diff options
| author | Roger Frank <rfrank@pglaf.org> | 2025-10-15 02:38:12 -0700 |
|---|---|---|
| committer | Roger Frank <rfrank@pglaf.org> | 2025-10-15 02:38:12 -0700 |
| commit | 341191d480a88e0575ce7f0ee758a28667bedc01 (patch) | |
| tree | c80ec6c23cfbf4e805e51caf444ee1590f3d66ae | |
| -rw-r--r-- | .gitattributes | 3 | ||||
| -rw-r--r-- | 28348-8.txt | 1423 | ||||
| -rw-r--r-- | 28348-8.zip | bin | 0 -> 24284 bytes | |||
| -rw-r--r-- | 28348-h.zip | bin | 0 -> 564917 bytes | |||
| -rw-r--r-- | 28348-h/28348-h.htm | 2481 | ||||
| -rw-r--r-- | 28348-h/images/fig01.png | bin | 0 -> 3088 bytes | |||
| -rw-r--r-- | 28348-h/images/fig02.png | bin | 0 -> 6431 bytes | |||
| -rw-r--r-- | 28348-h/images/fig03.png | bin | 0 -> 33896 bytes | |||
| -rw-r--r-- | 28348-h/images/fig04.png | bin | 0 -> 41402 bytes | |||
| -rw-r--r-- | 28348-h/images/fig05.png | bin | 0 -> 75413 bytes | |||
| -rw-r--r-- | 28348-h/images/fig06.png | bin | 0 -> 14703 bytes | |||
| -rw-r--r-- | 28348-h/images/fig07.png | bin | 0 -> 31215 bytes | |||
| -rw-r--r-- | 28348-h/images/fig08.png | bin | 0 -> 26832 bytes | |||
| -rw-r--r-- | 28348-h/images/fig09.png | bin | 0 -> 53835 bytes | |||
| -rw-r--r-- | 28348-h/images/fig10.png | bin | 0 -> 63596 bytes | |||
| -rw-r--r-- | 28348-h/images/fig11.png | bin | 0 -> 25915 bytes | |||
| -rw-r--r-- | 28348-h/images/fig12.png | bin | 0 -> 71700 bytes | |||
| -rw-r--r-- | 28348-h/images/fig13.png | bin | 0 -> 12280 bytes | |||
| -rw-r--r-- | 28348-h/images/fig14.png | bin | 0 -> 59525 bytes | |||
| -rw-r--r-- | 28348-h/images/fig15.png | bin | 0 -> 15757 bytes | |||
| -rw-r--r-- | LICENSE.txt | 11 | ||||
| -rw-r--r-- | README.md | 2 |
22 files changed, 3920 insertions, 0 deletions
diff --git a/.gitattributes b/.gitattributes new file mode 100644 index 0000000..6833f05 --- /dev/null +++ b/.gitattributes @@ -0,0 +1,3 @@ +* text=auto +*.txt text +*.md text diff --git a/28348-8.txt b/28348-8.txt new file mode 100644 index 0000000..9e32bbf --- /dev/null +++ b/28348-8.txt @@ -0,0 +1,1423 @@ +The Project Gutenberg EBook of Inscripções portuguezas, by Luciano Cordeiro + +This eBook is for the use of anyone anywhere at no cost and with +almost no restrictions whatsoever. You may copy it, give it away or +re-use it under the terms of the Project Gutenberg License included +with this eBook or online at www.gutenberg.org + + +Title: Inscripções portuguezas + +Author: Luciano Cordeiro + +Release Date: March 17, 2009 [EBook #28348] + +Language: Portuguese + +Character set encoding: ISO-8859-1 + +*** START OF THIS PROJECT GUTENBERG EBOOK INSCRIPÇÕES PORTUGUEZAS *** + + + + +Produced by Rita Farinha and the Online Distributed +Proofreading Team at https://www.pgdp.net (This file was +produced from images generously made available by National +Library of Portugal (Biblioteca Nacional de Portugal).) + + + + + + + + + +VESPERAS DO CENTENARIO + +DA + +INDIA + + + +Inscripções Portuguezas + +POR + +LUCIANO CORDEIRO + + + +_Fiel guarda da memoria é a escripta, porque renova as cousas antigas, +confirma as novas, conserva as confirmadas e representa as conservadas +para que as noticias d'ellas se não entreguem ao esquecimento dos +vindouros._ + +(N'um diploma de doação de Affonso Henriques ao Mestre Galdino +Paes.--Trad.) + + + +LISBOA + +IMPRENSA NACIONAL + +1895 + + + + +INSCRIPÇÕES PORTUGUEZAS + + + + +VESPERAS DO CENTENARIO + +DA + +INDIA + + + +Inscripções Portuguezas + +POR + +LUCIANO CORDEIRO + + + +_Fiel guarda da memoria é a escripta, porque renova as cousas antigas, +confirma as novas, conserva as confirmadas e representa as conservadas +para que as noticias d'ellas se não entreguem ao esquecimento dos +vindouros._ + +(N'um diploma de doação de Affonso Henriques ao Mestre Galdino +Paes.--Trad.) + + + +LISBOA + +IMPRENSA NACIONAL + +1895 + + + + +A + +Gomes de Brito + + + + +INSCRIPÇÕES PORTUGUEZAS + +1.^a SERIE + +(EXTRAHIDA DA _ARTE PORTUGUEZA_) + + + + +É claro que os seguintes apontamentos, desordenadamente colhidos e +reunidos, não têem a menor pretenção a iniciar um _Corpo de inscripções +portuguezas_, que, aliás, era tempo de começar-se. + +Estas notas dispersas, que a piedade domestica, a prosapia genealogica, +a vaidade individual, o culto civico escreveu na pedra ou no bronze dos +monumentos ou das campas, têem, sob varios aspectos, um irrecusavel +interesse critico, alem de que são, frequentemente, verdadeiras e +importantes revelações históricas. + +Parecerá até impertinencia querer demonstrar, ainda, a utilidade da sua +colheita e registo. + +Ora, todos os dias ruem os monumentos e vão-se apagando e desapparecendo +as legendas tumulares, por esse paiz fóra. + +É, comtudo, tão facil, tão agradavel passatempo, até, conserval-as! + +Nas minhas excursões provincianas, tenho consagrado ao _calco_,--ao +modesto e singelissimo calco a papel, agua e escova,--a dedicação de uma +propaganda importuna e teimosa, e é ainda a idéa de reforçar essa +propaganda pela lição directa da sua razão e utilidade, que me +determinou a ir publicando os primeiros resultados,--embora pequenos, +valiosos. + +Pareceu-me, porém, não dever limitar-me a reunir, apenas, as inscripções +agora directamente colhidas, e, menos ainda, sómente as que podessem +considerar-se ineditas. + +Alem de que algumas, publicadas de ha muito, precisam e poderam ser +corrigidas por um novo exame, o successivo agrupamento das que andam +dispersas por varias obras é evidentemente um bom serviço, em que oxalá +me permittissem o tempo e os recursos poder cooperar melhor do que +procurarei fazel-o. + + + + +I + + +[Figura: Thomar, convento de Christo, na Sacristia Velha: pequena +lapide, caracteres gothicos minusculos.] + + + + +Leitura: + + + --_Esta capella mandou fazer Vasco Gonçalves d(e) Almeida, + cavalleiro, e sua mulher Mecia Lourenço, amos do Infante Dom + Henrique, e foi feita (na) era do Salvador de 1426._-- + + +Damião de Goes (Liv. das Linh. MS.) abre o--_Titulo dos Almeidas_--com o +seguinte: + + +--«Fernão d'Alvares d'Almeida foi um honrado cavalleiro em tempo delRei +Dom João o 1.^o. Foi Vedor de sua Casa, sendo elle Mestre d'Aviz, e, +depois, em sendo Rei, foi Craveiro da dita Ordem e _Ayo dos filhos do +dito Rei_. + +«Houve filhos bastardos: Diogo Fernandes d'Almeida, Alvaro Fernandes +d'Almeida e Nuno Fernandes, de quem não ha geração. E houve filhas». + + +N'esta bastardia, é que continuou e prosperou fidalgamente o nome, logo +pelo primeiro rebento,--o Diogo,--que foi vedor da fazenda de D. João I +e. de D. Duarte, e que, segundo Goes--«casou com sete mulheres»--das +quaes o illustre chronista se limita a citar duas, apenas, se é que não +houve erro de copia na primeira conta: + + +«...a primeira, filha de Dona Tareja, filha de João Fernandes Andeiro, +Conde de Ourem e foi irmã, da parte da Mãe, do Arcebispo de Braga Dom +Francisco da Guerra; e della houve a Lopo d'Almeida; e a outra segunda +mulher foi filha do Prior do Crato Dom Nuno _Gonçalves_, e houve della a +Alvaro d'Almeida e Antão d'Almeida e Dona Branca d'Almeida, primeira +mulher de Ruy Gomes da Silva, _o da Chamusca_, e Dona Isabel d'Almeida, +mulher d'Alvaro de Brito, e assim houve outras filhas.» + + +Não terá havido anterior ligação com a familia do Prior, e não derivaria +d'ella o Vasco _Gonçalves_, da inscripção? + +O que parece certo é ter elle escapado, até agora, á luz indiscreta da +Genealogia, na desolada solidão da Sacristia Velha de Thomar, com a sua +companheira, a Mecia Lourenço, que trouxe, naturalmente, aos burguezes +seios o--«Alto Infante»--das descobertas. + +_Amos do Infante_ são evidentemente os que o crearam; e esta designação +abrangendo a Mecia, deve indicar a mulher que o amamentou. Bemditos +peitos! + +Devo o calco d'esta inscripção ao meu amigo sr. M. H. Pinto, o distincto +artista e director da escola industrial de Thomar. + + + + +II + + + +[Figura: Leiria, Castello, sobre a porta da Torre de Menagem: em +caracteres gothicos grosseiramente abertos sobre linhas ou _pautado_ +egualmente cavado, n'uma das pedras da muralha. Inferiormente e na mesma +pedra, tres pequenos escudos, tendo o do centro as bandas ou barras de +Aragão e os dos lados as quinas, convergentes.] + + + + +Leitura: + + + --_(Era) 1362 an(n)os foi esta tor(r)e co(meçad)a (aos) 8 dias de + maio, e mandou-a fase(r o muito) nobre Dom Diniz, Rei de + Portugal.................acabada._ + + +Esta ultima parte, inintelligivel já, evidentemente diria a data do +acabamento: dia e mez, ou sómente o mez. + + +Esta inscripção, que parece ter sido feita depois de concluida a Torre, +e que é de singular importancia por fixar precisamente a construcção ou +a reconstrucção do castello por D. Diniz, tem-se conservado +desapercebida, talvez pela altura em que está e por se confundir, á +primeira vista, com as escabrosidades da pedra. + +Áparte o facto dos nossos archeologos, ou dos que se dizem taes, mais se +dedicarem, geralmente, á exploração das mais banaes inscripções de +cippos romanos do que á colheita das que podem illustrar a historia +patria. + +Alli mesmo, n'aquelle formoso monumento chamado o Castello de Leiria, +que bem póde dizer-se amassado com sangue, a busca das inscripções +romanas nas pedras funerarias aproveitadas nas muralhas, tem chegado a +fazer perigar a segurança das construcções, ao passo que nos restos dos +Paços do Rei Lavrador nenhuma exploração regular se tem feito. + +Escusado será acrescentar que o escudo com as barras ou bandas +aragonezas é uma affirmação ou uma homenagem ao senhorio de Leiria dado +á Rainha D. Isabel, _a Santa_. + +O calco d'esta inscripção, e até a denuncia d'ella, foi-me fornecido +pelo meu amigo sr. João Christino da Silva, então director e professor +da escola industrial _Domingos de Sequeira_, de Leiria. + + + + +III + + +[Figura: Obidos, Torre do Castello, no humbral da porta (ogival), lado +esquerdo.] + + + + +Leitura: + + + --_E(ra) 1413 annos, no mez d(e) outubro, foi começada esta + tor(r)e, p(or) mandado delrei Dom Fernando, da q(ua)l foi védor + D(iog)o M(art)i(n)s da Tougia, e foi della m(estr)e Jo(ão) + Do(mingue)s, e foi feita á custa do dito._ + + +O meu amigo Sousa Viterbo lembra-me que Giner de los Rios dá esta +inscripção no seu _Portugal_; mas, pela copia que me transmitte, entendo +que o escriptor hespanhol não soube copial-a e lel-a bem. Assim, na +linha 1) tomou o _s_ final pelo algarismo 6, que nada significaria, e na +linha 2) supprimiu o _o_ na primeira palavra. Embaraçaram-n'o +naturalmente os pontos de separação, muitas vezes colocados por simples +fantasia decorativa. Trocou tambem os nomes do védor fazendo-o +representar por um caprichoso --_A.^n Mig.^n da Toura_-- e o do Mestre +por--_f.^a Doz_. + +O do primeiro é claramente:--_d.^o miz_ (Diogo Martins) e apenas a +ultima designação offerece difficuldade, não podendo, porém, +ser:--_Toura_--porque está muito intelligivel no começo da linha 8) a +letra _g_. A sobreposta parece realmente _r_, o que difficultaria +extremamente a leitura; mas porventura uma irregularidade ou estrago da +pedra é que lhe dá aquella apparencia, sendo simplesmente um _i_, o que +dá a palavra--_Tougia_. + +_Tougia_, _Taugia_, _Ataugia_, _Touria_, é _Atouguia da Baleia_, +povoação que não fica muito distante e que teve grande importancia no +tempo de D. Fernando e de D. Pedro I, que n'ella celebraram côrtes, e +onde, pouco antes do primeiro, senão no seu tempo, se fez ou reformou +tambem um forte castello. + +O nome do vedor seria pois: Domingos Martins da Tougia ou _d'Atouguia_, +o que, como se vê, só pela interpretação de um signal ou letra +sobreposta, póde suscitar hesitação. + +É a leitura que preferimos, até por não encontrarmos melhor. O nome do +mestre, e que não nos parece que offereça duvida, é _João Domingues_ ou +_Domingos_. + +Devo a um cuidado desenho do meu amigo e distincto professor, o sr. João +Christino da Silva, esta inscripção, bem como a seguinte. + + + + +IV + + +[Figura: Obidos, na Torre do Facho.] + + + + +Leitura: + + + --_Foi reformada esta muralha por Dom Sancho primeiro._-- + + +Evidentemente não é coeva esta inscripção, em caracteres mixtos (goth. e +red.). + + + + +V + + +[Figura: Thomar, igreja de Santa Maria dos Olivaes, sob o segundo arco +da nave esquerda.] + + + + +Leitura: + + + --_Aqui jaz Fernã(o) de Sa(m)paio, Caval(l)eiro fidalgo, creado + delrei dom Af(f)onso, e sua filha M(ari)a de Sa(m)paio._-- + + +Será Fernão Vaz de Sampaio, filho de Vasco Pires de Sampaio e de D. +Maria Pereira, da casa da Feira? + +Este, fazem-n'o os genealogistas casado duas vezes, uma com D. +Senhorinha, outra com Joanna de Alvim; e alguns, uma só vez, com uma ou +com a outra d'aquellas senhoras, attribuindo-lhe varios bastardos +havidos n'uma Leonor Affonso,--«mulher solteira»--entre os quaes um Lopo +Vaz de Sampaio, que D. Affonso V legitimou em 1453. + +Que o Rei Affonso de que falla a inscripção é Affonso V, não póde +duvidar-se. + +O «titulo» dos Sampaios, como se diz em Genealogia, foi sempre muito +complicado por enxertos ganceiros. + +O calco foi-me enviado pelo sr. M. H. Pinto + + + + +VI + + +[Figura: Thomar, igreja de Santa Maria dos Olivaes, do lado esquerdo da +porta de entrada (interior). Caracteres gothicos.] + + + + +Leitura: + + + --_Esta sepultura é de Isabel Vieira, mulher d(e) Af(f)o(n)so de + Vivar, Caval(lei)ro, co(n)tador da casa delrei nos(s)o s(enhor), + q(ue), depois de seu fal(l)ecim(en)to, foi Com(m)e(n)dador das + Alencarcas. E se finou a 18 dias de fevereiro de 1492._ + + +Não póde haver duvida de que a inscripção, muito esmerada por signal, +diz:--«Commendador das Alencarcas». Foi-o Affonso de Vivar, ou depois do +fallecimento da mulher, ou, o que é mais provavel que a inscripção +queira dizer, depois do fallecimento do Rei, que seria então Affonso V, +se a data da morte da mulher corresponde á da abertura da inscripção. + +Mas o que eram as Alencarcas? + +Devo o calco ao amigo já citado e que muitas mais vezes terei de citar +ainda, o sr. M. H. Pinto. + + + + +VII + + +[Figura: Thomar, igreja de Santa Maria dos Olivaes, na capella mór. +Caracteres gothicos. Truncada por construcção posterior, que se lhe +encostou, dos degraus do altar.] + + + + +Leitura: + + + --_Aq(ui) jaz Do(m) Gil M(ar)ti(n)s, o p(ri)meiro M(estr)e q(ue) + foi da Caval(l)aria da Orde(m) de Jesus Christo, q(ue) foi + f(re)irado_ (feito freire) _na Ord(e)m d(e) Avis e M(estr)e da + Caval(l)aria des(s)a Orde(m) e foi da linhagem do Outeiro; q(ue) + pas(s)ou_ (faleceu) _e(m) sexta feira, 13 dias (d)e nove(m)bro, + e(ra) 1359 an(n)os (a) q(ua)l alma D(eu)s leve p(er)a a gloria do + Paraiso. Ame(n) Co(m) e(lle) mais os(s)os sã(o?)._ + + +Está a lapide embebida na parede do lado esquerdo, por baixo do formoso +mausoleu de D. Diogo Pinheiro, primeiro bispo do Funchal, tendo sido +para alli removidos os restos do Grão-Mestre, nas obras de renovação +feitas na igreja, no tempo de D. Manuel ou já de D. João III, segundo a +tradição. + +Deviam estar anteriormente n'um caixão ou tumulo de pedra. A esses +restos se juntaram os de outros personagens, e a isto seguramente +alludia a parte truncada ou illegivel da lapide. + +Não é, pois, perfeitamente exacto que se não saiba:--«o logar certo onde +estão as cinzas do primeiro Mestre de Christo»--como diz Santos (_Monum. +milit_, etc.), que, aliás, indica a remoção d'esses restos e a +inscripção que os denuncia, que melhor fôra que tivesse copiado, com as +mais. + +Pertence o calco á bella colheita com que me tem brindado o sr. M. H. +Pinto. + + + + +VIII + + +[Figura: Thomar, igreja de Christo, junto á Charola. Caracteres rom. +maiusc. Grande lapide.] + + + + +Leitura: + + + --_Aq(u)i jaz o m(ui)to (h)o(n)rado Com(m)e(n)dador Do(m) Lopo Dias + de Sousa, Mestre da Caval(la)ria da Orde(m) de Christo, q(ue) foi + se(m)p(r)e m(ui)to leal s(e)r(v)idor ao m(ui)to alto se(m)p(r)e + ve(n)cedor elrei Do(m) Joã(o) o p(r)im(ei)ro, (a)o qual foi + gra(n)de ajuda e(m) defe(n)são d'estes reinos; e e(n)trou co(m) + el(l)e ci(n)co vezes e(m) Castel(l)a co(m) sua Caval(l)aria, e e(m) + a tomada de Ceuta; e teve o mestrado q(u)are(n)ta e seis an(n)os. E + finou-se na era de Jesus Christo de 1435 an(n)os, aos nove dias do + mes de fev(erei)ro, e o m(ui)to ho(n)rado e presado s(enh)or o + I(n)fa(n)te Do(m) (H)e(n)riq(u)e, governador da dita orde(m), + duq(ue) de Viseu e s(enh)or de Covilha(m), o ma(n)dou tra(s)ladar a + este co(n)ve(n)to, aos oito dias do mez de março da dita era do + na(s)c(i)m(en)to de Nos(s)o S(enh)or de 1435 an(n)os._ + + + +Este D. Lopo Dias de Sousa é personagem bem conhecido e de quem é facil +encontrar larga noticia. + +Era bisneto, pelo pae, de D. Affonso Diniz, filho de Affonso III--«e da +condessa de Bolonha D. Mathilde»--a primeira mulher d'este Rei, sendo +filho de Alvaro Rodrigues de Sousa e de D. Maria de Menezes, filha de +Martim Affonso Tello de Menezes, irmão da celebre Rainha e adultera, D. +Leonor Telles. Foi esta que o fez Mestre da Ordem, quando não tinha +edade para o ser, o que não obstou a que elle honrada e valentemente +viesse a servir a causa portugueza do Mestre de Aviz (João I) contra as +pretensões e a invasão de Castella, patrocinadas pela adultera. + +Diz Goes (_Liv. das Linh. MS._): + + +«Dom Lopo Dias de Sousa... foi Mestre de Christo, apresentado na dita +dignidade por ElRei Dom Fernando, a requerimento da Rainha Dona Leonor +Telles, mulher do dito Rei Fernando, que era tia d'este Dom Lopo Dias, +Mestre de Christo... Teve por manceba a Dona Maria Ribeira, que em +Pombal houve dispensação do Papa para a receber por mulher, e houve +d'ella estes filhos: a Diogo Lopes de Sousa e Dona Mecia de Sousa, que +casou com Dom Vasco Fernandes Coutinho, primeiro Conde de Marialva, e +Dona Violanta, que casou com Ruy Vaz Ribeiro de Vasconcellos, Senhor de +Figueiró dos Vinhos e do Pedrogam, e Dona Isabel, mulher de Diogo Lopes +Lobo, Senhor d'Alvito, e Dona Aldonça, mulher de Pedro Gomes de Abreu _o +Velho_, e Dona Branca, mulher de João Falcão, e Dona Leonor, mulher de +Affonso Vasco de Sousa.» + + +Um neto d'elle, Alvaro de Sousa, filho de Diogo Lopes de Sousa, +mordomo-mór do Rei D. Duarte, foi mordomo-mór de D. Affonso V e casou +com uma filha de D. Fernando de Castro, governador da Casa do Infante D. +Henrique:--D. Maria de Castro. + +Uma observação ainda: A inscripção parece corrigir a versão commum +adoptada por J. A. dos Santos, na bella monographia _Monumento das +Ordens militares_, etc., _em Thomar_, de ter Dom Lopo cahido em poder +dos castelhanos em Torres Novas, ficando inutilisado para todo o resto +da campanha. + +--«Entrou cinco vezes em Castella»--diz terminantemente a pedra. + +Devo o calco ao sr. M. H. Pinto, que ultimamente me mandou alguns +outros, de Figueiró, entre os quaes encontro o da inscripção que incluo +em seguida por importar á prole do mesmo personagem. + + + + +IX + + +[Figura: Figueiró dos Vinhos, igreja de S. João Baptista. Em caracteres +gothicos.] + + + + +Leitura: + + + --_Aqui jaz o muito ho(n)rado caval(l)eiro Ruy Vasq(ue)s, filho de + Ruy Me(n)des de Vasco(n)cel(l)os, neto de G(onçalo) Me(n)des e de + Dona Maria Ribeira; e Dona Viola(n)te de Sousa, sua mulher, f(ilh)a + de Do(m) Lopo Dias, M(estr)e de Christo, neta d(e) Af(fo)n(s)o Dias + de Sousa e de Dona M(ari)a, irma(n) da rainha Dona Leonor; os quaes + ma(n)dou s(epulta)r Rodrigo de Vasco(n)cel(l)os, seu filho + (h)erdeiro... era de Nos(s)o S(enho)r Jesus Christo de 1453 + an(n)os._ + + +(Vide o commento da inscripção anterior.) + +Enviou-me o calco o sr. M. H. Pinto. + + + + +X + + +[Figura: Thomar, Convento de Christo, sobre o arco da Sacristia Velha.] + + + + +Leitura: + + + --_Era MCC · VIIII magister Galdinus nobili siquidem genere Bracara + oriundus exctitit tempore autem Alfonsi illustrissimi Portugalis + regis. Hic secularem abnegans miliciam, in brevi ut Lucifer + eminevit, nam Templi miles Gerosolimam peciit ibique per + quinquenium non in hermen vitam, duxit cum Magistro enim suo cum + Fratisbusque implerige preliis_ contra _Egipti et Surie insurrexit + regem. Cumque Ascalona caperetur, presto eum in Antiocam pergens + sepe_ contra _Sidan decione dimicavit. Post quinquennium vero ad + prefatum qui et eum educaverat et militem fecerat reversus est + regem. Factus Domus Templi Portugalis Procurator hoc distruxit + castrum Palumbar, Thomar, Ozezar et hoc quod dicitur Almoriol et + Eidaniam et Montem Sanctum._-- + + +Versão: + + + --_Era de 1209. O Mestre Galdino, certamente de nobre geração, + natural de Braga, existiu no tempo de Affonso, illustrissimo Rei de + Portugal. Abandonando a milicia secular, em breve se elevou como um + Astro, porquanto, soldado do Templo, dirigiu-se a Jerusalem, onde + durante cinco annos levou vida trabalhosa. Com seu Mestre e seus + Irmãos, entrou em muitas batalhas, movendo-se contra o Rei do + Egypto e da Syria. Como fosse tomada Ascalona, partindo logo para + Antiochia pelejou muitas vezes pela rendição de Sidon. Cinco annos + passados, voltou, então, para o Rei que o creára e o fizera + cavalleiro. Feito Procurador da casa do Templo em Portugal, fundou, + n'este, o castello de Pombal, Thomar, Zezere e este que é chamado + Almoriol, e Idanha e Monsanto._-- + + +Esta inscripção tem sido dada por diversos auctores, mas em nenhum é +rigorosamente exacta a copia. O proprio Costa (_Historia da ordem_, pg. +178, doc. 14) figurando-a toscamente em reproducção graphica, erra logo +na _era_ a leitura, dando a de 1208 pela de MCCVIIII ou 1209 que tão +nitidamente se lê na linha _1_). + +Este erro generalisou-se, repetindo-o Viterbo (_Elucidario_) e +adoptando-o Pedro Ribeiro (_Dissertações_). Debalde Cunha (_Historia +ecclesiastica de Braga_), na sua traducção, soffrivelmente phantasiosa, +restituiu a _era_ exacta de 1209. + +Na linha _4_) suscitou-me duvidas a leitura commum do --_hic_,--pela +fórma especial da inicial, que se encontra na linha _6_), onde parecia +repugnar-lhe o valor de--_h_--. Mas, não podendo ler-se:--_inic_--ainda +por:--_in hic_--é forçoso acceitar a leitura geral. Na mesma linha, a +palavra --_abnegans_--tem evidentemente a fórma de--_acbnegans_,--que +aliás diz o mesmo. + +Na linha _5_), a leitura geral é a de--_emicuit_--por--_emievit_,--que é +positivamente a que está na pedra. Preferimos, porém, a +de--_eminevit_,--de--_emineo_,--que mais se approxima, e que não altera, +mas precisa mais o sentido. Foi-me suggerida por Gabriel Pereira esta +versão. + +Na linha _6_), Costa +copiou--_petiit_--por--_peciit_,--e--_inermem_--por--_in hermen_,--que é +o que claramente lá está. Vê-se que o embaraçou tambem a fórma da +inicial acima alludida, não querendo ler n'ella o--_h_--que aliás não +duvidára ler, como tal, no--_hic_--da linha _4_). A solução parece-nos +ser a de dar áquella fórma, aqui, o valor de uma simples tremação ou +dierese do--_i_--lendo realmente:--_ïermen_--ou--_in ermam vitam_--. +Podem não ter grande importancia estas variantes, mas é sempre bom +conservar-se a fórma original em taes cousas. + +Na linha _7_) onde se lê:--_cvm Magistro enim svo_,--Costa permitte-se +acrescentar um--_fuit_,--que lá não está, nem é necessario. + +Mas é na linha _9_) que as pretensões correctivas do auctor da _Historia +da Ordem_, etc., tomam mais graves proporções. Assim: onde nitidamente +se lê:--_presto evm in Antiocam_,--elle simula copiar:--_presto fuit in +Antiochie_,--e logo em seguida lê:--_sepe Suldani_--em vez de--_sepe_ +contra _Sidan_,--como diz a pedra, e bem. Dá assim origem ao erro que +elle, Cunha, e os mais commettem, de +traduzir--_Soldão_--por--_Sidan_,--o soldão ou sultão, não se sabe qual, +pela cidade de _Sidon_, perfeitamente conhecida. + +Na linha _10_), a leitura de Costa e dos mais, embaraçou-se na +abreviatura--_vo_,--que se segue á +palavra--_quinquennium_,--claramente:--_vero_,--e achou então melhor +supprimil-a. Em seguida, reduziu a--_eum_,--a abreviatura em que entrava +um--_t_--muito bem definido, mas que o embaraçava tambem. +Restituimos--_et eum_--que é fórma conhecida. + +Na linha _11_), tem-se lido sempre por--_hoc construxit_,--que é a +leitura que immediatamente occorre, de certo, a fórma ou phrase, que, +pelo rigoroso confronto dos caracteres da inscripção, não podemos ler +senão como:--_hocdstrvxit_--. A primeira duvida suscitou-nol-a +o--_hoc_,--não porque não esteja bem definido nos caracteres, mas porque +nos pareceu arrevesado ou inadequado ao sentido. É evidente, porém, que +se quiz precisar o _paiz_, o _logar_ e não o objecto ou o castello, +determinadamente, e assim traduzimos:--_Feito Procurador da Casa do +Templo, em Portugal, neste_ (i. e. aqui) _fundou_, etc. Mas porque é que +todos têem fugido a ler litteralmente:--_dstrvxit_,--que é a forma +original? Naturalmente, por entenderem que esta fórma equivaleria +necessariamente á de--_destruxit_ (de _destruo_)--dando o absurdo de ter +Galdino _destruido_ os castellos em vez de os ter construido +(_construxit_). Mas é que não lembrou que não era fatal +ler--_destruxit_,--e que, lendo-se--_distruxit_--(de _distruo_), se +obtinha a idéa contraria, ou a idéa precisa de ter o Templario portuguez +lançado, espalhado, ou construido, _aqui_, em _diversas partes_, os +fundamentos d'esses diversos castellos. E mais explicado fica +o--_hoc_,--antecedente. + +Finalmente, na ultima linha, ha duas abreviaturas:--_dod. dr._--ou +talvez, por uma inversão da primeira inicial:--_qod. dr._--que +geralmente se lê, e parece bem:--_quod dicitur_--. + +Tambem esta interessantissima inscripção, pela primeira vez directamente +reproduzida por calco, que me enviou o sr. Pinto, da escola industrial +de Thomar, não tem obtido até agora uma traducção regularmente exacta. +Costa e Cunha não separam as orações, nem traduzem litteralmente. + +O primeiro traduz:--_sepe pergens_ contra _Sidan_ etc.--por--_e muitas +vezes venceu ao Soldam_,--o que é duplamente falso. Como já observei, +iniciou o erro de ler--_Suldani_,--onde, clara e rasoavelmente, +está:--_Sidan_--. + +Cunha, que restitue a _era_ exacta de 1209, antecede-a pela +formula:--_Em nome de Christo_,--que lá não está, e acrescenta a +filiação do Rei Affonso:--_filho do Conde Dom Henrique e da Rainha Dona +Tareja_--. Não contente com isto, traduz que: _quando Escalona foi +tomada, elle foi alli prestes e prompto_;--põe Galdino em Antiochia +pelejando muitas vezes--_contra o poder do Soldão_;--augmenta a +enumeração dos castellos com o de--_Cardiga_,--supprimindo o +de--_Monsanto_,--e alonga, finalmente, a inscripção com as seguintes +palavras:--_Era 1209 annos. Mestre Gualdim, nascido em Braga, que he +cabeça de Galisa, edificou este Castello de Almorol com os freires seus +irmãos_--. + +Bastam estes exemplos. Como é sabido, a inscripção está n'uma grande +lapide de marmore sobre o arco da chamada Sacristia Velha do convento de +Christo de Thomar, para onde foi transferida, do castello de Almorol, +segundo a tradição, no tempo e por ordem do Infante Dom Henrique. + +É claro que não havemos de fazer, agora e aqui, a biographia de Mestre +Gualdino ou Gualdim ou Galdino Paes. N'esse ponto, é justo louvar as +diligencias e os trabalhos de Costa (_Historia da Ordem_, etc.) e de +Viterbo (_Elucidario_), que reuniram interessantissimos documentos sobre +o Templario portuguez. Segundo o primeiro, Galdino nasceu em 1118 e +morreu em 1195. Era filho de Payo Ramires e de D. Gontrade Soares, nomes +que denunciam uma origem visigoda. Pelo pae, era bisneto de Ayres +Carpinteiro que lhe trazia uma bella tradição de fidalguia authentica. + +N'um velho livro de linhagens anda dispersamente registada esta +prosapia: + + +--«Este Ayres Carpinteiro onde (d'onde) vem os Ramirãos foi casado com +Amiana de Selharis e de Tevora e fege nella Ramiro Ayres...» + + +Ramiro casou com Orraca Peres, filha de Gontinha Eres e de Dom Pedro +Affonso de Doreas--«que fez Manhente,»--e o seu primogenito foi Dom Payo +Ramires. Casou Dom Payo, a primeira vez, com Dona Orraca de Caldelas de +Galiza, de quem teve o alcaide Dom Vasco Paes,--«e desque morreu esta +mulher a D. Payo Ramires casou com a irman de D. Payo Correa o _Velho_ e +fege nella o mestre D. Gualdim Paes do Templo e D. Gomes Paes de Piscos: +e este mestre D. Gualdim Paes fez Tomar e Pombal e Castelo de Almoyrol e +poboou outros muitos logares que ganhou á ordem, e foi muito forte em +armas e leixou ao Templo o que agora ha, e em Abelamar (talvez em +_alem-mar_)». + +Goes, que gostâmos sempre de consultar n'estas historias, não parece ter +encontrado nos Paes, do seu tempo, pelo menos, uma genealogia muito +antiga, pois que abre o «titulo» com Payo Rodrigues que--«foi um +cavalleiro muito honrado em tempo delRei Dom Affonso o quinto, e foi +filho de Pedro Esteves, Alcaide Mór de Portel»--. São outros, +evidentemente. Tambem da semente d'elle, como dizem os geneologos, não +seria facil haver noticia, espalhada, como ficaria, clandestina ou +ganceira, pela Syria e pelo Ribatejo, nas aventuras e desmandos das +campanhas do Templario. + +Segundo Cunha, nasceu o Mestre em Braga e--«n'ella se conserva ainda +hoje uma rua com o nome de D. Gualdim, em que é tradição que nasceu»--. + +Corrigem outros, observando que alli fôra Procurador ou Mestre da Casa +do Templo, que lá existira,--o que é demonstrado por um documento citado +no _Elucidario_ de Viterbo,--mas que em Marecos, depois Amaraes e hoje +Amares, a 10 kilometros de Braga, é que realmente nascera o Mestre, que +fôra até o primeiro a usar e a nobilitar o titulo de Marecos, da herdade +que foi o nucleo da povoação. + +Convem dizer, pois que não tem sido dito até hoje, que outro velho +codice geneologico põe uma sombra de duvida n'esta gloria da pequena +povoação minhota, dizendo, um tanto obscuramente:--«E o meestre dom +galdim paez do tempre e seu irmaão _forom naturaaes dapardar de braa_». +Mas sendo justa a hesitação na leitura indicada na compilação da +Academia (_Port. monum. hist._), não será talvez muito aventuroso +ler:--_da par de Braga_,--restituindo á antiga Marecos, o seu Templario. +E já agora avivemos o registo de um pequeno episodio que n'esta altura +nos offerece esse codice. + +Uma neta do irmão de Galdino:--Dona _Estevaynha_ ou Estevaninha Paes +casou com Dom Martim Annes de Riba da Visella, neto, pela mãe, de um +grande fidalgo Dom Soeiro Mendes o Gordo que a tivera de uma barregan e +que fazendo-a herdeira--«mui bem e mui compridamente em seus beens»--a +casára com Dom João Fernandes de Riba da Vizella. + +Diz então o codice:--«E este meestre dom galdim paaez do tempre fez +muyto bem e deu grandalgo a este dom Martim Annes de riba davizela +quando casou com esta dona steuaynha paaz sobredita». + +Martim Annes foi--«mui priuado delRei dom afonso de portugal, filho +delRei dom sancho o uelho». + +Por ordem do Rei foi cercar a irmã d'este, a Infanta Dona Thereza, a +Montemór o Velho, e derrotado, cahiu n'um paul entre aquella villa e +Coimbra. Quando lhe acudiram:--«non se pode sofrer que non morese do +sangui que del tirarom as çameçugas». + +Dá, ainda, uma tradição constante, e parece confirmar a inscripção de +Thomar, que Galdino fôra creado na côrte do primeiro Rei portuguez, e +por elle armado cavalleiro na batalha de Ourique, em 1139. É sómente dez +ou mais annos depois d'esta data, que nos apparece nos documentos, e já +como Templario graduado, consequentemente depois do seu regresso do +Oriente. + +Segundo Cunha e os diplomas reunidos por elle, seria, até, sómente na +era de 1199, correspondente ao anno de 1161, que pela primeira vez nos +appareceria como Mestre, na doação que lhe faz o Rei:--_tibi Magistro +Gualdino_,--de certas herdades cultivadas e por cultivar junto de +Cintra; mas Santa Rosa de Viterbo (_Elucidario_) encontra-o muito antes, +em 1148, figurando como _Mestre_ da Casa Templaria de Braga, n'uma +concordata feita com esta, e em 1157 como _Mestre_ absoluto ou Geral dos +Templarios em Portugal, succedendo a Dom Pedro Arnaldo, que abdicou +n'esse anno e morreu no seguinte. Terá Viterbo lido bem aquella primeira +data? A interrogação parecera impertinente em relação ao erudito +investigador, se um facto muito positivo a não auctorisasse. Esse facto +é a tomada de Ascalonia, expressamente indicada na inscripção. Essa +tomada, é claro que não foi a de Saladino aos christãos, que só se +realisou em 1187. Foi a dos christãos aos turcos. Estava lá, então, +Galdino; isto é, estava no Oriente em 1153, que é a data d'esta +conquista. (Michaud, _Hist. des Croisades_, t. II.) + +Estava, e demorou-se ainda. Estando em 1157 em Portugal, e sendo feito, +então, Mestre geral dos Templarios Portuguezes, partiria em 1152, ou +pouco antes, mas já partiria, então, como templario graduado, se é +verdadeira a data de 1148, attribuida por Viterbo á concordata de Braga, +o que, de resto, não repugna inteiramente á inscripção. + +Inclinamo-nos a crer que foi realmente em 1157 que Galdino voltou, sendo +então elevado ao cargo de Mestre geral, ou, como a inscripção diz:--de +Procurador do Templo, em todo o Portugal, tendo partido, como simples +Mestre da Casa de Braga, em 1152, ou pouco antes. + +Dos castellos alludidos na inscripção, dois,--o de Idanha e o de +Monsanto,--são-lhe doados em 29 de novembro da era de 1203 (1165), +chamando-se-lhe tambem Mestre:--_vobis Magistro Gualdino_--. + +A ideia vulgar da hierarchia monastico-militar póde parecer +extraordinario que elle seja designado simplesmente como _Procurador_, +em outubro da era de 1207 (1169), quando lhe são doados, e á Ordem, os +castellos de Zezere, de Thomar, e ainda o de Cardiga--«com todas as +herdades que alli fizeste e rompeste»--devendo notar-se que n'esse mesmo +anno como tal se apellida tambem, na doação:--«de toda a terça parte que +pela graça de Deus poderem adquirir e povoar desde o rio Tejo por +deante--»para o sul, é claro, aos--«cavalleiros chamados do Templo de +Salomão»--nas pessoas dos de Portugal e de--_vobis Fratri Gualdino in +Portugalia rerum Templi Procuratori_--. + +Mas esta qualidade de _Procurator_, referida á gerencia regional ou +provincial dos diversos agrupamentos da Ordem, não era inferior, e muito +menos incompativel, com a categoria de _Magister_, a bem dizer a de +Superior de cada Casa ou Commenda, com tendencias para substituir +aquella pela separação das diversas communidades nacionaes. + +Não foi Galdino o unico _cruzado_ portuguez; mas é dos raros cujos nomes +se apuram. Se das suas façanhas no Oriente resa sómente a inscripção, +outros e diversos documentos a corroboram brilhantemente na historia +patria. + + + + +XI + + +[Figura: Claustro da sé de Lisboa.] + + + + +Leitura: + + + --_Esta sepultura é de dona (?) Ignez Eannes, sobrinha de Vicente + Domingues Bolhão_. + + +Tem um certo interesse de occasião esta inscripção modestissima, agora +que vae celebrar-se o centenario de Santo Antonio de Padua, mais +propriamente: de Lisboa. _Bolhões_ eram a familia d'elle. Vicente Bulhão +se chamou o avô, ou, melhor, Vicente Martins _dito o Bulhão_, o que +devia desconcertar um pouco os genealogistas, no esforço de engrandecer +e nobilitar a alcunha que se tornou patronymico:--_Vicenti Martinii +dicti Bulhon_,--segundo a nota obituaria que elles encontraram--«no +livro de mão da Kalenda da Sé antiga de Lisboa». + +D'este Vicente, veiu Martim Bulhão,--_Martinus Bulhon_, resava a mesma +nota,--que, desposando Theresa Taveira, teve os seguintes filhos: + +--Pedro Martins de Bulhão, do qual, nota semelhante á citada, dizia:--_6 +nonas julii obiit Petrus Martinii dictus de Bulhon_,--tendo vivido na +primeira metade do seculo XIII; d'elle procedeu um personagem +relativamente illustre, o confessor da Rainha Santa, capellão de Dom +Diniz e lente de theologia da Universidade: Dom Domingos Martins, conego +de Santa Cruz. + +--Fernão Martins de Bulhão, o nosso futuro Santo Antonio; + +--Vicente Martins de Bulhão; + +--Feliciana Martins Taveira; + +--Maria Martins Taveira, freira, que morreu tambem com ares de +santidade, em 18 de fevereiro de 1240. + +Mas é claro que o Vicente da inscripção não é nem o primeiro nem o +segundo. É, porém, da familia, neto de um ou bisneto do outro, segundo +Monterroyo. + +Teve duas irmãs Vicente Domingues, que casaram fidalgamente: uma, Dona +Sancha Martins Bulhão, com Dom Soeiro Fernandes Alam, que viveu no tempo +de Dom Affonso III e Dom Diniz, e com o qual se orgulham os Soares de +Albergaria; a outra, Dona Dordia, que foi mulher de Pedro Martins +Botelho, de Riba de Vizella, e depois de Reymondo,--como quem diz +Raymundo,--de Portocarrero. + +Mas nenhuma d'estas senhoras parece ter-nos dado a Ignez da inscripção, +cuja paternidade modestamente se escondeu na prosapia do tio, especie de +conservador ou agente official dos negocios das colonias extrangeiras em +Lisboa. + +Uma Ignez se encontra, proximamente, na familia; mas é Ignez Dias +Bulhão, procedente da geração da Dona Dordia, e que Dona Leonor Telles, +a rainha bigama, considerava sua parente. + +Temos, pois, de nos contentar com o facto do tio nos authenticar a +antiguidade da inscripção, que obsequiosamente nos forneceu o estudioso +e dedicado secretario da _Arte Portugueza_, sr. D. José Pessanha. + + + + +XII + + +[Figura: Thomar. Igreja de Santa Maria dos Olivaes, na parede da segunda +capella, á direita.] + + + + +Leitura: + + + --_Obiit frater gvaldinvs magister militum templi portugalie E. + MCCXXXIII, III.^o idvs octobris. Hic castrvm Tomaris cum multis + aliis popvlauit. Requiescat in pace. Amen._ + + +Versão: + + + --_Morreu Frei Galdino, Mestre dos Cavalleiros do Templo em + Portugal, na era de 1233, terceiro dos idos de outubro. Este + castello de Thomar, com muitos outros, povoou. Descance em paz. + Amen._ + + +No movimento, um pouco desordenado, diga-se de passagem, das celebrações +apotheosicas, centenaes ou não, que ultimamente se tem manifestado entre +nós, pensaram alguns cavalheiros de Thomar em promover uma que +attrahisse as attenções e a concorrencia de forasteiros á formosa cidade +do Nabão, bem digna realmente de ser mais conhecida e visitada. Tiveram, +então, a feliz idéa de tomar por thema o nome e a memoria do valente +Templario portuguez, Galdino Paes, tão deploravelmente esquecido tambem, +e de quem póde dizer-se que foi, alem de fundador de Thomar, um dos mais +intrepidos e persistentes cooperadores da fundação de Portugal. + +Sob aquella idéa se reanimou o empenho do meu amigo e distincto +director-professor da Escola Industrial d'aquella cidade, sr. Manuel +Henrique Pinto, de encontrar a jazida dos restos do glorioso Templario. +Aproveito a occasião para dizer, com reconhecimento, que o sr. Pinto tem +sido o meu mais dedicado e caloroso auxiliar n'esta colheita de _calcos_ +de inscripções portuguezas. Honra lhe seja, que n'isso não é a mim, mas +á Historia e ao paiz, que presta um bello serviço. + +Obtendo licença para sondar as paredes d'aquella interessantissima e +vetusta igreja de Santa Maria do Olival ou dos Olivaes, que por si dava +assumpto para uma soberba monographia sobre a historia da architectura +nacional, o sr. Pinto, com dois amigos egualmente interessados n'esta +pesquiza, começou-a e teve a fortuna de, ás primeiras tentativas, +encontrar a pedra (naturalmente um dos lados do sarcophago), em que +está, nitida e graciosamente cavada a inscripção de que tirou e me +enviou o magnifico _calco_, em poucos minutos reproduzido pelo lapis +primoroso e firme de Casanova. Como se vê, a inscripção não offerece +hesitações ou duvidas de leitura ou de contemporaneidade, esta ultima +perfeitamente flagrante, para quem conhece a epigraphia tumular do +tempo, com as suas cruzes espalmadas (_pattées_) iniciaes, com as +maiusculas oscillando entre o romano e o gothico, com o seu _pautado_, +até com a sua redacção dos velhos obituarios e livros de calendas, +monasticos. Lê-se ao primeiro relance. Que o til ou plica que ornamenta +um dos XX da _era_, não suggira reparo. Tem o mesmo valor que os do _e_ +(era), do _m_ (mil) ou dos _cc_ (duzentos): isto é, nenhum tem. O +Viterbo do _Elucidario_ já advertiu esta especie de mau habito +decorativo, inconsciente. + +A _era_ é indiscutivelmente a de 1233, correspondente ao anno de Christo +de 1195. Sempre se lucrou, com a idéa do centenario, ficarmos +definitivamente sabendo que o grande Templario morrêra em 1195, a 13 de +outubro. Teria então setenta e sete annos, se tambem acertou Costa +(_Hist. da Ord._), quando o dá nascido em 1118. Cedo fizera Galdino a +sua iniciação de Cavalleiro do Templo nas longinquas campanhas da Syria; +mas, por mais cedo que n'aquelles tempos se fosse homem, é claro que +andam erradas algumas datas das suas doações e fundações. Apparecer-nos +elle como Mestre,--_tibi Magistro Gualdino_,--em 1161, isto é, aos +quarenta e tres annos, na doação das casas e herdades cultivadas e por +cultivar junto de Cintra, não repugna, comtudo. + +Em 1169, isto é, aos cincoenta e um, é que recebe toda a terça parte que +podér adquirir e povoar desde o Tejo por deante, em doação «a Deus e aos +cavalleiros chamados do Templo de Salomão», como Procurador d'elle em +Portugal:--«_vobis Fratri Galdino in Portugal rerum Templi +Procuratori_»,--e mais os castellos da foz do Zezere, de Cardiga, e o de +Thomar, com todas as herdades--«que fizestes e rompestes». Já +anteriormente, em 1165, lhe haviam sido doados,--_vobis magistro +Gualdino_,--e á Ordem, os castellos de Idanha e de Monsanto, e antes +ainda, seguramente,--«aquelle castello que se chama Ceras»--e a Redinha. +Rigorosamente, estas doações não eram mais que as confirmações reaes das +fundações, das conquistas e das explorações agricolas, com que o activo +Templario e os seus freires iam acrescentando e consolidando, dia a dia, +a patria christã e portugueza. + + + + +XIII + + +[Figura: Portalegre; Convento de S. Bernardo (seminario), na casa do +capitulo (arruinada). Lapide de marmore, com a figura de uma abbadessa +esculpida e em volta a inscripção.] + + + + +Leitura: + + + --_Aqui jaz Dona Branca de Vasconcellos, a primeira abbadessa que + foi d'este mosteiro, a qual ensinou as mo(n)jas d'elle, do começo + de suas profissões. E falleceu aos 23 dias do mez de outubro de + 1537._ + + +Seria uma das filhas de João Rodrigues Ribeiro de Vasconcellos? + +Diz Goes: + + +--João Roiz Ribeiro de Vasconcellos, filho d'este Ruy Vaz, foi senhor da +Casa de seu pae, e foi casado com _Dona Branca_ de Meneses, filha de Ruy +Gonçalves da Silva, Alcaide Môr de Campo Maior e Ouguella, de quem +houve... «_e outras que são freiras_». + + + + + +End of Project Gutenberg's Inscripções portuguezas, by Luciano Cordeiro + +*** END OF THIS PROJECT GUTENBERG EBOOK INSCRIPÇÕES PORTUGUEZAS *** + +***** This file should be named 28348-8.txt or 28348-8.zip ***** +This and all associated files of various formats will be found in: + https://www.gutenberg.org/2/8/3/4/28348/ + +Produced by Rita Farinha and the Online Distributed +Proofreading Team at https://www.pgdp.net (This file was +produced from images generously made available by National +Library of Portugal (Biblioteca Nacional de Portugal).) + + +Updated editions will replace the previous one--the old editions +will be renamed. + +Creating the works from public domain print editions means that no +one owns a United States copyright in these works, so the Foundation +(and you!) can copy and distribute it in the United States without +permission and without paying copyright royalties. Special rules, +set forth in the General Terms of Use part of this license, apply to +copying and distributing Project Gutenberg-tm electronic works to +protect the PROJECT GUTENBERG-tm concept and trademark. Project +Gutenberg is a registered trademark, and may not be used if you +charge for the eBooks, unless you receive specific permission. If you +do not charge anything for copies of this eBook, complying with the +rules is very easy. You may use this eBook for nearly any purpose +such as creation of derivative works, reports, performances and +research. They may be modified and printed and given away--you may do +practically ANYTHING with public domain eBooks. Redistribution is +subject to the trademark license, especially commercial +redistribution. + + + +*** START: FULL LICENSE *** + +THE FULL PROJECT GUTENBERG LICENSE +PLEASE READ THIS BEFORE YOU DISTRIBUTE OR USE THIS WORK + +To protect the Project Gutenberg-tm mission of promoting the free +distribution of electronic works, by using or distributing this work +(or any other work associated in any way with the phrase "Project +Gutenberg"), you agree to comply with all the terms of the Full Project +Gutenberg-tm License (available with this file or online at +https://gutenberg.org/license). + + +Section 1. General Terms of Use and Redistributing Project Gutenberg-tm +electronic works + +1.A. By reading or using any part of this Project Gutenberg-tm +electronic work, you indicate that you have read, understand, agree to +and accept all the terms of this license and intellectual property +(trademark/copyright) agreement. If you do not agree to abide by all +the terms of this agreement, you must cease using and return or destroy +all copies of Project Gutenberg-tm electronic works in your possession. +If you paid a fee for obtaining a copy of or access to a Project +Gutenberg-tm electronic work and you do not agree to be bound by the +terms of this agreement, you may obtain a refund from the person or +entity to whom you paid the fee as set forth in paragraph 1.E.8. + +1.B. "Project Gutenberg" is a registered trademark. It may only be +used on or associated in any way with an electronic work by people who +agree to be bound by the terms of this agreement. There are a few +things that you can do with most Project Gutenberg-tm electronic works +even without complying with the full terms of this agreement. See +paragraph 1.C below. There are a lot of things you can do with Project +Gutenberg-tm electronic works if you follow the terms of this agreement +and help preserve free future access to Project Gutenberg-tm electronic +works. See paragraph 1.E below. + +1.C. The Project Gutenberg Literary Archive Foundation ("the Foundation" +or PGLAF), owns a compilation copyright in the collection of Project +Gutenberg-tm electronic works. Nearly all the individual works in the +collection are in the public domain in the United States. If an +individual work is in the public domain in the United States and you are +located in the United States, we do not claim a right to prevent you from +copying, distributing, performing, displaying or creating derivative +works based on the work as long as all references to Project Gutenberg +are removed. Of course, we hope that you will support the Project +Gutenberg-tm mission of promoting free access to electronic works by +freely sharing Project Gutenberg-tm works in compliance with the terms of +this agreement for keeping the Project Gutenberg-tm name associated with +the work. You can easily comply with the terms of this agreement by +keeping this work in the same format with its attached full Project +Gutenberg-tm License when you share it without charge with others. + +1.D. The copyright laws of the place where you are located also govern +what you can do with this work. Copyright laws in most countries are in +a constant state of change. If you are outside the United States, check +the laws of your country in addition to the terms of this agreement +before downloading, copying, displaying, performing, distributing or +creating derivative works based on this work or any other Project +Gutenberg-tm work. The Foundation makes no representations concerning +the copyright status of any work in any country outside the United +States. + +1.E. Unless you have removed all references to Project Gutenberg: + +1.E.1. The following sentence, with active links to, or other immediate +access to, the full Project Gutenberg-tm License must appear prominently +whenever any copy of a Project Gutenberg-tm work (any work on which the +phrase "Project Gutenberg" appears, or with which the phrase "Project +Gutenberg" is associated) is accessed, displayed, performed, viewed, +copied or distributed: + +This eBook is for the use of anyone anywhere at no cost and with +almost no restrictions whatsoever. You may copy it, give it away or +re-use it under the terms of the Project Gutenberg License included +with this eBook or online at www.gutenberg.org + +1.E.2. If an individual Project Gutenberg-tm electronic work is derived +from the public domain (does not contain a notice indicating that it is +posted with permission of the copyright holder), the work can be copied +and distributed to anyone in the United States without paying any fees +or charges. If you are redistributing or providing access to a work +with the phrase "Project Gutenberg" associated with or appearing on the +work, you must comply either with the requirements of paragraphs 1.E.1 +through 1.E.7 or obtain permission for the use of the work and the +Project Gutenberg-tm trademark as set forth in paragraphs 1.E.8 or +1.E.9. + +1.E.3. If an individual Project Gutenberg-tm electronic work is posted +with the permission of the copyright holder, your use and distribution +must comply with both paragraphs 1.E.1 through 1.E.7 and any additional +terms imposed by the copyright holder. Additional terms will be linked +to the Project Gutenberg-tm License for all works posted with the +permission of the copyright holder found at the beginning of this work. + +1.E.4. Do not unlink or detach or remove the full Project Gutenberg-tm +License terms from this work, or any files containing a part of this +work or any other work associated with Project Gutenberg-tm. + +1.E.5. Do not copy, display, perform, distribute or redistribute this +electronic work, or any part of this electronic work, without +prominently displaying the sentence set forth in paragraph 1.E.1 with +active links or immediate access to the full terms of the Project +Gutenberg-tm License. + +1.E.6. You may convert to and distribute this work in any binary, +compressed, marked up, nonproprietary or proprietary form, including any +word processing or hypertext form. However, if you provide access to or +distribute copies of a Project Gutenberg-tm work in a format other than +"Plain Vanilla ASCII" or other format used in the official version +posted on the official Project Gutenberg-tm web site (www.gutenberg.org), +you must, at no additional cost, fee or expense to the user, provide a +copy, a means of exporting a copy, or a means of obtaining a copy upon +request, of the work in its original "Plain Vanilla ASCII" or other +form. Any alternate format must include the full Project Gutenberg-tm +License as specified in paragraph 1.E.1. + +1.E.7. Do not charge a fee for access to, viewing, displaying, +performing, copying or distributing any Project Gutenberg-tm works +unless you comply with paragraph 1.E.8 or 1.E.9. + +1.E.8. You may charge a reasonable fee for copies of or providing +access to or distributing Project Gutenberg-tm electronic works provided +that + +- You pay a royalty fee of 20% of the gross profits you derive from + the use of Project Gutenberg-tm works calculated using the method + you already use to calculate your applicable taxes. The fee is + owed to the owner of the Project Gutenberg-tm trademark, but he + has agreed to donate royalties under this paragraph to the + Project Gutenberg Literary Archive Foundation. Royalty payments + must be paid within 60 days following each date on which you + prepare (or are legally required to prepare) your periodic tax + returns. Royalty payments should be clearly marked as such and + sent to the Project Gutenberg Literary Archive Foundation at the + address specified in Section 4, "Information about donations to + the Project Gutenberg Literary Archive Foundation." + +- You provide a full refund of any money paid by a user who notifies + you in writing (or by e-mail) within 30 days of receipt that s/he + does not agree to the terms of the full Project Gutenberg-tm + License. You must require such a user to return or + destroy all copies of the works possessed in a physical medium + and discontinue all use of and all access to other copies of + Project Gutenberg-tm works. + +- You provide, in accordance with paragraph 1.F.3, a full refund of any + money paid for a work or a replacement copy, if a defect in the + electronic work is discovered and reported to you within 90 days + of receipt of the work. + +- You comply with all other terms of this agreement for free + distribution of Project Gutenberg-tm works. + +1.E.9. If you wish to charge a fee or distribute a Project Gutenberg-tm +electronic work or group of works on different terms than are set +forth in this agreement, you must obtain permission in writing from +both the Project Gutenberg Literary Archive Foundation and Michael +Hart, the owner of the Project Gutenberg-tm trademark. Contact the +Foundation as set forth in Section 3 below. + +1.F. + +1.F.1. Project Gutenberg volunteers and employees expend considerable +effort to identify, do copyright research on, transcribe and proofread +public domain works in creating the Project Gutenberg-tm +collection. Despite these efforts, Project Gutenberg-tm electronic +works, and the medium on which they may be stored, may contain +"Defects," such as, but not limited to, incomplete, inaccurate or +corrupt data, transcription errors, a copyright or other intellectual +property infringement, a defective or damaged disk or other medium, a +computer virus, or computer codes that damage or cannot be read by +your equipment. + +1.F.2. LIMITED WARRANTY, DISCLAIMER OF DAMAGES - Except for the "Right +of Replacement or Refund" described in paragraph 1.F.3, the Project +Gutenberg Literary Archive Foundation, the owner of the Project +Gutenberg-tm trademark, and any other party distributing a Project +Gutenberg-tm electronic work under this agreement, disclaim all +liability to you for damages, costs and expenses, including legal +fees. YOU AGREE THAT YOU HAVE NO REMEDIES FOR NEGLIGENCE, STRICT +LIABILITY, BREACH OF WARRANTY OR BREACH OF CONTRACT EXCEPT THOSE +PROVIDED IN PARAGRAPH F3. YOU AGREE THAT THE FOUNDATION, THE +TRADEMARK OWNER, AND ANY DISTRIBUTOR UNDER THIS AGREEMENT WILL NOT BE +LIABLE TO YOU FOR ACTUAL, DIRECT, INDIRECT, CONSEQUENTIAL, PUNITIVE OR +INCIDENTAL DAMAGES EVEN IF YOU GIVE NOTICE OF THE POSSIBILITY OF SUCH +DAMAGE. + +1.F.3. LIMITED RIGHT OF REPLACEMENT OR REFUND - If you discover a +defect in this electronic work within 90 days of receiving it, you can +receive a refund of the money (if any) you paid for it by sending a +written explanation to the person you received the work from. If you +received the work on a physical medium, you must return the medium with +your written explanation. The person or entity that provided you with +the defective work may elect to provide a replacement copy in lieu of a +refund. If you received the work electronically, the person or entity +providing it to you may choose to give you a second opportunity to +receive the work electronically in lieu of a refund. If the second copy +is also defective, you may demand a refund in writing without further +opportunities to fix the problem. + +1.F.4. Except for the limited right of replacement or refund set forth +in paragraph 1.F.3, this work is provided to you 'AS-IS' WITH NO OTHER +WARRANTIES OF ANY KIND, EXPRESS OR IMPLIED, INCLUDING BUT NOT LIMITED TO +WARRANTIES OF MERCHANTIBILITY OR FITNESS FOR ANY PURPOSE. + +1.F.5. Some states do not allow disclaimers of certain implied +warranties or the exclusion or limitation of certain types of damages. +If any disclaimer or limitation set forth in this agreement violates the +law of the state applicable to this agreement, the agreement shall be +interpreted to make the maximum disclaimer or limitation permitted by +the applicable state law. The invalidity or unenforceability of any +provision of this agreement shall not void the remaining provisions. + +1.F.6. INDEMNITY - You agree to indemnify and hold the Foundation, the +trademark owner, any agent or employee of the Foundation, anyone +providing copies of Project Gutenberg-tm electronic works in accordance +with this agreement, and any volunteers associated with the production, +promotion and distribution of Project Gutenberg-tm electronic works, +harmless from all liability, costs and expenses, including legal fees, +that arise directly or indirectly from any of the following which you do +or cause to occur: (a) distribution of this or any Project Gutenberg-tm +work, (b) alteration, modification, or additions or deletions to any +Project Gutenberg-tm work, and (c) any Defect you cause. + + +Section 2. Information about the Mission of Project Gutenberg-tm + +Project Gutenberg-tm is synonymous with the free distribution of +electronic works in formats readable by the widest variety of computers +including obsolete, old, middle-aged and new computers. It exists +because of the efforts of hundreds of volunteers and donations from +people in all walks of life. + +Volunteers and financial support to provide volunteers with the +assistance they need are critical to reaching Project Gutenberg-tm's +goals and ensuring that the Project Gutenberg-tm collection will +remain freely available for generations to come. In 2001, the Project +Gutenberg Literary Archive Foundation was created to provide a secure +and permanent future for Project Gutenberg-tm and future generations. +To learn more about the Project Gutenberg Literary Archive Foundation +and how your efforts and donations can help, see Sections 3 and 4 +and the Foundation web page at https://www.pglaf.org. + + +Section 3. Information about the Project Gutenberg Literary Archive +Foundation + +The Project Gutenberg Literary Archive Foundation is a non profit +501(c)(3) educational corporation organized under the laws of the +state of Mississippi and granted tax exempt status by the Internal +Revenue Service. The Foundation's EIN or federal tax identification +number is 64-6221541. Its 501(c)(3) letter is posted at +https://pglaf.org/fundraising. Contributions to the Project Gutenberg +Literary Archive Foundation are tax deductible to the full extent +permitted by U.S. federal laws and your state's laws. + +The Foundation's principal office is located at 4557 Melan Dr. S. +Fairbanks, AK, 99712., but its volunteers and employees are scattered +throughout numerous locations. Its business office is located at +809 North 1500 West, Salt Lake City, UT 84116, (801) 596-1887, email +business@pglaf.org. Email contact links and up to date contact +information can be found at the Foundation's web site and official +page at https://pglaf.org + +For additional contact information: + Dr. Gregory B. Newby + Chief Executive and Director + gbnewby@pglaf.org + + +Section 4. Information about Donations to the Project Gutenberg +Literary Archive Foundation + +Project Gutenberg-tm depends upon and cannot survive without wide +spread public support and donations to carry out its mission of +increasing the number of public domain and licensed works that can be +freely distributed in machine readable form accessible by the widest +array of equipment including outdated equipment. Many small donations +($1 to $5,000) are particularly important to maintaining tax exempt +status with the IRS. + +The Foundation is committed to complying with the laws regulating +charities and charitable donations in all 50 states of the United +States. Compliance requirements are not uniform and it takes a +considerable effort, much paperwork and many fees to meet and keep up +with these requirements. We do not solicit donations in locations +where we have not received written confirmation of compliance. To +SEND DONATIONS or determine the status of compliance for any +particular state visit https://pglaf.org + +While we cannot and do not solicit contributions from states where we +have not met the solicitation requirements, we know of no prohibition +against accepting unsolicited donations from donors in such states who +approach us with offers to donate. + +International donations are gratefully accepted, but we cannot make +any statements concerning tax treatment of donations received from +outside the United States. U.S. laws alone swamp our small staff. + +Please check the Project Gutenberg Web pages for current donation +methods and addresses. Donations are accepted in a number of other +ways including including checks, online payments and credit card +donations. To donate, please visit: https://pglaf.org/donate + + +Section 5. General Information About Project Gutenberg-tm electronic +works. + +Professor Michael S. Hart was the originator of the Project Gutenberg-tm +concept of a library of electronic works that could be freely shared +with anyone. For thirty years, he produced and distributed Project +Gutenberg-tm eBooks with only a loose network of volunteer support. + + +Project Gutenberg-tm eBooks are often created from several printed +editions, all of which are confirmed as Public Domain in the U.S. +unless a copyright notice is included. Thus, we do not necessarily +keep eBooks in compliance with any particular paper edition. + + +Most people start at our Web site which has the main PG search facility: + + https://www.gutenberg.org + +This Web site includes information about Project Gutenberg-tm, +including how to make donations to the Project Gutenberg Literary +Archive Foundation, how to help produce our new eBooks, and how to +subscribe to our email newsletter to hear about new eBooks. diff --git a/28348-8.zip b/28348-8.zip Binary files differnew file mode 100644 index 0000000..ac97a7c --- /dev/null +++ b/28348-8.zip diff --git a/28348-h.zip b/28348-h.zip Binary files differnew file mode 100644 index 0000000..13e1c32 --- /dev/null +++ b/28348-h.zip diff --git a/28348-h/28348-h.htm b/28348-h/28348-h.htm new file mode 100644 index 0000000..d303021 --- /dev/null +++ b/28348-h/28348-h.htm @@ -0,0 +1,2481 @@ +<!DOCTYPE html PUBLIC "-//W3C//DTD XHTML 1.0 Strict//EN" "http://www.w3.org/TR/xhtml1/DTD/xhtml1-strict.dtd"> +<html xmlns="http://www.w3.org/1999/xhtml"> + +<head> + <title>Inscripções portuguezas</title> + + + <meta name="AUTHOR" content="Luciano Cordeiro" /> + + <meta http-equiv="Content-Type" content="text/html; charset=ISO-8859-1" /> + + <style type="text/css"> +body {width: 50%; margin-left:10%; text-align: justify;} +h1, h2, h3, h4, h5 { text-align: center;} +h1 {margin: 2em; text-align: center;} +h2, h4 {margin-top: 2em;} +.tiny {font-size: 75%;} +.tinys {font-size: 90%;} +.tinyl {font-size: 95%;} +.bbox {border: solid black 1px; margin-left: 5%; margin-right: 5%;} +.fbox {border: solid black 1px; background-color: #FFFFCC; font-size: 75%; margin-left: 10%; margin-right: 10%;} +.intro {font-size: 90%; font-style: italic; margin-left:7%;} +.intro1 {margin-left:20%;} +.signature { +margin-right: 5%; +text-align: right;} +.smallcaps {font-variant: small-caps;} +.quote {margin-left:7%; margin-right:7%;} +.quote1 {margin-left:35%;} +.quote2 {margin-left:50%;} +.quote3 {margin-left:10%;} +.right {text-align: right;} +.break { +width: 40%; +margin-left:30%;} +.sbreak { +width: 20%; +margin-left:40%;} +.breaks { +width: 10%; +margin-left:45%;} +.note {font-size: 75%;} +.dots {color: #fff; background-color: inherit; border: 3px dotted #555; border-style: none none dotted;} +.poetry {margin-left:25%;} +.poetry1 {margin-left:20%;} +.poetry2 {margin-left:50%;} +.poetry3 {margin-left:30%;} +.poetry4 {margin-left:40%;} +.pagenum { position: absolute; right: 35%; +font-size: 75%; +text-align: right; +text-indent: 0em; +font-style: normal; +font-weight: normal; +color: silver; background-color: inherit; +font-variant: normal;} + </style> +</head> + +<body> + + +<pre> + +The Project Gutenberg EBook of Inscripções portuguezas, by Luciano Cordeiro + +This eBook is for the use of anyone anywhere at no cost and with +almost no restrictions whatsoever. You may copy it, give it away or +re-use it under the terms of the Project Gutenberg License included +with this eBook or online at www.gutenberg.org + + +Title: Inscripções portuguezas + +Author: Luciano Cordeiro + +Release Date: March 17, 2009 [EBook #28348] + +Language: Portuguese + +Character set encoding: ISO-8859-1 + +*** START OF THIS PROJECT GUTENBERG EBOOK INSCRIPÇÕES PORTUGUEZAS *** + + + + +Produced by Rita Farinha and the Online Distributed +Proofreading Team at https://www.pgdp.net (This file was +produced from images generously made available by National +Library of Portugal (Biblioteca Nacional de Portugal).) + + + + + + +</pre> + + +<div> +<div><br /> + +<br /> + +<br /> + +<br /> + +<h4> +VESPERAS DO CENTENARIO<br /> + +<br /> + +DA<br /> + +<br /> + +INDIA </h4> + +<br /> + +<h1><span class="smallcaps">Inscripções +Portuguezas</span></h1> + +<h5> +POR </h5> + +<h4> +LUCIANO CORDEIRO </h4> + +<br /> + +<br /> + +<br /> + +<div class="quote1 tiny"> +<em>Fiel guarda da memoria é a escripta, porque +<br /> + +renova as cousas antigas, confirma as novas, <br /> + +conserva as confirmadas e representa as<br /> + +conservadas para que as noticias d'ellas se não <br /> + +entreguem ao esquecimento dos vindouros.</em> <br /> + +<br /> + +(N'um diploma de doação de Affonso Henriques <br /> + +ao Mestre Galdino Paes.--Trad.) </div> + +<br /> + +<br /> + +<div style="text-align: center;"><img style="width: 100px; height: 134px;" alt="" src="images/fig01.png" /><br /> + +</div> + +<br /> + +<br /> + +<h4> +LISBOA<br /> + +<br /> + +IMPRENSA NACIONAL<br /> + +<br /> + +1895 </h4> + +<br /> + +<br /> + +<h2><br /> + +INSCRIPÇÕES PORTUGUEZAS </h2> + +<br /> + +<br /> + +<br /> + +<div class="bbox"> + +<h4>VESPERAS DO CENTENARIO<br /> + +<br /> + +DA<br /> + +<br /> + +INDIA</h4> +<br /> + +<div class="sbreak"> +<hr /></div> + +<h1><span class="smallcaps">Inscripções +Portuguezas</span></h1> + +<div class="sbreak"> +<hr /></div> + +<br /> + +<h5> +POR </h5> + +<h4> +LUCIANO CORDEIRO </h4> + + +<br /> + +<div class="quote1 tiny"> +<em>Fiel guarda da memoria é a escripta, porque +<br /> + +renova as cousas antigas, confirma as novas, <br /> + +conserva as confirmadas e representa as<br /> + +conservadas para que as noticias d'ellas se não <br /> + +entreguem ao esquecimento dos vindouros.</em> <br /> + +<br /> + +(N'um diploma de doação de Affonso Henriques <br /> + +ao Mestre Galdino Paes.--Trad.) </div> + +<br /> + +<br /> + +<div style="text-align: center;"><img style="width: 100px; height: 134px;" alt="" src="images/fig01.png" /><br /> + +</div> + +<br /> + +<h4> +LISBOA<br /> + +<br /> + +IMPRENSA NACIONAL<br /> + +<br /> + +1895 </h4> + +<br /> + +</div> + +<br /> + +<br /> + +<br /> + +<h3> +A<br /> + +<br /> + +Gomes de Brito </h3> + +<br /> + +<br /> + +<br /> + +<br /> + +<br /> + +<h4>INSCRIPÇÕES PORTUGUEZAS </h4> + +<div class="sbreak"> +<hr /></div> + +<br /> + +<h4>1.ª SERIE </h4> + +<div class="sbreak"> +<hr /></div> + +<br /> + +<h4>(EXTRAHIDA DA <em>ARTE PORTUGUEZA</em>)</h4> + +<br /> + +<br /> + +<br /> + +<br /> + +<br /> + +É claro que os seguintes apontamentos, desordenadamente +colhidos e reunidos, não têem a menor +pretenção a iniciar um +<em>Corpo de inscripções portuguezas</em>, +que, aliás, era tempo de +começar-se. <br /> + +<br /> + +Estas notas dispersas, que a piedade domestica, a prosapia genealogica, +a vaidade individual, o culto civico escreveu na pedra ou no bronze dos +monumentos ou das campas, têem, sob varios aspectos, um +irrecusavel interesse critico, alem de que são, +frequentemente, verdadeiras e importantes +revelações históricas. <br /> + +<br /> + +Parecerá até impertinencia querer demonstrar, +ainda, a utilidade da sua colheita e registo. <br /> + +<br /> + +Ora, todos os dias ruem os monumentos e vão-se apagando e +desapparecendo as legendas tumulares, por esse paiz fóra. <br /> + +<br /> + +É, comtudo, tão facil, tão agradavel +passatempo, até, conserval-as! <br /> + +<br /> + +Nas minhas excursões provincianas, tenho consagrado ao <em>calco</em>,--ao +modesto e singelissimo +calco a papel, agua e escova,--a dedicação de uma +propaganda importuna +e teimosa, e é ainda a idéa de +reforçar essa +propaganda pela +<span class="pagenum">[10]</span> +lição directa da sua razão e +utilidade, que me determinou a ir publicando os primeiros +resultados,--embora pequenos, valiosos. <br /> + +<br /> + +Pareceu-me, porém, não dever limitar-me a reunir, +apenas, as inscripções agora directamente +colhidas, e, +menos ainda, sómente as que podessem considerar-se ineditas. +<br /> + +<br /> + +Alem de que algumas, publicadas de ha muito, precisam e poderam ser +corrigidas por um novo exame, o successivo agrupamento das que andam +dispersas por varias obras é evidentemente um bom +serviço, em que oxalá me +permittissem o tempo e os recursos poder cooperar melhor do que +procurarei fazel-o.<br /> + +<br /> + +<br /> + +<br /> + +<div style="text-align: center;"><img style="width: 150px; height: 106px;" alt="" src="images/fig02.png" /><br /> + +</div> + +<br /> + +<br /> + +<br /> + +<span class="pagenum">[11]</span> +<h3>I </h3> + +<br /> + +<br /> + +<div style="text-align: center;"><img style="width: 400px; height: 220px;" alt="" src="images/fig03.png" /><br /> + +</div> + +<br /> + +<div class="quote1 tiny">Thomar, convento de Christo, na +Sacristia Velha: pequena +lapide, caracteres gothicos minusculos.</div> + +<br /> + +<br /> + +<br /> + +<span class="pagenum">[12]</span> +<span class="smallcaps">Leitura</span>: <br /> + +<br /> + +<div class="quote3"><em>--Esta capella mandou fazer +Vasco Gonçalves +d(e) Almeida, cavalleiro, e sua mulher Mecia Lourenço, amos +do Infante Dom Henrique, e foi feita (na) era do Salvador de 1426.--</em> +</div> + +<br /> + +<br /> + +Damião de Goes (Liv. das Linh. MS.) abre +o--<em>Titulo dos Almeidas</em>--com o seguinte:<br /> + +<br /> + +<br /> + +<div class="tinys">--«Fernão +d'Alvares d'Almeida foi um honrado +cavalleiro em tempo delRei Dom João o 1.º. Foi +Vedor +de sua +Casa, sendo elle +Mestre d'Aviz, e, depois, em sendo Rei, foi Craveiro da dita Ordem e +<em>Ayo dos filhos do dito Rei</em>. <br /> + +<br /> + +«Houve filhos bastardos: Diogo Fernandes d'Almeida, Alvaro +Fernandes d'Almeida e Nuno Fernandes, de quem não ha +geração. E houve filhas».</div> + +<br /> + +<br /> + +N'esta bastardia, é que continuou e prosperou fidalgamente o +nome, logo pelo primeiro rebento,--o Diogo,--que foi vedor da fazenda +de D. João I e. de D. Duarte, e que, segundo +Goes--«casou com sete mulheres»--das quaes o +illustre chronista se limita a citar duas, apenas, se é que +não houve erro de copia na primeira conta:<br /> + +<br /> + +<br /> + +<div class="tinys">«...a primeira, filha de Dona +Tareja, filha de +João Fernandes Andeiro, Conde de Ourem e foi +irmã, da parte da Mãe, do +Arcebispo de Braga Dom Francisco da Guerra; e della houve a Lopo +d'Almeida; e a outra segunda mulher foi filha do Prior do Crato Dom +Nuno +<em>Gonçalves</em>, e houve della a Alvaro +d'Almeida e Antão d'Almeida e Dona Branca d'Almeida, +primeira mulher de Ruy Gomes da Silva, +<em>o da Chamusca</em>, e Dona Isabel d'Almeida, mulher +d'Alvaro de Brito, e assim houve outras filhas.»</div> + +<br /> + +<br /> + +Não terá havido anterior +ligação com a familia do Prior, e não +derivaria d'ella o Vasco +<em>Gonçalves</em>, da +inscripção? <br /> + +<br /> + +O que parece certo é ter elle escapado, até +agora, á luz indiscreta da Genealogia, na desolada +solidão da Sacristia +Velha de Thomar, com a sua companheira, a Mecia Lourenço, +<span class="pagenum">[13]</span> +que trouxe, naturalmente, aos +burguezes seios o--«Alto +Infante»--das descobertas. <br /> + +<br /> + +<em>Amos do Infante</em> são +evidentemente os que o crearam; e esta designação +abrangendo a Mecia, deve +indicar a mulher que o amamentou. Bemditos peitos! <br /> + +<br /> + +Devo o calco d'esta inscripção ao meu amigo sr. +M. H. Pinto, o distincto artista e director da escola industrial de +Thomar. +<br /> + +<br /> + +<br /> + +<br /> + +<span class="pagenum">[14]</span> +<h3>II </h3> + +<br /> + +<br /> + +<div style="text-align: center;"><img style="width: 400px; height: 171px;" alt="" src="images/fig04.png" /><br /> + +</div> + +<br /> + +<div class="quote1 tiny"> +Leiria, Castello, sobre a porta da Torre de Menagem: em caracteres +gothicos grosseiramente abertos sobre linhas ou <em>pautado</em> +egualmente cavado, n'uma das pedras da muralha. Inferiormente e na +mesma pedra, tres pequenos escudos, tendo o do centro as bandas ou +barras de Aragão e os dos lados as quinas, convergentes.</div> + +<br /> + +<br /> + +<br /> + +<span class="pagenum">[15]</span> +<span class="smallcaps">Leitura:</span> <br /> + +<br /> + +<div class="quote3"><em>--(Era) 1362 an(n)os foi +esta tor(r)e +co(meçad)a (aos) 8 dias de maio, e mandou-a fase(r o muito) +nobre Dom Diniz, Rei de Portugal.................acabada.</em></div> + +<br /> + +<br /> + +<div class="tinys">Esta ultima parte, inintelligivel +já, evidentemente diria +a +data do acabamento: dia e mez, ou sómente o mez.</div> + +<br /> + +<br /> + +Esta inscripção, que parece ter sido feita depois +de concluida a Torre, e que é de singular importancia por +fixar precisamente a construcção ou a +reconstrucção do castello por D. Diniz, tem-se +conservado desapercebida, talvez pela altura em que está e +por se confundir, á primeira +vista, com as escabrosidades da pedra. <br /> + +<br /> + +Áparte o facto dos nossos archeologos, ou dos que se dizem +taes, mais se dedicarem, geralmente, á +exploração das mais banaes +inscripções de cippos romanos do que +á colheita das que podem illustrar a historia patria. <br /> + +<br /> + +Alli mesmo, n'aquelle formoso monumento chamado o Castello de Leiria, +que bem póde dizer-se amassado com sangue, a busca das +inscripções romanas nas +pedras funerarias aproveitadas nas muralhas, tem chegado a fazer +perigar a segurança das construcções, +ao passo +que nos restos dos Paços do Rei Lavrador nenhuma +exploração regular se tem feito. <br /> + +<br /> + +Escusado será acrescentar que o escudo com as barras ou +bandas aragonezas é uma affirmação +ou uma homenagem ao senhorio de Leiria dado á Rainha D. +Isabel, +<em>a Santa</em>. <br /> + +<br /> + +O calco d'esta inscripção, e até a +denuncia d'ella, foi-me fornecido pelo meu amigo sr. João +Christino da Silva, +então director e professor da escola industrial <em>Domingos +de +Sequeira</em>, de Leiria.<br /> + +<br /> + +<br /> + +<br /> + +<br /> + +<span class="pagenum">[16]</span> +<h3>III </h3> + +<br /> + +<br /> + +<div style="text-align: center;"><img style="width: 400px; height: 635px;" alt="" src="images/fig05.png" /><br /> + +</div> + +<br /> + +<div class="quote1 tiny">Obidos, Torre do Castello, no +humbral da porta (ogival), +lado esquerdo.</div> + +<br /> + +<br /> + +<br /> + +<span class="pagenum">[17]</span> +<span class="smallcaps">Leitura:</span> <br /> + +<br /> + +<div class="quote3"><em>--E(ra) 1413 annos, no mez +d(e) outubro, foi +começada esta tor(r)e, p(or) mandado delrei Dom Fernando, da +q(ua)l foi védor D(iog)o M(art)i(n)s da Tougia, e foi della +m(estr)e Jo(ão) Do(mingue)s, e foi feita á +custa do dito.</em></div> + +<br /> + +<br /> + +O meu amigo Sousa Viterbo lembra-me que Giner de los Rios dá +esta inscripção no seu +<em>Portugal</em>; mas, pela copia que me transmitte, +entendo que o escriptor hespanhol não soube copial-a e lel-a +bem. Assim, na linha 1) tomou o +<em>s</em> final pelo algarismo 6, que nada significaria, e +na linha 2) supprimiu o <em>o</em> na primeira +palavra. Embaraçaram-n'o naturalmente os pontos de +separação, muitas vezes +colocados por simples fantasia decorativa. Trocou tambem os nomes do +védor fazendo-o representar por um caprichoso --<em>A.<sup>n</sup> +Mig.<sup>n</sup> da Toura</em>-- e o do +Mestre por--<em>f.<sup>a</sup> Doz</em>. <br /> + +<br /> + +O do primeiro é claramente:--<em>d.<sup>o</sup> +miz</em> (Diogo Martins) e apenas a ultima +designação offerece +difficuldade, não podendo, porém, +ser:--<em>Toura</em>--porque está +muito intelligivel no começo da linha 8) a letra +<em>g</em>. A sobreposta parece realmente <em>r</em>, +o que difficultaria +extremamente a leitura; mas porventura uma irregularidade ou estrago da +pedra é que lhe dá aquella apparencia, sendo +simplesmente um +<em>i</em>, o que dá a palavra--<em>Tougia</em>. +<br /> + +<br /> + +<em>Tougia</em>, +<em>Taugia</em>, +<em>Ataugia</em>, +<em>Touria</em>, é +<em>Atouguia da Baleia</em>, povoação +que não fica muito distante e +que teve grande importancia no tempo de D. Fernando e de D. Pedro I, +que n'ella celebraram côrtes, e onde, pouco antes do +primeiro, senão no seu tempo, se fez ou reformou tambem um +forte castello. <br /> + +<br /> + +O nome do vedor seria pois: Domingos Martins da Tougia ou <em>d'Atouguia</em>, +o que, como se +vê, só pela interpretação de +um signal ou letra sobreposta, póde suscitar +hesitação. +<br /> + +<br /> + +<span class="pagenum">[18]</span> +É a leitura que preferimos, até por +não encontrarmos melhor. O nome do mestre, e que +não nos parece que +offereça duvida, é <em>João +Domingues</em> ou +<em>Domingos</em>. <br /> + +<br /> + +Devo a um cuidado desenho do meu amigo e distincto professor, o sr. +João Christino da Sil +Devo a um cuidado desenho do meu amigo e distincto professor, o sr. +João Christino da Silva, esta +inscripção, bem como a seguinte. +<br /> + +<br /> + +<br /> + +<br /> + +<span class="pagenum">[19]</span> +<h3>IV </h3> + +<br /> + +<br /> + +<div style="text-align: center;"><img style="width: 400px; height: 134px;" alt="" src="images/fig06.png" /><br /> + +</div> + +<br /> + +<div class="quote1 tiny"> +Obidos, na Torre do Facho.</div> + +<br /> + +<br /> + +<br /> + +<br /> + +<span class="pagenum">[20]</span> +<span class="smallcaps">Leitura:</span> <br /> + +<br /> + +<div class="quote3"><em>--Foi reformada esta muralha +por Dom Sancho +primeiro.--</em></div> + +<br /> + +<br /> + +Evidentemente não é coeva esta +inscripção, em caracteres mixtos (goth. e red.).<br /> + +<br /> + +<br /> + +<br /> + +<br /> + +<br /> + +<span class="pagenum">[21]</span> +<h3>V </h3> + +<br /> + +<div style="text-align: center;"><img style="width: 400px; height: 433px;" alt="" src="images/fig07.png" /><br /> + +</div> + +<br /> + +<div class="quote1 tiny">Thomar, igreja de Santa Maria dos +Olivaes, sob o segundo arco da nave +esquerda.</div> + +<br /> + +<br /> + +<br /> + +<br /> + +<span class="pagenum">[22]</span> +<span class="smallcaps">Leitura</span>: <br /> + +<br /> + +<div class="quote3"><em>--Aqui jaz +Fernã(o) de Sa(m)paio, +Caval(l)eiro fidalgo, creado delrei dom Af(f)onso, e sua filha M(ari)a +de Sa(m)paio.--</em></div> + +<br /> + +<br /> + +Será Fernão Vaz de Sampaio, filho de Vasco Pires +de Sampaio e de D. Maria Pereira, da casa da Feira? <br /> + +<br /> + +Este, fazem-n'o os genealogistas casado duas vezes, uma com D. +Senhorinha, outra com Joanna de Alvim; e alguns, uma só vez, +com uma ou com a outra d'aquellas senhoras, attribuindo-lhe varios +bastardos havidos n'uma Leonor +Affonso,--«mulher solteira»--entre os quaes um Lopo +Vaz de Sampaio, que D. Affonso V legitimou em 1453. <br /> + +<br /> + +Que o Rei Affonso de que falla a inscripção +é Affonso V, não póde duvidar-se. <br /> + +<br /> + +O «titulo» dos Sampaios, como se diz em Genealogia, +foi sempre muito complicado por enxertos ganceiros. <br /> + +<br /> + +O calco foi-me enviado pelo sr. M. H. Pinto.<br /> + +<br /> + +<br /> + +<br /> + +<br /> + +<span class="pagenum">[23]</span> +<h3>VI </h3> + +<br /> + +<div style="text-align: center;"><img style="width: 400px; height: 208px;" alt="" src="images/fig08.png" /><br /> + +</div> + +<br /> + +<div class="quote1 tiny"> +Thomar, igreja de Santa Maria dos Olivaes, do lado esquerdo da porta de +entrada (interior). Caracteres gothicos.</div> + +<br /> + +<br /> + +<br /> + +<br /> + +<span class="pagenum">[24]</span> +<span class="smallcaps">Leitura</span>: <br /> + +<br /> + +<div class="quote3"><em>--Esta sepultura +é de Isabel Vieira, mulher +d(e) Af(f)o(n)so de Vivar, Caval(lei)ro, co(n)tador da casa delrei +nos(s)o s(enhor), q(ue), depois de seu fal(l)ecim(en)to, foi +Com(m)e(n)dador das Alencarcas. E se finou a 18 dias de fevereiro de +1492.</em></div> + +<br /> + +<br /> + +Não póde haver duvida de que a +inscripção, muito esmerada por signal, +diz:--«Commendador das Alencarcas». +Foi-o Affonso de Vivar, ou depois do fallecimento da mulher, ou, o que +é mais provavel que a inscripção +queira dizer, depois do fallecimento do Rei, que seria então +Affonso V, se a data da +morte da mulher corresponde á da abertura da +inscripção. <br /> + +<br /> + +Mas o que eram as Alencarcas? <br /> + +<br /> + +Devo o calco ao amigo já citado e que muitas mais vezes +terei de citar ainda, o sr. M. H. Pinto. +<br /> + +<br /> + +<br /> + +<br /> + +<span class="pagenum">[25]</span> +<h3>VII </h3> + +<br /> + +<div style="text-align: center;"><img style="width: 400px; height: 355px;" alt="" src="images/fig09.png" /><br /> + +</div> + +<br /> + +<div class="quote1 tiny"> +Thomar, igreja de Santa Maria dos Olivaes, na capella +mór. Caracteres gothicos. Truncada por +construcção posterior, que se lhe encostou, dos +degraus do altar.</div> + +<br /> + +<br /> + +<br /> + +<br /> + +<span class="pagenum">[26]</span> +<span class="smallcaps">Leitura</span>: <br /> + +<br /> + +<div class="quote3">--<em>Aq(ui) jaz Do(m) Gil +M(ar)ti(n)s, o p(ri)meiro +M(estr)e q(ue) foi da Caval(l)aria da Orde(m) de Jesus Christo, q(ue) +foi f(re)irado</em> (feito freire) +<em>na Ord(e)m d(e) Avis e M(estr)e da Caval(l)aria des(s)a +Orde(m) e foi da linhagem do Outeiro; q(ue) pas(s)ou</em> +(faleceu) +<em>e(m) sexta feira, 13 dias (d)e nove(m)bro, e(ra) 1359 an(n)os +(a) q(ua)l alma D(eu)s leve p(er)a a gloria do Paraiso. Ame(n) Co(m) +e(lle) mais os(s)os +sã(o?).</em></div> + +<br /> + +<br /> + +Está a lapide embebida na parede do lado esquerdo, por baixo +do formoso mausoleu de D. Diogo Pinheiro, primeiro bispo do Funchal, +tendo sido para alli removidos os restos do Grão-Mestre, nas +obras de renovação +feitas na igreja, no tempo de D. Manuel ou já de D. +João III, segundo a +tradição. <br /> + +<br /> + +Deviam estar anteriormente n'um caixão ou tumulo de pedra. A +esses restos se juntaram os de outros personagens, e a isto seguramente +alludia a parte truncada ou illegivel da lapide. <br /> + +<br /> + +Não é, pois, perfeitamente exacto que se +não saiba:--«o logar certo onde estão +as cinzas do primeiro Mestre de Christo»--como diz Santos (<em>Monum. +milit</em>, etc.), que, aliás, indica a +remoção d'esses restos e a +inscripção que os denuncia, que melhor +fôra que tivesse copiado, com as mais. <br /> + +<br /> + +Pertence o calco á bella colheita com que me tem brindado o +sr. M. H. Pinto. <br /> + +<br /> + +<br /> + +<br /> + +<br /> + +<br /> + +<span class="pagenum">[27]</span> +<h3>VIII </h3> + +<br /> + +<div style="text-align: center;"><img style="width: 600px; height: 231px;" alt="" src="images/fig10.png" /><br /> + +</div> + +<br /> + +<div class="quote1 tiny"> +Thomar, igreja de Christo, junto á Charola. +Caracteres rom. maiusc. Grande lapide.</div> + +<br /> + +<br /> + +<br /> + +<br /> + +<span class="pagenum">[29]</span> +<span class="smallcaps">Leitura</span>: <br /> + +<br /> + +<div class="quote3">--<em>Aq(u)i jaz o m(ui)to +(h)o(n)rado Com(m)e(n)dador Do(m) Lopo +Dias de Sousa, Mestre da Caval(la)ria da Orde(m) de Christo, q(ue) foi +se(m)p(r)e m(ui)to leal s(e)r(v)idor ao m(ui)to alto se(m)p(r)e +ve(n)cedor elrei Do(m) Joã(o) o p(r)im(ei)ro, (a)o qual foi +gra(n)de ajuda e(m) defe(n)são d'estes reinos; e e(n)trou +co(m) el(l)e ci(n)co vezes e(m) Castel(l)a co(m) sua Caval(l)aria, e +e(m) a tomada de Ceuta; e teve o mestrado q(u)are(n)ta e seis an(n)os. +E finou-se na era de Jesus Christo de 1435 an(n)os, aos nove dias do +mes de fev(erei)ro, e o m(ui)to ho(n)rado e presado s(enh)or o +I(n)fa(n)te Do(m) (H)e(n)riq(u)e, governador da dita orde(m), duq(ue) +de Viseu e s(enh)or de Covilha(m), o ma(n)dou tra(s)ladar a este +co(n)ve(n)to, aos oito dias do mez de março da dita era do +na(s)c(i)m(en)to de Nos(s)o S(enh)or de 1435 an(n)os.</em> </div> + +<br /> + +<br /> + +Este D. Lopo Dias de Sousa é personagem bem conhecido e de +quem é facil encontrar larga noticia. <br /> + +<br /> + +Era bisneto, pelo pae, de D. Affonso Diniz, filho de Affonso +III--«e da condessa de Bolonha D. Mathilde»--a +primeira mulher d'este Rei, sendo filho de Alvaro Rodrigues de Sousa e +de D. Maria de Menezes, filha de Martim Affonso Tello de Menezes, +irmão da celebre Rainha e +adultera, D. Leonor Telles. Foi esta que o fez Mestre da Ordem, quando +não tinha edade para o ser, o que não +obstou a que elle honrada e valentemente viesse a servir a causa +portugueza do Mestre de Aviz (João I) contra as +pretensões e +a invasão de Castella, patrocinadas pela adultera. <br /> + +<br /> + +Diz Goes (<em>Liv. das Linh. MS.</em>):<br /> + +<br /> + +<br /> + +<span class="pagenum">[30]</span> +<div class="tinys">«Dom Lopo Dias de Sousa... +foi Mestre de Christo, +apresentado na dita dignidade por ElRei Dom Fernando, a requerimento da +Rainha Dona Leonor Telles, mulher do dito Rei Fernando, que era tia +d'este Dom Lopo Dias, Mestre de Christo... Teve por manceba a Dona +Maria Ribeira, que em Pombal houve dispensação do +Papa para a receber por mulher, +e houve d'ella estes filhos: a Diogo Lopes de Sousa e Dona Mecia de +Sousa, que casou com Dom Vasco Fernandes Coutinho, primeiro Conde de +Marialva, e Dona Violanta, que casou com Ruy Vaz Ribeiro de +Vasconcellos, Senhor de Figueiró dos Vinhos e do +Pedrogam, e Dona Isabel, mulher de Diogo Lopes Lobo, Senhor d'Alvito, e +Dona +Aldonça, mulher de Pedro Gomes de Abreu <em>o +Velho</em>, e Dona Branca, mulher de João +Falcão, e Dona Leonor, mulher de Affonso +Vasco de Sousa.»</div> + +<br /> + +<br /> + +Um neto d'elle, Alvaro de Sousa, filho de Diogo Lopes de Sousa, +mordomo-mór do Rei D. Duarte, foi +mordomo-mór de D. Affonso V e casou com uma filha de D. +Fernando de Castro, governador da Casa do Infante D. Henrique:--D. +Maria de Castro. <br /> + +<br /> + +Uma observação ainda: A +inscripção parece corrigir a versão +commum adoptada por J. A. dos Santos, na bella monographia <em>Monumento +das Ordens militares</em>, +etc., <em>em Thomar</em>, de ter Dom Lopo cahido em poder +dos castelhanos em Torres Novas, ficando inutilisado para todo o resto +da campanha. <br /> + +<br /> + +--«Entrou cinco vezes em Castella»--diz +terminantemente a pedra. <br /> + +<br /> + +Devo o calco ao sr. M. H. Pinto, que ultimamente me mandou alguns +outros, de Figueiró, entre os quaes encontro o da +inscripção que incluo em seguida por +importar á prole do mesmo personagem. <br /> + +<br /> + +<br /> + +<br /> + +<br /> + +<span class="pagenum">[31]</span> +<h3>IX </h3> + +<br /> + +<br /> + +<div style="text-align: center;"><img style="width: 400px; height: 225px;" alt="" src="images/fig11.png" /><br /> + +</div> + +<br /> + +<div class="quote1 tiny"> +Figueiró dos Vinhos, igreja de S. +João Baptista. Em caracteres gothicos.</div> + +<br /> + +<br /> + +<br /> + +<br /> + +<span class="pagenum">[32]</span> +<span class="smallcaps">Leitura</span>: <br /> + +<br /> + +<div class="quote3">--<em>Aqui jaz o muito ho(n)rado +caval(l)eiro Ruy +Vasq(ue)s, filho de Ruy Me(n)des de Vasco(n)cel(l)os, neto de +G(onçalo) Me(n)des e de Dona Maria Ribeira; e Dona +Viola(n)te de Sousa, sua mulher, f(ilh)a de Do(m) Lopo Dias, M(estr)e +de Christo, neta d(e) Af(fo)n(s)o Dias de Sousa e de Dona M(ari)a, +irma(n) da rainha Dona Leonor; os quaes ma(n)dou s(epulta)r Rodrigo de +Vasco(n)cel(l)os, seu filho (h)erdeiro... era de Nos(s)o S(enho)r Jesus +Christo de 1453 an(n)os.</em> </div> + +<br /> + +<br /> + +<div class="tinys">(Vide o commento da +inscripção anterior.) </div> + +<br /> + +<br /> + +Enviou-me o calco o sr. M. H. Pinto. +<br /> + +<br /> + +<br /> + +<br /> + +<br /> + +<span class="pagenum">[33]</span> +<h3>X </h3> + +<div style="text-align: center;"><img style="width: 500px; height: 324px;" alt="" src="images/fig12.png" /><br /> + +</div> + +<br /> + +<div class="quote1 tiny">Thomar, Convento de Christo, +sobre o arco da Sacristia +Velha.</div> + +<br /> + +<br /> + +<br /> + +<span class="pagenum">[34]</span> +<span class="smallcaps">Leitura</span>: <br /> + +<br /> + +<div class="quote3">--<em>Era MCC · VIIII +magister Galdinus nobili +siquidem genere Bracara oriundus exctitit tempore autem Alfonsi +illustrissimi Portugalis regis. Hic secularem abnegans miliciam, in +brevi ut Lucifer eminevit, nam Templi miles Gerosolimam peciit ibique +per quinquenium non in hermen vitam, duxit +cum +Magistro enim suo cum Fratisbusque implerige preliis</em> contra <em>Egipti +et Surie insurrexit regem. Cumque Ascalona caperetur, presto eum in +Antiocam pergens sepe</em> contra <em>Sidan decione +dimicavit. +Post quinquennium vero ad prefatum qui et eum educaverat et militem +fecerat reversus est regem. Factus Domus Templi Portugalis Procurator +hoc distruxit castrum Palumbar, Thomar, Ozezar et hoc quod dicitur +Almoriol et Eidaniam et Montem Sanctum.</em>-- </div> + +<br /> + +<br /> + +<span class="smallcaps">Versão</span>: <br /> + +<br /> + +<div class="quote3">--<em>Era de 1209. O Mestre +Galdino, certamente de nobre +geração, natural de Braga, existiu no tempo de +Affonso, illustrissimo Rei de Portugal. Abandonando a milicia secular, +em breve se elevou como um Astro, porquanto, soldado do Templo, +dirigiu-se a Jerusalem, onde durante cinco annos levou vida trabalhosa. +Com seu Mestre e seus Irmãos, entrou em muitas batalhas, +movendo-se contra o Rei do Egypto e da Syria. Como fosse tomada +Ascalona, partindo logo para Antiochia pelejou muitas vezes pela +rendição de +Sidon. Cinco annos passados, voltou, então, para o Rei que o +creára e o fizera cavalleiro. Feito Procurador da casa do +Templo em Portugal, fundou, n'este, o castello de Pombal, Thomar, +Zezere e este que é chamado Almoriol, e Idanha e Monsanto.</em>--</div> + +<br /> + +<br /> + +Esta inscripção tem sido dada por diversos +auctores, mas em nenhum é rigorosamente exacta a copia. O +proprio +<span class="pagenum">[35]</span> +Costa (<em>Historia +da ordem</em>, pg. 178, +doc. 14) figurando-a toscamente em reproducção +graphica, erra logo na +<em>era</em> a leitura, dando a de 1208 pela de MCCVIIII ou +1209 que tão nitidamente se lê na linha +<em>1</em>). <br /> + +<br /> + +Este erro generalisou-se, repetindo-o Viterbo +(<em>Elucidario</em>) e adoptando-o Pedro Ribeiro +(<em>Dissertações</em>). +Debalde Cunha (<em>Historia ecclesiastica de Braga</em>), +na sua traducção, soffrivelmente phantasiosa, +restituiu a <em>era</em> exacta +de 1209. <br /> + +<br /> + +Na linha <em>4</em>) suscitou-me duvidas a +leitura commum do --<em>hic</em>,--pela fórma +especial da inicial, que se encontra na linha <em>6</em>), +onde parecia repugnar-lhe +o valor de--<em>h</em>--. Mas, não podendo +ler-se:--<em>inic</em>--ainda +por:--<em>in hic</em>--é +forçoso acceitar a leitura geral. Na mesma linha, a palavra +--<em>abnegans</em>--tem evidentemente a +fórma de--<em>acbnegans</em>,--que +aliás diz o mesmo. <br /> + +<br /> + +Na linha <em>5</em>), a leitura geral +é a +de--<em>emicuit</em>--por--<em>emievit</em>,--que +é positivamente a que está na pedra. Preferimos, +porém, a +de--<em>eminevit</em>,--de--<em>emineo</em>,--que +mais se approxima, e que não altera, mas precisa mais o +sentido. Foi-me suggerida por Gabriel Pereira esta versão. <br /> + +<br /> + +Na linha <em>6</em>), Costa +copiou--<em>petiit</em>--por--<em>peciit</em>,--e--<em>inermem</em>--por--<em>in +hermen</em>,--que é o que claramente lá +está. Vê-se que o +embaraçou tambem a fórma da inicial acima +alludida, não querendo ler n'ella +o--<em>h</em>--que aliás não +duvidára ler, como tal, +no--<em>hic</em>--da linha +<em>4</em>). A solução parece-nos ser +a de dar áquella fórma, aqui, o +valor de uma simples tremação ou dierese +do--<em>i</em>--lendo +realmente:--<em>ïermen</em>--ou--<em>in +ermam vitam</em>--. Podem não ter grande importancia +estas variantes, mas é sempre bom conservar-se a +fórma original em taes cousas. <br /> + +<br /> + +Na linha <em>7</em>) onde se +lê:--<em>cvm Magistro enim +svo</em>,--Costa permitte-se acrescentar +um--<em>fuit</em>,--que lá +não está, nem é necessario. <br /> + +<br /> + +Mas é na linha <em>9</em>) que as +pretensões correctivas do auctor da <em>Historia da +Ordem</em>, etc., tomam +mais graves proporções. Assim: onde nitidamente +se lê:--<em>presto evm +in Antiocam</em>,--elle simula copiar:--<em>presto fuit in +Antiochie</em>,--e +<span class="pagenum">[36]</span> +logo em +seguida lê:--<em>sepe +Suldani</em>--em vez +de--<em>sepe</em> contra <em>Sidan</em>,--como +diz a pedra, e +bem. Dá assim origem ao erro que elle, Cunha, e os mais +commettem, de +traduzir--<em>Soldão</em>--por--<em>Sidan</em>,--o +soldão ou sultão, não se sabe qual, +pela cidade de <em>Sidon</em>, +perfeitamente conhecida. <br /> + +<br /> + +Na linha <em>10</em>), a leitura de Costa e +dos mais, embaraçou-se na abreviatura--<em>vo</em>,--que +se segue +á +palavra--<em>quinquennium</em>,--claramente:--<em>vero</em>,--e +achou então melhor supprimil-a. Em seguida, reduziu a--<em>eum</em>,--a +abreviatura em que entrava um--<em>t</em>--muito bem +definido, mas que o embaraçava tambem. Restituimos--<em>et +eum</em>--que +é fórma conhecida. <br /> + +<br /> + +Na linha <em>11</em>), tem-se lido sempre +por--<em>hoc construxit</em>,--que é a leitura +que immediatamente occorre, de certo, a +fórma ou phrase, que, pelo rigoroso confronto dos caracteres +da inscripção, não podemos ler +senão +como:--<em>hocdstrvxit</em>--. A primeira duvida +suscitou-nol-a +o--<em>hoc</em>,--não porque não +esteja bem definido nos caracteres, mas porque nos +pareceu arrevesado ou inadequado ao sentido. É evidente, +porém, que se quiz precisar o +<em>paiz</em>, o +<em>logar</em> e não o objecto ou o castello, +determinadamente, e assim +traduzimos:--<em>Feito Procurador da Casa do Templo, em Portugal, +neste</em> (i. e. aqui) <em>fundou</em>, etc. Mas +porque +é que todos têem fugido a ler litteralmente:--<em>dstrvxit</em>,--que +é a forma original? Naturalmente, por entenderem que esta +fórma equivaleria necessariamente á +de--<em>destruxit</em> (de +<em>destruo</em>)--dando o absurdo de ter Galdino <em>destruido</em> +os +castellos em vez de os ter construido (<em>construxit</em>). +Mas +é que não lembrou que não era fatal +ler--<em>destruxit</em>,--e que, +lendo-se--<em>distruxit</em>--(de <em>distruo</em>), +se obtinha a +idéa contraria, ou a idéa precisa de ter o +Templario portuguez lançado, espalhado, ou construido, +<em>aqui</em>, em <em>diversas +partes</em>, os fundamentos d'esses diversos castellos. E mais +explicado fica +o--<em>hoc</em>,--antecedente. <br /> + +<br /> + +Finalmente, na ultima linha, ha duas +abreviaturas:--<em>dod. dr.</em>--ou talvez, por uma +inversão da +primeira inicial:--<em>qod. dr.</em>--que geralmente se +lê, e parece +bem:--<em>quod dicitur</em>--. +<br /> + +<br /> + +<span class="pagenum">[37]</span> +Tambem esta interessantissima inscripção, pela +primeira vez directamente reproduzida por calco, que me enviou o sr. +Pinto, da escola industrial de Thomar, não tem obtido +até agora uma traducção regularmente +exacta. Costa e Cunha não separam as +orações, nem traduzem +litteralmente. <br /> + +<br /> + +O primeiro traduz:--<em>sepe pergens</em> +contra <em>Sidan</em> etc.-- por--<em>e muitas vezes +venceu ao +Soldam</em>,--o que é duplamente falso. Como +já observei, iniciou o erro de +ler--<em>Suldani</em>,-- onde, clara e rasoavelmente, +está:--<em>Sidan</em>--. <br /> + +<br /> + +Cunha, que restitue a <em>era</em> exacta de +1209, antecede-a pela formula:--<em>Em nome de +Christo</em>,--que lá não +está, e acrescenta a filiação do Rei +Affonso:--<em>filho do Conde Dom Henrique e da Rainha Dona Tareja</em>--. +Não contente com isto, traduz que: <em>quando +Escalona foi tomada, elle +foi alli prestes e prompto</em>;--põe Galdino em +Antiochia pelejando muitas vezes--<em>contra o poder do +Soldão</em>;--augmenta a +enumeração dos castellos com o +de--<em>Cardiga</em>,--supprimindo o de--<em>Monsanto</em>,--e +alonga, +finalmente, a inscripção com as seguintes +palavras:--<em>Era 1209 annos. Mestre Gualdim, nascido em Braga, +que he cabeça de Galisa, edificou este Castello de Almorol +com os freires seus irmãos</em>--. <br /> + +<br /> + +Bastam estes exemplos. Como é sabido, a +inscripção está n'uma grande lapide de +marmore sobre o arco da chamada Sacristia Velha do convento de Christo +de Thomar, para onde foi transferida, do castello de Almorol, segundo a +tradição, no tempo e por ordem do Infante Dom +Henrique. <br /> + +<br /> + +É claro que não havemos de fazer, agora e aqui, a +biographia de Mestre Gualdino ou Gualdim ou Galdino Paes. N'esse ponto, +é justo louvar as diligencias e os trabalhos +de Costa (<em>Historia da Ordem</em>, etc.) e de +Viterbo (<em>Elucidario</em>), que reuniram +interessantissimos documentos sobre o Templario portuguez. Segundo o +primeiro, Galdino nasceu em 1118 e morreu em 1195. Era filho de Payo +Ramires e de D. Gontrade Soares, nomes que denunciam uma origem +visigoda. Pelo pae, era bisneto de Ayres Carpinteiro que lhe trazia uma +bella tradição de fidalguia +authentica.<br /> + +<br /> + +<span class="pagenum">[38]</span> +N'um velho livro de +linhagens anda dispersamente registada esta prosapia: <br /> + +<br /> + +<br /> + +<div class="tinys">--«Este Ayres Carpinteiro +onde (d'onde) vem os +Ramirãos foi casado com Amiana de Selharis e de Tevora e +fege nella Ramiro +Ayres...»</div> + +<br /> + +<br /> + +Ramiro casou com Orraca Peres, filha de Gontinha Eres e de Dom Pedro +Affonso de Doreas--«que fez +Manhente,»--e o seu primogenito foi Dom Payo Ramires. Casou +Dom Payo, a primeira vez, com Dona Orraca de Caldelas de Galiza, de +quem teve o alcaide Dom Vasco Paes,--«e desque morreu esta +mulher a D. Payo Ramires casou com a irman de D. Payo Correa o +<em>Velho</em> e fege nella o mestre D. Gualdim Paes do +Templo e D. Gomes Paes de Piscos: e este mestre D. Gualdim Paes fez +Tomar e Pombal e Castelo de Almoyrol e poboou outros muitos logares que +ganhou á ordem, e foi muito forte em armas e leixou ao +Templo o que agora ha, e em Abelamar (talvez em <em>alem-mar</em>)». +<br /> + +<br /> + +Goes, que gostâmos sempre de consultar n'estas historias, +não parece ter encontrado nos Paes, do seu tempo, pelo +menos, uma genealogia muito antiga, pois que abre o +«titulo» com Payo Rodrigues que--«foi um +cavalleiro muito honrado em tempo delRei Dom Affonso o quinto, e foi +filho de Pedro Esteves, Alcaide Mór de Portel»--. +São outros, evidentemente. Tambem da semente d'elle, como +dizem os geneologos, não seria facil haver noticia, +espalhada, como ficaria, clandestina ou ganceira, pela Syria e pelo +Ribatejo, nas aventuras e desmandos das campanhas do Templario. <br /> + +<br /> + +Segundo Cunha, nasceu o Mestre em Braga e--«n'ella se +conserva ainda hoje uma rua com o nome de D. Gualdim, em que +é tradição que +nasceu»--. <br /> + +<br /> + +Corrigem outros, observando que alli fôra Procurador ou +Mestre da Casa do Templo, que lá existira,--o que +é demonstrado por um documento citado no +<em>Elucidario</em> de Viterbo,--mas que em Marecos, depois +Amaraes e hoje +<span class="pagenum">[39]</span> +Amares, a 10 +kilometros de Braga, é que realmente nascera o Mestre, que +fôra até o primeiro a usar e a +nobilitar o titulo de Marecos, da herdade que foi o nucleo da +povoação. <br /> + +<br /> + +Convem dizer, pois que não tem sido dito até +hoje, que outro velho codice geneologico põe uma sombra de +duvida n'esta gloria da pequena povoação minhota, +dizendo, um tanto obscuramente:--«E o meestre dom galdim paez +do tempre e seu irmaão <em>forom naturaaes +dapardar de braa</em>». Mas sendo justa a +hesitação na leitura indicada +na compilação da Academia (<em>Port. monum. +hist.</em>), +não será talvez muito aventuroso ler:--<em>da +par de +Braga</em>,--restituindo á antiga Marecos, o seu +Templario. E já agora avivemos o registo de um pequeno +episodio que n'esta altura nos offerece esse codice. <br /> + +<br /> + +Uma neta do irmão de Galdino:--Dona +<em>Estevaynha</em> ou Estevaninha Paes casou com Dom +Martim Annes de Riba da Visella, neto, pela mãe, de um +grande fidalgo Dom Soeiro Mendes o Gordo que a tivera de uma barregan e +que fazendo-a herdeira--«mui bem e mui compridamente em seus +beens»--a casára com Dom João +Fernandes de Riba da Vizella. <br /> + +<br /> + +Diz então o codice:--«E este meestre dom galdim +paaez do tempre fez muyto bem e deu grandalgo a este dom Martim Annes +de riba davizela quando casou com esta dona steuaynha paaz +sobredita». <br /> + +<br /> + +Martim Annes foi--«mui priuado delRei dom afonso de portugal, +filho delRei dom sancho o uelho». <br /> + +<br /> + +Por ordem do Rei foi cercar a irmã d'este, a Infanta Dona +Thereza, a Montemór o Velho, e derrotado, cahiu n'um paul +entre aquella villa e Coimbra. Quando lhe +acudiram:--«non se pode sofrer que non morese do sangui que +del tirarom as çameçugas». <br /> + +<br /> + +Dá, ainda, uma tradição constante, e +parece confirmar a inscripção de Thomar, que +Galdino fôra +creado na côrte do primeiro Rei portuguez, e por elle armado +cavalleiro na batalha de Ourique, em 1139. É +sómente dez ou +mais annos depois d'esta data, que nos apparece nos documentos, +<span class="pagenum">[40]</span> +e já como +Templario graduado, consequentemente depois do seu regresso do Oriente. +<br /> + +<br /> + +Segundo Cunha e os diplomas reunidos por elle, seria, até, +sómente na era de 1199, correspondente ao +anno de 1161, que pela primeira vez nos appareceria como Mestre, na +doação que lhe faz o +Rei:--<em>tibi Magistro Gualdino</em>,--de certas herdades +cultivadas e por cultivar junto de Cintra; mas Santa Rosa de Viterbo +(<em>Elucidario</em>) encontra-o muito antes, em 1148, +figurando como +<em>Mestre</em> da Casa Templaria de Braga, n'uma +concordata feita com esta, e em 1157 como <em>Mestre</em> +absoluto ou Geral dos +Templarios em Portugal, succedendo a Dom Pedro Arnaldo, que abdicou +n'esse anno e morreu no seguinte. Terá Viterbo lido bem +aquella primeira data? A interrogação parecera +impertinente em +relação ao erudito investigador, se um facto +muito positivo a não +auctorisasse. Esse facto é a tomada de Ascalonia, +expressamente indicada na inscripção. Essa +tomada, é +claro que não foi a de Saladino aos christãos, +que só se realisou em +1187. Foi a dos christãos aos turcos. Estava lá, +então, Galdino; isto é, estava no Oriente em +1153, que é a data d'esta conquista. (Michaud, <em>Hist. +des Croisades</em>, t. +II.) <br /> + +<br /> + +Estava, e demorou-se ainda. Estando em 1157 em Portugal, e sendo feito, +então, Mestre geral dos Templarios Portuguezes, partiria em +1152, ou pouco antes, mas já partiria, então, +como templario graduado, se é +verdadeira a data de 1148, attribuida por Viterbo á +concordata de Braga, o que, de resto, não repugna +inteiramente +á inscripção. <br /> + +<br /> + +Inclinamo-nos a crer que foi realmente em 1157 que Galdino voltou, +sendo então elevado ao cargo de Mestre geral, ou, como a +inscripção diz:--de Procurador +do Templo, em todo o Portugal, tendo partido, como simples Mestre da +Casa de Braga, em 1152, ou pouco antes. <br /> + +<br /> + +Dos castellos alludidos na inscripção, dois,--o +de Idanha e o de Monsanto,--são-lhe doados em 29 de novembro +da era de 1203 (1165), chamando-se-lhe tambem +Mestre:--<em>vobis Magistro Gualdino</em>--. +<br /> + +<br /> + +<span class="pagenum">[41]</span> +A ideia vulgar da hierarchia monastico-militar póde parecer +extraordinario que elle seja designado simplesmente como <em>Procurador</em>, +em outubro da era +de 1207 (1169), quando lhe são doados, e á Ordem, +os castellos de +Zezere, de Thomar, e ainda o de Cardiga--«com todas as +herdades que alli fizeste e rompeste»--devendo notar-se que +n'esse mesmo anno como tal se apellida tambem, na +doação:--«de toda a terça +parte que pela graça de Deus poderem +adquirir e povoar desde o rio Tejo por deante--»para o sul, +é claro, aos--«cavalleiros chamados do Templo de +Salomão»--nas pessoas dos de Portugal e de--<em>vobis +Fratri Gualdino in Portugalia rerum Templi Procuratori</em>--. <br /> + +<br /> + +Mas esta qualidade de <em>Procurator</em>, +referida á gerencia regional ou provincial dos diversos +agrupamentos da Ordem, não era inferior, e muito menos +incompativel, com a categoria de <em>Magister</em>, a bem +dizer a +de Superior de cada Casa ou Commenda, com tendencias para substituir +aquella pela separação das diversas communidades +nacionaes. <br /> + +<br /> + +Não foi Galdino o unico +<em>cruzado</em> portuguez; mas é +dos raros cujos nomes se apuram. Se das suas façanhas no +Oriente resa sómente a inscripção, +outros e diversos documentos a corroboram brilhantemente na historia +patria. +<br /> + +<br /> + +<br /> + +<br /> + +<br /> + +<span class="pagenum">[42]</span> +<h3>XI </h3> + +<br /> + +<div style="text-align: center;"><img style="width: 400px; height: 155px;" alt="" src="images/fig13.png" /><br /> + +</div> + +<br /> + +<div class="quote1 tiny"> +Claustro da sé de Lisboa.</div> + +<br /> + +<br /> + +<br /> + +<br /> + +<br /> + +<span class="pagenum">[43]</span> +<span class="smallcaps">Leitura</span>: <br /> + +<br /> + +<div class="quote3"><em>--Esta sepultura +é de dona (?) Ignez +Eannes, sobrinha de Vicente Domingues Bolhão</em>. </div> + +<br /> + +<br /> + +Tem um certo interesse de occasião esta +inscripção modestissima, agora que vae +celebrar-se o centenario de Santo Antonio de Padua, mais propriamente: +de Lisboa. +<em>Bolhões</em> eram a familia d'elle. Vicente +Bulhão se chamou o +avô, ou, melhor, Vicente Martins <em>dito o +Bulhão</em>, o que devia desconcertar um pouco os +genealogistas, no esforço de engrandecer e nobilitar a +alcunha que se tornou +patronymico:--<em>Vicenti Martinii dicti Bulhon</em>,--segundo +a nota obituaria que +elles encontraram--«no livro de mão da Kalenda da +Sé antiga de Lisboa». <br /> + +<br /> + +D'este Vicente, veiu Martim +Bulhão,--<em>Martinus Bulhon</em>, +resava a mesma nota,--que, desposando Theresa Taveira, teve os +seguintes filhos: <br /> + +<br /> + +--Pedro Martins de Bulhão, do qual, nota semelhante +á citada, dizia:--<em>6 nonas julii obiit Petrus +Martinii +dictus de Bulhon</em>,--tendo vivido na primeira metade do seculo +XIII; d'elle procedeu um personagem relativamente illustre, o confessor +da Rainha Santa, capellão de Dom Diniz e lente de theologia +da Universidade: Dom Domingos Martins, conego de Santa Cruz. <br /> + +<br /> + +--Fernão Martins de Bulhão, o nosso futuro Santo +Antonio; <br /> + +<br /> + +--Vicente Martins de Bulhão; <br /> + +<br /> + +--Feliciana Martins Taveira; <br /> + +<br /> + +--Maria Martins Taveira, freira, que morreu tambem com ares de +santidade, em 18 de fevereiro de 1240. <br /> + +<br /> + +Mas é claro que o Vicente da +inscripção não é nem o +primeiro nem o segundo. É, porém, da familia, +neto de um ou bisneto do outro, segundo Monterroyo. <br /> + +<br /> + +Teve duas irmãs Vicente Domingues, que casaram fidalgamente: +uma, Dona Sancha Martins Bulhão, com Dom Soeiro Fernandes +Alam, que viveu no tempo de Dom Affonso +<span class="pagenum">[44]</span> +III e Dom Diniz, e com o qual se +orgulham os Soares de Albergaria; a outra, Dona Dordia, que foi mulher +de Pedro Martins Botelho, de Riba de Vizella, e depois de +Reymondo,--como quem diz Raymundo,--de Portocarrero. <br /> + +<br /> + +Mas nenhuma d'estas senhoras parece ter-nos dado a Ignez da +inscripção, cuja paternidade +modestamente se escondeu na prosapia do tio, especie de conservador ou +agente official dos negocios das colonias extrangeiras em Lisboa. <br /> + +<br /> + +Uma Ignez se encontra, proximamente, na familia; mas é Ignez +Dias Bulhão, procedente da +geração da Dona Dordia, e que Dona Leonor Telles, +a rainha bigama, considerava sua parente. <br /> + +<br /> + +Temos, pois, de nos contentar com o facto do tio nos authenticar a +antiguidade da inscripção, que +obsequiosamente nos forneceu o estudioso e dedicado secretario da <em>Arte +Portugueza</em>, sr. D. +José Pessanha.<br /> + +<br /> + +<br /> + +<br /> + +<br /> + +<span class="pagenum">[45]</span> +<h3>XII </h3> + +<div style="text-align: center;"><br /> + +<img style="width: 500px; height: 369px;" alt="" src="images/fig14.png" /><br /> + +</div> + +<br /> + +<div class="quote1 tiny"> +Thomar. +Igreja de Santa Maria dos Olivaes, na parede da segunda capella, +á direita.</div> + +<br /> + +<br /> + +<br /> + +<br /> + +<span class="pagenum">[46]</span> +<span class="smallcaps">Leitura</span>: <br /> + +<br /> + +<div class="quote3">--<em>Obiit frater gvaldinvs +magister militum templi +portugalie E. MCCXXXIII, III.º idvs octobris. Hic castrvm +Tomaris cum +multis aliis popvlauit. Requiescat in pace. Amen.</em> </div> + +<br /> + +<span class="smallcaps">Versão</span>: <br /> + +<br /> + +<div class="quote3">--<em>Morreu Frei Galdino, +Mestre dos Cavalleiros do Templo em +Portugal, na era de 1233, terceiro dos idos de outubro. Este castello +de Thomar, com muitos outros, povoou. Descance em paz. Amen.</em></div> + +<br /> + +<br /> + +<br /> + +No movimento, um pouco desordenado, diga-se de passagem, das +celebrações apotheosicas, centenaes ou +não, que ultimamente se tem manifestado entre +nós, pensaram alguns cavalheiros de Thomar em promover uma +que attrahisse as attenções e a concorrencia de +forasteiros +á formosa cidade do Nabão, bem digna realmente de +ser mais conhecida e visitada. Tiveram, então, a feliz +idéa de tomar +por thema o nome e a memoria do valente Templario portuguez, Galdino +Paes, tão deploravelmente esquecido tambem, e de quem +póde dizer-se que foi, alem de fundador de Thomar, um dos +mais intrepidos e persistentes cooperadores da +fundação de Portugal. <br /> + +<br /> + +Sob aquella idéa se reanimou o empenho do meu amigo e +distincto director-professor da Escola Industrial d'aquella cidade, sr. +Manuel Henrique Pinto, de encontrar a jazida dos restos do glorioso +Templario. Aproveito a occasião para dizer, com +reconhecimento, que o sr. Pinto tem sido o meu mais dedicado e caloroso +auxiliar n'esta colheita de <em>calcos</em> de +inscripções portuguezas. Honra lhe seja, que +n'isso não é a mim, mas á Historia e +ao paiz, que presta um bello serviço. <br /> + +<br /> + +Obtendo licença para sondar as paredes d'aquella +interessantissima e vetusta igreja de Santa Maria do Olival ou +<span class="pagenum">[47]</span> +dos Olivaes, que por si dava +assumpto para uma soberba monographia sobre a historia da architectura +nacional, o sr. Pinto, com dois amigos egualmente interessados n'esta +pesquiza, começou-a e teve a fortuna de, ás +primeiras tentativas, encontrar a pedra (naturalmente um dos lados do +sarcophago), em que está, nitida e graciosamente cavada a +inscripção de que tirou e me enviou o magnifico +<em>calco</em>, em poucos minutos reproduzido pelo lapis +primoroso e firme de Casanova. Como se vê, a +inscripção +não offerece hesitações ou duvidas de +leitura ou de contemporaneidade, esta ultima perfeitamente flagrante, +para quem conhece a epigraphia tumular do tempo, com as suas cruzes +espalmadas (<em>pattées</em>) iniciaes, com +as maiusculas oscillando entre o romano e o gothico, com o seu +<em>pautado</em>, até com a sua +redacção dos velhos obituarios e livros de +calendas, monasticos. Lê-se ao primeiro relance. Que o til ou +plica que ornamenta um dos XX da <em>era</em>, +não suggira reparo. Tem o mesmo valor que os do <em>e</em> +(era), do +<em>m</em> (mil) ou dos +<em>cc</em> (duzentos): isto é, nenhum tem. O +Viterbo do +<em>Elucidario</em> já advertiu esta especie de +mau habito decorativo, +inconsciente. <br /> + +<br /> + +A <em>era</em> é indiscutivelmente +a de 1233, correspondente ao anno de Christo de 1195. Sempre se lucrou, +com a idéa do centenario, ficarmos definitivamente sabendo +que o grande Templario morrêra em 1195, a 13 de outubro. +Teria +então setenta e sete annos, se tambem acertou Costa (<em>Hist. +da Ord.</em>), quando o dá nascido em 1118. Cedo +fizera Galdino a sua iniciação de Cavalleiro do +Templo nas +longinquas campanhas da Syria; mas, por mais cedo que n'aquelles tempos +se fosse homem, é claro que andam erradas algumas datas das +suas doações e +fundações. Apparecer-nos elle como Mestre,--<em>tibi +Magistro +Gualdino</em>,--em 1161, isto é, aos quarenta e tres +annos, na +doação das casas e herdades cultivadas e por +cultivar junto de Cintra, não +repugna, comtudo. <br /> + +<br /> + +Em 1169, isto é, aos cincoenta e um, é que recebe +toda a terça parte que podér adquirir e povoar +desde o Tejo +<span class="pagenum">[48]</span> +por deante, em +doação «a Deus e aos +cavalleiros chamados do Templo de Salomão», como +Procurador d'elle em +Portugal:--«<em>vobis Fratri Galdino in Portugal rerum +Templi Procuratori</em>»,--e mais os castellos da foz +do Zezere, de Cardiga, e o de Thomar, com todas as +herdades--«que fizestes e rompestes». Já +anteriormente, em 1165, lhe +haviam sido doados,--<em>vobis magistro +Gualdino</em>,--e á Ordem, os castellos de Idanha e de +Monsanto, e antes ainda, +seguramente,--«aquelle castello que se chama +Ceras»--e a Redinha. Rigorosamente, estas +doações não eram +mais que as confirmações reaes das +fundações, das conquistas e das +explorações agricolas, com que o activo Templario +e os seus freires iam acrescentando e consolidando, dia a dia, a patria +christã e portugueza. +<br /> + +<br /> + +<br /> + +<br /> + +<br /> + +<span class="pagenum">[49]</span> +<h3>XIII </h3> + +<br /> + +<div style="text-align: center;"><img style="width: 400px; height: 194px;" alt="" src="images/fig15.png" /><br /> + +</div> + +<br /> + +<div class="quote1 tiny"> +Portalegre; +Convento de S. Bernardo (seminario), na casa do capitulo (arruinada). +Lapide de marmore, com a figura de uma abbadessa esculpida e em volta a +inscripção.</div> + +<br /> + +<br /> + +<br /> + +<br /> + +<span class="pagenum">[50]</span> +<span class="smallcaps">Leitura</span>: <br /> + +<br /> + +<div class="quote3">--<em>Aqui jaz Dona Branca de +Vasconcellos, a primeira abbadessa +que foi d'este mosteiro, a qual ensinou as mo(n)jas d'elle, do +começo de suas profissões. E +falleceu aos 23 dias do mez de outubro de 1537.</em> </div> + +<br /> + +<br /> + +Seria uma das filhas de João Rodrigues Ribeiro de +Vasconcellos? <br /> + +<br /> + +Diz Goes:<br /> + +<br /> + +<br /> + +<div class="tinys">--João Roiz Ribeiro de +Vasconcellos, filho d'este Ruy +Vaz, +foi senhor da Casa de seu pae, e foi casado com <em>Dona +Branca</em> de Meneses, filha de Ruy Gonçalves da +Silva, Alcaide Môr de Campo +Maior e Ouguella, de quem houve... «<em>e outras que +são freiras</em>».</div> + +</div> + +</div> + + + + + + + + +<pre> + + + + + +End of Project Gutenberg's Inscripções portuguezas, by Luciano Cordeiro + +*** END OF THIS PROJECT GUTENBERG EBOOK INSCRIPÇÕES PORTUGUEZAS *** + +***** This file should be named 28348-h.htm or 28348-h.zip ***** +This and all associated files of various formats will be found in: + https://www.gutenberg.org/2/8/3/4/28348/ + +Produced by Rita Farinha and the Online Distributed +Proofreading Team at https://www.pgdp.net (This file was +produced from images generously made available by National +Library of Portugal (Biblioteca Nacional de Portugal).) + + +Updated editions will replace the previous one--the old editions +will be renamed. + +Creating the works from public domain print editions means that no +one owns a United States copyright in these works, so the Foundation +(and you!) can copy and distribute it in the United States without +permission and without paying copyright royalties. Special rules, +set forth in the General Terms of Use part of this license, apply to +copying and distributing Project Gutenberg-tm electronic works to +protect the PROJECT GUTENBERG-tm concept and trademark. Project +Gutenberg is a registered trademark, and may not be used if you +charge for the eBooks, unless you receive specific permission. If you +do not charge anything for copies of this eBook, complying with the +rules is very easy. You may use this eBook for nearly any purpose +such as creation of derivative works, reports, performances and +research. They may be modified and printed and given away--you may do +practically ANYTHING with public domain eBooks. Redistribution is +subject to the trademark license, especially commercial +redistribution. + + + +*** START: FULL LICENSE *** + +THE FULL PROJECT GUTENBERG LICENSE +PLEASE READ THIS BEFORE YOU DISTRIBUTE OR USE THIS WORK + +To protect the Project Gutenberg-tm mission of promoting the free +distribution of electronic works, by using or distributing this work +(or any other work associated in any way with the phrase "Project +Gutenberg"), you agree to comply with all the terms of the Full Project +Gutenberg-tm License (available with this file or online at +https://gutenberg.org/license). + + +Section 1. General Terms of Use and Redistributing Project Gutenberg-tm +electronic works + +1.A. By reading or using any part of this Project Gutenberg-tm +electronic work, you indicate that you have read, understand, agree to +and accept all the terms of this license and intellectual property +(trademark/copyright) agreement. If you do not agree to abide by all +the terms of this agreement, you must cease using and return or destroy +all copies of Project Gutenberg-tm electronic works in your possession. +If you paid a fee for obtaining a copy of or access to a Project +Gutenberg-tm electronic work and you do not agree to be bound by the +terms of this agreement, you may obtain a refund from the person or +entity to whom you paid the fee as set forth in paragraph 1.E.8. + +1.B. "Project Gutenberg" is a registered trademark. It may only be +used on or associated in any way with an electronic work by people who +agree to be bound by the terms of this agreement. There are a few +things that you can do with most Project Gutenberg-tm electronic works +even without complying with the full terms of this agreement. See +paragraph 1.C below. There are a lot of things you can do with Project +Gutenberg-tm electronic works if you follow the terms of this agreement +and help preserve free future access to Project Gutenberg-tm electronic +works. See paragraph 1.E below. + +1.C. The Project Gutenberg Literary Archive Foundation ("the Foundation" +or PGLAF), owns a compilation copyright in the collection of Project +Gutenberg-tm electronic works. Nearly all the individual works in the +collection are in the public domain in the United States. If an +individual work is in the public domain in the United States and you are +located in the United States, we do not claim a right to prevent you from +copying, distributing, performing, displaying or creating derivative +works based on the work as long as all references to Project Gutenberg +are removed. Of course, we hope that you will support the Project +Gutenberg-tm mission of promoting free access to electronic works by +freely sharing Project Gutenberg-tm works in compliance with the terms of +this agreement for keeping the Project Gutenberg-tm name associated with +the work. You can easily comply with the terms of this agreement by +keeping this work in the same format with its attached full Project +Gutenberg-tm License when you share it without charge with others. + +1.D. The copyright laws of the place where you are located also govern +what you can do with this work. Copyright laws in most countries are in +a constant state of change. If you are outside the United States, check +the laws of your country in addition to the terms of this agreement +before downloading, copying, displaying, performing, distributing or +creating derivative works based on this work or any other Project +Gutenberg-tm work. The Foundation makes no representations concerning +the copyright status of any work in any country outside the United +States. + +1.E. Unless you have removed all references to Project Gutenberg: + +1.E.1. The following sentence, with active links to, or other immediate +access to, the full Project Gutenberg-tm License must appear prominently +whenever any copy of a Project Gutenberg-tm work (any work on which the +phrase "Project Gutenberg" appears, or with which the phrase "Project +Gutenberg" is associated) is accessed, displayed, performed, viewed, +copied or distributed: + +This eBook is for the use of anyone anywhere at no cost and with +almost no restrictions whatsoever. You may copy it, give it away or +re-use it under the terms of the Project Gutenberg License included +with this eBook or online at www.gutenberg.org + +1.E.2. If an individual Project Gutenberg-tm electronic work is derived +from the public domain (does not contain a notice indicating that it is +posted with permission of the copyright holder), the work can be copied +and distributed to anyone in the United States without paying any fees +or charges. If you are redistributing or providing access to a work +with the phrase "Project Gutenberg" associated with or appearing on the +work, you must comply either with the requirements of paragraphs 1.E.1 +through 1.E.7 or obtain permission for the use of the work and the +Project Gutenberg-tm trademark as set forth in paragraphs 1.E.8 or +1.E.9. + +1.E.3. If an individual Project Gutenberg-tm electronic work is posted +with the permission of the copyright holder, your use and distribution +must comply with both paragraphs 1.E.1 through 1.E.7 and any additional +terms imposed by the copyright holder. Additional terms will be linked +to the Project Gutenberg-tm License for all works posted with the +permission of the copyright holder found at the beginning of this work. + +1.E.4. Do not unlink or detach or remove the full Project Gutenberg-tm +License terms from this work, or any files containing a part of this +work or any other work associated with Project Gutenberg-tm. + +1.E.5. Do not copy, display, perform, distribute or redistribute this +electronic work, or any part of this electronic work, without +prominently displaying the sentence set forth in paragraph 1.E.1 with +active links or immediate access to the full terms of the Project +Gutenberg-tm License. + +1.E.6. You may convert to and distribute this work in any binary, +compressed, marked up, nonproprietary or proprietary form, including any +word processing or hypertext form. However, if you provide access to or +distribute copies of a Project Gutenberg-tm work in a format other than +"Plain Vanilla ASCII" or other format used in the official version +posted on the official Project Gutenberg-tm web site (www.gutenberg.org), +you must, at no additional cost, fee or expense to the user, provide a +copy, a means of exporting a copy, or a means of obtaining a copy upon +request, of the work in its original "Plain Vanilla ASCII" or other +form. Any alternate format must include the full Project Gutenberg-tm +License as specified in paragraph 1.E.1. + +1.E.7. Do not charge a fee for access to, viewing, displaying, +performing, copying or distributing any Project Gutenberg-tm works +unless you comply with paragraph 1.E.8 or 1.E.9. + +1.E.8. You may charge a reasonable fee for copies of or providing +access to or distributing Project Gutenberg-tm electronic works provided +that + +- You pay a royalty fee of 20% of the gross profits you derive from + the use of Project Gutenberg-tm works calculated using the method + you already use to calculate your applicable taxes. The fee is + owed to the owner of the Project Gutenberg-tm trademark, but he + has agreed to donate royalties under this paragraph to the + Project Gutenberg Literary Archive Foundation. Royalty payments + must be paid within 60 days following each date on which you + prepare (or are legally required to prepare) your periodic tax + returns. Royalty payments should be clearly marked as such and + sent to the Project Gutenberg Literary Archive Foundation at the + address specified in Section 4, "Information about donations to + the Project Gutenberg Literary Archive Foundation." + +- You provide a full refund of any money paid by a user who notifies + you in writing (or by e-mail) within 30 days of receipt that s/he + does not agree to the terms of the full Project Gutenberg-tm + License. You must require such a user to return or + destroy all copies of the works possessed in a physical medium + and discontinue all use of and all access to other copies of + Project Gutenberg-tm works. + +- You provide, in accordance with paragraph 1.F.3, a full refund of any + money paid for a work or a replacement copy, if a defect in the + electronic work is discovered and reported to you within 90 days + of receipt of the work. + +- You comply with all other terms of this agreement for free + distribution of Project Gutenberg-tm works. + +1.E.9. If you wish to charge a fee or distribute a Project Gutenberg-tm +electronic work or group of works on different terms than are set +forth in this agreement, you must obtain permission in writing from +both the Project Gutenberg Literary Archive Foundation and Michael +Hart, the owner of the Project Gutenberg-tm trademark. Contact the +Foundation as set forth in Section 3 below. + +1.F. + +1.F.1. Project Gutenberg volunteers and employees expend considerable +effort to identify, do copyright research on, transcribe and proofread +public domain works in creating the Project Gutenberg-tm +collection. Despite these efforts, Project Gutenberg-tm electronic +works, and the medium on which they may be stored, may contain +"Defects," such as, but not limited to, incomplete, inaccurate or +corrupt data, transcription errors, a copyright or other intellectual +property infringement, a defective or damaged disk or other medium, a +computer virus, or computer codes that damage or cannot be read by +your equipment. + +1.F.2. LIMITED WARRANTY, DISCLAIMER OF DAMAGES - Except for the "Right +of Replacement or Refund" described in paragraph 1.F.3, the Project +Gutenberg Literary Archive Foundation, the owner of the Project +Gutenberg-tm trademark, and any other party distributing a Project +Gutenberg-tm electronic work under this agreement, disclaim all +liability to you for damages, costs and expenses, including legal +fees. YOU AGREE THAT YOU HAVE NO REMEDIES FOR NEGLIGENCE, STRICT +LIABILITY, BREACH OF WARRANTY OR BREACH OF CONTRACT EXCEPT THOSE +PROVIDED IN PARAGRAPH F3. YOU AGREE THAT THE FOUNDATION, THE +TRADEMARK OWNER, AND ANY DISTRIBUTOR UNDER THIS AGREEMENT WILL NOT BE +LIABLE TO YOU FOR ACTUAL, DIRECT, INDIRECT, CONSEQUENTIAL, PUNITIVE OR +INCIDENTAL DAMAGES EVEN IF YOU GIVE NOTICE OF THE POSSIBILITY OF SUCH +DAMAGE. + +1.F.3. LIMITED RIGHT OF REPLACEMENT OR REFUND - If you discover a +defect in this electronic work within 90 days of receiving it, you can +receive a refund of the money (if any) you paid for it by sending a +written explanation to the person you received the work from. If you +received the work on a physical medium, you must return the medium with +your written explanation. The person or entity that provided you with +the defective work may elect to provide a replacement copy in lieu of a +refund. If you received the work electronically, the person or entity +providing it to you may choose to give you a second opportunity to +receive the work electronically in lieu of a refund. If the second copy +is also defective, you may demand a refund in writing without further +opportunities to fix the problem. + +1.F.4. Except for the limited right of replacement or refund set forth +in paragraph 1.F.3, this work is provided to you 'AS-IS' WITH NO OTHER +WARRANTIES OF ANY KIND, EXPRESS OR IMPLIED, INCLUDING BUT NOT LIMITED TO +WARRANTIES OF MERCHANTIBILITY OR FITNESS FOR ANY PURPOSE. + +1.F.5. Some states do not allow disclaimers of certain implied +warranties or the exclusion or limitation of certain types of damages. +If any disclaimer or limitation set forth in this agreement violates the +law of the state applicable to this agreement, the agreement shall be +interpreted to make the maximum disclaimer or limitation permitted by +the applicable state law. The invalidity or unenforceability of any +provision of this agreement shall not void the remaining provisions. + +1.F.6. INDEMNITY - You agree to indemnify and hold the Foundation, the +trademark owner, any agent or employee of the Foundation, anyone +providing copies of Project Gutenberg-tm electronic works in accordance +with this agreement, and any volunteers associated with the production, +promotion and distribution of Project Gutenberg-tm electronic works, +harmless from all liability, costs and expenses, including legal fees, +that arise directly or indirectly from any of the following which you do +or cause to occur: (a) distribution of this or any Project Gutenberg-tm +work, (b) alteration, modification, or additions or deletions to any +Project Gutenberg-tm work, and (c) any Defect you cause. + + +Section 2. Information about the Mission of Project Gutenberg-tm + +Project Gutenberg-tm is synonymous with the free distribution of +electronic works in formats readable by the widest variety of computers +including obsolete, old, middle-aged and new computers. It exists +because of the efforts of hundreds of volunteers and donations from +people in all walks of life. + +Volunteers and financial support to provide volunteers with the +assistance they need are critical to reaching Project Gutenberg-tm's +goals and ensuring that the Project Gutenberg-tm collection will +remain freely available for generations to come. In 2001, the Project +Gutenberg Literary Archive Foundation was created to provide a secure +and permanent future for Project Gutenberg-tm and future generations. +To learn more about the Project Gutenberg Literary Archive Foundation +and how your efforts and donations can help, see Sections 3 and 4 +and the Foundation web page at https://www.pglaf.org. + + +Section 3. Information about the Project Gutenberg Literary Archive +Foundation + +The Project Gutenberg Literary Archive Foundation is a non profit +501(c)(3) educational corporation organized under the laws of the +state of Mississippi and granted tax exempt status by the Internal +Revenue Service. The Foundation's EIN or federal tax identification +number is 64-6221541. Its 501(c)(3) letter is posted at +https://pglaf.org/fundraising. Contributions to the Project Gutenberg +Literary Archive Foundation are tax deductible to the full extent +permitted by U.S. federal laws and your state's laws. + +The Foundation's principal office is located at 4557 Melan Dr. S. +Fairbanks, AK, 99712., but its volunteers and employees are scattered +throughout numerous locations. Its business office is located at +809 North 1500 West, Salt Lake City, UT 84116, (801) 596-1887, email +business@pglaf.org. Email contact links and up to date contact +information can be found at the Foundation's web site and official +page at https://pglaf.org + +For additional contact information: + Dr. Gregory B. Newby + Chief Executive and Director + gbnewby@pglaf.org + + +Section 4. Information about Donations to the Project Gutenberg +Literary Archive Foundation + +Project Gutenberg-tm depends upon and cannot survive without wide +spread public support and donations to carry out its mission of +increasing the number of public domain and licensed works that can be +freely distributed in machine readable form accessible by the widest +array of equipment including outdated equipment. Many small donations +($1 to $5,000) are particularly important to maintaining tax exempt +status with the IRS. + +The Foundation is committed to complying with the laws regulating +charities and charitable donations in all 50 states of the United +States. Compliance requirements are not uniform and it takes a +considerable effort, much paperwork and many fees to meet and keep up +with these requirements. We do not solicit donations in locations +where we have not received written confirmation of compliance. To +SEND DONATIONS or determine the status of compliance for any +particular state visit https://pglaf.org + +While we cannot and do not solicit contributions from states where we +have not met the solicitation requirements, we know of no prohibition +against accepting unsolicited donations from donors in such states who +approach us with offers to donate. + +International donations are gratefully accepted, but we cannot make +any statements concerning tax treatment of donations received from +outside the United States. U.S. laws alone swamp our small staff. + +Please check the Project Gutenberg Web pages for current donation +methods and addresses. Donations are accepted in a number of other +ways including including checks, online payments and credit card +donations. To donate, please visit: https://pglaf.org/donate + + +Section 5. General Information About Project Gutenberg-tm electronic +works. + +Professor Michael S. Hart was the originator of the Project Gutenberg-tm +concept of a library of electronic works that could be freely shared +with anyone. For thirty years, he produced and distributed Project +Gutenberg-tm eBooks with only a loose network of volunteer support. + + +Project Gutenberg-tm eBooks are often created from several printed +editions, all of which are confirmed as Public Domain in the U.S. +unless a copyright notice is included. Thus, we do not necessarily +keep eBooks in compliance with any particular paper edition. + + +Most people start at our Web site which has the main PG search facility: + + https://www.gutenberg.org + +This Web site includes information about Project Gutenberg-tm, +including how to make donations to the Project Gutenberg Literary +Archive Foundation, how to help produce our new eBooks, and how to +subscribe to our email newsletter to hear about new eBooks. + + +</pre> + +</body> + +</html> diff --git a/28348-h/images/fig01.png b/28348-h/images/fig01.png Binary files differnew file mode 100644 index 0000000..52456af --- /dev/null +++ b/28348-h/images/fig01.png diff --git a/28348-h/images/fig02.png b/28348-h/images/fig02.png Binary files differnew file mode 100644 index 0000000..4f4c018 --- /dev/null +++ b/28348-h/images/fig02.png diff --git a/28348-h/images/fig03.png b/28348-h/images/fig03.png Binary files differnew file mode 100644 index 0000000..770d382 --- /dev/null +++ b/28348-h/images/fig03.png diff --git a/28348-h/images/fig04.png b/28348-h/images/fig04.png Binary files differnew file mode 100644 index 0000000..29f358e --- /dev/null +++ b/28348-h/images/fig04.png diff --git a/28348-h/images/fig05.png b/28348-h/images/fig05.png Binary files differnew file mode 100644 index 0000000..1db7bfd --- /dev/null +++ b/28348-h/images/fig05.png diff --git a/28348-h/images/fig06.png b/28348-h/images/fig06.png Binary files differnew file mode 100644 index 0000000..762af70 --- /dev/null +++ b/28348-h/images/fig06.png diff --git a/28348-h/images/fig07.png b/28348-h/images/fig07.png Binary files differnew file mode 100644 index 0000000..24886cf --- /dev/null +++ b/28348-h/images/fig07.png diff --git a/28348-h/images/fig08.png b/28348-h/images/fig08.png Binary files differnew file mode 100644 index 0000000..4420c94 --- /dev/null +++ b/28348-h/images/fig08.png diff --git a/28348-h/images/fig09.png b/28348-h/images/fig09.png Binary files differnew file mode 100644 index 0000000..4f62f69 --- /dev/null +++ b/28348-h/images/fig09.png diff --git a/28348-h/images/fig10.png b/28348-h/images/fig10.png Binary files differnew file mode 100644 index 0000000..3a9cb34 --- /dev/null +++ b/28348-h/images/fig10.png diff --git a/28348-h/images/fig11.png b/28348-h/images/fig11.png Binary files differnew file mode 100644 index 0000000..56c464d --- /dev/null +++ b/28348-h/images/fig11.png diff --git a/28348-h/images/fig12.png b/28348-h/images/fig12.png Binary files differnew file mode 100644 index 0000000..0ac2901 --- /dev/null +++ b/28348-h/images/fig12.png diff --git a/28348-h/images/fig13.png b/28348-h/images/fig13.png Binary files differnew file mode 100644 index 0000000..e88f3b8 --- /dev/null +++ b/28348-h/images/fig13.png diff --git a/28348-h/images/fig14.png b/28348-h/images/fig14.png Binary files differnew file mode 100644 index 0000000..2145d8e --- /dev/null +++ b/28348-h/images/fig14.png diff --git a/28348-h/images/fig15.png b/28348-h/images/fig15.png Binary files differnew file mode 100644 index 0000000..f280cf2 --- /dev/null +++ b/28348-h/images/fig15.png diff --git a/LICENSE.txt b/LICENSE.txt new file mode 100644 index 0000000..6312041 --- /dev/null +++ b/LICENSE.txt @@ -0,0 +1,11 @@ +This eBook, including all associated images, markup, improvements, +metadata, and any other content or labor, has been confirmed to be +in the PUBLIC DOMAIN IN THE UNITED STATES. + +Procedures for determining public domain status are described in +the "Copyright How-To" at https://www.gutenberg.org. + +No investigation has been made concerning possible copyrights in +jurisdictions other than the United States. Anyone seeking to utilize +this eBook outside of the United States should confirm copyright +status under the laws that apply to them. diff --git a/README.md b/README.md new file mode 100644 index 0000000..be7d044 --- /dev/null +++ b/README.md @@ -0,0 +1,2 @@ +Project Gutenberg (https://www.gutenberg.org) public repository for +eBook #28348 (https://www.gutenberg.org/ebooks/28348) |
