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+The Project Gutenberg EBook of Jaime de Magalhães Lima, by José Agostinho
+
+This eBook is for the use of anyone anywhere at no cost and with
+almost no restrictions whatsoever. You may copy it, give it away or
+re-use it under the terms of the Project Gutenberg License included
+with this eBook or online at www.gutenberg.org
+
+
+Title: Jaime de Magalhães Lima
+
+Author: José Agostinho
+
+Release Date: January 3, 2009 [EBook #27689]
+
+Language: Portuguese
+
+Character set encoding: ISO-8859-1
+
+*** START OF THIS PROJECT GUTENBERG EBOOK JAIME DE MAGALHÃES LIMA ***
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+
+Produced by Pedro Saborano. A partir da digitalização
+disponibilizada pela bibRIA.
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+
+
+
+OS NOSSOS ESCRITORES
+
+VI
+
+JAIME DE MAGALHÃES LIMA
+
+POR
+
+JOSÉ AGOSTINHO
+
+
+
+CASA EDITORA
+DE
+ANTONIO FIGUEIRINHAS
+1911
+
+Deposito Geral:
+LIVRARIA PORTUENSE, de Lopes & C.ª Suc.or
+119, Rua do Almada, 123
+PORTO
+
+
+
+
+OS NOSSOS ESCRITORES
+
+VI
+
+
+Comp. e imp.--Typ. Universal
+de Figueirinhas & C.ª
+Rua das Oliveiras, 75--Porto
+
+
+
+
+OS NOSSOS ESCRITORES
+
+VI
+
+JAIME DE MAGALHÃES LIMA
+
+POR
+
+JOSÉ AGOSTINHO
+
+
+
+CASA EDITORA
+DE
+ANTONIO FIGUEIRINHAS
+1911
+
+Deposito Geral:
+LIVRARIA PORTUENSE, de Lopes & C.ª Suc.or
+119, Rua do Almada, 123
+PORTO
+
+
+
+
+SUMARIO
+
+
+Uma monstruosidade do Passado--A Meza Censória--Torquemada e Escobar--A
+critica com o constitucionalismo--Como a Meza Censoria persiste--A
+hypocrisia--Que critica a Republica recebe das mãos da Monarquia--O que
+ela é, em geral--Como ha de haver Arte livre?--Como ha de haver
+escritores e editores?--Os unicos trabalhadores livres--O faciosiamo na
+politica e nas letras--José Caldas e Joaquim Costa--Emilio Littré e
+Augusto Comte--Madame Comte e Clotilde de Vaux--Uma liberdade que a
+Republica tem de conquistar--O heroismo português--Trabalhadores
+independentes--Verdades sobre Garrett--Verdadeiros
+livres-pensadores--Camilo, Inacio Pizarro, Pedro de Lima, Jorge Artur,
+Hamilton, J. A. Vieira, S. Dias, A. da Costa, A. T. da Silva Leitão e
+Castro, P. da Cunha, J. de Lemos, A. da Conceição, Guilherme
+d'Azevedo--Os Magalhães Lima--O dr. Sebastião de Magalhães Lima--Jaime
+Lima e o seu refugio--A sua vida moral e mental--Ideias de Malebranche,
+Pascal, Moutesquieu, Guyau, Amiel e Fouillée--Constant Martha e Lucrecio
+e Epicuro--Jesus-Cristo e Tolstoi--A Terra--Impopularidade
+voluntaria--Heroismo perfeito--Filósofo na poesia, sociólogo no romance,
+pensador na crítica--_Apostolos da Terra_--Amostras de estilo--_Via
+Redentora_--_Vozes do meu lar_--Um belo excerto--Eduardo
+Schuré--Defeitos--Melchior de Vogüé--O que seria desejavel na obra de J.
+de M. Lima--O romancista--Superioridade notavel--Julio Dinis e Camilo--A
+unica lei duravel da estetica positivista--Uma animação de
+Lessing--Lessing e Winchelmann--A influencia de Platão e do pintor
+Oeser--J. de M. Lima e Balzac, Victor Hugo, Flaubert e Tolstoi--Eça de
+Queiroz e Julio Dinis--O romance _Na paz do Senhor_--Qualidades
+excelentes--Nem Pangloss nem Baudelaire--Tipos verdadeiros--Os romances
+_No Reino da Saudade_ e _Sonho de Perfeição_--Verdadeiros modelos--O
+critico--_Menor e servo S. Francisco d'Assis_--Esquecimento das obras de
+Prudenzano e Pardo Bazan--Guerra Junqueiro--Leonardo
+Coimbra--Superioridade de J. M. de Lima--_Alexandre Herculano_ e _José
+Estevão_--Nem Planche nem Sainte-Beuve--Balzac e Werdet--Alfredo de
+Vigny--José Estevão, Danton, Robespierre, Lamartine e
+Mirabeau--Fernandes Tomás e A. José d'Almeida--A conclusão dum belo
+livro--Serenidade nos processos criticos--Porque destacamos a figura de
+J. de Magalhães Lima.
+
+
+
+
+Uma das monstruosidades do passado, e ainda com predominio no presente,
+é a escravidão da conciencia. Horror e vergonha da Humanidade, foi Meza
+Censoria, depois de ser cátedra e pulpito, fogueira e pôtro, fôrca e
+anátema.
+
+Julgou sempre sem autoridade de juís, porque foi sempre verdugo. Nunca
+pôde ser lei pura, porque foi sempre suplicio e ignominia, patibulo.
+
+Para cometer o seu crime com prestigio, com absolvição plena dos seus
+rancores, abrigou-se em todos os refugios sagrados e vestiu todas as
+túnicas luminosas: a túnica de Jesus-Cristo, a pretexta de Catão, o
+manto de Sócrates.
+
+Tudo lhe serviu para armadura, escudo, auréola e máscara.
+
+Entre nós, como em toda a Europa, esse monstro alapardou-se na rigidês
+da ortodoxia intolerante que apedrejou Fénelon, e mordeu o calcanhar
+branco de S. Francisco d'Assis. Deu a Torquemada o báculo do pescador
+Pedro e a Escobar o principado de S. Francisco Xavier. Ululou, queimou,
+deturpou, assolou, enxertando a alma negra de Atila na haste aromal do
+Evangelho, voz e guia da Humanidade em jornada.
+
+Veio, entretanto, a Liberdade no constitucionalismo. Como vitoria?
+Infelizmente mais como vingança do que como evolução. As verdadeiras
+vitorias não se vingam: destróem, mas construindo. A liberdade do
+constitucionalismo foi principalmente represalia e assim a velha
+intolerancia não se extinguiu: deslocou-se, dissimulada, cavilosa.
+
+Extinguiram a Meza Censoria? Decerto, mas não se extinguiu o espirito do
+faciosismo, meza censoria latente e multipla que perpetra os mesmos
+crimes contra a liberdade do pensamento e do sentimento.
+
+O regimen constitucional opôs á intolerancia a intolerancia, ao odio o
+odio, ao despotismo sanguinolento, odioso em suplicios fisicos, a
+tirania da opinião preconceituosa sobre todo o trabalho mental.
+
+E esta com um involucro repugnante: a hipocrisia. Todos são livres de
+opinião! clamaram os caudilhos de Mousinho da Silveira. Entretanto, quem
+ficáva deveras livre era só a opinião dos dirigentes do regimen.
+
+Divergir corajosamente dela era o escandalo. Se a obra intelètual não
+ficava suprimida de direito, ficava-o de facto, tão excomungada, tão
+deprimida, que ninguem a lia.
+
+Esta tirania mental e moral criou entre nós a critica, como da Monarquia
+a acaba de receber a joven Republica.
+
+Os atuais governantes já a devem ter lobrigado no seu antro, onde
+esperamos que a hão de sanear. Diz-se liberal e é absolutista. Diz-se
+justiceira e é pessoalista e sètaria. Apregôa independencia, e acarinha
+apenas vaidades individuais. Guia-se pela influencia dos habilidosos e
+audazes. Flagela os cabotinos e, afinal, para alcandorar muitos deles,
+ou desdenha dos honestos, ou beneficia estes com epítetos de
+misericordia, que são afrontas flagrantes, ignobeis.
+
+Não tem, não póde ter, meios termos: ou turibulo ou chicote. Não arranca
+das trevas um desconhecido de merito, mas arraza de lentejoilas muitos
+nulos.
+
+E, entretanto, todos se queixam de que a nossa literatura e a nossa arte
+tombam em decadencia.
+
+Mas, porque não, se Portugal se tem regido sempre pela peor tirania,
+pela adulteração da Liberdade?
+
+Como querem Arte livre sem critica livre? Como querem os escritores e os
+editores que o publico leia, se os poucos não analfabetos do país, em
+vez de lêrem _tudo para discutir tudo_, ainda têm diante dos olhos o seu
+_Index_ conforme o partidarismo apaixonado que os domina?
+
+Quem ha de trabalhar num _meio_ assim? O verdadeiro trabalhador? Mas
+esse não procura nunca os criticos vulgares. Procurá-los é confessar
+baixeza, é ter até de oferecer deprimidamente jantares ou ceias, ou
+joias, a troco de elogios, é renegar implicitamente toda a ciencia e
+filosofia moderna, toda a razão e toda a fé e sentimento; é aceitar um
+qualquer partidarismo intolerante; é pôr a Arte debaixo da tutela de
+qualquer efemero fetiche; é condenar-se a ser escravo do erro, se ele
+domina, ou da paixão se ela triunfa.
+
+Ficam, pois, só vitoriosos e livres os maus trabalhadores, os que não
+têm sinceridade, os que não têm principios.
+
+Em vão a Ciencia e a Razão lhes dizem que a Republica, por exemplo, em
+todas as suas demolições é compativel com todos os grandes principios,
+até com os dum elevado espiritualismo; que se póde ser cristão e ser
+democrata, obrigando o Estado a separar-se da Egreja dentro da justiça
+pura; clamando ao atual governo que não páre, que êrga o verdadeiro
+edificio da liberdade, que vá, pouco a pouco, demolindo e construindo,
+dando golpes energicos á Burguezia da agiotagem e erguendo os humildes,
+o Povo, dentro da conciencia desoprimida.
+
+Eles não ouvem, nem pódem ouvir, tanto na vida politica como na vida
+artistica. Convém-lhes perturbar. Merece-lhes todo o apoio o Capitalismo
+que exploram. O que os preocupa é vencer depressa. Nunca é um ideal,
+porque este, quando sincero, é feito de toda a justiça, dentro de toda a
+austera tolerancia. O que os atrai é a popularidade e ela, embora mais
+tarde por vezes de nada sirva, lisongeia agora o amor-proprio de quem
+nem possue talento nem caráter, de quem não é democrata se não para
+poder ser plutocrata.
+
+E estes séticos de hontem e acomodaticios de hoje é que fazem a Critica
+contemporanea, raras vezes digna. Vemos que elogia ignobilmente, e
+incondicionalmente, só o correligionario, ás vêses de ha minutos, ou só
+o que é audaz no pedir, ou só o que é habil no grangeio de amizades
+entre plumitivos, ou o que, algumas vezes, encontra a peso de oiro uma
+trombeta passiva e estrepitosa a aturdir a opinião, os ingenuos, os
+simples e, emfim, por contagio, os proprios cultos e inteligentes!
+
+Onde está, pois, o lugar dos grandes e verdadeiros trabalhadores?
+
+Raras vezes aparece. Para o corajoso e liberrimo cristianismo de José
+Caldas lhe não negar a primasia de democrata, foi preciso que a
+Republica tivesse dado o exemplo da sua gloriosa imparcialidade,
+fazendo, do grande homem de letras, seu ministro em Roma. Assim, para
+Joaquim Costa na Espanha, morrendo na velha fé, ter a apoteose admiravel
+que foi o seu enterro, justiça triunfal a um lutador de sempre, foi
+preciso que o partido republicano espanhol emudecesse os intolerantes
+negros e escarlates com a luminosidade e generosidade da obra do
+extinto, gloria peninsular e mundial.
+
+Mas, que admira, se na França Emilio Littré deprimiu, não ha muitos
+anos, a progressão moral de Augusto Comte, favorecendo com azedumes e
+sofismas o odio estreito da Madama que nunca perdoou ao marido o
+predominio espiritual e as graças angelicas de Clotilde de Vaux? Não se
+esqueceu então Littré do valor mental de Comte só porque supôs apostasia
+sétaria o que era progressão psicológica? Poderemos nós ser superiores
+ao amado _figurino_?
+
+Nada de estranhar é, pois, que tenhamos ainda, não já oficial, mas
+sempre prepotente, uma perfeita e absurda Meza Censoria.
+
+D'aí esta decadencia mental e moral, toda reflètida na pequenês da
+Critica.
+
+
+D'aí um dos grandes problemas da liberdade a conquistar. Talvês a
+Republica o venha a resolver lentamente, com profundas angustias
+intimas, tão crueis como as de tantos que, na melhor das intenções, para
+não excitarem os ódios dos cégos e dos furiosos, aparentam crer que a
+politica póde impôr a fé ou o ceticismo religioso, a velha ciencia, ora
+dogmatica ora metafisica no seu materialismo, ou a moderna,
+essencialmente positivista, sim, mas porque não abre só os olhos da
+Razão, e dá emfim liberdade cientifica e pura aos do Coração.
+
+ * * * * *
+
+A boa alma portuguêsa, resplandesce de continuo em prodigios de
+heroismo. E o heroismo em Portugal está em toda a parte. É condição
+etnica. É atributo de povo celta, beijado de perto pelo mar profundo e
+carinhoso.
+
+Apezar de a nossa critica ter raras conciencias livres, houve sempre, e
+ainda ha, trabalhadores intelètuais que sofrem pelo seu ideal sem
+transigencia com o flagelo da impopularidade. Nem todos se bandeiam com
+os favores da opinião desvairada. Nem todos procuram na politica, além
+dum talher, um carimbo com esplendor de corôa. Ha ainda alguns que não
+perdoam a Garrett elogiar-se a si proprio nas gazetas, e que, só porque
+ele foi orador primoroso, homem do mundo, legislador feliz, não vão
+negar que o _Arco de Santana_ é mediocre, que as suas poesias liricas
+nunca excedem as de Soares de Passos, Simões Dias e João de Deus, e que,
+se não fôra o seu destaque politico, a beleza lapidar do _Fr. Luis de
+Sousa_, da _D. Branca_, das _Viagens_ e do _Camões_, não teria encantado
+tanto aquêles mesmos que não viram no feroz Padre Macedo, caceteiro
+torvo de D. Miguel, o primeiro poeta didático de Portugal e da
+Peninsula.
+
+Ha muitos ainda que não descem á construção astuta da sua imortalidade,
+pondo-se á frente de todos os movimentos com probabilidades maiores de
+vitoria, vestindo-se de apostolos e de leões, segundo o lance, ora
+usando óculos de profeta, ora vestindo mantos de senadores com um
+rochedo de Patmos á mão direita.
+
+Por Deus, que ainda ha, e haverá sempre, em Portugal verdadeiros
+livres-pensadores e por isso heroicos, sem reclamo na sua abnegação e
+laboriosidade intrepida.
+
+Anulam-nos? Respondem, trabalhando. Morrem ignorados na liça, ou
+sistematicamente deslembrados? A sua agonia é um sorriso; a sua
+resignação ilumina as gerações porvindoiras, e dessa luz vem a mais
+tarde a justiça inteira.
+
+Assim sucedeu ao próprio Shakespeare, esquecido durante dois seculos.
+Assim, entre nós, sucedeu ao cronista Brandão que Alexandre Herculano
+rehabilitou.
+
+Assim foi visto, em plena gloria de Garrett, aquele alto poeta, que
+Camilo festejou, Inacio Pizarro de Morais Sarmento, tão companheiro no
+olvido--sempre temporario dentro da justiça dos povos--de Pedro de Lima,
+de Jorge Artur, de Hamilton, de José Augusto Vieira, de Simões Dias, de
+Antonio da Costa, de Antonio Tomaz da Silva Leitão e Castro, de Pereira
+da Cunha, de João de Lemos, de Alexandre da Conceição, de Guilherme de
+Azevedo, e de tantos, por vezes suplantados por homens muito menores.
+
+E, atualmente, não sabemos doutro mais elevado de intelèto, mais
+verdadeiramente pensador e artista, do que Jaime de Magalhães Lima.
+
+Quem é?
+
+Ninguem em Portugal desconhece os Magalhães Lima. Um velho austero e
+popularissimo em Aveiro usou esse nome, legando-o a dois homens
+singulares de meritos, a dois irmãos: Sebastião e Jaime.
+
+O primeiro entregou-se á onda do povo, dominando, arrastando por vezes
+os espiritos com um verbo ora romantico, ora rigido, talvez intolerante,
+mas talvez no intimo cortado de duvidas profundas. Expandiu-se
+brilhantemente no jornal, no opusculo, algumas vezes no livro. Galgando
+as fronteiras, bebeu no estranjeiro as sinteses mais sedutoras e novas,
+propagou-as com valor, com fé, com tenacidade, deu-se com elas todo á
+politica, fez-se combate e a seguir meditação para voltar a ser luta,
+ora quebrantada de melancolia, ora amargurada de deceções.
+
+É evidente que esse homem teve logicamente a popularidade que, afinal,
+nunca mendigou. Não a evitou, embora não a suplicando. Não a desamou,
+embora pedindo-lhe por vezes ou mais justiça ou mais cordura.
+
+Jaime ficou no seu lar e no seu jardim, ao pé das suas flores e das suas
+brumas. Como? Egoistamente? Fruindo a fortuna, o prestigio paterno, o
+renome do irmão, o livre amor da Arte? Responde por nós Sebastião de
+Magalhães Lima, numa tarde melancolica, nevoenta como uma utopia, dentro
+do seu pequenino gabinete da _Vanguarda_:
+
+--Quem me dera ter a elevação mental e moral de meu irmão Jaime!
+
+Eis uma definição alta e independente, digna como a Justiça sem mácula.
+
+Jaime de Magalhães Lima refugiava-se: não fugia da luta. Do refugio, fez
+o estudo; fez a conciencia. Leu ali tudo, ouviu todos, e depois ouviu-se
+a si mesmo dentro de toda a liberdade. Tutela mental não a aceitou a
+ninguem; se a procurou mais tarde, foi porque a encontrou no caminho
+como voz de conciencia alheia que concorda com a nossa.
+
+Não se esqueceu da frase de Malebranche: Todos pretendem ter razão, ao
+seguirem afinal as sugestões dos seus sentidos. Compreendeu cêdo aquêle
+perigo que apontou Pascal no imperio do amor-proprio, imperio que
+significa o maior ódio á verdade, e viu, com o mesmo grande homem, que o
+principio da moral é esforçarmo-nos sempre por pensar bem.
+
+Como literato, afês-se a ver a critica pelos canones suaves de
+Montesquieu, mais tarde ampliados por Guyau e, entretanto, a sua alma
+lavada avistava, e logo palpava, sem tortura, por livre intuição do
+fundo da sua Arte, as verdades de Amiel quanto ao _ideal_ e ao _real_,
+quanto ao cèticismo, pai seguro da tirania, por mais que êle prégue a
+liberdade. Encontrou tão luminosos limites á teoria da _superioridade da
+áção sobre o sonho_ do referido Guyau, valetudinario antes dos 30 ânos,
+e morto aos 34, todo impelido sempre mentalmente pelo espirito de
+Fouillée, como ensanchas generosas para a delicadeza de Constant Martha,
+esse homem estranho que chegou a provar a religiosidade do poeta
+Lucrecio e do proprio Epicuro.
+
+Nesta liberdade sã viu Jesus-Cristo no libertarismo genial de Tolstoi.
+Compreendeu que, assim como a arte da Grecia é um alento na mais larga
+vida da civilização cristã, assim a arte devida ao cristianismo palpita
+na sociedade futura, trazendo já a vitoria do espiritualismo nas
+lucubrações livremente experimentais da Ciencia.
+
+Entretanto, o seu refugio não lhe fês esquecer a Terra, _meio_
+indestrutivel das manifestações da sua alma, e amou-a, e cantou-a, e não
+lhe negou um culto sadio e amoravel.
+
+Mas tudo isto não rogando favores do publico, nem os da bolsa nem os da
+fama.
+
+Resignando-se com a relativa impopularidade duma obra profunda,
+independente de faciosismos, livre de conveniencias estreitas. Não
+procurando o plumitivo hiperbólico, o correligionario maleavel, o
+agitador apoteótico, o reclâmo do amigo, a furia do inimigo, o escandalo
+do indiferente, nada do que atrái atenções, do que provoca discussões,
+do que escalda temperamentos.
+
+Tudo isto como um regato no ruido dos passos, embora como um grande rio
+no poder de corrente. Tudo isto duma maneira silenciosa, ainda que
+penetrante, como os bons arômas.
+
+E, nisto, vindo as cãs, e com elas a pureza maior, a elevação da
+filosofia esoterica, a radiosidade da arte, a paz perfeita do coração, a
+santidade e maior verdade da palavra, não veio a popularidade.
+
+Não admira. Ilogico seria o contrario. Tolstoi precisou de escandalizar
+a Europa, embora involuntariamente, para se reconhecer como era um genio
+moral e mental. Jaime de Magalhães Lima, avisado pelo exemplo do Mestre
+do Caucaso, não póde ser precipitado na justiça pelo escandalo
+involuntario sequer. A sua modestia, verdadeira a ponto de ser
+excessiva, até desse destaque o afasta. Facilmente se vê quanto ha de
+heroico na virtude perfeita, e o notavel escritor é dos poucos que ao
+talento superior junta a virtude sincera.
+
+ * * * * *
+
+Jaime de Magalhães Lima, com aquelas barbas de neve, com o olhar plácido
+e franco dum velho cristão, vegetariano, simples em todos os habitos, é
+um poeta-filosofo, um romancista-sociologo e um critico-pensador.
+
+Como poeta, não escolhe o verso: maneja com fulgor e nitidez uma prosa
+opulenta e, ao mesmo tempo, substancial. A sua poesia é a sua fé no
+maior amor de todos. Combativa? Sempre, mas porque é inabalavelmente
+tolerante. A combatividade raivosa denuncia ou doença da alma ou
+enfermidade pessima do caráter. Jaime de Magalhães Lima tem a saude
+perfeita e tranquila no corpo e na conciencia.
+
+Quais os seus poêmas? Abramos um: _Apostolos da Terra_. É um rosario de
+melodias doces e profundas á Natureza. Em cada melodia a emergencia duma
+verdade, por vêses tão heroica que é a confissão duma culpa, só
+insignificante aos olhos dos nulos. Mas isto numa enorme e solida
+ciencia, como numa erudição rara. Isto, com um estilo original e
+sincero, vernáculo e vivo, como o atestam as seguintes rápidas amostras.
+
+Na _Sede de Brancura_: «Tem sêde de brancura a nossa alma, de brancura
+que corra como o sangue e seja casta como a madrugada.
+
+A neve, o diamante, aguas e nuvens são brancas, mas debalde lhes pedimos
+que palpitem e ministrem comunhão na translucida essencia do seu brilho.
+
+Desliga-as do bater dos corações uma calma frieza sem piedade, como se
+fôssem estranhas ao seu ritmo, ou passassem de longe, ignorando a
+constante agitação d'amor que os faz pulsar».
+
+Na _Irmã do Mar_: «Misterio!... É bem salgado o mar e a seara é dôce.
+Encerra o trigo a esperança de crescer, o latejar do sangue e do calor
+que alimenta a beleza a mais gracil e a conciencia austera e redentora
+na profunda expressão do seu poder. É corrosivo o mar e, destruindo, nem
+ás pedras perdôa, desunindo a liga cristalina que se fês na pureza
+sublimada d'altos fógos. E vivem ambos, a seára e o mar, na eterna
+agitação do seu anceio!... Quem sabe?! Talvês sôfram ou se exaltem no
+delirio do mesmo amor, sagrado por destino de quem sem êrro guia os sóes
+e o mundo no triunfo divino da Harmonia».
+
+E o mesmo alto ideal, puro sentimento, e por vêses estudo de árduos
+problemas, nos outros poêmas em prosa, _Via Redentora_ e _Vozes do meu
+Lar_. No primeiro dêstes, e tambem para exemplo do estilo do notavel
+escritor, bastam estes periodos do belo canto que é _A Enxada_:
+
+«O cavador ergueu-a novamente. Rompe o sol; sobre os carvalhos loirejou
+fulgores; dissipa a treva na montanha; beija certamente a lamina polida;
+e a enxada, em sagrada ancia de triunfo, inunda o arvorêdo e a seára de
+clarões de estrêla. Batisou-a o fogo no rubor da forja, e deu-lhe a
+pureza, diamantina voz, para entoar os cantos da luz celeste».
+
+Não ha aqui tanta espiritualidade moderna e sã como no melhor trabalho
+de Eduardo Schuré?
+
+Não é aquêle estilo simples, limpido, espontaneo e, ao mesmo tempo,
+magnifico de eufonia e graça?
+
+Comtudo, será o escritor sem defeitos? Não, até porque, como é
+logar-comum dizer, os tiveram Milton, Dante e Camões. Por vêses, ha na
+sua prosa poetica raptos que se esquecem demais de quem os póde ver.
+Fógem demasiadamente do espirito dos mediocres, o que contradiz
+involuntariamente, mas de facto, todo o seu generoso e completo amor aos
+humildes. Neste ponto ha bastante da pecha principal de Melchior de
+Vogue: aristocracia involuntaria dentro da elevação ardente duma Arte
+que só pretende, afinal, fecundar a alma do Povo, porque até, não sendo
+assim, seria descabida.
+
+D'aí, algumas obscuridades no estilo, raras, muito raras, dignas de
+emenda, porém, e ainda o uso aqui e ali de epitetos eruditos, mas
+gastos, crispados de sonoridade emfatica.
+
+Ás vezes, um mal grave--a como que convição de que mais escreve para si
+proprio do que para o seu tempo e para a sua geração.
+
+E porisso, apezar de frequentemente cristalino, limpido, adoravel de
+verdade, de sentimento de vida, nestes poêmas em prosa destôam a espaços
+requintes preciosos, só acessiveis alguns aos espiritos altos e muito
+cultos. Este defeito não aféta demais a obra no valor intrinseco:
+priva-a de ser frutifera em toda a sua intensidade, o que é sempre
+deploravel num _meio_ como o nosso, assim inculto, esteril, carecido de
+verdadeiras obras.
+
+A filosofia de Jaime de Magalhães Lima reclamaria trabalhos de muito
+graduada perfeição plastica, a começarem quase sem estilo, como quem
+palestra com crianças e simples. Só assim este povo, tão atrazado e
+desorientado, mas tão inteligente e bom, poderia, pouco a pouco,
+perlibar o mel precioso, colher todo o dôce impulso da verdade livre,
+compreendendo e vivendo o que a má fé certa de invejosos ou de sètarios
+aponta com facilidade como arte egoista ou impenetravel, se não como
+devaneio lunático.
+
+Já como romancista, o seu intento de dar o verdadeiro realismo lhe
+inspira uma arte superior na comunicabilidade, uma fórma sempre
+transparente e, comtudo, original.
+
+Os seus romances, depois dos de Julio Dinís e alguns de Camilo, são os
+mais perfeitamente portuguêses da nossa literatura de ha 60 ânos. Não
+são muito lidos. Nem por isso deixam de ser modelares.
+
+Jaime de Magalhães Lima entendeu, como poucos, o romance moderno, sem as
+taras do excessivo romantismo, ou do excessivo realismo, inversão
+positiva do primeiro.
+
+Espiritualista corajoso, muito superior, não desprezou a unica lei
+duravel talvês da estetica positivista: «A Arte deriva do sentimento e
+idealisa a realidade».
+
+A rigor, não poderia êle dizer como Lessing: «Se Deus tivesse a verdade
+na sua mão direita e na esquerda o amor sempre inquieto da verdade, e me
+dissesse:--Escolhe!--eu, ainda que me condenasse a enganar-me
+eternamente, optaria pela esquerda. Pai--dir-lhe-ia eu--a verdade é só
+para ti». Não. Jaime de Magalhães Lima não tem a febre da verdade,
+porque a encontrou plenamente, e disso está convencido. Outra febre
+sagrada o empolga: é a de ensinar a verdade que professa, ensiná-la na
+doutrina e no exemplo.
+
+Falamos em Lessing, e o nome deste ingente torturado traz á memoria o do
+critico Winckelmann, seu colaborador radioso na purificação e dignidade
+maior da critica alemã.
+
+É que um e outro foram dois excessos, dois exageros combatentes e por
+certo Jaime de Magalhães Lima, que tanto preza Carlyle, se apaixonou,
+conhecendo o primeiro, pela orientação alegorista do segundo, todo
+embebido na alma angelica de Platão, mas tambem muito tolhido pela
+estetica exangue do pintor Oeser. Porém,--di-lo a sua obra--soube achar
+o meio termo, como, especialmente no romance, pôs no seu logar Balzac e
+Vitor Hugo, e saudou a magnificencia de Flaubert sem deixar de amar a
+concisão espiritual de Tolstoi.
+
+Tendo esta pujança moral e mental, não se iludiu com o cinismo brilhante
+de Eça, ora acrata ora aristocrata, nem se algemou na idealização, por
+vêses excessiva, de Julio Dinís, embora este seja o nosso verdadeiro e
+grande realista, o Maior dentro dos sentimentos nacionais.
+
+A prova do que afirmamos assim está em qualquer dos romances de Jaime de
+Magalhães Lima.
+
+_Na Paz do Senhor._ A analise póde, a espaços, ter demasias, hoje
+repelidas na morte plena do zolismo.
+
+Não demasias de crueza moral, mas de pormenores que já o Eça detestava
+no fim da vida.
+
+Mas é rigorosa, metódica, pura. O _meio_ emerge inteiro e real, nosso.
+Não é só o descritivo magistral e animado que o revela: são,
+principalmente, os carateres e o enrêdo.
+
+O que não ha é o predominio pascóvio dos òtimismos á Pangloss
+(degeneração do romantismo), nem os pessimismos sádicos dos Gourmont
+(realismo triunfante). O meio é _real_, tem aspétos bons e maus, e a
+moralidade, deixando os sermões, aliás brilhantes, da _Cabana do Pai
+Tomás_, resulta lógica, sem vergonha de existir, sem medo de cair no
+ridiculo.
+
+Tipos verdadeiros, excelentes: o Valadares, tão nosso, o Antonio
+Carvalhaes--que a Republica vai ter pela prôa nas proximas
+Constituintes--o Monteiro, o Mirandinha, o Frederico e o Prospero, este
+mais vulgar do que os criticos imaginam. Realidades puras: a D. Rosa, o
+Carlos de Macedo, o Duarte de Melo e a mulher, a Isabel e o seu
+Basilio--nada parecido com o lustroso mandrião do Eça. A abnegação do
+Frederico, principalmente, soberba de verdade. Não é um corruto, mas
+tambem não é um santo. Não é um genio, mas tambem não é um espirito
+mediocre. O seu sacrificio tem a nódoa dum egoismo, mas é humano dentro
+duma conciencia iluminada.
+
+E no _Reino da Saudade_ e no _Sonho de Perfeição_, a mesma larga vida
+concècional, o mesmo espirito de religiosidade cristã, mas purissima,
+caratéres nitidos, descrições primorosas, noção profunda da vida
+agricola, da burguesia-esponja, do preconceito-pôlvo, da paixão-álcool.
+
+Tudo assim, egual, perfeito, espontaneo, sem desmandos gritantes, sem
+covardias morais, sem claudicancias do inteléto. E eis o que sobeja para
+dar ao nosso romance um rumo seguro e radioso que na França, apezar dos
+romances-poêmas e dos romances-sociais da escola hodierna,
+espiritualista-positivista, ainda não foi traçado com gesto definitivo.
+Mas esse rumo, se o não querem ver, ha de impôr-se. Se o árabe diz a
+verdade, quando afirma _que os cães ladram, mas a caravana passa_, menos
+se iludirá quem vaticinar caminho seguro á caravana, só porque coaxam
+algumas rãs, chamando _desfastios_ aos _Contos do Natal_ de Candido de
+Figueiredo, ou a qualquer deliciosa revelação da arte verdadeiramente
+portuguêsa á qual Jaime de Magalhães Lima não dá só muito trabalho, como
+muito talento e muita conciencia.
+
+ * * * * *
+
+É lógico que mentalidade tão robusta e sentimento tão sincero dêm um
+critico notavel. Tal o é Jaime de Magalhães Lima no livro e no jornal, e
+com o esplendor dum eminente e livre sociólogo, dum democrata livre,
+sincero, altissimo.
+
+Neste ponto, a nosso ver, a sua obra-prima é aquêle livro, cheio de
+modestia e luz, d'amor e verdade, chamado _Servo e Menor S. Francisco
+d'Assis_. Bem sabemos que o critico se inculca como simples decalcador
+de Sabatier, como, de passagem, sabemos com estranheza que, lendo
+Macdonell, Howel, Lechwer, etc., se esqueceu de Prudenzano e da amoravel
+Pardo Bazan, nada despiciendos na psicologia admiravel do Patriarca mais
+republicano da Egreja.
+
+Mas, em toda essa obra sadia e profunda, o seu espirito clarividente,
+por mais que o oculte, surde com evidencia gloriosa. A narrativa de
+honesto biógrafo denuncia a vida filosófica de quem a faz, e essa é por
+vêses muito mais afim do espirito imaculado do Santo, modelo de
+Democracia pura, do que o do proprio Sabatier, apezar de mentalidade
+prodigiosa.
+
+Admiradores conhecidos de S. Francisco d'Assis são Guerra Junqueiro e
+todos os modernos poetas de alma. Um orador brilhante, coragem real no
+nosso _meio_, Leonardo Coimbra, rasgada democracia numa conciencia
+livre, terá dito, ou poderá dizer-nos ainda, muito da elevação
+cientifica que vive na espiritualidade do imortal revolucionario de
+Assis. Nenhum, porém como Jaime de Magalhães Lima fês, do espirito do
+Santo, o seu proprio espirito.
+
+Nenhum, pois, quanto a nós, póde exceder o valor modelar da sua critica
+em assunto que é todo da sua alma, na crença convicta, no anceio intimo,
+no aperfeiçoamento progressivo da bondade, vida livre e fecunda da sua
+inteligencia e do seu coração.
+
+Estudando Alexandre Herculano e José Estevão, Jaime de Magalhães Lima
+não pretende fazer estudos integrais. Colhe alguns aspétos, para ele
+predominantes, e, como _vê_ sem preconceitos e tem uma linguagem nobre,
+pura, original, deixa dois livros primorosos, perfeitos, completos.
+
+Não tem, não póde ter, a dureza rigida de Gustavo Planche. Este, como
+dizia o justiçador de Balzac, Edmundo Werdet, era--egoista, de coração
+de aço, de torso do Antinous, de pernas de argila, implacavel com tudo
+que não fosse obra sua, de estilo corréto, mas seco e frio.
+
+Jaime de M. Lima é forte, mas tolerante, magestoso mas simples como os
+patriarcas biblicos.
+
+Ninguem póde tambem esperar dele a venalidade de Sainte-Beuve, o seu
+espirito de intriga, capaz de felonias como a que perpetrou com o enorme
+poeta Alfredo de Vigny, o pessimista dolorido.
+
+A grande bondade de Jaime de M. Lima, genializada por uma intensa
+paciencia, afastam-no da cólera, e a sua desambição perfeita livra-o por
+completo de transigencias com o logar-comum e com o estrondo sètario.
+
+Assim, José Estevão é por êle rehabilitado contra os fanaticos de
+qualquer campo.
+
+Não, o fogoso tribuno não foi Danton, vulcão, impeto cégo, catapulta
+muitas vezes salpicada de sangue.
+
+Não foi, porém, Robespierre, razão fria, espiritualismo e egoismo,
+astucia e fé em aliança assombrosa.
+
+Com o vigor do primeiro, não teve a sua impudencia: com o bom-senso do
+segundo, não teve a sua hipocrisia.
+
+Foi muitas vezes Lamartine, até no pleno gosto artistico e no sonho, e
+foi nos raptos bastante Mirabeau; um Mirabeau com a visão melhor da
+moderna sociologia, e portanto sem a mascara disforme do
+homem-tempestade.
+
+No fundo, a sua eloquencia era toda de bondade, como a de Fernandes
+Tomás em 1820, como a de Antonio José de Almeida no nosso tempo.
+
+Se trovejava, os seus raios eram farois, não eram agentes de cega ruina.
+
+Parece esta a conclusão sintetica do belo trabalho de J. de Magalhães
+Lima sobre José Estevão.
+
+A figura de Alexandre Herculano não a viu com a minucia, tantas vezes
+arbitraria, de Taine; viu-a com a verdade ampla dum patriota e crente
+que nunca esquece o que a patria e a fé representam na grandeza da
+Humanidade.
+
+Assim, a conclusão do seu trabalho sobre o maior e mais austero vulto do
+nosso romantismo deriva sem esforço, luminosa na sua singeleza, das
+belas paginas em que estudou o grande escritor e grande
+cidadão--_Alexandre Herculano_, diz, _a todos honrou igualmente,
+engrandecendo-se e legando-nos um exemplo unico e supremo na historia do
+povo português_.
+
+Dizer isto, depois de o provar sem estridor como sem desfalecimento de
+fé, com vistas sempre originais e sinceras, num estilo belo, com
+profundas noções cientificas em todos os aspétos encarados, significa
+uma obra primacial, uma obra de eleição, e, na essencia, uma completa
+obra de propaganda da Verdade Maior.
+
+Não aparece o lenhador, e sim o semeador.
+
+O machado e o bisturi trocam-se pela charrua paciente e pela luz do sol
+sem nuvens.
+
+O critico não é a torrente cataduposa: é o rio poderoso, mas placido,
+que nunca reflete nas aguas pedaço de céo que não seja amorosamente
+azul.
+
+Mas, se o supondes lago apático, enganais-vos: a sua serenidade é cheia
+de vida, e tanto que as suas aguas, porque são perfeitamente puras, são
+adoravelmente limpidas.
+
+Ás vezes até, a profundidade da vida lhe dá murmurios de oceano: é o
+salmo intenso das crenças perfeitas.
+
+É a Conciencia livre, a qual, por mais serena que se eleve, tem sempre
+muito de Mar e como que de abismo.
+
+Compreende-se talvês agora como é que este crente é, afinal, um avançado
+socialista, um ardente libertario.
+
+Como seu irmão Sebastião, procura a Patria Nova. A diferença está apenas
+nos caminhos.
+
+Aquêle quis ver primeiro em terra o Trono que machadou durante 30 ânos.
+
+Jaime nunca se preocupou com as velharias do Passado. Sem as ferir
+diretamente, rasgou com coragem e fé a verêda do Futuro e, parecendo
+conservador, é o mais avançado revolucionario.
+
+Porisso a sua nobre tolerancia é o mais valente grito de guerra.
+
+Quem assim é tolerante tem a certeza de que o Erro cái de per si á
+simples aparição de toda a Verdade.
+
+ * * * * *
+
+Jaime de Magalhães Lima é talvês assim, visto como que num simples
+instantaneo.
+
+Fotografado em todos os seus aspétos, seria o mesmo que pedir para êle
+em vida uma estatua, mais justa do que a de alguns, nunca tão livres de
+conciencia e honestos de verdadeira arte como este escritor, que é
+notavel por isso mesmo que muitos teimam em não o notar.
+
+Nem o nosso caráter nem o dêle--e este muito menos--se comprazem com o
+mais justificado fetichismo.
+
+Para êle, como para nós, a obra é valor da ideia e não do homem.
+
+O espirito hoje perfeito foi imperfeito, evolute, e, resplandescente
+agora, tem ainda sêde de perfeição maior. Não ha grandes nem pequenos,
+se não de momento. O verme de hoje ha de ser colosso ámanhã. O gigante
+da atualidade foi anão nas trevas do passado.
+
+Apontar Jaime de Magalhães Lima dentro da justiça perfeita, não é, pois,
+elogiar o individuo: é apelar para um belo manancial de ideias e
+sentimentos de amor e verdade.
+
+Ha de um dia a literatura dar-lhe o lugar devido. Isso não nos preocupa.
+O Futuro dignifica sempre o Passado. O que nos póde doer é que muitas
+almas sequiosas desconheçam tão bela fonte de noções moraes e mentais e
+se privem, por ingratidão mesquinha do _meio_, do pão artistico e
+espiritual que uma obra tão superior, como a de Jaime de M. Lima, lhes
+póde ministrar com grandes frutos para a Democracia e para a Verdade.
+
+Esse prejuizo causa horror.
+
+Estão secas as fontes verdadeiramente cristalinas da nossa Arte. Em vês
+delas, superabundam chafarizes exóticos, canalisando e repuxando aguas
+duvidosas.
+
+Quem desconhece o intoxicamento moral que elas semeiam?
+
+Quem não compreende que a nossa jóven Republica precisa de as vedar em
+beneficio da boa saude da querida Patria Portuguesa?
+
+
+
+
+Livraria Portuense, de Lopes & C.ª--Successor
+
+119, Rua do Almada, 123-PORTO
+
+
+JOSÉ AGOSTINHO
+
+OS NOSSOS ESCRITORES:
+
+ I--_Guerra Junqueiro_, 100
+ II--_Teofilo Braga_, 100
+ III--_José P. de Sampaio (Bruno)_, 100
+ IV--_Jaime de Magalhães Lima_, 100
+
+LUSIADAS, prefaciados, parafraseados, anotados, e com um vocabulario,
+cada tomo ou canto, br. 150, enc. 250
+
+LUSIADAS em 2 vol., br. 1$500, enc. 2$000
+
+LUSIADAS em 1 grosso vol. os dez cantos, enc. 1$600
+
+A MULHER EM PORTUGAL, br. 500, enc. 700
+
+O HOMEM EM PORTUGAL, br. 600, enc. 800
+
+O CAMINHO DAS LAGRIMAS (romance historico) br. 600, enc. 800
+
+O PADRE ANTONIO (2.ª edição refundida) br. 400, enc. 600
+
+POEMA DA PAZ, br. 400
+
+MONSTRO, drama em verso, br. 400, enc. 600
+
+DEFINIÇÕES--(verso), 200
+
+As Noites do Avozinho--BELEZAS DA HISTORIA DE PORTUGAL, cada fasciculo,
+broch. 100, enc. 250
+
+FABULAS, (verso) br. 200, enc. 400
+
+ALEXANDRE HERCULANO, br. 500, enc. 700
+
+EÇA DE QUEIROZ (2.ª edição aumentada), br. 300, enc. 500
+
+
+D. ANTONIO DA COSTA
+
+HISTORIA DA INSTRUÇÃO POPULAR, 1 vol. br. 500 reis, e enc. 700
+
+NO MINHO, 1 vol., br. 500 reis, enc. 700
+
+TRES MUNDOS, br. 500 reis, enc. 700
+
+
+ALVARO DE MAGALHÃES
+
+O SECRETARIO, br. 500, enc. 700
+
+
+
+
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+ <title>Jaime de Magalhães Lima, por José Agostinho</title>
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+The Project Gutenberg EBook of Jaime de Magalhães Lima, by José Agostinho
+
+This eBook is for the use of anyone anywhere at no cost and with
+almost no restrictions whatsoever. You may copy it, give it away or
+re-use it under the terms of the Project Gutenberg License included
+with this eBook or online at www.gutenberg.org
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+
+Title: Jaime de Magalhães Lima
+
+Author: José Agostinho
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+Release Date: January 3, 2009 [EBook #27689]
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+*** START OF THIS PROJECT GUTENBERG EBOOK JAIME DE MAGALHÃES LIMA ***
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+
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+
+Produced by Pedro Saborano. A partir da digitalização
+disponibilizada pela bibRIA.
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+<div style="text-align: center; border: solid 2px #000000; padding: 1em;">
+<p style="font-size: 1.5em;">OS NOSSOS ESCRITORES</p>
+<hr style="width: 80%; border: 0; border-bottom: 2px solid #000000;">
+<hr style="width: 70%; border: 0; border-bottom: 2px solid #000000;">
+<p style="font-size: 1.2em;">VI</p>
+
+<p style="font-size: 2em;">JAIME de MAGALHÃES LIMA</p>
+
+<p>POR</p>
+
+<p style="font-size: 1.2em;">JOSÉ AGOSTINHO</p>
+
+<p style="font-size: 3em;">*</p>
+
+<table style="width: 80%; font-size: small;" align="center" summary="Morada do editor">
+<tr><td width="50%" style="border-right: solid 1px #000000;">
+<p>CASA EDITORA<br>
+
+DE<br>
+
+ANTONIO FIGUEIRINHAS<br>
+
+1911</p>
+</td>
+<td>
+<p>Deposito Geral:<br>
+
+LIVRARIA PORTUENSE, de Lopes &amp; C.ª Suc.<sup>or</sup><br>
+
+119, Rua do Almada, 123<br>
+
+PORTO</p>
+</td></tr>
+</table>
+</div>
+
+<p>&nbsp;</p>
+
+<p>&nbsp;</p>
+
+<p>&nbsp;</p>
+
+<p>&nbsp;</p>
+
+<p style="text-align:center;">OS NOSSOS ESCRITORES</p>
+
+<p style="text-align:center;">VI</p>
+
+<p>&nbsp;</p>
+
+<p>&nbsp;</p>
+
+<p>&nbsp;</p>
+
+<p>&nbsp;</p>
+
+<div style="font-size: 60%; margin-left: 50%; width: 50%;">
+<p style="text-align:center;">Comp. e imp.&mdash;Typ. Universal<br>
+de Figueirinhas &amp; C.ª<br>
+Rua das Oliveiras, 75&mdash;Porto</p>
+</div>
+
+<div style="text-align: center;">
+<p><img alt="Jaime de Magalhães Lima" src="images/jmlima.png"></p>
+
+<p>Jaime de Magalhães Lima</p>
+</div>
+
+<div style="text-align: center; padding: 1em;">
+<p style="font-size: 1.5em;">OS NOSSOS ESCRITORES</p>
+<hr style="width: 80%; border: 0; border-bottom: 2px solid #000000;">
+<hr style="width: 70%; border: 0; border-bottom: 2px solid #000000;">
+<p style="font-size: 1.2em;">VI</p>
+
+<p style="font-size: 2em;">JAIME de MAGALHÃES LIMA</p>
+
+<p>POR</p>
+
+<p style="font-size: 1.2em;">JOSÉ AGOSTINHO</p>
+
+<p style="font-size: 3em;">*</p>
+
+<table style="width: 80%; font-size: small;" align="center" summary="Morada do editor">
+<tr><td width="50%" style="border-right: solid 1px #000000;">
+<p>CASA EDITORA<br>
+
+DE<br>
+
+ANTONIO FIGUEIRINHAS<br>
+
+1911</p>
+</td>
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+<p>Deposito Geral:<br>
+
+LIVRARIA PORTUENSE, de Lopes &amp; C.ª Suc.<sup>or</sup><br>
+
+119, Rua do Almada, 123<br>
+
+PORTO</p>
+</td></tr>
+</table>
+</div>
+
+<p>&nbsp;</p>
+
+<p>&nbsp;</p>
+
+<p>&nbsp;</p>
+
+<p>&nbsp;</p>
+
+<h2 style="text-align:center;">SUMARIO</h2>
+
+<p
+style="margin-left: 1em; text-indent: -1em; font-size: small; text-align: justify;">Uma
+monstruosidade do Passado&mdash;A Meza Censória&mdash;Torquemada e Escobar&mdash;A critica com
+o constitucionalismo&mdash;Como a Meza Censoria persiste&mdash;A hypocrisia&mdash;Que critica
+a Republica recebe das mãos da Monarquia&mdash;O que ela é, em geral&mdash;Como ha de
+haver Arte livre?&mdash;Como ha de haver escritores e editores?&mdash;Os unicos
+trabalhadores livres&mdash;O faciosiamo na politica e nas letras&mdash;José Caldas e
+Joaquim Costa&mdash;Emilio Littré e Augusto Comte&mdash;Madame Comte e Clotilde de
+Vaux&mdash;Uma liberdade que a Republica tem de conquistar&mdash;O heroismo
+português&mdash;Trabalhadores independentes&mdash;Verdades sobre Garrett&mdash;Verdadeiros
+livres-pensadores&mdash;Camilo, Inacio Pizarro, Pedro de Lima, Jorge Artur,
+Hamilton, J. A. Vieira, S. Dias, A. da Costa, A. T. da Silva Leitão e Castro,
+P. da Cunha, J. de Lemos, A. da Conceição, Guilherme d'Azevedo&mdash;Os Magalhães
+Lima&mdash;O dr. Sebastião de Magalhães Lima&mdash;Jaime Lima e o seu refugio&mdash;A sua vida
+moral e mental&mdash;Ideias de Malebranche, Pascal, Moutesquieu, Guyau, Amiel e
+Fouillée&mdash;Constant Martha e Lucrecio e Epicuro&mdash;Jesus-Cristo e Tolstoi&mdash;A
+Terra&mdash;Impopularidade voluntaria&mdash;Heroismo perfeito&mdash;Filósofo na poesia,
+sociólogo no romance, pensador na crítica&mdash;<em>Apostolos da
+Terra</em>&mdash;Amostras de estilo&mdash;<em>Via Redentora</em>&mdash;<em>Vozes do meu
+lar</em>&mdash;Um belo excerto&mdash;Eduardo Schuré&mdash;Defeitos&mdash;Melchior de Vogüé&mdash;O que
+seria desejavel na obra de J. de M. Lima&mdash;O romancista&mdash;Superioridade
+notavel&mdash;Julio Dinis e Camilo&mdash;A unica lei duravel da estetica positivista&mdash;Uma
+animação de Lessing&mdash;Lessing e Winchelmann&mdash;A influencia de Platão e do pintor
+Oeser&mdash;J. de M. Lima e Balzac, Victor Hugo, Flaubert e Tolstoi&mdash;Eça de Queiroz
+e Julio Dinis&mdash;O romance <em>Na paz do Senhor</em>&mdash;Qualidades excelentes&mdash;Nem
+Pangloss nem Baudelaire&mdash;Tipos verdadeiros&mdash;Os romances <em>No Reino da
+Saudade</em> e <em>Sonho de Perfeição</em>&mdash;Verdadeiros modelos&mdash;O
+critico&mdash;<em>Menor e servo S. Francisco d'Assis</em>&mdash;Esquecimento das obras de
+Prudenzano e Pardo Bazan&mdash;Guerra Junqueiro&mdash;Leonardo Coimbra&mdash;Superioridade de
+J. M. de Lima&mdash;<em>Alexandre Herculano</em> e <em>José Estevão</em>&mdash;Nem
+Planche nem Sainte-Beuve&mdash;Balzac e Werdet&mdash;Alfredo de Vigny&mdash;José Estevão,
+Danton, Robespierre, Lamartine e Mirabeau&mdash;Fernandes Tomás e A. José
+d'Almeida&mdash;A conclusão dum belo livro&mdash;Serenidade nos processos
+criticos&mdash;Porque destacamos a figura de J. de Magalhães Lima.</p>
+
+<div id="corpo">
+<p><span class="pagenum">[7]</span></p>
+
+<p>&nbsp;</p>
+
+<p>&nbsp;</p>
+
+<p>&nbsp;</p>
+
+<p>Uma das monstruosidades do passado, e ainda com predominio no presente, é a
+escravidão da conciencia. Horror e vergonha da Humanidade, foi Meza Censoria,
+depois de ser cátedra e pulpito, fogueira e pôtro, fôrca e anátema.</p>
+
+<p>Julgou sempre sem autoridade de juís, porque foi sempre verdugo. Nunca pôde
+ser lei pura, porque foi sempre suplicio e ignominia, patibulo.</p>
+
+<p>Para cometer o seu crime com prestigio, com absolvição plena dos seus
+rancores, abrigou-se em todos os refugios sagrados e vestiu todas as túnicas
+luminosas: a túnica de Jesus-Cristo, a pretexta de Catão, o manto de Sócrates.
+</p>
+
+<p>Tudo lhe serviu para armadura, escudo, auréola e máscara.</p>
+
+<p>Entre nós, como em toda a Europa, esse monstro alapardou-se na rigidês da
+ortodoxia intolerante que apedrejou Fénelon, e mordeu o calcanhar branco de S.
+Francisco d'Assis. Deu a Torquemada o báculo do pescador Pedro e a Escobar o
+principado de S. Francisco Xavier.<span class="pagenum">[8] </span>Ululou,
+queimou, deturpou, assolou, enxertando a alma negra de Atila na haste aromal do
+Evangelho, voz e guia da Humanidade em jornada.</p>
+
+<p>Veio, entretanto, a Liberdade no constitucionalismo. Como vitoria?
+Infelizmente mais como vingança do que como evolução. As verdadeiras vitorias
+não se vingam: destróem, mas construindo. A liberdade do constitucionalismo foi
+principalmente represalia e assim a velha intolerancia não se extinguiu:
+deslocou-se, dissimulada, cavilosa.</p>
+
+<p>Extinguiram a Meza Censoria? Decerto, mas não se extinguiu o espirito do
+faciosismo, meza censoria latente e multipla que perpetra os mesmos crimes
+contra a liberdade do pensamento e do sentimento.</p>
+
+<p>O regimen constitucional opôs á intolerancia a intolerancia, ao odio o odio,
+ao despotismo sanguinolento, odioso em suplicios fisicos, a tirania da opinião
+preconceituosa sobre todo o trabalho mental.</p>
+
+<p>E esta com um involucro repugnante: a hipocrisia. Todos são livres de
+opinião! clamaram os caudilhos de Mousinho da Silveira. Entretanto, quem ficáva
+deveras livre era só a opinião dos dirigentes do regimen.</p>
+
+<p>Divergir corajosamente dela era o escandalo. Se a obra intelètual não ficava
+suprimida de direito, ficava-o de facto, tão excomungada, tão deprimida, que
+ninguem a lia.<span class="pagenum">[9]</span></p>
+
+<p>Esta tirania mental e moral criou entre nós a critica, como da Monarquia a
+acaba de receber a joven Republica.</p>
+
+<p>Os atuais governantes já a devem ter lobrigado no seu antro, onde esperamos
+que a hão de sanear. Diz-se liberal e é absolutista. Diz-se justiceira e é
+pessoalista e sètaria. Apregôa independencia, e acarinha apenas vaidades
+individuais. Guia-se pela influencia dos habilidosos e audazes. Flagela os
+cabotinos e, afinal, para alcandorar muitos deles, ou desdenha dos honestos, ou
+beneficia estes com epítetos de misericordia, que são afrontas flagrantes,
+ignobeis.</p>
+
+<p>Não tem, não póde ter, meios termos: ou turibulo ou chicote. Não arranca das
+trevas um desconhecido de merito, mas arraza de lentejoilas muitos nulos.</p>
+
+<p>E, entretanto, todos se queixam de que a nossa literatura e a nossa arte
+tombam em decadencia.</p>
+
+<p>Mas, porque não, se Portugal se tem regido sempre pela peor tirania, pela
+adulteração da Liberdade?</p>
+
+<p>Como querem Arte livre sem critica livre? Como querem os escritores e os
+editores que o publico leia, se os poucos não analfabetos do país, em vez de
+lêrem <em>tudo para discutir tudo</em>, ainda têm diante dos olhos o seu
+<em>Index</em> conforme o partidarismo apaixonado que os domina?<span
+class="pagenum">[10]</span></p>
+
+<p>Quem ha de trabalhar num <em>meio</em> assim? O verdadeiro trabalhador? Mas
+esse não procura nunca os criticos vulgares. Procurá-los é confessar baixeza, é
+ter até de oferecer deprimidamente jantares ou ceias, ou joias, a troco de
+elogios, é renegar implicitamente toda a ciencia e filosofia moderna, toda a
+razão e toda a fé e sentimento; é aceitar um qualquer partidarismo intolerante;
+é pôr a Arte debaixo da tutela de qualquer efemero fetiche; é condenar-se a ser
+escravo do erro, se ele domina, ou da paixão se ela triunfa.</p>
+
+<p>Ficam, pois, só vitoriosos e livres os maus trabalhadores, os que não têm
+sinceridade, os que não têm principios.</p>
+
+<p>Em vão a Ciencia e a Razão lhes dizem que a Republica, por exemplo, em todas
+as suas demolições é compativel com todos os grandes principios, até com os dum
+elevado espiritualismo; que se póde ser cristão e ser democrata, obrigando o
+Estado a separar-se da Egreja dentro da justiça pura; clamando ao atual governo
+que não páre, que êrga o verdadeiro edificio da liberdade, que vá, pouco a
+pouco, demolindo e construindo, dando golpes energicos á Burguezia da agiotagem
+e erguendo os humildes, o Povo, dentro da conciencia desoprimida.</p>
+
+<p>Eles não ouvem, nem pódem ouvir, tanto na vida politica como na vida
+artistica. Convém-lhes perturbar. Merece-lhes todo o apoio o Capitalismo<span
+class="pagenum">[11]</span> que exploram. O que os preocupa é vencer
+depressa. Nunca é um ideal, porque este, quando sincero, é feito de toda a
+justiça, dentro de toda a austera tolerancia. O que os atrai é a popularidade e
+ela, embora mais tarde por vezes de nada sirva, lisongeia agora o amor-proprio
+de quem nem possue talento nem caráter, de quem não é democrata se não para
+poder ser plutocrata. </p>
+
+<p>E estes séticos de hontem e acomodaticios de hoje é que fazem a Critica
+contemporanea, raras vezes digna. Vemos que elogia ignobilmente, e
+incondicionalmente, só o correligionario, ás vêses de ha minutos, ou só o que é
+audaz no pedir, ou só o que é habil no grangeio de amizades entre plumitivos,
+ou o que, algumas vezes, encontra a peso de oiro uma trombeta passiva e
+estrepitosa a aturdir a opinião, os ingenuos, os simples e, emfim, por
+contagio, os proprios cultos e inteligentes!</p>
+
+<p>Onde está, pois, o lugar dos grandes e verdadeiros trabalhadores?</p>
+
+<p>Raras vezes aparece. Para o corajoso e liberrimo cristianismo de José Caldas
+lhe não negar a primasia de democrata, foi preciso que a Republica tivesse dado
+o exemplo da sua gloriosa imparcialidade, fazendo, do grande homem de letras,
+seu ministro em Roma. Assim, para Joaquim Costa na Espanha, morrendo na velha
+fé, ter a apoteose admiravel que foi o seu enterro, justiça<span
+class="pagenum">[12]</span> triunfal a um lutador de sempre, foi preciso
+que o partido republicano espanhol emudecesse os intolerantes negros e
+escarlates com a luminosidade e generosidade da obra do extinto, gloria
+peninsular e mundial.</p>
+
+<p>Mas, que admira, se na França Emilio Littré deprimiu, não ha muitos anos, a
+progressão moral de Augusto Comte, favorecendo com azedumes e sofismas o odio
+estreito da Madama que nunca perdoou ao marido o predominio espiritual e as
+graças angelicas de Clotilde de Vaux? Não se esqueceu então Littré do valor
+mental de Comte só porque supôs apostasia sétaria o que era progressão
+psicológica? Poderemos nós ser superiores ao amado <em>figurino</em>?</p>
+
+<p>Nada de estranhar é, pois, que tenhamos ainda, não já oficial, mas sempre
+prepotente, uma perfeita e absurda Meza Censoria.</p>
+
+<p>D'aí esta decadencia mental e moral, toda reflètida na pequenês da Critica.
+</p>
+
+<p>D'aí um dos grandes problemas da liberdade a conquistar. Talvês a Republica
+o venha a resolver lentamente, com profundas angustias intimas, tão crueis como
+as de tantos que, na melhor das intenções, para não excitarem os ódios dos
+cégos e dos furiosos, aparentam crer que a politica póde impôr a fé ou o
+ceticismo religioso, a velha ciencia, ora dogmatica ora metafisica no seu
+materialismo, ou a moderna, essencialmente<span class="pagenum">[13]</span>
+positivista, sim, mas porque não abre só os olhos da Razão, e dá emfim
+liberdade cientifica e pura aos do Coração.</p>
+
+<p style="text-align:center;">*</p>
+
+<p>A boa alma portuguêsa, resplandesce de continuo em prodigios de heroismo. E
+o heroismo em Portugal está em toda a parte. É condição etnica. É atributo de
+povo celta, beijado de perto pelo mar profundo e carinhoso.</p>
+
+<p>Apezar de a nossa critica ter raras conciencias livres, houve sempre, e
+ainda ha, trabalhadores intelètuais que sofrem pelo seu ideal sem transigencia
+com o flagelo da impopularidade. Nem todos se bandeiam com os favores da
+opinião desvairada. Nem todos procuram na politica, além dum talher, um carimbo
+com esplendor de corôa. Ha ainda alguns que não perdoam a Garrett elogiar-se a
+si proprio nas gazetas, e que, só porque ele foi orador primoroso, homem do
+mundo, legislador feliz, não vão negar que o <em>Arco de Santana</em> é
+mediocre, que as suas poesias liricas nunca excedem as de Soares de Passos,
+Simões Dias e João de Deus, e que, se não fôra o seu destaque politico, a
+beleza lapidar do <em>Fr. Luis de Sousa</em>, da <em>D. Branca</em>, das
+<em>Viagens</em> e do <em>Camões</em>, não teria encantado tanto aquêles
+mesmos<span class="pagenum">[14]</span> que não viram no feroz Padre
+Macedo, caceteiro torvo de D. Miguel, o primeiro poeta didático de Portugal e
+da Peninsula.</p>
+
+<p>Ha muitos ainda que não descem á construção astuta da sua imortalidade,
+pondo-se á frente de todos os movimentos com probabilidades maiores de vitoria,
+vestindo-se de apostolos e de leões, segundo o lance, ora usando óculos de
+profeta, ora vestindo mantos de senadores com um rochedo de Patmos á mão
+direita.</p>
+
+<p>Por Deus, que ainda ha, e haverá sempre, em Portugal verdadeiros
+livres-pensadores e por isso heroicos, sem reclamo na sua abnegação e
+laboriosidade intrepida.</p>
+
+<p>Anulam-nos? Respondem, trabalhando. Morrem ignorados na liça, ou
+sistematicamente deslembrados? A sua agonia é um sorriso; a sua resignação
+ilumina as gerações porvindoiras, e dessa luz vem a mais tarde a justiça
+inteira.</p>
+
+<p>Assim sucedeu ao próprio Shakespeare, esquecido durante dois seculos. Assim,
+entre nós, sucedeu ao cronista Brandão que Alexandre Herculano rehabilitou.</p>
+
+<p>Assim foi visto, em plena gloria de Garrett, aquele alto poeta, que Camilo
+festejou, Inacio Pizarro de Morais Sarmento, tão companheiro no olvido&mdash;sempre
+temporario dentro da justiça dos povos&mdash;de Pedro de Lima, de Jorge Artur, de
+Hamilton, de José Augusto Vieira, de Simões<span
+class="pagenum">[15]</span> Dias, de Antonio da Costa, de Antonio Tomaz da
+Silva Leitão e Castro, de Pereira da Cunha, de João de Lemos, de Alexandre da
+Conceição, de Guilherme de Azevedo, e de tantos, por vezes suplantados por
+homens muito menores.</p>
+
+<p>E, atualmente, não sabemos doutro mais elevado de intelèto, mais
+verdadeiramente pensador e artista, do que Jaime de Magalhães Lima.</p>
+
+<p>Quem é?</p>
+
+<p>Ninguem em Portugal desconhece os Magalhães Lima. Um velho austero e
+popularissimo em Aveiro usou esse nome, legando-o a dois homens singulares de
+meritos, a dois irmãos: Sebastião e Jaime.</p>
+
+<p>O primeiro entregou-se á onda do povo, dominando, arrastando por vezes os
+espiritos com um verbo ora romantico, ora rigido, talvez intolerante, mas
+talvez no intimo cortado de duvidas profundas. Expandiu-se brilhantemente no
+jornal, no opusculo, algumas vezes no livro. Galgando as fronteiras, bebeu no
+estranjeiro as sinteses mais sedutoras e novas, propagou-as com valor, com fé,
+com tenacidade, deu-se com elas todo á politica, fez-se combate e a seguir
+meditação para voltar a ser luta, ora quebrantada de melancolia, ora amargurada
+de deceções.</p>
+
+<p>É evidente que esse homem teve logicamente a popularidade que, afinal, nunca
+mendigou. Não a evitou, embora não a suplicando.<span
+class="pagenum">[16]</span> Não a desamou, embora pedindo-lhe por vezes ou
+mais justiça ou mais cordura. </p>
+
+<p>Jaime ficou no seu lar e no seu jardim, ao pé das suas flores e das suas
+brumas. Como? Egoistamente? Fruindo a fortuna, o prestigio paterno, o renome do
+irmão, o livre amor da Arte? Responde por nós Sebastião de Magalhães Lima, numa
+tarde melancolica, nevoenta como uma utopia, dentro do seu pequenino gabinete
+da <em>Vanguarda</em>:</p>
+
+<p>&mdash;Quem me dera ter a elevação mental e moral de meu irmão Jaime!</p>
+
+<p>Eis uma definição alta e independente, digna como a Justiça sem mácula.</p>
+
+<p>Jaime de Magalhães Lima refugiava-se: não fugia da luta. Do refugio, fez o
+estudo; fez a conciencia. Leu ali tudo, ouviu todos, e depois ouviu-se a si
+mesmo dentro de toda a liberdade. Tutela mental não a aceitou a ninguem; se a
+procurou mais tarde, foi porque a encontrou no caminho como voz de conciencia
+alheia que concorda com a nossa.</p>
+
+<p>Não se esqueceu da frase de Malebranche: Todos pretendem ter razão, ao
+seguirem afinal as sugestões dos seus sentidos. Compreendeu cêdo aquêle perigo
+que apontou Pascal no imperio do amor-proprio, imperio que significa o maior
+ódio á verdade, e viu, com o mesmo grande homem, que o principio da moral é
+esforçarmo-nos sempre por pensar bem.<span class="pagenum">[17]</span></p>
+
+<p>Como literato, afês-se a ver a critica pelos canones suaves de Montesquieu,
+mais tarde ampliados por Guyau e, entretanto, a sua alma lavada avistava, e
+logo palpava, sem tortura, por livre intuição do fundo da sua Arte, as verdades
+de Amiel quanto ao <em>ideal</em> e ao <em>real</em>, quanto ao cèticismo, pai
+seguro da tirania, por mais que êle prégue a liberdade. Encontrou tão luminosos
+limites á teoria da <em>superioridade da áção sobre o sonho</em> do referido
+Guyau, valetudinario antes dos 30 ânos, e morto aos 34, todo impelido sempre
+mentalmente pelo espirito de Fouillée, como ensanchas generosas para a
+delicadeza de Constant Martha, esse homem estranho que chegou a provar a
+religiosidade do poeta Lucrecio e do proprio Epicuro.</p>
+
+<p>Nesta liberdade sã viu Jesus-Cristo no libertarismo genial de Tolstoi.
+Compreendeu que, assim como a arte da Grecia é um alento na mais larga vida da
+civilização cristã, assim a arte devida ao cristianismo palpita na sociedade
+futura, trazendo já a vitoria do espiritualismo nas lucubrações livremente
+experimentais da Ciencia.</p>
+
+<p>Entretanto, o seu refugio não lhe fês esquecer a Terra, <em>meio</em>
+indestrutivel das manifestações da sua alma, e amou-a, e cantou-a, e não lhe
+negou um culto sadio e amoravel.</p>
+
+<p>Mas tudo isto não rogando favores do publico, nem os da bolsa nem os da
+fama.<span class="pagenum">[18]</span></p>
+
+<p>Resignando-se com a relativa impopularidade duma obra profunda, independente
+de faciosismos, livre de conveniencias estreitas. Não procurando o plumitivo
+hiperbólico, o correligionario maleavel, o agitador apoteótico, o reclâmo do
+amigo, a furia do inimigo, o escandalo do indiferente, nada do que atrái
+atenções, do que provoca discussões, do que escalda temperamentos.</p>
+
+<p>Tudo isto como um regato no ruido dos passos, embora como um grande rio no
+poder de corrente. Tudo isto duma maneira silenciosa, ainda que penetrante,
+como os bons arômas.</p>
+
+<p>E, nisto, vindo as cãs, e com elas a pureza maior, a elevação da filosofia
+esoterica, a radiosidade da arte, a paz perfeita do coração, a santidade e
+maior verdade da palavra, não veio a popularidade.</p>
+
+<p>Não admira. Ilogico seria o contrario. Tolstoi precisou de escandalizar a
+Europa, embora involuntariamente, para se reconhecer como era um genio moral e
+mental. Jaime de Magalhães Lima, avisado pelo exemplo do Mestre do Caucaso, não
+póde ser precipitado na justiça pelo escandalo involuntario sequer. A sua
+modestia, verdadeira a ponto de ser excessiva, até desse destaque o afasta.
+Facilmente se vê quanto ha de heroico na virtude perfeita, e o notavel escritor
+é dos poucos que ao talento superior junta a virtude sincera.<span
+class="pagenum">[19]</span></p>
+
+<p style="text-align:center;">*</p>
+
+<p>Jaime de Magalhães Lima, com aquelas barbas de neve, com o olhar plácido e
+franco dum velho cristão, vegetariano, simples em todos os habitos, é um
+poeta-filosofo, um romancista-sociologo e um critico-pensador.</p>
+
+<p>Como poeta, não escolhe o verso: maneja com fulgor e nitidez uma prosa
+opulenta e, ao mesmo tempo, substancial. A sua poesia é a sua fé no maior amor
+de todos. Combativa? Sempre, mas porque é inabalavelmente tolerante. A
+combatividade raivosa denuncia ou doença da alma ou enfermidade pessima do
+caráter. Jaime de Magalhães Lima tem a saude perfeita e tranquila no corpo e na
+conciencia.</p>
+
+<p>Quais os seus poêmas? Abramos um: <em>Apostolos da Terra</em>. É um rosario
+de melodias doces e profundas á Natureza. Em cada melodia a emergencia duma
+verdade, por vêses tão heroica que é a confissão duma culpa, só insignificante
+aos olhos dos nulos. Mas isto numa enorme e solida ciencia, como numa erudição
+rara. Isto, com um estilo original e sincero, vernáculo e vivo, como o atestam
+as seguintes rápidas amostras.</p>
+
+<p>Na <em>Sede de Brancura</em>: «Tem sêde de brancura a nossa alma, de
+brancura que corra como o sangue e seja casta como a madrugada.<span
+class="pagenum">[20]</span></p>
+
+<p>A neve, o diamante, aguas e nuvens são brancas, mas debalde lhes pedimos que
+palpitem e ministrem comunhão na translucida essencia do seu brilho.</p>
+
+<p>Desliga-as do bater dos corações uma calma frieza sem piedade, como se
+fôssem estranhas ao seu ritmo, ou passassem de longe, ignorando a constante
+agitação d'amor que os faz pulsar».</p>
+
+<p>Na <em>Irmã do Mar</em>: «Misterio!... É bem salgado o mar e a seara é dôce.
+Encerra o trigo a esperança de crescer, o latejar do sangue e do calor que
+alimenta a beleza a mais gracil e a conciencia austera e redentora na profunda
+expressão do seu poder. É corrosivo o mar e, destruindo, nem ás pedras perdôa,
+desunindo a liga cristalina que se fês na pureza sublimada d'altos fógos. E
+vivem ambos, a seára e o mar, na eterna agitação do seu anceio!... Quem sabe?!
+Talvês sôfram ou se exaltem no delirio do mesmo amor, sagrado por destino de
+quem sem êrro guia os sóes e o mundo no triunfo divino da Harmonia».</p>
+
+<p>E o mesmo alto ideal, puro sentimento, e por vêses estudo de árduos
+problemas, nos outros poêmas em prosa, <em>Via Redentora</em> e <em>Vozes do
+meu Lar</em>. No primeiro dêstes, e tambem para exemplo do estilo do notavel
+escritor, bastam estes periodos do belo canto que é <em>A Enxada</em>:</p>
+
+<p>«O cavador ergueu-a novamente. Rompe o sol; sobre os carvalhos loirejou
+fulgores; dissipa<span class="pagenum">[21]</span> a treva na montanha;
+beija certamente a lamina polida; e a enxada, em sagrada ancia de triunfo,
+inunda o arvorêdo e a seára de clarões de estrêla. Batisou-a o fogo no rubor da
+forja, e deu-lhe a pureza, diamantina voz, para entoar os cantos da luz
+celeste».</p>
+
+<p>Não ha aqui tanta espiritualidade moderna e sã como no melhor trabalho de
+Eduardo Schuré?</p>
+
+<p>Não é aquêle estilo simples, limpido, espontaneo e, ao mesmo tempo,
+magnifico de eufonia e graça?</p>
+
+<p>Comtudo, será o escritor sem defeitos? Não, até porque, como é logar-comum
+dizer, os tiveram Milton, Dante e Camões. Por vêses, ha na sua prosa poetica
+raptos que se esquecem demais de quem os póde ver. Fógem demasiadamente do
+espirito dos mediocres, o que contradiz involuntariamente, mas de facto, todo o
+seu generoso e completo amor aos humildes. Neste ponto ha bastante da pecha
+principal de Melchior de Vogue: aristocracia involuntaria dentro da elevação
+ardente duma Arte que só pretende, afinal, fecundar a alma do Povo, porque até,
+não sendo assim, seria descabida.</p>
+
+<p>D'aí, algumas obscuridades no estilo, raras, muito raras, dignas de emenda,
+porém, e ainda o uso aqui e ali de epitetos eruditos, mas gastos, crispados de
+sonoridade emfatica.</p>
+
+<p>Ás vezes, um mal grave&mdash;a como que convição<span
+class="pagenum">[22]</span> de que mais escreve para si proprio do que para
+o seu tempo e para a sua geração.</p>
+
+<p>E porisso, apezar de frequentemente cristalino, limpido, adoravel de
+verdade, de sentimento de vida, nestes poêmas em prosa destôam a espaços
+requintes preciosos, só acessiveis alguns aos espiritos altos e muito cultos.
+Este defeito não aféta demais a obra no valor intrinseco: priva-a de ser
+frutifera em toda a sua intensidade, o que é sempre deploravel num
+<em>meio</em> como o nosso, assim inculto, esteril, carecido de verdadeiras
+obras.</p>
+
+<p>A filosofia de Jaime de Magalhães Lima reclamaria trabalhos de muito
+graduada perfeição plastica, a começarem quase sem estilo, como quem palestra
+com crianças e simples. Só assim este povo, tão atrazado e desorientado, mas
+tão inteligente e bom, poderia, pouco a pouco, perlibar o mel precioso, colher
+todo o dôce impulso da verdade livre, compreendendo e vivendo o que a má fé
+certa de invejosos ou de sètarios aponta com facilidade como arte egoista ou
+impenetravel, se não como devaneio lunático.</p>
+
+<p>Já como romancista, o seu intento de dar o verdadeiro realismo lhe inspira
+uma arte superior na comunicabilidade, uma fórma sempre transparente e,
+comtudo, original.</p>
+
+<p>Os seus romances, depois dos de Julio Dinís e alguns de Camilo, são os mais
+perfeitamente<span class="pagenum">[23]</span> portuguêses da nossa
+literatura de ha 60 ânos. Não são muito lidos. Nem por isso deixam de ser
+modelares.</p>
+
+<p>Jaime de Magalhães Lima entendeu, como poucos, o romance moderno, sem as
+taras do excessivo romantismo, ou do excessivo realismo, inversão positiva do
+primeiro.</p>
+
+<p>Espiritualista corajoso, muito superior, não desprezou a unica lei duravel
+talvês da estetica positivista: «A Arte deriva do sentimento e idealisa a
+realidade».</p>
+
+<p>A rigor, não poderia êle dizer como Lessing: «Se Deus tivesse a verdade na
+sua mão direita e na esquerda o amor sempre inquieto da verdade, e me
+dissesse:&mdash;Escolhe!&mdash;eu, ainda que me condenasse a enganar-me eternamente,
+optaria pela esquerda. Pai&mdash;dir-lhe-ia eu&mdash;a verdade é só para ti». Não. Jaime
+de Magalhães Lima não tem a febre da verdade, porque a encontrou plenamente, e
+disso está convencido. Outra febre sagrada o empolga: é a de ensinar a verdade
+que professa, ensiná-la na doutrina e no exemplo.</p>
+
+<p>Falamos em Lessing, e o nome deste ingente torturado traz á memoria o do
+critico Winckelmann, seu colaborador radioso na purificação e dignidade maior
+da critica alemã.</p>
+
+<p>É que um e outro foram dois excessos, dois exageros combatentes e por certo
+Jaime de Magalhães Lima, que tanto preza Carlyle, se apaixonou,<span
+class="pagenum">[24]</span> conhecendo o primeiro, pela orientação
+alegorista do segundo, todo embebido na alma angelica de Platão, mas tambem
+muito tolhido pela estetica exangue do pintor Oeser. Porém,&mdash;di-lo a sua
+obra&mdash;soube achar o meio termo, como, especialmente no romance, pôs no seu
+logar Balzac e Vitor Hugo, e saudou a magnificencia de Flaubert sem deixar de
+amar a concisão espiritual de Tolstoi.</p>
+
+<p>Tendo esta pujança moral e mental, não se iludiu com o cinismo brilhante de
+Eça, ora acrata ora aristocrata, nem se algemou na idealização, por vêses
+excessiva, de Julio Dinís, embora este seja o nosso verdadeiro e grande
+realista, o Maior dentro dos sentimentos nacionais.</p>
+
+<p>A prova do que afirmamos assim está em qualquer dos romances de Jaime de
+Magalhães Lima.</p>
+
+<p><em>Na Paz do Senhor.</em> A analise póde, a espaços, ter demasias, hoje
+repelidas na morte plena do zolismo.</p>
+
+<p>Não demasias de crueza moral, mas de pormenores que já o Eça detestava no
+fim da vida.</p>
+
+<p>Mas é rigorosa, metódica, pura. O <em>meio</em> emerge inteiro e real,
+nosso. Não é só o descritivo magistral e animado que o revela: são,
+principalmente, os carateres e o enrêdo.</p>
+
+<p>O que não ha é o predominio pascóvio dos òtimismos á Pangloss (degeneração
+do romantismo), nem os pessimismos sádicos dos Gourmont<span
+class="pagenum">[25]</span> (realismo triunfante). O meio é <em>real</em>,
+tem aspétos bons e maus, e a moralidade, deixando os sermões, aliás brilhantes,
+da <em>Cabana do Pai Tomás</em>, resulta lógica, sem vergonha de existir, sem
+medo de cair no ridiculo.</p>
+
+<p>Tipos verdadeiros, excelentes: o Valadares, tão nosso, o Antonio
+Carvalhaes&mdash;que a Republica vai ter pela prôa nas proximas Constituintes&mdash;o
+Monteiro, o Mirandinha, o Frederico e o Prospero, este mais vulgar do que os
+criticos imaginam. Realidades puras: a D. Rosa, o Carlos de Macedo, o Duarte de
+Melo e a mulher, a Isabel e o seu Basilio&mdash;nada parecido com o lustroso
+mandrião do Eça. A abnegação do Frederico, principalmente, soberba de verdade.
+Não é um corruto, mas tambem não é um santo. Não é um genio, mas tambem não é
+um espirito mediocre. O seu sacrificio tem a nódoa dum egoismo, mas é humano
+dentro duma conciencia iluminada.</p>
+
+<p>E no <em>Reino da Saudade</em> e no <em>Sonho de Perfeição</em>, a mesma
+larga vida concècional, o mesmo espirito de religiosidade cristã, mas
+purissima, caratéres nitidos, descrições primorosas, noção profunda da vida
+agricola, da burguesia-esponja, do preconceito-pôlvo, da paixão-álcool.</p>
+
+<p>Tudo assim, egual, perfeito, espontaneo, sem desmandos gritantes, sem
+covardias morais, sem claudicancias do inteléto. E eis o que sobeja para dar ao
+nosso romance um rumo seguro e radioso<span class="pagenum">[26]</span> que
+na França, apezar dos romances-poêmas e dos romances-sociais da escola
+hodierna, espiritualista-positivista, ainda não foi traçado com gesto
+definitivo. Mas esse rumo, se o não querem ver, ha de impôr-se. Se o árabe diz
+a verdade, quando afirma <em>que os cães ladram, mas a caravana passa</em>,
+menos se iludirá quem vaticinar caminho seguro á caravana, só porque coaxam
+algumas rãs, chamando <em>desfastios</em> aos <em>Contos do Natal</em> de
+Candido de Figueiredo, ou a qualquer deliciosa revelação da arte
+verdadeiramente portuguêsa á qual Jaime de Magalhães Lima não dá só muito
+trabalho, como muito talento e muita conciencia.</p>
+
+<p style="text-align:center;">*</p>
+
+<p>É lógico que mentalidade tão robusta e sentimento tão sincero dêm um critico
+notavel. Tal o é Jaime de Magalhães Lima no livro e no jornal, e com o
+esplendor dum eminente e livre sociólogo, dum democrata livre, sincero,
+altissimo.</p>
+
+<p>Neste ponto, a nosso ver, a sua obra-prima é aquêle livro, cheio de modestia
+e luz, d'amor e verdade, chamado <em>Servo e Menor S. Francisco d'Assis</em>.
+Bem sabemos que o critico se inculca como simples decalcador de Sabatier, como,
+de passagem, sabemos com estranheza que, lendo Macdonell, Howel, Lechwer, etc.,
+se esqueceu de Prudenzano e da amoravel Pardo Bazan, nada<span
+class="pagenum">[27]</span> despiciendos na psicologia admiravel do
+Patriarca mais republicano da Egreja.</p>
+
+<p>Mas, em toda essa obra sadia e profunda, o seu espirito clarividente, por
+mais que o oculte, surde com evidencia gloriosa. A narrativa de honesto
+biógrafo denuncia a vida filosófica de quem a faz, e essa é por vêses muito
+mais afim do espirito imaculado do Santo, modelo de Democracia pura, do que o
+do proprio Sabatier, apezar de mentalidade prodigiosa.</p>
+
+<p>Admiradores conhecidos de S. Francisco d'Assis são Guerra Junqueiro e todos
+os modernos poetas de alma. Um orador brilhante, coragem real no nosso
+<em>meio</em>, Leonardo Coimbra, rasgada democracia numa conciencia livre, terá
+dito, ou poderá dizer-nos ainda, muito da elevação cientifica que vive na
+espiritualidade do imortal revolucionario de Assis. Nenhum, porém como Jaime de
+Magalhães Lima fês, do espirito do Santo, o seu proprio espirito.</p>
+
+<p>Nenhum, pois, quanto a nós, póde exceder o valor modelar da sua critica em
+assunto que é todo da sua alma, na crença convicta, no anceio intimo, no
+aperfeiçoamento progressivo da bondade, vida livre e fecunda da sua
+inteligencia e do seu coração.</p>
+
+<p>Estudando Alexandre Herculano e José Estevão, Jaime de Magalhães Lima não
+pretende fazer estudos integrais. Colhe alguns aspétos,<span
+class="pagenum">[28]</span> para ele predominantes, e, como <em>vê</em> sem
+preconceitos e tem uma linguagem nobre, pura, original, deixa dois livros
+primorosos, perfeitos, completos.</p>
+
+<p>Não tem, não póde ter, a dureza rigida de Gustavo Planche. Este, como dizia
+o justiçador de Balzac, Edmundo Werdet, era&mdash;egoista, de coração de aço, de
+torso do Antinous, de pernas de argila, implacavel com tudo que não fosse obra
+sua, de estilo corréto, mas seco e frio.</p>
+
+<p>Jaime de M. Lima é forte, mas tolerante, magestoso mas simples como os
+patriarcas biblicos.</p>
+
+<p>Ninguem póde tambem esperar dele a venalidade de Sainte-Beuve, o seu
+espirito de intriga, capaz de felonias como a que perpetrou com o enorme poeta
+Alfredo de Vigny, o pessimista dolorido.</p>
+
+<p>A grande bondade de Jaime de M. Lima, genializada por uma intensa paciencia,
+afastam-no da cólera, e a sua desambição perfeita livra-o por completo de
+transigencias com o logar-comum e com o estrondo sètario.</p>
+
+<p>Assim, José Estevão é por êle rehabilitado contra os fanaticos de qualquer
+campo.</p>
+
+<p>Não, o fogoso tribuno não foi Danton, vulcão, impeto cégo, catapulta muitas
+vezes salpicada de sangue.</p>
+
+<p>Não foi, porém, Robespierre, razão fria, espiritualismo e egoismo, astucia e
+fé em aliança assombrosa.<span class="pagenum">[29]</span></p>
+
+<p>Com o vigor do primeiro, não teve a sua impudencia: com o bom-senso do
+segundo, não teve a sua hipocrisia.</p>
+
+<p>Foi muitas vezes Lamartine, até no pleno gosto artistico e no sonho, e foi
+nos raptos bastante Mirabeau; um Mirabeau com a visão melhor da moderna
+sociologia, e portanto sem a mascara disforme do homem-tempestade.</p>
+
+<p>No fundo, a sua eloquencia era toda de bondade, como a de Fernandes Tomás em
+1820, como a de Antonio José de Almeida no nosso tempo.</p>
+
+<p>Se trovejava, os seus raios eram farois, não eram agentes de cega ruina.</p>
+
+<p>Parece esta a conclusão sintetica do belo trabalho de J. de Magalhães Lima
+sobre José Estevão.</p>
+
+<p>A figura de Alexandre Herculano não a viu com a minucia, tantas vezes
+arbitraria, de Taine; viu-a com a verdade ampla dum patriota e crente que nunca
+esquece o que a patria e a fé representam na grandeza da Humanidade.</p>
+
+<p>Assim, a conclusão do seu trabalho sobre o maior e mais austero vulto do
+nosso romantismo deriva sem esforço, luminosa na sua singeleza, das belas
+paginas em que estudou o grande escritor e grande cidadão&mdash;<em>Alexandre
+Herculano</em>, diz, <em>a todos honrou igualmente, engrandecendo-se e
+legando-nos um exemplo unico e supremo na historia do povo português</em>.<span
+class="pagenum">[30]</span></p>
+
+<p>Dizer isto, depois de o provar sem estridor como sem desfalecimento de fé,
+com vistas sempre originais e sinceras, num estilo belo, com profundas noções
+cientificas em todos os aspétos encarados, significa uma obra primacial, uma
+obra de eleição, e, na essencia, uma completa obra de propaganda da Verdade
+Maior.</p>
+
+<p>Não aparece o lenhador, e sim o semeador.</p>
+
+<p>O machado e o bisturi trocam-se pela charrua paciente e pela luz do sol sem
+nuvens.</p>
+
+<p>O critico não é a torrente cataduposa: é o rio poderoso, mas placido, que
+nunca reflete nas aguas pedaço de céo que não seja amorosamente azul.</p>
+
+<p>Mas, se o supondes lago apático, enganais-vos: a sua serenidade é cheia de
+vida, e tanto que as suas aguas, porque são perfeitamente puras, são
+adoravelmente limpidas.</p>
+
+<p>Ás vezes até, a profundidade da vida lhe dá murmurios de oceano: é o salmo
+intenso das crenças perfeitas.</p>
+
+<p>É a Conciencia livre, a qual, por mais serena que se eleve, tem sempre muito
+de Mar e como que de abismo.</p>
+
+<p>Compreende-se talvês agora como é que este crente é, afinal, um avançado
+socialista, um ardente libertario.</p>
+
+<p>Como seu irmão Sebastião, procura a Patria Nova. A diferença está apenas nos
+caminhos.<span class="pagenum">[31]</span></p>
+
+<p>Aquêle quis ver primeiro em terra o Trono que machadou durante 30 ânos.</p>
+
+<p>Jaime nunca se preocupou com as velharias do Passado. Sem as ferir
+diretamente, rasgou com coragem e fé a verêda do Futuro e, parecendo
+conservador, é o mais avançado revolucionario.</p>
+
+<p>Porisso a sua nobre tolerancia é o mais valente grito de guerra.</p>
+
+<p>Quem assim é tolerante tem a certeza de que o Erro cái de per si á simples
+aparição de toda a Verdade.</p>
+
+<p style="text-align:center;">*</p>
+
+<p>Jaime de Magalhães Lima é talvês assim, visto como que num simples
+instantaneo.</p>
+
+<p>Fotografado em todos os seus aspétos, seria o mesmo que pedir para êle em
+vida uma estatua, mais justa do que a de alguns, nunca tão livres de conciencia
+e honestos de verdadeira arte como este escritor, que é notavel por isso mesmo
+que muitos teimam em não o notar.</p>
+
+<p>Nem o nosso caráter nem o dêle&mdash;e este muito menos&mdash;se comprazem com o mais
+justificado fetichismo.</p>
+
+<p>Para êle, como para nós, a obra é valor da ideia e não do homem.</p>
+
+<p>O espirito hoje perfeito foi imperfeito, evolute,<span
+class="pagenum">[32]</span> e, resplandescente agora, tem ainda sêde de
+perfeição maior. Não ha grandes nem pequenos, se não de momento. O verme de
+hoje ha de ser colosso ámanhã. O gigante da atualidade foi anão nas trevas do
+passado.</p>
+
+<p>Apontar Jaime de Magalhães Lima dentro da justiça perfeita, não é, pois,
+elogiar o individuo: é apelar para um belo manancial de ideias e sentimentos de
+amor e verdade.</p>
+
+<p>Ha de um dia a literatura dar-lhe o lugar devido. Isso não nos preocupa. O
+Futuro dignifica sempre o Passado. O que nos póde doer é que muitas almas
+sequiosas desconheçam tão bela fonte de noções moraes e mentais e se privem,
+por ingratidão mesquinha do <em>meio</em>, do pão artistico e espiritual que
+uma obra tão superior, como a de Jaime de M. Lima, lhes póde ministrar com
+grandes frutos para a Democracia e para a Verdade.</p>
+
+<p>Esse prejuizo causa horror.</p>
+
+<p>Estão secas as fontes verdadeiramente cristalinas da nossa Arte. Em vês
+delas, superabundam chafarizes exóticos, canalisando e repuxando aguas
+duvidosas.</p>
+
+<p>Quem desconhece o intoxicamento moral que elas semeiam?</p>
+
+<p>Quem não compreende que a nossa jóven Republica precisa de as vedar em
+beneficio da boa saude da querida Patria Portuguesa?<span
+class="pagenum">[33]</span></p>
+
+<p>&nbsp;</p>
+
+<p>&nbsp;</p>
+
+<p>&nbsp;</p>
+
+<p>&nbsp;</p>
+</div>
+
+<div style="font-size: 80%; margin: auto; width: 80%;">
+<h3 style="text-align:center;">Livraria Portuense, de Lopes &amp;
+C.ª&mdash;Successor</h3>
+
+<p style="text-align:center;">119, Rua do Almada, 123-PORTO</p>
+
+<h4 style="text-align:center;">JOSÉ AGOSTINHO</h4>
+
+<p>OS NOSSOS ESCRITORES:</p>
+
+<p>I&mdash;<em>Guerra Junqueiro</em>, 100</p>
+
+<p>II&mdash;<em>Teofilo Braga</em>, 100</p>
+
+<p>III&mdash;<em>José P. de Sampaio (Bruno)</em>, 100</p>
+
+<p>IV&mdash;<em>Jaime de Magalhães Lima</em>, 100</p>
+
+<p>LUSIADAS, prefaciados, parafraseados, anotados, e com um vocabulario, cada
+tomo ou canto, br. 150, enc. 250</p>
+
+<p>LUSIADAS em 2 vol., br. 1$500, enc. 2$000</p>
+
+<p>LUSIADAS em 1 grosso vol. os dez cantos, enc. 1$600</p>
+
+<p>A MULHER EM PORTUGAL, br. 500, enc. 700</p>
+
+<p>O HOMEM EM PORTUGAL, br. 600, enc. 800</p>
+
+<p>O CAMINHO DAS LAGRIMAS (romance historico) br. 600, enc. 800</p>
+
+<p>O PADRE ANTONIO (2.ª edição refundida) br. 400, enc. 600</p>
+
+<p>POEMA DA PAZ, br. 400</p>
+
+<p>MONSTRO, drama em verso, br. 400, enc. 600</p>
+
+<p>DEFINIÇÕES&mdash;(verso), 200</p>
+
+<p>As Noites do Avozinho&mdash;BELEZAS DA HISTORIA DE PORTUGAL, cada fasciculo,
+broch. 100, enc. 250</p>
+
+<p>FABULAS, (verso) br. 200, enc. 400</p>
+
+<p>ALEXANDRE HERCULANO, br. 500, enc. 700</p>
+
+<p>EÇA DE QUEIROZ (2.ª edição aumentada), br. 300, enc. 500</p>
+
+<h4 style="text-align:center;">D. ANTONIO DA COSTA</h4>
+
+<p>HISTORIA DA INSTRUÇÃO POPULAR, 1 vol. br. 500 reis, e enc. 700</p>
+
+<p>NO MINHO, 1 vol., br. 500 reis, enc. 700</p>
+
+<p>TRES MUNDOS, br. 500 reis, enc. 700</p>
+
+<h4 style="text-align:center;">ALVARO DE MAGALHÃES</h4>
+
+<p>O SECRETARIO, br. 500, enc. 700</p>
+</div>
+
+
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+
+
+
+
+<pre>
+
+
+
+
+
+End of Project Gutenberg's Jaime de Magalhães Lima, by José Agostinho
+
+*** END OF THIS PROJECT GUTENBERG EBOOK JAIME DE MAGALHÃES LIMA ***
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+
+Project Gutenberg-tm is synonymous with the free distribution of
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+including obsolete, old, middle-aged and new computers. It exists
+because of the efforts of hundreds of volunteers and donations from
+people in all walks of life.
+
+Volunteers and financial support to provide volunteers with the
+assistance they need, is critical to reaching Project Gutenberg-tm's
+goals and ensuring that the Project Gutenberg-tm collection will
+remain freely available for generations to come. In 2001, the Project
+Gutenberg Literary Archive Foundation was created to provide a secure
+and permanent future for Project Gutenberg-tm and future generations.
+To learn more about the Project Gutenberg Literary Archive Foundation
+and how your efforts and donations can help, see Sections 3 and 4
+and the Foundation web page at https://www.pglaf.org.
+
+
+Section 3. Information about the Project Gutenberg Literary Archive
+Foundation
+
+The Project Gutenberg Literary Archive Foundation is a non profit
+501(c)(3) educational corporation organized under the laws of the
+state of Mississippi and granted tax exempt status by the Internal
+Revenue Service. The Foundation's EIN or federal tax identification
+number is 64-6221541. Its 501(c)(3) letter is posted at
+https://pglaf.org/fundraising. Contributions to the Project Gutenberg
+Literary Archive Foundation are tax deductible to the full extent
+permitted by U.S. federal laws and your state's laws.
+
+The Foundation's principal office is located at 4557 Melan Dr. S.
+Fairbanks, AK, 99712., but its volunteers and employees are scattered
+throughout numerous locations. Its business office is located at
+809 North 1500 West, Salt Lake City, UT 84116, (801) 596-1887, email
+business@pglaf.org. Email contact links and up to date contact
+information can be found at the Foundation's web site and official
+page at https://pglaf.org
+
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+ Dr. Gregory B. Newby
+ Chief Executive and Director
+ gbnewby@pglaf.org
+
+
+Section 4. Information about Donations to the Project Gutenberg
+Literary Archive Foundation
+
+Project Gutenberg-tm depends upon and cannot survive without wide
+spread public support and donations to carry out its mission of
+increasing the number of public domain and licensed works that can be
+freely distributed in machine readable form accessible by the widest
+array of equipment including outdated equipment. Many small donations
+($1 to $5,000) are particularly important to maintaining tax exempt
+status with the IRS.
+
+The Foundation is committed to complying with the laws regulating
+charities and charitable donations in all 50 states of the United
+States. Compliance requirements are not uniform and it takes a
+considerable effort, much paperwork and many fees to meet and keep up
+with these requirements. We do not solicit donations in locations
+where we have not received written confirmation of compliance. To
+SEND DONATIONS or determine the status of compliance for any
+particular state visit https://pglaf.org
+
+While we cannot and do not solicit contributions from states where we
+have not met the solicitation requirements, we know of no prohibition
+against accepting unsolicited donations from donors in such states who
+approach us with offers to donate.
+
+International donations are gratefully accepted, but we cannot make
+any statements concerning tax treatment of donations received from
+outside the United States. U.S. laws alone swamp our small staff.
+
+Please check the Project Gutenberg Web pages for current donation
+methods and addresses. Donations are accepted in a number of other
+ways including including checks, online payments and credit card
+donations. To donate, please visit: https://pglaf.org/donate
+
+
+Section 5. General Information About Project Gutenberg-tm electronic
+works.
+
+Professor Michael S. Hart was the originator of the Project Gutenberg-tm
+concept of a library of electronic works that could be freely shared
+with anyone. For thirty years, he produced and distributed Project
+Gutenberg-tm eBooks with only a loose network of volunteer support.
+
+
+Project Gutenberg-tm eBooks are often created from several printed
+editions, all of which are confirmed as Public Domain in the U.S.
+unless a copyright notice is included. Thus, we do not necessarily
+keep eBooks in compliance with any particular paper edition.
+
+
+Most people start at our Web site which has the main PG search facility:
+
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+
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+including how to make donations to the Project Gutenberg Literary
+Archive Foundation, how to help produce our new eBooks, and how to
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