&atilde;o ao meu amigo sr.
+M. H. Pinto, o distincto artista e director da escola industrial de
+Thomar.
+<br />
+
+<br />
+
+<br />
+
+<br />
+
+<span class="pagenum">[14]</span>
+<h3>II </h3>
+
+<br />
+
+<br />
+
+<div style="text-align: center;"><img style="width: 400px; height: 171px;" alt="" src="images/fig04.png" /><br />
+
+</div>
+
+<br />
+
+<div class="quote1 tiny">
+Leiria, Castello, sobre a porta da Torre de Menagem: em caracteres
+gothicos grosseiramente abertos sobre linhas ou <em>pautado</em>
+egualmente cavado, n'uma das pedras da muralha. Inferiormente e na
+mesma pedra, tres pequenos escudos, tendo o do centro as bandas ou
+barras de Arag&atilde;o e os dos lados as quinas, convergentes.</div>
+
+<br />
+
+<br />
+
+<br />
+
+<span class="pagenum">[15]</span>
+<span class="smallcaps">Leitura:</span> <br />
+
+<br />
+
+<div class="quote3"><em>--(Era) 1362 an(n)os foi
+esta tor(r)e
+co(me&ccedil;ad)a (aos) 8 dias de maio, e mandou-a fase(r o muito)
+nobre Dom Diniz, Rei de Portugal.................acabada.</em></div>
+
+<br />
+
+<br />
+
+<div class="tinys">Esta ultima parte, inintelligivel
+j&aacute;, evidentemente diria
+a
+data do acabamento: dia e mez, ou s&oacute;mente o mez.</div>
+
+<br />
+
+<br />
+
+Esta inscrip&ccedil;&atilde;o, que parece ter sido feita depois
+de concluida a Torre, e que &eacute; de singular importancia por
+fixar precisamente a construc&ccedil;&atilde;o ou a
+reconstruc&ccedil;&atilde;o do castello por D. Diniz, tem-se
+conservado desapercebida, talvez pela altura em que est&aacute; e
+por se confundir, &aacute; primeira
+vista, com as escabrosidades da pedra. <br />
+
+<br />
+
+&Aacute;parte o facto dos nossos archeologos, ou dos que se dizem
+taes, mais se dedicarem, geralmente, &aacute;
+explora&ccedil;&atilde;o das mais banaes
+inscrip&ccedil;&otilde;es de cippos romanos do que
+&aacute; colheita das que podem illustrar a historia patria. <br />
+
+<br />
+
+Alli mesmo, n'aquelle formoso monumento chamado o Castello de Leiria,
+que bem p&oacute;de dizer-se amassado com sangue, a busca das
+inscrip&ccedil;&otilde;es romanas nas
+pedras funerarias aproveitadas nas muralhas, tem chegado a fazer
+perigar a seguran&ccedil;a das construc&ccedil;&otilde;es,
+ao passo
+que nos restos dos Pa&ccedil;os do Rei Lavrador nenhuma
+explora&ccedil;&atilde;o regular se tem feito. <br />
+
+<br />
+
+Escusado ser&aacute; acrescentar que o escudo com as barras ou
+bandas aragonezas &eacute; uma affirma&ccedil;&atilde;o
+ou uma homenagem ao senhorio de Leiria dado &aacute; Rainha D.
+Isabel,
+<em>a Santa</em>. <br />
+
+<br />
+
+O calco d'esta inscrip&ccedil;&atilde;o, e at&eacute; a
+denuncia d'ella, foi-me fornecido pelo meu amigo sr. Jo&atilde;o
+Christino da Silva,
+ent&atilde;o director e professor da escola industrial <em>Domingos
+de
+Sequeira</em>, de Leiria.<br />
+
+<br />
+
+<br />
+
+<br />
+
+<br />
+
+<span class="pagenum">[16]</span>
+<h3>III </h3>
+
+<br />
+
+<br />
+
+<div style="text-align: center;"><img style="width: 400px; height: 635px;" alt="" src="images/fig05.png" /><br />
+
+</div>
+
+<br />
+
+<div class="quote1 tiny">Obidos, Torre do Castello, no
+humbral da porta (ogival),
+lado esquerdo.</div>
+
+<br />
+
+<br />
+
+<br />
+
+<span class="pagenum">[17]</span>
+<span class="smallcaps">Leitura:</span> <br />
+
+<br />
+
+<div class="quote3"><em>--E(ra) 1413 annos, no mez
+d(e) outubro, foi
+come&ccedil;ada esta tor(r)e, p(or) mandado delrei Dom Fernando, da
+q(ua)l foi v&eacute;dor D(iog)o M(art)i(n)s da Tougia, e foi della
+m(estr)e Jo(&atilde;o) Do(mingue)s, e foi feita &aacute;
+custa do dito.</em></div>
+
+<br />
+
+<br />
+
+O meu amigo Sousa Viterbo lembra-me que Giner de los Rios d&aacute;
+esta inscrip&ccedil;&atilde;o no seu
+<em>Portugal</em>; mas, pela copia que me transmitte,
+entendo que o escriptor hespanhol n&atilde;o soube copial-a e lel-a
+bem. Assim, na linha 1) tomou o
+<em>s</em> final pelo algarismo 6, que nada significaria, e
+na linha 2) supprimiu o <em>o</em> na primeira
+palavra. Embara&ccedil;aram-n'o naturalmente os pontos de
+separa&ccedil;&atilde;o, muitas vezes
+colocados por simples fantasia decorativa. Trocou tambem os nomes do
+v&eacute;dor fazendo-o representar por um caprichoso --<em>A.<sup>n</sup>
+Mig.<sup>n</sup> da Toura</em>-- e o do
+Mestre por--<em>f.<sup>a</sup> Doz</em>. <br />
+
+<br />
+
+O do primeiro &eacute; claramente:--<em>d.<sup>o</sup>
+miz</em> (Diogo Martins) e apenas a ultima
+designa&ccedil;&atilde;o offerece
+difficuldade, n&atilde;o podendo, por&eacute;m,
+ser:--<em>Toura</em>--porque est&aacute;
+muito intelligivel no come&ccedil;o da linha 8) a letra
+<em>g</em>. A sobreposta parece realmente <em>r</em>,
+o que difficultaria
+extremamente a leitura; mas porventura uma irregularidade ou estrago da
+pedra &eacute; que lhe d&aacute; aquella apparencia, sendo
+simplesmente um
+<em>i</em>, o que d&aacute; a palavra--<em>Tougia</em>.
+<br />
+
+<br />
+
+<em>Tougia</em>,
+<em>Taugia</em>,
+<em>Ataugia</em>,
+<em>Touria</em>, &eacute;
+<em>Atouguia da Baleia</em>, povoa&ccedil;&atilde;o
+que n&atilde;o fica muito distante e
+que teve grande importancia no tempo de D. Fernando e de D. Pedro I,
+que n'ella celebraram c&ocirc;rtes, e onde, pouco antes do
+primeiro, sen&atilde;o no seu tempo, se fez ou reformou tambem um
+forte castello. <br />
+
+<br />
+
+O nome do vedor seria pois: Domingos Martins da Tougia ou <em>d'Atouguia</em>,
+o que, como se
+v&ecirc;, s&oacute; pela interpreta&ccedil;&atilde;o de
+um signal ou letra sobreposta, p&oacute;de suscitar
+hesita&ccedil;&atilde;o.
+<br />
+
+<br />
+
+<span class="pagenum">[18]</span>
+&Eacute; a leitura que preferimos, at&eacute; por
+n&atilde;o encontrarmos melhor. O nome do mestre, e que
+n&atilde;o nos parece que
+offere&ccedil;a duvida, &eacute; <em>Jo&atilde;o
+Domingues</em> ou
+<em>Domingos</em>. <br />
+
+<br />
+
+Devo a um cuidado desenho do meu amigo e distincto professor, o sr.
+Jo&atilde;o Christino da Sil
+Devo a um cuidado desenho do meu amigo e distincto professor, o sr.
+Jo&atilde;o Christino da Silva, esta
+inscrip&ccedil;&atilde;o, bem como a seguinte.
+<br />
+
+<br />
+
+<br />
+
+<br />
+
+<span class="pagenum">[19]</span>
+<h3>IV </h3>
+
+<br />
+
+<br />
+
+<div style="text-align: center;"><img style="width: 400px; height: 134px;" alt="" src="images/fig06.png" /><br />
+
+</div>
+
+<br />
+
+<div class="quote1 tiny">
+Obidos, na Torre do Facho.</div>
+
+<br />
+
+<br />
+
+<br />
+
+<br />
+
+<span class="pagenum">[20]</span>
+<span class="smallcaps">Leitura:</span> <br />
+
+<br />
+
+<div class="quote3"><em>--Foi reformada esta muralha
+por Dom Sancho
+primeiro.--</em></div>
+
+<br />
+
+<br />
+
+Evidentemente n&atilde;o &eacute; coeva esta
+inscrip&ccedil;&atilde;o, em caracteres mixtos (goth. e red.).<br />
+
+<br />
+
+<br />
+
+<br />
+
+<br />
+
+<br />
+
+<span class="pagenum">[21]</span>
+<h3>V </h3>
+
+<br />
+
+<div style="text-align: center;"><img style="width: 400px; height: 433px;" alt="" src="images/fig07.png" /><br />
+
+</div>
+
+<br />
+
+<div class="quote1 tiny">Thomar, igreja de Santa Maria dos
+Olivaes, sob o segundo arco da nave
+esquerda.</div>
+
+<br />
+
+<br />
+
+<br />
+
+<br />
+
+<span class="pagenum">[22]</span>
+<span class="smallcaps">Leitura</span>: <br />
+
+<br />
+
+<div class="quote3"><em>--Aqui jaz
+Fern&atilde;(o) de Sa(m)paio,
+Caval(l)eiro fidalgo, creado delrei dom Af(f)onso, e sua filha M(ari)a
+de Sa(m)paio.--</em></div>
+
+<br />
+
+<br />
+
+Ser&aacute; Fern&atilde;o Vaz de Sampaio, filho de Vasco Pires
+de Sampaio e de D. Maria Pereira, da casa da Feira? <br />
+
+<br />
+
+Este, fazem-n'o os genealogistas casado duas vezes, uma com D.
+Senhorinha, outra com Joanna de Alvim; e alguns, uma s&oacute; vez,
+com uma ou com a outra d'aquellas senhoras, attribuindo-lhe varios
+bastardos havidos n'uma Leonor
+Affonso,--&laquo;mulher solteira&raquo;--entre os quaes um Lopo
+Vaz de Sampaio, que D. Affonso V legitimou em 1453. <br />
+
+<br />
+
+Que o Rei Affonso de que falla a inscrip&ccedil;&atilde;o
+&eacute; Affonso V, n&atilde;o p&oacute;de duvidar-se. <br />
+
+<br />
+
+O &laquo;titulo&raquo; dos Sampaios, como se diz em Genealogia,
+foi sempre muito complicado por enxertos ganceiros. <br />
+
+<br />
+
+O calco foi-me enviado pelo sr. M. H. Pinto.<br />
+
+<br />
+
+<br />
+
+<br />
+
+<br />
+
+<span class="pagenum">[23]</span>
+<h3>VI </h3>
+
+<br />
+
+<div style="text-align: center;"><img style="width: 400px; height: 208px;" alt="" src="images/fig08.png" /><br />
+
+</div>
+
+<br />
+
+<div class="quote1 tiny">
+Thomar, igreja de Santa Maria dos Olivaes, do lado esquerdo da porta de
+entrada (interior). Caracteres gothicos.</div>
+
+<br />
+
+<br />
+
+<br />
+
+<br />
+
+<span class="pagenum">[24]</span>
+<span class="smallcaps">Leitura</span>: <br />
+
+<br />
+
+<div class="quote3"><em>--Esta sepultura
+&eacute; de Isabel Vieira, mulher
+d(e) Af(f)o(n)so de Vivar, Caval(lei)ro, co(n)tador da casa delrei
+nos(s)o s(enhor), q(ue), depois de seu fal(l)ecim(en)to, foi
+Com(m)e(n)dador das Alencarcas. E se finou a 18 dias de fevereiro de
+1492.</em></div>
+
+<br />
+
+<br />
+
+N&atilde;o p&oacute;de haver duvida de que a
+inscrip&ccedil;&atilde;o, muito esmerada por signal,
+diz:--&laquo;Commendador das Alencarcas&raquo;.
+Foi-o Affonso de Vivar, ou depois do fallecimento da mulher, ou, o que
+&eacute; mais provavel que a inscrip&ccedil;&atilde;o
+queira dizer, depois do fallecimento do Rei, que seria ent&atilde;o
+Affonso V, se a data da
+morte da mulher corresponde &aacute; da abertura da
+inscrip&ccedil;&atilde;o. <br />
+
+<br />
+
+Mas o que eram as Alencarcas? <br />
+
+<br />
+
+Devo o calco ao amigo j&aacute; citado e que muitas mais vezes
+terei de citar ainda, o sr. M. H. Pinto.
+<br />
+
+<br />
+
+<br />
+
+<br />
+
+<span class="pagenum">[25]</span>
+<h3>VII </h3>
+
+<br />
+
+<div style="text-align: center;"><img style="width: 400px; height: 355px;" alt="" src="images/fig09.png" /><br />
+
+</div>
+
+<br />
+
+<div class="quote1 tiny">
+Thomar, igreja de Santa Maria dos Olivaes, na capella
+m&oacute;r. Caracteres gothicos. Truncada por
+construc&ccedil;&atilde;o posterior, que se lhe encostou, dos
+degraus do altar.</div>
+
+<br />
+
+<br />
+
+<br />
+
+<br />
+
+<span class="pagenum">[26]</span>
+<span class="smallcaps">Leitura</span>: <br />
+
+<br />
+
+<div class="quote3">--<em>Aq(ui) jaz Do(m) Gil
+M(ar)ti(n)s, o p(ri)meiro
+M(estr)e q(ue) foi da Caval(l)aria da Orde(m) de Jesus Christo, q(ue)
+foi f(re)irado</em> (feito freire)
+<em>na Ord(e)m d(e) Avis e M(estr)e da Caval(l)aria des(s)a
+Orde(m) e foi da linhagem do Outeiro; q(ue) pas(s)ou</em>
+(faleceu)
+<em>e(m) sexta feira, 13 dias (d)e nove(m)bro, e(ra) 1359 an(n)os
+(a) q(ua)l alma D(eu)s leve p(er)a a gloria do Paraiso. Ame(n) Co(m)
+e(lle) mais os(s)os
+s&atilde;(o?).</em></div>
+
+<br />
+
+<br />
+
+Est&aacute; a lapide embebida na parede do lado esquerdo, por baixo
+do formoso mausoleu de D. Diogo Pinheiro, primeiro bispo do Funchal,
+tendo sido para alli removidos os restos do Gr&atilde;o-Mestre, nas
+obras de renova&ccedil;&atilde;o
+feitas na igreja, no tempo de D. Manuel ou j&aacute; de D.
+Jo&atilde;o III, segundo a
+tradi&ccedil;&atilde;o. <br />
+
+<br />
+
+Deviam estar anteriormente n'um caix&atilde;o ou tumulo de pedra. A
+esses restos se juntaram os de outros personagens, e a isto seguramente
+alludia a parte truncada ou illegivel da lapide. <br />
+
+<br />
+
+N&atilde;o &eacute;, pois, perfeitamente exacto que se
+n&atilde;o saiba:--&laquo;o logar certo onde est&atilde;o
+as cinzas do primeiro Mestre de Christo&raquo;--como diz Santos (<em>Monum.
+milit</em>, etc.), que, ali&aacute;s, indica a
+remo&ccedil;&atilde;o d'esses restos e a
+inscrip&ccedil;&atilde;o que os denuncia, que melhor
+f&ocirc;ra que tivesse copiado, com as mais. <br />
+
+<br />
+
+Pertence o calco &aacute; bella colheita com que me tem brindado o
+sr. M. H. Pinto. <br />
+
+<br />
+
+<br />
+
+<br />
+
+<br />
+
+<br />
+
+<span class="pagenum">[27]</span>
+<h3>VIII </h3>
+
+<br />
+
+<div style="text-align: center;"><img style="width: 600px; height: 231px;" alt="" src="images/fig10.png" /><br />
+
+</div>
+
+<br />
+
+<div class="quote1 tiny">
+Thomar, igreja de Christo, junto &aacute; Charola.
+Caracteres rom. maiusc. Grande lapide.</div>
+
+<br />
+
+<br />
+
+<br />
+
+<br />
+
+<span class="pagenum">[29]</span>
+<span class="smallcaps">Leitura</span>: <br />
+
+<br />
+
+<div class="quote3">--<em>Aq(u)i jaz o m(ui)to
+(h)o(n)rado Com(m)e(n)dador Do(m) Lopo
+Dias de Sousa, Mestre da Caval(la)ria da Orde(m) de Christo, q(ue) foi
+se(m)p(r)e m(ui)to leal s(e)r(v)idor ao m(ui)to alto se(m)p(r)e
+ve(n)cedor elrei Do(m) Jo&atilde;(o) o p(r)im(ei)ro, (a)o qual foi
+gra(n)de ajuda e(m) defe(n)s&atilde;o d'estes reinos; e e(n)trou
+co(m) el(l)e ci(n)co vezes e(m) Castel(l)a co(m) sua Caval(l)aria, e
+e(m) a tomada de Ceuta; e teve o mestrado q(u)are(n)ta e seis an(n)os.
+E finou-se na era de Jesus Christo de 1435 an(n)os, aos nove dias do
+mes de fev(erei)ro, e o m(ui)to ho(n)rado e presado s(enh)or o
+I(n)fa(n)te Do(m) (H)e(n)riq(u)e, governador da dita orde(m), duq(ue)
+de Viseu e s(enh)or de Covilha(m), o ma(n)dou tra(s)ladar a este
+co(n)ve(n)to, aos oito dias do mez de mar&ccedil;o da dita era do
+na(s)c(i)m(en)to de Nos(s)o S(enh)or de 1435 an(n)os.</em> </div>
+
+<br />
+
+<br />
+
+Este D. Lopo Dias de Sousa &eacute; personagem bem conhecido e de
+quem &eacute; facil encontrar larga noticia. <br />
+
+<br />
+
+Era bisneto, pelo pae, de D. Affonso Diniz, filho de Affonso
+III--&laquo;e da condessa de Bolonha D. Mathilde&raquo;--a
+primeira mulher d'este Rei, sendo filho de Alvaro Rodrigues de Sousa e
+de D. Maria de Menezes, filha de Martim Affonso Tello de Menezes,
+irm&atilde;o da celebre Rainha e
+adultera, D. Leonor Telles. Foi esta que o fez Mestre da Ordem, quando
+n&atilde;o tinha edade para o ser, o que n&atilde;o
+obstou a que elle honrada e valentemente viesse a servir a causa
+portugueza do Mestre de Aviz (Jo&atilde;o I) contra as
+pretens&otilde;es e
+a invas&atilde;o de Castella, patrocinadas pela adultera. <br />
+
+<br />
+
+Diz Goes (<em>Liv. das Linh. MS.</em>):<br />
+
+<br />
+
+<br />
+
+<span class="pagenum">[30]</span>
+<div class="tinys">&laquo;Dom Lopo Dias de Sousa...
+foi Mestre de Christo,
+apresentado na dita dignidade por ElRei Dom Fernando, a requerimento da
+Rainha Dona Leonor Telles, mulher do dito Rei Fernando, que era tia
+d'este Dom Lopo Dias, Mestre de Christo... Teve por manceba a Dona
+Maria Ribeira, que em Pombal houve dispensa&ccedil;&atilde;o do
+Papa para a receber por mulher,
+e houve d'ella estes filhos: a Diogo Lopes de Sousa e Dona Mecia de
+Sousa, que casou com Dom Vasco Fernandes Coutinho, primeiro Conde de
+Marialva, e Dona Violanta, que casou com Ruy Vaz Ribeiro de
+Vasconcellos, Senhor de Figueir&oacute; dos Vinhos e do
+Pedrogam, e Dona Isabel, mulher de Diogo Lopes Lobo, Senhor d'Alvito, e
+Dona
+Aldon&ccedil;a, mulher de Pedro Gomes de Abreu <em>o
+Velho</em>, e Dona Branca, mulher de Jo&atilde;o
+Falc&atilde;o, e Dona Leonor, mulher de Affonso
+Vasco de Sousa.&raquo;</div>
+
+<br />
+
+<br />
+
+Um neto d'elle, Alvaro de Sousa, filho de Diogo Lopes de Sousa,
+mordomo-m&oacute;r do Rei D. Duarte, foi
+mordomo-m&oacute;r de D. Affonso V e casou com uma filha de D.
+Fernando de Castro, governador da Casa do Infante D. Henrique:--D.
+Maria de Castro. <br />
+
+<br />
+
+Uma observa&ccedil;&atilde;o ainda: A
+inscrip&ccedil;&atilde;o parece corrigir a vers&atilde;o
+commum adoptada por J. A. dos Santos, na bella monographia <em>Monumento
+das Ordens militares</em>,
+etc., <em>em Thomar</em>, de ter Dom Lopo cahido em poder
+dos castelhanos em Torres Novas, ficando inutilisado para todo o resto
+da campanha. <br />
+
+<br />
+
+--&laquo;Entrou cinco vezes em Castella&raquo;--diz
+terminantemente a pedra. <br />
+
+<br />
+
+Devo o calco ao sr. M. H. Pinto, que ultimamente me mandou alguns
+outros, de Figueir&oacute;, entre os quaes encontro o da
+inscrip&ccedil;&atilde;o que incluo em seguida por
+importar &aacute; prole do mesmo personagem. <br />
+
+<br />
+
+<br />
+
+<br />
+
+<br />
+
+<span class="pagenum">[31]</span>
+<h3>IX </h3>
+
+<br />
+
+<br />
+
+<div style="text-align: center;"><img style="width: 400px; height: 225px;" alt="" src="images/fig11.png" /><br />
+
+</div>
+
+<br />
+
+<div class="quote1 tiny">
+Figueir&oacute; dos Vinhos, igreja de S.
+Jo&atilde;o Baptista. Em caracteres gothicos.</div>
+
+<br />
+
+<br />
+
+<br />
+
+<br />
+
+<span class="pagenum">[32]</span>
+<span class="smallcaps">Leitura</span>: <br />
+
+<br />
+
+<div class="quote3">--<em>Aqui jaz o muito ho(n)rado
+caval(l)eiro Ruy
+Vasq(ue)s, filho de Ruy Me(n)des de Vasco(n)cel(l)os, neto de
+G(on&ccedil;alo) Me(n)des e de Dona Maria Ribeira; e Dona
+Viola(n)te de Sousa, sua mulher, f(ilh)a de Do(m) Lopo Dias, M(estr)e
+de Christo, neta d(e) Af(fo)n(s)o Dias de Sousa e de Dona M(ari)a,
+irma(n) da rainha Dona Leonor; os quaes ma(n)dou s(epulta)r Rodrigo de
+Vasco(n)cel(l)os, seu filho (h)erdeiro... era de Nos(s)o S(enho)r Jesus
+Christo de 1453 an(n)os.</em> </div>
+
+<br />
+
+<br />
+
+<div class="tinys">(Vide o commento da
+inscrip&ccedil;&atilde;o anterior.) </div>
+
+<br />
+
+<br />
+
+Enviou-me o calco o sr. M. H. Pinto.
+<br />
+
+<br />
+
+<br />
+
+<br />
+
+<br />
+
+<span class="pagenum">[33]</span>
+<h3>X </h3>
+
+<div style="text-align: center;"><img style="width: 500px; height: 324px;" alt="" src="images/fig12.png" /><br />
+
+</div>
+
+<br />
+
+<div class="quote1 tiny">Thomar, Convento de Christo,
+sobre o arco da Sacristia
+Velha.</div>
+
+<br />
+
+<br />
+
+<br />
+
+<span class="pagenum">[34]</span>
+<span class="smallcaps">Leitura</span>: <br />
+
+<br />
+
+<div class="quote3">--<em>Era MCC &middot; VIIII
+magister Galdinus nobili
+siquidem genere Bracara oriundus exctitit tempore autem Alfonsi
+illustrissimi Portugalis regis. Hic secularem abnegans miliciam, in
+brevi ut Lucifer eminevit, nam Templi miles Gerosolimam peciit ibique
+per quinquenium non in hermen vitam, duxit
+cum
+Magistro enim suo cum Fratisbusque implerige preliis</em> contra <em>Egipti
+et Surie insurrexit regem. Cumque Ascalona caperetur, presto eum in
+Antiocam pergens sepe</em> contra <em>Sidan decione
+dimicavit.
+Post quinquennium vero ad prefatum qui et eum educaverat et militem
+fecerat reversus est regem. Factus Domus Templi Portugalis Procurator
+hoc distruxit castrum Palumbar, Thomar, Ozezar et hoc quod dicitur
+Almoriol et Eidaniam et Montem Sanctum.</em>-- </div>
+
+<br />
+
+<br />
+
+<span class="smallcaps">Vers&atilde;o</span>: <br />
+
+<br />
+
+<div class="quote3">--<em>Era de 1209. O Mestre
+Galdino, certamente de nobre
+gera&ccedil;&atilde;o, natural de Braga, existiu no tempo de
+Affonso, illustrissimo Rei de Portugal. Abandonando a milicia secular,
+em breve se elevou como um Astro, porquanto, soldado do Templo,
+dirigiu-se a Jerusalem, onde durante cinco annos levou vida trabalhosa.
+Com seu Mestre e seus Irm&atilde;os, entrou em muitas batalhas,
+movendo-se contra o Rei do Egypto e da Syria. Como fosse tomada
+Ascalona, partindo logo para Antiochia pelejou muitas vezes pela
+rendi&ccedil;&atilde;o de
+Sidon. Cinco annos passados, voltou, ent&atilde;o, para o Rei que o
+cre&aacute;ra e o fizera cavalleiro. Feito Procurador da casa do
+Templo em Portugal, fundou, n'este, o castello de Pombal, Thomar,
+Zezere e este que &eacute; chamado Almoriol, e Idanha e Monsanto.</em>--</div>
+
+<br />
+
+<br />
+
+Esta inscrip&ccedil;&atilde;o tem sido dada por diversos
+auctores, mas em nenhum &eacute; rigorosamente exacta a copia. O
+proprio
+<span class="pagenum">[35]</span>
+Costa (<em>Historia
+da ordem</em>, pg. 178,
+doc. 14) figurando-a toscamente em reproduc&ccedil;&atilde;o
+graphica, erra logo na
+<em>era</em> a leitura, dando a de 1208 pela de MCCVIIII ou
+1209 que t&atilde;o nitidamente se l&ecirc; na linha
+<em>1</em>). <br />
+
+<br />
+
+Este erro generalisou-se, repetindo-o Viterbo
+(<em>Elucidario</em>) e adoptando-o Pedro Ribeiro
+(<em>Disserta&ccedil;&otilde;es</em>).
+Debalde Cunha (<em>Historia ecclesiastica de Braga</em>),
+na sua traduc&ccedil;&atilde;o, soffrivelmente phantasiosa,
+restituiu a <em>era</em> exacta
+de 1209. <br />
+
+<br />
+
+Na linha <em>4</em>) suscitou-me duvidas a
+leitura commum do --<em>hic</em>,--pela f&oacute;rma
+especial da inicial, que se encontra na linha <em>6</em>),
+onde parecia repugnar-lhe
+o valor de--<em>h</em>--. Mas, n&atilde;o podendo
+ler-se:--<em>inic</em>--ainda
+por:--<em>in hic</em>--&eacute;
+for&ccedil;oso acceitar a leitura geral. Na mesma linha, a palavra
+--<em>abnegans</em>--tem evidentemente a
+f&oacute;rma de--<em>acbnegans</em>,--que
+ali&aacute;s diz o mesmo. <br />
+
+<br />
+
+Na linha <em>5</em>), a leitura geral
+&eacute; a
+de--<em>emicuit</em>--por--<em>emievit</em>,--que
+&eacute; positivamente a que est&aacute; na pedra. Preferimos,
+por&eacute;m, a
+de--<em>eminevit</em>,--de--<em>emineo</em>,--que
+mais se approxima, e que n&atilde;o altera, mas precisa mais o
+sentido. Foi-me suggerida por Gabriel Pereira esta vers&atilde;o. <br />
+
+<br />
+
+Na linha <em>6</em>), Costa
+copiou--<em>petiit</em>--por--<em>peciit</em>,--e--<em>inermem</em>--por--<em>in
+hermen</em>,--que &eacute; o que claramente l&aacute;
+est&aacute;. V&ecirc;-se que o
+embara&ccedil;ou tambem a f&oacute;rma da inicial acima
+alludida, n&atilde;o querendo ler n'ella
+o--<em>h</em>--que ali&aacute;s n&atilde;o
+duvid&aacute;ra ler, como tal,
+no--<em>hic</em>--da linha
+<em>4</em>). A solu&ccedil;&atilde;o parece-nos ser
+a de dar &aacute;quella f&oacute;rma, aqui, o
+valor de uma simples trema&ccedil;&atilde;o ou dierese
+do--<em>i</em>--lendo
+realmente:--<em>&iuml;ermen</em>--ou--<em>in
+ermam vitam</em>--. Podem n&atilde;o ter grande importancia
+estas variantes, mas &eacute; sempre bom conservar-se a
+f&oacute;rma original em taes cousas. <br />
+
+<br />
+
+Na linha <em>7</em>) onde se
+l&ecirc;:--<em>cvm Magistro enim
+svo</em>,--Costa permitte-se acrescentar
+um--<em>fuit</em>,--que l&aacute;
+n&atilde;o est&aacute;, nem &eacute; necessario. <br />
+
+<br />
+
+Mas &eacute; na linha <em>9</em>) que as
+pretens&otilde;es correctivas do auctor da <em>Historia da
+Ordem</em>, etc., tomam
+mais graves propor&ccedil;&otilde;es. Assim: onde nitidamente
+se l&ecirc;:--<em>presto evm
+in Antiocam</em>,--elle simula copiar:--<em>presto fuit in
+Antiochie</em>,--e
+<span class="pagenum">[36]</span>
+logo em
+seguida l&ecirc;:--<em>sepe
+Suldani</em>--em vez
+de--<em>sepe</em> contra <em>Sidan</em>,--como
+diz a pedra, e
+bem. D&aacute; assim origem ao erro que elle, Cunha, e os mais
+commettem, de
+traduzir--<em>Sold&atilde;o</em>--por--<em>Sidan</em>,--o
+sold&atilde;o ou sult&atilde;o, n&atilde;o se sabe qual,
+pela cidade de <em>Sidon</em>,
+perfeitamente conhecida. <br />
+
+<br />
+
+Na linha <em>10</em>), a leitura de Costa e
+dos mais, embara&ccedil;ou-se na abreviatura--<em>vo</em>,--que
+se segue
+&aacute;
+palavra--<em>quinquennium</em>,--claramente:--<em>vero</em>,--e
+achou ent&atilde;o melhor supprimil-a. Em seguida, reduziu a--<em>eum</em>,--a
+abreviatura em que entrava um--<em>t</em>--muito bem
+definido, mas que o embara&ccedil;ava tambem. Restituimos--<em>et
+eum</em>--que
+&eacute; f&oacute;rma conhecida. <br />
+
+<br />
+
+Na linha <em>11</em>), tem-se lido sempre
+por--<em>hoc construxit</em>,--que &eacute; a leitura
+que immediatamente occorre, de certo, a
+f&oacute;rma ou phrase, que, pelo rigoroso confronto dos caracteres
+da inscrip&ccedil;&atilde;o, n&atilde;o podemos ler
+sen&atilde;o
+como:--<em>hocdstrvxit</em>--. A primeira duvida
+suscitou-nol-a
+o--<em>hoc</em>,--n&atilde;o porque n&atilde;o
+esteja bem definido nos caracteres, mas porque nos
+pareceu arrevesado ou inadequado ao sentido. &Eacute; evidente,
+por&eacute;m, que se quiz precisar o
+<em>paiz</em>, o
+<em>logar</em> e n&atilde;o o objecto ou o castello,
+determinadamente, e assim
+traduzimos:--<em>Feito Procurador da Casa do Templo, em Portugal,
+neste</em> (i. e. aqui) <em>fundou</em>, etc. Mas
+porque
+&eacute; que todos t&ecirc;em fugido a ler litteralmente:--<em>dstrvxit</em>,--que
+&eacute; a forma original? Naturalmente, por entenderem que esta
+f&oacute;rma equivaleria necessariamente &aacute;
+de--<em>destruxit</em> (de
+<em>destruo</em>)--dando o absurdo de ter Galdino <em>destruido</em>
+os
+castellos em vez de os ter construido (<em>construxit</em>).
+Mas
+&eacute; que n&atilde;o lembrou que n&atilde;o era fatal
+ler--<em>destruxit</em>,--e que,
+lendo-se--<em>distruxit</em>--(de <em>distruo</em>),
+se obtinha a
+id&eacute;a contraria, ou a id&eacute;a precisa de ter o
+Templario portuguez lan&ccedil;ado, espalhado, ou construido,
+<em>aqui</em>, em <em>diversas
+partes</em>, os fundamentos d'esses diversos castellos. E mais
+explicado fica
+o--<em>hoc</em>,--antecedente. <br />
+
+<br />
+
+Finalmente, na ultima linha, ha duas
+abreviaturas:--<em>dod. dr.</em>--ou talvez, por uma
+invers&atilde;o da
+primeira inicial:--<em>qod. dr.</em>--que geralmente se
+l&ecirc;, e parece
+bem:--<em>quod dicitur</em>--.
+<br />
+
+<br />
+
+<span class="pagenum">[37]</span>
+Tambem esta interessantissima inscrip&ccedil;&atilde;o, pela
+primeira vez directamente reproduzida por calco, que me enviou o sr.
+Pinto, da escola industrial de Thomar, n&atilde;o tem obtido
+at&eacute; agora uma traduc&ccedil;&atilde;o regularmente
+exacta. Costa e Cunha n&atilde;o separam as
+ora&ccedil;&otilde;es, nem traduzem
+litteralmente. <br />
+
+<br />
+
+O primeiro traduz:--<em>sepe pergens</em>
+contra <em>Sidan</em> etc.-- por--<em>e muitas vezes
+venceu ao
+Soldam</em>,--o que &eacute; duplamente falso. Como
+j&aacute; observei, iniciou o erro de
+ler--<em>Suldani</em>,-- onde, clara e rasoavelmente,
+est&aacute;:--<em>Sidan</em>--. <br />
+
+<br />
+
+Cunha, que restitue a <em>era</em> exacta de
+1209, antecede-a pela formula:--<em>Em nome de
+Christo</em>,--que l&aacute; n&atilde;o
+est&aacute;, e acrescenta a filia&ccedil;&atilde;o do Rei
+Affonso:--<em>filho do Conde Dom Henrique e da Rainha Dona Tareja</em>--.
+N&atilde;o contente com isto, traduz que: <em>quando
+Escalona foi tomada, elle
+foi alli prestes e prompto</em>;--p&otilde;e Galdino em
+Antiochia pelejando muitas vezes--<em>contra o poder do
+Sold&atilde;o</em>;--augmenta a
+enumera&ccedil;&atilde;o dos castellos com o
+de--<em>Cardiga</em>,--supprimindo o de--<em>Monsanto</em>,--e
+alonga,
+finalmente, a inscrip&ccedil;&atilde;o com as seguintes
+palavras:--<em>Era 1209 annos. Mestre Gualdim, nascido em Braga,
+que he cabe&ccedil;a de Galisa, edificou este Castello de Almorol
+com os freires seus irm&atilde;os</em>--. <br />
+
+<br />
+
+Bastam estes exemplos. Como &eacute; sabido, a
+inscrip&ccedil;&atilde;o est&aacute; n'uma grande lapide de
+marmore sobre o arco da chamada Sacristia Velha do convento de Christo
+de Thomar, para onde foi transferida, do castello de Almorol, segundo a
+tradi&ccedil;&atilde;o, no tempo e por ordem do Infante Dom
+Henrique. <br />
+
+<br />
+
+&Eacute; claro que n&atilde;o havemos de fazer, agora e aqui, a
+biographia de Mestre Gualdino ou Gualdim ou Galdino Paes. N'esse ponto,
+&eacute; justo louvar as diligencias e os trabalhos
+de Costa (<em>Historia da Ordem</em>, etc.) e de
+Viterbo (<em>Elucidario</em>), que reuniram
+interessantissimos documentos sobre o Templario portuguez. Segundo o
+primeiro, Galdino nasceu em 1118 e morreu em 1195. Era filho de Payo
+Ramires e de D. Gontrade Soares, nomes que denunciam uma origem
+visigoda. Pelo pae, era bisneto de Ayres Carpinteiro que lhe trazia uma
+bella tradi&ccedil;&atilde;o de fidalguia
+authentica.<br />
+
+<br />
+
+<span class="pagenum">[38]</span>
+N'um velho livro de
+linhagens anda dispersamente registada esta prosapia: <br />
+
+<br />
+
+<br />
+
+<div class="tinys">--&laquo;Este Ayres Carpinteiro
+onde (d'onde) vem os
+Ramir&atilde;os foi casado com Amiana de Selharis e de Tevora e
+fege nella Ramiro
+Ayres...&raquo;</div>
+
+<br />
+
+<br />
+
+Ramiro casou com Orraca Peres, filha de Gontinha Eres e de Dom Pedro
+Affonso de Doreas--&laquo;que fez
+Manhente,&raquo;--e o seu primogenito foi Dom Payo Ramires. Casou
+Dom Payo, a primeira vez, com Dona Orraca de Caldelas de Galiza, de
+quem teve o alcaide Dom Vasco Paes,--&laquo;e desque morreu esta
+mulher a D. Payo Ramires casou com a irman de D. Payo Correa o
+<em>Velho</em> e fege nella o mestre D. Gualdim Paes do
+Templo e D. Gomes Paes de Piscos: e este mestre D. Gualdim Paes fez
+Tomar e Pombal e Castelo de Almoyrol e poboou outros muitos logares que
+ganhou &aacute; ordem, e foi muito forte em armas e leixou ao
+Templo o que agora ha, e em Abelamar (talvez em <em>alem-mar</em>)&raquo;.
+<br />
+
+<br />
+
+Goes, que gost&acirc;mos sempre de consultar n'estas historias,
+n&atilde;o parece ter encontrado nos Paes, do seu tempo, pelo
+menos, uma genealogia muito antiga, pois que abre o
+&laquo;titulo&raquo; com Payo Rodrigues que--&laquo;foi um
+cavalleiro muito honrado em tempo delRei Dom Affonso o quinto, e foi
+filho de Pedro Esteves, Alcaide M&oacute;r de Portel&raquo;--.
+S&atilde;o outros, evidentemente. Tambem da semente d'elle, como
+dizem os geneologos, n&atilde;o seria facil haver noticia,
+espalhada, como ficaria, clandestina ou ganceira, pela Syria e pelo
+Ribatejo, nas aventuras e desmandos das campanhas do Templario. <br />
+
+<br />
+
+Segundo Cunha, nasceu o Mestre em Braga e--&laquo;n'ella se
+conserva ainda hoje uma rua com o nome de D. Gualdim, em que
+&eacute; tradi&ccedil;&atilde;o que
+nasceu&raquo;--. <br />
+
+<br />
+
+Corrigem outros, observando que alli f&ocirc;ra Procurador ou
+Mestre da Casa do Templo, que l&aacute; existira,--o que
+&eacute; demonstrado por um documento citado no
+<em>Elucidario</em> de Viterbo,--mas que em Marecos, depois
+Amaraes e hoje
+<span class="pagenum">[39]</span>
+Amares, a 10
+kilometros de Braga, &eacute; que realmente nascera o Mestre, que
+f&ocirc;ra at&eacute; o primeiro a usar e a
+nobilitar o titulo de Marecos, da herdade que foi o nucleo da
+povoa&ccedil;&atilde;o. <br />
+
+<br />
+
+Convem dizer, pois que n&atilde;o tem sido dito at&eacute;
+hoje, que outro velho codice geneologico p&otilde;e uma sombra de
+duvida n'esta gloria da pequena povoa&ccedil;&atilde;o minhota,
+dizendo, um tanto obscuramente:--&laquo;E o meestre dom galdim paez
+do tempre e seu irma&atilde;o <em>forom naturaaes
+dapardar de braa</em>&raquo;. Mas sendo justa a
+hesita&ccedil;&atilde;o na leitura indicada
+na compila&ccedil;&atilde;o da Academia (<em>Port. monum.
+hist.</em>),
+n&atilde;o ser&aacute; talvez muito aventuroso ler:--<em>da
+par de
+Braga</em>,--restituindo &aacute; antiga Marecos, o seu
+Templario. E j&aacute; agora avivemos o registo de um pequeno
+episodio que n'esta altura nos offerece esse codice. <br />
+
+<br />
+
+Uma neta do irm&atilde;o de Galdino:--Dona
+<em>Estevaynha</em> ou Estevaninha Paes casou com Dom
+Martim Annes de Riba da Visella, neto, pela m&atilde;e, de um
+grande fidalgo Dom Soeiro Mendes o Gordo que a tivera de uma barregan e
+que fazendo-a herdeira--&laquo;mui bem e mui compridamente em seus
+beens&raquo;--a cas&aacute;ra com Dom Jo&atilde;o
+Fernandes de Riba da Vizella. <br />
+
+<br />
+
+Diz ent&atilde;o o codice:--&laquo;E este meestre dom galdim
+paaez do tempre fez muyto bem e deu grandalgo a este dom Martim Annes
+de riba davizela quando casou com esta dona steuaynha paaz
+sobredita&raquo;. <br />
+
+<br />
+
+Martim Annes foi--&laquo;mui priuado delRei dom afonso de portugal,
+filho delRei dom sancho o uelho&raquo;. <br />
+
+<br />
+
+Por ordem do Rei foi cercar a irm&atilde; d'este, a Infanta Dona
+Thereza, a Montem&oacute;r o Velho, e derrotado, cahiu n'um paul
+entre aquella villa e Coimbra. Quando lhe
+acudiram:--&laquo;non se pode sofrer que non morese do sangui que
+del tirarom as &ccedil;ame&ccedil;ugas&raquo;. <br />
+
+<br />
+
+D&aacute;, ainda, uma tradi&ccedil;&atilde;o constante, e
+parece confirmar a inscrip&ccedil;&atilde;o de Thomar, que
+Galdino f&ocirc;ra
+creado na c&ocirc;rte do primeiro Rei portuguez, e por elle armado
+cavalleiro na batalha de Ourique, em 1139. &Eacute;
+s&oacute;mente dez ou
+mais annos depois d'esta data, que nos apparece nos documentos,
+<span class="pagenum">[40]</span>
+e j&aacute; como
+Templario graduado, consequentemente depois do seu regresso do Oriente.
+<br />
+
+<br />
+
+Segundo Cunha e os diplomas reunidos por elle, seria, at&eacute;,
+s&oacute;mente na era de 1199, correspondente ao
+anno de 1161, que pela primeira vez nos appareceria como Mestre, na
+doa&ccedil;&atilde;o que lhe faz o
+Rei:--<em>tibi Magistro Gualdino</em>,--de certas herdades
+cultivadas e por cultivar junto de Cintra; mas Santa Rosa de Viterbo
+(<em>Elucidario</em>) encontra-o muito antes, em 1148,
+figurando como
+<em>Mestre</em> da Casa Templaria de Braga, n'uma
+concordata feita com esta, e em 1157 como <em>Mestre</em>
+absoluto ou Geral dos
+Templarios em Portugal, succedendo a Dom Pedro Arnaldo, que abdicou
+n'esse anno e morreu no seguinte. Ter&aacute; Viterbo lido bem
+aquella primeira data? A interroga&ccedil;&atilde;o parecera
+impertinente em
+rela&ccedil;&atilde;o ao erudito investigador, se um facto
+muito positivo a n&atilde;o
+auctorisasse. Esse facto &eacute; a tomada de Ascalonia,
+expressamente indicada na inscrip&ccedil;&atilde;o. Essa
+tomada, &eacute;
+claro que n&atilde;o foi a de Saladino aos christ&atilde;os,
+que s&oacute; se realisou em
+1187. Foi a dos christ&atilde;os aos turcos. Estava l&aacute;,
+ent&atilde;o, Galdino; isto &eacute;, estava no Oriente em
+1153, que &eacute; a data d'esta conquista. (Michaud, <em>Hist.
+des Croisades</em>, t.
+II.) <br />
+
+<br />
+
+Estava, e demorou-se ainda. Estando em 1157 em Portugal, e sendo feito,
+ent&atilde;o, Mestre geral dos Templarios Portuguezes, partiria em
+1152, ou pouco antes, mas j&aacute; partiria, ent&atilde;o,
+como templario graduado, se &eacute;
+verdadeira a data de 1148, attribuida por Viterbo &aacute;
+concordata de Braga, o que, de resto, n&atilde;o repugna
+inteiramente
+&aacute; inscrip&ccedil;&atilde;o. <br />
+
+<br />
+
+Inclinamo-nos a crer que foi realmente em 1157 que Galdino voltou,
+sendo ent&atilde;o elevado ao cargo de Mestre geral, ou, como a
+inscrip&ccedil;&atilde;o diz:--de Procurador
+do Templo, em todo o Portugal, tendo partido, como simples Mestre da
+Casa de Braga, em 1152, ou pouco antes. <br />
+
+<br />
+
+Dos castellos alludidos na inscrip&ccedil;&atilde;o, dois,--o
+de Idanha e o de Monsanto,--s&atilde;o-lhe doados em 29 de novembro
+da era de 1203 (1165), chamando-se-lhe tambem
+Mestre:--<em>vobis Magistro Gualdino</em>--.
+<br />
+
+<br />
+
+<span class="pagenum">[41]</span>
+A ideia vulgar da hierarchia monastico-militar p&oacute;de parecer
+extraordinario que elle seja designado simplesmente como <em>Procurador</em>,
+em outubro da era
+de 1207 (1169), quando lhe s&atilde;o doados, e &aacute; Ordem,
+os castellos de
+Zezere, de Thomar, e ainda o de Cardiga--&laquo;com todas as
+herdades que alli fizeste e rompeste&raquo;--devendo notar-se que
+n'esse mesmo anno como tal se apellida tambem, na
+doa&ccedil;&atilde;o:--&laquo;de toda a ter&ccedil;a
+parte que pela gra&ccedil;a de Deus poderem
+adquirir e povoar desde o rio Tejo por deante--&raquo;para o sul,
+&eacute; claro, aos--&laquo;cavalleiros chamados do Templo de
+Salom&atilde;o&raquo;--nas pessoas dos de Portugal e de--<em>vobis
+Fratri Gualdino in Portugalia rerum Templi Procuratori</em>--. <br />
+
+<br />
+
+Mas esta qualidade de <em>Procurator</em>,
+referida &aacute; gerencia regional ou provincial dos diversos
+agrupamentos da Ordem, n&atilde;o era inferior, e muito menos
+incompativel, com a categoria de <em>Magister</em>, a bem
+dizer a
+de Superior de cada Casa ou Commenda, com tendencias para substituir
+aquella pela separa&ccedil;&atilde;o das diversas communidades
+nacionaes. <br />
+
+<br />
+
+N&atilde;o foi Galdino o unico
+<em>cruzado</em> portuguez; mas &eacute;
+dos raros cujos nomes se apuram. Se das suas fa&ccedil;anhas no
+Oriente resa s&oacute;mente a inscrip&ccedil;&atilde;o,
+outros e diversos documentos a corroboram brilhantemente na historia
+patria.
+<br />
+
+<br />
+
+<br />
+
+<br />
+
+<br />
+
+<span class="pagenum">[42]</span>
+<h3>XI </h3>
+
+<br />
+
+<div style="text-align: center;"><img style="width: 400px; height: 155px;" alt="" src="images/fig13.png" /><br />
+
+</div>
+
+<br />
+
+<div class="quote1 tiny">
+Claustro da s&eacute; de Lisboa.</div>
+
+<br />
+
+<br />
+
+<br />
+
+<br />
+
+<br />
+
+<span class="pagenum">[43]</span>
+<span class="smallcaps">Leitura</span>: <br />
+
+<br />
+
+<div class="quote3"><em>--Esta sepultura
+&eacute; de dona (?) Ignez
+Eannes, sobrinha de Vicente Domingues Bolh&atilde;o</em>. </div>
+
+<br />
+
+<br />
+
+Tem um certo interesse de occasi&atilde;o esta
+inscrip&ccedil;&atilde;o modestissima, agora que vae
+celebrar-se o centenario de Santo Antonio de Padua, mais propriamente:
+de Lisboa.
+<em>Bolh&otilde;es</em> eram a familia d'elle. Vicente
+Bulh&atilde;o se chamou o
+av&ocirc;, ou, melhor, Vicente Martins <em>dito o
+Bulh&atilde;o</em>, o que devia desconcertar um pouco os
+genealogistas, no esfor&ccedil;o de engrandecer e nobilitar a
+alcunha que se tornou
+patronymico:--<em>Vicenti Martinii dicti Bulhon</em>,--segundo
+a nota obituaria que
+elles encontraram--&laquo;no livro de m&atilde;o da Kalenda da
+S&eacute; antiga de Lisboa&raquo;. <br />
+
+<br />
+
+D'este Vicente, veiu Martim
+Bulh&atilde;o,--<em>Martinus Bulhon</em>,
+resava a mesma nota,--que, desposando Theresa Taveira, teve os
+seguintes filhos: <br />
+
+<br />
+
+--Pedro Martins de Bulh&atilde;o, do qual, nota semelhante
+&aacute; citada, dizia:--<em>6 nonas julii obiit Petrus
+Martinii
+dictus de Bulhon</em>,--tendo vivido na primeira metade do seculo
+XIII; d'elle procedeu um personagem relativamente illustre, o confessor
+da Rainha Santa, capell&atilde;o de Dom Diniz e lente de theologia
+da Universidade: Dom Domingos Martins, conego de Santa Cruz. <br />
+
+<br />
+
+--Fern&atilde;o Martins de Bulh&atilde;o, o nosso futuro Santo
+Antonio; <br />
+
+<br />
+
+--Vicente Martins de Bulh&atilde;o; <br />
+
+<br />
+
+--Feliciana Martins Taveira; <br />
+
+<br />
+
+--Maria Martins Taveira, freira, que morreu tambem com ares de
+santidade, em 18 de fevereiro de 1240. <br />
+
+<br />
+
+Mas &eacute; claro que o Vicente da
+inscrip&ccedil;&atilde;o n&atilde;o &eacute; nem o
+primeiro nem o segundo. &Eacute;, por&eacute;m, da familia,
+neto de um ou bisneto do outro, segundo Monterroyo. <br />
+
+<br />
+
+Teve duas irm&atilde;s Vicente Domingues, que casaram fidalgamente:
+uma, Dona Sancha Martins Bulh&atilde;o, com Dom Soeiro Fernandes
+Alam, que viveu no tempo de Dom Affonso
+<span class="pagenum">[44]</span>
+III e Dom Diniz, e com o qual se
+orgulham os Soares de Albergaria; a outra, Dona Dordia, que foi mulher
+de Pedro Martins Botelho, de Riba de Vizella, e depois de
+Reymondo,--como quem diz Raymundo,--de Portocarrero. <br />
+
+<br />
+
+Mas nenhuma d'estas senhoras parece ter-nos dado a Ignez da
+inscrip&ccedil;&atilde;o, cuja paternidade
+modestamente se escondeu na prosapia do tio, especie de conservador ou
+agente official dos negocios das colonias extrangeiras em Lisboa. <br />
+
+<br />
+
+Uma Ignez se encontra, proximamente, na familia; mas &eacute; Ignez
+Dias Bulh&atilde;o, procedente da
+gera&ccedil;&atilde;o da Dona Dordia, e que Dona Leonor Telles,
+a rainha bigama, considerava sua parente. <br />
+
+<br />
+
+Temos, pois, de nos contentar com o facto do tio nos authenticar a
+antiguidade da inscrip&ccedil;&atilde;o, que
+obsequiosamente nos forneceu o estudioso e dedicado secretario da <em>Arte
+Portugueza</em>, sr. D.
+Jos&eacute; Pessanha.<br />
+
+<br />
+
+<br />
+
+<br />
+
+<br />
+
+<span class="pagenum">[45]</span>
+<h3>XII </h3>
+
+<div style="text-align: center;"><br />
+
+<img style="width: 500px; height: 369px;" alt="" src="images/fig14.png" /><br />
+
+</div>
+
+<br />
+
+<div class="quote1 tiny">
+Thomar.
+Igreja de Santa Maria dos Olivaes, na parede da segunda capella,
+&aacute; direita.</div>
+
+<br />
+
+<br />
+
+<br />
+
+<br />
+
+<span class="pagenum">[46]</span>
+<span class="smallcaps">Leitura</span>: <br />
+
+<br />
+
+<div class="quote3">--<em>Obiit frater gvaldinvs
+magister militum templi
+portugalie E. MCCXXXIII, III.&ordm; idvs octobris. Hic castrvm
+Tomaris cum
+multis aliis popvlauit. Requiescat in pace. Amen.</em> </div>
+
+<br />
+
+<span class="smallcaps">Vers&atilde;o</span>: <br />
+
+<br />
+
+<div class="quote3">--<em>Morreu Frei Galdino,
+Mestre dos Cavalleiros do Templo em
+Portugal, na era de 1233, terceiro dos idos de outubro. Este castello
+de Thomar, com muitos outros, povoou. Descance em paz. Amen.</em></div>
+
+<br />
+
+<br />
+
+<br />
+
+No movimento, um pouco desordenado, diga-se de passagem, das
+celebra&ccedil;&otilde;es apotheosicas, centenaes ou
+n&atilde;o, que ultimamente se tem manifestado entre
+n&oacute;s, pensaram alguns cavalheiros de Thomar em promover uma
+que attrahisse as atten&ccedil;&otilde;es e a concorrencia de
+forasteiros
+&aacute; formosa cidade do Nab&atilde;o, bem digna realmente de
+ser mais conhecida e visitada. Tiveram, ent&atilde;o, a feliz
+id&eacute;a de tomar
+por thema o nome e a memoria do valente Templario portuguez, Galdino
+Paes, t&atilde;o deploravelmente esquecido tambem, e de quem
+p&oacute;de dizer-se que foi, alem de fundador de Thomar, um dos
+mais intrepidos e persistentes cooperadores da
+funda&ccedil;&atilde;o de Portugal. <br />
+
+<br />
+
+Sob aquella id&eacute;a se reanimou o empenho do meu amigo e
+distincto director-professor da Escola Industrial d'aquella cidade, sr.
+Manuel Henrique Pinto, de encontrar a jazida dos restos do glorioso
+Templario. Aproveito a occasi&atilde;o para dizer, com
+reconhecimento, que o sr. Pinto tem sido o meu mais dedicado e caloroso
+auxiliar n'esta colheita de <em>calcos</em> de
+inscrip&ccedil;&otilde;es portuguezas. Honra lhe seja, que
+n'isso n&atilde;o &eacute; a mim, mas &aacute; Historia e
+ao paiz, que presta um bello servi&ccedil;o. <br />
+
+<br />
+
+Obtendo licen&ccedil;a para sondar as paredes d'aquella
+interessantissima e vetusta igreja de Santa Maria do Olival ou
+<span class="pagenum">[47]</span>
+dos Olivaes, que por si dava
+assumpto para uma soberba monographia sobre a historia da architectura
+nacional, o sr. Pinto, com dois amigos egualmente interessados n'esta
+pesquiza, come&ccedil;ou-a e teve a fortuna de, &aacute;s
+primeiras tentativas, encontrar a pedra (naturalmente um dos lados do
+sarcophago), em que est&aacute;, nitida e graciosamente cavada a
+inscrip&ccedil;&atilde;o de que tirou e me enviou o magnifico
+<em>calco</em>, em poucos minutos reproduzido pelo lapis
+primoroso e firme de Casanova. Como se v&ecirc;, a
+inscrip&ccedil;&atilde;o
+n&atilde;o offerece hesita&ccedil;&otilde;es ou duvidas de
+leitura ou de contemporaneidade, esta ultima perfeitamente flagrante,
+para quem conhece a epigraphia tumular do tempo, com as suas cruzes
+espalmadas (<em>patt&eacute;es</em>) iniciaes, com
+as maiusculas oscillando entre o romano e o gothico, com o seu
+<em>pautado</em>, at&eacute; com a sua
+redac&ccedil;&atilde;o dos velhos obituarios e livros de
+calendas, monasticos. L&ecirc;-se ao primeiro relance. Que o til ou
+plica que ornamenta um dos XX da <em>era</em>,
+n&atilde;o suggira reparo. Tem o mesmo valor que os do <em>e</em>
+(era), do
+<em>m</em> (mil) ou dos
+<em>cc</em> (duzentos): isto &eacute;, nenhum tem. O
+Viterbo do
+<em>Elucidario</em> j&aacute; advertiu esta especie de
+mau habito decorativo,
+inconsciente. <br />
+
+<br />
+
+A <em>era</em> &eacute; indiscutivelmente
+a de 1233, correspondente ao anno de Christo de 1195. Sempre se lucrou,
+com a id&eacute;a do centenario, ficarmos definitivamente sabendo
+que o grande Templario morr&ecirc;ra em 1195, a 13 de outubro.
+Teria
+ent&atilde;o setenta e sete annos, se tambem acertou Costa (<em>Hist.
+da Ord.</em>), quando o d&aacute; nascido em 1118. Cedo
+fizera Galdino a sua inicia&ccedil;&atilde;o de Cavalleiro do
+Templo nas
+longinquas campanhas da Syria; mas, por mais cedo que n'aquelles tempos
+se fosse homem, &eacute; claro que andam erradas algumas datas das
+suas doa&ccedil;&otilde;es e
+funda&ccedil;&otilde;es. Apparecer-nos elle como Mestre,--<em>tibi
+Magistro
+Gualdino</em>,--em 1161, isto &eacute;, aos quarenta e tres
+annos, na
+doa&ccedil;&atilde;o das casas e herdades cultivadas e por
+cultivar junto de Cintra, n&atilde;o
+repugna, comtudo. <br />
+
+<br />
+
+Em 1169, isto &eacute;, aos cincoenta e um, &eacute; que recebe
+toda a ter&ccedil;a parte que pod&eacute;r adquirir e povoar
+desde o Tejo
+<span class="pagenum">[48]</span>
+por deante, em
+doa&ccedil;&atilde;o &laquo;a Deus e aos
+cavalleiros chamados do Templo de Salom&atilde;o&raquo;, como
+Procurador d'elle em
+Portugal:--&laquo;<em>vobis Fratri Galdino in Portugal rerum
+Templi Procuratori</em>&raquo;,--e mais os castellos da foz
+do Zezere, de Cardiga, e o de Thomar, com todas as
+herdades--&laquo;que fizestes e rompestes&raquo;. J&aacute;
+anteriormente, em 1165, lhe
+haviam sido doados,--<em>vobis magistro
+Gualdino</em>,--e &aacute; Ordem, os castellos de Idanha e de
+Monsanto, e antes ainda,
+seguramente,--&laquo;aquelle castello que se chama
+Ceras&raquo;--e a Redinha. Rigorosamente, estas
+doa&ccedil;&otilde;es n&atilde;o eram
+mais que as confirma&ccedil;&otilde;es reaes das
+funda&ccedil;&otilde;es, das conquistas e das
+explora&ccedil;&otilde;es agricolas, com que o activo Templario
+e os seus freires iam acrescentando e consolidando, dia a dia, a patria
+christ&atilde; e portugueza.
+<br />
+
+<br />
+
+<br />
+
+<br />
+
+<br />
+
+<span class="pagenum">[49]</span>
+<h3>XIII </h3>
+
+<br />
+
+<div style="text-align: center;"><img style="width: 400px; height: 194px;" alt="" src="images/fig15.png" /><br />
+
+</div>
+
+<br />
+
+<div class="quote1 tiny">
+Portalegre;
+Convento de S. Bernardo (seminario), na casa do capitulo (arruinada).
+Lapide de marmore, com a figura de uma abbadessa esculpida e em volta a
+inscrip&ccedil;&atilde;o.</div>
+
+<br />
+
+<br />
+
+<br />
+
+<br />
+
+<span class="pagenum">[50]</span>
+<span class="smallcaps">Leitura</span>: <br />
+
+<br />
+
+<div class="quote3">--<em>Aqui jaz Dona Branca de
+Vasconcellos, a primeira abbadessa
+que foi d'este mosteiro, a qual ensinou as mo(n)jas d'elle, do
+come&ccedil;o de suas profiss&otilde;es. E
+falleceu aos 23 dias do mez de outubro de 1537.</em> </div>
+
+<br />
+
+<br />
+
+Seria uma das filhas de Jo&atilde;o Rodrigues Ribeiro de
+Vasconcellos? <br />
+
+<br />
+
+Diz Goes:<br />
+
+<br />
+
+<br />
+
+<div class="tinys">--Jo&atilde;o Roiz Ribeiro de
+Vasconcellos, filho d'este Ruy
+Vaz,
+foi senhor da Casa de seu pae, e foi casado com <em>Dona
+Branca</em> de Meneses, filha de Ruy Gon&ccedil;alves da
+Silva, Alcaide M&ocirc;r de Campo
+Maior e Ouguella, de quem houve... &laquo;<em>e outras que
+s&atilde;o freiras</em>&raquo;.</div>
+
+</div>
+
+</div>
+
+
+
+
+
+
+
+
+<pre>
+
+
+
+
+
+End of Project Gutenberg's Inscripções portuguezas, by Luciano Cordeiro
+
+*** END OF THIS PROJECT GUTENBERG EBOOK INSCRIPÇÕES PORTUGUEZAS ***
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+and how your efforts and donations can help, see Sections 3 and 4
+and the Foundation web page at https://www.pglaf.org.
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+Foundation
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+The Project Gutenberg Literary Archive Foundation is a non profit
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+state of Mississippi and granted tax exempt status by the Internal
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+($1 to $5,000) are particularly important to maintaining tax exempt
+status with the IRS.
+
+The Foundation is committed to complying with the laws regulating
+charities and charitable donations in all 50 states of the United
+States. Compliance requirements are not uniform and it takes a
+considerable effort, much paperwork and many fees to meet and keep up
+with these requirements. We do not solicit donations in locations
+where we have not received written confirmation of compliance. To
+SEND DONATIONS or determine the status of compliance for any
+particular state visit https://pglaf.org
+
+While we cannot and do not solicit contributions from states where we
+have not met the solicitation requirements, we know of no prohibition
+against accepting unsolicited donations from donors in such states who
+approach us with offers to donate.
+
+International donations are gratefully accepted, but we cannot make
+any statements concerning tax treatment of donations received from
+outside the United States. U.S. laws alone swamp our small staff.
+
+Please check the Project Gutenberg Web pages for current donation
+methods and addresses. Donations are accepted in a number of other
+ways including including checks, online payments and credit card
+donations. To donate, please visit: https://pglaf.org/donate
+
+
+Section 5. General Information About Project Gutenberg-tm electronic
+works.
+
+Professor Michael S. Hart was the originator of the Project Gutenberg-tm
+concept of a library of electronic works that could be freely shared
+with anyone. For thirty years, he produced and distributed Project
+Gutenberg-tm eBooks with only a loose network of volunteer support.
+
+
+Project Gutenberg-tm eBooks are often created from several printed
+editions, all of which are confirmed as Public Domain in the U.S.
+unless a copyright notice is included. Thus, we do not necessarily
+keep eBooks in compliance with any particular paper edition.
+
+
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+including how to make donations to the Project Gutenberg Literary
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