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diff --git a/.gitattributes b/.gitattributes new file mode 100644 index 0000000..6833f05 --- /dev/null +++ b/.gitattributes @@ -0,0 +1,3 @@ +* text=auto +*.txt text +*.md text diff --git a/15047-0.txt b/15047-0.txt new file mode 100644 index 0000000..33ffcaf --- /dev/null +++ b/15047-0.txt @@ -0,0 +1,1105 @@ +The Project Gutenberg EBook of Bases da ortografia portuguesa +by Gonçalves Viana and Guilherme Abreu + +This eBook is for the use of anyone anywhere at no cost and with +almost no restrictions whatsoever. You may copy it, give it away or +re-use it under the terms of the Project Gutenberg License included +with this eBook or online at www.gutenberg.org + + +Title: Bases da ortografia portuguesa + +Author: Gonçalves Viana and Guilherme Abreu + +Release Date: February 14, 2005 [EBook #15047] + +Language: Portuguese + +Character set encoding: UTF-8 + +*** START OF THIS PROJECT GUTENBERG EBOOK BASES DA ORTOGRAFIA PORTUGUESA *** + + + + +Produced by Rita Farinha and the Online Distributed Proofreading +Team. The images for this file were generously made available by +Biblioteca Nacional Digital (hhtp://bnd.bn.pt). + + + + + + + +BASES + +DA + +ORTOGRAFIA PORTUGUESA + +POR + +A. R. GONÇALVES VIANNA +Romanista + +G. DE VASCONCELLOS ABREU +Orientalista + + +LISBOA +IMPRENSA NACIONAL +1885 + + +_Impresso para circular gratuitamente_ + + +_OFERTA DOS AUTORES_ + + + Ex.^mo Sr. + +Para respondermos às perguntas que nos teem sido feitas acêrca da +ortografia adoptada pelos editores técnicos da «+Enciclopédia de +ciéncia, arte e literatura--Biblioteca de Portugal e Brasil[1]+» temos a +honra de dirijir a V. Ex.ª esta circular, e rogamos-lhe que faça tão +conhecidos, quanto em seu poder esteja, os fundamentos em que essa +ortografia assenta. + +Os princípios que servem de base à reforma ortográfica iniciada por nós +ambos e usada ha dois anos pelo segundo signatário desta circular, em +escritos particulares e oficiais, e em artigos publicados em alguns +papéis periódicos, são resultado de estudo consciencioso e larga +discussão dos iniciadores. São princípios deduzidos ou antes expressão +dos factos glotolójicos examinados com rigor; são todos demonstráveis, e +de simplicidade tal que os poderá compreender a sã intelijéncia, aínda +que para ela sejam estranhos os estudos de glotolojia. + +Vamos expô-los à apreciação pública desde já, e assim começará a +preparar-se a crítica de todos os indivíduos, que, por se prezarem de +Portugueses, não queiram que estranjeiros censurem não haver, para a +nossa formosíssima lingua, ortografia científica e uniforme a que deva +chamar-se +Ortografia Portuguesa+. + +No futuro Congresso que temos a peito convocar breve, essa crítica será +o único juíz a que todos nós os Portugueses havemos de nos sujeitar para +adopção de ortografia portuguesa e rejeição absoluta de toda ortografia +individual, seja quem for seu autor. + + [1] Estão publicados: o 1.º vol. da Colecção científica «A Literatura + e a Relijião dos Árias na Índia», por G. de Vasconcellos Abreu; e o + 1.º vol. da Colecção literária «Mágoas de Werther», romance traduzido + do orijinal alemão, de J.W. von Goethe, por A. R. Gonçalves Vianna. + + O custo de cada volume é de 300 réis, brochura, 400 réis, cartonado. + + Estes volumes por serem os primeíros, e particularmente «Werther», + saíram com erros tipográficos que não devem ser levados à conta do + sistema de ortografia. + + São editores técnicos A. R. Gonçalves Vianna, G. de Vasconcellos Abreu + (a quem devem ser dirijidos os manuscritos e toda a correspondéncia), + S. Consiglieri Pedroso, em Lisboa. + + São editores-impressores Guillard, Ailland & C.ª, em Paris. + +Todos nós, os que lemos, e mais aínda os que escrevemos para o público, +sabemos quão diverjentes são as ortografias das várias Redacções e +estabelecimentos tipográficos. Teem escritores +suas ortografias+ +próprias, como +as+ teem as imprensas particulares e as do Estado. E nas +do Estado são diferentes +as ortografias+ da Imprensa Nacional e +as+ da +Imprensa da Universidade--estes plurais são a expressão real de um +facto, sem censura pessoal. + +Com a exposição que vamos fazer dos princípios mais jerais em que +assenta a reforma ortográfica, por nós iniciada, temos em vista mostrar, +a todo o país capaz de pensar e ler, que o nosso intuito é realizar uma +das verdadeiras condições da vida nacional--existéncia de ortografia ++uniforme e cientificamente sistemática+ a que deva chamar-se ++Ortografia Portuguesa+. + +Sigamos dois bons exemplos a que largos anos deram ha muito já a sanção: +o exemplo da Hispanha e o mais antigo da Itália. V. Ex.ª a quem +dirijimos esta nossa exposição, honrar-nos ha dando-lhe a maior +publicidade que puder; e por certo se julgará honrado se entender que +com essa publicação presta bom serviço à pátria a quem devemos êste +respeito. + +De V. Ex.ª + ++atentos veneradores+ + +Lisboa, outubro de 1885. + +A. R. Gonçalves Vianna. G. de Vasoncellos Abreu. + + + +BASES + +DA + +ORTOGRAFIA PORTUGUESA + + + + +I + + +PRINCÍPIOS JERAIS DE TODA ORTOGRAFIA + + +1.º Uma língua é um facto social; não depende do capricho de ninguém +alterá-la fundamentalmente. + +2.º Como facto social é produto complexo, variável por evolução própria +da sociedade cujas relações serve. + +3.º A ortografia é o sistema de escrita pelo qual é representada a +língua dum povo ou duma nação num certo estado de evolução glotolójica. + +4.º Esta representação deve ser exacta para todo o povo, para toda a +nação e portanto deve respeitar a filiação histórica. + +5.º É evidente, pois, que a ortografia não pode ser especial dum modo de +falar, quer êste seja dum só indivíduo, quer duma província ou dialecto +da língua. + +6.º Em virtude disto a ortografia não pode representar a pronunciação, +que por certo não será una; ha de representar a enunciação, a qual é +sempre comum ao povo, à nação que fala uma só língua como seu idioma +próprio e exclusivo. + +7.º Na ortografia, por consecuéncia, não se pode fazer uso de sinais que +indiquem pronúncia de uma qualquer letra vogal, excepto quando essa +vogal careça de ser pronunciada com modulação especial para a distinção +conveniente do emprêgo sintáctico do vocábulo, ou aínda (e menos vezes +em português) para distinguir na grafia única modos diferentes de +silabização. + +8.º Para se representar a enunciação carece-se de acentuar gráficamente +o vocábulo, e a ortografia deve ser tal que, subordinada às leis de +acentuação na língua falada, mostre para qualquer vocábulo a sua sílaba +tónica a quem desconheça o vocábulo que lê. + +_Escólio_.--É evidente que a acentuação gráfica é inútil na língua +escrita cuja constituição glotolójica a determina invariávelmente: tal o +latim clássico e as línguas jermánicas. + + + + +II + + +PRINCÍPIOS PARTICULARES DA ORTOGRAFIA DA LÍNGUA PORTUGUESA + + +O ensino ortográfico da língua portuguesa reduz-se, portanto, na +prática, ao ensino de: + +I. Leis da acentuação nos vocábulos símplices e nos compostos. + +II. Valor histórico dos fonemas aínda proferidos e dos que já não se +proferem; influéncia dêstes sôbre a modulação da vogal precedente. + +III. Conhecimento dos ditongos e sua dissolução. + +IV. Silabização. + +V. Homónimos e parónimos. + +VI. Função dos sufixos. + +VII. Composição dos vocábulos e formação da perífrase nos verbos, e uso +das enclíticas. + +Diremos dêstes assuntos em outros tantos paragrafos, definindo, todavia, +primeiro, o que entendemos por ortografia portuguesa. + +«ORTOGRAFIA PORTUGUESA» é o sistema de escrita ou grafia representante +comum de todos os dialectos do português falado; a sua base é a história +da linguajem portuguesa considerada como língua e como dialecto. + +Considerada como língua, estuda-se a linguajem portuguesa no ponto de +vista de língua fundamental ou língua mãe, de que, por evolução própria, +se teem derivado outros modos de falar no tempo e no espaço, depois de +assentada a evolução glotolójica realizada em Portugal durante mais de +um século já desde D. Dinis, e principalmente durante os reinados de D. +Pedro I, D. Fernando I e D. João I. + +Considerada como dialecto, estuda-se a linguajem portuguesa como +evolução glotolójica neo-latina ou románica. + + +I--DA ACENTUAÇÃO + + +1.º A acentuação marcada é tónica e não prosódica; não determina +modulação da letra vogal, determina a sílaba elevada na enunciação do +vocábulo. + +Esta sílaba é uma só e a mesma sílaba para cada vocábulo na língua +portuguesa em todo o país, com excepções esporádicas mais ou menos +justificadas. Exemplos: _hótel, hotel; bénção, benção_. + +_Escólio._--A acentuação gráfica é sempre a de vocábulo que faz +excepção à regra jeral. + +2.º O sinal gráfico da acentuação tónica é por exceléncia o acento +agudo. Marca, porém, êste acento:--vogal tónica aberta em parónimos: +_fôsse, fósse; sêco, séco; reis_ (pl. de _rei_), _réis_ (pl. de +_real_);--_i, u_ tónicos depois de outra vogal: _país_ (cf. _pais_), +_reúne, moínho, ruím_;--a vogal _u_ tónica depois de _g_ em _gúe, gúi_ +(cf. 4.º): _argúe, argúi_. + +3.º Pode ser sinal gráfico da acentuação tónica o acento circunflexo, e +o será especialmente nos casos em que no fonema tónico concorra +modulação necessária de _ê, ô_, como fica exemplificado em o número +precedente, e se vê mais dos seguintes exemplos: _fôrça_ (cf. _fórça_), +_modêlo_ (cf. _modélo_), _sossêgo_ (cf. _sosségo_), _côres_ (cf. +_córes_), _côr_ (cf. _cór_ em _de-cór_), _vêem_ (cf. _veem_, do verbo +_vir_), _dê_ (cf. _de_), _dêsse_ (cf. _désse_), e aínda nos vocábulos +sem parónimos, quando eles sejam esdrúxulos ou oxítonos terminados numa +dessas vogais seguida ou não de _s_, tais: _pêssego, português, fôlego, +mercê_. + +4.º O acento grave é diferencial: indica sempre a pronunciação +alfabética própria da letra vogal alterável, isto é, susceptível de ter +mais de uma pronunciação (_a, e, o_). Emprega-se na ortografia +exclusivamente em tres circunstáncias:--na crase da preposição _a_ com o +artigo feminino _a, a_ + _a_ (ambos átonos) = à;--na sílaba átona cuja +vogal alterável haja de se proferir aberta e átona com a sua pronúncia +alfabética, para que se distinga o vocábulo de outro seu parónimo, ex.: +_crèdor_ (cf. _credor_), _prègar_ (cf. _pregar_);--no _u_ de prolacão +_gùe, gùi_ quando se proferir átono (cf. 2.º): _argùir, agùentar, +lingùística_. + +_Escólio._--Escrevemos _cue_ por _que_ (_qùe_), _cui_ por _qui_ (_qùi_); +ex.: _consecuente, consecuéncia_. + +5.º Os vocábulos terminados em _a, o, e, as, os, es_, são jeralmente +enunciados com acentuação na penúltima sílaba; logo não teem acentuação +gráfica marcada. Cf. 2.º e corolário de 7.º _bis_. + +5.º _bis_. Todo vocábulo terminado em _a_ ou _as, o_ ou _os, e_ ou _es_, +proferido com acentuação noutra sílaba que não seja a penúltima, tem a +acentuação marcada na escrita. São innúmeros os exemplos; em toda esta +exposição doutrinal os terá notado o leitor, pois que saltam à vista, +sempre como excepção, as dições cuja grafia é acentuada. + +6.º Os vocábulos terminados em outra qualquer vogal (_i, u_), ou em +vogal pura seguida de outra consoante que não seja _s_, e os plurais +respectivos, são jeralmente proferidos com acento na última sílaba. Logo +não teem acento gráfico. + +6.º _bis_. Todo vocábulo terminado dêste modo mas cuja acentuação se faz +noutra sílaba tem o acento gráfico nessa sílaba. Ex.: _pedi, pedis; +funil, 'funis; matiz; pénsil, pénseis; cascavel, cascaveis; peru, +perus; Hindu, Hindus; Caramuru; tríbu, tríbus; Púru_. + +7.º Os vocábulos cuja última sílaba for em vogal nasal, ou em ditongo +puro ou nasal, teem jeralmente a enunciação acentuada na sílaba final. +Logo não se lhes marca o acento na escrita. Ex.: _marfim; irmã, irmãs; +irmão, irmãos; marau, maraus; andai, andais; louvei, louveis; Simões; +Magalhães_. Cf. 2.º paj. 7 e 13. + +7.º _bis_. Será, porém, marcada a acentuação dêsses vocábulos quando ela +se faça noutra qualquer sílaba. Ex.: _órgão, Estêvão_. + +_Escólio_.--Para os contratos é absolutamente indispensável, como bem o +viu o grande Ministro, distinguir os futuros dos pretéritos na 3.ª +pessoa do plural, sem emprêgo do acento gráfico, fácil de esquecer ou de +ser pôsto depois do contrato escrito e assinado, distinguir-se hão, +pois: _jurarão, juraram (jurárão); venderão, venderam (vendêrão); +prescindirão, prescindiram (prescindírão)_; etc. + +_Corolário_.--Por êste motivo o ditongo _ão_, final átono de verbos, +escrever-se ha idénticamente com _am_; e, por analojia, se escreverá a +sílaba final dos vocábulos terminados pelo ditongo átono _êe_ com a +grafia _em_. A acentuação gráfica de tais vocábulos obedece ao princípio +5.º Ex.: _honram, viajam, ordem, viajem, pôrem, alem_ (= _álem,_ v. +_alar_). + +_N.B._ Pelo princípio 5.º _bis_ devemos escrever e escrevemos: _porém, +ninguém, também, além_, etc.; deveríamos, todavia, usar da ortografia: +_porêe, ninguêe, tambêe_, etc. Deixámos êste ponto para o Congresso. + +É aínda evidente que os plurais dêstes nomes seguem análogamente a regra +dada para os plurais dos nomes em _a, o, e_; assim: _ordens, viajens, +(_órdêes, viájêes_). + +8º Os vocábulos compostos teem na escrita a acentuação dos seus +símplices respectivamente marcada em obediéncia aos princípios que ficam +expostos. + + +II--DOS FONEMAS E SUA REPRESENTAÇÃO POR LETRAS CONSOANTES + + +Dois princípios absolutos determinam a exclusão de consoante inútil; e +quatro ordens de outros factos decidem a adopção científica de +representação de fonemas articulados. São estes factos: + +_a)_ valores dialectalmente confundidos: _ch_ (= _tch_), _ch_ (= _x_), +_x; s, ç; s, z_. + +_b)_ valores próximos confundidos pela falta de observação da +articulação: _s, x; g_(_a_), _g_(_ue, ui_); _g_(_e, i_), _j_; _c_(_a, o, +u_), _qu_. + +_c)_ valor exclusivamente de influência do fonema articulado sôbre o +fonema modulado precedente. + +_d)_ valores diferentes de um só símbolo gráfico: _x_, entre vogais. + + + +II _a_.--EXCLUSÃO DE LETRAS CONSOANTES + + +1.º São banidos da escrita os símbolos gráficos sem valor de fonema +próprio. São eles _th, ph, ch_, respectivamente por _t, f, q_(_u_), +_c_(_a, o, u_), _c_; bem assim _y_=_i_. + +1.º _bis_. Póde manter-se _k=q_(_u_)=_c_(_a, o, u_) nas abreviaturas de +_quilómetro_=_klm._, etc. Devemos, porém, escrever por extenso: +_quilómetro_[1], _quilograma_, etc. + +2.º São banidos da escrita os símbolos gráficos sem valor. São eles as +consoantes dobradas ou grupos de consoantes não proferidas e sem +influéncia na modulação antecedente, nem necessidade por derivação +manifesta de outro vocábulo existente em que haja de proferir-se cada +uma das consoantes, como é _Ejipto_ de que se deriva _ejípcio_. + +Exemplos de símbolos sem valor próprio em português: + +_th_ = _t_.--_thermometro_ = _termómetro_; _ether_ = _éter_; _thio_ = +_tio_. + +_ph_ = _f_.--_ethnographia_ = _etnografia_; _philtro_ = _filtro_. + +_ch_ = _q_(_u_).--_chimica_ = _química_; _machina_ = _máquina_; +_chimera_ = _quimera_. + +_ch_ = _c_(_a, o_).--_chorographia_ = _corografia_; _mechanica_ = +_mecánica_. + +_y_ = _i_.--_lyrio_ = _lírio_; _physica_ = _física_. + +Consoantes dobradas:--_agglomerar_ = _aglomerar_; _prometter_ = +_prometer_; _commum_ = _comum_; _Philippe_ = _Filipe_. + +Grupo de consoantes:--_Christo_ = _Cristo_; _Demosthenes_ = +_Demóstenes_; _Mattheus_ (que já se escreve, sem razão, Matheus) = +_Mateus_; _schola_ = _escola_; _sciencia_ = _ciéncia_; _phthisica_ = +_tísica_. + +Influência da consoante na modulação precedente:--Vejam-se exemplos em +_c_, páj. 11. + +1.º _Escólio_.--Conservamos _n_ dobrado, _m_ dobrado, nos vocábulos +derivados de outros, cuja inicial é _n_ ou _m_, por meio das +prepositivas _in, em_, toda vez que a prepositiva significa _dentro_; e +aínda nalguns poucos vocábulos em que _n_ ou _m_ influam na vogal _i_ ou +_e_. A nasal da prepositiva _com_ só a conservamos, por êste motivo, em +_connosco_. Escrevemos, pois: _immigrar, immerjir, emmalar, ennobrecer, +innato_, etc.; _comoção, comum, comutar, conexo_, etc. + +2.º _Escólio_.--Mantemos as representações gráficas das palatais _ch, +lh, nh_, emquanto não houver símbolo único para cada uma delas. + + [1] A ortografia _kilometro_ por _chilometro_ dá ocasião a traduzir-se + «metro-de-burro» e não «mil-metros». Em grego _kíllos_ significa + «burro», e _chílioi_ significa «mil». Porque razão, pois, havemos de + escrever _cirurgia, chimera, kilo_, quando o _c_, o _ch_ e o _k_ + representam a mesma orijem _ch_, transcrição latina do χ, + grego? + + +3.º _Escólio_.--Só ao Congresso compete tratar da exclusão ou +conservação da aspirante _h_. + + +II _b_.--ADOPÇÃO DE LETRAS CONSOANTES + + +_a)_--1.º Escrevem-se com _ch_ as sílabas que são proferidas com palatal +dura, segundo os dialectos, explosiva ou contínua: _chave, chapeu, +chuva_; etc. A etimolojia e as línguas conjéneres determinam que sigamos +o exemplo dos nossos clássicos e de vários monumentos escritos usando-se +da grafia _ch_. + +2.º Escrevem-se com _x_ (melhor seria _ẋ_) as sílabas cuja inicial +palatal é dura contínua: _xacoco, xadrez, xarafim; enxárcia, enxada, +enxêrga, enxérga, enxertia, enxaimel, enxame, enxúndia; rixa, roixo;_ +etc. Cf. _d)_. + +3.º Escrevem-se com _s_ as sílabas cuja final é sibilante dura palatal +e, esporádicamente, sibilante dura dental: _mas; basta; foste; démos, +dêmos; bosques; português, portugueses_; etc. A etimolojia, o dialecto +transmontano e as línguas conjéneres determinam a grafia _s_. + +4.º Escrevem-se com _s_ inicial, ou com _ss_ entre vogais, as sílabas em +que a sibilante dura é ou dental, ou supra-alveolar, conforme os +dialectos: _saber, classe, diverso, sessão, conselho, sossêgo, sosségo_, +etc. Determinação histórica e comparação. + +5.º Escrevem-se com _ç_, ou com _c_(_e, i_), inicial as sílabas em que a +sibilante é dental dura, e só é supra-alveolar nas partes do país onde +não ha outra sibilante dura inicial: _peço, ciéncia, concelho, poço, +doçura, preço, çapato, çarça, cárcere_, etc. Determinação histórica e +comparação. + +6.º Escrevem-se com _s_ entre duas vogais (uma final da sílaba a que +pertence a sibilante, outra final da sílaba precedente) as sílabas em +que a sibilante é branda dental ou, segundo o dialecto, supra-alveolar: +_posição, coser_ (consuere), _precioso, preso_ (prehensum, cf. _prezo_), +_preciso, pêso, péso_, etc. Determinação histórica e comparação. + +7.º Escrevem-se com _z_ inicial as sílabas em que a sibilante é dental +branda em todo o país, à excepção daqueles pontos em que se não profere +sibilante inicial senão supra-alveolar: _azêdo, azédo, azebre, razão, +cozer, prezo_ (cf. _preso_), etc. Determinação histórica e comparação. + +8.º Escrevem-se com _z_ final os vocábulos que nos seus derivados são +escritos com _c_ (_e, i_) correspondente à sibilante final deles. Assim +o determina a etimolojia, evidente na derivação, e a pronúncia +dialectal. Exemplos: _infeliz, infelicidade; símplez, símplices, +simplicidade; ourívez, ourivezaria_; etc. + +_Corolário_.--Escrevem-se com _z_ infixo os diminutivos e aumentativos +_zito, -zinho, -zão_, etc., e os sufixos (derivados do latino _-itia_) +_-eza, -ez_; bem como os sufixos de verbos, _-izar_, e de nomes, +_-ização_. + +_Escólio_.--Os plurais dos nomes diminutivos formam-se do tema do plural +do nome fundamental e do plural do sufixo. Dão testemunho os dialectos. +Assim, pois, escrevemos: _homemzinho, homemzinhos_, não _homensinhos; +acçãozinha, acçõezinhas_, não _acçõesinhas; pãozinho, pãezinhos_, não +_pãesinhos; mãozinha, mãozinhas; aneizinhos_; etc. + +_b)_--1.º Adoptámos, pelo que fica dito em _a)_ 3.º, a representação +gráfica _s_ para a sibilante palatal dura final de sílaba, que muitas +pessoas julgam ser absolutamente igual a _x_ (_ẋ_). + +2.º Por falta mais grave na observação se tem confundido as articulações +_g_(_a_), _g_(_ue, ui_), _j_(_a_), _j_(_e, i_), e ainda _c_(_a_), +_q_(_ue, ui_). Os pontos articulatórios são diferentes. No congresso +trataremos estes assuntos. Carecemos de caracteres próprios para +distinguir na escrita as articulações _j_(_a_), _g_(_e, i_), _j_(_o, +u_), nas palavras _Jacob, Jeremias, José, Jesus, Jutlandia, Jerusalem, +geme, gemer, gentes, gymnasio, Gil_; etc.; e é certo que não podemos, +tão pouco, distinguir _Guilherme, guerra, garra, gume_, causando +estranheza invencível a grafia _Geremias, Gesus_, e ficando aínda infiel +_gemer, geral_, e sempre em contradição com uma pronúncia _Gèrusalém_ ou +_Jerusalém_; tendo nós, pois, de escrever _Jeremias, Jesus_, adoptámos o +símbolo _j_ para os fonemas articulados das sílabas _ja, jo, ju, ge, +gi_, e por êste sistema gráfico evitamos também regra especial para a +conjugação dos verbos em (_-ger, gir_) _-jer, -jir_. + +_Escólio_.--É evidente (pelo que fica dito em _b)_ 2.º) a necessidade +aínda existente de mantermos o modo de escrever _gue, gui_, nas sílabas +terminadas na vogal palatal _i_ ou _e_, precedida do fonema gutural +brando, mostrando-se pelo acento grave sôbre o _u_ da prolação _gùe, +gùi_, as silabizacões _gu-e, gu-i_, como fica dito em 4.º de páj. 7. + +_c)_ Conservamos todo sinal gráfico de fonema histórico, hoje nulo, cuja +influéncia na vogal precedente é persistente: _acção, actor, +predilecção, redacção, respectivo, trajectória, baptismo, concepção_; e +aínda quando é facultativa a pronunciação, como em _carácter._ + +_Escólio_.--Os fonemas _i, u_, não estão sujeitos a esta influéncia: +_edito_ = _edicto_ (cf. _édito_); _corruto_ = _corrupto_; _corrução_ = +_corrupção_. + +_d)_ Conservamos a grafia _x_ para representar os diferentes fonemas que +de facto representa na língua portuguesa, porque não temos direito, nem +Congresso nenhum, de impor pronúncia pela ortografia. O Congresso poderá +assentar as bases para o dicionário ortoépico; e no tocante a pronúncia +nada mais pode fazer--estabelece o padrão, dá a norma--para que se +dilijenceie ler dum modo único o vocábulo escrito. + +Ninguém pode contestar o direito de se pronunciar o vocábulo _exemplo_ +de uma das seguintes maneiras: _izemplo, isemplo, eizemplo, eisemplo, +isjemplo_. Ninguém pode contestar o direito de se pronunciar _trouxe: +trouẋe, trouce; extravagante: eistravagante, istravagante, +'stravagante; fixo: fiẋo, ficso, ficço_. + + +III--DOS DITONGOS + + +Pelo que fica dito se vê qual a maneira por que indicamos a dissolução +do ditongo. Não usamos da _diérese_, também chamada _ápices_, e mais +jeralmente _trema_ ¨, que alguns gramáticos entre nós querem que se use +na vogal prepositiva ou conjuntiva, e no _u_ das prolações, para neste +caso mostrar que faz sinérese com a voz seguinte. + +O trema é sinal que nos veiu de países estranhos. Tem na escrita de +línguas europeas significação insubstituível; que nas jermánicas é fórma +abreviada de um _e_, e nesta significação únicamente o empregamos. + + +IV--DA SILABIZAÇÃO + + +Em quanto à sibalizacão devemos mencionar aqui apenas os tres seguintes +princípios: + +1.º Dividem-se as sílabas, considerando os vocábulos como portugueses +para êste efeito, sem que se atenda à derivação de língua estranha, nem +à derivação dentro da própria língua: _ma-nus-cri-to, cons-pí-cu-o, +obs-tá-cu-lo, ins-cre-ver, no-ro-es-te, nor-des-te, pla-nal-to, +a-lhei-o, mai-or, mai-o-res_. + +2.º Conserva-se à sílaba a consoante que determina a modulação da sua +vogal (paj. 11, _c)_): _ac-ção, fac-tor, cor-rec-to, bap-tis-mal_. + +3.º Na passajem de uma para outra linha empregamos em ambas as linhas o +_traço de união_, tanto o próprio de vocábulos compostos cujos símplices +se distingam na escrita entrepondo-se-lhes o _hífen_, como o próprio da +ligação das vozes enclíticas às suas subordinantes: _porta--bandeira, +guarda--fato, clara--boia; luso--brasileiro; deu--m'o, louva--lhe, +démo'--lo, louva--o, louvá--lo, arrepender--se, domá--lo--ia_. + + +V--DOS HOMÓNIMOS E PARÓNIMOS + + +1.º Os homónimos confundem-se umas vezes na escrita do português como na +sua pronúncia; exemplos: _cedo_ (verbo e advérbio); _conto_ (verbo e +nome): _são_ (verbo e adjectivo). Outras vezes distinguem-se com +exactidão na escrita, embora não se distingam em todas as pronúncias; +exemplos: _vez, vês; cem, sem; coser, cozer; sessão, cessão; -passo, +paço_,--parónimos no dialecto em que se faça diferença na articulação de +_s_ para a de _ç_ e para a de _z_. Podem aínda os homónimos +distinguir-se na escrita e não se distinguirem em pronúncia nenhuma: +_houve, ouve; dê-se, dêsse_. + +_Escólio._--Distinguem-se na escrita, mas sem exactidão rigorosa: _hora, +ora; heis, eis_; e por êrro de analojia falsa, _pelo_ cuja orijem é +_per-lo_, que deu _pel lo_ e _pe'-lo_ homónimo, quando se pronuncie +enfáticamente, de _pello_, que etimolójicamente só tem um _l_ e devemos +escrever (como de facto se escreve nesta ortografia proposta) _pêlo_ +(cf. _pélo, pelo_). + +2.º Os parónimos são perfeitamente distintos na presente ortografia: +_pelo, pêlo, pélo; para, pára; crê, cré; cesto, sexto_ (homónimos em +Lisboa); _fôsse, fósse; fôrça, fórça; sessão, cessão, secção; coando, +quando; quanto, canto; credor, crèdor; incómodo, incomodo; colhêr, +colhér; contrato, contracto; alias, aliás; alem_ (verbo), _além; papeis_ +(verbo), _papéis; reis_ (pl. de _rei_), _réis_ (pl. de _real_); _bateis_ +(verbo), _batéis; caia, caía_; etc. + + +VI--DOS SUFIXOS + + +Conservamos toda a exactidão na ortografia dêstes elementos morfolójicos +cuja função anda tão ignorada. Pululam os galicismos, os +estranjeirismos, até na ortografia da nossa linguajem e na sua +morfolojia, que não só em se introduzirem vocábulos novos +desnecessários, e em se esquecer a sintaxe dela. + +É êrro escrever-se _civilisação_ por _civilização, organisar_ por +_organizar; chapeleria_ por _chapelaria; cortez_ por _cortês_; etc. + + +VII--DA COMPOSIÇÃO, DA PERÍFRASE, E DAS ENCLÍTICAS + + +Dissemos o bastante acêrca do primeiro e terceiro dêstes pontos. Em +quanto à perífrase, diremos que as linguajens perifrásticas dos verbos +são diferenciadas em linguajens de perífrase consciente e perífrase +inconsciente. + +É linguajem perifrástica consciente a formada com o presente do verbo +_haver_. Escrevemo-la, pois, sem hífen de ligação: _descrevê-lo hei, +louvá-la has, dar-lh'o ha, amar-nos hemos, unir-vos heis, receber-se +hão_. + +É linguajem perifrástica inconsciente, com tmese evidente, a formada com +um resto do pretérito imperfeito do verbo _haver: -ia_ = (hav)_ia, -ias_ += (hav)_ias, -ia_ = (hav)_ia, -íamos_ = (hav)_íamos, -íeis_ = +(hav)_íeis, -iam_ = (hav)_iam_. Escrevemos estas linguajens sem o _h_, +perdido com os outros elementos de _hav-_, em todas as pessoas do +pretérito imperfeito do verbo _haver_, que entra na perífrase. Exemplos: +_descrevê-lo-ia, deixar-me-ias, aborrecê-la-ia, evitá-lo-íamos, +comportar-vos-ieis, obedecer-lhe-iam_. + + + + + +III + + +O NOSSO INTUITO + + +Se quiséssemos entrar em minudéncias de linguajem e defender em todos os +pontos a ortografia que iniciámos, teríamos de escrever um livro de +grosso volume. Se o nosso intuito fôsse ensinar, publicaríamos um +tratado. Mas é diferente o fim dêste escrito, que oferecemos +gratuitamente aos nossos conterráneos, como testemunho de respeito pelas +cousas da nossa pátria: _Damos razão da reforma iniciada e sujeitamos ao +são critério as bases em que esta assenta_. Por êste motivo deixámos de +tratar pontos de que o Congresso terá de se ocupar. + +Andam infelizmente esquecidas por alguns escritores regras de gramática, +que, a serem lembradas, os não deixariam cometer erros imperdoáveis. +Temos visto ortografar (e até pronunciar!!), _passeiando, passeiata, +ideiou, receiará, feichara_, etc., em vez de _passeando, passeata, +ideou, receará, fechara_, etc. É certo que a maioria dos leitores sabe +que, por motivo de a acentuação tónica se fazer nas tres pessoas do +singular e terceira do plural de todos os presentes dos verbos, como +_idear, recear, passear_, etc., únicamente nessas fórmas pessoais +aparece o ditongo _ei_ no radical: _passeio, passeias, passeia, +passeamos, passeais, passeiam_;--passeava, passeavas_, etc.;--_passeei, +passeaste_, etc.;--_passearei, passearás_, etc.;--_passearia_, +etc.;--_passeia tu, passeie ele, passeemos nós, passeai vós, passeiem +eles;--que eu passeie, que tu passeies, que ele passeie, que nós +passeemos, que vós passeeis, que eles passeiem;--passear, passeando, +passeado_. O radical português é _passe-_. + +É claro que tratar de assuntos como êste não é objecto de uma símplez +circular. E se o leitor houver notado que usámos nela de modos de +ortografar para que não encontra explicação nos princípos que ficam +estabelecidos, atribua o facto a não caber a explicação suficiente nos +princípios jerais. Cremos que as bases, como ficam postas, constituem +método sem contradições:--se o Congresso fôr até suprimir (como julgamos +que deve suprimir) as letras consoantes inúteis nos nomes próprios e nos +de família, assinaremos sem dobrar as consoantes _nn, ll_ dos nossos +nomes. + +Não nos preocupa uma idea preconcebida. Não nos domina um subjectivismo +apaixonado. Desejamos que no país todo se una para discutir de boa fé +quem tiver estudado o problema, e que êste se resolva estabelecendo-se +ORTOGRAFIA PORTUGUESA. + + ++ALGUNS OUTROS TRABALHOS PUBLICADOS PELOS MESMOS AUTORES+ + +POR A. R. GONÇALVES VIANNA + +Estudos Glottologicos: Graphica e Phonetica. O livro da Escripta do +Professor Faulmann.--Porto, 1881. + +Essai de Phonétique et de Phonologie de la Langue Portugaise d'après le +dialecte de Lisbonne.--Paris, 1883. + +Études de Grammaire Portugaise.--Louvain, 1884. + +Mágoas de Werther (romance de J. W. von Goethe trasladado a +português).--Paris, 1885. + + +POR G. DE VASCONCELLOS ABREU + + +Questions Védiques.--Paris, 1877. + +Sobre a Séde originaria da Gente Árica.--Coimbra, 1878. + +Investigação sobre o caracter da Civilisacão Árya-hindu.--Lisboa, 1878. + +Importância capital do sãoskrito como base da Glottologia árica e da +Glottologia árica no ensino superior das lettras e da historia.--Lisboa, +1878. + +Contribuições mythologicas. + +Grammatica da língua sãoskrita: Phonologia.--Lisboa, 1879. + +Fragmentos de uma tentativa de Estudo Scoliastico da Epopea Portugueza +(publicados pelo 3.º Centenário de Camões; a 2.ª parte dêste trabalho +foi traduzida em inglês pelo sr. Donald Fergusson, com o título +«Buddhist Legends from Fragmentos ... by G. de Vasconcellos Abreu. +Translated with additional notes. Ceylon).--1880.--1884. + +O Reconhecimento de Chakuntalá (texto devanágrico e tradução portuguesa +do Acto I do célebre drama de Xacuntalá do poeta Calidaça, segundo a +recensão Bengali).--Lisboa, 1878. + +Manual para o Estudo do Sãoskrito clássico. Tomo I, Resumo +Grammatical.--Lisboa, 1881-1882. + +De l'Origine probable des Toukhâres et leurs migrations à travers +l'Asie.--Louvain. Lisbonne. (Memória acerca da orijem dos Teucros, +apresentada ao Congresso antropolójico de Lisboa em 1880). + +A literatura e a relijião dos Árias na índia. Primeira Parte.--Paris, +1885. + + + + + +End of the Project Gutenberg EBook of Bases da ortografia portuguesa +by Gonçalves Viana and Guilherme Abreu + +*** END OF THIS PROJECT GUTENBERG EBOOK BASES DA ORTOGRAFIA PORTUGUESA *** + +***** This file should be named 15047-0.txt or 15047-0.zip ***** +This and all associated files of various formats will be found in: + https://www.gutenberg.org/1/5/0/4/15047/ + +Produced by Rita Farinha and the Online Distributed Proofreading +Team. The images for this file were generously made available by +Biblioteca Nacional Digital (hhtp://bnd.bn.pt). + + +Updated editions will replace the previous one--the old editions +will be renamed. + +Creating the works from public domain print editions means that no +one owns a United States copyright in these works, so the Foundation +(and you!) can copy and distribute it in the United States without +permission and without paying copyright royalties. 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It exists +because of the efforts of hundreds of volunteers and donations from +people in all walks of life. + +Volunteers and financial support to provide volunteers with the +assistance they need, is critical to reaching Project Gutenberg-tm's +goals and ensuring that the Project Gutenberg-tm collection will +remain freely available for generations to come. In 2001, the Project +Gutenberg Literary Archive Foundation was created to provide a secure +and permanent future for Project Gutenberg-tm and future generations. +To learn more about the Project Gutenberg Literary Archive Foundation +and how your efforts and donations can help, see Sections 3 and 4 +and the Foundation web page at https://www.pglaf.org. + + +Section 3. Information about the Project Gutenberg Literary Archive +Foundation + +The Project Gutenberg Literary Archive Foundation is a non profit +501(c)(3) educational corporation organized under the laws of the +state of Mississippi and granted tax exempt status by the Internal +Revenue Service. The Foundation's EIN or federal tax identification +number is 64-6221541. Its 501(c)(3) letter is posted at +https://pglaf.org/fundraising. Contributions to the Project Gutenberg +Literary Archive Foundation are tax deductible to the full extent +permitted by U.S. federal laws and your state's laws. + +The Foundation's principal office is located at 4557 Melan Dr. S. +Fairbanks, AK, 99712., but its volunteers and employees are scattered +throughout numerous locations. Its business office is located at +809 North 1500 West, Salt Lake City, UT 84116, (801) 596-1887, email +business@pglaf.org. 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Thus, we do not necessarily +keep eBooks in compliance with any particular paper edition. + + +Most people start at our Web site which has the main PG search facility: + + https://www.gutenberg.org + +This Web site includes information about Project Gutenberg-tm, +including how to make donations to the Project Gutenberg Literary +Archive Foundation, how to help produce our new eBooks, and how to +subscribe to our email newsletter to hear about new eBooks. diff --git a/15047-0.zip b/15047-0.zip Binary files differnew file mode 100644 index 0000000..6ae4c4b --- /dev/null +++ b/15047-0.zip diff --git a/15047-8.txt b/15047-8.txt new file mode 100644 index 0000000..4a5077d --- /dev/null +++ b/15047-8.txt @@ -0,0 +1,1105 @@ +The Project Gutenberg EBook of Bases da ortografia portuguesa +by Gonalves Viana and Guilherme Abreu + +This eBook is for the use of anyone anywhere at no cost and with +almost no restrictions whatsoever. You may copy it, give it away or +re-use it under the terms of the Project Gutenberg License included +with this eBook or online at www.gutenberg.org + + +Title: Bases da ortografia portuguesa + +Author: Gonalves Viana and Guilherme Abreu + +Release Date: February 14, 2005 [EBook #15047] + +Language: Portuguese + +Character set encoding: ISO-8859-1 + +*** START OF THIS PROJECT GUTENBERG EBOOK BASES DA ORTOGRAFIA PORTUGUESA *** + + + + +Produced by Rita Farinha and the Online Distributed Proofreading +Team. The images for this file were generously made available by +Biblioteca Nacional Digital (hhtp://bnd.bn.pt). + + + + + + + +BASES + +DA + +ORTOGRAFIA PORTUGUESA + +POR + +A. R. GONALVES VIANNA +Romanista + +G. DE VASCONCELLOS ABREU +Orientalista + + +LISBOA +IMPRENSA NACIONAL +1885 + + +_Impresso para circular gratuitamente_ + + +_OFERTA DOS AUTORES_ + + + Ex.^mo Sr. + +Para respondermos s perguntas que nos teem sido feitas acrca da +ortografia adoptada pelos editores tcnicos da +Enciclopdia de +cincia, arte e literatura--Biblioteca de Portugal e Brasil[1]+ temos a +honra de dirijir a V. Ex. esta circular, e rogamos-lhe que faa to +conhecidos, quanto em seu poder esteja, os fundamentos em que essa +ortografia assenta. + +Os princpios que servem de base reforma ortogrfica iniciada por ns +ambos e usada ha dois anos pelo segundo signatrio desta circular, em +escritos particulares e oficiais, e em artigos publicados em alguns +papis peridicos, so resultado de estudo consciencioso e larga +discusso dos iniciadores. So princpios deduzidos ou antes expresso +dos factos glotoljicos examinados com rigor; so todos demonstrveis, e +de simplicidade tal que os poder compreender a s intelijncia, anda +que para ela sejam estranhos os estudos de glotolojia. + +Vamos exp-los apreciao pblica desde j, e assim comear a +preparar-se a crtica de todos os indivduos, que, por se prezarem de +Portugueses, no queiram que estranjeiros censurem no haver, para a +nossa formosssima lingua, ortografia cientfica e uniforme a que deva +chamar-se +Ortografia Portuguesa+. + +No futuro Congresso que temos a peito convocar breve, essa crtica ser +o nico juz a que todos ns os Portugueses havemos de nos sujeitar para +adopo de ortografia portuguesa e rejeio absoluta de toda ortografia +individual, seja quem for seu autor. + + [1] Esto publicados: o 1. vol. da Coleco cientfica A Literatura + e a Relijio dos rias na ndia, por G. de Vasconcellos Abreu; e o + 1. vol. da Coleco literria Mgoas de Werther, romance traduzido + do orijinal alemo, de J.W. von Goethe, por A. R. Gonalves Vianna. + + O custo de cada volume de 300 ris, brochura, 400 ris, cartonado. + + Estes volumes por serem os primeros, e particularmente Werther, + saram com erros tipogrficos que no devem ser levados conta do + sistema de ortografia. + + So editores tcnicos A. R. Gonalves Vianna, G. de Vasconcellos Abreu + (a quem devem ser dirijidos os manuscritos e toda a correspondncia), + S. Consiglieri Pedroso, em Lisboa. + + So editores-impressores Guillard, Ailland & C., em Paris. + +Todos ns, os que lemos, e mais anda os que escrevemos para o pblico, +sabemos quo diverjentes so as ortografias das vrias Redaces e +estabelecimentos tipogrficos. Teem escritores +suas ortografias+ +prprias, como +as+ teem as imprensas particulares e as do Estado. E nas +do Estado so diferentes +as ortografias+ da Imprensa Nacional e +as+ da +Imprensa da Universidade--estes plurais so a expresso real de um +facto, sem censura pessoal. + +Com a exposio que vamos fazer dos princpios mais jerais em que +assenta a reforma ortogrfica, por ns iniciada, temos em vista mostrar, +a todo o pas capaz de pensar e ler, que o nosso intuito realizar uma +das verdadeiras condies da vida nacional--existncia de ortografia ++uniforme e cientificamente sistemtica+ a que deva chamar-se ++Ortografia Portuguesa+. + +Sigamos dois bons exemplos a que largos anos deram ha muito j a sano: +o exemplo da Hispanha e o mais antigo da Itlia. V. Ex. a quem +dirijimos esta nossa exposio, honrar-nos ha dando-lhe a maior +publicidade que puder; e por certo se julgar honrado se entender que +com essa publicao presta bom servio ptria a quem devemos ste +respeito. + +De V. Ex. + ++atentos veneradores+ + +Lisboa, outubro de 1885. + +A. R. Gonalves Vianna. G. de Vasoncellos Abreu. + + + +BASES + +DA + +ORTOGRAFIA PORTUGUESA + + + + +I + + +PRINCPIOS JERAIS DE TODA ORTOGRAFIA + + +1. Uma lngua um facto social; no depende do capricho de ningum +alter-la fundamentalmente. + +2. Como facto social produto complexo, varivel por evoluo prpria +da sociedade cujas relaes serve. + +3. A ortografia o sistema de escrita pelo qual representada a +lngua dum povo ou duma nao num certo estado de evoluo glotoljica. + +4. Esta representao deve ser exacta para todo o povo, para toda a +nao e portanto deve respeitar a filiao histrica. + +5. evidente, pois, que a ortografia no pode ser especial dum modo de +falar, quer ste seja dum s indivduo, quer duma provncia ou dialecto +da lngua. + +6. Em virtude disto a ortografia no pode representar a pronunciao, +que por certo no ser una; ha de representar a enunciao, a qual +sempre comum ao povo, nao que fala uma s lngua como seu idioma +prprio e exclusivo. + +7. Na ortografia, por consecuncia, no se pode fazer uso de sinais que +indiquem pronncia de uma qualquer letra vogal, excepto quando essa +vogal carea de ser pronunciada com modulao especial para a distino +conveniente do emprgo sintctico do vocbulo, ou anda (e menos vezes +em portugus) para distinguir na grafia nica modos diferentes de +silabizao. + +8. Para se representar a enunciao carece-se de acentuar grficamente +o vocbulo, e a ortografia deve ser tal que, subordinada s leis de +acentuao na lngua falada, mostre para qualquer vocbulo a sua slaba +tnica a quem desconhea o vocbulo que l. + +_Esclio_.-- evidente que a acentuao grfica intil na lngua +escrita cuja constituio glotoljica a determina invarivelmente: tal o +latim clssico e as lnguas jermnicas. + + + + +II + + +PRINCPIOS PARTICULARES DA ORTOGRAFIA DA LNGUA PORTUGUESA + + +O ensino ortogrfico da lngua portuguesa reduz-se, portanto, na +prtica, ao ensino de: + +I. Leis da acentuao nos vocbulos smplices e nos compostos. + +II. Valor histrico dos fonemas anda proferidos e dos que j no se +proferem; influncia dstes sbre a modulao da vogal precedente. + +III. Conhecimento dos ditongos e sua dissoluo. + +IV. Silabizao. + +V. Homnimos e parnimos. + +VI. Funo dos sufixos. + +VII. Composio dos vocbulos e formao da perfrase nos verbos, e uso +das enclticas. + +Diremos dstes assuntos em outros tantos paragrafos, definindo, todavia, +primeiro, o que entendemos por ortografia portuguesa. + +ORTOGRAFIA PORTUGUESA o sistema de escrita ou grafia representante +comum de todos os dialectos do portugus falado; a sua base a histria +da linguajem portuguesa considerada como lngua e como dialecto. + +Considerada como lngua, estuda-se a linguajem portuguesa no ponto de +vista de lngua fundamental ou lngua me, de que, por evoluo prpria, +se teem derivado outros modos de falar no tempo e no espao, depois de +assentada a evoluo glotoljica realizada em Portugal durante mais de +um sculo j desde D. Dinis, e principalmente durante os reinados de D. +Pedro I, D. Fernando I e D. Joo I. + +Considerada como dialecto, estuda-se a linguajem portuguesa como +evoluo glotoljica neo-latina ou romnica. + + +I--DA ACENTUAO + + +1. A acentuao marcada tnica e no prosdica; no determina +modulao da letra vogal, determina a slaba elevada na enunciao do +vocbulo. + +Esta slaba uma s e a mesma slaba para cada vocbulo na lngua +portuguesa em todo o pas, com excepes espordicas mais ou menos +justificadas. Exemplos: _htel, hotel; bno, beno_. + +_Esclio._--A acentuao grfica sempre a de vocbulo que faz +excepo regra jeral. + +2. O sinal grfico da acentuao tnica por excelncia o acento +agudo. Marca, porm, ste acento:--vogal tnica aberta em parnimos: +_fsse, fsse; sco, sco; reis_ (pl. de _rei_), _ris_ (pl. de +_real_);--_i, u_ tnicos depois de outra vogal: _pas_ (cf. _pais_), +_rene, monho, rum_;--a vogal _u_ tnica depois de _g_ em _ge, gi_ +(cf. 4.): _arge, argi_. + +3. Pode ser sinal grfico da acentuao tnica o acento circunflexo, e +o ser especialmente nos casos em que no fonema tnico concorra +modulao necessria de _, _, como fica exemplificado em o nmero +precedente, e se v mais dos seguintes exemplos: _fra_ (cf. _fra_), +_modlo_ (cf. _modlo_), _sossgo_ (cf. _sossgo_), _cres_ (cf. +_cres_), _cr_ (cf. _cr_ em _de-cr_), _vem_ (cf. _veem_, do verbo +_vir_), _d_ (cf. _de_), _dsse_ (cf. _dsse_), e anda nos vocbulos +sem parnimos, quando eles sejam esdrxulos ou oxtonos terminados numa +dessas vogais seguida ou no de _s_, tais: _pssego, portugus, flego, +merc_. + +4. O acento grave diferencial: indica sempre a pronunciao +alfabtica prpria da letra vogal altervel, isto , susceptvel de ter +mais de uma pronunciao (_a, e, o_). Emprega-se na ortografia +exclusivamente em tres circunstncias:--na crase da preposio _a_ com o +artigo feminino _a, a_ + _a_ (ambos tonos) = ;--na slaba tona cuja +vogal altervel haja de se proferir aberta e tona com a sua pronncia +alfabtica, para que se distinga o vocbulo de outro seu parnimo, ex.: +_crdor_ (cf. _credor_), _prgar_ (cf. _pregar_);--no _u_ de prolaco +_ge, gi_ quando se proferir tono (cf. 2.): _argir, agentar, +lingstica_. + +_Esclio._--Escrevemos _cue_ por _que_ (_qe_), _cui_ por _qui_ (_qi_); +ex.: _consecuente, consecuncia_. + +5. Os vocbulos terminados em _a, o, e, as, os, es_, so jeralmente +enunciados com acentuao na penltima slaba; logo no teem acentuao +grfica marcada. Cf. 2. e corolrio de 7. _bis_. + +5. _bis_. Todo vocbulo terminado em _a_ ou _as, o_ ou _os, e_ ou _es_, +proferido com acentuao noutra slaba que no seja a penltima, tem a +acentuao marcada na escrita. So innmeros os exemplos; em toda esta +exposio doutrinal os ter notado o leitor, pois que saltam vista, +sempre como excepo, as dies cuja grafia acentuada. + +6. Os vocbulos terminados em outra qualquer vogal (_i, u_), ou em +vogal pura seguida de outra consoante que no seja _s_, e os plurais +respectivos, so jeralmente proferidos com acento na ltima slaba. Logo +no teem acento grfico. + +6. _bis_. Todo vocbulo terminado dste modo mas cuja acentuao se faz +noutra slaba tem o acento grfico nessa slaba. Ex.: _pedi, pedis; +funil, 'funis; matiz; pnsil, pnseis; cascavel, cascaveis; peru, +perus; Hindu, Hindus; Caramuru; trbu, trbus; Pru_. + +7. Os vocbulos cuja ltima slaba for em vogal nasal, ou em ditongo +puro ou nasal, teem jeralmente a enunciao acentuada na slaba final. +Logo no se lhes marca o acento na escrita. Ex.: _marfim; irm, irms; +irmo, irmos; marau, maraus; andai, andais; louvei, louveis; Simes; +Magalhes_. Cf. 2. paj. 7 e 13. + +7. _bis_. Ser, porm, marcada a acentuao dsses vocbulos quando ela +se faa noutra qualquer slaba. Ex.: _rgo, Estvo_. + +_Esclio_.--Para os contratos absolutamente indispensvel, como bem o +viu o grande Ministro, distinguir os futuros dos pretritos na 3. +pessoa do plural, sem emprgo do acento grfico, fcil de esquecer ou de +ser psto depois do contrato escrito e assinado, distinguir-se ho, +pois: _juraro, juraram (jurro); vendero, venderam (vendro); +prescindiro, prescindiram (prescindro)_; etc. + +_Corolrio_.--Por ste motivo o ditongo _o_, final tono de verbos, +escrever-se ha idnticamente com _am_; e, por analojia, se escrever a +slaba final dos vocbulos terminados pelo ditongo tono _e_ com a +grafia _em_. A acentuao grfica de tais vocbulos obedece ao princpio +5. Ex.: _honram, viajam, ordem, viajem, prem, alem_ (= _lem,_ v. +_alar_). + +_N.B._ Pelo princpio 5. _bis_ devemos escrever e escrevemos: _porm, +ningum, tambm, alm_, etc.; deveramos, todavia, usar da ortografia: +_pore, ningue, tambe_, etc. Deixmos ste ponto para o Congresso. + + anda evidente que os plurais dstes nomes seguem anlogamente a regra +dada para os plurais dos nomes em _a, o, e_; assim: _ordens, viajens, +(_rdes, vijes_). + +8 Os vocbulos compostos teem na escrita a acentuao dos seus +smplices respectivamente marcada em obedincia aos princpios que ficam +expostos. + + +II--DOS FONEMAS E SUA REPRESENTAO POR LETRAS CONSOANTES + + +Dois princpios absolutos determinam a excluso de consoante intil; e +quatro ordens de outros factos decidem a adopo cientfica de +representao de fonemas articulados. So estes factos: + +_a)_ valores dialectalmente confundidos: _ch_ (= _tch_), _ch_ (= _x_), +_x; s, ; s, z_. + +_b)_ valores prximos confundidos pela falta de observao da +articulao: _s, x; g_(_a_), _g_(_ue, ui_); _g_(_e, i_), _j_; _c_(_a, o, +u_), _qu_. + +_c)_ valor exclusivamente de influncia do fonema articulado sbre o +fonema modulado precedente. + +_d)_ valores diferentes de um s smbolo grfico: _x_, entre vogais. + + + +II _a_.--EXCLUSO DE LETRAS CONSOANTES + + +1. So banidos da escrita os smbolos grficos sem valor de fonema +prprio. So eles _th, ph, ch_, respectivamente por _t, f, q_(_u_), +_c_(_a, o, u_), _c_; bem assim _y_=_i_. + +1. _bis_. Pde manter-se _k=q_(_u_)=_c_(_a, o, u_) nas abreviaturas de +_quilmetro_=_klm._, etc. Devemos, porm, escrever por extenso: +_quilmetro_[1], _quilograma_, etc. + +2. So banidos da escrita os smbolos grficos sem valor. So eles as +consoantes dobradas ou grupos de consoantes no proferidas e sem +influncia na modulao antecedente, nem necessidade por derivao +manifesta de outro vocbulo existente em que haja de proferir-se cada +uma das consoantes, como _Ejipto_ de que se deriva _ejpcio_. + +Exemplos de smbolos sem valor prprio em portugus: + +_th_ = _t_.--_thermometro_ = _termmetro_; _ether_ = _ter_; _thio_ = +_tio_. + +_ph_ = _f_.--_ethnographia_ = _etnografia_; _philtro_ = _filtro_. + +_ch_ = _q_(_u_).--_chimica_ = _qumica_; _machina_ = _mquina_; +_chimera_ = _quimera_. + +_ch_ = _c_(_a, o_).--_chorographia_ = _corografia_; _mechanica_ = +_mecnica_. + +_y_ = _i_.--_lyrio_ = _lrio_; _physica_ = _fsica_. + +Consoantes dobradas:--_agglomerar_ = _aglomerar_; _prometter_ = +_prometer_; _commum_ = _comum_; _Philippe_ = _Filipe_. + +Grupo de consoantes:--_Christo_ = _Cristo_; _Demosthenes_ = +_Demstenes_; _Mattheus_ (que j se escreve, sem razo, Matheus) = +_Mateus_; _schola_ = _escola_; _sciencia_ = _cincia_; _phthisica_ = +_tsica_. + +Influncia da consoante na modulao precedente:--Vejam-se exemplos em +_c_, pj. 11. + +1. _Esclio_.--Conservamos _n_ dobrado, _m_ dobrado, nos vocbulos +derivados de outros, cuja inicial _n_ ou _m_, por meio das +prepositivas _in, em_, toda vez que a prepositiva significa _dentro_; e +anda nalguns poucos vocbulos em que _n_ ou _m_ influam na vogal _i_ ou +_e_. A nasal da prepositiva _com_ s a conservamos, por ste motivo, em +_connosco_. Escrevemos, pois: _immigrar, immerjir, emmalar, ennobrecer, +innato_, etc.; _comoo, comum, comutar, conexo_, etc. + +2. _Esclio_.--Mantemos as representaes grficas das palatais _ch, +lh, nh_, emquanto no houver smbolo nico para cada uma delas. + + [1] A ortografia _kilometro_ por _chilometro_ d ocasio a traduzir-se + metro-de-burro e no mil-metros. Em grego _kllos_ significa + burro, e _chlioi_ significa mil. Porque razo, pois, havemos de + escrever _cirurgia, chimera, kilo_, quando o _c_, o _ch_ e o _k_ + representam a mesma orijem _ch_, transcrio latina do [Greek: ch], + grego? + + +3. _Esclio_.--S ao Congresso compete tratar da excluso ou +conservao da aspirante _h_. + + +II _b_.--ADOPO DE LETRAS CONSOANTES + + +_a)_--1. Escrevem-se com _ch_ as slabas que so proferidas com palatal +dura, segundo os dialectos, explosiva ou contnua: _chave, chapeu, +chuva_; etc. A etimolojia e as lnguas conjneres determinam que sigamos +o exemplo dos nossos clssicos e de vrios monumentos escritos usando-se +da grafia _ch_. + +2. Escrevem-se com _x_ (melhor seria _[.x]*_) as slabas cuja inicial +palatal dura contnua: _xacoco, xadrez, xarafim; enxrcia, enxada, +enxrga, enxrga, enxertia, enxaimel, enxame, enxndia; rixa, roixo;_ +etc. Cf. _d)_. + +3. Escrevem-se com _s_ as slabas cuja final sibilante dura palatal +e, espordicamente, sibilante dura dental: _mas; basta; foste; dmos, +dmos; bosques; portugus, portugueses_; etc. A etimolojia, o dialecto +transmontano e as lnguas conjneres determinam a grafia _s_. + +4. Escrevem-se com _s_ inicial, ou com _ss_ entre vogais, as slabas em +que a sibilante dura ou dental, ou supra-alveolar, conforme os +dialectos: _saber, classe, diverso, sesso, conselho, sossgo, sossgo_, +etc. Determinao histrica e comparao. + +5. Escrevem-se com __, ou com _c_(_e, i_), inicial as slabas em que a +sibilante dental dura, e s supra-alveolar nas partes do pas onde +no ha outra sibilante dura inicial: _peo, cincia, concelho, poo, +doura, preo, apato, ara, crcere_, etc. Determinao histrica e +comparao. + +6. Escrevem-se com _s_ entre duas vogais (uma final da slaba a que +pertence a sibilante, outra final da slaba precedente) as slabas em +que a sibilante branda dental ou, segundo o dialecto, supra-alveolar: +_posio, coser_ (consuere), _precioso, preso_ (prehensum, cf. _prezo_), +_preciso, pso, pso_, etc. Determinao histrica e comparao. + +7. Escrevem-se com _z_ inicial as slabas em que a sibilante dental +branda em todo o pas, excepo daqueles pontos em que se no profere +sibilante inicial seno supra-alveolar: _azdo, azdo, azebre, razo, +cozer, prezo_ (cf. _preso_), etc. Determinao histrica e comparao. + +8. Escrevem-se com _z_ final os vocbulos que nos seus derivados so +escritos com _c_ (_e, i_) correspondente sibilante final deles. Assim +o determina a etimolojia, evidente na derivao, e a pronncia +dialectal. Exemplos: _infeliz, infelicidade; smplez, smplices, +simplicidade; ourvez, ourivezaria_; etc. + +_Corolrio_.--Escrevem-se com _z_ infixo os diminutivos e aumentativos +_zito, -zinho, -zo_, etc., e os sufixos (derivados do latino _-itia_) +_-eza, -ez_; bem como os sufixos de verbos, _-izar_, e de nomes, +_-izao_. + +_Esclio_.--Os plurais dos nomes diminutivos formam-se do tema do plural +do nome fundamental e do plural do sufixo. Do testemunho os dialectos. +Assim, pois, escrevemos: _homemzinho, homemzinhos_, no _homensinhos; +acozinha, acezinhas_, no _acesinhas; pozinho, pezinhos_, no +_pesinhos; mozinha, mozinhas; aneizinhos_; etc. + +_b)_--1. Adoptmos, pelo que fica dito em _a)_ 3., a representao +grfica _s_ para a sibilante palatal dura final de slaba, que muitas +pessoas julgam ser absolutamente igual a _x_ (_[.x]*_). + +2. Por falta mais grave na observao se tem confundido as articulaes +_g_(_a_), _g_(_ue, ui_), _j_(_a_), _j_(_e, i_), e ainda _c_(_a_), +_q_(_ue, ui_). Os pontos articulatrios so diferentes. No congresso +trataremos estes assuntos. Carecemos de caracteres prprios para +distinguir na escrita as articulaes _j_(_a_), _g_(_e, i_), _j_(_o, +u_), nas palavras _Jacob, Jeremias, Jos, Jesus, Jutlandia, Jerusalem, +geme, gemer, gentes, gymnasio, Gil_; etc.; e certo que no podemos, +to pouco, distinguir _Guilherme, guerra, garra, gume_, causando +estranheza invencvel a grafia _Geremias, Gesus_, e ficando anda infiel +_gemer, geral_, e sempre em contradio com uma pronncia _Grusalm_ ou +_Jerusalm_; tendo ns, pois, de escrever _Jeremias, Jesus_, adoptmos o +smbolo _j_ para os fonemas articulados das slabas _ja, jo, ju, ge, +gi_, e por ste sistema grfico evitamos tambm regra especial para a +conjugao dos verbos em (_-ger, gir_) _-jer, -jir_. + +_Esclio_.-- evidente (pelo que fica dito em _b)_ 2.) a necessidade +anda existente de mantermos o modo de escrever _gue, gui_, nas slabas +terminadas na vogal palatal _i_ ou _e_, precedida do fonema gutural +brando, mostrando-se pelo acento grave sbre o _u_ da prolao _ge, +gi_, as silabizaces _gu-e, gu-i_, como fica dito em 4. de pj. 7. + +_c)_ Conservamos todo sinal grfico de fonema histrico, hoje nulo, cuja +influncia na vogal precedente persistente: _aco, actor, +predileco, redaco, respectivo, trajectria, baptismo, concepo_; e +anda quando facultativa a pronunciao, como em _carcter._ + +_Esclio_.--Os fonemas _i, u_, no esto sujeitos a esta influncia: +_edito_ = _edicto_ (cf. _dito_); _corruto_ = _corrupto_; _corruo_ = +_corrupo_. + +_d)_ Conservamos a grafia _x_ para representar os diferentes fonemas que +de facto representa na lngua portuguesa, porque no temos direito, nem +Congresso nenhum, de impor pronncia pela ortografia. O Congresso poder +assentar as bases para o dicionrio ortopico; e no tocante a pronncia +nada mais pode fazer--estabelece o padro, d a norma--para que se +dilijenceie ler dum modo nico o vocbulo escrito. + +Ningum pode contestar o direito de se pronunciar o vocbulo _exemplo_ +de uma das seguintes maneiras: _izemplo, isemplo, eizemplo, eisemplo, +isjemplo_. Ningum pode contestar o direito de se pronunciar _trouxe: +trou[.x]e, trouce; extravagante: eistravagante, istravagante, +'stravagante; fixo: fi[.x]o, ficso, fico_. + + +III--DOS DITONGOS + + +Pelo que fica dito se v qual a maneira por que indicamos a dissoluo +do ditongo. No usamos da _direse_, tambm chamada _pices_, e mais +jeralmente _trema_ , que alguns gramticos entre ns querem que se use +na vogal prepositiva ou conjuntiva, e no _u_ das prolaes, para neste +caso mostrar que faz sinrese com a voz seguinte. + +O trema sinal que nos veiu de pases estranhos. Tem na escrita de +lnguas europeas significao insubstituvel; que nas jermnicas frma +abreviada de um _e_, e nesta significao nicamente o empregamos. + + +IV--DA SILABIZAO + + +Em quanto sibalizaco devemos mencionar aqui apenas os tres seguintes +princpios: + +1. Dividem-se as slabas, considerando os vocbulos como portugueses +para ste efeito, sem que se atenda derivao de lngua estranha, nem + derivao dentro da prpria lngua: _ma-nus-cri-to, cons-p-cu-o, +obs-t-cu-lo, ins-cre-ver, no-ro-es-te, nor-des-te, pla-nal-to, +a-lhei-o, mai-or, mai-o-res_. + +2. Conserva-se slaba a consoante que determina a modulao da sua +vogal (paj. 11, _c)_): _ac-o, fac-tor, cor-rec-to, bap-tis-mal_. + +3. Na passajem de uma para outra linha empregamos em ambas as linhas o +_trao de unio_, tanto o prprio de vocbulos compostos cujos smplices +se distingam na escrita entrepondo-se-lhes o _hfen_, como o prprio da +ligao das vozes enclticas s suas subordinantes: _porta--bandeira, +guarda--fato, clara--boia; luso--brasileiro; deu--m'o, louva--lhe, +dmo'--lo, louva--o, louv--lo, arrepender--se, dom--lo--ia_. + + +V--DOS HOMNIMOS E PARNIMOS + + +1. Os homnimos confundem-se umas vezes na escrita do portugus como na +sua pronncia; exemplos: _cedo_ (verbo e advrbio); _conto_ (verbo e +nome): _so_ (verbo e adjectivo). Outras vezes distinguem-se com +exactido na escrita, embora no se distingam em todas as pronncias; +exemplos: _vez, vs; cem, sem; coser, cozer; sesso, cesso; -passo, +pao_,--parnimos no dialecto em que se faa diferena na articulao de +_s_ para a de __ e para a de _z_. Podem anda os homnimos +distinguir-se na escrita e no se distinguirem em pronncia nenhuma: +_houve, ouve; d-se, dsse_. + +_Esclio._--Distinguem-se na escrita, mas sem exactido rigorosa: _hora, +ora; heis, eis_; e por rro de analojia falsa, _pelo_ cuja orijem +_per-lo_, que deu _pel lo_ e _pe'-lo_ homnimo, quando se pronuncie +enfticamente, de _pello_, que etimoljicamente s tem um _l_ e devemos +escrever (como de facto se escreve nesta ortografia proposta) _plo_ +(cf. _plo, pelo_). + +2. Os parnimos so perfeitamente distintos na presente ortografia: +_pelo, plo, plo; para, pra; cr, cr; cesto, sexto_ (homnimos em +Lisboa); _fsse, fsse; fra, fra; sesso, cesso, seco; coando, +quando; quanto, canto; credor, crdor; incmodo, incomodo; colhr, +colhr; contrato, contracto; alias, alis; alem_ (verbo), _alm; papeis_ +(verbo), _papis; reis_ (pl. de _rei_), _ris_ (pl. de _real_); _bateis_ +(verbo), _batis; caia, caa_; etc. + + +VI--DOS SUFIXOS + + +Conservamos toda a exactido na ortografia dstes elementos morfoljicos +cuja funo anda to ignorada. Pululam os galicismos, os +estranjeirismos, at na ortografia da nossa linguajem e na sua +morfolojia, que no s em se introduzirem vocbulos novos +desnecessrios, e em se esquecer a sintaxe dela. + + rro escrever-se _civilisao_ por _civilizao, organisar_ por +_organizar; chapeleria_ por _chapelaria; cortez_ por _corts_; etc. + + +VII--DA COMPOSIO, DA PERFRASE, E DAS ENCLTICAS + + +Dissemos o bastante acrca do primeiro e terceiro dstes pontos. Em +quanto perfrase, diremos que as linguajens perifrsticas dos verbos +so diferenciadas em linguajens de perfrase consciente e perfrase +inconsciente. + + linguajem perifrstica consciente a formada com o presente do verbo +_haver_. Escrevemo-la, pois, sem hfen de ligao: _descrev-lo hei, +louv-la has, dar-lh'o ha, amar-nos hemos, unir-vos heis, receber-se +ho_. + + linguajem perifrstica inconsciente, com tmese evidente, a formada com +um resto do pretrito imperfeito do verbo _haver: -ia_ = (hav)_ia, -ias_ += (hav)_ias, -ia_ = (hav)_ia, -amos_ = (hav)_amos, -eis_ = +(hav)_eis, -iam_ = (hav)_iam_. Escrevemos estas linguajens sem o _h_, +perdido com os outros elementos de _hav-_, em todas as pessoas do +pretrito imperfeito do verbo _haver_, que entra na perfrase. Exemplos: +_descrev-lo-ia, deixar-me-ias, aborrec-la-ia, evit-lo-amos, +comportar-vos-ieis, obedecer-lhe-iam_. + + + + + +III + + +O NOSSO INTUITO + + +Se quisssemos entrar em minudncias de linguajem e defender em todos os +pontos a ortografia que inicimos, teramos de escrever um livro de +grosso volume. Se o nosso intuito fsse ensinar, publicaramos um +tratado. Mas diferente o fim dste escrito, que oferecemos +gratuitamente aos nossos conterrneos, como testemunho de respeito pelas +cousas da nossa ptria: _Damos razo da reforma iniciada e sujeitamos ao +so critrio as bases em que esta assenta_. Por ste motivo deixmos de +tratar pontos de que o Congresso ter de se ocupar. + +Andam infelizmente esquecidas por alguns escritores regras de gramtica, +que, a serem lembradas, os no deixariam cometer erros imperdoveis. +Temos visto ortografar (e at pronunciar!!), _passeiando, passeiata, +ideiou, receiar, feichara_, etc., em vez de _passeando, passeata, +ideou, recear, fechara_, etc. certo que a maioria dos leitores sabe +que, por motivo de a acentuao tnica se fazer nas tres pessoas do +singular e terceira do plural de todos os presentes dos verbos, como +_idear, recear, passear_, etc., nicamente nessas frmas pessoais +aparece o ditongo _ei_ no radical: _passeio, passeias, passeia, +passeamos, passeais, passeiam_;--passeava, passeavas_, etc.;--_passeei, +passeaste_, etc.;--_passearei, passears_, etc.;--_passearia_, +etc.;--_passeia tu, passeie ele, passeemos ns, passeai vs, passeiem +eles;--que eu passeie, que tu passeies, que ele passeie, que ns +passeemos, que vs passeeis, que eles passeiem;--passear, passeando, +passeado_. O radical portugus _passe-_. + + claro que tratar de assuntos como ste no objecto de uma smplez +circular. E se o leitor houver notado que usmos nela de modos de +ortografar para que no encontra explicao nos princpos que ficam +estabelecidos, atribua o facto a no caber a explicao suficiente nos +princpios jerais. Cremos que as bases, como ficam postas, constituem +mtodo sem contradies:--se o Congresso fr at suprimir (como julgamos +que deve suprimir) as letras consoantes inteis nos nomes prprios e nos +de famlia, assinaremos sem dobrar as consoantes _nn, ll_ dos nossos +nomes. + +No nos preocupa uma idea preconcebida. No nos domina um subjectivismo +apaixonado. Desejamos que no pas todo se una para discutir de boa f +quem tiver estudado o problema, e que ste se resolva estabelecendo-se +ORTOGRAFIA PORTUGUESA. + + ++ALGUNS OUTROS TRABALHOS PUBLICADOS PELOS MESMOS AUTORES+ + +POR A. R. GONALVES VIANNA + +Estudos Glottologicos: Graphica e Phonetica. O livro da Escripta do +Professor Faulmann.--Porto, 1881. + +Essai de Phontique et de Phonologie de la Langue Portugaise d'aprs le +dialecte de Lisbonne.--Paris, 1883. + +tudes de Grammaire Portugaise.--Louvain, 1884. + +Mgoas de Werther (romance de J. W. von Goethe trasladado a +portugus).--Paris, 1885. + + +POR G. DE VASCONCELLOS ABREU + + +Questions Vdiques.--Paris, 1877. + +Sobre a Sde originaria da Gente rica.--Coimbra, 1878. + +Investigao sobre o caracter da Civilisaco rya-hindu.--Lisboa, 1878. + +Importncia capital do soskrito como base da Glottologia rica e da +Glottologia rica no ensino superior das lettras e da historia.--Lisboa, +1878. + +Contribuies mythologicas. + +Grammatica da lngua soskrita: Phonologia.--Lisboa, 1879. + +Fragmentos de uma tentativa de Estudo Scoliastico da Epopea Portugueza +(publicados pelo 3. Centenrio de Cames; a 2. parte dste trabalho +foi traduzida em ingls pelo sr. Donald Fergusson, com o ttulo +Buddhist Legends from Fragmentos ... by G. de Vasconcellos Abreu. +Translated with additional notes. Ceylon).--1880.--1884. + +O Reconhecimento de Chakuntal (texto devangrico e traduo portuguesa +do Acto I do clebre drama de Xacuntal do poeta Calidaa, segundo a +recenso Bengali).--Lisboa, 1878. + +Manual para o Estudo do Soskrito clssico. Tomo I, Resumo +Grammatical.--Lisboa, 1881-1882. + +De l'Origine probable des Toukhres et leurs migrations travers +l'Asie.--Louvain. Lisbonne. (Memria acerca da orijem dos Teucros, +apresentada ao Congresso antropoljico de Lisboa em 1880). + +A literatura e a relijio dos rias na ndia. Primeira Parte.--Paris, +1885. + + + + + +End of the Project Gutenberg EBook of Bases da ortografia portuguesa +by Gonalves Viana and Guilherme Abreu + +*** END OF THIS PROJECT GUTENBERG EBOOK BASES DA ORTOGRAFIA PORTUGUESA *** + +***** This file should be named 15047-8.txt or 15047-8.zip ***** +This and all associated files of various formats will be found in: + https://www.gutenberg.org/1/5/0/4/15047/ + +Produced by Rita Farinha and the Online Distributed Proofreading +Team. The images for this file were generously made available by +Biblioteca Nacional Digital (hhtp://bnd.bn.pt). + + +Updated editions will replace the previous one--the old editions +will be renamed. + +Creating the works from public domain print editions means that no +one owns a United States copyright in these works, so the Foundation +(and you!) can copy and distribute it in the United States without +permission and without paying copyright royalties. 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It exists +because of the efforts of hundreds of volunteers and donations from +people in all walks of life. + +Volunteers and financial support to provide volunteers with the +assistance they need, is critical to reaching Project Gutenberg-tm's +goals and ensuring that the Project Gutenberg-tm collection will +remain freely available for generations to come. In 2001, the Project +Gutenberg Literary Archive Foundation was created to provide a secure +and permanent future for Project Gutenberg-tm and future generations. +To learn more about the Project Gutenberg Literary Archive Foundation +and how your efforts and donations can help, see Sections 3 and 4 +and the Foundation web page at https://www.pglaf.org. + + +Section 3. Information about the Project Gutenberg Literary Archive +Foundation + +The Project Gutenberg Literary Archive Foundation is a non profit +501(c)(3) educational corporation organized under the laws of the +state of Mississippi and granted tax exempt status by the Internal +Revenue Service. The Foundation's EIN or federal tax identification +number is 64-6221541. Its 501(c)(3) letter is posted at +https://pglaf.org/fundraising. Contributions to the Project Gutenberg +Literary Archive Foundation are tax deductible to the full extent +permitted by U.S. federal laws and your state's laws. + +The Foundation's principal office is located at 4557 Melan Dr. S. +Fairbanks, AK, 99712., but its volunteers and employees are scattered +throughout numerous locations. Its business office is located at +809 North 1500 West, Salt Lake City, UT 84116, (801) 596-1887, email +business@pglaf.org. Email contact links and up to date contact +information can be found at the Foundation's web site and official +page at https://pglaf.org + +For additional contact information: + Dr. Gregory B. Newby + Chief Executive and Director + gbnewby@pglaf.org + + +Section 4. Information about Donations to the Project Gutenberg +Literary Archive Foundation + +Project Gutenberg-tm depends upon and cannot survive without wide +spread public support and donations to carry out its mission of +increasing the number of public domain and licensed works that can be +freely distributed in machine readable form accessible by the widest +array of equipment including outdated equipment. Many small donations +($1 to $5,000) are particularly important to maintaining tax exempt +status with the IRS. + +The Foundation is committed to complying with the laws regulating +charities and charitable donations in all 50 states of the United +States. 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Donations are accepted in a number of other +ways including including checks, online payments and credit card +donations. To donate, please visit: https://pglaf.org/donate + + +Section 5. General Information About Project Gutenberg-tm electronic +works. + +Professor Michael S. Hart was the originator of the Project Gutenberg-tm +concept of a library of electronic works that could be freely shared +with anyone. For thirty years, he produced and distributed Project +Gutenberg-tm eBooks with only a loose network of volunteer support. + + +Project Gutenberg-tm eBooks are often created from several printed +editions, all of which are confirmed as Public Domain in the U.S. +unless a copyright notice is included. Thus, we do not necessarily +keep eBooks in compliance with any particular paper edition. + + +Most people start at our Web site which has the main PG search facility: + + https://www.gutenberg.org + +This Web site includes information about Project Gutenberg-tm, +including how to make donations to the Project Gutenberg Literary +Archive Foundation, how to help produce our new eBooks, and how to +subscribe to our email newsletter to hear about new eBooks. diff --git a/15047-8.zip b/15047-8.zip Binary files differnew file mode 100644 index 0000000..0d49df8 --- /dev/null +++ b/15047-8.zip diff --git a/LICENSE.txt b/LICENSE.txt new file mode 100644 index 0000000..6312041 --- /dev/null +++ b/LICENSE.txt @@ -0,0 +1,11 @@ +This eBook, including all associated images, markup, improvements, +metadata, and any other content or labor, has been confirmed to be +in the PUBLIC DOMAIN IN THE UNITED STATES. + +Procedures for determining public domain status are described in +the "Copyright How-To" at https://www.gutenberg.org. + +No investigation has been made concerning possible copyrights in +jurisdictions other than the United States. 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