The Project Gutenberg EBook of Visitas ao santissimo sacramento e a Maria
Santissima Para Todos os Dias do Mez, by Unknown

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Title: Visitas ao santissimo sacramento e a Maria Santissima Para Todos os Dias do Mez

Author: Unknown

Release Date: September 18, 2007 [EBook #22658]

Language: Portuguese

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*** START OF THIS PROJECT GUTENBERG EBOOK VISITAS AO SANTISSIMO ***




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VISITAS AO SANTISSIMO SACRAMENTO E A MARIA SANTISSIMA PARA TODOS OS DIAS
DO MEZ.

ACTOS DE PREPARAO E DE ACO DE GRAAS PARA A SAGRADA COMUNHO. MODO
DE REZAR A COROA DAS DORES DE NOSSA SENHORA, E ACTOS QUE DEVE FAZER O
CHRISTO TODOS OS DIAS.

LINDA EDIO DE NOVAS ORAES, E A NOVENA AO SANTISSIMO, E DEVOES A
NOSSA SENHORA DA CONCEIO DA ROCHA.


LISBOA

1858.




_Na Typographia de Luiz C. da Cunha, Costa do Castello n.^o 15_.

_Vende-se nas lojas do costume e na typographia dita do impressor_.




ADVERTENCIA AO LEITOR.


Devoto Leitor, eu no pretendo n'este Livrinho, persuadir-te a que
creias a existencia de Jesu Christo no Santissimo Sacramento; porque
isso seria fazer uma injuria  tua F: tambem julgo no ser preciso
dizer-te, que este Senhor est sobre os nossos altares, como em um
throno de amor, e de misericordia, para nos distribuir infinitas graas,
por que muitos so os livros pios que isto te ensino: s te peo que
faas uma sria reflexo, e que vejas, se a tua correspondencia, e o teu
agradecimento para com este admiravel Mysterio so proporcionados  tua
F. E se achares que  tibio o teu amor, e frouxa a tua devoo para com
este Divino Sacramento, peo-te que te resolvas a gastar todos os dias
ao menos um quarto de hora na presena deste Senhor Sacramentado; e
quando no pudesses ir visital-o s igrejas, onde est, bastar que em
tua propria casa, pondo-te de joelhos, voltado para o Templo, que te
ficar mais visinho, desde ahi o adores e o visites. Deves fazer sempre
estas visitas por tres fins: primeiro para o adorar com toda a
reverencia, e amor, dando-lhe graas pelo inexplicavel beneficio de
instituir aquelle Divino Sacramento, e deixar-se ficar no mundo pelo
excessivo amor que tinha s suas creaturas: segundo, para desaggravar os
ultrajes e sacrilegios desacatos com que tem sido, e  tractado naquelle
Divino Sacramento pelos mesmos homens: terceiro, para lhe pedires
humildemente o perdo dos teus peccados, a graa da tua converso, e a
da perseverana, o seu amor, a tua salvao, etc.

 verdade, que Deus ouve em toda a parte as oraes dos Fieis; mas
tambem  certo que, Jesu Christo no SS. Sacramento distribue com mais
abundancia as suas graas a quem o visita. Que reforma de costumes
haveria, e quantas almas escapario da eterna condemnao, se fosse
maior o numero dos catholicos, que empregassem todos os dias um
bocadinho de tempo na presena do SS. Sacramento pelos fins, que acima
disse? Certamente que entre as devoes, esta, de adorar a Jesus
Sacramentado,  a mais agradavel a Deus, e a mais util para ns. Que
favores maravilhosos alcanro muitos Santos no exercicio desta
devoo! Quantos peccadores se tem convertido por meio destas visitas! E
quem sabe, se tambem tu, prostrado na presena do SS. Sacramento tomars
um dia a firme resoluo de te dares todo a elle? Rogo-te pois que
principies esta utilissima devoo; e se continuares, vers os preciosos
fructos que colhes della.

Para que te seja mais facil este exercicio, te exponho neste Livrinho as
seguintes visitas para todos os dias do mez. No sou eu o author desta
obra; porque ainda que desejo empregar as minhas debeis foras no culto
do SS. Sacramento, com tudo o meu frouxo espirito no podia produzir
pensamentos to devotos, nem termos to penetrantes, e fervorosos. Um
Bispo de muita authoridade pela sua conhecida virtude, e particular
devoo, que tinha ao SS. Sacramento foi quem a escreveo, e eu s tive o
trabalho de a traduzir. Deus sabe que os unicos motivos que me obrigro
a isto foro a sua gloria, e a tua utilidade: elle permitta que esta
devoo produza em Lisboa os effeitos que produzio na cidade de Napoles,
onde teve tanta acceitaco, que ainda sendo vivo o author que a
escreveo, se reimprimio quatorze vezes.

No fim de cada uma das visitas ao SS. Sacramento achars uma Orao para
visitares tambem a Maria Santissima; devoo que agrada muito  Senhora,
e que ella tem remunerado com admiraveis favores a quem a tem praticado.
Rogo-te que nas visitas ao SS. Sacramento peas ao Senhor por mim, que
me perdoe os meus peccados, e que tenha misericordia da minha pobre
alma; e eu prometto rogar no Santo Sacrificio da Missa por todos
aquelles que me fizerem esta caridade.


_Da Communho Espiritual_.

Como no fim de cada uma das seguintes visitas ao SS. Sacramento se
persuade a Communho Espiritual,  justo explicar aqui em que ella
consiste, e o grande fructo que alcana quem pratica to louvavel
exercicio.

A Communho Espiritual, conforme Santo Thomaz, consiste em um desejo
ardente de receber a Jesus Sacramentado, e em um abrao amoroso, como se
j o houvessemos recebido.

Quanto estas Communhes Espirituaes sejo agradaveis a Deus, e quantas
graas por este meio elle communique s almas fervorosas, o mesmo Senhor
o deo a entender a quella sua serva Soror Paula Maresca, Fundadora do
Mosteiro de Santa Catharina de Sena em Napoles, quando lhe fez ver (como
se refere na sua vida) dous vasos preciosos, um de ouro e outro de
prata, e lhe disse, que no de ouro conservava elle as suas Communhes
Sacramentaes, e no de prata as suas Communhes Espirituaes. Este
exercicio no s  authorisado pelo uso de todas as almas devotas, que o
pratico, seno que os Doutores Mysticos o louvo e inculco muito, e
exhorto os Fieis ao seu uso. Sendo esta devoo to util, no ha
nenhuma que menos custe: por isso dizia a Beata Joanna da Cruz, que a
Communho Espiritual se pde fazer, sem que ninguem nos veja, sem ser
preciso estar em jejum, e que podemos fazel-a a qualquer hora, porque
no consiste mais que em um acto de amor: basta dizer de todo o corao:
_Meu Jesus, creio que vs estais no SS. Sacramento: amo-vos sobre todas
as cousas, e vos desejo receber agora dentro na minha alma: j que no
posso receber-vos sacramentalmente, vinde ao menos espiritualmente ao
meu corao; e como vos tivera j recebido, eu vos abrao, e me uno todo
a vs. Ah! Senhor, no permittais que eu jmais de vs me aparte_.

Ou mais breve: _Creio, meu Jesus, que estais no SS. Sacramento: amo-vos,
e desejo muito receber-vos, vinde ao meu corao: eu vos abrao; no vos
ausenteis de mim_.




[Figura]




ACTO QUE SE DEVE FAZER NO PRINCIPIO DE TODAS AS VISITAS AO SS.
SACRAMENTO.


Meu Senhor Jesu Christo, que pelo amor, que tendes aos homens, estais de
noite e de dia nesse Sacramento, todo cheio de piedade, e de amor,
esperando, chamando, e recebendo todos aquelles, que vem a visitar-vos:
eu creio firmemente que vs estais ahi presente nesse Sacramento do
altar: adoro-vos desde o abysmo do meu nada, e vos dou graas por todas
as mercs, que me tendes feito, especialmente por me haverdes dado a vs
mesmo neste Sacramento, por me haverdes concedido por minha advogada
vossa Santissima Me, a Virgem Maria, e por me terdes agora chamado a
visitar-vos neste lugar santo: eu adoro o vosso amantissimo corao, e
desejo agora adoral-o por tres fins: primeiro, era agradecimento desta
to grande dadiva: segundo, por desaggravar-vos de todas as injurias,
que tendes recebido dos vossos inimigos nesse Sacramento: terceiro,
porque desejo nesta visita adorar vos em todos os lugares da terra, onde
vs Sacramentado estais com menos culto, e mais desprezo. Ah! meu Jesus,
eu vos amo com todo o meu corao: peza-me de haver tantas vezes
offendido a vossa infinita bondade: prometto ajudado com a vossa graa,
emendar-me para o futuro, e agora, assim miseravel como sou, eu me
consagro todo a vs, e vos entrego, e resigno nas vossas mos a minha
vontade, e os meus affectos, os meus desgostos, e tudo quanto sou e
possuo. De hoje em diante fazei, Senhor, de mim tudo quanto vos agradar:
o que eu quero, e o que vos peo  o vosso santo amor, e perserverana
final, e a perfeita obediencia  vossa santissima vontade.
Recommendo-vos as almas do Purgatorio, especialmente as mais devotas do
SS. Sacramento, e de minha Senhora Maria Santissima. Rogo-vos tambem por
todos os peccadores. Em fim, meu amado Salvador, desejo unir todos os
meus affectos, e desejos com o vosso amorosissimo corao, e assim
unidos os offereo ao vosso Eterno Pae, e lhe peo em vosso nome, que
por vosso amor os acceite, e os despache.




VISITA I.


Queres saber, alma devota, qual  a fonte de todo bem?  Jesus no
Sacramento, o qual disse: _Quem tem sede venha a mim_. Oh! e quantas
enchentes de graas tem tirado sempre os Santos, desta fonte do SS.
Sacramento, onde o amoroso Jesus liberalmente concede todos os
merecimentos da sua Paixo, como predisse o Profeta! _Ireis com gosto
buscar a agua s fontes do Salvador_. (_Isai. 12._) A Condessa da Feira,
aquella grande discipula do Veneravel P. M. Avila, feita Religiosa de
Santa Clara, chamada a Esposa do Sacramento, muitas vezes no dia, e por
largo espao de tempo se demorava na presena do SS. Sacramento: e
perguntando-se lhe que fazia em todas as horas, quantas alli se
demorava, respondeo: De boa vontade estaria eu alli por toda a
eternidade. Acaso no est alli a essencia de Deus, que ser por toda a
eternidade o alimento, e a gloria dos Bemaventurados? Ah! E que faremos
na presena daquelle Deus Sacramentado? Amal-o, louval-o, agradecer-lhe,
e pedir-lhe. Que faz um pobre na presena de um rico? Que faz um doente
diante do Medico? Que faz um sequioso  vista de uma fonte crystalina?

Oh meu Jesus amabilissimo, vida, e esperana, thesouro, e unico amor da
minha alma! Oh quanto vos custou o ficardes comnosco nesse Divino
Sacramento! Quando vs o instituistes j conhecieis as ingratides, as
injurias, os desacatos com que vos havio de tratar os homens, mas ainda
maior que a nossa maldade, e que a nossa miseria, foi a vossa ardente
caridade para comnosco; sim, tudo venceo aquelle grande amor, que nos
tendes, e o excesivo desejo de ser de ns amado.

Vinde pois, Senhor, vinde e mettei-vos dentro do meu corao, e fechai
sobre vs a porta para sempre, para que no entre creatura alguma a
tomar parte daquelle amor, que eu quero empregar todo em vs somente. Ah
meu amado Redemptor! Fallai dentro do meu corao, que o vosso servo
ouve; mandai Senhor, que eu quero fielmente obedecer-vos; e se alguma
vez no vos obedecer perfeitamente, castigai-me, at que eu fique
advertido e resoluto a agradar-vos como vs quereis: fazei que eu no
deseje outra cousa, nem busque outro contentamento mais que o de
servir-vos, de visitar-vos muitas vezes sobre os sagrados altares, e de
receber-vos na Sagrada Communho. Quem quizer, procure embora outros
bens: eu no amo, nem desejo outra cousa mais o thesouro do vosso amor:
isto  o que sempre heide buscar, isto  o que sempre heide pedir diante
dos santos altares. Fazei que eu me esquea de mim, para que me lembre
s da vossa bondade infinita. Serafins bemaventurados, eu no vos tenho
inveja pela gloria, mas sim pelo amor que tendes ao vosso, e meu Deus;
ensinai-me o que hei de fazer, para servil-o, e amal-o.

Minha vontade est prompta
Para seguir-vos, Senhor,
Sejo firmes meus desejos,
Seja firme o meu amor.

Quem me dra estar seguro
De nunca mais offender-vos;
Meu Deus, quem me dra ser
O maior de vossos servos.

Meu corao vos pertence,
Meu adoravel Senhor,
Prendei-o bem preso ao vosso
Com prises de puro amor.

Governai, meu bom Jesus,
Governai meu corao,
No consintais que nelle entre
A menor imperfeio.

Que mais pde appetecer
Um verdadeiro Christo,
Do que amar sempre seu Deus
Com todo o seu corao?

Bemdito e louvado seja
O meu Jesus adorado,
Bemdito seja para sempre
O meu Deus Sacramentado

_Logo concluir com a Communho Espiritual, (que vai a pag. 11)[1] e
depois far a visita a Maria Santissima, diante d'alguma Imagem sua_.




VISITA I.

_A Maria Santissima_.


 immaculada ou inteiramente pura. Virgem Maria, Me de Deus; vs sois
superior a todos os Santos, sois a unica esperana dos peccadores,
depois de vosso Filho Jesu Christo, e a alegria dos Justos. Por vs
somos reconciliados com Deus.  grande Princeza, Me de Deus! cobri-nos
com as azas da vossa misericrdia: tende de ns piedade, a vs somos
entregues, e consagrados ao vosso obsequio: temos o nome de vossos
servos: no permittais que Lucifer nos arraste ao Inferno.  Virgem
Immaculada! ns estamos debaixo da vossa proteco, e por isso a vs
recorremos, e vos rogamos, que embaraceis que vosso Filho, provocado dos
nossos peccados, nos desampare, e assim fiquemos em poder do demonio
nosso inimigo.

Virgem Soberana, eu vos rogo
Sejais minha valedora;
Se Deus me no tem ouvido,
Fallai-lhe por mim nest'hora.

Sois minha Me, a esses braos
Eu corro e me vou lanar;
Ainda que ingrato, sou filho,
E no me haveis de espancar.

De Deus tambem vs sois Me,
Pedi-lhe que me perdoe;
Dizei-lhe veja o meu peito,
Que j se arrepende, e doe.

Mettei no Divino Lado
A vossa poderosa mo;
Tirai enchentes de graas
Dentro do seu corao.

Na minha alma as entornai,
De impura fique innocente;
E da mais pura mancha
Fique limpa de repente.

De tibia e frouxa se torne
Extremosa e vigilante:
De ingrata e rebelde seja
Desde hoje terna e constante.

Para gloria do vosso nome,
Por to subidos favores,
Mandarei do Ceo e terra,
Agradecidos clamores.




*SUPPLICAS*

_Que se devem fazer todos os dias a Maria Santissima no fim da visita_.


Immaculada Virgem, e minha Me Maria Santissima, a vs, que sois Me do
meu Senhor, a Rainha do mundo, a advogada, a esperana, e o refugio dos
peccadores, recorro eu hoje, eu que sou o mais miseravel de todos.
Adoro-vos,  grande Rainha, e humildemente vos agradeo todas as graas
e mercs, que at agora me tendes feito, especialmente de me haverdes
livrado do Inferno tantas vezes merecido pelos meus peccados. Eu vos
amo, Senhora amabilissima; e pelo amor que vos tenho, vos prometto
querer sempre servir-vos, e fazer todo o possivel para que de todos
sejais servida. Era vs,  Me de misericordia, depois do meu Senhor
Jesu Christo,  que eu estabeleo as minhas esperanas: acceitai-me por
vosso servo, e defendei-me com a vossa proteco; e j que sois to
poderosa para com Deus, livrai-me de todas as tentaes, ou alcanai-me
graa para as vencer at  morte: a vs peo o verdadeiro amor para com
o meu Senhor Jesu Christo: de vs espero alcanar uma boa morte. Oh
minha Me e Senhora, vos rogo que me ajudeis sempre, mas muito mais no
ultimo ponto da minha vida: no me desempareis, em quanto me no virdes
j salvo no Ceo, louvando-vos, e cantando as vossas misericordias por
toda a eternidade. Amen.

Minha Me, minha Senhora,
Sobre este filho lanai
Vossa beno carinhosa,
Do Ceo as graas me dai.




VISITA II.


Diz um devoto Padre, que sendo o po uma comida que nos serve de
alimento, e se conserva, guardando-o, por isso Jesu Christo se quiz
deixar na terra debaixo das especies de po: no s por servir de
alimento s almas, que o recebem na Sagrada Communho, seno tambem para
ser conservado no Sacrario, e fazer-se a ns presente, lembrando-nos por
esse efficacissimo meio o amor que nos tem. So Paulo diz: _Que Deus
tomando a forma de servo a si mesmo se abateo_. Mas que diremos ns,
vendo que elle por nosso amor est todos os dias sobre os nossos
altares, tomando a frma de po? Nenhuma lingua  bastante (diz S. Pedro
de Alcantara) a poder, declarar a grandeza do amor que Jesus tem a
qualquer alma que est na sua graa, e por isso querendo este dulcissimo
Esposo partir do mundo para seu Eterno Pae, para que esta sua ausencia
nos no fosse occasio de nos esquecermos d'elle, nos deixou por memoria
este SS. Sacramento, no qual elle mesmo ficava por penhor do seu amor, e
para incentivo da nossa lembrana.

Ah! meu Jesus! J que vs estais ahi nessa custodia para ouvirdes as
supplicas dos miseraveis, ouvi hoje os rogos do peccador mais ingrato,
que vive entre todos os homens.

Eu venho arrependido aos vossos ps, conhecendo o grande mal, que tenho
feito em desgostar-vos. Primeiramente vos peo me perdoeis todos os meus
peccados. Ah! quem nunca vos tivera offendido! Agora aqui na vossa
presena, conhecendo a vossa grande vontade, me sinto vivamente excitado
a amar-vos, e a servir-vos. Mas que? se vs me no ajudais, no tenho
foras para assim o executar. Fazei,  grande Deus, fazei conhecer a
toda a Crte Celestial o vosso grande poder, e a vossa infinita
misericordia; fazei deste grande peccador, que tenho sido, um grande
amante vosso: vs o podeis assim fazer: fazei-o assim, meu Deus: suppri
da vossa parte tudo o que me falta, para que chegue a amar-vos muito,
muito, ao menos a amar-vos tanto quanto vos tenho offendido, amo-vos,
meu Jesus, amo-vos sobre todas as cousas: amo-vos mais que a minha
propria vida, meu Deus, meu amor, e meu bem todo.


Minha vontade, etc. (_Como a pag. 19._)[2]


_A Communho Espiritual_. (_que vai a pag. 11._)[1]




VISITA II.

_A Maria Santissima_.


 Rainha do Universo, e Senhora nossa, vs sois a unica advogada dos
peccadores, depois de Jesu Christo, que  o nosso principal advogado
para com o Pae: vs sois no mesmo Senhor o porto seguro dos que
naufrago: sois a consolao do mundo, o resgate dos captivos, a alegria
dos enfermos, a recreao dos afflictos, o refugio de toda a terra. 
cheia de graa, alumiai o meu entendimento, soltai a minha lingua para
cantar os vossos louvores, principalmente a Saudao Angelica, to digna
de vs. Adoro-vos,  paz,  salvao,  consolao de todo o mundo.
Adoro-vos, paraiso de delicias, fonte de graas, mediadora entre Deus, e
os homens.


Virgem Soberena, etc. (_Como a pag. 22._)[3]




VISITA II.


Ali est o nosso Jesus, que no se satisfazendo com dar a vida por nosso
amor, quiz tambem depois da morte ficar comnosco no SS. Sacramento,
declarando que entre os homens achava elle as suas delicias. Oh homem!
(exclama Santa Thereza) como podeis offender a um Deus, o qual diz que
entre vs tem as suas delicias? Jesus tem as suas delicias em estar
comnosco, e ns no as teremos em estar com Jesus? Ns a quem 
concedida a honra de habitar no seu palacio? Ah! E como se tem por
honrados aquelles vassallos, a quem o Rei d lugar em palacio! Pois
eis-aqui o palacio do Rei: esta  a casa onde habitamos com Jesu
Christo: saibamos ser-lhe agradecidos; e fallemos-lhe com amor e
confiana. Aqui me tendes, meu Deus, e meu Senhor, diante desse altar,
onde vs estais de dia, e de noite, por amor de mim: vs sois a fonte de
todo o bem; vs o Medico de todo o mal, vs o thesouro dos pobres: pois
aqui tendes hoje aos vossos ps um peccador, entre todos o mais pobre e
o mais enfermo, que vos pede misericordia: tende, Senhor, compaixo de
mim. Grande  a minha miseria; mas eu no quero desanimar, vendo que
nesse Sacramento desceis todos os dias do Ceo  terra, s para me
fazerdes bem. Eu vos adoro, eu vos louvo, eu vos amo; e se quereis que
vos pea alguma esmola, peo-vos esta: ouvi-me. Senhor: eu no desejo
offender-vos mais, e quero que me deis luz, e graa para amar-vos com
todas as minhas foras. Senhor, eu vos amo com toda a minha alma:
amo-vos com todos os affectos do meu corao: fazei vs que eu o diga
devras, e o diga sempre nesta vida, e por toda a eternidade. Maria
Santissima, Santos meus advogados, Anjos, e Bemaventurados todos,
ajudai-me a amar a Deus amabilissimo.


Minha vontade, etc. (_Como a pag. 19._)[2]

_A Communho Espiritual_. (_que vai a pag. 11._)[1]




VISITA III.

_A Maria Santissima_.


 minha Senhora, que sois, a maior consolao, que recebo de Deus; vs,
que sois o celestial allivio, que dais refrigerio s minhas penas; vs,
que sois a luz da minha alma, quando ella se v rodeada de trevas; vs
que sois nas minhas viagens a minha guia, a minha fortaleza nos meus
desalentos, o meu thesouro na minha pobreza, a minha medicina nas minhas
enfermidades, nas minhas lagrimas a minha consolao: vs, que sois o
refugio das minhas miserias, e depois de Jesu Christo a esperana da
minha salvao, despachai as minhas spplicas, tende piedade de mim,
como convem  Me de um Deus, que tanto amor tem aos homens: concedei-me
quanto vos peo,  clemente,  piedosa,  doce Virgem Maria.

Virgem Soberana, etc. (_Como a pag. 22._)[3]




VISITA IV.


Os amigos do mundo acho tanta consolao em se verem uns aos outros,
que perdem dias inteiros em suas conversaes. Com Jesu Sacramentado no
empregamos o tempo, porque no o amamos. Os Santos achro Paraiso na
terra, diante do SS. Sacramento. Santa Thereza, depois de morrer, disse
de l do Co a uma sua Religiosa: _Ns os que estamos no Co, e vs os
que estais na terra deviamos ser uma mesma cousa na pureza, e no amor;
ns gozando, e vs padecendo; e aquillo mesmo, que ns fazemos no Ceo
com a Divina Essencia, deveis vs fazer na terra com o SS. Sacramento_.

 Cordeiro immaculado, e sacrificado por ns sobre a Cruz, lembrai-vos
que eu sou uma daquellas almas, que vs remistes com tantas dores, e com
a vossa morte. Fazei que eu vos no perca mais, j que vos tendes dado a
mim, e vos dais todos os dias, sacrificando-vos por meu amor sobre os
altares, e fazei que eu seja todo vosso: eu me entrego todo a vs, para
que faais de mim tudo quanto quizerdes. Eu vos entrego a minha vontade;
prendei-a com as doces prises de vosso amor, para que seja sempre uma
fiel escrava da vossa santissima vontade: eu no quero viver mais para
satisfazer os desejos, mas s para contentar a vossa infinita bondade:
apartai, Senhor, apartai de mim tudo quanto vos no agrada: dai-me a
graa de no ter outro pensamento mais que o de obedecer-vos, nem outro
desejo mais que o de servir-vos. Amo-vos,  meu amado Salvador, com todo
o meu corao: amo-vos, porque desejais que eu vos ame: amo-vos, porque
sois infinitamente digno de ser amado. Grande pena tenho de no amar-vos
quanto mereceis: quizera morrer por vosso amor: acceitai, Senhor, o meu
desejo, e dai-me o vosso amor.


Minha vontade, etc. (_Como a pag. 19._)[2]

_A Communho Espiritual_. (_que vai a pag. 11._)[1]




VISITA IV.

_A Maria Santissima_.


 minha Senhora! vs, que sois a nossa defensa, fazei-me digno de gozar
comvosco aquella grande felicidade, que gozais na Bemaventurana: sim,
minha Rainha, meu refugio, minha vida, meu soccorro, minha defensa,
minha alegria, minha fortaleza, minha esperana: fazei que eu v
comvosco para o Co. Eu sei que, sendo vs Me de Deus, bem podeis
alcanar-me uma graa efficaz, que me faa cooperar para a minha final
justificao.  Maria, vs sois poderosissima intercessora para salvar
os peccadores, nem vos  precisa outra recommendao, porque sois a Me
da verdadeira Vida.

Virgem Soberana, etc. (_Como a pag. 22._)[3]




VISITA V.


Ah! meu Deus, meu Rei, meu Senhor! Quem me dera que todos os meus
membros se convertessem em linguas para louvar, e engrandecer as finezas
e os excessos de bondade nesse Divino Sacramento, onde continuamente
estais prompto para ouvir, e para consolar esta indigna creatura vossa:
eu me attrevo a dizer, Senhor, que sois excessivamente amante dos
homens, porque lhes dstes tudo quanto lhes podieis dar nesse
Sacramento, para que elles vos amassem. Ah! meu amabilissimo Jesus,
Dai-nos um amor grande, um amor forte, para vos amar, pois no  razo
que amemos com tibieza a um Deus, que nos ama com tanta efficacia.
Attrahi-nos a vs com os doces attractivos do vosso amor.

 Magestade, e Bondade infinita! Vs amais tanto os homens; vs tendes
obrado tantas finezas para serdes amado dos homens; e  possivel que
entre os homens haja to poucos que vos amem! Eu j no quero, ser (como
tenho sido) do numero desses ingratos: eu estou resoluto a amar-vos
quanto posso, e a no amar outro objecto mais que a vs: vs assim o
mandais; vs assim o mereceis; quero contentar-vos. Fazei,  Deus da
minha alma, que eu vos agrade: eu assim o espero, e vo-lo peo pelos
merecimentos da vossa Paixo Sagrada. Os bens da terra dai-os a quem os
deseja, se quereis, eu s o que quero e o que busco  o grande thesouro
do vosso amor: amo-vos, meu Jesus, Bondade infinita: vs sois toda a
minha riqueza, todo o meu contentamento, todo o meu amor.


Minha vontade, etc. (_Como a pag. 19._)[2]


_A Communho Espiritual_. (_que vai a pag. 11._)[1]




VISITA V.

_A Maria Santissima_.


 Rainha do mundo, ns havemos de apparecer diante do nosso Juiz, depois
de termos commettido tantos peccados; quem o aplacar? No ha quem
melhor o possa fazer que vs,  Soberana Senhora, que tanto o amastes, e
que fostes delle tanto amada. Abri pois  Me de Misericordia, os
ouvidos de vosso corao aos nossos suspiros e aos nossos rogos. Ns nos
refugiamos debaixo da vossa proteco: applacai a clera de vosso Filho,
e restitui-nos  sua graa. Vs no aborreceis o peccador, por maior que
elle seja: vs no o desprezais, se elle a vs suspira, e pede
arrependido a vossa intercesso. Vs com as vossas piedosas mos o
livrais da desesperao: vs o confortais, e o animais a esperar: no o
desampareis, Senhora, at que elle fique reconciliado com o seu Juiz.

Virgem Soberana, etc. (_Como a pag. 22._)[3]




VISITA VI.


Jesu Christo disse, que onde cada um tem o seu thesouro, ahi tem o seu
corao. Eis ahi por que os Santos que no estimo nem amo outro
thesouro mais que Jesu Christo, no SS. Sacramento tem todo o seu
corao, e todo o seu affecto. Meu amabilissimo Senhor Sacramentado, que
pelo amor, que me tendes, estais de dia, e de noite nesse Sacramento,
inflammai o meu corao, para que no ame seno a vs, no cuide seno
em vs, no busque, nem espere outro bem fra de vs: fazei-o assim, 
meu Senhor, pelos merecimentos da vossa Paixo.

Ah, meu Salvador Sacramentado! E quanto so admiraveis as industrias do
vosso amor, para fazer que as almas vos amem!  Verbo eterno, no bastou
 vossa ardente caridade o fazer-vos homem, e morrer por ns, seno que
para satisfao do vosso amor, quizesse tambem ficar nesse Sacramento,
para nos servirdes de companhia, de alimento, e penhor da eterna gloria?
Vs appareceis entre ns, j em figura de menino dentro de uma humilde
lapa; j de pobre tomando a figura de servo; umas vezes como ro,
crucificado em uma Cruz; outras sobre os nossos altares, debaixo das
especies de po. Dizei-me, Senhor, que mais podeis inventar para vos
fazer amar? Oh Bem infinito, e quando comearei eu devras a
corresponder s finezas do vosso amor! Ah, Senhor! Eu no quero viver
seno para vos amar. E de que me serve a vida, seno a emprego toda em
amar o meu Redemptor, que empregou toda a sua vida em beneficio meu? E
que objecto devo eu amar, seno a vs, meu Senhor, que sois to bello,
to amavel, to bom, to digno de ser amado? Viva a minha alma s para
amar-vos: abraze-se de amor, quando se lembrar do vosso amor; e ao ouvir
nomear Presepio, Cruz Sacramento, accenda-se em desejos de executar
grandes cousas a vosso respeito.  Jesus meu, que grandes cousas tendes
feito, e padecido por amor de mim.


Minha vontade, etc. ( _Como a pag. 19._)[2]


_A Communho Espiritual_. (_que vai a pag. 11._)[1]




VISITA VI.

_A Maria Santissima_.


Vs,  Maria, sois aquella unica Mulher, na qual o Salvador achou o seu
descano, e a quem sem reserva entregou todos os seus thesouros. Por
esta razo todo o mundo,  minha Gro Senhora, honra o vosso casto seio
como Templo de Deus, no qual se deo principio  salvao do mundo, e se
fez a reconciliao entre Deus, e o homem. Vs sois aquelle Horto
fechado,  grande Me de Deus, no qual nunca jmais entrou a mo terrena
para manchar a flor da vossa pureza. Vs sois aquelle bello jardim, em
que Deus, poz todas as flores, que orno a Santa Igreja e entre ellas a
viola da vossa humildade, o lirio da vossa pureza, e a roza da vossa
caridade. A quem vos comparamos,  Me da graa, e da belleza? Vs sois
o Paraizo de Deus: de vs sahio a fonte de aguas vivas, que fertiliza
toda a terra. Oh! quantos beneficios tendes feito ao mundo, merecendo
ser quelle saudavel aqueducto por onde se nos communico todos os bens,
e todas as graas.

Virgem Soberana, etc. (_Como a pag. 22._)[3]




VISITA VII.


Este nosso amoroso Pastor, que deo a vida por ns suas ovelhas, no quiz
separar-se de ns na sua morte. Aqui estou (diz) ovelhas minhas; aqui
estou sempre comvosco: eu por vs me deixei ficar na terra neste
Sacramento: aqui me achareis sempre que quizerdes, para vos ajudar e
consolar com a minha presena; no vos deixarei, em quanto vs
estiverdes sobre a terra. Desejava o Esposo (diz So Pedro de Alcantara)
deixar  sua Esposa n'esta to longa ausencia alguma companhia, para que
no ficasse s; e por isso instituio este Sacramento, no qual ficasse
elle mesmo, que era a melhor companhia, que lhe podia deixar.

Ah, meu Senhor, e meu Salvador amabilissimo! Eu venho agora a
visitar-vos neste altar; mas vs me pagais esta visita em outro amor
infinitamente maior, quando vindes  minha alma na santa Communho;
ento no s vos fazeis presente a mim, mas tambem minha comida: todo
vos unis, e entregais a mim, para que eu possa dizer-vos com verdade:
Agora, meu Jesus, sois todo meu. Pois, Senhor, j que vs vos entregais
todo a mim,  razo que eu tambem a vs me entregue todo.  Deus de
amor,  amor da minha alma; e quando ser que eu na realidade me veja
todo vosso, no s nas palavras seno tambem nas obras? Vs o podeis
fazer: augmentai, Senhor, em mim a confiana, e a esperana pelos
merecimentos do vosso Sangue, at que eu alcance a graa de me vr todo
vosso antes de morrer. Vs ouvs, Senhor, as spplicas de todos: ouvi
tambem agora os rogos de uma alma, que vos quer amar devras: sim, eu
desejo amar-vos com todas as minhas foras, e a vs quero obedecer em
tudo aquillo, que vs me mandardes, sem interesse, sem consolao, sem
premio: quero-vos servir s por amor, s por vos dar gosto, s por
agradar ao vosso amantissimo corao, a quem eu devo as mais excessivas
finezas: o meu premio, Senhor, ser amar-vos.  Filho dilecto do Eterno
Pae, acceitai a minha liberdade, a minha vontade, todas as minhas
cousas, a mim todo, e dai-vos a mim: eu vos amo, e a vs busco, por vs
suspiro, s a vs quero, s a vs quero.


Minha vontade, etc. (_Como a pag. 19._)[2]


_A Communho Espiritual_. (_que vai a pag. 11._)[1]




VISITA VIII.

_A Maria Santissima_.


 Rainha dos Cos, de vs se falla, quando se diz: _Quem  esta, que
apparece como a Aurora, que vem subindo, formosa como a Lua, escolhida
como o Sol_? Vs viestes ao mundo,  Maria, como resplandecente Aurora,
prevenindo com a luz da vossa santidade a vinda do Sol de Justia: o
dia, em que vs apparecestes no mundo bem pde chamar-se dia de
Salvao, dia de graa. Sois bella como a Lua; porque assim como no ha
Planeta mais semelhante ao Sol, assim tambem no ha creatura mais
semelhante a Deus, que vs: a Lua alumia a noite com a luz, que do Sol
recebe; e vs alumiais as nossas trvas com as luzes da vossa virtude:
vs porm sois mais bella que a Lua, porque em vs no se acha mancha,
nem sombra. Vs sois escolhida como o Sol, isto , imitadora daquelle
Sol Divino, que creou o sol, que vemos: elle foi escolhido entre todos
os homens, e vs escolhida entre todas as mulheres.

Virgem soberana, etc. (_como a pag. 22._)[3]




VISITA VIII.


A qualquer alma, que visita a Jesus no Santissimo Sacramento, diz ella
as palavras, que disse a Sagrada Esposa: _Levanta-te, d-te pressa, 
minha querida e minha formosa, e vem_. (_Cant. 2._) Alma que me visitas:
_Levanta-te_ das tuas miserias, eu estou aqui para enriquecer de graas.
_Apressa-te_, chega-te a mim, no temas a minha Magestade, porque ella
est humilhada neste Sacramento, para tirar-te o temor, e dar-te toda a
confiana, _Amiga Minha_, no s j minha inimiga, mas sim amiga: e pois
tu me amas, eu te amo _Formosa Minha_, a minha graa te tem feito bella,
_Vinde c_, abraa-te comigo, pede-me o que quizeres com grande
confiana.

Dizia Santa Thereza, que este grande Rei da Gloria se tinha revestido
das especies de po no Sacramento, occultando a sua Magestade, para nos
animar a chegarmos com mais confiana ao seu Divino corao.

Cheguemo-nos pois a Jesus com grande confiana, e grande affecto
unamo-nos com elle, e peamo-lhes muitas graas.

Qual deve ser agora a minha consolao,  Verbo Eterno feito homem, e
sacramentado por amor de mim, sabendo que estou diante de vs, que sois
o meu Deus, que sois uma Magestade, e bondade infinita, que tanto amor
tendes  minha alma? Almas, que amais a Deus, l onde estais, ou seja no
Co, ou na terra, amai-o agora muito por mim Minha Me, e Senhora Maria
Santissima, ajudai-me a amal-o. E vs, amantissimo Senhor, fazei-vos o
objecto de todos os meus amores: tomai posse de toda a minha vontade: eu
vos consagro todo o meu entendimento, para que no discorra mais que a
respeito da vossa bondade: entrego-vos tambem o meu corpo, para que
tambem elle me ajude a agradar-vos: offereo-vos a minha alma, para que
seja toda vossa; quizera,  meu amado Senhor, que todos os homens
conhecessem o efficaz amor que lhes tendes, para que vivessem todos s
para honrar-vos, e dar-vos gosto, como vs o desejais, e o mereceis.
Viva eu, ao menos, sempre inflammado no amor da vossa belleza infinita:
eu de hoje em diante quero fazer tudo quanto me for possivel por
agradar-vos: proponho de no deixar de executar qualquer cousa, que eu
entenda ser do vosso gosto, ainda que me custe uma grande pena o perder
todas as minhas cousas, ainda que me custe o perder a propria vida:
ditoso serei eu, se perder tudo, por possuir a vs, que sois meu Deus,
meu Thesouro, meu Amor.


Minha vontade, etc. (_Como a pag. 19._)[2]


_A Communho Espiritual_. (_que vai a pag. 11._)[1]




VISITA VIII.

_A Maria Santissima_.


Oh doce, oh grande, oh sobre tudo amavel Maria! No pde pronunciar-se o
vosso nome, sem que o corao se sinta abrazado no vosso amor: nem pdem
aquelles, que vos amo, cuidar em vs, sem que se sinto movidos
efficazmente a amar-vos mais.  Santa Senhora, ajudai nossa fraqueza. E
quem est mais proxima a fallar a nosso Senhor Jesu Christo, do que vs
que gozais to perto do seu trato suavissimo? Fallai, fallai  Senhora,
porque o vosso Filho vos ouve, e alcanareis para ns tudo quanto lhe
pedirdes.


Virgem Soberena, etc. (_Como a pag. 22._)[3]




VISITA IX.


O Veneravel Padre Alvares vio a Jesus, que estava no Sacramento com as
mos cheias de graas, buscando a quem as dar, Santa Catharina de Sena,
quando se chegava ao SS. Sacramento, era com aquella pressa, e
deligencia amorosa, com que se chega um menino ao peito de sua me.

 dilectissimo Unigenito do Eterno Pae, conheo que vs sois o objecto
mais digno de ser amado: eu desejo amar-vos quanto vs mereceis: ao
menos quanto uma alma pde amar vos. Bem sei que eu traidor, e to
rebelde ao vosso amor, no mereo amar-vos, no mereo estar visinho a
vs, como agora estou nesta igreja; mas sei que vs mesmo peds o meu
amor. Ouo que vs me dizeis: _Filho meu, d-me o teu corao; amars a
teu Deus, e Senhor, de todo o teu corao_. Eis-aqui porque vs me
tendes conservado a vida, e no me tendes mandado para o Inferno, a fim
de que eu haja de converter-me todo ao vosso amor. Pois, Senhor, j que
vs quereis ser de mim amado, sim, aqui estou, Deus meu; a vs me rendo,
a vs me entrego,  Deus todo bondade, todo amor. Eu vos elejo por unico
Rei, e Senhor do meu pobre corao: vs mo pedis, eu vol-o quero dar: 
frio,  endurecido; mas se vs o acceitais, vs o mudareis. Mudai-me,
meu Senhor, mudai-me; no quero viver mais ingrato, como tenho vivido, e
to pouco amante para com a vossa bondade infinita, que tanto me ama, e
merece um infinito amor: fazei que de hoje em diante vos ame tanto, que
de alguma sorte suppra a falta de amor, que at agora para comvosco
tenho tido.


Minha vontade, etc. (_Como a pag. 19._)[2]


_A Communho Espiritual_. (_que vai a pag. 11._)[1]




VISITA IX.

_A Maria Santissima_.


Adoro-vos  Maria, vs sois, depois de Jesu Christo, a esperana dos
Christos; recebei a spplica de um peccador, que affectuosamente vos
ama, particularmente vos honra, e tem em vs, depois de Deus, toda a
esperana da sua salvao; de vs recebo eu a vida depois de Deus. Por
vossa intercesso espero eu ser restabelecido na graa do vosso Filho.
Rogo-vos, que me ajudeis a livrar-me do peso dos meus peccados: destrui
comigo as trvas do meu entendimento: arrancai com a minha cooperao os
mos affectos do meu corao: reprimi comigo as tentaes dos meus
inimigos; e regei de tal sorte a minha vida, que eu possa vir a
conseguir pelo meio da vossa proteco a eterna felicidade do Ceo.

Virgem Soberana, etc. (_Como a pag. 22._)[3]




VISITA X.


_ loucos do mundo_, diz Santo Agostinho, _aonde ides para contentar o
vosso corao? Vinde a Jesus, que s elle pde dar aquelle
contentamento, que buscais_. Alma minha, no sejas tu tambem agora do
nmero destes loucos: busca s a Deus: busca um bem, no qual esto todos
os bens, diz o mesmo Santo Agostinho, e se tu o queres achar depressa,
alli est visinho a ti: dize-lhe o que queres, que elle para este fim
est naquelle Sacrario, para le consolar, para te ouvir, e para te
despachar. Dizia Santa Thereza, que ao Rei da terra nem todos podio
fallar; e que algum o mais que podia conseguir, era vler-se para isso
de terceira pessoa; mas para fallar comvosco, Rei da Gloria, no 
preciso buscar terceira pessoa: vs sempre estais prompto nesse
Sacramento para nos ouvir: o Rei da terra d audiencia poucas vezes no
anno; mas vs nesse Sacramento a todos dais audiencia de dia, e de
noite, sempre que ns queremos.

 Sacramento de amor, que ou vos dais a ns na Santa Communho, ou
estais sempre sobre os nossos altares: attrahi com os amorosos
attractivos do vosso amor todos aquelles coraes, que namorados de vs,
e pasmados da vossa infinita bondade, no tem outros desejos, nem cuido
mais que em vs: attrahi tambem, Senhor, meu miseravel corao, que
deseja agora amar-vos, e viver s do vosso amor. Eu deposito de hoje em
diante todos os meus affectos, a minha alma, e o meu corpo, tudo nas
mos da vossa infinita bondade: disponde, Senhor, de mim o que for do
vosso agrado. No quero mais, no, lamentar-me;  Amor meu, das vossas
santas disposies: sei que todas sahem do vosso amoroso corao para
meu bem: o que vs quizerdes  o que eu quero em todo o tempo, e por
toda a eternidade: fazei o que vos agradar em mim, e de mim; eu me uno
todo  vossa vontade, porque sei que ella  toda santa, toda boa, toda
formosa, toda perfeita, toda amavel. Oh vontade do meu Deus, quanto me
sois agradavel! Quero sempre viver, e morrer, unido, e abraado
comvosco. O vosso gosto  o meu gosto; os vossos desejos quero que sejo
os meus desejos; Deus meu, Deus meu, ajudai-me; fazei que de hoje em
diante eu viva s para vs, s para amar a vossa infinita bondade. Morra
eu por vosso amor, j que vs morrestes por mim. Eu detesto aquelles
dias nos quaes fiz a minha vontade contra o vosso gosto. Eu vos amo 
vontade Divina quanto amo a Deus, porque vs sois o mesmo Deus; amo-vos
com todo o meu corao, e a vs me entrego todo.


Minha vontade, etc. (_Como a pag. 19._)[2]


A _Communho Espiritual_. (_que vai a pag. 11._)[1]




VISITA X.

_A Maria Santissima_.


Adoro-vos,  Cheia de graa; o Senhor  comvosco. Adoro-vos, 
instrumento da nossa Alegria, pelo qual em vosso Filho a sentena da
nossa condemnao se revogou, e mudou em um juizo de beno. Adoro-vos,
 Templo da Gloria de Deus, Casa Sagrada do Rei do Ceo. Vs sois em Jesu
Christo a reconciliao de Deus com os homens. Adoro-vos,  Me da nossa
alegria; na verdade vs sois bemdita, porque s vs entre todas as
mulheres fostes digna de ser Me do vosso Creador; todas as Naes vos
chamo bemaventurada.  Maria, se eu ponho a minha confiana em vs,
alcanai-me os meios da minha salvao. Se eu estiver debaixo da vossa
proteco nada temerei, porque o ser vosso devoto verdadeiro  ter um
impenetravel escudo contra os assaltos dos meus inimigos.

_Virgem Soberana, etc._ (_Como a pag 22._)[3]




VISITA XI.


_Procuremos no nos apartar_, diz Santa Thereza, _nem perder de vista ao
nosso amado Pastor Jesus; que assim como aquellas ovelhas, que esto
mais visinhas ao seu Pastor, so sempre as mais bem reguladas, e as mais
amadas, assim ns recebemos tambem grandes favores, sempre que nos
avisinhamos a Jesus no SS. Sacramento_. Ah meu Redemptor Sacramentado!
Aqui estou visinho a vs: no quero outro regalo mais que o fervor, e
perseverana no vosso amor.

Eu te louvo, e te dou graas,  Santa F: tu me fazes saber, e me
affirmas, que no Divino Sacramento do altar, naquelle Po Celestial no
ha po, mas est alli todo meu Senhor Jesu Christo, e est por meu amor.
Senhor meu, e todo meu, eu vos creio presente no SS. Sacramento; e bem
que desconhecido aos olhos da carne, eu vos reconheo com a Luz da Santa
F, na Hostia consagrada, por Monarcha do Ceo, e da terra, e por
Salvador do mundo. Ah, meu dulcissimo Jesus! assim como vs sois a minha
esperana, a minha salvao, a minha fortaleza, a minha consolao,
assim quero que sejais tambem agora todo o meu amor, e o unico objecto
de todos os meus pensamentos, dos meus desejos, e de todos os meus
affectos. Eu me alegro ainda mais daquella summa felicidade, que gosais
e gosareis eternamente, que de todo o bem que eu posso ter, assim neste,
como no outro mundo. O meu maior contentamento,  meu amado Redemptor, 
saber que a vossa felicidade  infinita. Reinai, Senhor, reinai sobre a
minha alma, eu vol-a entrego toda; possui-a vs para sempre. A minha
vontade, os meus sentidos, as minhas potencias so todas servas do vosso
amor, e no quero que neste mundo se empreguem mais que em dar-vos
gosto, e gloria. Esta foi a vossa vida na terra,  primeira amante e Me
de Jesus, Maria Santissima; ajudai-me vs, para que de hoje em diante
viva s para o meu Deus.


Minha vontade, etc. (_Como a pag. 19._)[2]


_A Communho Espiritual_. (_que vai a pag. 11._)[1]




VISITA XI.

_A Maria Santissima_.


 Me de Misericordia aplacai o vosso Filho: sim, a vs, que estais no
mais alto dos Ceos, todo o mundo considera como Propiciatorio commum de
todas as gentes. Ns vos rogamos  Virgem Santa, que nos concedais o
soccorro das vossas spplicas diante de Deus; spplicas que so mais
estimaveis, e mais preciosas, que todos os thesouros da terra: supplicas
que obrigo a Deus a perdoar-nos os nossos peccados, e nos alcano uma
grande abundancia de graas; spplicas que afugento os nossos inimigos,
confundem os seus designios, e triunfo dos seus ards, e esforos.

Virgem Soberana, etc. (_Como a pag. 22._)[3]




VISITA XII.


Quem ama a Jesus, est com Jesus, e Jesus est com elle S. Filippe Neri
commungando por Viatico, logo que vio entrar o SS. Sacramento exclamou:
_Eis aqui o meu Amor, eis-aqui o meu Amor_. Diga pois qualquer de ns na
presena de Jesus Sacramentado: Eis-alli o meu amor: eis-alli o objecto
de todos os meus pensamentos, e de todos os meus cuidados.

Ah, meu Senhor, e meu Deus! Vs dissestes no vosso Evangelho, que quem
vos amar, ser amado de vs, e vireis habitar nelle; pois eu vos amo
mais que todos os bens: amai-me vs Senhor, agora, porque eu estimo mais
ser amado por vs, que de todos os Reis do mundo: vinde, Senhor, e
estabelecei a vossa habitao na pobre casa da minha alma, de tal sorte
que vos no separeis nunca de mim, ou para melhor dizer, que eu me no
separe nunca de vs. Vs Senhor, no vos ausentais da vossa creatura, se
ella vos no lana fra pelo peccado: eu como tantas vezes vos tenho
lanado fra da minha alma no tempo passado, temo, que me succeda esta
desgraa para o futuro. Ah! no permittais que succeda no mundo esta
enorme maldade, e esta horrenda ingratido, que eu, favorecido to
especialmente de vs, depois de receber tantos favores, venha outra vez
a lanar-vos fra da minha alma. Mas pde succeder; e por isso, meu
Senhor, desejo antes a morte, se he do vosso agrado, para que morrendo
unido comvosco, comvosco unido haja de viver eternamente. Sim, meu
Jesus, assim o espero: eu vos abrao, e me quero unir ao vosso
Santissimo corao: fazei que eu sempre vos ame, e sempre seja amado de
vs. Ah, meu amabilissimo Redemptor! eu sempre vos amarei, vs sempre me
amareis; espero que sempre nos amaremos,  Deus da minha alma, por toda
a eternidade.

Minha vontade,etc. (_Como a pag. 19._)[2]

_A Comnunho Espiritual_. (_que vai a pag. 11._)[1]




VISITA XII.

_A Maria Santissima_.


 minha soberana Senhora, e Me do meu Senhor, eu me prostro, e me
humilho na vossa presena: rogo-vos que me alcanceis o perdo dos meus
peccados, e que eu seja purificado de todas as culpas, que tenho
commetido em minha vida: supplico-vos a graa de me unir com hum puro
affecto a Deus, e a vs; de servir ao vosso Filho como meu Deus; a vs
como Me do meu Deus; ao vosso filho como meu Redemptor; a vs como meio
da minha redempo; porque se elle pagou o preo do meu resgate, pagou-o
com a carne que de vs recebeo.

Virgem Soberana,etc. (_como a pag. 22._)[3]




VISITA XIII.


_Ahi terei postos os meus olhos, e o meu corao todos os dias_. (3.
_Reg. 9._) Ouve,  alma, esta bella promessa, que te faz Jesus no
Sacramento do altar, onde se deixou ficar comnosco de dia e de noite.
Ah, meu Senhor,! No bastava que ficasseis nesse Sacramento s de dia,
em que podieis ter adoradores da vossa presena, que vos fizessem
companhia, mas tambm quizestes ficar de noite, em que os homens fecho
as Igrejas, e se retiro a suas casas, deixando-vos s? J vos entendo;
o amor, que nos tinheis, no consentio que nos deixasseis um s
instante. Ah, meu amabilissimo Salvador! S esta fineza do vosso amor
deveria obrigar a todos os homens a assistir-vos sempre nos sagrados
Templos, ate os constrangerem a retirar-se; e ausentando-se, devio
todos deixar ahi os seus coraes, e os seus affectos; aquelles affectos
to justamente merecidos de hum Deus humanado que fica fechado no
Tabernaculo, sempre prompto para vr, e remediar as nossas necessidades,
esperando, para assim o dizer, que as almas suas amantes o vo visitar.

Sim, meu Jesus, eu vos quero contentar, eu vos consagro toda a minha
vontade, e todos os meus affectos.  Magestade infinita de hum Deus, vs
vos deixastes ficar nesse Divino Sacramento, no s para estardes
presente a ns, mas principalmente para vos communicardes s almas
vossas escolhidas. Porm, Senhor quem se atrever a avisinhar-se  vossa
Meza, e alimentar-se da vossa carne? Mas quem pelo contrario poder
separar-se de vs! Vs a este fim vos escondeis debaixo das especies
sacramentaes, para entrardes dentro de ns, e para possuirdes os nossos
coraes: vs desejaes que ns vos recebamos, e gostais de estardes
unido comnosco. Vinde pois, meu Jesus, vinde: eu desejo receber-vos
dentro de mim, para que sejais o Deus do meu corao, e da minha
vontade. Quanto  da minha parte, meu amado Redemptor, cedo ao vosso
amor satisfaes, contentamentos, vontade, propria, tudo, tudo vos ceda.
 amor,  Deus de amor, reinai, triumfai de mim todo; destru, e
sacrificai em mim tudo aquillo, que  meu, e no  vosso: no
permittais, amor meu, que a minha alma, cheia da magestade de hum Deus,
depois de vos ter recebido na Sagrada Communho, haja de prender-se s
creaturas. Amo-vos, Deus meu, amo-vos, e sempre vos quero amar.


Minha vontade, etc. (_Como a pag. 19._)[2]


_A Communho Espiritual_. (_que vai a pag. 11._)[1]




VISITA XIII.

_A Maria Santissima_.


 Maria, eu bem sei que vs sois a creatura mais nobre, a mais sublime,
a mais pura, a mais bella, a mais benigna, a mais santa, a mais amavel
de todas as creaturas. Oh se todos vos conhecessem, e vos amassem, como
vs mereceis! Bem quizera eu amar-vos, mas conheo que vos no amo, como
devo: fazei  minha Senhora, que de hoje em diante vos ame com hum amor
verdadeiro, e efficaz, e perseverante: se eu devras vos amar, serei
salvo: porque este  um signal de predestinao, e huma graa, que Deus
no concede, seno quelles, aquem quer salvar: rogai por mim, 
Senhora, rogai, at que eu me veja no Ceo, livre do perigo de perder a
graa de meu Senhor, e seguro de o amar, e a vs por toda a eternidade.


Virgem Soberena, etc. (_Como a pag. 22._)[3]




VISITA XIV.

_Este o meu descano para sempre: aqui tenho de morar, pois o escolhi_.
(_Psalmo 131._) Amabilissimo Senhor, se vs escolhestes a vossa
habitao entre ns, deixando-vos ficar sobre os nossos altares no SS.
Sacramento, e ahi o amor, que nos tendes, vos faz achar o vosso repouso,
 razo tambem que os nossos coraes habitem sempre comvosco por
affecto, e ahi achem toda a delicia e contentamento. Oh ditosas vs,
almas amantes, que no achais no mundo outro descano mais que o de
estardes visinhas ao vosso Jesus Sacramentado! E ditoso, seria eu
tambem, meu Senhor, se no achasse de hoje em diante outro
contentamento, mais que estar sempre comvosco e sempre cuidando em vs,
em vs, Senhor, que estais no SS. Sacramento sempre cuidando em mim.

Ah, meu Senhor! e porque perdi tantos annos, em que vos no amei? Annos
infelises, e desgraados, eu vos aborreo, e vos detesto.  paciencia
infinita do meu Deus, eu vos louvo, e vos adoro, pois que tantos annos
me tendes supportado to ingrato ao vosso amor. Mas assim mesmo ingrato,
vs me tendes esperado. E porque, Deus meu, porque? Para que vencido em
um dia, das vossas misericordias, e do vosso amor, me renda todo a vs,
Senhor, eu no quero resistir mais; no quero ser-vos mais ingrato. He
razo que eu vos consagre ao menos este tempo, que ou pouco, ou muito me
resta de vida. Espero meu Jesus, que me haveis de ajudar para ser todo
vosso. Vs me tendes favorecido quando eu vos fugia, e desprezava o
vosso amor, e haveis-me de deixar agora? Agora, Senhor, que eu vos busco
e que desejo sinceramente amar-vos? No, no o espero da vossa infinita
bondade. Dai-me pois a graa de amar-vos;  Deus digno de infinito amor.
Eu vos amo com todo o meu corao; amo-vos sobre todas as cousas;
amo-vos mais que a mim mesmo, mais que a minha propria vida. Peza-me
muito, muito de vos ter offendido, Bondade infinita: perdoai-me, e junto
com o perdo concedei-me a graa de eu nesta vida vos amar efficazmente
at  morte, e por toda a eternidade na outra. Fazei ver com o vosso
poder,  Deus omnipotente, este prodigio no mundo, que uma alma to
ingrata, como a minha, se transforma em uma das mais vossas amantes.
Fazei-o assim, Senhor, pelos vossos merecimentos: eu assim o desejo, e
proponho de o fazer assim em toda a minha vida: vs que me inspirais o
desejo, dai-me as foras.


Minha vontade, etc. (_Como a pag. 19._)[2]


_A Commmnho Espiritual_. (_que vai a pag. 11._)[1]




VISITA XIV.

_A Maria Santissima_.


Ns vos rogamos,  Santissima Senhora, por aquella graa, que Deus vos
communicou, de vos fazer to poderosa no Co, e na terra, que vos
compadeais de ns; apressai-vos,  misericordiosissima, Senhora, a
procurar-nos aquelle bem pelo qual Deus se contentou de fazer-se homem
nas vossas castissimas entranhas: no desprezeis os nossos rogos: se vs
pedirdes ao vosso Filho, elle logo vos despachar: basta que vs querais
que ns nos salvemos, que ento, junto com os merecimentos do nosso
Redemptor, no poderemos deixar de fazer obras dignas de nossa salvao.
Ora Senhora, quem poder restringir as entranhas da vossa misericordia?
Se no tendes compaixo de ns, Senhora, que sois a Me de misericordia,
que ser de ns, quando vosso Filho vier a julgar-nos?

Virgem Soberana, etc. (_Como a pag. 22._)[3]




VISITA XV.


Dizia o Veneravel Padre D. Francisco Olympio, Theatino, no haver cousa
na terra, que mais vivamente accenda o fogo do Divino amor no corao
dos homens, do que o Santissimo Sacramento do altar. Por isso o Senhor
se fez vr a Santa Catharina de Sena no SS. Sacramento, como uma
fornalha de amor, da qual sahio torrentes de divinas chammas, que se
espalhavo por toda a terra, ficando a Santa pasmada, considerando como
era possivel que os homens pudessem viver no meio daquelle divino
incendio, sem se abrasarem de amor. Ah, meu Jesus! Fazei que eu arda no
vosso amor: fazei que eu no cuide, no suspire, no deseje, no busque
outro bem fra de vs. Oh ditoso eu, se me deixasse possuir todo deste
divino fogo, e ao mesmo passo que se vo consumindo os meus annos, se
fossem tambem destruindo em mim todos os affectos terrenos.

 Verbo Divino,  Jesus meu, eu vos vejo todo sacrificado, todo
aniquilado por amor de mim nesse altar:  razo que, assim como vs vos
sacrificastes, fazendo-vos victima de amor, tambem eu me consagro todo a
vs. Sim, meu Deus, e meu supremo Senhor: eu vos sacrifico hoje toda a
minha alma, toda a minha vontade, toda a minha vida, e a mim todo.
Desejo unir este meu pobre sacrificio com o sacrificio infinito. que vos
fez de si mesmo,  Eterno Pae, Jesu Christo vosso Filho, e meu Salvador,
sobre a Cruz, e que vos faz todos os dias tantas vezes sobre os altares,
acceitai-o pois, Senhor, pelos merecimentos do meu Divino Redemptor; e
dai-me graa de repetir este sacrificio todos os dias da minha vida, e
de morrer, sacrificando-me todo ao vosso amor, e  vossa honra: desejo a
graa concedida a tantos Martyres, de morrer pelo vosso amor; mas se de
tanto favor no me achais digno, ao menos, meu Senhor, concedei-me que
vos sacrifique com toda a vontade a minha vida, abraando com toda a
resignao aquella morte, que a vossa providencia me quizer dar. Senhor,
haveis de fazer-me esta graa: quero morrer com a vontade de honrar-vos
e de vos dar gosto; e desde agora vos sacrifico a minha vida, e vos
offereo a minha morte, qualquer que ella seja.


Minha vontade, etc. (_Como a pag. 19._)[2]


_A Communho Espiritual_, (_que vai a pag. 11._)[1]




VISITA XV.

_A Maria Santissima_.


Soccorrei-nos,  misericordiosissima Senhora, sem olhardes para a
multido dos nossos peccados: lembrai-vos que o nosso Creador tomou
carne humana de vs, no para condemnar os peccadores, mas para
salv-los. Se no fosseis feita Me de Deus mais que para Vossa honra, e
gloria, poder-se-hia dizer que no vos interessava tanto, que ns nos
salvassemos, ou nos perdessemos, mas Deus se vestio da vossa carne pela
nossa salvao, e pela salvao de todos os homens. De que nos servir
que sejais toda poderosa, e gloriosa, se no nos fizerdes participantes
da vossa felicidade? Ajudai-nos, e protegei-nos; vs bem sabeis a
necessidade que temos da vossa assistencia; a vs nos recommendamos:
fazei que no nos condemnemos, mas que sirva-mos e amemos eternamente ao
vosso Filho Jesu Christo.

Virgem Soberana, etc. (_Como a pag. 22._)[3]




VISITA XVI.


Oh se os homens recorressem sempre ao SS. Sacramento a buscar o remedio
dos seus males! Por certo que no serio to miseraveis como so.
Chorava Jeremias, dizendo: _Acaso no ha resina (ou balsamo) em Galand,
ou no ha ahi j medico_? (_Jesem. 8._) Galand, monte da Arabia, rico de
unguentos aromaticos, como nota Beda,  a figura de Jesu Christo, que
tem apparelhados neste Sacramento todos os remedios para os nossos
males. Pois porque (parece que diz o Redemptor) vos queixaes,  filhos
de Ado, dos vossos males, quando tendes neste Sacramento o Medico, e o
remedio de todas as vossas afflices? _Vinde a mim todos, e eu vos
darei allivio_. Ah, Senhor, Permitti-me que eu vos diga com a Irm de
Lazaro: _Eis aqui est enfermo aquelle a quem amais_. Senhor, eu sou
aquelle miseravel que vs amais: tenho a minha alma cheia de chagas, que
nella abriro os meus enormes peccados; venho ter comvosco,  meu Divino
Medico, para que me sareis: vs podeis, e quereis sarar-me: _Sarai a
minha alma, porque tenho peccado contra vs_.

Attrahi-me todo a vs, meu dulcissimo Jesus, com os amabilissimos
attractivos do vosso amor: eu estimo em mais estar unido comvosco, que
ser senhor de toda a terra. Eu no desejo outra cousa neste mundo mais
que amar-vos. Pouco, ou nada tenho que vos dar; mas se pudesse haver
todos os Reinos do mundo, smente os quereria, para os renunciar todos
pelo vosso amor. Eu vos entrego tudo quanto posso e valho, tudo quanto
possuo, parentes, commodidades, gostos, e at as mesmas consolaes
espirituaes: renuncio em vs a minha liberdade, e a minha vontade; a vs
quero entregar todos os meus amores. Amo-vos, Bondade infinita, amo-vos
mais que a mim mesmo, e espero amar-vos eternamente.


Minha vontade, etc. (_Como a pag. 19._)[2]


_A Communho Espiritual_. (_que vai a pag. 11._)[1]




VISITA XVI.

_A Maria Santissima_.


 Santissima Virgem, soccorrei aquelles, que imploro a vossa
assistencia voltai-vos a ns,  Clementissima: por ventura
esquecer-vos-heis dos homens porque sois deificada? Ah, no certamente!
vs j sabeis em que perigos ns estamos, e o miseravel estado em que se
acho os vossos servos. No, no convm a uma misericordia to
excessiva, como  a vossa, esquecer-se de uma to grande miseria, como a
nossa . Olhai para ns com o vosso poder: porque aquelle Senhor, que 
o Omnipotente, vos fez prodigiosa no Co e na terra. A vs nada 
impossivel: quanto mais poderosa sois, tanto mais deveis ser
misericordiosa.

Virgem Soberana, etc. (_Como a pag. 22._)[3]




VISITA XVII.


As almas amantes no tem maior contentamento, que estarem na presena
das pessoas, a quem amo. Se amamos pois, e amamos devras a Jesu
Christo, eis-aqui estamos na sua presena: Jesus no Sacramento nos v, e
nos ouve, e ns no lhe dizemos nada! Ora consolemo-nos com a sua
companhia; gozemos da sua gloria, e daquelle fervoroso amor, com que
tantas almas o adoro no SS. Sacramento. Desejemos que todos amem a
Jesus Sacramentado, e lhe consagrem seus coraes: ao menos
consagremos-lhe ns todos o nosso affecto; seja elle todo o nosso
desejo, todo o nosso amor. O Padre Selesio sentia-se transportado de
consolao s de ouvir fallar no SS. Sacramento: no se saciava jmais
de visital-o: se era chamado  portaria, se tornava para a cella, de
todas estas occasies se servia para duplicar as visitas ao seu amado
Senhor; de tal sorte que apenas passava hora do dia, que no o
visitasse; e mereceo em fim morrer s mos dos Herejes, em quanto
defendia a verdade do Sacramento. Oh se eu tivesse a dita de morrer por
um to bello motivo de sustentar a verdade deste Sacramento, pelo qual,
 amabilissimo Jesus, vs nos tendes dado a entender a efficacia do
amor, que nos tendes! Mas, Senhor meu, j que fazeis tantos milagres
nesse Sacramento, fazei agora mais outro milagre: attrahi-me todo a vs;
dai-me as foras, que hei mister para amar-vos com todo o affecto. Os
bens deste mundo dai-os a quem vos agradar; eu os renuncio todos: o que
quero, e por que anciosamente suspiro,  s pelo vosso amor: isto  o
que eu vos peo, e sempre pedirei: amo-vos, meu Jesus, dai-me o vosso
amor, e nada mais vos peo.

Minha vontade,etc. (_Como a pag. 19._)[2]

_A Communho Espiritual_. (_que vai a pag. 11._)[1]




VISITA XVII.

_A Maria Santissima_.


 Me de Deus, eu sei que sois toda benigna, e que nos amais com um amor
summamente compassivo: quantas vezes vs aplacais a ira do nosso Juiz,
fazendo que elle suspenda os castigos, que ns merecemos! Todos os
Thesouros da misericordia de Deus esto nas vossas mos. Ah, minha
Senhora! Vs, que no perdeis occasio de salvar todos os miseraveis,
que arrependidos a vs recorrem, e de os fazer participantes da vossa
gloria no deixeis nunca de nos favorecer: acud-nos, para que possamos
algum dia vr-vos no Co; pois na verdade, a maior gloria, que podemos
ter,  de vos vr, (depois de Deus) e de amar-vos, e estarmos debaixo da
vossa proteco. Ouvi Senhora, as nossas spplicas j que o vosso Filho
quer honrar-vos, no vos negando cousa alguma do que lhe pedirdes.

Virgem Soberana, etc. (_Como a pag. 22._)[3]




VISITA XVIII.


Um dia no Valle de Josaphat apparecer Jesu Christo sentado em throno de
magestade; mas agora no SS. Sacramento est assentado em throno de amor.
Se um Rei para mostrar um grande amor que tivesse a um pobre pastor,
viera a habitar dentro da sua cabana; que ingratido seria, se o tal
pastor no o visitasse muitas vezes, sabendo porque o Rei, por ter gosto
de o vr, tinha vindo hospedar-se na sua habitao! Ah meu Jesus! por
meu amor sei que viestes estar no SS. Sacramento do altar; bem quizera
eu, se me fosse possivel estar aqui na vossa presena de dia, e de
noite. Se os Anjos,  meu Senhor, esto ahi  roda de vs, pasmados do
amor que nos tendes,  razo que vendo-vos eu por amor de mim nesse
altar, vos contente ao menos com estar aqui louvando o amor, e bondade,
com que tratais esta vil criatura, _Diante dos Anjos vos louvarei; Irei
ao vosso Templo adorar-vos, e dar graas ao vosso Nome pela vossa
misericordia, e verdade_. (_Psalm. 137._)  Deus Sacramentado,  Po dos
Anjos,  sustento Divino, eu vos amo; mas nem eu nem vs somos contentes
do meu amor: amo-vos sim, mas amo-vos mui pouco. Fazei vs, meu Jesus,
que conhea a beleza, e bondade imensa, que eu amo: fazei que o meu
corao separe de si todos os affectos terrenos, e d todo o logar ao
vosso Divino amor. Vs, para me attrahirdes, e para vos unirdes todo a
mim, desceis todos os dias do Co sobre os nossos altares;  razo que
eu no cuide em outra cousa mais que amar-vos, adorar-vos, e dar-vos
gosto. Amo-vos com toda a minha alma, e com todos os meus affectos; se
quereis pagar, Senhor, este amor, dai-me mais amor, mais chammas, que me
abrasem, que me faam sempre amar-vos, desejar sempre, sempre
servir-vos, e obedecer-vos.


Minha vontade, etc. (_Como a pag. 19._)[2]


_A Communho Espiritual_. (_que vai a pag. 11._)[1]




VISITA XVIII.

_A Maria Santissima_.


 nossa Princeza, a vs  que Deus concede toda a qualidade de graas.
Sois chamada cheia de graa, porque concebestes por obra do Espirito
Santo, que desceo sobre vs; ouv pois,  Santissima Virgem, as nossas
supplicas, e lembrai-vos de ns. Participai-nos os dons das vossas
riquezas, e da abundancia das graas, de que sois cheia. O Archanjo vos
sauda, e vos chama cheia de graa. Todas as Naes vos acclamo por
bemaventurada: todas as Jerarquias do Ceo vos bem dizem, e ns, que
somos da Jerarquia terreste, tambem agora vos bem dizemos: Deus vos
salve,  cheia de graa, o Senhor  convosco: rogai por ns,  Me de
Deus, Senhora nossa, e nossa Rainha.

Virgem Soberana, etc. (_Como a pag. 22._)[3]




VISITA XIX.


No ha cousa mais suave, que achar-se cada um na companhia do seu maior
amigo: e no nos ser summamente deleitavel estarmos ns n'este valle de
lagrimas em companhia do amigo mais fiel, que temos, que nos pde dar
todos os bens, que excessivamente nos ama e que por isso est comnosco
continuamente! Alli o temos no SS. Sacramento: alli lhe podemos a toda a
hora fallar  nossa vontade, abrindo-lhe o nosso corao, expor-lhe as
nossas necessidades, e pedir-lhe as suas graas: ns podemos tratar com
o Rei do Co neste Sacramento com toda a amorosa confiana. Foi
bastantemente ditoso Jos, quando desceo Deus com a sua graa (como
attesta a Escriptura) ao carcere onde estava, a consol-lo; mas muito
mais ditosos somos ns em ter sempre comnosco nesta terra de miserias o
nosso Deus feito homem, que com a sua Real presena est na nossa
companhia todos os dias da nossa vida, com tanto amor e compaixo de
ns. Que consolao no  para um pobre encarcerado ter um amigo, que v
repetidas vezes manter-lhe a conversao, que o console, que o soccorra,
que lhe d esperanas, que ponha todo o seu cuidado em livral-o da sua
desgraa! Pois eis ali o nosso bom amigo Jesu Christo, que naquelle
Sacramento nos fortalece, e nos anima, dizendo-nos: Aqui estou todo por
amor de vs vindo de proposito l do Co a esta vossa presena para vos
consolar, para vos ajudar, e para vos livrar: fallai comigo, uni-vos a
mim, que assim no sentireis as vossas miserias, e depois vireis comigo
ao meu Reino, onde vos farei summamente bemaventurados.

Oh Deus! Oh amor incomprehensivel! J que vos dignais de ser to affavel
comnosco, que, por estardes visinho a ns, desceis sebre os nossos
altares, eu proponho visitar-vos repetidas vezes: quero gozar, quanto me
fr possivel, da vossa dulcissima presena; daquella presena, que
constitue a Bemaventurana do Paraiso. Oh! se eu pudesse estar sempre
aqui diante de vs para adorar-vos, e fazer repetidos actos de amor
vosso! Reprehendei-me, Senhor, quando por tibieza, ou pelos negocios do
mundo, deixar de visitar-vos. Excitai em mim um grande desejo de estar
sempre junto de vs nesse Sacramento. Ah, meu amoroso Jesus! Quem vos
tivera sempre amado! Mas a minha consolao agora  ver que ainda me
resta tempo de assim o fazer, no s na outra vida, mas ainda nesta. Eu
assim o quero executar: quero amar-vos devras, meu summo bem, meu amor,
meu thesouro, meu tudo, quero amar-vos com todas as minhas foras.


Minha vontade, etc. (_Como a pag. 19._)[2]


_A Communho Espiritual_. (_que vai a pag. 11._)[1]




VISITA XIX.

_A Maria Santissima_.


Attrahi-me a vs,  Virgem Maria, para que eu corra aos suaves cheiros
dos vossos perfumes. Attrahi-me porque o peso dos meus peccados, e
malicia dos meus inimigos me detem: vs sois aquella, que ensinais a
verdadeira sabedoria: vs sois a que impetrais a graa aos peccadores,
porque sois a sua advogada: vs aquella que prometteis a gloria a quem
vos honra, porque sois o thesouro de Deus, e a thesoureira das suas
graas.

Virgem Soberana, etc. (_Como a pag. 22._)[3]




VISITA XX.


_Tempo vir em que ha de haver uma fonte patente  casa de David, e para
os moradores de Jerusalem, em a qual se lave o peccador_. (_Zacharias
13._) Jesus no Sacramento  esta fonte para todos aberta, onde podemos
(sempre que quizermos) lavar as nossas almas de todas as manchas dos
peccados, que cada dia commettemos. Quando qualquer de ns cahe em algum
defeito, ah? e que bello remedio  recorrer logo ao Santissimo
Sacramento! Sim, meu Jesus, assim proponho de o fazer sempre; muito mais
sabendo, que as aguas dessa fonte no s me lavo, mas tambem me do
luz, e me do foras para no cahir, e para soffrer alegremente as
contradices da minha propria vontade, e do meu genio; e me inflammo,
e excito a amar-vos. Eu sei que a este fim esperais vs que eu vos
visite e recompensais as visitas dos vossos amantes com superabundantes
graas. Ah, meu Jesus! Compadecei-vos deste grande peccador, lavai-me de
todos os defeitos, que tenho hoje commettido, dos quaes me peza muito,
por vos haver desgostado: dai-me foras para no tornar mais a cahir, e
excitai dentro em mim um vivo desejo de vos amar muito, muito. Oh quem
pudra estar sempre vizinho a vs, como fazia aquella vossa serva fiel,
Maria Dias, que viveo no tempo de Santa Thereza, e alcanou licena do
Bispo de Avila para habitar sempre na tribuna de uma Igreja, onde
continuamente assistia diante do SS. Sacramento, a quem ella chamava o
seu vizinho; e no se retirava della, seno para ir a confessar-se, e
commungar. O Veneravel Fr. Francisco do Menino Jesus Carmelita Descalo,
passando pelas Igrejas, onde estava o SS. Sacramento, no podia deixar
de entrar a visitl-o, dizendo que era incivilidade passar um amigo pela
porta do seu amigo, e no entrar em sua casa, ao menos para o saudar, e
dizer-lhe uma palavra. Mas elle no se contentava com isso, e
demorava-se sempre, quanto lhe era permittido, na presena do seu amado
Senhor Sacramentado.

Ah, meu unico e infinito bem! Eu no ignoro, que vs instituistes esse
Divino Sacramento e estais nesse altar para serdes de mim amado: vs
para este fim me tendes dado um corao capaz de amar-vos. Mas eu
ingrato, porque vos no amo, ou porque vos amo to pouco? No, no 
justo que seja frouxamente amada uma bondade to amavel, como vs. Sois
um Deus infinito, e eu um miseravel bichinho da terra. Na verdade,
Senhor,  pouco o morrer eu por vs; que morrestes por mim; por vs, que
vos deixastes nesse Sacramento por mim, e que todos os dias vos
sacrificais sobre os nossos altares por amor de mim. Vs mereceis ser
muito amado; eu vos quero amar muito: ajudai-me, meu Jesus, ajudai-me a
amar-vos, e a executar tudo aquillo, que  do vosso agrado, e que vs
quereis que eu faa.


Minha vontade, etc. (_como a pag. 19._)[2]


_A Communho Espiritual_. (_que vai a pag. 11._)[1]




VISITA XX.

_A Maria Santissima_.


 dulcissima Virgem, Vs achastes graa diante de Deus, porque fostes
preservada da mcula original, cheia do Espirito Santo, e por obra do
mesmo Espirito Santo concebestes o mesmo Filho de Deus. Vs recebestes
todas estas graas, no s para vs, mas tambem para ns a fim de nos
amparar em todas as nossas afflies.  verdade, Senhora, que vs assim
o fazeis; vs soccorreis os bons, conservando-os na graa, e os mos,
reduzindo-os a receber a Divina misericordia: vs ajudais os moribundos,
protegendo-os contra os enganos do demonio, e os ajudais ainda depois da
morte, recebendo as suas almas, e conduzindo-as  Bemaventurana: 
Maria piedosa, bemaventurado o que vos serve, e em vs confia.


Virgem Soberana, etc. (_como a pag. 22._)[3]




VISITA XXI.


No principio do mundo creou Deus no meio do Paraiso terrestre um
caudaloso rio, ou fonte de agua pura, e crystallina para regar as
plantas, e hervas daquelle horto. (_Gen. 2._) Assim tambem no Paraiso da
Igreja Catholica (diz S. Joo Chrysostomo) pz a fonte do Divinissimo
Sacramento para regar, e fertilizar as nossas almas, a fim de produzirem
flores de virtude, e fructo de Santidade. (_Hom. 54._) Por esta razo os
Santos, neste valle de lagrimas, corrro sempre como servos sequiosos a
esta fonte do Divino Sacramento, onde achavo toda a suavidade,
consolao, e doura. O Padre Balthazar Alvares em qualquer emprego que
se achasse, no podia deixar de levantar os olhos, e olhar para aquella
parte, onde sabia que estava o SS. Sacramento: visitava-o muitas vezes,
e algumas noutes inteiras gastava nestas visitas: chorava de ver os
palacios dos Grandes cheios de gente a obsequiar um homem, do qual
apenas esperavo um misero bem, um bem terreno, e caduco, que era breves
dias acaba; ao mesmo tempo que as egrejas, onde habita o Rei dos Reis,
que est comnosco na terra em throno de amor, rico de bens immensos, e
eternos, se achavo despovoadas, e desertas; e dizia que era muito
grande a fortuna dos Religiosos, os quaes, sem sahirem fra dos seus
Conventos, a toda a hora, que quizessem, de dia, e de noute, podio
visitar este grande Senhor no Santissimo Sacramento.

Ah, meu amantissimo Senhor! J que vs com tanta bondade me chamais,
ainda quando me vdes to indigno, e to ingrato ao vosso amor, eu no
quero desanimar agora com a considerao da minha fraqueza, e da
multido dos peccados, que tenho commettido: aqui estou, Senhor, junto a
vs. Ah, Senhor! Vs podeis converter o maior peccador: convertei-me,
que sou o maior: arrancai de mim todo o amor, que no  dirigido a vs,
todo o desejo, que no  do vosso agrado, todo o pensamento, que era vs
se no emprega: meu Jesus, meu amor, meu thesouro, todo meu, s a vs
quero contentar: s vs  que mereceis o meu amor: a vs s quero amar
com todo o meu corao. Separai-me de tudo, que no sois vs, e uni-vos
a mim, mas de sorte, que eu no me possa mais separar de vs, nem nesta
nem na outra vida.


Minha vontade, etc. (_Como a pag. 19._)[2]


_A Communho Espiritual_. (_que vai a pag. 11._)[1]




VISITA XXI.

_A Maria Santissima_.


A vs recorro,  Me de Deus a quem toda a Igreja chama Me de
misericordia. Podereis vs negar aos peccadores a vossa intercesso, a
qual  sempre agradavel a Deus, e nunca jmais teve, delle repulsa? Com
toda a verdade, disse S. Bernardo, que no se fallaria mais da vossa
misericordia, se se encontrasse alguem, que tendo-vos invocado nas suas
necessidades, e afllices, vs lhe tivesseis faltado com a vossa
proteco. Logo no me negareis a vossa piedade. Eu confio que vs
rogareis por mim com mais efficacia, do que eu mesmo, e me alcanareis
maiores bens que aquelles, que eu no me atrevo a pedir-vos.  Me de
misericordia, aquella grande bondade, que todos em vs experimento,
poder ella negar-me a sua assistencia no perigo, em que me vejo, de ser
condemnado?  Maria, eu sou todo vosso: ajudai-me a salvar a minha pobre
alma.


Virgem Soberena, etc. (_Como a pag. 22._)[3]




VISITA XXII.


Andava a Esposa dos Sagrados Canticos buscando ao seu amado; e no o
achando, perguntava saudosa a todos os que encontrava: Por ventura
vistes aquelle a quem a minha alma ama? (_Cant. 3._) Ento no estava
Jesus em a terra: mas agora, se uma alma que ama a Jesus, o procura,
sempre o acha no SS. Sacramento. Dizia o Veneravel Padre Mestre Avila,
que entre todos os Santuarios no achava outro mais amavel, que uma
Igreja onde estava o Santissimo Sacramento.

Oh amor infinito do meu Deus, digno de infinito amor! E como chegastes a
abater-vos tanto, que para estardes com os homens, e para unir-vos aos
seus coraes vos tendes humilhado at esconder-vos debaixo das especies
de Po?  Verbo encarnado, vs fostes excessivo em humilhar-vos, porque
ereis extremoso em amar-nos. Como poderei eu deixar de vos amar com todo
o corao, e com toda a alma, sabendo os excessos, que tendes feito para
captivardes o meu amor! Eu vos amo com todas as vras, e por isso
anteponho o vosso agrado a todo o meu interesse, a toda a minha
satisfao. O meu gosto  dar-vos gosto, meu Jesus, meu Deus, meu amor,
meu tudo: Accendei em mim, Senhor, um grande desejo de estar
continuamente diante de vs sacramentado, de receber-vos muitas vezes, e
ter-vos na minha conpanhia. Vs, senhor, desde esse Sacrario me estais
convidando, e eu seria um ingrato abominavel, se no acceitasse um
convite to doce, e suave. Ah, Senhor! Destru em mim todo o affecto s
couzas creadas. Eu bem sei que s vs, meu Creador, deveis ser o objecto
de todos os meus suspiros, e de todo o meu amor; pois eu os amo, bondade
amabilissima do meu Deus; fra de vs nada quero. De hoje em diante
desprezarei todos os meus contentamentos, porque s quero fazer em tudo
a vossa santissima vontade. Acceitai, meu Jesus, este bom desejo de um
peccador, que vos quer amar. Ajudai-me com a vossa graa: fazei, Senhor,
que tendo eu sido tanto tempo (por minha desgraa) escravo do Inferno,
seja, de hoje em diante, um servo fiel do vosso amor.


Minha vontade, etc. (_Como a pag. 19._)[2]


_A Communho Espiritual_. (_que vai a pag. 11._)[1]




VISITA XXII.

_A Maria Santissima_.


 Mi de Deus, a vossa benignidade nunca jmais despresou a algum
peccador, que a vs recorresse arrependido. E que? Acaso enganar-se-ha a
Santa Igreja, quando vos chama a sua Advogada, e o refugio dos
peccadores? Ah! no succeda jmais que os meus peccados posso embaraar
a vossa piedade, pela qual vos tendes constituido o asylo segurissimo
dos miseraveis. No succeda jmais que a Me de Deus, da qual nasceo, o
beneficio de todo o mundo, a fonte da misericordia, haja pois de negar a
sua piedade a algum peccador, que a ella recorra: o vosso officio  ser
mediadora entre Deus, e os homens: mova-vos pois a soccorrer-me a vossa
grande piedade, que  muito maior que todos os meus peccados.


Virgem Soberana, etc. (_Como a pag. 22._)[3]




VISITA XXIII.


Por meio de grandes perigos, e fadigas emprehendem muitos Christos
largas jornadas, s a fim de visitarem os lugares da Terra Santa, em que
o nosso Salvador nasceo, padeceo, e morreo. Ah! e como reprehendem estes
excessos os nossos descuidos, e a nossa ingratido! pois deixamos muitas
vezes de visitar ao mesmo Senhor, que habita nas Igrejas, poucos passos
distante das nossas casas. Estimo com a maior venerao, diz S.
Paulino, os peregrinos o trazer daquelles santos lugares uma pouca de
terra do Presepio, ou do Sepulcro, onde foi sepultado o bom Jesus; e com
que ardor, com que desejos devemos ns ir visitar o SS. Sacramento, onde
est o mesmo Jesus em pessoa, sem que seja preciso passar por tantos
perigos, e fadigas para o achar? Uma pessoa Religiosa, a quem Deus deo
grande amor ao SS. Sacramento, escreve em uma sua Carta, entre outros,
estes sentimentos: "Eu tenho visto (dizia ella) que todo o meu bem me
vem do SS. Sacramento, eu me tenho dado, e consagrado todo a Jesus
Sacramentado. Vejo um numero innumeravel de graas, que no se do,
porque deixo de ir buscal-as a este Divino Sacramento. Conheo o grande
desejo, que tem Nosso Senhor de distribuir as suas graas no Sacramento.
Oh Santo Mysterio! Oh Sagrada Hostia! Que cousa ha seno esta Hostia, em
que faa Deus conhecer mais o seu poder? Porque nesta Hostia est tudo
quanto Deus obrou por ns. No invejemos os Bemaventurados, porque temos
na terra o mesmo Senhor com mais maravilhas do seu amor. Fazei vs todos
aquelles, a quem fallardes, se dediquem todos ao SS. Sacramento. Eu
fallo assim, porque este Sacramento me arrebata; nem posso deixar de
fallar do SS. Sacramento, que tanto merece ser amado. Eu no sei o que
hei de fazer por amor do meu Jesus Sacramentado."

Assim acaba a Carta.

 Serafins, vs estais docemente ardendo de amor  roda do vosso, e meu
Senhor comtudo no por vosso amor, mas por amor de mim este Rei do Ceo
se deixou ficar nesse Sacramento: deixai pois  Anjos amantes, que eu me
abrase, ou inflammai-me vs no fogo, em que ardeis, para que juntamente
comvosco arda eu tambem.

 Jesus meu, fazei-me conhecer a grandeza do amor, que tendes aos
homens, para que  vista de tanto amor se augmente cada vez mais em mim
o desejo de amar-vos. Amo-vos, Senhor amabilissimo, e s por vos agradar
quero sempre amar-vos.


Minha vontade, etc. (_Como a pag. 19._)[2]


_A Communho Espiritual_. (_que vai a pag. 11._)[1]




VISITA XXIII.

_A Maria Santissima_.


Lembrai-vos,  piedosissima Maria, que nunca jmais se ouvio no mundo,
que alguem recorresse  vossa proteco, e fosse de vs desprezado: 
Maria, rogai por todos, rogai tambem por mim, que sendo maior peccador
que os outros, tenho maior necessidade da vossa intercesso.


Virgem Soberana, etc. (_Como a pag. 22._)[3]




VISITA XXIV.


_Vs sois verdadeiramente Deus escondido_. (_Isai. 45_). Em nenhuma
outra obra do Divino amor se verifico tanto estas palavras, quanto
neste Mysterio adoravel do SS. Sacramento, onde o nosso Deus est
totalmente escondido. Encarnando o Eterno Verbo, escondeo a sua
Divindade, e appareceo feito homem sobre a terra; mas depois, ficando
comnosco no Sacramento, escondeu tambem a sua humanidade, e s (diz S.
Bernardo) vemos uma apparencia de po, para nos mostrar deste modo o
excessivo amor que nos tem. Amado Redemptor meu,  vista de tanto amor
que tendes aos homens, eu fico fra de mim, e no sei o que posso dizer.
Vs nesse Sacramento chegais, pelo amor que nos tendes, a esconder a
Vossa Magestade, e a encobrir a vossa gloria; e em quanto estais nos
nossos altares, parece que outro exercicio no tendes mais que amar aos
homens e patentear-lhes o vosso amor; e elles,  grande Filho de Deus,
que recompensa vos do?

 Jesus,  amante (deixai-me dizer assim) excessivamente transportado
pelos homens, em quanto vos vejo antepr o seu bem  vossa mesma honra;
e no sabieis vs a quantos desprezos vos expunheis nesse Divino
Sacramento? Eu vejo, e muito primeiro que eu, vs vieis que a maior
parte dos homens no vos adora, nem vos quer reconhecer pelo que sois
nesse Sacramento: eu sei que muitas vezes estes mesmos homens tem
chegado a pisar as Sagradas Hostias, e a lanal-as por terra, na agua, e
no fogo. Tambm vejo,  Deus meu, que a maior parte dos mesmos
Christos, em lugar de reparar tantos ultrages com as suas adoraes, ou
vem as Igrejas para mais vos desgostarem com as suns irreverencias, ou
vos deixo desprezado nos altares desprovidos s vezes at de luzes, e
dos preciosos ornamentos.

Ah! se eu podesse, meu dulcissimo Salvador, lavar com as minhas,
lagrimas, e ainda com o meu sangue, aquelles infelizes, lugares, nos
quaes foi nesse Sacramento to ultrajado o vosso amor, e o vosso
amantissimo corao! Mas se tanto me no  concedido, eu desejo ao
menos, meu senhor, e proponho visitar-vos muitas vezes para adorar-vos
como hoje vos adoro, em contraposio dos desprezos, que recebeis dos
homens nesse Divino Mysterio. Acceitai,  Padre Eterno, este pequeno
obsequio, que em desaggravo das injurias feitas a vosso Filho
Sacramentado, vos rende hoje o mais miseravel entre os homens, qual eu
sou: acceitai-o em unio daquella honra infinita, que vos deo Jesu
Christo sobre a Cruz, e qne vos d todos os dias no SS. Sacramento. Ah!
que se eu pudra, Jesus meu, fazer que todas as creaturas vos amassem
muito, muito e muito, no SS. Sacramento, eu o fizera de boa vontade,
ainda que me custasse os maiores trabalhos.


Minha vontade, etc. (_Como a pag. 19._)[2]


_A Communho Espiritual_. (_que vai a pag. 11._)[1]




VISITA XXIV.

_A Maria Santissima_.


 minha Senhora amabilissima, vs desejais ajudar aos peccadores: pois
aqui tendes um grande peccador, que a vs recorre: ajudai-me com
efficacia, e a ajudai-me depressa: seja gloria da Vossa misericordia o
salvar, em Jesu Christo, a quem merece mil infernos.  vossa intercesso
 muito attendivel para com vosso Filho; pelo que bem podeis alcanar-me
aquellas virtudes, de que tanto necessito: pois fazei-o assim, pelo amor
que tendes a Jesus. Oh innocentissima Maria! Sempre confessarei com S.
Bernardo, que vs em Deus, e depois de Deus, sois a minha maxima
confiana; que sois em vosso Filho toda a razo da minha esperana.


Virgem Soberana, etc. (_Como a pag. 22._)[3]




VISITA XXV.


So Paulo louva a obediencia de Jesu Christo, dizendo, que elle obedeceo
ao Eterno Pae at  morte. Mas no SS. Sacramento excedeo muito mais a
sua obediencia, porque alli no s obedece ao Eterno Pae, mas ao homem;
e no s at  morte, mas em quanto o mundo durar. Elle desceo do Ceo
por obediencia ao homem, e sobre os altares se deixa ficar, em quanto os
homens querem que fique. Alli est sem se mover por si mesmo: deixa-se
estar onde o poem, ou na Custodia exposto, ou no Sacrario fechado:
deixa-se conduzir por onde o levo, assim pelas ruas, como pelas casas;
consente que o commungue todo aquelle a quem o do, ou seja justo, ou
peccador. Em quanto viveo neste mundo, diz S. Lucas, que elle obedecia a
Maria Santissima, e a S. Jos; mas neste Sacramento obedece a tantas
creaturas, quantos so no mundo os Sacerdotes.

Deixai que eu hoje falle comvosco,  corao amantissimo do meu Jesus,
do qual sahiro todos os Sacramentos, e principalmente este Sacramento
de amor. Eu quizera dar-vos tanta gloria, e tanta honra, quanta vs dais
nesse Sacramento a vosso Eterno Pae. Eu bem sei que vs sobre esse altar
me estais amando com aquelle mesmo amor, com que me amastes, quando
consumastes a vossa vida sobre a Cruz. Alumiai,  corao Divino, a
todos aquelles, que vos no conhecem. Livrai com os vossos merecimentos,
ou ao menos alliviai no Purgatorio aquellas almas afflictas, que so j
vossas eternas Esposas. Eu vos adoro, vos louvo, e vos amo com todas
aquellas almas, que a esta hora vos esto amando na terra, e no Ceo.
Purificai,  corao purissimo, o meu corao de todo o affecto
desordenado s creaturas, e enchei-o do vosso santo amor. Possui, 
corao dulcissimo, todo o meu corao, de tal modo que elle de hoje em
diante seja todo vosso. Escrevei,  corao santissimo, sobre o meu as
amarguras, que por tantos annos supportastes na terra com tanto amor por
mim, para que eu supporte com paciencia, por vosso amor, todas as penas
desta vida. Corao humildissimo de meu Jesus, fazei me humilde de
corao. Corao mansissimo, communicai-me a vossa mansido, e separai
do meu corao tudo quanto vos no agrada; convertei-o todo a vs, de
modo que elle no queira, nem deseje seno aquillo, que vs quizerdes.
Fazei finalmente que eu viva s para obedecer-vos, s para amar-vos, s
para agradar-vos. Conheo que vos devo muito: muito me tendes obrigado.
Ah! e que pouco faria eu, Senhor, se me consumisse todo e morresse por
amor de vs!


Minha vontade, etc. (_Como a pag. 19._)[2]


_A Communho espiritual_. (_que vai a pag. 11._)[1]




VISITA XXV.

_A Maria Santissima_.


 minha amorisissima Rainha, vs sois o thesouro de Deus, e a
thesoureira de todas as misericordias, que elle nos quer dispensar. Vs
mesma me dizeis que comvosco esto as riquezas para enriquecerdes aos
que vos amo. Pois, Senhora, enriquecei de graas a todos aquelles, que
vos busco. Minha amada Me,  certo, que eu sou um grande peccador; mas
tambem  verdade que vos desejo amar muito; tende pois de mim piedade,
no me desprezeis; socorrei-me em vida, e na morte, para que possa algum
dia hir ver-vos l no Co.


Virgem Soberena, etc. (_Como a pag. 22._)[3]




VISITA XXVI.


_Alegrai-vos sobre modo, e louvai o Senhor,  moradores de Sio, porque
no meio de vs est o Grande, o Santo de Israel_. (_Isai. 12._)  Deus,
e que consolao deveriamos ns ter; que esperanas, e que affectos,
sabendo que no meio da nossa terra, dentro das nossas Igrejas, vizinho
s nossas casas habita, e vive no SS. Sacramento do altar o Santo dos
Santos; o verdadeiro Deus; aquelle que com a sua presena faz
bemaventurados os Santos no Paraiso; aquelle que  o mesmo amor! Este
Sacramento no s  Sacramento de amor, mas  o mesmo amor o mesmo Deus,
que pelo amor immenso, que tem s suas creaturas, se chama Amor: _Deus
Charitas est._ Mas eu vos ouo queixar,  meu Jesus Sacramentado:
_Hospes eram et non colligistis me:_ Que vs viestes ser o nosso hospede
no mundo para nosso bem, e que ns no vos recebemos. Tendes razo,
Senhor, tendes razo, e eu sou um destes ingratos, que vos tenho deixado
s, sem ao menos vir a visitar-vos. Castigai-me como quizerdes; mas no
com o castigo, que eu mereo, de ser privado da vossa amorosa presena.
No, meu Senhor, que eu quero emendar a ingratido, e descortezia, com
que vos tenho tratado. Quero de hoje em diante no s visitar-vos
repetidas vezes, mas deter-me, quando puder, comvosco.  piedosissimo
Salvador, fazei que eu vos seja fiel, e persuada aos outros com o meu
exemplo a fazer-vos companhia no SS. Sacramento. Eu ouo ao Eterno Pae,
que diz assim: _Este  o meu filho amado em quem tenho toda a
complacencia_. Pois se um Deus acha em vs toda a complacencia, no a
acharei eu em estar comvosco neste valle de lagrimas?  fogo consumidor,
destru em mim todos os affectos s cousas creadas, porque s estas me
podem fazer infiel, e separar-me de vs. J que me tendes feito tantas
mercs, fazei-me mais esta, que agora vos peo: arrancai do meu corao
todos os amores, que no so dirigidos a vs. E eu me entrego todo a
vs, e consagro hoje toda a vida, que me resta, ao amor do SS.
Sacramento. Vs, meu Jesus Sacramentado, haveis de ser todo o meu
conforto, e o meu amor, assim na vida, como na morte; fazei-me a graa
de vos receber por Viatico nos ultimos instantes da minha vida, e depois
conduzi-me ao vosso bemaventurado Reino. Assim seja, assim o espero.


Minha vontade, etc. (_como a pag. 19._)[2]


_A Communho Espiritual_. (_que vai a pag. 11._)[1]




VISITA XXVI.

_A Maria Santissima_.


 Maria, agora dir-vos-hei com S. Bernardo: Vs sois a Rainha da
misericordia: e quem so os vassallos da misericordia seno os
miseraveis? Vs a Rainha da misericordia, e eu o mais miseravel dos
peccadores; dos vossos vassallos o maior. Pois, Senhora, se vs sois a
Rainha da misericordia, e eu sou o maior de todos os peccadores, logo
sou eu tambem o maior de todos os vossos vassallos, e vs deveis ter
mais cuidado em mim, que de todos os outros.  minha Soberana Advogada,
vs bem sabeis quanto  grande a minha necessidade; defendei-me, e tende
piedade de mim.

Virgem Soberana, etc. (_Como a pag. 22._)[3]




VISITA XXVII.


A Santa Igreja canta no Officio do SS. Sacramento: _No ha Nao alguma
to grande que tenha os deoses to junto de si, como est perto de ns o
nosso Deus_. Os Gentios, ouvindo fallar nas obras do amor do nosso Deus,
chegavo a dizer: Oh, quanto  bom o Deus dos Christos, quanto  bom! E
na verdade, ainda que os Gentios fingio os Deoses conforme os seus
caprichos; com tudo, lendo as Historias, no achamos que inventassem um
deus a quem fingissem ser to namorador dos homens como  o nosso
verdadeiro Deus; o qual, para mostrar o seu amor aos seus adoradores, e
para enriquecel-os de graas, obrou um tal prodigio de amor, fazendo-se
nosso perpetuo companheiro, escondido de dia, e de noute dentro de
nossos altares, como se no pudesse, nem por um s instante, separasse
de ns. Ah, dulcissimo Jesus meu bem, sei que obrastes o maior dos
vossos milagres para satisfazer ao excessivo desejo que tinheis de estar
sempre presente e junto a ns. Mas por que razo, Senhor, os homens
fogem da vossa presena? E como podem viver tanto tempo longe de vs,
visitando-vos to poucas vezes? Oh paciencia do meu Jesus, quo grande
s! Mas j entendo, Senhor,  grande porque  muito grande o amor que
tendes aos homens; e este  o motivo que vos obriga a assistirdes
continuamente entre tantos ingratos.

Ah, meu Deus, que sendo infinito nas vossas perfeies, sois tambem
infinito em amar! No permittais que daqui em diante seja eu mais do
numero destes ingratos, assim como tenho sido at agora. Concedei-me um
amor igual  minha obrigao. Houve um tempo, (infeliz tempo!) em que
tambem eu me enfastiava de estar na vossa presena, porque no vos
amava, ou vos amava muito pouco; mas se chego com a vossa graa a
amar-vos quanto devo, ento, meu Senhor Sacramentado no me enfastiarei
de estar aos vossos ps dias e noutes.  Padre Eterno, eu vos offereo o
vosso mesmo Filho, e pelos seus merecimentos vos peo um amor to
ardente ao SS Sacramento, que sempre que eu passar por qualquer Igreja,
onde elle estiver, me lembre, e deseje com ancia efficaz ir empregar o
tempo na sua amorosa presena.


Minha vontade, etc. (_Como a pag. 19._)[2]


_A Communho Espiritual_. (_que vai a pag. 11._)[1]




VISITA XXVII.

_A Maria Santissima_.


Deus vos salve, singular ornamento do Ceo, e amparo da terra. Deus vos
salve, Me mil vezes ditosa do Rei Eterno: vs, Senhora, depois do vosso
Unigenito Filho, tendes o imperio de todas as cousas. A vs todas as
idades, e todas as geraes inclino a cabea. A vossos ps se derriba
toda a redondeza da terra; porque depois da ineffavel, e summa Trindade,
no tem o Palacio do Ceo outra cousa mais formosa do que vs. Ouvindo o
vosso Nome, tremem os demonios. Descobrindo-se o vosso resplandor, fogem
as trevas, e ao vosso mando se abrem de par em par as portas do Ceo. 
esperana dos Christos, depois de Christo vosso Filho;  Rainha de
misericordia, doura da vida, a vs suspiro desterrado neste valle de
lagrimas; ajudai-me, Senhora, nos meus trabalhos; defendei-me nos meus
perigos; esforai-me nos meus desmaios; e depois deste desterro
mostrai-me o bem dito fructo do vosso ventre, Jesu Christo, o qual vive,
e reina por todos os seculos dos seculos. Amen.


Virgem Soberana, etc. (_como a pag. 22._)[3]




VISITA XXVIII.


Tendo-nos Deus dado o seu mesmo Filho, como diz S. Paulo, qual bem
poderemos temer, que elle nos haja de negar? Ns sabemos que o Eterno
Pae tudo quanto tinha o deo a Jesu Christo. Louvemos pois a bondade, a
misericordia, e a liberalidade do nosso amantissimo Deus, que nos quiz
fazer ricos de todos os bens e de todas as graas, dando-nos a Jesus no
Sacramento do altar.

 Salvador do mundo,  Verbo humanado, eu posso dizer que vs sois meu,
e todo meu, se assim o quero. Mas posso igualmente affirmar que sou todo
vosso, que sou todo para vs quanto vs quereis que eu seja? Ah, meu
Senhor! fazei que no apparea mais no mundo este desconcerto, e esta
horrenda ingratido.  possivel que sejais meu, sempre que eu quero, e
que no hei de eu ser vosso, sempre que vs quereis?

A! no seja assim daqui em diante, Senhor. Eu hoje resolutamente me
consagro todo a vs, Offereo-vos a minha vida, a minha vontade, os meus
pensamentos, e todas as minhas aces. Aqui estou todo vosso: eu me
despeo das creaturas, eu me offereo todo a vs. Abrasai-me nas chammas
do vosso Divino amor. No quero que tenho jmais parte no meu corao
as creaturas. Os signaes, que me tendes feito ver do amor que me
tinheis, ainda quando eu vos no amava, me fazem esperar que me
acceitareis agora que vos amo e que por amor me entrego todo a vs.

Eterno Pae, eu vos offereo hoje todas as virtudes, todos os actos, e
todos os affectos do santissimo corao do vosso amado Jesus. Acceitai-o
por mim, e pelos seus merecimentos, que todos so meus, em quanto elle a
mim os tem dado: concedei-me aquellas graas, que Jesus vos pede para
mim: com estes merecimentos eu vos dou graas de tantas misericordias,
que comigo tendes usado: com estas satisfao o que vos devo pelos meus
peccados: por estes espero de vs todas as graas, o perdo, a
perseverana, o Ceo, e sobre tudo o summo dom do vosso puro amor. Eu bem
vejo que a tudo isto eu  que ponho impedimento; mas isto mesmo haveis
vs de remediar: eu vol-o peo por amor de Jesu Christo, o qual tem
promettido: Se pedirdes alguma cousa ao Pae em meu nome, elle vol-a
dar. Logo no mo podeis negar: eu no quero outra cousa mais que
amar-vos, que entregar-me a vs inteiramente, e no ser jmais ingrato,
como tenho sido at agora. Ouvi-me, Senhor, e despachai a minha
spplica; fazei que hoje seja o dia, em que eu me converta todo a vs,
para nunca deixar de amar-vos. Amo-vos, meu Deus: amo-vos, Bondade
infinita: amo-vos, meu amor, meu Paraiso, meu bem, minha vida, meu tudo.


Minha vontade, etc. (_Como a pag. 19._)[2]


_A Communho Espiritual_. (_que vai a pag. 11._)[1]




VISITA XXVIII.

_A Maria Santissima_.


Oh Maria! Quanto me agrada, Senhora, aquelle bello nome, com que a Santa
Igreja, e os vossos amantes servos vos chamo: _Mater amabilis_! Na
verdade, Senhora, que vs sois a creatura mais nobre, mais sublime, mais
pura, mais bella, mais benigna, mais santa e mais amavel de todas as
creaturas. Oh se todos vos conhecessem, e vos amassem, como vs
mereceis! Eis-aqui, minha amabilissima Rainha, o que eu agora desejo;
sim desejo amar-vos muito, muito, mas este amor vs  quem mo podeis
alcanar de Deus; alcanai-mo, Senhora, que eu agora vol-o peo
humildemente, e desde hoje me dedico ao vosso servio, e desejo ser um
dos mais fervorosos servos vossos.


Virgem Soberana, etc. (_Como a pag. 22._)[3]




VISITA XXIX.


_Eu estou  porta e bato_. (_Apoc. 3._) Oh Pastor amantissimo, que por
amor de vossas ovelhas, no satisfeito de morrerdes uma vez sobre o
altar da Cruz, quizestes ficar nesse Divino Sacramento sobre os altares
nas nossas Igrejas at  consummao dos seculos, para estardes sempre
visinho a ns! Ah! se eu soubesse gozar da vossa amavel companhia, como
a vossa Esposa Santa, a qual dizia: _Eu me sentei  sombra daquelle, a
quem muito havia desejado_. (_Cant. 2._) Ah, se eu vos amasse devras,
meu amabilissimo Sacramento; ento sim, que eu desejaria efficazmente
estar dias e noutes inteiras ao p de uma Custodia; e descanando ahi
visinho  vossa Divina Magestade, ainda que encoberta com a apparente
sombra da sagrada especie, eu encontraria aquellas delicias Divinas, e
aquelles contentamentos, que ahi acho essas almas, que verdadeiramente
vos amo. Ah, Senhor, attrahi-me vs com as suavidades da vossa
formosura, e com aquelle immenso amor, que me mostrais nesse Sacramento.
Sim, meu Salvador, que ento deixarei as creaturas, e todos os prazeres
do mundo, e correrei apressadamente para vs Sacramentado. Oh que fructo
de santas virtudes do a Deus aquellas almas felizes, que assistem com
amor ao meu Senhor Sacramentado! Mas eu me envergonho de apparecer assim
despido, e vazio de virtudes, diante de vs, meu Jesus. Vs tendes
ordenado que aquelles que vem ao altar a honrar-vos, e no venho sem
vos offerecer algum donativo: _No apparecers na minha presena sem
offerta_. (_Ex. 23._) Pois que hei de fazer? No vir mais a visitar-vos?
Ah, Senhor, eu sei que no  isto o que vos agrada. Virei pobre qual
sou, e vs me provereis daquelles mesmos dons, que de mim quereis. Eu
vejo que para este fim ficastes nesse Divino Sacramento, no s para
premiardes os vossos amantes, mas tambem para intercederdes ao vosso
Eterno Pae pelos peccadores, e para proverdes de bens os pobres.

Eia pois, Senhor, comeai hoje comigo: ouvi, compadecei-vos, consolai.
esta pobre, e miseravel creatura. Eu vos adoro,  Rei do meu corao, 
verdadeiro amante dos homens,  Pastor excessivamente namorado das
vossas ovelhas, a esse throno do vosso amor venho eu hoje; e no tendo
outra cousa que vos offerea, vos apresento o meu miseravel corao,
para que fique todo consagrado ao vosso amor, e ao vosso beneplacito.
Com este corao eu posso amar-vos, com este eu vos quero amar quanto
posso. Purificai-o, Senhor, e fique elle todo preso da vossa santissima
vontade: uni-me todo comvosco, e fazei-me esquecer at de mim mesmo, de
sorte que o meu maior cuidado ponha eu em servir-vos, e amar-vos.
Amo-vos, meu Senhor Sacramentado, com todo o meu corao, com toda a
minha vida, com toda a minha alma.


Minha vontade, etc. (_Como a pag. 19._)[2]


_A Communho Espiritual_. (_que vai a pag. 11._)[1]




VISITA XXIX.

_A Maria Santissima_.


 minha Rainha, vs sois chamada Advogada de todos os peccadores, que
busco o vosso amparo: pois, Senhora, j que tendes o ministerio de
defender todos os peccadores, que a vs recorrem, aqui tendes hoje este,
 grande Me de Deus, que vos diz com Santo Thomaz de Villa Nova: Eia
pois, Advogada nossa, fazei o vosso officio, tomai por vossa conta o
defender-me.  verdade que tenho sido por largo tempo grande peccador, e
ro para com o vosso Filho; mas, Senhora, o mal  j feito, vs  que
agora me podeis valer, vs  que me podeis ajudar, eu estou arrependido:
se vs disserdes a Jesus que me perdoe, elle me perdoar, e me salvar.

Virgem Soberana, etc. (_Como a pag. 22._)[3]




VISITA XXX.


_Por que escondeis o vosso rosto_? (_Job. 14._) Dava grande temor a Job
vr que Deus lhe escondia a sua Divina face; mas escondendo Jesu Christo
no SS. Sacramento a sua magestade, no nos deve causar temor, antes mais
confiana, e mais amor; porque se este Rei do Ceo fizesse apparecer
sobre os nossos altares os resplandores da sua gloria, quem se atreveria
a chegar-se a elle, e patentear-lhe os desejos, e os affectos?

Ah, meu Jesus! Vs vos escondeis nesse Sacramento debaixo das
apparencias de po, para serdes mais amado dos homens e para que elles
vos achem a toda a hora que vos buscarem. Tinha razo o Profeta de
dizer: que fallassem os homens, e gritassem por todo o mundo, para fazer
saber a todos, os excessos de amor, e amorosos inventos, com que nos
trata o nosso bom Deus: _Notas facite in populis adinventiones ejus_.
(_Isai. 12._)  corao amantissimo do meu Jesus, digno de possuir todos
os coraes das creaturas, corao todo cheio, e sempre cheio de chammas
de purissimo amor:  fogo consumidor, abrasai-me, todo, e communicai-me
uma vida nova, uma vida de amor, e de graa; uni-me de tal sorte a vs,
que eu no possa mais separar-me de vs.  corao aberto, para serdes o
refugio das almas, recebei-me.  corao sobre a Cruz to atormentado
pelos peccados do mundo, dai-me uma verdadeira dr dos meus peccados. Eu
sei que vs nesse Divino Sacramento conservais os mesmos sentimentos de
amor, que tinheis por mim morrendo no Calvario; por isso tenho um grande
desejo de unir-me todo a vs. E ser possivel que eu ainda resista, e
que no me renda todo ao vosso amor, e ao vosso desejo? Ah! pelos vossos
merecimentos, meu amado Jesus, fer-me, prendei me, apertai-me, uni-me
todo ao vosso corao. Eu resolvo hoje, ajudado com a vossa graa, de
vos dar todo o gosto possivel: sim, eu quero metter debaixo dos ps
todos os respeitos, inclinaes, e repugnancias, que me podem impedir o
contentar-vos. Fazei vs, Senhor, que eu assim o execute, e que de hoje
em diante todos os meus pensamentos, todas as minhas obras, todos os
meus affectos se conformem ao vosso beneplacito.  amor de Deus,
arrancai do meu corao todo o amor desordenado s creaturas.  Maria,
esperana minha, vs tudo podeis para com Deus: alcanai-me a graa de
um puro amor para com o meu Jesus: fazei que eu o ame efficazmente at 
morte. Assim seja, e assim o espero.


Minha vontade, etc. (_Como a pag. 19_.)[2]


_A Communho Espiritual_. (_que vai a pag. 11._)[1]




VISITA XXX.

_A Maria Santissima_.


 amantissima Senhora, vs sois, como diz S. Boaventura, Me dos orfos.
Os orfos so os miseraveis peccadores, que tem perdido a Deus seu Pae.
A vs pois recorro,  Me de Misericordia. Eu tenho perdido o Pae,
perdendo a sua graa com o meu peccado; mas nesta minha to grande
desgraa, vs que sois minha Me, vs  que me haveis de ajudar. Grande
consolao me causa Innocencio III dizendo: Quem jmais vos invocou, e
no foi por vs ouvido? Quem jmais se perdeo, que arrependido, e
humilhado recorresse a vs! S se perde quem a vs no recorre. A vs
pois recorro eu hoje,  minha Me; tende piedade de mim, ajudai-me, no
me desprezeis.

Virgem Soberana, etc. (_Como a pag. 22._)[3]




VISITA XXXI.


Grande foi o amor, que Jesu Christo mostrou, quando junto da fonte de
Sichar se assentou, esperando que viesse a Samaritana para a converter e
para a salvar. Mas que excesso de amor no mostra elle aos homens,
descendo do Ceo todos os dias sobre os nossos altares, esperando, e
convidando as almas a fazer-lhe companhia, ao menos por algum espao de
tempo, tudo isto a fim de attrahil-as ao seu perfeito amor? Em todos os
altares em que est Jesus Sacramentado, parece que falla, e a todos est
dizendo: Homens, porque fugis da minha presena? Porque no vindes, e
vos chegais a mim, que tanto vos amo, e por vosso bem estou aqui assim
humilhado! que temor  esse vosso? Eu no venho agora ao mundo para
julgar, mas estou aqui escondido neste Sacramento de amor s para vos
communicar muitos bens e salvar a todo aquelle, que a mim recorrer. _Non
veni, ut judicem mundum, sed ut salvem mundum_. (_Joan. 12._)

Almas devotas, entendei que assim como Jesu Christo est vivo no Ceo,
sempre rogando por ns, assim tambem no Sacramento do altar est fazendo
continuadamente de noute, e de dia, o piedoso officio de nosso advogado,
offerecendo-se como victima ao Eterno Pae, para nos alcanar as suas
misericordias, e graas innumeraveis. Por isso dizia um devoto, que
deviamos chegar a fallar a Jesus Sacramentado com confiana, e sem
temor, assim como um amigo falla com outro amigo.

Pois, Senhor, se  tanta, a vossa bondade, deixai que eu vos abra com
confiana o meu corao, e vos diga:  meu Jesus!  namorado das almas,
eu bem conheo a ingratido, com que vos trato os homens. Vs os mais,
e no sois amado; fazeis-lhes todo o bem, e recebeis desprezos. Quereis
fazer-lhes sentir as vosssas amorosas vozes, e elles no vos querem
attender: offereceis-lhes as vossas graas, e elles as recuso. Ah, meu
Jesus! e  verdade que tambem eu algum tempo fui do numero destes
ingratos! Ah, Deus meu!  mais que verdade; mais eu quero emendar-me, e
quero compensar nos dias, que me resto de vida, os desgostos, que vos
tenho dado, fazendo quanto puder daqui era diante por vos agradar.
Dizei, Senhor, o que quereis que eu faa: tudo executarei sem reserva:
fazei-mo saber por meio da santa obediencia que eu no tarderei em o
cumprir. Deus meu; eu vos prometto resolutamente de no deixar mais
cousa alguma, que eu entenda de hoje em diante ser do vosso agrado,
ainda que para esse fim me fosse preciso perder os parentes, os amigos,
a estimao, a saude, e at a propria vida. Sim, perca-se tudo, e d-se
gosto a vs. Feliz perda, quando se perde, e se sacrifica tudo, para
contentar o vosso corao,  Deus da minha alma. Amo-vos,  Bem
infinito, summamente mais amavel que todos os outros bens. Desejo unir o
meu pequeno corao a todos os coraes, com que vos amo os Serafins:
s a vs amo, e s a vs quero amar sempre.


Minha vontade, etc. (_Como a pag. 19._)[2]


_A Communho Espiritual_. (_que vai a pag. 11._)[1]




VISITA XXXI.

_A Maria Santissima_.


 Maria, Virgem dulcissima, Me de Deus, Advogada dos peccadores,
refugio dos atribulados: inclinai os ouvidos da vossa piedade aos rogos
deste vosso indigno servo, e concedei-me que seja eu do numero
daquelles, que vs amais, e conservais escriptos no vosso virginal
peito. Purificai,  Virgem, immaculada, o meu corao de todo o peccado.
Separai de mim tudo quanto desagrada aos vossos olhos. Purificai esta
alma de todos os affectos vos, e terrenos, introduzi-lhe um puro amor
aos bens celestiaes, e eternos. Rogai,  Virgem Santa, ao vosso Filho
por mim agora, e sempre, e no ponto da minha morte, e naquelle dia
tremendo e espantoso do Juizo, quando eu houver de dar conta de todas as
minhas obras, para que por vossa intercesso seja livre das penas
eternas, e possa depois desta miseravel vida ir a gozar da vossa amavel
companhia l no Ceo.  Virgem purissima, no tireis os olhos deste
miseravel peccador. Recommendo  vossa piedade a minha alma, e o meu
corpo: regei-me, governai-me, e defendei-me de todos os males, e
perigos, e inimigos deste mundo; e dignai-vos interceder por mim a vosso
Filho, para que me perdoe os meus peccados me d verdadeira f, firme
esperana, ardente caridade, e a graa do Espirito Santo, a qual sempre
me faa executar a sua santissima vontade, e se digne por infinita
piedade de preservar este Reino da peste, fome, e guerra, e livrai-me, e
a todos os meus parentes, amigos, e bemfeitores, e a todo o fiel
Christo de todo o mal. Amen.

Virgem Soberana, etc. (_Como a pag. 22._)[3]




JACULATORIAS PARA SE DIZEREM
DIANTE DO
SANTISSIMO SACRAMENTO.


1


  Ah! quem pudera
Aqui viver,
Nada do mundo
Tornar a ver.


2


  Com Deus vivendo,
Com Deus fallando,
A vida assim
Ir acabando.


3


  Unida sempre
Ao meu Senhor,
Morrer  fora
Do seu amor.


4


  De Deus meu peito
Seja a morada,
Com elle eu viva
Extasiada.


5


  Faze, meu Deus,
Habitao,
N'esta minh'alma,
E corao.


6


  Os meus suspiros;
Minha anciedade,
Asss te mostro
Minha saudade.


7


  Carne Divina,
Doce alimento,
Tu da minh'a alma
s o sustento.


8


  Qual Pelicano,
Rasgando o peito,
Prende-me at
Em lao estreito.


9


  Vivo Sacrario
Meu peito seja
De quem minh'alma,
Tanto deseja.


10


  Sacramentado,
Na Eucharistia,
Fica em meu peito
De noute, e dia.


11


  Ah! No permittas
Que um s momento,
De ti se affaste
Meu pensamento.


12


  Doces prazeres
S pode achar,
Quem de Jesus
Chega a gostar.


13


  Meus Deus appressa.
Aquelle dia,
De eterna paz,
Doce alegria,


14


  Ento gozando,
J sem temor,
De no perder
O teu amor.


15


  Eu cantarei,
Alegremente,
Jesus  meu
Eternamente.


16


  Heide amal-o sempre
Heide sempre vl-o
Sempre adoral-o!
Nunca offendel-o!


17


  Ah! doce Jesus,
Tem de mim piedade
Acabe os meus dias
A tua saudade.




JACULATORIAS EM DESAGGRAVO AO SANTISSIMO SACRAMENTO.


  Misericordia, meu Deus,
Vimos todos implorar,
Vimos todos desejosos
De vos querer desaggravar.

  Quem me dera,  meu Deu
Ter dos Serafins o amor,
Sentir das vossas offensas
A mais excessiva dr.

  Mas ai de mim! infeliz!
Eu sou tambem, meu Senhor,
Quem por continuos peccados
Offende o vosso amor.

  Amor to extremoso,
Que vos faz estar fechado
Nesses Sacrarios exposto
A seres to ultrajado.

  Oh christo, ser possvel!!
Se tens f, e Religio,
Que fique to insensivel
Teu humano corao!!!

  Tu que sentes qualquer perda,
Ou pequeno dissabor,
S no sentes as offensas
Do teu Pae, do teu Senhor!

  Pois que seria de ns!
Se aquelle Deus de bondade
No tivesse paciencia
P'ra soffrer tanta maldade.

  Sim, meus irmos, temamos,
Que aquelle Deus irritado,
J canado de soffrer,
E de ser to aggravado;

  Manda sobre ns todos
Ainda maior castigo,
Dos que j experimentamos
Pelos termos bem merecido.

  Descarregue sobre ns
Sua justa indignao,
Castigando tantos crimes,
E to grande ingratido.

  Por tanto, vamos irmos,
Prostrar-nos ante o Senhor,
Com o corao contricto,
E cheios de amarga dr,

  Pedir, e muito pedir
Piedade e compaixo;
E de to grandes offensas
O mais sincero perdo.

  Sim,  meu Deus,  meu Pae,
Piedade, e misericordia
Vos pedimos por quem est
Exposto nessa Custodia.

  Misericordia, meu Deus,
Misericordia, Senhor,
Misericordia, pedimos,
Por vosso amor.

  Misericordia, meu Jesus,
Vos pedimos humilhados,
Dai-nos,  meu Senhor,
Perdo dos nossos pecados.

  Pela Vossa Me Santissima,
Pela sua proteco,
Salvai-nos as nossas almas
Tende de ns compaixo.




TERO AO SANTISSIMO SACRAMENTO.


_O Tero do Santissimo Sacramento consta de cinco Mysterios em honra das
cinco chagas de Nosso Senhor Jesus Christo, e cada Mysterio de dez
Bemditos_.

_Eis aqui como principia_

[/V.] Deus in adjutorium meum in tende; Domine ad adjuvandum me festina.
Gloria, etc. Alleluia.




I. MYSTERIO.


Neste primeiro Mysterio contemplamos como Nosso Senhor Jesu Christo
desceo do seio de seu eterno Pae, para vir ao mundo, e livrai-nos com a
sua morte santissima da escravido do peccado, e abri-nos as portas do
Ceo.

_Segue-se o Bemdito repetido dez vezes_.




JACULATORIA.


 Jesus Deus de bondade;
Da paz, e da vida author,
Enchei nossos coraes
Do vosso divino amor.


ORAO.


Santissimo Jesus, pela infinita caridade, com que quizestes soffrer a
fraqueza e necessidades da natureza humana para nosso bem, e nossa
felicidade, vos pedimos o perdo de nossas culpas, e um amor para
comvosco, que abraze o nosso corao de tal sorte, que s procuremos a
vossa honra, e a vossas gloria. Amen.




II. MYSTERIO.


Contemplamos neste Mysterio como Nosso Senhor Jesu Christo nasceo no
presepio de Belem despresado, pobre, e desconhecido, para nos merecer o
Ceo, e ensinar-nos com o seu exemplo a despresar as honras, e riquezas
da terra, e procurar s as do Ceo.

_Segue-se o Bemdito repetido dez vezes_.


JACULATORIA.


 Jesus, Jesus divino,
Nossa vida nosso amor,
Enchei o nosso espirito
De um verdadeiro fervor.


ORAO


 bondade infinita do meu Jesus, pela providencia, e sabedoria infinita,
com que quizestes nascer sobre a terra, experimentando logo as tyrannias
do cego mundo para assim ensinardes aos vossos escolhidos, e
conseguir-lhe a felicidade eterna; vos pedimos que purifiqueis os nossos
coraes do vil interesse das honras e riquezas caducas, e os orneis dos
puros sentimentos, de que  dotado o vosso, para que assim desprezando
tudo o que  terreno, s a vs louvemos e amemos. Amen.




III. MYSTERIO.


Contemplamos neste Mysterio como nosso Senhor Jesu Christo na noute da
Cea instituio este Sacramento de amor, repartindo aos seus Discipulos
pelas suas proprias mos o seu Santissimo Corpo, para os confortar, e
encher de seu amor, e santidade.

_Segue-se o Bemdito repetido dez vezes_.


JACULATORIA.


  Bom Jesus, ns vos louvamos
No Sacramento de amor,
Sede sempre para ns
Um compassivo Senhor.


ORAO.


Santissimo Jesus, e bom Senhor das nossas almas, pela infinita caridade,
com que vs vos quizestes deixar sacramentado para nosso soccorro,
amparo, e consolao, vos pedimos, que no consintais que nossos
coraes tenho outro amor alm do vosso, e outro interesse mais do que
a vossa honra, e a vossa gloria. Amen.




IV. MYSTERIO.


Contemplamos neste Mysterio como Nosso Senhor Jesu Christo logo no dia,
em que instituo o Sacramento augusto do seu Corpo santissimo, foi
offendido pelo perfido Judas, que estando em peccado no temeo
recebel-o.

_Segue-se o Bemdito repetido dez vezes_.


JACULATORIA.


  Bom Jesus, sejais bemdito,
Pois sois nosso Redemptor,
Sois toda a nossa ventura,
Amparo, e consolador.


ORAO.


 Santissimo Jesus, mestre de paciencia e de bondade, pela mansido e
soffrimento, com que consentistes, que o vosso indigno Discipulo vos
recebesse sacrilegamente, vos pedimos que no permittais, que ns
peccadores sem a candida estola da graa vos recebamos, mas antes
enchei-nos de uma grande pureza, e perfeita caridade, para termos o
prazer de muitas vezes commungar-vos, e louvar-vos. Amen.




V. MYSTERIO.


Contemplamos neste Mysterio como Nosso Senhor Jesu Christo depois da sua
Resurreio appareceo a seus Discipulos, confirmando-os na f, e nas
verdades do Reino eterno, promettendo-lhes mandar sobre elles seu Santo
Espirito para os encher de todas as virtudes.

_Segue-se o Bemdito repetido dez vezes_.


JACULATORIA.


   Jesus sempre bemdito,
Tende de ns compaixo,
Fazei-nos sempre constantes
Nesta terna devoo.


ORAO.


 Bom Jesus, pelo inefavel misterio da vinda do Santo Espirito sobre os
vossos Apostolos e Discipulos, vos pedimos, que sejo cheias as nossas
almas das vossas santissimas luzes, para acertarmos o caminho recto de
vos servir e amar, para termos a felicidade de sempre vos louvar sobre a
terra, e ir reinar comvosco l no Ceo por todos os seculos dos seculos.
Amen.

_Segue-se a Salve, Rainha, e a seguinte Orao_.


OREMOS.

A vs,  Santissima e immaculada Senhora, Me de piedade, e Me nossa
ns os peccadores vos pedimos que nos alcanceis de vosso Santissimo
Filho Sacramentado todos os dons e graas, de que necessitamos para
vivermos contantemente sustentados do seu Santissimo amor, para
adquirimos os merecimentos de seus fieis escravos, e para termos a
eterna felicidade de com elle e comvosco, viver por todos os seculos dos
seculos. Amen.

_O Bemdito cinco vezes, e as Jaculatorias que vo a pag. 149_[4], _pela
sua ordem_.


1.^a


  Bemdito, etc.
  Na Cruz por salvar os homens;
Jesus, huma vez morreo;
Na Eucharistia mil vezes
Mais amoroso se deo.


2.^a


  Bemdito, etc.
  Do Ceo as graas, e auxilios,
Esto na Eucharistia guardados;
Liberalisa estes thesouros
Quando alli so procurados.


3.^a


  Bemdito, etc.
  Da sua justia os raios
Deixou sobre os Ceos ficar;
Quando est na Eucharistia
Vem s p'ra mimos nos dar.


4.^a


  Bemdito etc.
  Sobre as nuvens, contra os impios;
Troveja, ameaa irado,
Contra ingratos, na Eucharistia,
D sempre amoroso brado.


5.^a


  Bemdito, etc.
  S depois da morte os justos
De Deus a face vero;
Na Eucharistia os mortaes
J o gozo de ante-mo.




LADAINHA AO SS. SACRAMENTO.


Senhor, havei piedade de ns.
Jesus compadecei-vos de ns.
Senhor, havei misericordia de ns.
Jesus, ouvi-nos.
Jesus, ajudai-nos.
Pae do Ceo, e meu Deus, havei misericordia de ns.
Deus Filho Redemptor do Mundo, havei misericordia de ns.
Deus Espirito Santo, havei misericordia de ns.
Trindade Santissima, e um s Deus havei misericordia de ns.
Po vivo, que descestes do Ceo, compadecei-vos de ns.
Vinho que gera virgens, compadecei-vos de ns.
Sacrificio perpetuo, compadecei-vos de ns.
Oblao purissima, compadecei-vos de ns.
Mann escondido, compadecei-vos de ns.
Memoria das maravilhas de Deus, compadecei-vos de ns.
Verbo feito carne, compadecei-vos de ns.
Hostia Santa, compadecei-vos de ns.
Calix de Beno, compadecei-vos de ns.
Mysterio da F, compadecei-vos de ns.
Sublime Sacramento, compadecei-vos de ns.
Da vida a mais preciosa, compadecei-vos de ns.
Testemunho do amor Divino, compadecei-vos de ns.
Excesso da liberalidade de Deus, compadecei-vos de ns.
Dulcissimo banquete, compadecei-vos de ns.
Vinculo de caridade, compadecei-vos de ns.
Doura espiritual, compadecei-vos de ns.
Refeio das almas justas, compadecei-vos de ns.
Viatico dos que morrem na graa, compadecei-vos de ns.
Penhor da futura Gloria, compadecei-vos de ns.
Sede-nos propicio, onvi-nos Senhor.
De recebermos indignos o vosso Corpo Santissimo livrai-nos Senhor.
Da concupiscencia da carne, livrai-nos Senhor.
Da concupiscencia dos olhos, livrai-nos Senhor.
De toda a soberba, livrai-nos Senhor.
De todo o mal, livrai-nos Senhor.
Ns os peccadores, vos rogamos Senhor.
Que vos digneis augmentar a F o
respeito e devoo a to alto Sacramento, vos rogamos Senhor.
Que vos digneis soccorrer-nos para bem receber-vos, por meio de uma confisso
  bem feita, vos rogamos Senhor.
Que vos digneis livrar-nos de toda a infelicidade, e cegueira do corao, vos
  rogamos Senhor.
Que vos digneis fazer-nos participantes dos celestes fructos deste Sacramento,
  vos rogamos Senhor.
Que vos digneis confortar-nos com este celeste Viatico na hora da morte, vos
  rogamos, Senhor.
Filho de Deus, ouvi-nos.
Cordeiro de Deus que tirais os peccados do Mundo, ouvi-nos.
Ouvi-nos Senhor.
Attendei-nos Senhor.
Ouvi-nos Senhor.
  Ouvi Senhor a minha orao, e chegue at vs o meu clamor.




[Figura: N.^o S.^r CRUCIFICADO.]




OREMOS.


 Deus, que neste admiravel Sacramento nos conservastes a memoria da
vossa paixo, concedei-nos como vos supplicamos, que de tal modo
veneremos os Sagrados Mysterios do vosso Corpo e Sangue, que
experimentemos em nossas almas os piedosos fructos da vossa Redempo.
Vs que viveis, e reinais com Deus Pae, em unidade do espirito Santo,
que tambem  Deus por todos os Seculos dos Seculos. Amen.


LADAINHA

_Da Paixo e Morte de Nosso Senhor Jesus Christo_.


Jesus, meu Deus, Tende misericordia de ns.
Jesus, meu Creador, Tende misericordia de ns.
Jesus, meu Senhor, Tende misericordia de ns.
Jesus, Filho de Deus vivo, Tende misericordia de ns.
Jesus, Redemptor do Mundo, Tende misericordia de ns.
Jesus, segunda pessoa da Santissima Trindade, Tende misericordia de ns.
Jesus, feito homem por obra do Espirito Santo, Tende misericordia de ns.
Jesus, nascido de Santa Maria Virgem, Tende misericordia de ns.
Jesus, reclinado em um Presepio, Tende misericordia de ns.
Jesus, adorado pelos Pastores, Tende misericordia de ns.
Jesus, na Circumciso ferido e atormentado, Tende misericordia de ns.
Jesus, pelos Magos adorado, Tende misericordia de ns.
Jesus, em o Templo apresentado, Tende misericordia de ns.
Jesus, pelo rei Herodes perseguido, Tende misericordia de ns.
Jesus, para o Egypto desterrado, Tende misericordia de ns.
Jesus, a Maria e Jos obediente, Tende misericordia de ns.
Jesus, em Jerusalem perdido, Tende misericordia de ns.
Jesus, no Templo entre os Doutores achado, Tende misericordia de ns.
Jesus, por S. Joo baptizado, Tende misericordia de ns.
Jesus, no deserto quarenta dias jejuando, Tende misericordia de ns.
Jesus, neste lugar pelo demonio tentado, Sde bemdito e louvado.
Jesus, em toda a vida pobre e mortificado, Sde bemdito e louvado.
Jesus, nosso caminho, vida, e verdade, Sde bemdito e louvado.
Jesus, aos homens ensinando, Sde bemdito e louvado.
Jesus, aos enfermos curando, Sde bemdito e louvado.
Jesus, aos mortos resuscitando, Sde bemdito e louvado.
Jesus, os peccadores convertendo, Sde bemdito e louvado.
Jesus, os demonios affugentando, Sde bemdito e louvado.
Jesus, os ventos e tempestades reprimindo, Sde bemdito e louvado.
Jesus, os ps aos Discipulos lavando, Sde bemdito e louvado.
Jesus, o Santissimo Sacramento instituindo, Sde bemdito e louvado.
Jesus, que nos mandastes pedir, Eu vos peo perdo, e graa, e boa morte.
Jesus, por trinta dinheiros vendido, Eu vos peo perdo, e graa, e boa
  morte.
Jesus, no monte Olivete orando, Eu vos peo perdo, e graa, e boa morte.
Jesus, na Orao afflicto e angustiado, Eu vos peo perdo, e graa, e
  boa morte.
Jesus, prostrado em terra, e suando Sangue, Eu vos peo perdo, e graa,
  e boa morte.
Jesus, afflictissimo, e confortado pelo Anjo, Eu vos peo perdo, e graa,
  e boa morte.
Jesus, entregado aos Judeos por um Discipulo, Eu vos peo perdo, e
  graa, e boa morte.
Jesus, preso e atado com duras cordas, Eu vos peo perdo, e graa, e
  boa morte.
Jesus, accusado falsameste a Anns, Eu vos peo perdo, e graa, e boa
  morte.
Jesus, conduzido a casa de Caifs, Eu vos peo perdo, e graa, e boa
  morte.
Jesus, na presena deste juiz confundido com salivas e bofetadas, Eu vos
  peo perdo, e graa, e boa morte.
Jesus, levado ao pretorio de Pilatos, Eu vos peo perdo, e graa, e boa
  morte.
Jesus, accusado por amotinador do povo, Eu vos peo perdo, e graa, e
  boa morte.
Jesus, mandado ir a presena da Herodes, Eu vos peo perdo, e graa, e
  boa morte.
Jesus, desprezado como loco pelo Rei, e pelos seus soldados, Eu vos
  peo perdo, e graa, e boa morte.
Jesus, segunda vez conduzido a Pilatos, Eu vos peo perdo, e graa, e
  boa morte.
Jesus, cruelmente aoutado, Eu vos peo perdo, e graa, e boa morte.
Jesus, com espinhos coroado, Eu vos peo perdo, e graa, e boa morte.
Jesus, como falso Rei escarnecido e injuriado, Eu vos peo perdo, e graa,
  e boa morte.
Jesus, requerido pelo povo a morrer crucificado, Eu vos peo perdo, e
  graa, e boa morte.
Jesus,  morte condemnado, Eu vos peo perdo, e graa, e boa morte.
Jesus, com a Cruz aos hombros atormentado, Eu vos peo perdo, e graa,
  e boa morte.
Jesus, em os vossos Passos pelo Cyrineo ajudado. Eu vos peo perdo, e
  graa, e boa morte.
Jesus, por vossa Me compadecido, Eu vos peo perdo, e graa, e boa
  morte.
Jesus, pela Veronica e pelas devotas lamentado, Eu vos peo perdo, e
  graa, e boa morte.
Jesus, no Calvario injuriosamente despido, Eu vos peo perdo, e graa, e
  boa morte.
Jesus, na Cruz pregado com os cravos, Eu vos peo perdo, e graa, e boa
  morte.
Jesus, ferido com os martellos e pizado, Eu vos peo perdo, e graa, e boa
  morte.
Jesus, no alto da Cruz pelo povo blasfemado, Eu vos peo perdo, e graa, e
  boa morte.
Jesus, afflicto com a sde, e desamparado, Eu vos peo perdo, e graa, e boa
  morte.
Jesus, a vossa Me ao Discipulo Joo encommendado, Eu vos peo perdo, e
  graa, e boa morte.
Jesus, ao Eterno Pae encommendando vosso Espirito, Eu vos peo perdo, e
  graa, e boa morte.
Jesus, depois de morto, ferido no peito com uma lana, Eu vos peo perdo, e
  graa, e boa morte.
Jesus, nos braos de vossa Me depositado, Eu vos peo perdo, e graa, e boa
  morte.
Jesus, pobremente sepultado, Eu vos peo perdo, e graa, e boa morte.
Cordeiro de Deus, que viestes ao mundo satisfazer os nossos peccados:
  _Perdoae-nos_.
Cordeiro de Deus, que nos viestes merecer os dons da graa: _Ouvi e
  attendei-nos_.
Cordeiro de Deus, que nos viestes livrar da eterna condemnao: _Tende
  compaixo ns_.


ORAO.


Meu Senhor Jesu Christo, que, pelo excesso do vosso amor para com os
homens, sendo enviado ao Mundo por vosso Eterno Pae, quizestes padecer e
morrer pela salvao de todos: peo-vos, Senhor, que acceiteis a memoria
que tenho feito da vossa Santissima Vida, Paixo e Morte; e concedei-me
quando por tudo isto vos tenho pedido, e nos viestes merecer. Amen.




ORAO A N. S. JESU CHRISTO SACRAMENTADO.


Meu Deus e meu divino Redemptor que no satisfeito com o ter-me remido
das prizes da culpa  custa da vossa sacratissima Paixo e morte,
quizestes ainda dar-me o vosso Santissimo Corpo em comida e o vosso
preciosissimo sangue em bebida para assim ficardes unido  vossa
creatura, e assegural-a do excessivo amor, e da vossa poderosa
proteco; eu vos rogo que por tantas finezas me concedaes a de
permanecer sempre comvosco, vivendo d'aqui em diante com tanto cuidado
sobre mim quanto pode a honra da vossa divina assistencia dentro da
minha alma afim de que v gosar-vos na immortal patria dos justos, onde
todos vos louvemos por seculos. Amen.

_No fim desta orao se rezar uma estao em desaggravo ao SS.
Sacramento, da maneira seguinte_.


I.


Pelos que negam a real presena do Corpo e Sangue de Nosso Senhor J. C.
no SS. Sacramento da Eucharistia.

P. N. A. M. G. P.


II.


Pelas irreverencias dos infelizes hereges e peccadores, feitas diante do
SS. Sacramento.

P. N. A. M. G. P.


III.


Pelos que recebem o SS. Sacramento em peccado mortal.

P. N. A. M. G. P.


IV.


Pelos que esto sem a devida reverencia diante do SS. Sacramento.

P. N. A. M. G. P.


V.


Pelos que se no dispem como devem para receber o SS. Sacramento.

P. N. A. M. G. P.


VI.


Pelos Sacerdotes que Celebram sem pureza de consciencia. P. N. A. M. G.
P.


OFFERECIMENTO DA ESTAO.


Acceitae meu amorosissimo e divino Senhor Sacramentado, estes humildes
obsequios e desejos da minha alma; seja o vosso excessivo amor o que d
a tudo aquella efficacia de que preciza para se conseguir o precioso fim
das minhas deprecaes, e da vossa benefica vontade que  a salvao dos
homens, e o viver com elles em eterna gloria por toda a eternidade.

Rogo-vos, meu Deus e Senhor, por todos os peccadores para que venham ao
caminho da penitencia e nunca delle se affastem. Rogo-vos pelo augmento
e pela paz da vossa Santa Igreja Catholica Apostolica Romana, por todos
os seus Pastores que a governam pela unio e fidelidade dos Principes da
terra pelo allivio das almas que esto no purgatorio, pela perseverana
dos justos, por todas as necessidades espirituaes e temporaes d'este
reino e de todos os seus habitantes. Rogo-vos Senhor emfim que do alto
do vosso Throno lanceis a vossa beno a todos os filhos da vossa
Igreja. Amen.




EXERCICIO PARA ANTES E DEPOIS DA CONFISSO E COMMUNHO.


ORAO

_Para antes da Confisso_.


Clementissimo Senhor meu Jesu Christo, aqui vem j contrito a vossos
Divinos ps este peccador ingrato, este filho prodigo, e arrependido.
Desejra, Senhor, confessar minhas culpas penetrado da mais perfeita
contrio, e lavar as manchas da minha alma com o vosso Sangue
preciosissimo; mas como de mim nada posso em ordem  minha salvao, a
quem heide recorrer, meu bom Jesus, seno a vs, que sois o meu singular
refugio, e a minha unica esperana? Quem me pde valer, seno vs, que
sois um Deus de infinita misericordia, e piedade para com os miseraveis
peccadores? Quem se hade compadecer de mim, seno vs, que sois Pae de
infinita bondade, e amor para com todos os vossos filhos? Concedei-me
pois efficazes auxilios da vossa graa, para conseguir os fructos do
Santo Sacramento da Penitencia, que eu vou receber. Dai-me, Senhor, uma
intima compuno, e humildade, como dstes ao Publicano: dai-me lagrimas
de verdadeiro arrependimento, como dstes a S. Pedro: dai-me um
ternissimo amor da vossa Divina Magestade, como dstes a Santa
Magdalena, para que, imitando eu estes grandes exemplares da penitencia,
seja minha alma justificada pela vossa graa c na terra, e algum dia
glorificada pela vista da vossa Divina face l no Ceo. Amen.

Eu vos rogo, que escutando
De crimes o prego,
Se enternea, e se condoa
Vosso meigo corao.

Que os golpes, que sobre mim
Descarregar doloroso,
Subo ao Ceo, fao ecco
No vosso peito amoroso.

Que os propositos amantes,
De nunca mais vos fugir,
Desse brao vingador
A espada fao cahir.

E que no feliz momento,
Em que me achar perdoado,
Solteis os braos da Cruz,
Eu fique nelles cerrado.

As negras vestes da culpa
Despi-me, Senhor, rasgai;
E as galas da virtude
Sobre minh'alma lanai.

Tendo a veste nupcial,
Possa... Que grande ventura!
Ter lugar, ter aposento
Comvosco, em gloria futura.


ORAO.

_Para depois da Confisso_.


Amantissimo Senhor Jesus, e Deus meu, tenho recebido o Santo Sacramento
da Penitencia, como meio, que vs ordenastes para remisso de todos os
nossos peccados. Por tanto vos rogo, meu amabilissimo Redemptor, pelos
vossos infinitos merecimentos, pelo preciosissimo Sangue, que por mim
derramastes, me concedais um geral perdo de todas as minhas culpas, e
imprimais na minha alma os maravilhosos effeitos deste Santo Sacramento.
No sejo, Senhor, os meus peccados mais poderosos para condemnar-me, do
que os vossos Sacramentos, e vossa graa para salvar-me. Acceitai pois
benigno esta minha sincera, e dolorosa confisso; e se nella commetti
alguns defeitos por falta de dor, ou de inteireza, ou por qualquer outra
circunstancia, com que a devia fazer, eu vos rogo, que tudo suppra em
bem da minha alma a vossa infinita misericordia, e piedade. Amen.

Ah! meu Deus, e quem soubera
Devidas graas render
Por to singulares dons,
Que acabo de receber!

Boca ingrata, que at agora
Blasfemaste o Senhor,
Manda s nuvens os teus brados,
Publica seu grande amor.

Peito rebelde, e aleivoso,
Que dominou o peccado,
D'hoje em diante smente
Sers a Deus consagrado.

Permitt, que a vossa graa
No meu corao lanada,
Delle no torne a sahir,
Fique dentro em mim fechada.

Que faa contnua guerra
s minhas crueis paixes,
Que sempre combata, e vena
Perversas inclinaes.

Que os meus desvelos s queira
Em vs constante empregar,
E sobre as vossas pisadas,
T  morte caminhar.




*ACTOS*

_Que se devem fazer antes da Communho com muita pausa, e fervor_.


I.

ACTO DE F.


Ah, meu amantissimo Salvador, que excesso de amor, que abatimentos da
vossa Divina Magestade praticastes, para vos unirdes a mim nesse
adoravel Sacramento! Sim, vs, sendo Deus, vos fizestes homem; sendo
immenso, vos fisestes menino; sendo Senhor, vos fizestes servo:
descestes do seio do Eterno Pae ao ventre de uma Virgem; do Ceo a um
Presepio; do Throno da Gloria a um patibulo de justiados, e esta manh
sahis desse Sacrario para virdes habitar dentro do meu peito.

Eis-alli,  alma minha, o teu amante Jesus, que ardendo naquelle mesmo
amor, com o qual te amou na Cruz, morrendo por ti, est naquelle Divino
Sacramento esperando que tu o venhas a receber, e desde alli est
observando os teus pensamentos, o teu amor, os teus desejos, as tuas
pretenes, e as offertas, que vs a apresentar-lhe.

Eia pois, alma minha, aparelha-te para receberes a Jesus; e
primeiramente dize-lhe com f:  possivel, meu amado Redemptor, que
daqui a poucos instantes haveis de vir a mim! Um Deus infinito a um
peccador to mo, como eu sou!  Deus escondido, desconhecido da maior
parte dos homens, eu vos creio, vos confesso, e vos adoro no SS.
Sacramento por meu Senhor, e Salvador. E por confessar, e defender esta
verdade, voluntariamente daria a propria vida. Vs vindes para me
enriquecer das vossas graas, e para unir-vos todo a mim. Ah! e quanta
deve ser, Senhor, a minha confiana, sabendo que vindes por motivos to
amorosos!


II.

ACTO DE CONFIANA.


Alma minha, dilata o teu corao. O teu Jesus pde fazer-te todo o bem:
elle te ama excessivamente, espera pois grandes favores deste teu amante
Senhor, que movido do seu grande amor, vem a consolar-te. Sim, meu amado
Jesus, eu confio na vossa bondade, que entrando vs hoje no meu peito,
accendereis no meu pobre corao a suave chamma do vosso amor puro, e um
efficaz desejo de executar em tudo a vossa santissima vontade.


III.

ACTO DE AMOR.


Ah, Deus meu, Deus meu, verdadeiro, e unico amante da minha alma! e que
mais podeis fazer, Senhor, para serdes de mim amado? No vos bastou o
morrerdes por mim; quizestes instituir esse grande Sacramento, para vos
dardes todo a mim, e unirdes o vosso corao ao meu corao, ao corao
de uma creatura to m, e to ingrata, como eu sou. Oh amor immenso!
Amor incomprehensivel! Amor infinito! Um Deus quer dar-se a mim!

Alma minha, tu o crs? E que fazes? Que dizes?  Deus,  Deus,  amor
infinito, unico objecto digno de todos os amores: eu vos amo com todo
meu corao, amo-vos sobre todas as cousas, amo-vos mais que a mim
mesmo, mais que a minha propria vida. Oh! se eu pudesse fazer que todas
as creaturas vos amassem quanto vs mereceis! Ah! quem me dera amar-vos
com aquelle amor, com que vos amo os Serafins; com aquelle amor, com
que vos ama minha Me, e Senhora, Maria Santissima! Affectos terrenos,
sahi do meu corao. Me do amor formoso, Maria Santissima, ajudai-me a
amar aquelle Deus, que tanto desejais ver amado.


IV.

ACTO DE HUMILDADE.


s tu, alma minha, que vs a receber o sagrado Corpo de Jesu Christo? E
s tu digna de to alto fervor? Ah! Deus meu! Quem sou eu, e quem sois
vs? Eu bem sei, e confesso, que vs sois um Deus de Magestade infinita,
e inconprehensivel, e quem eu sou, vs o sabeis, Senhor.

E  possivel, meu Jesus, que vs, pureza infinita, desejeis entrar em
uma alma to impura como a minha, e que tantas vezes tem sido manchada
com o lodo vil dos meus enormes peccados! Ah! Senhor,  vista da vossa
infinita Magestade, e da minha grande miseria, eu me envergonho de
apparecer diante de vs. O temor, e o respeito me querem separar de vs,
mas, se me retiro de vs, aonde irei? A quem hei de recorrer? E que ser
de mim? No, Senhor, eu no quero ausentar-me de vs, antes desejo cada
vez mais avizinhar-me a vs. Venho pois,  meu amavel Salvador, venho a
receber-vos esta manh humilhado, e confuso pelos meus peccados; mas
todo confiado na vossa piedade, e no amor, que vs me tendes.


V.

ACTO DE CONTRIO.


Quanto me peza,  Deus da minha alma, de vos no ter amado, todo o tempo
da minha vida! antes, em lugar de vos amar, por satisfazer os meus
depravados appetites, tantas vezes offendi, e desgostei a vossa infinita
bondade. Eu vos voltei muitas vezes as costas: eu desprezei a vossa
graa, e amizade. Ah! quanto me peza, Senhor! Quem me dera que se
partira o meu corao de dr! Aborreo mais que tudo, as offensas, que
vos tenho feito, assim graves, como leves. Eu espero que vs j me
tenhais perdoado; mas, se ainda me no tendes perdoado, perdoai-me antes
que eu agora vos receba: lavai com o vosso Sangue esta alma, em que
quereis vir habitar daqui a poucos instantes.


VI.

ACTO DE DESEJO.


Eia pois, alma minha,  chegada a hora feliz, na qual o teu Jesus ha de
entrar no teu pobre corao. Eis aqui o Rei do Ceo, o teu Redemptor, e
Deus, que j vem a ti. Dispe-te a receb-lo com amor. Chama por elle
com efficaz desejo. Vinde,  Jesus meu, vinde  minha alma, que muito
vos deseja. Primeiro que vos deis a mim, Senhor, quero eu dar-me todo a
vs. Eu vos entrego o meu miseravel corao; acceitai-o, e vinde
depressa tomar posse delle.

Vinde, meu Deus, depressa, e no tardeis, unico, e infinito bem meu, meu
thesouro, minha vida, meu paraiso, meu amor, meu tudo: eu quizera
receber-vos com aquelle amor, com que vos recebem as almas mais santas;
com aquelle amor, com que vos recebia Maria Santissima.

Virgem Soberana, e Me minha, eu me avizinho j a receber o vosso Filho.
Dai-me, Senhora, esta manh o vosso Jesus, como o dstes ao Santo Velho
Simeo: eu das vossas purissimas mos o quero receber: dizei-lhe que eu
sou vosso servo, e devoto, porque assim olhar elle para mim com olhos
mais amorosos. Assist-me, valei-me.




ORAO.

_Para antes da Communho_.

Dulcissimo, e amantissimo Senhor Jesus, a quem agora desejo receber, vs
sabeis minha enfermidade, as necessidades que padeo, em quantos males,
e vicios tenho cahido, e quantas vezes fui opprimido, tentado, e
enxovalhado: em vs tenho toda a consolao, allivio, e remedio. Fallo
com quem tudo sabe, e conhece todos os meus interiores, e s me pde
perfeitamente consolar, e ajudar. Vs sabeis o bem de que mais
necessito, e quanto sou falto de virtudes para dignamente vos receber.
Purificai pois minha alma das manchas de minhas culpas, fazei-a digna
morada vossa: communicai-lhe vossas graas especiaes, enchei-a de vossos
soberanos dons abrasai-a nos incendios do vosso Divino amor; para que
depois de vos receber dignamente c na terra, chegue tambem a gozar-vos
eternamente la no Ceo. Amen.

Como o servo, que procura
As correntes sequioso,
Assim corro eu hoje a vs,
Meu Jesus, Pae amoroso.

A F me dirige, e guia
Ao Augusto Sacramento,
Aonde a minh'alma encontra
O conforto, e o alimento.

Se vos no vem os meus olhos,
O meu corao vos v,
E desmente os meus sentidos
A minh'alma, que em vs cr.

E sois vs, meu Deus, o mesmo
Que  terra humilde baixais?
E em certa circumferencia
Vossa grandeza acanhais?

Perdeis por amor de mim
O Poder, e a Magestade?
Onde est a vossa gloria?
Onde a vossa immensidade?

Tamanho amor, e clemencia?
Nem eu sei avaliar,
E menos ainda posso
Com meus excessos pagar.


ORAO.

_Para depois da Communho_.


 Clementissimo Jesus da minha alma, com toda a humildade rogo  vossa
Divina Clemencia, que este SS. Sacramento de vosso Corpo, e Sangue, que
indignamente recebi, seja purgao de todos os meus peccados, esforo da
minha fraqueza, defensa contra todos os perigos do mundo, alvar de
perdo, firmeza de graa, memoria da vossa Paixo, alento da minha
fadiga, e viatico da minha peregrinao; que andando, me guie, errando,
me encaminhe; tornando, me receba, tropeando, me sustente; cahindo, me
levante; e perseverando, me faa entrar na vossa Gloria. Amen.


ACO DE GRAAS.

_Para depois da Communho_.


Eu espero, Senhor, que desse Santo Sacramento me haveis de deitar vossa
santa beno, que me haveis de encher de bens espirituaes, e corporaes,
que me haveis de remediar neste trabalho, e necessidade, que vos
apresento, que me haveis de fazer humilde, e conceder as mais virtudes,
que desejo. Amen.

Espero que de vs me hade vir todo o meu bem, que me haveis de cumprir
todos os meus desejos; e sendo encaminhado ao vosso santo servio, como
no esperarei eu em quem tanto me amou, que morreu por mim, na Cruz, s
a fim de me salvar? Eu j desde agora firmemente protesto de todo o meu
corao, com vossa graa, e auxilios, Senhor, de emendar a minha vida, e
de perd-la mil vezes antes do que offender-vos uma s. Dai firmeza a
este meu proposito, luz ao meu entendimento, lembrana  minha vontade,
para que me peze de tantos peccados, me castigue, me afflija, para que
faa penitencia delles, e soffra todas as injurias do meu proximo por
vosso amor santissimo. Em vs, senhor, confio de no ser confundido
eternamente, e assim o permita a vossa infinita misericordia. Amen.




ACTOS.

_Para depois da Communho_.


I.

ACTO DE F.


J o meu Deus veio a visitar-me, o meu Salvador a habitar na minha alma.
J o meu Jesus est dentro de mim. Oh bondade infinita! Oh misericordia
infinita! Oh amor infinito! Um Deus veio unir-se comigo, e a fazer-se
todo meu! Alma minha agora que ests to unida com Jesus, que fazes? Que
lhe dizes? No fallas com o teu Deus, que est dentro de ti? Eia pois,
aviva outra vez a tua f, considera que os anjos esto  roda de ti
adorando o seu Deus, que est dentro do teu peito. Adora tu agora tambem
dentro de ti o teu Senhor, recolhe-te em ti mesma, e lana fra de ti
todos os outros pensamentos: une todos os teus affectos ao teu Deus, e
dize-lhe:


II.

ACTO DE HUMILDADE.


Ah, meu Jesus, meu amado, meu bem infinito, meu tudo! Onde estais,
Senhor? Dentro do meu corao? De um corao to ingrato, to cheio de
amor proprio, e de appetites desordenados? Quizera dizer-vos com S.
Paulo: Sahi, Senhor, auzentai-vos de mim, porque sou muito indigno de
hospedar um Deus de infinita Magestade. Ide habitar naquellas almas
puras, que vos servem com tanto amor. Mas que digo, meu Redemptor? No
vos separeis de mim; porque se vs me deixais, fico perdido. Eu me uno a
vs, vida minha: muito louco fui, Senhor, quando me apartei de vs por
amor das creaturas; porm protesto agora na vossa presena, que no
quero jmais separar-me de vs: o meu desejo  viver, e morrer unido a
vs.

Maria Santissima, Serafins, almas que amais a Deus com puro amor,
communicai-me os vossos affectos, para que eu faa a companhia, que devo
ao meu amado Senhor.


III.

ACTO DE AGRADECIMENTO.


Meu Deus, e Senhor, eu vos dou graas da merc, que me haveis feito esta
manh, de virdes habitar na minha alma, mas quizera dar-vos um
agradecimento digno de vs e do grande favor, que me tendes feito. Porem
que agradecimento pde dar-vos uma creatura to miseravel, como eu sou?
Se o mancebo Tobias no achava em si possibilidade para agradecer
dignamente ao Anjo S. Rafael os beneficios temporaes, que lhe tinha
feito, como vos poderei eu, Senhor, agradecer, no os beneficios
temporaes, mas o do vosso Corpo, e Sangue Sacramentado, que agora me
dstes em alimento?

Ah, Senhor! Acceitai ao menos os ferverosos desejos, que tenho de vos
ser agradecido. E vs, Me, e Senhora, Maria Santissima, Santos meus
advogados, Anjo da minha guarda, almas, que viveis abrazadas no amor de
Deus, vinde ver, e admirar o excessivo favor, que o Senhor agora me fez;
e dai-lhe por mim as graas.

Mil graas vos dou, Senhor,
E vos rendo adoraes
Por to pasmosas finezas,
Por tantas consolaes.

A vossa Mo liberal
Dei-me, meu Deus, a beijar;
Mas que arrojo!... aos vossos ps
Eu s me devo lanar.

A face, Senhor, por terra
Eu ponho com humildade,
S assim devo adorar
A soberana Divindade.

Ao vosso Nome Bemdito,
Por to distinctos favores,
Eu mando j, meu Jesus,
Agradecidos clamores.

Eu vos prometto, eu vos juro
De nunca mais vos deixar,
E que os meus ternos desvelos
S em vs hei de empregar.

Embora prepare o mundo
Para me prender novos laos,
A todos, Senhor, a todos
Quero fazer em padaos.


IV.

ACTO DE OFFERECIMENTO.


Ah! Senhor, j que vs vos dignastes de visitardes hoje a pobre casa de
minha alma, eu vola offereo com toda a minha liberdade, e vontade. Vs
vos tendes dado todo a mim, e eu me quero dar todo a vs; sim, sejo
vossos os meus sentidos, para que me sirvo s para vos agradar: sejo
vossas as minhas potencias, de tal sorte que a memoria me no sirva mais
que para lembrar-me de vosso amor: o entendimento s me sirva para
cuidar de vs, e a vontade s se empregue em vos amar. Tambem vos
consagro, e sacrifico, meu dulcissimo Salvador, esta manh tudo quanto
tenho; os meus pensamentos, os meus affectos, os meus desejos, os meus
gostos, as minhas inclinaes, a minha liberdade; em fim nas vossas mos
entrego o meu corpo, e a minha alma.

Acceitai,  Magestade infinita, o sacrificio, que vos faz de si mesmo o
peccador mais ingrato, que tem havido sobre a terra, mas que agora se
offerece, e entrega todo a vs. Fazei, Senhor, de mim tudo quanto vos
agradar. Vinde,  fogo consumidor,  amor Divino, e destru em mim tudo
que no agrada aos vossos purissimos olhos: fazer que de hoje em diante
eu seja todo vosso, e viva smente para seguir, e obedecer, no s aos
vossos preceitos, e conselhos, mas ainda aos vossos santos desejos, e ao
vosso maior gosto.

 Maria Santissima, apresentai com as vossas purissimas mos  SS.
Trindade esta minha offerta, e alcanai-me que a acceite, e me
communique a graa de ser-lhe fiel at  morte.


V.

ACTO DE PETIO.


Alma minha, que fazes? No percas este tempo precioso, em que pdes
receber todas as graas que pedires. No vs ao Eterno Pae, que est
amorosamente olhando, e vendo dentro de ti o seu amado Filho, o objecto
em que mais se compraz o seu amor? Ah! Lana fra de ti todos os
pensamentos mundanos, aviva a tua f, dilata o teu corao, pede quanto
quizeres.

No sentes ao mesmo Juiz, que te diz: Alma, dize o que queres de mim. Eu
vim para te enriquecer, e para te contentar: pede com confiana, e
alcanars quanto pedires.

Ah, meu dulcissimo Salvador! J que viestes  minha alma para me
communicardes as vossas graas, e desejais que eu vo-las pea, eu no
busco, Senhor, os bens da terra, no as riquezas, no as honras, no os
contentamentos do mundo: o que humildemente vos peo agora  uma grande
dr dos meus peccados; uma luz, que me faa conhecer  validade deste
mundo, e o merecimento, que vs tendes para ser infinitamente amado.
Trocai este meu corao em tudo conforme  vossa santissima vontade; um
corao, que no busque mais que o vosso agrado, que no aspire mais que
ao vosso santo amor. Eu no mereo isto, mas vs o mereceis,  meu amado
Jesus. Eu vo-lo peo pelos vossos merecimentos, e da vossa purissima Me
e pelo amor que tendes a vosso Eterno Pae.

_Aqui poder pedir qualquer outra graa particular para si, e para o
proximo_. _No se esquea dos peccadores, e das almas do Purgatorio, e
rogue tambem por mim_.




RELIGIOSOS PROTESTOS


I.


Eu o mais miseravel e maior de todos os peccadores, com o mais profundo
respeito e submisso, humildemente prostrado ante o Throno de vossa
Divina Magestade, e na vossa adoravel e respeitavel presena, protesto
que creio firmemente tudo quanto cr e ensina a Santa Madre Igreja
Catholica Apostolica Romana, unica e verdadeira Igreja, fra da qual no
ha salvao, pois s esta foi instituida por Vs, verdadeiro Deus, e
verdadeiro Homem, Verbo Divino feito carne para redempo dos homens,
Redemptor e Salvador nosso, Supremo Juiz que nos haveis de julgar,
unigenito do Eterno Pae consubstancial com elle mesmo, e com Elle e com
o Espirito Santo o mesmo e Unico Deus. N'esta F, cujos mysterios todos
e cada um dos seus artigos aqui hei por explicitamente confessados, e na
qual por misericordia Vossa, Senhor, tenho vivido desde o meu baptismo,
protesto querer constante e inviolavelmente persistir, e apezar de tudo
permanecer at ao ultimo instante da minha vida. Protesto vencer e
desprezar, mediante a Vossa Graa todas as tentaes com que o inimigo
commum do genero humano me possa accommetter contra qualquer dos Dogmas
ou verdades reveladas ensinadas pela Santa Madre Igreja, para o que
imploro a Vossa Divina Graa, s com a qual poderei triumphar do mesmo
inimigo; e se por desgraa minha, acontecer, que alienado dos sentidos,
eu diga, pense ou faa alguma cousa que seja, ou parea ser contraria,
ou menos conforme a estes meus protestos, desde j para sempre tudo isso
retracto, desdigo, revogo, desprezo, e declaro que nada d'isso  minha
vontade, e que s  a renuncia, resistencia, combate, e vencimento de
tudo quanto for opposto ou menos conforme  Vossa Divina F.


II.


Protesto na vossa adoravel presena, Senhor, que desejo render-vos
infinitas graas, por me haverdes tirado do nada, creado para Vs e 
Vossa imagem e semelhana, especialmente por me haverdes feito Christo,
chamando-me ao santo baptismo, e por elle ao seio da santa Igreja,
concedendo-me o preciosissimo dom da F com as mais virtudes infusas, e
adoptando-me por vosso filho e herdeiro do Ceu, isto s a impulsos do
vosso amor e Misericordia, dignando-vos escolher-me entre milhares e
preferir-me a um sem numero d'almas, que por vossa terrivel e adoravel
Justia foram deixadas na massa da perdio. Ah! que graas podem ser
bastantes para to especial e gratuita predileco!

E que direi eu da particular providencia com a qual desde os meus
primeiros annos, desde o principio da minha existencia no mundo, tendes
vigiado sobre mim como o mais desvelado e amante Pae, fazendo sensivel
por modos to notaveis, particulares, e at extraordinarios um cuidado
paternal o mais solicito e extremoso! Que direi da pasmosa paciencia com
que tendes soffrido minhas enormes ingratides e offensas, com que me
tendes esperado, com que, como a porfia comigo, quanto mais vos tenho
offendido, com quanto mais profuso, vs me tendes accumulado de graas,
de dons e de beneficios! Bemdito sejais, Senhor, por toda a Eternidade.
Oh! se todos os meus membros se convertessem em lingoas, nem ainda
assim, bastariam para assaz vos louvar e engrandecer! Gloria, honra e
louvor vos deem por mim todas as creaturas. Fazei Senhor, por vossa
infinita Misericordia, que at ao ultimo instante da minha vida eu
permanea n'estes sentimentos de gratido, que os renove com maior
fervor na hora da minha morte, e que v louvar-vos e bemdizer-vos por
toda a Eternidade.


III.


Posto que os meus peccados tenham sido sem numero e mui graves e
enormes, protesto que nem por isso  meu Deus, desconfio da Vossa Divina
Misericordia a respeito do perdo d'elles e da minha salvao, antes
pelo contrario muito confio que toda a Trindade Santissima pelos
infinitos merecimentos da Vossa Paixo e Morte, se ha de compadecer de
mim, perdoar-me e salvar-me; mas para que esta esperana no seja da
minha parte temeraria, protesto e desejo de todo o corao animala com a
pratica das boas obras e exato cumprimento dos meus deveres, para o que
repito e renovo aqui, e proponho renovar e repetir na hora da minha
morte as promessas do meu baptismo, renunciar satanaz, s suas pompas, e
obras, promettendo de conformar a minha vida com a minha f, e de vos
amar, servir, obedecer em quanto viver, e vos rogo e supplico o mais
efficazmente possivel me concedaes a graa da preserverana e me
assistaes com o vosso poderoso auxilio agora e sempre, porem
especialmente na hora da minha morte.


IV.

J que at aqui tenho sido to ingrato duro, e rebelde para comvosco,
meu amorosissimo Redemptor, que no s vos no tenho amado como devo,
antes offendido, e negado o por tantos e to rigorosos titulos, devido
tributo d'amor; j que sendo Vs o centro do meu corao, e devendo o
meu corao ser todo para Vs, eu desgraadamente em logar de vos amar
com todo o meu corao,  talvez a Vs a quem menos tenho amado: agora
protesto, e desejo anciosamente d'aqui em diante, at ao ultimo momento
da minha existencia, amar-vos sobre todas as cousas, com todo o meu
entendimento, com todo o meu corao, com toda a minha alma, e com todas
as minhas foras e s a vs amar, e ser o vosso amor o unico dominante e
soberano do meu corao.

Por amor de Vs,  meu Deus, eu protesto tambem d'aqui em diante amar ao
meu proximo como a mim mesmo. Por amor de Vs perdo do corao a todos
os meus inimigos, a todos quantos me teem offendido, ou querem offender,
ou teem feito, ou desejam por qualquer modo ou maneira fazer mal:
perdoae-lhes Senhor, no os castigueis: retribui-lhes antes em bens e
graas, o mal que me houverem feito ou desejado fazer.

Por amor de Vs eu humildemente peo perdo a todos que eu tiver
offendido e escandalisado por palavras, obras, mus exemplos, ou por
simples descuidos e omisses: desejo dar todos, e a cada um, a devida
satisfao e reparao, e muito vos supplico. Vos digneis fazer-me
conhecer o que a este respeito devo praticar para allivio da minha
consciencia, promettendo eu tudo promptamente executar antes que chegue
a hora da minha morte.


V.


No  possivel,  meu Deus, bem amar-vos sem ter um grande pezar de vos
no ter amado, por isso, muito e muito me pza de vos no ter amado, e
de vos haver tanto offendido: protesto nunca mais offender-vos; proponho
emendar-me. Abomino e detesto tudo quanto  peccado; declaro e protesto
que desde agora at ao ultimo instante da minha vida no quero mais
desagradar-vos, no quero consentir em pensamento algum contra a vossa
divina Lei: antes tormentos, antes infamia, antes total perda de bens e
de saude, antes morte do que um s peccado e offensa do meu Senhor. Quem
dera a meus olhos lagrimas perennes e inconsolaveis, para chorar de dia
e de noute os meus peccados! Oh! se o corao se me partira de dor e
contrio de os haver commetido! Se eu morresse de excesso de pezar e
arrependimento de ter peccado! S Vs  meu Jesus, me podeis conceder
to especiaes graas; eu as desejo sinceramente no meu corao, eu
vol-as supplico humilde e anciosamente. Mas que! um to grande peccador
ainda ousa pretender ser ouvido e attendido? Uma creatura to ingrata e
rebelde, ainda se atreve a supplicar graas, e graas to especiaes?
Sim, ouso e supplico porque a Vossa Bondade, Amor e Misericordia para
com os peccadores no tem limites. Oh! se tambem houvera remedio para
no ter peccado! Custasse elle o que custasse; custasse o sangue das
veias, custasse a propria vida, todo o Sangue, mil vidas eu dera de boa
vontade para Vos no ter offendido uma s vez. Senhor, Misericordia! No
entreis em juizo de rigor com o Vosso servo. Quem  meu Deus apparecer
justificado na vossa presena! Continuae Senhor, a ostentar como at
agora to liberalmente tendes ostentado n'este miseravel peccador, as
Vossas Misericordias Eterno Pae, fixae vossos amorosos olhos sobre a
face do vosso divino filho, meu Senhor Jesu Christo, compadecei-vos de
mim e perdoae-me. Esquecei-vos para sempre dos meus crimes, admitti-me 
vossa Graa e amizade, e no permittaes que eu torne a perder joia to
preciosa e inestimavel. No me deixeis jamais cahir em tentao. Fazei
com a vossa poderosa Graa, que sempre, mas especialmente no transe da
morte, eu possa vencer e sahir triumphante de todas as tentaes e do
tentador. Graa e Misericordia Senhor, digo eu agora, Graa e
Misericordia desejo eu dizer na hora da minha morte.


VI.


Protesto, que eu desejo com a maior efficacia que me  possivel,
receber, na proximidade da minha morte todos os Santos Sacramentos
proprios dos enfermos que se acham n'aquelle perigo, e desde j, e com o
maior empenho os peo. Peo o Santo Sacramento da Penitencia, e a vs,
Senhor, todas as graas necessarias e convenientes para fazer ento uma
boa e perfeita confisso. Peo a Santissima Eucharistia por viatico, e a
vs, Senhor, me concedaes os affectos mais devotos de que o meu corao
 capaz, ajudado com a vossa Graa, para receber com o devido fructo o
vosso Corpo, Sangue, Alma, e Divindade to real e perfeitamente como
estaes no Ceu, bem que occulto aos nossos olhos debaixo das especies
sacramentaes. Peo-vos mui humildemente,  meu amado Jesus, no
permittaes que eu ento fique privado da consolao de receber este
preciosissimo penhor da futura immortalidade. Desejo que a devoo e
fervor d'esta minha ultima communho repare a tibieza e indignidade de
todas quantas communhes tenho feito em todo o decurso da minha vida. E
se por qualquer incidente eu no poder conseguir esta felecidade, desde
j eu declaro e protesto, que em tal caso a minha vontade e os meus mais
vehementes desejos so, de, ao menos commungar espiritualmente, e
receber em desejos no meu corao o vosso Corpo Sacramentado, render-vos
todos os meus affectos como se effectivamente vos recebesse, e desde j
tambem rogo-vos digneis acceitar benignamente estes meus sinceros
desejos, e derramar em minha alma, ento mais que nunca necessitada, os
vossos divinos dons e graas. Peo igualmente desde j o Santo
Sacramento da Extrema-Uno, e a vs, meu Senhor Jesu Christo, a
disposio necessaria para o receber, com fructo; e no caso de no o
poder receber que nem por isso fique privado dos seus effeitos
espirituaes e to saudaveis, dignando-vos vs, Senhor,
misericordiosamente liberalisar-mos para conforto da minha alma em to
arriscado transe, a fim de resistir corajosamente, e vencer o inimigo.
Peo em fim todas as oraes, assistencias, e soccorros espirituaes da
Igreja, destinados para aquelle passo; a applicao da Indulgencia
plenaria; e beno Papal do Santo Padre Benedicto XIV, e toda e qualquer
beno e absolvio que possa ter logar ento receber; a lio dos
psalmos penitenciaes, o officio d'agonia, e todas as mais oraes
respectivas do ritual Romano, as quaes todas desejo, e me proponho
repetir e acompanhar conforme o estado da enfermidade m'o permittir, se
no poder com a bocca, com o corao, em espirito contrito, humilde e
religioso, e desejo exhalar o meu ultimo suspiro tendo invocado muitas
vezes antes com f e devoo, e repetindo ento eu mesmo com a maior
ternura e fervor o vosso Santissimo e dulcissimo nome, e o de vossa
querida Me minha Senhora, pois  assim que eu quero, proponho, e
ardentissimamente desejo finalisar a vida, e entregar a minha alma nas
vossas mos.


VII.


Protesto que com toda a resignao, e com a melhor vontade, acceito da
vossa mo e da vossa adoravel e amorosa Providencia a molestia que deve
pr fim a meus dias, as dores, as afflices e angustias da morte, e a
mesma morte, e proponho tudo soffrer e levar com espirito penitente e
christo, beijando a vossa divina e paternal mo, j em justissimo
castigo e expiao das minhas culpas, j em testemunho do meu amor, e do
desejo de acompanhar-vos em vossa sacratissima paixo, morte e Cruz, e
de participar d'ella, pois que n'ella e por ella me remistes: por isso
desde ja vos offereo todos aquelles padecimentos e a minha morte em
satisfao dos meus peccados, e em sacrificio d'amor, gratido,
humildade e submisso a vossa Suprema Magestade; e no s conformo e
resigno toda a minha vontade na vossa e renuncio toda a impaciencia, mas
em igual espirito e inteno me sujeito a todas as humilhantes mudanas,
corrupo e dissoluo por que o meu corpo ha de passar, e a que a morte
o ha de reduzir em justissima pena das offensas, de que no decurso da
vida, foi causa, e instrumento contra o seu mesmo Senhor e Creador.
Convenho, e at mesmo estimo, que todos os meus membros, ossos, e carne
soffram os horrores e humiliaes da sepultura, para assim ao menos
repararem por fim a enorme injustia da sua rebellio contra o espirito,
e mais que tudo contra vs. E ainda que iste no fosse indispensavel
penso de todo o ser humano, eu mesmo se me fosse permittido, a pagaria
por escolha minha, s para d'alguma maneira render  suprema Sabedoria
de vossa divina Magestade um sacrificio, e testemunho nada equivoco, e
incontestavel, do meu reconhecimento, submisso, e humildade.


VIII.


Protesto finalmente, que desejo de todo o corao, e me preponho
n'aquelle ultimo transe abraar me intima e amorosamente com a vossa
sagrada Imagem, beijando a uma e muitas vezes nos ps, nas mos e no
Lado sacrosanto, espirar repetindo o vosso nome santissimo, e
encommendando ao Eterno Pae a minha alma peccadora sim, mas banhada com
o vosso preciosissimo sangue. Egualmente desde j vos supplico,  meu
amantissimo Salvador, vos digneis conceder me a graa efficaz de
executar ento pontualmente tudo quanto agora aqui proponho e protesto.
Finalmente vos rogo,  meu Jesus, tenhaes para com a minha alma piedade
e misericordia, e mui particularmente me concedaes a graa final, e o
fim ditoso para que vs me creastes e remistes, pelo qual unicamente
suspiro, e ardentemente desejo conseguir, que  a posse da
Bemaventurana no gozo e vizo beatifica de Deus, meu unico, sempiterno
e Summo Bem. Amen.




SUPPLICAS PARA PEDIR PERDO A DEUS.


Contra Vs Salvador do mundo, pequei como o filho prodigo, recebei-me
porem penitente, pae amoroso, e tende de mim compaixo.

Como o publicano, a Vs levanto minha voz, Christo Salvador: sde-me
propicio como a elle fostes, e tende de mim compaixo.

Vossa proteco e prompto auxilio,  Virgem pura, manifestae a vosso
servo; repremi n'esta hora a onda das vs cogitaes, e levantae
minh'alma cahida  bemdita entre as mulheres; conhecido tenho quanto
podeis, sede minha intercessora e advogada.

Como quem cahiu em mos de ladres, e foi d'elles mal ferido, assim cahi
eu em feias culpas de que minha alma est chagada; a quem me soccorrerei
enfermo seno ao medico das almas? Derramae sobre mim, Deus meu, vossa
grande misericordia.

Venho como o filho prodigo ao pae compassivo; recebei-me Deus meu, como
um de vossos mercenarios, e tende de mim compaixo.

Cahi em poder de mos pensamentos que como ladres despojaram minh'alma,
a feriram e maltrataram horrivelmente, e por isso jazo no caminho d'esta
vida despido de virtudes e merecimentos. To asquerosas so minhas
chagas que o Sacerdote apartou de mim os olhos, por julgal-as
incuraveis. Passou por mim o levita e no curou de mim por julgar-me de
foras desamparado. Vs porm, Senhor, que no sois de Samaria mas o
Filho de Maria, por vossa clemencia sarae minhas chagas com o balsamo de
vossa misericordia.

Na mente revolvo o dia tremendo em que com fogo haveis de julgar o
mundo: percorro meus pessimos feitos, e estremeo quando me lembro que
em vossa presena hei de comparecer reo! Que responderei ao rei eterno,
ao inexoravel Juiz de vivos e mortos? Com que cara heide comparecer
perante seu tribunal supremo? Pae piedoso, Filho unigenito, Espirito
paraelito, tende de mim compaixo.

No valle do pranto, quando vos assentardes n'um throno de nuvens para
pronunciar a terrivel sentena, no ponhaes patentes meus peccados, nem
em presena de vossos anjos me confudaes; porem perdoae-me, Deus meu, e
tende de mim compaixo.

Eu sou aquella arvore infructifera, Senhor, que nenhum fructo de
compunco hei produzido, temo seja cortada, e ao fogo eterno lanada:
pelo que vos peo Salvador e Redemptor meu, que antes de tamanha
desgraa me convertaes e salveis.

Consoladora esperana do mundo, Virgem Me de Deus, peo a vossa unica
proteco, compadecei-vos de mim peccador, e supplicae ao Deus
misericordioso, para que no mundo me livre de todo o perigo de peccado e
na eternidade me d a gloria dos escolhidos. men.




ORAO PRODIGIOSA.

A NOSSA SENHORA.


     Que se lhe pde offerecer nos Domigos e dias festivos da Me de
     Deus, e em tempo de afflico, por algum aperto espiritual ou
     temporal, em memoria da vida, paixo e morte de seu Santissimo
     Filho, a qual traduzio o Padre Sarmento das Horas do Eminentissimo
     cardeal de Noailles.


 Santa Maria, eterna Virgem das virgens, Me de misericordia, Me de
graa, esperana e refugio de todos os afflictos; por aquella espada de
dor, que atravessou a vossa purissima alma, quando o vosso unigenito
Filho Jesu Christo nosso Senhor padeceo o supplicio da morte de cruz, e
por aquelle amor filial, que o fez compadecer da vossa dr materna, e
recommendar-vos a seu discipulo S. Joo, herdeiro do perfeito amor, que
elle vos tinha; rogo-vos, Senhora, que tenhais de mim compaixo, e me
deis remedio na afflico, na enfermidade, na pobreza, na consternao,
e em qualquer outra necessidade que eu padea.

[Figura : Annunciao]

 refugio poderoso dos miseraveis, Me benigna de misericordia,
promptissima libertadora dos degradados filhos de Eva, ouvi os meus
rogos, e vde as lagrimas da minha afflico e da minha dr. Eu me vejo
opprimido de infelicidades e miserias, por causa das minhas culpas; e
no tenho a quem recorrer, seno a vs, minha amada Senhora, piissima
Virgem Maria, Me do meu Senhor Jesu Christo, e sollicita Advogada do
genero humano.

Rogo-vos pois pelas misericordiosas entranhas do vosso Santissimo Filho,
e pela gloria que elle teve no tempo da sua alliana com a natureza
humana, ao deliberar com o Padre e Espirito Santo de tomar a nossa carne
mortal para nossa salvao; pelo vosso inefavel gozo,  bemaventurada
Virgem, quando, depois da Annunciao do Anjo e do vosso adoravel
consentimento, o divino Verbo se cubrio da nossa mortalidade no vosso
purissimo ventre; donde, passados nove mezes, sahio a visitar, instruir
e remediar o mundo.

Pela agonia, que o vosso mesmo Filho teve em seu corao, quando orou a
seu eterno Pae no monte Olivete; pela fiel companhia, que vs lhe
fizestes em todo o decurso da sua paixo e morte; pelas traies, pelos
opprobrios, pelas injurias, testemunhos falsos e barbara sentena contra
elle proferida; pelas duras cordas, com que o prendro, crueis
flagellos, com que o aoutaro, e rigorosos espinhos com que o coroaro;
pelas lagrimas e suor de sangue que elle derramou; pelo seu silencio e
soffrimento; pelo temor, pela tristeza e agonia de seu corao; pelo
summo pejo que padeceo, vendo-se despido no Calvario aos olhos de todo o
povo; pelo incomprehensivel tormento da sua sde sem allivio; pela
ferida da lana, que lhe penetrou o seu lado amorosissimo; pelos grossos
cravos que traspassro as suas mos e ps sacrosantos; pela
recommendao, que elle fez da sua santissima alma a seu eterno Pae;
pela benigna misericordia, que elle usou com o bom ladro.

Pela honra e gloria da sua triumphante Resurreio; pelas apparies,
que elle vos fez, e aos Apostolos e Discipulos no espao de quarenta
dias; pela sua gloriosa Ascenso, em que  vossa vista, e dos mais fiis
foi elevado ao Co; pela graa do Espirito Santo, que elle derramou nos
coraes dos Discipulos em frma de linguas de fogo; pelo terrivel dia
do juizo, em que elle precedido d'um universal incendio, ha de vir a
julgar os vivos e os mortos.

Pela amorosa compaixo, e fidelissima sociedade, que neste mundo lhe
fizestes; pelo gozo ineffavel de vossa maravilhosa Assumpo, quando na
presena e companhia de vosso mesmo Filho, e de toda a crte celeste
fostes sublimada ao Empyreo, e nelle coroada de gloria e delicias
sempiternas; por tudo isto, Senhora, e por tudo o mais que
representar-vos posso, vos peo, minha Me amabilissima, que ouais os
meus rogos, me concedais e felicitais a supplica, que agora vos fao,
com toda a humildade e devoo que me  possivel. (_Aqui far meno da
especial rogativa_.) E como eu creio, conheo e confesso que o vosso
Filho sacrosanto vos attende e vos honra de tal modo, que nada vos nega,
nem deixa frustradas as vossas supplicas: espero e confio, minha adorada
Senhora, que experimentarei fiel e promptamente, plena e efficazmente, o
desejado soccorro de vossa maternal consolao, segundo a doura de
vosso corao misericordioso, todo conforme  benigna clemencia do vosso
Santissimo Filho.

E no s para o feliz despacho d'aquella especial rogativa, com que
agora invoco o vosso santo nome, e a poderosa virtude do vosso augusto
patrocinio; mas tambem para que vos digneis de impetrar-me uma viva f,
uma esperana firme; uma ardente caridade, uma contrico verdadeira;
uma digna e sufficiente satisfao; uma diligente cautella para o
futuro, um total desprezo do mundo, um inteno amor de Deus e do meu
proximo, uma imitao das dores do vosso amabilissimo Filho; e ainda a
mesma morte, quando deva padecla por seu respeito; um fiel cumprimento
nos meus votos, uma constante perseverana nas boas obras, uma continua
mortificao do meu amor proprio, um verdadeiro arrependimento de todos
os meus peccados no fim da minha vida; e por coroa de tudo, a perptua
gloriosa bemaventurana na deliciosa companhia, que l tambem quizera
ter com as almas de meus paes, de meus irmos e de meus parentes,
bemfeitores e amigos, assim vivos como defuntos, por todos os seculos
dos seculos. Amen.




METHODO DE OUVIR MISSA PERFEITAMENTE.


_Comeando o Sacerdote a Missa, se benze e comea o Psalmo_ Introibo ad
Altare Dei, etc.

_Ouvinte_. _Benze-se e diz_: Meu Deus, eu entro no vosso altar com o
mesmo sentimento de preces, que o vosso Ministro faz por si, e em nosso
nome: fazei que eu offera tambem a victima da nossa salvao com
espirito de f, de adorao, de penitencia e confiana sendo
particularmente do seu fructo por uma Espiritual Communho. (Continua o
Sacerdote).

_Sacerdote_. Confiteor Deo, etc.

_Ouvinte_. Deus Omnipotente se compadea de ns, e perdoados os nossos
peccados, nos conduza  vida eterna. Amen. Eu peccador me confesso a
Deus todo Poderoso, etc.

_Sacerdote_. _Subindo para o Altar, diz_: Oremos. Aufer nobis, etc.

_Ouvinte_. Apagai, Senhor, os nossos peccados, para que possamos entrar
no vosso Sanctuario com um corao puro.

_Sacerdote_. _Quando beija o Altar, diz_: Oremus te, Domine, etc.

_Ouvinte_. Senhor, rogamos-vos pelos merecimentos dos vossos Santos,
cujas Reliquias esto no Altar, e de todos os Bemaventurados, que nos
perdoeis os nossos peccados. Amen.

_Sacerdote_. _No meio do Altar diz trez vezes_: Kirie eleison, etc.

_Ouvinte_. Senhor, tende compaixo de ns. _Tres vezes_.

_Sacerdote_. _Continua quando diz_: Gloria in excelsis Deo.

_Ouvinte_. Gloria a Deus no Co, e aos homens paz na terra de boa
vontade: ns vos louvamos: ns vos bemdizemos: ns vos adoramos: ns vos
glorificamos: ns vos damos graas pela vossa gloria infinita.  Senhor
Rei do Co,  Deus Padre Omnipotente,  Senhor filho unico de Deus, Jesu
Christo,  Senhor Deus, cordeiro de Deus, filho do Padre, vs que tirais
os peccados do mundo, tende compaixo de ns; vs que tirais os peccados
do mundo, tende compaixo de ns: vs que tirais os peccados do mundo,
recebei a nossa deprecao: vs que estais assentado  direita do Pae,
tende compaixo de ns, porque s vs sois santo, s vs Senhor, s vs
Altissimo, e Jesu Christo com o Espirito Santo na gloria de Deus Padre.
Amen.

_Sacerdote_. _Vai para o lado da Epistola dizer as Oraes proprias do
dia, etc._

_Ouvinte_. Meu Deus, eu regulo os rogos da minha orao por aquelles
louvores, que vos tributa a Igreja na solemnidade d'este dia, unindo-me
ao espirito da mesma Igreja, que vos offerece este Sacrificio em louvor
da solemnidade ou do santo deste dia, em memoria dos seus merecimentos,
e em aco de graas pela sua santificao.

_Sacerdote_. _L a Epistola e Gradual_.

_Ouvinte_. As sagradas Epistolas que escrevro os vossos Apostolos,
para instruco dos fieis, esto cheias d'aquellas doutrinas, que me
ensino a observancia da vossa Lei para salvao da minha alma; fazei
que eu oua a vossa palavra, para vos obedecer, amar, e dar-vos
infinitas graas.

_Sacerdote_. _Passa para o outro lado, onde l o Evangelho_.

_Ouvinte_. Firmemente creio e confesso as palavras, que com a luz do
Espirito Santo escrevro os Evangelistas nos Santos Evangelhos;
palavras de vida em que nos expressastes os Dictames da vossa santa
Doutrina, e a memoria da vossa prodigiosa Vida, preciosa Morte, e
Sagrada Paixo.

_Sacerdote_. _Beija o Missal e diz_: Pe^s Evangelica, etc.

_Ouvinte_. Creio em Deus Padre todo Poderoso, etc.

_Sacerdote_. _Descobre o Calix, toma a Hostia na patena, e diz_:
Suscipe, Sancte Pater, etc.

_Ouvinte_. Recebei,  Pae Santo, Eterno Deus, e Omnipotente, esta Hostia
sem macula, que eu vosso indigno servo, espiritualmente vos offereo a
vs, que sois o meu Deus vivo e verdadeiro, por meus peccados, offensas,
e negligencias, que no tem numero, por todos os assistentes, e por
todos os fieis vivos e defuntos, para que a todos sirva de proveito para
alcanar a salvao e a vida eterna. Amen.

_Sacerdote_. _Depois de fazer o Calix, o offerece e diz_: Offerimus
tibi, Domine, etc.

_Ouvinte_. Senhor, ns vos offerecemos o Calix da nossa salvao,
supplicando  vossa clemencia, que o faais subir  presena da vossa
Divina Magestade, como um suave perfume, para a minha salvao, e de
todo o mundo. Amen.

_Sacerdote_. _Inclinado, diz_: In spiritu humilitatis, etc.

_Ouvinte_. Aqui estamos humilhados contrictos na vossa presena
recebei-nos, Senhor; e o nosso Sacrificio de tal sorte apparea diante
de vs, que em tudo vos seja agradavel. Amen.

_Sacerdote_. _Benze a Hostia e o Calix, depois de offerecidos, e diz_:
Veni, Sanctificator, etc.

_Ouvinte_. Vinde Sanctificador Deus Omnipotente abenoai este Sacrificio
preparado para gloria do vosso santo Nome. Amen.

_Sacerdote_. _Quando lava as mos, diz_: Lavabo inter innocentes, etc.

_Ouvinte_. Lavai, Senhor, as minhas mos, de toda a immundicie do
peccado, para que reduzido  innocencia da graa, s ande pelos caminhos
rectos da vossa Santa Lei.

_Sacerdote_. _Inclinado no meio do Altar, diz_: Suscipe, Santa Trinitas,
etc.

_Ouvinte_. Recebei,  Trindade Santa, esta oblao, que vos offerecemos
em memoria da Paixo, Ressureio, e Asceno de N. Senhor Jesu Christo,
e em honra da Bemaventurada sempre virgem Maria, de S. Joo Baptista,
dos Apostolos S. Pedro e S. Paulo, e de todos os Santos, para que sirva
de honra sua e salvao nossa; e para que aquelles, cujas memorias
celebramos na terra, se dignem interceder por ns l nos Ceus, por Nosso
Senhor Jesu Christo. Amen.

_Sacerdote_. _Volta-se para o povo e diz_: Orate frates, etc.

_Ouvinte_. Queira o Senhor receber das vossas mos este Sacrificio para
honra e gloria de seu nome, para nossa utilidade, e para o bem de toda a
Igreja.

_Sacerdote_. _Quando principia o Prefacto diz_: Vere dignum, et justum
est, etc.

_Ouvinte_.  justo, e de razo que em todo o tempo demos graas a vosso
Pae Omnipotente; e como no somos sufficientes por ns mesmos, permitti
que lhe tributemos comvosco as Adoraes, que os Anjos lhe do, e
digamos com elles:

_Sacerdote_. _Inclinado, diz_: Sanctus etc.

_Ouvinte_. Santo, Santo, Santo  o Senhor Deus dos Exercitos: os Ceus e
a terra esto cheios da Magestade da vossa gloria: Bemdito seja aquelle,
que vem em nome do Senhor: louvores lhe sejam dados l no Ceu.

_Sacerdote_. _Comea o Canon da Missa, e inclinado diz_: Te igitur,
clementissime Pater, etc.

_Ouvinte_. Pae Clementissimo, ns vos pedimos humildemente por Jesu
Christo vosso Filho, e Nosso Senhor, que acceiteis este santo sacrificio
sem macula, que vos offerecemos, em primeiro logar pela vossa Santa
Igreja Catholica, para que vos digneis dar-lhe paz, guarda-la, e
conserva-la em unio, e governa-la em todo o mundo justamente com o
vosso servo nosso Papa N., o nosso Rei N., e com todos os Catholicos, e
propagadores da F Catholica e Apostolica.

_Sacerdote_ comea o Memento dos vivos, e diz_: Memento Domine etc.

_Ouvinte_. Lembrai-vos Senhor, de mim, e de todos os fieis, que na santa
unio da Igreja vos reconhecem; principalmente d'aquelle por quem tenho
especial obrigao; (aqui pde especialisar a sua teno para quem lhe
parecer) eu vos rogo tambem por todos os que assistem a este santo
Sacrificio, cuja f, e devoo vos  patente, pelos quaes vos
offerecemos, ou vos offerecem este santo Sacrificio de louvor por si
mesmos, e por todos os que lhe pertencem, pela redempo das suas, e das
nossas almas, pela esperana da nossa salvao, e da sua conservao, e
que offerecemos os seus votos a vs Eterno Deus vivo, e verdadeiro.

_Sacerdote_. _Estendendo as mos sobre o Calix, diz_: Hane igitur, etc.

_Ouvinte_. Recebei, Senhor, favoravel e benignamente esta offerta de
reconhecimento da vossa Divina Magestade; e por ella concedei paz em
nossos dias, e fazei que sendo preservados da condemnao eterna,
sejamos contados no numero de vossos escolhidos.

_Sacerdote_. _Inclinando para consagrar, diz_: Qui pridie, etc.

_Ouvinte_. Omnipotente Deus, creio quo poderosa  a vossa Divina
palavra pois proferida pelo Sacerdote, faz que vosso filho Jesu Christo
desa do Ceu  terra, e converta a substancia de po e vinho no Corpo e
Sangue do mesmo Jesu Christo.

_Sacerdote consagra, e levanta a Hostia_.

_Ouvinte_. Adoro-vos, Corpo, Sangue, Alma e Divindade de meu Senhor Jesu
Christo elevado nas mos do Sacerdote sacramentalmente, o mesmo que foi
na realidade levantado na arvore da Cruz, em que morrestes para remedio
de meus peccados: vs sois o Cordeiro, que sacrificado  digno de
receber toda a honra, gloria e divindade.

_Sacerdote_. _Consagra e levanta o Calix_.

_Ouvinte_. Adoro-vos Calix do Sangue, Corpo, Alma e Divindade de meu
Senhor Jesu Christo, elevado nas mos do Sacerdote, o que foi derramado
na Cruz para redempo de meus peccados.

_Sacerdote_. _Cobre e adora o Calix, e diz_: Unde et memores, Domine,
etc.

_Ouvinte_. Senhor, ns que somos vossos servos, em memoria da Sagrada
Paixo de Jesu Christo, da sua Ressurreio dos mortos, e da sua Gloria,
Asceno ao Ceu, offerecemos a vossa Divina Magestade a Hostia benta,
pura e immaculada; o Po santo da vida eterna, e o Calix da salvao
perpetua. Acceitae, Senhor, este Sacrificio, assim como vos dignastes
receber as oblaes do justo Abel, o sacrificio do Patriarcha Abraho, e
a Hostia immaculada, que vos offereceu o vosso Santo Sacerdote
Melchisedech.

_Sacerdote_. _O Sacerdote se inclina profundamente, e diz_: Supplices te
rogamus, etc.

_Ouvinte_. Humildemente vos rogamos, Omnipotente Deus, que pelas mos do
vosso Santo Anjo seja levada esta offerta ao supremo Altar na presena
de vossa Divina Magestade para que todos os que participamos d'este
sacrificio do vosso Corpo e Sangue, fiquemos cheios da vossa beno, e
graa celestial.

_Sacerdote_. _Comea o Memento dos defuntos, e diz_: Mementum etiam etc.

_Ouvinte_. Lembrae-vos tambem, Senhor, das almas dos vossos servos, que
nos precederam signalados pelo signal da f, e descancem em paz. (aqui
especialisaro o que fr mais de obrigao) estes, Senhor, e todos que
descanam em espirito, vs lhes concedeis o logar do refrigerio, da luz,
e da paz, pelo mesmo Jesu Christo. Amen.

_Sacerdote_. Nobis quoque peccatoribus, etc.

_Ouvinte_. E tambem a ns peccadores, que confiamos na multido das
vossas misericordias, dae-nos parte e companhia com vossos Santos
Apostolos, Martyres, e Confessores, e Virgens, e todos os vossos Santos,
em cuja companhia vos pedimos nos admittaes, pelos merecimentos de vosso
Santissimo Filho Jesu Christo, porque por elle, com elle, e n'elle  que
a vs Deus, Padre Omnipotente pertence toda a honra e gloria na unidade
do Espirito Santo.

_Sacerdote_. _Levanta o Calix com a Hostia e depois diz_: Oremus, etc.
Pater noster, etc.

_Ouvinte_. Instruidos ns com o saudavel preceito, nos atrevemos a
dizer: Padre nosso que estaes no Ceu etc.

_Sacerdote_. _No fim do Pater noster, diz_: Libera-nos quaesumus, etc.

_Ouvinte_. Livrae-nos Senhor, de todos os males passados, presentes, e
futuros: concedei-nos por vossa bondade paz em nossos dias; e pela
intercesso da Virgem Maria, dos vossos Apostolos S. Pedro e S. Paulo, e
Santo Andr, e todos os Santos, pela vossa misericordia sejamos sempre
livres do peccado, e seguros de toda a perturbao.

_Sacerdote_. _Lanando a particula da Hostia no Calix diz_: Pax Domini
sit etc.

_Ouvinte_. Concedei-nos, Senhor, que a vossa paz seja sempre em nossos
coraes; elles sero ricos com este dom, que excede o nosso
conhecimento, como penhor da vida eterna.

_Sacerdote_. _Inclinando, e batendo no peito, diz_: Agnus Dei, etc.

_Ouvinte_. Cordeiro de Deus, que tiraes os peccados do mundo, tende
compaixo de ns (duas vezes). Cordeiro de Deus que tiraes os peccados
do mundo, dae-nos a paz (uma vez).

_Sacerdote_. _Diz as oraes, que precedem a Communho da Hostia e do
Calix, e depois diz_: Domine non sum dignus, etc.

_Ouvinte_. _Deve preparar-se com affectos de humilhao e adorao para
commungar espiritualmente, dizendo_: Senhor, eu no sou digno da menor
das vossas graas, com que vs me tendes enriquecido, quanto mais d'este
maior beneficio, qual  a participao do Sacramento do vosso Corpo: que
indigna morada  o meu corao para n'elle entrar vossa Divina Pessoa!
Ah, Senhor, dae graa a este pequeno Zaqueo, para que a saude venha
curar as feridas, com que a culpa manchou o domicilio da minha alma;
basta s a vossa palavra para que a minha alma seja salva; j que vos
dignaes de que eu indigno peccador vos receba em espirito, fazei em mim
um espirito novo, um corao puro, para que a participao do vosso
Corpo me no sirva de condemnao, mas sim de salvao  minha alma, e
remedio de meu corpo. Amen.

_Sacerdote_. _Contina com as oblaes_: Quod ore, etc.

_Ouvinte_.  Sagrado banquete,  Divino Mann, em que se gostam todas as
delicias, Po dos Anjos, que desceu do Ceu para alimento das almas
puras, mystica meza, em que se encontram todas as douras espirituaes, e
se renova vivamente a memoria do amor infinito, que o mesmo Jesu Christo
nos fez presente, vindo ao mundo, padecendo e morrendo na Cruz: eu vos
adoro e glorifico, Divino Pastor, que assim procurastes o pasto
espiritual a esta perdida ovelha para a introduzir no rebanho dos vossos
escolhidos.

_Sacerdote_. _Quando diz as ultimas oraes_: Postcom, etc.

_Ouvinte_. Dae-nos, Senhor, aquelle espirito de orao, sem o qual
ninguem pde bem orar; e como creio que a vossa Igreja  animada d'este
espirito, eu ajunto  sua inteno as minhas peties.

_Sacerdote_. _Lanando a beno sobre o povo diz_: Benedicat vos, etc.

_Ouvinte_. A beno de Deus Padre, Filho, e Espirito Santo santifique a
minha alma, e seja esta um signal da ultima beno, que ha de separar os
escolhidos para o reino do Ceu.

_Sacerdote_. _Vae dizer o Evangelho de S. Joo_: In principio erat
Verbum, etc.

_Ouvinte_. No principio era o Verbo, e o Verbo estava em Deus, e Deus
era o Verbo; todas as cousas foram feitas por elle, e nada do que se fez
foi feito sem elle; n'elle estava a vida e a vida era a luz dos homens:
a luz resplandece nas trevas, e as trevas no o comprehenderam: houve um
homem, mandado por Deus, que se chamava Joo: este veio ser testemunha,
para dar testemunho  luz, para que todos cressem por elle: elle no era
luz, mas veio para dar testemunho da luz. A luz verdadeira era aquelle,
que illustra todo o homem, que entra no mundo; estava no mundo, e o
mundo foi feito por elle, e o mundo no o conheceu. Veio para a sua
propria herana, e os seus no o conheceram: elle deu poder para se
poderem fazer filhos de Deus a todos aquelles que o receberam, e que
creram em seu nome, que no nasceram do sangue nem dos desejos da carne,
e habitou entre ns, e ns vimos a sua gloria, como a devia ter o Filho
unico do Pae; elle era cheio de graa, e de verdade. Demos a Deus as
graas.




OFFERECIMENTO DA MISSA.


Omnipotente Deus, agora que com a vossa graa acabo de assistir a este
Santo Sacrificio da Missa, novamente vos offereo a sacratissima,
infinita e adoravel Victima de vosso unigenito Filho Jesu Christo, com
todos os seus merecimentos, em unio d'aquella mesma inteno com que a
Santa Madre Igreja vo-la offereceu no Sacrificio do altar; elle o est
offerecendo eternamente no Ceu. E finalmente applicando o fructo de
graas e indulgencias, que, como participante d'este Sacrificio, cheguei
a lucrar pela intercesso da sempre Virgem Maria, e de todos os Santos,
especialmente d'aquelle em cuja memoria se vos dedicou esta Missa, vos
peo:

_Primeiro_. Para mim graa para vos servir e no offender; perseverana
na virtude at o fim da vida; auxilio para vencer as tentaes
d'aquelles vicios, que mais dominam as minhas paixes; e dos bens
temporaes aquelles, que vs, Senhor, sabeis que me convm, e podem
conduzir para maior gloria vossa, e minha salvao.

_Segundo_. Vos rogo pelo augmento e propagao da vossa Santa F
Catholica e extirpao das heresias.

_Terceiro_. Vos rogo pelo estado e conservao da Santa Madre Igreja
Catholica, e todos os seus respeitaveis Prelados, para que na unio do
supremo Pastor doutrinem, e governem em paz o rebanho dos fieis.

_Quarto_. Pela paz entre os Principes Christos, em particular pelo
estado e conservao do nosso Reino, e seus Fidelissimos Reis e mais
Familia Real.

_Quinto_. Pelos meus parentes, amigos e inimigos, por todos os
necessitados, pelos que esto em agonia de morte, pelos que esto em
peccado mortal, para que se reduzam  verdadeira penitencia; e pelos que
esto em vossa graa, para que os conserveis n'ella. E em particular,
Senhor, vos rogo por aquelles, que devo, e estou obrigado a rogar.

_Sexto_. Pelas almas do Purgatorio por modo de suffragio, para que sendo
acceitaveis para a sua satisfao os infinitos merecimentos de vosso
Filho Jesu Christo, lhes perdoeis as penas que padecem, e os leveis a
lograr a vossa vista eternamente ao Ceu. Amen.


ADVERTENCIA.


Advirtimos a todos, que lerem com atteno este devotissimo modo de
ouvir Missa, faam uma reflexo sria sobre a sua pratica, e acharo:
_Primeiro_, uma consolao interior, entrando no conhecimento do que  o
Sacrificio da Missa, e o methodo de assistir a ella com perfeio, pela
participao das suas oraes, e santas ceremonias. _Segundo_, como se
lhe faz necessario o estarem sempre com atteno a este Santo
Sacrificio, para poderem acompanhar o Sacerdote nas aces, que elle
excita. _Terceiro_, que assim evitam as distraces do pensamento, da
vista, e das criminosas conversaes, que costumam misturar, em quanto
ouvem Missa. _Quarto_, a decencia e devoo com que necessariamente
estaro no Templo, evitando a v e peccaminosa curiosidade de verem, e
serem vistos, antes edificando-se mutuamente, pois s cuidam em
empregarem os olhos, e a atteno no que vem exercitar no altar.




MODO DE REZAR

A COROA DAS DORES _DE MARIA SANTISSIMA_,


     _A qual consta de sete Mysterios, e cada um delles de um Padre
     Nosso, e sete Ave Marias, e no fim tres Ave Marias em memoria das
     lagrimas da Senhora_.


ACTO DE CONTRIO.


Na presena de vossa Soberana Magestade, meu Jesus, humildemente
prostrado, me confundo na considerao da vossa infinita bondade, e dos
meus gravissimos peccados. Havei piedade de mim, meu Deus, concedei-me o
perdo das minhas culpas, que de todo o corao vo-lo peo. Peza-me,
Senhor, de vos ter offendido por serdes quem sois, to bom, to santo, e
to amavel: proponho nunca mais vos offender, nunca mais peccar. Ouv-me
pelas excessivas dores de vossa Santissima Me. E vs, piedosissima
Virgem Me, e Senhora, Maria Santissima, acceitai este obsequio, que
agora vos fao em memoria das vossas Dores; e por ellas vos peo,
Senhora, que me alcanceis a graa de uma verdadeira converso, e
arrependimento dos meus peccados, e todos aquelles bens espirituaes, e
temporaes, que me so convenientes. Tambem fao teno de lucrar todas
as indulgencias concedidas a esta Coroa, das quaes eu applico a mim as
que puder lucrar em satisfao dos meus peccados, e as outras pelas
almas do Purgatorio, conforme a ordem da justia, e caridade. Amen.

_Deus in adjutorium meum intende.
Domine, ad adjuvandum me festina.
Gloria Patri, et Filio, et Spiritui Sancto, etc._


I. DOR.

_Na Profecia de Simeo_.


Nesta primeira Dor contemplemos, que tal seria a afflico da Senhora,
ouvindo a profecia de Simeo, a qual lhe profetizava que aquelle Menino
havia de ser ruina para muitos, e que na sua morte uma espada de dor
traspassaria a sua purissima alma.

P. N. e sete A. M. e Gl. P. etc.


Santissima Virgem, pela cruel espada que traspassou vossa Alma na
profecia de Simeo, alcanai-nos de Deus que no sejamos daquelles, para
quem, conforme essa profecia, o Senhor ha de ser ruina; mas que antes
seja para ns eterna Resurreio. Amen.


II. DOR.

_Na fugida para o Egypto_.


Nesta segunda Dor contemplemos qual seria a afflico da Senhora,
vendo-se obrigada a fugir para o Egypto pela perseguio de Herodes, que
impiamente buscava o seu amado Filho para o matar.

P. N. e sete A. M. e Gl. P. etc.


Santissima Virgem Maria, por aquelle susto e afflico, com que hieis
fugindo de Herodes para o Egypto, vos pedimos nos alcanceis uma efficaz
resoluo de fugir a todas as occasies de peccar, e nos ampareis em
quanto andamos desterrados neste mundo. Amen.


III. DOR.

_Na perda do menino Deus no Templo_.


Nesta terceira Dor contemplemos qual seria a afflico, que a Senhora
padeceo, quando perdeo a seu Santissimo Filho no Templo de Jerusalem, e
tres dias o chorou perdido, sem o achar.

P. N. e sete A. M. e Gl. P. etc.


 Virgem Santissima, pela inconsolavel mgoa e dor do vosso corao,
quando perdestes o vosso Filho saindo do Templo, alcanai-nos graa para
que no o percamos jmais por nossas culpas. Amen.


IV. DOR.

_No encontro com seu Filho caminhando para o Calvario_.


Nesta quarta Dor, que a Senhora padeceo, contemplemos qual seria a
afflico, que penetrou a sua purissima alma, quando se encontrou com
seu amado Filho, que desfigurado, e oprimido caminhava para o monte
Calvario com a pesada Cruz s costas.

P. N. e sete A. M. e Gl. P. etc.


 Virgem afflictissima, por aquella dor cruel, que sentio o vosso
corao, quando vistes o vosso Filho caminhando com a Cruz para o monte,
concedei-nos uma grande dor dos nossos peccados, e uma terna compaixo
dos seus tormentos. Amen.



V. DOR.

_Na morte do Innocentissimo Jesus_.


Nesta quinta Dor contemplemos qual seria a angustia, que a Senhora
padeceo ao p da Cruz, quando vio expirar a seu amado Filho, crucificado
entre dous ladres, derramando sangue por todas as partes do seu
Santissimo Corpo.

P. N. e sete A. M. e Gl. P. etc.


 Rainha dos Martyres, e afflictissima Senhora, por aquella inexplicavel
angustia da vossa Alma, quando vistes expirar na Cruz o vosso amado
Filho, fazei que se aproveite em ns o fructo de to custosa morte.


VI. DOR.

_Ao receber nos braos o Corpo do Salvador_.


Nesta sexta Dor contemplemos, que afflico teria a Senhora, quando
tirado o seu amado Filho da Cruz, to deshumanamente morto, lho puzero
nos seus santissimos braos.

P. N. e sete A. M. e Gl. P. etc.


 Me de piedade, pela mgoa da vossa Alma afflictissima, quando vieis
nos vossos braos o amado Filho ensanguentado, e morto, vos pedimos que
depositeis no nosso corao esse Cadaver sacrosanto, para que nunca
percamos da memoria a Paixo do vosso Filho. Amen.


VII. DOR.

_Na triste Soledade da Senhora_.


Nesta setima Dor contemplemos qual seria a pena que teve a Senhora,
quando, depois de sepultarem o SS. Corpo de seu Filho, ficou padecendo a
mais dolorosa soledade.

P. N. e sete A. M. e Gl. P. etc.


 Saudosissima Senhora, pela dor inexplicavel que padecestes no tempo da
vossa Soledade, vos pedimos que nos communiqueis uma viva saudade de
Deus e que nunca jmais percamos a sua amisade. Amen.


MEMORIA DAS LAGRIMAS DA SENHORA.


     _Seguem-se tres Ave Marias, e depois dir-se-ha a seguinte_


ORAO.


Sentidissima Senhora, pelas amargosas lagrimas, que chorastes no tempo
da vida, e morte do vosso amado Filho, nos concedei chorar tanto os
nossos peccados, que vos possa consolar a nossa contrio. Amen.

[/V.] Rogai por ns, Virgem afflictissima.

[/R.] Para que sejamos salvos pela Paixo de Christo.


ORAO.


Meu Senhor Jesu Christo, em cuja Paixo, e Morte, conforme a profecia de
Simeo, uma espada de dor traspassou a dulcissima Alma de vossa Me
innocentissima; pelas suas lagrimas, e merecimentos nos concedei gozar
do preciosissimo fructo de vossa Paixo, e Morte. Amen.




ACTOS DE F ESPERANA E CARIDADE.


     _Que se devem fazer todas os dias_.


Meu Deus, eu creio firmemente tudo quanto a Santa Igreja me prope para
crer. Creio que vs sois o meu Deus, Creador de tudo, que por uma
eternidade premiais os justos com o Co, e castigais os peccadores com o
inferno. Creio que vs sois um na Essencia, e Trino nas Pessoas, Padre,
Filho, e Espirito Santo. Creio a Incarnao, Morte, e Resurreio de
Jesu Christo. Creio finalmente tudo quanto cr a Santa Igreja Catholica
Romana, porque vs Bondade, e Verdade o dissestes. Dou-vos graas por me
haverdes feito Christo, e protesto que nesta Santa F quero viver, e
morrer.


Meu Deus, fiado nas vossas promessas, porque vs sois poderoso, fiel, e
misericordioso, espero pelos merecimentos de Jesu Christo o perdo dos
meus peccados, a perseverana final, e a gloria do Ceo.


Meu Deus, eu vos amo com todo o meu corao, e com toda a minha alma,
porque sois um bem infinito, e digno de todo o amor; e amo tambem a
todos os meus proximos, e ainda quelles, que me tem feito mal, porque
vs assim o mandais.


Misericordia, Senhor, para este peccador, que est aos vossos ps
arrependido: peza-me de vos ter aggravado, porque peccando offendi a um
Deus de infinita Magestade, e de infinita Bondade, como vs sois:
proponho ajudado com a vossa graa, de vos no offender mais; e tambem
prometto de receber os Santos Sacramentos, assim em vida, como na morte,
para gloria do vosso nome, e triunfo da vossa misericordia. Amen.




DEVOO AO SS. SACRAMENTO.

_Para a hora, e dia em que foi instituido_.


Queixando-se Christo Senhor nosso a alguns servos seus da grosseira
ingratido, com que os mortaes se esquecem do extremoso amor, com que se
deixou ficar comnosco no Divino Sacramento, soffrendo em todos os
seculos tantos desacatos, e irreverencias, s por estar, e assistir
comnosco; porque a sua delicia foi sempre a companhia dos homens:
_Deliciae meoe esse cum filiis hominum_: costumo algumas almas devotas,
e amantes deste Senhor, desaggrav-lo no modo possivel, fazendo memoria
do dia, e hora, em que o Senhor instituio este admiravel Sacramento, e
deste modo tributo ao Senhor todos os obsequios, que lhes ministra a
sua devoo, se no os devidos quella Suprema Magestade, ao menos os
que cabem na nossa humilde, e curta capacidade:

(Expem-se aqui alguns para quem quizer seguir estes devotos coraes, e
participar dos merecimentos, e oraes de tantas almas, que fazem este
exercicio, e rogo por todos aquelles, que nelle s acompanho.)

(O dia da Instituio do Divino Sacramento foi (como referem os
Evangelistas[*]) na vespera da Morte do Senhor, e na sentena de muitos
Padres, foi a quinta feira 24 de Maro. A hora, a das oito para as nove
da noite, conforme a commum opinio de muitos Authores.

Esta pois, se for possivel, ou outra qualquer que for mais commoda,
gastar o Fiel em oraes vocaes, ou mentaes, prostrado com a mais
profunda humildade na presena d'este amante Senhor, e chegando  sua
presena, far uma profunda adorao, convidando ao Anjo da sua guarda,
e aos mais, que alli assistem, para que adorem ao mesmo Senhor, e o
ajudem nesta Devoo.

_Depois de um fervoroso Acto de Contrio, dir_:


I.


Oh clementissimo Senhor, e Deus omnipotente, todo brando, e amoroso,
todo suave, e doce, prostrado ante o Regio Throno da vossa Grandeza, vos
peo licena para nesta hora entrar na vossa presena, louvando vossa
Misericordia immensa, adorando vossa Magestade incomprehensivel, e
amando vossa Bondade infinita. Illustrai meu entendimento, inflammai
minha vontade, e ensinai-me, Senhor, como estarei com a devida
reverencia a vossos ps; com que modo vos agradecerei este favor; que
Hymnos cantarei em louvor d'esta merc, e em obsequio deste beneficio.
Bem vedes, Senhor, a minha pobreza; dai-me o que devo offerecer-vos:
sendo vs a maior davida, a vs mesmo vos offereo em agradecimento
della.


II.


Oh Pae Eterno, recebei, Deus meu, em aco de graas, e dignissimos
louvores, pelo amor, que nos mostrastes, os que vosso Filho Unigenito
vos deo desde sua Incarnao, at sua Morte na Cruz; e particularmente
quando instituio este Divino Sacramento; porque, conhecendo quo
limitados eramos para agradecer este favor, levantando seus olhos a vs,
seu Omnipotente Pae, em nome de ns todos vos deo as graas.


III.


Recebei,  Pae Santissimo, tambem os louvores, e graas, que minha Me,
e Senhora, a Virgem Purissima vos deo, quando este Senhor se
sacramentou, e quando ella o recebeo em suas entranhas purissimas.


IV.

Bemdigo-vos, Deus meu, nesta hora comigo, pelo que obrastes, todos os
Angelicos Espiritos, que no Throno de vossa Magestade vos assistem,
tremendo em vossa presena, cantando continuamente: _Sanctus, Sanctus,
Sanctus_.


V.

Louvem-vos, Sacramentado Senhor, nesta hora comigo, e sempre engrandeo
esta admiravel obra, este maravilhoso invento, esta prodigiosa dadiva, e
este incomprehensivel favor, todos os Cortezos do Ceo; alegrem-se em
seus magestosos lugares; alternem suavissimos Canticos; lancem em vossa
presena suas coroas, e victoriosas insignias; dem-vos milhares, e
milhares de adoraes, e graas; porque estreitando-vos a uns limitados
accidentes, vos dstes por sustento a nossas almas.

Vinde, vinde, todas as almas amantes deste Senhor, e choremos na sua
presena com lagrimas de sangue da mais penetrante dor a ingratido, com
que  correspondido seu excessivo amor, as irreverencias, com que 
tratado, e a frouxido, com que  assistido.

 maravilhoso sacramento, eu vos adoro, eu vos bemdigo, louvo e
engrandeo. Vs sois o Po do Ceo, sustento dos Anjos, manjar da vida!
Vs sois o esforo da nossa fraqueza, companhia da nossa peregrinao,
alegria do nosso desterro.

Como pois, conhecendo vs minha indignidade, me no excluistes deste
favor? Como me chamais para vos receber neste soberano convite? Aqui
venho Senhor, aqui estou, aqui chego a buscar em vs arrependimento,
graa, conhecimento, e mais e mais amor.

_Seguem-se vinte e quatro Adoraes para reparar as injurias, que se
fazem ao Senhor nas vinte e quatro horas do dia. Estas Adoraes se
devem fazer mais com o espirito, do que com as vozes_.


I.


Eu vos adoro, Divindade escondida, e vos conheo dignissima de toda a
honra; eu vos offereo em satisfao das injurias commettidas na vossa
mesma presena, as adoraes que vos tributou a Santissima Virgem, vossa
Me, no primeiro instante da vossa Conceio em suas castissimas
entranhas; eu vos rogo me faais a graa de poder com a mesma purissima
Senhora eternamente dizer e cantar: Bemdito e louvado seja o Santissimo
Sacramento para sempre.


II.


Eu vos adoro, Humanidade Sagrada, e sempre unida ao Divino Verbo, e vos
reconheo infinitamente amavel; eu vos offereo, em satisfao das
irreverencias feitas na vossa Divina presena, os respeitos de todos os
Anjos e Archanjos, com os quaes espero eternamente dizer e cantar:
Bemdito e louvado, etc.


III.


Eu vos adoro, Jesus, meu doce Salvador, e vos reconheo sempre adoravel
e eterno: eu vos offereo em reparao das blasfemias, que se tem
proferido na vossa Divina presena, os louvores de todos os Cros dos
Principados, com os quaes espero eternamente cantar: Bemdito e louvado,
etc.


IV.


Eu vos adoro, Soberano Senhor do Universo, e vos reconheo sempre
adoravel e independente: eu vos offereo, em satisfao das minhas
indevoes, commettidas na vossa Divina presena, os piedosos affectos
das Dominaes, com as quaes espero eternamente dizer e cantar: Bemdito
e louvado, etc.


V.


Eu vos adoro, verdadeiro Rei, e Senhor do meu corao, e vos reconheo
universal Rei de todos os seculos: eu vos offereo em satisfao das
iras commettidas na vossa Divina presena, o zelo de todos os Thronos,
com os quaes espero eternamente dizer, e cantar: Bemdito, e louvado,
etc.


VI.


Eu vos adoro, vigilante Pastor, e vos reconheo infinitamente bom e
agradavel: eu vos offereo, em satisfao das ignorancias culpaveis, que
so causa de vos offendermos todos os dias, os sublimes conhecimentos
dos Querubins, com os quaes espero eternamente dizer, e cantar: Bemdito,
e louvado, etc.


VII.


Eu vos adoro, meu amado, e meu unico Esposo, eu vos reconheo,
inviolavelmente fiel: eu vos offereo, em satisfao de todas as
tibiezas, e frouxides, na vossa Divina presena commettidas, o fervor
de todos os Serafins, com os quaes espero eternamente dizer, e cantar:
Bemdito, e louvado, etc.


VIII.


Eu vos adoro na Sagrada Hostia, meu amigo cordialissimo, e sincero, e a
vs unicamente reconheo immortal, e immutavel: eu vos offereo, em
satisfao das desesperaes, diante de vs commettidas, a esperana de
todos os Santos Patriarchas, com os quaes espero eternamente cantar:
Bemdito, e louvado, etc.


IX.


Eu vos adoro, meu amabilissimo Pae, e vos reconheo principio de todo o
meu ser: eu vos offereo, em satisfao dos erros contra vs concebidos,
 F de todos os Apostolos, com os quaes espero eternamente cantar:
Bemdito, e louvado, etc.


X.


Eu vos adoro, meu amabilissimo, e rectissimo Juiz, e vos reconheo
infinitamente misericordioso: eu vos offereo, em satisfao das
duvidas, que se tem concebido sobre vossa Real presena no Santissimo
Sacramento, a firmeza dos Evangelistas com os quaes espero eternamente
dizer, e cantar: Bemdito e louvado, etc.


XI.


Eu vos adoro, caritativo Pastor de minha alma, e vos reconheo
infinitamente sabio: eu vos offereo, em satisfao das vinganas
concebidas na vossa presena, a paciencia dos Martyres, com os quaes
espero eternamente dizir, e cantar: Bemdito, e louvado, etc.


XII.


Eu vos adoro, favoravel Advogado, e vos reconheo summamente poderoso:
eu vos offereo em reparao das negligencias, na vossa presena
commettidas, o cuidado das Almas, que tem tido os Santos Pontifices, com
os quaes espero eternamente dizer, e cantar: Bemdito, e louvado, etc.


XIII.


Eu vos adoro, Hostia Sagrada, e vos reconheo como fonte das graas, e
benes, que mano para nossas almas: eu vos offereo em reparao de
todos os latrocinios, que se tem commettido na vossa Divina presena, as
esmolas, que tem dado todos os Santos Prelados, com os quaes espero
eternamente dizer, e cantar: Bemdito, e louvado, etc.


XIV.


Eu vos adoro, meu sabio, e incomparavel Mestre, e vos reconheo
infinitamente bom, e sciente: eu vos offereo, em satisfao de todos os
escandalos commettidos na vossa presena, o zelo de todos os Prgadores
santos, com os quaes espero eternamente dizer, e cantar: Bemdito e
louvado, etc.


XV.


Eu vos adoro, verdadeiro Author, e conservador da minha vida, e vos
reconheo eternamente glorioso: eu vos offereo, em reparao dos
sacrilegios commettidos na vossa Divina presena, a devoo de todos os
Santos Confessores, com os quaes espero eternamente dizer, e cantar:
Bemdito, e louvado, etc.


XVI.


Eu vos adoro, verdadeiro Po Eucharistico, e vos reconheo mais suave,
que todas as douras da terra; eu vos offereo, em satisfao dos
juramentos feitos na vossa presena, as palavras santas, que tem
proferido em vossa honra os Santos Doutores da Igreja, com os quaes
espero eternamente dizer, e cantar: Bemdito, e louvado, etc.


XVII.


Eu vos adoro, Alimento Celeste, e Divino e vos reconheo mais delicioso,
que todos os nctares do mundo: eu vos offereo em satisfao dos
excessos diante de vs commettidos, a sobriedade dos santos Anacoretas,
com os quaes espero eternamente dizer e cantar: Bemdito e louvado, etc.


XVIII.


Eu vos adoro, Divina Hostia de meu peito, e vos reconheo por magnifico
Bemfeitor de todos os homens: eu vos offereo, em reparao de todos os
escarneos, que se tem feito dos vossos Sacerdotes, as homenagens que vos
rendem os santos Religiosos, com os quaes espero eternamente dizer e
cantar: Bemdito e louvado, etc.


XIX.


Eu vos adoro, precioso e saudavel Antidoto, e vos reconheo
infinitamente poderoso para tirar os peccados do mundo: eu vos offereo,
em satisfao de todas as distraces, que se tem commettido na vossa
presena, os extasis, e elevao de todos os santos Eremitas, com os
quaes espero iternamente dizer, e cantar: Bemdito e louvado, etc.


XX.


Eu vos adoro, Sacratissimo, e Eterno Presbytero, e vos reconheo digno
de todos os obsequios dos homens; eu vos offereo em reparao de todas
as injurias feitas s vossas Virgens, o amor das santas Virgens, com as
quaes espero eternamente dizer, e cantar: Bemdito, e louvado, etc.


XXI.


Eu vos adoro, incomparavel Sacrificador, e Sacrificio, e vos reconheo
mais incomparavelmente digno de respeito que todos os sacrificadores,
que vos tem precedido: eu vos offereo, em satisfao das indecentes
aces, executadas no tempo da Santa Missa, os tributos de amor e
reverencia, que vos tem as santas Viuvas, com as quaes espero
eternamente dizer, e cantar: Bemdito, e louvado, etc.


XXII.


Eu vos adoro, fogo inextinguivel, e vos reconheo capaz de abrasarem
vossas chammas os coraes de todos os homens: eu vos offereo, em
satisfao de todas as impurezas commettidas na vossa Divina presena, a
pureza de todas as santas Mulheres, com as quaes espero eternamente
dizer e cantar: Bemdito e louvado, etc.


XXIII.


Eu vos adoro, meu Deus, e meu amado Redemptor, e vos reconheo por
Salvador de todos os homens; eu vos offereo, em satisfao de todos os
mos pensamentos, concebidos na vossa presena, a perpetua lembrana, e
pensamentos continuos, que em vs tem os Bemaventurados, com os quaes
espero eternamente dizer e cantar: Bemdito e louvado, etc.


XXIV.


Eu vos adoro, Divino Verbo, nessa Hostia escondido, e vos reconheo
digno de ser somente o objecto do meu amor: eu vos offereo, em
satisfao das ingratides que se tem commettido na vossa presena, os
agradecimentos que vos tributa a gloriosa sempre Virgem Maria, com a
qual espero eternamente cantar: Bemdito e louvado, etc.

_Depois das vinte e quatro Adoraes, se podem dizer estas cinco Oraes
que se seguem_.

Bemdito e louvado seja o Santissimo Sacramento do Altar por todos os
Anjos e por todos os homens, sem fim. Amen.

_Gloria Patri, et Filio et Spiritui Sancto. Sicut erat in principio,
etc._

Adoro-vos, meu Senhor Jesus Christo, que no Horto fostes affligidissimo,
e no Sacrosanto Sacramento ainda agora sois desprezado pelos homens
ingratos: confesso, meu Deus, que s vs sois Senhor, s vs sois Santo,
s vs sois Altissimo.


ORAO.

Amantissimo Redemptor meu Jesus Christo, que dissestes: Vinde a mim
todos os que trabalhais e estais canados, que vos esforarei; aqui
chegamos  vossa presena opprimidos com o peso de nossas culpas, e ms
inclinaes; mas com grande dr de vos haver offendido, e proposito de
vos no aggravar mais. Fazei, Senhor o que promettestes, dando-nos, por
virtude deste Sacramento Augusto, o esforo, alento e graa, com que
vencendo-nos a ns mesmos nesta vida, alcancemos o premio na eterna.

_Bemdito e louvado, etc. Gloria Patri, etc. Adoro-vos, etc._


ORAO.

Oh summo Sacerdote Christo Jesus, bom Pastor, que no altar da Cruz vos
offerecestes em sacrificio, dando a vida por vossas ovelhas, e agora as
alimentais com o vosso Sagrado Corpo, e Sangue: peo-vos,  amantissimo
Jesus, pelo amor de vossa Santissima Me, no permittais que ande
errada, e como ovelha perdida, pelas maldades deste Mundo, mas com o
Manjar deste Divino Sacramento nos sustentai em vossa graa, e no gremio
da vossa Igreja. Amen.

_Bemdito, etc. Gloria, etc. Adoro-vos, etc._


ORAO

Oh Rei da Gloria, Christo Jesus, e meu Amor, que para repetidas vezes
vos unirdes com as almas, instituistes esse Divino Sacramento, e
celestial Convite, ao qual vimos pedindo pelas entranhas da Sagrada
Virgem Maria, vossa, e nossa Mae, em as quaes celebrastes os primeiros
desposorios, e unio com a natureza humana, nos adorneis com a nupcial
veste da vossa graa para que, recebendo-vos dignamente, se uno
comvosco nossas Almas, e as faais dignas da eterna gloria. Amen.

_Bemdito, etc. Gloria, etc. Adoro-vos, etc._


ORAO.

Esposo celestial, Jesu Christo, meu amor, que estando para partir deste
mundo para o Eterno Pae, nos deixastes por prenda do vosso amor, e para
alivio da vossa ausencia a este Santissimo Sacramento, por essa mesma
infinita caridade vos pedimos graa para no admittir em nossos coraes
outro alivio, affeio, e amor n'este desterro, e penosa ausencia, seno
este Divino penhor da vossa gloria, at que por sua virtude vamos gozar
da sua vista na Bemaventurana. Amen.

_Bemdito, etc. Gloria, etc. Adoro-vos, etc._


ORAO.

Dulcissimo Amor, Jesu Christo, que no Paraso de vossa Igreja puzestes
esta arvore de vida, este veneravel Sacramento, cujo fructo sois vs
mesmo, para saude das enfermidades das almas. Aqui, Senhor, apresentamos
as nossas, e vos fazemos patentes estes coraes. Sarai o que est
enfermo; confortai o que est debilitado; levantai o que est cahido; e
abrasai-nos no fogo do vosso amor, para que, consumindo em ns tudo o
que vos desagrada, mereamos a unio, que desejais ter comnosco neste
Divino Sacramento. Amen.




O TANTUM ERGO

_Em Portuguez_.


Este grande Sacramento
Humildemente adoremos:
Da antiga Lei as figuras
Cedo ao Novo Mysterio:
 fraqueza dos sentidos
Sirva a f de supplemento.
Ao Pae, ao Filho igualmente
Louvores mil tributemos:
Seus, altos dons ineffaveis
Por justo tributo honremos:
Ao que de ambos procede
Os mesmos louvores demos.

[/V.] Vs, Senhor, lhes concedestes o Po Celestial.

[/R.] Que em si encerra toda a doura.


OREMOS.

Deus, que nos deixastes debaixo do Sacramento admiravel a memoria de
vossa Paixo: ns vos pedimos que concedais, que ns veneremos os
Sagrados Mysterios do vosso Corpo, e Sangue, de modo que sintamos sempre
em ns o fructo da vossa Redempo: Vs que viveis, e reinais por todos
os Seculos dos Seculos. Amen.

_Uma Estao por todos os que exercito esta santa Devoo_.


ORAO.

Eu vos rogo, amantissimo Esposo da Santa Igreja, que della vos lembreis.
Assisti-lhe, Senhor, incessantemente, e a regei com o vosso espirito.
Dai a seus Ministros o fervor santo; infundi em todos os Fieis a divina
reverencia aos altissimos mysterios, que ella nos prope, e ensina.
Concedei-lhe, vos peo, aquella paz, que s vs podeis dar; e fazei, que
tranquilla vos sirva com todos os seus filhos em perfeito amor, e
caridade. Convertei, Senhor, os hereges, e pagos, para que o nmero dos
Fieis perpetuamente se multiplique. Lembrai-vos tambem, e tocai
fortemente os coraes de todos aquelles que tendo f, e nome de
Christos, com suas obras desprezo, e deshonro esta santa F, que
professo. Em fim, amoroso Pae, e Pastor benigno, conservai aos justos
em vossa graa, defendei-nos dos furiosos lobos, que nos cerco, e
desejo tragar: e fazei que cada dia cresamos todos em vosso amor, e
agrado. Amen.

Senhor meu Jesu Christo Deus homem, e filho do Deus vivo, eu vos adoro,
louvo, e bemdigo, glorifico, e engrandeo de todo o meu corao.
Confesso, e creio com inteira, e firme f, que estais neste Divino
Sacramento, Deus e homem verdadeiro, encerrado por modo maravilhoso.

Adoro-vos, Omnipotente Deus todo poderoso, com aquella adorao de
Latria, que se deve  vossa immensa Magestade.

Adoro-vos, Po vivo, e soberano, que descestes do Ceo para dardes vida
ao mundo.

Adoro-vos, veneravel Sacramento, que sois thesouro de todas as virtudes,
e graas.

Adoro-vos, Sacrificio entre todos santissimo, que aplacais a Deus, e
santificais as almas.

Adoro-vos com toda a minha alma, verdadeiro Corpo, e Sangue de meu
Senhor Jesu Christo, nascido das purissimas Entranhas da Virgem Maria.

Adoro-vos, Cordeiro de Deus que tirais os peccados do mundo.

Adoro-vos, maravilhoso Sacramento de amor, que sois vida dos Espiritos,
e novo manjar dos Anjos.

Adoro-vos, altissimo Mysterio da F Catholica.

Adoro-vos, Deus escondido, e Salvador do mundo.

Adoro-vos, Hostia santa, e Calis de Beno.

Adoro-vos, precioso preo da nossa Redempo.

Adoro-vos, Milagre estupendo sobre todos os milagres.

Adoro-vos, Divino Sacramento, que sois memorial, e compendio das obras
do amor, e maravilhas de Deus.

Adoro-vos, Divino Viatico dos enfermos, que sois remedio immortal, e
saudavel.

Adoro-vos, Jesus, resplandor da gloria do Pae.

Adoro-vos, Divino Verbo, Sabedoria eterna.

Adoro-vos, Legado precioso do Testamento de Christo.

Adoro-vos, suavissimo Banquete de Deus, no qual assistem os Anjos
ministrando.

Adoro-vos, Divino Mantimento, pelo qual os filhos dos homens se fazem
filhos de Deus.

Adoro-vos, Po vivo, e sobresubstancial, por virtude do qual o Creador
se une  creatura, e o homem mortal se transforma em Deus.

Adoro-vos, meu Deus, aqui para a f encoberto, e l no Ceo descoberto em
clara viso aos Santos, e Anjos.

Adoro-vos, Fonte perenne de celestiaes deleites.

Adoro-vos, Refeio espiritual das almas castas, e devotas.

Adoro-vos, Sacramento de piedade e vinculo de amor entre Deus, e os
homens.

Adoro-vos, sagrado Man, que esforais os coraes, e alegrais os
espiritos dos que vos comem.

Adoro-vos, Divino Sacramento, que sois vida de nossas almas, remedio de
nossas chagas, e consolao de nossos trabalhos, a quem os Anjos do Ceo
adoro.

Adoro-vos, Rei Eterno, que para mostrades as riquezas de vosso Imperio,
fizestes este grande convite, ao qual chamais todos os subditos da vossa
espiritual Monarquia. Ditosos os que se no escuso deste admiravel
favor, e para vos receber trazem a devida disposio!

Oh incomparavel Bondade! Oh salutifero Manjar, pelo qual os filhos dos
homens sobem  dignidade de filhos de Deus!

Oh Divino Po, como s doce, e cheio de doura!

Oh meu doce Jesus, e Senhor Sacramentado! Quem me dra, amado meu o
amor, e a pureza dos Serafins para alternar aqui com elles em vossa
presena muitas vezes: _Santo, Santo, Santo_; e tambem _Santissimo,
Santisssimo, Santissimo Sacramento da minha alma; Santissimo Sacramento
do meu corao; e Santissimo Sacramento da minha vida_.

Santissimo, quando Sacrificio nos impetrais perdo dos peccados.

Santissimo, quando Sacramento, illustrais nossas almas com a Divina
graa.

Santissimo, quando Esposo, uns os coraes com o Divino Ser.

Santissimo, quando Viatico, acompanhais as almas ao sahir desta vida.

Santissimo quando Suffragio, alliviais as almas, ou as livrais do
Purgatorio.

E Santissimo, quando Penhor da gloria metteis as almas pelas portas do
Ceo, e as fazeis gozar da eterna Bemaventurana.




ADORAO DE SANTO THOMAZ AO SS. SACRAMENTO.


Adoro-vos, Divindade escondida, que debaixo desses accidentes,
verdadeiramente estais occulta. O meu corao todo a vs se vos rende,
porque contemplando-vos nesse mysterio, o meu entendimento desfallece; a
vista, o tacto, o gosto em vs se engana; mas com a f, que me entra
pelos ouvidos, seguramente creio, que estais ahi. Creio tudo o que disse
o Filho de Deus: no ha cousa mais certa, que o que elle affirma. Na
Cruz estava smente occulta a Divindade; mas neste Sacramento est
tambem escondida a humanidade, e com tudo eu, crendo uma, e outra cousa,
peo o que pedio o ladro penitente. Ainda que no vejo as sagradas
Chagas, como Thom; sempre vos confesso por meu Deus, e meu Senhor.
Fazei, Senhor, que eu sempre creia, e mais creia em vs; fazei que eu em
vs espere; fazei que eu muito vos ame. Oh memorial da morte de meu
Senhor! Po vivo, que d vida ao homem! Concedei-me, que minha alma, e
meu entendimento sempre por vs viva; que sempre, e sobre tudo goste de
to suave sustento. Oh Pelicano piedoso, Jesus meu, Santissimo
Sacramento, sarai minhas chagas com o vosso Sangue, do qual uma s gota
pde lavar todo o mundo de todas as suas torpezas, e maldades. Meu
Jesus, a quem agora vejo escondido, peo vos me concedais o que tanto
desejo: e  que manifestando-me a vossa Divina face, me faais
bemaventurado na vossa Gloria. Amen.




MODO DE ASSISTIR AO SAGRADO LAUSPERENNE


ORAO

_Para quando se desencerra o Santissimo_.


Meu Deus omnipotente, e meu Senhor soberano, apparecei j aos nossos
olhos, porque nossas almas desejo com ancia a vossa presena. Oh Sol
Divino, apparecei j, para que a desabrida terra do meu corao
fertilize. Oh Amor Divino, sahi j Sacramentado a publico; empregai em
nossos peitos as vossas settas, para que, docemente feridos, se vos
rendo.




_Descoberto o Senhor_.

ORAO.


Oh Deus Soberano, que to docemente cativais, e prendeis! Captivai a
vosso amor os meus affectos, e prendei a vossos ps o meu amor, para que
assista enternecidamente a vossa Magestade Divina. Senhor, j que vos
dignais, que vos veja Sacramentado, haveis tambem soffrer que vos falle.
Amante Soberano, e desejado Deus escondido, mas sempre amarosa delicia
de minha alma, amor do meu corao, sde muito bem apparecido, que ainda
que no estejais visivelmente descoberto, ahi vos creio to omnipotente,
to immenso, infinito, e incomprehensivel, que nem o discurso pde
conhecer-vos bem, nem o entendimento esquadrinhar cabalmente. Porm,
Senhor, reconheo que pde a minha vontade amar-vos, a minha alma
assistir-vos minha atteno no perder-vos, e minha memoria meditar-vos.
Oh Sol Divino! Desejo, e peo, que com vossa luz alumieis minhas trevas,
com vossos raios firais meu corao, e com vosso amor deis calor ao
regelo de meu peito, para que aqui vos assista com atteno, humildade,
e reverente affecto. Oh Senhor meu, se soffreis esta miseravel creatura,
quem no pasmara! Se attenderdes a esta indigna creatura, quem se no
suspender! Oh settas suavissimas, traspassai-me! oh vista soberana,
attendei-me, para remediar meu amor! dai-me graa para vos assistir;
affectos, para que vos attenda; e lanai-me a vossa beno, para que
tudo faa do vosso agrado, e para maior honra, e gloria vossa. Amen.

_Dir-se-ha cinco vezes_: Bemdito e louvado seja o Santissimo Sacramento
do altar etc.


OFFERECIMENTO.


Altissimo Senhor, e Deus meu eu vos offereo estes louvores em
satisfao das blasfemias, e injurias com que sois offendido; da tibieza
com que sois commungado; e da desatteno com que sois assistido, no s
dos infieis, que vos no crm, mas dos fieis, que vos adoro; e vos,
peo, que de todos tenhais misericordia. Amen.

_Far-se-ho cinco actos de Contrico, dizendo_:

Senhor, pequei; tende misericordia de mim, que me quero emendar, e vs
sois infinitamente piedoso.


OFFERECIMENTO.


Meu Deus, offereo-vos estes Actos, em satisfao das muitas culpas, e
obstinaes dos peccadores. Peo-vos que tenhais de todos misericordia,
particularmente dos filhos de vossa Igreja, e especialmente deste Reino,
para que todos se emendem e vos sirvo. Amen.

_Far-se-ho cinco Actos de F, dizendo_:

Creio, Senhor, tudo quanto cre, ensina, e tem de F a vossa Igreja; e
assim o creio, como ella o manda; especialmente que estais
verdadeiramente debaixo destes accidentes, como estais no Ceo.


OFFERECIMENTO.


Senhor, offereo-vos estes Actos, em satisfao da falta de F, com que
sois offendido, no so dos Hereges, mas de muitos Catholicos, na
desatteno com que vos trato. A todos dai a vossa luz para que se
reduzo a vs, e vos conheo e creio. Amen.

_Far-se-ho cinco actos de Esperana, dizendo_:

Espero, meu Deus, em vs, que me haveis de salvar pelos vossos
merecimentos, e a todos os Fieis pelo amor desse amor, com que vos
sacramentastes.


OFFERECIMENTO.


Meu Amor, offereo-vos estes Actos, em satisfao da falta de esperana,
que em vossa bondade infinita tem muitos homens, especialmente os filhos
da vossa Igreja; pois para ns nesse Sacramento ficastes por penhor da
eterna Bemaventurana. Amen.

_Far-se-ho cinco actos de Amor, dizendo_:

Meu Deus, meu amor, e meu bem todo, amo-vos de todo o meu corao, e
sobre todas as cousas; e tomra amar-vos, como vos amo todos os Anjos,
e Santos, e vossa Me Santissima.


OFFERECIMENTO.


Senhor, offereo-vos estes Actos, em satisfao das infinitas
ingratides com que o vosso amor  correspondido de tantos homens que
tanto amais; especialmente dos filhos da vossa Igreja, que vos no amo,
como devem, porque no querem por sua ignorancia, e cegueira. A todos
perdoai por vossa gloria, e vosso amor. Amen.

_Ser muito agradavel ao Senhor, que em todas as quintas feiras do anno,
das oito para as nove horas da noite, se faa algum obsequio ao Senhor
Sacramentado; e em todos os dias, ouvindo dar oito; ou nove horas da
noite, levantar uma voz, nas conversaes, ou concurso, em que estiver,
e dizer_: Bemdito e louvado seja o Santissimo Sacramento, _para com isso
despertar a memoria dos que ouvem louvar este amante Senhor, pelo
beneficio, que nos fez naquella hora_.




JACULATORIA PARA ADORAR AO SS. SACRAMENTO.

_Pelos Attributos de seu Amor e Grandeza_.


  Meu Deus, que alegria
Hoje nos causais
Assim manifesto,
Bemdito sejais.

  Bemdito sejais,
Nos Ceos, e na terra,
Bemdito sejais.

  De Anjos, e Luzes
Vos acompanhais
Nesse Altar sagrado,
Bemdito sejais.

  O Throno Supremo
Do Ceo, que occupais.
No mundo hoje o temos,
Bemdito sejais.

  Para estar comnosco
Vos Sacramentais
Nesse Po Divino,
Bemdito sejais.

  Vosso Corpo, e Sangue
Por elle nos dais
Sem outra substancia.
Bemdito sejais.

  S os accidentes
Nelle conservais
Por modo estupendo,
Bemdito sejais.

  Os Anjos se assombro
De finezas tais,
E por ellas dizem
Bemdito sejais.

  Como Rei Soberano
Audiencia dais
Aos vossos vassallos,
Bemdito sejais.

  Nenhum exclus,
Todos escutais,
Todos so felizes,
Bemdito sejais.

  As spplicas justas
Logo despachais
Com mercs, e graas,
Bemdito sejais.

  Para nos ouvir
Sempre pronto estais,
Sempre favoravel.
Bemdito sejais.

  Do Pae os Thesouros
Com mos liberais
Vs os despendeis,
Bemdito sejais,

  Nenhuma riqueza
L no Ceo deixais,
Em vs esto todas,
Bemdito sejais,

  Como vs sois tudo
Quanto a ns vos dais,
Tudo recebemos,
Bemdito sejais.

  Sendo Omnipotente
No podeis dar mais,
Que dar-vos a Vs,
Bemdito sejais.

  Ao sacro banquete
Vs nos convidaes,
Melhor do que aos Anjos,
Bemdito sejais.

  Nelle por manjar
s almas vos dais,
Por amor, e graa,
Bemdito sejais.

  Quando as vdes puras,
Nellas habitaes.
Como em vosso Throno.
Bemdito sejais.

  Sois to fino Amante
Das almas que amais,
Que nellas viveis,
Bendito sejais.

  Quando vos recebem.
Vs as transformais
Em vos, meu Senhor,
Bemdito sejais.

  As vossas delicias
Nellas encontrais,
Que diro os Anjos?
Bemdito sejais.

  Quem pode meu Deus,
A fineza tais
Ser agradecido?
Bemdito sejais.

  Sois to generoso,
Que vos contentais
Com nosso affecto,
Bemdito sejais.

  Se vs para amar-vos
A vida nos dais,
Vivamos de amor,
Bemdido sejais.

  Nenhum outro bem,
Meu Deus, permittais,
Que ns desejamos,
Bemdito sejais.

  S Vs, meu Senhor,
As almas saciais
De eternas riquezas,
Bemdito sejais.

  Ditosas aquellas,
Onde vs entrais
Por vontade, e graa,
Bemdito sejais.

  Depois do desterro,
A Patria as levais,
Como esposas vossas,
Bemdito sejais.

  No mesmo Palacio,
Em que Vs reinais,
Assento tero,
Bemdito sejais.

  Vossa formosura
Ento lhes mostrais,
Sem vo, nem cortina,
Bemdito sejais.

  Da gloria infinita,
Meu Deus que gozais,
Ellas gozaro,
Bemdito sejais.

  Os Anjos, e as almas
Vs os alegrais
Com vossa presena,
Bemdito sejais.

  Oh, quem vos amra.
Como Vs amais,
Quem de amor morrra,
Bemdito sejais.

  Como sabio Mestre
Vs nos ensinais
Do Ceo as doutrinas,
Bemdito sejais.

  Desse excelso Throno
Cadeira formais,
Em que estais sentado,
Bemdito sejais.

  Os vossos Discipulos,
Senhor, tanto honrais,
Que lhes dais assento,
Bemdito sejais.

  Fazei, meu Senhor,
Que as lies, que dais,
Nas almas se imprimo,
Bemdito sejais.

  Em quanto, meu Deus,
Manifesto estais,
Fazei nos felices,
Bemdito sejais.

  Inda quanto occulto
No vos ausentais,
Sempre estais comnosco,
Bemdito sejais.

  Deitai-nos a beno,
Que nella nos dais,
Um penhor da Gloria,
Bemdito sejais.

  Bemdito e louvado seja
O nosso Deus Sacramentado,
Que ade ser das nossas almas
No Co, no mundo adorado.

Gloria Patri, et Filio et Spiritui Sancto.

Sicut erat in principio et nunc, e semper, et in saecula saeculorum.
Amen.

_O Eminentissimo Senhor Cardeal Patriarca concede 40 dias de
Indulgencias, todas as vezes que devotamente se fizer a sobredita
devoo_.




JACULATORIAS PARA SE DIZEREM DIANTE DO SS. SACRAMENTO


  Meu Deus, e Senhor,
Que nos dominais,
Dos Anjos e homens
Bemdito sejais.

  Nesse Sacramento
Que amor nos mostrais!
Por todos os seculos
Bemdito sejais.

  Ahi nos dais provas,
Que bem nos amais;
Por isso meu Deus,
Bemdito sejais.

  Nessa Hostia Santa
Prodigios obrais,
Amavel Senhor,
Bemdito sejais.

  Vs Sacramentado
Poder ostentais;
No Co e na terra,
Bemdito sejais.

  Como nosso Pae
Vs nos sustentais;
Destes vossos Filhos
Bemdito sejais.

  Como nosso Mestre
Vs nos ensinais;
Divino Senhor,
Bemdito sejais.

  Tambem como medico
Mesmo nos curais;
 amante Deus,
Bemdito sejais,

  Vs como po vivo
Nos alimentais;
Para sempre sem fim
Bemdito sejais.

  Em nossas miserias,
Remedio nos dais;
Por vossa grandeza
Bemdito sejais.

  Em nossas fraquezas
Vs nos confortais;
Continuamente
Bemdito sejais.

  Em nossos trabalhos
Allivio nos dais;
Soberano Senhor,
Bemdito sejais,

  Em nossas tristezas
Vs nos alegrais;
 meu Salvador,
Bemdito sejais.

  Nesse Sacramento
Mil graas nos dais;
Divino amante,
Bemdito sejais,

  E vs realmente
Todo a ns vos dais;
Por tantas finezas
Bemdito sejais.

  A quem bem vos communga
Unido ficais;
Por tantos favores
Bemdito sejais.

  Vs esta fineza
Comnosco usais;
Por ella, meu Deus,
Bemdito sejais.

  Do vosso amor
So isto signais;
Com todas as veras
Bemdito sejais.

  Amo-vos, Senhor,
Quanto posso mais,
Por serdes quem sois,
Bemdito sejais.

  Oh quanto me peza
Das culpas mortaes!
Por me terdes soffrido,
Bemdito sejais.

  Tambem me arrependo
J das veniaes,
Por vossa paciencia
Bemdito sejais.

  Protesto, meu Deus,
No peccar jmais;
Dai-me vossa graa,
Bemdito sejais.

  Peo-vos perdo,
 Deus que reinais
No Ceo, e na terra
Bemdito sejais.

  Todos vos pedimos
Que nos soccorrais
Por vossa bondade
Bemdito sejais.

  Dai-nos vossa beno
J que nos amais;
Com todo o affecto
Bemdito sejais.




PSALMOS

_Que se recito acompanhando o Santissimo para casa do enfermo_.


PSALMOS 50,

Miserere mei, Deus, etc.

Tende compaixo de mim, Deus meu, segundo a vossa grande mesericordia.

E segundo a multido de vossas commiseraes apagai a minha iniquidade.

Lavai-me cada vez mais da minha iniquidade, e purificai-me do meu
peccado.

Porque eu conheo a minha iniquidade, e tenho sempre o meu peccado
diante dos olhos.

Contra vs s hei peccado, e em vossa presena cometti meu delicto; mas
o confesso publicamente para que justifiqueis em mim vossa promessa (de
perdoar ao pecador contrito, e confundes a quantos se atrevem a censurar
vossa fidelidade.

Bem sabeis que fui gerado na iniquidade, e minha mae me concebeo no
peccado.

(Porem Senhor, nem sempre esteve corrompido meu corao); em algum tempo
amastes sua singeleza e rectido, e me revelastes os occultos mysterios
de vossa sabedoria.

(Para me fazerdes de novo agradavel a vossos olhos), me borrifareis com
o hysope e serei purificado; lavar-me-heis e ficarei mais branco que a
neve.

Fazei que oua (no intimo do meu corao) palavras de consolao, e os
meus ossos humilhados saltaro de gosto.

Apartai a vista para no verdes minhas offensas; riscai-as de modo que
no appaream mais a vossos olhos.

Criai em mim um corao puro, e restabelecei de novo um espirito recto
nas minhas entranhas.

No me lanceis de vossa presena, e fazei que sempre resplandea em mim
a luz de vosso espirito Santo.

Restitui-me a alegria de vossa saudavel assistencia, e inspirai-me um
espirito de fortaleza que me conffirme no bem.

Deste modo ensinarei vossos caminhos aos peccadores, e os impios se
convertero a vs. Livrae-me dos homicidios,  Deus,  Deus de minha
salvao; e a minha lingoa cantar com jubilo vossas mesericordias.

Vs abrireis, Deus meu, meus labios e minha boca annunciar vossos
louvores.

(Se para expiao de meu delicto) houvereis exigido sacrificios, gostozo
vos-los houvera offerecido; mas vs no tereis por agradaveis os
holocaustos.

O unico sacrificio que pde aplacar-vos  um espirito traspassado de
dr, no desprezeis meu Deus, um corao contrito e humilhado.

No detenho, Senhor meus peccados o curso de vossa bondade sobre Sio:
fazei que possamos edificar os muros de Jerusalem.

Ento acceitareis benigno minhas offerendas, e holocaustos como
sacrificios d'um homem justificado pela penitencia, e ento tambem o
povo carregar de victimas vossos altares.

Dai-lhes, Senhor, o eterno descano etc.

Antiph. Exultaro de Jubilo para com o Senhor os ossos humilhados.
Antiph. Ouvi, Senhor.


PSALMO 129.

Dos profundos abysmos clamei a vs, meu Senhor; Senhor, ouvi a minha
voz.

Porm eu, Senhor, esperei em Vs por causa da vossa lei, e porque em Vs
tudo  clemencia.

Dai ouvidos attentos  voz da minha spplica.

Se vs, Senhor, attenderdes s iniquidades: Senhor, quem podera
subsistir na vossa presena?

Esperou a minha alma no Senhor, susteve-se a minha alma na sua palavra.

Espere assim todo o Israel no Senhor, desde a Aurora at  noite.

Porque o Senhor  cheio de misercordia, e nelle se encontra uma
redempo copiosa.

E Elle mesmo ha de remir a Israel de todas as suas iniquidades.

Gloria ao Padre, etc.

_Voltando de casa do enfermo para a Igreja, manda o Ritual que se diga o
Psalmo_: Laudate Dominum de Coelis etc. _ainda que o uso ordinario 
dizer-se o Hymno de Santo Ambrosio, e Santo Agostinho_.


PSALMO 148.

Louvai ao Senhor,  moradores dos Cos, louvai-o nas alturas.

Louvai-o todos os seus Anjos, louvai-o todas as suas virtudes.

Louvai-o Sol, e Luz: Estrellas, e Luz, louvai-o todas.

Louvai-o Cos dos Cos; e todas as aguas, que esto sobre os Cos,
louvem o Nome do Senhor.

Porque elle fallou, e foro feitas estas creaturas: elle mandou e foro
creadas.

Elle as estabeleceu para durarem eternamente por todos os seculos,
poz-lhes o preceito, e no ser preterido.

Louvai ao Senhor, creaturas da terra, Drages, e todos os abysmos.

Fogo, granizo, neve, geada, espiritos, ou ventos das tempestades, que
executo sua palavra.

Montes e todos os outeiros, arvores fructiferas e todos os cedros.

Louvem o seu nome no cro e acompanhem (mysticamente) os seus louvores
com tambor e psalterio.

Porque o Senhor se agradou do seu Povo, e exaltar e salvar os
Pacificos.

Os Santos na Gloria saltaro de prazer, e nos seus cubiculos tero a
maior alegria.

Os louvores, com que exaltaro a Deus, estaro sempre nas suas bocas: e
tero nas suas mos uma espada de dous fios.

Para se vingarem das Naes, e castigarem os povos, que os houverem
opprimido.

E para ligarem os seus Reis, e os seus Nobres com cadas e grilhes de
ferro, executando o juizo ou sentena contra elles proferida.

Fras do bosque, e todos os gados domesticos, serpentes, e aves de
penna.

Reis da terra, e todos os Povos, Principes, e todos os juizes da Terra.

Mancebos, e virgens, velhos, e moos louvem o Nome do Senhor; porque s
o seu nome  digno de ser louvado.

O seu louvor  sobre o Co e a Terra assim o confessa: e Elle exaltou o
poder do seu Povo.

Elle seja louvado por todos os seus Santos, pelos Filhos de Israel e
pelo Povo que lhe  proximo e consagrado ao seu servio.


PSALMO 149.

Cantai ao Senhor um cantico novo: o seu louvor  na Igreja ou
Congregao dos Santos.

Alegre-se Israel naquelle Deus que o creou e os Filhos de Sio
alegrem-se muito mais naquelle seu rei.

Este  o glorioso Poder, concedido por Deus a todos os seus Santos.


PSALMO 150.

Louvai ao Senhor, nos seus Santos: louvai-o no firmamento da sua
virtude.

Louvai-o nas suas virtudes: louvai-o segundo a multido da sua grandeza.

Louvai-o ao som da trombeta: louvai-o com psalterio e cithara.

Louvai-o com tympano e cro de musica: louvai-o com instrumentos de
cordas e orgo.

Louvai-o com tymbales harmonicos: louvai-o com tymbales de som alegre.

Todo o espirito, ou tudo o que vive e respira, louve ao Senhor.

Gloria ao Padre, etc.




HYMNO

A Vs  Deus, louvamos, e por Senhor nosso vos confessamos.

A Vs,  Eterno Pae, adora toda a Terra.

A Vs todos os Anjos: a Vs os Cos, e todas as Potestades.

A Vs os Querubins e Serafins com incessantes vozes proclamo:

Santo, Santo Santo, Senhor dos exercitos.

Os Cos e a Terra esto cheios da Magestade da Vossa Gloria.

A Vs o glorioso cro dos Apostolos.

A Vs o louvavel numero dos Prophetas.

A Vs louva o brilhante exercito dos Martyres.

A Vs por toda a terra confessa a Santa Igreja.

A Vs, Eterno Pae, Deus de immensa Magestade.

Ao vosso veneravel, unico e verdadeiro Filho.

Vs,  Jesu Christo, sois o Rei da Gloria.

Vs sois sempiterno filho do vosso Pae.

Vs para tomardes sobre Vs mesmo o livramento do Homem, no duvidastes
entrar no Ventre da Virgem.

Vs vencedor do estimulo da morte, abristes aos Fieis o Reino Celeste.

Vs estais sentado a mo direita no glorioso throno de vosso Pae.

Donde cremos, e confessamos que vireis, como juiz, no fim do mundo.

(_O seguinte verso se diz de joelhos_);

Por esta causa, Senhor, supplicamos o vosso auxilio, pois somos vossos
escravos, remidos com o vosso precioso sangue.

Fazei que entremos no glorioso numero dos vossos Santos.

Salvai, Senhor, o vosso Povo, e abenoai a vossa herana.

E regei-os, e exaltal-os eternamente para maior gloria vossa.

Attendei, Senhor, a que em todos os dias procuramos louvar-vos.

E esperamos glorificar o vosso Nome pelos seculos dos seculos.

Dignai-vos, Senhor, por quem sois, de nos conservar hoje e sempre sem
peccado.

Tende compaixo de ns, piedoso Senhor compadecei-vos de ns miseraveis.

Venha senhor, sobre ns todos a vossa grande misericordia, pois que em
vs collocamos toda a nossa esperana.

Eu, Senhor, esperei em Vs: no serei confundido eternamente.


PSALMO 109

Disse o Senhor a meu Senhor: Assenta-te  minha mo direita.

At que eu ponha os meus inimigos a servirem como estrado dos teus ps.

O Senhor far sahir de Sio o sceptro da sua fora: Reina pois em o meio
dos teus inimigos.

O teu principado se conhecer no dia do teu Poder entre os resplandores
dos Santos: Eu te gerei do meu seio antes da aurora.

Jurou o Senhor e no se arrepender. Tu s o eterno Sacerdote, segundo a
ordem de Melquizedech.

Est o Senhor  tua parte direita: Elle despedaou os Reis no dia da sua
ira.

Julgar as naes, encher as ruinas, e quebrar na terra as cabeas de
muitos.

No caminho beber da torrente: por isso exaltar a cabea.

Gloria ao Padre, etc.


PSALMO 112.

Louvai, meninos, ao Senhor: louvai o nome do Senhor.

O Nome do Senhor seja bemdito, desde agora para todos os Seculos.

O Nome do Senhor  louvavel desde o nascimento do Sol at o seu occaso.

O Senhor  mais alto que todas as gentes e a sua gloria  superior aos
Cos.

Pois quem  similhante ao Senhor nosso Deus, que habita nas alturas, e
v o que ha humilde no Co e na Terra?

Elle levanta o fraco do p da terra e tira o pobre da mais sordida
indigencia.

Para o collocar entre os Principes com os Principes do Povo.

Elle em summa, faz que se veja a Esteril na sua casa alegre Me de
muitos filhos.

Gloria ao Padre etc.




CANTICO A MARIA SANTISSIMA.


A Minha Alma magnifica, engrandece ao Senhor.

E o meu Espirito se alegrou em Deus meu Salvador.

Porque attendendo  humildade da sua Serva: por isso todas as Geraes
me chamaro Bemaventurada.

Porque o Omnipotente obrou para mim grandes cousas, e o seu Nome 
Santo.

E a sua Misericordia se extender de Gerao em Gerao, para os que o
temem.

Manifestou a propria Omnipotencia no seu Brao; destruio os soberbos com
o espirito do seu corao.

Derribou os Poderosos do seu assento, e exaltou os humildes.

Aos Pobres famintos encheo de bens, e aos Ricos ambiciosos deixou
vazios.

Recebeo a sua serva Israel, lembrado da sua Misericordia.

Como o prometteo aos nossos Paes, e  sua Gerao por todos os seculos.




CANTICO DE ZACHARIAS.


Bemdito seja o Senhor Deus de Israel, porque visitou e fez a Redempo
do seu Povo.

E erigio na casa do seu Servo David um poderoso Mediador para a nossa
salvao.

Segundo o havia promettido nos Seculos passados pela boca dos seus
Santos Profetas.

Que nos salvaria dos nossos Inimigos, e do Poder de todos os nossos
adversarios.

Para usar de misericordia com os nossos Paes, e se lembrar de seu Santo
Testamento;

E para cumprir o Juramento, que fizera a nosso Pae Abraho, de que Elle
nos daria o seu filho;

Para que livres do poder dos nossos inimigos, o sirvamos sem temor.

Em santidade e justia na sua presena em todos os nossos dias.

E tu, o Menino, sers chamado Profeta do Altissimo; por que irs diante
da face do Senhor a preparar os seus caminhos.

Para dar ao seu Povo a sciencia da salvao em a remisso dos seus
peccados.

Pelas entranhas de Misericordia do nosso Deus, com que nos visitou,
vindo do alto Co.

Para illuminar aos que esto sentados nas trevas e sombras da morte, e
dirigir os nossos ps para o caminho da eterna paz.

Gloria ao Padre, etc.




HYMNO


Este grande Sacramento
Humildemente adoremos:
Da antiga Lei as figuras
Cedo ao Novo Mysterio:
 fraqueza dos sentidos
Sirva a f de supplemento.
Ao Pae, ao Filho igualmente
Louvores mil tributemos:
Seus altos dons inefaveis
Por justo tributo honremos:
Ao que de ambos procede
Os mesmos louvores demos.
Amen.

_No tempo Paschal, e por toda a oitava do Corpo de Deus_: Alleluia.




NOVENA DAS ALMAS DO PORGATORIO

EM QUE SE GANHO MUITAS. INDULGENCIAS.


ORAO I.


 Senhor meu Jesu Christo, eu vos adoro suspendido nessa Cruz,
supportando a coroa de espinhos em vossa Sacrosanta Cabea: eu vos rogo
que essa nobilissima Cruz seja o escudo, que me livre dos ministros de
vossa justia. Amen.

_Padre nosso, Ave Maria_.


ORAO II.


 Senhor meu Jesu Christo, eu vos adoro nessa Cruz ferido e chagado,
onde vos dero a beber fel e vinagre sobre a maior amargura de meus
peccados: eu vos rogo que essas vossas preciosas Chagas sejo o remedio,
e cura de minha alma. Amen.

_Padre nosso, Ave Maria_.


ORAO III.


 Senhor meu Jesu Christo, por aquella amarga dor, que por mim miseravel
peccador soffrestes na Cruz principalmente naquella hora quando vossa
Alma nobilissima sahio de vosso bemdito Corpo: eu vos rogo que tenhais
misericordia de minha alma, quando sahir deste carcere mortal, e a
leveis a lograr a eterna vida. Amen.

_Padre nosso, Ave Maria_.


ORAO IV.


 Senhor meu Jesu Christo, eu vos adoro collocado no Sepulcro, ungido
com myrrha, e balsamos cheirosos: eu vos rogo que vossa preciosa morte
seja minha ditosa vida. Amen.

_Padre nosso, Ave Maria_.


ORAO V.


 Senhor meu Jesu Christo, eu vos adoro descendo ao Limbo para livrar as
almas, que nelle estavo esperando vossa suspirada vinda: eu vos rogo,
que no permittais que minha alma entre naquellas infernaes prises e
escuros carceres. Amen.

_Padre nosso, Ave Maria_.


ORAO VI.


 Senhor meu Jesu Christo, eu vos adoro resuscitado de entre os mortos,
subindo ao Co, e assentado  mo direita de vosso eterno Pae: eu vos
rogo que me faais merecedor de vos seguir a essa gloria, e ser
apresentado a vosso alegre acatamento. Amen.

_Padre nosso, Ave Maria_.


ORAO VII.


 Senhor meu Jesu Christo, Pastor benigno, conservai os justos em graa,
justificai os peccadores, e compadecei-vos de todos os Fieis; e
favorecei amoroso a este grande peccador. Amen.

_Padre nosso, Ave Maria_.


ORAO VIII.


 Senhor meu Jesu Christo, eu vos adoro vindo a juizo, chamando os
Justos ao Paraiso e condemnando aos peccadores: eu vos rogo que vossa
dolorosa Paixo nos livre daquellas penas, e por ella nos levai  eterna
vida. Amen.

_Padre nosso, Ave Maria_.


ORAO IX.


 amantissimo Pae, eu vos offereo a innocente Morte do vosso precioso
Filho, e o amor de seu Divino Corao, por toda a culpa e pena, que eu
miseravel peccador, e o mais depravado de todos os peccadores, por
minhas culpas mereci, por todos os meus conjunctos e amigos, vivos e
fallecidos; eu vos rogo que tenhais misericordia de ns. Amen.

_Padre nosso, Ave Maria_.




PARA A INTERCESSO DE S GREGORIO PAPA


 Senhor meu Jesu Christo, que admiravelmente revelaste o Mysterio de
vossa Santissima Paixo ao vosso Bemaventurado Servo S. Gregorio;
peo-vos que a este miseravel peccador concedais alcanar perfeitamente
aquella remisso de peccados, que o mesmo vosso Veneravel Pontifice com
abundante auctoridade Apostolica liberalmente concedeo a todos os que
verdadeiramente se arrependessem e meditassem o progresso da vossa
Paixo. Que viveis e reinais por todos os seculos dos seculos Amen.


OFFERECIMENTO.


Estas Oraes de S. Gregorio, e de Padre nossos, e Ave Marias, que tenho
rezado, offereo aos sagrados merecimentos da Paixo e morte de meu
Senhor Jesu Christo, a quem peo mas receba em desconto, e satisfao
das minhas culpas, e peccados, confirmando o que S. Gregorio, e outros
Pontifices tem concedido a quem as rezar diante da Imagem do mesmo
Senhor; e de tudo quanto ganho,  minha vontade que Deus nosso Senhor
applique o que for servido para tirar do Purgatorio a alma que fr mais
da minha obrigao, e de seu santo servio, honra, e gloria. Amen.




DEVOO DAS ALMAS DO PURGATORIO.

A QUAL  UTILISSIMA TANTO S BENDITAS ALMAS COMO AOS SEUS DEVOTOS QUE A
RECITAREM.


ORAO AO SANTO SUDARIO.


Senhor Deus, que nos deixastes os signaes da vossa Paixo no Santo
Sudario, em o qual foi envolto vosso Corpo Santissimo quando por Jos
foi descido da Cruz; concedei-me piedoso Senhor, que por vossa morte, e
sepultura sejamos levados  Gloria da Ressurreio, em que viveis e
reinas com Deus Padre em unidade do Espirito Santo, por todos os seculos
dos seculos. Amen.


ORAO.

Deus vos salve, Fieis Almas Christs e vos de descano aquelle que 
verdadeiro Filho de Deus, o qual nasceo da Immaculada Virgem Santa
Maria, para nossa salvao, e de todo o mundo, e vos remio com seu
preciosissimo Sangue: Elle nos livre e ressuscite em o dia Santo da
Resureio, e Juizo final, fazendo-nos da Companhia dos seus Santos
Anjos para sempre jamais. Amen.

_Padre nosso, Ave Maria_.

Padre Eterno, Soberano Deus, mandai os vossos Anjos a tirar esta alma do
Purgatorio, por quem  minha inteno rogar-vos, e vos peo que a
apresenteis em vossa Gloria: e vos rogo, Senhor, que a parte, que lhe
faltar para satisfazer suas culpas, lha perdoeis, pelas Indulgencias que
a estas Oraes nos esto concedidas aos merecimentos da Paixo de vosso
Filho, meu Redemptor Jesu Christo, e vos rogo, meu Creador
misericordioso, no sejais rigoroso no Juizo, e no nos deixeis cahir em
tentao, livrando-nos de todo o mal. Amen. _Gloria Patri, etc._

Senhor Deus, que nos deixastes os signaes de vossa Paixo, etc. pag.
347.[5]


_Padre nosso, Ave Maria, Gloria Patri, etc._

Lembrai-vos Senhor, das almas de meus paes, irmos, parentes, e amigos,
geralmente de todas as almas dos defunctos fieis, que por ellas fao
esta commemorao, e de todos os Christos, que sendo Catholicos,
morrro confessando nossa Santa F, que esto padecendo por suas culpas
occasionadas de fragilidade humana, sejo-lhes saude eterna os
merecimentos de vosso precioso Filho, que por elles padeceo, gozem
refrigerio de seu precioso Sangue e da agua, que cao de seu Lado, para
que consolados gozem vossa perpetua luz, e em aco de graas louvem
todos os Justos, que esto gloriosos em vosso Reino. Amen.

_Padre nosso, Ave Maria, Gloria Patri, etc._

Senhor Deus, que nos deixastes os signaes de vossa Paixo, etc. pag.
347.[5]


ORAO.


Padre Eterno, por Jesu Christo vosso Filho precioso, e pelo amor, com
que se fez homem para padecer por elles, e pelos merecimentos de sua
Santissima Paixo e morte, e pela immensa dor, com que padeceo, e
derramou seu precioso sangue por todo o genero humano, vos peo e rogo
tireis das penas do Purgatorio as almas de minha obrigao, e de meus
Confessores, que me ajudro com bons conselhos, e de meus amigos, que
me fizero bem, e inimigos, que me fizero mal, aos quaes eu perdo;
Senhor, porque a mim me perdoaes, e vos peo gozem da vida eterna para
honra e gloria vossa. Amen.

_Padre nosso, Ave Maria, Gloria Patri, etc._

Senhor Deus, que nos deixastes os signaes da vossa Paixo, etc. pag.
347.[5]


ORAO.


Jesus da minha alma, Filho verdadeiro do Eterno Pae, Jesus Salvador do
mundo, Filho verdadeiro da Virgem Maria, meu querido Jesus, unico
remedio de todos os peccadores, pois com o preo de vosso Sangue e
merecimentos da vossa Paixo, e Morte nos ganhastes a vida eterna, para
vos gozar em a gloria. Rogo-vos, bom Jesus, pela amargura, que na Santa
Arvore da Cruz padecestes por mim e por todos os peccadores maiormente
naquella hora, em que a vossa Alma sahio do vosso santissimo e lastimoso
Corpo, vos rogo, meu doce Jesus, tenhais misericordia da minha, quando
desta vida sahir, peza-me, Senhor, de vos ter offendido: em vossas mos
encommendo a minha alma, como Creador, Redemptor, e Glorificador meu.

_Padre nosso, Ave Maria, Gloria Patri etc._

Senhor Deus, que nos deixastes os signaes da vossa Paixo, etc. pag.
347.[5]


SUPPLICA.


Peo-vos, Senhor, que no Juiso, que fizerdes com as almas dos vossos
servos j defunctos, os julgaeis com misericordia; e que as penas, que
merecerem por suas culpas, sejo perdoadas por vossos merecimentos, e em
particular as almas que vos encommendo nestas Oraes, por quem  minha
inteno fazer estes exercicios, e supplicas, por Jesu Christo nosso
Senhor, que comvosco vive e reina por todos os seculos dos seculos.
Amen.


OFFERECIMENTO.

_Desta Devoo e Caridade_.


Senhor meu Jesu Christo, Creador e Redemptor meu, unico remedio das
almas do Purgatorio; pois o vosso amor vos obrigou a dar a vida por nos
remir para que gozassemos de essa Gloria, humildemente vos offereo
estas oraes e supplicas, que esto enriquecidas com to grandes
Indulgencias do Thesouro da Igreja, applicadas, e unidas com vossos
merecimentos por modo de suffragio, para que tenhais por bem de tirar do
Purgatorio as almas de N. N., e  minha vontade offerecl-o tantas
vezes, quantas bastem para vos satisfazer, at ficarem livres do
Purgatorio; e se o no hoverem mister, offereo por aquellas, que ali
estiverem, que forem de mais honra e gloria de vossa Divina Magestade e
mais minha obrigao: e j que por seus peccados justamente esto
affligidas, sejo por vossa misericordia perdoadas; e pois vale mais o
vosso precioso Sangue, que suas culpas, posso mais vossos merecimentos,
que suas penas; e a vs sacratissima Me de Deus vos peo, como Me
advogada, e esperana nossa, intercedais por estas almas, e faais que
se logre vossa intercesso, para honra e gloria vossa, e a vs, bemditas
almas, vos encommendo rogueis a Deus me d perseverana neste exercicio.
Amen.




ORAO E ROGATIVA A N. SENHORA DA CONCEIO


PARA TODAS AS NECESSIDADES GERAES, E PARTICULARES, E MUI PROPRIA PARA
IMPLORAR OS PODERES DE SEU PATROCINIO DIANTE DA SUA MILAGROSA IMAGEM
APPARECIDA.


 Immaculada, Santissima, e Purissima Senhora, Me de Misericordia, Me
da graa, esperana e refugio de todos os afflictos, por tudo quanto
representar-vos posso, e mais vos pde obrigar, vos supplico, e rogo
pelo nosso Summo Pontifice, e mais prelados da Igreja, pela paz entre os
Principes Christos, exaltao da Santa F Catholica, e extirpao das
Heresias, converso dos infieis, e de todos aquelles, que combatidos
pelo espirito da incredulidade hesito ou duvido dos vossos poderes, e
maravilhas; attrahi, Senhora, a todos para que venho rendidos entoar
vossos louvores.

Ponde,  amantissima Me, os olhos de vossa Piedade em o Nosso Amado
Rei, que tanto se desvela pelo bem geral desta Nao, e igualmente vos
supplico por toda a Real Familia. Destru,  Me poderosa, qualquer
principio de erro que entre ns possa haver, para que todos os
Portuguezes  imitao de nossos Maiores, sejo os baluartes da F
Catholica, seus defensores, e propugnadores. Verifique-se, Senhora,
sempre em ns a palavra, que o vosso Bemdito Filho disse ao nosso
primeiro Rei: que lhe seria este Povo sempre Fiel, puro na F, e amado
pela sua piedade.

Eu aqui venho, Senhora, com f, reverencia, e humildade quanto cabe nas
minhas limitadas foras, render-vos cultos de affectuosa devoo;
dignai-vos pois de aceitar a minha boa vontade, e a de todos os que com
tanta efficacia vos procuro neste Templo, que  um Santuario de
maravilhas e prodigios vossos desde os principios deste Reino; pois aqui
apparecestes muitas vezes ao glorioso Santo Antonio animando-o ao
progresso das suas virtudes; depois neste mesmo Templo mostrastes a
vossa prodigiosa Grandeza, na Imagem que do porto de Betancourt foi
conduzida a esta capital por Martim Affonso de Sousa, o qual
collocando-a na Parochia de S. Paulo, vs mostrastes prodigiosamente que
elegestes esta Igreja para a vossa permanencia, desapparecendo naquella,
e vindo para este Altar, onde at ao presente sois venerada, e onde
tendes feito immensos beneficios a todos os que com devota f vos tem
invocado. Aqui, mostrando que sois Me de infinita Piedade e
Misericordia, quizestes que no claustro desta S uma confraria de homens
bons desse principio  Irmandade da Misericordia, cujos exercicios todos
so de Caridade, fazendo que se diffundisse daqui este bem a todo o
Reino, estabelecendo-se em todo elle Confrarias do mesmo Instituto por
ordem do Senhor Rei D. Manoel. Emfim, Senhora, no seculo presente
mostrastes, que as vossas delicias ero estar comnosco, e neste vosso
prodigioso tabernaculo, fazendo com que pomposamente aqui vos
trasladassem desde a pequena gruta de Carnaxide, onde entre maravilhas
fostes apparecida; viestes, Senhora para serdes tambem aqui as nossas
delicias, o nosso refugio, o nosso amparo, e o remedio promptissimo de
todos os nossos males e enfermidades no feliz despacho de todas as
nossas peties; por tanto vos rogo,  Me Purissima, vos digneis
consolar a quem vos invoca, remediando como podeis e sabeis todas as
minhas necessidades, no me negueis o vosso amor; porque depois de Deus,
em vs tenho posto toda a minha confiana, como em unica esperana de
minha Salvao, e remedio: concedei-me este favor, e com elle tambem o
que particularmente vos peo nesta visita (_ou novena se a fizer, e pde
aqui expr a sua spplica particular_) concedei-me um ardentissimo amor
vosso, um fervorozo zelo da vossa honra e gloria, uma viva f, esperana
firme, e caridade perfeita, que na hora da minha morte vos digneis de me
assistir e confortar, alcanando-me a graa final para que pelos vossos
merecimentos e intercesso poderosa, e pelo mysterio da vossa Purissima
Conceio merea ir ver-vos e gozar a vossa companhia no Co  vista de
vosso Santissimo Filho que com o Padre, e Espirito santo vive e reina
por todos os seculos dos seculos. Amen.

[Figura: N. S. da Rocha]

_Poder o devoto continuar as suas deprecaes  Senhora com as cinco
Oraes seguintes em Louvor do Santissimo Nome de Maria iniciadas pelas
suas cinco Letras_.


*M*

Me Soberana!... doce Amor!
A minha alma enternecida
Vos canta gloria e louvor
Por serdes apparecida
Com tanta graa e primor,
Quando a F amortecida
Corria o risco maior
Vendo-se quasi extinguida:
Louvada sejais, Senhora.
Em a vossa Conceio,
Pois sois Me e Protectora
Da Portugueza Nao.

_Ave Maria_.


*A*

A vs Virgem sempre pura,
Senhora da Conceio,
A minha alma com ternura,
E sincera devoo
Neste Templo vos procura,
Para ter consolao
De que vs, Me da doura,
Despacheis a Petio,
Que humilde aqui rendida
Vos vem supplicar, e implora
A vs, Me apparecida,
De todo o mal a melhora.

_Ave Maria_.


*R*

Rainha e Me amorosa.
Que no vosso Altar estais
Ouvindo to carinhosa
Os tristes miseros mortaes,
Ouvi,  Me piedosa,
Meus rogos, e tristes ais:
livrai-me,  Me portentosa,
De molestias to fataes,
Pois minha Alma agradecida;
Sempre a vossos ps prostrada,
Vos ser reconhecida
Pela merc alcanada.

_Ave Maria_.


*I*

Immaculada Senhora,
Pela vossa Conceio
Ouvi a quem vos implora
Com vozes do corao,
Valei-me,  Divina Aurora,
Nesta triste afflico
Em que minha alma labora,
Sem ter outra proteco:
Mostrai que sois Me amante,
Os meus rogos attendei,
E eu humilde supplicante
Mil louvores vos darei.

_Ave Maria_.


*A*

Augustissima Soberana,
Virgem pura e Immaculada,
Me Divina e Me humana,
Em graa sempre exaltada,
Se a Nao Luzitana
Por vs  patrocinada,
Desta molestia tyranna,
Que me traz attenuada!
Livrai-me  doce Maria
Livrai-me excelsa Senhora,
Hymnos de nova harmonia
Cantarei em toda a hora.

_Ave Maria_.


_Rezar agora a Salve Rainha, e querendo o devoto, ou devota rezal-a, em
maior extenso de metro, lha propomos na seguinte versificao_:


Salve,  doce-amparo
Dos tristes mortaes,
Virgem sempre pura,
  Bemdita sejais.

_Salve Rainha_
Que Me vos chamais
_De Misericordia_,
  Bemdita sejais.

_Sois vida e doura_
Dos filhos que amais,
_Esperana nossa_,
  Bemdita sejais.

_Salve, a vs bradamos_,
Ouvi nossos ais,
Que a vs se dirigem,
  Bemdita sejais.

Lembrai-vos de ns,
Pois em perigos taes
Somos _degradados_,
  Bemdita sejais.

Os _Filhos de Eva_,
Os afflictos mortaes
_Por vs suspiramos_,
  Bemdita sejais.

_Gemendo e chorando_
Vs nos consolais.
Em nosso desterro,
  Bemdita sejais.

_N'este valle de lagrimas_,
De penas fataes,
Sempre vos cantamos,
  Bemdita sejais.

Mas l nessa gloria
Aonde nos chamais,
Alegres diremos,
  Bemdita sejais.

_Eia_,  Mae Benigna,
Que nos illustrais,
Por tudo Senhora,
  Bemdita sejais.

_Advogada nossa_,
Tanto vos dignais
De rogar por todos,
  Bemdita sejais.

_Esses vossos olhos_,
Que no tem iguaes,
Ponde em ns Senhora,
  Bemdita sejais.

_Misericordiosos_,
Como costumais,
_A ns os volvei_,
  Bemdita sejais.

_E depos_ de acabar
Fadigas penaes
_De nosso desterro_,
  Bemdita sejais.

_Nos mostrais a Jesus_
Na gloria onde estais,
Para sempre o louvar,
  Bemdita sejais.

O _Bemdito Fructo_
Que nos o offertais
Para o possuirmos,
  Bemdita sejais.

Mostrai-nos os dons
Que vs nos guardaes,
Bens _do vosso ventre_,
  Bemdita sejais.

Que nunca os percamos
No o permittais,
 Virgem _Clemente_,
  Bemdita sejais.

 Me _piedosa_,
Que nos obrigais,
 _doce_ Maria,
  Bemdita sejais.

_Sempre_, Virgem bella,
Louvores geraes
Vos dm Cos e terra,
  Bemdita sejais.

Bemdita e Bemdita,
Mil vezes e mais
 _Virgem Maria_,
  Bemdita sejais.

_Rogai_ vs por _ns_,
No vos esqueais,
_Santa Mae de Deos_,
  Bemdita sejais.

_Para sermos dignos_,
Em instantes finaes,
De cantarmos sempre,
  Bemdita sejais.

_Das promessas de Christo_,
Vs nos segurais,
Soberana Rainha,
  Bemdita sejais.

Assim seja sempre,
Sempre e muito mais,
_Amen Jesus_,
  Bemdita sejais.


ORAO

 amabilissima Senhora, Me de Deus e Me nossa, ns vos offerecemos
estas oraes em obsequio da vossa Conceio Purissima, em honra e
gloria do vosso Santissimo Nome, e da singular Cora de vossa Pureza
Immaculada; e vos pedimos que em virtude, da mesma Cora, que  a das
vossas virtudes e excellencias nos alcanceis do vosso Santissimo Filho a
graa e favor, que vos pedimos, e mereamos por vossa intercesso e
piedade alcanar a Cora da eterna Gloria. Amen.




OFFICIO DA AGONIA

TANTO QUE O MURIBUNDO ENTRAR EM AGONIA, SE ACCENDER UMA VELA, E SE LHE
POR NA MO; E POSTOS TODOS DE JOELHOS, DIR O SACERDOTE, E EM SUA
AUSENCIA QUALQUER PESSOA, AS SEGUINTES PRECES DETERMINADAS PELA IGREJA
PARA ESTA OCCASIO

Senhor tende compaixo de ns
Jesus Christo tende compaixo de ns
Senhor tende compaixo de ns
Santa Maria (Rogai por este  por esta)
Todos os Santos Anjos e Archanjos
Santo Abel,
Todo o Choro dos Justos
Santo Abraham
S. Joo Baptista
S. Jos      (Rogai por este  por esta)
Todos os Santos Patriarchas e Prophetas,
S. Pedro.
S. Paulo.
S.^{to} Andr.
S. Joo.
Todos os Santos Apostolos e Envangelistas.
Todos os Santos discipulos do Senhor.
Todos os Santos Innocentes.
Santo Estevo.
S. Loureno.
Todos os Santos Martyres.
S. Silvestre.
S. Agostinho.
Todos os Santos Pontifices e Confessores.
S. Bento.
S. Domingos.
S. Francisco.
Todos os Santos Monges e Eremitas.
S.^{ta} Maria Magdalena
S.^{ta} Lucia
Todas as Santas Virgens e Viuvas
Todos os Santos e Santas de Deus
Sede propicio      Perdoai-lhe Senhor.
Sede propicio      Livrai-o ou livrai-a Senhor.
Da tua ira.
Do perigo da morte.
Da m morte.
Das penas do inferno.
De todo o mal.
Do poder do diabo.
Pelo vosso nascimento.
Pela vossa cruz e Paixo.
Pela vossa gloriosa ressurreio
Pela vossa admiravel Ascenso
Pela graa do espirito Santo Paracliio.
No dia de Juizo.
Peccadores--Ouvi nossas supplicas.
Que lhe perdoeis--Vos pedimos Senhor
Senhor tende compaixo de ns
Jesus Christo tende compaixo de ns.
Senhor tende compaixo de ns

_A seguinte orao se pe em Portuguez para maior consolao dos que no
sabem Latim, e para que a possa rezar qualquer pessoa_.


ORAO

Alma Christ, parte deste mundo em nome de Deus Padre [Smbolo: belo]
Todo poderoso que te creou; em nome de Jesu Christo, [Smbolo: belo]
Filho de Deus vivo, que por ti padeceo; em nome do Espirito Santo,
[Smbolo: belo] que copiosamente se te communicou. Aparta-te, e sahe
deste corpo mortal com o favor, e amparo dos Santos Anjos, e Archanjos,
dos Thronos, e Dominaes, dos Querubins, e Serafins; dos Patriarcas, e
Profetas; dos Santos Apostolos, e Evangelistas; dos Santos Martyres,
Confessores, Monges, Religiosos, e Eremitas; das Santas Virgens, e
Esposas de Jesu Christo, e de todos os Santos, e Santas de Deus: hoje
seja teu lugar em paz, e tua habitao na Cidade de Sio. Pelo mesmo
Jesu Christo nosso Senhor Amen.




VIA-SACRA ABREVIAD. PARA SE VISITAR NA IGREJA, CAPELLA OU LOGAR.

ONDE QUER QUE CADA UM TIVER COLLOCADO


_Na primeira Estao se deve fazer hum Acto de Contrio, que he o
seguinte_:


Meu Deus, e Senhor Jesu Christo, peza-me de todo o meu corao de vos
ter offendido, por serdes vs quem sois; mas ajudado da vossa graa,
firmemente proponho de no tornar mais a peccar: espero me pordoeis pelo
vosso Sangue, pela vossa Paixo, e Morte de Cruz. Amen.

_Deve cada hum fazer logo teno de ganhar as Indulgencias, que so
concedidas, offerecendo tudo, como he costume, conforme a capacidade de
cada hum_.


Soberano Deus, e Senhor, offereo  vossa Divina Magestade, em unio dos
merecimentos da vossa Vida, e Paixo, tudo o que neste santo exercicio
fizer, meditar, e rezar, applicando as Indulgencias, que fao teno de
ganhar, pelas bemditas Almas do Purgatorio, especialmente pelas que sou
obrigado de justia, e caridade, no faltando a mim, e s minhas maiores
obrigaes; e vos rogo pelo vosso Vigario na terra, o Summo Pontifice,
estado da Santa Madre Igreja, converso dos infieis, paz entre os
Principes Christos, e por tudo quanto for vossa vontade, e quizero os
vossos Vigarios, que eu vos pedisse. Amen.




_Adoramus te Christe, et benedicimus tibi, quia per Sanctam Crucem
redemisti mundum_.


I. ESTAO.


Considera, Alma Catholica, como por Sentena de Pilatos foi o senhor do
Ceo e da terra despido, e prezo a huma columna, aoutado rigorosamente,
e depois vestido de zombaria, e escarneo, e coroado de penetrantes
espinhos.

_Faa huma breve pausa, em que se detenha a meditar, e depois reze hum
Padre nosso huma Ave Maria, e huma Gloria Patri, e logo diga o que lr_:

Arrepende-te, peccador, dos peccados que commettestes contra nosso
Senhor Jesu Christo: Bemdita, e louvada seja a Paixo, e Morte de nosso
Redemptor Jesu Christo, e a Immaculada Conceio da Virgem Maria Senhora
nossa, concebida sem peccado, original. Amen.

_Beija-se a terra, e vo proseguindo o caminho com toda a compostura, e
silencio: isto se observar nas mais Estaes, que se seguem_.

       *       *       *       *       *

_Adoramus te, Christe, etc._


II. ESTAO.


Contempla, Alma Catholica, como puzero ao Senhor a Cruz s costas para
ir a ser nella crucificado, tirando-lhe para isso a cora de espinhos, e
tornando-lha a pr com grande crueldade em que padeceo nova, immensa
dr. _Faa pausa_.

_Padre nosso, Ave Maria, Gloria Patri_.

Arrepende-te, peccador, etc.

       *       *       *       *       *

_Adoramus te, Christe, etc._


III. ESTAO.


Oh Alma remida com o Sangue de Jesu Christo, considera bem como
caminhando sua Divina Magestade com a Cruz s costas, to debilitado de
foras, pela grande pressa, com que o levava aquella vil canalha, cahio
debaixo da Santa Cruz, abrindo-se-lhe de novo suas feridas, e chagas, de
que rebentro correntes de sangue. _Huma breve pausa_.

_Padre nosso, Ave Maria, Gloria Patri_.

Arrepende-te, peccador, etc.

       *       *       *       *       *

_Adoramus te, Christ, etc._


IV. ESTAO.


Pondera com atteno, Alma devota, como indo o amantissimo Jesus com a
Santa Cruz a seus hombros, encontrou sua Santissima Me triste,
affligida, e ficro seus coraes traspassados de dr, e angustia, e
com esta pena se foi esta desconsolada Senhora seguindo seu amado Filho
at ao monte Calvario. _Huma breve pausa_.

_Padre nosso, Ave Maria, Gloria Patri_.

Arrepende-te, peccador, etc.

       *       *       *       *       *

_Adoramus te, Christ, etc._


V. ESTAO.


Considera, Alma Catholica, como alugaro a Simo Cyreneo para ajudar a
levar a Cruz a nosso Redemptor, no movidos de piedade que de sua
Magestade tivessem, mas sim temendo que no caminho morresse, porque o
vio caminhar com o corpo todo inilinado em terra, com os joelhos
tremendo, e os olhos quasi sem vista por afogados em sangue. _Huma breve
pausa_.

_Padre nosso, Ave Maria, Gloria Patri_.

Arrepende-te, peccador, etc.

       *       *       *       *       *

_Adoramus te, Christ, etc._


VI. ESTAO.


Alma minha, v a resoluo, com que sahio pelo meio dos soldados aquella
santa mulher chamada Veronica, vendo a sua Divina Magestade to suado, e
fatigado, seu Rosto denegrido com o muito sangue dos innumeraveis
golpes; e movida de piedade o alimpou com huma limpissima toalha, em que
deixou debuxada a Imagem Santissima de seu sacratissimo Rosto. _Huma
breve pausa_.

_Padre nosso, Ave Maria, Gloria Patri_.

Arrepende-te, peccador, etc.

       *       *       *       *       *

_Adoramus te, Christ, etc._


VII. ESTAO.


Devota Alma, contempla como na porta judiciaria, levando o Senhor a Cruz
s costas para maior affronta, e tormento, cahio segunda vez em terra
por lhe faltarem de todo as foras, e porque o grande pezo da Cruz lhe
tinha feito huma penosa chaga em o hombro. _Huma breve pausa_.

_Padre nosso, Ave Maria, Gloria Patri_.

Arrepende-te, peccador, etc.

       *       *       *       *       *

_Adoramus te, Christ, etc._


VIII. ESTAO.


Considera attentamente, Alma Christ, como humas piedosas mulheres
comearo a chorar de sentimento, por verem ao nosso innocentissimo
Jesus em to lastimoso estado, quando pouco antes o tinho visto
acclamado por seus milagres do mesmo povo, que agora o blasfemava, e o
Senhor as consolou, dizendo: Filhas de Jerusalem, no choreis sobre
minha morte, mas sim chorai por vossos filhos, e peccados. _Huma breve
pausa_.

_Padre nosso, Ave Maria, Gloria Patri_.

Arrepende-te, peccador, etc.

       *       *       *       *       *

_Aduramus te, Christ, etc._


IX. ESTAO.


Reflecte bem, Alma Catholica, como j o nosso Redemptor de todo sem
sangue, e foras, cahio terceira vez em terra at chegar a toc-la com
sua santissima boca, (aqui se beija o cho) e querendo-se levantar no
pde desfalecido, antes tornando a cahir, se ferio novamente em as
muitas pedras, que naquelle caminho havia. _Huma breve pausa_.

_Padre nosso, Ave Mlaria, Gloria Patri_.

Arrepende-te, peccador, etc.

       *       *       *       *       *

_Adoramus te, Christe. etc._


X. ESTAO.


Contempla, Alma minha, como neste lugar do monte Calvario despro ao
piedoso Redemptor de suas pobres vestiduras com atrocidade, e fereza,
renovando suas chagas, e dores, e lhe dro a beber vinho misturado com
fel. _Huma breve pausa_.

_Padre nosso, Ave Maria, Gloria Patri_.

Arrepende-te, peccador, etc.

       *       *       *       *       *

_Adoramus te, Christe, etc._


XI. ESTAO


Considera, como o Soberano Senhor foi estendido na Cruz, e nella pregado
de ps, e mos, onde ouvindo sua Santissima Me o primeiro golpe de
martello, ficou quasi morta de dr; e foi tanta a crueldade dos que o
crucificro, que lhe tornro a pr a cora de espinhos com tanta
fora, que penetrada aquella sagrada cabea, chegro os espinhos at
aos olhos, enchendo-lhe de sangue todo o seu santissimo corpo; _Huma
breve pausa_.

_Padre nosso, Ave Maria, Gloria Patri_.

Arrepende-te, peccador, etc.

       *       *       *       *       *

_Adoramus te, Christe, etc._


XII. ESTAO.


Com rendido corao faze reflexo neste passo do Calvario, Alma
Catholica, e considera como j crucificado o dulcissimo Jesus em a Santa
Cruz, o levantro ao alto, deixando-a cahir depancada em a cova, que
para ella tinho feito, em que se desconjuntou seu sacratissimo corpo; e
vendo tudo isto sua Santissima Me, foi tal a dr, e angustia, que ficou
desmaiada, e quasi sem vida. _Huma breve pausa_.

_Padre nosso, Ave Maria, Gloria Patri_.

Arrepende-te, peccador, etc.

       *       *       *       *       *

_Adoramus te, Christe, etc._


XIII. ESTAO.


Alma Catholica, considera com ternura, com que amor e caridade foro
Jos de Arimatha, e Nicodemus ao monte Calvario, e descendo com toda a
reverencia o corpo de seu Divino Mestre, que estava na Cruz com duros
cravos pregado, o depositro em os braos de Maria Santissima, onde
contemplars a dr, e sentimento, que a angustiada, e magoadissima
teria, vendo em seus braos o seu Santissimo Filho todo cheio de
verges, e feridas, com afflico to grande de haver de dar aquelle
rico thesouro para se pr no sepulcro. _Huma breve pausa_.

_Padre nosso, Ave Maria, Gloria Patri_.

Arrepende-te, peccador, etc.

       *       *       *       *       *

_Adoramus te, Christe, etc._


XIV. ESTAO.


Considera, Alma Catholica em como depois de ter estado o Sacratissimo
Corpo do Redemptor do mundo em os braos de Maria Santissima sua
sentidissima Me, e de ser ungido pelos Discipulos amantes, que da Cruz
o tinho tirado com preciosos, e cheirosos unguentos, com hum lenol
muito limpo amortalhado, o depositro com muita reverencia em o Santo
Sepulcro; e tapando a porta com huma grande pedra, se vio Maria
Santissima, mais que nunca angustiada sem a presena de Jesus seu
unigenito Filho, posta em huma soledade. _Faz-se huma breve pausa_.

_Padre nosso, Ave Maria, Gloria Patri_.

_E logo continuar o que lr dizendo_:

Contempla agora, Alma devota, em summa todos os tormentos da Paixo do
Redemptor, para que vejas quanto deves ao teu Deus, e te empenhes daqui
em diante em o amar, e servir.

Sete foro as qudas, que deo o nosso amorosissimo Jesus desde o Horto
at a casa de Annaz.

_Respondo_: Louvado seja para sempre to bom Senhor.

Os pontaps, que lhe dero, foro cento e quarenta e quatro. Louvado
seja, etc.

As punhadas foro cento e cincoenta. Louvado seja, etc.

As bofetadas cento e duas. Louvado seja, etc.

Os golpes no peito, e corpo duzentos e dous. Louvado seja, etc.

Setenta e oito vezes o arrastro pela corda, que levava atada ao
pescoo. Louvado seja etc.

Trezentas e cincoenta vezes o arrepellro pelos cabellos, e vinte e
sete vezes o arrastro delles pella terra. Louvado seja, etc.

Os aoutes, que lhe dero, passro de cinco mil, e tres vezes chegou ao
transito da morte, estando-o acoutando. Louvado seja, etc.

Quatro vezes lhe puzero com violencia a cora de espinhos, que
atravessou sua sagrada cabea com mil feridas. Louvado seja, etc.

Tres vezes cahio em terra com a santa Cruz. Louvado seja, etc.

Foi seu corao afflicto com setenta e duas angustias. Louvado seja,
etc.

Setenta e duas vezes cuspiro em seu Divino Rosto. Louvado seja, etc.

Ao encravar as mos, e ps na Cruz, dero setenta e dous golpes de
martello. Louvado seja, etc.

Deu no decurso de sua Paixo cento e nove suspiros. Louvado seja, etc.

Teve em seu Divino corpo seis mil e quatrocentas e setenta e cinco
feridas. Louvado seja, etc.

As gotas de sangue, que derramou, foro duzentas e trinta mil. Louvado
seja, etc.

As lagrimas que chorou pelos nossos peccados, foro seiscentas mil e
duzentas. Louvado seja, etc.

Louvado seja para sempre to bom Senhor, que tanto quiz padecer pelos
homens, e pelos seus peccados, sendo estes a causa da sua dolorosa
morte, e dos seus tromentos: choremos a seus ps a nossa ingratido, e
digamos-lhe com dor, e com pezar, o Acto de contrio seguinte:

Amabilissimo Jesus, Redemptor, e Salvador meu, unica felicidade da minha
alma, e Pae gloriosissimo de infinita misericordia, conheo, Senhor, e
confesso, que ainda que vos amara com todos os coraes, e com todo o
amor, que vos tem os Justos, Santos, e Serafins, e com o que vos amou
vossa Santissima Me, no correspondia ao amor, com que por mim dstes a
vida; mas ai de mim, que a satisfao deste amor sempre foro culpas.
Peza-me, meu Jesus, de todas, que tenho commettido, por serdes quem
sois, summamente bom e dignissimo de ser amado. Proponho com vossa graa
a emenda da vida, e espero que me haveis de perdoar pelo vosso amor, e
pela vossa morte, pelo vosso sangue, pelas vossas chagas, pelos vossos
tormentos, e pela vossa infinita misericordia. Jesus meu, misericordia;
meu Jesus, misericordia; meu Redemptor, misericordia.




LADAINHA. DE NOSSA SENHORA.


Kyrie eleison.
Christe eleison,
Kyrie eleison.
Christe audi nos.
Christe exaudi nos.
Pater de Coelis Deus, Miserere nobis.
Fili Redemptor mundi Deus, Miserere nobis.
Spiritus Sancte Deus, Miserere nobis
Sancta Trinitas unus Deus, Miserere nobis.
Sancta Maria,
Sancta Dei Genitrix, Ora pro nobis
Sancta Virgo Virginum, Ora pro nobis
Mater Christi, Ora pro nobis
Mater Divinae gratiae, Ora pro nobis
Mater purissima, Ora pro nobis
Mater castissima, Ora pro nobis
Mater inviolata, Ora pro nobis
Mater intemerata, Ora pro nobis
Mater amabilis, Ora pro nobis
Mater admirabilis, Ora pro nobis
Mater Creatoris, Ora pro nobis
Mater Salvatoris, Ora pro nobis
Virgo prudentissima, Ora pro nobis
Virgo veneranda, Ora pro nobis
Virgo praedicanda, Ora pro nobis
Virgo potens, Ora pro nobis
Virgo clemens, Ora pro nobis
Virgo fidelis, Ora pro nobis
Speculum justitiae, Ora pro nobis
Sedes sapientiae, Ora pro nobis
Causa nostrae laetitiae, Ora pro nobis
Vas spirituale, Ora pro nobis
Vas honorabile, Ora pro nobis
Vas insigne devotionis, Ora pro nobis
Rosa Mystica, Ora pro nobis
Turris Davideca, Ora pro nobis
Turris eburnea, Ora pro nobis
Domus aurea, Ora pro nobis
Foederis arca, Ora pro nobis
Janua Coeli, Ora pro nobis
Stella matutina, Ora pro nobis
Salus infirmorum, Ora pro nobis
Refugium peccatorum, Ora pro nobis
Consolatrix afflictorum, Ora pro nobis
Auxilium Christianorum, Ora pro nobis
Regina Angelorum, Ora pro nobis
Regina Patriarcharum, Ora pro nobis
Regina Prophetarum, Ora pro nobis
Regina Apostolorum, Ora pro nobis
Regina Martyrum, Ora pro nobis
Regina Confessorum, Ora pro nobis
Regina Virginum, Ora pro nobis
Regina Sanctorum omnium, Ora pro nobis
Regina Immaculata, & Mater Fratrum Minorum, Ora pro nobis
Agnus Dei, qui tollis peccata mundi, Parce nobis Domine.
Agnus Dei, qui tollis peccata mundi, Exaudi nos, Domine.
Agnus Dei, qui tollis peccata mundi, Miserere nobis.

[/V.] Ora pro nobis, Sancta Dei Genitrix.

[/R.] Ut digni efficiamur promissionibus Christi.


_Oremos_.

Gratiam tuam, quaesumus, Domine, mentibus nostris infunde, ut qui,
Angelo nuntiante, Christi Filii tui Incarnationem cognovimus, per
Passionem ejus, & Crucem, ad Resurrectionis gloriam perducamur. Per
eumdem Christum Dominum nostrum. Amen.




PRECES, E DEPRECAES DEVOTAS.

PARA CADA UM FAZER

A JESU CHRISTO

SALVADOR NOSSO,

_No decurso de trinta e tres dias_.


ESTAS SE DEVEM PRINCIPIAR EM QUALQUER SEXTA FEIRA DO ANNO, DIANTE DE UMA
IMAGEM DE CHRISTO CRUCIFICADO COM UMA VELA ACCESA. FEITA ESTA DEVOO
COM MUITA FE, ALCANAR CADA UM O QUE PERTENDE, E DESEJA, SENDO COUSA
LICITA, E JUSTA.


DIA PRIMEIRO.

_Sexta feira_.


Resar com devoo, e com os olhos cm Christo crucificado, cinco vezes o
Padre nosso, Ave Maria, e Credo; e depois contemplar a honra, que o
Senhor fez, a seus Discipulos, dando-lhes a comer o seu Sagrado Corpo, e
a beber o seu precioso Sangue.


_Offerecimento para todos os dias_.

Minha querida Senhora, Me de meu Senhor Jesu Christo. Misericordia.
Chagas de meu Senhor Jesu Christo. Misericordia.
Sangue precioso de meu Senhor Jesu Christo. Misericordia.
Cora de espinhos de meu Senhor Jesu Christo. Misericordia.
Cruz de meu Senhor Jesu Christo. Misericordia.
Lagrimas de meu Senhor Jesu Christo. Misericordia.
Sepulcro de meu Senhor Jesu Christo. Misericordia.
Morte de meu Senhor Jesu Christo. Misericordia.
Lagrimas da Virgem Maria minha Senhora. Misericordia.
Resurreio de meu Senhor Jesu Christo. Misericordia.
Asseno admiravel de meu Senhor Jesu Christo. Misericordia.
Espirito Santo Consolador. Misericordia.
Santissimo Sacramento do Altar. Misericordia.
Santissimo Sacramento do Altar. Misericordia.
Santissimo Sacramento do Altar. Misericordia.
Virgem purissima admiravel. Misericordia.
Soberana Rainha dos Anjos. Misericordia.

Purissima Me de Deus, e Templo da Santissima Trindade, pela verdadeira
f, que todos temos, de que em vs se encerrou o Verbo Divino, com essa
mesma vos pedimos, e pela Sagrada Paixo, e Morte de Nosso Senhor Jesu
Christo nos alcanceis o feliz despacho da merc, que nestas Preces lhe
pedimos, tudo para honra, e gloria de vosso querido Filho,  vossa.
Amen.


DIA SEGUNDO.

_Sabbado_.


Rezar o mesmo como no primeiro dia, contemplando, e offerecendo  honra
da dr, que o Senhor sentio, quando fez orao a seu Eterno Pae, suando
sangue, que correo pela terra.


DIA TERCEIRO.

_Domingo_.


Rezar o mesmo  honra da dr, que o Senhor sentio, quando os filhos da
maldio o prendero, contemplando os repeles, e empuxees, que lhe
dero.


DIA QUARTO.

_Segunda feira_.


Rezar o mesmo  honra de quando levro o Senhor a casa de Annaz,
contemplando a dr, que sentio, quando lhe dero a bofetada.


DIA QUINTO.

_Tera feira_.


Rezar o mesmo  honra da dr, que teve o Senhor, quando o levram a
casa de Caifaz, e diante dele lhe dero os Judeos bofetadas, e
arrancro seus Sagrados cabellos.


DIA SEXTO.

_Quarta feira_.


Rezar o mesmo  honra de quando mostrro o Senhor ao Povo, e o
trouxero s voltas, e de rastos, e do sangue que ento derramou.


DIA SETIMO.

_Quinta feira_.


Rezar o mesmo  honra da dr, que o Senhor teve, quand lhe fizero
perguntas, e o accusro com testemunhas falsas; e Caifaz rasgou as
vestiduras, dizendo que blasfemra, e todos dissero, que merecia a
morte.


DIA OITAVO.

_Sexta feira_.


Rezar o mesmo  honra da dr, que o Senhor sentio, quando o levro a
casa de Pilatos.


DIA NONO.

_Sabbado_.


Rezar o mesmo  honra da dor, que o Senhor sentio, quando julgro ser
Barrabaz mais digno de lhe darem vida.


DIA DECIMO.

_Domingo_.


Rezar o mesmo  honra da dr que o Senhor sentio, quando Pilatos o
mandou a Herodes, o qual escarneceo delle com toda a Crte, e o vestio
com uma vestidura branca.


DIA ONZE.

_Segunda feira_.


Rezar o mesmo  honra de quando levro o Senhor segunda vez a casa de
Pilatos, puxando-lhe cruelmente pela corda, e dando-lhe empuxes.


DIA DOZE.

_Tera feira_.


Rezar o mesmo  honra da dr, que o Senhor teve, quando defendendo-o
Pilatos da morte, no o pde conseguir, e o mandou aoutar cruelmente.


DIA TREZE.

_Quarta feira_.


Rezar o mesmo  honra da dr, que o Senhor teve quando lhe puzero a
cora de espinhos em sua Sacrosanta Cabea, e do muito sangue, que
derramou.


DIA QUATORZE.

_Quinta feira_.


Rezar o mesmo  honra da dr, que o Senhor teve, quando com uma canna
lhe dero sobre a cora de espinhos, dizendo-lhe: Deus te salve, Rei dos
Judeos.


DIA QUINZE.

_Sexta feira_.


Rezar o mesmo  honra da dr, que o Senhor teve quando com grande
crueldade o despiro de todos os seus vestidos, e lhe vestiro uma
vestidura vermelha com grande escarneo.


DIA DEZESEIS.

_Sabbado_.


Rezar o mesmo  honra da dr, que o Senhor teve, quando Pilatos o
mostrou por uma janella aos Fariseos, e ao Povo, dizendo: Eis aqui o
Homem; e de, como o Senhor estava lastimoso, e chagado, que apenas tinha
semelhana de homem.


DIA DEZESETE.

_Domingo_.


Rezar o mesmo  honra da dr, que o Senhor teve, quando ouvio dizer aos
Fariseos: Crucifica-o, crucifica-o.


DIA DEZOITO.

_Segunda feira_.


Rezar o mesmo  honra da dr, que o Senhor teve, quando ouvio dizer aos
Fariseos, que o seu sangue cahisse sobre elles, e sobre seus filhos,
dizendo Pilatos, que lavava as mos de seu sangue e de sua innocencia.


DIA DEZENOVE.

_Tera feira_.


Rezar o mesmo  honra da dr, que o Senhor teve, quando Pilatos lhe deo
a sentena de morte de Cruz.


DIA VINTE.

_Quarta feira_.


Rezar o mesmo contemplando nas affrontas, com que o Senhor foi levado a
crucificar, pondo-lhe a Cruz aos hombros, com a qual cahio muitas vezes.


DIA VINTE E UM.

_Quinta feira_.


Rezar o mesmo  honra de quando a santa mulher lhe deo o leno, com o
qual o Senhor alimpou seu Sagrado Rosto, e nelle ficou sua Santa
Effigie.


DIA VINTE E DOUS.

_Sexta feira_.


Rezar o mesmo  honra, da dr que o Senhor teve e sua Me Santissima,
quando se viro entre a multido de gente, e o buscou, desprezando-a os
Judeos.


DIA VINTE E TRES.

_Sabbado_.


Rezar o mesmo  honra da dr que o Senhor teve, quando com impeto o
despiro, levando-lhe na tunica a pelle, que pelas suas Sacrosantas
Chagas estava pegada, sendo assim pregado na Cruz no alto do monte
Calvario.


DIA VINTE E QUATRO.

_Domingo_.


Rezar o mesmo  honra da grande dr, que o Senhor teve, quando
levantaro seu sagrado corpo, j pregado na Cruz.


DIA VINTE E CINCO.

_Segunda feira_.


Rezar o mesmo  honra da dr, que o Senhor sentio, vendo que os Judeos
jogavo, e repartio suas Sagradas vestiduras.


DIA VINTE E SEIS.

_Tera feira_.


Rezar o mesmo  honra das sete palavras, que o Senhor deo na Cruz.


DIA VINTE SETE.

_Quarta feira_.


Rezar o mesmo  honra de quando disse o Senhor ao bom ladro, que
naquelle dia seria com elle no Paraiso.


DIA VINTE E OITO.

_Quinta feira_.


Rezar o mesmo  honra da dr, que o Senhor teve, quando vio a sua
Santissima Me derramando muitas lagrimas, pedindo-lhe a no
desamparasse, ao que respondeo o Senhor: Mulher, ahi tens teu Filho; e
ao Discipulo: Ahi tens tua Me.


DIA VINTE E NOVE.

_Sexta feira_.


Rezar o mesmo  honra da hora, em que o Senhor espirou na Cruz por
nosso amor.


DIA TRINTA.

_Sabbado_.


Rezar o mesmo  honra de quando o Soldado abrio o lado ao Senhor, j
morto, e sahio delle sangue e agua.


DIA TRINTA E UM.

_Domingo_.


Rezar o mesmo  honra, e venerao de como o Senhor foi tirado da Cruz,
e o recebeo sua Me Maria Santissima em os braos, e da grande dr da
purissima Senhora, que sentio neste passo.


DIA TRINTA E DOUS.

_Segunda feira_.


Rezar o mesmo  honra de como foi levado o corpo do Senhor  Sepultura,
sendo com muitas lagrimas sepultado.


DIA TRINTA E TRES.

_Tera feira_.


Rezar o mesmo  honra do sentimento, e saudades, que a Senhora teve de
seu Sagrado Filho deixando-o no sepulcro.




COLLOQUIO A JESU CHRISTO E A MARIA SANTISSIMA. AO P DA CRUZ.

_Que se deve repetir, quando se fizerem estas preces_.


Oh amoroso Pae, e Senhor de minha alma, que bem cumpristes vossa
palavra, que no nos deixarieis orfos, ausentando-vos desta vida; pois
na pessoa do discipulo, que tanto amaveis, nos dstes tal Me, e amparo,
a ella communicastes todos os poderes da graa, a ella as entranhas
amorosas de vossa misercordia, que por isso est junto  Cruz, em que
morreis pelos peccadores, para que veja o mundo como se ha de compadecer
de seus trabalhos! Oh Virgem Sacratissima, lembrai-vos das dres, que
vos custro estes filhos ao p da Cruz, fazei os filhos da mo direita,
como fizestes ao Discipulo amado, e j que somos filhos de vossas dres,
no premittais o no sejamos de vossa graa: eu protesto. Senhora, de
vos servir, e amar, como servo fiel, e verdadeiro, acompanhando-vos em
vossos trabalhos: no me falteis com a vossa proteco, pois em vossa
mo est o remedio de minha alma para alcanar a eterna Bemaventurana.
Amen.




DEVOO  SANTA CRUZ.

PARA O TEMPO DE QUALQUER ATTRIBULAO.


Da bemdita Cruz
Ao lenho sagrado,
Em que o bom Jesus
Foi por ns pregado,

  Todos tributemos
Respeito profundo,
Porque n'elle temos
Redempo do mundo.

  E se em Portugal
Algum cego peito
Por seu grande mal
e nega respeito,

  Serve de terceira,
 Cruz adorada,
Para tal cegueira
Ser alumiada.

  Padre, Filho e Amor,
A vs seja dado,
Rendido louvor
Por todo o creado.

  E pois que na Cruz
Nos destes victoria,
Dai-nos vr Jesus
Na celeste gloria      Amen.

  [/V.] Este nobre signal
  Em que sempre venceu,

  [/R.] Protesta Portugal
  Que ser sempre seu.


OREMOS.

Prostrados diante da vossa Cruz, humildemente vos rogamos, Divino
Redemptor, que mediante a vossa graa ponhamos sempre n'este bemdito
signal a nossa maior honra e por sua virtude logremos os fructos eternos
do vosso sacrificio. Que viveis e reinais por todos os seculos dos
seculos. Amen.


FIM.




COLLOCAAO DAS ESTAMPAS

Adorao ao SS.--(no frontispicio)
N. S. Crucificado--(em frente da pagina)
Annuncio--(em frente da pagina)
N. S. da Conceio da Rocha--(em frente da pagina)




INDICE DO QUE NESTE LIVRO SE CONTEM


Advertencia ao leitor

Acto que se deve fazer no principio de todas as visitas ao SS.
Sacramento

Visitas ao SS. Sacramento e Maria Santissima

Jaculatorias para se dizerem diante do Santissimo Sacramento

Jaculatorias em desagravo ao SS. Sacramento

Tero ao SS. Sacramento

Ladainha ao SS. Sacramento

Ladainha da Paixo e Morte de Jesu Christo

Orao a N. S. Jesu Christo Sacramentado

Exercicio para antes e depois da Confisso e Communho

Religiosos Protestos

Supplicas para pedir perdo a Deus

Orao Prodigiosa a N. Senhora

Methodo de ouvir Missa perfeitamente

Modo de resar a Coroa das Dores de Maria SS

Devoo ao SS. Sacramento para a hora, e dia em que foi instituido

O Tantum Ergo "em portuguez"

Adorao de Santo Thomaz ao SS. Sacramento

Modo de assistir ao Sagrado Lausperenne

Jaculatorias para adorar ao SS. Sacramento pelos Attributos do seu Amor e
Grandesa

Jaculatorias para se dizerem diante do SS. Sacramento

Psalmos que se recito acompanhando o SS. para casa do enfermo

Cantico a Maria SS. "ou a Magnifica"

Cantico de Zacharias

Novena das Almas do Purgatorio

Devoo das Almas do Purgatorio

Orao e rogativa a N. Senhora da Conceio para todas as necessidades
geraes e particulares, e mui propria para implorar os poderes de seu
patrocinio diante da sua milagrosa imagem apparecida

Officio d'agonia

Via-Sacra abreviada

Ladainha de Nossa Senhora

Preces e deprecaes devotas para cada um fazer a Jesu Christo

Colloquio a Jesu Christo e a Maria Santissima ao p da Cruz

Devoo  Santa Cruz




Notas:


[*] Joan. Cap. XIII. Luc. Cap. XXII. Marc. Cap. XIV. Matth. Cap. XXVI.




Notas acrescentadas em edio:


[1] Pgina 11:

     _Meu Jesus, creio que vs estais no SS. Sacramento: amo-vos sobre
     todas as cousas, e vos desejo receber agora dentro na minha alma:
     j que no posso receber-vos sacramentalmente, vinde ao menos
     espiritualmente ao meu corao; e como vos tivera j recebido, eu
     vos abrao, e me uno todo a vs. Ah! Senhor, no permittais que eu
     jmais de vs me aparte_.

     Ou mais breve: _Creio, meu Jesus, que estais no SS. Sacramento:
     amo-vos, e desejo muito receber-vos, vinde ao meu corao: eu vos
     abrao; no vos ausenteis de mim_.


[2] Pgina 19:

     Minha vontade est prompta
     Para seguir-vos, Senhor,
     Sejo firmes meus desejos,
     Seja firme o meu amor.

     Quem me dra estar seguro
     De nunca mais offender-vos;
     Meu Deus, quem me dra ser
     O maior de vossos servos.

     Meu corao vos pertence,
     Meu adoravel Senhor,
     Prendei-o bem preso ao vosso
     Com prises de puro amor.

     Governai, meu bom Jesus,
     Governai meu corao,
     No consintais que nelle entre
     A menor imperfeio.

     Que mais pde appetecer
     Um verdadeiro Christo,
     Do que amar sempre seu Deus
     Com todo o seu corao?

     Bemdito e louvado seja
     O meu Jesus adorado,
     Bemdito seja para sempre
     O meu Deus Sacramentado


[3] Pgina 22:

     Virgem Soberana, eu vos rogo
     Sejais minha valedora;
     Se Deus me no tem ouvido,
     Fallai-lhe por mim nest'hora.

     Sois minha Me, a esses braos
     Eu corro e me vou lanar;
     Ainda que ingrato, sou filho,
     E no me haveis de espancar.

     De Deus tambem vs sois Me,
     Pedi-lhe que me perdoe;
     Dizei-lhe veja o meu peito,
     Que j se arrepende, e doe.

     Mettei no Divino Lado
     A vossa poderosa mo;
     Tirai enchentes de graas
     Dentro do seu corao.

     Na minha alma as entornai,
     De impura fique innocente;
     E da mais pura mancha
     Fique limpa de repente.

     De tibia e frouxa se torne
     Extremosa e vigilante:
     De ingrata e rebelde seja
     Desde hoje terna e constante.

     Para gloria do vosso nome,
     Por to subidos favores,
     Mandarei do Ceo e terra,
     Agradecidos clamores.


[4] Pgina 149:

     1


       Ah! quem pudera
     Aqui viver,
     Nada do mundo
     Tornar a ver.


     2


       Com Deus vivendo,
     Com Deus fallando,
     A vida assim
     Ir acabando.


     3


       Unida sempre
     Ao meu Senhor,
     Morrer  fora
     Do seu amor.


     4


       De Deus meu peito
     Seja a morada,
     Com elle eu viva
     Extasiada.


     5


       Faze, meu Deus,
     Habitao,
     N'esta minh'alma,
     E corao.


     6


       Os meus suspiros;
     Minha anciedade,
     Asss te mostro
     Minha saudade.


     7


       Carne Divina,
     Doce alimento,
     Tu da minh'a alma
     s o sustento.


     8


       Qual Pelicano,
     Rasgando o peito,
     Prende-me at
     Em lao estreito.


     9


       Vivo Sacrario
     Meu peito seja
     De quem minh'alma,
     Tanto deseja.


     10


       Sacramentado,
     Na Eucharistia,
     Fica em meu peito
     De noute, e dia.


     11


       Ah! No permittas
     Que um s momento,
     De ti se affaste
     Meu pensamento.


     12


       Doces prazeres
     S pode achar,
     Quem de Jesus
     Chega a gostar.


     13


       Meus Deus appressa.
     Aquelle dia,
     De eterna paz,
     Doce alegria,


     14

       Ento gozando,
     J sem temor,
     De no perder
     O teu amor.


     15


       Eu cantarei,
     Alegremente,
     Jesus  meu
     Eternamente.


     16


       Heide amal-o sempre
     Heide sempre vl-o
     Sempre adoral-o!
     Nunca offendel-o!


     17


       Ah! doce Jesus,
     Tem de mim piedade
     Acabe os meus dias
     A tua saudade.


[5] Pgina 347:

    Senhor Deus, que nos deixastes os signaes da vossa Paixo no Santo
    Sudario, em o qual foi envolto vosso Corpo Santissimo quando por
    Jos foi descido da Cruz; concedei-me piedoso Senhor, que por vossa
    morte, e sepultura sejamos levados  Gloria da Ressurreio, em que
    viveis e reinas com Deus Padre em unidade do Espirito Santo, por
    todos os seculos dos seculos. Amen.





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Maria Santissima Para Todos os Dias do Mez, by Unknown

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electronic work or group of works on different terms than are set
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both the Project Gutenberg Literary Archive Foundation and Michael
Hart, the owner of the Project Gutenberg-tm trademark.  Contact the
Foundation as set forth in Section 3 below.

1.F.

1.F.1.  Project Gutenberg volunteers and employees expend considerable
effort to identify, do copyright research on, transcribe and proofread
public domain works in creating the Project Gutenberg-tm
collection.  Despite these efforts, Project Gutenberg-tm electronic
works, and the medium on which they may be stored, may contain
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property infringement, a defective or damaged disk or other medium, a
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Gutenberg Literary Archive Foundation, the owner of the Project
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LIABILITY, BREACH OF WARRANTY OR BREACH OF CONTRACT EXCEPT THOSE
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LIABLE TO YOU FOR ACTUAL, DIRECT, INDIRECT, CONSEQUENTIAL, PUNITIVE OR
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in paragraph 1.F.3, this work is provided to you 'AS-IS' WITH NO OTHER
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1.F.5.  Some states do not allow disclaimers of certain implied
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If any disclaimer or limitation set forth in this agreement violates the
law of the state applicable to this agreement, the agreement shall be
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with this agreement, and any volunteers associated with the production,
promotion and distribution of Project Gutenberg-tm electronic works,
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that arise directly or indirectly from any of the following which you do
or cause to occur: (a) distribution of this or any Project Gutenberg-tm
work, (b) alteration, modification, or additions or deletions to any
Project Gutenberg-tm work, and (c) any Defect you cause.


Section  2.  Information about the Mission of Project Gutenberg-tm

Project Gutenberg-tm is synonymous with the free distribution of
electronic works in formats readable by the widest variety of computers
including obsolete, old, middle-aged and new computers.  It exists
because of the efforts of hundreds of volunteers and donations from
people in all walks of life.

Volunteers and financial support to provide volunteers with the
assistance they need, is critical to reaching Project Gutenberg-tm's
goals and ensuring that the Project Gutenberg-tm collection will
remain freely available for generations to come.  In 2001, the Project
Gutenberg Literary Archive Foundation was created to provide a secure
and permanent future for Project Gutenberg-tm and future generations.
To learn more about the Project Gutenberg Literary Archive Foundation
and how your efforts and donations can help, see Sections 3 and 4
and the Foundation web page at http://www.pglaf.org.


Section 3.  Information about the Project Gutenberg Literary Archive
Foundation

The Project Gutenberg Literary Archive Foundation is a non profit
501(c)(3) educational corporation organized under the laws of the
state of Mississippi and granted tax exempt status by the Internal
Revenue Service.  The Foundation's EIN or federal tax identification
number is 64-6221541.  Its 501(c)(3) letter is posted at
http://pglaf.org/fundraising.  Contributions to the Project Gutenberg
Literary Archive Foundation are tax deductible to the full extent
permitted by U.S. federal laws and your state's laws.

The Foundation's principal office is located at 4557 Melan Dr. S.
Fairbanks, AK, 99712., but its volunteers and employees are scattered
throughout numerous locations.  Its business office is located at
809 North 1500 West, Salt Lake City, UT 84116, (801) 596-1887, email
business@pglaf.org.  Email contact links and up to date contact
information can be found at the Foundation's web site and official
page at http://pglaf.org

For additional contact information:
     Dr. Gregory B. Newby
     Chief Executive and Director
     gbnewby@pglaf.org


Section 4.  Information about Donations to the Project Gutenberg
Literary Archive Foundation

Project Gutenberg-tm depends upon and cannot survive without wide
spread public support and donations to carry out its mission of
increasing the number of public domain and licensed works that can be
freely distributed in machine readable form accessible by the widest
array of equipment including outdated equipment.  Many small donations
($1 to $5,000) are particularly important to maintaining tax exempt
status with the IRS.

The Foundation is committed to complying with the laws regulating
charities and charitable donations in all 50 states of the United
States.  Compliance requirements are not uniform and it takes a
considerable effort, much paperwork and many fees to meet and keep up
with these requirements.  We do not solicit donations in locations
where we have not received written confirmation of compliance.  To
SEND DONATIONS or determine the status of compliance for any
particular state visit http://pglaf.org

While we cannot and do not solicit contributions from states where we
have not met the solicitation requirements, we know of no prohibition
against accepting unsolicited donations from donors in such states who
approach us with offers to donate.

International donations are gratefully accepted, but we cannot make
any statements concerning tax treatment of donations received from
outside the United States.  U.S. laws alone swamp our small staff.

Please check the Project Gutenberg Web pages for current donation
methods and addresses.  Donations are accepted in a number of other
ways including checks, online payments and credit card donations.
To donate, please visit: http://pglaf.org/donate


Section 5.  General Information About Project Gutenberg-tm electronic
works.

Professor Michael S. Hart is the originator of the Project Gutenberg-tm
concept of a library of electronic works that could be freely shared
with anyone.  For thirty years, he produced and distributed Project
Gutenberg-tm eBooks with only a loose network of volunteer support.


Project Gutenberg-tm eBooks are often created from several printed
editions, all of which are confirmed as Public Domain in the U.S.
unless a copyright notice is included.  Thus, we do not necessarily
keep eBooks in compliance with any particular paper edition.


Most people start at our Web site which has the main PG search facility:

     http://www.gutenberg.org

This Web site includes information about Project Gutenberg-tm,
including how to make donations to the Project Gutenberg Literary
Archive Foundation, how to help produce our new eBooks, and how to
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