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+Project Gutenberg's Portugal e Ilhas Adjacentes, by F. Adolfo Coelho
+
+This eBook is for the use of anyone anywhere at no cost and with
+almost no restrictions whatsoever. You may copy it, give it away or
+re-use it under the terms of the Project Gutenberg License included
+with this eBook or online at www.gutenberg.org
+
+
+Title: Portugal e Ilhas Adjacentes
+ Exposição Ethnografica Portugueza
+
+Author: F. Adolfo Coelho
+
+Release Date: May 13, 2007 [EBook #21429]
+
+Language: Portuguese
+
+Character set encoding: ISO-8859-1
+
+*** START OF THIS PROJECT GUTENBERG EBOOK PORTUGAL E ILHAS ADJACENTES ***
+
+
+
+
+Produced by Rita Farinha and the Online Distributed
+Proofreading Team at https://www.pgdp.net (This file was
+produced from images generously made available by National
+Library of Portugal (Biblioteca Nacional de Portugal).)
+
+
+
+
+
+
+
+
+
+CENTENARIO DO DESCOBRIMENTO DA INDIA
+
+EXPOSIÇÃO ETHNOGRAPHICA PORTUGUEZA
+
+
+PORTUGAL E ILHAS ADJACENTES
+
+POR
+
+F. ADOLPHO COELHO
+
+PRESIDENTE DA SECÇÃO DE SCIENCIAS ETHNICAS DA SOCIEDADE DE GEOGRAPHIA,
+ETC.
+
+
+LISBOA
+IMPRENSA NACIONAL
+1896
+
+
+
+
+AOS ESTIMAVEIS LEITORES
+
+O auctor deste programma agradecerá muito quaesquer informações que
+sirvam para completá-lo ou corrigí-lo e que lhe podem ser enviadas para
+a *Sociedade de Geographia*--Lisboa.
+
+
+
+
+OBSERVAÇÕES PREVIAS, IDEIA, E DIVISÕES PRINCIPAES DO PROGRAMMA
+
+
+
+
+OBSERVAÇÕES PREVIAS
+
+
+Apesar de existirem varias publicações que têem por objecto o estudo do
+povo português sob diversos aspectos, póde affirmar-se resolutamente que
+a nossa ethnographia se acha na infancia, já porque muitos desses
+aspectos, entre os quaes alguns da maior importancia, têem sido apenas
+levemente tocados, já porque a muitas daquellas publicações falta a
+precisão scientifica. Carecemos nós, sobretudo, de um trabalho de
+conjuncto sufficientemente completo, impossivel de organisar pela
+ausencia de numerosos dados que a diligencia dum só investigador ou até
+dum pequeno grupo de investigadores associados não teria capacidade de
+reunir.
+
+O estudo do povo português sob o aspecto physico está apenas iniciado: o
+que falta fazer, ainda dentro dos limites do estrictamente
+indispensavel, é quasi tudo!
+
+Não foi ainda realisada nenhuma investigação séria, baseada, portanto,
+sobre dados sufficientemente numerosos e seguros, acerca da alimentação
+das classes populares.
+
+A habitação portuguesa, cujos typos são variados e interessantes, apesar
+da estreiteza do nosso territorio, é um objecto, por assim dizer
+intacto. A alfaia e o mobiliario domesticos esperam ainda um estudo que
+não seja um fragmento.
+
+O vestuario das classes populares não foi ainda descripto e desenhado no
+seu conjuncto, comparativamente, na sua distribuição geographica: tem
+sido apenas objecto de notas destacadas, de reproducções de curiosos de
+momento. Algumas publicações destinadas a figurá-los pela estampa
+(photographia, gravura, aguarella, etc.) ficaram incompletas, e apenas
+nalgumas exposições, nalguns museus (industrial do Porto, agricola de
+Lisboa) figuram uns raros manequins representando exemplares avulsos.
+
+Artigos de publicações periodicas, memorias e notas soltas, inqueritos
+agricolas e industriaes têem accumulado numerosas observações sobre o
+trabalho popular nas suas diversas fórmas; mas ainda quando tudo isso se
+conglobasse num só livro, ficaria muito incompleto e inconsistente.
+Carecemos de conhecer esse trabalho, sobretudo no que elle tem de
+caracteristico, de tradicional, em todas as suas minudencias, em todas
+suas as applicações, em todas as suas condições, para apreciação justa e
+completa do nosso povo.
+
+Um capitulo do trabalho nacional, dos mais interessantes sem duvida,
+começou a ser estudado nos ultimos tempos com carinho--a pesca; mas
+apesar de valiosas publicações, entre as quaes avulta a do sr. Baldaque
+da Silva, não pouco resta ainda que fazer.
+
+Os meios de transporte tradicionaes, carros, embarcações maritimas e
+fluviaes, etc., esperam ainda um estudo comprehensivo, assim como o
+commercio nas suas fórmas populares.
+
+As bellas artes populares, propriamente ditas, salvo a poesia, não foram
+ainda estudadas a serio. A musica tem sido objecto de varias publicações
+destinadas, ao que parece, a darem della ideia falsissima.
+
+Não é nessas publicações anti-scientificas, em que o genuinamente
+popular, transcripto sob o imperio de preoccupações pedantes, se envolve
+com composições de origem não popular evidente, não é nas rapsodias dos
+compositores que iremos estudar a musica do nosso povo, que espera ainda
+quem saiba fixá-la em notas veridicas e perscrutá-la na sua historia e
+correlações ethnicas. E que diremos da esculptura, da pintura popular,
+que não equivalha ao que enunciámos ao referirmo-nos á habitação
+portuguesa, que nos interessa por variados aspectos, e entre elles
+tambem pelo pensamento artistico?
+
+É no dominio da poesia popular, dos contos, das superstições, dos jogos,
+das festas e outros actos solemnes do nosso povo que mais se tem feito;
+mas ainda assim bastante resta averiguar para conhecimento completo
+dessas tradições e de outras.
+
+É mister estudar de modo mais serio do que se tem feito até hoje o
+temperamento, o typo moral e o caracter do nosso povo nas suas
+variantes; o conjuncto de sentimentos que nelle se revelam; as ideias
+que o agitam relativamente ao mundo sobrenatural, á natureza, á
+sociedade; fazer um inquerito completo ácerca do que elle sente, do que
+elle sabe, do que elle pensa e do modo por que elle sente, sabe e pensa
+e apreciar ainda sobre dados seguros o grau da sua energia volitiva,
+fazer emfim a sua psychologia ethnica (não receamos empregar essa
+expressão, embora objecto de ardentes criticas).
+
+Para tornar possiveis esses estudos, cujo programma completo está sendo
+preparado, é necessario, entre outros elementos, o conhecimento cabal de
+todos os dados materiaes da vida do nosso povo, dos que lhe ministra
+immediatamente a natureza em cujo seio se move e dos que são producto da
+sua apropriação, do seu trabalho. A colleccionação desses dados é um
+primeiro e grande passo a dar para a realisação do estudo ethnologico do
+nosso povo. Dois meios se nos offerecem para a levar a effeito: a
+organisação de um museu de ethnographia nacional e as exposições. A
+existencia de um similhante museu está decretado; mas não torna inutil
+as exposições, onde poderão apparecer elementos de difficil acquisição
+que os estudiosos tenham, durante tempo sufficiente, ao seu alcance. De
+outro lado essas exposições facilitarão o enriquecimento do museu.
+
+A antiga philosophia punha acima de todos os preceitos o expresso nas
+palavras [Grego: gnôthi seauton], conhece-te a ti mesmo. O pensamento
+moderno declarou que o objecto de estudo mais digno do homem é o proprio
+homem. Qual poderá, pois, ser o estudo mais digno de um povo senão o
+estudo de si proprio?
+
+Se nelle ha evidentemente para nós aspectos profundamente
+desconsoladores, ha-os porventura tambem fortificantes.
+
+Viajantes que têem percorrido o nosso territorio poseram em relevo as
+boas qualidades nativas do nosso povo em contraste com a corrupção das
+classes dirigentes e basearam sobre essas qualidades a esperança da
+nossa futura regeneração. Mas ao povo falta a fé, falta a firmeza da
+resolução que só nasce do espirito sufficientemente esclarecido ácerca
+dos seus deveres e dos seus direitos; falta-lhe portanto a vontade
+collectiva: elle agita-se apenas dentro do circulo dos interesses
+individuaes, familiaes e locaes; é a materia prima de um povo e não
+verdadeiramente um povo como a complexidade da vida moderna exige que
+seja. Dahi o indifferentismo pela politica, a venalidade do voto, a
+emigração, a falta da ideia nitida e do sentimento firme da patria e da
+humanidade, que um vago patriotismo não póde substituir.
+
+No momento historico actual da nossa nacionalidade achâmo-nos numa
+alternativa que não póde prolongar-se muito tempo: ou continuâmos a
+acceitar o systema de governação espoliativa que levou o país ao fundo
+abysmo em que se acha, para favorecer individuos, ou tratâmos de elevar
+pela educação o povo á noção da vida collectiva, dos interesses geraes e
+ideaes, de salvar para uma vida historica um povo que mostrou pelos
+factos que vamos commemorar em 1897, ser digno de occupar logar
+proeminente no convivio das nações.
+
+Que todos os que têem em si uma particula do fogo sagrado, que se chama
+dedicação pelas nobres causas, se reunam e dêem as mãos e consagrem á
+obra do renascimento nacional, pela educação do povo.
+
+Estudar o povo é já eleval-o, é preparar o caminho para acudir ás suas
+necessidades moraes, intellectuaes, technicas e economicas.
+
+Eis porque propomos como elemento da celebração do centenario da
+primeira viagem de Vasco da Gama á India, uma exposição ethnographica
+portuguesa cujo programma vamos esboçar.
+
+
+
+
+IDEIA GERAL DA EXPOSIÇÃO ETHNOGRAPHICA PORTUGUESA
+
+
+Esta exposição comprehenderá sobretudo objectos materiaes proprios para
+dar ideia da vida do povo português (Portugal e ilhas adjacentes) no que
+elle tem de proprio, de caracteristico e tradicional, embora resultado
+de assimilações realisadas ha mais ou menos tempo. Excluem-se em geral
+portanto todos os materiaes e productos de introducção ou imitação
+recente, todos os typos modernos de construcção, de vestuario, de
+ferramentas e machinismos.
+
+Trata-se principalmente de fazer representar os elementos da vida do
+povo, das classes trabalhadoras, em especial das regiões ruraes.
+
+Ao lado de objectos materiaes, taes como o povo os emprega, têem
+cabimento os modelos de dimensões reduzidas e as representações pelas
+artes graphicas, e não se excluem as descripções pela palavra, antes se
+deseja que a exposição comprehenda o maior numero possivel de obras,
+estudos, simples notas de que o povo português tenha sido objecto.
+
+Não deve esquecer-se tambem o meio geographico, este bello Portugal, que
+em vão se quer culpar de vicios que só derivam dos homens, e os
+«paraisos desprezados» das ilhas adjacentes.
+
+Emfim será o mais apreciavel ornamento da exposição uma serie de typos
+vivos, humanos, dos nossos diversos districtos, com as suas vestes
+caracteristicas, em construcções representando as suas casas, com o seu
+mobiliario, os instrumentos e productos de suas industrias--uma imagem,
+em resumo, do povo português.
+
+
+
+
+*Divisões principaes do programma*
+
+
+Um estudo completo do povo português comprehenderia os seguintes
+elementos:
+
+I. A terra.
+ 1. A constituição geologica do solo.
+ 2. A riqueza mineralogica do solo.
+ 3. A geographia physica.
+ 4. A meteorologia.
+ 5. A flora.
+ 6. A fauna.
+
+II. O homem.
+ 1. Caracteres somaticos.
+ 2. Caracteres psychicos.
+
+III. A historia.
+ 1. Origens ethnicas (migrações, invasões, etc.)
+ 2. Influencias externas, sem mistura ethnica.
+ 3. Factos historicos reveladores do caracter do povo ou que
+ sobre elle actuaram.
+
+IV. A vida hodierna.
+ A. Fórmas da vida pratica.
+ 1. Fórmas individuaes.
+ a) A alimentação.
+ b) A habitação.
+ c) O vestuario e as armas.
+ d) O trabalho (processos, productos, etc.)
+ 2. Fórmas individuo-sociaes.
+ a) A organisação economica do trabalho.
+ b) O commercio.
+ c) Associações, companhias, confrarias, (antigas corporações
+ de officios, como appendice).
+ d) A linguagem, os gestos, a escripta (tentativas,
+ independentes da graphia corrente, etc.)
+ e) O decoro, o porte pessoal.
+ f) As fórmas de polidez e de respeito (cumprimentos, saudações,
+ etc.)
+ g) O jogo (passagem para as fórmas artisticas).
+ 3. Fórmas sociaes.
+ a) A familia (casamento, criação e educação dos filhos,
+ organisação domestica, relações parentaes; em
+ especial vestigios de antigas fórmas de casamento,
+ etc.)
+ b) Os laços da sociedade.
+ c) Sentimento da communidade nacional e politica.
+ 4. Fórmas humanas.
+ a) Sentimentos de humanidade em geral.
+ b) A amizade.
+ c) A hospitalidade.
+ d) A beneficencia.
+ e) Relações internacionaes.
+ B. Fórmas da vida artistica (esthetica).
+ 1. Danças.
+ 2. Musica.
+ 3. Litteratura.
+ 4. Desenho, pintura.
+ 5. Esculptura.
+ 6. Architectura.
+ C. Fórmas da vida religiosa.
+ 1. Crença no sobrenatural, em geral.
+ 2. Vestigios de crenças mythicas, de praticas que se referem
+ aos cultos pagãos.
+ 3. A crença nos espiritos. Apparições.
+ 4. Superstições diversas.
+ 5. Conceito de Deus, dos anjos e dos santos.
+ 6. O diabo na crença popular.
+ 7. O céu na crença popular.
+ 8. O inferno.
+ 9. Orações.
+ 10. Offerendas.
+ 11. Festas religiosas.
+ 12. Objectos materiaes empregados no culto, nessas festas,
+ ou que de qualquer modo se ligam ás crenças religiosas.
+ D. Fórmas da vida especulativa (saber popular propriamente dito).
+ 1. Emquanto ás fontes.
+ a) Observação, experiencia.
+ b) Conversação, tradição.
+ c) Reflexão.
+ 2. Emquanto ao objecto.
+ a) A natureza.
+ b) O homem.
+ c) As causas ultimas.
+
+Não é aqui o logar de defender essa classificação, naturalmente sujeita
+a criticas, nem de indicarmos como fomos levados a estabelelecê-la, o
+que tencionamos fazer noutra parte. Observaremos que, como noutras
+classificações, póde nessa um mesmo objecto entrar em mais de uma
+divisão, segundo o modo por que é considerado. As fórmas individuaes da
+vida, possiveis ao homem isolado, como a um Robinson na sua ilha,
+desenvolvem-se sob a acção social por certo e é dentro do meio social
+que aqui são introduzidas, mas a classificação não deixa por isso de ter
+base.
+
+Muitas das divisões do programma não podem ser representadas na
+exposição senão por descripções, analyses, estudos, isto é,
+litterariamente, por não se referirem a objectos materiaes; das que o
+podem ser pelos proprios objectos materiaes ou modelos, entendemos que a
+exposição deve attender principalmente ás sub-divisões da classe IV, _A
+vida hodierna_, que estão nesse ultimo caso. O que entra nas divisões I
+a III, com excepção dos typos populares vivos, será representado
+sobretudo por livros, memorias, notas, impressos ou manuscriptos, e
+reproducções graphicas, mappas e objectos analogos.
+
+No desenvolvimento que segue não nos cingimos com todo o rigor á
+classificação apresentada acima, por vantagem pratica.
+
+
+
+
+DESENVOLVIMENTO DO PROGRAMMA
+
+
+
+
+Nas indicações que vamos apresentar não pretendemos de modo nenhum ser
+completos, mas sim dar ideia sufficientemente clara do que se deseja
+fazer. Ficamos longe de mencionar todos os objectos que podem figurar na
+exposição.
+
+A terminologia popular reclama especial attenção. Os objectos de uso ou
+productos do povo devem trazer todos os seus nomes locaes, assim como
+indicados nelles proprios ou em desenho separado os termos que designam
+cada uma das suas partes, quando esses termos existam.
+
+Nos exemplos que reunimos não indicamos em geral as localidades ou
+provincias em que os termos respectivos se empregam, por nos ser
+difficil fazê-lo sempre com rigor. Ouvimos, v. g. em Trás-os-Montes
+empregar _carpins_ ou _crepins_ pelo que noutras partes se chama
+_piugas_, _miotes_, _pealhos_, _coturnos_: podiamos ser inclinados a
+tomar tal termo como especial transmontano, mas ouvimos depois esse
+mesmo termo na bôca de beirões e hoje não sabemos ainda bem qual a sua
+extensão geographica. Em trabalhos dialectologicos temos visto dar como
+especiaes a uma certa provincia, até a uma certa localidade, termos que
+se encontram muito espalhados no país. A nossa exposição contribuirá
+consideravelmente para o conhecimento da terminologia popular.
+
+
+
+
+*Grupo I*
+
+A terra e o homem
+
+
+Livros, memorias, artigos, simples notas, impressos ou manuscriptos,
+mappas, volumes contendo apenas partes, que se refiram aos seguintes
+assumptos:
+
+ I. 1. Geologia }
+ 2. Minerographia }
+ 3. Geographia } de Portugal e ilhas adjacentes.
+ 4. Meteorologia }
+ 5. Flora }
+ 6. Fauna }
+
+ II. 1. Caracteres somaticos } do povo português.
+ 2. Caracteres psychicos }
+
+ III. 1. Origens ethnicas do povo português.
+ 2. Influencias externas sobre o seu caracter e desenvolvimento.
+ 3. Factos historicos reveladores desse caracter ou que actuaram
+ sobre elle.
+
+Poder-se-ha completar este grupo com o seguinte:
+
+a) Uma collecão estratigraphica typica, como a que a commissão geologica
+apresentou na exposição nacional das industrias fabris de 1888;
+
+b) Uma pequena collecção mineralogica typica;
+
+c) Alguns modelos de herbarios de flora local.
+
+
+
+
+*Grupo II*
+
+A alimentação
+
+
+1. Amostras de materias primas mais empregadas na alimentação popular,
+com a indicação da proveniencia, preço, uso, logares em que as empregam.
+
+Plantas alimentares em herbario ou conservadas por outros processos.
+Fructos[1].
+
+2. Condimentos, especiarias de uso popular.
+
+3. Pães de diversas fórmas e natureza, taes como pão de trigo, semea,
+pão chapado da raia, pão de calo, pão de bico ou de mamminhas,
+regueifas, cornichos, poias, padas, roscas, pão segundo, pão ralo ou
+minheiro, pão de leite, broa. Pães de uso particular em certas festas,
+como o _santóro_ (pão de Todos-os-Santos da Beira). Vid. grupo X.
+
+4. Carnes ensacadas (palaios, paios, farinheiras, bufeira da Beira,
+murcellas, linguiças, salchichas, etc.). Carnes de salmoura.
+
+5. Conservas e preparados culinarios diversos que sejam susceptiveis de
+expor-se, taes como frigideiras de Braga, lampreia de Coimbra, mexilhão
+de Aveiro.
+
+6. Lacticinios, taes como manteigas, queijos, requeijões, _travia_
+(requeijão com soro da Beira).
+
+7. Doces caracteristicos de localidades, taes como arrufadas de Coimbra,
+biscoitos de Vallongo, biscoitos leves de Coimbra, bolo de folhas de
+Olhão, bolo podre do Alemtejo, celestes de Santarem, falachas (bolos de
+castanhas) da Beira, fructos doces de Coimbra, Elvas, Evora, etc.,
+manjar branco de Cellas (Coimbra), marmelada de Odivellas, morgado de
+Beja e Faro, murcellas de Arouca, ovos molles de Aveiro, palitos e
+biscoitos de Oeiras, pão de ló de Margaride, pasteis de Coimbra, de
+Tentugal, etc., queijadas de Thomar, de Cintra, do Funchal, rolos de
+Olhão, suspiros e ais de Paços de Arcos, toicinho do céu de Murça,
+trutas de Olhão, pasteis de feijão de Torres Vedras, presunto de ovos do
+Alemtejo, areias de Cascaes, sardinhas de Vianna do Alemtejo, alcamonia
+de Lisboa, figos d'ovos de Portalegre, fartens de diversas localidades
+(Coimbra, etc.,) bolos de mel do Funchal, nabada de Semide.
+
+Doces proprios de certas festividades: broas (Lisboa, etc.), rabanadas
+(Porto, etc.) do Natal, amendoas da semana santa, folares (com ou sem
+ovos) da Paschoa; figuras de farinha representando homens, animaes (o
+gallo com pennas tendo no ventre uma noz) do domingo de Paixão; fogaças
+de romaria. Vid. grupo X.
+
+8. Bebidas mais usadas.
+
+9. Litteratura da alimentação popular portuguesa, comprehendendo o
+estudo dos usos e superstições que se lhe ligam.
+
+
+
+
+*Grupo III*
+
+A habitação e em especial a habitação rural e suas dependencias
+
+
+1. Planos topographicos de aldeias indicando:
+
+a) A sua situação geographica, os accidentes do solo, ribeiros, rios,
+lagoas, pantanos, collinas, montes da vizinhança, caso os haja, etc.;
+
+b) A posição dos pateos, saguões, estrumeiras (montureiras), curraes,
+cavallariças, ovis, estabulos, cabris, apriscos, bardos, furdas,
+abegoarias, arribanas, pocilgas (cortelhos), cortinhos, córtes,
+chiqueiros, enxurdeiros, pateos, quintans, quinteiros, cabanaes, ruas,
+eidos, hortas, quinchosos (quinchorros), enxidos, soutos, sequeiros
+(vardias);--direcção e frontaria de cada construcção, posição da igreja,
+capella ou ermida, dos moinhos, azenhas, caminhos, lameiros, devesas,
+etc.
+
+Photographias ou desenhos de aldeias e outros logares pequenos.
+
+2. Planos, photographias ou desenhos de granjas, casaes, herdades
+(montes), com todas as suas dependencias.
+
+3. Plantas e alçados de casas rusticas e das populares em geral, com
+suas dependencias.
+
+Modelos de casas feitos com a maxima fidelidade, de modo que se possam
+apreciar os processos de construcção--a fórma dos prumos, vigamentos,
+asnas (madres, fileiras, aguieiras, frechaes), varedo, telhado, algeroz,
+chaminé, lareiras, claraboias, paredes mestras, frontaes, tabiques,
+empenas, alicerces, sotãos, fumeiros, cunhaes, humbreiras, soleiras,
+vergas, peitoris, portas, janellas, taramellas, trancas, tranquetas,
+ferrolhos, argolas, trincos, fechaduras, rotulas, gelosias, empanadas
+das janellas, vidraças, balcão, sacadas, grades, pavimentos diversos,
+soalhos, forros, alçapões, escadas interiores e exteriores, corrimões,
+patins ou patamares, divisões interiores (salas, quartos, alcovas,
+cozinhas, dispensa, etc.); terraços, açoteas, alegretes; ramadas ou
+latadas encostadas ás casas.
+
+Os modelos devem apresentar as fórmas typicas das diversas regiões e
+comprehender as construcções annexas ou proximas que existam como
+pateos, saguões, curraes, cavallariças, arribanas, celleiros, lagares,
+coelheiras, gallinheiros, muros, vallados, alpendres, etc.
+
+Photographias ou desenhos dos mesmos objectos.
+
+4. Modelos de simples choças, cabanas, choupanas, tugurios, enramadas,
+furdas, bardos, bargas, palhoças, palheiros, palhotes, palhaes, malhas,
+malhadas, casolas, barracas-de-so-chão.
+
+Photographias ou desenhos desses mesmos objectos.
+
+5. Ornamentos das empenas, beiraes, etc., taes como pombas de barro,
+cataventos (grempas, veletas), cabeças de animaes. Ornamentos das
+paredes. Azulejos.
+
+6. Plantas e alçados, modelos, photographias ou desenhos de tabernas e
+estalagens de aldeia.
+
+7. Taboletas de tabernas, estalagens e outros estabelecimentos aldeãos
+(originaes ou modelos).
+
+8. Amostras de materiaes de construcção, empregados nas aldeias, (com a
+indicação exacta da sua proveniencia, preço, processo de extracção,
+fabrico e transporte), taes como madeiras, pedras, tijolos (de
+alvenaria, burro, meia, adobe, adobinho, lambaz, barrote, tabique,
+abobadilha), formigão, telha, cal, etc.
+
+9. Litteratura da habitação popular portuguesa, comprehendendo os usos e
+superstições que se lhe ligam.
+
+
+
+
+*Grupo IV*
+
+Mobiliario e utensilios domesticos
+
+
+Os proprios objectos ou modelos, ou, em ultimo caso, desenhos.
+
+1. Biombos.
+
+2. Armarios, arcas, bahus, caixas, bocetas, malas, cofres, burras;
+saccos, saccas, saccolas, bolsas, taleigas, surrão.
+
+3. Estrados, taburnos, degraos, bancos, cadeiras, sophás, marquezas,
+camapés, escano ou preguiceiro, cadeiras de palmatoria, de tesoira,
+ripanço, tanhos, escabellos, tripós ou tripés, tripeços, trepeços,
+mochos, tamboretes, genuflexorios.
+
+4. Capachos, esteiras, esteirões, tapetes, alcatifas.
+
+5. Bancas, mesas, bancadas de dobradiça, contadores, mesas de costura,
+jardineiras, secretarias, donzellas, commodas, credencias, tremós.
+
+6. Guarda-roupa; cabides.
+
+7. Camas (leitos), tarimas, catres, rabecas, barras, berços (canastras).
+
+Docel, sobrecéu, armação da cama.
+
+Cortinas, bambinellas.
+
+Almofadas, travesseirinhas (chemelas), travesseiros, enxergas,
+enxergões, colchões; lençoes, cobertores, cobertas, mantas, colchas.
+
+8. Apparelhos para as creanças aprenderem a andar.
+
+9. Carteiras, secretarias, tinteiros.
+
+10. Ourinoes, bacios, comadres.
+
+11. Prateleiras, consolos, baralhas, canniços, louceiro (galheiro).
+
+12. Espelhos. Relogios de parede, de areia, do sol.
+
+13. Redomas para peixes, etc.; gaiolas.
+
+14. Veladores, candieiros, candeias, lanternas, lampiões, lamparinas,
+grisetas, palmatorias, tocheiros, castiçaes, placas, serpentinas;
+apagadores, espevitadores, arandellas.
+
+15. Defumadores, esquentadores, brazeiros (bruxas).
+
+16. Lavatorios, bacias, tijellão, jarros, regadores, baldes, toalhas de
+mãos, saboneteiras.
+
+17. Bandejas, taboleiros, cestos, canastros, canastras, canistreis,
+balaios, gigas, gigos, cabazes, cabanejos, escrinhos, alcofas,
+golpelhas, ceiras, ceirões, condeças, açafates.
+
+18. Sarilhos, dobadoiras (irgadilhos); rocas (com o siso), fusos.
+
+19. Guarda-loiça. Aparadores.
+
+20. Toalhas de mesa, guardanapos. Pratos (covos, ladeiros, lisos, de
+guardanapo ou de puchar), travessas, cochos, saladeiras, covilhetes,
+boiões, saleiros, mostardeiras, pimenteiras, azeitoneiras, malgas,
+molheiras, tijellas, pucaros, pucaras, pucharas, picheis, garrafas,
+gorgoletas, gumís, cangirões, copos, cornas, calices, cuias; chavenas,
+chicaras, bules, cafeteiras, chocolateiras, chaleiras, leiteiras,
+almotolia, vinagreira. Assucareiros.
+
+Facas, garfos, colhéres, cocharras.
+
+21. Frasqueira, fructeira.
+
+22. Fogões, fogareiro, transfogueiro, trempes, grelhas, torradeiras,
+assadeiras, caldeiras, caldeiros, caldeirões, caldeiras para ferver na
+lareira (de Guimarães, etc.), marmitas, tachos, caços, caçarolas,
+caçoilas, pelas, frigideiras, palanganas, pingadeiras, alguidares,
+barrunchões (alguidares grandes da Beira), escudellas, cochos, gamellas,
+escalfadores, escumadeiras, lardeadeiras, funis, formas, taboleiros de
+ir ao forno, raladores, crivos, coadores, peneiros, peneiras, cutellos,
+cepos, espetos, machados, limpa-facas, vassouras, mandis, abanos,
+cinzeiros, tenazes, estufas, folles, almofarizes, graes. Pote, asado,
+cantaro, cantara, selhas, talhas, barris, botijas, canecos, canecas,
+cabaças, poial dos potes, talha das azeitonas, pia do azeite, moinho de
+mão, pás, carvoeira, ratoeira, pedra de lavar loiça (loisa), esfregão,
+rodilha, tábua, pia de lavar roupa, tanque, tijella da casa.
+
+23. Litteratura do mobiliario e das alfaias populares, comprehendendo o
+estudo dos usos e superstições que se lhe ligam.
+
+
+
+
+*Grupo V*
+
+Vestuario e armas
+
+
+1. Vestuario das creancinhas: cueiros, tiras umbilicaes, fachas, cintas,
+mantéus (mantilhas), papagaios, envoltas, vestidos, mandriões, batas,
+bibes, babadoiros, camisolas, calças, calções, meias, piugas (carpins,
+meotes, pealhos, coturnos, calcetas). Sapatos, botinhas (botinas),
+chinelos. Lenços de cabeça, etc. Toucas, barretes, garruço (carapuço),
+chapéus, bonnés, boinas, cachuchas. Fatos de baptisado.
+
+2. Vestuario das creanças crescidas e de adultos. Trajos do sexo
+masculino, do sexo feminino, de viuvo, de viuva, ordinarios,
+domingueiros, de festa, de casamento, de lucto.
+
+Vestuario do homem: Piugas (carpins, etc.), sapatos (ferrados, etc.),
+tamancos (samancos, sócos, chalocas), cloques, chiolas, abarcas
+(alpargatas ou alparcatas), botas, chinelas, chinelos. Polainas, safões.
+Calças (pantalonas), calças de bôca de sino e calções (de alçapão, etc.)
+ceroulas, bragas. Suspensorios (alças). Jaqueta, jaquetão, nisa, rabona,
+jaleco, colete, camisa, camisola, gabão (varino, gabinardo), capa,
+capote e em especial capote á alemtejana, capote de honras ou de
+honricas de Miranda, capa de palha (coroça), mantas, carapuça, carapuço,
+capucha, barrete, chapéu (desabado, braguez, etc.), gorro, bonné com
+chavelhos (S. Miguel). Lenços d'algibeira, do pescoço, cintas.
+
+Vestuario do mulher: Meias, etc., ligas. Sapatos, chinelas, chinelinha,
+tamanquinhas, sócos. Calças, saias, anagoas e saiotes, coletes,
+roupinhas, chambres, casaveques, bajús, batas, algibeira (patrona).
+Lenço do peito, da cabeça, capas, capuchas, salpim (ou susalpim, capote
+de grande cabeção de S. Miguel), touca (coca). Lenços d'algibeira, véu,
+bioco, chapéu, penteador.
+
+3. Ornamentos diversos, pela maior parte feminis: Anneis, xorcas,
+pulseiras, braceletes, manilhas, collares, gargantilhas (afogadores),
+alfinetes, broches, cordões, corações, cadeias, brincos das orelhas,
+arrecadas (ciganas, pendengues, cabaças), cintos. Pentes. Alamares.
+
+4. Mortalhas.
+
+5. Guarda-sol (barraca), sombrinha.
+
+6. Varapau, pampilho, cajado, fingueira, cacheira, moca, cacete, bordão,
+cachamorra, ladra, bengala. Muletas.
+
+Chuço, navalha, faca de mato, funda, clavina, bacamarte, arcabuz.
+
+7. Caixas de rapé. Bolsas de tabaco.
+
+8. Manequins com os vestuarios completos caracteristicos das diversas
+localidades.
+
+9. Litteratura do vestuario popular português, comprehendendo os usos e
+superstições que se lhe ligam. Representações graphicas.
+
+
+
+
+*Grupo VI*
+
+O trabalho (industrias, commercio, occupações diversas)
+
+
+1. Desenhos, pinturas ou photographias, que representem individuos
+isolados ou em grupos, nas industrias ou occupações que se têem em
+vista, com os trajos respectivos, suas ferramentas, utensilios,
+apparelhos, engenhos, machinas, no logar (campo, officina, etc.) em que
+trabalham. Representações graphicas de officinas aldeãs, casas e
+barracas de venda, feiras, mercados.
+
+2. Exemplares, modelos ou reproducções graphicas, á parte, das
+ferramentas, utensilios, apparelhos, engenhos, machinas, etc.,
+empregados nas differentes industrias ou occupações populares, com a
+nomenclatura exacta de cada uma das suas diversas partes, escripta nos
+proprios objectos ou em desenhos ou simples notas que os acompanhem, com
+a indicação do uso e proveniencia.
+
+3. Desenhos, pinturas ou photographias dos animaes que auxiliam o homem
+nas suas diversas industrias e profissões ou cuja captação ou criação
+seja objecto dessas industria, com a indicação do uso e proveniencia.
+
+Quando seja possivel, exemplares dos proprios animaes, vivos ou
+empalhados ou conservados por qualquer outro processo.
+
+4. Amostras ou exemplares dos productos mais caracteristicos das
+differentes industrias (alem dos que entram nos grupos II, III, IV e V
+ou nos seguintes).
+
+5. Noticias mais ou menos circumstanciadas acerca das diversas
+industrias, commercio e outras occupações populares, comprehendendo o
+estudo de sua historia, processos, ferramentas, utensilios, apparelhos,
+engenhos, machinas, etc., individuos que nellas se occupam, importancia
+economica, caracteristicas profissionaes, usos, costumes, superstições
+respectivas.
+
+ * * * * *
+
+Damos uma lista, incompleta em verdade, das industrias e profissões
+populares, para auxiliar os colleccionadores:
+
+Abridor.
+Accendedor.
+Adelo.
+Aguadeiro.
+Albardeiro.
+Alcatroeiro.
+Alfaiate.
+Algebrista (endireita).
+Algibebe.
+Alvenel.
+Almocreve.
+Alqueireiro.
+Alveitar.
+Alviçareiro.
+Amolador.
+Andador d'irmandade.
+Apicultor.
+Apontador.
+Apparelhador.
+Arameiro.
+Archoteiro.
+Armador.
+Armeiro.
+Arqueiro.
+Arraes.
+Arrieiro.
+Asphaltador.
+Assadeira.
+Assedadeira.
+Assentador de carrís.
+Azeiteiro.
+Azulejador.
+Bahuleiro.
+Bainheiro.
+Bandarilheiro (capinha).
+Bandeireiro.
+Barqueiro.
+Bate-folha.
+Belforinheiro (bofarinheiro).
+Bengaleiro.
+Benzedeira.
+Betumeiro.
+Boceteiro.
+Boieiro.
+Bolacheira.
+Botequineiro.
+Botoeiro.
+Bonifrateiro.
+Britador.
+Brochante.
+Brunidor.
+Bunheiro.
+Burriqueiro.
+Cabelleireiro.
+Cabreiro.
+Cabresteiro.
+Caçador.
+Cadeireiro.
+Caiador.
+Caieiro.
+Caixoteiro.
+Calafate.
+Calceteiro.
+Caldeireiro.
+Callista.
+Camiseiro.
+Camisoleiro.
+Canastreiro.
+Canteiro.
+Cantoneiro.
+Cantor ambulante.
+Capacheiro.
+Capador.
+Capataz.
+Capellista.
+Cardador.
+Cardeiro.
+Carniceiro.
+Carpinteiro (de machado, toscano, de branco, etc.).
+Carregador.
+Carreiro.
+Carrejão.
+Carroceiro.
+Carteiro.
+Cartonagens (fabricante de).
+Carvoeiro.
+Caseiro.
+Casqueiro.
+Castrador (capador).
+Catraeiro.
+Cavador (cavão).
+Cavouqueiro.
+Ceifeiro.
+Cerieiro.
+Cervejeiro.
+Cesteiro.
+Chamiceiro.
+Chegador.
+Chapeleiro.
+Chineleiro.
+Chocolateiro.
+Cinzelador.
+Clarificador.
+Cobrador.
+Cocheiro.
+Colchoeiro.
+Colhereiro.
+Collador de papel.
+Colmeeiro.
+Compositor.
+Concerta-loiça.
+Confeiteiro.
+Conductor de carros, etc.
+Conserveiro.
+Contrabandista.
+Conteiro.
+Copeiro.
+Cordoeiro.
+Corista.
+Coronheiro.
+Cortador.
+Corticeiro.
+Costureira.
+Couteiro.
+Coveiro.
+Cozinheiro.
+Cravador.
+Criado.
+Criador de gado.
+Curandeiro.
+Curtidor.
+Cutelleiro.
+Decorador.
+Dentista.
+Distillador.
+Dobadeira.
+Doceiro.
+Doirador.
+Embalsamador.
+Embutidor.
+Encerador.
+Encadernador.
+Engommadeira.
+Entalhador.
+Enxertador.
+Escoveiro.
+Esmerilador.
+Estanceiro.
+Esparteiro.
+Espartilheira.
+Espelheiro.
+Espingardeiro.
+Estafeta.
+Estalajadeiro.
+Estampador.
+Estofador.
+Estrumeiro.
+Estucador.
+Farinheiro.
+Faroleiro.
+Fazedor.
+Faz-tudo.
+Feitor.
+Ferrador.
+Ferreiro.
+Fiadeira, fiandeira.
+Florista.
+Fogueiro.
+Fogueteiro.
+Forjador.
+Formador.
+Formeiro.
+Forneiro.
+Fosforeiro.
+Fressureira.
+Fructeiro.
+Fullista.
+Fundidor.
+Funileiro.
+Futriqueiro.
+Furoeiro.
+Gaioleiro.
+Gaiteiro.
+Gallinheiro.
+Galocheiro.
+Gamelleiro.
+Gandaieiro.
+Ganhão.
+Gommeiro.
+Gravador.
+Gravateiro.
+Guarda-matto.
+Guarda-nocturno.
+Guarda-soleiro.
+Horticultor (hortelão).
+Impressor.
+Inculcador.
+Instrumentista.
+Jardineiro.
+Joalheiro.
+Lacaio.
+Ladrilheiro.
+Lagareiro.
+Lampista.
+Lapidario.
+Lanificios (fabricante de).
+Lapiseiro.
+Latoeiro (de amarello, de branco).
+Lavadeira (lavandeira).
+Lavador.
+Lavradeira.
+Lavrador.
+Lavrante.
+Leiloeiro.
+Leiteiro.
+Licorista.
+Linheira.
+Limonadeira.
+Limpa-chaminés.
+Loiceiro.
+Loiseiro.
+Luvista.
+Macarroeiro.
+Machinista.
+Maltez.
+Manteigueiro.
+Marceneiro.
+Marchetador.
+Marinheiro.
+Marmoreiro.
+Mécheiro.
+Mellaceiro.
+Melancieira.
+Mercador.
+Merceeiro.
+Mergulhador.
+Marnoteiro (marroteiro).
+Mineiro.
+Moço de recados, fretes, etc.
+Modista.
+Moeiro.
+Moageiro.
+Moiral.
+Moldador.
+Moleiro.
+Molliceiro (sargaceiro).
+Montante.
+Musico ambulante.
+Obreeiro.
+Odreiro.
+Oleeiro.
+Oleiro.
+Olheiro.
+Ourives.
+Ovelheiro.
+Padeiro.
+Palheireiro.
+Palhoceiro.
+Paliteiro.
+Papeleiro.
+Palmilhadeira.
+Paramenteira.
+Parteira.
+Passarinheiro.
+Pasteleiro.
+Pastor.
+Pedreiro.
+Pegureiro.
+Peixeiro.
+Pelleiro.
+Peneireiro.
+Penteeiro.
+Perfumista.
+Pescador.
+Picador.
+Picheleiro.
+Piloto.
+Pinceleiro.
+Pintor.
+Pisoeiro.
+Poceiro.
+Podador.
+Poleeiro.
+Polidor.
+Pregoeiro.
+Prensista.
+Queijadeira.
+Queijeiro.
+Quinteiro.
+Ramalheteira.
+Recortador.
+Recoveiro.
+Redes (fabricante de).
+Refinador.
+Regateira.
+Relojoeiro.
+Remador.
+Remolar.
+Rendeira.
+Retrozeiro.
+Rodeiro.
+Rolheiro.
+Roqueiro (fabricante de rocas).
+Roupeiro (que faz, guarda roupa).
+Roupeiro (pastor queijeiro).
+Saboeiro.
+Sachador.
+Sacristão.
+Salchicheiro.
+Salgador.
+Sangrador.
+Santeiro.
+Sapateiro.
+Sardinheira.
+Sebeiro.
+Segador.
+Segeiro.
+Selleiro (correeiro).
+Semblador.
+Serigueiro (sirgueiro, passamaneiro).
+Serrador.
+Serralheiro.
+Serzideira.
+Sineiro.
+Singeleiro.
+Soldador.
+Sombreireiro.
+Sopeira.
+Sota.
+Sumagreiro.
+Surrador.
+Taberneiro.
+Tabúa (fabricante de objectos de).
+Tamborileiro.
+Tamiceiro.
+Tanoeiro.
+Tecedeira.
+Tecelão (de lã, de algodão, de ourelo, de fitas de elastico, etc.).
+Telheiro.
+Tendeiro.
+Tintureiro.
+Toicinheiro.
+Toireiro.
+Torneiro.
+Toscano (carpinteiro).
+Tosquiador.
+Trabalhador.
+Trapeiro.
+Trintanario.
+Tripeiro.
+Trolha (codea).
+Typographo.
+Vallador.
+Vaqueiro.
+Varapoeiro.
+Varredor.
+Vassoireiro.
+Védor.
+Vendedor.
+Vendeiro.
+Vestimenteira.
+Vidraceiro.
+Vidreiro.
+Vinagreiro.
+Vindimeiro.
+Violeiro.
+Zagal, zageleto.
+
+ * * * * *
+
+Deve attender-se em primeiro logar ás seguintes industrias:
+
+1. Caça.
+2. Pesca.
+3. Pastoreio.
+4. Agricultura, com todas as industrias que se lhe ligam.
+5. Industrias do ferro.
+6. Industrias da madeira.
+7. Industrias da pedra.
+8. Ceramica.
+9. Industrias na sua phase simples, puramente caseira.
+
+Vamos dar indicações relativas a essas e a outras industrias, sem
+pretender apresentar uma classificação dellas, por emquanto.
+
+
+A. *Caça.*
+
+Aboizes, inxozes, armadilhas, tombo, taralhoeira, alçapões, certilhas,
+caixão, castellão, caniços (naças), fios, laços, redes, costellas.
+Armelos. Ratoeiras. Visgo. Reclamo, apito. Fundas. Saccos de caça.
+Polvorinhos. Espingardas. Furoeiras. Tropheus de caça. Agachis (cabanas
+de matto para esperar a caça--Beira).
+
+
+B. *Pesca.*
+
+1. Planos, desenhos ou photographias de logares habitados por pescadores
+(grupo III), de portos de pesca.
+
+2. Todos os elementos dos grupos II a V, que dêem ideia das condições de
+vida da classe piscatoria.
+
+3. Photographias de typos de pescadores das diversas localidades.
+
+4. Amostras de materiaes empregados na fabricação das redes.
+
+Instrumentos usados na fabricação das redes: o muro ou malheiro, a
+agulha.
+
+Materias primas empregadas na breagem ou tintura das redes.
+
+Mó para moer a aroeira.
+
+Casqueiro (tanque ou vasilha em que se tingem as redes).
+
+Tendaes ou varaes em que se põem as redes a seccar.
+
+5. Apparelhos de rede e outros (ou modelos) empregados[2]:
+
+I. Na pesca longinqua.
+
+II. Na pesca do alto:
+
+ { permanentes ou de fundo.
+ { de rede de emmalhar { fluctuantes ou de superficie.
+ Apparelhos {
+ { de anzol { muitos anzoes.
+ { um só (linha de pesca).
+
+III. Na pesca costeira:
+
+ { fixos.
+ { de emmalhar { volantes.
+ { de rede {
+ { { { fixos.
+ { { envolventes { de cerco volante.
+ { { de arrastar.
+ { { de suspensão.
+ Apparelhos {
+ { de anzol { muitos anzoes.
+ { { um só.
+ {
+ { de fisga.
+ { de verga em fórma de ratoeira.
+
+Bicheiro (especie de croque para apanhar o polvo); navalha (vara com
+caranguejo para o mesmo fim).
+
+IV. Na pesca fluvial:
+
+ { fixos.
+ { de emmalhar { volantes.
+ {
+ { de rede { envolventes { fixos.
+ { { { volantes.
+ { { de estacada.
+ {
+ Apparelhos { de anzol { muitos anzoes.
+ { { um só.
+ { de fisga.
+ { de verga ou arame em fórma de ratoeira.
+ { automaticos.
+
+Auxiliares da pesca: arame de longueirão, cavadeira (enxada), garrafas,
+rasco.
+
+V. Na pesca lacustre:
+
+ { de rede.
+ Apparelhos { de anzol.
+ { de fisga.
+
+Carro ou polé para levantar as redes para os barcos.
+
+Padiolas para transportar as redes.
+
+6. Modelos, representações graphicas de embarcações de pesca maritima
+longinqua, do alto, costeira, fluvial e lacustre, com a indicação da
+terminologia.
+
+Utensilios diversos usados a bordo dessas embarcações.
+
+Instrumentos para puxar os barcos para terra (encalhar, varar), rolos,
+panaes, carrão, varas, muletas, etc.
+
+7. Representações graphicas das diversas operações da pesca, saída e
+entrada do barco no porto, varar deste, lançar as redes, disposição
+destas, levantar das redes, com a indicação dos termos que designam cada
+um dos pescadores que trabalham de cada vez (boga) nessa operação, que
+são (na Ericeira): proa, contra, passeador, levadoira, empanas,
+coiceiro, contracoiceiro[3].
+
+8. Copias de roteiros dos pescadores, isto é, das listas dos enfiamentos
+que os guiam ao procurar os mares de pesca.
+
+9. Litteratura da pesca em Portugal. Noticias sobre os usos, costumes,
+psychologia do pescador portuguez.
+
+
+C. *Pastoreio.*
+
+_Typos profissionaes_: Pastor, pegureiro, zagal, zagala, zagaleto,
+zagalejo. Ajuda, maioral (moiral). Ovelheiro, boieiro, cabreiro,
+porqueiro, etc.
+
+_Armas e utensilios, etc._: Cajado (cachado), bordão, cachamorra, moca,
+cacheira.
+
+Tarro, ferrado, asado, corna (colher de ponta de cabra), canado (S.
+Miguel).
+
+Colleiras de cães (com ou sem puas).
+
+Carranca dos rafeiros.
+
+Tendal (onde se tosquia).
+
+Barbilho (barbeto) para os bois. Chocalhos.
+
+Capador (instrumento musico), buzina, corneta.
+
+Samarra (pellote), surrão.
+
+Parruma (pão de farello para os cães).
+
+_Typos de cães de gado_: Exemplares vivos, ou empalhados, representações
+graphicas.
+
+
+D. *Agricultura e industrias connexas.*
+
+1. _Correcção do solo, irrigação_. Modelos, plantas, desenhos de obras
+tendo por fim a correcção do solo, como desaguadoiros, margens,
+camalhões, vallas ou sanjas, gaivagem, drenagem.
+
+Instrumentos e materiaes empregados nessas obras.
+
+Amostras de materias primas empregadas na correcção physica e chimica do
+solo.
+
+Modelos, plantas, desenhos de canaes, encanamentos, comportas, pontes,
+motas, quebramares, açudes, caleiras, noras, rodas de tirar agua,
+cegonhas (burras, Beira), bombas (fórmas antigas).
+
+2. _Cultura do solo e das plantas, colheita e conservação dos productos
+agricolas_.
+
+a) Representações graphicas (desenho, pintura, photographia) da lavra,
+sementeira, gradadura, ceifa, medas, debulha, joeiramento, etc.
+
+b) Instrumentos, apparelhos, machinas diversas (ou modelos):
+
+Alavancas.
+Alvião.
+Ancinho.
+Arado (timão ou tomão, chavelha, teiró, pescazes, rabiça, aiveca,
+ mexilho, ferro, coice).
+Atacadores de vinha.
+Bisarma para limpar arvoredo.
+Boicheiro (alvião para arrancar _boichas_, mato, na Beira).
+Carros diversos.
+Ceitoira.
+Cestos varios.
+Charrua (partes: dente, relha, aiveca, apo, teirós, aravellas, rodado ou
+ jogo dianteiro, rabiças, tempera).
+Coleta.
+Coleta de poda.
+Coleta de enxertia.
+Crivo.
+Cutella.
+Engaço.
+Enxada.
+Enxada rasa.
+Enxada de ganchos.
+Enxadão.
+Enxertador.
+Enxofradores.
+Espantalhos para as aves.
+Forcados.
+Foice.
+Foicinha.
+Forquilha.
+Gadanha.
+Gadanha com safra e martello.
+Grade.
+Gravanço.
+Joeira.
+Machada.
+Machado.
+Maço para enxertia.
+Malhadeiro.
+Malho (vide Mangoal).
+Mangoal (partes: carula, meã, mangueira, pirtigo ou prito).
+Navalhas.
+Padiolas.
+Pás.
+Pedra de afiar.
+Picão.
+Picareta.
+Plantadores.
+Podão.
+Podoa.
+Rachadeira (para enxertia da vide).
+Raspadeiras.
+Roçadeira de maça.
+Roçadeiras ou roçadoiras.
+Rodo.
+Rojão.
+Rolo.
+Sacho.
+Sacho de pá e bico.
+Sachola.
+Serras.
+Serrote (para limpeza das arvores).
+Tesoiras.
+Trilho.
+
+
+3. _Vindima_. Representação graphica da vindima.
+
+Instrumentos e utensilios empregados.
+
+Navalha podadora ou tesoira. Cestos chatos, cabazes para receber a uva
+ao passo que se corta. Cesto vindimo (recebe a uva dos cabazes). Dornas
+em carros de bois ou carros gargaleiros. Cubos (cestos vindimos grandes
+do Alemtejo). Carros com caixa (Alemtejo meridional). Estrados ou
+esteiras para estender a uva.
+
+4. _Lagaragem do vinho_, etc. Modelos, planos, desenhos de lagares de
+vinho, adegas, frasqueiras.
+
+Apparelhos, instrumentos e utensilios diversos (ou modelos desses
+objectos).
+
+Desengaçador (ripadeira), tridente em barril, sarilho de tremonha.
+Lagariça.
+
+Recipientes para as fermentações: pia, lagariça (taboleiro de lagar),
+balseiros, dornas, dornachos. Cavanejo.
+
+Engenhos de espremer (de vara e fuso, de fuso e peso, de tesoira);
+prensas de fuso movel ou de fuso fixo (de cincho, de gaiola, de aranha),
+de sarilho.
+
+Vasos para transporte e baldeação dos mostos: almudes, cantaros. Outros
+meios para o mesmo fim (calhas, etc.).
+
+Cisterna ou tina do Alemtejo. Talhas de barro, talhas pezgadas. Canecos.
+
+Vasilhame para guardar o vinho: Toneis, cascos, pipas, cubas, bottas,
+talhas, quartos, quartolas. Canteiros para assentarem as vasilhas.
+
+Batoques, torneiras. Chupeta (frade). Espicho. Argal (argáo). Tira-flor.
+Bombas de transfega. Filtros. Batedores de colla. Mechas. Sulfuradores.
+
+Garrafas. Rolhas.
+
+Mãe-vinagreira.
+
+Alambique (alquitara).
+
+5. _Preparação do azeite_. Planos e modelos de tulhas, lagares e suas
+partes. Utensilios.
+
+Moinho (tanque, pia), galga, eixo, fuso, mescia. Motor de agua: roda de
+cubos, roda de pás.
+
+Ceiras.
+
+Prensas: de vara (fuso, chave, peso, virgem, adufas); de parafuso
+(cabeça do parafuso, chave, adufa).
+
+Tanques de baganha. Ancinhos para a separação da baganha. Canecos de
+colher.
+
+Caldeiras. Fornalha.
+
+Tarefa. Inferno. Pilão.
+
+Talhas para a conservação do azeite. Odres para transporte.
+
+6. _Fabricação de lacticinios_. Representações graphicas das operações.
+Utensilios, engenhos ou modelos. Vasadeiras. Ferrados. Asados. Coadeiras
+(sedaços). Terrinas para a formação da nata. Batedeiras vulgares da
+manteiga.
+
+Gamella, usada para a coagulação do leite. Cintel. Moinho para desfazer
+a coalhada. Barrileira (francelho). Cinchos. Prateleiras para a secca
+dos queijos.
+
+Picheiro.
+
+7. _Conservação dos cereaes, moagem, panificação_. Modelos,
+representações graphicas das construcções, apparelhos, empregados nessas
+operações. Utensilios diversos. Vide n.^o 2.
+
+Medas de colmo e cannas de milho.
+
+Eiras.
+
+Tulhas (silos, tulhas a monte padejado, tercenas, etc.). Espigueiros
+(canastros, cobertos). Cafuão (S. Miguel).
+
+Moinhos:
+
+a) Atafona: trave, porca, ferrão, pião, almanjarra, arrojadoira,
+emparamentos, dormentes, segurelha, alevadoiro, carrote, veio, cachorro,
+etc.
+
+b) Azenha: roda de pás ou colheres ou roda de cubos (entrós, carrete,
+lanternim), pennas, poiso, corredeira, aguilhão, segurelha, lobeto,
+rela, vielas, quelha (calha, etc.).
+
+c) Moinho de vento (fixo com chapéu, movel com leme ou cauda); arvore
+(eixo), asas (aspas, varas, mastros), vélas, cabaças, rodas, dentes,
+cercos, lanternas, canaes, pás, rodisios, tulha, tramoia (tremoia),
+tremonha (canoira), puxavante, pedras (mós--pé e andadora ou corredora),
+cambeiral, etc.
+
+Padaria (fornos). Peneiros, masseira, banqueta (tendedeira). Forno:
+peitoril, bôca, porta, lar, lados, centro, abobada, capella, respiro,
+chaminé. Pá de esborralhar, de enformar, de tirar a cinza. Atiçador,
+rodo. Varredoura (enxovalho). Vistas.
+
+8. _Preparação do linho_. Ripador (sedeiro de esbaganhar). Crivo, joeira
+para limpar as sementes. Águadoiros do linho. Pente. Maço e cepo. Pisão.
+Espadella. Sedeiro.
+
+9. _Criação das abelhas_. Colmeia ou cortiço. Mascara do entroviscador
+(destroçador). Defumador. Sedaço e gamella (tacho) para receber o mel
+virgem. Coadores ou escumadores do segundo mel. Batedor do mel.
+Depurador da cera.
+
+10. _Criação do bicho de seda_. Utensilios nella usados. Collecção
+sericola, com o bicho nas suas diversas phases de desenvolvimento, o
+casulo, etc.
+
+11. _Criação de gado_. Modelos, desenhos de construcções para abrigo de
+gado, dos animaes que servem na lavoura. Vide grupo III.
+
+Estabulo com palheiro, mangedoira, caixão de ração, armario para
+arreios, serrote ou corta-palha, baldes, etc. Cevadeira.
+
+Chiqueiro (cortelho, córte, etc.), pias, gamellas.
+
+Arribana dos bois.
+
+Curral das vaccas.
+
+Redil das ovelhas, etc. Tesoira de tosquiar.
+
+
+E. *Industrias do ferro.*
+
+Indicaremos, como exemplos, algumas ferramentas e utensilios usados
+pelos forjadores, serralheiros e torneiros de metaes (terminologia de
+Lisboa):
+
+Alfeças.
+Alicates.
+Almotolias.
+Assentadores.
+Bancadas.
+Bigorna (de chifre redondo e chifre quadrado).
+Brocas.
+Brocha.
+Brunidor.
+Buris.
+Cabedaes (desempenos).
+Caixas para limas, etc.
+Cantoneiras para riscar escateis.
+Cavalletes de forja (safra, chifre redondo, penna, assento).
+Chanfrador.
+Chaves de parafusos.
+Chaves de porcas.
+Chegadeiras.
+Compassos direitos.
+Compassos de corrediça.
+Compassos de volta.
+Compassos de sector.
+Compassos de furos.
+Compassos de mola.
+Cassonetes.
+Corta-frio.
+Craveiras.
+Degoladores.
+Desandadores.
+Desenchavetadeiras.
+Embutideira.
+Encalcadeira.
+Engenho de furar (typo antigo).
+Entre-dois.
+Escantilhões diversos.
+Escareador.
+Escopro.
+Esquadrias.
+Espetões.
+Espichas.
+Ferramentaes.
+Forja e folle (folle: tres tampos, ventaneiras nos dois inferiores,
+ cabeça do folle, funil, tirante; forja: algaraviz, placa ou parede
+ de trás, fogo, tina da agua, placas ou paredes dos lados e frente,
+ cupula, chaminé).
+Frautas.
+Fusís para apertar tenazes.
+Graminho.
+Limas diversas.
+Limatões.
+Machos de rosca.
+Maços.
+Malhos.
+Marretas.
+Martellos diversos.
+Massacotes.
+Mó de amolar.
+Moldes.
+Mordentes.
+Niveis.
+Pás.
+Palancas.
+Pedra d'afiar.
+Pentes para roscas.
+Ponções.
+Poncetas.
+Preguiça.
+Puchadora de rebite.
+Rebeca para furar.
+Reguas diversas.
+Riscadores.
+Roca.
+Rompedeiras.
+Safra.
+Sutas.
+Taes.
+Talhadeiras.
+Talha-frio (corta-frio).
+Tarrachas.
+Tenazes varias.
+Tesoiras.
+Tornos de bancada.
+Tornos de mão.
+Tornos de marcha.
+Tufo.
+Unheta.
+Virador de chapa.
+
+
+F. *Industrias da madeira.*
+
+1. Serrador.
+
+Cavallete ou vareiro (com dois espeques), serra de braços (com dois
+braços ou testinos, dois vanzos, folha, fusis). Cabedaes, cordel,
+pontaes.
+
+2. Carpinteiro e marceneiro.
+
+Almotolia.
+Arcos de pua.
+Bancos.
+Barrilete.
+Bedames.
+Berbequim.
+Bico de pato.
+Bradaes (furadores).
+Brocas.
+Broxas para grude.
+Burro.
+Cabedaes.
+Cabides para trados.
+Caldeira para grude.
+Cantís diversos.
+Cavalletes.
+Cepos diversos de moldar.
+Cepos de colla.
+Chaves de parafusos.
+Cintel.
+Colchete.
+Compassos diversos.
+Corta-chefe.
+Corta-mão.
+Debastadores.
+Desandadores.
+Enchós.
+Escareador.
+Escopro.
+Esgaravatil.
+Esquadros.
+Estaleiros.
+Ferramentaes.
+Ferros de pua.
+Filerete.
+Fôrmas para folhar.
+Formões diversos.
+Garlopas.
+Gastalhos.
+Goivas diversas.
+Govete (bovete).
+Graminhos.
+Grampos (de ferro, de madeira).
+Grosas.
+Guilhermes.
+Gulas.
+Junteiras.
+Limas diversas.
+Limatões.
+Lixa.
+Maços.
+Machos (cepos).
+Machos para tarrachas.
+Martellos diversos.
+Meia-canna.
+Meias-esquadrias.
+Mó de amolar.
+Moços.
+Niveis.
+Parelhas de dois e mais fios.
+Partilhas.
+Pedra de assentar fio.
+Plainas diversas.
+Prensas (volantes ou de mão, etc).
+Prumo.
+Raspadores.
+Rebotes.
+Reguas diversas.
+Replainos.
+Repuxo (tufo).
+Rincão.
+Sargento (cingente).
+Serras diversas.
+Serrotes.
+Sutas.
+Tarrachas.
+Tornos de grampos, etc.
+Torno de marcha para madeira.
+Torquezes.
+Trados.
+Travadeiras.
+Trincha de aço.
+Verrumas.
+Viradores.
+
+
+G. *Industrias da pedra.*
+
+1. Instrumentos, apparelhos empregados na lavra das pedreiras.
+
+2. Modelos de fornos de cal.
+
+3. Ferramentas de canteiro.
+
+4. Ferramentas e apparelhos de pedreiro.
+
+Alavanca.
+Andaime.
+Calabre.
+Camartello.
+Ciranda.
+Colhér.
+Escoda.
+Escopro.
+Guindaste.
+Maço.
+Marra.
+Mascoto.
+Mó.
+Moutão.
+Onivel (nivel).
+Picadeira.
+Picão.
+Picareta.
+Polé.
+Ponteiro.
+Prumo.
+Roldana.
+Trolha.
+
+
+H. *Industrias caseiras.*
+
+Nesta secção alargam-se os limites em que geralmente devemos conter-nos
+relativamente ao caracter popular e tradicional dos objectos expostos.
+
+Constará a secção de productos das pequenas industrias puramente
+familiares, destinados ao uso e consumo proprio, ainda que representem
+typos de introducção recente, imitações d'objectos modernos e
+estrangeiros e sejam provenientes de familias não propriamente
+populares, isto é, que não vivam do trabalho manual. O fim que se tem em
+vista é conhecer as condições do trabalho manual nas familias
+portuguesas, consideradas no seu conjuncto, para se poder apreciar o
+valor economico e esthetico desse trabalho.
+
+A secção faz naturalmente concorrencia a outras pela natureza dos
+productos, mas legitima-se pelo seu fim especial.
+
+1. Productos destinados á alimentação (alguns exemplares): salchicharia,
+culinaria, confeitaria, padaria caseira.
+
+2. Trabalhos de carpinteria e marceneria, serralheria, torno de madeira
+e de metaes, marfim, osso, marchetaria.
+
+3. Pintura propriamente dita e pintura decorativa em barro, madeira,
+faiança, porcelana, vidro, coiro, seda, folhas. Mosaico, ladrilhagem.
+Desenho decorativo. Modelos e padrões para objectos diversos das
+industrias familiares. Gravura.
+
+4. Esculptura propriamente dita; modelação. Moldagem, formação.
+
+Esculptura decorativa em madeira, pedra, barro, cortiça, etc.
+
+Bonecos de panno, etc. (bonifrateria).
+
+Flores e fructos artificiaes de panno, papel, cera, lã, pennas, coiro,
+escamas, conchas, cortiça, pita, fructos naturaes, massa de pão, madeira
+(aparas, etc.), miolo de figueira, cascas d'alhos, casulo de bicho de
+seda, canutilho, borracha, etc.
+
+5. Tecidos de linho, lã, algodão, etc., palma, palha, vime, crina,
+cabello, corda, cordel e mixtos. Peças de farrapos, tomentos, oirelo,
+panno torcido, trapos e malha de meia. Meia, liga, frioleiras,
+ponto-lavrado, crochet, rede-nó, franjas, obras diversas de malha,
+macramé, etc.
+
+6. Bordados a oiro, a prata, a escomilha, a cabello, a fio de seda, a
+branco, a pó de lã, a froco, a matiz, a crochet, a relevo, a missanga, a
+escama, a applicação, a ponto de espinha, a ponto russo, a ponto de
+cadeia, a ponto alto, a ponto de crivo, a ponto de renda, a ponto de
+marca, a _chenille_, a canutilho, a codornilho, a fitilha, em cera, em
+cartão, em vidro, em estofo, em palma, etc.
+
+Rendas de bilro, de applicação, de crochet, etc.
+
+Fitas. Tapeçarias.
+
+7. Costura e alfaiataria. Modelos, padrões, etc. Remendagens, franzidos.
+Vieses. Botões.
+
+8. Cartonagens.
+
+9. Diversos.
+
+
+I. *Industrias de transporte.*
+
+1. Por terra.
+
+Typos profissionaes: carreiro, carroceiro, guia, boieiro, candieiro (na
+Madeira, guia da corsa ou corsão), liteireiro, moço de cadeirinha (no
+Porto comicamente, _burro sem rabo_), almocreve, recoveiro, carrejão,
+carregador, moço de fretes, etc.; cocheiro, conductor.
+
+Meios de transporte: carro, carroça, carro de mão, carro-matto, galera
+(Extremadura), carrinha (Algarve), carreta, carroção, caleça, sege,
+coche, diligencia, liteira, cadeirinha. Zorra. Padiolas. Especiaes da
+ilha da Madeira: corsa, corsão, carro de monte, rede, palanquim, carro
+de campo.
+
+Aduas (quadrilhas de carretas).
+
+_Terminologia do carro ordinario de bois_:
+
+Aguilhada.
+Apeiro.
+Arreata.
+Arrelhada.
+Brochas.
+Cabeçalha.
+Cadeias.
+Caibros.
+Cambão (savica).
+Canga.
+Canniços.
+Canzis (cangalhos, pinhocas, pinholas).
+Cavallete.
+Chavelha.
+Chazeiros.
+Corneira.
+Cubo.
+Eixo.
+Estadulho (fueiro, berjoeira).
+Gatos do eixo.
+Jugo.
+Leito (aberto, fechado).
+Meão.
+Molhelha.
+Ouca.
+Pampilho.
+Péga.
+Pernas.
+Piaços.
+Pirtiga, pirtigo.
+Porcimeira.
+Raios das rodas.
+Relhas.
+Rodeiros.
+Rodas.
+Sogas.
+Tamiça.
+Tamiceiras.
+Tiro.
+Varal.
+Xalmas (xaimas).
+
+_Terminologia do carro alemtejano_:
+
+Apeiro.
+Arrasta.
+Arreata.
+Barrigueiro.
+Burnil.
+Canga.
+Cangalho.
+Canniço.
+Chavelhão.
+Castellos.
+Espartões.
+Ponte.
+Suador.
+Taleira.
+Tendaes.
+Tiradeira.
+Toldo.
+
+_Terminologia do carro rural da ilha de S. Miguel_:
+
+O leito compõe-se de _mesa_ e _seve_ e é rodeado da _cadeia_ (atrás) e
+dos _sedeiros_ (aos lados); prolonga a sua parte central o _cabeçalho_.
+O jogo das rodas com o eixo é o _rodeiro_. Na roda ha tres partes, dois
+segmentos lateraes, _cãimbas_, a parte do meio, _meião_, as tres ligadas
+por duas _relhas_. As peças fixas no leito que assentam sobre o eixo e
+em que este volve são as _meias_; as peças lateraes dellas _cocões_. No
+_eixo_ distinguem-se a parte grossa central, _rolete_, as partes mais
+delgadas que entram nas meias, _cantadeiras_, e as _cabeças_, que entram
+no furo da roda chamado _alqueire_.
+
+_Animaes de tiro e cavallaria_. Cavallos, muares, burros, bois.
+Representações graphicas dos typos mais frequentes.
+
+_Cavallaria_. Sella, albarda, albardão, enxalmo, cilha, retranca,
+atafal, almatrixa, estribos (de metal, de pau), cabeção, cabeçada, freio
+barbicacho, redeas, cabresto. Alforges. Trajos para cavallaria.
+
+2. Transporte por agua.
+
+Embarcações, jangadas.
+
+Por exemplo:
+
+No Douro, barcos rabellos (com apégada, espadella).
+
+No Mondego, barcos serranos.
+
+No Tejo: barcos de Alcochete, Azambuja, Salvaterra, de conduzir farinha
+do sul, do pinho da Amora, do sal de Alcochete, de carregar sal.
+
+Bote de catraiar do Seixal, de Lisboa, de Cacilhas; de passageiros do
+Barreiro, de Benavente, do Carregado; de carga da Amora, do rio de
+Coina, d'Aldeia-Gallega;
+
+Canoa de Benavente para passageiros, de fretes da Trafaria;
+
+Falua d'Aldeia-Gallega, de Santarem, de Vallada.
+
+Fragata de carga, de barra-fóra.
+
+Lancha de Salvaterra, de Santarem, do rio de Santarem, do rio da
+Cardiga.
+
+Muleta de carregar de Alhandra.
+
+Varino de carga, fragateiro de carga, de carga de agua acima, do rio de
+Santarem, da Alhandra.
+
+Em diversos portos da costa maritima:
+
+Barcos de carregar pedra, de Cascaes.
+
+Cahique de carga, de S. Martinho.
+
+Canoa de carregar; de Cezimbra.
+
+Carregador de Cezimbra.
+
+Fragata de carga, de S. Martinho.
+
+Hiate da Figueira da Foz, de Peniche.
+
+Poveiro de Ovar.
+
+Rasca da Figueira, etc.
+
+
+
+
+*Grupo VII*
+
+Relações diversas dos individuos
+
+
+1. Estatutos, compromissos, historia, estatistica de associações,
+companhas, confrarias, antigas corporações de officios.
+
+2. Estudos sobre o decoro, o porte pessoal, as fórmas de polidez e
+respeito entre o povo.
+
+
+
+
+*Grupo VIII*
+
+Jogos e bellas artes populares e infantis. A escripta.
+
+
+1. Apparelhos e utensilios empregados nos jogos e dansas populares e
+infantis.
+
+2. Descripção desses jogos e dansas, colleccionação de palavras ou
+versos nelles usados, musica correspondente.
+
+Eis a lista dos jogos tradicionaes portugueses de que temos noticia:
+
+A collinho.
+Advinha quem te deu.
+Agulhinhas.
+A-la-una.
+Alfinete.
+Alguergue (Arriós).
+Annel.
+Apanha-gallegos.
+Argolinha.
+Barbeiro.
+Barquinho (navio).
+Barra.
+Bicho.
+Bilharda.
+Bombarqueiro (Dom Barqueiro).
+Bola.
+Botão.
+Burraca.
+Busca-tres.
+Cá, cá.
+Cabra-cega.
+Caçador-viajante.
+Canastrinha.
+Cannas.
+Cantinhos.
+Carreira.
+Castellos.
+Castellos de Chuchurumel.
+Cavalheiritas.
+Chapas.
+Chica-la-fava.
+Chiclopé.
+Chinquilho.
+Ciranda.
+Conca.
+Correia.
+Corneta.
+Corriola.
+Covinha.
+Cucarne.
+Dados.
+Dedaes.
+Dedos (advinhar o numero).
+Dona Maria Alonsa.
+Eixo.
+Esconde, esconde.
+Escondidas.
+Espeta.
+Estopinhas.
+Eu te rogo, barqueiro.
+Farinha, farello.
+Fito.
+Florão.
+Gallinhas.
+Gallinha-cega.
+Ganiços (cucarne).
+Golfim e baleia.
+Gralhas.
+Grillo.
+Guardinvão.
+Homem.
+João da Cadeneta.
+La Condessa (Condessinha ou Embaixador).
+Inferno e paraiso.
+Laborinha.
+Laranjinha.
+Lencinho.
+Lobo.
+Luar.
+Malha.
+Malhão.
+Martim Garvato.
+Meadinha de oiro.
+Minha ponte derreada (Ponte).
+Moiro ou moiros.
+Monte.
+Mosquem-se.
+Mudos.
+Mulher.
+Mun-chica.
+Oca.
+Officios.
+Padre-cura (Abbade).
+Pampolinha (Argolinha).
+Paus mandados.
+Par ou per-não.
+Passaro voa.
+Passarinho a olhar (ou á orelha).
+Pé coxinho.
+Pedrinha na bôca.
+Pedrinhas.
+Pela.
+Penhor.
+Petisca.
+Papagaio.
+Patinhas (Pombinhos).
+Peloiros.
+Pião.
+Pino.
+Pintainho.
+Pitorra.
+Ponte.
+Porca.
+Punho-punhete.
+Pucarinha.
+Queimado.
+Quem-te-pesa.
+Rabia.
+Raminho.
+Raposa.
+Rapa.
+Roda-dos-altos-coices.
+Rosca.
+Rou-rou.
+Rua dos Salgados.
+Saca-la-mano.
+Sapatadinha.
+Sapato (Sapatinho).
+Sant'Anna ou Santa Batuta.
+Sardinha.
+Sarilho.
+Segredos.
+Semana.
+Serra-madeira.
+Sino (Vigenel).
+Sisudo.
+Talinhos.
+Topa.
+Vai-te a elle.
+Tão-badalão.
+Tocadilho.
+Toque-in-boque.
+Trabalhos.
+Traquinote.
+Trinca-cevada.
+Truques.
+Urso.
+Vassoirinha.
+Violar.
+Viuvinha.
+Xafarraz.
+
+3. Photographias instantaneas representando as diversas phases dos jogos
+e dansas, os ranchos de romarias.
+
+4. Pinturas, desenhos populares e infantis (ou suas reproducções) em
+papel, cartão, madeira, metal, nas paredes, armarios e outros moveis, em
+carros, barcos, bandeiras, oleados e retabulos.
+
+5. Esculptura em barro, pedra, metal, madeira; figuras de trapos, etc.
+
+6. Quaesquer construcções architectonicas que não entrem nos grupos III
+e IV ou sua representação graphica; p. ex., igrejas, capellas, ermidas,
+pontes e fontes rusticas.
+
+7. Instrumentos musicos e especialmente: gaita de folle, tambores,
+tamboris, bombos, atabales, pandeiros (soalhas), adufes, ferrinhos,
+castanholas, sistros, marimbas, salteiros, berimbaus, sanfonas,
+guitarras, guitarreus, violas, bandurras, alaudes, machetes,
+cavaquinhos, rebecas, pifanos, flautas, gaitinhas, baixões, doçainas.
+
+8. Elementos populares de escripta; ideographia popular. Signaes
+lagareiros de Alcobaça, etc. Mnemonica graphica. Tatuagens. Escriptos,
+na graphia usual, de pessoas indoutas que apenas aprenderam a escrever.
+Estudos dos gestos populares.
+
+9. Litteratura popular: poesia lyrica e epica, dramatica; contos,
+proverbios, enigmas. Litteratura de cordel. Almanachs e folhinhas
+populares.
+
+
+
+
+*Grupo IX*
+
+Fórmas sociaes e humanas
+
+
+1. Estudos sobre a familia popular. O conceito dos laços sociaes,
+sentimento de communidade social e politica entre o povo.
+
+2. Estudos sobre os sentimentos de humanidade, a amizade, a
+hospitalidade, a beneficencia, os conceitos e proceder com relação a
+outros povos e raças.
+
+
+
+
+*Grupo X*
+
+Fórmas da vida religiosa
+
+
+1. Estudos sobre o conceito do sobrenatural, os vestigios das crenças
+mythicas, das praticas de origem pagã, da crença nos espiritos e
+apparições, das superstições que melhor caibam neste grupo, do conceito
+de Deus, dos anjos e dos santos, do diabo, do céu, do inferno, e em
+geral do modo como o povo comprehende o christianismo.
+
+2. Collecções de orações e lendas religiosas populares.
+
+3. Descripção de festas religiosas ou ligadas a solemnidades religiosas,
+procissões, romarias, arraiaes, cirios e representações graphicas das
+mesmas.
+
+Lembram-se especialmente as seguintes festas: Natal, Anno Novo, Reis,
+Carnaval, Cinzas, Serração da Velha, Semana Santa e Paschoa (enterro do
+bacalhau, etc.), Primeiro de maio, Quinta-feira de Ascensão (festa da
+espiga, etc.), Pentecostes (Imperador do Espirito Santo), S. João
+(fogueiras, dansas, apanha da agua santa, do feto real, orvalhadas,
+passagem dos quebrados pela arvore fendida, etc.) S. Pedro, enterro das
+sestas (setembro), magusto (1 de novembro).
+
+4. Objectos que se referem ás crenças permittidas pela igreja
+(originaes, modelos ou desenhos).
+
+a) Oratorios, nichos para imagens de santos. Imagens de santos, de arte
+popular; registos. Andores.
+
+b) Cruzes, crucifixos.
+
+c) Reliquias de santos; ossos, unhas, e outras partes do corpo de um
+santo. Fragmentos das vestes de um santo ou objectos que se dizem ter
+sido do uso do santo. Fragmentos do santo lenho. Outras quaesquer
+reliquias. Bentinhos, escapularios.
+
+d) Rosarios e coroas.
+
+e) Objectos bentos (palmas, vélas, peças do vestuario, etc.). Pão bento
+de Santa Quiteria de Meca, etc.
+
+f) Medidas (de fita) do corpo de um santo ou de Jesus Christo, ou de uma
+parte do corpo, como braço, perna, cintura, circumferencia da cabeça,
+pescoço.
+
+g) Offerendas diversas (principalmente por promessas): animaes, plantas,
+fructos. Vélas da altura do corpo do offerente ou do tamanho de uma
+parte doente (braço, perna). Medidas de fita, cordões nas mesmas
+condições. Outras peças de oiro ou prata (corôas, broches, pulseiras,
+gargantilhas, anneis, etc.), vestes offerecidas a santos e santas.
+Objectos representando o doente por que se faz a promessa ou uma parte
+doente; corpos de cera (representando creanças, adultos ou animaes),
+mãos, pés, pernas, peitos, cabeças, olhos, pernas, etc., de cera ou de
+metal. Ex-votos (quadros representando um milagre, com ou sem
+inscripção). Fogaças, etc. Telhas furtadas (para S. Pedro), etc.
+
+5. Objectos que se referem ás festas tradicionaes, como:
+
+a) Preparações culinarias e de confeitaria particulares ás festas do
+Natal aos Reis. Presepes. Cearas, cepo do Natal.
+
+b) Pães de S. Gronçalo (10 de janeiro).
+
+c) Pernas e braços doces para Santo Amaro (15 de janeiro).
+
+d) Modelos de mascaras mais caracteristicas e tradicionaes e do
+cavalhinho fusco do Carnaval.
+
+e) Modelo ou representação graphica do Morte-piela de Bragança, do anjo
+da Calhorra do Fundão (quarta feira de Cinza).
+
+f) Bonecos de massa de S. Lazaro.
+
+g) Amendoas, folares, ovos da Semana Santa e Paschoa. Modelos de Judas.
+
+h) Modelos ou representação graphica de maios e maias. Ramos de maias
+(giestas).
+
+i) Rolo de cera da festa do imperador do Espirito Santo. (Alemquer).
+Fofa (pãosinho do Espirito Santo, da ilha de S. Miguel).
+
+j) Queijo da Ascensão.
+
+k) Facho de lenha, ceira do azeite de S. João.
+
+l) Offerendas particulares a S. Pedro.
+
+6. Objectos empregados nos tres actos religiosos--baptismo, casamento,
+enterro.
+
+a) Objectos de que se faz uso especial nos baptisados. Samagaio (pão do
+baptisado em Guimarães). Representações graphicas dos baptisados
+populares.
+
+b) Modelos dos arcos (talanqueira T. M.) sob os quaes passam os noivos
+com os symbolos usados na occasião. Objectos que é costume atirar aos
+noivos. Representação graphica das festas dos casamentos populares.
+
+c) Modelos de caixões de defuntos, tumbas, ataúdes, campas, objectos que
+se põem sobre a sepultura. Bandeira das almas. Alminhas. Representações
+graphicas de cerimonias e prestitos de enterros populares, de cemiterios
+ruraes. Modelos de cruzes que se põem em logares onde morreu alguem,
+fieis de Deus. Cruzeiros.
+
+7. Amuletos.
+
+
+
+
+*Grupo XI*
+
+O saber popular
+
+
+1. Estudos, notas sobre os conceitos do povo relativos á natureza, ao
+homem, á sociedade, ás causas ultimas; por exemplo, a explicação popular
+do movimento do mar pelo conceito de que elle é um _folego vivo_; o
+conceito da maldade ingenita da mulher expresso pela correlação de
+_mulher_, _mula_ e _muleta_; as innumeras sentenças em que se manifesta
+o pessimismo popular ácerca do mundo e em especial da politica.
+
+2. Astronomia popular.
+
+3. Terminologia topographica popular.
+
+4. Vocabularios de nomes populares de mineraes, vegetaes e animaes, com
+a summula dos conhecimentos do povo a respeito dellas.
+
+5. Medicina humana e veterinaria populares. Amostras de medicamentos,
+apparelhos, etc., empregados numa e noutra.
+
+
+
+
+*Grupo XII*
+
+Collecções--Diversos
+
+
+1. Collecções comprehendendo objectos dos diversos grupos, os quaes,
+pela sua importancia ou por desejo expresso dos expositores, sejam
+apresentadas no seu conjuncto.
+
+2. Obras collectivas sobre a vida do povo, as tradições populares.
+
+3. Collecções de periodicos em que haja numerosos artigos sobre a vida
+do povo, como _O Panorama_, _O Archivo Pittoresco_, _O Occidente_.
+
+4. Exposição de typos vivos populares. Vide pag. 11.
+
+5. Diversos.
+
+ * * * * *
+
+*Observação final*
+
+
+Os elementos deste programma derivam principalmente do nosso estudo e
+observação propria; devemos tambem bastante á informação de algumas
+pessoas por nós consultadas e aos escriptos dos folkloristas e
+dialectologos portuguezes, ao livro de Ferreira Lapa sobre _Technologia
+rural_; ao do sr. Baldaque da Silva sobre o _Estado actual das pescas em
+Portugal_, fomos buscar a classificação dos apparelhos de pesca.
+Diversas publicações estrangeiras deram-nos importantes indicações.
+
+
+
+
+Notas:
+
+[1] As plantas de raizes bulbosas, tuberosas, os fructos carnudos podem
+conservar-se em frascos de alcool. As plantas de folhas não gordas e
+raizes não dilatadas conservam-se bem em frascos em que se metteu um
+bocado de esponja ou de algodão embebido em alcool e se fecharam
+hermeticamente.
+
+[2] Seguimos a classificação do sr. Baldaque da Silva.
+
+[3] Inedito, como outras particularidades que reunimos ácerca das
+pescarias.
+
+
+
+
+
+End of Project Gutenberg's Portugal e Ilhas Adjacentes, by F. Adolfo Coelho
+
+*** END OF THIS PROJECT GUTENBERG EBOOK PORTUGAL E ILHAS ADJACENTES ***
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+works. See paragraph 1.E below.
+
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+or PGLAF), owns a compilation copyright in the collection of Project
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+ returns. Royalty payments should be clearly marked as such and
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+ the Project Gutenberg Literary Archive Foundation."
+
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+ License. You must require such a user to return or
+ destroy all copies of the works possessed in a physical medium
+ and discontinue all use of and all access to other copies of
+ Project Gutenberg-tm works.
+
+- You provide, in accordance with paragraph 1.F.3, a full refund of any
+ money paid for a work or a replacement copy, if a defect in the
+ electronic work is discovered and reported to you within 90 days
+ of receipt of the work.
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+- You comply with all other terms of this agreement for free
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+
+1.E.9. If you wish to charge a fee or distribute a Project Gutenberg-tm
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+Hart, the owner of the Project Gutenberg-tm trademark. Contact the
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+work, (b) alteration, modification, or additions or deletions to any
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+
+Section 2. Information about the Mission of Project Gutenberg-tm
+
+Project Gutenberg-tm is synonymous with the free distribution of
+electronic works in formats readable by the widest variety of computers
+including obsolete, old, middle-aged and new computers. It exists
+because of the efforts of hundreds of volunteers and donations from
+people in all walks of life.
+
+Volunteers and financial support to provide volunteers with the
+assistance they need, is critical to reaching Project Gutenberg-tm's
+goals and ensuring that the Project Gutenberg-tm collection will
+remain freely available for generations to come. In 2001, the Project
+Gutenberg Literary Archive Foundation was created to provide a secure
+and permanent future for Project Gutenberg-tm and future generations.
+To learn more about the Project Gutenberg Literary Archive Foundation
+and how your efforts and donations can help, see Sections 3 and 4
+and the Foundation web page at https://www.pglaf.org.
+
+
+Section 3. Information about the Project Gutenberg Literary Archive
+Foundation
+
+The Project Gutenberg Literary Archive Foundation is a non profit
+501(c)(3) educational corporation organized under the laws of the
+state of Mississippi and granted tax exempt status by the Internal
+Revenue Service. The Foundation's EIN or federal tax identification
+number is 64-6221541. Its 501(c)(3) letter is posted at
+https://pglaf.org/fundraising. Contributions to the Project Gutenberg
+Literary Archive Foundation are tax deductible to the full extent
+permitted by U.S. federal laws and your state's laws.
+
+The Foundation's principal office is located at 4557 Melan Dr. S.
+Fairbanks, AK, 99712., but its volunteers and employees are scattered
+throughout numerous locations. Its business office is located at
+809 North 1500 West, Salt Lake City, UT 84116, (801) 596-1887, email
+business@pglaf.org. Email contact links and up to date contact
+information can be found at the Foundation's web site and official
+page at https://pglaf.org
+
+For additional contact information:
+ Dr. Gregory B. Newby
+ Chief Executive and Director
+ gbnewby@pglaf.org
+
+
+Section 4. Information about Donations to the Project Gutenberg
+Literary Archive Foundation
+
+Project Gutenberg-tm depends upon and cannot survive without wide
+spread public support and donations to carry out its mission of
+increasing the number of public domain and licensed works that can be
+freely distributed in machine readable form accessible by the widest
+array of equipment including outdated equipment. Many small donations
+($1 to $5,000) are particularly important to maintaining tax exempt
+status with the IRS.
+
+The Foundation is committed to complying with the laws regulating
+charities and charitable donations in all 50 states of the United
+States. Compliance requirements are not uniform and it takes a
+considerable effort, much paperwork and many fees to meet and keep up
+with these requirements. We do not solicit donations in locations
+where we have not received written confirmation of compliance. To
+SEND DONATIONS or determine the status of compliance for any
+particular state visit https://pglaf.org
+
+While we cannot and do not solicit contributions from states where we
+have not met the solicitation requirements, we know of no prohibition
+against accepting unsolicited donations from donors in such states who
+approach us with offers to donate.
+
+International donations are gratefully accepted, but we cannot make
+any statements concerning tax treatment of donations received from
+outside the United States. U.S. laws alone swamp our small staff.
+
+Please check the Project Gutenberg Web pages for current donation
+methods and addresses. Donations are accepted in a number of other
+ways including including checks, online payments and credit card
+donations. To donate, please visit: https://pglaf.org/donate
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+
+Section 5. General Information About Project Gutenberg-tm electronic
+works.
+
+Professor Michael S. Hart was the originator of the Project Gutenberg-tm
+concept of a library of electronic works that could be freely shared
+with anyone. For thirty years, he produced and distributed Project
+Gutenberg-tm eBooks with only a loose network of volunteer support.
+
+
+Project Gutenberg-tm eBooks are often created from several printed
+editions, all of which are confirmed as Public Domain in the U.S.
+unless a copyright notice is included. Thus, we do not necessarily
+keep eBooks in compliance with any particular paper edition.
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+Most people start at our Web site which has the main PG search facility:
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+This Web site includes information about Project Gutenberg-tm,
+including how to make donations to the Project Gutenberg Literary
+Archive Foundation, how to help produce our new eBooks, and how to
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